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Numero do processo: 10855.723935/2011-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para sanar contradição apontada, quando comprovado que o voto vencedor apresentava em seus fundamentos e parte dispositiva, contradição em relação ao decidido pelo colegiado.
Numero da decisão: 9202-005.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela conselheira relatora, re-ratificando o Acórdão nº 9202-003.780, de 16/02/2016, para, sanando a contradição apontada, manter inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Devem ser acolhidos os embargos de declaração, para sanar contradição apontada, quando comprovado que o voto vencedor apresentava em seus fundamentos e parte dispositiva, contradição em relação ao decidido pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela conselheira relatora, reratificando o Acórdão nº 9202003.780, de 16/02/2016, para, sanando a contradição apontada, manter inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 39 35 /2 01 1- 21 Fl. 1911DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Temse em pauta Embargos de Declaração, a fls. 354/355, opostos por membro do colegiado com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra o Acórdão nº 9202003.780, deste julgado na sessão plenária de 16/2/2016, fls. 1892/1906, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL COMPENSAÇÃO REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, respaldam a declaração do direito a compensação no documento GFIP. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido O resultado encontrase assim espelhado: Acordam os membros do colegiado, , pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 364 3 indevida. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e a Conselheira Ana Paula Fernandes, que dava provimento em menor extensão. A Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri acompanhou o relator pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. No intuito de contextualizar a apreciação dos presentes embargos por esse colegiado, transcrevo, na integra, o relatório do acórdão embargado de relatoria do Dr. Gerson Macedo Gerra, apenas complementandoo na matéria pertinente aos propositura dos embargos. Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados Autos de Infração pela compensação indevida de contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/2007 a 12/2008, e para aplicação de multa isolada pela falsidade nas declarações, conforme determina o § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. Transcorrido o regular processo administrativo, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF exarou decisão dando parcial provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, por unanimidade de votos, para afastar a aplicação da multa isolada, ao argumento de que a fiscalização não comprovou o dolo do contribuinte. A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão, em 14/05/2013, interpôs, tempestivamente, recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em seu recurso a Fazenda Nacional traz paradigma donde se pode extrair que a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento entendeu que é desnecessária a configuração do dolo para a aplicação da penalidade prevista no § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91 Em suas razões a Fazenda Nacional argumenta, em síntese, que: A aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento anormal do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do § 10º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude nos termos previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. Estas situações, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta. Em relação às compensações promovidas nos autos, tal procedimento apresenta, sim, elementos suficientes para caracterizar a imposição da penalidade isolada, mormente porque o suposto crédito mostra‑se contrário à disposição normativa e regulamentar. Ocorre que os valores se encontravam prescritos na data da declaração, não houve comprovação de seu pagamento indevido e não houve cumprimento da exigência relativa à GFIP retificadora. Fl. 1913DF CARF MF 4 Por isso se afasta o argumento de mero erro e atrai o emprego da vontade dolosa de falsear a declaração por dela constar crédito ao qual não se tem direito. Regularmente intimado da decisão e do Recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarazões. Isso posto, passo ao exame do caso. O objeto dos embargos referese a contradição entre o resultado proferido e a parte dispositiva do voto vencedor, tendo em vista que enquanto o encaminhamento da voto vencedor deuse pelo provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional o resultado proferido enseja o provimento parcial do recurso. É o relatório. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 365 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos por esta Conselheira, inicialmente, atendem aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração a fls. 1907 a 1909. Assim, passar a apreciar a questão Da Análise Dos Embargos Apenas, para esclarecer tratase de Autos de Infração pela compensação indevida de contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/2007 a 12/2008, e para aplicação de multa isolada pela falsidade nas declarações, conforme determina o § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional buscou a reapreciação da aplicação da multa isolada apresentando paradigma que entendeu que é desnecessária a configuração do dolo para a aplicação da penalidade prevista no § 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91. No momento de formalização do acórdão em questão, identifiquei erro manifesto nos fundamentos do acórdão e parte dispositiva, implicando contradição que demanda a oposição de Embargos Declaratórios, previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Conforme descrito acima, o processo foi devidamente julgado em 16/2/2016, tendo sido proferido o seguinte resultado: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização indevida. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso e a Conselheira Ana Paula Fernandes, que dava provimento em menor extensão. A Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri acompanhou o relator pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Entretanto, quando da formalização do acórdão identifiquei que o resultado proferido na ata apresentase em desacordo como o encaminhamento do voto vencedor, razão pela qual foram apresentados os presentes embargos de declaração. A parte dispositiva do voto vencedor encontrase assim descrita: Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, considerandose válida a exigência em tela. Dessa forma, entendo que o presente processo deva retornar a julgamento, para que seja apreciada a contradição entre o resultado do julgamento que "deu provimento Fl. 1915DF CARF MF 6 parcial" e o voto vencedor divergente apresentado que "deu provimento" ao recurso da Fazenda Nacional. Diante do exposto, entendo devam ser admitidos os presentes embargos. Do mérito Compulsando os autos, mais especificamente o voto vencedor do Acórdão Embargadonº 9202003.780 2ª Turma da CSRF, identifiquei que o acórdão formalizado (voto vencedor), foi apresentado voto no sentido de dar provimento, razão pela qual entendo que existe contrariedade que necessita ser sanada. Contudo, como não existe outro registro que não o descrito no decissum submeto todo o mérito da questão, novamente, a este colegiado para que referende as questões aqui colocadas. Assim, passo a proferir o voto vencedor, já com os ajustes para sanar a contradição, tendo em vista que na reapreciação mais detalhada, identifiquei que o erro foi nos próprios fundamentos apresentados por esta redatora. Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou indevidamente compensações considerando a declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida pelos agentes políticos. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo relator do Acórdão 2403002.058, que apenas deu provimento ao recurso na parte referente a aplicação da multa isolada, agora objeto de recurso. Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, base do presente recurso, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 do art. 89 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial que delimita o alcance de seu direito, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de declaração do STF acerca da inconstitucionalidade da contribuição dos agentes políticos, não há como afastar as exigências legais para que a empresa possa efetivamente demonstrar o direito "líquido e certo" a compensação. Vejamos, quais os fatos trazidos pela autoridade fiscal para constituir o lançamento, e que foram considerados válidos pelo julgador a quo para negar provimento ao recurso do contribuinte: 4. Das Razões Pelas Quais as Compensações Foram Consideradas Indevidas 4.1. Da Prescrição 4.1.1. Conforme a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional –CTN), em seus artigos 165, inciso I e 168, inciso I, temos que: [...] 4.1.2. Conforme o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 (Regime Geral da Previdência Social – RPS), em seu artigo 253, temos que: [...] Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 366 7 4.1.3. Conforme a Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, que dispõe sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212, acrescentada pelo § 1º do artigo 13 da Lei nº 9.506, sobre procedimentos relativos a créditos constituídos, com base no referido dispositivo e outras providências, em seu artigo 3º, temos que: [...] 4.1.4. Concluise, pelo disposto no CTN, no RPS e na IN nº 15, que o prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. 4.1.5. Desta forma, como as compensações efetuadas em GFIP pelo Município de Itaporanga tiveram início na competência de 11/2006, cujo vencimento da GPS se deu em 02/12/2006, estariam prescritos todos os créditos decorrentes de recolhimentos indevidamente efetuados antes de 02/12/2001, estando extinto o direito de pleitear restituição ou efetuar compensação dos recolhimentos efetuados entre 10/1997 e 10/2001. 4.2. Da Obrigatoriedade de Retificação das GFIP 4.2.1. A lei nº 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da GFIP. Desde a competência 01/1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. A empresa está obrigada à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. 4.2.1. A IN nº 15, em seu capítulo III, artigo 6º, estabelece que: [...] 4.2.3. A obrigatoriedade de retificação das GFIP para exclusão dos exercentes de mandato eletivo informados antes do início das compensações é explicada pelo § 1º do artigo 225 do RPS, abaixo transcrito. A não observância desta norma pode se refletir na concessão de benefícios indevidos e conseqüentes prejuízos aos cofres da Previdência Social, configurando crime conforme a IN nº 15. [...] 4.2.4. Conforme a Planilha 1 do Anexo Único, levantouse através do DCBC da Prefeitura e da Câmara do Município de Itaporanga que, no período de 01/1999 a 09/2004, foram cometidas as seguintes irregularidades nas GFIP declaradas : Fl. 1917DF CARF MF 8 Na Prefeitura Municipal : O prefeito Ledislei Valcazara Chueri (1997 a 2000) nunca foi declarado; O viceprefeito Actavio Martins (1997 a 2000) nunca foi declarado; O prefeito Pedro Ferraz (2001 a 2004) não foi declarado nas competências 01/2001, 01/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003 e 06/2003; O viceprefeito Ademir Martins Rosa (2001 a 2004) nunca foi declarado. Na Câmara Municipal : O vereador Ademir Martins Rosa (1997 a 2000) nunca foi declarado; Não foram enviadas GFIP nas competências 11/2001, 03/2002, 05/2004, 07/2004, 08/2004 e 09/2004. 4.2.5. A Câmara Municipal do Município de Itaporanga enviou GFIP retificadoras para o período de 01/1999 a 09/2004 entre as datas de 27/02/2007 e 19/03/2007, levantadas no sistema GFIPWEB da RFB, conforme Planilha 2 do Anexo Único, enquanto a Prefeitura Municipal não enviou GFIP retificadoras para o período. Foram constatadas as seguintes irregularidades nas retificações, também relacionadas na Planilha 1 do Anexo Único : Na Prefeitura Municipal : O prefeito Pedro Ferraz (2001 a 2004) não foi excluído das GFIP nas competências 02 a 12/2001, 02 a 11/2002, 03 a 05/2003 e 07/2003 a 12/2004; Na Câmara Municipal : Os vereadores Ismael Rodrigues de Proença, Jair Nogueira, João Augusto Rodrigues, João Sebastião de Almeida, José Carlos da Silva, José Roberto Ferreira, Nelson Chueri Gurgel, Paulo Floriano de Proença e Rosangela Correa (todos de 1997 a 2000) foram mantidos na GFIP; Os vereadores Actavio Martins, Benedito Dias de Souza Sobrinho, João Evangelista dos Santos, José Coldibelli e Paulo Floriano de Proença (todos de 2001 a 2004) não só foram mantidos na GFIP como foram incluídos nas 11/2001, 03/2002, 05/2004, 07/2004, 08/2004 e 09/2004 em que não haviam sido inicialmente declarados. Na competência 09/2004 os vereadores acima foram incluídos com a remuneração integral. 4.2.6. Diante do exposto, concluise que o Município de Itaporanga não cumpriu as determinações do artigo 6º da IN nº 15, efetuando retificações das GFIP em 02 e 03/2007, após o início das compensações em 11/2006, e de forma parcial, mantendo vários exercentes de mandato eletivo com a finalidade de permitir a concessão de benefícios indevidos, configurando crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Desta forma, as compensações dos Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 367 9 recolhimentos não prescritos de 11/2001 a 09/2004 também são consideradas indevidas. 4.3. Dos Recolhimentos 4.3.1. Para exercer o direito à compensação sobre os valores recolhidos indevidamente sobre as remunerações dos exercentes de mandato eletivo, declarado inconstitucional pelo STF, além da observância da prescrição e da obrigatoriedade de retificação das GFIP, obviamente o órgão público deve comprovar os efetivos recolhimentos. Foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 2, de 10/10/2011, a comprovação do recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos prefeitos, vice prefeitos e vereadores para o período de 10/1997 a 09/2004. 4.3.2. Foram apresentadas as GPS da Prefeitura Municipal de 10/1997 a 12/2000 e os extratos do FPM de 01/2001 a 09/2004. Da análise destes documentos, além de informações dos sistemas da RFB, chegouse à Planilha 3 do Anexo Único, comparativo entre as bases de cálculo apresentadas pelo sujeito passivo em sua Memória de Cálculos e as bases de cálculo declaradas em GFIP e com recolhimento comprovado. Cabem as seguintes observações : No período de 10/1997 a 12/1998, antes da implantação da GFIP, verificase claramente que as GPS da Prefeitura Municipal não incluem as remunerações do prefeito e do vice prefeito, com recolhimentos ínfimos, explicável pelo fato do Município de Itaporanga possuir regime próprio de previdência até a competência de 06/1999; No período de 01/1999 a 01/2001, o prefeito e o viceprefeito não foram declarados em GFIP, não cabendo, portanto, a vinculação de qualquer recolhimento; No período 02/2001 a 09/2004, o viceprefeito nunca foi declarado em GFIP e o prefeito deixou de ser declarado em 01/2002, 12/2002, 01/2003, 02/2003 e 06/2003, havendo recolhimentos compatíveis com as GFIP para as demais competências; Na Câmara Municipal, apesar dos vereadores terem sido declarados em GFIP desde 01/1999, foi apresentado Ofício 048/2006 do Presidente da Câmara à época Sr. Hudson Torigoe de Moura (junto com a Memória de Cálculos) explicando que os recolhimentos sobre os subsídios dos vereadores começaram a ser descontados em 06/1999; Analisando os valores que constam nos sistemas da RFB para o CNPJ da Câmara Municipal, não existem recolhimentos para as competências de 08/1999 a 06/2000, 11 e 12/2000, 09/2001 a 04/2003, 05/2004 e 07 a 09/2004. 4.3.3. Como conclusão dos valores apurados na Planilha 3, temos que o valor originário total declarado pelo sujeito passivo foi de R$ 331.784,68, enquanto que o valor originário total apurado em função dos recolhimentos comprovados foi de R$ Fl. 1919DF CARF MF 10 110.446,95 ou seja, 1/3 do apresentado na Memória de Cálculos do Município de Itaporanga. 4.3.4. A taxa SELIC é a única forma de atualização dos valores a serem restituídos ou compensados. A matéria encontrase regulamentada pelo artigo 89 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme abaixo: [...] 4.3.5. Na Memória de Cálculos apresentada, os valores originários pretensamente compensáveis pelo sujeito passivo estão corrigidos corretamente pela taxa SELIC acumulada até a competência de 09/2006, atingindo o valor de R$ 604.335,56. Após iniciada a compensação em 11/2006, o saldo a compensar também é passível de atualização pela taxa SELIC, porém o Município de Itaporanga extrapolou esta atualização de forma acentuada, conforme demonstrado na Planilha 4 do Anexo Único. Observase que em 11/2008 o saldo a compensar já seria ultrapassado, mas continuaram sendo feitas compensações até 11/2009. Se fosse aplicado o valor apurado na Planilha 3, que corrigido até 11/2006 seria de R$ 180.455,07, o saldo a compensar seria ultrapassado em 07/2007, de acordo com a Planilha 5 do Anexo Único. 4.3.6. As demonstrações efetuadas nas Planilhas 3, 4 e 5 tem por objetivo a comprovação de crime por parte do Município de Itaporanga – Prefeitura Municipal. Se fossem desconsideradas as questões legais da prescrição e da obrigatoriedade de retificação das GFIP, provouse que o valor total compensado foi muito superior ao recolhido indevidamente em função de bases de cálculo majoradas, de recolhimentos não comprovados e de atualização do saldo a compensar por índices acima da taxa SELIC. Bastanos uma leitura das informações acima, transcritas do termo de verificação fiscal, para entender que não, simplesmente, equivocou se o autuado em relação as competências alcançadas pela prescrição, nem tampouco, fundamentou o auditor o lançamento e a aplicação da multa isolada simplesmente na ausência de retificação das GFIP, mas, principalmente, na ausência de demonstração de ter efetivamente recolhido a contribuição dos agentes políticos, que declarou em GFIP, sem ter direito líquido e certo a compensação. Ademais, ainda que se falasse em direito (caso tivesse comprovado o recolhimento), descreveu ainda o auditor que a aplicação da taxa SELIC, foi utilizada de forma abusiva, digase fato não comprovadamente rebatido pelo recorrente. Entendo que deve o auditor, analisando pontualmente cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Ou seja, concordo que compete ao auditor apontar efetivamente a falsidade, o que no caso dos autos, entendo ter a autoridade fiscal demonostrado. Notese que o legislador não exigiu a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, nem mesmo dolo, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 368 11 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, da Lei nº 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de Fl. 1921DF CARF MF 12 intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, mencione a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito, e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições sem efetivamente comprovar o recolhimento indevido, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração no meu entender. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. Podemos concluir que, na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 10855.723935/201121 Acórdão n.º 9202005.114 CSRFT2 Fl. 369 13 fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. Dessa forma, deve ser restabelecida a multa isolada em relação as irregularidades aplicadas (planilhas 3, 4 e 5), posto que demonstrado existir falsidade de declaração em GFIP, face a inexistência de direito líquido e certo para realização das compensações, conforme, muito bem descrito pela autoridade fiscal. Contudo, deve ser mantida a exclusão da multa isolada nos casos em que sua aplicação foi consubstanciada exclusivamente na prescrição, já que existia dúvida razóavel acerca da contagem do prazo e em relação a não retificação da GFIP, considerando que existe autuação própria, por erros em GFIP. Dessa forma, considerando a contradição apontada entre o resultado proferido e os termos do voto proferido, entendo que pertinente o acolhimento dos presentes embargos, para que reratificado o acórdão com os esclarecimentos em relação as imputações fiscais que demonstram a demonstração de "falsidade de valores informados em GFIP", bem como os ajustes promovidos na parte dispositiva do acórdão, conforme consta desse voto, o resultado do julgamento deve ser mantido, qual seja: "dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a multa sobre valores de recolhimento não comprovados e atualização indevida." Conclusão Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, re ratificando o Acórdão nº 9202003.780, de 16/2/2016, para, sanando a contradição apontada, manter inalterado o resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1923DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001234/2002-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/1999
IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT)
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.177
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen, que lhe negaram provimento. O conselheiro Robson José Bayerl (Suplente convocado) não votou em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga do ex-conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que já havia proferido seu voto em sessão anterior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Redator Designado
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT) A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen, que lhe negaram provimento. O conselheiro Robson José Bayerl (Suplente convocado) não votou em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga do exconselheiro Henrique Pinheiro Torres, que já havia proferido seu voto em sessão anterior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 12 34 /2 00 2- 84 Fl. 1442DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 310100.818, da 1ª Câmara do 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar o impedimento à fruição do benefício ao direito ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei 9.363/96 em face da saída de produtos não tributados pelo IPI (NT). O colegiado, então, consignou acórdão com a seguinte ementa (Grifos Meus): “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 1º trimestre de 1999 e 1º trimestre de 2000 ao 2º trimestre de 2002 IPI. RESSARCIMENTO. SAÍDA DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS/PASEP E COFINS. O direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, alcança, inclusive, produtores de mercadorias não tributadas pelo IPI (NT). Precedentes da CSRF. Recurso voluntário provido em parte.” Inconformada com o referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face do acórdão proferido pela 1ª Câmara do 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, requerendo seu provimento para Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.443 3 que seja mantida, na integralidade, a decisão de 1ª instância administrativa, com base na divergência apontada em acórdãos paradigmas lá referendados e na contrariedade aos arts. 1º a 4º da Lei 9.636/96 c/c arts. 6º da Lei 10.451/02, art. 150, § 6º, da CF/88 e art. 111, inciso II, do CTN. Aduz, entre outros, que o objetivo da Lei 9.636/96 foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como no caso dos produtos NT. O apelo da Fazenda Nacional em Despacho de Fls. 1403/1404 foi admitido em sua integralidade após análise pelo Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF em exercício à época. Considerando a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresentou Contrarrazões de Fls. 1411/1419 a esse recurso, requerendo que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o Acórdão 310100.818. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade – o que concordo com a análise feita em Despacho de fls. 1403/1404, vez comprovadas as divergências confrontadas. Eis que, pela leitura das decisões, temse que: · No acórdão recorrido foi reconhecido o direito ao crédito presumido do IPI em situação que envolvia a exportação de produto com notação NT na TIPI (não tributado); Fl. 1444DF CARF MF 4 · Nos acórdãos paradigmas o colegiado decidiu que o benefício fiscal não alcança os produtos exportados que possuam a notação NT na TIPI, por não estarem dentro do campo de incidência do imposto. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a lide – se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, à pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). A priori, importante trazer que o sujeito passivo é uma pessoa jurídica de direito privado, que se dedica à mineração em geral em todo território nacional e, especialmente, a pesquisa, mineração, beneficiamento, comércio e indústria de grafite, assim como de outros minerais; à produção e a comercialização de aditivos e combustíveis, graxas, lubrificantes de qualquer espécie, suspensões, pastas, tintas e outros produtos à base de grafite e exportação de seus produtos. Frisase que, atualmente, as exportações efetuadas pela empresa representam 40% (quarenta por cento) de todas as suas operações. Ou seja, grande parte de sua produção é escoada para os países estrangeiros. No caso em comento, o estabelecimento industrial havia formalizado requerimento de ressarcimento do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na industrialização de produtos exportados NT durante o primeiro trimestre(s) de 1999, primeiro ao quarto trimestres de 2000, primeiro ao quarto trimestres de 2001 e primeiro e segundo trimestres de 2002. Sendo, evidente se tratar de "estabelecimento industrial", pois a empresa adquire os mais variados insumos, os industrializa e em seguida produz mercadorias que são destinadas ao mercado externo, aquecendo desta forma a economia nacional, é patente a configuração de atividade industrial. Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.444 5 Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Fl. 1446DF CARF MF 6 Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a titulo de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. No caso em comento, analisando os autos do processo, é de se verificar que os produtos objeto da industrialização é a "grafita" (entre outros, de classificação 25.04) que, segundo, a TIPI é "NT". Para a fabricação desse produto NT, resta claro que o sujeito passivo com a disposição de várias matérias primas (minérios) obtém com a industrialização o produto a ser exportado (grafite). Para melhor elucidar, importante trazer ainda site do sujeito passivo que, por sua vez, condiz com o produto fabricado, registros e documentos comprobatórios considerados pela fiscalização e DRJ: "Em suas três plantas, todas localizadas próximas a importantes jazidas, no estado de Minas Gerais, Brasil, a Nacional de Grafite beneficia o minério, gerando cerca de 70.000 toneladas anuais de grafite de diferentes características. Todos os processos, desde a prospecção do minério até a entrega do produto final, são certificados com ISO 9001:2008. Os produtos da Nacional de Grafite são comercializados nos cinco continentes diretamente ou através de distribuidores e estão presentes em diversas aplicações na indústria mundial. Na unidade de Itapecerica, Minas Gerais, a Nacional de Grafite conta com um Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.445 7 moderno centro de pesquisas e desenvolvimento, operado por uma equipe de profissionais altamente qualificada. Nesse centro, novos produtos e processos são desenvolvidos, sempre em sintonia com as necessidades do mercado." Ademais, quanto ao processo produtivo, trago, para melhor elucidar, as etapas da industrialização: CONCENTRANDO O GRAFITE MINERAÇÃO O minério de grafite é extraído das minas com o uso de máquinas escavadeiras que carregam caminhões basculantes com o minério bruto. Todo o processo de extração segue um plano de lavra, facilitando a seleção do minério mais adequado a produtos finais. HOMOGENEIZAÇÃO A deposição desse minério no pátio de alimentação é sistematizada para formar pilhas de alimentação em camadas. O objetivo é reduzir a variabilidade natural do minério. CONCENTRAÇÃO MECÂNICA O minério é submetido a sucessivas moagens e processo de separação mecânica das impurezas presentes no grafite. A concentração mecânica objetiva a máxima recuperação do grafite presente no minério, preservando suas características físicas. CONCENTRAÇÃO QUÍMICA A concentração com uso de químicas é utilizada na remoção das impurezas remanescentes no grafite previamente concentrado mecanicamente. A Nacional de Grafite emprega e trata os resíduos de concentração química de forma a não poluir o meio ambiente. FILTRAGEM E SECAGEM Após a concentração química, o grafite é lavado intensamente com água desmineralizada, atingindo pH neutro. Em filtros tipo prensa e secadores rotativos, a umidade restante é removida. TRABALHANDO AS PROPRIEDADES FÍSICAS CLASSIFICAÇÃO Técnicas de peneiramento são utilizadas para classificar as partículas do grafite concentrado, atingindo a distribuição granulométrica desejada. MOAGEM– Moinhos de jato e martelo moem o grafite concentrado até que ele atinja o tamanho desejado. As partículas moídas são classificadas possibilitando controlar a distribuição granulométrica do produto gerado. Os diferentes métodos de moagem e classificação permitem formatar a partícula, dando ao grafite características distintas de densidade e de superfície específicas. BRIQUETAGEM– Neste processo produzemse grãos de grafite aglomerado para o uso como carburante e aditivos de carbono. INTERCALAÇÃO– Devido à sua anisotropia extrema, o cristal de grafite permite que sais sejam intercalados em sua estrutura. Aquecidos, esses sais evaporam provocando o rompimento de ligações interplanares, "expandindo" o grafite. A Nacional de Grafite desenvolveu processos de intercalação e expansão do grafite compatíveis com o meio ambiente. Em vista do exposto, admito o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. Fl. 1448DF CARF MF 8 Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.446 9 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Relator O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Fl. 1450DF CARF MF 10 Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.447 11 Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Fl. 1452DF CARF MF 12 Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermeneutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.448 13 Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. Fl. 1454DF CARF MF 14 A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.449 15 dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o Fl. 1456DF CARF MF 16 imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.450 17 Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial Fl. 1458DF CARF MF 18 exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10665.001234/200284 Acórdão n.º 9303004.177 CSRFT3 Fl. 1.451 19 Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto, voto dar provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15892.000071/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo incidente em suas aquisições.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS.
A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL.
Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO.
Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis - não cumulativo.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins - não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.
Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Regra geral, considera-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes.
Numero da decisão: 3401-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas - por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar - por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento - por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção usados na área agrícola - por unanimidade de votos, negou-se provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas - por maioria de votos, deu-se parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas - por unanimidade de votos, negou-se provimento; vii) Despesas de transporte pagos a PJ - Por maioria de votos, deu-se provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos - por unanimidade, negou-se provimento; ix) Despesas com aluguel e arrendamento rural PF e PJ - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação - por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação - por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Augusto Fiel Jorge d'Oliveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator
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INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 00 71 /2 01 0- 62 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa apurados, respectivamente, na forma do art. 3º da Lei n. 10.627/2002 e do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Regra geral, considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada no recurso. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) Despesas e custos relacionados às oficinas por unanimidade de votos, parcial provimento, nos termos do voto do relator; ii) Despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iii) Despesas relacionadas a armazenamento por unanimidade de votos, provimento, nos termos do voto do relator; iv) Despesas de materiais elétricos e de materiais de construção usados na área agrícola por unanimidade de votos, negouse provimento, nos termos do voto; v) Despesas e custos com serviços de manutenção (i) das oficinas e (ii) dos armazéns pagos a pessoas jurídicas por maioria de votos, deuse parcial provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento em menor extensão; vi) Comissões e corretagens e gastos em venda e comercialização, pagas a pessoas jurídicas por unanimidade de votos, negouse provimento; vii) Despesas de transporte pagos a PJ Por maioria de votos, deuse provimento, nos termos do voto, vencido o Conselheiro Robson José Bayerl; viii) Despesas com aluguel de veículos por unanimidade, negouse provimento; ix) Despesas com aluguel e Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 3 3 arrendamento rural PF e PJ por maioria de votos, deuse parcial provimento para os valores pagos a pessoas jurídicas, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Rosaldo Trevisan e Robson José Bayerl, designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira para redigir o voto vencedor; x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso; xi) Despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a Pedido de Ressarcimento (PER n.º21180.37503.180110.1.1.092262) de créditos da contribuição para a Cofins do período de todo o 2° trimestre de 2005, no valor de R$ 647.375,06 Este valor é o resultado do saldo do crédito apurado no período R$ 8.241.563,07 deduzido do valor utilizado no pagamento da Cofins do próprio período (R$ 763.377,98) e deduzido do valor já utilizado em declarações de compensações via PER/DCOMP (R$ 6.830.810,03fls. 02). Procurando demonstrar como o contribuinte justifica o cálculo do valor pleiteado: Quadro: crédito exportação x parcela deduzida x parcelas compensadas = saldo para ressarcir abril 2005 maio 2005 junho 2005 total Crédito de COFINS exportação 2.174.819,63 2.368.810,95 3.697.932,49 8.241.563,07 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Parcela usada para deduzir a COFINS 269.186,49 109.430,29 384.761,20 763.377,98 Parcela usada para compensar via PERDCOMP 1.693.856,52 2.012.860,39 3.124.093,12 6.830.810,03 Saldo de crédito para ser ressarcido 0,00 0,00 0,00 647.375,06 Os valores desses créditos foram solicitados em diferentes processos administrativos e a cada um deles foram vinculados vários pedidos de compensação para aproveitar esses créditos, conforme indicados no quadro a seguir: Quadro: Processos administrativos com pedidos de reconhecimento de créditos e valores de compensação cujos pedidos PERDCOMP foram respectivamente vinculados: abril 2005 maio 2005 junho 2005 total 13888.001596/200591 955.169,83 955.169,83 13888.001431/200510 738.686,69 738.686,69 13888.002291/200510 343.783,84 343.783,84 13888.001926/200549 1.508.892,78 1.508.892,78 13888.001886/200535 160.183,77 160.183,77 13888.003087/200501 886.459,71 886.459,71 13888.002818/200593 968.336,,02 968.336,,02 13888.002577/200582 606.159,84 606.159,84 13888.002378/200574 97.252,40 97.252,40 13888.002292/200541 2.938,97 2.938,97 13888.002068/200550 562.946,18 562.946,18 TOTAL 1.693.856,52 2.012.860,39 3.124.093,12 6.830.810,03 A autoridade fiscal realizou diligência para verificar o pleito de reconhecimento de direito creditório dessa contribuição no 2º trimestre de 2005 e nos processos administrativos em que originalmente foram apresentados esses pedidos propôs glosas que significaram redução no valor do crédito, tal como resumido nos 2 quadros a seguir. quadro DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS DE COFINSME GLOSADOS NO 2oTRIMESTRE/2005 Item ' Motivo 04/2005 05/2005 06/2005 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS CENTROS DE CUSTO REJEITADOS 3.477,51 4.049,33 7.491,59 BENs JTIl 'AüOS COMO INSUMOS DESPESAS REJEITADAS '. 27.394,69 17.726,69 18.383,64 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS DESPESAS DE ARMAZÉM E TONÉIS REJEITADAS ' 4.386,09 4.122,71 7.758,18 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS CUSTOS AGRÍCOLAS REJEITADOS . 5.539,43 1.163,56 1.208,92 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS CENTROS DE CUSTO REJEITADOS 13.806,39 12.892,44 18.397,05 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO DESPESAS DE ARMAZÉM E TONÉIS REJEITADAS 7.209,23 8.325,17 21.221,54 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 4 5 INSUMOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS CUSTOS AGRÍCOLAS REJEITADOS 32.737,37 31.408,60 85.131,49 ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS .... DESPESAS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS REJEITADAS 2.813,55 1.897,86 2.508,35 DESPESAS DE ARRENDAMENTO DESPESAS DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLA REJEITADAS 75.459,95 91.043,22 224.820,62 BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PF DESPESAS DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLA REJEITADAS 780,86 1:027,06 ' 625,67 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE . ■ DESPESAS COM DOCUMENTOS E ESTADIAS REJEITADAS 930,16 1.700,93 3,37 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE DESPESAS COMARMAZENAGEM REJEITADAS 0,00 17.279,91 0,00 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE DESPESAS RELATIVAS A REVENDA (TRADÍNG) REJEITADAS 482.987,46 301.123,72 359.472,69 CRÉDITO NÃO PERMITIDO PARA COMPENSAÇÃO GLOSADO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO 0,00 77.935,63 0,00 Total: 657.522,69 571.696,83 747.023,11 Quadro CÁLCULO DO VALOR DOS CRÉDITOS DISPONÍVEIS PARA COMPENSAÇÃO NO 2o TRIMESTRE/2005 . Créditos de COFINS Mercado Externo (2o Trimestre/2005) Mês Apurado pela'. Empresa' . GLOSA Apurado pela Fiscalização • Dedução Disponível para Compensações. A B C D = B C E F = D E 04/2005 2.174.819,63 657.522,69 1.517.296,94 269.186,49 1.248:110,45 05/2005 2.368.810,95 571.696.83 1.797.114,12 109.430,29 1.687.683,83 06/2005 ' 3.697.932,49 747.023,11 2.950,909,38 384.761,20 2.566.148,18 TOTAL 8.241.563,07 1.976.242,63 6.265.320,44 763.377,98 5.501.942,46 Foram as seguintes as razões das glosas propostas pela autoridade fiscal em sua diligência ao analisar a apuração de créditos de COFINS exportação para o 2º trimestre de 2005, em síntese: BENS USADOS COMO INSUMOS: Entendese como insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer, outros bens, que sofram, alterações, tais como o desgaste, o dano óu a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado (IN SRF n° 404/04, art. 8o, §4° c/c §9°). Decorrente da definição, não foram aceitos, na composição Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 da base de cálculo dos créditos, os seguintes itens de bens, que não atendem à condição normativa: BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS CENTROS DE CUSTO REJEITADOS (Relação Analítica fls. 205 a 207; Resumo fls. 233): São despesas contabilizadas nos seguintes Centros de Custo: Administração, Industrial Corporativa, Administração/Planejamento Industrial, Alojamento Industrial, Brigada de Combate a Incêndio, Diretoria Industrial, Limpeza Operativa, Manutenção e Conservação Civil, Oficina de Caldeiraria^ Oficina Mecânica é Manutenção Automotiva, Oficina Elétrica e Instrumentação e Serviços Auxiliares. Observase que estes centros de custo não estão diretamente vinculados à produção e fabricação dos produtos vendidos, portanto as despesas neles registradas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS DESPESAS REJEITADAS (Relação Analítica fls. 208 a 211; Resumo fls. 233): São despesas com combustíveis (de veículos, não de máquinas), materiais de manutenção civil, materiais elétricos e pneus e câmaras de ar, que obviamente não estão diretamente vinculadas à produção e fabricação dos produtos vendidos, portanto não foram aceitas na base de cálculo dos créditos.. BENS UTILIZADOS COMO' INSUMOS DESPESAS DE ARMAZÉM E TONÉIS REJEITADAS (Relação Analítica fls'. 212/213; Resumo fls. 233): São despesas com consumo de água, materiais de manutenção,, combustíveis, lubrificantes, materiais de manutenção civil, materiais elétricos, pneus e câmaras de ar, registradas nos centros de custo de Armazém, Armazém de Açúcar, Armazém'de Açúcar Externo, Armazém Externo, Tonéis de Álcool e Tonéis de Melaço. De acordo com a legislação, as despesas é custos de armazenagem somente geram créditos se suportados pelo vendedor, nas operações de venda, devidos a pessoas jurídicas domiciliadas no país (Lei n° 10.833/03, art. 3o, inciso IX). Considerase armazenagem quando uma empresa contrata outra para que esta última preste serviços de armazenagem, com emissão de nota. fiscal específica de armazenagem, em operação de venda de mercadoria da primeira. Os bens adquiridos para manutenção de instalações próprias para armazenagem não dão direito a.créditos, pois não são considerados insumos, visto que não foram consumidos no processo de produção das mercadorias, e não se referem a despesas ou custos com armazenagem propriamente dita. Pelo motivo exposto, estas despesas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS CUSTOS AGRÍCOLAS REJEITADOS (Relação Analítica fls. 214; Resumo fls. 233): São despesas com materiais de construção e materiais elétricos usados na área agrícola. As despesas corri estes itens não foram aceitas na,base de cálculo dos créditos, pois não são considerados insumos da produção da matériaprima canadeaçúcar., SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS São insumos os serviços prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país, plicados' ou consumidos na produção ou fabricação de produtos destinados à Venda (IN SRF n°404/04,art.8°, §4°c/c§9°). Pela definição, não foram aceitos, na composição da base de cálculo dos créditos, os seguintes itens de serviço, pelo fato de não estarem<diretamente vinculados ao processo produtivo das mercadorias vendidas: SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS CENTROS DE CUSTO REJEITADOS (Relação Analítica fls.' 215/216; Resumo. fls..233): São despesas contabilizadas nos seguintes Centros de Custo: Administração/Planejamento Industria Brigada de Combate a Incêndio,! Funcionários Afastados Indústria, Incentivo Vale Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 5 7 Transporte, Limpeza Operativa, Manutenção e Conservação Civil, Oficina Caldeiraria, Oficina Mecânica e Manutenção Automotiva, Oficina Elétrica e Instrumentação, Serviços Auxiliares e Diretoria Industrial. Estes centros de custo não estão diretamente relacionados à produção e fabricação das mercadorias vendidas, portanto as despesas neles registradas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS DESPESAS DE ARMAZÉM E TONEIS REJEITADAS (Relação Analítica fls. 217; Resumo fls. 233): São despesas com , mãodeobra contratada, mãodeobra; de manutenção e' serviços de máquinas registradas nos centros de custo de Armazém, Armazém de Açúcar, Armazém de Açúcar Externo, Tonéis de Álcool e Tonéis de Melaço. De acordo com a legislação, as despesas e custos de armazenagem somente geram créditos se suportados pelo vendedor, nas operações de venda, devidos a pessoas jurídicas domiciliadas no'país (Lei n° 10.833/03, art. 3o, inciso IX). Considerase armazenagem quando uma empresa contrata outra para que esta última preste serviços de armazenagem, com emissão de nota fiscal específica de armazenagem, em operação de venda de mercadoria da primeira. Os serviços de manutenção e movimentação de mercadorias em instalações próprias para armazenagem(não dão direito a , créditos, pois'não são considerados insumos, visto que não foram consumidos no processo de produção das mercadorias, que obviamente já estavam prontas e acabadas por ocasião dà armazenagem, e não se referem a despesas ou custos com armazenagem propriamente dita. Pelo motivo exposto, estas despesas não foram aceitas na base de cálculo dos créditos. • SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS CUSTOS AGRÍCOLAS E. DESPESAS REJEITADAS. (Relação Analítica fls., 218; Resumo fls. 233): São despesas com comissões e corretagens, transporte de turmas, transporte de empregados, despesas com documentação e serviços prestados (indenizações eventuais), que obviamente não estão diretamente vinculadas à produção e fabricação das mercadorias Vendidas, portanto não são insumos e não foram.aceitas na base de cálculo dós créditos. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS ; ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DESPESAS. COM ALUGUEL DE VEÍCULOS REJEITADAS (Relação Analítica fls. 219; Resumo fls. 233): De acordo com a legislação (Lei nó 10:833/03, art. 3o, caput e inciso IV), são seitas na base de cálculo dos créditos as despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, usados nas atividades da empresa. Os veículos servem para transportar; coisas ou pessoas de um lugar para outro, e não são considerados máquinas ou equipamentos» portanto as despesas com o aluguel dos mesmos não geram créditos'. ARRENDAMENTO DESPESAS DE ARRENDAMENTO DESPESAS DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLAREJEITADAS (Relação Analítica fls. 220; Resumo fls 233): São despesas com arrendamento agrícola, arrendamento agrícola. Manacá e arrendamento agrícola Coligadas. De acordo com a legislação (Lei n° 10.833/03,.art. 3°, caput e inciso IV), é vedado ó aproveitamento dé créditos sobre o valor dos aluguéis de bens, quando devidos a pessoas jurídicas domiciliadas no país e não sé enquadrem no conceito de prédios, máquinas e equipamentos, como, por exemplo, o aluguel: ou arrendamento de terrenos e propriedades rurais, entre outros. Por isso, as despesas com arrendamentos agrícolas não foram aceitas na base de cálculo dos Créditos. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS .. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS . DESPESAS : DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLA REJEITAdAS (Relação Analítica fls. 22Í; Resumo fls. 233): Somente são aceitas na base de cálculo dos créditos as despesas com aluguel ou arrendamento de prédios, máquinas e equipamentos, contratados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país. Despesas com arrendamentos agrícolas não seriam aceitas nem se contratados junto a pessoas jurídicas. Por, isso, não foram aceitas na base de cálculo dos créditos ás despesas com arrendamentos agrícolas contratados junto á", pessoas físicas. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS INSUMOS FORNECIDOS POR PESSOAS FÍSICAS ; CRÉDITOS , PERMITIDOS SOMENTE PARA DESCONTO (Relação Analítica fls. 222; Resumo fls. 233): A partir de 01/08/2004,' a pessoa jurídica produtora de açúcar pode;aproveitar crédito presumido relativo a bens utilizados como insúmo ná produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoas físicas residentes do país (Lei 10.925/2004, arts. 8o e 15). É vedado, no entanto, utilizar estes créditos para fins de compensação ou ressarcimento, ou seja, tais créditos podem ser utilizados apenas para desconto ou dedução da própria» contribuição apurada, no mesmo mês ou em mesessubseqüentes (Lei 10.925/2004, art. 15). A base de cálculo destes créditos corresponde a 35% do valor dás aquisições (Lei 10.9* !/2004, §3°, inciso III). Com base nos dispositivos citados, não foram aceitos, para "fins de compensação ou ressarcimento, os créditos calculados sobre ás aquisições de insumos (cana) junto a pessoas físicas. Conforme demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 222),.nos meses de 04/2005 e 06/2005 os valores de créditos de Cofins ME destinados a desconto ou dedução foram superiores aos valores de crédito presumido ora em análise, portanto não há glosa a ser feita. Em 05/2005, houve R$ 109.430,29 de desconto, tendo sido glosado, para fins de compensação, apenas o excedente de R$ 77.935,63. ARMAZENAGEM E FRETE ARMAZENAGEM E FRETE DESPESAS COM DOCUMENTOS E DE ESTADIA REJEITADAS (Relação Analítica — fls. 223; Resumo fls. 233): Somente são aceitas na base de cálculo dos créditos as despesas específicas com armazenagem e frete nas operações de venda de mercadorias (Lei n° 10.833/03, art. 3o, inciso IX, e art. 15, inciso II). Por isso não foram, aceitas as despesas com documentação e estadia de navios na base de cálculo dos créditos. ARMAZENAGEM E FRETE DESPESAS COM ARMAZENAGEM (Relação Analítica — fls. 225; Resumo fls. 233): Verificado que o sujeito passivo contabilizou valor; ? elevado (R$ 500.674,27) na conta 6101323202 DESPESAS COM ARMAZENAGEM em 05/2005, tendo incluído este" valor na base de cálculo dos , créditos, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal n°03 (fls. 157/158), para que o mesmo apresentasse as respectivas notas fiscais ou documentos equivalentes. Em resposta, o'.' sujeito passivo apresentou os documentos de fls. 159 a 192,que são os espelhos que contêm os mesmos dados das notas fiscais. Da análise detalhada dos documentos apresentados, constatouse que poderão compor a base de cálculo dos créditos apenas aqueles relacionados em fls. 224 (transporte de insumo e locação de equipamentos), num, total de R$ 51.489,20. Os demais não são de armazenagem, frete ou qualquer outro custo permitido, portanto não. poderão compor a base de cálculo de créditos. Assim sendo,, glosouse a importância de R$ Í7.279,91'em créditos de Cofins ME, em 05/2005 (fls. 225). Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 6 9 ARMAZENAGEM E FRETE REJEITADAS DESPESAS RELATIVAS A REVENDA (TRADING) (Relação Analítica fls. 232; Resumo fls. 233): Conforme Relação Analítica de fls: 232, constatase que o sujeito passivo apropriouse de créditos calculados sobre Despesas Portuárias, Transporte Rodoviário e Frete Marítimo. Os valores de tais despesas foram considerados integralmente, pelo sujeito passivo, como base de cálculo dos créditos vinculados às receitas de, exportação. Pois bem, a fiscalização detectou dois problemas: 1° Nem todas as notas fiscais lançadas como Despesas Portuárias são de armazenagem; 2o Estas despesas não se>referem somente à exportação de produção própria do sujeito passivo, mas também à exportação de mercadorias adquiridas de outras empresas, situação em que é vedado o aproveitamento de créditos.' A autoridade administração de jurisdição, após apreciar os documentos que instruem este processo e as informações prestadas pela autoridade fiscal com relação à pretensão da contribuinte de direito creditório de COFINS exportação para o 2º trimestre de 2005, decidiu indeferir o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos: Despacho Decisório SAORT n.º 376/2010 (fls. 4648) (...) O Pedido d e Ressarcimento encontrase amparado na Lei n.º 5.172, de 25/10/66 e, na IN SRF n.º 900, de 30 de dezembro de 2008, que atualmente trata da matéria, estando revogadas as Instruções Normativas .anteriores, e q u e disciplina, entre outros, o ressarcimento e a compensação de créditos da Cofins nãocumulativa. Conforme Informação Fiscal de fls. 11 a 17, q u e é parte integrante e indissociável d o presente despacho, as informações contidas n o pleito foram analisadas pela Seção de Fiscalização, de acordo com o artigo 24 da IN SRF 600/2005, atual artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, tendo sido constatado' u m crédito passível de ressarcimento/compensação no montante de R$ 5.501.942,46 para o trimestre em questão' e, glosado o valor de R$. 1.976.242,63 do total do crédito informado pela contribuinte. Entretanto, conforme a própria interessada demonstra no pedido d e ressarcimento, referido crédito foi utilizado em compensações nos processos abaixo, relacionados, tendo sido insuficiente para homologação das compensações neles pleiteadas, 'conforme fica evidenciado n a tabela retrocitada; (cópia dos despachos decisórios e dos demonstrativos de cálculo às folhas 18 a 43): Tabela 1 Compensações em processo informadas n o Pedido de Ressarcimento Processos n° > Valor compensado •(R$) 1 13888.001596/200591 955,169.83 2 13888.001431/200510 738.686,69 3. 13888.002291/200505. 343.783,84 4 13888.001926/200549 1.508.892,78 . 5 1.3888.001886/200535 160.183,77 6 13888.003087/200501; 886.459,71 7, 13888.002818/2005>93 .968.336,02 8 13888.002577/200582 606.159,84 9 13888.002378/200574 97.252,40 ; 1 0 13888.002292/200541 2.938,97 1 1 13888.002068/200550. 562.946.18 ■ ' .TOTAL . ■ . 6.830.810.03 Assim, considerando q u e o valor apurado, como passível de ;ressarcimento/compensação a título d e Cofins nãocumulativa referente ao 2° trimestre d e 2005 foi integralmente utilizado em compensações nos processos supramencionados, não resta saldo à ser ressarcido n o presente processo. (GRIFOS NOSSOS) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Pelas razões de fato e de direito acima expendidas,.com fulcro nas Portarias MF n° 125, de 2009 e DRF/Bau n° 80, de 25 de junho de 2007 com alterações posteriores, e por força do disposto no artigo 74, da Lei n? 9.430, de 27 d e d e z emb r o d e 1.996, decido NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado, a título d e ressarcimento de Cofíns nãocumulativa, referente ao 2° trimestre de 2005, n o valor d e R$ 647.375,06 (seiscentos e quarenta e: sete m i l , trezentos e setenta e cinco reais e seis centavos),1 subsidiado pela Informação Fiscal de folhas 10 a 16, tendo em vista q u e o crédito apurado foi integralmente utilizado em compensações nos processos administrativos ; n o s 13888.001431/200510, 13888.001596/200591, 13888.002291/200505, 13888.001926/200549, 13.888.001886/200535, 13888.00308.7/200501, 13888.002818/200593, 13888.002577/200582, 13888.002378/200574, 13888:002292/200541 e 13888.002068/200550, não restando saldo a ser ressarcido tio presente processo. . Contra essa decisão o contribuinte contestou, alegando as razões por que pediu o afastamento das glosas e o deferimento integral do seu pedido de ressarcimento, segundo o resumo feito pelo relator no julgamento de 1ª instância, que aqui reproduzo, pela sua objetividade: A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba, em Despacho Decisório de fls. 45/47, acatou as conclusões do Termo de Verificação Fiscal e, com base nos valores do direito creditório reconhecido nos processos n° 13888.001431/200510. (fls. 18), n° 13888.001886/200535 (fls. 26), n° 13888.002068/200550 (fls. 34), e de outros processos relacionados às fls. 47, que utilizaram o crédito objeto de análise em outras compensações, apurou a inexistência de saldo a ressarcir neste processo e, em decorrência, não reconheceu o direito creditório do interessado. Em sua manifestação de inconformidade, fls. 51/66, o interessado inicialmente apresenta a tese da não equiparação do conceito de nãocumulatividade do PIS e da COFINS,. originada em legislação infraconstitucional, com a nãocumulatividade constitucional do ICMS e do IPI, Com, base nessa premissa, alega que o conceito de "insumos" utilizado na legislação do IPI não pode ser equiparado pára fins de PIS e COFINS, uma vez que as Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, não definiram o conceito de insumos e, assim, o legislador quis utilizar o senso comum deste vocábulo. Que a limitação do conceito de "insumos", utilizada pela SRF nas i Instruções Normativas n° 247, de 2002 en° 404, de 2004 é ilegal, pois inovou na ordem jurídica, ampliando ou reduzindo o sentido e conteúdo das leis.. Após essa introdução, combate as glosas efetuadas, a saber: BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Alega que os bens utilizados tratamse se ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança da canadeaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pela qual devem ser admitidos como insumos., Que o mesmo se aplica em relação aos combustíveis adquiridos para o transporte do produto para exportação e indispensáveis à atividade agroindustrial, na colheita, no transporte de matériaprima para a indústria, no transporte de máquinas e equipamentos, e sobretudo adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados, sem mencionar o transporte de mãodeobra, indispensável em todo o processo. Continua, citando outras atividades de transporte de pessoas, que alega indispensáveis para a produção, concluindo que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção, a despeito de não integrarem fisicamente o produto final. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Alega que todos os serviços glosados estão diretamente ligados ao processo produtivo, tais como a mãodeobra de pessoa jurídica para a manutenção da mecanização industrial, transporte de resíduos industriais (vinhaça), utilizado na lavoura como fertilizante. . Que não se conforma com a glosa dos custos relacionados á armazenagem e transporte de mercadorias destinadas à exportação, pois são despesas ligadas diretamente ao processo produtivo e sem as quais a exportação jamais poderia ser .concretizada e, por conta disso, é absolutamente ilegal e injusta a limitação temporal pretendida pela fiscalização. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 7 11 BENS E SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS Alega que os serviços de pessoas físicas se enquadram perfeitamente no conceito de insumos, para efeito de crédito de COFINS não cumulativo. ARRENDAMENTO DE TERRAS Que o art. 3o, IV, da Lei n° 10.637, de 2002, contempla o direito a compensação descréditos decorrentes de aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa e, assim, o arrendamento de terras para cultivo de cana se enquadra nesse conceito, uma vez que o conceito jurídico do termo "prédio" não corresponde ao limitado conceito. popular que define uma construção de vul{o. De acordo com o Estatuto da Terra Lei n° 4.504, de 1964, alterada pela Lei n° 8.629; de 1993, define o imóvel rural como "o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa destinar á exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial" . Assim, o termo "prédio" serve tanto para o rústico (ou rural) como para o urbano e como a Lei n° 10.637, de 2002, não fez qualquer distinção entre os tipos, não há que se excluir os arrendamentos agrícolas. Destaca o disposto no art. 110, do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas do direito privado, para definir ou limitar competências' tributárias. DESPESAS COM EXPORTAÇÃO Alega que a apropriação das despesas dos serviços portuários é amparada .pelo art. 6°, §§ Io e 3o, da Lei n° 10.833, de 2003; que as notas fiscais exibidas representam serviços com o recebimento, armazenagem e embarque, e que o transporte rodoviário para os terminais portuários tem o nítido propósito para exportação. Que as despesas com estadias referem se ao custo adicional do frete pela demora no recebimento das mercadorias pelo terminal portuário e que a apropriação desta despesa é amparada pelo art. 3o, IX, da Lei n° 10.833, de 2003 Que não se conforma com a glosa das despesas com exportação excluídas por proporcionalidade, pois dessa forma vulnera a nãocumulatividade do PIS e da Cofins. ALUGUEIS DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. Que a glosa ce .créditos sobre veículos, que são utilizados n o transporte de insumos e bens de revenda e produção, ou seja, ligados com a atividade industrial e comercial e que os créditos devem ser realizados sobre os custos de aquisição e, assim, não há porque glosá los. Ao final, requer a reforma do Despacho Decisório, com o reconhecimento integral do crédito da Cofins nãocumulativa do período Após apreciar os argumentos da contribuinte, a respeitável 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e por não reconhecer o direito creditório. O Acórdão n.º 1436.447, proferido em 27/01/2012, ficou assim ementado: Acórdão 1436.447 5a Turma da DRJ/RPO Sessão de 27 de janeiro de 2012 Processo 15892.000071/201062 ' Interessado COSAN S/A INDUSTRIA E COMERCIO CNPJ/CPF 50.746.577/000115 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS E ENERGIA ELÉTRICA. PROCESSO PRODUTIVO UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins Não cumulativo, entendese como insumos. utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam ■ incluídas no ativo imobilizado. As despesas cóm energia elétrica somente geram crédito se utilizadas como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Cofíns Não Cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA VENDA DO PRODUTO FINAL E ARMAZENAGEM. VIGÊNCIA. As despesas com frete na venda do produto final e armazenagem só dão direito a crédito da Cofíns Não Cumulativo a partir de 01/02/2004, desde que o ônus tenha recaído sobre o vendedor. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS , COM ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. DESPESAS COM O ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA A despesa com o arrendamento de terras não se confunde com o conceito de aluguel de prédios, para o qual é permitido o direito ao creditamento. A despesa com o aluguel de veículos não se confunde com o conceito de aluguel de máquinas e equipamentos. As normas que criam direito a benefícios fiscais devem ser interpretadas restritivamente, não se permitindo a extensão de conceitos. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BENS E_ SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. O aproveitamento de crédito presumido relativo às aquisições de pessoas físicas domiciliadas no país somente é permitido caso os bens e/ou serviços adquiridos se enquadrem no conceito de insumos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual, preliminarmente: (a) roga pela nulidade do lançamento ante a ausência de motivação ampla e genérica de todos os insumos vinculados à área rural; que houve insuficiência de motivação pois a precariedade da análise, cujos parâmetros não foram descritos no auto de infração [sic] inviabilizaram o entendimento do trabalho fiscal e prejudicaram o exercício ao direito de defesa e do contraditório; (b) pede a realização de diligência para se demonstrar a composição dos créditos glosados e a fundamentação de cada glosa; propõe quesitos e indica perito; ( c) pede a juntada de novos documentos que se façam necessários para provar o alegado e que as intimações sejam efetuadas em nome dos seus advogados (nominalmente indicados). A contribuinte, no mérito, repisou as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 8 13 Sobre os requisitos de admissibilidade. O Acórdão de 1º piso foi proferido na sessão de 27/01/2012 e anexado aos autos em 24/02/2012 (fls. 135150). Verifico que o processo foi encaminhado da Delegacia da RFB em Bauru para a DERAT em São Paulo em 07/03/2012 (fls. 151), em função da mudança de jurisdição da contribuinte. E que a contribuinte solicitou cópia do processo em 01/06/2012, e a recebeu em 19/06/2012 tomando ciência dos autos nessa data (fls. 175232, em Piracicaba). Ademais, constato que a contribuinte foi intimada pela DERAT em 04/07/2012 (Intimação n. 2106/2012, às fls. 152) com ciência em 16/07/2012 (AR às fls. 153) do Acórdão da DRj e do prazo para recorrer. A contribuinte novamente solicitou cópia do processo em 26/07/2012, recebendoa em 08/08/2012 (fls. 155172). A contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 09/08/2012 no CAC da DERAT em São Paulo SP. Tendo a Receita Federal intimado a contribuinte do Acórdão da DRJ, apesar do contribuinte já dele ter tomado ciência ao obter cópia do processo e dessa decisão, entendo que a data da sua segunda ciência deve prevalecer sobre a primeira e que há reabertura do prazo para recurso. O recurso voluntário foi apresentado antes do decurso dos trinta dias contados a partir da segunda ciência. Sendo assim, concluo e proponho que seja considerado tempestivo esse recurso. Foram atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares A recorrente pede a nulidade do lançamento ante a ausência de motivação da glosa ampla e genérica de todos os insumos vinculados à área rural, e que teria havido prejuízo ao exercício do direito de defesa e ao contraditório. Os dados e fatos dão testemunho contrário ao alegado pela recorrente nesse particular, razão por que ele não pode justificar a nulidade pleiteada. Primeiro por que não este processo administrativo não tem um lançamento como seu objeto. Este processo se refere a pedido de ressarcimento de saldo de crédito de COFINS Exportação. O despacho decisório que indeferiu o pedido demonstra que não havia o saldo de créditos para ser ressarcido, pois os créditos apurados, após diligência fiscal e decisão da autoridade administrativa, haviam sido aproveitados para dedução da própria contribuição e para compensação via PER/DCOMP, nada restando ao final de saldo. As glosas propostas pela autoridade fiscal são detalhadas, acompanhadas de planilhas e quadros de demonstração. Esse conjunto de informações instrui os processos administrativos em que foram feitos os pedidos de reconhecimento dos créditos de COFINS Exportação. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 Não constato que as glosas e os motivos para o indeferimento do pedido da contribuinte estejam insuficientes em motivação, ou não tenham deixado claros os parâmetros de análise das autoridades fiscal e administrativa. Ao consultar aqueles processos e este podemos verificar que a contribuinte compreendeu as glosas e apresentou defesa expondo as razões por que elas não deveriam ser mantidas. Neste processo a contribuinte consegue expor as razões por que entende as glosas naqueles processos são, em seu ponto de vista, equivocadas e devem ser afastadas. Não vejo, portanto, que tenha havido prejuízo ao exercício do contraditório e do direito de defesa. Por essas razões, proponho não seja dado provimento à preliminar de nulidade invocada pela recorrente. Sobre o pedido de diligência: O recorrente propõe a realização de diligência e perícia. Poderiam trazer informações para se analisar os créditos de COFINS exportação e as glosas fiscais. Ocorre que o direito ao crédito, o cálculo e apuração desses valores, e as glosas feitas, estão sendo discutidas em outros processos administrativos, e não neste, que se centra no pedido de ressarcimento do saldo, após deduções e compensações. Não cabe neste processo realizar diligências e perícias para tratar o que já é objeto do processo administrativo próprio. Ademais, para o compõe o núcleo do contraditório deste processo o pedido de ressarcimento do saldo restante não me parece que a perícia e a diligência são necessárias, pois o que consta do processo já nos permite formar convicções sobre o mérito. Proponho, por decorrência, não seja aceito o pedido de perícia e diligência. Sobre o pedido de apresentação de documentos novos e de intimação a advogados representantes nos autos: Conforme veremos ao apreciarmos o mérito, creio que não há necessidade de apresentação de novos documentos, pois os que instruem este e os processos de apuração do crédito COFINS Exportação são suficientes para que se possa submeter essa lide a apreciação pelo colegiado. Também não vejo necessidade de intimar os advogados, pois a contribuinte possui endereço suficiente para esse mister. Concluo propondo sejam negados esses pedidos da recorrente. Mérito Com relação às alegações da recorrente quanto ás glosas fiscais: A contribuinte compôs a sua manifestação de inconformidade exclusivamente com argumentos que confrontam as glosas feitas pelas autoridades fiscal e administrativas na apuração dos créditos de COFINS Exportação. Os julgadores de 1º piso apreciaram esses argumentos e compuseram o texto do acórdão essencialmente discutindo as glosas e suas razões. No recurso voluntário, a contribuinte retoma esses argumentos para tratar o mérito do contraditório. Sinto que os argumentos postos pela contribuinte e pelos julgadores a quo a respeito das glosas feitas na apuração do crédito devem ser considerados por este colegiado de 2ª instância. Portanto, a esse respeito dedico os próximos parágrafos. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 9 15 Preliminarmente esclareço que, em meu entendimento, este processo administrativo pretende obter ressarcimento de saldo resultante de aproveitamento de suposto direito creditório com compensações discutidas em outros processos administrativos. A autoridade administrativa de jurisdição e os julgadores de 1º piso concluíram que, daqueles processos, não restou saldo para que, neste processo, pudesse o contribuinte obter ressarcimento. Pareceme claro que há uma relação de dependência deste para com o resultado daqueles processos. As glosas aqui questionadas pela contribuinte se referem à determinação do crédito de COFINS Exportação nos meses de abril, maio e junho de 2005. Esses tópicos e questões também estão sendo discutidos nos processos administrativos 13888.001431/200510 (abril de 2005), 13888.001886/200535 (maio de 2005) e 13888.002068/200550 (junho de 2005). Como esses 3 processos têm precedência sobre este processo, que pretende aproveitar suposto saldo residual daqueles, entendo que as glosas devem ser decididas naqueles, e não, de direito, neste processo. As decisões proferidas neste processo a respeito da manutenção ou não das glosas não tem o condão de se sobrepor às tomadas naqueles. Nas próximas linhas, apreciaremos as alegações da recorrente, mas, sublinho, apenas aqueles processos, e não este, podem decidir sobre os créditos pleiteados pela contribuinte. A este apenas resta a competência para decidir o pedido de ressarcimento de eventual saldo daqueles créditos de COFINS Exportação. Prolegômenos O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social; e, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. São as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção, o regime de não cumulatividade, as regras para a determinação do valor devido e para a redução por créditos apurados. A meu ver, a regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. (....) A recorrente invoca o entendimento do IRPJ para servir de fonte aos critérios de determinação dos insumos para o PIS e para a COFINS. Mas não me parece que seja ele adequado. É verdade que a legislação do IRPJ possui uma longa trajetória de existência e consolidação, mas, a principio, creio que a sua simples transposição pode gerar mais imprecisões que soluções. (....) Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essas decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: (....) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 10 17 Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumoprocessoproduto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. (....) Fazme necessário esclarecer que entendo que produção abrange fabricação; mas o inverso não é verdadeiro: fabricação está contida em produção. E também industrialização está contida em produção. Mas nem fabricação, nem industrialização compreende a totalidade das possibilidades da produção. Quando se industrializa, se produz. Quando se fabrica, se produz. Mas há produções que não são industrialização e que não são fabricação. Produzir, em um sentido lato, é dar existência, gerar, fornecer, fazer, realizar, fabricar, manufaturar. Mas, para o âmbito da Lei em discussão, produzir subentende um agir humano, deliberado e com propósito, e capaz de atrair interesse jurídico. Há criação resultante de um esforço físico e mental. Ainda para o âmbito da Lei em discussão, as atividades de produção de bens, regra geral, não se confundem com outras atividades do empreendimento, tais como: vendas, publicidade, comercialização, finanças, administração, pesquisa e desenvolvimento, projetos, e outras. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente quanto ao produto vendido. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 11 19 No caso em discussão neste processo, entendo que o preparo da cana de açúcar para ser ela um insumo da industrialização do açúcar e do álcool é, sim, etapa do processo de produção do açúcar e do álcool. Das glosas dos bens utilizados como insumos: Inicialmente, neste tópico, esclareço que me parece informação evidente, de domínio público, que o processo de colheita de cana e o seu aproveitamento para o processo de produção de açúcar e álcool, quando em escala industrial, implica em operações realizadas ininterruptamente, dia e noite, durante semanas, até meses. Ademais, não só essa extensão, intensidade e freqüência de uso, mas também os efeitos abrasivos e erosivos da natureza do material colhido, promovem desgaste substantivo nos instrumentos usados nessas operações. Por isso, julgo razoável que as ferramentas de operação e os materiais elétricos e de manutenção efetivamente aplicados no processo de colheita e tratamento dessa matéria prima possam ser considerados como não ativados ou imobilizados. Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas e as despesas e gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados com maquinário e veículos para serviços diretos no cultivo, lavoura, colheita e tratamento (produção) de cana de açúcar (tais como, por exemplo: o corte e o carregamento) (a) Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atenderiam ao critério para caracterização como insumos. (b) CONTUDO, as despesas e gastos relacionados aos centros de custos: "Diretoria administração alojamento industriais", "Administração planejamento", "Manutenção Conservação Civil" e "brigada de incêndio", não teriam demonstradas pela recorrente a sua característica de insumo e a sua vinculação com o processo de produção propriamente dito e com os produtos vendidos. Faltarlhesia comprovação e previsão legal para afastar as glosas. Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão anteriormente exposta, entendo que atenderiam ao critério para caracterização como insumo as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Sobre as despesas relacionadas a armazenamento Pareceme que as despesas e custos glosadas neste processo não são de armazenagem, para os termos da previsão estabelecida pelo inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. As atividades que cuidam dos estoques dos insumos, dos bens em fase de processamento, dos semiacabados e dos acabados Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 20 que ainda não estão prontos para comercialização poderiam ser, a meu ver, como necessárias ao próprio processo de produção. Portanto, divirgeria das decisões anteriores, pois entendo que as despesas com materiais de manutenção, materiais de acondicionamento, materiais elétricos, lubrificantes e combustíveis empregados nas atividades de estocagem seria insumos no processo de produção da cana de açúcar e do açúcar e do álcool. Sobre a glosa das despesas de materiais elétricos e de materiais de construção (por exemplo: das contas contábeis 4301181829 e 4301232301) A autoridade fiscal efetuou esta glosa porque eles não estariam vinculados à produção e não teriam sido diretamente consumidos na fabricação diretamente sobre o produto; e também não são insumos da produção da matéria prima cana de açúcar. A recorrente não contestou especificamente essa glosa, e também não apresentou elementos que pudessem invalidála, nem demonstrou que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção. Das glosas dos serviços utilizados como insumos: Glosa das despesas e custos com serviços de manutenção (i) de equipamentos, de veículos, das oficinas e (ii) dos armazéns, todos pagos a pessoas jurídicas a autoridade fiscal afirma que esses tipos de despesas não correspondem ao conceito de insumo pois não estão diretamente relacionados ao processo da fabricação do açúcar e do álcool. Mas pareceme que razão assistiria à recorrente. Como já visto anteriormente, o conceito de insumo não pode ficar adstrito ao haurido a partir da legislação do IPI. Separo a apreciação dessas glosas em dois itens. (a) As atividades das oficinas e de estocagem que atendem as outras atividades de preparo da cana de açúcar e de fabrico do açúcar e do álcool são parte do processo de produção. As despesas pagas a pessoas jurídicas para a manutenção dos equipamentos e instalações pertencentes às oficinas e depósitos dedicados ao processo de produção poderiam gerar creditamento. (b) Contudo, a recorrente não demonstrou se tratar de insumos ou como se integrariam com o processo de produção os serviços prestados por pessoa jurídica para os seguintes centros de custo: "MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL", ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO INDUSTRIAL", DIRETORIA INDUSTRIAL, FUNCIONÁRIOS AFASTADOS INDÚSTRIA, INCENTIVO VALE TRANSPORTE INDUSTRIAL, BRIGADA DE INCÊNDIO, donde concluiria que, por falta de comprovação e falta de previsão legal, elas não poderiam gerar crédito pelos valores pagos. Glosa das comissões e corretagens pagas a pessoas jurídicas (ex.: como as lançadas nas contas contábeis 6101232311) e as despesas com serviços coom documentação e indenizações eventuais A autoridade fiscal glosou por não ter relação com a produção. A recorrente não contestou especificamente essa glosa, e também não apresentou elementos que pudessem invalidála, nem demonstrou que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção. Glosa das despesas de transporte pagos a PJ a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não podem ser consideradas insumo e não podem gerar credito na apuração da contribuição em questão. Consultei os documentos que instruem este processo, as planilhas demonstrando a apuração das receitas, as despesas e os centros de custos e, nelas, vejo que as despesas de transporte de turmas e de transporte de empregados são alocadas nas contas 4301202001 e 4301202001, localizadas nessas planilhas de modo a Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 12 21 descrevêlas como pertencentes às operações propriamente agrícolas. Nesse ponto, entenderia que razão assistiria à recorrente quando se trata de custos agrícolas, pois elas se refeririam a transporte de pessoal no âmbito das colheitas, e, a meu ver, guardariam relação direta com a produção de cana de açúcar. Glosa referente às despesas com aluguel de veículos: A contribuinte havia classificado aluguel de veículos como despesas com aluguel de máquinas e equipamento, para se beneficiar do que dispõe o inciso IV e caput do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. A autoridade fiscal glosou os créditos decorrentes das despesas com aluguel de veículos, por entender que os veículos não podem ser considerados máquinas e equipamentos para os termos desse inciso da Lei. (...) A contribuinte não trouxe ao recurso demonstração de como os veículos alugados integraram o processo de produção da cana de açúcar ou do processo de fabricação do açúcar ou do alcool. Como explicado anteriormente, a meu ver, os fatores que concorrem diretamente em o processo de produção para a obtenção da receita tributável podem fazer jus à apuração de créditos. Mas a recorrente não provou o que alegou; ela permaneceu na argumentação que veículos são máquinas e equipamentos e que são insumos, mas não demonstra como, onde e quando os veículos alugados podem ser considerados máquinas e equipamentos e se integraram de fato no processo de obtenção da cana de açúcar, ou do açúcar, ou do alcool. A recorrente proporcionaria substância às suas alegações quando a elas juntasse provas ou demonstra prejuízo à verdade material. Mas não caberia à administração e ao tribunal administrativo suprir o que legitimamente se espera da contribuinte. Glosas de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas e despesas de arrendamento junto a pessoas fisicas a autoridade fiscal glosou arrendamento agrícola pago a pessoa física, despesas e gastos com serviços pagos a pessoas físicas (ex.: serviços de ensacamento e de geração de vapor caldeiras). Essas despesas e custos não poderiam gerar crédito para compensação, no entender da autoridade fiscal e dos julgadores de 1º piso. (...) Entendo que a legislação não acodiria a contribuinte: o § 5º do artigo 3º da Lei n. 10.833, de 2003, e a Lei n. 10.637/2002 (art. 3º § 10), admitiam que se pudesse deduzir da contribuição devida em cada período de apuração os créditos presumido calculado sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas e usados como insumos ao processo de produção. § o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 22 § o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do art. 2o; I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) A meu ver, correto foi o entendimento fiscal que identificou e delimitou os gastos pagos a pessoas físicas que podem dar direito ao aproveitamento de crédito presumido no mês de apuração do tributo (a partir de 01/02/2003, quando da edição da Lei 10.684/2003, art. 25, ao Introduzir o § 10 ao art. 3o da Lei 10.637/2002 e Lei 10.925/2004, art. 16,1. a). Lei 10.684 de 30 de maio de 2003, art. 25.). Ademais, para fins de apuração de crédito nos termos do artigo 3º da Leis n. 10.833/2003, as despesas de arrendamento pagos a pessoas físicas não poderiam ser aceitas face a prescrição disposta nessa lei de que só podem ser aceitos ao valores pagos a pessoas jurídicas. Glosa das despesas com aluguel e arrendamento rural A autoridade fiscal propôs a glosa das despesas com arrendamento agrícola e rural por não se enquadraram na hipótese do inciso IV do art. 3º das Leis em comento. Não consiguiria acompanhar a recorrente em sua argumentação de que o vocábulo 'prédios' desta hipótese legal abrange as propriedades rurais. A meu ver, não há essa equivalência e carece, no texto legal, a expressa autorização para creditamento desse tipo de gasto (arrendamentos rural e agrícola). Glosa (a) das despesas portuárias e (b) das despesas com documentação e estadias nas operações de exportação a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não faziam jus ao creditamento por que lhes falta a previsão legal. Elas se referem a gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação e embarque e estadia. A esse respeito a recorrente afirma, sem demonstrar, que elas estão ligadas diretamente ao processo de produção ou que elas deveriam ser consideradas como de frete ou armazenagem. (...) Concluo sublinhando que, a meu ver, as despesas glosadas não se confundem com o frete ou a armazenagem, nem poderiam ser consideradas insumos, como propõe a recorrente, e que não há previsão legal para o creditamento desse tipo de despesa. Glosas das despesas de exportação pela proporcionalidade das receitas de exportação Do valor das despesas portuárias não glosadas e das despesas de transporte rodoviário e frete marítimo , a autoridade fiscal aplicou o que dispõe o § 4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, c/c inciso III art. 15 da mesma Lei, ou seja, apurou o valor correspondente à proporção de receitas de exportação de bens adquiridos no mercado interno sobre o total das receitas. Pareceme correta foi a glosa, pois o texto do § 4º do artigo 6º da Lei n. 10.833, de 2003, c/c inciso III art. 15 da Lei 10.637/2002, é cristalino a respeito: art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 13 23 (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedado, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. A recorrente não contradita o fato de ser comercial exportadora e ter receita de exportação proveniente de bens adquiridos no mercado interno e exportados, nem contesta a apuração dos percentuais adotados pela autoridade fiscal para os cálculos. Foi correta a glosa pela proporcionalidade entre receitas de exportação e receitas de exportação com revenda, pois ela corresponde à prescrição legal que veda o aproveitamento de créditos de encargos desse tipo de receita de exportação por revenda. Sobre o mérito do pedido de ressarcimento, com relação ao saldo de crédito no 2º trimestre de 2005: Como vimos, este processo tem como objeto o pedido de ressarcimento de saldo de créditos de COFINS exportação ao final do 2º trimestre de 2005. Esse saldo seria o resultado, após se apurar os créditos de COFINS Exportação nos meses de abril maio e junho de 2005, da subtração dos valores usados como dedução da contribuição devida em cada um desses meses, e da subtração dos valores usados em pedidos de compensação. Os créditos de COFINS exportação estão sendo tratados pelos processos indicados a seguir: Período de apuração N. do processo Objeto do processo e processos vinculados Situação do processo abril de 2005 13888.001431/200510 pedido de reconhecimento de crédito COFINS Exportação; PERD/COMPs pedidos de compensação vinculados; 13888.001596/200591 aguardando apreciação de Recurso Especial da PFN pela CSRF. aguardando ciência do acórdão pelo contribuinte. maio de 2005 13888.001886/200535 pedido de reconhecimento de crédito COFINS Exportação; PERD/COMPs pedidos de compensação vinculados; 13888.002291/200505, 13888.001926/200549 aguardando apreciação de Recurso Voluntário pela 1ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção. junho de 2005 13888.002068/200550 pedido de reconhecimento de crédito COFINS Exportação; PERD/COMPs pedidos de compensação vinculados; 13888.003087/200501, decisão da autoridade administrativa é definitiva., pois contribuinte Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 24 13888.002818/200593, 13888.002577/200582, 13888.002378/200574, 13888.002292/200541. perdeu o prazo para recorrer. Com relação aos processos administrativos referentes ao crédito de COFINS Exportação de junho de 2005, a autoridade de jurisdição iniciou os procedimentos para a exigência dos valores devidos pelas compensações não homologadas. A contribuinte ingressou em juízo (em 10/08/2010) com a ação ordinária n.º 000661022.2010.403.6108. A sentença proferida este ano (16/03/2015) nos autos foi desfavorável à pretensão da contribuinte. Ela apelou ao Eg. Tribunal Regional Federal. Com relação aos demais períodos de apuração e respectivos processos administrativos, eles aguardam a conclusão do contraditório na esfera administrativa. Mas essa conclusão, a meu sentir, não conseguirá estabelecer os valores de crédito pleiteados pela contribuinte, de modo a gerar o saldo de crédito para o ressarcimento pedido neste processo. No processo 13888.002068/200550, o crédito de COFINS exportação do mês de junho é insuficiente para as compensações (PER/DCOMP) vinculadas, logo não há qualquer saldo residual a ser ressarcido. No processo 13888.001431/200510, o crédito de COFINS exportação do mês de abril de 2005 é insuficiente para as compensações (PER/DCOMP) vinculadas, logo não há qualquer saldo residual a ser ressarcido. E a apreciação pela CSRF do Recurso Especial da PFN mui provavelmente não vai aumentar esse crédito. No processo 13888.001886/200535, cujo recurso voluntário foi apreciado nesta sessão e foi dado provimento parcial, o crédito de COFINS exportação do mês de maio de 2005 é insuficiente para as compensações (PER/DCOMP) vinculadas, logo não há qualquer saldo residual a ser ressarcido. Não há saldo residual no 2º trimestre de créditos de Cofins Exportação passível de ressarcimento. Portanto, proponho a este colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Peço vênia para divergir do bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator apenas no que se refere à glosa das despesas com aluguel e arrendamento rural de pessoas jurídicas. Nesse ponto, propôs o i. Relator o não provimento do recurso, por entender que o vocábulo 'prédios' previsto no inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 não abrange propriedades rurais, não havendo, assim, expressa autorização para o creditamento desse tipo de gasto. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 14 25 Contudo, acredito que há direito de crédito nessa hipótese, pelos motivos a seguir. Como se verifica, a questão diz respeito à interpretação a ser dada ao inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que prevê o seguinte: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Mais especificamente, se a norma contida no dispositivo em apreço autorizaria o desconto de crédito relativo a despesas com arrendamento rural pago em favor de pessoa jurídica. Inicialmente, impende destacar que a utilização de créditos no âmbito da não cumulatividade do PIS e da COFINS não se traduz em benefício ou desoneração fiscal outorgado ao sujeito passivo, de modo que as regras que tratam do direito ao crédito não atraem, em sua interpretação, a aplicação do artigo 111, do CTN1. Isso porque, são regras necessárias à própria instituição, existência e operacionalização da nãocumulatividade. Nesse sentido, explica Marco Aurélio Greco2: “toda regra cuja função é desenhar a sistemática da não cumulatividade para formatála adequadamente à realidade de determinado setor, etapa do ciclo, modo de operação dos agentes econômicos etc. não é norma de desoneração ou de benefício. É norma de instituição da própria não cumulatividade. Ou seja, a não cumulatividade para existir e ser operacionalizada necessita da aplicação de regras técnicas de apuração do tributo adequado a ser recolhido; ou seja, o saldo apurado, depois da aplicação de ambos os conjuntos de regras (geradores de débito e de crédito). Por isso, o artigo 111 do CTN não é aplicável às regras que preveem o direito ao crédito, no âmbito do regime normal de não cumulatividade de PIS e COFINS”. Além disso, impendese reconhecer as dificuldades de se empreender em uma interpretação gramatical do termo “prédios”, para fins de aferição do direito de crédito no caso em análise, pois, como bem observado por Carlos Maximiliano “não basta obter o significado gramatical e etimológico; releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou estrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. (...) [deve o intérprete levar em conta] o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as gradações e finura do pensamento”3. Ainda, outro problema que se coloca é que, muitas vezes, o legislador não emprega o vocábulo na sua forma mais correta. Por esse motivo, Carlos Maximiliano adverte que “o intérprete não traduz em clara linguagem só o que o autor disse explícita e conscientemente; esforçase para entender mais e melhor do que aquilo que se acha expresso, o que o autor inconscientemente estabeleceu, ou é de presumir ter querido instituir ou regular, e não haver feito nos devidos termos, por inadvertência, lapso, excessivo amor à concisão, 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 “PIS e COFINS – Fretes pagos para o transporte de mercadorias” in PIS e Cofins à luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: volume 2 / Gilberto de Castro Moreira Junior, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). São Paulo: MP Ed. 2013. P. 350. 3 Maximiliano, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro. Forense. 2008. P. 90. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 26 impropriedade de vocábulos, conhecimento imperfeito de instituto recente, ou por motivo semelhante”4. (grifos nossos) Feitas essas considerações, no presente caso, entendo que não é essencial adentrar na discussão em torno do correto sentido do vocábulo prédio, se no significado de gênero que incluiria o “prédio rústico” e o “prédio urbano”, como defende a contribuinte, ou se no significado de uma acessão existente em um bem imóvel consistente em construções ou edificações, pois, ainda que o último sentido seja o adequado, como entendem aqueles que negam direito ao crédito, mesmo nessa hipótese, a meu ver, seria legítimo o direito de crédito. Isso porque, as acessões, nela incluindose as industriais, que aderem ao principal por intervenção da atividade humana, como é o caso de construções, assim como as benfeitorias, são expressamente reconhecidas pela lei como um bem acessório ao bem imóvel, bem principal, nos termos dos artigos 1.248, inciso V, e 96, da Lei nº 10.406/2002 (“Código Civil”). Dessa maneira, à luz do disposto no artigo 92 do Código Civil, pelo qual “principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal”, temse que o arrendamento de um prédio, assim considerado uma construção (coisa acessória), não se dará de forma independente e autônoma, mas pressupõe o arrendamento de uma construção (coisa acessória) mais o bem imóvel sobre o qual a mesma foi erigida (coisa principal). Logo, se é lícito ao contribuinte descontar créditos com relação ao arrendamento de um todo que compreende o acessório mais o principal, acredito que não existem razões para se vedar o desconto de créditos quando se tratar de arrendamento de um bem imóvel sem acessão coisa principal, que é parte do todo. E aqui é útil a aplicação das regras contidas no brocardo “no todo se contém a parte”, que se “baseia no argumento a majori ad minus, que parte da premissa de que a solução ou regra aplicável ao todo é também aplicável às suas partes. A norma que incide sobre um determinado contrato incide sobre cada cláusula daquele contrato. Buscar afastar da incidência da norma uma parte do “todo” de que ela trata, significa realizar uma distinção, criar uma exceção. As exceções não se presumem, devem estar previstas – ainda que implícita ou sistematicamente – no ordenamento jurídico”. Também aplicável o brocardo “não deve, àquele a quem o mais é lícito, deixar de ser lícito o menos”, ordinariamente expressa na frase “quem pode o mais pode o menos”5. Assim, nesse caso específico, entendo que a regra aplicável ao todo composto por principal mais acessório, deve ser aplicada somente ao principal (parte do todo), do mesmo modo que se ao contribuinte é lícito descontar créditos sobre arrendamento de principal mais acessório (o mais), a ele deve ser permitido descontar apenas em relação ao principal (o menos). Por fim, destaquese que essa mesma conclusão, pelo direito de crédito, foi alcançada pela 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, desta Seção, por unanimidade, no julgamento do Processo nº 13827.001007/201057 (Acórdão nº 3402002.396), no qual o douto ConselheiroRelator Gilson Macedo Rosenburg Filho expôs: “Já pontuei em momento passado neste voto que o art. 3º, IV das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, permite ao contribuinte descontar créditos referentes à alugueis de prédios, máquinas e equipamentos pagos a pessoa 4 Maximiliano, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro. Forense. 2008. P. 136. 5 SANTOS, Alberto Marques dos. Regras científicas da hermenêutica. Disponível em: <https://albertodossantos.wordpress.com/artigosjuridicos/regrasdahermeneutica/>;. Acesso em: 17.02.2016. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15892.000071/201062 Acórdão n.º 3401003.068 S3C4T1 Fl. 15 27 jurídica, desde que utilizados no processo produtivo da empresa. Por amor a coerência, parto dessa premissa para aceitar que na atividade agropecuária o arrendamento das terras a serem cultivadas equiparasse ao aluguel de prédios para implantação do parque fabril, previsto na legislação. Sem muitas delongas, reformo a decisão a quo para incluir no cálculo do crédito das exações o valor com o arrendamento das terras utilizadas no processo produtivo da sociedade”. Ante o exposto, voto no sentido de deferir o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte no item em questão, reconhecendo o direito de desconto de crédito em relação às despesas com aluguel e arrendamento rural de pessoas jurídicas, desde que utilizados nas atividades da empresa. É como voto. Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA , Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 13807.009933/2003-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor (Súmula 1°CC n° 2, do Primeiro Conselho de Contribuintes).
REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE.
Por força do disposto no § 10° do artigo 90 da Lei n° 9.249/1995, o valor dos juros sobre o capital próprio deve ser adicionado ao lucro contábil para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, relativa ao ano-calendário de 1996. A revogação da norma citada pela Lei n° 9.430/1996, somente produziu efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE.
Uma vez improcedente a tese de recolhimento a maior da CSLL do ano de 1996, verifica-se a inexistência do crédito que a interessada pretendeu compensar com o débito objeto do lançamento impugnado. A compensação somente é possível com créditos líquidos e certos em face das disposições do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Pedido de Diligência Indeferido. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1202-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e indeferir o pedido de realização de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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Recorrida T TURMATDRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor (Súmula 1°CC n° 2, do Primeiro Conselho de Contribuintes). REMUNERAÇÃO DO CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. Por força do disposto no § 10° do artigo 90 da Lei n° 9.249/1995, o valor dos juros sobre o capital próprio deve ser adicionado ao lucro contábil para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, relativa ao ano-calendário de 1996. A revogação da norma citada pela Lei n° 9.430/1996, somente produziu efeitos a partir de 1° de janeiro de 1997. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. Uma vez improcedente a tese de recolhimento a maior da CSLL do ano de 1996, verifica-se a inexistência do crédito que a interessada pretendeu compensar com o débito objeto do lançamento impugnado. A compensação somente é possível com créditos líquidos e certos em face das disposições do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Pedido de Diligência Indeferido. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e indeferir o pedido de realização de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente ado ELSON LgiS-0- pLO Presidente C • -1 I~BRIG ES ER Relator EDITADO EM: 9 MAR 2 fl Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Léu° Filho (Presidente de turma), Cândido Rodrigues Neuber, Valéria Cabral Geo Verçoza, Orlando José Gonçalves Bueno (Vice presidente de turrna),José Sergio Gomes(suplente convocado), Silvana Rescigno Guerra Barreto(su Sente convocada). 11° 2 Processo n° 13807.009933/2003-80 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.219 Fl. 2 Relatório CARREFOUR COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. recorre da decisão de primeira instância proferida pela r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo — SP I, assim relatada, in verbis: "Em decorrência de auditoria interna realizada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF referente ao 10 trimestre de 1998, foi lavrado o auto de infração de fls. 69, exigindo do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 3.965.440,37 (três milhões, novecentos e sessenta e cinco mil, quatrocentos e quarenta Reais e trinta e sete centavos). 2. De acordo com os ANEXOS I — DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS (fls. 71), Ib — RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCIT (fls. 72) e III — DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR (fls. 73), que instruíram o Auto de Infração, foi apurado, relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL devida em face do primeiro trimestre de 1998, que o contribuinte informou em DCTF a extinção desta exação mediante compensação com DARF não- localizado nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal. 3. Em razão de tal irregularidade foi exigida a CSLL no valor de R$ 1.440.720,96 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil, setecentos e vinte Reais e noventa e seis centavos), acrescida da multa de oficio (R$ 1,080.540,72 — um milhão, oitenta mil, quinhentos e quarenta Reais e setenta e dois centavos) e dos juros moratórios calculados até a data da autuação (R$ 1.444.178,69— um milhão, quatrocentos e quarenta e quatro mil, cento e setenta e oito Reais e sessenta e nove centavos). 4. O lançamento teve como enquadramento legal a legislação discriminada na folha de continuação do auto de infração (fls. 70). 5. Cientificado do auto de infração por via postal em 11/08/2003 (fls. 147), o contribuinte apresentou, em 10/09/2003, a impugnação de fls. 01/31, aduzindo, em sintese, que: 5.1. A autuação em foco deve ser revista, pois a CSLL devida em face do primeiro trimestre de 1998 foi extinta por compensação com valores recolhidos a maior de CSLL no ano- calendário de 1996. Este indébito decorre da Defendente ter incluído na base de cálculo da CSLL do ano-calendário de 1996 o valor da remuneração de seu capital, como determinava o §10 do art. 90 da Lei n°. 9.249/95. Contudo, em decorrência deste dispositivo ser totalmente ilegal e inconstitucional, por contrariar e infringir a legislação que instituiu a CSLL e desrespeitar princípios constitucionais estabelecidos na Carta Magna, os valores em comento adicionados à base de cálculo da CSLL acabaram gerando créditos passíveis de serem compensados com valores vincendos da mesma contribuição. 5.2. De fato, é induvidoso que a CSLL mantém total vinculação com a existência efetiva de lucro, que deve ser apurado de acordo com a legislação comercial, com a necessária dedução de todas as participações, dos prejuízos acumulados e da provisão para o Imposto sobre a Renda. Frisa- se que a concepção de lucro tem como fundamento a necessidade de confrontação, para sua apuração, entre despesas e receitas. 5.3. Em decorrência do conceito de lucro encontrar-se defmido com clareza na legislação comercial, é inapropriada a redefmição por parte da legislação tributária, em face da norma veiculada no art. 110 do Código Tributário Nacional — CTN. 3 5.4. Ate o advento da Lei n°. 9.249/95, o capital social das pessoas jurídicas era remunerado pela via indireta da correção monetária do balanço, a qual gerava uma despesa dedutível para fins de apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Nesse sentido, o capital da pessoa jurídica estava sujeito à correção monetária, que gerava despesa, de forma a compensar a utilização do capital próprio. Com o fim da correção monetária das demonstrações financeiras, apesar da existência de um tímido índice inflacionário, houve a necessidade de um mecanismo que remunerasse o capital, também dedutível na base de cálculo destes tributos. 5.4.1. O art. 90 da Lei n°. 9.249/95 previu que as pessoas jurídicas poderiam deduzir, para efeitos de apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata, da Taxa de Juros de Longo Prazo — TJLP. Contudo, este diploma legal, em arrepio ao art. 195, inciso I, da Constituição Federal, ao art. 110 do CTN e ao art. 189 da Lei n°. 6.404/76, permitiu esta dedução apenas em relação ao 1R.PJ. 5.5. Ao fazer a CSLL incidir sobre os denominados 'juros sobre o capital próprio', em decorrência da adição legalmente prevista, é evidente que esta exação está incidindo sobre o patrimônio da pessoa jurídica, caracterizando-se verdadeiro confisco, pois este dispêndio não é efetivo lucro. 5.6. Cumpre ainda enfatizar que o próprio governo federal, no ano posterior ao da publicação da malfadada Lei n°. 9.249/95, como ato de reconhecimento do aumento indevido da carga tributária das pessoas jurídicas, que foram compelidas a calcular e recolher a exação em questão sobre lucro fictício, revogou expressamente o seu art. 9°, §10 com a edição da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esta alteração legislativa acabou por convalidar o procedimento adotado pela Suplicante, que compensou seus créditos de CSLL originados nos meses de janeiro a outubro do ano de 1996, com o valor da mesma contribuição apurado em 01-01/98, que totalizou o montante de R$ 1.440.720,96. 5.7. Ressalte-se, ainda, que o10 do art. 9° da Lei n''. 9.249/95 somente poderia produzir efeitos a partir de 27/03/1996, pois, ao excluir deduções no processo de apuração da base de cálculo da CSLL acabou por majora-Ia, sujeitando-se à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, §6°, da Constituição Federal. 5.8. O Defendente transcreve excertos doutrinários e jurisprudenciais em animo de suas alegações, especialmente acerca da integral dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio da CSLL no ano-calendário de 1996. 5.9. 0 pedido reside na improcedência da lavratura. 6. O órgão competente encaminhou os autos para julgamento, ante o descabirnento da revisão de oficio do lançamento (fls. 148)." Decisão de primeira instância, fls. 151 a 162, julgou o lançamento tributário procedente em parte, sob os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa, fls. 151, in verbis: "ASSUMO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1998 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFICIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DOS REGISTROS CONTÁBEIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. A mera alegação de que os débitos lançados teriam sido compensados - ainda que declaradas tais compensações em DCTF - não basta para atestar-lhes a extinção. A compensação prevista no art. 66 da Lei n.° 8.383/91 deve estar consignada na escrituraçã. contábil por meio de lançamentos específicos Torna-se mais frágil 41y a." 4 Iffir Processo n° 13807.009933/2003-80 51-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.219 Fl. 3 ainda a alegação quando se observa não haver créditos compensáveis, vez que, no ano-calendário de 1996, em vedada a dedução dos valores pagos a titulo de juros sobre o capital próprio para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, em face de expressa determinação legal. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Sobre as diferenças apuradas em auditoria interna de DCTF, decorrentes de compensações informadas e incomprovadas, incidem somente acréscimos moratórias, em razão da aplicação retroativa (retroatividade benigna) da norma veiculada no art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 18 da Lei 11.488/07. Lançamento Procedente em Parte" A autoridade julgadora em primeira instância julgou parcialmente procedente o lançamento tributário em virtude de ter exonerado a exigência da multa de oficio de 75% reduzindo-a ao percentual de 20% a título de multa de mora, tendo consignado os seguintes fimdamentos às fls. 152, a saber: "Deixa-se de recorrer de oficio desta decisão ao 1° Conselho de Contribuintes, em razão da penalidade declarada indevida (R$ 792.396,53 — setecentos e noventa e dois mil, trezentos e noventa e seis Reais e cinqüenta e três centavos) ser inferior ao limite de alçada previsto no art. 1° da Portaria MT n° 03, de 07/01/2008." Cientificada dessa decisão em 21/11/2008, segundo "A. R." afixado às fls. 166, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/12/2008, fls. 169 a 212, instruído com os documentos de fls. 213 a 225, alegando em síntese: 1) a decisão a quo manteve o lançamento parcialmente sob as premissas de que: "a) a recorrente não prestou corretamente as informações em sua DCTF relativa ao 1° trimestre de 1998 e nem instruiu sua impugnação com os documentos contábeis necessários à efetiva aferição da relatada compensação com valores recolhidos a maior no ano-calendário de 1966, evidenciando que não foram preenchidos os requisitos exigidos para o procedimento previsto no artigo 66 da Lei n° 8.383/91; e b) não existem créditos compensáveis, 'vez que, no ano-calendário de 1996, era vedada a dedução dos valores pagos a título de juros sobre capital próprio para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, em face de expressa determinação legal." Assevera que essas premissas não podem prosperar por entender se encontrarem amparadas por norma infralegal em desconformidade com a disciplina correta sobre a matéria, havendo necessidade de se reformar a decisão recorrida; 2) necessidade de conversão do julgamento em diligência: a autoridade julgadora a quo deveria ter intimado a contribuinte a apresentar os supostos documentos necessários à comprovação de sua adequação aos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, ora juntados aos autos por cópias de folhas de livros Dário, Razão Analítico e capas de páginas de DIPJ, que comprovariam a regular escrituração fiscal e comercial da compensação e, por decorrência, a extinção do valor de CSLL questionado neste procedimen administrativo; cujas provas e circunstâncias relevantes para o caso caberia à autoridade fiscal considerar para uma decisão justa e legal; a DRJ em São Paulo deveria ter convertido o julgamento em diligência evitando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte provocado pela ausência de extensiva e necessária análise de seus documentos fiscais e contábeis; pede que este Conselho converta o julgamento em diligência para que possam ser analisados os documentos acostados aos presentes autos e necessários à elucidação deste caso; 3) liquidez e certeza do crédito compensado: nesta parte repete as razões da impugnação, em síntese, pugnando pela inconstitucionalidade do art. 90, § 10, da Lei n° 9.249/95, que justificaria o direito de crédito utilizado para compensação de CSLL no primeiro trimestre do ano-calendário de 1998. Alfirn a contribuinte pede provimento ao recurso para que seja reconhecida a nulidade da decisão a quo, convertendo-se o julgamento em diligência, para que seja confirmada a regularidade formal e material da compensação que provocou a extinção da CSLL questionada neste feito, com a conseqüente anulação da exigência fiscal. É o relatório. to) Voto Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais e regimentais de admissibilidade. Dele conheço. Conforme relatado houve falta de recolhimento de CSLL relativa ao 1° trimestre de 1998, sob a justificativa da contribuinte de ter compensado o débito com crédito de CSLL que teria sido paga a maior no ano-calendário de 1996, em virtude de ter adicionado à base de cálculo da CSLL os valores da remuneração do capital próprio, conforme determinava o § 10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95, que vedava a dedutibilidade da referida remuneração da base de cálculo da CSLL, dispositivo legal que considerou inconstitucional. PRELIMINARES Dentre suas razões de defesa a contribuinte argüiu a nulidade da decisão recorrida por não ter convertido o julgamento em diligência para verificar a regularidade de sua escrituração comercial e fiscal no tocante à compensação ora litigada o que, no seu entendimento, também teria ocasionado cerceamento de defesa, alegadamente por ausência de uma extensiva análise de seus documentos fiscais e contábeis. A argüição de nulidade da decisão a quo e de cerceamento do direito de defesa é improcedente. A contribuinte na sua impugnação não requereu a realização de diligência, tendo argüido apenas questão de direito atinente a inconstitucionalidade do § 10, do art. 90, da Lei n° 9.249/95. Em grau de recurso voluntário, lança falsa premissa de que a autoridade julgadora recorrida tinha dúvidas a respeito da regularidade de sua escrituração comercial e fiscal relativamente à compensação empreendida e que forçosamente deveria ter convertido o Processo n° 13807.009933/2003-80 SI-C2T2 Acórdão o.° 1202-00.219 Fl. 4 julgamento em diligência para aclarar essas dúvidas, tentativa nítida da recorrente de criar pretexto para sustentar a alegada nulidade da decisão de primeira instância. A razão não lhe assiste. No processo administrativo fiscal da União as autoridades julgadoras devem realizar diligências e perícias apenas quanto entendê-las indispensáveis à solução do litígio, como se vê das disposições do art 18 do Decreto n o 70.235/72: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1. 0 da Lei n.° 8.748/1993)" (Destaquei). A contribuinte tem o direito de pugnar pela realização de diligência, mas não tem o direito de ditar ou impor ao julgador essa atitude para, na seqüência, pugnar pela nulidade da decisão. A alegada dúvida impingida ao julgador inexiste, pois dentre suas razões de decidir, no item 11 e seus subitens da decisão, fls. 155, ao fazer menção ao fato de que a compensação não fora regularmente informada em DCTF e que deveria ser comprovada mediante a apresentação da escrituração contábil, fê-lo vinculado e na seqüência da análise e constatações especificadas a partir do item 9 da decisão, fls. 154, cujos fundamentos do item 11 foram pela recorrente tomados isoladamente, fora de seu contexto, como se vê da íntegra da referida fundamentação, itens 9 a 1 1 da decisão, fls. 154 e 155, in verbis: 9. A impugnante alega que o débito lançado teria sido compensado com suposto crédito da mesma contribuição resultante de recolhimento da CSLL no ano-calendário de 1996 sobre os juros sobre o capital próprio, adicionados à apuração desta exação com fulcro na norma ventilada no art. 9°, §10, da Lei no . 9.249, de 26/12/1995. 10. Inicialmente, verifica-se que é incontroverso que o contribuinte não informou a aventada compensação em DCTF, pois indicou que teria empreendido compensação com o seguinte DARF: PA 31/03/1998 — Data de Vencimento: 10/04/1998 — Valor Principal: RS 1.440.720,96 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil, setecentos e vinte Reais e noventa e seis centavos — fls. 149). Deste modo, como este pagamento não se refere à CSLL recolhida em face do ano-calendário de 1996, conclui-se que a compensação deduzida na defesa não foi informada na DCTF. 11. A compensação ventilada na impugnação, que não foi regularmente informada em DCTF, deveria ser comprovada mediante a apresentação da escrituração contábil do contribuinte, especialmente pelos registros contábeis contemporâneos à mesma, pois a Defendente, no ano-calendário de 1998, sujeitava-se à tributação pelo lucro real, conforme consta da DCTF que embasa a autuação (fls. 149). Ressalte-se que tal encontro de contas poderia ser registrado unicamente na escrita contábil do sujeito passivo, conforme determinava o art. 66 da Lei n°. 8.383, de 30/12/1 1, com a redação atribuída pela Lei n°. 9.069, de 29/06/1995, in verbis: 7 'Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente.' (Redação dada pela Lei n°9.069. de 29.6.199) 11.1. Frise-se, neste diapasão, que o Defendente encontrava-se obrigado a manter e conservar a escrituração relativa ao ano-calendário de 1998 com observância das leis comerciais e fiscais enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, conforme dispunham os artigos 197 e 210 do RIR11994 (correlatos dos artigos 251 e 264 do RIR/1999): 'Art. 197. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais «fiscais (Decreto-lei n.° 1.598/77, art. 7°). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, bem como os resultados apurados em suas atividades no território nacional (Lei n°2.354/54, art. 2°). Art. 210. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-lei n°486/69, art. 4°). § 1 0 Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decreto-lei n.° 486/69, art. 10). 11.2. Entretanto, o contribuinte não acostou aos autos os livros contábeis suficientes para a comprovação da efetiva realização desta compensação, o que já inviabilizaria o reconhecimento deste encontro de contas. Reforce-se, por relevância, que a mera alegação de que os débitos lançados teriam sido compensados não é suficiente para atestar-lhes a extinção, pois a modalidade de compensação a que se refere o art. 66 da Lei n o. 8.383/91 deve estar consignada na escrituração contábil por meio de lançamentos específicos, cabendo ainda ao sujeito passivo, além de exibir esses registros contábeis, comprovar a existência dos créditos utilizados. Ui" Os fatos e constatações mencionados no item 10 da decisão recorrida não foram ilididos pela recorrente. Assim, neste ponto dessume-se que também é improcedente a argüição de cerceamento do direito de defesa, pois como se verifica nos itens 9 a 11 da decisão recorrida, aqui transcritos, houve detalhada e extensiva análise dos elementos de provas presentes nos autos, além de que o lançamento tributário não foi efetuado sob a acusação de falta de escrituração comercial e fiscal da compensação em litígio, mas por inexistência do alegado crédito de CSLL que seria oriundo de recolhimento a maior no ano-calendário de 1996, aí) 14)I Processo n° 13807.009933/2003-80 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.219 Fl. 5 fundamentos da acusação fiscal consignados no auto de infração, que a contribuinte demonstrou claro entendimento, tendo se defendido em extensas peças de defesas, na impugnação e no recurso voluntário, onde expõe seus procedimentos adotados a partir de seu particular entendimento sobre a alegada inconstitucionalidade do §10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95, segundo se dessume da análise dos documentos de fls. 71 a 73 e 149. Dessarte, rejeito as preliminares de nulidade da decisão recorrida e de cerceamento do direito de defesa. DILIGÊNCIA A realização de diligência solicitada pela contribuinte no recurso voluntário, "..., para que seja efetivamente confirmada a regularidade formal e material da compensação que provocou a extinção da CSLL questionada neste feito, ..." e tendo em vistas as cópias de peças da escrituração comercial e fiscal carreadas aos autos com o recurso voluntário, fls. 215 a 225, pelos mesmos fundamentos declinados no item anterior mostra-se desnecessária. Como fundamentado no item anterior, quando da análise das questões preliminares, verifica-se que o lançamento tributário não foi efetuado sob a acusação de falta de escrituração comercial e fiscal da compensação em litígio, mas por inexistência do alegado crédito de CSLL (fls. 71 a 73e 149) que a contribuinte assevera ter direito e seria oriundo de recolhimento a maior no ano-calendário de 1996, segundo a acusação fiscal consignada no auto de infração. Assim, mesmo que comprovada a regular escrituração comercial e fiscal da compensação em litígio, este aspecto não empresta legitimidade à compensação glosada e nem gera direito à contribuinte, visto que o núcleo do litígio refere-se à inexistência do pretenso crédito de CSLL utilizado na compensação, questão de direito atinente à alegada ineonstitucionalidade do §10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95, analisada a seguir, em sede de mérito. Nesta ordem de raciocínio indefiro o pedido de realização de diligência. Quanto ao mérito anoto que este Colegiado na assentada de 07/12/2009, processo n°11831.000429/2002-19, recurso voluntário n°178.638, acórdão n°1202-00.200, de interesse da mesma empresa e versando sobre questão idêntica, porém relativa ao ano- calendário de 1997, por unanimidade votos decidiu manter a exigência fiscal lá discutida, cujos fundamentos, igualmente, aplicam-se ao presente caso, in verbis. "[...1 A autoridade julgadora recorrida procedeu escorreitamente ao não analisar a argüição da recorrente de que a Lei n° 9249/95 padece de ilegalidade e de inconstitucionalidade visto tratar-se de questão que refoge da sua competência legal. A apreciação de hipotética violação de princípios constitucionais e legais citados no recurso voluntário é matéria reservada e deve ser solucionada no âmbito do Poder Judiciário, sendo defeso aos julgadores na esfera administrativa decidir sobre essa questão. Por oportuno, a Súmula n° 2, dispõe neste sentido, seguinte enunciado: (71 9 "Súmula 1°CC n°2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." As Súmulas de n° I a 15, do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, foram publicadas no Diário Oficial da União, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006. Assim, não houve a alagada ofensa ao disposto no inciso LV, do art. 5°, da Constituição Federal, pois a contribuinte vem exercendo todos os recursos e meios de defesa possíveis legalmente no âmbito do processo administrativo fiscal da União. As disposições do § 10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95 vigeram para os fatos geradores da CSLL ocorridos no ano-calendário de 1996 e somente foram revogadas, pelo art. 88 da Lei n°9430/96, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997. Ademais, as compensações de débitos tributários somente podem ocorrer com créditos líquidos e certos a teor do disposto no caput do art. 170 do Código Tributário Nacional, a saber: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." No caso dos autos inexiste o alegado crédito de CSLL oriundo do ano-calendário de 1996, que pudesse ser utilizado no ano-calendário de 1997, pois naquele período a contribuinte cumpriu a legislação então vigente e apurou a base de cálculo da CSLL em consonância o mandamento legal esculpido no § 10, do art. 9°, da Lei n°9.249/95. A noventena constitucional para cobrança da CSLL referente ao ano-calendário de 1996, pleiteada pela recorrente em face da edição da Lei n° 9.249/95, não tem razão de ser, pois, em primeiro lugar, nestes autos discute-se falta de recolhimento de CSLL relativa ao 1° trimestre de 1997 e, em segundo lugar porque o § 10, do art. 9 0 , da Lei 9.249/95, ao determinar a adição dos juros sobre o capital próprio a base de cálculo da CSLL não instituiu e nem aumento a referida contribuição visto que os pagamentos a esse titulo já eram indedutiveis, não havendo assim que obedecer a noventena prevista no art. 19$, § 6° ,da Constituição Federal de 1988. Afasto também o entendimento da contribuinte de que as disposições do § 10, do art. 9°, da Lei n°9.249/95, ao vedar a dedutibilidade da remuneração do capital próprio, na apuração da base de cálculo da CSLL, contraria o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, o artigo 110 do Código Tributário Nacional e o artigo 189 da Lei n° 6.404/1976, por representar alteração da definição, do alcance e do conteúdo do conceito de lucro. No § 10, do art. 9°, da Lei n° 9.249/95 nada existe, sequer remotamente, que lembre alteração do conceito de lucro, típico da legislação comercial, e que permaneceu incólume, tendo o legislador ordinário laborado exclusivamente na seara tributária ao admitir no caput do art. 9° a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio na apuração do "Lucro Real termo técnico da legislação fiscal do M.PJ, bem como no seu § 10, ao determinar a adição ao lucro líquido, para determinação da base de cálculo da CSLL, do valor da remuneração do capital próprio. A exigência fiscal ora discutida e sua conseqüente manutenção pela autoridade julgadora de primeira instância é corroborada pela jurisprudência administrativa oriunda da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, em grau de recurso especial administrativo, como se vê dos seguintes julgados: 1°) Processo n° 16327.000507/98-99, Recurso n° 123.065, Ac. .70 n° CSRF/01- 04.708, de 13/10/2003: Cl) ro Processo n° 13807.00993312003-80 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.219 Fl. 6 'DECISÃO: Pelo voto de QUALIDADE NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator), Dorival Padovan, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Victor Luis de Saltes Freire, Remis Almeida Estol, José Ribamar Barros Penha, Wilfrido Augusto Marques, Mário Junqueira Franco Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias.' EMENTA: `CSLL — JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE — TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL MENSAL — VIGÊNCIA DO PARÁGRAFO 10, DO ARTIGO 9°, DA LEI N° 9.249/95 — ANTERIORIDADE MITIGADA — REVOGAÇÃO PELO ARTIGO 88 DA LEI N' 9.430/99: As contribuições sociais somente poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da Lei que a houver instituído ou majorado (Art. 195, § 6° da CF) (Ac. Um. r Turma STF, RE n° 195.333-1/CE Rel Min. Marco Aurélio). Porém, no caso específico, mercê da legislação anterior impedir a exclusão dos juros sobre o capital próprio da base de cálculo (Art. 49 da Lei n° 4.506/64), por inexistir tributação a afastar, a anterioridade mitigada não pode beneficiar a recorrente. CSLL - JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE — INÍCIO - Somente a partir de 1° de janeiro de 1997 é dedutível, na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o montante dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, por força da revogação do § 10 do art. 9° da Lei n° 9.249/95 promovida pelo inciso XXVI do art. 88 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado.' 2°) Processo n° 13808.001556/00-43, Recurso n° 127.789 Acórdão n° CSRF/01- 05.015, de 09/08/2004: 'DECISÃO: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Declararam-se impedidos de participar do julgamento os Conselheiros Victor Luís de Sanes Freire e José Henrique Longo' EMENTA: 'JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO — São indedutíveis da base de cálculo da CSL os juros sobre o capital próprio durante todo ano calendário de 1996. Os juros sobre o capital social eram indedutíveis das bases de cálculo do lucro real e da CSL até 31.12.95 (RIR-94 ART. 287). O artigo 9° do parágrafo 10° da Lei 9.249/95, ao determinar a adição dos juros sobre o capital próprio à base de cálculo da CSL não instituiu e nem aumento a referida contribuição uma vez que os pagamentos a esse titulo já eram indedutiveis, não havendo assim que obedecer a noventena prevista no artigo 195 parágrafo 60 da Constituição Federal de 1988. Recurso provido.' 3°) Processo n° 10980.001882/2001-87, Recurso n° 136.481 Acórdão n° CSRF/01- 05.207, de 14/03/2005: 'DECISÃO: Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Victor Luis de Salles Freire e José Carlos Passuello que deram provimento ao recurso.' EMENTA: (r `CSL - JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - DEDUT1BILIDADE - INICIO - Somente a partir de 1° de janeiro de 1997 é dedutivel, na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o montante dos juros pagos ou creditados a titulo de remuneração do capital próprio, por força da revogação do §10 do art. 90 da Lei 9249/95 promovida pelo art. 88, XXVI, da Lei 9430/96. Recurso especial negado.' CONCLUSÃO Na esteira destas considerações oriento o meu voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, indeferir o pedido de realização de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2010 .11-1 ; IDO e r: SN 1: CL(-1) 12
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720481/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO CONFIGURADA
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo Colegiado no recurso.
Não demonstrada os pressupostos que ensejam a oposição de Embargos de Declaração, devem os mesmo serem rejeitados.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3402-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, conforme o contido neste voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955 e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO CONFIGURADA Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no Acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo Colegiado no recurso. Não demonstrada os pressupostos que ensejam a oposição de Embargos de Declaração, devem os mesmo serem rejeitados. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, conforme o contido neste voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 81 /2 01 2- 30 Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955 e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A., em 17/06/2016 (1.158), ao amparo do art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face da ciência, em 15/06/2016 (1.111), do teor do Acórdão nº 3402003.000, de 26/04/2016 (fls. 1.051/1.093), que deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo Embargante, cuja ementa se transcreve a seguir: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO NÃO CONSTATADO. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Não constatado o pagamento, não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173, I, do CTN. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INSUMOS ORIGINÁRIOS DA ZFM. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A manutenção do crédito de que trata o art. 6º, § 1º, do DecretoLei nº 1.435/75 é aplicável desde que: a) o produto tenha sido elaborado com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; b) o produto tenha sido adquirido de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental e cujo projeto (PPB) tenha sido aprovado pelo Conselho de administração da SUFRAMA; e c) o produto seja empregado pelo industrial adquirente como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao IPI. IPI. CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS. O princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles isentos, não há valor algum a ser creditado. MULTAS. EXCLUSÃO. ART. 486, II, DO RIPI/2002. Com base no art. 486, II, "a" do RIPI/2002, excluise a penalidade em relação àqueles que agiram de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 19311.720481/201230 Acórdão n.º 3402003.248 S3C4T2 Fl. 1.201 3 Os autos referemse a exigência de crédito tributário decorrente de infração relativa ao creditamento do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), relativo às aquisições de produtos isentos do imposto, efetuadas junto a fornecedor domiciliado na Zona Franca de Manaus (ZFM), no período de 01/07/2007 a 30/09/2008. No respectivo Acórdão, restou consignado que: (i) não reconheceu a decadência do crédito tributário de IPI constituído relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 21.12.2007, afastando a aplicação do art. 150, § 4°, e aplicando o art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN); (ii) não considerou que os concentrados foram beneficiados pelo art. 6o do DL n° 1.435/75; (iii) considerou que não há crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus consoante os REEs n°s 353.657, 370.682 e 566.819; (iv) não aplicou a coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834, para extinguir o crédito tributário ora questionado; e (v) excluiu a multa de oficio consoante o art. 486, II, "a", do RIPI/2002, cuja base legal é o art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64, por força do art. 26A do Decreto n° 70.235/72 e do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Cientificado do referido Acórdão, a Recorrente apresentou os Embargos de Declaração apontando omissão, contradição e inexatidão material no referido julgado (fls. 1.113/1.132, do eprocesso). Posto isto, a Embargante colaciona a seguir, no seu entender, os vícios apontados pelo Acórdão embargado, na parte em que manteve a glosa e a exigência do crédito tributário, os quais justificam a oposição dos Embargos de declaração: 1. PRESENÇA DE ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO EMBARGADO Alega que consta como "Voto Vencido" no titulo do voto do Relator e dessa forma, deve ser sanado o referido erro material, para que o titulo do voto do relator conste como "vencido apenas quanto à exclusão da multa de oficio", uma vez que negouse provimento quanto as demais matérias. 2. CONTRADIÇÃO QUANTO À APLICAÇÃO DO ART. 124, PARÁGRAFO ÚNICO, III, DO RIPI/2002 Alega a Embargante em seu recurso voluntário que o crédito tributário exigido até o período anterior a 21/12/2007 estaria extinto por força da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Por outro lado o Acórdão embargado reconheceu que o auto de infração glosou créditos de IPI, os quais foram utilizados pela ora Embargante. Que além disso, o Acórdão embargado transcreveu o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, e afirmou que o mesmo contempla a hipótese em que o contribuinte nada recolheu por DARF, por entender que nada tem a recolher, ou seja, o juízo de valor quanto à admissão ou não do crédito é realizado pelo próprio contribuinte. No entanto, o Acórdão embargado conclui que o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, só se aplicaria à hipótese em que os créditos fossem admitidos pelo Regulamento do IPI. Assim, argumenta que teria incorrido em contradição, porque a conclusão o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, só se aplicaria à hipótese, em que os créditos fossem admitidos Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 pelo Regulamento do IPI, não decorre da premissa por ele adotada de que o referido dispositivo contempla a situação em que o contribuinte entende que nada tem a recolher em DARF, "... simplesmente porque entende nada ter a recolher". Desta forma, requer que seja desfeita a referida contradição para que prevaleça a premissa adotada no entender da Embargante e não a conclusão do Acórdão, e que seja reconhecida a decadência, porque tal premissa está de acordo com o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, que não contempla qualquer qualificativo restritivo. Assim, deve ser sanada a contradição e reconhecida a decadência do crédito tributário anterior a 21.12.2007. 3. DAS CONTRADIÇÕES À OBSERVÂNCIA DOS ATOS DA SUFRAMA E DA OBSERVÂNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS POR ELA EMITIDOS Aduz que em seu Recurso Voluntário, informou que a SUFRAMA teria competência exclusiva para aprovar projetos industriais para fins de fruição do beneficio fiscal previsto no art. 6º do DL n° 1.435/75, consoante o art. 176 do CTN, e que, exercendo essa sua competência exclusiva, a SUFRAMA aprovou as Resoluções do CAS n° 387/93 e 298/2007, integradas pelos Pareceres Técnicos n°s 088/93 e 224/2007, respectivamente. No entanto, o Acórdão Embargado reconheceu que a SUFRAMA tem competência exclusiva para aprovar projetos de empresas, que objetivem usufruir do beneficio fiscal previsto no art. 6º do DL n° 1.435/75, consoante o art. 176 do CTN, que determina que a isenção pode ser restrita a determinada região, de acordo com suas condições peculiares (reproduz trecho do Acórdão). Desta forma, o Acórdão concluiu que o Fisco teria competência para desconsiderar os atos da SUFRAMA que aprovaram o projeto industrial para fins de fruição do beneficio previsto no art. 6º do DL n° 1.435/75 (reproduz trecho). Reclama que, se o Acórdão Embargado parte da premissa de que a SUFRAMA tem competência exclusiva para aprovar projetos industriais para fins de fruição de beneficio fiscal, e é contraditório o mesmo Acórdão concluir, que o Fisco tem competência para desconsiderar os atos que a SUFRAMA emitiu, no exercício de sua competência exclusiva. 4. DOS VÍCIOS QUANTO À PLENITUDE DO PEDIDO FORMULADO NO MSC, DA AUTORIDADE DA COISA JULGADA FORMADA EM MSC PERANTE A UNIÃO FEDERAL INAPLICABILIDADE DA DECISÃO PROFERIDA RCL N° 7.778 DO STF Aduz que em seu recurso voluntário, a Embargante alegou ser aplicável ao presente caso a coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834, que assegurou a todos os associados da AFBCC o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Transcreve o pedido formulado no referido MSC. Não obstante, o Acórdão embargado não aplica a coisa julgada à Embargante, que é associada da AFBCC, sob o fundamento de que essa coisa julgada beneficiaria apenas os associados vinculados ao Delegado da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, autoridade coatora indicada no MSC. Cita trechos do Acórdão Embargado. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, qual seja, o pedido do referido MSC é amplo, sem qualquer limitação territorial, porque determina a ciência de todas as autoridades; dessa Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 19311.720481/201230 Acórdão n.º 3402003.248 S3C4T2 Fl. 1.202 5 premissa adotada só poderia decorrer a conclusão de que a coisa julgada lá formada seria aplicável a todos os associados da AFBCC. Nesse passo, deve ser desfeita a referida contradição para que prevaleça a premissa adotada (e não a conclusão do ACÓRDÃO EMBARGADO), porque a premissa está em consonância com a jurisprudência do STF no sentido de que, em mandado de segurança, a parte é o ente público e não a autoridade coatora a este vinculada, como bem demonstrou a declaração de voto da Conselheira Thais de Laurentis Galkowicz. Dessa forma, devem ser aplicadas ao presente caso as decisões definitivas proferidas pelo STJ, em data posterior à decisão proferida na RCL n° 7.778 e em observância à sistemática de recursos repetitivos, que aplicaram a coisa julgada formada no referido MSC a outras associadas da AFBCC, localizadas em Ribeirão Preto e na Bahia, a saber, (i) REsp n° 1.117.887SP, pelo Ministro Castro Meira da 2a Turma do STJ (DJe de 15.03.2013) e (ii) REsp n° 1.295.383BA, pelo Ministro Benedito Gonçalves da Ia Turma do STJ (DJe de 21.08.2012) . 5. DAS CONTRADIÇÕES EM RELAÇÃO À JURISPRUDÊNCIA DO STF DA APLICAÇÃO AO PRESENTE CASO DO RE N° 212.484RS A Embargante também alegou que os 'concentrados' adquiridos da RECOFARMA fazem jus à isenção prevista no art. 9º do DL n° 288/67, relativa à aquisição de fornecedor situado na ZFM e, nos termos do RE n° 212.484RS, julgado pelo Plenário do STF, é assegurado ao adquirente do concentrado isento oriundo de fornecedor situado na ZFM o direito ao crédito do imposto relativo à sua aquisição. O Acórdão embargado adotou como premissas os fatos de que o Plenário do STF já decidiu, nos autos do RE n° 212.484RS, que o adquirente de insumo isento oriundo da Zona Franca de Manaus tem direito ao respectivo crédito de IPI e que essa questão será reexaminada no RE n° 592.891, no qual houve o reconhecimento da repercussão geral dessa matéria. No entanto ter adotado tais premissas, o Acórdão embargado concluiu que o entendimento do Plenário do STF manifestado no RE n° 212.484RS já teria sido superado por diversas decisões do STF nos REEs n°s 566.819, 353.657 e 370.682. Cita trechos dos Acórdãos referentes aos REEs. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, uma vez que, se os REs n°s 566.819, 353.657 e 370.682 tivessem reformado o entendimento do RE n° 212.484RS, especifico quanto à questão da Zona Franca de Manaus, não seria necessário o reconhecimento da repercussão geral justamente dessa mesma questão no RE n° 592.891. Por conseguinte, nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235/72, este CARF encontrase vinculado ao entendimento plenário do STF manifestado no RE n° 212.484. Informa que, em 25.05.2016, o Plenário do STF iniciou o julgamento do RE n° 592.891, submetido à sistemática de repercussão geral. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Solicita que deve ser sanada a contradição apontada para que seja reconhecido o direito de a Embargante ao crédito de IPI. Ao final, requer que sejam os presentes embargos admitidos, postos para apreciação do Colegiado, para que sejam conhecidos e providos para sanar os vícios apontados, com efeitos modificativos. Conforme Despacho do Presidente da 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara às fls. 1.200/1.201, os embargos foram admitidos e distribuídos a este Conselheiro para colocar o processo em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem Embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 dias contados da ciência do acórdão. DA TEMPESTIVIDADE A Embargante tomou ciência do Acórdão embargado em 15/06/2016. O prazo para oposição de embargos de declaração é de 5 (cinco) dias (art. 65, § 1º, do anexo II, do Regimento Interno do CARF) e, pois, os presentes embargos de declaração são tempestivos porque apresentados em 17/06/2016. Desta forma, os referidos embargos atendem aos requisitos de admissibilidade e deles se toma conhecimento. Assim, passemos a analisar todos os pontos em que a Embargante cita e solicita os aclaratórios. 1. PRESENÇA DE ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO EMBARGADO Alega que consta como "Voto Vencido" no titulo do voto do Relator e dessa forma, deve ser sanado o referido erro material, para que o titulo do voto do relator conste como "vencido apenas quanto à exclusão da multa de oficio", uma vez que negouse provimento quanto as demais matérias. De fato, como abordado pela Embargante, o Acórdão embargado contém descrito como "Voto Vencido" no começo do voto proferido pelo Relator. Porém, ao meu sentir, não há qualquer prejuízo a Embargante e não vejo como sanar tal erro material. Isto porque os Conselheiros estão atrelados ao uso do Programa Gerador de Decisões (PGD), que é aprovado pelo CARF (Ordem de Serviço nº 02/2010), que dispõe sobre os procedimentos para elaboração e formalização de acórdãos e resoluções no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Os textos das decisões serão editados exclusivamente mediante a utilização da versão atualizada do referido Programa Gerador de Decisões PGD. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 19311.720481/201230 Acórdão n.º 3402003.248 S3C4T2 Fl. 1.203 7 Didaticamente explicando, os procedimentos para caso de o Conselheiro Relator ter sido vencido (no todo ou em parte das matérias analisadas), devese, no referido Programa, clicar sobre o ponto do título "Voto" e, após, irá abrir o campo com o termo "vencido". O PGD trará a expressão "Voto Vencido" como título e irá abrir o campo com a expressão "Voto Vencedor" para o Redator Designado. E foi dessa forma que foi editado o acórdão, ou seja, dentro das normas reguladoras deste CARF. No entanto, pode ser verificado no Acórdão embargado que restou bem definido e claro o resultado do julgamento. Vejase: "(...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, para excluir a multa de ofício com base no art. 486, II, do RIPI/2002 (...),; (ii) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto às demais matérias". Portanto, entendo, que a indicação no título do voto do Relator como "voto vencido", mesmo que seja em parte, constatase que na parte Dispositiva do texto acima (resumo da decisão adotada), quedouse claro o real resultado do julgamento. 2. DA CONTRADIÇÃO QUANTO À APLICAÇÃO DO ART. 124, PARÁGRAFO ÚNICO, III, DO RIPI/2002 Em seu recurso, a Embargante aduziu que o crédito tributário exigido até o período 13/06/2006, estaria extinto por força da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Por outro lado o Acórdão embargado reconheceu que o auto de infração glosou créditos de IPI, os quais foram utilizados pela ora Embargante. Que além disso, o Acórdão embargado transcreveu o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, e afirmou que o mesmo contempla a hipótese em que o contribuinte nada recolhe por DARF, por entender que nada tem a recolher, ou seja, o juízo de valor quanto à admissão ou não do crédito é realizado pelo próprio contribuinte. No entanto, o Acórdão embargado conclui que o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, só se aplicaria à hipótese em que os créditos fossem admitidos pelo Regulamento do IPI. Assim, argumenta que teria incorrido em contradição, porque a conclusão o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, só se aplicaria à hipótese, em que os créditos fossem admitidos pelo Regulamento do IPI, não decorre da premissa por ele adotada de que o referido dispositivo contempla a situação em que o contribuinte entende que nada tem a recolher em DARF, "... simplesmente porque entende nada ter a recolher". Desta forma, requer que seja desfeita a referida contradição para que prevaleça a premissa adotada no entender da Embargante e não a conclusão do Acórdão, e que seja reconhecida a decadência, porque tal premissa está de acordo com o art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/02, que não contempla qualquer qualificativo restritivo. Assim, deve ser sanada a contradição e reconhecida a decadência do crédito tributário anterior a 21.12.2007. Pois bem. Entendo que não assiste razão a Embargante, senão vejamos. No que tange à decadência, argumenta que não houve recolhimento de IPI porque efetuada a dedução com créditos, o que, entende, não descaracteriza o ato de lançamento do contribuinte com fins de IPI, que caracterizaria o lançamento por homologação. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Entendo como equivocado o entendimento da Embargante, pois, em se tratando de créditos ilegítimos (não admitidos pelo legislação), como a seguir se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, não pode operar, uma vez que esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento. Vejase (destaquei): Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art.150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, com a subtração dos créditos ilegítimos da escrituração da Recorrente, os saldos credores passaram a ser devedores, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I, do CTN. E, como nestes autos, o fato gerador mais antigo ocorreu no primeiro período de julho/2007 (10/07/2007), de maneira que o prazo decadencial iniciaria em 01/01/2008. O lançamento, no entanto, aconteceu em 21/12/2012 (data da ciência no Auto de Infração às fls. 585), portanto, antes de transcorrer o prazo de 05 (cinco) anos (que ocorreria em 31/12/2012). Desta forma, no meu entender, não há contradição a ser reparada neste caso. 3. DAS CONTRADIÇÕES À OBSERVÂNCIA DOS ATOS DA SUFRAMA E DA OBSERVÂNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS POR ELA EMITIDOS Aduz a Embargante, que em seu Recurso Voluntário informou que a SUFRAMA teria competência exclusiva para aprovar projetos industriais para fins de fruição do beneficio fiscal previsto no art. 6º do DL n° 1.435/75, consoante o art. 176 do CTN, e que, exercendo essa sua competência exclusiva, a SUFRAMA aprovou as Resoluções do CAS n° 387/93 e 298/2007, integradas pelos Pareceres Técnicos n°s 088/93 e 224/2007, respectivamente. No entanto, o Acórdão Embargado reconheceu que a SUFRAMA tem competência exclusiva para aprovar projetos de empresas, que objetivem usufruir do beneficio fiscal previsto no art. 6º do DL n° 1.435/75, consoante o art. 176 do CTN, que determina que a isenção pode ser restrita a determinada região, de acordo com suas condições peculiares (reproduz trecho do Acórdão). Desta forma, o Acórdão concluiu que o Fisco teria competência para desconsiderar os atos da SUFRAMA que aprovaram o projeto industrial para fins de fruição do beneficio previsto no art. 6º do DL n° 1.435/75 (reproduz trecho). Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 19311.720481/201230 Acórdão n.º 3402003.248 S3C4T2 Fl. 1.204 9 Reclama que, se o Acórdão Embargado parte da premissa de que a SUFRAMA tem competência exclusiva para aprovar projetos industriais para fins de fruição de beneficio fiscal, é contraditório o mesmo Acórdão concluir que o Fisco tem competência para desconsiderar os atos que a SUFRAMA emitiu, no exercício de sua competência exclusiva. Nesse passo, deve ser desfeita a referida contradição, para que prevaleça a premissa adotada e não a conclusão do Acórdão, porque tal premissa está de acordo com os arts. 4, I, c, do Decreto n° 7.139/2010, 1º, IV e V, 15, III e 57, V e VI todos da Resolução do CAS n° 202/2006, que conferiram à SUFRAMA competência exclusiva para aprovar projetos industriais para fins de fruição do beneficio previsto no art. 6º do DL n° 1.435/75. Pois bem, não vislumbro tal contradição. Entendo que a Embargante está rediscutindo matéria já analisada e debatida no Acórdão embargado, o que não é permitido por via dos embargos. No entanto, com relação a esse tema, faço aclaramentos sobre o que foi decidido no Acórdão. É consabido que o Decreto Lei n° 1.435, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 7.139/2010 (art. 4º, I, c), outorgou à SUFRAMA a competência exclusiva para aprovar os projetos de empresas (PPB), que objetivem usufruir dos benefícios fiscais previstos no art. 6° do DL n° 1.435/1975, bem como para estabelecer normas, exigências, limitações e condições para aprovação dos referidos projetos, consoante o art. 176 do CTN. E quanto a essa competência legal não resta dúvida. Por outro lado, se compete à SUFRAMA administrar os incentivos relativos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental, cabe à Receita Federal do Brasil, órgão da Administração Tributária, a fiscalização do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), conforme o estabelecido no art. 91 da Lei nº 4.502/64 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002 (vigente à época dos fatos). Com relação a matéria discutida nos autos, o art. 82, III, do RIPI/02, define que a isenção prevista é condicionada ao atendimento dos seguintes critérios: (i) que o estabelecimento tenha projeto aprovado pelo CAS Conselho de Administração da SUFRAMA; (ii) que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional e (iii) que o estabelecimento seja localizado na Amazônia Ocidental. Examinandose a Resolução nº 298/2007 citada pela Embargante, restou cumprido, assim, a nosso ver, o primeiro requisito exigido, qual seja, autorização dada pela SUFRAMA. O projeto (PPB) da RECOFARMA estava aprovado pela SUFRAMA, no entanto devendo ser respeitadas pela empresa as condições impostas no art. 4º da Resolução: "4° DETERMINAR sob pena de suspensão ou cancelamento dos incentivos concedidos, sem prejuízo da aplicação de outras cominações legais cabíveis: I o cumprimento, quando da fabricação do produto constante do Art. 1º desta Resolução, do Processo Produtivo Básico estabelecido na Portaria Interministerial nº 8 MPO/ MICT/MCT, de 25 de fevereiro de 1998; Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 II a utilização de matériaprima regional de origem vegetal na elaboração dos produtos constantes do art 1° desta Resolução, segundo o Art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75; E essa, sim, foi a razão para que no Acórdão entendesse que uma das condições previstas no art. 82, III, do RIPI/02, não foi cumprida, qual seja, que o produto seja elaborado com matéria prima agrícola e extrativa vegetal de produção regional. Desse modo, ao contrário do alegado, no Acórdão embargado entendeuse que é certo que cabe a SUFRAMA aprovar projetos (PPB) às empresas que objetivem usufruir dos benefícios fiscais (inclusive os previstos no art. 6º do DL nº 1.435/75), mas também é legítimo que não há impedimento algum para que o Fisco e órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem as normas que estabelecem o direito isencional, o cumprimento das condições para fruição, e em específico para o caso, o alcance do vocábulo "regional" contido no art. 6º do Decreto Lei nº 1.435/75, pois a Resolução CAS/SUFRAMA nº 202/2006 e outras, não se pronunciou a esse respeito. 4. DOS VÍCIOS QUANTO À PLENITUDE DO PEDIDO FORMULADO NO MSC, DA AUTORIDADE DA COISA JULGADA FORMADA EM MSC PERANTE A UNIÃO FEDERAL INAPLICABILIDADE DA DECISÃO PROFERIDA RCL N° 7.778 DO STF Aduz a Embargante, que em seu recurso voluntário alegou ser aplicável ao presente caso a coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834, que assegurou a todos os associados da AFBCC o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Transcreve o pedido formulado no referido MSC. Não obstante, o Acórdão embargado não aplicou a coisa julgada à Embargante, que é associada da AFBCC, sob o fundamento de que essa coisa julgada beneficiaria apenas os associados vinculados ao Delegado da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, autoridade coatora indicada no MSC. Cita trechos do Acórdão Embargado. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, qual seja, o pedido do referido MSC é amplo, sem qualquer limitação territorial, porque determina a ciência de todas as autoridades; dessa premissa adotada só poderia decorrer a conclusão de que a coisa julgada lá formada seria aplicável a todos os associados da AFBCC. Nesse passo, deve ser desfeita a referida contradição para que prevaleça a premissa adotada (e não a conclusão do Acórdão Embargado), porque a premissa está em consonância com a jurisprudência do STF no sentido de que, em mandado de segurança, a parte é o ente público e não a autoridade coatora a este vinculada, como bem demonstrou a declaração de voto da Conselheira Thais de Laurentis Galkowicz. Dessa forma, devem ser aplicadas ao presente caso as decisões definitivas proferidas pelo STJ, em data posterior à decisão proferida na RCL n° 7.778 e em observância à sistemática de recursos repetitivos, que aplicaram a coisa julgada formada no referido MSC a outras associadas da AFBCC, localizadas em Ribeirão Preto e na Bahia, a saber, (i) REsp n° 1.117.887SP, pelo Ministro Castro Meira da 2a Turma do STJ (DJe de 15.03.2013) e (ii) REsp n° 1.295.383BA, pelo Ministro Benedito Gonçalves da Ia Turma do STJ (DJe de 21.08.2012) . Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 19311.720481/201230 Acórdão n.º 3402003.248 S3C4T2 Fl. 1.205 11 Novamente, tratase aqui de rediscussão da matéria já analisada no Acórdão embargado. No Acórdão ficou consignado que a eficácia da decisão proferida naquela MSC restringese os associados localizados sob a jurisdição territorial do órgão judiciário perante o qual foi interposta. O referido Mandado de Segurança Coletivo foi impetrado no Rio de Janeiro, exclusivamente em face de atos que viessem a ser praticados pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro (RJ). No caso concreto, é incontroverso que o contribuinte, está localizado no Município de Jundiaí/SP, sob a jurisdição de autoridade administrativa distinta da arrolada no pólo passivo do mandado de segurança coletivo. Portanto, a decisão judicial coletiva é inaplicável à Embargante, pois ela se encontra domiciliada na circunscrição fiscal da DRF Jundiái (SP). A decisão proferida no mandado de segurança coletivo somente beneficia os substituídos domiciliados na circunscrição fiscal da DRF Rio de Janeiro, uma vez que a autoridade coatora é o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro/RJ. Nesse sentido, o entendimento do Ministro Gilmar Mendes ao decidir o Agravo interposto na Reclamação 7.7781/SP, em relação à associada localizada na cidade de Ribeirão Preto SP, cuja decisão foi publicada no DJE nº 124/11, conforme se pode verificar em consulta à página de jurisprudência do STF na internet: (https://www.stf.jus.br/arquivo/djEletronico/DJE_20110629_124.pdf.). No bojo da referida decisão plenária, o Ministro Gilmar Mendes escreveu o seguinte: "(...). No entanto, por ter sido esta ação impetrada em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, seus efeitos se restringem aos associados estabelecidos no território de competência daquela autoridade administrativa. A decisão proferida no referido agravo de instrumento não beneficia o associado ora reclamante. Este se situa no Município de Ribeirão PretoSP, que tem, como competente para fiscalizar, seu respectivo Delegado da Receita Federal. (...)" No que concerne à aplicabilidade do art. 2A da Lei nº 9.494/1997 ao mandado de segurança coletivo em questão, destacase o seguinte excerto da referida decisão: "(...) Registrese, ainda, que o fato de o MSC nº 91.00477834 ter sido impetrado antes da mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. Ademais, o trânsito em julgado da decisão proferida na ação coletiva ocorreu já sob a égide do art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997.(...)" Em suma, o Acórdão recorrido entendeu que o mandado de segurança coletivo (MSC) não pode ter eficácia em todo o território nacional porque foi impetrado em Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 face do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro (RJ). Então é óbvio que os contribuintes que não estão localizados na circunscrição fiscal do Rio de Janeiro não podem ser beneficiados e nem prejudicados pela decisão proferida no MSC nº 91.00277834. Portanto, não vislumbro nenhuma contradição nesta parte do Acórdão. 5. DAS CONTRADIÇÕES EM RELAÇÃO À JURISPRUDÊNCIA DO STF DA APLICAÇÃO AO PRESENTE CASO DO RE N° 212.484RS A Embargante alega que os 'concentrados' adquiridos da RECOFARMA, fazem jus à isenção prevista no art. 9º do DL n° 288/67, relativa à aquisição de fornecedor situado na ZFM e, nos termos do RE n° 212.484RS, julgado pelo Plenário do STF, é assegurado ao adquirente do concentrado isento, oriundo de fornecedor situado na ZFM, o direito ao crédito do imposto relativo à sua aquisição. O Acórdão embargado adotou como premissas os fatos de que o Plenário do STF já decidiu, nos autos do RE n° 212.484RS, que o adquirente de insumo isento oriundo da Zona Franca de Manaus tem direito ao respectivo crédito de IPI e que essa questão será reexaminada no RE n° 592.891, no qual houve o reconhecimento da repercussão geral dessa matéria. No entanto ter adotado tais premissas, o Acórdão embargado concluiu que o entendimento do Plenário do STF manifestado no RE n° 212.484RS, já teria sido superado por diversas decisões do STF nos REEs n°s 566.819, 353.657 e 370.682. Cita trechos dos Acórdãos referentes aos REEs. Dessa forma, o Acórdão embargado incorreu em contradição, porque a sua conclusão não decorre da premissa adotada, uma vez que, se os REs n°s 566.819, 353.657 e 370.682 tivessem reformado o entendimento do RE n° 212.484RS, especifico quanto à questão da Zona Franca de Manaus, não seria necessário o reconhecimento da repercussão geral justamente dessa mesma questão no RE n° 592.891. Nesse passo, deve ser desfeita a referida contradição para que prevaleçam as premissas adotadas (e não a conclusão do Acórdão Embargado), porque estão em consonância com a jurisprudência do Plenário do STF que, no julgamento do RE n° 566.819 e de seus embargos de declaração, pacificou o entendimento de que permanece hígido o entendimento firmado no referido RE n° 212.484 (RS). Cita trechos da conclusão do Acórdão referido. Por conseguinte, nos termos do art. 26A do Decreto n° 70.235, de 1972, este CARF encontrase vinculado ao entendimento plenário do STF manifestado no RE n° 212.484 (RS). Solicita, pois, que deve ser sanada a contradição acima apontada para que seja reconhecido o direito de a EMBARGANTE ao crédito de IPI. Pois bem. Novamente se equivoca a Embargante. Primeiramente porque o Acórdão embargado não adotou tais premissas. Pelo contrário. Foi a Embargante quem trouxe em seu recurso voluntário as premissas "de que o Plenário do STF já decidiu, nos autos do RE n° 212.484RS, que o adquirente de insumo isento oriundo da Zona Franca de Manaus tem direito ao respectivo crédito de IPI e que essa questão será reexaminada no RE n° 592.891, no qual houve o reconhecimento da repercussão geral dessa matéria". Vejase trecho do Acórdão Embargado destacado (fls. 1.074), (grifouse): Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 19311.720481/201230 Acórdão n.º 3402003.248 S3C4T2 Fl. 1.206 13 "(...) Em seu recurso a Recorrente alega ainda que o STF, em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484RS, matéria idêntica a essa (reproduz trecho do voto), já concluiu que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (portanto, com o beneficio da isenção subjetiva regional) e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI tem direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para o próprio insumo, em face do principio da nãocumulatividade, em razão da sua autoaplicabilidade. E prossegue afirmando que em 29.09.2010, no julgamento do RE n° 566.819 RS, o STF, em sessão plenária, diferenciou a hipótese de isenção subjetiva regional de IPI da isenção objetiva, para fins de reconhecimento do respectivo crédito de IPI. Que nesse julgamento restou (i) decidido pelo Plenário do STF que o contribuinte não tinha direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos mas (ii) esclarecido que não se estava discutindo a hipótese relativa à aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus (isenção subjetiva), mas apenas caso de isenção objetiva. E prossegue afirmando que tanto é assim que o Plenário do STF, em 22.10.2010, nos autos do RE n° 592.891SP, reconheceu a existência de repercussão geral da questão especifica concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos beneficiados por isenção subjetiva, ou seja, oriundos de fornecedor situado na ZFM". Pelo visto, não se confirma o núcleo da alegação da Embargante, de que o Acórdão adotou como premissas o entendimento dado pelo RE 212.484(RS), que teria sido preservado pelas decisões posteriores do STF e que ele deveria ser aplicado à luz do art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto n. 70.235, de 1972. No entanto, pareceme necessário melhor esclarecer a situação apontada pela embargante e definida pelo Acórdão. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484/RS), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este CARF analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). A conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE nº 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE nº 592.891, este ainda pendente de julgamento no STF, como bem ressaltou a Embargante em seu recurso. Portanto, não se confirma o núcleo da alegação da Embargante, de que o entendimento dado pelo RE 212.484/RS, teria sido preservado pelas decisões posteriores do STF e que ele deveria ser aplicado à luz do art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 62, inciso I, do RICARF. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Conclusão Posto isto, pelos fundamentos acima expostos, voto no sentido de REJEITAR os Embargos de Declaração, mantendose o resultado do julgamento do Acórdão nº 3402003.000, de 26/04/2016, ora embargado. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Relator. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 19311.720481/201230 Acórdão n.º 3402003.248 S3C4T2 Fl. 1.207 15 Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/09/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10880.915887/2008-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/1999
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 87 /2 00 8- 93 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915887/200893 Acórdão n.º 9303003.954 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.838, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 313DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915887/200893 Acórdão n.º 9303003.954 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915887/200893 Acórdão n.º 9303003.954 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915887/200893 Acórdão n.º 9303003.954 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 316DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915887/200893 Acórdão n.º 9303003.954 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915887/200893 Acórdão n.º 9303003.954 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915887/200893 Acórdão n.º 9303003.954 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 319DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.720380/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 80 /2 00 9- 19 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720380/200919 Acórdão n.º 9202004.042 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720380/200919 Acórdão n.º 9202004.042 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720380/200919 Acórdão n.º 9202004.042 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720380/200919 Acórdão n.º 9202004.042 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720380/200919 Acórdão n.º 9202004.042 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720380/200919 Acórdão n.º 9202004.042 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16682.720169/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
A mudança de critério jurídico vedada pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de dois ou mais lançamentos fundados em premissas distintas. A inexistência de lançamento anterior não gera conflito positivo e em nada ofende o dispositivo legal, sendo de rigor a autuação sempre que presentes os requisitos vinculantes do artigo 142 do mesmo diploma legal.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CSLL. REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA INDIRETA NO EXTERIOR PELO LICENCIAMENTO DE DIREITOS SOBRE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INDEDUTIBILIDADE.
As remunerações pagas pela controlada à sua controladora no exterior, pelo licenciamento de direitos sobre programas de computador, ainda que de forma indireta, constituem royalties e são indedutíveis para efeito do Imposto de Renda e da CSLL.
PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS. INDEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
Numero da decisão: 1201-001.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, José Roberto e Ronaldo Apelbaum, que lhe davam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, José Roberto Adelino da Silva, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A mudança de critério jurídico vedada pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de dois ou mais lançamentos fundados em premissas distintas. A inexistência de lançamento anterior não gera conflito positivo e em nada ofende o dispositivo legal, sendo de rigor a autuação sempre que presentes os requisitos vinculantes do artigo 142 do mesmo diploma legal. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CSLL. REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA INDIRETA NO EXTERIOR PELO LICENCIAMENTO DE DIREITOS SOBRE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INDEDUTIBILIDADE. As remunerações pagas pela controlada à sua controladora no exterior, pelo licenciamento de direitos sobre programas de computador, ainda que de forma indireta, constituem royalties e são indedutíveis para efeito do Imposto de Renda e da CSLL. PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 69 /2 01 5- 82 Fl. 965DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, José Roberto e Ronaldo Apelbaum, que lhe davam provimento. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, José Roberto Adelino da Silva, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL lavrados contra a empresa em epígrafe e relativos à indedutibilidade de royalties no anocalendário de 2010. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Em ação fiscal direta, a empresa acima qualificada foi autuada em 28/01/2015, a recolher ou impugnar os créditos tributários no valor de R$ 368.740.428,78, a título de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica (IRPJ) e R$ 132.746.554,36 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), incluídos nesses totais multas e juros de mora calculados até 01/2015. O enquadramento legal para o Auto de Infração do IRPJ abrange os arts. 3º da Lei nº 9.249/95, arts. 247, 249 e 353, I do RIR/99; para a CSLL, art. 71, parágrafo único, da Lei nº 4.506/64, art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90, art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95, art. 2º da Lei nº 9.249/95, art. 1º da Lei nº 9.316/96, art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. Conforme descrição dos fatos, a fiscalização verificou em levantamento documental (fls. 618/624), relativamente ao período encerrado em 31 de dezembro de 2010, as seguintes irregularidades: 4.1. Não adição de despesas indedutíveis ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL. 4.1.1. IRPJ – Indedutibilidade de Royalties pagos a acionistas ou pessoas ligadas: Fl. 966DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 4 3 1) as despesas de licença de uso de software, configurando royalties de natureza de direito autoral, encontramse na regra geral e são indedutíveis quando pagas a sócios, de acordo com art. 353, I, do RIR/99; 2) No caso em questão, as remessas decorrentes dos gastos com licença de uso software foram pagas a International Business Machines Corporation (USA) e não às sócias IBM Américas Holding LLC (USADelaware) e IBM World Trade Asia Corporation (USA). Porém, essas duas últimas empresas pertencem a primeira empresa citada e constituem o mesmo grupo econômico; 3) a IBM Brasil Indústria, Máquinas e Serviços Ltda é uma subsidiária integral da International Business Machines Corporation (USA), através de sua sócia majoritária IBM Americas Holding LLC (USADelaware); 4) Esclarecese ainda que todas as empresas do grupo IBM são subsidiárias integrais controladas pela Internacional Business Machines Corporation (IBM); 5) Com efeito, restringir o alcance do artigo 71 da Lei n.º 4.506, de 1964, e admitir que o resultado expressamente vedado em lei (pagamento de royalties a sócios) seja atingido por via oblíquo, por meio de empresa do mesmo grupo, não tem coerência com o objetivo do artigo em questão; e, 6) Diante do exposto, cabe adicionar ao Lucro Real os custos com licenciamento para uso de software, no total de R$ 693.544.794,80, uma vez que tais despesas são indedutíveis, nos termos do art. 353, I, do RIR/99. CSLL – Indedutibilidade de Royalties pagos a acionistas ou pessoas ligadas: 1) Repisando, esta fiscalização considera que o inciso I do art. 353 do RIR/99 veda, de forma ampla, a destinação de royalties em benefício de sócios e de empresas do mesmo grupo econômico e 2) Desta forma, as despesas com licenças de Software, no montante de R$ 693.544.794,80, não são dedutíveis para fins de apuração da CSLL do anocalendário de 2010, nos termos do art. 2º da Lei n.º 7.689, de 1988, alterado pelo art. 2º da lei n.º 8.034, 1990; do art. 57 da Lei n.º 8.981, de 1995, com redação dada pela Lei n.º 9.065, de 1995; e art. 28 da Lei n.º 9.430, de 1996, razão pela qual cabe adicionar de ofício o referido valor à base de cálculo da contribuição e lançar o crédito tributário correspondente. Cientificada do feito em 02/02/2015 (fl.641), apresenta, em 25/02/2015, impugnação, de fls. 646/696, para todos os efeitos, arguindo, em síntese, o seguinte: Fl. 967DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 5 4 Violação do art.146 do CTN: Não pode a Fiscalização lavrar Autos de Infração utilizandose de critérios diversos de procedimentos de períodos anteriores, pois implica em modificação de critério jurídico só permitido para fatos geradores posteriores à sua implementação; A lei nº 9.609/98 não limita a autoria dos programas de computador a pessoas físicas; É protegido o direito autoral de programas de computador cuja titularidade pertença à pessoa jurídica estrangeira; O art. 5º do Decreto nº 75.699/75 assegura aos titulares dos direitos autorais estrangeiros os mesmos direitos assegurados aos titulares nacionais independentemente de formalidades; As despesas assumidas pela interessada com o contrato de licenciamento de software firmado com a IBM americana não podem ser consideradas como royalties; Não são equiparados a royalties os pagamentos a título de exploração de direito autoral efetuados ao próprio criador do bem ou da obra nos termos do art.22, alínea “D” da Lei nº 4.506/64, portanto se constituindo de despesa dedutível nos termos do art.299 do RIR/99; As despesas incorridas com o contrato de licenciamento de software firmado com a IBM são dedutíveis por representarem uma despesa necessária; O art. 71, § único, alínea “d” da Lei nº 4.506/64 não impede a dedução de despesas de royalties pagas a sócios pessoa jurídica, tornando o art.353, I do RIR/99 ilegal; O art. 353, I do RIR/99 extrapolou o art.71, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 4.506/64, dada a sua inferior hierarquia; A vedação do art.71, § único, “d” da Lei nº 4.506/64 não atinge os pagamentos efetuados a título de royalties a sócio pessoa jurídica; Não é aplicável a vedação contida no art.71, § único, alínea “d” da Lei nº 4.506/64 e art.353, I, do RIR/99 a royalties pagos a pessoas jurídicas controladas indiretas. A International Business Machines Corporation não é sua sócia; É inaplicável as regras de dedutibilidade de royalties ao cálculo da CSLL; Não é permitida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; Os juros somente se aplicam aos tributos e contribuições não extensível às penalidades. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 6 5 Em sessão de 26 de maio de 2015 a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve os créditos lançados. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Conquanto a questão central em debate seja a natureza jurídica dos pagamentos efetuados e a possibilidade ou não de sua dedutibilidade como despesas, a defesa apresenta diversos argumentos, que serão analisados de forma tópica. 1. Da mudança de critério jurídico, em ofensa ao artigo 146 do CTN O artigo 146 do Código Tributário Nacional estabelece que: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. De se notar que o comando normativo diz respeito ao ato do lançamento (o que se depreende, inclusive, do próprio capítulo em que redigido) e, nesse sentido, não há qualquer obstáculo para que, em períodos subsequentes, ocorra mudança nos fundamentos da autuação. Cada lançamento é independente no tempo e no espaço, da mesma forma como são os atos administrativos que os veiculam no mundo real. Para tributos distintos ou períodos de apuração diferentes nada impede que os fundamentos da autuação sejam também alterados, até porque o direito funciona de modo dialético e em constante mutação, inclusive de ordem interpretativa. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 7 6 O que se deve garantir é o pleno conhecimento dos fundamentos legais e fáticos da autuação, para que o Contribuinte, devidamente intimado, possa exercer as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Ressaltese, nesse cenário, o comando exarado pelo artigo 144, do Código Tributário Nacional, que integra o mesmo capítulo sobre lançamento: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (grifamos) A análise sistemática do Código não apenas autoriza, mas determina que a fiscalização atue de forma compatível com o ordenamento, em respeito às decisões judiciais vinculantes e de acordo com o entendimento atualizado da administração tributária. A autoridade fiscal tem o dever funcional de apurar a matéria tributável no período sob auditoria, valendose de todos os mecanismos e procedimentos permitidos pela legislação, ainda que posteriores ao fato gerador. O que se altera, nesse caso, é a percepção do fato e não o fato em si, sem qualquer prejuízo para o Contribuinte, desde que as autuações estejam devidamente fundamentadas. Por diversas vezes surgem portarias, instruções normativas e outros atos administrativos que conferem a determinadas situações entendimento e procedimentos distintos daqueles anteriormente adotados e isso em nada prejudica futuros lançamentos, ainda que efetuados a partir de premissas até então não utilizadas. No mesmo sentido, a superveniência de decisão judicial pode alterar, pela força vinculante, o entendimento das autoridades tributárias, sem qualquer prejuízo para o exercício futuro da atividade fiscal. No caso em tela, os fundamentos dos lançamentos constam dos Autos de Infração e do Termo de Verificação e permitem a compreensão da matéria autuada e o exercício da ampla defesa, de sorte que inexiste qualquer vício ou nulidade que os maculem. O fato de a contribuinte não ter sido autuada em períodos anteriores, como aduz, em nada altera a obrigação de fazêlo posteriormente, sempre que presentes os requisitos para o lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN. O que não se admite é a coexistência de duas ou mais autuações, para o mesmo período, baseadas em critérios diferentes. Nesse sentido, vejase, a título de exemplo, recente decisão deste Conselho: Nº Acórdão: 1402002.158 Contribuinte: VIVO S.A. Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto 06/04/2016 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 8 7 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Para caracterização da alteração de critério jurídico fazse necessário a existência de duas exigências baseadas em critérios distintos. Não caracteriza mudança de critério jurídico o primeiro lançamento realizado sobre determinado fato. Além disso, não há que se falar em ofensa ao art. 146 do CTN se o lançamento contestado diz respeito a fatos geradores anteriores ao procedimento fiscal inicial citado pela Recorrente como paradigma para fins de aplicação de tal dispositivo legal. (grifamos) No caso sob análise não há conflito entre lançamentos, mas sim entendimento diferente daquele esposado em fiscalizações anteriores, que não autuaram a empresa. Ora, o racional da norma busca evitar o conflito positivo entre dois lançamentos com fundamentos diferentes, mas certamente não alcança as hipóteses em que não houve lançamento anterior, até porque resta evidente que a ausência de lançamento sequer possibilita a ocorrência de conflito. Na hipótese de a fiscalização não autuar períodos anteriores, é evidente que a ausência de lançamento não revela manifestação de critério jurídico, em sentido positivo (notese que o CTN condena a mudança nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento). Ora, se lançamento não houve inexiste mudança de critério, de sorte que a restrição sequer pode ser aplicada. E, apenas para argumentar, ainda que se pudesse extrair do nada algum critério ou sentido jurídico, convém ressaltar que o lançamento em debate diz respeito ao ano calendário de 2010 e cuida, portanto, de fatos geradores posteriores ao encerramento dos procedimentos fiscais em que não houve autuação. Lembrese ainda, por oportuno, que as despesas, exatamente nos moldes aqui discutidos, foram também autuadas no anocalendário de 2009, ou seja, em período anterior ao da presente fiscalização. Não há, portanto, como acolher a preliminar suscitada pela Recorrente. 2. Da questão dos direitos autorais Aduz a Recorrente que a legislação brasileira prevê a possibilidade de que os direitos autorais pertençam a pessoa jurídica e que os programas de computador (software) são a eles equiparados. Contudo, os diversos artigos citados pela Recorrente parecem indicar sentido interpretativo diverso daquele atribuído pela interessada. Vejamos. A primeira tese trazida pela Recorrente defende que o artigo 11 da Lei n. 9.610/98 reconhece a possibilidade de que pessoas jurídicas sejam autoras de obras literárias, Fl. 971DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 9 8 artísticas ou científicas e que, por força do artigo 2o da Lei n. 9.609/98 igual tratamento deve ser conferido nos casos de programas de computador: Lei n. 9.610/98 Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicarse às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Lei n. 9.609/98 Art. 2º O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei. § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações não autorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. (grifamos) Notase, à evidência, que a interpretação laborada pela Recorrente não condiz com os dispositivos legais indicados. De plano, a simples leitura do artigo 11 demonstra que o conceito de autor é inequívoco e não deixa margem para dúvidas: autor é sempre a pessoa física, o indivíduo que a partir de seu gênio ou criatividade manifesta, de forma particular, uma ideia (a autoria não é ideia, mas sim a sua expressão). Sabemos que a construção normativa no Brasil sempre parte do caput (que traz a regra geral) para os incisos ou parágrafos, que veiculam situações especiais, mas nunca no sentido oposto. Notase que a dicção do parágrafo não reconhece que os autores possam ser pessoas jurídicas; em verdade, a norma permite que a proteção concedida ao autor, pessoa física, possa ser estendida às pessoas jurídicas, e ainda assim somente nos casos previstos na própria Lei n. 9.610/98. E nem poderia ser diferente, posto que se as pessoas jurídicas pudessem ser autoras sequer haveria necessidade do parágrafo; afinal, se pudessem assumir a condição de autoras gozariam automaticamente do direito inerente a esta condição e não precisariam que determinada proteção ou benefício lhes fosse estendido. Cabe ainda registrar que a Lei n. 5.988/73 incidentalmente reconhecia a possibilidade de uma pessoa jurídica ser titular de obra coletiva, realizada em seu nome. Contudo, o artigo 15 daquele diploma legal foi revogado pelo artigo 11 da Lei n. 9.610/98, que claramente identifica apenas as pessoas físicas como aptas a figurar como autoras. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 10 9 A confusão decorre da diferença entre ser autor e ser titular de direitos autorais. Existe nítida distinção entre os conceitos de ser autor da obra e ser titular dos seus direitos. Quando alguém escreve um livro certamente se enquadra como autor, mas ao assinar um contrato de publicação com a editora transfere a esta os direitos patrimoniais para a sua exploração, circunstância expressamente prevista na Convenção de Berna, que reconhece a diferença entre autoria e titularidade nos seguintes termos: ARTIGO 6BIS 1) Independentemente dos direitos patrimoniais de autor, e mesmo após a cessão dos referidos direitos, o autor conserva o direito de reivindicar a paternidade da obra e de se opor a qualquer deformação, mutilação ou outra modificação da obra ou a qualquer outro atentado contra a mesma obra, prejudicial à sua honra ou à sua reputação. (grifamos) Ressaltese que o tratamento previsto pela Convenção de Berna foi reproduzido pela Lei do Software, como visto no artigo 2o, § 1º, ao norte transcrito e novamente reproduzido: § 1º Não se aplicam ao programa de computador as disposições relativas aos direitos morais, ressalvado, a qualquer tempo, o direito do autor de reivindicar a paternidade do programa de computador e o direito do autor de oporse a alterações não autorizadas, quando estas impliquem deformação, mutilação ou outra modificação do programa de computador, que prejudiquem a sua honra ou a sua reputação. (grifamos) É cediço, portanto, que os direitos autorais são divididos, para efeitos legais, em direitos morais e patrimoniais. Os chamados direitos morais são aqueles que asseguram a autoria da obra intelectual, sendo, portanto, intransferíveis e irrenunciáveis, enquanto que os direitos patrimoniais se referem à exploração econômica da obra e podem ser cedidos ou utilizados por terceiros. Também não procede o argumento da defesa, baseado no artigo 3o, § 1º, I, da Lei n. 9.609/98, que menciona que no pedido de registro do software deverão constar os dados do autor e do titular, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Com efeito, o texto corrobora a distinção entre os conceitos e reconhece, apenas, que o titular dos direitos possa ser pessoa jurídica: Art. 3º Os programas de computador poderão, a critério do titular, ser registrados em órgão ou entidade a ser designado por ato do Poder Executivo, por iniciativa do Ministério responsável pela política de ciência e tecnologia. § 1º O pedido de registro estabelecido neste artigo deverá conter, pelo menos, as seguintes informações: I os dados referentes ao autor do programa de computador e ao titular, se distinto do autor, sejam pessoas físicas ou jurídicas; Fl. 973DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 11 10 (...) (grifamos) Isso significa que se a exploração econômica dos direitos estiver a cargo de uma empresa, o registro compreenderá os seus dados e os do autor do programa de computador, posto que seriam, na hipótese, pessoas distintas. Tudo em perfeita consonância com o raciocínio até aqui desenvolvido. Ademais, sem prejuízo de todos os argumentos já apresentados, ressaltamos, por oportuno, que em nenhum momento a legislação brasileira indica que o conceito de autor previsto na Lei n. 9.610/98 é o mesmo daquele previsto para os programas de computador. Tanto assim que as duas normas são distintas e fazem ressalvas ao seu campo de aplicação, como se constata dos artigos já transcritos. O que a Lei n. 9.609/98 (software) faz é aplicar aos programas de computador o regime de proteção conferido às obras literárias ou artísticas, como se depreende da dicção do artigo 2o. Vale dizer, se o legislador entendesse pela total identidade entre os conceitos simplesmente reuniria toda a matéria numa única norma, em vez de publicar duas leis distintas e na mesma data (19 de fevereiro de 1998)! A obviedade dessa circunstância não passou despercebida pela melhor doutrina. Ressaltese, por todos, a posição de Denis Borges Barbosa (provavelmente o maior especialista brasileiro no assunto, recentemente falecido) 1: O regime de proteção dos programas de computador segue, em parte, o da Lei 9.610/98, que protege no Brasil os Direitos Autorais. No entanto, com as muitas alterações introduzidas pela Lei 9.609/98 e a natureza claramente tecnológica dos programas de computador, inegavelmente estamos, na Lei em vigor, na presença de um tertius genus, à maneira de certos Direitos Conexos, cuja regulação acompanha talvez, na esfera internacional, o da Convenção de Berna vale dizer, o da matriz internacional dos Direitos Autorais no que com ela não contraste. (...) Em terceiro lugar, porque evidenciam a impropriedade de um regime autoral puro para a proteção dos programas de computador, guiando o intérprete quanto as normas da Lei Autoral que merecerão aplicação subsidiária à presente lei. (...) Com efeito, as leis de cunho autoral convivem há muito com as leis de patente, por exemplo, no campo do design, com a parte artística de uma padronagem restando sob o Direito Autoral, e sua aplicação industrial cabendo à patente própria hoje o 1 Denis Borges Barbosa, A Proteção do Software, disponível em http://denisbarbosa.addr.com/arquivos/200/propriedade/77.doc Fl. 974DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 12 11 registro de desenho industrial sob a Lei 9.279/96. Assim, a expressão de um programa pode restar sob a Lei do Software, enquanto que o uso do programa para fins de utilidade industrial, inclusive os conceitos e idéias que subjazem ao algoritmo, podem incidir sob a tutela da lei patentária. Nem o fim estético, literário, artístico ou musical, transfere o programa para o regime geral da lei autoral. A existência de um fim determinado qualquer seja ele é requisito de proteção sob a Lei do Software, mas não modifica a natureza da proteção, que será sempre a da lei específica. (grifamos) Portanto, o regime de proteção específico para programas de computador é conexo àquele utilizado para obras literárias e artísticas, o que não significa dizer que a autoria de um software pertença à pessoa jurídica, que poderá, da mesma forma que nos demais casos, ser titular de direitos patrimoniais, mas nunca considerada como criadora da obra intelectual. Essa posição encontra esteio na melhor doutrina e já foi, inclusive, reconhecida pelo STJ, que no REsp 1.322.325/DF analisou o tema da autoria no âmbito das relações de trabalho: Neste caso, quem é o autor? Não há dúvidas sobre isso. Os autoralistas são unânimes em reconhecer unicamente na pessoa física a capacidade para criar a obra de arte e engenho. Este é o pensamento predominante, especialmente nos países cujo ordenamento jurídico segue as concepções romanogermânicas. (...) A lei brasileira protege a empresa, pessoa jurídica, como titular de direitos autorais, mas não como autora. Além disso, é necessário considerar que a Lei n° 9.610/1998 excluiu a figura da obra de arte criada em função de contrato de trabalho ou sob encomenda, o que torna o autor, definitivamente, titular originário dos direitos sobre a obra que criou. Não há mais a figura da obra criada por encomenda ou sob contrato de trabalho, embora no art. 54 encontrese referência à obra futura. (CABRAL, Plínio. A lei de direitos autorais: comentários . 5. ed. São Paulo: Rideel, 2009, p. 6667). E prossegue o Acórdão: No entanto, a partir dessa constatação, que decorre da situação especial de relação empregatícia, nenhum outro direito adquire a empresa nesse relacionamento. Assim, de um lado, remanescem na esfera dos autos os direitos morais e todos os demais direitos patrimoniais não alcançados por sua atuação específica (dessa forma, não pode a empresa de televisão, depois, sem autorização expressa, extrair novas cópias e locálas ou vendêlas, ou, ainda, transferir a outras a exibição; não pode a empresa jornalística publicar depois, em outros veículos, os trabalhos feitos para jornal; ou a empresa cinematográfica dispor do filme para finalidades outras), a menos que os transfira por meio de contratos adequados, que, Fl. 975DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 13 12 de qualquer modo, serão sempre entendidos nos seus estritos limites, obedecidos sempre os direitos morais.(BITTAR, Carlos Alberto. Direito de autor. Rio de Janeiro: Forense, 2013, p. 64). O arremate da decisão do STJ não deixa margem para dúvidas: Nesse passo, mesmo que a referida produção de espírito tenha sido escrita no âmbito de seu dever funcional, o autor/empregado continua sendo o detentor dos direitos autorais, cabendo até mesmo ao empregador, caso pretenda explorar a obra, obter autorização expressa para a sua utilização (LDA, art. 29), sob pena de responsabilização. Portanto, diante da autonomia privada, poderá o autor ceder o direito de exploração econômica da obra ao empregador ou terceiro, isto é, a titularidade poderá ser adquirida por terceiros, seja em virtude de sucessão, pelo fato da morte, seja em razão do contrato, por vontade própria, ou ainda por disposição legal, ressalvando os direitos morais do autor que, por serem inalienáveis, irrenunciáveis e indisponíveis, irão se manter com o criador material da obra, que continuará com o direito de ver reconhecida a sua autoria na criação estética decorrente da paternidade” (grifamos). Concluímos, portanto, que o direito autoral brasileiro expressamente consagra a proteção de obras produzidas pelo gênio e espírito humanos e, nesse contexto, não há como albergar a figura do autor pessoa jurídica. Destaquese que a lei autoral, ao oferecer uma lista exemplificativa do que seriam as "obras intelectuais criadas pelo espírito humano", identifica o alcance da proteção e inclui entre as hipóteses os programas de computador: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) XII os programas de computador; (...) § 1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis. (grifamos) A ressalva contida no § 1º deixa claro que não existe identidade absoluta nem equivalência total entre as obras intelectuais "tradicionais" e os programas de computador, mas sim proteção equivalente. Obras literárias e artísticas não são softwares e viceversa, assim como não existe, salvo engano, nenhum livro ou peça musical ou teatral criado por pessoa jurídica. Apenas a título de arremate, convém ainda ressaltar que a Recorrente não demonstrou, ao longo do processo, a autoria dos softwares objeto da autuação. Conquanto se Fl. 976DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 14 13 possa admitir, por ser razoável, que os softwares são de sua titularidade, à luz dos contratos celebrados e colacionados aos autos, em nenhum momento se faz prova da autoria dos respectivos códigos e expressões. Aliás, nem se sabe, ao certo, quais seriam esses softwares e sob quais circunstâncias teriam sido desenvolvidos. Como o ônus da prova caberia ao interessado, percebese que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar tal circunstância, essencial para a sua pretensão, ao menos no próprios termos por ela defendidos. Isso porque a defesa se ancora na tese de que os direitos de autor, recebidos a este título pelo criador da obra, não seriam royalties e, portanto, poderiam ser deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL, conforme disposto no artigo 22, "d", da Lei n. 4.506/64, cuja análise pormenorizada será efetuada no tópico seguinte: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...) d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. (grifamos) 3. Da questão dos royalties A fiscalização glosou as despesas relativas ao licenciamento dos softwares por considerálas indedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Entendeu a autoridade fiscal que as despesas relativas à licença de uso de software configuram royalties com natureza de direito autoral e estariam incluídas na regra geral de indedutibilidade quando pagas a sócios, de acordo com art. 353, I, do RIR/99: Compulsando a documentação acostada aos autos (ver planilha “RESUMO_2009_2010.xls”), verificase que a empresa registra, entre seus dispêndios, despesas de royalties decorrentes da exploração: i) de invenções, processos e fórmulas de fabricação e ii) de direitos autorais. De forma mais precisa, as despesas denominadas pela contribuinte como "Royalties" e decorrentes de contratos averbados no INPI por se tratar de operações com transferência de tecnologia enquadramse na alínea "c" do dispositivo citado: "uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio". Já as despesas registradas como Licenças para uso de software caracterizam exploração de direitos autorais, conforme Lei n.º 7.646, de 1987, e a superveniente Lei n.º 9.609, de 1998. Cumpre ressaltar que, no caso em questão, não há possibilidade de exploração de direitos autorais pelo próprio autor da obra. Isso porque, nos termos do art. 11 da Lei n.º 9.610, de 1998, o Fl. 977DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 15 14 “autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica”. A pessoa jurídica, seja de direito público ou privado, não se qualifica como autor, mas sim como titular de direitos patrimoniais de autor de programa de computador. E, importante ressaltar a grande diferença entre autor e titular de direitos autorais. À pessoa jurídica é concedida a titularidade dos direitos autorais, mas em nenhum momento ela pode ser considerada autora de obra literária, artística ou científica. Via de regra os softwares desenvolvidos por empresas constituem obras coletivas. Neste tipo de obra existe um organizador e uma pluralidade de autores. O organizador é a pessoa física ou jurídica, que: a) toma a iniciativa para a elaboração do programa de computador pelos autores; b) organiza e assume as responsabilidades sobre o processo; e c) possui a titularidade dos direitos patrimoniais sobre o conjunto da obra coletiva. Contudo, os autores são as pessoas físicas que, atendendo às instruções do organizador, executam a atividade intelectual. Em suma, os rendimentos recebidos por pessoas jurídicas em decorrência da exploração de direitos autorais caracterizamse como royalties, posto que as empresas não podem figurar como autores da obra. Como qualquer despesa, a dedução de dispêndios com royalties é admitida quando necessárias para que a empresa mantenha o uso ou fruição do direito que produz o rendimento (art. 352 do RIR/99). A legislação define o conceito de royalties a partir do artigo 22 da Lei n. 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (Vide DecretoLei nº 2.287, de 1986) a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Caracterizada a figura dos royalties, o artigo 71 da própria Lei n. 4.506/64 destaca as hipóteses em que os pagamentos seriam indedutíveis, conforme retratado no artigo 353 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): Fl. 978DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 16 15 I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; (...) III os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: (...) b) pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; IV os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: a) que não sejam objeto de contrato registrado no Banco Central do Brasil; ou b) cujos montantes excedam aos limites periodicamente fixados pelo Ministro de Estado da Fazenda para cada grupo de atividades ou produtos, segundo o grau de sua essencialidade, e em conformidade com a legislação específica sobre remessas de valores para o exterior; (...) Parágrafo único. O disposto na alínea "b" do inciso III deste artigo não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, sejam averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n º 8.383, de 1991, art. 50). Com base nos dispositivos legais acima a autoridade fiscal glosou parte das despesas incorridas pela Recorrente, a partir dos seguintes fundamentos: No que tange às despesas registradas a título de royalties pela contribuinte e referentes à exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio, verificase que os correspondentes contratos incluem transferência de tecnologia e encontramse averbados no INPI, motivo pelo qual sua dedução é excepcionalmente permitida, nos termos do parágrafo único do mencionado artigo 353 do RIR/99, independente do pagamento ser efetuado a pessoa ligada. Por sua vez, as despesas de licença de uso de software, configurando royalties de natureza de direito autoral, encontramse na regra geral e são indedutíveis quando pagas a sócios, de acordo com art. 353, I, do RIR/99. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 17 16 No caso em questão, as remessas decorrentes dos gastos com licença de uso software foram pagas a International Business Machines Corporation (USA) e não as sócias IBM Americas Holding LLC (USADelaware) e IBM World Trade Asia Corporation (USA). Porém, essas duas últimas empresas pertencem a primeira empresa citada e constituem o mesmo grupo econômico. Registrese que, conforme se depreende de pesquisa realizada na internet, a IBM Brasil Indústria, Máquinas e Serviços Ltda é uma subsidiária integral da International Business Machines Corporation (USA), através de sua sócia majoritária IBM Americas Holding LLC (USADelaware). Tal fato também foi admitido pela contribuinte em sua resposta ao Termo de Intimação 1. E esclarecese ainda que todas as empresas do grupo IBM são subsidiárias integrais controladas pela Internacional Business Machines Corporation (IBM). (grifamos) Por outro lado, entende a Recorrente que os pagamentos efetuados ao próprio autor da obra não podem ser enquadrados como royalties. O ato de licenciar e distribuir programas de computador não se confunde com o ato de editar ou publicar obras literárias; são coisas absolutamente distintas, até porque programas para computadores de grande porte são objeto de adaptações e alterações, bem como de instalação, de acordo com as necessidades do cliente (customização), enquanto que obras artísticas ou literárias são sempre editadas as is, ou seja, da forma como foram concebidas pelo autor. Ademais, obras artísticas e literárias não são objeto de licenciamento, mas sim de edição ou publicação, com a cessão dos respectivos direitos. A distinção é relevante e plenamente reconhecida pela melhor doutrina2: A licença é precisamente uma autorização, dada por quem tem o direito sobre o software, para que uma pessoa faça uso do objeto do seu direito. Esta autorização tem um aspecto puramente negativo: o titular do software promete não empregar os seus poderes legais para proibir a pessoa autorizada do uso do objeto do seu direito. Tem, porém, uma aspecto positivo, qual seja, o titular dá ao licenciado o direito de explorar o software, com todos os poderes, instrumentos e meios que disto decorram. (...) Assim, é concebível também uma cessão de direitos de programa para o Brasil, que não se estenda a outros países; ou do direito de adaptar ou utilizar um programa numa certa máquina, mas não em outra; ou dos direitos sobre alguma versão de um programa, mas não das subseqüentes desde que não se 2 Denis Borges Barbosa, Tipos de Software, Contratos de Software e sua Tributação, disponível em http://denisbarbosa.addr.com/arquivos/200/propriedade/132.doc Fl. 980DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 18 17 verifique o abuso de poder econômico, com lesão ao consumidor ou à capacidade de desenvolvimento tecnológico do País. Na prática comercial e na legislação em vigor, licença e cessão são coisas diversas. Licença é a autorização concedida para a exploração do direito (como no caso de locação de bens físicos), enquanto a cessão é negócio jurídico que afeta o direito em si (como a venda de um apartamento). (...) Cabe também aqui relembrar a distinção que se faz entre venda de direitos a cessão e "venda" de uma cópia de programa. Ao contrário do que ocorre com um livro, caso em que cessa o poder do autor sobre a cópia vendida (não se imagina que Jorge Amado possa opinar sobre em que estante o leitor guarde Jubiabá...), em cada "venda" de uma cópia do programa pode existir uma licença de uso. É exatamente este o problema que torna singular o exercício tributário quanto aos impostos sobre a circulação do software. (grifamos) Nesse contexto, destaquese que o próprio contrato firmado entre as partes (IBM USA e IBM Brasil) e citado pela Recorrente no voluntário (fls. 868), expressamente prevê a possibilidade de alteração dos programas em razão das necessidades dos clientes: "Cláusula Segunda 1. A IBM, pelo prazo deste Contrato garante à IBM Brasil sob os Direitos de Autor da IBM uma licença não exclusiva e os direitos de a) licenciar e distribuir cópias de Programas da IBM para uso de seus Clientes, b) usar os Programas da IBM em atividades produtoras de receitas, c) usar os Programas da IBM internamente, d) fazer ou mandar fazer cópias para os propósitos acima descritos, para distribuição a companhias afiliadas e para tradução ou modificação dos tais programas da IBM, e e) permitir os Clientes da IBM Brasil usar, fazer cópias e modificar os Programas da IBM, em cumprimento aos termos dos Contratos da IBM Brasil com seus Clientes. (...)". Entendo que a remuneração relativa às cláusulas dos contratos firmados entre as partes se amolda, à perfeição, ao conceito de royalties, posição referendada por tributaristas do porte de Alberto Xavier, que em seu Direito Tributário Internacional do Brasil, Editora Forense, 5ª edição, página 634, assevera: Objeto de royalties são, repitase, apenas os casos em que é transferido o uso do direito de propriedade intelectual relativo ao software, como sucede nos casos de transferência parcial de direitos, pelos quais o transmitente, autor do software ou adquirente dos direitos de distribuição e reprodução, coloca tais Fl. 981DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 19 18 direitos à disposição de uma terceira pessoa, para que esta os explore comercialmente, notadamente por via de distribuição. São os contratos de licença ou cessão de direitos de comercialização de programas de computador ou seu desenvolvimento, tributáveis pela lei interna... Como bem destacado pelo mestre luso, nas convenções internacionais destinadas a evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal (Convenção Modelo OCDE artigo 12), aplicáveis no Brasil aos contratos internacionais por força dos artigos 98 do CTN e 997 do RIR/99, os royalties são entendidos como remuneração de qualquer natureza pagos pelo uso ou pela concessão do uso de direitos de autor sobre obras literárias, artísticas ou científicas, de patentes, marcas de indústria ou de comércio, desenhos ou modelos, planos, fórmulas ou processos secretos, bem como pelo uso ou concessão do uso e equipamentos industriais, comerciais ou científicos e por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico. Nesse cenário, os contratos de aquisição de direitos relativos a softwares oriundos do exterior e com posterior comercialização no Brasil possuem a natureza de licenciamento de uso de direito autoral e a remuneração neles prevista é efetuada a título de royalties. Esse entendimento é corroborado pela jurisprudência deste Conselho: Acórdão 10516451 Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO 2002 REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA NO EXTERIOR PELA CESSÃO DE DIREITOS DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR E MARCAS INDEDUTIBILIDADE As remunerações pagas pela controlada a sua controladora no exterior pela cessão de direitos sobre programas de computador e uso de marcas constituem "royalties" e são indedutíveis para efeito de imposto de renda..” (Processo: 19515.003102/200528, Órgão Julgador: Quinta Câmara, Relator: Luís Alberto Bacelar Vidal, Data da Sessão: 23/05/2007) E no mesmo, sentido, pela Câmara Superior, ao analisar o alcance do artigo 22 da Lei n. 4.506/64: “... os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se pago/recebido pelo autor ou criador da obra. Assim, quando uma gravadora, por exemplo, a Sony Pictures, firma contrato com determinado cantor, escritor, diretor etc. e o remunera em decorrência da exploração da obra por eles criada, tais rendimentos não são classificados como royalties. Todavia, quando essa gravadora, detentora dos direitos autorais, o explora e cede a licença para que outras sociedades empresárias explorem essas obras, os rendimentos dessa exploração tem a natureza jurídica de Royalties, nos termos preconizados na alínea “d” transcrita linhas acima.” (Processo: 13896.003705/200263, Órgão Julgador: Câmara Fl. 982DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 20 19 Superior de Recursos Fiscais; Relator: Henrique Pinheiro Torres, Data da sessão: 06/03/2012). Por força de todos os argumentos acima, entendo que a remuneração efetuada pela Recorrente configurase como royalties, sendo correta a qualificação atribuída pela autoridade fiscal. 4. Da indedutibilidade dos royalties análise e cotejo entre os artigos 71, da Lei n. 4.506/64 e 353, do RIR/99. Entende a Recorrente que o artigo 353 do RIR, introduzido em 1999, teria extrapolado os limites fixados pelo artigo 71, parágrafo único, alínea "d" da Lei n. 4.506/64. Nesse cenário, não haveria qualquer limitação à dedutibilidade das despesas pagas a pessoas jurídicas, pois a matriz normativa original teria cuidado apenas das hipóteses de pagamento a pessoas físicas. Penso que não procede o argumento da Recorrente, de que ainda que fossem considerados como royalties, os valores seriam dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, pois a Lei n. 4.506/64 (artigo 71, "d") teria previsto apenas a indedutibilidade dos royalties pagos a pessoas físicas e que o artigo 353 do RIR teria ilegalmente ampliado o conceito legal. Comparemos os dois dispositivos: Lei n. 4.506/64 Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao imposto de renda, será admitida: (...) Parágrafo único. Não são dedutíveis: (...) d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; Decreto n. 3.000/99: Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; Com a devida vênia, não consigo vislumbrar qualquer argumento, gramatical, semântico ou jurídico capaz de invalidar o disposto em regulamento, até porque os dois comandos dizem exatamente a mesma coisa. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 21 20 É evidente que a lei, ao dizer "sócios", se refere a qualquer tipo de pessoa com participação na sociedade e não somente às pessoas físicas. O comando legal é claro e diz que são indedutíveis os royalties "pagos a sócios". O fato de, na sequência, existir a menção a "parentes ou dependentes" apenas demonstra a teleologia da norma, que buscou ser o mais ampla possível, até porque a partícula "e", na língua portuguesa, não serve como condicionante, mas como adição a conceitos já expressos. Em síntese, nenhum sócio ou dirigente, inclusive eventuais parentes e dependentes, quando existirem, poderão receber royalties dedutíveis para fins de IRPJ. O pagamento dos valores, por óbvio, decorre de liberalidade da empresa, desde que observadas as limitações legais para a dedutibilidade. Esse entendimento possui respaldo na jurisprudência do CARF, inclusive em recente julgado da Câmara Superior, que ao apreciar questão análoga à dos autos, decidiu a questão, quanto a este ponto, por unanimidade: Acórdão nº 9101001.908 ROYALTIES INDEDUTIBILIDADE Os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria, que atendam as normas gerais de necessidade, usualidade e normalidade são dedutíveis, exceto se pagos por filial no Brasil em benefício de sua matriz no exterior, ou por sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto. Quaisquer outros royalties, se pagos a sócio, pessoa física ou jurídica, são indedutíveis.” (CSRF. Acórdão nº 9101001.908. 1T. Rel. Cons. VALMIR SANDRI. Julgado em 13 de maio de 2014) (grifamos) Notase a perfeita identidade fática entre a decisão ao norte e a apreciada neste voto, pois os dois litígios se referem à glosa de despesas em razão de valores pagos a empresa no exterior. No caso em referência, da contribuinte SAP Brasil Ltda., a fiscalização qualificou como royalties indedutíveis os pagamentos decorrentes do licenciamento do direito de comercialização de softwares, ao contrário da tese defendida pela interessada, de que os valores seriam relativos a direitos autorais. A posição do fisco foi ratificada, por unanimidade, pela Câmara Superior. E mais: a automática aplicação do comando normativo às pessoas jurídicas, sem qualquer ofensa ao princípio da legalidade ou violação das limitações regulamentares, também pode ser encontrada em abalizada doutrina. Citese, a título de exemplo, a posição de Noé Winkler (Imposto de Renda. Ed. Forense: Rio de Janeiro, 2001, p. 526 e 528) ao lecionar: É vedado o pagamento de “royalties” a sócios ou dirigentes de empresas e a seus parentes e dependentes. Quanto aos sócios, tanto podem ser pessoas físicas como jurídicas. Não esclarece a lei o grau de parentesco, ou tipo de dependência. (grifamos) Fl. 984DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 22 21 O objetivo da lei é evidente, no sentido de impedir o favorecimento desigual, em prejuízo do Estado ou de sócios minoritários. O tema me parece de meridiana clareza e, nesse sentido, entendo que não assiste razão à Recorrente. A matéria foi recentemente objeto de apreciação por esta Turma, que no caso Samarco decidiu, por unanimidade quanto a este ponto, pela indedutibilidade dos royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas (Acórdão 1201.001.406, de 06 de abril de 2016). Inexiste, portanto, qualquer ilegalidade ou vício na norma veiculada pelo artigo 353 do RIR/99, quando cotejado com as disposições do artigo 71, da Lei n. 4.506/64. Aduz a Recorrente, ainda, que a norma contida em Regulamento não seria aplicável à hipótese de pessoa jurídica controladora indireta. Em primeiro lugar, convém ressaltar que, como demonstrado nos autos, todas as empresas do grupo IBM, ao redor do mundo, são subsidiárias integrais da IBM USA. O tema, aliás, foi objeto de análise nas contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional no processo n. 16539.720014/201419, que trata de idêntica autuação, fatos e contribuinte (também julgado nesta sessão) relativa ao anocalendário de 2009: O caso em apreço é paradigmático, pois todas as empresas do grupo IBM são subsidiárias integrais da Internacional Business Machines Corporation (IBM), a pessoa jurídica beneficiária dos pagamentos (fls. 76 a 79). Ante tal quadro, negar aplicação à norma porque formalmente a beneficiária não figura como sócia, embora a empresa brasileira seja, indiretamente, sua subsidiária integral, como bem posto pela decisão de piso, seria negar o mínimo essencial à preservação da eficácia do normativo em discussão, que corresponde a vedar a dedutibilidade do pagamento royalties entre pessoas (físicas ou jurídicas) relacionadas com a empresa que os paga. O próprio artigo 71 da Lei n. 4.506/64 estabelece, desde sempre, a indedutibilidade dos royalties pagos a parentes ou dependentes dos sócios. Pois bem. Se a vedação expressamente alcança os parentes e dependentes dos sócios, que seriam, no entendimento da lei, vetores oblíquos dos pagamentos, ou seja, receptores de valores que beneficiariam, pela via indireta, os titulares da empresa, qual seria a correta exegese em relação ao controlador indireto sediado no exterior? É inviável, ilógico e juridicamente incorreto afastar, a partir de tal premissa, o alcance da norma no que diz respeito ao controlador da própria empresa. O controlador, ainda que indireto, tem total interesse na atividade econômica e nos resultados da controlada. E mais, detém poder para decidir sobre pagamentos, contratos e demais compromissos jurídicos e financeiros, ao contrário dos parentes e dependentes, que não possuem tal capacidade. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 23 22 Ou seja, se a norma restringe, para fins tributários, o pagamento feito por mera liberalidade sempre que os destinatários são parentes, qual seria a interpretação na hipótese de o beneficiário ser o próprio controlador, vale dizer, a matriz do grupo econômico? Independente do arranjo societário (cuja atual dinâmica e internacionalização não poderia ser prevista pelo legislador, em 1964!), a teleologia, o objetivo e a razão de ser da norma não podem ser outros senão o de evitar a manipulação do resultado, mediante pagamentos a sócios ou quaisquer beneficiários em favor destes. A norma busca vedar, em sentido amplo, a destinação irregular de royalties em benefício dos sócios ou de pessoa que lhe faça as vezes, em prejuízo do Fisco ou mesmo de outros sócios minoritários. Se isso vale, inclusive, quando o beneficiário não compõe a estrutura da corporação nem detém poderes de decisão (como no caso de parentes e dependentes), com mais força e razão o comando se aplica ao controlador indireto, notadamente quando todos os envolvidos são subsidiárias integrais deste. Neste ponto, a questão me parece cristalina: não se trata de lacuna ou omissão legal, mas sim de situação perfeitamente enquadrada na dicção e vontade do legislador, que, por óbvio, não possui dons premonitórios capazes de conhecer, muito antes da realidade fática, as inúmeras variantes que hoje existem nas relações societárias internacionais. Esse tema também não é estranho ao CARF, posto que já se decidiu pela indedutibilidade quando os pagamentos são efetuados entre empresas do mesmo grupo econômico: Acórdão n. 1402000.905 IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESA. ROYALTIES. A luz do art. 71 da Lei 4.506/1964 são indedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL as despesas com royalties pagos a outra empresa, em razão da utilização de marca, quando verificado que ambas fazem parte do mesmo grupo econômico. É perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico a restrição à dedutibilidade de custos e despesas das pessoas jurídicas, quando tais encargos operamse no campo restrito da liberalidade de seus dirigentes. Ou seja, a lei tributária não proíbe a prática de operações mercantis, como a celebrada entre a fiscalizada e seus controladores, mas lhes atribui efeitos próprios no campo de apuração do IRPJ. (Sessão de 14 de março de 2012) (grifamos) Correto, portanto, o entendimento adotado pela fiscalização. 5. Da aplicabilidade das regras sobre indedutibilidade de royalties ao cálculo da CSLL Conquanto existam no Conselho posições favoráveis à tese de falta de previsão legal acerca da indedutibilidade dos royalties pagos em relação à CSLL, tenho e já manifestei anteriormente opinião diversa. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 24 23 Existem vários fundamentos para essa posição. O primeiro diz respeito ao plano normativo. A CSLL é originalmente prevista pela Lei n. 7.689/88, que em seu artigo 2º estabelece que a base de cálculo da contribuição será o resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; O comando acima aproxima a estrutura da CSLL à do IRPJ, tema bastante discutido desde a criação da contribuição e que, de forma majoritária, tem receptividade na doutrina e na jurisprudência dos tribunais superiores. Na esteira de tais manifestações não podemos olvidar, ainda no plano normativo, o comando exarado pelo artigo 57 da Lei n. 8.891/95, com a redação dada pela Lei n. 9.065/95: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (grifamos) A leitura do dispositivo nos leva a concluir que a metodologia e as regras de apuração para o imposto de renda são aplicáveis ao cálculo da CSLL (o que se infere da dicção "mesmas normas de apuração") e que o preceptivo só perderia eficácia se houvesse norma específica, relativa à contribuição, em sentido diverso. Aliás, os demais parágrafos do artigo 57 corroboram a tese de semelhança entre as duas figuras: § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. (grifamos) Igual raciocínio se aplica, ainda, para fins de compensação, conforme dispõe o artigo 58 do mesmo diploma legal: Fl. 987DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 25 24 Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. (grifamos) Além de fixar idêntica trava para a compensação das bases negativas (em relação ao IRPJ), o comando expressamente menciona que a base de cálculo será o lucro líquido ajustado, ou seja, o legislador estabelece para a CSLL o mesmo ponto de partida previsto para o cálculo do lucro real, afinal o lucro é "ajustado" pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto de Renda (artigos 250 e 510 do Decreto n. 3.000/99). Não se trata, portanto, de integração por analogia, figura vedada pelo artigo 108 do CTN no que se refere à exigência de tributos. O que se tem, de fato, é a identidade, prevista em lei, quanto às sistemáticas de apuração da base de cálculo das duas figuras. Também não se cuida de omissão, pois a lei expressamente configura a base de cálculo do tributo e a aproxima, por equivalência, às regras do IRPJ. Além dos dispositivos já mencionados não podemos olvidar a regra veiculada pelo artigo 28 da Lei n. 9.430/96: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) (grifamos) A pertinência dos comandos normativos ao caso sob análise foi bem delineada pela Fazenda Nacional nas já mencionadas contrarrazões ao Recurso Voluntário interposto no processo n. 16539.720014/201419, idêntico ao caso dos autos (grifado no original): E cumpre ressaltar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, tal disposição importa vedação à dedutibilidade das despesas com pagamento de royalties, na medida em que determina aplicação do art. 1º da Lei n. 9.430/96 à CSLL, que dispõe sobre a apuração do IRPF, estabelecendo que “a partir do anocalendário de 1997”, o tributo será determinado com observância da “legislação vigente”, com as alterações introduzidas pela Lei. Não há dúvida de que o art. 71 da Lei n. 4.506/64 era norma vigente ao tempo da edição da Lei n. 9.430/96 e, pois, pela disposição dos artigos 28 e 1º da Lei n. 9.430/96, tornouse aplicável à CSLL. Ante o exposto, resta claro que as regras de dedutibilidade da legislação do IRPJ são integralmente aplicáveis na apuração da base de cálculo da CSLL. Igual posição também já foi objeto de manifestação da Receita Federal, especialmente quanto à dedutibilidade das despesas com royalties: Fl. 988DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 26 25 SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 316, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2014 DOU de 02/12/2014, seção 1, pág. 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EMENTA: DESPESAS COM ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. LIMITE APLICÁVEL. Para efeito da apuração do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL , a dedutibilidade das despesas com royalties está condicionada às regras estabelecidas pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99. (grifamos) Outro fundamento relevante é o anseio e a posição da doutrina, que a todo instante reafirma a quase identidade entre os tributos. Isso ocorre, por exemplo, quando se cogita da extensão dos efeitos dos tratados internacionais para evitar a bitributação à CSLL. Na esteira de entendimento doutrinário quase absoluto, sempre defendi a aplicabilidade das regras para evitar a bitributação também para a contribuição, posição igual à de autores de escol e que, recentemente, foi finalmente expressa pelo legislador, nos termos do artigo 11, da Lei n. 13.202/2015. Conquanto a Receita Federal negasse com veemência a possibilidade de extensão, toda a doutrina clamava em sentido oposto, forte no argumento de similitude entre os tributos, circunstância por fim pacificada pelo legislador e justamente numa norma que instituiu o Programa de Redução de Litígios Tributários (PRORELIT). E aqui temos uma questão importante. Em nome da coerência e de postulados lógicos fundamentais, ou um objeto guarda identidade com outro ou não guarda. Não existe espaço para manobras ou variações ao sabor do intérprete, vale dizer, a CSLL não pode ser suficientemente parecida com o IRPJ para que se aplique as regras dos tratados e, ao mesmo tempo, suficientemente diferente para que as regras de dedutibilidade sejam distintas. O valor do raciocínio está na pertinência e coerência com o sistema e não em modulações de acordo com o interesse em jogo e a vontade do intérprete. Ademais, não podemos olvidar que a interpretação autêntica veiculada pela Lei n. 13.202/2015, inclusive com efeitos retroativos no caso dos tratados celebrados pelo Brasil não pode simplesmente ser desconsiderada. Embora não exista tratado entre Brasil e Estados Unidos (simplesmente porque aquele país não os celebra com quase ninguém), é inegável que a Convenção Modelo da OCDE trata a remuneração em debate nos autos como royalties e, por decorrência lógica e jurídica, isso se aplica também à CSLL. Constatase que não faltam argumentos e fundamentos para a indedutibilidade dos royalties pagos também em relação à CSLL. Confirmamna dispositivos legais, o entendimento da doutrina, a recente manifestação do legislador e, por fim, a normativa internacional, de sorte que sua aplicação ao caso concreto não decorre de integração ou analogia, sendo de rigor, portanto, a manutenção do lançamento. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 27 26 6. Da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Por fim, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de Fl. 990DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16682.720169/201582 Acórdão n.º 1201001.463 S1C2T1 Fl. 28 27 juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Confirmando o entendimento esposado, temos a Súmula n. 4 deste Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 991DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 18470.732599/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
COMPETÊNCIA PARA JULGAR EXIGÊNCIA REFLEXA DO IRPJ BASEADA NOS MESMOS FATOS E PROVAS.
O inciso IV do artigo 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22 de junho de 2009, vigente à época do ingresso do recurso voluntário, - bem como o inciso IV do artigo 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09/06/2015, - definem que compete à 1ª Seção processar e julgar recursos voluntários que versem sobre aplicação da legislação tributária relativa a PIS e COFINS reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova.
Numero da decisão: 3401-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, declinou a competência à 1ª SEJUL, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COMPETÊNCIA PARA JULGAR EXIGÊNCIA REFLEXA DO IRPJ BASEADA NOS MESMOS FATOS E PROVAS. O inciso IV do artigo 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22 de junho de 2009, vigente à época do ingresso do recurso voluntário, bem como o inciso IV do artigo 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09/06/2015, definem que compete à 1ª Seção processar e julgar recursos voluntários que versem sobre aplicação da legislação tributária relativa a PIS e COFINS reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, declinou a competência à 1ª SEJUL, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 25 99 /2 01 2- 15 Fl. 6348DF CARF MF 2 Relatório Este processo cuida de autos de infração que constituíram e exigem PIS e COFINS, acrescidos de multa de ofício e mora, pela constatação da insuficiência de recolhimento no período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2010. A autoridade lançadora verificou que a contribuinte é declarante do IRPJ pelo Lucro Real e informou na DIPJ os seguintes saldos de passivo: DIPJ "Outras Contas" Passivo Não Circulante 31/12/2007 R$ 17.581.403,79 31/12/2008 R$ 56.122.640,85 31/12/2009 R$ 61.463.347,27 31/12/2010 R$ 0,00 (*) 31/12/2010 R$ 34.056.579,54 (**) 31/12/2011 R$ 20.700.958,28 (*) original em 29/06/2011; (**) retificadora após início da fiscalização. E informou nas DCTF os seguintes débitos de PIS e de COFINS: DCTF Débitos Declarados Período 2008 (folhas 290 e 292) 2009 (folha 4682) 2010 (folha 4684) PIS COFINS PIS COFINS PIS COFINS Janeiro R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Fevereiro R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 3.130,13 R$ 13.991,98 R$ 0,00 R$ 0,00 Março R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 73.536,21 R$ 338.704,99 R$ 0,00 R$ 0,00 Abril R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 11.358,62 R$ 52.310,03 R$ 0,00 R$ 0,00 Maio R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 73.595,98 R$ 338.904,56 R$ 0,00 R$ 0,00 Junho R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Julho R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Agosto R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Setembro R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Outubro R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 13.367,51 R$ 61.029,04 R$ 0,00 R$ 0,00 Novembro R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 16.844,66 R$ 77.570,94 Dezembro R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Conforme consta deste processo, a contribuinte presta serviços de "engenharia, eletromecânica, projetos, estudos e consultoria técnica, fabricação de peças e equipamentos, montagem, comércio de equipamentos e peças e apoio a empreendimentos para execução de projetos industriais e projetos de hidroelétricas, com ênfase em projetos, fabricação e instalação". A autoridade fiscal, face esses dados, regularmente intimou a contribuinte a esclarecer os valores nas contas do passivo em 18/10/2011, 24/11/2011, 20/12/2011, 05/01/2012, mas, segundo a informação fiscal, somente obteve reação da intimada em 11/01/2012 com o comparecimento, na repartição, dos sócios, para prestar esclarecimentos, continuados em 17/01/2012. Esses esclarecimentos foram registrados em Termo. A autoridade fiscal, analisou cada cliente lançado na sub conta patrimonial 2401 (ADIANTAMENTO DE CLIENTES) e conheceu: (a) identificação do cliente e do objeto do contrato entre contribuinte e cliente; (b) valor do contrasto, sua data e base de referência e condições de reajuste; ( c) data da assinatura do contrato; (d) regime contratual (ex.: empreitada integral); (e) data de termo final para conclusão ou encerramento; (f) demais marcos contratuais (ex.: clausulas de perdas e danos); (g) situação de cumprimento do contrato Fl. 6349DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 3401003.031 S3C4T1 Fl. 3 3 por parte da contribuinte (ex.: se já concluída e entregue o objeto do contrato; etc); (h) se a operação ocorreu sob o benefício do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI) ou não. A autoridade fiscal consolidou as análises na apuração dos valores devidos no período e nas conclusões que justificaram as atuações, em resumo preparado pelo relator da instância a quo, que reproduzo pela sua objetividade e clareza: i) notas fiscais emitidas anteriormente a data da habilitação ao REIDI, seja com ou sem destaque ao REIDI serão objeto de cobrança dos tributos ii) valores relativos a omissão de receitas, apurados por esta fiscalização, foram objeto de cobrança dos tributos iii) os montantes das notas fiscais que se coadunaram com o REIDI foram deduzidos das bases de cálculo do REIDI; Seja por emissão de faturas "proforma" por parte da contribuinte, e/ou pela medição e recebimento para cada etapa concluída ou material fornecido, e, a contribuinte, responsável pela emissão da nota fiscal e devida apropriação dos valores em contas de resultado, a não observância à legislação tributária importa que a fiscalização tenha considerado os montantes como omissão de receitas tributáveis e/ou postergação de receitas, conforme a planilha demonstrada no Termo de Verificação; As faturas 'pro forma' emitidas pela fiscalizada são arquivos de Excel com os dados de medição, aprovação pelo cliente da contribuinte e o valor a ser pago pelo cliente à contribuinte. Os arquivos de Excel fornecidos pela Denge foram convertidos em PDF pela autoridade autuante para que pudessem se adaptar ao formato do EProcesso, e instruir os autos; A partir das faturas e demais documentos disponibilizados pela contribuinte, a autoridade autuante elaborou a planilha Denge Postergação, por meio da qual são considerados os valores recebidos como adiantamento de clientes, identificados conforme a apropriação aos períodos de apuração, ou identificados como omissão de receita se mantidos em conta de passivo; Na planilha elaborada no trabalho fiscal, os valores indicados na coluna "Omissão de Receitas" foram considerados omissão de rendimentos tributáveis, uma vez que a autoridade considerou tais valores não postergados para outros períodos de apuração, mas mantidos em conta de passivo; Na mesma toada, a autoridade informa que os demais valores inseridos na planilha tinham sido apropriados pela fiscalizada em períodos posteriores aos devidos, tendo havido insuficiência de recolhimento do PIS e da COFINS, como demonstrado no Termo de Verificação; Após análise da documentação apresentada pela contribuinte, e dos esclarecimentos dados pelos representantes da interessada, a autoridade concluiu que a contribuinte sistematicamente, reduziu o Lucro Real, contabilizando valores em subcontas patrimoniais 2401 "Adiantamento de Clientes", individualizadas no Termo, quando deveriam ter sido oferecidas à tributação. Ao final do Termo, a autoridade apresenta planilha com os valores das bases de cálculo consideradas na autuação. (GRIFOS ACRESCIDOS) Fl. 6350DF CARF MF 4 A contribuinte impugnou articulando as razões por que entende não deveria prosperar as autuações, em resumo: 1. todos os contratos são de fabricação e instalação de equipamentos específicos e sob medida em usinas hidroelétricas, e os clientes contratantes adiantam os valores para a compra de insumos a autoridade fiscal confunde clientes contratantes com usinas onde será instalada o equipamento, inclusive por que infere que o contrato teria sido concluído por ter a ANEEL informado que a usina a que seria destinado o equipamento encontravase em funcionamento. 2. era responsabilidade de seus contratantes a habilitação junto ao REIDI e a contribuinte aplicou o tratamento tributário segundo as informações prestadas por seus clientes. 3. os erros materiais na DCTF não poderiam gerar tributação por arbitramento a metodologia de cálculo usada pela autoridade fiscal não foi clara e deveria computar os valores de todas as notas fiscais emitidas pela contribuinte e não contrastar com os lançamentos contábeis de adiantamentos de clientes. 4. o cerne da questão, que a autoridade lançadora não compreendeu, é que os valores recebidos não se configuram receita, mas mero adiantamento dos clientes, ou seja, um faturamento antecipado, e não uma venda para entrega futura. 5. a figura do faturamento antecipado normalmente é utilizada para documentar adiantamentos efetuados pelo cliente, pois a receita somente será realizada quando houver a transmissão do produto. Assim, contabilmente os valores recebidos nestas circunstancias devem ser tratados como adiantamentos de clientes, no passivo; 6. na seara tributária, temos que nas vendas para entrega futura a receita é reconhecida para fins de tributação no ato da emissão da nota fiscal; 7. nas hipóteses de faturamento antecipado, a receita será reconhecida para fins de tributação quando da efetiva entrega do bem; 8. a leitura de qualquer dos contratos da DENGE Engenharia deixa claro que em seu ramo de atuação trabalhase com faturamento antecipado, registrandoos na conta "adiantamento de clientes" no passivo circulante; 9. em nenhum momento, a autoridade autuante demonstrou não ser possível a utilização de faturamento antecipado, ou ainda, demonstrou que os valores recebidos pela DENGE não eram, de fato, provenientes de adiantamento de clientes, limitandose a considerar que os valores contabilizados em subcontas patrimoniais "Adiantamento de Clientes" deveriam estar oferecidas a tributação; 10. que a contribuinte sempre emitiu a correspondente nota fiscal em cada entrega parcial dos equipamento e recolheu os tributos devidos; 11. pede a nulidade da autuação pela ausência de diligências para buscar a verdade material; a autoridade fiscal deveria ter verificado a possibilidade da utilização da escrituração de faturamento antecipado e depois investigado se de fato a contribuinte procedeu corretamente, mas ela não o fez. A autuação parte de uma premissa equivocada e sem investigação lastreada nos documentos apresentados. Faltou fundamentação e motivação. Fl. 6351DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 3401003.031 S3C4T1 Fl. 4 5 12. pede a produção de provas, a realização de diligências e o depoimento testemunhal da autoridade fiscal. Os julgadores a quo determinaram a realização de diligência para instruir o processo com planilhas (Postergações, Cálculo de IRPJ e CSLL) que corrijam as anteriormente feitas, superando as ilegibilidades, e responder os seguintes quesitos: · Esclarecer a metodologia e demonstrar a forma de calculo da postergação de imposto/contribuição, notadamente se foi considerada imputação proporcional ou linear de pagamentos de imposto/ contribuição; · Esclarecer se foram ou não computadas nos valores lançados, as notas fiscais emitidas pela autuada, notadamente, as notas fiscais apresentadas na impugnação, as folhas 4377/5674." · Esclarecer se os lançamentos foram ou não contrastados com os lançamentos de adiantamento de clientes da contribuinte; · Demonstrar a forma de calculo dos valores lançados como omissão de receita passivo fictício. Apesar de cientificada, a contribuinte não se manifestou sobre as informações prestadas pela autoridade fiscal como resposta à e resultado da diligência. Os julgadores a quo não acolheram as preliminares de nulidade e indeferiram os pedidos de produção de provas, diligências e registro de testemunhos. No mérito, decidiram pela improcedência da impugnação e mantiveram o crédito tributário. O Acórdão n. 1265.272 proferido em 08 de maio de 2014 pela respeitável 6ª turma da 1ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ RJ 1) ficou assim ementada: Acórdão 1265.272 6a Turma da DRJ/RJ1 Sessão de 08 de maio de 2014 Processo 18470.732599/201215 Interessado DENGE ENGENHARIA E CONSULTORIA LTDA CNPJ/CPF 73.511.933/000117 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 NULIDADE Afastase a preliminar de nulidade do auto de infração, quando este for lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DEPOIMENTO DE AUTORIDADE AUTUANTE. DESCABIMENTO Indeferese, por falta de previsão legal e normativa, o pedido do impugnante para o depoimento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Descabe a realização de diligência, quando todos os elementos de prova que necessita o julgador para elucidar os fatos que ensejaram o lançamento já se encontram nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO Caracteriza passivo fictício e, por conseguinte, omissão de receita a manutenção, no passivo como se adiantamento de Fl. 6352DF CARF MF 6 clientes fossem receitas de vendas e serviços que deveriam ter sido oferecidas à tributação no correspondente período de apuração. CONTRATOS DE CURTO PRAZO. FATURAMENTO ANTECIPADO Nos contratos de curto prazo, em decorrência do princípio da competência, como não se tem o produto, o valor recebido como adiantamento de cliente está vinculado à obrigação de produzir o mesmo, só reconhecendose a receita quando o produto ficar pronto e disponível para o comprador, caracterizandose o faturamento antecipado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO Na apuração do resultado de contratos, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração: o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração, ou, parte do preço total 'da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato do da produção executada no período de apuração. A percentagem do contrato será determinada com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção, ou, com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. REIDI. BENEFÍCIO ANTES DA HABILITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE O termo inicial para contagem do prazo de 05 anos para fruição do benefício do REIDI é a data da publicação no D.O.U do respectivo ato de habilitação ao regime emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As aquisições e importações de bens e serviços em data anterior à habilitação ao REIDI não são alcançados pelo benefício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO Caracteriza passivo fictício e, por conseguinte, omissão de receita a manutenção, no passivo como se adiantamento de clientes fossem receitas de vendas e serviços que deveriam ter sido oferecidas à tributação no correspondente período de apuração. CONTRATOS DE CURTO PRAZO. FATURAMENTO ANTECIPADO Nos contratos de curto prazo, em decorrência do princípio da competência, como não se tem o produto, o valor recebido como adiantamento de cliente está vinculado à obrigação de produzir o mesmo, só reconhecendose a receita quando o produto ficar pronto e disponível para o comprador, caracterizandose o faturamento antecipado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO Na apuração do resultado de contratos, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração: o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração, ou, parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato do da produção executada no período de apuração. A percentagem do contrato será determinada com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção, ou, com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. REIDI. BENEFÍCIO ANTES DA HABILITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE O termo inicial para contagem do prazo de 05 anos para fruição do benefício do REIDI é a data da publicação no D.O.U do respectivo ato de habilitação ao regime emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As aquisições e importações de bens e serviços em data anterior à habilitação ao REIDI não são alcançados pelo benefício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 6353DF CARF MF Processo nº 18470.732599/201215 Acórdão n.º 3401003.031 S3C4T1 Fl. 5 7 A contribuinte ingressou com recurso voluntário, recordando os argumentos que apresentou em sua impugnação, sublinhado que os próprios julgadores determinaram diligência com seus quesitos para esclarecer valores e cálculos feitos pela autoridade fiscal o que concorre para confirmar a alegação da contribuinte sobre a falta de clareza do auto de infração mas que o indeferimento do pedido da contribuinte pela realização de diligência e produção de provas foi medida arbitrária e feriu o contraditório e ampla defesa. Pede a anulação da decisão que indeferiu a produção de provas e a realização de diligências requeridas pela contribuinte, ou alternativamente a anulação da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Antes de tratar a preliminar ou adentrar o mérito, considero que há a necessidade de analisarmos a competência desta turma. Verifico que os fatos descritos nestes autos são os mesmos tratados no processo administrativo fiscal n. 18470.732118/201271. O submetido hoje a apreciação deste colegiado se refere a exigência de PIS e COFINS decorrente da constatação de omissão de receita e passivo fictício. Aquele outro, que é anterior a este, pela mesma constatação de omissão de receita e passivo fictício, exige IRPJ e CSLL para idênticos períodos de apuração. O processo n. 18470.732118/201271 (IRPJ e CSLL) aguarda na 1ª Seção pela distribuição e julgamento. Quando ele for apreciado e decidido vai resolver a procedência dos fatos a partir dos quais se exigiu IRPJ e CSLL, que são os mesmos a partir dos quais se exigiu o PIS e a COFINS. Pela leitura que faço do inciso IV do artigo 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22 de junho de 2009, vigente à época do ingresso do recurso voluntário, bem como, em minha leitura, do inciso IV do artigo 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09/06/2015, compete à 1ª Seção processar e julgar recursos voluntários que versem sobre aplicação da legislação tributária relativa a PIS e COFINS reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo processo administrativo fiscal. Entendo que a competência para julgar o processo hoje pautado pertence à 1ª Seção deste Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão por que proponho seja ele encaminhado àquela Seção para ser apreciado com o julgamento do processo 18470.732118/201271. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira relator. Fl. 6354DF CARF MF 8 Relator Fl. 6355DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000211/2003-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - OCORRÊNCIA -
Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 9303-004.188
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Fazenda Nacional para sanar a omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, modificando o resultado para Recurso Especial não conhecido.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas- Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos da Fazenda Nacional para sanar a omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, modificando o resultado para Recurso Especial não conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 02 11 /2 00 3- 21 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de embargos de declaração (efls. 497 a 499) apresentados tempestivamente em 23 de março de 2011 (efl. 496) contra o Acórdão no 930300.956, de 28 de abril de 2010, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 483 a 493), cientificado em 22 de março de 2011 (efl. 495), que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS, deu provimento ao recurso especial do Contribuinte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 31/01/1994 a 31/03/1994 COFINS e PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Segundo o acórdão embargado, seria a seguinte a matéria do recurso: A matéria devolvida a este Colegiado cingese ao prazo decadencial para se constituir crédito das contribuições sociais, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido. O julgamento deste recurso tem como paradigma o Recurso n° 230.135, julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n°256, de 22 de junho de 2009. A 3° Turma da CSRF do CARF deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, reconhecendo, com base no art. 150, §4°, do CTN, a decadência parcial do direito de lançar o crédito tributário da Cofins. A embargante alegou o seguinte: [...] r. acórdão foi omisso pois aplicou o direito sem verificar o termo inicial da decadência no caso concreto. O fato e que, mesmo sendo aplicado o art. 150, §4º, do CTN, não há se falar em decadência, conforme já havia sido alertado pelo acórdão recorrido: [...] Acrescentou que a decadência não teria atingido período algum, pois o mais antigo seria o de janeiro de 1998 e o lançamento teria sido notificado em 23 de janeiro de 2003. Alega ainda a ocorrência de erro material, porquanto consta na ementa a referência a um período de apuração (31/01/1994 a 31/03/1994), que não corresponde à verdade. É o relatório. Voto Fl. 507DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13819.000211/200321 Acórdão n.º 9303004.188 CSRFT3 Fl. 1.173 3 Os embargos são tempestivos e apontam omissão, merecendo ser conhecidos. O exame de admissibilidade (efls. 502 e seguintes), que acolheu os embargos, constatou a omissão na decisão embargada. A omissão, fundamento legal dos presentes declaratórios, encontravase prevista no art. 65 do RI – CARF (Portaria MF nº 256/2009), segundo o qual “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. Com relação a omissão, seu surgimento se faz presente quando houver pontos sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado e não o fez. De fato, o Acórdão que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, reconhecendo para fins de decadência a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, cujo o termo inicial da contagem seria de cinco anos a partir da data de ocorrência do fato gerador. No entanto, não verificou a sua aplicação no caso concreto. Segundo o que consta dos autos, o lançamento ocorreu em 23 de janeiro de 2003 (efl. 84), relativamente a períodos a partir de janeiro de 1998. A alegação de que estariam decaídos os períodos de janeiro a março de 1998 constou da impugnação da Interessada, apresentada em 21 de fevereiro de 2003, que não justificou como teria contado o prazo. Tal fato foi observado no acórdão de primeira instância (efl. 351): 13 Assim, como no caso em tela a data da ciência do auto de infração é 23/01/2003 e os fatos geradores lançados ocorreram a partir de 31/01/1998, estes não estavam albergados pelo decurso do prazo decadencial por ocasião da constituição do crédito. No recurso voluntário, a Interessada não contestou a constatação acima mencionada, de que, ainda que de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, não teria ocorrido a decadência. O acórdão de recurso voluntário manteve o entendimento sobre a aplicação do prazo de dez anos, destacando ainda o seguinte: No que se refere à decadência dos períodos de apuração de janeiro a março de 1998, entendo que a mesma não ocorreu; tanto para o PIS/Pasep quanto para a Cofins, por duas razões: a primeira, em face de que o dispositivo a ser aplicado para ambas as autuações é o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que estabelece ser de dez, e não de cinco, o prazo para a constituição de crédito tributário relacionado ao PIS/Pasep e A Cofins. E a segunda, mais singela, que fosse o caso de ser aplicado o § 4° do artigo 150 do CTN, que estabelece o prazo de cinco anos contados do fato gerador, ainda assim os períodos questionados pela Recorrente não teriam sido atingidos, já que a ciência do auto de infração se deu em 23/01/2003. Assim, para o mês de Fl. 508DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 janeiro, que é o período mais antigo, o prazo da Administração seria, ad argumentandum, 31/01/2003, visto que é sempre no último dia do mês que se dá a ocorrência do fato gerador. Portanto, fosse o caso, repito, de se admitir o prazo de cinco anos, ainda assim a decadência não teria ocorrido para o período de janeiro de 1998. Tal fato, entretanto, não foi observado na análise de admissibilidade do recurso especial (efls. 474 e 475), que foi indevidamente admitido. É certa a afirmação acima, na medida em que, não havendo ocorrido a decadência pela aplicação da regra mais benéfica possível à Interessada (a do art. 150, § 4º, do CTN), não haveria utilidade alguma ao recurso especial, implicando a falta material de objeto, considerando ainda que a Interessada sequer contestou, no recurso voluntário e no recurso especial, as conclusões a esse respeito constantes do acórdão de impugnação de lançamento e do acórdão de recurso voluntário, o que implicou, obviamente, a preclusão da matéria, que é de fato e não de direito. Obviamente, referindose o recurso especial unicamente sobre questão de direito, inexiste nele objeto se não há fato a que o direito alegado possa ser aplicado. Devese ainda observar que a ementa que constou do acórdão contém erro na informação do período de apuração, que foi indicado como de “01/01/1994 a 31/03/1994”, quando, de fato, deveria ser de “01/01/1998 a 31/03/1998”, que é o período que, segundo o contribuinte, teria sido atingido pela decadência. Dessa forma, forçoso concluir que inexistia interesse recursal (binômio necessidade/utilidade) para a discussão da decadência, pois o resultado prático para o contribuinte continua sendo o mesmo, independentemente do reconhecimento da aplicação do critério do art. 150, §4°, do CTN. Em face do exposto, não conheço do recurso especial do Sujeito Passivo, por perda de objeto, mantendo o acórdão recorrido. Esse passa a ser o novo resultado do julgamento do recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, a fim de sanar a omissão apontada nos presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 509DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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