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Numero do processo: 13855.900307/2008-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇAO.
Não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado.
Numero da decisão: 3001-000.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇAO. Não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado.
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AUSÊNCIA DE PROVAS DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO HOMOLOGAÇAO. Não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, acompanhada de provas documentais hábeis e idôneas, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de COFINS na competência julho/1999, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 03 07 /2 00 8- 69 Fl. 47DF CARF MF 2 valor original total de R$4.051,43 por meio das Declaração de Compensação 26178.49556.140504.1.3.040829. A DRF de Franca/SP, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efl. 14) não homologando a compensação declarada tendo em vista que a inexistência do crédito utilizado. Afirma que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese, que as compensações efetuadas encontramse embasadas em créditos do PIS e da Cofins pagos a maior pelo regime de substituição tributária por compra de combustíveis. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 1430.363 a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/08/1999 RESSARCIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. Somente ao consumidor final é assegurado o ressarcimento dos valores da contribuição, correspondentes A incidência na venda no varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/08/1999 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. CONDIÇÃO ESSENCIAL. A condição essencial para a utilização de crédito do contribuinte em compensação tributária é a liquidez e certeza desse crédito, conforme preceitua o art. 170 do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/08/1999 PAF. PROVA DOCUMENTAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os argumentos de que desenvolve atividades de transporte rodoviário coletivo de passageiros adquirindo combustíveis diretamente das distribuidoras, ensejando direito a ressarcimento de contribuições para o PIS e de COFINS retidas nas notas fiscais de compras efetuadas diretamente da distribuidora. Afirma Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13855.900307/200869 Acórdão n.º 3001000.777 S3C0T1 Fl. 326 3 ainda que deveria ter sido intimado a apresentar a comprovação de seus procedimentos, requerendo o retorno dos autos à DRF em Franca para tal. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre declaração de compensação com saldo credor de COFINS no mês de julho/1999, tendo por base supostos pagamentos indevidos ou a maior decorrentes de aquisição de combustíveis diretamente de distribuidoras o que ensejaria o ressarcimento de contribuições para o PIS e de COFINS retidas nas notas fiscais. A decisão de piso decidiu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade tendo em vista que, apesar de ter constatado que a sociedade empresária tem como ramo de atividade o "transporte coletivo de passageiros com linhas regulares interestaduais, fretamento continuo e eventual, transporte de cargas e turísticos, por via rodoviária", deveria ter apresentado documentação fiscal que comprovasse o destaque das contribuições nas notas fiscais emitidas pelas distribuidoras nos termos do art. 6º, §1º da IN SRF no 006/99. Inicialmente insta destacar que o presente Colegiado tem acompanhado a tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para acolher as provas apresentadas nesta instância recursal. Contudo, para sua aplicação Fl. 49DF CARF MF 4 é necessária a apresentação pormenorizada por parte da recorrente dos elementos necessários e indispensáveis para comprovação das suas alegações, em especial dos créditos efetivamente pretendidos. A Recorrente alega que possui o direito invocado relacionado à crédito oriundo da aquisição de combustíveis diretamente de distribuidoras o que ensejaria o ressarcimento de contribuições para o PIS e de COFINS retidas nas notas fiscais, entretanto não apresentou qualquer documentação que comprovasse suas afirmações e pudesse demonstrar a certeza e liquidez do crédito. Frisese que, em termos de direito creditório, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o que, no presente caso, não ocorreu. Considerando que a Recorrente, apesar de ter havido a oportunidade de trazer aos autos, quer na Manifestação de Inconformidade quer no Recurso Voluntário, não envidou nenhum esforço em demonstrar com quaisquer elementos probatórios para formar convicção deste julgador sobre os pontos objeto da análise. Portanto, rejeito o pedido de diligência suscitado pela Recorrente. Portanto, não havendo demonstração do crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado. Diante do exposto, voto rejeitar a proposta de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722841/2011-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
DILIGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA.
As diligências não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF.
DEPENDENTES. MENOR POBRE, GUARDA JUDICIAL.
Menor pobre que o sujeito passivo crie e eduque pode ser considerado dependente na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, desde que o declarante detenha a guarda judicial. (Súmula CARF n° 13, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Há que se manter as glosas das deduções de despesas com instrução que não restaram comprovadas nos autos.
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É devida a multa de oficio qualificada de 150% quando restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme previsão contida no parágrafo 1o do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96.
Numero da decisão: 2003-000.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007 DILIGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. As diligências não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. DEPENDENTES. MENOR POBRE, GUARDA JUDICIAL. Menor pobre que o sujeito passivo crie e eduque pode ser considerado dependente na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, desde que o declarante detenha a guarda judicial. (Súmula CARF n° 13, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Há que se manter as glosas das deduções de despesas com instrução que não restaram comprovadas nos autos. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. NÃO COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É devida a multa de oficio qualificada de 150% quando restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme previsão contida no parágrafo 1o do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
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ÔNUS DA PROVA. As diligências não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. DEPENDENTES. MENOR POBRE, GUARDA JUDICIAL. Menor pobre que o sujeito passivo crie e eduque pode ser considerado dependente na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, desde que o declarante detenha a guarda judicial. (Súmula CARF n° 13, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Há que se manter as glosas das deduções de despesas com instrução que não restaram comprovadas nos autos. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. NÃO COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 28 41 /2 01 1- 95 Fl. 145DF CARF MF 2 fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É devida a multa de oficio qualificada de 150% quando restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme previsão contida no parágrafo 1o do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (auto de infração fls. 02 a 15), acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, nos anoscalendário de 2006 a 2007. Por bem descreverem os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual transcrevo a seguir: Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte acima identificado (fls. 02/73) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2007 e 2008, anoscalendário 2006 e 2007, respectivamente, formalizando a exigência do crédito tributário assim discriminado (valores em reais): O lançamento reportase aos dados informados nas declarações de Imposto de Renda Pessoa Física do interessado, entre os Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13603.722841/201195 Acórdão n.º 2003000.062 S2C0T3 Fl. 146 3 quais foram glosadas deduções de dependente, despesas médicas e despesas com instrução pleiteadas. No Termo de Verificação Fiscal, de fls. 16 a 21, estão descritos os procedimentos da fiscalização que serão a seguir sintetizados. O profissional Mário Alves dos Santos, CPF 133.640.22615, cirurgião dentista, declarou a auditoria fiscal “que no período de 01/01/2004 a 31/12/2006, não prestou qualquer serviço profissional ao Sr. Jorge Alberto Roncone de Souza, e/ou seus dependentes, não tendo recebido desse contribuinte qualquer valor correspondente ao exercício da profissão de dentista”. Em revisão às declarações de ajuste anual do contribuinte, verificouse que este declarou pagamento ao cirurgiãodentista Mário Alves dos Santos a título de despesa odontológica na DIRPF 2007, no valor de R$ 8.000,00 e também na DIRPF 2008, no valor de R$ 4.980,00, perfazendo o total de R$ 12.980,00. O contribuinte foi então intimado a apresentar todos os comprovantes das deduções declaradas e apresentou os documentos listados no TVF. Após análise dos documentos a autoridade lançadora detalha da seguinte forma o levantamento do crédito tributário. Dedução indevida de dependente O contribuinte declarou na DIRPF 2007 quatro dependentes, fazendo jus a um desconto na base de cálculo do IRPF de R$ 6.065,28, e também declarou na DIRPF 2008 três dependentes, fazendo jus a um desconto de R$ 4.753,80. Entretanto não comprovou a relação de dependência relativa à menor Ilda Paula da Silva Santos: não apresentou termo judicial de guarda da menor, tampouco qualquer outro documentos que comprove que os dois coabitam ou que ele é responsável pela menor em questão. Desta forma, desconsiderouse o valor de R$ 1.516,32 a título de desconto da base de cálculo para os dependentes na DIRPF 2007, ano calendário 2006. Dedução indevida de despesa com instrução O contribuinte declarou na DIRPF 2007 o pagamento de R$ 3.273,84 a título de despesas com instrução própria e de seus dependentes, e também declarou na DIRPF 2008 o pagamento de R$1.440,00 a título dessa despesa. No entanto não apresentou a comprovação do efetivo pagamento dessas despesas nem do ano calendário 2006, tampouco do ano calendário 2007. Desta forma, desconsiderouse os valores de R$3.273,84 e R$1.440,00 a título de desconto da base de cálculo relativo a pagamentos de instrução, para os anos calendários 2006 e 2007, respectivamente. Fl. 147DF CARF MF 4 Dedução indevida de despesa médica – O contribuinte declarou na DIRPF 2008 o pagamento de R$ 9.887,80 à empresa Unimed Vale do Aço Cooperativa de Trabalho Médico, entretanto não apresentou a comprovação do efetivo pagamento ou prestação do serviço do exercício acima citado e efetuouse a glosa desse valor. Em relação ao profissional Mário Alves dos Santos, tendo em vista a declaração de que não prestou serviço ao contribuinte, desconsiderouse a dedução a título de despesa médico odontológica efetuada com o profissional acima citado, no valor de R$8.000,00 para o anocalendário 2006, e de R$ 4.980,00 para o anocalendário 2007. A fiscalização entendeu que os extratos apresentados não estabelecem nexo causal entre a prestação efetiva do serviço e os saques, por esses saques não terem sido efetuados em datas próximas à prestação do serviço e os valores não serem coincidentes com os valores dos recibos. Apesar de estar constando na Declaração de Esclarecimento do profissional o período de 01/01/2004 a 31/12/2006, glosouse também o ano calendário 2007 por configurar prática reiterada de infração, haja vista a apresentação de recibos que podem, em tese, configurar fraude. As despesas declaradas ao cirurgião dentista correspondem a aproximadamente 15% do total dos rendimentos tributáveis declarados no anocalendário 2006 e de 19,7% do total dos rendimentos tributáveis do anocalendário 2007, ou seja, foram lançados indevidamente, como despesa médicoodontológica, nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2007 e 2008, valores em torno de 15% e 19,7%, respectivamente, dos rendimentos tributáveis na tentativa de diminuir o imposto de renda a pagar. A prova da existência de ação dolosa por parte do contribuinte de reduzir o montante do imposto devido, com base na legislação citada no TVF, motivou a exigência da multa qualificada, além da formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, processo n° 13603.723972/201190. Assim, com a qualificação acima relatada, a multa de ofício aplicada foi de 150% sobre o imposto de renda pessoa física apurado em face da glosa desta despesa médica e sobre as demais despesas glosadas foi aplicada a multa de 75% sobre o imposto de renda pessoa física. O contribuinte tomou ciência do auto, pela via postal, em 09/11/2011, e em 02/12/2011, o interessado apresentou a impugnação anexada às fls. 77/82 acompanhada dos documentos de fls. 83/95 onde alega em síntese o que se segue. Em relação a glosa de despesas com instrução no valor de R$1.440,00 e despesas médicas no valor de R$9.887,80, aduz que quando foi intimado a comparecer à DRF e apresentar documentos, prontamente atendeu à ordem e só não apresentou os documentos relativos a essas despesas porque esses não Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13603.722841/201195 Acórdão n.º 2003000.062 S2C0T3 Fl. 147 5 foram solicitados. Junta à impugnação os respectivos documentos para apreciação. Quanto a glosa de dependente no valor de R$1.516,32, informa que a declaração firmada pela dependente Ilda Paula da Silva Santos respaldada pelas faturas a ela endereçadas esclarece a relação havida entre eles durante quase vinte anos. Afirma que tal declaração pode ser confirmada pela oitiva de testemunhas que sabem que a declarante é sua filha desde que foi morar em sua casa. Ressalta que é o responsável por todas as despesas de sua filha Ilda, inclusive com instrução de nível superior e plano de saúde, contudo a adoção formal não se deu por fatores absolutamente alheios à sua vontade, decorrentes da dificuldade de localização do pai biológico de sua filha. Espera que possa ser reconhecido o vínculo entre eles e acatada a dedução. Para a despesa com instrução no valor de R$3.273,84, aduz que ao compulsar a DIRPF/07, não vislumbrou o lançamento dessa despesa, razão pela qual não é possível impugnála, restando a dúvida se houve equívoco na apuração ou se não foi capaz de verificar o erro incorrido. Discorda da aplicação de multa por suposta fraude nos recibos apresentados por entender que a prática é descabida em um legítimo Estado de Direito e fere os básicos princípios da Constituição Federal. Afirma que a pena administrativa tem como fundamentação uma suspeita de irregularidade sem qualquer prova conclusiva e que nem mesmo o profissional que deu as declarações fez menção ou questionou o recebimento relativo ao pagamento lançado. Junta doutrina e jurisprudência sobre o assunto. Assevera que quando intimado a comprovar o pagamento das despesas prontamente apresentou os recibos e a lei permite a dedução, sendo, portanto, incabível a aplicação da multa aqui aplicada. Ressalta que para comprovar o pagamento efetuado ao profissional Mário Alves dos Santos apresentou ainda extrato bancário que demonstra o saque referente a um dos pagamentos no mesmo dia e valor consignados nos recibos, em anexo, o que estabelece a contradição entre as declarações. Entende que não é possível apresentar o extrato que se ajuste perfeitamente aos recibos pois os saques são feitos para pagar diversos pagamentos da família. Requer o acolhimento da impugnação para o fim de se determinar o cancelamento do débito. Acórdão de Primeira Instância Os membros da 9a Turma da DRJBHE, por unanimidade de votos, acordaram em julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito Fl. 149DF CARF MF 6 tributário exigido, para o restabelecimento da dedução de parte das despesas com instrução, no valor de R$1.440,00 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 DEDUÇÕES. GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Mantémse a dedução de despesas com instrução quando o contribuinte apresentar documentação hábil e idônea para ilidir o feito fiscal nesse sentido. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS E DEPENDENTES. São considerados dependentes, para fins de dedução do imposto de renda, somente as pessoas enquadradas na legislação de regência da matéria. São cabíveis as deduções de despesas médicas que estejam devidamente comprovadas nos autos. MULTA QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude, é de se aplicar a multa proporcional de 150%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recurso Voluntário Cientificado dessa decisão em 27/09/2012 (fl.116), o contribuinte interpôs em 29/10/2012 recurso voluntário (fls. 118 a 139), no qual reitera todos os argumentos trazidos na impugnação e acrescenta: 11.1 PRELIMINAR Preliminarmente, roga o recorrente que seja determinada por este douto conselho a juntada aos autos das declarações dos contribuintes cuja prestação de serviços ocasionou duvida sobre os lançamentos nas DIRF 2006 e 2007, a fim de que se opere o cruzamento de dados entre os lançamentos do recorrente e dos contribuintes prestadores de serviço, a saber: Exercício 2006 Ano base 2005 Exercício 2007 Ano base 2006 UNIMED VALE DO AÇO COOPERATIVA DE SERVIÇO MÉDICO, CNPJ 16.991.945/000152 FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MONSENHOR MESSIAS, CNPJ 25.002.155/000198 CENTRO EDUCACIONAL DE CONTAGEM LTDA, CNPJ 05.531.533/000113 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13603.722841/201195 Acórdão n.º 2003000.062 S2C0T3 Fl. 148 7 É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminares Roga o recorrente que seja determinada por este conselho a juntada aos autos das declarações dos contribuintes cuja prestação de serviços ocasionou duvida sobre os lançamentos nas DIRF 2006 e 2007, a fim de que se opere o cruzamento de dados entre os lançamentos do recorrente e dos contribuintes prestadores de serviço. A fim de elidir a possibilidade de perpetuação de sonegação e fraude fiscal, nos termos do art. 66, do Decreto 9580/2018 (Regulamento do Imposto de Renda), a legislação permite ao fisco exigir a apresentação de outros elementos de prova, possibilitando à autoridade tributária firmar seu convencimento, quanto à ocorrência do fato, com base na verdade material: Art. 66. As deduções ficam sujeitas à comprovação ou à justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º O sujeito passivo será intimado a apresentar, no prazo estabelecido na intimação, esclarecimentos ou documentos sobre inconsistências ou indícios de irregularidade fiscal detectados nas revisões de declarações, exceto quando a autoridade fiscal dispuser de elementos suficientes para a constituição do crédito tributário. § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou de justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). A autoridade tributária não está vinculada a um único meio de prova, pelo contrário, deve pautar seu convencimento a partir do conjunto probatório, expondo adequadamente os fundamentos legais e os motivos de sua decisão, com base nos elementos constantes dos autos. De acordo com o art. 835 do Decreto n° 3.000/1999 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda RIR, assevera que todas as deduções declaradas pelos Fl. 151DF CARF MF 8 contribuintes estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora, na forma preconizada no art. 73 do mesmo diploma legal, como segue: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.(grifei) Quando não comprovadas da forma solicitada as deduções informadas nas declarações, cabe à autoridade lançadora efetuar o lançamento de oficio com base nas infrações apuradas, de acordo com o art. 841 do Decreto acima citado, in verbis: Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (...) II ~.deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; A lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. ll, § 3° do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. Tal dispositivo está em sintonia com o princípio de que o` ônus da prova cabe a quem a alega. O art. 333 do Código de Processo Civil prevê que o ônus da prova incumbe: “I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito e II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Filio me a esse entendimento, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Assim, a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o dever de comprovação e justificação das deduções, e não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais decorrentes. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Desta forma, diligências solicitadas não se prestam para a produção de provas que a parte deve produzir no momento processual oportuno, como já decidido nos Acórdãos nºs 3403002.469 e 3402003.151. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Contudo, o recorrente sequer carreou aos autos essas provas. Caberia ao recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação. Nessa esteira, há de ser rejeitar o pedido do recorrente de diligência para se apurar questão na qual seria seu o ônus probatório. Mérito Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13603.722841/201195 Acórdão n.º 2003000.062 S2C0T3 Fl. 149 9 O recorrente reitera no recurso voluntário todos os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta somente a questão preliminar acima analisada. Neste espeque, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, in verbis: Glosa de dependentes Quanto a glosa de dependentes, conforme já explicado pela fiscalização, para a menor Ilda Paula da Silva Santos, o contribuinte não apresentou o termo judicial de guarda que é o documentos essencial exigido pela legislação de regência para se comprovar a dependência no caso de menor que seja criado e educado pelo declarante. Sobre o assunto transcrevese o artigo do Decreto 3.000/99 que aprovou o RIR/99 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.77.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1ºPoderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): Io cônjuge; IIo companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; IIIa filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IVo menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; Vo irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VIos pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Fl. 153DF CARF MF 10 VIIo absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. Assim, a declaração anexada junto à impugnação bem como os documentos de pagamento de mensalidades escolares e plano de saúde não são bastantes a comprovar a dependência tendo em vista a falta da existência da guarda judicial até a maioridade. Quanto a prova testemunhal, não há previsão legal para sua admissão no âmbito do contencioso administrativo fiscal. A glosa, portanto, deve ser mantida. Cumpre acrescentar que o assunto em comento é objeto de súmula vinculante deste Conselho, que ratifica o posicionamento adotado pela decisão de primeira instância. Súmula CARF nº 13 Menor pobre que o sujeito passivo crie e eduque pode ser considerado dependente na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, desde que o declarante detenha a guarda judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).(grifei) Glosa de despesas com instrução Em relação a glosa de despesas com instrução, o impugnante junta agora à declaração de fl. 85, emitida pela escola CECON – Centro Educacional de Contagem Ltda, que permite a aceitação da despesa de R$1.400,00 informada para seu dependente Guilherme no ano de 2007, exercício 2008. Assim essa dedução pode ser restabelecida. Quanto a outra despesa de instrução que foi glosada no montante de R$3.273,84, o contribuinte alega que não a vislumbrou em sua declaração e que por isso não poderia impugnála. Nada juntou a esse respeito. No entanto, verificase na Declaração de ajuste anual do exercício 2007, ano base 2006, cópia à fl. 56 dos autos, que o impugnante declarou um pagamento de R$5.400,00 a Fundação Educacional Monsenhor Messias, CNPJ 25.002.155/000198 e um pagamento a CECON – Centro Educacional de Contagem Ltda, no valor de R$900,00, ambos a título de instrução. Considerando o limite anual de despesas com instrução que em 2006 foi de R$2.373,84 por dependente, o programa calculou o valor de R$3.273,84 de despesas com instrução que corresponde a soma de R$2.373,84 mais R$900,00. As despesas foram glosadas pois apesar de intimado a apresentar os documentos probatórios, o contribuinte nada trouxe para demonstrar esses pagamentos. Não merece, portanto, reparos o feito fiscal. Glosa de despesas médicas O art. 8º, inciso III, alínea a c/c § 2º e inciso III, todos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e alterações, traz as disposições relativas às deduções pleiteadas pelo autuado. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas I de todos os rendimentos Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13603.722841/201195 Acórdão n.º 2003000.062 S2C0T3 Fl. 150 11 percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 31 de maio de 2007) c) à quantia de R$ 1.584,60 (mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e sessenta centavos) por dependente para o anocalendário de 2007; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por sua vez, o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: “Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). A lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu Fl. 155DF CARF MF 12 expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová las ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A análise dos dispositivos legais transcritos permitenos concluir que a dedução de despesas médicas exige a prova de efetividade do ônus do dispêndio realizado pelo contribuinte que dela pretende se aproveitar em prol de seu próprio benefício ou de seus dependentes. Assim sendo, a resolução da lide, em suma, está lastreada na força probatória dos elementos acostados aptos a comprovar a alegação do impugnante. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Exigese nesses casos, a comprovação da prestação dos serviços e, principalmente, da efetiva realização dos pagamentos correspondentes. Para a comprovação da efetividade dos pagamentos sugerese: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar conveniente, desde que surtam os devidos efeitos legais. Com efeito, inexiste obrigação legal de que o contribuinte efetue os pagamentos com cheque cruzado e nominal, mas deve ter em conta que, caso tenha intenção de beneficiarse de dedução de despesa médica, a questão passa a envolver não apenas ele e o profissional de saúde, mas também o Fisco. Nesse sentido, deve acautelarse, mantendo sob sua guarda os elementos de prova da efetividade do serviço e do pagamento, pois ao contribuinte incumbe o ônus da prova da regularidade da dedução pleiteada. A situação tornase ainda mais complexa quando o interessado alega ter efetuado pagamento em dinheiro, como é o caso. Nada impede que o faça, mas é razoável admitir que o fato é de difícil comprovação. Em relação ao plano de saúde Unimed, o impugnante afirma que junta o documento comprobatório da despesa declarada de R$9.887,80. Junta, no entanto, à fl. 84, uma declaração de Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13603.722841/201195 Acórdão n.º 2003000.062 S2C0T3 Fl. 151 13 pagamento de plano de saúde que demonstra apenas um valor de R$2.026,75 pagos para a beneficiária Maria das Graças Soares. Ora, essa pessoa não consta do rol de dependentes informado pelo contribuinte na declaração de renda e conforme pode ser visto na legislação acima transcrita, as deduções devem referir se ao próprio contribuinte e a seus dependentes legais. Assim, impossível que a declaração possa ser aceita para ilidir a glosa efetuada no montante de R$9.887,80. Quanto às despesas médicas declaradas como pagas ao cirurgião dentista Mário Alves dos Santos, o contribuinte foi intimado a apresentar o efetivo pagamento e trouxe junto à impugnação apenas os recibos e extratos já apresentados à fiscalização, onde não foi estabelecido o nexo causal entre a prestação efetiva do serviço e os saques, por esses saques não terem sido efetuados em datas próximas à prestação do serviço e os valores não serem coincidentes com os valores dos recibos. Não foram trazidas aos autos novas provas que evidenciem de forma objetiva a transferência dos valores ao referido profissional, razão pela qual também essa glosa deve ser mantida. Quanto ao assunto, colaciono aqui alguns julgados deste conselho que ratificam posicionamento adotado pela decisão de piso: Acórdão nº 2402006.538 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF. Acórdão nº 2101001.519 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus Fl. 157DF CARF MF 14 dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que o contribuinte não comprovou uma despesa com instrução. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Multa qualificada O impugnante contesta a aplicação da multa qualificada sob o argumento de que a prática é descabida em um legítimo Estado de Direito e fere os básicos princípios da Constituição Federal. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício aplicável nos casos em que restar evidenciado o intuito de fraude é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, transcrito abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei o 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim definem: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13603.722841/201195 Acórdão n.º 2003000.062 S2C0T3 Fl. 152 15 Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública. No caso em apreço, a autoridade lançadora entendeu que houve provas da existência de ação dolosa por parte do contribuinte de reduzir o montante do imposto devido, com base na legislação citada no TVF, e que isso motivou a exigência da multa qualificada. Destarte, estando prevista pela legislação de regência e, tendo sido apurados todos os pressupostos para sua aplicação, encontrase justificada a aplicação da multa qualificada de 150%. Feitas as considerações acima, sou pela retificação do lançamento de ofício do ano base 2007 para o restabelecimento da dedução de parte das despesas com instrução, no valor de R$1.440,00. Assim, considerando a aplicação da alíquota de 27,5% sobre R$1.440,00(dedução aqui acatada) obtémse o valor de R$396,00 a ser decotado do valor apurado para o ano base Fl. 159DF CARF MF 16 2007, com multa aplicada de 75%. Os outros valores de cálculo devem ser mantidos tendo em vista a manutenção das respectivas glosas. A seguir quadro demonstrativo com os valores de imposto suplementar apurados após a impugnação. Diante do exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário, consoante Auto de Infração de fls. 02/73, que passa do valor de R$8.001,94 para o valor de R$7.605,94 (sete mil, seiscentos e cinco reais e noventa e quatro centavos), com os devidos acréscimos legais (Multa de Ofício e Juros de Mora) Em face de todo o exposto, voto por ratificar a decisão de primeira instância e manter os valores de imposto apurados no quadro supracitado. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar o pedido preliminar de diligência, e, no mérito, negarlhe total provimento. É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912608/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2008
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.791
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 08 /2 01 2- 17 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito inicialmente um resumo dos fatos. Em preliminar, discorre acerca da nulidade do Despacho Decisório, enfatizando a ausência de fundamentação, o desvio de finalidade e o prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal, tendo destacado que deve ser possibilitado ao manifestante a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material. Sustenta ainda a inaplicabilidade da multa aplicada em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade e tece considerações acerca da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e sobre a limitação dos juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional (CTN). Ao final, requer seja acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório em comento, com todos os seus consectários, inclusive cancelamento de qualquer cobrança que possa advir do citado despacho.. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02055.320. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.789, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912606/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.789): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O contribuinte tece considerações acerca da nulidade do despacho decisório pelos motivos circunstanciados na manifestação de inconformidade. Primeiramente cumpre observar que, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a manifestação de inconformidade e o recurso obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Decreto nº 70.235, de 1972, prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que esse direito é exercido. Também não há exigência legal de intimação do contribuinte previamente à expedição do Despacho Decisório. É importante ressaltar que no referido despacho foi anotado que a fundamentação para o indeferimento do pedido de compensação reside no fato de o valor correspondente ao Darf indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte conforme consta do quadro – “utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP”. O enquadramento legal também foi devidamente especificado, contendo as normas do Código Tributário Nacional (CTN) e da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pertinentes às regras de restituição e compensação de tributos. Portanto, estando presentes os elementos que fundamentam o Despacho Decisório, não há que se cogitar de cerceamento do seu direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Nulidade da decisão recorrida. O recorrente alega que a decisão recorrida carece de fundamentação, pois resumiuse a negar provimentos à manifestação de inconformidade em virtude de falta de comprovação pelo sujeito passivo de seu direito creditório. Pela alegação feita no recurso voluntário, resta evidente que houve a ratio decidendi no acórdão recorrido, qual seja: a falta de provas do direito creditório, pois o onus probandi, nos casos de pedido de restituição, é do sujeito passivo. Neste norte, não vejo motivos para que seja declarada a nulidade da decisão, pois a fundamentação foi clara e objetiva, de forma que afasto a nulidade suscitada. Restituição/Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 6 5 referente ao período de apuração 30/11/2007. Afirma, outrossim, que o ônus da prova cabe ao fisco e não ao sujeito passivo, uma vez que o processo administrativo pautase pela verdade material. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, duas são as questões a serem enfrentadas: a quem cabe o ônus da prova em processos administrativos cujo objeto é pedido de restituição; se existem provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 7 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 8 7 provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 9 8 Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem demonstrar as questões de direito que embasavam seu indébito. Também não se preocupou em participar da instrução processual, pois não apresentou nenhum documento probatório. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de restituição/ compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Multa de Mora. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 10 9 Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11020.912608/201217 Acórdão n.º 3302006.791 S3C3T2 Fl. 11 10 Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Por todo exposto, voto em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.902096/2013-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PER. DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÕES SOBRE INVESTIMENTOS EM FASE PRÉ-OPERACIONAL. DESPESAS FINANCEIRAS QUE SUPERAM AS RECEITAS DE MESMA NATUREZA DO PERÍODO. COMPROVAÇÃO DE REGISTRO CONTÁBIL DOS RENDIMENTOS E CONFIRMAÇÃO PRECISA DO IRRF RETIDO. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL
Uma vez demonstrado que o contribuinte encontrava-se, efetivamente, em fase pré-operacional e que suas despesas financeiras superaram a monta de receitas de mesma natureza em tal período, configura-se seu direito creditório em relação às retenções de IRRF sofridas sobre os rendimentos percebidos. Confirmada a monta das retenções, da mesma forma que informada pelo contribuinte, bem como o registro contábil dos rendimentos financeiros correspondentes, deve ser homologada a sua pretensão.
Numero da decisão: 1402-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PER. DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÕES SOBRE INVESTIMENTOS EM FASE PRÉ-OPERACIONAL. DESPESAS FINANCEIRAS QUE SUPERAM AS RECEITAS DE MESMA NATUREZA DO PERÍODO. COMPROVAÇÃO DE REGISTRO CONTÁBIL DOS RENDIMENTOS E CONFIRMAÇÃO PRECISA DO IRRF RETIDO. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL Uma vez demonstrado que o contribuinte encontrava-se, efetivamente, em fase pré-operacional e que suas despesas financeiras superaram a monta de receitas de mesma natureza em tal período, configura-se seu direito creditório em relação às retenções de IRRF sofridas sobre os rendimentos percebidos. Confirmada a monta das retenções, da mesma forma que informada pelo contribuinte, bem como o registro contábil dos rendimentos financeiros correspondentes, deve ser homologada a sua pretensão.
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DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÕES SOBRE INVESTIMENTOS EM FASE PRÉOPERACIONAL. DESPESAS FINANCEIRAS QUE SUPERAM AS RECEITAS DE MESMA NATUREZA DO PERÍODO. COMPROVAÇÃO DE REGISTRO CONTÁBIL DOS RENDIMENTOS E CONFIRMAÇÃO PRECISA DO IRRF RETIDO. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL Uma vez demonstrado que o contribuinte encontravase, efetivamente, em fase préoperacional e que suas despesas financeiras superaram a monta de receitas de mesma natureza em tal período, configurase seu direito creditório em relação às retenções de IRRF sofridas sobre os rendimentos percebidos. Confirmada a monta das retenções, da mesma forma que informada pelo contribuinte, bem como o registro contábil dos rendimentos financeiros correspondentes, deve ser homologada a sua pretensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 20 96 /2 01 3- 02 Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.124 2 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.125 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 367 a 734) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 332 a 358) que manteve a não homologação parcial do PER transmitido, entendendo não ter a ora Recorrente demonstrado, efetivamente, deter o direito creditório expresso naquele pedido, rejeitando integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 02 a 146). Os créditos que a Recorrente visa restituir têm origem em saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 2008, quando ainda, supostamente, encontravase em fase préoperacional, oriundos exclusivamente de IRRF incidentes sobre aplicações financeiras. O r. Despacho Decisório (fls. 150 a 165) que, inicialmente indeferiu parte do pleito da restituição, entendeu não ter havido a comprovação de que as receitas referentes àquelas retenções de Imposto de Renda não teriam sido oferecidas à tributação, deixando de configurar hipótese de formação de saldo negativo: Em sua Impugnação (fls. 02 a 146), explica a ora Recorrente que, estando em fase preliminar da sua derradeira atividade empresarial (mineração, preponderantemente), investiu parte de seu capital e financiamentos já obtidos em aplicações financeiras de renda fixa, visando proteger seu numerário e evitar a desvalorização inflacionária de tais valores. Por obrigação legal, mesmo não possuindo resultado operacional qualquer, a Empresa optou pelo Lucro Real e veio apresentando normalmente suas Declarações fiscais federais. Contudo, manteve o registro de tais receitas e despesas financeiras em seu ativo diferido, como lhe autorizaria a legislação vigente à época. Colaciona também entendimentos da RFB e inúmeros julgados deste E. CARF. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.126 4 Também alega que, no período, suas despesas financeiras superaram em muito, suas receitas, não havendo qualquer saldo líquido positivo a ser registrado e, logo, não havendo valores a serem ofertados à tributação no período. Acosta em sua defesa cópia do PER, das DIPJs original e retificadora do ano calendário de 2008, balanço, contas do razão e informe de rendimentos das Instituições Financeiras responsáveis pelas aplicações, atestando as retenções. Na sequência, foi proferido o v. Acórdão, ora recorrido, pela DRJ de Ribeirão Preto, que negou provimento à Impugnação, em suma, por entender que não haviam provas o bastantes que demonstrassem cabalmente estar a Empresa em fase operacional e nem de que as despesas financeiras teriam superado as receitas, de acordo com seus registros, nos termos das normas contábeis aplicáveis. Igualmente, afirmouse que a DIPJ não é instrumento idôneo para prova de crédito e rejeita cópia de balanço e contas do Livro Razão, por não estar atestada a sua autenticidade e oficialidade. Confirase a Ementa e trechos do r. Julgado a quo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. No que tange ao efeito suspensivo das defesas apresentadas, relativamente aos débitos compensados, é matéria fora da competência da DRJ, a qual se restringe, no presente caso, ao julgamento, em primeira instância, dos processos administrativos fiscais de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. A DIPJ tem efeito meramente informativo, constituindo, apenas, demonstrativo da existência do direito creditório pleiteado, cumprindo à pessoa jurídica comprovar a veracidade das informações prestadas em tal documento, quando o pedido de Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.127 5 restituição/compensação se origina de saldo negativo apurado em referida declaração. PROVA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. A restituição e/ou compensação de saldo negativo de IRPJ condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. O IRRF é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes e apresentado o respectivo Comprovante de Rendimentos Pagos, emitido nos termos da legislação vigente. Mantémse a glosa do IRRF cuja tributação dos rendimentos correspondentes não tenha sido devidamente comprovada. Não reconhecido o direito creditório, indeferese o Pedido de Restituição e não se homologam as compensações trazidas a litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Assim, para comprovar a regular tributação das receitas financeiras questionadas na fase préoperacional, como antes dito, impõese demonstrar: (i) o período abrangido pela fase préoperacional; (ii) que as receitas financeiras se destinam a financiamento de recursos ainda não aplicados na fase pré operacional; (iii) que as receitas financeiras foram confrontadas com despesas financeiras (do anocalendário 2008 e/ou de anos anteriores, em se tratando de rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, quando relativo a títulos vencíveis após o encerramento do período de apuração) derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento e/ou com demais despesas préoperacionais; e (iv) que inexistiu saldo credor de receita financeira, após o confronto com as despesas financeiras derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento e/ou Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.128 6 com demais despesas préoperacionais, que ensejasse sua composição no resultado do período (lucro líquido). A interessada não trouxe o Estatuto Social vigente à época, nem a Ata da Assembléia, tão pouco as Demonstrações Financeiras, acompanhadas das Notas Explicativas, a fim de demonstrar a alegada fase préoperacional no período em questão (ano calendário 2008). Também não esclareceu se optou em manter a escrituração do Ativo Diferido até sua total amortização ou se promoveu a reclassificação para o Imobilizado, Intangível ou Resultado, conforme o caso. Nem logrou demonstrar que as receitas de aplicações financeiras, nos valores presentes na DIRF e nos Informes de Rendimentos Pagos, foram registradas em conta específica à parte, classificada como redução das despesas financeiras pré operacionais do Ativo Diferido, de modo a fazer jus ao tratamento tributário pretendido no anocalendário 2008, acerca do cômputo do resultado líquido das receitas financeiras/despesas financeiras. Inconformada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 367 a 734), ora sob apreço, basicamente repisando seus argumentos de Impugnação e fazendo menção específica às razões de reforma do v. Acórdão. Acosta nova documentação, visando suprir a suposta deficiência mencionada pela Instância a quo, quais sejam, Demonstração Financeira de 2010 (elaborada e assinada pela Deloitte), Planilha demonstrativa da composição do Ativo Diferido em 2008, LALUR do ano de 2008, Razão contábil de 2008, Estatuto Social da Recorrente vigente no ano de 2008 e alterações, bem como Annual Report de 2008, que atestaria estar a Empresa em fase préoperacional. Ainda, posteriormente, foi juntada aos autos petição da Recorrente (fls. 742) acostando mídia digital (milhares de folhas de arquivos não pagináveis), com a abertura e registro de contas dos Livros Razão e Diário do ano de 2008. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Incluído o processo em pauta de julgamento de sessão de abril de 2017, foi proferida por este mesmo N. Colegiado a v. Resolução nº 1402000.432, estampado a seguinte conclusão sobre o tema sob análise e as seguintes determinações: Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.129 7 Para este Conselheiro já resta satisfatoriamente provado, por meio da documentação acima citada e mais a frente colacionada, que, de fato, a Empresa estava em fase pré operacional, superando tal questionamento do v. Acórdão. E fazendo uma análise detida de tais documentos, já pode ser verificado forte indício de que o registro do resultado em seu Ativo Diferido no período era negativo, como atestado na sua Demonstração Financeira de 2010 (fls. 418 Demonstração Financeira de 2010): (...) Tais informações também são corroboradas pela Planilha Resumo do Ativo Diferido (fls. 437 a 439), constando detalhadamente as despesas e receitas financeiras. Contudo, como existe nos autos vasta documentação contábil, bastante técnica, incluindo dezenas de milhares de arquivos digitais não pagináveis, que podem comprovar, precisa e efetivamente, a regularidade dos lançamentos da Recorrente e se as suas despesas préoperacionais superaram suas receitas financeiras do anocalendário de 2008, entendese ser mais adequado e prudente a determinação de diligência, para a averiguação de tal nova documentação, muito recentemente juntada aos autos, em comunhão com a documentação já existente. Diante de todo o exposto, resolvese por converter o julgamento em diligência, remetendose os autos do presente feito à N. Unidade Local, para que: 1) considerando as informações constantes da DIPJ 2008 (última transmitida, retificadora) e no PER sob debate, especialmente em relação ao saldo negativo percebido, em confronto analítico com os documentos contábeis, societários, extrafiscais em língua portuguesa (todos acostados às folhas 24 a 318, 386 a 732), e os arquivos não pagináveis acostados após as folhas 761, determinar: 1.a) se foram registradas as despesas e receitas financeiras do período no Ativo de Diferido de maneira correta e regular; 1.b) se o saldo entre despesas e receitas financeiras foi negativo ou positivo; 1.c) se, caso percebido resultado líquido positivo entre receitas e despesas financeiras, tal valor remanescente supera ou não as demais despesas préoperacionais do período. 2) Se o valor do IRRF retido, como apontam os comprovantes acostados na Impugnação, corresponde ao saldo negativo declarado pelo Contribuinte. 3) Deverá ser elaborado Relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.130 8 Caso verificado a procedência apenas parcial do crédito pleiteado, deverá ser apresentado novo cálculo. 4) Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Diante de tal determinação, os autos foram encaminhados à Unidade Local responsável, que procedeu à intimação da Contribuinte (fls. 784) para apresentar documentos que justifiquem os lançamentos contábeis na conta Rendimentos de Aplicações Financeiras – 1.2.98.02.0001, no anocalendário 2008 e Outros documentos que justifiquem os lançamentos contábeis na conta Rendimentos de Aplicações Financeiras – 1.2.98.02.0001 no ano calendário 2008. Apresentada vasta documentação pela Contribuinte, foi produzido o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 931 a 936), confirmando parte das solicitações desta C. 2ª Turma Ordinária e afirmando que parte delas não foi possível obter uma conclusão devida em suposta razão da ausência da apresentação de documentação adequada. Confirase: 14. O “Relatório Customizado de Posição” apresenta o histórico de aplicações e resgates nas aplicações, mas não informa o rendimento tributável no período, objeto da intimação. A propósito, consta na primeira página do relatório citado (fls. 792 e 874) a seguinte observação: “Leitura obrigatoria em conjunto com os demais avisos: O conteúdo do “Relatório Customizado de Posição” é um breve resumo de cunho meramente informativo e genérico, não devendo servir como fonte oficial de informações no processo decisório do investidor ou como base para a orientação sobre tributos ou para qualquer outro fim que não seja o de mero indicativo. Embora as informações expressas neste documento estejam baseadas em fontes confiáveis e fidedgnas, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implicita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. Todas as informações, opiniões e valores eventualmente indicados estão sujeitos a alteração sem aviso prévio. O BGT Pactual enviará mensalmente o seu Extrato, documento formal e obrigatório” (grifei). 15. Assim, o próprio documento apresentado pelo contribuinte informa que o banco enviará o extrato mensal das aplicações, que é o “documento formal e obrigatório”. Esse foi o documento solicitado na intimação, que não foi atendida. 16. Por fim, esclareço que os informes de rendimentos financeiros anexados pelo contribuinte (fls. 912 a 917) apresentam os mesmos rendimentos e retenções constantes nas Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.131 9 Dirf. O rendimento total informado é de R$ 78.980.845,28. Como já explicado, esses informes apresentam apenas os rendimentos relativos às cotas resgatadas no período (regime de caixa), sendo que a tributação deve ser feita pelo regime de competência. Por isso, não são adequados à comprovação do rendimento tributável total. 17. Dessa forma, como o contribuinte não apresentou os documentos solicitados, não foi possível apurar o rendimento financeiro no período. (...) 25. Diante do exposto, concluo que: • as retenções informadas no PER, no valor total de R$ 16.907.727,38, são confirmadas nas Dirf das fontes pagadoras; • os documentos apresentados pelo contribuinte não permitem dizer se as receitas de aplicações financeiras foram devidamente contabilizadas na conta 1.2.98.02.0001 Rendimentos de Aplicações Financeiras. Assim, não é possível afirmar se o valor na conta 1.2.98.02 – Receitas Financeiras GG 0302 está correto ou não; • a contabilidade do contribuinte apresenta em 2008 receitas financeiras inferiores às despesas financeiras devido ao valor da conta Perda em Operações de Hedge (Swap). Porém, conforme já informado, não foi possível confirmar o valor das receitas financeiras. Devidamente intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação (fls. 946 a 1104), instruída com nova documentação, referente aos rendimentos mensais apurados, bem como o seu cruzamento com lançamentos correspondentes em sua escrituração no Livro Razão, alegando que, não obstante entender a Autoridade Fiscal que parte da documentação solicitada não fora apresentada, o Relatório de Diligência Fiscal é integralmente favorável ao seu direito em relação às questões pendentes de apreciação, concluindo que 1) as despesas e receitas financeiras do período no Ativo de Diferido foram registradas de maneira correta e regular; 2) o saldo entre despesas e receitas financeiras foi negativo, no montante de R$ 827.484.363,90, o qual, por meio dos documentos anexos no presente feito, foi integralmente comprovado; 3) conforme se vê, as despesas préoperacionais foram exponencialmente superiores às receitas financeiras, tendo os valores retidos a título de IRRF, sido convertidos em saldo negativo; 4) o valor de IRRF retido corresponde ao saldo negativo declarado pela Requerente. Posteriormente, os autos retornaram a este Conselheiro para a derradeira apreciação do Apelo. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.132 10 É o relatório. Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Reiterese que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Tendo em vista que o presente feito foi objeto da Resolução nº 1402000.432, em abril de 2017, oportunidade processual em que este Conselheiro registrou em seu voto a análise da matéria jurídica envolvida, os pontos controversos e, inclusive, seu convencimento sobre parte do tema necessário para a resolução da demanda será reproduzido a seguir trecho de seus termos, integrando a presente decisão. "Inicialmente, frisese que a razão original da negativa ao PER transmitido se resume à alegação de não terem sido as receitas financeiras, correspondentes às retenções de Imposto de Renda sofridas, oferecidas à tributação. Por sua vez, como se observa do relatório, a fundamentação jurídica do direito da Recorrente restituirse do crédito, referente a saldo negativo exclusivamente composto por tais retenções IRRF incidente sobre aplicações de renda fixa de seu capital, em fase préoperacional, não foi propriamente questionado. No longo v. Acórdão recorrido, a DRJ concordou com a possibilidade legal da formação do saldo negativo supostamente obtido pela Contribuinte, no sentido de que, se de fato, estivesse em fase préoperacional e suas despesas fossem superiores às receitas financeiras, estando todas devidamente registradas, de acordo com todas normas contábeis incidentes ao caso, seria, então devida a sua restituição. O seguinte trecho daquela r. decisão melhor ilustra a posição adotada para não reconhecer o crédito pleiteado: Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.133 11 Assim, para comprovar a regular tributação das receitas financeiras questionadas na fase préoperacional, como antes dito, impõese demonstrar: (i) o período abrangido pela fase pré operacional; (ii) que as receitas financeiras se destinam a financiamento de recursos ainda não aplicados na fase pré operacional; (iii) que as receitas financeiras foram confrontadas com despesas financeiras (do anocalendário 2008 e/ou de anos anteriores, em se tratando de rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, quando relativo a títulos vencíveis após o encerramento do período de apuração) derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento e/ou com demais despesas préoperacionais; e (iv) que inexistiu saldo credor de receita financeira, após o confronto com as despesas financeiras derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento e/ou com demais despesas préoperacionais, que ensejasse sua composição no resultado do período (lucro líquido). Em resumo, o fundamento para o registro contábil das movimentações e resultados da fase préoperacional no ativo diferido encontrase no 179, inciso V, da Lei das S/A1 (em 2008 vigendo com a sua redação original, diante das disposições do RTT, ao qual estava sujeita a Recorrente), em harmonia com o tratamento fiscal previsto no art. 325 do RIR/992. 1 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. 2 Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como: a) patentes de invenção, fórmulas e processos de fabricação, direitos autorais, licenças, autorizações ou concessões; b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização; c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; d) custos das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor; e) o valor dos direitos contratuais de exploração de florestas de que trata o art. 328; II os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração, tais como: a) as despesas de organização préoperacionais ou préindustriais; Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.134 12 E, ao seu turno, especificamente sobre receitas e despesas financeiras e o eventual saldo negativo oriundo de tais registros, a Receita Federal do Brasil se pronunciou no mesmo sentido defendido pela Recorrente e adotado, juridicamente, pelo v. Acórdão: Solução de Divergência COSIT Nº 32, de 21 de Julho de 2008 DOU 05.08.2008 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Solução de Consulta Nº 44 (8ª Região), de 1º de fevereiro de 2008 DOU 06.03.2008 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: No caso de empresa em fase de préoperação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas préoperacionais incorridas no período de apuração e, b) as despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas, inclusive com experimentação para criação ou aperfeiçoamento de produtos, processos, fórmulas e técnicas de produção, administração ou venda, de que trata o caput do art. 349, se o contribuinte optar pela sua capitalização; c) as despesas com prospecção e cubagem de jazidas ou depósitos, realizadas por concessionárias de pesquisa ou lavra de minérios, sob a orientação técnica de engenheiro de minas, de que trata o § 1º do art. 349, se o contribuinte optar pela sua capitalização; d) os custos e as despesas de desenvolvimento de jazidas e minas ou de expansão de atividades industriais, classificados como ativo diferido até o término da construção ou da preparação para exploração; e) a parte dos custos, encargos e despesas operacionais registrados como ativo diferido durante o período em que a empresa, na fase inicial da operação, utilizou apenas parcialmente o seu equipamento ou as suas instalações; f) os juros durante o período de construção e préoperação; g) os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais ou de implantação do empreendimento inicial; h) os custos, despesas e outros encargos com a reestruturação, reorganização ou modernização da empresa. § 1º A amortização terá início: I no caso da alínea "a" do inciso II, a partir do início das operações; II no caso da alínea "d" do inciso II, a partir da exploração da jazida ou mina, ou do início das atividades das novas instalações; III no caso da alínea "e" do inciso II, a partir do momento em que for iniciada a operação ou atingida a plena utilização das instalações. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.135 13 eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas préoperacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. (destacamos) Confirmando e sumarizando tal cenário de entendimentos, o célebre Autor Hiromi Higuchi3 relata que: A COSIT decidiu que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. (...) O CARF decidiu que as receitas financeiras auferidas na fase préoperacional devem constituir elemento subtrativo das despesas préoperacionais incorridas, cabendo tributação, apenas, na situação em que o total dessas receitas exceda o montante dessas mesmas despesas préoperacionais. (destacamos) Frisese que o tema já foi apreciado por esta C. 2ª Turma Ordinária, como ilustra o Acórdão nº 1402.001.799, de relatoria do I. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, publicado em 14/10/2014, acatando o mesmo entendimento, em julgamento unânime (ainda que decidindose pela improcedência do Recurso Voluntário, por falta de provas): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 FASE PRÉOPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DECORRENTE DAS RETENÇÕES NA FONTE. No caso de empresa em fase de préoperação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré operacionais incorridas no período de apuração. Eventual 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 343. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.136 14 excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras comprovadamente absorvidas pelas despesas pré operacionais, esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB. RFB. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. Recurso Voluntário Negado (destacamos) Assim, uma vez certas e incontroversas as normas aplicáveis e a prerrogativa legal da Contribuinte, temos, muito claro, que a matéria debatida aqui é exclusivamente de prova. Posto isso, dentro da lógica da própria negativa Fiscal original deste feito, bem como dos entendimentos acima demonstrados, caberia à Recorrente a comprovação de que estava em fase preliminar à operação empresarial de seu objeto e que o saldo líquido entre suas despesas e receitas financeiras não foi positivo no anocalendário de 2008. Em face de ter sido o conjunto probatório acostado aos autos considerado pela DRJ insuficiente, a Recorrente trouxe posteriormente, além da sua DIPJ 2009, cópia do PER, e documentos contábeis, a seguinte documentação: Demonstração Financeira de 2010 (elaborada e assinada pela Deloitte); Planilha demonstrativa da composição do Ativo Diferido em 2008; LALUR do ano de 2008; Livro Razão contábil de 2008; Estatuto Social da Recorrente vigente no ano de 2008 e alterações; Annual Report de 2008; Mídias digitais (milhares de folhas de arquivos não pagináveis) de seus Livros Razão e Diário do anocalendário de 2008. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.137 15 Para este Conselheiro já resta satisfatoriamente provado, por meio da documentação acima citada e mais a frente colacionada, que, de fato, a Empresa estava em fase préoperacional, superando tal questionamento do v. Acórdão. E fazendo uma análise detida de tais documentos, já pode ser verificado forte indício de que o registro do resultado em seu Ativo Diferido no período era negativo, como atestado na sua Demonstração Financeira de 2010 (fls. 418 Demonstração Financeira de 2010): Tais informações também são corroboradas pela Planilha Resumo do Ativo Diferido (fls. 437 a 439), constando detalhadamente as despesas e receitas financeiras. Contudo, como existe nos autos vasta documentação contábil, bastante técnica, incluindo dezenas de milhares de arquivos digitais não pagináveis, que podem comprovar, precisa e efetivamente, a regularidade dos lançamentos da Recorrente e se as suas despesas préoperacionais superaram suas receitas financeiras do anocalendário de 2008, entendese ser mais adequado e prudente a determinação de diligência, para a averiguação de tal nova documentação, muito recentemente juntada aos autos, em comunhão com a documentação já existente." Como se observa, no momento de interposição do Recurso Voluntário, independente de questões formais aventadas no v. Acórdão recorrido, como a autenticação da escrituração apresentada e a natureza meramente informativa da DIPJ, a grande controvérsia que impede a homologação do crédito pretendido era a confirmação de que a Contribuinte Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.138 16 estava em fase préoperacional e consequentemente se as despesas desse período (financeiras e outras) superaram as receitas financeiras percebidas, fazendo jus, então, ao seu direito de restituição do IRRF incidente sobre as aplicações de valores capitalizados na companhia, devidamente investidos durante essa fase. Na v. Resolução nº 1402000.432 restou registrado convencimento sobre a comprovação de que a Recorrente, efetiva e realmente, encontravase em fase préoperacional. A determinação de diligência acabou sendo motivada não só para suprir a necessidade de demonstração do registro de despesas superiores às receitas percebidas, mas, também, em razão da monta da documentação contábil trazida pela Contribuinte. Como relatado, foram os seguintes os quesitos de tal diligência: 1) considerando as informações constantes da DIPJ 2008 (última transmitida, retificadora) e no PER sob debate, especialmente em relação ao saldo negativo percebido, em confronto analítico com os documentos contábeis, societários, extrafiscais em língua portuguesa (todos acostados às folhas 24 a 318, 386 a 732), e os arquivos não pagináveis acostados após as folhas 761, determinar: 1.a) se foram registradas as despesas e receitas financeiras do período no Ativo de Diferido de maneira correta e regular; 1.b) se o saldo entre despesas e receitas financeiras foi negativo ou positivo; 1.c) se, caso percebido resultado líquido positivo entre receitas e despesas financeiras, tal valor remanescente supera ou não as demais despesas préoperacionais do período. 2) Se o valor do IRRF retido, como apontam os comprovantes acostados na Impugnação, corresponde ao saldo negativo declarado pelo Contribuinte. 3) Deverá ser elaborado Relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.139 17 Caso verificado a procedência apenas parcial do crédito pleiteado, deverá ser apresentado novo cálculo. Por sua vez, assim se posicionou a Autoridade Fiscal sobre tal determinação: Comprovação das retenções 8.O relatório às folhas 922 a 930, extraído das Dirf das fontes pagadoras, confirma as retenções informadas pelo contribuinte no PER nº 33605.72830.140710.1.2.023055, todas relativas a receitas financeiras, com os códigos 3426, 3277, 5557 e 6800. A retenção informada no PER com o código 3277 (Rendimentos de Partes Beneficiárias ou de Fundador) consta na Dirf com o código 5557 (Mercado de Renda Variável). Valor das receitas financeiras 9.O relatório citado mostra as retenções informadas em Dirf pelas fontes pagadoras e as respectivas receitas, resumidas por código de retenção no quadro a seguir: 10.Embora a Dirf apresente valores de “rendimento tributável”, esses não são os valores que devem ser oferecidos à tributação. Os rendimentos das aplicações em renda fixa e fundos de investimento são tributados pelo regime de competência, enquanto a Dirf apresenta os rendimentos apenas no momento do resgate das plicações (regime de caixa), o que gera distorções consideráveis. 11.Por outro lado, os rendimentos em renda variável sofrem retenção de 0,005% sobre a soma algébrica dos ajustes diários (valor informado na Dirf), e não sobre o lucro das operações, que é a base de cálculo do IRPJ. 12.Assim, para determinar o valor correto do rendimento das aplicações financeiras, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos mensais dos fundos de investimento e outros documentos que comprovem os valores lançados na conta “Rendimentos de Aplicações Financeiras” (fl. 784). Não foram solicitados documentos relativos à apuração dos resultados em renda variável, por tratarse de apuração bem mais complexa, que não se justifica em função do baixo valor de retenção utilizada. 13.Em resposta à intimação, a empresa apresentou o relatório às folhas 792 a 829 denominado “Relatório Customizado de Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.140 18 Posição”. Posteriormente, reapresentou o mesmo relatório às folhas 874 a 911, acrescidos dos Informes de Rendimentos Financeiros às folhas 912 a 917. 14.O “Relatório Customizado de Posição” apresenta o histórico de aplicações e resgates nas aplicações, mas não informa o rendimento tributável no período, objeto da intimação. A propósito, consta na primeira página do relatório citado (fls. 792 e 874) a seguinte observação: “Leitura obrigatoria em conjunto com os demais avisos: O conteúdo do “Relatório Customizado de Posição” é um breve resumo de cunho meramente informativo e genérico, não devendo servir como fonte oficial de informações no processo decisório do investidor ou como base para a orientação sobre tributos ou para qualquer outro fim que não seja o de mero indicativo. Embora as informações expressas neste documento estejam baseadas em fontes confiáveis e fidedgnas, nenhuma garantia ou responsabilidade, expressa ou implicita, é feita a respeito da exatidão, fidelidade e/ou totalidade das informações. Todas as informações, opiniões e valores eventualmente indicados estão sujeitos a alteração sem aviso prévio. O BGT Pactual enviará mensalmente o seu Extrato, documento formal e obrigatório” (grifei). 15.Assim, o próprio documento apresentado pelo contribuinte informa que o banco enviará o extrato mensal das aplicações, que é o “documento formal e obrigatório”. Esse foi o documento solicitado na intimação, que não foi atendida. 16.Por fim, esclareço que os informes de rendimentos financeiros anexados pelo contribuinte (fls. 912 a 917) apresentam os mesmos rendimentos e retenções constantes nas Dirf. O rendimento total informado é de R$ 78.980.845,28. Como já explicado, esses informes apresentam apenas os rendimentos relativos às cotas resgatadas no período (regime de caixa), sendo que a tributação deve ser feita pelo regime de competência. Por isso, não são adequados à comprovação do rendimento tributável total. 17. Dessa forma, como o contribuinte não apresentou os documentos solicitados, não foi possível apurar o rendimento financeiro no período. Tributação das receitas financeiras 18.A empresa informa, no Recurso Voluntário, que contabilizou as receitas e despesas financeiras no Ativo Diferido. Apresenta, à folha 437, um quadro com a composição do Ativo Diferido em 31/12/2008, reproduzido abaixo: Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.141 19 19.Todos os itens do quadro conferem com o Balancete de Verificação de 16/12 a 31/12/2008, constante nas páginas 345 a 353 do livro Diário nº 19 , anexado como arquivo não paginável à folha 751 do processo. 20.Para o caso em questão, interessa a conta 1.2.98 – Resultado Financeiro Líquido. Na folha 438 (anexo do Recurso Voluntário), o contribuinte apresenta a composição dessa conta, reproduzida no quadro a seguir, que confere com o Balancete de Verificação na página 353 do livro Diário acima referido. 21.Verificase que houve contabilização de receitas de aplicações financeiras, no valor de R$ 68.659.766,08. Como visto anteriormente, não é possível confirmar esse valor com os documentos apresentados pelo contribuinte. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.142 20 22.O resultado contabilizado das contas credoras Receitas Financeiras (R$ 166.951.103,85) e Variações Cambiais (R$ 140.680.809,43) foi muito inferior ao da conta devedora Despesas Financeiras (R$ 1.135.116.277,18). Por isso o resultado o Resultado Financeiro Líquido foi R$ 827.484.363,90 devedor. 23.Esse resultado se deve ao valor da conta 1.2.98.01.0006 Perda em Operações de Hedge (Swap), que foi de R$ 1.122.912.743,00 e superou a soma de todas as receitas financeiras contabilizadas. Na página 8 do documento anexado à folha 757 do processo (“Cópia de Composição Ativo Diferido 2008 Razões e Referências Cont. 31.03.2015”), o contribuinte apresenta os lançamentos ocorridos nessa conta. Verificase que a maior parte referese à constituição de provisões para perdas em hedge, que são posteriormente revertidas, não afetando o resultado. Porém, há quatro lançamentos referentes a perdas realizadas em 2008 e um lançamento de constituição de provisão em dezembro para o qual não há reversão em 2008. O documento indica as páginas dos livros Diário nº 18 e 19 onde constam esses lançamentos, que foram confirmados: 24.Quanto aos ganhos em operações de hedge, o contribuinte apresenta na página 9 do documento citado os lançamentos da conta 1.2.98.02.0004 Ganhos na Liquidação de Operações de Hedge, com seis lançamentos também confirmados nos livros Razão anexados: Conclusão 25.Diante do exposto, concluo que: •as retenções informadas no PER, no valor total de R$ 16.907.727,38, são confirmadas nas Dirf das fontes pagadoras; •os documentos apresentados pelo contribuinte não permitem dizer se as receitas de aplicações financeiras foram devidamente contabilizadas na conta 1.2.98.02.0001 Rendimentos de Aplicações Financeiras. Assim, não é possível afirmar se o valor Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.143 21 na conta 1.2.98.02 – Receitas Financeiras GG0302 está correto ou não; •a contabilidade do contribuinte apresenta em 2008 receitas financeiras inferiores às despesas financeiras devido ao valor da conta Perda em Operações de Hedge (Swap). Porém, conforme já informado, não foi possível confirmar o valor das receitas financeiras. Registrese que a Autoridade Fiscal restou silente e não atendeu ao Item 3 da Resolução nº 1402000.432, vez que não se manifestou, positiva ou negativamente, sobre a procedência do direito creditório, após a análise da documentação. Analisando, então, tais informações fiscais, temos, com segurança, que, em relação Item 1.a da Diligência, em que se questionou se foram registradas as despesas e receitas financeiras do período no Ativo de Diferido de maneira correta e regular, foi confirmado o registro de tais valores de movimentações préoperacionais, inclusive valendose a Autoridade Fiscal de tais lançamentos na elaboração de suas tabelas, afirmando textualmente, em diversos trechos, que tais valores condizem com balancetes e outros livros. Apenas apontase para a suposta impossibilidade de confirmação do lançamento contábil do valor líquido de rendimentos de aplicações financeiras de R$ 68.659.766,08, em razão da suposta ausência de informativos mensais adequados. Em relação ao Item 1.b, em que se questionou se o saldo entre despesas e receitas financeiras foi negativo ou positivo, fora atestado, com a devida demonstração dos lançamentos contábeis correspondentes, que as despesas financeiras da Contribuinte superaram largamente suas receitas mormente em face das perdas em operações de hedge. Frisese que somente a monta de tal perda com hedge (R$ 1.122.912.743,00) já faz enorme frente ao valor apresentados das receitas financeiras percebidas no período. E, de todos os valores lançados nas contas do Resultado Financeiro, apenas o valor de R$ 78.980.845,28, referentes a rendimentos totais anuais de dois Fundos de Investimento não teriam sido confirmado, pela mencionada ausência dos corretos relatórios mensais, fornecidos pelo pela Instituição Financeira BTG Pactual. Posto isso, o Item 1.c ficou prejudicado, vez que, confirmado que o resultado entre o confronto de despesas financeiras com receitas financeiras foi negativo, sendo irrelevante a verificação das demais despesas préoperacionais do período. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.144 22 Em relação ao Item 2, em que se questionou se o valor do IRRF retido, como apontam os comprovantes acostados na Impugnação, corresponde ao saldo negativo declarado pelo Contribuinte, no início do trabalho fiscal já atesta que os valores das retenções informados em DIRFs coadunamse perfeitamente ao saldo negativo informado no ano calendário de 2008, formado exclusivamente por tais retenções. Frisese que a coincidência de tais valores, considerando a alíquota conhecida do IRRF, é forte indício confirmatório da monta dos rendimentos financeiros lançados no Ativo Diferido. Também devese considerar que a DIPJ 2009 da Contribuinte, que teor probatório fora afastado pela DRJ a quo, em razão da sua natureza meramente informativa, também endossa o mesmo valor de retenções, sobre a mesma monta de rendimentos. Dessa forma, temos que os dois elementos primordiais controversos da demanda, que obstavam a homologação do PER, foram plenamente esclarecidos: a Contribuinte estava em fase préoperacional, mantendo escrituração do seu Ativo Diferido, bem como o saldo do seu resultado financeiro foi negativo. Além disso, a monta do IRRF que formou o saldo negativo apurado foi precisamente confirmada. Não obstante, mesmo diante de todos esses elementos confirmatórios do direito creditório da Recorrente, na forma com informado no PER transmitido, na sua Manifestação (fls. 946 a 1104) referente ao Relatório de Diligência Fiscal, a Contribuinte não só traz os informativos mensais de rendimentos dos Fundos de Investimentos geridos pela Instituição BTG Pactual, mas faz o preciso apontamento do lançamento de tais rendimentos no seu Livro Razão, o mesmo anteriormente acostado aos autos e já aceita pela Unidade Local quando da Diligências. Frisese que entende esse Conselheiro que a Unidade Local, que levou mais de 18 meses para atender à Resolução determinada, deveria ter procedido a uma segunda intimação do Contribuinte para a oferta de tais documentos, vez que somente foi a Parte interessada informada que a documentação seria insatisfatória quando da apresentação do Relatório de Diligência Fiscal, onde teria parte dos questionamentos ficados prejudicados o que foi sanado em questão de dias com a apresentação da Manifestação. Analisando a documentação da Manifestação da Recorrente, que coteja os rendimentos mensais dos Fundos de Investimento com seus lançamentos em Livro Razão, entendese estar satisfatoriamente demonstrado a contabilização em conta de resultado dos rendimentos de R$ 78.980.845,28, que acabaram representando o valor líquido de rendimentos de aplicações financeiras de R$ 68.659.766,08 no demonstrativo anual, considerando o estorno necessário de monta virtualmente idêntica à diferença entre estes dois valores registrados em contabilidade. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 18470.902096/201302 Acórdão n.º 1402003.877 S1C4T2 Fl. 1.145 23 Considerando todos os elementos probantes do feito, e a análise da Unidade Local em diligência, é plenamente satisfatória a demonstração do direito creditório da Contribuinte, devendo ser homologado seu PER. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito creditório da Recorrente expresso no PER nº 33605.72830.140710.1.2.023055, na monta de R$ 16.907.727,38. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720339/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO.
As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
Numero da decisão: 1302-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega.
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CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 03 39 /2 01 2- 76 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13749.720339/201276 Acórdão n.º 1302003.502 S1C3T2 Fl. 54 2 Relatório Cuida o feito de ato de lançamento eletrônico por meio do qual foi imposto ao recorrente multa por falta/atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de janeiro de 2010. Em suas razões de impugnação, sustenta o contribuinte que, por se tratar de entidade religiosa, faria jus ao gozo da regra imunizante preconizada pelo art. 150, IV, "b", da Constituição da República Federativa do Brasil CRFB e, ato contínuo, estaria dispensada do cumprimento, não só da obrigação principal, mas também das obrigações acessórias tendentes à apuração de impostos e contribuições federais (DCTF). Instada a analisar a defesa oposta, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente, ao argumento sintetizado na ementa abaixo reproduzida: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DE PESSOA JURÍDICA IMUNE. CABIMENTO. As pessoas jurídicas imunes não estão dispensadas da apresentação da DCTF. Estando, portanto, sujeitas à multa por atraso na sua entrega. O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento acima em 10/06/2013 (AR de efls. 29), tendo interposto seu recurso voluntário em 03/07/2013 (efls. 30), por meio do qual reprisa os argumentos já deduzidos em suas razões de impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. O recurso é tempestivo e preenche todos os demais pressupostos de cabimento, razões pelas quais dele tomo conhecimento. A matéria aqui tratada não é, nem de longe, complexa. Outrossim, como o contribuinte se limita a reprisar os argumentos já aviados em sua impugnação, e por concordar em absoluto com os argumentes despendidos pela Turma a quo, valendome dos preceitos do art. 57, § 3º, do anexo II, do RICARF, tomoos, agora, como minhas razões de decidir, reproduzindoos a seguir: De conformidade com o art. 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, que trata das DCTF com fatos geradores ocorridos de janeiro a dezembro de 2010, temos que: Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, as autarquias e fundações da administração pública dos Estados, Distrito Federal e Municípios e os órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13749.720339/201276 Acórdão n.º 1302003.502 S1C3T2 Fl. 55 3 desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz, mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No art. 3º da mesma Instrução Normativa, que trata das pessoas jurídicas dispensadas e das hipóteses de dispensa de apresentação das DCTF, não constam as pessoas jurídicas imunes, como os templos de qualquer culto, citadas no item “b”, do inciso VI, do art. 150 da Constituição Federal, que faz menção à limitação de instituição de impostos federais, estaduais e municipais, e não de obrigações acessórias, como a entrega de declarações, ou à imposição de multa punitiva por atraso na apresentação das mesmas. Assim, correta está a imposição à pessoa jurídica imune, como a interessada, da multa prevista no inciso II, do § 3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, por atraso na entrega da DCTF do mês de janeiro de 2010, uma vez que o prazo final para a mesma se encerrava em 19/03/2010, e a interessada somente apresentou a em 24/08/2012. Quanto a qualquer argüição de inconstitucionalidade na peça impugnatória, há que se destacar que a mesma refoge à competência desta autoridade administrativa julgadora, por ser da alçada dos órgãos judiciais. Não há ato do Supremo Tribunal Federal de declaração de inconstitucionalidade dos atos legais embasadores do feito. Portanto, o procedimento fiscal não ofende o principio da legalidade, porque tais atos não se acham com sua execução suspensa. Cabe ressaltar que a lei e os atos normativos tem força vinculante para a administração, não lhe cabendo a opção de descumprila, principalmente ao se tratar de aplicação da legislação tributária, que se faz mediante atividade plenamente vinculada. Por outro lado, à 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, compete julgar, em primeira instância, os processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Seu Poder é limitado a examinar se os atos praticados pelos Agentes da Administração Federal estão de acordo com a lei e com os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores e aplicáveis ao caso. Portanto, não cabe ao julgador administrativo de primeira instância apreciar a constitucionalidade dos atos normativos expedidos pelas autoridades competentes. Assim, tendo a exigência sido corretamente efetuada com fulcro em bases legais e normativas vigentes, não cabe neste voto quaisquer ajustes em virtude inconstitucionalidade. Com efeito, as regras de imunidade preconzidas pela CRFB tem razões axiológicas em outros princípios e garantias constitucionais descritos ao longo de seu texto, conformando, assim, hipótese de incompetência tributária. Nada obstante, semelhantes disposições ainda se encontram condicionadas à verificação efetiva da condição imunizante dos entes por elas "beneficiados", mormente se o resultado de suas atividades se afeiçoam, v.g., ao fim a que destina o preceitos constitucional. As obrigações acessórias, neste particular, não tem o condão de constituir, per se, a obrigação tributária (especialmente no caso de entidades imunes) e, ato contínuo, não Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13749.720339/201276 Acórdão n.º 1302003.502 S1C3T2 Fl. 56 4 representam ofensa à prescrição contida no art. 150, IV, "b", servindo, de outra sorte, como instrumento de confirmação das condicionantes alhures mencionadas. A míngua de determinações legais que "isentem" (e termo correto, aqui, é, de fato isenção) as entidades imunes do cumprimento da obrigação acessória, não há como dar sustento à tese exarada no recurso voluntário, restando absolutamente correta a DRJ e, também, a autoridade fiscal. A luz do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.004823/97-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE DE APRECIAÇÃO - CONVOLAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO
Considerando-se que, quando da publicação da MP 66/02, o pedido de compensação originariamente apresentado se encontrava pendente de apreciação, mormente por falta de intimaçaõ do contribuinte acerca da prolação de despacho decisório, é de se o considerar convolado, na forma do art. 74. § 4º, da Lei 9.430/96, em Declaração de Compensação.
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA/HOMOLOGAÇÃO TÁCITA - INOCORRÊNCIA.
Apenas a partir da edição da MP nº 135, em 30 de outubro de 2003, que foi introduzido o §5º no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, impondo prazo de 5 (cinco) anos para que a Administração pudesse se manifestar quanto à declaração de compensação. Não se trata de lei interpretativa, já que trouxe alteração no ordenamento jurídico impondo prazo decadencial, não podendo retroagir a situações pretéritas.
COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%.
Para fins de determinação do saldo de imposto de renda a pagar, a compensação de prejuízos fiscais existentes em nome da pessoa jurídica está limitada a trinta por cento do lucro líquido ajustado.
IRRF. COMPOSIÇÃO
O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado, se apurado saldo a favor da contribuinte, poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies.
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.
Constituem crédito a compensar ou a restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que comprovadas as parcelas que compuseram o aludido saldo.
Numero da decisão: 1302-003.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de ocorrência de homologação tácita da compensação pleiteada, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca (relator) e Flávio Machado Vilhena Dias, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lúcia Miceli.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE DE APRECIAÇÃO - CONVOLAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Considerando-se que, quando da publicação da MP 66/02, o pedido de compensação originariamente apresentado se encontrava pendente de apreciação, mormente por falta de intimaçaõ do contribuinte acerca da prolação de despacho decisório, é de se o considerar convolado, na forma do art. 74. § 4º, da Lei 9.430/96, em Declaração de Compensação. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA/HOMOLOGAÇÃO TÁCITA - INOCORRÊNCIA. Apenas a partir da edição da MP nº 135, em 30 de outubro de 2003, que foi introduzido o §5º no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, impondo prazo de 5 (cinco) anos para que a Administração pudesse se manifestar quanto à declaração de compensação. Não se trata de lei interpretativa, já que trouxe alteração no ordenamento jurídico impondo prazo decadencial, não podendo retroagir a situações pretéritas. COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Para fins de determinação do saldo de imposto de renda a pagar, a compensação de prejuízos fiscais existentes em nome da pessoa jurídica está limitada a trinta por cento do lucro líquido ajustado. IRRF. COMPOSIÇÃO O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado, se apurado saldo a favor da contribuinte, poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou a restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que comprovadas as parcelas que compuseram o aludido saldo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995, 1996 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE DE APRECIAÇÃO CONVOLAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Considerandose que, quando da publicação da MP 66/02, o pedido de compensação originariamente apresentado se encontrava pendente de apreciação, mormente por falta de intimaçaõ do contribuinte acerca da prolação de despacho decisório, é de se o considerar convolado, na forma do art. 74. § 4º, da Lei 9.430/96, em Declaração de Compensação. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA/HOMOLOGAÇÃO TÁCITA INOCORRÊNCIA. Apenas a partir da edição da MP nº 135, em 30 de outubro de 2003, que foi introduzido o §5º no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, impondo prazo de 5 (cinco) anos para que a Administração pudesse se manifestar quanto à declaração de compensação. Não se trata de lei interpretativa, já que trouxe alteração no ordenamento jurídico impondo prazo decadencial, não podendo retroagir a situações pretéritas. COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Para fins de determinação do saldo de imposto de renda a pagar, a compensação de prejuízos fiscais existentes em nome da pessoa jurídica está limitada a trinta por cento do lucro líquido ajustado. IRRF. COMPOSIÇÃO O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado, se apurado saldo a favor da contribuinte, poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 48 23 /9 7- 32 Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.406 2 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou a restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que comprovadas as parcelas que compuseram o aludido saldo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de ocorrência de homologação tácita da compensação pleiteada, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca (relator) e Flávio Machado Vilhena Dias, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lúcia Miceli. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório Cuidam os autos de pedido de restituição de saldos negativos de imposto de renda, apurados nos anoscalendários de 1995 e 1996 (que alçaram a monta de R$ 2.316.952,74), seguido de um pleito de compensação.1 Como se extrai do relato contido no despacho decisório de efl. 1.165/1.169, identificouse inconsistências concernentes aos valores deduzidos pelo contribuinte a título de IRRF, mormente a partir dos sistemas de controle da Receita, donde se observou: a) quanto ao ano de 1995, que a empresa teria apurado um total de imposto retido de R$ 647.834,11 (Ficha 08, Linha 14, da DIPJ efls. 1.112) ao passo que, pelas informações coletadas, haveria a comprovação de apenas R$ 156.815,19 (a partir de DIRFs apresentadas por 13 declarantes); 1 Houve um problema na digitalização dos autos e, em razão deste fato, algumas páginas do PA foram suprimidas; este problema foi identificado e retificado; as folhas faltantes foram anexadas nos dois primeiros arquivos constantes do processo, dai, em princípio, a desordem concernente à numeração do processo. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.407 3 b) em relação ao ano de 1996, que o requerente teria informado a retenção na fonte de R$ 60.150,23 (efl. 1.085); nada obstante ter atestado retenções no importe de R$ 90.618,44 (a partir do sistema já tratado alhures), a D. Autoridade Administrativa asseverou que, a partir das informações extraídas da ficha 09 da DIPJ/97, o contribuinte teria deduzido das estimativas mensais, a título IRRF, a importância de R$ 96.438,23, não havendo, pois, saldo dedutível do montante anual devido. Demais disso, a Unidade de origem criticou as compensações de prejuízos realizadas nos mesmos anos calendários anteriormente tratados. Com efeito, pelas considerações propostas, no ano de 1995 o recorrente teria compensado um prejuízo total no valor de R$ 3.205.229,48; todavia, levandose em conta a trava legal de 30%, e, ainda, o fato da empresa ter, no período, apurado um lucro (antes das compensações) de R$ 4.578.899,29 (e fls. 1.111), o montante total utilizável seria de apenas R$ 1.373.669,78. A mesma situação teria sido identificada quanto ao AC 1996, em que a insurgente teria promovido a compensação de prejuízos acumulados no valor de R$ 5.006.331,96, quando, atento ao lucro real apurado (R$ 7.151.902,80 efl. 1.084) e à trava legal, a quantia compensável alçaria apenas a importância de R$ 2.145.570,84. Por fim, e como consequência das criticas aventadas acima, os saldos de imposto concernentes aos anos de 1995 e 1996 foram refeitos, gerando imposto a pagar, quanto 1995, no valor de R$ 830.512,47, e quanto a 1996, no importe de R$ 25.569,80 (v. conclusões contidas no DD, à efl. 1.168). A luz dos ajustes realizados, e por todo o exposto, a Unidade de Origem propôs o indeferimento do pedido de restituição e, consentaneamente, a não homologação da compensação pretendida. Cientificado dos termos do despacho decisório, o recorrente opôs a sua manifestação de inconformidade (efls. 1.178 e ss) por meio da qual sustentou, em apertada síntese, que: a) quanto ao ano calendário de 1996, a partir de documentos acostados a sua defesa, teria demonstrado que, no citado período, teria suportado, em verdade, a retenção na fonte de R$ 150.143,54 e que, deduzidos os valores abatidos das estimativas mensais, teria, ainda, para ser decotado de seu Lucro apurado, a importância de R$ 53.705,31, afirmando, mais, que, se algum dos declarantes deixou de efetuar o recolhimento do IRRF, semelhante situação não lhe obstaria o direito de efetuar o predito abatimento; b) que a Unidade de origem teria se equivocado ao glosar as compensações de base de cálculo negativa da CSL (?), na formação do lucro líquido de 1994, provavelmente em decorrência de um erro de digitação (a Fiscalização teria considerado um lucro líquido, antes da CSL, no valor de R$ 39.964.522, quando, segundo o contribuinte, o montante correto seria de R$ 399.645.222,00); c) por fim, que teria suportado, no ano de 2002, autuação fiscal consolidada no processo de nº 13807.002244/0058 e cujo o objeto seria, justamente, o excesso de compensação de prejuízos fiscais nos anos de 1995 e 1996. Quanto a este último argumento, vale uma explicação mais alongada. É que, como sustenta o recorrente, no predito auto de infração a Fiscalização teria apurado o imposto Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.408 4 devido a partir da aplicação da alíquota então vigente à diferença entre o montante de prejuízos legalmente compensáveis (30%) e o valor efetivamente compensado (70%), sem se proceder, naquela ocasião, ao abatimento do lucro líquido dos valores concernentes ao IRPJ pago (aparentemente, o contribuinte estaria se referindo às estimativas recolhidas), ao IRFonte suportado e ao IRRF incidente sobre Juros pagos Sobre Capital Próprio. A par de questionar a desconsideração, pela autoridade Fiscal, das parcelas acima, a DRJ/SPO teria julgado improcedente a impugnação aduzindo, in casu, que não se poderia promover o abatimento de tais valores dado que passíveis de aproveitamento em períodos posteriores. Em linhas gerais, as estimativas pagas, o IRFonte e o IRRF sobre JCP não foram deduzidos do crédito apurado no PA de nº 13807.002244/0058 e, neste feito, estaria se negando a compensação destes valores cujo direito creditório teria sido reconhecido pela própria DRJ, por ocasião do julgamento da impugnação oposta no feito retro referido. Aparentemente, portanto, não se estaria defendendo aqui o direito creditório formado a partir de um pretenso saldo negativo, mas, isto sim, decorrente de um possível indébito oriundo do IRFonte, das Estimativas e do IRRF sobre JCP não aproveitados no computo do crédito tributário lançado no auto de infração lavrado em 2002, relativo aos mesmos períodos de apuração tratados nesta demanda. Pois bem. Para analisar os documentos acostados à impugnação supra (tendentes à comprovação da retenção do IR pelas fontes pagadoras) e, ainda, o oferecimento das respectivas receitas à tributação, de início a turma julgadora a quo converteu o julgamento em diligência. Como resultado da avaliação intentada pela Unidade Origem (relatório de e fls. 439/442), terseia constatado, no ano de 1995, o não oferecimento à tributação de um valor de R$ 2.832.777,47, concernente às receitas financeiras pretensamente geradoras do IRFonte informado pelo contribuinte; consequentemente, identificouse a dedução excedente de um valor relativo ao IRFonte no importe de R$ R$ 327.147,22. Outrossim, quanto ao AC96, a Fiscalização observou uma "diferença a maior da dedução do Imposto retido na Fonte IRRF no valor de R$ 6.444,92". Após a manifestação da empresa insurgente (que juntara novos documentos, inclusive para contestar o resultado da diligência supra efls. 443 e ss), a DRJ/SPO proferiu acórdão (efls. 756/772) por meio do qual julgou parcialmente procedente o pleito apresentado para reconhecer um direito creditório de R$ 92.413,40, concernente, apenas, ao anocalendário de 1996. Peço, aqui, atenção aos cálculos realizados pela turma julgadora a quo, para dar embasamento às conclusões lá exaradas: Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.409 5 A recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 784/803), por meio do qual acusou, primeiramente, a nulidade da decisão combatida por falta de manifestação expressa ou implícita sobre argumento autônomo contido em sua manifestação de inconformidade, mormente quanto ao problema da alardeada exigência em duplicidade identificada a partir da autuação realizada em 2002. Em seguida, trouxe uma nova informação, neste momento para noticiar o provimento de seu apelo manejado nos autos do PA de nº 13807.002244/0058 tendo em vista a ocorrência de postergação de imposto, cancelandose, pois, o respectivo auto de infração. Por fim, afirma que utilizouse de parcelas do IRRF relativo à períodos anteriores (1993 e 1994), motivo pelo qual a auditoria fiscal não teria identificado as respectivas retenções. A efls. 821, foi proferido acórdão pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (7ª Câmara) em que a referida turma acolheu a preliminar suscitada pela recorrente a fim anular a decisão da DRJ, determinando a prolação de novo acórdão em que fosse apreciada a Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.410 6 informação trazida pelo recorrente quanto ao julgamento realizado nos autos do PA de nº 13807.002244/0058, além de impor a análise da documentação trazida por ocasião de sua manifestação ao resultado da diligência anteriormente proposta, Devolvidos os autos à DRJ, determinouse nova conversão em diligência (por meio de despacho efls. 1.006/1.011) e cujo relatório foi apresentado à efls. 1.328/1333, donde se extrai a conclusão de que não teriam sido demonstradas as premissas sustentadas pela recorrente. Realizado outro julgamento do caso, a Turma a quo, analisando explicitamente os argumentos quanto aos quais teria se omitido quando da primeira decisão, replicou o resultado do acórdão anulado, conforme se extrai da ementa abaixo reproduzida: COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Para fins de determinação do saldo de imposto de renda a pagar, a compensação de prejuízos fiscais existentes em nome da pessoa jurídica está limitada a trinta por cento do lucro líquido ajustado. IRRF. COMPOSIÇÃO O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado, se apurado saldo a favor da contribuinte, poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou a restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. A empresa foi cientificada do resultado do julgamento acima em 12/06/2018 (doc. de efl. 1.372), tendo interposto seu recurso voluntário em 06/07/2018 (efl. 1.374), por meio do qual alegou: a) a ocorrência de homologação tácita do pleito compensatório dado que a empresa teria sido cientificada do despacho decisório em 19.12.2002, ao passo que o respectivo pedido de compensação teria sido apresentado em 27.05.1997. Sustenta que com o advento da MP de nº 66/2002, os pedidos de compensação teriam sido convertidos em declaração de compensação; de outro turno busca afastar possível argumento de que o prazo "decadencial" teria se iniciado a partir da apresentação do pedido de restituição e não do pleito compensatório oposto; Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.411 7 b) reprisa o argumento de impossibilidade de recálculo do seu lucro em decorrência da não observância da trava legal para compensação de prejuízos, tendo em conta o reconhecimento da postergação do imposto; c) que, a par de não ter exibido os documentos concernentes aos anos calendários de 1993 e 1994 quando instado para tanto no curso da segunda diligência proposta, tais documentos já teriam sido juntados ao feito em 10.08.2004, por meio de manifestação oposta ao primeiro relatório diligência; tais documentos não teriam, pois, sido considerados nem pela Unidade de Origem, nem tampouco pela DRJ; d) quanto ao ano de 1995, que a DRJ teria ignorado, novamente, os documentos acostados à manifestação de efls. 443 e ss; passo seguinte, discorre sobre a efetiva demonstração do IRfonte (apurado pulverizadamente nos anos de 1993 a 1994). A empresa, destaquese, não se insurgiu quanto as conclusões contidas no acórdão recorrido relativas ao anocalendário de 1996. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relatório O recurso manejado é tempestivo e preenche, demais, todos os requisitos processuais pertinentes, razão pela qual, dele, tomo conhecimento. I Da alegada homologação tácita da compensação pleiteada. De imediato, cumpre pontuar que, não obstante a alegação em análise ter sido trazida apenas por ocasião deste apelo, é inegável que a declaração de compensação, nos estritos do art. 74, §§ 2º e 6º, da Lei 9.430/96, constitui a obrigação tributária (em relação ao débito confessado) e, por conseguinte, se sujeita as regramentos, tanto do art. 156 como, também, afeitos à decadência, na forma do art. 150 (mesmo que este último preceptivo de lugar às predisposições constantes do § 5º do já mencionado art. 74, inclusive em decorrência das particularidades do procedimento compensatório e da remissão expressa contida no art. 170 do CTN2). Nesta esteira, o prazo preconizado pelo referido § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, é, para além de dúvidas razoáveis, decadencial já que os débitos confessados serão considerados devidos apenas a partir da nãohomologação do pleito compensatório a semelhança do que ocorre com as declarações atinentes aos tributos sujeitos ao regramento contemplado pelo art. 150 da Lei Complementar Tributária, ex ratione materiae. E, em se tratando de decadência, o seu conhecimento em qualquer grau de jurisdição, ou até mesmo de ofício, se impõe, a teor dos preceitos dos art. 15 (que determina a aplicação subsidiária do CPC aos processos administrativos), 332, § 1º (que estabelece as hipótese de indeferimento liminar da inicial, especialmente no caso de reconhecimento de 2 Que remete ao Legislador Ordinário o mister de estabelecer as regras atinentes ao procedimento de compensação. Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.412 8 decadência) e 342, II, (que franqueia a possibilidade de se arguir, em qualquer grau, argumentos sobre os quais o juiz deveria, dele, conhecer de ofício) todos do Código de Processo Civil. Em linhas gerais, a alegação de homologação tácita revestese de características que permitem, a este Colegiado, dela conhecer inclusive sem provocação da parte. Tratase, pois, de matéria de ordem pública devendo ser apreciada e decidida, não tendo se operado, na espécie, preclusão e não se aplicando, outrossim, os limites contidos no art. 17 do Decreto 70.235. Dito isto, passo à análise do argumento proposto. Primeiramente, calha trazer a colação as disposições do art. 74, § 4º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei 10.637/02 (resultante da conversão da Medida Provisória de nº 66, de 20 de agosto de 2002), verbis: § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Vejam que o preceito acima invocado lança mão da expressão "pendentes de apreciação" como marco temporal para a convolação dos pedidos em "declaração de compensação", de sorte que se poderia sustentar que, proferido o despacho antes da publicação da aludida MP, o novo regramento, em tal hipótese, não se aplicaria (mesmo que o contribuinte não tenha sido cientificado do seu teor). Contudo, vale dizer, nenhum ato, mormente o ato administrativo, praticado é considerado completo ou consumado sem a sua publicização ou cientificação aos interessados (até por força dos preceitos do art. 37, caput, da CRFB). Aliás, digase, o próprio Decreto 70.235, em seu art. 7º, inciso I, é substancialmente claro ao dispor que "procedimento fiscal tem início com (...) o primeiro ato de ofício (...) cientificado ao sujeito passivo". Em outras palavras, a expressão "apreciação" descrita no § 4º anteriormente transcrito encampa, e só pode encampar, os procedimentos ainda não consumados. Não pode ser compreendida pela simples análise da pretensão oposta, até porque, legalmente, enquanto não procedida a intimação do contribuinte, o despacho porventura proferido não gera quaisquer efeitos. E, notem, este entendimento foi, a toda evidência, adotado pela Unidade de Origem. Na hipótese, o Despacho Decisório foi proferido em 09 de agosto de 2002 (e fl. 1.169), e, portanto, anteriormente à edição da MP 66; nada obstante, quando da expedição do termo de intimação ao contribuinte, ocorrido apenas em dezembro daquele ano (efl. 1.171), a Autoridade Fiscal encaminhou uma carta de cobrança concernente aos débitos informados no pedido de compensação (docs. de efls. 1.172 e 1774); ou seja, em princípio, considerou operados os efeitos descritos no § 6º do art. 74 da Lei 9.430/96. Não fosse assim, competiria à predita Unidade adotar os procedimentos preconizados pelo art. 12, § 2º, III, da então vigente IN 21/97: Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.413 9 § 2º Na compensação, a unidade da SRF que a efetuar, observará os seguintes procedimentos: (...) III certificará: (...) b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; O ato, destaquese, somente se consumou com a cientificação do contribuinte ocorrida em 09/12/2002 (efl. 1.173); a "apreciação" do pedido de compensação proposto então pendente, desta sorte, submeteuse ao procedimento descrito tal como determinado pelo art. 74, § 4º, da Lei 9.430/96, com a redação que, á epoca, havida sido dada pela MP 66/2002. Agora, admitido que o pedido do contribuinte fora convolado em Declaração de Compensação, aplicamselhe as regras encartadas nos §§1º e 2º do art. 74 da por vezes referida Lei 9.430/96, incluindose aí o prazo decadencial quinquenal preconizado pelo § 5º deste mesmo preceptivo. Tal como se vê do documento de efl. 1.014, o pedido de compensação havia sido apresentado em 27/05/1997, data inicial para contagem do prazo decadencial mencionado alhures; neste passo, a Administração Fazendária teria até o dia 27 de maio de 2002 para homologar ou indeferir o pleito. Conforme me adiantei acima, o despacho decisório, no caso, foi proferido apenas em 09 de agosto de 2002, dandose a ciência do contribuinte acerca de seu conteúdo apenas dezembro daquele mesmo ano. Outrossim, tem razão o recorrente ao afirmar ser irrelevante a apresentação de um posterior pedido de restituição (constante de efl. 1.129) em que o aludido direito creditório teria sido, novamente, informado. Primeiramente porque o prazo descrito no referido § 5º se conta, textualmente, "da data da entrega da declaração de compensação" e não de qualquer outro ato porventura praticado. Nada obstante, e também como apropriadamente alertado pelo contribuinte, o citado pedido de restituição somente foi realizado por determinação, equivocada, digase, da Unidade de Origem. Realmente, observase do despacho de efl. 1.124, que a Autoridade Fiscal condicionou a análise do requerimento compensatório à apresentação do citado pedido de restituição, imposição esta, contudo, resultante de uma interpretação, venia concessa, errada das regras encartadas na já mencionada IN 21/97, cujo art. 12, § 4º, assim dispunha: § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. Este preceito, vejam bem, não condiciona a análise de compensação à prévia apresentação de um pedido de restituição; pelo contrário, apenas franqueia ao contribuinte a possibilidade de pleitear a compensação de determinado crédito mesmo que já tenha manejado eventual pedido de restituição ou ressarcimento e desde que ainda exista saldo passível de utilização. Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.414 10 Em outras palavras, o pedido de compensação apresentado já reunia as condições legais e infralegais necessárias à sua apreciação e, convolado em Declaração de Compensação, já dava azo ao início da contagem do prazo preconizado pelo § 5º do art. 74 da Lei 9.430, tendo, a luz dos fatos apontados, operado o seu decurso antes da prolação do despacho decisório ora examinado. Há, pois, que se considerar homologada, tacitamente, a compensação objeto deste feito. Entretanto, uma vez superada, pela maioria da turma julgadora (restando vencido este Relator), a preliminar, tornase premente a análise dos demais argumentos trazidos no apelo voluntário. II Do problema dos prejuízos fiscais e da postergação de imposto confirmada por acórdão do 1ª Conselho de Contribuintes. Rezava o art. 273, do então vigente Regulamento do Imposto de Renda, que "a inexatidão quanto ao período de apuração (...) do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de (...) atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar" a postergação do pagamento da exação para período posterior e se verificar a redução indevida do lucro real (em qualquer período). Considerem, outrossim, a disposições do § 1º do citado preceptivo: § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no§ 2º do art. 247. Permissa venia, mas a questão ora debatida, mais que uma discussão sobre princípios constitucionais ou sobre os instrumentos (ou postulados normativos, na dicção de Humberto Ávila3) tendentes à mediação da aplicação destes mesmos princípios, revolvese pela lógica indutiva depreendida do sentido meramente gramatical das expressões contidas no preceptivo supra reproduzido. Ora vamos, o § 1º impõe o lançamento da diferença de imposto com fundamento em inexatidão das parcelas que compõe o lucro; para que se apure tal diferença é imperioso que o lucro seja recomposto conforme a competência devida. Daí, inclusive, a remissão expressa contida no aludido dispositivo aos ditames do art. 247, § 2º, do mesmo diploma normativo: § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte. A regra em questão é clara a não mais poder ao determinar que, ainda que adicionadas ao lucro líquido de período posterior, os rendimentos ou o lucro postergado tem, obrigatoriamente, que compor o lucro real do período competente. É o que reza a lei! A 3 ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios. 18ª ed., São Paulo: Malheiros, 2018, p. 163. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.415 11 pretensão, tal como deduzida pelo recorrente, imporia, pois, abertamente, num desrespeito à regra legal. E mesmo que admitamos, na hipótese, sequer a considerar a possibilidade de afastar o regramento legal supra, ou uma pretensa conformação da predita prescrição à princípios constitucionais porventura aplicáveis, tornarseia imperativo demonstrar que as conclusões extraíveis do sentido meramente sintáticogramatical seriam, a toda evidência, absurdas ou contrárias àqueles mesmos princípios. Não nego que já defendi em casos anteriores ser juridicamente viável que as regras comportem interpretação suficiente a que, a luz do caso concreto, seja possível se alcançar um resultado que não seja absurdo (desarrazoado) e ao mesmo tempo ínsito aos contornos constitucionais, não obstante o sentido meramente gramatical de suas expressões apontarem para uma outra solução. Valhome, aqui, das advertências propostas por Frederick Schauer4: O hipotético memorial de guerra de Fuller é parte de uma longa linha de casos, alguns hipotéticos outros reais, demonstrando que a para qualquer regra legal, sempre existe a possibilidade de que a aplicação literal das palavras da regra produzirá resultados estranhos em relação àquilo para o que a regra foi proposta ou mesmo ao simples senso comum5. O caso vertente, todavia, não encerra conclusões absurdas ou que subvertam, sob qualquer prisma, a ordem constitucional. Vejam que os efeitos da postergação, tal como postos no art. 273 alhures mencionado, não foram desrespeitados; pelo contrário já que o lançamento realizado nos autos do PTA 13807.002244/0058 somente teria o seu cancelamento corretamente concretizado a se considerar, justamente, os preceitos retro referidos; a pretensão externada no recurso voluntário propõe, neste passo, que aquele regramento seja apenas parcialmente considerado (para se apreender os efeitos da postergação quanto a formação do crédito tributário), deixandose, outrossim, de se observar a parte final do dispositivo que faz, como já dito, remissão expressa ao art. 247, § 2º, do RIR. Como, então, se reconhecer a postergação e, assim, a própria a inexistência crédito tributário a ser lançado nos anos de 1995 e 1996, se não se recompor, corretamente, dentro da competência em que devido o imposto, o lucro devido naqueles períodos? Como calcular, pois, os encargos moratórios devidos nos termos § 2º do art. 273, do antigo RIR, se o valor apurado nos mencionados períodos não for recomposto? A postergação, digase, não se equipara à remição do crédito tributário; não é perdão de dívida e não se reveste das características próprias de benefícios fiscais; tais preceitos, vejam bem, apenas representam a obediência estrita da legislação tributária à garantia da capacidade contributiva, impedindose, pois, a exigência dupla de tributo cujo 4 SCHAUER, Frederick. Thinking Like a Lawyer A new Introduction to Legal Reasoning. Cambridge, Massachussets: Harvard University Press, 2009, p. 155. 5 "Fuller´s hypothetical war memorial is part of a long line of cases, some hypothetical and some real, demonstrating that for any legal rule, the possibility always exist tha applying the plain meaning of the rule´s words will produce result at odds with what the rule was designed to accomplish, or even at odds with simple common sense". Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.416 12 dever de recolhimento foi meramente postergado (e, portanto, cujo crédito tributário foi, extemporaneamente, recolhido). E não procede, neste particular, a alegação da recorrente de que a recomposição dos lucros nos períodos de 1995 e 1996 culminariam com o desrespeito a decisão proferida no PTA de nº 13807.002244/0058; com a glosa dos prejuízos apropriados além dos limites legais, o saldo destes mesmos prejuízos teriam sido recompostos; neste caso, era mister do contribuinte, e não da Administração Fazendária, fazer os necessários ajustes para, se assim for o caso, abatêlos dos períodos subsequentes; se houve, no caso, um excesso de cobrança de IR e CSLL nos anos, v.g., de 1997 e 1998, temse que tal se dera por uma inação da própria empresa que não considerou, na formação do lucro daqueles períodos, os preditos saldos. Daí a assertiva contida no r. acórdão recorrido: Já nos períodos subseqüentes (anoscalendário de 1997 e 1998), eventuais ajustes devem ser realizados, pois podem ocorrer recolhimentos de IR e de CSLL em decorrência da impossibilidade de compensações de prejuízos fiscais por seu exaurimento em períodos anteriores. Em resumo: acolher a pretensão do insurgente e considerar, como requerido, "imposto zero" a pagar nos anos de 1995 e 1996, representaria, a um só tempo: a) descumprir as regras encartadas nos arts. 273, §§ 1º e 2º e 247 do RIR; b) autorizar compensação de prejuízos em percentual superior à trava legal de 30%. Insistase, somente poderíamos cogitar de uma aplicação parcial dos preceitos dos arts. 273, § 1º e 247, § 2º, se restasse evidenciado um rompimento à ordem constitucional; in caso, todavia, a observância estrita aos ditames das regras anteriormente mencionadas, pelo contrário, atende aos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, justamente por impor uma aplicação equânime da legislação ao contribuinte (porque o contribuinte poderia se socorrer de uma exceção à regra legal, em decorrência da postergação, sem se dar aos demais contribuintes à mesma possibilidade?). Data maxima venia, inclusive à posição aventada no Acórdão de nº 1401 001.022 da lavra do Conselheiro Alexandre Antônio Alkimin Teixeira, mas entendo despropositado o pedido deduzido pelo insurgente, pelo que, voto por desprover o apelo neste ponto. III Do problema da dedução do IRRF. Inicialmente, quando me propus em analisar os argumentos de mérito apresentados pelo contribuinte (que considerei prejudicados quando acolhi a preliminar de decadência), tendi pela conversão do julgamento em diligência. A priori, digase, o recorrente tem razão ao afirmar que a DRJ e a Unidade de Origem desrespeitaram a decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes ao deixar de analisar os documentos que já havia juntado ao feito quando de sua manifestação à primeira diligência aqui realizada. A Autoridade Fiscal, vejam bem, quando instada à analisálos, optou por intimar o contribuinte a reapresentar aqueles mesmos documentos; e, ao dizer "não mais os possuir" (por força de incêndio ocorrido nos idos 2011), contentouse com esta assertiva e Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.417 13 considerou não comprovadas as alegações apostas na impugnação... o problema, insistase, é que a par da falta de exibição de documentos no curso da segunda diligência, o objeto desta era a análise dos documentos já acostados aos autos, cuja falta de apreciação, reprisese, já havia encerrado o reconhecimento da nulidade do primeiro acórdão proferido pela DRJ. Contudo, a decisão que proferi quanto o argumento analisado no tópico II, acima, prejudica a análise da dedutibilidade do IRRF. Com efeito, como se depreende dos quadros já reproduzidos no relatório alhures proposto, no ano de 1995 (único efetivamente discutido pelo Recorrente em seu apelo), ao se recompor o lucro com a parcela dos prejuízos que superava a trava de 30%, e considerar as estimativas pagas e parte do Fonte informado pela empresa, apurouse um imposto a pagar no importe de R$ 700.213,04... nesta esteira, lembrandose que o contribuinte declarou um IRRF no montante de R$ 647.834,11, dos quais, R$ 320.686,00 foram reconhecidos pela DRJ, ainda que, como resultado de uma eventual diligência, o restante dos valores seja demonstrado, se apuraria imposto a pagar, no valor aproximado de R$ 280.000,00. Como o contribuinte pleiteia, no caso, a restituição e compensação de "saldo negativo", a consequência daquilo que foi decidido no tópico II, supra, importaria, necessariamente, no não reconhecimento de qualquer direito creditório. Diante disto, não me resta alternativa, senão considerar improfícua qualquer diligência adicional. IV Conclusão. Uma vez superada a preliminar de decadência pela maioria de meus pares, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Voto Vencedor Conselheira Maria Lúcia Miceli Redatora designada Ouso discordar do brilhante voto, como de praxe, do i. Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, somente no que tange a ocorrência da homologação tácita das declarações de compensação. Vejam que a MP nº 66/2002, de 29 de agosto de 2002, cujo artigo 49 alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, não previa o prazo de 5 (cinco) anos que a Administração se manifestasse sobre a declaração de compensação: MP nº 66/2002 redação original Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.418 14 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: a) o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; b) os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. § 6º Para os fins do disposto neste artigo, é vedada a exigência do atendimento das condições a que se referem o art. 195, § 3º, da Constituição Federal, art. 27, alínea "a", da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e quaisquer outras que sejam aplicáveis tãosomente às hipóteses de reconhecimento de isenções e de concessão de incentivo ou benefício fiscal." (NR) A Medida Provisória foi convertida na Lei nº 10.637, em 30 de dezembro de 2002, na qual foi mantida a redação, excluindo apenas o § 6º. Apenas com a edição da MP nº 135, em 30 de outubro de 2003, na qual seu artigo 17 mais uma vez alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que houve a inclusão do § 5º, determinando o prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação, contados da data da entrega da declaração. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74 .................................................................................. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.419 15 .............................................................................................. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: .............................................................................................. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. .............................................................................................. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(grifei) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 13805.004823/9732 Acórdão n.º 1302003.570 S1C3T2 Fl. 1.420 16 § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." (NR) Portanto, somente a partir de 30 de outubro de 2003 que a redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 passou a conter o § 5º, impondo um limite temporal para que a Receita Federal do Brasil se manifeste quanto à homologação ou não das declarações de compensação. Esgotado o prazo, ocorrerá a chamada homologação tácita da compensação, e o débito será considerado definitivamente extinto. Entendo que, ao impor uma limitação quanto à atuação da Receita Federal, a MP nº 135/2003 estabeleceu um prazo decadencial para que o Fisco exercesse o direito de verificar a correição do encontro de contas declarado pelo contribuinte (se os créditos seriam suficientes para quitação dos débitos pela compensação). Neste sentido, concluo que não se trata de lei interpretativa, que poderia atingir fatos pretéritos, vez que inovou o ordenamento jurídico. Sua eficácia, portanto, é para as decisões a serem proferidas a partir da vigência da citada Medida Provisória. Aplicando este entendimento ao caso concreto, verificase que a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 09/12/2002, data anterior à edição da MP nº 135, de 30 de outubro/2003. Inexistia, portanto, qualquer limitação temporal para que a Administração analisasse as compensações declaradas. Portanto, voto por negar provimento quanto à preliminar de ocorrência da homologação tácita das compensações. Maria Lúcia Miceli Redatora Designada. Fl. 1426DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.900019/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório e o Acórdão de primeira instância que não homologaram a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado em DCTF.
Numero da decisão: 2202-005.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.900089/2008-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório e o Acórdão de primeira instância que não homologaram a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10480.900089/200870, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 00 19 /2 00 8- 11 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10480.900019/200811 Acórdão n.º 2202005.079 S2C2T2 Fl. 3 2 Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.078, de 09 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10480.900089/200870, paradigma deste julgamento. "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida em vista de que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado para quitar outro débito declarado em DCTF. Do Pedido de Compensação O pedido de compensação tratase de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual se indicou como origem do crédito, o DARF relativo ao IRRF que teria sido recolhido indevidamente pelo Interessado. Da Análise do PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, porque o recolhimento realizado no DARF, indicado no PER/DCOMP, foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação (PER/DCOMP): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Regularmente intimado do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que detinha crédito suficiente a efetivar a compensação pretendida e, por conseqüência, extinguir o respectivo crédito tributário. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou o feito, proferindo a decisão por meio do Acórdão no qual considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório, que não homologou a compensação declarada na DCOMP. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10480.900019/200811 Acórdão n.º 2202005.079 S2C2T2 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário O contribuinte, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que efetuou, em duplicidade, o mesmo recolhimento do tributo, como atestam os DARF e afirmou que o segundo recolhimento foi indevidamente efetuado. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que seja dado provimento ao presente recurso voluntário a fim de reformar o Acórdão proferido pela DRJ, homologar a compensação declarada, reconhecer a existência do crédito e extinguir o débito tributário em face da regular compensação. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.078, de 09 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10480.900089/200870, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.078, de 09 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.078 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com os autos, percebese que o Recorrente entendeu que houve recolhimento indevido (duplicidade), por meio de DARF, relativo ao IRRF, por isso utilizou o valor para compensar outros débitos de IRRF, mediante apresentação de PER/DCOMP eletrônico. Quando da análise do PER/DCOMP eletrônico, constatouse que não poderia haver o reconhecimento do crédito, pois o crédito requerido para compensação já havia sido utilizado para quitar outro débito relativo ao IRRF declarado, portanto não havendo saldo disponível, conforme consta no campo Fundamentação, Decisão e Enquadramento legal do Despacho Decisório. Do mesmo modo, quando a DRJ apreciou a Manifestação de Inconformidade, também constatou, com base na DCTF, que o valor requerido para compensação foi integralmente vinculado ao débito do IRRF, para tanto, a referida DRJ anexou telas da DCTF, que comprovaram, de forma inequívoca, a vinculação do pagamento requerido ao débito declarado. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10480.900019/200811 Acórdão n.º 2202005.079 S2C2T2 Fl. 5 4 Neste caso, observase que a existência do direito creditório pleiteado na DCOMP pelo contribuinte não foi verificada, tanto no Despacho Decisório inicial, quanto pela decisão da DRJ, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. No tocante ao despacho decisório, notase que o despacho é resultado de uma análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação, considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que seria possível a partir da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperavase que fosse descrita a origem do direito creditório pleiteado de forma a demonstrar a sua disponibilidade. Todavia, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou prova da disponibilidade do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Apenas reproduziu na sua defesa o argumento da peça inicial alegando que se tratava de recolhimento em duplicidade e por isso considerou indevido. Neste contexto, cabe esclarecer que por se tratar de compensação competia ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, e por isso deveria apresentar junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, a fim de comprovar a certeza e a liquidez do seu crédito, conforme o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Dessa forma, notase que caberia ao contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. Além disso, ressaltase que o fato de o recolhimento está vinculado a um débito na DCTF, retiralhe as condições de liquidez e certeza, afastando qualquer possibilidade de utilizálo em compensação com outro débito, pois já houve o comprometimento do referido crédito, por meio da vinculação na DCTF, a qual se constitui em instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados. No mesmo sentido, esclarecese que o documento intitulado Pedido de Ressarcimento / Declaração de Compensação (PER/DCOMP) se presta, assim, a 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10480.900019/200811 Acórdão n.º 2202005.079 S2C2T2 Fl. 6 5 formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Acrescentase ainda que, o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação ou não de um pedido de compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pelo postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Tributária Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de demonstrar a certeza e liquidez do crédito em todos os seus atributos. Ademais, observo que os documentos carreados aos autos não são hábeis à comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, razão pela qual entendo que o Recorrente não poderia compensar o crédito, porque o mesmo já estava vinculado a um determinado débito declarado da DCTF. Por fim, entendo como correta a decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida. Portanto, não há espaço para reanálise do Despacho Decisório e nem qualquer reforma na decisão recorrida. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso." Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.001529/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000, 2001
DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não se reconhece a parte do direito creditório de saldo negativo quando não está comprovado o IRRF que lhe daria fundamento.
Numero da decisão: 1201-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, para que seja reconhecido o direito creditório adicional de R$ 3.723.195,51, correspondente a IRRF oriundo de aplicações financeiras no ano 2001. Vencido o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, que reconhecia o direito creditório em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não se reconhece a parte do direito creditório de saldo negativo quando não está comprovado o IRRF que lhe daria fundamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria, para que seja reconhecido o direito creditório adicional de R$ 3.723.195,51, correspondente a IRRF oriundo de aplicações financeiras no ano 2001. Vencido o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, que reconhecia o direito creditório em maior extensão. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 15 29 /2 00 2- 41 Fl. 4086DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.087 2 Relatório TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A (sucedida por OI S/A), pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1224.449 (fls. 3345), pela DRJ Rio de Janeiro I, interpôs recurso voluntário (fls. 3612) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. Tratase de pedidos de compensação de débitos de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS, referentes aos períodos de apuração julho/1999 a abril/2002, convertidos posteriormente em Declarações de Compensação, com créditos contra a Fazenda Pública oriundos de retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre Rendimentos de Aplicações Financeiras e Juros sobre Capital Próprio dos anoscalendário de 2000 e 2001. Ressaltese que a este processo foram apensados outros pedidos, referentes ao processo nº 10070.002422/200210. A demonstração completa de todos os processos, créditos e valores reunidos no presente feito pode ser encontrada no quadro de fls. 3353 a 3357, inclusive com a indicação das DCOMPs que foram retificadas pelo contribuinte no decurso dos diversos procedimentos de fiscalização. De se notar que, num primeiro momento, o processo n° 10070.002422/2002 10 não se encontrava apensado ao presente processo (n° 10070.001529/200241), de forma que a sua movimentação ocorria juntamente com diversos apensos, consubstanciados nos autos de nº 13706.000428/200316, 13708.000402/200340, 13706.000644/200353, 13706.000528/ 200334, 10070.000515/200391, 13706.000472/200318, 13706.000590/200326, 10070. 000508/200399, 13708.000628/200341, 13708.000505/200318, 10070.000537/200351. Posteriormente, em 2007, todos os processos citados foram apensados a este, que passou a controlar a totalidade dos valores envolvidos, a saber: Créditos (valor original total) R$ 208.210.502,81 Débitos (valor original total) R$ 237.415.894,45 Em 2005, foram emitidos despachos decisórios proferidos pela DERAT/RJ, baseados nos Pareceres Conclusivos nº 227/2005 e nº 213/2005, que não reconheceram os direitos creditórios pleiteados e consequentemente não homologaram os pedidos/declarações de compensação formulados. Ocorre que a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, decidiu acolher, por unanimidade, preliminar de nulidade da decisão proferida, sob o argumento de vício material decorrente da ausência de nexo causal entre os fundamentos adotados e a conclusão presente no despacho. Após a realização de novas diligências, foi proferido novo Despacho Decisório pela DERAT/RJ, cujo conteúdo em síntese, reproduzimos a seguir: Fl. 4087DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.088 3 1. Nos anoscalendário de 2000 e 2001 a interessada apresentou DIPJ informando saldo negativo de IRPJ nos valores de R$ 96.485.861,45 e R$ 111.785.054,55, respectivamente (fls. 448 e 449); 2. A Informação Fiscal relata que a interessada, regularmente intimada, não apresentou documentação que possibilitasse comprovar, de forma inequívoca, o valor total de IRRF decorrente dos rendimentos provenientes de Juros sobre Capital Próprio (JCP), bem como os oriundos do recebimento de rendimentos de aplicações financeiras; 3. Por essa razão, para efeito de cálculo do saldo negativo de IRPJ somente devem ser considerados os valores de IRRF constantes das DIRF dos anos calendário 2000 e 2001 (fls. 529 e 548), ou seja, R$ 23.145.249,02 e R$ 84.275.235,14, respectivamente; 4. Os valores informados na linha 23 da Ficha 06A (Demonstração de Resultado), concernentes aos rendimentos de JCP dos anoscalendário 2000 e 2001, foram confirmados pela interessada nas planilhas apresentadas (fls. 574/578), nos valores de R$ 477.108.997,65 e R$ 517.575.371,36, respectivamente; 5. Tais valores foram informados na linha 35, da Ficha 06A (fls. 442 e 493), correspondendo ao pagamento de JCP; entretanto, o Sistema DIRF (fls. 727 e 728) não informa valores de IRRF correspondentes ao pagamento de JCP pela interessada (código de recolhimento 5706); 6. Não ficando comprovado o pagamento ou crédito de JCP, a linha 35, da Ficha 06A, não deve ser preenchida, ajustandose os valores das Fichas 06A e 09A (Demonstração do Lucro Real); 7. Após os ajustes das referidas fichas, a interessada apresenta Imposto de Renda a Pagar, a ser informado na Ficha 12A, nos valores de R$ 96.132.000,39 e R$ 58.744.496,00, para os anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente; 8. O fiscal responsável pela diligência conclui, assim, que não resta comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado no Pedido de Restituição, indispensáveis à compensação pretendida, conforme determina expressamente o artigo 170 do CTN; 9. Ressalta, ainda, que consultas aos sistemas da Receita Federal revelam que a interessada efetuou compensações sem processo no decorrer do anocalendário de 2001, com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, conforme demonstram os extratos de fls. 738/741 e as consultas às DCTF de fls. 742/781; 10. Além disso, consultas ao sistema SIEFPERDCOMP (fls. 729/737) demonstram que até a data da emissão desse Parecer a interessada apresentou as DCOMP listadas na planilha de fls. 790 utilizando o crédito objeto do processo ora examinado, observandose que as DCOMP listadas às fls. 736/737, à exceção da DCOMP nº 22133.84017.280104.1.7.020009, estão vinculadas ao processo n° 13708.000627/200304, motivo pelo qual não foram relacionadas na referida planilha; 11. Diante do exposto, propôs o fiscal responsável pela diligência o não reconhecimento do direito creditório, além da não homologação das DCOMP e PER/DCOMP constantes do processo raiz e apensos; 12. Com base no Parecer Conclusivo foi emitido, em 07/10/2008, o Despacho Decisório de fls. 792, que ratificou, na íntegra, a proposta do autor da diligência. Inconformada com a nova decisão proferida pela DERAT/RJ, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentos, com os seguintes argumentos: Fl. 4088DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.089 4 1. Em 31/05/2002, protocolou Pedido de Restituição (fls. 05) e na mesma data foram protocolados Pedidos de Compensação (fls. 01/04), aproveitando integralmente crédito para fins de quitação de débitos de PIS e COFINS dos períodos de apuração julho/1999 a abril/2002; 2. O crédito pleiteado referese ao IRRF decorrente de retenções envolvendo o recebimento de JCP e aplicações financeiras nos anos de 2000 e 2001; 3. Posteriormente, em julho/2002, apresentou novo pedido de restituição, no valor de R$ 24.919.511,82, também abrangendo créditos referentes a IRRF oriundo de retenções havidas no recebimento de JCP e aplicações financeiras nos anos de 2000 e 2001, dando origem ao processo n° 10070.002422/200210; 4. Além desse novo pedido de restituição foram apresentados pedidos de compensação com débitos de IRRF, CSLL, PIS e COFINS, aproveitando parcialmente tais créditos; 5. Apresentou outras compensações, nas quais aproveitou o restante dos créditos de IRRF, abrangendo JCP e aplicações financeiras, que deram origem a diversos processos, todos em apenso; 6. Em análise preliminar do direito creditório (fls. 215), foram confirmados os recolhimentos dos DARF que instruem o presente processo, sendo, todavia, solicitada diligência para aferição da certeza e liquidez do crédito, que foi tratado como saldo negativo e não como IRRF sobre JCP; 7. A compensação de IRRF sobre JCP somente é possível caso comprovada a retenção a maior; porém, ao não exercer atividades operacionais por ser apenas uma "holding", temse que os valores retidos de IRRF sobre aplicações financeiras e JCP se confundem, em sua integralidade, com o saldo negativo dos anos fiscalizados; 8. Em razão da superveniência da Lei n° 10.637/2002, os pedidos de compensação constantes do presente processo e seus apensos foram transformados em Declarações de Compensação; 9. Após uma breve síntese dos fatos que ensejaram a declaração de nulidade dos despachos decisórios proferidos, esclarece que, analisando em conjunto os pedidos de restituição e as declarações de compensação, a Receita Federal proferiu um novo e único Despacho Decisório, com base no Parecer Conclusivo n° 124/2008, no qual novamente deixa de homologar as compensações por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado; 10. Ao concluir pela inexistência de saldo negativo para o período, a autoridade fiscal confundiu a sistemática de contabilização e declaração dos valores recebidos a título de JCP, na reapuração dos resultados dos anoscalendário de 2000 e 2001; 11. Todavia, tal decisão deve ser reformada, em razão: a) da homologação tácita das compensações protocoladas antes de 20/10/2003, visto que o primeiro despacho decisório foi anulado por vício material (e não formal), motivo pelo qual não se interrompeu o prazo para análise das compensações declaradas; b) da impossibilidade de reapuração dos resultados dos anoscalendário de 2000 e 2001, em face da preclusão do direito do Fisco de alterar dados de períodos já decaídos; e c) da existência de saldo negativo apto a gerar os créditos compensados; 12. De acordo com o disposto no art. 74, "caput", §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430/1996, a simples declaração de compensação apresentada ao Fisco passou a ter o condão de extinguir a obrigação tributária sob condição resolutória de ulterior homologação, seja ela expressa ou tácita (pelo decurso do prazo decadencial), significando que o procedimento realizado exclusivamente pelo contribuinte já Fl. 4089DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.090 5 produz os efeitos atinentes ao desaparecimento do crédito tributário, cabendo ao agente público emanar apenas um ato administrativo meramente confirmatório; 13. Assim, a declaração de compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado nos casos dos tributos lançados por homologação: ambos tem a capacidade de extinguir imediatamente o crédito tributário sem o prévio exame da autoridade administrativa; 14. Nesse caso, os pedidos de restituição/compensação (posteriormente convertidos em declaração de restituição/compensação), estão sujeitos às disposições do artigo 156, inciso VII, c/c artigo 150, §§ 1° e 4°, ambos do CTN; 15. Ante a evidente sujeição da declaração de compensação ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos para que a Fazenda Pública expressamente a homologue (como ocorre no pagamento antecipado), o legislador ordinário decidiu por incluir tal entendimento no corpo da Lei n. 9.430/1996 (introduzindo o § 5° no artigo 74, por meio da Lei n. 10.833/2003), reconhecendo a necessidade de positivar aquilo que já decorria da própria interpretação sistemática do CTN, qual seja, o prazo decadencial de cinco anos para o Fisco analisar a compensação declarada; 16. Se o Fisco deixa transcorrer esse prazo sem notificar o contribuinte acerca da regularidade (ou não) do pedido de compensação, o pagamento efetuado tornase definitivo, via homologação tácita da compensação; 17. Apesar da decisão da DRJ ter sido proferida ainda em 2006, dentro do prazo de cinco anos a contar da apresentação dos pedidos de compensação, a interessada somente foi intimada do novo despacho decisório em 20/10/2008, logo, configurada está a homologação tácita pelo transcurso de mais de cinco anos entre a apresentação das compensações e sua análise válida (a primeira foi anulada por ser manifestamente não fundamentada); 18. Por outro lado, o Fisco reapurou, em 2008, o resultado de período declarado, questionando o critério de preenchimento das DIPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001, modificando os efeitos da receita de JCP, estornando o lançamento efetuado, e modificando, consequentemente, o resultado final, que passou de saldo negativo para imposto a pagar; 19. Tal reapuração, porém, não é permitida, pois se trata de período para o qual o Fisco já homologou tacitamente os recolhimentos efetuados pela interessada; 20. As obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores praticados em 2000 e 2001 já estão definitivamente extintas ou pelo pagamento ou pela decadência, de modo que suas declarações fiscais não podem mais ser alteradas em razão da preclusão do direito de cobrar eventuais diferenças, sendo defeso ao Fisco discutir a base de cálculo de tributo relativo a período decaído, por se tratar de situação jurídica consolidada, já que se reporta a período pretérito alcançado pela decadência; 21. No caso dos autos, os créditos fiscais decorrem de pagamentos indevidos de IRPJ (saldo negativo, retenções a maior), cujo regime é o do lançamento por homologação, no qual o direito do Fisco de lançar eventuais créditos caduca em cinco anos contados do fato gerador, como dispõe o art. 150, § 4°, do CTN; 22. Assim, a Fiscalização somente pode questionar os resultados apresentados em suas declarações fiscais dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário, afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser revista sua declaração fiscal (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto); 23. Restando demonstrado que o direito de efetuar o lançamento de eventuais diferenças na apuração do tributo devido já se encontra decaído, de modo que não Fl. 4090DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.091 6 pode mais haver discussão sobre os resultados declarados em DCTF e DIPJ, e uma vez que não se pode discutir sobre o efetivo pagamento do valor constante nos DARF do período (retenção de IRRF), não há como se sustentar a alegada inexistência do crédito. No que tange ao mérito, a impugnante fez longas considerações sobre a natureza contábil dos juros sobre o capital próprio, a aplicação do regime de competência para a espécie e os procedimentos de dedutibilidade, que estariam regulas pela Receita Federal. Assim, quando da apuração do IRPJ e da CSLL, os valores pagos a título de juros sobre o capital próprio já seriam considerados como despesa, sendo necessário observar apenas o ajuste aos limites de dedução. Por outro lado, a CVM entende que os juros sobre o capital próprio não podem transitar pelo resultado, o que, para fins de declaração, equivale a dizer que juros sobre o capital próprio e dividendos são figuras idênticas. Aduz, ainda, que na distribuição de juros sobre o capital próprio a pessoa jurídica que efetua o pagamento incorre em despesa financeira, passível de dedução, sendo a contrapartida receita financeira considerada como "Outras Adições" para fins de determinação da base tributável. Nesse sentido, as sociedades anônimas de capital aberto não poderiam deixar de considerar os efeitos de um pagamento ou de um recebimento de juros sobre o capital próprio em suas bases, eis que, se contabilmente o efeito no resultado foi anulado por meio de uma reversão, para fins fiscais tal efeito deve ser excluído por meio de adição. E que não foi outro o procedimento adotado pela interessada, pois ao longo do anocalendário de 2000 houve o recebimento de juros sobre o capital próprio de quatorze diferentes empresas de telefonia, cujo pagamento de juros por essas empresas gerou retenção de IRRF no montante de R$ 71.566.349,67, valor esse que corresponde à antecipação do imposto de renda devido ao final do exercício pela interessada (recebedora dos valores de JCP), sendo um dos componentes do saldo negativo utilizado para compensação. Quanto aos fatos objeto da demanda, a empresa assim se manifestou: 1. O reconhecimento pela interessada do recebimento como receita dos valores de JCP foi informado na linha 23 da ficha 06A, nos moldes indicados pelo Manual de Preenchimento da DIPJ, assim, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, não houve pagamento de JCP pela interessada nos anos de 2000 e 2001, mas apenas recebimento; 2. A prova disso é que o valor adicionado como receita na ficha 09A da DIPJ (outras adições) é exatamente o valor informado na ficha 06A, linha 23, isto porque, visando atender as exigências da CVM de afastar o JCP da Demonstração do Resultado, a interessada realizou o estorno da receita de JCP informada na linha 23, por meio do lançamento como despesa na linha 35, sendo esse exatamente o valor questionado pela autoridade administrativa na composição do saldo negativo utilizado como base na compensação pleiteada; 3. Ainda que os lançamentos contábeis nas fichas 06A indiquem a anulação do efeito dos juros sobre o resultado (lançamentos a crédito e a débito), o fato é que sua adição na linha 23 da ficha 09A demonstra que a receita foi regularmente oferecida 6 tributação; 4. Eventual despesa financeira decorrente de pagamento de JCP deveria estar escriturada no LALUR; entretanto, tal escrituração não ocorreu por um simples Fl. 4091DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.092 7 motivo: não houve pagamentos de JCP pela interessada nos anos calendário de 2000 e 2001; 5. Assim, o caso concreto não é de comprovação de pagamento de JCP pela interessada (pois tais pagamentos não ocorreram), mas sim de critério de contabilização e preenchimento da DIPJ no que tange às receitas recebidas a título de JCP; 6. A farta documentação trazida aos autos detalha o procedimento efetuado e a correta utilização do montante pleiteado, do mesmo modo que os lançamentos contábeis efetuados pelas fontes pagadoras (teles estaduais) e os extratos de conta corrente possibilitam a comprovação do recolhimento dos valores efetivamente retidos através de DARF, conjunto esse que demonstra de forma inequívoca a existência do crédito decorrente de JCP; 7. Quanto ao IRRF incidente sobre as receitas decorrentes de aplicações financeiras, os informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras e os lançamentos contábeis comprovam a efetiva contabilização dos valores. Por fim, a impugnante alega que a autoridade administrativa invocou como fundamento para a não homologação da compensação a ausência de certeza e liquidez do crédito informado, circunstância que poderá ser comprovada por meio de perícia contábil, visto que a complexidade da matéria e o valor envolvido referendam a necessidade da prova, atendendo ao principio da verdade material. Em sessão realizada em 29 de maio de 2009, a 4a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro decidiu, por unanimidade: I) Rejeitar a preliminar de realização de perícia; II) Rejeitar a prejudicial de decadência; III) Reconhecer, parcialmente, a existência dos saldos negativos informados nas DIPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001, nos valores originais de R$ 93.972.451,76 e R$ 103.557.917,20, respectivamente, totalizando R$ 197.530.368,96; IV) Considerar homologadas tacitamente as compensações declaradas nas DCOMP e PER/DCOMP relacionadas a seguir (tabela 1), anteriores a 20/10/2003, e, por conseguinte, considerar extintos os correspondentes débitos da pessoa jurídica com a Fazenda Nacional; V) Homologar as compensações dos demais débitos, declaradas nas DCOMP e PER/DCOMP não homologadas tacitamente (tabela 2), até o limite de eventual crédito remanescente, atualizado monetariamente. As tabelas com os demonstrativos das homologações acima reconhecidas constam das páginas 3349 e 3350 do processo eletrônico. As ementas a seguir expressam o entendimento exarado naquela instância de julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DISPENSA. Considerase desnecessária a realização de perícia, se do exame da matéria constatase que os documentos presentes nos autos são suficientes para o deslinde da pendência. Fl. 4092DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.093 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para formar convicção sobre a certeza e liquidez de crédito objeto de compensação declarada, ao Fisco é facultado o direito de reapurar os resultados da pessoa jurídica relativos a períodos já alcançados pela decadência, desde que, manifestandose exclusivamente acerca da existência dos saldos negativos informados nas DIPJ, deixe de constituir eventual crédito tributário correspondente aos períodos já decaídos. PREJUDICIAL DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE COMPENSAÇÕES DECLARADAS. DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO APÓS CINCO ANOS. ACOLHIMENTO. Consideramse homologadas as compensações declaradas e, por conseguinte, extintos os débitos da pessoa jurídica com a Fazenda Nacional, nos termos do art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/1996 e do art. 156, inciso II, do CTN, se a ciência do Despacho Decisório, proferido em face da anulação do Despacho anterior, ocorre após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da entrega das DCOMP e PER/DCOMP. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO DO IRRF INCIDENTE SOBRE RECEITA DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO E RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS COM DÉBITOS DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS. SALDOS NEGATIVOS APURADOS EM DIPJ. RECONHECIMENTO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Se a pessoa jurídica comprova parcialmente, com documentos hábeis e idôneos, a existência dos saldos negativos apurados em DIPJ, oriundos de IRRF incidente sobre receitas de juros sobre capital próprio e rendimentos de aplicações financeiras, impõese o reconhecimento da compensação declarada de créditos com débitos de impostos e contribuições federais, informados em DCOMP e PER/DCOMP, até o limite do crédito remanescente, atualizado monetariamente. Contra a decisão a interessada primeiro protocolizou documento informando sua discordância em relação à compensação de ofício decorrente da intimação recebida por força do Acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento. Isso porque a Comunicação nº 20/2010 informou que quando das verificações preliminares para o pagamento do valor pleiteado, constatouse a existência dos débitos administrados pela SRF em aberto e/ou inscritos em Dívida Ativa da União, relacionados em anexo. Posteriormente, a interessada apresentou Recurso Voluntário, no qual relatou novamente a cronologia dos fatos e repetiu os mesmos argumentos jurídicos, consubstanciados na decadência de direito de o Fisco refazer a apuração dos anoscalendário de 2000 e 2001 e na comprovação do crédito de IRRF sobre aplicações financeiras aproveitado nas compensações. Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.143 (fls. 3871), para que a RFB adotasse as seguintes medidas: Fl. 4093DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.094 9 a) A Delegacia de jurisdição do contribuinte promova a anexação ao processo do extrato completo da DIRF sobre as operações financeiras de 2001, visto que o valor das somas não bate com as parcelas das DIRF presentes nos autos, pois ao se cotejar a página 914 com a decisão da DRJ verificase que a DIRF soma 29,6 milhões e a DRJ só teria considerado 25,9 milhões; b) A autoridade competente se manifeste sobre os créditos ainda remanescentes e as possíveis diferenças apuradas, bem assim sobre o argumento de que houve "compensação de ofício" na decisão, elaborando parecer acerca de tais fatos; c) Adotadas tais providências, deverá ser aberto prazo para que a interessada se manifeste. A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio do relatório de fls. 3980, em que a fiscalização informa: 4. Em atendimento ao item "a" da citada Resolução, o extrato completo da Declaração do Imposto Retido na Fonte (Dirf) sobre operações financeiras do ano calendário de 2001 foi anexado às fls. 3.918 a 3.959. 5. Quanto ao item "b" temse o seguinte: Inicialmente cabe esclarecer que conforme consta do despacho de fls. 3.591. os créditos requeridos de R$ 96.485.861.45 e de R$ 111.724.641.35, referentes aos saldos negativos dos anos de 2000 e 2001, foram cadastrados no presente processo e no de n° 15374.724193/200963 (apenso), respectivamente. Além disso, foram efetuadas atualizações de valores de débitos de Dcomp retificadoras, bem como a inclusão de outros débitos (de Dcomp) que não haviam sido cadastrados. A partir do Acórdão 1224.449. da 4a Turma da DRJ RJ I (fls. 3.345 a 3.425), registraramse os valores deferidos de R$ 93.972.451,76 e de R$ 103.557.917,20 nos respectivos processos e promovidas as compensações (fls. 3.960 a 3.970). Para o presente processo, após tal procedimento restou um saldo credor de R$ 3.976.078.54, consoante fls. 3.960. Na sequência, foi emitido a Comunicação n° 20/2010, mencionando o citado Acórdão e também que "quando das verificações preliminares para o pagamento do valor pleiteado, constatouse a existência dos débitos administrados pela SRF em abertos e/ou inscritos em Dívida Ativa da União, relacionados em anexo" e que tais débitos seriam compensados com o crédito reconhecido, caso o interessado não se manifestasse no prazo de 15 dias contados da ciência de tal comunicação (fls. 3.581 e 3.591). Os débitos em questão seriam os constantes dos processos 10768.462630/200498 e 10768.461211/200439 (fls. 3.583 a 3.589). Além disso, foram emitidas cartas cobranças em relação aos débitos não compensados, constantes dos processos n° 13708.000402/200340; 13706.000590/200326: 10070.002422/200210 e 10070.000537/200351, apensos ao presente (fls. 3.545 a 3.579 e 3.971 a 3.979); e Devido ao fato de o interessado ter se manifestado contrariamente à compensação de ofício (fls. 3.612 e 3.614). esta não foi efetivada, visto que o saldo credor permanece (fls. 3.960). O contribuinte foi cientificado do resultado da referida diligência e apresentou a manifestação de fls. 3991. Naquele documento, não há qualquer manifestação contrária ao resultado da diligência, mas o contribuinte apresenta novas razões de defesa. É o relatório Fl. 4094DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.095 10 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 25/02/2010 (fls. 3815) e apresentou o seu recurso voluntário em 26/03/2010, dentro do prazo recursal. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. Todavia, entendo que as novas razões de defesa apresentadas na manifestação de fls. 3991, por ocasião da última diligência fiscal, não podem ser conhecidas, uma vez que já estava extrapolado, em muito, o prazo recursal. A oportunidade dada ao interessado, por ocasião da diligência fiscal, foi a de contradizer o resultado da diligência, o que não pode ser tomado como uma reabertura do prazo recursal. Em apertada síntese, o presente processo trata de pedidos de restituição com a finalidade de compensação, os quais foram posteriormente convertidos em Declarações de Compensação (DCOMP). O direito creditório pleiteado é o IRRF de rendimentos de aplicações financeiras e de juros sobre o capital próprio dos anos 2000 e 2001. A DRF negou os pedidos. Os pedidos de restituição foram convertidos e utilizados em várias DCOMPs, as quais foram aglutinadas no presente processo. A DRJ reconheceu a homologação tácita das DCOMP anteriores a 20/10/2003 e reconheceu parte do direito creditório, a título de saldo negativo dos anos 2000 e 2001, no total de R$ 197.530.368,96. O direito creditório total era de R$ 208.210.502,81, dividido entre o saldo negativo de 2000 (R$ 96.485.861,45), e o saldo negativo de 2001 (R$ 111.724.641,35). A execução da decisão da DRJ está registrada no despacho de fls. 3591. A tabela seguinte sintetiza a distribuição dos valores envolvidos: JCP APLICAÇÕES PROCESSO PEDIDO 2000 2001 2000 2001 10070.001529/200241 R$ 83.234.049,44 R$ 71.566.349,63 R$ 11.667.699,80 R$ 65.908.192,70 R$ 100.056.941,55 R$ 4.257.151,92 R$ 29.891.596,93 10070.002422/200210 R$ 24.919.511,82 R$ 24.919.511,82 DEFERIDO R$ 71.566.349,63 R$ 77.636.305,71 R$ 22.406.102,13 R$ 25.921.611,49 NEGADO R$ 4.196.738,71 R$ 2.513.409,69 R$ 3.969.985,44 No que diz respeito ao IRRF sobre JCP no ano 2001, o contribuinte requereu o reconhecimento de pagamentos no valor total de R$ 81.833.044,42 (11.667.699,80 + 65.908.192,70 + 4.257.151,92), todavia a sua DIPJ apontava pagamentos no total de R$ 77.636.305,71. A decisão atacada verificou os dados possíveis de ser encontrados nos sistemas de informação da RFB (DIPJ, DIRF, DARF, SIEF) e não encontrou qualquer convergência para um valor específico, razão pela qual adotou o valor declarado pelo interessado em sua DIPJ, resultando no indeferimento do direito creditório em R$ 4.196.738,71 (fls. 3413). No que diz respeito ao IRRF sobre aplicações financeiras no ano 2000, o contribuinte requereu o reconhecimento de pagamentos no valor de R$ 24.919.511,82. A Fl. 4095DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.096 11 decisão atacada verificou os dados das declarações do interessado e de suas fontes pagadoras e entendeu que o comprovante de rendimento apresentado pela CEF, no valor de R$ 14.078.516,50 não atendia os requisitos formais de legitimidade e que não havia informação desse pagamento na correspondente DIRF. Assim, esse valor foi glosado, o que corresponde ao IRRF no valor de R$ 2.815.703,30. Considerando que a DRJ admitiu IRRF recolhido pelo Banco do Brasil no valor de R$ 302.293,61, apesar de o contribuinte não ter apresentado o respectivo comprovante de rendimentos, a glosa do IRRF sobre aplicações financeiras no ano 2000 ficou em R$ 2.513.409,69 (2.815.703,30 302.293,61) (fls. 3417). No que diz respeito ao IRRF sobre aplicações financeiras no ano 2001, o contribuinte requereu o reconhecimento de pagamentos no valor de R$ R$ 29.891.596,93. Todavia, a decisão atacada verificou que ele apresentou comprovantes de rendimento que somam apenas de R$ 23.391.803,04. Considerando que a DRJ admitiu outros recolhimentos de IRRF, não comprovados pelo contribuinte mas informados em DIRF pelas fontes pagadoras, o valor reconhecido chegou a R$ 25.921.611,49. Assim, a glosa do IRRF sobre aplicações financeiras no ano 2001 ficou em R$ 3.969.985,44 (29.891.596,93 25.921.611,49) (fls. 3421). O recorrente combate a decisão recorrida, inicialmente, afirmando que o despacho decisório que não homologou as suas compensações realizou, em 2008, nova apuração dos tributos devidos em 2000 e 2001, já alcançados pela decadência. Verifico que o despacho decisório de fls. 1351 tem como fundamento a divergência entre as várias declarações analisadas, o que levou ao entendimento inicial de que não estaria comprovado o pagamento de JCP por parte do contribuinte e, com isso, a correspondente despesa não poderia ser deduzida do lucro real, levando ao entendimento secundário de que não haveria saldo negativo a restituir. Todavia, a decisão recorrida não apoiouse nesse entendimento e passou a analisar as apontadas divergências em relação às receitas de JCP e aplicação financeira por parte do contribuinte e os correspondentes pagamentos de IRRF. Assim, a decisão recorrida parte do imposto devido conforme declarado pelo contribuinte e prossegue na análise da medida da satisfação desse crédito tributário, por meio das antecipações em forma de IRRF. Com isso, entendo que esta reclamação do recorrente não mais tem objeto no atual momento processual. Em relação à falta de comprovação do IRRF sobre JCP e sobre aplicações financeiras, apontadas na decisão recorrida, o recorrente não apresenta qualquer argumento, limitandose a afirmar que os recolhimentos foram comprovados, nos seguintes termos (fls. 3649): No que diz respeito ao IRRF incidente sobre as receitas decorrentes de aplicação financeiras a Recorrente trouxe aos autos a documentação comprobatória de sua existência, o que é feito por meio dos informes de rendimentos expedidos pelas instituições financeiras, além dos lançamentos contábeis que comprovam a efetiva contabilização dos valores pela empresa. Sem embargo disso, ressaltese que todos os valores foram auditados por auditoria externa independente, encontrandose em consonância com as normas contábeis existentes. Entendo que a afirmação do recorrente, desacompanhada de qualquer evidência, não é suficiente para afastar os fatos apontados na decisão recorrida, de que não Fl. 4096DF CARF MF Processo nº 10070.001529/200241 Acórdão n.º 1201002.911 S1C2T1 Fl. 4.097 12 haveria nos autos prova daqueles pagamentos que fundamentam o entendimento adotado e ora combatido. Todavia, ao analisar os documentos juntados na referida diligência, o colegiado constatou que a soma dos recolhimentos de IRRF nos códigos 3426, 5273 e 6800 é de R$ 29.644.807,00 (10.180.143,07 + 7.305.682,32 + 12.158.981,61), conforme fls. 3959, e não o valor reconhecido pela decisão recorrida, no valor de R$ 25.921.611,49. Assim, entendo que cabe reparo à decisão recorrida, para que seja reconhecido o valor adicional de R$ 3.723.195,51 (29.644.807,00 25.921.611,49), relativo ao IRRF oriundo de aplicações financeiras no ano 2001. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para que seja reconhecido o direito creditório adicional de R$ 3.723.195,51. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Fl. 4097DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003775/2007-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO.
Não há previsão legal para conversão de multa de ofício em multa de mora, em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido.
Numero da decisão: 9202-007.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO. Não há previsão legal para conversão de multa de ofício em multa de mora, em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 37 75 /2 00 7- 76 Fl. 144DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2202002.289, proferido na Sessão de 17 de abril de 2013, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de mora de 20%. A recurso visa rediscutir a seguinte matéria: substituição, no julgamento, da multa de ofício pela multa de mora. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Sessão do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 132 a 136. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o pagamento de tributo em atraso enseja o pagamento de multa e de juros de mora; que a multa de mora tem caráter indenizatório; que é possível a aplicação da multa de mora pela autoridade julgadora administrativa, sem prévio lançamento fiscal, pois a incidência da multa de mora decorre da lei, automaticamente; que, no caso, tanto a multa de mora quanto os juros de mora são encargos exigíveis do contribuinte independentemente de constituídos por meio de auto de infração; que, sendo a competência dos órgãos julgadores administrativos a revisão do lançamento, cumprelhe suprir a falta, em caso de erro da autoridade fiscal. A Contribuinte foi cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 22/11/2016 (AR, efls. 141) e não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10280.003775/200776 Acórdão n.º 9202007.651 CSRFT2 Fl. 145 3 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a matéria a ser discutida diz respeito à validade da decisão de primeira instância, não corroborada pelo Acórdão Recorrido, de substituir a multa de ofício originalmente lançada pela multa de mora. Entendeu o Recorrido que a Delegacia de Julgamento não teria competência para modificar a multa aplicada, conforme o seguinte trecho: O lançamento tributário de ofício, nos termos do art. 142, do CTN, constitui ato que, identificando a ocorrência de fato jurídico tributário, constitui o respectivo enlace obrigacional, determinado a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido, identificando o sujeito passivo e, sendo caso, aplicando a respectiva penalidade. Constitui ato administrativo vinculado ao motivo que lhe serve de fundamento, conforme preceitua o parágrafo único do dispositivo há pouco referido. Desse modo, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois a nova multa possui inusitado fundamento fáticojurídico — pagamento fora do prazo, nos termos do art. 61, § 2º — em relação ao auto de infração, que tinha como fundamento falta de declaração. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazêlo a partir de esteio inaugural. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência deste Tribunal: De outro lado, o Acórdão nº 20178432 admite a validade da substituição das penalidades com base nos seguintes fundamentos: No tocante à decisão de primeira instância, que substituiu a multa de oficio pela de mora, não há, aí, nulidade. É que a questão de saber se, descabendo a aplicação da multa de oficio, pode ser aplicada a de mora é de mérito do recurso. Assim, o acórdão de segunda instância ou mantém a exigência da multa de mora ou a cancela, sendo absurda a solução de anulação da decisão de primeira instância por essa razão. Nesse contexto, descabe razão à interessada, porque o art. 142 do CTN dispõe que, na atividade de constituição do crédito tributário, a autoridade tributária deve propor a penalidade a ser aplicada, o que revela que a penalidade pode ser reduzida ou substituída por outra de menor gravame. A legislação prevê, ademais, que qualquer recolhimento efetuado com atraso deva ser acompanhado de multa de mora. É uma regra geral. Como não se trata de procedimento espontâneo, é induvidoso, no caso dos autos, que alguma multa seria devida. Fl. 146DF CARF MF 4 Se não a de oficio, certamente a de mora. Dessa forma, o Acórdão de primeira instância apenas substituiu a multa aplicada no caso específico do auto de infração pela multa mais genérica, devida em relação a todos os recolhimentos efetuados com atraso. Dessa forma, por ser devida em todas as hipóteses de recolhimento com atraso, em procedimento espontâneo ou decorrente de intimação da autoridade tributária, a multa de mora prescinde de lançamento para ser exigida. Que a autoridade julgadora pode promover alterações no lançamento originalmente realizado pela autoridade lançadora em razão de impugnação do sujeito passivo é incontroverso, posto que objeto de expressa previsão legal, no art. 145, I do CTN. Vejamos Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; [...] Com efeito, se o lançamento “só” pode ser alterado nesses casos, é certo que o lançamento “pode” ser alterado nesses casos. Aliás, o próprio acórdão recorrido reconhece essa possibilidade ao admitir que a DRJ teria competência para “corrigir” o lançamento, o que não poderia era “refazêlo a partir de esteio inaugural”. É interessante observar que o art. 142 do CTN referese a “se for o caso, a propor a penalidade”. Esse termo ensejou controvérsia doutrinária em torno do seu sentido e alcance, se de fato a autoridade lançadora apenas proporia a penalidade, que seria definida apenas após o contraditório, ou se o termo “propor” apenas ressalvaria as hipóteses em que a autoridade lançadora não fosse competente para aplicála. Porém, independentemente da tese abraçada, compete à autoridade julgadora reexaminar o lançamento do tributo e a aplicação da multa à luz do contraditório e, ao contrário do que sustenta o acórdão recorrido, essa atividade não consiste, a meu juízo, apenas em confirmar ou não os termos da autuação original, mas em promover alterações de modo a adequar a norma individual e concreta à conformação dos fatos e sua subsunção à norma geral. No caso sob exame a autoridade julgadora, atendendo ao apelo da contribuinte, concluiu ser indevida a multa de ofício, pela omissão de rendimentos, por entender que a contribuinte teria sido induzida a erro pela fonte pagadora. Porém, considerando o não pagamento no prazo legal, concluiu ser devida a multa de mora. O que a autoridade julgadora de primeira instância fez não foi outra coisa que não revisar a autuação, acatando em parte o apelo da contribuinte, a meu juízo em absoluta conformidade com o artigo 145, I do CTN e as normas que disciplinam o processo administrativo fiscal. Registro que este Colegiado já decidiu, no Acórdão nº 9202004.245, de 22 de junho de 2016, de relatoria do Conselheiro Luis Eduardo de Oliveira Santos que não haveria necessidade de conversão da multa de ofício em multa de mora, pois esta teria expressa previsão legal, sendo exigível independentemente sempre que houver pagamento indevido, independentemente de lançamento. Na ocasião se julgava recurso da Fazenda Nacional em face de acórdão que afastou a multa de ofício. A Fazenda Nacional reivindicava a substituição da multa de ofício pela multa de mora. Confirase a ementa do julgado na parte pertinente: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10280.003775/200776 Acórdão n.º 9202007.651 CSRFT2 Fl. 146 5 MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO. Não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido. Na ocasião negouse provimento ao recurso da Fazenda Nacional por entender desnecessária a providência de substituir a multa de ofício pela multa de mora. No caso ora examinado, Delegacia de Julgamento substituiu a multa de ofício pela multa de mora e a Turma a quo afastou a exigência da multa de mora, não por entender desnecessária a substituição, mas por entender que essa substituição constituiria inovação e alteração indevida no instrumento da autuação. Particularmente, penso que, se é certo que a multa de mora é devida nos casos de pagamento de tributo com atraso, a formalização da exigência da multa de mora em situações como a deste processo não se constituiria em providência desnecessária. Aliás, o art. 43, da Lei nº 9.430, de 1996 prevê expressamente a possibilidade do lançamento de ofício tanto da multa da multa e dos juros de mora, isolada ou conjuntamente, a saber: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Por outro lado, compete à autoridade julgadora, ao afastar a exigência da multa de ofício, decidir sobre a incidência ou não da multa de mora, não deixando a questão em aberto para a interpretação do órgão preparador. A rigor, não vejo diferença essencial em se afirmar que a substituição da multa de ofício pela multa de mora é desnecessária pois esta é devida, da afirmação de que, afastada a multa de ofício, é devida a multa de mora. No presente caso, ao reformar a decisão de primeira instância, a Turma a quo afirma a impossibilidade da exigência da multa de mora, o que, por tudo o que foi acima exposto, conduz ao provimento do recurso da Fazenda Nacional. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto do Ilustre Relator, no que tange ao mérito do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 148DF CARF MF 6 Tratase da conversão, levada a cabo no julgamento de Primeira Instância, da multa de ofício em multa de mora, que foi excluída pelo acórdão recorrido. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a reforma do julgado guerreado, restabelecendose a decisão de primeira instância. A esse respeito já se manifestou esse Colegiado, por meio do Acórdão nº 9202004.245, de 22/06/2016, da lavra do Ilustre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, cujo brilhante voto ora adoto como minhas razões de decidir: "A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento no prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10280.003775/200776 Acórdão n.º 9202007.651 CSRFT2 Fl. 147 7 determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo não excluiu em momento algum a possibilidade de exigência de multa de mora, em sede de cobrança ou execução do crédito tributário. Apenas afastou a exigência de multa de ofício. Portanto, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional." No presente caso, a exclusão da multa de mora, levada a cabo no acórdão recorrido, significa tão somente a impossibilidade de exigência dessa penalidade em lançamento de ofício, o que não impede que dita exigência seja formalizada quando da execução do julgado, conforme determinação do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.729324/2014-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO QUANDO O REQUISITO DE MANUTENÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
A isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decreto-lei nº 1.510/76 alcançará as alienações de participação societária, ainda que sob a égide da Lei nº 7.713, de 1988, desde que tenha sido cumprido o requisito do prazo de cinco anos previsto no artigo 4º, "d", do Decreto-lei nº 1.510/76 antes de 01/01/1989, conforme Ato Declaratório PGFN nº 12/2018.
CUSTO DE AQUISIÇÃO - GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
O procedimento para o cálculo do custo de aquisição de bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1991 é dado pelos arts. 125 a 127 do decreto 3.000/99. A utilização do valor nominal das ações, baseado no quociente entre o valor do capital social e o número de ações, na data de alienação, não tem amparo na legislação mencionada.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data
GANHO DE CAPITAL. REGIME DE CAIXA.
Comprovado que foi auferido sinal, ainda que anteriormente à assinatura do contrato de compra e venda, o mesmo deve ser tributado conforme o regime de caixa previsto no art. 21 da lei 7.713/88.
Numero da decisão: 2301-006.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a isenção do ganho de capital na alienação das ações que já contavam com cinco anos de aquisição em 01/01/1989.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DECRETOLEI Nº 1.510/76. GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO QUANDO O REQUISITO DE MANUTENÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A isenção de que trata a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 alcançará as alienações de participação societária, ainda que sob a égide da Lei nº 7.713, de 1988, desde que tenha sido cumprido o requisito do prazo de cinco anos previsto no artigo 4º, "d", do Decretolei nº 1.510/76 antes de 01/01/1989, conforme Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. CUSTO DE AQUISIÇÃO GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. O procedimento para o cálculo do custo de aquisição de bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1991 é dado pelos arts. 125 a 127 do decreto 3.000/99. A utilização do valor nominal das ações, baseado no quociente entre o valor do capital social e o número de ações, na data de alienação, não tem amparo na legislação mencionada. 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(assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário de 2010, 2011 e 2012 acrescidos de multa e juros de mora. De acordo com a autoridade fiscal foi constatada a infração de omissão de rendimentos, caracterizada em razão da apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de ações ou quotas. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (efls. 175/189): i) nos termos do "Contrato de Cessão e Transferência de Ações e Outras Avenças", o contribuinte vendeu 16.351.714 ações de sua propriedade do PróCardíaco Pronto Socorro Cardiológico S/A para o Hospital de Clínicas de Niterói Ltda., pelo valor total de R$ 10.434.444,00, sendo pagos R$ 1.897.172,00 a título de sinal em 05/04/2010, R$ 3.794.343,00 na assinatura do contrato (05/05/2010) e duas parcelas de R$ 2.371.465,00 a serem pagas em 2011 e 2012; ii) constatouse que o contribuinte majorou o custo de aquisição, visto que, ao dividir o capital social pelo número total de ações, realizou um cálculo que não encontra amparo na legislação. Nos termos dos arts. 125, 126, 128, 129, 130 e 131 do Decreto 3.000/99, verificouse que o cálculo do custo pelo valor de mercado era maior do que o cálculo pelo custo original corrigido, tendo sido apurada a quantia de R$ 453.042,92 como custo total das 16.351.714 ações de propriedade do contribuinte; iii) não se aplica a isenção pretendida pelo contribuinte (DecretoLei 1.510/76), visto que foi revogada pela lei 7.713/88. Como a isenção em questão não foi Fl. 751DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 3 3 concedida a prazo certo, há que se constatar que a mesma encontrase revogada, nos termos do art. 178 do CTN; iv) o imposto devido sobre a parcela paga em abril de 2010 deveria ter sido calculado e recolhido até 31/05/2010, o que só ocorreu, de fato, em 29/06/2010. Ressalta que o imposto é devido à medida em que os rendimentos são recebidos, nos termos do art. 2º da lei 7.713/88; v) tendo efetuado os cálculos, conforme as disposições da legislação, apurou a omissão de R$ 8.450.227,55 na apuração do ganho de capital e a consequente diferença de imposto de renda não recolhido na importância de R$ 1.267.534,14. Após a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente a autuação e o contribuinte apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Questiona a forma utilizada pela fiscalização na correção monetária do custo de aquisição das participações societárias; Afirma que as alienações das ações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data de subscrição ou aquisição estariam desobrigadas do pagamento do Imposto de Renda, conforme estabelecido pelo art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76. Que embora mencionado dispositivo tenha sido revogado pelo o art. 58 da lei 7.713/88 revogou, , nos termos do inciso XXXVI, do art. 5º da Constituição Federal, os contribuintes que possuíam o direito à isenção na data da revogação da lei, não poderiam perdêlo. No caso em questão, a condição estipulada foi o prazo de cinco anos após a subscrição ou aquisição da participação societária e a data da alienação. Cita várias decisões dos Tribunais de Justiça e do CARF; Defende que o contrato definitivo somente foi assinado em 15/05/2010. Como o imposto foi pago no último dia útil do mês seguinte à realização do negócio, não há que se falar em postergação no pagamento do imposto na espécie. Requer o provimento do recurso com o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Do cálculo do Custo de Aquisição Fl. 752DF CARF MF 4 A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. ( Já o art. 17 da Lei n. 9.249/95 dispõe sobre correção monetária do custo de aquisição de bens e direitos: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição de bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. A seu turno, a Instrução Normativa SRF n. 84/2001, que trata dos Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos, assim dispõe: [...] Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo Fl. 753DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 4 5 corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. [...] Também o decreto 3.000/99, estabeleceu, com base nas leis que menciona, a forma como se deve proceder ao cálculo do custo de aquisição para efeitos de apuração do ganho de capital: Art.125. Considerase custo de aquisição dos bens ou direitos, adquiridos até 31 de dezembro de 1991, o valor de mercado, nessa data, de cada bem ou direito individualmente avaliado, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96 e §§5º e 9º). §1º Aos bens e direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1990, não relacionados na declaração relativa ao exercício de 1991, não se aplica o disposto no caput (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, §8º, alínea "b"). §2º O disposto neste artigo não se aplica aos bens ou direitos pertencentes a residentes ou domiciliados no exterior. §3º A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor informado, sempre que este não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória administrativa ou judicial (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, §3º). Art.126. Para as participações societárias não cotadas em bolsa de valores, considerase custo de aquisição o maior valor entre (Lei nº 8.218, de 1991, art. 16, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, §10): I o apurado mediante a atualização monetária, até 31 de dezembro de 1991, do valor original de aquisição, com a utilização da tabela de índices divulgada pela Secretaria da Receita Federal; II o valor de mercado avaliado pelo contribuinte, utilizando parâmetros como valor patrimonial, valor apurado por meio de equivalência patrimonial nas hipóteses previstas na legislação comercial ou, ainda, avaliação de três peritos ou empresa especializada. (...) Bens ou Direitos Adquiridos no Período de 1ºde janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995 Art.128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de Fl. 754DF CARF MF 6 dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, §4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). (...) §8º Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. §9º Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data (Lei nº 9.249, de 1995, arts. 17 e 30). Art.129. Na ausência do valor pago, ressalvado o disposto no art. 120, o custo de aquisição dos bens ou direitos será, conforme o caso (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16 e §4º): I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V o seu valor corrente, na data da aquisição; VI igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores. Art.130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §2º). §1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). §2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §4º): I no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; Fl. 755DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 5 7 II no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; III quando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas neste artigo ou no anterior. Subseção III Bens Adquiridos após 31 de dezembro de 1995 Art.131. Não será atribuída qualquer atualização monetária ao custo dos bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 17, inciso II). Do que se verifica dos autos, o lançamento do crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, na sua constituição, amparouse na melhor leitura da Lei n. 9.249/95; da Lei n. 7.713/88; do Decreto Lei n. 3.000/99 e da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, bem assim em critérios técnicos e contábeis sobejamente demonstrados nos autos, inclusive em planilhas específicas e minucioso detalhamento dos procedimentos adotados. Notese que, como o recorrente não mais detém a posse da DIRPF 1992, bem como, dos valores originais que pagou pelas cotas adquiridas, a autoridade fiscal se baseou nos dados constantes das cópias dos livros Registros de Ações Nominativas, Registro de Ações Preferenciais e Transferência de Ações Preferenciais e Transferência de Ações Nominativas, para apurar o valor original das cotas em questão. Posteriormente, a autoridade fiscal se utilizou das demonstrações financeiras da empresa, publicadas em 24/04/1992 no Jornal Mercantil, para obter o valor de mercado das mesmas, e, em razão do valor encontrado ter sido maior que aquele relativo ao custo original corrigido, este último foi desconsiderado, nos exatos termos do art. 126 supra citado. Já a forma de cálculo do custo de aquisição utilizada pelo recorrente na apuração do ganho de capital, qual seja, o valor nominal das ações na data da alienação, padece de amparo legal. Logo, sem razão ao recorrente neste ponto. Da Isenção das Participações Adquiridas na Vigência do Decretolei nº 1.510/76 No que diz respeito a isenção pleiteada, temos o seguinte; Dispunha o Decretolei nº 1.510/76 em seu artigo 4º, "d", a não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital das pessoas físicas nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação; Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 2º O rendimento tributável de acordo com o artigo anterior será determinado pela diferença entre o valor da alienação e o custo de subscrição ou aquisição da participação societária, corrigido monetariamente segundo a variação das Obrigações Fl. 756DF CARF MF 8 Reajustáveis do Tesouro Nacional. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 3º Considerase valor da alienação: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; b) o valor efetivo da contraprestação nos demais casos de alienação. Parágrafo único. Nos casos de alienação a título gratuito, será sempre imputável à operação o valor real da participação alienada. Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Esse benefício fiscal foi revogado pelo artigo 58 da Lei nº 7.713/88. Ele visava excluir da tributação os ganhos de capital decorrentes da alienação de participações societárias, após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Há um entendimento, ao qual me filio de que, o benefício fiscal previsto no Decretolei n° 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Dessa forma, se faz fundamental que sejam analisadas se as participações societárias posteriormente alienadas pelo Recorrente cumpriram ou não o requisito de terem permanecido durante mais de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Cumprido tal requisito, tratase de direito adquirido do contribuinte e não de expectativa de direito, uma vez que se o prazo de cinco anos foi atendido, o Recorrente já fazia jus à isenção do Decretolei n° 1.510/76. Sabendose que a vigência da Lei nº 7.713/88 se iniciou em 01/01/1989 e que o Decretolei nº 1.510/76 condiciona a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital a participação societária ter permanecido durante 5 anos sob a propriedade do alienante, as ações e quotas adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por ele até 01/01/1989 farão jus à isenção do Decretolei nº 1.510/76. Dessa forma, em todos os casos do Recorrente em que as ações ou quotas foram adquiridas até 31/12/1983 e alienadas em um período posterior a 01/01/1989, haverá isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital. Este entendimento tem sido adotado por esse conselho, como por exemplo no Acórdão 9202007.449 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da Ilustre Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005, Fl. 757DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 6 9 31/05/2005, 31/05/2006, 31/07/2006 GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do Decretolei nº 1.510, de 1976, e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Não demonstradas as datas em que as aquisições ocorreram, impossibilitase a análise da subsunção do presente caso à norma isentiva referida e, portanto, não há como conferir o direito pleiteado. Assim, adquiridas as ações e as bonificações adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias, ainda que a alienação tenha ocorrido após a revogação da lei concessiva do direito à isenção. Esse entendimento restou recepcionado pela consultoria jurídica da Procuradoria da Fazenda Nacional que, com base na Portaria PGFN nº 502/2016, fez constar no item 1.22 do rol da lista dos "Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer" a alínea 'u' que expressamente reconhece o direito adquirido à isenção prevista no Decretolei nº 1.510/76: 1.22 Imposto de Renda (IR) u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Em 27 de junho de 2018, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 12/2018 comunicando a aprovação do Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda. Referido ato declaratório possui o seguinte teor: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI Nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a Fl. 758DF CARF MF 10 desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp 1.241.131/RJ, EDcl no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR. Como no caso sob análise existem ações adquiridas antes e depois de 1º/01/1989, entendo que somente as adquiridas e alienadas após esta data e que não cumpriam o prazo de cinco anos, não devem estar sujeitas a isenção do Decreto Lei 1510/76. Da Postergação de Pagamento do Imposto Sobre este aspecto entendo correta a decisão guerreada e utilizo seus argumentos. A incidência do IRPF sobre ganhos de capital ocorre sob o regime de caixa, ou seja, o fato gerador somente se aperfeiçoa por ocasião da efetiva percepção dos rendimentos, na forma do art. 21, § 1°, da Lei n° 8.981/1995: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. (...) § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. Em se tratando de alienações a prazo, a tributação sobre os ganhos de capital também está sujeita ao regime de caixa, na forma do art. 21 da Lei n° 7.713/1988: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Assim, ainda que o contrato de compra e venda tenha sido assinado em maio de 2010, resta comprovado à fl. 173 que o valor de R$ 1.897.172,00 lhe foi pago, em 05/04/2010, sob a forma de sinal na negociação. Tendo em vista o exposto, é de se considerar correta a constatação da autoridade fiscal de que o imposto relativo ao ganho de capital do valor auferido em 05/04/2010, deveria ter sido recolhido até 31/05/2010. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 12448.729324/201467 Acórdão n.º 2301006.000 S2C3T1 Fl. 7 11 Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer como isentas as alienações das ações que já contavam com 5 anos de aquisição em 01/01/1989, conforme Ato Declaratório PGFN nº 12/2018.. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 760DF CARF MF
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