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Numero do processo: 10860.900280/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL
Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido.
Numero da decisão: 3402-003.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito nos termos da diligência efetuada.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido.
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito nos termos da diligência efetuada. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados, me valho do Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3801000.472 (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 02 80 /2 00 8- 47 Fl. 447DF CARF MF 2 128/134), da lavra do Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, o qual adoto como meu nos termos abaixo: (...). “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 8), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 9), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 7/15), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de PIS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 1° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente à época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10860.900280/200847 Acórdão n.º 3402003.785 S3C4T2 Fl. 454 3 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3543, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 1116. Aduz ainda que a autoridade competente não observou o procedimento previsto no art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, devendo ser aplicado ao caso o princípio da verdade material, uma vez que ocorreu erro material na apuração do crédito, por parte da recorrente, o que foi levado a conhecimento da DRF posteriormente através da apresentação regular da PER/DCOMP, requerendo seja conhecido e provido o recurso para seja reconhecido o direito creditório relativo aos pagamentos efetuados a maior ou indevidos de IPI, acrescidos de juros equivalentes a taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, podendo ainda estes valores serem compensados com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. (...). 2. Uma vez distribuído o recurso voluntário interposto neste tribunal, o então Relator do caso, acompanhado pela turma julgadora, baixou o processo diligência nos seguintes temos: (...). Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. (...). No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Fl. 449DF CARF MF 4 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialmente pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. 3. Realizada a diligência, assim concluiu a fiscalização (fls. 439/440): (...). Primeiramente, cabe destacar que com o advento da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real e cujas receitas não se enquadrassem naquelas para as quais a forma de apuração foi mantida nos moldes da legislação anterior, passaram a apurar o PIS, a partir de dezembro de 2002, sob o regime nãocumulativo. Assim, a única possibilidade do interessado (optante do Lucro Real) haver apurado débitos de PIS para o período de 2003 seria no caso de ter auferido alguma das receitas dentre aquelas que permaneceram no regime cumulativo. Verificando as DIPJ/2004 apresentadas à Receita Federal do Brasil pelo interessado, constatase que foram apresentadas três DIPJ, a saber: ® DIPJ Original – apresentada em 29/06/2004 (fls. 179/259); ® DIPJ Retificadora – apresentada em 01/09/2004 (fls. 260/340); ® DIPJ Retificadora – apresentada em 29/08/2008 (fls. 341/421). Da análise dos dados informados em cada uma das DIPJ, em especial na ficha 21 – Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP – Regime Nãocumulativo, verificase que desde a DIPJ original, cuja apresentação à RFB se deu em junho de 2004, não fora apurado qualquer valor de PIS a pagar, seja na modalidade cumulativa ou na nãocumulativa. As alterações efetuadas por intermédio das DIPJ Retificadoras, em relação ao PIS e a COFINS, resumemse no aumento do valor das referidas contribuições no mês de dezembro/2003. As outras alterações efetuadas referiramse ao IRPJ e a CSLL. Da mesma sorte, os DACON apresentados pelo interessado, conforme tela de consulta à fl. 152, foram todos entregues entre os meses de março e setembro de 2004 e sem qualquer valor de PIS a pagar apurado (fls. 159/178). (...). As DCTF Retificadoras, cancelando os débitos de PIS informados nas ORIGINAIS (entregues entre os meses de maio Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10860.900280/200847 Acórdão n.º 3402003.785 S3C4T2 Fl. 455 5 de 2003 e fevereiro de 2004), foram apresentadas à RFB em 03/06/2008 quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade (fls. 431/438). Analisando as informações acerca do PIS e da COFINS constantes nas DCTF originais observase que foram informados débitos de PIS como se a pessoa jurídica estivesse no regime cumulativo, ou seja, sem o desconto de créditos permitido pelo novo regime (art. 3º da Lei nº 10.637/2002), porém com a alíquota nãocumulativa de 1,65%, pois conforme se constata pelos valores, a seguir demonstrados, a relação percentual entre os valores declarados de PIS e de COFINS é a mesma entre os valores das alíquotas utilizadas pelo interessado na apuração das referidas contribuições (1,65 / 3,00 => 0,55 %). (...). Portanto, verificase que o erro na apuração dos valores do PIS deuse em função do interessado, quando da apuração dos débitos a serem informados nas DCTF, não ter se atentado para o desconto dos créditos previstos no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, situação essa que não ocorreu nas apurações constantes na DIPJ e respectivos DACON. Em 19/11/2013 o interessado foi intimado a declarar, sob as penas da Lei, se se enquadrou, no período de 2003, nas hipóteses previstas no art . 8º da Lei nº 10.637/2002 (fls. 138/140). Em resposta, o interessado declarou, em 03/12/2013, sob as penas da Lei, não haver se enquadrado, no período de 2003, nas hipóteses previstas no art. 8º da referida Lei, exceto no caso das receitas previstas no item “a” do inciso VII do seu art. 8º (receitas decorrentes da venda de produtos de que trata a Lei 10.485/2002), cuja alíquota à época era 0 (zero) (fls. 141/143). (...). 4. Diante deste quadro, o contribuinte foi intimado para se manifestar a respeito, ficando inerte. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 7. Em suma, o contribuinte apresentou Compensação (DCOMP) alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi Fl. 451DF CARF MF 6 posteriormente corrigido por intermédio da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes nas DIPJ's original e retificadoras apresentadas. 8. A Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação ao fundamento que o pagamento apontado como origem do direito creditório fora integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. 9. Em manifestação de inconformidade o contribuinte não apresentou toda a documentação necessária para atestar seu crédito, em especial DCTF retificadora e DIPJ's retificadoras, o que só foi realizado em sede de recurso voluntário, fato este, inclusive, que motivou a diligência aqui tratada. 10. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da retificação alhures mencionada, o contribuinte não possuía débito de PIS para o período mencionado, o que redundou no crédito utilizado na presente compensação e indevidamente glosado pela fiscalização. Dispositivo 11. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.909372/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência., nos termos do voto do Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência., nos termos do voto do Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, contra decisão de 1ª instância, que não homologou a compensação procedida pela recorrente. Para a devida síntese do processo, adoto o relatório da decisão da DRJ/CTA, litteris: “O presente, processo referese a despacho decisório emitido por processamento eletrônico, em que é nãohomologada a compensação declarada por meio das DCOMPS assinaladas no despacho, fl. 01, PER/DCOMP com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 09 37 2/ 20 08 -2 6 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.909372/200826 Resolução nº 1302000.441 S1C3T2 Fl. 170 2 demonstrativo de crédito n° 13390.34200.240506.1.3.024283, em razão de divergência entre o valor do saldo negativo de IRPJ declarado no PER/DCOMP e o declarado em DIPJ. 2. A fundamentação da decisão do referido despacho decisório constituise do seguinte, em síntese: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.022. 753,29. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 1.030.159,18. (...) 3. O contribuinte fora intimado, ainda, para retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deveriam ser sanadas, ainda, pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. 4. O Contribuinte foi cientificado do despacho em 25/08/2008. Em 24/09/2008, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que se insurge contra o decidido no despacho, alegando o segue, em síntese: 4.1. A empresa cometeu um erro no preenchimento do PER/DCOMP, informando um crédito no valor errado, O valor correto é o informado de acordo com a DIPJ exercício 2006, anocalendário 2005. 5. Ao final, requer a homologação das compensações.” A decisão de 1ª instância fora ementada da seguinte forma: “PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. DIVERGENCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NAO HOMOLOGAÇAO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §l4 do art. 74 da Lei n° 9.430/96; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN e do §14 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na hipótese de a origem do direito Creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.909372/200826 Resolução nº 1302000.441 S1C3T2 Fl. 171 3 idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ.” Ciente da decisão em supra, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual insurgese, resumidamente, contra a falta de avaliação dos pagamentos de estimativas por ela efetuados para fins de composição do saldo negativo do IRPJ, pois alega que, mesmo que houvesse divergência entre os valores declarados na DIPJ e na DCOMP, esta última estaria acompanhada de todos os indicativos da composição do crédito de RS 1.022.753,29, ao passo que a DIPJ continha a informação de como o crédito de R$ 1.030.159,18 era composto. Desta forma, o indeferimento do crédito na situação concreta constitui enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, conduta em fragrante afronta ao princípio da moralidade dos atos públicos e, em consequência, ao art. 59 da Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA. O contribuinte fora cientificado da decisão de 1ª instância no dia 09/12/2010 e apresentou recurso voluntário no dia 10/01/2011. Assim, nos termos do art. 5º do Decreto n.º 70.235/72, configurase a tempestividade do presente recurso, portanto, dele conheço. O Recorrente enviou à Secretaria da Receita Federal do Brasil duas declarações de compensação, indicando como origem de seu direito creditório o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, as quais não foram homologadas por despacho decisório eletrônico, o que gerou a apresentação de manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, pelo fato do contribuinte não ter sido diligente em corrigir imperfeição que permeava a informação de seu direito creditório, qual seja, a divergência entre o saldo negativo constante da PERDCOMP e o valor constante da DIPJ, apesar de intimado para tanto (termo de intimação eletrônico). Compulsando os autos, verifico que a PERDCOMP demonstrativa do crédito (PERDCOMP n. 13390.34200.240506.1.3.024283, fls. 30/40 dos autos) elenca várias retenções do imposto de renda, bem como vários pagamentos efetuados a título de estimativa do IRPJ no anocalendário de 2005, totalizando a quantia de R$ 1.022.753,29. O valor do saldo negativo apurado na DIPJ foi de R$ 1.030.159,18 (vide fls. 50/51), ou seja, a diferença entre ambos era de R$ 7.405,89. Logo, constatando a divergência entre o crédito indicado na declaração de compensação e na DIPJ, e havendo nos autos elementos que evidenciam o crédito do contribuinte, entendo que resta constatado um erro de fato no preenchimento da PERDCOMP/DIPJ que não impossibilita o reconhecimento do seu direito creditório conforme por ela pleiteado ou em valor menor. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10980.909372/200826 Resolução nº 1302000.441 S1C3T2 Fl. 172 4 Contudo, percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pelo recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos sobre os documentos apresentados (inclusive em sede de recurso voluntário) para a comprovação do Imposto de Renda retido na Fonte no ano calendário de 2005 e estimativas pagas a título de IRPJ no mesmo período. Assim, para dirimir o conflito mister é que o processo baixe em diligência para que a unidade preparadora verifique o seguinte: a) Se todas as estimativas de IRPJ do anocalendário de 2005 realmente foram recolhidas conforme noticiado no PERDCOMP demonstrativa do crédito (PERDCOMP n. 13390.34200.240506.1.3.024283, fls. 30/40 dos autos) e qual o seu montante; b) Se todas as retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário 2005 que compuseram o Saldo Negativo do IRPJ coincidem ou não com os valores informados na sua DIPJ e PERDCOMP, informando ao final qual o montante deve compor o SNIRPJ do ano calendário de 2005. Para tanto, deve ser verificado se as receitas financeiras que deram origem ao aproveitamento do IRRF no aludido anocalendário foi ofertado a tributação no ano calendário de 2005 ou em períodos anteriores, devendo o contribuinte ser intimado a apresentar cópias do livro razão que constam tais informações, além dos comprovantes de rendimentos entregues pelas fontes pagadoras; c) Por fim, informar qual o saldo negativo existente, considerando todos os pagamentos efetuados, as retenções na fonte do IR, bem como o valor do IRPJ apurado no ano calendário de 2005; A recorrente deverá tomar a devida ciência deste Relatório Fiscal, podendo se manifestar no prazo regulamentar, se assim o desejar, retornando os autos a este Conselheiro, após expirarse o prazo. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 13888.904217/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 17 /2 00 9- 41 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904217/200941 Acórdão n.º 9303004.082 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.504, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904217/200941 Acórdão n.º 9303004.082 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904217/200941 Acórdão n.º 9303004.082 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904217/200941 Acórdão n.º 9303004.082 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904217/200941 Acórdão n.º 9303004.082 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904217/200941 Acórdão n.º 9303004.082 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904217/200941 Acórdão n.º 9303004.082 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901422/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.356
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 22 /2 01 4- 11 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901422/201411 Acórdão n.º 3402003.356 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901422/201411 Acórdão n.º 3402003.356 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901422/201411 Acórdão n.º 3402003.356 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901422/201411 Acórdão n.º 3402003.356 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000031/2005-10
Turma: Segunda Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS - IRRF
Exercício: 2003
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF.
A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes.
Acórdão que trate de exigência de multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refira-se a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Precedentes.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD -TRIBUTAÇÃO - São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD, conforme Súmula CARF n° 39, de 22/12/2009.
Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9202-000.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Julio César Vieira Gomes (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS - IRRF Exercício: 2003 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes. Acórdão que trate de exigência de multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática refira-se a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física. Precedentes. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD -TRIBUTAÇÃO - São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD, conforme Súmula CARF n° 39, de 22/12/2009. Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte negado.
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Numero do processo: 10670.720048/2007-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. APRESENTAÇÃO DE ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DISPENSA.
Considera-se dispensável o protocolo do ADA - Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da Área de Interesse Ecológico da tributação do ITR, quando dita área ambiental é assim reconhecida por órgão credenciado junto ao Ibama.
Numero da decisão: 9202-005.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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APRESENTAÇÃO DE ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DISPENSA. Considerase dispensável o protocolo do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da Área de Interesse Ecológico da tributação do ITR, quando dita área ambiental é assim reconhecida por órgão credenciado junto ao Ibama. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 48 /2 00 7- 83 Fl. 225DF CARF MF 2 Relatório Tratase de exigência de ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativa à Fazenda Cajueiro, NIRF nº 0.335.2064, localizado no Município de Matias Cardoso/MG. No julgamento em Primeira Instância o lançamento foi considerado procedente em parte, restabelecendose a Área de Interesse Ecológico e de Servidão Florestal de 5.945,0 ha, sendo que a área total é de 5.965,0 ha (fls. 98 a 105). A decisão foi assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA INTERESSE ECOLÓGICO. Cabe excluir de tributação á área do imóvel comprovadamente localizada dentro dos limites de Parque Estadual, nos termos da legislação de regência. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1 0/01/2004), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Lançamento procedente em parte" A fundamentação para a reversão da glosa foi assim registrada: "Apesar de a autoridade fiscal ter exigido a comprovação da protocolização, em tempo hábil, do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, para justificar a exclusão de tais áreas de tributação, entendo que tal exigência não se faz necessário, quando comprovado nos autos que a área ambiental em questão está localizado dentro dos limites de um Parque, seja ele Nacional, Estadual ou Municipal. Isto em razão das restrições de uso das terras localizadas dentro dos limites de tais unidades de conservação ambiental, impostas pelo poder público. No caso, são admitidas apenas as medidas necessárias à recuperação de seus sistemas alterados e as ações de manejo para recuperação e preservação do equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos naturais, conforme estabelecido em seu plano de manejo. Até mesmo as pesquisas científicas, quando autorizadas pelo órgão responsável pela sua administração, estão sujeitas às condições Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 226 3 e restrições determinadas por este, bem como ao que for definido em seu plano de manejo. É de ressaltar que o Conselho de Contribuintes tem esse mesmo entendimento, conforme manifestado no Acórdão n° 30236.980, Sessão de 10/08/2005, cuja ementa ora se transcreve: "DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. Não é, cabível a exigência da apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, para fins de exclusão do ITR, quando comprovado que as áreas estão localizadas dentro dos limites dos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais". Para justificar a exclusão da área ora tratada da incidência do ITR foi apresentada a Certidão do Instituto Estadual de Florestas IEF, às fls. 11/12, e o Laudo da Comissão Especial Mista para Regularização Fundiária das Unidades de Conservação do Jaíba/MG, doc. de fls. 82/88, comprovando que a área total do imóvel Fazenda Cajueiro está incluída dentro dos limites do Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, (criado pelo Decreto Estadual 39.954, de 08 de novembro de 1998, doc. de fls. 89/92/110, portanto, antes da data do fato gerador do ITR12004), e reconhecendo essa área como de interesse ecológico exigência aplicada a partir do exercício de 1997 e prevista no art. 10, § 1°, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.393/1996, a seguir transcrito: 'Art. 10 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: (...) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso prevista na alínea anterior'. (sublinhouse). Também consta dessa 'Certidão', de fls. 11/12, que a referida propriedade está sendo objeto de desapropriação administrativa, nos moldes do art. 10, do DecretoLei n° 3.365/41, conforme Decreto de Utilidade Pública, publicado no DO em 31/01/2007. Consta, ainda, que essa 'Certidão' possui fépública, vez que emanada do órgão estadual capaz e competente, conforme diretrizes constitucionais e estaduais instituídas, órgão este, credenciado junto ao IBAMA, conforme acordo de cooperação para Gestão Compartilhada entre esses dois órgãos ambientais (IEF e IBAMA). Especificamente no que se refere ao Instituto Estadual de Florestas (IEF), temse que tal entidade é uma autarquia estadual integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente, tendo por missão propor, coordenar e executar a política Fl. 227DF CARF MF 4 florestal no Estado de Minas Gerais, promovendo a preservação e a conservação da flora e da fauna, o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais renováveis, bem como a realização de pesquisas em biomassa e biodiversidade. Portanto, é inegável a competência do Instituto Estadual de Florestas (IEF) para emitir tal Certidão, certificando que o imóvel tratado nos autos, denominado 'Fazenda Cajueiro', está totalmente localizado dentro dos limites do referido Parque Estadual. Dessa forma, cabe acatar o pleito da requerente e restabelecer as áreas ambientais declaradas, 5.945,0 ha de interesse ecológico e servidão florestal." O crédito tributário exonerado acarretou Recurso de Ofício ao CARF, julgado em sessão plenária de 07/02/2012, prolatandose o Acórdão nº 220201.603 (fls. 113 a 120), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir as áreas de utilização limitada da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente." Cientificada do acórdão em 07/05/2012 (fls. 133), a Contribuinte opôs, por meio de correspondência postada em 10/05/2012 (envelope de fls. 159), os Embargos de Declaração de fls. 141 a 149, rejeitados conforme o despacho de fls. 165. Intimada da rejeição de seus Embargos de Declaração em 06/06/2013 (fls. 167), a Contribuinte interpôs, por meio de correspondência postada em 19/06/2013 (envelope de fls. 172), o Recurso Especial de fls. 169 a 211, visando a rediscussão da obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, para exclusão de Área de Interesse Ecológico localizada dentro de parque estadual, da tributação do ITR. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade de 16/10/2015 (fls. 213 a 215). No apelo, a Contribuinte alega, em síntese: a Lei n. 9.393, de 1996, que dispõe sobre o ITR, sequer menciona o ADA, muito menos impõe a obrigatoriedade de apresentação de tal documento para fixação das áreas não tributáveis; diante disso, interpretar o termo "declaração para fim de isenção de ITR" utilizado na parte inicial do art. 10, § 7o da Lei n. 9.393/96, como sendo a declaração feita pelo contribuinte na qual se baseia o ADA (conforme expresso no v. acórdão embargado), extrapola os limites da razoabilidade; Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 227 5 com efeito, a regulamentação de aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob o regime de servidão florestal ou ambiental foge totalmente ao objeto e à finalidade da Lei n. 9.393, de 1996; tais aspectos, quando da inserção do § 7o ao art. 10 da Lei n. 9.393/96, pela Medida Provisória n. 2.16667, de 2001, já eram inclusive regulamentados pelo IBAMA, inexistindo necessidade de novo dispositivo legal no mesmo sentido e com propósito idêntico; desta forma, a simples declaração do contribuinte, na própria DITR, é suficiente para determinação da área rural não tributável, ficando sujeito ao pagamento do imposto correspondente, com juros e multa, somente nos casos em que for comprovado que a declaração não é verdadeira, nos termos do art. 10, § 7º, da Lei n. 9.393, de 1996; por consequência lógica, como o próprio dispositivo não restringe a prova da veracidade das declarações à apresentação do ADA, são admitidos todos os meios legais de prova (cita o Acórdão nº 2201001.851); no caso específico, toda a área objeto da tributação situase em Parque Estadual, criado pelo Decreto Estadual nº 39.954, de 08/10/1998, para proteção e preservação permanente da área em razão dos excepcionais atributos da natureza (art. 2o do Decreto Estadual nº 21.724, de 23/11/981), conforme certidão expedida pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais já juntada aos autos, órgão estadual responsável pela administração dos Parques Estaduais (art. 5o do Decreto Estadual n. 21.724, de 1981); além disso, para perfeita interpretação do art. 170, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981 (em que se fundamenta a suposta obrigatoriedade do ADA para redução do ITR) é necessário contextualizálo; de fato, o caput do art. 170, da Lei nº 6.938, de 1981, dispõe que:; "Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.9,60. de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." a simples leitura do dispositivo em questão permite concluir que existem hipóteses em que os proprietários rurais podem se beneficiar da redução do valor do ITR sem apresentação do ADA, o que demonstra, por si, que o ADA não é documento indispensável para determinação da área não tributável para fins de cálculo do ITR; assim, o art. 170, § 1º, da Lei n. 6.93, de 1981, referese muito mais à obrigatoriedade de apresentação do ADA, nos casos em que este foi solicitado ao órgão ambiental pelo contribuinte, do que propriamente sua imprescindibilidade para redução do ITR; de fato, sempre que solicitado o ADA, este deve obrigatoriamente servir como base para a redução do ITR, afastandose a possibilidade de obtenção de declaração equivalente em órgão estadual de competência concorrente, como autoriza a Lei n. 9.393, de 1996, o que não quer dizer que o ADA é o único documento apto a permitir a redução do ITR (cita o Acórdão nº 2201001.851) Fl. 229DF CARF MF 6 o Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro, assim como as demais Unidades de Conservação, foi criado para preservar o ecossistema natural ainda existente naquela região, por ser de grande relevância ecológica, tanto é verdade que, desde sua criação em 1998, foi vedado o desmate de áreas de vegetação nativa (art. 6º do Decreto nº 39.954, de 1998) assim como a utilização econômica da área pelo proprietário (art. 12,1, do Decreto nº 21.724, de 1981); esse simples fato, na pior das hipóteses, gera a presunção legal de que as propriedades inseridas neste parque estadual são de "interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas" e, portanto, não integram a área tributável que serve de base de cálculo para o ITR (art. 10, II, b, da Lei nº 9.393, de 1996); sendo assim, não é cabível a exigência de ADA e esse é inclusive o entendimento do CARF (cita o Acórdão nº 30236.980); mais que a presunção legal, no caso concreto jamais houve questionamento quanto ao fato de que a área objeto da autuação encontrase efetivamente preservada e é de interesse ecológico, ou seja, não existe nenhum indício sequer de que a declaração feita pelo contribuinte, para recolhimento do ITR, não é verdadeira; as áreas englobadas pelas presentes fazendas são ainda, por força da letra b, inciso II, § Io do art. 10 da Lei Federal nº 9.393, de1996, cumulada com o art. 3o da lei federal 4.771, de 1965, isentas do recolhimerto do imposto territorial rural desde agosto de 1998, por ser área não tributável após a decretação da Unidade de Conservação, ou após a averbação de sua respectiva reserva legal; diante destas constatações, não é razoável penalizar o contribuinte pelo descumprimento de uma determinada formalidade, quando há documentação suficientemente apta a comprovar que as declarações por ele feitas são verdadeiras e que a integralidade de sua propriedade rural não é tributável pelo ITR, por ser de relevante interesse ecológico para a preservação do ecossistema em que se insere; com efeito, a não apresentação do ADA, por si, não altera o fato de que a área objeto da autuação realmente não deva compor a base de cálculo do ITR (cita o Acórdão nº 920201.901); por tudo isso, como não há dúvidas de que a Fazenda Cajueiro inserese integralmente em Unidade de Conservação Estadual Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro, a totalidade de sua área não é tributável e, portanto, não compõem a base de cálculo do ITR, nos exatos termos do art. 10, II, b da Lei n. 9.393/96. Assim, a verdade material deve prevalecer sobre a mera formalidade de apresentação do ADA; o último ponto que merece atenção é o Grau de Utilização da Fazenda Cajueiro, isso porque em obediência ao princípio da função social da propriedade, as alíquotas do ITR são progressivas, variando entre 0,45% do VTNt e 20% do VTNt, dependendo do Grau de Utilização da área total; no caso concreto, a autuação fiscal utilizou a alíquota máxima para cálculo do ITR devido Como se sabe, o Grau de Utilização é a relação percentual entre área aproveitável do imóvel rural e a área efetivamente utilizada; de acordo com o art. 10. IV da Lei n. 9.393, de1996, a área aproveitável é toda aquela "que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal", e no caso o imóvel se insere integralmente nos limites do Parque Estadual da Lagoa Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 228 7 do Cajueiro, não lhe sendo permitida qualquer forma de exploração das riquezas e dos recursos naturais, conforme determina o art. 12, I do Decreto n. 21.724, de 1981; em virtude disso, não há área aproveitável, segundo definição da própria Lei n. 9.393/96 e, por consequência lógica, na pior das hipóteses, a alíquota aplicável ao caso seria a de 0,45% do VTNt; com efeito, a progressividade das alíquotas do ITR visa punir os contribuintes que não respeitam a função social da propriedade e, muitas vezes, utilizam áreas para simples especulação imobiliária ou outro fins não produtivos, mas esse não é o caso, a Fazenda Cajueiro cumpre sua função social justamente por não utilizar as áreas de relevante interesse ecológico, assim declaradas pelo Decreto n. 39.954, de 1998 Ao final, a Contribuinte pede o provimento do recurso, ou que se determine a aplicação da alíquota de 0,45% do VTN. O processo foi encaminhado à PGFN em 19/10/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 216), e, em 22/10/2015 ofereceu as Contrarrazões de fls. 217 a 223 (Despacho de Encaminhamento de fls. 224). Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional reitera os argumentos contidos no acórdão recorrido e ao final pede o não provimento do recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de provimento de Recurso de Ofício, restabelecendose a glosa da Área de Interesse Ecológico e de servidão florestal, por falta de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental, ou do respectivo protocolo. Examinandose a legislação de regência, verificase que o direito à exclusão, da base de cálculo do ITR, das áreas ambientais em tela, está garantido na Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 10, com a redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 231DF CARF MF 8 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal. (...)" (grifei) A Lei n° 4.771, de 1965, com a redação das Leis nºs 6.938, de 1981, e 10.165, de 2000, por sua vez, assim estabelecia, à época do fato gerador: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (...) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 229 9 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. No presente caso, a única motivação para a glosa da área em questão foi a ausência do ADA, conforme o Auto de Infração (fls. 04): "Analisando a declaração de ITR de 2004, podese constatar que o contribuinte informa praticamente a totalidade da Área do imóvel como sendo área de interesse ecológico e de servidão florestal (5.945,0 ha). Para exclusão das áreas de interesse ecológico e de servidão florestal da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, que as áreas sejam assim declaradas mediante ato do órgão competente, Federal ou Estadual, e que atendam ao disposto na legislação vigente. Verificando a documentação apresentada pelo contribuinte, nela não foi encontrada o ADA requerido pela legislação." (grifei) Embora a legislação efetivamente acoberte a exigência do ADA Ato Declaratório Ambiental, a Contribuinte apresenta documentação que, no entender desta Conselheira, supre a necessidade do citado ato, a exemplo do que ocorre com a averbação na matrícula do imóvel, no caso da Reserva Legal, considerado como suficiente para reconhecer o benefício. Tratase da Certidão de fls. 11/12, emitida pelo Instituto Estadual de Florestas: "A Diretoria de Pesca e Biodiversidade/DPB IEF/MG certifica para os fins específicos da declaração de I.T.R. (Imposto Territorial Rural), que se encontra inclusa dentro do PARQUE ESTADUAL LAGOA DO CAJUEIRO, criado pelo Decreto Estadual 39.954 de 08 de Novembro de 1998, com área aproximada de 20.500,00 ha, (vinte mil e quinhentos hectares) abarcando a totalidade da seguinte área: • Imóvel Rural com área registrada de 6.900,00ha. (seis mil e novecentos hectares) registrada sob o n.° M R08101 Lv. 2L, fls. 101, registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Manga Minas Gerais, de propriedade da empresa Agropecuária CHS S/A. • Ocorre que do referido imóvel após o processo de medição oficial, para fins de desapropriação e avaliação, realizado pelo Instituto de Terras de Minas Gerais fora apurada a área georreferenciada (com base na Lei Federal 10.267/00) de 6.053,25,85 ha (seis mil e cinqüenta e tits hectares, vinte e cinco ares e oitenta e cinco centiares).(destaque no original) O Instituto Estadual de Florestas certifica que a área total do imóvel está inserida na unidade de proteção integral acima exposta, e que a presente propriedade está sendo objeto de desapropriação administrativa, nos moldes do art. 10 do Decreto lei 3.365/41 conforme Decreto de Utilidade Pública sem número, Fl. 233DF CARF MF 10 publicado no Diário Oficial em 31/01/2007, já contendo laudo fundiário, mapa georreferenciado, memorial descritivo, laudo de avaliação oficial, certificação enquanto domínio e a posse do imóvel, havendo desde já, a aceitação prévia do proprietário à cerca dos valores avaliados para a propriedade. Da presente forma, as áreas englobadas pelas presentes fazendas são ainda, por força da letra b, inciso II, §1° do art. 10 da Lei Federal 9.393/96, cumulada com o art. 3° da lei federal 4771/65, isentas do recolhimento do imposto territorial rural, desde agosto de 1998, por ser área não tributável após a decretação da Unidade de Conservação, ou após a averbação de usa respectiva reserva legal. (destaquei) (...) O Instituto Estadual de Florestas vem ainda informar à Receita Federal que, a propriedade em tela cumpre a sua função ambiental constitucional, sendo de inteira relevância para proteção do Bioma de Mata Seca em estágio primário, possuindo inclusive proteção legal conforme disposto na lei federal 11.428/06. A presente certidão possui fépública, vez que emanada do órgão estatal capaz e competente, conforme diretrizes constitucionais e estaduais instituídas, órgão este, credenciado junto ao IBAMA, conforme acordo de cooperação para Gestão Compartilhada celebrado entre o D.D. Secretário Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável juntamente com o D.D. Presidente do IBAMA, publicado no Diário Oficial em 31 de agosto de 2004." Assim, tratandose de certidão emitida por órgão credenciado junto ao Ibama, atestando tratarse de Área de Preservação Permanente desde 1998, portanto antes do fato gerador, tornase dispensável a apresentação do ADA, que teria de ser protocolado junto ao Ibama. Ademais, foi apresentado laudo, também emitido pelo Instituto Estadual de Florestas, preparado pela Comissão Especial Mista para Regularização Fundiária das Unidades de Conservação do Jaíba/MG (fls. 82 a 88), comprovando que a área total do imóvel Fazenda Cajueiro encontrase dentro dos limites do Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, criado pelo Decreto Estadual nº 39.954, de 1998. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 230 11 Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721756/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO.
Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(Assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 17 56 /2 01 5- 16 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 69 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 70 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 8 a 11) no valor de R$ 20.701,40 referente à Imposto de Renda Retido na fonte pagadora Basf Sociedade de Previdência Complementar do contribuinte, em razão de compensação indevida. Com esse lançamento, o imposto de renda a restituir pleiteado pelo contribuinte, no valor de R$ 11.256,70 foi ajustado para R$ 5.488,90. Inconformado com o teor da autuação o contribuinte apresentou impugnação administrativa (fl.. 2) alegando em síntese: Anexa documentos (fls 05 a 36) quais sejam: a notificação de lançamento, o protocolo de entrega PERDCOMP, declaração de IR ano calendário 2011, comprovante de rendimentos 2010, comprovante de rendimentos BASF complementar 2010 e demonstrativo de contribuições BASF complementar. Por fim, a 08ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o crédito tributário exigido conforme inferese da ementa do Acórdão nº 1055.583 abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS PAGOS POR ENTIDADES DEPREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. IRRF. OPÇÃO PELA TABELAREGRESSIVA.TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA/DEFINITIVA. O imposto de renda retido na fonte de que trata o artigo 1° da Lei n° 11.053, de 29 de dezembro de 2004, será definitivo. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 71 4 Intimado da decisão no dia 08/09/2015 (fls. 54) o contribuinte protocolou no dia 08/10/2015 Recurso Voluntário (fls. 56/58), onde traz as mesmas alegações da impugnação, acrescentando o argumento de que não merece prosperar a negativa de seu direito creditório, eis que julgado por órgão não competente. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Inicialmente cumpre analisar a exegese contida na Instrução Normativa 1343/2013 consoante excerto abaixo transcrito: Art. 1º Esta Instrução Normativa estabelece normas e procedimentos relativos ao tratamento tributário a ser aplicado na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. (...) CAPÍTULO II DO TRATAMENTO A SER APLICADO AOS BENEFICIÁRIOS QUE SE APOSENTARAM ENTRE OS ANOS DE 2008 E 2012 Seção I Do Tratamento a Ser Aplicado aos Beneficiários sem Ação Judicial em Curso Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 73 6 forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (...) II observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma:(grifado) (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) a) excluir o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular” ou da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelos Dependentes”, se for o caso; b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e c) manter, na declaração retificadora, as demais informações constantes da declaração original que não sofreram alterações. (...) Pois bem. A partir da leitura do dispositivo acima, extraise que, poderia ser excluído o montante das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 dos rendimentos tributáveis pagos ou creditados por entidade de previdência complementar informados na Declaração de Ajuste Anual – DAA. O contribuinte trouxe ao processo o documento apresentado pela Basf Sociedade de Previdência Complementar, informando o saldo atualizado das contribuições em 31/12/2009, no valor de R$ 43.341,12. (fls. 15/16) No mais, o documento informa a data do início do benefício – 01/10/2009 – bem como os valores recebidos de complementação de aposentadoria nos anoscalendário 2009 a 2012 sob o regime de tributação da tabela regressiva. (fl. 17) Em relação a tributação dos planos de benefícios de caráter previdenciário, assim dispõe a Lei n° 11.053 de 29 de dezembro de 2004: Art.1° É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 74 7 valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos. § 1o O disposto neste artigo aplicase: I aos quotistas que ingressarem em Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI a partir de 1o de janeiro de 2005; II aos segurados que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência em relação aos rendimentos recebidos a qualquer título pelo beneficiário. § 2 O imposto de renda retido na fonte de que trata o caput deste artigo será definitivo. (grifado) (...) Art. 2º É facultada aos participantes que ingressarem até 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, a opção pelo regime de tributação de que trata o art. 1o desta Lei. (...) Deste modo, conforme documento apresentado pela entidade de previdência (fl. 17) sobressai a circunstância de que no anocalendário de 2010 foram pagos rendimentos tributáveis no valor total de R$ 82.805,54 e que o contribuinte optou pelo regime de tributação Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 75 8 pela tabela regressiva. Nesse tipo de tributação, a incidência de IR ocorre de forma definitiva e exclusiva na fonte, ou seja, não se sujeita a recálculo na declaração de ajuste anual. No mais, constatou a DRJ, através de pesquisa aos registros da Receita Federal do Brasil – RFB, que os valores foram informados pela Basf Sociedade de Previdência Complementar no código 5565 (tributação exclusiva na fonte) com os mesmos valores constantes do documento apresentado (fl. 17). O Comprovante de Rendimentos emitido (fl. 32) confirma, de fato, a informação de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva no valor de R$ 62.104,14 (rendimento líquido). Na DAA Retificadora (fl. 43), o contribuinte, por sua vez, incluiu a informação da fonte pagadora Basf Sociedade de Previdência Complementar, CNPJ 56.995.624/000140, no campo de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Titular, com rendimentos no valor de R$ 59.751,29 e com imposto de renda retido na fonte – IRRF, no valor de R$ 20.701,40. Como constatado pela DRJ, acertado o lançamento fiscal (fl 10) que excluiu o rendimento declarado de R$ 59.751,29 (sendo que havia R$ 82.805,58 de rendimento sujeito à tributação definitiva) reduzindo a base de cálculo do imposto de renda para R$ 51.339,72 e glosou a compensação do IRRF no valor de R$ 20.701,40, por se tratar de tributação exclusiva na fonte quando do recebimento dos benefícios ao anocalendário de 2010. Dessa forma, correto o procedimento do contribuinte ao apresentar Pedido de Restituição ou Ressarcimento (fl. 12/14) conforme prevê a Instrução Normativa RFB N° 1343/2013, que assim dispõe: Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (...) § 8º A restituição relativa ao abono anual pago a título de décimo terceiro salário e ao regime de que trata a Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004, no período a que se refere o caput, deverão ser pleiteadas por meio de apresentação do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a ser protocolado na unidade do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) Todavia, não cabe a este colegiado a apreciação do Pedido de Ressarcimento do ora recorrente, o qual deverá obedecer trâmite próprio e ser analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil competente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 76 9 Assim, deve ser negado provimento ao recurso voluntário do recorrente, sem que a presente decisão incorra em prejuízos à análise do mencionado Pedido de Ressarcimento, o qual será objeto de análise e apreciação pelo órgão competente, não sendo possível a sua apreciação e/ou aplicação de efeitos no julgamento do recurso voluntário ora em análise. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, sem prejuízo de futura análise do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte pela Delegacia de origem competente. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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Numero do processo: 10580.008865/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1999
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO. CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 88 65 /2 00 7- 79 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.008865/200779 Acórdão n.º 2402005.501 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 37.116.4532 (fls. 2/16), referente à obrigação tributária acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso I e § 9°, do Decreto 3.048/99, do período de 04/1997 a 06/1999. A instância recorrida assim resumiu os termos do lançamento: De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 15/17), a empresa autuada não incluiu nas folhas de pagamento alguns segurados que lhe prestaram serviço, conforme descrito nos itens abaixo: a) foram encontrados recibos de pagamento de remuneração do Sr. Jair Alexandre Lopes, empregado registrado na empresa Mazana Ltda, do mesmo grupo econômico, por serviços prestados em shows na função de técnico de som e iluminação, nos meses de 09 e 11/1997, 11 e 12/1998, 03, 05 e 06/1999, não incluídos nas folhas de pagamento mensais e também não declarados nas GFIP. b) foram encontrados recibos de pagamento de salário do funcionário Sérgio Nepomuceno, relativos aos meses l 1/ 1998 e 2” parcela do 13° salário do mesmo ano, no cargo Segurança, sem inclusão em folha de pagamento. c) foram encontrados recibos de pagamento de remuneração de Erivaldo da Anunciação e Antônio Femando Neves, dos meses 03 e 06/1999, respectivamente, sendo que nos recibos assinados não há discriminação do tipo do serviço prestado. d) não há inclusão em folha de pagamento da parcela paga através do cheque 656702, no mês 01/1998, no valor de RS 50.000,00 (cinqüenta mil reais), decorrente do Acordo entre as partes nos autos da Reclamatória Trabalhista 0l2.97.198301, movida pelo empregado Carlos Alves. e) as remunerações mencionadas anteriormente, não incluídas em folhas de pagamento, não se encontram também escrituradas nos livros Diário dos respectivos Exercícios Sociais, e foram identificadas em recibos de pagamento e processos de reclamatória trabalhista. Í) os segurados autônomos Luís Assis, Marcelo Machado e Nildão perceberam remuneração por serviços prestados como backing vocal, técnico e produtor de discos, respectivamente, e não foram incluídos em folha de pagamento. As remunerações foram identificadas às folhas 08 e 15, do livro Diário 06; e n° 20, do livro Razão 06. Os pagamentos mensais dos segurados incluídos em folha são contabilizados a débito da conta Salários e Ordenados a pagar que, por sua vez, recebe os lançamentos dos valores líquidos das folhas cujas despesas são escrituradas nas contas salários e ordenados, férias, horas extras, adicional noturno. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 O contribuinte em sua impugnação alegou, em síntese (fls. 130/132): que a infração constatada não trouxe qualquer tipo de prejuízo à arrecadação e fiscalização do INSS, bem como os fatos articulados não ocorreram por culpa ou dolo da empresa na tentativa de evasão de recursos; que a autuação deveria ser apreciada concomitantemente ou após a decisão prolatada na NFLD nº 37.116.4516, uma vez que o julgamento do AI depende diretamente da análise dos fatos, provas e argumentações articuladas na impugnação da referida NFLD. que estava decaído o prazo para lançamento da infração. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 147/156), o autuado interpôs recurso voluntário em 11/3/2008 (fls. 172/175), defendendo a nulidade do julgamento contestado dada a necessidade de apreciação conjunta com Notificação de Lançamento nº 37.116.4516, referente à obrigação principal, e reiterando, no mais, os argumentos da impugnação. Em petição protocolizada em 3/7/2008 (fls. 177/182), postula o recorrente, ainda, a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF ao caso vertente. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.008865/200779 Acórdão n.º 2402005.501 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Merece ser observado, de início, não prosperar no caso a alegação de necessidade de observância à Súmula Vinculante STF nº 8, visto que a multa em comento é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, em nada se confundindo com tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa feita, submetese ao prazo de cinco anos contados nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Nesse compasso, contudo, deve ser reconhecido que quando o contribuinte foi, em 4/9/2007, cientificado dos termos do lançamento, já estava decaído o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, pois os fatos que deram ensejo à multa aplicada referemse a períodos compreendidos entre os anoscalendário 1997 e 1999. Registrese, outrossim, que no processo 10580.008859/200711, foi declarada a decadência do DEBCAD nº 37.116.4516, relativo à obrigação principal. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento, declarando a decadência do lançamento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720094/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PROVAS. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES E LANÇAMENTO ANTE A AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS. LEGALIDADE.
Não há nulidade do lançamento por ausência de provas quando o contribuinte é reiteradamente intimado e, esquivando-se de atender às intimações da fiscalização, deixa de prestar esclarecimentos e provas acerca da natureza dos rendimentos declarados em DIRPF.
MULTA AGRAVADA. Comprovado nos autos o descaso do contribuinte para com as intimações da autoridade fiscal, retardando o procedimento fiscal, cabível o agravamento da multa conforme par. 2 do art. 44 da Lei 9430/1996.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS.
Se declarado pelo contribuinte em DIRPF que recebeu rendimentos isentos de pessoa jurídica e, iniciada a fiscalização que solicite documentos e provas de que tais rendimentos efetivamente foram pagos e referem-se a rendimentos isentos, não sendo apresentadas provas suficientes para comprovação do que declarado em DIRPF, deve ser mantido o lançamento e afastada a natureza de rendimentos isentos declarados pelo contribuinte.
MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do mútuo deve ser inequívoca e não comportar interpretações múltiplas. No caso dos autos, não há a comprovação inequívoca de que os recursos do indicado mutuante teriam sido entregues ao contribuinte. Tampouco o contrato de mútuo contém qualquer indicação oficial inequívoca de que tenha sido produzido na data constante do documento.
MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
A simples omissão de receitas, como reconhecido pela própria fiscalização, não enseja a qualificação da multa de ofício (150%), nos exatos termos da Súmula CARF nº. 14.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário, para, no mérito: a) quanto ao rendimento recebido a título de dividendos, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário; b) quanto ao rendimento decorrente dos contratos de mútuo, por voto de qualidade, negar provimento recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; c) por maioria, dar provimento ao recurso, para excluir a multa qualificada, vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; d) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao agravamento da multa, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortaro (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; e e) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Assim, dá-se provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindo-a ao percentual de 75%, agravada para 112,5%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PROVAS. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES E LANÇAMENTO ANTE A AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS. LEGALIDADE. Não há nulidade do lançamento por ausência de provas quando o contribuinte é reiteradamente intimado e, esquivandose de atender às intimações da fiscalização, deixa de prestar esclarecimentos e provas acerca da natureza dos rendimentos declarados em DIRPF. MULTA AGRAVADA. Comprovado nos autos o descaso do contribuinte para com as intimações da autoridade fiscal, retardando o procedimento fiscal, cabível o agravamento da multa conforme par. 2 do art. 44 da Lei 9430/1996. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS. Se declarado pelo contribuinte em DIRPF que recebeu rendimentos isentos de pessoa jurídica e, iniciada a fiscalização que solicite documentos e provas de que tais rendimentos efetivamente foram pagos e referemse a rendimentos isentos, não sendo apresentadas provas suficientes para comprovação do que declarado em DIRPF, deve ser mantido o lançamento e afastada a natureza de rendimentos isentos declarados pelo contribuinte. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do mútuo deve ser inequívoca e não comportar interpretações múltiplas. No caso dos autos, não há a comprovação inequívoca de que os recursos do indicado mutuante teriam sido entregues ao contribuinte. Tampouco o contrato de mútuo contém AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 94 /2 01 3- 01 Fl. 511DF CARF MF 2 qualquer indicação oficial inequívoca de que tenha sido produzido na data constante do documento. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A simples omissão de receitas, como reconhecido pela própria fiscalização, não enseja a qualificação da multa de ofício (150%), nos exatos termos da Súmula CARF nº. 14. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário, para, no mérito: a) quanto ao rendimento recebido a título de dividendos, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário; b) quanto ao rendimento decorrente dos contratos de mútuo, por voto de qualidade, negar provimento recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; c) por maioria, dar provimento ao recurso, para excluir a multa qualificada, vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; d) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao agravamento da multa, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortaro (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; e e) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Assim, dáse provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindoa ao percentual de 75%, agravada para 112,5%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de recurso voluntário e de ofício em decorrência do acórdão nº. 0435.285 (410/428) da 3ª Turma da DRJ/CGE, que julgou parcialmente procedente a impugnação do ora recorrente, sendo proferido o acórdão assim ementado: COMPETÊNCIA PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INRFAÇÃO É válido o auto de infração formalizado por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. INTIMAÇÃO PESSOAL. Comprovado está que o contribuinte foi intimado por outros meios que não o pessoal. Não obstante, se a autoridade lançadora dispuser de todos os elementos necessários ao lançamento e entender dispensável a intimação para prestar esclarecimentos, o processo de lançamento de ofício será iniciado sem a ciência do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Cabe ao contribuinte a apresentação de documentos comprobatórios, idôneos e capazes, com a finalidade de comprovar a inocorrência de omissões de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, identificadas pela autoridade fiscal. Impugnação procedente em parte Crédito tributário mantido em parte Trata o presente lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fl. 148/161) que, nos termos da DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls. 150 a 152), assim disposto: Fl. 513DF CARF MF 4 Segundo o termo de verificação fiscal (fls. 162/184), temos que: Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 4 5 Fl. 515DF CARF MF 6 Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 5 7 Apresentada a impugnação (fls. 186/192), esta foi apreciada e foi proferido o acórdão nº. 0435.285 cuja ementa acima já reproduzimos e julgou parcialmente procedente a impugnação, apenas para afastar o lançamento como receita tributável o valor transitado em conta bancária do recorrente, por se tratar de valor de terceiros, tendo sido mantidas as demais. Fl. 517DF CARF MF 8 Notificado deste acórdão em 14/07/2014 (AR fl. 433), apresentou, tempestivamente, o seu recurso voluntário de fls. 435/455 em 11/08/2014, alegando, em síntese: a) ausência de prova das alegações quanto a omissão de receitas, por se tratar de presunção do AFRFB ante o não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, o que teria o condão de invalidar todas as informações contidas nos documentos contábeis e fiscais do ora recorrente; b) foram desconsiderados os valores recebidos a título de empréstimo informados nas DIRPFs do recorrente (mutuário) e das mutuantes (Sra. Catarina de Souza e Sra. Nathalia Rudek de Souza); c) em todo o curso do procedimento fiscal e no conteúdo do Termo de Verificação Fiscal, o AFRFB não demonstra de fato que teriam ocorrido: simulações, erros nos cálculos dos tributos das empresas como dividendos e valores incongruentes entre o que foi declarado de mútuo pelos mutuantes e pelo mutuário; d) as DIRPFs das pessoas envolvidas (Souza Junior Auditoria e SR Comércio de Produtos de Informática e Serviços) e do Recorrente já demonstram claramento o quanto foi apurado de lucro, quanto foi o valor tributado sobre o mesmo e o quanto foi distribuído em cada período de 2007 a 2010; e) foram apresentados os DRE´s da empresa Souza Junior Auditoria dos anos 2007 a 2010 (docs. 02 a 05), onde são demonstradas as distribuições de lucro feitas por esta ao Recorrente após a devida tributação com base no lucro presumido; f) foram apresentadas as DREs da empresa SR Comércio de Produtos e Serviços que a empresa apurou lucro líquido nos 4 trimestres de 2007 e que justificam às distribuições de lucros; g) alega que não haveria simulação dos empréstimos recebidos para acobertamento de rendimentos tributáveis (mútuos entre a irmã e filha do recorrente para com o mesmo), conforme resta evidenciado pelos documentos comprobatórios das operações de mútuos realizadas entre o recorrente e as mutuantes; h) destaca que os contratos de mútuo atendem a todos os seus requisitos (fls. 494 e ss.), onde se evidencia: 1) os valores contratados; 2) as retiradas de lucros das empresas "SR Comercio" pelas sócias que seria repassada em moeda corrente ao recorrente; 3) o vencimento do contrato; 4) a forma de quitação dos mútuos via pagamento em moeda ou em despesas de responsabilidade das mutuantes; i) para comprovar as movimentações financeiras em seu favor, junta informe de rendimentos financeiros do anocalendário 2009 em seu nome, emitido pela Metropolitan Life Seguros e Previdência Privada S/A ("Met Life") e comprovantes de aporte no valor de R$ 150.200,00 (31/07/2009); R$ 80.000,00 e R$ 25.000,00 datados de (28/12/2009), o que confirma que a somatória dos mútuos no valor de R$ 480.000,00 foi aplicada pelo recorrente num Plano Vida Gerador de Benefícios Livres VGBL em tal instituição financeira; j) contesta a ausência de dolo, fraude ou máfé a justificar a aplicação da multa qualificada de 150% e o seu agravamento em 50%. É o relatório. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Da nulidade por ausência de provas para comprovação de omissão de receitas No ponto específico, entendo que não assiste razão ao recorrente quanto a alegação de que não deveria prosperar o Auto de Infração por ausência de comprovação da alegada omissão de receitas. O fato da AFRFB tentar diligenciar, diversas vezes, junto ao contribuinte para que esclarecesse os valores recebidos e declarados e, não obtendo respostas do contribuinte, não invalidam o lançamento. Tampouco entendo que o AFRFB tenha, pelo simples fato de não ter suas intimações respondidas, despendido força intelectual exacerbada para realizar o lançamento. O convencimento fiscal está claro (se certo ou errado, é outra questão) razão pela qual não o vejo que tenha sido realizado com exagero ou tampouco consubstanciado em documentos e provas que estejam contidas no processo, fazendo sobre tais, a sua valoração e aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso. Dos rendimentos recebidos a título de dividendos Alega o recorrente que as declarações de IRPJ das pessoas jurídicas envolvidas demonstram o seu lucro apurado, a tributação sobre tal e a sua distribuição nos períodos de 2007 a 2010. Traz, ainda, nas fls. 460 e ss. os documentos contábeis daquelas empresas que atestariam as suas razões. Entendo que, a partir do momento em que intimado o contribuinte para demonstrar e comprovar o efetivo recebimento de valores declarados em sua DIRPF, ainda que tais valores estejam mencionados nas declarações (somente declarações) das pessoas jurídicas tidas como aquelas que fizeram a distribuição de lucros, cabe a ele comprovar, ou apresentar elementos que levem a compreensão à comprovação, de que tais valores foram efetivamente distribuídos. No presente caso, traz em seu recurso voluntário os documentos que seriam a as comprovações contábeis que atestariam a referida distribuição dos lucros. Em que pese o esforço do contribuinte, entendo que os documentos de fls. 460 e ss. não são suficientes para atestar a veracidade dos fatos por ele alegados. Tais documentos (DRE´s, planilhas contábeis, Balancete Patrimonial) sequer se revestem de Fl. 519DF CARF MF 10 requisitos mínimos de validade, nos termos da legislação comercial, por exemplo no Código Civil: Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1o Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Assim, os documentos apresentados não estão sequer assinados pelo contabilista responsável, o que, digase, é o próprio recorrente. Nesse contexto, tratase de cotejar a seguinte situação: DECLARAÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA E JURÍDICAS que atestam uma determinada realidade e, realidade esta, que não pode ser comprovada por meio de outros documentos, em especial os contábeis, nos termos da legislação de regência, que atestem a primeira situação. Isto posto, no tocante aos rendimentos declarados como isentos e recebidos de pessoa jurídica, entendo que o contribuinte não restou comproválos e, por isso, nego provimento ao recurso voluntário. Dos mútuos realizados Ainda segundo o recorrente, não há que se falar em simulação de empréstimos recebidos para acobertamento de rendimentos tributáveis, quais sejam, os mútuos entre a irmã e a filha do Recorrente para com o mesmo. Traz o recorrente os documentos comprobatórios que atestariam a realização dessas operações: a) Mútuo entre Recorrente e a Sra. Catarina de Souza, no valor de R$ 350.000,00; b) Mútuo entre o Recorrente e a Sra. Nathalia Rudeck de Souza, no valor de R$ 130.000,00. Os referidos contratos de mútuo encontramse às fls. 494 e ss. Para a comprovação da capacidade da Sra. Catarina de Souza repassar o montante de R$ 350.000,00 ao recorrente, traz à fl. 498 a Declaração do Portador Controle de Transação em Espécie do Banco Real, datada de 23/12/2009, onde a mencionada Sra. saca em Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 7 11 seu nome, pessoa física, valores de titularidade da empresa SR COMÉRCIO PRODUTOS INFORMÁTICA E SERVIÇOS LTDA, acompanhado do respectivo recibo de saque à fl. 499. Para corroborar o repasse do valor de R$ 130.000,00 pela sócia Sra. Nathalia Rudek de Souza, junta o extrato de conta corrente (fl. 500) do Banco Unibanco da empresa SR Comércio de Produtos e Serviços referente à movimentação financeira de 01 a 31 de julho de 2009, onde se verifica a compensação de cheque no valor de R$ 150.200,00 em 31/07/2009. Traz ainda às fls. 502 e ss. um Informe de Rendimentos Financeiros Ano Calendário 2009, em seu próprio nome, que comprovam aportes no valor de R$ 150.200,00 (datado de 31/07/2009) e outros nos valores de R$ 80.000,00 e R$ 25.000,00, datados de 28/12/2009 à "Met Life". Isto posto, ante o conjunto fático e documental probatório apresentado pelo recorrente, entendo que restou comprovada a efetiva realização dos empréstimos, consubstanciados e formalizados contratos a título de mútuo e que, por outros meios de prova, ainda (saques, transferências e investimentos) corroboram as alegações do contribuinte e fazem o convencimento deste relator para o fim de, quanto ao presente tópico, dar provimento ao recurso voluntário. Das multas qualificada e agravada A autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto de infração em comento entendeu que este deveria ser acompanhado da multa qualificada, nos termos do art. 44, I, § 1º e § 2º, da Lei nº. 9.430/96, no total de 225%. Segundo a fiscalização, a multa de ofício qualificada se aplica pela "prática de conduta tendente a reduzir ou suprimir tributo", e o agravamento da mesma pelo fato "do contribuinte não cumprir as obrigações que lhe foram impostas, mantendose em silêncio". Entendo que, restando claro pela fiscalização que a qualificação da multa (150%) se dá somente pela não comprovação das receitas declaradas como isentas e tidas como omitidas pela fiscalização, que não é cabível a aplicação da súmula pois, o fato concreto, amoldase claramente ao disposto na Súmula CARF nº. 14, assim disposta: Súmua CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autorizada a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, não sendo comprovado qualquer intuito doloso de fraude NA PRÁTICA DE OMISSÃO DE RECEITAS, entendo que deve ser afastada a multa qualificada no presente caso. No tocante à multa agravada ante o não atendimento às obrigações que lhe foram impostas, entendo que faltou o AFRFB fazer a devida imputação do fato à norma, ou seja, a subsunção do fato ao dispositivo legal infringido. Vejase o que dispõe o parágrafo segundo do art. 44 da Lei nº. 9.430/96: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de Fl. 521DF CARF MF 12 não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. No Auto de Infração em epígrafe, eis a fundamentação legal do AFRFB (fl. 160): Assim, sem a identificação específica de qual o inciso violado, entendo que o agravamento da multa também deve ser afastado. Do Recurso de Ofício O recurso de ofício se fez necessário pela exclusão, pela DRJ, dos valores tido como omissão de receita por depósitos bancários, que não teriam sido comprovados pelo contribuinte. No presente caso, entendo que devem ser mantidas as razões da DRJ, com as quais concordo, ante que devidamente demonstrado pelo contribuinte a origem e a identidade dos numerários, os quais reproduzo: Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 8 13 Assim, ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 523DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins – Redatora Designada Em que pese os argumentos apresentados pelo ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para discordar sobre a exoneração dos valores comprovados com supostos mútuos. Entendo que a matéria é de prova e o contribuinte não conseguiu se desincumbir da tarefa de demonstrar a existência do mútuo de forma inequívoca. O fato da parente do contribuinte ter um comprovante de saque bancário, de valor em espécie, não necessariamente comprova que tal valor fora depositado na conta corrente do contribuinte (tendo em vista que o objeto do lançamento é o depósito bancário cuja origem se está questionando). Pelo princípio da precaução, o contribuinte deveria ter adotado procedimentos que provassem, de forma definitiva, tanto a transferência do valor da conta do mutuante para a sua, quanto com relação a garantir a veracidade das operações de mútuo. No caso desta segunda possibilidade probatória, um documento sem qualquer registro oficial, que poderia ter sido produzido a qualquer tempo, se constitui numa prova muito frágil da alegação do contribuinte de que teria havido um mútuo naquele momento. Adicionalmente, conforme documentos dos autos, (como exemplo, a intimação à efl. 13), que provam de forma inconteste o embaraço à fiscalização, entendo que a penalidade de agravamento da multa de ofício deve ser mantida, conforme art. 44 da Lei 9430/96, a seguir transcrito. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 9 15 de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifei) Desta forma, voto por negar provimento à exoneração dos valores cuja justificativa de origem seria o contrato de mútuo, e também para manter o agravamento da multa por estar comprovado nos autos o embaraço á fiscalização, oposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 525DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.008207/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APD. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE CONDICIONADO À DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DO ANO ANTERIOR.
O Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem fato gerador complexivo, compreendendo todos os fatos geradores ocorridos no ano civil, porém, apurado no ajuste anual, ocasião em que o Contribuinte deve oferecer à tributação, via DAA, toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do ano-calendário e oportunizando-lhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis.
Somente poderá ser aproveitado no ano subsequente, o saldo de disponibilidade que constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem, de molde a impedir a geração espontânea de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente-Substituto
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APD. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE CONDICIONADO À DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DO ANO ANTERIOR. O Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem fato gerador complexivo, compreendendo todos os fatos geradores ocorridos no ano civil, porém, apurado no ajuste anual, ocasião em que o Contribuinte deve oferecer à tributação, via DAA, toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do anocalendário e oportunizandolhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis. Somente poderá ser aproveitado no ano subsequente, o saldo de disponibilidade que constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem, de molde a impedir a “geração espontânea” de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 82 07 /2 00 6- 11 Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.242 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício que resultou na constituição do crédito tributário de Imposto de Renda de Pessoa Física, exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, relativo aos anos de apuração de 2001, 2002, 2003 e 2004, exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005, no valor de R$ 81.176,44, acrescido de multa proporcional de 150%, no valor de R$ 121.764,65, e mais juros de mora calculados com base na taxa SELIC. De acordo com o Termo de Conclusão Fiscal, a efls. 14/66, houvese por imputada em desfavor do Contribuinte as seguintes infrações: TERMO DE CONSTATAÇÃO DO CONTRIBUINTE CARLOS ALBERTO GONÇALVES DE CASTRO. Há relato, por parte da fiscalização, do conteúdo de todos os Termos de Intimações lavrados durante o procedimento fiscal e as diversas respostas enviadas pelo contribuinte, resultando nas seguintes conclusões: ALUGUÉIS PAGOS. Que, apesar de intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou qualquer resposta em relação aos valores pagos a título de aluguel a Vilma Rudge Ortenblad. Assim, a fiscalização intimou o Escritório Imobiliário Adelino Alves Ltda (fls. 494), responsável pela administração do imóvel sito à Rua Pintassilgo, 185, apto 163, a apresentar relação dos valores brutos de aluguel, condomínio e impostos. Como respostas foram apresentados (fls. 501/503), além do instrumento de rescisão contratual, os valores pagos no período de janeiro de 2000 a fevereiro de 2002 (encaminhados por cópia ao contribuinte), conforme relação discriminada em fls. 21, cujos totais mensais foram lançados no fluxo financeiro elaborado pela fiscalização; DO INVESTIMENTO NA SCP VISCONDE DE ITAMARACÁ. Diz a fiscalização que, como o contribuinte também nada informara ao questionamento mencionado no item 5.5. do Termo de Constatação (a forma e as datas do aportes realizados no investimento Village de Itamaracá, município de' ValinhosSP), a fiscalização intimou a empresa Alfieri's Participações e Incorporações Ltda, CNPJ 04.950.107/000151, responsável pelo referido investimento (fl. 243). Em resposta, a empresa intimada apresentou as datas e os valores despendidos pelo fiscalizado, demonstrativo a fl. 22, os quais foram devidamente considerados no fluxo financeiro mensal elaborado; HSBC SEGUROS BRASIL E HSBC VIDA E PREVIDÊNCIA. Esclarece a fiscalização que, considerando ainda que os comprovantes apresentados pelo fiscalizado, referente a aportes em previdência privada/FAPI, junto às instituições citadas, de valores R$ 1.732,79 (fl. 269) e R$ 3.649,84 (fl. 270), respectivamente, não informavam a data de tal dispêndio, a Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 fiscalização encaminhou em 15/08/2006, Solicitação Fiscal para obtenção desses dados (fls. 504). Em 30/08/2006, carta subscrita pela diretoria Técnica de Previdência e Capitalização da instituição (fls. 507/509) informou datas e valores de desembolsos, fl. 23, também lançados no fluxo financeiro do contribuinte; Observa, ainda, a fiscalização, nos extratos bancários do fiscalizado, que este realizou inúmeros saques de numerários nos terminais de auto atendimento do Banco do Brasil S/A, nos totais de R$ 2.100,00, R$ 29.500,05, R$ 59.979,00, R$ 24.100,00, respectivamente, nos anos de 2000, 2002, 2003 e 2004 (total geral de R$ 113.579,05), conforme demonstrativo de fls. 23 e 24. Que até a lavratura do Auto de Infração referidos saques não foram tratados como dispêndios, e deixaram de ser considerados nos fluxos financeiros mensais do contribuinte, uma vez que esta Fiscalização não logrou êxito em determinar onde e como se deu a aplicação desses valores; DO FLUXO FINANCEIRO MENSAL. Além das considerações feitas até aqui das origens e aplicações realizadas pelo fiscalizado, a fiscalização elaborou planilhas auxiliares denominadas "Aplicações Financeiras, "Débitos/Créditos Identificados", "Rendimento do Anocalendário...", "Planilhas de Saldos Bancários", "Gastos Cheques pagos/Compensados" com o objetivo de facilitar a compreensão. Em fls. 24 e 25 a fiscalização explica e localiza cada planilha mencionada; RESULTADOS LÍQUIDOS DO CÔNJUGE. Considerando que quando da fiscalização de contribuintes casados em comunhão total ou parcial de bens que declaram em separado, a variação patrimonial deve ser apurada num dos cônjuges, computandose os rendimentos líquidos, as aquisições e aplicações financeiras do outro cônjuge (nota Cosit/Cotir n° 617/99), e que na pessoa física da esposa do fiscalizado também se desenvolve fiscalização por determinação contida no MPF n° 0819000 2006004104 (fls. 516), os resultados apurados naquela fiscalização foram integralmente considerados no fluxo financeiro do contribuinte em epígrafe; Que, alocados todos os valores no fluxo financeiro, verificouse que o contribuinte apresentou gastos em montantes não respaldados pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis ou de tributação exclusiva, em vários meses dos anoscalendário de 2001 a 2004, conforme demonstrativo de fl. 26; TERMO DE CONSTATAÇÃO DA CONTRIBUINTE ANA CRISTINA RIBEIRO DE CASTRO esposa. Há relato, por parte da fiscalização, do conteúdo de todos os Termos de Intimações lavrados durante o procedimento fiscal e as diversas respostas enviadas pela contribuinte, fls. 27 a 36, resultando as seguintes conclusões: DO IMÓVEL DA RUA DENTISTA BARRETO. Diz a fiscalização que, apesar de a fiscalizada haver declarado em sua DIRPF 2002 (fls. 798), a aquisição do imóvel onde atualmente reside (Rua Dentista Barreto, n° 310 casa 95 'Tipo E', Vila Carrão, nesta capital) pelo valor de R$ 180.000,00, mantendoo inalterado até a presente data, informações colhidas pela fiscalização indicam que tal informação não corresponde à realidade; Que à época da construção, a empresa Waled Incorporadora Ltda, responsável pelo empreendimento, Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.243 5 anunciava em seu "site" http://www.grupowaled.com.br , imóveis do porte do adquirido pela fiscalizada e seu esposo (451,57m2) pelo valor de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a "preço fechado"; Que, nesse valor encontrase embutida a margem de lucro da empreendedora, entretanto, sua discrepância para com o valor de R$ 180 mil declarado pela contribuinte ainda é gritante. Anexa em fls. 37 a 47 publicidade extraída do referido site acerca do Condomínio Colonial Granville, onde se situa a residência da fiscalizada; Que, dada a discrepância apurada pela fiscalização, esta efetuou diligência nas dependências da Waled Incorporadora Ltda (fl. 72) questionandoa acerca da alienação do referido imóvel. Em resposta de 28/09/2006 (fl. 724), complementada em 16/10/2006 (fl. 731, essa empresa afirma que o imóvel fora alienado inacabado, ficando sua conclusão a cargo dos adquirentes. Segundo a empresa, haviam sido executadas em blocos cerâmicos, lajes armadas preenchidas de concreto, revestimentos da alvenaria externa em argamassa areia e cimento, assentamento de tijolinhos à vista no embasamento externo e em detalhes das fachadas, contra piso interno em argamassa de areia e cimento nas salas, dormitórios, hall das escadas além de tubulações secas para instalações elétricas e hidráulicas, sem acabamentos. Com sua resposta vieram o Memorial Descritivo (fl. 729) e a Planta do Módulo E, aprovada pela Prefeitura do Município de SP (fl. 730); Que, como a contribuinte nada declara em suas DIRPF, além do valor de R$ 180.000,00, a fiscalização elaborou e encaminhou lhe, em 16/10/2006, o termo de Intimação fiscal n° 04 para que fossem apresentados "todos os recibos de pagamentos a profissionais e notas fiscais de aquisição de materiais/serviços, referentes aos custos/despesas efetuados" na edificação/conclusão do imóvel; DADOS OBTIDOS NO 9° CRI DE SÃO PAULO. A fiscalização, através do Ofício n° 032/2006 (fl. 701) também solicitou ao 9° Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo, os documentos arquivados naquela Serventia, acerca do Condomínio Granville. Em resposta de 22/09/2006 (fl. 702), foram apresentadas além de certidão atualizada da matrícula 127.377 (fls. 703/711), cópias dos Quadros I a VIII (fls. 712/721) relativamente à previsão dos custos globais e individuais dos imóveis do condomínio. Depreendese, da análise do documento, que os módulos (leiase: padrão "E", abstraindose o valor terreno, teriam custo de construção previsto de R$ 238.921,24. Ressalte se que esse não seria o valor para venda, mas, uma simples projeção, em 1997, de quando custaria para a incorporadora apenas a construção desse imóvel (sem terreno); LAUDO DE AVALIAÇÃO DA CEF. O Laudo de Avaliação elaborado pela Caixa Econômica Federal para imóvel do padrão/Tipo "E" do Condomínio Residencial Colonial Granville, tipo do adquirido pela fiscalizada e seu esposo, atribuilhe, para a data de 19/07/2006, o valor de mercado da ordem de R$ 1.580.000,00 (fls. 740/792). Esse documento além de dar Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 confiabilidade aos valores constantes do "site" da Incoporadora Waled à época da comercialização dos imóveis, também se coaduna com as informações contidas em periódicos atuais sobre os valores dos imóveis daquele Condomínio. Em recente reportagem sobre discussão, o noticioso "proitaici", assim descreve os imóveis nele situados "mansões, avaliadas em mais de R$ 1,5 milhão cada uma" (fl. 739); DO ARBITRAMENTO DO CUSTO DA EDIFICAÇÃO/CONCLUSÃO DA OBRA. Conforme já alertado à contribuinte no Termo de Intimação Fiscal n° 04 e como não foram apresentados os documentos comprobatórios dos gastos na construção/conclusão do imóvel em comento, à fiscalização não restou alternativa senão o arbitramento de tal dispêndio com base nos índices publicados por entidades reconhecidas (SINDUSCON Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). Os critérios e cálculos do arbitramento encontramse no Termo de Conclusão e seus resultados foram transportados para o fluxo financeiro da fiscalizada, resumo em fls. 49 e 50; DO FLUXO FINANCEIRO MENSAL. Além das considerações feitas até aqui das origens e aplicações realizadas pelo fiscalizado, a fiscalização elaborou planilhas auxiliares denominadas "Aplicações Financeiras", "Débitos/Créditos Identificados", "Rendimento do Anocalendário...", "Planilhas de Saldos Bancários", "Gastos Cheques pagos/Compensados" com o objetivo de facilitar a compreensão. Em fls. 51 e 52 a fiscalização explica e localiza cada planilha mencionada; RESULTADOS LÍQUIDOS DO CÔNJUGE. Considerando que quando da fiscalização de contribuintes casados em comunhão total ou parcial de bens que declaram em separado, a variação patrimonial deve ser apurada num dos cônjuges, computandose os rendimentos líquidos, as aquisições e aplicações financeiras do outro cônjuge (nota Cosit/Cotir n° 617/99), e que na pessoa física do esposo do fiscalizado também se desenvolve fiscalização por determinação contida no MPF n° 0819000 2006004090, os resultados apurados na presente fiscalização foram integralmente considerados no fluxo financeiro do esposo, linha 9 "rendimentos líquidos do cônjuge"; Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 1165/1332. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1724.117 – 7ª Turma da DRJ/SPOII, a efls. 1798/1863, julgando parcialmente procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário na forma do Demonstrativo a efl. 1863. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a efls. 1873/2040, requerendo, ao fim, a reforma da decisão de 1ª Instância administrativa. O Colegiado da 4ª Turma Especial da 2ª SEJUL/CARF proferiu o Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, dando, por maioria de votos, provimento ao Recurso Voluntário (i) para reconhecer Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.244 7 que os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, devem integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte; e (ii) para reconhecer que a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram que o preço de alienação foi o declarado, sendo descabido o lançamento de ofício com base em arbitramento, eis que inexistiu recusa ou sonegação de documentos e informações por parte do Contribuinte, tampouco se houve por constatada irregularidade na escrita contábil da sociedade empresária alienante, consoante ementa que se vos segue: Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. REQUISIÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). A obtenção de dados e informações bancárias, sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei Complementar 105/2001, em dispositivo ainda em vigor. A Secretaria da Receita Federal é obrigada a resguardar o sigilo das informações, facultando sua utilização para seguir em procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 constata que o mesmo conhece minuciosamente a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PATRIMÔNIO COMUM DO CASAL. OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA QUE NÃO COMPORTA BENEFÍCIO DE ORDEM. CTN ART. 124. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O casal, nestes autos, enquadrase nessa situação, ambos interessados na aquisição de bem comum e no patrimônio, e sua variação, auferido na constância da sociedade conjugal. Na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu polo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados. Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem pela dívida integral. MOTIVAÇÃO PARA A ABERTURA DE FISCALIZAÇÃO. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES. QUESTÃO QUE EXTRAPOLA A LIDE TRIBUTÁRIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXIGÊNCIA FISCAL. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação. Os critérios e métodos adotados pela Receita Federal para a seleção de contribuintes a serem fiscalizados não são oponíveis, no curso deste processo, para desconstituir crédito tributário. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas, sujeito ao ajuste anual, ocorre em 31 de dezembro do ano calendário, sendo o tributo sujeito a lançamento por homologação. O prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorrido o fato gerador periódico anual em 31 de dezembro de 2001 e regularmente cientificado do lançamento em 09 de dezembro de 2006, não há que se falar em decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. RATEIO MENSAL. O arbitramento dos rendimentos mensais, com a utilização de sistemática de distribuição, por rateio, pela qual os valores constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte são distribuídos equitativamente pelos meses do ano, constitui presunção dos recursos a serem considerados em cada mês no cálculo do acréscimo patrimonial, quando o contribuinte, Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.245 9 regularmente intimado, não informa os valores mensais (RIR/99, art. 845, incisos I e II). (Acórdão 10421.615) ARBITRAMENTO DE PREÇO DE VENDA DE IMÓVEL. CRITÉRIOS. PROVAS. ESCRITURA. A Escritura goza de fé pública e deve ser considerada, salvo quando se verifica, através de evidências claras, que o negócio não transcorreu na forma ali prescrita. Não é o caso dos autos, em que se verifica a Impossibilidade de arbitramento quando a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram claramente que o preço de alienação foi o declarado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. PLANILHAS DE FLUXO FINANCEIRO. ELABORAÇÃO. APURAÇÃO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL. Para apuração de variação patrimonial a descoberto devem ser elaboradas planilhas de fluxo financeiro mensal, considerando se as origens e aplicações de recursos existentes em cada mês, computandose os saldos positivos de um no mês seguinte. Deve o contribuinte fazer prova concreta em contrário para alterar as planilhas elaboradas pela Fiscalização a partir de documentos e da declaração de ajuste anual do mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA ADMINISTRATIVA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, sob pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. (conforme Acórdão nº 2801003.544 1ª Turma Especial, de 14 de maio 2014) Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que acolhiam a preliminar de diligência e, no mérito, davam provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros.“ Em desfavor do Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, insurgiuse a Fazenda Nacional interpondo Recurso Especial, a fls. 2153/2158, no qual alega contrariedade do acórdão recorrido com outras decisões do CARF, em dois aspectos: (a) no tocante à transferência de saldos entre anosbase e (b) no que se refere à validade da escritura de compra e venda de imóvel. O Recurso Especial interposto pela PGFN houvese por parcialmente admitido, pugnando pela rediscussão, no âmbito administrativo, tão somente, da matéria referente ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto: Saldo remanescente do ano anterior – ACT 106.074.008, sendo obstado o seguimento quanto à Validade da escritura de compra e venda de imóvel, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 30/06/2015, a fls. 2209/2218, ratificado pelo Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 01/07/2015, a fls. 2219/2220. As contrarrazões apresentadas pelo Contribuinte às fls. 2225/2230 destacam: · Eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização e utilizando os valores corretos de resgates de aplicações financeiras, inexiste variação patrimonial a descoberto, mesmo sem utilizar a transferência entre anos base. · Os acórdãos apresentados pela PGFN não são divergentes, mas apenas tratam de materias distintas. · Nos acórdãos paradigmas os contribuintes tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas pelos mesmos em suas DIRPF, enquanto que no recorrido não existem novas receitas trazidas ao conhecimento da fiscalização que já não estivessem declaradas na DIRPF. O que na verdade existe são despesas arbitradas pela fiscalização não reconhecidas pelo recorrido: despesas com construção, com cheques ao portador É o relatório. Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.246 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 30/06/2015, a fls. 2209/2218. Temse em pauta Recurso Especial de Divergência, a fls. 2153/2158, interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, que, por maioria de votos, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário (i) para reconhecer que os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, devem integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte; e (ii) para reconhecer que a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram que o preço de alienação foi o declarado, sendo descabido o lançamento de ofício com base em arbitramento, eis que inexistiu recusa ou sonegação de documentos e informações por parte do Contribuinte, tampouco se houve por constatada irregularidade na escrita contábil da sociedade empresária alienante. Contudo, ressaltese que apenas em relação a omissão de rendimentos APD saldo remanescente do ano anterior, ou seja, transferência de saldos de um ano para outro deuse seguimento ao recurso. Com relação ao conhecimento do recurso, merece apreciação dois pontos trazidos pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões: · Eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização e utilizando os valores corretos de resgates de aplicações financeiras, inexiste variação patrimonial a descoberto, mesmo sem utilizar a transferência entre anos base. · Os acórdãos apresentados pela PGFN não são divergentes, mas apenas tratam de matérias distintas. · Nos acórdãos paradigmas os contribuintes tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas pelos mesmos em suas DIRPF, enquanto que no recorrido não existem novas receitas trazidas ao conhecimento da fiscalização que já não estivessem declaradas na DIRPF. O que na verdade existe são Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 despesas arbitradas pela fiscalização não reconhecidas pelo recorrido: despesas com construção, com cheques ao portador Quanto à alegação de suposta perda de objeto, já que, segundo o sujeito passivo, eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização, inexiste variação patrimonial a descoberto, entendo que não compete a este colegiado realizar a liquidação do julgado para que se confirme a inexistência da suposta variação. No caso, a competência restringese tão somente a apreciar se o resultado proferido encontrase em consonância com os dispositivos legais e a jurisprudência dominante deste Conselho em relação a matéria devolvida por meio do recurso especial. É seguindo essa mesma linha de raciocínio, que também não acato a alegação de impossibilidade de conhecimento, alegando que os paradigmas apresentados tratam de situação fática diversa. No caso, indica o sujeito passivo que o paradigma referese a casos que tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto, trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas. Essa argumentação, deixa claro que são situações similares. Entendo ser justamente esse a linha de raciocínio do redator do voto vencedor na decisão que deseja a recorrente (PGFN), ver reformada. Senão vejamos: Passo então a julgar a forma de apuração de recursos de um ano calendário para o subseqüente. Este Colegiado em diversas decisões tem manifestado o entendimento no sentido de que as disponibilidades do contribuinte no final do exercício devem ser expressas na declaração de bens e direitos, na forma de dinheiro, saldos bancários, investimentos, etc. No entanto, estas disponibilidades apenas se efetivamente comprovadas, devem ser consideradas como recursos para o exercício seguinte. Verificase que, no presente caso, a própria fiscalização apurou saldos positivos de recursos nos meses de dezembro dos anos calendários, os quais foram desconsiderados ao iniciar o exame do mês seguinte (janeiro dos anos calendários), pela simples mudança do ano calendário. Ocorre que não existe nenhuma regra jurídica e nem fundamento ou interpretação razoável a justificar a transferência de valores de um mês para o outro, dentro do ano calendário e não considerálos do mês de dezembro para o mês de janeiro. Vale registrar que outro não foi o entendimento da 2ª Turma da CSRF, conforme julgamento unânime referente ao Processo de nº 10825.000618/9636, Acórdão nº 920200.521, proferido em 09 de março de 2010: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO QUE SE ESTENDE POR MAIS DE UM ANOCALENDÁRIO SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.247 13 Assim, os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, deve integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte. Ou seja, resta claro que a tese adotada pelo acórdão recorrido é que mesmo nos casos em que a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto, em período que se estende por mais de um ano calendário, o saldo apurado em dezembro deveria ser transferido. Nesse sentido, vislumbro clara diferença entre a tese que fundamentou o acórdão recorrido e aquela adotada pelo acórdão paradigmático. Ao contrário do argumento do sujeito passivo, o fundamento para que se possa aproveitar as receitas do ano anterior, dado pelo redator, não foi o fato de que encontravamse já declaradas (como devidamente demonstrado na transcrição acima), mas que sempre seria cabível o seu aproveitamento. Assim, entendo encontrase correto o despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN. DO MÉRITO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: SALDO REMANESCENTE DO ANO ANTERIOR – ACT 106.074.008. Alega o Recorrente que o Acórdão Recorrido, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para desconsiderar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Aduz que o entendimento adotado pela 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF tem esteio na tese de que o saldo ao final do anobase não se presume consumido, podendo, assim, ser transferido ao anocalendário seguinte. Pondera a PGFN que a decisão aviada no Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF diverge da jurisprudência majoritária do CARF, conforme ilustrado no Acórdão Paradigma nº 104021.631 – 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Com efeito, o voto vencedor do Acórdão Recorrido encampou o entendimento de que “os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, deve integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte.” Contudo, entendo não ser a interpretação dada pelo acórdão recorrido a melhor analisando os dispositivos legais que aplicamse ao caso. Com efeito, o inciso XIII do art. 55 do RIR/99 estatui que são também tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Regulamento do Imposto de Renda Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): [...] Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] A Legislação Tributária estabeleceu hipótese iuris tantum de omissão de rendimentos sempre que o acréscimo patrimonial declarado for superior à soma dos rendimentos líquidos. O Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD decorre, pois, de presunção lógica no sentido de que, se o patrimônio do Contribuinte aumentou em montante além dos rendimentos declarados ao Fisco, esse aumento decorreu, necessariamente, de rendimentos omitidos pelo Obrigado em sua Declaração de Ajuste Anual DAA. Registrese que outra não é a razão de ser da Declaração de Bens e Direitos integrante da DAA que não o controle, pelo Fisco, da situação patrimonial do Contribuinte Pessoa Física. É certo que, em muitos casos, a parcela do acréscimo patrimonial a descoberto é apenas aparente, eis que, em regra, decorrem de erros de preenchimento da Declaração de rendimentos ou da Declaração de Bens e Direitos integrantes da DAA, competindo ao Contribuinte a retificação da Declaração, no caso de erro de preenchimento da DAA, ou a comprovação da origem do patrimônio não declarado, mediante documentos hábeis e idôneos. Dessarte, para que os recursos disponíveis em moeda ao final de cada ano calendário (dezembro/XX) constituamse lastro para eventuais acréscimos patrimoniais no ano civil imediatamente seguinte (janeiro/XX+1), devem eles constar, de maneira precisa, já na Declaração de Bens e Direitos da DAA do AnoCalendário (XX) e, cumulativamente, como todos os dados ali declarados, ter a sua origem devidamente comprovada mediante documentos hábeis e idôneos com aptidão de fornecer o indispensável amparo jurídico. Não se prestam para tal fim supostas sobras decorrentes da confrontação entre rendimentos financeiros e aplicações declaradas, pois este hipotético saldo não se constitui prova cabal da efetiva posse do bem no último dia do anocalendário anterior. Assim, os recursos disponíveis no final de cada anocalendário só podem ser aproveitados no ano seguinte mediante prova inconteste de sua existência. A comprovação de existência e montante de recursos econômicos e financeiros no anocalendário anterior é de crucial importância para quem alega a posse/titularidade de tais haveres para fins de elisão de lançamento tributário por Acréscimo Patrimonial a Descoberto relativo ao ano subsequente, uma vez que a falta de apresentação de documentos comprobatórios esbarra, justamente, no óbice da presunção legal há pouco aludida, a qual impede a “geração espontânea” de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte em sua DAA. Registrese que o entendimento acima sufragado não obstaculiza o aproveitamento de eventuais saldos resultantes de uma competência para a seguinte, quando no horizonte temporal de um mesmo anocalendário, sem ultrapassalo, uma vez que inexiste obrigatoriedade de entrega de declaração mensal de bens, direitos e rendimentos, pelo Contribuinte ao Fisco. Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.248 15 Ora, tratandose como de fato se trata de lançamento de ofício decorrente de Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD, avulta que tal patrimônio tributável somente passa a ser do conhecimento da Administração Tributária quando da entrega pelo Contribuinte ao Fisco da competente Declaração de Ajuste Anual, ocasião em que a totalidade dos rendimentos auferidos pelo Obrigado são informados e se terão, então, calculados tanto a base de cálculo do tributo quanto o montante devido a título de Imposto de Renda. Tal situação decorre da circunstância de o fato gerador do Imposto de Renda da pessoa física qualificarse como espécie de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, assim considerado aquele cujo aspecto material se completa após o transcurso de um determinado lapso de tempo, conglobando um conjunto de fatos jurígenos tributários e circunstâncias materiais que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Nesse contexto, a matéria tributável informada na DAA abrange toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelas pessoas físicas em determinado ciclo, o qual se completa no último dia do ano civil, considerandose nascida a obrigação tributária no dia imediatamente seguinte, 1º de janeiro. Nada obstante, por uma questão de política tributária, o fato jurídico tributário somente se considera consumado por ocasião da entrega da Declaração de Ajuste Anual, ainda que compreenda somente os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro e que o imposto seja devido à medida que os rendimentos forem percebidos e que as despesas tenham sido pagas no ano correspondente. Não por outra razão, o lançamento e/ou qualquer outro pronunciamento por parte da Fazenda Pública só poderão ocorrer após a data em que se instaure a possibilidade jurídica de assim se proceder, ou seja, após a efetiva entrega da Declaração de Ajuste Anual ou após o prazo limite estipulado para a sua entrega. Somente após esse prazo é que se tem como verificado o descumprimento da obrigação tributária principal, pressuposto jurídico para a lavratura do lançamento de ofício. Escapa, portanto, à lógica da estrutura jurídica montada pela Legislação Tributária a possibilidade de se exigir do Contribuinte o tributo supostamente devido antes da sua manifestação, via Declaração de Ajuste Anual, oferecendo à tributação toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do anocalendário e oportunizandolhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis. Dessarte, por não prever, a Legislação Tributária, a obrigação do Contribuinte de apresentar Declaração Mensal de Bens e Direitos, delimitando no horizonte temporal de cada mês.competência os contornos substanciais do patrimônio do Obrigado, a eventual sobra de disponibilidade econômica verificada em um determinado mês pode ser aproveitada no mês imediatamente seguinte, desde que, obviamente, não sejam ultrapassados os limites cronológicos do mesmo anocalendário. Por tais razões, entendo que somente poderão ser aproveitados no ano calendário subsequente os eventuais excedentes de disponibilidade econômica ou jurídica adquiridos pelas pessoas físicas que constar na Declaração de Bens e Direitos constantes na DAA do ano anterior, devidamente lastreados em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem. Caso seja correta a alegação do sujeito passivo de que após a exclusão dos valores apurados pela fiscalização, face a decisão da câmara a quo, só remanesceram os Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 valores efetivamente declarados, a situação do caso concreto estará em perfeita consonância com o presente julgado. Por tais razões, pugnamos pela reforma, nesse específico particular, da decisão aviada no Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, restabelecendose o lançamento referente à parcela relativa ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, cujos fatos geradores consistirem no aproveitamento de sobras de disponibilidade econômica ou jurídica adquiridas pelo Sujeito Passivo, que não constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreadas em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Procurador para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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