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Numero do processo: 10580.725709/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA
Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2202-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. O Conselheiro Rafael Pandolfo apresentará declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Ausente justificante o conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo Declaração de voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 09 /2 00 9- 38 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. O Conselheiro Rafael Pandolfo apresentará declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Ausente justificante o conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez– Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Declaração de voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 101 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ R$ 146.536,58, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação tempestivamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1523.136, de 24 de março de 20 Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Em sessão de julgamento ocorrida em 23 de janeiro de 2013, tendo em vista a natureza dos rendimento ser percebidos de maneira acumulada, foi sobrestado o julgamento do mesmo através da resolução, 2202000.431. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 Tendo em vista a Portaria 545 do Ministério da Fazenda que revogou os dispositivos que permitiam ao sobrestamento, os autos retornaram para julgamento. É o relatório Fl. 254DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 102 5 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Natureza Indenizatória Do Valor Recebido Antes de adentramos ao mérito da questão, gostaria de fazer um breve histórico de como originou a questão objeto de julgamento. Inicialmente devemos analisar as disposições do artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, que tratou concedeu o abono variável a partir de 1 de janeiro de 1998 aos membros do Poder Judiciário: “Art. 6º: Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Referido dispositivo legal faz menção ao artigo 93, inciso V da Constituição Federal, condicionando a produção de efeitos do abono até a data de vigência de futura Emenda Constitucional alterando o comando constitucional mencionado. A Emenda Constitucional nº. 19, de 04 de Junho de 1998, alterou o dispositivo constitucional mencionado: “Art. 93: (...) V os vencimentos dos magistrados serão fixados com diferença não superior a dez por cento de uma para outra das categorias da carreira, não podendo, a título nenhum, exceder os dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. (redação anterior à EC 19/98) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 V o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º.” (redação dada pela EC 19/98) A forma de cálculo e de pagamento foi disciplinado pelo artigo 2º, da Lei nº. 10.474/2002: “Art. 2º: O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º: Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º: Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. § 3º: O valor do abono variável da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo.” O Supremo Tribunal Federal STF ao editar o artigo 1º da resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002 definiu a natureza jurídica indenizatória do abono previsto no artigo 2º da Lei nº. 10.474/2002, nos seguintes termos: “Art. 1º: É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº. 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.” Assim a partir da edição da Resolução n° 245/02 do STF o abono variável de que trata o artigo 2° da Lei n° 10.474/02 tem natureza indenizatória, portanto não é passível de ser tributado pelo imposto de renda. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 103 7 O “abono variável” devido aos Magistrados do Estado do Bahia, objeto de discussão no presente caso tem como fundamento legal nos artigos 4º e 5º, da Lei 8.730 de 09 de setembro de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Nos termos da referida norma legal, entendo que foi pago aos membros do Poder Judiciário do Estado da Bahia abono variável nos mesmos moldes do que dispõe o artigo 2°, da Lei n° 10.747/02. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos Magistrados Estaduais pela Lei n° 8.073 de 2003, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPF, portanto tem natureza indenizatória nos termos do que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não sendo portanto fato gerador do imposto de renda nos termos do que dispõe o artigo 43 do CTN. Além do mais não vejo inconstitucionalidade na Lei Estadual ao atribuir natureza indenizatória a tal valor, caberia a União no caso ingressar com ação judicial pertinente para questionar a constitucionalidade de tal Lei, fato esse que não ocorre no presente caso. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 104 9 instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 105 11 Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 Declaração de Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Concordo com as razões e conclusões brilhantemente deduzidas pelo ilustre relator, mas peço vênia para reforçar sua linha argumentativa com outros pontos que considero pertinentes à fundamentação de decisão favorável ao recorrente. O auto de infração questiona a qualificação “indenizatória” conferida à verba paga a título de diferenças de URV, porquanto o Estado da Bahia estaria concedendo isenção de tributo federal — ou seja, desrespeitando sua competência tributária —, e justifica a tributação dos valores em questão com fulcro no art. 43 do CTN, e no art. 3º da Lei nº 7.713/88. Esse fundamento possui inúmeras fragilidades. Além da ausência de competência da administração pública federal para considerar inválida e negar vigência a disposição legal presente em lei estadual (que até o momento goza de presunção de validade), a qual já foi levantada pelo ilustre Conselheiro relator, posso elencar ao menos outras duas. A primeira, de índole tributária, diz respeito ao efeito jurídico que a disposição empreendida pelo ato normativo baiano exerce. Ao dizer que as verbas eram indenizatórias, a Lei Estadual nº 8.073/2003 está tão somente reconhecendo que essas verbas têm a mesma natureza das verbas pagas aos magistrados federais e aos membros do Ministério Público Federal, que foram consideradas não tributáveis pelos pareceres normativos da PGFN. Essa é a única exegese possível, sob pena de discriminação incompatível com a diretriz traçada pelo art. 150, II, da Constituição, que veda qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função, independentemente da denominação jurídica. No que as diferenças percebidas pelos magistrados baianos são diferentes das recebidas por juízes federais e integrantes do Ministério Público Federal? Se a pergunta não for validamente respondida, penso que a tributação e casuística, tangenciando o excesso de exação. A segunda, de índole financeira, diz respeito ao verdadeiro impactado pela alegada renúncia fiscal operada pelo Estado da Bahia ao editar a lei estadual. Isso porque os rendimentos foram classificados como rendimentos do trabalho assalariado, os quais, nos termos do art. 7º da Lei nº 7.713/88 estão sujeitos ao IRRF: Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei: I os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas; II os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 2202002.622 S2C2T2 Fl. 106 13 Nessa senda, o art. 157, I, da Constituição Federal prevê que o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos pelo Estado, suas autarquias ou fundações por ele mantidas pertence ao próprio Estado: Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; É o presente caso, haja vista que a URV foi paga pelo Tribunal de Justiça da Bahia, órgão do Estado da Bahia. Dessa forma, esses valores deveriam ter sidos tributados na fonte, e a suposta isenção concedida pelo Estado da Bahia iria impactar tão somente em sua arrecadação. Em suma: o próprio Estado da Bahia suportou o ônus do seu suposto favor fiscal, de modo que não pode a União se aproveitar deste acontecimento para cobrar tributo que, inexistisse a controvérsia acerca da incidência de IRPF sobre os valores, nunca lhe caberia. Ainda, existem precedentes da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta sessão que reconhecem a não incidência de IRPF sobre os valores recebidos a título de URV pelos procuradores do Ministério Público da Bahia — caso análogo, que difere apenas quanto ao ato normativo que disciplinou o pagamento da URV —, com fulcro na Resolução STF nº 245/2002 e no Parecer PGFN nº 923/2003: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Fl. 263DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 (CARF. 2ª Seção. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2102 002.775. Rel. José Raimundo Tosta Santos. Julg. em 19/11/13) Não fosse suficientes tais argumentos, ressaltase, por fim, que existem precedentes do STJ que reforçam a não incidência do IRPF sobre os valores recebidos a título de URV pelos magistrados da Bahia, estendendo a elas o mesmo tratamento dispendido aos valores recebidos pelos magistrados federais, que tiveram tal direito reconhecido pela Resolução STF nº 245/02: EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (STJ. 2ª Turma. REsp n. 1.187.109/MA. Rel. Min. Eliana Calmon. Julg. em 17/08/10) Assim sendo, com base nos fundamentos do eminente relator e desta declaração de voto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 264DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digital mente em 03/06/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 16327.000181/2005-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Gilberto Baptista, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Gilberto Baptista, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Gilberto Baptista, Hélio Eduardo de Paiva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 18 1/ 20 05 -4 4 Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.910 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130200.337 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 05/08/2010, com a seguinte ementa: DECADÊNCIA 5 ANOS TRIBUTO POR HOMOLOGAÇÃO Em 1999, o contribuinte apurou e pagou o tributo que entendeu devido bem corno cumpriu regularmente suas obrigações acessórias. O prazo que o fisco possui para homologar o autolançamento é de cinco anos contados da conclusão do fato gerador, 31/12/1999. O lançamento cientificado em 03/02/2005 é caduco. O colegiado deu provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, cancelando a exigência da CSLL, por reconhecer a decadência do lançamento. Cientificada em 14/04/2011, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 15/04/2011 para que o julgador esclarecesse as razões e as provas, constantes do processo, que demonstram o pagamento do IRPJ e da CSLL, para fins de aplicar o artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Na sessão de 09/05/2012, esta turma de julgamento houve por bem converter o julgamento do recurso em diligência, por meio da Resolução nº 1302000.179, na qual a conselheira relatora, anteriormente designada, assim fundamentou o pedido de diligência: Os embargos são procedentes e lhes acolho. No processo não consta a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) e nem qualquer Documento de Arrecadação da Receita Federal (DARF) ou informe de rendimento, que possam comprovar a incidência de imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), quer seja por estimativa ou na fonte. O documento de folhas 3 é na realidade um extrato do lançamento e não um comprovante de pagamento de imposto. Verificamos, pelos registros do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), que houve prejuízo fiscal no anocalendário de 1999, por isso não houve IRPJ ou CSLL a pagar ao final do ano. Logo, não há evidência, no processo, de que foram recolhidos IRPJ e CSLL para fins de aplicar o artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, evoco o recurso especial repetitivo de número Resp 973733/SC do Superior Tribunal de Justiça, de 12/08/2009, publicado em 18/09/2009 (http://www.decisoes.com.br/v29/index.php?fuseaction=tributaria.pesquisar_ger al_for m#ixzz1uNlYENvl). Cumpre acolher os embargos para aplicar o prazo de que trata o artigo 173 do Código Tributário Nacional a fim de determinar a decadência do direito de lançar. Nesse ponto, notase que o fato gerador foi concluído em 31/12/1999, começando a contar o prazo decadencial em 01/01/2001, tendo ele expirado em 01/01/2006. O lançamento efetuado em 03/02/2005 não resta, portanto, decaído. Assim, cabe enfrentar as demais matérias discutidas no processo. A contribuinte alega nulidade do lançamento fiscal, pois o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) estaria expirado. Vale notar que todos os atos de fiscalização foram feitos em mandatos Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.911 3 (sic) de procedimentos fiscais integralmente válidos. Ocorre que em 25/01/2005 houve uma última prorrogação do mandato apenas para que o lançamento pudesse ser concluído e citado, como foi, em 03/02/2005. Assim, apegase a Recorrente em mera questão formal, pois dessa última prorrogação foi citada em 10/02/2005. Embora o auditor fiscal tenha sido o mesmo, ele não exerceu, no novo prazo, qualquer novo ato de fiscalização, apenas concluindo a fiscalização que já antes havia iniciado. Para aterme à formalidade, fico com aquela que trata do processo administrativo fiscal e elucida, no artigo 10 do Decreto 70.235/72, o rol completo das condições de validade do lançamento. Dentre elas, não consta a citação do MPF. Assim, rejeito a preliminar de nulidade oposta pela Recorrente. Prossigo para avaliar o mérito da matéria. Discutese, enfim, a dedutibilidade, no anocalendário de 1999, dos seguintes valores, itens 1 e 2 abaixo. R$ 1.431.003,45, equivalentes a 50% da provisão para sinistros ocorridos, mas não reportados (IBNR) (Resolução CNSP n o. 18/98). R$ 7.844.044,48, a título de contribuição para consórcios e fundo de seguro habitacional – FESA (Resolução 25/67 do Banco Nacional da Habitação (BNH), DecretoLei 2.291/86, Resolução Conselho Monetário Nacional (CMN) 1.277/87, inciso I, artigo 2° do DecretoLei n°2.406, de 05/01/88, e Lei 7.739/89). Neste ponto, a autoridade fiscal não discute a existência ou exigibilidade da despesa, apenas afirma que ela seria uma provisão de 1998, indedutível no ano de 1999. Já a DRJ alega que a despesa não deveria existir, pois a Circular SUSEP 84/99, que exigiu a contabilização dos prêmios cedidos ao FESA, é válida apenas para as operações constituídas a partir do anocalendário de 1999, não se aplicando às operações realizadas até 1998, com base nas quais a provisão feita pela empresa foi constituída. Avaliando o roteiro contábil anexo à Circular SUSEP 84/99, o que ele manda fazer é a recorrente registrar os prêmios recebidos como ativos e passivos e reconhecer, em resultado, como redução do passivo, apenas o percentual relativo ao prêmio de co seguro que lhe cabe, que é de 4%. Até o ano de 1998, a empresa seguia a Circular SUSEP 09/93 e, segundo o que depreendi do procedimento contábil adotado, vinha reconhecendo os prêmios recebidos em ativos, assim também os prêmios pagos em passivo no percentual de 88,4%, o valor residual seria um saldo líquido de prêmios pagos e recebidos, reconhecido como receita, dos quais ainda deveriam ser deduzidas as comissões a pagar, como despesa, sendo que o valor líquido representaria o prêmio de 4% do prêmio bruto que cabe à seguradora recorrente. No anocalendário de 1999, a SUSEP determinou que a Seguradora Roma não deveria mais reconhecer a receita bruta e a despesa de comissões a pagar, mas sim deveria reconhecer diretamente em resultado a receita líquida, sendo a comissão a pagar um passivo que não mais deveria transitar pelo resultado como despesa. Como a partir da vigência da nova Circular SUSEP a Recorrente não poderia mais reconhecer despesas de repasses à SASSE, por essa ocasião, o que fez a Recorrente foi conciliar os saldos de suas obrigações contratuais e comparar com o saldo de ativos e passivos que tinha reconhecidos decorrentes do seguro habitacional carregado de anos passados para poder adequarse à nova forma de contabilização. Quanto à sua contabilidade, esclarece a interessada o seguinte. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.912 4 No mês de outubro/98 do total de prêmios 456.292.165,11 FTRD's calculandose somente o percentual à título de repasse (88,4%) resulta em 403.362.273,96 FTRD's devolvidos nos meses de dezembro/98, janeiro/99 e março/99. No mês de novembro/98 do total de prêmios 468.541.933,83 FTRD's. No mês de novembro/98, calculandose somente o percentual à titulo de repasse (88,4%) resulta em 414.191.069,51 FTRD's devolvidos nos meses de janeiro/99, fevereiro/99 e abril/99. E, no mês de dezembro/98 do total de prêmios 444.587.781,25 FTRD's calculandose somente o percentual à titulo de repasse (88,4%) resulta em 393.015.598,63 FTRD's devolvidos nos meses de fevereiro/99, março/99 e maio/99. Considerando o Anexo I, bem como o Anexo II (da Impugnação), na data base de 31/12/98 a recorrente teria um saldo a pagar (à SASSE) de janeiro/99 a maio/99 o montante de (...) que equivale a R$ 11.784.111,42. Adicionando a diferença entre o valor devido a SASSE e o efetivamente pago no decorrer de 1999 no montante de R$ 31.208,58 totaliza um saldo devedor de R$ 11.815.320,00, no entanto a recorrente tinha provisionado apenas o montante de R$ 3.931.275,52 conforme cópia do RAZÃO CONTÁBIL, constante ANEXO IIII (quatro), equivalente a um faturamento líquido, restando ainda, o montante de R$ 7.884.044,48 a ser reconhecido, o qual foi feito no anobase de 1999. Assim, vale observar que a Circular SUSEP 84/99 não criou nenhuma nova obrigação financeira, para as operações novas, que já não fosse aplicável às operações antigas. Pela legislação supra referida no caput deste item 2 e pelos contratos anexados ao processo, é notório que a despesa de comissão à FESA é devida e necessária para que a seguradora receba o prêmio do seguro. A recorrente é uma das coseguradoras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Os prêmios dos seguros habitacionais nesse sistema ficam divididos da seguinte maneira. [...] Tabela Segundo a Recorrente, assim, o pagamento da diferença apurada de R$ 7.884.044,48 era devido em maio de 1999 e só foi quantificado em 1999, em função da Resolução CNSP 18/98 e Circular 84/99. Tratase de um “contas a pagar”, embora leve o nome de “provisão”. Por outro lado, fica evidente que a Recorrente vinha reconhecendo provisões de comissões a pagar à SASSE em valor inferior ao devido, provavelmente apenas quando a SASSE a cobrava desses valores. Possivelmente, portanto, quando a SASSE a cobrava dessas comissões, a Recorrente lançava a diferença não provisionada como despesa do exercício e a deduzia. Nesse sentido, cumpre converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora possa, por favor, verificar o seguinte. 1 Verificar a base analítica que chega à obrigação contratual de comissões a pagar à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00, vis à vis as obrigações contratuais da Recorrente, em 31/12/1998. 2 Conciliar contabilmente a composição da provisão de comissões a pagar à SASSE visando confirmar a inexistência de provisão no valor indicado no item 1 em 31/12/1998. Conciliar assim o ajuste de exercícios anteriores realizado pela Recorrente em 1999, relativamente a 31/12/1998, para ajustar o saldo dessa provisão. Confirmar que tal ajuste foi feito a débito de conta de patrimônio líquido e não resultado do exercício de 1999. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.913 5 3 Confirmar que tal provisão tenha efetivamente sido paga à SASSE e baixada do passivo, ao longo de 1999. 4 Confirmar que o valor correspondente não foi lançado à despesa do exercício de 1999 conforme os pagamentos tenham sido feitos à SASSE ou, se foi, confirmar que tenha sido revertido, de tal sorte a não afetar o lucro do exercício de 1999, tributável, antes das demais adições e exclusões. Tal verificação visa garantir que a despesa não foi deduzida em duplicidade: ao sensibilizar o resultado de 1999 e depois como exclusão de ajuste de exercícios anteriores. 5 – Confirmar que tais despesas de comissões, no montante de R$ 7.884.044,48 não foram deduzidas em 1998 na apuração do imposto de renda e da contribuição social. 6 Intimar a Recorrente para que apresente a documentação necessária para efetuar as análises 1 a 4 incluindo, mas não se limitando a: 6.1. cálculo analítico dos prêmios recebidos de seguro habitacional antes dos repasses indicados pela legislação e conciliação contábil com os saldos ativos e passivos correspondentes em 31/12/1998, bem como cômputo do percentual relacionado à obrigação de repasse à SASSE nessa mesma data. 6.2. Conciliação do cálculo apresentado pelo item 6.1. com o saldo da provisão de comissões a repassar à SASSE em 31/12/1998, bem como lançamento contábil dos R$ 7.884.044,48 a título de ajuste de exercícios anteriores, feito em 1999. 6.3. Confronto do lucro líquido de 1998, base para a apuração do imposto de renda e contribuição social, e demonstração de que os R$ 7.884.044,48 não estão ali inseridos, bem como demonstração de que não houve exclusão desse valor no cálculo dos tributos devidos de 1998. 6.4. Razão contábil da conta de provisão de comissões a pagar à SASSE de 1998 e 1999 demonstrando a conciliação 6.2. 6.5. Razão contábil da conta de despesa de comissões a pagar à SASSE em 1999, bem como abertura analítica da competência que originou tal despesa (1998 ou 1999), acompanhada de demonstração e conciliação contábil analítica. 6.6. Lançamentos contábeis que demonstram o pagamento das comissões devidas à SASSE relacionadas ao saldo de 31/12/1998 ajustado, no montante de R$ 11.815.320,00, demonstrando o crédito na conta de disponibilidades da empresa (ou conta transitória equivalente) e o débito na conta de provisão. Caso o débito tenha sido efetuado à conta de resultado, apresentar demonstração e comprovação de que tal despesa não foi deduzida no cálculo do imposto de renda, tendo sido adicionada ou revertida contabilmente em 1999. 6.7. Outros esclarecimentos e documentos que a Recorrente entender oportuno apresentar. 7 Caso a despesa efetivamente não tenha sido deduzida em 1998 e não tenha sido deduzida em duplicidade em 1999. Verificar o lucro real da empresa no ano calendário de 1998, antes da compensação de prejuízos, bem como o lucro real em 1999, antes da compensação de prejuízos, para verificar se o deslocamento da despesa, de 31/12/1998, para 1999, gerou prejuízo à autoridade fiscal. Apurar se o deslocamento da despesa de 1998 para 1999 gerou menos prejuízo fiscal acumulado para a empresa ou menos imposto a pagar, na soma dos dois anos. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.914 6 8 Elaborar relatório conclusivo da diligência para constatar se as comissões devidas à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00 em 31/12/1998 efetivamente foram pagas ao longo de 1999 e se não houve uma dedução extra no cálculo do lucro real e da contribuição social, quer a seja em 1998 ou 1999. 9 Intimar a contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste, impreterivelmente, em 30 dias da citação de tal intimação. 10 Anexar a manifestação da interessada ao processo e devolvêlo a este Conselho para julgamento. Encaminhados os autos para a unidade de origem a autoridade fiscal designada para a realização das diligências, após receber resposta ao Termo de Intimação enviado para a interessada, elaborou Relatório Final de Diligências, nestes termos: O Processo n° 16327.000181/200544 em julgamento no CARF foi convertido em diligência, Resolução n° 1302000.179, para que fossem verificados e comprovados diversos itens conforme deliberação daquele conselho. Intimado a esclarecer e a comprovar os itens conforme determinação do CARF, o contribuinte respondeu em 25/09/2012 que não encontrou em seus arquivos, documentos suficientes para responder aos detalhados questionamentos efetuados no Termo de Diligência n° 1, esclarecendo que todos os esforços foram feitos para a obtenção de outros documentos contábeis e tributários do período 1998 e 1999, porém não obtiveram sucesso. O contribuinte acrescenta ainda que acredita que a documentação e explicações já apresentadas em outras intimações referentes a este processo administrativo, sejam suficientes para comprovar que foi pago à SASSE o total de R$ 11.815.320,00 em 1999 e que não houve dedução duplicada desta despesa nos cálculos do IRPJ e da CSLL em 1998 e 1999. Como o contribuinte não apresentou nenhuma documentação necessária para efetuar as análises não foi possível constatar se as comissões devidas à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00 em 31/12/1998 foram efetivamente pagas ao longo de 1999 e se não houve uma dedução extra no cálculo do lucro real e da contribuição social em 1998 ou 1999. Diante do exposto intimo o contribuinte do resultado desta diligência para que se manifeste, impreterivelmente, no prazo de 30 dias do recebimento deste, para que em seguida o processo seja devolvido para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Intimada do Relatório Final de Diligências, a interessada apresentou manifestação, na qual se reporta ao Termo de Diligência nº 1 e apresentou diversos documentos e planilhas, consistentes em cerca de 1.000 páginas, nestes termos: MARES MAPFRE RISCOS ESPECIAIS SEGURADORA S/A, inscrita no CNPJ/MF sob n° 87.912.143/000158, com sede à Av. das Nações Unidas n.° 11.711, 21° andar, cidade de São Paulo SP, por seu representante legal, em resposta ao termo de diligência n° 1, apresenta os seguintes esclarecimentos e documentos aos itens constantes no referido Mandado de Procedimento Fiscal: 1 Livro LALUR de 1999 arquivo no CD entregue (Anexo I). 2 Balancetes mensais de 1998 a 1999 arquivos no CD entregue (Anexo I). Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.915 7 3 A fim de comprovar a obrigação contratual de comissões a pagar à SASSE, no montante de R$ 11.815.320,00, estão sendo disponibilizados o Acordo para Cessão de Cosseguro, celebrado com a SASSE Companhia Nacional de Seguros Gerais (Anexo II), e demonstrativo dos valores que compõem o total do "ajuste de exercícios anteriores" registrado em 1999 (Anexo III). O valor efetivamente contabilizado em 1999, referente à apuração do exercício de 1998, no montante de R$ 7.884.044,48 (Anexo III), é composto pelo cálculo do FESA adicionado aos Sinistros Pagos a partir de janeiro de 1999, conforme demonstrado no quadro apresentado (Anexo IV), subtraído o valor de R$ 3.931.275,52 que representa o saldo da conta em 31.12.1998 (Anexo V). A liquidação financeira dos montantes apresentados no Anexo IV e, que compõem o total do demonstrativo do Anexo III, estão relacionados nos demonstrativos de pagamentos (Anexo VI) e conciliados com os razões disponibilizados no arquivo eletrônico e, través das representações numéricas podem ser feitos os cruzamentos entre esses três arquivos. Os valores constantes no quadro do Anexo IV estão em FTRD, moeda utilizada para as operações de seguros à época, sendo, portanto, necessária a conversão para efetuarmos as respectivas conciliações. Adicionalmente, reiteramos que os valores provisionados foram deduzidos corretamente na apuração de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, e que os pagamentos realizados à SASSE tiveram seus registros efetuados diretamente nas contas em que foram provisionados, conforme conciliações apresentadas. 4 Razão contábil das contas "22212 Coseguro cedido emitido" e "22417 Contas à pagar ao FESA/FCVS" arquivo no CD entregue (Anexo I). 5 Vide item 3. 6 Vide item 3. 7 Conforme LALUR de 1999 disponibilizado, verificase que o montante de R$ 7.884.044,48 foi deduzido na apuração do imposto de renda e da contribuição social no ano calendário 1999. 8.1 Cópia do Registro Geral de Cosseguros Aceitos Cobrados em 1998 Ramo Seg.Habitacional Sist.Financ, onde estão representados os valores que compõem os prêmios recebidos do período (anexo VII). 8.2 Vide conciliação apresentada no item 3. 8.3 Vide LALUR de 1999 disponibilizado. 8.4 Vide item 3. 8.5 Vide item 3. 8.6 Vide conciliação apresentada em resposta ao item 3. Considerando a complexidade de conciliação entre os valores provisionados, bases de cálculo e registros contábeis, característicos da operação de cosseguros aceitos, entendemos ser necessária explicação presencial por esta Seguradora, para a qual nos colocamos à disposição. Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.916 8 Tendo em vista que num primeiro momento a interessada havia se manifestado no sentido de que não havia encontrado em seus arquivos nenhum documento novo para atender à intimação e que entendia que os elementos constantes do processo eram suficientes para comprovar a dedutibilidade da despesa glosada, a autoridade preparadora, ao receber a manifestação acima da interessada, simplesmente anexoua aos autos, sem qualquer análise, e encaminhouos a este conselho para julgamento . É o relatório. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.917 9 Voto Tratase de retorno de diligência determinada por este colegiado, por meio da Resolução nº 1302000.179, de 09/05/2012, realizada pela unidade de origem. Analisando os elementos trazidos ao autos pela autoridade preparadora, verifico que a diligência restou inconclusiva, na medida em que os elementos apresentados pela interessada em sua manifestação de 30/11/2012, não foi objeto de qualquer análise por parte da autoridade fiscal incumbida da realização do procedimento. Ocorre que, num primeiro momento a interessada havia se manifestado no sentido de que não havia encontrado em seus arquivos nenhum documento novo para atender à intimação e que entendia que os elementos constantes do processo eram suficientes para comprovar a dedutibilidade da despesa glosada. Assim, a autoridade preparadora, ao receber a manifestação referida da interessada, simplesmente anexoua aos autos, sem qualquer análise, e encaminhouos a este conselho para julgamento Não obstante, é imprescindível que a autoridade fiscal proceda à análise dos elementos apresentados pela interessada,com vistas ao atendimento dos itens 1 a 5, 7 e 8 da diligência, e ainda se a recorrente apresentou todos os elementos especificados no item 6 da solicitação, na forma expressa na Resolução nº 1302000.179: 1 Verificar a base analítica que chega à obrigação contratual de comissões a pagar à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00, vis à vis as obrigações contratuais da Recorrente, em 31/12/1998. 2 Conciliar contabilmente a composição da provisão de comissões a pagar à SASSE visando confirmar a inexistência de provisão no valor indicado no item 1 em 31/12/1998. Conciliar assim o ajuste de exercícios anteriores realizado pela Recorrente em 1999, relativamente a 31/12/1998, para ajustar o saldo dessa provisão. Confirmar que tal ajuste foi feito a débito de conta de patrimônio líquido e não resultado do exercício de 1999. 3 Confirmar que tal provisão tenha efetivamente sido paga à SASSE e baixada do passivo, ao longo de 1999. 4 Confirmar que o valor correspondente não foi lançado à despesa do exercício de 1999 conforme os pagamentos tenham sido feitos à SASSE ou, se foi, confirmar que tenha sido revertido, de tal sorte a não afetar o lucro do exercício de 1999, tributável, antes das demais adições e exclusões. Tal verificação visa garantir que a despesa não foi deduzida em duplicidade: ao sensibilizar o resultado de 1999 e depois como exclusão de ajuste de exercícios anteriores. 5 – Confirmar que tais despesas de comissões, no montante de R$ 7.884.044,48 não foram deduzidas em 1998 na apuração do imposto de renda e da contribuição social. [...] 7 Caso a despesa efetivamente não tenha sido deduzida em 1998 e não tenha sido deduzida em duplicidade em 1999. Verificar o lucro real da empresa no ano calendário de 1998, antes da compensação de prejuízos, bem como o lucro real em 1999, antes da compensação de prejuízos, para verificar se o deslocamento da despesa, de 31/12/1998, para 1999, gerou prejuízo à autoridade fiscal. Apurar se o deslocamento Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 16327.000181/200544 Resolução nº 1302000.306 S1C3T2 Fl. 1.918 10 da despesa de 1998 para 1999 gerou menos prejuízo fiscal acumulado para a empresa ou menos imposto a pagar, na soma dos dois anos. 8 Elaborar relatório conclusivo da diligência para constatar se as comissões devidas à SASSE no montante de R$ 11.815.320,00 em 31/12/1998 efetivamente foram pagas ao longo de 1999 e se não houve uma dedução extra no cálculo do lucro real e da contribuição social, quer a seja em 1998 ou 1999. Observo que, em face da complexidade dos cálculos, planilhas e documentos apresentados pela interessada, fazse imprescindível a análise in loco, por parte da autoridade fiscal, com vistas a verificar se os elementos apresentados, atendem ao que foi solicitado no item 6 da resolução e se estão em consonância com os registros contábeis, conforme advertiu a própria da interessada em sua manifestação de 30/11/2012, in verbis: Considerando a complexidade de conciliação entre os valores provisionados, bases de cálculo e registros contábeis, característicos da operação de cosseguros aceitos, entendemos ser necessária explicação presencial por esta Seguradora, para a qual nos colocamos à disposição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, com vistas ao atendimentos do disposto nos itens 1 a 5, 7 e 8 da Resolução nº 1302000.179, de 09/05/2012, conforme determinado por esta turma de julgamento, elaborando relatório conclusivo, do qual deverá ser dado ciência à interessada e oferecido prazo para sua manifestação. Sala de Sessões, em 06 de maio de2014 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29 /05/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.721169/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
Ementa:
FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES
O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a Seguridade Social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vínculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.186
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para desconsiderar a prestação de serviço através de pessoa jurídica interposta, considerando toda a mão de obra empregada no processo produtivo do sujeito passivo como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Ementa: FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a Seguridade Social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vínculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 Ementa: FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a Seguridade Social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vínculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para desconsiderar a prestação de serviço através de pessoa jurídica interposta, considerando toda a mão de obra empregada no processo produtivo do sujeito passivo como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 11 69 /2 01 3- 91 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 300 3 Relatório Trata o presente, de recurso interposto contra decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão de fls. 264/272, que pugnou pela procedência do lançamento relativo às contribuições previdenciárias patronais, àquelas destinadas aos riscos ambientais do trabalho e àquelas arrecadadas para as terceiras entidades, incidentes sobre a remuneração de segurados que prestaram serviço à autuada através da interposta pessoa jurídica VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA.ME, no período de 01/2010 a 12/2011. O Processo Administrativo Fiscal – PAF engloba os seguintes DEBCAD’s: * 51.031.5321, referente à cota patronal e SAT incidente sobre a remuneração de segurados empregados e a cota patronal sobre a remuneração de contribuintes individuais, e * 51.031.5330, referente às contribuições arrecadadas para os Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 11/04/2013. De acordo com o Relatório Fiscal de fls.27/34, a situação fática encontrada na auditoria fiscal demonstrou que a recorrente se valeu de mão de obra interposta pela pessoa jurídica VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA.ME, para executar o seu processo produtivo visando atingir seus objetivos sociais. A seguir me reporto ao relatório fiscal que embasou o levantamento, sob os seguintes aspectos: a empresa VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA. ME, foi constituída em 03/02/2006, por exempregado da recorrente. Conforme planilhas elaboradas pelo Fisco , nos anos de 2006 e 2007, os segurados empregados migraram da recorrente para a VITÓRIA, continuando a exercer as mesmas funções, o atendimento para a realização de auditoria nas duas empresas foi feito pelo Sr. Amarildo Giovani Bertoldi, empregado registrado em ambas, contador e irmão dos sócios da recorrente, em visita efetuada o Fisco constatou que a recorrente e a empresa VITÓRIA estão situadas no mesmo espaço físico, não sendo possível identificar onde começa e termina cada uma das empresas envolvidas. A entrada e saída são únicas, assim como a expedição e na fachada do prédio há a identificação de ambas, água e energia elétrica fornecidas apenas pela recorrente, Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 foram apresentados dois contratos de aluguel onde consta o endereço da recorrente como Rua São Leopoldo, nº 186 e da VITÓRIA como Rua São Leopoldo n.º 186, sala 2. Ambos firmados na mesma data sem firma reconhecida, sem registro em cartório, a proprietária do imóvel é a Sra.Ana Paula Bertoldi, registrada como empregada da recorrente e locatário o Sr. Oldair José dos Santos Cavalheiro, empregado registrado na recorrente de 2005 a 2007, a atividade preponderante das empresas envolvidas é a fabricação de calçados, utilizam o mesmo parque fabril, os sócios de ambas são da mesma família, ou ex empregados, a recorrente era inscrita no SIMPLES até 2007, quando devido ao seu faturamento foi excluída. Na mesma época foi criada a VITÓRIA, optante do SIMPLES e exercendo suas atividades com empregados migrados da recorrente e assumindo a parte excedente do faturamento para permitir a permanência no Sistema e assim desobrigando a recorrente de recolher a cota patronal da contribuição previdenciária. Às fls. 29/30 do processo, consta planilha exemplificando a quantidade de empregados e o faturamento dos anos de 2005 a 2011, cópias de reclamações trabalhistas indicam que as empresas constam como reclamadas nos processos comprovando a dependência financeira, nas GFIP’s os telefones informados no cadastro das empresas é o mesmo, o responsável também é o mesmo e as informações de remessa responsável Ada recorrente são com o CNPJ, nome do responsável e endereço da VITÓRIA. Da constatação efetuada pelo Fisco resultou este Auto de Infração, onde os empregados da VITÓRIA estão sendo considerados como se da recorrente fossem e dela estão sendo cobradas as contribuições patronais apuradas através dos valores declarados nas GFIP’s da prestadora ce serviços VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA. Após a impugnação, Acórdão de fls. 264/272, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a falta de competência territorial para julgar o processo, o que deveria ter ocorrido na jurisdição de origem; b) que não praticou qualquer ilegalidade, já que a doutrina sustenta e permite o planejamento tributário para diminuir a carga tributária; c) que a autoridade fiscal devia provar a ocorrência do fato gerador para a invalidação ou desconsideração do negócio jurídico; d) que as duas empresas geram empregos e não contrariam as normas legais. Por fim, requer o recebimento e provimento do recurso para que seja declarada a improcedência do processo, a insubsistência dos autos de infração e a nulidade dos créditos tributários. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 301 5 É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido e examinado. Da Preliminar A recorrente argúi a falta de competência territorial para o julgamento do processo por Delegacia da Receita Federal de Julgamento de jurisdição diversa do domicilio tributário do contribuinte. Informo à recorrente que a constituição, o funcionamento e a competência de julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ, se dá através de Portarias emitidas pelo Ministério da Fazenda e os processos distribuídos às DRJ observam às prioridades estabelecidas na legislação, a semelhança e conexão de matérias, a capacidade de julgamento e a competência material de cada DRJ, de forma que não há qualquer óbice a que um processo de uma jurisdição de uma Delegacia da Receita Federal do Brasil seja julgado por Delegacia da Receita Federal de Julgamento de outra jurisdição, como ocorreu no caso presente. Ademais, consta das fls. 263, do processo que o mesmo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da Receita Federal do Brasil. Do Mérito De acordo com o relatório fiscal da autuação às fls.27/34, o crédito previdenciário decorre da situação fática existente e relatada pela fiscalização no que concerne à descaracterização dos serviços prestados por interposta pessoa jurídica. As evidências descritas pelo auditor fiscal e às quais nos reportamos, já que compõem o relatório e por economia processual deixamos de aqui copiálas, dão conta de que a recorrente utilizou a empresa VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA., optante do SIMPLES como interposta pessoa na contratação de empregados visando o não recolhimento da contribuição previdenciária patronal. A fiscalização relata que em verificação física efetuada no sujeito passivo foi constatado que as empresas funcionam no mesmo local onde labora a recorrente; que é impossível distinguir quais funcionários são de uma empresa ou de outra, que os funcionários estão todos alocados no mesmo parque fabril, com máquinas e equipamentos comuns, que não há pagamentos de despesas por conta da empresa prestadora de serviços VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA., como aluguel, energia elétrica, água, etc. que na frente do estabelecimento há placas indicativas do nome de ambas as empresas que também utilizam o mesmo nome em seus produtos (calçados ANAFLEX). Fotos às fls. 91/97. Com relação à composição societária, todos os sócios são membros da mesma família e tabela constante das folhas 29/30 do relatório fiscal evidencia que a recorrente Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 302 7 era optante do SIMPLES até 2007, quando seu faturamento extrapolou o limite legal para opção. Neste momento, foi criada a empresa prestadora de serviços VITÓRIA BRASIL CALÇADOS LTDA.ME, com o faturamento excedente da outra, mas dentro dos limites impostos pela legislação, sendo que os empregados forma transferidos da recorrente para a prestadora. Tal procedimento demonstra que as empresa VITÓRIA foi criada com o intuito de deixar de recolher a cota patronal das contribuições previdenciárias. A fiscalização constatou, portanto, que as empresas exerciam suas atividades de forma complementar ficando a mão de obra necessária ao processo produtivo alocada na empresa optante pelo SIMPLES desonerandose da cota patronal das contribuições previdenciárias, enquanto a receita pela produção se dá na autuada, tributada pelo lucro real, que possui um reduzido número de funcionários. Os elementos de convencimento expostos pela auditoria fiscal explicitam que as empresas são interdependentes o que se comprova pela dependência financeira e operacional, onde as instalações, maquinários, água, energia elétrica são cedidos pela recorrente à prestadora de serviço, que trabalha exclusivamente para ela. A recorrente em suas razões não traz qualquer fato novo capaz de elidir a autuação, limitandose a negar os fatos, dizer da falta de provas e que é lícito fazer planejamento tributário. Ao contrário do que afirma a recorrente, entendo que a autuação está bem apoiada em evidências trazidas no relatório fiscal e documentos de fls. 91 em diante. As exploram a mesma atividade econômica no mesmo parque fabril, no mesmo endereço, restando comprovado que todos os empregados trabalham de fato para a autuada. Os segurados prestam serviço de forma habitual em funções que não se prestam a serviço autônomo, permanecem cumprindo horário nas dependências da recorrente, e são a ela subordinados. Destarte, é de se informar à recorrente, que a forma escolhida para reduzir seus custos, não encontra guarida na legislação vigente, porquanto trata de uma simulação na contratação formal de mão de obra por empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, onde estão obrigadas apenas ao recolhimento da contribuição relativa à cota do empregado e dispensadas da contribuição patronal, ao passo que não possuem receita tampouco estrutura operacional para manter uma linha de produção, o que vem a ser suprido pela suposta “tomadora dos serviços”, no caso a recorrente, que é a responsável por toda a receita advinda do faturamento com a produção, mas que não possui mão de obra no processo produtivo e por isso se ilide do pagamento da cota patronal das contribuições previdenciárias. Da forma como disposta esta relação entre as pessoas jurídicas envolvidas é notório o prejuízo causado à Seguridade Social, pois a mão de obra empregada no processo produtivo não serve de base para a incidência da contribuição previdenciária, pois se dá em empresa que possui um baixo faturamento, o que lhe permite ser optante do SIMPLES, enquanto a receita fica para a empresa que deve contribuir também com a cota patronal das contribuições previdenciárias, mas por possuir um reduzido número de empregados, pouco recolhe, ou seja, a Previdência Social é que vai arcar com a sangria em seus cofres, na medida em que a mão de obra que produziu o alto faturamento, não serve de base para a incidência contributiva previdenciária. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Reitero que por todos os dados constantes do processo é possível aferir que os serviços são prestados por empresa interposta na contratação formal de mão de obra, servindo para a recorrente se elidir do pagamento da cota patronal da contribuição previdenciária. Desta forma, correta está a constituição do crédito previdenciário, relativamente à folha de pagamento das empresa interposta, cujos valores foram tomados como salário de contribuição para a incidência da contribuição patronal de responsabilidade da recorrente. Foi desconsiderada a prestação de serviço através da empresa interposta, por todas as circunstâncias, motivos e evidências relatadas na notificação, para considerar toda a mão de obra empregada no processo produtivo da recorrente como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias. A capacidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em desconsiderar contratos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo é muito clara na leitura da legislação previdenciária em conjunto com o Código Tributário Nacional CTN. Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 e do parágrafo 2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro que o Auditor Fiscal da Previdência Social pode desconsiderar o contrato pactuado, quando o segurado preencher as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º do Decreto. LEI N.º 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. DECRETO N.º 3.048/99 Art. 229. (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado (grifei). Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 303 9 O referido art. 9º traz o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social. No inciso I estão as situações de enquadramento dos segurados empregados, sendo que a relação pactuada nos contratos desconsiderados nessa notificação pode ser observada na alínea "a" (idêntica redação do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n.º 8.212/91): Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; No mesmo sentido, também o Tribunal Regional Federal da 4ª Região já vinha decidindo, não deixando dúvidas quanto a essa possibilidade: PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. 1 A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção do trabalho, entre as quais se incluem o direito à previdência social. 2 No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonegação. Exigese, contudo, que a decisão decorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que não se ofenda ao princípio da legalidade, ou para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa. 3 Apelação a que se nega provimento. (AMS n.º 89.04.079543PR, Ac. TRF 400003018, de 20/02/92, 1ª Turma, Rel. Juiz Hadad Viana, DJ de 18/03/92, pág. 5937). A desconsideração das empresas prestadoras de serviços, decorreu da realidade fática encontrada pela fiscalização, qual seja, a existência de relação de emprego entre as pessoas físicas e a empresa ora autuada. E, diante de tal situação, a fiscalização previdenciária tem o poderdever de perquirir acerca da real natureza da relação de trabalho para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Este é também o entendimento do Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA. PRELIMINAR SUPERADA. OBJETO DA AÇÃO ORIGINÁRIA: ANULAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL EM RAZÃO DA INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA CARACTERIZAR RELAÇÃO DE EMPREGO. FUNDAMENTO DA SENTENÇA E DO ACÓRDÃO (RESCINDENDO) DE PROCEDÊNCIA DO PEDIDO: INCONSTITUCIONALIDADE DA EXPRESSÃO Fl. 307DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 "AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES" (ART. 3O, DA LEI N.º 7.787/89). CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO (ART. 485, IX, DO CPC). DESCONSTITUIÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA E NOVO JULGAMENTO. DETENÇÃO PELO INSS DE PODERES PARA RECONHECER RELAÇÃO DE EMPREGO PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO CARACTERIZADA. INEXISTÊNCIA DE PROVA ACERCA DA CONDIÇÃO DE TRABALHADOR AUTÔNOMO, A INFIRMAR A AUTUAÇÃO FISCAL. PROCEDÊNCIA. ... 6 .A FISCALIZAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL DETÉM PODERES PARA PERQUIRIR ACERCA DA NATUREZA DA RELAÇÃO DE TRABALHO QUE VINCULA DUAS OU MAIS PESSOAS, PARA FINS DE COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA, CONFORME SEJA O CASO. A ATUAÇÃO INVESTIGATIVA DOS FISCAIS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ESTÁ VOLTADA AO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, À PERFECTIBILIDADE DE EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS. O RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, PARA ESSA FINALIDADE ESPECÍFICA, NÃO TRANSBORDA PARA ALCANÇAR A GERAÇÃO DE EFEITOS TRABALHISTAS, DA MESMA FORMA QUE NÃO PODE FICAR ATRELADO AOS RESULTADOS QUE DECORRERIAM DE EVENTUAL CONTENDA NA JUSTIÇA ESPECIALIZADA, ALTERCAÇÃO ESTA CUJO AJUIZAMENTO FICA NA DEPENDÊNCIA DA VONTADE DO EMPREGADO. A IDENTIFICAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO, NA VIA ADMINISTRATIVA, CONSTITUI UMA FASE PRÉVIA E INDISPENSÁVEL AO LANÇAMENTO DO TRIBUTO PELO AGENTE ARRECADADOR. 7 .HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SE, DA REALIDADE FÁTICA, EMERGE CARACTERIZADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, NÃO HÁ COMO DEIXAR DE SE RECONHECER OS EFEITOS QUE DELA DECORREM PELO FATO DE NÃO ESTAR, A RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, DOCUMENTALMENTE REGISTRADA COM ESSA CONFIGURAÇÃO. 8 .DEMONSTRADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, PELAS PROVAS COLIGIDAS AOS AUTOS, NÃO INFIRMADAS PELA PARTE RÉ. 9 .PROCEDÊNCIA DO JUDICIUM RESCISSORIUM. (AR 2675 PE, Ac. TRF 500066668, Pleno, dec. unân. De 25/09/2002, DJ de 02/12/2002, pág. 575, Rel. Des. Fed. Francisco Cavalcanti). Impossível negarse a existência de "prejuízo" para a Previdência Social, advindo com a prestação de serviços nos moldes em que feitos, já que não há recolhimento de contribuições previdenciárias na relação havida entre duas pessoas jurídicas. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.721169/201391 Acórdão n.º 2302003.186 S2C3T2 Fl. 304 11 Por derradeiro, é de se ressaltar que a autoridade lançadora não se baseou em meros indícios, mas sim em um conjunto de documentos e outros elementos observados durante a fiscalização. Saliento, ainda, que não ocorreu a despersonificação da pessoa jurídica, mas a análise conjunta da situação fática e de todos os elementos colhidos durante a ação fiscal que permitiu caracterizar os vínculos com a Previdência Social dos segurados que prestavam serviço através das empresa interpostas para com a recorrente. Podese verificar que os serviços prestados estão ligados à atividade meio e fim da autuada, são efetuados nas dependências dessa, mediante remuneração mensal, com caráter não eventual. Também, o Tribunal Superior do Trabalho já se pronunciou pela ilegalidade da contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador, quando existente a pessoalidade e subordinação, como no presente caso. Enunciado do TST Nº 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade Revisão do Enunciado nº 256 O inciso IV foi alterado pela Res. 96/2000 DJ 18.09.2000 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6019, de 3.1.74). Reitero que a desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas quer dizer que a mesma é ineficaz para a prática de determinados atos como a prestação de serviços que aqui se evidenciou. Este auto de infração não está tratando da despersonificação da pessoa jurídica, apenas não está considerando a interposição de pessoa jurídica na prestação de serviços por empregados na atividade fim da recorrente. Apenas para corroborar o entendimento, é de se ver que vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, portanto, constatada divergência entre o que realmente foi ajustado numa determinada relação jurídica e as condições averiguadas na sua execução, deve prevalecer a realidade dos fatos. Quando há discrepância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos, o que vale é a natureza das funções exercidas pelos segurados no caso concreto. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10935.006503/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO - APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN.
O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SIMULAÇÃO - VÍNCULO DE EMPREGO CARACTERIZADO - CONTRATO DE PARCERIA DESCONSIDERADO.
A ocorrência dos requisitos da relação de emprego, pessoalidade, subordinação, não eventualidade e onerosidade estão perfeitamente demonstrados nos autos, ensejando a caracterização de segurados como empregados.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
Salário Educação - Inteligência da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO.
A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA.
A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
APLICABILIDADE DA TAXA SELIC - INTELIGÊNCIA DA SÚMULA Nº 4 CARF.
Pacífica a possibilidade de aplicação da Taxa SELIC em tributos federais, inclusive objeto de entendimento sumulado por este órgão julgado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) rejeitar a arguição de decadência; ii) rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva; iii) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e iv) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO VÍNCULO DE EMPREGO CARACTERIZADO CONTRATO DE PARCERIA DESCONSIDERADO. A ocorrência dos requisitos da relação de emprego, pessoalidade, subordinação, não eventualidade e onerosidade estão perfeitamente demonstrados nos autos, ensejando a caracterização de segurados como empregados. SALÁRIO EDUCAÇÃO Salário Educação Inteligência da súmula 732, do Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da contribuição. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO. A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 65 03 /2 01 0- 81 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC INTELIGÊNCIA DA SÚMULA Nº 4 CARF. Pacífica a possibilidade de aplicação da Taxa SELIC em tributos federais, inclusive objeto de entendimento sumulado por este órgão julgado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) rejeitar a arguição de decadência; ii) rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva; iii) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e iv) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração sob Mandado de procedimento Fiscal (MPF) nº 0910100.2010.004835 e DEBCAD n° 37.298.2832, tendo como objeto às contribuições patronais devidas para outras entidades ou fundos (terceiros), incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, no período de apuração compreendido entre 01/2005 a 12/2007, cuja ciência foi obtida pela ora Recorrente em 14/10/2010. Inferese que o crédito tributário tem origem na transferência simulada de empregados da empresa Diplomata S/A Industrial e Comercial, tributada pelas contribuições previdenciárias sobre a folha de salários, para a Diplomata Agro Avícola, pessoa jurídica sujeita à tributação sobre a produção rural. Os fatos geradores do presente auto foram separados por código, da seguinte forma: F1 Folha empregados não inscritos: contribuição previdenciária incidente sobre remuneração paga aos trabalhadores da DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 531; F2 Folha empregados não inscritos 507: contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores que são segurados empregados da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA., e pela atividade que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 507; F3 Folha empregados não inscritos 531: competência de 13/2007 referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 531; F4 Folha empregados não inscritos 507: competência de 13/2007 referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores da empresa DIPLOMATA S/A INDUSTRIAL E COMERCIAL, mas que estavam registrados na empresa DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA e de acordo com as atividades que desenvolviam, estão vinculados ao FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 507; Segundo o relatório fiscal (fls. 31/47): ü a empresa Diplomata S/A Industrial e Comércio, sempre se enquadrou no FPAS 507 ou 531, recolhendo as contribuições patronais sobre a folha de pagamento de seus Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 empregados, até que, em 10/2001, grande parte de seus empregados foram transferidos para a empresa Diplomata Agro Avícola, se enquadrou na FPAS 604 e 744; ü após as transferências verificouse uma sensível diminuição na soma dos valores recolhidos pelas duas empresas, embora o número de empregados tenha permanecido constante no início, e aumentado no decorrer do período; ü analisando a composição societária, dados cadastrais e endereço (fls. 34/35), constatou se que no mesmo endereço da matriz da empresa Diplomata Agro Avícola funciona uma filial da Diplomata S.A Industrial e Comercial, bem como no mesmo endereço de uma filial da empresa Diplomata Agro Avícola, funciona outra filial da Diplomata S.A Industrial e Comercial. Portanto, a empresa Diplomata Agro Avícola não possui nenhuma sede própria; ü analisando os documentos apresentados pela Recorrente no curso da fiscalização, tais como fichas de registro de empregados, livros contábeis, GFIP Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social, constatouse que a empresa Diplomata S/A Industrial e Comercial era quem cuidava de toda a parte de recursos humanos e de contabilidade da Diplomata Agro Avícola. Além disso, observouse que o principal sócio e administrador das duas empresas é o Sr. Jacob Alfredo Stoffels Kaefer; ü as empresas Diplomata Agro Avícola e Diplomata S/A Industrial e Comercial firmaram "contrato de parceira rural integrada" com o objetivo único de fornecimento de mãodeobra da primeira para a segunda. Verificouse que os trabalhadores da empresa Diplomata Agro Avícola não desempenhavam atividades de produção rural, mas funções ligadas à empresa Diplomata Industrial e Comercial (processos de industrialização de frango e produção de ração), conforme fls.36/37; ü no ano de 2007, ao término da suposta parceria, verificouse caminho inverso, pois quase a totalidade dos empregados da empresa Diplomata Agro Avícola retornaram para a Diplomata S/A Industrial e Comercial. Novamente a mudança foi apenas na parte documental, pois os empregados continuaram exercendo as mesmas funções, no mesmo local e da mesma forma que sempre exerceram; ü com base na análise dos documentos contábeis e conforme confirmado pela própria Diplomata Agro Avícola, a empresa não possuía: (i) imóveis, veículos ou qualquer outro equipamento no ativo imobilizado; (ii) movimentos em conta caixa ou conta bancos (não possuía sequer conta corrente bancária); (iii) todos os custos da empresa Diplomata Agro Avícola são representados por salários, encargos trabalhistas e previdenciários, ou seja, a empresa praticamente não tem qualquer outro custo ou despesa com instalações, manutenção, ou mesmo outras despesas operacionais (tais como aluguel, energia, água, telefone); ü verificouse que os pagamentos de todas as despesas, e em especial dos salários dos empregados que estavam registrados na Diplomata Agro Industrial, sempre foram feitos diretamente pela Diplomata S/A Industrial e Comercial, através de transferência bancária direta aos empregados ou através de recursos do seu caixa; ü além das evidências acima mencionadas, que já demonstram que os empregados registrados na Diplomata Agro Avícola eram, na verdade, empregados da Diplomata S/A Industrial e Comercial, essa situação foi também comprovada "in loco" pela Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 4 5 Fiscalização do Ministério do Trabalho, tendo sido lavrado o Auto de Infração N° 011755504. Diante de todas essas circunstâncias, a Autoridade concluiu que os empregados formalmente registrados na empresa Diplomata Agro avícola mantinham, na prática, vínculo de emprego com a empresa autuada. Ou seja, concluiu que a autuada simulou a existência de registros de empregados na empresa Diplomata Agro Avícola para diminuir, de forma evasiva, a sua carga tributária. O Auto de Infração foi então lavrado em nome da empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial, considerando como base de cálculo as informações constantes das folhas de pagamento e de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social da empresa Diplomata Agro Avícola. Para aplicação da multa, utilizouse da inteligência do art. 106, II, c, do CTN, sendo aplicada a multa menos gravosa, qual seja, a prevista na legislação vigente à época do fato gerador (Lei 8.212/91) em detrimento a penalidade disposta na MP 449. Devidamente intimada em 14/10/2010, a empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial apresentou impugnação às fls. 50/107, tempestivamente, alegando em sede preliminar: Decadência do crédito tributário, uma vez que a ciência do contribuinte ocorreu em 14/10/2010 e as contribuições exigidas são de 01/2005 a 12/2007; Que deveria figurar apenas como devedora solidária e não como devedora principal, razão pela qual o lançamento deveria ser nulo. Nulidade por insuficiência de fundamentação na autuação, considerando que não foram descritos pormenorizadamente os fatos e a incidência de tais fatos nas hipóteses genericamente previstas em leis. Defende ainda a nulidade da autuação sob a alegação de que não se vislumbra nos autos a forma como foram realizados os cálculos, o que acabou por violar o direito de ampla defesa. No mérito, o contribuinte, ora Recorrente, alegou, em síntese: inconstitucionalidade do salário educação; inconstitucionalidade do adicional do SEBRAE, uma vez que teve sua criação através de lei ordinária e não de lei complementar como dispõe a Constituição; inconstitucionalidade da exigência do INCRA, uma vez que suas funções foram atribuídas a um novo órgão – o SENAR; pelo contrato de parceriarural e parceriaruralintegrada, a empresa Diplomata Agro Avícola se responsabiliza pela criação dos frangos de corte, fornecendo pessoal, energia elétrica, água, materiais de consumo, limpeza e material de formação de cama para aves, cabendo a Diplomata S.A a aquisição do resultado da produção; a atividade da empresa Diplomata Agro Avícola resumese à produção rural própria e integrada de ovos férteis, criação de pintos de um dia e aves in natura; ao passo que a Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial se dedica a produção e industrialização de produtos rurais; o lançamento não pode se basear em incertezas, mas em provas robustas; se comprometeu, por meio do contrato de parceria, a garantir recursos financeiros (empréstimos) a título de adiantamento para que a própria Diplomata Agro Avícola pudesse arcar com parte de suas despesas de custeio, entre elas de transporte, medicamentos, água, luz entre outras atividades inerentes. Em razão disso, a Diplomata S.A tornouse credora dos valores adiantados. a multa aplicada é confiscatória e, portanto, inconstitucional. Ademais, alega que a Taxa SELIC não deve ser aplicada, tendo em vista que tem natureza remuneratória e não moratória, devendo ser adotado juros de 1% ao mês, previstos no art. 161, §1º do CTN. Ao apreciar a impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Curitiba (PR) julgoua totalmente improcedente, mantendo incólume o crédito tributário, nos termos do acórdão abaixo ementado: Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo de decadência para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando comprovadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. SIMULAÇÃO. VÍNCULO DE EMPREGO. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Atendidas as condições legais, pode a fiscalização desconsiderar o vínculo pactuado e proceder a caracterização do trabalhador como segurado empregado. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. É vedado a autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação, por inconstitucionalidade de tratado,acordo, tratado internacional, lei decreto ou ato normativo. SALÁRIOEDUCAÇÃO.SÚMULA STF. È constitucional a cobrança da contribuição do salário educação é constitucional, conforme pacificado pela Súmula 732 do STF. INCRA. EXIGIBILIDADE. SENAR. A contribuição destinada ao INCRA não foi revogada pela instituição da contribuição ao SENAR, visto que as citadas contribuições possuem natureza e destinações distintas. SEBRAE. EXIGÊNCIA POR LEI ORDINÁRIA. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 5 7 É constitucional a cobrança de contribuição destinada ao SEBRAE por lei ordinária. Impugnação Improcedente Intimada em 08/04/2011 (fl.123) da decisão proferida pela primeira instância administrativa, e irresignado com a mesma, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, às fls.124/184, em 10.05.2011, reiterando todos os argumentos já apresentados na impugnação. É o relatório. Decido. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Decadência Preliminarmente, alegou a Recorrente, com base na previsão contida no art. 150, § 4º, do CTN, que o crédito tributário ora em comento resta decaído, tendo em vista que o Auto de Infração tem a competência compreendida entre 01/2005 a 12/2007, tendo o contribuinte tomado ciência em 14/10/2010. Da análise das provas carreadas no Auto de Infração, percebese como veremos adiante que houve simulação praticada pelo contribuinte, ora Recorrente, de modo que o prazo decadencial passa a ter início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em se tratando de tributos cujo lançamento se dá por homologação, o prazo para a homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerandose extinto o crédito quando decorrido o prazo sem o pronunciamento da fazenda. É o que preconiza o art. 150, § 4º, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Da análise da parte final do dispositivo acima transcrito, constatase que o prazo decadencial na hipótese dos autos, simulação, será regido pela regra geral do art. 173, I, do CTN. Dito isto, levando em consideração que o Auto de Infração referese a contribuições patronais destinadas a Seguridade Social, de competências compreendidas entre 01/2005 a 12/2007, não há que se falar em decadência uma vez que, nos termos do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial da primeira competência lançada teve início em 01/2006 (exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), findandose em 31/12/2010. Como o crédito tributário foi constituído em 14/10/2010 (ciência da recorrente), não há que se falar em escoamento do prazo decadencial. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 6 9 Assim, rejeitase a preliminar de decadência, suscitada pela Recorrente. ILEGITIMIDADE PASSIVA No que toca a preliminar de ilegitimidade passiva, sustenta a Recorrente que, por não ser a devedora principal do lançamento, apenas poderia ser incluída no pólo passivo da autuação como devedora solidária, em razão de pertencerem ao mesmo grupo econômico da Empresa Diplomata Agro Avícola. Não merece prosperar o quanto alegado pela Recorrente, a um porque como veremos no mérito do voto, o contrato de parceria não passou de uma mera simulação entre as empresas; a duas, porque em se tratando de empresas de um mesmo grupo econômico, como alegado pela própria Recorrente, há solidariedade na arrecadação e recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 30, IX da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Assim, poderia o Fisco exigir o cumprimento da obrigação tributária de ambos ou devedores ou de apenas um deles, cabendo àquele que cumprir a obrigação o direito de regresso contra o outro devedor solidário. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa sobre o assunto: (CARF Segunda Seção MATÉRIA: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF ação fiscal ACÓRDÃO: 2302002.634 Data de decisão: 14/08/2013) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/2003 GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DO TRIBUTO. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, que impõe a responsabilidade solidária das empresas do mesmo grupo econômico pelo pagamento das contribuições previdenciárias, deve ser interpretado conforme os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da matéria, quais sejam, os arts. 124 e 128. Restando comprovado pela fiscalização que as empresas apontadas como co responsáveis compartilhavam de quadro de pessoal e de mesma direção, controle ou administração, devem ser consideradas como solidariamente responsáveis. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. ART. 133 DO CTN. ESTABELECIMENTO COMERCIAL OU FUNDO DE COMÉRCIO. A legislação tributária prevê a responsabilidade por sucessão tanto na hipótese de transferência do fundo de comércio, quanto na transferência de estabelecimento comercial, sendo este, nos termos do art. 1.142 do CC/02, o complexo de bens destinados ao exercício da empresa, enquando aquele é o sobrevalor Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 atribuído ao estabelecimento, em decorrência de sua perspectiva de produzir resultados. Dessa forma, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pelo Recorrente. DA ALEGADA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Em suas razões de recurso, alega a Recorrente que os fatos que deram origem ao lançamento não forma pormenorizados nem apresentados cálculos explicativos de como a Autoridade chegou ao valor lançado. Não merece prosperar a alegação da Recorrente, uma vez que o relatório Fiscal apresenta de forma detalhada os fatos que ensejaram a autuação, os fundamentos legais e a apuração dos créditos tributários, como bem ressaltou a decisão proferida pela DRJ: Observase dos autos que a autoridade lançadora esmerouse em subsumir com excelência o fato à norma, elaborando um minucioso relatório fiscal, demonstrando ao contribuinte o que deve e por que deve. O relatório fiscal e anexos detalha com meridiana clareza os fatos geradores (remunerações pagas a segurados empregados), a origem da apuração do crédito (GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e folha de pagamento da empresa Diplomata Agro Avícola em razão da simulação) e citação dos dispositivos legais que regem a matéria tributável. Ademais, o auto de infração destacou que o crédito tributário foi apurado com base na GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e folhadepagamento da empresa Diplomata Agro Avícola. A referida documentação, aliás, é de inteiro conhecimento da autuada, já que os setores contábil e de recursos humanos da Empresa Diplomata Agro Avícola responsável pela confecção das GFIP e folhas de pagamento eram centralizados na própria empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial, não podendo, desse modo, alegar ignorância dos fatos geradores. Por sua vez, o DD Discriminativo do Débito, aponta além da base de cálculo, as alíquotas aplicadas, os crédito e deduções aproveitadas, a incidência de juros e multa, explicitando, assim, a apuração do cálculo tributário, tudo em consonância as exigências prescritas no art. 142 do CTN (...) Portanto, não merece acolhida a alegação da Recorrente de nulidade da autuação por insuficiência de fundamentação ou por falta de clareza da apuração do crédito tributário lançado. DA SIMULAÇÃO No mérito, por entender que o voto proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ se posicionou de forma clara e precisa sobre a existência de simulação no negócio jurídico firmado entre as empresas Diplomata S.A Industrial e Comercial e Diplomata Agro Avícola, bem como considerando que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer argumento ou elemento novo no Recurso Voluntário ora apreciado, apenas limitando Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 7 11 se a reproduzir os argumentos já aventados na impugnação, utilizo os fundamentos expostos pela decisão de 1ª instância, os quais se encontram abaixo transcritos: “A empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial em razão de suas atividades econômicas (industrialização e comercialização de produtos rurais) estabelecidas no art.3° do seu Estatuto Social, encontrase vinculada aos códigos de FPAS 507 e 531, contribuindo desse modo, sob sua folhadepagamento.A empresa Diplomata Agro Avícola, por sua vez, motivada pelo seu objeto social (produção avícola), tem sua tributação substituída pela comercialização rural. A partir de 10/2001 a maioria dos trabalhadores da empresa Diplomata Industrial foram transferidos para a empresa Diplomata Agro Avícola. Desde então, novos trabalhadores passaram a integrar os quadros da Diplomata Agro Avícola. Não obstante por meio da formalização de um "contrato de parceria rural integrada" firmado entre as citadas empresas, os trabalhadores formalmente registrados na empresa Diplomata Agro Avícola (parceiraoutorgada) continuaram prestando serviços à empresa Diplomata S.A Industrial e Comercial. A autuada ao proceder o registro da maior parte dos empregados na Diplomata Agro Avícola, empresa enquadrada no regime de contribuição substituída pela comercialização rural, passava a se beneficiar, dessa sistemática contributiva mais favorecida. Ao passo que, mantendo baixa massa salarial na empresa notificada, reduzia seus encargos tributários sobre a folhade pagamento. Os contornos descritos de uma aparente normalidade de planejamento tributário, se revelaram em sua essência, no entanto, um condenável expediente de evasão fiscal. Isso porque, embora presente a formalização de um contrato de parceria rural, os trabalhadores transferidos para a empresa Diplomata Agro Avícola permaneceram executando suas atividades nas dependências da antiga empregadora, nas mesmas funções e em condições idênticas de labor desempenhados anteriormente. Vale dizer, a empresa Diplomata S.A. continuou dirigindo e controlando a execução dos serviços prestados pelos empregados da empresa "parceira", estabelecendo, desse modo, autêntica relação empregatícia com esses mesmos trabalhadores. O art.149 do CTN, em casos dessa natureza, traz a possibilidade do Fisco realizar o lançamento de ofício: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administJativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Logicamente, o lançamento pressupõe a reunião de provas com o propósito de demonstrar a ocorrência da simulação para beneficiar o sujeito passivo. Certo de que a simulação deixa rastros, cabe ao Fisco reunir os elementos indiciários e promover a exigência devida. A propósito, Galvão Telles disserta com propriedade a respeito do tema: "A simulação deixa quase sempre vestígios que a denunciam: há fatos, circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou indícios do caráter ficticios ou imaginário de um ato jurídico. (...) A simulação representa um esforço de construção artificial, distanciada e deformada da realidade, e raras vezes essa construção será um todo lógico e coerente, que forme cobertura completa de fatos. A verdade vem à superfície e denunciasse através de brechas daquela construção. Os indícios que fazem presumir a simulação serão particularmente convincentes se se tornar aparente motivo simulatório".(Manual dos Contratos em geral. P. 172/174)': No caso, entendo que elementos contidos nos autos são bastantes persuasivos em retratar a ocorrência do simulacro empregado pela empresa, objetivando se esquivar de suas obrigações previdenciárias. Vejamos: Natureza das atividades desenvolvidas A empresa Diplomata Agro Avícola (parceiraoutorgada), sob a roupagem de "parceria rural integrada" como dito, passou a ceder sistematicamente seus trabalhadores a notificada. Consoante se verifica das fichas de registros de empregados, os trabalhadores desempenhavam as mais variadas funções: motorista, auxiliar de câmera fria, auxiliar de produção de sala de corte, atendente de portaria em depósito de fábrica de ração, operador de secador em fábrica de ração, operador de caldeira, encarregado de evisceração, encarregado de miúdo, encarregado de sala de embalagem, etc. A natureza dos serviços descritos não só se mostramse incompatíveis com o objeto da empresa Produtora Rural (atividades rurais), como se afeiçoam necessárias às atividades industriais (atividades de frigoríficos, abaste de aves e fabricação e comercialização de ração) do contribuinte. Por outro lado, os serviços acima descritos se mostraram distanciados, outrossim, do próprio objeto contratual da parceria, qual seja de produção de pintos de corte de um dia (Cláusula primeira do contrato de parceria rural, fls.157). Aliás, a autoridade lançadora bem destacou essa situação em seu relatório fiscal: Essa simulação fica ainda mais clara quando se observa que na realidade os funcionários da empresa Diplomata Agro Avícola Ltda, nunca exerceram as atividades previstas nos contratos de parceria, mas sim sempre trabalharam nos frigoríficos e na fábrica de ração da empresa Diplomata S/A Industrial e Comercial, exercendo funções relacionadas a atividade industrial desta empresa, e não atividades rurais relacionadas ao contrato de parceria e ao suposto objeto social da Diplomata Agro Avícola. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 8 13 Ora, resta evidente o desvio de finalidade do contrato dito de "parceria rural integrada". Os préstimos habitualmente desempenhados pelos supostos rurícolas, em sua imensa maioria, são estranhos à atividade tipicamente de produção rural. Desse modo, o desenvolvimento de atividades de comercialização e industrialização pelos trabalhadores da "empresa outorgada" atua como fator desqualificante da parceria rural. Por outro lado, se observa que os segurados empregados laboravam nas dependências da empresaoutorgante, como se contrato de cessão de mãodeobra fosse. Terceirização, portanto, irregular, visto que era permeada pela submissão dos trabalhadores aos controles da notificada, bem como ligada a atividade fim do empreendimento e não as de meio. A propósito, a terceirização de atividades necessárias e permanentes para manutenção da empresa contratante e, portanto, não limitadas as de meio , nos termos do enunciado da Súmula 331 do TST, autoriza a formação do vínculo com a tomadora. I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandSse o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário. III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei n° 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta Aliás, o Ministério do Trabalho em verificação in loco, observou essa grave ocorrência e noticiou a existência das irregularidades à Receita Federal do Brasil por meio da Representação n°706/2007 encaminhado pelo ofício MPT/PRT 12/SC/SC/Chapecó n°56072007. A autoridade do Ministério do Trabalho, lavrou, ainda, na oportunidade, o Auto de Infração n° 011755504, pelo fato da empresa admitir ou manter empregados sem o respectivo registro no livro de empregados. É pertinente a transcrição do conteúdo do Auto de Infração a esse respeito: "Em fiscalização na empresa ficou constatado que a mesma utiliza na execução de sua atividade fim, atividade frigorífica com abate de aves e fábrica e transporte de ração, empregados que não estão devidamente registrado no seu quadro de empregados. A Autuada vem utilizado em números de 30.04.2007, 1.025( mil e vinte cinco) empregados de outra empresa para realizar suas atividades. A empresa "prestadora" que mantêm o vínculo de emprego (registro) dos referidos empregados é a DIPLOMATA AGRO AVÍCOLA LTDA, CNPJ 03.720.774/000266. Esta empresa temse configurado nesta relação com autêntica intermediadora de mãodeobra. (...) Não foi apresentado contrato de prestação de serviços entre a autuada e a Diplomata Agro Avícola, mas ressaltasse que mesmo que este exista a terceirização terseia como ilícita de acordo como entendimento expressado pelo TST na súmula 331, em que fica claro ser ilícita a terceirização de atividade fim da empresa, como as de abate de frangos e transporte de ração que figuram no objeto social da autuada.” O contrato de parceria como apresentado afigurase como instrumento ilícito de redução de carga tributária, visto que a empresa autuada se beneficiava da mãodeobra intermediada Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 por outra, sem pagar o correspondente tributo (contribuição incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados). Nesse panorama, o vínculo previdenciário se forma com a empresa autuada, sendo, portanto, correto imputar lhe o crédito tributário. Centralização administrativa, financeira e patrimonial e risco do Empreendimento. Foi constatado pela autoridade lançadora que o controle de pessoal, contábil, administrativo e financeiro da Diplomata Agro Avícola Ltda eram exercidos pela empresa Diplomata Industrial e Comercial; situação reveladora de uma única empresa e, por conseguinte, de um só empregador. Registrese que não é aceitável o argumento da empresa de que a concentração desses setores internos se justifica em razão da existência de grupo econômico, com objetivo de racionalizar custo. Ora, como dito alhures nesse voto, direção comum de empresas com personalidades jurídicas distintas pressuposto do grupo econômico não é sinônimo de confusão patrimonial, financeira, contábil e de pessoal entre empresas. Por outro lado, observase que a empresa Diplomata Agro Avícola não, apresentou patrimônio e capital suficientes para gerir suas atividades empresariais. Tal fato foi confirmado pela própria empresa que, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal apresentou declaração, com data 05/04/2010, informando que: 1) Não possui Imóveis integrando o seu Ativo imobilizado. 2) Não possui Veículos Integrando o seu Ativo Imobilizado. 3) Não possui Arquivos de Controle Patrimonial. 4) Não possui conta Bancária. Ademais, a sede e filiais da empresa Diplomata Agro Avícola foram constituídas, conforme consta do item 15 e 16 do Relatório Fiscal, nos mesmos endereços da empresa autuada, que, por si só, caracteriza um forte indício de se tratar de um mesmo estabelecimento produtivo. Além da empresa não possuir registros em seu ativo permanente, não apresentou qualquer autonomia financeira. Aliás, revelou se, peculiar o fato da empresa não apresentar conta bancária ou mesmo dinheiro em espécie registrado em seu caixa para fazer frente as suas despesas dependendo, para tanto, de recursos financeiros da Diplomata S/A Industrial. É pertinente transcrever as observações da autoridade lançadora contida em seu Relatório Fiscal a esse respeito: Além da ausência de ativo permanente que representa o patrimônio da empresa, a Diplomata Agro Avícola não possui autonomia financeira, dependendo dos recursos da Diplomata S/A Industrial para pagar suas despesas, inclusive salários, ressaltandose o fato de sequer possuir conta bancária. (...) Por não possui conta bancária, seria normal supor que os recursos utilizados nas suas atividades fossem movimentos através do caixa, ou seja, em espécie. Entretanto conforme se observa pela análise de seus livros contábil (Diário e Razão) a empresa não possui Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 9 15 nenhum lançamento na conta "Caixa ". De acordo com as normas contábeis, a conta "Caixa ", pertence ao grupo de contas do Ativo Circulante onde são registrados os ativos financeiros da empresa, que possuem liquidez imediata, em outras palavras, "dinheiro em espécie ". E continua: Ou seja, o fato de não possuir conta bancária e não possuir "Caixa " significa dizer que a empresa Diplomata Agro Avícola nunca movimentou nenhum recurso financeiro por conta própria. Destacase que o pagamento dos salários dos empregados registrados na empresa Diplomata Agro Avícola, aliás, era feito diretamente pela empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial, através de transferência bancária direta aos empregados ou recursos de seu caixa. O pagamento de despesas operacionais, inclusive das remunerações dos trabalhadores, sinalizam que os riscos de toda atividade produtiva era assumido apenas pela empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial. Ora, a transferência completa dos riscos da atividade econômica é incompatível com a ideia de autonomia empresarial que se espera de uma pessoa jurídica. Entendo que a onerosidade suportada pela empresa autuada, nessas circunstâncias, revela sua faceta empregadora e, portanto, sujeito passivo das contribuições sociais apuradas. Destacase que não é crível imaginar qual empresa, na prática, aceitaria assumir até R$3.000.000,00 a título de pagamento de salários dos funcionários de outra empresa, bem como o pagamento de tributos e demais despesas operacionais (disposições contidas nos arts. 1º e 2º do contrato de parceria) a uma empresa que possui capital social de apenas R$50.000,000 (capital social estabelecido no Contrato Social) e apresenta sistematicamente receita incompatível para honrar seus compromissos. A empresa Diplomata Agro Avícola, mesmo estando registrada nos órgãos competentes e adquirida personalidade jurídica de sociedade empresarial, não apresentou todos os elementos que são gerados quando da criação da pessoajurídica, quais sejam: patrimônio e domicílios próprios. Assim, entendo que a empresa autuada é a única empregadora que se utiliza da forçade trabalho alheia como fator de produção. Registrese que em visita realizada pela fiscalização nas dependências das empresa autuada, foi constatado que os empregados formalmente registrado na empresa Diplomata Agro Avícola encontravamse uniformizados e com identificação no crachá da empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial, o que torna inobjetável com quem o vínculo de subordinação jurídica era estabelecido. Concluise, portanto, que o contrato firmado de parceria rural integrada, foi criada com intuito de ocultar o verdadeiro sujeito Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 passivo e mascarar a ocorrência dos fatos geradores, devendo, assim ser desconsiderado. Vínculo de emprego A autoridade lançadora entendendo que os vínculos de emprego formalizados com a empresa Produtora Rural são reconhecidamente, na prática, da empresa Diplomata S.A. Industrial e Comercial, adotou o procedimento descrito no art. 229 do Decreto Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Dec.3048/99 , in verbis: Art. 229(...J §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado." A Lei n° 8.212/91, por sua vez, dispõe a respeito da condição de segurado empregado: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Assim, cabe destacar didaticamente os elementos indicativos do vínculo de emprego autorizadores do lançamento. Onerosidade Como restou demonstrado, a empresa autuada era quem diretamente assalariava os empregados da outra, por meio de transferência bancária. Não eventualidade Para fins previdenciários, considerase serviço prestado em caráter não eventual, aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, conforme art.9°, § 4 o do regulamento aprovado pelo Dec.3048/99. Conforme demonstrado nos autos, a mãodeobra foi alocada em atividade necessária a realização do objeto social da empresa autuada a saber: atividade de frigorífico, abate de aves e outras atividade industriais da empresa. Subordinação — Os trabalhadores exerciam atividades industriais e comerciais nas dependências da autuada, estando, inclusive, devidamente uniformizados e identificados como empregados da empresa Diplomata Industrial e Comercial. Desse modo, se apresentavam para o público em geral como empregados da empresa autuada e como tal devem ser considerados. O controle das atividades laborais eram realizado pela autuada, visto que serviços executados pelos trabalhadores se relacionavam ao seu objeto social. Destacase que a Diplomata Agro Avícola não possui condições de suportar os encargos com a massa salarial e nem os riscos do empreendimento como um todo, fazendo a Diplomata S.A. Industrial as suas vezes. A constatação do Ministério do Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 10 17 Trabalho, igualmente, robustece a existência da relação empregatícia entre a empresa autuada e os empregados registrados na empresa Diplomata Agro Avícola Ltda. O conjunto probatório é, portanto, particularmente convincente em demonstrar o uso de ardil pela autuada para obter uma vantagem tributária que não seria obtida pelas vias normais. Desse modo, entendo, que o lançamento não merece qualquer reparo. De fato, a Fiscalização levantou diversos elementos que comprovam a existência de simulação no negócio jurídico firmado entre as empresas, dentre os quais destacamse: ü as empresas funcionam nos mesmos endereços; ü o principal sócio e administrador das duas empresas é a mesma pessoa Sr. Jacob Alfredo Stoffels Kaefer; ü os trabalhadores da empresa Diplomata Agro Avícola não desempenhavam atividades de produção rural, mas funções ligadas à empresa Diplomata Industrial e Comercial (processos de industrialização de frango e produção de ração); ü com base na análise dos documentos contábeis e confirmado pela própria Diplomata Agro Avícola, a empresa não possuía: (i) imóveis, veículos ou qualquer outro equipamento no ativo imobilizado; (ii) movimentos em conta caixa ou conta bancos (não possuía sequer conta corrente bancária); ü todos os custos da empresa Diplomata Agro Avícola são representados apenas por salários, encargos trabalhistas e previdenciários, sendo que a empresa praticamente não possuía qualquer outro custo ou despesa com instalações, manutenção, ou mesmo outras despesas operacionais (tais como aluguel, energia, água, telefone); ü até mesmo os salários dos empregados da Diplomata Agro Avícola eram pagos pela Diplomata S/A Industrial e Comercial; Além de todas essas evidências, o Fiscal autuante ainda demonstrou que essa situação foi também confirmada "in loco" pela Fiscalização do Ministério do Trabalho, devidamente formalizada no Auto de Infração N° 011755504, lavrado pela referida instituição. Diante de todo manancial probatório que foi levantado pelo Auditor Fiscal autuante, resta evidenciado que os empregados registrados na Diplomata Agro Avícola eram, na verdade, empregados da Diplomata S/A Industrial e Comercial, e, portanto, a existência de simulação na “parceria rural” firmada por essas empresas. SEBRAE Não merece prosperar a alegação de necessidade de lei complementar para instituição da contribuição para o SEBRAE. Isso porque, o STF já decidiu que a contribuição para o SEBRAE é contribuição de intervenção no domínio econômico (art. 149, caput, da CF/88). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 Da mesma forma, o STF, também pacificou o entendimento de que não é necessária lei complementar para que seja instituída contribuição de intervenção no domínio econômico – CIDE. Daí que, logicamente, tendo a contribuição destinada ao SEBRAE natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, não há que se falar em observância ao art. 146, III, da CF: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. As contribuições do art. 149, C.F. contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de “outras fontes”, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. III. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. R.E. conhecido, mas improvido” (DJ 7.5.2004). (STF RE: 564901 RJ , Relator: Min. CÁRMEN LÚCIA, Data de Publicação: DJe231 DIVULG 09/12/2009 PUBLIC 10/12/2009). Assim, não há que se falar em ilegalidade da cobrança da contribuição ao SEBRAE, pois desnecessária lei complementar para sua instituição. INCRA No que toca a contribuição destinada ao INCRA, não há que se falar em substituição dessa pela contribuição ao SENAR. Isso porque, a constitucionalidade da contribuição destinada ao INCRA já foi objeto de recurso representativo de controvérsia, sujeito ao procedimento do art. 543C do CPC. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 11 19 A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori, infungíveis para fins de compensação tributária. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o themaiudicandum, impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois porcento) – destinada ao Incra– não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 20 distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. (RECURSO ESPECIAL Nº 977.058 –RS (2007/01903560) RELATOR: MINISTROLUIZ FUX) Assim, em observância ao art.62A do regimento Interno desse Conselho, o entendimento da jurisprudência deve ser observado, conforme abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, entendo pelo cabimento da cobrança da contribuição destinada ao INCRA. SALÁRIO EDUCAÇÃO Com relação ao salário educação, cumpre salientar que ele já foi julgado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive em sede de Ação Declaratória de Constitucionalidade, com decisão com efeito vinculante, eficácia “erga omnes” e aplicação “ex tunc”, tendo sido pacificado o entendimento de que sua cobrança é constitucional, por meio da Súmula nº 732 do STJ, vejamos: É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1998 e no regime da lei 9.424/1996. MULTA A Recorrente alega que a multa aplicada é confiscatória e, portanto, inconstitucional. No entanto, a análise dessa alegação não é cabível nessa instância, pois o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sedimentado na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS Por fim, no que toca a incidência da Taxa SELIC, alegou a Recorrente que ensejaria enriquecimento ilícito por parte da União, uma vez que está tem natureza Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10935.006503/201081 Acórdão n.º 2401003.365 S2C4T1 Fl. 12 21 remuneratória e não moratória, conforme circular do BACEN 2868/99, ofendendo o princípio da legalidade e capacidade contributiva, implicando em efeito confisco. Sobre a aplicabilidade da Taxa SELIC, esse Egrégio Conselho já pacificou as discussões, conforme sedimentado na Súmula n°4: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nessa esteira de pensamento, não há que se afastar a aplicabilidade da Taxa SELIC, estando esta em conformidade com o ordenamento jurídico. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, julgando totalmente PROCEDENTE o Auto de Infração DEBCAD n° 37.298.2832. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 16004.720646/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/05/2011
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA.
Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA QUANDO PEDIDO DE PERÍCIA VÁLIDO NÃO É APRECIADO.
A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. No caso dos autos, não vislumbramos motivos para a declaração de nulidade.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado.
Numero da decisão: 2301-004.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer somente da questão de mérito, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões suscitadas, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/05/2011 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA QUANDO PEDIDO DE PERÍCIA VÁLIDO NÃO É APRECIADO. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. No caso dos autos, não vislumbramos motivos para a declaração de nulidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 834 1 833 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720646/201178 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301004.000 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria CONT PREV. AQUISIÇÃO PRODUTO RURAL PF Recorrente FRIGOESTRELA S/A EM RECUP JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/05/2011 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA QUANDO PEDIDO DE PERÍCIA VÁLIDO NÃO É APRECIADO. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. No caso dos autos, não vislumbramos motivos para a declaração de nulidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 06 46 /2 01 1- 78 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16004.720646/201178 Acórdão n.º 2301004.000 S2C3T1 Fl. 835 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer somente da questão de mérito, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões suscitadas, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16004.720646/201178 Acórdão n.º 2301004.000 S2C3T1 Fl. 836 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. Conforme consta do relatório do Acórdão a quo: Os fatos geradores das contribuições sociais decorrem da comercialização de produtos rurais (bovinos e suínos para abate) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas no período (...), não declarados em GFIP. O lançamento apresenta os seguintes valores: DEBCAD 51.013.2286: R$21.381.961,81 DEBCAD 51.013.2294: R$2.015.964,60 Os valores comercializados foram extraídos das Notas Fiscais de Entrada, Livro de Registro de Entrada de Mercadorias e confirmadas através dos lançamentos contábeis nos Livros Diários e Razão, conforme planilhas anexas ao processo, elaboradas pela fiscalização. Após tomar ciência pessoal da autuação em 02/01/2012, fls. 702, a recorrente apresentou impugnação, fls. 704/764, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 720/723, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 29/10/2012, fls. 773. O recurso voluntário, apresentado em 26/11/2012, fls. 776/791, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta a nulidade da decisão de primeira instância por ter faltado análise de todos os pontos de sua impugnação e por ter feito referência a período distinto daquele lançado. Prossegue com discussões a respeito da aplicação do art. 30, inciso IV da Lei 8.212/91, incluindo ilegalidade e inconstitucionalidades. Alega que no levantamento teriam sido incluídas pessoas jurídicas e não somente pessoas físicas. Discute a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei 8.212/91. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16004.720646/201178 Acórdão n.º 2301004.000 S2C3T1 Fl. 837 4 Esta Turma converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução de fls. 807/808, para que fosse juntada a petição inicial da ação judicial suscitada no Relatório Fiscal. Cumprida a diligência, retornam os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16004.720646/201178 Acórdão n.º 2301004.000 S2C3T1 Fl. 838 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento em parte, por conta da concomitância Concomitância entre processo administrativo e processo judicial. Renúncia às instâncias administrativas em relação às matérias idênticas. Súmula CARF Nº 1. Conforme apurado em Diligência, a recorrente impetrou o Mandado de Segurança 000323786.2010.4.03.6106 que trata de algumas questões suscitadas no Recurso Voluntário. Assim deve ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 1, in verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.“ Portanto, a discussão a respeito da aplicação dos arts. 25, incisos I e II, 30, inciso IV da Lei 8.212/91 não pode ser conhecida uma vez que submetida a análise do Poder Judiciário conforme consta de fls. 829. Nulidade da decisão de primeira instância. Inocorrência. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Destacamos que se faz necessário que a omissão esteja relacionada com questão que tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório. O não enfrentamento de alegação sem nenhuma importância para lide ou o acréscimo de algum esclarecimento que não altera o deslinde desta, não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. Na peça recursal, a recorrente pretende a nulidade da decisão a quo por entender ter faltado enfrentamento das questões que apresentou na impugnação. No entanto, parecenos que o decisum a quo enfrentou a questão central que interessava no caso, deixando Fl. 839DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16004.720646/201178 Acórdão n.º 2301004.000 S2C3T1 Fl. 839 6 de apreciar os argumentos de inconstitucionalidade. Ademais, a questão central de mérito nem deveria ter sido conhecida diante da existência de ação judicial com idêntico teor. Logo, afastamos a nulidade requerida. O erro na referência ao período lançado, fls. 721, não comprometeu a compreensão da recorrente a ponto de causar cerceamento de defesa, tendo em conta que em fls. 720 o período de apuração foi anotado corretamente. O erro no levantamento com a inclusão de aquisição de produtos de pessoas jurídicas não ficou demonstrado pela recorrente, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 840DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910080/2011-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/11/2002
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 80 /2 01 1- 00 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910080/201100 Acórdão n.º 3801003.444 S3TE01 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910080/201100 Acórdão n.º 3801003.444 S3TE01 Fl. 113 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910080/201100 Acórdão n.º 3801003.444 S3TE01 Fl. 114 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910080/201100 Acórdão n.º 3801003.444 S3TE01 Fl. 115 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910080/201100 Acórdão n.º 3801003.444 S3TE01 Fl. 116 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910080/201100 Acórdão n.º 3801003.444 S3TE01 Fl. 117 7 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16561.720036/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTIMAÇÃO FICTA REALIZADA NOS AUTOS. NULIDADE. TEMPESTIVIDADE. O fato de que o sujeito passivo estava a receber intimações neste processo em meio físico aliado à necessidade de o Fisco informar ao sujeito passivo o processo em que serão realizadas intimações eletrônicas revelam que a súbita alteração na forma de proceder no que tange às comunicações é geradora de insegurança
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243, de 2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação.
RECURSO DE OFÍCIO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL MANTIDA, MAS HOUVE COMPENSAÇÃO COM RESULTADOS NEGATIVOS DE PERÍODOS ANTERIORES. VALOR EXONERADO ULTRAPASSA O LIMITE DE ALÇADA. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. As compensações de prejuízos devem observar as exonerações promovidas pelo vertente processo, de modo que prejudicado o Recurso de Ofício apresentado nesses autos.
Numero da decisão: 1101-001.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) relativamente ao recurso voluntário: 1.1) por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de intempestividade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, e votando pelas conclusões o Conselheiro José Sérgio Gomes; 1.2) por voto de qualidade, REJEITAR a arguição de ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 1.3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos efeitos de fretes e seguros, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 2) relativamente ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) relativamente ao recurso voluntário: 1.1) por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de intempestividade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, e votando pelas conclusões o Conselheiro José Sérgio Gomes; 1.2) por voto de qualidade, REJEITAR a arguição de ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 1.3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos efeitos de fretes e seguros, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 2) relativamente ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
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INTIMAÇÃO FICTA REALIZADA NOS AUTOS. NULIDADE. TEMPESTIVIDADE. O fato de que o sujeito passivo estava a receber intimações neste processo em meio físico aliado à necessidade de o Fisco informar ao sujeito passivo o processo em que serão realizadas intimações eletrônicas revelam que a súbita alteração na forma de proceder no que tange às comunicações é geradora de insegurança PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243, de 2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. RECURSO DE OFÍCIO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL MANTIDA, MAS HOUVE COMPENSAÇÃO COM RESULTADOS NEGATIVOS DE PERÍODOS ANTERIORES. VALOR EXONERADO ULTRAPASSA O LIMITE DE ALÇADA. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. As compensações de prejuízos devem observar as exonerações promovidas pelo vertente processo, de modo que prejudicado o Recurso de Ofício apresentado nesses autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 36 /2 01 1- 59 Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.031 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) relativamente ao recurso voluntário: 1.1) por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de intempestividade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, e votando pelas conclusões o Conselheiro José Sérgio Gomes; 1.2) por voto de qualidade, REJEITAR a arguição de ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 1.3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos efeitos de fretes e seguros, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 2) relativamente ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Por adequadamente retratar a controvérsia de que aqui se cuida, transcrevo o relatório da r. decisão recorrida, que restou assim lavrado, verbis: Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1353/1364, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, no tocante à legislação dos preços de transferência (verificações relativas ao anocalendário de 2006), constatouse o seguinte: Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.032 3 DAS INFORMAÇÕES GERAIS E DAS INTIMAÇÕES FISCAIS A empresa fiscalizada é voltada para a área de telefonia e, para comercializar e industrializar seus produtos, importa de suas vinculadas no exterior bens para revenda e para industrialização, operações estas sujeitas à aplicação da metodologia do preço de transferência. Porém não foi esta a informação fornecida na DIPJ do ano calendário de 2006, exercício 2007, Ficha 1, Dados Iniciais, onde consta que a empresa mantém comércio com o exterior, no entanto afirma na seqüência que essas operações com o exterior não são decorrentes de operações com Pessoa Vinculada/Interposta Pessoa/País com Tributação Favorecida. E ainda nessa mesma DIPJ a contribuinte não preencheu a Ficha 29A Operações com Exterior Pessoa Vinculada/Interposta/País com Tributação Favorecida; e também não preencheu as Fichas 32 e 33 Operações com o Exterior Importações (Saídas de Divisas) e Operações com o Exterior Contratantes das Importações. Por decorrência, na Ficha 09A da DIPJ do anocalendário de 2006, a empresa não fez nenhuma adição ao lucro líquido a título de preço de transferência. No Termo de Início de Fiscalização, foi solicitado à contribuinte demonstrativo das pessoas vinculadas, indicação dos métodos de preço de transferência adotados e memórias de cálculo. A empresa enviou, então, correspondência na qual reconhece que suas importações são, de fato, provenientes de empresas vinculadas, sendo elas: HUAWEI 3 COM LTD (Hong Kong); HUAWEI TECHNOLOGIES CO LTD (China); e HUAWEI TECHNOLOGIES CO LTD (Hong Kong). Apresentou também, em CD, produto a produto, os métodos de preço de transferência e as memórias de cálculo. A fiscalização constatou diversas inconsistências nos dados apresentados relativos aos cálculos de preço de transferência, de modo que a empresa foi intimada a corrigir os erros apurados pela fiscalização e a identificar as importações realizadas, conforme banco de dados do Siscomex. A contribuinte apresentou novo CD gravado com as novas informações. Neste CD o representante da empresa coloca uma nota para esclarecer que importa produtos de sua vinculada, porém ao chegarem à empresa estes são "desmontados" e suas partes e peças são aplicadas nos projetos de seus clientes de forma personalizada. Por esta razão, os códigos, quantidades e valores existentes nos estoques e nas informações da empresa sobre suas importações não correspondem exatamente ao produto descrito na Declaração de Importação DI, mas sim às diversas partes desmembradas do produto original importado. Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.033 4 Abaixo, a íntegra da informação fornecida pela empresa: "A Huawei importa soluções cuja estrutura é composta por diversos bens (part numbers). Quando da entrada no estoque da empresa, estas soluções são desmontadas e as respectivas peças são utilizadas na montagem de outras soluções customizadas para cada cliente e posteriormente vendidas. Na planilha de importações da Huawei estão informados os códigos e descrições das peças objeto de desmontagem da solução importada. O valor de importação de cada peça foi valorizado utilizando critério de rateio de acordo com o custo incorrido pela empresa vinculada no exterior. Desta forma, foi aplicado o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para cada peça importada objeto de desmontagem, com seu preço praticado valorizado através do "Breakdown" das soluções constantes nas Declarações de Importação e seu respectivo preço parâmetro obtido através das vendas das soluções customizadas em que participa. Uma vez que as soluções inteiras constantes nas declarações de importação do Siscomex não são revendidas ou aplicadas na produção, não seria possível aplicar o método PRL. Quando o respectivo item importado constante na declaração de importação e no Siscomex foi revendido, o respectivo código e valor de importação foram mantidos”. A empresa apresenta exemplo de Breakdown de um produto, para demonstrar como o produto importado se desdobra em diversos outros produtos após a desmontagem. Cada qual destes produtos desmontados recebe um código próprio e valores que, conjuntamente, corresponderiam ao valor total do produto importado, constante do Siscomex. A fiscalização encontrou inconsistências no exemplo de Breakdown apresentado e lavrou nova intimação fiscal, solicitando nova conferência das informações entregues e apresentação do Breakdown de todos os produtos importados. A empresa entregou, então, novo CD, com as informações solicitadas. Os novos dados fornecidos pela empresa ainda continham inconsistências que não tornavam confiáveis as informações fornecidas e desta forma foi lavrada nova intimação fiscal, na qual a fiscalização relata todos os problemas encontrados nas planilhas Importações, PRL 20%, PRL 60%, Vendas, etc., solicitando que definitivamente a empresa procedesse à revisão das informações fornecidas de modo que correspondesse fielmente à realidade contábil da empresa. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.034 5 A empresa entregou, então, dois CDs, um deles contendo os cálculos e demonstrativos para apuração do preço praticado e o outro contendo cálculos e demonstrativos de apuração do preço parâmetro e dos ajustes de preço de transferência. Verificouse não haver mais inconsistências nos dados e que todas as importações de vinculadas estavam contempladas, tendo, ainda, sido acrescentadas mais algumas realizadas por intermédio de empresa comercial importadora. A fiscalização lavrou intimação fiscal solicitando documentos para conferência, por amostragem, das informações fornecidas e os contratos comerciais que serviram de base das vendas realizadas pela empresa contendo os produtos importados de suas vinculadas, tendo a empresa apresentado os documentos solicitados e novo CD de apuração do preçoparâmetro. Assim, encerrouse a fase de entrega de informações e apresentação de documentos. Tendo em vista que cada CD apresentado pela empresa substituía os CDs com as informações anteriormente entregues, foram juntados aos autos apenas o último CD entregue relativo ao preço praticado, o último CD entregue relativo ao preçoparâmetro e o CD entregue com as cópias dos documentos solicitadas. Saneadas as informações prestadas pela empresa em atendimentos às intimações fiscais foram, então, analisados os cálculos apresentados para apuração do preço de transferência, segundo a metodologia adotada pela empresa. DA METODOLOGIA USADA PARA CÁLCULO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA A empresa apurou o preço de transferência com base no Preço de Revenda menos o Lucro (PRL), com margem de 20% (PRL20) para alguns produtos importados que foram revendidos tais como foram importados, sem agregação de valor; e com margem de 60% (PRL60) para a grande maioria dos produtos, que foram importados, desmontados e integraram projetos dos clientes. Para quatro produtos a empresa ainda usou o método Preços Independentes Comparados (PIC). Os cálculos de preço de transferência feitos pela própria empresa culminam, na última Planilha Ajuste entregue, com a indicação da necessidade de adição ao lucro líquido do exercício do valor de R$ 1.181.746,65. Ou seja, apesar de na DIPJ não ter sido feito ajuste ao lucro líquido decorrente de preço de transferência, durante a fiscalização a própria empresa calculou que havia necessidade de ajuste decorrente de importações de suas vinculadas. Tendo em vista que os produtos importados, em sua grande maioria, são desmontados e apenas suas partes e peças são registradas na contabilidade da empresa, a fiscalização Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.035 6 considerou para cálculo do preço de transferência as partes e peças desmontadas. DO MÉTODO PIC A empresa usa o método PIC para ajustar 4 produtos importados, sendo que para 3 deles ela própria encontra necessidade de ajuste no valor total de R$ 4.371,42. Os valores, cálculos e ajustes apresentados pela empresa com o método PIC foram mantidos pela fiscalização, observando que todos estão acima da margem de divergência de 5%. No demonstrativo Resumo de Ajuste do PIC (ANEXO I), elaborado pela fiscalização, encontramse os produtos ajustados e os cálculos de ajustes. DO PREÇO PRATICADO NA IMPORTAÇÃO MÉTODO PRL O preço praticado apurado pela empresa para fins de apuração dos métodos PRL20 (casos só de revenda), PRL60 (casos em que o bem importado é usado como insumo) e PRL20/60 (casos em que ocorrem revenda e insumo para o mesmo produto) levou em consideração o valor FOB, sem considerar os valores relativos a frete, seguro e Imposto de Importação (II). Na Planilha Cálculo do Preço Praticado, a empresa informa, produto a produto (suas partes e peças), os quantitativos e valores existentes no estoque inicial e as importações realizadas no período, detalhando, dentre outras informações, o valor FOB na moeda de venda e em R$, a taxa de conversão da moeda, os valores de frete, seguro e II. No entanto, o preço praticado unitário apurado pela empresa corresponde exclusivamente ao valor FOB em R$ dividido pela quantidade total (importada + estoque inicial). Tal procedimento contraria o que expressamente determina o artigo 4º, § 4º, da IN SRF nº 234/2002, que dispõe que “Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação”. O citado artigo 12 da IN SRF nº 234/2002 trata especificamente da metodologia do PRL. Então, para efeito de apuração do preço praticado dos produtos importados e calculado pelo método PRL, a empresa deveria ter adicionado ao preço FOB os valores de frete, seguro e Imposto de Importação. A fiscalização procedeu, então, a um recálculo, porém usando como base os dados informados pela empresa e constantes de sua planilha Cálculo do Preço Praticado. Ou seja, todas as informações da empresa foram mantidas, apenas somandose os Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.036 7 valores de frete, seguro e Imposto de Importação respectivos, constantes também da própria planilha da empresa. O recálculo feito pela fiscalização encontrase na Planilha Preço Praticado (ANEXO II). Destaquese que nesses cálculos encontramse os valores e quantidades registrados no Estoque Inicial da empresa. DO PREÇOPARÂMETRO – MÉTODO PRL20 PRODUTOS IMPORTADOS DESTINADOS À REVENDA De acordo com o que consta da última planilha entregue pela empresa, apenas o produto código 01050141 ROTEADOR QUIDWAY RI 603, foi adquirido apenas para revenda e, conseqüentemente, somente a ele foi aplicado exclusivamente o método PRL20. Os demais produtos que tiveram revenda também foram usados como insumos na composição de projetos vendidos pela empresa, aplicandose o PRL com margem de 20% ou 60% conforme tratouse de revenda ou aplicação como insumo. O preçoparâmetro apresentado pela empresa dos produtos importados destinados exclusivamente à revenda ou à parte que corresponde à margem de 20%, no caso de produtos com destinação mista (revenda e insumo), foi integralmente aceito por esta fiscalização. A fiscalização elaborou a Planilha Resumo de Apuração do Preço Parâmetro PRL 20% (ANEXO III), que corresponde aos mesmos valores apresentados pela empresa. DO PREÇOPARÂMETRO – MÉTODO PRL60 PRODUTOS IMPORTADOS USADOS COMO INSUMO Para apurar o preçoparâmetro dos produtos importados, desmontados, destinados a insumo na produção, a empresa optou pelo método PRL60. Analisando o Demonstrativo de Apuração do PRL 60% apresentado pela empresa, a fiscalização verificou que os cálculos estavam em desacordo com a legislação de regência da matéria, em especial o artigo 12, § 11, da IN SRF nº 243/2002. Em julgamento recente que ocorreu em 25/08/2011, a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, à unanimidade, deu integral provimento ao apelo fazendário para, nos autos do processo nº 2003.61.00.0061258, reconhecer que o cálculo da IN SRF nº 243/2002 previsto para o método PRL60 coadunase com a redação do artigo 18, inciso II da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, a fiscalização refez os cálculos do PRL60. As informações constantes da Planilha de Apuração do PRL 60% apresentada pela empresa acerca das quantidades e valores de vendas dos projetos, dos custos dos projetos, das quantidades Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.037 8 de matéria prima e dos fatores de participação foram integralmente mantidas. A partir daí, a fiscalização passou a proceder aos cálculos conforme determinado na legislação, na forma determinada pela IN SRF nº 243/2002, elaborando a Planilha Apuração do PRL 60% (ANEXO IV), onde se encontra a memória de cálculo e o preçoparâmetro unitário das matérias primas importadas (suas partes e peças decorrentes da desmontagem) usadas como insumos dos projetos vendidos. DO PREÇOPARÂMETRO MÉTODOS PRL20 e 60 (PRL20/60) PRODUTOS IMPORTADOS PARA REVENDA E USADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO Para todos os produtos importados que tiveram cálculos pelo método PRL, a fiscalização elaborou uma Planilha Resumo, onde constam todas as apurações anteriormente descritas, sejam produtos destinados à revenda, com margem de 20%, sejam produtos destinados a insumo, com margem de 60%. Para os produtos com destinação mista, ou seja, destinados à revenda e utilização como insumo, foi feita a média dos preços apurados com as respectivas margens 20% e 60%. A Planilha Preço Parâmetro PRL 20% e 60% (ANEXO V), elaborada pela fiscalização, apresenta o preçoparâmetro final apurado na forma indicada nos itens anteriores, especialmente quanto às correções referentes aos cálculos do PRL60. DO AJUSTE – MÉTODOS PRL20 E PRL60 Confrontados o preço praticado com o preçoparâmetro, ambos encontrados na forma acima exposta, para os produtos calculados pelo método PRL, a fiscalização encontrou produtos com diferenças positivas (preço praticado maior do que o preço parâmetro) e diferenças negativas (preço praticado menor do que o preçoparâmetro). Esses cálculos encontramse detalhados na Planilha Demonstrativo das Diferenças Apuradas (ANEXO VI). Na Planilha Ajuste preparada pela fiscalização (ANEXO VII), constam apenas os produtos com diferenças positivas (preço praticado maior do que o preçoparâmetro) e que estão acima da margem de divergência de 5% prevista no artigo 38 da IN SRF nº 243/2002, perfazendo um ajuste total apurado de R$ 75.6340.009,90. DO AJUSTE TOTAL BASE DE CÁLCULO Em resumo, conforme tabela abaixo, somados todos os ajustes apurados, temse um total de R$ 75.634.381,32, a ser integralmente exigido, uma vez que não houve nenhum ajuste efetuado na DIPJ. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.038 9 Descrição Ajuste (R$) Método PIC 4.371,42 Métodos PRL20 e PRL60 75.630.009,90 () Ajuste da DIPJ 0,00 = Ajuste devido 75.634.381,32 DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2006: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Fundamento legal artigo 3o da Lei no 9.249/95; artigos 241, 242, 244, 247 e 249, inciso I, do RIR/99; e artigo 18 da Lei no 9.430/96, com as alterações do artigo 2o da Lei no 9.959/2000 Crédito Tributário (em reais) 18.908.595,33 14.181.446,50 9.667.964,79 Imposto Multa proporcional (75%) Juros de mora (cálculo até 11/2011) 42.758.006,62 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Fundamento legal artigo 2o da Lei no 7.689/88, com as alterações do artigo 2o da Lei no 8.034/90; e artigo 37 da Lei no 10.637/2002 Crédito Tributário (em reais) 6.807.094,32 5.105.320,74 3.480.467,33 Contribuição Multa proporcional (75%) Juros de mora (cálculo até 11/2011) 15.392.882,39 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 11/2011 42.758.006,92 15.392.882,39 IRPJ CSLL Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.039 10 58.150.889,01 TOTAL DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 29/11/2011, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 26/12/2011, a impugnação de fls. 1397/1409, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS Segundo alega a fiscalização, teriam sido cometidas irregularidades que redundariam na glosa do excesso de custo apropriado na determinação do resultado tributável. São elas: 1) ausência de inclusão dos valores pagos a título frete, seguro e Imposto de Importação nos preços praticados na importação de bens destinados diretamente à revenda (avaliados pelo método PRL20) e dos insumos aplicados na produção de mercadorias no País (sujeitos ao PRL60); e 2) quantificação do PRL60 nos moldes do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, sem a observância do rito descrito no artigo 12, §§ 10 e 11, da IN SRF nº 243/2002. Todavia, as exigências fiscais não podem subsistir como se passa a demonstrar. DA OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL60 SEGUNDO OS CRITÉRIOS DA LEI nº 9.430/96 ILEGALIDADE DA IN SRF nº 243/2002 A impugnante seguiu a metodologia prevista no artigo 18, "caput", inciso II, alíneas "a" a "d", item 1, da Lei nº 9.430/96, fato que, na visão da fiscalização, a obrigava a refazer o cálculo do preçoparâmetro e o valor de ajuste a que estava sujeita. Esse entendimento, no entanto, não pode prevalecer. A IN SRF nº 243/2002 não poderia fixar sistemática de cálculo de despesa dedutível nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de forma distinta da definida pela Lei nº 9.430/96. A partir do confronto entre os textos legal e regulamentar, verificase que a adoção dos critérios definidos em regulamento necessariamente levará à formação de preçoparâmetro distinto do apurado por meio do critério de cálculo previsto em lei. Segundo a Lei nº 9.430/96, a margem de lucro foi concebida como item suficiente para, além de compreender o ganho do vendedor, cobrir os custos locais. Ao assim estabelecer, a norma estimula as empresas a agregarem maior valor local aos produtos fabricados no País, pois, com isso, seu preço parâmetro será igualmente maior, revelando o nítido caráter indutor do dispositivo. Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.040 11 De outro lado, a IN SRF nº 243/2002, diferentemente, impõe que a margem de lucro seja aplicada diretamente e exclusivamente ao item importado. Como conseqüência, para o PRL60 previsto na IN SRF nº 243/2002 é indiferente a quantidade de material e serviços originários do País e do exterior aplicados na produção da mercadoria vendida. Tanto no caso em que ocorra a adição relevante de componentes locais, quanto naquele em que ela seja mínima, o cálculo do preçoparâmetro levará ao mesmo resultado. Assim, depreendese que a IN SRF nº 243/2002 impõe sistemática de determinação do IRPJ e da CSLL distinta da Lei nº 9.430/96, incorrendo em desvio de finalidade, na medida em que há alteração de base de cálculo, com reflexo direto no quantum tributável. Sucede que a graduação do IRPJ e da CSLL é matéria submetida ao princípio da legalidade estrita, não podendo norma meramente regulamentar pretender alterar o que estabelece a lei (CF/88, artigo 150, inciso I, e CTN, artigos 97 e 99). O próprio Poder Executivo (na função excepcional de legislador) e a Administração Tributária já admitiram oficialmente que os critérios veiculados na norma regulamentar não têm fundamento em lei. Com efeito, a MP nº 478/09, que não foi convertida em lei, pretendeu modificar a redação ao artigo 18 da Lei nº 9.430/96. A MP havia extinguido o PRL e instituído novo método de cálculo do preçoparâmetro na importação: o Preço de Venda menos Lucro (PVL). O PVL era mera reprodução do PRL60, nos moldes constantes da IN SRF nº 243/2002 (a única diferença era o percentual de margem de lucro, que foi reduzida de 60% para 35%). Ora, se foi necessário editar uma MP para "legalizar" a fórmula de apuração de preços de transferência descrita na IN SRF nº 243/2002, é óbvia a conclusão de que o método era ilegal e continua sendo, já que a MP não foi aprovada pelo Congresso Nacional. Aliás, a própria Exposição de Motivos da MP nº 478/09 reconhece expressamente que as regras legais que se pretendeu introduzir constavam somente de atos infralegais: "(...) a atual legislação, em grande parte baseada em Instrução Normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, vem sofrendo crescentes questionamentos na esfera administrativa (...). Visando instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa, propõese a alteração da redação do art. 18 da Lei n° 9.430/96, de 27 de dezembro de 1996, com o intuito de reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado (...)”. Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.041 12 Ademais, Administração Fiscal já se manifestou pela possibilidade de o sujeito passivo deixar de observar as regras do PRL60 em 2002, ano de edição da IN SRF nº 243, por se tratar de novo procedimento. Se as disposições infralegais fossem meramente regulamentares, sem a pretensão de inovar o ordenamento e aumentar tributos, não haveria porque o Fisco deixar de exigir sua observância no próprio ano em que editada. Portanto, o método de apuração de preços de transferência previsto na IN SRF nº 243/2002 e adotado pela fiscalização no caso concreto é confessadamente ilegal e, por isso, não pode subsistir. O CARF já se pronunciou sobre a matéria, entendendo ser vedado à Administração Fiscal editar atos infralegais que estabeleçam diretrizes distintas das determinadas pela Lei nº 9.430/96 na quantificação do preçoparâmetro. Tratando especificamente da inaplicabilidade do PRL60 nos moldes da IN SRF nº 243/2002 em função de contrariar o quanto determina a Lei nº 9.430/96, já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 3a Região sobre o mesmo tema. Em resumo, a quantificação do PRL60 segundo os critérios do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 está em desacordo com os ditames do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Por esse motivo, devem ser cancelados os lançamentos impugnados, por vício de ilegalidade. DA ILEGITIMIDADE DA INCLUSÃO DOS GASTOS COM FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NA QUANTIFICAÇÃO DOS PREÇOS PRATICADOS NA APURAÇÃO DO PRL20 E DO PRL60 Sem prejuízo do exposto no item anterior, a fiscalização cometeu mais uma ilegalidade na apuração dos preços de transferência, ao considerar o valor FOB das mercadorias importadas para determinação do preçoparâmetro e, simultaneamente, adotar o valor CIF somado ao Imposto de Importação para a identificação do preço praticado. O procedimento contraditório interferiu com o resultado tanto do PRL20, quanto do PRL60 (ainda que adotado o método de apuração da IN SRF nº 243/2002). Com efeito, o artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 assegura a dedutibilidade dos gastos incorridos com frete, seguro e tributos aduaneiros na importação de mercadorias sujeitas o controle de preços de transferência, ao estabelecer que "Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação". Dessa forma, fica claro que frete, seguro e tributos não devem influenciar o cálculo a ser realizado para identificar o valor admissível como dedutível nas importações de mercadorias de pessoas ligadas. Vale dizer, ou bem os valores ora em discussão devem ser excluídos dos preços Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.042 13 parâmetro e praticado (caso em que se adotará o valor FOB das mercadorias importadas), ou bem devem ser agregados a ambos os preços calculados (hipótese em que se adotará o valor CIF acrescido dos tributos aduaneiros). As normas que disciplinam o cálculo dos preços de transferência foram editadas com o propósito de impedir que as pessoas jurídicas ligadas pratiquem transações internacionais com preços distorcidos, excessivos comparativamente aos praticados com pessoas independentes, com o objetivo de, no conjunto das sociedades que integram o mesmo grupo econômico, diminuírem as bases tributáveis nas jurisdições envolvidas. Como os gastos com seguro, frete e tributos aduaneiros são normalmente pagos a sociedades especializadas na execução de tais atividades, o legislador considerou serem eles indiferentes para a identificação do preço atribuído ao bem transacionado. Por essa razão, a Lei nº 9.430/96 assegurou a dedutibilidade plena de tais dispêndios do resultado, ao dizer que eles "Integram o custo, para efeito de dedutibilidade". A procedência do raciocínio exposto é confirmada a partir da constatação de que o artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 aplicase aos três métodos previstos para a determinação do preçoparâmetro na importação, não se restringindo ao PIC e ao CPL ou excluindo do seu tratamento o PRL. Nessa medida, são descabidas as assertivas da fiscalização, no sentido de que a legislação, ao disciplinar o PRL, determinaria a adição das importâncias de que se trata no preço praticado e impediria a sua inclusão no cálculo do preçoparâmetro. A aceitação do raciocínio fiscal implicaria tratamento díspar entre, de um lado, o PIC e o CPL e, de outro, O PRL, contrariando frontalmente o que prevê a lei. Desse modo, frete, seguro e tributos aduaneiros devem ser indiferentes na formação tanto do preçoparâmetro, quanto do preço praticado. Assim, não é admissível o procedimento da fiscalização, que quantificou o preço praticado com a inclusão do frete, seguro e Imposto de Importação (CIF), ao passo que considerou que o preço parâmetro deveria ser determinado sem a adição de tais importâncias (FOB). Em casos análogos, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tem cancelado autuações que não tratam o seguro, frete e os tributos aduaneiros como valores neutros à determinação do preçoparâmetro e do preço praticado. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.043 14 Há inclusive precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF sobre o tema. Em resumo, o frete, o seguro e os tributos aduaneiros não devem, por si sós, levar à apuração de preçoparâmetro diferente do preço praticado, uma vez que o artigo 18, §6º, da Lei nº 9.430/96, aplicável inclusive ao PRL, assegura a dedutibilidade das importâncias mencionadas. Como conseqüência, deve ser cancelada a exigência fiscal. DA COMPENSAÇÃO DAS INFRAÇÕES APURADAS COM O SALDO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA ACUMULADOS PELA IMPUGNANTE. Na eventualidade de serem ultrapassados os argumentos anteriormente aduzidos, deve, ao menos, ser assegurado o abatimento do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa acumulados pela impugnante, de modo a reduzir a importância passível de ser exigida de ofício. A impugnante possuía prejuízos fiscais e bases negativas acumulados de anos anteriores ao término do ano calendário de 2006 (vide DIPJ entregue no exercício de 2007 doc. 06). Aliás, o estoque de resultados negativos só aumentou desde então, como se verifica das DIPJs dos exercícios de 2008 a 2011 (doc. 07). Nessa medida, a fiscalização, ao auditar e refazer o cálculo de IRPJ e CSLL da impugnante, tinha o dever de reduzir as exigências mediante a sua compensação com os prejuízos fiscais e as bases negativas acumulados. Ao deixar de proceder da forma descrita, a fiscalização desrespeitou a legislação de regência, razão pela qual os lançamentos ora impugnados devem ser revistos, a fim de o total das infrações apuradas ser reduzido em 30% mediante sua compensação com parte do estoque de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados pela impugnante. Nesse sentido, tem se manifestado o CARF em reiteradas oportunidades. Portanto, tendo em vista o direito assegurado à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados, requerse, ao menos, a redução na infração no importe de 30% das parcelas glosadas. DO PEDIDO Por todo o exposto, requerse o cancelamento das autuações. (fl. 15311540) Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.044 15 A Impugnação foi julgada parcialmente procedente – unicamente para fins retificar a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas empreendidas pela autoridade autuante – o que se depreende da leitura da ementa do r. decisum recorrido, em que se lê, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOS PARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. RESULTADOS NEGATIVOS DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O resultado negativo de períodos anteriores poderá ser compensado com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Houve apresentação de recurso de ofício quanto à questão das compensações de prejuízos. Disponibilizada a decisão do julgamento na Caixa Postal, Módulo eCAC da Receita Federal em 30/01/2013 (fl. 1549/1551), a ciência deuse por decurso de prazo em 14/02/2013 (fl. 1554), contandose, a partir desse átimo, o prazo de trinta dias para apresentação de Recurso Voluntário. O Termo de Abertura de Documento (fl. 1555) identifica que a contribuinte acessou a decisão da DRJ em 30/04/2013 às 9:46h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.045 16 Em virtude da abertura do documento e ciente da existência da decisão, a contribuinte solicitou cópia dos autos em 08/05/2013 (fl. 1556), apresentando Recurso Voluntário em 17/05/2013. A Contribuinte, em preliminar de tempestividade, afirma ter tomado ciência em 30/04/2013, quando acessou por primeira vez sua caixa eletrônica, de maneira que a apresentação do recurso em 17/05/2013 seria tempestiva. A Contribuinte ainda afirma que não autorizara o envio de informações relativas ao presente feito para sua caixa postal eletrônica, consoante se observa do seguinte excerto, verbis: “Sucede que o procedimento do órgão preparador, adotado em prejuízo ao envio da intimação por via postal, como era de rigor, afigurase em desacordo com a legislação, já que a Recorrente não autorizou o envio de informações relativas ao presente feito e nem foi informada de que isso poderia ocorrer, a despeito de todas as intimações anteriores terem sido feitas fisicamente.” (fl. 1564) No mérito, repisou os argumentos já deduzidos em sede de Impugnação. Reconhecendo o termo inicial para a apresentação do Recurso Voluntário como sendo o décimo quinto dia após a disponibilização da decisão na Caixa Postal da contribuinte no eCAC, a autoridade preparadora encaminhou o presente Recurso com anotação de ser ele intempestivo. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Da tempestividade do Recurso Voluntário Consoante dito acima, o Recurso Voluntário de que aqui se cuida foi encaminhado a esse Colendo CARF com anotação de sua intempestividade, tendo em vista que o r. acórdão recorrido foi enviado a sua caixa postal no eCAC em 30 de janeiro de 2013, ao passo que a irresignação em análise foi protocolizada em 17 de maio de 2013. Articula o contribuinte com a assertiva de que teria sido intimado pessoalmente em 30 de abril de 2013, com a alegação de que seria nula a ciência ficta havida nos 15 dias após o envio do acórdão a sua caixa postal. Entendo que o sujeito passivo tem razão, de modo que deve ser tida como nula a intimação ficta a que se aludiu acima, com o consequente entendimento pela tempestividade do apelo. Com efeito, o art. 23 do Decreto n. 70.235/72 estabelece que, verbis: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.046 17 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) §5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (sem grifos no original) Por sua vez, a Portaria SRF n. 259/2006 – que Dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal – estatui que, litteris: Art. 1o O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (...) §3o Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Renumerado com nova redação pela Portaria RFB no 574, de 10 de fevereiro de 2009) (sem grifos no original) Percebese, pois, que a validade das intimações eletrônicas imprescinde (i) do expresso consentimento do sujeito passivo quanto à implementação do seu endereço eletrônico e (ii) da informação ao contribuinte, a ser realizada pela Receita Federal, acerca do processo em que será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Esse último requisito veio à balha em Portaria editada pela própria Receita Federal, sendo que o seu preenchimento revelase necessário para a higidez do ato de Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.047 18 comunicação eletrônica, de modo que sua ausência implica no cogente entendimento de é nula a correlata intimação. Esse raciocínio revelase ainda mais apropriado num caso como o vertente, em que as prévias intimações dirigidas ao contribuinte tiveram lugar em meio postal – ver, por exemplo, o Aviso de Recebimento constante da fl. 156 –, de modo que o sujeito passivo tinha legítima expectativa de que as demais comunicações atinentes a este feito também ocorressem pela mesma via. Ora, o fato de que o sujeito passivo estava a receber intimações neste processo em meio físico aliado à necessidade de o Fisco informar ao sujeito passivo o processo em que serão realizadas intimações eletrônicas revelam que a súbita alteração na forma de proceder no que tange às comunicações é geradora de insegurança. Essa insegurança não pode estar presente quando se está diante de intimação de ato de órgão julgador a respeito do qual é latente o interesse de recorrer do contribuinte, mormente diante da disposição inserta no §3o do art. 26 da Lei n. 9.784 – diploma legal que regula os processos administrativos no seio da Administração Pública Federal –, que prevê que as intimações devem ser feitas de modo a assegurar a certeza de que o interessado teve ciência do conteúdo do respectivo ato. Frisese que o que tem lugar no vertente processo é apenas um exemplo dos bastantes casos em que contribuintes altamente aparelhados e familiarizados com procedimentos fiscais – sujeitos passivos esses que por sua vez são assessorados por respeitáveis bancas de advogados e de profissionais da ciência contábil – têm problemas relacionados a intimações eletrônicas, cenário esse que ratifica as conclusões atinentes à insegurança ínsita ao sistema em apreço. Outro elemento que corrobora a existência dessa inaceitável insegurança repousa na informação trazida a esse Conselheiro pelo ilustre patrono da ora Recorrente, no sentido de que o sistema passou por alterações recentemente. De fato, narrou o advogado do contribuinte que, até o fim de 2013, o ambiente eletrônico do eCAC permitia que seu usuário acessasse sua conta sem que mandatoriamente tivesse que abrir as intimações que lhe tinham sido remetidas pela Receita Federal, quadro esse alterado a partir de janeiro de 2014, quando o sistema passou a não permitir o manejo de outras funcionalidades antes que os documentos que encerram intimações fossem abertos pelos contribuintes. Ou seja, essa alteração sugere que a própria Administração, ciente dos problemas por que passavam os contribuintes, com muita propriedade promoveu alteração no ambiente eletrônico com vistas a assegurar a certeza quanto ao recebimento efetivo das intimações. Essa alteração, contudo, teve lugar após a discutida intimação eletrônica realizada neste processo. Assim sendo, pelas razões acima declinadas, entendo nula a intimação eletrônica (ficta) em apreço, razão pela qual finco a intimação do acórdão recorrido no momento em que o contribuinte pessoalmente teve acesso ao aresto vergastado – em 30 de abril de 2013 –, de modo que tempestivo o Recurso Voluntário interposto em 17 de maio de 2013. Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.048 19 Do Mérito Conhecido o Recurso Voluntário, passo ao exame do mérito do Recurso Voluntário em apreço. É importante salientar que a matéria litigiosa cingese aos ajustes suplementares que a douta autoridade autuante empreendeu por discordar dos critérios empregados para a verificação dos Preços de Transferência através do método PRL – Produção (PRL60), tendo em vista que os ajustes empreendidos pela autoridade fiscal atinentes à aplicação do método PRL 20% foram expurgados do lançamento pela decisão de piso – assim como os ajustes de PRL 60% levados a cabo pelo Fisco em dois itens verificados –, uma vez que o sujeito passivo optara, em verdade, pelo cálculo dos Preços de Transferência através do método dos Preços Independentes Comparados – PIC, do que não decorreu a necessidade de realização de ajustes. Nessa senda, observase que esse Colegiado deve debruçarse basicamente sobre duas questões, a saber: legitimidade do cálculo do Preço Parâmetro, no método PRL 60, instalado pela Instrução Normativa n. 243/2002; e necessidade, ou não, da inclusão dos valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação para fins de composição do Preço Praticado, a ser cotejado com o Preço Parâmetro para fins de verificação da necessidade e do montante dos ajustes que devem ser empreendidos pelo importador que adquire bens de pessoas vinculadas sitas no estrangeiro. Cada um desses pontos será tratado em separado, tendo em vista que hialinamente se trata de questões autônomas. Nada obstante, antes que se passe ao exame dessas questões propriamente ditas, tecerei algumas considerações sobre uma das principais razões de decidir da r. decisão recorrida, a saber, a pretensa impossibilidade de os órgãos de julgamento no processo administrativo fiscal afastarem a aplicação de Instrução Normativa por motivo de sua ilegalidade. Acerca desse ponto, temse que se equivoca a douta instância a qua quando diz que lhe faleceria competência para o afastamento de ato normativo infralegal em virtude de seu percebido descompasso com a lei. Com efeito, o art. 26A do Decreto n. 70.235/72 – inserido na Seção V desse diploma legal, divisão essa intitulada Da Competência – é claro ao estabelecer que, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Salientese que, ao longo do citado Decreto n. 70.235/72, não há outro preceito que restrinja o âmbito de cognoscibilidade dos órgãos julgadores no processo administrativo, mas apenas dispositivos que, basicamente, cuidam de divisões de competência funcional. Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.049 20 Bem se vê que o dispositivo supratranscrito não retrata o entendimento adotado pela r. decisão recorrida quanto à competência dos julgadores administrativos: com efeito, o rol constante desse artigo de lei que contempla os atos normativos que não podem ser afastados não arrola as Instruções Normativas da Receita Federal, assim como não há qualquer menção à impossibilidade de afastamento sob fundamento de ilegalidade. Infelizmente, existem bastantes decisões – tanto no seio das DRJs quanto no bojo deste próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – que propugnam essa pretensa impossibilidade de os julgadores administrativos afastarem a aplicação de Instruções Normativas em decorrência da sua ilegalidade. Em verdade, tais decisões são absolutamente desprovidas de qualquer sustentáculo legal, sendo representativas de pernicioso procedimento que acaba por, de maneira desautorizada, enaltecer Instruções Normativas em manifesto descompasso com as Leis que deveriam ser meramente esmiuçadas por esses atos normativos infralegais. Ou seja, os órgãos de julgamento administrativo não apenas podem como devem afastar a aplicação de Instruções Normativas quando se lhes pareça que tais atos normativos contrariem preceitos de Lei, à míngua de preceito legal que expressamente preveja essa limitação no conhecimento dessas questões. Pretender que o citado art. 26A do Decreto n. 70.235/72 encerre vedação ao conhecimento de questões de legalidade de atos infralegais significa reduzir a competência dos órgãos julgadores administrativos por analogia, o que não se concebe, e acaba por engendrar um esvaziamento das funções típicas de ditos órgãos, esvaziamento esse que, no mais das vezes, redundará em prejuízos ao contribuinte – tendo em vista que os atos objetos desse controle são, também no mais das vezes, editados pelo próprio Fisco. Inexiste, portanto, qualquer vedação aos órgãos julgadores de afastamento de Instruções Normativas e de outros atos infralegais por motivo de ilegalidade. Assentada essa premissa, vejamos se a Instrução Normativa n. 243/2002 é conforme o texto legal que pretendeu regulamentar. A Instrução Normativa n. 243/2002 e o cálculo do Preço Parâmetro pelo método do PRL 60% Em relação a esse ponto, verificase que contribuinte e Fisco chegaram a resultados inquestionavelmente diversos no que tange aos Preços Parâmetros utilizados para fins de verificação de eventuais ajustes a título de Preços de Transferência e calculados através do método PRL 60%. Referida diversidade decorre do fato de que, de acordo com o contribuinte, a Instrução Normativa n. 243/2002 seria ilegal por carrear fórmula para a mensuração da discutida grandeza (Preço Parâmetro pelo método PRL 60%) que destoa daquela fórmula que decorreria do art. 18 da Lei n. 9.430/96, na redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Em virtude desse entendimento quanto à ilegalidade desse ato infralegal, o sujeito passivo procedeu ao cálculo do seu Preço Parâmetro pelo PRL 60% à luz da fórmula que, a seu sentir, dimanaria do discutido preceito de Lei. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.050 21 Vejamos, pois, os textos desses atos normativos. Frisese que o período objeto dos vertentes Autos de Infração é anterior ao advento da Lei n. 12.715/2012, razão pela qual não serão transcritas as alterações que essa lei impôs ao texto da Lei n. 9.430/96. Lei n. 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado, observadas as condições previstas no presente dispositivo, por um dos seguintes métodos: (...) II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Instrução Normativa n. 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.051 22 (...) § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. O contribuinte alega que a forma de cálculo prevista na Instrução Normativa, especificamente no supratranscrito §11, não tem esteio legal. A seu sentir, a fórmula que deve prevalecer para o cálculo do preço parâmetro através do Método PRL 60% é a que deriva da lei, sendo que entende que tal fórmula deve ser assim concebida: PP = PLR – 60%.(PLR – VA), donde: PP: Preço Parâmetro PLR: Preço Líquido de Revenda, ou Preço de Revenda menos (i) Descontos Incondicionais, (ii) Tributos incidentes sobre as vendas e (iii) Comissões e Corretagens Pagas; VA: Valor Agregado Essa foi a fórmula a partir da qual o sujeito passivo calculou os preços parâmetro aqui controvertidos. Diversamente, o Fisco e a Fazenda Nacional entendem que a Instrução Normativa n. 243/2002 jamais contrariou a Lei n. 9.430/96 – na redação dada pela Lei n. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.052 23 9.959/00 –, mas apenas deu à Lei a sua melhor interpretação. A propósito, a fórmula tida pela fiscalização como correta para mensuração do Preço Parâmetro via Método PRL 60% pode ser assim representada: PP = PLR. Ci/Ct – 60%.PLR.Ci/Ct, donde: PP: Preço Parâmetro PLR: Preço Líquido de Revenda, ou Preço de Revenda menos (i) Descontos Incondicionais, (ii) Tributos incidentes sobre as vendas e (iii) Comissões e Corretagens Pagas; Ci: Custo do item importado Ct: Custo total do bem produzido A razão entre Ci/Ct equivale ao percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido a que alude o inciso II do §11 do art. 12 da IN 243/2002. Demonstrarei, no presente voto, que a fórmula empregada pelo sujeito passivo, apesar de efetivamente poder ser extraída do art. 18 da Lei n. 9.430/96 (na redação da Lei n. 9.959/00), não necessariamente tem que assumir aqueles contornos. Nada obstante, demonstrarei que, justamente pelo fato de a fórmula que decorre do citado art. 18 poder assumir outra formulação aritmética, se instaurou a mais completa confusão quanto à interpretação legal mais apropriada a ser dispensada ao dispositivo. E assim, demonstrarei, ao fim e ao cabo, que por mais que seja dúplice a possibilidade de formulação aritmética da equação em destaque, a Instrução Normativa n. 243/2002 foi além dessa controvérsia, tendo efetivamente estatuído cálculo para a mensuração do preço parâmetro que não pode ser extraído do art. 18 da Lei n. 9.430/96, e isso em se tratando de ambas as possíveis formulações aritméticas. Reproduzirei uma vez mais o inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96 para melhor ilustrar que a fórmula empregada pelo sujeito passivo não é a única que decorre do texto legal. Eilo, litteris: II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) aos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de: Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.053 24 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A partir desse texto legal, entendo que não há dúvidas quanto fato de que o legislador, agora em jargão matemático, estabeleceu formulação aritmética que contempla 1 (um) minuendo – média aritmética dos preços de revenda dos bens e direitos – e 4 (quatro) subtraendos. O último desses subtraendos é justamente a intitulada margem de lucro, que, no caso de bens importados aplicados à produção, é de 60% (sessenta por cento) sobre a grandeza delineada no restante do texto do supratranscrito item 1 da alínea “d” do inciso II do art. 18 – a saber, preço de revenda após deduzidos os valores referentes nas alíneas anteriores e do valor agregado no País. Salientese que, a bem da verdade, foi equivocado o emprego da expressão margem de lucro: é que as margem de lucro são calculadas ou sobre o faturamento ou sobre o custo total, de modo que, ainda que inexistisse a menção ao valor agregado, é inapropriado se falar em uma margem de lucro calculada sobre um preço de revenda que não contempla certos efetivos e inafastáveis custos, tais como os tributos incidentes sobre as vendas, as comissões e corretagens pagas e os descontos incondicionais. Com a consideração tecida no parágrafo anterior quero unicamente frisar que a citada alínea “d” simplesmente carreia uma grandeza que deve ser subtraída do respectivo minuendo, grandeza essa cuja mensuração foi disciplinada pela lei – ainda que de forma plurívoca, consoante se verá – e não se confunde com qualquer margem de lucro efetiva. Ou seja, e isso é algo basilar, nomina ne sunt consequentia rerum. Retornando à tese que pretendo demonstrar, percebese que a dupla possibilidade de formulação aritmética da equação prevista no citado art. 18 da Lei n. 9.430/96 decorre do fato de que, em termos aritméticos, a estatuída supressão do valor agregado pode operarse de duas formas distintas. A primeira delas é justamente aquela vislumbrada pelo sujeito passivo, fórmula essa que concebe o Valor Agregado como um dado nominal, que basicamente emerge da diferença entre o custo total do bem produzido e o custo do item importado que se agrega ao bem produzido. Ocorre que, em termos aritméticos, também é possível proceder à referida supressão do Valor Agregado concebendoo (leiase, concebendo o Valor Agregado) como um quociente, como um número maior do que zero e menor do que um a ser multiplicado pela variável (Preço Líquido de Revenda) da qual deve ser subtraída a referida parcela (Valor Agregado). É que a Lei n. 9.959/00 jamais determinou se o Valor Agregado se exprimiria por uma cifra nominal – que é a interpretação do sujeito passivo – ou por um percentual, sendo que ambas as formulações podem ser vislumbradas em se tratando de uma grandeza como essa. Para melhor compreensão do que acabou de se dizer, vamos imaginar que, num contexto qualquer e em virtude de expressa disposição legal, o Valor Agregado no país devesse ser subtraído da grandeza X para que se chegue ao resultado Y. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.054 25 Nesse quadro, poderseia conceber essa fórmula da seguinte maneira, tomando o Valor Agregado como um dado nominal (diferença entre custo total e custo do bem importado): Y = X – Valor agregado Contudo, não há dúvidas de que essa supressão do Valor Agregado também poderia ser representada, aritmeticamente, como uma multiplicação da grandeza X por um número entre 0 (zero) e 1 (um), número esse que pode ser obtido pelo quociente entre o Custo de bem importado e o Custo total do bem. É que, quando se multiplica a grandeza X pelo número decimal obtido a partir do citado quociente, efetivamente se está a expurgar de X aquela fração correspondente ao que se agregou no país, ou seja, efetivamente se está a expurgar de X o Valor Agregado, agora concebido em termos percentuais. De fato, se a razão entre o custo do bem importado e o custo total de um bem equivaler a 0,7 (é dizer, se o bem importado corresponder a 70% do custo total), então a multiplicação de uma grandeza qualquer por esse número decimal inquestionavelmente acabará por suprimir os 30% que correspondem aos custos nacionais, de modo que o resultado desse produto representará justamente o recorte que corresponde ao custo internacional. Ou seja, a menção à supressão do Valor Agregado do Preço Líquido de Venda a que alude o item 1 da alínea “d” do inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96 (na redação dada pela Lei n. 9.959/00) tanto pode exprimirse assim: (i) PP = PLR – 60%.(PLR – VA), ocasião em que o Valor Agregado está sendo representado por um dado nominal; Quanto assim: (ii) PP = PLR – 60%.(PLR.Ci/Ct), ocasião em que o Valor Agregado está sendo representado por um percentual. Ambas essas formulações aritméticas podem ser apreendidas do texto do art. 18 da Lei n. 9.430/96, na redação dada pela Lei n. 9.959/00. Ou seja, uma Instrução Normativa poderia enaltecer qualquer uma dessas formulações sem que pudesse, sequer minimamente, ser inquinada de ilegal, ambas são interpretações que podem ser extraídas do texto de lei em testilha. Salientese que as formulações supradeclinadas, a partir de dados fixos, chega a resultados díspares entre si, o que revela que conceber o Valor Agregado como um dado nominal ou como um percentual acarreta alterações no cômputo do Preço Parâmetro através do método em apreço. O seguinte exemplo demonstra a cogência dessa afirmação. Para tanto, admitase que o PLR equivale a 70 e admitase ainda que o Custo do Insumo Importado (Ci) corresponda a 10, ao passo que o Custo Total do bem produzido (Ct) seja da ordem de 40. Com esses dados, de acordo com a fórmula (i) – PP = PLR – 60%.(PLR – VA) –, o resultado é: PP = 70 – 0,6.[70 – (CtCi)] Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.055 26 PP = 70 – 0,6.(70 – 30) PP = 70 – 24 PP = 46 Através da fórmula (ii) – PP = PLR – 60%.(PLR.Ci/Ct) –, o resultado é o seguinte: PP = 70 – 0,6.(70.Ci/Ct) PP = 70 – 0,6 (70.¼) PP = 70 – 10,5 PP = 59,5 Vistas as fórmulas que podem decorrer do texto da Lei n. 9.959/00, percebe se claramente que a Instrução Normativa n. 243/2002 extrapolou a sua função regulamentar, instaurando critério que absolutamente não pode ser extraído do preceito legal de que se cuida. Com efeito, notase que a Instrução Normativa n. 243/2002 não tem lastro legal pelo fato que fez com que a supressão do Valor Agregado, concebido em termos percentuais, se espraiasse para o 1o termo da equação em referência, ou seja, multiplicou o número decimal que engendra o expurgo do Valor Agregado não apenas pelo subtraendo a que alude a alínea “d” do inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, mas também pelo minuendo da equação. Ao aplicar o expurgo do Valor Agregado, tomado esse em termos percentuais, da média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos a que alude o inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96 – média aritmética essa que, repitase, consubstancia o minuendo dessa equação –, a Instrução Normativa n. 243/2002 efetivamente percorreu trilha não autorizada pelo legislador, de modo que patente a sua ilegalidade. A justificativa que o Fisco e a Fazenda Nacional apontam para lastrear a míope visão de que a Instrução Normativa n. 243/2002 teria simplesmente esmiuçado o que a Lei n. 9.959/00 estatuía reside no argumento de que haveria inconteste falha na redação do citado item 1 da alínea “d” do inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96 – na redação da Lei n. 9.959/00. Para melhor visualização do argumento fazendário, peço vênia para novamente transcrever o preceito de lei, litteris: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado, observadas as condições previstas no presente dispositivo, por um dos seguintes métodos: (...) Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.056 27 II – Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; De acordo com o Fisco, (i) a não utilização da preposição de depois da expressão deduzidos inserta no supracitado item 1 da alínea “d” do inciso II do transcrito art. 18, (ii) associada ao fato de que a preposição de efetivamente foi usada antes da expressão valor agregado significaria que, em verdade, a expressão do valor agregado representaria uma outra alínea do referido inciso II do art. 18, razão pela qual seria correta a supressão do Valor Agregado, em sua feição percentual, do minuendo da equação (média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos). Salta aos olhos a criatividade dos exegetas que propugnam tal entendimento. Deveras, a bem da verdade, é preciso dizer que o legislador efetivamente equivocouse por ocasião da concepção do texto desse preceito legal: com efeito, e em decorrência do intitulado paralelismo sintático, a expressão valor agregado no País efetivamente não deveria ter sido antecedida pela preposição de: é que, pelo fato de tanto o valor agregado no País quanto os valores referidos nas alíneas anteriores assumirem a mesma função sintática na oração, a falta de emprego da preposição antes da primeira expressão determinaria, pelo bom português, que a segunda expressão também viesse desacompanhada da preposição. É um erro condenável, é certo, mas pretender corrigir essa impropriedade gramatical menor com a assertiva de que o erro não é de caráter gramatical, mas de técnica legislativa – inserção, no texto de um item de alínea, de algo que em verdade devesse corresponder a uma alínea autônoma –, é proceder com o qual não posso compactuar. Frisese que, ainda que a expressão do valor agregado correspondesse a uma inexistente alínea “e” do inciso II em análise, a fórmula preconizada pela Instrução Normativa n. 243/2002 também não teria respaldo legal: é que, se fosse assim, a supressão do valor agregado, visto em termos percentuais, apenas poderia afetar o minuendo, e jamais a grandeza a que alude a alínea “d”, tendo em vista que o discutido item 1 dessa alínea “d” expressamente reportase à supressão dos valores referidos nas alíneas anteriores. Ou seja, para que a Instrução Normativa n. 243/2002, na parte que toca o cálculo do Preço Parâmetro através do PRL 60%, tivesse respaldo legal, a expressão do valor agregado deveria corresponder à alínea “d” do inciso II do art. 18, com o remanejamento da então vigente alínea “d” para a alínea “e”. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.057 28 Descabido, portanto, esse argumento. Ademais, não se pode olvidar que o próprio Poder Executivo – que, através de um órgão integrante do Ministério da Fazenda, trouxe à balha a Instrução Normativa n. 243/2002 – buscou a correção da ilegalidade por ela instaurada por ocasião da edição da Medida Provisória n. 478/2009, em que tentou dar força de lei à fórmula prevista unicamente no malsinado ato infralegal. O fato de que a Medida Provisória n. 478/2009 tentou sanar a ilegalidade aqui reconhecida é clarividente e foi mencionado na própria Exposição de Motivos dessa referida Medida Provisória, em que se lê, verbis: 20. No tocante às regras de preços de transferência, a atual legislação, em grande parte baseada em Instrução Normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, vem sofrendo crescentes questionamentos na esfera administrativa, razão pela qual se faz necessária a adoção de medidas voltadas a propiciar maior eficácia ao controle de preços de transferência, tendo em vista a importância da matéria para a proteção da base tributária brasileira. 20.1. Visando instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa, propõese a alteração da redação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com o intuito de reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado, garantindo maior eficácia aos controles de preços de transferência. (Acessada no dia 10 de março de 2014 em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2009/Exm/EMI171 MFAGUMCidadesMDIC09Mpv478.htm) Tratase de interpretação autêntica da Medida Provisória em apreço – interpretação essa que, a exemplo da Instrução Normativa n. 243/2002, também dimanou do Poder Executivo –, sendo de rigor informar que essa Medida Provisória perdeu sua eficácia por decurso de prazo. Ora, o advento mesmo dessa Medida Provisória n. 478/2009 representa um inequívoco reconhecimento de que, aos olhos do Poder Executivo, a Instrução Normativa n. 243/2002 é desprovida de lastro legal. A não ser que se propugne que, ao editar a Medida Provisória em análise, o Poder Executivo estava a adotar providência inútil – eis que pretendia dar força de lei a um entendimento que já tinha força de lei –, é muito complicado superar esse argumento que leva em conta a evolução legislativa. Outrossim, e agora lançando mão de um argumento de índole econômica, é preciso dizer que a Instrução Normativa n. 243/2002 é absolutamente desprovida de racionalidade econômica, eis que beneficia aqueles agentes de mercado que pouco valor agregam aos itens que importam de partes vinculadas. Com efeito, nas duas formulações que vislumbrei como possíveis a partir das alterações promovidas pela Lei n. 9.959/00, quanto maior o valor agregado no País menores serão os correlatos ajustes de Preços de Transferência. Diversamente, essa lógica se inverte a partir da fórmula concebida pela Instrução Normativa n. 243/2002: aqui, os ajustes serão tanto maiores quanto menor seja a agregação de valor no território nacional. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.058 29 De fato, em sua formulação irredutível, a fórmula proposta pelo Fisco pode ser reduzida ao seguinte: PP = 0,4PLR.Ci/Ct Realmente, através dessa fórmula, quanto maior for o valor agregado no País, menor será o quociente Ci/Ct. Como o quociente Ci/Ct é diretamente proporcional ao Preço Parâmetro, quanto maior for o valor agregado no País, menor será o quociente em apreço e, consequentemente, menor será o Preço Parâmetro, e daí que maior será a diferença entre o Preço Praticado e o Preço Parâmetro e maiores serão os ajustes. Não é isso o que acontece em relação às duas possíveis fórmulas com lastro na Lei n. 9.959/00. Deveras, em suas versões irredutíveis, elas podem ser exprimidas por: (i) PP = 0,4PLR + 0,6VA; e (ii) PP = PLR – 0,6(PLR.Ci/Ct), que é igual a PP = PLR.(1 – 0,6Ci/Ct) É despiciendo aduzir que quanto maior o Valor Agregado, maior será o Preço Parâmetro e menores serão os ajustes na esteira da fórmula (i), que é a defendida pelo sujeito passivo: percebese nitidamente que, se o Valor Agregado cresce, o Preço Parâmetro cresce. E o mesmo acontece quanto à fórmula (ii). É que, através dessa fórmula, o aumento do Valor Agregado acaba por minorar o quociente Ci/Ct, que é um subtraendo nessa fórmula: e se o subtraendo diminui com a majoração do Valor Agregado, temse que quanto maior for este, maior será o Preço Parâmetro e menores serão os ajustes. Em síntese, a Instrução Normativa n. 243/2002 é representativa daquilo que o conhecido tributarista Antônio Reinaldo Rabelo Filho tratou como incoerência por parte da Receita Federal em coluna publicada no Conjur em 15 de janeiro do ano corrente (http://www.conjur.com.br/2014jan15/reinaldorabeloprecisocoerenciapartereceita federal). É que, ao passo que o legislador trouxe à balha norma que induz o comportamento de agregar mais valor no território nacional, estimulando aquelas sociedades empresárias que muito e substancialmente produzem no País, vem a Receita Federal e, a pretexto de regulamentar o preceito legal, adultera de tal modo o seu teor que a norma passa a produzir efeito diametralmente oposto: sofre menos ajuste quem menos agrega. Um verdadeiro e inaceitável contrassenso. Por fim, salientese que essa Colenda 1a Turma da 1a Câmara da 1a Seção já se pronunciou no sentido da ilegalidade da Instrução Normativa n. 243/2002, o que se deu através do Acórdão n. 1101000.864, que restou assim ementado, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.059 30 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (Processo n. 16643.000308/201018; Rel. designado Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; j. 7.3.2013) É certo que a composição deste Colegiado foi sensivelmente alterada. É certo também que, por ocasião desse julgamento, acompanhei integralmente o ilustre Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Contudo, apesar de chancelar integralmente as conclusões desse precedente, trago à balha unicamente um erro aritmético constante desse julgado, equívoco esse que em nada ofusca o brilhantismo de suas razões. É que o voto vencedor assevera que a fórmula que decorre da Lei n. 9.430/96 seria: PP = 40%.PLR – 60%.VA Percebese que o eminente Conselheiro Guerreiro equivocouse quanto à formulação irredutível dessa equação. Para melhor visualizar esse lapso, trago a balha novamente a fórmula a partir da qual alegadamente se chegaria a essa versão irredutível, qual seja: PP = PLR – 60%.(PLR – VA) Em verdade, para se chegar à irredutibilidade dessa equação, devem ser seguidos os seguintes passos, que hialinamente trarão a lume o erro de que aqui se cuida: PP = PLR – 60%.PLR + 60%.VA PP = 40%PLR + 60%VA Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nesta parte, ante a manifesta ilegalidade da Instrução Normativa n. 243/2002. Salientese que o decidido para fins de IRPJ deve aplicarse à CSLL, eis que o lançamento dessa contribuição é mera decorrência da primeira autuação. Da inclusão, no Preço Praticado, dos valores de frete, seguro e imposto de importação Em relação ao ponto em referência, não assiste razão ao sujeito passivo. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.060 31 Com efeito, temse que os valores de frete, seguro e tributos não recuperáveis incidentes na importação integram, sim, tanto o preço praticado quanto o preço parâmetro, eis que a comparação feita entre ambos deve, por razões lógicas, contemplar grandezas análogas, sendo expressa a norma que impõe a inclusão neste último, a saber, o §4o do art. 4o da IN 243/02, que reza, verbis: Art. 4o (...) §4o Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12 (PRL), serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Salientese que a base legal para esse dispositivo repousa no §6o do art. 18 da Lei n. 9.430/96, dispositivo que, com o advento da Lei n. 12.715/2012, passou a ostentar redação diametralmente oposta. Com efeito, ao tempo dos fatos geradores em análise, o citado §6o do art. 18 estabelecia que, litteris: “§6o Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”. O texto do novel §6o, com o advento da Lei n. 12.715/2012, passou a ser, verbis: § 6o Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) A exemplo do raciocínio empreendido por ocasião da análise da Medida Provisória n. 478 e dos seus impactos na formação da minha convicção quanto à ilegalidade da Instrução Normativa n. 243/2002, não quero crer que o novel preceito tenha sido editado inutilmente, tendo promovido alteração legislativa que não se mostrava necessária. Ou seja, foi apenas com o advento da Lei n. 12.715/2012 que a sistemática de não inclusão de frete, seguro e imposto de importação passou a vigorar, mas essa norma é inaplicável à hipótese. Salientese que esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou nesse exato sentido em bastantes ocasiões, de que são exemplos os seguintes julgados, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.061 32 Anocalendário: 2000 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. AJUSTES DECLARADOS DA DIPJ. DEDUÇÃO. Os ajustes já efetuados pela contribuinte na DIPJ devem ser deduzidos, produto a produto, dos valores apurados pela autoridade fiscal. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. (Processo n. 16327.002092/200532; Acórdão n. 1301000.436; Cons. Paulo Jackson da Silva Lucas; j. 11.11.2010) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. DESQUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não logrando a fiscalização comprovar que as transações utilizadas pela contribuinte na apuração dos preços de transferência segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados) foram realizadas entre pessoas vinculadas, descabe a desqualificação do referido método, devendo os correspondentes ajustes serem excluídos da tributação. PREÇO PRATICADO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. CLÁUSULA CIF. Como decorrência de expressa disposição legal (§6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, antes do advento da Lei nº 12.715, de 2012), e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, o valor do frete, seguro e tributos incidentes na importação devem compor o preço praticado, quer nas operações com cláusula CIF (valor constante dos documentos de importação), quer nas operações com cláusula FOB (ônus suportado pelo importador). CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. (Processo n. 16561.720008/201131; Acórdão n. 1402001.403; Cons. Rel. Fernando Brasil de Oliveira Pinto; j. 9.7.2013; sem grifos no original) Deve ser desprovida, pois, a irresignação do sujeito passivo quanto ao ponto. Salientese que o decidido para fins de IRPJ deve aplicarse à CSLL, eis que o lançamento dessa contribuição é mera decorrência da primeira autuação. Por todo o exposto, caso seja conhecido o vertente Recurso Voluntário, DOU PROVIMENTO PARCIAL à irresignação, nos termos das razões acima declinadas. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.062 33 As compensações de prejuízos devem observar as exonerações promovidas pelo vertente processo, de modo que prejudicado o Recurso de Ofício apresentado nesses autos. Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, os ajustes apurados pela autoridade lançadora decorreram da aplicação do método PRL60. A contribuinte, por sua vez, pede o cancelamento integral da exigência em razão da ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 que, a pretexto de regular os preços de transferência tal como determinados pela Lei n° 9.430/96, produz inovações, criando obrigações totalmente desvinculadas daquelas originalmente fixadas na lei, ferindo o princípio da legalidade. A questão tem sido intensamente debatida nas Turmas desta 1a Seção de Julgamento e é possível dividila em dois pontos principais: · Definição das parcelas que se sujeitam à aplicação do percentual de 60% para cálculo da margem de lucro a ser deduzida na determinação do preço parâmetro; e · Relevância do percentual de participação do insumo no(s) produto(s) vendido(s). Importante esta separação inicial, na medida em que o primeiro ponto guarda relação com as diferentes interpretações extraídas, pelas Instruções Normativas SRF nº 32/2001 e 243/2002, da nova redação dada pela Lei nº 9.959/2000 ao art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, especificamente em sua alínea “d”, ao passo que o segundo ponto diz respeito ao critério de proporcionalização introduzido pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, conjuntamente com a segunda interpretação da lei acima referida. Caso não se promova esta separação, correse o risco de concluir, à semelhança do que expresso no voto condutor do Acórdão nº 1202000.835, de lavra do I. Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que a alteração veiculada pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002 enseja indevida majoração de tributos, quando comparada com a interpretação extraída da lei originalmente pela Instrução Normativa SRF nº 32/2001. Antes, portanto, é necessário aferir se a Instrução Normativa SRF nº 32/2001 veiculava a interpretação mais adequada do texto legal. A declaração de voto do I. Conselheiro João Otávio Opperman Thomé, inserida no Acórdão nº 110200.419 e apresentada em sessão de 30 de março de 2011, começa a delinear com clareza a legalidade do ato normativo que orienta o presente procedimento fiscal, no que tange ao primeiro ponto acima mencionado, qual seja, as diferentes interpretações veiculadas pelas Instruções Normativas SRF nº 32/2001 e 243/2002, em razão da nova redação dada pela Lei nº 9.959/2000 ao art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, especificamente em sua alínea “d”: A recorrente alega que o cálculo previsto na IN SRF 243/2002 extrapolou o que determina a Lei n° 9.430/96, levando a resultados indiscutivelmente dispares dos legais, conforme cálculos comparativos que faz, a titulo exemplificativo. E que a falta de fundamento legal da referida IN é tão evidente, que o próprio Poder Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.063 34 Executivo a reconheceu, ao tentar inserir na MP 478 dispositivo que viria a dar legalidade à fórmula prevista naquele normativo, sendo de se ressaltar, ainda, que a referida MP não foi convertida em lei. Convém, portanto, inicialmente, reproduzir o que diz a Lei nº 9.430/96, e o que diz a IN SRF nº 243/2002, a respeito do cálculo do preço parâmetro nas importações pelo método do PRL, ou Preço de Revenda menos Lucro, reproduzindose somente as partes relevantes para o deslinde desta questão: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços c direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por uni dos seguintes métodos: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o prelo de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei n°9.959, de 2000) § 1o As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. §3o Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. (...) Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de Novembro de 2002 "Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1o Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2o Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.064 35 § 3o Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no inicio do período de apuração. §4o Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II sobre o preço liquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no prego de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV.” De pronto, fica evidente que a Instrução Normativa SRF n° 243/2002, ao detalhar a formula de cálculo, inseriu elementos ou conceitos que não estavam expressamente previstos na Lei nº 9.430/96. Ora, se a Lei já contém todos os elementos necessários e suficientes para possibilitar, de forma inequívoca, o cálculo, não há necessidade de regulamentação normativa. Ocorre que, no mais das vezes, entendendo não estar suficientemente clara a prescrição legal, o legislador normativo busca disciplinar o dispositivo de modo a não apenas explicitar minudentemente o seu comando, mas também de modo a firmar uma interpretação oficial a seu respeito, isto diante da possibilidade de que haja mais de uma interpretação cabível. Em todos os casos, entretanto, há que se averiguar se a disciplina normativa não entrou em choque com o conteúdo do dispositivo legal, de forma a aumentar o valor do tributo que estava previsto na lei. Nos exemplos numéricos oferecidos pela recorrente, o valor do ajuste conforme a IN 243/2002 resulta superior ao ajuste conforme a Lei n° 9.430/96, a indicar que estaríamos diante de um exigência de tributo superior à estabelecida em lei, o que deve ser de fato rechaçado. Contudo, antes de assim concluir, convém revisar as prescrições legais e normativas, e os respectivos cálculos. Tanto a Lei nº 9.430/96 quanto a IN 243/2002 prescrevem que o preço de venda (revenda) dos bens, serviços ou direitos, devem ser diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, e das comissões e corretagens pagas, portanto não há necessidade de maior atenção a este quesito. Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.065 36 Na verdade, a grande diferença entre a Lei e a IN se dá no cálculo da margem de lucro. Margem de lucro é um conceito que comporta diversas acepções, podendo refletir uma certa lucratividade calculada sobre as vendas, ou então um acréscimo ao custo. As mais conhecidas são citadas a seguir. a) Como margem de lucratividade das vendas: Margem Bruta = Lucro Bruto / Receita Operacional Liquida; Margem Operacional = Lucro Operacional / Receita Operacional Liquida; Margem Liquida = Lucro Liquido / Receita Operacional Liquida. b) Como acréscimo ao custo: Markup Global = Lucro Bruto / Custo das Vendas. Embora não tenha a Lei expressamente referido nenhum destes termos, mas apenas feito constar, de modo genérico, a expressão "margem de lucro", é possível verificar de qual deles se trata, em cada caso. Assim, por exemplo, verificase que no método do Custo de Produção mais Lucro (CPL), quando a Lei diz "margem de lucro", estáse referindo ao conceito de Mark up Global acima apresentado. Confirase a dicção do inciso III do art. 18 (destaque acrescido): "III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido pais na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado." Já no método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), a expressão é utilizada no sentido de margem de lucratividade das vendas, e é evidente que a Lei não pode estarse referindo nem à Margem Operacional nem à Margem Liquida. Isto porque tanto o Lucro Operacional quanto o Lucro Liquido sofrem influências de inúmeros outros fatores, tais como receitas e despesas operacionais — no caso do Lucro Operacional — e estas e mais as receitas e despesas não operacionais — no caso do Lucro Liquido. Enfim, de fatores completamente alheios ao custo do bem, serviço ou direito, importado, que é, afinal, o foco central da legislação de preços de transferência, no que toca às importações. Ademais, a fixação pela Lei de um percentual de "margem de lucro" de sessenta por cento afigurarseia deveras desproporcional, ou mesmo irreal, caso se estivesse referindo à Margem Operacional ou à Margem Liquida, sendo mais plausível que se refira a Margem Bruta, ou seja, a um percentual de Lucro Bruto com relação à Receita Operacional Liquida. Em outras palavras, a Lei, por meio da fixação de uma margem de lucro bruto mínima, a ser aplicada sobre um preço de revenda ajustado, determina qual o valor máximo do custo considerado dedutível. Isto posto, consideremos os seguintes dados hipotéticos: 1. Valor do bem importado (Custo de importação) R$ 60,00 2. Valor agregado no país (Custo nacional) R$ 50,00 3. Custo total do bem (=1+2) R$ 110,00 4. Preço líquido de venda do produto final R$ 375,00 A seguir apresento o cálculo do preço parâmetro, e do ajuste, conforme a determinação da Lei nº 9.430/96: Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.066 37 A. Preço líquido de venda (item 4 da tabela de dados) R$ 375,00 B. Margem de lucro 60% (=60% de A) R$ 225,00 C. Valor agregado no país (item 2 da tabela de dados) R$ 50,00 D. Preço Parâmetro (=A B C) R$ 100,00 E. Valor do bem importado (item 1 da tabela de dados) R$ 60,00 F. Ajuste (=E D, se maior que zero) Conforme antes dito, a Lei fixa uma margem de lucro bruto mínima para que o custo seja considerado dedutível. No exemplo acima, a margem de lucro bruto efetiva corresponderia a 70,67%. Nas tabelas a seguir, em que são mantidos constantes todos os demais dados, sendo alterado tão somente o valor do bem importado, fica mais claro como se dá a alteração nos valores do ajuste imposto pela Lei, e como fica a demonstração do lucro bruto. DADOS 1. Valor do bem importado (Custo de importação) 60,00 100,00 140,00 180,00 2. Valor agregado no país (Custo nacional) 50,00 50,00 50,00 50,00 3. Custo total do bem (=1+2) 110,00 150,00 190,00 230,00 4. Preço líquido de venda do produto final 375,00 375,00 375,00 375,00 CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO E DO AJUSTE A. Preço líquido de venda (item 4 da tabela de dados) 375,00 375,00 375,00 375,00 B. Margem de lucro 60% (=60% de A) 225,00 225,00 225,00 225,00 C. Valor agregado no país (item 2 da tabela de dados) 50,00 50,00 50,00 50,00 D. Preço Parâmetro (=A B C) 100,00 100,00 100,00 100,00 E. Valor do bem importado (item 1 da tabela de dados) 60,00 100,00 140,00 180,00 F. Ajuste (=E D, se maior que zero) 0,00 0,00 40,00 80,00 DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO BRUTO Preço líquido de venda 375,00 375,00 375,00 375,00 Custo total efetivo ou máximo admitido pela Lei 110,00 150,00 150,00 150,00 Lucro Bruto 265,00 225,00 225,00 225,00 Margem bruta % efetiva ou máxima admitida pela Lei 70,67% 60,00% 60,00% 60,00% Vejase que, de acordo com os dados, o custo máximo admitido pela Lei, no caso, para o bem importado, é de R$ 100,00, de modo a que seja preservada a margem de lucro bruto mínima de 60%, fixada na Lei. Além disto, verificase que, uma vez atingido este custo máximo (que é o próprio preço parâmetro), cada real a mais de custo acrescido à importação corresponde a exatamente um real de ajuste (adição ao lucro liquido) a ser feito. A recorrente entende que a correta interpretação da Lei n° 9.430/96 resultaria em valores distintos do apresentado. Entende a recorrente que a margem de lucro de 60% deve ser calculada após a exclusão do valor agregado no Pais. Assim, repetindose os mesmos dados acima, os cálculos de acordo com a recorrente seriam os seguintes: DADOS 1. Valor do bem importado (Custo de importação) 60,00 100,00 140,00 180,00 2. Valor agregado no país (Custo nacional) 50,00 50,00 50,00 50,00 3. Custo total do bem (=1+2) 110,00 150,00 190,00 230,00 4. Preço líquido de venda do produto final 375,00 375,00 375,00 375,00 Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.067 38 CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO E DO AJUSTE (conforme a recorrente) A. Preço líquido de venda (item 4 da tabela de dados) 375,00 375,00 375,00 375,00 B. Valor agregado no país (item 2 da tabela de dados) 50,00 50,00 50,00 50,00 C. Preço líquido de venda () valor agregado País (=AB) 325,00 325,00 325,00 325,00 D. Margem de lucro 60% (=60% de C) 195,00 195,00 195,00 195,00 E. Preço Parâmetro (=CD) 130,00 130,00 130,00 130,00 F. Valor do bem importado (item 1 da tabela de dados) 60,00 100,00 140,00 180,00 F. Ajuste (=F E, se maior que zero) 0,00 0,00 10,00 50,00 DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO BRUTO Preço líquido de venda 375,00 375,00 375,00 375,00 Custo total efetivo ou máximo admitido pela Lei 110,00 150,00 180,00 180,00 Lucro Bruto 265,00 225,00 195,00 195,00 Margem bruta % efetiva ou máxima admitida pela Lei 70,67% 60,00% 52,00% 52,00% De acordo com estes cálculos, o custo máximo admitido pela Lei, no caso, para o bem importado, seria de R$ 130,00. Da mesma forma que nos cálculos anteriormente feitos, uma vez atingido este custo máximo (que é o próprio preço parâmetro), cada real a mais de custo acrescido à importação corresponde a exatamente um real de ajuste (adição ao lucro liquido) a ser feito. Contudo, a primeira constatação a ser ressaltada é de que este cálculo não preserva uma margem de lucro bruto mínima de 60%. Além desta inconsistência, salientese que, para tornar possível a interpretação conferida pela recorrente, necessário se torna passar por cima de regras básicas de concordância do nosso vernáculo. Confirase novamente o texto legal, agora acrescido dos destaques a seguir: "II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos diminuídos. a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) I. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados a produção; ( Incluído pela Lei n° 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei n°9.959, de 2000)" Percebase que não é possível a concordância entre a expressão "os valores referidos nas alíneas anteriores" e a expressão "e do valor agregado no País", ou seja, não é possível, em bom português, deduzir "os valores e do valor" de uma mesma base, que seria, no caso, o preço de revenda. Por outro lado, é clara a concordância entre todas as expressões constantes das alíneas ‘a’, ‘b’, ‘c’, ‘d’, e da segunda parte do item 1 ("e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção"), como se fossem todos valores a serem subtraídos diretamente do "preço de revenda" citado no inciso II. É certo que a Lei não contém expressões inúteis, e muito já se debateu, neste e em outros fóruns, quanto à importância de uma preposição, de vez que a sua existência ou não em uma frase pode conduzir a conclusões muito díspares entre si. Portanto, em que pese a formulação do texto legal, quanto à sua disposição nas alíneas e itens, do inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, não tenha atendido à Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.068 39 melhor técnica legislativa, o fato é que as regras de concordância da língua portuguesa levam à conclusão de que a segunda parte do item 1 ("e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção") exerce a função, em verdade, de uma alínea à parte, dissociada do cálculo da margem de lucro, i.e., consta ali como se se tratasse de urna alínea ‘e’, aplicável, contudo, somente no caso de bens importados aplicados à produção, mas não às demais hipóteses. Por este motivo, não procede a metodologia de cálculo apresentada pela recorrente, posto que baseada em interpretação incorreta do quanto disposto na Lei acerca da aplicação da margem bruta de lucro de 60%. Passando ao segundo ponto do debate, qual seja, a adoção, nos cálculos da Fiscalização, do percentual de participação do insumo no(s) produto(s) vendido(s), consoante orientado na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, temse que referido ato normativo assim dispôs: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. [...] § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II sobre o preço liquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.069 40 V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no prego de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (negrejouse) Significa dizer que, para expurgar do preço líquido de venda do produto o valor agregado no País e a margem de lucro de 60%, deve ser determinado quanto o bem, serviço ou direito importado representa no preço líquido de venda do produto, e desta parcela será deduzida a margem de lucro. Tratase, apenas, de uma outra operação matemática para alcançar o resultado fixado pela lei: identificar, a partir do preço líquido de venda do produto entre partes independentes, a parcela representativa do bem, serviço ou direito importado de pessoas vinculadas, considerandose uma margem de lucro bruto de 60%. É possível dizer que o cálculo orientado pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002 apenas faz um recorte inicial do preço líquido de venda, para nesta parcela identificar o custo do insumo importado e a margem de lucro a ele correspondente. De uma forma muito simplista, apenas para facilitar a compreensão do tema, as três formas de cálculo cogitadas para o método PRL60 podem ser assim representadas: A metodologia orientada pela Instrução Normativa SRF º 243/2002 pode trazer resultados distintos daqueles obtidos na primeira interpretação extraída da Lei nº 9.959/2000. Mas, retomandose a declaração de voto do I. Conselheiro João Otávio Opperman Thomé, temse interessante abordagem dos efeitos práticos de sua aplicação: Falta ainda, por fim, verificar como ficariam os cálculos do preço parâmetro e do ajuste, e a demonstração do lucro bruto, em consonância com o que dispõe a IN SRF nº 243/2002, considerandose os mesmos dados do exemplo anterior. E o que consta nas tabelas a seguir: DADOS 1. Valor do bem importado (Custo de importação) 60,00 100,00 140,00 180,00 2. Valor agregado no país (Custo nacional) 50,00 50,00 50,00 50,00 3. Custo total do bem (=1+2) 110,00 150,00 190,00 230,00 4. Preço líquido de venda do produto final 375,00 375,00 375,00 375,00 CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO E DO AJUSTE (conforme a IN SRF 243/2002) A. Relação percentual = Custo importado/custo total 54,55% 66,67% 73,68% 78,26% B. Preço líquido de venda (item 4 da tabela de dados) 375,00 375,00 375,00 375,00 C. Participação importado no preço de venda (=A x B) 204,55 250,00 276,32 293,48 D. Margem de lucro 60% (=60% de C) 122,73 150,00 165,79 176,09 E. Preço Parâmetro (=C – D) 81,82 100,00 110,53 117,39 F. Valor do bem importado (item 1 da tabela de dados) 60,00 100,00 140,00 180,00 G. Ajuste (=F E, se maior que zero) 0,00 0,00 29,47 62,61 Margem de Lucro Valor Agregado Custo do Ins. Imp. Cálculo segundo a Lei nº 9.959/2000 Cálculo segundo a IN SRF nº 243/2002 Custo do Insumo Importado Valor Agregado Custo do Insumo Importado Outros Insumos Margem de Lucro Margem de Lucro Cálculo segundo a IN SRF nº 32/2001 Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.070 41 DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO BRUTO Preço líquido de venda 375,00 375,00 375,00 375,00 Custo total efetivo ou máximo admitido pela Lei 110,00 150,00 160,53 167,39 Lucro Bruto 265,00 225,00 214,47 207,61 Margem bruta % efetiva ou máxima admitida pela Lei 70,67% 60,00% 57,19% 55,36% Da análise das tabelas acima, constatase o seguinte: a) a metodologia de cálculo prevista na IN não preserva uma margem de lucro bruto mínima de 60%; b) o preço parâmetro jamais atinge um valor máximo, pois sempre varia conforme também se altera o próprio valor pelo qual se efetiva a importação; c) embora se aumente o preço praticado na importação, até mesmo a patamares totalmente artificiais, nunca o acréscimo de ajuste será equivalente ao acréscimo de preço praticado. Todas estas inconsistências são fruto da distorção causada pela própria fórmula adotada, ao determinar que o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados seja apurado com relação ao custo total do bem produzido, em conformidade com a planilha de custos da empresa, o que acaba por incluir no cálculo a parcela relativa também ao custo agregado no Pais (em contrariedade ao que determina a Lei). Interessante observar, por fim, um resumo geral dos ajustes a serem procedidos, conforme cada uma das interpretações apresentadas para o cálculo pelo método PRL, no exemplo dado. É o que consta na tabela a seguir: QUADRO RESUMO DOS AJUSTES DECORRENTES DO MÉTODO PRL Conforme a recorrente interpreta a Lei 9.430/96 0,00 0,00 10,00 50,00 Conforme a IN 243/2002 0,00 0,00 29,47 62,61 Conforme a Lei 9430/96 0,00 0,00 40,00 80,00 As diferentes interpretações foram propositalmente postas na ordem crescente dos valores dos ajustes a elas relativo, de modo a evidenciar que a interpretação conferida pela IN SRF nº 243/2002, não obstante as críticas que a ela se fez, termina por gerar valores inferiores àqueles que determina a Lei n° 9.430/96, embora superiores àqueles apurados conforme a interpretação proposta pela recorrente. Portanto, ao contrário do que sustenta a peça recursal, o cálculo proposto pela IN SRF nº 243/2002, em vez de provocar a exigência de tributo sem base legal e em valor superior ao devido, na verdade atua em sentido contrário, sempre em beneficio do contribuinte. Ressalto que formulei diversos outros exemplos, alterando dados, ora fazendo variar isoladamente um ou outro valor determinado, sempre chegando a esta mesma conclusão. Assim, não obstante as críticas que se possa fazer à metodologia de cálculo prevista na IN SRF n° 243/2002, é certo que de sua aplicação jamais resulta prejuízo ao contribuinte, não fazendo sentido este demandar que seja aplicado, em detrimento da fórmula que o beneficia, cálculo diverso que lhe seria mais oneroso. Neste sentido, a força normativa da referida IN tanto protege o contribuinte que siga o seu comando, nos termos do que dispõe o art. 100 do CTN, quanto vincula a atuação da administração tributária da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de sorte que deve a mesma ser observada na aplicação do cálculo dos ajustes relativos aos preços de transferência pelo método PRL. Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.071 42 Alem disto, digno de registro que uma das virtudes da fórmula estabelecida pela IN SRF nº 243/2002 é facilitar o cálculo dos ajustes individuais a serem procedidos, especialmente nos casos em que, para um mesmo produto, são utilizados mais de um bem, serviço ou direito importado. Com estas considerações, é de se rejeitar o argumento de ilegalidade e inadequação do cálculo do PRL previsto na IN SRF n° 243/2002. Diante destes argumentos é possível concluir que: 1) é legítima a interpretação de que o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção é mais um dos redutores dos preços de revenda dos bens ou direitos, que ajustado pela redução dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas, é também diminuído pelo valor correspondente à margem de lucro de sessenta por cento calculada sobre valor resultante daquelas reduções; e 2) é válida a metodologia adotada pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002 que atende ao objeto da lei, mediante a dedução da margem de lucro bruto depois de recortado, do preço de líquido de venda, a parcela representativa ao insumo importado aplicado ao produto, dele assim expurgando, também, o valor agregado no país. No mesmo sentido é o entendimento firmado pelo I. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, em voto condutor do Acórdão nº 110200.610 (sessão de 23 de novembro de 2011), no qual além de desenvolver outros exemplos numéricos para demonstrar a compatibilidade do ato normativo com o texto legal, o I. Conselheiro ampliou tal exercício para evidenciar os efeitos da proporcionalização do bem no preço final, aqui questionada pela recorrente por representar a inserção de novos conceitos para além do que expresso no texto legal: 1) Preços de Transferência – ajustes – IN/SRF nº 243/2002: Na apuração do ajuste de preços de transferência referente às operações de importação de insumos junto a empresas ligadas domiciliadas no exterior, a autoridade fiscalizadora valeuse do mesmo método utilizado pelo sujeito passivo, ou seja o PRL60. Não há controvérsias quanto a ser este o método mais indicado ao presente caso. A querela cingese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. O principal argumento de defesa utilizado pelo sujeito passivo dirigese ao fato de ter seguido exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.072 43 A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/96, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando em aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.073 44 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 300,00 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.074 45 Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.”1 [1 Preços de Transferência: uma avaliação sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3o vol. São Paulo: Dialética, 2009, p. 170195] Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal. Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.075 46 “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2002 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda, estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.076 47 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (R$ 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, em ajuste maior. A Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000, autoriza a utilização do método PRL na hipótese de bens importados aplicados à produção, e o §11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 apenas explicita metodologia de cálculo que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado em razão de sua participação no preço de venda do bem produzido. É perfeitamente razoável a orientação administrativa, que, também aqui, adota uma das interpretações possíveis em face da amplitude do conceito legal, e assegura a uniformidade na aplicação da lei tributária. À mesma conclusão chegou o I. Conselheiro Marcelo Cuba Netto, ao manifestarse no voto condutor do Acórdão nº 120100.658, proferido na sessão de 14 de março de 2012. Nos anexos deste voto, o I. Conselheiro apresenta a representação matemática da interpretação defendida pela contribuinte, acerca do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (Anexo 1), e a representação matemática da interpretação correta, no mesmo sentido daquela exposta pelo I. Conselheiro João Otávio Opperman Thomé (Anexo 2), para assim desenvolver exemplos numéricos comparativos das duas interpretações (Anexo 3 e 4). Na seqüência, apresenta a representação matemática do método PRL60, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 (Anexo 5), para então comparála com a representação matemática da interpretação correta do art. 18 da Lei nº 9.430/96 (Anexo 6), e desenvolver novos exemplos numéricos comparativos (Anexo 7), os quais evidenciam que os ajustes exigidos pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002 são inferiores àqueles que seriam necessários nos termos do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Em suas palavras: A representação matemática do método PRL60, segundo a Instrução Normativa SRF nº 243/2002, encontrase no anexo 5 a este voto. Pois bem, conforme visto no item III e seus subitens, considerada incorreta a interpretação da ora recorrente sobre o art. 18 da Lei nº 9.430/96, a questão da legalidade ou ilegalidade da IN SRF 243/2002 deve ser examinada frente à correta interpretação daquela norma, conforme representação matemática presente no anexo 2. Isso posto, em primeiro lugar cabe destacar que o método PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243/2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96, conforme matematicamente demonstrado no anexo 6. No anexo 7 apresentase uma tabela com as diferenças encontradas em um exemplo hipotético. Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.077 48 I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do método PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243/2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, não há que se falar em violação ao princípio da legalidade. O voto do I. Conselheiro Marcelo Cuba Netto também enfrenta o argumento lingüístico, centrado na redação do art. 18 da Lei nº 9.430/96, afirmando que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro citada no referido dispositivo, e ainda aborda o que classifica como argumento lógico desta construção, nos seguintes termos: Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 estabelece as regras para apuração do preço parâmetro, o qual é conceituado como o preço que seria praticado na importação de um determinado bem, acaso essa operação fosse realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do método PRL60, o preço parâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado bem produzido no Brasil, bem esse em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado, adquirido de uma pessoa vinculada no exterior. Em outras palavras, no preço de venda do bem produzido no país está incluído o preço de aquisição do bem importado, o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro) Isso posto, é lógico que, para apurarse o preço parâmetro do bem importado pelo método PRL60, é necessário que, do preço de venda do bem produzido sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, tal como demonstrado nas equações (1B) a (3B) do anexo 2. Ocorre que, pela interpretação defendida pela recorrente, o valor agregado no país, ao invés de ser subtraído do preço de venda do bem produzido, é adicionado, conforme comprovam as equações (1A) a (3A) do anexo 1. O equívoco é, pois, logicamente evidente. Por fim, o I. Conselheiro ainda acrescenta: III.3) Argumento Sistemático Em contraposição ao argumento lógico, afirma a recorrente que a adição do valor agregado no cálculo do preço parâmetro, ao invés de sua lógica subtração, representa um benefício fiscal para que indústrias elevem a participação de insumos nacionais na composição dos bens por elas produzidos (redução de importações). Quanto a isso há que se ter em conta, primeiramente, que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não menciona a expressão “benefício fiscal” ou qualquer outra a ela semelhante. Ademais, a interpretação segundo a qual o art. 18 da Lei nº 9.430/96 concede benefício fiscal às pessoas jurídicas que importem bens junto a pessoas vinculadas, em detrimento das que importam de pessoas não vinculadas, não é consentânea com a Constituição e, por isso, deve ser evitada. Realmente, benefício fiscal como o defendido pela recorrente violaria claramente o princípio da isonomia, pois implicaria em tratamento desigual a pessoas que se encontram na mesma situação jurídica. Nesse sentido, havendo, como há, outra interpretação possível, consentânea com a Constituição, esta será preferível. Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.078 49 Por tudo o que foi visto acima, revelase incorreta a interpretação defendida pela contribuinte acerca do método PRL60 contido no art. 18 da Lei nº 9.430/96. A abordagem feita pelo I. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto mereceu críticas em julgamento realizado em 10 de abril de 2012, na 2a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção. No voto condutor do Acórdão nº 130200.915, a I. Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira expressa entendimento contrário ao até aqui apresentado, abordando o conceito econômico de valor agregado e estabelecendo seu significado, para fins de preço de transferência, como custo mais margem, rejeitando uma identidade necessária entre custo e valor agregado. E, neste sentido, tendo em conta um dos exemplos citados pelo I. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, observa: Recentemente, no Acórdão 110200610, o Conselheiro relator Leonardo de Andrade Couto decidiu que a IN SRF 243/02 é legal, pois traz uma interpretação mais favorável da Lei do que resultaria sua aplicação literal. Para chegar a essa conclusão, o julgador entendeu que o valor agregado no Brasil coincide com o custo agregado no Brasil. Entendeu assim o Conselheiro que a Lei determina aplicar a seguinte fórmula para cálculo do preço de transferência: Fórmula 6 – Acórdão 110200610 (consoante Exemplo 4 do referido Voto) PP = [PLV x (160%)]– CAB, onde PP equivale a preço parâmetro PLV ao preço de revenda líquido de descontos, tributos, comissões CAB equivale ao custo agregado no Brasil. Tal entendimento substitui o termo “valor agregado no país”, disposto na Lei, por “custo agregado no país”. Conforme pontuei ao longo deste voto, os dois termos têm conceitos econômicos e tributários distintos. Ao se adotar a legislação tributária pátria, “valor agregado” não se confunde com “custo agregado”. A fórmula encontrada pelo respeitado Conselheiro acaba resultando, ainda, quando aplicada na prática, em hipóteses em que a empresa brasileira importa um determinado bem e ainda tem que receber, da empresa estrangeira, um troco, uma receita, para que não tenha ajuste de preço de transferência. Verificase isso pelos exemplos abaixo, em que comparamos a metodologia da IN SRF 243/02 (Fórmula 2), com a metodologia proposta pelo respeitado Conselheiro (Fórmula 6). Dentre os exemplos elaborados, a I. Conselheira demonstra que, considerandose o custo total de $ 100, composto por custo entre partes relacionadas de $ 50, e outros custos de $50, e praticando a empresa uma margem de lucro efetiva de 15%, seu preço de revenda líquido seria $118, a partir do qual, considerando a fórmula de cálculo adotada no Acórdão 110200.610, o preço parâmetro teria valor negativo de $3, a exigir ajuste de $ 53 a título de preço de transferência. Anota a I. Conselheira que esta situação representaria zona de absurdo em que o preço parâmetro acaba sendo credor, ou seja, além de importar a empresa brasileira tem que receber recursos para não ter ajuste de preço de transferência. Notese que a fórmula de cálculo que resulta em indedutibilidade total do custo do bem importado – o ajuste de preço de transferência está limitado ao valor do custo deduzido, ainda que o preço parâmetro resulte negativo – é aquela extraída da literalidade da lei, qual seja, a que deduz do preço líquido de venda ($118) a margem de lucro de 60% deste valor ($71) e o valor agregado no país ($50). Admitida a interpretação veiculada na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, a margem de lucro de 60% seria excluída da participação do Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.079 50 insumo importado no produto vendido, equivalente a $59, o que resultaria em preço parâmetro de $24, e consequentemente em adição de $26. De toda sorte, é certo que tais circunstâncias podem, de fato, ocorrer quando não se admite que a Lei nº 9.959/2000 determinou o cálculo da margem de lucro sobre o preço líquido de venda reduzido pelo valor agregado no país. Todavia, a adoção de uma margem de lucro de, apenas, 15% como no exemplo citado, pode tanto refletir uma situação especial na qual a empresa precisa colocar seu produto no mercado a um preço mais baixo, como também pode indicar a possibilidade de manipulação do preço do insumo entre partes relacionadas, permitindo à empresa brasileira operar com margem de lucro reduzida, abaixo do patamar de 60% mínimo fixado em lei, deixando de auferir no Brasil os resultados que já foram antecipadamente transferidos para o exterior mediante a aquisição de um insumo por valor superior ao devido. Assim, ainda que eventualmente promovendo injustiças, a presunção estabelecida em lei prestase, efetivamente, a combater manipulações de preços entre partes relacionadas, justificando sua adoção para determinação dos ajustes de preços de transferência. A I. Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira também aborda várias nuances econômicas para concluir que a Instrução Normativa SRF nº 32/2001 adotou uma interpretação possível diante da Lei nº 9.959/2000, a qual, além de não fazer uso de equivocado conceito acerca de valor agregado, somente enseja ajustes de preço de transferência quando a margem de lucro praticada é inferior a 25% e o índice de nacionalização da produção é inferior a 30%. E, especificamente em relação a este último ponto, e não apenas por este motivo, é imperioso reproduzir as razões de decidir do I. Conselheiro Antonio Bezerra Neto, ao elaborar o voto condutor do Acórdão nº 140100.800, no qual se concluiu pela legalidade da metodologia de cálculo orientada pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Seus excertos são, a seguir, reproduzidos: LEGALIDADE DA IN 243/2002 Posta essas questões preambulares passemos ao enfrentamento direto da questão da legalidade da IN 243/2002, começando obviamente por uma interpretação gramatical que é o ponto de partida de qualquer interpretação. Depois, exploraremos aspectos matemáticos relacionados à simplicidade de cada uma das fórmulas em questionamento. A seguir faremos uma interpretação sistemática e finalística buscando pela racionalidade das fórmulas. Demonstraremos matematicamente alguns “mitos” que giram em torno da proporcionalização efetivada pela IN 243/2002. Por fim, submeteremos a um “teste de resistência” os mais fortes argumentos utilizados pelos doutrinadores no que tange a colocar à prova a legalidade da IN 243/2002. A grosso modo a Recorrente se insurge contra a metodologia de cálculo aplicada pela fiscalização com lastro na IN SRF nº 243/2002. Segundo ela, a metodologia de cálculo da Lei nº 9.430/96 não deixaria margens para qualquer mudança por meio de ato infralegal, onde modifica completamente o texto da norma com a inserção inclusive de conceitos de participação de bens importados no preço de revenda final, majorando assim a sua carga tributária em relação a IN anterior. A princípio esclareçase, por importante, que a Lei nº 9.430/96 em sua redação original somente previa para o cálculo da margem de lucro um percentual de 20% a ser aplicado sobre o preço de revenda dos bens ou direitos. Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.080 51 Uma interpretação apenas gramatical da referida norma apontava então para a impossibilidade de aplicação do referido método a situações que não fossem simples revenda de produtos importados sem a agregação de custos por meio de produção local. Nesse sentido, a Lei foi disciplinada pela IN SRF nº 38/97, que claramente vedava a utilização do PRL nessa situação específica, restando apenas como opção os métodos PIC (Preços Independentes Comparados) do CPL (Custo de Produção mais Lucro). Tal fato foi questionado pelos Contribuintes e o então “Conselho de Contribuintes”, atual CARF, produziu jurisprudência contra essa interpretação meramente gramatical. No caso a jurisprudência passou a afirmar a possibilidade aplicação do método PRL aos casos em que se agrega valor no país e não somente para os casos de simples revenda. É nesse contexto e vindo dar guarida às pretensões dos contribuintes é que foi editada a Lei nº 9.959/00, que alterou o art.18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, cuja interpretação passou também a ser a base da presente controvérsia. No caso, criou se também a margem de lucro de sessenta por cento, dessa feita para os casos em que sobre a importação se agrega valor no país para subseqüente revenda. Mas, a lide circunscrevese não sobre esse percentual, mas sobre a base de cálculo sobre a qual ela incide. Eis os seus exatos termos do referido preceptivo legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (destaquei) A interpretação gramatical é a primeira interpretação que se faz e é muito importante, pois apesar de não conseguir no mais das vezes definir univocamente uma determinada interpretação, ela serve sobretudo para eliminar inúmeras outras interpretações. Esse é o ponto! Dessa forma, essa etapa sempre será seguida por outros métodos de interpretação que possuem o fim de submeter à teste de adequação as hipóteses concorrentes elencadas na etapa anterior. Somente a partir do resultado final desse processo é que poderemos nos referir a uma interpretação adequada para determinada norma. Antes disso, como já se colocou, se referir a uma interpretação legal a partir da semântica apenas do texto da norma ou afirmar que a carga tributária seria maior ou menor é cair na falácia da petição de princípio, dando por provado aquilo que se quer provar. Outrossim, o efeito tributário também é uma consequência da Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.081 52 interpretação mais adequada que se dê ao texto da norma, nunca podendo ser a causa ou justificativa para uma interpretação. Interpretação Gramatical Fórmula adotada pela IN 32/2001 e pela Recorrente A Recorrente faz a seguinte leitura gramatical do texto acima da Lei: “60% sobre o valor integral do preço líquido de revenda do produto menos o valor agregado no País”, representando a seguinte fórmula: PP1= PLV – 60%(PLV – VA) ou PP1= 40% PLV + 60% VA PP1=Preço parâmetro PLV=Preço líquido de Revenda VA =Valor agregado Fórmula adotada pela IN 243/2002 Fórmula geral analítica: PP2= PLV – 60%PLV – VA1 Fórmula sintética: PP2=40%PLV VA A diferença entre elas, matematicamente falando é apenas os parêntesis, denotando de plano um problema comum na linguagem, que é o da ambigüidade no plano semântico. Uma outro aspecto que transparece da fórmula da IN 32/2001 em contraponto com a da IN 243/2002 é da feiúra da primeira e falta de simplicidade. O famoso físico Richard Feynman expressou essa verdade intuitiva quando disse: “Você pode reconhecer a verdade por sua beleza e simplicidade. Quando você a apreende corretamente, é óbvio que ela é correta – pelo menos se você tem alguma experiência... Os inexperientes, os birutas e pessoas assim, fazem suposições simples, mas você pode perceber imediatamente que eles estão errados, de modo que isso não conta. Outros, os estudantes inexperientes, fazem suposições que são muito complicadas, e de certo modo parece que está tudo certo, mas sei que não é verdade porque a verdade sempre se revela mais simples do que pensava.” 2 Apenas olhando para as duas fórmulas meu senso matemático indica que a fórmula da IN 243/2002 é mais simples e bonita. Mas, vamos avante. No plano gramatical e semântico, a favor da interpretação da IN 243/2002 temos que a expressão “diminuídos” concorda gramaticalmente em um primeiro momento com “sessenta por cento sobre o valor líquido de revenda” e a seguir com a expressão “... do valor agregado no país”. Outro ponto a favor dessa interpretação gramatical, está no fato de que teria optado em manter a expressão “e do valor agregado” junto no mesmo item porque caso se criasse um terceiro item isso ficaria incompatível com a existência de apenas duas metodologias de cálculo e não três, afinal o item estava sendo utilizado para representar de forma autônoma cada uma das metodologias: PRL 60 e PRL 20. 1 A fórmulação exata constante na IN 243/2002 (PPn=%nPL –60%(%nPL) ), onde se incorpora efetivamente o fator ponderação de custos para fazer face à produto final revendido que incorpora mais de um insumo importado, será analisada em tópico à parte mais adiante no voto. 2 Richard Feynman, citado em Hiperespaço, Rocco, página 149. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.082 53 De outra banda, em favor da interpretação conduzida pela Recorrente teríamos a ausência de uma vírgula antes da expressão “e do valor agregado” para ficar bem caracterizado ai a ausência dos parêntesis. Ora, mas se o objetivo do legislador fosse este mesmo de diminuir o valor agregado da margem de lucro por meio de parêntesis: PP= PLV – 60%(PLV – VA), por óbvio que o seu esforço de bem representar essa situação mais específica deveria ser seguida de uma redação mais robusta que contemplasse essa peculiaridade. Não se desincumbido bem dessa carga de prova, seja através da explicitação da fórmula matemática propriamente dita, como fazemos neste voto, seja através de uma formulação lingüística que ficasse mais claro isso, só se pode interpretar a formulação sem a existência dos parêntesis, ou seja, o valor agregado diminuindo diretamente o PLV para se chegar ao isolamento do preço parâmetro do produto importado (PP). Como se vê, ambas as interpretações poderiam ser possíveis a nível gramatical ou semântico, muito embora num cotejo raso entre as duas, existam mais pontos a favor da interpretação da IN 243/2002. Outrossim, se sopesarmos o valor de um erro de concordância nominal contra um erro de vírgula, pareceme cristalino que pressupor um erro de concordância nominal seria mais grave do que um mero erro de vírgula. Nesse sentido, no nível sintático/gramatical, parece mais razoável que a norma esteja a prescrever no cálculo da margem bruta de lucro, que seja considerado 60% sobre o valor líquido de revenda, portanto, daquela parcela que foi importada e, posteriormente, revendida diminuídos depois do valor agregado no país. Mas, por amor ao debate avancemos nos próximos métodos de interpretação. Interpretação lógica e matemática Uma outro aspecto que transparece da fórmula é da IN 32/2001 em contraponto com a da IN 243/2002 é da “feiúra” da primeira e falta de simplicidade. Como já se colocou retro, mas não custa repetir, o famoso físico Richard Feynman expressou essa verdade intuitiva quando disse: “Você pode reconhecer a verdade por sua beleza e simplicidade. Quando você a apreende corretamente, é óbvio que ela é correta – pelo menos se você tem alguma experiência... Os inexperientes, os birutas e pessoas assim, fazem suposições simples, mas você pode perceber imediatamente que eles estão errados, de modo que isso não conta. Outros, os estudantes inexperientes, fazem suposições que são muito complicadas, e de certo modo parece que está tudo certo, mas sei que não é verdade porque a verdade sempre se revela mais simples do que pensava.” 3 Essa mesma intuição não passou despercebida de Polizelli4: A aceitação da fórmula 60% sobre ( o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País) implicaria em se vencer um verdadeiro desafio interpretativo, pois cria um novo método de determinação de preço parâmetro distinto do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, cuja previsão legal determina que as margens de lucro sejam sempre sobre o produto ou parcela importada ou revendida. Por outras palavras, com essa interpretação perdese uma característica básica do método que é o “isolamento”. O método de cálculo é feito de “frente para trás”. Intuitivamente partimos do Preço de Revenda e vamos retirando tudo aquilo que seja possível até chegarmos, até isolarmos o preço parâmetro de importação para 3 Op. Cit. 4 “Parâmetros para a definição de valor agregado e interpretações possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao método PRL de preços de transferência”. Revista de Direito Tributário Internacional. Ano 1, nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006. Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.083 54 subseqüente comparação com o preço real importado. Uma vez isolado o preço de importação é que sobre ele deve incidir a margem bruta de lucro de 60%. Somente a fórmula da IN 243/2002 persegue esse desiderato e faz o isolamento de forma perfeita, pois ela retira todo o valor agregado, que é uma variável complicadora e muito peculiar do caso concreto e como tal deve ser expurgada, mesmo porque a margem bruta de 60% vem justamente substituíla. A fórmula da IN 32/2001 ela não expurga o valor agregado, ela faz algo diferente, ela adiciona 60% do valor agregado! PP1= PLV – 60%(PLV – VA) ou PP1= 40% PLV + 60% VA Como se vê ela falha em simplicidade, na medida em que a referida fórmula contempla a subtração do Valor Agregado que por sua vez diminui o Preço de Revenda isso tudo no contexto de uma outra diminuição realizada sobre o Preço de Revenda, o que redunda em uma adição “disfarçada” do Valor Agregado para a formação do Preço Parâmetro. Ora, afora a questão de falta de simplicidade da fórmula, por que motivo adicionar e não subtrair, e apenas parte do valor agregado e por que nesse percentual de sessenta por cento? Afinal o percentual de 60% seria apenas para cobrir a margem de lucro bruta? Todos os termos de uma fórmula matemática tem que ter uma razão de ser bem objetiva e explicável. Não há razão lógica alguma para esse fato, a não ser admitirmos que essa interpretação é produto de um erro dando origem a essa fórmula por acaso. Interpretação finalística A fórmula da IN 32/2001 ao deixar de subtrair o valor agregado como era de se esperar para atingir o isolamento do valor importado a ser comparado, e ir pelo caminho ilógico de adicionar 60% do valor agregado para apurar o preço parâmetro, faz com que a fórmula deixe de funcionar adequadamente, deixando de fazer os ajustes necessários nos casos de manipulação de preços importados entre partes relacionadas, objetivo maior do Preço de Transferência. E essa distorção acontece, justamente porque a variável independente Preço Parâmetro ((PP) a ser calculada aumenta diretamente proporcional a 60% do Valor agregado (VA). Ou seja, quanto maior o valor agregado no país maior se torna o PP e consequentemente menores vão ficando os ajustes até o ponto de não ter mais ajuste nenhum, independente de se fazer manipulação no Preço de importação. Um comportamento absurdo. Nunca esperado para essa fórmula. Outrossim, os Preços Parâmetros calculados com base nessa metodologia distorcida não guarda a mínima correspondência com o valor do bem importado, o que é outro absurdo e precisaria ser explicado. Apesar de taxar de ilegal a IN SRF nº 243/02 o tributarista Schoueri, termina por concordar com a distorção acima apresentada: “7.6.1.3.1 Segundo tais autores, a fórmula acima seria criticável, já que, ao incluir o valor agregado na parcela da margem, surge um encontro de subtrações, o que implica uma adição. Em outras palavras, quanto maior o valor agregado, maior seria o preço parâmetro e, portanto, menor a necessidade de ajuste fiscal. 7.6.1.3.2 Essa observação leva a uma aparente incongruência na aplicação do método. Afinal, se a margem de lucro deve ser suficiente para cobrir todos os custos locais, então lógico seria que quanto maior fosse o volume dos custos locais, tanto maior fosse a margem; aplicandose a fórmula acima, chegase ao contrário: a margem de lucro diminui conforme se agrega valor no País. No limite, caso se agregasse enorme valor no País (e, portanto, caso se necessitasse de uma margem de lucro suficiente para Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.084 55 remunerar tal agregação de valor), a margem resultante da aplicação da fórmula acima seria negativa. 7.6.1.3.3 O argumento é forte e coerente e, de fato, não parece passível de contestação a partir da lógica dos preços de transferência. Seria de se esperar que tivesse o legislador cuidado de ampliar a margem de lucro conforme houvesse maior agregação de valor, nunca o contrário. 5 Porém, o mesmo renomado autor objeta que isso seria um efeito indutor positivo previsto pelo legislador para favorecer a agregação de valor no país e que não poderia ser desprezado. Ora, mas o objetivo do mecanismo de preço de transferência é outro completamente diferente não podendo se amoldar a tal desiderato. Na verdade o que se tenta justificar é um efeito errático da fórmula, se seguida uma interpretação errônea, que coincidentemente dá ensejo a um efeito indutor, mas que por óbvio não pode ser considerado um objetivo maior do Preço de Transferência, mormente quando esse efeito indutor torna a fórmula inútil para evitarse manipulação de preços importados advindos de aquisições entre partes relacionadas, finalidade maior desse instituto. Outro aspecto da fórmula não explicado pelos defensores da lógica da IN 322001 seria o porquê do legislador se utilizar da expressão matemática (PL VA) na fórmula PP=PLV 60%(PL – VA). Ora, (PL – VA) nada mais é do que Preço do Produto Importado (PPI) +Lucro. Então a margem bruta é uma expressão que faz incidir o percentual de 60% não sobre o valor agregado, mas sobre o próprio preço do produto importado mais o lucro. Ora, por que então não se fez referência direta a essas variáveis. E outra coisa, como explicar que a Margem Bruta seja uma grandeza que dependa do “Preço do bem importado”, se o Preço Parâmetro, que tem paralelismo com o Preço do bem importado, é justamente o que se pretende encontrar? Questão prenhe de questões, todas elas não elucidadas. Por que? Porque é produto da escolha por acaso da interpretação literal equivocada que só pode redundar em irracionalidade na fórmula produzida. Interpretação Sistemática Uma interpretação sistemática da referida fórmula envolve a análise dela a partir dos parâmetros da OCDE. Nesse passo, Victor Borges Polizelli em excelente artigo aponta que a fórmula da IN 243/2002 com a estrutura explícita de “Preço menos Margem de Lucro menos Valor Agregado” apesar de aparentar mudar a estrutura convencional dessa metodologia (“Preço menos Margem de Lucro” apenas) indica que as diretrizes da OCDE longe de vedar essa estrutura até a recomenda quando se é possível adotála. E não poderia ser diferente uma vez que essa nova estrutura é a que melhor se amolda ao conceito de isolamento dos produtos importados, conforme já tratado em outro tópico. Eis a doutrina de Polizelli: Em socorro dessa proposta de interpretação, convém indicar que as diretrizes da OCDE, enquanto orientações gerais, não vedam expressamente a exclusão do valor agregado paralelamente à exclusão da margem de lucro. Pelo contrário, como já adiantado, a OCDE reconhece que é mais difícil determinar uma margem de lucro adequada para as situações em que há grande agregação de valor ao produto (item 2.22). Mais ainda, as diretrizes da OCDE (item 2.19) sugerem que seja conferido maior peso a outros atributos de comparabilidade (funções realizadas, circunstâncias econômicas etc.) quando a margem de lucro disser mais respeito a esses atributos do que ao próprio componente importado. 5 Preços de transferência no direito tributário brasileiro, 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2006, pp.159160. Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.085 56 Colocamse assim algumas questões: será que a legislação brasileira não veio a atender exatamente a essas recomendações da OCDE, quando previu a exclusão individualizada do “valor agregado no País”? Seria essa uma forma adequada de se atribuir maior peso à função de produção e à circunstância econômica de alta agregação de valor? 6 E na seqüência o autor indiretamente toca no ponto da falta de simplicidade que por sua vez se liga na falta do “isolamento”, questões já sublinhadas alhures: Fato é que, com a formulação proposta PP=PL –60%x PL – VA é muito mais fácil encontraremse definições apropriadas para os elementos “Valor agregado” e “margem de lucro” de modo a resultar em um preço parâmetro plenamente comparável com o preço praticado na importação. 7 Argumento equivocado de que a mudança de redação para fazer face apenas à ponderação aumentaria os ajustes tributários Não se venha alegar que a redação da IN 232/2002 diverge muito da Lei no que tange a incorporação da ponderação e que isso aumentaria a carga tributária da Recorrente através de atos infralegais. Conforme tabelas abaixo, fica bem claro que a ponderação não é o fator que faz aumentar os ajustes, ao contrário, é sempre mais favorável ao contribuinte (vide Tabela III). Outrossim, essa sistemática apenas incorpora uma “lei lógica” adequando melhor a fórmula para situações em que o que está sendo revendido é um produto em que se encontram incorporados vários insumos, no preço de revenda do produto estão compreendidos os preços de venda dos vários insumos que o integram. A ponderação é apenas uma “lei lógica” para fazer essa segregação dos diversos preços de revendas individuais a partir do peso valorativo do produto importado no custo total do produto. Nesse ponto, cabe um parêntese. É que a roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 se modifica ao incorporar a técnica da ponderação, mas sem macular a" sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento. Não se pode olvidar da ideia de que de certa forma o insumo foi também foi revendido. Nesse caso, apurase por proporcionalidade a parcela do preço líquido de venda (PLn) do bem produzido que diz respeito ao insumo importado (PPn). Fórmula adotada pela IN 243/2002 em sua essência Fórmula analítica: PP= PLV – 60%PLV – VA Fórmula EXPRESSAMENTE adotada pela IN 243/2002 PPn=%nPL –60%(%nPL) Os mais desavisados observam logo que a fórmula é completamente diferente uma da outra, pois a variável VA (Valor agregado) existente na primeira formulação desaparece na segunda. Ora, mas %n=VI8/(VI+VA), ou seja, o percentual de participação do valor do bem importado sobre os custos totais é uma forma lógica de isolar o valor agregado do bem importado, afinal a variável “Total dos custos” é a soma do Valor Importado mais todo o Valor Agregado a esse insumo. No caso da 6 "Parâmetros para a definição de valor agregado e interpretações possíveis da Lei nº 9.959/2000 quanto ao método PRL de preços de transferência". Revista de Direito Tributário Internacional. Ano 1, nº 2. São Paulo: Quartier Latin, 2006. 7 Ibdem 8 Valor declarado do bem importado Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.086 57 participação de um único insumo importado, significa apenas a diminuição(subtração) por si só do valor agregado, não necessitando do artifício do rateio proporcional, repartindo o “bolo” em seus pedaços supostamente revendidos (PLVn, PPn). Por outras palavras, a participação do componente importado no preço de revenda líquido (%n x PL) é igual ao preço de revenda líquido do produto final (PLV) subtraído do valor agregado: (%n x PL) = PLVA Nesse passo, Victor Borges Polizelli no seu excelente artigo muito bem divisou essa identidade entre a fórmula genérica da IN 243/2002 (PP= PLV – 60%PLV – VA) e a fórmula derivada, verdadeiramente expressa na IN 243/2002 que contém a técnica da ponderação de custos (PPn=%nPL –60%(%nPL)). Eis abaixo a prova matemática estabelecida pelo referido autor entre a variável Valor Agregado e tudo aquilo que não representa a participação do componente importado “n” no preço de revenda líquido: Neste sentido, o valor agregado poderia então ser identificado como tudo o que não representar a participação do componente importado "n" no preço de revenda líquido ([1 % n] x PL). Aplicando esta identidade à proposição supra: (%n x PL) + ([1 % n] x PL) = PL %n x PL + PL % n x PL = PL PL = PL * Proposição Verdadeira O sentido aqui identificado para o valor agregado é perfeitamente admissível na medida em que reflete a evolução histórica do método PRL (grifei). 9 Segue a seguir um exemplo bem simples de como esse mecanismo de substituição da operação de subtração pelo rateio funciona: Ex.: Dados hipotéticos: PLV=250, VA=40, 40%PLV=100, VI=60, LUCRO=150 PP=PLV –60%PLVVA (fórmula analítica) = 40%PLV – VA (fórmula reduzida) PP=10040= 60 Aplicandose agora a fórmula EXPRESSA da IN 243: PPn=%nPL –60%(%nPL) %n=VI/(VI+VA)=60/(60+40)=0,6=60% PPn=60%x250 60%( 60%x250)=150 90= 60 É claro que as fórmulas não são idênticas, pois variandose as variáveis (lucratividade, VA etc), como se verá mais adiante nas simulações, a fórmula expressa da IN 243 que contém a ponderação (PPn=%nPL –60%(%nPL)) tende a ter PP diferentes , mas observem, sempre mais favoráveis ao Contribuinte do que a formulação abstrata e que serve apenas para um produto revendido que contenha apenas um único insumo importado (PP=PLV –60%PLV VA). Vide comparação, então, da Tabela 3 com a Tabela 2, respectivamente. Essa lógica foi inclusive construída a partir da jurisprudência do CARF, mais precisamente a partir do brilhante voto proferido pela exConselheira Sandra Maria Faroni, relatora do Acórdão nº 10194.888, de 17 de março de 2005. No caso ela passa em revista as alterações produzidas no art.18 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 9.959/2000. É o famoso caso de Revenda de Párabrisa com preço parâmetro de R$ 32.000,00 para um produto que valeria R$ 10,00. Essa é a distorção causada pela fórmula da IN 32/2001 sem a utilização da ponderação. 9 Op. cit. Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.087 58 Outrossim, vêse, ainda, que a questão não é somente de lógica jurídica, mas também de bom senso e de razoabilidade. De importante que se deve ter em mente, para a análise da interpretação de uma norma e seu correspondente ato regulamentar infralegal, é que “Nem sempre lei lógica precisa norma para estar no interior do sistema”, é o que nos ensina o saudoso Jusfilósofo Lourival Vilanova em sua obra “As Estruturas Lógicas e o Sistema de Direito Positivo”, São Paulo, Editora Max Limonad, 1997, pg.26. Portanto, apesar de tal previsão não estar literalmente explícita na Lei, vêse que sua sustentação encontra guarida quando posta em confronto com questões de fronteira, como fez a ilustre Conselheira Sandra Faroni no referido Acórdão. Além do que, como se demonstra a seguir, essa ponderação tem apenas o efeito benéfico de reduzir os ajustes se comparado a interpretação da IN 243/2002 sem a referida ponderação. É de se ver. TABELA 1 – “TESE DO CONTRIBUINTE” IN 32/2001 INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO DENTRO DA MARGEM DE LUCRO – S E M PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PP= PLV – 60%(PLV – VA) Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 155,4 150 138 124 102 96,6 PL 240 240 240 250 240 240 lucro 140 140 140 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 MARGEM de PL sobre (VI +VA) por fora 140,00% 140,00% 140,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES 0 0 0 0 0 2,4 OBSERVAÇÕES Aqui só há ajustes quando o Valor agregado é ínfimo, fazendo com que a fórmula não funcione para os demais casos! TABELA 2 – “TESE DO FISCO – PRIMEIRO PASSO INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO, MAS FORA DA MARGEM DE LUCRO – SEM PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PP= PLV – 60%PLV – VA Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.088 59 Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 3 6 26 60 86 95 PL 240 240 240 250 240 240 lucro 140 140 140 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 MARGEM de PL sobre (VI +VA) por fora 140,00% 140,00% 140,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES IN 243 SEM proporcionalização 4 4 4 0 4 4 OBSERVAÇÕES *Margem bruta maior de 60% (por dentro) ou 150% por fora não tem ajustes! TABELA 3 – “TESE DO FISCO – ÚLTIMO PASSO INTERPRETAÇÃO DA LEI COM VALOR AGREGADO, MAS FORA DA MARGEM DE LUCRO – C O M PROPORCIONALIZAÇÃO DOS CUSTOS FÓRMULA: PPn=%nPL –60%(%nPL) Variáveis Simula 1 Simula 2 Simula 3 Simula 4 Simula 5 Simula 6 PP 0,96 9,6 13,2 60 86,4 95,04 PL 240 240 110 250 240 240 lucro 140 140 10 150 140 140 VA 99 90 70 40 10 1 VI 1 10 30 60 90 99 Proporção do VI sobre Custo total (VI+VA)% => 1,00% 10,00% 30,00% 60,00% 90,00% 99,00% Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.089 60 MARGEM de PL sobre (VI +VA) por fora 140,00% 140,00% 10,00% 150,00% 140,00% 140,00% AJUSTES IN 243 COM proporcionalização 0,04 0,4 16,8 0 3,6 3,96 OBSERVAÇÕES Valor agregado não afeta ajustes, a não ser que a margem bruta ultrapasse 60% (por dentro) ou 150% (por fora). Observar que não há ajustes aqui no ponto em que a proporcionalização do VI (Valor Importado) sobre os custos totais iguala a 60% (por dentro) e em que a Margem Bruta também alcança 150% (por fora) e 60% (por dentro), demonstrando a coerência da formulação. A partir das simulações acima, fica patente a conclusão peremptória de que a ponderação, quando isolada (eu disse quando isolada!) não produz ajustes desfavoráveis ao contribuinte, recaindo em falácia todos os argumentos em contrário. O que gera ajustes mais desfavoráveis ao contribuinte se comparado com a IN 32/2001 é apenas a questão de o Valor Agregado compor ou não a margem bruta, questão essa que não está clara na literalidade da Lei e que só pode ser deslindada a partir da utilização de um vasto conjunto de métodos interpretativos. Observar como esse erro é reiteradamente difundido inclusive por doutrinadores de renome. Higuchi, citado no Recurso, assim critica a IN 243/2002: O art. 12 da IN 243/2002 não consignou nos cálculos a totalidade do preço líquido de venda e nem a totalidade do valor agregado no País como determina a lei. A instrução, sem base legal, apurou o percentual de participação dos bens importados na formação do custo total do bem produzido e aplicou esse percentual no preço líquido de venda e no valor agregado no País. 10 Em primeiro lugar, como já se disse a Lei não precisa consignar lei lógica básica para trazer razoabilidade e evitar absurdos, como seria o caso de não se aplicar a ponderação e, por último, como já demonstrado, a ponderação não aumenta os ajustes, pelo contrário, diminui. A questão é outra, o que causa o efeito de aumento 10 Imposto de renda das empresas. Interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo:IR Publicações, 2011, p.158. Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.090 61 dos ajustes é a consideração do Valor Agregado no seio da margem bruta de lucro ou fora dela. E isso, como já se viu, não está literalmente claro na Lei. Nesse passo, cai por terra também o argumento muito utilizado de que a tentativa do executivo de emplacar, mas sem sucesso, a Medida Provisória nº 478, de 29 de dezembro de 2009, restou configurada que a IN 243/2002 que teria a mesma redação dessa Medida Provisória, tenha extrapolado a Lei nº 9.430/96. Isso porque em sua redação saltaria aos olhos que a referida Lei teria abarcado em seus dispositivos a variável “participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido”, ou seja, a ponderação. Mas, ora, essa variável quando isolada (eu disse quando isolada) não implica em fazer com que os ajustes aumentem desfavoravelmente aos contribuintes, pelo contrário, os ajustes diminuem, conforme já foi sobejamente demonstrado nas tabelas acima. Outro autor de renome, O Dr. Eurico M D. Di Santi escreveu um artigo muito erudito a respeito da questão, disponível na internet: “Preços de transferência: Fraude à lei e abuso de poder na pretensa regulamentação das Leis 9.430 e 9.959 pela IN 243” 11. O seu mérito é que não ataca em hipótese alguma a ponderação. Vai direto ao ponto nevrálgico da discussão: o papel desempenhado pelo Valor Agregado dentro da fórmula do preço de transferência. Nesse ponto, ele ataca ferrenhamente a desconsideração do Valor Agregado tal qual posta na IN 2432002. Utilizase de argumento já tratado alhures, qual seja, do efeito indutor provocado pela sistemática da legalidade anterior (IN 322001). Ou seja, o efeito extrafiscal da IN 32 foi “incrementar o valor agregado dos produtos finais sujeitos vendidos no País. (...) Ou seja, o método PRL 60 estimulava os contribuintes a agregar tangíveis e intangíveis ao bem importado, atendendo à lógica da Lei 9.959 e da IN 32.” O mérito do seu argumento é indicar um efeito indutor que embora se argumente, como o fiz alhures, que não tenha sido previsto pelo Legislador, é bem provável que de fato tenha acontecido no mundo empírico. O problema é minimizado na medida em que a eficácia e legalidade da IN 32 é garantida pelo Fisco no período em que norteou esse comportamento. Entretanto, tal argumento extrajurídico não é suficiente para se permanecer com uma interpretação que sustenta a referida fórmula, como já demonstrado, que chega a resultados absurdos e, em determinado ponto, deixa inclusive de funcionar e produzir o seu efeito e finalidade maior, qual seja, evitar a manipulação de preços entre empresas interrelacionadas e evitar a transferência de lucros entre os respectivos países. Outro ponto atacado pelo Dr. Eurico de Santi diz respeito à tentativa de destrinchar a fórmula da IN 243/2002 provocando o que ele chama de “Adultério” na medida em que “distorce o sentido e a intenção originária da Lei 9.959 e da IN 32”: A IN 243 muda completamente a orientação que havia sido dada pela IN 32, mediante a alteração do cálculo do PRL60: (i) a Lei 9.959 e a IN 32 consideravam o valor agregado como pressuposto para aplicação do PRL 60 e, obviamente, o incluíam como variável na forma de cálculo desse método; (ii) a IN 243 inovou ao desconsiderar o valor agregado como variável no cálculo do PRL60, neutralizandoo, e dando outra interpretação à palavra "bem". A IN 243, embora assuma o pressuposto da agregação de valor como diferencial para aplicação do PRL60 (hipótese), desconsiderao na solução normativa (consequência), pretendendo considerar a palavra "bem" não na acepção de produto final (após a agregação de valor no País, sentido prescrito pela Lei 9.959 pela IN 32), mas como o próprio insumo importado. Ou seja, a IN 243 passou a entender a 11 Disponível em http://www.fiscosoft.com.br/a/5jrd/precosdetransferenciafraudealeieabusodepodernapretensa regulamentacaodasleis9430e9959pelain243euricomarcos dinizdesanti. Acessado em 04 de junho de 2012. Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.091 62 palavra "bem" na acepção de insumo, completamente dissociada do "valor agregado no País".12 O argumento é inteligente, bem elaborado e merece ser respondido. Em primeiro lugar, notase uma certa precipitação em afirmar de plano que a intenção da Lei 9.9959 é tal e qual, colocando isso já como uma premissa verdadeira, quando na verdade é isso que se tenta provar. É a chamada petição de princípio. Em segundo lugar, observase em uma leitura atenta de todo o artigo que o autor intencionalmente não enfrenta a questão em seu ponto de partida inicial: a interpretação gramática e semântica. E por que penso que não o faz? Porque ficaria cristalino que a atribuição de estratagemas ardilosos ao conteúdo da IN 243, segundo ele, intencionalmente perpetrados pelo Fisco, não vingaria tão facilmente. O artigo tenta passar a ideia da existência de um plano conspiratório, ardiloso e maquiavélico plantado no seio da IN 243/2002 quando manipula a variável valor agregado. Ora, a variável “Valor agregado” está na literalidade da Lei 9.959, isso não se discute. O que se discute é sua posição matemática dentro da fórmula. A literalidade da Lei dá margem as duas interpretações, logo onde está o ardil da Receita Federal, que apenas se utiliza da opção mais racional e também prevista na literalidade da Lei? O que se tem que provar e o debate deve se instalar é em torno de qual das duas é a mais racional matematicamente! E isso o renomado autor não o fez. Ele em momento algum defende ou tenta explicar a racionalidade da sua hipótese, centrando forças apenas na tentativa de mostrar que a IN 243/2002 “muda completamente a orientação que havia sido dada pela IN 32”, mas isso não se discute. O que se discute é qual a “legalidade” correta, afinal se é dado à Administração revogar ou anular os seus próprios atos, impingida que está do Interesse Público, por que não poderia mudar sua interpretação da Lei, resguardando os atos colhidos pelo entendimento anterior, quando ela afere cristalinamente que cometera um erro na interpretação anterior? O renomado autor ainda sob esse mesmo aspecto tenta demonstrar a obscuridade da fórmula, na forma de “artimanha”, qual seja, “manter o Valor Agregado como critério normativo relevante da hipótese (critério normativo), mas desconsiderálo como critério quantitativo relevante na solução normativa (consequência)”: A artimanha da "Legalidade" 5 está em manter o valor agregado como critério normativo relevante da hipótese (critério normativo), mas desconsiderálo como critério quantitativo relevante na solução normativa (consequência): com isso, aparentemente, a IN 243 alinhase à Lei 9.430 com a redação dada pela Lei 9.959, pois mantém o valor agregado como critério relevante da hipótese normativa, contudo, o exclui como critério quantitativo relevante na solução normativa. Em cotejo com o ADULTÉRIO PARTE I, perpetrado pela IN 38, a diferença específica entre a IN 38 (julgada ilegal pelo CARF) e a IN 243 (ainda sob julgamento no CARF) é que no ADULTÉRIO PARTE I, a autoridade administrativa criou expressamente nova hipótese normativa introduzindo uma distinção legal (Caso 1 x 243 manteve o critério normativo do valor agregado (na hipótese) sem considerálo na consequência normativa, justamente e não por acaso, na parte mais obscura e nãotransparente desse dispositivo normativo: a fórmula! 13 Esse ponto de sua inteligente argumentação também merece ser respondido. Aqui a inteligência do raciocínio do ilustre doutrinador reside em primeiro lugar reconhecer que a IN 2432002 não inova em relação à Lei 9.959 no que tange a utilização da variável Valor Agregado. Afinal isso foi a inovação justamente prevista na Lei 9.959 quando criou o PRL 60 e como já visto no tópico ligado à interpretação sistemática, uma possibilidade aventada pela OCDE. O autor chama essa previsão de “critério normativo” ou “critério relevante da hipótese 12 Ibdem 13 Ibdem Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.092 63 normativa”. Porém, aponta um suposto ardil: concomitantemente o desconsidera da consequência normativo em seu chamado “critério quantitativo”. O que de importante temse a dizer é que de fato a variável “Valor Agregado” constante na Lei como “critério normativo” RELEVANTE foi preservada. E foi preservada da forma mais racional possível, que é expurgando essa variável do Preço Líquido de Revenda para daí encontrar uma base pura sobre a qual aplicar a margem bruta e fixa de 60%, isto é fazer jus a característica mais essencial do cálculo do preço de transferência, o chamado “isolamento”.O que o douto doutrinador chama de desconsiderar o seu efeito da consequência normativo, podemos simplificar tudo com um “sinal negativo” aposto à variável “Valor Agregado” (PP= PLV – 60% PLV VA). É a própria semântica da fórmula que está justamente em discussão em função da interpretação gramatical e de todas as outras formas de interpretações que possam indicar qual a semântica matemática mais adequada que irá dar racionalidade na fórmula. Não há ardil algum aqui, há apenas interpretações mais ou menos razoáveis. E como já se demonstrou sobejamente nesse voto, a desconsideração do VA em sua totalidade seria a fórmula mais racional, pois só ela produz o isolamento necessário para se chegar em uma adequado Preço Parâmetro. Por fim, o ilustre autor traz novamente um outro substancial argumento que merece ser enfrentado: Ocorre que o sistema normativo inaugurado pela Lei 9.959 já ofereceu uma solução normativa LEGAL para os casos em que não se considera o valor agregado: o método PRL20. Excluir o valor agregado para calcular o preço parâmetro é LEGALMENTE possível, mas desde que seja aplicada a margem de lucro de 20%: ignorar o valor agregado ao bem importado e, ainda, aplicar a margem de lucro de 60% implica abuso de direito da autoridade que manipula o sentido das Leis 9.430 / 9.959 por meio de uma nova fórmula, ao mesmo tempo em que trai a intenção patente do legislador, que só justificou a margem diferenciada do PRL60 em razão de considerar o valor agregado. 14 Notase, mais uma vez, que nesse ponto o autor contentase em atacar a fórmula da IN 243/2002, mas nunca defende a outra opção matemática. Aliás, defende apenas em um único ponto e já muito aqui discutido, a questão extrafiscal do efeito indutor provocado pela fórmula da IN 32/2001. Novamente se diga, que uma fórmula de preço de transferência não pode se escorar apenas em efeitos extrafiscais, deve ter um mínimo de racionalidade interna para ser adotada e que racionalidade é essa para se evitar a manipulação dos produtos importados não se esclarece. Outrossim, o que se verifica é que a Recorrente nesse ponto ataca na verdade o percentual previsto de 60% previsto, esse sim, indubitavelmente, sem sombra de dúvidas, presente na Lei 9.959 e como tal qualquer falha do legislador em superdimensionálo refoge dessa instância julgadora e muito menos da IN 243 2002. Esse ponto abre inclusive brecha para criticar a lógica da IN 32 e elogiar a lógica simples e direta da IN 2432002. É que esta última foi a única que preservou para todos os efeitos a Margem Bruta de Lucro prevista em Lei de 60%, trazendo mais previsibilidade e simplicidade para o importador, pois qualquer que seja o caso concreto essa é a margem bruta e fixa a ser aplicada sobre o valor importado mais o valor agregado para que não seja necessário se fazer ajustes. Explicando matematicamente, se fizermos um gráfico onde no eixo do “X” colocarmos a variável “Valor Agregado” – VA, variandoa paulatinamente e no eixo vertical do “Y” confrontála com a variável “Margem de Lucro” obteremos uma simples linha reta paralela ao eixo do “X” na altura de 60% por dentro ou 150% calculado por 14 Ibdem Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.093 64 fora, indicando o limite a partir do qual não se terá nunca ajustes. Abaixo dessa reta (abaixo de 60% ou 150%) estariam todas as hipóteses onde os ajustes ocorreriam. Vêse aqui novamente o aspecto “beleza” e simplicidade presentes nessa fórmula. Se traçarmos o mesmo esquema gráfico para a fórmula da IN 322001, não obteremos essa mesma simplicidade, muito menos se preservaria o limite de 60% da margem de lucro como parâmetro de ajuste. Ela variaria de 60% até 0% de margem quando atingir um Valor de agregação de 60%. E a partir desse nível de agregação a fórmula provoca Margens negativas, ou seja, a fórmula para de funcionar. Então agora fica fácil de entender porque não se aprofunda nessa discussão, pois a fórmula produz resultados absurdos. Em primeiro lugar, não mantém a Margem de Lucro de 60% prevista em Lei e, por último, deixa de funcionar para nível de agregação maior de 60%, permitindo a partir desse nível a total manipulação de preços, diferente do objetivo maior do instituto do Preço de Transferência. Reitero o que o foi colocado pelo especialista em Direito Econômico Victor Polizelli: A aceitação da fórmula 60% sobre ( o valor integral do preço líquido de venda do produto menos o valor agregado no País) implicaria em se vencer um verdadeiro desafio interpretativo, pois cria um novo método de determinação de preço parâmetro distinto do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL, cuja previsão legal determina que as margens de lucro sejam sempre sobre o produto ou parcela importada ou revendida. Mas, ainda uma última questão colocado pelo Doutor Eurico de Santi que merece nossa atenção. Segundo o renomado doutrinador: Excluir o valor agregado para calcular o preço parâmetro é LEGALMENTE possível, mas desde que seja aplicada a margem de lucro de 20%: ignorar o valor agregado ao bem importado e, ainda, aplicar a margem de lucro de 60% implica abuso de direito da autoridade que manipula o sentido das Leis 9.430 / 9.959 por meio de uma nova fórmula. 15 Conquanto já esclarecido que o referido percentual de 60%, adequado ou não, foi estabelecido explicitamente pelo legislador, cabe justificar o por quê de um aumento do seu patamar de 20% quando já se desconsidera o Valor Agregado. É como se houvesse uma anulação total do mesmo e como tal a fórmula deveria se comportar como se PRL 20 o fosse. Porém, esquecem os defensores dessa tese aquilo que foi muito bem sublinhado pelo Doutorando pela USP, Ricardo Marozzi Gregório, ao analisar o PRL 60 pela ótica da IN 2432002.: Portanto, a margem de lucro – ML – não precisará mais suportar o custo do valor agregado no País. Entretanto, continuará suportando os custos, despesas e remuneração da atividade comercial, bem como a remuneração da própria atividade de agregação de valor no País. E esta seria uma possível razão de a margem percentual de 60% sobre o preço de revenda líquido ser superior aos 20% sobre o preço de revenda menos os descontos incondicionais concedidos previstos para a hipótese em que não há produção local. (destaquei). 16 É que esquecem que com a agregação de valor há justificativa lógica para uma margem diferenciada porque existem outros componentes envolvidos que não se restringem apenas ao próprio valor agregado. Se retiramos determinados custos na forma de valor agregado não estou necessariamente anulando a lucratividade sobre essa agregação. É claro que o ideal seria o estabelecimento de mais de uma 15 Ibdem. 16 Preços de transferência:uma avaliação da sistemática do método PRL. Tributos e preços de transferência. 3º vol. Coordenador Luís Eduardo Schoueri. São Paulo: Dialética, 2009, p.189) Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.094 65 margem de lucro para se evitar os extremos, mas tal expediente não foi previsto por Lei. Nesse ponto, entre os próprios doutrinadores há uma certa discrepância na linha de raciocínio. No caso o Dr. Marcelo Natale, economista e advogado, que participou de um debate com o Dr. Natanael Martins (exConselheiro do CARF), com o Dr. Shoueri, entre outros, se vê uma suposta inadequação entre o PRL 60 e a ponderação. Dr. Marcelo Natale (economista e advogado): Ora, no PRL 20, eu compro e revendo sem fazer uma alteração física naquele produto. No PRL 60 eu teria uma justificativa lógica para uma margem diferenciada porque eu tenho outros componentes, i.e. o valor agregado que foi o tópico anterior. E ele é o cerne dessa discussão. Não é possível discutir o PRL 60 sem discutir o valor agregado. Aí nós vamos para a IN 243 e procuramos com microscópio onde está o valor agregado e simplesmente não o encontramos, ele é ignorado solenemente no texto da IN 243, porque foi feito uma proporcionalização linear do cálculo. Reconheço que ele guarda certa lógica, porém ele nada mais é do que o método PRL 20 proporcionalizado. Ora, ele ratifica que deve ser feito uma proporcionalização, portanto, 20% me parece totalmente cabível também nesses casos. E com isso, se por um lado, na introdução do PRL 60, uma margem maior seria justificável, entre aspas, porque eu introduzi o valor agregado, se eu tiro o valor agregado eu tiro a base também que sustenta os 60% ou qualquer uma margem diferenciada daquela dos 20%. Dr. Natanael Martins: Quer dizer, como um bom advogado você estaria a dizer que o PRL a 60 estaria a justificar a aplicabilidade do PRL a 20 com proporção, mas o PRL 60 se desmonta porque a IN tirou da base dele o valor agregado. Dr. Marcelo Natale: Brilhante conclusão. Nesse ponto, ouso discordar dos nobres doutrinadores. A proporcionalização em princípio não deve afetar a margem bruta de lucro a ser aplicado sobre os bens importados, uma vez que ela nada mais faz do que melhor distribuir o valor agregado total para cada um dos seus respectivos componentes importados, quando esse for o caso, isto é, quando o importador não opera com um único bem, produto ou serviço importado.Por outras palavras, a proporcionalização é um método de procura da verdade real, no caso de haver produção local com importação de mais de um bem, no que tange a fazer o isolamento do componente importado de tudo quanto mais aparece no produto final. É, portanto, uma metodologia neutra não afetando o quantum de percentual de margem bruta a ser aplicado. [...] Considerações finais Como se percebe, apesar de ser controverso a conclusão aqui chegada de que mesmo a partir de uma análise gramatical/semântica a interpretação da Lei feita pela IN 243/2002 seja a mais favorável, por todos os outros ângulos que se analisa a questão (interpretação lógica, finalística e sistemática) de fato chegase à conclusão peremptória de que a IN 243/2002 é legal. Outrossim, a roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL – 60%x(%nPL)) se modifica, sim, em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV – 60%PLV – VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.095 66 acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV – 60%(PLV – VA ) nem na formulação genérica encontrada da literalidade Lei ((PP= PLV – 60%PLV – VA)). Encerrado o processo interpretativo feito de forma exaustiva, não mais se pode alegar que a IN 243/2002 é ilegal pelo simples fato de divergir da IN 32/2001. A IN 32/2001 é apenas uma versão mal sucedida da interpretação da Lei e como foi consolidada em um determinado lapso de tempo, será acatada para os fatos geradores abarcados pelo referido período em que ela estava em vigor. Frente a esta argumentação, nada mais há a ser dito. A ampla análise interpretativa promovida pelo I. Conselheiro Antonio Bezerra Neto desmerece frontalmente a alegação da recorrente, em memoriais, de que se trataria de mera opção legislativa a adoção da fórmula PP = 0,4 PLV + 60% VA, a qual representaria, na prática, uma margem de lucro 0 (zero) para o valor agregado no país (ao somar a 40% do PLV 60% do VA) e uma margem de lucro extremamente elevada para o bem importado (para se obter uma margem de lucro de 60% no preço do produto vendido o contribuinte teria que estar agregando ao bem importado o valor adicional de 150%, muito superior por exemplo à margem de lucro de 20% do método CPL – custo do produto importado mais margem de lucro). Demonstra a artificialidade do resultado obtido por este método, em comparação com a outra interpretação extraída da lei (PP = PLV – 60%PLV – VA), da qual resulta a exclusão, do preço líquido de venda, das parcelas necessárias para isolar o valor do insumo importado (valor agregado e margem de lucro equivalente a 60% do PLV), interpretação esta aperfeiçoada, de modo mais favorável ao contribuinte, com técnica que permite isolar com mais precisão o valor do insumo importado, veiculada na Instrução Normativa SRF nº 243/2002. No mais, merecem destaque os memoriais complementares apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, elaborados pelo I. Procurador Moisés de Sousa Carvalho Pereira, nos quais, para contrapor as alegações da recorrente em sustentação oral, a representação fazendária pondera, com suporte em abordagem de Ricardo Marozzi Gregório17, que a margem de lucro de 60% prestase a suportar a própria atividade de agregação no país, de modo que mesmo retirandose o valor agregado do preço líquido de venda, subsiste razoável a utilização daquela margem três vezes superior aos casos de revenda, para determinação do valor do insumo a partir da parcela remanescente do preço líquido de revenda. Além disso, a Fazenda Nacional apresentou cálculos para infirmar a alegação da recorrente de que, a prevalecer o entendimento de que as alterações da Lei nº 9.959/2000 resultam na fórmula PP = PLV – 60%PLV – VA, sempre que o contribuinte não conseguir alcançar a margem de lucro o preço parâmetro seria negativo, impedindo até mesmo a dedução do custo que seria legítimo. Os cálculos da representação fazendária evidenciam, ainda, que a distorção provocada pela sistemática defendida pela contribuinte simplesmente inutiliza o PRL 60 nos casos em que o valor agregado é igual ou superior a 37,5% do custo total do produto, além de reduzir bastante a sua eficácia nas situações onde o valor agregado é inferior a esse percentual. A primeira abordagem está refletida no Anexo I dos memoriais complementares da Fazenda Nacional, a seguir reproduzido, com destaques do original: ANEXO I 17 GREGORIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (Coord.). Tributos e Preços de Transferência. 3. vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 189 Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.096 67 Demonstração das situações em que a “segunda leitura” da Lei nº 9.430/96 causa a indedutibilidade total do custo do bem importado. A recorrente afirma que a fórmula da “segunda leitura” da Lei gera preço parâmetro negativo sempre que a margem de lucro praticada pela empresa brasileira não alcança 60%, o que causaria a indedutibilidade total do custo do bem importado. Essa afirmação não é exata, por duas razões: (1) nos casos em que o valor agregado no País é igual ou inferior a 40% do custo total do produto, a “segunda leitura” jamais gera preço parâmetro negativo, independentemente da margem de lucro praticada na revenda; e (2) mesmo nas hipóteses onde o valor agregado é superior a 40% do custo total, há diversas situações em que a margem de lucro é inferior a 60% e, ainda assim, a “segunda leitura” não provoca preço parâmetro negativo. É o que se comprova na sequência: 1) Hipóteses em que o valor agregado é igual ou inferior a 40% do custo total do produto: inocorrência de preço parâmetro negativo, mesmo com margens de lucro zeradas na revenda. Valor agregado = 40% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 40 40 40 40 Custo do bem importado 60 60 60 60 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 0 10 26,668 60 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 24 30 40,0008 60 Valor agregado = 30% do custo total P Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 30 30 30 30 Custo do bem importado 70 70 70 70 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 10 20 36,668 70 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 28 35 46,6676 70 Valor agregado = 20% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do 100 100 100 100 Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.097 68 produto Valor agregado 20 20 20 20 Custo do bem importado 80 80 80 80 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 20 30 46,668 80 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 32 40 53,3344 80 Valor agregado = 10% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 10 10 10 10 Custo do bem importado 90 90 90 90 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 30 40 56,668 90 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 36 45 60,0012 90 Conclusões: 1) Não há preço parâmetro negativo mesmo com a margem de lucro zerada, ou seja, se a empresa brasileira praticar qualquer margem de lucro positiva (i.e., preço líquido de revenda > custo total do produto), não estará sujeita à indedutibilidade total do custo do bem importado. 2) Notese, além disso, que o preço parâmetro obtido pela fórmula da IN SRF nº 243/02 é superior ou igual (quando a margem de lucro efetiva = 60%) ao preço parâmetro decorrente da “segunda leitura”, o que comprova que seus ajustes sempre são benéficos ao contribuinte, em comparação à “segunda leitura” da Lei nº 9.430/96. 2) Hipóteses em que o valor agregado é superior a 40% do custo total do produto: ocorrência de preço parâmetro negativo, a depender da margem de lucro praticada na revenda. Valor agregado = 50% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 150 175 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 33,333% 42,86% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 100 Valor agregado 50 50 50 50 50 Custo do bem importado 50 50 50 50 50 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 10 0 10 20 50 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 20 25 30 35 50 Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.098 69 Valor agregado = 60% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 150 175 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 33,333% 42,86% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 100 Valor agregado 60 60 60 60 60 Custo do bem importado 40 40 40 40 40 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 20 10 0 10 40 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 16 20 24 28 40 Valor agregado = 70% do custo total Preço líquido de revenda 100 150 175 200 250 Margem de lucro efetiva 0 33,333% 42,86% 50% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 100 Valor agregado 70 70 70 70 70 Custo do bem importado 30 30 30 30 30 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 30 10 0 10 30 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 12 18 21 24 30 Valor agregado = 80% do custo total Preço líquido de revenda 100 175 200 225 250 Margem de lucro efetiva 0 42,86% 50% 55,555% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 100 Valor agregado 80 80 80 80 80 Custo do bem importado 20 20 20 20 20 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 40 10 0 10 20 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 8 14 16 18 20 Valor agregado = 90% do custo total Preço líquido de revenda 100 175 200 225 250 Margem de lucro efetiva 0 42,86% 50% 55,555% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 100 Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.099 70 Valor agregado 90 90 90 90 90 Custo do bem importado 10 10 10 10 10 Preço parâmetro (“segunda leitura”) 50 20 10 0 10 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 4 7 8 9 10 Conclusões: 1) Independentemente do nível de agregação de valor, a metodologia da “segunda leitura” cumpre a finalidade da Lei nº 9.430/96, pois gera ajustes sempre que a margem de lucro praticada na revenda é inferior ao patamar estabelecido pelo legislador. 2) A indedutibilidade total do custo do bem importado ocorre com margens de lucro iguais ou inferiores àquelas grifadas nos exemplos (preço parâmetro igual a zero, com lucro na revenda). Com margens superiores, o preço parâmetro será positivo. 3) A metodologia da IN SRF nº 243/02, além de produzir ajustes benéficos ao contribuinte, jamais provoca preço parâmetro negativo. 3) Quadroresumo. Na tabela abaixo, estão indicadas as situações em que a metodologia da “segunda leitura” da Lei nº 9.430/96 gera a indedutibilidade total do custo do insumo importado (preço parâmetro negativo ou igual a zero, havendo margem de lucro na revenda): Valor Agregado (% do custo total) Margem de lucro na revenda (igual ou inferior) 50% 20% 60% 33,33% 70% 42,86% 80% 50% 90% 55,55% Concluise, portanto, que a “segunda leitura” não causa a indedutibilidade total “sempre” que a margem de lucro da empresa brasileira não alcança 60%, mas apenas nas situações em que o valor agregado é superior a 40% do custo total do produto e, em concomitância, a margem de lucro efetiva é igual ou inferior aos percentuais da tabela. Por exemplo, numa hipótese onde o valor agregado representa 50% do custo total, se a empresa brasileira praticar margens superiores a 20%, não estará sujeita à indedutibilidade total do custo do bem importado (i.e., o preço parâmetro será positivo). 4) Demonstrativo gráfico. No gráfico a seguir, visualizase as situações em que a “segunda leitura” provoca preço parâmetro negativo (área marcada): Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.100 71 0 10 20 30 40 50 60 70 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 M A RG EM D E LU CR O (% D O P LV ) VALOR AGREGADO (% DO CUSTO TOTAL) Área de ocorrência de preço parâmetro negativo A área em branco representa as hipóteses em que a metodologia da “segunda leitura” funciona sem produzir a suposta distorção apontada pela recorrente. Note se que há diversas situações em que, mesmo com margem de lucro inferior a 60%, a “segunda leitura” não gera preço parâmetro negativo (ou preço parâmetro zero, com margem de lucro na revenda). Já no Anexo II dos memoriais complementares da Fazenda Nacional, fica patente a impropriedade da interpretação inicialmente veiculada na Instrução Normativa SRF nº 32/2001: ANEXO II Demonstração das situações em que a fórmula da IN SRF nº 32/01 não provoca ajustes. Como admite a recorrente, a fórmula da IN SRF nº 32/01 causa distorções nas hipóteses de alto valor agregado no País, tendo em vista que essa metodologia não provoca ajustes nessas situações (independentemente da margem de lucro praticada na revenda), o que esvazia o controle dos preços de transferência. Não obstante, é preciso ressaltar que a ineficácia da sistemática defendida pela recorrente não se restringe aos casos de elevada agregação de valor. De fato, a metodologia da IN SRF nº 32/01 é absolutamente ineficaz para controlar os preços de transferência nas situações em que o valor agregado é igual ou superior a 37,5% do custo total do produto. Nas hipóteses de baixa agregação de valor no País, a fórmula defendida pela recorrente também produz distorções, na medida em que não preserva a margem de lucro pressuposta pelo legislador em uma série de situações. É o que se verifica a seguir. 1) Hipóteses em que o valor agregado é igual ou superior a 37,5% do custo total do produto: inocorrência de ajustes, mesmo com margens de lucro zeradas na revenda. Valor agregado = 37,5% do custo total Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.101 72 Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 37,5 37,5 37,5 37,5 Custo do bem importado 62,5 62,5 62,5 62,5 Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 62,5 72,5 89,168 122,5 Preço parâmetro (IN SRF nº 243/02) 25 31,25 41,6675 62,5 Valor agregado = 50% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 50 50 50 50 Custo do bem importado 50 50 50 50 Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 70 80 96,668 130 Preço parâmetro (IN SRF nº 243/02) 20 25 33,334 50 Valor agregado = 60% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 60 60 60 60 Custo do bem importado 40 40 40 40 Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 76 86 102,668 136 Preço parâmetro (IN SRF nº 243/02) 16 20 26,6672 40 Valor agregado = 70% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 70 70 70 70 Custo do bem importado 30 30 30 30 Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.102 73 Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 82 92 108,668 142 Preço parâmetro (IN SRF nº 243/02) 12 15 20,0004 30 Valor agregado = 80% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 80 80 80 80 Custo do bem importado 20 20 20 20 Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 88 98 114,668 148 Preço parâmetro (IN SRF nº 243/02) 8 10 13,3336 20 Valor agregado = 90% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 Valor agregado 90 90 90 90 Custo do bem importado 10 10 10 10 Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 94 104 120,668 154 Preço parâmetro (IN SRF nº 243/02) 4 5 6,6668 10 Conclusão: Nos casos em que o valor agregado é igual ou superior a 37,5% do custo total do produto, a fórmula da IN SRF nº 32/01 é ineficaz para controlar os preços de transferência. A metodologia não produz ajuste em nenhum dos exemplos (preço parâmetro é igual ou superior ao custo do bem importado), mesmo nas hipóteses de “margem de lucro zero” na revenda. 2) Hipóteses em que o valor agregado é inferior a 37,5% do custo total do produto: ocorrência de ajustes em determinadas situações, a depender da margem de lucro praticada na revenda. Valor agregado = 30% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 130 166,67 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 23,08% 40% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 100 Valor agregado 30 30 30 30 30 Custo do bem 70 70 70 70 70 Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.103 74 importado Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 58 68 70 84,668 118 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 28 35 36,4 46,6676 70 Valor agregado = 20% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 170 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 41,18% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 100 Valor agregado 20 20 20 20 20 Custo do bem importado 80 80 80 80 80 Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 52 62 78,668 80 112 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 32 40 53,3344 54,4 80 Valor agregado = 10% do custo total Preço líquido de revenda 100 125 166,67 210 250 Margem de lucro efetiva 0 20% 40% 52,38% 60% Custo total do produto 100 100 100 100 100 Valor agregado 10 10 10 10 10 Custo do bem importado 90 90 90 90 90 Preço parâmetro (IN SRF nº 32/01) 46 56 72,668 90 106 Preço parâmetro IN SRF nº 243/02 36 45 60,0012 75,6 90 Conclusões: 1) Mesmo em situações de baixo valor agregado, a fórmula da IN SRF nº 32/01 não produz ajustes em todos os casos necessários. A metodologia “funciona” até a margem de lucro grifada em cada exemplo (preço parâmetro = custo do bem importado). Com margens superiores, não há ajustes, pois preço parâmetro > custo do bem importado. 2) A fórmula da IN SRF nº 243/02, por sua vez, produz ajustes sempre que necessário, ou seja, sempre que a margem de lucro efetiva é inferior à margem pressuposta pela Lei nº 9.430/96, independentemente do nível de agregação de valor no País. 3) Quadroresumo. Na tabela abaixo, estão indicadas as situações em que a metodologia da IN SRF nº 32/01 não produz ajustes, apesar da baixa agregação de valor no País: Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.104 75 Valor Agregado (% do custo total) Margem de lucro na revenda (igual ou superior) 35% 9% 30% 23,08% 20% 41,18% 10% 52,38% Concluise, portanto, que a fórmula defendida pela contribuinte não causa distorções apenas nas situações de elevada agregação de valor, mas também nos casos em que o valor agregado é inferior a 37,5% do custo total do produto e, em concomitância, a margem de lucro efetiva é igual ou superior aos percentuais da tabela. Por exemplo, numa hipótese onde o valor agregado representa 35% do custo total, se a empresa brasileira praticar margens superiores a 9%, não estará sujeita a ajustes nos preços de transferência com base na IN SRF nº 32/01 (i.e., o preço parâmetro será igual ou superior ao custo do bem importado). 4) Demonstrativo gráfico. No gráfico a seguir, visualizase os únicos casos em que a fórmula defendida pela recorrente produz ajustes (área marcada). É importante frisar que tais ajustes sempre são reduzidos, ou seja, são insuficientes para recompor integralmente a margem de lucro de 60%. Logo, mesmo nas hipóteses restritas em que a metodologia da IN SRF nº 32/01 gera ajustes, a finalidade do Método PRL 60 não é concretizada. 0 10 20 30 40 50 60 70 0 10 20 30 37,5 40 50 60 70 80 90 100 M A RG EM D E LU CR O (% D O P LV ) VALOR AGREGADO (% DO CUSTO TOTAL) Limites de "funcionalidade" da IN SRF 32/01 Notese que, na área em branco, a fórmula defendida pela recorrente simplesmente não funciona. A metodologia não produz qualquer ajuste na maior parte das situações, ainda que a empresa brasileira não observe a margem de lucro pressuposta pela Lei nº 9.430/96, ou, pior, mesmo que não haja qualquer lucro na revenda do produto. Resta, assim, concluir que a fórmula PP = PLV 60% (PLV) VA é a melhor interpretação a ser extraída das alterações promovidas pela Lei nº 9.959/2000 no art. 18 da Lei nº 9.430/96, além de mais eficiente no controle dos preços de transferência. E, sob esta premissa, a sistemática da IN SRF nº 243/2002 é benéfica aos contribuintes, pois, além de realizar o objetivo da lei, jamais gera a indedutibilidade total do custo e enseja ajustes sempre inferiores aos que seriam produzidos a partir da fórmula da lei. Regular, Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.105 76 portanto, é o procedimento fiscal que toma por referência a metodologia de cálculo explicitada pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Acrescentese que, com a edição da Medida Provisória nº 478/2009, certamente o Poder Executivo apenas pretendeu reduzir o contencioso em torno do tema, incorporando à lei a interpretação veiculada na Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Mas isto não significa que a lei deva descer ao detalhamento de prescrever a metodologia de cálculo do ajuste de preço de transferência: basta que o Poder Legislativo enuncie seu objetivo no texto legal, cabendo à autoridade administrativa, dentro deste limite, explicitar o preceito legal, com amparo no art. 100 do Código Tributário Nacional, tal qual ocorre em diversas outras apurações tributárias. Necessário registrar, também, que o Poder Executivo ainda reputa relevante trazer tal detalhamento à lei que rege a matéria, e assim apresentou a Medida Provisória nº 563, de 03/04/2012, no mesmo sentido, para alteração do art. 18 da Lei nº 9.430/96, com efeitos a partir de 01/01/2013. Contudo, como dito, esta providência apenas estancará discussões semelhantes às aqui veiculadas, e não afeta a conclusão de que a Instrução Normativa SRF nº 243/2002 veicula metodologia de cálculo compatível com a redação atual da Lei nº 9.430/96. Neste sentido, inclusive, são as manifestações da 3a Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, como se vê no julgamento da Apelação Cível nº 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, formalizado em acórdão publicado em 21/02/2011, do qual extraise trecho do voto condutor do Juiz Federal Convocado Rubens Calixto, nos seguintes termos: Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL Ao responder a Embargos de Declaração opostos contra tal decisão, em acórdão publicado em 16/05/2001, o MM. Juiz assim consignou: a Lei 9.430 estabeleceu os paradigmas, cabendo à Instrução Normativa disciplinar a forma de aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro, o que pode implicar em tratamento menos vantajoso ao contribuinte, não se extraindo necessariamente daí que se tratam de sistemáticas diferentes e, consequentemente, ofensa à Lei. Também a 6a Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região adotou este entendimento em acórdão publicado em 02/09/2001, relativo à Apelação/Reexame Necessário nº 000612590.2003.4.03.6100/SP, cuja ementa transcrevese: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.106 77 jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquído de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL 60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.107 78 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituido ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. Referida Instrução Normativa encontrase em perfeita consonância com os comandos emanados da regramatriz, os quais já se prenunciavam na Medida Provisória nº 215835, de 24/08/2001, editada originalmente sob o nº 1.807, em 28/01/99, ao reportarse ao método da equivalência patrimonial, e mesmo, anteriormente, na Lei nº 6.404/76, quando alude às demonstrações financeiras da sociedade, motivo pelo qual também não se há falar ter a mencionada IN/SRF nº 243/2002 ofendido a princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade, da anterioridade e da irretroatividade. 9. As questões relativas a eventuais depósitos efetuados nestes autos deverão ser apreciadas pelo juízo de origem ao qual se encontram vinculados, após o trânsito em julgado da decisão definitiva. 10. Sentença recorrida reformada. Apelação e remessa oficial providas. O voto condutor do Desembargador Federal Mairan Maia deixa claro que ali apreciavase a modificação promovida pela Lei nº 9.959/2000 e pelas Instruções Normativas SRF nº 32/2001 e 243/2002, a partir das quais passouse a considerar, para a apuração do preço parâmetro, a participação dos bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção, tanto no preço de venda do produto, quanto no custo total do bem acabado e já com valor agregado no país, o qual, juntamente com a margem de lucro de 60% por cento, são expungidos na apuração do preço parâmetro, segundo a metodologia prevista no art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, da supramencionada IN/SRF nº 243/2002. Também constam ali, expressos, os defeitos da Instrução Normativa SRF nº 32/2001 que exigiram a edição daquele ato normativo para adequação à lei, da metodologia de cálculo em comento: A imprecisão e, por consequência, a inadequação da instrução normativa em comento reside, exatamente, no fato de que considera para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o preço líquido de venda do bem produzido e silencia sobre a participação dos bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do valor agregado ao bem produzido. Assim disciplinado, esse processo provocava distorção na apuração levada a efeito e distanciavase do comando legal da regramatriz, que buscou dotar de plena eficácia os critérios nela previstos, visando intensificar o combate à evasão fiscal nessas transações comerciais. [...] Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720036/201159 Acórdão n.º 1101001.077 S1C1T1 Fl. 2.108 79 Relembrese que, para a apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, pelo método PRL, nos termos da IN/SRF nº 32/2001, consideravase o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, com suas diminuições, entre elas, o valor agregado ao bem produzido no País, entretanto, sem decompor, nesse valor agregado, a participação dos bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior. Foi o que fez a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, ao contrário, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. A IN/SRF nº 243/2002 deixou de referirse ao preço líquído de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada, na composição do preço do bem aqui produzido Concluise, do exposto, que a Instrução Normativa SRF nº 243/2002 não padece de ilegalidade e a metodologia de cálculo nela evidenciada prestase, validamente, ao cálculo dos ajustes de preços de transferência concernentes ao método PRL60, criado pela Lei nº 9.959/2000. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10510.900465/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 65 /2 01 2- 16 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900465/201216 Acórdão n.º 3803006.178 S3TE03 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002843/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO.
Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-002.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 31/12/2013
José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA O ENQUADRAMENTO. Para afastar a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal, é necessário que o interessado comprove com argumentos e provas materiais, inclusive laudos técnicos especializados. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 31/12/2013 José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório da DRJ nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 43 /2 00 6- 51 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Trata, o presente processo, de impugnação contra Auto de Infração efetuado em virtude de errônea classificação fiscal pelo sujeito passivo, conforme fls. 155 a 176. Em atendimento aos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF e MPF Complementar nº 09.2.01.00.2005.0043561, fls. 1 e 2, a autoridade fiscal desenvolveu procedimento de fiscalização, tendo por objeto o Imposto sobre Produtos Industrializados, o que, ao final, redundou no lançamento tributário de fls. 170, no valor total de R$ 3.286.588,56. O montante do valor do crédito tributário exigido decorre da exigência de R$ 1.543.947,07, a título de imposto, R$ 584.681,44 a título de juros de mora e R$ 1.157.960,05, a título de multa. Consta nos autos que a interessada é estabelecimento industrial fabricante de tintas, esmaltes sintéticos e vernizes, thinner, diluentes, solventes, catalizadores PU, lacas, tingidores, aguarrás mineral e etc, constituindose, assim, em contribuinte do IPI. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 177 a 185, durante o procedimento de fiscalização foram efetuados outros autos de infração conforme processos 11516.002571/200609 e 11516.002677/200692, com as infrações neles apontadas. Quanto ao presente processo, as condutas infracionais imputadas ao contribuinte são as seguintes: a) A empresa adotou classificações fiscais para o produto CATALIZADOR PU resultando em falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, conforme DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO, fls. 122. Conforme referido termo, a “classificação fiscal do CATALIZADOR PU no código 3824.90.32, com alíquota de 10% (fl. 108), tem por base as informações prestadas pela empresa e está amparada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 6ª e notas explicativas nº 1, do capítulo 29, nº 4 do capítulo 32 e nº 3 da posição 3909 (IN 123/98), conforme detalhado nos itens 3.1.1.1, 3.1.1.2 e 3.1.1.3. b) Os SOLVENTES E DILUENTES, segundo as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1ª e 3ª “a”, estão classificados na TIPI no código 3814.00.00, sujeitos a tributação do IPI à alíquota de 10% (fl. 107). Das classificações adotadas pela empresa resultou falta de lançamento ou lançamento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal, por infringência ao disposto nos artigos 15, 16, 17 e 122 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/02). Foi elaborado o DEMONSTRATIVO DO IPI NÃO LANÇADO – THINNERS E DILUENTES, conforme fls. 122. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/10/2006 e apresentou sua defesa em 16/11/2006, em síntese, nos seguintes termos. 1. Em preliminar, alega a interessada a nulidade do lançamento em virtude do princípio da motivação (falta de clareza do lançamento), bem como, de a autoridade fiscal não ter alicerçado seu entendimento em prova pericial; 2. Inobservância por parte da autoridade administrativa do princípio do ônus da prova, assentandose o lançamento tributário em suas interpretações próprias; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301002.117 S3C3T1 Fl. 244 3 3. Reprodução das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), alegando, ao final, não ser lícito à Administração buscar posição mais vantajosa para exigir alíquota mais alta”; 4. Afirma que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta, não devendo prevalecer aquela adotada pela autoridade fiscal, podendo o produto CATALISADOR PU ser classificado nos capítulos 39 ou 32, bastando ser considerados um prépolímero com 3 e 5 unidades monoméricas em média e que seja próprio para fabricação de tintas e vernizes, que nada mais é do que o emprego dado ao mercado; 5. Que em relação aos THINNERS e DILUENTES o fisco fundouse, tão somente, à falta de provas de que referido produto contivesse componentes aromáticos em teores acima de 65%; 6. Alega a inconstitucionalidade da Multa em face de seu caráter confiscatório, bem como a impossibilidade legal de cobrança de juros com base na taxa SELIC. A decisão recorrida encontrase assim ementada: 2ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 11516.002843/200651 Interessado FARBEN S/A INDÚSTRIA QUÍMICA CNPJ/CPF 85.111.441/000113 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não tendo o contribuinte apresentado argumentos suficientes para ilidir a classificação fiscal adotada pela autoridade administrativa, que se mostra correta, há de se manter o lançamento de ofício. TAXA SELIC. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. O artigo 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, alude expressamente a juros (equivalentes à taxa referencial do sistema Selic), e não à correção monetária. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/03/2012 (AR – fl. 218), foi interposto em 11/04/2012, o recurso voluntário de fls. 219 e seguintes, onde, em síntese, a Recorrente reitera os argumentos constantes de sua impugnação, sustentando que produz mais de vinte tipos de catalisadores, também chamados endurecedores, e dependendo do tipo do produto a classificação fiscal é diferente. Aduzindo também que na verdade o Fisco não teria discordado da classificação fiscal por ela adotada, vez que no período fiscalizado de 16.12.2002 a 20.10.2003 havia formulado referidos produtos com 65% ou mais de solventes aromáticos em sua composição, e como não teve oportunidade de juntar as suas ordens de produção, a autoridade simplesmente adotou a presunção, sem contudo certificarse de provar que os mencionados produtos não tinham mais de 65% de componentes aromáticos em sua formulação. Afirma por fim ter ocorrido vício material insanável, distante do erro de classificação fiscal quanto aos produtos “catalisadores pu”, bem como que teria sido contrariado o efeito vinculante da Solução de Consulta nº 117 – SRRF09/Diana, e em relação aos thiners e diluentes, que não houve comprovação do Fisco de que não continham 65% ou mais em sua formulação de solventes aromáticos. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a decisão recorrida a interessada, ora Recorrente, adotou, para um mesmo produto, várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11516.002843/200651 Acórdão n.º 3301002.117 S3C3T1 Fl. 245 5 Em sua defesa, para este produto, conforme fls. 195, a interessada afirma que a classificação fiscal por ela adotada está correta, afirmando através das informações técnicas de fls. 31 e seguintes, constando as seguintes justificativas: CATALISADORES Os produtos 175.010, 273.927, 273023, 273.725, 273.730, 273.925, 273.828, 273.750, 273.033, 273.021, 573.600 e 573.700 a partir de 02/06/2005 alteramos a classificação fiscal para 2929.1029. De acordo com a descrição abaixo através de uma análise técnica e comparação com o praticado no mercado, entendemos que esta é a classificação mais adequada para os produtos acima descrito e por nós comercializado; THINNERS E DILUENTES No período de 16/12/02 a 20/10/03 a classificação dos diluentes foi definida como 27.07.50.00, tendo em vista que a composição química dos produtos citados nesse período atendiam a especificação de conter 65% ou mais ( em volume) de solventes aromáticos em sua formulação Desta forma, conforme bem fundamentou o acórdão recorrido, para um mesmo produto, a interessada, ora Recorrente adotou várias classificações fiscais. O produto CATALIZADOR PU foi classificado nas seguintes posições: 3208.90.39 e 3824.90.32, no período de 01/2002 a 12/2002, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 16/12/2002 a 10/07/2003), alíquota de 5%; 3824.90.32, no período de 11/07/2003 a 01/08/2003, alíquota de 10%; 3909.50.11, no período de 04/08/2003 a 31/05/2005, alíquota de 5% e a partir de 02/06/2005, adotou a classificação 2929.10.29, alíquota de 0%. A autoridade fiscal classificou o produto na posição 3824.90.32, que estabelece uma alíquota de 10%, conforme item 3 do termo supracitado. Em relação ao produto thinner ou diluente, a interessada adota a classificação 3814.00.00, com a qual a autoridade fiscal concorda. No período de 16/12/2002 a 20/10/2003, o produto thinner ou diluente foi classificado na posição 2707.50.00, tributado a alíquota 0%, sem contudo haver comprovação de que produto sob análise preenchia as condições necessárias para que pudesse ter tal enquadramento. Na análise dos autos, verifico que as regras foram devidamente observadas e os produtos devidamente classificados. Em relação à mencionada Solução de Consulta, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, a decisão recorrida foi categórica em afirmar que não foi formulada nenhuma consulta. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10920.911195/2012-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 95 /2 01 2- 39 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911195/201239 Acórdão n.º 3801003.392 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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