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5797074 #
Numero do processo: 11040.720264/2012-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 21/12/2008 NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Numero da decisão: 9202-003.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 21/12/2008 NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11040.720264/2012­75  Recurso nº  999.999   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.494  –  2ª Turma   Sessão de  11 de dezembro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA ANCIONAL (PGFN)  Interessado  RINALDO GUERRA CECERE    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 21/12/2008  NORMAS  GERAIS.  RECURSO  ESPECIAL.  ADMISSIBILIDADE.  COMPROVAÇÃO  DE  DIVERGÊNCIA.  COMPROVAÇÃO.  AUSÊNCIA  Na admissibilidade do Recurso Especial,  conforme o Regimento  Interno do  CARF, deve­se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma  de  câmara,  turma  especial  ou  a  própria  CSRF.  Somente  se  configura  a  divergência  pela  similitude  entre  fatos  e  razões  presentes  nas  decisões  recorridas e paradigmas.  No  presente  caso,  como  as  razões  e  os  fatos  nas  decisões  recorridas  e  paradigmas ­ que levaram às conseqüentes decisões ­ são diversas, não há a  similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se  admitir o recurso.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  não  conhecer do recurso.               AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 02 64 /2 01 2- 75 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     2   (assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão   Presidente        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  (Presidente  em  exercício),  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka,  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo  Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.  Fl. 348DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11040.720264/2012­75  Acórdão n.º 9202­003.494  CSRF­T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de Recurso  Especial  por  divergência,  interposto  pela  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  contra  acórdão  que  decidiu  dar  provimento  parcial  a  recurso do sujeito passivo, nos seguintes termos:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  PERÍCIA  NECESSIDADE  COMPROVAÇÃO  REQUISITOS  CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA  Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia  para  o  deslinde  da  questão,  nos  moldes  estabelecidos  pela  legislação  de  regência.  Não  se  verifica  cerceamento  de  defesa  pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova  RESPONSÁVEIS  LEGAIS  PÓLO  PASSIVO  NÃO  INTEGRANTES   Os  representais  legais  da  empresa  elencados  pela  auditoria  fiscal no Relatório de Vínculos não integram o pólo passivo da  lide,  não  lhes  sendo  atribuída  qualquer  responsabilidade  pelo  crédito lançado, seja solidária ou subsidiária.   A  relação  tem  como  finalidade  subsidiar  a  Procuradora  da  Fazenda  Nacional  na  eventual  necessidade  de  identificar  as  pessoas  que  poderiam  ser  responsabilizadas  na  esfera  judicial,  caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis.  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL  INSCRIÇÃO  NO  INSS  OBRIGAÇÃO DO CONTRATANTE  O  contratante  dos  segurados  contribuintes  individuais  é  obrigado a efetuar a  inscrição no Instituto Nacional do Seguro  Social INSS deste segurados, se ainda não inscritos  ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADA AFASTADAS   As  alegações  de  erros  no  lançamento  devem  ser  demonstradas  pelo  sujeito  passivo,  ainda  que  por  amostragem.  Não  se  pode  acolher  o  argumento  de  que  há  equívocos  na  base  de  cálculo,  sem qualquer demonstração de sua ocorrência  MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE  À ÉPOCA DO FATO GERADOR.  O lançamento reporta­se à data de ocorrência do fato gerador e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente  modificada  ou  revogada.  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  antes da  vigência  da MP 449/2008,  aplica­se  a multa  de mora  nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do  Fl. 349DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     4 artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991).  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  em dar provimento parcial para recálculo da multa nos  termos  do  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91  vigente  à  época  dos  fatos  geradores, observado o limite de 75%.  Em  síntese,  o  cerne  da  discussão  é  a  forma  de  aplicação  da  regra  da  retroatividade benéfica, expressa no Art. 106 do CTN.  Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que há divergência entre a  decisão  a  constante  do  acórdão  paradigma,  206­01.782.  Solicita  que  seja  dado  provimento  a  seu  recurso  para  se  efetivar  a  comparação  entre  os  seguintes  valores  para  aferição  da multa  mais  benéfica  ao  sujeito  passivo:  a)  somatório  das multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  Lei  nº  11.941,  de  2009,  e  das  aplicadas  pelo  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº  11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35 A da Lei nº 8.212, de 1991,  acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009.   Por despacho, deu­se seguimento ao recurso especial.  O  sujeito  passivo  –  apesar  de devidamente  intimado –  não  apresentou  suas  contra razões.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 350DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11040.720264/2012­75  Acórdão n.º 9202­003.494  CSRF­T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Quanto à da admissibilidade, há questão a ser analisada.  O recurso especial de divergência possui seus requisitos na legislação.  RICARF:  “Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial  interposto  contra  decisão  que  der  à  lei  tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.”  Portanto, as decisões devem tratar de interpretação d mesma lei tributária.  Não é o que ocorre nestes autos. Diretamente ao ponto, o acórdão recorrido  trata  de  aplicação  do  determinado  no Art.  106  do  CTN  em  caso  de  alteração  legislativa  de  regramento de multas constante de descumprimento de obrigação tributária principal.  Já  o  acórdão  paradigma  trata  de  aplicação  do  determinado  no Art.  106  do  CTN em caso de alteração legislativa de regramento de multas constante de descumprimento  de obrigação tributária acessória.  Portanto,  por  não  haver  como  afirmar  que  as  decisões  são  diversas,  por  tratarem de casos diversos, o recurso não deve ser conhecido.  CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso da PGFN, nos termos  do voto.    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                              Fl. 351DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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5803164 #
Numero do processo: 13964.000916/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando caracterizado que a fiscalização aguardou por prazo razoável que a contribuinte apresentasse a documentação obrigatória antes que se decidisse pela exclusão do Simples, fica afastada a hipótese de cerceamento de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. INCIDÊNCIA DO ART. 94 DA LEI Nº 8.212/91. A exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte implica a sujeição compulsória do contribuinte, desde a data da produção dos efeitos da exclusão, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário porque a exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte implica a sujeição compulsória do contribuinte, desde a data da produção dos efeitos da exclusão, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando caracterizado que a fiscalização aguardou por prazo razoável que a contribuinte apresentasse a documentação obrigatória antes que se decidisse pela exclusão do Simples, fica afastada a hipótese de cerceamento de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. INCIDÊNCIA DO ART. 94 DA LEI Nº 8.212/91. A exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte implica a sujeição compulsória do contribuinte, desde a data da produção dos efeitos da exclusão, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário porque a exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte implica a sujeição compulsória do contribuinte, desde a data da produção dos efeitos da exclusão, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2279; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C3T2  Fl. 72          1 71  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13964.000916/2008­89  Recurso nº  003.589   Voluntário  Acórdão nº  2302­003.589  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de janeiro de 2015  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  AIOP  Recorrente  TRANSPORTES HAAS & MARTINS LTDA  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Estando caracterizado que a  fiscalização aguardou por prazo razoável que a  contribuinte apresentasse a documentação obrigatória antes que se decidisse  pela exclusão do Simples, fica afastada a hipótese de cerceamento de defesa.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  MOMENTO  PRÓPRIO.  JUNTADA  DE  NOVOS  DOCUMENTOS  APÓS  PRAZO  DE  DEFESA.  REQUISITOS  OBRIGATÓRIOS.  A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamentar,  bem  como  os  pontos  de  discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual,  salvo  nas  hipóteses  taxativamente  previstas  na  legislação  previdenciária,  sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  EXCLUSÃO  DO  CONTRIBUINTE  DO  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES. INCIDÊNCIA DO ART.  94 DA LEI Nº 8.212/91.  A  exclusão  da  empresa  do  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte implica  a sujeição compulsória do contribuinte, desde a data da produção dos efeitos  da  exclusão,  às  obrigações  tributárias  estabelecidas  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade Social.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 09 16 /2 00 8- 89 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário porque a exclusão da  empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas  e das Empresas de Pequeno Porte implica a sujeição compulsória do contribuinte, desde a data  da produção dos efeitos da exclusão, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio  da Seguridade Social.    Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente  de  Turma),  André  Luís Mársico  Lombardi,  Leo  Meirelles  do  Amaral,  Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.      Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000916/2008­89  Acórdão n.º 2302­003.589  S2‐C3T2  Fl. 73          3   Relatório  Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007  Data da lavratura do AIOP: 23/09/2008.  Data da Ciência do AIOP: 24/09/2008.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  DRJ  em  Florianópolis/SC  que  julgou  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo  do  crédito  tributário  lançado  por  intermédio  do  Auto  de  Infração  nº  37.002.363­3,  consistente  em  contribuições  sociais  previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a  remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls.  29/35.  De  acordo  com  a  resenha  fiscal,  em  12  de  novembro  de  2007  o  sujeito  passivo  foi  excluído  do  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas e Empresas de Pequeno Porte ­ SIMPLES. A exclusão, com efeitos a partir de  1°  de  janeiro  de  2004,  foi  formalizada  através  do Ato Declaratório  Executivo DRF/FNS  n°  62/2007, emitido pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC.   Inobstante  a  citada  exclusão,  o  sujeito  passivo  continuou  a  prestar  informações em GFIP e efetuar recolhimentos como se ainda fosse optante pelo SIMPLES.  As  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  têm  por  fatos  geradores  as  remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, as quais foram apuradas a  partir dos registros assentados nas  folhas de pagamentos confeccionadas em nome do sujeito  passivo,  relativas  ao  período  de  janeiro/2004  a  junho/2007,  conforme  a  Discriminativo  Analítico de Débito ­ DAD.    Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 36/42.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC  lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 07­16.855 – 5ª Turma da DRJ/FNS,  a  fls.  49/57,  julgando  procedente  o  lançamento  e  mantendo  o  crédito  tributário  em  sua  integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  07/08/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 60.  Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 61/67, respaldando sua inconformidade  em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos:  · Que  foi  cerceado  o  direito  do  Recorrente  de  produzir  as  provas  que  entende ser imprescindíveis para o correto deslinde da questão, bem como  pelo fato de nem todas suas alegações terem sido analisadas;   · Que o ato de exclusão da empresa Recorrente do SIMPLES sequer se deu  de  forma  definitiva,  posto  que  o  Processo Administrativo  que  o  ensejou  encontra­se em grau de recurso, sem decisão definitiva;  · Requer que sejam deduzidos os valores já pagos na sistemática do simples,  bem como a multa e juros inerentes a esses valores.     Ao fim, requer a anulação do Auto de Infração.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.    Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000916/2008­89  Acórdão n.º 2302­003.589  S2‐C3T2  Fl. 74          5   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 07/08/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 do mesmo mês e  ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.    2.  DAS PRELIMINARES   2.1.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA  O Recorrente alega que foi cerceado o seu direito de produzir as provas que  entende  ser  imprescindíveis para o  correto deslinde da questão,  bem como pelo  fato de nem  todas suas alegações terem sido analisadas.  Sem razão, contudo.    Revela­se oportuno salientar ab  initio que, consoante  jurisprudência assente  nos  tribunais  superiores,  o  Julgador não é obrigado a manifestar­se  sobre  todas  as  alegações  das partes, nem a ater­se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos  os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão.  Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo  não se presta a satisfazer a tese defendida pelo Contribuinte ou sob sua ótica, tampouco àquelas  esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege.  Nesse sentido:  O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os  argumentos  elencados  pela  parte  ora  agravante,  mas  apenas  decidir  as  questões  postas.  Portanto,  ainda  que  não  tenha  se  referido  expressamente  a  todas  as  teses  de  defesa,  as matérias  que  foram  devolvidas  à  apreciação  da  Corte  a  quo  estão  devidamente apreciadas.  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 É cediço, no STJ, que o  juiz não  fica obrigado a manifestar­se  sobre  todas  as  alegações  das  partes,  nem  a  ater­se  aos  fundamentos  indicados  por  elas  ou  a  responder,  um  a  um,  a  todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente  para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.  Ressalte­se, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de  acordo  com  o  seu  livre  convencimento,  utilizando­se  dos  fatos,  das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema  e da legislação que entender aplicável ao caso concreto.   Nessa  linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de  Processo Civil: "Art. 131. O  juiz apreciará  livremente a prova,  atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda  que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença,  os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp  nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010).  Ou ainda:   "o magistrado  não  é  obrigado  a  responder  todas  as  alegações  das  partes  se  já  tiver  encontrado  motivo  suficiente  para  fundamentar  a  decisão,  nem  é  obrigado  a  ater­se  aos  fundamentos  por  elas  indicados  "  (REsp  684.311/RS, Rel. Min.  Castro Meira, DJ 18.4.2006).    Há  que  se  considerar,  igualmente,  que  o  Ordenamento  Jurídico  Brasileiro  adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre  Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente  apreciar  a  prova,  atendendo  aos  fatos  e  circunstâncias  constantes  dos  autos,  ainda  que  não  alegados  pelas  partes.  Mesmo  no  Processo  Administrativo  Fiscal,  o  sistema  do  livre  convencimento motivado constitui­se prerrogativa do órgão julgador administrativo, conforme  estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  29. Na apreciação da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências  que  entender necessárias.    Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção  do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas  da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem  ser  valorados  com  ampla  liberdade,  desde  que  tal  operação  intelectual  seja  realizada  motivadamente,  com  o  que  se  permite  a  aferição  dos  parâmetros  de  legalidade  e  de  razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora.   Notório o  escólio de Gomes Filho  (in Direito  à Prova no Processo Penal. São  Paulo,  Revista  dos  Tribunais,  1997,  p.  162):  “Se  de  um  lado,  em  oposição  ao  critério  das  provas  legais,  o  livre  convencimento  pressupõe  a  ausência  de  regras  abstratas  e  gerais  de  valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais,  por  outro  implica  a  observância  de  certas  prescrições  tendentes  a  assegurar  a  correção  epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”.  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000916/2008­89  Acórdão n.º 2302­003.589  S2‐C3T2  Fl. 75          7 Com  efeito,  na  formação  do  convencimento  da  Autoridade  Julgadora,  devem  aliar­se  liberdade  e  responsabilidade  na  atividade  de  identificação  da  subsunção  do  fato  concreto  à  norma  jurídica  de  regência,  de  valoração  das  provas,  sob  a  ótica  que  demanda  a  controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que  utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por  desígnio  propiciar  ao  Julgador  a  convicção  sobre  a  ocorrência  de  um  fato,  não  somente  em  relação  sua  existência,  mas,  também,  quanto  às  circunstâncias  substanciais  pertinentes  ao  evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência.  No caso em exame, verificamos que o Órgão Julgador de 1ª Instância considerou  em seu Acórdão todas as matérias de efetivo relevo para a formação da convicção permeada na  decisão proferida.  Por outro viés, o Recorrente também não indica quais teriam sido as alegações  que o Órgão Julgador de 1ª Instância supostamente teria deixado de analisar em seu Acórdão,  circunstância que inviabiliza o exame da relevância de tal análise para o adequado aclaramento  do  litígio, não possuindo este Relator aptidões metafísicas para vislumbrá­las na caligem das  argumentações dos autos.     No  que  pertine  à  produção  de  provas, mostra­se  alvissareiro  trazer  à  balha  que  a  legislação  tributária  que  rege  o  Processo  Administrativo  Fiscal  aponta  que  o  forum  apropriado  para  a  contradita  aos  termos  do  lançamento  concentra­se  na  fase  processual  da  impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento.   No âmbito do Ministério da Fazenda,  a disciplina da matéria em  relevo  foi  confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de  bloqueio  deve  consignar  os motivos  de  fato  e  de  direito  em que  se  fundamenta  a defesa,  os  pontos  de  discordância,  as  razões  e  as  provas  que  possuir. Mas  não  pára  por  aí:  Impõe  ao  impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de  preclusão  do  direito  de  fazê­lo  em  momento  futuro,  ressalvadas,  excepcionalmente,  as  hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Art. 16. A impugnação mencionará:  I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)   IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)  V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo ser juntada cópia da petição. (Redação dada pela Lei nº  8.748, de 1993)  §1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  §2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)  §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar  o  julgador.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  8.748,  de  1993)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  a  menos  que:  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97) (grifos nossos)   a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força maior;  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97)  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;  (Incluído pela  Lei nº 9.532/97)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)  §5º A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído  pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos)   §6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)    Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos)     Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos)     Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000916/2008­89  Acórdão n.º 2302­003.589  S2‐C3T2  Fl. 76          9 Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela  produção de provas documentais no processo  administrativo  fiscal. Tem  sim, por disposição  legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação,  colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão.  Nos  termos  expressos  da  lei,  a  juntada  de  novos  documentos  no  Processo  Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do  lançamento  ou  do  recurso,  mediante  petição  escrita  na  qual  reste  demonstrado,  com  fundamentos  idôneos  e  comprovados,  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  no  momento  próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se  refiram a fato ou a  direito  superveniente,  ou  ainda,  que  se  destinem  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação.  Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente  a  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses  autorizadoras  previstas  no  aludido  §5º  do  art.  16  do  citado  Decreto  nº  70.235/72,  a  autorização  de  juntada  de  novas  provas  ou  a  apreciação  de  documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado,  negativa  de  vigência  à  Legislação  tributária,  providência  que  somente  poderia  emergir  do  Poder Judiciário.    Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa.  Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado  qualquer  litígio  a  ser  dirimido  por  este  Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não  oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª  Instância,  em razão da preclusão prevista no  art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    3.1.  DO JULGAMENTO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONEXO.  O  Recorrente  argumenta  que  o  ato  de  exclusão  da  empresa  do  SIMPLES  sequer  se  deu  de  forma  definitiva,  posto  que  o  Processo  Administrativo  que  o  ensejou  encontra­se em grau de recurso, sem decisão definitiva.  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 Consta nos autos que o contribuinte TRANSPORTES HAAS & MARTINS  LTDA houve­se por excluído do SIMPLES, com efeitos a contar de 1º de janeiro de 2004, por  prática de infração reiterada à legislação tributária nos anos de 2004 e 2005, consoante o artigo  7º da Lei n° 9.317/96, fato que importa em hipótese de exclusão de oficio do SIMPLES, com  fundamento no art. 14, V, do Diploma Legal acima aludido.  Tal  exclusão  encontra­se  formalizada  no  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FNS  nº  62/2007,  a  fl.  56,  expedido  nos  autos  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  11516.005310/2007­10,  ocasião  em  que  foi  oportunizado  ao  Contribuinte  em  tela  a  apresentação  de manifestação  de  inconformidade,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias  da  ciência,  à  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis­SC.  Acórdão nº 07­13.242 – 3ª Turma da DRJ/FNS, de 25 de julho de 2008, a fls.  216/239, proferido nos autos do PAF nº 11516.005310/2007­10, decidiu pela procedência da  Exclusão da interessada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das  Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES.  Inconformada, a  Interessada  interpôs Recurso Voluntário em face do  citado  Acórdão nº 07­13.242 – 3ª Turma da DRJ/FNS,  a  fls.  246/271, o qual  recurso houve­se por  julgado  procedente  em  parte,  tão  somente,  para  admitir  que  os  tributos  comprovadamente  pagos,  referentes  aos  nos  anos­calendário  de  2004  e  2005,  sob  a modalidade  do  SIMPLES,  fossem utilizados para fins de compensação com os valores apurados naquele auto de infração,  mantida  a exclusão da empresa Recorrente do SIMPLES com a procedência  integral  do Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FNS  n°  62/2007,  conforme  Acórdão  nº  1402­000.312  –  4ª  Turma/2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, de 10 de novembro de 2010, a fls. 272/289, proferido  nos autos do PAF nº 11516.005310/2007­10.  Devidamente intimada do Acórdão acima citado, a Interessada deixou escoar  o  prazo  normativo  sem  a  interposição  de  qualquer  recurso  em  face  do  Acórdão  nº  1402­ 000.312 – 4ª Turma/2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, circunstância que culminou no Trânsito  em  Julgado  do  suso  citado  Acórdão,  bem  como  na  definitividade  do  Ato  Declaratório  Executivo DRF/FNS n° 62/2007.  Nessa vertente, nos termos do ADE DRF/FNS n° 62/2007, desde a data de 1º  de  janeiro  de  2004,  a  empresa  Recorrente  não  mais  se  encontra  amparada  pelo  Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de  Pequeno Porte, devendo, portanto, cumprir as obrigações tributárias previstas na Lei de Custeio  da Seguridade Social.  No presente lançamento, foram lançadas as contribuições sociais destinadas a  Outras Entidades e Fundos, a saber, Salário Educação, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE, no  exercício  da  competência  conferida pelo  art.  94  da Lei  nº  8.212/91  ao  Instituto Nacional  do  Seguro Social para arrecadar e fiscalizar as contribuições por lei devidas a terceiros, incidentes  sobre  a  remuneração  paga,  creditada  ou  devida  a  segurados  empregados,  e  cujos  fatos  geradores houveram­se por apurados a partir dos registros constantes nas folhas de pagamentos  confeccionadas em nome do sujeito passivo, relativas ao período de janeiro/2004 a junho/2007,  conforme exposto no Discriminativo Analítico de Débito – DAD.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  94.  O  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS  poderá  arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante  arrecadado,  contribuição  por  lei  devida  a  terceiros,  desde  que  provenha  de  empresa,  segurado,  aposentado  ou  pensionista  a  ele  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000916/2008­89  Acórdão n.º 2302­003.589  S2‐C3T2  Fl. 77          11 vinculado,  aplicando­se  a  essa  contribuição,  no  que  couber,  o  disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97).   §1o  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  exclusivamente,  às  contribuições  que  tenham  a  mesma  base  utilizada  para  o  cálculo  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  a  segurados,  ficando  sujeitas  aos  mesmos  prazos,  condições,  sanções  e  privilégios,  inclusive  no  que  se  refere  à  cobrança judicial. (Renumerado pela Lei nº 11.080/2004).  §2o A remuneração de que trata o caput deste artigo será de 1,5%  (um  inteiro  e  cinco  décimos  por  cento)  do  montante  arrecadado  pela aplicação do adicional de contribuição  instituído pelo §3o do  art. 8o da Lei no 8.029, de 12 de abril de 1990. (Incluído pela Lei nº  11.080/2004).    Nesse  contexto,  havendo  sido  excluída,  de  maneira  definitiva,  do  Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de  Pequeno  Porte,  a  empresa  passa  a  se  sujeitar,  desde  a  data  da  produção  de  efeitos  do  Ato  Declaratório Executivo DRF/FNS n° 62/2007, às obrigações tributárias  impostas às empresas  em geral.    3.2.  DOS VALORES PAGOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES.  O Recorrente requer que sejam deduzidos os valores já pagos na sistemática  do simples, bem como a multa e juros inerentes a esses valores.    Com efeito, as contribuições vertidas na sistemática do Sistema Integrado de  Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte  comportam parcela destinada ao custeio da seguridade social, em substituição às contribuições  previstas na Lei Complementar no 84/96, e nos artigos 22 e 22­A da Lei nº 8.212/91, conforme  estatuído no art. 3º da Lei nº 9.317/96.  Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.  Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa  e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar  pela  inscrição  no  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte  ­  SIMPLES.  §1° A  inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado  dos seguintes impostos e contribuições:  a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas ­ IRPJ;  b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de  Formação do Patrimônio do Servidor Público ­ PIS/PASEP;  c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL;  d)  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS;  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI     12 e) Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI;  f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa  jurídica,  de  que  tratam  a  Lei  Complementar  no  84,  de  18  de  janeiro  de  1996,  os  arts. 22  e  22A da  Lei  no  8.212,  de  24  de  julho  de  1991  e  o  art.  25  da  Lei  no  8.870,  de  15  de  abril  de  1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001)    §2°  O  pagamento  na  forma  do  parágrafo  anterior  não  exclui  a  incidência  dos  seguintes  impostos  ou  contribuições,  devidos  na  qualidade  de  contribuinte  ou  responsável,  em  relação  aos  quais  será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas:  a) Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou  Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários ­ IOF;  b) Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros ­ II;  c)  Imposto  sobre  Exportação,  para  o  Exterior,  de  Produtos  Nacionais ou Nacionalizados ­ IE;  d)  Imposto  de  Renda,  relativo  aos  pagamentos  ou  créditos  efetuados  pela  pessoa  jurídica  e  aos  rendimentos  ou  ganhos  líquidos  auferidos  em  aplicações  de  renda  fixa  ou  variável,  bem assim relativo aos ganhos de capital obtidos na alienação  de ativos;  e) Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR;  f) Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira ­  CPMF;  g)  Contribuição  para  o  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço ­ FGTS;  h)  Contribuição  para  a  Seguridade  Social,  relativa  ao  empregado.    §3°  A  incidência  do  imposto  de  renda  na  fonte  relativa  aos  rendimentos  e  ganhos  líquidos  auferidos  em  aplicações  de  renda  fixa ou variável e aos ganhos de capital, na hipótese da alínea "d"  do parágrafo anterior, será definitiva.    §4°  A  inscrição  no  SIMPLES  dispensa  a  pessoa  jurídica  do  pagamento das demais contribuições instituídas pela União.    Como  visto,  as  exações  vertidas  na  sistemática  do  SIMPLES  apenas  comportam  as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  em  substituição  às  contribuições  previstas  na  Lei  Complementar  no  84/96,  e  nos  artigos  22  e  22­A  da  Lei  nº  8.212/91,  inexistindo qualquer parcela destinada a Outras Entidades e Fundos.  Cite­se,  ainda,  que,  de  acordo  com o  item  “6. DISPOSIÇÕES FINAIS”  do  Relatório  Fiscal  do  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  nº  37.002.364­1,  objeto  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  13964.000913/2008­45,  lavrado  na  mesma  ação  fiscal,  “Foram  considerados  como  créditos  do  sujeito  passivo,  no  período  de  janeiro/2004  a  dezembro/2005,  os  valores  das  contribuições  para  a  seguridade  social  inseridos  nos  recolhimentos  efetuados  pelo  mesmo  quando  dos  pagamentos  pelo  sistema  SIMPLES,  nos  termos da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações”, nos montantes expostos na  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000916/2008­89  Acórdão n.º 2302­003.589  S2‐C3T2  Fl. 78          13 planilha  aviada  no  Relatório  Fiscal  daquele  AIOP,  bem  como  na  coluna  “DIVERSOS”  dos  créditos considerados no Discriminativo Analítico de Débito do PAF nº 13964.000913/2008­ 45.  Inexiste,  portanto,  no  presente  caso,  qualquer  crédito  de  titularidade  do  Sujeito Passivo decorrente de contribuições em favor de Outras Entidades e Fundos, recolhidas  na sistemática do SIMPLES, que possa ser objeto de dedução do montante devido no presente  lançamento.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                              Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 10580.912658/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/05/2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 80          1 79  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.912658/2009­82  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­003.765  –  2ª Turma Especial   Sessão de  15 de outubro de 2014  Matéria  COFINS­COMPENSAÇÃO  Recorrente  PROMÉDICA PATRIMONIAL S.A. ­ PROMAT  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do Fato Gerador: 31/05/2007  PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  O  contribuinte,  a  despeito  ausência  de  retificação  da  Dctf,  tem  direito  subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza  do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação  da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.  Recurso Voluntário Negado.  Crédito Tributário Mantido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  SOLON SEHN ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano  Damorim  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Waldir  Navarro  Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 26 58 /2 00 9- 82 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo  (São  Paulo  I)/SP,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo Recorrente,  assentada  nos  fundamentos resumidos na ementa seguinte:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Data do fato gerador: 31/05/2007  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a  existência e suficiência do crédito postulado.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  O  interessado  apresentou  o  PER/Dcomp  (Pedido Eletrônico  de Restituição,  Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração  de Débitos  e Créditos  Tributários  Federais).  Tal  fato  fez  com  que  o  pagamento  continuasse  atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação.  A DRJ manteve  a  não  homologação,  porque,  apesar  da  retificação  da Dctf  após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e  suficiente, do erro no preenchimento da declaração.  O Recorrente, nas  razões de  fls. 60 e ss.,  alega que a  existência de decisão  judicial  seria  suficiente  para  comprovar  do  crédito  objeto  da  compensação. Após  reproduzir  parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito  dos  substituídos processuais  ­  dentre os quais o Recorrente  ­  de  compensar  todos  os valores  indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos,  nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu  integral provimento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Solon Sehn  O  sujeito  passivo  teve  ciência  da  decisão  no  dia  13/02/2014  (fls.  67),  interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos  de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido.  A  compensação,  consoante  destacado,  não  foi  homologada  porque  o  Recorrente  transmitiu  o  PER/Dcomp  sem  a  retificação  da  Dctf.  Em  circunstâncias  dessa  natureza,  ao  contrário  do  que  entendeu  a  decisão  recorrida,  a Turma  tem  interpretado  que  o  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912658/2009­82  Acórdão n.º 3802­003.765  S3­TE02  Fl. 81          3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que  apresente prova da existência do crédito compensado.  Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma:  PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO  DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA  VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO  CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf,  tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova  da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução  Normativa  SRF  nº.  583/2005,  vigente  à  época  da  transmissão  das  DCTF’s  retificadoras).  A  retificação,  porém,  não  produz  efeitos quando o débito já foi enviado à Procuradoria­Geral da  Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.  (CARF.  3ª  S.  2ª  T.E.Acórdão  nº  3802­01.078.  Rel.  Conselheiro  Solon Sehn. S. 27/07/2012).  PROCESSO  DE  COMPENSAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA.  ENTREGA  APÓS  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  REDUÇÃO  DO  DÉBITO  ORIGINAL.  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.  Uma  vez  iniciado  o  processo  de  compensação,  a  redução  do  valor  débito  informada na DCTF  retificadora,  entregue  após  a  emissão  e  ciência  do  Despacho  Decisório,  somente  será  admitida,  para  fim  de  comprovação  da  origem  do  crédito  compensado,  se  ficar  provado  nos  autos,  por  meio  de  documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração  do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.  [...]  Recurso Voluntário Negado.  (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802­01.290. Rel. Conselheiro  José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012).  COMPENSAÇÃO  COM  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  DEPOIS  DE  PROFERIDO  DESPACHO  DECISÓRIO  NÃO  HOMOLOGANDO  PER/DECOMP.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  ORIGINAL.  INADMISSIBILIDADE  DA  COMPENSAÇÃO  EM  VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA  DO CRÉDITO ADUZIDO.  A  compensação,  hipótese  expressa  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do  CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a  teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.  Uma  vez  intimada  da  não  homologação  de  seu  pedido  de  compensação,  a  interessada  somente  poderá  reduzir  débito  declarado  em  DCTF  se  apresentar  prova  inequívoca  da  ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.  A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado  impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública  mediante compensação.  Recurso a que se nega provimento.  (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802­001.593. Rel. Conselheiro  Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013).  PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  PROLAÇÃO  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  APRESENTAÇÃO  DA  PROVA  DO  CRÉDITO  APÓS  DECISÃO  DA  DRJ.  HIPÓTESE  PREVISTA  NO  ART.  16,  §  4º,  “C”,  DO  DECRETO  Nº  70.235/1972.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  A  prova  do  crédito  tributário  indébito,  quando  destinada  a  contrapor  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos,  pode  ser  apresentada após a decisão da DRJ, por  força do princípio da  verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto  nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve  ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf.  Recurso Voluntário Provido  Direito Creditório Reconhecido.  (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802­01.005. Rel. Solon Sehn. S.  22/05/2012).   PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO  DECISÓRIO.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf,  tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova  contábil  da  existência  do  crédito  compensado.  A  simples  retificação  após  o  despacho  decisório  não  autoriza  a  homologação da compensação do crédito tributário.   Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.  (CARF.  S3­TE02.  Acórdão  nº  3802­01.112.  Rel.  Conselheiro  Solon Sehn. S. 27/07/2012).  COMPENSAÇÃO.  REQUISITOS  FORMAIS.  AUSÊNCIA  DE  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  IMPOSSIBILIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  PELO  CONTRIBUINTE  APÓS  DECORRIDOS  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912658/2009­82  Acórdão n.º 3802­003.765  S3­TE02  Fl. 82          5 CINCO  ANOS  DA  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO.  EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF.  A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte,  ao  efetuar  pedido  de  compensação  com  base  em  créditos  decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório  (DACON,  DIPJ,  dentre  outros).  Assim,  a  ausência  de  apresentação  da  DCTF  retificadora  é  causa  para  negação  do  crédito  pleiteado.  Todavia,  excepcionalmente  se  permite  a  compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só  foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos  contados  da  extinção  do  crédito,  sendo  certo  que  a  negativa  importaria  em  situação  excepcional  de  restrição  formal  à  verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo  administrativo tributário.  Recurso voluntário provido.  Direito creditório reconhecido.  (CARF.  S3­TE02.  Acórdão  nº  3802­001.642.  Rel.  Conselheiro  Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013)  No presente caso, o Recorrente  limitou­se a  retificar a Dctf,  sem apresentar  qualquer  prova  da  liquidez  e  da  certeza  do  direito  de  crédito.  A  simples  afirmação  de  que  existiria  decisão  judicial  reconhecendo  suposto  direito  de  crédito  –  formulada  apenas  por  ocasião  da  interposição  do  recurso  voluntário  e  omitida  no  campo  dos  “dados  inicias”  do  PER/Dcomp–  é  insuficiente  para  a  reforma  da  decisão  recorrida,  quando  não  demonstrada  documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório.  Na  data  da  transmissão  dos  PER/Dcomps,  vigorava  a  Instrução Normativa  RFB  nº  600/2005,  que,  como  se  sabe,  exige  a  prévia  habilitação  do  crédito  como  requisito  indispensável  para  a  transmissão  válida  de  pedido  de  compensação  lastreado  em  decisão  judicial:  Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial  transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido  Eletrônico  de  Restituição  e  o  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento,  gerados  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP,  somente  serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação  do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia  da  Receita  Federal  de  Administração  Tributária  (Derat)  ou  Delegacia  Especial  de  Instituições  Financeiras  (Deinf)  com  jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.   §  1º  A  habilitação  de  que  trata  o  caput  será  obtida  mediante  pedido  do  sujeito  passivo,  formalizado  em  processo  administrativo instruído com:   I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido  por  Decisão  Judicial  Transitada  em  Julgado,  constante  do  Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido;   II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça  Federal;   Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica  acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual  em  que  houve  mudança  da  administração  ou  da  ata  da  assembléia que elegeu a diretoria;   IV  –  cópia  dos  atos  correspondentes  aos  eventos  de  cisão,  incorporação ou fusão, se for o caso;   V – a cópia do documento comprobatório da representação legal  e do documento de  identidade do representante, na hipótese de  pedido  de  habilitação  do  crédito  formulado  por  representante  legal do sujeito passivo; e  VI  –  a  procuração  conferida  por  instrumento  público  ou  particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na  hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do  sujeito passivo.   O  Recorrente,  além  de  omitir  a  suposta  existência  de  decisão  judicial  na  manifestação  de  inconformidade,  sequer  fez  indicação  deste  fato  nos  “dados  iniciais”  do  PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato  ­  além  de  induzir  em  erro  a  autoridade  julgadora  a  quo  ­  inviabiliza  o  reconhecimento  da  homologação,  uma  vez  que  o  PER/Dcomp,  para  produzir  os  seus  efeitos  jurídicos  próprios,  pressupõe a correta  identificação do crédito,  inclusive e principalmente no  tocante ao fato de  ser decorrente de suposta decisão judicial.  Com efeito, deve­se ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74  da  Lei  nº  9.430/1996,  promoveu  a  unificação  do  regime  de  compensação,  extinguindo  as  compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de  pedido administrativo. Tais modalidades  foram substituídas pela  autocompensação, que –  ao  lado  da  compensação  de­ofício  e  ressaltadas  as  contribuições  para  a  seguridade  social  compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) ­ é  aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal.  No  regime da autocompensação,  a  extinção do crédito  tributário ocorre por  iniciativa  do  sujeito  passivo, mediante  entrega de  declaração  contendo  informações  relativas  aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação  pela autoridade competente no prazo de até cinco anos:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele Órgão.  (Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002).  § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)  § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912658/2009­82  Acórdão n.º 3802­003.765  S3­TE02  Fl. 83          7 A  declaração  do  sujeito  passivo  ­  denominada  PER/Dcomp  ­  reveste­se  de  especial  importância  no mundo  jurídico,  porquanto  representa  a  formalização  em  linguagem  competente  da  extinção  do  crédito  tributário  e  do  débito  da  Fazenda  Nacional.  Trata­se,  consoante  destaca  Paulo  de  Barros  Carvalho,  do  veículo  introdutor  da  norma  individual  e  concreta que positiva o fato jurídico extintivo:  O  fato  extintivo  da  compensação  será  positivado  por  norma  individual  e  concreta  que  promova  o  encontro  das  relações,  extinguindo­as  no  quantum  em que  se  equivalerem. Os  sujeitos  habilitados  a  expedir  a  norma  individual  e  concreta  da  compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’,  são  a  autoridade  administrativa  e  a  autoridade  judiciária.  Há  hipóteses  em  que  a  lei  autoriza  ao  próprio  particular  a  efetivação da compensação  tributária. Esta,  todavia,  somente  é  utilizada  quando  o  ato  do  particular  for  homologado  pela  Administração, de maneira tácita ou expressa.  Dito de outro modo, o aplicar­se da norma de compensação gera  a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para  que  esta  se  concretize,  necessário  o  relato  em  linguagem  competente não apenas das relações que se pretende compensar,  mas  também  do  fato  da  compensação.  Apenas  se  descrito  no  antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos  previstos  no  consequente  normativo,  operando­se  extinção  dos  vínculos obrigacionais.  (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito  tributário,  linguagem e  método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480­481).  Em  razão  disso,  para  produzir  os  seus  efeitos  jurídicos  próprios,  a  PER/Dcomp  pressupõe  a  correta  identificação  do  crédito  e  dos  respectivos  débitos  compensados. Do  contrário,  não  há  como  se  aperfeiçoar  juridicamente  o  encontro  de  contas  entre as relações jurídicas obrigacionais.  Portanto,  nada  justifica  a  reforma  da  decisão  recorrida,  porque  não  foi  identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza.  Vota­se pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator                              Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     8   Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

score : 1.0
5760025 #
Numero do processo: 13888.908801/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908801/2012­71  Acórdão n.º 3301­002.448  S3­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de pedido de compensação formulado pela Recorrente que foi não­ homologado diante da inexistência de crédito.  A  Recorrente  apresentou  em  face  do  indeferimento,  Manifestação  de  Inconformidade  alegando  que  o  seu  crédito  é  oriundo  de  bens  e  serviços  utilizados  como  “insumos”  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido  anteriormente aproveitado.  A  DRJ  de  Belo  Horizonte  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade com base na seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Data do fato gerador: 31/01/2006  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a  existência e suficiência do crédito postulado.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Em  Recurso  Voluntário  a  Recorrente  aponta  que  possui  os  créditos  pleiteados,  que  o  seu  crédito  é  oriundo  de  bens  e  serviços  utilizados  como  “insumos”  na  prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após  um  levantamento  contábil  minucioso  apurou  um  crédito  que  não  havia  sido  anteriormente  aproveitado  e  que  somente  não  retificou  as  declarações  de modo que  os mesmos  devem  ser  homologados.  É o que importa relatar.  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908801/2012­71  Acórdão n.º 3301­002.448  S3­C3T1  Fl. 4          3   Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl,  O  recurso é  tempestivo e preenche os demais  requisitos de admissibilidade,  portanto dele tomo conhecimento.  No presente caso, apesar da contribuinte reiteradamente se manifestar acerca  do  seu  direito  creditório  e  ter  sido  avisada  pela DRJ de  que deveria  comprová­lo,  conforme  consta  reiteradamente  no  acórdão  da  Manifestação  de  Inconformidade,  a  mesma  não  apresentou nenhuma prova.  Prova  conforme o velho  e  conhecido Aurélio Buarque de Holanda é  aquilo  que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente.  Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer  da Contribuinte com relação aos fatos apresentados.  Lembremo­nos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe  ao  contribuinte  administrado  apresentar  as  provas  do  seu  direito  creditório.  Trata­se  de  postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a  interessada o  ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação  declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no  sentido  de  refutar  o  procedimento  fiscal,  e  que  essas  provas  se  revestissem  de  toda  força  probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar  o que lhe foi imputado pelo fisco.  Consigne­se  que  o  artigo  170  da  Lei  n.º  5.172,  de  25/10/1966  (Código  Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e  certo.  No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo,  pois  a  requerente  não  comprovou  por  meio  de  demonstrativos,  da  escrituração  fiscal  e  dos  lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito.  Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário.  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908801/2012­71  Acórdão n.º 3301­002.448  S3­C3T1  Fl. 5          4                               Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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5762940 #
Numero do processo: 10980.002958/2004-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO, O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.752
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior (relator), Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davanumvimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Júnior

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO, O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso especial negado.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior (relator), Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davanumvimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gonçalo Bonet Allage.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T16:12:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T16:12:08Z; Last-Modified: 2010-10-07T16:12:08Z; dcterms:modified: 2010-10-07T16:12:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:75b7b162-77fb-4c76-baf5-b20df0d9c5d6; Last-Save-Date: 2010-10-07T16:12:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T16:12:08Z; meta:save-date: 2010-10-07T16:12:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T16:12:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T16:12:08Z; created: 2010-10-07T16:12:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-10-07T16:12:08Z; pdf:charsPerPage: 1050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T16:12:08Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10980,002958/2004-34 Recurso n" 152A87 Especial do Procurador Acórdão n" 9202-00.752 r Turma Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON MARQUES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO, O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior (relator), Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davanumvimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gonçalo Bonet Allage, /;;--;) TAS BAR/RETO- Presidente E OLIVEIRÁ JÚNIOR — Relatou BONET ALLAGE — Redator- Designado 2 ; SL 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Amida Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. 2 Processo e 10980.002958/2004-34 Acórdão n ° 9202 -00.752 CSRF-T2 El 2 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual se decidiu por dar provimento ao recurso voluntário, adotando a contagem do prazo prescricional para pedido de restituição a partir da IN SRF n° 165, de 31/12/98. O recurso foi baseado no art. 7 0, II, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria n0 147, de 25/06/2007. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que a decisão teria violado os artigos 165 e 168 do CTN, pois o prazo para o pedido de restituição é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. Por meio de despacho deu-se seguimento ao recurso especial, reconhecendo- se a contrariedade à lei. Cientificado do Acórdão recorrido, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o interessado não apresentou contra-razões. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial preenche as condições de admissibilidade previstas no regimento, razão pela qual dele tomo Conhecimento. Conforme já afirmado, o ponto controverso refere-se ao reconhecimento do direito creditório do contribuinte referente ao desconto do imposto de renda retido na fonte relacionado às verbas indenizatórias pagas nos planos de demissão voluntária. A Fazenda Nacional, defende a legalidade pela aplicação dos dispositivos contidos nos artigos 165, I; 168, I e 150, § 1 0, todos do Código Tributário Nacional, por entender que o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos a serem contados a partir da data da extinção do crédito tributário. O acórdão recorrido exarado pelo órgão administrativo judicantes defendeu a tese de que o termo inicial para contagem do prazo deve ser o ato emanado pela Administração Fazendária que reconheceu o caráter indevido do recolhimento do tributo. No caso sob análise, considerou-se como tal ato a Instrução Normativa SRF n° 165, que determinou a dispensa da constituição de créditos tributários pela Fazenda Nacional e o cancelamento do lançamento nos 4 casos de imposto de renda na fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária. Não obstante a clareza e a articulação do acórdão recorrido, bem como a razoabilidade da ilação ali contida, com todo o respeito, tal interpretação não pode ser acolhida tendo em vista a ausência de previsão legal para semelhante contagem, conforme será demonstrado. Em outras palavras a jurisprudência administrativa não pode substituir a legalidade, por mais razoável que isso pareça. Considerando os aspectos legais que devem nortear os procedimentos administrativos, especialmente na área fiscal, os pedidos de restituição de indébito são 1111171MIS dausus e previstos nos 165 a 169 do CTN: Art. 165.. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §. 4" do artigo 162, nos seguintes casos • I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em . face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do . fato gerador efetivamente ocorrido - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento,- III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será . feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Art, 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos filros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter firmai não prejudicadas pela causa da restituição Parágralb único A restituição vence . juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados. I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, tia data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha /eliminado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenató ria. Processo e O98000295812004-34 Acórdão n " 9202-00,752 CSRF-T2 Fl 3 Art. 169 Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Como pode ser visto pelo inciso 1 do art, 168, o direito de se pleitear a restituição, nos casos de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; bem como do erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; extingue-se da data da extinção do crédito tributário que, no caso é o pagamento, nos termos do inciso 1 do art. 156 do CTN. De acordo com o inciso II do art. 168, nas hipóteses de decisões administrativas definitivas, Em outras palavras, após o devido processo legal administrativo, obtendo êxito o contribuinte, nasceria seu direito de pleitear o indébito reconhecido pela Administração a partir da data em que não coubesse recursos nesse procedimento administrativo. De igual modo, em se tratando de decisões judiciais, prossegue o inciso II do art. 168, afirmando que nos casos em que ocorrer a reforma (após decisão em recurso), anulação (por vício de ilegalidade), ou rescisão de decisão condenatória (ação rescisória), quando estas decisões transitarem em julgado, iniciar-se-á o prazo para o contribuinte pleitear sua restituição. Em suma, todas as situações possíveis foram reguladas pelo Código Tributário, inexistindo qualquer margem para quem quer que seja estipular ou criar um novo prazo inicial para o pedido de restituição por essa ou aquela razão. Além disso, é oportuna a lição de Leandro Paulsen (Direito Tributário — Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência — 11' edição — 2009, p, 1142), demonstrando, em sua obra, que as posições que consideravam que a inconstitucionalidade ou sua declaração influenciaria no prazo aplicável, estão superadas: Tributo inconstitucional. Também se aplica o art. 168. Estão superadas as posições no sentido de que a repetição de tributo inconstitucional seria imprescritível ou que o termo inicial do prazo seria distinto, vinculado à data de declaração da inconstitucionalidade pelo STF ou edição de Resolução pelo Senado. A primeira seção do ST.1, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Resp 43.5.83.5-SC, em março de 2004, revendo entendimento anterior, consolidou posição no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação.. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionandade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar, no Judiciário, o reconhecimento do clireito à repetição ou à compensação com fimdaniento em inconstinrcionalidaefbrie no controle difuso. A repetição administrativa, é verdade, não se viabiliza ante.s da suspensão da eficácia da lei atacada, mas não é a única via para a satisfação de tal direito De fato, não poderia ser diferente no tocante à contagem do prazo inicial para restituir o indébito. Em primeiro lugar, conforme já manifestado, pelo fato de a lei (Código Tributário) já ter definido todas as hipóteses bem como o termo inicial, Em segundo lugar, pelo fato de inexistir prazo para ajuizamento de ações diretas de inconstitucionalidades, nem tão pouco existir prazo para que o Senado Federal suspenda a execução de norma, eventualmente, declarada inconstitucional, em controle difuso, pelo Supremo Tribunal Federal. Prova disso é a recente Súmula Vinculante n° 8, aprovada no plenário do STF em 12/06/2008, declarando inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-Lei n° 1,569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei ri° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Note-se o lapso temporal entre a referida súmula e a publicação dos atos normativos declarados inconstitucionais. Nesse sentido, a qualquer momento o prazo poderia ser reaberto e o contribuinte pleitearia a restituição, colocando em risco a segurança jurídica, conforme bem destacado por Ricardo Alexandre (Direito Tributário — 2009 - Ed. Método, 3" edição, p. 424) Dessa forma, considerando o fato de o contribuinte ter formalizado o processo de restituição em 07/05/2004, e a data de extinção do crédito referir-se a fevereiro de 1993, tendo sido ultrapassado o qüinqüênio legal, verifica-se que o caso concreto ora analisado enquadra-se no previsto pelo inciso 1 do art, 165, devendo ser aplicado o comando legal contido no inciso 1 do art 168, ambos do CTN. Ante o expos o, conheço do recurso, para no mérito dar provimento ao(. recurso especial interposto pela azada Nacion_al. Francisc~sis de Oliveira Júnior — Relatá 6 /4"2"7-t 2("--, (94YA- n1,--9 C7 esidente da Marcos Cândidy Conselir Aidelitristr,,,iiva Reetirst%Fistais-MF r 09501J112 1)5N/2001-:+ I n 9202-tia i2 Voto Vencedor Conselheiro GONOL,0 BONE, AGE, Designado Senhor Presidente: Julgamos este recurso na sessão cic abril de 2010 e a matéria discutida roi o prazo &cadenciai pala os pedidos de restitu IÇãO de imposto de renda em caso de 131)1/. Considet amos que arecon ente sei ia a Fazenda Nacional. O Relator restou vencido e acabei sendo designado para redigit o voto- veneetlot Contudo, observando a decisão de lis. 101-104 e o recurso especial de lis. 125-133, percebi que a matéria chegou à apreciação da CSR.F por instaúncia do contribuinte, que teve sua pi etensão rejeitada em segunda instância, pois o protocolo do pedido se deu em 07/05/2004. No acórdão apontado como paradigma se adotou a tese dos "cinco enquanto a decisão i ecortida considerou que o prazo &cadenciai teve inicio na data publicação da Instrução Normativa SRF n' 165/1998. I I Aquela decisão , portanto, um o está correta e deve sei corrigida Assim, proponho que o recurso especial do comi ibuinte seja levado novamente, a julgamento.

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Numero do processo: 10860.905163/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em Declaração de Compensação o ônus da prova é de quem alega o direito ao crédito. Na falta de comprovação há que prevalecer a decisão que não reconheceu o direito creditório.
Numero da decisão: 3803-006.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 10          1  9  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10860.905163/2009­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.457  –  3ª Turma Especial   Sessão de  16 de setembro de 2014  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  TRASNPORTES BIONDI LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005  INSUMOS.  FRETES  PAGOS  A  TERCEIROS.  TERCEIRIZAÇÃO  DE  SERVIÇO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.  Não há previsão para o desconto de créditos de  fretes pagos a  terceiros  em  terceirização  de  serviços.  A  terceirização  da  atividade  fim  não  caracteriza  insumo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005  PROVA.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  ÔNUS  DO  CONTRIBUINTE.   Em Declaração de Compensação o ônus da prova é de quem alega o direito  ao  crédito.  Na  falta  de  comprovação  há  que  prevalecer  a  decisão  que  não  reconheceu o direito creditório.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    [assinado digitalmente]  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.  [assinado digitalmente]     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 51 63 /2 00 9- 51 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     2  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Corintho Oliveira Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.      Relatório  Trata­se de PER/DCOMP transmitido em 16 de março de 2007, que buscou  compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS de período de  apuração outubro de 2004, com débitos do mesmo tributo da competência de fevereiro de 2007  no valor total de R$ 18.988,20.  Através  de  Despacho  Decisório  emitido  eletronicamente,  a  DRF  em  Taubaté/SP não homologou a compensação  requerida. Fundamentou na falta de créditos, por  ter  encontrado  o  pagamento  indicado,  mas,  totalmente  alocado  para  a  quitação  de  débitos  declarados pelo contribuinte.  Irresignado,  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  na  qual  alega,  resumidamente, que a não homologação do pedido enviado se deu por erro no preenchimento  das  declarações  (DCTF  e  DACON)  do  período.  Anexa  Copias  das  DCTF's  e  DACON's,  originais e retificadas após ciência do Despacho Decisório.  A  DRJ  em  Campinas/SP  através  do  acórdão  nº  0537.214,  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade, ementando como se segue:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  UTILIZAÇÃO  INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO   Não  elidido  o  fato  de  que  o  pagamento  foi  alocado  a  débito  confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou  a compensação declarada.  DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO.  A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento  de  ofício,  somente  pode  ser  desconstituído  com  base  em  elementos  e  documentos  hábeis  e  suficientes  que  comprovem  a  incorreção apontada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformado,  o  sujeito  passivo  protocolou  Recurso  Voluntário  no  qual,  preliminarmente,  pede  que  o  julgamento  seja  transformado  em  diligência,  e,  resumidamente  Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905163/2009­51  Acórdão n.º 3803­006.457  S3­TE03  Fl. 11          3  alega que não foram considerados os valores  referentes à dedução de "Outros Créditos", que  correspondem a valores de serviços de fretes pagos a terceiros e valores gastos com recapagem  de pneus.  Por  fim,  requer  o  provimento  do  recurso  com  o  reconhecimento  do  direito  creditório pleiteado. Anexa DCTF original e retificada, DACON original e retificada, planilha  demonstrativa da base de calculo da COFINS de fevereiro de 2004, cópia dos Livros fiscais de  saídas da matriz e filiais, cópia do Livro Diário ­ outras receitas, copia do livro de registro de  entradas, planilha de credito de COFINS sobre serviços de frete.  Esta  turma,  em  seção  realizada  em  22  de  agosto  de  2013,  por  meio  da  Resolução  nº  3803­000.341,  por  maioria,  converteu  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  repartição de origem certifique junto ao contribuinte a comprovação documental das despesas  com recapagem de pneus.  Em sede de diligência, o contribuinte foi intimado a:  a)  apresentar  as  vias  originais  das Notas  Fiscais  referentes  a  despesas  com  recapagem de pneus, escrituradas no Livro Diário de 2004;  b)  prestar  esclarecimentos  no  sentido  de  confirmar  se  a  interessada  efetivamente optou pela tributação pelo lucro presumido no ano base de 2005;  c) apresentar os Livros Diários e Razão de 2005;  d)  esclarecer  por  que  alguns  valores  apurados  da  Cofins  em  janeiro  e  fevereiro de 2005 estão vinculados na DCTF a pagamentos com códigos diferentes e, se for o  caso, a retificar os códigos;  e)  apresentar  contrato  social,  procuração  do  representante  da  empresa  (se  necessário for) e outros documentos ou esclarecimentos julgados necessários.  Em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  o  contribuinte  afirmou  que  as  Notas  Fiscais referentes às despesas com recapagem de pneus, escrituradas no Livro Diários de 2004  foram  recicladas  pelo  lapso  de  tempo  de  guarda. Argumentou  no  sentido  de  que  optou  pela  tributação pelo Lucro Presumido no ano de 2005.   Ainda  alegou  equívoco  em  relação  a  apuração  da  Cofins  e  em  relação  a  determinados códigos, os quais são passíveis de retificação. Por fim, apresentou Livro Diário  referente ao período de janeiro a dezembro de 2005 e dois Pedidos de Retificação de DARF.  A DRF, por meio de Informação Fiscal, se limitou a atestar que o recorrente  não apresentou as notas fiscais sob o argumento de que tais documentos já foram reciclados em  razão do lapso de tempo de guarda.   É o relatório.    Voto             Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     4  Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator  O  contribuinte  alega  que  possui  direito  aos  créditos  gerados  pelos  pagamentos  de  fretes  a  terceiros  e  recapagem  de  pneus,  alegando  que  estes  serviços  seriam  insumos no seu processo produtivo.    Do conceito de insumos.  Para  possibilitar  uma  análise  mais  criteriosa  dos  argumentos  trazidos  pelo  contribuinte, vale relembrar o conceito de insumos.  Em  29  de  agosto  de  2002,  foi  editada  a  Medida  Provisória  nº.  66,  que  instituiu a sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep, reproduzindo­a na Lei n. 10.637, de  30  de  dezembro  de  2000.  Em  seu  art.  3º,  inciso  II,  a  referida  lei  autoriza  a  apropriação  de  créditos  calculados  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos destinados à venda. In verbis:  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  TIPI;  (grifamos)  Da mesma  forma,  a Medida  Provisória  n.  135,  de  30  de  outubro  de  2003,  convertida  na  Lei  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  instituiu  a  sistemática  da  não­ cumulatividade da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da  aquisição  de insumos em seu art. 3º, inciso II, de redação idêntica àquela do Pis/Pasep senão vejamos:   Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  Por intermédio da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de  2003,  o  princípio  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  alcançou  o  plano  constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs:  Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905163/2009­51  Acórdão n.º 3803­006.457  S3­TE03  Fl. 12          5  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:   I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  [...]  b) a receita ou o faturamento;   [...]  §  12.  A  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para  os  quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV  do caput, serão não­cumulativas.  O  art  3º,  inciso  II  das  Leis  nos  10.637/02  e  10.833/03,  dispõe  sobre  a  possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados  como  “insumo”  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.  Buscando  normatizar  o  conteúdo  da  legislação  fiscal  em  comento,  a  Secretaria da Receita Federal veiculou, através das Instruções Normativas ns. 247/02 (redação  alterada  pela  Instrução  Normativa  358/2003),  e  404/04,  estabelecendo,  para  fins  de  aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", vejamos:  Instrução Normativa SRF n. 247/2002 ­ PIS/Pasep   Art.  66.  A  pessoa  jurídica  que  apura  o  PIS/Pasep  não­ cumulativo  com  a  alíquota  prevista  no  art.  60  pode  descontar  créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota,  sobre os valores:  I – das aquisições efetuadas no mês:  [...]b) de bens e serviços,  inclusive combustíveis e lubrificantes,  utilizados  como  insumos:  (Redação  dada  pela  IN  SRF  358,  de  09/09/2003)  b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída  pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  b.2)  na  prestação  de  serviços;  (Incluída  pela  IN  SRF  358,  de  09/09/2003)  [...]§  5º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se  como  insumos:  (Incluído  pela  IN  SRF  358,  de  09/09/2003)  I  ­  utilizados na  fabricação ou produção de bens destinados à  venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  Fl. 474DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     6  a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou consumidos na produção ou  fabricação do  produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  II  ­  utilizados na prestação  de  serviços:  (Incluído pela  IN SRF  358, de 09/09/2003)  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado;  e  (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  do  serviço.  (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (grifamos)  Instrução Normativa SRF n. 404/2004 ­ Cofins   Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica  pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da  mesma alíquota, sobre os valores:  I ­ das aquisições efetuadas no mês:  [...]b) de bens e serviços,  inclusive combustíveis e lubrificantes,  utilizados como insumos:  b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados  à venda; ou   b.2) na prestação de serviços;  [...]§  4º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I  ­  utilizados na  fabricação ou produção de bens destinados à  venda:  a)  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais  como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo imobilizado;  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou consumidos na produção ou  fabricação do  produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de  serviços,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e  Fl. 475DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905163/2009­51  Acórdão n.º 3803­006.457  S3­TE03  Fl. 13          7   b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  do  serviço.  (grifamos)  [...]  O  que  se  extrai  da  leitura  dos  dispositivos  acima  transcritos  é  que  o  creditamento das contribuições sociais encontram­se adstritas aos bens utilizados na fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  à  venda,  à  matéria­prima,  ao  produto  intermediário,  ao  material de embalagem e quaisquer outros que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre  o produto em fabricação.   Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de  serviços, necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim,  os  serviços  sejam  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  sendo  aplicados  ou  consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço.  Como se observa, a interpretação conferida pelos atos normativos da Receita  Federal, em muito se assemelha ao conceito de “insumos” conferido pela legislação do IPI, o  qual se transcreve abaixo a título comparativo:  Decreto n. 7.212/2010 ­ RIPI/2010 Art.226.Os estabelecimentos  industriais  e  os  que  lhes  são  equiparados  poderão  creditar­se  (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25):  I­ do imposto relativo a matéria­prima, produto intermediário e  material  de  embalagem,  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se,  entre  as  matérias­primas  e  os  produtos  intermediários,  aqueles  que,  embora  não  se  integrando  ao  novo  produto,  forem  consumidos  no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os  bens do ativo permanente;  Todavia, não concebo a idéia de que a sistemática do Pis/Pasep e da Cofins  possa em tanto se assemelhar àquela adotada pela legislação que regulamenta o IPI.   O  regime da não­cumulatividade do  IPI,  cujo critério material é a operação  relativa  à  produtos  industrializados,  encontra  respaldo  no  art.  153,  §  3º,  II,  da  Constituição  Federal, o qual permite "a compensação do que for devido em cada operação com o montante  cobrado nas anteriores", a fim de impedir a tributação em cascata. Desse modo, na sistemática  da não­cumulatividade, temos o desconto do débito da saída do produto com o valor do crédito  da  entrada  do  insumo  que  foi  aplicado  no  produto  industrializado,  fazendo  com  que  haja  a  compensação dos valores cobrados nas etapas anteriores.   Por  tal  razão,  o  conceito  de  "insumos"  para  fins  de  não­cumulatividade  do  IPI, restringe­se basicamente às matérias­primas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais  de  embalagem  (ME),  bem  como  aos  produtos  que  são  consumidos  no  processo  de  industrialização,  que  tenham  efetivo  contato  com  o  produto.  Por  outro  lado,  no  caso  do  Pis/Pasep e da Cofins, o  legislador não  restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos  parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II do artigo 3º da Lei 10.637/2002, o  legislador  incluiu  no  conceito  de  insumos  os  serviços  contratados  pela  pessoa  jurídica.  Esse  Fl. 476DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     8  dispositivo  legal  também  considerou  como  insumo  combustíveis  e  lubrificantes,  o  que,  no  âmbito do IPI, jamais se conceberia.  Entrementes,  não  podemos  admitir  que  se  amplie  tal  conceito  ao  ponto  de  permitir  o  abatimento  de  toda  e  qualquer  despesa  necessária  à  manutenção  da  atividade  empresarial (despesas operacionais), conforme preceitua o RIR (Decreto 3000/99) nos arts. 290  e 299.  A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a  COFINS  ao  imposto  de  renda,  o  que  não  seria  adequado,  já  que,  além  das  contribuições  incidirem  sobre  o  lucro,  e  não  sobre  a  receita,  o  IR  onera  o  produtor,  sem  levar  em  consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das  contribuições em questão.  Desta forma, pactuo do entendimento que o termo “insumos” utulizado pelo  legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado,  tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de  produção e as depesas necessárias à atividade da empresa.   Imprescindível salientar que também não se pode entender como insumo tão ­ somente  os  gastos  com  bens  ligados  à  “essencialidade  ao  processo  produtivo”  ante  o  seu  inegável subjetivismo.   Assim,  creio  que  o  critério  que  mais  confere  segurança  jurídica  para  a  Administração  Fazendária  e  seus  administrados  é  o  da  aplicação  direta  do  bem  no  processo  produtivo, todavia, não basta que o bem seja aplicado diretamente no processo de produção do  produto  industrializado, mas que a subtração deste obste a atividade da empresa ou  implique  em substancial perda da qualidade do produto ou serviço daí resultante, além de que tal bem  não integre o ativo imobilizado da empresa, o que impossibilitaria o creditamento. O mesmo,  também  encontra­se  reproduzido  no  Resp  1.246.317  ­  MG  de  relatoria  do  Min.  Mauro  Campbell  e  foi  adotado  por  esta  Turma  Especial  para  fins  de  interpretação  do  conceito  de  “insumos” na legislação das contribuições sociais.   Desta  forma,  como  outrora  demonstrado,  a  abrangência  do  termo  “insumos”para  fins  de  creditamento  do Pis/Pasep  e da Cofins  vai  além  daquele  estabelecido  pela legislação do IPI (MP, PI e ME), porém, aquém do alcance estabelecido pela legislação do  IR,  ressaltando  que  o  gasto  necessita  ser  essencial  ao  processo  produtivo,  de  forma que  sua  subtração  importe na  impossibilidade da prestação do serviço ou da produção,  isto é, obste a  atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí  resultante, e que aquele bem tenha sido aplicado diretamente no processo produtivo.    Dos fretes pagos a terceiros  O contribuinte  alega que  o  custo  de  frete  pagos  a  terceiros  está  respaldado  pelo art. 3º, inciso II da lei nº10. 833/2003:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  Fl. 477DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905163/2009­51  Acórdão n.º 3803­006.457  S3­TE03  Fl. 14          9  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10. 485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)    Neste ponto não compactuamos com a interpretação da recorrente de que os  serviços pagos são insumos na produção de seu serviço, por serem fretes pagos a terceiros, em  clara  terceirização  de  sua  atividade  fim.  Razão  pela  qual  descartamos  a  possibilidade  da  utilização do referido dispositivo para justificação do requerido.  No mesmo art. 3º, inc. IX, temos a previsão do tipo de frete que gera créditos  de COFINS, in verbis:  IX ­ armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,  nos  casos dos  incisos  I  e  II,  quando o ônus  for  suportado pelo  vendedor.    Entendemos que apenas os gastos com frete para a venda são admitidos para  fins de creditamento das contribuições sociais, não há previsão legal para o desconto de valores  referentes a pagamentos de fretes em terceirização da atividade fim.    Dos gastos com recapagem de pneus.  O  recorrente,  por  ter  como  atividade  principal  o  transporte  de  cargas  rodoviário, necessita da troca periódica e manutenção dos pneus dos veículso utilizados na sua  prestação de serviços. Tais gastos estão claramente caracterizados como insumos no processo  produtivo da empresa, e, podem, se comprovados, gerar créditos para o contribuinte.  Alega o recorrente, em seu Recurso Voluntário, que teria juntado o anexo G  contendo as planilha de crédito de COFINS sobre serviços de recapagem de pneus diversos e  cópias dos documentos comprobatórios, contudo, localizamos planilha com dois valores iguais  de R$ 476,00 às fls. 186 e que geraria crédito de COFINS no valor de R$ 72,35 e, ainda, no  Livro Diário o lançamento destes valores, contudo, não localizamos os documentos fiscais que  comprove  os  gastos  efetivos  com  recapagem  de  pneus,  quais  sejam,  as  duas  Notas  Fiscais  relacionadas na planilha de folha 186.    Da conversão do Julgamento em Diligência e da guarda de documentos.  Em virtude dos fortes indícios da existência do crédito relativo à recapagem  de  pneus  constatados  nos  autos,  o  julgamento  foi  convertido  em diligência  para  confirmar  a  real  existência  do  crédito  pretendido,  entretanto,  em  resposta  à  intimação,  o  contribuinte  afirmou  que  as  notas  fiscais  foram  recicladas  (destruídas),  pelo  lapso  de  tempo  de  guarda  e  Fl. 478DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     10  anexou tabela que aponta o prazo de 5 (cinco) anos como prazo obrigatório de guarda de Nota  Fiscal de Fornecedor, com amparo legal no art.173 do Código Tributário Nacional.  O contribuinte teria razão caso se tratasse de lançamento de ofício de crédito  tributário por parte do Fisco sobre fato gerador ocorrido ha mais de 5 anos, o que não é o caso.  Estando  a  empresa  em  procedimento  de  fiscalização,  sob  intimação,  despacho  decisório,  processo administrativo fiscal ou judicial em que se discuta o crédito tributário, deve­se manter  os documentos capazes de provar suas alegações até decisão final.    Da compensação e do ônus da prova.  As  compensações  se  prestam  ao  encontro  de  contas,  entre  um  débito  tributário  e  um  crédito  líquido  e  certo  da  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública,  conforme  determina o artigo 170 do CTN, transcrito a seguir:  “Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.”  A simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira  o direito de crédito que o contribuinte possa  ter,  contudo, é  indispensável que o contribuinte  faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito  tributário  seja demonstrada  através  da  escrituração  contábil  e  fiscal  do  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  diminuição  do  valor  do  débito  correspondente  a  cada  período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir:  “Art.  923.  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais  (Decreto  Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).”    Assim,  o  contribuinte  apenas  deveria  “reciclar”  as  notas  fiscais  quando  da  homologação  tácita da  compensação ou após o  fim do  trâmite na esfera  administrativa,  caso  não tivesse interesse em adentrar na esfera judicial.  O recorrente perdeu a oportunidade de produzir provas que sustentassem as  suas  alegações,  ônus  que  lhe  competia.  No  processo  administrativo  fiscal,  assim  como  no  processo  civil,  o  ônus  de  provar  a  veracidade  do  que  afirma  é  do  interessado,  é  assim  que  dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973­CPC:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  Fl. 479DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10860.905163/2009­51  Acórdão n.º 3803­006.457  S3­TE03  Fl. 15          11  II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.    Da conclusão.  Ante o exposto, a mera justificativa de que as Notas Fiscais não deveriam ser  mantidas  após  o  lapso  temporal  de  5(cinco)  anos  não  deve  prevalecer,  pois  tratam­se  de  elementos essenciais para provar suas alegações e comprovar seu direito creditório no processo  em andamento.  Dessa  forma,  realizada  a  diligência  conforme  requerimento  do  próprio  contribuinte, a falta da documentação fiscal prejudicou a pretensão do contribuinte e não nos  permitiu  aquilatar  a  liquidez  e  certeza  do  direito  creditório  pretendido,  nos  termos  do  artigo  170 do CTN.  Pelo  exposto  voto  no  sentido  de NEGAR PROVIMENTO  ao  recurso  e  de  não reconhecer o direito creditório.  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator                                Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO

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Numero do processo: 13053.000094/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OCORRÊNCIA. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando demonstrada obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão Rerratificado
Numero da decisão: 3102-002.292
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. O Conselheiro José Paulo Puiatti votou pelas conclusões. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Eduardo Amorim, OAB 40881 - RS. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 185          1 184  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13053.000094/2009­90  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3102­002.292  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de outubro de 2014  Matéria  Embargos de Declaração  Embargante  PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL  Interessado  DOUX FRANGOSUL AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OCORRÊNCIA.   Devem  ser  acolhidos  os  embargos  de  declaração  quando  demonstrada  obscuridade no acórdão embargado.  Embargos Acolhidos  Acórdão Rerratificado      Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher  os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.  O Conselheiro  José Paulo  Puiatti  votou  pelas  conclusões.  Fez  sustentação  oral  o Dr. Carlos  Eduardo Amorim, OAB 40881 ­ RS.  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  José  Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat  de Queiroz e Nanci Gama.  Relatório  A  Embargante  em  epígrafe  interpõe  Embargos  de  Declaração  ao  Acórdão  3102­001.041, de 02 de junho de 2011, que, à época, recebeu a seguinte ementa.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 94 /2 00 9- 90 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 186          2 ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  IMPEDIMENTO  REGIMENTAL DO CARF.  Nos  termos  da  Súmula  n  º  2  do  CARF,  esta  instância  administrativa  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  AGROINDÚSTRIA.  AQUISIÇÕES  DE  INSUMOS.  CRÉDITO  PRESUMIDO. APURAÇÃO.  Nos  termos  da  legislação  de  regência,  as  pessoas  jurídicas  que  produzirem  mercadorias  de  origem  vegetal  ou  animal  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os  percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8º, §3º, da Lei nº  10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos.  EMPREGO  Na vigência da Lei nº 10.925, de 2004, os  créditos presumidos  apurados na  aquisição  de  insumos  empregados  na  produção  de  alimentos  só  podem  ser  empregados para dedução das contribuições devidas.  AGROINDÚSTRIA.  CRIAÇÃO  DE  ANIMAIS  PELO  SISTEMA  DE  PARCERIA (INTEGRAÇÃO).  A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá,  observados  os  demais  requisitos  legais,  creditar­se  de PIS  relativamente  à  ração  e  outros  insumos  efetivamente  utilizados  na  criação  por  meio  de  sistema  de  integração,  em  que,  mediante  contrato  de  parceria,  o  parceiro  da  pessoa  jurídica  (produtor  rural  integrado)  encarrega­se,  dentre  outras  atribuições,  da  criação  dos  animais  que  lhes  foram  entregues,  a  ele  tocando  parte  da  quantidade  produzida.  Nesse  caso,  o  valor do  crédito  a que  faz  jus  a  pessoa  jurídica  será  proporcional  à  parcela da produção que efetivamente lhe couber.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  Incide  a  correção monetária  sobre  os  pedidos  de  ressarcimento,  a  partir  do  protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento  sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a  taxa SELIC,  em analogia  ao  art.  39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir  de 01.01.96.  Precedentes da CSRF.   Recurso Voluntário Parcialmente Provido  O  Relatório  que  fundamentou  o  Acórdão  pelo  presente  embargado  teve  o  seguinte teor.   Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão  recorrido, que passo a transcrever:  (...)  foram localizadas irregularidades com relação aos créditos decorrentes  da sistemática de não cumulatividade de PIS que reduzem o valor a que  faz  jus o  contribuinte.  As irregularidades encontradas foram quatro:  1. Valores dos pedidos de ressarcimento sem base na memória de cálculo;  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 187          3 2. Erro na determinação do percentual de exportação;  3. Erro na determinação do montante de crédito presumido agroindustrial;  4. Valores de crédito transportados com erro de meses anteriores.  1 Valores dos pedidos de ressarcimento sem base na memória de cálculo  Para instruir o presente processo (...) a empresa apresentou cópia, em meio  magnético,  da DACON  do  primeiro  trimestre  de  2009. Mesmo  que  o  prazo  para  apresentação  da  declaração  não  estivesse  aberto,  tal  Demonstrativo  serve  no  presente  momento  como  planilha  auxiliar  de  cálculo  que  demonstra  a  forma  de  cálculo dos valores do PIS e da COFINS em suas formas não cumulativas.  Com  base  na  DACON  apresentada,  acatando­se  todos  os  valores  como  verdadeiros,  o  valor  ressarcível,  ou  seja,  créditos  de  PIS  ligados  à  vendas  no  mercado  externo  e  vendas  tributadas  à  alíquota  zero  ou  isentas  chega  a  R$  2.833.101,40.   Desta  forma  propomos  a  glosa  de  R$  824.532,26  (...)  por  falta  de  demonstração das origens do crédito. (fls. 09/10)  2. Erro no percentual de Exportação  A  empresa  peticionaria  exporta  a maior  parte  de  sua  produção.  Porém  ao  calcular  o  percentual  de  participação  das  vendas  no  mercado  externo  na  composição  do  faturamento  para  fins  de  classificar os  pesos  relativos  do  uso dos  insumos  a  empresa  não  deduz  as  devoluções  (que  são  vultosas)  ocorridas  no  período. Para o cálculo dos pesos relativos do mercado interno tributado, mercado  interno  não  tributado  e mercado  externo,  devem  ser  levados  em  consideração  as  vendas líquidas, descontado o valor das devoluções, tanto no mercado interno como  nas exportações. (...)  Na  planilha  “DACON  1.0  Elaborado  com  base  nos  CFOPS”  (...)  está  demonstrado  o  cálculo  dos  valores  ressarcíveis  levando­se  em  consideração  a  proporção correta das vendas. (fl. 10)  3. Erro na determinação do montante do crédito presumido agroindustrial  (...)  Após  exame  da  documentação  e  do  processo  produtivo  da  empresa  verificamos  que  efetivamente  as  aquisições  feitas  no  período  e  sobre  as  quais  foi  calculado  crédito  presumido  estão  de  acordo  com  o  regramento  legal  sobre  o  assunto. Porém a empresa não segue as regras legais quanto à forma de cálculo do  crédito, chegando a valores acima dos que lhe são efetivamente devidos com base  nas  notas  apresentadas.  (...)  o  contribuinte  calcula  os  percentuais  de  crédito  presumido  na  alíquota  de  4,56%  para  a  COFINS  e  0,99%  para  o  PIS,  independentemente  de  sua  natureza.  (...)  claro  está  à  leitura  do  artigo  8º  da  Lei  10.865/06 e seu parágrafo 3º de que as alíquotas  serão aplicáveis sobre produtos  adquiridos de acordo com sua natureza, com alíquotas diferentes para produtos de  origem animal, soja e seus derivados e demais produtos agropecuários. (...) foram  feitos os cálculos com as alíquotas previstas em lei, sendo de 60% do valor cheio  das contribuições para ovos, 50% do valor das contribuições para soja e 35% do  valor  para  osdemais  produtos,  entre  os  quais  incluem­se  os  animais  vivos  adquiridos pela empresa.  (...)  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 188          4 A Frangosul  é um abatedouro  de  aves  e  suínos  que  trabalha  em  regime de  parceria (integração) com milhares de criadores que são quem efetivamente cria os  animais a serem abatidos. Ao término da criação, quando os animais estão prontos  para o abate, parte da produção é considerada como sendo do integrado e parte é  de propriedade da empresa, sendo remetida para a unidade abatedoura. Utilizando  os dados das notas fiscais em meio magnético entregues pela empresa, observa­se  que  10%  do  valor  dos  animais  recebidos  dos  criadores  integrados,  refere­se  a  vendas, ou seja, em média, 90% dos animais criados pertencem a Frangosul e 10%  pertencem aos criadores  integrados. O percentual varia muito pouco entre as três  criações  desenvolvidas  de  forma  que  podemos  assumir  10%  como  um  percentual  dos animais que NÃO pertencem a Frangosul.  (...)  se  analisarmos  atentamente  o  texto  do  inciso  II  do  Art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  2002,  e  da  Lei  nº  10.833,  de  2003  observamos  que  estes  dispositivos  autorizam  a  apuração  de  créditos  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos  destinados  à  venda.  Está  claro,  nesse  comando  diante  de  seu  contexto,  que  a  produção  há  de  pertencer  à  pessoa  jurídica  que  apura  o  crédito  e  que  essa  produção  há  de  destinar­se  à  venda,  a  ser  por  ela  realizada. Ora,  a  parcela  das  aves que cabe ao produtor integrado não constitui produção da pessoa jurídica nem  tampouco é destinada à venda pela pessoa jurídica (é irrelevante, nesse aspecto a  eventual  prática  de a  processadora  de  frangos adquirir  essa parcela do  produtor  rural). Assim, não  se pode admitir que a pessoa  jurídica  calcule  créditos  sobre a  totalidade  da  ração  e  outros  insumos  empregados  na  criação  dos  frangos. Como  conseqüência  lógica do  explanando no parágrafo anterior,  o  valor dos  créditos a  que ela faz jus há de ser proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe  toca. (fls. 11/12)  4. Valores de créditos transportados com erro de meses anteriores  Os  valores  do  Saldo  de  Crédito  ligado  ás  vendas  no  Mercado  interno  Tributado  e  do  Saldo  de  Crédito  ligado  às  vendas  no  Mercado  Interno  Não  Tributado  foram  alterados  levando­se  em  conta  o  Despacho  Decisório  dos  processos 13053.000042/2009­13 e 13053.000041/2009­79 (...).  (...) apurou­se que  o  contribuinte  tem direito ao  ressarcimento de créditos de PIS não­cumulativo no  valor  de  R$  2.596.539,34  (...)  (fls.  12/13)  Na  fl.  20  está  anexado  o  Despacho  Decisório DRF/SCS/SAORT nº 144, de 13/07/2009, onde o Sr. Chefe da Seção de  Orientaçãoe Análise da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do  Sul  (RS),  por  delegação  de  competência,  tendo  como  base  a  informação  fiscal,  resolveu reconhecer  o direito  creditório  da  empresa  frente  à Fazenda Pública da  União,  referente  ao  ressarcimento  de  PIS  não­cumulativo  exportação  do  1º  trimestre  de  2009,  no  valor  de  R$  2.596.539,34,  e  homologar  eventuais  compensações  declaradas  até  o  limite  do  crédito  reconhecido.  Determinou  fosse  dada  ciência  à  contribuinte,  ressalvando­lhe  o  direito  de  interposição  de  manifestação de inconformidade no prazo legal.  A seguir  foram anexados PER/DCOMPs e documentos de processamento de  compensações,  tendo  sido  autorizada  a  emissão  de  Ordem  Bancária  (fl.  167).  A  contribuinte  teve  ciência  em  11/08/2009  (fls.  170/172)  e,  não  conformada  com  o  despacho  proferido  pela  autoridade  administrativa  de  origem,  apresentou  em  09/09/2009,  através  de  procuradora  (fls.  173/199  e  202/211),  sua  manifestação  contrária, onde aponta os seguintes argumentos:  DA TEMPESTIVIDADE  ∙ entende que a manifestação de inconformidade que apresenta é tempestiva.  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 189          5 DAS RAZÕES DE FATO E DE DIREITO  ∙ a empresa protocolou Pedido de Ressarcimento oriundo de saldo credor de  PIS não­cumulativo vinculado à receita de exportação registrado na escrita fiscal,  relativamente ao 1º trimestre de 2009, tendo sido cientificada de despacho decisório  que reconheceu e homologou parcialmente o seu direito.  Transcreve partes da análise realizada pelo agente fiscal;  ∙  em  relação  à  glosa  indevida  relativa  aos  valores  dos  pedidos  de  ressarcimento sem base na memória de cálculo – falta de demonstração da origem  do crédito no DACON, refere que a integralidade do valor dos créditos presumidos  apontados  a  título  de  PIS  é  verdadeira,  legítima,  considerando  as  determinações  legais no que tange ao aproveitamento do referido crédito;  ∙ os valores dos pedidos de ressarcimento foram devidamente demonstrados,  tanto  quanto  aos  créditos  apurados  à  alíquota  de  1,65%,  como  também  no  que  tange aos  créditos presumidos – atividades agroindustriais. Foram demonstrados,  também,  os  créditos  vinculados  à  receita  tributada  no  mercado  interno,  não  tributada no mercado interno e de exportação;  ∙ o sistema disponibilizado pela RFB para demonstração do crédito (ficha 14  Controle  de  utilização  dos  Créditos  no  Mês  –PIS  regime  nãocumulativo)  impossibilita  a  empresa  de  indicar  a  utilização  dos  referidos  saldos  dos  créditos  apurados  de  acordo  com  a  ficha  06A,  na  parte  relativa  aos  créditos  presumidos  atividades agroindustriais, porquanto não há campos específicos para tanto;conclui  ser errônea a glosa sobre divergências entre o preenchimento do PER/DCOMP e o  DACON,  no  que  se  refere  a  apuração  do  crédito  decorrente  de  aquisições  no  mercado  interno,  regime não­cumulativo  e  de  importação  regime não­cumulativo,  eis  que  devidamente  demonstrados.  A  ausência  de  formulário  magnético  impossibilitou a empresa de apontar a utilização dos saldos dos créditos apurados;  ∙  a  documentação  que  anexa  comprova  que  foi  inteiramente  atendida  a  obrigação  acessória,  permitindo  a  verificação  da  existência  do  crédito  e  de  sua  correta apuração;  ∙ ainda que se entenda como insuficiente a apuração das origens dos créditos,  haveria apenas mero descumprimento de obrigação acessória, o que não ocorre no  presente  caso,  tendo a  empresa se utilizado de  sistema disponibilizado pelo Fisco  para fazer as demonstrações;  ∙  ainda  que  fosse  mero  descumprimento  de  obrigação  acessória,  não  se  poderia determinar o afastamento do ressarcimento  integral do crédito presumido  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  COFINS,  eis  que  é  válido  e  sua  dedução  está  expressamente  prevista  na  Lei  10.925/04  (art.  8º).  Além  disso,  a  restituição  ou  compensação  do  crédito  presumido  está  prevista  no  art.  17  da  Lei  nº  11.033,  de  2004, bem como no art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005;  ∙ o próprio caput do art. 8º da Lei 10.925/2004 determina que a apuração do  crédito presumido postulado pela manifestante seja efetuada sobre o valor dos bens  referidos no  inciso II do caput, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003,  sustentando  o  procedimento  realizado  pela  ora  Manifestante  e  determinando  a  reforma  da  respeitável  decisão  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil em Santa Cruz do Sul.  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 190          6 DO  RECONHECIMENTO  DA  MANIFESTANTE  QUANTO  AO  ERRO  APONTADO NA DETERMINAÇÃO DO PERCENTUAL DE EXPORTAÇÃO  ∙ a empresa concluiu que deveria ter efetuado o desconto das devoluções de  exportação.  Concorda  com  o  apontamento  efetuado  pela  autoridade  fiscal,  informando que já alterou o procedimento para períodos posteriores. Entende que o  restante do ressarcimento pleiteado deve ser homologado em sua integralidade.  DO  EQUÍVOCO  FISCAL  EM  APONTAR  ERRO  DA  MANIFESTANTE  NA  DETERMINAÇÃO  DO  MONTANTE  DO  CRÉDITO  PRESUMIDO  AGROINDUSTRIAL  ∙  inexiste  qualquer  erro  na  apuração  do  crédito  presumido  agroindustrial,  tendo o Fisco partido de premissas equivocadas. Não procede a glosa efetuada pela  autoridade  fiscal  na  forma  de  apuração  daquele  crédito  ao  aplicar  percentuais  inferiores  (35% e  50%)  sobre  as  aquisições  dos  insumos/produtos  agropecuários,  em detrimento do percentual devidamente utilizado pela empresa, qual seja de 60%,  conforme  legislação  aplicável  à  matéria;∙  inexiste  qualquer  erro  da  empresa  na  apuração  do  montante  do  crédito  presumido  agroindustrial,  nem  tampouco  no  preenchimento do DACON relativamente ao valor a ser ressarcido, em razão de que  se equivocou a autoridade fiscal ao proceder ao indevido ajuste nos valores totais  das aquisições de insumos/produtos agropecuários, geradores de crédito, eis que foi  utilizado arbitrariamente um redutor no percentual de 10% sobre as mencionadas  aquisições. O montante dos  insumos adquiridos  foram  integralmente utilizados no  processo produtivo da empresa.  DA  DEVIDA  APLICAÇÃO  DA  ALÍQUOTA  DE  60  POR  CENTO  NA  APURAÇÃO DO MONTANTE DO CRÉDITO PRESUMIDO  ∙  não  assiste  razão  ao  agente  fiscal  quanto  ao  recálculo  do  montante  de  crédito presumido, eis que afastou a alíquota de 60% incidência em decorrência do  produto final produzido pela empresa, em contrariedade ao caput do art. 8º da Lei  nº 10.925 de 2006. O agente  fiscal considerou para  fins de apuração os produtos  adquiridos  para  a  obtenção  do  produto  final  de  origem  animal,  reduzindo  indistintamente os percentuais para 35% e 50%;  ∙  conforme  o  caput  do  art.  8º,  combinado  com  o  §  3º,  inciso  I,  da  Lei  nº  10.925, de 2004, há que ser considerado para fins de apuração do crédito a cadeia  produtiva e o produto final desenvolvido pela manifestante, e NÃO os insumos que  estão sendo utilizados para tanto. Assim estão corretos os valores informados pela  empresa  em  DACON.  As  diferenças  apuradas  pelo  agente  fiscal  decorrem  do  indevido afastamento da norma prevista no § 3º, inciso I, do art. 8º da Lei nº 10.925,  de 2004;  ∙ da análise do caput do art. 8º, combinado com o § 3º, I, da Lei nº 10.925, de  2004,  entende­se  que  o  benefício  da  dedução  do  crédito  presumido  de  PIS  e  de  COFINS decorre da produção de mercadoria de origem animal  (aves e suínos de  corte),  classificada  no  capítulo  2  da  NCM  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul,  destinada à alimentação humana ou animal. Assim, a empresa  faz  jus à apuração  do crédito presumido à alíquota de 60%;  ∙  refere  à  forma  de  apuração,  entendendo  estar  claro  que  os  produtos  fabricados  pela  empresa  se  classificam  no  capítulo  2  da  NCM,  tendo,  por  esta  razão, o direito de aplicar o percentual de 60% para cálculo do crédito presumido  incidente  sobre  a  totalidade  dos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo.  Tais  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 191          7 insumos são empregados exclusivamente para obtenção do produto final, na forma  de produção agrícola integrada;  ∙  os  valores  informados  pela  empresa merecem  ser  integralmente acolhidos  pela DRJ, eis que foram apurados conforme a Lei nº 10.925, de 2004;  ∙ ao contrário do entendimento da autoridade fiscal, o caput do art. 8º da lei  nº 10.865, de 2006, combinado com o § 3º, I, determina que o crédito presumido à  alíquota  de  60%  decorreDO  PRODUTO  FINAL  da  empresa  e  não  dos  produtos/insumos adquiridos para sua elaboração;  ∙ embora a autoridade fiscal não tenha sequer fundamentado a glosa sobre a  redução  da  alíquota  de  apuração  do  crédito  para  os  percentuais  de  35%  e  50%,  denota­se que tenha se utilizado da aplicação da IN SRF nº 660 (art. 5º), invertendo  a  ordem  prevista  no  art.  8º,  I,  da  Lei  nº  10.865,  de  2006,  eis  que  afirma  que  as  alíquotas  serão  aplicáveis  sobre  os  produtos  adquiridos  de  acordo  com  a  sua  natureza;  ∙  segundo  a  decisão  impugnada,  deverão  ser  considerados  os  insumos  utilizados  na  cadeia  produtiva  para  fixação  da  alíquota  do  crédito  presumido  de  PIS  e  de  COFINS.  Todavia,  esse  entendimento,  bem  como  a  IN/SRF  660/2005  afrontam a determinação contida na Lei 10.865/06 e não pode ser mantido de forma  a  reduzir  o  direito  da  manifestante  e  dos  demais  contribuintes  no  que  tange  ao  aproveitamento do referido crédito;  ∙  não  há  como  se  conformar  com  o  despacho  decisório  no  sentido  da  aplicação dos percentuais de 35% e 50% para cálculo do crédito presumido, eis que  os insumos utilizados pela empresa se destinam exclusivamente para fabricação de  produtos de origem animal destinados à alimentação humana ou de animais,  classificáveis  no  capítulo  2  da  NCM.  A  desconsideração  do  percentual  de  60% para a atividade desenvolvida pela empresa reduz ilegalmente o montante do  crédito a que tem direito.  DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA LEGALIDADE  ∙ o procedimento  fiscal, ao atender ao disposto na IN SRF nº 660, de 2006,  está afrontando a norma legal prevista no § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004,  com ofensa ao Princípio Constitucional da Legalidade. Houve imputação indevida  dos  percentuais  de  35%  e  50%,  reduzindo  o  crédito  presumido  da  empresa,  não  tendo  havido  fundamentação  eficaz,  considerando  que  a  Lei  nº  10.925,  de  2004,  ampara o procedimento que a empresa adotou;  ∙ a autoridade fiscal, como parte da Administração Pública, não atendeu aos  requisitos legais, ou seja, não observou a determinação contida na Lei nº 10.925, de  2004 (art. 8º, § 3º, I), afrontando a  legalidade e demais princípios constitucionais  elencados  no  art.  37  da  CF,  sem  os  quais  não  se  aperfeiçoa  de  validade  o  ato  administrativo. Registra posicionamento do Conselho de Contribuintes;  ∙ embora os fundamentos do despacho decisório não tenham sido claros para  o afastamento da alíquota de 60%, os apontamentos da autoridade  fiscal  revelam  que  tenha  se  utilizado  do  art.  5º  da  IN  SRF  nº  660,  de  2006,  considerando  os  insumos empregados na cadeia produtiva para a fixação da alíquota;  ∙ ocorre que tanto o art. 5º da IN SRF nº 660, de 2004, quanto à glosa sobre o  montante do crédito presumido agroindustrial, decorrente da redução da alíquota,  afrontam  a  legalidade.  No  caso  concreto,  a  autoridade  fiscal  arbitrou  alíquotas  Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 192          8 diversas daquelas previstas no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004,  sem  ao  menos  fundamentar  o  procedimento  adotado.  Colaciona  entendimentos  doutrinários;  ∙  com  base  em  manifestação  do  Conselho  de  Contribuintes  entende  pela  nulidade da decisão proferida;  ∙ a omissão dirigida à empresa, sem qualquer fundamentação por meio de um  ato administrativo,  é  ilegal,  eis que não pode um órgão executivo  inovar  em sede  legislativa, uma vez que somente as normas que observem o art. 59 e seguintes da  CF,  sendo  lei  em  sentido  formal  e  material,  tem  o  poder  de  inovar  na  ordem  jurídica;  ∙  a autoridade  fiscal não respeitou ditames da CF,  estando o ato eivado de  nulidade,  além  de  ilegal,  ferindo  outros  princípios  constitucionais,  tais  como,  da  motivação,  da  razoabilidade  jurídica,  da  ampla  defesa  e  contraditório,  extrapolando sua função meramente executiva, de cumprir a lei;  ∙  está  ausente  no  processo  a  motivação  do  despacho  decisório,  sem  justificativa explícita para o afastamento arbitrário do percentual de 60% para fins  de  apuração  do  crédito  presumido,  o  que  se  revela  imprescindível  para  a  compreensão da decisão e para a defesa;  ∙  a  autoridade  fiscal  violou  norma  constitucional  e  afrontou  o  princípio  da  legalidade,  quando negou à  empresa  a  aplicação do  percentual  de  60%  sobre  os  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  presumido,  bem  como  quando  reduziu  indevidamente  em  10%  totalidade  da  base  de  cálculo  do  referido  crédito,  afrontando disposições contidas na Lei nº 10.925, de 2004.  DA  CONSIDERAÇÃO  INTEGRAL  DOS  INSUMOS  UTILIZADOS  NA  ATIVIDADE PRODUTIVA – CRIAÇÃO DOS ANIMAIS – CADEIA PRODUTIVA –  INTEGRADOS  ∙ o agente fiscal faz errônea interpretação e expressamente impõe a glosa por  iniciativa própria, não atendendo ao comando  legal: podemos assumir 10% como  um percentual  de  animais  que NÃO pertencem a Frangosul.  Tal  presunção  fiscal  não pode prevalecer, eis que contrária à lei e à realidade fática da empresa;  ∙  não  há  que  se  falar  em  utilização  parcial  dos  insumos  fornecidos  para  a  engorda  e  criação  dos  animais  na  produção  e  venda  pela  empresa,  consoante  se  verifica  claramente de  seu objeto  social,  bem como dos contratos que mantém de  produção  agrícola  integrada,  além  das  notas  fiscais  de  remessa  de  insumos  e  entregas dos animais em idade para abate. O agente fiscal, talvez por desconhecer o  processo produtivo da empresa, extrapola os ditames da lei;  ∙ não foi computada a totalidade dos insumos fornecidos pela empresa apara  fins de apuração do crédito presumido previsto em lei e, sequer, foi considerada que  a parcela de frangos relativa ao produtor rural do processo integrado acaba sendo  toda adquirida pela empresa;  ∙  o  agente  fiscal  informa  que  10%  dos  animais  recebidos  dos  criadores  integrados se refere a vendas dos mesmos para a empresa, ou seja, em média 90%  dos  animais  criados  pertencem  à  esta  (retornam  apenas  como  remessa  dos  integrados) e 10% pertencem aos criadores integrados (retornam à empresa como  venda dos integrados) a fim de reduzir a base de cálculo do crédito presumido;  Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 193          9 ∙  tais  argumentos  são  infundados,  eis  que  entre  a  empresa  e  o  produtor  integrado  existe  um  contrato  de  parceria  rural,  mediante  o  qual  o  produtor  integrado concorre tão somente com a sua força de trabalho e disponibilização de  seu espaço físico, não sendo transferido a ele o ônus com gastos de aquisição dos  animais e insumos para a mantença das aves, sendo que tal ônus é integralmente da  manifestante. Cita disposição do Estatuto da Terra (art. 96) e refere ao contrato de  parceria  rural  (fala  sobre  a  estipulação  das  obrigações  das  partes)  e  ao  objeto  social da empresa e faz análise do processo de produção integrada;  ∙ enfatiza que ao  final da criação dos animais  todo o custo com os  insumos  fornecidos  pela manifestante,  no  sistema de  parceria,  os  quais  contribuíram para  que as aves atingissem o estágio ideal para o abate, foi integralmente suportado por  esta  e,  portanto,  faz  jus  ao  crédito  presumido  incidente  sobre  a  totalidade  desses  insumos;  ∙  o  crédito  presumido  relativo  às  atividades  agroindustriais  merece  ser  totalmente homologado, visto que o procedimento utilizado no sistema de produção  integrada atende ao dispositivo legal previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004,  combinado  com  o  inciso  II  do  caput  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637,  de  2002,  e  10.833, de 2003;  ∙ o processo de produção da empresa é integrado e o produto final é o animal  para  o  abate,  criado  com  insumos  com  controle  de  qualidade  total.  Transcreve  conceitos doutrinários e lição sobre avicultura e sistema de integração;  ∙  vê­se  no  sistema  de  integração  a  configuração  de  uma  sociedade  de  fato  com elementos de parceria, não possuindo tal sociedade personalidade jurídica, de  tal modo que um dos integrantes dessa forma societária está constituído como uma  empresa, sendo esta a responsável pelos compromissos fiscais junto a terceiros;  ∙ em face da natureza de sociedade de fato que se estabelece neste processo  de  integração,  verifica­se  a  responsabilidade  integral  da  empresa  no  processo  evolutivo  e  produtivo  das  aves,  objetivando  o  resultado  final  (objeto  definido),  possuindo total controle de qualidade do produto animal destinado ao consumidor  final;  ∙ a empresa adquire todos os insumos e efetua o recolhimento de seus tributos  pontualmente aos cofres públicos, fazendo jus ao ressarcimento integral do crédito  presumido  nos  termos  da  lei,  incidente  sobre  os  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos  destinados à venda;  ∙  não  há  como  ser  permitida  a  glosa  efetuada  pelo  Fisco  em  situação  inovadora  quanto  ao  montante  do  ressarcimento  dos  créditos  sobre  os  insumos  utilizados  pela  empresa  no  processo  produtivo. Não  deve  ser mantido  o  relatório  fiscal e parecer que acompanham o despacho decisório, eis que contrários à lei, à  doutrina e aos princípios constitucionais tributários, em especial, da legalidade, da  motivação, da ampla defesa e contraditório e da razoabilidade.  DAS  OPERAÇÕES  DECORRENTES  DO  SISTEMA  DE  CONTRATO  DE  PRODUÇÃO AVÍCOLA INTEGRADA  ∙  elucida  o  que  ocorre  nas  fases  da  operação  decorrente  dos  contratos  de  produção  avícola  integrada,  buscando  deixar  claro  que  a  quantidade  de  insumos  empregada na criação dos animais, para fins de determinação do crédito presumido  postulado,  é  toda  fornecida  pela  empresa,  sendo  os  custos  integrais  por  ela  Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 194          10 suportados.  Refere  a  exemplos  práticos  e  assevera  que  os  custos  dos  insumos  enviados  ao  produtor  rural  para  a  criação  das  aves  foram  totalmente  suportados  pela  empresa. Em  razão  disso, merece  o  aproveitamento  do montante  integral do  crédito presumido a esse título;  ∙ são infundadas as assertivas da autoridade fiscal no sentido de que a ração  e  outros  insumos  fornecidos  pela  empresa  não  se  destinam  integralmente  a  sua  própria  produção.  Há,  sim,  que  ser  considerada  a  aquisição,  pela  empresa,  da  parcela dos animais criados pelo produtor rural;  ∙ do mesmo modo, a análise das cláusulas do Contrato de Produção Avícola  Integrada  são  determinantes  na  comprovação  de  que  a  totalidade  dos  insumos  utilizados na criação das aves até o estágio de abate, são fornecidos pela empresa  e,  em  razão  disso,  geram  direito  ao  crédito  presumido  postulado  sobre  os  mencionados insumos.  DA  VERIFICAÇÃO  DO  CONTRATO  DE  PRODUÇÃO  AVÍCOLA  INTEGRADA  ∙ além da análise das notas fiscais de remessa dos insumos ao produtor rural  integrado,  bem  como  daquelas  de  retorno  das  aves  prontas  para  o  abate,  as  cláusulas  de  obrigações  fixadas  no  contrato  de  produção  avícola  integrada  corroboram no sentido de que a  totalidade dos insumos subsidiados pela empresa  devem ser consideradas para fins de apuração do crédito presumido postulado. Faz  análise de contrato;  ∙ dentre as obrigações do produtor integrado denota­se que não está presente  o fornecimento de rações, demais insumos e medicamentos. O custo da parceria, no  que se refere ao fornecimento de insumos para a criação dos animais é exclusivo da  empresa,  que,  em  razão  disso,  detém  o  direito  ao  creditamento  integral  a  esse  título;∙  da  definição  doutrinária,  bem  como  de  normas  extraídas  do  Estatuto  da  Terra,  verifica­se  que  atividades  desenvolvidas  por  empresa  agroindustrial  e  produtores  rurais  apresenta­se  em  forma  de  sociedade  de  fato  ou  parceria.  Entretanto, as obrigações de cada um deles na contratação não se confunde e, por  conseqüência,  os  incentivos  fiscais  decorrentes  de  cada  atividade/investimento  também são individualizados;  ∙ deve ser afastado o redutor da base de cálculo do crédito presumido a ser  concedido em favor da empresa;  ∙  ao  integrado  cabe  o  engorde  dos  animais,  utilizando­se,  para  tanto,  da  totalidade dos insumos fornecidos pela pessoa jurídica, cujos custo são suportados  integralmente por esta. A produção integral, ao final, pertencerá à pessoa jurídica  que  apura  o  crédito  presumido,  sendo  destinada  à  venda,  por  ela  realizada,  diferentemente do que alegado pela Fiscalização.  DA  EQUIVOCADA  GLOSA  RELATIVA  AOS  VALORES  DE  CRÉDITOS  TRANSPORTADOS COM ERRO DE MESES ANTERIORES  ∙ a autoridade fiscal afastou parte do aproveitamento dos créditos presumidos  sob  a  alegação  de  que  houve  transporte  de  valores  do  saldo  de  crédito  ligado  a  vendas  no  mercado  interno  tributado  e  do  saldo  de  crédito  ligado  a  vendas  no  mercado  interno  não  tributado,  os  quais  teriam  sido  alterados  considerando  os  despachos  decisórios  proferidos  nos  processos  nºs  13053.000042/2009­13  e  13053.000041/2009­79;  Fl. 623DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 195          11 ∙  a  diferença  apontada  pelo  agente  fiscal  no  saldo  de  anos  anteriores  tem  origem  na  adoção  de  critérios  inapropriados  pela  Fiscalização,  os  quais  não  se  coadunam  com  aqueles  que  a  empresa  vem  utilizando,  inclusive  em  períodos  anteriores,  para  apuração  dos  créditos  de  PIS  e  de  COFINS,  que  sempre  foram  devidamente  apresentados  e  informados  à  RFB  através  de  DACONs,  em  consonância com a legislação;  ∙ requer seja efetuada perícia para que a RFB demonstre:  a) qual o período inicial em que essas divergências começaram a ocorrer;  b) quadros comparativos, apontando as divergências detectadas, mês a mês,  desde sua origem até o período referente ao 1º trimestre de 2009;  c)  composição,  mês  a  mês,  de  quais  foram  os  itens  que  contribuíram  na  apuração de tais divergências, desde a origem até o 1º trimestre de 2009;  d)  informação  do  fundamento  para  desconsideração  do  direito  de  tais  valores.  ∙  ressalta que  faz  jus ao montante de saldo de créditos de meses anteriores,  apontados em sua escrituração contábil e fiscal. Protesta fazer prova por todos os  meios  admitidos  em  lei  que  o  referido  saldo  foi  apurado  com  base  na  legislação  aplicável à matéria postula  seja acatado o pedido de  reconhecimento do saldo de  créditos de meses anteriores por  ser  justa medida, além do que,  em razão de que  não pode a Fiscalização arbitrariamente glosar parte do referido saldo sem sequer  demonstrar claramente o critério utilizado para tanto, donde há impedimento para  o  exercício  do  direito  á  ampla  defesa  e  ao  contraditório.  A  empresa  deve  demonstrar  que  merece  a  homologação  integral  do  saldo  de  créditos  de  meses  anteriores.  DO DIREITO AO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO  ∙ a autoridade  fiscal,  embora  tenha homologado o ressarcimento ao crédito  de PIS não­cumulativo, com determinação para depósito desse montante na conta  indicada pela empresa, afastou parte do ressarcimento do crédito, utilizando­se de  procedimentos que ofendem a lei;  ∙ essa imposição merece ser reformada, eis que a Lei nº 10.925, de 2004 (art.  8º), autorizou expressamente a dedução do crédito presumido da contribuição para  o PIS e da COFINS, nos exatos termos em que foi apurado pela Manifestante;  ∙  o  próprio  caput  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  determina  que  a  apuração do crédito presumido postulado pela empresa seja efetuada sobre o valor  dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e  10.833, de 2003;  ∙  tendo  em  vista  a  atividade  desenvolvida  pela  empresa,  bem  como  seu  produto final, qualquer vedação imposta pela IN SRF nº 660, de 2006, inexistente  em matéria de lei, deverá ser afastada, considerando especialmente os ditames da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  com  a  conseqüente  reforma  da  decisão  recorrida  e  a  restituição  da  integralidade  dos  créditos  postulados  pela  inaplicabilidade  da  referida norma infralegal.  DA NECESSIDADE DE PERÍCIA  Fl. 624DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 196          12 ∙  a  imposição  ilegal  produzida  pela  autoridade  fiscal  (consideração  indiscriminada dos percentuais de 35% e 50% para cálculo do crédito presumido  postulado),  conduz  ao  requerimento  de  perícia  para  revisão  dos  cálculos  apresentados  pela  RFB,  visto  que  o  valor  do  crédito  presumido  a  título  de  PIS  apontado pela empresa está de pleno acordo com a legislação de regência (exceto  no  que  tange  ao  ajuste  a  ser  efetuado  relativamente  ao  valor  das  devoluções  de  exportação);  ∙  a  empresa  protesta  pela  produção  de  prova  pericial,  apresentando  seus  quesitos  a  fim de  restarem  indubitáveis  suas alegações,  devendo na perícia,  o Sr.  Perito responder:  a)  se  no  cálculo  da  apuração  do  crédito  presumido  foram  observadas  as  mercadorias  produzidas  pela  manifestante  e  a  classificação  pela  NCM,  considerando o caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004? b)  se no montante do  crédito  presumido  apurado  em  favor  da  manifestante  foi  observado  o  critério  quanto  ao  produto  de  origem  animal,  para  fins  de  definição  da  alíquota  a  ser  aplicada sobre os insumos, considerando os termos do inciso I do § 3º do art. 8º da  Lei nº 10.925, de 2004?  c) qual o período inicial em que as apontadas divergências sobre os valores  dos  saldos  de  crédito  ligados  às  vendas  no  Mercado  Interno  Tributado  e  no  Mercado Interno Não Tributado começaram a ocorrer?  d) quadros comparativos, apontando as divergências detectadas, mês a mês,  desde sua origem até o período referente ao 1º trimestre de 2009;  e)  composição,  mês  a  mês,  de  quais  foram  os  itens  que  contribuíram  na  apuração de tais divergências, desde a origem até o 1º trimestre de 2009;  f) informação do fundamento para desconsideração do direito de tais valores.  ∙ nomeia seu perito.  CONCLUSÃO  ∙  protocolizou  pedido  de  ressarcimento  de  PIS  não­cumulativo  exportação  relativo  ao  1º  trimestre  de  2009,  de  acordo  com  a  legislação  vigente,  que  foi  homologado parcialmente;  ∙  à  exceção  do  ajuste  a  ser  efetuado  em  razão  do  valor  das  devoluções  de  exportação que deveria ter sido diminuído do valor informado, a empresa entende  ser merecedora do ressarcimento integral postulado;  ∙ é errônea a glosa no que se refere à divergência entre o preenchimento do  PER/DCOMP  e  do  DACON  (apuração  de  crédito  decorrente  de  aquisições  no  mercado interno, regime não­cumulativo e importação regime não­cumulativo), eis  que  devidamente  demonstrados  em  fichas  próprias  do  DACON,  enquanto  que  a  ausência  de  campo  específico  no  formulário  magnético  impossibilitou  o  apontamento da utilização dos saldos de créditos apurados;  ∙  a  documentação  disponível  e  a  transmissão  do  DACON  comprovam  o  cumprimento  da  obrigação  acessória  e  permite  a  verificação  da  existência  do  crédito e de sua correta apuração, não havendo de permanecer o afastamento a este  título;  Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 197          13 ∙  restou  comprovado  que  inexistiu  irregularidade  no  preenchimento  do  DACON  relativamente  ao  valor  ressarcível,  em  razão  de  que  houve  equívoco  da  autoridade  fiscal  quanto  ao  ajuste  nos  valores  totais  das  aquisições  de  insumos/produtos agropecuários, geradores de crédito presumido. Houve utilização  arbitrária e  incorreta de redutor em percentual de 10% sobre aquelas aquisições,  visto  que  o  procedimento da  empresa na  utilização do  crédito  decorre  do  fato  de  que  é  responsável  pela  integralidade  dos  custos  do  montante  dos  insumos  empregados  no  processo  produtivo  e  está  previsto  no  caput  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925, de 2004;  ∙  devem  ser  afastadas  as  indevidas  aplicações  de  percentuais  inferiores  a  60%. As alíquotas de 35% e 50%, previstas nos incisos II e III do § 3º do art. 8º da  Lei nº 10.925, de 2004, sobre as aquisições de insumos/produtos agropecuários, são  indevidas, eis que não se coadunam com a atividade desenvolvida pela empresa e  não estão de acordo com a legislação de regência, sendo cabível, inclusive, perícia  sobre este aspecto;  ∙  deve  ser  acolhida  a  manifestação  de  inconformidade  no  que  se  refere  à  homologação integral do pedido de ressarcimento, em razão de que a Lei nº 10.925,  de 2004, (art. 8º), simplesmente autorizou a dedução do crédito presumido do PIS  ou da COFINS, não  trazendo qualquer restrição quanto à  forma dessa devolução,  não  podendo  haver  imposição  contrária  e  desfavorável  à  empresa  por  meio  de  norma infralegal, no caso a IN SRF nº 660, de 2006;  ∙  embora  o  reconhecimento  do  ajuste  a  ser  efetuado  (devoluções  de  exportação),  o  ressarcimento  postulado  há  que  ser  homologado  em  sua  integralidade,  consoante  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  amplamente  explicitados.  DO PEDIDO  ∙  a  empresa  reconhece  a  glosa  relativamente  ao  valor  das  devoluções  de  exportação, a ser diminuído do valor informado, e requer:  a) seja acolhido o pedido de perícia, eis que atendidos os requisitos previstos  no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação alterada pela Lei nº  8.748,  de  1993,  com  a  determinação  de  que  o  Perito  responda  os  quesitos  apresentados;  b) o julgamento da total procedência de sua manifestação de inconformidade,  para que seja reformado o Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT nº 144/2009, na  parte que inadmitiu o crédito presumido de PIS, objeto de postulação, aplicando­se  os  ditames  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  reconhecendo  a  totalidade  do  direito  creditório  da  Manifestante  e  deferindo  integralmente  o  pedido  de  ressarcimento  formulado, acrescido, ainda, de correção monetária e taxa SELIC.  ∙ pede deferimento.  Após a manifestação de inconformidade estão anexados os documentos de fls.  212/380. O Órgão de origem despachou na fl. 381.   Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado  no  voto  condutor,  decidiu  o  órgão  de  piso  pelo  indeferimento  do  pedido  de  ressarcimento,  conforme  se  observa  na  ementa  abaixo  transcrita:  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  31/03/2009 ATOS ADMINISTRATIVOS. EXISTÊNCIA DE ILEGALIDADES.  Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 198          14 AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.  Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questões que envolvam  ilegalidade  de  atos  legislativos  ou  normativos,  bem  como  de  afronta  a  princípios  constitucionais.  PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.  Estando presentes nos autos  todos os elementos de convicção necessários à  adequada solução da lide, indefere­se, por prescindível, o pedido de perícia.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009  CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.  De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não  incide atualização monetária sobre créditos de PIS objeto de ressarcimento.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009  CRÉDITOS  PASSÍVEIS  DE  RESSARCIMENTO.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  A simples apresentação de DACON não tem o condão de comprovar que os  créditos apurados e utilizados no PER/DCOMP tiveram origem em vendas para o  mercado externo.  AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO.  APURAÇÃO.  Nos  termos da  legislação de  regência,  as pessoas  jurídicas que produzirem  mercadorias  de  origem  vegetal  ou  animal  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os  percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos.  AGROINDÚSTRIA.  CRIAÇÃO  DE  ANIMAIS  PELO  SISTEMA  DE  PARCERIA (INTEGRAÇÃO).  A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá,  observados os demais requisitos legais, creditar­se de PIS relativamente à ração e  outros  insumos  efetivamente  utilizados  na  criação  por  meio  de  sistema  de  integração,  em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa  jurídica  (produtor rural integrado) encarrega­se, dentre outras atribuições, da criação dos  animais  que  lhes  foram  entregues,  a  ele  tocando  parte  da  quantidade  produzida.  Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à  parcela da produção que efetivamente lhe couber.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  AGROINDÚSTRIAS.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  A  partir  de  1º  de  agosto  de  2004,  os  créditos  presumidos  da  agroindústria  somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em  cada período  de  apuração,  não  existindo  previsão  legal  para  que  se  efetue  o  seu  ressarcimento.  Fl. 627DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 199          15 Manifestação de Inconformidade Improcedente  Regularmente  intimado,  o  contribuinte  manejou  o  Recurso  Voluntário  em  análise,  pelo  qual  basicamente  reitera  os  argumentos  já  deduzidos  em  sua  manifestação de inconformidade. Em relação a esta, inova quando aduz ter havido o  acórdão a quo ofendido aos princípios da ampla defesa e do contraditório por ter se  esquivado quanto a apreciação da inconstitucionalidade de normas por si reputadas  como  tal.  Também  inova  em  relação  a  sua  manifestação  de  inconformidade  ao  pugnar  pela  recomposição,  nos  períodos  de  apurações  anteriores,  dos  saldos  de  créditos vinculados ao tema em apreço.  De  resto,  insurge­se  mais  uma  vez:  (i)  quanto  às  glosas  relacionadas  às  divergências entre o PER/DCOMP e as DACON’s; (ii) a legitimidade na utilização  da alíquota de 60% (sessenta por cento) de que versa o inciso I, do §3o do art. 8o, da  Lei  n  º  10.925/2004,  vez  que  o  legislador  teria  tomado  como  premissa  para  a  aplicação de cada uma das alíquotas estipuladas o produto fabricado/produzido pelo  beneficiário do crédito presumido; e, (iii) a possibilidade de tomar créditos sobre o  custo  com  ração  animal,  por  si  suportado,  ainda  quando  o  produto  final  seja  produzido por terceiro em regime de parceria.  As  razões  dos  Embargos  de  Declaração  opostos  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  ao  Acórdão  podem  ser  resumidas  nos  excertos  a  seguir  reproduzidos,  extraídos da peça recursal.  Contudo,  contrapondo o  v.  acórdão  desse  e. Colegiado  com aquele  exarado  pela  2ª  Turma  da  DRJ  ­  Santa  Maria/RS,  observa­se  que  foram  integralmente  mantidas as razões da decisão de piso.  Acerca  da  possibilidade  de  aproveitamento  de  créditos  de  PIS  relativos  a  rações e insumos utilizados no sistema de parceria, assim concluiu o v. acórdão ora  embargado em sua ementa:  (...)  Conforme  salta  aos  olhos,  são  idênticos  os  trechos  das  ementas  em  destaque. À mesma conclusão se chega quando são analisadas as razões de decidir  da DRJ de origem:  (...)  Ora,  a  decisão  original  e  o  v.  acórdão  dessa  c. Camara,  no  ponto  em  que  teoricamente  teria  sucumbido  a  Fazenda  Nacional,  são  integralmente  conformes  entre  si.  Com  efeito,  não  há  de  se  falar  em  procedência  parcial  para  reconhecimento de direito que não fora negado pela instância a qua.  A negativa  do  pleito  do  contribuinte  pela DRJ  em  sede  de manifestação  de  inconformidade  se  deu  por  razões  outras,  estão  também  inteiramente  mantidas  pelo v. acórdão recorrido.   Há, portanto, evidente contradição entre a fundamentação do v. acórdão e  seu dispositivo. A proclamação correta seria o desprovimento integral do recurso.   Por  outro  lado,  reconhecendo  esse  e.  Colegiado  a  correção  da  decisão  da  DRJ/STM, não há qualquer ato de oposição injusta da Administração Tributária ao  aproveitamento de créditos pelo contribuinte.  Fl. 628DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 200          16 Assim, desconfigurada essa premissa fática, descabe admitir a correção dos  créditos pela taxa SELIC, sendo mister, portanto, a reforma do v. acórdão também  nesse ponto.  É o Relatório.  Voto             Preenchidos  os  requisitos  de  admissibilidade,  tomo  conhecimento  dos  Embargos de Declaração.  Devo dizer que, segundo me parece, esse não foi um assunto sobre o qual se  encontrem decisões tão claras no Processo como haveria de se esperar. Tanto a fundamentação  da  decisão  proferida  pela Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  quanto  a  Informação  Fiscal que deu azo a glosa de uma parcela dos créditos presumidos pretendidos pela Parte, são,  na minha modesta opinião, um tanto difíceis de compreender.   Independentemente  disso,  não  há  como  negar,  conforme  excertos  que  seguem,  extraídos  da decisão a quo,  em  especial  o dispositivo do Acórdão, que  a Delegacia  manteve a decisão tomada no Despacho Decisório.  Assim,  não  se  pode  admitir  que  a  pessoa  jurídica  calcule  créditos  sobre  a  totalidade  da  ração  e  outros  insumos  empregados  na  criação  dos  animais.  Como  conseqüência lógica do explanado no parágrafo anterior, o 'valor dos créditos a que  ela faz jus há de ser proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca.  (...)  Em  face  do  exposto,  voto  pela  total  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  com a Manutenção do Despacho Decisório  proferido  pela autoridade administrativa a quo . (grifos acrescidos)  Por sua vez, o Despacho Decisório baseou­se na Informação Fiscal que tem a  seguinte fundamentação.  A  Frangosul  é  um  abatedouro  de  aves  e  suínos  que  trabalha  em  regime  de  parceria (integração) com milhares de criadores que são quem efetivamente cria os  animais a serem abatidos.  Ao  término  da  criação,  quando  os  animais  estão  prontos  para  produção  é  considerada  como  sendo  do  integrado  e  parte  é  de  propriedade  remetida  para  a  unidade abatedoura.  Utilizando  os  dados  das  notas  fiscais  em  meio  magnético  entregues  pela  empresa,  observa­se  que  10%  do  valor  dos  animais  recebidos  dos  criadores  integrados  refere­se  a  vendas,  ou  seja,  em  média,  90%  dos  animais  criados  pertencem  a  Frangosul  e  10%  pertencem  aos  criadores  integrados.  O  percentual  varia  muito  Pouco  entre  as  três  cria0es  desenvolvidas  de  forma  que  podemos  assumir 10% como um percentual dos animais que NÃO pertencem a Frangosul.  Observe­se que, se analisarmos atentamente o texto do inciso II do Art. 3° da  Lei  n°  10.637,  de  2002,  e  dá  Lei  n°  10.833,  de  2003  observamos  que  estes  dispositivos autorizam a apuração de créditos em relação a bens e serviços utilizados  Fl. 629DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 201          17 como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos destinados à venda. Está claro, nesse comando diante de seu contexto, que  a produção há de pertencer à pessoa jurídica que apura o crédito e que essa produção  há de destinar­se à venda, a ser por ela realizada. Ora, a parcela das aves que cabe ao  produtor  integrado  não  constitui  produção  da  pessoa  jurídica  em  tampouco  é  destinada à venda pela pessoa jurídica (é irrelevante, nesse aspecto a eventual prática  de a processadora de frangos adquirir essa parcela do produtor rural).  Assim,  não  se  pode  admitir  que  a  pessoa  jurídica  calcule  créditos  sobre  a  totalidade  da  ação  e  outros  insumos  empregados  na  criação  dos  frangos.  Como  conseqüência lógica do explanado no parágrafo anterior, o valor dos créditos a que  ela faz jus há de ser proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca.  Desta forma, aplicaremos um redutor de 10% aos valores o crédito presumido  quando  às  aquisições  se  referirem  a  produtos  que  podem  ir  tanto  para  animais de  propriedade do criador integrado como animais de propriedade da Doux Frangosul.  Ou seja, no entender da Fiscalização, 10% do valor total do crédito devia ser  glosado porque, em média, 90% dos animais criados pertencem a Frangosul e 10% pertencem  aos  criadores  integrados  e,  como  a  parcela  das  aves  que  cabe  ao  produtor  integrado  não  constitui produção da pessoa jurídica nem tampouco é destinada à venda pela pessoa jurídica  ,não atende às condições definidas em Lei para gerar créditos.  Esse entendimento, como se viu, foi mantido pela DRJ, mas reformado neste  Conselho,  que  entendeu  que  esses  10%  glosados  deveriam  ser  considerados  aptos  a  gerar  créditos presumidos, conforme se vê no excerto do Voto embargado, a seguir transcrito.  O segundo ponto acima indicado está relacionado à possibilidade da pessoa  jurídica tomar créditos, na forma do art. 3o, inciso II, da Lei n º 10.833/2003,  sobre insumos por ela fornecidos a parceiro para a produção de bens, mediante  contraprestação, em favor daquela primeira.  Para  a  correta  aplicação  da  norma  jurídica  contida  no  art.  3º  acima  citado,  convém inicialmente conhecermos em detalhes a operação de remessa de insumos a  terceiro parceiro.  Conforme  se  infere  dos  autos,  a  recorrente  processa/industrializa  frango,  iniciando  seu  processo  produtivo  com  a  criação  das  aves.  Por  razões  que  não  interessa  ao  deslinde  da  lide,  terceiriza  parte  da  criação  dos  animais  a  parceiros,  fornecendo  a  estes  insumos  (ração).  Tais  animais,  por  seu  turno,  retornam  à  recorrente e são reinseridos no seu processo produtivo, de modo a que entendemos  que a melhor exegese do art. 3o, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, é a que permite ao  recorrente a apuração de créditos decorrentes da sistemática não cumulativa do PIS.  Atente à redação do dispositivo mencionado:  (...)  A  referência  à melhor  exegese  do  art.  3º  como  o  sendo  a  que  admite  ao  recorrente  a  apuração  de  créditos  decorrentes  da  sistemática  não  cumulativa  do  PIS  em  relação aos insumos fornecidos a terceiros aos quais a empresa terceiriza parte da criação dos  animais que, depois, retornam à recorrente e são reinseridos no seu processo produtivo, não  deixa dúvida sobre o alcance da decisão adotada por este Colegiado e sobre a diferença entre  essa  decisão  e  a  que  havia  sido  tomada  nas  instâncias  iniciais.  Apenas  animais  que,  eventualmente, não retornassem à empresa e, por conseguinte, não fossem reinseridos no seu  Fl. 630DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13053.000094/2009­90  Acórdão n.º 3102­002.292  S3­C1T2  Fl. 202          18 processo produtivo é que não dariam direito ao crédito. Isso, contudo, refere­se a uma condição  não identificada pelo Fisco. Quero dizer, não há nos autos a informação de que alguns animais  tenham  sido  destinados  a  outra  finalidade,  que não  o  processamento  no  parque  industrial  da  Recorrente. Assim, todos animais, a teor do que foi decidido, dão direito ao crédito.  Quanto a isso, ainda que estejamos em sede de embargos declaratórios e, por  isso mesmo, não devamos adentrar ao mérito do que foi decidido, mas apenas aclarar a decisão  tomada, não será demais tecer um breve comentário acerca da escolha adotada pelo Colegiado.  A meu ver, nenhuma diferença faz se os frangos são entregues gratuitamente  à empresa ou vendidos. Como bem esclareceu a Fiscalização em pelo menos um dos processos  cujas decisões foram embargadas, a empresa se credita mais  tarde do valor pago ao produtor  pelos 10% de animais que são vendidos. Pois bem, pelo menos a lógica sugere que o valor da  aquisição  destes  haveria  de  ser  maior  acaso  o  insumo  não  fosse  fornecido  pela  empresa,  gerando crédito maior. Ou seja, o resultado acaba sendo o mesmo.  Quanto  à  síntese  expressa  na  ementa  do  Voto,  creio  que  exista,  de  fato,  obscuridade em seu conteúdo. Para dirimir quaisquer dúvidas acerca da decisão tomada, penso  que a redação ficará melhor como segue.  AGROINDÚSTRIA.  CRIAÇÃO  DE  ANIMAIS  PELO  SISTEMA  DE  PARCERIA (INTEGRAÇÃO).  A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá,  observados  os  demais  requisitos  legais,  creditar­se  de  PIS  relativamente  à  ração  e  outros  insumos  efetivamente  utilizados  na  criação  por  meio  de  sistema de  integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da  pessoa  jurídica  (produtor  rural  integrado)  encarrega­se,  dentre  outras  atribuições, da criação dos animais que  lhes  foram entregues, a ele  tocando  parte da quantidade produzida.  VOTO  pelo  acolhimento  dos  Embargos  de  Declaração,  para  rerratificar  os  Acórdão nos termos em que acima constou.  Sala das Sessões, 14 de outubro de 2014.  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa ­ Relator                                 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 13851.000196/2005-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. A norma jurídica que comina penalidade menos severa do que a prevista ao tempo da conduta infracional tem aplicação pretérita sobre atos não definitivamente julgados. DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFORMAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO OU FALTA NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel Imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita o infrator à pena cominada no artigo 57 da Medida Provisória 2.158-34, de 27 de julho de 2001, c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, caput e inciso II, da IN SRF 976, de 7 de dezembro de 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de voto, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para limitar a penalidade em R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por infração. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Maurício Carvalho Abreu.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13851.000196/2005­86  Acórdão n.º 3101­001.780  S3­C1T1  Fl. 22          2 Presidente   VALDETE APARECIDA MARINHEIRO  Relatora  Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrásio e José Maurício Carvalho  Abreu.  Relatório  Trata­se de auto de infração, que se prestou a exigir crédito tributário relativo  a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de  obrigação  acessória  prescrita  na  IN  SRF  nº  71,  de  24  de  agosto  de  2001,  que  instituiu  a  Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF­Papel Imune),  merecendo destaque o artigo 57 da MP 2.158­35/2001 e a IN SRF 159/2002.  O  contribuinte  cientificado  do  lançamento  apresentou  sua  impugnação,  que  na DRJ de Ribeirão Preto/SP.  A  decisão  recorrida  emanada  do  Acórdão  nº.  14­15.193  de  fls.  36,  por  unanimidade  de  votos,  considerou  procedente  o  lançamento,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido.  O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a  este Conselho – CARF em  fls. 49 a 87 onde resumidamente apresenta as seguintes razões:  1.  Inaplicabilidade da norma legal;  2.  Graduação da penalidade;  3.  Inequação do valor da penalidade;  4.  Julgamento do recurso;  5.  Do  Pedido:  Que  o  Recurso  Voluntário  seja  julgado  procedente  invalidando­se  os  atos  da  autoridade  fiscal  que  impuseram  a  penalidade  ao  recorrente,  em  face  do  não  atendimento  ao  princípio  da  legalidade  na  criação  da  obrigação  de  entregar  a  declaração.  Alternativamente,  requereu  que  seja  considerada  incidência  de  apenas  uma  penalidade  no  caso  de  atraso  na  entrega  da  declaração  trimestral,  o  que  ensejaria  a  aplicação  de  apenas  8  (oito)  multas  de  R$  1.500,00  (um  mil  e  quinhentos  reais),  perfazendo um valor principal  total  de R$ 12.000,00  (doze mil  reais).    Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13851.000196/2005­86  Acórdão n.º 3101­001.780  S3­C1T1  Fl. 23          3 É o relatório.  Voto             Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro,   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  dele  tomo  conhecimento,  por  conter  todos os requisitos de admissibilidade.  No  que  respeita  à  legalidade  da  exigência  a DIF  Papel  Imune  é  obrigação  acessória  instituída  pela  IN  SRF  71,  de  24  de  agosto  de  2001  [1],  legalmente  amparada  no  artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999 [2], em consonância com os artigos 96 [3], 113,  § 2º [4], e 115 [5] do Código Tributário Nacional.  Apesar  disso,  forte  no  princípio  da  retroatividade  benigna6,  entendo  que  o  atraso na entrega da declaração sujeita o infrator à penalidade indicada no artigo 12 da IN SRF  976, de 7 de dezembro de 2009 [7], cuja base legal é o artigo 57 da Medida Provisória 2.158­                                                             1   IN SRF 71, de 2001, artigo 10: Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do  Papel  Imune  (DIF­  Papel  Imune),  cuja  apresentação  é  obrigatória  para  as  pessoas  jurídicas  de  que  trata  o  art. 1º.  2   Lei 9.779, artigo 16: Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas  aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o  seu cumprimento e o respectivo responsável.  3   CTN,  artigo  96:  A  expressão  "legislação  tributária"  compreende  as  leis,  os  tratados  e  as  convenções  internacionais,  os  decretos  e  as  normas  complementares  que  versem,  no  todo  ou  em parte,  sobre  tributos  e  relações jurídicas a eles pertinentes.  4   CTN, artigo 113: A obrigação  tributária é principal ou acessória.  [...] § 2º A obrigação acessória decorre da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação ou da fiscalização dos tributos. [...].  5   CTN,  artigo  115:  Fato  gerador  da  obrigação  acessória  é  qualquer  situação  que,  na  forma  da  legislação  aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.  6   CTN,  artigo  106:  A  lei  aplica­se  a  ato  ou  fato  pretérito:  (I)  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (II) tratando­se de  ato  não  definitivamente  julgado:  (a)  quando  deixe  de  defini­lo  como  infração;  (b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não  tenha sido fraudulento e não tenha  implicado em falta de pagamento de tributo; (c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  7   IN SRF 976, de 2009, artigo 12: A não­apresentação da DIF­Papel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11,  sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: (I) 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem  reais) e não superior a R$ 5.000,00  (cinco mil  reais), do valor das operações com papel  imune omitidas ou  apresentadas de forma inexata ou incompleta; e (II) de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e  pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista  no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (Parágrafo único) Apresentada a  informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do  caput será reduzida à metade.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13851.000196/2005­86  Acórdão n.º 3101­001.780  S3­C1T1  Fl. 24          4 34, de 27 de julho de 2001 [8], ao revés do artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001 [9]:  a nova instrução normativa deixa claro que a penalidade é de R$ 2.500,00 por infração para as  micro  e  pequenas  empresas;  apoiado  na  redação  da  instrução  normativa  que  instituiu  a  obrigação tributária acessória, o fisco havia lançado multa equivalente a R$ 5.000,00 por mês  de atraso na entrega da declaração, sem a redução de 70% no cálculo da multa com base no  parágrafo  único  do  artigo  57  da  MP  2.158­34,  ou  seja  sem  considerar  que  a  Recorrente  é  optante do SIMPLES.  Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para  limitar a penalidade em R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por cada DIF Papel Imune  transmitida a destempo.  Relatora Valdete Aparecida Marinheiro                                                              8   Medida Provisória 2.158­34, de 2001,  artigo 57: O descumprimento  das  obrigações  acessórias  exigidas  nos  termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (I) R$ 5.000,00  (cinco mil reais) por mês­calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos  estabelecidos,  as  informações ou  esclarecimentos  solicitados;  (II) cinco  por  cento,  não  inferior  a R$ 100,00  (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de  terceiros  em  relação  aos  quais  seja  responsável  tributário,  no  caso  de  informação  omitida,  inexata  ou  incompleta.  (Parágrafo  único)  Na  hipótese  de  pessoa  jurídica  optante  pelo  SIMPLES,  os  valores  e  o  percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.  9   IN SRF 71, de 2001, artigo 12: A não apresentação da DIF ­ Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo  anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158­34, de 27 de julho  de 2001.  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13851.000196/2005­86  Acórdão n.º 3101­001.780  S3­C1T1  Fl. 25          5                               Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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Numero do processo: 10980.016007/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à delegacia de julgamento para que sejam apreciadas as razões de defesa dos coobrigados, bem como para que o presente processo seja apensado ao de nº 10980.016004/2007-51, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Relatório A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto recorre de ofício a este Conselho contra o acórdão nº 14-20.488 por ela proferida que julgou procedente a impugnação apresentada. Por sua vez, BSD COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA também recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, alegando, contudo, que por se tratar de recurso de ofício, e na ausência de previsão legal para apresentação de contrarrazões em tais casos, seja o presente recurso recebido como contrarrazões. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração (fls. 473/498) pelo fato de o estabelecimento industrial ter dado saída de produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal, em decorrência de omissão de receitas de origem não comprovada. O crédito tributário lançado totalizou R$ 3.041.853,63, inclusos juros de mora e multa de ofício. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 462/468 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando, ainda, os seguintes fatos: Interposição de pessoas: todos os elementos e documentos apontam na direção de que a fiscalizada foi mais uma das empresas constituídas para dar continuidade às operações de sonegação fiscal e importação fraudulenta do Grupo Sundown (posteriormente denominada Exteima), de propriedade e administrada pela família Rozenblum Trosman; A família Ronzenblum Trosman, de nacionalidade uruguaia, nas pessoas de Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, tinham como modus operandi a constituição de empresas com pessoas de poucos recursos financeiros, que geralmente possuíam uma pequena parte das quotas de capital, sendo que a sócia majoritária geralmente é uma empresa de fachada do Uruguai, sempre com o intuito de ocultar os verdadeiros donos do negócio, que administravam a empresa por intermédio de procurações; Ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 124, tendo em vista a ligação de interesse comercial entre a fiscalizada e as empresas do grupo Sundown, e as ligações pessoais entre os sócios da BSD e os proprietários e administradores das empresas do grupo Sundown, conforme documentos anexos (fls. 128/249); Da análise dos extratos bancários, ficou constatado que os valores creditados nas contas da empresa (R$ 13.352.091,15), a título de depósitos, cobrança, descontos de duplicatas e outros créditos, é superior aos valores declarados pela empresa (R$ 3.723.235,68), na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); Tendo em vista que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, e pelo fato de que as irregularidades apontadas tratarem de infrações continuadas, nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2004, operações bancárias não contabilizadas, fatos esses que evidenciam ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, fica caracterizada a sonegação fiscal, prevista na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 71, caput e inciso I, ficando a contribuinte sujeita à multa qualificada prevista no art. 44, II, e art. 80 da Lei nº 9.430, de 1996; A fiscalização foi encerrada parcialmente, com referência ao ano-calendário de 2002, pois os anos de 2003 e 2004 serão encerrados posteriormente, em razão de estar-se aguardando extratos bancários; Foi elaborada Representação Fiscal para fins penais, cuja comunicação ao Poder Judiciário será formalizada, conforme determinação da Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2002, art. 1o, § 7o. Notificada do lançamento em 22/11/2007, conforme autos de infração, a interessada, por intermédio de seu sócio Paulo Oscar Goldstein, ingressou, em 26/12/2007, com a impugnação de fls. 729/758, alegando, em suma: Ofensa ao artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista que o auto impugnado é resultado de fiscalização de revisão de anterior procedimento, realizado nos autos do Processo nº 10980.014135/2005-32, e não houve motivação suficiente e idônea a autorizar essa fiscalização; Extinção do direito de constituição do crédito tributário pela decadência, no que se refere aos fatos geradores relativos aos meses de janeiro a outubro de 2002, tendo em vista a incidência da regra geral inscrita no art. 150, § 4o, do CTN; A regra prevista no art. 173 do CTN somente poderia ser invocada se o auto de infração contivesse motivação idônea a demonstrar a ocorrência de dolo, fraude ou “não pagamento” (sic), o que não ocorreu; Houve apenas referência genérica e carente de suporte fático ao intuito de fraude, que estaria caracterizado com a presença de uma empresa uruguaia figurando nos atos constitutivos da empresa BSD, assim como ao fato de “infrações continuadas nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2004”, bem como a “operações bancárias não contabilizadas”, tema que será objeto de discussão mais adiante, mas há que se lembrar que o auto de infração se refere apenas ao exercício financeiro de 2002, não fazendo nenhuma referência a fatos ou condutas ocorridos nos exercícios financeiros de 2003 e 2004; O lançamento se deu sob a modalidade de arbitramento, assim não se poderia falar na existência de “operações bancárias não contabilizadas” se não houve análise dos documentos contábeis da empresa; Em face do auto de infração do processo nº 15165.002003/2007-57, com imposição de multa correspondente ao valor das mercadorias importadas pela empresa, a partir de 29 de setembro de 2002, ante a impossibilidade de sua apreensão, os valores exigidos no presente auto de infração são manifestamente indevidos, pois não subsiste a base fático-econômica sobre a qual incidiu o tributo; Impossibilidade de constituição do crédito tributário em face da lavratura do auto de infração do processo nº 15165.002046/2007-32, em decorrência de alegada falta de recolhimento do II e IPI, incidentes sobre as importações realizadas antes de 29 de setembro de 2002, sendo evidente o bis in idem, caracterizado pela dúplice exigência de tributo sobre os mesmos fatos objeto de anterior e recente fiscalização; Não há balizas e parâmetros legais estabelecidos em lei para que se utilize da modalidade de arbitramento no lançamento de IPI, ao contrário do ocorre, por exemplo com o IRPJ. A fiscalização efetuou o lançamento do IPI levando em consideração fato gerador e base de cálculo próprios de outras espécies tributárias, tais como o IRPJ, COFINS e PIS, contrariando dispositivos legais que descrevem o fato gerador e a base de cálculo do IPI; Está fora de discussão a possibilidade de se estipular aleatoriamente alíquotas do imposto, ou de “rateio” de alíquotas diferenciadas, na qual não encontram suporte na lei. Isso significa dizer que o lançamento se deu a partir de critérios arbitrários, estabelecidos originariamente pelos auditores fiscais da ausência de parâmetros legais para sua realização, invalidando o lançamento; Ausência de compensação do IPI lançado com os valores pagos por ocasião do desembaraço aduaneiro e dos valores lançados no auto de infração constante do processo nº 15165.002046/2007-32, desobedecendo a regra de não-cumulatividade do IPI; No que se refere à multa aplicada no auto de infração, a sanção imposta desobedeceu aos preceitos normativos, “ao não lhe possibilitar a ciência de no curso do procedimento de fiscalização poderia ocorrer não apenas a constituição de crédito tributário, mas também a imposição de grave sanção administrativa”, tendo em vista que se encontravam em poder da fiscalização desde o início dos trabalhos, em dezembro de 2006, que se decidiu autorizar o procedimento em questão; Aplicam-se ao presente caso as disposições contidas nos arts. 2o, X, 3o e 38, caput, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que asseguram aos interessados a ciência e tramitação e a apresentação de razões de fato e de direito que deverão ser consideradas pela Administração antes de ser proferida decisão administrativa que venha a afetar direitos ou interesses do particular; Está caracterizada a ofensa aos dispositivos legais supracitados, às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa (art. 5o, LV), corolários do devido processo legal (art. 5o, LIV); A imposição da multa prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser invalidada pela inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência da conduta típica infracional; A motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa off shore com sede no Uruguai nos seus atos constitutivos não reflete, minimamente, a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista no tipo infracional indicado no auto de infração como tendo sido violado; Nada há no ordenamento jurídico pátrio dispositivo que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional; A referência genérica a infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, operações bancárias não contabilizadas, é igualmente incapaz de sustentar a imposição de multa agravada, pois o auto de infração impugnado tratou unicamente do período relativo ao exercício financeiro de 2002, assim a referência a fatos supostamente ocorridos nos exercícios seguintes jamais poderia ter sido invocada no lançamento ora em discussão; A mera referência genérica a suposta ocorrência de dolo ou, ainda, a simples transcrição do dispositivo legal indicado não constitui motivação idônea à imposição de multa, especialmente quando se trata de sanção relacionada a possível intuito de sonegação e no patamar da que foi imposta à impugnante, uma vez que se trata de privação de direitos patrimoniais do particular; O dolo deve ser devidamente provado, não bastando, para sua caracterização, a simples opinião do agente fiscal responsável pela lavratura do ato, como está ocorrendo, pois a fiscalização contestada se deu sob a modalidade de arbitramento, diante da impossibilidade da apresentação dos documentos contábeis, ou seja, a contabilidade não foi analisada, tendo eles afirmado a existência de operações bancárias não contabilizadas; Tudo indica que os auditores-fiscais trabalharam com uma mera presunção, porém o dolo não se presume, não pode resultar de uma mera conjectura, cabendo à Administração o ônus da prova relativa ao dolo, entendimento pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes; A conduta da empresa BSD, durante todo o curso da fiscalização, foi no sentido de atender, na medida do que lhe era possível, a todas as solicitações formalizadas pelos autuantes, dentro dos prazos que lhe foram assinalados, comportamento claramente oposto àquele que descrito pela fiscalização para justificar a imposição da multa agravada; Não havendo prova da efetiva ocorrência de dolo por parte da empresa impugnante, ou ainda havendo elementos concretos que demonstram justamente a não-caracterização desse tipo de comportamento, não pode prevalecer a imposição da multa qualificada. Requereu o provimento da impugnação, para o fim de proceder à invalidação do lançamento ou, subsidiariamente, a redução dos valores encontrados pelos autuantes. Os responsáveis solidários também foram notificados, sendo que Karina Rozenblum, em 29/11/2007, por meio do aviso de recebimento de fl. 509, e Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern e Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum, por meio dos editais de fls. 510/512, afixados em 11/12/2007, e ingressaram, representados pelo advogado Julio Assis Gehlen (procurações de fls. 557, 559, 561 e 563), em 20/12/2007, com a impugnação de fls. 522/577, alegando, em suma: Preliminarmente, impossibilidade de prosseguimento do processo administrativo até a conclusão da Ação Penal Pública nº 2006.70.00012299-7, pois a questão relativa à possibilidade de inclusão dos impugnantes na condição de responsáveis tributários é oriunda do que está sendo debatido naquela ação proposta pelo Ministério Público Federal e em trâmite na 2a Vara Criminal de Curitiba-PR; Nulidade do auto de infração, por cerceamento de defesa, pois os impugnantes não participaram das diligências realizadas anteriormente à lavratura do auto de infração; Decadência do direito de lançar, para os fatos geradores ocorridos antes de novembro de 2002, nos termos do CTN, art. 150, § 4o, uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu somente em 29/11/2007; Erro na apuração do IPI devido, pois não houve a aplicação da regra da não-cumulatividade. Além dos valores de IPI pagos pela empresa e já considerados pela fiscalização, deveriam ser compensados os valores lançados no auto de infração constante do processo nº 15165.002046/2007-32, cujo objeto foram importações realizadas pela empresa no ano de 2002; A exigência do fisco em imputar a incidência de IPI a produtos importados e revendidos sem que haja processo de industrialização, viola o art. 153, IV, §3º, da Constituição Federal, bem como aos princípios da capacidade contributiva e primordialmente ao princípio da isonomia; A multa incidente sobre o IPI não lançado, com cobertura de créditos, é indevida, uma vez que inexiste previsão legal que a estabeleça. Caso seja mantida a exigência estará sendo negada vigência ao artigo 97, V, do Código Tributário Nacional, bem como violando o art. 5º, II, da Constituição Federal que prescrevem o princípio da legalidade; Inaplicabilidade da multa majorada, pois não houve ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; A suposição de que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, não é motivo determinante para configuração de sonegação fiscal; Não prospera também a afirmação de que houve infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, pois a autuação semente se refere a junho a dezembro de 2002; O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados; sendo assim, a não apresentação da escrituração contábil é que motivou o arbitramento dos lucros, não se justificando o agravamento da penalidade; Ofensa ao princípio constitucional do não-confisco, implícito na CF, art. 5o, XXII, na aplicação da multa equivalente a 150%; Inaplicabilidade da taxa Selic como taxa de juros, pois essa taxa não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja porque carente de legislação que a institua (contrariando o disposto no art. 161, § 1o, do CTN) ou porque os valores acumulados de tal taxa em nada coadunam com o dispositivo constitucional (art. 192, § 3o); e ainda porque sua natureza é de juros remuneratórios, e não moratórios, contrariando mais uma vez o dispositivo do CTN, norma de hierarquia superior à que traz a taxa Selic como aplicável aos débitos de natureza fiscal (Lei nº 9.065, de 1995). Requereram: a determinação do sobrestamento do feito até que seja concluído o trâmite da Ação Penal Pública nº 2006.70.00012299-7, ou que o teor das alegações finais apresentadas ao juízo criminal e as razões de defesa eventualmente apresentadas pela empresa BSD sejam consideradas como parte de sua defesa; a declaração da improcedência da autuação ou, em caso negativo, que a multa aplicada não ultrapasse 20% dos tributos exigidos e que seja determinada a exclusão da taxa Selic; que as intimações sejam realizadas exclusivamente na pessoa do advogado subscritor. No julgamento de primeira instância, a decisão recorrida rejeitou as preliminares de nulidade, deixou de apreciar as questões atinentes à responsabilidade dos coobrigados e, no mérito, deu provimento ao recurso voluntário, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI ANO-CALENDÁRIO: 2002 IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA RATEIO. As receitas apuradas, cuja origem não seja comprovada, serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sujeitas ao IPI. O cálculo do imposto devido é obtido pela aplicação da maior alíquota incidente sobre os produtos da autuada, quando não for possível identificar os produtos cujas vendas não foram registradas, sem previsão legal para aplicação de rateio de alíquota. Assunto: Processo Administrativo Fiscal ANO-CALENDÁRIO: 2002 CONTRADITÓRIO. INÍCIO. Somente com a impugnação inicia-se o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IPI Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário ANO-CALENDÁRIO: 2002 REEXAME. MESMO EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame mediante ordem escrita da autoridade competente. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Quando provado que o contrato social da pessoa jurídica contém falsidade ideológica, dada a utilização de interpostas pessoas, resta configurado o evidente intuito de fraude. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. JUROS DE MORA. LIMITE CONSTITUCIONAL. A prescrição constitucional que limita os juros de mora é norma de eficácia contida e dependente de legislação complementar. Lançamento Improcedente. Por ter exonerado parcela superior ao limite de alçada, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72, recorreu-se de ofício a este Conselho. A interessada, por sua vez, mesmo não possuindo interesse processual na reforma do decisum apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que na ausência de previsão de contrarrazões ao recurso de ofício, sua peça fosse recebida como tal, e, em caso de eventual provimento ao recurso de ofício, em face do efeito devolutivo, fossem analisados todos os argumentos expendidos em sede de impugnação. Os autos foram então distribuídos a Terceira Seção do CARF, que, por meio de resolução, declinou competência à Primeira Seção em razão de a exigência de IPI ser reflexa a de IRPJ (processo nº 10980.016004/2007-51). Em nova distribuição, os autos foram encaminhados a esta Seção de Julgamentos, mais especificamente para a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, a qual, por sua vez, por meio da Resolução nº 1102-000.159 determinou o encaminhamento deste processo esta turma para julgamento conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao IRPJ (PAF nº 10980.016004/2007-51). Contudo, este colegiado, na sessão de 28 de janeiro de 2011, em julgamento da exigência relativa ao IRPJ, cancelou parcialmente a decisão de primeira instância determinando o retorno dos autos àquela turma julgadora a fim de que apreciasse o mérito das impugnações a respeito da coobrigação cominada a terceiros. Consultando o andamento de tal processo, constatei que tal procedimento foi adotado pela unidade preparadora e pela turma julgadora, tendo sido proferida nova decisão (acórdão número 14-35.473, da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, sessão de 13 de outubro de 2011), mantendo a responsabilidade atribuída aos coobrigados. Intimados da nova decisão, não houve interposição de recurso voluntário, e os autos, até esta data, não retornaram ao CARF. É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à delegacia de julgamento para que sejam apreciadas as razões de defesa dos coobrigados, bem como para que o presente processo seja apensado ao de nº 10980.016004/2007-51, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Relatório A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto recorre de ofício a este Conselho contra o acórdão nº 14-20.488 por ela proferida que julgou procedente a impugnação apresentada. Por sua vez, BSD COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA também recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, alegando, contudo, que por se tratar de recurso de ofício, e na ausência de previsão legal para apresentação de contrarrazões em tais casos, seja o presente recurso recebido como contrarrazões. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração (fls. 473/498) pelo fato de o estabelecimento industrial ter dado saída de produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal, em decorrência de omissão de receitas de origem não comprovada. O crédito tributário lançado totalizou R$ 3.041.853,63, inclusos juros de mora e multa de ofício. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 462/468 descreve em detalhes a ação fiscal, destacando, ainda, os seguintes fatos: Interposição de pessoas: todos os elementos e documentos apontam na direção de que a fiscalizada foi mais uma das empresas constituídas para dar continuidade às operações de sonegação fiscal e importação fraudulenta do Grupo Sundown (posteriormente denominada Exteima), de propriedade e administrada pela família Rozenblum Trosman; A família Ronzenblum Trosman, de nacionalidade uruguaia, nas pessoas de Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, tinham como modus operandi a constituição de empresas com pessoas de poucos recursos financeiros, que geralmente possuíam uma pequena parte das quotas de capital, sendo que a sócia majoritária geralmente é uma empresa de fachada do Uruguai, sempre com o intuito de ocultar os verdadeiros donos do negócio, que administravam a empresa por intermédio de procurações; Ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Ronzenblum Elpern, Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 124, tendo em vista a ligação de interesse comercial entre a fiscalizada e as empresas do grupo Sundown, e as ligações pessoais entre os sócios da BSD e os proprietários e administradores das empresas do grupo Sundown, conforme documentos anexos (fls. 128/249); Da análise dos extratos bancários, ficou constatado que os valores creditados nas contas da empresa (R$ 13.352.091,15), a título de depósitos, cobrança, descontos de duplicatas e outros créditos, é superior aos valores declarados pela empresa (R$ 3.723.235,68), na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); Tendo em vista que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, e pelo fato de que as irregularidades apontadas tratarem de infrações continuadas, nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2004, operações bancárias não contabilizadas, fatos esses que evidenciam ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária principal, fica caracterizada a sonegação fiscal, prevista na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 71, caput e inciso I, ficando a contribuinte sujeita à multa qualificada prevista no art. 44, II, e art. 80 da Lei nº 9.430, de 1996; A fiscalização foi encerrada parcialmente, com referência ao ano-calendário de 2002, pois os anos de 2003 e 2004 serão encerrados posteriormente, em razão de estar-se aguardando extratos bancários; Foi elaborada Representação Fiscal para fins penais, cuja comunicação ao Poder Judiciário será formalizada, conforme determinação da Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2002, art. 1o, § 7o. Notificada do lançamento em 22/11/2007, conforme autos de infração, a interessada, por intermédio de seu sócio Paulo Oscar Goldstein, ingressou, em 26/12/2007, com a impugnação de fls. 729/758, alegando, em suma: Ofensa ao artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), tendo em vista que o auto impugnado é resultado de fiscalização de revisão de anterior procedimento, realizado nos autos do Processo nº 10980.014135/2005-32, e não houve motivação suficiente e idônea a autorizar essa fiscalização; Extinção do direito de constituição do crédito tributário pela decadência, no que se refere aos fatos geradores relativos aos meses de janeiro a outubro de 2002, tendo em vista a incidência da regra geral inscrita no art. 150, § 4o, do CTN; A regra prevista no art. 173 do CTN somente poderia ser invocada se o auto de infração contivesse motivação idônea a demonstrar a ocorrência de dolo, fraude ou “não pagamento” (sic), o que não ocorreu; Houve apenas referência genérica e carente de suporte fático ao intuito de fraude, que estaria caracterizado com a presença de uma empresa uruguaia figurando nos atos constitutivos da empresa BSD, assim como ao fato de “infrações continuadas nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2004”, bem como a “operações bancárias não contabilizadas”, tema que será objeto de discussão mais adiante, mas há que se lembrar que o auto de infração se refere apenas ao exercício financeiro de 2002, não fazendo nenhuma referência a fatos ou condutas ocorridos nos exercícios financeiros de 2003 e 2004; O lançamento se deu sob a modalidade de arbitramento, assim não se poderia falar na existência de “operações bancárias não contabilizadas” se não houve análise dos documentos contábeis da empresa; Em face do auto de infração do processo nº 15165.002003/2007-57, com imposição de multa correspondente ao valor das mercadorias importadas pela empresa, a partir de 29 de setembro de 2002, ante a impossibilidade de sua apreensão, os valores exigidos no presente auto de infração são manifestamente indevidos, pois não subsiste a base fático-econômica sobre a qual incidiu o tributo; Impossibilidade de constituição do crédito tributário em face da lavratura do auto de infração do processo nº 15165.002046/2007-32, em decorrência de alegada falta de recolhimento do II e IPI, incidentes sobre as importações realizadas antes de 29 de setembro de 2002, sendo evidente o bis in idem, caracterizado pela dúplice exigência de tributo sobre os mesmos fatos objeto de anterior e recente fiscalização; Não há balizas e parâmetros legais estabelecidos em lei para que se utilize da modalidade de arbitramento no lançamento de IPI, ao contrário do ocorre, por exemplo com o IRPJ. A fiscalização efetuou o lançamento do IPI levando em consideração fato gerador e base de cálculo próprios de outras espécies tributárias, tais como o IRPJ, COFINS e PIS, contrariando dispositivos legais que descrevem o fato gerador e a base de cálculo do IPI; Está fora de discussão a possibilidade de se estipular aleatoriamente alíquotas do imposto, ou de “rateio” de alíquotas diferenciadas, na qual não encontram suporte na lei. Isso significa dizer que o lançamento se deu a partir de critérios arbitrários, estabelecidos originariamente pelos auditores fiscais da ausência de parâmetros legais para sua realização, invalidando o lançamento; Ausência de compensação do IPI lançado com os valores pagos por ocasião do desembaraço aduaneiro e dos valores lançados no auto de infração constante do processo nº 15165.002046/2007-32, desobedecendo a regra de não-cumulatividade do IPI; No que se refere à multa aplicada no auto de infração, a sanção imposta desobedeceu aos preceitos normativos, “ao não lhe possibilitar a ciência de no curso do procedimento de fiscalização poderia ocorrer não apenas a constituição de crédito tributário, mas também a imposição de grave sanção administrativa”, tendo em vista que se encontravam em poder da fiscalização desde o início dos trabalhos, em dezembro de 2006, que se decidiu autorizar o procedimento em questão; Aplicam-se ao presente caso as disposições contidas nos arts. 2o, X, 3o e 38, caput, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que asseguram aos interessados a ciência e tramitação e a apresentação de razões de fato e de direito que deverão ser consideradas pela Administração antes de ser proferida decisão administrativa que venha a afetar direitos ou interesses do particular; Está caracterizada a ofensa aos dispositivos legais supracitados, às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa (art. 5o, LV), corolários do devido processo legal (art. 5o, LIV); A imposição da multa prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser invalidada pela inexistência de motivação idônea a demonstrar a ocorrência da conduta típica infracional; A motivação exposta no auto de infração, quanto à presença de empresa off shore com sede no Uruguai nos seus atos constitutivos não reflete, minimamente, a prática de qualquer conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista no tipo infracional indicado no auto de infração como tendo sido violado; Nada há no ordenamento jurídico pátrio dispositivo que vede a possibilidade de empresa estrangeira integrar a constituição de uma empresa nacional; A referência genérica a infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, operações bancárias não contabilizadas, é igualmente incapaz de sustentar a imposição de multa agravada, pois o auto de infração impugnado tratou unicamente do período relativo ao exercício financeiro de 2002, assim a referência a fatos supostamente ocorridos nos exercícios seguintes jamais poderia ter sido invocada no lançamento ora em discussão; A mera referência genérica a suposta ocorrência de dolo ou, ainda, a simples transcrição do dispositivo legal indicado não constitui motivação idônea à imposição de multa, especialmente quando se trata de sanção relacionada a possível intuito de sonegação e no patamar da que foi imposta à impugnante, uma vez que se trata de privação de direitos patrimoniais do particular; O dolo deve ser devidamente provado, não bastando, para sua caracterização, a simples opinião do agente fiscal responsável pela lavratura do ato, como está ocorrendo, pois a fiscalização contestada se deu sob a modalidade de arbitramento, diante da impossibilidade da apresentação dos documentos contábeis, ou seja, a contabilidade não foi analisada, tendo eles afirmado a existência de operações bancárias não contabilizadas; Tudo indica que os auditores-fiscais trabalharam com uma mera presunção, porém o dolo não se presume, não pode resultar de uma mera conjectura, cabendo à Administração o ônus da prova relativa ao dolo, entendimento pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes; A conduta da empresa BSD, durante todo o curso da fiscalização, foi no sentido de atender, na medida do que lhe era possível, a todas as solicitações formalizadas pelos autuantes, dentro dos prazos que lhe foram assinalados, comportamento claramente oposto àquele que descrito pela fiscalização para justificar a imposição da multa agravada; Não havendo prova da efetiva ocorrência de dolo por parte da empresa impugnante, ou ainda havendo elementos concretos que demonstram justamente a não-caracterização desse tipo de comportamento, não pode prevalecer a imposição da multa qualificada. Requereu o provimento da impugnação, para o fim de proceder à invalidação do lançamento ou, subsidiariamente, a redução dos valores encontrados pelos autuantes. Os responsáveis solidários também foram notificados, sendo que Karina Rozenblum, em 29/11/2007, por meio do aviso de recebimento de fl. 509, e Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern e Noemi Elpern Kotliarevski de Rozenblum, por meio dos editais de fls. 510/512, afixados em 11/12/2007, e ingressaram, representados pelo advogado Julio Assis Gehlen (procurações de fls. 557, 559, 561 e 563), em 20/12/2007, com a impugnação de fls. 522/577, alegando, em suma: Preliminarmente, impossibilidade de prosseguimento do processo administrativo até a conclusão da Ação Penal Pública nº 2006.70.00012299-7, pois a questão relativa à possibilidade de inclusão dos impugnantes na condição de responsáveis tributários é oriunda do que está sendo debatido naquela ação proposta pelo Ministério Público Federal e em trâmite na 2a Vara Criminal de Curitiba-PR; Nulidade do auto de infração, por cerceamento de defesa, pois os impugnantes não participaram das diligências realizadas anteriormente à lavratura do auto de infração; Decadência do direito de lançar, para os fatos geradores ocorridos antes de novembro de 2002, nos termos do CTN, art. 150, § 4o, uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu somente em 29/11/2007; Erro na apuração do IPI devido, pois não houve a aplicação da regra da não-cumulatividade. Além dos valores de IPI pagos pela empresa e já considerados pela fiscalização, deveriam ser compensados os valores lançados no auto de infração constante do processo nº 15165.002046/2007-32, cujo objeto foram importações realizadas pela empresa no ano de 2002; A exigência do fisco em imputar a incidência de IPI a produtos importados e revendidos sem que haja processo de industrialização, viola o art. 153, IV, §3º, da Constituição Federal, bem como aos princípios da capacidade contributiva e primordialmente ao princípio da isonomia; A multa incidente sobre o IPI não lançado, com cobertura de créditos, é indevida, uma vez que inexiste previsão legal que a estabeleça. Caso seja mantida a exigência estará sendo negada vigência ao artigo 97, V, do Código Tributário Nacional, bem como violando o art. 5º, II, da Constituição Federal que prescrevem o princípio da legalidade; Inaplicabilidade da multa majorada, pois não houve ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; A suposição de que a empresa fiscalizada é constituída por interposta pessoa, empresa off shore com sede no Uruguai, não é motivo determinante para configuração de sonegação fiscal; Não prospera também a afirmação de que houve infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2004, pois a autuação semente se refere a junho a dezembro de 2002; O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados; sendo assim, a não apresentação da escrituração contábil é que motivou o arbitramento dos lucros, não se justificando o agravamento da penalidade; Ofensa ao princípio constitucional do não-confisco, implícito na CF, art. 5o, XXII, na aplicação da multa equivalente a 150%; Inaplicabilidade da taxa Selic como taxa de juros, pois essa taxa não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja porque carente de legislação que a institua (contrariando o disposto no art. 161, § 1o, do CTN) ou porque os valores acumulados de tal taxa em nada coadunam com o dispositivo constitucional (art. 192, § 3o); e ainda porque sua natureza é de juros remuneratórios, e não moratórios, contrariando mais uma vez o dispositivo do CTN, norma de hierarquia superior à que traz a taxa Selic como aplicável aos débitos de natureza fiscal (Lei nº 9.065, de 1995). Requereram: a determinação do sobrestamento do feito até que seja concluído o trâmite da Ação Penal Pública nº 2006.70.00012299-7, ou que o teor das alegações finais apresentadas ao juízo criminal e as razões de defesa eventualmente apresentadas pela empresa BSD sejam consideradas como parte de sua defesa; a declaração da improcedência da autuação ou, em caso negativo, que a multa aplicada não ultrapasse 20% dos tributos exigidos e que seja determinada a exclusão da taxa Selic; que as intimações sejam realizadas exclusivamente na pessoa do advogado subscritor. No julgamento de primeira instância, a decisão recorrida rejeitou as preliminares de nulidade, deixou de apreciar as questões atinentes à responsabilidade dos coobrigados e, no mérito, deu provimento ao recurso voluntário, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI ANO-CALENDÁRIO: 2002 IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA RATEIO. As receitas apuradas, cuja origem não seja comprovada, serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sujeitas ao IPI. O cálculo do imposto devido é obtido pela aplicação da maior alíquota incidente sobre os produtos da autuada, quando não for possível identificar os produtos cujas vendas não foram registradas, sem previsão legal para aplicação de rateio de alíquota. Assunto: Processo Administrativo Fiscal ANO-CALENDÁRIO: 2002 CONTRADITÓRIO. INÍCIO. Somente com a impugnação inicia-se o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IPI Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário ANO-CALENDÁRIO: 2002 REEXAME. MESMO EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame mediante ordem escrita da autoridade competente. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Quando provado que o contrato social da pessoa jurídica contém falsidade ideológica, dada a utilização de interpostas pessoas, resta configurado o evidente intuito de fraude. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. JUROS DE MORA. LIMITE CONSTITUCIONAL. A prescrição constitucional que limita os juros de mora é norma de eficácia contida e dependente de legislação complementar. Lançamento Improcedente. Por ter exonerado parcela superior ao limite de alçada, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72, recorreu-se de ofício a este Conselho. A interessada, por sua vez, mesmo não possuindo interesse processual na reforma do decisum apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que na ausência de previsão de contrarrazões ao recurso de ofício, sua peça fosse recebida como tal, e, em caso de eventual provimento ao recurso de ofício, em face do efeito devolutivo, fossem analisados todos os argumentos expendidos em sede de impugnação. Os autos foram então distribuídos a Terceira Seção do CARF, que, por meio de resolução, declinou competência à Primeira Seção em razão de a exigência de IPI ser reflexa a de IRPJ (processo nº 10980.016004/2007-51). Em nova distribuição, os autos foram encaminhados a esta Seção de Julgamentos, mais especificamente para a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, a qual, por sua vez, por meio da Resolução nº 1102-000.159 determinou o encaminhamento deste processo esta turma para julgamento conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao IRPJ (PAF nº 10980.016004/2007-51). Contudo, este colegiado, na sessão de 28 de janeiro de 2011, em julgamento da exigência relativa ao IRPJ, cancelou parcialmente a decisão de primeira instância determinando o retorno dos autos àquela turma julgadora a fim de que apreciasse o mérito das impugnações a respeito da coobrigação cominada a terceiros. Consultando o andamento de tal processo, constatei que tal procedimento foi adotado pela unidade preparadora e pela turma julgadora, tendo sido proferida nova decisão (acórdão número 14-35.473, da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, sessão de 13 de outubro de 2011), mantendo a responsabilidade atribuída aos coobrigados. Intimados da nova decisão, não houve interposição de recurso voluntário, e os autos, até esta data, não retornaram ao CARF. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 887          2 Relatório   A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto recorre de ofício a este Conselho contra o  acórdão nº 14­20.488 por ela proferida que julgou procedente a impugnação apresentada.  Por sua vez, BSD COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA  também  recorre  a  este  Conselho,  com  fulcro  no  art.  33  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  alegando, contudo, que por se tratar de recurso de ofício, e na ausência de previsão legal para  apresentação  de  contrarrazões  em  tais  casos,  seja  o  presente  recurso  recebido  como  contrarrazões.   Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida,  complementando­o ao final:  Contra a empresa em epígrafe foi  lavrado auto de infração (fls.  473/498) pelo  fato de o estabelecimento  industrial  ter dado saída de produtos  tributados pelo IPI sem emissão de nota  fiscal, em decorrência de omissão de  receitas de origem não comprovada. O crédito tributário lançado totalizou R$  3.041.853,63, inclusos juros de mora e multa de ofício.  O  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  462/468  descreve  em  detalhes a ação fiscal, destacando, ainda, os seguintes fatos:  1.  Interposição  de  pessoas:  todos  os  elementos  e  documentos  apontam  na  direção  de  que  a  fiscalizada  foi mais  uma das  empresas  constituídas  para  dar  continuidade  às  operações  de  sonegação  fiscal e  importação  fraudulenta do Grupo Sundown  (posteriormente  denominada  Exteima),  de  propriedade e administrada pela família Rozenblum  Trosman;  2.  A  família  Ronzenblum  Trosman,  de  nacionalidade  uruguaia,  nas  pessoas  de  Isidoro  Rozenblum  Trosman,  Rolando  Ronzenblum  Elpern,  Noemi  Elpern  Kotliarevski  de  Rozenblum  e  Karina  Rozenblum,  tinham  como  modus  operandi  a  constituição  de  empresas  com  pessoas  de  poucos  recursos financeiros, que geralmente possuíam uma  pequena  parte  das  quotas  de  capital,  sendo  que  a  sócia  majoritária  geralmente  é  uma  empresa  de  fachada  do  Uruguai,  sempre  com  o  intuito  de  ocultar  os  verdadeiros  donos  do  negócio,  que  administravam  a  empresa  por  intermédio  de  procurações;  3.  Ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos  Srs.  Isidoro  Rozenblum  Trosman,  Rolando  Ronzenblum  Elpern,  Noemi  Elpern  Kotliarevski  de  Rozenblum  e  Karina  Rozenblum,  nos  termos  do  Fl. 887DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 888          3 Código Tributário Nacional  (CTN),  art.  124,  tendo  em  vista  a  ligação  de  interesse  comercial  entre  a  fiscalizada  e  as  empresas  do  grupo  Sundown,  e  as  ligações  pessoais  entre  os  sócios  da  BSD  e  os  proprietários  e  administradores  das  empresas  do  grupo  Sundown,  conforme  documentos  anexos  (fls.  128/249);  4.  Da análise dos extratos bancários, ficou constatado  que  os  valores  creditados  nas  contas  da  empresa  (R$ 13.352.091,15), a título de depósitos, cobrança,  descontos de duplicatas e outros créditos, é superior  aos  valores  declarados  pela  empresa  (R$  3.723.235,68),  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ);  5.  Tendo  em  vista  que  a  empresa  fiscalizada  é  constituída por interposta pessoa, empresa off shore  com  sede  no  Uruguai,  e  pelo  fato  de  que  as  irregularidades  apontadas  tratarem  de  infrações  continuadas,  nos  períodos  de  janeiro/2002  a  dezembro/2004,  operações  bancárias  não  contabilizadas,  fatos  esses que  evidenciam ação ou  omissão  dolosa,  tendente  a  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária principal, fica caracterizada a sonegação  fiscal, prevista na Lei nº 4.502, de 30 de novembro  de  1964,  art.  71,  caput  e  inciso  I,  ficando  a  contribuinte  sujeita à multa qualificada prevista no  art. 44, II, e art. 80 da Lei nº 9.430, de 1996;  6.  A  fiscalização  foi  encerrada  parcialmente,  com  referência ao ano­calendário de 2002, pois os anos  de  2003  e  2004  serão  encerrados  posteriormente,  em  razão  de  estar­se  aguardando  extratos  bancários;  7.  Foi  elaborada  Representação  Fiscal  para  fins  penais, cuja comunicação ao Poder Judiciário será  formalizada,  conforme  determinação  da  Portaria  SRF nº 326, de 15 de março de 2002, art. 1o, § 7o.  Notificada  do  lançamento  em  22/11/2007,  conforme  autos  de  infração,  a  interessada,  por  intermédio  de  seu  sócio  Paulo  Oscar  Goldstein,  ingressou,  em  26/12/2007,  com  a  impugnação  de  fls.  729/758,  alegando,  em  suma:  · Ofensa  ao  artigo  149  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN), tendo em vista que o auto impugnado é resultado  de  fiscalização  de  revisão  de  anterior  procedimento,  Fl. 888DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 889          4 realizado  nos  autos  do Processo  nº  10980.014135/2005­ 32, e não houve motivação suficiente e idônea a autorizar  essa fiscalização;  · Extinção  do  direito  de  constituição  do  crédito  tributário  pela  decadência,  no  que  se  refere  aos  fatos  geradores  relativos aos meses de  janeiro a outubro de 2002,  tendo  em vista a incidência da regra geral inscrita no art. 150,  § 4o, do CTN;  · A regra prevista no art. 173 do CTN somente poderia ser  invocada  se  o  auto  de  infração  contivesse  motivação  idônea  a  demonstrar  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  “não pagamento” (sic), o que não ocorreu;  · Houve  apenas  referência  genérica  e  carente  de  suporte  fático ao intuito de fraude, que estaria caracterizado com  a presença de uma empresa uruguaia figurando nos atos  constitutivos  da  empresa  BSD,  assim  como  ao  fato  de  “infrações  continuadas  nos  períodos  de  janeiro/2002  a  dezembro/2004”, bem como a “operações bancárias não  contabilizadas”,  tema que será objeto de discussão mais  adiante, mas há que se lembrar que o auto de infração se  refere  apenas  ao  exercício  financeiro  de  2002,  não  fazendo  nenhuma  referência  a  fatos  ou  condutas  ocorridos nos exercícios financeiros de 2003 e 2004;  · O lançamento se deu sob a modalidade de arbitramento,  assim  não  se  poderia  falar  na  existência  de  “operações  bancárias não contabilizadas”  se não houve análise dos  documentos contábeis da empresa;  · Em  face  do  auto  de  infração  do  processo  nº  15165.002003/2007­57,  com  imposição  de  multa  correspondente  ao  valor  das  mercadorias  importadas  pela empresa, a partir de 29 de setembro de 2002, ante a  impossibilidade de sua apreensão, os valores exigidos no  presente auto de  infração  são manifestamente  indevidos,  pois  não  subsiste  a  base  fático­econômica  sobre  a  qual  incidiu o tributo;  · Impossibilidade  de  constituição  do  crédito  tributário  em  face  da  lavratura  do  auto  de  infração  do  processo  nº  15165.002046/2007­32,  em decorrência de alegada  falta  de  recolhimento  do  II  e  IPI,  incidentes  sobre  as  importações realizadas antes de 29 de setembro de 2002,  sendo evidente o bis  in  idem,  caracterizado pela dúplice  exigência  de  tributo  sobre  os  mesmos  fatos  objeto  de  anterior e recente fiscalização;  Fl. 889DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 890          5 · Não há balizas  e parâmetros  legais  estabelecidos  em  lei  para  que  se  utilize  da  modalidade  de  arbitramento  no  lançamento de  IPI, ao  contrário do ocorre, por  exemplo  com o  IRPJ. A  fiscalização efetuou o  lançamento do  IPI  levando em consideração  fato gerador e base de cálculo  próprios de outras espécies tributárias, tais como o IRPJ,  COFINS  e  PIS,  contrariando  dispositivos  legais  que  descrevem o fato gerador e a base de cálculo do IPI;  · Está  fora  de  discussão  a  possibilidade  de  se  estipular  aleatoriamente  alíquotas  do  imposto,  ou  de  “rateio”  de  alíquotas  diferenciadas,  na  qual  não  encontram  suporte  na  lei.  Isso  significa  dizer  que  o  lançamento  se  deu  a  partir  de  critérios  arbitrários,  estabelecidos  originariamente  pelos  auditores  fiscais  da  ausência  de  parâmetros  legais  para  sua  realização,  invalidando  o  lançamento;  · Ausência de compensação do IPI lançado com os valores  pagos  por  ocasião  do  desembaraço  aduaneiro  e  dos  valores  lançados  no  auto  de  infração  constante  do  processo  nº  15165.002046/2007­32,  desobedecendo  a  regra de não­cumulatividade do IPI;  · No que se refere à multa aplicada no auto de infração, a  sanção  imposta  desobedeceu  aos  preceitos  normativos,  “ao  não  lhe  possibilitar  a  ciência  de  no  curso  do  procedimento de fiscalização poderia ocorrer não apenas  a  constituição  de  crédito  tributário,  mas  também  a  imposição  de  grave  sanção  administrativa”,  tendo  em  vista que se encontravam em poder da fiscalização desde  o  início  dos  trabalhos,  em  dezembro  de  2006,  que  se  decidiu autorizar o procedimento em questão;  · Aplicam­se ao presente caso as disposições contidas nos  arts.  2o,  X,  3o  e  38,  caput,  da  Lei  nº  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  que  asseguram  aos  interessados  a  ciência e tramitação e a apresentação de razões de fato e  de  direito  que  deverão  ser  consideradas  pela  Administração  antes  de  ser  proferida  decisão  administrativa  que  venha  a  afetar  direitos  ou  interesses  do particular;  · Está  caracterizada  a  ofensa  aos  dispositivos  legais  supracitados,  às  garantias  constitucionais  do  contraditório e da ampla defesa  (art. 5o, LV),  corolários  do devido processo legal (art. 5o, LIV);  · A  imposição  da  multa  prevista  no  art.  44,  II,  da  Lei  nº  9.430, de 1996, deverá ser invalidada pela inexistência de  Fl. 890DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 891          6 motivação idônea a demonstrar a ocorrência da conduta  típica infracional;  · A  motivação  exposta  no  auto  de  infração,  quanto  à  presença de empresa off shore com sede no Uruguai nos  seus  atos  constitutivos  não  reflete,  minimamente,  a  prática  de  qualquer  conduta  tendente  a  impedir  ou  retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte  da  autoridade  fazendária  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza  ou  circunstâncias  materiais,  conduta  essa  prevista  no  tipo  infracional indicado no auto de infração como tendo sido  violado;  · Nada há  no  ordenamento  jurídico  pátrio  dispositivo  que  vede  a  possibilidade  de  empresa  estrangeira  integrar  a  constituição de uma empresa nacional;  · A  referência  genérica  a  infrações  continuadas  nos  períodos  de  janeiro  de  2002  a  dezembro  de  2004,  operações  bancárias  não  contabilizadas,  é  igualmente  incapaz de sustentar a imposição de multa agravada, pois  o  auto  de  infração  impugnado  tratou  unicamente  do  período relativo ao exercício financeiro de 2002, assim a  referência a  fatos  supostamente ocorridos nos exercícios  seguintes jamais poderia ter sido invocada no lançamento  ora em discussão;  · A mera referência genérica a suposta ocorrência de dolo  ou,  ainda,  a  simples  transcrição  do  dispositivo  legal  indicado não constitui motivação  idônea à  imposição de  multa,  especialmente  quando  se  trata  de  sanção  relacionada a possível intuito de sonegação e no patamar  da que foi imposta à impugnante, uma vez que se trata de  privação de direitos patrimoniais do particular;  · O  dolo  deve  ser  devidamente  provado,  não  bastando,  para  sua  caracterização,  a  simples  opinião  do  agente  fiscal  responsável  pela  lavratura  do  ato,  como  está  ocorrendo,  pois  a  fiscalização  contestada  se  deu  sob  a  modalidade  de  arbitramento,  diante  da  impossibilidade  da  apresentação  dos  documentos  contábeis,  ou  seja,  a  contabilidade  não  foi  analisada,  tendo  eles  afirmado  a  existência de operações bancárias não contabilizadas;  · Tudo  indica  que  os  auditores­fiscais  trabalharam  com  uma mera presunção, porém o dolo não se presume, não  pode  resultar  de  uma  mera  conjectura,  cabendo  à  Administração  o  ônus  da  prova  relativa  ao  dolo,  Fl. 891DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 892          7 entendimento  pacificado  no  âmbito  do  Conselho  de  Contribuintes;  · A  conduta  da  empresa  BSD,  durante  todo  o  curso  da  fiscalização, foi no sentido de atender, na medida do que  lhe  era  possível,  a  todas  as  solicitações  formalizadas  pelos  autuantes,  dentro  dos  prazos  que  lhe  foram  assinalados,  comportamento  claramente  oposto  àquele  que descrito pela fiscalização para justificar a imposição  da multa agravada;  · Não  havendo  prova  da  efetiva  ocorrência  de  dolo  por  parte  da  empresa  impugnante,  ou  ainda  havendo  elementos  concretos  que  demonstram  justamente  a  não­ caracterização  desse  tipo  de  comportamento,  não  pode  prevalecer a imposição da multa qualificada.  Requereu o provimento da impugnação, para o fim de proceder à  invalidação  do  lançamento  ou,  subsidiariamente,  a  redução  dos  valores  encontrados pelos autuantes.  Os responsáveis solidários também foram notificados, sendo que  Karina Rozenblum, em 29/11/2007, por meio do aviso de recebimento de fl. 509,  e  Isidoro  Rozenblum  Trosman,  Rolando  Rozenblum  Elpern  e  Noemi  Elpern  Kotliarevski  de Rozenblum,  por meio  dos  editais  de  fls.  510/512,  afixados  em  11/12/2007,  e  ingressaram,  representados  pelo  advogado  Julio  Assis  Gehlen  (procurações de fls. 557, 559, 561 e 563), em 20/12/2007, com a impugnação de  fls. 522/577, alegando, em suma:  · Preliminarmente,  impossibilidade  de  prosseguimento  do  processo  administrativo  até  a  conclusão  da  Ação  Penal  Pública nº 2006.70.00012299­7, pois a questão relativa à  possibilidade  de  inclusão  dos  impugnantes  na  condição  de  responsáveis  tributários  é  oriunda do  que  está  sendo  debatido naquela ação  proposta pelo Ministério Público  Federal  e  em  trâmite  na  2a  Vara  Criminal  de Curitiba­ PR;  · Nulidade do auto de infração, por cerceamento de defesa,  pois  os  impugnantes  não  participaram  das  diligências  realizadas anteriormente à lavratura do auto de infração;  · Decadência do direito de lançar, para os fatos geradores  ocorridos  antes  de  novembro  de  2002,  nos  termos  do  CTN,  art.  150,  §  4o,  uma  vez  que  a  ciência  do  auto  de  infração ocorreu somente em 29/11/2007;  · Erro  na  apuração  do  IPI  devido,  pois  não  houve  a  aplicação  da  regra  da  não­cumulatividade.  Além  dos  valores de IPI pagos pela empresa e já considerados pela  Fl. 892DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 893          8 fiscalização,  deveriam  ser  compensados  os  valores  lançados  no  auto  de  infração  constante  do  processo  nº  15165.002046/2007­32,  cujo  objeto  foram  importações  realizadas pela empresa no ano de 2002;  ·  A  exigência  do  fisco  em  imputar  a  incidência  de  IPI  a  produtos importados e revendidos sem que haja processo  de  industrialização,  viola  o  art.  153,  IV,  §3º,  da  Constituição  Federal,  bem  como  aos  princípios  da  capacidade  contributiva  e  primordialmente  ao  princípio  da isonomia;   · A multa incidente sobre o IPI não lançado, com cobertura  de  créditos,  é  indevida,  uma  vez  que  inexiste  previsão  legal  que  a  estabeleça.  Caso  seja  mantida  a  exigência  estará sendo negada vigência ao artigo 97, V, do Código  Tributário Nacional, bem como violando o art. 5º,  II, da  Constituição  Federal  que  prescrevem  o  princípio  da  legalidade;  · Inaplicabilidade da multa majorada, pois não houve ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade  fazendária  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza  ou  circunstâncias  materiais;  · A  suposição  de  que  a  empresa  fiscalizada  é  constituída  por  interposta  pessoa,  empresa  off  shore  com  sede  no  Uruguai,  não  é  motivo  determinante  para  configuração  de  sonegação fiscal;  · Não  prospera  também  a  afirmação  de  que  houve  infrações continuadas nos períodos de janeiro de 2002 a  dezembro  de  2004,  pois  a  autuação  semente  se  refere  a  junho a dezembro de 2002;  · O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas  mais  uma  forma  de  apuração  dos  resultados;  sendo  assim, a não apresentação da escrituração contábil é que  motivou o arbitramento dos  lucros, não se  justificando o  agravamento da penalidade;  · Ofensa  ao  princípio  constitucional  do  não­confisco,  implícito  na  CF,  art.  5o,  XXII,  na  aplicação  da  multa  equivalente a 150%;  · Inaplicabilidade  da  taxa  Selic  como  taxa  de  juros,  pois  essa taxa não se presta à utilização como equivalente aos  juros moratórios  incidentes sobre os débitos de natureza  Fl. 893DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 894          9 fiscal,  seja  porque  carente  de  legislação  que  a  institua  (contrariando  o  disposto  no  art.  161,  §  1o,  do  CTN)  ou  porque  os  valores  acumulados  de  tal  taxa  em  nada  coadunam  com  o  dispositivo  constitucional  (art.  192,  §  3o);  e  ainda  porque  sua  natureza  é  de  juros  remuneratórios,  e  não  moratórios,  contrariando  mais  uma  vez  o  dispositivo  do  CTN,  norma  de  hierarquia  superior  à  que  traz  a  taxa  Selic  como  aplicável  aos  débitos de natureza fiscal (Lei nº 9.065, de 1995).  Requereram: a determinação do sobrestamento do feito até que seja concluído o  trâmite  da  Ação  Penal  Pública  nº  2006.70.00012299­7,  ou  que  o  teor  das  alegações  finais  apresentadas  ao  juízo  criminal  e  as  razões  de  defesa  eventualmente  apresentadas  pela  empresa BSD sejam consideradas como parte de sua defesa; a declaração da improcedência  da  autuação  ou,  em  caso  negativo,  que  a  multa  aplicada  não  ultrapasse  20%  dos  tributos  exigidos e que seja determinada a exclusão da taxa Selic; que as intimações sejam realizadas  exclusivamente na pessoa do advogado subscritor.  No julgamento de primeira instância, a decisão recorrida rejeitou as preliminares  de nulidade, deixou de apreciar as questões atinentes à responsabilidade dos coobrigados e, no  mérito, deu provimento ao recurso voluntário, tendo sua ementa recebido a seguinte redação:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS  ­ IPI  ANO­CALENDÁRIO: 2002  IPI. OMISSÃO DE RECEITAS.  ALÍQUOTA. FALTA DE  PREVISÃO LEGAL PARA RATEIO.  As receitas apuradas, cuja origem não seja comprovada,  serão  consideradas  provenientes  de  vendas  não  registradas e sujeitas ao IPI. O cálculo do imposto devido  é obtido pela aplicação da maior alíquota incidente sobre  os  produtos  da  autuada,  quando  não  for  possível  identificar  os  produtos  cujas  vendas  não  foram  registradas,  sem previsão  legal para aplicação de  rateio  de alíquota.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  ANO­CALENDÁRIO: 2002  CONTRADITÓRIO. INÍCIO.  Somente  com  a  impugnação  inicia­se  o  litígio,  quando  devem ser observados os princípios da ampla defesa e do  contraditório.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  EXCLUSÃO  DE  PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA.  Não  compete  às  Delegacias  da  Receita  Federal  de  Julgamento  a  apreciação  da  exclusão  de  pessoas  arroladas  como  responsáveis  solidárias  pelos  tributos  exigidos do contribuinte.   Fl. 894DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 895          10 OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IPI  Aplica­se  à  tributação  reflexa  idêntica  solução  dada  ao  lançamento principal em face da estreita relação de causa  e efeito.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  ANO­CALENDÁRIO: 2002  REEXAME. MESMO EXERCÍCIO.  Em  relação  ao mesmo  exercício,  é  possível  um  segundo  exame mediante ordem escrita da autoridade competente.  DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  rever  lançamento  por  homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado  de dolo,  fraude ou  simulação,  extingue­se no prazo de 5  (cinco)  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado.  SIMULAÇÃO.  INTERPOSTA  PESSOA.  EVIDENTE  INTUITO DE FRAUDE.  Quando provado que o contrato social da pessoa jurídica  contém  falsidade  ideológica,  dada  a  utilização  de  interpostas  pessoas,  resta  configurado  o  evidente  intuito  de fraude.  MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.  Mantém­se a multa por infração qualificada quando reste  inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude.  MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador,  cabendo  à  autoridade  administrativa  apenas  aplicar  a  multa,  nos  moldes  da  legislação que a instituiu.  JUROS DE MORA. SELIC.  A  cobrança  de  juros  de  mora  com  base  no  valor  acumulado  mensal  da  taxa  referencial  do  Selic  tem  previsão legal.  JUROS DE MORA. LIMITE CONSTITUCIONAL.  A prescrição constitucional que limita os juros de mora é  norma  de  eficácia  contida  e  dependente  de  legislação  complementar.  Lançamento Improcedente.    Fl. 895DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 896          11 Por ter exonerado parcela superior ao limite de alçada, nos termos do art. 34, I,  do Decreto nº 70.235/72, recorreu­se de ofício a este Conselho.  A  interessada,  por  sua  vez,  mesmo  não  possuindo  interesse  processual  na  reforma do decisum  apresentou  recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que na ausência de  previsão de contrarrazões ao recurso de ofício, sua peça fosse recebida como tal, e, em caso de  eventual  provimento  ao  recurso  de  ofício,  em  face  do  efeito  devolutivo,  fossem  analisados  todos os argumentos expendidos em sede de impugnação.  Os autos foram então distribuídos a Terceira Seção do CARF, que, por meio de  resolução, declinou competência à Primeira Seção em razão de a exigência de IPI ser reflexa a  de IRPJ (processo nº 10980.016004/2007­51).  Em  nova  distribuição,  os  autos  foram  encaminhados  a  esta  Seção  de  Julgamentos, mais especificamente para a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, a qual, por  sua  vez,  por meio  da Resolução  nº  1102­000.159  determinou  o  encaminhamento  deste  processo  esta turma para julgamento conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao  IRPJ (PAF nº 10980.016004/2007­51).  Contudo, este colegiado, na sessão de 28 de janeiro de 2011, em julgamento da  exigência relativa ao IRPJ, cancelou parcialmente a decisão de primeira instância determinando  o retorno dos autos àquela turma julgadora a fim de que apreciasse o mérito das impugnações a  respeito da coobrigação cominada a terceiros.  Consultando  o  andamento  de  tal  processo,  constatei  que  tal  procedimento  foi  adotado  pela  unidade preparadora  e pela  turma  julgadora,  tendo  sido  proferida  nova decisão  (acórdão número 14­35.473, da 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, sessão de 13 de outubro  de 2011), mantendo a responsabilidade atribuída aos coobrigados. Intimados da nova decisão,  não  houve  interposição  de  recurso  voluntário,  e  os  autos,  até  esta  data,  não  retornaram  ao  CARF.  É o relatório.  Fl. 896DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.016007/2007­95  Resolução nº  1402­000.295  S1­C4T2  Fl. 897          12 Voto   Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  DO RECURSO DE OFÍCIO  O recurso de ofício foi interposto em razão da exoneração de crédito tributário  superior  a  R$  1.000.000,00,  preenchendo,  pois,  os  pressupostos  de  admissibilidade.  Dele,  portanto, conheço.  Passo a sua análise.  Conforme relatado, trata­se de exigência de IPI cuja origem é omissão de receita  retratada no processo nº 10980.016004/2007­51 (IRPJ).  Os  autos  de  IRPJ,  após  resolução  deste  colegiado,  retornaram  à  primeira  instância  para  julgamento  das  razões  dos  coobrigados  a  respeito  da  imputação  de  responsabilidade  tributária,  o  que  não  havia  sido  feito  no  julgamento  original.  Corrigido  o  equívoco, e lavrado novo acórdão, devidamente intimados, não houve apresentação de recursos  voluntários por parte dos coobrigados, e o processo referente à exigência de IRPJ não retornou  ao CARF para prosseguimento da análise do recurso voluntário já interposto pelo contribuinte.  Entendo que, a fim de se evitar decisões contraditórias a respeito da existência,  ou não, de omissão de receitas, ambos os processos devem ser analisados conjuntamente. Para  tanto, os autos deverão retornar à unidade de origem para que sejam anexados ao processo nº  10980.016004/2007­51 para futuro julgamento conjunto dos feitos  Antes disso, contudo, deve­se seguir o rito adotado nos autos de IRPJ, qual seja,  a  devolução  dos  autos  à  primeira  instância  para  que  aprecie  as  razões  de  defesa  dos  coobrigados, já que neste processo também deixou­se de analisar tais pontos.  Proferida nova decisão,  contribuinte  e coobrigados deverão  ser dela  intimados  para que, querendo, apresentem recursos voluntários.  Transcorridos os prazos legais, devem os presentes autos, bem como o processo  principal nº 10980.016004/2007­51, devidamente apensados, retornarem a este colegiado para  julgamento conjunto dos feitos.  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO ­ Relator    Fl. 897DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 13811.001451/2001-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CREDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA E DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. CONCILIAÇÃO ENTRE O ART. 15, II, DA LEI 9779/99 E O ART. 2º DA LEI 9363/96. RECEITA OPERACIONAL BRUTA DO PRODUTOR EXPORTADOR. A apuração centralizada na matriz, prevista no art. 15, II, da Lei nº. 9.779/99, é uma exigência de controle fiscal que não pretendeu nem poderia acarretar a redução do coeficiente de exportação, cuja apuração permanece sob a regência do art. 2º da Lei nº 9.363/96, o qual dispõe que a receita de exportação deve ser confrontada com a receita operacional bruta do produtor exportador. Na apuração do coeficiente de exportação, o valor da receita operacional bruta operacional deve restringir-se aos mesmos estabelecimentos produtores exportadores dos quais se extraiu a receita de exportação, não se devendo incluir a receita de outros estabelecimentos que não realizam a atividade de produtor exportador. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data do seu efetivo aproveitamento (na qual se concretizar o seu pagamento, ou for usado em compensação), em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito (1) de que a receita de exportação de produtos classificados como NT integre tanto a receita de exportação como a receita bruta operacional, para o fim de determinação do coeficiente de exportação, (2) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, e (3) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, quanto à questão do coeficiente de exportação. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni Alves Fernandes. OAB/SP nº 246.569. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Relator

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CREDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA E DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. CONCILIAÇÃO ENTRE O ART. 15, II, DA LEI 9779/99 E O ART. 2º DA LEI 9363/96. RECEITA OPERACIONAL BRUTA DO PRODUTOR EXPORTADOR. A apuração centralizada na matriz, prevista no art. 15, II, da Lei nº. 9.779/99, é uma exigência de controle fiscal que não pretendeu nem poderia acarretar a redução do coeficiente de exportação, cuja apuração permanece sob a regência do art. 2º da Lei nº 9.363/96, o qual dispõe que a receita de exportação deve ser confrontada com a receita operacional bruta do produtor exportador. Na apuração do coeficiente de exportação, o valor da receita operacional bruta operacional deve restringir-se aos mesmos estabelecimentos produtores exportadores dos quais se extraiu a receita de exportação, não se devendo incluir a receita de outros estabelecimentos que não realizam a atividade de produtor exportador. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Por força do art. 62-A do Regimento Interno, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data do seu efetivo aproveitamento (na qual se concretizar o seu pagamento, ou for usado em compensação), em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). Recurso provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito (1) de que a receita de exportação de produtos classificados como NT integre tanto a receita de exportação como a receita bruta operacional, para o fim de determinação do coeficiente de exportação, (2) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, e (3) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, quanto à questão do coeficiente de exportação. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni Alves Fernandes. OAB/SP nº 246.569. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2 atualização  por  sua  própria  natureza,  ou  em  si  mesmo  considerados,  o  contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data  do  protocolo  do  pedido  de  ressarcimento  e  a  data  do  seu  efetivo  aproveitamento  (na  qual  se  concretizar  o  seu  pagamento,  ou  for  usado  em  compensação), em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o  direito  do  contribuinte. Entendimento  uniformizado pela Primeira Seção  do  STJ  (EREsp  468926/SC,  DJ  02/05/2005),  o  qual  foi  reiterado  em  recurso  repetitivo  (REsp  1035847/RS,  DJe  03/08/2009;  REsp  993164/MG,  DJe  17/12/2010).  Recurso provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  para  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  (1)  de  que  a  receita  de  exportação  de  produtos  classificados  como NT  integre  tanto  a  receita  de  exportação  como  a  receita  bruta  operacional,  para  o  fim  de  determinação  do  coeficiente  de  exportação,  (2)  de  incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas,  e (3) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido  de  ressarcimento  e  o  seu  efetivo  aproveitamento.  Vencido  o  Conselheiro  Alexandre  Kern,  quanto  à  questão  do  coeficiente  de  exportação.  Sustentou  pela  recorrente  a  Dra.  Fabiana  Carsoni Alves Fernandes. OAB/SP nº 246.569.   (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Ivan Allegretti ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre  Kern,  Domingos  de  Sá  Filho,  Rosaldo  Trevisan,  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista e Ivan Allegretti.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 14­33.670, de  11 de maio de 2011 (fls. 139/146), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ) cuja ementa é a seguinte:  ASSUNTO:  IMPOSTO   SOBRE   PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.  Os  valores  referentes  às aquisições  de  insumos  de pessoa  não­ contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não  integram o cálculo  do crédito presumido.  Os  conceitos  de  produção,  mateŕias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  são  os  admitidos  na  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/2001­51  Acórdão n.º 3403­003.002  S3­C4T3  Fl. 183          3 legislação  aplicável  ao  IPI,  não  abrangendo  as  despesas  com  energia elétrica e combustível.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  JUROS  PELA  TAXA  SELIC.  POSSIBILIDADE.  Inexiste  previsão  legal  para  abonar  atualização  monetária  ou  acréscimo de  juros  equivalentes à  taxa SELIC a  valores objeto  de ressarcimento de cred́ito de IPI  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Em seu recurso voluntário (fls. 152/178), o contribuinte explica inicalmente  que  “não  impugnou  a  glosa  dos  custos  da  energia  elet́rica,  dos  combustíveis  e  de  outros  insumos consumidos  em  seu processo produtivo, mas que não mantêm contato direto  com o  produto  final,  em  virtude  do  que  restou  deliberado  na  sessão  plenária  do  2°  Conselho  de  Contribuintes,  de  18.9.2007  (Súmula  n.  12:  "não  integram  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido da Lei n. 9363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez  que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos  de matéria­prima ou produto intermediário" (fl. 154) e, no mérito, sustenta o seguinte:  1.  que  deve  haver  a  inclusão,  na  base  de  caĺculo  do  incentivo  fiscal,  das  aquisições  de  não  contribuintes  da  contribuição  ao  PIS/Cofins,  citando  precedentes administrativos e judiciais neste sentido;   2. que na apuração da receita operacional bruta, para o efeito de obtenção do  coeficiente de exportação (relação percentual entre a receita de exportação e a  receita operacional bruta) não devem ser computados, devendo ser excluídos  os valores correspondentes a receitas auferidas por estabelecimentos que não  são produtores exportadores;  3.  que  deve  ser  reconhecido  o  direito  à  atualização  pela Taxa Selic  entre  a  data do pedido e o seu efetivo ressarcimento.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Ivan Allegretti, Relator  O  recurso  voluntário  foi  protocolado  em  16/09/2011  (fl.  152),  dentro  do  prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 19/08/2011 (fl. 148).  Por ser  tempestivo e por conter  razões de reforma ao acórdão da DRJ, dele  conheço.   No mérito, são os seguintes os temas a serem enfrentados:  1) As aquisições de não­contribuintes de PIS/Cofins.  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4 Em  razão  do  disposto  no  art.  62­A  do RI­CARF,  introduzido  pela  Portaria  MF  nº  586/2010,  deve  ser  reproduzido  por  este  Conselho  o  entendimento  firmado  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  com  fundamento  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  prevista no art. 543­C do CPC.  O dispositivo do RI­CARF estabelece o seguinte:  “Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão nos termos do art. 543­B.   § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo  relator ou por provocação das partes.”  Em relação especificamente ao tema tratado no presente caso, o STJ firmou o  seguinte entendimento, com fundamento na sistemática do art. 543­C do CPC:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP  E  DA  COFINS.  EMPRESAS  PRODUTORAS  E  EXPORTADORAS  DE  MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS  ADQUIRIDOS DE  FORNECEDORES  SUJEITOS À  TRIBUTAÇÃO  PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS  PELA  LEI  ORDINÁRIA.  SÚMULA  VINCULANTE  10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA  SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC.  INOCORRÊNCIA.  1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não  poderia  ter  sua  aplicação  restringida  por  força  da  Instrução  Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode  inovar no ordenamento jurídico, subordinando­se aos limites do  texto legal.  2.  A  Lei  9.363/96  instituiu  crédito  presumido  de  IPI  para  ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que:  "Art.  1º  A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/2001­51  Acórdão n.º 3403­003.002  S3­C4T3  Fl. 184          5 de  setembro  de  1970,  8,  de  3  de  dezembro  de  1970,  e  de  dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no  mercado interno, de matérias­primas, produtos intermediários e  material de embalagem, para utilização no processo produtivo .  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim  específico de exportação para o exterior."  3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que  "o  Ministro  de  Estado  da  Fazenda  expedirá  as  instruções  necessárias  ao  cumprimento  do  disposto  nesta  Lei,  inclusive  quanto  aos  requisitos  e  periodicidade  para  apuração  e  para  fruição  do  crédito  presumido  e  respectivo  ressarcimento,  à  definição  de  receita  de  exportação  e  aos  documentos  fiscais  comprobatórios  dos  lançamentos,  a  esse  título,  efetuados  pelo  produtor exportador".  4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições,  expediu  a  Portaria  38/97,  dispondo  sobre  o  cálculo  e  a  utilização  do  crédito  presumido  instituído  pela  Lei  9.363/96  e  autorizando  o  Secretário  da Receita Federal  a  expedir  normas  complementares  necessárias  à  implementação  da  aludida  portaria (artigo 12).  5.  Nesse  segmento,  o  Secretário  da  Receita  Federal  expediu  a  Instrução  Normativa  23/97  (revogada,  sem  interrupção  de  sua  força  normativa,  pela  Instrução  Normativa  313/2003,  também  revogada,  nos  mesmos  termos,  pela  Instrução  Normativa  419/2004), assim preceituando:  "Art. 2º Fará  jus ao crédito presumido a que se refere o artigo  anterior  a  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais.  § 1º O direito ao crédito presumido aplica­se inclusive:  I  ­ Quando  o  produto  fabricado  goze  do  benefício  da  alíquota  zero;  II  ­  nas  vendas  a  empresa  comercial  exportadora,  com  o  fim  específico de exportação.  §  2º  O  crédito  presumido  relativo  a  produtos  oriundos  da  atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de  12  de  abril  de  1990,  utilizados  como  matéria­prima,  produto  intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será  calculado,  exclusivamente,  em  relação às  aquisições,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas,  sujeitas  às  contribuições  PIS/PASEP  e  COFINS ."  6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF  23/97,  restringiu  a  dedução  do  crédito  presumido  do  IPI  (instituído  pela  Lei  9.363/96),  no  que  concerne  às  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  produtos  oriundos  de  atividade  rural,  às  aquisições,  no mercado  interno,  efetuadas  de  pessoas  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     6 jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à  COFINS.  7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos  normativos  secundários)  pressupõe  a  estrita  observância  dos  limites  impostos  pelos  atos  normativos  primários  a  que  se  subordinam  (leis,  tratados,  convenções  internacionais,  etc.),  sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese  que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar­ se­ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes  do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso  de  Mello,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  11.12.1991,  DJ  03.04.1992;  e  ADI  365  AgR,  Rel.  Ministro  Celso  de  Mello,  Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991).  8.  Conseqüentemente,  sobressai  a  "ilegalidade"  da  instrução  normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96,  ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente  aos  produtos  oriundos  de  atividade rural) de matéria­prima e de insumos de fornecedores  não  sujeito  à  tributação  pelo  PIS/PASEP  e  pela  COFINS  (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  julgado  em  19.08.2010,  DJe  28.09.2010;  AgRg  no  REsp  913433/ES,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.  Ministro  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  julgado  em  16.04.2009,  DJe  06.05.2009;  REsp  1008021/CE,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  01.04.2008,  DJe  11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira  Turma,  julgado  em  12.12.2006,  DJ  15.02.2007;  REsp  617733/CE,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  03.08.2006,  DJ  24.08.2006;  e  REsp  586392/RN,  Rel.Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004).  9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto  rural  e,  por  isso,  estão  embutidos  no  valor  do  produto  final  adquirido  pelo  produtor­exportador,  mesmo  não  havendo  incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 ­  Regulamento do IPI ­, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição  às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do  ressarcimento  é  o  valor  total  das  aquisições  dos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  (art.  2º),  sem  condicionantes"  (REsp 586392/RN).  10.  A  Súmula Vinculante  10/STF  cristalizou  o  entendimento  de  que:  "Viola  a  cláusula  de  reserva  de  plenário  (CF,  artigo  97)  a  decisão  de  órgão  fracionário  de  tribunal  que,  embora  não  declare  expressamente  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  ato  normativo do poder público  , afasta  sua  incidência, no  todo ou  em parte."  11.  Entrementes,  é  certo  que  a  exigência  de  observância  à  cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos  secundários  do  Poder  Público,  uma  vez  não  estabelecido  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/2001­51  Acórdão n.º 3403­003.002  S3­C4T3  Fl. 185          7 confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável  a Súmula Vinculante 10/STF à espécie.  (...)   15.  Recurso  especial  da  empresa  provido  para  reconhecer  a  incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.  16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.  17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da  Resolução STJ 08/2008.  (REsp  993164/MG,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)  Como  visto,  o  STJ  firmou  em  recurso  repetitivo  o  entendimento  de  que  assiste direito  ao  crédito presumido de  IPI  também na hipótese de  aquisições de  insumos de  não­contribuintes de PIS/Cofins, como é o caso de pessoas físicas e cooperativas.  Assim,  por  força  do  art.  62­A  do  RICARF,  este  Conselho  deve  obrigatoriamente  reproduzir  o  entendimento  do  STJ  para  o  caso  concreto,  reconhecendo  o  direito ao crédito presumido de IPI em relação às aquisições de não­contribuintes.  2)  O  coeficiente  de  exportação  e  a  consideração  apenas  dos  estabelecimentos  exportadores  na  determinação  da  receita  operacional  bruta.  O recorrente sustenta que na determinação do coeficiente de exportação – o  qual consiste em obter a proporção entre a receita de exportação e a receita operacional bruta –  não se pode admitir que sejam computados na receita operacional bruta os valores de receita de  outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica que não apenas os que realizam a produção  dos produtos exportados.  Vale lembrar, a propósito, o texto do art. 2º, § 2º, da Lei nº 9.363/96:  Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada  mediante  a  aplicação,  sobre  o  valor  total  das  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  referidos  no  artigo  anterior,  do  percentual  correspondente  à  relação  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita operacional bruta do produtor exportador.  § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual  de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo.  §  2º  No  caso  de  empresa  com  mais  de  um  estabelecimento  produtor  exportador,  a  apuração  do  crédito  presumido  poderá  ser centralizada na matriz.  §  3º  O  crédito  presumido,  apurado  na  forma  do  parágrafo  anterior,  poderá  ser  transferido  para  qualquer  estabelecimento  da  empresa  para  efeito  de  compensação  com  o  Imposto  sobre  Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela  Secretaria da Receita Federal.  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     8 Recorde­se,  também, que por meio da Lei nº 9.779/99 sobreveio a  seguinte  alteração na forma de apuração do crédito presumido:  Art.  15.  Serão  efetuados,  de  forma  centralizada,  pelo  estabelecimento matriz da pessoa jurídica:  ......  II ­ a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos  Industrializados  ­  IPI  de  que  trata  a  Lei  no  9.363,  de  13  de  dezembro de 1996;  Baseada nestes dispositivos, a recorrente argumenta o seguinte:  Como se pode observar, o referido dispositivo legal facultava à  empresa beneficiária do crédito presumido do IPI optar por sua  apuração  centralizada  na  matriz,  ou  descentralizada  em  cada  estabelecimento produtor exportador.  (...)  Diante  daquela  alteração  legislativa,  em  tese,  dependendo  do  critério  que  se  adotasse  para  a  apuração  do  crédito  presumido,  seria  possível  que  o  valor  apurado  pela  forma  centralizada  se  tornasse  menor  do  que  o  apurado  pela  forma  descentralizada,  em  decorrência  da  "contaminação"  causada  pela inclusão na receita bruta operacional das receitas auferidas  por estabelecimentos não exportadores.  Com efeito,  considerando­se  a  fórmula  do  cálculo do  beneficio  fiscal prevista no "caput" do art.  2° da Lei n.  9363/96,  e ́ claro  que  o  aumento  da  receita  bruta  operacional,  com  a  adição  da  receita auferida por estabelecimentos que não são exportadores,  implica  a  redução  da  relação  percentual  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita  operacional  bruta,  o  que,  conseqüentemente,  resulta  na  diminuição  do  crédito  presumido  do IPI.  Em função disso, a recorrente passou a considerar, na apuração  do  beneficio  fiscal,  a  somatória  dos  valores  referentes  ás  aquisições  de  insumos,  à  receita  operacional  e  receita  de  exportação  correspondentes  tão  somente  aos  seus  estabelecimentos  produtores  exportadores.  Por  outro  lado,  os  valores  correspondentes  aos  estabelecimentos  que  não  são  exportadores  e  que,  portanto,  não  se  beneficiam  do  cred́ito  presumido de IPI, não são incluídos em seu cálculo.  Tal  procedimento  decorre  da  interpretação  sistemática  e  teleológica  do  inciso  II  do  art.  15  da  Lei  n.  9779/99,  que,  em  momento algum, pretendeu modificar o valor do incentivo fiscal  a  ser  ressarcido  aos  produtores  exportadores  de  mercadorias  nacionais, restringindo­se assim o fim colimado pelo legislador,  quando da edição da Lei n. 9363/96, qual seja, a desoneração da  exportação  de  produtos  nacionais  do  custo  dos  tributos  incidentes na cadeia de produção.  É  importante ter em mente que o intérprete não deve se utilizar  apenas  da  interpretação  meramente  literal  dos  dispositivos  legais para  compreender o  seu  verdadeiro  sentido, sendo certo  que a verdadeira hermenêutica consiste na utilização de todas as  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/2001­51  Acórdão n.º 3403­003.002  S3­C4T3  Fl. 186          9 regras de interpretação, devendo sempre ter em vista o resultado  a que conduz cada interpretação.  Entendo que assiste razão ao recorrente.  Isto porque o texto do art. 2º da Lei nº 9.363/96 é categórico em referir­se à  “receita  operacional  bruta  do  produtor  exportador”,  com  o  que  fica  claro  que  não  se  deve  levar  em  conta  a  receita  operacional  bruta  de  estabelecimentos  outros,  que  não  o  do  estabelecimento produtor exportador.  O coeficiente de exportação, como se sabe, é extraído pela determinação da  proporção entre a “parte” – venda para o mercado externo (receita de exportação) – e o “todo”  –  total  das  vendas  para  o  mercador  interno  e  externo  dos  produtos  produzidos  (receita  operacional bruta).  Ocorre  que  este  confronto  entre  a  receita  operacional  bruta  e  a  receita  de  exportação deve estar circunscrito aos estabelecimentos que realizam a atividade de produção e  exportação.  Assim, em respeito ao art. 2º da Lei, para a apuração do crédito presumido de  IPI, o confronto da receita de exportação deve acontecer em relação à receita operacional bruta  do produtor exportador, não se devendo computar a receita de estabelecimentos que não sejam  produtor exportador.  A apuração centralizada na matriz, prevista no art. 15, II, da Lei nº 9.779/99,  é  uma  exigência  de  controle  fiscal,  que  não  pretendeu  nem  poderia  acarretar  a  redução  do  benefício fiscal, devendo ser harmonizada com o disposto no art. 2º da Lei nº 9.363/96, que é o  dispositivo que prevê, especificamente, a forma de cálculo do crédito presumido de IPI.  Assim,  na  apuração  do  coeficiente  de  exportação,  o  valor  da  receita  de  exportação deve ser confrontado apenas com o valor da receita operacional bruta operacional  dos mesmos estabelecimentos produtores que realizaram exportação, não se podendo computar  na receita operacional bruta a receita de outros estabelecimentos.  3) Atualização pela taxa Selic.   O  recorrente pleiteia  a atualização, pela Taxa Selic,  em  relação ao período  decorrido  entre  o  protocolo  dos  seus  pedidos  de  ressarcimento  de  IPI  e  o  seu  efetivo  pagamento.  Na medida em que  a questão da atualização não  foi apreciada nas decisões  que  reconheceram  o  direito  de  crédito,  a  questão  pode  ser  analisada  mediante  pedido  subseqüente, feito em razão da verificação pelo contribuinte de que o ressarcimento não incluiu  a atualização.  Verifico  que  o  presente  pedido  foi  realizado  em 2003,  portanto,  decorridos  menos de 5 anos da concretização dos ressarcimentos pelo seu valor nominal, cujo pagamento  mais antigo aconteceu em 2000.  Entendo,  por  isso,  que  não  houve  prescrição  do  direito  de  pleitear  a  atualização, cujo prazo começou a correr a partir do pagamento havido sem tal atualização.  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     10 Quanto  ao  mérito,  sabe­se  que  a  jurisprudência  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, e deste Tribunal Administrativo como um todo, oscilou ao longo do tempo  entre a possibilidade ou não da atualização no pedido de ressarcimento de IPI,  indiferente ao  fato de referir­se a créditos básicos ou crédito presumido.  Os precedentes que negavam o direito de atualizar faziam­no, como ocorreu  neste caso, sob o fundamento de que não existia previsão legal que autorizasse a correção, ou  seja,  que  diante  da  falta  de  autorização  expressa,  não  poderia  ser  aplicada  a  taxa  Selic  na  atualização do ressarcimento do IPI.  Os precedentes que autorizavam o direito de atualizar, por sua vez, assim o  faziam apenas em relação ao período decorrido entre o protocolo do pedido e o pagamento do  valor do ressarcimento, pelo fundamento de que a demora foi ocasionada pelo Estado, com o  objetivo  de  recompor  a  perda  do  valor  real  do  direito  do  contribuinte,  que  não  poderia  ser  reduzido pela demora da Administração.  Confira­se, exemplificativamente, os seguintes julgados da Câmara Superior  e de das Câmaras do antigo Segundo Conselho de Contribuintes:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  (IPI).  RESSARCIMENTO.  TAXA  SELIC  ­  NORMAS GERAIS DE DIREITO  TRIBUTÁRIO ­ Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos  do  art.  39,  §  4º  da  Lei  nº  9.250/95,  a  partir  de  01.01.96,  sendo  o  ressarcimento  uma  espécie  do  gênero  restituição,  conforme  entendimento  da  Câmara  Superior  de  Recurso  Fiscais  no  Acórdão  CSRF/02­0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97  tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa  incidirá,  também,  sobre  o  ressarcimento..Recurso  a  que  se  nega  provimento.  (Recurso  de  Divergência  n°  201­112809,  acórdão  CSRF/02.01­414, Relator Dalton Cordeiro de Miranda, j. 08.09.2003)  IPI.  RESSARCIMENTO.  ATUALIZAÇÃO  MONETÁRIA.  Cabe  a  atualização  monetária  dos  ressarcimentos  de  créditos  de  IPI  pela  aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da  eqüidade  e  da  repulsa  ao  enriquecimento  sem  causa.  Precedentes  do  Colegiado.  Recurso  negado.  (Recurso  do Procurador  n°  202­113793,  acórdão  CSRF/02­01.690,  Relator  Rogério  Gustavo  Dreyer,  j.  11.05.2004)  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  Embargos  acolhidos  para  re­ ratificar o Acórdão nº 201­73.987, passando a ementa a ter a seguinte  redação:  "IPI.  INCENTIVO  FISCAL.  LEI  Nº  8.387/91.  RESSARCIMENTO.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  OMISSÃO.  Incide  a  correção monetária sobre o ressarcimento de créditos do IPI mediante  a  aplicação  da  Norma  de  Execução  Conjunta  Cosit/Cosar  nº  8/97  desde a data do protocolo do pedido até o efetivo pagamento. Recurso  provido." Embargos acolhidos.  (Recurso Voluntário 110.734, acórdão  201­78670, Relator Conselheiro Sérgio Gomes Velloso, j. 12.09.2005)  NORMAS  PROCESSUAIS.  RESSARCIMENTO.  TAXA  SELIC.  O  ressarcimento  é  uma  espécie  do  gênero  restituição,  conforme  já  decidido  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (Acórdão  CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4º  da Lei nº 9.250/95, aplicando­se a Taxa Selic a partir do protocolo do  pedido.  Recurso  provido.  (Recurso  Voluntário  n°  131.034,  acórdão  204­00818, Relator Flávio de Sá Munhoz, j. 05.12.2005)  Foi  neste  último  sentido  que  este  Relator  veio  firmar  convencimento,  inclusive  admitindo  a  possibilidade  de  requerer­se  a  atualização  em  pedido  subseqüente  (Acórdão 203­12.003, Processo 13054.000278/2001­92, j. 25/04/2007).  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/2001­51  Acórdão n.º 3403­003.002  S3­C4T3  Fl. 187          11 Aliás,  a  lógica  deste  raciocínio  é  a  mesma  do  entendimento  adotado  pelo  Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do seguinte caso de ICMS, em que o direito do  contribuinte foi postergado pela Administração e pelo próprio Poder Judiciário:  EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREQUESTIONAMENTO.  EXPORTAÇÃO.  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS.  ICMS.  MATÉRIA­PRIMA  E  OUTROS  INSUMOS.  COMPENSAÇÃO.  AUTORIZAÇÃO  LEGAL.  SUSPENSÃO  LIMINAR.  CRÉDITO  IMPOSSIBILITADO.  CONSTITUCIONALIDADE  RECONHECIDA  POSTERIORMENTE.  RETORNO  DA  SITUAÇÃO  AO  STATUS  QUO  ANTE. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO.   1.  Prequestionamento.  Ausente  o  interesse  de  recorrer,  por  falta  de  sucumbência, basta para o atendimento do requisito que a tese jurídica  suscitada  como  causa  de  pedir  tenha  sido  objeto  das  contra­razões  apresentadas  pela  parte  por  ocasião  dos  recursos  de  apelação  e  extraordinário, e também tratada nos embargos de declaração.   2. ICMS. Compensação autorizada pelo artigo 3º da Lei Complementar  federal  65/91.  Regra  legal  suspensa  liminarmente.  Julgamento  de  mérito  superveniente  que  reconheceu  a  constitucionalidade  do  dispositivo (ADI 600, DJ 30/06/95). Efeitos ex­tunc da decisão.   3. Créditos escriturais não realizados no momento adequado por óbice  do Fisco, em observância à suspensão cautelar da norma autorizadora.  Retorno da situação ao status quo anterior. Garantia de eficácia da lei  desde  sua  edição.  Correção  monetária  devida,  sob  pena  de  enriquecimento sem causa da Fazenda Pública.   4.  Atualização  monetária  que  não  advém  da  permissão  legal  de  compensação,  mas  do  impedimento  causado  pelo  Estado  para  o  lançamento na época própria. Hipótese diversa da mera pretensão de  corrigir­se, sem previsão legal, créditos escriturais do ICMS. Acórdão  mantido  por  fundamentos  diversos.  Recurso  extraordinário  não  conhecido.  (RE 282120, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma,  julgado  em  15/10/2002,  DJ  06­12­2002  PP­00075  EMENT  VOL­ 02094­02 PP­00418)  Esta  mesma  lógica  levou  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  a  adotar  o  mesmo entendimento em relação ao IPI, conforme se confere do seguinte precedente, proferido  pela Primeira Seção em caráter de uniformização da jurisprudência das duas Turmas de direito  público:  TRIBUTÁRIO.  IPI. MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE  PRODUTO ISENTO, NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO À ALÍQUOTA  ZERO.  CRÉDITOS  ESCRITURAIS.  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA,  JÁ QUE O APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS NA  ÉPOCA PRÓPRIA FOI IMPEDIDO PELO FISCO.  1.  A  jurisprudência  do  STJ  e  do  STF  é  no  sentido  de  ser  indevida  a  correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos operações  de compra de matérias­primas e insumos empregados na fabricação de  produto isento ou beneficiado com alíquota zero.  2.  Todavia,  é  devida  a  correção monetária de  tais  créditos  quando o  seu  aproveitamento,  pelo  contribuinte,  sofre  demora  em  virtude  resistência  oposta  por  ilegítimo  ato  administrativo  ou  normativo  do  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     12 Fisco.  É  forma  de  se  evitar  o  enriquecimento  sem  causa  e  de  dar  integral  cumprimento  ao  princípio  da  não­cumulatividade.  Não  teria  sentido,  ademais,  carregar  ao  contribuinte  os  ônus  que  a  demora  do  processo acarreta sobre o valor real do seu crédito escritural.  Precedentes do STJ e do STF.  3. Embargos de divergência a que se dá provimento, para autorizar a  correção  monetária  dos  créditos  escriturais  durante  o  período  compreendido  entre  (a)  a  data  em  que  o  crédito  poderia  ter  sido  aproveitado e não o  foi  por óbice  estatal  e  (b) a  data do  trânsito  em  julgado da decisão judicial, que afasta o referido óbice.  (EREsp  468926/SC,  Rel.  Ministro  TEORI  ALBINO  ZAVASCKI,  PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/04/2005, DJ 02/05/2005, p. 150)  Ocorreu,  ainda,  em  relação  especificamente  ao  IPI,  o  pronunciamento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  em  regime  de  recurso  repetitivo,  cujo  entendimento  foi  resumido na seguinte ementa:  PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO  MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1.  A  correção  monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo a utilização do  direito  de  crédito oriundo da aplicação do  princípio da não­cumulatividade, descaracteriza referido crédito como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte em sua escrita contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele  o  contribuinte  a  socorrer­se  do  Judiciário,  circunstância  que  acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  dada  a  tramitação  normal dos feitos judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  conseqüente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade  de atualizá­los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  EREsp  490.547/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.09.2005,  DJ  10.10.2005;  EREsp  613.977/RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp  430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins,  julgado em 26.03.2008,  DJe  07.04.2008;  e  EREsp  605.921/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5.  Recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009)  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/2001­51  Acórdão n.º 3403­003.002  S3­C4T3  Fl. 188          13 O mesmo entendimento foi reiterado no contexto dos créditos presumidos de  IPI, também em recurso repetitivo, do qual se transcreve apenas o trecho pertinente da ementa:  PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP  E  DA  COFINS.  EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  FORNECEDORES  SUJEITOS  À  TRIBUTAÇÃO  PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC.  INOCORRÊNCIA.  1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia  ter  sua  aplicação  restringida  por  força  da  Instrução  Normativa  SRF  23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento  jurídico, subordinando­se aos limites do texto legal.  (...)   12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  de  IPI  (decorrente  da  aplicação  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade),  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob  pena de  enriquecimento  sem causa do Fisco  (Aplicação analógica  do  precedente  da Primeira  Seção  submetido  ao  rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  24.06.2009, DJe 03.08.2009).  13.  A  Tabela  Única  aprovada  pela  Primeira  Seção  (que  agrega  o  Manual  de  Cálculos  da  Justiça  Federal  e  a  jurisprudência  do  STJ)  autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de  janeiro de 1996) na  correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010).  (...)  15.  Recurso  especial  da  empresa  provido  para  reconhecer  a  incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.  16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.  17.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução STJ 08/2008.  (REsp  993164/MG,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)  No âmbito do IPI, portanto, a aplicação da correção pela taxa Selic em razão  da demora causada pelo Fisco no ressarcimento do direito do contribuinte é matéria definida  em  recurso  repetitivo,  pelo  STJ,  o  que  exige  a  reprodução  deste  mesmo  entendimento  no  âmbito  do CARF,  por  força  do  art.  62­A RICARF,  introduzido  pela Portaria MF nº  586,  de  21/12/2010, que estabelece o seguinte:  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     14 Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF  Assim, tem de ser reproduzido neste caso o mesmo entendimento, dando­se  provimento ao  recurso do contribuinte para,  reproduzindo o entendimento de mérito  firmado  em  recurso  repetitivo pelo STJ,  reconhecer ao  contribuinte o direito  ao valor da  atualização,  correspondente à taxa Selic acumulada no período transcorrido entre o protocolo do pedido e a  data  ou  (a)  em  que  se  concretizou  o  ressarcimento  do  principal  ou  (b)  em  que  houve  o  aproveitamento por meio de compensação.  4) Conclusão  Pelas razões expostas, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer ao  contribuinte o direito (1) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de  pessoas físicas e cooperativas, (2) de apurar o coeficiente de exportação considerando a receita  operacional bruta dos estabelecimentos produtores exportadores dos quais se extraiu a receita  de  exportação  e  (3)  de  atualização  do  crédito  pela  aplicação  da  taxa  Selic  entre  a  data  do  protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento.  (assinado digitalmente)  Ivan Allegretti                                Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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