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Numero do processo: 10320.900322/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
Inexistência de lide.
Não sendo contestada a decisão de 1ª instância, não deve ser conhecido o recurso voluntário.
Numero da decisão: 1302-000.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por inexistência de litígio.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 44023.000046/2006-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002,
01/02/2003 a 31/03/2003
AUTODEINFRAÇÃO.
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A
TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a
todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo
32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
Verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de
contribuição, art.28 da Lei n.° 8.212/91 e devem constar de GFIP.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008,
que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato
pretérito, tratandose
de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de
definilo
como infração; b) quando deixe de tratálo
como contrário a
qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento
e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da
sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.234
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos
para rescindir o Acórdão n.º 230200.945,
de 17 de março de 2011. Em substituição àquele, por
unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e
voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições
da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na
conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A,
inciso I, da Lei n º 8.212 de
1991.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003 AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. Verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n.° 8.212/91 e devem constar de GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Fatos Geradores Recorrente BANCO INDUSTRIAL DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003 AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. Verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n.° 8.212/91 e devem constar de GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para rescindir o Acórdão n.º 230200.945, de 17 de março de 2011. Em substituição àquele, por Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I, da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Ausência momentânea do conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000046/200630 Acórdão n.º 230201.234 S2C3T2 Fl. 61 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências de 01/2002, 07/2002, 02/2003 e 03/2003, as remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais a título de prêmio, através de cartões eletrônicos com a intermediação da empresa Incentive House S/A. Após a apresentação da defesa, DecisãoNotificação de fls. 29/37, julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde se reporta aos termos da defesa apresentada, reafirmando que a verba paga referiase a ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário e por isso não integrantes do salário de contribuição. Que somente à justiça do trabalho é dado julgar questões de emprego, que os ganhos eventuais não precisam constar de GFIP. Requer a reforma da decisão para julgar insubsistente o lançamento. Acórdão da 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF negou provimento ao recurso. Tempestivamente, a Terceira Câmara opôs embargos de declaração frente à incompatibilidade do julgamento com a decisão exarada no julgado, já que em virtude do acolhimento da MP 449, convertida na Lei n.º 11.941/2009, o corpo do julgado se pronunciou pelo provimento em parte do recurso, quando a decisão pugnou por negar provimento ao mesmo. Os embargos foram acolhidos e o processo retornou a julgamento. É o relatório. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumpridos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Os embargos opostos devem ser acolhidos e o Acórdão n.º 230200.945 de 17 de março de 2011, rescindido, frente à existência de vício insanável, pela incompatibilidade entre o que consta do mesmo e o resultado do julgamento, uma vez que de o julgamento se baseou na MP 449, convertida na Lei n.º 11.941/2009, onde as multas aplicadas nos autos de infração de GFIP devem ser reduzidas e o recurso voluntário deve ser provido em parte. Entretanto, por erro, constou no dispositivo final, a negativa de provimento ao recurso. Do Mérito A recorrente foi autuada por ter deixado de informar em GFIP a remuneração paga aos segurados a seu serviço, por meio de cartões de premiação , no período de 01/2002 a 03/2003. Ao não informar os valores relativos à remuneração de todos os segurados que lhe prestaram serviço, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salários, passíveis de inclusão em GFIP por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000046/200630 Acórdão n.º 230201.234 S2C3T2 Fl. 62 5 III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º . (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe em seu artigo 22: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (...) III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, devendo constar das GFIP’s, nas competências correspondentes ao pagamento efetuado, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade, devendo constar de GFIP. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias não declaradas foram objeto de lançamento de Notificações Fiscais de Lançamento de DébitoNFLD, também distribuídas a esta relatora, que entendeu pela manutenção da decisão de primeira instância que julgou o lançamento procedente. O procedimento fiscal está amparado no que prescreve o artigo 33 e seus parágrafos da Lei n.° 8.212/91, sendo que compete à fiscalização da Previdência Social, à época, hoje da Receita Federal do Brasil solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições previdenciárias. Na falta de apresentação de documentos ou se apresentados de forma deficiente, à fiscalização é permitido inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, o auditor fiscal não extrapolou suas funções, tampouco se arvorou a julgar relação de emprego, apenas cumpriu a legislação previdenciária, que impõe a informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, e no caso, a verba paga a título de premiação de incentivo tem natureza salarial, devendo ser, obrigatoriamente, informada em GFIP. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000046/200630 Acórdão n.º 230201.234 S2C3T2 Fl. 63 7 I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto por rescindir o Acórdão n.º 230200.945, de 17 de março de 2011, e conceder provimento parcial ao recurso, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 18DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001193/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. COOPERATIVA DE TRABALHO. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
Os créditos líquidos e certos do contribuinte devem ser compensados com os débitos tributários indicados nas DCOMPs, principalmente quando foram reconhecidos pela própria DRF.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.968
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório dos valores indicados sob a rubrica "Valor de IRRF da DIRF não aproveitados neste PA", constantes das planilhas de fls. 357 a 374, para compensação dos débitos indicados nas DCOMP constantes dos autos, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. COOPERATIVA DE TRABALHO. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Os créditos líquidos e certos do contribuinte devem ser compensados com os débitos tributários indicados nas DCOMPs, principalmente quando foram reconhecidos pela própria DRF. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório dos valores indicados sob a rubrica "Valor de IRRF da DIRF não aproveitados neste PA", constantes das planilhas de fls. 357 a 374, para compensação dos débitos indicados nas DCOMP constantes dos autos, nos termos do e do Relator. EDITADO EM: 1 5 ABR 2011 Processo n° 13710.001193/2003-11 S2-C IT1 Acórdão n.° 2101-00.968 Fl. 1.087 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fl. 497) interposto em 9 de abril de 2008, contra o acórdão de fls. 485 e seguintes, do qual a Recorrente teve ciência em 17 de março de 2008 (fl. 496), proferido pela la Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que, por unanimidade de votos, indeferiu manifestação de inconformidade apresentada em face de despacho decisório que reconheceu parcialmente crédito tributário decorrente de IRRF – Cooperativa de Trabalho (Lei 8.541/92, art. 45) e homologou, também parcialmente, compensações levadas a efeito pela Recorrente. O relatório contido no acórdão recorrido resume a controvérsia da seguinte forma: "Trata -se de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fl. 462) apresentada pela interessada acima qualificada em face de Despacho Decisório (fls. 458 a 460), proferido no âmbito da DRF/Niterói com base no Parecer Seort n. 919/2007 (fls. 445 a 457), por meio do qual a órgão fiscal reconheceu apenas parcialmente o direito creditório relativo ao IRRF — Cooperativa de Trabalho (cód. 3280) invocado pela interessada na Declaração de Compensação de fls. 01/04 e nas PER/DCOMP eletrônicas que foram então baixadas em papel no processo (fls. 70 a 168) e homologou apenas parte das compensações com o IRRF — Rendim. Trab. S/ Vine. Empr. (cód. 0588) nelas declaradas. Nos termos do Despacho Decisório/Parecer Seort no 919/2007, o órgão fiscal concluiu que o valor retido a titulo de IRRF - Cooperativa de Trabalho (cód. 3280 ou 1708 aproveitado pelo órgão fiscal como 3280) pelas fontes pagadoras teria sido inferior ao crédito tributário pleiteado a esse titulo pela interessada para utilização nas DCOMP, uma vez que apenas parte do valor pleiteado como crédito compensável seria passível de confirmação nas DIRF (fls. 357 a 374). Assim, o órgão fiscal, ao efetuar as compensações, a partir do pagamento mais antigo e respeitada a ordem dos débitos estabelecida pela interessada nas DCOMP, verificou serem os créditos insuficientes para compensar a totalidade dos débitos de todas as DCOMP (fls. 375 a 444). Em sua manifestação de inconformidade (fl. 20), acompanhada dos documentos de fls. 463 a 482, a interessada alega, em suma, que: - todos os PER/DCOMP teriam sido elaborados e transmitidos com base nos dados das notas fiscais por ela emitidas; - por ser cooperativa de trabalho, poderia se beneficiar do imposto retido co base em suas notas fiscais para compensação de seus débitos da mesma natureza; - não teria cabido a ela fiscalizar se as empresas retentoras do imposto teriam apresentado declarações e recolhido os valores retidos; - uma vez que os valores do IRRF teriam sido excluídos dos valores por ela recebidos, seria justo que ela os utilizasse em suas compensações." (fl. 487). 2 Processo n° 13710.001193/2003-11 S2-C1T1 Acórdão n. ° 2101 -00.968 Fl. 1.088 A Recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO Condiciona-se o reconhecimento do crédito tributário alegado e a homologação da sua compensação com débitos do mesmo contribuinte, respectivamente, à demonstração da existência e liquidez do crédito compensavel e à suficiência de seu valor para extinguir os débitos declarados. Solicitação Indeferida" (fl. 485). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fl. 487, alegando que: "A CARTA COBRANÇA (em anexo), que acompanha a presente decisão vem cobrando valores que já haviam sido reconhecidos e homologados pelo Parecer SEORT acima citado. Segundo o item V do Parecer SEORT acima mencionado, os débitos totalizam R$ 279.046,22 (duzentos e setenta e nove mil quarenta e seis reais e vinte e dois centavos), a carta cobrança anexa a Intimação ARF/CFO/SORAT/N°. 225 - 10/03/2008 totaliza R$ 660.893,25 (seiscentos e sessenta mil oitocentos e noventa e três reais e vinte e cinco centavos), após análise da mesma, certifiquei que haviam cobranças de impostos já reconhecidos e homologados por Dcomps eletrônicas no Parecer SEORT acima mencionado. Segundo a Intimação acima "Evidentemente, a legislação não impõe ao beneficiário o encargo de fiscalizar se a fonte pegadora recolheu e declarou o imposto retido. Contudo, a mesma legislação não o exime de comprovar a retenção do IRRF. Nesse sentido, ele deve possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pegadora". No sentido de cumprir a Legislação e ao mesmo tempo, comprovar as retenções ora apresentadas em Dcomps, anexo comprovantes de retenção em nome da empresa acima, referente ao ano de 2002 e 2003, totalizando R$ 589.901,40 (quinhentos e oitenta e nove mil novecentos e um reais e quarenta centavos)." É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator 0 recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 3 Processo n° 13710.001193/2003-11 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.968 Fl. 1.089 Duas são as alegações da Recorrente: a primeira diz respeito ao valor cobrado pela Administração (R$ 660.893,25, fl. 495), que não estaria de acordo com o apontado no despacho decisório de fls. (R$ 279.046,22); a segunda, h. efetiva comprovação de retenções no valor total de R$ 589.901,40. No que se refere A. desconformidade da cobrança, a Recorrente tem razão, pois, realmente, o DARF de fl. 495 não está de acordo com o valor apontando como devido por meio do despacho decisório que foi objeto da manifestação de inconformidade indeferida pela Recorrida. Nos termos do despacho decisório, a DRF deveria cobrar R$ 279.046,22, enquanto que o documento de arrecadação de fl. 495 indica como principal o valor de R$ 660.893,25. Na realidade, a matéria não precisaria nem ser objeto de recurso, pois o erro material, no caso, poderá ser facilmente corrigido pela autoridade administrativa responsável pela execução do despacho decisório de fls. 458/460, com as adequações ora determinadas por este Colegiado. Relativamente A. segunda alegação, necessário se faz esclarecer que, dos R$ 664.987,70 pleiteados pela Recorrente, a Recorrida reconheceu o crédito de R$ 430.207,10, por meio de minuciosa análise retratada no parecer no qual se fundamentou o despacho decisório que foi mantido pela Recorrida. Sustenta a Recorrente em seu recurso que, só de um dos tornadores de serviço, teria comprovado a retenção de R$ 589.901,40 por meio da apresentação dos documentos que anexa. Na realidade, o que se observa dos demonstrativos de fls. 357/374 é que a DRF e a DRJ não reconheceram, para efeitos de compensação, diversos valores que classificaram como "Valor de IRRF da DIRF não aproveitado neste PA", muito embora reconhecessem o direito ao crédito. Isto porque, para efeitos de compensação, foram utilizados apenas e tão- somente os créditos em relação aos quais houve exata coincidência entre os períodos de apuração e os valores indicados nas DIRFs e PER/DCOMPS correspondentes, ainda que remanescessem créditos em favor do contribuinte, "não aproveitado(s) neste PA". Entendo, todavia, que esses créditos, todos indicados sob referida rubrica, ou seja, todos reconhecidos pela DRF, devam ser utilizados também para efeitos de compensação com os débitos declarados nas DCOMPs constantes dos autos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer os direitos credit6rios indicados sob a rubrica "Valor de IRRF da DIRF não aproveitado neste PA", constantes das planilhas de fls. 357 a 374, para compensação dos débitos indicados nas DCOMPs constantes dos a os. nL Alexandre Naoki Nishioka 4
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Numero do processo: 16327.000752/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2002
MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS.
Demonstrado que as estimativas alegadamente não recolhidas foram compensadas com créditos do sujeito passivo, improcede o lançamento da multa isolada aplicada.
Numero da decisão: 1102-00.435
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar, e DAR provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente BANCO ITAU BBA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Demonstrado que as estimativas alegadamente não recolhidas foram compensadas com créditos do sujeito passivo, improcede o lançamento da multa isolada aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar, e DAR provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Manoel Mota Fonseca, e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16327.000752/200541 Acórdão n.º 110200.435 S1C1T2 Fl. 316 2 Trata o presente processo do auto de infração de fls 03/04, através do qual foi formalizada a exigência relativa à multa isolada no valor de R$ 898.269,22 por falta de recolhimento da CSLL – estimativa, nos meses de fevereiro, março e abril de 2002. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 6 a 8, a contribuinte acima apresentou Declaração de Compensação referente ao Pedido de Compensação constante do Processo nº 16327.000716/200315, no qual solicita a extinção de débitos tributários com alegados créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados em 31/12/2002. De acordo com o Despacho Decisório dado naquele processo, e que aqui encontrase anexo às fls. 31 a 43, entendeu a autoridade administrativa que as parcelas do saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 4.424.854,76, e do saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 1.197.692,29, que são as relativas aos pagamentos mensais por estimativa, não foram reconhecidas como direito creditório da contribuinte, porque teriam sido indevidamente compensadas com supostos saldos negativos de IRPJ e de CSLL de titularidade de outras pessoas jurídicas. Ou seja, o interessado não seria o titular do direito pleiteado. Assim, tendo em conta justamente a falta do recolhimento destas estimativas, foi lavrado o auto de infração ora em discussão. A empresa apresentou impugnação, fls. 45 a 63, e, posteriormente, esclarecimentos complementares à impugnação, fls. 121 a 125, ambas dentro do prazo recursal, alegando, em síntese, o seguinte: (i) Preliminarmente, a nulidade do lançamento por descrição insuficiente dos fatos. Aduz que as DD. Autoridades Fiscais não descreveram os motivos que levaram à desconsideração da compensação realizada pelo Recorrente, e que se a D. Fiscalização pretendesse exigir a multa sobre a suposta falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa nos meses de fevereiro, março e abril de 2002, deveria ter motivado, detalhadamente, os fundamentos que ensejaram essa atitude, e não somente indicar o Processo Administrativo n° 16327.000716/2003 15, referente ao Pedido de Compensação; (ii) Uma vez que a requerente apresentou Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente seu Pedido de Compensação, nos autos do Processo Administrativo n°16327.000716/200315, ocorre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no inciso III do artigo 151 do CTN, e, assim, não há que se falar em exigência da multa em relação aos valores relativos a esse processo administrativo, ainda não julgado definitivamente. (iii) No mérito, reitera que todas as suas razões de fato e de direito que embasam a exatidão da compensação realizada, bem como da certeza de que os créditos são próprios, estão demonstradas no Processo Administrativo n° 16327.000716/200315; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16327.000752/200541 Acórdão n.º 110200.435 S1C1T2 Fl. 317 3 (iv) Não obstante, dignase a descrever, brevemente, os motivos pelos quais entende que os créditos são próprios, até mesmo para confirmar o seu direito aos créditos e o descabimento da multa imposta; (v) Expõe a reorganização societária implementada por meio de sucessivas sucessões empresariais, ao final das quais os saldos negativos de IRPJ e CSLL, que originalmente pertenciam às empresas Rio Bonito Assessoria de Negócios Ltda, e Serra Nova Desenvolvimento de Negócios Ltda, tornaramse créditos da Requerente; (vi) Discorre sobre as diversas formas de sucessão empresarial previstas na Lei n° 6.404/76, para concluir que, no caso, a requerente, por sucessão, assumiu o direito aos referidos créditos, os quais assim tornaramse próprios, e não mais de terceiros, e que tanto isto é verdade, que a própria Secretaria da Receita Federal, nas normas de preenchimento da DCTF (versão 2.0) publicadas por meio da Instrução Normativa n° 154, de 19.4.2002, incorporou o campo referente aos créditos da sucedida para informar a compensação; (vii) Aduz que não pode admitir a penalidade aplicada, visto que, além de não ter praticado nenhum ato que justifique a multa, o fato gerador, em se tratando de opção pelo pagamento mensal por estimativa, ocorre apenas ao final do períodobase; (viii) Sustenta que o IRPJ e a CSLL, no caso do pagamento por estimativa, são calculados sobre a receita bruta da pessoa jurídica acrescida das demais receitas expressamente estipuladas pela legislação, e que esses pagamentos mensais, para o cálculo dos quais não são consideradas as despesas, dedutíveis ou indedutíveis, são considerados meras antecipações do devido ao final do períodobase, que se encerra em 31 de dezembro, e, assim sendo, não há que se falar em multa isolada ou falta de pagamento de IRPJ ou CSLL por estimativa, após o encerramento do períodobase com a devida apuração das suas bases de cálculo; (ix) Sustenta que a multa aplicada não pode ser exigida da Requerente, por ser ela sucessora da autuada, pois, nos termos do artigo 132 do CTN, a pessoa jurídica que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável tão somente pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas, ou seja, não é possível exigir das sociedades incorporadoras multas sobre infrações cometidas pelas sociedades incorporadas, ainda mais no caso em análise, em que a lavratura do Auto de Infração ocorreu após o ato de incorporação; (x) Transcreve ensinamentos doutrinários e jurisprudência do CARF no sentido da ilegitimidade da cobrança isolada de multa por infração à obrigação principal de (dar) pagar tributo, da impossibilidade de aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16327.000752/200541 Acórdão n.º 110200.435 S1C1T2 Fl. 318 4 sobre o tributo devido por ocasião do ajuste, e da inexigibilidade da empresa sucessora da multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada quando o lançamento é formalizado após a incorporação; (xi) Pelos motivos expostos, requer o apensamento deste processo administrativo ao Processo Administrativo n° 16327.000716/200315, que cuida da e compensação, o cancelamento da multa isolada e o arquivamento do processo administrativo. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a lide por meio do Acórdão 1613.057, de 16 de abril de 2007, considerando o lançamento procedente em parte, por entender aplicável a penalidade, porém com percentual reduzido, conforme ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, é incabível cogitar a nulidade do auto de infração. MULTA ISOLADA. APURAÇÃO POR ESTIMATIVA. FALTA OU RECOLHIMENTO A MENOR. Verificada a falta ou recolhimento a menor de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa, cabível aplicação da multa de ofício isolada. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.” Cientificada desta decisão em 17/05/2007, conforme AR de fls. 198, e com ela inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário, fls. 201 a 234, no qual reprisa os mesmos argumentos expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: (i) Que as instruções de preenchimento do Programa Gerador do Pedido Eletrônico de Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP versão 3.2), as quais reproduz, prevêem campo habilitado para “crédito de sucedida”, restando mais claro ainda que os créditos são transferidos por sucessão e se tornam próprios; (ii) Que a r. decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que foram ampliados os fundamentos legais que serviram de base para a cobrança da exigência supostamente devida pelo Recorrente; (iii) Que o dispositivo apontado pela Autoridade Fiscal para fundamentar a suposta irregularidade foi o artigo 44, § 1°, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, que faz referência à aplicação de multa isolada no caso de falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sujeitos ao recolhimento mensal por estimativa, mas que a autoridade julgadora apontou o artigo 15 da Instrução Normativa n° 93, de 24.12.1997, considerando que deveria ser aplicada a multa de oficio, uma vez que o Recorrente Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16327.000752/200541 Acórdão n.º 110200.435 S1C1T2 Fl. 319 5 não observou as regras de determinação do lucro real verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão da contribuição paga por estimativa, i.e., não apresentou os balancetes de suspensão que justificariam o não recolhimento mensal daqueles tributos; (iv) Transcreve doutrina e jurisprudência que confirmam a impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos que embasaram o lançamento, sendo este motivo de nulidade da r. decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, alega a recorrente que a autuação é nula por descrição insuficiente dos fatos. Nos termos do art. 59 do PAF, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Se acaso houvesse sido realmente insuficiente a descrição dos fatos, tal circunstância haveria de refletirse nas peças de defesa, onde se evidenciaria alguma dificuldade de compreensão por parte da requerente. Mas não é o que se verifica dos autos. Pelo contrário, a recorrente apresentou duas peças impugnatórias e uma recursal, em todas as quais demonstrou ter pleno conhecimento dos motivos de fato e de direito que levaram à presente autuação, tendo apresentado inteligentes argumentações e fundamentação legal coerente aos seus argumentos. Assim, evidenciado que nenhum prejuízo houve ao exercício da ampla defesa e do contraditório pela recorrente, a preliminar deve ser rejeitada. Aduz também a recorrente que, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário pela apresentação de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente seu Pedido de Compensação, nos autos do Processo Administrativo n°16327.000716/200315, ainda não julgado definitivamente, não poderia ter sido aplicada a multa de que aqui se trata. Neste ponto, também não assiste razão à recorrente. Não há qualquer norma legal que impeça a atuação do Fisco nestas circunstâncias, antes pelo contrário. Nos termos do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, defrontandose o Fisco com alguma infração praticada pelo contribuinte, impõese a lavratura do auto de infração, não sendo possível aguardar que antes ocorra o julgamento administrativo definitivo em outro processo do qual dependa, ainda Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 16327.000752/200541 Acórdão n.º 110200.435 S1C1T2 Fl. 320 6 que parcialmente, o lançamento em questão, e isto porque não pode a Fazenda ficar à mercê do transcurso do prazo decadencial. Por outro lado, o lançamento nestas circunstâncias tampouco traz qualquer prejuízo ao sujeito passivo, a quem continua assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo tributário. Afastadas as preliminares, passo ao mérito. Quanto aos argumentos da recorrente relativos às suas razões de fato e de direito que sustentam a exatidão da compensação realizada, e a certeza de que os créditos são próprios, e não de terceiros, em razão das reorganizações societárias implementadas, há que se dizer que esta matéria está em discussão no Processo Administrativo n° 16327.000716/2003 15, o qual trago em sessão para julgamento concomitante, sendo que a decisão lá proferida afeta diretamente a matéria aqui discutida (multa isolada sobre as estimativas consideradas não recolhidas). Julgado o PA n° 16327.000716/200315 nesta sessão, entendeu a Turma, por unanimidade de votos, que as estimativas de CSLL devidas de fevereiro, março, e abril de 2002, no valor total de R$ 1.197.692,29, foram integralmente compensadas com os créditos das sucedidas que a recorrente recebera em transferência por sucessão. Deste modo, resta insubsistente, devendo ser inteiramente cancelado, o lançamento de ofício feito no presente processo, posto que se refere exclusivamente a multas de ofício aplicadas sobre os valores dessas estimativas de CSLL que haviam sido consideradas não recolhidas. Pelo exposto, afasto as preliminares, e dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000837/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PAGAMENTO DE PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos
administradores da empresa a título de prólabore.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO DEVIDO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO FATO QUE DEU ORIGEM À RETIFICAÇÃO.
Somente podem ser acatadas as retificações, promovidas pelo sujeito passivo, em declarações por ele prestadas ao Fisco, as quais venham a reduzir ou excluir o tributo devido, quando haja justificativa plausível para a alteração dos dados.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO
FISCAL.NÃO RECONHECIMENTO.
A ocorrência da prescrição intercorrente não é reconhecida no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE ENFRENTA TODOS OS
PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E FUNDAMENTA AS SUAS CONCLUSÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, na decisão que enfrenta os pontos suscitados pelo contribuinte e fundamenta satisfatoriamente as suas conclusões.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
Numero da decisão: 2401-001.721
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PAGAMENTO DE PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos administradores da empresa a título de prólabore. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO DEVIDO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO FATO QUE DEU ORIGEM À RETIFICAÇÃO. Somente podem ser acatadas as retificações, promovidas pelo sujeito passivo, em declarações por ele prestadas ao Fisco, as quais venham a reduzir ou excluir o tributo devido, quando haja justificativa plausível para a alteração dos dados. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.NÃO RECONHECIMENTO. A ocorrência da prescrição intercorrente não é reconhecida no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E FUNDAMENTA AS SUAS CONCLUSÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, na decisão que enfrenta os pontos suscitados pelo contribuinte e fundamenta satisfatoriamente as suas conclusões. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos administradores da empresa a título de prólabore. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO DEVIDO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO FATO QUE DEU ORIGEM À RETIFICAÇÃO. Somente podem ser acatadas as retificações, promovidas pelo sujeito passivo, em declarações por ele prestadas ao Fisco, as quais venham a reduzir ou excluir o tributo devido, quando haja justificativa plausível para a alteração dos dados. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.NÃO RECONHECIMENTO. A ocorrência da prescrição intercorrente não é reconhecida no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E FUNDAMENTA AS SUAS CONCLUSÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não se vislumbra nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, na decisão que enfrenta os pontos suscitados pelo contribuinte e fundamenta satisfatoriamente as suas conclusões. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15983.000837/200875 Acórdão n.º 240101.721 S2C4T1 Fl. 188 3 Relatório Trata o presente processo fiscal do Auto de Infração n. 37.152.5837, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. No mesmo são exigidas as contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração para a título de prólabore a segurado contribuinte individual. O crédito, consolidado em 25/08/2008, assumiu o montante de R$ 165.323,53 (cento e sessenta e cinco mil, trezentos e vinte e três reais e cinquenta e três centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 18/21, o saláriodecontribuição corresponde a diferença entre os valores de prólabore declarados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e aqueles registrados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Informase que foram examinados, durante a ação fiscal, os seguintes documentos: Declaração de Firma Individual, Livro de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, DIRF — Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e Livro Caixa. Asseverase que, verificado em tese o crime de sonegação de contribuição previdenciária, foi encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais ao órgão competente. Juntouse aos autos cópias das DIRF anocalendário 2004 e demonstrativo de apuração da base de cálculo lançada. A empresa apresentou impugnação, fls. 26/42, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) falta ao AI os elementos que lhe possam conferir validade, por esse motivo o mesmo é nulo; b) procedeu a retificação das declarações, de modo que passassem a refletir a realidade financeira da empresa; c) o Agente Fiscal não lhe concedeu um prazo razoável para efetuar as mencionadas retificações; d) comprovado que a empresa retificou equívocos cometidos quando da preparação de suas declarações, o AI deve ser nulificado; e) o Fisco no presente lançamento está a tributar lucros e dividendos e não prólabore, sendo injustificada a exigência; f) o crédito tributário deve ser excluído uma vez que a exação está recaindo sobre rendimento distribuído ao proprietário da firma individual, sobre a qual verificase a isenção, tanto das contribuições previdenciárias, quanto do imposto de renda; Fl. 200DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 g) a multa de mora deve ser reduzida, uma vez que foi aplicada em percentual além do permissivo legal e sem qualquer embasamento jurídico; h) os documentos colacionados comprovam que a empresa cumpriu rigorosamente com suas obrigações previdenciárias. Ao final pede que lançamento seja nulificado ou que seja determinada a exclusão do crédito correspondente. A DRJ em Campinas julgou integralmente procedente o lançamento, fls. 117/120, tendo o acórdão carregado a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/12/2004 NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Rejeitase a preliminar de nulidade suscitada contra o procedimento administrativo fiscal, quando não é provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto IV 70.235, de 1972 e o processo obedece às determinações legais, garantindo ao Contribuinte o contraditório e a ampla defesa. LANÇAMENTO COM BASE NA DIRF Declaração de Imposto Retido na Fonte A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Art. 147, § 1° do CTN. 3. CONEXÃO O instituto da conexão se aplica subsidiariamente ao contencioso administrativo, sendo facultado ao julgador a reunião dos mesmos para apreciação e julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário, fls. 125/146, no qual alega que a decisão recorrida não pode subsistir, posto que plenamente alicerçada nas informações constantes no relato do Fisco, o qual está longe de condizer com a realidade, uma vez que a empresa cumpriu integralmente com as suas obrigações tributárias. Ocorreu a prescrição do direito da Fazenda de exigir as contribuições, posto que transcorreu o lapso de cinco anos entre a ocorrência dos fatos geradores e o início do ano de 2010. A partir de então passa a repetir as mesmas alegações já apresentadas na defesa. Ao final requer o pleno provimento do seu recurso, conforme as alegações acima expostas. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15983.000837/200875 Acórdão n.º 240101.721 S2C4T1 Fl. 189 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade Protesta a recorrente pela nulidade da decisão recorrida, por lhe faltar fundamento. Esse argumento me parece que não deve ser acolhido. É que o órgão a quo enfrentou todos os pontos aventados no recurso, sopesando as provas acostadas e apresentando toda a fundamentação jurídica que embasou as suas conclusões. Ademais, a empresa apenas alega que a DRJ efetuou o julgamento apenas se baseando no conteúdo do AI, o qual contém afirmações que destoam da realidade. De fato, o órgão de primeira instância, ao enfrentar o mérito da causa, inexoravelmente vai aderir a uma das teses seja da defesa ou do ataque, posto que ao julgador, estando o processo em condições julgamento, não é dado se abster de emitir sua decisão. Na situação sob testilha, se a tese vencedora foi a da procedência do lançamento, fatalmente a DRJ teria que se basear nos fatos trazidos ao mundo pela Auditoria Fiscal. Uma vez expostas as peças de ataque de defesa, tem o julgador que se posicionar, pondo fim na lide naquela instância, desde que o faça com esteio nas provas e na legislação aplicável ao caso. Ponderar se a decisão foi ou não acertada é o que deve fazer o órgão ad quem quando do enfretamento das questões de mérito, mas a princípio não enxergo nenhum vício que pudesse tornar nulo o decisório da DRJ. O Decreto n. 70.235/1972, quando trata das nulidades, prevê: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Por não enxergar na decisão recorrida qualquer das hipóteses acima listadas, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Prescrição A ocorrência da prescrição intercorrente é outra questão trazida à baila no recurso. Afirma a recorrente que tendo os fatos geradores ocorrido no exercício de 2004 e estando em janeiro de 2010 (momento da protocolização do recurso) o processo ainda pendente Fl. 202DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 de julgamento, teria ocorrido o transcurso do prazo prescricional previsto no art. 174 do Código Tributário Nacional. A conclusão acerca da improcedência dessa alegação não exige maiores esforços, é que existe súmula do CARF afastando tal pretensão, vejamos: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Da concessão de prazo pelo Fisco para apresentação de documentos Afirma a empresa que o Fisco não lhe oportunizou prazo razoável para que pudesse comprovar que não estava em débito para com a Seguridade Social, não lhe permitindo apresentar os elementos que justificariam a sua posição. Esse argumento é descabido. A Auditoria solicitou a documentação da empresa e deulhe prazo para apresentação da mesma. De posse dos elementos fornecidos formou sua convicção quanto a necessidade de lançar as contribuições devidas. O Relatório Fiscal indica inclusive os documentos em que se baseou para efetuar sua apuração, documentos esses fornecidos pela empresa, não havendo razão para que agora se alegue que não houve prazo para apresentação documental. Da retificação das declarações Assevera a recorrente que, tendo requerido a retificação de suas declarações, perante a RFB, nenhuma medida que importasse em exigência de contribuições incidentes sobre os fatos geradores objeto da retificação poderia ser implementada. Para comprovar essa alegação foram acostadas guias retificadora da DIRF e da DIPJ relativas ao ano calendário de 2004, onde se verifica que os valores pagos ao segurado Irineu Florêncio foram ajustados e os pagamentos de prólabore passaram a coincidir com aqueles declarados na GFIP. Justificou a empresa que a correção dos dados tornouse necessária quando ficou constatada a ocorrência de erro de digitação. Uma primeira observação que me parece pertinente é que na espécie não se verificou a retificação da GFIP, apenas foram retificados os dados da DIRF, de modo que os valores de prólabore pagos ao Sr. Irineu Florêncio passaram a coincidir com aqueles declarados na guia informativa da Previdência. A solução da lide, levame a perquirir acerca da possibilidade de se retificar, após o início da ação fiscal, guias declaratórias apresentadas pelo sujeito passivo, de modo a reduzir ou excluir o valor do tributo lançado, com base nas informações prestadas. Um primeiro ponto a ser levado em conta é que a empresa foi cientificada do início da ação fiscal em 24/06/2008, fl. 16, e que promoveu a retificação da DIRF em 25/09/2008, portanto após ter sido cientificada de que estava sob procedimento fiscal. A princípio, nos termos do art. 7. , § 1. do Decreto n. 70.235/1972, o sujeito passivo estaria impedido de efetuar a retificação da DIRF, uma vez que já teria perdido a espontaneidade. Porém, há de se ter em conta que o tributo objeto da ação fiscal não estava relacionado diretamente à referida declaração. Quanto à retificação da GFIP, Fl. 203DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15983.000837/200875 Acórdão n.º 240101.721 S2C4T1 Fl. 190 7 inquestionavelmente teria o contribuinte sido atingido pela perda da denuncia espontânea, porém, quanto à declaração relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte, não há de se considerar esse efeito. Nesse sentido, entendo cabível a retificação da DIRF mesmo após o início de procedimento fiscal, posto que esse tinha como desiderato verificar a regularidade fiscal do contribuinte quanto ao recolhimento das contribuições para a Seguridade Social. Pois bem, aceitandose como lícita a retificação levada a cabo pelo sujeito passivo, há de se investigar se os novos dados declarados merecem ser acolhidos pelo Fisco. Ao tratar dessa problemática, o Código Tributário Nacional – CTN prescreve que as correções de informações prestadas pelo contribuinte, que visem reduzir o valor do tributo devido, somente devem ser aceitas quando satisfatoriamente justificadas. Eis o texto legal: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando uni ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2. Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Tal dispositivo visa a impedir que o sujeito passivo promova, sem justificativa plausível, retificações nas declarações prestadas ao fisco, no intuito de suprimir o recolhimento de tributos. No caso concreto, tenho que o procedimento adotado pela empresa, não deve ser acatado, uma vez que o seu álibi para alterar os dados informados foi o mero erro de digitação, esqueceuse porém que as conclusões do fisco foram alicerçadas não somente nas guias declaratórias, mas também no Livro Caixa apresentado. Quanto a esse a empresa não trouxe qualquer prova no sentido de que o tivesse alterado, providência imprescindível para que se acatasse a tese recursal. Devo então dar razão ao órgão recorrido, uma vez que os argumentos utilizados no recurso para justificar a retificação da DIRF são frágeis, carecendo de maiores comprovações. Para reforçar o meu ponto de vista, vou transcrever aqui ementa de julgado trazido aos autos pela recorrente, em que fica assentado que a comprovação do pagamento de distribuição de lucros e de rendimento do trabalho (prólabore) não pode prescindir da correta escrituração em Livro Caixa para as empresas optantes pelo SIMPLES: APELAÇÃO CÍVEL N" 2002.71.07.0054278/RS RELATOR : Des. Federal DIRCEU DE ALMEIDA SOARES Fl. 204DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 APELANTE : LUPEME IND. METALÚRGICA LTDA ADVOGADO : Zenaide Ferrari dos Santos e outro APELADO : INSTITUTO NACIONAL D0 SEGURO SOCIAL INSS ADVOGADO : Sibele Regina Luz G recco EMENTA SIMPLES. LUCRO PRESUMIDO. ESCRITA CONTÁBIL. LIVRO CAIXA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓ LABORE.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. O contribuinte optante pelo SIMPLES, sofrendo tributação pelo lucro presumido, não está obrigado à manutenção de escrita contábil, mas tãosomente de Livro Caixa. 2. Aos sujeitos privados é dado fazer tudo que a lei não proíbe, pelo que não é possível que se exija do contribuinte que faça algo de que a lei expressamente o dispensa escrituração contábil , sujeitandoo, à autuação e tributação. 3. Valores recebidos a título de distribuição de lucros não configuram pagamento de natureza salarial, sendo ilegítima a incidência da contribuição social sobre esses valores. 4. Para a verificação da natureza dos valores lançados, basta que o contribuinte mantenha Livro Caixa discriminando contabilmente os lançamentos decorrentes do trabalho (prólabore), sobre os quais incide a contribuição previdenciária, e os lançamentos referentes à distribuição dos lucros. 5. À lei é indiferente que a distribuição de lucros tenha se procedido, em algumas competências, em meses subseqüentes. Tal circunstância não se configura ilegal, nem enseja conclusão inequívoca de evasão fiscal.(grifei) Diante da ausência de provas quanto à necessidade de retificação da DIRF, entendo que deva ser mantido o lançamento, considerandose como prólabore os valores apontados pelo Fisco, os quais foram lançados na declaração original com o código “0561”, que corresponde a rendimentos do trabalho assalariado. A partir dessa conclusão, é inconteste que tais quantias devem se sujeitar à tributação, conforme prevê a Lei n. 8.212/1991, verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Descabida, portanto, a alegação de que o crédito tributário deveria ser excluído em razão dos fatos narrados pelo fisco não se amoldarem a hipótese de incidência prevista na norma legal. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15983.000837/200875 Acórdão n.º 240101.721 S2C4T1 Fl. 191 9 Da multa aplicada Arguiu a recorrente que a multa foi aplicada em patamar desproporcional, assumindo caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que a aplicação da multa moratória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da multa pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Vejo que a autoridade fiscal, diante do inadimplemento pelo contribuinte da obrigação de recolher o tributo, aplicou a multa de mora conforme os ditames da legislação de regência, in casu da Lei n. 8.212/1991, que assim previa: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS,incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada... Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação súmula do CARF que carrega a seguinte redação: SÚMULA NO 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo desprovimento do mesmo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 206DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904235/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/ PASEP
Data do fato gerador: 15/08/2003
COMPENSAÇÃO. SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS.
ISENÇÃO.
A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no2.03725,
de 2000,
atual Medida Provisória nº 2.15835,
de 2001, quando se tratar de vendas
realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase,
exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas
nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.030
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola
Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/ PASEP Data do fato gerador: 15/08/2003 COMPENSAÇÃO. SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/ PASEP Data do fato gerador: 15/08/2003 COMPENSAÇÃO. SAÍDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 109DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 102 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 59 a 84) apresentado em 15 de julho de 2010 contra o Acórdão no 1428.389, de 09 de abril de 2010, da 4ª Turma da DRJ / RPO (fls. 51 a 56), cientificado em 15 de junho de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de PIS recolhido em 15 de agosto 2003, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. São isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 18 de dezembro de 2000, exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei nº 1.248, de 1972, destinadas ao fim específico de exportação e para as empresas comerciais exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. As vendas efetuadas às demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, são tributadas normalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi inicialmente indeferido em 15 de abril de 2005. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensações declaradas por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, que teria sido recolhido a maior no período de apuração de 31/07/2003, sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. A declaração de compensação apresentada baseiase no entendimento da requerente de que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) naquele período estavam isentas dessas contribuições e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 103 3 A DRF de Piracicaba, SP, por meio de despacho decisório de fl. 20, não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I. O art. 4º do DecretoLei (DL) no 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as exportações às vendas à ZFM e que, com o advento da Constituição de 1988, esse decretolei foi recepcionado e incorporado pelo ordenamento jurídico vigente pelo art. 40 e 92 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). II. As normas editadas com o fim de restringir a isenção e, depois, a imunidade do PIS e da Cofins, relativamente às remessas para a Zona Franca de Manaus — qual seja, a Lei 9.004/95, que alterou o art. 5º da Lei nº 7.714/88, o Decreto nº 1030, de 1993, a MP nº 18586, de 1999, a MP nº 2.03724, de 2000 e a Lei nº 10.996, de 2004 — também padecem de inquestionável ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que, além de contrariarem o art. 4º do DL 288/67 e os artigos 40 e 92 da ADCT, implicam na distorção de um conceito amplo de exportação. III. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2º do art. 14 da Medida Provisória (MP) no 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, na reedição da MP no 2.03725, de 21 de dezembro de 2000 a exclusão de isenção foi retirada do texto legal, de modo que as vendas à ZFM tornaram se isentas dessas contribuições, sendo esse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. IV. Ante o exposto, requer o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, isentas de tais exações. Requer também a homologação das compensações de todos os débitos declarados pela empresa, excluindose multa e juros indevidamente considerados no demonstrativo apresentado junto à decisão em análise e a conexão de processos similares da mesma empresa, para evitar decisões divergentes sobre a mesma matéria. A DRJ considerou que somente vendas efetuadas a empresas comerciais exportadoras seriam isentas da contribuição. No recurso, a Interessada inicialmente requereu o reconhecimento da conexão entre os processos relativos à Cofins dos períodos de dezembro de 2002 a maio de 2004 e ao PIS de janeiro de 2001 a julho de 2004. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 104 4 A seguir, alegou ser nulo o acórdão de primeira instância, pelo fato de não haver apreciado matéria alegada na impugnação, o que poderia ser efetuado, segundo a recorrente, sem implicar análise da inconstitucionalidade de lei. No mérito, alegou haver equiparação das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, nos termos do DecretoLei no 288, de 1967, da EC no 33, de 2001 (imunidade), art. 40 da ADCT da CF de 1988, EC no 42, de 2003. Contestou a Solução de Divergência Cosit no 22, de 2002, pois “uma norma inferior não pode se sobrepor A Emenda Constitucional n° 42/2003, ao Ato de Disposições Constitucionais Transitórias e aos dispositivos constitucionais, sob pena de afrontar o principio da hierarquia das normas”. Citou ementas de acórdãos administrativos cujo entendimento que lhe seria favorável. Mencionou, a seguir, as normas limitadoras do “princípio da paridade tributária” (entre vendas à ZFM e exportações), reafirmando que, a partir da EC no 33, de 2001, haveria imunidade e não apenas isenção. Citou, então, ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça e de outros tribunais sobre os efeitos da exclusão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do texto das reedições da Medida Provisória no 2.037, de 2000. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à conexão de processos, esclareçase que foram distribuídos os processos nos 13888.904234/200988, 13888.904235/200922, 13888.904237/200911, 13888.906564/200916 e 13888.906565/200952. Esses processos serão julgados conjuntamente, à vista do disposto no art. 49, § 7º, do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010. Entretanto, caso haja mais processos, esses não poderão ser julgados e não é possível esperar que tais processos sejam eventualmente encontrados para se fazer o julgamento conjunto, pois implicaria maior demora na apreciação conjunta. Ainda preliminarmente cabe esclarecer que não há nulidade no acórdão de primeira instância. Embora tenha a Interessada citado entendimento sobre a possibilidade de afastamento de lei sem sua declaração de inconstitucionalidade, de fato se trata de argumentação retórica, baseada na evasiva de citar qualquer expressão diretamente ligada à inconstitucionalidade ou à sua declaração. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 105 5 Se uma lei dispõe em sentido contrário ao que determina a constituição, há inconstitucionalidade material. Não há como simplesmente “abandonar” suas disposições para “preferir” as disposições constitucionais sem considerar que a lei contraria a Constituição. Nesse contexto, aplicamse o art. 62 do Regimento Interno do Carf e a Súmula Carf no 2, descabendo também sua apreciação no âmbito do presente recurso. Quanto ao mérito, adoto o entendimento do Acórdão 20308988, RV 122018, de lavra da Ilustre Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins, cujo teor foi o seguinte: No que se refere às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: “Art 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, estabeleceu as condições para a concessão de isenção, assim dispondo: “Art.1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único . A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; Fl. 113DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 106 6 b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. (...)”(grifouse) Por sua vez, a Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, em seu art. 1º alterou a redação do art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, para isentar da Cofins as receitas provenientes das hipóteses adiante mencionadas, determinando ainda no seu art. 2º que seus efeitos retroagissem aos fatos geradores ocorridos a partir do dia 1º de abril de 1992, data de início dos efeitos do disposto na referida Lei Complementar nº 70, de 1991. “Art.1º O art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo." Art. 2º Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, retroagindo seus efeitos a 1o de abril de 1992.” (grifouse) A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. A Medida Provisória nº Fl. 114DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 107 7 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições até a Medida Provisória nº 2.03424, de 23 de novembro de 2000, redefiniu no seu art. 14 as regras de desoneração da contribuição em tela nas hipóteses especificadas e revogou expressamente todos os dispositivos legais relativos a exclusão de base de cálculo e isenção, existentes até o dia 30 de junho de 1999. A respeito do instituto da isenção, deve ser lembrado que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 111, que interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Não procede a argumentação da recorrente de que, para fins de isenção da Cofins, teria o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior. O referido dispositivo estabelece: “Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (grifouse) Sobre o alcance do artigo referido, deve ser ressaltado que abrangia tãosomente os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente, conforme norma inserta no dispositivo suso transcrito, verbalizada na expressão seguinte: constante da legislação em vigor. De outro lado, essa equiparação não é absoluta, podendo ser mitigada para não alcançar incentivos fiscais que o legislador pretendeu ou pretenda estender exclusivamente às exportações efetivas para o exterior. Para que não paire dúvida do aqui afirmado, basta dar uma espiada na norma inserta no artigo 7º do DecretoLei nº 1.435/1975, que se transcreve abaixo: “Art. 7º A equiparação de que trata o artigo 4º do DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos DecretosLeis nº s 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de “drawback”. Vejase que o legislador, no dispositivo legal acima transcrito, restringiu o alcance da equiparação em comento para evitar que os incentivos específicos para a exportação, previstos nos diplomas legais enumerados nesse artigo 7º, fossem estendidos às remessas para a Zona Franca de Manaus. Se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessa contribuição, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Fl. 115DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 108 8 Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação específica da Cofins, mas isso não foi feito, ao contrário, dispôs inequivocamente que a isenção não alcança as vendas efetuadas a empresas estabelecidas nessa área de livre comércio, como disposto no parágrafo único do artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art.7º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Por seu turno, a discussão a respeito do art. 40 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988, conforme dito preliminarmente, não será realizada por considerar que o contencioso administrativo não é o foro próprio e adequado para questionamentos de natureza constitucional. Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal, na ADIN nº 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, na sessão plenária do dia 7 de dezembro de 2000, deferiu medida cautelar quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Acatando a liminar concedida pelo STF, na edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, publicada no Diário Oficial da União de 22 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, foi suprimida a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14 que constava de suas edições anteriores. Assim, enquanto não julgada definitivamente, a ADIN apenas suspende a eficácia da incidência de Cofins sobre as receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus a partir da concessão de liminar pelo STF. Vale observar que o § 1º do art. 11 da Lei nº 9.868, de 1999 determina que “a medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa.” Para complementação do voto, adoto o entendimento do Acórdão 20401806, de lavra da Ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta: Portanto, os efeitos da liminar concedida não se aplicam aos períodos compreendidos entre janeiro a dezembro/97, primeiro em virtude dos efeitos ex nunc concedidos pelo Tribunal, e segundo porque a alteração normativa incidiu sobre a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Quanto à aplicação do disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70/91 às vendas à ZFM, é de se observar que o referido dispositivo legal contempla apenas as operações de exportação e o CTN no seu art. 111, inciso II determina que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção. Assim sendo, não se pode estender os efeitos do disposto no referido art. 7º, bem como do disposto no DecretoLei nº 288/67, uma vez Fl. 116DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 109 9 que naquele dispositivo consta expressamente que só diz respeito à legislação em vigor quando da sua edição, o que não é o caso dos autos. No que diz respeito ao PIS, mantémse as mesmas considerações tecidas para a Cofins sobre os efeitos da liminar concedida pelo STF em sede do ADIN nº 23489 e sobre a modificação normativa trazida pela Medida Provisória nº 203724, de 2000, bem como quanto à impossibilidade de se estender os efeitos do disposto no DecretoLei nº 288/67 ao caso dos autos. Alem disto é de se observar que a partir da edição da Lei nº 7714/88, as vendas efetuadas a empresas estabelecidas na ZFM não estavam isentas desta contribuição, pelo que dispôs literalmente o art. 5º, §2º, alínea “a” do referido dispositivo legal. “Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. “§ 1º Serão Consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. (Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) “§ 2º A Exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas:(Parágrafo incluído pela MP 622, de 22.09.94) “a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio;” Ademais, adoto o entendimento da Receita Federal, que considera que “A isenção da Cofins (ou PIS/Pasep) prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo.” O entendimento acima, exposto na Solução de Consulta n. 8, de 2002, é exatamente de que somente aquelas isenções previstas à época do mencionado DecretoLei n. 288, de 1967, é que se aplicam e não todos os casos do art. 14 da MP citada. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 117DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904235/200922 Acórdão n.º 330201.030 S3C3T2 Fl. 110 10 Fl. 118DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003602/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu
embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria.
APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
Numero da decisão: 2401-001.765
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 344 1 343 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.003602/200980 Recurso nº 875.293 Voluntário Acórdão nº 240101.765 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONSTRUÇÃO CIVIL Recorrente INSTITUICÃO CULTURAL EDUCACIONAL DE SARANDI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003602/200980 Acórdão n.º 240101.765 S2C4T1 Fl. 345 3 Relatório De acordo com Relatório Fiscal, fls.103/113, o crédito contempla as contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social — FPAS e ao Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho — GILRAT, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP. Destacase que as contribuições foram obtidas por aferição indireta e dizem respeito às remunerações dos segurados empregado.que executaram obra de construção de propriedade da autuada. Acrescentase também que pela análise das folhas de pagamento, recibos de pagamento de salário, rescisões contratuais e recibos de férias, apresentados pela Instituição, podese verificar claramente que a empresa elaborava duas folhas de pagamento, donde uma que foi chamada de Folha (1), tinha seus valores contabilizados, já a outra que foi denominada de Folha (2), não vinha sendo contabilizada, o que ocorria também com recibos de pagamentos de salários (2), rescisões (2)e recibos de férias (2). A Auditoria assinala que, mesmo regularmente intimada, a empresa deixou de apresentar as Folhas de Pagamento relativas à obra em questão, tendo exibido apenas recibos de pagamento, mas de forma parcial. Esse fato levou à lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória. Informa a Autoridade Fiscal que as remunerações dos segurados empregados, para as referidas competências, foram apuradas por aferição indireta. Foi apresentada a memória de cálculo confeccionada para obtenção da remuneração por método indireto, onde se adotou o método do Custo Unitário Básico, no qual o valor da mãodeobra é proporcional à área e ao padrão da obra de construção civil. Salientase que foram excluídos da apuração os meses de execução da obra abrangidos pelo período decadencial, considerandose o início e final da construção como a data do registro do primeiro empregado (01/03/2002) e data do Habitese (02/07/2008), respectivamente. Afirmase ainda que, malgrado as solicitações do Fisco, a empresa não apresentou qualquer documento que comprovasse o recolhimento das contribuições lançadas. Como elementos de prova foram juntados os documentos de fls. 114/266, os quais dizem respeito a folhas de pagamento, recibos de salários, alvará, habitese, termo de inspeção de projeto de obra, etc. A instituição apresentou defesa, fls. 269/286, alegando, em apertada síntese, que: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 a) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/06/2004; b) embora o Fisco afirme que havia folhas de pagamento não contabilizadas, não trouxe ao processo prova contundente dessa alegação, sendo descabido o arbitramento do tributo; c) disponibilizou à Auditoria toda a contabilidade, causandolhe estranheza a acusação de que remunerações haviam sido omitidas da GFIP; d) também efetuou a declaração e o recolhimento de todas as contribuições decorrentes de pagamentos efetuados a contribuintes individuais; e) a multa aplicada, no patamar de quarenta por cento ou setenta e cinco por cento, é confiscatória; f) também assumem caráter de confisco os juros aplicados ao crédito lançado; g) o Fisco é que tem o dever de provar suas alegações, não sendo lícito querer que o contribuinte venha a produzir provas em seu favor; h) devem ser compensados todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte; i) para se chegar a uma conclusão segura sobre a contenda, fazse necessária à realização de prova pericial, pelo que indica o assistente da perícia e formula os quesitos. Ao final, requer a utilização de todos os meios de prova em direito admitidas e a concessão de prazo para que possa apresentar considerações sobre a documentação acostada pela Auditoria. A DRJ em Curitiba declarou procedente o lançamento, ver fls. 311/319. Eis a ementa do decisum: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 AIOP 37.194.8894 DECADÊNCIA. Observado já no na fase de lançamento que parte do período da obra já havia sido atingido pela decadência e tendo esse período nem sido considerado na apuração do débito, resta impertinente a impugnação que peticiona pelo reconhecimento de vedação à constituição do crédito que a Fiscalização já afastou na apuração do mesmo. ARBITRAMENTO. PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS EM FOLHA DE PAGAMENTOS, NA CONTABILIDADE OU NA GFIP Constatado pela Fiscalização que a contabilidade, as Folhas de Pagamentos e as Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP apresentadas pela empresa não refletem o movimento real das remunerações pagas a segurados Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003602/200980 Acórdão n.º 240101.765 S2C4T1 Fl. 346 5 a serviço da empresa, é cabível a apuração da base de cálculo das contribuições devidas por meio de aferição indireta. MULTA. INAPLICABILIDADE ANTE A AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO A constatação da existência de crédito tributário devido e não recolhido pelo sujeito passivo configura ilícito tributário que sujeita o infrator à aplicação de multa pecuniária nos termos da legislação de regência. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO PAGAMENTO A apuração da aplicabilidade da regra do artigo 106, II, c do CTN às multas de que trata a lei 8.212/91 só pode ser feita no momento do efetivo pagamento dos tributos exigidos. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. MEIOS DE PROVA. Todos os meios de prova admitidos em direito são cabíveis e aceitáveis no Processo Administrativo Fiscal, havendo apenas que se observar as regras do Decreto n° 70.235, de 1972 quanto ao momento de sua apresentação ou formalidade para sua produção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu recurso, fls. 324/341,o sujeito passivo alega, em apertada síntese, que: a) embora a apuração do crédito tenha se dado por arbitramento, o Fisco não conseguiu demonstrar qualquer irregularidade que justificasse o procedimento; b) não ficou demonstrada de forma robusta a existência dos fatos geradores supostamente não contabilizados, nem declarados em GFIP; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 c) inexiste espaço para aplicação de multa, haja vista que não se detectou irregularidade que pudesse dar azo à sanção; d) mesmo que se pudesse aplicála, a multa não pode ultrapassar o patamar de vinte por cento, sob pena de se afrontar a Constituição Federal; e) são inconstitucionais a aplicação de multa progressiva e da taxa SELIC; f) devem ser aproveitados na apuração do crédito os recolhimentos efetuados; g) o ônus de provar a existência do crédito é do Fisco, não se podendo inverter esse encargo em desfavor do contribuinte; h) a prova pericial se faz necessária no caso em tela para que se investigue sobre os critérios e de arbitramento e se faça uma análise contábil mais acurada; i) também se deve proporcionar maior lapso temporal para que a empresa possa analisar com esteio na contabilidade as irregularidades apontadas pela Auditoria; Ao final requer a extinção do lançamento. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003602/200980 Acórdão n.º 240101.765 S2C4T1 Fl. 347 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do arbitramento Passo agora a análise da alegação relativa ao descabimento da aplicação do método aferição indireta para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal, por arbítrio e abuso de discricionariedade. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que Fisco solicitou a documentação relativa às folhas de pagamento não contabilizadas da obra de construção civil especificada no Relatório Fiscal, não tendo a empresa as disponibilizado. Vêse que para as competências lançadas havia folhas não contabilizadas, chamadas pela Auditoria de “Folhas (2)”, o que pode ser comprovado pela existência de recibos parciais, assim, ao deixar de exibilas o sujeito passivo abriu ao fisco a possibilidade de aferir indiretamente as remunerações dos empregados, conforme possibilita a legislação acima citada. Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que havia remunerações lançadas em folhas não contabilizadas que a empresa deixou de apresentar, impossibilitando o Fisco de verificar diretamente o montante desses pagamentos. Assim, entendo que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração contidas nas folhas de pagamento não contabilizadas, acertando o Fisco quando fixou a base de cálculo pelo método do Custo Unitário Básico – CUB. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório da NFLD, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. Da não comprovação da ocorrência dos fatos geradores e da inversão do ônus da prova A Auditoria colacionou farta documentação, fls. 114/266, que engloba folhas de pagamento, recibos de salário, rescisões, demonstrativos contábeis e outros. Tal providência atesta a preocupação da Autoridade Fiscal de trazer ao processo todos os elementos que serviram de base para sua apuração. Nesse sentido, não vejo como acolher a alegação da recorrente de que não teria o Fisco demonstrado a contento a ocorrência dos fatos geradores. Ainda mais quando se percebe que o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse vir em socorro de suas ponderações, mantendose no campo das argumentações desprovidas de elementos comprobatórios. Outro aspecto do recurso que tem vinculação com o anteriormente apontado diz respeito ao argumento de que não seria lícito ao Fisco impor ao sujeito passivo a inversão do onus probandi. Devo repelir essa tese. Quando os contribuintes deixam de atender as solicitações documentais da Fiscalização, duas são as sanções aplicáveis: a) a aplicação de multa por descumprimento do dever instrumental de apresentar a documentação e b) a apuração do tributo por arbitramento, cabendo ao contribuinte fazer prova em contrário. Nesse sentido, a inversão do onus probandi foi consequência da falta de exibição dos elementos solicitados pela Auditoria. Da multa e dos juros aplicados Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003602/200980 Acórdão n.º 240101.765 S2C4T1 Fl. 348 9 Para análise do argumento relativo à incorreta aplicação da penalidade é de se fazer uma retrospectiva dos dispositivos legais que tratam da questão. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19963 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. 3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 Considerando a ocorrência da infração relativa a falta de declaração de fatos geradores em GFIP cumulada com a falta de recolhimento do tributo, a Auditoria procedeu à comparação entre a multa aplicada com base na legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores com aquela decorrente da novel legislação. Tal comparativo restou apresentado no demonstrativo de fls. 168 e seguintes, no qual se evidencia qual dos dispositivos legais conduziria a uma multa mais benéfica. Nesse, sentido, descabe o argumento de que o Fisco não teria observado a alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, por ter deixado de aplicar a multa mais branda. Quanto ao caráter confiscatório da multa e da inconstitucionalidade da taxa SELIC, para enfrentar essas questões é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003602/200980 Acórdão n.º 240101.765 S2C4T1 Fl. 349 11 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa. Dito isso, sintome à vontade para concluir que não devem ser acatados os pedidos de redução da multa aplicada, bem como exclusão da taxa SELIC do lançamento. Da compensação dos créditos do contribuinte Embora alegue o Fisco deixou de compensar na apuração do crédito recolhimentos que houvera efetuado, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação do fato. Digo mais, a Auditoria foi enfática em seu pronunciamento ao afirmar que a empresa não houvera no transcurso da ação fiscal apresentado quaisquer guias de pagamento relativas às contribuições lançadas. Verifico ainda que os recolhimentos efetuados estão consignados no demonstrativo denominado “Apuração da Área Regularizada pela Remuneração contida em GFIP/GPS”, fls. 118/119. Diante disso, não vejo como acatar o pedido de compensação formulado no recurso. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Realização de análise contábil Requer o contribuinte que lhe seja concedido prazo para a realização de análise contábil acerca das afirmações do Fisco. Não vejo como acolher esse o pleito. 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 A fiscalização teve como base os documentos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, que teve todo o prazo de defesa para detectar qualquer incorreção no trabalho de apuração fiscal. Todavia, nada foi apresentado naquela fase processual. Sobre esse tema, o Decreto n. 70.235/1972 determina que os inconformismos do contribuinte contra a exigência fiscal devem ser apresentados por ocasião da impugnação, junto a qual também serão juntados os elementos de prova. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Em obediência a esse comando, deveria o sujeito passivo ter exposto na sua impugnação as possíveis falhas detectadas na apuração fiscal, todavia, não foi adotada a providência. Vejo que agora também no recurso nada é apresentado de concreto, reprisandose a alegação da defesa, portanto, também afasto esse pedido, por entender que o momento processual já não mais permite a juntada de análise contábil ou de qualquer outro documento que não se enquadre nas hipóteses do § 4. do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972. Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 13005.001859/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/08/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP). NÃO ELABORAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO.
A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico previdenciário abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal.
O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR).
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade em decorrência de uma suposta presunção dos valores lançados no Auto de Infração.
VÍCIOS NO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que as peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
O lançamento foi efetuado em 24/12/2007, data da ciência do sujeito passivo (fl. 160), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, ocorreram no período compreendido entre 02/1997 a 08/2006, com isso, as competências posteriores a 12/2001 não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em rejeitar a
preliminar de nulidade em decorrência de irregularidades no mandado de procedimento fiscal, vencidos os conselheiros Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votaram por converter o julgamento em diligência. Por unanimidade de votos rejeitar as demais preliminares e negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO (PPP). NÃO ELABORAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico previdenciário abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade em decorrência de uma suposta presunção dos valores lançados no Auto de Infração. VÍCIOS NO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que as peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 2 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. O lançamento foi efetuado em 24/12/2007, data da ciência do sujeito passivo (fl. 160), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, ocorreram no período compreendido entre 02/1997 a 08/2006, com isso, as competências posteriores a 12/2001 não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em rejeitar a preliminar de nulidade em decorrência de irregularidades no mandado de procedimento fiscal, vencidos os conselheiros Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votaram por converter o julgamento em diligência. Por unanimidade de votos rejeitar as demais preliminares e negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Leôncio Nobre de Medeiros e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001859/200712 Acórdão n.º 2402001.751 S2C4T2 Fl. 240 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 58, § 4°, da Lei 8.213/1991 – redação dada pela Medida Provisória (MP) no 1.523/1996, reeditada até a conversão na Lei no 9.528, de 10.12.97, parágrafo 6o, acrescentado pela Lei no 9.732, de 11.12.98 e na Lei no 8.212/1991, art. 32, inciso III, combinados com o art. 68, parágrafos 6o, 8o, 9o e 10o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999 –, que consiste em deixar a empresa e a cooperativa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho ou do desligamento do cooperado, cópia autêntica deste documento. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), a empresa não apresentou à fiscalização – quando da imposição da prática do ato consubstanciado no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), de 25/11/2004 (fl. 120) e do TIAD de 06/12/2006 (f1.131) prorrogado, a pedido da empresa até 09/01/2007 –, os Formulários DIRBEN 8030, os perfis profissiográficos ou os perfis profissiográficos previdenciários, conforme a vigência de cada documento. Esse Relatório Fiscal registra que a empresa apresentou os Laudos Técnicos de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), elaborados em 01/2003 e 01/2004, juntamente com cópia de 10 (dez) Perfis Profissiográficos Previdenciários (PPP) e respectivos comprovantes de entrega de cópias aos segurados empregados. O LTCAT elaborado pela empresa CONSETRA – Cons. em Seg. do Trabalho Ltda., sob a responsabilidade técnica do Dr. Rogério Luiz Balbinot (Engenheiro de Segurança do Trabalho – CREA 53.399D/RS), que aponta conclusivamente, no item “4.4.1” (página 15 do LTCAT – cópia à fl. 24 dos autos), a ocorrência de exposição ao agente MICROORGANISMOS E PARASITAS INFECCIOSOS (GRUPOS BIOLÓGICOS), para o cargo “GARI”, que exercem a atividade no setor Usina de Triagem, nos seguintes termos: “Há ocorrência do Agente e a exposição qualitativa o caracteriza como Agente Nocivo. Inexiste aplicação efetiva de Equipamento de Proteção Individual (EPI) que neutralize ou atenue os efeitos da nocividade do agente. CÓDIGO DE GFIP 4 (QUATRO)”. Esclarece também que, questionado ao Sr. Geferson Paulo Tolotti, sócio gerente da empresa, se aqueles 10 (dez) eram os únicos PPP, este respondeu que por ora era só e que para os demais empregados, estariam sendo confeccionados. Que, com a renovação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que alterou o período da ação fiscal estendendoa até 08/2006, emitiu novo TIAD, em 06/12/2006, renovando a solicitação de tais documentos com prazo de cumprimento até 18/12/2006. Vencido o prazo sem a apresentação dos referidos documentos, a empresa solicitou a concessão de mais (20) vinte dias de prazo, no que foi atendida, prorrogando o prazo até 09/01/2007. Que na nova data, a empresa apresentou correspondência assinada pela gerência onde apontava como anexos os referidos documentos. Todavia, conferindo a documentação percebeu que não foram apresentados os Formulários DIRBEN 8030, Perfis Profissiográficos e Perfis Profissiográficos Previdenciários (PPP), razão pela qual firmou protocolo de recebimento na própria Fl. 257DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 4 correspondência da empresa com ressalva (tanto na via do fisco como na da empresa) de que os referidos documentos não haviam sido apresentados (fl. 153). O auditor salienta ainda, que, em 09/01/2007, foi apresentado o Programa de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho – incluindo o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) –, elaborado, em 02/05/2006, pela empresa Anus Medicina e Segurança do Trabalho Ltda. (cópias anexas, às fls. 49/103), portanto, não produzindo efeitos quanto aos PPP ou documentos equivalentes que deveriam ser elaborados até aquela data com base no LTCAT anterior. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 07) informa que foi aplicada a multa no valor de R$ 125.488,65 (cento e vinte e cinco mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e sessenta e cinco centavos), fundamentada nos art. 92 e 102, da Lei n° 8.212/1991, combinados com o art. 283, inciso I, alínea “h”, e art. 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, e considerando ainda a atualização dos valores estipulados na Portaria MPS no 142, de 11/04/2007, conforme memória de cálculo demonstrada na “Planilha 4” (fls. 08 a 11). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/12/2007 (fls.01 e 160), por meio de correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 162 a 183) – acompanhada de anexos de fls. 184 a 195 –, alegando, em síntese, que: 1. o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não atendeu ao pressuposto de existência válido da ação fiscal e há irregularidades do Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF) n° 09200825 (04/11/2004), tais situações conduzem à sua nulidade. Este último com subtítulo Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), expedido quando o Mandado Originário já havia expirado, tece extenso arrazoado para concluir que a atividade administrativa está jungida ao princípio da vinculação do ato, impondo aos agentes o rigoroso cumprimento das prescrições legais sob pena de nulidade. Que se o sujeito passivo não é cientificado, por meio de MPF, da ação fiscal que dá suporte ao lançamento, este não pode persistir. Que o servidor responsável pela execução do MPF deixou de realizar as prorrogações dentro do prazo legal e que uma vez expirado o MPF deverá ser expedido novo Mandado, devendo ser designado outro servidor, não podendo ser o mesmo responsável pela execução do MPF extinto (que, no caso, praticou atos desprovido de competência concreta); 2. a impugnante também alega que todos os fatos geradores anteriores a dezembro de 2002 estão acobertados pela decadência do direito de constituir a obrigação principal o que sepulta, também, a possibilidade da constituição do crédito em relação à penalidade (multa) e tece considerações sobre o art. 173, I do CTN; 3. no mérito, a empresa tece considerações sobre a aposentadoria especial e sobre o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) para concluir que: (i) por conter a presença de agentes biológicos está obrigada à elaboração do PPP independentemente do uso de Fl. 258DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001859/200712 Acórdão n.º 2402001.751 S2C4T2 Fl. 241 5 Equipamento de Proteção Individual (EPI), porém isso não significa que seja obrigada a recolher a alíquota adicional do RAT, pois esta só é devida em caso de efetivo contato com agente nocivo; (ii) nos autos do processo administrativo estão juntados 03 (três) laudos onde um indica que “inexiste aplicação efetiva de Equipamento de Proteção Individual (EPI) que neutralize ou atenue os efeitos da nocividade do agente”, porém os demais laudos indicam que o uso de EPI elimina o contato com os agentes; e (iii) que a multa é pela infração e não por empregado, e assim sendo, a empresa foi prejudicada no sentido de que o auditor autuante multiplicou o valor da multa pelo número de funcionários, sendo que a infração cometida foi somente uma; 4. requer seja reconhecida a nulidade do Procedimento Administrativo Fiscal tendo em conta as prorrogações fora do prazo e a ausência de prorrogação até 21/12/2007, fato que culminou com a lavratura do presente auto por servidor que não dispõe de competência concreta para tanto; ou a prescrição do crédito tributário constituído, em relação às competências e/ou infrações cometidas anteriormente a 31/12/2002, declarando, em qualquer das situações prejudiciais narradas, inexigível o respectivo crédito tributário constituído. Que, acaso este não seja o entendimento, requer seja reconhecida a insubsistência do crédito tributário constituído, considerando que a multa aplicada carece de previsão legal, o que conduz a nulidade à nulidade da presente peça fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Santa MariaRS – por meio do Acórdão 1809.327 da 4a Turma da DRJ/STM (fls. 197 a 208) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, alterando o valor da multa aplicada para R$ 57.366,24 (cinqüenta e sete mil, trezentos e sessenta e seis reais e vinte e quatro centavos) em atendimento aos seguintes itens: (a) excluir o valor das multas aplicadas nas competências anteriores a novembro/2001 em atendimento a Súmula Vinculante n° 8; (b) alterar o valor da multas aplicadas nas competências dezembro/2002 até março/2004, para R$ 13.146,43 (treze mil e cento e quarenta e seis reais c quarenta c três centavos); e (c) manter o valor das multas aplicadas a partir de 01/04/2004 no valor de R$ 44.219,81 (quarenta e quatro mil e duzentos e dezenove reais e oitenta c um centavos). A Notificada apresentou recurso (fls. 211 a 223), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (SACAT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do SulRS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fls. 233 e 234). É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Sendo tempestivo (fls. 234), CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DAS PRELIMINARES: Inicialmente, cumprenos avaliar as nulidades argüidas pela Recorrente no que diz respeito a falta de cobertura do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) durante a realização do procedimento de auditoria fiscal. Entendo que, no âmbito da fiscalização Previdenciária, o MPF foi criado no intuito de legitimar o procedimento fiscal. Além disso, MPF válido para fins de autuação é aquele em que o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). Esclarecemos ainda que a legislação tributária dispõe que, na instauração de procedimento fiscal, é obrigatória a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos termos do art. 2o do Decreto n° 3.969/2001 – diploma que estabeleceu as normas gerais para a execução de ações fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários –, in verbis: Art. 2° Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por Auditores Fiscais da Previdência Social habilitados e instaurados mediante ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (redação dada pelo Decreto n° 4.058/01). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3° Para os fins deste Decreto, entendese por procedimento fiscal: I – de fiscalização, as ações que objetivam a verificação cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciário.s, podendo resultar em constituição de crédito tributário; (...) Art. 4o O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pelos órgãos competentes, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001859/200712 Acórdão n.º 2402001.751 S2C4T2 Fl. 242 7 Art. 10. As alterações no MPF, decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão e servidor responsável pela sua execução, bem assim as relativas a tributos a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), pela autoridade outorgante do MPF originário, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata a art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante tantas vezes quantas necessárias, observados a cada ato, os limites estabelecidos naquele artigo. Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPF – C. Art. 15. O MPF se extingue: I – pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II – pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados; podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF é a ordem específica dirigida ao auditor fiscal para que, no uso de suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais, assim conceituados como ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, podendo, dessas ações, resultar a constituição do crédito previdenciário. Devidamente instaurado o procedimento fiscal, o MPF terá validade até o final do prazo por ele estabelecido ou na data em que houver conclusão do procedimento fiscal, registrado por meio do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), conforme disposto no artigo 15 do Decreto n° 3.969/2001. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão de MPFC (art. 13, parágrafo único, do Decreto n° 3.969/2001). Ambos acima transcritos. Verificase que o procedimento fiscal foi iniciado regularmente com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) n° 09200825 (fl. 104), emitido em 04/11/2004, e sua ciência ocorreu em 25/11/2004, sendo que o mesmo tinha prazo de execução até 04/03/2005. Posteriormente, conforme ficou registrado na decisão de primeira instância de fls. 197 a 208, foram emitidos regularmente os Mandados de Procedimento Fiscal Complementares (MPFC), quais sejam: MPFC 01, emitido em 30/11/2004 para ser executado até 04/03/2005; MPFC 02 emitido em 03/03/2005 para ser executado até 01/07/2005; MPFC 03 emitido em 01/07/2005 para ser executado até 29/10/2005; MPFC 04 emitido em 27/10/2005 para ser executado até 26/12/2005; MPFC 05 emitido em 23/12/2005 para ser executado até 21/02/2006; MPFC 06 emitido em 21/02/2006 para ser executado até 22/04/2006; MPFC 07 emitido em 20/04/2006 para ser executado até 19/06/2006; MPFC 08 emitido em 19/06/2006 para ser executado até 18/08/2006; MPFC 09 emitido em 18/08/2006 Fl. 261DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 8 para ser executado até 17/10/2006; MPFC 10 emitido em 16/102006 para ser executado até 15/12/2006; MPFC 11 emitido em 13/12/2006 para ser executado até 11/02/2007; MPFC 12 emitido em 09/02/2007 para ser executado até 10/04/2007; e MPFC 13 emitido em 10/04/2007 para ser executado até 09/06/2007. Esses MPF C têm ciência do sócio gerente, antes do encerramento da ação fiscal, com exceção dos MPFC 11 no qual foi lavrado termo de que foi deixado com a contadora Sra. Jovaina Vieira de Souza Santos (nas dependências da empresa); MPFC 12 que foi enviado pelo Correio com Aviso de Recebimento (recebido em 16/02/2007) e MPFC 13 no qual foi lavrado termo de que o sócio administrador encontravase ausente e a contadora Sra. Jovaina Vieira de Souza Santos recusouse a assinar e que foi deixado cópia com a mesma. A empresa alega que não consta dos autos nenhum MPFC posterior ao MPFC 13, a fim de demonstrar a continuação (prorrogação) da ação fiscal. Contudo, há que se esclarecer que em 02/05/2007 entrou em vigor o Decreto n° 6.104/2007, que revogou o Decreto n° 3.969/2001, transcrito acima, e alterou a sistemática de emissão dos MPF Complementares, a saber: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 4o O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. E, na mesma data, em 02/05/2007, o Secretário da Receita Federal do Brasil, disciplinou a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Portaria RFB n° 4.066, a saber: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1o A prorrogação de que trata o Caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet nos termos do art. 72, inciso VIII. § 2o Na hipótese do § 1o, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, Fl. 262DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001859/200712 Acórdão n.º 2402001.751 S2C4T2 Fl. 243 9 reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Dessa forma o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF – Auditoria Previdenciária, cópia anexa à fl. 119 dos autos, nos informa da prorrogação do MPF de 09/06/2007 com validade até 08/08/2007; de 08/08/2007 até 07/10/2007; de 07/10/2007 até 06/12/2007 e de 06/12/2007 até 21/12/2007. Às fls. 158/159, consta o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), datado de 18/12/2007, o qual foi postado no Correio, juntamente com as notificações e autos de infrações lavrados contra a empresa, em 21/12/2007, conforme correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR) anexo à fl. 160. Fica comprovado que em nenhum momento houve a extinção de qualquer MPF emitido, portanto, se todos os atos foram praticados dentro dos prazos de validade dos Mandados de Procedimento Fiscal, como restou demonstrado, não há que se falar em nulidade do lançamento ou do procedimento administrativo fiscal, que está correto, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à alegação da não emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (MPFEx), cabe mencionar que os mesmos devem ser emitidos para o contribuinte/responsável em que for instaurado o procedimento fiscal necessário para a coleta de informações e de documentos que servirão para subsidiar ação fiscal em outro sujeito passivo. Assim, a emissão dos MPF (Extensivos ou de Diligência) deuse para cada empresa que ocorreram as diligências e, por consequência, a Cone Sul não teria motivo para receber qualquer MPFEx uma vez que para ela já havia MPFFiscalização e MPFComplementares perfeitamente válidos, como já citado anteriormente. Frisase ainda que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do início do procedimento fiscal, e durante o desenrolar do procedimento, e ainda que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF, lavrado quando do término da auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento. O manual do contencioso, aprovado pela OI nº 04, de 25/03/2004, dispõe na letra “c” do item 9.5.5 – VÍCIOS PROCESSUAIS COM RELAÇÃO AO MPF: O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original – embora o art. 15 do Decreto 3.696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Dessa forma, havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento.” (grifo nosso) Fl. 263DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 10 Face ao exposto, entendo que não existe qualquer nulidade quanto a emissão dos MPFComplementares. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento fiscal, em decorrência de uma suposta presunção na aplicação da multa lançada no auto de infração (AI), tal argumentação não merece ser acatada, uma vez que os valores lançados nesse auto de infração decorrem do descumprimento de obrigação tributária acessória. Esta originouse da hipótese fática no momento em que a Recorrente deixou de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico previdenciário (PPP) abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho ou do desligamento do cooperado, cópia autêntica deste documento. Isso enseja a aplicação da multa prevista nos artigos 92 e 102, ambos da Lei no 8.212/1991, bem como nos artigos 283, incisos I, alínea “h”, e 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999, atualizada através da Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, conforme memória de cálculo demonstrada na “Planilha 4” (fls. 08 a 11). Além dos esclarecimentos constantes do Relatório Fiscal (fls. 06 a 08), verificase que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, constando de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em nulidade, pois estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 160) todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN, arts. 33 e 37, ambos da Lei n.° 8.212/1991, e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada e devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, o art. 142 do CTN e o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 dispõem, respectivamente: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 264DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001859/200712 Acórdão n.º 2402001.751 S2C4T2 Fl. 244 11 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Vêse que os valores do presente lançamento fiscal não foram constituídos com base em meras presunções, como quer fazer crer a Recorrente, mas sim nos dados e nas informações constantes no Relatório Fiscal com seus anexos (fls. 01 a 160). Com isso, essas alegações da Recorrente de nulidade do auto de infração (AI) são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade no lançamento fiscal ora analisado, e não serão acatadas. A constituição do auto de infração foi detalhadamente descrita, conforme documentos às fls. 01 a 160, fornecendo todos os fatos necessários para sua compreensão e análise. Por tudo isso, não há que se falar em vícios e nulidade do presente lançamento fiscal. A Recorrente alega também que seja declarada a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os supostos créditos levantados pela fiscalização foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência até a competência 12/2002 (dezembro/2002), nos termos do art. 150, parágrafo 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, constatase que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, a decadência deve ser verificada considerandose a recente Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.(g.n.;) Fl. 265DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 12 Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: Fl. 266DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001859/200712 Acórdão n.º 2402001.751 S2C4T2 Fl. 245 13 “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Assim – como a autuação se deu em 24/12/2007, data da ciência do sujeito passivo (fl. 147), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 02/1997 a 08/2006 –, percebese que a competência 12/2001 e demais competências posteriores não foram atingidas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, e, por consectário lógico, a decadência não atingiu totalmente o período abarcado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória. Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelas competências anteriores a 12/2001, pois o direito potestativo do Fisco – nas competências até 11/2001, inclusive, e competência 13/2001 – já estava extinto pelo instituto da decadência tributária. Esclarecemos que a competência 12/2001 não deve ser excluída do cálculo do lançamento fiscal ora analisado, porquanto a sua exigibilidade e a sua hipótese imponível (situação fática da hipótese de incidência da contribuição) somente ocorrerão a partir de 01/2002, com a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, quando poderia ter sido efetuado o lançamento fiscal. Posteriormente, a decisão de primeira instancia, veiculada por meio do Acórdão 1809.327 da 4a Turma da DRJ/STM (fls. 197 a 208), considerou as premissas acima delineadas nos seus argumentos e determinou a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Assim, não acato a preliminar de decadência tributária, eis que já houve a aplicação do enunciado no 08 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal na decisão de primeira instância. Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação também é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente deixou de elaborar e manter atualizado os formulários DIRBEN 8030, os perfis profissiográficos ou os perfis profissiográficos previdenciários (PPP), conforme a vigência de cada documento, abrangendo as atividades desenvolvidas pelos seus trabalhadores. Estes trabalhadores foram devidamente relacionados na “Planilha 4” – DEMONSTRATIVO SEGURADO EXPOSTO A FATORES DE RISCO AMBIENTAL DO TRABALHO SEM ELABORAÇÃO DO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO (fl. 08 a 11), em que está registrado o nome de 105 (cento e cinco) segurados empregados para os quais não foi elaborado o perfil profissiográfico, indicando a data de admissão e aplicando a multa de R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos) para cada perfil Fl. 267DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 14 profissiográfico não elaborado o que resultou no total de multa aplicada no valor de R$ 125.488,65 (cento e vinte e cinco mil e quatrocentos e oitenta e oito reais e sessenta e cinco centavos). Posteriormente, por meio da decisão de primeira instância – Acórdão 1809.327 da 4a Turma da DRJ/STM (fls. 197 a 208) –, esses valores foram regularmente corrigidos para R$ R$ 57.366,24 (cinquenta e sete mil, trezentos e sessenta e seis reais e vinte e quatro centavos). Esses formulários e documentos previdenciários foram devidamente solicitados por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), de 25/11/2004 (fl. 120), e do TIAD de 06/12/2006 (f1.131) prorrogado, a pedido da empresa até 09/01/2007. Com isso, a Recorrente descumpriu a obrigação tributária acessória prevista art. 58, § 4o, da Lei n° 8.213/1991, combinados com o art. 68, parágrafos 6o e 8o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), transcritos abaixo: Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológico ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 1997) (...) § 4o A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (incluído pela Lei no 9.528, de 1997) Da Aposentadoria Especial (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999) Art. 68. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV. (...) § 6o A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico previdenciário, abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho ou do desligamento do cooperado, cópia autêntica deste documento, sob pena da multa prevista no art. 283. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9/06/2003) (...) § 8º Considerase perfil profissiográfico previdenciário, para os efeitos do § 6º, o documento históricolaboral do trabalhador, segundo modelo instituído pelo Instituto Nacional do Seguro Social, que, entre outras informações, deve conter registros ambientais, resultados de monitoração biológica e dados administrativos. (Parágrafo acrescentado pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) Fl. 268DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001859/200712 Acórdão n.º 2402001.751 S2C4T2 Fl. 246 15 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente – ao deixar de elaborar e manter atualizado os formulários DIRBEN 8030, os perfis profissiográficos ou os perfis profissiográficos previdenciários (PPP), conforme a vigência de cada documento, abrangendo as atividades desenvolvidas pelos seus trabalhadores, nos termos do art. 58, § 4o, da Lei n° 8.213/1991 –, incorreu na multa prevista no art. 283, inciso I, alínea “h”, e art. 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) h) deixar a empresa de elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e de fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento; e (Incluída pelo Decreto nº 4.862 de 21/10/2003 DOU DE 22/10/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Esclarecemos ainda que a decisão de primeira instância abordou de forma suficiente todas as argumentações de mérito registradas na peça recursal de fls. 211 a 223, nos seguintes termos: “Definir se a infração é considerada por ocorrência ou por infração, salvo raras exceções, não era atribuição rotineira das leis e regulamentos, os atos normativos é que detinham a responsabilidade de explicar literalmente quais infrações deveriam ser consideradas por ocorrência. A Ordem se Serviço INSS/DAF n° 214, de 10/06/1999, determinava: Fl. 269DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 16 4 – Em regra, na mesma ação fiscal, será lavrado apenas um Auto de Infração por tipo de infração. 4.1 – Nos casos abaixo, as ocorrências verificadas em cada tipo de infração deverão ser relacionadas, individualmente, no campo “Relatório Fiscal da Infração”: (...) g) GFIP e/ou GRFP entregue com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a partir da competência janeiro de 1999; (...) 4.1.2 – No caso das alíneas “d”, “e”, “f” e “g”, cada competência em que tenha ocorrido o descumprimento da obrigação corresponde a uma ocorrência, independentemente do número de documentos. Somente a partir da Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18/12/2003 é que o PPP veio a ser explicitamente considerado como infração por ocorrência, in verbis: Art. 674. Nas infrações abaixo, cada situação descrita configura uma ocorrência: (...) II – perfil profissiográfico previdenciário (PPP) não emitido para trabalhador exposto a agentes nocivos ou a não entrega deste documento ao trabalhador, quando da rescisão do contrato de trabalho; A Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14/07/2005, manteve a mesma determinação, a saber: Art. 646. Nas situações abaixo, configura uma ocorrência: I – (...) II cada perfil profissiografico previdenciário PPP não emitido para trabalhador exposto aos agentes nocivos, ou não atualizado, ou a não entrega deste documento ao trabalhador, quando da rescisão do contrato de trabalho e da desfiliação da cooperativa, sindicato ou OGMO, conforme o caso; Parágrafo único. O termo ocorrência citado no caput significa infrações isoladas que, por economia processual, integrarão um único Auto de Infração, porém individualizadas no relatório fiscal. Desse modo, a melhor interpretação que se pode fazer dos atos normativos em consonância com o preceituado pelo Código Tributário Nacional – CTN em seu art. 112 é de que a aplicação da penalidade por infração relacionada ao PPP só pode ser quantificada por ocorrência a partir da vigência da IN/INSS/DC n° 100/2003, portanto, a partir de 01/04/2004. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001859/200712 Acórdão n.º 2402001.751 S2C4T2 Fl. 247 17 Com a publicação do Decreto ri° 4.862, de 21/10/2003, a multa passou a ser aplicada a partir do valor mínimo e não mais do valor máximo, por alteração do Regulamento da Previdência Social – RPS que incluiu a penalidade da infração do PPP acrescentando a alínea “h” no inciso I do art. 283 deste. Este fato, por imposição do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, nos obriga a retroagir este valor de multa mesmo às infrações cometidas antes da publicação do Decreto n° 4.862/2003. Cabe destacar que pouco importa o fato da alínea da penalidade inscrita no inciso II ter sido revogada somente a posteriori, com a publicação do Decreto n° 4.882, de 18/11/2003, a redução da penalidade aplicada vigerá desde a publicação do Decreto n° 4.862/2003 e com força retroativa. Analisando a planilha anexa, às fls. 08/11, verificamos que para as competências dezembro/2001, março e abril/2003, julho/2003, setembro a dezembro/2003 e janeiro a março/2004 a multa a ser aplicada é de R$ 1.195,13 (um mil e cento e noventa e cinco reais e treze centavos) por competência em que tenha ocorrido o descumprimento da obrigação, independentemente do número de documentos não entregues. Assim, essas 11 (onze) competências totalizam R$ 13.146,43 (treze mil e cento e quarenta e seis reais e quarenta e três centavos). A partir de 01/04/2004, a multa a ser aplicada é de R$ 1.195,13 (um mil e cento e noventa e cinco reais e treze centavos) por perfil profissiográfico previdenciário PPP não emitido para trabalhador exposto aos agentes nocivos, ou não atualizado; resultando em 37 (trinta e sete) PPP não elaborados, totalizando R$ 44.219,81 (quarenta e quatro mil e duzentos e dezenove reais e oitenta e um centavos). Exposto o anterior e considerando ainda que a autuada apesar de demonstrar pleno conhecimento da obrigatoriedade de elaborar os perfis profissiográficos, não trouxe aos autos prova documental de ter sanado a falta, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE a presente autuação, alterando o valor da multa aplicada para R$ 57.366,24 (cinqüenta e sete mil e trezentos e sessenta e seis reais e vinte e quatro centavos) em atendimento aos seguintes itens: a) excluir o valor das multas aplicadas nas competências anteriores a novembro/2001 em atendimento a Súmula Vinculante n° 8; b) alterar o valor da multas aplicadas nas competências dezembro/2002 até março/2004, para R$ 13.146,43 (treze mil e cento e quarenta e seis reais e quarenta e três centavos); c) manter o valor das multas aplicadas a partir de 01/04/2004 no valor de R$ 44.219,81 (quarenta e quatro mil e duzentos e dezenove reais e oitenta e um centavos).” (Decisão de primeira instância: Acórdão 1809.327 da 4a Turma da DRJ/STM, fls. 197 a 208) Fl. 271DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 18 Logo, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar as preliminares, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001301/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Data do Fato Gerador: 23/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA LANÇAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
A regra do artigo 2°, inciso IV, do Anexo II, do RICARF, somente é aplicável quando o lançamento de imposto de renda retido na fonte, entre outros, estiver baseado em fatos que serviram para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, situação não verificada no caso em apreço, inclusive porque as ações fiscais ocorreram em momentos
distintos. Pelo entendimento do Colegiado, os fatos suscitados pela Fazenda Nacional são autônomos e independentes e, por força do artigo 3°, inciso II, do Anexo II, do RICARF, a competência para apreciação da matéria é desta Segunda Seção.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A RESIDENTE NO EXTERIOR. ARTIFICIALIDADE DO CUSTO DE AQUISIÇÃO APRESENTADO. UTILIZAÇÃO DOS VALORES DE INVESTIMENTO REGISTRADOS NO BANCO CENTRAL DO BRASIL.
Comprovado nos autos que o custo de aquisição apresentado decorreu de organização societária artificial, efetivada com o objetivo de acobertar o ganho de capital decorrente de venda de participação societária, correta a utilização, como custo de aquisição, dos valores em moeda estrangeira registrados no Banco Central do Brasil pela vendedora, a título de investimento e reinvestimento, referentes ao capital estrangeiro, que
corresponde ao valor efetivamente aplicado no país.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2101-001.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a
preliminar de incompetência da Segunda Seção, suscitada pela PFN em sede de sustentação oral. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Célia Maria de Souza Murphy. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gonçalo Bonet
Allage (relator), Alexandre Naoki Nishioka e Gilvanci Antonio de Oliveira Souza. Designado o Conselheiro José Evande Carvalho Araújo para redator do voto vencedor.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Recorrida 2ª TURMA/DRJBRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do Fato Gerador: 23/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA LANÇAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A regra do artigo 2°, inciso IV, do Anexo II, do RICARF, somente é aplicável quando o lançamento de imposto de renda retido na fonte, entre outros, estiver baseado em fatos que serviram para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, situação não verificada no caso em apreço, inclusive porque as ações fiscais ocorreram em momentos distintos. Pelo entendimento do Colegiado, os fatos suscitados pela Fazenda Nacional são autônomos e independentes e, por força do artigo 3°, inciso II, do Anexo II, do RICARF, a competência para apreciação da matéria é desta Segunda Seção. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A RESIDENTE NO EXTERIOR. ARTIFICIALIDADE DO CUSTO DE AQUISIÇÃO APRESENTADO. UTILIZAÇÃO DOS VALORES DE INVESTIMENTO REGISTRADOS NO BANCO CENTRAL DO BRASIL. Comprovado nos autos que o custo de aquisição apresentado decorreu de organização societária artificial, efetivada com o objetivo de acobertar o ganho de capital decorrente de venda de participação societária, correta a utilização, como custo de aquisição, dos valores em moeda estrangeira registrados no Banco Central do Brasil pela vendedora, a título de investimento e reinvestimento, referentes ao capital estrangeiro, que corresponde ao valor efetivamente aplicado no país. Recurso voluntário negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 754 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de incompetência da Segunda Seção, suscitada pela PFN em sede de sustentação oral. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos e Célia Maria de Souza Murphy. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gonçalo Bonet Allage (relator), Alexandre Naoki Nishioka e Gilvanci Antonio de Oliveira Souza. Designado o Conselheiro José Evande Carvalho Araújo para redator do voto vencedor. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente – Substituto (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator (Assinado digitalmente) José Evande Carvalho de Araújo (Assinado digitalmente) Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em face de Kinross Participações Ltda., CNPJ n° 29.398.922/000180, foi lavrado o auto de infração de fls. 577581 (Volume III), para a exigência de imposto de renda na fonte incidente sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, com fato gerador ocorrido em 23/12/2004, no valor de R$ 86.788.598,91, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora calculados até 30/11/2007, totalizando um crédito tributário de R$ 188.418.048,23. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase detalhado no Termo de Verificação Fiscal e Anexos de fls. 583598 (Volume III), de onde extraio as seguintes assertivas: Na execução dos trabalhos de fiscalização constatamos que o contribuinte adquiriu 100% das ações da empresa Morro de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 755 3 Ouro Investimentos S/A, que era de propriedade do Grupo Rio Tinto (investidor estrangeiro). O envio de recursos ao exterior decorrente desta operação foi objeto de fiscalização pelo Banco Central do Brasil através do PT 0501317741. (...) No dia 01/11/2007 o contribuinte apresentou o solicitado (fls. 505 a 572) e nos informou que "não houve ganho de capital na aquisição das ações da Morro de Ouro Investimentos S/A, posto que o valor de venda das ações foi inferior ao valor do Capital Social da sociedade." Ressaltese que embora a empresa fiscalizada afirme que não houve ganho de capital ela acordou com a vendedora das ações (Grupo Rio Tinto) uma indenização no valor de até US$ 37,5 milhões mais juros e multa, caso as autoridades fiscais brasileiras a autuassem (fls. 293, 294, 418 verso e 421). A legislação tributária brasileira, abaixo citada, estabelece que o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias corresponderá à diferença positiva, apurada em moeda estrangeira, entre o valor de alienação e o custo de aquisição da participação societária. Considerase como custo de aquisição os valores em moeda estrangeira registrados no Banco Central do Brasil, a título de investimento e reinvestimento, referentes ao capital estrangeiro (investimento externo direto). (...) De acordo com os contratos de câmbio apresentados pelo contribuinte (fls. 218 a 227) o valor da alienação foi de US$ 249.552.220,00. O custo de aquisição referente à empresa Morro de Ouro Investimentos S/A, na data da operação, correspondia a US$ 35.726.631,69. Obtivemos este valor a partir das informações do RDEIED IA 043224 (fls.021, 022 e 528), procedendo a devida conversão das moedas franco suíço (fls. 573), libra esterlina (fls. 574) e euro (fls. 575) para dólar dos EUA. Efetuamos o lançamento do principal no valor de R$ 86.788.598,91, que corresponde ao valor de alienação (em moeda estrangeira) menos o custo de aquisição (em moeda estrangeira), convertendose o saldo (base de cálculo) para reais através da taxa de câmbio (2,7059) divulgada pelo Banco Central (fls. 576) para compra no dia 23/12/2004 (data do fato gerador). A demonstração dos cálculos consta à folha 597/598. Elaboramos o anexo a este Termo de Verificação Fiscal (fls. 591 a 596) descrevendo o histórico das operações de reorganização societária promovidas pelo Grupo Rio Tinto e pela Kinross Participações Ltda (TVX). (...) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 756 4 Histórico das operações de reestruturações societárias promovidas pelo Grupo Rio Tinto e pela Kinross Participações Ltda (antiga TVX). Abaixo o significado de algumas referências feitas neste anexo: MOI: Morro de Ouro Investimentos S/A MOEM: Morro de Ouro Empreendimentos Minerais S/A RPM: Rio Paracatu Mineração S/A Kinross Participações Ltda: Novo nome da TVX Participações Ltda Rio Tinto Brasil: Empresa com domicílio no Brasil Rio Tinto: Empresas do grupo com domicílio no exterior 1) O controle da RPM estava dividido entre a Rio Tinto (51%) e a Kinross (TVX) 49% (fls.153). (...) 2) Em 15/10/2003 é constituída a MOEM com capital social de R$ 10.000,00 (fls.131 a 150). No Banco Central do Brasil é registrado integralização em moeda estrangeira no valor de US$ 1.431,45 (RDEIED IA 041071) e US$ 2.102,12 (RDEIED IA 041069), totalizando US$ 3.533,57 (fls. 017 e 030). (...) 3) No dia 10/12/2003 aumento de capital da MOEM de R$ 10.000,00 para R$ 64.525.693,21, integralizados com ações da RPM (fls. 151 a 170). No dia 11/12/2003 ocorre a transferência de registro de moeda estrangeira do RDEIED IA 041670 (Rio Tinto Brasil) para o RDEIED IA 041071 (MOEM), conforme abaixo (fls.014): (...) No dia 11/01/2004 os valores acima são transferidos para o RDEIED IA 042519 (MOEM). Neste mesmo dia é transferido do RDEIED IA 041069 (MOEM) para o RDEIED IA 042519 o valor de US$ 13.466.629,68 registrados no item investimentos (fls. 014 e 019). Com isso o saldo em moeda estrangeira do RDEIED IA 042519 passa a ser (fls. 020): (...) 4) No dia 22/04/2004 é constituída a MOI com capital social de R$ 10.000,00 (fls. 179 a 189). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 757 5 Em moeda estrangeira é registrado US$ 3.483,97 ( RDEIED IA 043224), fls.021. (...) 5) Em 29/11/2004 há o aumento de capital da MOI de R$ 10.000,00 para R$ 765.657.823,00 com ações da MOEM reavaliadas com base no valor de mercado da RPM (fls. 552 a 562). No mesmo dia os valores em moeda estrangeira registrados no RDEIED IA 042519 (MOEM) são transferidos para o RDEIED IA 043224 (MOI), fls. 020 e 022, ficando, este último, com o seguinte saldo (fls. 022): (...) 6) Em 23/12/2004 a Kinross (TVX) adquire as ações da MOI por US$ 249.552.220,00 (fls.268 a 480 e 218 a 227). Neste momento o saldo em moeda estrangeira, referente à MOI (RDEIED IA 043224), registrado no Banco Central correspondia ao seguinte (fls. 022): (...) 7) Em 31/12/2004 há o aumento de capital da MOI de R$ 765.687.823,00 para R$ 1.467.512.173,00, integralizado com ações da RPM reavaliadas (fls. 190 a 193). (...) 8) Em 31/12/2004 ocorre a incorporação da MOI e MOEM pela RPM e aumentase o capital da RPM de R$ 79.286.542,87 para R$ 548.681.171,92 (fls.203 a 217). Estes são os fatos que levaram à autuação. Há Representação Fiscal para Fins Penais (processo n° 14041.001305/2007 41). Apreciando a impugnação apresentada pelo sujeito passivo às fls. 607624, os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) consideraram procedente o auto de infração, através do acórdão n° 0324.412, que se encontra às fls. 703718 (Volume IV), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Fato Gerador: 23/12/2004 Ementa: ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA POR ESTRANGEIROS NÃO RESIDENTES. CAPITAL ESTRANGEIRO INVESTIMENTO EXTERNO DIRETO. INVESTIMENTO E REINVESTIMENTO REGISTRADO EM DÓLAR NO BANCO CENTRAL DO BRASIL. GANHO DE Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 758 6 CAPITAL NA ALIENAÇÃO. APURAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO EM DÓLAR. Aos não residentes no País aplicase, em regra, a mesma legislação do ganho de capital aplicável aos residentes na alienação de investimentos societários (art. 685, § 3° do RIR/99 e art. 18 da Lei 9.249/95). Isso significa que: para investimentos societários em Reais, a apuração do ganho de Capital é em Reais quando da alienação do investimento (venda); para investimentos diretos em Dólar registrados no Banco Central do Brasil (investimento e reinvestimento), quando da alienação a apuração do ganho de capital é em Dólar, mediante conversão da base de cálculo em Dólar para Reais pela taxa de câmbio da data do fato gerador (MP 2.15835/2001, art. 24, § 5°; IN SRF 118/2000, arts. 4° e 5°; e Portaria MF 550/94 (art. 2°). O ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias corresponderá à diferença positiva, apurada em moeda estrangeira, entre o valor de alienação e o custo de aquisição da participação societária. Considerase como custo de aquisição os valores em moeda estrangeira registrados no Banco Central do Brasil, a título de investimento e reinvestimento, referentes ao capital estrangeiro (investimento externo direto). ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO FEDERAL. FALTA DE COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não compete ao órgão de julgamento administrativo conhecer de pretensa ilegalidade e inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Pelo contrário, ao julgador administrativo compete, apenas, verificar se a lei e os atos normativos do Poder Público foram aplicados conforme foram editados, uma vez que são dotados de presunção de legitimidade, legalidade e constitucionalidade. O conhecimento e julgamento de eventual vício formal ou material de formação da legislação aplicada e em vigor na data do fato gerador do tributo ou contribuição compete, apenas, ao Poder Judiciário, o qual tem a última palavra em face do princípio da unidade de jurisdição. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA E PROTESTO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO REJEITADO. Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1° artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 759 7 Inconformada com a decisão de primeira instância, a autuada, devidamente representada, interpôs recurso voluntário às fls. 722744 (Volume IV), onde alegou, em apertada síntese, que: 1. Nos termos do artigo 18 da Lei n° 9.249/95 e do artigo 26 da Instrução Normativa SRF n° 208/02, o ganho de capital auferido por não residente ou domiciliado no exterior será: (i) apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País, ou seja, pessoas físicas domiciliadas no País; e (ii) o custo de aquisição deverá corresponder ao custo de aquisição efetivamente incorrido pelo vendedor; 2. Aceitar que o montante de moeda estrangeira registrado perante o Banco Central do Brasil prevaleça sobre o custo efetivamente incorrido pelo vendedor afronta a Constituição Federal, o Código Tributário Nacional e o artigo 18 da Lei n° 9.249/95; 3. Em um grande número de situações, existe efetivamente uma coincidência entre o custo de aquisição do investidor e o valor em moeda estrangeira registrado perante o Banco Central do Brasil. Tal hipótese ocorrerá sempre que o investimento tenha sido adquirido pelo investidor via subscrição de aumento de capital com recursos financeiros. Entretanto, quando o investidor não residente adquire seu investimento de outro investidor não residente, ou ainda, subscreve um aumento de capital em outra sociedade e integraliza tal aumento de capital mediante a transferência de um investimento anteriormente por ele possuído, passa a haver uma discrepância entre o custo de aquisição efetivamente incorrido pelo investidor e o montante registrado perante o Banco Central do Brasil como moeda estrangeira; 4. Acreditar que o montante cartorariamente registrado perante o Banco Central do Brasil deva prevalecer sobre o custo efetivamente incorrido pelo investidor, quando da aquisição do investimento, para fins de apuração do ganho de capital, fere frontalmente o art. 43 do Código Tributário Nacional, pois assim se tributa acréscimo patrimonial inexistente ou receita ficta, o que é inadmissível; 5. Os Vendedores eram anteriormente proprietários das ações da MOEM. Tal investimento estava devidamente registrado junto ao Banco Central do Brasil, sendo o montante de moeda estrangeira objeto do referido registro US$ 35.726,631.69. Em 29 de novembro de 2004, subscreveram um aumento de capital na MOI, o qual foi integralizado mediante a transferência da propriedade das ações da MOEM pelo valor de R$ 765.647.811,00. Considerando que o capital inicial da MOI era de R$ 10.000,00, o capital resultante após a subscrição e integralização de capital tornouse R$ 765.657.811,00. Este valor, nos termos do artigo 23 da Lei n° 9.249/95, tornouse o efetivo custo de aquisição da participação detida pelos Vendedores na MOI; 6. Entretanto, o montante em moeda estrangeira registrada perante o Banco Central do Brasil permaneceu inalterado, ou seja, os mesmos US$ 35.726.631,69. 7. O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 é importante porque, evidentemente, o valor pelo qual os bens ou direitos tenham sido transferidos para a pessoa jurídica, em processo de subscrição e integralização de capital, será considerado o custo de aquisição da participação societária recebida em substituição aos bens objeto da integralização; 8. Este princípio é confirmado pelo artigo 16 da Instrução Normativa SRF n° 84/01; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 760 8 9. Na hipótese, foi atribuído às ações da MOEM o valor de R$ 765.647.811,00 para fins de integralização do capital. Portanto, tal quantia deve ser agregada ao custo de aquisição dos Vendedores. Considerando que os mesmos já possuíam um investimento na MOI no valor de R$ 10.000,00, o custo de aquisição total da participação dos Vendedores na MOI tornouse R$ 765.657.811,00; 10. No Processo de Consulta n° 435/05, da 10ª Região Fiscal, ficou assentado que na hipótese de o investidor subscrever e integralizar aumento de capital mediante a transferência de propriedade de participação societária, o valor da alienação da participação societária transferida será considerado custo de aquisição da participação societária emitida pela sociedade investida, para fins de posterior apuração de ganho de capital relativo ao novo investimento. Assim, as Vendedoras corretamente consideraram como custo de aquisição do seu investimento na MOI o valor de R$ 765.647.811,00 atribuído às ações da MOEM transferidas para a MOI a título de integralização de capital; 11. Em suma, o custo de aquisição da participação dos Vendedores na MOI é inequivocamente R$ 765.657.811,00 (valor inicialmente subscrito do capital no montante de R$ 10.000,00 mais o valor atribuído à participação alienada no valor de R$ 765.647.811,00 na operação de integralização de capital), que corresponde ao valor do capital total da MOI, nos exatos termos da Solução de Consulta n° 435/05 acima transcrita; 12. O artigo 24 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 se dirige primordialmente ao ganho de capital incorrido por pessoas físicas residentes no País, e que somente em razão do artigo 18 da Lei n° 9.249/95, tornase igualmente aplicável aos ganhos de capital incorridos por investidores não residentes. Referido dispositivo legal se refere ao "custo de aquisição do bem ou do direito", claramente significando o custo efetivo pago pelo investidor, quando da aquisição do investimento. Este dispositivo legal igualmente pode ser interpretado como significando que o ganho de capital do não residente deve ser calculado em moeda estrangeira. Entretanto, evidentemente se dirige ao montante de moeda estrangeira efetivamente despendido pelo investidor, e não o montante estampado no registro de capital estrangeiro, quando ambos não forem coincidentes, como é a hipótese ora em discussão. Assim, não se pode confundir o montante efetivamente despendido pelo investidor na aquisição do investimento (ou o seu valor equivalente em moeda estrangeira) com o montante de moeda estrangeira registrado junto ao BACEN como investimento externo; 13. Cabe ressaltar que enquanto a Instrução Normativa SRF n° 118/00, invocada pela autoridade lançadora, aplicase primordialmente a pessoas físicas residentes no País, e tão somente por uma extensão a pessoas não residentes, a Instrução Normativa SRF n° 208/02 é específica para pessoas não residentes. O ato específico deve prevalecer sobre o ato mais geral, nos termos do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil; 14. A fiscalização deixou de cumprir com disposição expressa e cogente contida no art. 26 da Instrução Normativa SRF n° 208/2002, razão porque o auto de infração deve ser considerado nulo de pleno direito; 15. Finalmente, a decisão ora recorrida erroneamente confirma o entendimento de que deve ser aplicada a Portaria MF n° 550/94, que teve por objetivo disciplinar, à época de sua edição, a tributação do ganho de capital auferido por residentes ou domiciliados no Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 761 9 exterior em razão da alienação de ações ou quotas, redução de capital para restituição aos sócios ou liquidação de empresas; 16. Ocorre que esta Portaria já era equivocada à época em que foi editada, em face de inexistência de embasamento legal para suportar tal entendimento. Entretanto, invocar a mesma para eventos ocorridos posteriormente ao advento da Lei n° 9.249/95 constitui erro crasso, eis que a mesma claramente conflita com o seu art. 18, bem como com a Instrução Normativa n° 208/2002, visto que ambas afirmam que deve prevalecer o custo efetivo, enquanto que portaria afirma que deve ser adotado o montante em moeda estrangeira constante do certificado de registro de capital estrangeiro. Assim, fica claro que tal portaria não pode mais ser considerada como vigente, pelo menos não no que tange à definição do custo de aquisição do investidor estrangeiro; 17. Nesse sentido, ainda, é a resposta 571 do “Perguntas e Respostas da Receita Federal do Brasil”; 18. O próprio Banco Central, na Circular n° 2.997/2000, reconhece que o registro do capital estrangeiro nos termos do Módulo RDEIED não possui impacto tributário; 19. Requer a reforma da decisão de primeira instância, no sentido de que o Auto de Infração seja julgado nulo e improcedente, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário nele consubstanciado e arquivamento da ação fiscal. Transcreveu ensinamentos doutrinários relacionados às teses defendidas. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O recurso é tempestivo, preenche os demais pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Antes de adentrar no mérito da questão trazida à apreciação deste Colegiado, necessário enfrentar a alegação da Procuradoria da Fazenda Nacional, trazida em sede de memorial e de sustentação oral, no sentido de que este lançamento decorre de fatos cuja apuração também serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ (processo n° 13609.000814/200993), de modo que, nos termos do artigo 2°, inciso IV, do Anexo II, do RICARF, a competência para julgamento deste feito seria da Primeira Seção do CARF. No primeiro memorial apresentado pela Procuradoria, relativamente a este ponto, constam as seguintes assertivas: Em outras palavras, o ganho de capital discutido neste caso corresponde ao ágio que é objeto daquele processo, o que entremostra a conexão entre ambos. A Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 762 10 rigor, o ganho de capital auferido pelo Grupo Rio Tinto – que surgiu na conferência das ações da MOEM na MOI, e que foi realizado por ocasião da remessa dos recursos ao exterior, como será visto adiante – corresponde ao “1º ágio” questionado no processo nº 13609.000814/200993, registrado na contabilidade da MOI como “ágio investimento MOEM” e amortizado posteriormente pela RPM. Nesse contexto, percebese que há uma relação de prejudicialidade entre os julgamentos dos processos de IRRF e IRPJ. Explicase. É que, a depender do rumo adotado pelas Turmas, a decisão de um caso pode vir a repercutir no outro. A título ilustrativo, imaginese que esta eg. Turma decida pela existência do ganho de capital, isto é, entenda que o Grupo Rio Tinto efetivamente auferiu o ganho de capital na operação. Nessa hipótese, o argumento da inexistência do “1º ágio” restaria prejudicado, vale dizer, a tributação do ganho de capital auferido pelo vendedor legitima o registro do ágio correspondente na contabilidade do comprador. Assim, a alegação de artificialismo do “1º ágio” seria afastada, pois o recebimento do sobrepreço pelo vendedor (ganho de capital) certifica o pagamento desse sobrepreço pelo comprador (ágio). Em sentido oposto, caso se entenda que o “1º ágio” é artificial, dada a ausência de pagamento efetivo pela parte compradora, a consequência seria o reconhecimento da inexistência do ganho de capital na parte vendedora, o que afastaria a tributação do IRRF. Concluise, portanto, (i) que os processos em questão são conexos, tendo em vista que envolvem o exame dos mesmos fatos – as operações relacionadas à alienação do controle da RPM –, e (ii) que o julgamento dos recursos voluntários interpostos em ambos os casos compete à Primeira Seção do CARF, por força do art. 2º, IV, do Anexo II do RICARF. Entendo que esta tese não pode prosperar, pois a competência para julgamento desta controvérsia é da Segunda Seção do CARF. Isso porque no processo em apreço, cuja exigência é de imposto de renda na fonte e o autuado é o responsável tributário que adquiriu tais ações (Kinross Participações Ltda.), discutese a apuração de ganho de capital de nãoresidente em alienação de participação societária ou, mais especificamente, o critério para definição do custo de aquisição das participações societárias pelo alienante: se o valor do investimento registrado no Banco Central ou o custo efetivamente incorrido. Por outro lado, no processo n° 13609.000814/200993, a autuação, lavrada cerca de dois anos após esta e que tem como sujeito passivo a empresa Rio Paracatu Mineração S.A., envolve, salvo melhor juízo, a dedutibilidade ou não dos encargos decorrentes da amortização de ágio contabilizado pela empresa Morro do Ouro Investimentos S.A. – MOI. Não há que se cogitar, pois, que os fatos desta exigência serviram para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, inclusive porque as ações fiscais ocorreram em momentos distintos, sendo inaplicável ao caso a regra do artigo 2°, inciso IV, do Anexo II, do RICARF. Os fatos, segundo penso, são autônomos e independentes e, por força do artigo 3°, inciso II, do Anexo II, do RICARF, a competência para apreciação da matéria é desta Segunda Seção. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 763 11 Considerando que este foi o entendimento seguido pela maioria dos Conselheiros, passo a analisar o mérito da questão. Reitero que a autuação envolve a exigência de imposto de renda na fonte incidente sobre rendimentos de nãoresidentes, com fato gerador ocorrido em 23/12/2004, sendo que, sob minha ótica, o cerne da discussão trazida à apreciação deste Colegiado está relacionado ao valor do custo de aquisição da participação societária da empresa Morro do Ouro Investimentos S.A. – MOI, que foi alienada por investidor estrangeiro para a autuada. Enquanto a autoridade lançadora e a decisão de primeira instância firmaram posição no sentido de que se considera custo de aquisição o valor em moeda estrangeira registrado no Banco Central do Brasil a título de investimento e reinvestimento, referentes ao capital estrangeiro (no caso, US$ 35.726.631,69), a recorrente defendeu a tese de que o custo de aquisição é aquele efetivamente incorrido pelo vendedor, ou seja, R$ 765.657.811,00 (este valor representa o somatório de R$ 10.000,00, que era o capital social inicial da MOI, com R$ 765.647.811,00, que corresponde ao aumento de capital social da MOI, ocorrido em 29/11/2004, com ações reavaliadas a valor de mercado da Morro do Ouro Empreendimentos Minerais S.A. – MOEM). A alienação, ocorrida em 23/12/2004, se deu pelo valor de US$ 249.552.220,00. Insisto que, segundo penso e considerando o teor do auto de infração, da decisão de primeira instância e das defesas apresentadas pela autuada, a matéria devolvida à análise desta Turma está relacionada apenas ao custo de aquisição da participação societária alienada por investidor estrangeiro. O voto que preparei, inicialmente, tratava exclusivamente deste tema, que é a acusação fiscal (a descrição do fato, nos termos do artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72) e limita a controvérsia, ao menos pelo entendimento deste julgador. Penso que não é facultado ou possível ao órgão julgador inovar na fundamentação da autuação, sob pena de cerceamento do direito de defesa. No entanto, os debates ocorridos nas diversas sessões em que o processo esteve em pauta (desde fevereiro de 2011) envolveram outras questões, sequer suscitadas ou enfrentadas anteriormente. A principal delas, trazida pela Procuradoria em sede de memorial e de sustentação oral, diz respeito ao fato de que o ganho de capital ocorrera em 29/11/2004, no momento da integralização do aumento do capital social da MOI, mediante a conferência das ações da MOEM pelo valor de mercado, mas só foi realizado em 23/12/2004, por ocasião da remessa dos recursos ao exterior, em contrapartida à alienação das ações da MOI, sendo que nesse momento teria havido a concretização do fato gerador do imposto de renda na fonte incidente sobre o ganho de capital de nãoresidente, em consonância com o artigo 685 do RIR/99. Salgo engano, a posição vencedora seguiu esta linha de raciocínio. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 764 12 Não obstante a matéria jamais ter sido enfrentada anteriormente e, portanto, nada sobre isso está escrito nos autos, pareceme incontroverso que o ganho de capital ocorreu em 29/11/2004 na apuração de aumento de capital da MOI. Ora, se é assim, por força do § 2°, do artigo 23, da Lei n° 9.249/95, segundo o qual “§ 2º. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital.”, aplicável ao caso em razão da regra do artigo 18 da Lei n° 9.249/95, o lançamento deveria considerar a ocorrência do fato gerador em 29/11/2004 (e não em 23/12/2004), tendo como sujeito passivo a MOI (e não a Kinross), pois foi ela quem experimentou acréscimo patrimonial. No caso, há erro na eleição do sujeito passivo e na data de ocorrência do fato gerador, além do que o valor da aquisição (R$ 675.263.352,10) é inferior ao custo registrado pelos vendedores da participação societária (R$ 765.657.823,00), sendo que a diferença decorre, segundo a recorrente, da variação da cotação do dólar entre as datas da avaliação da MOEM e do pagamento realizado. Relembro, apenas, que nem a autoridade lançadora e tampouco a decisão de primeira instância se debruçaram sobre este tema, focando apenas e tãosomente a questão do custo de aquisição. Feitas estas breves considerações, volto minhas atenções para a matéria debatida desde a ação fiscal, qual seja, o valor do custo de aquisição da participação societária da MOI que foi alienada por investidor estrangeiro para a autuada. Pois bem, o artigo 18 da Lei n° 9.249/95 estabelece que: Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País. Portanto, de acordo com tal regra, o ganho de capital, consistente na diferença entre o valor de alienação de bem ou direito situado no Brasil e seu custo de aquisição, auferido por nãoresidente, está sujeito à tributação definitiva pelo imposto de renda na fonte. Os artigos 682, inciso I e 685, inciso I, alínea “a”, ambos do RIR/99, citados como fundamentos do auto de infração, assim determinam: Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I – pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior; Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 765 13 fonte situada no País, a pessoa física residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte: I – à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; Em razão destas previsões, os ganhos de capital de nãoresidentes relativos a investimentos em moeda estrangeira estão sujeitos ao imposto de renda na fonte, como regra, à alíquota de 15%. Contudo, nos termos do artigo 690, inciso II, do RIR/99: Art. 690. Não se sujeitam à retenção de que trata o art. 682 as seguintes remessas destinadas ao exterior: (...) II os valores, em moeda estrangeira, registrados no Banco Central do Brasil, como investimentos ou reinvestimentos, retornados ao seu país de origem; Relevante trazer à colação, também, o artigo 24, § 5°, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, segundo o qual: Art. 24. O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor. (...) § 5°. Na hipótese de aquisição ou aplicação, por residente no País, com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, a base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou do direito, convertida para Reais mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para data da alienação, liquidação ou resgate, ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 766 14 Já o artigo 26 da Lei n° 10.833/2003 estampa a responsabilidade do adquirente domiciliado no Brasil pela retenção e pelo recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital de nãoresidente, nos seguintes termos: Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. A recorrente citou como fundamento da defesa no sentido da inexistência de ganho de capital no caso, o artigo 23 da Lei n° 9.249/95, segundo o qual: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º. Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. A Circular n° 2.997/2000, do Banco Central do Brasil, que institui e regulamenta o registro declaratório eletrônico de investimentos externos diretos – Módulo RDEIED, tem seu artigo 2° com a seguinte redação: Art. 2º. Definir como investimento externo direto, para os fins e efeitos desta Circular, as participações, no capital social de empresas no País, pertencentes a pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, integralizadas ou adquiridas na forma da legislação em vigor, bem como o capital destacado de empresas estrangeiras autorizadas a operar no País, observado o disposto no art. 10 desta Circular. O Regulamento anexo à Circular 2.997/2000, do Banco Central do Brasil, estabelece: Art. 5°. São registrados no item investimento do Módulo RDE IED, na moeda estrangeira efetivamente ingressada no Pais, os Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 767 15 valores correspondentes à integralização da participação de nãoresidentes no capital social, subscrito ou destacado, de empresas no País, ou relativos ao pagamento da aquisição de ações ou quotas integralizadas detidas por residentes no capital social de empresas no País, mediante utilização de moeda, direitos creditórios ou bens conferidos, na forma das normas vigentes e nos termos deste Regulamento. (...) Art. 10. São registradas no item reinvestimento do Módulo RDE IED as capitalizações de lucros, de juros sobre capital próprio e de reservas de lucros, proporcionalmente à participação de cada investidor externo no número total de ações ou quotas integralizadas do capital social na mesma empresa receptora em que foram gerados os respectivos rendimentos no País. Parágrafo 1°. Excetuamse da proporcionalidade de que trata este artigo situações específicas amparadas pela legislação em vigor. Parágrafo 2°. O registro do reinvestimento é efetuado na moeda do país para o qual poderiam ter sido remetidos os rendimentos, ressalvada a hipótese do artigo 20. Art. 11. A capitalização de reservas de capital, de reavaliação, de contingência, de lucros a realizar e de doações produz ajuste exclusivamente na quantidade de ações ou quotas integralizadas detidas pelo investidor e/ou na correspondente fração do capital social integralizado, não implicando alterações nos valores em moeda estrangeira ou nacional constantes do registro nos itens investimento e reinvestimento. A Instrução Normativa SRF n° 118/2000, que dispõe sobre a tributação do ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, adquiridos em moeda estrangeira, e da alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, de propriedade de pessoa física, prevê em seu artigo 4° que: Art. 4º. Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, o ganho de capital corresponderá à diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos da América, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito ou o valor original da aplicação, convertida em reais mediante a utilização da cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, para a data do recebimento. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 768 16 Já o artigo 26 da Instrução Normativa SRF n° 208/2002, que dispõe sobre a tributação, pelo imposto de renda, dos rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior e dos ganhos de capital apurados na alienação de bens e direitos situados no exterior por pessoa física residente no Brasil e dos rendimentos recebidos e dos ganhos de capital apurados no País por pessoa física nãoresidente no Brasil, traz a seguinte regra: Art. 26. A alienação de bens e direitos situados no Brasil realizada por nãoresidente está sujeita à tributação definitiva sob a forma de ganho de capital, segundo as normas aplicáveis às pessoas físicas residentes no Brasil. § 1º. O ganho de capital é determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição do bem ou direito. § 2º. O custo de aquisição dos bens ou direitos adquiridos: I até 1995 pode ser atualizado com base nos índices constantes no Anexo I; II a partir de 1996 não está sujeito a atualização. § 3º. O valor de aquisição do bem ou direito para fins do disposto neste artigo deve ser comprovado com documentação hábil e idônea. § 4º. Na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição é: I apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil, vinculado à compra do bem ou direito; II igual a zero, nos demais casos. § 5º. Na apuração do ganho de capital de nãoresidente não se aplicam as isenções e reduções previstas para o residente no Brasil. Por fim, eis a redação do artigo 2° da Portaria MF n° 550/94: Art. 2º. O ganho de capital corresponderá à diferença positiva, apurada em moeda estrangeira, entre o valor da alienação, redução do capital ou liquidação e o custo de aquisição da participação societária. § 1º. Para efeito de determinação do ganho de capital a que se refere este artigo, o valor de alienação, redução de capital ou liquidação deverá ser convertido em moeda estrangeira, tomandose por base a taxa de câmbio fixada para venda, no dia da operação, ou na data do balanço de encerramento da empresa, no caso de liquidação. § 2º. Consideramse como custo de aquisição os valores em moeda estrangeira constantes dos itens Investimento e Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 769 17 Reinvestimento do certificado de registro de capital estrangeiro emitido pelo Banco Central do Brasil, observado o disposto no art. 5º desta Portaria. Trazidos à baila os fatos que deram origem à autuação e a legislação citada pela autoridade lançadora e pela recorrente, cumpre agora avaliar qual o custo de aquisição das ações da MOI, que pertenciam a investidor estrangeiro e foram alienadas para a autuada, para ao final concluir pela procedência ou não da exigência fiscal. Segundo penso, o capital estrangeiro registrado junto ao Banco Central não reflete, no caso, o custo de aquisição suportado pelo investidor estrangeiro relativamente à participação societária alienada para a recorrente. Isso porque não restam dúvidas que o vendedor transferiu a propriedade das ações da MOEM para a MOI, através de operação de subscrição e de integralização de aumento de capital, a qual, em contrapartida pelo recebimento das ações da MOEM, emitiu 765.647.823 ações ordinárias nominativas pelo valor de R$ 765.647.823,00 (fls. 552562). Entendo que tal importância, somada ao capital social anterior da MOI (R$ 10.000,00), ou seja, R$ 765.657.823,00, representa o custo de aquisição do alienante. Segundo a própria Instrução Normativa SRF n° 2008/2002, em seu artigo 26, §§ 3° e 4°, já transcrito, o custo de aquisição precisa ser comprovado com documentação hábil e idônea e, apenas na impossibilidade de sua efetiva demonstração, devese adotar o valor do capital registrado no Banco Central. Nesse sentido, ainda, são as Soluções de Consulta nos 150/2003, 336/2004 e 79/2007, além das decisões dos Processos de Consulta nos 115/2006 e 132/2006 (ambas da 8ª Região Fiscal), cujas ementas foram trazidas pela recorrente em memorial apresentado na sessão de fevereiro de 2011, quando este feito entrou em pauta pela primeira vez. Debruçandose sobre o assunto, Ricardo Ferreira Bolan e Carolina dos Santos Vidigal, no artigo “Tributação do Ganho de Capital Auferido por NãoResidente na Alienação de Participação Societária”, publicado na Revista de Direito Tributário Internacional n° 06, de agosto de 2007, assim concluem (fls. 123125 da obra): De uma forma geral, o custo de aquisição de participação societária detida por nãoresidente, quando o investimento é realizado em moeda estrangeira, corresponde ao valor registrado no sistema eletrônico do Banco Central do Brasil. Com efeito, por força da Lei n. 4.131/62, os capitais estrangeiros que ingressam no País sob a forma de investimento direto, bem como os reinvestimentos de lucros dos capitais estrangeiros, dentre outros, devem ser registrados perante o Banco Central do Brasil. Destarte, o valor do custo de aquisição de participações societárias detidas por nãoresidentes está devidamente refletido no registro de investimento perante o Banco Central nas hipóteses em que tais participações são compradas pelo não residente diretamente de residentes no Brasil, mediante o ingresso no País dos recursos necessários para o pagamento do Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 770 18 preço, ou são subscritas por meio de investimento inicial em dinheiro ou conversão de créditos registrados ou, ainda, mediante aumentos de capital por incorporação de lucros ou reservas registráveis. No entanto, há certamente casos em que o valor do registro do investimento estrangeiro perante o Banco Central do Brasil não corresponde ao custo de aquisição da participação societária incorrido pelo nãoresidente. Tais casos ocorrem sobretudo quando o nãoresidente adquire a participação societária diretamente de outro nãoresidente, já que nessa situação o adquirente apenas “herda” o registro do capital estrangeiro perante o Banco Central que havia sido efetuado quando o alienante originalmente adquiriu a participação. Por conseguinte, nessa situação o valor do registro continua a espelhar o valor que havia sido originalmente investido pelo alienante para a aquisição da participação societária e não o valor realmente incorrido pelo novo adquirente (o qual, por óbvio, pode ser maior ou menor que o valor do registro). Sendo assim, parecenos claro que o registro do investimento estrangeiro perante o Banco Central é um dos possíveis meios (sem dúvida o mais comum) para comprovação do custo de aquisição em moeda estrangeira de participações societárias detidas por nãoresidentes; todavia, esse não é de forma alguma o único, sendo certo que devem ser admitidos para tanto todos os meios de prova admitidos em direito. As autoridades fiscais brasileiras pareciam concordar plenamente com esse entendimento, uma vez que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 73/98, cujo artigo 26 estabelece o seguinte: (...) Essa mesma disposição foi posteriormente reproduzida pelo artigo 26 da Instrução Normativa n. 208/2002. (...) (...) Deveras, tomar a posição de que o custo de aquisição de participações societárias detidas por nãoresidente deve necessariamente corresponder ao valor do investimento estrangeiro registrado no Banco Central é criar uma presunção absoluta (isto é, uma presunção que não admite qualquer prova em contrário) nesse sentido. Ora, se tal presunção absoluta não poderia ser criada nem mesmo por meio de lei – haja vista o conceito constitucional de renda, bem como as determinações do artigo 43 do Código Tributário Nacional – que se dirá então de um mero ato administrativo (i.e., lançamento de ofício efetuado pelas autoridades fiscais)? (...) Diante dessas considerações, não deveriam restar dúvidas ao intérprete/aplicador do direito de que, para fins de apuração do ganho de capital tributável em uma operação que implique alienação, o custo de aquisição do investimento pelo não Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 771 19 residente em participações societárias pode ser comprovado por quaisquer meios hábeis e idôneos, sendo o registro perante o Banco Central apenas um desses meios. Concordo com tal posicionamento, pois, cumpre reiterar, o valor do capital registrado no Banco Central representa tãosomente uma das formas de comprovação do custo de aquisição, devendo ser admitida para este fim qualquer outra prova hábil e idônea. Analisando situação semelhante a esta, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Período de apuração: 01/10/2002 a 31/07/2003 RESPONSABILIDADE DA FONTE. RENDIMENTOS DE PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. Compete à fonte pagadora reter e recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior. (...) PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. A alteração contratual, devidamente registrada na competente Junta Comercial faz prova do custo de aquisição das quotas representativas do capital social, salvo prova inconteste em contrário. (...) Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. (Recurso Voluntário n° 157.475, Acórdão n° 10249.101, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, julgado em 29/05/2008) Do voto proferido pela Relatora, Conselheira Núbia Matos Moura, trago à colação as seguintes passagens: No mérito, a Recorrente afirma que as quotas representativas de capital social de Ozyx Indústria e Comércio de Artigos Esportivos Ltda foram adquiridas pela Biraco Sociedad Anonima ao custo de R$ 39.414.150,00 e para comprovar tal afirmação juntou aos autos cópia da Sexta Alteração Contratual da Ozyx, fls. 298/300. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 772 20 Da referida alteração contratual verificase que Biraco Sociedad Anônima ingressou na Ozyx Indústria e Comércio de Artigos Esportivos Ltda, subscrevendo 39.414.150 quotas, no valor de R$ 1,00 cada uma e que a integralização foi realizada mediante dação de bens imóveis, quais sejam: 69% do total do imóvel objeto da matricula n° 18.641, do Registro de Imóveis da 2° Circunscrição de Joinville, pelo valor de R$ 38.802.150,00; terreno e casa situados a Rua Visconde de Taunay, 275, Joinville, no valor de R$ 270.000,00; e terreno, matrícula n° 23.034 do Registro de Imóveis da 2° Circunscrição de Joinville, no valor de R$ 342.000,00. Em reforço às suas alegações, a Recorrente apresentou aditamento às suas razões de defesa, em 30/07/2007, informando que a pessoa jurídica Ozyx Indústria e Comércio de Artigos Esportivos Ltda também foi autuada pela ausência de recolhimento de imposto de renda retido na fonte sobre ganho de capital de Biraco Sociedad Anonima. A autoridade fiscal teria constatado que os valores dos imóveis objetos da integralização das quotas representativas de capital social de Ozyx Indústria e Comércio de Artigos Esportivos Ltda foram maiores que os custos de aquisição dos referidos imóveis, apurandose, portanto, ganho de capital. Ao contrário do que afirma a autoridade julgadora de primeira instância, há de se observar que a alteração contratual, devidamente registrada na competente Junta Comercial faz prova do custo de aquisição das quotas representativas do capital social. Não pode a autoridade fiscal rechaçálo, sem que se comprove sua inidoneidade. Ressaltese que a própria autoridade fiscal, baseada na Sexta Alteração Contratual do Contrato Social de Ozyx Indústria e Comércio de Artigos Esportivos Ltda, admitiu que Biraco Sociedade Anomima havia ingressado na sociedade, subscrevendo quotas ao custo total de R$ 39.414.150,00. Não se pode admitir que tal custo de aquisição prevalece em uma situação e em outra não. Deste modo, há de se concluir que a Sexta Alteração Contratual do Contrato Social de Ozyx Indústria e Comércio de Artigos Esportivos Ltda, fls. 298/300, faz prova do custo de aquisição das quotas representativas do capital social. Levandose em consideração que as quotas foram alienadas pelo mesmo valor do custo de aquisição não há que se falar em ganho de capital obtido por Biraco Sociedad Anomima quando da alienação das quotas representativas de capital para a contribuinte autuada. A autoridade lançadora (fls. 584) e a recorrente fazem menção à Solução de Consulta n° 435, de 20 de outubro de 2005, da 7ª Região Fiscal, cuja ementa expressa que: Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 773 21 GANHO DE CAPITAL. RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL DE SOCIEDADE NO BRASIL. INVESTIMENTO REGISTRADO NO BANCO CENTRAL DO BRASIL. A incidência do imposto de renda sobre ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior na alienação de participação societária em integralização de capital de pessoa jurídica domiciliada no exterior, somente ocorre se o valor da integralização for superior ao montante registrado como investimento ou reinvestimento junto ao Banco Central do Brasil. O valor de alienação da participação societária transferida será considerado custo de aquisição da participação societária emitida pela sociedade investida, para fins de posterior apuração de ganho de capital relativo ao novo investimento. (Grifei) Salvo melhor juízo, a conclusão a que chegou a Receita Federal no caso acima destacado dá sustentação à pretensão da recorrente, pois admite como custo de aquisição o valor de integralização de capital de pessoa jurídica domiciliada no exterior. A utilização do valor do capital estrangeiro registrado junto ao BACEN levaria a uma tributação do capital do nãoresidente e não da renda representada pela diferença entre o custo de aquisição e o preço da venda das ações, o que desrespeita a regra do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Com tais breves considerações, entendo que não pode prevalecer a exigência fiscal, pois, no caso, o custo de aquisição da participação societária alienada é aquele efetivamente incorrido pela vendedora (R$ 765.657.823,00) e não apenas o valor do capital registrado no Banco Central. Considerando que o valor da alienação foi de US$ 249.552.220,00 ou de R$ 675.263.352,1, utilizando a taxa de câmbio 2,7059 adotada pela fiscalização, há de se concluir que inexistiu ganho de capital na venda das ações da MOI para a recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Gonçalo Bonet Allage Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, Designado Na sessão de julgamento deste processo, ousei divergir do posicionamento do Ilustre Relator, entendimento que prevaleceu pelo voto de qualidade do Presidente da Turma. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 774 22 A despeito dos argumentos de que o custo de aquisição da Morro Ouro Investimentos S/A (MOI) de R$ 765.657.823,00 está corretamente comprovado pelo recorrente, e que por isso não houve ganho de capital na operação de venda, penso ter sido correta a opção da fiscalização de não admitir esse valor. Julgo que os fatos constantes nos autos demonstram que a reorganização societária da empresa Rio Tinto visou precipuamente à criação de um custo de aquisição fictício e inexistente, com o objetivo de mascarar ganho de capital na venda de sua parte na empresa Rio Paracatu Mineração (RPM) para a recorrente. Pela clareza da informação, tomo a liberdade de transcrever excertos do Memorial da Fazenda Nacional apresentado por ocasião do julgamento do caso: Tratase de lançamento do IRRF, referente ao ganho de capital percebido por investidor estrangeiro (Grupo Rio Tinto), na alienação de ativo situado no País para a então TVX Participações Ltda. (atual Kinross Participações), subsidiária brasileira da multinacional Kinross Gold Corporation. Em síntese, o cerne do processo diz respeito à apuração de ganho de capital na operação de transferência do controle societário da Rio Paracatu Mineração S/A, do Grupo Rio Tinto para a então TVX Participações, operação instrumentalizada mediante as empresas Morro de Ouro Empreendimentos S/A (MOEM) e Morro de Ouro Investimentos S/A (MOI). É essencial acentuar, desde logo, que o negócio praticado entre o Rio Tinto e a TVX deve ser analisado como um todo, na medida em que a operação foi fracionada em diversos passos pelo investidor estrangeiro, com o claro intuito de encobrir o ganho de capital auferido na negociação. Como descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 583598), em 23/12/2004, a TVX efetuou a remessa de US$ 249.552.220,00 ao exterior, em pagamento da totalidade das ações da MOI, detidas pelo Grupo Rio Tinto. Indagada a respeito da retenção do imposto incidente sobre o ganho de capital do investidor estrangeiro, a autuada informou que “não ocorreu ganho de capital na aquisição das ações da Morro de Ouro Investimentos S/A, posto que o valor de venda das ações (em moeda nacional, R$ 672.543.232,90) foi inferior ao valor do Capital Social da sociedade (R$ 765.657.823,00)” (fls. 505506). Esse é o ponto central da argumentação da recorrente. As ações da MOI foram alienadas por preço inferior ao seu custo de aquisição, o que indicaria a ausência de ganho de capital para a parte vendedora. Por conseguinte, estaria justificada a não retenção do imposto. Cumpre sublinhar, contudo, que o argumento tem por referencial apenas o último passo da reorganização societária engendrada pelo Grupo Rio Tinto: a alienação das ações da MOI para a TVX. Não obstante, é outra a conclusão extraída da análise da totalidade do negócio. De fato, o exame do conjunto de operações societárias realizadas pelo investidor estrangeiro evidencia a apuração de ganho de capital no processo de transferência do controle da Rio Paracatu Mineração para a TVX, o que será demonstrado a seguir. O NEGÓCIO Fl. 22DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 775 23 • Finalidade: Alienação de 51% das ações da Rio Paracatu Mineração S.A. (RPM). • Vendedor: Grupo Rio Tinto, que controlava a RPM através da empresa Rio Tinto Brasil. • Comprador: TVX Participações (Kinross Gold Corporation), que detinha 49% das ações da RPM. • Valor da alienação: US$ 249.552.220,00 (= R$ 672.543.232,90). • Modus operandi: reorganização societária prévia à alienação propriamente dita, com a interposição das empresas MOEM e MOI entre o Rio Tinto e a RPM, o que possibilitou a majoração do custo de aquisição das ações da RPM no interior do grupo econômico. • Fontes das informações relativas ao negócio: (i) laudo de avaliação a mercado da RPM, de 21/11/2004 (fls. 229267), e (ii) a impugnação apresentada pela RPM no processo administrativo nº 13609.000814/200993, referente à glosa da amortização do ágio gerado nas operações em exame: (i) Laudo da avaliação a mercado da RPM, emitido em 21/11/2004 (database: 30/9/2004). “Introdução e objetivos Constituída em 1984, a Rio Paracatu Mineração SA (RPM) é empresa controlada indiretamente pelos grupos RT Brazilian Holdings (51%) e Kinross Gold Corporation (49%). Suas operações consistem na lavra do minério de ouro e sua industrialização. Suas operações industriais estão localizadas no município de Paracatu (MG), A jazida da qual é extraído o minério beneficiado em suas operações também está localizada no município de Paracatu (MG). A administração informou que atualmente os grupos controladores estão finalizando processo de negociação de suas respectivas participações no capital da RPM: ▪ A RT Brazilian Holdings, detentora de 51% do capital da RPM, alienaria sua participação para a Kinross Gold Corporation. • O valor envolvido na negociação seria de cerca de US$ 260 milhões, o que corresponderia a cerca de US$ 510 milhões pela totalidade das ações da RPM. A administração da RT Brazilian Holdings informou que pretende efetuar operação de reorganização societária, para a qual necessitará de estimativa do valor econômico da RPM, na database de 30 de setembro de 2004. Tendo em vista esse contexto, a administração da RPM solicitou a assessoria independente da Trevisan Consultores na análise do valor econômico da RPM, com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, com objetivo de subsidiar a operação de reorganização societária pretendida. A análise da operação de reorganização societária pretendida pela administração ou de tratamento contábil relacionado não fez parte do escopo da Trevisan Consultores. Nossos trabalhos foram baseados em dados e informações gerenciais e contábeis, e em outras informações, fornecidos pela administração da empresa, considerandoos fidedignos e de boafé.” (grifos nossos, fl. 231) Fl. 23DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 776 24 (ii) Impugnação apresentada pela RPM no processo nº 13609.000814/200993. “3.43 Ressaltese que, ao contrário do entendimento da autoridade fiscal, os objetivos almejados nas reorganizações societárias foram: (i) a aquisição pela Kinross de 51% das ações de emissão da ora IMPUGNANTE, ainda que indiretamente, mediante a aquisição do controle acionário da MOI; e (ii) a simplificação da estrutura societária com a conseqüente redução de custos, e não apenas pagar menos imposto.” (grifos nossos) Assim, a partir de um laudo de avaliação que calculou que o valor de mercado da RPM seria de R$ 1.432.355.816,00 (fls. 228 a 267), montouse uma complexa operação que envolveu duas empresas que, em um período de um pouco mais de um ano, foram criadas com um aporte de apenas R$10.000,00, tiveram seu capital aumentado com base nas ações reavaliadas da RPM, e finalmente foram incorporadas pela própria RPM. Como a recorrente adquiriu uma das empresas intermediárias, que teve seu custo inflado pela citada reorganização societária, a vendedora supostamente não teria auferido ganho de capital. Na prática, o custo de aquisição utilizado na apuração do ganho de capital foi o valor de mercado do investimento a ser vendido, o que fere o próprio conceito de ganho de capital, que consiste na valorização do bem negociado. Utilizandose uma comparação com a vida cotidiana, é como se, antes de vender um imóvel, o cidadão pudesse atualizar seu custo de aquisição pelo mesmo preço que pretende cobrar. A análise do processo como um todo, composto por uma série de operações que escapam à lógica de negócios jurídicos usuais, suporta a conclusão de se tratar de planejamento tributário visando à criação de custo de aquisição artificial. Se tudo o que foi dito não bastasse para comprovar o verdadeiro intuito negocial da operação descrita, basta acrescentar que, no contrato de venda da MOI, a recorrente fez constar cláusula que obriga a vendedora a indenizála no caso de tributação, pelo Fisco, do ganho de capital por ventura apurado, o que demonstra o conhecimento da ilicitude e de suas possíveis consequências. Desta forma, diante da evidência da artificialidade do custo de aquisição apresentado para o negócio, não poderia o Fisco admitilo para o cálculo do ganho de capital. Em seu lugar, adotou os valores em moeda estrangeira registrados no Banco Central do Brasil pela vendedora referentes ao investimento externo direto e indireto, que corresponde justamente ao valor efetivamente aplicada pelo Grupo Rio Tinto no país. Observese que toda a legislação citada no voto vencido suporta essa conclusão, uma vez que exige a comprovação do custo de aquisição com documentação hábil e idônea, mas utiliza o capital registrado no Banco Central do Brasil, vinculado à compra do bem ou direito, quando o custo indicado não puder ser admitido. É o que diz o art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 208, de 2002, em conjunto com o art. 18 da Lei nº 9.249, de 1995. Aliás, o art. 18 da Lei nº 9.249, de 1995 é citado como um verdadeiro mantra da defesa, pois afirma que o ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País, como se a legislação permitisse que as empresas nacionais fabricassem custos de aquisições fantasiosos sem possibilidade de contestação pelo Fisco. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14041.001301/200763 Acórdão n.º 210101.202 S2C1T1 Fl. 777 25 A doutrina trazida no voto vencido (“Tributação do Ganho de Capital Auferido por NãoResidente na Alienação de Participação Societária”, Revista de Direito Tributário Internacional n° 06, de agosto de 2007) caminha na mesma direção, concluindo que o valor registrado no sistema eletrônico do Banco Central do Brasil reflete, de forma geral, o custo de aquisição de participação societária detida por nãoresidente, pois representa o capital estrangeiro que efetivamente ingressou no país. Os citados doutrinadores defendem que existem situações nas quais o valor do Banco Central não seria o custo efetivo, como no caso de venda anterior da participação societária para outro nãoresidente, pois o valor efetivamente pago pelo novo comprador não estaria registrado no Brasil. Mas essa conclusão não se aplica ao caso em tela, pois o vendedor estrangeiro é o mesmo que adquiriu a participação societária vendida, e os únicos recursos que efetivamente se utilizou para adquirila estão registrados no Banco Central. Recordese que as empresas intermediárias utilizadas no planejamento tributário não agregaram recursos efetivos ao custo de aquisição, pois receberam aportes de capital ínfimos, e que tiveram seu custo inflado com base no valor de mercado da empresa objeto da transação. Finalmente, não compartilho da preocupação do Ilustre Relator de que esta Turma estaria modificando os fundamentos da autuação. Os fatos estão devidamente descritos nos autos, com especial ênfase às características da reorganização societária. O autuante manifestou de forma explícita sua insatisfação com o custo de aquisição apresentado para a operação de venda de ações. Utilizou, então, custo de aquisição previsto pela legislação, que reflete o valor real do investimento negociado. E procedeu à tributação correta do ganho de capital auferido: incidência na fonte no momento do crédito à pessoa jurídica residente no exterior, efetuando o lançamento no responsável pela retenção e recolhimento do tributo: o adquirente residente no Brasil. Assim por considerar irretocável o lançamento, a Turma Julgadora, pelo voto de qualidade de seu Presidente, entendeu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 25DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assi nado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13884.901900/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 15/12/1999
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS.
EXCLUSÃO.
A exclusão da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social estabelecida no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº
9.718/98 dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, como
expressamente definido no próprio dispositivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.013
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/1999 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS. EXCLUSÃO. A exclusão da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social estabelecida no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, como expressamente definido no próprio dispositivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 70DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901900/200885 Acórdão n.º 330201.013 S3C3T2 Fl. 56 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 38 a 51) apresentado em 16 de novembro de 2010 contra o Acórdão no 0530.632, de 13 de setembro de 2010, da 3ª Turma da DRJ / CPS (fls. 34 e 35), cientificado em 27 de outubro de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins recolhida em 15 de dezembro de 1999, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 FATURAMENTO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi inicialmente indeferido em 27 de agosto de 2004. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Fl. 71DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901900/200885 Acórdão n.º 330201.013 S3C3T2 Fl. 57 3 recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso às planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade. No recurso, alegou que a Lei no 9.718, de 1998, permitiria a exclusão de todas as receitas tidas como próprias e transferidas a outras pessoas jurídicas. Nesse contexto, contestou a não aplicação da disposição do art. 2º, III, da mencionada lei à vista da inércia do Poder Executivo em regulamentar a matéria e da aplicação de ato da Receita Federal, citando opinião de vários entendimentos da doutrina e da jurisprudência a respeito da matéria. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Os fatos constantes dos autos analisados na presente sessão de julgamento referemse a períodos entre setembro de 1999 e dezembro de 2000. O dispositivo do art. 3º, § 2º, III, da Lei no 9.718, de 1998, foi revogado pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 93, V. Na realidade, a primeira MP que tratou da revogação foi a 199118, de 19 de junho de 2000, publicada em 10 de junho de 2000, dia em que se deve considerar revogado o dispositivo. Portanto, tratase de períodos fora (processos nos 13884.901307/200839, 13884.901586/200831, 13884.901902/200874, 13884.901905/200816) e dentro da vigência do dispositivo (13884.900887/200847, 13884.901589/200874, 13884.901890/200888, Fl. 72DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901900/200885 Acórdão n.º 330201.013 S3C3T2 Fl. 58 4 13884.901898/200844, 13884.901900/200885, 13884.901906/200852), sendo que a oposição oficial à sua aplicação antes da revogação é o fato de nunca ter sido regulamentado. De toda forma, a Interessada também alegou que o dispositivo não teria sido revogado, pelo fato de medida provisória não poder revogar disposição de lei. Entretanto, os efeitos das medidas provisórias já foram há tempo definidos pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 295DF, 1.397DF, 1.516RO, 1.610DF, 1.135DF), que decidiu ser possível a reedição de medidas provisórias não rejeitadas pelo Congresso Nacional e que os requisitos de relevância e urgência têm natureza política. Ademais, é vedada a apreciação da inconstitucionalidade da referida revogação em face do art. 246 da Constituição, muito embora não seja exatamente o caso dos autos. Vejase que o referido dispositivo referese à impossibilidade de regulamentação de artigo da constituição alterado por emenda constitucional promulgada a partir de 1995. Entretanto, obviamente a regulamentação se refere à alteração promovida pela emenda constitucional, o que não ocorreu no caso da Cofins. Ademais, regulamentação de artigo da constituição referese dispositivo que dependa de regulamentação infraconstitucional para ser aplicado (dispositivos de eficácia contida e limitada), o que não é o caso da instituição de tributos. Ainda assim, conforme se afirmou, a revogação não poderia deixar de ser aplicada à vista das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por fim, incide também a Súmula Carf no 2: Fl. 73DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901900/200885 Acórdão n.º 330201.013 S3C3T2 Fl. 59 5 Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, para todos os efeitos, o dispositivo somente vigorou até 10 de junho de 2000, não sendo possível cogitarse de sua aplicação, no âmbito administrativo, aos períodos de junho de 2000 em diante, uma vez que o fato gerador das contribuições de junho ocorreria somente no fechamento do mês. Quanto à sua aplicação aos períodos até maio de 2000, o entendimento que tem prevalecido no âmbito do Conselho é o de que o dispositivo não poderia ser aplicado sem a regulamentação pelo Poder Executivo, conforme fundamentos abaixo reproduzidos, constantes do voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramo, no Acórdão no 20400.678: Como apontado no relatório, o recurso diz respeito ao suposto caráter autoaplicável do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, fulcro da autuação. Entende a recorrente que o dispositivo já traz em si todos os elementos necessários à sua imediata aplicação, e que esta se daria pelo abatimento dos custos e despesas incorridos para consecução da receita. Não nos sensibilizamos com tal argumento. É que aquele dispositivo autoriza a exclusão de valores registrados como receita transferidos a terceiros. A pergunta que se impõe de imediato é: quais são tais valores? Basta à empresa contabilizar saídas de caixa como transferência de receita para que os deduza? A figura da transferência de receita não é nem de longe algo corriqueiro. Muito mais comum é o pagamento de custos ou despesas necessários ao exercício da atividade. Ocorre que, em sentido lato, mesmo estes últimos podem ser considerados como “transferência de receita”, na medida em que, via de regra, primeiro são recebidos, contabilizados como tal, e somente depois são destinados aos fornecedores. Qual o critério distintivo, pois, a autorizar a exclusão de alguns e a não exclusão de outros? Podemos antever apenas exemplos. Em nossa prática fiscalizatória já nos deparamos com situação que se aplica perfeitamente à matéria. Tratase do chamado fundo de equalização de tarifas, relativo ao serviço municipal de transporte coletivo de passageiros. Nestes casos, aquelas empresas que operam linhas de menores custos repassam uma parte de suas receitas àquelas que operam linhas mais custosas. A obrigação lhes é imposta pelo Poder concedente, com vistas a uniformizar o valor da tarifa cobrada. Pois bem, não há dúvida de que para a empresa obrigada a transferir, esses valores são receitas no melhor sentido técnico (contábil) da palavra. Não menos induvidoso, porém, que a empresa não se beneficia em nada desse valor. De todo justo, por conseguinte, que não seja tributada sobre uma “receita” que de fato não lhe pertence. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901900/200885 Acórdão n.º 330201.013 S3C3T2 Fl. 60 6 Por que dizemos que esse é um exemplo perfeito do que, em nosso entender, pretendeu o legislador no caso do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98? Por que se trata de “transferência de receitas” e não de pagamento de custos ou despesas? Pelo simples fato de que nenhum serviço é prestado às repassadoras pelas empresas recebedoras do valor. A obrigação que aquelas assumem decorre exclusivamente de diretriz do ente concedente do serviço. Muito bem, num exercício de “achismo” e trabalhando por analogia, visto que a ciência contábil não define o que sejam transferências de receitas, nem a legislação do Imposto de Renda trata dessa figura, entendemos que sua aplicação restringese aos casos em que o repasse dos valores esteja integralmente dissociado de qualquer contraprestação em bens ou serviços por parte daquela PJ que recebe os valores transferidos àquele que lhos repassa. Mas essa é apenas uma (ainda que, ao nosso juízo, a melhor) dentre muitas interpretações. É dessa incerteza que avulta a necessidade de regulamentação, pelo Poder Executivo, em cujos termos cinjase a aplicação da norma, sob pena de o dispositivo prestarse por inteiro à instituição da sistemática da não cumulatividade à contribuição, a qual passaria a incidir sobre algo próximo do conceito contábil de lucro bruto (como apregoa a recorrente) e não sobre as receitas, como pretendeu a Lei nº 9.718/98. Por conseguinte, entendo que só faz sentido falarse em desnecessidade de regulamentação se se entender como transferências de receitas algo fundamentalmente diverso da mera remuneração por serviços de terceiros – custos ou despesas. Não me parece ser esse o espírito da norma. Se fosse, bastaria determinar a incidência da contribuição sobre o lucro bruto ou líquido. Entender assim corresponde a antecipar em cinco anos a entrada em vigor da nãocumulatividade, somente introduzida em 2003. Por tudo isso, é contraditório em seus próprios termos o recurso interposto. Isto é, se desnecessária a regulamentação, sêloia em sentido contrário ao que a empresa lhe pretende dar. Repita se, somente para algo diferente da mera remuneração de custos ou despesas, podese entender autoaplicável o dispositivo. Acontece que a necessidade integra a própria norma. Ora, cediço que ao intérprete administrativo não é dado o direito de negar aplicação à norma: se a necessidade de regulamentação está no próprio dispositivo, como afirmála dispensável? À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 75DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.901900/200885 Acórdão n.º 330201.013 S3C3T2 Fl. 61 7 José Antonio Francisco Fl. 76DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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