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Numero do processo: 11080.901050/2010-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI.
O ressarcimento de créditos de IPI se restringe ao montante não utilizado na escrita para compensação com débitos havidos nos períodos posteriores ao da apuração.
Numero da decisão: 3401-005.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. O ressarcimento de créditos de IPI se restringe ao montante não utilizado na escrita para compensação com débitos havidos nos períodos posteriores ao da apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. . Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 10 50 /2 01 0- 60 Fl. 4261DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.262 2 1. Tratase do despacho decisório nº 1.335/2011, situado à fl. 3.243, , proferido com base na Informação Fiscal SEFIS/DRF/POA de 26/08/2010 (fl. 3.232) e no Termo de Constatação Fiscal de 21/07/2010 (fls. 3.221 a 3.227), que resultaram da diligência efetuada para apuração da legitimidade do pedido objeto do presente processo, e também do pedido relativo ao 2º trimestre de 2007, objeto do processo administrativo nº 11080.901051/201012, e que reconheceu parcialmente o direito creditório referente ao saldo credor do IPI do 1º trimestre de 2007, pleiteado através do PER/DCOMP 12203.93919.281207.1.1.018956, transmitido em 28 de dezembro de 2007 e homologou parcialmente as compensações a ele vinculadas, declaradas nos seguintes PER/DCOMPs: 30495.04035.281207.1.3.010657, 32852.07322.310108.1.3.016910 e 42690.34459.300408.1.3.016393. 2. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, situada às fls. 3255 a 3261, na qual argumentou, em síntese, que: (i) os pagamentos realizados teriam sido suficientes para quitar os débitos; (ii) a autoridade fiscal aceitou o pagamento dos débitos de IPI reconhecidos através da denúncia espontânea com a utilização do saldo credor existente à época da denúncia e complementado através dos recolhimentos efetuado via DARF pela empresa, sendo indevida a oposição do Fisco aos créditos objeto do PER nº 12203.93919.281207.1.1.018956; (iii) requer o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações declaradas, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a não inscrição em dívida ativa, além da produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos eventualmente necessários à comprovação do direito. 3. Em 12/07/2012, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1039.637, situado às fls. 4.187 a 4.193, de relatoria da AuditoraFiscal Carla Regina Maia, que entendeu, por unanimidade de votos, declarar definitivas as glosas não contestadas, e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, declarando definitivo o Despacho Decisório de fl. 3.243 improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 GLOSAS NÃO CONTESTADAS. Tornamse definitivas as glosas não contestadas. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. Em decorrência do princípio da nãocumulatividade do IPI, o ressarcimento de créditos restringese ao montante não utilizado na escrita para compensação com débitos do mesmo imposto, nos períodos posteriores ao da apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 4262DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.263 3 4. A contribuinte foi intimada via postal em 31/08/2012, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 4.199 e, em 21/09/2012, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 4.200 a 4.218, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Insurgese a recorrente contra a glosa de crédito objeto de pedidos de ressarcimento/compensação baseados no cálculo do saldo credor de IPI incidente na entradas de produtos revendidos, não destinados à industrialização, ocorridas entre janeiro e junho de 2007. 7. Em 28/12/2007, a contribuinte realizou a transmissão da PER em apreço informando o encerramento do primeiro trimestre de 2007 com saldo credor de R$ 15.052.253,62 em seu RAIPI, valor estornado da escrita contábil em dezembro do ano em referência, tendo sido reconstituído o seu registro de apuração nos seguintes termos: Fl. 4263DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.264 4 8. Ao encerrar o segundo trimestre de 2007, por seu turno, constatou saldo credor de R$ 8.858.494,81, o que motivou segundo PER, transmitido em abril de 2008, bem como o correspondente estorno realizado em abril de 2008. Em seguida, a contribuinte verificou que o cálculo houvera sido realizado com erros, o que a levou a retificar o valor do saldo constante do PEROriginal para R$ 4.879.313,43, constante do PERRetificador. Contudo, em que pese a retificação em referência, o estorno registrado em seu RAIPI para fins de ressarcimento remanesceu no valor originário de R$ 8.858.494,81. 9. Por fim, em 12/03/2010, a contribuinte: (i) realizou procedimento de denúncia espontânea reconhecendo falta de destaque de IPI em revendas de produtos importados, vindo a realizar retificação do RAIPI para reduzir o estorno do crédito do 2º trimestre de 2007 para o valor de R$ 4.879.313,43; (ii) estornou créditos indevidamente apurados entre dezembro de 2005 e junho de 2007, o que implicou a edição de seu crédito em contas gráficas no montante de R$ 274.746,65; (iii) procedeu à correção de erro de transposição a menor de saldo credor de dezembro/2005 para janeiro/2006, o que implicou aumento de seu crédito escritural no valor de R$ 29.863,30; e (iv) declarou débitos de revendas de produtos importados. No cotejo de débitos objeto de denúncia espontânea com os créditos escriturais, sobejou débito de R$ 1.260.257,73, extinto por meio de recolhimento de guia DARF. A contribuinte realizou a seguinte síntese do quadro fático ora descrito: 10. Entendeu, no entanto, a autoridade fiscal, que a contribuinte deveria, no curso de seu procedimento, ter procedido à redução do valor do crédito nos PERs correspondentes e, em contrapartida, ter realizado a transmissão de novo PER para os saldos credores acumulados em outros trimestrescalendários, nos seguintes termos, em conformidade com o termo de constatação fiscal em trecho situado à fl. 3.225: Fl. 4264DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.265 5 11. De fato, como se reconhece no termo de constatação, inexiste falta de recolhimento de IPI, não tendo sido aplicada a multa de ofício sobre débitos decorrentes da falta de destaque de IPI nas saídas de produtos importados ocorridas nos períodos posteriores a junho de 2005. 12. No entanto, ao comparar os valores do saldo credor acumulado constantes no Demonstrativo de Apuração dos Saldos Credores de IPI passíveis de ressarcimento e nos demonstrativos anexos à denúncia espontânea elaborados pela contribuinte, concluiu a autoridade fiscal pela falta do valor referente a R$ 185.267,94 relativo aos créditos indevidos que haviam sido apontados pela própria recorrente no curso da verificação fiscal, bem como o valor de R$ 1.315,67, considerado indevido pela fiscalização, em conformidade com a planilha a seguir: 13. Assim, a diferença de R$ 147.176,27 no valor do saldo credor acumulado em março de 2007 corresponde ao somatório de R$ 1.315,67 com os créditos indevidos de R$ 51.992,06, R$ 54.334,53 e R$ 39.534,01 referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007, respectivamente. De fato, como corretamente aponta a decisão recorrida neste particular, considerando não ter havido contestação respeitante à inclusão do valor de R$ 1.315,67 e que os créditos indevidos foram apontados pela própria contribuinte no curso da auditoria fiscal, há que se considerar que a correta apuração do saldo credor acumulado no 1º trimestre de 2007 é a que foi feita no Demonstrativo de Apuração dos Saldos Credores de IPI Passíveis de Ressarcimento. Todavia, o valor solicitado, embora inferior aos R$ 18.158.822,94, não pode ser reconhecido, porque foi utilizado na compensação com débitos do mesmo imposto nos períodos Fl. 4265DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.266 6 subseqüentes, antes da apresentação do PER/DCOMP, fato que foi constatado pelo agente fiscal ao refazer a escrita, e que também foi informado pelo contribuinte nos demonstrativos que acompanham a denúncia espontânea, onde está retratada a evolução do saldo credor até junho de 2007, como segue: Ou seja, parte do saldo credor existente em março de 2007 foi utilizado para compensação com débitos do IPI em abril e maio de 2007, quando chegou aos R$ 10.494.794,02. Em junho, tendo em vista que os créditos superaram os débitos do mês, o saldo credor acumulado voltou a se elevar, chegando aos R$ 15.079.136,50. Observase que o valor deferido neste processo (R$ 10.316.290,72),corresponde aos R$ 10.494.794,02 apurados no final de maio de 2007, ajustados pela exclusão de R$ 1.315,67 e dos créditos indevidos relativos aos meses de janeiro a maio, no valor de R$ 178.503,30, que foram incorretamente desconsiderados pelo contribuinte em seus cálculos, como já explicitado anteriormente. E mais, somando o valor reconhecido neste processo com o deferido no processo 11080.901051/201012 (R$ 4.576.265,20), relativo ao 2º trimestre de 2007, e feitos os ajustes pertinentes à não exclusão do valor de R$ 1.315,67 e do montante de R$ 185.264,94 referente aos créditos indevidos até junho de 2007, temse R$ 15.079.136,53 que coincide com o saldo credor acumulado de janeiro a junho de 2007, segundo o cálculo do próprio contribuinte, e que consta no anexo à denúncia espontânea. Dessa forma, como o contribuinte não contestou as exclusões praticadas e considerando que os demais valores foram computados com base na denúncia espontânea, coincidindo o montante do saldo credor acumulado apurado nos trimestres em referência que nela consta, feitos os ajustes não contestados, conforme referido, há que se considerar definitivo o despacho decisório. Por fim, cumpre referir os efeitos da denúncia efetivada com relação às situações ocorridas neste processo. Diz o art. 486, inciso I, do RIPI/2002 o seguinte: “Art. 486. Não serão aplicadas penalidades: I. aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, anotarem, no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência, Fl. 4266DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.267 7 modelo 6, e comunicar ao órgão de jurisdição qualquer irregularidade ou falta praticada, ressalvadas as hipóteses previstas nos arts. 469, 470, 472, parágrafo único, inciso I, 490 e 513 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso I); e.............................................” 14. Assim, diferente do que parece ter compreendido a contribuinte em suas razões recursais, as irregularidades apontadas na denúncia espontânea dizem respeito especificamente à incorreta escrituração do IPI, com o aproveitamento de créditos indevidos, estornos incorretos de créditos e falta de destaque do IPI nas saídas de produtos importados e revendidos. Neste sentido, correta a conclusão da decisão de primeiro piso, pois: A hipótese de que se trata neste processo compensação parcial de débitos de IRPJ e CSL com créditos indevidos de IPI não se encontra nessa previsão. Todavia, houve repercussão do procedimento espontâneo em relação à multa exigível pela falta de destaque do IPI incidente nas em saídas de mercadorias importadas, com fundamento no art. 488, inc. I, do RIPI/2002, que não foi lançada. Quanto à solicitação de suspensão da exigibilidade dos débitos não compensados, observase que tal efeito está assegurado pela interposição de manifestação de inconformidade tempestiva, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional. Quanto ao pedido genérico de produção de provas, ressaltase que não merece acolhida, pois o processo contém todos os elementos necessários ao seu deslinde. Diante do exposto, voto no sentido de declarar definitivas as glosas não contestadas, e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, declarando definitivo o Despacho Decisório de fl. 3.243. 15. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 4267DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.268 8 Fl. 4268DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.912516/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM.
Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-003.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhecese a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009 97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 16 /2 00 9- 97 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de DCOMP, que pleiteia compensação de crédito oriundo de estimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestaçã de Inconformidade A empresa apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou: primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal; no que tange aos dispositivos do CTN, vêse que se limitam a garantir ao contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da DCOMP originária da decisão ora contestada; passandose ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vêse que o aspecto a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na lei pela MP 449/08; a compensação realizada pela requerente ocorreu à época em que não havia lei alguma impedindo a prática pelas pessoas jurídicas da compensação mensal entre débitos e créditos resultantes da aplicação do regime de estimativa; claramente impossível, portanto, a aplicação retroativa ao ano em questão da MP 449/08, a teor dos arts. 105 e 106 do CTN; quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que, de acordo com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal poderá criar obrigações tributárias, ou limitações ao exercício de direito pelos contribuintes. Instruções Normativas são meras normas Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 4 3 complementares às leis, não podendo estabelecer imposições ou óbices de natureza tributária não previstos em lei. embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que se operou a compensação, não a tendo homologado exclusivamente com base na tese da impossibilidade de realizações mensais, quer a requerente basearse na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que sempre admitiu esta periodicidade; vale lembrar que a determinação da MP 449, que deu origem ao citado inciso IX do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi acolhida pelo Projeto de Lei de Conversão n°2/09, já remetido à sanção presidencial pela Mensagem 25/09, de 12/05/09. Portanto, além de não poder retroagir à data em que se deu a compensação objeto deste litígio, o dispositivo trazido à luz pela MP 449/09 perderá, necessariamente, a eficácia, quer pela sanção do PL de Conversão, quer pelo decurso do prazo, caso seja o referido PL vetado; na conclusão, destacou a manifestante que a legislação indicada pelo despacho decisório ora atacado, ou não é aplicável à hipótese sob exame, ou é posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo, portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em geral e, especialmente, das normas tributárias, excetuada a hipótese de retroatividade benigna; a mais, a imposição de comportamento tributário, por meio de Instrução Normativa, sem lei formal que lhe dê respaldo, não é admitida pela legislação tributária brasileira, desde a Constituição, passando pelo Código Tributário Nacional (art. 97); em consequência, espera e requer o contribuinte que seja a presente Manifestação de Inconformidade conhecida e provida, modificandose o Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que o crédito, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, de acordo com a norma vigente. Transcrevese ementa do acórdão da DRJ: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 5 4 Do Recurso Voluntário Em 14/12/2011, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Aviso de Recebimento dos Correios. Ainda inconformada, em 12/01/2012 a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 5072), no qual: Declara que apura IRPJ e CSLL pelo lucro real e, recolhe os valores de estimativa mensal e que, mês a mês, levanta balencete, o qual transcreve em seu Livro Diário, e que evidencia os pagamentos excessivos realizados com base na estimativa; Acrescenta que nem o Despacho Decisório, nem o acórdão recorrido, discutem ou põem em dúvida o acerto dos excedentes compensados e que limitamse a justificar seu procedimento com base na IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 e no art. 74, inc. IX da Lei n.9.784/96; Em seguida, destaca que os limites da lide dizem respeito à questão de direito e reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o direito à compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.853, de 18/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.913407/200997, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.853): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade reiterando seu direito à compensação de estimativas mensais. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, e o contribuinte apresenta recurso voluntário onde reitera que em razão de pagamentos indevidos de estimativa mensal, Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 6 5 conforme apuração em balancetes mensais, teria direito à compensação dos valores pagos em excesso. No presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal. A Unidade de Origem sequer analisou o mérito do direito creditório, tampouco deu oportunidade ao contribuinte para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. Há de se fazer a distinção entre compensação de pagamento de estimativa mensal devido e que deveria compor o saldo negativo ao final do anocalendário, daquele pagamento efetuado em valores superiores ao que a lei determina para fins de cálculo de estimativa mensal. Com efeito, entendo ser possível a compensação/restituição de recolhimento a título de estimativa mensal, desde que caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Dessarte, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que, tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.908418/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 08 41 8/ 20 12 -9 7 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11020.908418/201297 Resolução nº 3302001.058 S3C3T2 Fl. 3 2 de nº 38258.34058.270507.1.2.041228, nos termos do despacho decisório emitido em 01/08/2012 (rastreamento de nº 029237079). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 27/05/2007, a contribuinte indicou um crédito de R$ 440,15, referente ao pagamento efetuado em 15/02/2006, de PIS/PASEP, código de receita 6912, no valor total de R$ 440,15. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de mesmo tributo e período de apuração, de acordo com as informações da DCTF transmitida pela Interessada. Em decorrência, a restituição foi indeferida com base no art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada em 16/08/2012, a Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade em 13/09/2012. Alega que a atividade da empresa é de montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Porém, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. Demonstra, então, o valor a restituir a que entende ter direito. Anexa a relação de notas fiscais do período de apuração em análise, buscando comprovar o total da receita mensal sobre o qual a contribuição deve incidir e o Darf, comprovando o pagamento. Requer a acolhida da Manifestação de Inconformidade A 3ª Turma da DRJ Curitiba (RS) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0644.608, de 11 de dezembro de 2013, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: . ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2006 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO. DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado em DCTF para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. CONTRATO DE EMPREITADA. Apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar que a contribuinte executou obras por empreitada de construção civil, sendo imprescindível a juntada do contrato de empreitada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11020.908418/201297 Resolução nº 3302001.058 S3C3T2 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em relação a não retificação da DCTF, o próprio relator menciona a possibilidade de retificação de ofício pela autoridade fiscal; b) As empresas que tiveram receitas decorrentes da execução por administração, empreitada e subempreitada, de construção civil estão sujeitas ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins; e c) De fato, as notas fiscais não discriminam os serviços. Por esse motivo, estão em anexo ao recurso voluntário os respectivos contratos de prestação de serviços. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, para que se possa acolher a alegação da contribuinte, ou seja, de que exerceu, no período analisado, “obras por empreitada de construção civil” é imprescindível o cumprimento de dois requisitos essenciais: a existência do contrato de empreitada e a relação de serviços efetivamente executados neste contrato. Ressaltese que o campo “discriminação” das notas fiscais trazidas pela manifestante aos autos não permite conhecer quais foram os serviços realizados (se a montagem de estruturas é permanente ou temporária, por exemplo) e, portanto, se enquadram na norma supra. Enfim, apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar o que se pretende. Por tal razão, não é possível reconhecer que houve pagamento indevido ou a maior no Darf objeto da Dcomp em análise. O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou cópias das notas fiscais referentes aos valores em discussão e os respectivos contratos. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11020.908418/201297 Resolução nº 3302001.058 S3C3T2 Fl. 5 4 documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Regressando aos autos, temos que na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o objeto social da sociedade é montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Não obstante, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade tendo como fundamento a falta de comprovação de seu direito por intermédio de contratos. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo, ao interpor, acostou aos autos contratos de prestação de serviços, documentos, segundo a primeira instância, essenciais para comprovação de seu direito. Os contratos apresentados, em uma análise perfunctória, sugerem a modalidade empreitada e podem indicar que o sujeito passivo possuía o direito de recolher as contribuições no regime cumulativo. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720081/2017-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ÁGIO. SÚMULA CARF Nº 116.
Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Súmula CARF nº 116.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2013
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO POR INTERMÉDIO DE EMPRESA VEÍCULO. INEXISTÊNCIA, IN CASU, DE TRANSFERÊNCIA DE BENEFÍCIO FISCAL.
O uso de empresa veículo e de incorporação reversa não prejudicam o direito de amortizar fiscalmente o ágio, mormente quando tal proceder se justificou para cumprir exigências regulatórias e nenhum benefício adicional em termos fiscais para a recorrente restou demonstrado.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme o disposto nos itens 1 e 4 da alínea "c" do §1º do art. 2º da Lei 7.689/88, o resultado da equivalência patrimonial deve ser neutralizado da base de cálculo da CSLL. Como a amortização do ágio integra os ajustes por equivalência patrimonial, não pode esta, por conseguinte, impactar a apuração da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1201-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo do IRPJ, em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Efigênio de Freitas Júnior e Neudson Cavalcante Albuquerque (Relator), que negavam provimento; b) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo da CSLL, em negar provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto, que afastavam a glosa. c) Em relação ao ágio EVRECY, negar-lhe provimento, por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ÁGIO. GLOSA. Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSAO DE ENERGIA ELETRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ÁGIO. SÚMULA CARF Nº 116. Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Súmula CARF nº 116. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2013 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO POR INTERMÉDIO DE EMPRESA VEÍCULO. INEXISTÊNCIA, IN CASU, DE TRANSFERÊNCIA DE BENEFÍCIO FISCAL. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa não prejudicam o direito de amortizar fiscalmente o ágio, mormente quando tal proceder se justificou para cumprir exigências regulatórias e nenhum benefício adicional em termos fiscais para a recorrente restou demonstrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o disposto nos itens 1 e 4 da alínea "c" do §1º do art. 2º da Lei 7.689/88, o resultado da equivalência patrimonial deve ser neutralizado da base de cálculo da CSLL. Como a amortização do ágio integra os ajustes por equivalência patrimonial, não pode esta, por conseguinte, impactar a apuração da base de cálculo da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 81 /2 01 7- 07 Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.374 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo do IRPJ, em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Efigênio de Freitas Júnior e Neudson Cavalcante Albuquerque (Relator), que negavam provimento; b) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo da CSLL, em negar provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto, que afastavam a glosa. c) Em relação ao ágio EVRECY, negarlhe provimento, por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSAO DE ENERGIA ELETRICA PAULISTA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0281.106 (fls. 3153), pela DRJ Belo Horizonte, interpôs recurso voluntário (fls. 3195) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O presente processo trata de lançamentos tributários para exigir IRPJ e CSLL (fls. 1635), relativos ao ano 2013, bem como juros de mora e multa de ofício (75%), em razão das glosas de despesa na amortização do ágio oriundo da aquisição da antiga CTEEP e da EVRECY. A fiscalização concluiu que o contribuinte não poderia ter deduzido da base de cálculo dos tributos os valores correspondentes à amortização do ágio pago na privatização da CTEEP, conforme o entendimento de que este lhe foi indevidamente transferido do real investidor, por meio da interposição de empresa veículo, o que impediu a necessária confusão patrimonial entre a empresa investidora e a empresa investida, conforme o seguinte excerto do TVF (fls. 1626): Portanto, o direito à dedutibilidade da amortização do ágio, nos termos da Lei n° 9.532/97, não pode ser simplesmente transferido de uma sociedade a outra. A mera projeção do ágio da investidora original para ser amortizada numa outra sociedade qualquer, sem que ocorra a necessária confusão patrimonial, além de não atender a Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.375 3 nenhuma das regras de dedutibilidade, geram lançamentos contábeis que conflitam com os princípios contábeis da Entidade e do Confronto das Despesas com as Receitas, o que só vem a reafirmar inadmissibilidade do aproveitamento fiscal desses encargos de amortização. Ademais, a fiscalização entendeu que o fundamento do ágio também não foi regularmente estabelecido, uma vez que o laudo apontado para demonstrar a expectativa de rentabilidade futura foi apresentado muito após a operação de aquisição, conforme o seguinte excerto (fls. 1627): Percebese que, quando do lançamento contábil do ágio apurado na aquisição da CTEEP pela ISA Capital em 28/06/2006 e 09/01/2007, não existia qualquer documentação que pudesse indicar e atestar o fundamento econômico desse ágio pago. O laudo de que se vale o sujeito passivo para fundamentar o ágio foi apresentado à direção da ISA Capital somente em 30/01/2008, ou seja, decorridos mais de um ano das datas em que os ágios foram registrados contabilmente. Assim, aludido laudo de avaliação de rentabilidade futura não se presta, sob a perspectiva formal, a dar fundamento econômico ao ágio por ter sido elaborado e apresentado de forma intempestiva, além de se referir à situação patrimonial/econômica da CTEEP em 31/12/2007, enquanto que as parcelas dos ágios registrados contabilmente têm por datasbase 30/06/2006 e 31/12/2006. No mesmo TVF, é possível encontrar uma síntese gráfica das mutações societárias realizadas na aquisição da CTEEP, a seguir reproduzida (fls. 1598): Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.376 4 Da mesma forma, fiscalização concluiu que o contribuinte não poderia ter deduzido da base de cálculo dos tributos os valores correspondentes à amortização do ágio pago na aquisição da EVRECY. O próprio contribuinte reconheceu que a dedução era indevida, uma vez que não houve a absorção do patrimônio da empresa adquirida, e fez recolhimentos adicionais voluntários correspondentes de IRPJ e CSLL, com juros de mora e multa de mora (20%). Todavia, a fiscalização entendeu que o contribuinte recolheu esses tributos a menor do que o devido e que não se aplicaria a denúncia espontânea, uma vez que os recolhimentos ocorreram após o início do presente procedimento fiscal, conforme o seguinte excerto do TVF (fls. 1631): Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.377 5 Considerando que o IRPJ e a CSLL calculados sobre as aludidas despesas de amortização de ágio, indevidamente computadas no resultado do anocalendário de 2013, foram pagos somente em 17/09/2015, quando já havia se instaurado o presente procedimento de fiscalização contra o sujeito passivo, cujo início se deu em 27/04/2015, com a ciência ao sujeito passivo do Termo de Início do Procedimento Fiscal, não é cabível a denúncia espontânea aos aludidos pagamentos, mormente por se referirem ao objeto do procedimento fiscal em curso (IRPJ e reflexos dos anoscalendário de 2012 e 2013). Ademais, conforme já destacado acima, a despesa de amortização de ágio registrado na conta 6314100011 AMORTIZAÇÃO DO AGIO de sua ECD (Doc. 36) foi de R$ 2.490.393,79, e não de R$ 2.389.598,59 valor este adotado pelo sujeito passivo como base de cálculo para o IRPJ e a CSLL pagos por meio dos aludidos Darfs, referentes ao AC 2013. O contribuinte impugnou os lançamentos tributários (fls. 1656). A decisão de primeira instância, ora recorrida, considerou improcedente a impugnação (fls. 3195). O recurso voluntário apresentado em seguida (fls. 2660) traz os argumentos sintetizados a seguir. Quanto ao ágio da CTEEP: i) a fiscalização afirmou que o laudo que dá o fundamento econômico do ágio da CTEEP é extemporâneo, todavia há laudo contemporâneo à aquisição da participação societária que indica a expectativa de rentabilidade futura; ii) a decisão recorrida não tratou dessa matéria, apesar de ser objeto da impugnação, o que leva à sua nulidade; iii) a desconsideração dos efeitos da reorganização societária laborada pela fiscalização não está embasada em qualquer dispositivo legal, mas unicamente em uma suposta ausência de substância econômica ou de motivação extratributária, o que também leva à sua nulidade; iv) embora o ágio tenha sido amortizado para fins fiscais somente a partir de fevereiro de 2008, os fatos que deram origem a tal direito ocorreram entre julho de 2006 e fevereiro de 2008, de forma que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos para o lançamento, o qual ocorreu apenas em 2017; v) a alegada inexistência de propósito negocial decorre de uma análise segmentada das operações societárias realizadas, de forma que a conclusão da fiscalização não considera fatos importantes, como as restrições oriundas da CVM e da ANEEL (endividamento) para que houvesse a incorporação da ISA CAPITAL, as quais forçaram a adoção do modelo ora condenado pela fiscalização, ainda que este seja desvantajoso sob o aspecto tributário (tributação dos JCP, efeito das despesas financeiras no lucro); vi) os requisitos e condições para o aproveitamento do ágio são somente aqueles veiculados pelo artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, devendo ser rechaçada a tentativa de criar condições inexistentes na legislação; vii) o artigo 386 do RIR/99 autoriza a amortização do ágio quando uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra na qual detém participação societária adquirida com ágio, não sendo necessário que o ágio detido tenha sido gerado por ela; Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.378 6 viii) a aquisição de participação societária por valor acima do valor patrimonial da parcela adquirida, referida no artigo 385 do RIR/99, não abrange apenas as operações de compra e venda de participação societária, mas também quaisquer outras transações que resultem na aquisição de investimento, como é o caso da integralização de capital operada entre ISA CAPITAL e ISA PARTICIPAÇÕES; ix) a alegação de dupla recuperação fiscal do ágio, levantada pela fiscalização, é meramente retórica; x) a jurisprudência do CARF afasta a desqualificação do ágio quando realizada em razão da utilização de empresa veículo; Quanto ao ágio da EVRECY xi) o valor deduzido do ágio é R$ 2.389.598,59, que é o valor do ágio para fins tributários. O valor apontado pela fiscalização (R$ 2.490.393,79) corresponde ao valor contábil do ágio e não deve ser considerado pela fiscalização; xii) os valores de IRPJ, juros de mora e multa de mora (20%) recolhidos voluntariamente devem ser considerados como liquidação dos valores exigidos; xiii) os valores de CSLL, juros de mora e multa de mora (20%) recolhidos voluntariamente são indevidos, tento sido recolhidos por erro Outros argumentos: xiv) a dedução da amortização do ágio é regra na tributação da CSLL, não existindo qualquer dispositivo legal que a vede; xv) a cobrança de juros sobre a multa é ilegal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 03/04/2018 (fls. 3192) e seu recurso voluntário foi juntado aos autos em 03/05/2018 (fls. 3193). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente opõese à decisão de primeira instância com os argumentos a seguir apresentados e apreciados. 1 CTEEP O primeiro objeto dos lançamentos tributários em análise é a glosa, pela fiscalização, de despesas com a amortização de ágio na aquisição da CTEEP, ora combatida no presente recurso. Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.379 7 A questão tem como cenário jurídico dispositivos do DecretoLei nº 1.598/1977, combinados com dispositivos da Lei nº 9.532/1977, a seguir transcritos, com a redação vigente na época dos fatos: DECRETOLEI Nº 1.598/1977 Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: [...] b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada. com base cm previsão dos resultados nos exercícios futuros; [...] §3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. [...] Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. LEI Nº 9.532/1997 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.380 8 [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: [...] b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Também há referências, nos autos, aos artigos 385 e 386 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/1999), mas estes são uma reprodução das regras contidas nos dispositivos legais acima transcritos, de forma que é suficiente tratar diretamente com as leis. A apreciação da lide exige, como é comum, uma exposição clara dos fatos, pelo que passo a resumilos: i) a CTEEP era uma empresa de capital misto, com controle do Estado de São Paulo, e foi incluída em programa de privatizações; ii) a empresa colombiana INTERCONEXIÓN mobilizouse para participar dos leilões de aquisição da CTEEP. Para tanto, foi constituída a empresa ISA CAPITAL, em 28/04/2006, em que a INTERCONEXIÓN detinha mais de 99% do capital; iii) a ISA CAPITAL adquiriu 37,46% do capital da CTEEP (leilões de 28/06/2006 e 09/01/2007), adquirindo o seu controle. Para tanto, pagou ágil no total de R$ 806.710.702,03. Verifico que, até esse ponto, construiuse uma estrutura típica das privatizações da época, ou seja, um empresa estrangeira constituindo uma empresa nacional com o propósito específico de participar do leilão de privatização e esta adquirindo a empresa estatal com ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. O próximo passo esperado seria a incorporação da ISA CAPITAL pela CTEEP, para a implementação do quarto requisito para a amortização do ágio, qual seja, a absorção do patrimônio de uma empresa pela outra, investidora e investida. Todavia, isso não aconteceu. Prosseguindo na descrição dos fatos, temos: iv) foi constituída a empresa ISA PARTICIPAÇÕES em 10/07/2007 e a ISA CAPITAL subscreveu 100% do seu capital social, integralizandoo com os títulos da CTEEP; v) a ISA PARTICIPAÇÕES passou a contabilizar o ágio pago pela ISA CAPITAL; vi) a CTEEP incorporou a ISA PARTICIPAÇÕES e passou a amortizar o ágio. O recorrente justifica a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES com o fato de a ISA CAPITAL estar consideravelmente endividada, em razão da capitação de recursos no mercado financeiro, com o propósito de adquirir a CTEEP, e que a CVM e a ENEEL não permitiam a incorporação nessas condições. Dessa forma, o contribuinte viuse obrigado a utilizar a ISA PARTICIPAÇÕES para complementar o processo de aquisição da CTEEP. A fiscalização glosou as deduções de amortização da CTEEP por entender que a ISA PARTICIPAÇÕES não detinha ágio passível de amortização antes da sua incorporação pela CTEEP e por entender que o laudo que dá o fundamento econômico do ágio é ineficaz por ser extemporâneo. Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.381 9 Por seu turno, o recorrente entende que a ISA PARTICIPAÇÕES adquiriu o ágio em tela junto com a aquisição dos títulos da CTEEP e que existe laudo contemporâneo à aquisição que aponta o fundamento econômico do ágio. Essa é a controvérsia que nos cabe solucionar. 1.1 LAUDO TEMPORANEIDADE A glosa da amortização do ágio da CTEEP possui, entre seus fundamentos, a acusação de que o laudo apontado para demonstrar a expectativa de rentabilidade futura, a qual é apontada pelo contribuinte como fundamento do ágio, foi apresentado muito após a operação de aquisição da participação societária. O recorrente combate essa acusação em dois tópicos, a seguir analisados. 1.1.1 Nulidade Omissão na decisão recorrida Inicialmente, o recorrente afirma que a decisão recorrida não tratou da acusação de que o laudo apresentado para fundamentar a expectativa de rentabilidade futura era extemporâneo, apesar de ter sido expressamente combatido na impugnação. Afirma ainda que essa omissão macula de nulidade aquele julgamento, por configurar "supressão de instância, cerceamento do direito de defesa e do devido processo legal". Assiste razão ao contribuinte quando aponta a referida omissão. De fato, a decisão recorrida não tratou da questão da temporaneidade do laudo que indica o fundamento econômico do ágio, abordou apenas o outro fundamento, a impossibilidade de transferência do ágio e, por ele, manteve os lançamentos tributários. Todavia, entendo que a decisão a quo não é nula por essa razão, uma vez que os apontados fundamentos dos lançamentos tributários são autônomos e, individualmente, suficientes para a glosa realizada. Considerando que um dos fundamentos foi mantido, a omissão quanto a análise do outro fundamento, ainda que indesejável, não dá ensejo à nulidade reclamada, uma vez que o resultado da análise omitida, seja positivo ou negativo, em nada interferiria na análise do outro fundamento, que é, isoladamente, suficiente para manter a exigência tributária. Saliento, todavia, que a omissão em tela poderia redundar em supressão de instância caso a questão da temporaneidade do laudo seja apreciada no presente julgado. 1.1.2 Existência de laudo contemporâneo à aquisição O recorrente afirma que a fiscalização cometeu um equívoco ao considerar que o laudo que trouxe o fundamento econômico do ágio em tela foi aquele produzido pela DDT, em momento posterior à aquisição da CTEEP, quando este fundamento, na verdade, teria sido trazido pelo laudo produzido pela BBVA, na época da aquisição. Conforme já apontado acima, a decisão recorrida não apreciou a acusação de extemporaneidade do laudo que trata do fundamento do ágio, não havendo manifestação sobre este tópico. Assim, entendo que ele também não pode ser apreciado agora, em sede de apelação. Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.382 10 Quando muito, o processo poderia retornar para a instância a quo, conforme requereu o recorrente, mas somente no caso de o outro fundamento, autônomo, não se sustentar. Antes disso, não existe a necessidade de decidir sobre a matéria. 1.2 NULIDADE REESTRUTURAÇÃO DESCONSIDERAÇÃO Ainda em sede de preliminar, o recorrente afirma que a decisão recorrida desconsiderou o negócio jurídico realizado pelo contribuinte, na medida em que teria considerado a incorporação da ISA Participações pela CTEEP sem substância jurídica. Afirma que essa decisão não tem fundamento jurídico e, como tal, padece de nulidade. Verifico que a decisão recorrida corroborou o entendimento da fiscalização de que o ágio gerado na aquisição da CTEEP pela ISA Capital não poderia ser transferido para a ISA Participações, conforme apontado no TVF. Da mesma forma, a decisão atacada corroborou o entendimento da fiscalização pelo qual a ausência de atividade operacional da ISA Participações também afastaria a incidência da norma que autoriza a dedutibilidade da amortização do ágio, nos seguintes termos (fls. 3174): Ademais, a sociedade ISA Participações não exerceu qualquer atividade operacional durante seu curto período de existência. Os únicos registros contábeis realizados diziam respeito à integralização e aumento de seu capital, e a sua incorporação (TVF. fl. 1616). Destaquese que. ao prever o benefício fiscal da amortização do ágio, o legislador vinculouo a uma operação de reorganização societária: incorporação, fusão ou cisão (Decreto 3.000/1999, art. 386. III). [...] A incorporação sem substância econômica que une em uma única sociedade uma pessoa jurídica existente no mundo dos negócios e outra sem existência econômica não é bastante para configurar o requisito legal que autoriza a amortização fiscal do ágio. Nesse caso, a incorporação é ficta. Não é um negócio jurídico oponível ao Fisco. Verifico que a fiscalização entendeu que não havia propósito negocial na interposição da ISA Participações nas operações societárias em tela e que este fato permite afastar os correspondentes efeitos tributários. Todavia, a decisão recorrida deu um passo a mais ao considerar que a incorporação da ISA Participações pela CTEEP é ficta. Entendo que a alegação do recorrente de falta de fundamento legal para considerar ficta a referida incorporação não macula de nulidade a decisão recorrida, ainda que esta possa ser afastada por falta de fundamento legal. A nulidade de ato processual decisório ocorre apenas quando este tem como efeito alguma violação ao devido processo legal, nos termos do artigo 591 do Decreto nº 70.235/72, não sendo cabível quando há decisão fundamentada, ainda que o fundamento possa ser afastado. Na espécie, a decisão possui fundamentação e é exatamente esta fundamentação que permitiu ao recorrente reclamar do fundamento adotado. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.383 11 Assim, afasto a presente preliminar de nulidade. O mérito quanto à alegada ausência de propósito negocial e aos seus efeitos fiscais será abordado mais adiante. 1.3 DECADÊNCIA O recorrente afirma que o crédito tributário exigido foi atingido pela decadência, considerando que os fatos que deram origem ao direito de deduzir o ágio ocorreram entre julho de 2006 e fevereiro de 2008 e a ciência dos autos de infração em tela ocorreu apenas em 2017. Conforme já foi relatado, os presentes lançamentos tributários foram lançados para exigir IRPJ e CSLL relativos ao ano 2013, em que o contribuinte deduziu das bases de cálculo dos tributos despesas com a amortização de ágio surgido quando a CTEEP foi privatizada, em 2006. O recorrente defende a tese de que a contagem do prazo de decadência deve iniciar com o surgimento do ágio, independentemente de quando este foi ou será amortizado e deduzido. Todavia, essa tese foi superada pela Súmula CARF nº 116, pela qual foi pacificado o entendimento de que a contagem do prazo de decadência deve iniciar com a dedução do ágio na apuração dos tributos, verbis: Súmula CARF n°116 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Com isso, entendo que não procede a reclamação de decadência. 1.4 PROPÓSITO NEGOCIAL A fiscalização demonstrou que a empresa ISA Participações foi criada a partir da empresa ISA Capital e com o único propósito de ser incorporada pela CTEEP e assim possibilitar que esta amortizasse o ágio adquirido pela ISA Capital. Diante desse fato, a fiscalização concluiu que não havia propósito negocial nas mutações envolvendo a ISA Participações e glosou a dedução do ágio por parte da CTEEP. O recorrente afirma que o propósito negocial da ISA Participações não pode ser tomado de forma isolada, mas sim em relação ao conjunto de operações que envolveram a privatização da CTEEP. Nesse contexto, em apertada síntese, afirma que a privatização foi realizada dentro dos padrões de legalidade e de procedimentos, tendo como ator principal a empresa ISA Capital. Afirma ainda que a interposição da ISA Participações foi necessária em razão da impossibilidade de a CTEEP incorporar a ISA Capital, por restrições de caráter regulatório, uma vez que esta estava com endividamento acima do que seria permitido pela CVM e pela ANEEL. A utilização de empresa novel, efêmera e com um único e específico propósito (empresa veículo) em mutações societárias tem sido questionada desde que a lei nº Fl. 3383DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.384 12 9.532/1997, nos seus artigos 7º e 8º, autorizou a antecipação da amortização do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura quando ocorre a absorção patrimonial entre adquirida e adquirente. Sendo necessária a absorção patrimonial, ou seja, o desaparecimento de uma das duas, e não sendo possível ou desejável o desaparecimento da investidora, a empresa veículo surgiu como uma solução empírica. Esse fenômeno é claramente relacionado à política de privatizações de empresas estatais, adotada na época do advento da referida lei. Naquela ocasião, empresas estrangeiras e consórcios de empresas nacionais foram impelidas a criar empresas veículos, de forma que houvesse uma única pessoa jurídica nacional que aglutinasse o patrimônio destinado à aquisição da estatal, vindos de fontes múltiplas e/ou estrangeiras. Assim, havia uma clara distinção entre os investidores e o adquirente. Todavia, também é certo que o mesmo artifício pode ser utilizado para criar uma situação meramente formal que, apesar de estar descolada da realidade econômica da atividade empresária, poderia ser entendida como a hipótese de aplicação da referida lei. Por exemplo, quando a alegada mutação societária apenas realiza uma reavaliação patrimonial da própria empresa, no que ficou conhecido como ágio interno. Portanto, entendo que não é a utilização de uma empresa veículo que pode determinar, isoladamente, o descumprimento dos requisitos legais para a amortização do ágio. Na espécie, a investidora é a empresa colombiana Interconexión, a qual providenciou a estruturação da empresa nacional ISA Capital com a finalidade de adquirir a empresa estatal nacional CTEEP. Conforme o procedimento usual das privatizações realizadas naquela época, era de se esperar que a CTEEP incorporasse a ISA Capital. Todavia, a opção do contribuinte foi interpor uma nova empresa veículo, a ISA Participações, sob o argumento de que o nível de endividamento da ISA Capital impediria a sua incorporação, conforme as normas da CVM e da ANEEL. Ademais, o contribuinte informa que a solução adotada não gerou ganho tributável, uma vez que a carga tributária sobre essa operação seria maior do que se a ISA Capital tivesse sido a empresa incorporada. Entendo que há artificialidade na interposição da empresa ISA Participações, sob o aspecto econômico, uma vez que esta não participou do procedimento de privatização, mas apenas do procedimento de aproveitamento tributário do custo do ágio, ou seja, a sua dedução. Salientese que a CTEEP já era uma empresa privada, pertencente à ISA Capital, quando a ISA Participações foi criada. Assim, a interposição da ISA Participação não possui um propósito negocial. Não há um negócio entre as três empresas envolvidas, apenas uma reorganização acionária, dentro do mesmo grupo econômico, realizado de forma instantânea, cujo único efeito é a migração contábil do registro do ágio pago. Entendo que não é possível aceitar o argumento do recorrente de que a interposição da ISA Participações surgiu da impossibilidade de a ISA Capital ser incorporada pela CTEEP, uma vez que o contribuinte tinha a opção legal, razoável e esperada de sanear a empresa ISA Capital, o que faria desaparecer as referidas barreiras regulatórias, todavia com maior ônus financeiro. Portanto, a opção adotada pelo contribuinte não teve causa determinante nas exigências dos órgãos reguladores, mas sim na vontade de não arcar com o ônus financeiro da operação que permitiria a regular dedução do ágio, o que levou à opção pela solução artificial e meramente escritural. Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.385 13 Com isso, concluo que a interposição da empresa ISA Participações não possuiu propósito negocial, seja do ponto de vista local, seja do ponto de vista geral das operações societárias realizadas. 1.5 CRITÉRIOS LEGAIS Além da alegada extemporaneidade do laudo que traz o fundamento econômico, conforme já tratado acima, a fiscalização fundamenta a glosa de despesa com ágio com o entendimento de que o ágio foi gerado quando a ISA Capital adquiriu a CTEEP e que esse ágio não pode ser transferido. Assim, quando a CTEEP incorporou a ISA Participações, esta não seria detentora de direito à dedução do ágio suportado pela ISA Capital. O recorrente combate esse entendimento, afirmando que a ISA Participações adquiriu a CTEEP da ISA Capital com ágio, de forma que o direito à dedução do ágio se concretizou quando a CTEEP incorporou a ISA Participações, nos seguintes termos (fls. 3260): 285. Com efeito, a ISA Participações adquiriu participação na Recorrente por meio de uma operação absolutamente legítima, tendo apurado ágio em tal aquisição (o qual estava lastreado em preço efetivamente pago a terceiros). Posteriormente, foi a ISA Participações incorporada pela Recorrente, ocorrendo unificação patrimonial entre investidora e investida, tudo de acordo com as normas fiscais, societárias e contábeis então em vigor. 286. O conceito é bastante simples e direto: o ágio tem origem na aquisição de participação societária por valor superior ao valor patrimonial da participação adquirida. Ademais, considerando que os dispositivos aplicáveis não trazem qualquer restrição à modalidade de aquisição da participação societária que daria ensejo ao registro do ágio, devese entender que a aquisição em questão (mencionada pelo artigo 385 do RIR) não abrange apenas as operações de compra e venda de participação societária, mas também quaisquer outras transações que resultem na aquisição de investimento em pessoa jurídica por outra, como as situações em que determinada sociedade recebe, em integralização de capital, participação societária em outra empresa. 287. É o que ocorreu no caso em tela: ao adquirir participação societária na Recorrente após o aumento de capital efetuado pela ISA Capital, a ISA Participações segregou o valor pelo qual a participação foi contribuída em investimento (equivalente ao patrimônio líquido) e ágio. Deve ser salientado que a ISA Participações, uma empresa veículo, adquiriu a CTEEP da ISA Capital quando esta integralizou as ações emitidas pela ISA Participações, oferecendo as ações da CTEEP. A integralização se deu pelo valor pago pela ISA Capital quando esta adquiriu a CTEEP. A ISA Participações apenas replicou os registros relativos ao valor contábil e ao ágio que a ISA Capital havia contabilizado. Tratase, portando, de uma operação de transferência de ágio. O Código Civil Brasileiro, no seu artigo 9972, III, permite que o capital da sociedade empresária seja compreendido por qualquer espécie de bens, desde que suscetíveis de avaliação pecuniária. Esse dispositivo legal não menciona, mas é certo que a expressão 2 Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: III capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.386 14 "qualquer espécie de bens" não é absoluta, pois o bem indicado para compor o capital social de uma sociedade deve ser disponibilizado pelo seu proprietário e sabese que há bens indisponíveis, em razão de lei ou em razão de sua própria natureza. Por exemplo, não se pode integralizar o capital de uma sociedade com o um automóvel se ele tiver sido declarado indisponível por meio de uma decisão judicial. Também, por exemplo, não se pode fazer uma integralização de capital com o conhecimento em Direito detido pelo pretendido sócio, por ser impossível destacálo da pessoa que o detém. Nesses casos, a eventual cláusula contratual correspondente não teria validade jurídica. Na espécie, não há dúvida de que as ações da CTEEP são bens e podem ser alienados. Também não há dúvida de que o ágio é um bem, mas perquirese se ele pode ser alienado. Para tanto, é necessário um aprofundamento quanto a sua natureza. Salientese que aquilo que temos chamado aqui de "ágio" não é o recurso financeiro dado a mais do valor patrimonial das ações da CTEEP, isso é apenas a sua medida. Tampouco é o registro contábil desse valor. O que temos chamado de "ágio" é uma expectativa de direito, oponível contra o Fisco, de pagar menos tributo no momento da alienação ou liquidação das ações da CTEEP (artigo 33 do DecretoLei nº 1.598/1977) ou de pagar menos tributo se houver a absorção do patrimônio da CTEEP (artigo 7º Lei nº 9.532/1997), ou o contrário (artigo 8º da mesma lei). O direito, na verdade, somente surge quando atendidas as condições legais. Em razão de ser criado por uma lei, em que são estipuladas condições para o seu exercício, o que temos chamado de "ágio" é um bem jurídico condicionado, ou seja, uma expectativa de direito que somente ganha concretude mediante o atendimento das condições estipuladas nas leis que a criou. Por ser oponível apenas contra o Fisco, o "ágio" é bem jurídico condicionado de natureza tributária. Salientese, ainda, que as condições legais para o surgimento do direito subjetivo somente pode ocorrer uma única vez, ou seja, a ISA CAPITAL pode alienar uma mesma ação da CTEEP apenas uma única vez (artigo 33 do DecretoLei nº 1.598/1977) e somente pode haver a absorção de patrimônio entre ISA CAPITAL e CTEEP apenas uma única vez. Assim, o "agio" é um bem que se exaure no momento em que surge. Em resumo, o "ágio" é uma expectativa de direito condiciona que se exaure no momento de sua realização e, sendo assim, é um bem indisponível, pela sua própria natureza, não sendo apto a integralizar capital social subscrito. Em razão dessa sua natureza, as atuais normas contábeis brasileiras determinam que o registro do "ágio" com fundamento em expectativa de rentabilidade futura seja escriturado como um "ativo fiscal diferido", nos termos dos itens 5 e 32A do Pronunciamento Técnico CPC 32, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata dos Tributos sobre o Lucro, verbis: 5. Os seguintes termos são utilizados neste Pronunciamento com os significados especificados: [...] Ativo fiscal diferido é o valor do tributo sobre o lucro recuperável em período futuro relacionado a: (a) diferenças temporárias dedutíveis; Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.387 15 (b) compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados; e (c) compensação futura de créditos fiscais não utilizados. [...] 32A. Se o valor contábil do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) que surgir de combinação de negócios for menor do que a sua base fiscal, a diferença dá margem a ativo fiscal diferido. O ativo fiscal diferido advindo do reconhecimento inicial do ágio será reconhecido como parte da contabilização de combinação de negócios na medida em que for provável que estará disponível lucro tributável contra o qual a diferença temporária dedutível poderá ser utilizada. Embora esta norma contábil não estivesse em vigor na época da aquisição da CTEEP, ela ilustra bem a natureza do bem utilizado para integralizar as ações da ISA Participações. É inquestionável o fato de que o titular original do "ágio" é a ISA CAPITAL. Também é inquestionável o fato de que nunca houve absorção patrimonial entre as entidades ISA CAPITAL e CTEEP, o que implica dizer que a ISA CAPITAL nunca adquiriu o direito de reduzir o pagamento de tributos em razão do artigo 7º Lei nº 9.532/1997. Todavia, a ISA CAPITAL alienou as ações da CTEEP para a ISA PARTICIPAÇÕES. Nesse momento, adimpliu a condição estipulada no artigo 33 do Decreto Lei nº 1.598/1977 e fez surgir o direito de pagar menos tributos diante de eventual ganho de capital nessa alienação. Portanto, o "ágio", a expectativa de direito condicionada de que falamos, se consumou e se exauriu nesse momento. Com isso, entendo que a ISA PARTICIPAÇÕES não adquiriu o "ágio" da ISA CAPITAL, pois esse se exauriu no momento em que as ações da CTEEP foram alienadas para ela. Portanto, se a ISA PARTICIPAÇÕES contabilizou um ágio na aquisição das ações da CTEEP, este não pode ser o mesmo que surgiu quando a ISA CAPITAL adquiriu as mesmas ações. Tratandose de uma nova aquisição, o ágio que possa surgir na operação também é novo e deve atender aos requisitos legais: efetivo pagamento, partes não relacionadas e avaliação legítima. Nenhum desses requisitos foi satisfeito pela ISA PARTICIPAÇÕES, de forma que esta não adquiriu a expectativa de direito de que se tem tratado e a absorção patrimonial que se seguiu não fez surgir o direito reclamado pelo recorrente. Verifico que não procede a afirmação do recorrente de que a fiscalização desconsiderou os efeitos da reorganização societária realizada. Todos os atos praticados para a construção do modelo adotado foram considerados em seus efeitos, todavia, o contribuinte reclama de um efeito que não advém desse modelo (aquisição de ágio), nos termos da legislação de comento. Este efeito, sim, foi desconsiderado, por ser indevido. O recorrente ainda alega que o modelo das mutações societárias em tela não trouxe ao grupo INTERCONEXIÓN ISA CAPITAL CTEEP qualquer vantagem de natureza tributária, pelo contrário, a incorporação direta da ISA CAPITAL pela CTEEP, sem a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES, teria sido menos oneroso e somente não foi adotada em razão de exigências regulatórias. Fl. 3387DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.388 16 Todavia, a comparação entre o modelo adotado de fato e o modelo em que a CTEEP absorveria a ISA CAPITAL, sem a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES, não faz sentido, no meu entender, uma vez que este modelo era impossível de ser concretizado, no dizer do próprio recorrente, por questões regulatórias. Não sendo uma alternativa possível, não há valor na sua comparação com a realidade. Melhor seria se o recorrente tivesse apresentado um estudo comparando o modelo de fato adotado a uma outra possibilidade, factível e bem intuitiva, em que a CTEEP não incorporasse qualquer empresa, ou seja, continuasse sendo uma subsidiária da ISA CAPITAL sem a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES. Entendo que, nessa possibilidade, o contribuinte teria os mesmos custos tributários do modelo atual, pois a configuração final é idêntica, todavia não teria a ocasião de deduzir o ágio, ora glosado, ou seja, a alternativa possível para o contribuinte era mais gravosa, sob o aspecto tributário. Outra possibilidade, já aventada e ainda mais intuitiva, seria o saneamento financeiro da ISA Capital, o que superaria as alegadas barreiras regulatórias para que a CTEEP incorporasse a ISA Capital, todavia haveria um custo financeiro. Tal fato demonstra que a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES teve a única finalidade de possibilitar que a CTEEP incorporasse alguma empresa e, assim, tivesse a oportunidade, ainda que aparente, de deduzir o ágio sem custos financeiros adicionais para o investidor. Diante do exposto, entendo que o contribuinte não atendeu aos requisitos legais para a dedução do ágio amortizado, sendo devida a glosa laborada pela fiscalização. 2 EVRECY Amortização de ágio O contribuinte adquiriu com ágio participação societária na empresa EVRECY e, no período fiscalizado, deduziu a amortização desse ágio. Após o início da presente ação fiscal, o contribuinte verificou que o referido ágio não era dedutível, uma vez que não houve a absorção do patrimônio da empresa adquirida. Em consequência, realizou recolhimentos voluntários correspondentes ao IRPJ e à CSLL correspondentes, com juros de mora e multa de mora (20%). A fiscalização fez os respectivos lançamentos tributários pelo valor total dos tributos devidos, com base de cálculo maior daquela utilizada pelo contribuinte em seus pagamentos voluntários. O recorrente impugnou os lançamentos, afirmando que o valor deduzido do ágio é R$ 2.389.598,59, que é o valor do ágio para fins tributários, sendo que o valor utilizado pela fiscalização (R$ 2.490.393,79), retirado da ECD corresponde ao valor contábil do ágio. Todavia, a DRJ corroborou a base de cálculo utilizada nos lançamentos, por entender que o contribuinte não provou a sua alegação. Ademais, a DRJ entende como incontroversa a parte do crédito tributário correspondente aos pagamentos voluntários e determina a sua segregação do processo, conforme o seguinte excerto (fls. 3178): Analisando a DIPJ 2014 retificadora anexada aos autos a partir da fl. 1189 não restou comprovado que a amortização foi realizada no valor alegado pelo contribuinte. Ressaltese ainda que em relação à DIPJ 2014 original entregue em 30/06/2014 o valor declarado na linha 55 da Ficha 6A a título de "Amort.Agio Aquis.Invest.Aval.PLIncorp..Fusão ou Cisão"' é exatamente o mesmo que consta na DIPJ 2014 retificadora, entregue em 20/02/2015. Em atenção a intimação da Fl. 3388DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.389 17 fiscalização, para justificar este valor de R$ 32.377.379,35 o contribuinte juntou os documentos de fls. 623/629, que, todavia, não permitem identificar os itens que o compõem nem sua forma de apuração. Assim, entendese que os valores objeto de lançamento, constantes no Razão, estão corretos, não tendo sido feita prova em contrário. Ainda na impugnação, o contribuinte afirma que o recolhimento voluntário de CSLL é indevido. No presente recurso voluntário, o contribuinte repisa os argumentos acima referidos, acrescentando sua inconformidade com a segregação do crédito tributário, realizada conforme a decisão recorrida, e ainda requerendo que os valores pagos voluntariamente sejam considerados na liquidação dos valores exigidos. Verifico que o primeiro pedido já foi realizado, nos termos do despacho de fls. 3359 da Derat/SP, o qual informa a reunificação do crédito tributário no presente processo. O pedido para que os valores pagos voluntariamente sejam considerados na liquidação dos valores exigidos não faz parte da presente lide, uma vez que esta é matéria relativa à execução da decisão. Salientese, a título de clareza, que os valores lançados devem ser os valores devidos, independentemente da existência ou não de pagamentos realizados voluntariamente após o início da ação fiscal, caso contrário, estaria sendo feita uma confusão entre o momento da constituição do crédito tributário, inclusive o contencioso administrativo, com o momento da sua satisfação. Assim, não cabe a manifestação do colegiado sobre esse pedido. Por fim, em relação ao valor glosado de dedução, verifico que o contribuinte, mais uma vez, não demonstrou como encontrou os valores utilizados em sua DIPJ a título de dedução de ágio, conforme já apontado na decisão recorrida. Embora seja certo que existe uma diferença entre a apropriação contábil da parcela deduzida e o valor correspondente levado para a apuração do lucro real, conforme se verifica pela comparação entre as fichas 06A e 07A da DIPJ (fls. 1198), o contribuinte não demonstra como foram encontrados tais valores e o quanto de cada um é devido ao ágio de EVRECY, de forma a refutar o valor utilizado pela fiscalização. O documento juntado por ocasião do recurso voluntário (fls. 3291) não atende a essa finalidade, pois não está identificado e apresenta valores incompatíveis com a DIPJ. Nesse documento, o valor total da conta demonstrada é R$ 90.292.497,55, em que R$ 2.389.598,59 seria relativo à EVRECY, todavia, os valores declarados a título de amortização de ágio na DIPJ são R$ 32.377.379,35 (ficha 06A) e R$ 32.276.584,15 (ficha 07A). Assim, entendo que o recorrente não conseguiu demonstrar que o valor deduzido do ágio da EVRECY não é aquele encontrado no ECD e utilizado pela fiscalização, pelo que deve ser afastada a presente reclamação. 3 CSLL Amortização de ágio previsão legal O recorrente afirma que a dedução da amortização do ágio é regra na tributação da CSLL, não existindo qualquer dispositivo legal que a vede, conforme o seguinte excerto (fls. 3281): Fl. 3389DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.390 18 371. Como resultado, a regra geral é que a amortização de ágio não é dedutível para os fins de IRPJ. Para que a amortização seja dedutível é necessário um regime especial. Esse regime está contido no art. 386 do RIR, que no caso dos ágios fundamentados com base em rentabilidade futura, conforme regulado pelo incido III, temos: "III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2o do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração". 372. Nada do disposto acima existe para o caso da amortização do ágio na base da CSLL. Não existe vedação para a amortização do ágio, como também não se requer um regime especial para a sua amortização, vinculado à necessidade de incorporação de empresas. A amortização do ágio para os fins da CSLL é dedutível em qualquer hipótese, havendo ou não incorporação!!! 373. Assim, não havendo qualquer disposição legal que impeça a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estenda a esta contribuição às disposições relativas ao IRPJ, resta concluir que não existe qualquer óbice ou limitação quanto à amortização do ágio para a dedutibilidade dos valores pagos a título de ágio quanto à contribuição em tela. É esse, inclusive, o entendimento do E. CARF: [...] 375. E mais: a ausência de dispositivo legal que vede a dedutibilidade do ágio para fins de apuração da CSLL é tão clara que, somente a partir da edição do artigo 50 da Lei n. 12.973/2014, o legislador estendeu a esse tributo o regime criado a partir de 1997 pela Lei n. 9.532 para os fins do IRPJ. 376. Logo, fica evidente que não havia, até a edição da Lei n. 12.973/2014, previsão legal que vedasse a possibilidade de amortização do ágio para fins de CSLL antes das operações de incorporação, cisão ou fusão, ou determinasse sua adição ao lucro líquido na hipótese de eventual indedutibilidade do lucro real. A questão trazida pelo recorrente já foi objeto de amplo debate nas turmas de julgamento desta Primeira Seção do CARF, mas entendo que já se pode notar uma convergência no sentido de afastar a tese defendida pelo recorrente, de que o ágio é dedutível na tributação da CSLL em razão da alegada ausência de dispositivo legal que a vede. Essa tendência pode ser notada nas recentes decisões no âmbito das câmaras baixas e também nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que vem reformando, por maioria, as decisões das câmaras baixas que exoneraram o ágio da tributação da CSLL. Por exemplo, o Acórdão nº 1301001.893, que exonerava a glosa, foi reformado por meio do Acórdão nº 9101003.002, de 08/08/2017, quando foi adotada a seguinte ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INDEDUTIBILIDADE. E vedado, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. a dedução de quotas de amortização de ágio pago na aquisição de investimentos. Na mesma linha está o recente Acórdão nº 9101003.839, de 03/10/2018, o qual adotou a seguinte ementa: ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A adição, à base de cálculo da CSLL. de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.391 19 a exigência da referida contribuição, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do § Io do art. 2o da Lei 7.689/88. Nesse último julgamento, a CSRF reformou, por maioria de votos e superando o voto da relatora, a decisão oriunda da Terceira Câmara. Em razão de sua completude e clareza, adoto como razão de decidir aquela veiculada no respectivo voto vencedor, da lavra do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, a seguir transcrita: A decisão recorrida defende, basicamente, reproduzindo considerações feitas pela contribuinte em seu recurso voluntário, que, ao contrário do que se verifica com relação ao IRPJ, para o qual a lei (arts. 389, § 1°; e 391 do RIR/1999) veda a dedutibilidade do ágio. inexiste disposição legal que imponha qualquer vedação semelhante para fins de apuração da CSLL. Assim, qualquer despesa de ágio amortizada contabilmente poderia ser aproveitada tributariamente na apuração da CSLL. A Conselheira Relatora do presente julgamento expressa concordância com o disposto no acórdão recorrido ao votar pela negativa de provimento ao recurso especial da PGFN quanto ao tema, motivo pelo qual novamente peço vênia para expor meu posicionamento divergente. Simplesmente não vejo como prosperar a alegação de que inexiste previsão legal que determine a adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas de amortização de ágio que sejam indedutíveis para fins de apuração do lucro real. Os §§ do art. 2o da Lei n° 7.689/88, que constam como fundamento legal do lançamento, trazem um impedimento para essa dedução: Art. 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1o Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) (...) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) (...) O artigo ordena a adição do resultado negativo e a exclusão do resultado positivo decorrentes da avaliação de investimentos pelo MEP. O voto que orientou o Acórdão n° 1302001.170, de 11/09/2013, da lavra do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que acolho como razões de decidir, explicita bem o impedimento para a dedução da amortização de ágio no âmbito da CSLL: "Entendo que a despesa de amortização do ágio é despesa indedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, por força dos itens 1 e 4 do dispositivo acima transcrito, os quais deixam claro a finalidade da norma de tornar o MEP neutro na apuração da CSLL. A avaliação do investimento pelo MEP Fl. 3391DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.392 20 influencia o cálculo da CSLL em caso de alienação ou liquidação do investimento, já que esse seria o valor contábil do investimento a ser considerado. Além disso, se assim não fosse, contrario sensu, a receita decorrente da amortização do deságio seria tributada, o que não me parece razoável, mas seria inevitável chegar a tal conclusão caso se entenda dedutível a despesa de amortização do ágio. Notese que, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento, logo, é lógico que a amortização que reduz o ágio/deságio compõe 'lato sensu" o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, o qual seja positivo ou negativo não deve impactar a base da CSLL, como dispõe expressamente o dispositivo legal acima (itens l e 4 da alínea "c" do § 1o do art. 2o da Lei 7.689/88)." Assim, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento; logo, é lógico que a amortização que reduz o ágio/deságio compõe "lato sensu" o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, o qual, seja positivo ou negativo, não deve impactar a base da CSLL, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do § 1o do art. 2o da Lei 7.689/1988. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN para reformar o acórdão recorrido na parte em que este defende a inexistência de previsão legal de adição à base de cálculo da CSLL das despesas de amortização de ágio consideradas indedutíveis na apuração do lucro real. Diante do exposto, entendo que não assiste razão ao recorrente. 4 Juros sobre multa O recorrente defende a tese de que a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio seria ilegal. Todavia, essa tese foi superada pela Súmula CARF nº 108, pela qual foi pacificado o entendimento de que incidem juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício, verbis: Súmula CARF n° 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Com isso, entendo que não procede a presente reclamação do recorrente. 5 Conclusão Em razão de tudo o que foi exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, afastar as questões preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. Salientese que parte do crédito tributário lançado já foi objeto de pagamento por parte do contribuinte, conforme já registrado nos autos. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque. Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.393 21 Voto Vencedor Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Redator Designado: Em que pesem as razões de decidir do ilustre relator, peço vênia para dele divergir quanto ao mérito da questão relativa à impossibilidade de a recorrente ter podido deduzir o ágio amortizado CTEEP da base de cálculo do IRPJ. Conforme o relatado, tratase de apreciar a legitimidade do aproveitamento fiscal da amortização do ágio decorrente da aquisição da maioria das ações ordinárias da CTEEP efetuado no âmbito de programa estadual de desestatização. Preliminarmente, não se discute neste processo simulação ou a existência de outras figuras de máfé em planejamentos tributários abusivos. Temse que o grupo de controle da recorrente, de origem colombiana, promoveu a aquisição das ações ordinárias da CTEEP por meio de uma empresa veículo denominada ISA Capital. Era esperado, conforme o previsto nos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, que a CTEEP incorporasse reversamente a sua controladora ISA Capital (1ª empresa veículo) a fim de que pudesse, portanto, aproveitar o benefício fiscal da amortização do ágio pago no leilão de privatização. Ocorre que, por exigências regulatórias prescritas pela ANEEL e pela CVM, o grupo investidor necessitou interpor outra empresa veículo, denominada ISA Participações (2ª empresa veículo). Esta empresa, ISA Participações, teve seu capital integralizado pela ISA Capital com as ações da CTEEP. A partir daqui, foram os registros contábeis da ISA Participações, 2ª empresa veículo criada, que passou a reconhecer o ágio pago na aquisição da CTEEP. Por fim, a CTEEP incorporou reversamente a ISA Participações e passou a deduzir o ágio. No entender do i. relator, a criação desta 2ª empresa veículo não teria tido propósito negocial, dado que as exigências regulatórias poderiam ter sido satisfeitas com o saneamento financeiro da 1ª empresa veículo por seu controlador estrangeiro. Por fim, teria havido transferência do ágio e ausência da confusão patrimonial esperada entre investidora original (ISA Capital) e a investida, o que impossibilitaria o aproveitamento do benefício fiscal. Não questiono que o benefício fiscal da amortização do ágio não possa ser transferido a terceiros. Mas me posiciono no sentido de, no caso concreto, não se poder considerar transferência de benefício fiscal uma mera formalidade societária com fins regulatórios que não transferiu de fato o controle da CTEEP e, igualmente, nenhum efeito fiscal positivo adicional produziu para a recorrente. O segundo ponto não expressamente abordado pelo relator, mas a meu ver implícito em seu raciocínio diz respeito à interpretação dos benefícios fiscais, que, conforme artigo 111 do CTN, deve ser literal. Não tendo o grupo de controle da recorrente cumprido Fl. 3393DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.394 22 literalmente os passos previstos em lei, teria, assim, perdido o aproveitamento do benefício fiscal. Ocorre que, conforme a doutrina e entendimento expostos na jurisprudência do Poder Judiciário, o próprio artigo 111 do CTN não se interpreta literalmente, mas teleologicamente. E o fim do art. 111 não é empobrecer a aplicação do direito na interpretação dos benefícios fiscais, mas apenas impedir a sua extensão para inúmeras outras situações semanticamente distintas em face do texto legal que originariamente os concedeu. No caso em tela, não se discute o alcance semântico dos termos do texto da lei 9.532/77, mas sim o descumprimento claro e direto de um requisito formal por parte da recorrente ao ter interposto uma empresa veículo a mais no processo de incorporação. Assim, afasto a aplicação do art. 111 do CTN para a solução da controvérsia. A quaestio juris, a meu ver, trata, portanto, da possibilidade ou não de se manter um benefício fiscal quando um requisito meramente formal não é observado pelo contribuinte. Entendo que requisitos meramente formais como este cujo descumprimento nenhum prejuízo causou nem ao fisco, nem aos fins previsto na lei concessora , podem ser relativizados na aplicação de benefícios fiscais, em especial se a causa restar justificada e se forem cumpridos todos os demais requisitos. No caso dos autos, os demais requisitos foram atendidos e deve ser dado por justificado o descumprimento apenas deste. Isto porque não é razoável exigir de um investidor, sobretudo se estrangeiro, ao se habilitar num leilão de privatização acerca do qual se tem por certa a concessão de benefício fiscal sobre o valor pago a mais, que coteje antes todas as exigências regulatórias possíveis das demais agências para saber ao final qual a forma exata de como proceder, sob pena de poder vir a perder o benefício prometido. Peço vênia para discordar também quanto à possibilidade, aventada pelo relator, de o grupo controlador estrangeiro poder ter saneado financeiramente a 1ª empresa veículo, em vez de criar mais uma e proceder em seguida à reestruturação societária. Isto porque não está o contribuinte obrigado a adotar formas mais onerosas, além das previstas na lei que concede o benefício fiscal, por conta apenas de cumprir exigências regulatórias de outras agências, identificadas a posteriori. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar lhe parcial provimento apenas com relação ao aproveitamento do ágio CTEEP na apuração do IRPJ, acompanhando na íntegra o relator quanto a todas as demais questões por ele enfrentadas em seu r. voto. É como voto. Allan Marcel Warwar Teixeira Redator Designado Fl. 3394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002553/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO.
Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO.
Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DIAT/ITR.
LEI. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe à esfera administrativa analisar ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO.
A jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas de mérito não vinculam o julgamento na esfera administrativa. Pois o dever de observância obrigatória se refere a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia.
Numero da decisão: 2202-005.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10320.002562/2006-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DIAT/ITR. LEI. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa analisar ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. A jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas de mérito não vinculam o julgamento na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 25 53 /2 00 6- 31 Fl. 148DF CARF MF 2 esfera administrativa. Pois o dever de observância obrigatória se refere a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10320.002562/200622, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10320.002562/200622, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, acrescido da multa e dos juros de mora, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Boa Sorte, com área total de 9.939,0 ha, cadastrado na RFB com o NIRF n° 5.436.2636 e localizado no município de Turiaçu MA. Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, observase que se trata de processo referente ao auto de infração no qual se exige o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Boa Sorte”, localizado no município de Turiaçu MA, NIRF 5.436.2636, com área total de 9.939,0 ha. Regularmente intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação alegando que: a) a área se encontra situada na Amazônia legal; b) que a desconsideração da área de preservação permanente fere o dispositivo do Código Florestal; c) que o ADA passou a ser obrigatório apenas a partir da edição da Medida Provisória n° 2.166 67, de 24/08/2001; d) que já apresentou o ADA ao IBAMA e e) que é incabível a exigência da multa de ofício de 75%. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 3 3 A Impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ apreciou lançamento e a impugnação, proferindo a decisão por meio do Acórdão considerando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário exigido. Do Recurso Voluntário A contribuinte devidamente intimada do Acórdão referente à decisão proferida pela DRJ, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, apresentando as seguintes alegações: Confusão Entre os Institutos de Direito Ambiental Preliminarmente, a empresa alegou que houve confusão entre a distinção dos institutos de direito ambiental que definem a área de preservação permanente e a área de reserva legal. Para esclarecer que houve equívoco, apresentou fundamentos legais contidos nos incisos II e III, do § 2°, do art. 1°, da lei n° 4.771/65, explicando o seu entendimento sobre os conceitos destes institutos e também enfatizando a diferença entre eles, frisando que a área de reserva legal excetuase da área de preservação permanente. Feita essas considerações, cumpre estabelecer que a área excluída da tributação está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender. Diante disso, é se concluir que o próprio nome, reserva legal, já induz que parcela da propriedade do contribuinte está afetada por uma destinação legal. Do contrário, só se poderia exigir condutas no sentido da preservação dessas áreas após o Ato Declaratório do Ibama, o que seria temerário a ordem jurídica ambiental. A Recorrente continuou alegando que não pode o Direito Tributário, nos termos do art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel. Afirmou que não se pode exigir que o contribuinte comprove algo que a própria lei já diz que o é. Que exigir do contribuinte que ele porte um documento declaratório para que faça jus à isenção do imposto é um despropósito, pois a própria lei já cuidou de afetar parcela do seu patrimônio como de interesse ambiental. Exclusão da Base de Cálculo Reserva Legal Amazônia Legal No mérito, a Recorrente afirmou que a área objeto da tributação pelo imposto Territorial Rural está circunscrita a área denominada Amazônia Legal, não há o que ser questionado nesse sentido. Por este motivo, contestou a obrigatoriedade de apresentação do ADA alegando que dentro dos diversos meandros burocráticos existentes em nosso país, ainda se tem exigido, equivocadamente digase, o indigitado Ato Declaratório Ambiental ADA, a fim de que o contribuinte possa excluir da base de calculo do ITR as áreas de reserva legal. Fl. 150DF CARF MF 4 A Recorrente entendeu que nada mais absurdo, é de cristalina elucidação que as áreas da recorrente estão inseridas no contexto da Amazônia Legal, sendo portanto, lícito à contribuinte excluir da tributação 80% da área total do imóvel de sua propriedade. Para sustentar sua contestação, invoca o § 1°, inciso II, do art. 10, da Lei n.° 9.393/96 e também os art. 1° e 16, inciso I, da Lei n.° 4.771/1965. A empresa argumentou também que o AuditorFiscal no auto de infração, e os Julgadores da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em decisão proferida, com esse entendimento, presumiram se tratar de declaração fraudulenta do contribuinte, quando excluiu da base de cálculo do Imposto Territorial Rural parcela do seu patrimônio a titulo de reserva legal. A recorrente, com o objetivo de corroborar os seus argumentos, apresentou, ao longo do seu recurso, além da legislação correlata, jurisprudências do TRF e do STJ. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que: Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a recorrente seja acolhido o presente recurso a fim de seja cancelado o débito fiscal reclamado, assim como a multa aplicada consectariamente. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10320.002562/200622, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, com adaptações conforme descrito a seguir. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Preliminarmente, a empresa alegou que houve confusão no que diz respeito ao entendimento das definições de direito ambiental em relação à área de preservação permanente e à área de reserva legal, afirmando que a área para a qual pleiteia exclusão da base tributável do ITR "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender.", por isso, apresentou argumentos para justificar que no seu imóvel existe uma área de reserva legal e não área de preservação permanente como foi declarada na sua DIAT/ITR. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 4 5 Continuou alegando que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...)" e também, em relação a área de reserva legal, que "não se pode exigir que o contribuinte comprove algo que a própria lei já diz que o é.". Analisando a preliminar suscitada pela Recorrente, notase que os motivos alegados se referem à questão de mérito, assim, neste caso, os argumentos aqui apresentados serão devidamente apreciados no decorrer do voto, quando da análise do mérito, razão pela qual rejeito a preliminar arguida. Da Controvérsia Para o deslinde da questão contida nos presentes autos exige que se decida sobre a comprovação legal e formal da existência da área de preservação permanente APP e da área de reserva legal ARL bem como da entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA, antes do início da ação fiscal, para efeito de exclusão das referidas áreas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. No caso da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal, para efeito da sua caracterização, cabe observar o contido nos art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e do art.16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) da Lei nº 4.771/65. No tocante à exclusão das áreas de preservação ambiental da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, cabe observar os requisitos estipulados para tal exoneração, previstos no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, com a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Assim, ao analisar a composição da base de cálculo para apuração do ITR nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir que podem ser excluídas da tributação as áreas protegidas e de interesse de proteção ambiental, como APP e ARL, quando atendidos os requisitos exigidos na referida lei. Por isso, para o deslinde da questão, fazse necessário estabelecer as diferenças existentes entre área de preservação permanente APP e área de reserva legal ARL, com o objetivo de verificar se as referidas áreas preencheram os requisitos legais e Fl. 152DF CARF MF 6 formais para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e a da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, uma vez que as áreas, quando preenchidos os requisitos legais, impactam diretamente no cálculo do ITR. Da Apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA No que tange ao Ato Declaratório Ambiental, o qual deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados ao ITR, podese afirmar que é um documento de cadastro junto ao IBAMA das áreas de interesse ambiental que integram o conjunto do imóvel rural e que possibilita ao Proprietário Rural reduzir o Imposto Territorial Rural – ITR, com a exclusão da área de Preservação Permanente APP da base tributária, efetivamente protegida e informada no Documento de Informação e Apuração DIAT/ ITR. Dos documentos apresentados pela Recorrente, verificase que, em 20/12/2005, houve a entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA, referente ao ano de 2005, conforme carimbo de protocolo no documento. Verificando o ADA apresentando, especificamente o campo 03 dados do imóvel, constatase que número do imóvel na Receita Federal do Brasil NIRF 5.436.2687 registrado neste documento está diferente do número do imóvel que consta na intimação fiscal e no auto de infração NIRF 5.436.2636. Portanto, como há divergência na identificação do NIRF entre o imóvel declarado no ADA e o imóvel objeto do lançamento, entendo, que por este motivo, ficou prejudicada a sua análise, dificultando a livre convicção em relação a prova apresentada, nos termos do art. 29 do Decreto 70.235/72. Neste caso, pelos motivos expostos, não se acata ADA apresentado como documentos hábil a comprovar as informações para o imóvel rural objeto do lançamento. Área de Preservação Permanente APP De acordo com o artigo 2º da Lei nº 4.771/65, para que a área pleiteada se enquadrasse como área de preservação permanente, bastava apenas que estivesse localizada nos espaços definidos naquele artigo, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da mesma lei nº 4.771/65, para as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização. Todavia, para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos na Lei nº 4.771/65, a contribuinte deveria, obrigatoriamente, apresentar o ADA ao IBAMA dentro do prazo normativo, nos termos do parágrafo 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 5 7 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Do mesmo modo, o Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, no inciso I, parágrafo 3º, art. 10, também tratou da obrigatoriedade de apresentar o ADA para efeito da exclusão da área tributável das áreas correspondentes à de preservação permanente. Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); (grifo não faz parte do original). Neste caso, notase que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) referente ao exercício de 2002, para efeito de desoneração do ITR/2002, em relação a área de preservação permanente. Além disso, a empresa alegou que houve equívoco no entendimento das definições entre à área de preservação permanente e à área de reserva legal, reconhecendo que na sua propriedade não existe uma área de preservação permanente e sim uma área de reserva legal, com a seguinte afirmação: "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender." Dessa forma, o fato de a contribuinte reconhecer que no seu imóvel não existe área de preservação permanente, impedea de excluir da base de cálculo do ITR, área nestas condições. Diante do exposto, tendo em vista a não apresentação do ADA e o reconhecimento por parte da contribuinte que no seu imóvel não existe uma área de preservação permanente, entendo que a Recorrente não faz jus à exclusão da base de cálculo do ITR da área correspondente à preservação permanente. Da Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) No seu recurso, a empresa declarou que houve equívoco no entendimento das definições entre à área de preservação permanente e à área de reserva legal, reconhecendo que na sua propriedade não existe área de preservação permanente e sim área de reserva legal, com Fl. 154DF CARF MF 8 a seguinte afirmação: "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender." Alegou ainda que pelo fato de seu imóvel está em uma área denominada Amazônia Legal estaria excluído da tributação do ITR: "sendo portanto, lícito à contribuinte excluir da tributação 80% da área total do imóvel de sua propriedade." decorrente da reserva legal existente no referido imóvel, embasando seus argumentos no § 1°, inciso II, do art. 10, da Lei n.° 9.393/96 e nos art. 1° e 16, inciso I, da Lei n.° 4.771/1965. No tocante ao argumento da Recorrente de que 80% da área total do seu imóvel estaria excluído da tributação pelo fato de estar localizado na Amazônia Legal, não merece acolhida, pois a Lei n.° 4.771/1965, Código Florestal, estabeleceu condições e obrigações para efeito de caracterização e proteção das florestas e demais formas de vegetação que compõem o meio ambiente, enquanto que, por outro lado, a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996, art. 10, inciso II, estabeleceu como estas áreas estariam excluídas da base de incidência do ITR. Dessa forma, para efeito do reconhecimento como área de proteção ambiental e também para exclusão da base tributável do ITR, fazse necessário cumprir requisitos legais para tal reconhecimento, como averbação da área de reserva legal e a entrega do Ato Declaratório Ambiental que teve a sua obrigatoriedade instituída pelo § 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938/81 e inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, do Decreto nº 4.382/2002. Assim, no caso da Área de Reserva Legal, para efeito de sua caracterização, cabe observar o contido nos § 4º e § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, que determina, além da exigência do interesse ecológico, os seguintes requisitos; a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). (grifei). § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). (grifei). Além disso, para efeito de desoneração do ITR da área correspondente à reserva legal, de que trata o disposto na alínea 'a', no inciso II, no §1º, do art. 10, da Lei nº Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 6 9 9.393/96, cabe observar que a área de reserva legal deve estar averbada antes de ocorrência do fato do gerador do ITR, conforme determina o disposto no §1º, do art. 12 do Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002. Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Isto posto, notase que a averbação no registro público da área de reserva legal é condição sine qua non para se obter a redução do ITR, nos termos estabelecidos pelas Leis nº 4.771/65 e nº 9.393/96 e pelo Decreto n° 4.382/2002. Entretanto, nem na impugnação e nem no recurso voluntário, a contribuinte não logrou êxito em comprovar de que houve averbação da reserva legal antes do lançamento do tributo, por isso os argumentos apresentados pela Recorrente não merecem prosperar. Assim sendo, rejeito os argumentos HTM Engenharia de Projetos Ltda de que 80% do seu imóvel estaria excluído da base tributável do ITR, apenas por fazer parte da Amazônia Legal. Das Definições e o Alcance dos Institutos do Direito Ambiental A Recorrente alegou que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...):" Entretanto, a recorrente apresentou suas alegações, mas não apontou qual foi o instituto que a Lei nº 9.393/96 pudesse ter alterado ou contrariado nos termos do art. 110 do CTN. Por isso, tal questionamento, da forma como apresentado, sem apontar qual foi a alteração promovida pela lei, fica caracterizado como uma argumentação genérica. Contudo, observando a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996 que "Dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências." percebese que não há qualquer alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, como previsto no referido art. 110 do CTN. Além disso, se a Recorrente ao afirmar que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...):" pretendia questionar o ato legal em si, neste caso, poderia estar diante de pretensa alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Dessa forma, se fosse o caso de possível alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade, não cabe examinar tal alegação, pois extrapola os limites da Fl. 156DF CARF MF 10 competência do julgador administrativo, uma vez que a instância administrativa está adstrita à aplicação da lei, enquanto que fica reservado ao Poder Judiciário declarar qualquer irregularidade, ilegalidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Até porque, não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tão somente dar aplicação aos comandos legais e que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Conforme dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal Federal – PAF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6o . O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (NR) Assim sendo, rejeito o argumento da recorrente de que a Lei nº 9.393/96 pudesse ter alterado ou contrariado o disposto do art. 110 do CTN. Contudo, deixo de examinar a alegação, caso tivesse a intenção de questionar possível ilegalidade ou inconstitucionalidade do ato, por extrapolar os limites da competência do julgador administrativo, observando a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Da Jurisprudência Em relação a jurisprudência apresentada pela empresa, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Além disso, no caso das jurisprudências, cabe tão somente ao conselheiro do CARF, o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Assim, entendo que a jurisprudência trazidos aos autos pela recorrente não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Em relação ao argumento de que "o Auditor Fiscal no auto de infração, e os Julgadores Delegacia da Receita Federal de Julgamento em decisão proferida, com esse entendimento, presumiram se tratar de declaração fraudulenta do contribuinte, quando excluiu Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 7 11 da base de cálculo do Imposto Territorial Rural parcela do seu patrimônio a titulo de reserva legal.", entendo que este argumento não procede, uma vez que o julgador explicou que a multa de ofício foi aplicada no percentual mínimo de 75%, porque não houve intuito de fraude. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.964706/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA DCTF. ÔNUS DA PROVA.
A DCTF original é uma confissão de dívida e sua retificação extemporânea inverte o ônus da prova para o contribuinte. Não se pode acolher as razões da recorrente sem que haja maiores elementos para a comprovação do quanto alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1302-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca votaram pelas conclusões do relator.
Documento assinado digitalmente.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Compensação. Pagamento indevido. Recorrente BARRAFOR VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA DCTF. ÔNUS DA PROVA. A DCTF original é uma confissão de dívida e sua retificação extemporânea inverte o ônus da prova para o contribuinte. Não se pode acolher as razões da recorrente sem que haja maiores elementos para a comprovação do quanto alegado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca votaram pelas conclusões do relator. Documento assinado digitalmente. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 47 06 /2 00 9- 77 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 15374.964706/200977 Acórdão n.º 1302003.610 S1C3T2 Fl. 197 2 Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BARRAFOR VEICULOS LTDA contra acórdão que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada diante da não homologação, pela Derat/RJ, da compensação de créditos de pagamentos indevidos de IRRF com débito próprio referente ao mês de maio de 2008. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: O presente processo versa sobre o PER/Dcomp transmitido em 18/06/2009. Segundo o que consta na Dcomp (fl. 4), o crédito original na data da transmissão, no valor de R$ 59.737,04, se refere a pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. 0561). O pagamento foi efetuado através de DARF, sendo realizado em 10/06/2008 (fl.9). No Despacho Decisório (fl.9), consta a não homologação da Dcomp, sob alegação de que foi localizado o pagamento, mas este foi utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte ao IRRF –cód.0561 PA 05/2008. A interessada se insurgiu, em 13/11/2009, contra o disposto no Despacho Decisório, através da manifestação de inconformidade (fl. 11), do qual teve ciência em 20/10/2009 (fl.8) apresentando os argumentos que se seguem: • A DCTF apresentada em Maio de 2008 tinha debito de R$ 134.546,71, quando o valor correto, deveria ser R$ 74.809,67. Com o recolhimento do DARF de IRRF de R$ 59.737,04, ocorreu o recolhimento indevido feito a maior. • Em 20.08.2009, a requerente apresentou o PERD/COMP, porém, deixou de proceder à apresentação da retificadora da DCTF de maio/2008. • Em data de 28.10.2008, a Requerente apresentou a retificadora da declaração da DCTF de maio de 2008, com o valor do débito apurado corretamente, no código 0561. A DRJ/Rio de Janeiro I proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 15374.964706/200977 Acórdão n.º 1302003.610 S1C3T2 Fl. 198 3 COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do crédito implica no não reconhecimento do direito creditório e conseqüentemente a não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, repete as alegações da manifestação de inconformidade. Acrescenta, apenas, no Anexo 5 do recurso, cópia da Declaração do Imposto Retido na Fonte (DIRF), retificadora, entregue em 27/04/2009, para o anocalendário em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Depois de o voto condutor da decisão recorrida ter deixado claro que a DCTF retificadora tinha sido apresentada após a data da ciência do despacho decisório proferido pela unidade de origem e que não havia nos autos a documentação necessária para a comprovação do erro na confecção da DCTF original, a recorrente junta apenas uma cópia da DIRF, retificadora, entregue em 27/04/2009 (vide o Anexo 5 do seu recurso voluntário). Esse documento indica que, a título de rendimentos do trabalho assalariado (código de retenção 0561), no mês de maio de 2008, houve um imposto retido no valor de R$ 73.968,11. Portanto, um valor diferente dos R$ 74.809,67 alegados pela empresa e informado em sua intempestiva DCTF retificadora. Inexiste qualquer outra prova de que o valor originalmente informado estava equivocado, tais como, cópias da escrituração contábil, folha de pagamento e comprovantes de recolhimento dos DARFs efetivamente devidos para o mesmo período de apuração. A natureza de confissão de dívida da DCTF está alicerçada no § 1º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84. Vejase: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 15374.964706/200977 Acórdão n.º 1302003.610 S1C3T2 Fl. 199 4 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. A Portaria MF nº 118/84 delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para instituir as aludidas obrigações acessórias, sendo que, a partir da edição da IN/SRF nº 126/98 e posteriores, esta autoridade vem conferindo à DCTF a função prevista na lei consistente em comunicar a existência de crédito tributário, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, a DCTF original é uma confissão de dívida e sua retificação extemporânea inverte o ônus da prova para o contribuinte. Não se pode acolher as razões da recorrente sem que haja maiores elementos para a comprovação do quanto alegado. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908263/2012-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 26 3/ 20 12 -1 4 Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13888.908263/201214 Resolução nº 3001000.214 S3C0T1 Fl. 3 2 DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035295 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 04211.19004.281111.1.3.049817. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$10.445,15, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/10/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do Fl. 987DF CARF MF Processo nº 13888.908263/201214 Resolução nº 3001000.214 S3C0T1 Fl. 4 3 contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados.de inconformidade, consoante documentos anexados. Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13888.908263/201214 Resolução nº 3001000.214 S3C0T1 Fl. 5 4 ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 1030). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13888.908263/201214 Resolução nº 3001000.214 S3C0T1 Fl. 6 5 culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e Fl. 990DF CARF MF Processo nº 13888.908263/201214 Resolução nº 3001000.214 S3C0T1 Fl. 7 6 complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13888.908263/201214 Resolução nº 3001000.214 S3C0T1 Fl. 8 7 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 992DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003377/2004-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. NATUREZA REMUNERATÓRIA.
A verba paga a título de auxílio combustível, quando paga indistintamente a servidores que realizem ou não suas atividades fora da repartição, tem natureza remuneratória devendo sofrer a incidência do Imposto sobre a Renda.
Numero da decisão: 9202-007.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
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NATUREZA REMUNERATÓRIA. A verba paga a título de “auxílio combustível”, quando paga indistintamente a servidores que realizem ou não suas atividades fora da repartição, tem natureza remuneratória devendo sofrer a incidência do Imposto sobre a Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 33 77 /2 00 4- 24 Fl. 132DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão proferida pelo Colegiado a quo que entendeu pela não incidência de Imposto de Renda sobre as verbas recebidas pelo Contribuinte a título de "Auxílio Combustível". Referida verba foi paga ao servidor do estado de Santa Catarina com base na Lei Estadual nº 7.881/89 e Decreto n° 4.606/90. O Acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. FISCAL DE TRIBUTOS ESTADUAIS. SANTA CATARINA. O auxílio combustível consubstancia compensação pelo desgaste do patrimônio dos servidores, que utilizamse de veículos próprios para o exercício da sua atividade profissional, inexistindo acréscimo patrimonial, mas uma mera recomposição ao estado anterior sem o incremento líquido necessário à qualificação de renda. Precedente do STJ julgado na sistemática do art. 543C do CPC. Intimado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Conforme exposto no relatório, tratase de recurso especial cujo objeto visa a rediscussão da incidência do Imposto de Renda Pessoa Física sobre as verbas pagas ao contribuinte a título de auxílio combustível. Segundo exposto pela Recorrente, no caso dos autos, os valores percebidos não podem ser classificados como verbas indenizatórias pois, nos termos da lei estadual, tratase pagamento realizado a todos os servidores independentemente da comprovação de os mesmos fazerem uso de seus veículos para a realização de atividades fora de suas repartições. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou sobre a natureza jurídica dessas verbas recebidas pelos auditores fiscais de Santa Catarina a título de "auxílio combustível", valendo citar o acórdão nº 9202004.553. Naquela oportunidade, para a maioria do Colegiado, apesar da Lei Estadual nº 7.881/89 e o Decreto Estadual nº 4.606/90, atribuírem a essa verba a denominação de Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10920.003377/200424 Acórdão n.º 9202007.746 CSRFT2 Fl. 3 3 "indenização", o fato dela ser paga indistintamente a quem efetua e não efetua gastos com transporte no exercício de suas funções exclui o caráter compensatório, de ressarcimento pela despesa incorrida a bem do serviço público. A característica remuneratória fica evidente na medida em que, conforme destacado pela recorrente, tratase de pagamento efetuado a todos os servidores ativos que exercem funções inerentes à fiscalização, quer realizem ou não despesas com locomoção durante o exercício de suas atividades, não há vinculação ao gasto efetivo ou à condição de que o beneficiário tenha como atribuição própria do cargo o desempenho de serviços externos. Da leitura do art. 43 do Código Tributário Nacional, e dentro das limitações imposta pela Constituição, a renda e proventos de qualquer natureza sujeitos ao imposto de renda devem ser compreendidos como disponibilidade econômica originada do produto do capital ou do trabalho, ou da combinação de ambos, ou da existência de proventos, que se consubstanciem em riqueza nova efetivamente incorporada ao patrimônio: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Observase que todo acréscimo patrimonial ganhos e riquezas novas é fato gerador do Imposto de Renda e, por força do princípio da legalidade e ainda em razão da divisão constitucional de competências, não pode norma estadual dispor de forma diversa sobre os elementos que compõem a regra matriz do tributo federal. Neste cenário, somente se afastam da incidência do imposto aquelas verbas tidas como indenizatórias, afinal tratamse de verbas que representam mera recomposição de uma perda do patrimônio, inexistindo riqueza nova. O professor Roque Antonio Carrazza, in 'Imposto sobre a Renda: perfil constitucional e temas específicos' (Editora Malheiros, 2009, p. 192), esclarece que "a indenização não traz à sirga aumento de riqueza econômica do contemplado. É substituição da perda sofrida por seu correspondente valor econômico. Nela há compensação; jamais elevação patrimonial”. As verbas pagas a título de auxílio combustível somente perderiam o seu caráter remuneratório se restasse comprovado o seu uso na recomposição do patrimônio do autuado. A natureza indenizatória da verba não se presume, e no caso concreto, cabe a parte demonstrar que o valor recebido seria destinado a compensação de gastos realizados a partir da realização de atividades fora da repartição pública. Quanto a este ponto, a Contribuinte embora traga em seu Recurso Voluntário a alegação de que "exercia as suas funções exclusivamente na fiscalização de operações de mercadorias em trânsito externas, portanto, em todos os municípios jurisdicionados à 5ª Gerência Regional da Fazenda Estadual Joinville", não trouxe aos autos qualquer comprovação acerca deste ponto. Por fim, ao contrário do entendimento do acórdão recorrido, entendo que no caso concreto não há que se falar em vinculação deste órgão julgador à decisão proferida pelo Fl. 134DF CARF MF 4 Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.096.288/RS. A citada decisão, proferida sob a sistemática dos recursos repetitivos (transitada em julgado em 10/02/2016), foi exarada com base na legislação do Estado do Rio Grande do Sul, que prevê o pagamento de auxílio condução aos oficiais de justiça daquele estado, nada dispondo sobre a legislação relativa a pagamento de auxílio combustível ao auditores fiscais do Estado de Santa Catarina. Diante do exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.720307/2016-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2015
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13873.720284/201601, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 03 07 /2 01 6- 79 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13873.720307/201679 Acórdão n.º 1201002.797 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de notificação de lançamento lavrado para a cobrança de multa, no montante de R$ R$ 12.907,51, decorrente de atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de dezembro de 2015. A contribuinte teria entregue a referida declaração apenas em 07/06/2016, com 05 meses de atraso. Segundo consta na descrição dos fatos do Auto de Infração, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos”. Devidamente intimada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual afirma que o auto de infração não merece prosperar, seja em razão da ocorrência da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN), seja porque exige multa com caráter confiscatório e desproporcional, já que foi calculada com base em percentual dos tributos informados na declaração. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1157.583, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2015 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitarseá a multa especificada na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de obrigações acessórias depois de decorrido o prazo legal para seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de fato gerador de tributo. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13873.720307/201679 Acórdão n.º 1201002.797 S1C2T1 Fl. 4 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO OBRIGATORIEDADE DO CERTIFICADO DIGITAL E VALOR DA MULTA APLICADA. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão (AR de 11/10/2017), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2017, onde reitera as razões apresentadas em sede impugnação para requerer o afastamento da multa exigida considerando a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) e o efeito de confisco da exigência (vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.774, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13873.720284/2016 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.774): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 49 Conforme exposto no relatório, a exigência em questão referese a multa decorrente de atraso na apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente a janeiro de 2014. A Recorrente não cumpriu o prazo do dia 25/03/2014 e apresentou a declaração apenas em 07/06/2016. Em sede recursal, a Recorrente afirma que apresentou a declaração de forma espontânea, antes de qualquer manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a exclusão de qualquer penalidade. Para corroborar sua alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13873.720307/201679 Acórdão n.º 1201002.797 S1C2T1 Fl. 5 4 De antemão, vale registrar que o instituto da denúncia espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. (Grifos nossos). A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis: “MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso”. (Processo nº 13770.002101/200721, Acórdão nº 1001000.973, Turma Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de setembro de 2018) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIFPapel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário.” (Processo nº 19515.000850/200559, Acórdão nº 3401004.461, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção, Sessão de 22 de março de 2018) Assim, como situação fática apresentada nos presentes autos configura a hipótese tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa exigida (fl. 17) no lançamento deve ser mantida. II. Da Alegação do Caráter Confiscatório da Multa Outro argumento manifesto pela Recorrente é o do caráter confiscatório da multa exigida, o que seria vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Alega que o cálculo da exigência, a partir de percentual do valor declarado, é ilógico e que deveria ter sido aplicado o princípio da proporcionalidade. Em que pese a inconformidade da Recorrente, cumpre consignar que a exigência da multa está compreendida no artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. E, em análise da composição da exigência, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.720307/201679 Acórdão n.º 1201002.797 S1C2T1 Fl. 6 5 constatei que a autoridade fiscal realizou o lançamento corretamente e de acordo com o dispositivo mencionado. O argumento da Recorrente caracteriza a arguição de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais tem esse poder. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902407/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 07 /2 01 4- 57 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10580.902407/201457 Acórdão n.º 3401005.841 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10580.902407/201457 Acórdão n.º 3401005.841 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.515. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10580.902407/201457 Acórdão n.º 3401005.841 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10580.902407/201457 Acórdão n.º 3401005.841 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10580.902407/201457 Acórdão n.º 3401005.841 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10580.902407/201457 Acórdão n.º 3401005.841 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10580.902407/201457 Acórdão n.º 3401005.841 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10580.902407/201457 Acórdão n.º 3401005.841 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 182DF CARF MF
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