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Numero do processo: 11080.919038/2012-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/06/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 25/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 38 /2 01 2- 73 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919038/201273 Acórdão n.º 3801005.178 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919038/201273 Acórdão n.º 3801005.178 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919038/201273 Acórdão n.º 3801005.178 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919038/201273 Acórdão n.º 3801005.178 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919038/201273 Acórdão n.º 3801005.178 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919038/201273 Acórdão n.º 3801005.178 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919038/201273 Acórdão n.º 3801005.178 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919038/201273 Acórdão n.º 3801005.178 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900058/2008-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
Numero da decisão: 3803-006.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 58 /2 00 8- 94 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 13 de agosto de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 11 de setembro de 2009, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900058/200894 Acórdão n.º 3803006.867 S3TE03 Fl. 90 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, nada há a reparar na decisão recorrida, ao aduzir à ausência de produção de efeitos do dispositivo legal trazido à baila pela Manifestante, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98[1], que fazia previsão para a exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins dos valores recebidos como receita e que foram repassados a terceiros. Com efeito, esta previsão legal, ao referir que as exclusões de tais valores deveriam observar as regras regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, constituiu as regras que haveriam de ser expedidas pelo Poder Executivo para a redução da base de cálculo das contribuições em obstáculo material a ser transposto para a constituição da eficácia (técnica) do preceito, como complemento sintático e integrador do texto legal. O legislador, ao outorgar tal benefício tributário condicionou o seu gozo. Optou por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos de como se aperfeiçoaria o benefício, decisão tomada ao amparo da sua autonomia legislativa. Dessa forma, a inexistência da regulamentação impediu mesmo a geração de efeitos do dito texto legal. E neste entendimento consolidouse a jurisprudência deste Conselho e precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo [...]; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002193/2005-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios.
O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 2.616 1 2.615 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.002193/200536 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.031 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria PIS/COFINS Restituição Recorrente DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 21 93 /2 00 5- 36 Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 2.615), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 16037.425, proferido em primeira instância pela 24ª Turma da DRJ de São Paulo I (fls. 2.084/2.089), que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da peça impugnatória, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: "(...) Trata o presente processo de Pedido de Reconhecimento de Direito Creditório e Restituição de PIS (R$ 11.763,02) e COFINS (R$ 54.181,16), incidentes na importação, DI de nº 04/07722933, registrada em 06/08/2004, fls. 10 a 13, indevidamente recolhidos face a alíquota de defensivos agrícolas para tais contribuições terem sido reduzidas a zero, nos termos da Lei nº 10.925/2004, publicada no Diário Oficial da União no dia 26/07/2004 e regulamentado pelo Decreto nº 5.195, destinado exclusivamente a regulamentar o artigo 1º da Lei 10.925/2004. O citado diploma regulamentar, trouxe expressamente a previsão do termo inicial de produção de seus efeitos: Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do dia 26 de julho de 2004. A interessada foi intimada através das intimações nº 051/08 , fls. 62/64; intimação nº 45/2010, fls. 185; intimação nº 107/2010, fls. 244/246, a apresentar cópia de todos os livros fiscais, com a escrituração contábil da operação coberta pela Declaração de Importação de nº 04/07722933. Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002193/200536 Acórdão n.º 3802003.031 S3TE02 Fl. 2.617 3 O pedido foi indeferido através do Despacho de fls.303/304. Ciente do Indeferimento, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 309/313, onde em síntese do necessário alegou: em que pese o costumeiro acerto do Ilmo Julgador, sua decisão não merece prosperar uma vez que existe sim o crédito, conforme se demonstrará; entende o Ilmo Julgador que os valores pleiteados pela Requerente já foram contabilizados a débito e, assim, restou caracterizado “de forma inequívoca que o interessado já efetuou o desconto de que trata o artigo 15º da Lei nº 10.865/2004”. cabe destacar que inicialmente os débitos das contribuições foram contabilizados nas contas 376000 e 376001, para PIS e COFINS respectivamente; em dezembro de 2005, referidos valores foram transferidos para conta 157011, no valor total de R$ 3.035.510,31 (três milhões trinta e cinco mil quinhentos e dez reais e trinta e um centavos) que correspondem ao montante total das contribuições recolhidas a maior pela Requerente, não só ao pleito deste processo; cumpre mencionar que referido montante permanecesse contabilizado até hoje na conta 157011; ocorre que trimestralmente é realizada uma reclassificação contábil onde o saldo da conta 157011 é transferido para a conta 234085; não assiste razão o Ilmo Julgador ao afirmar que não há como comprovar que os valores contabilizados como de débito foram transferidos para conta 234085; para que reste incontroversa a existência do direito creditório e assim a restituição, a Requerente acosta a presente manifestação de inconformidade cópia dos Razões das contas 376000 (PIS), 376001 (Cofins), 157011 (impostos em litígio) e 234085 (imposto a compensar) do período compreendido entre dezembro de 2005 a 2011; resta claro, pelos inúmeros documentos ora anexados, que tais créditos nunca foram utilizados desde o momento em que foram contabilizados pela empresa; não se pode olvidar que o processo administrativo rege se pela busca da verdade material, motivo pelo qual, não podem ser poupados esforços para se verificar se a obrigação tributária foi realmente estabelecida; não sendo suficientes os documentos e esclarecimentos ora apresentados com o objetivo de comprovar a veracidade dos fatos, requer a IMPUGNANTE, desde já, a realização de Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 diligência com intuito de demonstrar a existência do direito ao crédito; resta cabalmente comprovado que os valores contabilizados a título de PIS e COFINS decorrentes de pagamento equivocado através da DI 04/07722933 não foram utilizados; requer reconhecido o seu direito creditório no valor de R$ 65.944,18 (sessenta e cinco mil novecentos e quarenta e quatro reais e dezoito centavos). É o Relatório. Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/08/2004 RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO (PIS/PASEP e COFINS) NA IMPORTAÇÃO PAGA INDEVIDAMENTE. Indeferese pedido de restituição quando a interessada, a quem cabe o ônus da prova, não instruir o processo com provas de que tenha direito a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 24ª Turma da DRJ de São Paulo I, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 2.094/2.106), no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, solicitando, com base no principio da busca da verdade material o acolhimento integral de suas razões, reformando a decisão recorrida. Caso não seja esse o entendimento, por entender que a documentação apresentada não seja o suficiente para comprovar o alegado direito, requer a apresentação de novos documentos, esclarecimentos e realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 2.615), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002193/200536 Acórdão n.º 3802003.031 S3TE02 Fl. 2.618 5 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Do pedido de diligência Quanto a possível realização de diligência, é cediço que o pedido é regulado pelo art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, o qual impõe requisitos formais para sua validade. Contudo, além dos requisitos previstos no art. 16, supra, deve ser analisado pelo julgador se o pedido de realização de diligência é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, visto que a realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o deslinde da questão, ou seja, o deferimento de um pedido de diligência, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. Veja abaixo, trecho reproduzido do Acórdão recorrido (grifamos), que a Recorrente foi intimada e, portanto, já teve oportunidade de esclarecer e apresentar toda a documentação necessária (fl. 2.087): "(...) A interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação necessária através das intimações nº 051/08 , fls. 62/64; intimação nº 45/2010, fls. 185; intimação nº 107/2010, fls. 244/246, tendo inclusive solicitado prorrogação de prazo, concedido pela fiscalização". As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, é inadmissível pedido pela juntada posterior de documentos. Assim, a realização de diligência é prescindível, visto que em relação à questão objeto da lide, o processo já apresenta elementos suficientes para o seu deslinde, razão pela qual, sou pelo seu indeferimento. Das provas nos autos O presente caso envolve eminentemente matéria de prova. Como bem frisado pela Recorrente em suas razões de recurso, o direito material à restituição é incontroverso, e decorre da própria aceitação da retificação da DI, com efeitos retroativos, para 06 de agosto de 2004 (data da ocorrência do fato gerador do imposto de importação). No entanto, a preocupação esposada pela autoridade administrativa, desde a manifestação de inconformidade perpassando pelas intimações realizadas e pela decisão recorrida, é o fato de que, havendo sido autorizada a retificação da DI para redução da alíquota a zero após a ocorrência da importação, há o risco de a materialidade do crédito – não do direito em tese – já haver sido utilizado, como desconto, na apuração regular do sujeito passivo. Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Noutras palavras, tornase imprescindível verificar se o contribuinte pleiteia duplo benefício (a uma, pelo aproveitamento como desconto na apuração de PIS e COFINS, e a duas, pela restituição surgida com a diminuição retroativa da carga tributária). Todo o propósito do procedimento de restituição que ora se examina é conferir se houve, ou não, o aproveitamento das aquisições, então tributadas, na apuração do PIS e da COFINS do sujeito passivo. Em sede recursal, o contribuinte traz diversos argumentos explicativos quanto à migração de saldos entre suas contas contábeis, e junta extratos de seu livro razão analítico para tentar dar mais subsídios de comprovação do seu direito creditório. Entendo, porém, que o livro razão analítico nem seria necessário, desde que houvesse uma explicação razoável para a ausência de registro do direito pleiteado na conta de ativo como impostos a recuperar, à época das intimações realizadas pelo Fisco. Senão, vejase abaixo, trecho reproduzido do Acórdão recorrido (grifamos): "(...) A interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação necessária através das intimações nº 051/08 , fls. 62/64; intimação nº 45/2010, fls. 185; intimação nº 107/2010, fls. 244/246, tendo inclusive solicitado prorrogação de prazo, concedido pela fiscalização. (...). E o relator prossegue em sua análise, definindo o seguinte ponto como sendo um dos principais motivos do indeferimento do pedido (grifamos): "(...) 5. Os valores dos tributos a restituir, por tratarse de um direito realizável, devem ser contabilizados de acordo as técnicas e princípios fundamentais de contabilidade, e em consonância com as normas da legislação tributária, em conta do Ativo, e nela permanecer até que lhe seja dada outra destinação após a decisão final do pleito. 6. Face as contradições apontadas acima não restou comprovado se os valores pleiteados permanecem contabilizados em conta do Ativo e, consequentemente, de que não houve a utilização do desconto de que trata o artigo 15 da Lei n° 10.865/2004, motivo pelo qual proponho o INDEFERIMENTO do pedido em questão.” Vale destacar que é possível, em tese, que o contribuinte, a posteriori, realize reclassificação contábil de valor equivalente ao saldo da época. Ainda que matematicamente o resultado seja o mesmo, em termos fiscais esse procedimento não me parece razoável. Até para evitar mais essa dúvida acerca do seu direito creditório, era imprescindível que a Recorrente confrontasse o resultado das intimações (despacho de indeferimento), de modo inescapável mostrando que, à época do pedido de restituição, não houve aproveitamento do montante pleiteado. E nessa tarefa ela não me parece ter logrado êxito. Vejase. Em seu recurso, a Recorrente aduz o seguinte: 32. Ocorre que trimestralmente é realizada uma reclassificação contábil onde os saldos da conta 157011 é transferidos para a conta 234085. Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002193/200536 Acórdão n.º 3802003.031 S3TE02 Fl. 2.619 7 Ora, se trimestralmente há reclassificação contábil da conta 157011 para a conta 234085 (Impostos a Recuperar), e considerando que o pedido de restituição foi feito somente em 31/03/2005 (fl 04), pareceme claro que o saldo já deveria estar recomposto quando do pleito inicial. A própria Recorrente, no entanto, indica que somente em dezembro de 2005 houve transferência de um determinado montante para a conta de impostos a recuperar. No entanto, se esse saldo é decorrente daqueles fatos geradores que motivam o pedido de restituição, tal já não resta imune a dúvidas. De fato, é importante destacar que a Recorrente afirma em sede recursal que: 33. Outrossim, para que restasse incontroversa a existência do direito creditório e assim a restituição, a Requerente acostou à manifestação de inconformidade cópia dos razões das contas 376000 (PIS), 376001 (Cofins), 157011 (impostos em litígio) e 234085 (imposto a compensar) do período compreendido entre dezembro de 2005 a 2011. 34. Se houvesse sido realizada a diligência fiscal na documentação acostada, as referidas reclassificações teriam sido observadas pela autoridade fiscal responsável, razão pela qual ficaria inconteste que tais créditos nunca forma utilizados desde o momento em que foram contabilizados pela empresa. No entanto, se a Recorrente, ao invés de simplesmente juntar seu livro razão analítico buscando uma diligência no processo, tivesse tido a cautela de apresentar a composição das contas contábeis a que se refere no excerto colacionado acima, possivelmente haveria um confronto que suscitasse dúvida ao julgador. Cabe destacar que, às vésperas da sessão de julgamento, a Recorrente, no decorrer da sustentação oral, apresentou um Laudo de auditoria externa (que se encontra acostado aos autos às fls. 2.152 e seguintes) que tem como função confirmar a existência do indébito, além de detalhar como se deu a movimentação das contas contábeis. Todavia, o laudo apenas explicita que as diversas movimentações de contas contábeis ocorreram inclusive (e principalmente) após a negativa do pedido inicial, de modo retroativo; além disso, aponta que houve equivocadamente, e por mais de uma vez, o registro de valores em conta de passivo, ao invés de conta de ativo. Trago à baila o seguinte excerto do laudo, que assim sintetiza a questão após já indicar três movimentações de saldos entre contas: 7.5 Das Reclassificações posteriores A partir de julho de 2006 a Dow promoveu sucessivas reclassificações do crédito pleiteado (indébito), entre as contas de ativo n° 157011 (Impostos em Litígio), 234085 (Impostos a Recuperar) e 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), sendo que o montante de R$3.035.510,21 passou a compor o saldo da referida conta15 (Doc. 13). Em setembro de 2006, o saldo da conta 157011, no montante de R$15.078.592,84, onde estão incluídos os créditos de PIS/COFINSImportação objetos do presente trabalho, foi reclassificado para conta de ativo n° 234085 (Impostos a Recuperar), passando a compor o saldo da mencionada conta (R$41.248.352,52). Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Posteriormente, em outubro de 2006, o montante de R$15.078.592,84, devidamente destacado na conta n° 234085 (Impostos a Recuperar), foi novamente reclassificado para conta de ativo 157011 (Impostos em Litígio), permanecendo nessa conta até dezembro de 2006. No referido mês, houve nova reclassificação desses valores, passando novamente a integrar o saldo da conta n° 234085 (Impostos a Recuperar). Ato continuo, em janeiro de 2007 houve nova reclassificação desses valores, passando a serem controlados novamente na conta 157001 (Impostos em Litígio), permanecendo na mencionada conta até março de 2007 e integrando o seu saldo 16 . Nesse mês, houve nova reclassificação contábil, sendo os valores novamente transferidos para conta n° 234085 (Impostos a Recuperar). Em abril de 2007 foi realizada nova reclassificação dos citados valores, que foram novamente remanejadas para conta 157011 (Impostos em Litigio). O laudo prossegue, após apresentar tabela de cronologia iniciada em dezembro de 2005, com as primeiras movimentações entre saldos de contas: (...) Em janeiro de 2012, o saldo da conta n" 157011 (Impostos R$ 17.975.255,00, no qual estão contidos os créditos ora tratados, por alguns dias, para a conta n° 235200 (Saldo Negativo de CSLL) conta de origem (Impostos em Litígio) logo no inicio de fevereiro. Em março de 2012, o saldo da conta n° 157011 (Impostos em Litígio) foi transferido para a Conta n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos). Neste cenário, desde abril de 2012, a Dow tem movimentado os créditos fiscais que possui entre as contas n° 157011 (Impostos em Litígio) e n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos). (...) Por fim, analisamos relatório fornecido pela Companhia contendo a composição da conta 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), comprovando a manutenção dos créditos de PIS e de COF1NS nos registros contábeis da Dow (Doc. 16). Podese, depreender, pela movimentação das contas, que os créditos de PIS e de COFINS ora tratados estão contabilizados na conta de ativo n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), não tendo sido escriturada qualquer compensação pela Dow em oportunidades diversas das aqui analisadas, conforme os registros contábeis analisados. Pelo exposto nos itens acima, tendo em vista que os saldos mensais, bem como o final são superiores ao valor do crédito pleiteado, inferese que este (crédito) está contido no saldo final e não foi utilizado pela Dow. Ora, com a devida vênia ao zeloso trabalho desenvolvido no laudo acostado aos autos pela Recorrente, ele apenas retrata a via tortuosa dos créditos pleiteados. Há diversos Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002193/200536 Acórdão n.º 3802003.031 S3TE02 Fl. 2.620 9 equívocos indicados e sucessivas movimentações de saldos entre contas, com a conclusão de que, na existência de saldo a maior, isso é significado que o valor pleiteado (a menor) está contido ali, sugerindo a procedência do pedido. Não me parece que todos os problemas relativos à demonstração da materialidade dos créditos, já exaustivamente debatidos nos autos, tenham sido resolvidos pelo Laudo Técnico. Sem embargo, entendo que eventual equívoco na contabilização do saldo, ou ainda na movimentação em si, não seriam razão suficiente – consideradas de modo isolado – para negar o pedido do contribuinte. Todavia, a situação sob exame é excepcional, pois há uma série de movimentações entre contas contábeis, feitas para rubricas equivocadas, sem que houvesse um único momento de segurança quanto à adequação do valor e da conta correta. Isso dificulta deveras a análise da materialidade do crédito. Até porque em último caso o que se tem é, de um lado, uma análise feita à documentação apresentada pelo sujeito passivo, indicando que o crédito pleiteado já foi aproveitado doutra maneira; e, de outro, alegações e um apanhado de documentos fiscais que, de per si, não trazem qualquer dado pulsante que ponha em xeque a conclusão da autoridade administrativa. Assim, entendo que cabe refutar o pleito da Recorrente, por ausência de demonstração da materialidade do crédito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10805.721654/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA POR FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO.
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE FÍCIO.
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1402-001.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto, que negavam provimento integralmente ao recurso. Em primeira votação, por voto de qualidade, manter a exigência referente à glosa das despesas de pagamentos com juros sobre capital próprio e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentarão declaração de voto.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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DEDUTIBILIDADE. Na determinação do lucro real serão adicionadas as despesas deduzidas na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária pertinente, não sejam dedutíveis. A dedutibilidade dos Juros sobre o Capital Próprio é condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios, atendido o limite legal. Sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de Juros sobre o Capital Próprio de períodos anteriores. O dispêndio tem natureza de despesa financeira, para fins fiscais, inclusive quando for imputado aos dividendos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. DECORRÊNCIA. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 16 54 /2 01 2- 19 Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.382 2 devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE FÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto, que negavam provimento integralmente ao recurso. Em primeira votação, por voto de qualidade, manter a exigência referente à glosa das despesas de pagamentos com juros sobre capital próprio e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva apresentarão declaração de voto. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.383 3 General Motors do Brasil S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrados em 30/05/2012, exigindo crédito tributário, conforme lucro real anual, no total de R$ 364.779.838,27, aí incluídos o principal acrescido de multa de ofício proporcional (75%) e juros de mora calculados até 05/2012, mais multa de ofício isolada devida pela falta e/ou insuficiência das estimativas do IRPJ e da CSLL, em razão das adições não computadas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, decorrente de excesso de Juros sobre Capital Próprio (JSCP), no anocalendário 2007. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização registrou que a pessoa jurídica não pode deduzir valores de JSCP referentes a períodos pretéritos, pois a respectiva dedutibilidade deve obedecer ao regime de competência, ou seja, a despesa deve ser contabilizada no períodobase correspondente; além disso, registrou que a falta de deliberação pelos sócios, mediante disposição estatutária ou em assembléia, sobre o pagamento de JSCP, no ano de sua geração, significa renúncia à faculdade concedida pela legislação, por configurar regime fiscal especial e opcional, segundo a melhor doutrina. Especificamente acerca do cálculo do limite das despesas a título de JSCP, pontuou a fiscalização: “Com efeito, o cálculo dos limites das despesas a título de juros sobre o capital próprio deve tomar como referência as contas do patrimônio líquido, de lucros acumulados e de lucro líquido, relativas ao próprio ano em que tenha havido a deliberação de distribuição dos valores a título de juros sobre o capital próprio a que se refiram aquelas despesas, com o pagamento ou crédito dos valores de juros sobre o capital próprio e sua individualização.” Do citado Termo de Verificação Fiscal, extraemse, também, os seguintes excertos, acerca dos fatos apurados: 4. DOS FATOS Conforme informação constante na "Ficha 06A Demonstração do Resultado", da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário de 2007 (DIPJ 2008), o contribuinte registrou despesas de Juros sobre o Capital Próprio no montante de R$ 410.000.000,00 (quatrocentos e dez milhões de reais) no ano calendário de 2007. Essas despesas de R$ 410.000.000,00 foram também registradas na conta "S926500012 DESP. DE JUROS S/ O CAPITAL PRÓPRIO", conforme se pode observar nas páginas do Razão da referida conta e nas páginas do Diário, apresentadas no curso da fiscalização, onde se pode constatar os lançamentos de R$ 280.000.000,00 (duzentos e oitenta milhões de reais), em 31/05/2007, R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais), em 29/06/2007, R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais), em 31/07/2007, R$ 50.000.000,00 (cinqüenta milhões de reais), em 31/08/2007, e de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), em 31/10/2007. Essas despesas tiveram como contrapartida os registros contábeis na conta do passivo Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.384 4 "S560500001 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO A PAGAR", conforme razão dessa conta, integrante desse procedimento. Os beneficiários dos juros sobre o capital próprio estão indicados na "Ficha 51A Rendimentos de Dirigentes, Conselheiros, Sócios ou Titular", da DIPJ 2008. Segundo essa informação, a GM LAAM HOLDINGS LLC, CNPJ 06.057.542/0001 87, é destinatária de R$ 295.838.186,50 (duzentos e noventa e cinco milhões, oitocentos e trinta e oito mil, cento e oitenta e seis reais e cinqüenta centavos), com Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de R$ 44.375.727,97 (quarenta e quatro milhões, trezentos e setenta e cinco mil, setecentos e vinte e sete reais e noventa e sete centavos), enquanto que a GENERAL MOTORS CORPORATION, CNPJ 05.724.664/000117, é destinatária de R$ 114.161.813,50 (cento e quatorze milhões, cento e sessenta e um mil, oitocentos e treze reais e cinqüenta centavos), com IRRF de R$ 17.124.272,03 (dezessete milhões, cento e vinte e quatro mil, duzentos e setenta e dois reais e três centavos. Esses valores a título de juros sobre o capital próprio foram determinados, conforme a participação de cada sócio no capital social, pelas deliberações societárias de 31/05/2007, 29/06/2007, 31/07/2007, 31/09/2007 e de 31/10/2007, cujas atas de deliberação, trazidas no curso da fiscalização, integram o presente procedimento também integram o procedimento, os documentos que comprovam os pagamentos feitos aos referidos sócios, no anocalendário de 2007, a título de juros sobre o capital próprio, além de demonstrativo dos valores a título de juros sobre capital próprio em nome de cada beneficiário, apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização. Com relação ao IRRF, indicado na DIPJ 2008, totalizando R$ 61.500.000,00 (sessenta e um milhões e quinhentos mil reais), podese constatar a sua retenção, conforme os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF's), apresentados pelo contribuinte, e pelo extrato do Sistema de Informação da Arrecadação Federal (SINAL), todos integrantes do presente procedimento. Pela análise das planilhas de cálculos e dos demonstrativos apresentados pelo contribuinte, todos integrantes do presente procedimento, podese constatar que a determinação dos limites das despesas a título de juros sobre o capital próprio, para o anocalendário de 2007, tomou como base de cálculo não apenas o exercício da distribuição dos juros (2007), tendo sido tomado como referência para o cálculo dos limites de dedutibilidade daquelas despesas, além do exercício de 2007, os exercícios de 2002 e 2003. Com efeito, conforme se observa nas referidas planilhas e demonstrativos, o contribuinte apurou os valores de R$ 164.635.391,62 (cento e sessenta e quatro milhões, seiscentos e trinta e cinco mil, trezentos e noventa e um reais e sessenta e dois centavos), de R$ 232.268.696,18 (duzentos e trinta e dois milhões, duzentos e sessenta e oito mil, seiscentos e noventa e seis reais e dezoito centavos) e de R$ 11.687.317,99 (onze milhões, seiscentos e oitenta e sete mil, trezentos e dezessete reais e noventa e nove centavos), como limites relativos aos anos de 2002, 2003 e 2007, reactivamente. Tendo por base os supostos limites acima referidos, o contribuinte deduziu como despesa o valor de R$ 410.000.000,00 (quatrocentos e dez milhões de reais), conforme páginas do livro Diário e Razão, integrantes do procedimento, adicionando à base de cálculo do IRPJ, tão somente o valor de R$ 1.409.682,01 (um milhão quatrocentos e nove mil, seiscentos e oitenta e dois reais e um centavo), conforme Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Esse valor adicionado ao LALUR corresponde precisamente ao resultado da diferença entre o valor de R$ Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.385 5 410.000.000,00 (quatrocentos e dez milhões de reais) deduzidos como despesas de juros sobre o capital próprio e o suposto limite de dedutibilidade dessas despesas que totaliza R$ 408.591.405,79 (quatrocentos e oito milhões, quinhentos e noventa e um mil, quatrocentos e cinco reais e setenta e nove centavos), resultado da soma dos limites relativos aos anos de 2002, 2003 e 2007. Em face desses limites calculados pelo contribuinte, em 06 de março de 2012, lavrei Termo de Intimação Fiscal, enunciando, entre outras coisas, que: "ao se o se observar o 'Demonstrativo dos valores contabilizados a título de Remuneração do Capital Próprio no ano de 2007', apresentado pelo contribuinte em 13 de Janeiro de 2012 e anexo a este Termo (anexo 1), podese constatar que os limites de dedutibilidade de despesas a título de juros sobre o capital próprio, dos anos de 2002 e 2003, são, respectivamente, R$ 164.635.391,62 e R$ 232.268.696,18. Já o valor do limite de dedutibilidade referente apenas ao ano de 2007 é, segundo o referido demonstrativo, de R$ 11.687.317,99. Ou seja, verificase que o contribuinte utilizou, no cálculo do limite total de dedutibilidade de despesas a título de juros sobre o capital próprio no ano de 2007, os valores dos limites de dedução das referidas despesas nos anos de 2002 e 2003. Em outras palavras, os limites de dedução de despesas a título de juros sobre o capital próprio nos anos de 2002 e 2003 serviram como base para o cálculo dos limites de dedução em 2007, ou seja, foram, por assim dizer, transportados para o cálculo do limite total de 2007. " Após tais considerações, solicitei ao contribuinte, por meio do mesmo termo de intimação, que elucidasse, por escrito, se aquelas análises e conclusões representavam corretamente os cálculos e lançamentos feitos por ele e que esclarecesse, ainda, se tinha havido, nos anos a que se referem os limites de dedut;bilidade de 2002 e 2003, deliberação societária para a distribuição de valores a título de juros sobre o capital próprio, trazendo, se fosse o caso, cópias autenticadas das atas das referidas deliberações. Em 15 de março de 2012, o contribuinte apresentou as seguintes respostas aos questionamentos acima referidos: "(...) Em relação aos questionamentos formulados, a requerente esclarece que: (a) os limites de dedutibilidade mencionados no Termo de Intimação, referente aos anos de 2002 e 2003, são resultado da aplicação da TJLP sobre a movimentação do Patrimônio Líquido de 01.01.2002 a que resulta em R$ 164.635.392,62 e de 01.01.2003 a que resulta em R$ 232.268.696,18. Como o pagamento de juros sobre o capital próprio se deu apenas em 2007, a deliberação societária só ocorreu em 2007. Ou seja, foi pago o valor de juros sobre o capital próprio em 2007, referente à remuneração do patrimônio dos anos de 2002, 2003 e 2007. Ademais, cabe lembrar que os limites de dedutibilidade, referentes à remuneração do patrimônio, Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.386 6 dos anos de 2002 e 2003, foram obedecidos, conforme planilha de cálculo já entregue a essa D. Fiscalização. (...) "(grifamos) Podese concluir, portanto, que o limite de dedutibilidade de despesas de juros sobre o capital próprio adotado pelo contribuinte, para o anocalendário de 2007, abrangeu, além da remuneração sobre o patrimônio líquido do próprio ano de 2007, a remuneração do patrimônio líquido dos anos de 2002 e 2003, não tendo a empresa deliberado, naqueles anos, a distribuição de juros sobre capital próprio aos seus sócios, tendo sido deliberado, somente no ano de 2007, a distribuição dos referidos juros, conforme atas de deliberação já referidas alhures. Tal limite de R$ 408.591.405,79 (quatrocentos e oito milhões, quinhentos e noventa e um mil, quatrocentos e cinco reais e setenta e nove centavos), adotado pelo contribuinte, ultrapassa o limite de dedutibilidade de despesa a título de juros sobre o capital próprio permitido para o anocalendário de 2007. Como visto no tópico anterior, quando discorremos sobre os aspectos normativos e jurídicos da dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio, o limite de dedutibilidade das despesas com juros sobre o capital próprio está sujeito ao regime de competência, por força de várias disposições normativas8, devendo o cálculo do limite tomar como referência as contas do patrimônio líquido, de lucros acumulados e de lucro líquido, relativas ao próprio ano de 2007, ano esse em que se deu a deliberação de distribuição dos valores a título de juros sobre capital próprio. Com efeito, o contribuinte não exerceu a sua faculdade de pagar ou creditar juros sobre o capital próprio nos anos de 2002 e 2003, não tendo havido, naqueles anos, qualquer deliberação nesse sentido, conforme esclarecimento do próprio contribuinte, de maneira que não pode exercer tal faculdade no ano de 2007, transportando, por assim dizer, os limites de dedutibilidade de períodos pretéritos para esse ano as demonstrações financeiras dos anoscalendário de 2002 e 2003 foram aprovadas sem qualquer previsão de destinação dos juros sobre o capital próprio analisados. Desse modo, o cálculo do limite de dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio para o ano de 2007 deve tomar como referência as contas do patrimônio líquido correspondente àquele períodobase no qual houve a distribuição dos juros. Devese aplicar, portanto, a taxa de juros de longo prazo (TJLP) para a remuneração do Patrimônio Líquido do anocalendário de 2007, considerando, ainda, os limites de cinqüenta por cento do lucro líquido correspondente ao período base do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros, ou dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. O valor das TJLP's anuais em percentuais, divulgadas trimestralmente pelo Banco Central, para o anocalendário de 2007, correspondentes aos trimestres sobre os quais será calculada a remuneração do capital, são as seguintes: 8 Há que se lembrar, ainda, conforme já anteriormente mencionado, o que dispõe a Cláusula 18a. do Contrato Social apresentado pelo contribuinte: "Cláusula 18a. O exercício social terá início em Io de janeiro e terminará em 31 de dezembro de cada ano. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.387 7 Parágrafo único. Ao fim de cada exercício social, os diretores farão elaborar o balanço patrimonial, a demonstração do resultado do exercício e as demais demonstrações contábeis exigidas em lei, de acordo a legislação societária (Lei das Sociedades por Ações) e os princípios de contabilidade geralmente aceitos no Brasil". Notase, portanto, que o contrato social determina a observância das leis societárias e dos princípios contábeis geralmente aceitos no Brasil, entre os quais figura o princípio do regime de competência, na elaboração das demonstrações contábeis. Além disso, a Cláusula 25a. do Contrato Social determina que a sociedade será regida pelo que dispõem os arts. 1.052 a 1.087 do Código Civil e, supletivamente, para os casos omissos, pelo que dispõe a Lei das Sociedades por Ações. 2006 TJLP anual em % (B) Janeiro a março 6,50 Abril a junho 6,50 Julho a setembro 6,25 Outubro a dezembro 6,25 A partir dos valores acima indicados, podemos calcular o fator de acumulação mensal da TJLP relativa a cada trimestre com a utilização da fórmula C = (1 + B/100)1712, onde B = TJLP anual percentual do trimestre. Assim, temos os seguintes resultados: 2007 TJLP anual em % (B) Fator de acumulação mensal da TJLP (C) Janeiro a março 6,50 1,005262 Abril a junho 6,50 1,005262 Julho a setembro 6,25 1,005065 Outubro a dezembro 6,25 1,005065 Esses valores são exatamente os mesmos utilizados pelo contribuinte no cálculo do limite de dedutibilidade do anocalendário de 2007, conforme se observa na planilha de cálculo integrante do presente procedimento. O patrimônio líquido final do anocalendário de 2006 tem o valor de R$ 179.671.318,36 (cento e setenta e nove milhões, seiscentos e setenta e um mil, trezentos e dezoito reais e trinta e seis centavos). Tal valor, tomado como parâmetro de cálculo pelo contribuinte, conforme planilha de cálculo do limite de despesas de juros de 2007, corresponde ao valor encontrado nos "BALANÇOS PATRIMONIAIS LEVANTADOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2007 E DE 2006" e nas "DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (PASSIVO A DESCOBERTO) PARA OS EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2007 E DE 2006", inclusos no Diário (Diário Geral n°. 7275) do contribuinte e cujas cópias integram esse procedimento. Esse valor de patrimônio líquido representa um valor ajustado, que leva em consideração o ajuste de exercícios anteriores, atinente ao anocalendário de 2006. Esse valor diverge daquele informado pelo contribuinte na DIPJ do anocalendário de 2007, no valor de R$ 297.578.813,03 (duzentos e noventa e sete milhões, quinhentos e setenta e oito mil, oitocentos e treze reais e três centavos). Tendo em vista essa divergência de informação, foi lavrado o Termo de Intimação de 26 de abril de 2012, no qual foi solicitado, entre outras coisas, que o contribuinte esclarecesse, por escrito, a divergência nc valor informado na DIPJ 2008 e aquele constante nos Balanços Patrimoniais Levantados em 31 de dezembro de 2007 e de 2006 e nos demonstrativos de cálculos, apresentados à fiscalização, no tocante ao valor do patrimônio líquido do anocalendário de 2006, apresentando todos os elementos e documentos comprobatórios necessários (originais ou cópias autenticadas) para a comprovação das referidas diferenças. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.388 8 Em resposta, o contribuinte apresentou, em 10 de maio de 2012, explicação onde assinalava que houve ajuste de exercícios anteriores (ano de 2006), num total de R$ 117.907.494,67 (cento e dezessete milhões, novecentos e sete mil, quatrocentos e noventa e quatro reais e sessenta e sete centavos), conforme documentos que juntou à sua resposta, implicando a redução do patrimônio líquido, do final do anocalendário de 2006, ao valor ajustado de R$ 179.671.318,36 (cento e setenta e nove milhões, seiscentos e setenta e um mil, trezentos e dezoito reais e trinta e seis centavos), utilizado nos cálculos do contribuinte e informado na demonstração de mutações do patrimônio líquido e no balanço patrimonial dos anos de 2006 e 2007. De acordo com a análise do Razão das contas que compõem o Patrimônio Líquido, apresentado pelo contribuinte no curso da fiscalização e integrante desse procedimento, podese visualizar as mutações do patrimônio líquido ao longo do anocalendário de 2007. Além das mutações atinentes ao ajuste de exercícios anteriores, acima referidas, podese observar outras mutações ao longo do exercício que poderia afetar o cálculo do limite de dedutibilidade da despesa de juros sobre o capital próprio. Não obstante, a única alteração que efetivamente influencia o cálculo do limite da dedutibilidade é aquela atinente ao lançamento de 31 de julho de 2007, R$ 15.810.242,54 (quinze milhões, oitocentos e dez mil, duzentos e quarenta e dois reais e cinqüenta e quatro centavos), pois os outros valores são relativos quer a lançamentos a débito e a crédito, de mesmo valor, no mesmo dia ou no dia seguinte, ou são atinentes ao resultado do próprio exercício de 2007. Logo, o valor limite a ser pago, no anocalendário de 2007, deve ser encontrado através da aplicação da TJLP acumulada dos primeiros sete meses daquele exercício (1,03722), sobre o patrimônio líquido do início do exercício, no valor de R$ 179.671.318,36 (cento e setenta e nove milhões, seiscentos e setenta e um mil, trezentos e dezoito reais e trinta e seis centavos), e da TJLP acumulada dos cinco últimos meses do exercício (1,02558), sobre o patrimônio líquido aumentado, no valor de R$ 195.481.560,90 (cento e noventa e cinco milhões, quatrocentos e oitenta e um mil, quinhentos e sessenta reais e noventa centavos). Temse, portanto, como limite de dedutibilidade de despesas9 a título de juros sobre o capital próprio, para o anocalendário de 2007, o montante de R$ 11.687.317,99 (onze milhões, seiscentos e oitenta e sete mil, trezentos e dezessete reais e noventa e nove centavos), coincidente com aquele apresentado no demonstrativo e na planilha de cálculo, apresentados pelo contribuinte, e com o esclarecimento prestado pelo contribuinte, em 18 de maio de 2012, em que afirma: "A contribuinte esclarece que o saldo final do Patrimônio Líquido de 2006 é R$ 179.671.318,36, de acordo com a documentação entregue em 10/05/2012. Partindo desse saldo de 179.671.318,06 em dezembro de 2006, a conta de Patrimônio Líquido sofreu movimentações no decorrer do ano calendário de 2007, no montante de RS 15.810.242,54, referente à repatriação de capital, nos termos da Ata de Reunião de Diretoria Geral de 31.05.2007, já disponibilizada para a D. Fiscalização. A contabilização desse valor ocorreu em 31/07/2007, sendo assim, o saldo do Patrimônio Líquido a partir de julho de 2007 passou a ser RS 195.481.560,80. De acordo com os saldos do Patrimônio Líquido acima citados, a contribuinte calculou um limite de despesa de juros sobre o capital próprio, em 2007, no valor de RS 11.687.317,99, de acordo com a planilha de cálculo disponibilizada para essa D. Fiscalização em setembro de 2011. " Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.389 9 Desse modo, de acordo com o exposto acima, não se pode reconhecer como dedutível o valor de R$ 408.591.405,79 (quatrocentos e oito milhões, quinhentos e noventa e um mil, quatrocentos e cinco reais e setenta e nove centavos), mas apenas a despesa de juros sobre o capital próprio cujos limites tiveram por base as contas do patrimônio líquido no próprio anobase da distribuição (anocalendário de 2007). Concluise, assim, que só devem ser consideradas para fins de dedução tributária no anocalendário de 2007, as distribuições de juros sobre o capital próprio cujo cálculo se reporte ao próprio ano de 2007, no total de R$ 11.687.317,99 (onze milhões, seiscentos e oitenta e sete mil, trezentos e dezessete reais e noventa e nove centavos), valor esse que atende aos limites previstos pelo art. 9º da Lei n°. 9.249/95. Do exposto, impõese a revisão da apuração feita pelo contribuinte da base tributável do IRPJ e da CSLL, com a glosa dos valores excedentes ao limite de dedutibilidade da despesa de juros sobre o capital próprio relativo ao anocalendário de 2007. Desse modo, à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, deverá ser adicionando o valor de R$ 398.312.682,01 (trezentos e noventa e oito milhões, trezentos e doze mil, seiscentos e oitenta e dois reais, e um centavo). Além dessa revisão da apuração anual do IRPJ e da CSLL, impõese, também, a revisão dos balancetes mensais de apuração daqueles tributos, considerandose a glosa das despesas a título de juros sobre o capital próprio indevidamente deduzidas nas bases de cálculos apuradas naqueles balancetes. Assim, há que se apurar os valores mensais de IRPJ e de CSLL que deixaram de ser antecipados, levando em conta o que poderia ter sido deduzido a título de juros sobre o capital próprio em cada mês e adicionando as despesas de juros excedentes à base de cálculo daqueles cribuvos, calculandose, por fim, o valor da multa de ofício sobre a base de cálculo correspondente aos valores mensais não antecipados, conforme dispõem o art. 44, inciso II da Lei n°. 9.430/96 e os artigos 15, §1° e 16, da Instrução Normativa SRF n°. 93/97, e os arts. 222, 230 e 843 do RIR/99. Em decorrência da infração constatada, foram recompostas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (anual), conforme as seguintes tabelas: LALUR APURAÇÃO FISCO DIFERENÇA IRPJ do ano calendário de 2007 Valores em R$ Lucro Líquido do Exercício 1.219.853.681,60 1.219.853.681,60 Provisão referente à CSLL 37.664.863,40 37.664.863,40 Lucro Líquido do Exercício após CSLL 1.182.188.818,20 1.182.188.818,20 (+) Adições10 127.318.159,14 524.221.159,14 396.903.000,00 () Exclusões 680.001.653,35 680.001.653,35 () Compensação de prejuízo fiscal de anos anteriores 188.851.597,20 188.851.597,20 Lucro após a compensação de prejuízo (lucro real)11 440.653.726,79 837.556.726,79 396.903.000,00 IRPJ à alíquota de 15% 66.098.059,02 125.633.509,02 59.535.450,00 IRPJ adicional (alíquota de 10%) 44.041.372,68 83.731.672,68 39.690.300,00 IRPJ DEVIDO E LANÇADO DE OFÍCIO 110.139.431,70 209.365.181,70 99.225.750,00 9 Esse limite está dentro do limite de cinqüenta por cento do lucro líquido do exercício, após a de dedução da contribuição social sobre o lucro líquido e antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos juros sobre o capital próprio. Tal limite seria de R$ 796.094.409,10 (setecentos e noventa e seis milhões, noventa e quatro mil, quatrocentos e nove reais e dez centavos). 10 Na apuração do Fisco, às adições ao lucro líquido foi acrescentado o valor de R$ 396.903.000,00, resultado da diferença dos R$ 410.000.000,00, deduzidos como despesas financeiras, e o valor dedutível de R$ 11.687.317,99, considerando, ainda, o valor de R$ 1.409.682,01, já lançado como adição, pelo próprio contribuinte, conforme LALUR. " O lucro real apurado conforme o LALUR, no valor de R$ 440.653.726,79, coincide com aquele informado na DIPJ 2008. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.390 10 APURAÇÃO DO CONTRIBUINTE APURAÇÃO DO FISCO DIFERENÇA CSLL do ano calendário de 2007 Valores em R$ Base de cálculo da CSLL antes da compensação 597.598.794,17 597.598.794,17 ‐ Adição à BC a título de despesas de JCP 0 396.903.000,00 396.903.000,00 Compensação de prejuízos de anos anteriores 179.279.638,2514 179.279.638,25 ‐ Base de cálculo após compensação 418.319.155,9215 815.222.155,92 396.903.000,00 CSLL à alíquota de 9% 37.648.724,0316 73.369.994,03 35.721.270,00 CSLL A SER LANÇADA DE OFÍCIO 35.721.270,00 Especificamente em relação à recomposição da base de cálculo da CSLL (anual), acima demonstrada, a fiscalização teceu as seguintes observações: A glosa da despesa enunciada no item precedente também lança reflexos na apuração da CSLL do anocalendário de 2007, pelos mesmos fundamentos normativos anteriormente expostos e pelo que dispõem o art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88, o art. 1o da Lei n° 9.316/96, o art. 28 da Lei n°. 9.430/96, o art. 57 da Lei n° 8981/95, os art. 2º e 9º da Lei n° 9.249/95. Assim, há que se apurar a CSSL, adicionando à sua base de cálculo o valor de R$ 396.903.000,00, atinente à glosa de despesas não dedutíveis a título de juros sobre o capital próprio, no anocalendário de 2007. É de se pontuar que o demonstrativo de apuração da CSLL apresentado pelo contribuinte no curso da fiscalização traz uma base de cálculo anual negativa para a CSLL no valor12 de R$ 2.709.323.286,77. Isso se dá porque uma parcela das exclusões ao lucro líquido do exercício é atinente à exclusão de receitas de exportação em virtude do processo judicial n°. 2005.61.26.0029396, na monta de R$ 3.306.922.080,94, conforme se constata do demonstrativo do cálculo da contribuição social do lucro líquido do ano de 2007, apresentado pelo contribuinte no curso desse procedimento. Ocorre, porém, que o contribuinte renunciou à referida ação judicial, conforme documento de renúncia integrante desse procedimento, e constante do processo administrativo n°. 10805.720630/200939, não tendo, todavia, alterado a apuração anual do Demonstrativo do Cálculo da CSLL, do anocalendário de 2007, apresentada a esta fiscalização, para que traduzisse a referida renúncia da ação judicial, com a conseqüente desconsideração das exclusões realizadas à base de cálculo da CSLL receitas de exportação. Assim, o Demonstrativo do Cálculo da CSLL, apresentado pelo contribuinte, deve contar com a inclusão das receitas de exportação, atinentes às exclusões de R$ 3.306.922.080,94, ao lucro líquido do exercício, resultando num valor de base de cálculo da CSLL13 de R$ 597.598.794,17, antes da compensação de prejuízos de períodos anteriores, para o anocalendário de 2007. 12 O valor de base de cálculo negativa da CSLL, de R$ 2.709.323.286,77, corresponde àquele informado na DIPJ 2008. 13 Valor da Base de Cálculo da CSLL sem considerar a adição das despesas indedutíveis a título de juros sobre o capital próprio. Vale dizer que os créditos tributários decorrentes do processo judicial n° 2005.61.26.0029396 não estão sendo aqui analisados, fiscalizados ou apurados, tendo essa fiscalização, tãosomente, reconstituído a base correta da CSLL para a adição das despesas de juros sobre o capital próprio indedutíveis. O valor de R$ 597.598.794,17 coincide com o valor informado na planilha de cálculo da provisão da CSLL do anocalendário de 2007, apresentada pelo contribuinte, no curso do já citado processo administrativo n° 10805.720630/200939 que controla os créditos do processo judicial n° 2005.61.26.0029396 cópia da referida planilha integra esse procedimento. O valor de CSLL devido, segundo a referida planilha, para o mês de dezembro de 2007, tomando por referência a base de cálculo da CSLL com a inclusão das receitas de Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.391 11 exportação, coincide com o valor informado na DCTF de dezembro daquele ano, tendo o contribuinte informado em DCTF a suspensão da exigibilidade do débito em virtude do processo judicial n° 2005.61.26.0029396 vale dizer que esse valor de CSLL (RS 1.233.026,88), apurado em DCTF e na planilha, foi também informado no balanço do mês de dezembro da D1PJ 2008 e no demonstrativo de cálculo da CSLL para o mês de dezembro, apresentado pelo contribuinte. Logo, devese partir para a apuração da CSLL decorrente da adição das despesas indedutíveis a título de juros sobre o capital próprio tomando por base de cálculo, antes da compensação de prejuízo, o valor de R$ 597.598.794,17. Vale dizer que o contribuinte desistiu da referida ação, como pode ser constatado pelas cópias das renúncias que integram este procedimento, e ingressou no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/09, tendo incluído, nesse parcelamento, os débitos de CSLL do ano de 2007 que estavam suspensos pelo processo judicial n° 2005.61.26.0029396. É de se lembrar que existe processo administrativo próprio para controlar tais débitos, de maneira que esta fiscalização se restringe a levantar, tãosomente, o valor de CSLL devida em função da adição das despesas deduzidas indevidamente a título de juros sobre o capital próprio. 14 Valor informado na planilha de cálculo elaborada pelo contribuinte, acima referida, cujo reflexo de utilização se projeta para a redução da base de cálculo negativa acumulada da CSLL, de R$ 3.013.425.838,82 para R$ 2.834.146.200,57, valor este que foi informado na "Ficha 61 A Outras Informações" da DIPJ 2008. 15 Valor que corresponde à base de cálculo da CSLL do mês de dezembro de 2007 informada na "Ficha 16 — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa — Imune ou Isenta do IRPJ" da DIPJ 2008. Esse valor só não se repete na apuração anual da CSLL do ano de 2007, em face da exclusão das receitas relativas à exportação da base de cálculo da CSLL, o que resultou, então, na base de cálculo negativa da CSLL. 16 Deduzindose do valor de R$ 37.648.724,03 de CSLL o montante de R$ 36.415.697,15, atinente às antecipações realizadas em face dos balancetes mensais, temse o valor de R$ 1.233.026,88, declarado na DCTF do mês de dezembro de 2007 — declarado então com exigibilidade suspensa em virtude do processo judicial n° 2005.61.26.0029396. Com relação às apurações das bases de cálculo mensais, a título de estimativa, o Fisco indicou os seguintes cálculos: Conforme as páginas do Diário e do Razão, integrantes desse procedimento, podese verificar as seguintes deduções de despesas a títulos de juros sobre o capital próprio: DATA DESPESA DE JCP 31/05/2007 280.000.000,00 29/06/2007 30.000.000,00 31/07/2007 40.000.000,00 31/08/2007 50.000.000,00 31/10/2007 10.000.000,00 Essas deduções extrapolam os limites de dedutibilidade permitidos. Como já enunciado nos tópicos precedentes, os limites de dedutibilidade das despesas de juros sobre o capital próprio devem ter como referência as contas do patrimônio líquido correspondentes ao anobase de distribuição dos juros, no caso, o ano calendário de 2007. Assim, para que sejam respeitados os limites de dedutibilidade estabelecidos pela legislação tributária, há que se calcular os limites de dedutibilidade para cada mês, tendose como referência a remuneração do patrimônio líquido segundo a TJLP acumulada até o mês do balanço. Temse, então, os seguintes valores a serem glosados: PERÍODO DE APURAÇÃO (mês/ano) TJLP ACUMULADA PATRIMÔNIO LÍQUIDO (PL) TJLP sobre o PL DESPESA JCP DEDUTÍVEL DESPESA DEDUZIDA DESPESA ASER GLOSADA mai/2007 1,02659 R$ 179.671.318,36 R$ 4.776.882,93 R$ 4.776.882,93 R$ 280.000.000,00 R$ 275.223.117,07 jun/2007 1.03199 RS 179.671.318,36 R$ 5.747.392,97 R$ 970.510,05 R$ 30.000.000,00 R$ 29.029.489,95 jul/2007 1,03722 R$ 179.671.318,36 R$ 6.686.508.14 R$ 939.115,17 R$ 40.000.000,00 R$ 39.060.884,83 ago/2007 1,04247 R$ 195.481.560,90 R$ 8.301.817,80 RS 1.615.309,66 RS 50.000.000,00 RS 48.384.690,34 out/2007 1,05306 R$ 195.481.560,90 R$ 10.371.303,72 RS 2.069.485.92 R$ 10.000.000,00 RS 7.930.514,08 A partir dos valores a serem glosados, foi construída a seguinte tabela com as adições a serem feitas à apuração mensal: PERÍODO DE APURAÇÃO (mês/ano) ADIÇÃO À APURAÇÃO MENSAL (R$) mai/2007 275.223.117,07 Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.392 12 jun/2007 304.252.607,03 jul/2007 343.313.491,86 ago/2007 391.698.182,20 set/2007 391.698.182,20 out/2007 399.628.696,28 nov/2007 399.628.696,28 dez/2007 399.628.696,28 Adicionando os valores acima enunciados aos balancetes mensais, a base de cálculo mensal do IRPJ foi reconstituída e foi apurado o IRPJ para cada mês: APURAÇÃO DO IRPJ BALANÇO (mês/ano) APURAÇÃO DO LUCRO PELO CONTRIBUINTE ADIÇÃO AO LUCRO (DESPESAS GLOSADAS) LUCRO APURADO PELO FISCO Alíquota de 15% Adicional de 10% Total em R$ jan/2007 23 089.293,12 0,00 23.089.293,12 3.463.393,97 2.306.929,31 5.770.323,28 fev/2007 62.589 033,59 0,00 62.589 033,59 9.388.355,04 6.254.903,36 15.643.258,40 mar/2007 130.168.186,37 0,00 130.168.186,37 19.525.227,96 13.010.818,64 32.536.046,59 abr/2007 187.636.739,95 0,00 187.636.739,95 28.145.510,99 18.755.674,00 46.901.184,99 mai/2007 183.159.309,69 275.223.117,07 458.382.426,76 68.757.364,01 45.828.242,68 1 14.585.606,69 jun/2007 141.394.607,48 304.252.607,03 445.647.214,51 66.847.082,18 44.552.721,45 111.399.803,63 jul/2007 173.525.343,94 343.313.491,86 516.838.835,80 77.525.825,37 51.669.883,58 129.195.708,95 ago/2007 249.135.144,92 391.698.182,20 640.833.327,12 96.124.999,07 64.067.332,71 160.192.331,78 set/2007 223.623.248,55 391.698.182,20 615.321.430,75 92.298.214,61 61.514.143,07 153.812.357,69 out/2007 289.114.823,56 399.628.696,28 688743.519,84 103.311.527,98 68.854.351,98 172.165.879,96 nov/2007 426.575.739,52 399.628.696,28 826.204.435,80 123.930.665,37 82.598.443,58 206.529.108,95 dez/2007 440.653.726,79 399.628.696,28 840.282.423,07 126.042.363,46 84.004.242,31 210.046.605,77 A partir do IRPJ apurado para cada mês e a dedução dos valores recolhidos no mês precedente, foi apurado o IRPJ a pagar. Esses valores foram confrontados com o valor informado na D1PJ 2008, de modo a se obter a base de cálculo para a multa isolada relativa à insuficiência de recolhimento de IRPJ apurado em balanço mensal. A tabela abaixo mostra esses valores: IRP' °URADO (TOTAL) IR Fonte (DIPJ) IRPJ A PAGAR (DIPJ)17 IRPJ A PAGAR APURADO PELO FISCO IRPJ MULTA ISOLADA (50%) BALANÇO (mês/ano) valores em RS jan/2007 5.770.323,28 0,00 5.770.323,28 5.770.323.28 0,00 fev/2007 15.643.258,40 0,00 9.872.935,12 9.872.935.12 0,00 mar/2007 32.536.046,59 0,00 16.892.788.20 16.892.788,20 0,00 abr/2007 46.901.184,99 4.514.676,70 9.850.461,70 9.850.461,69 0,00 mai/2007 114.585.606,69 0,00 0,00 67.684.421,70 33.842.210,85 jun/2007 111.399.803,63 0,00 0,00 0,00 0.00 jul/2007 129.195.708,95 0,00 0,00 14.610.102,26 7.305.051,13 ago/2007 160.192.331,78 0,00 15.366.601,24 30.996.622,83 7.815.010,79 set/2007 153.812.357,69 0,00 0,00 0,00 0,00 out/2007 172.165.879,96 9.990.919,66 0.00 1.982.628,52 991.314,26 nov/2007 206.529.108,95 10.866.202,12 23.497.026,87 23.497.026,87 0.00 dez/2007 210.046.605,77 3.508.386,76 9.110,06 9.110.06 0,00 Com relação ao cálculo da multa isolada relativa à insuficiência de recolhimento da CSLL apurada em balanço mensal, procedeuse à adição dos valores glosados à base de cálculo da CSLL informada na DIPJ, tendo sido realizada a apuração da CSLL a ser paga, segundo a nova base de cálculo, de modo que os valores daquelas multas, com os cálculos pertinentes, estão descritos abaixo: Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.393 13 BASE DE CÁLCULO DA CSLL DIPJ ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL BASE DE CÁLCULO DA CSLL FISCO CSLL APURADA FISCO (9%) CSLL A PAGAR (DIPJ) CSLL A PAGAR (FISCO) CSLL MULTA ISOLADA (50%) BALANÇO (mês/ano) valores em R$ jan/2007 22.993.474,94 0,00 22.993.474,94 2.069.412,74 2 069.412,74 2.069.412,74 0,00 fev/2007 62.404.359,59 0,00 62.404 359.59 5.616.392,36 3 546.979,62 3.546.979,62 0,00 mar/2007 129 869.183,87 0,00 129.869.183,87 1 1.688 226,55 6.071.834,19 6 071.834,19 0,00 abr/2007 186 066.097,23 0,00 186 066 097,23 16 745.948,75 5.057.722,20 5.057.722,20 0,00 mai/2007 181.551.159,88 275.223.117,07 456 774.276,95 41.109.684.93 0,00 24.363.736,17 12.181.868,09 jun/2007 139.785.458,12 304.252.607,03 444 038.065,15 39.963.425.86 0,00 0,00 0,00 jul/2007 171.916.194,59 343.313.491,86 515.229.686,45 46.370.671.78 0,00 5.260.986,85 2 630 493,43 ago/2007 241.664.738,25 391.698.182,20 633 362.920,45 57.002.662,84 5 003.877,69 10.631.991,06 2.814.056,69 set/2007 202.061.747,10 391.698.182,20 593.759.929,30 53.438.393.64 0,00 0,00 0,00 out/2007 267.250 051,19 399.628.696,28 666 878.747,47 60.019.087.27 2.302.678,17 3.016.424,43 356.873,13 nov/2007 404 618.857,19 399.628 696,28 804 247.553,47 72.382.279.81 12.363.192,54 12.363.192,54 0,00 dez/2007 418 319.155,92 399 628.696,28 817.947.852,20 73.615.306.70 1.233.026.88 1.233.026,89 0,00 17 Os valores de IRPJ a pagar, informados na DIPJ 2008, foram declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), conforme se pode observar nas páginas das DCTF's que integram o presente procedimento. A interessada foi cientificada dos autos de infração em 30/05/2012. Inconformada, apresentou, por intermédio de seus representantes legais, em 28/06/2012, impugnação de fls. 995/1034, acompanhada de documentos de fls. 1035/1168. Preliminarmente, demonstra a tempestividade da defesa. Na seqüência, faz um breve resumo dos fatos. No mérito, inicia apontando que: (i) a fiscalização reconheceu ter havido, no ano de 2007, a deliberação, pelo Conselho de Administração (datadas de 31/05/07, 29/06/07, 31/07/07, 31/08/07 e 31/10/07), para pagamento de JSCP aos acionistas, no valor total de R$ 410.000.000,00; (ii) os beneficiários dos JSCP foram aqueles indicados na Ficha 51A “Rendimentos de Dirigentes, Conselheiros, Sócios ou Titular”, da DIPJ/2008, a quem foram pagos, a esse título, os valores de R$ 295.838.186,50 (IRF de R$ 44.375.727,97) e R$ 114.161.813,50 (IRF de R$ 17.124.272,03); (iii) houve o recolhimento do IRF no total de R$ 61.500.000,00; (iv) restou demonstrado pela autuada que o limite máximo de JSCP que poderia ser pago e deduzido, em 2007, era de R$ 408.591.405,79, relativo ao somatório dos limites de JSCP que poderiam ser deduzidos como despesas referentes aos anos de 2002 (R$ 164.635.391,62), 2003 (R$ 232.268.696,18) e 2007 (R$ 11.687.317,99), cujos cálculos levaram em consideração as condições legais, quais sejam: (a) juros remunerados com taxa não superior à variação, pro rata die, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para a remuneração do Patrimônio Líquido; e (b) valor a ser pago inferior à metade dos lucros apurados no período (ou ao somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros); e Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.394 14 (v) a dedução, em 2007, da despesa de JSCP de R$ 410.000.000,00, com a adição na determinação do Lucro Real de R$ 1.409.682,01, correspondente à diferença entre o valor deduzido (R$ 410.000.000,00) e o limite de dedutibilidade calculado (R$ 408.591.405,79). Julga delimitado o objeto da controvérsia como sendo a possibilidade de considerar os valores pagos a título de JSCP de períodos anteriores ou somente o valor relativo ao JSCP gerado no próprio ano no qual foi pago, para fins de apurar o limite de dedutibilidade dos JSCP, no cálculo do IRPJ e da CSLL. Alega que a legislação fiscal não exige ser feito o pagamento dos JSCP no mesmo exercício no qual o resultado tenha sido obtido pela pessoa jurídica. Ao contrário, diz que o contexto histórico de criação da possibilidade de pagamento de JSCP, no País, somado à sua característica essencial de distribuição de resultados da pessoa jurídica a seus acionistas, justifica a semelhança de sua natureza, no âmbito societário, ao regime de distribuição de dividendos. Nesse sentido, reproduz a legislação em vigor (art. 9º da Lei nº 9.249/95; IN SRF nº 11/96), ressaltando a existência da Deliberação CVM nº 207, de 13/12/1996, segundo a qual, para fins societários e contábeis, os JSCP têm natureza de dividendos. E acrescenta: “36. Vale notar que, para fins fiscais, os valores pagos a título de JCP devem ser registrados em contrapartida a despesas financeiras da sociedade, mesmo quando sejam imputados aos dividendos. Assim dispõe o artigo 30 da IN 11/96: “Art. 30. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que trata o § 1º do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras.” (não grifado no original) 37. Em que pese a determinação do artigo 30 da IN 11/96, que impõe que o pagamento de JCP seja registrado como despesa financeira, o fato de que, para fins societários, o pagamento de JCP se equipara ao pagamento de dividendos já demonstra que o pagamento de JCP pode ser feito em relação a exercícios anteriores. Confirase o teor do artigo 202 da Lei nº 6.404, de 15.12.1976 (“Lei das S.A”), com suas alterações posteriores: “Art. 202. Os acionistas têm o direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.395 15 (...) § 1º O estatuto poderá estabelecer o dividendo como porcentagem do lucro ou do capital social, ou fixar outros critérios para determinálo, desde que sejam regulados com precisão e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários ao arbítrio dos órgãos de administração ou da maioria. § 2º Quando o estatuto for omisso e a assembléia geral deliberar alterálo para introduzir norma sobre a matéria, o dividendo obrigatório não poderá ser inferior a 25% (...) do lucro líquido ajustado nos termos do inciso I deste artigo. § 3º A assembléiageral pode, desde que não haja oposição de qualquer acionista presente, deliberar a distribuição de dividendo inferior ao obrigatório, nos termos deste artigo, ou a retenção de todo o lucro líquido, nas seguintes sociedades: I – companhias abertas exclusivamente para a captação de recursos por debêntures não conversíveis em ações; II – companhias fechadas, exceto nas controladas por companhias abertas que não se enquadrem na condição prevista no inciso I. § 4º O dividendo previsto neste artigo não será obrigatório no exercício social em que os órgãos da administração informarem à assembléia geral ordinária ser ele incompatível com a situação financeira da companhia. O conselho fiscal, se em funcionamento, deverá dar parecer sobre essa informação e, na companhia aberta, seus administradores encaminharão à Comissão de Valores Mobiliários, dentro de cinco dias da realização da assembléia geral, exposição justificativa da informação transmitida à assembléia. § 5º Os lucros que deixarem de ser distribuídos nos termos do § 4º serão registrados como reserva especial e, se não absorvidos por prejuízos em exercícios subseqüentes, deverão ser pagos como dividendo assim que o permitir a situação financeira da companhia. § 6º Os lucros não destinados nos termos dos arts. 193 a 197 deverão ser distribuídos como dividendos.” (não grifado no original) 38. Do dispositivo acima, percebese que uma sociedade poderia deixar de distribuir dividendos obrigatórios se sua situação financeira assim o justificasse, sendo que os lucros não Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.396 16 distribuídos em um determinado exercício poderiam sêlos nos exercícios subseqüentes. Aplicandose o mesmo raciocínio para o pagamento de JCP, resulta que, para fins societários, não há dúvidas de que os JCP, tal como os dividendos, podem efetivamente ser pagos em relação a exercícios anteriores. 39. Dessa forma, resta claro que o argumento da D. Fiscalização de que o JCP não segue a mesma sistemática dos dividendos, em razão da inexistência de dispositivo expresso nesse sentido na Lei 9.249/95, não deve prosperar. 40. Isso porque, apesar de na Lei 9.249/95, que criou o pagamento de JCP, não haver nenhum dispositivo expresso sobre esta questão, a interpretação sistemática das normas que disciplinam o pagamento de JCP, tanto tributárias quanto societárias, assim como o entendimento da doutrina, não deixam dúvidas que a natureza jurídica dos JCP é equiparável à dos dividendos.” Ainda, aponta o entendimento de que a obrigatoriedade de se observar o regime de competência, quando do pagamento dos JSCP, somente nasce e se materializa quando surge a correspondente obrigação legal de pagar os montantes de JSCP, ou seja, com a deliberação societária que aprova seu pagamento aos acionistas. Fundamentase no art. 29 da IN nº 11/96 e nas seguintes conclusões: “44. Isso porque, em linhas gerais, a aplicação do regime de competência no reconhecimento das receitas se dá a partir do momento em que nasce o direito de recebêlas, enquanto que as despesas são computadas para efeito de sua dedutibilidade a partir do momento em que nasce a sua obrigação legal de pagá las. 45. Dessa forma, não há que se falar em aplicação do regime de competência ao pagamento de JCP quando não tenha havido ainda a deliberação societária aprovando o seu pagamento. 46. O pagamento ou crédito de JCP, bem como a sua dedutibilidade nos termos e condições estabelecidos pela Lei 9.249/965, constituem faculdade concedida à pessoa jurídica, e não obrigação. 47. Portanto, a aplicação do regime de competência ao pagamento de JCP deve considerar que a obrigação de pagamento desses valores não existe enquanto não ocorrer uma deliberação societária aprovando expressamente o pagamento ou crédito de valores de JCP em favor dos acionistas. 48. Uma vez ocorrida essa deliberação, e sendo ela válida e eficaz para todos os fins, tal como ocorreu no presente caso (no ano de 2007), a pessoa jurídica deverá considerar que aqueles valores de JCP são devidos e a sua dedutibilidade deverá observar o regime de competência. Ad argumentandum, em não sendo reconhecido o direito à dedução no momento do pagamento, deve ao menos ser reconhecido o direito da Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.397 17 Requerente à dedução destes valores de JCP, pagos em 2007, no exercíciofinanceiro em que foram gerados, recompondose os efeitos nos exercícios seguintes, o que trará resultado semelhante; ou recalculado o valor de IRPJ e CSL ora exigido em razão do aumento do imposto e, conseqüentemente, do aumento dos prejuízos fiscais e bases negativas que a Requerente teria direito à utilização (30% do lucro real). 49. Nesse sentido, vale transcrever o entendimento de EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO sobre o assunto: “O período de competência dos JCP é aquele em que há a deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, e sendo, assim, enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou o encargo respectivo e não há o que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente.” 50. Essa mesma linha de raciocínio foi adotada no Acórdão de nº 10196.751, prolatado pela Primeira Câmara do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em 29.05.2008. Nos termos do voto do relator, Conselheiro Valmir Sandri: “O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos JCP da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos (...)”. (não destacado no original) 51. Tendo em vista o acima exposto e, em linha com o princípio de que as pessoas jurídicas somente podem deduzir despesas quando estas forem efetivamente incorridas, resta claro que a dedutibilidade de valores de JCP somente se materializa no momento em que tais valores se tornam efetivamente devidos pela pessoa jurídica, o que só ocorreu no ano de 2007, quando a Requerente aprovou o pagamento de JCP nas Reuniões do Conselho de Administração ocorridas naquele ano (deliberações societárias datadas de 31/05/2007, 29/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007 e 31/10/2007).” Entende que a interpretação dada pela autoridade fiscal ao art. 29 da IN 11/96 ofende ao princípio da legalidade, pois a redação do art. 9º da Lei nº 9.249/95 é clara ao estabelecer que o contribuinte poderá deduzir os valores pagos ou creditados de JSCP nas condições ali detalhadas, não estando previsto que os JSCP pagos se refiram ao próprio período em relação ao qual foram calculados. Cita jurisprudência. No caso presente, afirma que, se a aprovação do pagamento de JSCP ocorreu em 2007, sua dedução no mesmo anocalendário estaria em plena conformidade com o regime de competência, consoante a mais renomada doutrina e jurisprudência administrativa e judicial, concluindo, assim, restar amparada a dedutibilidade de JSCP de períodos anteriores. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.398 18 Acerca da multa isolada pela falta e/ou insuficiência de recolhimento das estimativas, entende ser ilegal e abusiva sua exigência, “na medida em que o valor do tributo que supostamente teria deixado de ser pago pela Requerente para o anocalendário de 2007 já está acrescido de multa de 75%, sendo incabível a imputação de multa cumulativa. Ademais, esta espécie de multa – multa isolada – só poderia ser imputada antes do encerramento do períodobase”. Fundamentase nas disposições do art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, dizendo que, quando houver tributo a ser pago, o referido artigo é claro ao estabelecer que a multa punitiva deverá ser cobrada juntamente com o valor do principal. Entende, assim, que a multa isolada somente pode ser exigida, a princípio, quando não existente valor de principal a ser cobrado. Cita jurisprudência. Ainda, acrescenta: “78. E nem se alegue que a manutenção das multas de ofício e isolada se justifica diante do fato de que o momento do pagamento (anual e mensal, respectivamente), possui o condão de caracterizar duas hipóteses de incidência tributária distintas. 79. Data máxima vênia, tal raciocínio, além de equivocado, se mostra completamente em desacordo com o próprio conceito de obrigação tributária previsto pelo artigo 113, § 1º do CTN. Isso porque o tempo do pagamento não se confunde com a obrigação tributária. 80. Com efeito, segundo consagrada doutrina jurídica, a obrigação tributária tem por elementos: (i) sujeito ativo, isto é, a pessoa jurídica de direito público ou privado competente para exigir tributos; (ii) sujeito passivo, considerada a pessoa física ou jurídica obrigada por lei ao cumprimento da prestação tributária; (iii) causa; e (iv) objeto, isto é, o cumprimento de uma prestação positiva ou negativa determinada por lei. Nesse sentido, confirase lição de Paulo de Barros Carvalho1: “Retomemos o fio do raciocínio, regressando ao conseqüente da regramatriz de incidência ou prescritor normativo. Nele há feixes de informações que nos oferecem critérios de identificação dos elementos constitutivos do laço obrigacional: a) o critério pessoal, que aponta os sujeitos (ativo e passivo) da relação; e b) o critério quantitativo, indicador dos fatores que, conjugados, exprimem o valor pecuniário da dívida (base de cálculo e alíquota).” (não destacado no original) 81. A corroborar o entendimento de que o presente caso trata de uma só obrigação tributária, caso todas as prestações mensais tenham sido devidamente recolhidas, ao final do anocalendário, não haverá que se falar em quaisquer pagamentos de IRPJ e CSL pela sistemática anual. Ou seja, não restam dúvidas de que as bases de cálculo, fatos geradores, sujeitos envolvidos são os mesmos, e, conseqüentemente, a obrigação tributária também o 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17ª ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 300 Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.399 19 é, ao contrário da lógica existente no AIIM. Portanto, o valor da multa deve ser exigido somente uma única vez, e sobre uma única base de cálculo, qual seja, o tributo supostamente não pago. 82. Em outras palavras, o recolhimento estimado nada mais é que ANTECIPAÇÃO de pagamento, sujeita a ajuste ao final do período, momento no qual se apura o tributo devido. A obrigação de antecipar o pagamento do tributo é, sob qualquer ponto de vista, pecuniária, não possuindo caráter de obrigação acessória, cujo descumprimento ensejaria eventualmente a incidência de multa isolada. 83. Com efeito, só ocorreu uma suposta irregularidade, qual seja, o não pagamento do tributo. A obrigação de recolher valores segundo o regime de estimativa não é obrigação diferente da de “pagar tributo”. Assim, quando a D. Fiscalização lavrou o Auto de Infração, o fez considerando duas irregularidades distintas, o que, de plano, deve ser afastado. A corroborar tal entendimento, destacamos os seguinte trecho do voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro José Clóvis Alves, no Acórdão CSRF/0105.503: [...]. 84. Ou seja, o valor da multa deve ser exigido somente uma única vez, e sobre um único fato punível, qual seja, o tributo supostamente não pago. Da forma como a D. Fiscalização lavrou o Auto de Infração, as multas incidiram duplamente sobre um mesmo fato, o que contraria o próprio texto da lei. A Requerente transcreve ainda, sobre esse ponto, os seguintes julgados, todos proferidos pelo CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: [...] 85. Portanto, não se justifica a aplicação da multa isolada de 50% calculado sobre os valores de IRPJ e CSL que supostamente deixaram de ser recolhidos pela Requerente em suas estimativas mensais de maio, julho, agosto e outubro de 2007 cumulativamente com a multa de ofício de 75% sobre os valores de IRPJ e CSL supostamente não recolhidos no ano calendário de 2007, tendo em vista que ocorre um único fato infracional, qual seja, o não pagamento de tributo (IRPJ e CSL do anocalendário de 2007). 86. Cabe destacar que esse é exatamente o entendimento manifestado pelo ilustre Professor Marco Aurélio Greco2, de que o artigo 44 da Lei 9.430/96 prevê apenas uma única hipótese passível de penalização, qual seja, aquela descrita em seu caput: a falta de pagamento do tributo devido. Por outro lado, o artigo 44, disciplina apenas a dosimetria da penalidade, ou seja, a forma pelas quais a multa pode ser exigida. Assim, o 2 GRECO, Marco Aurélio. Multa agravada e em duplicidade. Revista Dialética de Direito Tributário nº 76. Janeiro/2002. P. 18159. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.400 20 fato de o artigo 44, da Lei 9.430/96 trazer duas formas distintas pelas quais a multa por falta de pagamento ou recolhimento do imposto pode ser exigida, não significa se tratarem de duas condutas distintas passíveis de penalização. Confirase: [...] 87. Na mesma linha, em recente artigo3, Tércio Sampaio Ferraz Junior concluiu que exigir multa sobre a falta de pagamento de valores parciais estimados juntamente com multa sobre a totalidade ou diferença é um bis in idem. Segundo o doutrinador, a penalidade por infração ao dever pecuniário de pagar o imposto (e a contribuição) não pode ser cumulada com a incidência de mais 50%, pois não se trata de duas hipóteses distintas de incidência de obrigação pecuniária (recolher o tributo) nem é isso que determina a Lei. Confirase trecho conclusivo do artigo: [...] 88. Em outras palavras, o que ocorre é que o artigo 44 da Lei 9.430/96 prescreve apenas uma única infração tributária, de forma que as hipóteses previstas em seu inciso II constituem apenas a forma pela qual as penalidades podem ser aplicadas, o que não se confunde com novos tipos infracionais. 89. Seguindo um raciocínio semelhante está a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento relativo ao Acórdão nº 01 05.875. Confiramse, nesse sentido, algumas passagens do voto proferido pelo então Cons. Marcos Vinícius Neder de Lima no caso: [...] 90. Por fim, complementarmente aos argumentos acima, devese considerar, com base nos princípios constitucionais da legalidade e da tipicidade, que, caso a hipótese de cumulação de penalidades fosse possível no caso em tela, esta deveria ser expressamente prevista pelo legislador, como indicam os votos abaixo, proferidos pelos Ilmos. Conselheiros José Clóvis Alves e Alexandre Barbosa Jaguaribe, nos Acórdãos CSRF/0105.503 e 10323.054, respectivamente: [...] 91. Resta demonstrada, portanto, a improcedência do presente lançamento que pretende aplicar, concomitantemente, a multa de ofício em razão da suposta redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSL do anocalendário de 2007; e a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de maio, julho, agosto e outubro de 2007.” 3 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Multa isolada e multa de ofício: problema da sua concomitância. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, ano 11, n. 56, mar./abr.2012. Disponível em: <http://www.bidforum.com.br/bid/PDI0006.aspx?pdiCntd=78884>. Acesso em: 19 de junho de 2012. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.401 21 Também, alega a impossibilidade de lançamento da multa isolada após o término do anocalendário, pois os pagamentos mensais antecipados não têm o condão de extinguir de imediato o crédito tributário, mas apenas quando encerrado o exercício fiscal, quando ocorre o fato gerador do tributo. Cita doutrina. Especificamente em relação à multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento da estimativa de CSLL, afirma que, conforme relatado pela autoridade fiscal, no ano de 2007, estava vigente o provimento jurisdicional nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.26.0029396, o qual reconhecia à recorrente o direito de não recolher a CSLL sobre as receitas de exportação (doc. nº 06). Desta feita, conclui que, “independente de qualquer discussão relativa à dedutibilidade de JCP e ao suposto não recolhimento suficiente das estimativas mensais, fato é que no ano de 2007 a CSL encontravase com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, incisos IV ou V, do CTN, inexistindo qualquer obrigação legal de recolhimento da estimativa mensal antes do encerramento do período, fato este que por si só impede a imputação da multa isolada nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96”. Discorre acerca da mora, dizendo ser intrínseco, no conceito, o vencimento do crédito e a sua exigibilidade, inexistindo, no caso concreto, impontualidade ou violação do dever de cumprir a obrigação no tempo devido, dada a suspensão da exigibilidade até a renúncia apresentada pela contribuinte. Acrescenta que as normas tributárias não podem alterar ou limitar o alcance de tal conceito, sob pena de ofensa ao art. 110 do CTN. Cita doutrina. Em outra frente de defesa, diz que a multa de ofício, de 75%, é abusiva. Com fundamento no art. 142 do CTN, entende que, apenas se e quando for o caso, a autoridade administrativa deverá propor a aplicação da penalidade cabível. Alega que, no caso em apreço, “a Requerente demonstrou que agiu em conformidade com a legislação societária e fiscal em vigor, de forma que não seria justo atribuirlhe uma penalidade de 75% sobre o valor do suposto crédito tributário ora discutido, que ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser prontamente reduzida”. Cita jurisprudência judicial. Ainda, alega a impossibilidade da incidência de juros sobre a multa, pois feita ao desamparo legal, apenas com base no Parecer MF nº 28, de 02.04.1998, emitido pela COSIT. Argumenta que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, no qual se fundamenta o Parecer citado, trata apenas da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal. Cita jurisprudência administrativa. Encerra protestando pelo cancelamento da autuação. Do contrário, requer ao menos o cancelamento da multa isolada, da multa de ofício e dos juros de mora sobre a multa aplicada. Protesta, por fim, pela juntada posterior dos documentos que se fizerem necessários, nos termos do art. 16, § 4º, alínea “a” do Decreto nº 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal.” Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.402 22 A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 39.464 (fls. 1.1751.228) de 22/11/2012, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Juros sobre Capital Próprio. Dedutibilidade. Na determinação do lucro real serão adicionadas as despesas deduzidas na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária pertinente, não sejam dedutíveis. A dedutibilidade dos Juros sobre o Capital Próprio é condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios, atendido o limite legal. Sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de Juros sobre o Capital Próprio de períodos anteriores. O dispêndio tem natureza de despesa financeira, para fins fiscais, inclusive quando for imputado aos dividendos. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007 Juros sobre Capital Próprio. Dedutibilidade. Na determinação da base de cálculo da CSLL serão adicionadas as despesas deduzidas na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária pertinente, não sejam dedutíveis. A dedutibilidade dos Juros sobre o Capital Próprio é condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios, atendido o limite legal. Sob pena de infringir o regime de competência, é vedado imputar em determinado exercício o montante de Juros sobre o Capital Próprio de períodos anteriores. O dispêndio tem natureza de despesa financeira, para fins fiscais, inclusive quando for imputado aos dividendos. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2007 Multa Isolada. Falta/Insuficiência do Recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL. A falta de recolhimento do imposto e da contribuição sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual enseja a Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.403 23 aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. O lançamento é compatível com a exigência de tributo e contribuição apurados ao final do anocalendário, acompanhado da correspondente multa de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Juros de Mora. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/12/2012 (Termo de fl. 1.236) a interessada interpôs recurso voluntário em 14/01/2013 (fls. 1.2381.295) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.404 24 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da glosa de dedução dos juros sobre capital próprio Pretende a contribuinte apropriar e deduzir, para efeito de apuração do lucro real, no anocalendário de 2007, valores das despesas de juros sobre o capital próprio de 2002 e 2003, que não teriam sido pagas ou creditadas nos anos correspondentes; bem como despesa de juros sobre o capital próprio do respectivo ano de 2007. No âmbito deste Conselho, essa matéria vem sendo discutida calorosamente e está longe de ser pacificada. De um lado, defendese que o período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há a deliberação para seu pagamento ou crédito. Podendo, nesse sentido, os JCP remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Assim, nada obstaria a distribuição acumulada de JCP, desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. Representativos dessa linha, temse o Acórdãos nº 1801001.128, sessão de 8 de agosto de 2012 (por maioria de votos); nº 1402001.179, sessão de 11 de setembro de 2012 (decisão unânime) e nº 1401000.901, sessão de 04 de dezembro de 2012 (por maioria de votos). Transcrevese a seguir, ementa do Acórdão nº 1801001.128/2012. DESPESAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE DE ANOS PASSADOS. POSSIBILIDADE. No caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento, fixando os montantes respectivos e determinado o momento em que tal pagamento ocorrerá. Assim, o período de competência no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o pagamento dos juros. De outro lado, considerase que, apesar de a remuneração do capital próprio ser uma faculdade da pessoa jurídica, sendolhe lícito apropriar a despesa no momento em que melhor lhe aprouver, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão devem ser ditados pela norma tributária de regência, que lhe impõe limites objetivos. Não atendidos tais limites, correta a glosa das despesas de juros sobre o capital próprio de períodos anteriores. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.405 25 Representativos dessa corrente são os Acórdãos nº 1401000.734, sessão de 14 de março de 2012 (por maioria de votos); nº 1301001.118, sessão de 05 de dezembro de 2012 (por voto de qualidade) e nº 1201000.857, sessão de 10 de setembro de 2013 (por voto de qualidade). Nesse sentido, vejase as conclusões do Acórdão nº 1301001.118/2012. 1. a remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência; 2. tratandose de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, em razão das disposições do art. 6º do DecretoLei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem de forma expressa em disposição de lei; 3. a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio não se subordina única e exclusivamente à observância do regime de competência, pois, além disso, a norma tributária impõe limites objetivos; 4. no caso dos juros sobre o capital próprio, o regime de competência surge no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida; 5. do ponto de vista estritamente tributário, os juros sobre o capital próprio, diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes da formalização do pagamento ou crédito, visto que eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista; 6. nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado; 7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais de período distinto em que efetuou o seu pagamento ou crédito, almeja, na verdade, recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores; ... Amparado por tais fundamentos, o Colegiado considerou absolutamente correta a glosa empreendida pela autoridade fiscal, uma vez que restou evidente a inobervância por parte da Recorrente dos requisitos de dedutibilidade na apropriação da despesa com juros sobre o capital próprio. Tratase, em suma, de despesa incorrida por ocasião do pagamento e/ou crédito aos beneficiários, em que a contribuinte deixou de observar as condições de dedutibilidade impostas pela lei. Por algum tempo adotei a tese de que os JCP podiam remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, entendendo que restavam obedecidos os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Entretanto, melhor estudando o assunto e convencido, particularmente, pelos argumentos trazidos no Voto condutor do Acórdão nº 1301001.118/2012, da lavra do i. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.406 26 Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, cujo trecho conclusivo transcrevi acima, rendome à conclusão de que a dedução dos valores de juros pagos a título de remuneração do capital próprio, autorizada pela Lei nº 9.249/1995, não alcança os juros pagos em períodos anteriores. Passo aos fundamentos adotados no presente voto. A dedução teve como supedâneo o art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) [...]”(destaques acrescidos) Como já dito, o procedimento da recorrente, em princípio, põe em questão a possibilidade de apropriação em exercícios futuros de despesas anteriormente não apropriadas. Todavia, não é esse o verdadeiro ponto de discussão, porque se realmente não ocorreu o fato gerador da despesa, nos anos de 2002 e 2003, mediante o pagamento ou creditamento aos sócios dos juros sobre do capital próprio, não há que se falar em contabilização postergada de valores anteriormente dedutíveis. Conforme se verá, não houve despesa desta natureza naqueles anos. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999, ao consolidar a legislação relativa às “Disposições Gerais” aplicáveis aos “Custos, Despesas Operacionais e Encargos”, Seção III, Subseção I, estabeleceu, no artigo 299, serem operacionais as despesas não computadas nos custos e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. O §1º do mesmo artigo 299 explicita que a despesa será considerada necessária quando paga ou incorrida para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. De fácil caracterização é a despesa paga, ou seja, aquela em relação a qual houve efetivamente o dispêndio de recursos. Já a despesa incorrida é aquela, cujo pagamento somente ocorrerá em período subseqüente, embora já nascida a obrigação de pagála em período anterior. Os preceitos legais específicos acerca dos juros sobre o capital próprio observaram rigorosamente a orientação contida nas Disposições Gerais acima elucidadas, à medida que a dedutibilidade de tais valores ficou condicionada ao pagamento ou creditamento em favor dos sócios. Por outras palavras: não haveria despesa a ser reconhecida enquanto não materializado o fato gerador correspondente, ou seja, o pagamento ou o creditamento em favor dos sócios. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.407 27 A Instrução Normativa SRF nº 41, de 22 de abril de 1998, elucidativa da aplicabilidade do art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, esclareceu considerarse creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada na escrituração contábil da pessoa jurídica em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio. Confirase: “Art. 1º Para efeito do disposto no art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada na escrituração contábil da pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. Parágrafo único. A utilização do valor creditado, líquido do imposto incidente na fonte para integralização de aumento de capital na empresa, não prejudica o direito a dedutibilidade da despesa, tanto para efeito do lucro real quanto da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido.”(destaques acrescidos) Assim, para o caso concreto, como somente no anocalendário de 2007 teria se materializado o pagamento ou o creditamento em favor dos sócios dos juros sobre o capital próprio, não se pode reconhecer como dedutíveis valores que não foram pagos ou creditados em períodos anteriores, mas apenas a despesa paga ou incorrida no próprio anocalendário de 2007 e nos limites legalmente estabelecidos para aquele período. Inserese nesse contexto a explicitação contida nos arts. 29 e 30 da Instrução Normativa nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, acerca da necessária observância do regime de competência no pagamento ou creditamento dos juros sobre o capital próprio, para fins de garantia de sua dedutibilidade, feita a título de despesa financeira, ainda que imputado a dividendos: “Juros Sobre o Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. § 2º Para os fins do cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado, salvo se adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, valor: a) da reserva de reavaliação de bens e direitos da pessoa jurídica; b) da reserva especial de trata o art. 428 do RIR/94; Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.408 28 c) da reserva de reavaliação capitalizada nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/94, em relação às parcelas não realizadas. § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. § 4º Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1º ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; b) lucro presumido ou arbitrado, serão computados na determinação da base de cálculo do adicional do imposto. § 5º Os juros serão computados nos balanços de suspensão ou redução (art. 10) § 6º Os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito. § 7º O imposto de renda incidente na fonte: a) no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos ou compensado com o que houver retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração do capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. b) será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta; c) no caso de beneficiária sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 1987, poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento de rendimentos a seus sócios ; d) deverá ser pago até o terceiro dia útil da semana subsequente à do pagamento ou crédito dos juros. § 8º A pessoa jurídica que exercer a opção de que trata o § 1º assumirá o ônus do imposto incidente na fonte sobre os juros. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.409 29 § 9º O valor do imposto será determinado sem o reajuste da respectiva base de cálculo e não será dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. § 10. O imposto incidente na fonte, assumido pela pessoa jurídica, será recolhido no prazo de quinze dias contados do encerramento do períodobase em que tenha ocorrido a dedução dos juros, sendo considerado: a) definitivo, nos casos de beneficiário pessoa física ou jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isentas; b) como antecipação do devido na declaração, no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real. § 11. Na hipótese da alínea "b" do § anterior, a pessoa jurídica beneficiária deverá registrar, como receita financeira, o valor dos juros capitalizados que lhe couber e o do imposto de renda na fonte a compensar. § 12. O valor do imposto registrado como receita poderá ser excluído do lucro líquido para determinação do lucro real. Art. 30. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que trata o § 1º do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras.”(destaques acrescidos) Não se trata, como pretende fazer crer a Recorrente, de inovação legislativa sem amparo legal, mas de ato normativo, de cunho interpretativo, a evidenciar que somente podem ser reconhecidos como dedutíveis os valores efetivamente contabilizados como pagos ou creditados no período. Tal entendimento é corroborado, inclusive, por doutrinadores de renome. Transcrevese a seguir artigo publicado pelo Dr. Edmar Oliveira Andrade Filho4: “IRPJ e CSLL: Juros sobre o Capital Próprio calculado sobre a Movimentação do Patrimônio Líquido os fatos e a consulta Edmar Oliveira Andrade Filho* 4 Disponível em: <http://www.fiscosoft.com.br//main_online_frame.php?home=federal&secao=1&page=/bf/bf.php?s=1¶ms= F::expressao=Juros%20sobre%20o%20Capital%20Pr%F3prio%20calculado%20sobre%20a%20Movimenta%E7 %E3o%20do%20Patrim%F4nio%20L%EDquido>. Artigo – Federal – 2003/0534. Acesso em: 04 fev 2013. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.410 30 Conforme nos foi relatado, uma renomada empresa de auditoria apresentoulhes uma opinião legal sobre a aplicação da legislação que rege a dedutibilidade, para fins de IRPJ e CSLL, do montante dos juros sobre o capital próprio calculado sobre a movimentação do patrimônio líquido ocorrida em anos anteriores ao do efetivo pagamento. Segundo o relato, aqueles auditores entendem que: a) esse procedimento não implica violação do regime de competência porquanto esse tipo de despesa deve ser considerada incorrida no períodobase em que houver a deliberação do órgão competente sobre o pagamento: b) não existe norma legal alguma que impeça o pagamento dos juros e a sua conseqüente dedutibilidade, que tome como base de referência a movimentação do patrimônio líquido ocorrida em períodos anteriores ao do efetivo pagamento. Segundo o nosso entendimento, quando se pretende o cálculo dos juros sobre a movimentação do patrimônio líquido em períodos base anteriores, o que se quer, na verdade, é o cômputo, num determinado períodobase, de juros que não foram contabilizados nos períodos anteriores. Em suma o que se pretende é ‘recuperar’ a dedutibilidade de uma despesa ou encargo que, por qualquer razão, não foi suportado pela empresa em anos anteriores. Diante desse quadro, somos consultados sobre a validade jurídica dos argumentos acima apresentados e dos eventuais riscos decorrentes da adoção do procedimento recomendado. NOSSOS COMENTÁRIOS 1 Da legislação aplicável De acordo com o caput do art. 347 do RIR/99, a pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. O § 1º do art. 347 do RIR/99 estabelece que ‘o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados’. Para explicitar como deveria ser determinado o limite de dedutibilidade, para fins do IRPJ e da CSLL, foi editada a Instrução Normativa nº 93/97, que no art. 29 dispõe: ‘Art. 29. O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social limitase ao maior dos seguintes valores: Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.411 31 I 50% (cinqüenta por cento) do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; ou II 50% (cinqüenta por cento) do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso I, o lucro líquido do exercício será aquele após a dedução da contribuição social sobre o lucro líquido e antes da dedução da provisão para o imposto de renda.’ Sobre a adoção do regime de competência para fins de dedutibilidade dos juros sobre o capital há o art. 29 da Instrução Normativa nº 11/96. Com base nos dispositivos legais e regulamentares transcritos ou referidos, é possível inferir que a dedutibilidade de despesa relativa a juros sobre o capital próprio está subordinada a critérios quantitativos objetivos. A existência desses critérios, em princípio, não impede que uma empresa remunere da forma como melhor lhe aprouver, o capital de seus sócios ou acionistas. A remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nesta esfera as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em princípio, uma sociedade pode no presente deliberar sobre o pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para a contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizálo ou outro momento qualquer. Há que se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. Como visto, a dedutibilidade dos juros sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há um primeiro limite diz respeito à taxa de juros aceita como dedutível e um outro que diz respeito montante máximo do encargo que pode ser deduzido. Além desses critérios existem dúvidas se tais encargos têm ou não a sua dedutibilidade subordinada ou não ao regime de competência. É que será analisado a seguir. 2 Regime de competência Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.412 32 Como visto, o art. 29 da Instrução Normativa nº 11/96 determina que a dedutibilidade dos juros sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência. Existe uma dúvida razoável sobre a validade (legalidade) desse preceito, posto que a Lei nº 9.249/95 e a Lei nº 9.430/96 não impõem tal exigência. Desde o advento do art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, que é a matriz legal do § 2o do art. 247 e do caput do art. 273, ambos do RIR/99, o lucro líquido do exercício (para fins fiscais) deverá ser apurado de acordo com os preceitos da legislação comercial, o que leva à conclusão inexorável de que a observância do regime de competência é obrigatória. Com efeito, na legislação societária, o dispositivo legal que se refere a esse princípio contábil é o art. 177, o qual prescreve que a escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Tratase de critério objetivo e obrigatório de ‘imputação temporal dos fatos tributários’, para adotar a expressão de Alberto Xavier.(1) O ‘regime de competência’ é um princípio geral que sofre recortes de várias espécies segundo a vontade da lei. Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em ‘cash basis’ e algumas despesas não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de imputação é o pro rata tempore. Exemplo desse último critério é, na lição de Alberto Xavier, o art. 17 do Decretolei nº 1.598/77, em relação ao regime de apropriação das receitas financeiras, que adotou o sistema de rateio (averaging) em lugar do regime de competência como é normalmente conhecido e aplicado. Para observância estrita do regime de competência é necessária que a despesa, custos ou perda em geral esteja incorrida. Para fins fiscais, o conceito de ‘despesa incorrida’ consta do item 3 do Parecer Normativo CST nº 07/76. Assim, devem ser consideradas despesas incorridas as relacionadas a uma contraprestação de serviços ou obrigação contratual e que perfeitamente caracterizadas e quantificadas no períodobase. Em outras palavras, a condição para que uma despesa seja considerada incorrida é o recebimento ou uso de bens ou direitos em beneficio da empresa. Em face da eficácia atual do art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, não há dúvida de que a legislação tributária determina a obrigatória adoção do regime de competência para o registro de todas as mutações patrimoniais. As exceções são aquelas explicitadas na própria lei. O preceito normativo citado que constitui verdadeira norma geral não foi revogado pela Lei nº 9.249/95 e nem pela Lei nº 9.430/96. Embora posteriores ao Decretolei nº 1.598/77, as referidas leis não revogaram expressa ou tacitamente aquele Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.413 33 diploma normativo. De fato, não há que se cogitar da aplicação do disposto no § 1o do art. 2o da Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual a lei posterior revoga a anterior ‘quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior’. As Leis nºs 9.249/95 e 9.430/96, embora tenham trazido diversas modificações na legislação até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do § 2º do art. 2º da referida Lei de Introdução ao Código Civil, segundo o qual ‘a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior’. As leis, neste caso, se entrelaçam, não se excluem. Portanto, é falsa a conclusão de que o art. 29 da Instrução Normativa nº 11/96 padece do vício da ilegalidade. Ela tem fundamento de validade no art. 6º do Decretolei nº 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nº 9.249/95 e 9.430/96. Se a dedutibilidade dos juros estivesse subordinada unicamente ao regime de competência, isto é, se não existissem limites objetivos a serem observados, a eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüências porque a observância e a eventual inobservância desse regime não é fator preponderante para fins de aferição da dedutibilidade.(2) A rigor, a questão do regime de competência é apenas uma das diversas nuanças do problema submetido à nossa apreciação e não a mais importante, como será visto. 3 Período de competência dos juros sobre o capital Como visto, o chamado ‘regime de competência’ está intrinsecamente ligado à idéia de um período de tempo. É a esse período de tempo que uma mutação patrimonial pertence e deve ser refletida e considerada do ponto de vista contábil e fiscal. A observância do regime de competência surge, no caso dos juros sobre o capital, no momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas. O que determina a exigibilidade do pagamento ou do crédito é a existência de uma deliberação nesse sentido e que não imponha condição suspensiva para o aperfeiçoamento do direito sujeito e a correspondente obrigação. Antes da formalização do ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os titulares do capital não têm nem mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os lucros e dividendos. O direito aos dividendos é, na lição de WALDIRIO BULGARELLI(3) , um direito abstrato e perspectivo, que só se torna efetivo (exigível) após a deliberação da assembléia dos acionistas. Diz o consagrado autor: ‘É de salientar, em tema de direito ao dividendo, que esse direito que a doutrina discute e a maioria considera como um direito Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.414 34 abstrato e perspectivo concretizase e tornase efetivo após a deliberação da assembléia geral, de distribuílos, é chamado, então, crédito dividendual; portanto, existe potencialmente como direito a participar dos lucros, e tornase factível quando haja tais lucros e quando se decida a sua distribuição’. (Manual das sociedades anônimas). Se os dividendos, que estão previstos em norma de ordem pública, não existem como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que não ostentam essa mesma natureza jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o capital é uma faculdade e, como tal, pode ou não ser exercida pelos próprios sócios, razão pela qual eles não decorrem de um direito subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista. Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem aquela deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. Em princípio não existem normas que proíbam que os sócios ou acionistas deliberem o pagamento de juros tendo como base de cálculo o patrimônio líquido de outro exercício já encerrado, ou sobre a movimentação do patrimônio líquido para adotar a expressão acima utilizada. Todavia, o fato de tomar como parâmetro um fator do passado não significa que a decisão retroage a esse passado para fazer com que os juros fossem devidos desde então. O ato jurídico que delibera sobre o pagamento dos juros outorga ao beneficiário um direito subjetivo que nasce com ele próprio, salvo se houver convalidação de ato anterior produzido por erro ou com defeito jurídico de qualquer natureza. Sem aquele ato jurídico não existe relação jurídica válida, isto é, não há o direito subjetivo do beneficiário e, em contrapartida, não há obrigação para a sociedade. Se em determinado exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas é lícito inferir que eles deliberaram pelo nãopagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.415 35 faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e considerando demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas são consideradas ‘ato jurídico perfeito’, impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. CONCLUSÕES Fundamentados em todo o acima exposto, concluímos que: a) por força do disposto no art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, todas as mutações patrimoniais devem ser reconhecidas segundo o regime de competência. A Lei nº 9.249/95 e a Lei nº 9.430/96, não revogaram de forma expressa ou tácita o art. 6º do Decreto lei nº 1.598/77, de modo que o encargo denominado ‘juro sobre o capital social’ se submete para fins de dedutibilidade ao regime de competência; b) o período de competência dos juros sobre o capital é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos. Assim, enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou o encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente; c) a aferição das condições e limites de dedutibilidade do encargo relativo aos juros sobre o capital deverá ser feita no período em que ocorrer a deliberação de seu pagamento ou crédito, de forma incondicionada. De fato, é neste nesse período que o encargo existe do ponto de vista jurídico e a aferição de sua dedutibilidade para fins fiscais será feita de acordo com as condições vigentes neste mesmo período; e d) é impossível, do ponto de vista lógico e jurídico, a imputação, a exercícios passados, dos efeitos produzidos por uma decisão societária atual porque o Balanço, depois de aprovado pelos sócios ou acionistas, constitui ato jurídico perfeito e que só pode ser validamente modificado se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. Em face do exposto cabe referir que não existe amparo legal para sustentar a dedutibilidade do montante dos juros sobre o capital que vier a ser declarado, pago ou creditado e que se reporte a exercícios anteriores, salvo se os resultados pudessem ser retificados em razão de erro, dolo ou fraude. Todavia, isto não impede que a empresa decida remunerar o capital tomando por base o valor existente em anos anteriores, mas, se isto ocorrer, a dedutibilidade será aferida com base nos critérios e Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.416 36 limites previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. NOTAS 1. XAVIER, Alberto. Distinção entre fornecimentos a curto e longo prazo, para efeitos do Imposto de Renda. Revista de Direito Tributário nº 23/24. S, 1983, p. 104. 2. Conseqüências poderiam advir no caso de empresa que apura prejuízos fiscais em face da limitação do montante que pode ser compensado em cada períodobase, segundo a legislação vigente. 3. BULGARELLI, Waldírio. Manual das Sociedades Anônimas. 8. ed. São Paulo : Atlas, 1996, p. 204. No mesmo sentido: LEÃES, Luiz Gastão Paes de Barros. Estudos e pareceres sobre sociedades anônimas. 1. ed. São Paulo: RT, 1989, p. 173, e VIVANTE, Cesare. Tratado de derecho mercantil. V. 2. Trad. Ricardo E. de Hinojosa. 1. ed. Madri: Reus, 1932, p. 335.” Bem andou a fiscalização ao explicitar que a indedutibilidade do pagamento dos juros sobre o capital próprio de períodos pretéritos decorre das próprias disposições do art. 9º e seu §1º da Lei nº 9.249, de 1995. Por fim, mesmo que se questione o caráter de despesa do pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio, a doutrina é assente em reconhecer que os preceitos fiscais sob apreciação instituíram um regime fiscal especial e opcional, cujas regras de dedutibilidade devem ser rigorosamente observadas pelas pessoas jurídicas. Conforme bem elucidado pelo Ilustre tributarista Alberto Xavier, In “Natureza JurídicoTributária dos ‘Juros sobre Capital Próprio’ face à Lei Interna e aos Tratados Internacionais” (Revista Dialética de Direito Tributário, nº 21, Junho de 1997, p. 7/11), “o ‘juro sobre capital próprio’ outra coisa não é que um resultado distribuível da companhia sujeito a regime fiscal especial” e “opcional para os lucros distribuíveis que se enquadram no duplo limite atrás referido”. E acrescenta: “Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados não excederem o duplo limite atrás referido, a sua totalidade pode beneficiarse da dedução fiscal, muito embora o contribuinte possa optar por submeter apenas parte ao regime de dedutibilidade, ficando a outra parte sujeita ao regime comum. Se os lucros efetivamente distribuídos ou capitalizados excederem o duplo limite, só poderão beneficiar da dedução fiscal até o referido limite, ficando no remanescente sujeitos ao regime tributário geral”. Sobre a natureza do dispêndio, reiterase que a legislação fiscal é clara em definir se tratar de despesa financeira, para fins fiscais, inclusive quando os juros forem imputados aos dividendos. A esse respeito, trazse à baila a lição de Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyiuki Higuchi (In Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática 33ª ed., São Paulo, Atlas, 2008, p. 109/110): Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.417 37 “O parágrafo único do art. 30 da IN nº 11/96 dispõe que, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros sobre o capital próprio, pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando creditados à conta de reserva específica, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. Aquela determinação é correta porque os juros sobre o capital próprio foram instituídos para dar isonomia entre o capital de terceiros e o capital próprio em termos de dedutibilidade da remuneração. Isso significa que ambos os juros têm a mesma natureza de despesas financeiras. Com a extinção da correção monetária das demonstrações financeiras, a desigualdade agravaria se não fosse instituída a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. A CVM expediu a Deliberação nº 207, de 131296, publicada no DOU de 27 do mesmo mês, onde determina que os juros pagos ou creditados pelas companhias abertas, a título de remuneração do capital próprio devem ser contabilizadas diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem afetar o resultado do exercício. Os juros recebidos pelas companhias abertas, a título de remuneração do capital próprio, devem ser contabilizados da seguinte forma: a) como crédito da conta investimentos, quando avaliados pelo método da equivalência patrimonial e desde que os juros sobre o capital próprio estejam ainda integrando o patrimônio líquido da empresa investida ou nos casos em que os juros recebidos já estejam compreendidos no valor pago pela aquisição do investimento; e b) como receita, nos demais casos. A CVM mantém entendimento equivocado em afirmar que os juros representam distribuição de resultados, não se tratando de despesas. O argumento mais forte utilizado é o de que a lei permite imputar os juros nos dividendos mínimos obrigatórios. Essa imputação foi colocada para evitar a descapitalização das companhias abertas e não serve como base legal. (...). A Circular nº 2.722, de 250996, do Banco Central, estabeleceu condições para remessa ou capitalização de juros a título de remuneração do patrimônio líquido de que trata o art. 9º da Lei nº 9.249/95. Tanto a remessa como a capitalização não poderão exceder o valor dedutível na apuração do lucro real para efeitos do imposto de renda. Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no períodobase correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte ao ajuste de exercício anterior. Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.418 38 Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. A Solução de Consulta nº 63 da 6ª RF (DOU de 171001) definiu que, sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre o capital próprio de períodos anteriores.”(destaques acrescidos) A evidenciar a natureza dos juros sobre capital próprio como despesa financeira, para fins de dedutibilidade na determinação do lucro real, como sendo regra de caráter estritamente fiscal, a qual não guarda conformação com a regulação imposta pela Deliberação CVM nº 207/96, assim pontuou Sergiu de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke in Manual de Contabilidade das Sociedades Por Ações (aplicável às demais sociedades), 7ª ed. São Paulo, Atlas, 2009, p. 336: “Prosseguindo, a Secretaria da Receita Federal entende ainda que para que sejam passíveis de dedutibilidade os JSCP devem ser contabilizados a título de despesa financeira. Assim está previsto na Instrução Normativa nº 11/96, em seu art. 30: [...] A Comissão de Valores Mobiliários, ao regulamentar a matéria, por intermédio da Deliberação CVM nº 207/96, entendeu que dadas as condições impostas em lei aos JSCP – ser função do lucro, ser imputado ao dividendo obrigatório e não refletir de fato o custo de capital próprio – estes, em essência, nada mais são do que uma destinação de parte do resultado apurado em um exercício social, razão pela qual devem ser assim evidenciados em demonstração de mutações do patrimônio líquido. Em termos práticos, para atender a ambos os Reguladores, deve a companhia contabilizar os JSCP como uma despesa financeira para tornálos dedutíveis e, para fins de apuração e destinação de resultado, deve a companhia expurgar os efeitos produzidos por tal procedimento, através de um estorno do lançamento. Os JSCP, desse modo, podem ser evidenciados na demonstração de mutações do patrimônio líquido.” (destaques acrescidos) Portanto, não regularmente materializada a opção da contribuinte nos anos calendário de 2002 e 2003, por esse regime especial de tributação, mediante a contabilização do pagamento ou do crédito aos sócios dos juros em questão, não é possível admitir a validação da opção extemporânea pelo pagamento de juros sobre o capital próprio. Correta, pois, a glosa do valores das despesas de juros sobre o capital próprio de 2002 e 2003, que não teriam sido pagas ou creditadas nos anos correspondentes. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.419 39 Quanto à glosa de despesa de juros sobre o capital próprio do respectivo ano de 2007, entendo que a decisão recorrida se mantém por seus próprios fundamentos. Reproduzoos a seguir. “... Em verdade, notase que a interessada deixou de materializar a opção nos anoscalendário de 2002 e 2003, mediante a contabilização dos juros sobre o capital próprio como despesa financeira nos respectivos períodos, porque contribuiria para o aumento do resultado negativo apurado nos anos em questão e, por consequência, dos respectivos prejuízos fiscais, cujo aproveitamento é limitado à trava dos 30%. Confiramse as informações da DIPJ dos anoscalendário 2002 e 2003 (retificadoras ativas). ...” Vide espelho das DIPJ às fls. 1.210/1.211. “... Nesse contexto, apenas por amor ao debate, acaso fosse feita a reconstituição dos resultados a partir do anocalendário 2002, com a apropriação das despesas financeiras a título de de JSCP conforme o regime de competência, ou seja, nos respectivos anos de sua determinação (2002, 2003 e 2007), utilizandose os valores de prejuízos fiscais acumulados, com a trava dos 30%, o resultado atingido no ano calendário 2007 não seria o mesmo apurado pela contribuinte, quando comparado com aquele atingido mediante a apropriação indevida, no referido período de 2007, dos JSCP dos anos de 2002 e 2003. Confirase: GM Reconstituição do Lucro Real AC 2002 AC 2003 AC 2004 AC 2005 AC 2006 AC 2007 discriminação Lucro Real antes comp. Prej. Fiscal 33.984.867,89 870.210.586,50 98.437.873,84 333.379.510,34 2.388.215,32 629.505.323,99 * () despesa financeira JSCP 164.635.391,62 232.268.696,18 (+) despesa financeira JSCP 396.904.087,80 ** Lucro Real 198.620.259,51 1.102.479.282,68 98.437.873,84 333.379.510,34 2.388.215,32 1.026.409.411,79 () compensação prej. Fiscal Per. Ant. 716.464,60 307.922.823,54 Lucro Real ajustado 198.620.259,51 1.102.479.282,68 98.437.873,84 333.379.510,34 1.671.750,72 718.486.588,25 Lucro Real Declarado 33.984.867,89 870.210.586,50 98.437.873,84 333.379.510,34 1.671.750,72 440.653.726,79 diferença 164.635.391,62 232.268.696,18 0,00 0,00 0,00 277.832.861,46 * já incluída a despesa de JSCP dos anos de 2002 (R$164.635.391,62), 2003 (R$232.268.696,18) e 2007 (R$11.687.317,99) ** soma das despesas de JSCP dos anos de 2002 (R$164.635.391,62) e 2003 (R$232.268.696,18) Como visto do quadro acima, a sistemática adotada pela contribuinte implicou, justamente, a burla da trava de 30% na compensação dos prejuízos fiscais acumulados no ano de 2007.” Correta, pois, a glosa do excesso de dedução de juros sobre o capital próprio na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário 2007. Da multa de ofício aplicada Acerca da multa aplicada, é fundamentada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cuja redação original é a seguinte: Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.420 40 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...).”(negrejouse) A Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, conferiu nova redação ao dispositivo, nos seguintes termos: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...).” Como visto do dispositivo transcrito, para a aplicação da multa no patamar de 75% basta a constatação, em procedimento de ofício, de infração à legislação tributária, da qual resulte falta de recolhimento do tributo ou contribuição, por parte da contribuinte. E é exatamente este o caso aqui tratado, no qual restou evidenciada a inobservância das normas para a dedutibilidade de despesa a título de Juros sobre o Capital Próprio, fato que resultou a falta de recolhimento do IRPJ e CSLL devidos. Assim, a exigência da penalidade decorre de expressa determinação legal, descrita nos demonstrativos que acompanham o Auto de Infração, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Dos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio A recorrente questiona a cobrança de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que amparam sua tese. A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.421 41 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) Em Seguida, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está, pois, na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. Também nesse sentido é a multa de ofício débito decorrente de tributos e contribuições. Isso porque ela resulta, nos exatos termos da alínea a do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização à falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.422 42 Aplicável, portanto, a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio. Da taxa Selic No que tange aos argumentos da Recorrente de que a taxa SELIC seria inaplicável no presente lançamento, cabe observar que a sua utilização está expressamente prevista no artigo 13 da Lei n° 9.065/95, não cabendo à instancia julgadora administrativa apreciar a validade da norma. Ademais, tal matéria já está sumulada neste Conselho (Súmula CARF nº 4): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Cabível, portanto, a exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC. Da multa isolada devida pela falta/insuficiência do recolhimento das estimativas Conforme relatado, há concomitância das multas de oficio isoladas e proporcionais. Quanto a essa matéria, este Colegiado possui entendimento sedimentado, no sentido de sua inaplicabilidade. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 9101 00.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: “ (...) No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.423 43 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.424 44 (...)” Reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas, mesmo após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007. Isso porque, é sabido que um dos fatores que levou a mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que a época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: “(...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; (...)” Grifei. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto a impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir no parágrafo §1o, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Portanto, as multas de oficio isoladas, concomitante às multas proporcionais, devem ser exoneradas. Conclusão Por todo exposto, VOTO no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para excluir as multas isoladas de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.425 45 Declaração de Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Pelo que se extrai do auto de infração de fls. 974 e seguintes, notificado a autuada em 30/05/2012, tratase de exigência cujo cerne da acusação são os juros pagos sobre o capital próprio no anocalendário de 2007. No momento em que se glosou parte dos juros pagos sobre o capital próprio, os valores recolhidos mensalmente a título de estimativas relacionadas ao IRPJ mostraramse insuficientes. Assim, exigiuse o valor do tributo, com multa de 75% e multa isolada incidente sobre a diferença das estimativas alegadamente não pagas. No que diz respeito ao cancelamento da multa isolada, na medida em que acompanho o entendimento do ilustre relator de que encerrado o anocalendário tal exigência é incabível, desnecessário maiores comentários. Sigo suas conclusões. Em síntese, a questão em tela diz respeito "se os juros sobre o capital próprio que não foram pagos num determinado exercício podem ser pagos em exercício posterior e deduzidos da base de cálculo do IRPJ? Este é o tema, passo a enfrentálo. A sociedade, seja ela constituída por cotas ou ações, tem por objetivo a obtenção de lucro e para tal necessita de recursos para operar. Neste compasso, pode buscar recursos no sistema financeiro, pagando juros de mercado, ou pode contar com o aporte de sócios ou acionistas que, neste caso, mediante aumento de capital, conferem à sociedade os recursos de que ela necessita para operar. Se a empresa buscasse recursos no mercado estaria obrigada a pagar juros e estes se constituíam em despesas necessárias e dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. No entanto, não teria lógica admitir como despesas necessárias os juros pagos ao mercado financeiro e não remunerar o aporte de capital feito pelos sócios ou acionistas. Neste sentido, o artigo 9º da Lei nº 9.249, de 1995, abaixo transcrito, previu a dedução, para efeitos da apuração do lucro real, dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio. Art. 9º. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º. O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.426 46 creditados. (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 9.430, de 27.12.1996, DOU 30.12.1996, com efeitos financeiros a partir de 01.01.1997). Importante observar que o § 1º estabelece que o efetivo pagamento dos juros "fica condicionado a existência de lucro" ... "ou" "de lucros acumulados e reservas de lucros". Vêse que o pagamento dos juros não está "condicionado a existência de lucro" ... "e de" "lucros acumulados e reservas de lucros". São juros que podem ser pagos numa situação ou noutra e em ambos os casos deduzidos da base de cálculo do IRPJ. No caso do IRPJ de pessoa jurídica tributada com base no lucro real anual, onde se encontra a recorrente, o fato gerador ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. Assim, quando a norma fala em "existência de lucros" acompanhada do complemento "computados antes da dedução dos juros", a interpretação que melhor se encaixa é a de que está a se referir ao período de apuração em que se verificaram os lucros. Por outro lado, as expressões "lucros acumulados e reserva de lucros", inseridas na segunda parte do § 1º, só podem se referir a exercícios anteriores. São lucros do passado e não do presente. A existência de lucros acumulados decorrentes da não distribuição é inerente à realidade das empresas. Uma companhia pode ter lucro em determinado período e por várias razões optar em não deliberar sobre a distribuição. O fato de não deliberar, num determinado exercício, sobre a distribuição dos lucros, não quer dizer que isto não possa ser feito nos exercícios subsequentes. A mesma situação aplicase aos juros sobre o capital próprio. O pagamento destes fica condicionado à deliberação da Assembléia. Enquanto a Assembléia não deliberar eles não podem ser pagos e, em não sendo pagos, não podem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ5. Todavia, uma vez deliberado e pagos, os juros sobre o capital são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ do período em que a despesa efetivamente se materializar. O direito à dedutibilidade dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio nasce no momento em que ocorrer a deliberação societária e seu efetivo pagamento. No caso dos autos, houve deliberação e efetivo pagamento de JCP em 2007, razão pela qual este deve ser compreendido como o regime de competência. Refletindo situação idêntica a dos autos, transcrevo o seguinte precedente do STJ: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da 5 Isso porque, conforme observou a recorrente, em linhas gerais, a aplicação do regime de competência no reconhecimento das receitas se dá a partir do momento em que nasce o direito de recebêlas, enquanto que as despesas são comutadas para efeito de sua dedutibilidade a partir do momento em que nasce a sua obrigação legal de pagálas. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.427 47 CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (REsp 1086752/PR. J. 17/02/2009. Rel. Ministro Francisco Falcão. Na mesma linha, em homenagem ao Tribunal Regional Federal da minha terra, sem tirar o prestígio dos demais, cito os seguintes precedentes destacando que "O período de competência dos juros sobre o capital é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos. Por isso, enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros, não existe a despesa ou o encargo respectivo e não há que se falar em dedutibilidade de algo inexistente." TRIBUTÁRIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. LIMITE DE DEDUÇÃO. ART. 6º, DECRETOLEI Nº 1.598/77. LEIS Nº 9.249/95 E 9.430/96. COMPATIBILIDADE. 1. Segundo o art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, todas as variações patrimoniais devem ser reconhecidas segundo o regime de competência. As Leis nº 9.249/95 e 9.430/96, não revogaram o art. 6º do Decretolei nº 1.598/77. Portanto, o encargo denominado juro sobre o capital próprio está submetido ao regime de competência. 2. O período de competência dos juros sobre o capital é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos. Por isso, enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros, não existe a despesa ou o encargo respectivo e não há que se falar em dedutibilidade de algo inexistente. 3. A verificação das condições e limites de dedutibilidade do encargo relativo aos juros sobre o capital deve ser feita no período em que ocorrer a deliberação de seu pagamento ou crédito, porquanto, segundo ensinamento doutrinário, apresenta se "impossível, do ponto de vista lógico e jurídico, a imputação, Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.428 48 a exercícios passados, dos efeitos produzidos por uma decisão societária atual porque o Balanço, depois de aprovado pelos sócios ou acionistas, constitui ato jurídico perfeito e que só pode ser validamente modificado se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação" (cf. Edmar de Oliveira Andrade Filho). 4. Tendo o contribuinte, ao proceder a dedução dos juros sobre o capital próprio superado os limites legalmente previstos para esse fim, legítimo se apresenta o ato fiscal que promove a glosa do excesso, fazendo incidir sobre ele os tributos devidos. 5. Sentença mantida. (TRF4. Apelação Cível 5005427 55.2012.404.7005. Jul. 15/01/2013. Rel. Desembargador Otávio Roberto Pamplona). Ademais, no caso dos autos, conforme destacado nos debates durante a sessão, ainda que se considerasse somente o lucro líquido de 2007 (superior a R$ 1 bilhão), para fins de cálculo do limite da dedutibilidade, seria suficiente para a dedução devida. ISSO POSTO, voto por cancelar integralmente o lançamento. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.429 49 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS PELÁ Durante a votação desse processo entendi equivocadas as razões dos meus colegas que optaram por negar provimento ao recurso do contribuinte, de sorte que optei por registrar formalmente minhas opiniões. A primeira premissa que deve ser estabelecida e da qual nem meus colegas parecem discordar, é que a Lei não estabelece prazo para o pagamento ou crédito dos JCP. Ou ainda, em outras palavras, não existe qualquer menção no texto legal de que seja obrigatório, para fins de dedutibilidade dos JCP, que o pagamento ou crédito seja feito em cada ano, em cada exercício social, em cada períodobase fiscal ou em qualquer outro determinado período de tempo. O art. 9º da Lei nº. 9.249/95 estabelece que a pessoa jurídica “poderá deduzir” os juros pagos ou creditados a titular, sócios ou acionistas, deixando claro, pois, que o pagamento dos JCP é uma faculdade da sociedade, a qual não está condicionada a qualquer espécie de periodicidade. Sendo assim, observadas as regras legais de cálculo e limites, os JCP que eventualmente não tenham sido pagos ou creditados, total ou parcialmente, em um ano calendário qualquer, podem sêlo em qualquer momento posterior, quando houver deliberação societária neste sentido. Muito embora claras as disposições, a interpretação fiscal pretende explorar a lacuna da Lei para restringir a possibilidade de dedução dos JCP pagos, majorando silenciosamente a tributação, sem autorização legal. Caso o legislador tivesse tido a intenção de vedar ou limitar tais possibilidades, teria estabelecido na Lei, expressamente, qualquer vedação ou limite, como, por exemplo, poderia ter estabelecido algum tipo de restrição temporal para a computação dos valores a pagar ou creditar, ou poderia ter condicionado a dedutibilidade dos juros ao seu pagamento ou crédito dentro de um determinado prazo máximo, como fez a Lei nº. 9.532/97 (art. 1º, § 4º)6, que estabelece prazo para dedução do IR incidente sobre rendimentos obtidos no exterior, perante o imposto brasileiro. Deste modo, querer acrescentar qualquer restrição temporal a dedutibilidade dos JCP importa em extravasar o texto da Lei, incluindo no texto legal condição nele não escrita. 6 “Parágrafo 4º Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da lei n. 9249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados como o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração.” Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.430 50 A instituição e cobrança de tributos, assim como as condutas da Administração Pública em geral, são pautadas pelo princípio da legalidade (art. 150, I,CF), sendo vedado à Administração Tributária exigir tributo sem amparo em lei. Nesse sentido, não pode o Fisco atribuir à Lei restrições nela não contidas de forma a aumentar a carga tributária do contribuinte. Além disso, não nos parece válida a interpretação da fiscalização que pretende examinar a IN nº. 11/96, olvidando que ela necessariamente deve ser entendida dentro dos limites legais, pois qualquer disposição normativa fiscal destituída de base legal não obriga os contribuintes. A interpretação dada ao que diz a IN nº 11/96 distorceu o conteúdo do princípio da competência (inserto no art. 29 da IN nº. 11/96), senão vejamos. Conforme dispõe o Parecer Normativo CST nº. 58/77, contemporâneo à Lei nº. 6.404/76 e ao Decretolei nº. 1.598/77, e que até hoje informa o entendimento do conceito, o regime de competência “costuma ser definido, em linhas gerais, como aquele em que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao rendimento ou a obrigação de pagar a despesa”. Segundo esse parecer: 5. A primeira questão a examinar é a abrangência do que se entende por despesas pagas ou incorridas (art. 162, parágrafo 1º, do RIR/75), em cotejo com o momento em que nasce a obrigação de pagar a despesa, relativo ao regime de competência referido no item anterior. 6. Temos por assente que a obrigação de pagar determinada despesa (enquadrável como operacional) nasce quando, em face da relação jurídica que lhe deu causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais que a tornaram incondicional, vale dizer, exigível independentemente de qualquer prestação por parte do respectivo credor. Invariavelmente, tal despesa tem seu valor determinado ou facilmente quantificável. Este tipo de despesa guarda correspondência com o conceito de despesa consumida no mesmo exercício social, perfilhado por alguns compêndios de contabilidade. 7. Tais despesas, se pagas no próprio exercício em que nascerem as respectivas obrigações, são tranquilamente computáveis nesse mesmo exercício, e somente nele. São as despesas pagas, a que se refere o citado parágrafo 1º do artigo 162 do RIR/75. Despesas incorridas, de acordo com o mesmo dispositivo legal, e obrigatoriamente computadas como as pagas, são aquelas que, embora nascida a obrigação correspondente, o momento ajustado para pagálas, ou seu vencimento, ou outra circunstância qualquer, determinam que o respectivo pagamento venha a ocorrer em exercício subsequente." Aplicadas essas diretrizes, concluise que a despesa com o pagamento dos JCP apenas é incorrida pela sociedade quando houver deliberação dos sócios e/ou acionistas neste sentido e ainda sob condição de haver efetivo pagamento ou crédito dos juros, que no Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.431 51 caso concreto ocorreu em 2008, ano em que a Recorrente deduziu os valores referentes aos JCP. Noutras palavras, como o pagamento dos JCP é uma faculdade da sociedade, apenas com a efetiva deliberação e pagamento ou crédito dos JCP é que existe a obrigação incorrida incondicionalmente. Antes da correspondente deliberação, que demonstre a efetiva intenção da sociedade em realizar o pagamento dos juros, não há de se falar na sua dedutibilidade para fins fiscais, nem tampouco na obrigação de a sociedade pagar ou creditar os juros a seus sócios ou acionistas. Cabe acrescentar que a disciplina legalfiscal dos JCP difere daquela aplicada às despesas financeiras em geral, já que essas são dedutíveis independentemente de pagamento ou crédito, ao passo que a dedutibilidade dos JCP ainda depende da sua deliberação e do seu efetivo pagamento ou crédito, de tal modo que, antes deste último evento, a despesa não existe fiscalmente. A hipótese fática de incidência da norma do art. 9º da Lei nº. 9.249/95 é o pagamento ou crédito dos JCP, significando que a ocorrência desse fato faz parte da materialidade da incidência da norma. As despesas com JCP só podem ser consideradas incorridas quando definitivamente devidas, isto é, o momento em que as obrigações a que se referem estejam constituídas de acordo com a norma de direito aplicável. Logo, as despesas de JCP serão consideradas incorridas no períodobase em que houver sua deliberação e seu pagamento ou crédito. Antes da deliberação e do pagamento ou crédito não há o que deduzir, e não há que se dizer que o regime de competência não foi cumprido. A faculdade é exercida ou não pelos acionistas mediante disposição estatutária ou deliberação em assembléia. Antes disso, a sociedade não se obriga e nada se pode exigir por absoluta falta de título jurídico. Logo, enquanto não houver ato jurídico que determine a obrigação de pagar/creditar juros, inexiste despesa. O cerne da questão reside na temporalidade deste ato. Nesse contexto, a exigência do art. 29 da IN nº. 11/96 milita exatamente a favor do entendimento da Recorrente; ou seja: o JCP será dedutível no período em que este for deliberado e pago ou creditado aos acionistas, em respeito, justamente, ao princípio da competência. O art. 29 da IN nº. 11/96, ao prever que os JCP são dedutíveis segundo o regime de competência, apenas esclarece que a despesa deve ser reconhecida no períodobase do pagamento ou crédito, pois apenas nesse momento nasce a obrigação a eles relativa. Vejase o trecho do trecho do voto do eminente conselheiro Valmir Sandri, no acórdão nº. 10196.751, proferido em 29.05.2008 pela 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes : Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.432 52 O dispositivo diz respeito ao regime de competência ‘para efeito de apuração do lucro real’, isto é, quando se torna possível deduzir os valores dos JCP. Assim, o dispositivo não discrepa de todo o que foi afirmado acima, reiterando que para efeito de dedutibilidade do JCP o que importa é o pagamento ou o crédito, considerado este o momento adequado para efeito do regime de competência. Mas de modo algum este dispositivo veda o procedimento adotado pela Recorrente, como quer fazer crer a decisão recorrida. Da observância aos limites de dedutibilidade dos JCP A essa altura, cabe notar que, a fim de que a opção por este regime alternativo de tributação dos JCP não criasse despesas em demasia, a Lei criou limites a fim de preservar o interesse do erário. Dessa forma, o art. 9º da Lei nº. 9.249/95 prevê que, para efeitos da dedutibilidade do IRPJ, os JCP devem ser limitados à variação, pro rata dia, da TJLP. Igualmente, a Lei prescreve que o pagamento dos JCP só poderá ser efetuado se forem computados lucros antes da dedução dos juros ou se houver lucros acumulados ou reserva de lucros em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Não existem limites, no entanto, com relação à periodicidade, não havendo suporte legal à autuação ora recorrida. A despesa pertence, assim, ao anocalendário em que for deliberado o pagamento e ocorrer ou este ou o crédito. Por consequência, segundo esta interpretação, tais limites devem ser apurados com base nos valores do anocalendário em que o pagamento ou crédito ocorrer. Sobre o tema, vale trazer à colação a doutrina de Waldir Luiz Braga e Guilherme Pereira das Neves7: Na nossa opinião, a redação do caput do art. 9º da Lei nº 9.249/95 não deixa dúvidas quanto ao fato de que o momento em que a dedução fiscal deve ocorrer é quando há o pagamento/crédito da remuneração em tela, vez que estabelece que a ‘pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos do lucro real, os juros pagos ou creditados... a título de remuneração do capital próprio...’. Vale dizer, ao facultar aos contribuintes o pagamento da referida remuneração, a Lei nº 9.249/95 não estabeleceu qualquer periodicidade fixa para o seu pagamento, nem o restringiu ao encerramento de cada exercício. Apenas estabeleceu que, para ser dedutível, tal remuneração deve ser calculada com base na variação pro rata dia da TJLP 7 Cf. BRAGA, Waldir Luiz, NEVES, Guilherme Pereira das. “IRPJ/CSLL remuneração sobre capital próprio pagamento retroativo possibilidade”. Revista Dialética de Direito Tributário; São Paulo, n. 87, p.137138. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.433 53 sobre as contas de PL, sem também determinar que a referida taxa seja aplicada anualmente sobre as contas do PL. De outro lado, quando o § 1º do referido diploma legal menciona que o efetivo pagamento ou crédito fica condicionado à existência de lucros, do exercício ou acumulados, computados antes da dedução dos juros, tem, a nosso ver, o objetivo de estabelecer que os lucros a serem considerados como limite de dedutibilidade serão aqueles existentes na data em que for efetivamente pago ou creditado o montante correspondente à remuneração sobre o capital próprio. Em outras palavras, o que importa é que, no momento em que a Sociedade delibera pagar ou creditar a aludida remuneração, ela possua lucros suficientes (em montante igual ou superior ao dobro da quantia que se pretende pagar) para que o valor devido a título de tal remuneração seja considerado fiscalmente dedutível. Isso significa, precisamente, que é absolutamente irrelevante o fato da Sociedade ter apurado prejuízo contábil nos anos em que o PL foi remunerado com a variação pro rata dia da TJLP, pois o que conta, realmente, para fins de dedutibilidade fiscal, são os lucros existentes no momento em que ocorre o pagamento ou crédito da remuneração sobre o capital próprio. Assim, para fins de determinação dos limites de dedutibilidade dos JCP, devese atentar apenas para as condições previstas em Lei, quais sejam, a existência de lucros, no momento em que haja deliberação para pagamento ou crédito, em montante igual ou superior a duas vezes o valor dos juros a serem pagos ou creditados. Da jurisprudência sobre o tema Há vários precedentes das DRJs neste sentido JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. LIMITE TEMPORAL. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, respeitandose os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, bem como entendimento da Receita Federal expresso no Ato Declaratório Normativo Cosit N° 13 de 1996. Nada obsta a dedutibilidade do JCP pago acumuladamente, desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição e dedução, respeitado o limite de cinqüenta por cento do lucro líquido correspondente ao período Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.434 54 base do efetivo pagamento ou crédito, ou dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores, o que for maior. (Acórdão 1442092 de 23/05/2013, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – 3ª Turma) JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. LIMITES PARA AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. A distribuição acumulada de juros sobre o capital próprio somente é possível se comprovadamente existentes e passíveis de distribuição, ano a ano, levandose em conta os parâmetros existentes no ano calendário em que se deliberar a sua distribuição. LUCRO REAL. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. PARCELA INDEDUTÍVEL. Os valores pagos a título de juros sobre capital próprio, que excedem aos valores legalmente permitidos como dedução, devem ser adicionados ao lucro líquido na apuração do Lucro Real. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. (Acórdão 1442037 de 16/05/2013, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – 3ª Turma) No mesmo sentido, são os julgados deste Conselho, dentre os quais se destacam: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. (...). (CARF, 1ª Seção, 4ª Câmara, 1ª TO, Acórdão 1401000.900, Acórdão 1401000.901 e Acórdão 1401000.902 em 04/12/2012 . Recurso Voluntário Provido por maioria de votos, vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.) (...). JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. POSSIBILIDADE DE REMUNERAÇÃO COM BASE EM PERÍODOS ANTERIORES. O Art. 9º da Lei nº 9249/95 não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Diante dessa falta de restrição temporal e da discricionariedade das sociedades em remunerar os juros sobre capital próprio aos acionistas, os juros não precisam ser Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.435 55 obrigatoriamente pagos ou creditados ao final de cada período, o que permite o pagamento em um momento futuro. ART. 29 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 11/96. REGIME DE COMPETÊNCIA. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provado, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição. (...). (CARF, 1ª Seção, 2ª Câmara, 2ª TO , Acórdão 1202000.766 em 08/05/2012. Recurso Voluntário Provido por maioria de votos, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.) Oportunas as conclusões do voto do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, no acórdão nº. 110200.934 proferido em 08/11/2013 pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento: Em suma, considerandose que: (i) a criação do JCP teve por motivação equiparar a tributação dos diversos tipos de investimento em capital, provocar incremento das aplicações produtivas nas empresas brasileiras e adotar uma política tributária moderna e compatível com aquela praticada pelos demais países emergentes, que competem com o Brasil na captação de recursos internacionais para investimento; (ii) limitar o período de variação da TJLP seria um desestímulo para o investimento no capital de longo prazo quando comparado a outros tipos de investimento; (iii) a aplicação da taxa TJLP indica que o JCP visa, além de remunerar o investidor pela indisponibilidade de capital, evitar que o investimento efetuado seja corroído pela inflação, entendimento este reforçado pelo cenário econômico da época da criação da lei e pelas medidas instituídas pelo próprio diploma legal, como a extinção da correção monetária do balanço; (iv) a obrigação legal de pagamento do JCP surge apenas quando da deliberação dos acionistas/sócios, diferentemente do Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.436 56 que ocorre, por exemplo, nos empréstimos quando a obrigação de pagar juros se dá no momento da assinatura do contrato; (v) o registro contábil de um passivo e da respectiva despesa exige a existência de uma obrigação, o que significa dizer que o exercício contábil (“competência) adequado para o registro da despesa de JCP é aquele em que houve a deliberação do pagamento; (vi) o art. 9º da Lei 9.249/1995 e a Instrução Normativa SRF nº 11/1996 não limitam a variação da TJLP apenas ao ano da deliberação do pagamento; e (vii) não é possível considerar que a falta de deliberação do pagamento de JCP em um determinado exercício importa em renúncia à dedutibilidade da despesa de JCP, por não se tratar de um benefício, mas sim uma mera norma de apuração do tributo, como os demais dispositivos que tratam de despesas não dedutíveis no lucro real. Em âmbito judicial, o Egrégio STJ já analisou o tema e também concluiu pela possibilidade do pagamento dos JCP retroativos. Confirase: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.721654/201219 Acórdão n.º 1402001.489 S1C4T2 Fl. 1.437 57 (REsp 1086752/PR, Rel. Ministro Franciso Falcão, 1ª Turma, julgado em 17/02/2009, DJe 11/03/2009) Por todas essas razões, entendi por votar no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digita lmente em 03/03/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por L EONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10665.000490/2010-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte da autoridade fiscal, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
É cabível a exigência de IPI com base em omissão de receitas apurada a partir de depósitos de origem não comprovada. Na impossibilidade de separação por elementos da escrita, o imposto será quantificado mediante a aplicação da alíquota mais elevada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-005.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que acolhiam a preliminar de nulidade. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte da autoridade fiscal, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. É cabível a exigência de IPI com base em omissão de receitas apurada a partir de depósitos de origem não comprovada. Na impossibilidade de separação por elementos da escrita, o imposto será quantificado mediante a aplicação da alíquota mais elevada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que acolhiam a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 04 90 /2 01 0- 64 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 3 2 preliminar de nulidade. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Juiz de Fora: Em julgamento o auto de infração de fls. 01/29 (Relatório Fiscal, fls. 24/29), lavrado contra o contribuinte para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no montante de R$1.088.288,67, relativamente aos períodos de apuração dos anoscalendário de 2005 e 2006, assim discriminado: IMPOSTO: R$ 487.892,00 JUROS DE MORA (calculados até 30/03/2010): R$225.799,61 MULTA PROPORCIONAL: R$365.918,88 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: R$1.088.288,67 Os enquadramentos legais da autuação foram indicados às fls. 03/06, 17 e 20. A descrição dos fatos e o Relatório Fiscal, às fls. 24/29, assim identificam as infrações cometidas e os argumentos para a autuação: RELATÓRIO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. IPI IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Da verificação da contabilidade foram apuradas irregularidades tais como a contabilização de produtos vendidos a prazo a débito da conta caixa, o que demonstra que o contribuinte vendeu a prazo mercadorias e ao mesmo tempo entrou dinheiro no caixa, ao invés de tais valores serem contabilizados na conta Clientes ou Duplicatas a receber. O contribuinte alega ter sido erro de digitação, entretanto, não corrigiu a contabilidade; o contribuinte não consegue demonstrar como apurou o saldo da conta de Custos de Mercadorias Vendidas, não tem controle interno das fichas de produção de produtos em elaboração e produtos acabados para compor o saldo inicial da conta de Estoques para poder apurar o custo; não contabilizou a totalidade da movimentação financeira, haja vista que os extratos bancários fornecidos pelos bancos demonstram valores superiores aos contabilizados pela empresa. Destes fatos narrados, passamos a considerar a contabilidade apresentada como sendo "imprestável" e tributamos as receitas, em outro Auto de Infração específico para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS; auferidas pelo contribuinte pelo LUCRO ARBITRADO em conformidade ao que diz o artigo 529, I, a, b do RIR/99. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 5 4 Da presunção de Omissão de Receitas, apuramos saldo credor da conta caixa em conformidade com o disposto no artigo 281, I do RIR199 e artigo 40 da Lei n° 9.430/96, apuramos valores recebidos/creditados pelas contas bancárias sem a comprovação de suas origens, em conformidade com o disposto no artigo 287 do RIR199 e artigo 42, §1o. da Lei n° 9.430/96. O período auditado compreende os anos de 2005 e 2006. Para este Auto de Infração especifico, está sendo apurada a Insuficiência/Não Recolhimento do IPI apurado pela verificação das notas fiscais de entrada e saída demonstradas no Livro de Apuração do IPI. Pela presunção de omissão de receitas através da apuração de saldo credor de caixa e pelos valores recebidos/creditados provenientes de depósitos bancários que não tiveram suas origens comprovadas, foram cobrados o IPI com a alíquota mais elevada pelo fato de não ser possível detalhar as receitas auferidas de tal omissão em conformidade com o disposto no artigo 448, §§ 1 ° e 2° do RIPI/02 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados. Dai resultaram as seguintes infrações: 1) Omissão de receita apurada por saldo credor de caixa. Titulação da Infração: 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL APURADA EM DECORRÊNCIA DE RECEITA NÃO COMPROVADA — SALDO CREDOR DE CAIXA 2) Omissão de receita apurada por depósitos bancários de origem não comprovada Titulação da Infração: 002 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL (DEMAIS CASOS) MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA 3) Insuficiência ou não recolhimento de IPI apurado pela verificação das notas fiscais de entrada e de saída demonstradas no Livro Registro de Apuração do IPI. Titulação da Infração: IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 6 5 Irresignado com a autuação, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, constituído à fl. 502, apresentou a impugnação de fls. 468/501. Preliminarmente, alega: a) a nulidade do auto de infração em face da ilicitude da prova, provocada pela desobediência ao Decreto n° 3.724, de 2001, e ao art. 33 da Lei n° 9.430, de 1996. Alega a violação ao principio da legalidade e do devido processo legal; b) o cerceamento do direito de defesa, pois que "não houve identificação dos valores apontados como omissos a título de receitas operacionais venda de produtos de fabricação própria, como também não houve demonstração de que, na suposição de receitas a partir da movimentação financeira, teriam sido deduzidas as transferências entre contas do mesmo titular, valores recebidos a titulo de empréstimo e outras avenças por força da contratação de serviços de intermediação financeira, estornos de débitos e lançamentos indevidos nas contas bancárias, etc. Não obstante o esmero, os lançamentos não esclarecem pontos importantes na elucidação dos fatos." No mérito, alega insubsistência do lançamento tendo em vista: a) negar vigência aos arts. 3°; 9o.; 97; 112, inc. II; 142 e 148 do CTN: b) "o lançamento ignora o fato de que há fatos contábeis de exercícios anteriores e posteriores ao período fiscalizado que repercutem na movimentação registrada nos extratos bancários. Assim, os valores relativos ao faturamento anterior a 31/12/2004 e recebidos no período 2005/2006 foram indevidamente considerados no cálculo do arbitramento, além do que as verbas referentes às receitas auferidas no período 2005/2006 foram duplamente consideradas na apuração da receita, uma vez que foram tributadas segundo o registro contábil e o principio da competência e novamente de acordo com seu registro na movimentação financeira. Ademais, não há indicação de origem dos valores lançados nos autos de infração a título de IPI por insuficiência de recolhimento, como também não há demonstração de que, na presunção de receitas omitidas a partir de créditos nas contas bancárias, teriam sido deduzidas as transferências entre contas da mesma titularidade, valores recebidos a título de empréstimo por força de conta garantida, estorno de débito e lançamentos indevidos, conquanto tais abatimentos constituem medida de rigor. E, embora a fiscalização tenha tido acesso a todas as compras de bens, insumos, energia elétrica a partir do exame da movimentação das contas caixa e bancos, não decotou, no cálculo de IPI, os créditos decorrentes da sistemática da não cumulatividade"; c) "tãosomente a escrita fiscal e contábil da Impugnante [...] é capaz de fornecer elementos, com absoluta exatidão, identificadores das reais entradas e saídas de mercadorias por essa promovidas, a qual, concessa venia, deixou de ser devidamente apreciada pelo Fisco, que limitou o trabalho aos extratos irregularmente obtidos, deixando ao largo de proceder Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 7 6 o cotejo dos fatos contabilizados nos livros próprios. [...] Logo, se a escrita contábil do contribuinte é regular, como no caso versante, o art. 148 do Código Tributário Nacional não autoriza o arbitramento, nem tampouco outro recurso presuntivo de ocorrência do fato jurídico e de base de cálculo, tendo em vista a primazia pela busca da realidade. [...] a falta de elementos aptos a dar consistência ao trabalho fiscal impõe a aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional [...]"; d) "com relação aos demais créditos indicados nas contas bancárias do Impugnante, é absolutamente ilegal a incidência do IPI sem que os agentes fiscais comprovem que efetivamente correspondem a operações relativas à industrialização de produtos. De fato, se a Constituição Federal, em seu art. 153, inciso IV, deferiu à União a competência para cobrar tributos sobre produtos industrializados, é sobre este ato indicativo de riqueza que deve recair a exação e não sobre qualquer depósito bancário, desacompanhado da certeza da saída de mercadorias"; e) "a se ver do relatório fiscal que acompanha os lançamentos, entre os rendimentos apontados por omissos, arrolamse diversos créditos em conta corrente, de valores inferiores a R$12.000,00, o que, indubitavelmente, atenta contra a regra inserta no § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, observada a Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997". Por fim, requereu o impugnante a acolhida da preliminar e, se assim não o fosse, se acolhesse a ilegalidade da exação, tal qual demonstrada ao longo das razões de defesa Analisando o litígio, a DRJ de Juiz de Fora entendeu por bem manter o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO DE IPI Não comprovada a origem dos valores depositados em contas bancárias, esses valores serão considerados como omissão de receita, cuja tributação se reflete no IPI, nos termos do art. 488, §§1° e 2°, do RIPI/2002. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/01/2006, 28/02/2006 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 8 7 IPI REGISTRADO NO RAIPI. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. LANÇAMENTO DE OFICIO O IPI escriturado no RAIPI, resultante do confronto débito x crédito, quando não recolhido ou recolhido a menor que o devido enseja o lançamento de oficio e a cobrança da multa proporcional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/01/2006, 31/08/2006, 31/10/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO A matéria não impugnada pelo contribuinte conduz ao lançamento definitivo na esfera administrativa, cabendo a cobrança de imediato do crédito tributário lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a Recorrente alega, em síntese que: 1. Alega a Recorrente, preliminarmente, que o auto de infração é nulo em face da ilicitude da prova que deu sustentação ao lançamento, qual seja, as movimentações financeiras obtidas em face da quebra de seu sigilo bancário. Dispõe que atendeu todas as intimações lavradas pelo agente fiscal submetendose aos seus cuidados os livros, arquivos digitais da contabilidade e demais requisições. Inclusive que provocou o Judiciário com fito específico de obter os extratos da movimentação bancária. Porém, antes mesmo que qualquer análise do acervo em poder do Fisco fosse implementada, investiuse diretamente contra a regra do sigilo das informações bancárias, como se tal diligência cuidasse de situação rotineira do trabalho de fiscalização, ignorando tratarse de medida excepcional, consoante disposto no Decreto 3.724/2001 e na Lei 9.430/96. 2. Também argui, em sede preliminar, o cerceamento de seu direito de defesa, em face de não ter havido identificação dos valores apontados como omissos a título de receitas operacionais – venda de produtos de fabricação própria, como também não houve demonstração de que, na suposição de receitas a partir da movimentação financeira, teriam sido deduzidas as transferências entre contas do mesmo titular, valores recebidos a título de empréstimos e outras avenças por força da contratação de serviços de intermediação financeira, estornos de débitos e lançamentos indevidos nas contas bancárias. 3. No mérito, reforça os argumentos trazidos na Impugnação. Requer seja dado provimento total a seu Recurso Voluntário para anular o auto de infração ou, quando menos, julgálo inteiramente improcedente. É o relatório. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Passo à apreciação da preliminar de nulidade arguida pela Recorrente, mais especificamente, acerca da ilicitude da prova que deu sustentação ao presente auto de infração: movimentações financeiras em face da quebra do sigilo bancário. O artigo 5º da Constituição Federal disciplina os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos. Dentre elas, inserida no inciso XII, destacase o direito à inviolabilidade do sigilo de dados, incluindose, nesse rol, os dados bancários. As garantias são postulados que visam gerar máxima efetividade aos direitos. Já os direitos fundamentais agem, no seu plano de eficácia, de dois modos distintos: no universo jurídicoobjetivo, são normas de competência negativa para os poderes públicos, proibindo fundamentalmente a ingerência do Estado na esfera jurídica individual; já no aspecto jurídico subjetivo, confere ao cidadão o direito de exercer positivamente sua liberdade, em todas suas ramificações. Na esfera jurídicosubjetiva, os direitos fundamentais conferem, ainda, aos cidadãos, o direito de exigir omissões dos poderes públicos, de forma a evitar agressões lesivas por parte dos mesmos (liberdade negativa). (vide Alexandre de Morais in Direito Constitucional – 17ª Edição atualizada com a EC nº 45/04. Editora Atlas S/A. São Paulo, 2005). Os direitos fundamentais têm aplicabilidade e eficácia imediata. “A própria Constituição Federal, em uma normasíntese, determina tal fato dizendo que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.” (Moraes, Alexandre de. Obra citada. Pag. 27). Esta mesma Constituição fornece, ainda, os mecanismos necessários para assegurar que os direitos fundamentais tenham aplicação e eficácia imediata (mandado de injunção, iniciativa popular, etc.). Entendo que o sigilo bancário, porquanto direito fundamental do cidadão, possui aplicabilidade e eficácia imediatas e deve, sempre, ser respeitado pelo Estado, haja vista a conformação negativa (liberdade negativa) que a Lei Maior impõe ao comportamento deste Ente (exigência de omissão, efetivamente). Por outro lado, os direitos e garantias fundamentais não são absolutos. Não podem proteger a prática de atos que atinjam o direito da coletividade. A incolumidade pública, portanto, possui maior valor dentro do contexto Constitucional que o direito individual. Deste conflito de direitos, tal qual o presente, onde, de um lado, o Recorrente possui o respaldo constitucional garantindolhe o direito à intimidade e, por este, a inviolabilidade de seu sigilo bancário e, de outro lado, o Fisco, que pretende investigar “com as Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 10 9 próprias mãos” procedimentos que ele acha, ou desconfia, ou imagina ilícitos, tudo em nome da sociedade, há de se aplicar o denominado Princípio da Relatividade ou Convivência das liberdades públicas. “Desta forma, quando houver conflito entre dois ou mais direitos ou garantias fundamentais, o intérprete deve utilizarse do princípio da concordância prática ou da harmonização, de forma a coordenar e combinar os bens jurídicos em conflito, evitando o sacrifício total de uns em relação aos outros, realizando uma redução proporcional do âmbito de alcance de cada qual (contradição dos princípios), sempre em busca do verdadeiro significado da norma e da harmonia do texto constitucional com sua finalidade precípua” (Alexandre de Moraes, ob. cit., pag. 28 – sem destaques no original) Neste momento, porém, uma pergunta se faz indeclinável: quem há de ser o intérprete a que se refere a curial lição doutrinária? A quem compete a relativização dos Direitos Fundamentais prescritos na Constituição Federal do País? Quem deve ser o Juiz desta lide, onde interesses contrapostos colidem frontalmente? O contribuinte, ora Recorrente, tem como direito subjetivo fundamental o sigilo de seus dados bancários; sigilo este que, como visto, determina ao Estado a conduta omissiva e propicia àquele mecanismos para exigir esta conduta. O Estado, por seu turno, deve investigar o cometimento de práticas ilegais na seara fiscal, justificandose que, neste mister, tenha, eventualmente e em última instância, acesso a dados sigilosos de seus tutelados. Ora, a quem compete esta decisão? Obviamente, que não à própria Fiscalização. Mas ao Poder Judiciário. José Afonso da Silva dispõe com propriedade, vejase: “Os conflitos de interesses são compostos, solucionados, pelos Órgãos do Poder Judiciário com fundamento em ordens gerais e abstratas, que são ordens legais, constante ora de corpos escritos que são as leis, ora de costumes, ou de simples normas gerais, que devem ser aplicadas por eles, pois está praticamente abandonado o sistema de composição de lides com base em ordem singular, erigida especialmente para solucionar determinado conflito.” (Curso de Direito Constitucional Positivo – 9ª Edição. Malheiros Editores. São Paulo, 1992. pag. 480 – sem grifos no original). Novamente Alexandre de Moraes, disciplina: “Não se consegue conceituar um verdadeiro Estado democrático de direito sem a existência de um Poder Judiciário autônomo e independente para que exerça sua função de guardião das leis, pois, como afirmou Zaffaroni, ‘a chave do poder do judiciário se acha no conceito de independência’”.(ob. cit., pag. 452). Manoel Gonçalves Ferreira Filho também elucida: Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 11 10 “De fato, este (o Poder Judiciário) aplica a lei contenciosamente, isto é, com a possibilidade rigorosamente garantida de debate entre as partes interessadas no litígio. Abre se perante ele sempre a possibilidade do contraditório, permitindose a todos os que serão afetados pela decisão fazerem ouvir suas razões, seus argumentos. E em razão dessa garantia que faz presumir o acerto da decisão, ela goza de uma forma de imutabilidade – a coisa julgada”. (Curso de Direito Constitucional. 17ª Edição. Editora Saraiva. São Paulo, 1988. pag. 213). Resta inconteste, portanto, que ao Poder Judiciário cabe a relativização dos Direitos Fundamentais do indivíduo, em privilégio da coletividade, da sociedade, sendo dele, e exclusivamente dele, a tarefa de propiciar conveniência entre as liberdades individuais. Ademais, a denominada quebra do sigilo bancário, porquanto caracterizase como um procedimento que, inevitavelmente, diminui a eficácia de um Direito Fundamental prescrito na Constituição Federal de 1988, somente pode ocorrer quando diversas razões e inúmeros requisitos se fazem presentes. A Professora Misabel Derzi chegou a afirmar que “Mesmo o Poder Judiciário, que indubitavelmente pode afastar o sigilo bancário, mormente em matéria penal, à luz da própria Lei 4.595/64, não é livre para fazêlo, sem o cumprimento de requisitos materiais.” (O sigilo bancário e Administração Tributária in Grandes Questões Atuais do Direito Tributário. Editora Dialética. São Paulo, 2001. pag. 303) É fato, portanto, que apenas quando existentes fortíssimos indícios de ofensa ao direito da coletividade, através da adoção de condutas ilegais por determinado indivíduo, é que o direito fundamental à intimidade resta diminuído e cede lugar para a cassação de seus efeitos. A excepcionalidade é sempre característica da quebra de sigilo bancário. Neste ponto, novamente vem à baila a pergunta já posta: a quem compete a valoração deste risco de ofensa à incolumidade pública? Quem deve verificar a presença destes requisitos materiais a que se referiu a Professora Mizabel? Qual Poder Estatal possui a necessária imparcialidade para analisar a conduta individual e atribuirlhe o grau de periculosidade diante dos demais direitos consagrados na Carta Magna? O Poder Executivo, através de seu aparato fiscalizatório Fiscal? Novamente não. É o Judiciário o único e competente Poder do Estado capaz de verificar, com imparcialidade e fidelidade ao mandamento constitucional, a presença de diversos requisitos necessários à quebra do sigilo bancário, dentre os quais: . o da existência de fortes indícios de conduta destinada à supressão de tributos (nos casos tributários) ou indicativos da ocorrência de atividade delituosa (nos casos penais e penaistributários); Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 12 11 . o da indispensabilidade e da excepcionalidade da quebra de sigilo para elucidação dos fatos; . o da utilização dos dados de maneira restrita e com sigilo perante terceiros, etc. E é ele, o Poder Judiciário, exclusivamente, que pode mensurar, com a acuidade necessária, se os indícios apontados contra o indivíduo representam, ou não, possibilidade de lesão ao direito da coletividade. Com base nesse pensamento é que entendo que no processo de relativização dos direitos fundamentais, como no caso vertente, aplicase sempre o denominado Princípio da Reserva de Jurisdição, segundo o qual a intervenção do Poder Judiciário deve ocorrer anteriormente à prática do próprio ato sob análise. Deve ocorrer, podese dizer, um prévio controle da constitucionalidade e mesmo da legalidade do ato, anterior à sua ocorrência. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, de mesmo modo, resta uníssona ao afirmar da imprescindibilidade da intervenção do Poder Judiciário nestes casos, vejase: (observação: todos os julgados a seguir colacionados referemse a períodos posteriores à publicação da Lei Complementar nº 105/01 e da Lei nº 10.174/01) “RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE, DESDE QUE DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA A MEDIDA. O direito aos sigilos bancário e fiscal não configura direito absoluto, podendo ser elidido se presentes indícios ou provas que o justifiquem, desde que devidamente demonstrados na decisão do Magistrado. Recurso desprovido.” (RHC 15.643/RS. Rel. José Arnaldo da Fonseca. DJU 01.02.2005) “PROCESSO CIVIL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INDÍCIOS DE SONEGAÇÃO FISCAL. COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO. DETRIMENTO DO ERÁRIO ESTADUAL. COMPETÊNCIA. I Demonstrados indícios de irregularidades em detrimento do Erário Estadual, revestese de competência a Comissão Parlamentar de Inquérito promovida pela Assembléia Legislativa Estadual para apuração de eventuais ilicitudes no procedimento adotado pelos administradores públicos. II Para resguardar a integridade das informações, a quebra dos sigilos bancário e fiscal, por não ser direito individual absoluto, pode ser solicitada com intervenção do Judiciário mesmo sem a participação do investigado. III Recurso Ordinário improvido.” (RMS 17.706/PR. Rel. Francisco Falcão. DJU 17.12.2004) Fl. 636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 13 12 Resta, portanto, inconteste que à luz da Constituição Federal de 1988, considerando que a relativização dos Direitos e Garantias Fundamentais nela previstos é procedimento de extrema excepcionalidade, considerando os diversos requisitos e as inúmeras razões que devem ser verificadas para a quebra do sigilo bancário do indivíduo, considerando que somente o Poder Judiciário possui a necessária imparcialidade e discricionariedade para emitir um juízo de valoração em face da contraposição de interesses entre o contribuinte (sigilo bancário) e o Fisco (sua quebra), e considerando, por fim, a indeclinável aplicação do Princípio da Reserva de Jurisdição no caso vertente, é forçosa a conclusão no sentido de que a quebra do sigilo fiscal do Recorrente efetivada pelo agente fiscal feriulhe direito fundamental. Por conseguinte, todos os dados obtidos nesta operação não se prestam a embasar o lançamento de ofício de crédito tributário contra o Recorrente. É bem verdade que a conduta da fiscalização está embasada no disposto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, in verbis: “Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Regulamentando o referido artigo, veio o Decreto nº 3.724/01 cujas disciplinas se atêm maiormente aos procedimentos internos da Secretaria da Receita Federal, quando no exame das informações sigilosas dos contribuintes. Por outro lado, o artigo 3º da mesma Lei Complementar assevera: “Art. 3º Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas não poderão servirse para fins estranhos à lide. § 1º Dependem de prévia autorização do Poder Judiciário a prestação de informações e o fornecimento de documentos sigilosos solicitados por comissão de inquérito administrativo destinada a apurar responsabilidade de servidor público por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido. § 2º Nas hipóteses do § 1o, o requerimento de quebra de sigilo independe da existência de processo judicial em curso.” Vejase que a própria Lei Complementar nº 105/01 prevê a necessidade de intervenção do Poder Judiciário no fornecimento de dados pelas instituições financeiras. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 14 13 Outrossim, o artigo 6º da mesma Lei Complementar elenca outra condição, supletiva, para que o exame de documentos pelo Fisco seja possível – a existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Com efeito, em nenhum momento a Lei Complementar nº 105/01 ou o Decreto que regulamenta seu artigo 6º fazem menção acerca da desnecessidade do Poder Judiciário para a quebra do sigilo bancário dos indivíduos. Nem poderia ser diferente. O artigo 6º deve ser lido e interpretado conjuntamente com o artigo 3º, que exige o pronunciamento do Poder Judiciário sobre tal mister, porquanto ambos estão num mesmo contexto do mesmo diploma legal, são como notas complementares de uma mesma música, que não podem ser tocadas de forma apartada, sob pena de macularem o todo. Há, a meu ver, com a devida vênia, uma equivocada interpretação no sentido de que o próprio agente fiscal pode determinar a quebra do sigilo bancário do contribuinte. Ao contrário, o que há de concreto é o artigo 3º determinando expressamente que as informações serão prestadas pelo Banco Central e pelas instituições financeiras, em havendo expressa determinação do Poder Judiciário. A ausência de dispositivos na norma que indicassem à supressão do papel do Poder Judiciário na quebra dos sigilos bancários levou o Tribunal Regional Federal da 1a. Região a solidificar o seguinte entendimento: ADMINISTRATIVO. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 10 DE JANEIRO DE 2001, ART. 6º. PRETENSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Constitui ilegalidade a quebra do sigilo bancário em processamento fiscal, pela simples solicitação do Fisco, sem a autorização prévia do Poder Judiciário. 2. As novas disposições criadas pela Lei Complementar nº 105/2001 não excluíram a necessidade de autorização judicial para a quebra de sigilo bancário, em face das disposições do artigo 5º, XII, da Constituição Federal de 1988. 3. Apelo da União e remessa oficial improvidos. Do voto do Relator, extraise o trecho a seguir: “Como preceito subseqüente, deve ser compatibilizado com o disposto no parágrafo primeiro, do mesmo dispositivo, implicando em que a quebra do sigilo poderá também ocorrer em processo administrativo fiscal, desde que precedido de autorização do Poder Judiciário. Só assim realizarseá o que preceitua o artigo 197 II, do CTN. Com efeito, estabelece o art. 198 da Lei Complementar nº 104/01: “Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a Fl. 638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 15 14 situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios em atividades. § 1º Excetuamse do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. § 2º O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo. § 3º Não é vedada a divulgação de informações relativas a: I – representações fiscais para fins penais; II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública; III – parcelamento ou moratória.” E o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01: “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” Os dispositivos transcritos não excluíram a necessidade de autorização judicial e isso, exatamente para que se compatibilizem com o disposto no art. 5º, XII, da CF/1988 (“XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal”), preservando o devido processo legal. Efetivamente, ao mencionar dados, o texto constitucional é abrangente das informações bancárias, que se acham resguardadas pelo sigilo que só pode ser quebrado por ordem judicial. Ante o exposto, nego provimento ao apelo da União e à remessa oficial. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 16 15 É o voto.” (AMS nº 2001.35.00.0085819/GO. Rel. Dês. Hilton Queiroz. DJU 05/08/05) Importantíssimo ressaltar também que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 15 de dezembro de 2010, deu provimento a um Recurso Extraordinário (RE 389808) em que o contribuinte questionava o acesso da Receita Federal a suas informações fiscais, sem fundamentação e sem autorização judicial. Os Ministros entenderam, por maioria de votos, que não pode haver acesso a esses dados sem ordem do Poder Judiciário. Transcreva se a ementa do acórdão: SIGILO DE DADOS. AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção à quebra do sigilo submetida ao crivo de órgão equidistante, o Judiciário, e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da Republica norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. De acordo com o Relator, Ministro Marco Aurélio, a vida em sociedade pressupõe segurança e estabilidade, e não a surpresa. E, para garantir isso, é necessário o respeito à inviolabilidade das informações do cidadão. Ainda segundo o Ministro, é necessário assegurar a privacidade. A exceção para mitigar esta regra só pode vir por ordem judicial, e para instrução penal, não para outras finalidades. “É preciso resguardar o cidadão de atos extravagantes que possam, de alguma forma, alcançálo na dignidade”, salientou o Ministro em seu voto. Por fim, o ministro disse entender que a quebra do sigilo sem autorização judicial banaliza o que a Constituição Federal tenta proteger, a privacidade do cidadão. Com esses argumentos, restou decidido que só é possível o afastamento do sigilo bancário de pessoas naturais e jurídicas a partir de ordem emanada do Poder Judiciário. Vale menção também o voto proferido pelo Ministro Gilmar Mendes no sentido de que não se trata de negar acesso às informações, mas de restringir, exigir que haja observância da reserva de jurisdição. Por sua vez, destacou o Ministro Celso de Mello que o Estado tem poder para investigar e fiscalizar, mas a decretação da quebra de sigilo bancário só pode ser feita mediante ordem emanada do Poder Judiciário. Vejase, pois, que a relativização do Direito Fundamental do cidadão ao sigilo bancário, de forma unilateral pelo Agente Fiscal não encontra suporte legislativo que autorize sua efetivação. A vista de todo exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. É como voto. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 17 16 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. Relatora, ouso dela discordar. Das Preliminares de Nulidade do Lançamento – Inconstitucionalidade e Ilegalidade na Quebra de Sigilo Bancário Insurgese a recorrente contra a quebra do sigilo bancário sob o argumento da inconstitucionalidade, uma vez que a Lei Complementar nº 105/2011, em sua interpretação, ofende o disposto no artigo 5º, inciso LVI, da Carta Magna, o qual considera inadmissíveis no processo judicial ou administrativo as provas obtidas por meios ilícitos. No entanto, é forçoso ressaltar que não compete a este Colegiado declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, uma vez que tal mister foi atribuído ao Poder Judiciário. A esse propósito, há inclusive a Súmula nº 02, deste Órgão, aprovada nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Dessa forma, as alegações da recorrente que dizem respeito à inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 não têm o condão de cancelar as autuações feitas com base nos dados obtidos a partir da quebra do sigilo bancário. De outro lado, no que concerne à ilegalidade alegada, é imperioso salientar que, no Brasil, o sigilo bancário para fins tributários é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses estritamente previstas na Lei Complementar nº 105/2011. Dos documentos constantes dos autos, emerge hialino que as Requisições de Movimentação Financeira (RMF) emitidas não descumpriram as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar nº 105/2001. Em verdade, no caso dos autos, verificase que a recorrente foi intimada a fornecer seus extratos bancários e, no entanto, não os apresentou, fato que motivou a Fiscalização a emitir as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto, como no caso dos autos. Nesse sentido, colacionamos precedentes no Superior Tribunal de Justiça STJ, cujas ementas transcrevemos a seguir, verbis: RECURSO ESPECIAL ALÍNEA 'A'. TRIBUTÁRIO. MANDADO Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 19 18 DE SEGURANÇA. PRETENDIDA SUSPENSÃO DOS EFEITOS DE TERMO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES AO CONTRIBUINTE RELATIVAS AO ANOBASE DE 1998, A PARTIR DE DADOS INFORMADOS PELOS BANCOS À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOBRE A CPMF. PRETENDIDA COBRANÇA DE CRÉDITOS RELATIVOS A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 A E 11, § 3°, DA LEI N. 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 10.174/01. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. EXEGESE DO ART. 144, § 1°, DO CTN. À luz do que dispõe o artigo 144, § 1°, do CTN, inferese que as normas tributarias que estabeleçam 'novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas', aplicamse ao lançamento do tributo, mesmo que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Diversamente, as normas que descrevem os elementos do tributo, de natureza material, somente são aplicáveis aos fatos geradores ocorridos após o inicio de sua vigência (cf. "Código Tributaria Nacional Comentado"). Vladmir Passos de Freitas (coord.). São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. p. 566). Nesse contexto, forçoso reconhecer que os dispositivos (arts. 6° da LC n. 105/01 e 11, § 3°, da Lei n. 9.311/96, na redação dada pela lei n. 10.174/01) que autorizam a utilização dos dados da CPMP pelo Fisco para a apuração de eventuais créditos tributários relativos a outros tributos são normas adjetivas ou meramente procedimentais, acerca das quais não prevalece a irretroatividade defendida pelo v. acórdão da Corte a quo. É de se observar, tãosomente, o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituição do crédito tributaria. Tanto o art. 6° da Lei Complementar 105/2001, quanto o art. 1° da Lei 10.174/2001, por ostentarem natureza de normas tributarias procedimentais, são submetidas ao regime intertemporal do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, permitindo sua aplicação, utilizandose de informações obtidas anteriormente à sua vigência' (REsp 506.232/PR, Relator Min. Luiz Fux, DJU 16/02/2004). No mesmo sentido: REsp 479.201/SC, Relator Min. Francisco Falcão, DJU 24/05/2004. Recurso especial provido para denegar a segurança requerida" (Segunda Turma REsp 505.493/PR, Rei. Min. Franciuili Netto, DJUde 08.11.04); TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1° DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo da presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 20 19 recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6° dispõe; "Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins e apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 21 20 9. Recurso Especial desprovido, para manter o acórdão recorrido" (Primeira Turma REsp 685.708/ES, Rei. Min. Luiz Fux, DJUde 20.06.05). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° Ç + DA LC 105/01 E 11, § 3° DA LEI N° 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1° DO CTN. 1. Não enseja conhecimento a pretensão recursal sem a indicação do dispositivo de lei federal tido como violado e sem a exposição dos motivos pelos quais pugna pela reforma do julgado, ante o disposto na Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 2. O artigo 38 da Lei n° 4.595/64 que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar n° 105/2001. 3. A Lei n° 9.311/96 instituiu a CPMF e no § 2° do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federai, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3° a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 4. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 5. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001. 6. O artigo 144, § 1° do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 7. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 22 21 8. Ressalvado o prazo que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. 9. Recurso especial conhecido em parte e provido. RECURSO ESPECIAL N° 757.956 RS (2005/00957074), RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA, 2a Turma. Quanto a jurisprudência citada pela I. Relatora, não há até o momento nenhuma decisão judicial definitiva que vincule o julgamento no âmbito desse Conselho. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da retrocitada Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Destarte, a requisição, o acesso e o uso dos dados relativos à movimentação financeira das contas bancárias do sujeito passivo, deuse em consonância com a legislação de regência. De modo que não há que se cogitar de utilização de prova ilícita. Ou seja, as provas utilizadas extratos bancários da Contribuinte foram obtidas de forma lícita. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento fiscal pela inexistência do vício alegado. No mérito, que não foi abordado pela I. Relatora, em face da prejudicialidade da preliminar adotada, melhor sorte não assiste ao recorrente. Em seu recurso voluntário, a contribuinte limitase a repisar as alegações da peça impugnatória já enfrentadas no voto condutor da decisão de 1a. instância, sem refutar objetivamente tais fundamentos e, principalmente, sem trazer provas da efetividade das operações. Logo, peço vênia para adotar os fundamentos da decisão de 1a. instância quanto aos preliminares e razões de mérito, a seguir transcritos, haja vista que não merecem reparos: " Inicialmente, registro que o contribuinte não se manifestou sobre o lançamento de IPI decorrente de omissão de receita apurada por saldo credor de caixa. Não impugnada essa matéria, o lançamento de ofício dela decorrente é definitivo na esfera administrativa, devendo a cobrança do tributo, no que respeita à infração intitulada: PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL APURADA EM DECORRÊNCIA DE RECEITA NÃO COMPROVADA SALDO CREDOR DE CAIXA, prosseguir sem Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 23 22 interrupção, independentemente dos demais questionamentos apresentados pelo contribuinte. Afastada a discussão sobre o item da autuação, acima descrito, resta examinar a contestação contribuinte relativamente aos demais itens lançados. Com relação ao lançamento por omissão de receita em decorrência dos depósitos bancários realizados nos anoscalendário de 2005 e 2006, infração foi intitulado no auto de infração PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL (DEMAIS CASOS) MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Como dito anteriormente, tal lançamento esta fundamentado no art. 448, §§ Io e 2°, do Decreto n° 4.544, de 26/12/2002, acrescentados pelo art. Io do Decreto n° 4.859, de 14/10/2003, já oportunamente reproduzidos no presente voto. A partir da presunção de omissão de receita, o citado ato legal autoriza o lançamento do IPI, sob o entendimento de que "considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, A alíquota aplicável, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, é calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não é possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. Pois bem. Tendo em vista que a presunção de omissão de receita é matéria concernente ao processo n° 10665.000489/201030 e nele foi devidamente analisada, valhome aqui do voto nele proferido, motivo porque, além da parte preliminar já transcrita no presente voto, acolho a parte relativa às questões de mérito ali tratadas: "A autoridade fiscal tributou as omissões de receitas apuradas com base no lucro arbitrado. Isso porque, no decorrer da ação fiscal, constatou que a escrituração contábil da empresa não era capaz de fornecer os dados necessários à apuração do lucro real. Entre os motivos elencados para considerar a contabilidade como "imprestável", o AuditorFiscal cita o fato da empresa não comprovar o "Custo de Mercadorias Vendidas" (CVM). De fato, o contribuinte foi intimado a apresentar tais comprovantes (fl. 450) e confeccionou as planilhas de fl. 453, que não trazem as explicações necessárias. Foi novamente intimado (fl. 456), sendo inclusive alertado de que a falta de comprovação do CMV seria motivo suficiente para ensejar o arbitramento do lucro. Respondeu tão somente que "a apuração dos custos de mercaldopias vendida foi calculada levando em consideração estoque inicial mais compra menos estoque final como está escriturado", ou seja, não comprovou esses custos. Na impugnação apresenta discurso semelhante, sem trazer documentos que permitam apurar o estoque inicial e as demais variáveis de apuração do custo em questão. Esse fato, somado aos outros erros apontados na contabilidade, inclusive a impossibilidade de se identificar a efetiva movimentação financeira, levou ao correto arbitramento do lucro pela autoridade fiscal, como determina o artigo 530 do RIR/99. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 24 23 Quanto à omissão de receita apurada por depósitos bancários de origem "não comprovada, a impugnante alega que existem "fatos contábeis de exercícios anteriores e posteriores ao período fiscalizado que repercutem na movimentação registrada nos extratos bancários ", que "receitas auferidas no período 2005/2006 foram duplamente consideradas na apuração da receita, uma vez que foram tributadas segundo o registro contábil e o principio da competência e novamente de acordo com seu registro na movimentação financeira" e que ''não houve demonstração de que, na suposição de receitas a partir da movimentação financeira, teriam sido deduzidas as transferências entre contas do mesmo titular, valores recebidos a título de empréstimo e outras avencas por força da contratação de serviços de intermediação financeira, estornos de débitos e lançamentos indevidos nas contas bancárias, etc". Registrese que o AuditorFiscal relacionou os valores creditados/depositados nas contas do contribuinte e o intimou, em 10/11/2009, a comprovar a origem de tais valores, informandoo também que a não comprovação "ensejará lançamento de oficio, a título de omissão de receita ou de rendimento" (fl.s 377/420). Posteriormente emitiu nova relação, desta feita filtrando os "valores referentes a desbloqueios de depósitos em cheques, transferências de mesma titularidade e outro que ensejaram a nova intimação para se manifestar sobre a nova relação de valores em 30/11/2009" (fls. 63 do Relatório Fiscal e 421/449). Em 04/03/2010 foi feita nova intimação para a empresa manifestar, entre outras coisas, a cerca dos valores depositados na sua conta corrente do Banco Itaú, agência de Contagem (fls. 455/460). Diante essas intimações, inclusive a que o Auditor informa ter retirado os valores referentes a desbloqueios de depósitos em cheques, transferências de mesma titularidade e outros, a empresa deveria apontar os valores que alega terem sido computados em duplicidade e/ou erroneamente e as transferências não consideradas pela fiscalização, apresentando documentação necessária à comprovação. No entanto, limitouse a afirmar que os valores creditados/depositados nas suas contas correntes "estão registrados na movimentação em livros contábeis". Também na impugnação a empresa apenas alega que valores foram computados em duplicidade e/ou erroneamente sem apontar quais valores seriam esses, contrariando assim o inciso III do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 que estabelece que "a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir ". No que diz respeito a alegação de que "a se ver do relatório fiscal que acompanha os lançamentos, entre os rendimentos apontados por omissos, arrolam se diversos créditos em conta corrente, de valores inferiores a R$12.000,00, o que, indubitavelmente, atenta contra a regra inseria no § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, observada a Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 199T\ salientamos que a leitura atenta do citado dispositivo legal mostra que ele só se aplica "«o caso de pessoa física ". No que tange ao IPI, uma vez definidas a base de cálculo e a alíquota aplicáveis, o auto de infração do IPI, relativamente à omissão de receita, foi desencadeado pela reconstituição da esr a fiscal do contribuinte de que resultou, em diversos períodos de apuração, débito? superiores aos constantes no RAIPI. Desse modo, obedecidos os mandamentos do art. 142 do CTN, foi lançado o imposto que deixou escriturado e pago pelo contribuinte. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 25 24 E descabida a afirmação do contribuinte que não lhe foram computados os respectivos crcditos no momento da autuação. O lançamento de ofício foi efetuado depois da rec istit 'ção de sua escrita fiscal, mantidos todos os créditos escriturados, conforme Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal, às fls. 341/342. Certamente que não há créditos a computar pelas diferenças decorrentes de omissão de receita, tendo em vista que ao se apurar débito por presunção legal, diante do entendimento que houve saída de produção para os quais o contribuinte não emitiu nota fiscal, ou seja, saída que não foi devidamente tributada pelo industrial, créditos, além dos já escriturados no RAIPI, só poderiam ser computados se o contribuinte os documentasse no prazo para a apresentação da impugnação, conforme determina o art. 191 do R1PI/20021. O que não foi feito. Há uma simples alegação de supostos créditos não computados, mas sem sustentáculo documental. Só conjecturas. A vista das considerações acima, vencida está a contestação sobre a movimentação financeira, e respectivo lançamento, certamente mantido integralmente o item contestado, passase ao exame do último item contestado pelo contribuinte: a cobrança de IPI, no que respeita à infração intitulada: IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. Sobre o lançamento, aduz o contribuinte que não indicação de origem dos valores lançados nos autos de infração a título de IPI por insuficiência de recolhimento. Discordo do autuado. O RELATÓRIO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO IPI é cristalino quando assevera que "o período auditado compreende os anos de 2005 e 2006. Para este Auto de Infração específico, está sendo apurada a Insuficiência/Não Recolhimento do 1P1 apurado pela verificação das notas fiscais de entrada e saída demonstradas no Livro de Apuração do IPI (fls. 27/28). Ora, foi com base no RAIPI, escriturado pelo contribuinte, e nas notas fiscais de entrada e saída demonstradas no RAIPI que foram apuradas as diferenças lançadas no Auto de Infração, no tópico: IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR, nos meses de abril, maio, junho, julho, setembro, outubro e novembro de 2005 e janeiro e fevereiro de 2006, conforme auto de infração à fl. 05/06. Não dúvida pode ser alegada pelo contribuinte sobre essa matéria, pois todos esses documentos (RAIPI, notas fiscais de entrada e de saída, auto de infração e RELATÓRIO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO IPI que compões o auto de infração) fazem parte da documentação pertencente ao contribuinte. Não prospera, portanto, a alegação do contribuinte sobre a desinformação a respeito do lançamento em face de insuficiência ou não recolhimento do IPI." Repita se que tais fundamentos não foram objetivamente contestados no recurso voluntário, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser adotadas neste voto, conforme disposto no art. 50 da Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 26 25 (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito.” (Grifei) Em verdade, apesar de instada desde auditoria fiscal, bem como na decisão de 1a. instância, a recorrente não apresentou elementos objetivos que pudessem contestar as conclusões da fiscalização se atendo a alegações genéricas e conforme consta no Relatório Fiscal não comprovou o "Custo de Mercadorias Vendidas" (CVM), levando a fiscalização a considerar a contabilidade como "imprestável", ensejando assim o arbitramento do lucro e a presunção de omissão de receitas sobre as quais foram lançados os valores do IPI, com a aplicação da alíquota mais elevada sobre as receitas auferidas de tal omissão, nos termos do art. 488, §§1° e 2°, do RIPI/2002. De fato, para este tributo, é de se verificar o teor do art. 108 da Lei nº 4.502/1964, o qual serve de base para o art. 448, § 2º, do Regulamento do IPI (RIPI Decreto nº 4.544/2002): Art . 108. Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção o correspondente pagamento do imposto de consumo dos estabelecimentos industriais, o valor ou quantidade da matéria prima ou secundária adquirida e empregada na industrialização dos produtos, o das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão de obra empregada e o dos demais componentes do custo da produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas ou secundárias. § 1º Apurada qualquer diferença, será exigido o respectivo imposto de consumo, que, no caso, de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas diversas, será calculado com base na mais elevada quando não fôr possível fazer a separação pelos elementos da escrita do contribuinte. § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, será sôbre elas, exigido o imposto de consumo, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. Como se vê, a legislação do IPI contém a previsão de que, diante de receitas de origem não comprovada e sem registro na escrita da interessada, sobre essa base, as receitas omitidas (por presunção legal), se faça a exigência do imposto. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10665.000490/201064 Acórdão n.º 3801005.014 S3TE01 Fl. 27 26 Marcos Antonio Borges Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720594/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Não de conhece de embargos de declaração apresentados fora do prazo regimental.
Numero da decisão: 1401-001.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos embargos, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Não de conhece de embargos de declaração apresentados fora do prazo regimental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos embargos, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, e Maurício Pereira Faro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 05 94 /2 01 1- 08 Fl. 3932DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 11634.720594/201108 Acórdão n.º 1401001.279 S1C4T1 Fl. 3 2 O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) a impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Simples, relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2006, e; b) a impugnação aos autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Presumido, para os fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2007 e 2008. A contribuinte, em resposta a intimações específicas, apresentou os extratos bancários das contas movimentadas em diversas instituições financeiras, nos anos calendário de 2006 e 2008. No ano calendário de 2006, a empresa apresentou Declaração Anual Simplificada Pessoa Jurídica (SIMPLES) e nos anos calendário 2007 e 2008 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica com base no Lucro Presumido, .fls. 456/501. Com base na DCPMF (Declaração de não incidência da CPMF) e da DIMOF (Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira), verificouse no período auditado que a empresa manteve uma movimentação financeira muito superior à receita declarada junto a Receita Federal do Brasil. Diante do fato e com base nos extratos apresentados pela empresa, levantou se o total dos Créditos em cada instituição financeira, sendo a empresa, no dia 04/04/2011, intimada a efetuar as comprovações legais por meio de documentos hábeis e idôneos: Conforme solicitado na intimação, a empresa apresentou as justificativas ,nas planilhas, fls.1900/2347, relatando cada crédito, porém, não anexou nenhum documento que desse suporte aos esclarecimentos prestados, para que assim, fosse atendido ao disposto no art. 849 do RIR – Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99. Mesmo com a falta da documentação solicitada, foram analisadas as justificativas apresentadas, fls.1900/2347, e efetuadas as deduções cabíveis para se chegar ao valor da omissão de receita. Dos créditos totais apurados foram efetuadas as seguintes deduções: a) Transferências oriundas de contas da mesma titularidade; b) Operações de captação de Capital de Giro; c) Empréstimos Contratados; d) Resgate de aplicações financeiras; e) Devolução de Cheques do titular da conta bancária (Transportadora Real); f) Créditos/estornos da CPMF;. g) Indenizações relativo, pagamentos de sinistros de veículos e cargas; h) Desconto de cheques para captação de recursos financeiros; i) Consórcios; j) Estornos de taxas bancárias; k) Outras deduções (créditos de outros exercícios, leasing etc...). Após serem efetuadas as deduções relatadas foi apurado o total da Receita Bruta dos Serviços Prestados, cujo valor foi desmembrado mensalmente. A 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, por meio do Acórdão nº 0634.849. Cientificada do referido Acórdão em 25/11/2012 (fls. 2772), a contribuinte apresentou em 17/02/2019 o recurso voluntário de fls. 28002810, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória e reiterando o pedido de perícia e diligência. Fl. 3933DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 11634.720594/201108 Acórdão n.º 1401001.279 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente, a recorrente pediu a suspensão do presente julgamento, até que o STF se pronuncie em definitivo acerca da não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS. Também em sede de preliminar, arguiu a nulidade do Acórdão recorrido, pelo fato de tal decisão ter se omitido: i) quanto à dedução dos custos do desenvolvimento das atividades da recorrente; ii) quanto à inexistência de dolo, considerando que a recorrente forneceu os extratos bancários à autoridade fiscal; iii) quanto à realização da perícia requerida na impugnação. Este colegiado, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares, indeferiu o pedido de realização de perícia e de diligência e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário,, por meio de Acórdão nº 1401000.873, assim ementado (fls. 37803781): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal júris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal júris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PRESUNÇÃO LEGAL E ÔNUS DA PROVA Nas infrações lançadas por presunção legal cabe ao sujeito passivo o ônus da prova de que o fato presumido não ocorreu. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA Rejeitamse os pedidos de perícia e diligência quando desnecessárias, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento e quando versar exclusivamente sobre matéria de direito. Fl. 3934DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 11634.720594/201108 Acórdão n.º 1401001.279 S1C4T1 Fl. 5 4 LANÇAMENTOS DECORRENTES Devido à relação direta de causa e efeito aplicase ao lançamento decorrente o decidido com relação ao lançamento principal. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática reiterada de declarar ao Fisco Federal valores muito inferiores às receitas efetivamente auferidas, é procedimento doloso tendente à fraude e à sonegação, o que respalda a aplicação da multa qualificada. Devidamente cientificada do referido Acórdão em 11/07/2013 (v. fls. 3905), a contribuinte apresentou embargos declaratórios em 18/07/2013, argüindo a ocorrência de algumas omissões no acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Sobre os embargos declaratórios, dispõe o Regimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, DOU de 23 de junho de 2009, Seção I, fls. 34 a 39, retificado no DOU de 26 de junho de 2009, Seção I, fl. 231, com as alterações da Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009, DOU de 31.08.2009, e da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 – DOU de 22.12.2010): Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: [...] II pelo contribuinte, responsável ou preposto; No caso concreto, a contribuinte, ora embargante, foi notificado do Acórdão em 11/07/2013 (v. fls. 3905). Assim sendo, o termo inicial do prazo para apresentação de embargos foi o dia 12/07/2013 (sextafeira, dia de expediente normal da repartição de origem). Conseqüentemente, o termo final do referido prazo foi o dia 16/07/2013 (quartafeira, também dia de expediente normal da repartição de origem). Fl. 3935DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 11634.720594/201108 Acórdão n.º 1401001.279 S1C4T1 Fl. 6 5 A contribuinte, contudo, somente apresentou seus embargos declaratórios em 18/07/2013, ou seja, fora do prazo regimental. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer dos presentes embargos, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 3936DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004860/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS.
O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
CRÉDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS.
A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda.
Registro, abraçadeiras, válvulas, lâmina incandescente, conectores, disjuntores, computadores, periféricos, móveis, utensílios, automóveis Fiat Siena e Palio, destinados ao Ativo Permanente, não ensejam a tomada de créditos porque não guardam relação de pertinência ou essencialidade com o processo produtivo de ovos férteis e pintos de 1 dia.
CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES NÃO GRAVADAS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuição não cumulativa sob qualquer título.
Numero da decisão: 3402-002.682
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, que autorizaram a tomada de crédito como insumo sobre as aquisições de pintos recriados e pintos de 1 dia não destinadas à revenda.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido CRÉDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda. Registro, abraçadeiras, válvulas, lâmina incandescente, conectores, disjuntores, computadores, periféricos, móveis, utensílios, automóveis Fiat Siena e Palio, destinados ao Ativo Permanente, não ensejam a tomada de créditos porque não guardam relação de pertinência ou essencialidade com o processo produtivo de ovos férteis e pintos de 1 dia. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES NÃO GRAVADAS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuição não cumulativa sob qualquer título.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com as aquisições de correias, abraçadeiras, válvulas, rolamentos, contactor, parafusos, disjuntor, chaves, tubos, retentores, óleo de motor, lona de freio, filtros, materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento sobre as respectivas despesas de depreciação, assim como os e fretes sobre tais produtos não ensejam o creditamento como insumo. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, rebobinagem de motores, serviços de aferição de balanças, serviços de lavagem de veículos, serviços de pá carregadeira, serviços de retroescavadeira, serviços mecânicos, serviço de recapagem de pneus, assistência técnica em veículos, serviços de aferição elétrica, serviços de troca de rolamentos, conserto de motor, itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento sobre as respectivas despesas de depreciação, não ensejam o creditamento como insumo. CRÉDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 48 60 /2 01 0- 13 Fl. 3367DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 2 A tomada de créditos calculados sobre as despesas de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado está condicionada à sua utilização na produção de bens destinados à venda. Registro, abraçadeiras, válvulas, lâmina incandescente, conectores, disjuntores, computadores, periféricos, móveis, utensílios, automóveis Fiat Siena e Palio, destinados ao Ativo Permanente, não ensejam a tomada de créditos porque não guardam relação de pertinência ou essencialidade com o processo produtivo de ovos férteis e pintos de 1 dia. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES NÃO GRAVADAS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de bens sujeitos à alíquota zero não dá direito a crédito das Contribuição não cumulativa sob qualquer título. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, que autorizaram a tomada de crédito como insumo sobre as aquisições de pintos recriados e pintos de 1 dia não destinadas à revenda. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Puma Agroavícola transmitiu pedidos eletrônicos de ressarcimento, visando ao ressarcimento créditos de Cofins NãoCumulatividade Mercado Interno (não tributado), no valor total de R$ 10.579.656,19, abrangendo fatos inerentes ao período do 1º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2009. Os pedidos receberam a seguinte numeração: TRIMESTREBASE PER N° VALOR PLEITEADO (R$) 1º TRIMESTRE 2006 21987.30001.011008.1.5.117901 220.861,73 2º TRIMESTRE 2006 03295.38181.011008.1.5.110593 188.742,33 3º TRIMESTRE 2006 12294.98421.011008.1.5.118700 276.135,37 4º TRIMESTRE 2006 22619.51366.011008.1.5.116929 388.224,43 Fl. 3368DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10935.004860/201013 Acórdão n.º 3402002.682 S3C4T2 Fl. 3.368 3 TRIMESTREBASE PER N° VALOR PLEITEADO (R$) 1º TRIMESTRE 2007 23097.74920.011008.1.5.113606 412.649,63 2º TRIMESTRE 2007 04974.20044.011008.1.5.112093 326.828,44 3º TRIMESTRE 2007 39708.36556.040808.1.1.110060 593.758,52 4º TRIMESTRE 2007 03173.75765.040808.1.1.11 3274 785.146,66 1º TRIMESTRE 2008 22832.90757.040808.1.1.11 9721 967.244,77 2º.TRIMESTRE 2008 28531.16143.261108.1.1.117729 761.670,25 3º TRIMESTRE 2008 19214.33342.261108.1.1.115900 932.334,04 4º TRIMESTRE 2008 34659.61399.100809.1.1.111052 859.562,93 1º TRIMESTRE 2009 11436.24166.100809.1.1.111521 885.625,14 2º TRIMESTRE 2009 09391.29177.021009.1.1.119802 858.425,02 3º TRIMESTRE 2009 17464.33014.031209.1.1.111609 1.048.128,21 4º TRIMESTRE 2009 06993.94439.240510.1.1.11 3009 1.074.518,72 Os pedidos referemse a créditos tomados sobre custos e encargos incorridos com o processo produtivo de ovos férteis e pintos de 1 dia, não gravados com a contribuição (não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero), nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, combinado com o art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. Por meio do Despacho Decisório nº 39/2012, fls. 1.395 a 1.423, a DRF em CascavelPR deferiu o ressarcimento de R$ 5.394.857,56. A glosa, no valor de R$ 5.184.999,37, decorreu dos procedimentos de aferição realizados, tendo como base para a análise as informações contidas nos arquivos digitais apresentados, os relatórios apensados ao processo e os documentos fiscais identificados pelo requerente, em que se constataram divergências em algumas aquisições e operações com apropriação de crédito, resultando em glosas específicas, por linha identificativa de sua origem no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, conforme detalhamento e resumo mensal das glosas procedidas no período de 2006/2009, fls. 1.343 a 1.346. A Fiscalização ajustou as seguintes linhas do DACON: Linha 01 Bens para Revenda nos anos de 2008 e 2009: glosa do crédito apropriado sobre aquisições no valor de R$ 3.273.939,69, classificadas nos demonstrativos como "revenda" de produtos adquiridos com alíquota zero, tendo em vista a falta de previsão legal para a apropriação de créditos sobre aquisições de tal natureza e o fato de que não foram oneradas pela contribuição. Linha 02 Bens Utilizados como Insumos para o anos de 2006 a 2009: glosa do crédito apropriado sobre aquisições no valor total de R$ 24.068.257,26, classificadas nos demonstrativos como "insumos", mas que pela natureza das mercadorias, sua finalidade ou aplicação efetiva, quantidade e especificidade não se coadunam com a categoria de insumo, não se incorporam ao produto sob industrialização ou em produção e normalmente configuram gastos genéricos classificáveis como despesas e outros (ex: correias, abraçadeiras, válvulas, rolamentos, contactor, parafusos, disjuntor, chaves, tubos, retentores, óleo de motor, lona de freio, filtros, etc. e fretes sobre tais produtos), não fazendo jus ao crédito sobre tais aquisições, inclusive por falta de previsão legal, além de que também foram inseridas nesta categoria aquisições de produtos com alíquota zero ou não tributados, como ovos férteis incubáveis, vacinas, etc. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumos (...) para o anos de 2006 a 2009: glosa do crédito apropriado sobre tais aquisições no valor total de R$ 649.256,46 Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 4 classificadas nos demonstrativos como "serviços", mas que pela natureza, finalidade ou aplicação efetiva, não estão diretamente vinculados e não se incorporam ao produto sob industrialização ou produção (ex.: serviços de conserto de motores elétricos, rebobinagem de motores, serviços de aferição de balanças, serviços de lavagem de veículos, serviços de pá carregadeira, serviços de retroescavadeira, serviços mecânicos, serviço de recapagem de pneus, assistência técnica em veículos, serviços de aferição elétrica, serviços de troca de rolamentos, conserto de motor, etc.), que normalmente configuram gastos genéricos classificáveis como despesas ou outros títulos mas sobre os quais não se admite créditos desta contribuição. Linha 10 Sobre Bens do Ativo Imobilizado: as glosas efetuadas mensalmente na apropriação de créditos sobre Ativo Imobilizado, com base no valor de aquisição, totalizam R$ 25.119.155,70. Como este item envolve bens segregados em diversas origens da classificação contábil utilizada pela empresa, a fundamentação das respectivas glosas nas parcelas mensalmente apropriada, consiste nas seguintes características para cada tema: a) Sobre Matrizes: glosa do total de crédito apropriado neste item, tendo em vista o procedimento contábil inadequado na valoração e formação destes custos, em que foram apropriadas tão somente as notas fiscais de aquisição dos "pintos de um dia" e "pintos recriados" (adquiridos com alíquota zero), sem levar em conta ou manter registros de todos os demais custos incorridos na formação de cada lote de aves, até atingir a fase de início de postura. A ave não pode ser depreciada diretamente a partir da data de sua aquisição como pintainho, fora das condições normais para entrar em produção/postura, quando então iniciase o seu ciclo degenerativo. Considerado ainda o fato de que aquisições similares também eram procedidas para fins de revenda ou mesmo canalizadas diretamente para conta de insumos com a produção de ovos férteis e pintos de um dia, muito embora, nestes casos, tais aquisições, também foram todas excluídas da base de cálculo da composição dos créditos, por se tratar de produtos adquiridos com alíquota zero e conseqüentemente sem direito ao crédito pretendido. b) Sobre Máquinas e Equipamentos: A parcela relativa a depreciação calculada em 60 meses, sobre bens adquiridos de forma fragmentada e que pela natureza não se incorporam diretamente ao setor de produção da empresa, ou não foram devidamente alocados contabilmente para caracterizar sua imobilização ou a qual máquina ou equipamento do setor produtivo foram incorporados na construção, pois, genericamente sem tal especificação e detalhamento contábil, são simplesmente peças e partes ou ainda serviços adquiridos isoladamente e que se classificam como despesa de manutenção. Outra característica típica deste grupo de aquisições é o diminuto valor individual destas operações, pois são em Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10935.004860/201013 Acórdão n.º 3402002.682 S3C4T2 Fl. 3.369 5 geral peças e partes tais como: registro 1 ¼, TE ¾, Registro 3/4 com rosca, válvula, união interna 3/4, cabo flexível, fita isolante 10 MT, abraçadeira 25MM, arame galvanizado, lâmpada incandescente, catraca comum, plug macho 2P, conector perfurante, veda calha, roldana 36 X 36, plug fêmea 2P, arroela lisa 3/8, adesivo, disjuntor bifásico, etc. c) Sobre Computadores e Periféricos: parcela relativa a depreciação calculada em 60 meses, sobre bens adquiridos e que pela natureza são típicos de escritório ou administração e não se incorporam diretamente ao setor de produção da empresa, tais como: PLACA MÃE, MOUSE ÓPTICO, MEMÓRIA DDR 1GB, PROCESSADOR AM2 ATHON, TECLADO ABNT KMEX, FONTE ATX. 550W, MICRO COMPUTADOR, PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, SOFTWARE WINDOWS XP, CABO, CONECTOR RETO, ESTABILIZADOR 1KVA, IMPRESSORA EPSON LX, PENDRIVE 1 G, MONITOR15 SW500G, NOTEBOOK, etc. d) Sobre Móveis e Utensílios: A parcela relativa a depreciação calculada em 60 meses, sobre bens adquiridos e que pela natureza não se incorporam diretamente ao setor de produção da empresa, tais como: cadeira giratória, roupeiro, máquina de lavar roupa, mesa de escritório, TV 29", fogão, etc. e) Sobre Veículos: Aquela parcela relativa a depreciação calculada em 60 meses, sobre veículos adquiridos e que pela natureza (automóveis de passeio), não se incorporam diretamente ao setor produtivo da empresa, tais como: PALIO FIRE e um AUTOMÓVEL SIENA ELX FLEX. Linha 12 Devoluções de Vendas sujeitas a contribuição Evidenciado nos anos de 2008 e 2009 a apropriação de créditos sobre devoluções de vendas da empresa, no valor total de R$ 953.566,50 (...) entretanto tais operações de retorno de mercadorias reportamse a produtos que não foram onerados pela contribuição por ocasião da saída, logo a entrada a título de devolução também não pode gerar um crédito novo, pois estaria propiciando vantagem tributária extra e o sentido do crédito por devoluções é simplesmente anular o efeito da tributação anterior. Consiste em devolução de vendas de produtos que saíram com "alíquota zero" , tais como ovos férteis incubáveis e pintos de um dia, portanto já desonerados e justificandose a glosa sobre estas operações. Registrase ainda o expurgo de um crédito no valor de R$ 141.643,55 para o 4º trimestre de 2009, fundado na ausência de origem e detalhamento no respectivo DACON em detrimento ao valor do crédito pleiteado no PER nº 06993.94439.240510.1.1.113009 por ser Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 6 considerado a maior que o justificado (solicita no PER R$ 1.074.518,72 enquanto apresenta no DACON créditos de R$ 981.630,26). A listagem detalhando as Notas Fiscais, por tema, sobre as quais foram glosadas a apropriação de créditos do item anterior, devido ao grande volume, foram repassadas ao contribuinte em meio magnético mediante recibo de entrega, pelo sistema de validação e autenticação de arquivos digitais (SVA). Em Manifestação de Inconformidade, fls. 1.430 a 1.472, o interessado pugna pela reversão da glosa do creditamento sobre as aquisições de rolamentos, correias, abraçadeiras, válvulas, parafusos, disjuntores, chaves, tubos, retentores e lonas de freios, utilizados na manutenção de equipamentos; sobre as despesas de frete para o transporte dessas mercadorias, e sobre combustíveis e lubrificantes. Destaca que, conforme o laudo sobre o processo produtivo acostado aos autos com a Manifestação de Inconformidade, tais itens são insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, combinado com o disposto na Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, tendo em vista que são gastos inseparavelmente ligados aos elementos produtivos e necessários à atividade. Aduz que os valores despendidos com fretes para transporte de insumos também devem ser considerados como insumos por se tratar de etapa essencial à atividade econômica. Na continuação, controverte a glosa dos créditos tomados sobre os gastos com serviços utilizados como insumos, prestados na manutenção de armazéns, dos aviários, das balanças, da fábrica de ração, da frota, das granjas, de matrizeiros, de ninhos, de silos, de veículos, de máquinas e de equipamentos utilizados no processo produtivo. Entende que, uma vez demonstrado que os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos foram utilizados diretamente na fabricação, geram direito a crédito. Pede reforma do acórdão recorrido para que sejam canceladas as glosas dos créditos oriundos das aquisições de matrizes especificadas como “pintos recriados”, sob o fundamento de que são produtos adquiridos com alíquota zero, não ensejando a tomada de créditos, tendo em vista que o inc. X, do art. 1º da Lei nº 10925, de 23 de julho de 2004, não previu redução de alíquota para os bens classificados no código 0105.11.10 da NCM. Requer, da mesma forma, que se reconheça o direito ao crédito sobre as aquisições de matrizes, por não estarem sujeitas à alíquota zero, nos termos do mesmo dispositivo. Alternativa e sucessivamente, pugna por que se reconheça o direito à tomada de crédito sobre aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da contribuição porque a vedação constante do inc. II do § 2° do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, perverte o princípio da não cumulatividade. Quanto à glosa dos créditos sobre aquisições de bens do ativo imobilizado (registro, abraçadeiras, válvulas, lâmina incandescente, conectores, disjuntores, computadores, periféricos, móveis, utensílios, automóveis Fiat Siena e Palio), sob o fundamento de que não foi demonstrada sua direta aplicação na produção dos bens destinados à venda, diz que é indubitável que tais bens são imprescindíveis ao processo produtivo da recorrente. Conclui, requerendo o abono de juros Selic ao valor do ressarcimento. A 14ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 14048.692, de 17 de fevereiro de 2014, fls. 3.300 a 3.317, teve ementa vazada nos seguintes termos: Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10935.004860/201013 Acórdão n.º 3402002.682 S3C4T2 Fl. 3.370 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Somente são passíveis de apuração de créditos da não cumulatividade os dispêndios com máquinas e equipamentos que estejam ligados à produção e sejam classificáveis no Ativo Imobilizado. Faltando um desses requisitos, os créditos não podem ser admitidos. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. GLOSA. Correta, por força de expressa determinação legal, a glosa imposta aos créditos apurados pela contribuinte a partir de aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ÔNUS DA PROVA. Na relação processual relativa à verificação dos créditos da não cumulatividade pretendidos pelo contribuinte a título de restituição ou compensação, cabe a este a demonstração da obediência aos parâmetros legais de apuração relativos à comprovação da existência e à natureza dos dispêndios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 14ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 3.324 a 3.360, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, digressiona sobre o direito de crédito da Cofins não cumulativa e sobre o conceito de insumo para esse fim e descreve o processo produtivo da recorrente, para repetir os termos da Manifestação de Inconformidade apresentada, inclusive o requerimento de abono de juros Selic ao valor do ressarcimento. Especificamente, quanto à glosa dos créditos tomados sobre a aquisição de pintos de um dia e de pintos recriados, considera que o desconhecimento por parte da Fiscalização do processo produtivo da recorrente foi fundamental para o equívoco cometido na interpretação do que significa o termo matriz. Ensina que o processo produtivo dividese em Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 8 duas fases: a de recria e a de produção. É na fase de recria que são incorporadas as matrizes, denominadas de avozeiros, adquiridos de fornecedores de pintainhos. Esses avozeiros (matrizes) são adquiridos como pintos de um dia para que a empresa possa acompanhar seu crescimento e incrementar sua produtividade. Como regra, não são adquiridas aves adultas. Nada obstante, os pintos de um dia já são adquiridos com tal finalidade, registrados e contabilizados como tal. Insurgese contra o fato de a Fiscalização ter deixado de considerar as aquisições de matrizes documentadas pelas notas fiscais 28523, 28537, 00243, 00242, 00466 e demais notas fiscais que diz comporem o doc. 1, que instruiria a peça recursal. Resume a insurgência, afirmando que, ao não acatar a classificação contábil atribuída pela recorrente, a Fiscalização acabou por equiparar as aquisições de matrizes à alíquota zero. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 3.324 a 3.360 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO14ª Turma nº 14048.692, de 17 de fevereiro de 2014. Matérias controvertidas Circunscrevase o litígio às glosas dos créditos tomados sobre (i) os serviços de manutenção, (ii) aquisições de peças, parte de máquinas e elementos de manutenção, na sua grande parte utilizada nos matrizeiros, (iii) sobre as aquisições de matrizes especificadas como “pintos recriados” e “pintos de 1 dia”; e (iv) sobre a aquisição de máquinas equipamentos e demais bens do ativo imobilizado. Conceito de Insumo adotado neste voto O CARF vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10935.004860/201013 Acórdão n.º 3402002.682 S3C4T2 Fl. 3.371 9 reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 10 Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com esse conceito em com o processo produtivo da recorrente em vista, passemos à análise do caso concreto. Tomada de crédito como insumo sobre (i) as aquisições de rolamentos, correias, abraçadeiras, válvulas, parafusos, disjuntores, chaves, tubos, retentores e lonas de freios, utilizados na manutenção de equipamentos e veículos, registrados no Ativo Permanente e (ii) os serviços de manutenção de armazéns, dos aviários, das balanças, da fábrica de ração, da frota, das granjas, de matrizeiros, de ninhos, de silos, de veículos, de máquinas e de equipamentos Máquinas, equipamentos e veículos automotores são itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento com base nas despesas de depreciação. Deferir o creditamento a título de insumo, sobre o seu custo de aquisição, como pretende a recorrente, significaria beneficiamento dúplice, o que não se admite. O mesmo raciocínio aplicase em relação aos gastos com serviços de manutenção de armazéns, dos aviários, das balanças, da fábrica de ração, das frotas das granjas, de matrizeiros, ninhos e silos. O CARF examinou, por ocasião da prolação do Acórdão nº 3403002.536, a subsistência das glosas listadas pela Fiscalização correspondentes a aquisições de itens cujas conclusões se aplicam à hipótese ora em julgamento: “Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3o, II, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10935.004860/201013 Acórdão n.º 3402002.682 S3C4T2 Fl. 3.372 11 Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação ao custo de aquisição dos insumos, com base no art. 3o, II, da Lei nº 10.637/2002, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um daqueles bens que foram glosados se enquadra nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame da planilha de glosa revela que a maioria dos bens listados pela fiscalização pode ser considerado como passível de ativação obrigatória, seja em razão dos prazos de vida útil (art. 301, §2º do RIR/99), seja em razão de serem utilizados em conjunto com vários bens da mesma natureza (art. 301, §1o, do RIR/99). Exemplo disso são as vestimentas de proteção dos empregados, os coturnos de segurança e os utensílios utilizados em laboratório. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas na planilha de fls. 335 a 379”. Evidentemente, se esses gastos não são admitidos na base de cálculo, tampouco se admite que ensejem creditamento o fretes pagos para o transporte desses bens. Mantenhamse as glosas procedidas a este título. Glosa de créditos tomados nas aquisições de matrizes especificadas como “pintos recriados” e “pintos de 1 dia” (para revenda ou para integração do Ativo Permanente) A glosa dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação desse item deveuse fundamentalmente ao inadequado procedimento contábil adotado pelo contribuinte. A Fiscalização considerou que as aves não podem ser depreciadas diretamente a partir da data de sua aquisição como pintainho, fora das condições normais para entrar em produção/postura, quando então iniciase o seu ciclo degenerativo. Quanto aos créditos tomados nas aquisições para revenda, a Fiscalização glosouos por se tratar de produtos adquiridos com alíquota zero. O recorrente, a seu turno, discorre sobre o processo produtivo e sobre a conveniência para a sua produtividade da aquisição de matrizes ainda enquanto pintos de 1 dia. Ademais, articula as Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado – RGISH, para argumentar que os pintos de 1 dia classificamse no código NCM 0105.11.101, 1 01 Animais vivos. 0105 Galos, galinhas, patos, gansos, perus, peruas e galinhasd'angola (pintadas), das espécies domésticas, vivos. 01051 De peso não superior a 185 g: 010511 Galos e galinhas 01051110 De linhas puras ou híbridas, para reprodução Decreto nº 5.630, de 2005, art. 1° Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN 12 não sofrendo a redação de alíquota de que trata o inc. X do art. 1° da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Ainda, diferencia os pintos de 1 dia, adquiridos para revenda, dos que são adquiridos como matriz, para argumentar que, neste caso, escapam também da redução de alíquota já referida. Alternativa e sucessivamente, pugna pela tomada de crédito sobre bens adquiridos com alíquota zero. O pleito, sob qualquer ângulo que se analise, não merece acolhimento. O argumento recursal de que os pintos de 1 dia adquiridos como matriz não sofreram a redação de alíquota não se sustenta. O inc. X do art. 1° da Lei nº 10.9252, de 2004, reduz a zero a alíquota de incidência das contribuições sociais sobre a receita bruta de venda de pintos de um dia, sem qualquer distinção quanto a sua destinação (seja para revenda ou para criação como matrizes). Ademais, o contribuinte canalizou para compor o saldo da conta objeto da glosa tão somente as notas fiscais de aquisição dos "pintos de um dia" e "pintos recriados", nela não foram computadas matrizes. Tanto não houve registro de matrizes que uma dos óbices levantados pela Fiscalização foi o fato de que a contabilização adotada pela contribuinte não acompanhou os animais adquiridos até o início da fase de postura, momento em que se tornam matrizes. Nesse sentido, a questão suscitada não tem razão de ser, já que a conta atingida não apresentava registro de aquisição de matrizes, mas, tão somente, de pintos de um dia. Quanto à possibilidade de tomar créditos sobre as aquisições de bens não onerados pela Contribuição, a regra do § 2° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação que lhe foi dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, é taxativa: não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição, como é o caso dos bens tributados à alíquota zero. Portanto, a par das tergiversações recursais, a glosa foi correta, seja no que diz respeito aos “pintos recriados” e “pintos de 1 dia” adquiridos para revenda (inc. I c/c inc. III do § 1º do art. 3º) ou mesmo para integração do Ativo Permanente (inc. VI c/c inc. III do § 1º do art. 3°). Glosa dos créditos sobre aquisições de bens do ativo imobilizado Quanto à glosa dos créditos sobre aquisições de bens do ativo imobilizado (registro, abraçadeiras, válvulas, lâmina incandescente, conectores, disjuntores, computadores, periféricos, móveis, utensílios, automóveis Fiat Siena e Palio), efetuada sob o fundamento de que não foi demonstrada sua direta aplicação na produção dos bens destinados à venda, o recorrente diz que é indubitável que tais bens são imprescindíveis ao processo produtivo da recorrente. Art. 1° Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: [...] IX pintos de um dia classificados no código 0105.11 da TIPI; 2 Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: [...] X pintos de 1 (um) dia classificados no código 0105.11 da TIPI; ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10935.004860/201013 Acórdão n.º 3402002.682 S3C4T2 Fl. 3.373 13 A Lei nº 10.833, de 2003, assegura a tomada de créditos calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Exige no entanto que esses bens tenham utilização na produção de bens destinados à venda. Não há como admitir que itens como registro, abraçadeiras, válvulas, lâmina incandescente, conectores, disjuntores, computadores, periféricos, móveis, utensílios, automóveis Fiat Siena e Palio, destinados ao Ativo Permanente, ensejem a tomada de créditos, na forma do inc. III do § 1º do art. 3°, já que não guardam qualquer relação de pertinência ou essencialidade com o processo produtivo de ovos férteis e pintos de 1 dia. Correção do valor do ressarcimento O pleito de atualização monetária do valor do ressarcimento encontra óbice instransponível no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Nego. Conclusão Em face do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2015 Fl. 3379DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 15540.720415/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A falta de recolhimento das estimativas de IRPJ, na forma prevista no art. 2º da Lei 9.430/1996, sujeita o contribuinte à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor dos pagamentos mensais não efetuados (art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007).
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A falta de recolhimento das estimativas de CSLL, na forma prevista nos arts. 2º e 30 da Lei 9.430/1996, sujeita o contribuinte à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor dos pagamentos mensais não efetuados (art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007).
Numero da decisão: 1402-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso e manter a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Sergio Bezerra Presta, que davam provimento para cancelar essa multa. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Bezerra Presta.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Redator ad hoc
(Assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Redator designado
(Assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Bezerra Presta, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, e Paulo Roberto Cortez, Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A falta de recolhimento das estimativas de IRPJ, na forma prevista no art. 2º da Lei 9.430/1996, sujeita o contribuinte à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor dos pagamentos mensais não efetuados (art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A falta de recolhimento das estimativas de CSLL, na forma prevista nos arts. 2º e 30 da Lei 9.430/1996, sujeita o contribuinte à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor dos pagamentos mensais não efetuados (art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2241; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 329 1 328 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.720415/201124 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.823 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2014 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL Recorrente SOTER SOCIEDADE TÉCNICA DE ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A falta de recolhimento das estimativas de IRPJ, na forma prevista no art. 2º da Lei 9.430/1996, sujeita o contribuinte à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor dos pagamentos mensais não efetuados (art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A falta de recolhimento das estimativas de CSLL, na forma prevista nos arts. 2º e 30 da Lei 9.430/1996, sujeita o contribuinte à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor dos pagamentos mensais não efetuados (art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso e manter a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Sergio Bezerra Presta, que davam provimento para cancelar essa multa. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Bezerra Presta. Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator ad hoc (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 04 15 /2 01 1- 24 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR 2 Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado (Assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Bezerra Presta, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, e Paulo Roberto Cortez, Leonardo de Andrade Couto. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 15540.720415/201124 Acórdão n.º 1402001.823 S1C4T2 Fl. 330 3 Relatório Relatório elaborado pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez: “SOTER SOCIEDADE TÉCNICA DE ENGENHARIA S/A., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 30.098.529/000150, com domicílio fiscal na cidade de Niterói Estado do Rio de Janeiro – Rua Doutor Borman, n° 43, Bairro Centro, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Niterói RJ, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 213/222, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 242/248. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói RJ, em 06/12/2011, os Autos de Infração para exigir as multas de ofícios isoladas em razão da falta de recolhimentos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL (fls. 56/66), com ciência pessoal, em 08/12/2011 (fl. 56), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.154.654,18 a título de multa de ofício isolada no percentual de 50%, calculadas sobre o valor das estimativas trimestrais a recolher a título de IRPJ e de CSLL correspondente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Infração capitulada nos arts. 222 e 843, do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n°11.488, de 2007. 2 – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Falta de pagamento da Contribuição Social, balanços de suspensão ou redução. Infração capitulada nos arts. 222 e 843, do RIR/99; art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Lei n°11.488, de 2007. Em sua peça impugnatória de fls. 118/123, instruída pelos documentos de fls. 124/210, apresentada, tempestivamente, em 05/01/2012, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a impugnante é sócia ostensiva de outras pessoas jurídicas, denominadas Sociedades em Conta de Participação (SCP) e, por isso, sujeitase às normas do Decretolei nº 2.303/1986, artigo 7º, § único do RIR/1999, arts. 148 e 254, II da IN SRF nº 31, artigo 1º e parágrafos; que no cálculo do valor da multa isolada a cobrar, o Auditor Fiscal utilizou se do valor já pago do IRPJ trimestral, calculado com base no Lucro Presumido, declarado pela Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR 4 impugnante, mas relativo às Sociedades em Conta de Participação (SCPs) das quais é sócia ostensiva, conforme informado em suas DCTFs do anocalendário de 2007 e DIPJ/2008; que ocorre que a impugnante, além de cumprir perante o Fisco sua obrigação de representante daquelas SCPs, também prestou conta, na mesma DIPJ e de forma mais abrangente, dos resultados de sua própria atividade como contribuinte, tendo utilizado, para efeito de pagamento do IRPJ por ela devido, o regime de Lucro Real apurado com base no balanço de redução/suspensão, como previsto no artigo 230 do RIR/99; que, deve apresentar em sua declaração de imposto de renda de pessoa jurídica os resultados de sua atividade em separado dos resultados de suas SCP, podendo utilizar regimes de tributação diversos. Tal obrigação refletese também nos códigos de arrecadação do IRPJ e da CSLL. Essa distinção, todavia, passou desapercebida no exame fiscal; que sendo responsável tributária pelas mencionadas sociedades, a impugnante apresentou à SRFB nas já citadas declarações informativas os dados correspondentes ao IRPJ e CSLL devidos exclusivamente por ela no regime de Lucro Real e, em separado, o IRPJ e a CSLL devidos pelas SCP que apuraram o tributo pelo regime de Lucro Presumido; que a impugnante regime de tributação diferente do aplicado às suas SCP, como autorizado na IN SRF nº 31/2001, art. 1º, § 1º, apesar de dispor de toda a documentação solicitada, tanto em relação à impugnante quanto às sociedades em conta de participação; que na DIPJ a impugnante declarou ter optado pela apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL com utilização do balanço/balancete de suspensão. Na ficha 11, linha 12 foi indicado o valor do IRPJ a pagar devido pela impugnante na qualidade de contribuinte própria e na linha 13 o valor do IRPJ a pagar devido por suas SCP com base no Lucro Presumido; que da mesma forma procedeu quanto à CSLL; que a impugnante utilizando o regime de apuração por ela escolhido (balanço de suspensão) e aplicase indevida e gravosa multa sobre a base de cálculo incorreta (valores informados na Ficha 16, linha 12); que falece de legalidade a cobrança da multa isolada, eis que não há pressuposto fático de falta de pagamento de estimativas à época própria; que o fisco não percebeu as diferenças entre a impugnante e as sociedades em conta de participação, das quais é sócia ostensiva; entre as obrigações devidas por cada uma dessas pessoas jurídicas em função dos distintos regimes fiscais escolhidos (Lucro Real com Suspensão versus Lucro Presumido); que as apurações da impugnante, das SCP e os respectivos pagamentos (efetuados através de DARF com códigos específicos, deduções e compensações) obedeceram às normas dos respectivos regimes. Nas DCTF e DIPJ apresentadas tempestivamente pela sócia ostensiva, foram destacadas as informações pertinentes a cada uma dessas situações. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ concluíram pela improcedência da impugnação e Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 15540.720415/201124 Acórdão n.º 1402001.823 S1C4T2 Fl. 331 5 pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que afirma a interessada ser sócia ostensiva de outras pessoas jurídicas denominadas sociedades em conta de participação; que essas sociedades, na opinião de Fábio Ulhoa Coelho (in Curso de Direito Comercial, Volume 2, Editora Saraiva, ano 2000, página 457/458), “Definidas as sociedades empresárias como pessoas jurídicas, seria incorreto considerar a conta de participação uma espécie destas. Embora a maioria da doutrina conclua em sentido oposto (Lopes, 1990), a conta de participação, a rigor, não passa de um contrato de investimento comum, que o legislador, impropriamente, denominou sociedade. Suas marcas características, que a afastam da sociedade empresária típica, são a despersonalização (ela não é pessoa jurídica) e a natureza secreta (seu ato constitutivo não pode ser levado a registro na Junta Comercial);” que de acordo com o Código Civil, a sociedade em conta de participação é composta pelo sócio ostensivo e o sócio participante. O primeiro exerce as atividades da SCP, em seu próprio nome e sob sua exclusiva responsabilidade, sendo o único responsável perante terceiros. O segundo participa dos resultados, e responde exclusivamente perante o sócio ostensivo, nos termos do contrato social, que surte efeitos somente entre os sócios; que apesar de, no Código Civil, a SCP ser espécie de sociedade não personificada, ao lado da sociedade em comum, a legislação tributária a equipara às pessoas jurídicas, estando sujeitas às normas incidentes sobre estas. A escrituração pode ser feita tanto em livros contábeis próprios quanto nos do sócio ostensivo, neste caso, desde que de forma destacada, sobretudo quanto à apuração dos resultados e do lucro real; que quanto à forma de apuração do lucro, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 31, de 29 de Março de 2001, as SCP podem optar pelo lucro presumido, independentemente do regime adotado pelo sócio ostensivo. Os recolhimentos deverão ser efetuados em nome do sócio ostensivo, mediante DARF específico; que no caso em apreço, afirma a interessada que fez a opção pelo lucro real anual, sendo que seus sócios ocultos optaram pelo Lucro Presumido; que o fisco, às fls. 110, através do Termo de Intimação Fiscal nº 0001, recebida em 03/10/2011, solicitou que a interessada apresentasse a escrituração contábil das SCP citadas na sua escrituração para o período fiscalizado; que não consta dos autos qualquer resposta trazida pela interessada para corroborar a escrituração contábil das SCP e demonstrasse a segregação das escritas, para se ter certeza sobre os valores declarados em sua DIPJ e DCTF, já que a legislação permitia que fossem utilizados regimes de tributação diversos para o sócio ostensivo e as SCP; que a interessada tinha o ônus de comprovar a correção dos valores calculados a título de estimativa em sua contabilidade, sendo necessária, portanto, a entrega da documentação solicitada ao fisco para devida conferência, não obstante a possibilidade de se utilizar de regimes de tributação diferenciados; Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR 6 que do exame dos autos, verificase que a interessada traz apenas argumentações, sem comproválas; que e o lançamento da multa isolada independe de a base tributável ter sido apurada pelo contribuinte ou em ação fiscal, basta a inexistência de recolhimento das estimativas devidas para justificar a imposição; que, nestas condições, DEIXO DE ACOLHER a impugnação para considerar devida a exigência da multa isolada de 50% quanto à ausência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, respectivamente, no valor total de R$ 714.754,28 e R$ 440.099,94. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 SCP. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. APURAÇÃO DO RESULTADO. ESCRITURAÇÃO. As sociedades em conta de participação (SCP) são equiparadas, pela legislação tributária, às pessoas jurídicas, e podem optar pelo lucro presumido, independentemente do regime adotado pelo sócio ostensivo, devendo efetuar os recolhimentos em nome deste, mediante DARF específico, sendo que a escrituração pode ser feita tanto em livros contábeis próprios quanto nos do sócio ostensivo, neste caso, desde que de forma destacada, sobretudo quanto à apuração dos resultados e do lucro real, bem como estar à disposição da fiscalização, quando solicitado. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A exigência do lançamento de multa isolada pela falta ou insuficiência do recolhimento de antecipações mensais possui previsão estampada na Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso II, alínea “b”. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 07/10/2013, conforme Termo constante à fl. 227, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (01/11/2013), o recurso voluntário de fls. 242/248, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a Recorrente (que utiliza o sistema de Lucro Real para cálculo do IRPJ e da CSLL) é sócia ostensiva de Sociedades em Conta de Participação – SCPs ( que utilizam o Lucro Presumido para cálculo do IRPJ e da CSLL); Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 15540.720415/201124 Acórdão n.º 1402001.823 S1C4T2 Fl. 332 7 que ocorre que foi autuada por falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2007, na forma de multa isolada equivocadamente calculada sobre o IRPJ e a CSLL pagos trimestralmente pelas suas SCPs; que, ignorando tal fato, a Relatora julgou improcedente a impugnação sob a única alegação de não ter a empresa atendido Termo de Intimação do autuante para apresentar os Livros Fiscais; que ao contrário, dita obrigação foi logo cumprida como se comprova. Não há nos autos de infração qualquer menção do autuante a esse respeito. Os livros solicitados a ele foram entregues na repartição federal; que inexistindo nos Autos de argumento de não apresentação dos livros, a Autuada ficou impedida de, ao impugnálos, defenderse dessa acusação levantada pela Relatora na fase de julgamento. Típico cerceamento de defesa e gritante supressão de instancia que contaminam o Acórdão; que no caso de ausência de provas, a Impugnação apresentada trouxe anexo de A a G onde figuram as partes das Declarações de Rendimento, DCTFs e DCOMPs da então Impugnante com todos os dados que corroboram o acerto de seu procedimento tributário. Essas informações foram confrontadas pelo Auditor, que recebeu e examinou os livros fiscais da sócia ostensiva e de suas sócias participantes; que a cobrança equivocada, a Relatora não analisou a penalidade imposta à ora Recorrente (optante pelo regime de Lucro Real) pelo Atuante que utilizou – como base de cálculo para a multa isolada – o IRPJ e a CSLL das Sociedades em Conta de Participação (optantes pelo regime de Lucro Presumido). Outro erro que não pode prosperar; que esse foi o procedimento da ora Recorrente, espelhado nas devidas declarações e lastreado em sua escrita contábil. A empresa nada deve ao Fisco, pelo que se comprova com a força e a coerência dos documentos anexados ao processo; que das descrições dos fatos e base de cálculo, nos Autos não há qualquer indicação de como o Auditor concluiu pela falta de pagamento de estimativas nem há um demonstrativo que orientasse a Impugnante em sua defesa, indicando como base legal daqueles Autos o art. 222, do RIR/99 que trata apenas do regime de Lucro Real; que admitir, ad argumentandum, que a cobrança se refere simplesmente à ausência de pagamento de estimativa das SCPs, é ignorar a falta de previsão legal dessa alternativa para o Lucro Presumido, regime adotado pelas SCPs da Recorrente. Também nessa hipótese, estaríamos diante de Autos improcedentes. É o relatório.” Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR 8 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Redator ad hoc Tendo em vista impossibilidade do Conselheiro Paulo Roberto Cortez formalizar a decisão passo a redigila ressalvando que o posionamento aqui explanado reflete o entendimento do Relator original. “O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco dos autos de infração de fls. 56/61 e de fls. 62/65, para exigência da multa de ofício isolada em face da ausência de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre a base estimada, de 50%, no valor, respectivamente, de R$ 714.754,28 e 440.099,94. As razões da autuação fundamentamse na falta de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Assim, como visto no relatório, a discussão de mérito neste colegiado se prende, tãosomente, sobre a possibilidade de a autoridade fiscal lançadora aplicar a multa de ofício isolada no percentual de 50%, sob o argumento de a contribuinte ter deixado de recolher Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e/ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base em estimativas mensais. No caso da aplicação das multas de ofício isoladas motivadas pela falta de recolhimento das estimativas (IRPJ e CSLL), resta claro, que o ponto nodal da discussão diz respeito ao procedimento fiscal que ocorreu após o encerramento dos exercícios questionados. Não há dúvidas de que o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Significa dizer que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode sofrer duas sanções pelo cometimento de um mesmo ilícito. Entretanto, não é essa exatamente a discussão no presente processo. Aqui a discussão se restringe aos casos em que a aplicação da multa de ofício exigida isoladamente foi realizada após o encerramento do exercício questionado. É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se, por ventura, omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, se sujeita à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 15540.720415/201124 Acórdão n.º 1402001.823 S1C4T2 Fl. 333 9 o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Nesta linha de raciocínio entendo que a razão não está com a decisão recorrida, isto porque depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade – Multa de Ofício Isolada, havendo ou não base tributável em 31/12, não há como subsistir tal exigência, já que os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, art. 44, da Lei 9.430, de 1996, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que poderá ser devido ao final do anocalendário. A Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a aplicação da multa isolada, se manifesta da seguinte forma: Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A Lei nº 8.981, de 1995, se manifesta da seguinte forma: Art. 35 – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR 10 [...] § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31/12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do ano calendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo – sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Assim, não tenho dúvidas que é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o anocalendário em curso, tendo em vista que, com a apuração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Ora, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação, tãosomente, do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex offício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do Código Tributário Nacional, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, conforme se depreende dos autos, o auto de infração foi lavrado após o encerramento dos anoscalendário objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido no período. Logo, embora a contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o tributo no anocalendário questionado, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o anocalendário questionado, portanto, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto e a contribuição efetivamente devidos, porquanto, impossível, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do anocalendário. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 15540.720415/201124 Acórdão n.º 1402001.823 S1C4T2 Fl. 334 11 Esta matéria já tem jurisprudência formada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e com decisão favorável ao sujeito passivo e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas: Acórdão nº 9101001.869, de 29 de janeiro de 2014 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 31/01/1997 a 30/06/2001 MULTA ISOLADA APÓS ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. PENALIDADE DEVIDA LIMITADA AO TRIBUTO APURADO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. A exigência da multa isolada sobre valor de estimativa não recolhida mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, constatarse a falta de recolhimento ou recolhimento a menor do tributo apurado ao final por conta da insuficiência das estimativas recolhidas. Acórdão nº 9101001.547, de 22 de janeiro de 2013 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. Acórdão CSRF nº 9101001.207, de 17/10/2011 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002 CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR 12 Acórdão CSRF nº 9101001.335, de 26/04/2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Assim, o presente voto encontrase em consonância com a iterativa jurisprudência desta Corte Administrativa, no sentido de que a exigência da multa isolada sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidas mensalmente somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário, razão pela se faz necessário excluir da exigência tributária a multa isolada aplicada. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário.” (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 15540.720415/201124 Acórdão n.º 1402001.823 S1C4T2 Fl. 335 13 Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Redator designado Com a devida vênia, discordo do i.Conselheiro Relator. O assunto não é assente nesta Corte. Filiome à corrente que entende cabível a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais por expressa previsão legal. Nessa esteira, adoto, como razão de decidir no presente caso, os fundamentos do Acórdão 1301001.539, da lavra do i.Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. A legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do ano calendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, aplicase o disposto na Lei nº 9.430/96, art. 44, § 1º, inciso IV, originalmente assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º (estimativa mensal) , que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nessa ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o ano calendário. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR 14 Ausente tal demonstração, ou apurando a Fiscalização que estes balancetes revelam resultado inferior ao devido, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Assim, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deve a contribuinte apurar e recolher os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceria devido nos cálculos do ajuste anual. Dessa forma, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, mesmo verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do ano calendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Noutro giro, se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere dessa regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Inadmissível, assim, a interpretação de que as multas isoladas somente poderiam ser aplicadas antes de encerrado o ano calendário. A Lei nº. 11.488, de 15 de junho de 2007 deu nova redação ao artigo 44 acima transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. No que importa à presente análise a nova redação dada ao dispositivo legal promoveu alteração apartando as infrações distintas em incisos distintos e alterando, apenas, o Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 15540.720415/201124 Acórdão n.º 1402001.823 S1C4T2 Fl. 336 15 percentual da multa isolada, originariamente exigida na alíquota de 75%, reduzindoa para 50%. Nesse contexto, a dicção do dispositivo não deixa margem de dúvida acerca do seu alcance. A aplicação da multa isolada independe da apuração de resultado positivo, ou seja, é aplicável em qualquer situação, com ou sem base de imposto final, bastando apenas que se constate o dever – não observado de recolher antecipações, mediante estimativas, pouco importando se estas possuem apenas um caráter provisório, pois o que se busca é punir a conduta do contribuinte que, espontaneamente, abandonou a regra geral de tributação lucro real trimestral, sem respeitar o requisito para o ingresso na sistemática do lucro real anual, cujas estimativas mensais antecipatórias são de recolhimento imprescindível. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal, mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL no final do exercício, como no caso em exame. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário mantendo a multa isolada ao patamar de 50% . (Assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/05 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Numero do processo: 14479.000761/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato Gerador: 30/10/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar o contribuinte de informar a totalidade de fatos geradores de contribuição previdenciária em GFIP.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com o artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula do CARF nº 2, e ainda com o art. 26A do Decreto 70.235/1972, não compete às instâncias administrativas apreciar questões de inconstitucionalidade de lei, por extrapolar os limites de sua competência.
MULTA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, sendo as novas disposições do art. 32-A da Lei 8.212/91 mais favoráveis ao contribuinte, deve ser a multa recalculada em nome do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, c do CTN).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja recalculada a multa aplicável nos moldes do art. 32-A, I da Lei 8.212/1991, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Kleber Ferreira de Araújo que limitavam a multa ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nos AIOP (NFLD) correlatas. Declarou-se impedido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (presidente em exercício), Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar o contribuinte de informar a totalidade de fatos geradores de contribuição previdenciária em GFIP. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula do CARF nº 2, e ainda com o art. 26A do Decreto 70.235/1972, não compete às instâncias administrativas apreciar questões de inconstitucionalidade de lei, por extrapolar os limites de sua competência. MULTA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, sendo as novas disposições do art. 32A da Lei 8.212/91 mais favoráveis ao contribuinte, deve ser a multa recalculada em nome do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, ‘c’ do CTN). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 07 61 /2 00 7- 34 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que seja recalculada a multa aplicável nos moldes do art. 32A, I da Lei 8.212/1991, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Kleber Ferreira de Araújo que limitavam a multa ao valor calculado conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, deduzidas as multas aplicadas nos AIOP (NFLD) correlatas. Declarouse impedido o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (presidente em exercício), Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 14479.000761/200734 Acórdão n.º 2401003.930 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD nº 37.133.6821, por meio do qual se exige multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória, qual seja, deixar a empresa de informar todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias em GFIP nas competências de 06/2005 a 01/2006, 13/2006 e 01/2007 a 06/2007, cuja ciência ao contribuinte foi verificada em 31/10/2007 (fl. 02). Transcrevo a seguir trechos do relatório fiscal da infração e de aplicação da multa, às fls. 13/14: Em ação fiscal, foi constatado que a empresa entregou a GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), das competências 11/2004, 04/2005, 05/2005 e 06/2006 a 08/2006, sem a inclusão de todos os segurados a seu serviço, e assim, com dados que não correspondem a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Infringiu, portanto, o disposto no art. 32, inciso IV e § 5º da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97. (...) De acordo com o disposto no art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei 8.212/91, e art. 284, inciso II e §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a multa a ser aplicada pela infração cometida equivale a cem por cento do valor devido, relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I do art. 284, do RPS, que referese a valores variáveis equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo em função do número de segurados. O Valor mínimo de R$ 1.195,13 foi atualizado pela PT/MPS 142, de 11/04/2007. O multiplicador correspondente conforme tabela é 1 (um). Às fls. 20/24 o contribuinte apresentou Impugnação alegando, em síntese: · Que a autuação não tem esteio tributário e que as multas aplicadas significam um enriquecimento ilícito do Estado, constituindo ofensa à igualdade das partes; · Que a exigibilidade do crédito exigido encontrase suspensa por força da impugnação; · Que a multa é ilegal, por ferir os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, configurando verdadeiro confisco ao patrimônio do contribuinte. Intimada a se manifestar sobre a Impugnação, a 9ª Turma da DRJ/SPOII proferiu o acórdão 1725.987, cuja ementa abaixo transcrevo: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/08/2006 AI n.º 37.133.6821 de 30/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições para a Seguridade Social. LEGALIDADE – Autuação obedeceu aos ditames legais, respeitando os princípios constitucionais vigentes. CERCEAMENTO DE DEFESA – impugnante exerceu plenamente seu direito à ampla defesa e contraditório, preceituado pelo artigo 5º, LV da Constituição Federal em vigor. INCONSTITUCIONALIDADE – Não houve declaração de inconstitucionalidade para os dispositivos legais que embasaram o presente Auto de Infração. Lançamento Procedente. Intimado do acórdão em 21/08/2008, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 62/66 reiterando as razões já aduzidas em sua impugnação. À fl. 83 o recurso foi encaminhado a este CARF. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 14479.000761/200734 Acórdão n.º 2401003.930 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme restou demonstrado no relatório, a lide administrativa gira em torno da entrega da GFIP pelo Recorrente sem que houvesse a informação da totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, por não inclusão da totalidade de segurados a seu serviço, nas competências de 11/2004, 04/2005, 05/2005 e 06/2006 a 08/2006. Analisando os autos, pude notar que a referida infração possui íntima relação com a exigência tributária de obrigação principal consubstancializada nos PAF’s de nºs 14479.000787/200782 e 14479.000785/200793, referente a tais fatos geradores de contribuição previdenciária. Contudo, os referido PAF’s já foram objeto de análise por este CARF: no PAF de nº 14479.000787/200782, através do Acórdão de nº 2302001.481, foi dado parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer a decadência de parte do lançamento, excluindo do mesmo as competências até 11/2001, inclusive, mantendose as demais competências que não estariam abarcadas na decadência; por sua vez, no PAF nº 14479.000785/200793, foi proferido o Acórdão de nº 230201.482, negando provimento ao recurso. A partir destas considerações, chegase à conclusão de que o resultado dos referidos processos de obrigação principal não afetará a análise do presente recurso, tendo em vista que o período no qual restou caracterizada a infração, segundo a autoridade autuante, se deu em determinadas competências entre 11/2004 a 08/2006, fora do período em que foi reconhecida a decadência, portanto. Passo, então, a analisar as razões do recorrente referentes à multa. Insurgese o Recorrente alegando que a multa deve ser anulada por ser esta completamente ilegal, desproporcional, desarrazoada e confiscatória. Quanto às alegações da Recorrente acerca da falta de razoabilidade e proporcionalidade da multa, bem como do seu caráter confiscatório, entendo que não merecem prosperar, tendo em vista que a multa em tela foi aplicada com base na legislação vigente à época dos fatos geradores, de modo que se presume válida e apta a produzir efeitos até que sobrevenha a sua retirada do ordenamento jurídico pelos meios nele previstos. Por sua vez, quanto à alegada inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das referidas multas (vigentes à época da autuação, vale ressaltar), não é cabível a sua análise em sede de processo administrativo fiscal, tendo em vista que não compete aos órgãos administrativos fiscais se pronunciarem sobre a inconstitucionalidade da lei tributária, atividade que compete exclusivamente ao Poder Judiciário, conforme legislação aplicável à matéria abaixo transcrita: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM 6 Decreto 70.235/1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portaria 256/2009 – “Regimento interno do CARF” ANEXO II Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal tema já foi, inclusive, sumulado por esse E. CARF, a teor do enunciado da Súmula n.º 2, abaixo transcrito: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, em que pese o Recorrente não tenha adentrado em outros aspectos de mérito que sejam capazes de ilidir a infração e multa contra si imputada, observo que tanto a decisão administrativa de primeira instância, quanto o recurso voluntário interposto se deram antes das alterações legislativas realizadas pela Lei 11.941/2009, a qual, dentre outras matérias, modificou totalmente a legislação previdenciária no aspecto de penalidades aplicáveis pelo cometimento de infrações. Para a infração do presente caso, notase que o § 5º do art. 32 da Lei 8.212 (que previa uma multa de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada) foi revogado pela Lei 11.941/2009, sendo tal infração e penalidades agora regidas pelo art. 32A da mesma lei, vejamos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM Processo nº 14479.000761/200734 Acórdão n.º 2401003.930 S2C4T1 Fl. 5 7 correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Como se observa, os valores de multa trazidos pelo art. 32A são mais benéficos ao contribuinte se comparados com a legislação vigente à época da autuação. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM 8 Desta forma, tendo em vista que tais alterações legislativas se deram após o recurso voluntário, o entendimento desta relatora é no sentido de ser possível o reconhecimento de ofício da aplicação do princípio da retroatividade benigna, consagrado no CTN em seu art. 106, II, “c” abaixo transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Por fim, quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário requerida pela Recorrente, cumpre ressaltar que ela decorre da própria lei, nos termos do art. 151, III, do CTN, instaurandose desde o início da fase contenciosa do processo administrativo fiscal mediante a apresentação da Impugnação, não havendo, portanto, o que deferir em relação a este requerimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido dar PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para que seja recalculada a multa aplicável nos moldes do art. 32 A da Lei 8.212/1991, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, ‘c’ do CTN). É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por CAROLINA WA NDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 10680.724283/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
Ementa:
COOPERATIVAS. CREDITAMENTO DE LEITE IN NATURA ADQUIRIDO DE SEUS ASSOCIADOS.
Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 era legítima a Cooperativa apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite in natura dos seus associados da Cooperativa.
FRETES CONTRATADOS PELO PETICIONÁRIO MAS CUJO ÔNUS DO PREÇO FOI SUPORTADO PELO FORNECEDOR.
As Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem que o direito a crédito a partir dos gastos com frete depende de que o ônus desses gastos tenha sido efetivamente suportado pelo contratante do serviço de frete.
Numero da decisão: 3401-002.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de leite. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite que davam provimento integral ao recurso. Os Conselheiros Julio César Alves Ramos e Robson Bayerl negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Eloy Eros para redigir o voto.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Redator designado.
EDITADO EM: 09/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Ementa: COOPERATIVAS. CREDITAMENTO DE LEITE IN NATURA ADQUIRIDO DE SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 era legítima a Cooperativa apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite in natura dos seus associados da Cooperativa. FRETES CONTRATADOS PELO PETICIONÁRIO MAS CUJO ÔNUS DO PREÇO FOI SUPORTADO PELO FORNECEDOR. As Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem que o direito a crédito a partir dos gastos com frete depende de que o ônus desses gastos tenha sido efetivamente suportado pelo contratante do serviço de frete.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Ementa: COOPERATIVAS. CREDITAMENTO DE LEITE IN NATURA ADQUIRIDO DE SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 era legítima a Cooperativa apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite in natura dos seus associados da Cooperativa. FRETES CONTRATADOS PELO PETICIONÁRIO MAS CUJO ÔNUS DO PREÇO FOI SUPORTADO PELO FORNECEDOR. As Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 prevêem que o direito a crédito a partir dos gastos com frete depende de que o ônus desses gastos tenha sido efetivamente suportado pelo contratante do serviço de frete. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de leite. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite que davam provimento integral ao recurso. Os Conselheiros Julio César Alves Ramos e Robson Bayerl negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Eloy Eros para redigir o voto. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 42 83 /2 01 0- 19 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 EDITADO EM: 09/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA. Relatório Este Acórdão traz o relatório e o voto integrais entregues pela Ilma Conselheira relatora à Secretaria, que não o pode assinar por ter deixado de compor o colegiado. Tratase o presente processo administrativo de 64 (sessenta e quatro) pedidos de Ressarcimento/Compensação referentes ao período de 01/01/2006 a 31/12/2009, e relativos apuração (trimestral) de Cofins Não Cumulativa – Exportação, Cofins Não cumulativa – Mercado Interno, PIS Não cumulativo – Exportação, PIS Não cumulativo – Mercado Interno). O Despacho Decisório nº 775 (fls. 662/673 do processo 10680.724.283/201019) proferido pela DRF/Belo Horizonte, por intermédio do Relatório Fiscal de fls. 62/556 deferiu parcialmente o pleito, reconhecendo o direito creditório global no valor de R$100.729.984,28 conforme fls. 526. Cientificada da decisão em 28/06/2011 (fls. 681 do processo 10680.724.283/201019), a contribuinte manifestou sua inconformidade, em 28/07/2011, pleiteando o seguinte: a – Possibilidade de creditamento integral das aquisições de leite in natura de associados; b Do direito à integralidade do creditamento dos valores incorridos na contratação de serviços de frete sobre a aquisição de leite in natura dos associados; c – Possibilidade de creditamento integral da energia elétrica consumida sob o regime de demanda contratada. A DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, devendo a DRF de origem apurar o novo valor do direito creditório em face da insubsistência da glosa da energia elétrica de demanda, e operacionalizar a homologação da compensação/ressarcimento até o limite do crédito reconhecido. Cientificado da decisão, a Interessada apresentou Recurso Voluntário e Memoriais, onde foram ratificadas as razões para o acolhimento dos créditos de forma integral. É o relatório. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10680.724283/201019 Acórdão n.º 3401002.990 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Vencido Conselheira Ângela Sartori. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que tomo conhecimento do mesmo. A Recorrente apresentou Pedidos de Ressarcimento de Créditos de PIS/COFINS, apurados pelo regime da nãocumulatividade, relativos ao período de 2006 a 2009. O feito administrativo em exame trata originalmente de Despacho Decisório que indeferiu parte dos referidos créditos. Estão em discussão no Recurso Voluntário as glosas realizadas sobre os seguintes créditos: (i) crédito decorrente da aquisição de leite in natura dos associados da CCPR; (ii) crédito do frete contratado para transporte do leite dos fornecedores às instalações fabris da cooperativa. AQUISIÇÕES DE LEITE IN NATURA DE ASSOCIADOS: POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO INTEGRAL ANTES DO ADVENTO DA IN SRF nº 636/2006 Houve a glosa do crédito relativo à aquisição de leite, da Recorrente de seus associados (outras cooperativas de produção rural) sob a seguinte fundamentação: “A cooperativa não possui direito ao crédito básico de PIS e COFINS nas operações com associados por ter o direito de excluir da base de cálculo destas contribuições os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa, como determina o inciso I e §1º do art. 15 da MP nº 2.11329, de 27 de Março de 2001, DOU de 28.3.2001, reedições e modificações posteriores, até a MP 2158 35/2001.” Contudo, entendo que não pode prevalecer o entendimento em questão, que, não encontra qualquer amparo legal. Na verdade, não existe nenhuma disposição normativa vedando o creditamento nas aquisições dos cooperados. O benefício da exclusão do ato cooperado da base de débitos do Pis e da Cofins decorre da MP 215829, que é um instrumento para a aplicação da determinação constitucional (artigo 146, III, c, da CF/88) de “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas”. Tratase de benefício incontestável e constitucionalmente legitimado, que não pode significar impedimento para o aproveitamento de um crédito na apuração de Pis e Cofins, permitido a todos os demais contribuintes que estejam na mesma situação. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 Por outro lado, cumpre destacar que o benefício da exclusão do ato cooperado da base de cálculo do Pis e da Cofins foi, na prática, anulado pela aplicação da alíquota zero aos produtos derivados do leite. Ou seja, tanto as cooperativas com as sociedades empresárias, não estão sujeitas ao débito de Pis e Cofins nas vendas de produtos de laticínios. Assim, vedar à cooperativa o direito ao crédito nas aquisições de cooperados significa dar um absurdo tratamento mais oneroso à cooperativa em comparação com a sociedade empresária, o que é uma contradição inadmissível e totalmente incompatível com a determinação constitucional de dar tratamento adequado ao ato cooperado. O que sustenta a Recorrente é que, antes da IN SRF nº 636, não existia qualquer limitação ao aproveitamento de créditos de aquisição de bens e insumos do processo produtivo. Até o advento da aludida Instrução Normativa, as cooperativas gozavam tanto do direito às exclusões de base de cálculo a elas aplicáveis quanto aos créditos apurados em decorrência do regime nãocumulativo, de forma simultânea e sem que uma circunstância excluísse a outra. Em 2004, por meio da Lei 10.865/2004, as cooperativas de produção agropecuária (tal como a Recorrente), além das exclusões da base de cálculo previstas na legislação, foram autorizadas a aderir à sistemática nãocumulativa de PIS e COFINS. Sob esse regime, a cooperativa passou a tomar crédito das aquisições de insumos necessários à sua atividade (sendo o leite in natura o principal), bem como os demais créditos previstos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Notase que a regra que autorizou a adoção do regime nãocumulativo às cooperativas de produção agropecuária ressalvou, expressamente, a subsistência concomitante do direito às exclusões de base de cálculo previstas no art. 15 da MP 2.15835/2001. Esse é, como visto, exatamente o dispositivo invocado pela Fiscalização para justificar a glosa. Posteriormente, a Lei 10.925/2004 instituiu a suspensão da incidência do PIS e da COFINS nas vendas feitas por associados a cooperativas e, conjuntamente, instituiu o crédito presumido (em alíquotas menores e formas de aproveitamento diversas) em favor do adquirente. No entanto, embora a Lei 10.925/2004 (D.O.U de 26/07/2004) tenha estipulado o início da produção de efeitos das regras relativas à suspensão para 1º de agosto de 2004 (v. art. 17), é certo também que condicionou a aplicabilidade desse regime à regulamentação da Receita Federal. Essa regulamentação, por sua vez, somente ocorreu em 2006, por meio da IN SRF nº 636 (D.O.U de 04/04/2006), a qual dispôs “sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre o crédito presumido decorrente das aquisições desses produtos.” Nesse contexto, podese concluir que, antes da IN SRF nº 636/2006, não estava efetivamente em vigor a suspensão das contribuições ao PIS e COFINS nas hipóteses em exame. Consequentemente, até então, era legítima a apuração do crédito integral das contribuições pela aquisição do leite dos associados da Cooperativa. Essa conclusão, inclusive, já foi reconhecida pela própria Receita Federal em Consulta envolvendo a mesma controvérsia: “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 214 de 01 de Junho de 2009 Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10680.724283/201019 Acórdão n.º 3401002.990 S3C4T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. É possível a alteração dos créditos descontados nesse período, sendo exigida a entrega de Dacons e DCTFs retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a compensação com outros tributos e a restituição, bem como a correção pela Selic dos valores a compensar ou a restituir em relação a pagamentos indevidos ou a maior da COFINS. Descabe a compensação com outros tributos e o ressarcimento dos créditos da não cumulatividade, exceto quando oriundos de receita de exportação ou de vendas sujeitas à não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe a correção para créditos oriundos da sistemática nãocumulativa.” Por fim, ressalta ainda a Recorrente que os créditos apurados em relação à aquisição de leite de associados pela Recorrente, objeto do presente processo administrativo, restringemse ao período anterior à vigência da IN SRF nº 636/2006. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste item. CRÉDITOS DE FRETE SOBRE A AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA DOS ASSOCIADOS Parte dos créditos de frete na aquisição de leite dos associados da Recorrente foi glosada em virtude de que, para a DRJ, a Cooperativa tinha um acordo negocial com os cooperados de repassar o custo do frete nos acertos devidos. O entendimento, porém, mostrase equivocado, uma vez que a Cooperativa é a única responsável pela contratação do frete, arcando diretamente com o custo de todo transporte do leite in natura adquirido de seus associados, eis que tal ônus decorre de contrato mercantil firmado entre as partes (Cooperativa e prestador do serviço). O fato de ter existido, em determinado período, acordo comercial entre a Recorrente e associados que tomam como parâmetros, dentre outros aspectos, parte do valor de Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 frete incidente sobre a operação, não é suficiente para desnaturar a cooperativa como contratante de fato e direito do frete e, por conseguinte, aquela que arca com o seu custo. O acordo entre particulares não altera a natureza ou as condições da contratação do frete pela Cooperativa muito menos transfere ao associado o direito à tomada do crédito decorrente de sua contratação. A contratação é realizada exclusivamente pela Cooperativa estando completamente excluído dessa relação o fornecedor do leite (associado). Tal fato é evidenciado pela circunstância de que (i) o pagamento é feito pela Recorrente; (ii) ela está indicada como tomadora dos serviços de transporte nos documentos fiscais; (iii) ela é a única a ter relação contratual com o transportador. Além disso, o indeferimento desse crédito implicará na ausência de seu aproveitamento por qualquer parte, em desrespeito ao regime nãocumulatividade. Isso porque, caso não fosse a Cooperativa a contratante do frete, mas o próprio associado, ele se beneficiaria dos respectivos créditos. Portanto dou provimento ao recurso voluntário, também neste item. CONCLUSÃO Diante do exposto dou provimento integral ao recurso voluntário. Conselheira Ângela Sartori Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator designado. Redijo este voto com a missão de registrar o entendimento divergente do expressado pela mui ilustre Conselheira Ângela Sartori, relatora do processo nesta sessão, em seu fundamentado voto, com relação ao creditamento dos valores incorridos na contratação de serviços de frete para transportar o leite in natura adquiridos dos associados. Parecenos que razão não assiste à contribuinte neste aspecto do seu recurso voluntário. A autoridade de jurisdição, ao apreciar os pedidos e o direito creditório alegado pela contribuinte, decidiu glosar os créditos relacionados aos gastos com fretes para transportar o leite in natura adquiridos dos associados, no período 01/2006 a 03/2007, por que se constatou, com a análise dos lançamentos contábeis, que esses custos foram descontados dos fornecedores do leite. Tanto a autoridade de jurisdição, como os julgadores a quo, esposarem o mesmo entendimento e concluíram que o ônus do frete foi suportado pelos fornecedores de leite e não pela CCPRMG, que procurou se creditar dos mesmos. A contribuinte contesta esta decisão e afirma que é ela que consta como a única titular dos contratos e demais documentos relativos a esses serviços de transporte e foi ela quem assumiu o ônus dos pagamentos aos prestadores do serviço. Ela acrescenta em sua argumentação: Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10680.724283/201019 Acórdão n.º 3401002.990 S3C4T1 Fl. 5 7 "o fato de ter existido em determinado período um acordo comercial entre as partes para acertos que tomam como base, dentre outros aspectos, parte do valor de frete incidente sobre a operação, não é suficiente para desnaturar a CCPR como contratante do frete. Tratase de acordo entre particulares, que não altera a natureza ou as condições da contratação do frete pela CCPR, muito menos transfere ao associado o direito à tomada do crédito decorrente da contratação do frete'. Ocorre que as leis que disciplinam a matéria são meridianamente claras: o direito ao creditamento requer que os respectivos gastos tenham sido pagos ou creditados pela contribuinte em favor do prestador de serviços. In verbis nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (... ) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...). A recorrente não contesta que, no período de 01/2006 a 03/2007, esses gastos com frete foram descontados dos valores devidos aos fornecedores do leite in natura, seus associados, conforme constatado pela autoridade fiscal e demonstrado pelos lançamentos contábeis da contribuinte. Essa transferência do ônus do frete para o fornecedor subtrai da contribuinte uma das condições definidas pela Lei para justificar o direito ao creditamento, qual seja: ter tido o ônus de ter pago o frete. Correta a argumentação dos julgadores de 1º piso que afirmaram: Se a própria contabilidade da Cooperativa evidencia que esses custos foram descontados dos fornecedores de leite, a conclusão a que se chega é que não poderiam, em nenhuma hipótese, ser apropriados como créditos pela interessada. Sendo assim, divergimos do voto da Conselheira Ângela Sartori neste item e propomos seja negado provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira redator designado. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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