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Numero do processo: 10783.720355/2012-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido.
Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-008.321
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas
.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 Não comprovada a divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o aresto paradigma, resta não atendido um dos pressupostos do recurso especial de divergência, pelo que não deve este ser conhecido. Recurso Especial do contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas .
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Recurso Especial do contribuinte não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 55 /2 01 2- 54 Fl. 16930DF CARF MF Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 9303008.321 CSRFT3 Fl. 3 2 . Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3301002.775, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de contribuição não cumulativa. Nos termos do despacho decisório, foi decidido procedência parcial do pedido. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado de primeira instância. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que teve provimento negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte são as seguintes: 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo., com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; 2 as empresas fornecedoras de café para a recorrente não são as mesmas das citadas no acórdão recorrido; 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. Para comprovar a divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3401001.794 a fim de comprovar a matéria do item 1 da nulidade da decisão de primeiro grau e de todo o processo administrativo, com a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; e acórdão nº 3102002.341 Fl. 16931DF CARF MF Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 9303008.321 CSRFT3 Fl. 4 3 referente a matéria do item 3 do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas. O Recurso Especial do Contribuinte foi parcialmente admitido, para que seja rediscutida apenas a matéria do item 3– do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas, conforme despacho de fls. 16.889 a 16.895. O Contribuinte interpôs agravo, sendo que este não foi admitido. Inconformado com a decisão, o Contribuinte opôs novamente embargos de declaração, sendo que a petição não foi conhecida, mas foi admitida como veículo de alegações de lapso manifesto ou inexatidão material. Desta forma, foi indeferida por nada demonstrar neste sentido. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 16932DF CARF MF Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 9303008.321 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.320, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.720354/201218, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.320): 1 "Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Érika Autran, pois entendo que não houve divergência de interpretação de divergência da legislação entre o aresto recorrido e o paradigmático em relação à matéria admitida pelo despacho de admissibilidade (do direito à apropriação integral dos créditos de PIS/COFINS decorrentes de aquisição de mercadorias de cooperativas), pelo que não deve ser conhecido o recurso em testilha. Isso porque ambos deram o mesmo entendimento em relação à possibilidade de apuração integral de créditos nas aquisições de café de cooperativa. Ambos proferiram entendimentos de que se o café adquiridos das cooperativas já tivessem sofrido as etapas industriais de que cuida a legislação, haveria direito ao crédito integral. Porém, no acórdão recorrido, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovou esta condição (ressalta ainda no voto de que o próprio contribuinte havia declarado em atendimento a termo de intimação que ele próprio é quem realizava as operações de beneficiamento exigidos pela Lei). Por sua vez o acórdão paradigma entendeu que estas condições estavam comprovadas. Vejase trechos dos respectivos acórdãos: Acórdão recorrido: Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das 1 Transcrito apenas o entendimento vencedor no julgamento dos autos. Íntegra dos votos pode ser obtida no processo paradigma (10783.720354/201218). Fl. 16933DF CARF MF Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 9303008.321 CSRFT3 Fl. 6 5 cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. Acórdão paradigma 3102002.341 (fls. 16.859 e segs.): Portanto, não há divergência de interpretação a ensejar o conhecimento do recorrido. CONCLUSÃO Ante o exposto, não conheço do recurso de divergência do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 16934DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915921/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.783
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 21 /2 01 3- 97 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.395 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10880.915921/201397 Acórdão n.º 3301005.783 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000133/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.061
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem intime a MUDE e a CISCO a se manifestarem sobre o desfecho do processo penal, em 30 dias. Após, cientifique a Fazenda Nacional, também para manifestação em 30 dias.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem intime a MUDE e a CISCO a se manifestarem sobre o desfecho do processo penal, em 30 dias. Após, cientifique a Fazenda Nacional, também para manifestação em 30 dias. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração por falta de lançamento do IPI nas saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, no montante de R$ 93.538.297,56 (inclusos multa de ofício e juros de mora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .0 00 13 3/ 20 08 -5 0 Fl. 35940DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.941 2 O Relatório Fiscal explicitou que o procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal em face da instauração do Procedimento Criminal Diverso nº 2005.61.0092851, em curso na 4ª Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo/ SP, que teve como objeto “a logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norte americana CISCO SYSTEM INC”. Em decorrência do procedimento fiscal, o estabelecimento em epígrafe foi equiparado a industrial por ser o real importador das mercadorias que revende (artigo 79 da MP nº 2.158/01), conforme informado Termo de Verificação Fiscal TVF. A autuação fiscal se baseou, resumidamente, nos seguintes pontos fundamentais: a) verificação da ocorrência de simulação de negócio jurídico, por uso de interpostas pessoas em operações de importação, a fim de ocultar o verdadeiro sujeito passivo, pois constatada a antecipação de recursos; b) a equiparação da empresa a estabelecimento industrial, por ser a real importadora de mercadorias e c) constatação de fraude, por ter a empresa, com a simulação das operações, deixado de recolher os tributos devidos, pelo que foi aplicada a multa qualificada, prevista na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, II. Foi lavrado termo de sujeição passiva solidária para cada elemento do grupo, atribuindose responsabilidade solidária as seguintes pessoas físicas: Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcílio Palhares Lemos; Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira; Gustavo Henrique Castellari Procópio; José Roberto Pernomian Rodrigues; Luiz Scarpelli Filho; Pedro Luis Alves Costa; Reinaldo de Paiva Grillo; Carlos Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), arts. 124, I, e 125. Foi também atribuída responsabilidade solidária à empresa Cisco do Brasil Ltda. Tal fato se deu por ter sido comprovado pelo Fisco que: as pessoas físicas e pessoa jurídica (grupo) tinham conhecimento da interposição fraudulenta e também tinham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; fraude ou conluio entre os componentes do grupo (na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação). A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente, ou que concorreram para tal, é pacífica; as pessoas físicas relacionadas são sócios reais ou ocultos da MUDE; os elementos do grupo participaram para o sucesso da fraude; os elementos do grupo obtiveram ganhos ilícitos significativos. Fl. 35941DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.942 3 Todas as referências a números de folhas correspondem à numeração em papel do processo original. 1 IMPUGNAÇÃO. MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA Regularmente cientificada da autuação, conforme consta do auto de infração, a empresa “MUDE” ingressou com impugnação alegando, em preliminar, que o fato de a empresa ter sido alvo de operação policial, com interceptação de ligações telefônicas e de mensagens telemáticas, não pode influenciar a análise da impugnação, que deve ser julgada nos moldes da legislação aplicável, o que certamente acarretará a declaração de insubsistência do auto de infração. Alertou, ainda, que a ausência dos elementos impessoalidade e imparcialidade nos atos administrativos (auto de infração e decisão administrativa) acarreta sua nulidade. Em síntese, também em preliminar, fez as seguintes considerações: 1.1 CERCEAMENTO DEFESA: A empresa alegou cerceamento de seu direito de defesa, por ter solicitado cópias dos autos (documentos) e estas não terem sido disponibilizadas até a data da impugnação. Acrescentou que recebeu simultaneamente a ciência de diversos autos de infração, nos últimos dias do ano fiscal, com prazos para impugnação praticamente idênticos e esse fato juntamente com a impossibilidade de obtenção de cópias dos processos (que continham muitas páginas) impediu o exercício ao contraditório e à ampla defesa, na medida em que a empresa não pode confrontar as acusações do Termo de Verificação Fiscal com os documentos que compõe o auto. 1.2 NULIDADE DAS PROVAS: Alegou que as provas que fundamentaram a autuação foram colhidas nos autos do procedimento criminal no âmbito da operação policial deflagrada em conjunto com a Receita Federal do Brasil e, sendo assim, por terem sido obtidas com o único objetivo de instruir ação criminal, jamais poderiam ser utilizadas no processo administrativo fiscal, violando o artigo 5º da Constituição Federal, incisos X, XI e XII, devendo a D. Turma Julgadora determinar a desconstituição do crédito tributário. A quebra do sigilo das informações pessoais somente poderá ser admitida por ordem judicial e para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (Lei nº 9.296/96). A indevida utilização dessas provas implica considerar também os mecanismos à disposição da defesa no âmbito criminal, transportandose aquele contraditório especialíssimo para o bojo do procedimento fiscal, o que se mostra totalmente inviável. Por conseguinte, a D. Turma Julgadora deve deixar de reconhecer a validade das provas colhidas no âmbito criminal no presente processo administrativo reconhecendo, assim, que o auto de infração carece de “fundamentação fático probatória” e determinandose seu cancelamento. 1.3 AUSÊNCIA DE RELAÇÃO ENTRE AS PROVAS E O LANÇAMENTO: Fl. 35942DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.943 4 Suscitou que as provas colecionadas nos autos referemse a períodos diferentes daqueles tratados no auto de infração (ano de 2003), porquanto as ligações e emails coletados para comprovação do “esquema fraudulento de importações”, ocorreram no ano de 2007, sem qualquer relação com os fatos geradores do presente auto. É princípio basilar de direito que as provas devam ter relação direta com os fatos tidos como infracionais, não se admitindo que tais documentos sejam base para a constituição do crédito tributário do ano de 2003, nem para a aplicação da multa agravada. 1.4 AUTUAÇÃO COM BASE EM SUPOSIÇÕES NULIDADE DO PROCEDIMENTO: Argumentou que, de acordo com a doutrina, para que haja o lançamento tributário se faz necessário que a descrição do fato contido no auto de infração seja bastante clara e objetiva, não se admitindo presunções, de forma que não pairem dúvidas acerca da ocorrência do fato e que haja a completa subsunção desse fato à norma jurídicotributária, sob pena de nulidade do lançamento, não se permitindo aplicar qualquer tipo de punição com base em presunções. Sendo assim, a aplicação de sanções depende de prova que deve ser exaustivamente promovida pelo fisco, de forma a convencer, por meios não indiciários, mas diretos, o julgador quanto da procedência do alegado. Tratase de uma proteção estabelecida em favor da liberdade e do patrimônio do contribuinte, que não pode ser punido com base em presunções. Portanto, comete a fiscalização uma ilegalidade ao exigir da impugnante tributos e multas sobre um fato jurídico presumido (supostas irregularidades nos processos de importação do anobase de 2003) e não provado, mormente quando se verifica que a impugnante jamais antecipou valores às importadoras. Necessário para que o auto de infração possa subsistir que a fiscalização comprove, documentalmente, por meios diretos e não indiretos (presuntivos) a alegada intenção de ocultar o real adquirente das mercadorias, ante toda a documentação que lhe foi apresentada, ou ainda, que tivesse comprovado a ocorrência da realização de atos simulados, o que também não foi feito, pois, ao contrário, o que se verificou foi que nenhum dos atos praticados poderia ser considerado ilícito ou ilegal. 1.5 IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA: O auto de infração foi lavrado com base em prova emprestada, produzida no âmbito criminal, o que não é admitido, já que a fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a administração pública, dentre os quais destacase o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, os agentes fiscais jamais poderiam lavrar os autos sem fazer levantamento e exame completo de toda a documentação contábil das empresa que participaram da fiscalização. O Conselho de Contribuinte tem entendimento de que não se pode utilizar prova emprestada, cancelando o lançamento lavrado nessa situação. 1.6 INSUBSISTÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DE IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA: A alegação de prática de uma série de operações comerciais simuladas com objetivo de fraudar o fisco não possui a mínima fundamentação, seja porque (i) nem Fl. 35943DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.944 5 a impugnante, nem os importadores operavam exclusivamente com produtos da CISCO, de modo não fazer qualquer sentido a acusação de que se tratava de uma organização sob comando único; (ii) a simulação, além de não existir e, por consequência, não ter sido documentalmente comprovada, seria relativa a períodos diferentes daqueles que foram autuados e (iii) não existe qualquer fraude ao Fisco, já que não houve prova de que as operações comerciais realizadas pela impugnante geraram redução de carga tributária (haveria a necessidade de considerar que o importador, na forma como realmente ocorreu a operação, recolheu o PIS e a Cofins sobre o total das vendas realizadas, ao passo que, na hipótese de importação por conta e ordem, a base de cálculo das operações do importador seria simplesmente o preço do serviço). Outro ponto que demonstra a improcedência das acusações referese às acusações de que as importações foram realizadas por empresas offshore ou desprovidas de recursos econômicos, pois cada importação realizada convalida a existência das empresas importadoras, já que a Receita Federal autorizava o desembaraço aduaneiro sem qualquer óbice à operação. Também é de se observar que utilizando o critério adotado pela Fiscalização, a maioria das empresas poderiam ser caracterizadas como interpostas, pois é sabido que uma empresa com grande volume de operação não precisa, necessariamente, ter sócios de grande poder aquisitivo. Ademais, a prova sobre a existência regular dos importadores cumpre a eles (importadores) e não à impugnante. Por outro lado, devese notar que no Termo de Verificação Fiscal há menção da existência de um intermediário entre o importador e a impugnante que simularia a compra da mercadoria da importadora e, ato contínuo, simularia a venda da mercadoria à impugnante. No entanto, verificase que a impugnante adquiriu as mercadorias já nacionalizadas diretamente do importador, ou seja, não há intermediário. 1.7 DA DESMISTIFICAÇÃO DA LINGUAGEM COLOQUIAL UTILIZADA NAS MENSAGENS TELEMÁTICAS E CONVERSAS TELEFÔNICAS A expressão “antecipação de pagamentos”, que aos olhos da Fiscalização trata de antecipação de recursos aos importadores, na realidade nada mais é do que o pagamento antecipado de faturas a vencer, mas de mercadorias já entregues, recebidas e com o pagamento em aberto. Ressaltese, uma vez mais, que nunca houve financiamento das importações por parte da impugnante. Outra interpretação incorreta diz respeito ao verbete “comissão” que não se trata de remuneração paga aos importadores pelos serviços prestados aos reais adquirentes, conforme entendeu a Fiscalização, mas ao percentual de adicional de preço praticado por cada fornecedor de mercadorias. As alegações de MÉRITO são transcritas resumidamente a seguir: 1.8 DA INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE RECURSOS E DA INDEVIDA EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL: Fl. 35944DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.945 6 Jamais poderia prevalecer a acusação de antecipação de recursos aos Importadores tendo em vista que não houve, por parte da Fiscalização um levantamento individualizado da movimentação de recursos para pagamento da aquisição de mercadorias CISCO. Analisando a planilha elaborada pelo fisco no intuito de demonstrar a antecipação de recursos, não se verifica nenhuma coluna dedicada à operação de compra e venda de mercadorias, tampouco à sua aquisição e entrada no estabelecimento. Ademias constatase que não houve qualquer antecipação de recursos, já que a operação se deu num mesmo dia (14/04/2003). Também é fato de que o trabalho fiscal não poderia se ater à verificação de uma única operação de aquisição de mercadorias feita pela impugnante, necessário que fosse produzida prova material individualizada para cada uma as operações de compra praticada pela impugnante, demonstrando a ocorrência das supostas irregularidades. Ademais, se fosse válido tal documento ele faria prova em favor da impugnante já que o total das despesas do fornecedor (até o dia 10 de setembro de 2003) soma R$ 2.002.193, ao passo que, em 25/09/2003 a impugnante teria depositado a quantia de R$ 1.685.255,95, o que demonstraria que não ocorreu qualquer antecipação de recursos e que o fornecedor tinha recursos próprios para arcar com suas operações. Nos termos do artigo 276 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais FAZ PROVA A FAVOR DO CONTRIBUINTE dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Assim, a declaração de vontade consubstanciada nos documentos emitidos pelas importadoras, devidamente registrados na contabilidade como compra e venda de mercadorias, não havendo impedimento para tanto e sendo os agentes capazes e lícito o objeto é hábil para comprovar o fato. A principal prova da antecipação de recursos é uma planilha apócrifa e alterada pela d. fiscalização. Esse documento não é hábil e idôneo para justificar a autuação, uma vez que o direito não pode se pautar em suposições. Os importadores figuram como legítimos compradores dos produtos CISCO pois a operação foi realizada com obediência ao Ato Declaratório Interpretativo nº 07/02 – legitima compra de mercadorias nacionalizadas. Caso não tivessem agido desta forma, estariam sujeitos ao PIS e a Cofins sobre a totalidade das operações com o acréscimo de juros de multa de até 150% do valor do tributo lançado. Por conseguinte, não se pode aplicar à impugnante qualquer penalidade, já que ela e os importadores trataram as suas operações em conformidade com ato administrativo válido. Mudanças de posicionamento do Fisco em razão de determinada matéria não pode acarretar a autuação do Contribuinte quando este seguiu à risca as instruções daquele órgão. 1.9 DEMONSTRAÇÃO DOS PAGAMENTOS: A impugnante realizou minucioso levantamento em sua contabilidade considerando a data de entrada das mercadorias adquiridas em 2003, o dia em que foi emitida a cobrança e o que em que realmente foi quitada a operação de compra e venda, no qual restou constatado que NUNCA HOUVE ANTECIPAÇÃO DE RECURSOS POR PARTE DA IMPUGNANTE PARA FINANCIAR O IMPORTADOR, mas tão somente pagamentos de faturas antes do vencimento (doc. 08). Fl. 35945DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.946 7 A impugnante solicitou realização de PERÍCIA contábil, conforme laudo em anexo (doc. 09), que afirmou não ter havido antecipação de recursos aos fornecedores. 1.10 DA AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO PRÓPRIO (IN/SRF Nº 228/02) PARA A CONSTATAÇÃO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA: A legislação estabeleceu procedimento específico para a verificação da origem dos recursos utilizados nas operações com do comércio exterior, a Portaria MF nº 350/2002 e IN SRF nº 228/2002, esta estabelecendo instauração de procedimento especial de verificação da origem dos recursos sem a qual o auto é nulo. Tal procedimento prévio não foi praticado pelas autoridades fiscais, não podendo subsistir a autuação lavrada. 1.11 DA AUSÊNCIA DE FRAUDE, SIMULAÇÃO E CONLUIO – INAPLICABILIDADE DA MULTA AGRAVADA DE 150%: A matriz legal da multa agravada foi revogada pelo artigo 40 da Lei nº 11.488/2007 de modo que não poderá prevalecer qualquer cobrança com fundamento legal em dispositivo revogado expressamente. Ainda que houvesse alguma simulação nas operações realizadas pela impugnante, esta não configuraria, por si só, a hipótese de aplicação da multa agravada, pois, para que esta multa possa ser exigida é necessário que a fiscalização demonstre que as operações foram feitas com evidente intuito de fraude, conforme definido nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ou seja, que a empresa intencionalmente adotou uma conduta com o objetivo de fraudar. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização sequer mencionou ter havido dolo e máfé, não se preocupando em provar o fato. 1.12 ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO ADOTADO PELA FISCALIZAÇÃO. Ao exigir do impugnante o pagamento do IPI e das multas, o Fisco identificou incorretamente o sujeito passivo, o que acarreta a nulidade do auto de infração: A situação abordada nos autos é exatamente igual à tratada no caso da empresa TELECON. No entanto, no caso presente, o Fisco lavrou o auto de infração contra a impugnante (equiparandoa a industrial) e, no caso da TELECON, o auto de infração foi lavrado contra o destinatário final das mercadorias. 1.13 DA AUSÊNCIA DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO IPI. OFENSA AO PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE: O Fisco, para exigência do tributo devido, equiparou a impugnante a estabelecimento industrial e exigiulhe o IPI sobre o valor total das mercadorias vendidas, considerando como crédito apenas as entradas à título de devolução, não considerando como crédito o montante do IPI pago nas operações anteriores, devidamente lançados nas notas fiscais de aquisição, em clara ofensa ao princípio constitucional da nãocumulatividade do imposto. Caso a fiscalização tivesse utilizado os créditos de IPI na entrada, o valor deste crédito seria de cerca de R$ 28.053.185,52, o que resultariam um IPI supostamente devido de R$ 216.503,48. Fl. 35946DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.947 8 Tal ato se deu sob a alegação de que tais créditos foram considerados como custo na apuração do IRPJ e da CSLL, fato sequer provado nos autos. E mesmo que houvesse esta demonstração, caberia a fiscalização “demonstrar que o reflexo tributário desse procedimento é exatamente o mesmo do que o creditamento do IPI” e o lançamento da diferença destes impostos e contribuições e não desconsiderar o crédito do IPI. 1.14 IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA: Além da cobrança de IPI, com multa agravada (150%) e juros de mora, o Fisco exige, no presente auto de infração, o pagamento de multa isolada, no valor de R$ 1.180.999,20, relativa ao IPI lançado com cobertura de crédito. Contudo, a cobrança de tal multa não consta descrita no Termo de Verificação Fiscal, tampouco do Auto de Infração, o que prejudica demasiadamente o exercício do contraditório e à ampla defesa. Tendo em vista que o fisco fundamentou a cobrança dessa multa no artigo 80 da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, revogado, devese reconhecer a inexigibilidade da exigência punitiva. Ademais a impugnante não estava obrigada a emitir os documentos fiscais com destaque de IPI, já que os importadores das mercadorias, de acordo com o ADI nº 07/02, caracterizamse como sendo legítimos compradores e vendedores dos produtos. E, nos termos do artigo 483, parágrafo único do RIPI “as faltas cometidas na emissão de um mesmo documento ou na feitura de um mesmo lançamento serão consideradas uma única infração, sujeita à penalidade mais grave, dentre as previstas para elas”. 1.15 ERROS DE FATO: Ao se fazer o confronto entre a planilha “RELAÇÃO DE PRODUTOS SAÍDOS DO ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM INCIDÊNCIA DO IPI” utilizada pela fiscalização e a TIPI vigente em 2003, percebese que alguns NCM identificados não existem registros, o que não permite à impugnante a adequada verificação quanto a correição dos cálculos utilizados. No que tange ao NCM 85445100, o fisco utilizou alíquota equivocada de 10%, quando a correta seria de 5%. Tais equívocos não permitem que a impugnante proceda à sua defesa adequada, o AI deve ser considerado nulo. 1.16 ILEGALIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC: Não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios mediante a utilização da taxa Selic, já que sua fixação visa a remuneração do investidor e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação. Ademais, deve se ressaltar que a referida taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resolução do Banco Central do Brasil, o que ofende o princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no artigo 161, § 1º, do CTN. Fl. 35947DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.948 9 Considerando a alegação de cerceamento do direito de defesa por ausência/demora na entrega de cópias das provas constantes do processo, os autos foram devolvidos para a delegacia de origem para ser disponibilizado à contribuinte, para obtenção de cópias ou obter vistas dos documentos desejados, reabrindolhe prazo para impugnação, somente com relação às alegadas provas não conhecidas. A contribuinte, então, solicitou cópias dos documentos desejados (fls. 3308), apresentando nova impugnação (impugnação complementar), alegando que o fato de a impugnante não ter sido cientificada dos documentos que fundamentaram o lançamento tributário, no prazo determinado pela legislação, constitui vício insanável, que não pode ser corrigido pela DRJ. Acrescentou que o instituto da diligência tem limites estritos, sendo sua função auxiliar na formação da convicção do julgador e dirimir eventuais dúvidas quanto a provas já constantes dos autos, não se prestando a reabrir a ação fiscal ou aperfeiçoar lançamento já efetuado, não cabendo aos julgadores a tentativa de resgatar do naufrágio certo do lançamento efetuado à margem da legislação tributária, administrativa e processual. Arguiu, ainda, que se considerado válido tal aperfeiçoamento, o auto de infração também não poderia prevalecer, tendo em vista que o ato administrativo ocorreu após o transcurso de prazo legalmente previsto (5 anos a partir de todos os fatos geradores que constituem o objeto do auto de infração), pelo que já decaídos. Após rápida explanação com referência aos prejuízos causados pelo “prazo exíguo” e pela não disponibilização dos elementos de prova, a impugnante passou a descrever o modelo de negócio adotado pela empresa que requeria a existência de um integrador que, a partir da venda de um produto CISCO, contratava a impugnante para que esta fornecesse tais produtos e que seria prática usual de mercado que todos os elos trabalhem alavancados com recursos do fabricante, do agente financeiro do fabricante, ou com recursos provenientes do cliente final. Acrescentou que as acusações sobre o suposto adiantamento de valores, bem como o suposto acompanhamento da cadeia por parte da impugnante, como justificativas da interdependência, nada mais são que frutos de uma visão equivocada do modelo just in time, o qual se funda na intensa e rápida interação entre os membros da cadeia produtiva e, em ultima hipótese, se fosse possível dizer que um ou mais agentes controlavam a cadeia de distribuição, sem dúvida tais agentes somente poderiam ser o fabricante ou o usuário final, pois são esses agentes que “empurram e puxam” a cadeia produtiva. Tecidos esses comentários, a impugnante passou a analisar o conteúdo dos anexos do processo, fazendo as observações que passo a relatar: a) Os documentos constantes do Anexo I são meras descrições de supostas fraudes, tal como o Auto de Infração ora combatido, sem que nem mesmo os documentos que sustentam esses relatórios tenham sido juntados. Portanto, não há que se falar em elemento de prova; b) Os documentos constantes do Anexo II além de nada provarem, não tem qualquer relação com o período autuado. Essas supostas provas se referem ao modelo de negócios e outras nem se referem à Impugnante, portanto, devem ser sumariamente desconsideradas. Muitas vezes não foi juntado a íntegra dos documentos e transcrições das escutas telefônicas e dos arquivos telemáticos, configurando grave cerceamento do direito de defesa. Além das gravações telefônicas, dos documentos telemáticos e de informática, por diversas vezes, os Fl. 35948DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.949 10 documentos a que se referem a fiscalização, ainda que supostamente apreendidos em via física, sequer foram juntados, utilizandose a fiscalização, por diversas vezes, de documentos em língua estrangeira sem a devida tradução juramentada, incorrendo em evidente vício processual; c) No anexo III constam as Declarações de Importação, documentos das empresas importadoras que não têm qualquer relação de subordinação com a impugnante; d) O Anexo IV trata das diligências realizadas nas empresas acusadas de fazerem parte do suposto esquema de interposição fraudulenta, não se referindo à impugnante. Quanto aos documentos que dizem respeito à impugnante, sua análise fortalece os argumentos apresentados na impugnação, pois demonstra que todos os pagamentos foram efetuados após a efetiva entrega das mercadorias, não havendo o que se falar em antecipação de recursos ou fraude na importação; e) O anexo V, composto pelos extratos bancários da empresa, demonstram, uma vez mais, que não houve qualquer antecipação de recursos ou a suposta fraude na importação; f) O anexo VII contém meios de prova sem a devida transcrição integral e não foram anexadas todas ao CDROM todas as gravações telefônicas e demais documentos que não estão acostados aos autos em via física, configurando gravíssimo e cabal vício de nulidade ao presente lançamento. A impugnante também argumentou quanto à obrigatoriedade de o fisco em arbitrar o valor tributável do IPI e o valor das mercadorias para fins de apuração dos tributos na importação, ao constatar a suposta idoneidade dos documentos fiscais e a interposição fraudulenta nas operações de importação, fato previsto no artigo 148 do CTN, aplicável sempre que o valor ou o preço de bens, direitos ou serviços sejam omitidos ou não mereçam fé das declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, ou os documentos emitidos por este ou por terceiro legalmente obrigado. Por fim, reiterou e ratificou todos os tópicos levantados na impugnação apresentada anteriormente. Em junho de 2010, a empresa encaminhou os documentos de fls. 3397 a 3562, para serem entregues aos julgadores integrantes da 2ª Turma de Julgamento desta DRJ. Tais documentos incluem além do memorial resumindo, os argumentos levantados na impugnação, perícia pretendendo demonstrar a inocorrência de antecipação de recursos aos fornecedores e Pareceres dos Professores Paulo de Barros Carvalho e Eurico Marcos Diniz de Santi, analisando o modelo de negócio adotado pela empresa, que foram juntados aos processos. 2 IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS 2.1 CISCO DO BRASIL. A empresa CISCO apresentou, em 13/01/2009, impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, protestando pela posterior juntada de elementos de prova. Fez, em resumo, as seguintes considerações: Fl. 35949DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.950 11 2.1.1 DO MODELO NEGOCIAL DA CISCO: A CdB, ora impugnante, é uma subsidiária da CSI e foi constituída em 1994 para desenvolver, basicamente, atividades de suporte de prévenda, serviços relativos à geração de demanda e fornecimento de partes para reposição em virtude de garantia. O modelo de negócios, padrão do grupo Cisco em mais de 80 países e também adotado pela maioria de seus concorrentes, consiste basicamente em um sistema de vendas indiretas (“channel partiner program” ou “canais de distribuição”), segundo o qual os produtos de sua fabricação são distribuídos por terceiros nãorelacionados (parceiros). As vendas realizadas nos USA de forma transparente e segundo as regras do “Incoterms”. O preço de venda dos produtos Cisco era determinado em total consistência com a política global de descontos do grupo (que geralmente concede abatimentos relevantes em torno de 30% a 60% dependendo dos níveis de certificação) e, em 2003, o nível de descontos praticado para todos os distribuidores na América Latina era da ordem de 40%, podendo ser maior em grandes transações, negócios estratégicos e distribuidores aptos à prestação de serviços de alto nível em seus territórios. Referidos parceiros são empresas multinacionais, as quais ficam responsáveis pelo gerenciamento de estoque, pela logística internacional (inclusive no tocante a todos os trâmites aduaneiros) e pela revenda de produtos Cisco, não se tratando de esquema para redução de carga tributária, mas sim de prática negocial lícita e usual no setor de tecnologia da informação (TI). O modelo “onetier”, os parceiros adquirem os produtos diretamente da CSI para revenda de seus usuários finais. Referidos integradores de sistema são, em sua grande maioria, empresas de grande porte, como, por exemplo, a IBM e Telefônica. O modelo “twotier” o distribuidor nãorelacionado localizado nos USA adquire os produtos da CSI e exporta para os parceiros nãorelacionados no Brasil, os quais, por sua vez, revendem o produto localmente. Por regra, os distribuidores nãorelacionados nos USA são contratualmente proibidos de vender diretamente aos consumidores finais e normalmente possuem estoques de produtos. Em ambos os modelos, os parceiros efetuam as compras no exterior e são responsáveis pela importação e pelos procedimentos relativos ao desembaraço aduaneiro dos equipamentos no Brasil, bem como pela revenda para os consumidores finais e são os responsáveis por estabelecer os preços aplicáveis na revenda, assim como quaisquer outros termos e condições – exceto em condições específicas previstas na política de descontos do grupo Cisco. A impugnante, portanto, não importa produtos para revenda, mas apenas para uso próprio (ativo fixo) ou partes e peças de reposição para fornecimento aos adquirentes dos produtos Cisco em virtude de garantia. Incluise na atividade de suporte de prévenda a: i) demonstração de produtos, ii) a apresentação de seminários técnicos e o treinamento para os engenheiros de seus parceiros; iii) a apresentação de seminários de vendas e treinamento para os executivos do departamento de vendas dos parceiros; iv) visitas aos clientes juntamente com os parceiros; v) a revisão de propostas técnicas e vi) a solicitação de desconto junto à CSI, dentro dos limites da referida política de descontos estabelecida pelo grupo. Fl. 35950DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.951 12 É de se enfatizar que constitui prática normal a busca de maiores descontos possíveis pelos parceiros da CSI e, de igual sorte, o envolvimento dos funcionários da impugnante nesse processo é igualmente regular e corriqueiro, constituindo, na verdade, uma das atividades previstas contratualmente, pela qual a impugnante é remunerada pela CSI, além dos serviços de suporte de marketing e vendas e assistência técnica e treinamento. 2.1.2 DAS PROVAS: Nenhuma das provas colididas pela fiscalização demonstra qualquer fundamento para invocar a sujeição passiva solidária e tampouco qualquer conhecimento por esta quanto aos alegados fatos fraudulentos que teriam sido cometido pela Mude. A maioria das provas coligidas se refere à Mude e a terceiros, não à impugnante e tampouco se refere ao período autuado; Invalidade das provas emprestadas e do cerceamento de defesa decorrente da violação do contraditório e da ampla defesa na formação da prova; O procedimento criminal nº 2005.61.81.0092851 foi instaurado exclusivamente em desfavor das pessoas físicas investigadas, não havendo evidências de contraditório envolvendo as pessoas jurídicas envolvidas. Não foi concedido à impugnante, no processo criminal a oportunidade de examinar formalmente, em juízo, o conteúdo das gravações, alegar incoerências, requerer a verificação de sua autenticidade, entre outros, como ocorreria se parte ela fosse de tal procedimento. Com a transferência irregular das mencionadas “provas emprestadas” (falta de identidade entre as partes), de cuja produção da impugnante jamais tomou parte, restou violado o princípio constitucional do devido processo legal, com as suas inerentes e fundamentais garantias, quais sejam: o contraditório e a ampla defesa, o que representa claro cerceamento de defesa. As provas, evidências e indícios daí obtidos serão necessariamente inválidos e não podem embasar uma medida de sanção contra a empresa. Sendo assim, a prova emprestada na presente ação fiscal não pode embasar a solidariedade da impugnante, a quem se quer imputar uma gravíssima sanção sem que tenha contraditado devidamente a principal prova, que contra ela não foi produzida no âmbito criminal. Mesmo se as provas coletadas fossem válidas, não demonstram qualquer responsabilidade da impugnante com relação às alegadas condutas ilícitas da improcedência das acusações feitas contra a impugnante; A fiscalização não parece haver atentado para o fato de que nem sempre provas atuais refletem com exatidão situações pretéritas além de não demonstrarem qualquer conduta ilícita da impugnante ou da CSI. A prova de estreita relação comercial entre o grupo Cisco e seus distribuidores, comprovada por diversos ângulos ao longo do TSPS não só era de se esperar como, principalmente, não prova que a impugnante teria conhecimento e/ou participação em eventuais fraudes que estariam sendo cometidas pela empresa Mude e demais partes envolvidas na investigação. Vale lembrar que as atividades comerciais efetivas realizadas pelo grupo Cisco consistiam na venda, formalizada em contratos reais e perfeitamente idôneos e o relacionamento comercial com a Mude não prova que a CdB ou a CSI tenham se beneficiado de qualquer forma pela eventual prática das atividades fraudulentas imputadas a terceiros. Na eventualidade de o seu então administrador, Carlos Roberto Carnevali, haver participado, em alguma extensão, das fraudes de que a Mude e as demais Fl. 35951DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.952 13 empresas auditadas são acusadas, é importante mencionar que a impugnante nunca permitiu, tomou conhecimento ou chancelou tal prática. A política interna da Cisco é severa com relação a esse tipo de assunto, sendo imediatamente rechaçadas atitudes que atentem contra os princípios éticos e normas legais que regem as suas atividades. Das investigações realizadas pela CSI: Em razão de denúncia anônima, em 2004, a CSI iniciou investigação interna para apurar a veracidade de acusações feitas contra a empresa Mude e Carlos Roberto Carnevali, bem como sobre a alegada vinculação de ambos, razão pela qual formalizou “acordo de não revelação de informações” para que pudesse ter acesso aos atos constitutivos das empresas “offshore” sócias da empresa Mude e ver se a denúncia era procedente, não havendo por parte da CSI intuito de burlar as leis brasileiras, tampouco menosprezo por parte da empresa americana com relação às atividades da Receita Federal do Brasil. O que queria a CSI era detectar a suposta vinculação do então presidente da empresa do grupo no Brasil com o distribuidor Mude. O Código de Conduta interna da Cisco proíbe de forma expressa que seus funcionários em todos os níveis tenham interesses financeiros ou de qualquer outra ordem com empresas com as quais transaciona – ao qual voluntariamente se submetera o referido dirigente é renovado formalmente a cada ano (doc. 13). Nem se diga que o resultado obtido pela CSI – o de que não haviam provas suficientes a embasar a denúncia anônima efetuada contra a Mude e Roberto Carlos Carnevali – autorizaria a fiscalização federal a concluir que a CSI teria conhecimento ou participação no alegado esquema fraudulento apontado na chamada “operação persona”, a uma, porque o Relatório IPEI BA 2008 006 é de se questionar se a CSI teria meios para chegar a um resultado diverso daquele obtido na mencionada investigação; a duas, porque o simples acesso aos atos constitutivos nas “offshore” não permitiria que a CSI vislumbrasse o alegado esquema de interposição fraudulenta de empresas; a três, porque a CSI não está sujeita às leis Brasileiras e a quatro, porque a acusação é carente de provas. Da definição do preço e das condições do negócio: O TSPS traz emails trocados entre funcionários da impugnante e da CSI no que diz respeito a desconto concedido em compra de produtos Cisco efetuada pela empresa TAM e Telefônica, na qual é fornecido o preço total dos equipamentos que seriam comprados por essa última. Esses dois negócios são anteriores ao período abrangido no TSPS e, portanto, imprestáveis para embasar as conclusões do Fisco. Quanto ao exemplo da TAM, devese ressaltar que a fiscalização aparentemente confundiuse acerca de qual seria o cliente da CSI, o qual, neste caso, era a Fulfill, que solicitada à CSI um desconto maior. E, de acordo com o procedimento de aprovação de descontos então vigente, a concordância prévia da impugnante era necessária antes que a CSI o aceitasse. No que diz respeito à Telefônica, esta, na condição de Provedora de Serviços, poderia comprar diretamente da CSI ou por via de um parceiro selecionado pela própria empresa. Uma das funções da impugnante no Brasil é justamente a revisão de propostas técnicas e a solicitação de descontos junto à CSI, dentro dos limites da referida política de descontos estabelecida pela empresa e, mesmo nessas ocasiões Fl. 35952DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.953 14 específicas previstas, são os parceiros responsáveis pela importação e pelos procedimentos relativos ao desembaraço aduaneiro dos equipamentos no Brasil, bem como pela revenda para os destinatários. Seja por qual ângulo se examine, vêse que as operações realizadas pela Mude com a CSI efetivamente ocorreram dentro de um dos modelos de distribuição adotados pela Cisco, “twotier”, de acordo com o qual o distribuidor não relacionado localizado nos USA adquiriu os produtos CSI e os exportou para o Brasil, sendo então revendido o produto localmente em linha com a política de preços e desconto da Cisco. Não é por outro motivo que, no documento relativo à aquisição de produtos pela empresa TAM, se lê que o autor daquela ordem de compra havia sido a Fulfill Holding Company, que à época era a empresa que adquiria os produtos Cisco nos USA para posterior exportação para o Brasil, que posteriormente foi substituída pela Mude USA. A Fulfill estava solicitando da CSI um desconto maior do que 62% na compra. O mesmo pode ser encontrado na carta emitida pela impugnante à empresa Telefônica, na qual se lê claramente que “... o valor mencionado acima deverá ser pago pela Telefônica ao parceiro Cisco selecionado. O faturamento poderá ser feito diretamente pelo distribuidor autorizado Cisco para a Telefônica nos termos do contrato a ser celebrado com o parceiro Cisco selecionado”. Nos dois documentos seguintes (págs. 13 a 16 do TSPS) vêse que os produtos Cisco vendidos seriam faturados contra a Mude USA e enviados pelo agente exportador LOGCIS e entregues diretamente ao seu comprador final, no caso as empresas de telefonia Brasil Telecom e Telefônica. O envolvimento da CSI ocorreria somente na venda para a Mude USA. A afirmação de que a participação da impugnante no esquema de importação fraudulenta seria comprovada pela fato de o representante da empresa, na época, Pedro Ripper, mencionar a separação (split) de software e hardware que estaria sendo efetuada pela Mude, já que as importações individualizadas estariam sendo realizadas por interpostas pessoas é inverídica. A leitura cuidadosa da transcrição da escuta telefônica, contudo, traz que do início ao fim, seus interlocutores mencionam que o referido “split” seria efetuado pela Mude e, jamais, por outras empresas interpostas e não autoriza o fisco a concluir que a impugnante teria conhecimento dessas outras empresas. E, com relação à alegação específica acerca da separação do valor relativo a software e hardware, a política da Cisco sempre foi a de que o software embutido no hardware deve ser tratado como hardware, de modo que o preço cobrado pela CSI na venda dos seus produtos inclui o valor do software. Além disso, considerando que nem a CSI exporta diretamente e nem a impugnante importa produtos para revenda, não lhe cabe decidir acerca do tratamento que será dado aos produtos importados para o Brasil e seus efeitos fiscais. 2.1.3 DA VINCULAÇÃO CISCO/MUDE: A empresa Mude não é o setor de importação da impugnante no país e todas as provas levantadas pela própria fiscalização comprovam tal fato, já que a Mude não é uma empresa de fachada, bem como a impugnante não importa produtos Cisco a não ser aqueles destinados a reparos e substituição em garantia. A CSI ou a impugnante não tinham qualquer interesse jurídico ou titularidade econômica ou societária em qualquer das empresas alegadamente interpostas e nas Fl. 35953DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.954 15 operações de importação e revenda no Brasil. Todas as transações realizadas diretamente pela CSI ou pela impugnante foram e são regulares. Como já dito, o grupo Cisco opera por intermédio de distribuidores, sendo que a empresa Mude era a principal distribuidora de seus produtos no ano auditado. No período da autuação e em quanto perdurou a relação comercial da empresa Mude com a impugnante e a sua controladora no exterior (CSI), a Mude sempre atuou de forma independente e por sua conta e risco, sendo certo que também comercializava outros produtos, fabricados por outras empresas e a CSI também vendia para duas outras empresas estabelecidas no Brasil (Ingram Micro e Techdata), as quais seguem atuando nessa condição até hoje. Cabia à Mude no Brasil proceder à importação dos produtos fabricados e vendidos pela CSI nos USA a preços de mercado, tal como o grupo Cisco procede em relação a centenas de outros adquirentes dos seus produtos. Cabia, ainda, à Mude proceder à distribuição desses produtos no Brasil, conforme o já citado modelo de negócios do grupo Cisco. 2.1.4 DO FINANCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES: A concessão de linhas de crédito para os distribuidores é um dos itens do programa de recompensa criado pelo grupo Cisco para o desenvolvimento de suas vendas por intermédio dos chamados “parceiros”. Além de linhas de crédito há, ainda, o acesso aos melhores produtos e serviços de cada linha, suporte técnico, ferramentas de produtividade, treinamento online, recursos de marketing e promoção de vendas, benefícios esses concedidos de acordo com o nível de certificação de cada parceiro. A concessão de linhas de crédito à Mude, portanto, constitui medida comum entre a CSI e seus parceiros, inclusive para determinadas categorias de distribuidores. Representa, de fato, uma vinculação comercial existente entre as empresas, mas jamais, o financiamento de supostas fraudes. 2.1.5 DA INEXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR DO IPI: O interesse comum, previsto no artigo 124, do CTN pressupõe que duas ou mais partes sejam igualmente obrigadas ao pagamento de um determinado tributo, podendo o erário exigir a satisfação integral de seu crédito contra qualquer uma delas, sem que se obedeça a qualquer benefício de ordem, como se fossem apenas um devedor, tratandose, portanto, da transferência da responsabilidade tributária a terceiros e exige que as partes tidas por solidárias estejam igualmente ligadas ao fato que deu ensejo ao nascimento da relação jurídica cujo resultado é o pagamento do tributo previsto em lei. Portanto, só há que se falar na solidariedade tributária prevista no dispositivo em questão quando os sujeitos passivos derem causa a uma única obrigação tributária decorrente da efetivação, por todos, de um só fato gerador, o que permite, consequentemente, que o erário os considere como um só devedor. Tais elementos, contudo, não podem ser encontrados no caso em exame, no qual a autoridade fiscal, calcada em conclusões equivocadas e distorcidas sobre o Fl. 35954DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.955 16 modelo negocial do grupo Cisco, procura trazer para dentro da relação jurídica tendente ao pagamento do IPI, a impugnante, que tal como expressamente reconhecido pelo próprio fisco, não importou, por sua conta e ordem ou qualquer outro modelo de importação existente e, consequentemente, não deu saída às mercadorias de propriedade da Mude. 2.1.6 DA REVOGAÇÃO DA BASE LEGAL DA MULTA REFERENTE AO IPI NÃO LANÇADO EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS DESSE TRIBUTO: A base legal suscitada pela fiscalização para justificar a imposição da multa referente ao IPI não lançado em razão da existência de créditos desse tributo encontrase revogada desde 2007 pela Lei nº 11.488/2007 e, em respeito ao artigo 106, II, a, do CTN (segundo o qual a lei tributária aplicase a fatos pretéritos quando deixe de definilo como infração) há que ser cancelada a cobrança da multa em questão. 2.2 PESSOAS FÍSICAS Constam, também do processo, impugnações apresentadas pelas seguintes pessoas físicas: Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcílio Palhares Lemos; Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira; Gustavo Henrique Castellari Procópio; José Roberto Pernomian Rodrigues; Luiz Scarpelli Filho; Pedro Luis Alves Costa; Reinaldo de Paiva Grillo; Carlos Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. 2.2.1 Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcílio Palhares Lemos; Moacyr Álvaro Sampaio; Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e José Roberto Pernomian Rodrigues, representados pelo escritório Souza Schineider e Pugliese Advogados, apresentaram impugnações semelhantes quanto ao termo de sujeição passiva e à autuação, alegando em síntese, o que se segue: a) Cerceamento do Direito de Defesa decorrente da falta de obtenção de cópia dos documentos que instruem o Auto de Infração, o que torna impossível não só rebater as acusações, como também impede a correta contextualização destas acusações; b) Nulidade das provas: o Termo de Sujeição Passiva foi fundamentado por documentos obtidos para instruir ação criminal e jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal; c) Ausência de relação entre as provas e os fatos que ensejam a responsabilidade solidária; pois as provas colhidas referemse ao ano de 2006 e 2007 e não ao ano de 2003; d) Ausência de procedimento fiscal em face dos impugnantes: O Fisco, mesmo sem direcionar qualquer intimação aos impugnantes durante o procedimento fiscalizatório, considerouos sujeitos passivos da obrigação tributária, exigindolhes o crédito constituído contra a MUDE; e) Na hipótese de terem agido os sócios com infração à lei ou estatuto, dando causa a situação que tenham gerado atos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal (e não solidária) prevista no artigo 135 do CTN, o que implica outra forma e fundamento de lançamento. Para figurar como obrigado solidário com base no artigo 124, I, a Fl. 35955DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.956 17 pessoa teria de estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão entre os coobrigados da parcela de cada um. Não basta, para ser apontado como responsável solidário, nos termos do artigo 124, I, do CTN, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc.; f) O primeiro aspecto que macula o Termo de Sujeição Passiva Solidária é a falta de prova que pudesse comprovar a antecipação de recursos por parte das interessadas, já que não participaram da operação de compra e venda de mercadorias CISCO pela MUDE e, por esse motivo, jamais poderiam ser responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário constituído. Também não podem ser equiparados a estabelecimento industrial, por não ser atacadista ou varejista, já que são pessoas físicas, e jamais poderiam ser contribuintes do IPI; g) A multa exigida no auto de infração, no montante de 150% do valor do IPI apurado, não poderá ser imputada, por solidariedade, pois, como é cediço, a multa imputada possui caráter personalíssimo, não podendo ser cobrada dos responsáveis solidários. Neste sentido somente o agente da infração poderá ser apenado com a cobrança de multa de ofício e o próprio artigo 124, I, do CTN, prevê que o instituto da solidariedade é restrito À cobrança da obrigação principal; Quanto ao crédito tributário levantaram os mesmos argumentos desenvolvidos pela empresa Mude em sua peça impugnatória. Por fim, protestaram pela possibilidade de juntar novos documentos tão logo tenham a possibilidade de retirar cópias do processo, bem como de analisálas adequadamente. 2.2.2 Luiz Scarpelli Filho, representado pelo escritório Amato Filho Advogados, apresentou sua impugnação ao auto de infração alegando, em preliminar, a decadência preconizada no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional para os fatos geradores havidos entre 10 de janeiro a 30 de novembro de 2003, já que ao impugnante não fora imputada conduta ilícita. No mérito, alegou em suma: A falsa equiparação da MUDE à indústria, reportandose à impugnação da empresa que se encontra munida de documentos a demonstrar que as operações realizadas pela Mude eram comerciais e de serviços; Da mesma forma, reportando à impugnação da Mude, alegou a ausência de antecipação de recursos; Que não teve o interessado participação em qualquer esquema fraudulento, eis que suas atividades limitavamse às empresas a quem prestava serviços à Mude, onde atuava na análise de procedimentos internos com capacitação de profissionais para atuar com produtos de informática, automatização de processos, diminuição de custos, aumento da qualidade perante os clientes e remuneração de funcionários e Fl. 35956DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.957 18 prestadores de serviços. Em 2003, teve pequena participação societária na Mude, que lhe foi conferida a título de bônus a fim de viabilizar sua atuação de maneira mais próxima e implementar plano de crescimento, procedimento transparente e lícito. A existência pura e simples de empresas offshore ou internacionais não pode servir, por si só, como presunção de ilegalidade ou atividade ilícita, como transparece o entendimento do ente fiscalizador; Quanto à sujeição passiva solidária, argumentou que nem mesmo a ação penal sofrida no processo criminal 2005.61.81.0092851 arrolou o impugnante como parte do esquema fraudulento, deixandoo de fora da denúncia e que a responsabilidade fiscal dos sócios restringese à prática de atos que configurem abuso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto da sociedade. Com relação às provas acostadas aos autos, argumentou que, por serem provas emprestadas, não são suficientes por si só para provar o faro jurídico ou o ilícito tributário e que os apontamentos dos autos fazem referência a supostas transações havidas após o ano de 2003 ou desvirtuadas do contexto, além de não conterem datas, fato que as invalidam como prova de suposto excesso de poder. 2.2.3 Pedro Luis Alves Costa, representado pelo escritório Camargo & Araújo Advogados Associados, apresentou sua impugnação quanto ao auto de infração e a imposição de multa, alegando em preliminar cerceamento de defesa, vez que cabia ao fisco notificar o interessado para que apresentasse esclarecimentos, documentos e demais informações que comprovassem ou, de outra forma, o absolvesse sumariamente da responsabilidade solidária a que está sujeito. Também em preliminar, argumentou que as provas carreadas aos autos não fazem menção ao ano de 2003, pois obtidas nos anos de 2006 e 2007, não havendo como admitilas sem qualquer vínculo temporal com o suposto ilícito tributário imputado a MUDE. Quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, argumentou que o artigo 124, I, do CTN não pode ser interpretado isoladamente, devendo ser analisado juntamente com o artigo 135, inciso III do mesmo diploma legal e que fazse necessário que a pessoa física responsabilizada solidariamente tenha praticado atos de gerência e de administração em relação à empresa fiscalizada ou, que de qualquer modo, tenha refletido na atividade geradora do fato imponível. O “interesse comum”, a que se refere o artigo 124, I, do CTN, não se resume em interesse econômico, devendo existir para que se configure a solidariedade passiva tributária o interesse jurídico na realização da situação que deu origem ao fato gerador do tributo. Toda a ação fiscal foi calcada em presunções, não havendo qualquer prova de que Pedro Luís Alves costa tenha se beneficiado do suposto ilícito tributário ou tenha contribuído na execução do mesmo ou tenha qualquer ligação com o fato gerador. Alegou, ainda, que a responsabilidade por multa decorrente de infração tributária não pode ser repassada ao impugnante, já que o artigo 124 do CTN faz referência somente a solidariedade em relação à obrigação principal gerada pelo fato imponível. 2.2.4 Reinaldo de Paiva Grillo, representado por seu advogado (Sr. Guilherme de Azevedo Camargo) apresentou impugnação alegando, em preliminar, decadência sobre todo o período autuado e cerceamento de defesa configurado pela falta de acesso aos autos, além de alegações totalmente insubsistentes e provas precárias. Fl. 35957DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.958 19 Sustentou que a imputação de corresponsabilidade é totalmente indevida, pois nunca participou do contrato social da empresa autuada, nem da respectiva administração ou negócios, limitandose apenas à prestação de serviços de logística, sendo nula sua inclusão no polo passivo da presente exação. Acrescentou que a inexistência de sua relação com os fatos imputados na autuação corroborase pela absoluta ausência de provas concretas de qualquer participação sua no fato danoso e as provas utilizadas ofendem os preceitos constitucionais dispostos no artigo 5º da Constituição Federal. E que, no ano de 2003, a empresa What´s Up Business sequer existia, tendo sido aberta somente em 2005. Acrescentou que a jurisprudência dominante tem entendido que a responsabilidade é subjetiva, devendo ser comprovada cabalmente a intenção do agente em suprimir tributos, omitir declarações e deixar de pagálos pontualmente. 2.2.5 Carlos Roberto Carnevali, representado pelo escritório Martins Chamon e Franco Advogados, apresentou sua impugnação quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária alegando que não existe qualquer prova que demonstre que o impugnante foi (ou é) sócio, ou se beneficiou pelas supostas operações simuladas praticadas pela Mude, tampouco que comprove qualquer participação na administração da autuada e que sua vinculação não passa daquelas pertinentes à sua função profissional como funcionário da empresa Cisco do Brasil Ltda. Defendeu haver evidente violação do princípio da ampla defesa e do contraditório na imposição de sujeição passiva, porque embora tenha sido notificado de sua inclusão no polo passivo da autuação no dia 19/12/2008, somente lhe foi concedido o direito de vista dos autos em 09/01/2009, apenas 11 dias para o término do prazo de defesa. Também protestou pela violação do princípio da verdade material, alegando que a autoridade fiscal não procedeu a investigação minuciosa para verificar se efetivamente teria responsabilidade solidária sobre o valor exigido na autuação, baseandose em meras suposições e ilações de que teria interesse comum na importação supostamente fraudulenta. Teceu breve histórico de sua carreira profissional argumentando que sempre teve conduta digna na condução das empresas que presidiu e alegou que a imputação do artigo 124, I, do CTN é incompatível com os fatos narrados, pois os sujeitos que possuem interesse comum na situação que constitua o fato gerador sempre se revestem da qualidade de contribuintes, assim como os coproprietários e condôminos em relação aos tributos imobiliários e nem mesmo a inverídica alegação da sua condição de sócio poderia levar a autuação, ainda que de sócio se tratasse (o que não é verdade), pois a sua eventual responsabilidade repousaria em outra fundamentação jurídica, a do artigo 135 do CTN. No mérito, argumentou que a fiscalização tentou embasar a acusação de que o impugnante teria vínculo com a empresa autuada por meio de interpretações distorcidas e equivocadas dos emails e conversas telefônicas mantidas com os executivos da Mude (transcritas no termo de sujeição passiva), que na verdade demonstram apenas o interesse empresarial condizente com a função e cargo de presidente que ocupava no Brasil. Contudo, nenhum destes diálogos constituem indícios de que o impugnante exercia atos executórios ou de coordenação do gerenciamento dos negócios realizados pela Mude. A atribuição de responsabilidade solidária pela fiscalização decorre de meras ilações baseadas em: 1) fatos circunstanciais, 2) documentos que não constituem nexo causal para imputação da sujeição passiva solidária e 3) emails que apenas demonstram a relação de amizade Fl. 35958DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.959 20 entre o executivo da Mude (Hélio Pedreira) e o impugnante, comprovada, inclusive pela linguagem coloquial utilizada pelos interlocutores aos se comunicarem. E que, embora evidente a existência de um vínculo de amizade entre o impugnante e o Sr. Hélio, tal fato não pode ser utilizado como premissa ou indício de que o impugnante atuava como sócio oculto da Mude. A fiscalização não conseguiu demonstrar o nexo de causalidade entre os supostos indícios apurados e o fato que se desejou demonstrar. Alegou que a União Digital somente passou a revender os produtos da Cisco no Brasil em razão da incorporação pela Cisco norteamericana da empresa Newport. A União Digital era a principal revendedora dos produtos da Newport no Brasil, tornandose parceira da Cisco por um fato aleatório e circunstancial, ou seja, não houve um planejamento arquitetado pelo impugnante e pelo Sr. Hélio para que a União Digital fosse constituída e se tornasse a principal revendedora dos produtos Cisco no país e antes mesmo da constituição da cisco do Brasil a União Digital já comercializava equipamentos de telecomunicações, distribuindo produtos da Newport. Acrescentou que a União Digital foi constituída em 1992, enquanto o impugnante somente ingressou na Cisco do Brasil em 1994. Acrescentou que o impugnante era sócio da empresa Storm Ventures com sede nos USA e durante muito tempo realizou aporte de capital para investir em empreendimentos de sua titularidade. Em razão do lucro que vinha sendo auferido pela empresa, o Sr. Hélio Pedreira se interessou em adquirir participações para tornarse sócio do empreendimento, mas jamais houve aporte de capital por parte do impugnante na empresa JDTC. Continuou alegando que também não merece prosperar a interpretação da fiscalização quanto aos email transcritos às páginas 13, 14 e 15, do termo de sujeição passiva, pois tratam de aspectos relativos ao investimento e administração da empresa TORNADO, que nada tem a ver com a Mude. Sustentou que estava afastado das operações diárias da Cisco do Brasil à época dos fatos, já que em 2002 assumiu a vicepresidência da Cisco na América Latina, função encarregada por desenvolver novos mercados e não mais teve qualquer relação com os denominados “canais” implementados pela Cisco Inc. e, a partir de 2007, afastouse quase que definitivamente da Cisco do Brasil, iniciando um novo ciclo em sua carreira prestando consultoria a diversas empresas, entre elas a Mude que, no caso, objetivava a possível venda da empresa ou a realização de abertura de capital. Alegou que, o organograma utilizado como meio de prova pela fiscalização para imputar responsabilidade tributária ao impugnante decorre exatamente desta época em que estudava várias propostas para voltar ao mercado de trabalho, inclusive a de integrar o Conselho de Administração da Mude. Destacou, ainda, que no termo de verificação, no capítulo intitulado “PESSOAS QUE EFETIVAMENTE DIRIGEM A MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA.” não se menciona a pessoa do impugnante, embora sejam citados todos os demais executivos do grupo. Por fim, esclareceu que deixa de manifestarse quanto ao mérito da autuação em si, por profundo desconhecimento de qualquer questão operacional das autuadas, protestando por provar por todos os meios de provas admitidos e pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários. 2.2.6 Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel, representados pelo escritório Dias de Souza Advogados Associados, apresentaram impugnações Fl. 35959DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.960 21 similares quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, alegando sua nulidade na medida em que não atenderia aos preceitos constitucionais e legais necessários a atividade fiscal de lançamento e de constituição de créditos tributários. A impugnação, em resumo, sustentou que todos os elementos fundamentadores da autuação foram obtidos exclusivamente no âmbito da investigação em curso nos autos do procedimento criminal nº 2005.61.0092851 o que é vedado, já que a utilização de prova emprestada do processo criminal, destinadas exclusivamente a fins penais, não pode substituir os procedimentos de fiscalização que são próprios da administração, além de violar os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Afirmou ser incabível a responsabilização solidária, na medida em que o impugnante sequer em tese teria participado das operações no mercado interno, objeto da autuação originária, inexistindo o requisito do “interesse comum” previsto no artigo 124, I, do CTN e que os indícios colacionados pela fiscalização, a par de não serem dotados de clareza, precisão e de concordância, não demonstram que o impugnante seria sócio das empresas importadoras. Quanto ao auto de infração, defendeu que este seria nulo, por ter também se baseado em provas emprestadas, destinadas exclusivamente a fins penais, sendo imprestáveis os indícios e presunções apontados pela fiscalização. Sustentou que a importadora D´Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. teve sua regularidade fiscal comprovada no bojo do procedimento fiscal previsto na IN nº 228/2002, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, nos termos do artigo 146 do CTN e os indícios colacionados pela fiscalização não demonstram a ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros. Defendeu, ainda, que os valores relativos aos períodos anteriores a 18/12/2003 foram atingidos pela decadência. A 8ª Turma da DRJ/RPO, no Acórdão n° 1446.027, excluiu a responsabilidade dos Srs. CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL e, no mérito, julgou as impugnações improcedentes, mantendo o crédito tributário exigido.com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais, pelo acusado, e o seu direito de resposta ou de reação encontram plenamente assegurados. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. Fl. 35960DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.961 22 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Descabe a alegação de ilicitude na obtenção de prova ou de quebra de sigilo, quando as informações e documentos que instruem processo criminal são compartilhados em processo administrativo fiscal, por expressa autorização Judicial. CONTRADITÓRIO. INÍCIO. Somente com a impugnação iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2003 PRAZO DECADENCIAL. FRAUDE. Nos lançamentos por homologação, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador. Porém, na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação a contagem do referido prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá saída a esses produtos equiparase a estabelecimento industrial, estando sujeito à obrigação principal, que consiste no pagamento do tributo, e às obrigações acessórias, consistentes, por exemplo, na emissão de notas fiscais com o lançamento do IPI e na escrituração de livros fiscais. SAÍDA DE PRODUTO TRIBUTADO DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. Ocorre o fato gerador do IPI na saída, a qualquer título, inclusive transferência, de produtos do estabelecimento que os tenha importado. Fl. 35961DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.962 23 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DAS PESSOAS FÍSICAS QUE COMANDAM, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. Evidenciado que pessoas físicas, ausentes do contrato social da empresa, são seus verdadeiros controladores, correta a determinação de responsabilidade solidária às mesmas pelos tributos devidos pela empresa, vez que caracterizado que estas pessoas físicas possuem interesse direto nas operações econômicas que geram as obrigações tributárias insertas nos autos. O interesse comum dos responsáveis solidários fica evidente quando se verifica que eles exerciam o controle de todas as operações gerenciais/comerciais/financeiras efetuadas pela sociedade empresária autuada, desde as operações desenvolvidas no exterior até os procedimentos de importação das mercadorias e venda dessas no mercado nacional e percebiam o lucro advindo desta atividade. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a simulação. Em recurso voluntário, as Recorrentes ratificaram as razões das impugnações, acrescentado o desacerto da DRJ na manutenção da autuação e, apontando pontos que não teriam sido abordados pelo voto condutor. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Os recursos voluntários reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, portanto, tomo conhecimento. Apenas não se toma conhecimento do recurso voluntário de Reinaldo Grillo, por ser intempestivo. A infração em tela trata somente do IPI que deixou de ser destacado/escriturado e pago pela empresa MUDE em decorrência de sua equiparação à industrial, já que verificado que esta era a real importadora dos produtos CISCO, por consequência da constatação da interposição fraudulenta. Segundo a fiscalização, as referidas pessoas físicas e jurídicas, integrantes do Grupo CISCO/MUDE, foram consideradas responsáveis solidárias porque, nos termos do art. Fl. 35962DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.963 24 124, I, do CTN, elas tinham interesse comum na situação constitutiva do fato gerador do IPI cobrado, em razão dos fatos apurados no curso das investigações promovidas no âmbito da Operação Persona (Relatório RFB/IPEI BA 2007.0005) e do presente procedimento fiscal, em que ficou comprovado que: a) os citados responsáveis solidários tinham conhecimento da interposição fraudulenta; b) houve conluio entre os componentes do grupo, com o objetivo de sonegação fiscal; c) as citadas pessoas físicas eram sócios reais ou ocultos da MUDE; e d) todos os integrantes do grupo contribuíram para o sucesso da fraude e obtiveram ganhos ilícitos significativos. O modus operandi do esquema de fraude nas operações de importação planejado e implementado pelo “Grupo MUDE” foi descrito pela fiscalização com seguintes dizeres, in verbis: No comando do esquema operacional de importações, encontramse os principais dirigentes das empresas CISCO DO BRASIL LTDA e da sua distribuidora, MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e ainda, juntandose a estes, outras pessoas físicas e jurídicas especificadas ao longo deste Termo Fiscal, notadamente no capítulo III, que montaram uma sequência de operações para ocultação do real importador, simulando a ocorrência de importação direta ou própria em nome das terceiras pessoas jurídicas interpostas, quando, na verdade, as importações ocorriam por conta e ordem da própria MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Através deste esquema, atingiamse os objetivos nas metas de vendas na América Latina da empresa norte americana CISCO SYSTEM INC., colocando seus produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações no mercado nacional, reduzindo drasticamente e ilegalmente a tributação do IPI e demais tributos federais e estaduais incidentes. Desta forma, indiscutível a grande vantagem na competitividade comercial, além, é obvio, da subtração de recursos ao erário público. Conforme já explicitado, as fraudes visavam a ocultação dos reais adquirentes e beneficiários das operações de comércio exterior, MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA e CISCO DO BRASIL LTDA, através da estrutura de importação fraudulenta baseada na criação de empresas interpostas entre os extremos da cadeia logística (fabricante/real exportador e real importador/adquirente). Obscurecendose ainda mais os fatos reais, o grupo optou por criar o chamado "duplo grau de blindagem", ou seja, além da criação do importador e exportador interpostos, o grupo também criou distribuidores interpostos no Brasil e nos Estados Unidos. Essas empresas interpostas, normalmente tinham seus quadros societários compostos por empresas offshore (sediadas em paraísos fiscais) e/ou pessoas desprovidas de recursos econômicos vulgarmente denominadas "laranjas", como pedreiros, ambulantes, operadores de telemarketing, auxiliares de escritório, ferramenteiros etc., conforme será exposto ao longo do presente Termo. O modelo de interposição utilizado pelo grupo CISCO/MUDE permitiu a eles (reais importadores e adquirentes) atuarem no comércio exterior sem sujeitarse a qualquer controle exercido pela Receita Federal do Brasil RFB. Fl. 35963DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.964 25 Todas as nacionalizações foram declaradas ao Fisco como importações realizadas por conta própria das importadoras interpostas, quando na realidade são operações por conta e ordem de terceiros (MUDE/CISCO). O real importador e adquirente, portanto, permanecia oculto ao Fisco. Os recorrentes Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e Carlos Roberto Carnevali informaram que, por meio da sentença proferida nos autos do Processo Criminal nº 000582749.2003.403.6181, que tramitou na 4ª Vara Criminal Federal em São Paulo/SP, foram absolvidos dos crimes objeto da denúncia do MPF. Essa decisão foi mantida pelo acórdão de fls. 35855ss, proferido pela Primeira Turma do TRF da 3ª Região, que transitou em julgado em 10/6/2015. De acordo com o dispositivo da sentença, os referidos responsáveis solidários foram absolvidos da acusação dos delitos referentes ao uso de documentos ideologicamente falsos, com fulcro no art. 386, III, do CPP, e da prática dos demais crimes imputados na inicial, nos termos do art. 386, V, do CPP. Em face da referida absolvição, os citados recorrentes pleitearam o cancelamento dos respectivos Termos de Solidariedade Passiva, sob o argumento de que a decisão prolatada na esfera criminal devia ser aplicada, ao caso em tela, uma vez que as provas utilizadas pela fiscalização, para lhes imputar responsabilidade tributária solidária, eram as mesmas utilizadas no Juízo criminal. Isso porque a sentença se baseou no relatório da Receita Federal de 1.241 páginas, ao qual fez expressa referência, e que fora trazido ao ambiente do contraditório com o oferecimento da denúncia. O relatório fiscal faz uma análise minuciosa dos elementos de prova colhidos no curso da investigação (documentos apreendidos, movimentações financeiras, interceptações telefônicas), descrevendo toda a operação fraudulenta, e, em especial, ao tratar da empresa MUDE, consigna expressamente tratarse de empresa que abastece uma grande fatia do mercado nacional com os produtos CISCO. Dito de outra forma, a materialidade da interposição fraudulenta foi documentada por ocasião do oferecimento da denúncia, pelos resultados das buscas e apreensões, interceptações telefônicas e de dados levados a efeito em sede policial e, principalmente, pelos relatórios fiscais, informativos e documentos encaminhados pela Receita Federal do Brasil. Os crimes de contrabando e descaminho encontram previsão no art. 334 do Código Penal, cuja redação, antes da edição da Lei nº 13.008/2014, dispunha: Art. 334 Importar ou exportar mercadoria proibida ou iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria: Pena reclusão, de um a quatro anos. § 1º Incorre na mesma pena quem: (...) Fl. 35964DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.965 26 b) pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando ou descaminho; c) vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira que introduziu clandestinamente no País ou importou fraudulentamente ou que sabe ser produto de introdução clandestina no território nacional ou de importação fraudulenta por parte de outrem; d) adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal, ou acompanhada de documentos que sabe serem falsos. A fiscalização sustentou que Hélio Benetti Pedreira e Carlos Roberto Carnevali foram os mentores e fundadores do esquema fraudulento e, durante todo o período da implementação da fraude, foram pessoas chave na organização e execução do esquema fraudulento, ao promover a integração e colaboração entre o “Grupo CISCO” e o “Grupo JDTC/MUDE”. Apenas após a criação da MUDE, os demais sujeitos passivos solidários se integraram ao esquema fraudulento. Teriam ainda, por intermédio de suas empresas offshores, recebido vultosos recursos financeiros no exterior, provenientes dos resultados auferidos com os ilícitos aduaneiros e tributários cometidos pela contribuinte MUDE. Já Gustavo Henrique Castellari Procópio pertenceu ao “Grupo MUDE” desde a sua constituição. Sustenta a fiscalização que ele era o advogado da MUDE e procurador das empresas offshore operacionais integrantes do grupo e chegou a ocupar o cargo de Gerente de Operações. Atuava nas empresas do grupo, sempre por meio de procurações com plenos poderes de gestão. Seja na constituição de empresas envolvidas no esquema de importação fraudulento, seja na administração delas, os conhecimentos jurídicos do recorrente foram fundamentais para implementação e manutenção do esquema fraudulento em destaque. Ele atuava como sócio oculto da empresa MUDE. Dispõe o art. 935 do Código Civil que: Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. Em suma, considerando que o Termo de Sujeição Passiva está lastreado nas provas produzidas nos autos do processo criminal n° 00582749.2003.4.03.6181, tal situação é apta a pôr em xeque a própria materialidade dos fatos. Ademais, o trânsito em julgado da absolvição é fato novo, sobre o qual entendo que a Fazenda Nacional, a MUDE e a CISCO devem se manifestar. Conclusão Fl. 35965DF CARF MF Processo nº 10803.000133/200850 Resolução nº 3301001.061 S3C3T1 Fl. 35.966 27 Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem intime a MUDE e a CISCO para manifestaremse sobre o desfecho do processo penal, em 30 dias. Após, cientifique a Fazenda Nacional, também para manifestação. Em seguida, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 35966DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720122/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.036
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .7 20 12 2/ 20 12 -3 5 Fl. 1070DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata o presente processo de auto de infração de PIS e de COFINS não cumulativos, em razão da glosa em pedidos de ressarcimento referentes a bens e serviços que a fiscalização entende não se referirem a insumos. A autoridade administrativa não acatou o método de apropriação de crédito dos insumos pretendido pela contribuinte, bem como apontou irregularidades na apuração de crédito decorrente da depreciação do imobilizado e quanto ao crédito presumido. A interessada foi cientificada e apresentou a impugnação, alegando em síntese: Inicialmente faz exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no §12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo, pois glosou grande parte dos créditos levantados pelo contribuinte, de modo a deixar a descoberto uma enorme quantidade de receitas da pessoa jurídica a ser tributada a uma alíquota de 9,25%, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente. Cita decisão do CARF no sentido de reconhecer como insumo todo e qualquer custo ou despesa necessária a atividade da empresa. Alega que a sua atividade se estende desde a lavoura até a comercialização de seus produtos e subprodutos no mercado interno e externo. Que no processo produtivo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que deve ser aplicada a legislação do IRPJ para fins de reconhecer os insumos que autorizam a apropriação dos créditos de PIS/COFINS, considerando todos os custos e despesas vinculadas ao processo produtivo da defendente. Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 4 3 Alega que no decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como: serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a defendente. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Do método de apuração dos créditos A fiscalização ao arrepio da lei desconsiderou o método de apropriação dos créditos elaborados pelo contribuinte e optou pelo meio mais oneroso para quem paga o imposto e que lhe era mais benéfico, sob o argumento de que todos os custos da cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar. Quanto à alegação de que todos os custos referentes à cana foram destinados ao açúcar e que os únicos custos que foram apropriados para a produção do álcool foram os referentes à fábrica de álcool e depósito de álcool, a interessada informa que o sistema de custo integrado serve exatamente para separar os custos destinados à fabricação do açúcar e do álcool, etc. de modo que os insumos destinados a cada processo sejam efetivamente direcionados aos seus respectivos centros através das requisições contábeis. Todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial, são exatamente custos da fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar para produção do VHP que é exportado e submetido à incidência não cumulativa do imposto. Para a fábrica do álcool somente é encaminhado o mel final que resulta do processo de fabricação de açúcar o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial. A fiscalização argumenta que toda a cana foi apropriada no processo de fabricação do açúcar, independente se dela foi elaborado álcool, entretanto, não houve fabricação de álcool direto da cana, já que as condições de mercado levaram as destilarias a tornaremse usinas e, nesse processo, enfatizarem a produção de açúcar por ser economicamente mais rentável. O segundo argumento fiscal é no sentido de que os razões não permitem identificar quais são os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, pois só informam o número da requisição do material, ora, e qual a ilegalidade ou irregularidade existente em tal procedimento. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 5 4 A fiscalização alega que há razões apresentados e informados, cujos produtos, notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, nem nas planilhas com a descrição dos insumos informados. Os livros auxiliares não são livros obrigatórios e não possuem regramento específico para seu preenchimento de modo que a defendente adota os procedimentos que melhor atendam seu gerenciamento. Inexistem custos comuns que são apropriados somente à receita nãocumulativa, conforme trabalho em anexo que demonstra o processo de fabricação do açúcar e o de fabricação do álcool, sendo ambos independentes e partindo de pontos totalmente distintos. O início do processo de fabricação de álcool é o mel pobre resultante como resíduo industrial do processo de fabricação do açúcar o qual possui seu custo que é efetivamente considerado. Da energia elétrica Reitera os argumentos do item anterior. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito préconstituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da interessada, sendo que ao final, deve ser feita a aplicação do direito à realidade fática, cancelando as glosas realizadas e respeitandose o procedimento de apuração do crédito adotado pela defendente, uma vez que previsto na lei, com as justificativas apresentadas no decorrer da presente, por ser medida de direito e da mais lídima Justiça. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo as glosas dos créditos: Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. É o relatório. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3301001.026, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 15868.20081/201287, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3301001.026): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltouse à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. A fiscalização utilizou os livros fiscais/contábeis e demais documentos, bem como as informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. As glosas são analisadas a seguir. Bens utilizados como insumos A fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. A atividadefim da empresa é a industrialização da cana de açúcar, resultando como bens produzidos e destinados à venda, o açúcar bruto e o álcool. Informou a fiscalização que, em análise às informações constantes nos relatórios e arquivos digitais com a descrição de bens e serviços que serviram de base para cálculo de créditos das contribuições, em consulta ao CNPJ dos fornecedores e no exame por amostragem das notas fiscais, constatou que há bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo previsto na legislação, pois não teriam sido utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar e álcool, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Dentre tais bens e/ou serviços que não se enquadram no conceito de insumo, segundo a autoridade fiscal, há despesas incorridas com maquinário agrícola, com caminhões, com plantio e colheita de cana de açúcar. Sendo a atividadefim da empresa voltada para a produção de álcool e açúcar, não haveria que se falar, na área agrícola, de fabricação de produto ou de bens que participem diretamente na produção de bens destinados a venda. Foram também considerados como insumos pelo sujeito passivo, outros bens e/ou serviços não Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 7 6 aplicados diretamente no processo industrial de fabricação dos produtos açúcar e álcool. Os bens e/ou serviços que não se enquadram no conceito de insumo, apontados pela fiscalização, são: partes, peças e/ou serviços para manutenção de caminhões, tratores, máquinas/equipamentos agrícolas, ônibus, veículos, reboques, aquisição/reforma de pneus. gastos com imobilizações, tais como serviços de construção civil, serviços de montagens industriais, elaboração de projetos industriais/engenharia, com materiais destinados à construção civil e/ou manutenção de edifícios (areia, cimento, tinta, etc.). despesas com serviços agrícolas diversos: com terraplanagem, análise de solo, colheita mecanizada de cana, com fornecedores cuja atividade principal, conforme CNPJ, é a prestação de serviços agrícolas de preparação de terreno, cultivo e colheita. gastos com transporte de pessoas. despesas diversas referentes a serviços de conservação de estradas, a roupas de uso profissional, serviços de despachantes/documentos de exportação, serviços de assessoria, fornecedores cuja atividade principal é a locação de outros meios de transporte, a manutenção da rede de rádio, a locação de equipamentos diversos e outras. Tais gastos não atenderiam ao critério para a caracterização de insumos, porque não se dão no âmbito do processo industrial dos produtos destinados a venda, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção do açúcar e do álcool. A Recorrente descreve seu processo produtivo de forma sucinta: Em apertada síntese o processo produtivo da Recorrente se inicia no preparo de solo para plantio da cana, efetivação do plantio desta, tratos culturais, corte da cana, carregamento, transporte, moagem, fabricação de açúcar e, por fim, comercialização dos produtos e exportação. Durante todo esse processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, senão vejamos, por amostragem, que pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas são utilizados em tratores, caminhões e máquinas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial fazendo parte do processo de produção. É equivocado o entendimento fiscal de que os gastos com a colheita e transporte da cana constituem procedimentos anteriores ao processo industrial, já que o contrato social da Recorrente estabelece como objetivo da sociedade também a produção de cana de açúcar. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 8 7 Ante o exposto, de se notar que a fiscalização desconsidera parte do processo industrial da Recorrente que se inicia na produção da cana a ser manufaturada, a qual demanda grande quantidade de insumos e equipamentos para sua produção, corte, carregamento, transporte e outros. Ademais, sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Prossegue: No decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como, serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a Recorrente. Frete A fiscalização glosou as despesas com fretes que teriam sido pagos a pessoas físicas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3°, §3°, da Lei n° 10.833/2003. Neste ponto, a Recorrente aduz que, dentre as glosas levadas a efeito pela fiscalização, constam fretes nas operações de venda das mercadorias, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3° da Lei 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu ativo imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Então, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (veículos, motos, microônibus, caminhões, etc.), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art. 3°, §14, da Lei n° 10.833/03; bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, pulverizadores, reboques etc., contrariando o disposto no art. 3°; VI, e §1°, III, da Lei n° 10.837/2002, e art. 15, da Lei n°10.833/2003, e art. 2° da Lei 11.051/2004. Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 9 8 AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Controvérsia em relação ao conceito de insumo e delimitação do processo produtivo da empresa Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressaltese que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento de PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pelo contribuinte. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 10 9 Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 11 10 A atividade desenvolvida pela Recorrente é o plantio de canade açúcar e sua industrialização para produção de açúcar e álcool, de modo que suas atividades se estendem desde a lavoura até a comercialização de seus produtos, o que, em tese, pode envolver as despesas incorridas e ora pleiteadas como insumos. Logo, é imperiosa, portanto, a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente. É sabido que em processos de compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Todavia, consta nos autos que a empresa apresentou todos os documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração da planilha de glosas construída pela fiscalização. Indubitavelmente, o contexto nos anos calendários de 2004 a 2007 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB. Isso tudo justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. CONCLUSÃO Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 15868.720122/201235 Resolução nº 3301001.036 S3C3T1 Fl. 12 11 Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem intime a Recorrente para: i) trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3 intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indicar os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1080DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.907581/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1201-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 75 81 /2 00 8- 05 Fl. 102DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação n° 11946.06027.121l03.1.3.049315 transmitida em 12/11/2003, (efl. 03), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido em 31/05/2002: DARF com período de apuração 30/04/2002, código de receita 2484, Estimativa mensal de CSLL, valor do principal R$ 3.819,13. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 775521675, de 18/07/2008 (efl. 10), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento (n° 1255796441) foi integralmente utilizado para quitação de débito de estimativa mensal do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 12) na qual alegou que ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o CSLL tributável em valor inferior aos valores antecipados, gerando saldo negativo de CSLL compensável. O litígio foi assim relatado pelo Acórdão Recorrido (efl. 42): 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 25/08/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 11/12, com anexos de fls. 13/39, na qual alega o seguinte: “O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA, inscrita no CNPJ sob o número 31.523.566/000121 estabelecida na Av. Rio Branco, 45 Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ Cep 20.090 003, vem muito respeitosamente apresentar a sua manifestação de inconformidade com o despacho decisório com rastreamento número 775521675 de 18/07/2008, pelos fatos abaixo relacionados: 1 No ano calendário de 2002 o contribuinte optou pelo recolhimento mensal do Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, POR ESTIMATIVA. 2 Foram recolhidos mensalmente o IRPJ por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 29.491,38 (cópias das guias em anexo). 3 Foram recolhidos mensalmente o CSLL por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo). 4 Ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o Lucro Real Anual tributável de R$ 79.067,93 que gerou um IRPJ de R$ 11.875,51 (Ficha 06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ2003. 5 Como o contribuinte recolheu de CSLL durante o ano calendário a importância de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo) e o valor da CSLL apurado com base no Lucro Real anual foi de R$ 7.116,11 (Ficha 17 da DIPJ 2003), foi gerado um CRÉDITO nominal para o contribuinte de R$ 15. 752,45. 6 Com o crédito, o contribuinte teria 02 caminhos a seguir: a) solicitaria a devolução do pagamento efetuado a maior b) faria compensação através da PER/DCOMP. Então o contribuinte optou pelo segundo caminho, ou seja, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15374.907581/200805 Acórdão n.º 1201002.873 S1C2T1 Fl. 103 3 compensou os recolhimentos efetuados a maior no ano calendário de 2003. 7 Assim o recolhimento de R$ 3.819,13 efetuado através do DARF código 2484 apuração 30/04/2002 e vencimento em 31/05/2002 foi parcialmente usado para compensar o débito do CSLL sobre lucro presumido do período de apuração agosto/2003, com vencimento em 30/09/2003, conforme PER/DCOMP número 11946.0602 7.121 103. 1.3. 049315 transmitida em 12/11/2003. 8 No despacho decisório não foi mencionado o débito em que teria sido utilizado o crédito gerado pelo recolhimento do DARF código 2484 apuração 30/04/2002 e vencimento em 31/05/2002, arrecadado em 31/05/2002 com valor total de R$ 3.819,13. " (...) A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 12 27.838 9ª Turma da DRJ/RJ1, efl. 42), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta é que cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um DARF que não correspondia ao crédito que pleiteava (visava o saldo negativo de CSLL purado no ajuste anual) e que a contribuinte requer direito de retificar a PERDCOMP via processo administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Sustenta a decisão que a retificação da PERDCOMP só é permitida antes de instaurado o litígio administrativo (IN SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008.). Cientificada em 16/01/2010 (efl. 50), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 09/02/2010 (efl. 52), em que aduz: O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA, inscrita no CNPJ sob o numero 31.523.566/000121, estabelecida na Av. Rio Branco, 45 Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ Cep 20.090 003, representada pelo seu representante legal Alvaro Fiães Inácio, não se conformando com os termos do acórdão em referência, vem muito respeitosamente apresentar RECURSO AO CARF, pelos motivos a seguir: 1) No ano calendário de 2003 a empresa optou pelo sistema de apuração pelo Lucro Real Anual, utilizando balancete de suspensão ou redução, ficando demonstrado que em todos os meses do ano calendário de 2003 a empresa teve base de cálculo do IRPJ e da CSLL negativa. (folhas 7 a 15 do DIPJ 2004 ano calendário de 2003em anexo). 2) Conforme a DCTF 3° trimestre de 2003 (de julho a setembro/2003), em anexo, não existe débito algum declarado nesse período. 3) Desta forma, o débito de Estimativa mensal de CSLL (código 24841), período de apuração de agosto de 2003, vencimento em 30/09/2003, no valor de R$ 223,80 é INEXISTENTE, ficando sem efeito a Declaração de Compensação n°. 11946.06027.12l103.1.3.049315. Fl. 104DF CARF MF 4 4) Assim NÃO PROCEDE a cobrança do débito de Estimativa mensal de CSLL (código 24841), período de apuração de agosto de 2003, vencimento em 30/09/2003, no valor de R$ 223,80. 5) Com os motivos acima expostos, o contribuinte vem requerer: > Que seja considerada sem efeito a Declaração de Compensação n°. 11946.06027.121103.1.3.049315. > A REVISÃO do ACÓRDÃO, > O CANCELAMENTO DA RESPECTIVA COBRANÇA. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e passo a avaliar seu conhecimento. O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente a Darf do período de apuração código 2362 (estimativa mensal). Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, prudente considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Porém concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na essência entendeu ser incabível compensar os débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos (saldo negativo da CSLL) daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integraram originalmente seu conteúdo. No caso presente o que se pretendeu foi modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Tratase de outro pedido, e a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Se há algum outro recolhimento indevido, cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15374.907581/200805 Acórdão n.º 1201002.873 S1C2T1 Fl. 104 5 Observo que o recorrente traz em seu recurso voluntário argumento novo, não apresentado à primeira instancia: o de que utilizou balancetes de suspensão ou redução em todos os meses do ano calendário de 2003; que teriam resultado em base de cálculo do IRPJ e da CSLL negativas em cada mês. Mas à primeira instância alegou que o saldo negativo somente foi apurado no ajuste anual. Nas palavras do contribuinte em sua manifestação de inconformidade: 4 Ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o Lucro Real Anual tributável de R$ 79.067,93 que gerou um IRPJ de R$ 11.875,51 (Ficha 06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ2003. 5 Como o contribuinte recolheu de CSLL durante o ano calendário a importância de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo) e o valor da CSLL apurado com base no Lucro Real anual foi de R$ 7.116,11 (Ficha 17 da DIPJ 2003), foi gerado um CRÉDITO nominal para o contribuinte de R$ 15. 752,45. Apela agora a recorrente à apuração refletida em DCTF que teria sido apresentada em 02/09/2008 (após à apresentação da manifestação de inconformidade, de 25/08/2008). Desta forma, segundo o prescrito pelo art. 16, III, do Decreto 70.235/72, e seu § 4º, tal argumento não pode aqui na segunda instância administrativa ser analisado. Por fim, requer o recorrente a desconsideração da própria PERDCOMP e de qualquer cobrança do débito declarado. Mas tal pleito deveria dirigirse às unidades administrativas de cobrança, e não ao CARF. Isto porque o pleito não compõe o litígio. Este se iniciou com a manifestação de inconformidade contra a negativa de reconhecimento do crédito e indeferimento da compensação conseqüente. Devese destacar que a petição de fls 75/81 não se constitui, em seu teor, razões complementares ao recurso voluntário, mas resumo dos argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001917/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 07/02/2006 a 13/12/2006
MODIFICAÇÃO CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA. ART. 146, CTN. INAPLICABILIDADE.
Quando da ocorrência dos fatos geradores autuados, inexistia qualquer manifestação da Secretaria da Receita Federal que reconhecia a validade das classificações fiscais adotadas (base da confiança), necessária para atrair a aplicação deste dispositivo, à luz do princípio da proteção da confiança e da moralidade administrativa. Inexiste, no caso, um critério jurídico adotado anteriormente pela Administração Pública Tributária que teria sido modificado na presente autuação.
IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO. CABIMENTO.
A falta de Licença de Importação para produtos descritos na Declaração de Importação com enquadramento incorreto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), restando demonstrado que as mercadorias importadas estavam sujeitas ao controle administrativo por ocasião do respectivo despacho, constitui infração para aplicação da multa de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro. Incidência do artigo 633, inciso II, alínea a do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n ° 4.543/02.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora). Designada a Conselheira Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 07/02/2006 a 13/12/2006 MODIFICAÇÃO CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA. ART. 146, CTN. INAPLICABILIDADE. Quando da ocorrência dos fatos geradores autuados, inexistia qualquer manifestação da Secretaria da Receita Federal que reconhecia a validade das classificações fiscais adotadas (base da confiança), necessária para atrair a aplicação deste dispositivo, à luz do princípio da proteção da confiança e da moralidade administrativa. Inexiste, no caso, um critério jurídico adotado anteriormente pela Administração Pública Tributária que teria sido modificado na presente autuação. IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO. CABIMENTO. A falta de Licença de Importação para produtos descritos na Declaração de Importação com enquadramento incorreto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), restando demonstrado que as mercadorias importadas estavam sujeitas ao controle administrativo por ocasião do respectivo despacho, constitui infração para aplicação da multa de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro. Incidência do artigo 633, inciso II, alínea a do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n ° 4.543/02. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora). Designada a Conselheira Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 327 1 326 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.001917/200788 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.200 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Recorrente DENTSCARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 07/02/2006 a 13/12/2006 MODIFICAÇÃO CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA. ART. 146, CTN. INAPLICABILIDADE. Quando da ocorrência dos fatos geradores autuados, inexistia qualquer manifestação da Secretaria da Receita Federal que reconhecia a validade das classificações fiscais adotadas (base da confiança), necessária para atrair a aplicação deste dispositivo, à luz do princípio da proteção da confiança e da moralidade administrativa. Inexiste, no caso, um critério jurídico adotado anteriormente pela Administração Pública Tributária que teria sido modificado na presente autuação. IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA. FALTA DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO. CABIMENTO. A falta de Licença de Importação para produtos descritos na Declaração de Importação com enquadramento incorreto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), restando demonstrado que as mercadorias importadas estavam sujeitas ao controle administrativo por ocasião do respectivo despacho, constitui infração para aplicação da multa de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro. Incidência do artigo 633, inciso II, alínea “a” do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n ° 4.543/02. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne (relatora). Designada a Conselheira Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 19 17 /2 00 7- 88 Fl. 327DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos – Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da multa do controle administrativo por falta de licenciamento, (art. 633, II, “a”, Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época, aprovado pelo Decreto n ° 4.543/02), e da multa proporcional ao valor aduaneiro por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação dada pela Lei 10.833/2003). Como indicado no Auto de Infração, o contribuinte importou entre 07/02/2006 e 13/12/2006, sem licença de importação vinculada: · "PONTAS APLICADORAS EM ACO" e "PONTAS APLICADORAS EM ACO NEGRAS" nos tamanhos 18 e 20 da marca PRIME DENTAL MANUFACTURING INC, classificadas na NCM 7326.90.00 (Obras de ferro fundido, ferro ou aço Outras obras de ferro ou aço Outras Outros Obras De Ferro Ou Aco): e · "CAPSULA 1:1 PET MARROM", "DOSADOR COM BORDA 5ML 1:1 POLIPROPILENO", "MISTURADOR DN2 5X12 1:1 MARROM/PRETO", "SERINGA DUPLA 5ML 1:1 POLIPROPILENO PRETA" da marca SYSTEMS AG e "SERINGA 1,2ML BLK TFLNG LL" da marca ORATECH HEALTHCARE TECHNOLOGIES, classificadas na NCM 3926.90.90 (Plásticos e suas obras Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 3901 a 3914 Outras Outras) Especificamente quanto à importação realizada em 07/03/2007, a fiscalização procedeu com conferência aduaneira e identificou a importação de "PONTAS APLICADORAS Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 328 3 NEGRAS TAMANHO 20" da marca DENTAL MFG, INC com a classificação na NCM 7326.90.00. No momento da conferência aduaneira, a fiscalização confirmou que essa mercadoria seria parte e componente de equipamento odondológico, procedendo com a reclassificação fiscal para a NCM 9018.39.99 (Instrumentos e aparelhos de óptica, fotografia ou cinematografia, medida, controle ou de precisão; instrumentos e aparelhos médico cirúrgicos; suas partes e acessórios Instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, odontologia e veterinária, incluídos os aparelhos para cintilografia e outros aparelhos eletromédicos, bem como os aparelhos para testes visuais Seringas, agulhas, cateteres, cânulas e instrumentos semelhantes: Outros Outros Outros) Com isso, ao identificar que as mercadorias importadas no ano de 2006 seriam partes e componentes de equipamentos odontológicos, a fiscalização procedeu com a reclassificação fiscal das mercadorias, enquadrandoas em sua maioria no referido código NCM/TEC 9018.39.99. Especificamente a mercadoria "SERINGA 1,2ML BLK TFLNG LL" da marca ORATECH HEALTHCARE TECHNOLOGIES, a NCM específica identificada pela fiscalização foi a 9018.31.11 (Instrumentos e aparelhos de óptica, fotografia ou cinematografia, medida, controle ou de precisão; instrumentos e aparelhos médicocirúrgicos; suas partes e acessórios Instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, odontologia e veterinária, incluídos os aparelhos para cintilografia e outros aparelhos eletromédicos, bem como os aparelhos para testes visuais Seringas, agulhas, cateteres, cânulas e instrumentos semelhantes: Seringas, mesmo com agulhas De plástico De capacidade inferior ou igual a 2cm3). Como mercadorias da subposição 9018, as importações estão sujeitas ao licenciamento não automático desde o Comunicado DECEX n.º 23/1998, com anuência do Ministério da Saúde e procedimentos estabelecidos na Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005, com alterações dadas pela Resolução n.º 217/2006. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente em acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 07/02/2006 a 13/12/2006 MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licença para importação quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 290) Intimada desta decisão em 18/12/2012 (efl. 300), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 15/01/2013 (efls. 302/314) alegando, em síntese: (i) a impossibilidade de reclassificação fiscal, vez que a importação foi parametrizada no canal cinza, com a conferência física e documental da mercadoria. Tratase de ato jurídico perfeito, no qual foi atestada a regularidade da classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo. Indica que o caso não se enquadra em quaisquer das hipóteses de modificação do Fl. 329DF CARF MF 4 lançamento do art. 149, do CTN, tratandose de verdadeiro erro de direito que não seria suscetível a ensejar a modificação do lançamento. Indica a impossibilidade de alteração do critério jurídico do lançamento, com base no art. 146 do CTN e no REsp 1.130.545, julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça STJ; (ii) a necessidade de aplicação do Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT n.º 12 de 21/01/1997, vez que o produto foi devidamente descrito pelo sujeito na DI, afastando a multa do controle administrativo por falta de licença na importação. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A seguir, passa se a análise segregada dos argumentos nele aventados. I DA ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Sustenta a Recorrente que a fiscalização não poderia proceder com a reclassificação fiscal das mercadorias importadas, vez que a importação foi parametrizada no canal cinza, com a conferência física e documental da mercadoria. Contudo, entendo que, no presente caso, não merece amparo a alegação do Recorrente. Primeiramente, essencial salientar que a Recorrente em qualquer momento demonstra que quaisquer das importações que foram objeto de autuação, relativas ao ano de 2006, teriam sido efetivamente parametrizadas no canal cinza ou vermelho de conferência aduaneira. Com efeito, depreendese da análise dos documentos das importações acostadas aos presentes autos (efls. 33/131 e efls. 223/271) que somente a importação realizada pela empresa em 07/03/2007 foi objeto de conferência aduaneira, sendo desembaraçada em 27/04/2007 após a retificação da DI para a indicação da NCM 9018.39.09 (DI n.º 0702970586 efls. 102/127). Inclusive, o comprovante de importação da efl. 102 identifica que o canal de conferência aduaneira, especificamente desta declaração de importação, foi o canal "VERMELHO". Contudo, para as importações incorridas no ano de 2006 (antes desta conferência aduaneira, frisese), que foram efetivamente objeto da presente autuação, inexiste qualquer confirmação de quais teriam sido seus canais de parametrização. Na verdade, a planilha constante da efl. 128 evidencia que essas importações foram desembaraçadas no mesmo dia do registro das DIs ou com pequenas diferenças de até 4 (quatro) dias da data do registro, o que denota que essas DIs não foram parametrizadas nos canais vermelho ou cinza1: 1 Canais de conferência atualmente identificados no art. 21 da Instrução Normativa n.º 680/2006: "I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; III vermelho, pelo Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 329 5 Ademais, considerando a discussão levantada pelo Recorrente quanto ao art. 146, do CTN, é importante frisar: em 2006 inexistia qualquer manifestação da Secretaria da Receita Federal que reconhecia a validade das classificações fiscais adotadas (base da confiança2), necessária para atrair a aplicação deste dispositivo, à luz do princípio da proteção da confiança e da moralidade administrativa. Como mencionado na r. decisão recorrida: "Esclareçase que, no presente caso não houve adoção de critério jurídico, conforme consta do art. 146 do CTN, pois não há qualquer legislação normativa que trate especificadamente da mercadoria em questão, não há processo de consulta em que a impugnante seja a consulente e não houve lançamento anterior, que ora se pretenda revisar, para o mesmo contribuinte. E, fora destas hipóteses, em havendo irregularidades ou erro , seja ele de fato ou de direito, a autoridade fiscal não só pode como deve proceder à revisão do procedimento, dentro do prazo previsto na lei, conforme expresso mandamento do art. 149 do CTN." (efl. 294 grifei) No presente caso, portanto, a Administração não trouxe uma interpretação da legislação aplicável para as mercadorias envolvidas na autuação no qual teria o Recorrente se baseado para realizar sua classificação fiscal. Não se identifica, portanto, um critério jurídico adotado anteriormente pela Administração Pública Tributária que teria sido modificado na presente autuação. Nos anos de 2006 o contribuinte realizou importação de mercadorias que deveriam estar classificadas na subposição 9018, sem sujeitálas à anuência prévia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, exigida à época pela Resolução RDC/Anvisa n° qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e IV cinza, pelo qual será realizado o exame documental, a verificação da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificar elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria (...)." (grifei) 2 ÁVILA, Humberto. Teoria da Segurança Jurídica. 4ª ed. São Paulo: Malheiros, 2016, p. 476477 Fl. 331DF CARF MF 6 350/053. Ou seja, nos lançamentos por homologação realizados pela empresa nas declarações de importação, a qualidade diferenciada dos bens importados não poderia ser vislumbrada pela fiscalização face a indicação das NCMs incorretas (7326.90.00 e 3926.90.90), que não evidenciavam a necessidade de tratamento administrativo específico das mercadorias. Esses lançamentos, realizados pelo sujeito passivo, foram revisados de ofício pela Administração Pública, com fulcro no art. 149, V, do Código Tributário Nacional CTN apenas com a lavratura do presente Auto de Infração, vez que não foram sujeitos à conferência aduaneira anteriormente. Mesmo que se admita que a fiscalização eventualmente tenha procedido com uma análise dos documentos em um canal de conferência aduaneira amarelo (sem análise da mercadoria), observase que a documentação apresentada pela empresa teria induzido a fiscalização em erro de fato, já que, em razão da classificação incorreta das mercadorias, nas palavras do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, "os agentes aduaneiros ficam impossibilitados de saber que a mercadoria importada está sujeita a prévia e expressa anuência de um específica agência fiscalizatória, o que indevidamente limita a sua análise apenas à questão afeta ao comércio exterior propriamente dito." (Acórdão nº 3402.003.051. Sessão de 28/04/2016 grifei). O desconhecimento das qualidades dos fatos, em especial do tratamento aduaneiro diferenciado a que se sujeitavam as mercadorias, pode ser depreendido das Declarações de Importação objeto de autuação, às quais não foram vinculadas quaisquer licenças de importação (vide novamente o quadro acima reproduzido da efl. 128 dos autos). Neste aspecto, importante ainda mencionar que as considerações em torno da eventual existência, no presente caso, de erro de fato está em conformidade com o julgamento do Superior Tribunal de Justiça STJ, no Recurso Especial n.º 1.130.545, invocado pelo sujeito passivo em sua peça recursal. Como indicado pelo Ministro Luiz Fux naquela oportunidade, "a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário." Este julgado, proferido em sede de recursos repetitivos, continua, trazendo doutrina que diferencia o erro de fato e o erro de direito nos mesmos moldes do desenvolvido neste voto: "8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está 3 "1. A importação de mercadorias sujeitas a licenciamento não automático do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, dispostas no Anexo XLIV deste Regulamento, destinada à pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, sujeitarseá obrigatoriamente a prévia e expressa anuência da ANVISA por meio de deferimento de licença de importação, como entidade integrante do sistema. (...) 1.36. Mercadorias Importadas Sob Vigilância Sanitária: matériasprimas, insumos, partes e peças, produtos acabados, produtos a granel, produtos semielaborados e produtos in natura, e demais sob vigilância sanitária de que trata a Lei n.º 9.782, de 1999, compreendendo, dentre outros, as seguintes classes de bens e produtos: (...) e) produto médico: aparelhos, instrumentos e acessórios usados em medicina, odontologia e atividades afins, bem como em educação física, em embelezamento ou em correção estética;" (grifei) Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 330 7 configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) "O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Dizse que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenhao deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707) (...) 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (Recurso especial 1130545/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/08/2010, DJe 22/02/2011 grifei) Ora, somente em 2007, após a conferência aduaneira das mercadorias importadas na DI n.º 0702970586, a fiscalização tomou conhecimento do equívoco na classificação fiscal cometido pela Recorrente nas operações anteriores, procedendo com a correta lavratura do presente auto de infração. Assim, o presente trabalho fiscal foi realizado em conformidade com a conferência aduaneira realizada em março/2007, para proceder com a reclassificação fiscal das mercadorias importadas no ano de 2006, dentro dos limites da revisão aduaneira autorizada pelo art. 54 do Decretolei n.º 37/19664. 4 "Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada Fl. 333DF CARF MF 8 Nesse sentido, merece ser afastada as alegações do Recorrente quanto a impossibilidade de reclassificação fiscal. II DA APLICAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO (ADN) COSIT N.º 12 DE 21/01/1997 Subsidiariamente, sustenta a Recorrente a necessidade de se afastar a multa do controle administrativo por falta de licença na importação face a aplicação, no presente caso, do Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 12/1997. Vejamos o exato teor desse ato: "O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." (grifei) Em suas razões, o Recorrente sustenta a aplicação dessa previsão vez que os dois requisitos indicados na parte final do ato foram cumpridos: a correta descrição dos produtos, com todos os elementos necessários à sua identificação e a falta de intuito doloso ou máfé do declarante. A r. decisão recorrida, por sua vez, não adentrou nesses dois requisitos por entender que a aplicação do ADN n.º 12/97 exige, ainda, que a mercadoria importada anteriormente tenha sido objeto de "licença de importação anterior" (efl. 295). O argumento trazido pela Delegacia de Julgamento no presente processo foi rechaçado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão n.º 3401005.288 de 28/08/2018, a partir de uma análise pormenorizada do histórico da penalidade por falta de licença de importação no Brasil e do controle das importações. Em seu voto, o Conselheiro busca diferenciar o processo de licenciamento da própria licença de importação, evidenciando que, em 1997 a expressão “licenciamento, automático ou não” abrangia tanto as mercadorias com licença de importação (LI) quanto as sem licença: "Quando o legislador, em 1978, tratou de “Guia de importação ou documento equivalente”, estava a se referir a documento que autoriza a importação. Daí ser elevado o percentual da multa (30%) para quem importasse mercadoria sem a “autorização”. Estamos a tratar de tempos em que a “autorização” tinha aplicação ampla, e os controles se davam em papel, e não em sistemas informatizados. O sistema informatizado de controle do comércio exterior brasileiro, SISCOMEX, surge em 1992 (restrito, na prática, à exportação, tardando em 5 anos a se alastrar à importação), e a norma que lhe deu amparo foi o Decreto no 660, de 25/09/1992, que dispôs, em seu art. 6o, § 1o: na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DL nº 2.472/88)" Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 331 9 “Art. 6o As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2o, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1o Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação.” (...) No início da década de 90, no século passado, o Brasil ainda tratava de “Guias de Importação”, obtidas em agências bancárias (vide art. 6o da Portaria DECEX 8/1991), e disciplinadas pelo Departamento de Comércio Exterior (DECEX), que fazia parte da estrutura do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento (MEPF), passando ao Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo em 1992 (Lei no 8.490/1992), como uma Secretaria (SECEX). Em 1997, após a Rodada Uruguai, a incorporação do “Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações”, e com o advento do SISCOMEXImportação, a SECEX, por meio de Portarias, passa a regulamentar o tratamento administrativo das importações, no Brasil, de forma absolutamente desvinculada da tributação (digase, em ministério diverso). À época, o “licenciamento nãoautomático” era aquele que resultava em um número de licença de importação, que figuraria posteriormente na declaração importação, atestando que a mercadoria tinha “autorização” para ser importada. E o licenciamento automático era aquele no qual sequer era exigida providência do importador, não figurando qualquer número de licença na DI correspondente. Tanto que a Portaria MF/MICT no 291/1996, que dispõe sobre o processamento das importações, no SISCOMEX, estabelece, em seu art. 4o, § 1o, que “...no caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria”. A mesma subdivisão (em licenciamento automático e nãoautomático) é assentada na Portaria SECEX no 21/1996. Todo o universo de importações brasileiras, então, era considerado como submetido a licenciamento automático ou não automático. No ano de 1997, a COSIT, buscando adaptarse ao entendimento então predominante no então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, publica uma série de Atos Declaratórios Normativos dispondo sobre a não aplicação de penalidades, entre os quais o multicitado ADN COSIT no 12, que dispõe: “não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante”. (grifo nosso) O Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002), em respeito à terminologia já adotada no acordo internacional e nas normas infralegais então vigentes, estabeleceu, em seu art. 490, que a “...importação de mercadoria está Fl. 335DF CARF MF 10 sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou nãoautomática, por meio do Siscomex”. Em 2003 a SECEX passa a consolidar as normas sobre tratamento administrativo das importações, na Portaria no 17, estabelecendo, em seu art. 6o, classificação tripartida: “Art. 6o O sistema administrativo das importações brasileiras compreende as seguintes modalidades: I – importações dispensadas de Licenciamento; II – importações sujeitas a Licenciamento Automático; e III – importações sujeitas a Licenciamento Não Automático.” (grifo nosso) Vejamse os textos das normas que tratam das classificações bipartida e tripartida: Portaria MF/MICT no 291/1996 Portaria SECEX no 17/2003 Art. 4o Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela Secex, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela Secex. Art.7o Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal – SRF. Art.10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict no 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. A diferença é sutil, e a nova classificação, a nosso ver, é adequada ao “Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações”. Só há que se falar em licenciamento se houver “pedido”, e o licenciamento será “automático” se o pedido é aprovado em todos os casos, com as ressalvas previstas no acordo, e será “não automático” se depender de análise, observandose também a disciplina do acordo. Mas, na prática, revelese que o que acontece, no Brasil, é que passam a ser chamados de “dispensados” os licenciamentos que antes eram denominados de “automáticos” (ou, ao menos, a maioria deles). Vejase que só culminam, hoje, em um número de licença a constar na DI os licenciamentos “automáticos” e “nãoautomáticos”. Antes de 2003, só culminavam em um número de licença a constar na DI os licenciamentos “nãoautomáticos”. Tal distinção é relevante, a nosso ver, pois não se pode imputar falta de licença a quem sequer deveria obter licença, ou seja, a quem sequer deveria passar por um procedimento de licenciamento que culminaria em um número de licença. Esses esclarecimentos aplicamse à análise da jurisprudência. Por óbvio, quando se falava em “licenciamento automático” em 1997, tratavase de algo distinto daquilo que se passou a entender como “licenciamento automático” após 2003. Feitas essas observações preliminares, é preciso retomar a narrativa dos fatos do presente processo, no qual, destaquese, já não se discute a classificação das mercadorias. A imputação fiscal para aplicação da multa por falta de licença, já à luz da Portaria SECEX no 17/2003, transcrita à fl. 15. É incontroversa ainda a informação constante ao início da fl. 16 da autuação, de que a mercadoria estava sujeita a licenciamento nãoautomático. (...) Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 332 11 De qualquer modo, o raciocínio externado pelo julgador de piso no sentido de que “novo” licenciamento, automático ou não, quer dizer “nova” licença, é incoerente com a evolução dos textos no tempo, aqui demonstrada. À época da edição do ADN COSIT no 12/1997 a expressão “licenciamento, automático ou não” abrangia tanto as mercadorias com licença de importação (LI) quanto as sem licença, sendo a distinção efetuada somente em 2003, como exposto. Entendo, assim, que a argumentação da DRJ, além de inovadora em relação à autuação, faz leitura em descompasso com a evolução terminológica na legislação, e seu impacto no ADN COSIT no 12/1997, devendo ser afastada. Até concordo com a linha de raciocínio do julgador, com algumas aparas, se esquecido o texto do ADN, que fala em“licenciamento”. Por certo que uma mercadoria que sequer tenha licença de importação, reclassificada para código NCM que exija a referida licença, está, em regra, cometendo grave infração, a culminar a referida multa. Mas uma mercadoria, v.g., que tenha licença de importação, e reclassificada para código NCM que exija outra licença, atrelada a anuente distinto, não estaria em situação idêntica? Ou seja, o simples fato de ter ou não licença para a classificação incorreta é pouco relevante diante do fato de não ter licença para a classificação correta. Daí o texto do ADN privilegiar circunstâncias outras que não a mera existência de “licença” na classificação incorretamente adotada. (...) Analiso, assim, se as mercadorias estavam, como prescreve o ADN COSIT no12/1997, corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Eis o único tema que resta a discutir, pois imputado na autuação. Na DI, as mercadorias foram descritas da seguinte forma (fl. 31): (...) Vejase que em todas as descrições resta claro que a mercadoria se destina a alimentação animal, e em todas há o nome comercial do produto e o registro no Ministério competente, que permitem, inclusive, classificação sem necessidade de exame das mercadorias (vejase que a própria perícia utiliza, para a classificação, a literatura técnica – fichas técnicas dos produtos pelo nome comercial), a menos que se suspeite que o produto importado não é o declarado (o que não ocorre no presente processo). (...) Assim, é improcedente a autuação, no que se refere à aplicação da multa por falta de licença de importação, pois seu fundamento jurídico (descrição inexata/insuficiente, impedindo a aplicação do ADN COSIT no 12/1997) não encontra respaldo nos documentos acostados ao processo." Mesmo com a modificação normativa incorrida em 2003 na disciplina da importação, o ADN COSIT n.º 12/1997 permanece plenamente vigente e aplicável, sendo que o caso acima transcrito se refere a fatos geradores ocorridos em 2004. Assim, descabida a exigência trazida pela decisão recorrida de se exigir, para a aplicação do ADN 12/97, que a mercadoria classificada anteriormente precisasse de licença de importação. À luz da legislação vigente à época, o termo "licenciamento" não necessariamente corresponderia à necessidade de emissão de uma licença de importação, podendo se referir ao licenciamento automático e não automático que era aplicável para todas as importações. Assim, tratandose o presente caso de "classificação tarifária errônea" que exigiu "novo licenciamento, automático ou não", possível a aplicação do ADN COSIT n. 12/1997, desde que observados os dois requisitos trazidos por este ato normativo: (i) o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao Fl. 337DF CARF MF 12 enquadramento tarifário pleiteado, e que (ii) não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Quanto ao primeiro item, não há dúvidas nos presentes autos que os produtos foram corretamente descritos, com a identificação de todos os elementos necessários à correta classificação fiscal das mercadorias, inclusive com a identificação das marcas dos produtos. Com efeito, a fiscalização se baseou na descrição trazida pelo sujeito, sequer precisando se valer de perícia técnica para confirmar a finalidade odontológica das mercadorias importadas. O erro na classificação fiscal não decorreu da incorreta descrição das mercadorias, mas da incorreta interpretação pelo sujeito passivo das normas do sistema harmonizado (aplicação de classificação geral em detrimento da classificação específica prevista, de partes e componentes de equipamentos odontológicos). Da mesma forma, não se vislumbra nos presentes autos qualquer acusação ou confirmação de dolo ou máfé por parte do sujeito passivo. Nesse sentido, entendo ser aplicável ao presente caso a previsão do Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 12/1997, ainda vigente, para afastar a aplicação da multa por falta de licença de importação (art. 633, II, “a”, Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época, aprovado pelo Decreto n ° 4.543/02). III DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a aplicação da multa por falta de licença de importação com base no ADN COSIT n.º 12/1997. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Voto Vencedor Conselheira Cynthia Elena de Campos. Com relação ao parcial provimento do Recurso Voluntário para afastar a multa por falta de licença de importação com base no ADN COSIT nº 12/1997, peço vênia à Ilustre Conselheira Relatora para divergir de suas conclusões, o que faço em razão dos fatos e fundamentos abaixo demonstrados: Conforme relatado, versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado para as seguintes exigências: i) Crédito tributário relativo ao IPI no valor de R$ 4.176,10, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora; Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 333 13 ii) Multa do controle administrativo no valor de R$ 37.025,57 por falta de licenciamento, prevista no artigo 633, inciso II, alínea “a” do Decreto nº 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro/2002); iii) Multa proporcional ao valor aduaneiro no valor de R$ 3.829,59, em razão de classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme previsão do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com as alterações dos artigos 69 e 81 da Lei 10833/2003. A autuação teve por objeto as seguintes importações realizadas pela Recorrente: DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DESCRIÇÃO DA MERCADORIA LICENÇA DE IMPORTAÇÃO NCM INFORMADO PELA IMPORTADORA NCM INDICADO PELA FISCALIZAÇÃO (efls. 137) ________________________ TRATAMENTO ADMINISTRATIVO 9018.39.99 06/01463468 PONTAS APLICADORAS EM AÇO TAMANHO 18 SEM LI VINCULADA 7326.90.00 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/01463468 PONTAS APLICADORAS EM AÇO TAMANHO 20 SEM LI VINCULADA 7326.90.00 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/02937811 PONTAS APLICADORAS EM AÇO NEGRAS TAMANHO 18 SEM LI VINCULADA 73269000 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/02937811 PONTAS APLICADORAS EM AÇO REGRAS TAMANHO 20 SEM LI VINCULADA 73269000 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/05159216 PONTAS APLICADORAS EM AÇO TAMANHO 18 SEM LI VINCULADA 73269000 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 06/05159216 PONTAS SEM LI 73269000 9018.39.99 Fl. 339DF CARF MF 14 APLICADORAS EM AÇO TAMANHO 20 VINCULADA L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/06844524 PONTAS APLICADORAS EM AÇO TAMANHO 20 SEM LI VINCULADA 73269000 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/11380999 PONTAS APLICADORAS EM AÇO TAMANHO 20 SEM LI VINCULADA 73269000 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/12701195 CAPSULA 1:1 PET MARROM REF. VL 002S1 SEM LI VINCULADA 39269090 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/12701195 DOSADOR COM BORDA 5ML 1:1 POLIPROPILENO REF. PLD SEM LI VINCULADA 39269090 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/12701195 MISTURADOR DN2 5X12 1:1 MARROM/PRET O REF. 2.512 SB SEM LI VINCULADA 39269090 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/12701195 SERINGA DUPLA 5ML 1 LIPROPILENO PRETA REF. SDL 00501 52 SEM LI VINCULADA 3926.90.90 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.31.11 06/13573832 SERINGA 1,2ML BLK TFLNG LL SEM LI VINCULADA 3926.90.90 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 9018.39.99 06/15144939 PONTAS APLICADORAS NEGRAS TAMANHO 20 SEM LI VINCULADA 7326.90.00 L. I. ANVISA Com. DECEX n.º 23/1998 Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) detalham a classificação fiscal indicada pelo Auditor Fiscal da seguinte forma: 90.18 INSTRUMENTOS E APARELHOS PARA MEDICINA, CIRURGIA, ODONTOLOGIA E VETERINÁRIA, INCLUÍDOS OS APARELHOS PARA CINTILOGRAFIA E OUTROS APARELHOS ELETROMÉDICOS, BEM COMO OS APARELHOS PARA TESTES VISUAIS. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 334 15 A presente posição compreende um conjunto particularmente vasto de instrumentos e aparelhos, de quaisquer matérias (incluídos os metais preciosos), que se caracterizam essencialmente pelo fato de que o seu uso normal exige, na quase totalidade dos casos, a intervenção de um técnico (médico, cirurgião, dentista, veterinário, parteira, etc.), para estabelecer um diagnóstico, para prevenir ou tratar uma doença, para operar, etc. Classificamse também nesta posição os instrumentos e aparelhos para trabalhos de anatomia ou de dissecação, para autópsias e, sob certas condições, os instrumentos e aparelhos para oficinas de prótese dentária. II. INSTRUMENTOS E APARELHOS PARA ODONTOLOGIA Além dos aparelhos comuns ao presente grupo e ao precedente, tais como as máscaras e outros aparelhos para anestesia odontológica, pertencem especialmente a esta categoria: 6) As sondas diversas, as agulhas (de abcessos, hipodérmicas, de suturas, de algodão, etc.), os portaalgodões e portatampões, os insufladores, os espelhos de boca. Classificamse também aqui as ferramentas e instrumentos dos tipos que se utilizam nas oficinas de prótese dentária pelo próprio dentista ou pelo protético (mecânicodentista*), tais como: facas, espátulas e outras ferramentas para modelar, pingas diversas (para colocar grampos, para coroas, de cortar pivôs, etc.), serras, cisalhas, malhetas, limas, buris, raspadores, polidores, formas metálicas para trabalhar, por martelagem, as coroas dentárias metálicas, etc., exceto as ferramentas e outros artefatos de uso geral (fornos, moldes, ferramentas de soldagem, colheres de fundição, etc.), que seguem o seu próprio regime. Também se classificam aqui as máquinas de moldar, de trabalhar os dentes e ainda as máquinas para ajustar as próteses dentárias. PARTES E ACESSÓRIOS Ressalvadas as disposições das Notas 1 e 2 do presente Capitulo, classificamse aqui as partes e acessórios dos instrumentos ou aparelhos da presente posição. Como observado na decisão recorrida, a Contribuinte não apresentou nenhum argumento fático contrário ao código NCM 9018.3999, adotado pela fiscalização, o que torna procedente o lançamento da multa prevista no inciso I, do artigo 84, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. E com relação às mercadorias da Subposição 9018, as importações estão sujeitas ao licenciamento não automático desde o Comunicado DECEX n.º 23/1998, com anuência do Ministério da Saúde e procedimentos estabelecidos na Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005, com alterações dadas pela Resolução n.º 217/2006. Fl. 341DF CARF MF 16 A Resolução RDC nº 350, de 28 de dezembro de 2005 dispõe sobre o Regulamento Técnico de Vigilância Sanitária de Mercadorias Importadas e assim prevê: ANEXO I TERMINOLOGIA BÁSICA: 1. Para os efeitos do disposto neste Regulamento adotarseão as definições deste Anexo. 1.36. Mercadorias Importadas Sob Vigilância Sanitária: matériasprimas, insumos, partes e peças, produtos acabados, produtos a granel, produtos semielaborados e produtos in natura, e demais sob vigilância sanitária de que trata a Lei n.º 9.782, de 1999, compreendendo, dentre outros, as seguintes classes de bens e produtos: e) produto médico: aparelhos, instrumentos e acessórios usados em medicina, odontologia e atividades afins, bem como em educação física, em embelezamento ou em correção estética. (sem destaque no texto original) A Recorrente argumentou em defesa pela incidência do ITEM 45 da Resolução n° 217/2006 (Capitulo VII, Procedimento 5, Seção VI, Procedimento 5.6). Ocorre que a Resolução em referência entrou em vigência somente em dezembro de 2006, ou seja, após os fatos geradores da autuação. E, ainda que se aplicasse a Resolução nº 217/2006, o enquadramento legal não socorre a Contribuinte, uma vez que assim dispõe: Seção VI Procedimento 5.6 Mercadorias Diversas: 45. A importação das mercadorias, na forma desta Seção, conforme enquadramento das mercadorias disponível no sítio eletrônico da Anvisa, estará sujeita ao registro de Licenciamento de Importação no Siscomex, submetendose à fiscalização pela autoridade sanitária antes de seu desembaraço aduaneiro. 45.1. São mercadorias enquadradas nesta Seção: e) vestuários e acessórios para uso médico, odontológico ou hospitalar, incluindo artefatos confeccionados e moldes para vestuário. (sem destaque no texto original). Inclusive, a obrigatoriedade da anuência da ANVISA é comprovada às fls. 104 (efls. 108), na qual consta o Auto de Infração Sanitária nº 15/2007, lavrado em 13/04/2007 com fundamento no artigo 10, inciso XXXI da Lei 6.437 do 20 de agosto de 1977. A autuação da ANVISA se deu justamente pelo fato de as mercadorias estarem classificadas com código NCM diverso de tais produtos e, uma vez que a Subposição correta seria o NCM 9018, as importações estavam sujeitas ao licenciamento não automático, nos termos dos procedimentos estabelecidos na Resolução RDC/ANVISA n.º 350/2005. Outro ponto a ser considerado para afastar a alegação de que a Recorrente desconhecia o código correto é a afirmação mencionada na manifestação apresentada ao Ilustre Auditor Fiscal (efls. 118), pela qual a própria importadora descreveu a mercadoria da seguinte forma: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 335 17 "Informamos para os devidos fins que, a ponteira que estamos importando faz parte de um produto por nós desenvolvido que se chama Top Dam, que é uma barreira gengival. Segue abaixo descrição do produto. Descrição do Produto Top Dam é uma resina fotopolimerizivel que substitui o dique de borracha (isolamento absoluto) em alguns casos, onde o isolamento relativo da gengiva é suficiente. O produto possui tixotropia para facilitar a aplicação e controle e também coloração azulada para contrastar com a gengiva e com os dentes. Após cobertura da área que se deseja proteger, basta polimerizar o produto com luz azul (fotopolimerizador) e este se torna rígido, insolúvel e levemente aderido sobre a gengiva. Ao final do tratamento o produto polimerizado pode ser facilmente destacado e removido. Descrição da Ponteira A ponteira deve ser uma cânula de aço fina para permitir a condução da resina Top Dam até o ponto onde deverá ser aplicada. Em outras palavras, a ponteira atua como bico aplicador do produto. A composição em aço é necessária para evitar a possibilidade de reação da resina com a ponteira e também para fornecer a rigidez e resistência suficiente para a aplicação do produto. Quando é feita a aplicação a ponteira não encosta na boca do paciente, ela somente direciona o produto para facilitar a aplicação." (sem destaques no texto original) A Nota 1 ao Capítulo 73 da TIPI/2002, utilizado pela importadora nas operações autuadas, tem por enquadramento os produtos obtidos por moldação nos quais o ferro predomina em peso sobre cada um dos outros elementos, e que não correspondam à composição química dos aços. Ou seja, por simples leitura do texto é possível concluir a divergência dos produtos identificados na respectiva Declaração de Importação com o código adotado. Outrossim, destacase ainda que, juntamente com a manifestação, a Importadora apresentou a Nota Fiscal de Entrada nº 2094 emitida em 26/04/2007 (efls. 119) e originada da Declaração de Importação nº 07/02970586, registrada em 07/03/2007, ou seja, anterior ao início do procedimento fiscal expedido em 22/04/2007 e recebido em 01/06/2007 (MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO N° 09.2.02.002007003559 de fls. 23/efls. 27), na qual consta o código NCM correto indicado posteriormente na autuação, qual seja: 9018.3999, vinculado à Licença de Importação nº 0706518028. Este fato demonstra, mais uma vez, que a importadora tinha pleno conhecimento da classificação fiscal que deveria informar, apesar de tentar justificar o NCM constante das operações autuadas. Comprovado que a Recorrente classificou erroneamente a mercadoria importada, bem como a ausência de Licença de Importação, as penalidades aplicadas no presente caso não podem ser elididas pelo ADN COSIT n. 12/1997, uma vez que não está configurada a ausência do dolo, o que seria condição essencial prevista para sua aplicação. Fl. 343DF CARF MF 18 A boafé da empresa importadora ao indicar o NCM 7326.9000 deve ser afastada por simples análise dos autos, especialmente às fls. 35 e 36 (efls. 39 e 40), pelas quais se constata a correspondência eletrônica enviada em 11/01/2006, em que a Recorrente fez o pedido de 50.000 peças de pontas aplicadoras em aço tamanho 18 e 50.000 peças de pontas aplicadoras em aço tamanho 20 indicando o NCM 9018.29.39. Vejamos: Constatase que na correspondência eletrônica enviada à empresa de assessoria em 19/01/2006 (email de fls. 37/efls. 41), a importadora encaminhou a Fatura 6410 observando pela extrema urgência e que, segundo a NCM, teria que fazer uma "declaração de importação antecipada". Vejamos: Após, em data de 24/01/2006, a importadora enviou outra correspondência eletrônica para o fornecedor solicitando a alteração do NCM para 7326.9000 e justificando pela dificuldade de trazer as mercadorias com a NCM anteriormente indicada. Vejamos: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10920.001917/200788 Acórdão n.º 3402006.200 S3C4T2 Fl. 336 19 Com isso, da análise dos fatos comprovados nos autos, verificase que a INVOICE nº 6410, que deu origem à Declaração de Importação nº 06/01463468, foi emitida em 19/01/2006 e, posteriormente, a pedido da importadora/Recorrente, foi alterada para fazer constar o NCM 7326.9000, com o embarque da mercadoria em 31/01/2006. Da mesma forma, em 08/02/2006 a importadora novamente solicitou ao fornecedor a alteração da NCM sobre o pedido sob a Fatura nº 6411, como se constata da correspondência eletrônica de fls. 46/efls. 50. Vejamos: OU SEJA, por todos os lados que os fatos e as comprovações constantes dos autos são analisados, resta flagrante que a importadora agiu de forma a burlar o Controle Administrativo. Considerase, neste caso, que: (i) a mercadoria não estava corretamente Fl. 345DF CARF MF 20 descrita, como atestado por conferência da ANVISA e (ii) resta evidente o intuito doloso e má fé por parte da declarante. Impera salientar que o Controle Administrativo nas importações é realizado por meio da Licença de Importação, sujeitando as operações realizadas com o comércio exterior à necessária anuência de órgãos governamentais. A Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias deve ser respeitada para garantia das informações prestadas, possibilitando o efetivo controle aduaneiro, o qual representa "... o poder soberano do estado e seu poder de polícia, atuando na proteção da sociedade e da economia"5. Em suma, a autuação constituiu o crédito tributário em razão de classificação fiscal incorreta e falta de licenciamento no momento do despacho aduaneiro, conforme previsão do artigo 633, inciso II, alínea “a” do Decreto n ° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro/2002) c/c artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com as alterações dos artigos 69 e 81 da Lei 10833/2003, com lançamento do crédito tributário relativo ao IPI, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. E da análise dos fatos acima demonstrados, é flagrante que a Recorrente enquadrou o Código NCM diverso daquele que realmente representava os produtos importados. Tanto é que informou previamente à fornecedora o NCM 9018.29.39 e, após verificar sobre a necessária anuência do Ministério da Saúde, solicitou a alteração da Invoice, como já mencionado. Portanto, não há dúvida de que não deve ser aplicado o ADN COSIT nº 12/1997, estando correta a decisão a quo ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte para confirmar integralmente o lançamento. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos 5 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Notas introdutórias sobre o direito aduaneiro. in Introdução ao Direito Aduaneiro, São Paulo: Editora Intelecto, 2018, p. 13. Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900480/2012-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem:
1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004);
2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinal-pagamento;
3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de e-fls. 82, de nº 5738477151-0, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontra-se disponível para alocação ou restituição;
4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de e-fls. 85, de nº 5785135361-1, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontra-se disponível para alocação ou restituição;
5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no ano-calendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentá-los, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB;
6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do período-base encerrado em 31/12/2009;
7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábil-fiscal na qual conste a origem dos créditos postulados -Livros Diário, Razão, Lalur- referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos;
8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: 1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); 2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinalpagamento; 3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 82, de nº 57384771510, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 85, de nº 57851353611, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do períodobase encerrado em 31/12/2009; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 00 48 0/ 20 12 -8 7 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10283.900480/201287 Resolução nº 1002000.055 S1C0T2 Fl. 97 2 7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem dos créditos postulados Livros Diário, Razão, Lalur referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos; 8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp nº 36619.77712.290909.1.3.046080, transmitida eletronicamente em 29/09/2009, com base em suposto crédito de Contribuições Sociais Retidas na FonteCSRF, oriundo de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 3.495,62. Em 01/03/2012 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela homologação parcial da compensação, fundamentando na insuficiência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que as compensações efetuadas estão corretas, sendo legitimo o direito ao crédito, haja vista pagamento em duplicidade do referido tributo, correspondente à retenção na fonte sobre valor da Nota Fiscal nº 34675, em 15/06/2009, no total de R$ 7.818,50, e em 30/06/2009, exatamente no mesmo valor. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10283.900480/201287 Resolução nº 1002000.055 S1C0T2 Fl. 98 3 fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BSB, conforme acórdão n. 0374.635, de 27 de abril de 2017 (efl. 52), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 65), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "Muito embora a decisão da 4a Turma da DRJ/BSB tenha sido no sentido de não reconhecer o direito líquido e certo da Recorrente, a existência do crédito tributário é demonstrada por meio dos documentos que comprovam o pagamento em duplicidade, quais sejam nota fiscal (DOC.02) e comprovantes de transação bancária (DOC.03) e o livro razão analítico (DOC.04)". Destaca que "A NF 34675, evidencia os valores retidos a título de CSRF, sobre o valor total da fatura R$ 168.139,75 quais sejam: PIS (alíquota 0,65%): R$ 1.092,91 (hum mil e noventa e dois reais e noventa e um centavos) COFINS (alíquota 3%): R$ 5.044,19 (cinco mil e quarenta e quatro reais e dezenove centavos) CSLL (alíquota 1%): R$ 1.681,40 (hum mil, seiscentos e oitenta e um reais e quarenta centavos)", perfazendo um "Total recolhido a título de CSRF: R$ 7.818,50 (sete mil, oitocentos e dezoito reais e cinquenta centavos)". Sustenta que "Os comprovantes de transação bancária (DOC.03) comprovam o recolhimento do valor discriminado acima (código da receita 5952) em duplicidade nas datas 15.06.2009 e novamente em 30.06.2009, sobre a mesma NF..." e que "Da mesma forma, ao conferir o livro razão analítico da Recorrente (DOC. 04), verificase no histórico que no mês de Maio houve a provisão de pagamento dos tributos referentes a NF 34675 e no mês de junho vislumbramse dois lançamentos de pagamento, ambos referentes ao recolhimento de Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10283.900480/201287 Resolução nº 1002000.055 S1C0T2 Fl. 99 4 contribuições sociais sobre o mesmo documento fiscal, qual seja a NF 34675, em 15.06.2009 e depois em 30.06.2009". Ao final, tece considerações sobre os princípios da verdade material e do enriquecimento sem causa da União, postulando a reforma da decisão de 1ª instância e o reconhecimento do crédito no valor de R$ 7.818,50. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Analisando o Recurso Voluntário vejo que o pedido de reconhecimento do crédito pelo Recorrente fundamentase em um suposto recolhimento em duplicidade no valor de R$ 7.818,50, na forma indicada pelo quadro seguinte: CSRF código receita valor recolhido (R$) período de apuração vencimento data de arrecadação efls. 5952 7.818,50 31/05/2009 15/06/2009 15/06/2009 82 5952 7.818,50 15/06/2009 30/06/2009 30/06/2009 85 A decisão a quo negou provimento à Manifestação de Inconformidade em razão da ausência de comprovação do recolhimento em duplicidade alegado pelo então manifestante. De fato, a NF 034675 (efls. 79) e a cópia parcial do livro Razão Analítico (efls. 86), que supostamente seriam elementos de comprovação da origem e do direito ao crédito postulado, só foram colacionados aos autos por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, o que torna justificável a decisão proferida no acórdão recorrido. Entretanto, à vista dessa nova realidade processual, constato haver verossimilhança nas alegações do Recorrente, fundada no fato de que existem dois recolhimentos vinculados a débitos que aparentemente tem origem num mesmo e único evento (prestação de serviço consignada na NF 034675), o que, em princípio e em juízo de delibação, legitimaria o direito ao crédito pleiteado. Assim, lastreado nos princípios da verdade material e do formalismo moderado, entendo que o deslinde do caso depende, primeiramente, da confirmação (ou não) do valor de R$ 7.818,50 recolhido a título de CSRF nas declarações de informações econômicofiscais apresentadas pelo contribuinte, bem como do batimento destas informações com sua escrituração contábilfiscal. No presente caso, vejo que, à exceção do PER/DCOMP, não foram anexadas aos autos outras declarações de informações econômicofiscais que poderiam servir de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10283.900480/201287 Resolução nº 1002000.055 S1C0T2 Fl. 100 5 elemento de comprovação das alegações do Recorrente e, quanto à escrituração, consigno que houve apenas a juntada parcial do livro Razão Analítico, circunstâncias que não permitem a este julgador formar juízo conclusivo quanto à legitimidade do pleito. Sendo assim, voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que: 1) informe todas as retenções de CSRF (código 5952) declaradas pela recorrente relativas às quinzenas de 01/05/2009 a 15/05/2009, 16/05/2009 a 31/05/2009 e 01/06/2009 a 15/06/2019, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art.12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); 2) informe todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5952 e referentes aos períodos de apuração supra mencionados, juntando, se possível, os extratos do sistema Sinalpagamento; 3) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 82, de nº 57384771510, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 31/05/2009 e data de arrecadação em 15/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 4) informe em qual débito foi alocado o pagamento de efls. 85, de nº 57851353611, no valor de R$ 7.818,50, cód. de receita 5952, período de apuração encerrado em 15/06/2009 e data de arrecadação em 30/06/2009, ou se o mesmo encontrase disponível para alocação ou restituição; 5) Junte ao processo cópia integral da DCTF, DIPJ e do DACON que prevaleceram no anocalendário de 2009, ou intime o Recorrente a apresentálos, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados da RFB; 6) verifique junto à escrituração do contribuinte se o alegado "pagamento a maior" foi compensado na apuração do lucro do períodobase encerrado em 31/12/2009; 7) Intime o Recorrente à apresentação de cópia da escrituração contábilfiscal na qual conste a origem dos créditos postulados Livros Diário, Razão, Lalur referentes aos meses de maio a junho de 2009, juntamente com cópia dos termos de abertura e de encerramento dos referidos livros e a elaboração de quadro analítico, discriminando a natureza, valores e períodos correspondentes dos créditos; 8) intime a recorrente a esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda necessários para o deslinde das questões postas. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907376/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.689
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CESUSC COMPLEXO DE ENSINO SUPERIOR DE SANTA CATARINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito resultante de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, visto que estes já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 37 6/ 20 09 -2 1 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10983.907376/200921 Resolução nº 3201001.689 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que efetuou pagamento a maior da contribuição, sendo que utilizou este crédito para compensação com débitos de outros tributos; b) que havia crédito original, na data da transmissão da DCOMP, em montante suficiente para efetivar a compensação declarada, acreditando que o despacho decisório tenha indeferido o pleito pelo fato da empresa ter se equivocado na DCTF original, onde teria informado valor da contribuição maior que o efetivamente devido; c) que retificou a DCTF corrigindo a informação (conforme documento em anexo), pelo que será possível identificar a existência do crédito e a validade do PER/DCOMP transmitido. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.684, de 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10983.904405/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10983.907376/200921 Resolução nº 3201001.689 S3C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.684): "Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente ao recolhimento a maior de tributos. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que após a apuração e recolhimento do tributo calculado, verificou que incorreu em erro no preenchimento de sua DCTF e DACON, acarretando em recolhimento a maior. Descreve os valores declarados e aqueles efetivamente devidos, visando a demonstrar o alegado recolhimento a maior. Esclarece que verificado o erro a partir da intimação do despacho decisório, providenciou a retificação da DCTF original. Foram anexadas à Manifestação de Inconformidade cópias das declarações mencionadas e do Razão Consolidado do Período A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a Manifestação apresentada ao argumento de que a posterior retificação da DCTF não tem o condão de validar o crédito postulado, uma vez que este deveria estar disponível ao contribuinte antes da apresentação do PER/DComp: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP e até mesmo posteriormente à emissão e intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa acrescenta à documentação as cópias do Termo de abertura e encerramento do livro diário e cópias do período em exame. Na hipótese dos autos, entendo não ter ocorrido não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que a Fiscalização, apegandose a aspectos formais relacionados às declarações prestadas pelo contribuinte, deixou de examinar as alegações de erro pelo contribuinte e a documentação pertinente apresentada. Discordo, contudo, do posicionamento adotado pela Autoridade Julgadora. A alegação de erro na prestação de informações pelo sujeito passivo pode e deve ser verificada no curso do processo administrativo fiscal, que, como é cediço, preza pela verdade material dos fatos. Erro não é fato gerador de obrigação tributária. Ainda que concorde ser inviável a retificação da DCTF após o despacho decisório, tal fato não impede a comprovação do erro em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, como o presente. Por óbvio que a alegação de erro deve vir acompanhada da documentação pertinente, e isso se verifica na hipótese dos autos. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10983.907376/200921 Resolução nº 3201001.689 S3C2T1 Fl. 5 4 Quanto ao fato de ter sido juntada documentação adicional em sede de Recurso Voluntário, tenho que, na hipótese dos autos, tal circunstância não impede a sua apreciação. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 291, combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respectivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário que visam à comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10983.907376/200921 Resolução nº 3201001.689 S3C2T1 Fl. 6 5 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado CONVERTEU O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte junto à Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário, que visam comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907115/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.805
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 11 5/ 20 12 -4 4 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10882.907115/201244 Resolução nº 3402001.805 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10882.907115/201244 Resolução nº 3402001.805 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10882.907115/201244 Resolução nº 3402001.805 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10882.907115/201244 Resolução nº 3402001.805 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.908523/2016-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13884.908526/2016-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1796; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.908523/201615 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.825 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de fevereiro de 2019 Assunto Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente AVIBRAS INDÚSTRIA AEROESPACIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13884.908526/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio de PER/DCOMP em razão do DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando créditos disponíveis. De acordo com o despacho decisório, o crédito decorrente de pagamento indevido já havia sido utilizado para quitar débito do processo nº 13884.821058/201529 não restando crédito passível de compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .9 08 52 3/ 20 16 -1 5 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13884.908523/201615 Resolução nº 1402000.825 S1C4T2 Fl. 3 2 Diante do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou o seguinte: a) Apurou no ajuste do ano calendário de 2013 IRPJ e CSLL a pagar nos montantes de R$ 2.283.488,51 e R$ 966.226,46, respectivamente. Esses débitos junto com os débitos de estimativas mensais dos meses de janeiro e abril de 2014 foram objeto de pedido de parcelamento no processo nº 13884.721058/201529, do qual foram pagas sete parcelas no montante de R$ 1.619.662,82. b) Todavia, o parcelamento constante do processo 13884.721058/201529 foi cancelado e em função do cancelamento a contribuinte procedeu o pagamento integral do IRPJ e CSLL correspondente ao ajuste de 2013, em 19/05/2016 por meio de DARF, os quais continham o número deste processo e o período de apuração 07/07/1980; c) Sendo assim, tendo em vista a liquidação do débito de IRPJ e CSLL do ajuste de 2013 e estando integralmente parcelados os débitos relativos ao ajuste de 2014 no processo nº 1384.721195/201444, resta comprovado o seu direito à compensação dos valores correspondentes às parcelas pagas no âmbito do processo 13884.721058/201529. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) negou provimento à manifestação de inconformidade, com base nos seguintes fundamentos: a) o processo nº 13884.721058/201529 encontrase cancelado, conforme alegou a contribuinte. Todavia, diferentemente do alegado na defesa, o cancelamento decorreu de requerimento da própria Manifestante para possibilitar o reparcelamento de seu saldo, adicionado a outros débitos de IRPJ e CSLL existentes no conta corrente da Requerente, conforme petição (fls. 34 do processo nº 13884.721058/201529). b) Após o cancelamento do processo 13884.721058/201529 foi mantido um percentual de amortização de 11.65% do tributo com código 2430 e de 13,48% do tributo com código 6773. Consta do mencionado processo termo de transferência de crédito onde se verifica que apenas foi transferida parte dos débitos parcelados correspondente às parcelas não quitadas. c) O valor do crédito no PER/DCOMP objeto de análise no presente processo continua alocado ao processo nº 13884.721058/201529. d) Conclui que a contribuinte não possui o direito creditório tendo em vista o valor recolhido, pleiteado no presente processo, continua alocado no processo nº 13884.721058/201529. Cientificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Preliminarmente, requer a reunião do presente processo com os processos listados abaixo, considerando que em todos eles discutese o suposto aproveitamento irregular de créditos decorrentes de pagamentos indevidos no âmbito de parcelamentos ordinários: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13884.908523/201615 Resolução nº 1402000.825 S1C4T2 Fl. 4 3 b) Em 27/04/2015 requereu a concessão de parcelamento ordinário com a consequente realocação dos saldos de seu anterior parcelamento ativo para liquidar débitos de CSL (ajuste anual de 2013 e estimativas mensais de 2014) que encontravamse pendentes em seu relatório de situação fiscal; c) Considerando que a recorrente já possuía naquele momento parcelamento ordinário em andamento sob o número 13884.721750/201476, a RFB migrou os débitos nele administrados (IRPJ ajuste anual de 2013 e estimativas mensais de 2014) para o novo pedido de parcelamento, conforme se verifica pelo Termo de Recepção de Crédito Tributário, de 06.05.2015 acostado ao novo processo de parcelamento nº 13884.721058/201529. A composição desse novo parcelamento teria sido a seguinte: Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13884.908523/201615 Resolução nº 1402000.825 S1C4T2 Fl. 5 4 d) Em 22/01/2016, tendo em vista a existência de novos débitos de IRPJ e CSL referentes ao ano de 2015, a contribuinte requereu novo parcelamento, com a consequente rescisão dos parcelamentos em curso, dentre eles, o de nº 13884.721058/201529, cujos débitos foram adicionados aos novos débitos pendentes no ano de 2015; e) Enquanto aguardava a manifestação da RFB sobre o novo pedido de parcelamento, a Recorrente foi cientificada, em 13/04/2016, sobre os autos de infração formalizados no processo nº 16062.720092/201629, por meio dos quais a fiscalização exigiu, dentre outros, o IRPJ e a CSL relativamente ao ajuste anual de 2014 calculados sem a dedução das estimativas mensais que tinham sido parceladas; f) De acordo com o "Relatório de Lançamento IRPJ e CSLL ajuste anual" do processo 16062.720092/201629 a autoridade fiscal concluiu pela impossibilidade de se considerar os valores que já haviam sido recolhidos no âmbito dos parcelamentos, uma vez que, nos termos do inciso VI, do art. 14 da Lei nº 10.522/02, era vedada a concessão de parcelamento para débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSL. Sendo assim, os pagamentos realizados no âmbito dos mencionados parcelamentos não poderiam ser considerados como antecipações dos tributos devidos ao final do anocalendário de 2014. g) Considerando que os débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSL relativos aos anos de 2014 e 2015 permaneceram pendentes no relatório de situação fiscal da Recorrente esta protocolou, em 09/05/2016, petição junto à RFB na qual solicita a exclusão dos referidos débitos uma vez que: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13884.908523/201615 Resolução nº 1402000.825 S1C4T2 Fl. 6 5 g.1) As estimativas são antecipações de IRPJ e CSL e, por isso, possuem caráter meramente provisório. Sendo assim, somente por ocasião do ajuste anual seria verificado o valor do tributo efetivamente devido; g.2) No processo 16062.720092/201629 foram efetuados lançamentos de IRPJ e CSL relativos ao ajuste anual de 2014, calculados sem a dedução das antecipações parceladas. Sendo assim, além de manter a Recorrente como devedora dos débitos das estimativas mensais, as autoridades também lavraram autos de infração exigindo os tributos devidos no ajuste do mesmo anocalendário; h) Todavia, no intervalo de tempo entre o pedido de reparcelamento (22.1.2016), a intimação sobre os termos dos autos de infração (13.4.2016) e o pedido de baixa dos débitos de estimativas pendentes no Relatório de Situação Fiscal (11.5.2016), migrando os saldos do parcelamento objeto do processo nº 13884.721058/201529 para o novo parcelamento requerido em 22.1.2016, criando o processo nº 13884.721160/201613, a RFB imputou os diversos pagamentos realizados aos débitos parcelados de estimativas mensais, migrando para o novo parcelamento apenas seus saldos; i) Os procedimentos adotados pela RFB eram incoerentes, pois, ao mesmo tempo que exigiam o IRPJ e a CSL referentes ao ano de 2014 sem considerar os pagamentos realizados nos parcelamentos por reputálos ilegais, aceitaram o pedido de reparcelamento de débitos de estimativas mensais de 2014, imputando diversos pagamentos para amortização dos saldos originais. Diante dessa situação, em 01/06/2016, foi proferido despacho no processo nº 13884.721160/201613, por meio do qual a RFB determinou a extinção de todos os débitos de estimativas mensais relativos a 2014, tendo em vista a lavratura de auto de infração exigindo os tributos devidos. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13884.908523/201615 Resolução nº 1402000.825 S1C4T2 Fl. 7 6 . j) Diante de todo o contexto narrado requer a procedência do pedido de compensação que se discute no presente processo. Isso porque: j.1) o despacho proferido no processo nº 13884.721160/201613 reconheceu a impossibilidade de cobrança concomitante dos débitos de estimativas mensais e débitos de ajuste anual do ano de 2014 extinguindo os saldos de parcelamento em curso. j.2) O Relatório Fiscal proferido no processo 16062.720092/201629 desconsiderou os pagamentos efetuados no âmbito dos sucessivos parcelamentos para formalizar o IRPJ e a CSL devido no final de 2014 e indicou que tais pagamentos deveriam ser objeto de restituição/compensação. l) Requer, subsidiariamente, que os valores indevidamente recolhidos no âmbito dos parcelamentos ordinários sejam amortizados do atual parcelamento requerido pela Recorrente para quitação dos débitos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2014. É o relatório VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.820, de 21/02/2019, proferida no julgamento do Processo nº 13884.908526/201659, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.820): O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13884.908523/201615 Resolução nº 1402000.825 S1C4T2 Fl. 8 7 Conforme exposto no relatório, o Despacho Decisório proferido no presente processo não homologou a compensação por entender que o crédito, decorrente de pagamento indevido, já havia sido utilizado para quitar débito do processo nº 13884.821058/201529 não restando crédito passível de compensação. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte por entender que, embora o processo 13884.821058/201529 tenha sido cancelado, em razão de reparcelamento requerido pela contribuinte, os valores pagos no âmbito desse parcelamento teriam amortizados dos montantes incluídos no novo parcelamento não havendo, portanto, crédito a ser compensado. Antes do deferimento do novo pedido de parcelamento a Recorrente foi cientificada, em 13/04/2016, sobre os autos de infração formalizados no processo nº 16062.720092/201629, por meio dos quais a fiscalização exigiu, dentre outros, o IRPJ e a CSL relativamente ao ajuste anual de 2014 calculados sem a dedução das estimativas mensais que tinham sido parceladas. Sendo assim, não é possível afirmar que o crédito por ela utilizado carece de liquidez e certeza até que os referidos tenham decisão definitiva, tendo em vista o disposto no artigo 151, III, do CTN. Temse aqui uma relação de dependência na medida que a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, depende da análise dos demais processos mencionados no lançamento de ofício e nos diversos parcelamentos. O RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13884.908523/201615 Resolução nº 1402000.825 S1C4T2 Fl. 9 8 § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Essa turma já firmou o entendimento no sentido de que não há como se prosseguir com o julgamento deste processo sem o desfecho dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação de compensação ulteriormente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Sendo assim, o julgamento, da forma como instruído, não tem condições de ter um julgamento justo, motivo pelo qual voto pela sua conversão em diligência para que: a) sejam juntados aos autos cópia integral dos processos 13884721058201529, 10662720092201629, 13884721160201613, 13884721750201474; b) a Delegacia de origem se manifeste sobre a situação atual dos pagamentos indicados nas DCOMPS dos débitos de estimativas Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13884.908523/201615 Resolução nº 1402000.825 S1C4T2 Fl. 10 9 parcelados e das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas eventualmente aplicadas para o mesmo período; e c) Cientifique o sujeito passivo para se manifestar. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência para que: a) sejam juntados aos autos cópia integral dos processos 13884721058201529, 10662720092201629, 13884721160201613, 13884721750201474; b) a Delegacia de origem se manifeste sobre a situação atual dos pagamentos indicados nas DCOMPS dos débitos de estimativas parcelados e das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas eventualmente aplicadas para o mesmo período; e c) Cientifique o sujeito passivo para se manifestar. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa. Fl. 220DF CARF MF
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