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Numero do processo: 16707.005180/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.384
Decisão: Vistos e apreciados os presentes autos, resolve o colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que o processo retorne à primeira instância administrativa, a fim de aguardar o trânsito em julgado de auto de infração de obrigação principal conexo a este.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ (Relatora), LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos e apreciados os presentes autos, resolve o colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que o processo retorne à primeira instância administrativa, a fim de aguardar o trânsito em julgado de auto de infração de obrigação principal conexo a este. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ (Relatora), LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ (Relatora), LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 05 18 0/ 20 09 -4 5 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.005180/200945 Resolução nº 2302000.384 S2C3T2 Fl. 3 2 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Feito o registro. Tratase de recurso voluntário, contra decisão proferida que deu provimento parcial à impugnação. Em sua impugnação, a recorrente alega, em síntese, que: 1. Houve cerceamento de sua defesa; 2. O arbitramento efetuado é improcedente; 3. As contribuições relacionadas às cooperativas não são exigíveis; e 4. As despesas com alimentação são isentas. A DRJ analisou a impugnação e decidiu por seu provimento parcial, com a redução da multa. A recorrente apresentou seu recurso, repetindo seus argumentos da impugnação e demonstrando que a autuação é reflexa ao lançamento constante no processo 16707.005178/200976. Os autos foram enviados oa conselheo para análise e decisão. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16707.005180/200945 Resolução nº 2302000.384 S2C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que utilizarei do registro em ata do que foi decidido para a elaboração da resolução, mas que não necessariamente concordo. Feito o registro. Como corretamente citado no recurso, a presente autuação, devido a descumprimento de obrigação acessória, de não informar em GFIP todos os fatos geradores de obrigações principais, é reflexa aos lançamentos contidos no processo 16707.005178/200976. Assim, o destino da presente autuação, por descumprimento de obrigação acessória, deve seguir o mesmo destino do contido no processo por descumprimento de obrigação principal, 16707.005178/200976. Portanto, para a correção processual, decido em converter o julgamento em diligência para que o processo retorne à primeira instância administrativa, a fim de aguardar o trânsito em julgado de auto de infração de obrigação principal conexo a este, processo 16707.005178/200976. Assim resolvo, conforme consta em registro de ata do decidido pelo colegiado, na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003403/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
IRPF - DECADÊNCIA - ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96 E ACRÉSCIMO
PATRIMONIAL A DESCOBERTO O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a
constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso das presunções de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais a descoberto e por depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de oficio,
opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN Relativamente ao ano-calendário 2001, inclusive, o contribuinte efetuou recolhimento de imposto de renda pessoa física, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano-calendário 2001.
1RPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - DOLEIRO
O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Neste feito, a conta fiscalizada pertence a uma pessoa jurídica, que jamais foi
instada a comprovar a origem dos créditos bancários, Ademais, restou evidenciado que os recursos movimentados na referida conta não pertenciam ao recorrente, o qual, portanto, não tem legitimidade para figurar no pólo passivo deste lançamento. Por fim, considerando que se está diante de exploração habitual e profissional de atividade comercial, com fim especulativo de lucro, o autuado deveria ser equiparado à pessoa jurídica,
conforme determina o artigo 150, § I', inciso II, do Decreto n° 3 000/99, com a tributação incidindo apenas sobre a diferença percentual auferida em cada operação de câmbio e não sobre a movimentação bancária apurada.
Recurso provido
Numero da decisão: 2101-000.893
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage – Relator
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 IRPF - DECADÊNCIA - ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96 E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso das presunções de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais a descoberto e por depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN Relativamente ao ano-calendário 2001, inclusive, o contribuinte efetuou recolhimento de imposto de renda pessoa física, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano-calendário 2001. 1RPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - DOLEIRO O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Neste feito, a conta fiscalizada pertence a uma pessoa jurídica, que jamais foi instada a comprovar a origem dos créditos bancários, Ademais, restou evidenciado que os recursos movimentados na referida conta não pertenciam ao recorrente, o qual, portanto, não tem legitimidade para figurar no pólo passivo deste lançamento. Por fim, considerando que se está diante de exploração habitual e profissional de atividade comercial, com fim especulativo de lucro, o autuado deveria ser equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § I', inciso II, do Decreto n° 3 000/99, com a tributação incidindo apenas sobre a diferença percentual auferida em cada operação de câmbio e não sobre a movimentação bancária apurada. Recurso provido
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Lançamento atingido pela decadência com relação ao ano-calendário 2001. 1RPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - DOLEIRO O artigo 42 da Lei n° 9,430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Neste feito, a conta fiscalizada pertence a uma pessoa jurídica, que jamais foi instada a comprovar a origem dos créditos bancários, Ademais, restou evidenciado que os recursos movimentados na referida conta não pertenciam ao recorrente, o qual, portanto, não tem legitimidade para figurar no pólo Assinado digitalmente em 07112/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 par GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pela Ministério da Fazenda Processo n" 19515.003403/2007-13 Acórdão n " 2101-00.893 S2-C111 El I 876 DF C:ARE ME El 2 passivo deste lançamento. Por fim, considerando que se está diante de exploração habitual e profissional de atividade comercial, com fim especulativo de lucro, o autuado deveria ser equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § I', inciso II, do Decreto n° 3 000/99, com a tributação incidindo apenas sobre a diferença percentual auferida em cada operação de câmbio e não sobre a movimentação bancária apurada. Recurso provido Vistos, relatados c discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Caio Marcos Cândido - Presidente Gonçalo Bonet Allage - Relator EDITADO EM: 06112/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em face de Eliott Maurice Eskinazi foi lavrado o auto de infração de fls 1 606-1.614 (Volume IX), para a exigência de imposto de renda pessoa fisica, exercícios 2002 e 2003, no valor de R$ 63 036 307,94, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora calculados até 30/11/2007, totalizando um crédito tributário de R$ 162 228 453,90. O lançamento decorre da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais a descoberto, apurada no ano-calendário 2001, com base de cálculo de R$ 28 958.398,25, além da presunção de omissão de rendimentos caracterizada par depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9,430/96, sendo que a base de cálculo desta infração soma R$ 105 270 732,44 e R$ 94 993 807,26, respectivamente, com relação aos anos-calendário 2001 e 2002 Assinado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emit€do em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CART MF FL 3 Processo a" 19515 003403/2007-13 S2-C1111 Acórdão n" 2101-00.893 Fl 1 877 O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontra-se detalhado no Termo de Verificação Fiscal de fls.. 1 590-1 605 (Volumes XIII e IX), de onde extraio as seguintes assertivas: Consta do Relatório de Identificação de titulares de conta mantida no Merchants Bank of New York contido na Representação Fiscal tu' 103/2005 de 01/09/2005, realizada pela Equipe Especial de Fiscalização - Portaria SRF n.° 463, de 30/04/2004 , que, " em trabalho de análise documental da conta 9006732, denominada Braza Corporation. ..., mantida no Merchants Bank of New York, foram identificados como responsáveis pela movimentação .financeira os contribuintes El/ou Maurice Eskinazi CPF 0.53.5.58.408-33 e Hélio Renato Laniado CPF 126.867. 478- 89", em conformidade com os documentos anexos ao Oficio n° 134/2005-GI da .2" Vara Federal Criminal de Curitiba, vinculadas ao Processo n° 2004.700002508.5-1, especialmente os indicados abaixo.- A responsabilidade pela movimentação da conta Braza pelos Srs. Helio e Elliot conforme apontada na Representação Fiscal n° 1003/200,5 é confirmada no Laudo 476/0.5 no comentário referente a correspondência relativa a Braza Corporation , na qual é informado, dentre outras coisas, que os beneficiários proprietários e autorizados representantes são Hélio Laniado e Elliot Eskinazi. Que os mesmos não têm presença física, representantes ou Agentes nos Estados Unidos Segundo Denúncia oferecida pelo Ministério Público o fiscalizado seria operador no mercado de câmbio paralelo, e, utilizaria as contas no exterior e empresas no Brasil para a realização de operações financeiras ilegais, realizadas à margem do controle das autoridades monetária e fiscal e, realmente, não há registro da existência da conta , e tampouco da existência da empresa na Declaração de Ajuste Anual dos exercício 2002 e 2003 anos/calendário 2001 e 2002 do Sr Dial! 114'am-ice Eskinazi entregues em 27/04/2002 e em 18/12/2003, respectivamente. A empresa Braza Corporation só veio a aparecer' na Declaração de Ajuste Anual retificadora do exercício de 2003 ano/calendário 2002 entregue em 24/08/2004, quando consta a participação de 50% no capital da Braza Corporation , com sede na Ilhas Virgens Britânicas, com um total de 250 ações no valor total de US$ 250,00 constituída em 23/12/1998 Há de se ressaltar que, para uma empresa que movimentou USS 296.689 488,18 no período de 1999 a 2002, o valor do capital é pouco _significativo. O fiscalizado na sua declaração retificadora não faz qualquer menção à conta BR,IZA ou suas operações financeiras, ou Assinado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08/12/2010 por CA10 MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Minislério da Fazenda 3 DF CARF NIF EL 4 Processo o* 19515.003403/2007-13 S2-0 T Acórdão n " 2101-00.893 Fl 1 878 mesmo o proveito obtido através dela Os ativos, os investimentos e as operações financeiras no exterior não foram tampouco declarados e/ou registradas no Sisbacen e nem foram objeto de contabilidade formal por parte dos acusados Diante do exposto, ofiscalizado ELIOTT .MAURICE ESKINAZI CPF 053 558 408-33, indicado como um dos titulares da conta, foi regularmente intimado, por via postal, através do Termo de Inicio de Fiscalização lavrado em 28/12/2006 (fl y 1256 ), a comprovar com documentos hábeis e idóneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recursos movimentados no exterior no Merchants Bank of New York , a crédito da conta n.° 9006732 denominada BRAZA CORPORATION nos anos/calendário de 2001 e 2002 , cujos valores constam no Relatório Analítico- Ordens Recebidas - que foi encaminhado em anexo O "Aviso de Recebimento" referente a intimação, anteriormente citada, não foi devolvido ao remetente, mas o contribuinte em questão recebeu o mesmo, a prova está na menção da mesma na solicitação de proirogação de prazo , datada de 23/01/2007 e anexada às fls 1257 Dando prosseguimento, solicitamos a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo em nome do Sr. Hélio Renato Laniado CPF 126 867 478-89, visto tratar-se do sócio do contribuinte na empresa Braza Corporation CO??? 50% de participação na mesma e, portanto, co-responsável pela conta 9006732.. O Sr Hélio Renato Laniaclo foi regularmente intimado em 20/06/2007, através do Termo de Intimação Fiscal de fis 1309 a, no prazo de 20 ( vinte) dias contados a partir do recebimento deste, comprovar a origem e tributação dos recursos movimentados no exterior, sob sua responsabilidade, nos anos/calendário de 2001 e 2002- no Merchants Bank of New York cujos valores constam do Relatório Analítico — Ordens Recebidas (conta Braza Corporation n° 9006732) anexo a este Termo, informando ainda a natureza/causa destas operações e apresentando a respectiva documentação hábil e idônea que as comprovem Tal Termo foi enviado ao contribuinte via postal e foi recebido pelo contribuinte em 23/06/2007, conforme documento anexado às lis 1310 Atendendo ao Termo de Intimação , o Sr . Hélio Renato Laniado apresentou esclarecimentos que constituem as fls 1311 a 1317 - datado de 04/07/2007 em que informou inicialmente que também está sendo fiscalizado pela delegacia da Receita Federal de seu domicilio fiscal Neste documento ele informou que é titular de 50% da participação societária da empresa Braza Corporation, que tinha por atividade a liquidação de ordens de pagamento de e para o este? ior Que exercia, juntamente com seu sócio o Si Assinado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANOIDO Aulenticado digilelmente em 07112/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Ern1lido em 08/12/2010 pelo Minisiério da Fazenda 4 DF CARF ME Fl. 5 Processo n" 19515 003403/2007-13 S2-C11-11 Acórdão " 210I-0(L893 1,1 1879 Eliott Maurice Eskinazi , a atividade de intermediário - recebendo créditos e remetendo recurso,sfinanceiros de terceiros do exterior para o exterior 'Em suma, eu e meu sócio não somos proprietários das quantias movimentadas, mas apenas intermediárias das movimentações ,financeiras no exterior, sem, no entanto, utilizar recursos próprios, mas somente de terceiros Dessa forma, não tivemos qualquer renda disponível com as referidas operações". Informa ainda que a conta Braza Corporation n° 9006732 é de tindaridade da empresa Braza Corporation. Embora o _fiscalizado afirme que toda a movimentação da conta BRAZA foi feita com recursos de terceiros e que ele era apenas intermediário nas operações, não foi apresentado à fiscalização qualquer documento que provasse tal afirmativa, ou seja, não foi comprovado documenta/mente que os recursos depositados foram utilizados, integralmente na liquidação de obrigações de terceiros Assim sendo, deixa o fiscalizado de comprovar a intermediação e a que titulo pessoas físicas e jurídicas fizeram depósitos na conta BRAZA. ( Por todo o exposto e não lendo o fiscalizado comprovado, em nenhum momento, com documentação hábil e idómea,o que ele próprio declarou " que os depósitos da conta Braz,a Corporation tiveram origem na interrnediação de operações no exterior", e, considerando que na conclusão da denúncia às AS 19 e 20 nos é informado que na PETIÇÃO apresentada em nome da Braza datada de 28/01/200.5 e subscrita pelo fiscalizado e seu sócio — dirigida às autoridades americanas e, através da qual se pretende a liberação para o.s peticionários do numerário bloqueado relativamente a sua conta, vem provar que os recursos movimentados são das próprios e que a abertura da conta em nome da offshore foi o recurso que eles encontraram para esconder a identificação dos reais donos da conta em questão Assim sendo os recursos movimentadas no exterior a crédito da conta n° 9006732 junto ao Merchants Bank of New York — constantes dos "Anexos ao Termo de Inicio de Fiscalização", (lls.239 a 399, 402 a 499,873 a 1066), lavrado em 28.12 2006 com ciência em 03/01/2007, foram objeto de lançamento de oficio do Imposto de Renda Pessoa Física por Omissão de Rendimentos Provenientes de Depósitos Bancários. de Origem Não Comprovada, nos termos do Art. 42, §4° .§5° com redação dada pelo ar! .58 da Lei I .0.637/02 e § 6 0, da Lei n° 9.430/96 " in verbis"• ) Os valores das transferências em moeda estrangeira ( dólares americanas) a crédito da conta 17 ° 9006732 no Merchants Bank Assinado digitalmente em 07/1212010 por GONCALO BON/ET ALLAGE. 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda 5 DF CARIL' MF Fl.. 6 Processo n" 19515.00340312007-13 S2-C111 1 Acórdão n " 2101-N..893 Fl 1 SRO of New York, constantes dos Anexos ao Termo de Inicio de Fiscalização, foram convertidos em reais nos termos do Ari § 3° da Instrução Normativa SR.F n ° 246 . de 20 de Novembro de 2002 e estão descritos no "Demonstrativo de Conversão em Moeda Nacional dos Créditos na conta n " 9006732 no Merchants Banir of New York", paia o ano-calendário 2001 Oh 1318 a 1353) apara o ano/calendário 2002 (lis. 135,5 al .380) Na Cópia do Cartão de Assinaturas — da conta n ° 9006732 mantida no Merchants Banir of New York, constam os nomes e as assinaturas de dois titulares Eliott Maurice Eskina-2i e Hélio Renato Laniado, o que demonstra tratar-se de uma conta mantida em conjunto Por outro lado, pelo sistema CPF da Secretaria da Receita Federal os titulares da conta apresentaram declaração de rendimentos em separado nos anos/calendár io de 2001 e 2002. Assim, o valor dos rendimentos omitidos provenientes dos créditos de origem não comprovada, na conta conjunta n° 9006732 no Merchants Banir of New York, .foi imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos omitidos pela quantidade de tindar •es ( § 6° do ar! 42 da Lei 9430/96, acrescido pelo ar! 58 da Lei 10 637/02). ( Com base nas ordens a crédito e a débito da conta 9006732 no Merchants Bank of New York elaboramos o Demonstrativo de Variação Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal para os ano calendário sob fiscalização, considerando como Origens de Recursos as Ordens de Pagamento a Crédito da Conta (1 ou C) e como Aplicações de Recursos as Ordens de Pagamento a Débito da conta ( O ou D). Ressalte-se que no Demonstrativo de Variação Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal foram considerados apenas os recursos movimentados no exterior, zuna vez que não foi apresentada nenhuma prova de que os rendimentos em reais oferecidos à tributação tenham sido utilizados para suprir as ordens de pagamento a crédito ou a débito da conta ri° 9006732 no Merchams Banir of New }to,* Os valores em reais considerados no Demonstrativo de Variação Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal estão descritos no "Demonstrativo de Conversão em Reais das Ordens Remetidas na conta n.° 9006732 no Merchants Banir of New York , (fl y 500 a 799, 802 a 872, 1067 a 1199 e 1202 a 1241 ), e foram imputados ao fiscalizado mediante divisão do total dos valores debitados em cada mês entre os dois titulares, conforme abaixo demonstrado • Tais fatos justificaram a constituição do crédito tributário em face do Sr. Eliott Maurice Eskinazi. Assinado cligilalmene em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE : 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digilalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE EmiÚdo em 08/12/2010 pelo MinIsté g io da Fazenda DF CAR.F 11/IF Fl. 7 Processo n" 19515 00340312007-13 S2-CM Acórdão ri 2101-00,893 El. 1 881 A ciência do lançamento ocorreu em 20/12/2007 (fls. 1626, Volume IX) Apreciando a impugnação apresentada pelo sujeito passivo às fls. 1.627- 1672, os membros da 5 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) II consideraram procedente o auto de infração, através do acórdão if 17- 30,987, que se encontra às fls. 1 721-1 743 (Volume IX), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 AUTONOMIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL. Não interfere no processo .fiscal o procedimento criminal, seguindo, ambos o seu curso normal, de forma independente, até o desfecho final, PRELIMINAR, DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de oficio, o início da contagem do prazo dec.adencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, Ido CTN ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PRESUNÇÃO LEGAL. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte, à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. VALIDADE QUANDO DEMONSTRADA A INEKISTÊNCIA DE UNIDADE ECONÔMICA OU PROFISSIONAL. É admitida a desconsideração da personalidade jurídica quando existe prova nos autos de que a empresa não representava uma unidade económica ou profissional, mas apenas um meio formal de próprio iinpugnante realizar as operações que lhe interessava pessoalmente DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9 430/1996, no seu art. 42, estabeleceu unia presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação Assinado digitaknente em 07112/2010 por GONCALO BONET ALLAGE, 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado Mgitalmente em 07/1212010 por GONCALO BONET ALLAGE EmÍtido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda 7 DF CARF ME F1.3 Processo n" 9515003403/2007-13 S2-C 1 I 1 Acórdão n" 2101-00,893 11 I 882 hábil e idónea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR ANUAL O fato de a legislação definir que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do credito efetuado pela instituição .financeira define a sistemática de apuração da base de cálculo més a mês, que a exemplo do acréscimo patrimonial a descoberto submete-se à tributação a ser realizada mediante a tabela progressiva anual. TAXA DE CÂMBIO PARA LANÇAMENTO A conversão de moedas para a apreciação dos valores existentes em contas no exterior é feita com base na IN 246/2002. JUROS DE MORA TAXA SELIC LEGALIDADE Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de inflação, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei Lançamento Procedente Inconformado com a decisão de primeira instância, o contribuinte, devidamente representado, interpôs o extenso recurso voluntário de fls. 1 749-1 824 (Volumes IX e X), erijas preliminares, em síntese, são as seguintes: 1 Os documentos trazidos aos autos têm como origem a quebra do sigilo bancário de contas de depósito mantidas no exterior, Foram, primeiramente, enviados à Policia Federal, que confeccionou laudos e tirou diversas conclusões, na esfera criminal, acerca das transferências eletrônicas realizadas Ato subseqüente, os documentos foram remetidos à Receita Federal, que constituiu o crédito tributário com base nas conclusões dos laudos e demais documentos apresentados No entanto, referidos documentos, juntados às fls. 1273 a 1307 e 1448 a 1588, estão em língua estrangeira e desacompanhados da respectiva tradução juramentada, sendo, portanto, inválidos, nos termos do artigo 129, § 6', da Lei n° 6A)15/73, a Lei de Registros Públicos; 2 A movimentação financeira descrita nos autos serviu de base para a constituição do crédito tributário em questão Porém, o "Relatório Analítico — Ordens Remetidas" (Ils 500 a 1241) é um relatório que foi impresso sem qualquer identificação, assinatura ou qualquer outra informação que traga indícios de que tais relatórios são válidos para fins de comprovação de movimentação dos recursos na conta que foi indevidamente imputada ao Recorrente; 3. Num rápido confronto dos documentos que serviram de base para a lavratura do presente auto de infração (Relatórios de Ordens Recebidas e Ordens Remetidas), verifica-se que Assinado digitalmente em 07/1212010 por GONCALO BONET ALLAGE . 08/12/2010 per CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/1212010 por GONCALO BONET ALLAGE H Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CARF MF Fl 9 Processo n" 19515 003403/2007-13 S2-C11 1 Acórdão n " 2101-00,893 El 1 883 os valores neles constantes não guardam correspondência com a movimentação bancária da conta da Bi aza Corporation (tis 94 a 190), o que comprova a ausência de liquidez e certeza do lançamento; 4. O Acordo de Cooperação em Matéria Penal assinado pelos governos Brasileiro e Norte- americano (MLAT) possibilita que o Estado Requerido especifique e restrinja o uso das informações obtidas por meio da cooperação Neste caso, o Estado Requerente deverá acatar a determinação, limitando-se a utilizar os dados para o fim assentando. No caso em tela, as provas que dão sustentação para a constituição do crédito tributário em questão, informações de caráter sigiloso, foram obtidas junto à Promotoria Distrital de Nova Iorque. Todavia, registre-se que o magistrado norte-americano limitou o seu uso, na medida em que consignou em sua decisão, de forma, expressa, que os dados deveriam ser utilizados apenas com o fim de facilitar investigações acerca da lavagem internacional de dinheiro No entanto, apesar do magistrado ter direcionado o emprego das provas compartilhadas única e exclusivamente à apuração de delitos de lavagem de dinheiro, sem dar nenhuma margem à qualquer outro delito, as autoridades brasileiras desvirtuaram seu uso: as informações estão servindo de base para constituir o crédito tributário oriundo do presente processo administrativo, desbordando os limites da decisão norte-americana As provas, portanto, são ilícitas, 5 O processo administrativo é informado pelo princípio da verdade material e não pode a Autoridade Julgadora, na formação de sua convicção, divorciar-se da realidade que se apresenta e que já foi apurada, detalhadamente, no processo criminal A esfera criminal é a ultima rad° do ser humano, na medida em que a liberdade do indivíduo está em jogo Se o Recorrente admitiu intermediar valores de terceiros, correndo o risco de ser preso, tal fato não poderá jamais ser ignorado na esfera administrativa, devendo ser admitido por esse E. Conselho como válido, eficaz, o que culminará na reforma da decisão recorrida, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário em questão; 6. Todo o procedimento fiscalizatório teve como base a movimentação de valores na conta- corrente da empresa Braza Corporation junto ao Merchants Bank em Nova Iorque (conta BrazaCorp n° 9006732) Por se tratar de conta-corrente de urna empresa em que o Recorrente possui ações, a Fiscalização simplesmente ignorou a personalidade jurídica da Braza Corporation, passou a exigir o tributo dos acionistas da pessoa jurídica (ora Recorrente), caracterizando claro erro na identificação do sujeito passivo; 7 No caso não se justifica a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Braza Corporation, pois irrexiste prova de que o sócio tenha agido com excesso de poderes, ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não havendo como lhe atribuir a responsabilidade pelos tributos devidos pela sociedade Ademais, a titular da conta bancária, a empresa Braza Corporation, não foi intimada para comprovar a origem dos depósitos, situação que ofende a regra do artigo 4:2 da Lei n° 9 430/96 Quanto ao mérito, trouxe os seguintes argumentos, em apertada síntese: a) Houve erro no critério jurídico do lançamento, calculado de forma anual, contrariando o regime mensal de apuração do imposto de renda pessoa física; Assinado digilalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/1212010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda 9 DF CARF ME El, 10 Processo n" 19515.003403/2007-13 S2-C11.1 Acórdão n° 2101-00,893 Fl 1 884 b) Pela regra do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional — CTN, estão decaídas as exigências relativas aos fatos ocorridos até agosto de 2002, na medida em que a ciência do lançamento ocorreu em 22/10/2007; c) Os valores que transitaram pela conta corrente objeto da autuação não são de sua propriedade, nem tampouco da empresa Braza Corporation A própria Fiscalização trouxe aos autos a correta identificação dos efetivos titulares dos recursos financeiros, ao juntar cópias dos relatórios que instruem a ação penal, consignando que o Recorrente intermediava valores de terceiros Ademais, os efetivos titulares não só foram identificados, corno também foram individualizados nos "Relatórios de Ordens Recebidas" e de "Ordens Remetidas" Aplica-se ao caso a regra do § 5 0, do artigo 42, da Lei n° 9430/96; d) Face à (i) não comprovação de que o Recorrente é o titular da conta e dos recursos financeiros movimentados nos anos-base de 2001 c 2002, na conta da empresa 'laza Corporation; e (ii) inexistência de provas, sequer indícios (ao contrário, restou demonstrado pelo Recorrente os remetentes e os beneficiários dos valores movimentados na conta corrente em questão), de que os valores são, na verdade, do Recorrente, deve ser cancelada a autuação; e) O auto de inflação apresenta erro na base de cálculo do IRPF supostamente devido, em razão de MOS na conversão de dólares para reais; f) Não pode prevalecer a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; g) É inaplicável a inversão do ônus da prova no processo administrativo; h) Para que fosse válida a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, deveriam ser considerados todos os ingressos e todas as saídas ocorridas, não apenas as movimentações do exterior; i) Com aplicação simultânea das presunções de omissão de rendimentos caracterizadas por acréscimos patrimoniais a descoberto e por depósitos bancários de origem não comprovada, há duplicidade de lançamento; j) É inaplicável a taxa SELIC; k) É ilegal a cobrança de juros sobre a multa. Transcreveu diversos ensinamentos doutrinários e jur isprudenciais relacionados às teses defendidas É o Relatório Assinado digitalmente em 07/121201G por GONCALO BONET ALLAGE . 08112/2010 por CAIO MARCOS CANDlDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda 10 DE CARE ME Fl , 11 Processo n" 19515 003403/2007-13 S2-CM Acórdão n.° 2101-00,893 F1 I 885 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O recurso é tempestivo preenche os demais pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A autuação envolve a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais a descoberto, relativamente ao exercício 2002, além da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, quanto aos exercícios 2002 e 2003. No recurso voluntário de fls. 1.749-1. 824 o contribuinte trouxe diversas preliminares e várias teses relacionadas ao mérito da exigência. Inicio a análise da insurgência do sujeito passivo pela questão da decadência A decadência Como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, contando-se, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários. Tal raciocínio aplica-se ao caso em comento, haja vista que os rendimentos omitidos ou presumidamente omitidos pelo contribuinte, quando submetidos a lançamento de ofício, embora apurados mês a mês, conforme previsão do artigo 2 0 da Lei n° 7.713/88, sujeitam-se à tributação apenas na declaração de ajuste anual. Inteligência dos artigos 9 0 e seguintes da Lei n° 8.134/1990, especialmente do artigo 10, inciso I, do referido texto normativo Esta premissa é corroborada pela Súmula GARE n° 38, segundo a qual "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." Não se pode olvidar que as Súmulas do GARE são de observância obrigatória, de acordo com o artigo 72, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo. Dessa forma, os valores recolhidos e/ou devidos a título de antecipação, com suas respectivas bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de ajuste anual, ai sim se apurando o total de imposto devido no ano-calendário Assinado digitalmente em 07/12)2010 por GONÇALO BONET ALLAGE. 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANOIDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CARF Ml FI. 12 Processo n" 19515 003403/2007-13 S2-C11-1 Acárdao n° 2101-00.893 Fl 1 886 Portanto, para a hipótese em análise, com relação às infrações do ano- calendário 2001, o tributo lançado tem como fato gerador o dia 31/12/2001 Pois bem, segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacifica desta Corte Administrativa, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considera-se homologada tacitamente a atividade exercida peio contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4 0 , do CTN, que prevê: Ari 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa ( ) 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco.) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado a lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário Considerando que o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica, com relação às infrações do ano-calendário 2001, ocorreu em 31/12/2001 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tornou ciência do auto de infração em 20/12/2007 (lis 1 626, Volume IX), concluo que a decadência impede a manutenção desta parte do lançamento Na visão deste julgador, como não se imputou ao contribuinte as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional Nesse sentido, ainda, não posso deixar de ressaltar que, no próprio auto de infração, especificamente às fis. 1 606, Volume IX, a autoridade lançadora considerou que o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual do exercício 2002 uma base de cálculo de R$ 198 180,00, com imposto pago dc R$ 50.179,50, de modo que o crédito Assinado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08/12/2010 por CAIO MARCOS CAND1DO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 12 Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CARF 11,IF El. 13 Processo n" 19515 003403/2007-13 S2-C1'I 1 Acórdão n " 2101-00,893 Fl 1 887 tributário em apreço envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos Dessa forma, entendo que as exigências relativas ao ano-calendário 2001 estão extintas pela decadência. Resta para apreciação, ainda, o lançamento por depósitos bancários de origem não comprovada, para o ano-calendário 2002 A presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 De acordo com o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96: Art 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa .fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifei) Tal dispositivo legal encerra urna presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Atribui-se ao sujeito passivo o ônus de provar a origem dos depósitos bancários constatados pela autoridade fiscal, sob pena de se presumir que referidos valores configuram omissão de rendimentos A legislação complementar autoriza a incidência do imposto de renda sobre base presumida, conforme artigo 44 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "Ar!. 44, A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou cios proventos tributáveis. No caso em tela, a autoridade fiscal somou os recursos movimentados a crédito na conta n° 9006732, de titularidade da empresa Braza Corporation, no Merchants Bank of New York, os quais estão identificados no demonstrativo de fls. 1.355-1.380. dividiu o resultado por dois (tal pessoa jurídica tinha dois sócios, o recorrente e o Sr. Hélio Renato Laniado) e chegou à base de cálculo do lançamento, cujo valor, cumpre reiterar, é de R$ 94 993 87,26, isso apenas com relação ao exercício 2003. A presunção de omissão de rendimentos em apreço tem sido utilizada com muita freqüência pelas autoridades fiscais e, em vários desses casos, os recursos voluntários ou Assinado digitalmente em 07/12/2010 par GONCALO BONET ALLAGE. 08112/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado 4ileVmenle em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/1212010 pelo Ministério da Fazenda 13 DE CARI; ME- El. 14 Processo n" 19515 003403/2007-13 S2-C111 Aeárdau n " 2101-00 893 Fl I 888 de oficio que chegam a este Colegiado geram acaloradas discussões sobre a correta interpretação da legislação que rege a matéria, Neste feito, o primeiro ponto que chamou atenção deste julgador está relacionado ao fato de que, salvo engano, a conta fiscalizada é de titularidadc da pessoa jurídica Braza Corporation, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a qual jamais foi intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários, conforme determina o caput do artigo 42 da Lei n° 9430/96 A autoridade lançadora iniciou a investigação com relação aos depósitos da referida conta diretamente contra os sócios da empresa (o recorrente e o Sr Hélio Renato Laniado), sob o fundamento de que eles seriam os responsáveis pela movimentação financeira Nesse sentido, trago novamente à colação as seguintes passagens do Termo de Verificação Fiscal: Consta do Relatório de Identificação de titulares de conta mantida no Aderchants Bank of New York comido na Representação Fiscal n.° 103/2005 de 01/09/2005, realizada pela Equipe Especial de Fiscalização - Portaria SRF n ° 463, de 30/04/2004 , que, " em trabalho de análise documental da conta n.° 9006732, denominada Braza Corporation... , mantida no Merchants Bank of New York, foram identificados como responsáveis pela movimentação financeira os contribuintes Eliott Maurice Eskinazi CPF 053.558.408-33 e Hélio Renato Laniado CPF 126.867.478- 89'Ç em conformidade com os documentos anexos ao Oficio n° 134/2005-G1 da 2" Vara Federal Criminal de Curitiba, vinculadas ao Processo n° 2004 7000025085-1, especialmente os indicados abaixo: ) A responsabilidade pela movimentação da conta Braza pelos Srs. Helio e Elliot conforme apontada na Representação Fiscal n° 1003/2005 é confirmada no Laudo 476/05 no comentário referente a correspondência relativa a Braza Corporation , na qual é informado, dentre outras coisas, que os beneficiários proprietários e autorizados representantes são Hélio Laniado e Elliot Eskinazi Que os MeSMOS não têm presença física, representantes ou Agentes nos Estados Unidos. Esta conduta não encontra amparo na lei Segundo penso, ainda que haja eventual responsabilidade dos sócios pela movimentação financeira da empresa na conta Br aza Coiporation, tal situação não autoriza o desprezo da regra do artigo 42 da Lei n° 9 430/96, que manda intimar o titular da conta bancária, no caso, a pessoa jurídica Assinado 4bItnente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Unistéxio da Fazenda 14 Processo n" 19515003403/2007-13 Acórdão n" 2101-00,893 S2-CITt Fl ) 889 DF CARF MF Fl. 15 Para situações em que a conta bancária tenha mais de um titular, a Snmula CARF n° 29 determina que "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.." Se assim o é com relação a contas com co-titulares, com maior razão a tese se aplica quando a conta bancária tenha um Unico titular. A intimação poderia até ser enviada para os sócios, que eram domiciliados no Brasil, já que a empresa ficava em outro pais, mas em nome dela, pessoa jurídica. Neste feito, reitero, a empresa titular da conta Bi aza Corporation jamais foi intimada para comprovar a origem dos créditos bancários apurados pela autoridade lançadora Sob minha ótica, esta constatação já macula o lançamento Além disso, é incontroverso que o contribuinte exercia a atividade de doleiro Isso consta expressamente no Memorando SRRF08/DIFIS/EQPAF n' 783/2005, de 22/09/2005, encaminhado para o Chefe DIPAC/DEFIC/São Paulo, que tem como assunto "Representação Fiscal de doleiros do Merehants (Conta Braza Corporation)", onde está consignado o seguinte (Ils 04): Encaminho a Vossa Senhoria, para conhecimento e providências consideradas cabíveis, o Memorando EEF/Port 463/04 n° 103/00.5, de 10 de setembro de 2005, e seus anexos, incluindo cópia dos documentos enviados pela Justiça Federal — 2" Vara Federal Criminal de Curitiba - relativos às contas Brasa Corporation e Be,s-t Consulting, movimentadas no Merchants Bank de Nova York, com vistas a subsidiar ações fiscais junto aos contribuintes a seguir relacionados, identificados como responsáveis (Doleiros) Contribuinte CPF Jurisdição Eliott Maurice Eskinazi 053 .558 408-33 Defic/São Paulo Hélio Renato Laniado 126 867.478-89Defic/São Paulo O Termo de Inicio de Fiscalização foi lavrado em 28/12/2006 (fls. 1.256), ou seja, mais de um ano após a data do citado Memorando, Durante toda a ação fiscal o contribuinte indicou, conforme consta do próprio Termo de Verificação Fiscal, "Que não é titular/proprietário de nenhum dos valores movimentados em tal conta, os quais pertencem a terceiros e se referem a movimentações feitas por sua conta e risco - todas integralmente realizadas do exterior pata o exterior,". Aliás, no Termo de Verificação Fiscal também está evidenciado, cumpre reiterar, que: Assinado digUlmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO SONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda 15 DF CART ME Fl. 16 Processo o" 19515.003403/2007-13 82-C1 I 1 Acórdão " 2101-00.893 11 1 890 Segundo Denúncia oferecida pelo Ministério Público o fiscalizado seria operador no mercado de câmbio paralelo, e, utilizaria as contas no exterior e empresas no Brasil para a realização de operações financeiras ilegais, realizadas à margem do controle das autoridades monetária e fiscal e, realmente, não há registro da existência da conta , e tampouco da existência da empresa na Declaração de Ajuste Anual dos exercício 2002 e 2003 anos/calendário 2001 e 2002 do Sr Eliott Maurice E.skinazi entregues em 27/04/2002 e em 18/12/2003, respectivamente A empresa Braza Corporation só veio a aparecer na Declaração de Ajuste Anual retificadora do exercício de 2003 ano/calendário 2002 entregue em 24/08/2004, quando consta a participação de 50% no capital da Braza Corporation , com sede na Ilhas Virgens Britânicas, com um total de 250 ações no valor total de US$ 250,00 constitzdda em 23/12/1998 Há de se ressaltar que, para uma empresa que movimentou US$ 296.689.488,18 no período de 1999 a 2002, o valor do capital é pouco significativo. 0 fiscalizado na sua declaração retificadora não faz qualquer menção à conta BRAZA ou suas operações .financeiias, mesmo o proveito obtido através dela Os ativos, os investimentos e as operações financeiras no exterior não foram tampouco declarados e/ou registrados no Sisbacen e nem foram objeto de contabilidade formal por parte dos acusados A premissa ou a justificativa da ação fiscal era verificar o cumprimento das obrigações tributárias de um cidadão que seria, nos termos da Denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, um operador de câmbio paralelo. Não obstante, ao final, a autoridade lançadora concluiu que o Sr Eliott Maurice Eskinazi não comprovou que os depósitos da conta Brasa Corpo, ation tiveram origem na intei mediação de operações no exterior, motivo pelo qual aplicou contra ele a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Com a devida vênia, entendo que os recursos movimentados na referida conta não pertenciam ao recorrente, que figurou apenas como interposta pessoa dos reais beneficiários dos depósitos A conta fiscalizada foi utilizada com esta finalidade Nos autos estão identificados muitos dos ordenantes e dos beneficiários dos valores que transitaram pela conta Br asa Corporation Da forma como foi efetuado, o lançamento está desrespeitando o artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois não há a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, a Lei n° 9 784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelece em seu artigo 2' que deverão ser observados, Assinado digitafrnenle em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 08/12/2010 por CAIO MARCOS CANDÉDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE 16 Emitido em 08/1212010 pelo Minisláno da Fazenda DF CARI MF Fl , 17 Processo n" 19515 003403/2007-13 S2-C1T1 Acôrdào n " 2101-00,893 P1I 891 entre outros, os princípios da legalidade, da finalidade, da motivação, da razoabilidade, da proporcionalidade, da moralidade, da ampla defesa, do contraditório, da segurança jurídica, do interesse público e da eficiência A aplicação do princípio da razoabilidade ao caso em tela não permite a manutenção de crédito tributário decorrente da presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 contra contribuinte que não era o efetivo titular dos créditos bancários constatados na conta Braza Corporation De acordo com a instrução do processo, a convicção deste julgador é no sentido de que o Sr Eliott Maurice Eskinazi exercia a atividade de doleiro e era interposta pessoa de quem, de fato, movimentou recursos na conta fiscalizada Por fim, não se pode olvidar que um doleiro (ou qualquer pessoa, física ou jurídica, que intermedeie a compra e venda de moeda estrangeira) percebe apenas um percentual, uma margem, sobre o montante comercializado, o chamado spread Não é aceitável aplicar contra de a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com relação a toda a movimentação bancária constatada (ressalto, novamente, que neste feito a autuação restringe-se a 50% dos créditos, pois o restante está tributado na pessoa física do outro sócio da empresa Br aza Corpo, ation) No caso, considerando que se está diante de exploração habitual e profissional de atividade comercial, com fim especulativo de lucro, o recorrente deveria ser equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § 1°, inciso II, do Decreto n° 3 000/99, com a tributação incidindo apenas sobre a diferença percentual auferida em cada operação de câmbio. O posicionamento defendido por este julgador encontra sustentação na jurisprudência do CARF, conforme ilustram as ementas dos seguintes julgados: ( DEPÓSITOS BANCÁRIOS - TRIBUTAÇÃO - OPERAÇÕES COMERCIAIS - EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA - À luz do art. 150, àç I', II, do Decreto n" .3.000/99 e do ar! 42, ,sç 2', da Lei 9 430/96, verificando-se, durante a auditoria fiscal, que o contribuinte realiza operações comerciais por conta própria (compra e venda de moedas estrangeiras), em caráter habitual, e que os depósitos bancários são relativos a essas operações, deve-se efetuar a equiparação à pessoa jurídica para fins de exigência dos tributos devidos. Não ,se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art 42 da Lei n° 9 430/96, tributando a totalidade das operações, desconsiderando-se que o contribuinte somente aufere as margens (diferenca.$) na compra e venda de moeda estrangeira (Segunda Seção, Primeira Céinzara, Segunda Turma Ordinária, Recurso Voluntário n° 167 .550, Acórdão n°2102-00329, Relator Assinado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 0at12/2010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/12/20W por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda 17 DF CAIU ME Fl. 18 Processo n" 19515.003403/2007-13 S2-C11. 1 Acórdão n " 2101-00.893 11 1 892 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 23/09/2009) ) DEPÓSITOS .BANCÁRIOS - TRIBUTAÇÃO - OPERAÇÕES COMERCIAIS - EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURiDICA - À luz do ruí 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, e do § 2" da Lei 9.430, de 1996, verificando-se, durante a auditoria fiscal, que o contribuinte realiza operações comerciais por conta própria, em caráter habitual, e que os depósitos bancários são relativos a essas operações, há que ser efetuada a equiparação à pessoa jurídica par afins de exigência dos tributos devidos. In casu, a lavrantra de auto de infração na pessoa física (IRPF) constitui erro na identificação do sujeito passivo e nos tributos exigidos, haja vista que o correto seria a exigência de IRP.1 e Rdle_vos. RECURSO DE OF1C10 MULTA QUALIFICADA DE 150% REDUÇÃO PARA 75% - A aplicação da multa qualificada erige crfortiori a intenção dolosa, que vai além da simples omissão de rendimentos, Correta, portanto, a decisão recorrida Recurso de oficio negado Recurso voluntário provido (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 139 244, Acórdão 11° 106-16.709, Relato, Conselheiro Luiz Antonio de Paula, julgado em 22/01/2008.) Portanto, sob minha ótica, não pode prosperar a aplicação da presunção do artigo 42 da Lei na 9.430/96 em face do Sr. Eliott Maurice Eskinazi, devendo ser reformada a decisão de primeira instância, já que o lançamento é improcedente, não obstante a gravidade dos fatos apurados pela Policia Federal na Operação Farol da Colina, narrados pelo Ministério Público Federal e apreciados pela Justiça Federal Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário Gonçalo Bonet Allage Assinado digitatmente em 07112/2010 por GONCALO BONET ALLAGE, 08/1212010 por CAIO MARCOS CANUDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emitido em 08/12/2010 pelo Ministério da Fazenda 18 DF CARF MF Fl 19 Processo n" 19515 003403/2007-13 S2-C11-11 Acórdão n " 2101-00,893 Fl 1 893 Assinado digitalmente em 07112/2010 por GONCALO BONET ALLAGE. 08/1212010 por CAIO MARCOS CANDIDO Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por GONCALO BONET ALLAGE Emilido em 08/12/2010 pelo MinIstério da Fazenda 19
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Numero do processo: 19515.008674/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA PARCIAL. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. (Súmula CARF 99).
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO. LEI 8.212/91 E DECRETO 3.048/1999. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. SEGURO DE ACIDENTES PESSOAIS. INTEGRAM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGOS EM DESACORDO COM A LEI.
Segundo determinação da Lei 8.212/1991, entende-se por salário-de-contribuição (SC), para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
Para a Legislação citada, não integram o salário-de-contribuição, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT e o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho.
No presente caso, o benefício de previdência complementar não estava disponível à totalidade dos segurados, assim como o segur de vida, que, ainda, não estava previsto em acordo ou convenção coletiva, descumprindo requisitos para o gozo da isenção, motivo da negativa de proviemnto ao recurso nestes pontos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente a preliminar decadência para exclusão dos valores apurados até a competência 11/2003, inclusive, e 13/2003. No mérito: I) com relação à assistência médica, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e votaram pelas conclusões os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Lourenço Ferreira do Prado, conforme declaração de voto a ser apresentada pelo Conselheiro Marcelo Oliveira; II) com relação à previdência privada e ao seguro de vida, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos (Relator) e João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA PARCIAL. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. (Súmula CARF 99). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO. LEI 8.212/91 E DECRETO 3.048/1999. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. SEGURO DE ACIDENTES PESSOAIS. INTEGRAM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGOS EM DESACORDO COM A LEI. Segundo determinação da Lei 8.212/1991, entende-se por salário-de-contribuição (SC), para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Para a Legislação citada, não integram o salário-de-contribuição, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT e o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. No presente caso, o benefício de previdência complementar não estava disponível à totalidade dos segurados, assim como o segur de vida, que, ainda, não estava previsto em acordo ou convenção coletiva, descumprindo requisitos para o gozo da isenção, motivo da negativa de proviemnto ao recurso nestes pontos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente a preliminar decadência para exclusão dos valores apurados até a competência 11/2003, inclusive, e 13/2003. No mérito: I) com relação à assistência médica, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e votaram pelas conclusões os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Lourenço Ferreira do Prado, conforme declaração de voto a ser apresentada pelo Conselheiro Marcelo Oliveira; II) com relação à previdência privada e ao seguro de vida, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos (Relator) e João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo - Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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CENTRAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA PARCIAL. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. (Súmula CARF 99). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO. LEI 8.212/91 E DECRETO 3.048/1999. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. SEGURO DE ACIDENTES PESSOAIS. INTEGRAM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGOS EM DESACORDO COM A LEI. Segundo determinação da Lei 8.212/1991, entendese por saláriode contribuição (SC), para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 86 74 /2 00 8- 46 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Para a Legislação citada, não integram o saláriodecontribuição, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT e o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. No presente caso, o benefício de previdência complementar não estava disponível à totalidade dos segurados, assim como o segur de vida, que, ainda, não estava previsto em acordo ou convenção coletiva, descumprindo requisitos para o gozo da isenção, motivo da negativa de proviemnto ao recurso nestes pontos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente a preliminar decadência para exclusão dos valores apurados até a competência 11/2003, inclusive, e 13/2003. No mérito: I) com relação à assistência médica, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e votaram pelas conclusões os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira e Lourenço Ferreira do Prado, conforme declaração de voto a ser apresentada pelo Conselheiro Marcelo Oliveira; II) com relação à previdência privada e ao seguro de vida, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos (Relator) e João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por CENTRAL NACIONAL UNIMEED – COOPERATIVA CENTRAL, em face da decisão da Delegacia da Receita Feral do Brasil de Julgamento de São Paulo I (SP) que julgou a impugnação improcedente e manteve o lançamento do crédito tributário. O relatório da referida decisão assim descreveu a autuação: Da Autuação Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa retro identificada, através do Auto de Infração (AI), DEBCAD n° 37.186.5476, no montante de R$ 67.080,40 (sessenta e sete mil e oitenta reais e quarenta centavos), consolidado em 28/12/2008, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam no banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação e Débito do INSSDATAPREV, correspondentes à parte da empresa e a do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2003 a 12/2003, inclusive o 13° salário. De acordo com o Relatório Fiscal: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas valores pagos a título de Assistência Médica Plus. Previdência Privada e Seguro de Acidentes Pessoais, cujo lançamento foi efetuado com base nas folhas de pagamento apresentadas à fiscalização. A assistência médica é um benefício concedido pela empresa aos seus funcionários, normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, de modo que se for extensivo a todos os empregados e dirigentes não integrará o salariode contribuição. A empresa pode até fornecer planos médicos diferenciados, desde que o tratamento seja equânime, ou seja, o segurado possa optar pelo plano que desejar. O recebimento do beneficio, em razão do cargo ou salário, determina o seu enquadramento como parcela integrante do saláriodecontribuição. Foi constatado na empresa uma diferenciação na concessão desse benefício: • para os empregados que não exercem cargo de gerência: há disponível, gratuitamente, o plano de enfermaria e caso queiram podem optar pelo plano de apartamento Uniplan, desde que paguem 0 valor da diferença entre esses dois planos. Em anexo, segue cópia, exemplificativa, da opção do plano Uniplan e do termo de autorização para débito em folha de pagamento; e • para os segurados que exercem cargo de gerência: disponibilizado, gratuitamente, o plano de apartamento Plus. Obs: o plano apartamento Plus possui mais benefícios que o plano apartamento Uniplan. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 4 5 Os segurados empregados que não exercem cargos de gerência não podem optar pelo plano apartamento Plus. Assim, essa concessão do benefício, em razão do cargo que o segurado ocupa, caracteriza saláriodecontribuição para os segurados que ocupam cargo de gerência. Em ata de assembléia consta como um dos benefícios à assistência médica aos diretores executivos e aos seus dependentes. Foram solicitados ao sujeito passivo, através do TIAD emitido em 12/09/2008, os contratos de assistência médica, mas não foram apresentados. Para o período de 01/2003 a 12/2003 e 13° salário foram lançados os valores pagos aos segurados empregados e 01 a 12/2003 valores pagos aos segurados contribuintes individuais. O presente débito encontrase fundamentado no art, 201, §11° da CF, art.28, I, III, §9, q, da lei n° 8212/81, art.214, I, III, §9, XVI, do RPS, aprovado pelo decreto n° 3048/99, bem como a fundamentação constante do anexo de Fundamento Legais do Débito F LD. Foram considerados como valores de base de cálculo os valores pagos a título de assistência médica Plus, discriminados nas folhas de pagamentos na rubrica "862 – custo plus, sendo efetuados os seguintes levantamentos: Levantamentos dos empregados assistência médica: MEE {não declarada na GFIP) e MEG (declarada na GFIP) Levantamentos dos contribuintes. Individuais assistência médica MEC (não declarada na GFIP) e MCG (declarada na GFIP) A previdência privada é um benefício que pode ser concedido pela empresa a seus funcionários, que não integrará o salário decontribuição, se for extensivo a todos os empregados e dirigentes. A empresa pode até oferecer planos de previdência privada diferentes, desde que o tratamento seja equânime, ou seja, o segurado possa optar pelo plano que desejar. A concessão do beneficio de forma diferenciada, em razão do cargo ou salário, determina o seu enquadramento como parcela integrante do saláriodecontribuição. Na empresa em questão, há uma diferenciação na concessão desse beneficio: • para os empregados que não exercem cargo de direção: podem optar pela Proposta de n° 6153/03 do Plano Gerador de Benefícios Livre PGBL, contribuindo mensalmente com um percentual do salário (contribuição mínima é de 1% do salário), sendo este valor, integralmente, descontado do empregado. Em anexo segue cópias exemplificativas, da proposta e do termo de adesão Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 juntamente com a autorização para desconto em folha de pagamento; e • para os segurados que exercem cargo de direção: é um beneficio estipulado em ata de assembléia aos diretores executivos. Esses diretores possuem uma contribuição mensal de 10% do salário, totalmente custeada pela empresa, inclusive, a Proposta que regulamenta este PGBL é outra, a de n° 3072/03, na qual somente podem aderir os diretores eleitos da instituidora (Central Nacional Unimed Cooperativa Central). Em anexo cópia da proposta. Não há termo de adesão juntamente com a autorização para desconto em folha de pagamento, pelo fato de ser um benefício inerente ao cargo de diretoria e nada ser descontado desse segurado. Portanto, essa concessão do benefício, em razão do cargo que o segurado ocupa, caracteriza saláriodecontribuição para os segurados que ocupam cargo de diretoria, que são três: diretor presidente, diretor administrativo e financeiro e diretor de produtos e operações. O lançamento do débito previdenciário foi efetuado com base nas folhas de pagamento, no período de O1 a 12/2003 referente aos valores pagos aos diretores (categoria: segurados contribuintes individuais). Encontrase fundamentado no a1t.28, III, §9°, p, da lei n° 8.212/91 e art.214, III, §9°, XV, do RPS, aprovado pelo decreto n° 3048/99. Foram considerados como valores de base de cálculo os valores pagos a título de Previdência Privada Diretor, discriminados nas folhas de pagamentos na rubrica "864 depósito previdência privada", sendo efetuados os seguintes levantamentos: Levantamentos: PRI (previdência privada não declarada na GFIP) e PRG (previdência privada declarada na GFIP). O seguro de acidentes pessoais é um benefício concedido pela empresa somente aos diretores, portanto, não é extensivo a todos os empregados e dirigentes e, não tem previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho. E previsto em ata de assembléia. A concessão do beneficio de forma diferenciada, em razão do cargo ou salário, determina o seu enquadramento como parcela integrante do saláriodecontribuição. São três os diretores: diretor presidente, diretor administrativo e financeiro e diretor de produtos e operações. O lançamento do débito previdenciário foi efetuado com base nas folhas de pagamento, no período de 01 a 12/2003 referente aos valores pagos aos diretores (categoria: segurados contribuintes individuais). Encontrase fundamentado no art.28, III, da lei n° 8.212/91 e art.214, III, do RPS, aprovado pelo decreto n° 3048/99. Foram considerados como valores de base de cálculo os valores pagos a título de Seguro de Acidentes Pessoais, discriminados nas folhas de pagamentos na rubrica "856 Seguro de Acidentes Pessoais", sendo efetuados os seguintes levantamentos: Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 5 7 • Levantamentos: ACI (seguro de acidentes pessoais não declarado na GFIP) ACG (seguro de acidentes pessoais declarado na GF IP). Em anexo: Ata da Assembléia Geral Ordinária realizada em 27/03/03, dispõe sobre os benefícios da diretoria; Termo de opção do plano de assistência médica Uniplan e termo de autorização para débito em folha de pagamento; Proposta do PGBL n° 6153/03 dos segurados sem cargo de diretoria; Termo de adesão juntamente com a autorização para desconto em folha de pagamento; Proposta do PGBL n° 3072/03 dos diretores e Folha de pagamento (exemplificativa). Às fls. 68 estão relacionados os anexos que integram o presente Auto de Infração. A fiscalização informa ainda, que não foi efetuado o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos TAB pois o valor total dos autos de infração lavrados (R$ 1.370.856,38) é menor que 30% do patrimônio conhecido da empresa (R$ 12.638.558,17) e que as situações descritas acima, em tese, configuram a ocorrência dos crimes previstos no Código Penal, portanto, será este fato objeto de Representação Fiscal Para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente, para as providências cabíveis. Foram lavrados ainda os seguintes Autos de Infração (AIs): n°s. 37.186.5450; 37.186.5468, 37.186.5441, 37.186.5484, 37.186.5492, 37.186.5387, 37.186.5395, 37.186.5409, 37.186.5417 e 37.186.5425. [...]. É o relatório. 2. A decisão a quo restou ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/O1/2003 a 31/12/2003 DECADÊNCIA._ SÚMULA VINCULANTE. STF.INOCORRENCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal STF, por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias, mencionadas nos artigos 2° e 3° da Lei n.º 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional Lei n.º 5.172/66. SALÁRIODECONTRIBUICAO. PARCELAS INTEGRANTES. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA MÉDICA E SEGURO DE ACIDENTES PESSOAIS. Entendese por saláriodecontribuição, para o segurado empregado e contribuinte individual, a remuneração auferida em Fl. 540DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Os valores pagos pela empresa a título de previdência privada e assistência médica enquadramse no conceito de saláriode contribuição quando não extensíveis à totalidade dos empregados e dirigentes ou quando fornecidos de forma diferenciada. Os valores pagos pela empresa a titulo de seguro de acidentes pessoais integram a base de cálculo e não se enquadrando nas hipóteses taxativas de e 1 § 9° do art. 28 da Lei 8.212./91. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, de caráter irrelevável. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente 3. Irresignado com o resultado proferido na primeira instância, após ter sido devidamente intimado (09/09/2009 cópia AR fl. 282) o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 298/327, o qual tem como argumentos o que segue: esclarece que o acórdão recorrido, equivocadamente, considerou que não ocorreu antecipação do pagamento pela recorrente, aplicando o art. 173,I, do CTN, o que ofende a súmula vinculante nº 8 do STF, pois a recorrente apresenta provas de que houve, de fato, pagamento antecipado de todas as competências e, assim sendo, deve ser aplicada, na verdade, a regra especial do art. 150 §4°, do mesmo diploma legal. ainda, quanto à competência 13/2003, alega que, segundo o art. 7° da Lei n.º 8.620/93, as contribuições previdenciárias incidentes sobre esta parcela sejam pagas em guia GPS especifica até o dia 20 do mês de dezembro. Sabendo disto a Recorrente, obedecendo à determinação, recolheu antecipadamente em 19/12/2003; aduz, subsidiariamente, que, no caso de não ser declarado a decadência, o presente AI deve ser improcedente visto que, conforme o parágrafo 2º do artigo 202 da CF, a contribuição do empregador para a previdência privada não integra remuneração e que, por isto, não poderia a fiscalização, aplicar a alínea “p” do parágrafo 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, simplesmente desconsiderando o texto da Constituição; salienta que, também é indevida a cobrança pretendida, pela fiscalização, sobre o seguro de acidentes pessoais, tendo em vista que tal disponibilização não pretende dar uma vantagem ao empregado, mas sim possibilitar o bom exercício das respectivas funções, no interesse da empresa. Em outras palavras não incide contribuição sobre o seguro de acidentes pessoais, pois esta não constitui retribuição a serviço prestado; afirma que os valores gastos com assistência médica para seus trabalhadores não podem ser considerados parcelas salariais, conforme artigo 458 da CLT e o artigo 28 da Fl. 541DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 6 9 Lei 8.212/91, uma vez que não tem caráter contraprestativo e foram fornecidas a todos os empregados e dirigentes, ainda que em condições diferenciadas; acentua, que caso seja entendido que os valores gastos com assistência médica tem caráter salarial, devese perceber que houve majoração da base de cálculo utilizada, visto que apenas seria tributável a diferença dos valores autuados em relação aos valores pagos ao demais segurados, e não o valor inteiro como a fiscalização pretendeu fazer; argumenta que, mesmo que mesmo que se aceite a existência dos débitos lançados, a taxa de juros utilizada (SELIC) mais que duplica o valor supostamente devido, criando um montante que ofende princípios e leis do Direito Tributário, devendo, então, ser excluída a aplicação de tal taxa como juros. 4. Apresentados os argumentos recursais, não houve contrarrazões fiscais e os autos seguiram a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA DECADÊNCIA 2. No que se refere à decadência, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade de votos, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 3. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das Fl. 543DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 7 11 quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 4. Com efeito, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 5. Desta forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. 6. Compulsando os autos, depreendese do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF (fl. 24) e do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, (fl.48), que a fiscalização examinou a folha de pagamento, GFIP, comprovante de recolhimento e outros. Assim, verificase que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 7. Ademais, no que tange ao recolhimento antecipado, registrese que o julgador a quo já fez a apreciação necessária e exame de documentos que comprovam a existência de recolhimento antecipado, conforme trago a colação trecho do relatório constante da decisão de primeira instância (Ac. 1622.435 11ª Turma da DRJ/SPOI), in verbis (fl. 272): "A Autuada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 112/137, juntando cópia autenticadas de documentos societários, cópias deste Auto e de comprovantes de pagamentos GPS das competências de 01 a 13/2003(...)." 8. Do acima transcrito, verificase que não há dúvida quanto à aplicação da regra decadencial constante do artigo 150, §4º, do CTN. 9. O CARF, por intermédio de uma de suas Câmaras Superiores, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal)”. (Processo nº 36918.002963/200575; Recurso nº 243.707 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.418). 10. A matéria foi sumulada pelo CARF: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste Fl. 544DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” 11. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada ao lançamento fiscal a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. E com base nas informações expostas acima, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 30/12/2008, referente às contribuições do período de 01/01/2003 a 31/12/2003 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 01/01/2003 a 11/2003 e 13/2003. 12. Dessa forma não foi alcançada pela decadência a competência 12/2003, cujo recolhimento se dá no mês seguinte, qual seja em 01/2004. DA ASSISTÊNCIA MÉDICA 13. No ponto, a questão controvertida se resume em saber se há ou não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores despendidos pela empresa a título de assistência médica, visto que a fiscalização considerou que o benefício não teria sido disponibilizado a todos os empregados, contrariando assim o disposto no art. 28, §9º, alínea ‘q’, da Lei nº 8.212/91. 14. Apenas para melhor informar o caso concreto, transcrevo parte do relatório fiscal, nos seguintes termos: “1. A assistência médica é um benefício concedido pela empresa aos seus funcionários, normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, de modo que se for extensivo a todos os empregados e dirigentes não integrará o saláriode contribuição. 2. A empresa pode até fornecer planos médicos diferenciados, desde que o tratamento seja equânime, ou seja, o segurado possa optar pelo plano que desejar. 3. O recebimento do benefício, em razão do cargo ou salário, determina o seu enquadramento como parcela integrante do saláriodecontribuição. 4. Na empresa em questão, há uma diferença na concessão desse benefício: para os empregados que não exercem cargo de gerência há disponível, gratuitamente, o plano de enfermaria e caso queiram podem optar pelo plano de apartamento Uniplan, desde que paguem o valor da diferença entre esses dois planos. Em anexo, segue cópia, exemplificativa, da opção do plano Uniplan e do termo de autorização para débito em folha de pagamento; e para os segurados que exercem cargo de gerência, disponibilizado, gratuitamente, o plano de apartamento Plus. Obs: o plano apartamento Plus possui mais benefícios que plano apartamento Uniplan; 5. Os segurados empregados que não exercem cargos de gerência não podem optar pelo plano apartamento Plus); Fl. 545DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 8 13 6. Portanto, essa concessão do benefício, em razão do cargo que o segurado ocupa, caracteriza saláriodecontribuição para os segurados que ocupam cargo de gerência. Em ata de assembléia consta como um dos benefícios a assistência médica aos diretores executivos e aos seus dependentes. 7. Foi solicitado ao sujeito passivo, através do TIAD emitido em 12/09/2008, os contratos de assistência médica, mas não foram apresentados. 8. O lançamento do débito foi efetuado com base nas folhas de pagamento apresentados a fiscalização.” (f. 51) 15. Com todo o respeito ao posicionamento daqueles que divergem, entendo que a empresa pode inserir em seu plano de benefícios regramento interno para acesso de seus empregados aos planos de assistência médica, sem que esse procedimento possa ser utilizado pelo fisco para qualificar o benefício como remuneração, para efeito de incidência de tributos. 16. Isso porque, apesar de o art. 28, da Lei nº 8.212/91 conceituar a remuneração de maneira abrangente, a norma Celetista o faz de forma diferente em seu o § 2º do art. 458, da CLT, excluindo expressamente, sem estabelecer qualquer condição, o pagamento de plano de saúde do conceito de salário e, por consequência, do conceito de remuneração, o que faz com que não se possa admitir a afirmativa do fisco segundo a qual o Plano de Saúde integra o salário para os fins de incidência da contribuição previdenciária. 17. Apenas para melhor me posicionar sobre o tema, transcrevo o inteiro teor do dispositivo: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde.” 18. Admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista deve ser evitado, pois o próprio Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. 19. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: Fl. 546DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 20. Assim sendo, o conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição é unívoco e expressam a mesma ideia, de maneira que não se admite em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição previdenciária, que possa o lançamento de tributo incidir sobre plano de assistência médica se a própria norma trabalhista retirou o caráter salarial do benefício. 21. Ressaltese, porque importante, que a Mensagem nº 1.115/00, do Poder Executivo, que encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei nº 10.243/2001, justifica o acréscimo do § 2º ao art. 458, da CLT, exatamente como proposta para desvincular os benefícios do salário: “4. A proposta modifica, ainda, o § 2º do art. 458, da CLT, que dispõe sobre o salário in natura, para determinar que os benefícios, concedidos pelo empregador, relativos a educação, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, não integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisfação, sem ônus subseqüente de outra natureza. A proposta atende a essas expectativas desvinculando tais benefícios do salário.” (o negrito é nosso) 22. Vejase que, em outras ocasiões, o legislador preferiu utilizar o conceito de remuneração da legislação trabalhista. Nesse sentido, o art. 15 da Lei nº 8.036/90 (Lei do FGTS) permaneceu com a sua redação original, in verbis: "Art. 15. Para os fins previstos nesta Lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8% (oito por cento) da remuneração para ou devida, no mês Fl. 547DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 9 15 anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os artigos 457 e 458, da CLT,e a gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965." (grifamos) 23. É dizer: a Lei do FGTS, ao invés de fazer remissão ao conceito de remuneração previsto no art. 28, da Lei nº 8.212/91, faz remissão expressa ao conceito de remuneração estabelecido nos arts. 457 e 458, da CLT. 24. Assim, diante de tais considerações, sou levado a crer que o art. 28, § 9º, "q", da Lei nº 8.212/91, ao determinar condição para que o benefício fosse retirado do conceito de remuneração, foi na verdade revogado tacitamente pela Lei nº 10.243/2001, que acrescentou o § 2º, ao art. 458 da CLT. 25. Considerando que a legislação trabalhista asseverou claramente que o benefício concedido a título de assistência médica não é salário, resta evidente o óbice para que o fisco possa considerálo como base de cálculo para o saláriodecontribuição. 26. Por fim, devese aplicar o art. 110 do Código Tributário Nacional que assevera claramente: “a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” 27. De maneira que a incidência da contribuição previdenciária está restrita à folha de salário, conforme formalizado pelo direito trabalhista, pois quem define e limita a competência impositiva é a própria Constituição, que circunscreveu o tributo à folha de salário dos empregados. Sendo que o referido conceito não pode ser simplesmente alterado por outra legislação, haja vista a expressa vedação do Código Tributário Nacional. 28. Ademais, a acusação fiscal se limitou em dizer que o plano não era estendido a todos os funcionários, tal afirmação não condiz com o relatório fiscal se não vejamos: “4. Na empresa em questão, há uma diferença na concessão desse benefício: para os empregados que não exercem cargo de gerência há disponível, gratuitamente, o plano de enfermaria e caso queiram podem optar pelo plano de apartamento Uniplan, desde que paguem o valor da diferença entre esses dois planos. Em anexo, segue cópia, exemplificativa, da opção do plano Uniplan e do termo de autorização para débito em folha de pagamento; e para os segurados que exercem cargo de gerência, disponibilizado, gratuitamente, o plano de apartamento Plus. Obs: o plano apartamento Plus possui mais benefícios que plano apartamento Uniplan;” Fl. 548DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 29. Dessa forma, de acordo com o próprio fiscal o plano era estendido a todos os funcionários o que havia na verdade era modalidade do plano diferenciado para cada categoria de empregado. 30. Feitas essas considerações o meu voto é no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte nesta parte. DA PREVIDÊNCIA PRIVADA 31. Passo agora ao estudo dos planos de previdência privada aos empregados segurados da empresa, que, no meu entendimento, não é causa originadora de contribuições previdenciárias. 32. A fiscalização entendeu que houve a infração, pois, apesar de ser extensivo a todos os empregados, os pagamentos efetuados relativos à previdência privada aos diretores da empresa tiveram condições privilegiada. 33. Com efeito, a própria Constituição Federal tratou expressamente do tema em seu art. 202, §2°, para dizer que as contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes e nem integram a remuneração dos participantes. 34. Apenas para melhor me posicionar sobre o tema, transcrevo o inteiro teor do dispositivo: "Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o beneficio contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) (...). § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998).” (...). 35. E a Lei n.° 8.212/91, que previu a Previdência Complementar na organização da Previdência Social: “Art. 3° A Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 10 17 Parágrafo único. A organização da Previdência Social obedecerá aos seguintes princípios e diretrizes: a) universalidade de participação nos planos previdenciários, mediante contribuição; b) valor da renda mensal dos benefícios, substitutos do salário decontribuição ou do rendimento do trabalho do segurado, não inferior ao do salário mínimo; c) cálculo dos benefícios considerandose os saláriosde contribuição, corrigidos monetariamente; d) preservação do valor real dos benefícios; e) previdência complementar facultativa, custeada por contribuição adicional." 36. Não é inoportuno dizer que a empresa, na verdade, está desempenhando enorme papel social ao fornecer a previdência complementar a seus trabalhadores. Cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento de previdência complementar é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na aposentadoria do trabalhador já que, como sabemos, a aposentadoria pública é insuficiente para garantir a segurança da massa trabalhadora do País. 37. De outro lado, a Consolidação das Leis do Trabalho — CLT também retirou expressamente do conceito de salário a concessão do beneficio de previdência privada aos empregados, nos seguintes termos: "Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 1 Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador. (...) VI—previdência privada; (...)" 38. Pelos dispositivos acima, resta evidenciado que a legislação que rege a matéria não colocou as amarras impostas pela legislação previdência, qual seja que a utilidade fosse disponibilizada a todos os empregados e dirigentes da empresa (letra ‘p’ do §9° do art. 28 da Lei n.º 8.212/91). Fl. 550DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 39. E não se deve conceber que a norma trabalhista exclua determinado beneficio do salário e a legislação previdenciária imponha tratamento diferente. Pensar de forma diferente é colocar em risco a segurança jurídica nas relações entre Fisco e contribuinte. Aliás, não se pode perder de vista, jamais, que o princípio da segurança jurídica se acha esculpido no artigo 2°, da Lei n° 9.784, de 1999. 40. No caso concreto, o plano era estendido a todos os funcionários, conforme conta no relatório fiscal, se não vejamos: Na empresa em questão, há uma diferenciação na concessão desse beneficio: • para os empregados que não exercem cargo de direção: podem optar pela Proposta de n° 6153/03 do Plano Gerador de Beneficios Livre PGBL, contribuindo mensalmente com um percentual do salário (contribuição mínima é de 1% do salário), sendo este valor, integralmente, descontado do empregado. Em anexo segue cópias exemplificativas, da proposta e do termo de adesão juntamente com a autorização para desconto em folha de pagamento; e • para os segurados que exercem cargo de direção: é um beneficio estipulado em ata de assembléia aos diretores executivos. Esses diretores possuem uma contribuição mensal de 10% do salário, totalmente custeada pela empresa, inclusive, a Proposta que regulamenta este PGBL é outra, a de n° 3072/03, na qual somente podem aderir os diretores eleitos da instituidora (Central Nacional Unimed Cooperativa Central). Em anexo cópia da proposta. Não há termo de adesão juntamente com a autorização para desconto em folha de pagamento, pelo fato de ser um benefício inerente ao cargo de diretoria e nada ser descontado desse segurado. 41. Dessa forma, de acordo com o próprio fiscal o plano era estendido a todos os funcionários o que na verdade existia era modalidade do plano diferenciado para cada categoria de empregado. 42. Feitas estas considerações, afasto do lançamento também esta rubrica. DO SEGURO DE ACIDENTES PESSOAIS 43. No que se refere ao seguro de acidentes pessoais, a fiscalização entendeu que o custeio, pela Recorrente, de seguro de acidentes pessoais é considerado uma remuneração e, por isto, deve incidir contribuição previdenciária. Todavia, a CLT, em seu artigo 458,§2°,V, nos diz que: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) Fl. 551DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 11 19 § 2oPara os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador:(Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...). V – seguros de vida e de acidentes pessoais;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) 44. Pelo dispositivo acima, resta evidenciado que o referido pagamento não ostenta natureza retributiva, pois não decorre da prestação de serviços, servindo apenas de garantia para empregados e empregadores quanto às fatalidades que possam ocorrer durante o contrato de trabalho. 45. Em outras palavras, a finalidade do pagamento em questão é a de possibilitar um bom exercício das respectivas funções dos trabalhadores. Tanto é assim que, se houver pagamento por parte da seguradora, este terá natureza indenizatória, apenas ressarcindo danos recorrentes do sinistro. 46. No mesmo sentido, a própria Lei nº 8.212/91 diz que não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 47. Evidentemente que, em atendimento ao princípio da especificidade das normas, a lei trabalhista deve ser considerada sempre com muita cautela para que não invada a esfera do ordenamento legal previdenciário, notadamente no que se refere à cobrança de contribuições sociais. 48. Cumpre enfatizar que o conceito jurídico de salário não é originário do direito previdenciário, mas sim do direito trabalhista. E não se pode admitir que a CLT exclua do salário do trabalhador determinada parcela e a previdência a considere para efeitos de cobrança das contribuições sociais, desvirtuando conceitos jurídicos. 49. Enfim, devo ressaltar que, cobrar contribuições sociais sobre estes benefícios, é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade no bem estar e segurança dos trabalhadores, para que os familiares não passem dificuldades em caso de falecimento do mantenedor da família. 50. Pelas razões demonstradas, esta rubrica, deve também ser excluída do lançamento. CONCLUSÃO 51. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe provimento, nos temos acima delineados. É como voto. Natanael Vieira dos Santos Fl. 552DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre relator, discordo de sua decisão quanto ao provimento do recurso voluntário, nas questões relativas à previdência privada e ao seguro de vida, conforme fundamentos abaixo. PREVIDÊNCIA PRIVADA Entendo que a verba previdência complementar é passível de incidência de contribuição previdenciária pelo fato de não ter havido extensão do benefício a todos os empregados da empresa. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; Fl. 553DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 12 21 No presente caso, a análise mais relevante é a questão da extensão do benefício aos segurados da recorrente; exigência legal que não foi cumprida no pagamento da verba. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme demonstrado. A verba paga a título de previdência privada possui natureza remuneratória, os segurados que receberam tal verba, mesmo indiretamente, tiveram um ganho em relação aos segurados que foram excluídos do benefício. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa complementou valores referentes aos planos de previdência privada. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Não procede o argumento da recorrente de que o plano de previdência estava aberto a todos os empregados. Como muito bem destaca o relatório fiscal, com base em documentos anexos aos autos, existem dois planos, um para os segurados a serviço da recorrente que ocupem cargos de direção e outro para os demais segurados. Em um dos planos, o disponível para segurados que ocupem cargo de direção a recorrente arca, integralmente, com os custos, eximindo os segurados beneficiários. No outro, para segurados que não ocupem cargos de direção, o valor da contribuição é descontada dos segurados. Ora, não se pode conceituar como plano idêntico os disponíveis à totalidade de seus segurados quando em um há obrigatoriedade de contribuição e em outro não, por parte do segurado. Portanto, pelo motivo exposto, voto em negar provimento ao recurso, na questão relativa à incidência de contribuição sobre valores pagos a título de previdência complementar, nos termos do voto. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 22 SEGURO DE VIDA Quanto à incidência de contribuição sobre valores pagos a título de seguro de vida, deve haver a incidência de contribuição, pois os pagamentos não seguiram o que determina a legislação, não sendo, portanto, isentos. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... Decreto 3.048/1999: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: ... XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 13 23 Como está claro no relatório fiscal, o seguro de vida foi concedido a parte dos segurados a serviço da recorrente e não foi previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Esses requisitos estão expressos na legislação para o gozo da isenção e como não foram cumpridos incluem essa parcela no campo de incidência, já que, conforme determina a regra matriz, são benefícios pagos aos segurados em decorrência de seu trabalho, pelo trabalho, em retribuição ao trabalho prestado. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário, na questão dos eguros de vida em grupo, nos termos do voto. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso, nos pontos analisados (previdência privada e seguro de vida), conforme o voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Fl. 556DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 24 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira. Quanto ao lançamento devido à assistência médica, votei com o relator por suas conclusões e passo a expor minhas razões. A isenção de contribuição previdenciária sobre valores pagos a segurados a aerviço das empresa está determinada na legislação. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; Como está claro na determinação legal, há uma condição para que o auxílio saúde não seja tributado, desde que a cobertura abranja a totalidade dos segurados empregados e dirigentes a serviço da empresa. Cabe deixar claro que abrangência de cobertura, em nosso entender, não é sinônimo de isonomia. Abrangência de cobertura é o oferecimento a todos os segurados a serviço da empresa. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19515.008674/200846 Acórdão n.º 2402004.695 S2C4T2 Fl. 14 25 Caso o legislador desejasse que a cobertura fosse isonômica a todos os segurados, essa determinação deveria constar da legislação, já que os particulares só são obrigados a fazer o que a lei determina. Pois bem, no presente caso, conforme o relatório fiscal, acusação, o auxílio saúde era oferecido a todos os segurados a serviço da empresa, portanto não deve haver incidência de contribuição. Não acompanho o relator em suas conclusões, pois, em síntese, seu fundamento é de que o art. 28, § 9º, "q", da Lei nº 8.212/91, ao determinar condição para que o benefício fosse retirado do conceito de remuneração, foi na verdade revogado tacitamente pela Lei nº 10.243/2001, que acrescentou o § 2º, ao art. 458 da CLT. Discordo, pois os Direitos Trabalhista e Previdenciário são autônomos e a regra sore a incidência de contribuição ainda está vigente, já que consta da legislação e não foi declarada inconstitucional ou ilegal pelo Poder Judiciário. CONCLUSÃO: Por todo exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário, na questão do auxílio saúde, mas, diferentemente do nobre relator, devido a extensão da cobertura a todos os segurados a serviço da recorrente, como determina a Lei 8.212/1991, conforme o voto. (assinado digitalmente). Marcelo Oliveira. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digi talmente em 20/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 19679.006027/2004-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
COMPETÊNCIA DO CARF - a apreciação da lide pelo CARF não se circunscreve pelo Principio da adstrição -, e que, respeitadas as normas processuais administrativas, a autoridade julgadora deve conhecer todas as questões da lide, e ela não pode estar cerceada em conhecer as não suscitadas na contestação, ou no recurso, ou nas decisões do processo.
NULIDADE. PREJUÍZO AO CONTRADITÓRIO QUANDO FALTAM INFORMAÇÕES SOBRE AS BASES PARA A DECISÃO ADMINISTRATIVA. - Deve ser decretada a nulidade do ato administrativo que deixe de informar e ser instruído com os elementos adotados para seu fundamento.
VERDADE MATERIAL E PRODUÇÃO DE PROVAS. POSSIBILIDADE.
É ônus processual do peticionário provar os fatos constitutivos do seu direito. É ônus processual dos julgadores no processo administrativo fiscal buscar a verdade material, sem com isso suprir a inércia do peticionário. Tendo o peticionário instruído sua manifestação de inconformidade ou impugnação com documentos que pretendem provar seu direito, eles devem ser apreciados, em louvor do disposto no artigo 4ª da Lei n. 9.784, de 1999.
Numero da decisão: 3401-003.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator), Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento para anular também o despacho decisório. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 COMPETÊNCIA DO CARF - a apreciação da lide pelo CARF não se circunscreve pelo Principio da adstrição -, e que, respeitadas as normas processuais administrativas, a autoridade julgadora deve conhecer todas as questões da lide, e ela não pode estar cerceada em conhecer as não suscitadas na contestação, ou no recurso, ou nas decisões do processo. NULIDADE. PREJUÍZO AO CONTRADITÓRIO QUANDO FALTAM INFORMAÇÕES SOBRE AS BASES PARA A DECISÃO ADMINISTRATIVA. - Deve ser decretada a nulidade do ato administrativo que deixe de informar e ser instruído com os elementos adotados para seu fundamento. VERDADE MATERIAL E PRODUÇÃO DE PROVAS. POSSIBILIDADE. É ônus processual do peticionário provar os fatos constitutivos do seu direito. É ônus processual dos julgadores no processo administrativo fiscal buscar a verdade material, sem com isso suprir a inércia do peticionário. Tendo o peticionário instruído sua manifestação de inconformidade ou impugnação com documentos que pretendem provar seu direito, eles devem ser apreciados, em louvor do disposto no artigo 4ª da Lei n. 9.784, de 1999.
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RESSARCIMENTO. Recorrente PARMALAT BRASIL SA INDUSTRIA DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 COMPETÊNCIA DO CARF a apreciação da lide pelo CARF não se circunscreve pelo Principio da adstrição , e que, respeitadas as normas processuais administrativas, a autoridade julgadora deve conhecer todas as questões da lide, e ela não pode estar cerceada em conhecer as não suscitadas na contestação, ou no recurso, ou nas decisões do processo. NULIDADE. PREJUÍZO AO CONTRADITÓRIO QUANDO FALTAM INFORMAÇÕES SOBRE AS BASES PARA A DECISÃO ADMINISTRATIVA. Deve ser decretada a nulidade do ato administrativo que deixe de informar e ser instruído com os elementos adotados para seu fundamento. VERDADE MATERIAL E PRODUÇÃO DE PROVAS. POSSIBILIDADE. É ônus processual do peticionário provar os fatos constitutivos do seu direito. É ônus processual dos julgadores no processo administrativo fiscal buscar a verdade material, sem com isso suprir a inércia do peticionário. Tendo o peticionário instruído sua manifestação de inconformidade ou impugnação com documentos que pretendem provar seu direito, eles devem ser apreciados, em louvor do disposto no artigo 4ª da Lei n. 9.784, de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator), Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que davam provimento para anular também o despacho decisório. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 60 27 /2 00 4- 01 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo cuida de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei n° 9363/96 e na Portaria MF n° 38/97, referente ao ano de 2002, no montante de R$ 2.143.943,66. A ele havia sido vinculado declarações de compensação, objeto dos processos ns° 19679.002416/200450 e 19679.003776/200479. A Delegacia da Receita Federal de Jundiaí SP indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, devido à falta de apresentação dos documentos solicitados para a realização dos exames. A contribuinte manifestou sua inconformidade alegando, em síntese do relator do acórdão recorrido que reproduzo, que: a) Seja declarada nula a decisão ora atacada, em razão da forma arbitrária e contra legem pela qual foi conduzido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0812400/00443/2007, devendo ser determinado o retomo do presente processo à instância administrativa inicial, para análise de toda a documentação ora juntada, bem como determinada nova intimação para que sejam julgados todos os demais documentos acaso necessários para análise dos créditos de IPI; b) A Manifestante respondia a dois Mandados de Procedimento Fiscal simultaneamente, por conta disso teve cerceado o seu direito de apresentar os documentos exigidos neste procedimento. A juntada dos documentos que comprovam o equívoco da Secretaria da Receita Federal na lavratura de dois Mandatos de Procedimentos Fiscais idênticos e simultâneos, bem como a origem dos créditos da Manifestante merecem ser analisadas pelo órgão julgador, tudo em observância ao consagrado princípio da verdade material; c) Prestou esclarecimentos sobre o pedido de ressarcimento em resposta à fiscalização perpetrada pela DEAIN/SP (Delegacia Especial de Assuntos Internacionais) e em nenhum momento deixou de responder à Fiscalização de Jundiaí, requerendo a expressa manifestação sobre qual diligência deveria vigorar, já que as fiscalizações realizadas pelas Delegacias de São Paulo e Jundiaí versavam sobre os mesmos tributos e períodos de apuração; d) Sem que fosse dada qualquer resposta à empresa sobre os esclarecimentos solicitados à Fiscalização de Jundiaí, o auditor fiscal entendeu por encerrar a fiscalização, concluindo pela ilegitimidade dos pedidos de ressarcimento ora em análise em razão da falta de apresentação dos elementos necessários ao exame do crédito. A decisão, ao pautarse tão somente na conclusão do auditor fiscal, Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.006027/200401 Acórdão n.º 3401003.017 S3C4T1 Fl. 3 3 mitiga a pretensão da Manifestante que, todavia, poderá ser sanada através da análise dos documentos ora acostados, em respeito ao conhecido princípio da verdade material; e) O fato de ter deixado de se utilizar do sistema PED/DCOMP não pode justificar a não homologação das compensações de seus débitos com os créditos de IPI. Independente da forma como foram feitos os pedidos de compensação, por formulário ou por meio da utilização do programa PER/DCOMP, é certo que essa simples formalidade não pode dar azo à negativa de um direito do contribuinte; f) Ao final, requer que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, para, após a análise dos documentos ora acostados, seja integralmente reformado o despacho decisório ora atacado, com o reconhecimento do direito aos créditos presumidos de IPI pleiteados por meio do pedido de ressarcimento e a conseqüente homologação dos pedidos de compensação. O Colegiado de 1ª instância sublinhou não compor a lide as declarações de compensação pois elas foram consideradas pela autoridade administrativa como não declaradas nos processos e foram objeto de recurso hierárquico (representação no processo n. 10880.720759/200931). Os julgadores de 1º piso rejeitaram a preliminar de nulidade da decisão de indeferimento argüida pela contribuinte por ter o procedimento fiscal sido arbitrário e contra legem. Para eles, não foi encontrado nos atos atacados qualquer uma das hipóteses de nulidade do artigo 59 do Decreto n. 70.235, de 1972. E também não houve prejuízo ao direito de defesa. Em suas palavras: Depreendese do artigo acima transcrito que os despachos ou decisões da autoridade administrativa somente são nulos quando proferidas por autoridade incompetente e com preterição do direito de defesa. No presente caso, sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade da decisão. Além disso, a norma administrativa que regulamenta o MPF tem como função o disciplinamento administrativo da execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF e decorre da necessidade de a administração tributária planejar suas ações de fiscalização de acordo com parâmetros estabelecidos por ela. No entanto, apesar de sumamente importante para o controle da execução da fiscalização, o MPF não integra o rol dos atos e termos vinculados à análise e decisão no processo administrativo fiscal, que são privativos do Delegado da Receita Federal do Brasil ou do agente fiscal a quem este delega competência. Iniciado o procedimento fiscal, cientificado o sujeito passivo, por meio do MPF, ou outra qualquer forma que a Administração venha a criar, o procedimento entrará nos trilhos do Decreto n° 70.235, de 1972, e ele passará a reger o procedimento fiscal, ou seja, a partir daí, só a lei poderá determinar os vícios formais que possam levar a decretação da nulidade do ato administrativo, o que não é a hipótese do presente procedimento. Não tendo o AFRFB praticado atos à revelia do conhecimento de seus superiores, nem tampouco à revelia do conhecimento do sujeito passivo, não houve vício na ação fiscal E, ainda, não cabe interpretar que um instrumento instituído por norma infralegal (Portaria) possa acarretar a nulidade da decisão administrativa dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna). Ao contrário do que afirma a manifestante, o procedimento fiscal deflagrado pela DEAIN/SP não é idêntico ao do MPF n° 0812400/00443/2007 da Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 em Jundiaí. O Termo de Intimação 04/2007 (fls. 634/637), elaborado pela DEAIN/SP, intima a manifestante a apresentar esclarecimentos e documentos sobre compensação/ressarcimento em apenas 1 (um) dos 12 (doze) diferentes itens do termo, conforme abaixo transcrito: "11. Relacionar, se houver, os processos cujo objeto seja atinente a créditoprèmio de 1P1 ou de 1CMS ou crédito presumido do IPI, obtidos em função de exportação incentivada. Fornecer cópia simples dos pedidos de compensação ou ressarcimento dos mencionados créditos, discriminando aqueles que porventura tenham sido deferidos nos anos de 2002 e 2003. " Conforme podemos verificar, a DEAIN/SP solicita apenas relação e cópia simples dos pedidos de compensação ou ressarcimento, enquanto o procedimento levado adiante pela fiscalização de Jundiaí trata especificadamente da análise dos processos de ressarcimento dos créditos do IPI. Quanto à nulidade por falta de apreciação de provas, a matéria será analisada juntamente com a questão principal, pois referese ao procedimento fiscal e à necessidade dos documentos para a apreciação do pedido. Os julgadores de 1º piso entenderam que sua competência se restringiria a analisar os limites dados pela decisão atacada, no caso, a verificar somente a necessidade ou não dos documentos solicitados pelo Fisco e que justificou a não análise do mérito pela autoridade administrativa. Em sua visão, não lhes caberia examinar o mérito do pedido de ressarcimento. In verbis: Delimitação da lide Primeiramente, deve ficar claro que o indeferimento do pedido de ressarcimento se deu pela falta de apresentação dos documentos solicitados para a realização dos exames, necessários à analise do pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Em segundo lugar, devese observar que a impugnação/manifestação administrativa caracterizase como "recurso do tipo revisão" (recurso eliminatório) e tem por objeto exclusivo a apreciação do ato recorrido, limitandose a autoridade julgadora a averiguar a correção ou incorreção da constituição do crédito tributário/lançamento ou da decisão impugnada. Nesse passo, a autoridade julgadora se limita a praticar um ato secundário, pelo qual elimina ou mantém (total ou parcialmente) o ato primário impugnado, no caso, a decisão administrativa. Difere, portanto, do reexame, típico do poder judiciário, que tem finalidade de reapreciarão da questão decidida pelo órgão a quo, julgando o órgão ad quem diretamente sobre a melhor solução ao caso concreto (substituição do ato impugnado por outro ato, decidido em novos termos). Desta forma, a lide em questão diz respeito somente à necessidade ou não dos documentos solicitados pelo Fisco para a análise do pleito, portanto, somente será analisada a procedência ou não da decisão denegatoria quanto a esta questão. Isto porque não foi levantada nenhuma questão de mérito na decisão recorrida, tendo sido somente analisado fato prejudicial, ou seja, a falta de comprovação, por meio de documentos hábeis, não só do direito, como do quantum a ser ressarcido. Sendo assim, não pode o julgador administrativo, nesta fase processual, avocar para si a competência do reexame e analisar a matéria de mérito que envolve os autos. Também não pode analisar o pedido como se tivesse sido efetuado na manifestação de inconformidade, conforme verificado a seguir. Quanto à falta de documentos que dariam suporte ao pedido de ressarcimento, o Colegiado firmou posição de que a sua apresentação é um ônus do peticionário e eles seriam imprescindíveis. Que, no caso, a contribuinte não instruiu seu pedido de ressarcimento com a documentação comprobatória, nem quando solicitada pela fiscalização. E que o não atendimento é motivo para o indeferimento sumário ou arquivamento do pedido, nos termos do artigo 40 da Lei n. 9.784, de 1999. E que não há base legal para admitir a Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.006027/200401 Acórdão n.º 3401003.017 S3C4T1 Fl. 4 5 juntada intempestiva de provas, pois não se deu qualquer uma das hipóteses do parágrafo 4ª do artigo 16 do Decreto 70.235, de 1972. Vejamos sua argumentação: Em que pesem as alegações da manifestante, o que se deve analisar é a quem cabe o ônus da prova no caso em concreto e se é possível a aplicação do artigo 517, do Código de Processo Civil CPC. Por este motivo, fazse oportuno, antes da análise da questão ora levantada, fazer uma distinção, com referência ao ônus da prova, entre os processos administrativos originados de pleito do contribuinte (de que são exemplos mais expressivos os pedidos de restituição ou ressarcimento e as declarações de compensação) e os processos administrativos de exigência do crédito tributário (de que são expressões maiores os processos relativos a auto de infração e a notificação de lançamento). Nos primeiros, prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova no processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo. Nos segundos, porém, prevalece o princípio inquisitório (investigação) e o da verdade material (valoração dos fatos), o que possibilita ao julgador buscar a "verdade" dos fatos, independentemente das provas trazidas ao processo. Sendo assim, nos processos administrativos originados de pleito do contribuinte vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do Código de Processo Civil CPC, instituído pela Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, pela qual cabe, ao autor, a prova dos fatos constitutivos do seu direito e, ao réu, a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor: Assim, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente. Ou seja, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente e não do Fisco. (....) Quanto à falta de apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, devese suscitar alguns dispositivos do diploma legal que disciplina o processo administrativo geral no âmbito federal (utilizado subsidiariamente no plano tributário): Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999: (...) Neste ponto, fazse necessário destacar que a busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar os documentos solicitados, visando à comprovação do direito alegado. Assim, a falta de atendimento da intimação, ou o atendimento parcial da mesma, é motivo suficiente para o indeferimento sumário da solicitação, providência equivalente, na seara tributária, ao arquivamento referido na lei. Como se vê, a legislação e os princípios aclamados pela defesa são mitigados por formalidades previstas na legislação tributária e o Despacho Decisório proferido pelo órgão Fl. 406DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 competente, à luz da norma supracitada, não é nulo, insubsistente, nem improcedente, como quer a interessada, mas sim imposição legal decorrente da preclusão ocorrida. (...) Por outro lado, para que a instância julgadora administrativa admita a intempestiva apresentação da documentação em questão, assim impedindo o arquivamento do processo e determinando nova apreciação do pedido, é necessário que exista um fundamento legal que excepcione tal caso de preclusão. Como a Lei n° 9.784/99 não trouxe expressamente nenhum exceção, entendo que, por analogia, aplicase ao caso as situações previstas no parágrafo 4o do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72, quanto à apresentação da prova depois de expirado o prazo para tanto, quais sejam: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A defesa, implicitamente, estaria alegando motivo de força maior, fato que não ocorreu. Os documentos solicitados são obrigatórios e estavam de posse da interessada, mesmo que estivesse respondendo a dois Mandados de Procedimento Fiscal, fato este que não caracteriza "motivo de força maior", que desse ensejo suficiente para o descumprimento da intimação, pois o prazo de 20 dias dado pela autoridade fiscal era suficiente para encaminhamento dos mesmos à repartição mais próxima da localidade que se encontravam. Também não pode ser acolhida a pretensão da ora recorrente em ter apreciado, nesta instância, os documentos ora acostados, nem mesmo que usássemos por analogia do preceituado no artigo 517, do Código de Processo Civil CPC1, simplesmente pelo fato de que, primeiro devese aplicar as normas específicas (Decreto n° 70. 235, de 1972 e Lei n° 7984, de 1999), aplicando se o CPC de forma subsidiária, ou seja, somente quando os dois atos legais anteriormente citados não dispuserem sobre o assunto. Ademais, o artigo 517 do CPC referese a questões de fato não propostas no juízo inferior e estamos tratando de documentos probatórios e não de questões não levantadas pela manifestante, já que a solicitação do direito creditório foi por ela levantada, mas não devidamente provada. Devese acrescentar que até a ciência da decisão da autoridade administrativa (06/03/2008), mais de 8 (oito) meses após a ciência do Termo de Conclusão Fiscal de fls. 634/637 (20/06/2007), a empresa ainda não havia encaminhado à delegacia nenhum documento referente à intimação, mesmo já possuindo a informação da conclusão pela ilegitimidade do pedido de ressarcimento do IPI, devido à falta de apresentação dos documentos solicitados para a realização dos exames, necessários à analise do pedido. E. ainda, o Colegiado entendeu que não possuía competência para apreciar as provas juntadas na impugnação, uma vez que a autoridade administrativa não havia apreciado o mérito do pedido. Ademais, a autoridade julgadora não pode, nessa fase processual, apreciar os documentos trazidos juntamente com a impugnação, já que a Delegacia da Receita Federal do Brasil não se manifestou quanto ao mérito da questão e, como já dito anteriormente, a natureza do recurso administrativo difere do judicial, sendo que somente neste último é possível a reapreciação da questão decidida pelo órgão de origem. Se assim o fizesse, esta autoridade julgadora estaria avocando para si uma competência que não lhe é cabida, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas Fl. 407DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.006027/200401 Acórdão n.º 3401003.017 S3C4T1 Fl. 5 7 também de averiguar a existência do direito in concreto, ou seja, averiguar se o benefício reclamado originou efetivamente aquele crédito e se, até mesmo, referido crédito já não foi objeto de utilização para dedução com o IPI devido, fazendo intimações e diligências se necessário. O Acórdão n. º 1433.840 proferido em 24 de maio de 2011 pela respeitável 8ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão n. 1433.840 8a Turma da DRJ/RPO Data da sessão 24 de maio de 2011 Processo n. 19679.002405/200470 interessado PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS CNPJ n. 89.940.878/000110 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. IPI. RESSARCIMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação do direito reclamado. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros da 8a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual alega: a) os débitos que se pretendia quitar com os pedidos de compensação não compõem mais esta lide por que eles foram quitados pela adesão aos tratamento estabelecido pela Lei n. 11.941, de 2009, assim é que este processo se refere exclusivamente ao ressarcimento do crédito presumido de IPI; b) que peticionou em 13/02/2004 o ressarcimento de crédito presumido do IPI incidente sobre insumos aplicados em produtos exportados, quando tinha sede em São Paulo capital. Mas que mudou sua sede para Jundiaí em 06/10/2004. Nesse período foi fiscalizada pela Delegacia da RFB em São Paulo e pela de Jundiaí. Em 18/08/2006 voltou sua sede para a cidade de Fl. 408DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 São Paulo. A DEAIN São Paulo abriu em 2006 MPF para fiscalizar IRPJ, IRRF,CSLL, IPI, PIS e COFINS. Apesar da mudança de endereço da sede, a DRF Jundiaí abriu MPF em 04/04/2007 para fiscalizar os mesmos tributos do MPF da DEAIN São Paulo. E nesses MPF, ambas as unidades estavam fiscalizando o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI objeto deste processo. Que atendera a solicitação da DEAIN São Paulo a respeito desse pedido de ressarcimento, e quando recebeu a intimação da DRF Jundiaí, respondeu a essa autoridade em 06/06/2007 informando a existência da fiscalização pela DEAIN e que já a atendera com os documentos, e, por fim, solicitou orientação. Mas que em 20/06/2007 foi surpreendida com o Termo de Conclusão Fiscal emitido pela autoridade fiscal da DRF Jundiaí por meio do qual foi determinada a glosa dos créditos pleiteados por falta de apresentação dos documentos que demonstrariam a sua origem. c) que contestou a decisão, instruindo com a documentação comprobatória do direito creditório, mas que a instância recursal não a apreciou. d) que não houve inércia por parte da contribuinte para apresentar a documentação requerida. e) que houve cerceamento da defesa e prejuízo à contribuinte, principalmente por não lhe ter sido aclarada as dúvidas surgidas pela simultaneidade de fiscalizações sobre o mesmo objeto. Roga pela declaração da nulidade do procedimento administrativo fiscal da DRF Jundiaí, f) que instrui o recurso voluntário com os documentos que comprovam seu direito e pede sua juntada e apreciação e análise do mérito do seu pedido. g) pede, ainda, pela realização de diligências para a análise dos documentos juntados, em nome do princípio da verdade material e da legalidade. h) Cita julgados administrativos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Prolegômenos Sobre a competência dos Conselheiros para decidir a lide: Malgrado meu raso conhecimento do direito processual, por força do dever dessa atividade judicante administrativa, peço escusas por ter que apresentar preliminarmente as bases do entendimento que justificam a minha conclusão ao caso sob exame. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.006027/200401 Acórdão n.º 3401003.017 S3C4T1 Fl. 6 9 A Constituição Federal (inciso LV do art. 5º da CF/1988) prevê o contencioso e o processo administrativo, além do judicial, como um direito das pessoas. O processo judicial e o administrativo possuem leis disciplinadoras próprias, mas compartilham muitos princípios comuns, dentre os quais destaco: o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório, o direito à informação (e.g.: incisos XXXIV, LIV e LVI da CF/1988), entre outros. Para o processo administrativo fiscal, no âmbito tributário, a lei regente é expressa pela combinação da Lei n.º 5.172, de 1966, e do Decreto n.º 70.235, de 1972; no âmbito do controle aduaneiro, ela é expressa pela combinação do Decretolei n. 37, de 1966, e do Decretolei n.º 1.455, de 1976. Para o processo administrativo fiscal, a principal fonte legal subsidiária está na Lei n.º 9.784, de 1999, secundada pelo Código do Processo Civil e por outras importantes leis. Por questão de objetividade, deixo de me alongar no assunto e tratar aqui dos processos de consulta, de restituição, de ressarcimento, de direitos antidumping, e outros. Em meu entendimento, não há proibição na lei e na jurisprudência para a revisão de ofício de ato administrativo, tais como o de lançamento ou o de exigência, antes do contencioso, ou mesmo depois de concluído o contencioso, e até da exigência não contestada pela parte interessada. Além disso, ponho em destaque que não há na lei processual administrativa qualquer dispositivo que determine aos julgadores que eles tenham como validada a exigência ilegal pelo motivo dela não ter sido contestada pela parte interessada. Ao contrário, acima da controvérsia e da nãocontrovérsia está a lei que rege a relação entre as partes interessadas, e ela deve ser analisada pelos julgadores face o que dispõe essa lei. O que ditam o artigo 17 (considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada) e o inciso II do artigo 25 (ao CARF cabe julgar em segunda instância os recursos), ambos do Decreto n. 70.235, de 1972, não subtraem dos Conselheiros julgadores sua competência e responsabilidade de apreciar, além do conteúdo da contestação e do recurso, a totalidade do processo e do ato de exigência ou de lançamento à luz da lei que o fundamenta e, eventualmente, identificar ilegalidade e/ou desrespeito a um dos princípios norteadores do processo e dos atos da administração pública, e, assim, tomar as providências para saneálo ou invalidálo. Como exemplo, estou certo que os julgadores não compactuarão com o desrespeito à ampla defesa e ao contraditório mesmo que não invocados pela parte, pois agirão como guardiões dos princípios aperfeiçoadores do processo administrativo, independente de provocação. Nessa mesma direção de entendimento, os julgadores podem tomar conhecimento de todos os elementos que compõem a lide, mesmo que não contestada ou impugnada, desde que respeitem os princípios constitucionais e legais (por exemplo: ampla defesa, duplo grau, verdade material, e outros) e as leis que regem a materialidade do objeto em discussão. Como exemplos da amplitude de sua competência, sublinho que não podemos nos esquecer que os Julgadores: (a) têm a prerrogativa de buscar a livre convicção e de determinar de ofício a realização de diligência e perícia; e (b) também de ensejar o lançamento complementar. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 No âmbito da esfera processual administrativa, os julgadores não estão submetidos ao Principio da Adstrição, tal como se dá na esfera processual judicial por força do disposto no artigo 128 do CPC . Há outros princípios que regem o direito processual administrativo e os atos da administração pública; e eles não podem ser eclipsados pelo princípio da adstrição ou por outros institutos processuais civis. O CPC é, sem dúvida, importante referência e fonte de subsídios; mas creio que as suas contribuições podem ser integradas ou conjugadas sem prejudicar as características própria do processo administrativo. Vejamos, a título de exemplo, três elementos para ilustrar esse argumento: (i) diferentemente do processo civil, no processo administrativo fiscal, uma das partes é sempre a Fazenda Pública, e a lei do processo administrativo traz os seus próprios meios para reduzir a assimetria da relação entre as partes (aplicações dos Princípios da Moralidade e da Impessoalidade). (ii) Em louvor ao Princípio da Verdade Material, o Tribunal Administrativo não se circunscreve a uma verdade processual que pode ser contraditada por evidências a serem obtidas para se conhecer os fatos. (iii) Acredito que é turvar os elevados propósitos do processo e do tribunal administrativo exigir o tributo indevido, ou aplicar a pena indevida. Por isso, o Tribunal Administrativo pode tomar a iniciativa para ver sanada ou corrigida tal situação, independente de solicitação das partes interessadas. Este poder e proceder decorrem do Principio da Auto Tutela. Peço escusas por repisar matéria tão largamente conhecida dos I. Conselheiros, mas pretendi apresentar essa opinião de que a apreciação da lide pelo Alto Colegiado não se circunscreve pelo Principio da adstrição , e que podemos reconhecer as especificidades das práticas processuais administrativas e os desafios enfrentados por este Tribunal Administrativo para bem cumprir as suas responsabilidades. Por tudo isso ouso defender que, respeitadas as normas processuais administrativas, a autoridade julgadora deve conhecer todas as questões da lide, e ela não pode estar cerceada em conhecer as não suscitadas na contestação, ou no recurso, ou nas decisões do processo. Expresso este entendimento para posicionar a divergência com relação ao adotado pelos julgadores de 1º piso para fundamentar suas decisões. Sobre as informações que descrevem a constituição da lide: Os documentos que instruem este processo nos informam que: a) o pedido de ressarcimento de IPI foi objeto de 2 procedimentos de fiscalização simultâneos, um conduzido pela unidade da RFB em São Paulo e outro pela unidade da RFB em Jundiaí; b) a autoridade fiscal de Jundiaí iniciou a fiscalização sob o MPF n. 0819000.2007.004434 em 04/04/2007 e intimou a contribuinte para no prazo de 20 dias apresentar documentos para a análise de 7 processos com pedidos de ressarcimento de IPI para os períodos de apuração de janeiro de 2000 a dezembro de 2003. c) a contribuinte solicitou em 24 de abril de 2007 prorrogação de 30 dias para atendimento; e em 06 de junho de 2007 pediu orientação para a simultaneidade de fiscalização tratando do mesmo pedido de ressarcimento de IPI; d) a autoridade fiscal emitiu termo de conclusão em 20 de junho de 2007 decidindo pela glosa dos créditos pretendidos pela falta de apresentação Fl. 411DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.006027/200401 Acórdão n.º 3401003.017 S3C4T1 Fl. 7 11 dos documentos solicitados pela fiscalização, de acordo com as instruções previstas na Ordem de Serviço SRRF 08 n. 008, de 13/09/2005. e) a DERAT São Paulo decidiu indeferir (Despacho Decisório às fls. 1765) o pedido de ressarcimento de IPI, com fundamento na Lei n. 9.363, de 1996, e nos artigos 12 e 16 da Ordem de Serviço SRRF08 n. 008, de 13/09/2005, pelo fato da contribuinte não atender a intimação no prazo de 30 dias para apresentar documentos. Passo a analisar os argumentos e as informações presentes no processo. Preliminares Do pedido de juntada de documentos A contribuinte instrui seu recurso voluntário com documentos que comprovariam seu direito de crédito presumido de IPI. Pede sua juntada e apreciação. Eles corresponderiam aos apresentados com sua manifestação de inconformidade, mas que não foram analisados pelos julgadores de 1º piso, por entenderem ser impossível decidir o pedido de ressarcimento quando ele não havia sido apreciado pela autoridade de jurisdição. A meu ver, a contribuinte está procurando atender à intimação fiscal para apresentar os documentos comprobatórios do direito peticionado. E contradiz os princípios da lealdade e da cooperação processuais (artigos 4 e 40 da Lei n. 9.784, de 1999) negarlhe cumprir o seu dever processual e atender á intimação da autoridade fiscal. Faço notar que a autoridade administrativa não considerou que ocorreu a preclusão para a apresentação de documentos. Ela não antepôs impedimento, apenas constatou e declarou que faltaram os documentos requeridos. Por essas considerações, entendo que se deve admitir a juntada dos documentos apresentados pela contribuinte para que eles possam instruir o processo e compor plenamente o contraditório. E esta proposta positiva submeto à consideração do Colegiado. Do pedido de nulidade da decisão de indeferimento: A contribuinte pede a nulidade da decisão de indeferimento por entender que ela se baseou em procedimento arbitrário e contra legem. Creio que razão assiste à recorrente nesse particular. E explicome. Após a emissão do MPF 0812400.2007.00443 e início da fiscalização em 04/04/2007, a autoridade intimou a contribuinte a apresentar em 20 (vinte) dias documentos referentes a 7 processos de pedidos de ressarcimento de IPI. A contribuinte pediu prazo maior e, em seguida, pediu orientação sobre a simultaneidade de fiscalizações sobre o mesmo objeto. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 A autoridade fiscal encerrou a fiscalização sem responder ao pedido de prorrogação e sem responder ao pedido de orientações. Sem dúvida que não se trata de uma decisão arbitrária e contra legem, em seu sentido estrito, uma vez que invocaram a Ordem de Serviço SRRFR08 n. 008/2013 para sua fundamentação. Entretanto, a meu sentir, o encerramento sumário fere a lei do processo administrativo fiscal na medida em que não oferece à contribuinte resposta aos seus pedidos de esclarecimentos e de dilatação de prazo. Não há elementos que permitam inferir que a contribuinte não iria atender à intimação fiscal. Por isso, não me parece justificável que não se tenha prosseguido no esforço de investigar, analisar e decidir a procedência do pedido de ressarcimento, num estado de cooperação entre a contribuinte e a autoridade fiscal. A contribuinte estava, de fato, sendo intimada perante duas frentes de fiscalização simultâneas e seria razoável que tivesse dúvida sobre como atendêlas, tendo em vista o fato da mudança de endereço de sua sede da cidade de Jundiaí para a capital. Além disso, a autoridade fiscal e a própria autoridade administrativa indeferiram o pedido de ressarcimento com fundamento em Ordem de Serviço cujo inteiro teor não instrui essas decisões. Fazem referência a procedimento sumário de fiscalização estabelecido nessa Ordem de Serviço para se analisar pedidos de ressarcimento de IPI, mas esta norma e procedimento não se tornaram conhecidos para este Colegiado de modo a que se possa apreciar a motivação dos indeferimentos. S.m.j., esta ausência trouxe prejuízos ao contraditório; conclusão a que chego não só por crer que essa norma deveria ser conhecida por este colegiado, mas também por constatar que a contribuinte não faz referência a ela, nem mesmo os julgadores de 1º piso. Ademais, a autoridade fiscal, no termo de conclusão fiscal, informa que, 'por questões legais, o restabelecimento da fiscalização foi autorizado mediante a emissão de novo MPF, de competência do Senhor Superintendente, em 27/02/2007.' E que apesar da particularidade da mudança de endereço da sede da contribuinte para a cidade de São Paulo, a fiscalização foi reiniciada. Mas não há informações que esclareçam as questões legais e por que a unidade da RFB em Jundiaí deteve competência para iniciar e realizar a fiscalização, apesar da mudança de endereço da sede da contribuinte. Por essas considerações que proponho a este Colegiado: (1º) seja dado provimento à preliminar que roga pela nulidade da conclusão da autoridade fiscal e da decisão de indeferimento, (2º) e, por conseqüência, seja decretada a nulidade do acórdão de 1ª instância, e (3º) que este processo retorne à unidade de jurisdição da sede da contribuinte para prosseguir na análise da procedência do pedido de ressarcimento, sendo inclusive apreciado o conjunto de documentos apresentado pela contribuinte até o momento neste processo. E que, caso haja indeferimento ao pedido de ressarcimento, seja dada oportunidade nos termos definidos na lei do processo administrativo para a contestação por parte da contribuinte, para remessa a apreciação do colegiado de 1ª instância. Ocorre que este Colegiado decidiu nas preliminares pela anulação da decisão de 1ª instância, nos limites fixados pelo voto vencedor. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19679.006027/200401 Acórdão n.º 3401003.017 S3C4T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado, Nada obstante concordar com boa parte da argumentação deduzida pelo eminente Relator, peço vênia para divergir quanto ao alcance da nulidade declarada. Em que pese a multiplicidade de Mandados de Procedimento Fiscal – MPFs emitidos em face da mesma pessoa jurídica, é inegável que o procedimento fiscal alusivo ao presente processo tocava pedido de ressarcimento formulado pelo contribuinte, revelando o seu interesse primordial em ver reconhecido o direito creditório pleiteado, razão porque, entendo eu, o ônus probatório é exclusivamente seu, a teor do art. 333, I do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo contencioso administrativo fiscal. Demais disso, a concessão do prazo de 20 (vinte) dias para apresentação do documentário fiscal atendeu a disposição inserta no art. 71 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, verbis: “Art. 71. O art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: ‘Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. § 2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento.’ (NR)” (destacado) Como não bastasse, mesmo que não tenha havido concessão formal de prorrogação do prazo de apresentação da documentação exigida, temse que indigitado pedido restou formalizado em 24/04/2007 e, até o dia 06/06/2007, data em que o contribuinte solicitou orientação acerca da simultaneidade de fiscalizações, nenhuma providência fora por ele adotada, a não ser a promoção do questionamento. Assim, tendo em conta que o início do procedimento fiscal ocorreu em 04/04/2007 e o seu encerramento em 20/06/2007, com expedição do despacho denegatório, verifico que houve tempo suficiente para que, ao menos, parte da documentação exigida fosse apresentada, o que não ocorreu, motivo pelo qual concluo que a fiscalização não agiu de maneira açodada, contra legem ou mesmo com preterição do direito de defesa, eis que, não Fl. 414DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 apresentados os elementos necessários ao levantamento do crédito pleiteado, outra alternativa não restara senão indeferir sumariamente o requerimento. Entretanto, concordo com o Relator ao destacar que não andou bem o colegiado recorrido quando restringiu o seu julgamento à correção do procedimento fiscal realizado, desconsiderando por completo os documentos acostados tempestivamente à manifestação de inconformidade. Se não lhe era possível decidir o mérito do direito creditório, dado o indeferimento sumário, cabia então a conversão do julgamento em diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, porquanto a apresentação dos documentos necessários à demonstração da procedência do direito altercado é garantia processual do recorrente, expressamente prevista no art. 16, III do mesmo diploma. Portanto, a verberada preterição do direito de defesa, a meu sentir, ocorreu no julgamento de primeira instância, ao limitar o objeto do julgamento, não, porém, na prolação do despacho decisório, como entendeu o voto vencido, motivo porque reduzo o alcance da nulidade declarada. Com estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de cerceamento do direito de defesa, a fim de anular a decisão de primeiro grau administrativo, para que conheça da documentação acostada em sede recursal, ainda que necessária a conversão do julgamento em diligência para manifestação sobre o fundamento do direito rogado. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 415DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 13819.001860/2003-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Comprovado lapso manifesto na determinação do "dies a quo" do trintídio legal para interposição do recurso voluntário, acolhem-se os embargos de declaração para sanear o vício, reconhecendo-se a tempestividade do recurso voluntário.
NULIDADE. PERDA DE OBJETO.
A lançamento tributário efetuado na pendência de processo judicial pendente de decisão de Recurso Especial não acarreta a nulidade e nem a perda de objeto do auto de infração.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
Inexistindo o pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo decadencial de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733.
FALTA DE RECOLHIMENTO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO.
Apurado em processo de compensação que os créditos decorrentes da liquidação de decisão judicial eram insuficentes para a liquidação dos débitos compensados, é cabível o lançamento de ofício das diferenças não compensadas.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA DOS DÉBITOS.
A declaração de compensação extingue os débitos compensados sob condição resolutiva de ulterior homologação. Descabe o lançamento de ofício para a exigência dos débitos compensados, antes da análise do direito de crédito e da superveniência do despacho de não homologação da compensação.
MULTAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DCTF "ZERADAS".
Incide a multa de ofício sobre débitos apurados em relação a períodos de apuração em que as DCTF informaram saldo zero a pagar.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Embargos acolhidos para sanar o erro material na contagem do prazo para recurso voluntário.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de excluir o crédito tributário relativo aos períodos de apuração compreendidos entre outubro e dezembro de 1997, em razão da decadência. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Esteve presente ao julgamento a Dr. Amanda Rodrigues Guedes, OAB/SP 282.769.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2117; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.001860/200349 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.905 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria PIS Embargante ELEVADORES OTIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Comprovado lapso manifesto na determinação do "dies a quo" do trintídio legal para interposição do recurso voluntário, acolhemse os embargos de declaração para sanear o vício, reconhecendose a tempestividade do recurso voluntário. NULIDADE. PERDA DE OBJETO. A lançamento tributário efetuado na pendência de processo judicial pendente de decisão de Recurso Especial não acarreta a nulidade e nem a perda de objeto do auto de infração. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Inexistindo o pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733. FALTA DE RECOLHIMENTO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Apurado em processo de compensação que os créditos decorrentes da liquidação de decisão judicial eram insuficentes para a liquidação dos débitos compensados, é cabível o lançamento de ofício das diferenças não compensadas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA DOS DÉBITOS. A declaração de compensação extingue os débitos compensados sob condição resolutiva de ulterior homologação. Descabe o lançamento de ofício para a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 18 60 /2 00 3- 49 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 exigência dos débitos compensados, antes da análise do direito de crédito e da superveniência do despacho de não homologação da compensação. MULTAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DCTF "ZERADAS". Incide a multa de ofício sobre débitos apurados em relação a períodos de apuração em que as DCTF informaram saldo zero a pagar. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Embargos acolhidos para sanar o erro material na contagem do prazo para recurso voluntário. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de excluir o crédito tributário relativo aos períodos de apuração compreendidos entre outubro e dezembro de 1997, em razão da decadência. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Esteve presente ao julgamento a Dr. Amanda Rodrigues Guedes, OAB/SP 282.769. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Este processo versa sobre auto de infração de PIS, com ciência pessoal do contribuinte em 27/06/2003 (fl. 130), lavrado para exigir o crédito tributário devido em razão da falta de recolhimento da contribuição nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1997 e julho de 2001. Segundo o termo de verificação fiscal (fls. 128/129), o contribuinte ajuizou ação ordinária e medida cautelar objetivando a compensação de valores recolhidos a maior a título de PIS, no período compreendido entre julho de 1988 e novembro de 1995, em razão da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Com base nessas medidas judiciais, o contribuinte deixou de efetuar recolhimentos a partir do período de apuração de julho/1996, tendo formalizado pedido de compensação em relação aos débitos dos períodos de apuração compreendidos entre entre Fl. 757DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.001860/200349 Acórdão n.º 3402002.905 S3C4T2 Fl. 3 3 julho de 1996 e setembro de 1997, originando o processo n° 13819.002217/9723 (fls. 271/272 do PDF) . Narra a fiscalização que a sentença teria transitado em julgado no Tribunal Regional Federal da 3° Região, o qual, por unanimidade, deu provimento parcial, considerando o recolhimento do PIS conforme a sistemática da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, e o direito de compensação dos créditos. Entretanto, o TRF considerou prescritos os pagamentos efetuados há mais de cinco anos anteriores à data da propositura da ação cautelar, bem como determinou a aplicação da atualização monetária nos mesmos índices utilizados pelo Fisco e a exclusão dos juros moratórios nos períodos anteriores a 01/01/1996. Além disso, a sentença não contemplou a semestralidade da base de cálculo, ou seja, a incidência da contribuição sobre o faturamento do sexto mês anterior ao de competência. O auditor fiscal analisou a compensação efetuada pela contribuinte em contraposição à sentença proferida, concluindo que os créditos seriam suficientes apenas para liquidar a contribuição devida no período de apuração de julho/1996 e parcialmente no de agosto/1996. Com isso, a fiscalização determinou a continuidade da cobrança dos valores considerados confessados no período de agosto/1996 a dezembro/1996 e lavrou o auto de infração constituindo o crédito tributário relativo ao período de janeiro/1997 a julho/2001, em face da inexistência de confissão de dívida e de pagamentos (DCTF com saldo zero a pagar). Em sede de impugnação, o contribuinte alegou o seguinte: 1) decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário do período de janeiro de 1997 a maio de 1998, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; 2) nulidade do auto de infração por ter sido lavrado antes da análise do pedido de compensação administrativa dos débitos objeto do presente processo, os quais, por força da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de novembro de 2002, são equiparados a declarações de compensação, cujo efeito é o de extinção do crédito tributário, sob condição resolutória da posterior homologação. Entende o contribuinte que somente após a decisão desfavorável da autoridade administrativa competente, que não homologue a compensação realizada, os débitos compensados se tornariam passíveis de exigência fiscal; 3) o auto de infração é nulo porque não analisou todos os elementos essenciais para o lançamento, no caso a verificação da situação atual do processo judicial que reconheceu o direito de compensação. Ao contrário do que afirma o fisco, ainda não transitou em julgado a parte do acórdão proferido nos autos da Remessa de Ofício n° 1999.03.99.0986694 (Ação Declaratória n° 96.00262675) que declarou a prescrição qüinqüenal dos créditos da impugnante e que excluiu de seu cômputo os índices expurgados pela inflação, tendo sido interposto o competente Recurso Especial, já admitido pelo TRF 3° Região e que aguarda julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça. Ressaltese, aliás, que a matéria objeto do recurso interposto é mansa e pacifica na jurisprudência do STJ e na do próprio Conselho de Contribuintes; Fl. 758DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 4) o prazo de decadência para a repetição do indébito é de dez anos, contados do fato gerador ou de cinco anos, contados da data da publicação da Resolução do Senado nº 49/95; 5) tem direito aos expurgos inflacionários; 6) tem direito à semestralidade da base de cálculo; 7) os valores ora exigidos estavam declarados em DCTF e foram extintos pelos pedidos de compensação antes do lançamento de ofício. Sendo assim, deve ser aplicada a multa de mora de 20% e não a multa do lançamento de ofício; 8) contestou a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic; A 5ª Turma da DRJ Campinas, por meio do Acórdão nº 7.149, de 11 de agosto de 2004, julgou parcialmente procedente a impugnação. Foram rejeitadas as preliminares de nulidade. Ficou decidido que o prazo de decadência do direito do fisco lançar é de dez anos. Foi cancelado o lançamento em relação aos períodos de janeiro a setembro de 1997, pois a DRJ considerou que o pedido de compensação foi convertido em declaração de compensação e o auto de infração foi lavrado antes do despacho de não homologação da compensação. Ficou decidido que a fiscalização cumpriu o que foi determinado no Acórdão do TRF da 3ª Região e que não cabe discussão administrativa em relação ao prazo de prescrição para a repetição do indébito porque essa questão foi submetida ao Poder Judiciário na ação judicial intentada pelo contribuinte. A DRJ não reconheceu o direito à semestralidade da base de cálculo. Ficou decidido que como os saldos das DCTF estavam zerados pela compensação, não houve confissão de dívida e, portanto, é cabível o lançamento com a multa de ofício. Ficou decidido que em sede de julgamento administrativo não se pode afastar a aplicação da lei em virtude de alegação de inconstitucionalidade e que existe amparo legal para a exigência de juros de mora com base na taxa Selic. Houve interposição de recurso de ofício. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância na data consignada no AR de fl. 394, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/10/2004 (fl. 395), alegando, em preliminar, a perda de objeto e a nulidade do auto de infração, pois o fisco não considerou as modificações introduzidas no resultado da ação judicial pelo STJ no RESP 356.779. No mérito, reprisou as alegações contidas na impugnação: decadência; semestralidade; multa de mora em lugar da multa de ofício; e ilegalidade da taxa Selic. O processo foi baixado em diligência por três vezes. A primeira diligência foi para o contribuinte regularizar o depósito recursal, uma vez que o TRF da 3ª Região havia suspendido os efeitos da liminar que determinou o processamento do recurso sem aquela providência e também para apresentar o conteúdo do que restou decidido no RESP 356.779 (fls. 539). A segunda diligência (fls. 620) foi para: 1) aguardar a decisão definitiva do processo de compensação e anexar copias das decisões, ficando sobrestada a presente exação; 2) verificar se as compensações efetuadas, nos moldes definidos pela decisão final administrativa proferida nos autos do Processo Administrativo n° 13819.002217/9723, foram suficientes, após exclusão dos valores considerados como DCOMP, para cobrir os valores lançados no presente Auto de Fl. 759DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.001860/200349 Acórdão n.º 3402002.905 S3C4T2 Fl. 4 5 Infração, excluída a multa de oficio, elaborando demonstrativo dos cálculos; e 3) elaborar planilha de cálculos e relatório conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários; E a terceira diligência (fls. 544) foi para a delegacia cumprir a segunda diligência, in verbis: Esclareçase que é relevante para a solução do litígio instaurado nestes autos que a unidade local informe: I — o teor da decisão administrativa definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972, proferida no supracitado processo de compensação; II — a observância do rito processual dispensado as compensações, com informações sobre as datas da ciência das decisões e das manifestações, impugnações e recursos apresentados; e III — o total do crédito tributário, por período de apuração, que, após o transito em julgado do Resp 356.779, foi compensado. Enfim, é necessário aguardar a decisão administrativa definitiva do processo de compensação para, após, a efetivação da compensação em conformidade com a sentença judicial, elaborar planilhas de cálculo e relatório conclusivo, na forma solicitada por meio da Resolução n°20400.236. Às fls. 701/708 e 710/714 a autoridade administrativa cumpriu a diligência, anexando as cópias das decisões proferidas no processo de compensação (13819.002217/97 23), onde se pode constatar o procedimento adotado na apuração do crédito decorrente da liquidação da ação judicial já levando em conta o que restou decidido pelo STJ no RESP 356.779. Por meio do Acórdão 3403003.379 a antiga Turma 3403 não tomou conhecimento do recurso voluntário por considerálo intempestivo. O contribuinte, em tempo hábil, apresentou embargos de declaração alegando que o recurso voluntário era tempestivo e que houve erro material na contagem do prazo legal de trinta dias para sua interposição. O colegiado entendeu que a ciência do acórdão da DRJ teria ocorrido em 23/09/2004, mas seria impossível o contribuinte ter tomado ciência na referida data porque o documento de fls. 432 (envelope da correspondência) comprova que a postagem ocorreu no dia 25/09/2004. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Relativamente à alegação de lapso manifesto na decisão sobre a intempestividade do recurso voluntário, verificase que a defesa está com toda a razão. Realmente, é fisicamente impossível o contribuinte ter tomado ciência da decisão recorrida no dia 23/09/2004, se a imagem do envelope que contém o carimbo de postagem revela que o objeto RZ 321492326 BR foi postado no dia 25/09/2004 na agência dos Correios em São Bernardo do Campo SP (fl. 434 do PDF). Por outro lado, verificase que o Aviso de Recebimento que consta na fl. 400 do PDF se refere ao mesmo objeto RZ 321492326 BR e que esse objeto continha a intimação nº 1044 (fls. 390 a 392 do PDF), por meio da qual o contribuinte recebeu o Acórdão da DRJ. Assim, se a intimação foi postada nos Correios no dia 25/09/2004 (sábado), a data colocada no Aviso de Recebimento pelo funcionário da recorrente não pode mesmo ser dia 23/09. É provável que o que as minhas cansadas vistas leram com sendo um "3", efetivamente seja um "8". Eis a imagem do Aviso de Recebimento: Com esses fundamentos, voto no sentido de anular o Acórdão 3403003.379, por estar calcado em fato inexistente: a intimação da decisão recorrida ocorreu no dia 28/09/2004 (presumivelmente) e não no dia 23/09/2004. Admitindose que a ciência da decisão recorrida ocorreu no dia 28/09/2004, o recurso interposto em 28/10/2004 deve ser tido como tempestivo. Considerando que o recurso voluntário preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, dele se toma conhecimento. Relativamente ao recurso de ofício, verificase que a decisão recorrida exonerou crédito tributário superior ao limite de alçada, conforme demonstrado na fl. 372 do PDF. Sendo assim, este colegiado deverá reexaminar a questão do lançamento de ofício ter sido efetuado antes da superveniência do despacho de não homologação da compensação. O objeto do recurso de oficio resumese à exclusão do crédito tributário lançado de ofício relativo ao período compreendido entre julho de 1996 e setembro de 1997, pois esse crédito tributário foi objeto do pedido que compensação, posteriormente transformado em declaração de compensação pela legislação superveniente. Entende a DRJ que estando o pedido de compensação pendente de apreciação na data da lavratura do auto de infração, conforme teria reconhecido o próprio autuante, incide o disposto no art. 74, § 4º da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº Fl. 761DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.001860/200349 Acórdão n.º 3402002.905 S3C4T2 Fl. 5 7 10.637/2002, operandose a transformação do pedido de compensação em declaração de compensação. Assim sendo, na data de apresentação da declaração de compensação, o crédito tributário compensado foi extinto sob condição resolutiva de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96), fato que veda a exigência dos débitos compensados, enquanto não sobrevier o despacho não homologatório da compensação. Analisandose a situação fática revelada pelos documentos anexados a este processo, verificase que a DRJ Campinas agiu com o costumeiro acerto. O auto de infração foi notificado ao contribuinte em 27/06/2003, mas, até a data da conclusão da diligência determinada pela DRJ, não havia decisão de não homologação da compensação notificada ao contribuinte, conforme informação prestada às fls. 297 do PDF: Os documentos constantes dos autos revelam que a decisão formal de não homologação da compensação no processo 13819.002217/9723 só foi notificada ao contribuinte em 17/12/2012 (fls. 701/709), em decorrência da diligência solicitada pelo CARF. Portanto, não merece nenhum reparo a decisão de primeira instância, devendo ser confirmada a exclusão do crédito tributário lançado de ofício, em relação aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e setembro de 1997, pois esses débitos eram inexigíveis, tendo em vista que estavam extintos sob condição resolutiva. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Relativamente ao recurso voluntário, a controvérsia persiste em relação aos períodos de apuração compreendidos entre outubro de 1997 e julho de 2001. Em relação a esses períodos as DCTF foram apresentadas com saldos zerados, informando a vinculação de créditos da ação judicial, não havendo notícia de pedido de compensação ou de declaração de compensação. As alegações da defesa em sede de recurso voluntário foram as seguintes: (i) perda de objeto e nulidade do auto de infração; (ii) decadência do direito do fisco lançar; (iii) o prazo para pedir restituição é de dez anos; (iv) correção monetária do crédito pelos índices cheios; (v) direito de apurar o indébito levando em conta a semestralidade; (vi) deve incidir a multa de mora em lugar da multa de ofício; e (vii) imprestabilidade da taxa Selic para correção dos débitos exigidos. DDAA PPEERRDDAA DDEE OOBBJJEETTOO EE DDAA NNUULLIIDDAADDEE DDOO AAUUTTOO DDEE IINNFFRRAAÇÇÃÃOO.. A defesa alegou que houve nulidade e perda de objeto do auto de infração porque a fiscalização não esgotou a matéria tributável (não considerou que existia Recurso Fl. 762DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Especial pendente de julgamento no STJ) e ignorou as compensações administrativas pendentes de análise. Não tem razão a recorrente. Do fato de no RESP 356.779 o STJ ter ampliado o direito definido nas decisões judiciais anteriores, não decorre logicamente a conclusão de que houve perda de objeto do auto de infração, pois a adequação do lançamento ao que restou decidido em definitivo na via judicial só depende de mero cálculo aritmético, o que já foi feito em 2012 no processo de compensação nº 13819.002217/9723, conforme se verifica nas fls. 701/708 e 710/714. No que concerne às compensações administrativas pendentes de decisão, a DRJ Campinas já reconheceu a nulidade do lançamento em relação os períodos compreendidos entre julho de 1996 e setembro de 1997, decisão que foi mantida por este colegiado quando do exame do recurso de ofício. Portanto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade. DDAA DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA DDOO DDIIRREEIITTOO DDOO FFIISSCCOO EEFFEETTUUAARR OO LLAANNÇÇAAMMEENNTTOO DDEE OOFFÍÍCCIIOO.. A recorrente alegou a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos até 26/06/1998. Com o advento do art. 62A do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Súmula Vinculante nº 8 do STF e a decisão do STJ proferida no RESP nº 973.733, sob o regime do art. 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 763DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.001860/200349 Acórdão n.º 3402002.905 S3C4T2 Fl. 6 9 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O demonstrativo de apuração que acompanha o auto de infração (fls. 135/139) revela que não houve pagamentos antecipados da contribuição, fato ratificado pelos extratos das DCTF do período nas quais os saldos estão "zerados" pelos créditos que foram vinculados pelo contribuinte. Sendo assim, a regra de contagem de decadência aplicável ao caso concreto é a do art. 173, I, do CTN: cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que no caso concreto o lançamento foi notificado ao contribuinte em 27/06/2003, foram atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos até 31/12/1997. Tendo em vista que a decisão de primeira instância já excluiu do lançamento os fatos geradores ocorridos até setembro de 1997, em razão da pendência da decisão nos Fl. 764DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 processos de compensação, resta excluir os períodos de apuração compreendidos entre outubro e dezembro de 1997, em razão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento. DDOO PPRRAAZZOO PPAARRAA OO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEE PPEEDDIIRR RREESSTTIITTUUIIÇÇÃÃOO DDAA CCOORRRREEÇÇÃÃOO MMOONNEETTÁÁRRIIAA PPEELLOOSS ÍÍNNDDIICCEESS CCHHEEIIOOSS DDOO DDIIRREEIITTOO ÀÀ AAPPUURRAAÇÇÃÃOO DDOO IINNDDÉÉBBIITTOO CCOOMM BBAASSEE NNAA SSEEMMEESSTTRRAALLIIDDAADDEE O contribuinte alegou que no RESP 356.779 o STJ reconheceu que o prazo para solicitar a repetição do indébito é de dez anos e que a correção do crédito deve ser efetuada pelos índices de inflação "cheios", ou seja, sem que se leve em conta os expurgos inflacionários procedidos pelo governo nos diversos planos de estabilização econômica. Essas questões não estão mais sob litígio, pois no processo nº 13819.002217/9723, onde se discutiu o direito de crédito, a autoridade administrativa acatou o que foi decidido no Poder Judiciário, conforme se pode comprovar nos seguintes excertos extraídos das fls. 701/708: Analisandose as decisões proferidas no processo de compensação nº 13819.002217/9723, verificase que as questões do prazo para o contribuinte solicitar a restituição, do direito à correção monetária do crédito pelos índices "cheios" e da apuração do crédito com base na semestralidade já foram discutidas e decididas em definitivo no referido processo, não sendo possível rediscutilas nestes autos, em face da preclusão administrativa. A Administração Pública só decide uma vez a mesma questão em relação ao mesmo contribuinte, sob pena de vir a produzir decisões conflitantes. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.001860/200349 Acórdão n.º 3402002.905 S3C4T2 Fl. 7 11 No caso, o processo de compensação nº 13819.002217/9723 encerrava questões prejudiciais ao deslinde deste processo, tanto que o próprio contribuinte alegou a nulidade do auto de infração, em face da autuação não ter sido precedida da análise do crédito. No processo de compensação (fls. 701/708) restou decidido em caráter definitivo o seguinte: a) que o crédito do contribuinte não foi suficiente para liquidar as compensações declaradas; b) que os débitos remanescentes na Decomp, no valor de R$ 2.886.440,71, não poderiam ser cobrados em virtude da homologação tácita; e c) que o contribuinte não tinha direito de recorrer daquela decisão pelo rito do PAF, só tendo direito ao recurso hierárquico do art. 56 da Lei nº 9.784/99. Assim, se os créditos foram insuficientes para liquidar as compensações declaradas até setembro de 1997, é óbvio que não havia crédito suficiente para compensar os débitos lançados neste auto de infração (períodos de janeiro de 1997 a julho de 2001), sendo cabível sua exigência por meio do lançamento de ofício porque na data do lançamento vigia o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835. DDAA IINNCCIIDDÊÊNNCCIIAA DDAA MMUULLTTAA DDEE MMOORRAA EEMM LLUUGGAARR DDAA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO Conforme ficou assentado no tópico relativo à análise da decadência, o contribuinte apresentou DCTF "zeradas", ou seja, no entender da fiscalização e da DRJ não confessou nenhuma dívida a pagar (vide extratos das DCTF de fls. 135/139). A multa de mora só é cabível nos casos em que o contribuinte constitui o crédito tributário pela confissão de divida em DCTF. Ora, se o contribuinte disse que devia "zero" o crédito confessado é "zero". Se o fisco apurou valores superiores a "zero" nesses períodos, obviamente que não há como o contribuinte sustentar que os valores apurados pelo fisco estavam confessados. Sendo assim, é cabível a multa de ofício na forma posta no lançamento, uma vez que estando a penalidade prevista em lei, só cabe à Administração verificar a presença dos pressupostos fáticos para sua inflição, descabendo qualquer juízo de equidade ou mesmo de conformidade da magnitude da multa com os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, ou do não confisco. DDAA IIMMPPRREESSTTAABBIILLIIDDAADDEE DDAA TTAAXXAA SSEELLIICC PPAARRAA CCOORRRREEÇÇÃÃOO DDOOSS DDÉÉBBIITTOOSS EEXXIIGGIIDDOOSS A questão sobre a legalidade da cobrança dos juros de mora com base na variação da taxa Selic é matéria sumulada, que não pode ser decidida pelos conselheiros em sentido contrário à Súmula CARF nº 4, in verbis: " A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.": Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração com efeito modificativo para conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário a fim de excluir o crédito tributário relativo aos períodos de apuração Fl. 766DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 compreendidos entre outubro e dezembro de 1997, em razão da decadência e por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 767DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000085/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe-se à distribuição in natura ou, no caso de fornecimento em ticket, à hipótese de inscrição no PAT. A alimentação fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário devido a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida pela empresa, nos termos do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi, Relator
EDITADO EM: 28/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Graziela Parisoto, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ALIMENTAÇÃO IN NATURA. A não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringe se à distribuição in natura ou, no caso de fornecimento em ticket, à hipótese de inscrição no PAT. A “alimentação” fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário devido a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida pela empresa, nos termos do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 85 /2 01 0- 53 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Graziela Parisoto, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 16832.000085/201053 Acórdão n.º 2302003.679 S2C3T2 Fl. 357 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação da recorrente, apenas para excluir do lançamento a competência 01/2005. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 305 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.215.3453), referente às contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre o total das remunerações dos segurados empregados, pagas na forma de salário in natura, destinadas ao financiamento da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 01/2005 a 12/2005. 2. No Relatório Fiscal, de fls. 77/85, a fiscalização informou, em síntese, que: 2.1. O fato gerador do lançamento foi o fornecimento de alimentação aos empregados da autuada sem a necessária inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador; 2.2. A autuada mantinha refeitório no local da obra, mas a alimentação era fornecida pela empresa Central Distribuidora de Produtos Ltda, que realizava o faturamento em nome do Consórcio Lummus Andrômeda, CNPJ 03.892.895/000104; 2.3. O consórcio foi celebrado entre a autuada e a ABB Lummus Global Ltda (líder do consórcio), para a realização de obra contratada pela empresa Rio Polímeros S/A, onde a participação das consorciadas ficou fixada em 50% para cada uma; 2.4. A alimentação foi fornecida aos empregados registrados na matrícula CEI da obra e aos registrados no CNPJ do consórcio para cuidar da administração, cujas despesas (faturas) foram escrituradas na conta contábil "630002", do consórcio; 2.5. Cinquenta por cento (50%) da despesa com fornecimento da alimentação faturada contra o consórcio foi escriturada na contabilidade da autuada, com o mesmo número de conta ("630002") e com o histórico "absorção CLA", juntamente com as despesas pelo fornecimento aos empregados registrados no CNPJ da autuada; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 2.6. Para autorizar o acesso aos documentos e informações do consórcio foi emitido MPF de diligência, em razão do qual solicitou através do TIF Termo de Intimação Fiscal, de 30/11/2009, relação com nome, função, valores mensais das remunerações recebidas na conta "630002" e contribuições do INSS retidas; 2.7. As mesmas informações foram solicitadas à autuada, mas pelo documento de fls. 115 informou que não seria possível disponibilizar a relação do segurados que receberam o benefício da alimentação, devido a problemas temporários na leitura do arquivo digital referente ao ano de 2005; 2.8. Devido à recusa de informações pelo contribuinte com vistas à apuração individual das bases de cálculo das contribuições retidas dos segurados, foram adotados os valores mensais escriturados a débito da conta contábil "630002 despesas com refeitório", descontados da parte informada em folha de pagamento, conforme tabela de fls. 80; 2.9. Na cláusula sétima do acordo coletivo, o parágrafo primeiro previu o pagamento de alimentação em folha de pagamento com desconto simbólico para se tornar isento e o parágrafo segundo previu a suspensão do benefício como forma de punição ao trabalhador, contrariando o disposto no artigo 6o , inciso I, da Portaria MTE n° 03, de 01/03/2002; 2.10. Realizou a comparação das multas previstas nos artigos 35, II e 32, IV, parágrafo quinto da Lei 8.212/91, vigentes à época dos fatos geradores, com a multa do artigo 35A da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/09, aplicando em cada competência a que resultou mais benéfica ao contribuinte, na forma da planilha de fls. 82. 3. A Impugnante inconformada com a autuação apresentou defesa tempestiva, de fls. 119/132 (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada procedente em parte apenas para excluir do lançamento a competência 01/2005, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 323 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * nulidade por arbitramento da base de cálculo sem previsão legal; * ilegitimidade passiva da recorrente; * alimentação in natura não é remuneração, mormente quando amparada por acordo coletivo; * incidência da hipótese contida no art. 28, § 9°, m, da Lei n° 8.212/91, sendo a convenção coletiva prova da sua ocorrência. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 16832.000085/201053 Acórdão n.º 2302003.679 S2C3T2 Fl. 358 5 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Alimentação in natura. O lançamento referese, exclusivamente à alimentação fornecida in natura aos segurados. Como o entendimento exposto por este Relator será pelo provimento no mérito do Recurso Voluntário, deixo de apreciar as preliminares invocadas e mesmo as demais questões atinentes indiretamente ao mérito, como o equívoco da base de cálculo. Levandose em conta o campo de incidência das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. É preciso considerar ainda que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 Assim, a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação restringese à distribuição in natura ou, no caso de fornecimento em ticket, à hipótese de inscrição no PAT. A “alimentação” fornecida em pecúnia ou em ticket sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. No caso sob exame, portanto, a despeito da ausência de inscrição no PAT, entendo que o lançamento não merece prosperar tendo em vista que se refere à alimentação distribuída in natura. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator Fl. 361DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13804.008887/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de débito próprio com crédito da Contribuição para o Programa de Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no regime não cumulativo, com origem em julho de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: 4. O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre três declarações de compensação apresentadas pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF — Brasil Foods S/A), com o objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de Cofins oriundos de operações de exportação, os RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 08 88 7/ 20 04 -1 1 Fl. 771DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008887/200411 Resolução nº 3201000.643 S3C2T1 Fl. 772 2 quais teria apurado no mês de julho de 2004 pelo regime não cumulativo e com fundamento no art. 6°, § 1°, da lei n° 10.833/2003. 5. A primeira declaração, apresentada em 30/12/2004, deu origem ao processo em exame e as demais, entregues em datas posteriores, aos processos apensos: 13804.000040/200561 e 13804.000460/200547. Todas as declarações ocupam as duas primeiras folhas dos respectivos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 22/08/2007 (fls. 22/23), 411 determinou o envio do processo principal e seus apensos à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 36/38, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 26/31), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 33/34, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 07/10/2009 o Parecer Decisório anexo às fls. 39/42, no qual se exprime nos seguintes termos: "Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprovação dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente."(fl. 42) 9. Intimado da decisão por via postal em 11/11/2009 (fls. 45 – v); a interessada apresentou em 10/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa às fls. 47/69, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos de (fls. 70/135). Resumo I. Apresenta inicialmente um quadro demonstrativo na fl. 48, no qual expõe minuciosamente o conteúdo da declaração de compensação ora examinada, informando a natureza do débito a compensar, bem como o respectivo valor, código e período de apuração. II. Afirma que o "histórico do objeto" emitido pelos Correios e anexo à fl. 32 indica meramente a data de entrega do Termo de Início de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Início de Fiscalização e solicitar Fl. 772DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008887/200411 Resolução nº 3201000.643 S3C2T1 Fl. 773 3 prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2° da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de PIS apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em DIPJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve à quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII. No tocante ao item "6" do Termo de Início de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de Cofins pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003 (na verdade, Lei 10.637/2002, conforme se lê no dito demonstrativo), declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON. IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de PIS anexo à fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. XI. Assinala que as informações contidas nas fichas 20 e 21 da DIPJ relativa ao exercício de 2004 conferem com aquelas exibidas pelo DACON, como mostram as cópias desses documentos incluídas nas fls. 55/57. XII. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 20 e 21), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saída e de entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008887/200411 Resolução nº 3201000.643 S3C2T1 Fl. 774 4 XIII. Afirma haver juntado aos autos 1 DVD contendo os arquivos magnéticos solicitados, assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, e Demonstrativo do Crédito de PIS ("Anexo 2"). XIV. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 57/67, requer que — na linha desses precedentes e em nome do princípio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, "deferindo se, por conseguinte, o pedido de restituição e homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo" (fl. 69). 10. É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 16 25.458, de 27/05/2010 (fls. 171 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre pedido de compensação de débito próprio com crédito da Cofins apurada sob o regime não cumulativo oriundo de operações de exportação de mercadorias para o exterior. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008887/200411 Resolução nº 3201000.643 S3C2T1 Fl. 775 5 Indeferido o pleito e mantida a decisão pela instância a quo, a Recorrente comparece a este Colegiado Administrativo alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento de cerceamento ao seu direito de defesa. Argumenta que, através do Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 30/33, teria sido intimada a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, uma série de documentos e arquivos magnéticos referentes a compensações de débitos seus com créditos de PIS/Cofins, solicitação que, no entanto, sustenta jamais ter chegado ao seu conhecimento, embora conste nos autos extrato dos Correios indicando que a entrega se deu em 17/04/2009 (fl. 36). Posteriormente, em 29/05/2009, foi reintimada a apresentar, também no prazo de 5 (cinco) dias, os documentos e arquivos antes solicitados (Termo de Reintimação de fls. 37/38), que foi recebido em 24/06/2009, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR de fls. 39. Assevera que, em face do exíguo prazo para a apresentação dos documentos e arquivos magnéticos, o que estaria em desacordo com o disposto no art. 2° da Instrução Normativa – IN SRF n° 86, de 2001, solicitou a dilação de prazo à fiscalização, pedido que, todavia, foi indeferido, “não tendo sido aceita a apresentação de qualquer documento à fiscalização após 29 de junho de 2009 (5 dias após o recebimento do Termo de Reintimação)”. Em seguida, a unidade de origem prolatou a sua decisão, negando, por falta de comprovação do crédito vindicado, o pedido formulado pela Recorrente. Pois bem. De início, verificamos existir uma irregularidade na intimação que teria ocorrido por meio do primeiro Termo de Início de Ação Fiscal: não há nos autos prova de que tenha sido recebido no endereço cadastral da Recorrente, uma vez que não anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 17/04/2009. A lei processual, contudo, exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor, que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pelo Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;” (g.n.) Considerar, tal como considerou a decisão recorrida, que o simples histórico da entrega do AR, extraído do sítio eletrônico dos Correios, constituiria documento oficial dotado de fé pública, demandando, para que se o infirme, prova em contrário, significa exigir da Recorrente apresentar prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem anexe aos autos cópia do AR correspondente à primeira intimação cuja data de realização consta do extrato dos Correios de fl. 35. Ao término do procedimento, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.008887/200411 Resolução nº 3201000.643 S3C2T1 Fl. 776 6 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 776DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 5/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10380.010503/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/03/1999 a 31/08/2002
MULTA DE OFÍCIO. NORMA POSTERIOR SUPRESSORA DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE À CONDUTA OBJETO DA REALIDADE FÁTICA DOS AUTOS. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A possibilidade de retroação da norma para beneficiar o responsável é princípio insculpido na Constituição Federal e nas normas infraconstitucionais, notadamente no artigo 106, inciso II, do Código Tributário Nacional. No caso, as alterações implementadas na Lei nº 10.833/2003 restringiram as hipóteses de aplicação da multa de ofício de 75%, que não mais abrangem a conduta de que trata a realidade fática dos autos. Materializada hipótese em que a lei nova elide ou reduz os efeitos da incidência da norma anterior, necessária a aplicação da retroatividade benigna autorizada pela lei à situação ainda pendente de julgamento definitivo.
Recurso de ofício negado.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO FORMALIZADOS ANTERIORMENTE A 31/10/2003. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 52).
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-002.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/03/1999 a 31/08/2002 MULTA DE OFÍCIO. NORMA POSTERIOR SUPRESSORA DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE À CONDUTA OBJETO DA REALIDADE FÁTICA DOS AUTOS. RETROATIVIDADE BENIGNA. A possibilidade de retroação da norma para beneficiar o responsável é princípio insculpido na Constituição Federal e nas normas infraconstitucionais, notadamente no artigo 106, inciso II, do Código Tributário Nacional. No caso, as alterações implementadas na Lei nº 10.833/2003 restringiram as hipóteses de aplicação da multa de ofício de 75%, que não mais abrangem a conduta de que trata a realidade fática dos autos. Materializada hipótese em que a lei nova elide ou reduz os efeitos da incidência da norma anterior, necessária a aplicação da retroatividade benigna autorizada pela lei à situação ainda pendente de julgamento definitivo. Recurso de ofício negado. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO FORMALIZADOS ANTERIORMENTE A 31/10/2003. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 52). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Recurso voluntário parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2439; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 993 1 992 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.010503/200371 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301002.896 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2016 Matéria Compensações indevidas. Lançamento de ofício do IPI. Recorrentes CERVEJARIAS KEISER BRASIL S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/03/1999 a 31/08/2002 MULTA DE OFÍCIO. NORMA POSTERIOR SUPRESSORA DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE À CONDUTA OBJETO DA REALIDADE FÁTICA DOS AUTOS. RETROATIVIDADE BENIGNA. A possibilidade de retroação da norma para beneficiar o responsável é princípio insculpido na Constituição Federal e nas normas infraconstitucionais, notadamente no artigo 106, inciso II, do Código Tributário Nacional. No caso, as alterações implementadas na Lei nº 10.833/2003 restringiram as hipóteses de aplicação da multa de ofício de 75%, que não mais abrangem a conduta de que trata a realidade fática dos autos. Materializada hipótese em que a lei nova elide ou reduz os efeitos da incidência da norma anterior, necessária a aplicação da retroatividade benigna autorizada pela lei à situação ainda pendente de julgamento definitivo. Recurso de ofício negado. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO FORMALIZADOS ANTERIORMENTE A 31/10/2003. COMPENSAÇÕES INDEVIDAS. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 52). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 05 03 /2 00 3- 71 Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 994 2 Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daniela Ferreira da Silva Della Volpe, OAB/SP nº 255.093. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a Turma da DRJ Belém (efls. 751/757 fls. 749/755 do processo em papel), o qual, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso unicamente para o cancelamento da multa de ofício lançada contra a recorrente, no montante de R$ 6.540.443,35. Em relação à parte exonerada houve também a apresentação de recurso de ofício pelo colegiado julgador, com fundamento no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O acórdão em questão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. Até a publicação da Medida Provisória nº 135, de 2003, o fato de um débito ter sido confessado não significava dizer que o mesmo não poderia ser lançado de ofício, inexistindo impedimento legal para tal. Contudo, optando o Fisco pelo lançamento, ficaria sempre assegurado o direito de o sujeito passivo discutilo nas instâncias julgadoras administrativas previstas no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 995 3 Segundo entendimento externado pela administração tributária há que se exonerar a contribuinte da multa de ofício imposta sobre compensação indevida declarada na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A lavratura do auto de infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: O presente processo versa sobre auto de infração de IPI (fls. 02 12) relativo a períodos de apuração dos anoscalendário 1999, 2000, 2001 e 2002, no valor de R$ 19.121.318,44, já compreendendo o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até 30.09.2007, cuja ciência do sujeito passivo ocorreu em 05.11.2003 (fl. 82). A suposta infração cometida foi alusiva ao nãorecolhimento ou recolhimento a menor do IPI. 2. Cientificado em 05.11.2003 (AR fl. 82), o sujeito passivo apresentou, em 04.12.2003, tempestivamente, impugnação (fls. 85 147), alegando, em suma: PRELIMINAR DE NULIDADE a) A autuação deriva de compensações efetuadas nos termos das Instruções Normativas SRF n° 21/1997 e 210/2002, as quais foram indeferidas pela unidade de origem; b) Ocorre que foram interpostas manifestações de inconformidades e recursos voluntários contra as decisões denegatórias, os quais suspendem a exigibilidade do crédito tributário; c) Os artigos 17 (§ 11) e 18 (“caput” e § 3°) da Medida Provisória n° 135/2003 confirmariam a tese, porquanto o primeiro dispositivo citado previu expressamente a suspensão da exigibilidade do débito objeto da compensação; IPI APURADO EM 31.03.1999 E 10.04.1999 d) Os valores desses períodos foram lançados em virtude de a autoridade autuante não levar em consideração o fato de que foi interposta manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o pedido de restituição/compensação feito no Processo nº 13771.000382/9960, a qual foi acolhida pela DRJ/Florianópolis, tendo sido julgado procedente a restituição/compensação; IPI APURADO EM 20.04.1999 E 10.05.1999. e) Os valores desses períodos foram objeto de restituição/compensação manifestado no Processo nº 13884.003978/9817, sendo que decisão da unidade de origem que indeferiu o pleito foi interposta manifestação de inconformidade, pendente de julgamento na DRJ/Campinas. Assim, os valores objeto dos pedidos de compensação (“rectius”, declarações de compensação, por força do artigo 49, § 2º, da Lei nº 10.637/2002), ainda pendentes Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 996 4 de apreciação, estão nos termos da MP nº 135/2003, com a exigibilidade suspensa, ou, na hipótese mais conservadora, extintos, sob condição resolutória de ulterior homologação; IPI APURADO EM 31.07.1999. f) A importância apurada nessa data foi compensada com crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, consoante se verifica no pedido de restituição/compensação feito no Processo nº 13674.0000107/9990. Dessa forma, o lançamento referente a esse valor não pode subsistir, porque o 3º Conselho de Contribuintes reformou a decisão administrativa que indeferira em parte a compensação realizada pelo contribuinte, tornando o presente crédito tributário extinto, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN; IPI APURADO EM 30.09.2000, 31.10.2000, 10.11.2000, 20.11.2000, 30.11.2000, 10.12.2000, 31.12.2000, 10.12.2001, 20.12.2001, 31.12.2001, 10.01.2002, 20.01.2002, 20.08.2002 E 31.08.2002. g) Os valores desses períodos foram objeto de pedido de ressarcimento de crédito decorrente de aquisição de matériaprima beneficiada pela alíquota zero. Em concomitância, foi requerida a compensação desses créditos com débitos de IPI referentes aos respectivos decêndios, mediante processos indicados na fl. 99 da impugnação; h) Nos pareceres constantes dos aludidos processos, as autoridades fiscais aduziram que as modalidades de creditamento do imposto são as previstas no Decreto n° 2.637/1998 (RIPI/1998). Além disso, os pedidos feitos são desprovidos de fundamentação legal, assim como a aplicação de juros compensatórios (taxa Selic) na correção dos créditos pleiteados. Dessa forma, não foram homologadas as compensações requeridas. Contra os despachos denegatórios foram interpostas manifestações de inconformidade, que se encontram pendentes de julgamento. Em face do indeferimento dos pleitos, a DRF/Fortaleza apartou os débitos e os lançou de ofício, inclusive com a cobrança de multa. Porém, o auto de infração relativo aos processos mencionados não merece prosperar, pois o lançamento já existe mediante DCTF. A manutenção do auto implicaria duplicidade de lançamento; i) Como a MP n° 135/2003, em seu artigo 17, determinou que o procedimento de compensação deve seguir as normas do Decreto n° 70.235/1972, apresentada tempestivamente a impugnação o débito fica com a exigibilidade suspensa, devendo ser extinto o lançamento de ofício feito em duplicidade; IPI APURADO EM 10.06.2002 E 30.06.2002 j) O impugnante adquiriu créditos da Sociedade Simab S/A, inclusive mediante expedição de Documentos Comprobatórios de Compensação (DCC), oriundos do processo administrativo n° 13706.001764/0054, que tramita perante a DRF/Rio de janeiro. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 997 5 k) Apesar da regularidade do procedimento citado, o contribuinte protocolizou a segunda via dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros perante a DRF/Fortaleza, no intuito de cumprir o disposto no parágrafo 2° do artigo 15 da IN SRF n° 21/1997. Porém, não foi admitida a compensação pela DRF/Fortaleza sob o argumento da IN SRF n° 41/2000 ter revogado a aludida norma da IN SRF n° 21/1997, fato esse impeditivo da compensação efetuada pelo impugnante. Todavia, tal entendimento não merece acolhida, pois o artigo 1°, § 2°, do DecretoLei n° 491/1969 assegurou que os créditos de IPI, decorrentes das exportações de produtos industrializados, poderiam ser aproveitados para compensar com o IPI incidente no mercado interno, sendo que o eventual excesso, após tal compensação, poderia ser utilizado para pagamento de outros tributos federais, ou ainda, para aproveitamento nas formas indicadas por regulamento; l) O RIPI/1998 em seu artigo 179 confirmou a tese exposta ao dispor que “os créditos incentivados, para os quais a lei expressamente assegurar a manutenção e utilização, e que não forem absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser utilizados em outras palavras estabelecidas pelo Secretário da Receita Federal, inclusive o ressarcimento em dinheiro”. Assim, foi editada a IN SRF n° 21/1997, que permitiu a compensação de créditos com débitos de terceiros, sendo a referida norma qualificada como norma complementar nos termos do artigo 100 do CTN; m) Diante do exposto, tornase claro que a IN SRF n° 41/2000, ao vedar o direito à compensação garantido genericamente pelo mencionado artigo 1°, § 2°, do DecretoLei n° 491/1969 e confirmado pelo artigo 2° e incisos da Lei n° 9.716/1998, extrapolou sua função regulamentar, pois somente mediante lei formal poderia ser suprimido tal direito; n) Cumpre destacar ainda a incompetência da DRF/Fortaleza para analisar o pedido de compensação de créditos de IPI com débitos de terceiros no caso em apreço. É que, como dito, a análise dessa questão deveria e foi feita pela DRF/Rio de Janeiro, consoante determinado pelo artigo 15 e parágrafos da IN SRF n° 21/1997; o) Assim, caberia à DRF/Fortaleza receber os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros formulado pelo impugnante, no caso adquirente de parte de parte dos créditos da Simab S/A, apenas para fins de ciência e cadastro no sistema Profisc, objetivando, dessa forma, viabilizar a ciência da DRF/Rio de janeiro quanto ao pleno atendimento pelo contribuinte da regra prevista no artigo 15 da IN SRF n° 21/1997; p) Ademais, a referida compensação foi autorizada, sendo flagrante a desobediência à ordem judicial por parte da autoridade fiscal da DRF/Fortaleza ao indeferir a compensação e lançar débitos no auto de infração ora atacado; DA INAPLICABILIDADE DA MULTA PROPOSTA Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 998 6 q) Ainda que fosse válido o auto de infração e certo os valores nele lançados, não poderia subsistir a multa moratória nele incluída, em virtude de seu caráter confiscatório, fato que infringe o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Diversos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais corroboram o que foi explicitado. 3. Em seguida, a impugnante requereu que seja declarada nula a autuação e, consequentemente, desconstituído o crédito tributário combatido; que, em relação às compensações supostamente indevidas de débitos de IPI com créditos de insumos tributados com alíquota zero, objeto de pedido de ressarcimento, seja cancelado o presente lançamento e que sejam retornados os débitos alocados no processo principal que estão aguardando julgamento; e, por fim, que seja declarada a improcedência do lançamento, mormente no que tange aos supostos débitos de IPI resultantes do indeferimento do pedido de compensação com créditos de terceiros. 4. Os autos foram encaminhados para a DRJ/Recife, competente à época para julgar o presente processo. Em 27.08.2004, por meio da Resolução n° 246 (fls. 412419), a 5ª Turma daquela unidade converteu o julgamento em diligência para as seguintes providências da DRF/Fortaleza: “1º Diligenciar junto à DRF/Vitória se foi efetuada a compensação nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 2.135/2003, informando os valores por ventura compensados ou que, em função do acórdão supra, são passíveis de compensação pela Cervejarias Kaiser Brasil S/A. 2º Aproveitando o ensejo, confirmar se os valores informados nos autos dos Processos n° 13884.003978/9817, 13771.000382/9960, 13674.000107/9990, 13706.002504/0079 e 13706.001764/0054, discutidos nessa DRF nos Processos n° 13308.000065/9919, 13308.000047/9929, 13308.000106/9996, 13308.000059/9916, 13308.000135/200232, 13308.000141/200290 e 13308.000127/2002 96 não foram objeto de compensação pelas DRF de origem, informando os valores que por ventura tenham sido considerados. 3º Se em razão da diligência, decerraremse fatos ainda não submetidos à apreciação do interessado, deverá o contribuinte ser cientificado, para que, no prazo legal, possa aditar sua defesa.” 5. Em resposta, foram anexados os documentos de fls. 420534. 6. Tendo em vista a mudança na competência para julgamento do processo, o mesmo foi encaminhado para esta DRJ/Belém que, através da Resolução nº 13, de 4 de março de 2008 (3ª Turma fls. 537/544), requereu nova diligência na qual foi solicitado: “a) ELABORAR planilha em que se indique claramente, para cada valor autuado (relativo a cada período de apuração), o correspondente processo administrativo de restituição/compensação, a motivação do indeferimento, a suficiência do crédito para quitar o débito e a base legal para a cobrança atual da multa (e conseqüente procedência do lançamento), com o seguinte modelo: (apresenta modelo da planilha) b) CONTINUA a cobrança dos tributos relativos aos períodos de apuração objeto do presente auto de infração e eventualmente controlados em outros processos administrativos. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 999 7 c) CONSOLIDAR em parecer fundamentado os dados obtidos e o resultado da presente diligência; d) APRESENTAR quaisquer outras informações e anexar outros documentos que considere úteis ou necessários ao julgamento do presente processo; e) DAR CIÊNCIA ao contribuinte do resultado da diligência; f) CONCEDER ao impugnante o prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse apenas sobre eventuais elementos novos surgidos durante o procedimento de diligência; g) Com o parecer acima referido, e, se for o caso, com a manifestação do sujeito passivo, encaminhar os autos a esta DRJ para continuidade do julgamento administrativo.” 7. Na sua fundamentação, a Resolução ressalta o fato da ciência do auto haver ocorrido após a publicação da Medida Provisória nº 135, de 2003 (convertida na Lei nº 10.833, de 2003), cujo artigo 18 derrogou a metodologia anterior de autuação (art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001), estipulando que o lançamento de ofício limitarseia à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseia unicamente nas hipóteses lá elencadas. 8. A 3ª Turma também entendeu não caber a exoneração total da multa de ofício, exigida juntamente com as diferenças lançadas (nos termos do artigo. 90 da MP n° 2.15835/2001), visto estar a penalidade prevista no caput do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, pois os dois textos legais coincidem em impor a penalidade (lançada juntamente com o tributo ou isoladamente). Tal exoneração somente caberá em função do princípio da retroatividade benigna, se a situação fática não se adequasse às novas hipóteses de punibilidade previstas no novo artigo 18 e seus parágrafos. 9. Ocorre que as informações contraditórias presentes no processo referentes às motivações de indeferimentos das compensações, além do fato de existirem débitos da autuação sem o correspondente processo de restituição/compensação indicado, provocaram a necessidade da nova diligência. 10. Em resposta, a DRF/Fortaleza elaborou a planilha de fls. 613/620, juntamente com a informação de fls. 621, a qual informa não haver inserido a informação referente à base legal para cobrança da multa atual, “pois cabe ao órgão julgador a interpretação da legislação aplicada no Auto de Infração”. 11. Ciente em 07.04.2011 (AR fl. 624) a interessada apresentou, em 12.04.2011 e 28.04.2011, suas informações adicionais (fls. 625/630 e 670/673), com os seguintes argumentos: Manifestação de 12.04.2011: a) Afirma trataremse de compensações com créditos reconhecidos por decisões judiciais, objetos de pedidos de restituição/compensação nos processos 13771.000382/9960 e 13674.000107/9990, e oriundos de recolhimentos indevidos de PIS; Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1000 8 b) “Quanto aos débitos apurados em 31/03/1999 e 10/04/1999, nos valores de R$ 228.676,40 e R$ 207.042,32, respectivamente, a restituição objeto do processo n° 13771.000382/9960 foi deferida em 1ª instância administrativa, contudo a alegada insuficiência do credito mencionada no quadro elaborado pela fiscalização decorre da não aplicação dos expurgos inflacionários ao cálculo do quantum a ser restituído, o que está sendo discutido no bojo do Mandado de Segurança n° 2010.50.01.0094697, em trâmite perante a 2 Vara da Seção Judiciária de Vitória/ES.”; c) Entende que, “diante da pendência de discussão do crédito, é imperioso, no mínimo, o reconhecimento da suspensão de sua exigibilidade até o deslinde do processo supramencionado, sob pena de violação ao disposto no art. 74, §2° da Lei 9.430/96.”; d) Acrescenta que os débitos não são objeto de inclusão no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/09; e) “No que tange aos débitos relativos aos períodos de 20/04/1999, 30/04/1999 e 10/05/1999 (R$ 211.051,17, R$ 249.506,43 e R$ 172.168,53, respectivamente), diferentemente do que constou do despacho da fiscalização, já houve julgamento do recurso voluntário pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao qual foi dado parcial provimento, afastandose a decadência e reconhecendose a semestralidade (Doc. 3). Dessa decisão foi interposto recurso especial a Câmara Superior de Recursos Fiscais, que aguarda inclusão em pauta para julgamento (Doc. 4).”; f) “Por fim, quanto ao débito de R$ 345.172,70, relativo ao período de 31/07/1999, é mister esclarecer que também já houve julgamento no E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que entendeu por bem dar provimento parcial ao recurso voluntário, relativamente ao direito de crédito reconhecido no processo administrativo n° 13674.000107/9990, excluindose a incidência da multa de oficio sobre os valores declarados em DCTF com vinculação a processos de compensação (Doc. 5).”; g) “Diante do inconteste reconhecimento do direito creditório acrescido dos expurgos inflacionários e, por conseguinte, da extinção do crédito tributário a teor do art. 156, inciso II, do CTN devido a suficiência do crédito para realização das compensações, foi apresentada manifestação de inconformidade quanto aos cálculos, além de embargos de declaração, vez que, a despeito de mencionar a insuficiência do credito, a RFB não juntou qualquer demonstrativo de calculo que pudesse amparar suas alegações.”; Manifestação de 28.04.2011 h) Alega que os débitos relacionados aos Processos Administrativos n°s 13308.000135/0008 (R$ 97.781,17) e 13308.000153/0081 (R$ 146.786,49) encontramse extintos, em razão do pagamento e/ou por forca da decadência, nos termos do art. 156, 1 e V, do CTN; i) No que diz respeito ao processo n° 13308.000135/0008 a extinção deuse pelo pagamento com os benefícios da anistia Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1001 9 promovida pela MP 303, de 2006. No relatório de diligência há a informação de que o débito deve ser lançado por não haver sido confessado em DCTF, não sendo, na época, a declaração de compensação instrumento hábil para confissão de dívida; j) Acrescenta: “Pela análise da DCTF anexa (doc. 1), no 3º decêndio de setembro de 2000, a Requerente apurou débito de IPI (código de receita 0668), no valor total de R$ 382.254,09. Este débito foi quitado mediante pagamento, no valor de R$ 50.695,09, e por meio de compensação vinculada ao PAF n° 13308.00135/0008, no valor R$331.695,19. O débito apurado na referida competência, que anteriormente havia sido objeto de compensação, foi integralmente pago na forma da MP 303/2006, por meio de DARF no valor total de R$579.438,31 (doc. 2), composto pelo principal (R$331.695,19), multa (R$13.267,80) e juros (R$234.475,32). Notese, portanto, que o débito apurado no 3º decêndio de setembro de 2000 foi totalmente extinto pelos pagamentos realizados pela Requerente, não havendo qualquer débito remanescente a ser exigido pela Fiscalização. Ressaltese, inclusive, que a Fiscalização já havia reconhecido a quitação da integralidade dos débitos vinculados ao PAF n° 13308.00135/0008, tanto que determinou o arquivamento dos autos em janeiro de 2007, conforme andamento extraído do ‘Comprot’ e extrato anexos (doc. 3).” k) Mesma hipótese ocorreu com relação ao débito do processo n° 13308.000153/0081; l) Defende que, no caso de se entender pelo lançamento dos valores, já teria ocorrido a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário, uma vez que já ultrapassado o prazo quinquenal. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 09/01/2012 (vide intimação e AR de efls. 762 e 765 fls. 760 e 763 do processo em papel). Inconformada, a mesma apresentou, em 07/02/2012 (v. efls. 769), o recurso voluntário de efls. 769/785, onde aduz o seguinte: Quanto aos débitos dos períodos de apuração de 31/03/1999 a 10/04/1999, nos montantes de R$ 228.676,40 e R$ 207.042,32, ressalta que os mesmos teriam sido objeto de compensações homologadas pela DRF Vitória nos autos do processo nº 13771.000382/9960. Alega ainda que a aduzida insuficiência do crédito mencionada pela fiscalização decorreu da não aplicação dos expurgos inflacionários no montante a ser restituído, o que foi objeto de ação judicial que aguarda análise de pedido de antecipação de tutela, mas cujo direito à aplicação dos expurgos já teria sido reconhecido pela Advocacia Geral da União e pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Relativamente aos débitos dos períodos de apuração de 20/04/1999, 30/04/1999 e 10/05/1999, nos respectivos valores de R$ 211.051,17, R$ 249.506,43 e R$ 172.168,53, que "já houve julgamento do recurso voluntário pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Doc. 6), ao qual foi dado parcial provimento (processo nº 13884.003978/9817, acórdão nº 20400.027, cópia acostada às efls. 819/825). Dessa decisão Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1002 10 foi interposto recurso especial, ainda não julgado. Aduz ter direito aos índices inflacionários incidentes sobre o crédito, questão submetida à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Relativamente ao débito do IPI de competência do período de 31/07/1999, no valor de R$ 345.172,70, "é Mister esclarecer que também já houve julgamento inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu por bem dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte (Doc. 8), relativamente ao direito creditório reconhecido no processo administrativo nº 13674.000107/9990 [...]". Questiona os cálculos realizados pela fiscalização e requer o cancelamento da exigência. O sujeito passivo também alega a extinção dos débitos controlados nos processos nos 13308.000135/0008 e 13308.000153/0081 em razão de pagamento à vista efetuado com os benefícios da anistia promovida pela MP 303/2006. Relaciona, às efls. 779, os débitos inerentes aos processos em questão. Requer a apreciação do CARF quanto a dois débitos nos montantes de R$ 97.781,17 e de R$ 146.786,49, controlados, respectivamente, nos processos 13308.000135/0008 e 13308.000153/0081, uma vez que a fiscalização concluiu que tais débitos estariam em aberto, mas que encontrarseiam extintos "em razão do pagamento e/ou por força da decadência". Posteriormente, ressalta que o débito de R$ 97.781,17, do 3º decêndio de set/2000, foi pago com os benefícios da anistia promovida pela MP 303/2006, e que a fiscalização, inclusive, já teria reconhecido a quitação do período e arquivado o processo nº 13308.000135/0008. O mesmo teria ocorrido em relação ao processo nº 13308.000153/0081. Ressalta que ainda que se os débitos em tela não tivessem sido quitados, os mesmos estariam extintos por força da decadência, em vista do disposto no artigo 150, parágrafo 4º, c/c artigo 156, V, do CTN. Diante do exposto requer seja julgado procedente o recurso com o consequente cancelamento da autuação. Em 18/10/2012 o sujeito passivo apresentou nova petição (efls. 888/890) onde reitera os argumentos constantes de seu recurso, e informa que em relação ao item III do recurso voluntário, relativo ao IPI de 31/07/1999, processo de restituição/compensação nº 13674.000107/9990, recebeu decisão definitiva, homologando expressamente as compensações declaradas, constando ao final, pela DRF/Divinópolis (fls. 892/903) que: Conforme consta da planilha anexa, após deduzidas as compensações, resta a ser restituído à contribuinte o valor remanescente do crédito no montante de R$ 37.552.668,50 (trinta e sete milhões, quinhentos e cinquenta e dois mil, seiscentos e sessenta e oito reais e cinquenta centavos), já atualizado até o mês corrente, pela Selic acumulada desde 01/1996, acrescida do percentual de 48%. Em 23/08/2012 o julgamento do feito foi convertido em diligência pela 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, no seguinte sentido: Antes de analisar o mérito dos recursos, entendo ser prudente a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem elabore uma planilha discriminando os processos e respectivos valores cujas compensações foram homologadas, pois, no decorrer do processo foram realizadas diversas diligências através das quais houve reconhecimento de que, ao menos em parte, Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1003 11 as compensações declaradas de alguma forma foram homologadas, quer seja pelo decurso de prazo, seja pelo pagamento/parcelamento. Consta ainda, que em relação ao processo 13674.6000107/9990 (fls. 888/903), no qual foi reconhecido crédito suficiente para saldar todas as homologações declaradas pela Contribuinte, ora Recorrente, no montante de R$ 37.552.668,50. Desta forma, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem informe detalhadamente as compensações que foram homologadas, e a forma como isto ocorreu, se pelo transcurso de prazo, pelo pagamento ou parcelamento, bem como preste esclarecimentos sobre o saldo remanescente apurado no processo nº 13674.6000107/9990, e a consequência dessa decisão no presente processo. Após a conclusão da diligência cientificar a Recorrente, para querendo, manifestarse conclusivamente sobre a mesma no prazo de 30 (trinta) dias. A DRF Fortaleza, em resposta à diligência supra, apresentou a informação fiscal de efls. 922/925, de onde releva transcrever a planilha que contempla a situação dos débitos, conforme segue abaixo: Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1004 12 No mesmo expediente, e quanto ao questionamento relativo ao processo nº 13674.6000107/9990 no qual foi reconhecido crédito no montante de R$ 37.552.668,50 em favor da interessada ressalta a DRF Fortaleza haver anexado aos autos pedido de compensação e despacho decisório proferido pela DRF Divinópolis, os quais foram acostados às efls. 911/921. Por fim, em vista do resultado da diligência supra, o sujeito passivo manifestouse às efls. 966/971 onde aduz o seguinte: a) quanto aos períodos de apuração de 31/03/1999 e 10/04/1999, os mesmos não mais se encontram em discussão vez que já são objeto de execuções fiscais; b) relativamente aos períodos de apuração de 20/04/1999, 30/04/1999 e 10/05/1999, nos valores respectivos de R$ 211.051,17, R$ 249.506,43 e R$ 172.168,53, a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito creditório, determinando a remessa dos autos à origem para a quantificação do crédito; em vista da divergência da unidade foi apresentado recurso pelo sujeito passivo, encontrandose os correspondentes processos em fase de recurso voluntário pendente de julgamento no CARF. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1005 13 O processo em tela foi sorteado para este relator pelo fato de o relator original do processo não mais exercer mandato de conselheiro junto ao CARF, configurando, pois, a hipótese de que trata o § 6º do artigo 49 do anexo II ao Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, abaixo transcrito: § 6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do recurso de ofício Inicio a análise da questão abordando o recurso de ofício formalizado pela primeira instância recursal. Conforme demonstrativo de multa e juros de fls. 12, vêse que foi lançada contra a recorrente a multa isolada de 75% capitulada no artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96. O preceito em tela segue abaixo transcrito: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; Era essa a redação do dispositivo quando da ciência do auto de infração, que ocorreu em 05/11/2003 (conf. fls. 82). A multa em questão foi formalizada diante do indeferimento de pedidos de restituição e de compensação apresentados pelo sujeito passivo, conforme descrição dos fatos objeto do auto de infração, efls. 05 (fls. 04). A exação em evidência foi afastada à unanimidade pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ Belém, o que foi feito com fundamento na retroatividade benigna de que trata o artigo 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional, "uma vez que, com a redação atualmente em vigor do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, somente pode ser imposta multa quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o que não foi demonstrado no presente auto". A decisão da DRJ foi proferida em 11/10/2011. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1006 14 Quanto ao dispositivo em que se fundamentou a autoridade fiscal para a lavratura da multa (artigo 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96), este foi posteriormente revogado pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, cujo artigo 20 revogou expressamente o artigo 45 da Lei nº 9.430/96. Mas com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, o caput do artigo 80 passou a prever o que, anteriormente, estava explicitado no inciso I do artigo 80, conforme redação dada pelo artigo 13 da citada MP: Art. 13. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 1º No mesmo percentual de multa incorrem: ................................................................................................... § 6º O percentual de multa a que se refere o caput, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante, e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. § 7º Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6º serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. § 8º A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto, quando este não houver sido lançado nem recolhido; II isoladamente, nos demais casos. § 9º Aplicase à multa de que trata este artigo, o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (grifos nossos) A Medida Provisória nº 351/2007 foi convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, a qual manteve a redação do preceito objeto da MP nº 351/2007. Esta, aliás, é a redação atual do dispositivo em comento. Portanto, a previsão legal para imposição de multa de ofício de 75% no caso da falta de lançamento do IPI permanece vigente desde a data do lançamento (ciência em 05/11/2003) até o presente momento. No entanto, conforme ressaltado, o colegiado recorrido afastou aludida multa sob o fundamento de que , "com a redação atualmente em vigor do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, somente pode ser imposta multa quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o que não foi demonstrado no presente auto". Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1007 15 De fato, a questão objeto do litígio se aplica com maior especificidade ao disposto no artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, segundo o qual Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Assim, deverá ser aplicado ao caso em exame, de forma retroativa, a prescrição objeto do artigo 18 da Lei no 10.833/2003. Por seu turno, conforme ressaltou o colegiado a quo, o caput do art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na sua redação atual (dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007), somente prevê a aplicação da multa em tela nos casos de comprovada "falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo", o que não é o caso da contenda em comento. Confirase: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Não resta dúvida, portanto, que a exigência em tela deverá ser afastada. Com efeito, quanto ao prosseguimento da exigência de penalidade referente a conduta que deixou de ser caracterizada como infração, dispõe o artigo 106 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifouse) Desse modo, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, cuja conduta a lei nova deixou de cominar correspondente penalidade, entendo que deverá ser afastada a multa de ofício de 75%, em sintonia com o entendimento exarado pela primeira instância. Assim, há que se negar provimento ao correspondente recurso de ofício. Do recurso voluntário Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1008 16 O lançamento do IPI de que trata os autos decorre do indeferimento de pedidos de restituição e de compensação apresentados pelo sujeito passivo, conforme descrição dos fatos objeto do auto de infração, efls. 05 (fls. 04), abaixo transcrita: 001 IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR Lançamento que ora se formaliza para exigência do IPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS da competência dos períodos abaixo indicados, não recolhidos pela empresa por conta dos pedidos de restituição e compensação constantes dos processos discriminados a seguir, cujos pleitos não foram homologados pela Delegacia da Receita Federal em FortalezaCe, que os indeferiu nos termos dos despachos Decisórios, cujas cópias integram o presente auto de infração. Os créditos tributários são os mesmos relacionados na informação fiscal da DRF Fortaleza (efls. 922/925), acima transcrita, decorrente da diligência solicitada por este CARF. A única exceção diz respeito ao crédito de R$ 294.071,01, do período de 20/12/2001, relacionado na mencionada informação fiscal, mas que não consta dos valores lançados por meio do auto de infração. De toda sorte, não há controvérsia quanto aludido valor, eis que, no relatório da fiscalização (diligência) consta informação de que o crédito tributário em tela está quitado por pagamento. Mas vale lembrar que esse débito decorre do mesmo processo que redundou no lançamento de outros créditos tributários de que tratam os presentes autos em vista do indeferimento do pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, protocolizado sob o nº 13308.000230/200155 (ver despacho decisório de indeferimento às e fls. 26/28). Aliás, a quitação é a situação em que se encontra a grande maioria dos débitos objeto dos presentes autos, o que representa, de forma pragmática, verdadeira perda de objeto quanto a aludidos créditos tributários, até porque o multa decorrente das compensações indevidas foi também afastada pela retroatividade benigna da legislação tributáriopenal, conforme analisamos linhas acima. Mas o que se julga aqui é a legitimidade dos lançamentos perpetrados pela fiscalização em vista da inexistência do crédito alegado pelo sujeito passivo à época, o que levou a autoridade administrativa a indeferir os pedidos de restituição e de compensação apresentados pelo mesmo. Com efeito, todos os pedidos em tela foram formalizados nos anos de 1999 a 2002, conforme numeração dos processos correspondentes elencados no auto de infração, efls. 05 (fls. 04). Assim, aplicável ao caso o disposto na Súmula Carf nº 52, segundo a qual, Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de Dctf, ensejam o lançamento de ofício. Ainda se admitida a hipótese de algum débito lançado ser decorrente da não quitação em DCTF, ou seja, uma vinculação do débito a crédito considerado como indevido pela autoridade administrativa, releva destacar que o artigo 90 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001 considerava indispensável o lançamento de ofício, já que apenas o saldo a pagar declarado em DCTF, ou seja, aquele declarado como devido e não vinculado a qualquer crédito, era objeto de confissão de dívida. Confirase: Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1009 17 “Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Em exame dos despachos decisórios que indeferiram os pleitos de compensação do sujeito passivo, o que, em última análise, motivou o lançamento dos débitos a compensar ver efls. 13/78 , observase que quase todos os indeferimentos das compensações dos débitos a partir do fato gerador de 30/09/2000 foram motivados pela impossibilidade de creditamento do IPI pela aquisição de insumos tributados à alíquota zero aplicados em insumos tributados positivamente, indeferimento o qual está em sintonia com a Súmula CARF n° 181 (o que demonstra a legitimidade dos lançamentos). Desses fatos geradores (a partir de 30/09/2000) apenas aqueles correspondentes aos períodos de 10/06/2002, 20/06/2002, 30/06/2002 e 10/07/2002 (respectivamente, processos de compensação nos 13308.000127/200296, 13308.000133/200243, 13308.000135/200232 e 13308.000141/200290) tiveram como motivo do indeferimento a impossibilidade de compensação de créditos com débitos de terceiros, dada a expressa vedação de que trata o artigo 1º da IN SRF nº 41, de 07/04/2000. Segundo o relatório de diligência de efls. 924 todos esses débitos já foram quitados. Aliás, a grande maioria desses débitos não é nem mais contestada pelo sujeito passivo em seu recurso por terem sido quitados pelo pagamento ou excluídos em vista de sua inscrição em Dívida Ativa e posterior quitação (parcial ou integral), conforme informação fiscal da DRF Fortaleza (efls. 922/925), acima transcrita, com as peculiaridades abaixo referidas. Primeiramente, em relação ao débito de R$ 97.781,17, do período de 30/09/2000, consta do relatório de diligência que o mesmo foi "excluído do processo 13308.000135/0008 pelo motivo de não ter sido confessado em DCTF". Consta ainda que "não houve pagamento ou compensação" (conforme informação fiscal de efls. 923). Relativamente a esse débito o sujeito passivo alega em seu recurso havêlo quitado com os benefícios da anistia promovida pela MP 303/2006, e que a fiscalização já teria reconhecido a quitação do período e arquivado o processo nº 13308.000135/0008. Mais uma vez, reitero que o lançamento em tela foi legítimo, eis que inadmissível creditamento do IPI pela aquisição de insumos tributados à alíquota zero, como ressaltado. No tocante a eventual pagamento, tal controle foge à competência deste CARF, já que é atribuição da seção de arrecadação da unidade de origem. No que diz respeito aos débitos do período de 30/11/2000, nos valores de R$ 146.786,49 e 348.398,50, processos de compensação nos 13308.000153/0081 e 13308.000157/0032, respectivamente, consta do relatório de diligência (efls. 924) que tais débitos foram "excluídos em face da constatação do pagamento no âmbito da PFN para o mesmo PA, no valor principal de R$ 475.808,04 [...]". E ainda, que "houve proposta de lançamento no valor de R$ 19.376,95 (146.786,49 + 348.398,50 475.808,04)". Dada a legitimidade do lançamento reiterese, em vista da inadmissibilidade de creditamento do IPI pela aquisição de insumos tributados à alíquota zero, 1 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1010 18 resta à unidade de origem controlar a exigência do saldo devedor do crédito tributário (legítimo) ainda não quitado. Ao contrário do que alega o sujeito passivo não há que se falar em decadência dos débitos em comento, eis que são relativos ao período de 30/11/2000, tendo sido lançados em 05/11/2003 (data da ciência do lançamento fls. 82), portanto, dentro do prazo decadencial de 5 anos. Passemos à análise do restante dos créditos tributários objeto dos autos. Concernente aos débitos dos períodos de apuração de 31/03/1999 e 10/04/1999, nos montantes de R$ 228.676,40 e R$ 207.042,32, ressalta a recorrente que os mesmos teriam sido objeto de compensações homologadas pela DRF Vitória nos autos do processo nº 13771.000382/9960. Alega ainda que a aduzida insuficiência do crédito mencionada pela fiscalização decorreu da não aplicação dos expurgos inflacionários no montante a ser restituído, o que foi objeto de ação judicial que aguarda análise de pedido de antecipação de tutela, mas cujo direito à aplicação dos expurgos já teria sido reconhecido pela Advocacia Geral da União e pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O argumento do sujeito passivo já revela a legitimidade do lançamento, eis que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Não é líquido e certo "crédito" precário, eis que questionado em ação judicial não transitada em julgado na data do pedido de compensação. De toda sorte, deverá o setor de arrecadação da unidade de origem examinar a possibilidade de aludidos débitos já estarem sendo exigidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, como, aliás, informa o sujeito passivo (efls. 911/921), eis que, quanto aos períodos referidos, consta do relatório de diligência de efls. 923 haver débitos dos mesmos valores inscritos em Dívida Ativa já ajuizada. Relativamente aos débitos dos períodos de apuração de 20/04/1999, 30/04/1999 e 10/05/1999, nos respectivos valores de R$ 211.051,17, R$ 249.506,43 e R$ 172.168,53, aduz a interessada que "já houve julgamento do recurso voluntário pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Doc. 6), ao qual foi dado parcial provimento (processo nº 13884.003978/9817, acórdão nº 20400.027, cópia acostada às efls. 819/825). Dessa decisão foi interposto recurso especial, que ainda não teria sido julgado. Defende a reclamante ter direito aos índices inflacionários incidentes sobre o crédito, questão submetida à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quanto ao recurso especial a que se refere a interessada este foi julgado em 16/10/2012 (acórdão nº 9303002.130) como, aliás, a mesma ressaltou na manifestação apresentada depois da diligência , tendo sido dado provimento em parte ao recurso do procurador e provimento integral ao recurso do sujeito passivo. Resta à unidade de origem executar o acórdão e examinar se os créditos reconhecidos são suficientes para a quitação dos débitos. Ainda em relação aos débitos acima citados (de R$ 211.051,17, R$ 249.506,43 e R$ 172.168,53) há que se examinar se há realmente exigência em duplicidade, conforme informa o Demonstrativo dos Valores de Débitos Vinculados ao Processo de efls. 533. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10380.010503/200371 Acórdão n.º 3301002.896 S3C3T1 Fl. 1011 19 Por fim, em relação ao débito do IPI de competência do período de 31/07/1999, no valor de R$ 345.172,70, ressalta a recorrente que [...] é Mister esclarecer que também já houve julgamento inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu por bem dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte (Doc. 8), relativamente ao direito creditório reconhecido no processo administrativo nº 13674.000107/9990, inclusive com aplicação dos expurgos inflacionários [...]. Ressaltou posteriormente que recebera decisão definitiva, homologando expressamente as compensações declaradas, constando ao final, pela DRF/Divinópolis (fls. 892/903), que Conforme consta da planilha anexa, após deduzidas as compensações, resta a ser restituído à contribuinte o valor remanescente do crédito no montante de R$ 37.552.668,50 (trinta e sete milhões, quinhentos e cinquenta e dois mil, seiscentos e sessenta e oito reais e cinquenta centavos), já atualizado até o mês corrente, pela Selic acumulada desde 01/1996, acrescida do percentual de 48%. De fato, no despacho proferido pela DRF Divinópolis (efls. 912/917) consta, em planilha acostada às efls. 916, a quitação integral do débito do 3º decêndio de julho de 1999, no montante de R$ 345.172,70, e ainda, que, após deduzidas essa e outras compensações, restou um saldo credor em favor da interessada no valor de R$ 37.552.668,50. Como o crédito apontado pelo sujeito passivo é alusivo ao processo de compensação em tela, há que se dar provimento ao recurso da reclamante nessa parte. Da Conclusão Por todo o exposto, voto no seguinte sentido: a) para negar provimento ao recurso de ofício formulado pela instância a quo; b) para dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada, nos termos acima ressaltados. Sala de Sessões, em 17 de março de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 11543.000492/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Mário Junqueira Franco Jr., OAB/SP nº 140284. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 00 49 2/ 20 05 -3 5 Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.316 2 " "Tratase de reconhecimento de direito creditório de PIS decorrentes do regime de nãocumulatividade, no período de 01/04/04 a 30/06/04, no valor de 905.242,87, para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 404) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu o valor de R$160.623,72, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2985/09 (fls. 372 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2004, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep; 3. a contribuinte informou despesas não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos, o que impossibilitou o seu deferimento; 4. as vendas de mercadorias realizadas pela CONAB são vendas dos estoques estratégicos do Governo Federal que não são tributadas, portanto não fazem jus ao crédito; 5. o mesmo entendimento adotado nas aquisições realizadas junto a Conab é aplicado sobre as aquisições do Ministério da Agricultura e do Abastecimento; 6. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 36 maiores fornecedores, 6 são cooperativas, restando 28 fornecedores; 7. aproximadamente 94% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 8. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 9. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 0,45%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 10. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 255/263), quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 11. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.317 3 propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 12. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 13. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 14. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 15. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 16. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 17. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 18. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 191/192; 19. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 20. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 21. são receitas financeiras todas as variações cambiais ativas apuradas, vez que não há previsão para que se realize a compensação na contabilidade das variações cambiais passivas, reconhecendo como receita apenas o resultado mensal; 22. desta forma, é considerada receita da variação cambial o somatório das variações ativas, desconsiderandose as variações passivas; 23. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito do PIS apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 2º Trimestre de 2004 no montante de R$ 160.623,72; 24. por outro lado, nos meses de abril e maio de 2004, o crédito apurado foi insuficiente para cobrir Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.318 4 o valor devido para o PIS, restando saldo a pagar, cabendo, pois o lançamento. Cientificada da Decisão (fl. 427), em 02/03/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 429 e seguintes), em 31/03/10, onde alegou, em resumo, que: 1. as razões que fundamentaram a homologação parcial do presente pedido de ressarcimento de créditos de PIS, contidas no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.985/2009, encontramse espelhadas no Parecer DRF/VIT/SEORT n.° 2.977/2009 (Processo Administrativo n° 11543.002360/200548), o qual homologou parcialmente pedido de ressarcimento de COFINS relativo ao mesmo período aqui tratado; 2. assim, mister se faz o apensamento destes autos àqueles, tudo com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitandose decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 3. o crédito tributário constituído pelo Sr. AFRF, mediante a inclusão na base de cálculo do PIS, de receitas de variação cambial não tributadas pela Requerente não é exigível, vez que alcançado pelo instituto da decadência; 4. o Parecer aponta que o crédito relativo às despesas com a manutenção e reparo de equipamentos da Requerente foi glosado em razão da falta de discriminação dos serviços contratados, bem como pelo não enquadramento de parte dessas despesas no conceito de insumos contido na legislação do PIS; 5. a Requerente esclarece que todas essas despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão; 6. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 7. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 8. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.637/02 não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 9. de fato o art. 3º, §2°, II da Lei n.° 10.637/02 (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n.° 10.865/04), veda o direito ao crédito calculado em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção; 10. entretanto, o fato que o Sr. AFRF não levou em consideração é que essa limitação ao crédito só passou a existir, tão somente, após a entrada em vigor da Lei n.° 10.865/04, isto é, em agosto/2004; 11. em razão da sua similitude com a glosa dos créditos apropriados em relação às aquisições da CONAB, as razões para o cancelamento da glosa efetuada dos créditos relativos às aquisições do Ministério da Agricultura e Abastecimento são as mesmas já expostas acima; 12. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 13. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 14. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.319 5 mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 15. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 16. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 17. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 18. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 19. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 20. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente; 21. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito; 22. não restam mais argumentos para que não se possa excluir, do âmbito de abrangência da imunidade constitucional, as variações cambiais incidentes sobre ACC (adiantamento de contrato de câmbio), haja vista ser inequívoca a circunstância de que tais variações cambiais decorrem de exportações; 23. se a receita de exportações é imune; nada mais natural do que também excluir do campo de incidência tributária a variação cambial sobre elas verificada, ademais, doutrina e, jurisprudência são uníssonas ao asseverarem que "assim como a correção monetária, a variação cambial nada acresce ao objeto, sendo mera expressão formal da mesma entidade substancial"; 24. No que se refere aos lançamentos à crédito na conta 675.000, deverá ser adotado o mesmo raciocínio, pertinente às variações monetárias registradas na conta 869.000 tendo em vista que se tratam, igualmente, de receitas de exportação; 25. a partir de 01/01/2000, especialmente em virtude da expressiva oscilação cambial experimentada no ano anterior, passou a viger o tratamento instituído pela Medida Provisória atualmente sob o nº 2.15835/ 01, determinando que as variações cambiais, em regra, deveriam ser reconhecidas no momento da liquidação (regime de caixa); 26. caso não se admita a anulação dos débitos registrados nas mencionadas contas pelas razões expostas acima, é de se adotar, por outra via, a interpretação de que as variações cambiais deveriam ser tributadas pelo seu valor líquido. A inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 1.297) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 1.622 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.320 6 “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contibuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.321 7 beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 1784), a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 1788 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.322 8 condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas ao PIS. Crédito Vedado. A Partir de 01/08/04. A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no sentido de vedar o direito ao crédito da nãocumulatividade do PIS, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/08/04. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.323 9 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11543.000492/200535 Resolução nº 3201000.587 S3C2T1 Fl. 2.324 10 Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10768.005140/2006-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Quando o contribuinte demonstra a origem dos recursos, nos termos acima especificados, a tributação não pode se dar com base na presunção legal, cabendo ao Fisco estabelecer eventual operação tributável.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros MARTIN DA SILVA JUSTO e PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO votaram pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Quando o contribuinte demonstra a origem dos recursos, nos termos acima especificados, a tributação não pode se dar com base na presunção legal, cabendo ao Fisco estabelecer eventual operação tributável. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.673 1 2.672 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.005140/200650 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.069 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria IRPF Recorrente WALLACE FERREIRA DE CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Quando o contribuinte demonstra a origem dos recursos, nos termos acima especificados, a tributação não pode se dar com base na presunção legal, cabendo ao Fisco estabelecer eventual operação tributável. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros MARTIN DA SILVA JUSTO e PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO votaram pelas conclusões. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa– Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 51 40 /2 00 6- 50 Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10768.005140/200650 Acórdão n.º 2202003.069 S2C2T2 Fl. 2.674 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, dos exercícios de 2002, 2003 e 2004, anos calendário de 2001, 2002 e 2003, respectivamente, onde lhe foram exigidos R$ 46.846,79 a título de imposto, acrescido de multas de ofício proporcionais, nos percentuais de 75% e 150%, para infrações distintas, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. No Termo de Verificação Fiscal, que consta da folha 1192 e seguintes, narram as Autoridades Fiscais responsáveis pelo feito que realizaram o procedimento fiscal no Contribuinte e em seu cônjuge, que apresentara declaração em separado pelo modelo simplificado, tendo constatado: 1) acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de agosto/2001; setembro/2001; novembro/2001; dezembro/2001, janeiro/2002; fevereiro/2002 e janeiro/2003. Em anexo foram apresentadas as planilhas de apuração da infração. 2) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não fora comprovada nos termos da legislação pertinente, após a obtenção dos extratos diretamente junto às instituições bancárias (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF), uma vez que os contribuintes, regularmente intimados a apresentálos, invocaram dispositivos constitucionais para a não apresentação voluntária. Tratou o Termo de cada um dos depósitos, justificando a aceitação ou negativa das explicações dadas pelos contribuintes, que eram cotitulares nas contas e foram ambos intimados. A lista dos depósitos que os contribuintes foram intimados a comprovar encontrase anexa ao Termo de intimação Fiscal n. 412, na folha 1090 e seguintes. 3) ganho de capital na alienação de bens, não declarado, verificado a partir de documentação relativa a unidades imobiliárias. Em relação a esta última infração, a Fiscalização entendeu pela qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, enquadrandoa como sonegação fiscal, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Inconformado com o lançamento tributário, o Contribuinte apresentou Impugnação, conforme fl. 1239 e seguintes, onde alegou, em suma, que: a) preliminarmente, haveria decadência do direito de lançar, em alguns períodos, e haveria erro de identificação do sujeito passivo, em virtude da apuração nele e não em seu cônjuge; b) no mérito, justifica pontualmente a composição da variação patrimonial; trata do ganho de capital e da multa qualificada e busca justificar um a um os depósitos Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10768.005140/200650 Acórdão n.º 2202003.069 S2C2T2 Fl. 2.675 3 bancários cuja origem foi reputada como não comprovada. De ser observada, especialmente, a justificativa para o depósito de R$ 17.000,00, que foi tributado na proporção de 50% para cada um dos cônjuges, na folha 1277. Sua manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ II no Rio de Janeiro/RJ, que, em suma, dispôs: a) afastou a preliminar de decadência e, em relação ao ganho de capital, a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Entretanto, em relação à apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, entendeu que de fato houvera tal "erro de sujeição passiva" na apuração, que deveria ser feita na proporção de 50% para cada um; b) entendeu que cabia ao Fisco o ônus da prova da inexistência de operações envolvendo moeda em espécie entre contribuintes, declaradas tempestivamente e confirmadas pelos envolvidos, não existindo presunção legal a seu favor; c) após ajustes que efetuou nos demonstrativos de apuração do ganho de capital, concluiu que não haveria acréscimo patrimonial a ser mantido, sendo improcedente a infração lançada (fl. 1405) d) defendeu a tributação com base em depósitos bancários de origem não especificamente comprovada, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996; e) deu razão ao contribuinte para considerar improcedente a infração referente à omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos e, conseqüentemente, extinguiuse a multa aplicada sobre ela, de 150%, não restando multa qualificada. Assim, chegaram os julgadores de 1ª instância ao seguinte resultado (fl. 1407): 1 improcedência das infrações relativas ao ano calendário de 2001 (depósitos bancários e acréscimo patrimonial) e multas correspondentes; 2 improcedência da infração relativa ao ganho de capital, no ano calendário de 2003, e da multa qualificada aplicada sobre ela; 3 em relação ao ano calendário de 2002, manutenção apenas do valor de R$ 8.500,00 reais, relativos a 50% de um depósito bancário cuja origem reputou não comprovada, com a seguinte justificativa: "Analisando as provas apresentadas pelo impugnante, entendo que a simples comprovação de que o valor de R$ 17.000,00 foi pago por Arleth Azevedo Fernandes, conforme cópia micro filmada e documentos ás fls. 1082 a 1086, desacompanhada da comprovação da operação que deu origem ao depósito, não é suficiente para afastar a omissão de rendimentos estabelecida." Dessa feita, deuse a decisão de 1ª instância, para considerar procedente em parte o lançamento. Cientificado pessoalmente em 27/03/2007, conforme folha 1410, o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/04/2007, com protocolo na folha 1411. Em Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10768.005140/200650 Acórdão n.º 2202003.069 S2C2T2 Fl. 2.676 4 sede de recurso, manifestase exclusivamente em relação à comprovação desse depósito bancário ainda reputado como omissão de rendimentos, argumentando que a origem está demonstrada com a documentação que fora acostada à Impugnação, ou seja, pagamento de empréstimo anteriormente feito pela sua esposa à irmã dela Arleth Azevedo Fernandes. Alternativamente, alega que o valor não ultrapassa os limites estabelecidos nos parágrafos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes para sustentar que depósitos bancários desacompanhados da comprovação de utilização desses valores não podem ser tomados como renda omitida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, uma vez que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético. (formato .pdf) Conforme relatado, após a decisão de 1ª instância, restou em litígio apenas um depósito, no valor de R$ 17.000,00, efetuado em 01/04/2002, na conta corrente de co titularidade do contribuinte e seu cônjuge, no Banco Mercantil (fl. 800 e 1094), que foi tributado em 50%, neste Contribuinte, observadose a existência de dois titulares. Observo que desde a fase que precedeu a lavratura do Auto de Infração o Contribuinte vem tentando justificar a origem dos depósitos e em relação a este, especificamente, primeiro alegou que referirseia a operação com Marcelo Azevedo S. da Cunha, depois corrigiuse (fl. 1172, em resposta à intimação fiscal), e informou que estava tentando obter o microfilme. É que existiram dois depósitos de R$ 17.000,00, no mesmo mês, em contas correntes auditadas e a Fiscalização, em seu Termo de Verificação Fiscal, disse que o contribuinte estaria tentando justificar os dois com as mesmas alegações, mas noto, a partir da referência acima, que não foi o que se deu. Na Impugnação, explicou que tal depósito era, enfim, decorrente da devolução de um empréstimo feito à sua cunhada Arleth Azevedo Fernandes, por sua esposa; que a operação não constara da declaração de rendimentos, porque encerrada no mesmo ano; que os empréstimos realizados entre parentes próximos, como foi o caso, dispensam ritos sacramentais ou formalidades e que anexara os documentos pertinentes para comprovar que o depósito tinha origem em um cheque de Arleth. De fato, a jurisprudência deste CARF admite que nas doações ou empréstimos efetuados entre parentes, impere a informalidade, como se observa no Acórdão 2202002.497, à guisa de exemplo. Neste caso, tenho um entendimento diverso do exposto pelo Julgador recorrido, porque mesmo antes da lavratura do Auto de Infração, o Contribuinte já apontara a Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10768.005140/200650 Acórdão n.º 2202003.069 S2C2T2 Fl. 2.677 5 origem do depósito, que foi feito em cheque, podendo a Fiscalização, se quisesse, proceder às diligências necessárias para conhecêla. Se fosse o caso, tributarseia como omissão de rendimentos, mas não como depósito de origem não comprovada, uma vez que a origem é conhecida. O cheque micro filmado está na folha 1364, acompanhado do extrato bancário de Arleth Fernandes e de seu documento de identidade, comprovando ser filha de Nilo Azevedo e Angélica dos Santos Azevedo, portanto irmã de Maria José Azevedo Carvalho, cônjuge e cotitular do aqui Recorrente. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesses termos, entendo que a origem dos recursos esteja comprovada e VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada, no ano de 2002, no valor de R$ 8.500,00. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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