Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11080.012156/2003-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.001892/2004-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.012156/2003-68
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5834126
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.336
nome_arquivo_s : Decisao_11080012156200368.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 11080012156200368_5834126.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.001892/2004-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7136457
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009178472448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.012156/200368 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.336 – 1ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2018 Matéria CSLL inaplicabilidade do limite de 30% para a CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SEIVA S/A. FLORESTAS E INDÚSTRIAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13830.001892/200477, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 21 56 /2 00 3- 68 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11080.012156/200368 Acórdão n.º 9101003.336 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com a alegação de dissídio interpretativo em relação ao acórdão ofertado como paradigma de nº 10513.642, assim ementado: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% A base de calculo negativa da Contribuição Social, apurada a partir de períodos de apuração referentes ao ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com o saldo compensável, apurado a partir do ano calendário de 1992, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação específica, observado o limite máximo de redução de trinta por cento.” Nessa oportunidade, a PGFN aduz a não aplicação da limitação de 30%, na compensação da base negativa da CSLL de períodos anteriores, para o resultado decorrente da atividade rural, somente surgiu no ordenamento jurídico com a edição do artigo 42 da Medida Provisória nº 199115/2000. A recorrida apresenta contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.335, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13830.001892/200477. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.335): O presente Recurso Especial da PGFN é tempestivo. Entretanto, a decisão a ser proferida sobre o conhecimento do presente apelo a esta instância especial depende da solução sobre a questão deduzida pela recorrida, quando expõe que o acórdão ofertado como paradigma conflita com a jurisprudência do CARF que se consolidou sobre o tema em estudo. Com efeito, a Súmula CARF nº 53 está assim redigida: “Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000.” Por outro lado, o acórdão ofertado como paradigma assentou o seguinte entendimento da turma que o exarou: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% A base de calculo Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11080.012156/200368 Acórdão n.º 9101003.336 CSRFT1 Fl. 4 3 negativa da Contribuição Social, apurada a partir de períodos de apuração referentes ao anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com o saldo compensável, apurado a partir do ano calendário de 1992, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação específica, observado o limite máximo de redução de trinta por cento.” Portanto, é indubitável que há colisão entre o paradigma ofertado e a Súmula CARF nº 53, pois aquele acolheu a trava de 30%, relativamente à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, para as pessoas jurídicas que exploram a atividade rural, ao passo que o entendimento jurisprudencial sedimentado na Súmula CARF nº 53 repudia a supracitada limitação. Nesses termos, é preciso ter em conta o disposto no artigo 67, §§ 9º e 12, inciso III, do Anexo II do vigente Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. [...] § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: [...] III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.” Em face do exposto, não se deve conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a teor do que consta no artigo 67, § 12, inciso III, do Anexo II do vigente Regimento Interno do CARF. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900339/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2005
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.217
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/02/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.900339/2012-33
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5850865
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.217
nome_arquivo_s : Decisao_10865900339201233.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 10865900339201233_5850865.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7195666
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009185812480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900339/201233 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.217 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 39 /2 01 2- 33 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10865.900339/201233 Acórdão n.º 3301004.217 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.752. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10865.900339/201233 Acórdão n.º 3301004.217 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900339/201233 Acórdão n.º 3301004.217 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720094/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
DECADÊNCIA. ALEGAÇÃO DE NOVO LANÇAMENTO EM FACE DE RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO. INOCORRÊNCIA.
A reforma da decisão de primeira instância pelo CARF, restabelecendo a exigência, não configura a reinauguração do litígio, muito menos novo lançamento, mas tão somente faz parte do conjunto de atos processuais inerentes ao processo administrativo fiscal que decorrem da aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, consubstanciadas no "duplo grau de jurisdição, mediante o que todas as decisões proferidas estão sujeitas à revisão por uma instância superior. Desta forma, não se configura a decadência alegada, uma vez que também não preenche os demais critérios legais que informam sua aferição.
GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não basta a juntada de documentos aos autos sob a alegação de que este comprovam as alegações. É necessário que a recorrente demonstre a conexão dos elementos probantes com a acusação fiscal, indicando precisamente os fatos que se pretende comprovar. Na ausência desses requisitos é de se manter a glosa.
CSLL. GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. REFLEXO NA BASE DE CÁLCULO.
A falta de comprovação de custos e despesas afeta diretamente o resultado do exercício apurado, impactando tanto a base de cálculo do IRPJ quanto a da CSLL, pois ambas partem desse resultado (contábil), para, após os ajustes de adições e exclusões, previstos legalmente, apurar a base tributável.
IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. INAPLICABILIDADE
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105 aos fatos geradores ocorridos após o ano-calendário 2007, por terem outro fundamento legal.
Numero da decisão: 1302-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Flavio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. ALEGAÇÃO DE NOVO LANÇAMENTO EM FACE DE RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO. INOCORRÊNCIA. A reforma da decisão de primeira instância pelo CARF, restabelecendo a exigência, não configura a reinauguração do litígio, muito menos novo lançamento, mas tão somente faz parte do conjunto de atos processuais inerentes ao processo administrativo fiscal que decorrem da aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, consubstanciadas no "duplo grau de jurisdição, mediante o que todas as decisões proferidas estão sujeitas à revisão por uma instância superior. Desta forma, não se configura a decadência alegada, uma vez que também não preenche os demais critérios legais que informam sua aferição. GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não basta a juntada de documentos aos autos sob a alegação de que este comprovam as alegações. É necessário que a recorrente demonstre a conexão dos elementos probantes com a acusação fiscal, indicando precisamente os fatos que se pretende comprovar. Na ausência desses requisitos é de se manter a glosa. CSLL. GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. REFLEXO NA BASE DE CÁLCULO. A falta de comprovação de custos e despesas afeta diretamente o resultado do exercício apurado, impactando tanto a base de cálculo do IRPJ quanto a da CSLL, pois ambas partem desse resultado (contábil), para, após os ajustes de adições e exclusões, previstos legalmente, apurar a base tributável. IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. INAPLICABILIDADE A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105 aos fatos geradores ocorridos após o ano-calendário 2007, por terem outro fundamento legal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12571.720094/2012-93
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852567
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Apr 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.629
nome_arquivo_s : Decisao_12571720094201293.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 12571720094201293_5852567.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Flavio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7206544
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009199443968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.803 1 2.802 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.720094/201293 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.629 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2018 Matéria GLOSA DE CUSTOS Recorrente KRM TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. ALEGAÇÃO DE NOVO LANÇAMENTO EM FACE DE RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO. INOCORRÊNCIA. A reforma da decisão de primeira instância pelo CARF, restabelecendo a exigência, não configura a reinauguração do litígio, muito menos novo lançamento, mas tão somente faz parte do conjunto de atos processuais inerentes ao processo administrativo fiscal que decorrem da aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, consubstanciadas no "duplo grau de jurisdição, mediante o que todas as decisões proferidas estão sujeitas à revisão por uma instância superior. Desta forma, não se configura a decadência alegada, uma vez que também não preenche os demais critérios legais que informam sua aferição. GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não basta a juntada de documentos aos autos sob a alegação de que este comprovam as alegações. É necessário que a recorrente demonstre a conexão dos elementos probantes com a acusação fiscal, indicando precisamente os fatos que se pretende comprovar. Na ausência desses requisitos é de se manter a glosa. CSLL. GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. REFLEXO NA BASE DE CÁLCULO. A falta de comprovação de custos e despesas afeta diretamente o resultado do exercício apurado, impactando tanto a base de cálculo do IRPJ quanto a da CSLL, pois ambas partem desse resultado (contábil), para, após os ajustes de adições e exclusões, previstos legalmente, apurar a base tributável. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 94 /2 01 2- 93 Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.804 2 IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. INAPLICABILIDADE A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105 aos fatos geradores ocorridos após o anocalendário 2007, por terem outro fundamento legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Flavio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.805 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0654.945, de 13 de junho de 2016, proferido pela DRJCuritiba/PR, que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração de IRPJ e CSLL, relativo aos anos calendário 2007 e 2008, nos termos sintetizado na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o CARF anulado a decisão anterior de primeira instância para que outra seja proferida, apreciando os argumentos contidos na impugnação e não analisados por esta DRJ, procedese ao novo julgamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. Na apuração do resultado tributável somente são dedutíveis os custos e despesas regularmente escriturados e cuja efetiva realização reste devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007, 2008 BASE DE CÁLCULO. RESULTADO DO EXERCÍCIO AJUSTADO PELAS ADIÇÕES, EXCLUSÕES E COMPENSAÇÕES AUTORIZADAS PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. Considerando que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas adições, exclusões e compensações autorizadas pela legislação tributária, e tendo em vista que na apuração desse resultado do exercício devem ser considerados apenas os custos, despesas, encargos e perdas pagos ou incorridos correspondentes às receitas e rendimentos ganhos no período, é descabida a dedução, na determinação do resultado do exercício, de custos e despesas não comprovados com subcontratação de fretes, cuja vinculação com qualquer receita ou rendimento da interessada não restou demonstrada nos autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.806 4 Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento por homologação e não estando caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador, se houver pagamento antecipado sem prévio exame da autoridade administrativa; inexistindo pagamento antecipado, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. Conforme se observa da ementa, este processo já havia sido objeto de apreciação de recurso de ofício por este Conselho, no qual o colegiado desta 2ª turma, por meio do Acórdão nº 1302001.077 deu provimento ao recurso para anular a decisão de primeiro grau, que cancelara o lançamento sob o entendimento de que inexistindo condições para a apuração do lucro real o resultado tributável devia ter sido arbitrado pela autoridade fiscal. O referido acórdão determinou o retorno dos autos e a apreciação das demais razões de defesa apresentadas na impugnação. Assim, o presente recurso voluntário foi apresentado em face do segundo acórdão (0654.945) proferido pela DRJCuritiba, que faz uma breve descrição dos fatos apurados pela fiscalização, verbis: Relatório de Ação Fiscal Consta do Relatório de Ação Fiscal (fls. 18771916) que a autoridade fiscal apurou o valor tributável com base na escrituração digital da interessada, cujo valor foi ajustado em decorrência de verificações efetuadas no montante do PIS e Cofins a Recolher, da Recuperação de PIS e Cofins e dos fretes pagos a terceiros PF e PJ, conforme detalhado nos Anexos I a XIII (fls. 19172419): Em análise à referida contabilidade constatouse DESPESAS lançadas na conta 30301020003 “FRETES PAGOS A TERCEIROS PJ” no valor de Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.807 5 R$ 16.259.046,42 e R$ 14.114.050,58 nos anoscalendário de 2007 e 2008, respectivamente. Constatouse também que alguns dos lançamentos supracitados estavam duplicados. A presente fiscalização conseguiu detectar R$ 6.582.690,58 em 2007 e R$ 1.763.560,30 em 2008 de lançamentos duplicados. Expurgandose os valores duplicados apurouse os seguintes valores lançados na referida conta de despesa: R$ 9.676.355,84 no AC 2007 e R$ 12.350.490,28 no AC 2008 (ANEXOS I e II). Em análise à contabilidade digital constatouse DESPESAS lançadas na conta 30301020001 “FRETES PAGOS A TERCEIROS PF” no valor de R$ 8.696.384,93 e R$ 7.564.140,16 nos anoscalendário 2007 e 2008, respectivamente, contudo, constatouse também que alguns dos lançamentos estavam duplicados. A presente fiscalização conseguiu detectar R$ 3.278.928,28 em 2007 e R$ 848.477,92 em 2008 de lançamentos duplicados. Expurgandose os valores duplicados apurouse os seguintes valores lançados na referida conta de despesa: R$ 5.417.456,65 no AC 2007 e R$ 6.715.662,24 no AC 2008 (ANEXOS III E IV). (...) Em análise aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) remetidos pelo CONTRIBUINTE, constatouse tratar de documentos fiscais emitidos pela própria KRM. Alguns modelos de CTRC’s estavam acompanhados de Cartas Fretes na parte inferior do próprio conhecimento. Para efeitos fiscais, os referidos Conhecimentos de Transportes, emitidos pelo próprio CONTRIBUINTE, fazem prova das receitas registradas em contabilidade. Já as Cartas Fretes, emitidas também pelo próprio CONTRIBUINTE, concomitante com os supracitados CTRC’s, não têm poder de sustentar as despesas de subcontratação de fretes. Registrese que, em sua maioria, as Cartas Fretes estavam desprovidas de assinaturas no campo “Assinatura sub contratado”. Outrossim, as poucas Cartas Fretes assinadas apresentavam fortes indícios de falsidade, uma vez que em todas as assinaturas empregaramse o mesmo padrão de construção e escrita (caligrafia), sobrenome escrito por extenso.(...) (...) Informalmente, o CONTRIBUINTE confessou à fiscalização que não possui Conhecimentos de Transporte ou Notas Fiscais de Transporte emitidos pelas Pessoas Jurídicas Subcontratadas, nem Notas Fiscais Avulsas ou Recibos assinados pelas Pessoas Físicas Subcontratadas, apropriadas como Custos das Vendas na escrituração contábil digital e DIPJ. (...) O custo de fretes subcontratados não pode ser comprovado sem estar embasado em documentos fiscais emitidos pela beneficiária. A não exigência por parte do CONTRIBUINTE do documento fiscal competente permite que o efetivo prestador do serviço não ofereça a receita à tributação, bem como fragiliza a idoneidade dos lançamentos contábeis registrados como despesa. Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.808 6 (...) A falta de documentos probantes das despesas subcontratadas de fretes, e as informações prestadas pelo CONTRIBUINTE levaram a presente fiscalização a circularizar uma amostra significativa das supostas pessoas jurídicas e físicas subcontratadas, constantes de despesas “3.03.01.02.0001Fretes pagos a PF” e “3.03.01.02.0003Fretes pagos a PJ”, a fim de inquirir a veracidade dos lançamentos registrados na contabilidade da CONTRIBUINTE. (...) Após a consolidação das respostas às circularizações chegouse aos seguintes resultados: . Das 39 Pessoas Jurídicas circularizadas, 9 não foram localizadas no endereço constante no CNPJ; 1 foi localizada mas não respondeu à intimação; e 9 declararam não terem prestados serviços à KRM nos AC 2007 E 2008; . Das 80 Pessoas Físicas circularizadas, 24 não foram localizadas no endereço constante no CPF; 7 foi localizada mas não respondeu à intimação; e 13 declararam não terem prestados serviços à KRM nos AC 2007 E 2008; (...) . Confirmouse despesas de subcontratação de fretes realizados por Pessoas Jurídicas de R$ 834.805,02 no AC 2007, e R$ 1.662.066,83 no AC 2008; (ANEXO VIII) . Confirmouse despesas de subcontratação de fretes realizados por Pessoas Físicas de R$ 935.534,92 no AC 2007, e R$ 2.250.460,68 no AC 2008; (ANEXO IX) (...) Os valores constantes nas DRE’s anuais conferem com os constantes nas DIPJ’s 2008 e 2009 – AC 2007 e 2008, contudo constatouse que os valores constantes nas DRE’s mensais foram reproduzidos a partir da divisão dos valores de cada conta da DRE anual por doze, originandose doze valores iguais tanto para as contas de receitas como para as contas de despesas (adições, exclusões). (...) A partir dos dados informados em DRE pelo CONTRIBUINTE, e fazendose os ajustes necessários nas contas de PIS, COFINS, RECUPERAÇÃO DE PIS, RECUPEAÇÃO DE COFINS, FRETES PAGOS A TERCEIROS PF e FRETES PAGOS A TERCEIROS PAGOS A TERCEIROS PJ, apuraramse os seguintes lucros antes do IRPJ e CSLL: R$ 12.564.189,49 para o AC 2007 e R$ 16.090.896,33 para o AC 2008. (anexo XII) Tendo em vista que os valores informados em DRE pelo CONTRIBUINTE ensejaram lucros maiores do que apurados em ESCRITURAÇÃO DIGITAL (desfavorecendo o próprio CONTRIBUINTE, no caso da DRE, pela majoração dos lucros, em comparação aos dados apresentados na ESCRITURAÇÃO DIGITAL), que não é crível que todas as rubricas contábeis tiveram valores constantes nos doze meses dos dois anos calendário fiscalizados, e que tal anomalia não pôde ser esclarecido pelos livros contábeis por falta de apresentação dos mesmos, a presente fiscalização valese da ESCRITURAÇÃO DIGITAL (SVA ca6b08ef884e4833370d78cf96b0d1eb) para Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.809 7 cálculo do IRPJ e CSLL, o que beneficiou o fiscalizado já que apurouse valores menores de lucro antes do IRPJ e CSLL a saber: R$ 10.848.611,06 no AC 2007, e R$ 10.865.927,56 no AC 2008. (anexo XIII) Desta forma, relacionouse abaixo os valores mensais dos lucros antes do IRPJ e CSLL, utilizados neste Auto de Infração para lançamento de ofício dos créditos tributários, multas e juros de mora aplicáveis ao caso em tela: Lucro antes do IRPJ e CSLL utilizado para lançamento de ofício Mês AC 2007 AC 2008 Jan 552.937,75 65.025,80 Fev 488.994,25 629.636,73 Mar 1.229.006,66 1.245.353,76 Abr 1.170.026,81 594.388,38 Mai 1.240.645,30 1.225.998,06 Jun 1.325.304,54 2.011.441,36 Jul 802.544,13 1.600.510,59 Ago 1.119.507,84 769.188,42 Set 1.075.204,80 523.427,49 Out 934.113,71 904.795,35 Nov 363.407,24 706.858,94 Dez 546.918,04 589.302,68 Total Anual 10.848.611,06 10.865.927,56 A interessada foi intimada do acórdão de primeiro grau em 06/07/2016 (AR fls. 2789), e apresentou recurso voluntário em 29/07/2016, no qual alega, em síntese que : a) preliminarmente, a decadência do lançamento, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, tendo em vista que o "lançamento tributário original" foi anulado pela decisão da DRJ Curitiba proferida em 07 de maio de 2013 e que "o novo lançamento tributário" foi cientificado ao contribuinte apenas em 6 de julho e 2016, prazo que deverá ser considerado como termo final para aferição do prazo decadencial; b) que a autoridade fiscal glosou despesas com fretes pagos a terceiros pessoas físicas em face destes não terem confirmado a prestação de serviços para o contribuinte, mas, contraditoriamente, no processo n° 12571.720273/201140 tais serviços foram objeto de lançamentos de contribuições previdenciárias, tendo sido inclusive lavrado inúmeros autos de infração contra os subcontratados o que a autoridade julgadora poderá verificar junto aos arquivos da Receita Federal; c) que a glosa de fretes pagos a terceiros apresentase contraditória e incorreta, pois a circularização foi parcial e porque se deu como verdadeira a informação prestada por terceiros subcontratados, que não tem interesse em confessar rendimentos tributáveis; d) que todos os pagamentos a eles efetuados tenham sido por via bancária, mediante depósitos; Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.810 8 e) que juntou aos auto 16 jogos de documentos, como exemplos de pagamentos efetuados a terceiros subcontratados, que traduzem a subcontratação de fretes e seus pagamentos por via bancária, com a utilização de postos de combustíveis, onde era feito o “desconto” de cartas de fretes pelo motorista; f) que esses documentos comprovam a efetividade das despesas e dos pagamentos efetuados e contém: (i) o resumo da subcontratação; (ii) o conhecimento de transporte rodoviário de cargas emitido; (iii) o adiantamento feito ao transportador; (iv) o contrato celebrado; (v) o pagamento do adiantamento, sempre via bancária; (vi) o cupom de pagamento respectivo; (vii) o documento emitido pelo posto de combustíveis; (viii) o documento enviado pelo posto de combustíveis, que documenta o “desconto” da carta frete, referente ao adiantamento; (ix) o cupom de pagamento respectivo; (x) o pagamento do saldo, sempre via bancária; (xi) o cupom de pagamento do saldo remetido; (xii) a carta de cobrança enviada pelo posto de combustíveis referente ao saldo do frete subcontratado; (xiii) o recibo emitido pelo subcontratado, referente ao saldo de seu haver; g) que diante dos elementos juntados como amostragem revelase incorreta a glosa dessas despesas; h) que as despesas consideradas indedutíveis para o IRPJ não poderão ser também consideradas indedutíveis para a CSLL, razão pela qual não é legal acrescer à base de cálculo dessa contribuição as despesas com fretes pagos a terceiros e não acatadas pela fiscalização; i) que a multa isolada sobre as estimativas não pode ser exigida em concomitância com multa de ofício por falta de pagamento do saldo anual de IRPJ e CSLL devidos por contrariar a Súmula CARF nº 105. Ao final requer o acolhimento das alegações recursais e a declaração de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.811 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, assim dele conheço. Da preliminar de decadência A recorrente suscita a preliminar de decadência sob o argumento de que o lançamento "original" teria sido cancelado pela decisão da DRJ Curitiba, proferida em 07 de maio de 2013 e que um "novo lançamento tributário" teria sido cientificado ao contribuinte apenas em 6 de julho e 2016. Este "novo lançamento", segundo a tese da defesa, se consubstancia na decisão proferida pelo CARF, por meio do Acórdão nº 1302001.077, no qual foi dado provimento ao recurso de ofício e determinado o retorno à DRJCuritiba para que aquela unidade julgadora apreciasse o mérito da autuação. Equivocada a interpretação da recorrente. Com efeito não existiram dois lançamentos nestes autos, mas tão somente aquele do qual a recorrente foi cientificada em 20/04/2012. A reforma da decisão de primeira instância pelo CARF, restabelecendo a exigência, não configura a reinauguração do litígio, muito menos novo lançamento, mas tão somente faz parte do conjunto de atos processuais inerentes ao processo administrativo fiscal que decorrem da aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, consubstanciadas no "duplo grau de jurisdição, mediante o que todas as decisões proferidas estão sujeitas à revisão por uma instância superior. Desta forma, não se configura a decadência, pelos motivos alegados no recurso voluntário e tampouco pelos demais critérios legais que informam sua aferição, como bem analisado na decisão de piso, verbis: Preliminar de decadência Argui a impugnante que os fatos geradores ocorridos no 1º trimestre/2007 já estariam alcançados pela decadência, conforme regra do artigo 150, § 4º, do CTN, porquanto a intimação do lançamento fiscal deuse apenas em 20/04/2012. Considerando que o IRPJ e lançamentos reflexos estão sujeitos ao lançamento por homologação, eis que a lei exige a apuração e o eventual pagamento antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública, cabe destacar que, nos termos do artigo 150, § 1º do CTN, aquilo que se homologa é a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, ou seja, o fato do pagamento antecipado, certificandose a autoridade administrativa da sua estrita conformidade com a legislação vigente. Não se trata de homologação do lançamento, justamente porque, nessa modalidade, o lançamento vai aparecer apenas com o ato homologatório. Até o seu advento, terá Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.812 10 curso o procedimento de extinção, que se inicia com o pagamento antecipado e se encerra com a homologação. Decorre daí que, inexistindo pagamento antecipado, ainda que a contribuinte documente bem todos os seus passos, não se poderá falar em homologação e, por via de consequência, em lançamento por homologação. Na situação em análise verificase que a interessada não efetuou recolhimento algum porquanto apurou prejuízo fiscal (R$ 19.029,59) e base de cálculo negativa de CSLL (R$ 32.178,91) em 31/12/2007, conforme declarado na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) e 17 (Cálculo da CSLL) da DIPJ 2008 (fls. 288312). De igual forma, tendo informado na ficha Dados Iniciais das DCTF’s dos 1º e 2º semestres/2007 (fls. 203 e 217) que adotou o lucro real trimestral como forma de tributação, não confessou débito algum de IRPJ e CSLL nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres/2007. Por conseguinte nada se operou que ensejasse a homologação expressa ou tácita da administração, já que inexiste atividade da contribuinte passível de ser homologada. Logo, cumpre à administração proceder de ofício ao lançamento na forma do artigo 149, V do CTN, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, segundo a regra do artigo 173, I do CTN. Dessa forma, tendo em vista que a contagem do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos no 1º trimestre/2007 iniciouse em 01/01/2008 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), expirando em 31/12/2012, enquanto o lançamento fiscal foi cientificado em 20/04/2012, não há que se falar em decadência. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada. Da glosa de custos com fretes No mérito, a recorrente alega que a autoridade fiscal glosou os custos de fretes pagos a terceiros pessoas físicas em face destes não terem confirmado a prestação de serviços para o contribuinte, mas, contraditoriamente, no processo n° 12571.720273/201140 tais serviços foram objeto de lançamentos de contribuições previdenciárias, tendo sido inclusive lavrado inúmeros autos de infração contra os subcontratados o que a autoridade julgadora poderá verificar junto aos arquivos da Receita Federal. Sobre este aspecto, assim se manifestou o acórdão recorrido: 39. Com relação à alegação da impugnante de que as despesas glosadas de fretes pagos a pessoas físicas foram objeto de lançamento de contribuições previdenciárias nos autos do processo nº 12571.720273/201140, cabe apenas destacar que se tratam de procedimentos fiscais distintos, tendo os autos de infração relativos àquele processo sido cientificados em 08/02/2012, ou seja, antes da conclusão das verificações que resultaram nas exigências de IRPJ e CSLL em análise, cuja ciência do lançamento se deu em 20/04/2012. Com efeito, tratamse de lançamentos de tributos distintos e diante da falta de apresentação de qualquer elemento que possa comprovar a alegação pela recorrente, não há como acolhêla. Os processos são independentes e não há qualquer notícia da utilização da prova de um processo em outro, de sorte que a solução de cada litígio é independente. Na sequencia, a recorrente aponta que a glosa de fretes pagos a terceiros apresentase contraditória e incorreta, pois a circularização foi parcial e porque se deu como Fl. 2812DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.813 11 verdadeira a informação prestada por terceiros subcontratados, que não tem interesse em confessar rendimentos tributáveis. Alega que todos os pagamentos a eles efetuados tenham sido por via bancária, mediante depósitos e que juntou aos autos 16 jogos de documentos, como exemplos de pagamentos efetuados a terceiros subcontratados, que traduzem a subcontratação de fretes e seus pagamentos por via bancária, com a utilização de postos de combustíveis, onde era feito o “desconto” de cartas de fretes pelo motorista. Sobre o fato de a circularização ser parcial, verifico no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1889), que o percentual de amostragem (em face do valor contabilizados) foi de quase 80% para os fretes pagos à pessoas jurídicas e de 75% (2007) e 62% (2008) para os fretes pagos a pessoas físicas, o que me parece uma amostragem bastante consistente. Por outro lado, a negativa de prestação de serviços por parte dos prestadores de serviços intimados pela fiscalização não pode ser desconsiderada se a recorrente não apresenta a comprovação da efetividade dos serviços e pagamentos efetuados. Notese que a credibilidade das despesas lançadas, além da falta de comprovação assinada e/ou produzida pelos prestadores (conhecimentos de transportes, recibos de pagamentos a autônomos, etc) restou bastante fragilizada diante da constatação pela autoridade fiscal de expressivos valores lançados em duplicidade, fato não contestado pela recorrente, e da existência de fortes indícios de falsidade ideológica na assinatura constantes de diversas "cartas fretes" pelos supostos prestadores, fato também não enfrentado pela recorrente. Diante de tais elementos e da tentativa da fiscalização de buscar a comprovação dos serviços junto a terceiros, caberia à recorrente trazer aos autos a prova robusta da efetividade dos serviços e dos seus pagamentos, demonstrando de forma objetiva sua ocorrência. No entanto, a recorrente trouxe aos autos apenas uma pequena amostragem de 16 operações que, segundo ela demonstrariam a efetividade dos serviços prestados. Penso que, depois de exauridos os esforços da fiscalização no sentido de buscar a comprovação dos custos com fretes junto à fiscalizada e à terceiros e de têla inclusive cientificada das conclusões das diligências junto a estes últimos, conforme exposto no TVF (fls. 1890), caberia à recorrente demonstrar e comprovar, caso a caso, a efetividade de todas as despesas glosadas e não de apenas algumas delas. A autoridade julgadora de primeiro grau examinou as provas apresentadas e trouxe as seguintes conclusões, verbis: 35. Em sua impugnação, a interessada alegou que a glosa de fretes pagos a terceiros apresentase contraditória e incorreta porquanto a circularização foi parcial e porque se deu como verdadeira a informação prestada por terceiros subcontratados, inobstante os pagamentos a eles efetuados tenham sido por via bancária, mediante depósitos. Como prova de sua alegações, juntou aos auto 16 jogos de documentos, que traduzem a subcontratação de fretes e seus pagamentos por via bancária, com a utilização de postos de combustíveis, onde era feito o “desconto” de cartas de fretes pelo motorista. 36. Em que pese o fato de a impugnante apenas alegar que sua defesa estava instruída por 16 jogos de documentos de fretes pagos a terceiros (fls. 24402660), sem qualquer análise da documentação por ela juntada aos autos, porquanto não Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.814 12 identificou a quais prestadores de serviço de transporte de cargas se referiam, qual o valor pago aos subcontratados e a quais CTRC estavam vinculados, dentre outras informações necessárias à solução do litígio, cumpre destacar que na análise de tal documentação comprobatória, por este julgador, constatouse que a maior parte da documentação emitida por terceiros e uma parcela considerável da documentação de emissão da interessada estão ilegíveis, e que o contrato particular de prestação de serviços de transporte juntado em cada jogo de documentos não está assinado e não passa de um simples modelo de contrato. 37. Considerando que a maior parte da documentação apresentada na impugnação é composta por planilhas e demonstrativos emitidos pela própria interessada e tendo em vista que a confirmação da veracidade dos fatos neles registrados exige documentação hábil e idônea emitida por terceiros, não há como se acatar a dedutibilidade dessa parcela das despesas com fretes subcontratados. 38, De qualquer forma, verificase que, na realidade, foram apresentados 17 jogos de documentos, abaixo identificados, sendo que oito deles se referem a fretes subcontratados já confirmados na circularização anteriormente efetuada pela Autoridade Fiscal, que abrangeu mais de 70% dos subcontratados pessoas jurídicas e pessoas físicas: CTRC Data Subcontratado Nº 04/05/2007 Valor (R$) Valor ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO 3497 02/01/2007 Javai Transportes Ltda (fls. 24402451) Não circularizado e a documentação é insuficiente para comprovar a despesa 4991 04/05/2007 3.320,79 NM Silva Jr.Guararapolis (fls. 24522465) Já confirmado na circularização (fl. 1556) 6565 02/08/2007 2.897,64 Roberto Czelusniak (fls. 24662477) Já confirmado na circularização (fl. 898) 7487 13/10/2007 Edson Monteiro Freire (fls. 24782487) Não localiz. na circularização (fls. 450454) e a docum.não comprova a despesa 7929 21/01/2008 2.156,88 Lázaro Roberto Peres (fls. 24882499) Já confirmado na circularização (fl. 1088) 8191 13/02/2008 3.333,60 Bego Transportes Ltda. (fls. 25002511) Já confirmado na circularização (fl. 1188 e 1195) 8681 29/03/2008 Edson Monteiro Freire (fls. 25122521) Não localiz. na circularização (fls. 450454) e a docum.não comprova a despesa 7487 13/10/2007 Edson Monteiro Freire (fls. 25342543) Não localiz. na circularização (fls. 450454) e a docum.não comprova a despesa 8774 15/04/2008 Edivaldo Marques da Silva (fls. 25512563) Declarou que não prestou serviços (fl. 449) e a docum.é insufic.p/comprov.desp. 7926 17/05/2008 Agropecuária Santa Inês Ltda. (25642570) Não circularizado e a documentação é insuficiente para comprovar a despesa 8149 17/06/2008 1.532,10 Pedro Colmann (fls. 2571 2582) Já confirmado na circularização (fl. 845) 10272 02/07/2008 5.175,56 Transportadora Pootz Ltda (fls.25832598) Já confirmado na circularização (fl. 1750) Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.815 13 8552 12/08/2008 1.336,92 Augusto Czelusniak Cia Ltda. (fls. 25992609) Já confirmado na circularização (fls. 1141 e 1152) 11370 04/09/2008 Marcelo Heveraldo de Souza (fls. 26102624) Não localiz. na circularização (fls. 652655) e a docum.não comprova a despesa 11853 14/10/2008 Eloi Dalla Vecchia e Cia. Ltda. (fls. 26252637) Não circularizado e a documentação é insuficiente para comprovar a despesa 12214 14/11/2008 Transportadora Torsatto Ltda. (fls. 26382649) Não circularizado e a documentação é insuficiente para comprovar a despesa 12590 03/12/2008 3.301,50 Com.Transportes Tonella Ltda. (fls. 26502660) Já confirmado na circularização (fl. 1371) [...] Reexaminando o conjunto de documentos apresentados pela recorrente me ressenti da falta de demonstração individualizada de quais custos. pagos a quais prestadores, a recorrente pretendia comprovar. Em que pese a análise feita pela DRJ, espelhada na planilha acima, tenha ajudado um pouco, e que existam alguns poucos documentos emitidos por terceiros (faturas ou demonstrativos de valores adiantados/devidos), como os pagamentos efetuados teriam se dado por meio de Cartas Fretes junto a postos de combustíveis que na maioria dos casos se referiam a mais de um serviço prestado, não é possível identificar quais custos estariam sendo comprovados. Além disso, em que pese a recorrente fazer referência a existência de comprovantes de depósitos, só identifiquei alguns, relativos a custos já admitidos pela fiscalização. Assim, não basta a juntada de documentos aos autos sob a alegação de que este comprovam as alegações. É necessário que a recorrente demonstre a conexão dos elementos probantes com a acusação fiscal, indicando precisamente os fatos que se pretende comprovar. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento quanto à glosa de custos. Da glosa de custos na base da CSLL A recorrente alega que as despesas consideradas indedutíveis para o IRPJ não poderão ser também consideradas indedutíveis para a CSLL, razão pela qual não é legal acrescer à base de cálculo dessa contribuição as despesas com fretes pagos a terceiros e não acatadas pela fiscalização. Não tem razão a recorrente. A falta de comprovação de custos e despesas afeta diretamente o resultado do exercício apurado, impactando tanto a base de cálculo do IRPJ quanto a da CSLL, pois ambas partem desse resultado (contábil), para, após os ajustes de adições e exclusões, previstos legalmente, apurar a base tributável. Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.816 14 Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a esta alegação. Da aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais A recorrente alega que a multa isolada sobre as estimativas não pode ser exigida em concomitância com multa de ofício por falta de pagamento do saldo anual de IRPJ e CSLL devidos por contrariar a Súmula CARF nº 105. Não assiste razão à recorrente. Inexiste qualquer conflito legal para aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo em conjunto com a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas. Desde logo afasto a aplicação da súmula CARF nº 1051, porquanto o lançamento da multa isolada foi fundamentado no Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007 (fls. 5). Com efeito, o alcance da referida súmula é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. O enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art.44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007. Na mesma data, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/20072. Foram 1 Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 2 Lei nº 11488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.817 15 alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência da multa (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado). Assim, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2007, os Conselheiros podem votar de acordo com seu livre convencimento sobre a matéria. Com efeito, a lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, mesmo se apurado prejuízo ao final do exercício. Entendeu o legislador que tal infração (falta de recolhimento da estimativa) não deve ser ignorada. Com vistas à proteção da arrecadação tributária e prestigiando os contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação, houve por bem o legislador estabelecer uma penalidade para aquela infração, que não se confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõese a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que "a lei não contém palavras inúteis". Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. Interpretação nesse sentido implica em negar validade ao citado dispositivo. A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146A e Art. 173, § 4°). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu "Caixa" e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” (NR) Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.818 16 É cediço os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferirseia, além da legalidade, o princípio da isonomia. Rejeito, também, o argumento, que tem sido reiteradamente utilizado pelos que defendem a impossibilidade de coexistência das duas penalidades, quanto a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um "bis in idem": aplicação da multa isolada e da multa de ofício sobre um mesmo fato. Não vejo como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. A lei é cristalina ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o anocalendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado "bis in idem!". Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei n° 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea "c" do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. Por fim, a definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc.V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a penalidade aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que é vedado no âmbito deste colegiado. Se a lei não prevê a possibilidade de aplicação de uma penalidade em detrimento da outra não cabe ao intérprete afastála ou modular sua aplicação. Por tais fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.819 17 Fl. 2819DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907010/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.907010/2010-39
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843718
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.289
nome_arquivo_s : Decisao_10830907010201039.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830907010201039_5843718.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7174111
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009242435584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.907010/201039 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.289 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 70 10 /2 01 0- 39 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.907010/201039 Acórdão n.º 3201003.289 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.400, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.907010/201039 Acórdão n.º 3201003.289 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.907010/201039 Acórdão n.º 3201003.289 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.907010/201039 Acórdão n.º 3201003.289 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.004033/99-83
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1802-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13804.004033/99-83
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851573
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1802-000.503
nome_arquivo_s : Decisao_138040040339983.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 138040040339983_5851573.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 7201328
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009264455680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.004033/9983 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.503 – 2ª Turma Especial Data 06 de maio de 2014 Assunto Competência Recorrente A.C. AGRO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 04 03 3/ 99 -8 3 Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, não homologando o encontro de contas assinalados nas declarações de compensação. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: Tratase, originalmente, de pedido de restituição protocolado em 29/10/1999 ao fundamento de “RETENÇÃO DE IMPOSTO SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, SUPERIOR AO VALOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA ATÉ ANO BASE 1998”, isso no importe de R$ 615.437,62, valor então retificado para R$ 1.158.313,41 na data de 08/08/2002 (fls. 01, 204/205 dos autos digitalizados). Seguiramse, também desde 29/10/1999, seguidos pedidos de compensação, uns e outros retificados no tempo, mas todos contrapostos ao alegado direito creditório (fls. 02/03, 94/101, 105/111, 116/118, 127/139, 142/144, 158/160, 174, dos autos digitalizados). (D’ora em diante, a menos que se diga o contrário, a referência a folhas dos autos sempre será feita tendose em conta a numeração estampada pelo processo de digitalização a que submetido ditos autos). Posto o pleito sob consideração, a DRF de origem decidiu (fls. 382/384): Da análise da DIRPJ/99 (fls. 16/78) e extratos IRPJ (fls. 222/223), verificouse que o contribuinte optou pela apuração anual do imposto, optando pelo recolhimento mensal do IRPJ por estimativa, com base na Receita Bruta (Ficha 12 fls. 25/30), utilizandose das prerrogativas estabelecidas no artigo 35 da Lei n° 8981/95, artigo 2° da Lei n° 9.430/96, e reproduzida no artigo 230 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n°3.000 de 26/03/1999, conforme segue: [...] Regularmente intimado, conforme documentos de fls. 220/1, o contribuinte não apresentou os balancetes de suspensão/redução, tendo apresentado as fls. 268/333 os denominados "balancetes" referente aos meses de janeiro a dezembro. Nestes balancetes o interessado não demonstrou que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 4 3 curso, seria igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores aquele a que se refere o balancete levantado. Sendo assim, os valores eventualmente devidos mensalmente por estimativa não foram corroborados por documentação fiscal comprobatória, não tendo sido confirmado se o IR retido na Fonte seria superior ao IR devido. Considerando que o interessado não demonstrou, de forma efetiva, a liquidez e certeza do direito creditório, proponho que se INDEFIRA o pleito. Disto cientificado em 26/03/2004 (fls. 403/404), se insurgiu o Contribuinte junto a então Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, quando, na oportunidade, foi produzido o Acórdão sob nº 5.853, de 9 de setembro de 2004 (fls. 623/627). Decidiuse e destacase: 9. Conforme visto, o indeferimento do pedido de reconhecimento de direito creditório se deu em razão de questão prejudicial, qual seja, a falta de comprovação da regularidade dos balancetes de suspensão/redução, que impediu a verificação dos valores efetivamente devidos a titulo de estimativas e o seu confronto com os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos creditados por instituições financeiras. 10. Assim, o presente julgamento admitiria duas soluções: (i) a confirmação da questão prejudicial, com a conseqüente manutenção da decisão atacada; (ii) o afastamento da prejudicial, com declaração de nulidade do despacho decisório e retorno dos autos para prolação de nova decisão, que enfrente as demais questões, prejudicadas. 11. Acertada a segunda opção. 12. Com efeito, assiste razão à interessada quando afirma que "o que importa é o confronto entre os valores recolhidos antecipadamente e o valor do imposto de renda devido". 13. Tendo a empresa apurado prejuízo na DIPJ/99, os recolhimentos realizados durante o ano calendário de 1998 a titulo de estimativas são, em tese, passíveis de restituição, cingindose a análise cabível apenas à existência dos recolhimentos e/ou Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 5 4 créditos que tenham sido utilizados para o não recolhimento de estimativas devidas. 14. Eventual erro cometido na apuração de alguma estimativa devida, e que levasse à conclusão de que a empresa deixou de recolher parte ou totalidade de estimativa mensal, daria ensejo, tãosomente, à incidência de multa isolada, nos exatos termos do artigo 44, § 1°, IV, da Lei n° 9.430/96. 15. Convém notar que, mesmo que a empresa tivesse calculado as estimativas devidas com base exclusivamente na receita bruta e acréscimos, deixado de efetuar os recolhimentos e não possuísse créditos suficientes para deixar de fazêlo, a apuração de prejuízo seria suficiente para permitir a restituição dos créditos existentes. Por óbvio, a origem de tais créditos deveria ser verificada, bem como a tempestividade do seu aproveitamento. 16. Dessarte, deve ser declarado nulo despacho decisório atacado, afastada a prejudicial nele suscitada, para que nova decisão seja proferida pela Diort/Derat/SPO. Se os novos esclarecimentos e documentos apresentados pela interessada com a manifestação de inconformidade reforçarem o entendimento de que houve falta de recolhimento de estimativa devida, deve a Autoridade Administrativa representar o fato à DEFIC/SPO, nos termos do artigo 12 do Decreto n° 70.235/1972. 17. Por oportuno, registrese que não seria possível realizar, em sede de julgamento da manifestação de inconformidade interposta, a apreciação do direito creditório propriamente dito, pois estaríamos invadindo esfera de competência originária da DERAT/SPO. 18. Portanto, não compete a esta DRJ apreciar o pedido de restituição em tela, mas tãosomente determinar o retorno dos autos à DERAT/SPO para a prolação de novo despacho decisório. 19. Do exposto, voto no sentido de deferir em parte a solicitação da interessada, para declarar nulo o despacho decisório de fls. 334 a 336 e determinar o retomo dos autos DIORT/DERAT/SPO para que seja proferido novo despacho decisório, afastada a questão prejudicial. Retornados, pois, os autos para nova decisão a ser proferida pela DRF de origem, dissese (fls. 679/682; destaques do original): Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 6 5 [...] verificase, no caso vertente, que na data da formalização do pedido de restituição (29.10.99), os valores retidos e/ou recolhidos anteriormente a 30.10.93, já haviam sido atingidos pelo instituto da decadência, razão pela qual os mesmos serão desconsiderados. Preliminarmente, já devidamente caracterizada a tempestividade da solicitação quanto aos períodos restantes, é mister esclarecer que os pedidos de compensação acostados às fls.98/101; 108/109; 117; 127/132; 135/138; 143; 159 e 172, estão condicionados ao deferimento do pedido de restituição (Lei n° 9.430/96, arts. 73 e 74, Decreto n° 2.138/97, arts. 1° e 2°, art. 26 da IN/SRF n° 460/2004), que será analisado no presente despacho. Da análise da documentação apresentada, verificouse o que se segue: Quanto ao AC 1993 extratos IRPJ de fls. 605/609 e informes bancários de fls. 381, 382 e 386. Verificouse que não foi apurado IR a Pagar e os valores retidos sobre aplicações financeiras após o mês de outubro, portanto, deram origem a saldo credor de 461,15 UFIRs (doc. fls. 610), equivalentes a R$ 382,15 em 01.01.96. Quanto ao AC 1994 – extratos IRPJ de fls. 611/615 e informes bancários de fls. 384, 385 e 387. Verificou se que as retenções também originaram saldo credor neste período, no valor de 1.175,22 UFIRs (doc. fls. 616), equivalentes a R$ 973,90 em 01.01.96. Quanto ao AC 1995 – extratos IRPJ de fls. 617/618 e informes bancários de fls. 389/391. As retenções de IRRF sobre aplicações financeiras, atualizadas monetariamente em conformidade com a IN SRF nº 51/95 art. 19 § 4° (doc. fls. 619/620), originaram apuração de saldo credor no valor de R$ 2.325,58 em 31.12.95. Quanto ao AC 1996 – extratos IRPJ de fls. 621/622. O saldo credor oriundo de IRRF, conforme informes bancários de fls. 393/396, corresponde a R$ 21.699,76 em 31.12.96. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 7 6 Quanto ao AC 1997 – extratos IRPJ fls. 623/624. O saldo credor oriundo de IRRF, conforme informes bancários de fls. 398/400, corresponde a R$ 33.023,39 em 31.12.97. Quanto ao AC 98 – extratos IRPJ fls. 625/626. Os valores retidos sobre aplicações financeiras, conforme informes bancários de fls. 401/408, totalizaram R$ 1.075.002,50, que corresponde ao saldo credor em 31.12.98, uma vez que o IR devido foi nulo (Ficha 13 fls. 626). Ressaltese que foi constatado, através das Fichas de Demonstração do Resultado de todos os períodos, que as receitas oferecidas à tributação são compatíveis com o IRF solicitado. [...] No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54 de 10.10.2001, DEFIRO PARCIALMENTE o Pedido de Restituição constante do presente processo e, em conseqüência, RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO contra a Fazenda Nacional a A C AGRO MERCANTIL LTDA., CNPJ n° 60.704.863/0001 71, nos valores de R$ 382,15 (Trezentos e oitenta e dois reais e quinze centavos), calculado para 01.01.96; de R$ 973,90 (novecentos e setenta e três reais e noventa centavos),calculado para 01.01.96; de R$ 2.325,58 (Dois mil, trezentos e vinte e cinco reais e cinqüenta e oito centavos), calculado para 31.12.95; de R$ 21.699,76 (Vinte e um mil, seiscentos e noventa e nove reais e setenta e seis centavos), calculado para 31.12.96; de R$ 33.023,39 (Trinta , e três mil, vinte e trê s reais e vinte e nove centavos), calculado para 31.12.96 e de R$ 1.075.002,50 (Hum milhão, setenta e cinco mil, dois reais e cinqüenta centavos), calculado para 31.12.98 sobre os quais deverão ser acrescidos os juros SELIC, nos termos dos artigos 51 e 52 da IN/SRF n° 460/04 e, homologo as compensações declaradas no presente processo até o limite desse valor, ressaltandose que deverão também ser deduzidas dos saldos credores ora reconhecidos as compensações declaradas pelo interessado às fls. 409 e 418. Despacho assinado em 19/01/2005, dele foi dado ciência ao procurador do Contribuinte em 02/02/2005, o Sr. Rafael Vilela Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 8 7 Borges (fl. 682; procuração que o habilita à fls. 632, 652, com validade até 31/12/2005). Ao depois, reconhecido o direito creditório e efetuadas as compensações, até então pleiteadas, a DRF observou o seguinte e disto deu ciência ao Contribuinte em 18/01/2006 (fl. 721): No processo em epígrafe, foi reconhecido o direito creditório do crédito pleiteado. Todavia, constatamos débitos em cobrança final no processo 13807.010353/200254, após efetuarmos as compensações solicitadas. Assim, fica Vossa Senhoria, INTIMADO a regularizar os débitos em questão, no prazo de 15 (quinze) dias contados a partir do recebimento desta, findo o qual, caso não haja manifestação, o silêncio será considerado como aquiescência, e o crédito apurado será utilizado para COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO, com os débitos em aberto, conforme dispõe a IN/SRF 460/04, sem prejuízo da continuidade da cobrança, caso permaneça saldo devedor a ser quitado. Informamos ainda, que na hipótese do contribuinte discordar da compensação de oficio, a autoridade da SRF competente para efetuar a compensação, reterá o valor da restituição ou ressarcimento até que o débito seja liquidado. No corpo da intimação retro segue, à mão própria, afirmativa de ciência de seu teor, bem que de aquiescência com o procedimento. Anotouse: “Ciente do ofício supra a Requerente concorda com a compensação noticiada às fls. 669”. A isto, seguiuse despacho de arquivamento: “Tendo sido efetuados todos os procedimentos de compensação e restituição, conforme demonstrativo de fls. 668, proponho o arquivamento do presente processo por 10 (dez) anos.” (fl. 723). Pouco antes disso, digase, antes de 18/01/2006, o Contribuinte começa a transmitir – precisamente a partir de 09/12/2005 – várias declarações de compensação em que anota como origem de seu alegado direito creditório os presentes autos, isto é, o processado de nº 13804.004033/9983 (vide fls. 741/984). Todas baixadas para tratamento manual em 24/06/2010 (fl. 985), consideradas as declarações de compensação com as características acima e transmitidas até 19/04/2010 (em número de 60 ao todo), sobreveio despacho decisório da DRF de origem nos termos seguintes (fls. 986/990): Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 9 8 1. O contribuinte acima identificado, através de seu representante legal, por meio do requerimento de fls. 01, na data de 29/10/1999, solicitou restituição de IRRF no montante de R$ 615.437,62, incidentes sobre aplicações financeiras no decorrer dos anos calendário de 1993 a 1998, superior ao valor do imposto de renda pessoa jurídica nestes períodos, para compensação com débitos próprios informados no processo e nos processos apensados de nº 10880.720.020/200517, 10880.720.019/200584, 10650.000.483/200131 e 10880.720.416/200556. 2. O direito creditório foi analisado em 19/02/2004 e, conforme consta do Despacho Decisório às fls. 334 a 336, o crédito pleiteado foi negado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 373 a 379) e obteve a anulação daquele despacho conforme se verifica no Acórdão DRJ/SPOI nº 5.853, de 09 de setembro de 2004 às fls. 576 a 580. 3. Em novo Despacho Decisório às fls. 630 a 633, foi reconhecido direito creditório acumulado de 1993 a 1998. Esse crédito foi empregado na compensação de diversos débitos conforme informação do Sincor/Profisc (extrato às fls. 667 a 670). Entretanto, como foi constatada a existência de outros débitos da interessada, esta foi intimada a se manifestar quanto ao emprego de saldo existente para a liquidação destes débitos (fls. 672). 4. Desta forma, o saldo remanescente foi empregado nos débitos ainda em aberto ligados ao processo n° 13807.010.353/200254, com a aquiescência do contribuinte em 18/01/2006 (fls. 672), fato que exauriu todo crédito reconhecido, conforme se verifica em pesquisas no sistema Sief às fls. 662 a 685, cujos extratos registram a inexistência de qualquer crédito que possa ser empregado em compensações. Desta forma, constatase que todo crédito possível apurado neste processo já foi exaurido em compensações, por conseguinte, proponho que NÃO SEJAM HOMOLOGADAS as compensações informadas nos Per/Dcomps de números: [seguese a especificação das DCOMPs] E veio na respectiva ordem de intimação, datada de 06/07/2010 (fl. 957): Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 10 9 A partir da ciência deste despacho fica o contribuinte intimado a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, o pagamento dos débitos indevidamente compensados, facultada a apresentação de Manifestação de Inconformidade no prazo referido. Caso não haja pagamento nem apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo acima, os débitos serão encaminhados à PFN, para inscrição em Divida Ativa da União, conforme artigo 17 da Lei n° 10.833/03. Encaminhar A EODIC/DIORT/SP, para as seguintes providências: intimar o interessado a tomar ciência do presente despacho, resguardandolhe o direito a manifestação de inconformidade junto à DRJSão Paulo I, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência. Demais providências de sua alçada. Disto, então, tomou ciência o Contribuinte em 14/07/2010 (fl. 993), face ao que colacionou a respectiva Manifestação de Inconformidade em 13/08/2010 (fls. 1002/1028). Alega: 1 No âmbito do tanto quanto que lhe fora até então deferido no corpo dos presentes autos (digase melhor, até antes em que colacionadas, a partir de 09/12/2005, as declarações de compensação como listadas à fls. 984; referidas pelo despacho recorrido de fls. 986/990; mencionadas pelo Contribuinte às fls. 1024/1025), quer o Interessado reconsiderar especialmente a extinção por compensação de débitos de sua responsabilidade e pertinentes à Contribuição ao PIS e à Cofins, isso para os períodos de apuração compreendidos entre e inclusive 11/2000 a 08/2001. Ocorreria que, quando do cálculo de referidos débitos, fizera incluir em suas bases de cálculo “receitas financeiras e variações ativas” (destaques do original), variantes estas que não se compreenderiam no conceito de receita bruta e/ou faturamento, conforme veio de firmar o Supremo Tribunal Federal quando decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. 2 – Com isso, no momento em que lhe é reconhecido por hígido seu direito creditório conta a Fazenda Pública Federal e, na sequência, se implementam as compensações pleiteadas, haveria um equívoco: terseia gasto mais crédito – dele, Contribuinte – do que o necessário, certo que os débitos de Contribuição ao PIS e de Cofins, excluído o efeito do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, não se apresentariam na monta que originalmente indicados nos pedidos de compensação. (Para maior clareza, Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 11 10 tenhase em mira que tais pedidos de compensação são aqueles postos às fls. 111, 132/134, 136, 142/143 e 158/159, isto é, justamente aqueles em que se intentavam ver extintos por compensação – e, de fato, o foram conforme a segunda manifestação da DRF de origem – débitos de Contribuição ao PIS e de Cofins dos períodos de apuração de 11/2000 a 08/2001). 3 Vista, enfim, tal diferença como um ainda sobejante direito creditório a seu favor, fez ele, Contribuinte, transmitir várias declarações de compensação, isso a partir de 09/12/2005 (como listadas à fl. 984; referidas pelo despacho recorrido de fls. 986/990; mencionadas pelo Contribuinte às fls. 1024/1025). Daí porque compreende que mereceria, sim, ter deferidos seus pleitos nas indigitadas declarações de compensação. 12. Pois bem. Após a extinção dos débitos de PIS e COFINS referentes ao período de 11/2000 a 08/2001 pela compensação acima apontados [sic], a Recorrente notou que esses tributos foram recolhidos a maior, uma vez que a base de cálculo de referidas exações incluiu as receitas financeiras e variações ativas. 13. Nesse sentido, sabendo que o C. Supremo Tribunal Federal já reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3 ° da Lei n° 9.718/98 para determinar que a base de cálculo do PIS e da COFINS não incidiria sobre as receitas financeiras e variações monetárias ativas, a Recorrente apresentou novos pedidos de compensação baseados nos valores recolhidos a maior de PIS e COFINS. 14. Assim, sendo detentora do crédito de PIS e COFINS acima, a Recorrente formalizou novas PER/DCOMPs no presente processo administrativo, referentes a dezembro de 2005, março de 2006, abril a setembro, novembro e dezembro de 2009 e fevereiro e março de 2010, por meio das quais compensou os valores recolhidos a maior a titulo de PIS e COFINS sobre receitas financeiras com outros débitos de sua titularidade. [...] 45. Como visto nos fatos, a Recorrente pagou mediante compensação, que foi homologada pela Receita Federal do Brasil, os seguintes valores de PIS e COFINS referentes aos anos de 2000 e 2001 no presente processo administrativo: [...] Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 12 11 46. No entanto, a Recorrente pagou a maior referidas exações, uma vez que incluiu na base de cálculo as receitas financeiras e variações monetárias ativas, nos termos do §1° do art. 3° da Lei nº 9.718/98 já declarado inconstitucional pelo A. Supremo Tribunal Federal, como amplamente demonstrado acima“ A DRJ de São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Decidido o pleito em declaração de compensação e disto dado ciência ao Contribuinte, não se admite aproveitar daquele processado para, por via de nova declaração de compensação e de modo indireto, lá pleitear alteração/retificação de aspecto que seja. D’outra ainda, visto tal segundo pleito autonomamente, contra este continuam a correr os prazos preclusivos do direito (na espécie, o prazo decadencial como previsto nos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, c/c art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005), de ordem que não aproveita ao Contribuinte na segunda oportunidade, repitase a situação que lhe ficou assegurada contra o transcurso do prazo decadencial, isso quando do processado compensatório original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 28/05/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/06/2012, onde fundamenta: “(i) Na base de cálculo do PIS e da COFINS do 4° trimestre de 2000 e 1,', 2° e 3 ° semestres de 2001, foram indevidamente incluídas as receitas financeiras, as quais foram declaradas inconstitucionais pelo A. STF; (ii) Em razão da inclusão indevida, a compensação realizada, em 02/02/2005, para extinção do PIS e COFINS devido nesse período (4 ° trimestre de 2000 e 1,°, 2° e 3° semestres de 2001), gerou pagamento a maior; (iii) Em virtude desse pagamento a maior, a Recorrente apresentou os PER/DCOMP's para compensação com débitos Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 13 12 referentes a dezembro de 2005, março de 2006, abril a setembro, novembro e dezembro de 2009 e fevereiro e março de 2010.” Ademais elucida sobre: a) a inexistência de decadência do crédito tributário pleiteado; b) da origem do crédito de PIS e Cofins utilizado nas compensações. É o relatório. Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 14 13 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. No final dos anos de 1996, 1997 e 1998, a Recorrente apurou um saldo negativo de IRPJ, tendo em vista a retenção de Imposto de Renda na Fonte IRRF sobre as receitas financeiras pagas pelas Instituições Financeiras. Em 29/12/1999, a Recorrente apresentou Pedido de Restituição desse crédito e Pedido de Compensação com débitos próprios, em especial, débitos de IRRF, ITR, COFINS, CSLL e PIS que deram origem a processos administrativos. Em 02/02/2005, após reconhecimento do crédito de R$ 1.158.313,47, foi proferido despacho que reconheceu a extinção dos débitos pela compensação e apurou que não haveria saldo em aberto, incluindo a compensação no presente processo administrativo. Ressaltase que referidos débitos de PIS e COFINS foram declarados nas DCTF's referentes ao 4° trimestre de 2000 e ao 1º, 2° e 3° trimestres de 2001. Ocorre que, após a extinção dos débitos de PIS e COFINS referentes ao período de 11/2000 a 08/2001 pela compensação, a Recorrente notou que esses tributos foram recolhidos a maior, uma vez que a base de cálculo das referidas exações incluiu as receitas financeiras e variações monetárias ativas. Sendo assim, a compensação homologada em 02/02/2005, que extinguiu créditos de PIS E COFINS referentes ao 4° trimestre de 2000, 1°, 2° e 3° trimestres de 2001, originou um pagamento indevido, nascendo NOVA pretensão da Recorrente em requerer a compensação ou restituição desse valor pago a maior, nos termos do artigo 168, I do Código Tributário Nacional. Por esse enredo, não há que se falar em utilização de suposto débito fictício para que a ora Recorrente prorrogasse a validade de seu crédito tributário, mas em fatos novos, de repercussão nacional que realmente originaram novo crédito, esse decorrente de pagamento a maior de PIS e COFINS. A Recorrente no entando errou em indicar que estava compensando os créditos de saldo negativo de IRPJ dos anos de 1996, 1997 e 1998. Deveria ter sido feita nova PER/DCOMP, onde constassem os créditos de PIS e COFINS do 4° trimestre de 2000, 1°, 2° e 3° trimestres de 2001. Entendo contudo que a PER/DCOMP não pode / deve ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos para que se busque a verdade material. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 15 14 O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Se houve uma decisão judicial favorável que reduziu o tributo devido, eis que era dotado de inconstutucionalidade, esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado. Com efeito, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse diapasão a matéria em análise diz respeito a crédito de Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Conforme prescrito na Portaria nº 256/09, Anexo II, art. 4º, inciso I, a competência para julgamento não é desta, mas da 3ª Seção. “Art. 4º À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Resolução nº 1802000.503 S1TE02 Fl. 16 15 I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços;” Assim, proponho que seja encaminhado o presente processo para o órgão competente. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 1690DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.905865/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.905865/2012-69
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840814
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.023
nome_arquivo_s : Decisao_10930905865201269.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10930905865201269_5840814.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7167185
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009275990016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.905865/201269 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.023 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 65 /2 01 2- 69 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905865/201269 Acórdão n.º 3302005.023 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.901. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905865/201269 Acórdão n.º 3302005.023 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905865/201269 Acórdão n.º 3302005.023 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905865/201269 Acórdão n.º 3302005.023 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905865/201269 Acórdão n.º 3302005.023 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905865/201269 Acórdão n.º 3302005.023 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905865/201269 Acórdão n.º 3302005.023 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10930.905865/201269 Acórdão n.º 3302005.023 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923129/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 18/07/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.840
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 18/07/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.923129/2012-25
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830839
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-004.840
nome_arquivo_s : Decisao_10880923129201225.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880923129201225_5830839.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7125387
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009289621504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.923129/201225 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.840 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 18/07/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 29 /2 01 2- 25 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923129/201225 Acórdão n.º 3302004.840 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.304. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.923129/201225 Acórdão n.º 3302004.840 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.923129/201225 Acórdão n.º 3302004.840 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.923129/201225 Acórdão n.º 3302004.840 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.923129/201225 Acórdão n.º 3302004.840 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000216/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16349.000216/2008-30
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843741
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.358
nome_arquivo_s : Decisao_16349000216200830.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16349000216200830_5843741.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7174134
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009301155840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000216/200830 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.358 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2005 A 30/09/2005 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 16 /2 00 8- 30 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 16349.000216/200830 Acórdão n.º 3201003.358 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.909, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 16349.000216/200830 Acórdão n.º 3201003.358 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000512/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista.
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO.
O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12585.000512/2010-10
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841375
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.133
nome_arquivo_s : Decisao_12585000512201010.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 12585000512201010_5841375.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7170597
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009318981632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000512/201010 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.133 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria CRÉDITO PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Recorrente SORANA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 05 12 /2 01 0- 10 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 12585.000512/201010 Acórdão n.º 3302005.133 S3C3T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/FOR, que manteve a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento formulado pela contribuinte recorrente, relativo a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receitas tributadas à alíquota 0(zero) no mercado interno. O despacho decisório estava assim ementado: AQUISIÇÃO PARA REVENDA. MÁQUINAS, VEÍCULOS E AUTOPEÇAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Não geram créditos as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que a sua respectiva receita de venda seja sujeita à alíquota zero. (art. 3º, I, b, c/c o art. 2º, §1º, III e IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003) Cientificado do decisório o contribuinte manifestou inconformidade na qual pede o crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: · Como se passaram mais de cinco anos entre a apresentação do PER e a ciência do Despacho Decisório, não caberia mais à Administração Tributária denegar o crédito pleiteado, devendo ser ele reconhecido tacitamente, por força do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 37, §5º, da Constituição Federal); Fl. 261DF CARF MF Processo nº 12585.000512/201010 Acórdão n.º 3302005.133 S3C3T2 Fl. 4 3 · O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, possibilita o creditamento que gera a existência do crédito pleiteado. A 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08033.396. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.113, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 12585.000491/201024, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.113): "O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como dito anteriormente, estamos diante de Recurso Voluntário que insurgise contra a decisão da DRJ de Fortaleza, que manteve o indeferimento de suposto crédito em favor da contribuinte recorrente, relacionados a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receita tributadas com alíquota 0 (zero), referente ao 3º trimestre de 2004, bem como a inexistência da figura da homologação tácita de pedido de restituição/ressarcimento realizado por contribuintes. I Pedido de Ressarcimento. Homologação Tácita Sustenta a contribuinte que teria ocorrido a homologação tácita do crédito objeto do pedido de ressarcimento, tendo em vista ter transcorrido o prazo quinquenal, previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Pois bem. A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 12585.000512/201010 Acórdão n.º 3302005.133 S3C3T2 Fl. 5 4 No regime acima referido, a extinção do crédito tributário se dá de forma tácita após o decurso do prazo de 5 anos, nos exatos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, conforme podemos observar abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Conforme podemos observar, o prazo de 5 anos para a homologação tácita não diz respeito aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato de os pedidos de ressarcimento/restituição serem transmitidos pelo mesmo sistema em que é feita a transmissão dos pedidos de compensação não autorizam a necessidade de se obedecer tal prazo pelo Fisco. Vale dizer, nos pedidos de ressarcimento/restituição não existe a extinção de uma dívida tributária, o que se visa com tal procedimento é o reconhecimento de um direito do contribuinte. Para que o pedido de ressarcimento/restituição seja deferido, fazse necessária a comprovação de sua existência por parte do contribuinte, não havendo a comprovação não ha que se falar em homologação, muito menos em homologação tácita. Desta forma, pela necessidade de haver a contribuição direta do contribuinte em sua comprovação, não existe prazo legal para que o fisco reconheça ou não a existência dos créditos sobre os quais recaia o pedido de ressarcimento/restituição. Nesse sentido, peço vênia para transcrever parte do voto do I. Conselheiro Jorge Olmiro Loch Freire, no Acórdão nº 3402004.569, que tratou da mesma matéria, vejamos: " (...) Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12585.000512/201010 Acórdão n.º 3302005.133 S3C3T2 Fl. 6 5 ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação (...)". A contribuinte recorrente alega que a autoridade fiscal deveria obedecer os prazos previstos no Decreto nº 70.235, e no § 5º do art. 24 da Lei n. 11.457/2007 para apreciar o seu pedido de ressarcimento. É o texto do mencionado artigo: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos). Da simples leitura do dispositivo transcrito, seja por sua redação, seja por estar inserido no Capítulo II da Lei n. 11.457/2007 que trata sobre as regras as serem observadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando esta for parte em litígios tributários, concluise que o prazo reclamado pela contribuinte não é pertinente, já que o prazo previsto se aplica para os julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pela contribuinte. E tal conclusão parte da premissa que o legislador não economiza e também não apresenta em opulência os termos contidos na lei e, portanto, quando estipula o prazo de 360 dias, o fez a contar da apresentação de petições, defesas e recursos administrativos, e não incluiu os pedidos de ressarcimento/ restituição. Desta forma, não se acolhe o pleito da contribuinte recorrente quanto a possibilidade de existência de suposta homologação tácita do pedido de ressarcimento/restituição. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12585.000512/201010 Acórdão n.º 3302005.133 S3C3T2 Fl. 7 6 II Tributação Monofásica e a Impossibilidade de Apuração de Crédito de PIS/COFINS A Lei 10.485/02, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04, instituiu regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação de alíquota majorada para fabricantes e importadores de máquinas e veículos nas classificações indicadas e aplicação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses produtos por parte dos revendedores, ou seja, dos comerciantes atacadistas ou varejistas. As Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 trouxeram situações que devem ser observadas a tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS e COFINS, respectivamente. Entretanto, no caso dos produtos sujeitos ao recolhimento na sistemática monofásica, quando adquiridos para revenda, não há direito a crédito, por expressa vedação legal, nos exatos termos do art. 3o , inciso I, alínea "b” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 10.865/04, que estabelece expressamente que não darão direito a crédito, as mercadorias e produtos referidos no § 1º, do artigo 2º, das mencionadas leis, quando adquiridas para revenda. Desta forma, adquirindo a contribuinte para revenda máquinas e veículos nas classificações destacadas, não poderá se creditar, para fins de apuração do PIS e da COFINS nãocumulativa, dos custos de aquisição dos referidos produtos. Para melhor compreensão transcrevemos os artigos pertinentes das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04: Lei nº 10.637/02 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12585.000512/201010 Acórdão n.º 3302005.133 S3C3T2 Fl. 8 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; Lei nº 10.833/03 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei;[...] Segundo as alegações da contribuinte recorrente o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, quando determina que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, este teria autorizado o creditamento pretendido. No entanto, quando nos debruçamos para analisar o artigo acima citado, é fácil perceber que não é possível sustentar a conclusão utilizada pela contribuinte, vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é uma regra geral, que coexiste, sem qualquer incompatibilidade, com as vedações de creditamento constantes de regras específicas, referentes a situações específicas (tais como a “tributação Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12585.000512/201010 Acórdão n.º 3302005.133 S3C3T2 Fl. 9 8 monofásica” e as aquisições de bens não tributados); notese que o art. 17 fala em “manutenção” de créditos, no entanto, por força da referida vedação legal, esses créditos sequer existem. Salientese que também é essa a posição sustentada pelo STJ, conforme observase do julgado colacionado a seguir: AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.354 SP (2017/01242898) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES AGRAVANTE : RIZATTI & CIA LTDA ADVOGADOS : JOSÉ LUIZ MATTHES SP076544 FABIO PALLARETTI CALCINI E OUTRO(S) SP197072 LUÍS ARTUR FERREIRA PANTANO SP250319 AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. PIS E COFINS. ART. 17 A LEI Nº 11.033/2004. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. 2. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. 3. Agravo interno não provido. ACÓRDÃO Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12585.000512/201010 Acórdão n.º 3302005.133 S3C3T2 Fl. 10 9 Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." A Sra. Ministra Assusete Magalhães (Presidente), os Srs. Ministros Herman Benjamin e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília (DF), 05 de setembro de 2017. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator Desta forma, com base em todos os ensinamentos e julgado acima relacionados, entendo que não há como garantir o ressarcimento/restituição pretendido pela contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, ressalvada a minha posição pessoal pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000863/2005-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
COISA JULGADA. MATÉRIA DECIDIDA PELA CÂMARA SUPERIOR.
Após julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cabe somente a análise do que não foi apreciado em razão do afastamento do instituto da decadência, ocorrendo a coisa julgada no que já foi analisado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/98, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário no que tange aos exercícios de 2000 e 2001, respeitando e mantendo os demais dispositivos do julgamento que analisou e manteve o crédito fiscal dos exercícios de 2002 e 2003, bem como da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência dos exercícios de 2000 e parte de 2001.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 COISA JULGADA. MATÉRIA DECIDIDA PELA CÂMARA SUPERIOR. Após julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cabe somente a análise do que não foi apreciado em razão do afastamento do instituto da decadência, ocorrendo a coisa julgada no que já foi analisado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/98, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10660.000863/2005-80
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853733
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.200
nome_arquivo_s : Decisao_10660000863200580.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WESLEY ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10660000863200580_5853733.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário no que tange aos exercícios de 2000 e 2001, respeitando e mantendo os demais dispositivos do julgamento que analisou e manteve o crédito fiscal dos exercícios de 2002 e 2003, bem como da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência dos exercícios de 2000 e parte de 2001. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7219888
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009330515968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 944 1 943 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.000863/200580 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.200 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de março de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente Rogério Rocha dos Santos Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 COISA JULGADA. MATÉRIA DECIDIDA PELA CÂMARA SUPERIOR. Após julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cabe somente a análise do que não foi apreciado em razão do afastamento do instituto da decadência, ocorrendo a coisa julgada no que já foi analisado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/98, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário no que tange aos exercícios de 2000 e 2001, respeitando e mantendo os demais dispositivos do julgamento que analisou e manteve o crédito fiscal dos exercícios de 2002 e 2003, bem como da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência dos exercícios de 2000 e parte de 2001. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 08 63 /2 00 5- 80 Fl. 944DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de lançamento de auto de infração lavrado em 05/04/2005 em desfavor de ROGÉRIO ROCHA DOS SANTOS, que exige o recolhimento do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, referente aos exercícios financeiros de 2000, 2001, 2002 e 2003, no valor de RS 395.883,37. Na descrição dos fatos e enquadramento legal, contidos na fl. 14, descrevese a seguinte infração: "Omissão—de—rendimentos_caracterizado por valores creditados na conta 466667, movimentada na Agência 0676 (Pouso Alegre/MG), no Banco Itau S/A, no anocalendário de 1999, em nome de ANA MARIA MACHADO DE FARIA, CPF 324.497.63600, interposta pessoa. A conta foi movimentada por HENRIQUE ALVES PEREIRA, CPF 563.661.67672, e por ROGÉRIO ROCHA DOS SANTOS, CPF 346.887.06634, em nome da correntista ANA MARIA. Omitiu, também, o autuado rendimentos por valores creditados em suas contas correntes nos Bancos ITAU S/A c/c 425440 e 420573, ABN AMR° REAL S/A c/c poupança 77106773 e HSBC BANK BRASIL S/A c/c 0972610. 0 contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito as referidas contas, conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, parte integrante do presente Auto de Infração." Estão apontados na descrição dos fatos (fls. 14/16) os valores tributáveis apurados pela fiscalização, correspondentes aos períodos mensais de janeiro de 1999 a novembro de 2002. Para melhor detalhar o transcurso do processo administrativo, transcrevo parte da informação juntada nas fls. 386/387, realizada pela SACAT/DRFNAR (N° 0427/2008): "Basicamente, o foco da autuação deuse pela omissão de rendimentos dos valores creditados na conta bancária 466667 do Banco de Rail, a gência de Pouso Ale gre (MG), em nome de Ana Maria Machado de Faria, CPF 324.497.63600, que a fiscalização federal considerou como interposta pessoa do Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 2301005.200 S2C3T1 Fl. 945 3 autuado. Houve, ainda, a omissão de rendimentos por valores creditados em contas bancárias próprias nos Bancos ABN AMR° REAL S/A, HSBC e ITAÚ S/A. Após apresentação de impugnação pelo contribuinte (fls. 231/244) a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de ForaMG prolatou o Acórdão DRJ/JFA n° 10.553, de 24 de j unho de 2005, julgando Procedente em Parte o lançamento, "para exigir do contribuinte o recolhimento do imposto equivalente a R$ 124.669,80 (cento e vinte e quatro mil, seiscentos e sessenta e nove reais e oitenta centavos), acrescido de multa proporcional (passível de redução) de 75% incidente sobre a parcela do imposto correspondente a R$ 115.368,38, e de 150% sobre a parcela restante de R$ 9.301,42 (ano calendário de 1999), bem como os juros de mora a serem atualizados nos termos da legislação vigente. (fls. 273/287). Inconformado, o contribuinte interpôs recurso contra a decisão de primeira instância (fls. 291/306), que o Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão n° 10615.625, de 21/06/2006 (fls 313/346), deu Provimento Parcial para acolher a decadência do lançamento quanto ao calendário de 1999, exceto quanto a depósito em conta de pessoa interposta, e Acolheu a decadência quanto aos meses de janeiro a março de 2000, conforme a seguir demonstrado: 1 — TRPF 1999: o Acórdão 10615.625, do Primeiro Conselho de Contribuintes considerou extinto o crédito tributário por decadência ref. aos fatos geradores ocorridos no ano de 1999, exceto quanto h omissão de rendimentos onde se utilizou interposta pessoa, quando se aplicou o disposto no art. 173, I, do CTN. Obs 2 TRPF 2000: Valor Declarado: R$ 11.747,69. Valor lançado de oficio: R$ 73.324,47 (excluídos os meses de janeiro a março, cfe. Acórdão 10615.625) Base de cálculo: R$ 85.072,16 Aliquota: 27,5%. Parcela a deduzir: R$ 4.320,00, Imposto devido: R$ 19.074,84. Cientificado o i. Procurador da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 349/354) para questionar "a omissão de dispositivos que, a despeito de serem pertinentes A matéria, não vieram a ser abordados pelo v. Acórdão.". Através do Despacho n° 106202/2006, o Senhor Presidente da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Fl. 946DF CARF MF 4 declarou Improcedentes os Embargos de Declaração (fls. 355). Novamente, a Fazenda Nacional, por intermédio de seu Procurador, interpõe RECURSO ESPECIAL que foi aceito pela presidência da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para envio à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Através do Despacho n° 106232/2007 (fls. 368/371) determinouse que: "Encaminhese o processo A. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Varginha (MG), para intimação do sujeito passivo do Acórdão n° 10615.625 (fls. 313/346), do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, de fls. 357/365, e do teor do presente despacho, facultandoselhe o direito de apresentar contrarazões, conforme o art. 16, I, do Regimento Interno acima referido". Para registro, o Recurso Voluntário foi interposto junto às fls. 300/315, do e processo. Segundo o julgamento já proferido por este Conselho, transcrevo abaixo, a decisão lançada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, diante do Acórdão n.º 10615.625, em sessão de julgamento de 21 de junho de 2006, da qual entendeu o colegiado que era cabível a incidência do instituto da decadência ao presente caso, contendo a seguinte ementa: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SIGILO BANCÁRIO O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. n° 105, de 2001, e o art. 197, II do CTN, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere á responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN, como prevê o inciso XXXIII do art. 5° da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime. DECADÊNCIA — Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Entretanto, quando há prova de fraude, dolo ou simulação se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN, em que o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. PRINCIPIO DA PROPORCIONALIDADE — EXAÇÃO FISCAL — Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratandose de dispositivos vigentes cuja Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 2301005.200 S2C3T1 Fl. 946 5 inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação dos mandamentos por ela veiculados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para passível de redução, e R$ 84.208,88 de juros de mora, calculados até 31/03/2005 acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Recurso parcialmente provido. A parte dispositiva ficou assim decidida: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROGÉRIO ROCHA DOS SANTOS. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento em face da aplicação retroativa dos efeitos da Lei n° 10.174, de 2001, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta Rivitti, Roberta Azeredo Ferreira Pagetti e Wilfddo Augusto Marques; e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para acolher a decadência do lançamento quanto ao calendário de 1999, exceto quanto a depósito em conta de pessoa interposta; e, ainda, por maioria de votos, ACOLHER a decadência quanto ao meses de janeiro a março de 2000. Vencidos os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda (Relatora), Luiz Antonio de Paula e José Ribamar Barros Penha que negaram a decadência mensal. Designada para redigir o voto vencedor relativo à decadência mensal a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto". Diante do Recurso Especial da Fazenda que foi julgado procedente, alterou se o julgado acima transcrito, chancelado pelo Acórdão n.º 9202001.967, em sessão de 16/02/2012, tendo a seguinte conclusão: "EMENTA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Fl. 948DF CARF MF 6 Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. No caso dos autos, o auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do anocalendário, já que o fato gerador do IRPF é complexivo. Para os exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000, constam na Declaração de Ajuste Anual (fls. 210/218) rendimentos com tributação exclusiva, que se referem a valores do imposto de renda retido na fonte, oriundos de aplicações financeiras. Ocorre que, não se prestam a ser considerados como antecipação de pagamento para definição da regra decadencial a ser aplicada, os valores retidos na fonte decorrentes de aplicações financeiras, posto que a tributação é realizada em separado, já que são submetidas ao regime de tributação exclusiva na fonte, não integrando o ajuste anual. Portanto, verificase que não houve pagamento antecipado, conforme consta da Declaração de Ajuste Anual dos exercícios de 2000 e 2001, anos calendários de 1999 e 2000 (fls. 210/218). Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o período mais remoto, ano calendário 1999, dáse no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 07 de abril de 2005, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido". Grifei. Após a referida decisão, do qual o colegiado, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a decadência, o presente foi remetido a essa Câmara de julgamento para "análise das demais questões", que no caso é verificar os dispositivos que não foram abordados quando da análise anterior do Recurso Voluntário, em razão do acolhimento anterior do instituto da decadência, afastada pela Instância Superior. Diante dos fatos, é o relatório. Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 2301005.200 S2C3T1 Fl. 947 7 Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator DA DELIMITAÇÃO DO JULGAMENTO Conforme descrição do relatório, o recurso voluntário já teve parcialmente julgado seu argumentos, restando somente no tocante à parte não julgada do mérito nos exercícios de 2000 e 2001, eis que perante a Câmara Superior de Recursos fiscais houve afastamento da decadência acatada pela decisão anterior. Portanto, devem ser analisados nesse julgado os exercícios de 2000, correspondente ao ano calendário de 1999, e de 2001, correspondente ao ano calendário de 2000, uma vez que para os exercícios de 2002 e 2003 a matéria já fez coisa julgada, bem como das demais preliminares arguidas, não sendo objeto do presente julgamento. Importante ressaltar que, o lançamento que resultou da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados na conta corrente n° 466667, movimentada na Agência 0676 (Pouso Alegre), do Banco Itaú S.A., no anocalendário de 1999, em nome de Ana Maria Machado de Faria, CPF n° 324.497.63600, interposta pessoa, a conta foi movimentada por HENRIQUE ALVES PEREIRA, CPF n° 563.661.67672 e por ROGÉRIO ROCHA DOS SANTOS, CPF n° 346.887.06634, em nome da correntista ANA MARIA MACHADO DE FARIA, CPF n° 324.497.63600 (interposta pessoa), e que não foi atingido pela decadência em razão da caracterização de fraude ao fisco. Assim, a omissão de rendimentos por valores creditados em contas bancárias próprias do contribuinte, dizem respeito às contas mantidas juntos aos bancos ABN. AMRO REAL S/A, HSBC e ITAÚ S/A. Da omissão de rendimentos em conta corrente do contribuinte dos exercícios de 2000 e 2001. As contas correntes de titularidade do contribuinte que foram verificadas foram as seguintes: Banco ABN AMRO Real S/A— conta poupança n°77106773 RI, R$56.369,33; Banco Itaú S/A — conta corrente no 425440, R$49.750,00; Banco Itaú S/A — conta corrente no 420573, R$40.729,50. Total do Ano R$ 146.848,83. O recorrente alega que a origem dos valores decorrem de: REFERENTE PERÍODO DE 01/01/1999 a 31/12/1999. Fl. 950DF CARF MF 8 "1 Valores correspondentes it receita tributada pela Secretariada Receita Federal em fiscalização relativa ao ano calendário de 1998 (processo n°10660.005277/200289 ) e que, apesar de não ter havido concordância com referida apuração, tais valores devem ser considerados no presente procedimento como efetiva origem de recursos depositados/creditados em c/correntes bancárias no ano calendário de 1999. 2 Disponibilidades constantes das Declarações de lmposto de Renda — Pessoa Física, anocalendario de 1999: Rendimentos Tributáveis 12.942,00 Dinheiro em Espécie em 31/12/1998 informado na Declaração de Baia 8.000,00 Participação no Capital da Empresa Fotográfica Brasileira Ltda., CNPJ 5157995 1/0001 06, vendida em 1999. 5.000,00 Rendimentos Isentos ou Não Tributáveis R$44.808,20 R$ 70.750,20 3— Valor correspondente ao numerário constante das minhas contas correntes, porem, na realidade, pertencentes ao ao escritório cm sociedade com "Henrique Alves Pereira" CPF 563.661.67672, (50% de participação para cada sócio), conforme consta dos processos n° 10660.005276/200234 e 10660.005277/200289 e da declaração em anexo firmada por ambos os sócios: Banco ITAÚ S/A c/c 425440 49.750,00 x 50%. 24.875,00", REFERENTE PERÍODO DE 01/01 12000 a 31/12/2000 "Depósitos/Créditos Banco ABN AMRO Real S/A— conta poupança n°77106773 R$ 41.379,78 Banco Itaú S/A — conta corrente no 425440 45,00 Banco itaú S/A — conta corrente no 420573 80.517,62 Total do Ano R$ 121.942,40 Comprovação da Origem/Deduções Disponibilidades constantes das Declarações de Imposto de Renda — Pessoa Física, anocalendário de 2000: Rendimentos Tributáveis 22.711,51 Dinheiro em Espécie em 31/12/1999 informado na Declaração de Bens 15.000,00 Saldo aplicado no Fundo Real de Investimento Faq Supremo DI em 31/1299 — informado na Declaração de Bens 61.886,80". Ocorre que, segundo as infrações capituladas no art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 4° da Lei n° 9.481/97 e art. 21 da Lei n° 9.532/97, os fatos descritos são motivos para o lançamento fiscal em questão: Os dispositivos das Leis citadas, assim dispõem: Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 2301005.200 S2C3T1 Fl. 948 9 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2°. Os valores cuja origem houve sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculos dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3°. Para efeito de determinação de receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I Os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado crédito pela instituição financeira. Lei n.° 9.481, de 13 de agosto de 1997 Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente". O contribuinte, Sr. Rogério Rocha dos Santos, movimentou as contas bancárias indicadas, sendo que não obrou fazer prova da origem do crédito. O termo de verificação fiscal de fls. 24/31 constata a omissão e a não comprovação da origem dos valores acrescidos em conta corrente, bem como a vasta documentação trazida ao feito para comprovar a omissão de rendimento. As informações trazidas pelo Contribuinte podem ser consideradas como meras alegações, insuficientes de afastar a constatação realizada pela fiscalização, tendo em vista que não houve prova contundente do alegado durante o tramite do processo ou em seu recurso. Cabe mencionar que, referente ao ano calendário de 1998, exercício 1999, houve lançamento fiscal em nome do contribuinte, onde se constatou o mesmo procedimento de omissão de rendimentos, nas mesmas contas bancárias, e que naquele processo o Sr. Rogério também enfrentou dificuldades para esclarecer à Receita Federal a origem da movimentação bancária, conforme se percebe da ementa transcrita do processo n.º Fl. 952DF CARF MF 10 0660.005277/200289, Acórdão n.º 0614.901, julgado em 2 de setembro de 2005, assim transcrito: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. • 71, inciso I, da Lei n°4.502/64. MULTA AGRAVADA Cabível o agravamento de 150% para 225% no percentual da multa de lançamento de ofício quanto comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. Recurso negado. Importante ressaltar que, não se utiliza as informações contida no processo mencionado como forma de julgar a presente demanda, porém, empregase apenas para não acatar a alegação do recorrente de que os valores contidos em suas contas bancárias em 1999 teriam sido decorrentes dos valores percebidos no ano calendário de 1998, onde o próprio recorrente alega que o citado processo teria influência ao presente julgamento. Contudo, sem razão o recorre, pois ao apurar os valores lançados foram considerados de fato o saldo a maior sem correspondência da origem, constatados pela fiscalização. Portanto, houve omissão de valores nos dois anos calendários. A Súmula CARF nº 30, após diversos julgados, afasta a possibilidade de comprovação dos valores de meses subsquentes para outro, conforme abaixo transcrita: "Súmula CARf n.º 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes". Logo, depósitos de um ano calendário não poderiam servir como comprovantes para o ano calendário seguinte, nesse caso. Isso porque estamos a tratar de fatos geradores distintos, e que não houve correlação com a indicação mencionada. Nesse sentido, transcrevo parte da decisão da DRJ de origem, das quais concordo com análise feita para afastar as alegações do contribuinte, uma vez que foram devidamente esclarecidas no acórdão a quo: "As meras alegações acerca da existência de rendimentos tributáveis, saldos de dinheiro em espécie nas declarações de Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10660.000863/200580 Acórdão n.º 2301005.200 S2C3T1 Fl. 949 11 bens, rendimentos isentou ou não tributáveis, não são oponíveis ao lançamento, uma vez que para elidilo deveria restar demonstrado que tais valores sensibilizaram os depósitos e créditos nas contas bancárias que realizou as movimentações financeiras. Vale salientar que não houve a tributação por acréscimo patrimonial não justificado (para o que poderiam ser verificadas as disponibilidades e recursos declarados), mas, sim, por depósitos bancários para os quais o contribuinte não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse diapasão, em que pese a existência do processo n. 10660.005277/200289 (referente ao anocalendário de 1998), não há como acolher os valores tributáveis nele estampados como recursos que sensibilizaram as movimentações financeiras observadas nos presentes autos, a menos que houvesse a necessária comprovação da utilização desses para tal. 0 autuado, é claro, se fosse de seu interesse, poderia demonstrar as origens dos depósitos na sua impugnação, todavia adotou os mesmos argumentos da existência de recursos declarados quando da ação fiscal, sem nada acrescentar que permitisse estabelecer vinculo entre esses valores e os depósitos/créditos havidos". Como já analisado pela DRJ de origem, os valores de 1998 não seriam possíveis de aproveitamento do crédito ano seguinte, uma vez que não houve lançamento por acréscimo patrimonial não justificado, e sim por depósitos bancários sem indicação ou comprovação devida da origem nos dois anos calendários fiscalizados. O contribuinte apesar de mencionar em seu recurso que os valores indicados poderiam ser comprovadamente suas origens, verifico que não aponta de forma clara quais seriam esses valores, em confrontação com o período analítico feito pela fiscalização. Quanto à alegação de que parte do valor percebido no ano calendário de 1999 teria sido em razão da divisão dos valores da sociedade com o Sr. Henrique, destaco que não localizei no processo as comprovações contábeis da distribuição dos lucros informados pelo recorrente. Já em relação ao ano calendário de 2000, também não há comprovações da origem dos valores descobertos em conta corrente. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 954DF CARF MF 12 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo decisum abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Portanto, não afastada a presunção legal pelo contribuinte, a base de cálculo é exatamente o valor creditado em sua conta bancária, correspondente ao que a lei presume ser omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, sem razão o recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto, por CONHECER E NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para julgálo improcedente no que tange ao lançamento do crédito fiscal de imposto de renda de pessoa física dos exercícios de 2000 e 2001, respeitando e mantendo os demais dispositivos do julgamento que analisou e manteve o crédito fiscal dos exercícios de 2002 e 2003, bem como da decisão da Câmara Superior que afastou a decadência dos exercícios de 2000 e parte de 2001. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 955DF CARF MF
score : 1.0
