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Numero do processo: 10930.903684/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 20/06/2006
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 84 /2 01 2- 06 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.024, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903684/201206 Acórdão n.º 3402003.651 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.020647/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/12/2004
Cabe ao recorrente demonstrar concretamente suas alegações, especialmente quando os meios de prova são de sua titularidade, como o é a escrita fiscal.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Tendo a contribuinte, na impugnação, tratado apenas a incidência da contribuição para o PIS sobre o ICMS, considera-se não impugnada a autuação em relação às demais parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.107
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/12/2004 Cabe ao recorrente demonstrar concretamente suas alegações, especialmente quando os meios de prova são de sua titularidade, como o é a escrita fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Tendo a contribuinte, na impugnação, tratado apenas a incidência da contribuição para o PIS sobre o ICMS, considera-se não impugnada a autuação em relação às demais parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Tendo a contribuinte, na impugnação, tratado apenas a incidência da contribuição para o PIS sobre o ICMS, considerase não impugnada a autuação em relação às demais parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 06 47 /2 00 8- 46 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório José Henrique Mauri Relator. Cuidase Auto de Infração para lançamento de contribuição para o PIS, referente ao período de apuração 01/01/2004 a 31/01/2004 e 01/05/2004 a 31/12/2004, em face de infração assim definida pela fiscalização: PIS FATURAMENTO INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. O Lançamento de Ofício foi precedido de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte tendose ancorado no artigo 926 do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99 Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, tendo em vista que o contribuinte não recolheu integralmente os valores devidos do PIS relativos a fatos geradores compreendidos entre Janeiro e Dezembro de 2004. O lançamento abrange as diferenças apuradas do PIS com as respectivas multas de ofício e juros de mora exigíveis. Para melhor elucidação dos fatos, eventualmente transcreverei excertos do relatório constante do Acórdão recorrido. Os Auditores fiscais da RFB, responsáveis pela autuação, por meio do Relatório de Fiscalização, relatam que: · “Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados nos Livros Contábeis/Fiscais. Para os meses de Julho de 2003 a Dezembro de 2003, os levantamentos da contribuição devida foi realizado a partir dos valores constantes no Livro DIÁRIO, (fls. 48 a 54). Para os meses de Janeiro de 2004 a Dezembro de 2004 a partir dos valores constantes no Razão Balancete, cópias anexas às fls. 55 a 58, a partir de 2005 até 2007 os dados foram extraídos dos Livros Razão, (fls. 59 a 80).” · “A partir de dezembro de 2002, após a instituição do regime nãocumulativo para o PIS as receitas auferidas com as vendas dos produtos produzidos pelo contribuinte passaram a ser tributada por este regime (com direito a crédito), pois a empresa é tributada pelo IRPJ com base no lucro real” e que “Neste período, por amostragem, foi possível constatar que as importâncias discriminadas como provisão na conta ‘PIS A RECOLHER’ nos respectivos períodos de apuração eram calculadas em concordância com a sistemática imposta pelos arts. 2° e 3º da Lei n° 9.718/98.” · “Por isso, foi dispensável demonstrar as parcelas que compunham a base de cálculo da contribuição e, por questão de simplicidade, computouse o valor devido da contribuição (PIS nãocumulativa DEVIDA) como sendo o exato valor escriturado em cada mês pelo Fl. 779DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 13 4 contribuinte nos Livros Razão, sendo apropriado a crédito na conta de Passivo Circulante ‘2.1.3.01.0003 PIS A RECOLHER’, sendo deduzidos pelos créditos escriturados da PIS nãocumulativa na conta de Ativo ‘1.1.2.01.0001 PIS a Compensar’, de acordo com a seguinte expressão: PIS não cumulativa = Provisão mensal (PIS A RECOLHER) – (PIS A COMPENSAR)”. · "Dos resultados acima foram abatidas as importâncias confessadas pelo sujeito passivo em DCTF, bem como, naqueles meses em que não há valor declarado em DCTF, os montantes compensados (PIS Compensado – PER/DCOMP); assim, ao final foram apuradas as diferenças exigidas de ofício". Regularmente cientificada aos 21/11/2008, fl. 04, a contribuinte, aos 19/12/2008, interpôs a impugnação de fls. 468/482, na qual opõe, em relação aos períodos de apuração de julho a outubro de 2003, preliminar de decadência. Adiante, articula que o lançamento tributário seria nulo, pois teria a autoridade lançadora se olvidado da propositura de ação mandamental tombada sob o nº 2007.83.00.0022440, em que a impugnante afirma ter obtido o direito de excluir, da base de cálculo da contribuição para o PIS, os valores pertinentes aos Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, conforme acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança (AMS) nº 100.236/PE, Fala que “Na hipótese, reconhecendo o Tribunal Regional Federal da 5ª Região o direito (líquido e certo) da Impugnante de aproveitar os créditos de IPI (sic) de que dispõe, outra não poderia ser a conseqüência do decisum senão afastar, de imediato, os obstáculos ao aproveitamento do crédito.” A respeito da imediata eficácia das decisões em mandado de segurança transcreve ementa de acórdão proferido pelo STJ no RESP nº 238.727/MG, do qual destacou o seguinte excerto: “É uníssona a jurisprudência do STJ, outrossim, ao proclamar que a compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação não necessita de prévia manifestação da autoridade fazendária ou de decisão judicial transitada em julgado para a configuração da certeza e liquidez dos créditos, sendo suficiente a juntada aos autos das guias de recolhimento do tributo.” Conclui o então impugnante que “Nesse contexto, sendo insofismável que o direito à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS foi reconhecido à Impugnante por decisão judicial, poderia, no máximo, ser erigido para fins de prevenir a decadência em relação à incidência das referidas contribuições sobre os valores que ingressaram no caixa da Impugnante à guisa de ICMS” e que “Se suspensa a exigibilidade dos débitos exigidos através do lançamento de ofício em questão e, como conseqüência lógica e necessária, somente poderia se destinar o lançamento para evitar a decadência, inadmissível a imposição de multa de ofício, penalidade manifestamente incompatível com os procedimentos de ‘constituição’ de créditos com exigibilidade suspensa”. Logo após, reproduz o art. 63, da Lei nº 9.430/96, e encerra o tópico dizendo que “Assim, nulo o lançamento por ter imposto à Impugnante multa de ofício em relação a débitos que se encontram com exigibilidade suspensa”. Diante do exposto, requereu a autuada: Fl. 780DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 14 5 1. O reconhecimento da decadência do direito de lançar em relação às contribuições devidas em virtude da ocorrência de fatos geradores no período de julho a outubro de 2003; 2. A revisão do lançamento para, em cumprimento à decisão pronunciada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª . Região (com eficácia imediata), excluir o ICMS da base de cálculo adotada pela autoridade lançadora ou, mantido o lançamento para fins de prevenção da decadência, seja excluída a multa de ofício, face a regra do art. 63 da Lei n°. 9.430/96. Após análise preliminar, o julgador de primeira instância determinou diligência para: I. “proceder à juntada da petição inicial, de sua respectiva emenda, bem como da apelação interposta pela Impetrante nos autos da ação mandamental tombada sob o nº 2007.83.00.0022440”; II. “verificar se nos valores das bases de cálculo da contribuição para o PIS lançada em relação aos meses de maio a dezembro/2004 estão contidos montantes a título de ICMS devidos por responsabilidade própria da recorrente (ou seja, devidos na condição de contribuinte e não como substituta tributária, eis que o ICMS na condição de substituto tributário já é regularmente excluído da base de cálculo, nos correlatos períodos de apuração e, na hipótese positiva, discriminar, por período de apuração, as importâncias a título de ICMS que acaso tenham composto a base de cálculo da contribuição para o PIS, bem como os valores de referida contribuição devidos sobre essas parcelas”; III. “informar se porventura há, em relação aos valores da contribuição para o PIS dos meses de maio a dezembro/2004 compensados por meio dos PER/DCOMP identificados no item 14 acima, pleito de exclusão de importâncias que a contribuinte alegue tenha incidido sobre o ICMS”; IV. “serem prestadas outras informações que porventura entenda pertinentes para a solução desta lide”; e V. “darse ciência ao sujeito passivo do teor deste despacho, bem como das conclusões a que atingir acerca das questões acima, facultandolhe o direito de se manifestar a respeito no prazo de 30 (trinta) dias. A diligência solicitada foi realizada, tendo sido acostada cópia da petição inicial e sua emenda e da apelação interposta no mencionado mandado de segurança, fls. 572/596, 597/600 e 601/619. Além disto, foram anexadas planilhas entregues pela contribuinte, fls. 620/636. Concluída a diligência, o fiscal por ela responsável elaborou o “Termo de Encerramento de Diligência” de fls. 681/683. Quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS, noticia que: · “Neste auto de infração foram utilizadas as verificações obrigatórias que é o procedimento em que apura divergências entre os valores escriturados nos Livros Contábeis e Fiscais (conta Provisão mensal (PIS A RECOLHER) Valor escriturado no Fl. 781DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 15 6 Diário e Razão Balancete), e os valores declarados (em DCTF ou PER/DCOMP), os valores da base de cálculo do PIS não é apurada, não é discriminado a composição de seus valores”; · “Intimamos então a empresa, conforme Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, fls. 554 a 556, para discriminar por período de apuração de maio/2004 a dezembro/2004 a Base de Cálculo do PIS e as importâncias a título de ICMS devidos por responsabilidade própria da empresa (ou seja, devidos na condição de contribuinte e não como substituta tributária, eis que o ICMS na condição de substituto tributário já é regularmente excluído da base de cálculo do PIS), que acaso tenham composto a base de cálculo do PIS, bem como os valores da referida contribuição devidos sobre essas parcelas”; e · A empresa apresentou as planilhas intituladas ‘Apuração do PIS de maio/2004 a dezembro/2004’, anexas às fls. 607 a 623” (fls 620 a 636 no eproc); · “Foram impressos os PER/DCOMP (fls. 624 a 667), onde não identificamos nos mesmos pleitos de exclusão de importâncias que a contribuinte alegue tenha incidido sobre o ICMS, [...]”; · “Pela data da petição inicial da ação mandamental tombada sob o n° 2007.83.00.0022440 (06 de fevereiro de 2007), e as datas das transmissões dos PER/DCOMP (bem anterior a interposição da ação), verificamos que não poderia mesmo existir estes pleitos para exclusões”. A diligenciada, cientificada da conclusão da diligência, fl. 683, não se pronunciou a respeito. Ao analisar a impugnação a 2ª Turma da DRJ/REC exarou o Acórdão 11 36.497, de 29 de março de 2012, que, por unanimidade de votos, julgou (i) considerar não impugnada a exigência da contribuição para o PIS autuada sobre outras rubricas que não o ICMS integrante da base de cálculo de referida contribuição; (ii) rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento; e (iii) no mérito, julgar improcedente a impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/12/2004 DECISÃO JUDICIAL. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. A decisão judicial que determina a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS cumulativa cobrada com fundamento na Lei nº 9.718/98 não tem quaisquer reflexos em relação à contribuição para o PIS nãocumulativa exigida com fundamento na Lei nº 10.637/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 782DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 16 7 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o ato administrativo, elaborado por servidor competente, revestido de suas formalidades essenciais e incomprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa, improcede a preliminar de nulidade do lançamento argüida. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PERÍODOS DE APURAÇÃO NÃO AUTUADOS. FALTA DE OBJETO. Não tem objeto a preliminar de decadência oposta unicamente em relação a períodos de apuração que não foram objeto de lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Tendo a contribuinte, na impugnação, apenas a incidência da contribuição para o PIS sobre o ICMS, considerase não impugnada a autuação em relação às demais parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte apresentou, em 10/12/2012, Recurso Voluntário, fls. 708 e ss, replicando os argumentos apresentados na impugnação, ressaltando os reflexos diretos da decisão judicial que determina a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS em relação à contribuição do PIS não cumulativa exigida com fundamento na Lei nº 10.637/2002. Ao final requer unicamente a nulidade do auto de infração em decorrência da existência de decisão judicial que determina a exclusão dos valores pagos pela recorrente a título de ICMS da base de cálculo do PIS. Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 17 8 Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. O cerne litigado é unicamente a nulidade do auto de infração em decorrência da existência de decisão judicial que determina a exclusão dos valores pagos pela recorrente a título de ICMS da base de cálculo do PIS. Antes de verificar o alcance da decisão judicial é de se conhecer os alegados valores de ICMS que integraram da base de cálculo da contribuição lançada. De pronto registrese que a autuação não traz em seu bojo, explicita ou implicitamente, que o ICMS fora incluído na base de cálculo do PIS não cumulativo, lançado. Conforme relatado, a autuação cuida de PISFaturamento incidência não cumulativa, diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado pago. Não havendo indicação de inclusão, ou não, dos valores referente ao ICMS, nessa apuração. O recorrente, ainda na Impugnação, em primeira instância, argumentou que a decisão judicial lhe daria o direito à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, no sistema não cumulativo1. Entretanto, sequer desincumbiuse, o contribuinte, de demonstrar a efetiva inclusão do tributo estadual na apuração do PIS, em que pese as duas oportunidades a ele asseguradas quando da diligência, na primeira apresentou planilha que não condiz com as informações requeridas na diligência, na segunda, ao tomar conhecimento do Relatório da Diligência Fiscal, intimado a manifestarse, calouse. Tampouco no recurso voluntário, ora sob análise, pela terceira oportunidade que teve, igualmente não apresentou elementos mínimos que demonstrassem suas alegações: a efetiva inclusão do ICMS na da base de cálculo do PIS. enfim, o recorrente traz a matéria à tona, contudo não se encarrega de demonstrar sua existência material. Vejamos excertos bem delineados pelo relator de primeira instância: [...] registro que as planilhas de fls. 620/636, apresentadas pelo sujeito passivo no curso da diligência requerida às fls. 559/562, não se 1 A ação judicial referese a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS /Pasep e Cofis, no sistema cumulativo da Lai 9.718/98. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 18 9 prestam como prova do ICMS integrante da base de cálculo da contribuição para o PIS autuada: em primeiro lugar, por uma elementar razão: porque elas sequer indicam os valores do ICMS supostamente integrantes da base de cálculo da contribuição pra o PIS; e em segundo lugar, porque a autuada não apresentou documentos contábeis/fiscais que respaldassem as informações contidas nestas planilhas. Cabe ao recorrente demonstrar concretamente suas alegações, especialmente quando os meios de prova são de sua titularidade, como o é a escrita fiscal. Até porque, sendo o contribuinte em apreço, contribuinte do ICMS, seriam provas de fácil apresentação. Cabendolhe, no presente caso, a comprovação dos fatos alegados, na forma disposta no art. 36 da Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A fiscalização, por sua vez demonstrou detalhadamente as fontes e origens dos valores autuados. É de se ressaltar, com elogios, o didático voto do julgador a quo que fundamentou exaustivamente as argumentações do então impugnante. Entretanto, a meu ver, não há necessidade de se evoluir na presente fundamentação, haja vista que o montante do suposto ICMS que estaria, segundo o recorrente, incluída na base de cálculo do PIS não o fora identificado pela fiscalização, tampouco pela própria recorrente. Outrossim, ainda que houvesse demonstrado a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (o que não o fez), o contribuinte restaria desamparado da dita decisão judicial, posto que a sentença diz respeito unicamente à contribuição regida pelo sistema cumulativo da Lei 9.718/98, conquanto a autuação referese ao novo sistema de apuração não cumulativa, na forma da Lei 10.637/2002. Nesse ínterim, bem expressado no Acórdão recorrido: Quanto ao mérito, temse que, segundo petição inicial da ação judicial de fls. 572/596 e respectiva emenda de fls. 597/600, anexada após a realização da diligência requerida às fls. 559/562, a autuada, nos autos do mandado de segurança nº 2007.83.00.0022440, questionou, apenas e tão somente, a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS devida na forma da Lei nº 9.718/98, ou seja, da contribuição apurada pela sistemática cumulativa. [...] Neste talvegue, concluise que o acórdão proferido nos autos da AMS nº 100.236/PE não respalda a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS nãocumulativa cobrada com esteio na Lei nº 10.637/2002, discutida nos autos do presente processo administrativo, [...]. [Destaquei] Fl. 785DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020647/200846 Acórdão n.º 3301003.107 S3C3T1 Fl. 19 10 Por oportuno registrese ainda que a sentença judicial fora avocada pelo contribuinte sem que a mesma houvesse transitado em julgado. Entretanto, considerando que referida sentença diz respeito a matéria distinta da que trata o presente processo, conforme suso dito, Reflexos dessa circunstância não interferem no voto ora proferido razão pela qual não vislumbro necessidade de aprofundamento na analise do tema, nesse pormenor. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO Ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 786DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 10166.900936/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA
Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re-intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito ficando, todavia, inerte. Sendo insuficientes os documentos juntados pelo contribuinte com impugnação para comprovar a existência e a qualidade do pretenso crédito, o pedido creditório é improcedente.
Numero da decisão: 3402-003.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re-intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito ficando, todavia, inerte. Sendo insuficientes os documentos juntados pelo contribuinte com impugnação para comprovar a existência e a qualidade do pretenso crédito, o pedido creditório é improcedente.
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Recorrida União ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito ficando, todavia, inerte. Sendo insuficientes os documentos juntados pelo contribuinte com impugnação para comprovar a existência e a qualidade do pretenso crédito, o pedido creditório é improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 36 /2 00 8- 69 Fl. 135DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos controvertidos no presente processo administrativo, me valho do relatório desenvolvido pelo então Conselheiro Sidney Eduardo Stahl na oportunidade em que proferida a resolução n. 3801000.271 (fls. 102/107), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo administrativo de compensação não homologada, declarada em PER/DCOMP transmitida em 16/07/2004 (fls. 07/12), referente a crédito decorrente de valor supostamente recolhido a maior a título de PIS (cód. 8109) por meio de guia DARF (fls. 05), com débito de PIS (Cod. 81092) do período de apuração de junho de 2004. A compensação não foi homologada conforme despacho decisório da DRF de origem (fls. 06), sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte, resultando na cobrança de imposto remanescente no montante de R$ 8.940,50. Intimada acerca do despacho decisório acima mencionado, apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, cujas razões, como bem apontado pela DRJ de origem, apenas repetem as informações constantes do PER/DCOMP transmitido, não tendo sido anexados documentos suficientes para a verificação do crédito a que faria jus. Ao analisar as razões supra transcritas, julgou a DRJ de origem pela improcedência da manifestação de inconformidade do contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado através do acórdão recorrido de fls. 28/31, cuja ementa restou assim redigida, verbis: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep AnoCalendário 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante da manifestação de inconformidade que discorre sobre a existência de crédito tributário em discussão sem trazer qualquer prova documental que proporcione suporte à alegação, resta manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado do acórdão acima ementado, interpôs o contribuinte o presente recurso voluntário, através do qual sustenta, em síntese: i) serem os pagamentos indevidos a título de PIS oriundos da ausência de sua apuração conforme a sistemática “monofásica” de recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS instituída pela Lei nº 10.147/2000 e posteriores, que estabeleceu alíquota zero para os contribuintes varejistas de produtos farmacêuticos, concentrando o recolhimento das contribuições na etapa inicial da cadeia tributária. Com o fito de comprovar os pagamentos Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10166.900936/200869 Acórdão n.º 3402003.683 S3C4T2 Fl. 152 3 indevidos, traz aos autos relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo do PIS, bem assim das notas fiscais de entrada e saída dos produtos, através das quais busca a comprovação de que a responsabilidade de recolhimento do tributo é das Indústrias Farmacêuticas que figuram como produtoras ou importadoras, sendo a recorrente apenas revendedora atacadista / varejista desses produtos; ii) discorre acerca da origem dos débitos compensados e da previsão legal para a sua compensação e, por fim iii) alega que a decisão recorrida não foi precisa quanto a análise dos fatos e do seu direito quanto à compensação realizada. (...). 2. Devidamente processado o recurso voluntário interposto, seu julgamento foi convertido em diligência (resolução n. 3801000.271 fls. 102/107), para que fossem tomadas as seguintes medidas pela unidade preparadora: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida identificando os produtos sujeitos ao regime monofásico e os pagamentos indevidamente realizados e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. 3. Referida diligência foi cumprida, conforme se observa da informação fiscal de fls. 128/131, oportunidade em que se reconheceu a inexistência do crédito vindicado pela Recorrente. 4. Intimado para se manifestar do resultado da diligência, o contribuinte deixou que o prazo transcorresse in albis. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 7. Como fora relatado alhures, a controvérsia da presente demanda consiste em saber se a documentação apresentada pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade é ou não suficiente para atestar o direito creditório aqui vindicado. 8. Segundo consta das razões recursais, o contribuinte recolheu indevidamente PIS, uma vez que os produtos que comercializa produtos farmacêuticos Fl. 137DF CARF MF 4 estariam sujeitos ao regime monofásico, ou seja, o recolhimento do PIS ficaria concentrado na etapa inicial da cadeia. 9. Com o fito de provar seu direito a recorrente apresentou o comprovante de pagamento do tributo indevido (guia DARF), bem como acostou diversos documentos relacionados às suas operações, com especial destaque para os relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo da PIS e, ainda, notas fiscais de entrada e saída dos produtos, as quais atestariam a responsabilidade de recolhimento do tributo pelas indústrias farmacêuticas no início da cadeia produtiva. 10. Não obstante, conforme já mencionado no relatório, o presente caso foi convertido em diligência, oportunidade em que a unidade preparadora intimou (fls. 109/113) e reintimou (fls. 114/118) o contribuinte para que apresentasse os seguintes documentos e informações: (...). a) relatórios de vendas de produtos beneficiados com alíquota zero para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004, conforme Tabela 1), devendo estar identificado o produto com o código de sua classificação fiscal, de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), além do número da nota fiscal de venda, da data de sua emissão, do valor da venda e do valor dos pagamentos da Cofins e do PIS; b) notas fiscais de venda correspondentes aos produtos de que trata o item “a” acima; c) lançamentos contábeis (diário ou razão) relativos às vendas dos produtos de que trata o item “a” acima; d) notas fiscais de compra dos produtos de que trata o item “a” acima. (...). (grifos constantes no original). 11. O contribuinte, por sua vez, permaneceu inerte, de modo que a unidade preparadora cumpriu a diligência com base na documentação acostada nos autos, bem como nas informações obtidas junto ao sistema eletrônico da própria Receita Federal. É o que se observa dos seguintes trechos da informação fiscal de fls. 128/131: (...). 4. Primeiramente, visando identificar o pagamento realizado pela Contribuinte, bem como a eventual disponibilidade de saldo, foram realizadas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB. O pagamento foi confirmado (fls. 119), porém, não possui saldo disponível, tendo sido totalmente utilizado para quitar o débito declarado em DCTF. 5. Logo, tratase, em princípio, de pagamento devido, alocado ao seu respectivo débito e, consequentemente, não passível de repetição. Assim, em resposta aos argumentos da Interessada, quanto à falta de clareza dos motivos que levaram a não homologação da compensação, verificase que foi declarado em DCTF e pago o débito que a Contribuinte reputa como indevido. Portanto, justificase as razões de não homologação da presente Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10166.900936/200869 Acórdão n.º 3402003.683 S3C4T2 Fl. 153 5 compensação, referidas no despacho decisório de fls. 7, emitido eletronicamente em 24/04/2008 e com nº de rastreamento 757714493, pois, o pagamento efetuado vinculouse ao respectivo débito com a consequente ausência de saldo para compensação. 6. Em seguida, foram examinados os documentos apresentados pela Contribuinte e existentes no processo, observandose que: 6. 1. o objeto social da empresa (fls. 22) é o comércio varejista e atacadista de artigos médicos e ortopédicos, entre outros. Em consulta ao sistema CNPJ (fls. 121), podese confirmar que a empresa tem por atividade econômica o “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios” (CNAE 4645101); 6. 2. os documentos apresentados com o objetivo de comprovar o crédito alegado foram: i) relatório de vendas (doc 1, fls. 52/59); ii) lançamentos das notas fiscais (NF) de saída (doc 2, fls. 60/80); iii) NF de saída (doc 3, fls. 81/90); e iv) NF de entrada (doc 4, fls. 91/99). Sua análise revela que: 6.2.1. o relatório de vendas, por si só, nada comprova, pois, além de estar limitado às transações realizadas no mês de julho/2003, traz apenas o nome técnico do produto, sem qualquer liame com sua classificação fiscal, característica necessária para identificar a possibilidade de direito ao benefício fiscal alegado, em conformidade com os arts. 55 e 59 da IN SRF nº 247/2002; 6.2.2. os lançamentos das NF de saída trazem a classificação fiscal do produto vendido, o que permite identificar se a pessoa jurídica faz jus ou não ao benefício fiscal alegado. Observese que os lançamentos apresentados fazem referência a algumas NF emitidas em agosto/2003, novembro/2003 e dezembro/2003. Neste processo, pleiteiase o crédito do PIS de outubro/2003. Ocorre que não há comprovação nos autos de vendas efetuadas em outubro/2003, conforme Tabela 3 (fls. 123/126). Logo, tendo por base apenas as informações disponíveis nos autos, inexiste valor a ser compensado para este período (vide Tabela 4 em fls. 127), para detalhes de cálculo); 6.2.3. as NF de venda não trazem a classificação fiscal dos produtos vendidos, sendo insuficientes para apreciar o pleito; 6.2.4. as NF de entrada, emitidas pelas empresas produtoras/importadoras, indicam a classificação fiscal dos produtos adquiridos pela Interessada. Entretanto, tratase de informações insuficientes para embasar quaisquer conclusões, conforme se nota na Tabela 2,, abaixo. (...). 7. Tendo em vista a insuficiência das informações presentes nos autos, visando caracterizar de forma inequívoca a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado, a Interessada foi Fl. 139DF CARF MF 6 intimada (Termo de Intimação nº 111/2015, em fls. 109/111) a apresentar relatórios de vendas dos produtos beneficiados com alíquota zero, notas fiscais de venda e de compra de tais produtos, além dos lançamentos contábeis correspondentes, para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004). 8. Não tendo apresentado resposta à referida intimação, a Interessada foi reintimada por meio do Termo de Reintimação nº 139/2015 (fls. 114/116). Entretanto, até a presente data as exigências não foram atendidas, de modo que a presente análise restringese aos dados confirmados e disponíveis nos sistemas da RFB, em conformidade com o § único do art. 39 da Lei nº 9.784/1999. 9. Assim sendo, diante da ausência de certeza e liquidez do crédito alegado, não se pode reconhecer qualquer direito creditório relativo ao mês de outubro/2003, havendo uma diferença não compensável de R$ 4.388,41. É importante observar que a Tabela 4 traz informações sobre o valor do crédito compensado no presente processo, juntamente com a utilização do saldo em outro processo, quando cabível. (...). 12. Percebese, portanto, que ante a não apresentação de documentos fiscais e informações solicitados junto ao contribuinte e, ainda, levando em consideração as provas apresentadas em impugnação, a unidade preparadora reconheceu inexistir qualquer crédito em favor do Recorrente, o que também se reconhece por intermédio da presente decisão. 13. Em suma, a ausência de prova suficiente para atestar a certeza e liquidez do valor vindicado impede o seu reconhecimento nesta seara judicativa. Dispositivo 14. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 15. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000199/2008-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisando-se o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, opera-se segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 12.715, DE 2012. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. EXCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Com a Lei nº 12.715, de 2012 (conversão da MP nº 563, de 2012) o mecanismo de comparabilidade passou por alteração em relação à Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de se excluir da apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos incidentes na importação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-002.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que não o conheceram na parte de omissão de receitas. Foi designada na reunião de Agosto, para redigir o voto vencedor em relação ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Acordam, ainda, no mérito, (1) quanto à omissão de receitas, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (3) quanto à inclusão de frete, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (4) quanto aplicação dos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votou apenas quanto ao mérito.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisando-se o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, opera-se segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 12.715, DE 2012. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. EXCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Com a Lei nº 12.715, de 2012 (conversão da MP nº 563, de 2012) o mecanismo de comparabilidade passou por alteração em relação à Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de se excluir da apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos incidentes na importação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que não o conheceram na parte de omissão de receitas. Foi designada na reunião de Agosto, para redigir o voto vencedor em relação ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Acordam, ainda, no mérito, (1) quanto à omissão de receitas, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (3) quanto à inclusão de frete, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (4) quanto aplicação dos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votou apenas quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 8.140 1 8.139 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.000199/200816 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.446 – 1ª Turma Sessão de 21 de setembro de 2016 Matéria IRPJ PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA Recorrente SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 9.430 DE 1996. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. INCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. Analisandose o método do PRL, a comparabilidade entre preços praticado e parâmetro, sob a ótica do § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, operase segundo mecanismo no qual se incluem na apuração de ambos os preços os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. LEI 12.715, DE 2012. MECANISMO DE COMPARABILIDADE. PREÇOS PRATICADO E PARÂMETRO. EXCLUSÃO. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Com a Lei nº 12.715, de 2012 (conversão da MP nº 563, de 2012) o mecanismo de comparabilidade passou por alteração em relação à Lei nº 9.430, de 1996, no sentido de se excluir da apuração dos preços praticado e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 99 /2 00 8- 16 Fl. 8140DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.141 2 parâmetro os valores de frete, seguros (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos incidentes na importação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente o Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que não o conheceram na parte de omissão de receitas. Foi designada na reunião de Agosto, para redigir o voto vencedor em relação ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. Acordam, ainda, no mérito, (1) quanto à omissão de receitas, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que lhe deram provimento; (2) quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (3) quanto à inclusão de frete, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento; (4) quanto aplicação dos juros de mora sobre multa de ofício, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) votou apenas quanto ao mérito. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora Designada Fl. 8141DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.142 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA (efls. 7834 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301 001.056 (efls. 7763 e segs), pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 02/10/2012, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal tipificou a ocorrência de duas infrações tributárias: (1) incorreção na apuração do PRL 60, em desacordo com a IN SRF nº 243, de 2002, na apuração dos preços de transferência, e (2) omissão de receitas decorrente de diferenças de estoque. Foram efetuados lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A Contribuinte apresentou impugnação discorrendo sobre a (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado; (3) inadequação da omissão de receitas e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Na primeira instância (DRJ) a impugnação foi julgada procedente em parte, para exonerar parcialmente as exações relativas à omissão de receitas decorrente de diferenças de estoque. Em razão do crédito tributário exonerado, o Presidente da Turma recorreu de ofício. Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário, devolvendo as matérias apresentadas via impugnação, apreciado pela segunda instância (Turma Ordinária do CARF), que manteve a decisão da DRJ na integralidade, para negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento do recurso voluntário da Contribuinte. A Contribuinte interpôs recurso especial e a PGFN apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade, para dar seguimento às mesmas matérias arguidas em sede de impugnação: (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado; (3) inadequação da omissão de receitas e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa Fl. 8142DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.143 4 A contribuinte apresentou impugnação (efls. 3131 e segs), que foi julgada procedente em parte pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I, para afastar parcialmente as exações relativas à omissão de receitas decorrente de diferenças de estoque nos termos do Acórdão nº 1633.180 (efls. 7626 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE. Comprovado equívoco por parte da fiscalização na apuração da matéria tributável (presunção de omissão de receitas a partir da apuração de diferenças de estoque), exonerase parcialmente a exigência. MÉTODO PRL60%. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243/2002. À esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Não obstante, é certo que a IN SRF nº 243/2002, encontrase em perfeita consonância com as normas veiculadas no artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 2º da Lei nº 9.959/2000. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, por ser parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Foi interposto recurso voluntário (efls. 7687 e segs) pela Contribuinte, apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de Fl. 8143DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.144 5 02/10/2012. Decidiu o Acórdão nº 1301001.056 (efls. 7763 e segs) negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO RELATIVA. Tratandose de presunção legal relativa, na hipótese em que o contribuinte comprova a inocorrência do fato presumido (omissão de receitas), há de se cancelar o correspondente crédito tributário. Na mesma linha, não trazendo o contribuinte elementos que possibilitem criar convicção acerca da inocorrência do referido fato, mantémse a exigência, não podendo a autoridade julgadora ampliar a decisão para afastá la com base no argumento de que a parcela que não restou comprovada revelase insignificante. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Por força do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. DA APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC SOBRE AS MULTAS APLICADAS Considerando as expressas disposições do Art. 61, §3ºda Lei 9.430/96, c/c Decreto 1.736/79, as multas de ofícios compõem o crédito tributário, razão porque, na sua atualização, devem incidir o juros SELIC, nos termos ali então apontados. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 7834 e segs.), protestando sobre (1) o método adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, que contraria o disposto na Lei nº 9.430, de 1996 e teria incorrido em inovação não prevista em lei, além de ser desprovido de lógica econômica; (2) a inclusão dos valores de frete, seguro e tributos no preço Fl. 8144DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.145 6 praticado para fins de comparação com o preço parâmetro; (3) a frágil presunção legal de omissão de receitas, tanto que foi mantida pelo acórdão recorrido apenas a parcela de 1,47% do valor da autuação fiscal, referente a apenas um produto dos vinte e um analisados pela autoridade autuante; e (4) a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 8102/8108 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 8102/8108), no qual discorre que (1) a sistemática do PRL 60 definida pela IN SRF nº 243/02 concretiza devidamente o objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, (2) é acertada a inclusão dos valores de frete, seguros e tributos incidentes sobre a importação no preço praticado; e (3) pela aplicabilidade da taxa SELIC sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura Admissibilidade O recurso especial da Contribuinte propôs a devolução de quatro matérias para apreciação do Colegiado: (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro; (3) inadequação da omissão de receitas e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 8102/8108, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 19991, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer as matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro; e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. Contudo, em relação à matéria (3) inadequação da omissão de receitas, entendo que não restou demonstrada a divergência exigida no RICARF. Isso porque os paradigmas apresentados, acórdãos nº 10180.774 e 103 18.893, tratam de anoscalendário anteriores a 1996, ou seja, com legislação diferente da tratada nos presentes autos, o art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 8145DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.146 7 O acórdão nº 10180.774 (efls. 7989/8002) consiste em autuação fiscal dos exercícios de 1986, 1987 e 1988, e trata, dentre outras infrações, da presunção de omissão de receitas de passivo fictício prevista no art. 180 do RIR/80 (Decreto nº 85.450, de 1980): Art. 180. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto Lei n° 1.598/77, art. 12, § 2º). Por sua vez, o acórdão nº 10318.893 (efls. 8007/8009) consiste em autuação fiscal dos exercícios de 1988 a 1992, e trata, dentre outras infrações, também da presunção de omissão de receitas de passivo fictício, também sob a égide do RIR/80. Por outro lado, a matéria tratada pela decisão recorrida é positivada pelo art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996, e trata do anocalendário de 2003: Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. Além de, substancialmente, as matérias dos paradigmas e da decisão recorrida tratarem de matérias diferentes (nos paradigmas presunção de omissão de receitas de passivo fictício, e presunção de levantamento quantitativo por espécie no estoque, na decisão recorrida), formalmente também não se comunicam, vez que os acórdãos paradigmas discutem o direito sob a égide do RIR/80 e o art. 12, § 2º do DecretoLei n° 1.598/77, e a decisão recorrida do art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996. Poderseia dizer que o ponto arguido pela Contribuinte diz respeito ao fato de que, descaracterizada a presunção de omissão mediante a comprovação da grande maioria do valor lançado (por exemplo, 99%), o remanescente (1%) não poderia ser considerado omissão de receitas em razão de sua insignificância, o que poderia transcender eventuais óbices substanciais e formais. Fl. 8146DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.147 8 Ocorre que o RICARF, Anexo II, art. 67, caput e § 1º deixa bastante claro que deve ser demonstrada interpretação divergente da legislação tributária ao se comparar a decisão recorrida e a paradigma2 . E, para se viabilizar uma comparação adequada, os pólos devem ser equiparáveis. Não há como estabelecer um parâmetro razoável tendose, de um lado, autuações fiscais de 1986 a 1992, julgadas em 1990 e 1997, sob a premissa da legislação tributária posta pelo RIR/80, com autuação fiscal do anocalendário de 2003, julgada em 2012, interpretando aspectos da legislação tributária conforme RIR/99. Assim sendo, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso especial da Contribuinte, para dar seguimento às matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro; e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício, e negar seguimento para a matéria (3) inadequação da omissão de receitas. Registro que na sessão de julgamento fui vencido em relação ao conhecimento da matéria (3) inadequação da omissão de receitas. Nesse contexto, o mérito irá dispor sobre as matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro; (3) inadequação da omissão de receitas e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. I. IN SRF nº 243, de 2002. Legalidade. Sobre a legalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. 2 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 8147DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.148 9 Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 3. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 3 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 8148DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.149 10 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 4, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 5 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 6 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 4 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 5 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 6 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 8149DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.150 11 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 7. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço 7 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 8150DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.151 12 parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor Fl. 8151DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.152 13 agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total8. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e 8 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 8152DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.153 14 PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Fl. 8153DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.154 15 Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 9, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. 9 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 8154DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.155 16 Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o Fl. 8155DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.156 17 modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. Fl. 8156DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.157 18 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. Fl. 8157DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.158 19 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o Fl. 8158DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.159 20 conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte quanto à matéria que trata da legalidade da IN SRF nº 243, de 2002. II. Inclusão de Fretes, Seguros e Tributos no Preço Praticado. Para discorrer sobre a matéria indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado, cabe transcrever a redação do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, caput e § 6º, dada antes da alteração promovida pela Lei nº 12.715, de 2012, transcrito na sequência: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: [...] III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: [...] (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Fl. 8159DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.160 21 Primeira constatação é que a comparabilidade é o valor principal a ser tutelado na matéria atinente aos preços de transferência. E, recusar a aplicação da comparabilidade é o mesmo que ignorar o princípio do arm's length. A operação entre pessoas vinculadas (no qual se verifica o preço praticado) e a operação entre pessoas não vinculadas, na revenda (no qual se apura o preço parâmetro) devem preservar parâmetros equivalentes. E, quanto ao caso em análise, concernente aos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação, só dois mecanismos podem ser seguidos: (1) incluindose na apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação, ou (2) excluindose na apuração dos preços praticado e parâmetro os valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Precisamente nesse contexto se justifica a existência do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, porque apresenta um tratamento diferente daquele previsto na regra geral para a apuração do custo contábil pelo art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1° O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo. Não há coincidência na construção do sistema de tributação. Como regra geral de dedutibilidade, incluemse os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. Por isso, a legislação de preços de transferência, para buscar um parâmetro de comparação adequado entre preço praticado e preço parâmetro, teve que expressamente se manifestar, por meio do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, para esclarecer que a regra geral de dedutibilidade não seria aplicável. Ou seja, para fins de apuração do preço de transferência, os valores de frete, seguro e tributos incidentes na importação não são dedutíveis, devendo integrar o custo. Portanto, como se pode observar, a redação do § 6º do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996 consagra o mecanismo de inclusão, na apuração dos preços praticado e parâmetro, dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação. Inclusive, a IN SRF nº 243, de 2002, não vacila sobre o entendimento: Art. 4º (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa Fl. 8160DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.161 22 importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Em suma, sob a égide do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, não restam dúvidas sobre o assunto: integram o custo (apuração do preço praticado), para efeito de dedutibilidade (registrase a exceção à regra geral disposta no art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. E não há que se falar que a nova redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, teria alterado tal entendimento. Pelo contrário, confirmou que a comparabilidade sempre foi o valor principal a ser tutelado. Basta observar nova redação dada ao § 6º em debate, e ao novel § 6º A: § 6º Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) I não vinculadas; e (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 6ºA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Primeiro, ao se revogar a redação antiga do § 6º, eliminase a restrição colocada ao preço praticado aplicável sobre a regra de dedutibilidade geral do art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Ou seja, passase a permitir a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na apuração do preço praticado. Ou seja, os dispêndios voltam a seguir a regra geral e passam a ser dedutíveis. E, na mesma medida, com a nova redação do § 6º e o novo § 6ºA, determinase que na apuração do preço parâmetro pelo método PRL, não serão mais considerados os valores de frete, seguro (mediante atendimento de determinadas condições) e tributos na importação na apuração do preço praticado. Ora, no ordenamento anterior à redação da Lei nº 12.715, de 2012, o § 6º dirigiase ao preço praticado, e estabelecia exceção à regra geral de dedutibilidade, determinando pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação, vez que, na determinação do preço parâmetro, tais dispêndios eram considerados. Como já dito, a comparabilidade se operava mediante o mecanismo de inclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na determinação dos preços praticado e preço parâmetro. Fl. 8161DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.162 23 Por sua vez, com a redação da Lei nº 12.715, de 2012, operacionalizouse caminho inverso. O § 6º e § 6ºA dirigemse ao preço parâmetro. Revogase a restrição à regra de dedutibilidade geral (art. 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), ou seja, na determinação do preço praticado passa a ser permitida a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação. E, precisamente por isso, a nova redação do § 6º e § 6ºA determina que passam a não integrar a apuração do preço parâmetro os valores de frete, seguro e tributos na importação. A comparabilidade passa a ser operada mediante o outro mecanismo: a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na determinação dos preços praticado e preço parâmetro. Preservada, portanto, a comparabilidade entre os preços parâmetro e praticado. Pelos fundamentos apresentados, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte a respeito da matéria indevida inclusão de fretes, seguros e impostos no preço praticado. III. Omissão de Receitas. Diferença de Estoque A matéria em debate é positivada no art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. § 2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. § 3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. Tratase de presunção de omissão de receitas decorrente de levantamento quantitativo por espécie no estoque. A primeira instância (DRJ), após realização de diligência, afastou parte substancial da infração, de vinte e um produtos, perfazendo o total de R$34.603.858,97, para apenas um produto, THIOVIT SANDOZ 25KG, remanescendo apenas o valor de R$532.764,34. Fl. 8162DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.163 24 Aduziu a Contribuinte, em resposta à diligência (efls. 6821/6834): 22 Primeiro porque a Manifestante apresentou todos os documentos que comprovam suas alegações, tendo a D. Fiscalização se limitado a analisar as informações apresentadas após o pedido de esclarecimentos da DRJ. 22.1 A título de exemplo, em sua Impugnação a Manifestante fez prova de que os 22.475kgs de Thiovit foram devidamente registrados na unidade de Ribeirão Preto. Tendo em vista a dificuldade em localizar o Livro de Inventário desta fábrica já que esta não opera há anos, a Manifestante juntou, em substituição, cópia do controle gerencial da unidade (juntado novamente como doe. 01 para facilitar a identificação do documento), que deve ser considerado pela D. Fiscalização em conjunto com as demais informações já apresentadas. 23 Segundo porque após essas novas informações, de um universo de 21 (vinte e um) produtos, em apenas 1 (um) deles (que representa 1,47% do valor total), frisese tão somente 1 (um), não foi possível a comprovação completa da inexistência de omissão de receita por entrada desacobertada de nota fiscal. 24 Em outras palavras, por ter restado um percentual tão ínfimo de supostas entradas sem a devida emissão de nota fiscal em um universo muito maior de operações cuja documentação fiscal foi devidamente apresentada e comprovada, a presunção de que a empresa teria omitido receitas do Fisco resta afastada. 25 Tal fato é suficiente para demonstrar que não houve omissão de receitas em razão de entrada de mercadorias desacompanhadas da respectiva documentação fiscal. Observase que a Contribuinte discorre sobre dois pontos: primeiro, que não teria logrado apresentar Livro de Inventário requerido pela Fiscalização porque a unidade já estaria fora de operação há vários anos, mas que teria disponibilizado um "controle gerencial da unidade" que serviria de prova para desconstituir a presunção fiscal, e, segundo, que o valor mantido após a diligência, por ser bastante inferior (menos de 2%) ao primitivamente autuado, teria demonstrado a incorreção do procedimento fiscal, e por isso deveria ser afastado. Sobre o segundo ponto, percebese que requer pela aplicação do princípio da insignificância no direito tributário. Tanto a DRJ, quanto o voto vencedor da decisão recorrida não acataram nenhum dos argumentos da Contribuinte. A DRJ acompanhou entendimento da Fiscalização, que, diante da não apresentação do Livro Registro de Inventário, e da análise do Livro Movimentação de Estoques, não foi possível localizar o montante de estoque alegado pela empresa10. Ou seja, 10 Vide Acórdão nº 1633.180 da 2ª Turma da DRJ/São Paulo I (efl. 7657): A empresa informou que os 36.100 kgs de Thiovit, em 31.12.2003 estariam nas seguintes unidades: Sumaré: 13.600 kgs; Resende: 25 kgs; e Ribeirão Preto: 22.475 kgs. Pudemos confirmar a existência das quantidades existentes em Sumaré e Resente. Todavia a empresa não apresentou o Livro Registro de Inventário, em 31.12.2003, da unidade de Ribeirão Preto e no Livro Movimentação de Estoques apresentado não pudemos Fl. 8163DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.164 25 não considerou o "controle gerencial da unidade" como prova hábil para desconstituir a presunção fiscal. E concluiu (efls. 7658): Conforme se observa da análise dos autos, a diferença de estoques foi apurada pela fiscalização mediante trabalho de auditoria, tendo sido dada oportunidade à contribuinte de se defender, esta apresentou esclarecimentos e provas que não haviam sido exibidas durante a fiscalização. Apenas as divergências não esclarecidas pela contribuinte devem ser mantidas na presente autuação por omissão de receitas (R$532.764,34), decorrente da apuração de diferenças de estoque (presunção legal não elidida pela contribuinte), independentemente da relação percentual entre o valor do Auto de Infração e o valor que restou não comprovado. A decisão recorrida não alterou a decisão de primeira instância. Transcrevo excerto do voto (efl. 7806) sobre o assunto: No que diz respeito à omissão de receitas, entendeu a Turma Julgadora que, inexistindo contestação quanto à aplicação da presunção, o fato de a parte não comprovada representar parcela ínfima em relação ao que foi considerado pela Autoridade Fiscal, não pode, em virtude de absoluta ausência de permissivo legal, servir de fundamento para o cancelamento da exigência. No caso, estarseia aplicando mera presunção com o intuito de desconstituir crédito tributário regularmente lançado, o que, como dito, não encontra respaldo na legislação de regência. O voto manifestouse no sentido de que não há previsão legal para afastar crédito tributário regularmente lançado. Em hipótese, poderseia até dizer que não haveria menção expressa sobre a produção da prova, mas fato é que, ao tomar ciência da decisão, não se manifestou a Contribuinte em sede de embargos de declaração. Ou seja, não constatou ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição na decisão ora recorrida. E, ao devolver o mérito da matéria, apresentou, no exame de admissibilidade, dois paradigmas que tratam da aplicação do princípio da insignificância: Acórdão nº 10180.774 IRPJ OMISSÃO DE RECEITA PASSIVO FICTÍCIO A comprovação, em primeira instância, da existência de 99% das obrigações, afasta a presunção de omissão de receitas em relação às parcelas de valores ínfimos tidos como não comprovadas. Acórdão nº 10318.893 IRPJ PASSIVO FICTÍCIO A comprovação, em primeira instância, da existência de mais 99% das obrigações afasta a localizar a quantidade alegada. Consideramos comprovado 13.625 kgs a acrescentar, provenientes das unidades de Sumaré e Resende.(Grifei) Fl. 8164DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.165 26 presunção de omissão de receitas em relação as parcelas de valores ínfimos tidas como não comprovadas. Nesse contexto, registro duas constatações: 1º) a matéria devolvida para apreciação do Colegiado é a aplicação do princípio da insignificância; 2º) não tendo sido embargada a decisão recorrida, e tendo as matérias dos paradigmas tratado especificamente do princípio da insignificância, restou preclusa qualquer pretensão de se reavaliar provas nos autos. Toda a exposição até o momento decorre do fato de que, em sustentação oral realizada na sessão de julgamento ocorrida no mês de agosto de 2016, o Patrono aduziu que teria apresentado provas no processo, para afastar a presunção fiscal remanescente sobre o produto THIOVIT SANDOZ 25KG, e que não foram consideradas. Dois comentários. Primeiro, conforme exaustivamente demonstrado, as aludidas provas a que se referiu o Patrono já foram apreciadas, e consideradas ineficazes para desconstituir a presunção fiscal. Segundo, se o Patrono não opôs embargos de declaração em face da decisão recorrida, e ao interpor Recurso Especial apresentou paradigma especificamente sobre o princípio da insignificância, demonstrou, sem sombra de dúvidas, que se conformou com a parte da decisão recorrida que desconsiderou a prova "controle gerencial da unidade". Sustentação oral não é momento processual para ressuscitar matéria preclusa nos autos. Portanto, diante da síntese processual, resta incontroverso que, para o produto THIOVIT SANDOZ 25KG, foi apurada a omissão de receitas, por meio de presunção legal, quando se constatou a divergência entre o estoque físico escriturado pela Contribuinte e o estoque apurado pela Fiscalização. Por sua vez, a matéria devolvida consiste, precisamente, na apreciação do princípio da insignificância. Sobre o assunto, o que aduz a Contribuinte é que, conforme resultado de diligência encaminhada pela DRJ, a presunção de omissão de receitas, que na autuação fiscal tratava de vinte e um produtos, perfazendo o total de R$34.603.858,97, foi reduzida a apenas um produto, THIOVIT SANDOZ 25KG, remanescendo apenas o valor de R$532.764,34. Assim, nesse contexto, tal valor, por ser bastante inferior ao primitivamente autuado, teria demonstrado a incorreção do procedimento fiscal, e por isso deveria ser afastado. Ocorre que não assiste razão à Contribuinte. Não há qualquer base legal que ampare o afastamento de uma exação fiscal apenas porque a parte mantida na fase contenciosa seria em valor significativamente inferior ao apurado no decorrer da autuação fiscal. A aplicação do princípio da insignificância, de ordem subjetiva, que não tem nenhum amparo no direito tributário. Pelo contrário, a infração tributária tem natureza Fl. 8165DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.166 27 objetiva, consagrada pelo art. 136 do CTN 11, ao dispor que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, no caso concreto, o valor principal de R$532.764,34 não é irrisório, pelo contrário, é relevante e não pode ser objeto de disponibilidade com fundamento de ordem meramente discricionária e ilegal. Nesse sentido, nego provimento ao recurso da Contribuinte sobre a matéria omissão de receitas por diferença de estoque. IV. Juros de Mora sobre Multa de Ofício Vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Doutrina de Ives Gandra Martins ratifica o entendimento: A obrigação tributária abrange tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. O pagamento, seja do tributo, seja da penalidade pecuniária que são duas espécies do gênero obrigação tributária , extingue o crédito tributário. A obrigação principal é efetivamente uma obrigação tributária. A obrigação acessória é uma obrigação administrativa, porque, quando ela passa a ser tributária, deixa de ser acessória e passa a ser principal. Há que se observar que não é toda penalidade tributária que se constitui em sanção com conformação de obrigação tributária. A penalidade que implica a perda de 11 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 8166DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.167 28 liberdade, que é ínsita ao campo do Direito Tributário, essa, evidentemente, não é uma obrigação tributária. A obrigação tributária é, como vimos, gênero do qual são espécies o tributo e a penalidade. Entretanto, esta só compreende a penalidade pecuniária. Se a penalidade for de outra natureza, tributária não é. As obrigações acessórias, aquelas que os contribuintes são obrigados a fazer em nome do fisco e para o fisco, como a escrituração dos seus livros, a manutenção dos seus documentos, a emissão de notas fiscais, essas obrigações acessórias, na verdade, não são obrigações tributárias, são obrigações administrativas. O contribuinte se transforma numa longa manus da Administração, e é evidente que essas obrigações acessórias, quando descumpridas, merecem uma penalidade, e sempre que merecerem uma penalidade pecuniária passam a ser obrigações principais e entram naquela conformação do art. 113 (Curso de direito tributário, Col. AudioJuris,, fita n. 6, lado A)." (grifei)” Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, assim que tanto tributo quanto penalidade estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Enfim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. V. Conclusão Portanto, diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente quanto as matérias (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002; (2) inclusão de fretes, seguros e impostos para fins de comparação com o preço parâmetro e (3) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício, e, negar provimento ao recurso da Contribuinte. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 8167DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.168 29 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rego, Redatora Designada. Ousei divergir do ilustre relator no tocante ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, no que diz respeito à divergência quanto à omissão de receitas porque, em que pese o acórdão recorrido e o paradigma tratarem de legislações distintas, a tese encampada pelo acórdão paradigma, ao interpretar a legislação de presunção legal de omissão de receitas, poderia ser perfeitamente aplicável ao caso do acórdão recorrido. Ressalto que, muito embora eu não concorde com a aludida tese, tanto é que acompanhei o relator no tocante ao mérito, o fato é que os acórdãos paradigmas nº 10180.774 e 10318.893, exoneraram a autuação quando houve comprovação de parcela significativa de valores lançados a título de omissão de receita e o recorrido manteve a exigência sobre a parcela remanescente, por falta de previsão legal para afastar a exigência lançada, ainda que fundamentada em uma presunção legal. No caso do acórdão nº 10180.774, de 19 de novembro de 1990, a autuação decorria de passivo fictício, a primeira instância entendeu estar comprovada 99% das obrigações e exonerou essa parcela, e o Conselho, por meio desse acórdão, exonerou o restante sob o seguinte argumento: “(...) Comprovadas quase 99% (noventa e nove por cento) das obrigações, a presunção passa a militar a favor da contribuinte em relação aos valores, irrisórios, considerados pelo Fisco como não comprovados”. Da mesma forma, no que toca ao acórdão paradigma nº 10318.893, de 17 de setembro de 1997, houve acusação fiscal de inúmeras formas de omissão de receita, dentre as quais aquelas relativas ao passivo fictício. Para essa presunção legal, entendeu o colegiado, conforme ementa que ora transcrevo: “IRPJ PASSIVO FICTÍCIO A comprovação, em primeira instância, da existência de mais 99% das obrigações afasta a presunção de omissão de receitas em relação as parcelas de valores ínfimos tidas como não comprovadas.” É bem verdade que o acórdão recorrido tratou de omissão de receita presumida a partir de levantamento quantitativo por espécie, nos termos autorizados pelo art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996, mas a situação fática tratada neste processo é bastante similar àquela analisada pelos paradigmas, quando se confronta o ponto abordado pelo recorrente. É que, também no acórdão recorrido, a parcela que não restou comprovada pela autuada também era ínfima. E tanto esse argumento foi relevante, que a ementa do acórdão recorrido, nesta matéria, ficou assim tratada: OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO RELATIVA. Tratandose de presunção legal relativa, na hipótese em que o contribuinte comprova a inocorrência do fato presumido (omissão de receitas), há de se cancelar o correspondente crédito tributário. Na mesma linha, não trazendo o contribuinte elementos que possibilitem criar convicção acerca da Fl. 8168DF CARF MF Processo nº 16561.000199/200816 Acórdão n.º 9101002.446 CSRFT1 Fl. 8.169 30 inocorrência do referido fato, mantémse a exigência, não podendo a autoridade julgadora ampliar a decisão para afastá la com base no argumento de que a parcela que não restou comprovada revelase insignificante. Ou seja, tanto para a tese do acórdão recorrido, como para a tese esposada pelos acórdãos paradigmas, a legislação em que se calcou a presunção legal em si era irrelevante. O que estava em discussão, para todos esses colegiados, era a possibilidade de se afastar ou não uma presunção legal de omissão de receitas, diante de uma situação em que o sujeito passivo logrou comprovar grande parcela do que lhe estava sendo imputado a título de omissão não comprovada. Aliás, do voto vencedor do acórdão recorrido, é oportuno destacar o que estava sendo discutido: No que diz respeito à omissão de receitas, entendeu a Turma Julgadora que, inexistindo contestação quanto à aplicação da presunção, o fato de a parte não comprovada representar parcela ínfima em relação ao que foi considerado pela Autoridade Fiscal, não pode, em virtude de absoluta ausência de permissivo legal, servir de fundamento para o cancelamento da exigência. No caso, estarseia aplicando mera presunção com o intuito de desconstituir crédito tributário regularmente lançado, o que, como dito, não encontra respaldo na legislação de regência. É importante registrar que somente esses dois parágrafos do voto vencedor foram dedicados à matéria, o que significa dizer que, para o entendimento do colegiado, a omissão de receita foi mantida “em virtude de absoluta ausência de permissivo legal” para servir de fundamento para o cancelamento da exigência. Já no caso dos acórdãos paradigmas, a despeito de também não haver esse permissivo legal, os colegiados entenderam ser possível tal exclusão. Assim, considero flagrante a divergência de interpretações a respeito dos lançamentos efetuados com base em presunções legais, a despeito de, em cada caso concreto, a autuação ter sido fundamentada em dispositivos legais distintos. Adriana Gomes Rêgo Fl. 8169DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.905655/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA.
Confirmado, após duas diligências, que o SNCSLL/AC 2003 era no valor pleiteado na PerDcomp, há que se reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1302-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix
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COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. Confirmado, após duas diligências, que o SNCSLL/AC 2003 era no valor pleiteado na PerDcomp, há que se reconhecer o direito creditório e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 56 55 /2 00 8- 07 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 Estes autos foram por duas vezes objeto de diligência, sendo que, na segunda Resolução (nº 1302000.278, a fls. 202 e segs.), o Conselheiro Relator Márcio Frizzo assim proferiu seu relatório e voto: Tratase de recurso voluntário. Na origem, a recorrente transmitiu PER/DCOMP n. 21707.04402.150704.1.3.039060, alegando ter crédito decorrente de “saldo negativo” de CSLL e requerendo a compensação destes com débito de IRPJ e CSLL relativos ao mês de junho de 2004. Em face do indigitado pedido, foi proferido despacho decisório (fl. 2): Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 77.091,67 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 169.135,38 CSLL devida: R$ 92.043,71 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas nu DIPJ) ( CSLL devida), observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (grifo não original) Em razão da não homologação da compensação apresentada, foi constituído crédito tributário de CSLL no valor de R$ 83.544,24 (valor do principal). Após ter ciência do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 15/08/2008 (fls. 13 e ss.), na qual alega, em resumo, o seguinte: (i) Que apurou crédito de R$ 77.091,67, cujo valor atualizado na data o pedido de compensação era R$ 83.544,24; (ii) Que a autoridade fiscal confirmou o crédito no valor de R$ 57.413,46. Logo, o valor do crédito não reconhecido atinge a soma de de R$ 19.678,21; (iii) Que, além de não reconhecer parcela dos créditos, a autoridade também verificou que o crédito declarado é insuficiente para cobrir o débito de CSLL, nos termos do seguinte quadro: Descrição Valor – R$ Parcelas de crédito confirmadas 57.413,46 () CSLL devida – conforme DIPJ (92.043,71) Saldo disponível (34.630,25) (iv) Que houve equívoco no preenchimento da PER/Dcomp, pois a recorrente entendeu que “deveriam ser demonstrados [...] apenas os pagamentos/compensações suficientes a compor o valor do saldo negativo apurado, no caso em tela, no valor de R$ 77.091.67 [...].” (fl. 15). Apresenta a composição do crédito por meio dos valores recolhidos apurados em abril, maio, setembro, outubro e novembro de 2003; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.905655/200807 Acórdão n.º 1302001.958 S1C3T2 Fl. 228 3 (v) Que a recorrente recolheu mais estimativas além das referidas acima, consoante comprova a DIPJ apresentada em 28/06/2004, donde se depreende que a CSLL recolhida mensalmente com base no balanço de redução/suspensão atinge o valor de R$ 169.135,38; (vi) Que a ficha 17 da DIPJ de 2004 (AC 2003), apresenta a seguinte formação do saldo negativo de CSLL: Descrição Valor – R$ 38. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Total 92.043,71 41. (‐) CSLL mensal paga por Estimativa (169.135,38) 48. CSLL a pagar 77.091,67 (vii) Anexa à manifestação de inconformidade o PER/Dcomp, comprovantes de recolhimento e DIPJ, além dos documentos de praxe; (viii) Ao fim, protesta pela procedência da manifestação de inconformidade, para que os créditos sejam reconhecidos e as compensações homologadas. Por seu turno, a DRJ entendeu pela total improcedência dos argumentos da recorrente, nos termos do acórdão de fls. 99, cuja ementa transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ano calendário: 2003, DESCUMPRIMENTO À INTIMAÇÃO PARA RETIFICAR O PER/DCOMP. Não se homologa a compensação quando o contribuinte, intimado, abstémse de promover no PER/DCOMP as retificações necessárias ao exame da consistência de seu crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a DRJ argumentou que a recorrente foi intimada em 27/09/2006 a retificar a DIPJ ou apresentar PER/Dcomp retificadora para detalhar corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período, mas não realizou as diligências necessárias. Assim, somente em 18/07/2008 foi proferido o despacho decisório em combate, razão pela qual deve ser mantido, pois a recorrente não adotou as providências tendentes a demonstrar a consistência de seu crédito. Intimada da decisão supratranscrita em 27/07/2010 (fl. 105), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 26/08/2010 (fl. 106), para repisar o que foi dito na manifestação de inconformidade e acrescentar o seguinte, em resumo: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 (i) Que o art. 170 do CTN prevê o direito de compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos; Que a Lei n. 9430/96, art. 74, regulamentou o instituto; Que o Dec. 70.235/72 é fonte supletiva do pedido de compensação; Que a IN 460/2004 previa as regras sobre a compensação, na época dos fatos; (ii) Que nenhuma das normas citadas estabelece a “perda do direito à compensação”, caso não se atenda à prévia internação para realizar correções. Portanto, o entendimento da DRJ não tem fundamento legal, razão pela qual o entendimento afronta o princípio da legalidade; (iii) Que há ofensa ao princípio da verdade material, o qual, inclusive, consta no art. 4º da IN SRF 460/04, que autoriza a realização de diligências em face dos contribuintes para verificar, “mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.”; (iv) Apresenta decisões deste Conselho e, ao final, pede a reforma da decisão em ataque. Remetido o processo para este Conselho, esta Turma entendeu pela conversão do julgamento em diligência, nos termos da ementa adiante transcrita (fls. 183): COMPENSAÇÃO – ERRO DE DECLARAÇÃO DILIGÊNCIA. A DRJ negou provimento à recorrente por erro na listagem de pagamentos que compuseram o saldo negativo na PER/DCOMP, considerando que tais informações constam de DARF, DCOMP, DCTF e DIPJ. Eventual erro formal isolado no preenchimento da PER/DCOMP não prejudica o direito ao crédito da CSLL paga a maior, desde que seja efetivamente apurada a existência dos pagamentos e inexistência de outras compensações correspondentes, para o que se pede diligência. Especificamente, foi determinado que a autoridade de origem realizasse as seguintes verificações: 1 – Verifique o andamento das Declarações de Compensação de folhas 33 e 34 nos sistemas da Receita Federal, verificando se as compensações foram homologadas ou não. Anexe ao processo as evidências dessa verificação. 2 Caso as compensações não tenham sido homologadas, anexe a este processo o despacho decisório, a manifestação de inconformidade e a última decisão disponível a respeito do litígio instaurado. 3 – Intime a contribuinte para se manifestar sobre os documentos 1 e 2 por escrito em 30 (trinta) dias, retornando o processo a este Conselho para decisão. Por fim, em cumprimento à resolução mencionada, foram oferecidas as informações constante no documento de fls. 194, o qual, em síntese, relata o seguinte: 1. Em atendimento à demanda da Sra. Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, conforme fl. 186, informo que os débitos constantes das Declarações de Compensação em formulário, constantes das fls. 34 e 35, cadastrados, respectivamente, nos processo nºs 10980.002116/200300 e 10980.002668/200318, foram extintos conforme comprovantes de fls. 190 a 193. 2. Uma vez atendido o Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.905655/200807 Acórdão n.º 1302001.958 S1C3T2 Fl. 229 5 solicitado, proponho seja o processo encaminhado para o CARF. 3. À consideração superior. (grifo não original) É o relatório. (…) O juízo de admissibilidade do recurso voluntário foi feito por ocasião da Resolução de fls. 183. Passase a apreciar, portanto, os esclarecimentos prestados pela autoridade administrativa. A recorrente reclama em seu recurso voluntário que preencheu equivocadamente sua Per/Dcomp, pois, ao invés de apontar todas as estimativas pagas no anocalendário de 2003, fez menção apenas àquelas que seriam suficientes para pagar seus débitos. Nesse contexto, e após conhecer da integralidade do processo, esta Turma entendeu necessário, em um primeiro momento, converter o julgamento em diligência para o específico fim de que fosse esclarecido se as estimativas apuradas nos meses de janeiro e fevereiro de 2003 foram efetivamente pagas. Isto porque o contribuinte, para comprovar que pagou mais estimativas no AC 2003 do que o informado na Per/Dcomp, juntou documentos demonstrando que (i) as estimativas de janeiro e fevereiro de 2003 foram pagas por meio de compensação (v. docs. fls. 34 e 35); (ii) as demais estimativas foram pagas por meio de DARF (v. docs. fls. 37 a 42). Como dito acima, a autoridade fiscal constatou (e juntou documentos), comprovando que o pedido de compensação de créditos com os débitos relativos às estimativas de janeiro e fevereiro de 2003 foram homologadas (fls. 190 a 194). Todavia, nada se afirma relativamente às estimativas de março, abril, maio, setembro, outubro e novembro de 2003, muito embora a recorrente tenha juntado as DARF referentes aos pagamentos e, em alguns casos, apresente também extrato dos pagamentos agendados em sua conta bancária. Ademais, o tema recursal se restringe a discutir se é possível que a contribuinte comprove, de modo superveniente, que sua PER/Dcomp contém erros quanto à matéria de fato, e, em logrando êxito em comprovar a verdade de sua situação, possa alterar o despacho decisório não homologatório. Portanto, é preciso que sejam prestadas informações adicionais, razão pela qual converto o julgamento em diligência para que autoridade preparadora esclareça o que segue: a) Se todas as estimativas realmente foram recolhidas e qual seu montante; b) Qual o saldo negativo existente, considerando todos os pagamentos efetuados, bem como o valor do IRPJ apurado; c) Se está correto o saldo negativo informado na Dcomp e na DIPJ. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 Concluída a diligência, que seja intimado o contribuinte a se manifestar no prazo de 30 dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011. Voto O recurso é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 177, razão pela qual dele conheço. A questão, conforme já bem relatada nas duas resoluções proferidas por esta Turma, teve origem no fato de que a recorrente se equivocou ao preencher a PER/DComp, especificamente na Ficha de Demonstrativo de Crédito, pois demonstrou apenas os pagamentos/compensações suficientes a compor o valor do Saldo Negativo apurado e pleiteado na referida PerDcomp (R$ 77.091,67). Conforme DIPJ/AC 2003 a fls. 29 a 32, a recorrente compensou/pagou CSLL/Estimativa no AC 2003 no valor de R$ 169.135,38, sendo que, no mês de dezembro de 2003, apurou CSLL com base em balancete de suspensão no valor de R$ 92.043.71, resultando assim em um SNCSLL/AC2003 no valor de R$ 77.091,67. A fls. 97, consta Termo de Intimação com o seguinte teor: “O total do crédito demonstrado no PER/DCOMP é inferior ao somatório do crédito informado nas linhas correspondentes da DIPJ. Apuração: EXERCÍCIO 2004 Crédito PER/DCOMP: R$ 77.091,67(Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, CSLL Retida na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Estimativas compensadas com outros tributos) Crédito DIPJ: R$ 169.135,38 (Somatório dos valores da FICHA 17, LINHAS 41 A 47) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Base legal: Art. 6º, Parágrafo 1º, inciso II e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005.” A DRJ/CTA negou provimento à manifestação de inconformidade do recorrente pela seguinte razão: “Deveria a contribuinte, portanto, ter adotado, antes da prolação do despacho decisório, que somente veio a ocorrer quase dois anos depois, em 18/07/2008, as providencias cabíveis para a retificação do PER/DCOMP. Entretanto, quedou inerte. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.905655/200807 Acórdão n.º 1302001.958 S1C3T2 Fl. 230 7 Registro, a propósito, que os contribuintes detêm o direito a promover unilateralmente a compensação de seus créditos tributários. Todavia, devem fazêlo em conformidade com as normas disciplinadoras, baixadas pela Autoridade Fiscal. Aliás, caso intentem utilizar determinado credito e o façam de forma deficiente, poderão prosseguir declarando sucessivas compensações com aquele crédito, até que consigam fazêlo de forma adequada. Não há impedimentos de assim procederem. De sua parte, a Administração deve absterse de homologar cada uma dessas compensações, até que seja apresentado PER/DCOMP preenc *do em conformidade com as instruções pertinentes.” Inicialmente, alerto que nem o Termo de Intimação nem o voto condutor do acórdão recorrido apontam qual a norma que teria sido infringida pela recorrente ao fazer a demonstração apenas da parte dos créditos que extrapolaram a CSLL devida em 2003, nem a IN 210/02 era clara quanto a isso (vide a fl. 4 do Anexo IV). Por outro lado, o recorrente não traz qualquer justificativa para não ter atendido ao Termo de Intimação, porém isso não me parece que seja motivo para negarlhe o direito de demonstrar o crédito a que faz jus com a apresentação de documentação anexa à manifestação de inconformidade. Alerto, porém, que, em observância aos princípios da eficiência processual e da primazia da decisão de mérito (arts. 4º e 8º do novel CPC), mormente quando duas diligências já foram propostas pelos relatores que me antecederam, não cabe determinar o retorno dos autos à DRJ/CTA, para que prossiga na análise da documentação apresentada pela recorrente, mas, sim, voto por entrar no mérito do recurso e passar a analisar as respostas às diligências requeridas por essa Turma. A recorrente alega que as estimativas do anocalendário de 2003 foram assim quitadas: a) Estimativas compensadas: jan/2003...........R$ 23.965,13 fev/2003...........R$ 35.663,87 ___________________________ Total...................R$ 59.629,00 b) Estimativas pagas (DARF): mar/2003...........R$ 11.214,97 abril/2003..........R$ 40.877,95 set/2003................R$ 7.077,21 out/2003............R$ 28.408,72 nov/2003..............R$ 4.630,63 ___________________________ Total ....................R$ 92.209,48 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 A CSLL relativa à estimativa de maio de 2003, no valor de R$ 17.296,90 foi objeto de parcelamento. O Despacho Decisório a fls. 4 confirmou os seguintes recolhimentos: a) maio/2003, no valor de R$ 17.296,90; b) set/2003, no valor de R$ 7.077,21; c) out/2003, no valor de R$ 28.408,72; d) nov/2003, no valor de R$ 4.630,63. Por meio da Resolução nº 1302000.105, a fls. 188, esta Turma converteu o julgamento em diligência para apurar o resultado dos processos em que se discutem as Declarações de Compensação de folhas 33 e 34, pelas quais teriam sido quitadas as CSLL estimativas de janeiro e fevereiro de 2003. Conforme Informação Fiscal a fls. 199, os débitos constantes das Declarações de Compensação em formulário, constantes das fls. 34 e 35, cadastrados, respectivamente, nos processo nºs 10980.002116/200300 e 10980.002668/200318, foram extintos conforme comprovantes de fls. 196 a 197. Assim, restam também confirmadas as quitações das CSLL estimativas de: a) jan/2003, no valor de R$ 23.965,13; e b) fev/2003, no valor de R$ 35.663,87. Assim, nesse momento dos autos, restavam sem confirmação apenas as quitações das CSLL estimativas de março e abril de 2003. No entanto, entendeu o Relator da Resolução 1302000.278, a fls. 202, em converter o julgamento em diligência, para que a autoriade preparadora adotasse as seguintes providências: “a) Se todas as estimativas realmente foram recolhidas e qual seu montante; b) Qual o saldo negativo existente, considerando todos os pagamentos efetuados, bem como o valor do IRPJ apurado; c) Se está correto o saldo negativo informado na Dcomp e na DIPJ.”. Na Informação Fiscal a fls. 217, a Autoridade Preparadora assim se manifesta: “b. Tendo em vista o valor informado pelo interessado como devido de CSLL, relativamente ao período de apuração anual em 2003, no valor de R$ 92.043,71 (DIPJ original), e, levandose em consideração a soma dos valores quitados de CSLL mediante estimativa mensal no montante de R$ 169.135,38; o valor do saldo negativo existente de CSLL conexo ao anocalendário de 2003 e considerandose todos as quitações conforme declaradas em DCTF é de R$ 77.091,67. c o valor do saldo negativo informado tanto na DIPJ como na DCOMP (ver fl. 08) são iguais e estão corretos.”. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.905655/200807 Acórdão n.º 1302001.958 S1C3T2 Fl. 231 9 Em face do exposto, voto por reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de R$ 77.091,67, referente ao SNCSLL/AC2003, e homologar as compensações declaradas até o valor do direito creditório reconhecido. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 8/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.724284/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Exportação - IE
Data do fato gerador: 13/07/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR NA EXPORTAÇÃO. FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO
A empresa autuada efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação - DEs registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX. O autuado alegou que a sua metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela empresa possui margem de erro menor que aquela utilizada pelo Laboratório de Análises credenciado pela Receita Federal do Brasil.
LAUDOS TÉCNICOS. CONFRONTAÇÕES. FRAUDE NÃO COMPROVADA
Foi realizada perícia por técnica credenciada junto à Receita Federal do Brasil para a aferição da metodologia tanto da empresa autuada quanto Laboratório de Análises credenciado junto à Receita.
O resultado da perícia apontou que a metodologia de aferição de ferro-nióbio empregada pela empresa autuada possui menor margem de erro devido sua consideração quanto às impurezas para teor de até 60% de nióbio.
Ficou demonstrado no laudo de assistência técnica e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível um desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afasta-se a incidência da multa regulamentar da exportação
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso de Ofício e NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Celso Costa, inscrito na OAB/SP nº. 148.255.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MULTA REGULAMENTAR NA EXPORTAÇÃO. FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO A empresa autuada efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação DE’s registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. O autuado alegou que a sua metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela empresa possui margem de erro menor que aquela utilizada pelo Laboratório de Análises credenciado pela Receita Federal do Brasil. LAUDOS TÉCNICOS. CONFRONTAÇÕES. FRAUDE NÃO COMPROVADA Foi realizada perícia por técnica credenciada junto à Receita Federal do Brasil para a aferição da metodologia tanto da empresa autuada quanto Laboratório de Análises credenciado junto à Receita. O resultado da perícia apontou que a metodologia de aferição de ferronióbio empregada pela empresa autuada possui menor margem de erro devido sua consideração quanto às impurezas para teor de até 60% de nióbio. Ficou demonstrado no laudo de assistência técnica e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível um desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afastase a incidência da multa regulamentar da exportação Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 42 84 /2 01 2- 55 Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso de Ofício e NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Celso Costa, inscrito na OAB/SP nº. 148.255. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo1 (SP), em face do Acórdão nº 1668.074, proferido pela 23ª Turma, que por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. O recurso de ofício foi interposto em razão do contido no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, com a alteração da Lei nº 9.532/1997, em razão de o crédito exonerado ser superior ao limite de alçada fixado no art. 1º da Portaria do MF nº 3, de 2008. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 31/07/2012, em face de infração da empresa ANGLO AMERICAN NIOBIO BRASIL LTDA (doravante denominada de ANGLO AMERICAN), atual denominação social da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA, formalizando a exigência de multa de exportação no valor de R$ 11.386.618,52, em virtude dos fatos a seguir descritos. Na época, a exportadora Mineração Catalão de Goiás Ltda, efetuou várias exportações do produto "ferronióbio" (liga de ferro e magnésio), através das Declarações de Exportação DE’s registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, após a obtenção dos Registros de Exportação RE’s correspondentes, instruindo os com uma via das Notas Fiscais, entre outros documentos exigidos pela legislação. O Fisco, durante o procedimento, providenciou para alguns despachos a coleta de amostra para fins de análise laboratorial (Laudo Técnico por entidade credenciada da RFB), em especial, para verificação da qualidade do produto exportado, tudo de conformidade com os procedimentos previstos na norma em vigor, registrando a ocorrência no sistema SISCOMEX da RFB. Após o resultado dos laudos, verificouse divergência qualitativa relativamente ao percentual de nióbio contido apurado pelo laboratório comparativamente ao percentual declarado nos Registros de Exportação (RE) e nas Notas Fiscais que acobertaram as transações internacionais. Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.555 3 Detectada as inconsistências, a fiscalização lavrou, então, o Auto de Infração de fls. 2/36. Cientificado do referido lançamento, via digital, em 19/10/2012, (fl. 573), a empresa protocolizou impugnação, tempestivamente, em 16/11/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 2011 (fls. 579/608), instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Em sua impugnação, a ANGLO AMERICAN alegou, em síntese, os argumentos a seguir, que por sua vez, foram muito bem pontuados pelo relator da decisão a quo (DRJ em SPI), que faço algumas adaptações pontuais: (i) Precariedade da autuação por ausência de manifestação da SECEX/MDIC: é de se observar que a multa ora combatida é manifestamente ilegal, uma vez que somente poderia ser aplicada após prévia manifestação da Secretaria de Comércio Exterior SECEX/MDIC; na interpretação dada pela fiscalização, a mera revogação do art. 74 da Lei n. 5.025/1966 seria o suficiente para dispensar a autoridade aduaneira de consultar a SECEX antes da aplicação de referida multa aduaneira; o dispositivo acima foi revogado pela Lei nº12.249, de 2010; não atentou a fiscalização ao fato de que o art. 722 do RA foi alterado pelo Decreto nº 7.213, de 2010. A atual redação do dispositivo dispõe que a aplicação de multa pela autoridade aduaneira sujeitase novamente á prévia manifestação da SECEX, conforme disposto na Lei nº 5.025, de 1966, art. 74, parágrafo único. o fato de o Poder Executivo ter alterado a redação original do art. 722 do Regulamento Aduaneiro após a revogação do parágrafo único do art. 74 da Lei n. 5.025/1966 indica claramente que houve intenção de manter o comando. Tanto é assim que, passados mais de dois anos desde a referida alteração, o dispositivo não sofreu novas mudanças, devendo, portanto, ser considerado norma cogente a ser observada pela Administração; estando a disposição em questão em pleno vigor, é por demais evidente que o seu descumprimento implica clara afronta ao principio da legalidade. (ii) Necessidade de demonstração inequívoca de fraude para aplicação de penalidade. ainda que se entenda que a multa ora discutida pode ser aplicada independentemente de manifestação da SECEX, a autuação não deve prevalecer. Isso porque, nos termos do art. 66 da Lei nº 5.025/1966 (a norma que embasa a presente autuação), a aplicação da penalidade imposta à Impugnante depende da demonstração inequívoca da ocorrência de fraude. Ocorre que a Fiscalização não logrou êxito em demonstrar a ocorrência inequívoca de fraude. a ANGLO AMERICAN atuava no Porto de Santos por meio de um prestador de serviços terceirizado (a empresa Logística Aduaneira "LPL"). As informações relativas às supostas divergências entre os laudos elaborados pela ANGLO e os laudos preparados pelo Laboratório da RFB ("Laudos Técnicos") foram transmitidas pela fiscalização apenas à empresa LPL, que não as retransmitiu à Impugnante. alega que tomou conhecimento do ocorrido quando a fiscalização estava em vias de ser encerrada. Porém, tão logo soube das divergências entre seus Laudos e os Laudos Fiscais, entrou em contato com o Fisco e também com o Laboratório a fim de esclarecer o assunto. Assim, não há como "excluir a possibilidade de alegação de boafé", como pretende a Fiscalização que acusa de fraude, haja vista que a manifestação prévia da Impugnante foi Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 totalmente impossibilitada, uma vez que esta não havia sido informada, nem pela Fiscalização, nem pela LPL, dos fatos narrados no Auto de Infração ora combatido. de acordo com a Fiscalização, a fraude também estaria caracterizada por estar sendo remetida ao exterior uma quantidade de nióbio superior ao declarado e também a operação de nióbio não está sendo real no que diz respeito ao preço (ou valor aduaneiro) da mercadoria, havendo uma perda de remessa de divisas para o país sem o pagamento do preço devido, podendo caracterizar também lavagem de dinheiro e sonegação de tributos sobre o faturamento e lucro. Nesse sentido, a boa fé da Impugnante é evidente ao se considerar que nenhum dos destinatários das exportações questionadas possui qualquer relação societária com a impugnante ou seus cotistas. Não há nenhum motivo minimamente plausível para que as exportações fossem efetuadas a valores inferiores ao de mercado. não há qualquer óbice legal ou regulatório que limite a exportação de ferro nióbio (ou nióbio). A ausência dessa regulamentação também ilustra a boa fé da Impugnante. Ora, se a Impugnante desejasse vender ferronióbio com teor superior de nióbio pelo mesmo preço pelo qual vende o produto de teor inferior, poderia muito bem fazêlo sem a necessidade de qualquer subterfúgio. quanto às alegações de "perda de remessas", "esvaziamento de reservas nacionais", "lavagem de dinheiro" e "sonegação de tributos sobre o faturamento e lucro", observa que a Fiscalização se limitou a fazer afirmações vazias, sem apresentar documentos comprobatórios do alegado. Enfim, alegações totalmente incompatíveis com os princípios da administração pública, tais como impessoalidade, moralidade, motivação, legalidade, etc. que a aplicação da multa ora combatida somente seria possível se presentes dois pressupostos: (i) consciência do conteúdo infracional da conduta e (ii) intenção de causar prejuízo tributário, comercial ou cambial; insiste que não houve conduta infracional e, consequentemente, não poderia haver consciência do conteúdo infracional. Como será demonstrado nos tópicos posteriores, a metodologia de aferição da composição química de ligas de ferronióbio utilizadas pela Impugnante possui baixíssima margem de erro e é internacionalmente aceita, e que em momento algum tencionou lesar o erário (e nem teria como fazêlo, pois, como já esclarecido, a exportação de ferronióbio não é tributada) e tampouco fornecer informações incorretas ao Fisco. Não houve o dolo. Quanto ao MÉRITO: 1) A absoluta regularidade das informações prestadas pela Impugnante. Informa que cada uma das exportações foi acompanhada de certificado de qualidade, no qual a composição do ferronióbio exportado foi devidamente descrita. É de se observar que a aferição do teor de nióbio das ligas exportadas pela Impugnante foi cuidadosamente realizada por profissionais qualificados para tanto e com a utilização equipamentos de alta qualidade e manutenção regular. O método de aferição utilizado pela Impugnante (Análise Espectrográfica de Fluorescência) atende aos mais elevados padrões internacionais, tendo alta precisão e margem de erro significativamente inferior àquela utilizada para elaboração dos Laudos Fiscais. 2) Descrição dos equipamentos e metodologia utilizados. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.556 5 Equipamentos e materiais utilizados na análise: Primeiramente, é de se frisar que a aferição do teor de nióbio constante de liga de ferronióbio é procedimento de alta complexidade, havendo poucos laboratórios no Brasil com a expertise e equipamento necessário para a realização de tal análise. Dessa forma, diante da ausência de prestadores qualificados, a Impugnante se viu forçada a realizar diretamente a aferição do percentual de nióbio constante do produto exportado; demonstra estar plenamente qualificada para a realização de tal análise, possuindo inclusive registro junto ao Conselho Regional de Química da 12a Região, com indicação de profissional técnico responsável (doc. 9). A fim de realizar a referida análise, em dezembro de 2005, a Impugnante adquiriu da Empresa HBM do Brasil Ltda. um Espectrômetro de Fluorescência de RaiosX, modelo Axios (Marca Panalytical) (doc. 10). Referida marca é uma das mais confiáveis do mercado ("Espectômetro I"); visando o constante aprimoramento de seus controles, em julho de 2010, a Impugnante adquiriu da empresa Spectris do Brasil Instr. Elet Ltda. outro Espectrômetro similar, modelo Axios Fast (também da Marca Panalytical) (doc. 11) ("Espectômetro II"). o que se pretende demonstrar é que, no que diz respeito aos seus controles, o rigor da Impugnante é tamanho que sem qualquer determinação ou orientação externa nesse sentido ela adquiriu um caríssimo equipamento adicional (e redundante, uma vez que o Espectrômetro I estava e continua até hoje em perfeito funcionamento) com a única finalidade de garantir que a análise da composição da liga produzida por ela sempre fosse feita por máquinas no mais perfeito estado de manutenção; dessa forma, quando um dos equipamentos está passando por manutenção, a análise do produto vendido é efetuada pelo outro aparelho. É de se frisar que ambos os Espectrômetros passam por constante manutenção, a fim de garantir sua precisão, como atestam o contrato de prestação de serviços e as ordens de serviço relativas aos serviços de manutenção que ora são juntados a estes autos (doc. 12). Também com o objetivo de garantir sua precisão, a ANGLO permite que seus Espectrômetros sejam operados apenas por profissional qualificado e registrado no Conselho Regional de Química da 4a Região, o Sr. Ademir da Silva Januário (doc. 13). Nesse contexto, esclarece ainda que os Espectrômetros devem ser calibrados com base em amostras padronizadas. Isso é feito submetendo amostras de ferro nióbio cujo teor de nióbio é previamente conhecido à análise dos Espectrômetros, de forma a confeccionar uma curva de comparação. antes de se submeter á análise dos Espectrômetros, cada uma das amostras é tratada, fundida e transformada em uma pastilha. Isso é feito não apenas para permitir a análise do material pelo Espectrômetro (Que não consegue analisar amostras irregulares) como também para homogeneizar a amostra. Tais pastilhas (cujo teor de nióbio é previamente conhecido) são então submetidas á análise do Espectrômetro, que registra o teor de nióbio de cada amostra, utilizandoas como parâmetro para futuras análises. Esclareçase que a calibragem dos Espectrômetros é feita com base em amostras certificadas, adquiridas de fornecedores internacionais, conforme demonstrado pelos certificados ora juntados a estes autos, acompanhados de suas traduções juramentadas (doc. 14). As amostras atualmente utilizadas pela Impugnante possuem as seguintes especificações: Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Certificação Percentual de Nióbio da Amostra B.C.S. 362 62,70% JSS 7551 68,49 Por exemplo, poderia a Impugnante calibrar o equipamento com base em três amostras de ferronióbio: (a) com teor de 40%, (b) com teor de 60%, e (c) com teor de 80%. Dessa forma, a curva de comparação apresentaria estes três marcadores, que serviriam de parâmetro para futuras análises: JSS 7552 68,14% CECA 5761 43,90% CECA 5791 62,87% feita a calibragem, o equipamento pode então ser utilizado para a análise de amostras cujo teor exato de nióbio é inicialmente desconhecido. Cumpre esclarecer que a Associação Brasileira de Normas Técnicas editou, em 1981, a Norma NBR 6930, na qual descreve "o método para aferição de nióbio, silício, alumínio, fósforo, carbono e enxofre em ligas de ferronióbio, com teor de tântalo mais titânio não superior a 0,5%" (doc. 15). Tal metodologia, no entanto, é inadequada para os propósitos da Impugnante, uma vez que (i) é pouco ágil e (ii) depende excessivamente da ação humana, o que prejudica sua confiabilidade. Tanto é assim que o Laboratório de Análises Falcão Bauer LFB também não adotou esta metodologia. Dessa forma, frente a ausência de norma adequada editada por uma entidade nacional e visando garantir que seus procedimentos tivessem a maior credibilidade possível, a Impugnante diligentemente buscou padrões internacionais que pudessem orientála acerca da mais adequada metodologia de análise, até que por fim, tomou conhecimento da existência de norma técnica francesa (NF All 103) , que descreve os procedimentos para a análise química da composição do ferronióbio (doc. 16) . De acordo com tal norma, a metodologia adequada é a análise de fluorescência de raiosx. A técnica adotada pela Impugnante é baseada nas disposições da referida norma. Ressaltese que, a cada venda efetuada pela Impugnante, é extraída uma amostra do lote em questão, que, por sua vez, é submetida à supracitada análise, a fim de a verificar sua composição. Todos os dias, previamente à análise das amostras retiradas do produto a ser vendido, os técnicos da Impugnante aferem a precisão dos Espectrômetros. Isso é feito ao se submeter uma das amostras certificadas á análise do Espectrômetro. Se o resultado indicar o teor de nióbio específico daquela amostra (previamente conhecido), significa que a calibragem está adequada e podese prosseguir com as análises. Caso contrário, o equipamento será sujeito a uma nova calibragem e, eventualmente, passará por manutenção. Assumindo que a calibragem do Espectrômetro está correta, a Impugnante passa então a analisar as amostras retiradas dos lotes produtos a serem vendidos (notese que tais amostras também são fundidas e homogeneizadas antes de tal análise). Frisese que também são analisadas pelo menos duas amostras de cada lote vendido, a fim de garantir a homogeneidade do lote. Notese que, no caso de discrepâncias, mais amostras podem ser extraídas do lote para análise. Afim de demonstrar a veracidade de Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.557 7 suas alegações, a Impugnante junta laudos nota técnica elaborada por seus engenheiros químicos, na qual todo o procedimento ora descrito está devidamente detalhado (doc. 17). 3) Descrição dos equipamentos e metodologia utilizados pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer. ao tomar conhecimento das divergências entre seus Laudos e os Laudos Fiscais, a Impugnante imediatamente entrou em contato com o LFB a fim de entender as razões do ocorrido, chegando inclusive a solicitar ao referido laboratório a análise de amostras de alguns lotes vendidos; não obstante a diligência da Impugnante, que chegou até mesmo a visitar o Laboratório do LFB, este se recusou a fornecer maiores esclarecimentos sobre a metodologia utilizada nas análises referentes à composição das ligas de ferronióbio objeto da presente discussão. Após questionado algumas vezes acerca da metodologia adotada na análise da liga em questão, o Laboratório se limitou a responder, em 2.10.2012, via email (doc. 18), que a análise foi feita por meio de Espectroscopia de Emissão Óptica por plasma induzido ("ICP OES"). Nos termos postos pelo LFB (grifamos): Especificamente quanto ao Laboratórios de Metais, possuímos Internamente as técnicas analíticas de Espectroscopia de Absorção Atômica (AA), Espectroscopia de Emissão Óptica por plasma induzido (ICPOES) e Espectroscopia de Emissão Óptica (GDSLECO). Possuímos um Espectrômetro de fluorescência por RaiosX porém o mesmo não é calibrado para análise em minérios, tendo sido adquirido para outras aplicações. Desta forma, não será possível internamente a aplicação de outra técnica analítica além da utilizada no ensaio (ICPOES) a qual consideramos a mais adequada devido às características da matriz e composições relativas dos componentes. Questionamentos posteriores foram recebidos da mesma forma, como se aduz do trecho, extraído de email enviado pelo mesmo Laboratório em 18.10.2012 (doc. 19) : A metodologia que foi utilizada para a determinação em questão apresenta exatidão e precisão adequadas para este ensaio pois incluí a determinação de todos os contaminantes e componentes majoritários normalmente encontrados em ligas de ferronióbio, tal como preconizado por exemplo pelas normas NBR 5910 e NBR 6930. Desta forma, considerase que o método utilizado é adequado para a determinação solicitada. Segundo normas internas de proteção de propriedade intelectual, não é possível a divulgação da metodologia utilizada. Não obstante o LFB tenha mencionado a norma técnica NBR 6930, o método de análise utilizado pelo referido laboratório não é o preconizado pela referida norma. como fica claro da análise dos excertos transcritos, o método que embasou os Laudos Fiscais é o ICPOES, método que se vale de equipamentos eletrônicos para aferição do teor dos elementos presentes nas amostras analisadas. Já o procedimento descrito pela Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 norma técnica NBR 6930 independe totalmente da utilização de equipamentos eletrônicos, podendo ser executado com a utilização de aparelhagem usual de laboratório (béquer, funil, proveta e reagentes). de toda forma, não obstante o LFB tenha informado que sua análise foi feita com base na metodologia ICPOES, a Impugnante não teve acesso aos dados mais importantes para fins de aferição da precisão do método do Laboratório, quais sejam, as informações utilizadas para calibragem e configuração dos referidos equipamentos (por questões de "proteção de propriedade intelectual"). assim, diferentemente da Impugnante, que demonstrou exaustivamente a precisão de sua metodologia, o LFB não apresentou nenhuma informação que permita aferir a precisão de seu método. Ao contrário, os Laudos Fiscais são claros ao descrever que a aferição do teor de Nióbio foi feita por diferença, conforme o quadro "Resultados das Análises" constante dos Laudos Fiscais. diferentemente do que ocorre na metodologia adotada pela Impugnante, na qual o efetivo teor de nióbio é medido, o LFB verifica o teor de outros elementos da liga e assume que o IP restante (i.p.: a parcela não analisada) é nióbio. Em suma, o LFB não analisa o efetivo teor de nióbio, sendo os resultados de seus laudos baseados em presunções. Frisese que a Impugnante não questiona a idoneidade do LFB, mas apenas pontua que, neste caso específico, o referido laboratório não informou quais os padrões de calibragem utilizados em sua análise, o que impede a verificação da precisão do método. como já mencionado, tão logo a Impugnante foi informada acerca das divergências entre seus laudos e os Laudos Fiscais, ela contatou o LFB a fim de esclarecer o assunto. Para tanto, a Impugnante solicitou que o LFB analisasse amostras extraídas de três dos lotes cuja exportação foi questionada nestes autos. O resultado foi idêntico àqueles que já haviam sido obtidos quando da elaboração dos Laudos Fiscais (doc. 20) (i.e.:as novas análises realizadas pelo LFB indicaram uma divergência no teor de nióbio de, em média, 6,5% em relação aos laudos da ANGLO); solicitou que amostras extraídas dos mesmos lotes fossem reanalisadas por seu laboratório e também pelo renomado Laboratório Alfred H. Knight International ("AHK"), reconhecido internacionalmente por seu trabalho em consultoria e análise técnica nas áreas de metais e mineração. Os resultados obtidos pelo AHK foram muito divergentes daqueles obtidos pelo LFB e muito próximos daqueles obtidos pela Impugnante (divergência inferior a 1%); sendo o AHK um laboratório estrangeiro, a Impugnante junta a estes autos cópia do Laudo emitido pelo AHK acompanhado de tradução juramentada. A metodologia utilizada pelo referido laboratório também segue brevemente descrita em email, igualmente traduzido e juntado a estes autos (doc. 21). Os profissionais da Impugnante prepararam então um "Estudo de Análises Interlaboratoriais" (doc. 22), no qual descrevem detalhadamente as possíveis causas das diferenças entre as análises dos laboratórios. O Estudo levou à conclusão de que a análise efetuada pela Impugnante é mais precisa do que a do LFB. a fim de solicitar parecer acerca das metodologias de análise adotadas pelo LFB, pela AHK e pela Impugnante, a Impugnante contatou também uma das mais renomadas profissionais na área de análises químicas de produtos inorgânicos a Profa. Giuliana Ratti, professora da Universidade de São Paulo, com mestrado em Mineralogia e Petrografia, doutorado em engenharia mineral e pósdoutorado em instrumentação analítica, todos na mesma instituição (doc. 23). Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.558 9 As conclusões alcançadas pela Parecerista seguem a seguir transcritas: "Análises MCG usam padrões internacionais de ligas FeNb, usam equipamento adequado (FRX), tem rastreabilidade, apresentam teores da mesma ordem de grandeza da AHK. Análises AHK usam padrões internacionais, materiais de referência, tratamento adequado de amostras e calibração matrix matching, o que lhes confere alta credibilidade. Análises LFB mencionam referências bibliográficas pífias, não mostram rastreabilidade, padrões internacionais ou proficiência. Os valores para ferro parecem subestimados, o que faz com que suas análises de Nb por diferença não tenham consistência. Parecer Técnico Considero, diante dos argumentos expostos, que as análises de LFB pecam em credibilidade por falta de comprovação de qualidade técnica. Considero o Nb superestimado. Considero os resultados de MCG e AHK corretos." As conclusões da Parecerista atestam a precisão da metodologia de análise adotada pela ANGLO AMERICAN, razão pela qual deve ser cancelada a presente autuação. Caso a Fiscalização entenda que as análises supramencionadas são insuficientes para demonstrar a regularidade de sua metodologia, a Impugnante requer a realização de perícia técnica nas amostras extraídas dos lotes exportados mantidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, efetuada por laboratório que detenha o equipamento necessário para a realização da análise em questão. Informa que também possuí amostras de tais lotes. Entretanto, a fim de demonstrar cabalmente a precisão de sua metodologia, pede que a perícia seja efetuada especificamente nas amostras detidas pelo Fisco e que já foram submetidas á análise do LFB efetuada por laboratório que detenha o equipamento necessário para a realização da análise em questão. Encerra, afirmando que a realização de tal perícia irá pôr fim a qualquer dúvida quanto à precisão de sua metodologia de análise. 4) Impossibilidade de aplicação de multa quando a variação se refere apenas ao preço e ocorre em percentual inferior a 10%. aponta ainda que a multa aplicada deve ser recalculada nos termos do artigo 718 do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6759/2009. No caso em tela, não houve variações relativas ao peso, medida, quantidade ou classificação da mercadoria. E, ao contrário do que alegou a Fiscalização, tampouco houve divergência no que diz respeito à qualidade dos produtos vendidos (tratase de liga de ferronióbio). nesse sentido, a conclusão de que a metodologia do LFB é adequada para a análisa ora discutida, a qual se admite apenas para fins de argumentação, traz, para fins de aplicação de multa, apenas uma conseqüência: variação no preço da mercadoria. E, como visto, não há fraude se a variação relativa ao preço for inferior a 10%. Tal conclusão foi inclusive reconhecida pela 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Feitas tais considerações, cumpre esclarecer que, de acordo com os cálculos da própria fiscalização, haveria variação entre c preço declarado pela Impugnante e o valor calculado pelo Fisco em apenas 20 das 56 exportações questionadas. Nesse sentido, a Impugnante elaborou planilha demonstrando que, em relação à maioria das exportações questionadas pela Fiscalização, a suposta variação no preço apontada pela Fiscalização seria inferior a 10%. Dessa forma, somente seria cabível a aplicação de multa em relação aos casos remanescentes (doc. 25). Portanto, por todas as razões acima expostas, ainda que se entenda que a aplicação da multa ora discutida é cabível, ela deverá ser ao menos parcialmente cancelada. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requer com fundamento nas razões de fato e de direito apresentadas, julgar procedente a presente Impugnação para o fim de determinar o integral cancelamento da exigência consubstanciada no Auto de Infração objeto dos presentes autos, extinguindo o processo administrativo. Por fim, protesta ainda pela realização de perícia técnica a ser realizada nas amostras extraídas dos lotes exportados mantidas pela RFB, a fim de aferir o efetivo teor de nióbio de cada amostra. Para tanto, indica o Laboratório de Caracterização Tecnológica da Escola de Engenharia Politécnica da Universidade de São Paulo, especializado na área de caracterização tecnológica de materiais, notadamente no setor mineral. Pois bem. A DRJ em São Paulo, decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16000.299, de 27 de março de 2013, para que a autoridade preparadora convocasse PERITO CREDENCIADO, para que esclarecesse os seguintes pontos: • Descreva o método de aferição utilizado pelo impugnante para apuração do percentual de nióbio (Análise Espectrográfica de Fluorescência). • Descreva o método de aferição utilizado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer para apuração do percentual de nióbio. • Essa apuração pode vir a variar dada a qualidade dos equipamentos utilizados e sua manutenção regular, assim como o modo de calibragem? • É correta a afirmação de que o método de aferição utilizado pela impugnante (Análise Espectrográfica de Fluorescência) está de acordo com os mais elevados padrões internacionais, ou pelo menos, em melhor sintonia com esses que o método de aferição utilizado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer? • Essa distinção no método de aferição utilizado pelo impugnante e pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer acarreta margem de erro capaz de induzir uma interpretação equivocada em relação ao percentual de nióbio contido nas amostras? • Procede a informação de que os Espectrômetros devem ser calibrados com base em amostras padronizadas de ferronióbio, cujo teor de nióbio é previamente conhecido à análise dos Espectrômetros, de forma a confeccionar uma curva de comparação. Esse procedimento confere uma precisão maior aos resultados quanto ao percentual de nióbio contido nas amostras? • É correto afirmar que a Norma NBR 6930, de 1981, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, na qual descreve "o método para aferição de nióbio, silício, alumínio, fósforo, carbono e enxofre em ligas de ferronióbio, com teor de tântalo mais titânio não superior a 0,5%, é Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.559 11 uma metodologia pouco ágil e depende excessivamente da ação humana, o que prejudica sua confiabilidade? Ela se mostra defasada em relação aos padrões internacionais? • No que difere a Norma NBR 6930, de 1981, da norma técnica francesa (NF All 103) , que descreve os procedimentos para a análise química da composição do ferronióbio (doc. 16 da impugnação)? A ultima se mostra mais precisa para a análise química da composição do ferro nióbio? É a técnica adotada pela Impugnante é baseada nas disposições da referida norma? Qual norma o Laboratório de Análises Falcão Bauer segue o ICPOES ou o procedimento descrito pela norma técnica NBR 6930? • Comente a seguinte afirmação feita pelo impugnante: “... os Laudos Fiscais são claros ao descrever que a aferição do teor de Nióbio foi feita por diferença, conforme o quadro "Resultados das Análises" constante dos Laudos Fiscais”. Essa constatação, se procedente, é relevante quanto à discrepância nos resultados obtidos nas amostras? • É pertinente a conclusão de que a na metodologia adotada pela Impugnante o efetivo teor de nióbio é medido, enquanto o procedimento adotado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer se verifica o teor de outros elementos da liga e assume que o IP restante é nióbio? Essa distinção de procedimentos é capaz de implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração do percentual de nióbio nas amostras? • Com base nos documentos (doc. 20), (doc. 21) e (doc. 22) da impugnação, de folhas 991 à 1022 dos autos, como interpreta as conclusões alcançadas pela precerista Giuliana Ratti, (doc. 23), às folhas 1023? • Efetuar outras considerações que julgar pertinentes para endossar ou rechaçar a alegação de que a discrepância na metodologia utilizada interfere, de modo a induzir uma interpretação equivocada em relação ao percentual de nióbio contido nas amostras? Em 07/05/2013, em petição direcionada ao grupo de acompanhamento de laudos técnicos da Alfândega do Porto de Santos, a autuada requereu a presença de seu assistente técnico, o que foi deferido; a Perita Credenciada pela Receita Federal do Brasil juntou seu PARECER TÉCNICO de folhas 1.109 à 1.170. Findada a instrução, intimouse a parte interessada, via eletrônica (fl. 1.178 ), concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei nº 9.784, de 1999, c/c art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 2011. A parte apresentou suas razões de folhas 1.182 a 1.192, no sentido de manifestar sua concordância com os termos dos laudos técnicos e apresentar breves considerações sobre o assunto. A DRJ fez nova diligência, através da Resolução nº 16000.416, de 26 de março de 2014, para que a autoridade preparadora INTIME o Laboratório L.A. Falcão Bauer para: Se manifestar sobre o PARECER TÉCNICO da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva, inclusive quanto aos seus 04 (quatro) anexos, juntado de folhas 1.109 a 1.170 do processo digital; Se pronunciar sobre a MANIFESTAÇÃO do impugnante a respeito do Laudo de Assistência Técnica da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva, juntado de folhas 1.182 a 1.192 do processo digital. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Esse procedimento se fez indispensável, porque ambos os documentos tecem comentários a respeito do método de trabalho realizado pelo Laboratório L.A. Falcão Bauer, principalmente quanto à imprecisões nos resultados apurados e no seu método de apuração. A manifestação do Laboratório L.A. Falcão Bauer foi juntada às fls. 1.224/1.225. Nos termos do art. 35, § único do Decreto 7574/2011, foi assegurado o direito da empresa autuada se manifestar a respeito da instrução produzida. A empresa ANGLO AMERICAN, manifestouse às fls. 1.231 à 1.237. A Delegacia de Julgamento em São Paulo decidiu, mais uma vez, baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16490, de 27 de agosto de 2014, para que a autoridade preparadora INTIMASSE a Perita credenciada pela Receita Federal do Brasil Maria Lúcia Perez Gomes da Silva para que esclareça os seguintes pontos (fl. 1.271/1.287): 1. Descrever os métodos e equipamentos utilizados pelo impugnante e pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer para apuração do percentual de nióbio; 2. Apresentar em seu relatório os certificados de calibração do aparelho, o procedimento de análise e o contrato de manutenção do equipamento da Mineração Catalão; 3. Apresentar os certificados dos equipamentos utilizados na fabricação e nas análises das amostras, os certificados de calibração das balanças analíticas utilizadas na pesagem dos compostos adicionados nas amostras fundidas na Universidade de São Paulo Escola de Engenharia de Lorena; 4. Descrever os procedimentos de análises e os certificados e documentos de manutenção dos equipamentos que avaliaram os teores nas amostras fabricadas e que foram utilizadas para avaliar as metodologias utilizadas pelos dois laboratórios. Tabela. Análise Quantitativa de Nióbio Correlação entre Métodos Considerando os dados constante das Tabelas acima comente as seguintes afirmações: I. Quanto aos Resultados das Análises e a forma que foi apresentada no relatório da Sra. Perita, observamos que, na tabela do Relatório da Sra. Perita; Análise Quantitativa de Nióbio Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.560 13 correlação de Métodos, existe uma pequena diferença na “média das diferenças”, MINREF, Nióbio (%), o resultado seria: 2,6%, considerando tratarse de uma somatória de todos os valores, sem considerar o sinal negativo ou positivo, pois os valores representam o quanto eles se “afastam” do valor de referência, no caso representado pelo zero. Um exemplo simples de se entender é o seguinte: nos resultados : 10 e +10, não posso considerar que a média entre eles é zero, pois estaria afirmando que os dois resultados estão exatos com relação ao ponto de referência I (zero), sendo que o resultados representam um afastamento de 10 para mais e para menos, com relação ao resultado esperado;e II. Na mesma tabela apresentada no relatório da Sra. Perita, podemos observar que na coluna Diferença MINREF Nióbio (pp) nos resultados obtidos pelo método analítico da interessada, os teores encontrados apresentaram uma variação de 0,06% a 3,97% dos valores de referência, onde podemos observar que a metodologia da interessada è restrita/específica para matrizes com teores próximos à 60%, ou seja, a variação do método não é uma constante, como podemos observar na metodologia da Falcão Bauer, onde na coluna Diferença FBAREF Nióbio (pp) a variação do método è de + 4,0%. Findada a instrução, procedase o seguinte: (i) INTIME a parte interessada – empresa Mineração Catalão, atual ANGLO AMERICAN e que seja concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei nº 9.784/99 c/c art. 35, Parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, em face do princípio do contraditório; (ii) INTIME o Laboratório de Análises Falcão Bauer para considerações que julgar pertinente quanto ao novo pronunciamento da Perita credenciada pela Receita Federal do Brasil Maria Lúcia Perez Gomes da Silva; A Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva se manifestou às fls. 1.274 à 1.285 do processo digital. O Laboratório de Análises Falcão Bauer se manifestou às fls. 1.352 à 1.354 do processo digital. A empresa Mineração Catalão – atual ANGLO AMERICAN NIÓBIO BRASIL LTDA, também se manifestou às fls. 1.364 à 1.370. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1 Dos recursos Como já relatado, a autuada ANGLO AMERICAN, foi devidamente cientificada do resultado do julgamento em 18/06/2015, transcorreu e se esgotou, sem manifestação, o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário (fls. 1.494/1.497). Neste diapasão, passaremos, então, a analisar somente o Recurso de Ofício apresentado pela DRJ em São Paulo1 (SP). Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 2 Do Recurso de Oficio O presente Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 3 Contextualização dos fatos Verificase que é ponto incontroverso a ocorrência de exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação – DE’s, relacionadas no corpo do Auto de Infração (fls. 2/36). Por outro giro, considerase pontos controvertidos: (i) em sede de PRELIMINARES: (a) a precariedade da Autuação por Ausência de Manifestação da SECEX; e (b) A necessidade de demonstração inequívoca de fraude para aplicação de penalidade; (ii) quanto ao mérito: (a) A metodologia utilizada pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer; (b) A impossibilidade de aplicação de multa quando a variação se refere apenas ao preço e ocorre em percentual inferior a 10%, frente ao disposto no artigo 718 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 2009; (c) A sustentação oral de suas razões de defesa em sede recursal; e (d) A realização de perícia técnica a ser realizada nas amostras extraídas dos lotes exportados mantidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 4 Da análise do Recurso de Ofício Considerando a minuciosa apreciação dos autos e elucidação de todos os fatos processuais ocorridos por parte da DRJ em São Paulo (SP), entendo que não há reparos a ser feito no voto do acórdão recorrido. Assim, adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os argumentos expostos no voto condutor, que passam a fazer parte integrante do presente julgado, mesmo porque a recorrente não apresentou qualquer defesa em face deles. 5 Das PRELIMINARES 1) Quanto a precariedade da autuação por ausência de manifestação da Secretaria de Comércio Exterior, entendo perfeitamente pertinente o conferido na decisão a quo. Vejase: "(...) Logo, por mais que o impugnante se insurja contra essa constatação, o fato é que a alteração dada pelo Decreto nº 7.213, de 16.6.2010, não possuiu qualquer eficácia porque fazia referência a um dispositivo revogado desde 11/06/2010, lembrando que a data de registro da Declaração de Exportação mais antiga abarcada pela presente ação fiscal é de 13/07/2011. Ademais, corrigindo esse lapso, o legislador entendeu por bem revogar o próprio artigo 722 do Decreto n° 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro através do Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013. Logo, a argumentação do impugnante se apóia em fato inócuo". 2) Da necessidade de demonstração inequívoca de fraude para aplicação de penalidade. Para tanto, cita o artigo 66 da Lei nº 5.025, de 1966. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.561 15 Art. 66. As fraudes na exportação, caracterizadas de forma inequívoca, relativas a preços, pesos, medidas, classificação e qualidade, sujeitam o exportador, isolada ou cumulativamente, a: a) multa de 20 (vinte) a 50% (cinqüenta por cento) do valor da mercadoria (...) Nos itens (47), (48) e (49) da impugnação, é alegado que: 47. As informações relativas às supostas divergências entre os laudos elaborados pela Impugnante e os laudos preparados pelo Laboratório da Receita Federal ("Laudos Fiscais") foram transmitidas pela Fiscalização apenas à LPL, que não as retransmitiu à Impugnante. 48. Dessa forma, a Impugnante somente tomou conhecimento do ocorrido quando a Fiscalização estava em vias de ser encerrada. Porém, tão logo soube das divergências entre seus laudos e os Laudos Fiscais, a Impugnante entrou em contato com a Fiscalização Aduaneira e com o próprio Laboratório a fim de esclarecer o assunto. 49. Dessa forma, não há como "excluir a possibilidade de alegação de boafé", como pretende a Fiscalização, haja vista que a manifestação prévia da Impugnante foi totalmente impossibilitada, uma vez que esta não havia sido informada, nem pela Fiscalização, nem pela LPL, dos fatos narrados no auto de infração ora combatido. Por entender que é um assunto que se confunde com o próprio MÉRITO, postergase o exame dessa questão. 6 Quanto ao MÉRITO O exportador, Mineração Catalão de Goiás Ltda (atual ANGLO AMERICAN), efetuou várias exportações de ferronióbio, através das Declarações de Exportação – DE’s registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, após a obtenção dos Registros de Exportação RE’s correspondentes, instruindo com uma via das Notas Fiscais, entre outros documentos. Todas as informações e dados contidos na DDE e RE são essenciais para fins de controle no contexto amplo (fiscal, administrativa, cambial e penal), cabendo ao exportador, por intermédio de terminal ligado ao SISCOMEX, prestar as informações de forma mais detalhada possível. A fiscalização providenciou para alguns despachos a coleta de amostra para fins de análise laboratorial, em especial, para verificação da qualidade do produto exportado, tudo de conformidade com os procedimentos previstos na norma em vigor, registrando a ocorrência no SISCOMEX. Após o resultado dos laudos, verificouse divergência qualitativa relativamente ao percentual de nióbio contido apurado pelo laboratório comparativamente ao percentual declarado nos Registros de Exportação e nas Notas Fiscais que acobertaram as transações internacionais. O acompanhamento dos despachos de exportação por certo lapso de tempo, verificouse que o padrão de desvio se manteve, o que significa que não foi um caso isolado. O desvio reiterado exclui a possibilidade de alegação de boafé, já que o resultado do laudo de cada despacho analisado é de conhecimento do exportador que, inclusive, efetuou pagamento Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 pela prestação dos serviços de perícia com base nas tabelas constantes do Anexo Único desta Instrução Normativa RFB nº 1.020, de 31 de março de 2010, sem qualquer tipo de impugnação. O que a fiscalização constatou é que a conduta infracional permaneceu sendo reiterada em várias transações internacionais, o que caracteriza a fraude inequívoca no que tange à qualidade e que tem implicação no preço dos produtos comercializados. Também foi verificado que o percentual de divergência causa impacto no valor de cada despacho, uma vez que o valor da nota fiscal varia conforme o percentual de nióbio contido no produto exportado. Assim, além de estar sendo remetida ao exterior uma quantidade de nióbio superior ao declarado, também a operação de exportação não está sendo real no que diz respeito ao preço (ou valor aduaneiro) da mercadoria, havendo uma perda de remessa de divisas para o país e esvaziamento das reservas nacionais de nióbio (altamente valioso e raro em outros territórios) sem o pagamento do preço devido, podendo caracterizar também lavagem de dinheiro, sonegação de tributos sobrefaturamento e lucro. Tendo sido identificado NIÓBIO em maior quantidade esse produto de notória importância e utilidades do que o efetivamente declarado nos documentos de exportação, conforme corroborado pelo laudo técnico, tal ocorrência caracteriza fraude inequívoca, em especial, no que tange a quantidade, qualidade e preço, sujeitando, portanto, a multa de 20% sobre o valor da mercadoria, conforme previsão do art.718, inc.II, alínea “a” do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 05.02.2009. Às folhas 1.109 foi juntado PARECER TÉCNICO da Perita credenciada pela Receita Federal do Brasil Maria Lúcia Perez Gomes da Silva. Quanto as metodologias aplicadas, feita seguinte distinção (fls 1111 a 1114): Mineradora Catalão de Goiás: A determinação do percentual de Nióbio na liga terrosa se dá diretamente com a utilização do equipamento de Fluorescência de Raio X. A aferição no equipamento é realizada previamente á análise das amostras do produto a ser vendido, os técnicos da empresa aferem a precisão do referido aparelho submetendo uma das amostras certificadas á análise, se o resultado indicar o teor de Nióbio especifico daquela amostra certificada e previamente conhecida, significa que a calibragem esta adequada para a análise que se segue.Caso contrário, o aparelho deverá sofrer manutenção passando por nova calibragem. Laboratório de Análises Falcão Bauer: A determinação de percentual de Nióbio é realizada através dos Equipamentos de Espectrofotometria de Emissão de Plasma (ICP), para determinação de elementos minoritários à liga como Alumínio, Chumbo, Cobalto, Estanho, Fósforo, Manganês e Titânio, de Espectrofotometria Absorção Atômica (AA) para determinação de Ferro e Silício e Espectrofotometria Óptica para Carbono e Enxofre. Para o L.A. Falcão Bauer, enquanto organismo certificado e acreditado por órgãos competentes e credenciado da Receita Federal, é importante apontar possíveis elementos contaminantes ou impurezas, além do bem como percentual de Nióbio nas amostras. Assim estes métodos se mostram mais completos e adequados ao fim que se destinam. As análises seguem os requisitos de qualidade determinados pela norma ISO 17025 conforme demonstrados nos procedimentos de Análises Químicas de Ligas Ferrosas (Anexo 1), Esses equipamentos sofrem diariamente aferições por Curvas de Calibração baseadas em Cartas Controle confeccionadas a partir de Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.562 17 padrões de referência rastreáveis atendendo os requisitos da ISO Guide 34, conforme apresentados em fls. 1013 do Anexo 1. Esses equipamentos estão cobertos pelos contratos de manutenção preventiva e corretiva de acordo com as Copias dos contratos em Anexo 2. 2.2 Correlação entre Métodos em Utilização pelos Laboratórios. Com o objetivo de verificar existência de correlação entre os Laboratórios da Mineradora de Catalão de Goiás e da Falcão Bauer, foram produzidas cinco amostras de aproximadamente 5g cada, de liga FeNb de alta pureza, com composições químicas pós fundido conhecidas (Anexo 3). Estas amostras foram fundidas na Universidade de São Paulo Escola de Engenharia de Lorena em Forno de Arco Voltaico, em atmosfera controlada de Argônio, em Cadinho de Cobre refrigerado a água. Foram efetuadas três fusões em cada liga, para garantir a homogeneidade do material. Depois de concluídas as etapas de fusão e solidificação o material foi solidificado em formato de esferas. O material foi embalado e identificado por códigos rastreáveis apenas por esta Perita, e entregue a análise nos citados Laboratórios. Após as respectivas análises os resultados foram recebidos e podem ser avaliados na tabela a seguir (Anexo 4): Tabela. Análise Quantitativa de Nióbio Correlação entre Métodos Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 As colunas destacadas em amarelo mostram as diferenças percentuais identificadas por cada Laboratório em cada amostra. Para melhor visualização, os dados destas colunas foram transferidos em forma de gráfico, abaixo. Levando em conta que no gráfico acima, a linha escura que passa pelo ponto Y=0% representa a referencia, ou seja, o valor exato de percentual de Nióbio constante em cada Amostra, algumas tendências podem ser observadas: A metodologia utilizada no Laboratório Falcão Bauer tende a apresentar resultados superiores aos esperados nas amostras referencia; Em média os resultados do Laboratório Falcão Bauer apresentaram valores 6,3% maiores do que os conhecidos nas referencias; Não pode ser observada tendência de variação dos resultados provenientes da metodologia utilizada pelo Laboratório da Mineradora Catalão, nas diferentes faixas de percentual de Nióbio das amostras; Em média os resultados do Laboratório da Mineradora Catalão apresentaram valores 1,6% menores do que os conhecidos nas referencias; Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.563 19 No entanto, a metodologia aplicada pelo Laboratório da Mineradora Catalão tende a apresentar desvios menores (+0,55%) em relação a resultados esperados, quando as análises são efetuadas na faixa de trabalho próximo e abaixo de 65% de teor de Nióbio nominal; (Grifo e Negrito Nossos) Foram fornecidas as seguintes respostas aos quesitos: • Descreva o método de aferição utilizado pelo impugnante para apuração do percentual de nióbio (Análise Espectrográfica de Fluorescência). Entendendo por aferição como sendo a verificação por comparação com um padrão, a exatidão das indicações de um instrumento, e de acordo com fls. 1051 desses autos e como já descrito no item 2.1 Descrição dos Métodos de Utilização pelos Laboratórios e Aferição deste Parecer, a aferição no equipamento de Fluorescência de Raio X é realizada previamente á análise das amostras do produto a ser vendido, os técnicos da empresa Impugnante aferem a precisão do referido aparelho submetendo uma das amostras certificadas á análise, se o resultado indicar o teor de Nióbio especifico daquela amostra certificada e previamente conhecida, significa que a calibragem esta adequada para a análise que se segue. Caso contrário, o aparelho deverá sofrer manutenção passando por nova calibragem. • Descreva o método de aferição utilizado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer para apuração do percentual de nióbio. De acordo com os documentos solicitados e encaminhados a esta Perita na ocasião da visita ao Laboratório Falcão Bauer e mais uma vez, entendendo por aferição como sendo a verificação por comparação com um padrão, a exatidão das indicações de um instrumento. O método de aferição utilizado pelo laboratório em questão é por curvas de calibração e cartas controle, confeccionadas através de padrões de referência rastreáveis atendendo os requisitos da ISO Guide 34, conforme apresentados em fls. 1013 do Anexo 1 e no item 2.1 Descrição dos Métodos de Utilização pelos Laboratórios e Aferição deste Parecer Técnico. • Essa apuração pode vir a variar dada a qualidade dos equipamentos utilizados e sua manutenção regular, assim como o modo de calibragem? Sim, a apuração de quaisquer equipamentos laboratoriais pode sofrer variação de acordo com a qualidade do equipamento, manutenção regular bem como modo de caiibragem. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 • É correta a afirmação de que o método de aferição utilizado pela impugnante (Análise Espectrográfica de Fluorescência) está de acordo com os mais elevados padrões internacionais, ou pelo menos, em melhor sintonia com esses que o método de aferição utilizado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer? Sim, o método de aferição utilizado pela impugnante está de acordo com os mais elevados padrões internacionais. No entanto, é importante salientar que a questão de adequação do método está naturalmente ligada ao fim que se destina a análise. Assim, importante salientar que ambos os métodos são adequados para os fins que se destinam, pois: • Enquanto produtora e exportadora do produto, para a Empresa Impugnante o seu objetivo é a determinação apenas do percentual da liga FerroNióbio. Para isso a Análise Espectrográfica de Fluorescência é necessária e suficiente. • Por sua vez, para o Laboratório de Análises Falcão Bauer, enquanto organismo certificado e acreditado por órgãos competentes e credenciado da Receita Federal, é importante apontar possíveis elementos contaminantes ou impurezas, além do bem como percentual de Nióbio nas amostras. Para tal, tanto o utilizase de método utilizado pelo é mais completo e adequado ao fim que se destina. • Essa distinção no método de aferição utilizado pelo impugnante e pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer acarreta margem de erro capaz de induzir uma interpretação equivocada em relação ao percentual de nióbio contido nas amostras? Sim, esta distinção de métodos pode acarretar erros no percentual de Nióbio contidos nas amostras, porem, essa diferença não pode implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração deste percentual. • Procede a informação de que os Espectrômetros devem ser calibrados com base em amostras padronizadas de ferronióbio, cujo teor de nióbio é previamente conhecido à análise dos Espectrômetros, de forma a confeccionar uma curva de comparação. Esse procedimento confere uma precisão maior aos resultados quanto ao percentual de nióbio contido nas amostras? Sim, confeccionar curva de calibração de acordo com amostras padronizadas de FerroNióbio confere resultados mais precisos. • É correto afirmar que a Norma NBR 6930, de 1981, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, na qual descreve "o método para aferição de nióbio, silício, alumínio, fósforo, carbono e enxofre em ligas de ferro nióbio, com teor de tântalo mais titânio não superior a 0,5%, é uma metodologia pouco ágil e depende Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.564 21 excessivamente da ação humana, o que prejudica sua confiabilidade? Ela se mostra defasada em relação aos padrões internacionais? A Norma citada faz referencia a diversos procedimentos analíticos para a determinação de Nióbio em ligas ferrosas, onde a chance de falha humana é maior que se comparada com a medida direta do teor de nióbio efetivo por um único equipamento. • No que difere a Norma NBR 6930, de 1981, da norma técnica francesa (NF All 103) , que descreve os procedimentos para a análise química da composição do ferronióbio (doc. 16 da impugnação)? A ultima se mostra mais precisa para a análise química da composição do ferronióbio? É a técnica adotada pela Impugnante é baseada nas disposições da referida norma? Qual norma o Laboratório de Análises Falcão Bauer segue o ICPOES ou o procedimento descrito pela norma técnica NBR 6930? As normas NBR 6930, de 1981, são procedimentos analíticos de laboratório e a norma técnica francesa (NF All 103), faz uso de Espectrometria de Fluorescência de raio X ambas para o mesmo fim, se diferem basicamente pelo uso de equipamento. De acordo com a resposta ao quesito anterior, A Norma NBR 6930 faz referencia a diversos procedimentos analíticos para a determinação de Nióbio em ligas ferrosas, onde a chance de falha humana é maior que se comparada com a medida direta do teor de nióbio efetivo por um único equipamento como acontece na norma técnica mostra mais precisa e é a técnica adotada pela Impugnante. De acordo com visitas realizadas e documentos encaminhados as normas adotadas pelo L.A. Falcão Bauer seguem o ICP, AA e o CES. • Comente a seguinte afirmação feita pelo impugnante: “... os Laudos Fiscais são claros ao descrever que a aferição do teor de Nióbio foi feita por diferença, conforme o quadro "Resultados das Análises" constante dos Laudos Fiscais”. Essa constatação, se procedente, é relevante quanto à discrepância nos resultados obtidos nas amostras? Procede a constatação que a aferição do teor de Nióbio é feita por diferença dos outros elementos determinados na liga. E a discrepância nos resultados obtidos nas amostras pode ser considerada por esse fato, pois se a determinação de qualquer elemento presente na liga se mostrar incorreta isto implica diretamente no resultado de teor de Nióbio. • É pertinente a conclusão de que na metodologia adotada pela Impugnante o efetivo teor de nióbio é medido, enquanto o procedimento adotado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer se verifica o teor de outros Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 elementos da liga e assume que o IP restante é nióbio? Essa distinção de procedimentos é capaz de implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração do percentual de nióbio nas amostras? Sim, é pertinente a conclusão de que a metodologia adotada pela Impugnante é de medir o teor de nióbio efetivo, enquanto o procedimento adotado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer se verifica o teor de outros elementos da liga e o restante é Nióbio. Assim, a interação de equipamentos utilizados, método, pessoas, mesmo que bem capacitadas, e procedimentos tem gerado a notada diferença entre resultados dos Laboratórios da Impugnante e da Falcão Bauer, conforme demonstrado no item 2.2 Correlação entre Métodos em Utilização pelos Laboratórios deste Parecer, embora aparentemente esta diferença de metodologia não deva implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração do percentual de Nióbio, na prática foi verificado na rotina e confirmado pela correlação efetuada que na faixa de 54,99 74,99 % de Nióbio é esperado uma diferença de medição de até aproximadamente 6% (Anexo 4). • Com base nos documentos (doc. 20), (doc. 21) e (doc. 22) da impugnação, de folhas 991 à 1022 dos autos, como interpreta as conclusões alcançadas pela precerista Giuliana Ratti, (doc. 23), às folhas 1023? Esta Perita não pode tecer comentários sobre a interpretação e as conclusões da Ilustre colega Giuliana Ratti, pois por motivos de sigilo, a mesma não obteve todas as informações necessárias da parte do Laboratório de Análises Falcão Bauer. Portanto a confiabilidade dos laboratórios não pode ser exclusivamente avaliada pelas conclusões da Ilustre colega. No entanto, vale ressaltar que com base no trabalho de correlação efetuado por essa Perita e mostrado no item 2.2 Correlação entre Métodos em Utilização pelos Laboratórios deste Parecer, os restados deste Laboratório mostraram se consistentemente levados. • Efetuar outras considerações que julgar pertinentes para endossar ou rechaçar a alegação de que a discrepância na metodologia utilizada interfere, de modo a induzir uma interpretação equivocada em relação ao percentual de nióbio contido nas amostras? DA CONCLUSÃO DA SRA. PERITA CREDENCIADA PELA RFB Às folhas 1.114 do processo digital é assinalado que: A metodologia utilizada no Laboratório Falcão Bauer tende a apresentar resultados superiores aos esperados nas amostras referencia; Em média os resultados do Laboratório Falcão Bauer apresentaram valores 6,3% maiores do que os conhecidos nas referencias; Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.565 23 Não pode ser observada tendência de variação dos resultados provenientes da metodologia utilizada pelo Laboratório da Mineradora Catalão, nas diferentes faixas de percentual de Nióbio das amostras; Em média os resultados do Laboratório da Mineradora Catalão apresentaram valores 1,6% menores do que os conhecidos nas referencias; No entanto, a metodologia aplicada pelo Laboratório da Mineradora Catalão tende a apresentar desvios menores (+0.55%) em relação a resultados esperados E ainda acrescenta: Com base nos resultados obtidos pelas análises efetuadas podemos concluir que: A metodologia utilizada no L.A. Falcão Bauer tende a apresentar resultados superiores aos esperados nas amostras de referencia confeccionadas por essa Perita em torno de 6,3% maiores em média. A metodologia utilizada pelo Laboratório da Mineradora Catalão apresentou valores em média 1,6% menores. Porem, na faixa de trabalho próximo aos 65% de teor de Nióbio esse valor cai para 0,55%. Não podemos considerar tendência de variação nos resultados obtidos pelo Laboratório da Mineradora Catalão. (Negrito Nosso) A empresa Mineração Catalão apresentou suas razões de folhas 1.182/1.192, no sentido de manifestar sua concordância com os termos dos Laudos Técnicos e apresentar breves considerações sobre o assunto. Assinala no item (9) a (13) de sua manifestação (fls. 1.188 à 1.192): 9. Como se verifica, a perícia realizada confirma o afirmado pela Requerente sua metodologia é significativamente mais precisa que a adotada pelo LFB, que, |por sua vez, produziu desvios relevantes na aferição do percentual de nióbio constante das amostras analisadas. 10. É de se destacar que a metodologia da Requerente apresentou variações maiores apenas na análise de ligas com composição bastante distinta daquelas exportadas pela Impugnante, enquanto a metodologia do LFB apresentou consistentemente desvios significativos em todas as análises efetuadas. 11. Ressaltese também que, ao responder os quesitos colocados por este colegiado, a Perita confirmou todas as informações apresentadas pela Requerente em sua Impugnação, esclarecendo ainda que, embora as diferenças entre metodologias possam, de Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 fato, implicar variações no percentual de nióbio apurado, tais variações deveriam ser mínimas. Nesse sentido, a variação excessiva verificada nas análises do LFB se deve a questões internas do Laboratório. A fim de demonstrar tal fato, a Requerente transcreve os seguintes trechos do Parecer Técnico: "Sim, esta distinção de métodos pode acarretar erros no percentual de Nióbio contidos nas amostras, porém, essa diferença não pode implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração deste percentual. ( ... ) Assim, a interação de equipamentos utilizados, método, pessoas, mesmo que bem capacitadas, e procedimentos tem gerado a notada diferença entre resultados dos Laboratórios da Impugnante e da Falcão Bauer, ( ... ) embora aparentemente esta diferença de metodologia não deva implicar em incorreções capazes de influir na efetiva mensuração do percentual de Nióbio, na prática foi verificado na rotina e confirmado pela correlação efetuada que na faixa de 54,99 74,99% de Nióbio é esperado uma diferença de medição de aproximadamente 6%.(...) Com base nestes resultados, somado a constância das divergências identificadas, esta Perita sugere ao L. A. Falcão Bauer a utilização destes resultados para refinamento e confecção de curva de ajustes ao método utilizado pela mesma." 12. Resta definitivamente demonstrada, portanto, a regularidade dos procedimentos de análise da Impugnante. 13. Por fim, a Requerente reitera os termos de sua Impugnação e requer o cancelamento integral da autuação, eis que cabalmente demonstrada a improcedência das alegações fiscais. A manifestação do Laboratório L.A. Falcão Bauer foi a seguinte (fls. 1.224 e 1.225 do processo digital): De acordo com os dizeres constantes ao processo 11128.724284/201255, fls. 1.056 a 1.058, o perito credenciado convocado, deveria esclarecer alguns pontos, tais como: descrever os métodos e equipamentos utilizados pelo impugnante e pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer para apuração do percentual de nióbio. Foram apresentado no Relatório da Sra. Perita somente os documentos da L.A.Falcão Bauer, não foram avaliados os métodos e equipamentos do impugnante. Seria importante que a Sra. Perita apresentasse em seu relatório os certificados de calibração do aparelho, o procedimento de análise e o contrato de manutenção do equipamento da Mineração Catalão, como foram anexados os certificados de calibração do aparelho, e demais documentos fornecidos à Sra. Perita pelo Departamento de Qualidade dos Laboratórios da Falcão Bauer, quando lá esteve em visita em função deste processo, atendendo assim por completo o solicitado pelo Sr. Relator, às fls. 1.056 a 1.058. Foram fornecidas pela Sra. Perita, tanto para o Laboratório da Falcão Bauer como para o Laboratório da Mineração Catalão, Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.566 25 amostras produzidas na Escola de Engenharia de Lorena USP, com a intenção de verificar existência de correlação entres os dois laboratórios, conforme consta no relatório. Seria importante que estivessem anexados ao relatório os certificados dos equipamentos utilizados na fabricação e nas análises destas amostras, os certificados de calibração das balanças analíticas utilizadas na pesagem dos compostos adicionados nas amostras fabricadas, assim como, os procedimentos de análises e os certificados e documentos de manutenção dos equipamentos que avaliaram os teores nas amostras fabricadas e que foram utilizadas para avaliar as metodologias utilizadas pelos dois laboratórios. Dessa maneira, poderíamos ter evidências de que os laboratórios que fabricaram as amostras utilizadas nesse processo para verificar a existência de correlação entre os laboratórios, tem processo de gestão da qualidade mesmo que ainda, possam não ter sido implantados oficialmente. Pois estas amostras fabricadas foram utilizadas para avaliar os dois laboratórios, porém não constam informações no relatório da validação e rastreabilidade dos procedimentos utilizados para determinação dos teores identificados como “Referência REF USP", na tabela do relatório. Quanto aos Resultados das Análises e a forma que foi apresentada no relatório da Sra. Perita, observamos que, na tabela do Relatório da Sra. Perita; Análise Quantitativa de Nióbio correlação de Métodos, existe uma pequena diferença na “média das diferenças”, MINREF, Nióbio (%), o resultado seria: 2,6%, considerando tratarse de uma somatória de todos os valores, sem considerar o sinal negativo ou positivo, pois os valores representam o quanto eles se “afastam” do valor de referência, no caso representado pelo zero. Um exemplo simples de se entender é o seguinte: nos resultados : 10 e +10, não posso considerar que a média entre eles é zero, pois estaria afirmando que os dois resultados estão exatos com relação ao ponto de referência I (zero), sendo que o resultados representam um afastamento de 10 para mais e para menos, com relação ao resultado esperado. Na mesma tabela apresentada no relatório da Sra. Perita, podemos observar que na coluna Diferença MINREF Nióbio (pp) nos resultados obtidos pelo método analítico da interessada, os teores encontrados apresentaram uma variação de 0,06% a 3,97% dos valores de referência, onde podemos observar que a metodologia da interessada è restrita/específica para matrizes com teores próximos à 60%, ou seja, a variação do método não é uma constante, como podemos observar na metodologia da Falcão Bauer, onde na coluna Diferença FBAREF Nióbio (pp) a variação do método è de + 4,0%. Ressaltamos que é importante a análise do teor de Ferro, como constam nos resultados dos Laudos; da Falcão Bauer, pois a posição é de "FERROLIGAS", e que, apesar do teor de Nióbio Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 ser expresso no Laudo, “ por diferença", este elemento também é lido pelo ICP, para confirmação do metal de base. Nesse sentido, a 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu, mais uma vez, baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.490, de 27 de agosto de 2014, para que a autoridade preparadora INTIMASSE a Perita credenciada pela Receita Federal do Brasil Maria Lúcia Perez Gomes da Silva para que esclarecesse tais seguintes pontos. A Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva se manifestou de folhas 1.274 à 1.285 do processo digital. Transcrevese fragmento relevante dessa manifestação, às folhas 1.282 à 1.284 do processo digital: "A também correta interpretação feita pela Falcão Bauer – Sra. Janete Pereira no Parecer Técnico 004/2014 pode ser utilizada, pois complementa a avaliação desta Perita, ou seja, o afastamento médio dos valores obtidos pela Mineradora Catalão, sem considerar os sinais, é sim de 2,6%. No entanto, é de entendimento desta Perita que a consideração dos sinais no cálculo da média das diferenças mostrou neste caso de forma objetiva a oscilação dos valores obtidos em torno dos valores referencia, conforme pode ser observado no novo gráfico abaixo que mostra a porcentagem absoluta obtida de Nióbio de cada amostra por laboratório, bem como a referencia. Assim, como pode ser visto no gráfico acima, a interpretação inicial do Parecer Técnico bem como a complementar feita pela Falcão Bauer não alteram a conclusão dos trabalhos. (...) Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.567 27 Os resultados obtidos pela Falcão Bauer tendem a se mostrar superiores ao da amostra referencia, enquanto que os resultados na Mineradora Catalão tendem a oscilar ao longo da referencia, sem mostrando menores que a referencia em amostras cujo percentual absoluto de Nióbio se aproximam se 65%". O Laboratório de Análises Falcão Bauer se manifestou de folhas 1.352/1.354, do processo digital. Transcrevese fragmento relevante dessa manifestação, às folhas 1.353 do processo digital: "Na Resposta ao Quesito 1. do Novo Pronunciamento da Sra. Perita, fls. 1292. podemos observar que realmente a metodologia da interessada é restrita/especifica para matrizes com teores próximos ã 60%, pois na resposta a este quesito a Sra. Perita confirma que o equipamento é calibrado com base em amostras padronizadas de FerroNióbio, onde de 5 amostras padronizadas. 4 apresentam teores entre 62.7 e 68.5%. O que confirma que os equipamentos estão padronizados para esta faixa de teor. (...) Observando o gráfico de Porcentagem Absoluta de Nióbio, constante na manifestação da Sr. Perita às fls. 1300, no método da Falcão Bauer há uma linearidade na variação, sendo constante para qualquer ponto da curva/teor. Porém, no método da interessada observandose o mesmo gráfico podemos confirmar, como já foi colocado no Parecer Técnico 004/2014, que a metodologia é específica para teores próximos a 60% e que a variação do método não é uma constante, pois para valores em torno de 60% a variação tende a zero, no entanto, para teores acima de 65% de Nióbio, os valores encontrados pela metodologia da interessada são inferiores de 3 a 4% com relação aos dos padrões, conforme também confirmado por esta Perita, onde informa ás fls. 1300 e 1301 que os resultados da interessada tendem a oscilar ao longo da referência". (Grifo e negrito nossos) O trecho de folhas 1.300 e 1.301, do Parecer da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva, que o fragmento se refere, é o seguinte: "Os resultados obtidos pela Falcão Bauer tendem a se mostrar superiores ao da amostra referencia, enquanto que os resultados na Mineradora Catalão tendem a oscilar ao longo da referencia, sem mostrando menores que a referencia em amostras cujo percentual absoluto de Nióbio se aproximam se 65%". Portanto, há uma convergência em ambas as análises que os resultados na Mineradora Catalão tendem a oscilar de 3 a 4% para amostras com teores acima de 65% de Nióbio. Nesse sentido, transcrevese um fragmento do Relatório de Procedimento Fiscal, às folhas 18 do Relatório de Procedimento Fiscal: "Nos casos em análise, tratandose de mercadoria cuja natureza exige assistência técnica para sua perfeita identificação, possibilitando o confronto do resultado com Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 as informações constantes do respectivo despacho e dos documentos que o instruem, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável providenciou para alguns despachos a coleta de amostra para fins de análise laboratorial, em especial, para verificação da qualidade do produto exportado, tudo de conformidade com os procedimentos previstos na norma em vigor, registrando a ocorrência no SISCOMEX". Transcrevese também parte relevante do laudo de assistência técnica n° 1.954/2.011, do processo digital. Portanto, o Laboratório de Análises Falcão Bauer assinala que as conclusões da Perita que a metodologia de aferição de Nióbio empregada pela ANGLO AMERICAN NIÓBIO BRASIL LTDA., atual denominação social da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA., é mais precisa do que a sua – só á válida para valores em torno de 60%. DA MULTA REGULAMENTAR DE EXPORTAÇÃO O artigo 718 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009, assim dispõe: 718. Aplicamse ao exportador as seguintes multas, calculadas em função do valor das mercadorias: (...) II de vinte a cinqüenta por cento: a) no caso de fraude, caracterizada de forma inequívoca, relativamente a preço, peso, medida, classificação ou qualidade (Lei no 5.025, de 1966, art. 66, alínea “a”); e b) no caso de exportação ou tentativa de exportação de mercadoria cuja saída do território aduaneiro seja proibida, considerandose como tal aquela que assim for prevista em lei, ou em tratados, acordos ou convenções internacionais firmados pelo Brasil, sem prejuízo da aplicação da pena de perdimento da mercadoria (Lei no 5.025, de 1966, art. 68, caput). (grifo e negrito nossos) E também a redação do artigo 66 da Lei n° 5.025/66: Art. 66. As fraudes na exportação, caracterizadas de forma inequívoca, relativas a preços, pesos, medidas, classificação e Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.724284/201255 Acórdão n.º 3402003.199 S3C4T2 Fl. 1.568 29 qualidade, sujeitam o exportador, isolada ou cumulativamente, a: a) multa de 20 (vinte) a 50% (cinqüenta por cento) do valor da mercadoria; b) proibição de exportar por 6 (seis) a 12 (doze) meses Ambos artigos estão transcritos no Relatório de Procedimento Fiscal. O Relatório de Procedimento Fiscal (fl. 19), assim fundamenta a FRAUDE. "E efetuado o acompanhamento dos despachos de exportação por certo lapso de tempo, verificouse que o padrão de desvio se manteve, o que significa que não foi um caso isolado. O desvio reiterado exclui a possibilidade de alegação de boafé, já que o resultado do laudo de cada despacho analisado é de conhecimento do exportador que, inclusive, efetuou pagamento pela prestação dos serviços de pericia com base nas tabelas constantes do Anexo Único desta Instrução Normativa RFB n° 1.020, de 31 de março de 2010, sem qualquer tipo de impugnação. O que se constatou é que a conduta infracional permaneceu sendo reiterada em várias transações internacionais, o que caracteriza a fraude inequívoca no que tange à qualidade e que tem implicação no preço dos produtos comercializados. De fato, verificase que o percentual de divergência causa impacto no valor de cada despacho, uma vez que o valor da nota fiscal varia conforme o percentual de nióbio contido no produto exportado. Assim, além de estar sendo remetida ao exterior uma quantidade de nióbio superior ao declarado, também a operação de exportação não está sendo real no que diz respeito ao preço (ou valor aduaneiro) da mercadoria, havendo uma perda de remessa de divisas para o pais e esvaziamento das reservas nacionais de nióbio (altamente valioso e raro em outros territórios) sem o pagamento do preço devido, podendo caracterizar também lavagem de dinheiro, sonegação de tributos sobre faturamento e lucro". O fato a ser analisado é que a Perícia realizada demonstrou que havia motivos técnicos para que resultados obtidos pelo Laboratório Falcão Bauer tendem a se mostrarem superiores aos da MINERAÇÃO CATALÃO DE GOIÁS LTDA. Portanto, ainda que a amostra referente ao do laudo de assistência técnica n° 1954/20111 revele um teor de nióbio de 71.692%, foi demonstrado no Parecer da Perita Credenciada Maria Lúcia Peres Gomes da Silva e confirmado pelo Laboratório Falcão Bauer que é factível esse desvio reiterado, a que o Relatório de Procedimento Fiscal denomina de FRAUDE, por motivos atinentes à metodologia aplicada. Assim, não se pode atribuir esse desvio reiterado a um esquema fraudulento. Por esse motivo, afastase a incidência da multa regulamentar da exportação. 16. Conclusão Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 Diante dos fundamentos acima expostos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Oficio apresentado, mantendose a decisão recorrida em TODOS os termos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720483/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES.
Inexistindo os vícios apontados pela embargante, rejeitam-se os embargos de declaração.
Numero da decisão: 3402-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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OMISSÕES. Inexistindo os vícios apontados pela embargante, rejeitamse os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3402002.927, sob alegação de omissão, na parte em que o colegiado aceitou o abatimento do imposto debitado nas remessas de produtos sujeitos à tributação monofásica para outros estabelecimentos. Segundo a embargante, o colegiado se omitiu ao não justificar o afastamento do art. 488, § 1º, IV, do RIPI/2002. Entende a embargante que este colegiado violou o art. 488, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 04 83 /2 01 2- 59 Fl. 2674DF CARF MF 2 § 1º, IV do RIPI/2002, pois o destaque do imposto nas operações impugnadas pelo fisco constitui uma infração e existe procedimento próprio para repetição de indébito à disposição do contribuinte. Também teria havido omissão do colegiado ao não justificar o afastamento do então vigente art. 333 do CPC, que trata do ônus da prova, pois não é lícito ao julgador valerse de diligência e perícia para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Entende a embargante que para não haver violação do art. 333 do CPC, o contribuinte deveria ter comprovado o suposto indébito de IPI desde o início do procedimento, pois não caberia a realização de diligência para suprir obrigação sua. Ressaltou que não é pretensão da Fazenda Nacional alterar o entendimento do acórdão embargado, mas apenas buscar a manifestação do colegiado sobre esses pontos. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Antes de iniciar a apreciação dos argumentos da Procuradoria da Fazenda Nacional, é preciso esclarecer que este processo não versa sobre repetição de indébito e o colegiado também não reconheceu nenhum direito de compensação. O processo versa sobre lançamento de oficio do IPI, resultante da glosa de créditos tidos como indevidos pela fiscalização. E no IPI, quando ocorre glosa de créditos, é imprescindível que se faça a reconstituição dos saldos da escrita fiscal, pois a apuração desse imposto ocorre no Livro Modelo 8. Esse livro fiscal encerra uma verdadeira contacorrente entre o fisco e o contribuinte. O confronto entre lançamentos a crédito e a débito no Livro de Apuração do IPI nada tem a ver com repetição do indébito, mas sim com a concretização do princípio constitucional da não cumulatividade, que rege a apuração desse imposto. Assim, com a devida vênia à ilustre Procuradora Fazendária, o fato de o Acórdão embargado ter determinado que a reconstituição dos saldos da escrita fiscal levasse em conta o IPI debitado nas operações com produtos monofásicos, não se confunde com uma repetição de indébito, constituindo mero acerto da contacorrente de IPI para que o imposto não se torne cumulativo. Feito esse esclarecimento, passase ao exame das duas omissões alegadas pela embargante. Relativamente à falta de justificativa para o afastamento do art. 333 do CPC, é necessário relembrar que a primeira diligência para segregar essas operações foi proposta pelo Conselheiro Alexandre Kern no processo nº 18470.731952/200169, conforme consignado na Resolução nº 3403000.570 (fl. 2190), in verbis: "(...) A situação versada nestes autos é semelhante à do processo 18470.731952/200169, relatado pelo Conselheiro Alexandre Kern, e baixado em diligência por meio da Resolução 3403000.542. (...)" Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 13116.720483/201259 Acórdão n.º 3402003.454 S3C4T2 Fl. 3 3 É fato público e notório a preocupação do Conselheiro Alexandre Kern com o princípio da preclusão e com a distribuição do ônus da prova nos processos. Apenas o rigor com que o referido conselheiro aplica esses institutos já seria razão suficiente para criar uma dúvida razoável quanto à existência de falta de justificação do colegiado em relação à não aplicação do art. 333 do CPC. E o exame dos documentos presentes no processo, elimina qualquer dúvida a respeito do quanto alegado pela embargante, pois tais documentos revelam que não houve violação do art. 333 do CPC e nem omissão na sua aplicação, uma vez que as provas das alegações do fisco e do contribuinte já se encontravam nos autos antes da impugnação, conforme se pode constatar no Livro Modelo 8 do anocalendário de 2008, juntado às fls. 1836/1952. Com base nessa prova, basicamente, o fisco alegou que o crédito básico tomado pelo contribuinte sobre produtos monofásicos era indevido e o contribuinte, por sua vez, alegou que o fisco não havia considerado que na saída desses produtos houve débito de IPI sobre tais operações. O colegiado entendeu que se uma parte do crédito indevido havia sido anulado por débitos também indevidos, então não houve falta de recolhimento do imposto, em virtude de o débito na saída ter anulado o crédito na entrada. É esse o espírito da contacorrente de IPI. A prova do fato alegado por cada uma das partes já estava no processo desde antes da impugnação. O problema é que o Livro de Apuração não apresenta os dados de forma analítica, sendo consolidado por período de apuração. Daí a necessidade de o colegiado converter o julgamento em diligência para que o contribuinte fizesse a demonstração analítica da parte do crédito que havia sido anulada pelo débito na contacorrente de IPI. A prova já estava no processo. O problema é que o colegiado não tinha como segregar qual parte do crédito havia sido anulada pelo débito a fim de aplicar a sua interpretação ao caso concreto. Portanto, ao contrário do que entendeu a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, este colegiado não utilizou a diligência para suprir o ônus da prova das partes; este colegiado também não ignorou o art. 333 do CPC; e este colegiado também não precisaria ter justificado a não observância do referido dispositivo legal, pois a segregação das operações relativas aos produtos monofásicos surgiu de uma necessidade do próprio colegiado para poder abater do auto de infração o imposto que já havia sido debitado em época própria. Inexistente, o vício alegado quanto ao art. 333 do CPC. Relativamente à alegação no sentido de que o colegiado não justificou o afastamento do art. 488, § 1º, IV, do RIPI/2002, o esclarecimento é simples: não houve justificativa para o afastamento desse dispositivo regulamentar porque o colegiado não o afastou. O art. 488, § 1º, IV, do RIPI/2002 estabelecia o seguinte, in verbis: Fl. 2676DF CARF MF 4 Art. 488. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45): I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso I, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45); ou II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso II, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45). § 1º Incorrerão ainda nas penas previstas nos incisos I ou II do caput, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º): I a III omissis... IV os que destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal, ou o destacarem com excesso sobre o valor resultante do seu cálculo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º, inciso V). A leitura desse dispositivo revela que são puníveis com a multa de ofício as seguintes condutas do contribuinte: a) não destacar o imposto nas notas fiscais; b) não recolher o imposto destacado (obviamente que o dispositivo se refere à falta de recolhimento do saldo devedor apurado no Livro Modelo ao final de cada período de apuração e não ao imposto destacado isoladamente em cada operação); c) destacar indevidamente o imposto na nota fiscal; e d) destacar o imposto em montante superior ao valor calculado. Ao contrário do alegado pela embargante, o colegiado aplicou o dispositivo regulamentar acima transcrito, apenas modificando o quantum debeatur apurado pela fiscalização. O colegiado, ao determinar que a reconstituição dos saldos da escrita fiscal considerasse os valores do imposto debitado na saída, prestigiou o art. 488 do RIPI/2002, uma vez que a sua aplicação não pode resultar na exigência de imposto indevido. Não existe apuração de IPI fora do Livro Modelo 8. No caso concreto, o contribuinte não incorreu isoladamente nas irregularidades descritas no inciso IV acima transcrito. Ele incorreu também no aproveitamento indevido de créditos. Só que essas duas irregularidades se anularam no âmbito da conta corrente de IPI e o que o colegiado fez foi ajustar o quantum debeatur apurado pelo fisco, sem violar o art. 488 do RIPI/2002 e sem violar o art. 333 do CPC. Não há como aplicar o disposto no art. 488 do RIPI/2002 sem efetuar a apuração do quantum debeatur no âmbito do Livro de Apuração de IPI. No caso concreto, não considerar o imposto debitado na saída (ainda que indevidamente debitado), significaria aumentar indevidamente o quantum debeatur e a própria Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 13116.720483/201259 Acórdão n.º 3402003.454 S3C4T2 Fl. 4 5 base de incidência da multa de ofício. Essa é a constatação cabal de que o colegiado prestigiou o art. 488 do RIPI/2002 em lugar de violálo. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2678DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726222/2009-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 22 /2 00 9- 72 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 9202004.169 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 9202004.169 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 9202004.169 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 352DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.726222/200972 Acórdão n.º 9202004.169 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13227.720401/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
Comprovado o vinculo entre a receita da atividade rural informada e os depósitos bancários, deve-se afastar a presunção do art. 42 da Lei na 9.430/1996.
Numero da decisão: 2201-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado).
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 17/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Comprovado o vinculo entre a receita da atividade rural informada e os depósitos bancários, deve-se afastar a presunção do art. 42 da Lei na 9.430/1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado). Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 17/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Comprovado o vinculo entre a receita da atividade rural informada e os depósitos bancários, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei na 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada. Vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado). Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 17/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos do Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 04 01 /2 01 2- 19 Fl. 1498DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Versa o presente processo sobre auto de infração pessoa física referente aos exercícios de 2009 e 2010, anoscalendário de 2008 e 2009, no valor total de R$ 1.605.237,03, (fls. 1258/1268, 870/933 e 1225/1257), a serem acrescidos de juros de mora e multa de ofício. 2. Foram descritas pela Autoridade Fiscalizadora as infrações – AC 2008 (Termo de Verificação Fiscal (fls. 870/933): a) Omissão de Rendimentos da Atividade Rural. O contribuinte apresentou DIRPF Exercício 2009, em 28/04/2009 (TIF em 02/05/2011, fl. 06), com valores auferidos zerados (fls. 239/252), mas durante procedimento fiscalizatório apresentou Livro caixa (fls. 53/238) que continha faturamento proveniente de atividade rural na ordem de R$ 8.639.342,01 (no conjunto com Adailton Sawaris = R$ 17.278.684,02, fl.878 ) e despesas na ordem de R$ 8.524.678,40. O Resultado Positivo da Atividade Rural, para cada um somou R$ 114.663,61. Apresentou notas fiscais referentes às receitas e despesas da atividade. Intimado a justificar os depósitos bancários em suas contas corrente, que somaram em 2008 R$ 16.185.099,43, o contribuinte afirmou serem oriundos de atividade rural, mas alegou ser impossível fazer uma correlação individualizada dos depósitos com os lançamentos contábeis. “Dessa forma, os valores declarados como Receita de Atividade Rural nos Livros Caixa de ambos, valores efetivamente recebidos (Art. 18, Lei 9250/95), que puderam ser abatidos dos créditos mensais encontrados nas contas correntes conjuntas, foram considerados como Omissão de Receita de Origem Comprovada Atividade Rural, sendo tributados segundo o Art.42 § 2, da Lei 9430/96, em combinação com os Arts. 4º e 13 da Lei 8023/90 . “ b) Depósitos Bancários de Origem não Comprovadas. Segundo Tabela 2 (fls. 884/885), os contribuintes não conseguiram justificar depósitos em suas contas correntes conjuntas que somaram 3.826.662,02 (R$ 1.913.331,01 cada). R$ 1.542.354,09 de depósitos de origem não comprovada são oriundos das contas correntes titularizadas somente pelo fiscalizado (Tabela 3, fl. 885): “Todavia, a diferença mensal encontrada entre os valores constantes nos extratos e a Receita Bruta declarada foi considerada como Omissão de Receita de Origem Não Comprovada, sendo tributada de acordo com o art. 42, §4º, da mesma Lei.” Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 13227.720401/201219 Acórdão n.º 2201003.344 S2C2T1 Fl. 3 3 (...) “Convém ressaltar que o critério utilizado por essa fiscalização para a consideração dos valores oriundos de Atividade Rural baseouse na análise dos rendimentos recebidos dessa atividade em relação às contas correntes de titularidade conjunta, comparando os extratos bancários das contas com a soma da Receita Bruta Mensal declarada nos Livros Caixa de Nivaldo Jacinto dos Santos e Adaílton Sawaris. Tal critério foi adotado pois o sujeito passivo desse procedimento fiscal e Adailton não obtiveram sucesso em apresentar a relação comprobatória de créditos existentes em suas contas correntes INDIVIDUALIZADAMENTE, como exige o Art.42, § 3º da Lei 9430/96. Ademais, a análise se concentrou nas contas correntes conjuntas devido à maneira de exploração da Atividade Rural adotada por ambos, sob a forma de parceria (Art. 59, Decreto 3000/99).” (...) “Contudo, quando o sujeito passivo e o contribuinte ADAILTON SAWARIS, CPF: 434.056.14015, titular em conjunto com o fiscalizado nas contas correntes 76543 e 107872 do BANCO DA AMAZÔNIA, 101249 e 10197 do SICOOB CREDISUL, 14648 do BANCO DO BRASIL e 193755 do BRADESCO, foram chamados a esclarecer a origem dos recursos, comprovaram a origem de apenas parte dos depósitos como sendo oriundo de atividade rural, conforme item 3.1 deste relatório, e alguns valores referentes a financiamentos rurais, conforme quadro a seguir.” 3. Foram descritas pela Autoridade Fiscalizadora as infrações – AC 2009 (Termo de Verificação Fiscal (fls. 1225/1257). a) Omissão de Rendimentos da Atividade Rural. O contribuinte apresentou DIRPF Exercício 2010, fls. 1200/1223, em 23/08/2011 (TIF em 21/03/2012 (fl.934), com lucro apurado (atividade rural) de R$ 1.190.830,51 (compensado com prejuízos acumulados da atividade rural). e faturamento proveniente de atividade rural na ordem de R$ 16.356.157,01 (no conjunto com Adailton Sawaris = R$ 32.712.314,68, fl.1229 ) e despesas na ordem de R$ 15.165.326,50. O Resultado Positivo da Atividade Rural, para cada um, somou R$ 1.190.830,51. Apresentou notas fiscais referentes às receitas e despesas da atividade. Intimado a justificar os depósitos bancários em suas contas corrente o contribuinte afirmou serem oriundos de atividade rural, mas alegou ser impossível fazer a correlação de cada depósito com o faturamento. b) Depósitos Bancários de origem não Comprovadas. Segundo Tabela 2 (fl. 1233), os contribuintes não conseguiram justificar depósitos em suas contas correntes conjuntas que somaram R$ 2.239.825,39 (R$ 1.119.912,70 cada): 4. O contribuinte apresentou a peça impugnatória, fls. 1274/1307, em 12/07/2012, para alegar, em resumo, que: Fl. 1500DF CARF MF 4 a) o Sr. fiscal glosou indevidamente prejuízos acumulados dos AnosCalendários anteriores, que podem ser deduzidos do resultado positivo da atividade rural, conforme Art. 11, § 1o da IN SRF n°. 83; no valor de R$ 4.391.542,72 (quatro milhões, trezentos e noventa e um mil, quinhentos e quarenta e dois reais e setenta e dois centavos), b) Não estão cometendo nenhum ato ilícito, estão agindo de boa fé, comprovada a sua atividade por documentos hábeis, portanto cabe à fiscalização comprovar que o mesmo contenha algum vicio ou máfé nos atos negociais. Fato que não foi nem suscitado pelo fiscal, motivo com que venho requerer a invalidade do auto de infração... A fiscalização não trouxe nenhum elemento comprobatório que justificasse a DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO PERFEITO, comprovado pela documentação e pela escrita do livro caixa. c) Salientamos que os prejuízos acumulados constam devidamente nos registros contábeis do livro caixa, e que os mesmos também são demonstrados nas Declarações de Imposto de Renda dos exercícios anteriores. Prejuízos estes oriundos de custeios e dos investimentos da atividade rural deduzidos das respectivas receitas. d) O art. 74 da Lei no 9.430/96, alterado pelo art. 49 da Lei 10.637/2002, determina que: o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. e) Assim, o Princípio da Razoabilidade exige que as decisões do administrador público sejam sensatas e coerentes com o raciocínio do cidadão médio comum. f) O Sr. Fiscal também equivocadamente apurou, no ano de 2008 e 2009, Rendimentos da atividade rural de origem não comprovada, por valores creditados em conta(s) de deposito ou de investimento da atividade rural não declarada, no valor de R$ 4.575.597,83 (quatro milhões, quinhentos e setenta e cinco mil, quinhentos e noventa e sete reais e oitenta e três centavos), conforme a Tabela 2, 3 e 4 do Termo de verificação fiscal, correspondente ao anocalendário 2008 e Tabela 2 do Termo de verificação fiscal, correspondente ao anocalendário de 2009. Ocorre que o Sr. Fiscal, no seu relatório de fiscalização, lançou em duplicidade como sendo receita da atividade rural: primeiro a financiamentos rurais obtidos para custeio e investimentos rurais e em segundo o pagamento relativo aos produtos anteriormente entregues e/ou vendidos, conforme demonstra a escrita do Livro Caixa, já debatido anteriormente. Na sistemática de venda dos produtos agrícolas, o agricultor em primeiro lugar deposita sua produção em grãos, e em seguida, conforme o mercado e suas disposições financeiras de fluxo de Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 13227.720401/201219 Acórdão n.º 2201003.344 S2C2T1 Fl. 4 5 caixa, efetua a venda e/ou recebimento do referido produto. Não há como a entrega do produto e o respectivo recebimento servirem duas vezes de base de cálculo do mesmo tributo, ou tributase o faturamento pelo Livro Caixa ou o recebimento do respectivo faturamento que é única e exclusivamente efetuado por meio bancário, este último deve ser tributado, conforme artigos 4o e 6o da Lei 8.023/90. Desta feita NUNCA deve tributar em duplicidade a mesma operação do Contribuinte, é ilegal, não há base na legislação brasileira, só pode ter ocorrido erro e/ou lapso do Sr. Fiscal. g) o valor de R$ 2.239.825,39 (dois milhões, duzentos e trinta e nove mil, oitocentos e vinte e cinco reais e trinta e nove centavos), deve ser compensado com o excesso de receitas declaradas nos meses de 02, 03, 04, 05, 07 e 10, cujo montante chega ao valor de R$ 15.089.073,32 (quinze milhões, oitenta e nove mil, setenta e três reais e trinta e dois centavos). Uma, vez, que é sabido por todos que o saldo credor ou devedor da conta caixa é transferido para o período seguinte ou seja, o saldo e cumulativo. Ao diminuirmos R$ 2.239.825,39 (dois milhões, duzentos e trinta e nove mil, oitocentos e vinte e cinco mil e trinta e nove centavos) do saldo acumulado R$ 15.089.073,32 (quinze milhões, oitenta e nove mil, setenta e três reais e trinta e dois centavos), ainda resta um "estoque de saldo anterior" que é de R$ 12.849.247,93 (doze milhões, oitocentos e quarenta e nove mil, duzentos e quarenta e sete reais e noventa e três centavos). (...) Portanto não há o que se falar em omissão de rendimentos omitidos de origem não comprovadas nas contas bancárias no ano de 2008 e 2009, onde ficou comprovado, nos demonstrativos acima, que o valor das receitas declaradas no Livro Caixa, é infinitivamente superior à movimentação de depósitos em conta corrente. Pode sim, ter ocorrido um erro de interpretação no preenchimento da Declaração do Imposto de Renda, o qual não traz prejuízo algum ao fisco. h) Tais depósitos bancários, conforme já demonstrado, foram reconhecidos e escriturados de forma indireta no Livro Caixa da Atividade Rural em conta "caixa" sem ter registro e ou anotações correspondentes e provas documentais da vinculação dos créditos nas contascorrente. Sendo mais claro, isto quer dizer que o contribuinte pecou por uma irregularidade de ordem formal e não material como quis demonstrar a autoridade fiscal. i) O não registro dos depósitos das contascorrente no presente caso não representa uma omissão de receita, mas sim, mero erro de formalidade quanto ao procedimento já que as mesmas, de forma indireta foram reconhecidas pelos Livros Caixa da Atividade Rural. Temos então que o numerário depositado nas Fl. 1502DF CARF MF 6 contas em questão possuem identificação e estão perfeitamente lastreados em operações comerciais. j) A simples presunção de omissão de renda tributável com base apenas nos depósitos bancários de origem não comprovada não pode levar a conclusão da existência de fato gerador do imposto de renda, para tanto deverá existir outros elementos, decorrentes da atividade fiscalizatória, que corroborem com a presunção. Mesmo porque os valores detectados poderão ter si originado de renda não tributável ou até mesmo de renda já tributada.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009 EMENTA ATIVIDADE RURAL A tributação favorecida implica que se deve apurar o resultado (declarado) da atividade rural através de escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reitera, em síntese, os argumentos discorridos em sede de impugnação no sentido de que não houve omissão de receita e que a origem dos valores apresentados está no exercício da atividade rural comprovada. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Alega o contribuinte que apenas há omissão, quando não há apresentação da documentação solicitada e, no caso dos autos, toda vez que intimado para apresentação de documentos, o contribuinte fez, conforme determinado. Além disso, sustenta o recorrente que os resultados da atividade rural apurado a partir dos registro no livro caixa foram informados na Declaração Retificadora. Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 13227.720401/201219 Acórdão n.º 2201003.344 S2C2T1 Fl. 5 7 Também questionou o contribuinte a consideração dos valores apresentados em livro caixa para o cômputo da infração imputada ao recorrente e se desconsiderou a existência de validade do mesmo livro para a compensação de prejuízos apurados em períodos anteriores. Com relação às alegações, o acórdão recorrido consignou a impossibilidade de compensação do apontado prejuízo fiscal, considerando que tal concessão depende de uma escrituração regular. Observase que, de fato, foi feita Declaração Retificadora, fl. 1209 e incluída a receita bruta da atividade, as despesas e os prejuízos apurados, restando um resultado negativo de R$ 3.086.048,60. Contudo, o escopo da fiscalização assentouse na análise da movimentação financeira do contribuinte em relação aos rendimentos declarados em sua DIRPF, por meio dos extratos bancários. Dessa forma, os valores declarados como Receita de Atividade Rural nos livros caixa de ambos (contribuinte e parceiro), que puderam ser abatidos dos créditos mensais encontrados nas contas correntes conjuntas, foram considerados como Omissão de Receita de Origem Comprovada atividade rural. Todavia, a diferença mensal encontrada entre os valores constantes nos extratos e a Receita Bruta declarada foi considerada como Omissão de Receita de Origem Não Comprovada. Na DIRPF Retificadora, anocalendário 2009, consta como receita bruta total o valor de R$ 16.356.157,01 e de despesas de custeio e investimento tais de R$ 15.165.326,50, que correspondem a 50% do valor escriturado no livro caixa a título de receita bruta R$ 32.712.314,68 e de despesas R$ 30.330.653,00, em razão da parceria reconhecida com o senhor Adailton Sawaris. Também consta da declaração mencionada os prejuízos, de exercícios anteriores no valor de R$ 4.276.879,11, mas, na DIRPF Retificadora do anocalendário de 2008, não foi declarado rendimentos da atividade rural e, por consequência, não foram declarados prejuízos respectivos. Assim, em que pese a alegação do recorrente de que a fiscalização deixou de considerar os prejuízos apurados em períodos anteriores, não houve a comprovação dos suscitados prejuízos. Em verdade, como não houve escrituração regular do livro caixa, não é possível acompanhar a evolução dos prejuízos da atividade rural. Cumpre acrescentar que o Termo de Verificação Fiscal, fl. 1230, expressamente dispõe a apuração do resultado tributável levou em consideração a diferença entre a Receita Bruta Total e as Despesas de Custeio e Investimentos declarados em livro caixa e comprovados por meio de documentação hábil e idônea,nos termos seguintes: Diante do exposto, foram lançados de ofício os valores constantes na TABELA 1, referentes aos rendimentos omitidos na DIRPF do fiscalizado. A apuração do Resultado Tributável levou em consideração a diferença entre a Receita Bruta Total e as Despesas de Custeio e Investimentos (Art. 63, Decreto 3000/99), declarados em Livro Caixa e comprovados por meio de documentação hábil e idônea . Essa forma de apuração, “Receitas menos Despesas de Custeio e Investimentos”, resultou em um valor menor do que se tivesse sido aplicado o Fl. 1504DF CARF MF 8 montante de 20% da Receita Bruta auferida no anocalendário de 2009, opção dada pelo Art. 71 do mesmo Decreto. Considerando a similaridade dos presentes autos com o processo n.º 13227.720401/201219, no qual consta como contribuinte o parceiro do recorrente (Adailton Sawaris), de relatoria do Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, julgado na sessão do dia 02/12/2014, adoto como razões de decidir o trecho do acórdão abaixo transcrito: No que tange à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cumpre transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1091): Após análise e revisão, por essa fiscalização, dos créditos a serem justificados, observouse que alguns depósitos inicialmente questionados não representavam efetivo ingresso de recursos nas contas, desonerando o sujeito passivo da comproválos. O valor final a ser comprovado foi de RS 14.642. 745,34, conforme ANEXO III desse relatório. De tal montante, foi comprovada, por Nivaldo Jacinto dos Santos, a origem de R$ 10.816.083,32 como sendo oriundo de Atividade Rural, restando o montante de R$ 3.826.662,02 como depósitos bancários de origem não comprovada. FI. 1256 Do exposto, verificase que do total de R$ 14.642.745,34, atinentes aos créditos de origem não comprovada, o recorrente logrou comprovar R$ 10.816.083,32. Em razão da diferença, entendeu a fiscalização que houve omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no montante de R$ 3.826.662,02. Por sua vez, como a receita de atividade rural representou o montante de R$ 17.278.684,02, fl. 1194, constata se que o valor ultrapassou, consideravelmente os créditos bancários apurados de origem não comprovada, razão pela penso ser razoável considerálo para fins de justificar a omissão de rendimentos relativa aos depósitos bancários, apesar da falta de coincidências em datas e valores. Esse entendimento' possui precedente neste Conselho, consoante se extrai das ementas transcritas: IRPF DEPÓSITOS BANCARIOS LEI N~ 9.430. DE 1996 COMPROVAÇÃO Estando as Pessoas Físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive àqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. (processo nº: 13027.000651/200213 Acórdão nO:10419.845) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARAC1ERlZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, devese jazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançada. Comprovado a origem do depósito bancário, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. (CSRF, Segunda Turma, Processo nO 19515.002869/200378, Acórdão n° 920201.385, Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 13227.720401/201219 Acórdão n.º 2201003.344 S2C2T1 Fl. 6 9 Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgada em 11/04/2011) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS'' DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Ante a ausência de previsão legal expressa para que a comprovação dos depósitos bancários cuja origem seja questionada em procedimento de fiscalização seja feita com coincidência exata de datas e valores (ar/. 42 da Lei n° 9.430/96) e logrando o contribuinte comprovar que dispunha de montante suficiente a justificar parte dos depósitos bancários transitados por suas contas, deve esta comprovação ser aceita, e excluído o referido montante da base de cálculo do lançamento. (Acórdão CSRF nO 9202002.655 Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 24 de abril de 2013) Assim, em razão do liame objetivo entre a receita de atividade rural e os depósitos bancários, deve ser excluído o item 2 do Auto de Infração omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. No caso dos presentes autos, temse o mesmo liame objetivo entre a receita de atividade rural e os depósitos bancários, a receita da atividade rural escriturada é consideravelmente maior que os depósitos bancários de origem não comprovada, razão que nos leva a crer na razoabilidade de considerar justificada a omissão de rendimentos relativa aos depósitos bancários. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir da exigência os valores referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 1506DF CARF MF
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Numero do processo: 17883.000233/2006-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 20/12/2001 a 30/09/2002
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
Tendo havido embargos considerados intempestivos é contra essa decisão que se deve voltar o recurso especial, não se podendo admitir recurso que se volta diretamente contra o mérito da decisão anteriormente embargada.
Numero da decisão: 9303-004.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
Rodrigo Da Costa Pôssas - Presidente em exercício
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 20/12/2001 a 30/09/2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS Tendo havido embargos considerados intempestivos é contra essa decisão que se deve voltar o recurso especial, não se podendo admitir recurso que se volta diretamente contra o mérito da decisão anteriormente embargada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Rodrigo Da Costa Pôssas - Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos - Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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REQUISITOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LONDRINA BEBIDAS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/12/2001 a 30/09/2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS Tendo havido embargos considerados intempestivos é contra essa decisão que se deve voltar o recurso especial, não se podendo admitir recurso que se volta diretamente contra o mérito da decisão anteriormente embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Rodrigo Da Costa Pôssas Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 33 /2 00 6- 11 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 O recurso especial da Fazenda Nacional, interposto em 16 de maio de 2012, busca reverter decisão da terceira câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, prolatada em 2008, cuja ementa consigna: "CITAÇÃO VÁLIDA E DECADÊNCIA A citação somente passa a ser válida a partir da data em que a recorrente tem acesso aos autos, caso contrário não sera perfeita, pois não atingirá o objetivo exposto no artigo 213 do CPC. Como o prazo para que a Unido constitua crédito referente ao IPI é de cinco anos contados da data do fato gerador, conforme, o §4° do art. 150 do CTN, está decaído o direito de a Fazenda Nacional cobrar os tributos referentes ao não lançamento /PI no período anterior a 27/12/2001. JUROS SOBRE MULTA Não há previsão legal para cobrança de juros sobre a multa, portanto, devem ser anulados tais juros." O recurso busca rediscutir os dois temas decadência e incidência de juros sobre a multa de ofício e apresenta acórdãos que decidiram contrariamente ao recorrido, um para cada matéria. No que tange à decadência, não ataca a interpretação da Câmara recorrida quanto à necessidade de acesso do sujeito passivo aos autos, limitandose a questionar a aplicação do art. 150 mesmo que inexistentes recolhimentos. O recurso foi integralmente admitido por despacho do Presidente da Terceira Seção do CARF, que o considerou tempestivo e comprovadas as divergências. Em contrarrazões que oferece, a recorrida aduz ser intempestivo o recurso especial consoante jurisprudência que colaciona. E isso porque antes da interposição do recurso especial, a Fazenda Nacional propusera embargos de declaração à decisão em dois momentos distintos. Na primeira ocasião, entendeu o colegiado (acórdão 220100310) que eles seriam intempestivos, porquanto teriam sido apresentados antes da ciência formal da decisão que se pretendeu embargar. Com efeito, consignouse no acórdão: Os embargos são intempestivos, já que a embargante, protocolizou os embargos no dia 09/02/2009 (fls.1009/1011), mas foi oficialmente cientificado do acórdão somente em 10/02/2009 (fl. 1006), ou seja, um dia depois de protocolizar os embargos, portanto, no momento dos embargos inexistia decisão, pois, como demonstrado, a embargante não tinha conhecimento da decisão, já que não havia sido cientificada. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça vêm decidindo no mesmo sentido, in verbis: 105087275 AGRAVO DE INSTRUMENTO EXTEMPORANEIDADE IMPUGNAÇÃO RECURSAL PREMATURA, DEDUZIDA EM DATA ANTERIOR À DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO RECURSO IMPROVIDO A intempestividade dos recursos tanto pode derivar de impugnações prematuras (que se antecipam publicação dos acórdãos) quanto decorrer de oposições tardias(que se registram após o decurso dos prazos recursais). Em Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 17883.000233/200611 Acórdão n.º 9303004.204 CSRFT3 Fl. 1.607 3 qualquer das duas situações Impugnação prematura ou oposição tardia , a conseqüência de ordem processual é uma só: o não conhecimento do recurso, por efeito de sua extemporânea interposição. (STF AlAgR 509077 Rel. Min. Celso de Mello DJ 05.06.2008) 1163923180 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ANTES DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO EXTEMPORANEIDADE CONFIGURADA 1 É inviável o conhecimento de recurso interposto anteriormente à publicação da decisão combatida, dada a sua extemporaneidade. 2 Embargos de Declaração não conhecidos. (STJ EDclAgRgREsp 1.025.529 (2008/00176070) 2" T Rel. Min. Herman Benjamin DJe 20.04.2009 p. 684) Outrossim, como consta nos autos, a ciência do acórdão foi posterior a interposição dos embargos de declaração, assim, extemporâneo o presente recurso. Ex posistis, não conheço dos embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Contra esse acórdão, a Fazenda Nacional apresentou novos embargos, agora questionando a premissa adotada pelo colegiado para considerar extemporânea sua primeira peça aclaratória. Afirmou aí ter sido cientificada na mesma data da apresentação dos primeiros embargos, e não no dia anterior. Essa segunda peça, porém, não foi admitida por despacho por mim assinado e assim redigido: Com base nos arts. 25 e 65 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, foram estes autos distribuídos para exame de admissibilidade de embargos declaratórios apresentados pela Fazenda Nacional em face do acórdão 220100.310, de 04/06/2009, que rejeitou embargos de declaração anteriormente apresentados, por entendêlos intempestivos. Sustenta a Fazenda Nacional que o aresto teria incorrido em erro ao partir da premissa que o aclaratório fora oposto antes da ciência, haja vista que a data a ser considerada não deve ser o protocolo do recurso, mas sim, a data da Relação de Movimentação — RM do processo administrativo, de modo que a cientificação ocorrera na mesma data de sua interposição. Pois bem, a peça aviada não aponta qualquer omissão, contradição ou obscuridade, requisito essencial para justificar a propositura do embargo de declaração, revelando, isto sim, a intenção de atribuirlhe um efeito infringente que não ostenta, não servindo, também, como instrumento de réplica h. opção exegética do Colegiado e tampouco se prestando a reabrir o debate em torno de questões já devidamente julgadas. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Pelo exposto, ausentes os pressupostos ensejadores, opino pela inadmissibilidade do embargo de declaração proposto, sendo o que submeto à apreciação do Presidente da Quarta Camara Ordinária da Terceira Seção de Julgamento. ROBSON JOSÉ BAYERL Conselheiro Substituto Tendo em vista a informação em epígrafe, que aprovo, nego seguimento aos embargos de declaração propostos e, nos termos do art. 65, §§ 3° e 4° do RICARF, determino o encaminhamento à representação da Procuradoria da Fazenda Nacional neste CARF para ciência, registrando desde logo que o despacho em tela é irrecorrível. À Secretaria desta Câmara para adoção das providência cabíveis. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente da Quarta Câmara A recorrida afirma ainda em suas contrarrazões que ele não deve ser conhecido quanto à incidência de juros sobre a multa porque não teria sido comprovada a divergência. No mérito, que limita a essa matéria embora o especial também ataque a decadência reconhecida pelo colegiado recorrido, afirma não haver base legal para a incidência dos juros sobre a multa de ofício exatamente como decidido na decisão atacada. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Começo, como de praxe, pela questão da admissibilidade do recurso especial, a qual ganha ainda maior relevo no presente caso, dada a singularidade de seu andamento. É que bem apontado pela recorrida houve embargos da Fazenda Nacional que foram efetivamente considerados intempestivos, embora não porque apresentados após esgotado o prazo regulamentar, mas porque o teriam sido antes de iniciado aquele prazo. Consta da defesa também citação da jurisprudência tanto do STJ quanto do STF no sentido de que, em tais casos, tornase também intempestivo eventual recurso posteriormente apresentado. Defende que esse entendimento também tem aplicação no CARF dada a norma regimental que afirma somente ocorrer a suspensão ou interrupção do prazo para recurso especial por força de embargos tempestivos. De nada disso divirjo. Porém, há mais um detalhe neste processo que complica a análise do conhecimento do recurso especial da Fazenda. Deveras, não a rejeito pela razão apontada em contrarrazões. Explicome. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 17883.000233/200611 Acórdão n.º 9303004.204 CSRFT3 Fl. 1.608 5 É que a Fazenda não se quedou inerte quanto à acusação de intempestividade de seu primeiro aclaratório. Ao contrário, como procurei demonstrar no relatório, apresentou novos embargos, agora contra o acórdão integrador, que não foram considerados intempestivos exatamente porque respeitaram o prazo contado desta última decisão e contra ela voltado. Isso, a meu sentir, afasta a impossibilidade de apresentação de todo e qualquer recurso especial. Isso porque, embora não tenha ficado explícito no despacho que assinei, entendemos o dr. Robson e eu, que a contestação nele analisada não se subsumia a uma daquelas que ensejam a figura dos embargos. Em tais casos, o que se diz é que a matéria ali negada é passível de novo questionamento apenas em recurso especial. E assim o era no caso concreto porque, entendemos, não havia contradição no julgado, mas aparente má apreciação da regra de contagem de prazo para a Fazenda. Deveras, disse a Procuradora: Contudo, a data do protocolo da peça recursal, 09/02/2009, conforme registro do servidor, não é a data que deve ser considerada na contagem do correspondente prazo, tendo em vista que a Relação de Movimentação — RM, de fls. 1012, registrou como envio do processo a data de 10/02/2009 as 11h12. E a data da RM, consoante expressa disposição contida no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, que deve ser levada em conta para o fim de aferição da tempestividade do recurso: "Art. 64. A remessa de processos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional aos Conselhos de Contribuintes será realizada mediante movimentação no sistema Comprot. §1º Será considerada como data da manifestação do Procurador da Fazenda Nacional a data do registro no sistema Comprot da RM de envio do processo para os Conselhos de Contribuintes, independentemente da data efetiva em que o processo for entregue no seu destino. § 2º Compete às Secretarias das Câmaras anexar aos autos cópia da RM emitida pelo Comprot, após o retorno dos respectivos processos." Ou seja, às escâncaras, os segundos embargos pretenderam discutir o cerne da decisão tomada, ou ainda mais claramente, o critério jurídico que embasou a conclusão pela intempestividade dos embargos anteriores. E, até redundante, eles não se prestam a tanto. Sublinho, mais uma vez: não afirmei que os segundos embargos eram intempestivos. E qual é, afinal, a conclusão de todo esse imbróglio? É ela que, a meu ver, o recurso especial da Fazenda que poderia ser admitido era, exclusivamente, um que se voltasse contra aquela decisão retratada no acórdão integrador. Em outras palavras, dois caminhos Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 restavam à Fazenda: ou requerer a nulidade da decisão que rejeitou os seus segundos embargos, reafirmando, agora, ter ocorrido alguma omissão, contradição ou obscuridade que não foi adequadamente apreciada; ou propor a rediscussão da regra de contagem do seu prazo, mais especificamente, o seu dia inicial. Neste que examinamos não há nem uma nem outra. Diversamente, pretende ele diretamente rediscutir o mérito da decisão original: decadência e juros sobre a multa. Dele não conheço, pois. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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