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Numero do processo: 10283.003022/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/06/2005
TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO RECURSO
Não deve ser conhecido o recurso voluntário apresentado após o término do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 3301-006.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da intempestividade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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CONHECIMENTO DO RECURSO Não deve ser conhecido o recurso voluntário apresentado após o término do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da intempestividade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 30 22 /2 00 7- 31 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 309 2 "Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados em 28/05/2007 para a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins Importação), Contribuição para o Programa de Integração Social (PISImportação), respectivos juros de mora e multas de ofício, no valor total de R$ 39.887,35 (trinta e nove mil, oitocentos e oitenta e sete reais e trinta e cinco centavos). A autoridade autuante relata no Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, fls.02/15, que: o importador, por meio da DI de n° 05/06522304, registrada em 22/06/2005, submeteu a despacho de importação duas máquinas para injeção plástica (modelo HTF300X Série 050503003856 e modelo HTF200X Serie 050702000142) e três conjuntos de secador/alimentador de matériaprima (capacidades de 25, 50 e 100Kg), com classificação na Tarifa Externa Comum, respectivamente, sob os códigos 8477.40.90 e 8477.90.00 e acobertadas pelo conhecimento de carga n° CFIJ304106, bem como pela fatura comercial n° 2005 127; a alíquota ad valorem da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre a importação, vigente para esta mercadoria na data do registro da respectiva DI (momento de ocorrência do fato gerador, para efeito de cálculo, segundo o art. 4 ° , inciso I, da Lei n ° 10.865/2004) era de 7,60%, conforme o disposto no Art. 8°, inciso II da Lei 10.865/2004; o importador deixou de recolher a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins Importação) e a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público(PIS/PASEP Importação), alegando a suspensão desses tributos por se caracterizar como empresa industrial instalada na Zona Franca de Manaus; porém, segundo a fiscalização, tal suspensão só passou a ser aplicável a partir do disposto no Art. 50 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Ciente do Auto de Infração em 29/05/2007, fls. 02 e 07, a autuada apresentou a impugnação de fls. 26 a 56, onde, em síntese do necessário, alegou: a autuação não poderá prosperar; quando da importação levada a efeito pela impugnante e registrada por meio da DI 05/06522304, estava em curso o Mandado de Segurança n° 2005.32.00.0035888, por meio do qual a autuada questiona judicialmente a cobrança do PISImportação e da COFINSImportação quando das importações de máquinas, acessórios e equipamentos destinados b. Zona Franca de Manaus – ZFM; com o escopo de obter a suspensão da exigibilidade dos valores exigidos, quando do desembaraço aduaneiro de suas máquinas, equipamentos e acessórios, nos autos do aludido Mandado de Segurança, a impugnante passou a depositar judicialmente os valores exigidos a titulo de PIS Importação e de COFINS Importação; os valores apurados como supostamente devidos a titulo de PIS Importação e de COFINSImportação, quando do desembaraço aduaneiro dos bens importados apontados na DI 05/06522304 FORAM DEPOSITADOS JUDICIALMENTE PELA IMPUGNANTE; quando a suspensão da exigibilidade do crédito decorre de depósito judicial, não há que se falar na constituição do crédito tributário para efeito de obstar Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 310 3 decadência, na medida em que, caso vencido o contribuinte, o valor depositado é convertido definitivamente em renda da União Federal; por ter o artigo 3° do DecretoLei n° 288/67 se referido, no aludido artigo, ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados, argumenta o Fisco que os incentivos fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus, relativos às importações, se limitariam à isenção do imposto sobre produtos industrializados e do imposto de importação; por fim requer, em vista da suspensão do crédito tributário, nos termos do art. 151, II, do CTN, seja anulada a autuação, haja vista que a lavratura do Auto de Infração afronta o art. 151, II, do CTN; requerse, outrossim, caso mantida a cobrança, que seja afastada a exigência da taxa SELIC, vez que cobrada de forma inconstitucional. O processo foi encaminhado à repartição de origem para que fosse anexado aos autos cópia da ação inicial (Mandado de Segurança n° 2005.32.00.0035888) para apreciação da lide. O que foi feito (fls. 94/111). Consta ao final da referida ação: (...) Do Pedido Ex positis, rogase à Vossa Excelência que se digne de: (i) conceder, initio litis, liminar que garanta o direito líquido e certo da impetrante de: a) importar máquinas, equipamentos e acessórios "a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem", com a aplicação do regime de suspensão do PISImportação e da COFINS Importação, com base no § I o do art. 14 da Lei n° 10.865/04, afastandose a exigência do recolhimento de tais tributos como condição à realização do desembaraço aduaneiro dos referidos bens: (negritei) b) não sofrer a aplicação do disposto no art. 12 da Instrução Normativa n° 424/04, por ser flagrantemente ilegal e inconstitucional; (ii) determinar a imediata expedição de ofícios às autoridades impetradas, a fim de que estas sejam comunicadas da concessão da liminar, caso deferida; (iii) determinar o regular processamento do presente "writ", intimandose as autoridades impetradas para prestarem as informações de praxe, ouvindose o douto Ministério Público Federal, para que, ao final, seja concedida integralmente a segurança pleiteada, a fim de que seja declarado o direito da impetrante de promover a importação de máquinas, equipamentos e acessórios, com a aplicação do regime de suspensão do PISImportação e da COFINSImportação previsto no § I o do art. 14 da Lei n° 10.865/04, bem como seu direito de não se submeter ao disposto no art 12 da IN SRF n° 424/04, seja em função da ilegalidade e inconstitucionalidade do dispositivo, seja em razão de sua total inaplicabilidade à importação de máquinas, equipamentos e acessórios, como medida da mais lídima JUSTIÇA !!! É o Relatório." Em 09/10/14, DRJ em São Paulo (SP) não conheceu da impugnação e o Acórdão n° 16062.076 foi assim ementado: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 311 4 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/06/2005 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO . O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. O depósito do montante integral do tributo suspende a sua exigibilidade, sendo eventual lançamento de ofício tomado como medida preventiva à consumação da decadência. JUROS DE MORA. É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, com o objetivo de prevenir a decadência. Os juros de mora são consectários legais da obrigação tributária principal, que incidem independente da vontade das partes. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" Informado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira A recorrente tomou ciência do recurso voluntário no dia 27/05/15 e, por conseguinte, tinha de ter protocolizado o recurso voluntário até o dia 26/06/15, isto é, dentro do prazo de trinta dias, previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Contudo, o recurso foi apresentado no dia 29/06/15, ou seja, intempestivamente. Abaixo, os documentos que comprovam os fatos narrados: Aviso de Recebimento (AR fl. 282) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 312 5 Carimbo na primeira página do recurso voluntário (fl. 290): Extrato do Processo (fl. 300), emitido pela Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Manaus (AM): Isto posto, não conheço do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 313 6 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.935078/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 50 78 /2 00 9- 89 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.935078/200989 Acórdão n.º 1302003.327 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.935078/200989 Acórdão n.º 1302003.327 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.935078/200989 Acórdão n.º 1302003.327 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.935078/200989 Acórdão n.º 1302003.327 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000861/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992
DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS.
Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72).
Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do crédito alegado pela contribuinte mencionada na decisão recorrida, quando a própria recorrente sequer especificou ou comprovou os elementos de discordância com os cálculos mantidos nessa decisão.
Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade ou impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992 DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do crédito alegado pela contribuinte mencionada na decisão recorrida, quando a própria recorrente sequer especificou ou comprovou os elementos de discordância com os cálculos mantidos nessa decisão. Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade ou impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador. Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 08 61 /2 00 9- 46 Fl. 308DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Dcomps transmitidas eletronicamente pela contribuinte entre 15/03/2006 e 21/08/2008, de saldos credores de Finsocial oriundos da Ação Ordinária nº 2000.71.02.0001014, na qual foi postulada a devolução de valores da contribuição recolhidos com alíquota excedente a 0,5%, que transitou em julgado em 26/08/2004. Foi proferido despacho decisório com a homologação parcial das compensações, sob os seguintes fundamentos: (...) 05. A ação judicial foi objeto de análise pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT, dessa Delegacia, conforme Despacho de fl. 45, tendo, apurado um crédito a favor do sujeito passivo, calculado conforme determina a decisão judicial, no montante de R$ 678,23 (seiscentos e setenta e oito reais e vinte e três centavos), atualizado até janeiro de 1996. 06. Através do demonstrativo de fls. 58/59 (frente e verso) foram efetuados os cálculos pertinentes visando à homologação das compensações efetuadas pelo sujeito passivo, mediante o confronto do crédito oriundo da ação judicial nº 2000.71.02.0001014 com os débitos compensados. 07. Da análise do demonstrativo constatase que o crédito não é suficiente para liquidar a totalidade dós débitos compensados. (...) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese, que houve equívoco por parte dos auditores fiscais, ao glosarem quase a totalidade das compensações implementadas, embora o crédito apresentado estivesse em estrita consonância com a decisão judicial transitada em julgado. O julgador a quo devolveu os autos à Unidade de Origem para a verificação das alegações trazidas pela manifestante. Em atendimento, foram anexados documentos e despacho no qual se informou o não atendimento pela contribuinte de intimação para apresentação de demonstrativo/planilha acerca do que a contribuinte entendia serem os créditos utilizados em compensação. Os autos retornaram a DRJ, que decidiu por não acolher as razões de defesa da manifestante, vez que "ante a falta de demonstração/comprovação de eventuais outros valores decorrentes da ação judicial, passíveis de compensação, resta turva a liquidez e certeza deste pretenso direito creditório, donde deve ser mantido o ato decisório inicial". Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11060.000861/200946 Acórdão n.º 3402006.647 S3C4T2 Fl. 309 3 Cientificada dessa decisão em 11/09/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/10/2012, com as seguintes alegações principais: Apesar de desconsideradas pela decisão recorrida, as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade demonstram a existência de crédito em análise, bem como a suficiência do mesmo para suportar o encontro de contas implementado nas Dcomps ao presente feito (fls. 02/39). Inexiste qualquer débito adicional no procedimento fiscal, tratandose exclusivamente das compensações realizadas pela recorrente devidamente chanceladas pelo Poder Judiciário. A recorrente protesta pela oportuna produção de provas que lhe permitam comprovar as suas alegações, especialmente a realização de diligências que os julgadores entendam necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Ao contrário do afirmado pela recorrente, as alegações da manifestação de inconformidade não demonstraram a existência de crédito adicional àquele que já havia sido utilizado na homologação parcial das compensações autorizadas no despacho decisório. Não obstante a então impugnante, na sua peça de defesa, não tenha detalhado qual seria o ponto de discordância específico em relação aos cálculos efetuados pela fiscalização do seu direito creditório, o julgador a quo suspeitou que a divergência no valor do crédito pudesse ser atribuída aos períodos de apuração, razão pela qual converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) Observadas as peças processuais, constatase que quando da apreciação das DCOMPs apresentadas foi considerada a informação de fl. 46 (numeração eproc). Tal informação foi baseada no PAJ nº 11060.000567/0081, no qual foi apurado um valor de crédito de R$ 678,23, atualizado até 01/1996. Segundo o Fisco, somente seriam passíveis de aproveitamento valores credores entre os PAs 11/1991 e 03/1992 (fls. 44 e 45 – numeração eproc), não havendo qualquer informação quanto aos PAs anteriores, observado o critério do prazo decadencial, esmiuçado na decisão judicial. Por sua vez, a contribuinte alega que teria valores credores para PAs entre 05/03/1990 e 22/04/1994. Muito embora se saiba que o FINSOCIAL existiu até 03/1992 (o que, por si só, já derrubaria parte do pretenso crédito), bem como reste inconteste que a contribuinte não apresentou qualquer planilha demonstrando seu crédito, claro está que neste processo não há qualquer referência feita pelo Fisco quanto a PAs Fl. 310DF CARF MF 4 anteriores aos referidos nas fls. 44 e 45 (numeração eproc). E aí parece residir a controvérsia. Diante disto e visando a efetivação de uma criteriosa análise do entendimento constante do Despacho Decisório, comparativamente aos argumentos expendidos pela contribuinte na manifestação de inconformidade, proponho a remessa do presente processo à DRF de origem, para que: I – intime a contribuinte a apresentar demonstrativo/planilha do que entende serem seus créditos, anexandoa ao presente processo, caso haja atendimento; II – verifique, comprove e informe nos autos a situação dos PAs anteriores aos indicados nas planilhas de fls. 44 e 45 (numeração eproc), observando a questão do prazo decadencial, amplamente tratado na Ação Ordinária nº 2000.71.02.000101 4 que transitou em julgado em 26/08/2004; III – caso haja apuração de novo montante de crédito, passível de compensação, verifique e informe quais débitos declarados restariam homologados; IV – produza outras informações que julgar necessárias, dando ciência à contribuinte dos elementos que produzir, permitindo àquela sua manifestação no prazo legal, se assim entender indispensável. No entanto, a interessada não atendeu à intimação para especificar eventuais créditos adicionais a que teria direito em face da decisão judicial transitada em julgado. Além disso, informou a fiscalização que os valores de créditos obtidos pela fiscalização (fls. 44/45) eram compatíveis com os dados de pagamentos constantes no Processo de Acompanhamento Judicial (PAJ) nº 11060.000567/0081, conforme cópia de demonstrativo juntada na fl. 227 deste processo. Nesse demonstrativo observase que a fiscalização desprezou os pagamentos com vencimento em setembro e outubro de 94 (vide cota na fl. 227: "03/92 > COFINS"), o que está em consonância com a incidência da Cofins a partir da produção de efeitos da Lei Complementar nº 70, publicada em 31/12/91, com a consequente revogação do Decretolei nº 1940/82 que havia instituído o Finsocial. Quanto aos períodos de apuração anteriores a novembro/91, verificase que não foram localizados pagamentos a título de Finsocial, vez que a fiscalização pesquisou nos sistemas da Receita Federal o período de data de arrecadação entre 01jan1990 a 01dez2009, como indica a parte superior do demonstrativo da fl. 227. De outra parte, a interessada não acrescentou qualquer documento, na diligência de primeira instância ou no recurso voluntário, que comprovasse eventuais pagamentos de Finsocial relativos a períodos de apuração anteriores a novembro/91. Na Ação Ordinária nº 2000.71.02.0001014 foi declarada, em sentença e mantida no Tribunal, a existência de crédito relativo aos valores recolhidos a maior a título de Finsocial com base nos dispositivos legais declarados inconstitucionais, conforme Darf's acostados aos autos judiciais, a título de Finsocial, para fins de restituição ou compensação. No entanto, a interessada não apresentou, em contraposição ao despacho decisório ou à decisão recorrida, a comprovação de qualquer pagamento indevido ou a maior que o devido a título de Finsocial reconhecido judicialmente que não teria sido aceito pela fiscalização para fins de compensação. Alegar sem comprovar é o mesmo que não alegar. Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11060.000861/200946 Acórdão n.º 3402006.647 S3C4T2 Fl. 310 5 destinasse a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Do julgador do CARF é esperado que ele decida motivadamente em consonância com os argumentos e provas apresentados pela recorrente, cotejandoos com os demais elementos dos autos. Certamente que não seria tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do crédito alegado pela contribuinte mencionada na decisão recorrida, quando a própria recorrente não se deu ao trabalho de especificar e comprovar os elementos de discordância com os cálculos mantidos nessa decisão. Assim, o pedido de diligência da recorrente deve ser indeferido. Ademais, conforme se denota na leitura do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 abaixo, em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a impugnação ou a manifestação de inconformidade, não há qualquer previsão para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador nas situações cabíveis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 312DF CARF MF 6 Dessa forma, por ausência de previsão legal, indeferese também o pedido da recorrente de futura produção de prova. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720082/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.677
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 08 2/ 20 16 -0 1 Fl. 7487DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.488 2 RELATÓRIO Tratase de recurso interposto por DAIKIN MCQUAY AR CONDICIONADO BRASIL LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1156.940, da 4ª Turma da DRJ Recife, que deu provimento parcial à impugnação, corrigindo erros de apuração do crédito tributário e inexatidões materiais. A decisão recorrida, entretanto, manteve parcela do crédito lançado. Contra essa parte da decisão a recorrente dirigiu seu inconformismo. A Fiscalização considerou elevado o saldo da conta fornecedores no final do ano de 2013. Solicitou, então, que a recorrente preenchesse um formulário, indicando a composição do passivo, com dados relativos às obrigações contraídas, o nome do credor, o valor da operação, o número do documento que originou a obrigação, a data do pagamento e o registro no livro Diário, colocando à disposição os respectivos documentos. Em relação ao saldo da conta fornecedores internacionais Daikin Japão, o formulário (preenchido pela recorrente) indicava que todas as obrigações que compunham o saldo em 31/12/2013 teriam sido liquidadas no ano de 2014, indicando também que a contabilização poderia ser verificada em consulta ao SPED contábil. A recorrente, entretanto, não teria posto à disposição os documentos que serviram de base ao preenchimento da planilha. A autoridade fiscal, consultando o livro razão, extraído do SPED contábil, em confronto com o formulário "composição do passivo", constatou a falta de coincidência dos valores lançados a débito para dar baixa das dívidas constantes do referido formulário. Essa circunstância teria impossibilitado a apuração "real" da "omissão de receitas", de modo que a apuração se fez verificando a movimentação ocorrida em 2014, como demonstrado no quadro abaixo: PASSIVO FICTÍCIO CONTA FORNECEDORES INTERNACIONAIS DAIKIN JAPÃO CRÉDITOS SALDO DA CONTA EM 31/12/2013 137.762.883,75 CRÉDITOS LANÇADOS EM 2014 212.244.288,08 TOTAL DOS CRÉDITOS 350.007.171,83 DÉBITOS CONTA ESTOQUE EM TRÂNSITO CONSIDERADO COMO LIQUIDAÇÃO 89.983.737,55 PAGAMENTOS CONTA BANCÁRIA 161.804.078,16 TOTAL DOS DÉBITOS 251.787.815,71 SALDO PROVÁVEL DA CONTA FORNECEDORES EM 31/12/2014 98.219.356,12 SALDO DA CONTA DE FORNECEDORES EM 31/12/2014 17.309.162,28 PASSIVO FICTÍCIO APURADO EM RELAÇÃO AO ANO BASE 2013 80.910.193,84 Fl. 7488DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.489 3 Nas demais contas em que a autoridade fiscal constatou passivo fictício, a infração ficou evidenciada a partir de informações inseridas pela própria recorrente no formulário "composição do passivo", o qual indicava que parte das obrigações constantes dos saldos existentes em 31/12/2013 tinha sua origem em 2014, ou seja, no ano posterior. Daí concluiu a Fiscalização tratarse de passivo inexistente em 2013. A situação foi assim demonstrada no Termo de Constatação Fiscal (fls. 392 a 398): PASSIVO FICTÍCIO APURADO DAIKIN JAPÃO 80.910.133,84 FORNECEDORES NACIONAIS 761.539,72 PROV. ESTOQUE IMP. JAPÃO 5.833.679,71 PROV ESTOQ EM TRANS MCQUAY WHUAN 38.306,43 PROV ESTOQ EM TRANS MCQUAY LATIN AMERICA 1.194.953,61 PROV ESTOQ EM TRANS SHENZHEN MCQUAY 87.263,86 PROV ESTOQ EM TRANS MCQUAY ITALIA 18.526,56 PROV ESTOQUE EM TRANSITO 95.467,98 TOTAL 88.939.871,71 O lançamento, além de colher o passivo fictício em 2013, como demonstrado no quadro acima, considerou também como passivo fictício a totalidade do saldo da conta fornecedores no final do ano base 2012, já que não houve baixa de obrigações em 2013. A infração deu ensejo a lançamento de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, acrescido de multa e juros, sendo que a autuação do ano de 2012 se fez com multa qualificada. Ao lançamento sobreveio impugnação a que a DRJREC deu parcial provimento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. COMPETÊNCIA. A manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada caracterizase como omissão de receita, por presunção legal. A falta de comprovação de parte do saldo das obrigações mantidas em conta do passivo autoriza a presunção de passivo fictício. Incumbe ao contribuinte o dever de comprovar a efetiva existência das obrigações escrituradas em seu passivo, sob pena de caracterizarem omissão de receitas. Do saldo final do período serão subtraídos os valores que já foram objeto de idêntico lançamento no período anterior, em função do regime de competência e sob pena de tributação em duplicidade. PREJUÍZO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores pode ser compensado com o lucro fiscal apurado, até o limite de 30% (trinta por cento) deste. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 7489DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.490 4 Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não havendo cerceamento ao direito de defesa e nem incompetência da autoridade que lavrou o auto de infração, não há que se falar em nulidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012,2013 MULTA QUALIFICADA. A qualificação da multa de oficio demanda fundamentação e motivação, sem o que resta prejudicada sua manutenção. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de ofício tem previsão em norma vigente, devendo a mesma ser aplicada. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, que não sejam súmulas vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais que não tenham efeitos erga omnes somente vinculam as partes da mesma. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ corrigiu os seguintes erros e inexatidões materiais na apuração do crédito tributário: a) Erro cometido ao levar o valor apurado a título de passivo fictício do Termo de Constatação Fiscal para o auto de infração, aumentando a omissão de receitas de R$88.939.871,71 para R$88.973.356,31, no ano base 2013 (reflexo nos quatro tributos). b) Inclusão do passivo fictício do ano base 2012 (R$ 39.966.479,03) no montante relativo ao ano seguinte (2013), gerando duplicidade de tributação (reflexo nos quatro tributos). c) Erro na apuração do crédito tributário de CSLL, visto que a incidência recaiu diretamente sobre os valores dos passivos fictícios dos anos de 2012 e 2013, sem considerar os resultados dos períodos e sem realizar a compensação da base de cálculo negativa acumulada (prejuízo fiscal) de períodos anteriores, até o limite de 30% do lucro líquido ajustado. d) Aplicação de multa qualificação para a omissão de 2012, sem qualquer fundamentação para tanto, o que levou o órgão julgador a reduzir o percentual a 75%. Além disso, a DRJ constatou na apuração do Imposto de Renda erro que, ao final, resultou em exigência menor do que a devida. É que, no lançamento, o valor da receita omitida em cada ano foi adicionado ao resultado contábil do período fiscalizado (prejuízo contábil de R$ 30.045.461,87 em 2012 e R$ 52.084.280,96 em 2013), quando o certo seria adicionar a omissão de receita ao resultado fiscal (prejuízo fiscal de R$ 17.200.812,92 para 2012 e R$ 38.347.121,62 para 2013). O erro gerou, em 2012 e 2013, diminuição de tributo. Fl. 7490DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.491 5 Porém, como não se permite à DRJ agravar lançamento, o erro, apesar de ter sido constatado, foi mantido pela decisão a quo. Alertada do fato, a Fiscalização procedeu a lançamento suplementar para exigir a diferença, o qual consta do processo administrativo n° 19311.720365/201725. Posteriormente, o Acórdão nº 1156.940 foi revisto pelo Acórdão nº 1158.245, de 21 de julho de 2017, apenas para corrigir erro relacionado ao saldo de prejuízo fiscal de IRPJ (no sistema SAPLI), sem qualquer impacto no valor do crédito tributário remanescente, objeto de controvérsia neste processo. Inconformada com a decisão, na parte que lhe foi contrária, Daikin Mcquay interpôs recurso. Alegou, preliminarmente, que o lançamento padece de erros de cálculo e de ausência de fundamentação clara e, por essa razão, já deveria ter sido cancelado pela DRJ. A recorrente também arguiu a nulidade da decisão recorrida, que, alegando questões formais e procedimentais, deixou de examinar as provas carreadas aos autos. No mérito, negou a existência de passivo fictício, aduzindo que todos os valores questionados correspondem a importações de equipamentos de ar condicionado e peças, importados majoritariamente de sua controladora no Japão. Explicou que as importações são realizadas sob condição FOB (free on board), e por isso o registro contábil se faz, no primeiro momento, como estoque em trânsito em contrapartida de provisões referentes a estoque em trânsito. Após o efetivo desembaraço aduaneiro, a recorrente contabilizava o ativo estoque e o passivo dívida para com empresa estrangeira. Parte desse passivo teria sido quitada com pagamentos em dinheiro, portanto, com trânsito de numerário e desembolso de caixa. A maior parcela, porém, foi convertida em capital social da própria recorrente em benefício da Daikin Japão, a principal credora. A recorrente alegou ter apresentado uma copiosa quantidade de documentos (mais de seis mil folhas) que não chegou a ser apreciada nem pela Fiscalização, nem pela DRJ. Teria ocorrido apenas uma análise superficial por amostragem, levando a entendimento distorcido. Alegou também, quanto aos fornecedores nacionais, que a equivocada compreensão da autoridade fiscal e da DRJ se deve a um erro na formatação da planilha "composição do passivo". O erro, no entanto, era de fácil percepção. A recorrente afirmou ter apresentado nova planilha, deixando claro que não poderia ter havido registro em 2013 de obrigações assumidas no futuro, em 2014. Questionou a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, que ultrapassaria as fronteiras da razoabilidade e da proporcionalidade; e também a incidência de juros de mora sobre a multa em face da falta de previsão legal. Com esses fundamentos pugnou pela reforma da decisão recorrida na parte que manteve o lançamento. O processo veio ao CARF, onde se encontra não apenas para julgamento do recurso voluntário, mas também para reexame da decisão que exonerou uma parcela do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 7491DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.492 6 VOTO Conselheiro Roberto Silva Junior Relator A infração colhida no lançamento foi a omissão de receitas, provada a partir da constatação de passivo fictício. Nesse sentido, relata o Termo de Constatação Fiscal (fls. 392 a 398): 2.Conforme Termo de Intimação Fiscal (2), a empresa foi devidamente intimada a preencher o formulário "Composição do Passivo", com os dados das obrigações contraídas, indicando o nome do credor; valor da operação; número do documento que originou a dívida contraída, data do vencimento da obrigação, bem como os dados da contabilização: data de pagamento e registro no livro Diário, colocando à disposição os documentos que servirem de base ao seu preenchimento. 3.O formulário foi devidamente preenchido, indicando que todos os valores que compõem o saldo final da conta "FORNECEDORES INTERNACIONAIS DAIKlN JAPÃO, em 31.12.2013, foram pagos no anocalendário de 2014, apontando que a contabilização está disponível no SPED contábil, porém não foram colocados à disposição os documentos que servirem de base ao seu preenchimento, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal datado de 12.04.2016. 4.Verificando o Razão, extraído do SPEDContábil, no anocalendário de 2014, observase que os valores lançados a débitos, considerados pelo contribuinte como pagamentos das dívidas contraídas, e mencionadas no formulário "Composição do Passivo", não guardam coincidências de valores, tornandose impossível a apuração real de "omissão de receitas", de modo que a apuração foi realizada na forma dos subitens a seguir. (g.n.) (fls. 392 e 393) Conforme o Termo de Constatação Fiscal, a Fiscalização solicitou à recorrente o preenchimento de uma planilha com dados relativos ao passivo. A planilha foi denominada de formulário composição do passivo. Embora o aludido formulário tenha sido apresentado pela recorrente, os documentos que lhe serviam de lastro não foram postos à disposição da autoridade fiscal. Além disso, as informações contidas no livro Razão (extraído do SPED Contábil) divergiam dos dados que constavam do formulário. Essa circunstância teria obrigado a Fiscalização a verificar os lançamentos a débito e a crédito da conta Fornecedores Internacionais Daikin Japão. A partir desse exame, a autoridade fiscal concluiu que o "provável saldo" da conta, em 31/12/2014, era de R$ 98.219.296,12. O saldo real, na mesma data, era de R$ 17.309.162,28. Assim, o passivo fictício apurado para o ano base 2013, naquela conta, era de R$ 80.910.133,84. Nas demais contas, o passivo fictício foi apurado com fulcro em informações extraídas do já mencionado formulário composição do passivo, que indicava que algumas obrigações haviam sido constituídas em 2014. Diante disso, a autoridade lançadora concluiu que havia passivo fictício, porquanto os valores das obrigações constituídas em 2014 já estariam contabilizados desde 2013. Fl. 7492DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.493 7 A recorrente, por sua vez, afirmou ter posto à disposição da autoridade fiscal toda a documentação comprobatória das importações, bem como ter esclarecido que os valores registrados a título de passivo estavam respaldados em documentos hábeis e idôneos, os quais tornaram a ser apresentados quando da impugnação. Disse ainda a recorrente: 41, Basicamente, os valores registrados pela Recorrente a título de obrigações com fornecedores nos anoscalendários de 2012 e 2013 foram quitados de duas formas principais: (1) mediante efetivo pagamento, com desembolso de caixa e trânsito de numerário, sendo tais valores devidamente suportados por contratos de câmbio formalizados junto ao Banco do Brasil S.A., devidamente refletidos no extrato conta corrente da empresa (doc. n° 13 da Impugnação); e (2) no caso específico da Daikin Japão controladora da Recorrente , a quitação de passivos se deu mediante conversões de dívida de importação em capital, as quais estão igualmente suportadas por contratos de câmbio, extratos bancários e documentos registrados perante a Junta Comercial {docs. nº 13, 14 e 15 da Impugnação). (g.n.) (fl. 7.170) Ressaltou a recorrente que grande parte das obrigações com a Daikin Japão constituídas nos anos de 2012, 2013 e 2014 foi capitalizada ao longo do ano de 2014. Quanto à planilha composição do passivo, no que tange aos fornecedores nacionais, alegou ter cometido um erro de formatação. Aduziu que a planilha retificadora, apresentada na impugnação, não chegou a ser examinada pela DRJ. A controvérsia, em linhas gerais, gira em torno desses pontos. De início, cabe registrar que no decurso da ação fiscal foram feitas quatro intimações à recorrente, excluído o termo de início de fiscalização. Constam também comunicações por escrito da recorrente, registrando a entrega dos documentos solicitados, sem que nelas haja ressalvas do Fisco, acusando a ausência de qualquer informação ou documento solicitado. Não existe também nenhuma intimação reiterando requisição anterior não atendida, seja no todo ou em parte. Portanto, a presunção é de que os documentos requisitados foram entregues ou, pelo menos, postos à disposição do Fisco. Seja como for, a Fiscalização apurou a existência de passivo fictício na conta Fornecedores Internacionais Daikin Japão a partir de lançamentos a débito e a crédito dessa conta no livro Razão, chegando a um saldo "provável", no final de 2014, do qual foi extraído o saldo real para obterse o suposto passivo fictício em 2013. A recorrente, por sua vez, afirmou que a maior parte das obrigações foi capitalizada. Em tese, a conversão em investimento de obrigações com credores externos não afronta a lei, existindo referência expressa a esse tipo de operação no art. 50 do Decreto nº 55.762/1965 (regulamento da Lei nº 4.131/1962 que disciplina a aplicação de capital estrangeiro e as remessas de valores para o exterior). Confirase: Art 50. A Superintendência da Moeda e do Crédito poderá autorizar: a) a conversação, em investimento, do principal de empréstimos registrados ou de quaisquer quantias, inclusive, juros, remissíveis para o exterior; Fl. 7493DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.494 8 b) o registro como empréstimo, a prazo e com juros aprovados pela Superintendência da Moeda e do Crédito, dos juros de empréstimos registrados, dos lucros remissíveis de capitais registrados e de quaisquer outras quantias remissíveis para o exterior. §1º As conversões de que trata êste artigo poderão ser condicionadas à realização de operações simbólicas de câmbio. §2º Fica a Superintendência da Moeda e do Crédito, sem prejuízo do normal processamento das demais solicitações, autorizada a adotar medidas especiais visando a acelerar o exame dos pedidos de conversão de que trata êste artigo. No caso dos autos, a recorrente trouxe cópias de contratos de operações simbólicas de câmbio e cópia da 13ª alteração e consolidação do contrato social. Alguns desses contratos de câmbio fazem referência a negócios que aparentemente não guardam relação com a matéria examinada nos autos, como por exemplo, o contrato de câmbio de fl. 6.931 que indica como "descrição do fato natureza" "DIR. AUT. CESSÃO OU USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR". Tratase, como se vê, de matéria que requer verificação mais detida no que tange à prova. Notese que, no Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 2 a 3), a Fiscalização havia solicitado "cópia registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP da elevação do Capital Social, passando de R$ 81.901.000,00 para R$ 139.901.000,00, constante da referida Ficha 37E". Posteriormente, voltou a pedir esclarecimentos sobre a alteração do capital social, nos seguintes termos: 3. Apresentar, na forma de arquivo PDF, gravado em mídia eletrônica (CD), o Razão analítico da conta 2401010011 CAPITAL ESTRANGEIRO, do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2013. 4. Apresentar, na forma de arquivo PDF, gravado em mídia eletrônica (CD), o Razão analítico da conta 2401010012 ADIANTAMENTO FUTURO AUMENTO DE CAPITAL, do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2013. (...) 6. Demonstrar, através de documentação hábil, junto ao Banco Central do Brasil, o efetivo ingresso de numerário remetido por sócio estrangeiro, para fim de utilização em aumento de capital, no valor de R$ 58.000.000,00. (fl. 5) Não se sabe se a recorrente atendeu à intimação, já que não consta dos autos resposta específica às questões apresentadas pela autoridade fiscal. Não é possível saber se a verificação foi levada a cabo. Já os passivos fictícios encontrados nas demais contas estão baseados em informações contidas no formulário composição do passivo, que foi elaborado pela recorrente, no curso da fiscalização, por determinação da autoridade fiscal. Ocorre que o referido documento, segundo aquele que o elaborou, contém erros exatamente no que concerne à data de constituição de algumas obrigações. Fl. 7494DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.495 9 Planilhas e quadros apresentados pelo contribuinte, durante o procedimento de fiscalização, se prestam a organizar e sistematizar informações, facilitando o exame de fatos e documentos. As planilhas e os quadros, entretanto, são destituídos de valor probatório. Não são provas documentais do fato gerador do tributo, sobretudo quando o contribuinte, que o elaborou a pedido da Fiscalização, alega ter errado ao inserir determinados dados. A planilha, em si mesma, não tem valor de prova se não estiver lastreada em documentos idôneos, cuja exibição a autoridade fiscal pode exigir. Fazse necessário, pois, aprofundar a verificação. Portanto, tendo em vista a situação acima relatada, proponho a conversão do julgamento em diligência, devolvendo os autos à unidade de origem, para que a autoridade fiscal intime a recorrente a apresentar: a) os contratos de operação simbólica de câmbio relativos às obrigações com a Daikin Japão, supostamente convertidas em quotas do capital social da recorrente; b) as alterações do contrato social relativas ao aumento de capital e à capitalização das obrigação da Daikin Japão; c) os comprovantes de constituição e liquidação das demais obrigações consideradas no lançamento como passivo fictício; d) quaisquer outros documentos ou informações que, a juízo da autoridade responsável pela diligência, sejam importantes para o esclarecimento da situação fática. Cumpre frisar que, dos contratos de câmbio e das obrigações convertidas em capital social, só têm relevância o que tiver sido incluído, no presente processo, como passivo fictício. A autoridade fiscal deverá, com base nos documentos apresentados, elaborar relatório conclusivo, do qual a recorrente será intimada, assegurandolhe o prazo de trinta dias para manifestação, na forma do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Decorrido o prazo regulamentar, com ou sem a manifestação da recorrente, o processo deverá ser devolvido ao CARF, para prosseguir o julgamento. (assinada digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 7495DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.903312/2008-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 33311.29224.290306.1.3.028909 em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 33 12 /2 00 8- 12 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 132 2 29.03.2006, fls. 0106, utilizandose do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$523,88, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de credito: R$ 523,88 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 1.389,05 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1 ° do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5 ° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPI/SP nº 1653.175, de 28.11.2013, efls. 5256: SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 13.12.2013, efl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.01.2014, efls. 59126, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II O Direito II.1 PRELIMINAR Embora não seja possível a retificação da declaração a partir da notificação do lançamento, em face da vedação contida no art. 147, parágrafo 1.°, do CTN, não há óbice para que o lançamento seja revisto de oficio pela autoridade administrativa quando verifique a ocorrência fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Configura formalismo insustentável, bem como afronta direta ao princípio da razoabilidade, que o contribuinte seja privado do direito de ver seus créditos compensados com base única e exclusivamente em mero erro cometido no preenchimento do PER/DCOMP, mormente quando o art. 58 da IN SRF n° Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 133 3 600/2005 permite tal retificação e o art. 149, VIII, do CTN prevê a possibilidade de revisão de ofício do lançamento pela Administração. Em situação similar a do presente contribuinte, em respeito ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manifestouse noutras oportunidades [...] II. 2 MÉRITO Mesmo sem concordar com as afirmações do julgador, de que o contribuinte não apresentou nenhuma documentação comprobatória dos possíveis equívocos cometidos na ocasião do preenchimento das declarações e que o saldo negativo de IRPJ não teve sua origem comprovada, em respeito ao bom senso, ora são apresentadas: • com a finalidade de provar os erros formais de preenchimento das PER/DCOMP, ora apensadas, através do "ANEXO II", as cópias das Declarações de Compensação n° 33311.29224.290306.1.3.028909,26383.85261.110406.1.3.02 1253, 37587.19815.270306.1.7.020850 e 14227.30771.110406.1.3.023208; • o saldo negativo de IRPJ informado na PER/DCOMP e na DIPJ estão explicados pelo demonstrativo seguinte e devidamente validados mediante a apresentação dos comprovantes de pagamento dos DARF e Comprovante de Rendimentos, ora apresentados do "ANEXO IV": Mês/Ano Base de cálculo do Imposto de Renda IRPJ apurado IRPJ devido em meses anteriores IRPJ a pagar Data de arrecadação Nº do pagamento jan/05 3.190,03 478,50 478,50 28/02/2005 17763288311 fev/05 6.530,93 979,64 478,50 501,14 31/03/2005 49623499685 mar/05 9.144,17 1.371,63 979,64 391,99 29/04/2005 3394501807 abr/05 10.813,35 1.622,00 1.371,63 250,37 31/05/2005 3419625806 mai/05 13.660,68 2.049,10 1.622,00 427,10 30/06/2005 3444044200 jun/05 (4.731,00) 2.049,10 (2.049,10) jul/05 (2.271,11) 2.049,10 (2.049,10) ago/05 64,86 9,73 2.049,10 (2.039,37) set/05 3.053,25 457,99 2.049,10 (1.591,11) out/05 4.437,08 665,56 2.049,10 (1.383,54) nov/05 7.162,96 1.074,44 2.049,10 (974,66) dez/05 7.892,88 1.183,93 2.049,10 (865,17) IRPJ apurado do exercício: 1.183,93 () Imp. de Renda Mensal pago por Estimativa 2.049,10 () Imp. de Renda Ret. Na Fonte 523,88 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (1.389,05) • estão também apresentadas as fichas da DIPJ contendo os "Dados Iniciais", "Dados Cadastrais", "Demonstração do Resultado PJ em Geral", "Demonstração do Lucro Real PJ em Geral" e o "Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa"através do "ANEXO V". Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 134 4 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal afirma que incorreu em inexatidão material ao enviar o Per/DComp nº 33311.29224.290306.1.3.028909 em 29.03.2006, fls. 0106, utilizandose do saldo negativo de IRPJ no valor original de R$523,88, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2005, ao invés de indicar o valo correto de R$1.389,05. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 135 5 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e o art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação dos dados declarados pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após instaurada a fase litigiosa no procedimento. Ademais, como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 136 6 O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza1. Em sede de recurso voluntário, referente ao período objeto de litígio, foram anexados como indícios das proposições as cópias dos Per/DComp, da DIPJ, dos DARF's e do Informe de Rendimentos, efls. 105112, que analisados podem ser representados pelo Demonstrativo a seguir: 1 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 137 7 AnoCalendário de 2005 Mês do Período de Apuração Valores DARF código 2362 R$ (B) Valores IRRF R$ (D) Janeiro 478,50 0,00 Fevereiro 501,14 0,00 Março 391,99 0,00 Abril 250,37 0,00 Maio 427,10 0,00 Junho 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 Agosto 0,00 0,00 Setembro 0,00 0,00 Outubro 0,00 0,00 Novembro 0,00 523,88 Dezembro 0,00 0,00 Total 2.049,10 523,88 Cálculo do IRPJ Anual Valores Informados na DIPJ R$ Valores Comprovados R$ IRPJ Devido R$1.183,93 R$1.183,93 () IRRF 523,88 523,88 IR Mensal Pg por Estimativa R$2.049,10 R$2.049,10 IRPJ a Pagar (1.389,05) (1.389,05) O alegado engano se subsume no conceito de erro material. Verificase que a informação de que há saldo negativo de IRPJ no valor original de R$1.389,05, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2005 pode ser considerada correta, pois foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciam como acertadas as alegações constantes no recurso voluntário. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.012844/2006-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
LUCRO INFLACIONÁRIO E SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF DE 1990 DE EMPRESAS COM PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO.
Inexiste regra diferenciada de apuração, diferimento ou realização do Lucro inflacionário e da diferença de correção monetária IPC/BTNF de 1990 para as empresas que possuam Patrimônio Líquido negativo.
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA
Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, deve-se levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10)
Numero da decisão: 1402-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. LUCRO INFLACIONÁRIO E SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF DE 1990 DE EMPRESAS COM PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO. Inexiste regra diferenciada de apuração, diferimento ou realização do Lucro inflacionário e da diferença de correção monetária IPC/BTNF de 1990 para as empresas que possuam Patrimônio Líquido negativo. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, devese levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 28 44 /2 00 6- 64 Fl. 518DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente) Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da falta de recolhimento da do IRPJ em função da ausência de adição da realização mínima do lucro inflacionário e do lucro inflacionário realizado em virtude de incorporação. De acordo com o relatório fiscal de fls. (234/236), o contribuinte não procedeu a realização mínima do lucro inflacionário acumulado nos exercícios de 2002 a 2005, anoscalendários de 2001 a 2004, equivalentes a 10% do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente em 31/12/1995. Além disso, não foi computada a realização integral do saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/2001 da empresa também intitulada HSBC Serviços e Participações Ltda, CNPJ 61.373.684/000161, por força de sua incorporação pela empresa Oura Investimentos e Participações, no anocalendário de 2002. Inconformado o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 243/251) na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Concorda com o lançamento relativo à ausência de realização mínima do lucro inflacionário, tendo realizado o pagamento. b) Em relação à infração relativa ao realização do lucro inflacionário em virtude da incorporação alega: b.1) Nulidade do lançamento por imprecisão da base de cálculo que não permitiria com precisão aferir a matéria tributável, menos ainda o correto cálculo do montante devido. b.2) Suspensão do processo, uma vez que o processo nº 10980.005430/2005 60, que teve origem no auto de infração lavrado em 13/06/2005 para exigência da realização mínima do lucro inflacionário da empresa incorporada nos exercícios de 2000 e 2001 e que a matéria de defesa nele apresentada referese, exatamente, a inexistência do saldo de lucro inflacionário o presente processo deveria ser suspenso até a decisão final daquele. b.3) Que em 1992, quando da apuração do saldo credor da diferença IPC/BTNF de 1990 pela empresa incorporada que gerou o lucro inflacionário autuado, a referida empresa tinha patrimônio líquido negativo, situação esta que perdurou até 1994. Diante dessa situação, afirma ser impossível adicionar o saldo da diferença IPC/BTNF conforme determinado pelo art.3º da Lei nº 8.200/91, sob pena de não ser tributada não mais a sua renda, mas o próprio patrimônio então negativo. b.4) Alega que a diferença IPC/BTNF do ano de 1990 já teria sido atingida pela decadência; Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10980.012844/200664 Acórdão n.º 1402003.879 S1C4T2 Fl. 505 3 Em 08 /12/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. LUCRO INFLACIONÁRIO E SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF DE 1990 DE EMPRESAS COM PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO. Inexiste regra diferenciada de apuração, diferimento ou realização do Lucro inflacionário e da diferença de correção monetária IPC/BTNF de 1990 para as empresas que possuam Patrimônio Líquido negativo. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA. A partir de 1º de janeiro de 1996,a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Porém, na fixação do saldo do lucro inflacionário acumulado, o fisco deve levar em conta os valores mínimos de realização exigíveis nos períodos anteriores, já alcançados pela decadência, de forma a evitar a transferência de sua tributação para períodos posteriores. Em 22/01/2009, a empresa foi cientificada do teor da decisão acima transcrita (AR fls. 449). Em 04/02/2009 (fls. 451/462) a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 451/817 no qual reitera as alegações já suscitadas. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINARES Fl. 520DF CARF MF 4 1.1) NULIDADE DO LANÇAMENTO POR IMPRECISÃO DA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA Alega a Recorrente que o lançamento é nulo, uma vez que a autoridade fiscal foi contraditória ao afirmar que a empresa possuía, em 31/12/01, o saldo de lucro inflacionário de R$ 130.462,57 e, em seguida, alegar que "Conforme controle eletrônico SAPLI, o saldo do Lucro Inflacionário em 31/12/01, era de R$ 115.576,55, que na data da incorporação deveria ter sido oferecido à tributação". Diante desses fatos, alega que não poderia saber qual o valor correto do lucro inflacionário em 31/12/01, R$ 130.462,57 ou R$ 115.576,55? "Ou, ainda, de R$ 320.468,00 (se levar em cont o contido no Processo Administrativo nº 10980.005430/200506? Tais dúvidas foram devidamente esclarecidas pelas decisão recorrida, conforme se verifica pelas passagens abaixo transcritas: Ao contrário do que afirma a interessada, a base de cálculo, mais precisamente o valor tributável da infração objeto do item 002 da autuação, está plenamente destacado na descrição dos fatos do auto de infração (fls. 234), bem como todo o cálculo do tributo devido, utilizando o montante de R$ 115.576,55 do item 002 somados aos R$ 5.983,74 da autuação do item 001 no ano de 2002, perfazendo o valor tributável de R$ 121.560,29 naquele ano, que foi devidamente esmiuçado no demonstrativo de apuração do auto de infração (fls. 226/230), reiterando o valor de R$ 115.576,55 como sendo o valor tributável do item 002. A equivocada transcrição do valor de R$ 130.462,57 tão somente no texto da descrição dos fatos não teve o condão de confundir a matéria tributável ou modificar o cálculo do montante do tributo devido, não resultando, portanto, em nulidade do lançamento por força do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Já com relação à diferença entre o valor de R$ 115.576,55, constante da autuação do presente processo, e de R$ 320.469,00, constante da autuação do processo nº 10980.005430/200506, como sendo o valor do lucro inflacionário acumulado a realizar em 31/12/2001 (após as realizações dos anos 2000 e 2001 objeto exatamente daquele processo), a mesma se dá em decorrência da exclusão no saldo acumulado de lucro inflacionário do presente processo das realizações periódica mínimas obrigatórias até o ano de 1999, alcançadas pela decadência, como se verá ao final do presente voto. Diante do exposto, improcedentes as alegações de nulidade. 1.2) DA SUSPENSÃO DO PROCESSO EM RAZÃO DO LANÇAMENTO EFETUADO NO PROCESSO Nº 10980.005430/200560 Reitera a Recorrente o pedido de suspensão do presente processo, uma vez que o processo nº 10980.005430/200560, que teve origem no auto de infração lavrado em 13/06/2005 para exigência da realização mínima do lucro inflacionário da empresa incorporada nos exercícios de 2000 e 2001. Sendo assim, a matéria de defesa nele apresentada referese, exatamente, a inexistência do saldo de lucro inflacionário o que determinaria a suspensão do presente processo até a decisão final daquele. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10980.012844/200664 Acórdão n.º 1402003.879 S1C4T2 Fl. 506 5 Nesse ponto, mais uma vez, esclarecedoras as observações da decisão recorrida. O auto de infração do presente processo, mais precisamente seu item de autuação 002, inobstante tratar da mesma matéria (realização do lucro inflacionário), não é decorrente ou reflexo do auto de infração objeto do processo nº 10980.005430/2005 06, lavrado em 13 de junho de 2005, para exigência, dentre outras, da realização do saldo de lucro inflacionário em 2000 e 2001 da empresa incorporada. Na autuação presente, foram, inclusive, consideradas tais realizações de ofício nos anos de 2000 e 200, reduzindo seus valores do valor tributável da autuação no ano de 2002. Desta forma, um possível cancelamento daquela autuação e, conseqüentemente, das realizações dos anos de 2000 e 2001 não prejudicariam a interessada, uma vez que tais valores não constaram da presente autuação e não poderiam mais ser incluídos, permanecendo, portanto, afastada aqui a sua exigência. Além disso, o mencionado pedido perdeu o objeto. Isso porque, ao consultar o andamento do processo 10980.005430/200560 no site do CARF, verificase que o processo já foi julgado 07/08/2012, ao qual foi negado provimento, conforme se verifica pela ementa do Acórdão nº 1301000.802, abaixo transcrita: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2000, 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INSUFICIÊNCIA DE SALDO DE PREJUÍZO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA. LEI 8.541/92: AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. 1. Na recomposição do lucro inflacionário, deve o fisco levar em conta valores, que a despeito de terem produzido efeitos próprios em períodos já atingidos pela decadência, pela sua natureza, são computados no cálculo de valores cuja repercussão tributária se dá no futuro. 2. A compensação rege se pela norma vigente quando de sua realização, inexistindo, no caso, direito adquirido à compensação futura, quando da apuração do lucro inflacionário. A mencionada decisão foi confirmada no julgamento dos Embargos Declaratórios julgados em 24/11/2014, no Acórdão nº 1301001.530, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 PREJUÍZO FISCAL. ANO CALENDÁRIO DE 1990. UTILIZAÇÃO A PARTIR DE 1995. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1990, resta vedada a sua utilização a partir do ano de 1995, por força do disposto no parágrafo único do art. 42 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos exatos termos da norma em referência, a parcela passível de utilização a partir do ano calendário de 1995 corresponde àquela não compensada em razão do limite de 30%. Fl. 522DF CARF MF 6 Extinto o saldo, haja vista a caducidade imposta pelo art. 64 do DecretoLei nº 1.598/77 e pelo art. 12 da Lei nº 8.541/92, resta evidente que não se pode afirmar que este mesmo saldo subsiste em razão da limitação trazida pelo ato legal superveniente. Atualmente, o mencionado processo encontrase pendente de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte: A orientação desse colegiado é no sentido de que, mesmo nas hipóteses de prejudicialidade, o que, como visto, não é o caso dos autos, a suspensão do processo deve ser mantida até o julgamento de mesma instância. Em face do exposto, rejeito o pedido de suspensão do processo. 2) MÉRITO 2.1) DA IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA DE REALIZAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO EM VIRTUDE DA INCORPORAÇÃO DE EMPRESA COM PL NEGATIVO. Quanto ao mérito, alega a Recorrente que, em 1992, quando da apuração do saldo credor da diferença IPC/BTNF de 1990 pela empresa incorporada que gerou o lucro inflacionário autuado, a referida empresa tinha patrimônio líquido negativo, situação esta que perdurou até 1994. Diante dessa situação, afirma ser impossível adicionar o saldo da diferença IPC/BTNF conforme determinado pelo art.3º da Lei nº 8.200/91, sob pena de não ser tributada não mais a sua renda, mas o próprio patrimônio então negativo. A correção monetária de balanço era uma sistemática de reconhecimento dos efeitos inflacionários no balanço das empresas, introduzida pela Lei n.º 6.404/76, para fins societários, e pelo Decreto n.º 1.598/77, para efeitos fiscais. A mensuração dos efeitos inflacionários era realizada mediante correção de contas do ativo permanente, representada pelos investimentos, imobilizado e diferido, e pelas contas do patrimônio líquido, formadas principalmente pelos valores do capital social, reservas de capital, de reavaliação,de lucros e dos lucros acumulados. Como esclarece Dirceu Antônio Pastorello: Como se sabe, o patrimônio da pessoa jurídica é constituído de ativos e passivos monetários e não monetários. Os primeiros estão contabilmente classificados no circulante e no patrimônio líquido da pessoa jurídica e sua expressão mais autêntica é a Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10980.012844/200664 Acórdão n.º 1402003.879 S1C4T2 Fl. 507 7 moeda. Sofrem eles, quando não protegidos por cláusula de indexação, perda de poder aquisitivo ou de sua expressão monetária. Entre estes incluise o capital de giro próprio da pessoa jurídica, oriundo de reinvestimento de lucros, novos investimentos de acionistas ou sócios ou empréstimos por parte destes. Já o ativo não monetário compreende os bens materiais ou imateriais de propriedade da pessoa jurídica que se encontram razoavelmente protegidos contra a inflação. No sistema de correção monetária do balanço, um ativo permanente maior que o patrimônio líquido, consideradas na apuração as variações monetárias ativas e passivas, gerava um saldo credor de correção monetária tributável. Ao contrário, se menor, gerava um saldo devedor dedutível. Um ativo permanente maior que o patrimônio líquido significava que a empresa estava financiando o seu ativo permanente com vantagem junto a terceiros. Enquanto que o patrimônio líquido maior significava que a empresa estava se financiando com recursos próprios oriundos de lucros reinvestidos pelos sócios ou acionistas. Daí a dedutibilidade, para fins de imposto de renda, da perda inflacionaria do capital próprio, como forma de desestimular o endividamento e incentivar o reinvestimento de lucros, capitalizando e fortalecendo a empresa. Nesse quadro normativo, entretanto, os juros pagos aos acionistas ou sócios não eram dedutíveis como custo ou despesa operacional (art.49 da Lei nº4.506/64 art. 287 do Decreto nº1.041 de 11194).( PASTORELLO, Dirceu Antônio. "A correção monetária das demonstrações financeiras para apuração da base de cálculo do imposto de renda Revogação pela Lei nº 9.249 de 26 de dezembro de 1995 Consequências" in ROCHA, Valdir de Oliveira (coord) 'Imposto de Renda Alterações Fundamentais, ed. Dialética, 1996, p. 57/76) (grifamos) Dessa forma, o fato da empresa incorporada apresentar patrimônio líquido negativo não significa ausência de substrato fático para tributação do lucro inflacionário acumulado, pois este tinha como pressuposto, exatamente, o financiamento de seu ativo permanente junto a terceiros. Sendo assim, como bem apontou a decisão recorrida, no caso em questão, a contribuinte submetiase à regra geral de tributação aplicável ao lucro inflacionário decorrente do saldo credor de correção monetária de balanço. Isso porque, inexistia previsão legal para isenção de Imposto sobre a renda de pessoa jurídica cujo Patrimônio Líquido se apresentasse negativo, "quão menos de dispensa de apuração de saldo credor de diferença IPC/BTNF de 1990 ou qualquer adição obrigatória ao lucro líquido para apuração do lucro real da mesma, este sim, base de cálculo do IRPJ no caso da empresa em questão." A apuração e realização do saldo credor da diferença IPC/BTNF de 1990 estavam devidamente disciplinadas em lei não havendo como ser afastada tão somente em função da existência de patrimônio líquido negativo. Sua ilegalidade ou inconstitucionalidade deveriam ser discutidas perante ao poder judiciário o qual, inclusive, já se manifestou pela sua adequação ao conceito de renda, conforme noticiado pelo Superior Tribunal de Justiça na ementa do Recurso Especial 802.452/PR, abaixo transcrita: Fl. 524DF CARF MF 8 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. LUCRO INFLACIONÁRIO (LEI 7.799/89, ART. 21). CORREÇÃO MONETÁRIA DAS CONTAS INTEGRANTES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (LEI 6.404/76, ARTS. 178, § 2º, D, E 185; DL 1.598/77, ART. 39, E LEI 7.799/89, ART. 4º). EXCLUSÃO DA BASE DE INCIDÊNCIA DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. 1. Visando a "expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto de renda de cada períodobase" (art. 3º), a Lei 7.799/89 determinou que a consideração dos efeitos da inflação sobre as demonstrações contábeis se fizesse mediante sua atualização monetária, realizada nos termos ali explicitados e destacada em conta de natureza nãooperacional. O saldo dessa conta, se devedor, constitui encargo dedutível do lucro tributável (art. 4º, III), e, se credor, deve a ele ser adicionado, denominandose "lucro inflacionário" (art. 21). 2. A legitimidade dessa sistemática frente aos conceitos de renda e de lucro da legislação infraconstitucional foi reconhecida pelo STF no RE 201.4656/MG, em que, apreciando o tema da constitucionalidade do art. 3º, I, da Lei 8.200/91, a Corte assentou não haver um conceito ontológico (= pertencente ao mundo dos fatos) de lucro tributável, mas apenas um conceito jurídicoformal, obtido pelo ajuste do resultado do exercício segundo as prescrições (adições, deduções e exclusões) taxativamente estabelecidas em preceitos normativos. 3. Entre as contas cujo valor histórico deveria ser corrigido, integrando a conta especial de correção monetária, estavam aquelas integrantes do patrimônio líquido, arroladas no art. 178, § 2º, d, da Lei 6.404/76, por força do art. 185 da mesma Lei (revogado pela Lei 7.730, de 31.01.1989), o qual continha norma semelhante à posta no Decretolei 1.598/77, art. 39, e na Lei 7.799/89, art. 4º (revogada pela Lei 9.249, de 26.12.1995). 4. Havendo normas legais determinando expressamente a dedução ou a adição, conforme devedor ou credor, do saldo da conta especial de correção monetária do lucro real, não há como salvo mediante a declaração de inconstitucionalidade das referidas normas excluir da base de incidência do imposto de renda o valor correspondente à correção monetária do patrimônio líquido, conta que, também por força de expressa disposição normativa, deve ter seu resultado integralmente corrigido. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.(grifamos) Além disso, como bem ressalta a decisão recorrida: No caso em litígio, inclusive, somente a título de ilustração, tal adição sequer está sendo exigida nos anoscalendário em que a empresa afirma em sua impugnação ter estado com o Patrimônio Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10980.012844/200664 Acórdão n.º 1402003.879 S1C4T2 Fl. 508 9 Líquido Negativo (até 1994), mas sim em 1998, quando de sua incorporação, quando então seu Patrimônio Líquido montava em valor positivo. Nos períodosbase em que a interessada possuía Patrimônio Líquido Negativo, não estão sendo exigidas quaisquer adições mínimas obrigatórias de lucro inflacionário acumulado, que estão, inclusive, sendo consideradas como realizadas no SAPLI, por força da decadência, como será visto ao final da presente decisão. Improcedentes, portanto, as alegações de ofensa ao conceito de renda. 2.2) DECADÊNCIA Por fim, alega a Recorrente que a diferença IPC/BTNF do ano de 1990 já teria sido atingida pela decadência. Incorreta a alegação da Recorrente. Com relação à realização do valor diferido, o prazo decadencial somente pode iniciar se ocorreu o fato gerador, ou seja, se havia a obrigatoriedade de realização do valor. Não ocorrendo o fato gerador, o fisco não pode proceder a qualquer lançamento sobre a realização a menor. Tal entendimento foi se encontra sumulado no âmbito deste conselho, conforme se verifica pelo teor da Súmula nº 10 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 10 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, devese levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Em face do exposto, improcedente a alegação de decadência. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 526DF CARF MF 10 Fl. 527DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914583/2009-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2005
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
Numero da decisão: 1001-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2005 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
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POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, devese retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 45 83 /2 00 9- 23 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 15374.914583/200923 Acórdão n.º 1001001.202 S1C0T1 Fl. 189 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 87/89) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 82, que não homologou a compensação constante da DCOMP 17138.32506.291206.1.3,048390 (folhas 37/42), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, tendo em vista que os valores do DARF de período de apuração 30/04/2005, data de vencimento e arrecadação 31/05/2005, código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) e valor total de R$ 49.190,37, informado como origem do crédito, foram integralmente utilizados para quitação do débito da contribuinte discriminado no DARF, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 12/15), a contribuinte alega, em síntese, que há crédito disponível no DARF no valor original de R$ 230,07. No acórdão a quo, a nãohomologação foi mantida tendo em vista a impossibilidade de utilização de créditos de estimativas pagas a maior em compensações que não tenham como crédito o saldo negativo do referido tributo ao final do período de apuração, determinada pelo art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Ciência do acórdão DRJ em 02/12/2011 (folha 92). Recurso voluntário apresentado em 02/01/2012 (folha 94). A recorrente, às folhas 94/98, em síntese, ratifica suas alegações expressas na manifestação de inconformidade quanto ao mérito, que acabaram por não ser totalmente analisadas tendo em vista a adoção da premissa da impossibilidade utilização de indébitos de estimativas em compensações. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15374.914583/200923 Acórdão n.º 1001001.202 S1C0T1 Fl. 190 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O acórdão a quo apresenta entendimento ultrapassado quando afirma que somente o saldo negativo do tributo apurado na declaração de ajuste anual poderia ser objeto de restituição, nunca o recolhimento de estimativa. Isto porque, tendo em vista a publicação da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5/12/2011, que homogeneizou o entendimento da RFB a respeito da possibilidade de restituição ou compensação de pagamentos indevidos de estimativas, conforme ementa transcrita a seguir, é cabível a análise da existência do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP em análise. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15374.914583/200923 Acórdão n.º 1001001.202 S1C0T1 Fl. 191 4 Isto posto, verificase que, pela Solução de Consulta supra, restou decidido pela aplicação do disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que passou a permitir a compensação de pagamentos indevidos de estimativas, aos processos pendentes de decisão administrativa. Tal entendimento é consolidado na Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Assim, para que não haja supressão de instância no julgamento, deve o processo retornar à DRJ que proferiu o acórdão a quo para que, afastada a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações, seja o mérito analisado na íntegra naquela instância julgadora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904932/2009-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
DCOMP NÃO HOMOLOGADA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF.
Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito.
ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE.
Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
Numero da decisão: 3003-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DCOMP NÃO HOMOLOGADA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 49 32 /2 00 9- 12 Fl. 129DF CARF MF 2 Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de manifestação de inconformidade em razão de PER/DCOMP transmitida por valor supostamente recolhidos a maior a título de PIS/PASEP no PA 01/03/2005 à 31/03/2005. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela DRJ de Recife (DRJ/REC): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta aos 17/07/2009 em face do Despacho Decisório, proferido eletronicamente pela Unidade de Origem, do qual a contribuinte tomou ciência aos 26/06/2009, que não homologou a compensação objeto da Declaração de Compensação DCOMP tratada nos correntes autos, na qual foi indicado o valor de R$ 923,36 como crédito originário inicial a ser compensado, atinente a suposto pagamento a maior da contribuição para o PIS/PASEP, que foi realizado no montante original de R$ 11.248,03 em relação ao período de apuração de março de 2005. 2. A compensação foi não homologada porque detectado que o citado pagamento fora totalmente aproveitado para quitação do débito da contribuição para o PIS/PASEP devido pela interessada em relação ao mês de março de 2005, não restando saldo para a compensação. 3. No recurso interposto, a defendente diz que apresentou, inicialmente, DCTF com equívoco no valor do débito informado nesta declaração, tendo, contudo, sanado o lapso na DCTF retificadora enviada aos 02/07/2009, na qual foi reduzido para R$ 10.559,94 o débito da contribuição para o PIS/PASEP correspondente ao período de apuração aqui analisado. 4. Ao final, requereu o reconhecimento da exatidão do valo informado na DCTF, e, conseqüentemente, a admissão do crédito de R$ 923,36 objeto da compensação, tendo, ainda, postulado provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada posterior de documentos que se fizerem necessários. A DRJ de Recife entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, pela ementa que transcrevo: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10850.904932/200912 Acórdão n.º 3003000.283 S3C0T3 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. INDÉBITO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O não reconhecimento do indébito implica a não homologação da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do débito indevidamente compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com acórdão proferido pela instância de piso, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando as razões já apostas na manifestação de inconformidade, além de alegar que a retificação da DCTF se deu antes da prolação do acórdão de manifestação de inconformidade, e que pelo princípio da Verdade Material deverseá admitir a juntada de documentos probatórios em Recurso Voluntário. Ao fim pede que seja o Recurso conhecido e provido para que seja homologado o crédito declarado em Dcomp. São os fatos. Fl. 131DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO PROCESSO APENSO De início, ressalto que os presentes autos estão apensos ao PAF de n. 10850.905312/200909, que trata de outra declaração de compensação com referência ao mesmo crédito. Por tratarse de objetos idênticos, uso para ambos as mesmas razões de decidir. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA Alega a Recorrente que utilizou créditos de PIS, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, referente ao período de apuração 31/03/2005. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pela Recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Duas, portanto, são as questões a serem enfrentadas: a quem cabe o ônus da prova em processos administrativos cujo objeto é pedido de restituição; se existem provas suficientes ou no mínimo que dêem verossimilhança às alegações da Recorrente. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação/manifestação de inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10850.904932/200912 Acórdão n.º 3003000.283 S3C0T3 Fl. 4 5 § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, vez que a obrigação de provar está expressamente atribuída àa Autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha, o que deve ser compreendido e elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos, aptos a dissuadir o julgador a tomar como verdadeira as alegações enunciadas nos autos. Ao se falar em provas no processo administrativo tributário, o julgador deve aterse, quando houver expressa prescrição legal, a admitir somente os meios que a Lei estabelece como aptos a revelar o fato jurídico tributário. Entretanto, na ausência de prescrição normativa vinculante, o julgador usa da interpretação pautada na boa técnica jurídica e na sistemática existente, tanto nos autos quanto em todo o sistema tributário. Segundo Maria Rita Ferragut, “o evento, por se esgotar no tempo e por deter natureza diversa da única forma possível de transmissão do conhecimento, que é a linguagem, é inatingível, inapreensível. Consequência inarredável dessa premissa é que as provas não são os eventos, mas articulações linguísticas sobre a realidade.” (p. 192). O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou Fl. 133DF CARF MF 6 negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10850.904932/200912 Acórdão n.º 3003000.283 S3C0T3 Fl. 5 7 disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Concluise que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, A Recorrente não apresentou cópia da DCTF original, cópia da DCTF retificadora e da declaração de compensação (DCOMP). Tanto no Despacho Decisório quanto no Acórdão de Manifestação de Inconformidade foi identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa Fl. 135DF CARF MF 8 não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem demonstrar as questões de direito que embasavam seu indébito. Também não se preocupou em participar da instrução processual, pois não apresentou nenhum documento probatório. Por fim, somente em Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou folhas do livro Diário com o requerimento para que os documentos fossem conhecidos, mesmo que juntados após o momento processual de sua juntada. Antes de adentrar na análise do efeito probatório dos documentos juntados aos autos, por tratarse de despacho decisório proferido eletronicamente, invoco o entendimento desta Corte, que transcrevo em trecho do voto 1ª Turma da CSRF, esboçado no acórdão de n. 9101003.927, de relatoria do eminente Conselheiro André Mendes de Moura: entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que esteja m no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. Grifos no original. Por mais que seja afastada a preclusão administrativa descrita nos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/1972, ainda assim não é possível a comprovação, pelo menos indiciária, da existência do crédito pleiteado. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado. Pela análise das folhas do livro Diário que acompanha o Recurso Voluntário não é possível identificar a demonstração do suposto pagamento indevido alegado em DCOMP. A ausência de evidência probatória conduz para a manutenção da decisão recorrida. Concluo nesta análise que não há nos autos provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que possam ser objeto de Declaração de Compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.721693/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE
A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF.
O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
Numero da decisão: 2401-006.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF. O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 16 93 /2 01 1- 82 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 58 2 Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 41/45). Pois bem. Contra o contribuinte acima identificado foi emitida, em 18/04/2011, notificação de lançamento de fl.19, relativa ao imposto sobre a renda da pessoa física anocalendário 2008, por meio da qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$123.277,61, e compensação do respectivo imposto retido na fonte de R$1.634,39, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl.20. Cientificado do indeferimento da SRL, em 19/09/2011, fl.05, o contribuinte apresentou, em 26/09/2012, a impugnação de fl. 06, alegando, em síntese, que: (a) Os rendimentos recebidos acumuladamente do INSS, devem ser lançados de acordo com a Ação Civil Pública, que determina, que esses valores sejam divididos pelo número de meses relativos ao período atrasado, conforme simulação na folha da Receita, fl. 10. (b) Junta os documentos de fls. 29/31. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1660.651 (fls. 41/45), de 21/10/2014, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2008 são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. O impugnante alega que os rendimentos recebidos acumuladamente do INSS, devem ser lançados de acordo com a Ação Civil Pública, que Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 59 3 determina, que esses valores sejam divididos pelo número de meses relativos ao período atrasado. 2. Ocorre que no anocalendário de 2008, a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente era disciplinada pelo art. 12 da Lei nº 7.713/1988. 3. Por força, contudo, da jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no uso da competência que lhe é fixada pelo art. 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12/02/2009, aprovado por despacho do Sr. Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 13/05/2009, que recomendou que “sejam autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. 4. Essa recomendação foi adotada pelo Ato Declaratório (AD) PGFN nº 1, de 27/03/2009, que autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais mencionadas. 5. No ano seguinte, no entanto, esse ato declaratório foi suspenso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331, de 27/10/2010, nos itens 7 e 8. 6. Salientese, por oportuno, que esses pareceres são vinculantes para a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme art. 19, § 4º, da Lei nº 10.522/2002, e Nota PGFN/CRJ nº 489/2007. 7. É importante também observar que a nova sistemática de tributação dos rendimentos dessa natureza, que passou a ser muito mais favorável ao contribuinte, por prever a tributação exclusiva na fonte e o ajuste dos valores da tabela mensal, mediante a multiplicação destes pelo número de meses a que se refiram os rendimentos, somente foi introduzida em nosso ordenamento jurídico em 28/07/2010, com a publicação da Medida Provisória n° 497, de 27/07/2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20/12/2010 (DOU de 21/12/2010), que acrescentou o art. 12A à Lei n° 7.713/1988. 8. O § 7° do art. 12A dispõe, ainda, que esses rendimentos, quando, recebidos entre 1°de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória n° 497/2010, poderão ser tributados na forma desse artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. 9. Como se vê, não há nenhuma previsão de aplicação dessa nova sistemática aos rendimentos recebidos antes de 1° de janeiro de 2010. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 60 4 10. Desta forma, e não estando presente no caso nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do mesmo CTN para a retroatividade da lei, não há a possibilidade, em relação aos rendimentos acumulados recebidos no ano calendário 2008, de aplicação da nova sistemática introduzida pela Medida Provisória n° 497/2010. 11. Do mesmo modo, não se há de cogitar a aplicação retroativa da Instrução Normativa RFB n° 1.127, de 07/02/2011, que apenas disciplina o disposto no art. 12A da Lei nº 7.713/1988, conforme determina seu § 9°. 12. Assim, os rendimentos em análise são tributáveis na declaração de ajuste anual, nos termos dos artigos 9°, 10 e 11, da Lei n° 8.134/1990. 13. Assim, e considerando que não há nos autos ordem judicial determinando a tributação de forma diversa, não pode o julgador administrativo decidir em desconformidade com a lei vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador. 14. Quanto à ação civil pública de n.º 1999.61.00.0037100 invocada pelo contribuinte em sua defesa, a mesma foi julgada extinta, sendo dado provimento à remessa oficial, reconhecendo a ilegitimidade ativa do Ministério Público Federal, sendo negado provimento ao agravo apresentado. 15. A referida ação foi proposta pelo Ministério Público Federal, para discutir a tributação do imposto de renda sobre o pagamento cumulativo de benefícios previdenciários. 16. Muito embora tivesse sido prolatada sentença de mérito, julgando procedente a ação, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região proferiu decisão monocrática terminativa que deu provimento à remessa oficial, para reconhecer a ilegitimidade ativa do 17. Ministério Público Federal e julgar extinta a ação, e negou provimento ao agravo interposto contra a referida decisão. 18. Assim, não pode prevalecer a alegação do contribuinte de que as verbas seriam de tributação exclusiva de fonte em decorrência da tutela antecipada na ação civil pública de n.º 1999.61.00.0037100, que foi revogada pelo Tribunal Regional Federal. 19. Desta forma, a pretensão do contribuinte não pode ser acolhida, uma vez que os rendimentos recebidos acumuladamente, no anocalendário em questão, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 50/51), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 61 5 a. Vale citar o artigo 105 do CTN, segundo o qual, “a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116”. b. O artigo 12 da Lei n° 7.713/1988, reformou todo o entendimento, desconsiderando o parecer do STJ e da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que emitiu o parecer n° 287, em 12/02/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda: “cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. c. Pelos documentos apresentados em anexo, não há dúvida que os valores em questão foram recebidos acumuladamente do INSS, referente a demora da concessão da aposentadoria pretendida na época. d. Gerando somente a dúvida de como esses valores teriam que ser lançados na declaração de imposto de renda de 2009, referente a 2008, voltando a afirmar que a declaração foi transmitida em abril de 2009, data essa posterior ao parecer emitido pelo Ministro da Fazenda em 12/02/2009. e. Requer seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fl. 20), a acusação fiscal consiste na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva (Enquadramento Legal: arts. 1° a 3° e §§, 8° e 9° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts. 5°, 6° e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto n° 3.000/99 – RIR/99). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 62 6 O contribuinte alegou, em síntese, que os valores em questão foram recebidos acumuladamente do INSS, referente à demora na concessão da aposentadoria pretendida à época. Dessa forma, entende que no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A decisão de primeira instância entendeu pela improcedência da impugnação, sob o fundamento de que os rendimentos recebidos acumuladamente, no anocalendário em questão, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. Pois bem. Entendo que a decisão de piso merece reparos. Isso porque, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que determinava, para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, a aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido. De acordo com a referida decisão, o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Dessa forma, é necessário que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendário em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Em outras palavras, afastando o regime de caixa, o Supremo Tribunal Federal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Dessa forma, entendo que o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2008, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Não há que se afastar toda a obrigação tributária, mas tão somente ajustar a base de cálculo, o que, ao meu ver, não implica na inovação dos critérios utilizados para motivar o lançamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando o recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 63 7 que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000180/2008-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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FATO GERADOR: 16/05/2003, 16/09/2003, 15/11/2003, 14/02/2004, 08/10/2005, 08/04/2006, 08/10/2006, 08/04/2007. DCTF. ENTREGA. MULTA. ATRASO.EMPRESA INATIVA. É cabível a cobrança de multa por atraso na entrega de DCTF de empresa que apresentou declaração como inativa e que, como resultado de procedimento fiscalizatório, apurouse que exercera atividade econômica. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 01 80 /2 00 8- 92 Fl. 121DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1423.205 5a Turma da DRJ/RPO que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra a Notificação de Lançamento que exigiu o crédito tributário, por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF 2° semestre/06, no valor de R$ 5.308,80, conforme auto de infração acostado aos autos à fl. 06. Resumo, a seguir o relatório: Contra a contribuinte acima identificada lançouse multa por falta de entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) cujos fatos geradores ocorreram nos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003, 1° e 2° semestres de 2005 e 1° e 2° semestres de 2006, folhas 01/09, com exigência de crédito tributário no valor de R$4.000,00. Segundo consta da descrição dos fatos, no âmbito do procedimento de fiscalização instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08 11800 200700283 8, apurouse omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, que resultou em imposição tributária de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (Cofins), objeto do processo administrativo n. 11444.000857/200710. Conforme relatou a autoridade fiscal, em face dos rendimentos apurados no procedimento fiscal antes referido a contribuinte enquadrase na situação de obrigatoriedade de apresentação de DCTF. Intimado em duas oportunidades a apresentar ditas declarações a contribuinte mantevese silente; fato que suscitou a lavratura do auto de infração sob análise. Cientificada da imposição tributária a contribuinte apresentou impugnação de folhas 76/77, com a alegação de que durante a ação fiscal apresentou sua escrituração contábil na forma de tributação como optante pelo Simples; conseqüentemente, desobrigada de apresentar DCTF. A recorrente foi cientificada da decisão em 10/07/2009 (fl 111) e apresentou o seu recurso voluntário em 31/07/2009 ( fl 112) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que não apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu não conheço. A recorrente limitouse a apresentar as seguintes alegações: A empresa esteve sob ação fiscal, processo 11444.000857/200710. No decurso desta ação fiscal, a empresa apresentou sua escrituração contábil, na forma de tributação de empresas optantes pelo SIMPLES. Conforme previsto na legislação, empresas optantes , pelo SIMPLES, estão desobrigadas à apresentarem DCTF DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11444.000180/200892 Acórdão n.º 1001001.145 S1C0T1 Fl. 3 3 DA IMPUGNAÇÃO TOTAL Aqui reiteramos, tudo o que efetivamente ocorre durante o procedimento fiscal e que já havia sido manifestado no recurso tempestivo, que empresa em conformidade com a Lei, está desobrigada de apresentar a DCTF DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS, solicitando portanto, que seja suspenso o Auto de Infração em questão, para que seja feita a mais pura justiça. Como se observa, a recorrente não contestou os argumentos trazidos no acórdão da DRJ, limitandose a reiterar tudo aquilo que alegara, quando de sua impugnação. A DRJ assim decidiu: Conquanto o sistema de cadastro dos dados da contribuinte não registre a opção formal pelas regras do Simples (código de evento 301 — inclusão no Simples por opção da empresa) ela apresentou declarações de rendimentos como optante de tal sistema nos anoscalendário de 2001 e 2002. Para os anoscalendário de 2003, 2005 e 2006, objeto do lançamento ora em debate, a contribuinte apresentou declaração de inativa, conforme pesquisa nos sistemas informatizados, extratos anexados neste ato, sob fls. 101/104. Do que foi exposto, concluiuse que a contribuinte não estava enquadrada na sistemática de tributação pelo Simples pelo fato de que declarara sua condição de inativa. Tampouco dignouse de atender às notificações que lhe foram dirigidas intimando que apresentasse as DCTF, o que motivou o lançamento da multa de que trata o processo em análise, em consonância com a regra estabelecida no art. 7° e § 3° da Lei n. 10.426, de 2002: Art. 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (.) parag. 3°A multa mínima a ser aplicada será de: () II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Há que se considerar que no âmbito do procedimento de auditoria da movimentação bancária mantida pela contribuinte ficou caracterizado que no período em questão ela exerceu atividade econômica, com movimentação bancária significativa conforme cópia do acórdão n. 1422.190, de 09/02/2009, prolatado por esta Turma de Julgamento, ora anexado aos autos sob fls. 93/100. Ficou caracterizada a existência de movimentação bancária que não fora sequer escriturada nos livros apresentados em atendimento da intimação que lhe fora Fl. 123DF CARF MF 4 dirigida, o que determinou a apuração da base de cálculo do tributo lançado por arbitramento do resultado. Diante de todo o exposto, demonstrada a obrigatoriedade de apresentar DCTF, voto pela manutenção integral do lançamento efetuado. Diante de todos os fatos apresentados nos autos, verificase que a DRF (Marília SP) executou a devida fiscalização consoante o Mandado de Procedimento Fiscal, cuja conclusão está anexada à fl.10. Assim, não há o que acrescentar nem contestar quanto à decisão proferida pela DRJ (como acima transcrita). Assim, peço a devida vênia para a ela aderir, com base no com base no art. 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 124DF CARF MF
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