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Numero do processo: 10880.955153/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 51 53 /2 00 8- 47 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade em face do despacho decisório que não homologou a compensação declarada, diante da inexistência de crédito, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Não é possível compensar estimativa por meio de PER/DCOMP entre 29/10/2004 e 31/12/2008, nos termos da legislação tributária." Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de Despacho Decisório [...] que não reconheceu o direito creditório, cujo valor inicial original seria de R$ 88.898,03, pleiteado por meio de PER/DCOMP [...]. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) por meio do DARF do período de apuração de 31/03/2003, com data de arrecadação de 19/12/2003, no valor total de R$ 88.898,03(incluindo multa de mora e juros de mora), pois o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP em tela já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e portanto, não homologou a compensação com débito no valor total original de R$ 68.962,56(mais multa de mora e juros de mora) declarado no mesmo PER/DCOMP[...]. A manifestação de inconformidade [...] foi apresentada pelos procuradores [...] acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF, DCTF e DIPJ [...]. Alega que errou no preenchimento do PER/DCOMP classificando o tipo de crédito como "Pagamento Indevido ou a Maior" quando o correto seria "Saldo Negativo de IRPJ". É o relatório." Inconformada com o Acórdão da DRJ/SP1, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito para a reforma da decisão da Instância a quo: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 4 3 (A) Quanto à possibilidade de retificação após o despacho decisório de estimativa mediante PER/DCOMP. Violação ao princípio da legalidade. · A Instrução Normativa SRF nº 900/2008 está impondo requisito que extrapola as exigências legais relativas ao procedimento de compensação de créditos, o que configura manifesta violação ao principio da legalidade. (B) Violação ao princípio da verdade material · A Recorrente realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. · É imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. (C) Ofensa aos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade · o v. acórdão ora recorrido ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo, portanto, ser reformado. Como destacado, todas as retificações necessárias foram realizadas pela Recorrente e demonstram que o crédito existente é suficiente para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Foge à razoabilidade a não extinção de débito mediante compensação de estimativa sob o simples argumento de que o procedimento não seria o correto, muito embora a existência de crédito seja manifesta. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.362, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.930429/2009 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.362): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 6 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 7 6 a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 8 7 das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 9 8 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 10 9 final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 11 10 bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADNSRF n° 3, de 2000; INRFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Porém, apenas em tese assiste razão ao recorrente em suas alegações, haja vista que teve seu pedido de restituição indeferido, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. No acórdão de 1ª Instância, concluise que as estimativas recolhidas de março e de abril devem ter sido apuradas em conformidade com as leis comerciais e fiscais. Na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal, se houvesse o devido permissivo legal. A Recorrente alega que realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, argumenta que não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. O Recorrente argumenta que é imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. Não assiste razão ao Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ e DCTF não confirmam o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. No presente voto, adotase o mesmo entendimento do acórdão recorrido, ou seja, na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal. A comprovação do crédito, através da demonstração de erro no balancete de suspensão/redução é condição Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.955153/200847 Acórdão n.º 1402003.396 S1C4T2 Fl. 12 11 imprescindível para a homologação do Per/Dcomp, não se caracterizando como "formalidade processuais extravagante". Portanto não deve prosperar a alegação de ofensa ao princípio da verdade material. Da mesma forma devem ser afastada a alegação de ofensa ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois as retificações de declarações não são suficientes para demonstrar a existência do crédito para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932430/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO.
Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo
Numero da decisão: 1401-002.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 24 30 /2 01 3- 19 Fl. 452DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão Turma da DRJ, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado que a informação quanto ao montante da estimativa na DIPJ e na DCTF está incorreta, e, em conseqüência, concluir pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, já que o valor recolhido correspondia integralmente à débito confessado pelo contribuinte. A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte efetuou compensação de débito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente a janeiro de 2011 com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de mesmo tributo, cujo valor na data de transmissão informado era de R$ 37.229,14. Este crédito decorreu de Darf no mesmo valor, no código de receita 2362, referente ao período de apuração fevereiro de 2009. Consoante declarado, foi utilizada na compensação a parcela do crédito de R$ 33.032,50, restando um saldo do crédito original de R$ 4.196,64. Como resultado da análise efetuada foi proferido o despacho decisório que decidiu por não reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. Segundo a fundamentação da decisão, o valor recolhido via Darf foi integralmente utilizado para a quitação de débito confessado. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ, pois teria adicionado indevidamente montante relativo a ajuste do RTT na determinação da base de cálculo do tributo, como conseqüência do preenchimento equivocado da linha de custos da ficha 07 A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007 – PJ em Geral), com valor diferente do informado na Ficha 06 A (Demonstração do Resultado – PJ em Geral). Afirma que, retificado o erro, não haveria estimativa a pagar, sendo seu direito a utilização do montante recolhido a este título como crédito em compensação. Anexa balenacetes, LALUR 2009, memória de cálculo IRPJ e relaçao de DECOMPs. É o relatório do essencial. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10880.932430/201319 Acórdão n.º 1401002.840 S1C4T1 Fl. 453 3 Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme já esclarecido pela decisão de piso, perfeitamente possível aferir a opção pelo RTT alegada pela Recorrente em sua DIPJ/2009 como pode ser visto na Ficha 01 abaixo copiada parcialmente (informação repetida na DIPJ/2010 à fl. 54). Contudo, para reconhecimento do crédito pretendido, segundo a DRJ, era necessária a prova de que a informação constante na DIPJ e na DCTF, estaria incorreta em função do alegado erro de fato em seu preenchimento, o que não havia sido feito pela Recorrente até aquele momento. Isto porque, conforme acórdão recorrido, uma vez feita a opção pelo RTT, caberia ao contribuinte ter trazido cópia de seu Lalur a fim de comprovar que o ajuste ao lucro líquido na determinação da base de cálculo do tributo não existiu de fato. Todavia, como prova do alegado erro de preenchimento da DIPJ, carreou aos autos apenas o demonstrativo de resultado (apuração do lucro líquido) à fl. 79 e o balanço patrimonial à fl. 80. Conforme tratado anteriormente, o ajuste porventura existente não é registrado em tais demonstrativos, razão pela qual esses não possuem qualquer valor probatório. Ainda que se entendesse demonstrado que não houve apuração de ajuste pelo contribuinte, o que se coloca apenas em tese, há que se considerar que a ocorrência do pagamento indevido ou a maior restaria não comprovada. Isto porque a revisão de ofício do erro de preenchimento da DIPJ ensejaria apenas a alteração da base de cálculo do tributo devido e, por conseguinte, do seu montante devido no ajuste anual. A partir dessas informações não é possível aferir com certeza absoluta que não houve tributo a pagar apurado por estimativa no transcorrer do anocalendário, pois a Ficha 11 da declaração não permite verificar a composição da base de cálculo estimada e, portanto, aferir se o alegado erro formal de preenchimento cometido nas fichas anuais também ocorreu nas fichas de apuração mensal. Segundo a DRJ: "Para a comprovação de que de fato não foi apurada qualquer estimativa a pagar durante o ano, a manifestação de inconformidade deveria estar instruída com cópias do balancete de suspensão/redução e do Razão (nas contas de interesse, relativas à estimativa mensal). Se tal medida tivesse sido adotada pelo contribuinte e restasse demonstrada a inexistência de estimativa apurada, seria devida a revisão de ofício da DIPJ e da DCTF em função do erro fato no preenchimento, em respeito ao princípio da verdade material. Todavia, tais documentos imprescindíveis à solução da lide não constam dos autos". Admito que a Recorrente trouxe alguns desses documentos anexados ao seu Recurso Voluntário, contudo tais documentos confirmar a correção do Acórdão DRJ, mas mesmo que assim não fosse, entendo que para o reconhecimento do crédito era necessário um passo além, por parte dela, que confessa que embora venha sustentando a existência de erro no preenchimento da DIPJ e, por consequencia, na Decomp, em nenhum momento tomou a iniciativa de retificálas, requerendo que tal providência seja implementada por este colegiado caso reconheça a possibilidade da compensação pleiteada. Fl. 454DF CARF MF 4 Neste momento entendo pela impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado pela Recorrente, sem que tenha havido no mínimo a retificação por parte dela dos erros materiais existentes em suas declarações, não vejo a possibilidade de promover tal retificação de ofício, uma vez que tal providência é exclusiva do contribuinte. Destacase que não há saldo negativo a ser compensado. Já houve casos em que reconheci inclusive a possibilidade de retificação de declaração por parte do contribuinte em momento posterior inclusive ao Despacho Decisório, como por exemplo no Acórdão n. 1401002.702, contudo, na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo. Por estas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001120/2009-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/2004, 01/07/2004
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA.
As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, sendo possível a manutenção do lançamento mesmo nos casos em que a obrigação principal foi atingida pela decadência.
É pacifico o entendimento de que descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade razão pela qual a decadência, neste caso, se dá pela aplicação do art. 173, I do CTN.
SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de aplicação da Lei n° 13.097, de 2015, apresentado em sede de contrarrazões do Contribuinte. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, apenas quanto à PLR, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/2004, 01/07/2004 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, sendo possível a manutenção do lançamento mesmo nos casos em que a obrigação principal foi atingida pela decadência. É pacifico o entendimento de que descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade razão pela qual a decadência, neste caso, se dá pela aplicação do art. 173, I do CTN. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de aplicação da Lei n° 13.097, de 2015, apresentado em sede de contrarrazões do Contribuinte. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, apenas quanto à PLR, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, sendo possível a manutenção do lançamento mesmo nos casos em que a obrigação principal foi atingida pela decadência. É pacifico o entendimento de que descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade razão pela qual a decadência, neste caso, se dá pela aplicação do art. 173, I do CTN. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 20 /2 00 9- 28 Fl. 802DF CARF MF 2 tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de aplicação da Lei n° 13.097, de 2015, apresentado em sede de contrarrazões do Contribuinte. Acordam, também, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, apenas quanto à PLR, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração (Debcad 37.235.8063 AI 68) para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória caracterizada pelo fato do contribuinte ter apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV, §3º da a Lei n. 8.212/91 com dados não correspondentes aos fatos geradores da totalidade das contribuições previdenciárias devidas no período. O presente Auto de Infração foi lavrado em 12/10/2009 e envolve infração referente às competências 01/2004 e 07/2004, a empresa foi cientificada em 29/10/2009. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 803 3 A cobrança da obrigação principal foi objeto do Processo nº 16327.00118/200959, cujo relatório do acórdão nº 2301003.728 traz os seguintes esclarecimentos sobre o lançamento: O processo teve início com o lançamento do Auto de Infração n° 37.235.8047, lavrado em 13/10/2009, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) que não obedeciam os requisitos legais, no período de 01/2004 a 07/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 277.299,91, fls. 198. A autoridade fiscal relatou que a interessada pagou aos seus empregados valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) que não obedeciam aos requisitos legais e , portanto, estavam abrangidos pelo conceito de remuneração e deviam compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Apontou que havia um acordo coletivo assinado por uma empresa do grupo (Banco BTG) que foi homologado pela recorrente e que havia outro acordo próprio. Em cada um deles apontou irregularidades em confronto com a legislação. O Acordo Coletivo havia sido assinado pelo Banco Pactual S/A e a reunião de cotistas da recorrente resolveu aprovar e ratificar o referido instrumento em 16/12/2004. Tal situação já revelava, seguindo a fiscalização, a pactuação unilateral e retroativa de tal acordo em confronto com os dispositivos legais. Não teria havido participação do sindicato, sendo este chamado a homologálo somente em 16/11/2004. Sobre tal acordo, entendeu a fiscalização que o Anexo II não trazia regras claras e objetivas, pois os critérios de avaliação não foram especificados, deixando a definição por conta da interessada. Não houve a comprovação do arquivamento do plano próprio na entidade sindical, tendo sido entregue apenas uma declaração datada de 13/07/2009 na qual o Sindicato alega que está arquivada naquela entidade o acordo assinado em 17/12/2003. A empresa não teria apresentado as fórmulas de avaliação nem nos moldes constantes do acordo. Segundo a fiscalização, as metas eram definidas pela diretoria e acionistas. Diante de tais constatações, a fiscalização considerou descumpridos os requisitos legais para fruição da isenção/imunidade e lavrou o corresponde auto de infração. Em sua peça de impugnação o Contribuinte suscita preliminar de decadência da cobrança da obrigação acessória pela aplicação conjunta da Súmula nº 08 do STF e art. 150, §4º do CTN, e no mérito defende a insubsistência da multa pela improcedência da obrigação Fl. 804DF CARF MF 4 principal e a inaplicabilidade ao caso das penalidades trazidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. O lançamento foi mantido pela Delegacia de julgamento. Contribuinte apresentou Recurso Voluntário por meio do qual reiterou suas alegações de defesa. A 3ª Câmara / 1ª Truma Ordinária deu provimento em parte ao recurso para i) aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico ao contribuinte, ii) afastar a decadência, entendo que se aplica às obrigações acessórias o art. 173, I do CTN, e quanto a PLR a) afastar a infração relativa a data de celebração do acordo, e manter a infração relativa a b) ausência de participação do sindicato, c) ausência de regras claras e objetivas, e d) ausência de critérios para aferição das metas. O acórdão nº 2301 003.730 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. A Lei nº 10.101/00 não estipula prazo para a assinatura dos acordos de PLR, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas, podendo o acordo ser formalizado no curso do ano em que se pretende apurar lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 804 5 O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO POR MEIO DE COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. NECESSIDADE DE PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL NO MOMENTO DAS NEGOCIAÇÕES. Quando as partes optarem pela negociação por meio de comissão por elas escolhida como procedimento para negociar a Participação nos Lucros ou Resultados, deve ser assegurado que haja participação do representante sindical durante as tratativas, em conformidade com o art. 2º, inciso I da Lei 10.101/2000 e como forma de contribuir para que a finalidade de melhoria das relações entre capital e trabalho seja atingida. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Contra o acórdão a Fazenda Nacional apresentou recurso especial alegando divergência jurisprudencial em relação aos seguintes pontos: i) aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e ii) requisitos de validade do PLR – data de assinatura do acordo. Intimando o contribuinte apresentou contrarrazões e também o seu próprio recurso especial. Em sede de contrarrazões é levantada i) preliminar de nulidade da intimação do recurso da Fazenda Nacional face a ausência de realização do respectivo despacho de admissibilidade. No que tange ao conhecimento afirma o contribuinte: ii) ter havido violação ao art. 67 do RICARF por ausência de cotejo analítico entre o acórdão recorrido e aqueles indicados como paradigmas, iii) não existir interesse recursal quanto à divergência acerca da higidez da PLR sob o quesito da data da celebração do acordo e iv) serem insubsistentes os acórdãos paradigmas relativos à retroatividade benigna pela superação da tese por essa CSRF. O recurso especial do contribuinte devolve a este Colegiado as seguintes matérias: decadência da multa na forma como previsto no art. 150, §4º do CTN e prejudicial da Fl. 806DF CARF MF 6 multa cominada face à insubsistência das obrigações principais as quais foram integralmente extintas por decadência em decisão já transitada em julgado nos processos 16327.001118/200959 (acórdão 2301003.728) e 16327.001119/200901 (acórdão 2301 003.729). Seguindo o trâmite processual, quanto ao recurso do contribuinte, o despacho de admissibilidade foi juntado às fls. 739/747. Contra o recurso do contribuinte a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do julgado. Em tempo e corrigindo o equívoco, às 759/770 foi realizada a admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional o qual foi integralmente conhecido. Novas contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte (fls. 776/792), oportunidade em que foram reiterados os pontos já trazidos na primeira peça e ainda foi formulado pedido de cancelamento da multa em razão da anistia instituída pelo art. 49 da Lei nº 13.097/15. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento do pedido de aplicação do art. 49 da Lei nº 13.097/2015 suscitado em sede de contrarrazões: Antes de iniciarmos a análise dos recursos, se faz necessária manifestação quanto ao conhecimento do pedido do contribuinte para aplicação da anistia trazida pelo art. 49 da Lei nº 13.097/2015. Argumenta o contribuinte que tratase de fato superveniente que cujas implicações, por serem mais benéficas, devem ser consideradas por este Colegiado. Citado dispositivo legal possui a seguinte redação: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Observamos que tratase de regra de anistia condicionada ao cumprimento de dois requisitos: ter sido a multa lançada até a publicação da lei e ainda que a irregularidade quanto a declaração tenha sido sanada até o mês subsequente a data prevista para a sua entrega. Temos assim um direito assegurado em lei e oponível à administração pública, ou seja, comprovando o contribuinte o cumprimento dos requisitos a multa deve ser relevada. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 805 7 Ocorre que não é este órgão julgador a autoridade competente para avaliar o cumprimento dos requisitos, primeiro porque é a Receita Federal o órgão que tem acesso às informações acessórias produzidas e enviadas pelos contribuintes e segundo porque nem mesmo foi apresentado pela recorrida provas que demonstram o cumprimento das condições. Assim, no caso concreto, deixo de conhecer do pedido formulado pela recorrente em sede de contrarrazões. Tratase de pedido que deve ser apresentado oportunamente à autoridade administrativa competente e o qual não depende de qualquer reconhecimento ou juízo de valor deste Colegiado, pois tratase de direito previsto em lei e assegurado a qualquer contribuinte que comprovar o cumprimento dos requisitos fixados. Do conhecimento dos Recursos: Ambos recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade e devem ser conhecidos. Entretanto, em respeito às considerações trazidas pelo contribuinte em sede de contrarrazões, fazemos alguns apontamentos. Na peça de contrarrazões o contribuinte requer o não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional por ausência de cotejo analítico entre as decisões envolvidas, falta de interesse recursal no que tange ao cumprimento da PLR e superação de tese suscitada acerca da aplicação da retroatividade benigna da multa. Em que pesem os argumentos apresentados, entendo que não há reparos a serem feitos ao exame de admissibilidade. Inicialmente destaco que o conceito de 'cotejo análitico' é discussão superada neste Colegiado tendo sido firmado entendimento no sentido de que o recurso deve apresentar elementos suficientes que comprovem a alegada divergência, sendo desnecessário a realização de comparativo ponto a ponto entre acórdão recorrido e paradigma. Da simples leitura do recurso é possível notar que são feitos apontamos claros sobre as divergências devolvidas pela Fazenda Nacional. Quanto a aplicação da retroatividade benigna face as alterações promovidas pela MP 449 à Lei nº 8.212/91, citando as ementas dos julgados e ainda parte dos votos proferidos nos acórdãos paradigmas nº 20601.782 e 240100.127, a recorrente didaticamente resume a divergência da seguinte forma: Insta aqui consignar que a hipótese em análise nos acórdãos paradigmas é semelhante a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração no qual as condutas de não pagar e não declarar os valores devidos a titulo de contribuições sociais foram identificadas em decorrência da mesma ação fiscal. Naquelas ocorrências, consignouse que o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a e. Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória Fl. 808DF CARF MF 8 relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91. Vêse, portanto, que a E. Câmara a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Em posicionamento diametralmente oposto, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e a Primeira Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Assim, o que temos em relação as multas aplicadas é que os acórdãos paradigma e recorrido foram proferidos após o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e nos dois se encontrava em julgamento o lançamento de contribuições relativas a fatos geradores anteriores a esse marco. Nessas ocasiões foi analisada a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91, considerando a existência de lançamento de multa de ofício e multa por descumprimento de obrigação acessória (AI 68), tendo os Colegiados chegado a entendimentos distintos. Em relação a esse tema também não compartilhamos do argumento de estarmos diante de tese superada que impediria o conhecimento do recurso, isso porque nos termos do art. 67, §12 do RICARF a matéria devolvida ainda pende de decisão vinculante deste Conselho e também do Poder Judiciário, inexiste súmula ou decisões terminativas sob a sistemática da Repercussão Geral ou Recursos Repetitivos. Quanto ao segundo ponto, cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000 no que tange a PLR paga pelo Contribuinte, a divergência também foi corretamente demonstrada pela Fazenda Nacional. Citando como paradigma o acórdão 240100.276 a recorrente esclarece: Procedendose ao cotejo analítico da divergência, verificase que o acórdão proferido nos presentes autos divergiu do acórdão acima citado. No caso dos autos, o colegiado entendeu que a formalização do acordo pode ser posterior ao início do período de apuração do lucro. Neste ponto, transcrevese o voto vencedor: ... Em sentido diametralmente oposto, foi o entendimento proferido no acórdão apontado como paradigma, segundo o qual restam descumpridos os requisitos legais para o pagamento a título de Participação dos Lucros e Resultados, diante da inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. E segue afirmando a recorrente: Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 806 9 O cerne da questão cingese à discussão acerca do aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000. Isto é: acordo “prévio” a que? Devese considerar como adimplido mencionado requisito, quando observado anteriormente ao exercício de apuração do lucro ou resultado, como bem esclareceu o trecho retirado do acórdão paradigma. Entender como no julgado proferido nos presentes autos é conceder à legislação de regência interpretação teratológica, pois distorce a mens legis presente na legislação da Participação dos Lucros e Resultados, já que se infere da norma a anterioridade das regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, nos termos do art. 2° da Lei 10.101/2000, descritas em convenção ou acordo coletivo, formalizado previamente ao exercício de aferição do lucro e resultado, para, ulteriormente, imunizarse o pagamento do benefício surgido pelo cumprimento dos dispositivos legais. ... Diferentemente do decidido no acórdão recorrido, o julgado paradigma assinalou que não basta o prévio debate das regras e metas, sendo necessária a formalização da negociação em instrumento próprio, anteriormente ao período de apuração. Assim, a partir da análise conjunta do recurso com as razões de decidir do acórdão recorrido e paradigma, salta aos olhos a divergência entre a interpretação dada pelos Colegiados ao art. 2º da Lei nº 10.101/00 no que tange ao momento da assinatura do acordo que veicula as regras de Participação de Lucros e Resultados para fins de incidência da exceção constante do art. 28, §9º, 'j' da Lei nº 8.212/91. Por fim, resta enfrentar o pedido de não conhecimento desta última matéria em razão da ausência de interesse recursal. Defendendo o acerto da decisão recorrida no que tange a higidez da PLR sob o quesito da data de celebração do acordo, esclarece o contribuinte que esta não foi a única motivação para a descaracterização da PLR e o lançamento dos valores objeto das obrigações principais e acessória. Neste cenário, considerando que a Turma a quo acatou as demais alegações fiscais de ausência de participação do sindicato, de regras claras e objetivas e ausência de critérios para aferição das metas, haveria evidente falta de interesse (necessidade/utilidade) na reversão do entendimento firmado quanto à data de celebração do acordo, eis que eventual reforma do acórdão nesse sentido não promoveria qualquer impacto na decisão proferida. Os processualistas Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha (in Curso de Direito Processual Civil, V. 3 3ª ed.), esclarecem que para que o recurso seja admissível, é preciso que haja utilidade o recorrente deve esperar, em tese, do julgamento do recurso, situação mais vantajosa, do ponto de vista prático, do que aquela em que o haja posto a decisão impugnada e necessidade que lhe seja preciso usar as vias recursais para alcançar este objetivo. Fl. 810DF CARF MF 10 Sob este prisma, seria pertinente pensar em ausência de interesse recursal se estivéssemos diante de ação judicial ou se o recurso tivesse sido interposto pelo contribuinte. Explico. Uma das características do processo tributário administrativo é fazer coisa julgada favorável ao contribuinte, ou seja, o êxito da sua tese nos tribunais administrativos impede que a Fazenda Pública recorra ao Poder Judiciário para tentar alterar o resultado do julgamento. Assim, se considerássemos esse recurso sob a ótica do contribuinte, não haveria qualquer interesse na interposição de Recurso Especial para discutir um dos motivos de descaracterização de PLR, sem recorrer dos demais, pois o lançamento permaneceria válido. Insatisfeito, porém, não haveria qualquer impedimento para o contribuinte devolver toda a matéria em uma eventual discussão judicial, inclusive a parte que lhe tenha sido favorável. Ao contrário, no presente caso e considerando o prazo recursal da Fazenda Nacional, mesmo que o lançamento tenha sido mantido pelas razões A e B, permanece o interesse recursal na medida em que pode ocorrer do contribuinte conseguir reverter a decisão em segunda instância e, ainda que mantido o lançamento com essas razões, o interesse se mantém, caso contrário em uma eventual discussão judicial interposta pelo contribuinte a Fazenda Pública não mais poderia sustentar a invalidade da PLR com base na razão C derrubada pelo tribunal administrativo. Assim, diante do exposto, nos termos do art. 67 e 68 do RICARF e ratificando o respectivos despachos de admissibilidade, conheço dos recursos. Do mérito: Diante da relação de cause e efeito, inicio a análise pelo Recurso Especial do Contribuinte. Do recurso do Contribuinte O recurso do Contribuinte se limita a tese de que o lançamento da obrigação acessória deveria seguir o mesmo desfecho dado pelo Colegiado a quo aos lançamentos das obrigações principais, pedese o cancelamento da multa lançada haja vista estar o débito da obrigação principal extinto pela decadência. Em que pesem os argumentos da defesa entendo que não merece retoque a decisão recorrida. A meu ver o art. 113 do CTN deixa claro que as obrigações acessórias, apesar de em sua maioria estarem relacionadas ao dever de pagar um tributo, dessas são distintas e autônomas: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 807 11 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O entendimento acima é reforçado em razão do Código Tributário Nacional ainda nos trazer, expressamente, regras distintas para os respectivos fatos geradores. Me refiro aos artigos 114 e 115 com as seguintes redações: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Assim, é sedimentado o entendimento de que o prazo decadencial aplicável às obrigações acessórias será sempre aquele previsto no art. 173, I do CTN. Isso porque, independentemente do reconhecimento da decadência, em algum momento a obrigação principal era devida e por não ter sido adimplida gerou o lançamento de ofício, tanto com relação ao tributo quanto pelo respectivo descumprimento do dever instrumental. Descumprida uma obrigação acessória haverá o lançamento de ofício da penalidade não sendo relevante, neste caso, debater sobre o fato de ter havido pagamento parcial ou integral da obrigação principal. Pela pertinência, cito parte do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no acórdão 2401003.209, que nos traz apontamentos relevantes acerca da finalidade e importância das informações prestadas em GFIP: Ressalto, que independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, §4º, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício. Essa mesma autonomia que nos leva a aplicação de regras distintas de decadência entre as obrigações principais e acessórias, também nos impede de acolher a tese do contribuinte de cancelamento da multa em razão da improcedência (decadência) da obrigação principal. Vale relembrar, mais uma vez, que contra o contribuinte foram lavrados na mesma ação fiscal três lançamentos. Nos processos de 16324.001118/200959 e 13627.001119/200901 foram discutidos as obrigações principais relativas à cobrança de contribuição previdência incidente sobre valores de PLR pagos a funcionários e tidos pelo fiscal como salário indireto pelo descumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000. No Fl. 812DF CARF MF 12 presente processo discutimos a respectiva obrigação acessória decorrente do fato de o contribuinte não ter informado em GFIP a totalidade dos valores devidos. Os lançamentos principais foram declarados integralmente decadentes por força do art. 150, §1º do CTN, não tendo havido manifestação de mérito do Colegiado quanto aos vícios que motivaram a descaracterização da PLR. Em contrapartida, diante do entendimento da turma a quo e ainda considerado o julgamento em conjunto dos processos na sessão de 18 de setembro de 2013, tais vícios foram devidamente analisados e julgados no presente caso. Por meio do acórdão nº 2301003.730, a turma a quo analisando o teor da PLR entendeu pela violação à Lei nº 10.101/2000 nos seguintes pontos: ausência de participação sindical, ausência de regras claras e objetivas e ausência de critérios para aferição das metas. Intimado da decisão o Contribuinte apresentou recurso especial o qual não traz qualquer insurgência contra as conclusões acerca da invalidade do PLR. Assim, entendo pelo trânsito em julgado do acórdão nº 2301003.730 neste ponto. Assim, mesmo havendo uma relação direta entre o lançamento da obrigação principal e a multa pelo descumprimento do dever instrumental, considerando a matéria que foi devolvida e a cognição restrita dos Recursos Especiais de Divergência, o que temos é uma decisão de mérito no presente processo quanto a procedência do lançamento haja vista o entendimento pela invalidade da PLR distribuída aos empregados do contribuinte, entendimento não invalidado pela declaração da decadência das obrigações principais. Diante do exposto, nego provimento ao recurso do Contribuinte. Do Recurso da Fazenda Nacional A primeira matéria diz respeito ao cumprimento da Lei nº 10.101/2000 no que tange a data da assinatura do Programa de Participação nos Lucros e Resultados para fins de incidência da regra excepcional do art. 28, §9º, 'j' da Lei nº 8.212/91. E, neste ponto, embora compartilhe do entendimento externado pelo Redator do voto vencedor, para o qual a norma trazida pela Lei nº 10.101/2000 não fixa data para assinatura do acordos, no caso concreto diante da ausência de evidências de serem normas previamente conhecidas deve o acórdão ser reformado neste ponto. O direito do trabalhador à participação nos lucros e resultados da empresa está previsto no art. 7º, XI da Constituição Federal que expressamente afasta tais verbas do conceito de remuneração, condicionado no entanto tal classificação aos requisitos de lei específica. No entender do Supremo Tribunal Federal temos uma norma constitucional de eficácia limitada, e que nos casos de relação de emprego, somente a partir da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994, convertida posteriormente na Lei nº 10.101/00, passouse a admitir exclusão de tais verbas do conceito de salário de contribuição nos termos do art. 28, §9º, j da Lei nº 8.212/91. Importante ter em mente que o objetivo primordial da PLR é a integração entre o capital e trabalho, permitindo que o empregado participe do resultado da atividade econômica da empresa. Tanto é assim que a Lei 10.101/00, nos dizeres de Alessandro Mendes Cardoso (2017: Estudos de Custeio Previdenciário, p. 22), "foi bastante sucinta ao regulamentar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no claro intuito de permitir que as partes, respeitados certos parâmetros, tenham liberdade de definir o plano mais compatível Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 808 13 com sua realidade e os seus interesses". Essa liberdade negocial foi recentemente reconhecida com as alterações promovidas na CLT pela Reforma Trabalhista valendo citar a redação do art. 611A o qual prevê que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre participação nos lucros ou resultados da empresa. Assim, partindose da premissa de que a PLR não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, somente nos casos em que restar demonstrado abuso que leve a sua descaracterização, será possível admitir a incidência da Contribuição Previdenciária. A Lei 10.101/2000, no meu entender, possui como objetivo defender os interesses do empregado no que tange a negociação do plano de PLR, tanto é assim que em alguns casos trazem imposições que devem ser observadas. É o caso da vedação para formalização de acordo mediante instituição de regras unilaterais; o acordo deve trazer regras claras e objetivas pactuada livremente pelas partes já que os incisos do §1º do art. 2º são meras sugestões. Considerando que o objeto da PLR é exatamente a integração entre capital e trabalho e considerando que para tanto sua função é incentivar os colaboradores a comprometerse cada vez mais com os objetivos da empresa gerando melhores resultados, é decorrência lógica o raciocínio de que as regras devem ser conhecidas previamente entre as partes. A Lei 10.101/2000, no entanto, não traz qual o prazo para fixação dessas regras. Entretanto, devemos lembrar que o citado §1º define que além das regras claras, os instrumentos decorrentes da negociação deverão trazer mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Esse importante requisito material do Plano de PLR viabiliza que o empregado acompanhe a concretização do acordo e tenha condições de avaliar se terá direito à PLR e em qual montante. Diante disso, considerando a ausência de previsão normativa da lei regulamentadora quanto ao aspecto temporal, e para não restringir direito previsto constitucionalmente, nos parece razoável aceitar como válido plano assinado até a data do pagamento das respectivas parcelas, desde que haja nos autos comprovação do início das negociações e ainda que as regras eram de conhecimento das partes, ainda que não formalizadas como ocorre na repetição de planos padrões ao longo dos anos. Até o pagamento, nestas circunstâncias, o empregado poderá questionar os critérios eleitos e eventualmente solicitar a revisão do plano. No entanto, dentro dos limites da lide, não foram juntados a este processo quaisquer provas no sentido de que as regras eram de conhecimento prévio dos empregados, viabilizando a realização do objetivo perseguido pelo instituto de promover a integração entre o capital e trabalho. Assim, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional para reformar o acórdão recorrido entendendo pela violação à Lei nº 10.101/2000 no que tange a data da assinatura do acordo de PLR. Destaco que o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de que a Lei nº 10.101/2000 exige que a assinatura do Programa de Participação nos Lucros e Resultados se dê em data anterior ao respectivo período aquisitivo Fl. 814DF CARF MF 14 Por fim, quanto a retroatividade benigna relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo, devemos esclarecer que o acórdão recorrido, embora tenha adotado outras razões de decidir, concluiu pela exata aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. A conclusão do Relator foi no seguinte sentido: As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; Ora, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 809 15 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 816DF CARF MF 16 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 810 17 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 818DF CARF MF 18 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 811 19 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 820DF CARF MF 20 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Considerando a decadência das obrigações principais, inexiste a cobrança da respectiva multa, assim, nos termos da conclusão do acórdão recorrido, ao caso devese aplicar para fins do art. 106, II, 'c' do CTN a comparação entre as multas por infrações anteriormente previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91 e a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, na nova redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Conclusão: Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do contribuinte e dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para reformar a decisão recorrida entendendo que o acordo de PLR violou a Lei nº 10.101/2000 no quesito data da assinatura. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o voto da relatora peço vênia para discordar quanto ao ponto que fundamenta seu voto a favor da Fazenda Nacional. O caso dos autos discute a questão de pacto prévio em razão da falta de comprovação que este tenha sido de conhecimento prévio das partes, para que então possa se afirmar que as regras constantes do acordo de PLR restaram claras e objetivas aos trabalhadores. Pois bem, para discutir sobre o tema necessário se faz discorrer brevemente a respeito da legislação que rege a matéria, bem como sobre os posicionamentos deste tribunal sobre o tema. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 812 21 III –LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 822DF CARF MF 22 § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de uma destas formalidades, a inexistência de pacto prévio anterior ao pagamento da PLR. Neste Tribunal Administrativo existem várias correntes de pensamento a respeito do que seria a expressão ‘pacto prévio’ prevista em na Lei. Recentes estudos demonstram que a jurisprudência desta Corte, observada de 2010 até 2016, já se dividiu em quatro posicionamentos distintos a respeito do momento da assinatura do acordo (i) necessidade de assinatura antes do início do exercício relativo ao cumprimento das metas; (ii) possibilidade de assinatura no exercício seguinte ao cumprimento das metas, em razão de a Lei n. 10.101/00 não trazer “limite temporal para a celebração dos acordos” e, consequentemente, pela impossibilidade de assinatura no exercício seguinte em razão de não haver incentivo à produtividade, com precedente da CSRF; Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.001120/200928 Acórdão n.º 9202006.961 CSRFT2 Fl. 813 23 (iii) possibilidade de assinatura até período em que possa vislumbrar um incentivo à produtividade, mas não necessariamente até o fim do período a que se refere; e (iv) possibilidade até antes do pagamento da PLR, havendo também precedente da CSRF nesse sentido. Para a Fazenda Nacional vige o entendimento de que a data de assinatura do acordo – posterior ao início do período de apuração do PLR – retira da verba uma característica essencial à recompensa pelo esforço feito para alcance de metas. Contudo, discordo frontalmente deste entendimento, por compreender que ele desconfigura a real intenção do poder Legislativo na adoção da PLR. A relação globalizada entre os países, as trocas mercantis, a participação do Brasil nos mercados externos contribuiu para a adoção da PLR no Brasil, a fim de tornar o Brasil competitivo no mercado externo, bem como trazer um incentivo aos seus empregados e trabalhadores, a fim de que esta produtividade trouxesse lucro e participação para aqueles que se encontram na base da pirâmide, no plano da força de trabalho. Exigir algo que a Lei não exigiu consiste em criar regras mais gravosas que aquelas que foram elaboradas pelo Congresso, fugindo assim do real objetivo da norma legal. Hoje não se fala mais no positivismo exacerbado, mas a norma ainda é a matriz, o ponto de partida de onde se retira o Direito. Sendo assim, a meu ver a PLR pode ser assinada até a data do efetivo pagamento realizado aos trabalhadores, pois a Lei não impôs limite temporal para a celebração dos acordos, isso ocorre por que, é notório que um conjunto de fatores de ordem burocrática, são conjugados até a finalização destes acordos. O acórdão recorrido, no entanto, ressaltou a necessidade de pacto prévio ao período aquisitivo do direito. Por mera construção jurídica exige que o contrato seja assinado, não apenas antes do pagamento como prevê a norma, mas também antes do exercício do período para o qual o acordo é valido, como forma de comprovação de que a meta era clara e objetiva. Tal argumento exacerba a competência deste Conselho que não pode criar requisitos mais gravosos do aquele imposto pela lei. No caso dos autos, não há que se falar em ofensa, isso por que basta que a data de assinatura do contrato seja anterior a data do pagamento, ou se posterior, isso seja em período razoável com a comprovação de que os contratos eram reiterados, o que pressupõe o conhecimento das normas pelos trabalhadores ao longo dos anos. Pensar diferente significaria, repito, criar um requisito temporal não existente na lei, o qual não poderia ser imposto ao Contribuinte, quanto menos poderia este ser penalizado com base numa regra não positivada. Quanto a alegação de que a falta de assinatura prévia corrompe a ideia de que o trabalhador deve ter conhecimento das regras que devem ser claras e objetivas, a respeito da PLR, não há qualquer razão de ser. Fl. 824DF CARF MF 24 Observese, que para saber se há conhecimento das regras, se estas são claras e objetivas, basta que se observe as negociações entre a empresa e seus empregados, as quais serão realizadas, ou por comissões paritárias, com participação de empregados e sindicato, ou ainda, por meio de convenções ou acordos coletivos, dentro das formalidades já conhecidas. Quando se chega a assinatura do acordo, este já foi deveras vezes debatido e negociado pelas partes, todos capazes, assim definidos pela Lei. Diante do exposto voto por conhecer e negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 825DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001352/2003-07
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
LIVROS CONTÁBEIS.COMPROVAÇÃO DE RECEITA BRUTA.
Cópias de livros contábeis acostadas aos autos, quando não informam de forma exata e absolutamente legível os valores alegados pela contribuinte, não são hábeis para comprovar suas alegações.
Numero da decisão: 1003-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 LIVROS CONTÁBEIS.COMPROVAÇÃO DE RECEITA BRUTA. Cópias de livros contábeis acostadas aos autos, quando não informam de forma exata e absolutamente legível os valores alegados pela contribuinte, não são hábeis para comprovar suas alegações.
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score : 1.0
Numero do processo: 10950.723016/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE OBJETO AUTÔNOMO DE JURISDIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR.
A carência de manifestação expressa em decisão administrativa sobre objeto autônomo e individual de jurisdição administrativa (Ato Declaratório Executivo de exclusão de contribuinte do SIMPLES Nacional), configura nulidade parcial.
Deve retornar o processo à Instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, conferindo a devolução do prazo recursal ao contribuinte, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
Numero da decisão: 1402-003.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, reconhecer a nulidade parcial do Acórdão recorrido e determinar seja prolatada decisão complementar unicamente em relação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado) e Evandro Correa Dias. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE OBJETO AUTÔNOMO DE JURISDIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. A carência de manifestação expressa em decisão administrativa sobre objeto autônomo e individual de jurisdição administrativa (Ato Declaratório Executivo de exclusão de contribuinte do SIMPLES Nacional), configura nulidade parcial. Deve retornar o processo à Instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, conferindo a devolução do prazo recursal ao contribuinte, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, reconhecer a nulidade parcial do Acórdão recorrido e determinar seja prolatada decisão complementar unicamente em relação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado) e Evandro Correa Dias. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE OBJETO AUTÔNOMO DE JURISDIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. A carência de manifestação expressa em decisão administrativa sobre objeto autônomo e individual de jurisdição administrativa (Ato Declaratório Executivo de exclusão de contribuinte do SIMPLES Nacional), configura nulidade parcial. Deve retornar o processo à Instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, conferindo a devolução do prazo recursal ao contribuinte, retomandose, posteriormente, o curso natural do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, reconhecer a nulidade parcial do Acórdão recorrido e determinar seja prolatada decisão complementar unicamente em relação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado) e Evandro Correa Dias. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 30 16 /2 01 4- 12 Fl. 684DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 685 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 638 a 681) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/SP (fls. 616 a 627) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 558 a 586), mantendo integralmente a Autuação sofrida pela Recorrente (fls. 443 a 556). No período colhido, a Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, Contribuição Patronal Previdenciária, IPI e ICMS, referentes ao anocalendário de 2010, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, diante da constatação da existência de depósitos bancários não informados em Declaração, cuja origem e natureza também não foram comprovadas, com arrimo legal no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Também foi apurada a infração de insuficiência de recolhimentos, em razão de diferencial de alíquotas. Em face de tal infração, foi determinada a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional a partir de 1º de janeiro de 2011 (exercício seguinte ao do presente lançamento de ofício), vez que apurado o extrapolamento do limite da receita bruta, nos termos da Lei nº 123/2006 (fls. 442). Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Trata o presente processo de lavratura de auto de infração relativo ao Simples Nacional, do anocalendário de 2010. Do Termo de Verificação Fiscal Segundo o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 547/556, em 09/01/2013 a empresa foi cientificada do início do procedimento fiscal, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910500201200304. No Termo de Início de Procedimento Fiscal, é solicitada à empresa a apresentação dos extratos bancários de todas suas contas correntes, de poupança e de investimentos movimentadas no período de 01/2010 a 12/2011. Como nenhum extrato bancário foi entregue pelo sujeito passivo e pelo fato dele ter afirmado não ter condições de obtêlos, foi solicitada a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) destinada aos bancos em que a empresa possuía conta, relativamente ao período de 01/2010 a 12/2011. Fl. 686DF CARF MF 4 Após análise dos extratos bancários enviados pelas instituições financeiras, a empresa foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito em contacorrente, assim como indicar e comprovar, dentre os créditos listados pela fiscalização, as transferências interbancárias (entre contas da mesma titularidade), empréstimos contraídos, apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos ocorridos nos períodos sob fiscalização. As justificativas apresentadas foram analisadas e os créditos justificados foram retirados dos demonstrativos de créditos não comprovados. Já os valores não justificados foram comparados com as Receitas declaradas pela empresa nas DASNs – Declarações Anuais do Simples Nacional dos anos de 2010 e 2011, onde ficou evidenciado que os valores declarados eram muito inferiores aos valores movimentados pela empresa nas instituições financeiras em que mantinha contas correntes. Em 2010 a empresa estava sujeita à sistemática do Simples Nacional, mas o total de seu faturamento, considerando a receita bruta declarada mais a omitida, foi de R$ 6.121.097,58. Como este valor excedia o limite anual de receita admitida no Simples Nacional, que era de R$ 2.400.000,00, a DRF/Maringá/PR expediu o Ato Declaratório Executivo nº 19, em 28/04/2014, determinando sua exclusão desta sistemática de tributação com efeitos a partir de 01/01/2011 (fls. 442). A diferença entre os valores declarados pela empresa para a Receita Federal e os valores relacionados nos demonstrativos de créditos não comprovados, no valor de R$ 5.673.490,78, sujeitaramse à tributação, considerados como omissão de receita proveniente de depósitos bancários, conforme art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e artigo 287 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). Do procedimento fiscal resultou o lançamento dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 73.651,49; à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 73.651,49; Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$51.947,70; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 218.668,49; Contribuição Patronal Previdenciária INSS/CPP no valor de R$ 627.857,30, ICMS no valor de R$ 459.482,32 e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 67.573,23, apurados pela Sistemática do Simples Nacional, referentes ao anocalendário de 2010, aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 06/2014, perfazendo um total de R$ 1.572.832,02 (um milhão, quinhentos e setenta e dois mil, oitocentos e trinta e dois reais e dois centavos). As infrações apuradas pela fiscalização consistiram em: omissão de receitas e insuficiência de recolhimento. A ciência dos Autos de Infração – Simples Nacional deuse em 10/06/2014 ( fls. 546). Da impugnação Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 686 5 Em 09/07/2014, o interessado apresentou a impugnação de fls. 558/581, na qual alega, em síntese: 1 a tempestividade da mesma; 2 em preliminar: a nulidade do auto de infração pela quebra de sigilo bancário indevido pelo fisco – afronta ao inciso XII do art. 5º da Constituição Federal: o Setor de Planejamento da Delegacia da Receita Federal quebrou o sigilo bancário do contribuinte de forma ilegal, sem qualquer ordem judicial, e somente depois de analisar as contas bancárias da empresa é que determinou que tivesse início o procedimento de Auditoria. Discorre sobre a quebra do sigilo bancário e que o presente auto de infração possui nulidade insanável, pois sua atuação se deu com base em violação direta a dispositivo constitucional. Refere se ao Recurso Extraordinário nº 389808 de relatoria do Ministro Marco Aurélio de Melo que trata da inviolabilidade do sigilo de dados. Sustenta que os extratos bancários fornecidos sem ordem judicial constituem prova ilícita, desprovidas de validade jurídica, devendo ser anulado os autos de infração; b do princípio da verdade material: o auto de infração está fundado com base em indícios. Não houve, por parte do Auditor uma detalhada verificação para ver se os créditos bancários eram faturamento ou empréstimos e transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa fiscalizada. A Receita Federal ao permitir que uma empresa seja autuada com base em indícios e sem a devida e rigorosa atividade fiscalizatória age em afronta aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. Referese ao artigo 59, II do Decreto nº 70.235/1972; e c do erro na construção do lançamento: não foi observado o disposto no artigo 288 do Decreto nº 3.000/1999, ou seja, o regime de tributação a que estava submetida a empresa no período de apuração, ensejando a nulidade do lançamento. 3 do mérito: a presunção de omissão de receita baseada em extratos bancários – ilegitimidade – súmula 182 do TRF (sic) Extinto Tribunal de Recursos Fiscais: os depósitos não são e nunca foram indicativos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. A simples movimentação bancária do contribuinte, a despeito de ser indicativo do aporte de valores, não reflete, necessariamente, a existência de acréscimo patrimonial ou de faturamento a justificar a tributação. É imprescindível a comprovação pelo fisco da utilização desses valores depositados como renda consumida ou faturamento, que não pode ter como único fundamento a existência de depósitos bancários. Dessa forma, cabe ao fisco o ônus probatório da infração, conforme Súmula 182 do Tribunal de Recursos Fiscais (sic); Fl. 688DF CARF MF 6 b das operações financeiras: muitos dos valores que a Receita Federal atribui como receita são apenas transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa, mecanismo utilizado pelas empresas para cobrir saldos negativos de determinada conta bancária, com vistas a manter o equilíbrio entre as contas da empresa e evitar o pagamento de juros no caso de saldos negativos. Requer seja o Auto de Infração corrigido, excluindo dele os valores referentes a empréstimos e transferência entre as contas da empresa contribuinte; c da exclusão dos valores pagos: caso subsista a presente autuação, requer sejam excluídas dos valores cobrados os tributos já recolhidos pela empresa pelo Simples Nacional referente ao anocalendário de 2010; d da multa confiscatória: a administração pública, no cumprimento de sua atividade fiscalizatória, deve evitar a aplicação de multas que caracterizem confisco ao patrimônio dos cidadãos. Aplicar uma multa de 75% sobre a totalidade do débito tributário é evidentemente uma conduta confiscatória. Requer sejam as mesmas readequadas ao patamar não superior a 10%; e da prova pericial: considerando a grande quantidade de movimentação financeira a ser comprovada e o grau de dificuldade para realizar um serviço como este, solicita a produção de prova pericial para comprovar que se trata de transferência entre as contas bancárias da própria empresa, o que diminuirá consideravelmente o valor do débito tributário. Atendendo ao artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/1972 justifica a necessidade da perícia como sendo importante o trabalho de um contador para analisar e detalhar as movimentações financeiras exigidas no Termo de Intimação Fiscal nº 01 e indica a perita técnica em contabilidade – CRC 214790PR, Virgínia Santana, com endereço na Rua Ver. Basílio Sautchuk, nº 356, Zona 01, Maringá – PR, 87013190. Ao final, requer seja (a) decretada a nulidade do auto de infração em função da quebra do sigilo bancário não ter sido determinado por ordem judicial; (b) caso nãoacolhida a primeira preliminar, que sejam declarados nulos o Auto de Infração e o ADE nº 19/2014 tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material; (c) caso não acolhidas as duas preliminares acima, que sejam declarados nulos o Auto de Infração e o ADE nº 19/2014 por violar o artigo 288 do Decreto nº 3.000/1999; (d) no mérito, declarar insubsistente o Auto de Infração lavrado, dado que a presunção de omissão de receita se deu apenas com base na análise dos extratos bancários da empresa, os quais, por si só, não comprovam a omissão de receita: (e) caso não seja este o entendimento, que seja o Auto de Infração corrigido, excluindo dele os valores referentes a empréstimos e a transferência entre as contas da empresa contribuinte; (f) caso ainda subsista a autuação, que sejam excluídas dos valores cobrados na presente autuação os tributos já recolhidos pelo regime do Simples Nacional; (g) que as multas sejam readequadas ao patamar de 10%; e (h) seja admitida a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 687 7 É o relatório. Processada a Defesa, foi proferido pela 6ª Turma da DRJ/POA o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES IRPJ CSLL COFINS PIS CPP ICMS IPI. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála amparada em demonstração com base em oferta de provas hábeis e idôneas, descabendo solicitar ao fisco que supra aquilo que deixou de juntar à peça de defesa. A omissão de receitas autoriza o lançamento dos impostos e contribuições correspondentes e somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. A produção de provas deve obedecer às disposições da legislação que rege o processo administrativo fiscal, não podendo ser conhecido o pedido genericamente formulado. Indeferese o pedido de perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. MULTA Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. A multa aplicada nos estritos limites previstos em lei não viola os Fl. 690DF CARF MF 8 princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e não caracteriza confisco, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação em relação à improcedência das exações, apontando as razões de reforma da r. decisão da DRJ. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 688 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Antes de iniciar a apreciação do Apelo da Recorrente, verificase, de ofício, que o v. Acórdão proferido pela DRJ a quo carrega falha jurisdicional que pode e necessita ser sanada antes do prosseguimento do feito. Conforme relatado, o presente lançamento de ofício, fundamentado em omissão de receitas, deu margem para a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, por extrapolamento do limite da receita bruta auferida no anocalendário de 2010, nos termos do art. 29, inciso I, da Lei Complementar nº 123/2006, a partir de 1º de janeiro de 2011, como se verifica no ADE DRF Maringá/PR nº 19/2014 (fls. 442). No próprio relatório do V. Acórdão recorrido a I. Relatora menciona tal ocorrência: Em 2010 a empresa estava sujeita à sistemática do Simples Nacional, mas o total de seu faturamento, considerando a receita bruta declarada mais a omitida, foi de R$ 6.121.097,58. Como este valor excedia o limite anual de receita admitida no Simples Nacional, que era de R$ 2.400.000,00, a DRF/Maringá/PR expediu o Ato Declaratório Executivo nº 19, em 28/04/2014, determinando sua exclusão desta sistemática de tributação com efeitos a partir de 01/01/2011 (fls. 442). Ocorre que, no voto e, principalmente, na parte dispositiva de tal r. decisum nada fora mencionado sobre o referido Ato Declaratório Executivo, não havendo expressa manifestação sobre a sua correção e manutenção ou não. E não há qualquer elemento nos autos que permita presumir que tal Ato é objeto de outro processo. Fl. 692DF CARF MF 10 É fato que a Contribuinte não apresentou manifestação individual contra tal ADE e, igualmente, não combateu sua exclusão nas razões de Defesa, antes submetidas a C. 1ª Instância. Contudo, ainda que diante de aparente preclusão, o ADE ainda é objeto do presente feito, não podendo haver silêncio total quanto à sua prevalência ou não. Fica caracterizada, então, falha na abrangência jurisdicional do v. Acórdão. Frisese que a mesma C. 6ª Turma da DRJ/POA, em caso que apresentava situação processual idêntica quanto ao não confronto da exclusão do contribuinte do SIMPLES Nacional, inclusive relatado pela mesma N. Julgadora, procedeu à devida abordagem e manifestação sobre a manutenção do ADE objeto daquele outro feito (Acórdão nº 1046.229, da sessão de 11 de setembro de 2013). Claramente, tratase de natural e corriqueiro lapso, ainda que processualmente acarrete em nulidade parcial daquela v. decisão. Como inicialmente mencionado, sob pena de supressão de instância ou repetição do mesmo lapso por este Conselheiro em 2ª Instância não pode prosseguir a presente demanda sem tal reparo. Frisese que a eventual constatação prévia de preclusão da matéria não pode obstar, objetivamente, o direito ao contraditório recursal da Parte autuada em relação a este tema omisso. O debate sobre o conhecimento dessa matéria de exclusão do SIMPLES Nacional em 2ª Instância administrativa é de competência exclusiva deste E. CARF. Diante de todo o exposto, voto por reconhecer a nulidade parcial do v. Acórdão recorrido, devendo ser exarado pela C. 6ª Turma da DRJ a quo um acórdão complementar, precisa e expressamente sobre o Ato Declaratório Executivo DRF Maringá/PR nº 19/2014, que promoveu a exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, a partir de 1º de janeiro de 2011. Após a devida intimação da ora Recorrente de tal novel decisum, deve serlhe devolvido o mesmo prazo de Recurso Voluntário, garantindo o pleno contraditório e a ampla defesa. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10950.723016/201412 Acórdão n.º 1402003.419 S1C4T2 Fl. 689 11 Fl. 694DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000026/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 02 6/ 20 10 -4 2 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 12571.000026/201042 Resolução nº 3301000.740 S3C3T1 Fl. 167 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 168DF CARF MF Processo nº 12571.000026/201042 Resolução nº 3301000.740 S3C3T1 Fl. 168 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000923/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008
EMBARGOS. ERROS MATERIAIS.
Verificados erros materiais na referência à base legal de parte das infrações, cabe sua retificação via embargos.
Numero da decisão: 2202-004.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendo-os para fins de que se procedam as modificações no Acórdão nº 2803-002.969 propostas na conclusão do voto do relator, rerratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ERROS MATERIAIS. Verificados erros materiais na referência à base legal de parte das infrações, cabe sua retificação via embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendoos para fins de que se procedam as modificações no Acórdão nº 2803002.969 propostas na conclusão do voto do relator, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório A 3ª Turma Especial da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2803002.969 (efls. 399/420), dando parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 23 /2 00 9- 72 Fl. 484DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008 AUXÍLIO EDUCAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE FORNECIDO AOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA E SUJEIÇÃO PASSIVA. Fornecimento de plano de saúde aos empregados representam a não incidência das contribuições previdenciárias. As cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regra matriz de imposição tributária obtida do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, pois não podem ser qualificadas como cooperativas de trabalho. ALUGUÉIS. SALÁRIO IN NATURA. HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. Precedentes do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. O contribuinte interpôs embargos de declaração (efls. 455/458) trazendo diversas razões que a seu ver lhes dariam respaldo, porém foi admitida como apta para tanto somente a alegação de erro material na determinação da aplicação da multa até o limite de 75%, de acordo com o respectivo Despacho de Admissibilidade (efls. 477/482). É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Dado que o contribuinte foi cientificado do acórdão de recurso voluntário em 09/12/2016 (efl. 474), constatase a tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 16/12/2016 (efl. 459). Não bastasse serem tempestivos nos termos do referido artigo, deve ser anotado que eles foram recebidos para fins de correção de erro material, atraindo a incidência do art. 66 do RICARF, o que corrobora a sua tempestividade, sob ambos os prismas. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13971.000923/200972 Acórdão n.º 2202004.765 S2C2T2 Fl. 485 3 Como relatado, os embargos do sujeito passivo foram parcialmente admitidos, para apreciação da seguinte assertiva: (...) 3. Em primeiro lugar, porque o Acórdão apresenta erro material ao determinar a aplicação da multa “até o limite de 75% que está estabelecido no art. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996”. Isso porque, como facilmente se verifica pela argumentação constante no próprio Acórdão, este pretendia se referir ao inciso I (único a prever multa de 75%), mas acabou indicando o inciso II, em decorrência de erro material (possivelmente de digitação). Sem dúvida tem razão o embargante, conforme a transcrição dos dispositivos focados revela: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Vale, por oportuno, corrigir as demais referências equivocadas feita ao inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constantes ao final do tópico V da fundamentação, bem como na conclusão do voto do relator, as quais, versando sobre a mesma infração, tratamse também de evidentes erros materiais. Conclusão Portanto, voto no sentido de conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendoos para fins de que se proceda as seguintes modificações no Acórdão nº 2803002.969, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos: Seja substituído o excerto do acórdão do Colegiado onde consta redigido "b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte", pelo seguinte trecho: b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao contribuinte. Seja substituído o parágrafo do tópico V da fundamentação onde consta redigido "Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de Fl. 486DF CARF MF 4 75% (art.. 35A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração", pelo seguinte parágrafo: Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art. 35A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. Seja substituído o parágrafo do tópico VI da fundamentação onde consta redigido "b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao contribuinte" , pelo seguinte parágrafo: b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001207/2004-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO DAS CONTRIBUIÇÕES. INDÚSTRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA.
No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, é garantido ao contribuinte o direito de apropriação de créditos calculados sobre os gastos com a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades industriais, assim consideradas aqueles que sejam empregados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Numero da decisão: 9303-007.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO DAS CONTRIBUIÇÕES. INDÚSTRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, é garantido ao contribuinte o direito de apropriação de créditos calculados sobre os gastos com a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades industriais, assim consideradas aqueles que sejam empregados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INDÚSTRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, é garantido ao contribuinte o direito de apropriação de créditos calculados sobre os gastos com a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades industriais, assim consideradas aqueles que sejam empregados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 07 /2 00 4- 12 Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3201002.396, de 28 de setembro de 2016 (efolhas 2.553 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/07/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da Contribuição para o PIS/Pasep para as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As variações cambiais ativas caracterizamse como receitas decorrentes de exportação, para efeito da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade caracterizase como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluemse deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 2.584 e segs) diz respeito a abrangência do conceito de insumo, terminologia empregada pelo legislador na regulamentação do sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 2.664 e segs. Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 4 3 Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 2.668 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito Para todos os dispêndios que serão a seguir examinados, partese do pressuposto de que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumo para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Neste, inferese dos esclarecimentos prestados em sede de recurso especial (efolah 2.607), que a recorrente pretende a reversão das glosas de créditos atrelados a diversos serviços, a saber1: ■ sensibilização e promoção da consciência ambiental; ■ manutenção e monitoramento da qualidade do ar; ■ levantamento de inventário físico patrimonial; ■ serviços topográficos; ■ consolidação agenciamento e transporte de cargas; ■ serviços técnicos de engenharia de projetos industriais; ■ operação e manutenção do aterro industrial; ■ monitoramento do ambiente industrial e atualização do inventário de emissões de materiais (...); ■ disponibilização de informações especializadas e de indicadores econômicos e 1 A recorrente afirma que foram revertidas as glosas de créditos vinculados à "contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental". Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 5 4 financeiros; ■ gerenciamento de projetos de engenharia e obras diversas; ■ serviços de engenharia nas áreas administrativas, elétrica e mecânica; ■ consultoria tributária; ■ sistemas de reorganização do arquivo inativo e de gerenciamento da documentação da diretoria; ■ serviços de consultoria e serviços topográficos. O fundamento de que lança mão para embasar o pleito de reversão da glosa está associado à essencialidade dos gastos. Observemse os argumentos encontrados no corpo recurso especial. Como restou concluído no acórdão paradigma nº 3402002.881, devem ser considerados como insumos todos os "bens" e "serviços" que não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Nesses viés, todos os serviços que foram glosados pela fiscalização e mantidas pelo acórdão recorrido, são essenciais ao processo produtivo da Recorrente. (grifos no original) Contudo, como tantas vezes já dito, o critério que deve ser aplicado na interpretação do vernáculo insumo encontrado na legislação que regulamenta o sistema da incumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins é o da pertinência e não o da essencialidade. Cotejando a especificação dos serviços glosados com a motivação linear que embasa o pleito da reclamante, constatase ausência de qualquer esforço em demonstrar a pertinência dos gastos correspondentes aos créditos glosados com processo produtivo propriamente dito. Em lugar disso, a recorrente defende a essencialidade de todos os gastos realizados para manutenção das atividades empresariais. Em tais termos, impossível acolher o pleito. A recorrente contesta, também, a exclusão dos gastos com a operação das usinas de pelotização, denominados Fatores C, K, Y, T e PR. Tratamse de dispêndios vinculados a um contrato firmado com a empresa Vale S.A. Na parte introdutória do recurso especial, explica o escopo de suas atividades e faz menção a essa relação contratual. Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 6 5 Na execução de suas atividades societárias e em razão do contrato de compra e venda de pelotas de minério de ferro firmado entre a Recorrente e a Vale S.A., a Recorrente adquire minério de ferro bruto (pellet feed) da VALE S.A. e, em seu estabelecimento fabril (usina de pelotização), transforma esse minério em pelotas, destinandoas à venda ao mercado externo. Ainda por conta do contrato firmado, a Vale S/A presta serviços de operação da planta industrial da Recorrente. (grifos acrescidos) Com base nas explicações trazidas aos autos pela própria empresa, os Fatores C, K, Y, e T podem, em linhas gerais, ser descritos da seguinte forma. Fator C: materiais e serviços diretamente aplicados na operação da Usina e relativos à Diretoria de Pelotização; Fator K: despesas gerais incorridas pela Vale para administração da Nibrasco (treinamento de pessoal, processamento de dados, assistência jurídica etc); Fator Y: remuneração do capital de giro provido pela Vale; Fator T: utilização e operação de Pilha de estocagem adicional; PR: Participação nos resultados pagos aos inativos. Tratamse, pois, de gastos decorrentes do Contrato de Operação de Usina firmado com a Vale S.A. para prestação de serviços de operação de toda a planta industrial da Nibrasco. Seguindo sempre pela mesma linha de argumentação, a recorrente alega que gastos são "indispensáveis e primordiais para produção do minério de ferro". Uma vez mais, o argumento é o da essencialidade. Como já foi sobejamente esclarecido, apenas os gastos que tenham relação de pertinência com o processo produtivo da empresa geram créditos no sistema não cumulativo de apuração das contribuições. No caso, ainda que determinados gastos, em particular os lançados na rubrica C, aparentem ter relação de pertinência com o processo produtivo da recorrente, pareceme Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 7 6 claro que não houve qualquer esforço destinado à sua necessária segregação contábil, nem mesmo dentro dessa própria rubrica, já que nela também estão compreendidos dispêndios relativos à Diretoria de Pelotização. A falta de uma individualização que permita determinar com precisão a relação de pertinência dessas despesas com o processo de produção é, por si só, razão suficiente para rejeição do pleito do contribuinte. Inobstante, colhese das informações prestadas pela Fiscalização Federal na instrução do processo que esse aspecto foi levado em consideração, se não vejamos (efolhas 1.035) No que tange o (sic) Fator C foram glosados nas atividades de serviços apoio administrativo e serviços gerais, os gastos com pessoal e gastos diversos, uma vez que não configuram serviços aplicados na produção/fabricação do produto. Gasto com pessoal e gastos diversos retratam apenas dispêndios de atividades meio. Não foram excluídos os gastos com materiais e energia elétrica, posto que tais valores já haviam sido previamente excluídos do cálculo dos créditos a descontar pelo sujeito passivo. Nestas condições, exaurese qualquer possibilidade de reconhecimento de direito a créditos adicionais em relação aos gastos identificados com o Fator C. Os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento explicam também que os Fatores K e Y, foram glosados por corresponderem, respectivamente, a despesas gerais e remuneração do capital de giro provido pela Vale. Também, que foram glosados os dispêndios com participação nos resultados pagos aos inativos da Diretoria de Pelotização e Metálicos PR. Finalmente, que o Fator T foi reconhecido como passível de gerar crédito para empresa. Não tenho dúvidas de que a abordagem feita pela Fiscalização Federal foi criteriosa e levou em conta os mesmos preceitos defendidos por este Relator. Frisese que o tema de que ora nos ocupamos já foi objeto de exame por este Colegiado, nos autos do processo nº 15578.000308/200772, acórdão nº 9303005.528, de 16 Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 11543.001207/200412 Acórdão n.º 9303007.371 CSRFT3 Fl. 8 7 de agosto de 2017. Reproduzo excerto do voto condutor da decisão recorrida, da i. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, na parte em que trata dos gastos sub examine. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, tem se que foram glosados créditos das contribuições constituídos sobre serviços contratados CVRD–Companhia Vale do Rio Doce, serviços de apoio administrativo e serviços gerais, gastos com pessoal e gastos diversos, serviços de parada de usina, gastos não alocados, remuneração de capital de giro e participação nos resultados pagos a inativos da diretoria. Em relação a esses custos e despesas,entendo que não devem ser considerados como essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis que não vinculados com sua atividade – configurandose como despesas/custos de atividade meio, não gerando o direito ao crédito, eis que não se refletem no conceito de insumos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2682DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.500730/2004-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO COM BASE EM MATÉRIA ALHEIA AO FEITO. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO PARA JULGAMENTO DO RECURSO.
Cabe acolher os embargos declaratórios para tornar sem efeito o acórdão embargado que decidiu com base em matéria alheia ao feito e, sanando os vícios existentes, analisar as questões deduzidas no recurso voluntário pelo contribuinte. Ademais disso, a decisão embargada foi proferida por colegiado incompetente para apreciação da matéria devolvida a julgamento no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em conta a natureza do crédito alegado.
DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). COMPENSAÇÃO. DÉBITO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
Por meio da apresentação da DCTF, o contribuinte formaliza a constituição do crédito tributário, inclusive no que tange ao montante objeto de compensação não homologada, não havendo necessidade de lançamento de ofício, tampouco há que se falar em decadência do direito de lançar o débito compensado.
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91.
Com relação às compensações realizadas antes de 9 de junho de 2005, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados do seu fato gerador.
(Súmula Carf nº 91)
Numero da decisão: 2401-005.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, nos seguintes termos: a) declarar sem efeito o Acórdão nº 1801-001.810, de 04/12/2013; e b) dar provimento ao recurso voluntário, às fls. 191/196, para reconhecer que a compensação foi efetivada dentro do prazo legal, com retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para exame dos demais aspectos da compensação.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO COM BASE EM MATÉRIA ALHEIA AO FEITO. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO PARA JULGAMENTO DO RECURSO. Cabe acolher os embargos declaratórios para tornar sem efeito o acórdão embargado que decidiu com base em matéria alheia ao feito e, sanando os vícios existentes, analisar as questões deduzidas no recurso voluntário pelo contribuinte. Ademais disso, a decisão embargada foi proferida por colegiado incompetente para apreciação da matéria devolvida a julgamento no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em conta a natureza do crédito alegado. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). COMPENSAÇÃO. DÉBITO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Por meio da apresentação da DCTF, o contribuinte formaliza a constituição do crédito tributário, inclusive no que tange ao montante objeto de compensação não homologada, não havendo necessidade de lançamento de ofício, tampouco há que se falar em decadência do direito de lançar o débito compensado. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Com relação às compensações realizadas antes de 9 de junho de 2005, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados do seu fato gerador. (Súmula Carf nº 91) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 50 07 30 /2 00 4- 98 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 244 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, nos seguintes termos: a) declarar sem efeito o Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013; e b) dar provimento ao recurso voluntário, às fls. 191/196, para reconhecer que a compensação foi efetivada dentro do prazo legal, com retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para exame dos demais aspectos da compensação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, conforme fls. 220/221, contra o Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013, proferido pela 1ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 199/209. Alega o embargante a existência de omissão no acórdão, visto que não apreciou o pleito formulado no seu recurso voluntário quanto à extinção do débito compensado, relativo ao período de apuração de 08 a 10/1998, devido à ocorrência da decadência, além da realização da compensação dentro do prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador do tributo pago indevidamente (fls. 191/196). Da mesma forma, o acórdão embargado também incorreu em obscuridade e contradição ao vincular o direito creditório em litígio ao Processo nº 11040.000581/97, que não tem relação com o presente processo, tornando flagrantemente inexequível a determinação do órgão julgador de segunda instância. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 245 3 A ciência do acórdão embargado pelo contribuinte deuse no dia 07/02/2004, por via postal, tendo interposto os embargos de declaração em 13/02/2014, conforme carimbo de protocolo (fls. 215/216 e 220). Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção apreciou e admitiu os embargos declaratórios (fls. 229/233). Na sequência dos instrução processual, após inclusão em lote de sorteio no âmbito da 1ª Seção, foi identificado que a matéria controvertida no recurso voluntário diz respeito unicamente à utilização de crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido em processo administrativo de compensação, cuja competência para julgamento está reservada à 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do seu Regimento Interno (fls. 235/240). Verificada a incompetência da 1ª Seção para apreciação da matéria dos embargos de declaração, os autos foram encaminhados à 2ª Seção de Julgamento para novo sorteio de relatoria e inclusão em pauta, com vistas ao saneamento dos vícios apontados pelo contribuinte (fls. 240/241). É o relatório Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Antes de mais nada, é necessário um breve relato dos fatos mais relevantes do processo administrativo para a compreensão dos motivos da interposição dos embargos de declaração pelo contribuinte, bem como para a delimitação da competência de apreciação do apelo recursal. Tratase, na origem, de compensações efetuadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativamente ao 2º e 3º trimestres do ano de 1998, compreendendo, de um lado, débitos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e, do outro, créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido (IRRF sobre ILL), recolhidos indevidamente nos anos de 1989 a 1990, com fulcro no art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (fls. 03/16 e 45). A compensação declarada em DCTF não restou homologada pela Administração Tributária, sob a justificativa do decurso do prazo quinquenal entre o pedido de restituição/compensação e a data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional CTN, veiculado pela Lei nº 5.172, de 22 de outubro de 1966 (fls. 149/151). Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 246 4 Intimado da não homologação em 24/01/2012, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 152, 155/157 e 161/162). Em primeira instância, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 1038.155, de 26/04/2012 (fls. 173/179). Eis sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO O prazo para restituição/compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior é de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Tomando ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte protocolou recurso voluntário, em que repisa os argumentos de fato e direito da sua manifestação de inconformidade, abaixo resumidos (fls. 191/196): (i) é flagrante a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder à exigência de crédito tributário de IRPJ, relativamente aos períodos de apuração de 08 a 10/1998, extinto pela compensação realizada por intermédio de DCTF no ano de 1998; e (ii) até o advento da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, que produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada do art. 150, § 4º, art. 156, inciso VII, e art. 168, inciso I, todos do CTN; e (iii) cabe observar, no que tange à fixação do termo inicial do prazo para compensação de valor indevidamente recolhidos a título de imposto de renda sobre o lucro líquido, a data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 82/96, conforme decidido pela 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes no Processo nº 11040.000581/9717, que teve como recorrente o mesmo contribuinte. O Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013, ora embargado, deu provimento ao recurso voluntário, determinando a juntada dos presentes autos ao processo principal nº 11040.000581/9717, para que os débitos aqui exigidos fossem compensados de acordo com o Per/DComp ali formalizado até o limite do direito creditório originalmente reconhecido e disponível naquele processo (fls. 199/299). Segue a ementa do acórdão: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 247 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício:1997 NULIDADE. AFASTAMENTO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Como se observa da narrativa acima, o litígio dos autos, instaurado a partir da manifestação de inconformidade do contribuinte, versa sobre a utilização de crédito relativo ao IRRF sobre ILL oriundo de pagamento indevido efetuado pelo contribuinte, para fins de compensação com débitos de IRPJ. Em se tratando de processo administrativo de compensação, a competência de julgamento no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é definida pela natureza do crédito alegado. No caso em apreço, não se está diante de IRRF proveniente de antecipação do IRPJ, tampouco de IRRF incidente sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa, cuja competência de julgamento é da 1ª Seção deste Conselho. Nas demais hipóteses de imposto de renda retido na fonte, a competência é da 2ª Seção de Julgamento, nos termos do art. 3º, inciso II, c/c art. 7º, § 1º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) II IRRF; (...) Art. 7º Incluise na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 248 6 Dessa feita, levando em consideração a matéria devolvida a julgamento em segunda instância, a competência de apreciação do recurso voluntário e dos embargos de declaração opostos é afeta exclusivamente à 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nessa linha de entendimento, uma vez preenchidos os demais requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II RICARF). Pois bem. Não há dúvidas que o acórdão embargado decidiu com base em matéria alheia ao feito. Realmente, o acórdão vergastado estabeleceu uma equivocada conexão processual com o Processo nº 11040.000581/9717, sem qualquer justificativa nos fatos. O aludido processo tratou de valores recolhidos indevidamente a título de IRRF sobre ILL, relativos aos anoscalendário de 1989 e 1990, utilizados na compensação de débitos do ano de 1997 (fls. 125/129). Embora envolvam créditos de mesma natureza, os pagamentos indevidos são diferentes e destinados a compensações de débitos distintos. De maneira que o direito creditório pleiteado no presente processo não foi analisado, muito menos reconhecido no Processo nº 11040.000581/9717. Por essa razão, a despeito do provimento do recurso voluntário, é inócua a decisão no acórdão embargado que autoriza a compensação de débitos neste processo até o limite do direito creditório originalmente reconhecido e disponível no Processo nº 11040.000581/9717. Mais não é só. Toda a matéria trazida no recurso voluntário protocolado pelo contribuinte não restou expressamente apreciada pelo acórdão embargado, o que comprova a existência de omissão (fls. 191/196). A falha na apreciação das questões deduzidas pelo contribuinte, quando da apresentação do recurso voluntário, configura negativa de prestação jurisdicional, devendo haver a correção. Nada obstante, o nível de gravidade do equívoco presente no acórdão embargado, aliado à incompetência da 1ª Seção de Julgamento para apreciação da matéria controvertida no recurso voluntário, tornam imprestável o Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013, não devendo produzir efeitos jurídicos (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, cabe prosseguir com a apreciação das questões suscitadas no recurso voluntário interposto pelo contribuinte, de maneira tal a suprir a omissão apontada nos embargos de declaração. Para esse fim, desde já confirmo que o recurso voluntário apresentado pelo recorrente atende os requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 249 7 a) Decadência No recurso voluntário, o recorrente afirma que o procedimento fazendário de revisão da declaração está completamente caduco. Senão vejamos, "in verbis" (fls. 192): (...) Conforme aduzido na manifestação de inconformidade de fls. 15/157, à vista do disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, é flagrante a decadência do direito fazendário de proceder à revisão e fazer exigência, no ano de 2011, de crédito tributário (relativo a IRPJ períodos de apuração 08 a 10/98) extinto por compensação (efetuada com base no art. 66, da L. 8.383/91) informada nas respectivas DCTF´s apresentadas no longínquo ano de 1998. (...) Sob o regime do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, o contribuinte fez a compensação dos débitos de IRPJ no campo próprio da DCTF, recepcionada em 05/11/1998 e 03/02/1999 (fls. 16). Por intermédio da apresentação da DCTF, o contribuinte formaliza a constituição do crédito tributário, atestando a sua existência, inclusive no que tange ao montante objeto de compensação glosada ou não homologada, ficando a Administração Tributária dispensada dos esforços administrativos de lançar o crédito (art. 5º, §§, do Decreto Lei nº 2.214, de 13 de junho de 1984). Nessa situação, portanto, não há que se falar em prazo em curso para o lançamento fiscal, tampouco em decadência do direito de lançar o crédito tributário relativo ao IRPJ. Adicionalmente, em que pese o tempo transcorrido desde a compensação, os autos estão desprovidos de elementos contundentes para demonstrar a homologação tácita da compensação declarada em DCTF, por decurso de prazo. Com base na tradicional distribuição do ônus probatório, incumbe ao contribuinte comprovar a existência do fato extintivo do direito da Fazenda Pública, que inviabilize o procedimento de revisão da declaração apresentada, para fins de não homologação da compensação (art. 373, inciso II, do Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015). A compensação em DCTF resultou na extinção do crédito tributário de IRPJ, embora sob condição resolutória. Através de procedimento de auditoria interna, a compensação foi não homologada, promovendose a alteração do "saldo a pagar zero" indicado pelo contribuinte em virtude do encontro de contas realizado, com o envio do crédito tributário de IRPJ para a inscrição em Dívida Ativa da União e posterior ajuizamento da sua cobrança via judicial. Tal procedimento foi questionado pelo contribuinte, mediante embargos à execução fiscal nº 2007.71.10.0022764/RS, determinando o Poder Judiciário, ao final, a extinção da execução fiscal, dado que cabia ao Fisco oportunizar ao sujeito passivo a defesa Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 250 8 administrativa, segundo o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, em momento anterior à inscrição em Dívida Ativa da União. O trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu em 30/08/2010 (fls. 82/100). É de verse que o procedimento inicial de não homologação da compensação foi colocado "sub judice", restando inviável o Fisco adotar qualquer pretensão em relação à compensação até a deliberação final no âmbito do Poder Judiciário. Somente a partir do trânsito em julgado da decisão judicial, em 30/08/2010, devolveuse o prazo para as providências pela Administração Tributária, que, discordando da compensação declarada pelo contribuinte, deveria respeitar o regular procedimento administrativo para não homologar a compensação (art. 74, §§ 7º, 9º, 10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em um primeiro momento, foi emitido o despacho de não homologação de fls. 106/108, com ciência do contribuinte em 20/07/2011, oportunizando a apresentação de manifestação de inconformidade, em 18/08/2011 (fls. 111/114 e 115/117). Logo em seguida, após sanada a deficiência do documento, a não homologação da compensação foi novamente comunicada através do despacho de fls. 155/157, com ciência em 24/01/2012, e apresentação de defesa em 25/01/2012 (fls. 152 e 161/162). Sem razão, portanto, o recorrente. b) Prazo para a compensação Pugna o recorrente que até o advento da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada do art. 150, § 4º, art. 156, inciso VII, e art. 168, inciso I, todos do CTN Acrescenta afirmando que, longe de um caráter interpretativo, a nova regra contida na Lei Complementar nº 118, de 2005, somente produz efeitos para os pedidos efetivados após o decurso da "vacatio legis" de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Com efeito, assiste razão ao recorrente. Tal entendimento corresponde ao enunciado do verbete sumulado nº 91, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo copiado: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. A Súmula CARF nº 91 aplicase à compensação, a qual pressupõe a existência do direito à restituição do indébito. No caso dos autos, a reivindicação do direito creditório, pelo mecanismo da compensação, ocorreu nas datas de recepção da DCTF, em 05/11/1998 e 03/02/1999, antes, portanto, de 09/06/2005, enquadrandose na sistemática do prazo de 10 anos, contado do fato gerador (fls. 16). Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11040.500730/200498 Acórdão n.º 2401005.770 S2C4T1 Fl. 251 9 O crédito utilizado corresponde a pagamentos de ILL relativos aos anos calendário de 1989 e 1990 (fatos geradores ocorridos, respectivamente, em 31/12/1989 e 31/12/1990) e, assim, não estava atingido pela decadência/prescrição decenal nas datas de transmissão da DCTF (05/11/1998 e 03/02/1999). Dessa maneira, reformando a decisão de piso, cabe dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer que a compensação realizada pelo contribuinte se deu dentro do prazo legal. No entanto, a análise da compensação efetuada pela unidade da RFB restringiu se tão somente ao aspecto preliminar da decadência/prescrição do direito creditório pleiteado. Uma vez superado esse ponto, a homologação da compensação depende da existência e suficiência do crédito utilizado. É mister, portanto, determinar o retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para análise dos demais aspectos da compensação, sob pena de supressão de instância. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, com efeitos infringentes, para sanar os vícios apontados no acórdão embargado, nesses termos: (i) declarar sem efeito o Acórdão nº 1801001.810, de 04/12/2013; e (ii) dar provimento ao recurso voluntário, às fls. 191/196, para reconhecer que a compensação foi efetivada dentro do prazo legal, com retorno dos autos à unidade da RFB que jurisdiciona o sujeito passivo para exame dos demais aspectos da compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.730153/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felicia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 30 15 3/ 20 12 -1 2 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 687 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 491/527) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRF/Recife, sessão de 12/03/2013, que julgou a impugnação improcedente, mantendo o auto de infração do IRPF (efls. 454/486). Quantos aos fatos, consta dos autos: que, em 16/10/2012, a fiscalização da DRF/Recife lavou Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física, o qual trata da imputação da seguinte infração (efls. 03/08): (...) 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme tudo que se encontra descrito no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, o qual se encontra anexo e faz parte deste auto de infração como se aqui estivesse transcrito. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/07/2007 93.119.790, 90 75% ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1°, 2°, 3° e §§, 16, 18 a 22, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° e 2°, da Lei n° 8.134/90; Arts. 7°, 21 e 22 da Lei n° 8.981/95; Art. 17, 23 e §§ da Lei n° 9.249/95; arts. 22 a 24, da Lei n° 9.250/95; Arts. 16, 17 e §§, da Lei n° 9.532/97; Arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR/99. (...) Ainda, como já mencionado, quanto aos fatos consta do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal (efls. 187/190): (...) RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL (...) Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 688 3 O contribuinte apresentou carta resposta juntando documentação, mais especificamente documentos relativos aos lucros e dividendos referentes ao anocalendário 2007. Dentre esses destacamos, por serem concernentes à ação fulcro do resultado do presente procedimento fiscal: Da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda a Décima Primeira Alteração do Contrato Social realizada em 28 de junho de 2007. Da subscrição e integralização das 1.141.523 ações da Administradora Baia Formosa S/A Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de junho de 2007 e Décima Terceira Alteração do Contrato Social da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda. Na relação de bens de sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF do exercício 2007 constam cotas da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda nos seguintes termos: "2.154 COTAS DE VALOR UNITÁRIO DE R$ 1,00 CADA, INTEGRALIZADAS DA FIRMA VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS LTDA.CNPJ 02.414.858/000128 154 (...). "493.270 COTAS VLR R$ 1,00 CADA DA VALE VERDE EMP. AGRÍCOLAS LTDA. CNPJ 02.414.858 /000128 INTEGRALIZADAS C/ 491.116 COTAS VLR R$ 491.116,00 C/ A INCORPORAÇÃO DA EF EMP. GERAIS FARIAS LTDA. CNPJ 35.480.011/000109 CONFORME A 7ª ALTERAÇÃO CONTRATUAL JUCEPE SOB O NO 20031216978 EM 24/03/2004, (...)." (...) Eduardo Farias detinha 99,74208% das cotas da EF que, por sua vez, detinha 99% das cotas da Vale Verde. Após a incorporação ele passou a ter 99,74340% da incorporadora Vale Verde,(...). Em 28 de junho de 2007, os sócios da Vale Verde resolveram aprovar um aumento de capital da sociedade com a utilização dos saldos contábeis das contas de reserva de capital R$ 13.334.282,73 e da conta de lucros/prejuízos acumulados R$ 93.764.178,27. O capital foi aumentado em R$ 107.098.461,00, passando a valer R$ 107.593.000,00. Com isso o sócio Eduardo José de Farias, proprietário de 99,7434% das cotas da empresa, passou a ser titular de 107.316.916 cotas de R$ 1,00 cada, no valor total de R$ 107.316.916,00. Tudo conforme a Décima Primeira Alteração Contratual da sociedade. Na mesma data, conforme décima segunda alteração contratual, a Vale Verde Empreendimentos Agrícolas sofreu uma cisão que se refletiu no seu capital social pela redução em R$ 980.300,00, passando a ser de R$ 106.612.700,00, e o cancelamento de 980.300 cotas, permanecendo 106.612.700. Em consequência a participação societária de Eduardo Farias foi reduzida para 106.339.132 cotas, no valor global de R$ 106.339.132,00. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 689 4 Em 30 de junho de 2007, os sócios da Vale verde resolveram admitir na sociedade, como sócio cotista, a Administradora Baia Formosa S.A., que recebeu do sócio Eduardo José de Farias a totalidade de sua participação na Vale Verde, registrada como 106.339.132 cotas no valor global de R$ 106.339.132,00. Tendo cedido a totalidade de suas cotas, este se retira da sociedade, dando plena e rasa quitação. A alteração contratual foi registrada como a décima terceira. Não foi informado nessa última alteração sob que forma a cessão das cotas de Eduardo Farias à Administradora Baia Formosa foi remunerada. Eduardo Farias era acionista da Administradora Baia Formosa, possuindo 238.739 ações da companhia desde 2004. Em 30 de junho de 2007, os acionistas da Baia Formosa Maria Geralda Heráclio do Rego Farias e Eduardo José de Farias se reuniram em assembleia e deliberaram, entre outras coisas, aprovar o aumento do capital social no importe de R$ 106.015.343,32, mediante a emissão de 1.140.784 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 92,93, subscritas unica mente pelo acionista Eduardo José de Farias e totalmente integralizadas mediante a entrega de 106.339.132 cotas do capital social da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda. A deliberação consta, sob n° 4, da ata da assembléia geral extraordinária realizada no dia 30 de junho de 2007, da qual faz parte o boletim de subscrição. Em 30 de novembro de 2011 foi lavrado um auto de infração de IRPJ e CSLL em nome da pessoa jurídica Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, referente ao anocalendário 2007, no qual foi constatado que a empresa não tinha saldo de lucros acumulados para proceder ao aumento de capital registrado em sua décima primeira alteração contratual, no montante de R$ 93.764.178,27. Assim, o valor do capital da Vale Verde após a décima segunda alteração contratual era de R$ 13.828. 821, 80 e não R$ 107.593.000,00. Com a cisão ocorrida em seguida, na qual houve redução de capital no montante de R$ 980.300,00, com o cancelamento de 980.300 cotas, o capital ficou reduzido a 12.848.521,80. Consequentemente a participação de Eduardo Farias na empresa era de 99,7434% de R$ 12.848.521,80, ou seja, R$ 12.815.552,49 e não R$ 106.015.343,32. Como o contribuinte alienou à Administradora Baia Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, houve um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90. Esse ganho de capital não foi oferecido à tributação. Em 20/04/2012 o contribuinte recebeu um termo em que esta fiscalização informa ter constatado um ganho de capital não oferecido à tributação na alienação das cotas da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas à Administradora Baía Formosa. (...) No presente caso a integralização foi legalmente realizada, como se pode constatar da cessão de suas cotas feitas à Administradora Baía Formosa S/A. (...) Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 690 5 Apesar da alegação do contribuinte de que não teria ocorrido à integralização do capital, tão somente a sua subscrição, há provas de que tal afirmação é equivocada. Segundo documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ocorreu a integralização do capital na mesma data da subscrição. De acordo com a Décima Terceira Alteração do Contrato Social, realizada em 30 de junho de 2007, da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, registrada na JUCEG em 23/07/2007, encontrase firmado o registro de que os sócios cotistas "resolvem: 1 Admitir na Sociedade como novo sócio quotista, a companhia ADMINISTRADORA BAÍA FORMOSA S.A, sociedade anônima, inscrita no CNPJ sob o n° neste ato representada pelos seus diretores, que nos termos da Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 30 de junho de 2007 na sede da Administradora Baía Formosa S.A, recebe do sócio Eduardo José de Farias a totalidade de sua participação na Sociedade representada por 106.339.132 (cento e seis milhões, trezentas e trinta e nove mil e cento e trinta e duas) quotas no valor de R$ 1,000 (hum real) cada, perfazendo o montante de R$ 106.339.132,00 (cento e seis milhões, trezentos e trinta e nove mil e cento e trinta e dois reais); 2 O sócio EDUARDO JOSÉ DE FARIAS, brasileiro, . . . cedeu a totalidade de suas quotas para aumento do capital social na companhia Administradora Baía Formosa S.A, sendo que neste ato retirase desta Sociedade, dando plena e rasa quitação, para nada mais reclamar seja a que titulo for;" (grifos nossos) Na mencionada Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada também em 30 de junho de 2007, encontrase registrado nas deliberações dos acionistas da Administradora Baia Formosa S/A que "4 Aprovado o aumento do capital social no importe de R$ 106.015.343,32 ..." foram essas ações "subscritas unicamente pelo acionista EDUARDO JOSÉ DE FARIAS e, totalmente integralizadas mediante a entrega à sociedade de 106.339.132 ( ...) quotas representativas do capital social da empresa VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS LTDA. ..." (grifos nossos) Assim é que não há por que se falar que não ocorreu tal alienação, uma vez que tal fato encontrase devidamente comprovado com a integralização mediante cessão das quotas da Vale Verde Empreendimentos Agricolas devidamente registrada em documento hábil. (...) que o crédito tributário lançado de ofício, conforme Auto de Infração IRPF, perfaz o montante de R$ 31.651.416,91, assim discriminado: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 28/09/2012) (R$) Multa de 75% (R$) Total (R$) IRPF 13.967.968,63 7.207.471,81 10.475.976,47 31.651.416,91 Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 691 6 Ciente do lançamento fiscal 25/10/2012 quintafeira (efls. 195/196), o contribuinte na impugnação em 26/11/2012 segundafeira (efls. 197/233), cujas razões, assim resumidas, no relatório da decisão recorrida que transcrevo, no que pertinente (efls. 530/561): (...) 7. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 197 a 234, alegando em síntese que: 7.1 – que o lançamento é nulo por vício formal, em razão de fundamentação legal inadequada e da incorreta identificação dos fatos, pois o processo fiscalizatório não foi conclusivo. Que a fiscalização se valeu das supostas constatações fiscais resultantes da autuação referente à Vale verde Empreendimentos Agrícolas (Vale Verde), em que foram glosados valores contidos na conta de lucros acumulados, sem especificar quais os fundamentos pelos quais os valores lançados na conta da empresa não foram considerados. Que naquele procedimento fiscal a autoridade administrativa partiu de um valor de lucros acumulados arbitrado sem qualquer lógica ou razão expressa para o ano de 2006, desconsiderando todos os lucros auferidos entre 2003 e 2005, exercícios em que a Vale Verde havia apurado IRPJ com base no lucro presumido. Que, no caso, a própria fiscalização registrou, em seu termo de encerramento (item III, pág. 7) lucros acumulados em dezembro de 2006 no valor de R$ 93.764.178,27. Todavia, sem qualquer explicação plausível e sem nenhuma demonstração aritmética, partiu de um lucro no valor de R$ 12.269.656,19 neste mesmo mês, desconsiderando os lucros acumulados no montante de R$ 81.163.996,38. Que a Vale Verde mantém duas formas de escrituração de sua atividade econômica, uma para fins societários e outra para fins tributários, do que decorre a apuração de dois resultados distintos: o contábil e o fiscal. Que a opção pela tributação pelo lucro presumido não elimina os lucros acumulados da contabilidade da empresa e no entanto a fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27. Logo, não há ganho de capital tributável , visto que não cabe falar em inexistência dos valores lançados na conta de lucros acumulados da escrituração da Vale Verde. No sentido de demonstrar a improcedência da autuação sobre a Vale Verde, conforme auto de infração protocolado sob processo nº 10480.731156/201103, a defesa expõe as razões contidas nos subitens III.2.1.A Da ausência de demonstração clara e inequívoca na análise da conta de lucros e prejuízos acumulados na empresa Vale Verde (fls. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 692 7 214 a 218), e III.2.1.B – Da impropriedade da tributação dos ajuste credores – postergação e efeitos no tempo (fls. 218 a 220). Que o procedimento fiscal assim realizado, ainda que mais simples e célere, afronta diversos princípios constitucionais tributários, com destaque para os princípios do contraditório, da ampla defesa, da legalidade e da segurança jurídica. Que, em razão de o lançamento ser ato administrativo vinculado, como exigido pelo art. 142 do CTN, e em razão do princípio da legalidade, previsto nos arts. 5º, II, e 150, I, ambos da CF/1988, e no art. 9º, I, do CTN, é necessária a adequação dos fatos ocorridos a um tipo legal específico. Que o auto de infração impugnado encontrase eivado de capitulações vagas e imprecisas ferindo, portanto, o princípio da tipicidade fechada. 7.2 o lançamento é nulo por vício formal, igualmente, pois o autuado apresentou sua declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (doc. 13 de fls. 386 a 397) relativa ao anocalendário de 2007, com todas as informações corretas, tendo pago integralmente o imposto apurado, e no entanto foi imputada ao impugnante cobrança de IRPF que se baseia em acervo probatório decorrente de fiscalização do IRPJ e da CSLL; 7.3 – que a nulidade do lançamento por vício formal decorre aditivamente da utilização de prova emprestada do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103. Que não houve, em relação ao IRPF, procedimento fiscalizatório conclusivo, pois o lançamento está baseado exclusivamente em ação fiscal levada a efeito junto à Vale Verde, objeto do mandado de procedimento fiscal nº 04.2.01.002011018977 (doc. 08), sem que o impugnante jamais tenha sido intimado para responder às indagações do agente fiscal durante aquele procedimento. Que fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27, que acabou por ocasionar o indevido lançamento, evidenciando a precariedade das provas. Cita jurisprudência administrativa em favor de sua alegação. 7.4 – que o vício formal torna nulo o lançamento, ainda, porque o impugnante espera o cancelamento do auto de infração lavrado sobre a Vale Verde, processo nº 10480.731156/201103, tornandose questão “prejudicial ao lançamento ora impugnado, de maneira que, se cancelado, o presente lançamento perde seu substrato legal de validade, devendo por conseguinte, ser igualmente cancelado” (fls. 209). Que a Vale Verde apresentou defesa administrativa, processo nº 10480.731156/201103, ainda não definitivamente julgada, obstando a definitividade do lançamento contra ela efetuado. Logo, se aquela autuação é prejudicial a esta, e se ela for cancelada, o lançamento ora impugnado também deverá seguir a mesma sorte; 7.5 que operouse a decadência do direito de efetuar o lançamento do crédito tributário referente a julho de 2007, nos termos do art. 150, Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 693 8 §4º, do CTN, e do art. 146, III, ‘b’, da CF/1988, visto que o contribuinte somente foi cientificado em 25/10/2012. Que o fato gerador dos ganhos de capital considerase ocorrido no mês da alienação e se submete à tributação em separado, não integrando o imposto de renda na declaração de ajuste anual, nos termos do art. 18, §2º, da Lei nº 8.134/1990, do art. 21, §2º, da Lei nº 8.981/1995 e do art. 117, §2º, do Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda. Que, tratandose de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial de 5 anos se inicia na data da ocorrência do fato gerador conforme art. 150, §4º do CTN, não se aplicando ao caso o dies a quo previsto no art. 173, I, do citado Código. Transcreve jurisprudencial judicial e administrativa nesse sentido; 7.6 – que, ainda que por absurdo não seja reconhecida a improcedência do lançamento relativo à Vale Verde, não cabe falar na existência de ganhos de capital na operação societária realizada pelo contribuinte, pois não houve a desconsideração do valor proveniente da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados utilizado para aumento do capital social da Vale Verde como informado pela própria fiscalização: Diferentemente do que entendeu o I. Fiscal que lavrou o ora combatido auto de infração para exigir ganho de capital do Impugnante, a constatação da Fiscalização na autuação originária do processo administrativo n° 10480.731156/201103 não foi de inexistência do valor incorporado ao capital social (R$ 93.764.178,27) da Vale Verde, mas sim que este montante mio teria a alcunha contábil de lucros acumulados. As premissas são diversas. Uma coisa é a afirmação de que os valores incorporados ao capital social não representariam lucros acumulados da sociedade, mas sim outra origem. Outra coisa bem diferente, é dizer que os valores não existem. De fato, resta evidente que aquela Fiscalização partiu da primeira premissa, ou seja, considerou que os valores não seriam lucros acumulados da sociedade, mas, em momento algum, cravou a afirmação de que tais valores inexistiriam. Tanto é verdade essa premissa que a Fiscalização responsável pela autuação originária do processo administrativo nº 10480.731156/201103 tributa os valores incorporados ao capital social, contestando a natureza de lucros acumulados destes valores e, presumindo se tratar de realização de reserva de reavaliação, resultados operacionais não declarados ou lançamentos indevidos em contas de despesas ou redutora de receita. Que, se o recurso voluntário interposto pela Vale Verde for considerado procedente, a decisão terá reconhecido que o valor de R$ 93.764.178,27 representa lucros acumulados da sociedade, afastando a tributação da pessoa jurídica e, consequentemente, da pessoa física, pois o patrimônio da Vale Verde será aquele registrado em sua contabilidade. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 694 9 Que se, por outro lado, referido recurso voluntário for julgado improcedente, será mantida a tributação sobre o valor de R$ 93.764.178,27, de modo que o patrimônio da Vale Verde será igualmente aquele registrado em sua contabilidade. Como consequência, em qualquer das situações a premissa da presente autuação caí por terra," eis que, em qualquer caso, estará justificado o patrimônio da pessoa jurídica Vale Verde capaz de efetivar a operação societária de integralização do capital da Baía Formosa pelo impugnante. Isto porque o patrimônio da pessoa jurídica Vale Verde, naquele momento, refletia o patrimônio do Impugnante, na proporção de sua participação na sociedade. Seria impossível, como tentou o Agente Fiscal, dissociar o patrimônio da Vale Verde da pessoa física de seu sócío. Neste contexto, impossível atribuir ganho de capital ao Impugnante, ainda mais quando não houve qualquer alteração de seu patrimônio. Ora, capitalizando lucros acumulados na Vale Verde ou mesmo na integralização desta participação no capita! de outra empresa (Baía Formosa), não há alteração do patrimônio, eis que se trata de mera transferência na participação de uma sociedade para outra. O que se pretende concluir é que, existindo patrimônio suficiente na Vale Verde, o que foi atestado pela autuação da pessoa jurídica, tanto que este valor é tributado, não há que se falar em ganho de capital na pessoa física, na integralização destas cotas era outra sociedade, na medida em que os valores se equivalem. Ainda que assim não fosse, a operação resultaria apenas em uma menor participação do Impugnante na Administradora Baía Formosa S.A, resultando em operação nula par efeito de ganho de capital. Por mais que possa parecer absurdo o raciocínio diverso, a verdade é que, na pior das hipóteses, considerando a inexistência do patrimônio suficiente na pessoa jurídica Vale Verde, poderíamos concluir, quando muito, pela inexistência do mesmo patrimônio na pessoa jurídica Baia Formosa, mas jamais o acréscimo patrimonial da pessoa física quando troca as cotas de uma sociedade pela outra. 7.7 que a exorbitante multa de ofício aplicada, no percentual de R$ 75% do imposto, no valor de R$ 10.475.976,47, possui caráter confiscatório e desproporcional. Que a multa exigida afronta o princípio do não confisco insculpido no art. 150, IV, da CF/1988, como se depreende da leitura das decisões do STF e do STJ sobre a matéria. Que, ademais, a multa exigida com base no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, visa à coibição de atos infracionais lesivos ao erário. Que, em face de a autuação ter por base o lançamento fiscal ainda não definitivo em nome da Vale Verde, contra o qual foi interposto recurso voluntário pendente de julgamento no CARF representando, portanto, crédito tributário com exigibilidade suspensa, conforme art. 151, III, Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 695 10 do CTN, ainda não se pode falar em ato lesivo por parte do impugnante capaz de tipificar a penalidade. (...) 7.9 que protesta pela juntada posterior de provas, conforme previsto no §5° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972; que reivindica a realização de diligência para esclarecimento de pontos controversos, nos termos dos arts. 16, 18 e 29 do Decreto n° 70.235/1972; que, por fim, pede seja acolhida a impugnação para: (i) que seja determinada a suspensão do presente processo até que seja proferida a decisão administrativa definitiva relativa ao auto de infração lavrado contra a Vale Verde Empreendimentos. (...) Na sessão de 12/03/2013, a 1ª Turma da DRJ/Recife julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento fiscal, conforme Acórdão cuja ementa e dispositivo transcrevo (efls. 454/486): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de participações societárias, considerandose como custo de aquisição o aumento de capital por incorporação de reservas, no que corresponder ao sócio beneficiário, desde que devidamente contabilizado e tributado do na pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. LEGALIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, deve ser aplicada multa calculada sobre o valor do tributo devido, no percentual de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento decorrente de falta de declaração e de declaração inexata. LANÇAMENTO. FORMALIZAÇÃO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 696 11 O afastamento da penalidade pressupõe a prévia suspensão da exigibilidade do crédito lançamento por meio da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, ou ainda, do depósito integral do respectivo crédito, circunstâncias que, quando inexistentes, não permitem a não incidência da multa. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. PROVA EMPRESTADA. É lícito à autoridade fiscal valerse de informações colhidas e das conclusões produzidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento, de que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer e sejam levadas ao conhecimento do sujeito passivo dandolhe oportunidade para sobre elas se manifestar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Ementa: NULIDADE. VÍCIOS NO LANÇAMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Indeferese o pedido de realização de diligência quando desatendidos os requisitos legais previstos na sua solicitação. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. LANÇAMENTO. AGRAVAMENTO. COMPETÊNCIA. Não havendo competência proceder ao agravamento da autuação em sede de julgamento administrativo tributário, nos termos do § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, deve ser mantido o valor lançado equivocadamente a menor registrado no auto de infração. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 697 12 Não há previsão legal nem para o sobrestamento, nem para o julgamento conjunto de processos, entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. (...) Ciente deste decisum em 08/05/2013 (efl. 490), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 07/06/2013 (efls. 491/527 ), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da decadência do direto de lançar, com base no art. 150, §4º, do CTN; Das nulidades por vícios no Lançamento fiscal; Da inexistência de ganho de capital na pessoa física: a) pela impropriedade da glosa da conta lucros acumulados da Vale Verde: (...) Na fundamentação apresentada no v. acórdão ora combatido foi sustentado o entendimento de que o Recorrente teria obtido ganho de capital na alienação de suas quotas da Vale Verde à Administradora Baia Formosa S/A, sob o argumento de que a fiscalização no processo administrativo n° 10480.731156/201103 teria comprovado que o saldo da conta de lucros acumulados da empresa Vale Verde apresentaria número negativo, ou seja, prejuízo, o que tornaria impossível a incorporação de capital social descrita na 11ª alteração contratual citada na descrição das situações fáticas anteriores à autuação. Para sustentação de tal argumento, a r. decisão recorrida simplesmente copiou o quadro sintético de apuração efetivado pela fiscalização do processo administrativo n° 10480.731156/201103. sem, contudo, averiguar quais foram os métodos utilizados para que se tivesse chegado a conclusões daquela fiscalização (fls. 478). Não poderia haver entendimento mais desvirtuado, pois, em primeiro lugar, é feito totalmente com base no processo administrativo n° 10480.731156/201103 que ainda não foi submetido a uma decisão final. Não obstante o fato de que a decisão proferida naqueles autos poderá prejudicar o presente lançamento fiscal, como a própria decisão ora recorrida afirma em diversos momentos, a verdade é que, no presente caso, deixouse de analisar importantes premissas que demonstram o Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 698 13 equívoco do Agente Fiscal na glosa da conta de lucros acumulados da Vale Verde. É importante relembrar que não há, no lançamento lavrado em face da empresa e que gerou a presente autuação, o mínimo de nexo causal para que seja considerado, no ano de 2006, o lucro acumulado equivalente a apenas R$ 12.269.656,19 (doze milhões duzentos e sessenta e nove mil seiscentos e cinquenta e seis reais e dezenove centavos). De fato, no item III, página 7, do "Termo de Encerramento de Ação Fiscal" da empresa Vale Verde, o Fisco demonstra a composição dos lucros e prejuízos acumulados desde 1998, a partir da análise, segundo ele próprio, das declarações informadas pela empresa. Contudo, nesse demonstrativo, há uma efetiva consideração do lucro acumulado de R$ 93.764.178,27 ao final do período de 2006 e mesmo assim, o Fisco parte de um lucro de RS 12.269.656,19 em dezembro de 2006, sem qualquer explicação plausível ou mesmo uma sintética demonstração aritmética para demonstrar a origem ou causa da diferença de valores. Ou seja, já na autuação da pessoa jurídica não existiu demonstração clara de como a Fiscalização entendeu que ao final de 2006, a conta de lucros acumulados da Vale Verde apresentava o equivalente a R$ 12.269.656,19, se no mesmo termo de encerramento de ação fiscal há a consideração do valor de R$ 93.764.178,27, valor este sustentado pela contabilidade daquela pessoa jurídica. Notese que a r. decisão recorrida sequer analisa tal ponto. Apenas toma como verdade absoluta a conclusão da fiscalização da pessoa jurídica, o que perpetua a nulidade já amplamente demonstrada no tópico anterior e macula todo o presente processo administrativo. Como já antecipado, as alegações fiscais que não se baseiam em provas ou fatos concretos estão eivadas de nulidade absoluta e devem ser prontamente rechaçadas por este órgão de julgamento. (...) Diante destas premissas, é óbvio que não se pode desconsiderar a conta de lucros acumulados da empresa Vale Verde, sem que para isso houvesse um mínimo argumento justificável. Além do mais, o fato Vale Verde ter apurado seu IRPJ pelo lucro presumido nos anos de 2003. 2004 e 2005 não pode ser objeto de glosa dos lucros acumulados, eis que a contabilidade societária deve manter a apuração do lucro que reflita a realidade da empresa, independentemente do lucro registrado para efeitos fiscais. Nem mesmo se pode dizer que a origem dos valores de lucros acumulados pelo Agente Fiscal teria respaldo na alocação dos ajustes credores e devedores de períodos anteriores, pois, até nestes aspectos claudica a Fiscalização. Embora este fato, infelizmente, tenha ficado imêmore na decisão recorrida, é importante relembrálo, para que este órgão julgador se convença de que a glosa da conta de lucros acumulados da Vale Verde não tem origem em qualquer conclusão lógica tributária ou contábil. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 699 14 De fato, a Vale Verde, de fato, registrou diversos ajustes credores de períodos anteriores em sua contabilidade, em razão da alteração de critérios contábeis de apuração de custos e receitas. Por outro lado, é verdade também que procedeu a contabilização de diversos ajustes devedores, os quais foram equivocadamente desconsiderados pelo Fisco, conforme amplamente demonstrado nos autos paralelo. Ocorre que estes ajustes contábeis não implicaram em diminuição de prejuízos ou aumento de lucros de períodos anteriores, de forma que não foram relacionados nas fichas 38 linha 2 das DIPJ's dos anos calendários de 2006/2007. (...) b) pela neutralidade fiscal da operação; Da não aplicação da multa de ofício: por inexistência de fundamento legal para sua aplicação, bem como por configurar nítido caráter confiscatório; que seja canelada ou seja reduzida a patamar aceitável pela ordem jurídicotributária; A PFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, defendendo a manutenção integral do auto de infração do IRPF (efls. 567/584). É o relatório. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 700 15 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade; conheço dele, portanto. A lide objeto dos autos, conforme relatado, trata do Auto de Infração do IRPF, por meio do qual o Fisco imputou a infração OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, fato gerador de 31/07/2007. Em síntese, quanto ao fato imputado pela Fiscalização da RFB, transcrevo excerto do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal (efls. 187/190), parte integrante do auto de infração: (...) Como o contribuinte alienou à Administradora Baía Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, houve um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90. Esse ganho de capital não foi oferecido à tributação. (...) CONEXÃO POR PREJUDICIALIDADE O presente processo (IRPF) e o processo 10480.731156/201103 (IRPJ e CSLL) decorrem dos mesmos fatos. Este processo (IRPF), inicialmente, foi pautado para julgamento pela 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de julgamento do CARF, porém referida Turma declinou da competência, conforme Acórdão nº 2202002.661– 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 13/05/2014, cuja ementa e dispositivo transcrevo (efls. 590/611), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 PAF. É da competência do Primeira Seção do CARF o julgamento de matéria decorrente de lançamento de oficio, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 701 16 configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. (...) Na sequência, este processo ficou sobrestado, por algum tempo, aguardando decisão de mérito, irreformável, na órbita administrativa, atinente à lide objeto do processo nº 10480.731156/201103, que trata do lançamento dos tributos da pessoa jurídica (IRPJ e CSLL), pois na Sessão de 25/03/2015 está Turma, claro com composição diversa da atual, sobrestou o processo, conforme Resolução nº 1301000.277– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, in verbis: (...) Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA para aguardar o transito em julgado do processo nº 10480.731156/201103. (...) Consta do voto condutor: (...) No presente caso, é inegável a existência de alienação na operação pela qual o recorrente cedeu suas cotas no capital social da Vale Verde para a empresa Baía Formosa, tendo recebido em troca ações dessa mesma empresa, que tinham valor superior ao custo de aquisição das cotas cedidas (caso se confirme glosa no processo da Vale Verde). No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único). Conforme preceitua o dispositivo acima transcrito, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das cotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 702 17 Assim, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. Daí a dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. Com essas considerações, encaminho o meu voto no sentido de converter o julgamento do presente processo em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo principal de nº. 10480.731156/201103, retornando em seguida a esta Corte Administrativa para prosseguimento do julgamento. (...) A citada Resolução CARF foi objeto de Embargos Inominados do Delegado da Unidade de Origem, ou seja, DRF/Recife, argumentando que não haveria conexão por prejudicialidade (efls. 627/630), in verbis: (...) DO PROCESSO Nº 10480.731156/201103 – IRPJ e CSLL Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil: Darci Mendes de Carvalho Filho, Matrícula nº 6.159 e Jerrat Nunes Ribeiro Santos, matrícula nº 10.162, encerraram os trabalhos de fiscalização na empresa VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS LTDA, CNPJ nº 02.414.858/000128, autorizados pelo MPF 04101002011 018977 – Fiscalização, com a lavratura de Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que originaram o processo administrativofiscal protocolizado na DRFRecifePE sob o número 10480.731156/201103, onde foi verificada a prática por parte da empresa de infrações à legislação tributária, a saber: i)Falta de Adição ao Lucro Líquido na Apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL da Parcela Realizada da Reserva de Reavaliação de Bens do Ativo Imobilizado; ii) Falta de Oferecimento à Tributação dos Ajustes Credores; e iii) Diferença entre os Prejuízos Societários Registrados na Contabilidade e o Informado nas DIPJ do Anocalendário de 2007; tudo, conforme detalhadamente narrado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal lavrado por esta fiscalização e cientificado à empresa em 05/12/2011. DO PROCESSO Nº 10880.730153/201212 IRPF Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil: Rosa Maria de Amorim Pontual, Matrícula nº 7799 e Onilda Ramos Carneiro, matrícula nº 26263, encerraram os trabalhos de fiscalização na pessoa física EDUARDO JOSÉ DE FARIAS, CPF nº 174.694.22404, autorizados pelo MPF 0410100201200133 – Fiscalização, com a lavratura de Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, que originaram o processo administrativofiscal protocolizado na DRFRecifePE sob o número 10880.730153/201212, onde foi Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 703 18 verificada a prática por parte da pessoa física de infrações à legislação tributária, a saber: i)Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Diretos Adquiridos em Reais; tudo, conforme detalhadamente narrado no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal lavrado por aquela fiscalização e cientificado ao contribuinte em 16/10/2012. DA RESOLUÇÃO Nº 1301000.277 – 3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA Na resolução nº 1301000.277 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 1ª Sessão de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 25 de março de 2015, os membros desse Colegiado acordaram em converter o julgamento do recurso voluntário do processo nº 10880.730153/201212 (IRPF) em diligência para aguardar, na Unidade de Origem, o trânsito em julgado do processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL), retornando em seguida a aquela Corte Administrativa para prosseguimento do julgamento. DA CORRELAÇÃO DAS MATÉRIAS TRATADAS NOS DOIS PROCESSOS Esclarecemos que no relatório que trata das infrações ao IRPJ e da CSLL (que está anexado à impugnação ao processo do IRPF) foi elaborado no item III – “Das análises na conta de lucros e prejuízos acumulados pela fiscalizada” quadro com a evolução da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados do período de 1998 a 2007 com base nas declarações apresentadas pela empresa e dos arquivos de lançamentos contábeis; bem como recomposição da real situação dos lucros e prejuízos acumulados dos períodos encerrados em 31/12/2006, 29/06/2007 e 31/12/2007, após alocação dos lançamentos de ajustes credores e devedores de períodos anteriores efetuados pela própria empresa no ano de 2007, conforme quadro a seguir: Esclarecemos, que essas informações foram encaminhadas, por meio de representação fiscal, à equipe de fiscalização de pessoa física, para Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 704 19 análises e providências que julgassem necessária, vez que em 30/06/2007 houve incorporação ao Capital do valor de R$ 93.764.178,27 cuja origem foi a conta Lucros/Prejuízos Acumulados, onde na realidade, com base na escrituração contábil apresentada pela empresa, que apresentava Prejuízo Acumulado em 31/12/2007 no valor de R$ 231.536.229,49, que retroagindo a data de 30/06/2007 resultava no prejuízo acumulado de R$ 43.197.161,24 (antes da sua destinação para aumento de capital e depois de computada a infração dos períodos constantes da linha 08.02 do quadro acima). Como se ver, o único ponto de intersecção entre os dois processos é a constatação explicitada no item III do relatório acima citado, que evidencia que na data de 30/06/2007, onde aconteceu o aumento de capital com lucros acumulados, na realidade existia prejuízos acumulados. O único impacto no saldo do prejuízo acumulado em 30/06/2007, no montante de R$ 43.197.161,24 acima discriminado, que o julgamento do processo da pessoa jurídica pode causar, é que, se cancelado o lançamento da infração apurada nesse período (R$ 595.788,00), o prejuízo acumulado em 30/06/2007 passa para R$ 43.792.949,73, que representa o valor apurado partindo do saldo acumulado em 31/12/2007 constante dos livros contábeis da empresa retroagindo a data de 30/06/2007, conforme quadro a seguir: DA INFORMAÇÃO Com base na resolução nº 1301000.277 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 1ª Sessão de Julgamento do CARF, o processo nº 10880.730153/201212 (IRPF) foi encaminhado à Unidade de Origem para aguardar o trânsito em julgado do processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL). Acontece que na realidade não há nenhuma vinculação entre os dois processos, ou seja, a matéria sobre julgamento no processo nº 10480.73156/201103 (IRPJ e CSLL) em nada afeta o resultado do julgamento do processo nº 10880.730153/201212 (IRPF). As infrações já mencionadas acima do processo nº 10480.73156/2011 03 (IRPJ e CSLL) referemse: i) Alteração do resultado fiscal (Lucro Real e base de cálculo da CSLL) sem nenhum efeito no lucro/prejuízo contábil. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 705 20 ii) Cobrança de ofício diferenças de IRPJ e da CSLL em consequência da falta de tributação de lançamentos postergados (com efeito tributário) sem a comprovação do seu pagamento pela empresa. iii) Ajustes no sistema Sapli da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB de prejuízos fiscais registrados na contabilidade da empresa e informados nas DIPJ em valores diferentes. Ressaltamos que para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007 não houve lançamento, e sim ajustes (aumento a favor da empresa) no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB – Sapli do prejuízo fiscal informado na sua DIPJ; e em relação ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007, houve lançamento de redução prejuízo fiscal, porém tratase de período posterior ao aumento de capital não tendo nenhuma repercussão no saldo de lucros/prejuízos acumulados em 30/06/2007. DO PEDIDO Em face ao exposto, não existindo nenhuma dependência do processo da pessoa física nº 10880.730153/201212 com o processo na pessoa jurídica nº 10480.731156/201103, ou seja, o julgamento da procedência ou não do auto da pessoa jurídica não afeta em nada o auto na pessoa, requer esta Delegacia o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma retifique a decisão proferia por meio da Resolução nº 1301000.277 de modo a desfazer a vinculação entre esses processos. (...) O presente processo e os Embargos Inominados foram encaminhados à 2ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Despacho S/Nº. de 25/07/2016 (efls. 623/625) e Despacho, de 13/01/2017, uma vez que a competência seria da 2ª Seção de Julgamento do CARF, pois o IRPF não seria reflexo em relação ao processo do IRPJ (efls. 627/628). Entretanto, os Embargos Inominados da DRF/Recife foram rejeitados, conforme Acórdão nº 2202004.140 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 13/09/2017 (efls. 642/655), pois conteriam contradição interna e, ademais, não teriam demonstrado omissão, obscuridade ou contradição da Resolução desta Turma da 1ª Seção de Julgamento, que sobrestou o presente o processo. Ou seja, a 2ª Seção de Julgamento, novamente, declinou da competência, in verbis: (...) No que concerne ao custo de aquisição das cotas da Vale Verde alienadas pelo recorrente, é importante transcrever o art. 135 do RIR/99, abaixo grifado, que dispõe sobre os efeitos do aumento de capital social por meio da utilização de lucros ou reservas de lucros: (...) Assim, nos termos da Resolução nº 1301000.277, o custo de aquisição das ações ou cotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. E disso decorre a Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 706 21 dependência no resultado final do referido processo administrativo nº. 10480.731156/201103. (...) PROCESSO CONEXO. DECISÃO FINAL A lide objeto do processo nº 10480.731156/201103, finalmente, tem decisão final, irreformável, na esfera administrativa, pela rejeição do último Agravo que implicou a não subida à CSRF do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, conforme informa o Despacho de Encaminhamento da DRF/Recife, de 06/04/2018 (efl. 672), in verbis: (...) DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Conforme solicitado na Resolução CARF nº 1301000.277 (folhas 613 a 622), retorno o presente processo, tendo em vista o trânsito em julgado do processo 10480.731156/201103, conforme cópia do despacho de agravo constante neste último processo e anexado às folhas 665 a 682 do presente processo. DATA DE EMISSÃO : 06/04/2018 (...) Antes disso, cabe registrar que consta dos autos do referido processo conexo que a PFN apresentou Embargos de Declaração e Recurso Especial, porém não houve alteração da decisão da Câmara Baixa, in verbis: (...) Em face do Acórdão n° 1302001.187, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, o sujeito passivo interpôs recurso especial, ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de efls. 999/1012. Registrase ainda que: a) a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) opôs EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (efls. 805/807), que não foram conhecidos, conforme acórdão n° 1302001.472 (efls. 809/812); b) a PFN opôs novos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, efls. 814/819, que também não foram conhecidos, conforme despacho de efls. 822; c) a PFN impetrou RECURSO ESPECIAL (efls. 824/835), para o qual foi negado seguimento por meio do despacho de efls. 837/841, ratificado pelo REEXAME de e fls. 842/843; d) a PFN apresentou petição, efls. 845/846, em virtude da qual foram emitidos os despachos de efls. 849/850 e 851/852 que declararam NULO o despacho de fls. 822, bem como os atos posteriores relativos à interposição de recurso especial e à sua admissibilidade; e) e por meio do despacho de efls. 857/864, foram admitidos os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO de efls. 814/819, opostos pela PFN, Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 707 22 decorrendo de tal decisão a prolação do acórdão n° 1302001.862 (e fls. 865/896), que acolheu os referidos embargos, sem efeitos infringentes. (...) Pois bem. Entendo que o presente processo não está em condições de julgamento, pois demanda instrução processual complementar. Há dúvida fundada quanto ao real valor do saldo de lucros acumulados, posições dezembro/2006, junho/2007, antes das destinações, em face das glosas efetuadas pela Fiscalização na pessoa jurídica Vale Verde. Ou seja: desde o início, o contribuinte questiona a desconsideração pela Fiscalização de R$ 81.163.996,38 (saldo de lucros acumulados, posição contábil dezembro/2006 e junho/2006, antes das destinações), inclusive, pediu a realização de diligência, nas razões de defesa na primeira instância de julgamento, para que fosse esclarecido esse ponto; além disso, apurar os possíveis reflexos da decisão final do processo conexo nº 10480.731156/201103 que afastou duas infrações (01 e 04) que haviam sido imputadas, objeto daquele processo. Vejamos. Quanto aos fatos, consta do Processo nº 10480.731156/201103 (conexo) que foram imputadas as seguintes infrações: (...) 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS CUSTOS/DESPESAS CONTABILlZADOS A MAIOR Glosa de valores de custos/despesas do anocalendário de 2006, contabilizados originalmente a maior, e que foram corrigidos por meio de lançamentos retificadores efetuados no anocalendário de 2007, a título de ajustes credores de períodos de apuração anteriores, a crédito da conta de Lucros/Prejuízos Acumulados, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. Fato Gerador...............Valor Apurado (R$)................. Multa (%) 31/12/2006.................. 31.972.893,80 ...........................75,00 (...) Demonstrativo de Ajustes Credores: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 708 23 Obs: (i) Embora o demonstrativo reportese à infração 02 do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, mas na verdade: a) O valor de R$ 31.972.893,80 corresponde à infração 01 do Auto de Infração. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 709 24 b) O valor de R$ 1.233.396,71 corresponde à infração 02 do Auto de Infração; c) O valor de R$ 595.788,49 período de 01/01/2007 a 29/06/2007 sequer foi objeto de infração específica no Auto de Infração do IRPJ e reflexo: (...) 0002 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS LANÇAMENTOS INDEVIDOS EM CONTA DE DESPESA OU REDUTORA DE RECEITA Glosa de valores relativos a lançamentos retificadores registrados a crédito da conta de Lucros/Prejuízos Acumulados, a título de ajustes credores de períodos de apuração anteriores, e a débito de conta de despesa ou redutora de receita no anocalendário de 2007, reduzindo de forma indevida o lucro líquido apuarado em 31/12/2007, conforme Termo de Encerramento.de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. Fato Gerador ..............Valor Apurado (R$) ................Multa (%) 31/12/2007 ...................1.233.396,71............................. 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/06/2007 e 31/12/2007: art. 3° da Lei nº 9.249/95. Arts. 251 e 273 do RIR/99 Obs: Demonstrativo de Ajuste já apresentado na infração anterior. (...) 0003 ADiÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO Falta de adição ao lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da parcela da reserva de reavaliação de bens do ativo imobilizado, efetivamente realizada, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. Fato Gerador .............Valor Apurado (R$)................. Multa (%) 31/12/2006 .........................3.849.998,17........................75,00 31/12/2007 .........................4.661.852,98........................ 75,00 (...) Demonstrativo de Ajuste: Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 710 25 (...) 0004 RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS DIFERENÇA ENTRE O LUCRO LíQUIDO REGISTRADO NA CONTABILIDADE E O INFORMADO NA DIPJ Valor correspondente à diferença entre o lucro líquido do exercício registrado na contabilidade e o informado nas respectivas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e livro de apuração do lucro real LALUR, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse. Fato Gerador............. Valor Apurado (R$)................ Multa (%) 31/12/2007 ....................... 28.209.502,08................... 75% Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/06/2007 e 31/12/2007: art. 3° da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso 11do RIR/99 (...) Demonstrativo de Ajuste: (...) A decisão definitiva no Processo (conexo) 10480.731156/201103 afastou as infrações 01 e 04, conforme Acórdão nº 1302001.187 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 711 26 sessão de julgamento de 08/10/2013, cuja ementa, dispositivo e voto transcrevo, no que pertinente: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PRAZO DECADENCIAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. Dentro do prazo decadencial, a autoridade fiscal pode examinar todos os documentos relativos a elementos que componham a base tributável, inclusive diferenças temporárias tributáveis. e dedutíveis. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ELEMENTO DE PROVA. Os arts. 226 do Código Civil e 378 do Código de Processo Civil, embora bem semelhantes, são complementares, pois, da combinação deles, deduz se que a escrituração sempre inverte o ônus da prova, de tal sorte que caberá sempre ao contribuinte ao qual ela pertence provar que é verdadeira ou então que ela contém imprecisões quanto ao registro de fatos a que se refere. REALIZAÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Se a realização da reserva de reavaliação de bens do ativo imobilizado importa em uma consequente adição ao lucro líquido, para fins de cálculo das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, uma vez verificado que a contribuinte não a efetuou nem, por outro lado, comprovou ser o registro a título de realização de reserva de reavaliação equivocado, há que se manter o lançamento. GLOSA DE DESPESAS. INCONSISTÊNCIAS NO LANÇAMENTO. AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. Inconsistente o trabalho fiscal que glosa despesas de 2006, apenas pela análise de lançamentos contábeis efetuados em 2007 e sem sequer se aprofundar na análise do lastro documental dos lançamentos glosados, mormente quando se verificam outros equívocos nas suas conclusões. GLOSA DE LANÇAMENTOS A DÉBITO DE CONTAS DE DESPESAS E RECEITAS. Há que ser mantida a glosa de valores relativos a lançamentos retificadores registrados a crédito da conta de Lucros/Prejuízos Acumulados, a título de ajustes credores de períodos de apuração anteriores, e a débito de conta de despesa ou redutora de receita, se a contribuinte não logrou justificálos. SALDO DE PREJUÍZO FISCAL. INCONSISTÊNCIA DO TRABALHO FISCAL. Inconsistente o lançamento que, discricionariamente, espelha apenas parcialmente as conclusões constantes do TVF, as quais, por sua vez, Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 712 27 não poderiam deixar de considerar os efeitos da cisão ocorrida no período analisado. DA MULTA CONFISCATÓRIA A multa de ofício de 75% encontra amparo na Lei 9.430/96. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n˚ 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. (...) Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, afastar a preliminar de decadência suscitada; b) por maioria, cancelar o item 001 dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, vencidos os Conselheiros Waldir Rocha e Eduardo Andrade; c) por unanimidade, manter o lançamento referente aos itens 002 e 003 do auto de infração do IRPJ e os correlatos do auto de infração da CSLL (itens 002 e 004); d) por qualidade, cancelar o item 004 do auto de infração do IRPJ e o correlato do auto de infração da CSLL (item 003), vencidos os Conselheiros Waldir Rocha, Márcio Frizzo e Eduardo Andrade; e) por unanimidade, manter a multa de ofício; e f) por qualidade, manter os juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Cristiane Costa e Guilherme Pollastri. (...) Voto (...) DA REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO (Item 003 do AI do IRPJ) (...) Ora, se a realização da reserva de reavaliação de bens do ativo imobilizado importa em uma consequente adição ao lucro líquido, para fins de cálculos das bases tributáveis em tela, uma vez verificado que a contribuinte não a efetuou nem, por outro lado, comprovou ser o lançamento a título de realização de reserva de reavaliação equivocado, há que se manter o lançamento do item 003 do auto de Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 713 28 infração do IRPJ (Adição não Computadas na Apuração do Lucro Real – Realização da Reserva de Reavaliação) e o correspondente item 004 do auto de infração da CSLL (Falta/Insuficiência de Adições à Base de Cálculo Ajustada da CSLL – Realização da Reserva de Reavaliação). DOS AJUSTES CREDORES (Itens 001 e 002 do AI do IRPJ) (...) Os ajustes de exercícios anteriores decorrem ou de mudança de critério contábil ou de retificação de erros, hipóteses em que a legislação comercial determina que a contrapartida do ajuste seja levada direto a conta de lucros acumulados, a fim de não impactar indevidamente o resultado do período em curso. Por isso mesmo, os ajustes de exercícios anteriores não tem efeitos fiscais, já que não impactam o resultado do exercício de quando são efetuados. Todavia, isso não significa que não possa ter efeitos tributários nos exercícios a que compita o valor extemporaneamente lançado na contabilidade. Assim, caso o valor do ajuste de exercício anterior se refira a despesa dedutível ou receita tributável, para produzir efeito na determinação do lucro real, ela deve ser excluída ou adicionada ao lucro líquido do período de apuração respectivo, ou seja, aquele que efetivamente se refere a receita ou a despesa. O item 001 do auto de infração do IRPJ, cujo fato gerador é 31/12/2006, está assim descrito no auto de infração à fls. 5: “CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS CUSTOS/DESPESAS CONTABILlZADOS A MAIOR (...) Conforme tal enquadradamento, a recorrente teria reconhecido custos/despesas, em 2006, em valores maiores do que o devido, e, por isso, teriam sido feitos ajustes de exercícios anteriores em 2007 e estavam sendo glosados para fins de apuração das bases tributáveis de 2006. Afirma ainda que o TVF complementa o auto de infração. Ao compulsarmos os autos, verificamos que o TVF assim descreve a infração ora em análise: (...). Com relação ao que consta do trecho do TVF, acima transcrito, ressalto que, neste caso, diferentemente daquela situação analisada no item 3 do auto de infração (realização de reserva de reavaliação de bens do ativo imobilizado), a simples constatação de lançamentos em conta de ajustes de exercícios de anteriores não significa necessariamente a existência de matéria tributável. (...) Sem maiores investigações, já se pode afirmar que tais lançamentos não tem relação com contas de provisão ou de equivalência patrimonial, razão pela qual, concluo que a auditoria fiscal foi inconclusa na análise dos ajustes devedores de exercícios anteriores, razão pela qual nada se pode afirmar sobre os efeitos de tais valores nas bases tributáveis do ano a que se referem. Todavia, isso, por si só, não macula o lançamento com base em ajustes credores, mesmo Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 714 29 porque a recorrente, embora conteste a conclusão dos autuantes sobre os ajustes devedores, nenhuma prova traz aos autos de que tais valores eram efetivamente exclusões no ano a que competiam. Com relação aos ajustes credores, verifico também inconsistências no trabalho fiscal, pois, pela descrição fática da infração constante do item 001 do auto de infração, houve glosa de despesa/custo em 2006 por terem sido lançados a maior. Ora, cabia a autoridade fiscal indicar, no TVF, os lançamentos de 2006, nos quais foram lançados valores a maior, ou seja, sobre os quais pesavam a glosa ora efetuada. Concluiu a autoridade fiscal pela glosa de despesa/custos em 2006 a partir unicamente da constatação de lançamentos em 2007 a crédito da conta de ajustes de exercícios anteriores, o que me parece insuficiente, principalmente porque alguns históricos negam a descrição dos fatos do item 001, se não vejamos o que consta das tabelas no TVF a fls. 35: (...). Ora, por esse histórico, uma receita que deveria ter sido reconhecida em 2006, foi equivocadamente lançada em 2007. Então, não se trata de glosa de despesa lançada a maior em 2006. Poderia até ser matéria tributável em 2006, caso não se configurasse em mera postergação, mas a auditoria também foi inconclusa neste ponto. Assim, repito que não poderiam ter sido glosadas despesas de 2006, apenas pela análise de lançamentos contábeis efetuados em 2007 e sem sequer se aprofundar na análise do lastro documental dos lançamentos glosados em 2006. Por tudo isso, concluo que a auditoria fiscal foi inconclusa levando a inconsistentências nos lançamentos efetuados, razão pela qual voto pelo cancelamento do crédito tributário referente ao item 001 do auto de infração e o seu correlato no auto de infração da CSLL. O item 002 do auto de infração, o qual se refere ao período de apuração de 01/07/2007 a 31/12/2007, por sua vez, assim descreve a infração cometida pelo recorrente: “CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS LANÇAMENTOS INDEVIDOS EM CONTA DE DESPESA OU REDUTORA DE RECEITA (...) Sobre o lançamento no valor de R$ 791.415,62 a débito de despesas operacionais, a recorrente ao se defender alega que: “se houve uma receita reconhecida no período em que houve lucro positivo, é certo que este valor compôs o lucro do período. Logo, se, em ano posterior, há o estorno desta receita, é plausível que o contribuinte lance uma despesa neste período e reduza o montante que já foi tributado em ano anterior”; (...) Ressaltese que a recorrente foi intimada, pelo autuante, a explicar tal lançamento e nada falou. Na impugnação, não aduziu a argumentação que ora apresenta. Por outro lado, ainda que fosse verdade o que Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 715 30 agora alega em recurso voluntário, não justificaria acertar o reconhecimento equivocado de um valor como receita em ano anterior com o adiantamento de clientes foi reconhecido como receita no período anterior, o que por si só já basta para afastar sua alegação, mesmo porque é pouco crível que tenha levado a resultado mero adiantamento de cliente. Se havia alguma justificativa para lançamentos contábeis tão absurdos, deveria a recorrente trazer provas robustas e não meras alegações. Com relação ao lançamento no valor de R$ 263.000,00 a débito da conta de resultado – Vendas de Energia, a recorrente nada alega que pudesse justificar tal equívoco contábil, razão pela qual também entendo que deva ser mantido nas bases tributáveis. Assim sendo, mantenho integralmente as bases tributáveis do item 002 do auto de infração do IRPJ ( e do correlato no auto de infração da CSLL). DOS RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS (Item 004 do AI do IRPJ) (...) Assim, os aututantes concluem que há uma diferença não declarada no resultado em 31/12/2007 no valor de R$ 28.209.502,08, de tal sorte que o Prejuízo Fiscal declarado em DIPJ, R$ 79.943.284,28, após ajustados pelas outras infrações constantes deste auto de infração e pela diferença encontrada, deve ser reduzido para R$ 45.838.532,49. O lançamento, neste item 004 do AI do IRPJ, contém inconsistências, pois se, analisarmos as planilhas no TVF a fls. 36, verificaremos que, se o autuante encontrou uma diferença positiva de R$ 28.209.502,08 no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, por outro lado, ele encontrou uma diferença negativa de R$ 19.685.432,67 no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, de tal sorte que, em princípio, o saldo de prejuízos fiscais a compensar só deveriam ser ajustados pela diferença entre as duas diferenças apuradas, a qual, segundo o próprio autuante, seria de R$ 8.524.069,41, conforme tabela no TVF a fls. 36. É inaceitável que a autoridade fiscal apure e registre nos seus papéis de trabalho que o saldo de PF deva ser reduzido em R$ 8.524.069,41, mas discricionariamente, prefira realizar o lançamento isolado do segundo semestre (após cisão), de tal foram que, desconsidera a parcela favorável ao contribuinte relativa ao primeiro semestre, para reduzir o saldo de PF em R$ 28.209.502,08, conforme auto de infração. Todavia, a situação ainda requeria uma providência, qual seja, verificar qual a proporção do saldo de prejuízo fiscal a compensar existente em 30/06/2007 que continuaria disponível para a recorrente, isso porque ela sofreu uma cisão parcial em 30/06/2007, logo seria aplicável ao caso o disposto no parágrafo único do art. 33 do DL 2.341/87, in verbis: (...). Assim, não se pode afirmar, como fez o autuante na tabela a fls. 36, que haveria uma diferença negativa para a recorrente de R$ Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 716 31 19.685.342,67 em 30/06/2007, pois tal valor deveria ser adicionado ao saldo de prejuízo fiscal em 30/06/2007 e depois proporcionalizado de acordo com a parcela do patrimônio líquido que remanesceu na recorrente (cindidida parcialmente) e, só assim, saberseia qual o valor que deveria ser adicionado ao saldo de prejuízos a compensar da recorrente. Nada disso foi feito e o lançamento só se ocupou do valor que deveria ser excluído do saldo de prejuízo fiscal a compensar, decorrente da redução do prejuízo fiscal apurado em 31/12/2007. Ademais, os autuantes tomam como certo o valor contabilizado e como incorreto o valor constante da DIPJ e do Lalur sem qualquer justificativa ou investigação mais apurada. Isso demonstra mais uma fragilidade desse lançamento. Logo, diante de todas essas inconsistências, voto por cancelar o item 004 do auto de infração, pois nem mesmo os cálculos realizados no TVF gozam de certeza quanto ao valor que deva ser ajustado o saldo de PF da recorrente. (...) Como visto, foram afastadas as infrações 01 e 04 do Auto de Infração do IRPJ do Processo conexo nº 10480.731156/201103. Afastada a infração 01 do IRPJ e reflexo, qual o efeito sobre o saldo de lucros acumulados posições 31/12/2006 e 31/12/2007? LUCROS ACUMULADOS Segundo a Fiscalização da RFB/DRFRecife, em face das infrações imputadas naquele processo (conexo), não haveria saldo de lucros acumulados em dezembro/2006 e em junho/2007 (ajustes efetuados pela Fiscalização na escrituração contábil/fiscal da empresa Vale Verde Empreendimentos Agrícolas), conforme demonstrativos elaborados pela Fiscalização que transcrevo a seguir: Planilha 01 Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 717 32 Em 2003, 2004 e 2005 (a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do lucro presumido). Planilha 02 Planilha 03 Acerca desses Demonstrativos acima, consta do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal a narrativa dos fatos, porém não consta explicação, expressa, pelo qual o valor de R$ 81.163.996,38 (saldo de lucros acumulados, posição contábil dezembro/2006 e junho/2006, antes das destinações), simplesmente, desapareceu da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulado (3ª planilha acima, ou seja, o último Demonstrativo de Lucros ou Prejuízos Acumulados) que serviu para imputação da infração objeto deste processo: OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS, fato gerador 31/07/2007. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 718 33 Vejamos a transcrição dos fatos pela Fiscalização, constante do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal: (...) Em 28 de junho de 2007, os sócios da Vale Verde resolveram aprovar um aumento de capital da sociedade com a utilização dos saldos contábeis das contas de reserva de capital R$ 13.334.282,73 e da conta de lucros/prejuízos acumulados R$ 93.764.178,27. O capital foi aumentado em R$ 107.098.461,00, passando a valer R$ 107.593.000,00. Com isso o sócio Eduardo José de Farias, proprietário de 99,7434% das cotas da empresa, passou a ser titular de 107.316.916 cotas de R$ 1,00 cada, no valor total de R$ 107.316.916,00. Tudo conforme a Décima Primeira Alteração Contratual da sociedade. Na mesma data, conforme décima segunda alteração contratual, a Vale Verde Empreendimentos Agrícolas sofreu uma cisão que se refletiu no seu capital social pela redução em R$ 980.300,00, passando a ser de R$ 106.612.700,00, e o cancelamento de 980.300 cotas, permanecendo 106.612.700. Em consequência a participação societária de Eduardo Farias foi reduzida para 106.339.132 cotas, no valor global de R$ 106.339.132,00. (Obs: Cisão parcial da Vale Verde, capital destinado à empresa Legacy Veículos Ltda). Em 30 de junho de 2007, os sócios da Vale verde resolveram admitir na sociedade, como sócio cotista, a Administradora Baia Formosa S.A., que recebeu do sócio Eduardo José de Farias a totalidade de sua participação na Vale Verde, registrada como 106.339.132 cotas no valor global de R$ 106.339.132,00. Tendo cedido a totalidade de suas cotas, este se retira da sociedade, dando plena e rasa quitação. A alteração contratual foi registrada como a décima terceira. Não foi informado nessa última alteração sob que forma a cessão das cotas de Eduardo Farias à Administradora Baia Formosa foi remunerada. Eduardo Farias era acionista da Administradora Baia Formosa, possuindo 238.739 ações da companhia desde 2004. Em 30 de junho de 2007, os acionistas da Baia Formosa Maria Geralda Heráclio do Rego Farias e Eduardo José de Farias se reuniram em assembleia e deliberaram, entre outras coisas, aprovar o aumento do capital social no importe de R$ 106.015.343,32, mediante a emissão de 1.140.784 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 92,93, subscritas unica mente pelo acionista Eduardo José de Farias e totalmente integralizadas mediante a entrega de 106.339.132 cotas do capital social da Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda. A deliberação consta, sob n° 4, da ata da assembléia geral extraordinária realizada no dia 30 de junho de 2007, da qual faz parte o boletim de subscrição. Em 30 de novembro de 2011 foi lavrado um auto de infração de IRPJ e CSLL em nome da pessoa jurídica Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, referente ao anocalendário 2007, no qual foi constatado que a empresa não tinha saldo de lucros acumulados para proceder ao aumento de capital registrado em sua décima primeira alteração contratual, no montante de R$ 93.764.178,27. Assim, o valor do capital da Vale Verde após a décima segunda alteração Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 719 34 contratual era de R$ 13.828.821,80 e não R$ 107.593.000,00. Com a cisão ocorrida em seguida, na qual houve redução de capital no montante de R$ 980.300,00, com o cancelamento de 980.300 cotas, o capital ficou reduzido a 12.848.521,80. Consequentemente a participação de Eduardo Farias na empresa era de 99,7434% de R$ 12.848.521,80, ou seja, R$ 12.815.552,49 e não R$ 106.015.343,32. Como o contribuinte alienou à Administradora Baia Formosa S/A a totalidade de sua participação na Vale Verde Empreendimentos Agrícolas, que valia R$ 12.815.552,49, e obteve em troca 1.140.784 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, por R$ 106.015.343,32, houve um ganho de capital na operação de R$ 93.199.790,90. Esse ganho de capital não foi oferecido à tributação. (...) Como visto, não há menção expressa da Fiscalização da razão da exclusão do valor de R$ 81.163.996,38 (saldo de lucros acumulados, posição contábil dezembro/2006 e junho/2007, antes das destinações), em ambos os processos. Ocorre que, desde o início, o sujeito passivo questiona: que a Fiscalização apresentou, computou, saldo de lucros acumulados, posição dezembro/2006 e posição junho/2007 (na 2ª planilha acima), valor de R$ 81.163.996,38 (antes das destinações); porém, na 3ª planilha (última planilha), o valor simplesmente não mais aparece, não mais existe, in verbis: (...) Que, no caso, a própria fiscalização registrou, em seu termo de encerramento (item III, pág. 7) lucros acumulados em dezembro de 2006 no valor de R$ 93.764.178,27. Todavia, sem qualquer explicação plausível e sem nenhuma demonstração aritmética, partiu de um lucro no valor de R$ 12.269.656,19 neste mesmo mês, desconsiderando os lucros acumulados no montante de R$ 81.163.996,38. (...) Realmente, esse é o 1º ponto que demanda esclarecimento por parte da Fiscalização. Na 2ª planilha acima a posição contábil antes das destinações em junho/2007 (operação de incorporação de lucros acumulados e reservas de capital ao capital social da Vale Verde), quanto aos lucros acumulados, indicava saldo de lucros acumulados de R$ 93.764.178,27 e ainda em face do prejuízo do período de R$ 58.987.605,00), o valor permanecia positivo R$ 58.314.094,32. E, após as destinações de R$ 93.764.178,27, passou a apresentar saldo negativo () R$ 35.450.083,95. Já na planilha de ajustes da Fiscalização (3ª), o saldo de lucros acumulados de R$ 81.163.996,38 na posição dezembro/2006 e junho/2007, simplesmente, desapareceu! Com isso, e ainda em fase da glosa de ajustes credores e devedores, passou a existir saldo negativo de () R$ 43.197.161,24 (antes das destinações) em 31 de junho 2007, implicando após as destinações saldo negativo nessa conta contábil () R$ 136.961.339,51. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 720 35 Há, portanto, uma diferença R$ 81.163.996,38 (glosa de lucros acumulados) a ser justificada pela Fiscalização. Ainda, em face da insubsistência da infração 01 (Glosa dos ajustes credores), no processo nº 10480.731156/201103, o que implica, salvo melhor juízo, a necessidade de recomposição do saldo de lucros acumulados/prejuízos posição 30/12/2006 e 31/06/2007. Sendo assim, propugno pela conversão do julgamento em diligência fiscal, ou seja, retornar os presentes autos à Unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Recife, para: a) a Fiscalização manifestarse acerca da desconsideração de R$ 81.163.996,38 (saldo de lucros acumulados, posição contábil dezembro/2006 e junho/2007, antes das destinações, da empresa Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda), conforme demonstrativos da conta contábil Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, já transcritos acima, que implicou inexistência total de saldo de lucros acumulados para incorporação ao capital social (posições contábeis dezembro/2006 e junho/2007); O sujeito passivo, argumenta que NÃO há expressa razão ou justificativa para a citada glosa de lucros acumulados, posições 31/12/2006 e 30/06/2007, nos seguintes termos (excerto extraído do relatório da decisão recorrida): (...) Que a opção pela tributação pelo lucro presumido não elimina os lucros acumulados da contabilidade da empresa e no entanto a fiscalização considerou que a Vale Verde não dispunha de saldo na conta lucros acumulados, requisito para realizar o aumento de capital social registrado na 11ª alteração contratual no valor de R$ 93.764.178,27. Logo, não há ganho de capital tributável , visto que não cabe falar em inexistência dos valores lançados na conta de lucros acumulados da escrituração da Vale Verde. No sentido de demonstrar a improcedência da autuação sobre a Vale Verde, conforme auto de infração protocolado sob processo nº 10480.731156/201103, a defesa expõe as razões contidas nos subitens III.2.1.A Da ausência de demonstração clara e inequívoca na análise da conta de lucros e prejuízos acumulados na empresa Vale Verde (fls. 214 a 218), e III.2.1.B – Da impropriedade da tributação dos ajuste credores – postergação e efeitos no tempo (fls. 218 a 220). (...) b) a Fiscalização manifestar acerca do saldo de lucroS acumulados de anos anteriores, posição 31/12/2006 na escrituração contábil da Vale Verde. Se a glosa pela Fiscalização decorreu do fato da citada empresa ter apurado os resultados nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005 pelo regime do lucro presumido? c) a Fiscalização manifestarse acerca dos efeitos da decisão final do processo conexo nº 10480.731156/201103 na presente lide, em face do afastamento das infrações 01 e 04 do Auto de Infração do IRPJ e reflexo (CSLL) naquele processo, pois, além do valor do itens "a" e "b" acima glosa de lucros acumulados de R$ 81.163.996,38 que necessita de justificação da Fiscalização, há ainda a glosa de ajustes credores no valor de R$ 31.972.893,80, Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10880.730153/201212 Resolução nº 1301000.621 S1C3T1 Fl. 721 36 cuja infração restou insubsistente no referido processo conexo e que, salvo melhor juízo, interfere no saldo de lucros/prejuízos acumulados posições 31/12/2006 e 30/06/2007; d) a Fiscalização deverá proceder, portanto, atualização, ajuste na planilha 03 (acima), no sentido de evidenciar no DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS da empresa Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda para as posições dezembro/2006, junho/2007, em face do exposto nos itens "a" , "b" e "c" retro (decorrência da insubsistência das infrações 01 e 04 naquele processo conexo); e) a Fiscalização deverá demonstrar, de forma expressa, cabal, qual o valor do saldo de lucros acumulados disponível para incorporação ao capital social da referida empresa, ou seja, Vale Verde Empreendimentos Agrícolas Ltda, para as posições 30/12/2006 e junho/2007, antes das destinações; f) para cumprir essa diligência, ainda a Fiscalização poderá proceder intimações, que julgar necessárias, do sujeito passivo e respectivas empresas já mencionadas no relatório. Por fim, a Fiscalização deverá elaborar relatório circunstanciado, conclusivo, da diligência fiscal (apresentando de resultados conclusivos) e do qual deverá dar ciência ao sujeito passivo, abrindo prazo de trinta dias para, em querendo, manifestarse nos autos. Após transcorrido o lapso temporal, com ou sem manifestação do sujeito passivo, que se retornem os autos do processo ao CARF para julgamento da lide. Pelas razões mencionadas, voto para converter o julgamento em diligência, para que se cumpra o solicitado. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 721DF CARF MF
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