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Numero do processo: 10580.721814/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996.
Havendo comprovação da origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como da natureza dos pagamentos, não pode a presunção de omissão de receitas operar contra o contribuinte, sendo esta medida extrema que deve ser adotada apenas na falta de identificação do depositante ou de qualquer razoabilidade entre a documentação apresentada e a causa indicada para tal pagamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996. Havendo comprovação da origem direta dos recursos (isto é, o depositante), bem como da natureza dos pagamentos, não pode a presunção de omissão de receitas operar contra o contribuinte, sendo esta medida extrema que deve ser adotada apenas na falta de identificação do depositante ou de qualquer razoabilidade entre a documentação apresentada e a causa indicada para tal pagamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 18 14 /2 00 8- 17 Fl. 2711DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Por bem descrever os fatos passo a transcrever o relatório constante da Resolução 1401000.397: Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 1521.258 da 1ª Turma da DRJ/SDR (Salvador/BA) que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pela contribuinte contra Auto de Infração de IRPJ e reflexos no valor total de R$ 5.602.137,75. Os fatos geradores, no tocante ao IRPJ e à CSLL, remontam a 31 de dezembro de 2003, enquanto que, no tocante ao PIS e à COFINS, são dos períodos de fevereiro, abril, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2003. O contribuinte foi cientificado em 22/10/2008. A acusação é de omissão de receita operacional apurada por meio de depósitos bancários e cuja origem não foi comprovada. Em sua Impugnação, a contribuinte buscou comprovar a origem das receitas apontando operações de diferentes naturezas. A) Dos depósitos/créditos cuja origem foi atribuída ao contrato de conta corrente e gestão única de caixa (aplicável aos lançamentos "C" e "I") A Recorrente firmou contratos de conta corrente e gestão única de caixa com empresas do próprio grupo empresarial Odebrecht. Como se tratavam de empresas vinculadas, a Fiscalização aceitou que fossem apresentados os livros contábeis como parte do suporte para comprovação das operações. Parte dessas operações foram comprovadas, porém faltaram documentos para suportar outra parte delas. Foi feito, portanto, um ajuste de R$ 43.732.920,00 e 71.342,00 na base de cálculo do IRPJ, com acréscimos de juros e multa. A Impugnante alega que o valor de R$ 71.342,00 não se refere, em verdade, ao referido contrato, de modo que ele foi tratado em outro item. Além disso, ela alega que um dos depósitos, no valor de R$ 4.715.605,30, que fizeram parte da Autuação não foram vinculados ao contrato em questão, mas deveriam ter sido. Esse valor corresponderia à soma de dois créditos de R$ 4.704.119,15 e R$11.486,15 que lhes foram disponibilizados pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) por conta e ordem da Odebrecht Serviços de Infraestrutura S/A, que era parte no contrato aqui em análise. A Recorrente junta folhas do Livro Razão da Odebrecht Serviços (doc. 4 da Impugnação), nas quais constam os valores entregues a ela lançados na conta Créditos de Diversos C/C Coligadas e Controladas Odebrecht. Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.712 3 Ela junta também um aviso de pagamentos emitidos pela CCR em nome da Odebrecht Serviços no mesmo valor (doc. 05), o comprovante da TED realizada em 23/04/2003 (doc. 06) e o respectivo registro no Livro Razão dela (doc. 07). Quanto ao ingresso de R$ 43.732.920,00 em 12/2003, alega que decorreu de empréstimo no valor de USD 14.955.000,00, valor que corresponderia perfeitamente a tal quantia quando convertido pelo câmbio vigente: R$ 2,9243. Tal crédito foi realizado pela Tenenge Overseas Corporation por conta e ordem da OSI Overseas Ltd., que era parte do já mencionado Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa. A Recorrente juntou à sua Impugnação os seguintes documentos: a) folha do Livro Razão da OSI Overseas Ltd. demonstrando a baixa no passivo junto à Recorrente mediante débito na conta Affiliated Companies Odebrecht, antiga denominação dela, e operação registrada como "Remessa Ref Mutuo ODB" (doc. 08); b) folhas do Livro Razão da Tenenge Overseas Corporation em 12/2003, nas quais está registrado o valor entregue à Recorrente, lançado a crédito na conta Caixas / Bancos (Cash Assets / Bank Accounts) (doc. 09) e a débito na conta Valor Baica c/c Coligadas e Controladas Affiliated Companies OSI Overseas Ltd. (doc. 10); c) folha do Livro Razão da Recorrente na qual está registrado o recebimento do valor de R$ 43.732.920,00 mediante lançamento a crédito na conta Créditos Diversos com Coligadas e Controladas OSI Overseas Ltd. valor referente transf TOC (Tenenge Overseas Corporation) (doc. 11). B1) Reembolsos de despesas administrativas nos montantes de R$ 56.028,00, R$ 66.560,00 e R$ 71.324,00 (Aplicável aos lançamentos "A", "F" e "J") A Recorrente alegou que tais valores se refeririam a reembolsos de despesas pagos por empresas ligadas a ela. Na qualidade de holding do grupo, ela suportaria as despesas e depois as ratearia proporcionalmente. Quanto ao primeiro valor, de R$ 56.028,00, relativo a 02/2003, é composto por dois créditos no valor de R$ 21.350,00 e R$ 34.678,00 que se referem a despesas incorridas pela Construtora Norberto Odebrecht S.A. (CNO) no período de outubro a dezembro de 2002. A Recorrente junta como provas folhas do Livro Razão que demonstram o registro/débito (doc. 12) e a baixa/crédito (doc. 13) na conta Outras Contas a Receber Devedores Diversos CNO. Ela junta também folhas do Livro Razão (doc. 14) demonstrando que o recebimento dos valores foi registrado como crédito em contas diversas de despesas, indicando uma natureza de reembolso de despesas, e cópias dos Relatórios Gerenciais de Orçamento (doc. 15), nos quais há o acompanhamento desses gastos. No que toca aos valores de R$ 66.560,00 (10/2003) e R$ 71.342,00 (12/2003), a Recorrente também alega que eles são reembolsos de despesas pagas em nome de Construtora Norberto Odebrecht S.A (CNO). Os valores foram registrados no Livro Razão da Recorrente, à época denominada Odebrecht S.A., mediante lançamentos de R$ 90.795,00 e R$ 52.730,00 efetuados a débito na conta Outras Contas a Receber Devedores Diversos CNO (doc. 16). Fl. 2713DF CARF MF 4 Gerase dúvida, pois a soma dos dois valores autuados é menor do que a soma dos dois valores registrados e mencionados acima. Ocorre, no entanto, que foi feito o estorno da diferença de R$ 5.623,00 na conta referida anteriormente. Há um registro no Livro Razão de "Valor Estorno da Provisão Efetuada" no valor de R$ 11.722,00. A Recorrente buscou também comprovar que os valores foram lançados em contas diversas de despesas e junta os relatórios gerenciais de Acompanhamento de Orçamento (doc. 18). B.2 Dos dividendos recebidos pela Impugnante na competência abril de 2003, no importe de R$ 299.249,35 (Aplicável ao lançamento "B") A Recorrente recebeu, em 23/04/2003, quantia no valor de R$ 299.249,35 a título de dividendos pela participação na Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), tendo sido o referido valor lançado no Livro Razão dela como Dividendos e Lucros Recebidos Companhia de Concessões Rodoviárias (doc. 19). Ela alega, então, que o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 isentou os dividendos no Brasil, de modo que não são tributados pelo IRPJ e pela CSLL. B.3 Da transferência entre contas bancárias da quantia de R$ 10.000,00, efetuada na competência de julho de 2003 (Aplicável ao lançamento "D") O valor de R$ 10.000,00 se referiria, segundo a Recorrente, a uma transferência entre contas correntes de titularidade dela mesma no bancos Banrisul e Bradesco. Ela junta cópias de folhas do Livro Razão nas quais registrou a saída do numerário da conta Disponibilidade Bancos Movimento Banrisul (doc. 20) e registrou a entrada do mesmo valor na conta Disponibilidade Bancos Conta Movimento Bradesco (doc. 21). B.4) Do crédito em conta bancária no montante de R$ 403.660,00 em agosto de 2002 (aplicável ao lançamento "E") Foi alegado que se trata de receita de terceiros (Odebrecht Investimentos S/A), para quem o valor foi transferido no mesmo dia. Junta (doc. 22 da Impugnação) cópia do extrato bancário que aponta a entrada do valor e um DOC, na mesma data, para a empresa Odebrecht Investimentos S/A exatamente no valor em questão. Junta (doc. 23 da Impugnação) também cópia da folha do Livro Razão da Odebrecht Investimentos S/A na qual está registrado o recebimento do valor em tela. B.5) Origem do depósito bancário verificado no mês de novembro de 2003 no importe de R$ 125.969,28 (aplicável ao lançamento "F") Requereu a juntada posterior de documentos devido à dificuldade de encontrálos. B.6) Origem do depósito bancário verificado no mês de novembro de 2003 no importe de R$ 125.969,28 (aplicável ao lançamento "H") Foi alegado que esse valor se referia a resgate de aplicação financeira com desconto do Imposto de Renda Retido na Fonte. Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.713 5 Para comprovar tal alegação, junta cópias de folhas do Livro Razão (doc. 25 e 26). Dos R$ 132.461,60 resgatados, R$ 6.492,32 ficaram retidos a título de IRRF (20%) e o restante, no valor de R$ 125.969,28, ingressou na conta da Recorrente. B.7) Da origem do crédito de R$ 85.218,00 ocorrido em dezembro de 2003 (aplicável ao lançamento "K") A Recorrente fazia parte à época do Consórcio Construtor de Parques (CONSTRUPAR), que tinha como objeto a execução, gerenciamento, implantação e entrega de obras e serviços de melhoramento e construção de rodovias no Estado do Paraná. Nesse período, ela recebia e remetia numerários de e para o consórcio. Ela junta cópias de folhas do Livro Razão buscando comprovar que recebeu em 16/12/2003 o valor de R$ 85.218,00 a título de parte que lhe cabia do resultado positivo apurado pelo consórcio. Os docs. 29 e 30, juntados à Impugnação, buscam comprovar o recebimento do valor a débito de conta de ativo e a baixa do "a receber" a crédito da conta específica também no ativo do Balanço Patrimonial da Recorrente. Junta o doc. 31 (Balancete Analítico) para comprovar que as operações relativas ao consórcio eram registradas por ela e, portanto, afetavam o seu resultado. Junta também os docs. 32 e 33 (contrato) para comprovar a existência do consórcio e suas regras. O Acórdão da DRJ não aceitou os documentos juntados pela Recorrente após a apresentação da sua Impugnação. Ao analisála, entendeu que teriam ficado comprovadas as origens do valor de R$ 4.715.605,30, que havia reduzido o saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base negativa de CSLL da Recorrente, além do valor de R$ 77.807.49 (PIS) e R$141.468,16 (COFINS). Deste modo, concluiu pela procedência em parte da Impugnação. Não houve Recurso de Ofício, de modo que esses valores não estão mais em discussão. Inconformada com parte do Acórdão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual repetiu os argumentos apresentados em sua Impugnação, agregando mais alguns fundamentos e documentos, como uma tela do SISBACEN que supostamente comprovaria a origem do valor de R$ 43.732.920,00, que serão cuidadosamente analisados à frente no Voto. Em 03/06/2016, quatro dias antes do julgamento, a Recorrente apresentou Memorial, por meio do qual: a) em relação ao valor de R$ 43.732.920,00, junta uma carta enviada por ela ao Credit Lyonnais, no Uruguai e no Brasil, confirmando a conversão em reais do valor depositado na conta do Credit Lyonnais em Nova Iorque e solicitando a transferência para a conta corrente dela; b) em relação ao valor de R$ 403.660,00, junta uma carta de autorização de transferência enviada ao Banrisul e cópia do TED dela para a Odebrecht Investimentos S/A; c) em relação ao valor de R$ 125.969,28, junta documentos societários para comprovar que a OSIPAR foi sucedida pela Recorrente. No referido Memorial, a Recorrente, baseada em precedentes do CARF, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, também alegou que as provas contábeis não podem ser afastadas, a menos que haja alguma razão concreta para tanto. Fl. 2715DF CARF MF 6 Caberia, então, à DRJ apresentar um "justo motivo" para que a contabilidade não fosse aceita. No tocante ao valor de R$ 43.732.920,00, a Recorrente rememora que ele decorre de um Contrato de Conta Corrente e traz algumas explicações sobre ele. Ela também reitera que juntou diversos documentos probatórios, mas, mesmo assim, anexa ao Memorial uma "carta endereçada a instituições financeiras dando conta da conversão, para reais, do valor que lhe remetido por ordem da OSI OVERSEAS LTD., bem como requerendo transferência do referido montante". A Recorrente rememora no Memorial muitos dos argumentos já apresentados ao longo do processo administrativo. Vale destacar que foram juntados novos documentos, obtidos no website da Companhia de Concerssões Rodoviárias (CCR) para comprovar que ela distribuiu dividendos em abril de 2003, o que supostamente reforçaria a sua tese de que o valor de R$ 299.249,35 resultou dessa distribuição. É o relatório. Intimada do acórdão 1521.258, da DRJ/SRD em 1o de março de 2010 (fl. 2.362) a contribuinte interpôs recurso voluntário em 12 de abril de 2010 (fl. 23632.407). Em 7 de junho de 2016, por meio da Resolução 1401000.397, esta turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que a Recorrente fosse "intimada a Recorrente a apresentar, dentro de 15 dias, outros documentos que comprovem as suas alegações e, se for o caso, somente novos fundamentos que sejam essenciais para esclarecer as questões aqui discutidas". Na época, o então relator procedeu à "análise das provas relativas a cada valor, considerando todas aquelas juntadas ao longo do processo administrativo, ao contrário do que fez a DRJ, considerando, inclusive, os documentos juntados em memorial, uma vez que complementares daqueles antes juntados". Diante disso, observou, ainda: "O fato é que a Recorrente apresentou uma série de documentos, os quais não satisfizeram totalmente o critério deste Relator de comprovação da omissão de receitas, porém que deixam dúvidas sobre a procedência ou não das suas alegações. Durante a sessão de julgamentos, apesar do voto inicial deste Relator pela manutenção do Acórdão da DRJ em relação a este ponto, os demais conselheiros da turma convenceramme de que uma diligência seria interessante para esclarecer tais dúvidas." Em maio de 2017 o contribuinte apresentou pedido de desistência parcial e, cumulativamente, de renúncia a quaisquer alegações de direito em que se funda parte do recurso voluntário apresentado, nos termos e para os efeitos do artigo 5º da Medida Provisória nº 766/17 e do artigo 5º da Instrução Normativa RFB nº 1687, de 31/01/2017. A petição de fls. 2.6672.670 informa que a desistência abrange parte dos débitos de PIS e Cofins, indicandoos nas seguintes tabelas: Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.714 7 O relatório de diligência (Informação Fiscal de fls. 2.6762.680), de junho de 2017, assim resume o procedimento de intimação e respostas apresentadas pelo contribuinte: 1. Da ciência e do atendimento à Resolução nº 1401000.397/2016 O Sujeito Passivo tomou ciência do teor da resolução em 26/07/2016, por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, mediante abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC). Tempestivamente, em 10/08/2016, o Sujeito Passivo apresentou documento em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, no qual, em síntese, afirma “que considera que a documentação juntada aos autos é suficiente para comprovar a origem dos depósitos ... ”, e tece várias considerações acerca do valor probante dos documentos contábeis, passando, em seguida, a analisar individualmente as movimentações financeiras que foram objeto da autuação fiscal. Ao final, requer o provimento do recurso voluntário e solicita prazo suplementar de vinte dias, a fim de providenciar o que mais for possível com vistas à demonstração de que a glosa é descabida. Diante do pedido de prorrogação de prazo acima referido, fezse necessária a edição do Termo de Intimação Fiscal nº 01, oportunizando ao Sujeito Passivo prazo para apresentação de novos documentos. Em atendimento, o Sujeito Passivo, apresentou o documento datado de 22/05/2017, em que informa não ter poupado esforços na busca de novos documentos e informações, mas que não foi possível localizar novos elementos de prova relativos às movimentações bancárias em discussão no presente processo. Em seguida, a Informação Fiscal de fls. 2.6762.680 assim conclui: Considerando que, não foram apresentados novos documentos junto à resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 01, passase então à análise conjunta do que fora apresentado em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N e no Recurso Voluntário. 3.1 Do crédito de R$ 43.732.920,00 Como dito acima, nenhum documento novo foi apresentado, restando analisar os documentos elencados na reposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N. São eles: Fl. 2717DF CARF MF 8 (i) Cópia do Contrato de Conta Corrente e Gestão única de Caixa; (ii) Tela do SISBACEN; (iii) Livro razão da OSI OVERSEAS LTD.; (iv) Livro razão da TENENGE OVERSEAS CORPORATION; (v) Livro razão da diligenciada; (vi) Carta endereçada a instituições financeiras dando conta da conversão. Ao se referir a essa operação no Recurso Voluntário apresentado, item (3.53.), o Sujeito Passivo argumenta: “O aludido crédito, que ingressou em conta corrente mantida pela Recorrente no Banco Santos S.A. (banco 702, agencia 19), em 15.12.2003, por um TED – como se nota do Termo de Verificação Fiscal que deu origem ao Auto de Infração em epígrafe foi efetuado pela empresa TENENGE OVERSEAS CORPORATION por conta e ordem da OSI OVERSEAS INC., que eram ambas partes do referido CONTRATO DE CONTA CORRENTE E GESTÃO ÚNICA DE CAIXA (doc. 05), no importe de US$ 14.955.000,00; ...”. Prosseguindo, no item (3.63.), o Sujeito Passivo tece o detalhamento da operação com o exterior: “Foi exatamente o que aconteceu com os R$ 43.732.920,00 de que aqui se trata! O crédito de tal valor (que corresponde a US$ 14.955.000,00, considerado o câmbio da época, fechado em R$ 2,9243) decorreu de uma TRANSFERÊNCIA INTERNACIONAL EM REAIS – TIR A TÍTULO DE RETORNO DE CBCP – EMPRÉSTIMO A RESIDENTE NO EXTERIOR, por conta e ordem da OSI OVERSEAS INC., efetuada no dia 15.12.2003; operação essa, que viabilizou a amortização do passivo que esta última possuía, em relação à Recorrente, por meio do encontro de contas com a TENENGE OVERSEAS CORPORATION, que, por sua vez, possuía um passivo, em relação à OSI OVERSEAS INC.”. Ao analisar o conjunto probatório apresentado pelo Sujeito Passivo, itens “i a vi”, acima relacionado, vêse que há expressiva lacuna documental, na medida em que deixaram de ser apresentados diversos documentos que poderiam emprestar lhes mais robustez, tais como: extratos bancários do remetente dos recursos comprovando a instituição financeira, conta bancária, agencia, valor e a data da saída dos recursos; documento em que foi firmada a ordem emanada pela OSI OVERSEAS INC., autorizando a TENENGE OVERSEAS CORPORATION a realizar a transferência em seu nome e, cópia do TED que efetivou a transferência no sistema bancário. Atentese que a existência do TED, as razões de sua utilização e a legislação pertinente a esse tipo de transferência já eram de conhecimento do Sujeito Passivo desde a época da realização da auditoria fiscal, conforme se constata da transcrição do item 3.53 do Recurso Voluntário, quando o Sujeito Passivo realiza a seguinte afirmação: “por um TED – como se nota do Termo de Verificação Fiscal que deu origem ao Auto de Infração”, grifouse. Mas, apenas quando da apresentação do Recurso Voluntário é que foram prestados alguns esclarecimentos acerca do modus operandi utilizado na transferência. Tais documentos, digase de passagem, eram de fácil obtenção, e caso fossem apresentados no decorrer dos trabalhos de auditoria teriam permitido que fossem realizadas as investigações necessárias ao esclarecimento de sua origem e natureza. Quando foi do interesse do Sujeito Passivo, este soube providenciar a cópia do TED, a exemplo que fez para comprovação da origem do crédito, conforme se constata no item 2.21, de sua impugnação ao Auto de Infração perante a DRJ. Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.715 9 Nesse caso, ressaltese que a empresa que realizou a transferência via TED, a CCR, sequer pertencia ao seu grupo empresarial, mas, mesmo assim, isso não se constituiu em obstáculo à sua obtenção. Assim, é inexplicável e inadmissível que o Sujeito Passivo não tenha reunido condições de obter cópia do TED durante todo esse tempo de uma empresa que pertencia ao seu grupo empresarial (OSI OVERSEAS INC), documento esse considerado imprescindível ao deslinde da questão. Pelo exposto, notase que o conjunto probatório disponibilizado pelo Sujeito Passivo não permite firmar convicção de que resta comprovada a origem dos recursos creditados em sua conta corrente bancária sob a alegação de transferência proveniente do exterior, por conta e ordem da OSI OVERSEAS INC, no valor de R$ 43.732.920,00, por lhe faltar os elementos capazes de estabelecer o liame entre a saída de recursos do remetente e o ingresso dos recursos na conta bancária do Sujeito Passivo. 3.2 Do crédito de R$ 56.028,00 (21.350,00+34.678,00), R$ 66.560,00 e R$ 71.342,00 Em relação aos valores acima relacionados o Sujeito Passivo pauta sua defesa argumentando que se tratam de reembolsos de despesas administrativas recebidas da CONSTRUTORA NORERTO ODERECHT S.A. (CNO). De forma resumida, elenca no item “3.126” do Recurso Voluntário, as razões que entende lhe serem favoráveis no sentido da comprovação da origem dos mesmos: “Por fim, em vista de todos os fatos e argumentos trazidos em relação aos supostos ingressos de numerários não comprovados nos valores de R$ 56.028,00, R$ 71.342,00 e R$ 66.560,00, restou devidamente comprovado que:”: a) referemse eles a reembolso de despesas; b) foram registrados contabilmente a crédito de contas diversas de despesas, influenciando, pois, o resultado do exercício; c) consequentemente, os valores já haviam composto as bases de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL, não havendo como persistirem as glosas procedidas de prejuízos fiscais e de ases de cálculo negativas da CSLL; d) por se tratarem de reembolso de despesas, não poderiam compor as bases de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não são receitas; e) ainda que absurdamente se entenda serem receitas, não poderiam os valores em destaque comporem a ase de cálculo da COFINS, uma vez que, sendo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (norma vigente a época da ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a autuação fiscal), a referida contribuição não poderia incidir sore qualquer receita que não decorresse da venda de mercadorias e/ou serviços. Na resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, não há a apresentação de nenhum argumento que seja diferente disso foi apresentado acima. Assim, a análise deve se restringir ao argumento de que os citados créditos nas contas correntes não deveriam ser considerados como receita pelo fato de que se tratam de reembolso despesas. Mas então, perguntase: que despesas? Ora, se não há documentos capazes de comprovar a origem das receitas e sendo esses os mesmos documentos que comprovariam as despesas, como se pode comprovar despesas sem documentos que lhes deem suporte? Obviamente, uma Fl. 2719DF CARF MF 10 despesa só existe se ela pode ser comprovada quanto a sua necessidade, efetividade e usualidade, e a avaliação disso só pode ser realizada à vista dos documentos capazes de comprovar o cumprimento das exigências estabelecidas nas normas vigentes. A rigor, a falta de apresentação de documentos capazes de comprovar a existência de uma despesa ensejaria a glosa da mesma. Portanto, se não resta comprovada uma despesa, por consequência, como no caso em exame, não fica comprovado que os créditos em contas correntes bancárias se referem ao seu reembolso. Portanto, os créditos permanecem sem comprovação da origem. 3.3 Do crédito de R$ 299.249,35 O sujeito Passivo esclarece que esse crédito tem por origem o recebimento de dividendos distribuídos pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), em face de sua participação de 2,66% no capital social. Para comprovar a origem desse crédito, alega no item 4 do documento apresentado em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, que esse fato é comprovado por documentos contábeis, declaração da corretora de ações, ata da assembleia e aviso aos acionistas quanto à distribuição de dividendos, sendo esses dois últimos documentos extraídos do website da CCR. Além desses documentos, aduz que há o registro contábil relativo ao recebimento de dividendos. Conforme já fora observado pela relatoria do CARF, o conjunto probatório apresentado pelo Sujeito Passivo não permite que seja comprovada a origem do crédito bancário de forma inequívoca. Aliado a isso, o fato de não terem sido apresentados novos documentos e fundamentos, fortalece a tese de que o crédito bancário de R$ R$ 299.249,35 não tem a sua origem comprovada. Também aqui são aplicáveis as mesmas observações que foram realizadas para o item 3.1 acima, com alterações apenas no tipo de documento bancário, na medida que se amoldam perfeitamente a esse caso, ou seja: Quando foi do interesse do Sujeito Passivo, este soube providenciar a cópia do TED, a exemplo que fez para comprovação da origem do crédito, conforme se constata no item 2.21, de sua impugnação ao Auto de Infração perante a DRJ. Ressaltese que a empresa (CCR) que realizou a transferência via TED, sequer pertencia ao seu grupo empresarial, mas, mesmo assim, isso não se constituiu em obstáculo à sua obtenção. Assim, é inexplicável e inadmissível que o Sujeito Passivo não tenha reunido condições de obter cópia do documento bancário correspondente ao crédito, durante todo esse tempo, de uma empresa que ainda está em operação no mercado, documento esse considerado imprescindível ao deslinde da questão. Portanto, o crédito permanece sem comprovação da origem. 3.4 Do crédito de R$ 10.000,00 Para comprovar a origem desse crédito, o Sujeito Passivo alega no item 5 do documento apresentado em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, que “... o extrato bancário da conta mantida pela Requerente junto ao Banrisul (fls. 289) demonstra o débito na conta bancária no valor de R$ 10.000,00 no dia 31.7.2003, representando a saída do valor da conta, exatamente conforme consta do livro razão (fls. 2265). Igualmente, no extrato da conta do Bradesco aparece o crédito de R$ 10.000,00 no dia 31.07.2003 (fls. 436), exatamente conforme o respectivo registro contábil (fls. 2265). Os documentos em questão comprovam que o crédito de R$ 10.000,00 representa transferência entre contas da própria pessoa jurídica.”. Analisando os extratos bancários acima informados, em confronto com as informações prestadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.755), podese observar que que o crédito no valor de R$ 10.000,00, na data de 31/07/2003, que consta do extrato bancário do Bradesco indicado como sendo de fls. 436, na Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.716 11 verdade fls. 435, não guarda nenhuma correspondência com o que foi informado no Termo de Verificação Fiscal, pois divergem quanto ao número da conta e número do documento. No Termo de verificação Fiscal consta a conta “0000117733” e documento “0003045341”, ao passo que no extrato bancário do Bradesco de fls. 435, consta a conta “119.5018” e documento “0003001”, assim, sem muito esforço, percebese que os documentos e argumentos apresentados pelo Sujeito Passivo não guardam relação com o crédito apontado pela fiscalização como sendo aquele cuja origem não foi comprovada. Diante disso, o crédito permanece sem comprovação da origem. 3.5 Do crédito de R$ 403.660,00 O Sujeito Passivo argumenta, em síntese, que “A quantia acima indicada, como demonstrada nos autos, constitui mero repasse de valores para a Odebrecht Investimentos S.A. isto porque, conforme comprovado pelos documentos acostados ao presente processo, o montante em questão foi transferido no mesmo dia em que entrou na conta bancária da Requerente.”. Argumenta também que “... colacionou aos presentes autos carta de autorização de transferência enviada ao Banco Banrisul e também o comprovante da TED que faz prova da movimentação do montante em questão, datada de 18.8.2003, para a Odebrecht Investimentos S.A., verdadeira titular destes recursos (fls. 2267). A Requerente também colacionou aos autos o livro razão da Odebrecht Investimentos S.A., comprovando o recebimento da quantia supracitada (fls. 2267).”. É notória a inadequação dos documentos e argumentos apresentados ao fato trazido pela autuação fiscal. O que está sendo objeto de discussão é a origem do crédito de R$ 403.660,00 na conta bancária mantida pelo Sujeito Passivo e não a destinação do mesmo valor para outra empresa, no caso a Odebrecht Investimentos S.A., ou seja, estamos lidando com duas operações distintas, uma relacionada ou ingresso de numerários na conta bancária e outra de saída de numerários dessa mesma conta bancária. Apoiado no parágrafo precedente, é possível afirmar que os documentos e argumentos apresentados poderiam se prestar a esclarecer sobre a segunda operação (saída de numerários da conta bancária), mas nunca para trazer a lume a origem e a natureza da primeira operação (ingresso de numerários da conta bancária). Diante disso, o crédito permanece sem comprovação da origem. 3.6 Do crédito de R$ 125.969,28 Diante dos documentos e argumentos apresentados pelo Sujeito Passivo a partir da peça impugnatória aos autos de infração, aliado ao fato de que com essas novas informações a DRJ logrou êxito em encontrar no Sistema SIEF/DIRF – Beneficiário, valores relativos ao rendimento obtido e de retenção na fonte, que se coadunam com a operação de resgate de investimentos, tenho que esse crédito, mesmo não tendo sido apresentado o extrato da aplicação financeira de origem do crédito, fica razoavelmente comprovado quanto a origem. Assim, há de se concordar com entendimento exposto na Resolução nº 1401 000.397 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, no sentido da procedência do Recurso Voluntário quanto a este item. Fl. 2721DF CARF MF 12 3.7 Do crédito de R$ 85.218,00 No documento apresentado em resposta à Intimação DRF/SDR/SECAT S/N, o Sujeito Passivo atribui esse crédito ao resultado positivo apurado pelo Consórcio Construtor Parques – Construpar, em decorrência da participação da empresa OSIPAR. Informa que a OSIPAR fora sucedida pelo Sujeito Passivo e que, por isso, passou a ser titular do montante creditado. Para comprovar suas alegações juntou páginas do Livro Razão (fls. 2274/2275), Balancete Analítico (2276/2303) e o respectivo contrato de empreitada (fls. 2453/2494). O exame dos documentos apresentados pelo Sujeito Passivo para comprovação da origem desse crédito, são inservíveis para esse fim, porque, apenas demonstram que ocorreu um registro contábil de um direito perante o Consórcio. Esse direito pode ter as mais diversas naturezas e o simples fato de existir um contrato de empreitada, de que faz parte, não exclui qualquer outra possibilidade de ingressos de numerários a títulos diversos em suas contas bancárias. O que está a se perseguir, são documentos que de maneira clara e inequívoca possam comprovar a origem do crédito em sua conta bancária, por exemplo: a cópia do TED que ensejou o crédito; documento, com firma reconhecida, emitido pelo Consórcio que informe o valor do crédito e a que título este foi efetuado; extrato bancário do Consórcio comprovando a saída do numerário em data e valor coincidente com o crédito. Tais documentos são de fácil obtenção, ainda mais considerando de que foi parceira das demais empresas participantes do consórcio, no entanto o Sujeito Passivo deixou de apresentálos, razão pela qual, diante do que foi apresentado não há como considerar que ocorreu a comprovação da origem do crédito. O contribuinte tomou ciência do resultado da diligência em 23 de junho de 2017 (fl 2.684), tendo apresentado manifestação em 10 de julho de 2017 (fls 2.6942.702). Nesta, observa que a DRJ se manifestou acerca de uma série de movimentações que não são mais objeto de discussão no presente processo, haja vista a regularização dos débitos operada no contexto da MP 766/2017. Afirma que os débitos regularizados são os seguintes: (i) Reembolso de despesas: R$56.028,00, R$66.560,00 e 71.342,00 (ii) Dividendos: R$299.249,35 (iii) Transferência de contas bancárias de mesma titularidade: R$10.000,00 (iv) Mero repasse: R$403.660,00 (v) Rendimento oriundo de consórcio: R$85.218,00 Em seguida, a Recorrente passa a se manifestar sobre os débitos em discussão, alegando, em resumo: (a) quanto ao valor de R$43.732.920,00, afirma que (i) a origem do depósito bancário é o contrato de conta corrente e gestão única de caixa firmado com as empresas que compunham seu grupo empresarial; (ii) não há contrato de câmbio em razão de a transferência ter sido realizada em moeda nacional, por meio de TIR (transferência internacional de reais); (iii) o relatório de diligência afirmou que a documentação juntada é insuficiente pois faltariam documentos que atestassem que o dinheiro teve como origem a conta bancária de outra Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.717 13 empresa do grupo, sem fazer qualquer ponderação acerca dos esclarecimentos prestados nas respostas às intimações. Ao assim proceder impõe "excessivo ônus à Recorrente, que se vê seguidamente compelida a colacionar novo documento comprobatório de movimentação ocorrida há mais de dez anos"; (iv) o conjunto probatório colacionado aos autos e os esclarecimentos acerca da operação são suficientes para desconstituir a presunção em que se baseia a autuação. (b) quanto ao resgate de aplicação financeira no valor de R$125.959,28, afirma que tanto a Resolução 1401000.397 quanto o relatório de diligência admitiram os esclarecimentos prestados, o que impõe "por decorrência lógica" o cancelamento da autuação. A repartição de origem transferiu a parte do crédito tributário objeto de desistência para o processo nº 10580725.224/201754 (fls. 2686 e 2.687). Recebi o processo em distribuição realizada em 17 de agosto de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado não excede R$2.500.000,00, não cabe recurso de ofício, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, e da Portaria MF 63/2017. Quanto ao recurso voluntário, conforme observou a Recorrente na manifestação de fls 2.6942.702, após o pedido de desistência parcial restaram duas matérias pendentes de discussão, das quais passo a tratar. Depósito no valor de R$43.732.920,00 em 12/2003 Em seu recurso voluntário a Recorrente sustenta que tal valor corresponde ao montante de USD 14.955.000,00 convertido pelo câmbio vigente (R$ 2,9243), o qual ingressou em sua conta corrente no Banco Santos S.A. em 15.12.2003 por meio de TED efetuada pela empresa Tenenge Overseas Corporation por conta e ordem da OSI Overseas Ltd., no contexto do Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa por elas firmado. Afirma, ainda, que o crédito "decorreu de uma TRANSFERÊNCIA INTERNACIONAL EM REAIS – TIR A TÍTULO DE RETORNO DE CBCP – EMPRÉSTIMO A RESIDENTE NO EXTERIOR, por conta e ordem da OSI OVERSEAS INC., efetuada no dia 15.12.2003; operação essa, que viabilizou a amortização do passivo que esta última possuía, em relação à Recorrente, por meio do encontro de contas com a TENENGE OVERSEAS CORPORATION, que, por sua vez, possuía um passivo, em relação à OSI OVERSEAS INC.” (fl. 2.387). Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresentou os seguintes documentos: a) folha do Livro Razão da OSI Overseas Ltd. demonstrando a baixa no passivo junto à Recorrente mediante débito na conta Affiliated Companies Odebrecht, antiga denominação dela, e operação registrada como "Remessa Ref Mutuo ODB" (doc. 08 da Fl. 2723DF CARF MF 14 impugnação); b) folhas do Livro Razão da Tenenge Overseas Corporation em 12/2003, nas quais está registrado o valor entregue à Recorrente, lançado a crédito na conta Caixas / Bancos (Cash Assets / Bank Accounts) (doc. 09 da impugnação) e a débito na conta Valor Baica c/c Coligadas e Controladas Affiliated Companies OSI Overseas Ltd. (doc. 10); c) folha do Livro Razão da Recorrente na qual está registrado o recebimento do valor de R$ 43.732.920,00 mediante lançamento a crédito na conta Créditos Diversos com Coligadas e Controladas OSI Overseas Ltd. valor referente transf TOC (Tenenge Overseas Corporation) (doc. 11 da impugnação); (d) tela do SISBACEN de seguinte teor (doc. 7 do Recurso Voluntário fl. 2.446): Alega que, por se tratar de empresas no exterior, a movimentação dos montantes no âmbito do Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa era formalizada como Empréstimo a Residente no exterior Capital Brasileiro de Curto Prazo, sendo os valores liquidados como retorno de CBCP Empréstimo a Residente no Exterior. Sobre o fato de a operação ter sido realizada via TED, a Recorrente explicou: Fl. 2724DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.718 15 Sustenta, ademais, que por ser uma TIR não há que se falar em contrato de câmbio eis que se trata de transferência em moeda nacional, não havendo compra de moeda. Analisando todo esse contexto entendo que o auto de infração não deve prosperar. De fato, a autuação teve como motivação a falta de apresentação de "documento hábil e idôneo, capaz de comprovar a origem dos recursos utilizados nestas operações, aliado ao fato de que não foram localizados os lançamentos correspondentes nos livros contábeis das empresas depositantes" (fl. 1.755 trecho do TVF), o que resultou em presunção de omissão de receitas nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) No curso do processo, a Recorrente logrou apresentar tais lançamentos contábeis, tendo contextualizado a operação e demonstrado o que alegou mediante esclarecimentos quanto à legislação que entendeu aplicável e apresentação de documentos como o contrato que fundamenta o depósito e a tela do SISBACEN que registra a transferência. Se a forma como a operação foi realizada estava ou não de acordo com a legislação cambial não cabe a essa esfera dizer. Mas fato é que a documentação e as Fl. 2725DF CARF MF 16 explicações apresentadas são hábeis a explicar a operação nos termos em que sustenta a Recorrente. No caso, portanto, há inequívoca comprovação da origem direta dos recursos (depositante Tenenge Overseas Corporation, por conta e ordem da OSI Overseas Ltd.), bem como da causa para tais pagamentos (Contrato de Conta Corrente e Gestão Única de Caixa). Em tal hipótese, não pode a presunção de omissão de receitas operar contra o contribuinte, sendo esta medida extrema que deve ser adotada apenas na falta de identificação do depositante e/ou de qualquer razoabilidade entre a documentação apresentada e a causa indicada para tal pagamento. Neste sentido, considero que o conjunto probatório colacionado aos autos e os esclarecimentos acerca da operação são suficientes para desconstituir a presunção em que se baseia a autuação, razão porque voto por dar provimento ao recurso voluntário quanto a este item. Resgate de aplicação financeira no valor de R$125.969,28 Sobre tal depósito, a Resolução 1401000.397 assim observou (fl. 2.636): A Recorrente alega que o valor de R$ 125.969,28 corresponderia a resgate de aplicação financeira de sua titularidade, ocorrido em 04/11/2003, no montante de R$ 132.461,60, sendo que, deste valor, R$ 100.000,00 representava a quantia investida e R$ 32.461,60 se referiria aos rendimentos de aplicação. Sobre esse ganho, foi retido 20% em IRRF no valor de R$ 6.492,32, valor lançado na contabilidade da Recorrente. Ao analisar o item, a DRJ concluiu, por meio do Sistema SIEF/DIRF beneficiário, que realmente houve um recebimento do valor de R$ 32.461,60 pela Recorrente com retenção de IR no valor de R$ 6.492,32. Deste modo, entendo que a própria DRJ confirmou as alegações da Recorrente, mas não concluiu pela comprovação da origem da receita simplesmente porque o valor de R$ 32.461,60 não correspondia ao valor da receita supostamente de omitida: R$ 125.969,28. A origem parece estar bem explicada. O valor total de R$ 132.461,60 (R$ 100.000,00 investimento + R$ 32.461,60 rendimentos), quando descontado do IRRF no valor de R$ 6.492,32, totaliza exatamente o valor recebido pela Recorrente e tido por receita omitida: R$ 125.969,28. O relatório de diligência corroborou tais considerações, ponderando que "há de se concordar com entendimento exposto na Resolução nº 1401000.397 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, no sentido da procedência do Recurso Voluntário quanto a este item." De fato, não há que prevalecer o entendimento do acórdão recorrido de que a comprovação apenas poderia ser feita mediante apresentação de um "documento bancário (aviso de crédito) hábil para essas situações". Diante disso, mantenho o entendimento exposto na Resolução 1401000.397, por seus próprios fundamentos acima transcritos. Conclusão Fl. 2726DF CARF MF Processo nº 10580.721814/200817 Acórdão n.º 1401002.195 S1C4T1 Fl. 2.719 17 Oriento meu voto para, quanto à matéria para a qual não houve desistência, conforme exposto acima, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2727DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903163/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1229.677, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 03 16 3/ 20 08 -0 3 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 360 2 Versa o presente processo sobre a DCOMP eletrônica de n° final 3945 (fls.21/26), transmitida em 16/12/2004, através da qual a interessada declara a compensação de débito de estimativa mensal de Contribuição Social (período de apuraçãomar/2004, vencimento em 30/04/2004 e valor principal de R$ 9.140,95), com a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. O referido pagamento teria sido efetuado em 31/03/2004, sob o código 2484 (CSLL — Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal), no total de R$ 78.590,55 (fl.24). Através de Despacho Decisório (fl.170), a DRF Vitória não reconheceu a existência do crédito pleiteado, não homologando, em conseqüência, a compensação declarada, por ter sido verificado que o valor recolhido através do DARF indicado já fora integralmente utilizado. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 21/08/2008 (fl. 175), a interessada apresenta, em 22/09/2008, manifestação de inconformidade (fls.01/04), invocando, preliminarmente, a anulação do despacho decisório, em face das seguintes razões: a) o despacho decisório de que se trata é extremamente sucinto, carecendo de informações elementares para sua procedência, não atendendo as condições do art.9° do Decreto n° 70.235/1972; e b) a ausência de informações relevantes para a elaboração da manifestação de inconformidade restringe o direito à ampla defesa, consagrado na Lei n° 9.784/1999, art.2°. Quanto ao mérito, a interessada aduz que o despacho decisório em causa deve ser reformado, com a expressa homologação integral da compensação correspondente, em face das seguintes razões: a) a afirmação do auditor fiscal de que o crédito utilizado era de valor insuficiente para fazer frente ao débito compensado, devese exclusivamente a um erro material que a interessada cometeu no preenchimento da DCTF referente ao 1° trimestre de 2004; b) conforme pág.12 da DIPJ/2005 (anocalendário 2004) o valor original do débito de CSLL era de R$ 66.536,94 (fl.93); c) contudo, realizou a quitação do tributo mencionado por meio de um DARF no valor de R$ 78.590,55 (fl.155), apurando um crédito referente ao pagamento a maior da CSLL no valor de R$ 12.053,61; e d) no entanto, ao preencher a DCTF referente ao 1º trim/2004 (fl.64), em patente erro material, indicou, no campo onde deveria constar o valor do débito apurado de CSLL do mês de fevereiro/2004 (R$ 66.536,94), o valor referente ao DARF recolhido a maior, qual seja, R$ 78.590,55. É O RELATÓRIO Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 361 3 Anocalendário: 2004 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Uma vez atendidos os princípios do contraditório, do amplo direito de defesa e do devido processo legal, com obediência a todos os passos determinados pela legislação de regência, fica afastada a hipótese de ocorrência de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. CONDIÇÕES DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela pessoa jurídica junto à Fazenda Nacional, quando sejam atendidos os requisitos de liquidez e certeza. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. A partir da edição da INSRF n° 460/2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houvesse o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 362 4 No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Por outro lado, ainda que não se aceite a aplicação da regra estatuída no inciso "c", do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 ao caso presente, entendo que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa. Aceitandoas, privilegiase tanto o princípio da verdade material, como o princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do crédito pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 363 5 No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 364 6 Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados e colacionados juntamente com o recurso voluntário devem ser admitidos e apreciados, de forma a verificar se eles se prestam a comprovar o direito creditório alegado. Da Conversão do Julgamento em Diligência Consoante relatado, por meio de DCOMP eletrônica, o contribuinte informou a existência de crédito no valor de R$ 12.053,61, correspondente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, correspondente ao mês fevereiro/2004, em face de ter efetuado o recolhimento do tributo devido via DARF no valor de R$ 78.590,55, quando o correto deveria ser R$ 66.536,94. Da análise da decisão recorrida, verificase que a DRJ não homologou a compensação pleiteada sob dois fundamentos. O Primeiro: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 365 7 Na sua manifestação, a interessada afirma que a conclusão a que chegou a fiscalização deveuse a um erro material que ela, a interessada, cometera no preenchimento da DCTF referente ao 1° trimestre de 2004. Ocorre que a fiscalização efetua a análise e a validação dos créditos informados em PER/DCOMP, mediante o confronto dos dados desse PER/DCOMP com as informações constantes nos sistemas da RFB. Esses sistemas são alimentados pelas diversas declarações apresentadas pelos próprios contribuintes, que constituem obrigações acessórias, como DCTF, DIPJ, DIRF, etc, e pelos recolhimentos efetuados através dos documentos de arrecadação pertinentes, com o preenchimento de diversos dados, também pelos contribuintes, para a sua perfeita identificação. Tratandose de pagamentos declarados como indevidos ou a maior, pleiteados em restituição ou utilizados em declaração de compensação, a análise é realizada considerandose os saldos disponíveis dos pagamentos nos sistemas de cobrança. No presente caso, a interessada pleiteia, como crédito, o saldo remanescente de R$ 12.053,61, relativo ao recolhimento efetuado em 31/03/2004, a título de estimativa mensal de CSLL, correspondente a fevereiro/2004, código 2484, no valor de R$ 78.590,55, uma vez que o valor do débito seria de somente R$ 66.536,94. Acontece que não há saldo disponível relativamente ao pagamento informado, conforme pesquisa no sistema SIEF (fl.197), uma vez que o valor recolhido está totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF pela própria interessada, relativamente à estimativa mensal de CSLL ( código: 2484, PA: fevereiro/2004, débito apurado: R$ 78.590,55), fl.196. O fato de ter sido declarado, posteriormente, o valor de R$ 66.536,94, na DIPJ/2005 — AC 2004 (fl.179) não é suficiente para retificar a DCTF, uma vez que o procedimento correto para tal fim teria sido a apresentação oportuna de uma DCTF retificadora. (...) Dessa forma, entendo que o crédito pleiteado de CSLL sob análise não atende os requisitos de liquidez e certeza de que trata o art.. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: O Segundo: Além do mais, é relevante observar que o assunto de que se trata pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal e sua utilização em compensação pode ser, também, analisado sob outro aspecto, como se verá a seguir. A declaração de compensação foi instituída por intermédio da Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002, a qual alterou o artigo 74 da Lei 9.430/96. No plano infralegal, foi publicada a INSRF210/2002, a qual lançou as sementes para o sistema de restituição, ressarcimento e Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 366 8 compensação que se conhece atualmente. Após algumas mudanças ocorridas em matéria de restituição, ressarcimento e compensação, fezse necessária a aprovação de uma nova Instrução Normativa, que passou a consolidar a matéria, além de introduzir algumas novidades a esse cenário. Assim, em 29/10/2004, a INSRF n° 210/2002 foi revogada pela INSRF n° 460/2004. O artigo 10 da INSRF n° 460/2004 estabeleceu: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaque no original) Portanto, a partir de 29/10/2004, por força do dispositivo acima reproduzido, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que tivesse ocorrido o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, à época da transmissão da DCOMP de que se trata 16/12/2004 era vedada a compensação na forma como foi efetuada pela interessada, sendo esta mais uma razão para que a compensação em foco não possa ser homologada. Ou seja, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado teve como fundamento: i) não haver saldo disponível relativamente ao pagamento informado, uma vez que o valor recolhido foi totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF, relativamente à estimativa mensal de CSLL, PA: fevereiro/2004 e, por isso, o crédito pleiteado não atendeu aos requisitos de liquidez e certeza de que trata o art. 170 do CTN; ii) a impossibilidade do pleito, em face do dever de observar a vedação estabelecida no art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, que estabelecia que qualquer recolhimento a título de estimativa, fosse utilizado apenas para redução do CSLL devido no final do período, ou para composição do eventual saldo negativo. O contribuinte, por sua vez, se insurge quanto ao primeiro fundamento, sustentando ter ocorrido equívoco no preenchimento da DComp e divergência desta última com as informações contidas em DIPJ, além de entender que os documentos juntados comprova a ocorrência de recolhimento indevido aos cofres públicos, no valor do crédito pleiteado. Analisando as provas dos autos, verifico que a fiscalização desprezou completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte. Penso não ser possível negar validade a informações originadas de envio de DIPJ por mera divergência com as informações colhidas em DCTF, mesmo porque aquelas informações poderiam ter sido verificadas perante o sistema da RFB. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 367 9 A Fiscalização não pode se limitar, em sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp. e DCTF, já que existiam informações provenientes de outra declaração nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado, cabendo à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações transmitidas e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma delas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de ter sido intimado o contribuinte para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Por conseqüência lógica, também não existe prova nos autos que o contribuinte quedouse inerte, em face de eventual intimação para correção da divergência existente entre suas declarações. À propósito, o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp rejeitadas pelo sistema, tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram em DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias, contados do recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Acrescentese ainda que no caso de erro de fato no preenchimento de declarações, a própria Receita Federal tem se manifestado no sentido de que é possível rever de ofício lançamento ou despacho decisório na hipótese de ocorrência de erro de fato no preenchimento de declaração. Nesse sentido, transcrevo parcialmente ementa do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DEDÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam:quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 368 10 A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato nopreenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOUCOMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais– DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. [...]Assim, se a própria Administração Pública revisa de ofício atos que se basearam em declarações com erros de fato no preenchimento, não há porque se negar a adoção do mesmo critério em sede de julgamento do litígio administrativofiscal. Por outro lado, para negar reconhecimento ao crédito pleiteado, a DRJ utilizase de um outro fundamento consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (estimativa), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude desse entendimento, hoje superado em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, e aquele outro, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, pagamento a maior ou indevido. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na receita bruta. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na receita bruta ou com suporte em balanços ou balancetes de suspensão ou redução, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a estimativa era devida Obviamente, se o contribuinte Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10783.903163/200803 Resolução nº 1301000.479 S1C3T1 Fl. 369 11 recolhe a estimativa com base na receita bruta e, em momento posterior, levanta um balanço de suspensão e redução que aponta para prejuízo fiscal no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de balanço de suspensão/redução). No caso vertente, embora o contribuinte tenha alegado recolhimento a maior, ele não informa qual teria sido esse erro ou equívoco. Por outro lado, as instâncias administrativas precedentes rejeitaram o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada, utilizandose de fundamentos, já apreciados, sem, portanto, examinarem a existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Assim, restando, entendo razoável oportunizar à interessada trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Conclusão Ante ao exposto, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Administrativa da Unidade de Origem: a) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa mensal de CSLL, PA: fevereiro/2004, facultando a oportunidade de apresentar outros documentos, conforme o caso. b) Elabore relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, seja quando da apresentação de sua impugnação, seja quando do seu recurso ou quando intimado em sede de diligências, manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior do que o devido de estimativa mensal de CSLL, PA: fevereiro/2004, além de apresentar outras considerações relevantes para o deslinde da questão. Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000487/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL .
O artigo 173 do Código Tributário Nacional, determina regra geral para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento. Aplica-se a regra geral de contagem do prazo decadencial, constante do inciso I do mencionado artigo, para lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigação acessória.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE.
Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN.
PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA.
Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados.
Numero da decisão: 2201-004.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TRIBUTO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL . O artigo 173 do Código Tributário Nacional, determina regra geral para contagem do prazo dentro do qual é permitido ao Fisco a constituição de seus créditos, por meio do lançamento. Aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial, constante do inciso I do mencionado artigo, para lançamentos decorrentes do descumprimento de obrigação acessória. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESVINCULAÇÃO DA REMUNERAÇÃO. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS LEGAIS APLICÁVEIS. NECESSIDADE. Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição quando observados os requisitos constantes da lei de regência do instituto. O descumprimento de qualquer dos ditames da norma legal afasta seu caráter isentivo, restabelecendo a incidência tributária sobre os valores pagos aos segurados. Inteligência do artigo 176 do CTN. PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 87 /2 00 7- 10 Fl. 556DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ Belo Horizonte/MG que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo ao auto de infração por descumprimento do dever informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.126.4995 (fls. 3 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 736.266,81, em valores consolidados em outubro de 2007. Na mesma ação fiscal foram constituídos os créditos tributários cujos números de Debcad se encontram mencionados no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, TEAF (fls. 24) A ciência pessoal do AI, que contém o lançamento referente ao período de janeiro de 1997 a dezembro de 2006, ocorreu em 6 de novembro de 2007, conforme se verifica às folhas 03. Em 04 de dezembro de 2007, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.367). Em 13 de maio de 2008, a 7ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0217.752 (fls. 450), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 452): De acordo com o descrito às fls. 01 e. no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, foi aplicada a penalidade no valor. R$ 736.266,81 ..(setecentos e trinta e seis mil, duzentos e sessenta e seis reais e oitenta e um centavos), nos termos dos artigos 32, § 5º da Lei nº 8.2.12 de 1991, combinado com os artigos 284, inciso II, e 373 do Regulamento da Previdência. Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 1999 e Portaria N1PS n" 142, publicada no DOU de 12 de abril de 2007 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 557 3 O Auto de Infração foi lavrado em 31/10/2007, tendo a autuada dele tomado conhecimento em 06/11/2007, conforme assinatura aposta, às fls. 01. A ação fiscal foi comandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal 00411472.1 ,00 e complementares de fls. 07/09, para. o período de apuração janeiro de 1997 a dezembro de 2000. A documentação foi solicitada através dos Termo de. início da Ação Fiscal TIAF e do Teimo de Intimação pata Apresentação de Documentos – TIAD as fls.:10/12. O contribuinte leve ciência pessoal do Auto de Infração em 06/11/2007, conforme assinatura aposta no documento de folha 1,e, conforme informação prestada às folhas 114, apresentou impugnação tempestiva em 04/12/20(17, peca processual juntada aos autos sob fls. de nºs 362 a 442. Em suas alegações, o impugnante aduz, o.argumentos a seguir, relatados em síntese: faz um breve relato dos fatos que ensejaram a lavratura do presente Auto de Infração, diz que a autuação fiscal foi recebida em 06 de novembro de 2il07, e .sendo o prazo de defesa de 30 dias contados a partir do primeiro dia útil seguinte ao recebimento, e que protocolada na presente data (04 de dezembro de 2007), e, portanto, tempestiva a impugnação; que operouse os efeitos da decadência com relação às multas, cujos supostos fatos geradores ocorreram até. dezembro de 2001, sob o fundamento de que. o prazo decadencial das contribuições sociais e. das multas somente pode ser aquele previsto no Código Tributário Nacional, (artigo 173, inciso 1) lei materialmente complementar, o que afasta a incidência do prazo decadencial previsto na Lei nº 8.2.12. de 1991.(transcreve o artigo 146 da CF/88 e entendimento do Superior Tribunal de Justiça; No Mérito, alega que inexistiu fato gerador a ensejar a cobrança de contribuições sociais, não há que se talar que a impugnante deixou de arrecadar as contribuições dos segurados a seu serviço mediante desconto das remunerações, pois os valores que deixaram de ser arrecadadas não integram o salário de contribuição e conseqüentemente não constituem fato gerador da exação, conforme adiante se mostrará (...)" Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 11 de agosto de 2008 (AR fls 476), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.479) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação, a saber: · ocorrência de decadência; Fl. 558DF CARF MF 4 · a CF expressamente desvincula a PLR da remuneração, o que segundo jurisprudência que colaciona, garante a autoaplicabilidade do direito constitucional; · com o advento da MP794/94 vigente à época dos fatos mais ainda acertada a posição da recorrente, posto que explicita a desvinculação entre a remuneração e a PLR. · que o STF já decidiu que a participação dos sindicatos é imprescindível em qualquer negociação coletiva, o que inviabializa a exigência fiscal de constituição de comissão de empregados para negociar a participação nos lucros; · que a estipulação de parâmetros para a percepção da PLR é fruto da autonomia da partes, segundo a MP 794/94, posto que sua redação denota um rol exemplificativo de formas de fixação; · que os pagamentos foram realizados nos termos determinados no acordo coletivo firmado, sendo certo que a empresa tem acompanhamento mensal dos resultados; · que o pagamento mensal dos altos empregados decorre de expressa previsão do acordo coletivo firmado; · que o pagamento após o encerramento do exercício foi determinado pelo acordo coletivo; · que os valores pagos a título de premio Idéias não integra a remuneração posto que são eventuais e desvinculados do serviço prestado pelo empregado; · os valores pagos a título de Prêmio Idéia não decorrem de condições objetivas preestabelecidas, podendo o empregado apresentar a idéia e não ver o reconhecimento; · que as idéias não necessariamente se vinculam a produtividade do empregado o que, segundo a doutrina e jurisprudência trabalhistas, afasta o caráter remuneratório da verba; · desproporcionalidade das multas e juros aplicadas. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 558 5 O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DECADÊNCIA Alega o Recorrente a decadência do direito do Fisco a constituição do crédito tributário (fls. 481). "Porém, como passase a demonstrar, ao contrário do disposto na r. decisão recorrida, operouse os efeitos da decadência com relação às multas referentes ao período anterior a dezembro de 2001, razão pela qual merece reforma a r. decisão recorrida. Conforme ,já relatado, através do presente procedimento fiscal pretendese cobrar multa da recorrente, por ter a mesma apresentado o documento previsto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3º com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais supostamente devidas referentes ao período de janeiro de 1997 a dezembro de 2006. Ocorre que, considerando que a notificação do lançamento ocorreu no dia 06 de novembro de 2007, operouse os efeitos da decadência com relação às contribuições sociais, cujos supostos fatos geradores ocorreram antes de dezembro de 2001, pelas razões a seguir expostas. (...) Desta forma, o prazo decadencial das contribuições sociais e das multas a elas relacionadas somente pode ser aquele previsto no Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, o que a afasta a incidência do prazo decadencial decenal contido na Lei IV 8,212/91, conforme disposição contida na Súmula Vinculante 8, do STF. Assim, tratandose de multas lançadas de ofício pela autoridade administrativa, a regra aplicável é. aquela do art. 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional, que estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele, em que O lançamento podei ia fel sido efetuado. Considerando que a notificação do lançamento ocorreu no dia 06 de novembro de 2007, resulta claro que operouse a decadência das multas, cujos supostos fatos geradores ocorreram até dezembro de 2001." Assiste razão ao Recorrente. Houve decadência de parte dos valores lançados. Vejamos. Pacífico hoje na doutrina tributária que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, assim entendidos aqueles em que a Lei determina a antecipação do pagamento Fl. 560DF CARF MF 6 pelo sujeito passivo, se submetem à contagem do prazo decadencial pela regra contida no parágrafo 4º do artigo 150 do Código Nacional Tributário, CTN. Porém, mister ressaltar, com tintas fortes, que a regra geral para contagem do prazo decadencial é aquela esculpida no artigo 173 do CTN que determina que o prazo de cinco anos para que o Fisco proceda a constituição do crédito por meio do lançamento é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. A regra excepcional, como dito, se aplica somente aos tributos nos quais a Lei determina a antecipação do pagamento, chamados de tributos sujeitos ao auto lançamento ou lançamento por homologação, que como cediço, são a maioria dos tributos existentes em nosso ordenamento jurídico hodiernamente. Logo, tal forma de contagem do prazo decadencial não se aplica no caso de descumprimento de obrigação acessória, o que ocorre no lançamento que se analisa, posto que decorrente do descumprimento do Recorrente do dever de reter e recolher as contribuições devidas pelos segurado a seu serviço. Em conclusão, aplicase a regra geral constante do artigo 173, inciso I, nos casos de descumprimento de obrigações acessórias. Logo, tendo o lançamento se aperfeiçoado com a ciência do sujeito passivo em 06 de novembro de 2007, e considerandose as disposições do inciso I do artigo 173 do Códex Tributário , verificase a decadência dos créditos tributário lançados anteriormente a novembro de 2001, inclusive. Não obstante o exposto, verifico no Relatório Fiscal (folhas 29), que a autuação, aqui discutida, decorre do descumprimento do dever de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Porém, como se verá abaixo, somente os valores pagos a título de PLR integram o salário de contribuição e, como mencionado no Anexo I do relatório fiscal, (fls. 32 a 129), tais valores foram pagos no período compreendido entre 01/1999 e 11/2000, lapso temporal que como demonstrado integra o período coberto pela decadência apontada. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR Constam do recurso voluntário, os seguintes argumentos sobre o pagamento dos valores a título de PLR e por via de consequência, sobre a inclusão de tais valores no salário de contribuição do segurado com a necessária obrigação do empregador de reter e recolher a contribuição devida pelos segurados sobre a remuneração percebida. Tais argumentos são construídos a partir de uma visão panorâmica da legislação e jurisprudência, sendo combatido posteriormente pontos específicos da legislação. Vejamos os pontos principais da argumentação ( fls. 486): "O Colendo Superior Tribunal de Justiça, acolhendo o entendimento esposado pela doutrina majoritária, vem entendendo que o dispositivo constitucional suscitado, na parte em que determina que a participação nos lucros ou resultados é desvinculado da remuneração, é autoaplicável, conforme julgado transcrito a seguir: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 559 7 'RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA 'A' :TRIBUTÁRIO SALÁRIO DECONTRIBUICÃO. VERBAS PERCEBIDAS PELOS EMPREGADOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCR0S, NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO, PREVIDENCIÁRIA, ARTIGO 7', INCISO XI, DA CONS77T1:71VÁO FEDERAL NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA, APENAS EM PARTE A RT 28 § 9º, LETRA ',I ', DA LEI N 8 212/91, RECURSO NÃO CONHECIDO. A questão merece ser apreciada no âmbito exclusivamente infraconstitucional, notadamente à luz do art. 28, § 9º, leira 'j', da Lei n. 8„ 212/91, com observância do inciso X/ do artigo 7º da Carta Magna, Deve prevalecer o entendimento segundo o qual a análise da aplicação de uma lei federal não é incompatível com o exame de questões constitucionais subjacentes ou adjacentes. A competência somente seria deslocado para a Máxima Corte se a v. decisão recorrida tivesse julgado o feito único e exclusivamente sob o prisma constitucional, o que se não verifica na espécie. A letra fria desse dispositivo da Carta Maior embora não totalmente autoaplicável ou de eficácia contida, é plenamente: eficaz num ponto, mesmo antes da Medida Provisória n. 794/94, de 29 de dezembro de 1994, ou seja, no que diz respeito à desvinculação entre participação nos lucros e remuneração do trabalhador. Recurso não conhecido." (Resp n'º 283.512, Rei, Min. Franciu1li Netto, D.1 de .31032003, p. 190)." No mesmo sentido o Resp nº 381.246RS, DJ de 2362003, p. 312 e Resp 438.712RS, D,r, de 1252003, p. 284, ambos de relatoria do mesmo Min. Franciulli Netto, Os Tribunais Regionais Federais em diversos julgados também adota! aro o mesmo entendimento, conforme ementas abaixo transcritas: (...) Constatase da .jurisprudência supra citada que diversos Tribunais pátrios, em relação à desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração, sustentam a auto aplicabilidade Desta forma, resta demonstrado que, mesmo antes da regulamentação feita pela Medida Provisória n° 794/94, a maioria da jurisprudência de nossos 'Tribunais já entendia pela autoaplicabilidade do dispositivo constitucional quanto à desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração. No entanto, como o período da presente autuação fiscal é posterior à regulamentação feita pela Medida Provisória o' 794/94, ainda que se acolha o entendimento da r. decisão agravada de que o dispositivo constitucional suscitado não é autoaplicável, o que se. admite somente para fins de argumentação, em razão da referida MP, dúvida não resta Fl. 562DF CARF MF 8 quanto à eficácia plena da determinação constitucional que determina a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração percebida pelos empregados. Destarte, é o próprio texto constitucional que exclui, de forma expressa, a natureza remuneratória das participações dos empregados nos lucros, ou resultados auferidos pela empresa. (...) Assentados tais pressupostos, passase a combater um a um. todos os argumentos expostos na r. decisão recorrida que, de forma equivocada, data máxima vênia levaram à manutenção do credito tributário exigido pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD) n° 37.126.5029. a) Da instituição da participação por acordo coletivo: As Medidas Provisórias, a exceção da primeira, não previam a possibilidade de fixação da participação nos lucros por meio de acordo coletivo. Destarte, baseada nessa questão a fiscalização entendeu que o fato da empresa não pagar a participação nos lucros com base em convenção rumada por meio de urna comissão de empregados, seria contrário ao diploma normativo regente da matéria. Ocorre que, o Supremo Tribunal Federal entendeu, liminarmente, que a disposição do art. 2', § 1' das MP's era inconstitucional, por violar o art, 8', VI da Carta Federai., que determina a imprescindibilidade dos sindicatos nas negociações coletivas. O acórdão da medida cautelar leva a seguinte ementa: (...) Constatase que, o Supremo Tribunal Federal, em decisão com eficácia erga omnes, entendeu que os acordos de participação nos lucros não poderiam ser pactuados por comissão interna. Portanto, a recorrente não poderia ter feito os acordos de participação nos lucros os através de comissão interna sem que incorresse em inconstitucionalidade e desrespeitasse a autoridade da decisão do Augusto Pretório. Vinculada que estava pela decisão da Corte Constitucional, a úmica solução que restou à recorrente foi fazer o acordo coletivo, Desse modo, não há como prevalecer a autuação, uma vez que a empresa respeitou a Constituição, as Leis e as decisões da Corte Suprema da República. In casu, a recorrente, ao pactuar a participação nos lucros através de acordo coletivo estava agindo no estrito cumprimento de dever legal. Em direito penal, o estrito cumprimento de dever legal é causa de excludente • ilicitude do fato típico , sendo que o mesmo, por analogia, deve se dar no direito tributário. Nas palavras de Fernando Galvão: (...) Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 560 9 As regras trabalhistas devem ser interpretadas favoravelmente ao empregado, nos termos do princípio da proteção. Segundo Maurício Godinho Delgado o princípio da proteção "seria inspirador amplo de todo o complexo de regras, princípios e institutos que compõem esse ramo jurídico especializado. Desse modo, a interpretação da regra do art, 2 0 das diversas MP's que regulam a matéria é no sentido de que a participação pode ser feita por acordo coletivo.. Não existe qualquer argumento legal para não se :aceitar a pactuação na participação nos lucros por acordo coletivo. Com eleito, se esse instrumento se presta a regular as relações de emprego de uma forma ampla, não há porque excluir do seu âmbito de normatividade a regulação da participação nos lucros.. Se o acordo coletivo pode suprimir vantagens trabalhistas, não existe motivo para lhe negar a possibilidade de instituílas. Quem pode o mais, pode o menos Ressaltese que o Tribunal Superior do Trabalho já decidiu diversas vezes tal como ora esposado, como no julgamento do Recurso de Revista n" 523.781, publicado no .Diário da Justiça de 06 de dezembro de 2002, entendendo que acordo coletivo, vigente entre setembro de 1996 a setembro de 1997, portanto anterior à Lei 10.10] /00, é instrumento hábil para fixação de regras para a participação de lucros. No mesmo sentido, ainda citase o RR. 792217 4" T. — Rel. Min, Antônio José de Barros Levenhagen I 12,12.2003. A doutrina não discrepa do entendimento jurisprudencial, Sérgio Pinto Martins, escrevendo sob a égide da Medida Provisória n° 1.619/97, entendia que: ".4 participação nos lucros pode ser decorrente de lei, do contrato de trabalho, do regulamento de eurresa, de acordos ou convenções coletivas ou outras determinações da empresa.' (...) b) Da não estipulação de critérios para participação dos empregados nos lucros: Conforme se depreende da r. decisão recorrida, a autoridade administrativa entende que para que o acordo de distribuição de lucros seja válido é necessário que ele estabeleça critérios como "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa" ou que ele determine a criação de "programas de metas, resultados e prazos, pactuadas previamente" Cumpre dizer que inexiste na lei tal determinação. Em clara violação ao art. 5º, II e 37, caput da CF/88, a fiscalização transformou uma norma exemplificativa em cogente Conforme se depreende do art. §1º da Lei 10,101/00, que é o mesmo desde a primeira MP, o acordo que determina a forma de pagamento das participações no lucro devera ter regras claras, "podendo ser considerados, entre outros" os critérios que a fiscalização entende cogentes.. Fl. 564DF CARF MF 10 O que se depreende do §1º do art. 2º é que no acordo de participação nos lucros deverão constar regras claras referentes "à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A forma como tal dispositivo será cumprido, a lei deixa à autonomia das partes, sendo absolutamente certo que os critérios dos incisos 1 e II são meramente exemplificativos. (...) c) Pagamento das parcelas após o exercício a que se refiram: Tal argumento também é desprovido de razoabilidade, pois tal como demonstrado, a empresa efetuou o pagamento das participações FIOS lucros, nos termos do que ficou determinado no acordo coletivo, Certo que a empresa tem acompanhamento mensal de resultados, base sobre as quais determina as participações dos altos empregados, que por ocuparem a peculiar situação de comando na empresa, recebem sua parte mensalmente, Ressaltese que não existiria, a princípio, óbice para que os empregados, de urna maneira geral, recebessem segundo a mesma forma, contudo, o acordo coletivo que rege a matéria, negociado livremente entre a recorrente e os sindicatos de seus trabalhadores, determina de forma diferente. Dessa forma, a participação nos lucros é paga a esses empregados após o fechamento do exercício, porque assim determinam as regras do acordo coletivo pertinente. Não existe motivo para que se entenda essa forma de pagamento inválida. Mesmo porque não existe, em qualquer lugar do Direito Pátrio, norma que determine que a participação nos lucros deva ser paga no mesmo exercício de sua apuração ou que todos os empregados devem receber a participação segundo os mesmo critérios, In casu a Administração, data maxima venia não está cumprindo fielmente a lei, mas a criando. (...) d). Do pagamento de participação nos lucros segundo critérios próprios: Do procedimento fiscal, depreendese ainda que, no entendimento da i. fiscalização, apesar dos acordos coletivos, a recorrente teria pago participação dos lucros segundo critérios próprios a alguns empregados, dando a entender que a empresa desrespeita os acordos celebrados, pagando as participações nos lucros de forma diferente do que acordado. Data maxima venia, não é absolutamente disso que se trata. O que ocorre é que certos empregados, como o Diretor Presidente citado pela NFLD, recebem segundo critérios que lhes são próprios, não havendo motivo, de qualquer ordem, que invalide tal procedimento, mesmo porque albergado pela LSA. O que ocorre é que em frontal violação ao caput do art. 37, aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, a i. fiscalização criou uma regra .jurídica, que inexiste em qualquer Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 561 11 parte da legislação brasileira, segundo a qual todos os empregados da empresa devem receber segundo critérios semelhantes. O argumento da fiscalização, ora atacado, é inaceitável. "Não é possível que se aplique (não apenas quanto à participação nos lucros, como sobre qualquer prisma) o mesmo critério para trabalhadores operacionais e para o Diretor da empresa. Existe urna disparidade tão grande entre essas pessoas, de responsabilidade, envolvimento no negócio, etc., que é absurdo que se diga que a • empresa violou o Direito Pátrio por pagar, segundo critérios distintos, os trabalhadores operacionais e o Diretor Presidente." Recordemos a imputação fiscal que tratou do tema no processo que contém o crédito Debcad 37.126.5045 (fls. 150 do processo 15504.000490/200725): "2:1 Remunerações pagas a segurados empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS — PLR 2 1.1 Foram solicitados da empresa, através de TIAD — Termo de Intimação para Apresentação de Documentos especifico datado de 25/09/2007, os acordos específicos de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) A empresa apresentou apenas os Acordos Coletivos de Trabalho da categoria onde constam, entre outras, cláusula relativa ao pagamento de PLR. Em função destes acordos, e não dos específicos para o pagamento da PLR com todas as exigências legais, a empresa fez os pagamentos a seus empregados A seguir, citamos cláusulas referentes ao pagamento do PLR previstas em alguns dos acordos coletivos de trabalho firmados com os diversos Sindicatos: 2 1 11 — Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico no Estado do Espírito Santo ACORDO COLETIVO Assinado em 28/08/2000 Vigência: 01/08/2000 a 31/07/2001 Pagamento: 31/08/2000 (...) 2 1 2 Os valores pagos pela empresa a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS, no período de 02/1997 a 11/2000, integram o saláriodecontribuição, de acordo com o art 28, inciso I, e § 9° da Lei n.° 8212191, a seguir reproduzidos: (...) Fl. 566DF CARF MF 12 2 1 3 Pelos dispositivos transcritos acima, a participação nos lucros ou resultados da empresa somente é excluída do salário decontribuição quando concedida nos termos de lei especifica A partir de 29/12/94, em face da Medida Provisória .794/94 e das suas reedições é que o § 9° do art 28 da Lei n ° 8 212/91 passou a ter eficácia plena. Os artigos 1°c 2° da citada Medida Provisória e reedições dispõem: . "Art 1'. Esta Medida Provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7 0 , inciso XI, da Constituição Federal Art 2' Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados Parágrafo 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras objetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifamos) 2 1 4 A intitulada PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) foi paga no período citado em desacordo com os artigos transcritos acima, como se pode observar pela análise das cláusulas do "ARTIGO SÉTIMO, INCISO XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL" dos acordos coletivos mencionados no item 2 1 1 devido a: A empresa não convenciona com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados Em nenhum dos acordos mencionados no item 2 1 1 deste Relatório Fiscal foram estipulados critérios quanto à fixação de "índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa", tampouco houve o estabelecimento de "programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente", tendo a empresa, para fins de pagamento da PER, se utilizado dos resultados já atingidos no exercício anterior; Os pagamentos das parcelas da "participação nos lucros ou resultados" foram efetuados quase sempre no mês da celebração dos acordos e após o encerramento do exercício a que se referiam; Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 562 13 Verificamos que, apesar dos acordos coletivos fixarem um valor para o pagamento da PER (geralmente 120% a 130% do valor do salário nominal acrescido de valor variável de R$500,00 a R$ 700,00) a empresa efetuou o pagamento da PLR de acordo com "critérios próprios" A título de exemplo citamos o pagamento da PER do segurado empregado Registro n° 549609 José Luciano Duarte Penido (Diretor Presidente), que apesar de possuir salário nominal em torno de R$23 000,00 no ano de 2000, recebeu em 0311997 (R$83 710,40), em 06/1998 (R$93 931,15), em 03/1999 (R$61 599,30), em 08/1999 (R$32 236,80), em 04/2000 (R$149.776,48) e 08/2000 (R$38 412,27) valores estes bem acima do estipulado nos acordos coletivos 2 1 5 Pelos fatos explicitados no item anterior, constatase que os pagamentos efetuados pela empresa a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados não observaram a legislação específica Dessa forma o referido pagamento constitui em parcela salarial integrante do saláriodecontribuição, consoante art 37, § 10 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Decreto 356/91, com alterações do Decreto n° 612/92, reproduzido a seguir: (...) A leitura dos excertos acima demonstra os pontos de divergência a serem aplainados. Se os valores pagos a título de PLR cumpriram os requisitos legais no tocante ao: i) instrumento de formalização dos programas de participação nos lucros; ii) a existência de metas predeterminadas que ensejassem o pagamento dos valores a titulo de PLR. E mais, adequação dos pagamentos realizados às metas estipuladas quanto: iii) ao momento desse pagamento; e iv) valores estipulados. Analisemos. Antes porém mister algumas considerações. Vejamos a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Fl. 568DF CARF MF 14 Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 563 15 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a MP 794, de 29/11/1994, transformada na MP 1.982, e posteriormente na Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter Fl. 570DF CARF MF 16 remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 564 17 obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à norma legal que disciplina tal matéria, seja a MP 794 ou a Lei nº 10.101, de 2000, que dispõem sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos legais para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Da disposição legal hoje vigente, podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais Fl. 572DF CARF MF 18 obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos, os requisitos legais vigentes, que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da legislação de regência. Votemos ao caso concreto, após a necessária digressão. Vigia, no período da atuação a MP 794/94, que continha a seguinte redação: Art. 1º Esta medida provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal. Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente medida provisória, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. § 3º A periodicidade semestral mínima referida no parágrafo anterior poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de Fl. 573DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 565 19 dezembro de 1995, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias ou previdenciárias. § 4º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto. (destaquei) Tal medida provisória foi reeditada pela MP 860/1995, que assim se pronunciava: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 62 da Constituição Federal, adota a seguinte medida provisória, com força de lei: Art. 1º Esta medida provisória regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos dos arts. 7º, inciso XI, da Constituição Federal. Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida, a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente medida provisória, dentro do próprio exercício de sua constituição. Fl. 574DF CARF MF 20 § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. § 3º A periodicidade semestral mínima referida no parágrafo anterior poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 1995, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias ou previdenciárias. § 4º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto." (negritei) Com o advento da Lei nº 10.101/00, assim, textualmente, dispõe a legislação hoje de regência: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano Fl. 575DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 566 21 civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) A leitura da legislação aplicável nos demonstra a estabilidade de alguns requisitos e a ligeira alteração de outros. Observo, com clareza, que a forma da necessária e sempre presente exigência de negociação entre as partes oscilou entre as diversas normas legais, da exigência da negociação por instrumento coletivo, para a determinação da negociação por meio de comissão constituída especificamente para esse fim e chegando, posso dizer se assentando, na autodeterminação das partes entre um dos dois modelos e até mais, entre a utilização dos dois modelos, como hodiernamente se entende, quando se aceita que uma empresa firme mais de um programa de PLR com os segurados a seu serviço. Ora, por se tratar de uma legislação específica, claudicante ao longo do tempo no que toca a forma de negociação, se por instrumento coletivo ou se por comissão específica, forçoso reconhecer como faz a doutrina e a jurisprudências citadas no apelo que, havendo instrumento que comprove a existência de negociação entre as partes, há respeito às exigência legais existentes sobre esse ponto específico. Logo, necessário firmar que, no caso concreto, sendo o programa de PLR ajustado por meio de instrumento coletivos firmados com os sindicatos representativos das categorias profissionais dos trabalhadores da empresa, consoante se verifica às folhas 150 a 152 do relatório fiscal, houve cumprimento de tal requisito constante da legislação isentiva. Porém, a mesma razão não assiste ao recorrente quanto à determinação de metas. Não existem metas ajustadas nos instrumentos firmados entre a Recorrente e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Espírito Santo; do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana, e do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Belo Horizonte, Nova Lima, Sabará e Santa Luzia anexados às folhas 690 a 711 do mencionado processo 15504.000490/200725. Mister ressaltar que tal ponto não é refutado pelo Recorrente, que defende que a existência de metas é somente um dos critérios, restando à autonomia das partes a definição das regras claras referentes à "fixação dos direitos substantivos da participação". Vejamos a reprodução de seus argumentos, com o perdão da repetição (fls. 496): O que se depreende do §1º do art. 2º é que no acordo de participação nos lucros deverão constar regras claras referentes "à Nação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A forma como tal dispositivo será entupi ido, a lei deixa à autonomia das partes, sendo absolutamente certo que os critérios dos incisos 1 e II são meramente exemplificativos. Sérgio Pinto Martins entende que: "O próprio inciso TI (no caso das !til' • alínea 19) do § 1' do art. 2" menciona programa de metas, resultadas e prazos, que deveriam ser pactuados previamente, como um dos critérios de distribuição a serem previstos nos sistemas de negociação Fl. 576DF CARF MF 22 Outras critérios., porém, podem ser utilizados, pois o ,§ 1º do art. 2º, usa a expressão 'entre outros denotando ser exemplificativa a enumeração que faz, e não taxativa (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. .16a Ed., São Paulo: Ed. Atlas, 2002. p, 262) Os acordos coletivos trazidos à colação pela fiscalização estão plenamente de acordo com a referida regra legal, uma Ve7 que eles fixam os direitos substantivos dos empregados (recebimento de um percentual do salário, mais uma parcela fixa), as regra adjetivas (que estabelecem quando as verbas serão pagas), periodicidade da distribuição (uma vez por exercício social), período de. vigência (o período de vigência do acordo coletivo, via de regra, um ano) e prazo para revisão do acordo (quando da negociação do próximo acordo coletivo). Dessa forma, estando fixados todos os parâmetros os não há porque se exigir os critérios colocados na lei como exemplo para determinar a participação, dado que, em sede de negociação coletiva, outros foram adotados, que atendem perfeitamente ao comando legal." Não se pode concordar com tais argumentos no caso concreto. Ainda que se entendesse como o Recorrente o que se alega somente por amor ao debate qual seria o parâmetro adotado? O que, qual condição, qual resultado ou meta, deveria atingir o empregado para fazer jus à participação. Não esqueçamos que como dito acima os valores percebidos a título de PLR se ajustam, em tudo e por tudo, aos bônus ajustados, assim entendidos os valores pagos quando o empregado cumpre uma meta pactuado com o empregador. Logo, a inexistência de prévio ajuste sobre o desempenho ou tarefa a ser realizada pelos empregadores ofende a lei isentiva que rege o pagamento de participação nos lucros ou resultados. Essa é a determinação observada no texto legal vigente à época dos fatos: MP 794/94: Art. 2º; ....." Parágrafo 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras objetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente." (destaques nossos) Não há definição de regras claras e objetivas. Aliás, dos instrumentos acostados às folhas 690 a 711, não determinação de nenhuma regra, nenhum ajuste. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 567 23 Como explicitado acima, para que se goze do manto isentivo posto pela lei vigente sobre o tema, necessário que se cumpra as determinações constantes de tal diploma legal. O descumprimento de somente um dos requisitos para o gozo da isenção, afasta a norma tributária benéfica, atraindo 'in totum' a incidência tributária legalmente prevista. Esse é a inteligência do Código Tributário Nacional sobre o tema. Recordemos suas disposições: "Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração." Logo, despiciendo analisar as demais questões recursais no tocante às verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados. Existente o dever de informar, em GFIP, os valores das verbas pagas a título de PLR. Porém, como dito acima, os valores relativos a PLR foram pagos no período compreendido entre 01/1999 e 11/2000, consoante se comprova pelo Anexo I do Relatório Fiscal (fls 32 a 129). Tal lapso temporal integra como demonstrado o período coberto pela decadência apontada, o que enseja a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 173, I, do CTN, aplicável às obrigações acessórias. Recurso voluntário provido nessa parte. VALORES PAGOS A EMPREGADOS A TÍTULO DE PRÊMIO IDÉIAS Sobre o tema, assim se insurge o Recorrente (fls. 503): "Ocorre que não há como prevalecer a pretensão Fiscal também quanto a este ponto, merecendo reforma a r. decisão 'ocorrida. O Campo de Idéias é um programa de estímulo, reconhecimento e recompensa às idéias dos empregados da I ocorrente. Também podem participai.. do programa Os estagiários e os empregados das empresas contratadas. É considerada "idéia" qualquer mudança que traga benefício à organização e seja implementável, incluindo reaproveitamento de idéias entre processos Ou de Outras empresas, Após a produção da idéia, esta é cadastrada em um sistema informatizado que faz o gerenciamento de todo o processo do Campo de Idéias„ Na seqüência, elas serão avaliadas e classificadas,. Todas as idéias são avaliadas e classificadas pelo chefe imediato, tratandose de idéias simples e pelo superior do chefe imediato, no caso de idéias complexas. Fl. 578DF CARF MF 24 É realizado um evento anual denominado "Evento Anual Campo de Idéias", através do qual são reconhecidas e. recompensadas as melhores ideais implementadas no ano anterior nas duas unidades da recorrente em Germano c Ubu. Pelas características do programa acima descritas e pela forma como é feito o pagamento do prêmio pelas melhores idéias, constatase que, em hipótese alguma, tais valores podem ser considerados como parcela integrante do saláriode contribuição, assim como quer fazer crer a autoridade administrativa." Sobre o ponto, a Autoridade Fiscal assim se manifestou em seu relatório (fls. 155 do processo 15504.000490/200725): 2.2 Remunerações pagas a segurados empregados a título de PRÊMIO IDÉIAS. 21 1 Mencionados pagamentos, foram efetuados pela empresa e constatados pela auditoria fiscal, através das folhas de pagamento durante o período 12/1999 a 12/2006 (cód Rubrica 1926), e, através de lançamentos contábeis a titulo de Prêmio Idéias nas contas 912001 — Adiantamento S/Folha (período de 12/1999 a 12/2003) e 50414003 — Campo Idéias/Marcas e Patentes (período de 01/2004 a 12/2006) 2 2 2 A empresa dispõe de um programa de estímulo, reconhecimento e recompensa às contribuições (idéias), denominado "Campo de Idéias" De acordo com norma do programa, apresentado pela empresa à auditoria fiscal, pode participar do programa Campo de Idéias, todos os empregados da Samarco, seus estagiários e empregados de contratadas O programa Campo de Idéias define idéia, como qualquer mudança que traga benefícios à organização e seja implementável, incluindo o reaproveitamento de idéias entre processos ou de outras empresas A recompensa por parte da empresa aos empregados, estagiários e empregados de contratadas é reconhecida e expressa em espécie monetária através de valores préestabelecidos para idéias simples, idéias complexas e idéias de alto impacto, além de premiação extra também expressa em valores monetários às idéias consideradas e julgadas periodicamente como as melhores do ano anterior. 2 2.3 Verificamos que os lançamentos contábeis correspondentes às operações relacionadas a Prêmio Idéias são efetuados como despesas pagas diretamente aos beneficiários, despesas antecipadas por adiantamentos sobre folha e por baixas de provisões de despesas, o que permite entender, que a empresa considera tal dispêndio, um custo operacional constante, passível de adiantamentos ou provisões 224 Verificamos também, que a rubrica 1926 (Prêmio Idéias) durante o período de 12/1999 a 12/2006, é presente de forma constante e inclusive se repete para os mesmos beneficiários em períodos seqüenciais, como demonstra os exemplos a seguir, extraídos dos arquivos digitais da folha de pagamento: (...) Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 568 25 2 25 As constatações relatadas nos subitens 2 2.3 e 2 2.4 deste relatório permitem considerar que os valores remunerados a titulo de Prêmio Idéias não podem ser entendidos como eventuais tanto para a empresa quanto para os empregados." (destaques não constam do original) Assiste razão ao Recorrente. Não integra a remuneração valores pagos aos trabalhadores que visem recompensar idéias desses sobre o ambiente de trabalho, o meio ambiente do trabalho, os meios e modos de produção, a redução de desperdício de materiais ou matérias primas, etc... Discorri longamente, como nota teórica sobre o conceito de remuneração, antes de analisar as verbas pagas a título de PLR. Em resumo, asseverei que se observa que a verba paga tem natureza remuneratória quando: presentes: i) o caráter contraprestacional; ii) o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, iii) o caráter de interrupção do contrato de trabalho; iv) ou o dever legal ou contratual do pagamento. Nesses, e somente nesses casos, a verba recebida diretamente do empregador terá natureza salarial. A essa verba, se acresce a gorjeta, e teremos assim, as verbas remuneratórias. Todo o resto, remuneração não é. Não se pode admitir que um valor pago quando o trabalhador tiver uma idéia, qualquer idéia seja ela sobre seu trabalho ou não e sendo essa idéia considerada boa e útil pelo seu empregador, tenha natureza remuneratória. Nítido caráter premial. Nítido caráter de fomento criativo. Cristalino incentivo a participação do indivíduo na sociedade, na empresa, na coletividade. Não é pagamento pelos serviços prestados por força do contrato de trabalho. Recurso provido nessa parte. DESPROPORCIONAI IDADE DA MULTA E DOS JUROS APLICADOS Alega o Recorrente (fls. 516): Ad argumentandum, caso por absurdo superadas todas as razões recursais até aqui aduzidas, merece reforma a r. decisão recorrida na parte em que fixou o valor da multa em R$ 735.690,82 nitidamente em desacordo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Constatase que o dispositivo legal que fundamentou a aplicação da multa estabeleceu uma progressão de alíquotas em [unção do tempo decorrido para o pagamento do tributo exigido pelo Cisco, sem qualquer proporção com a suposta infração cometida, o que atenta contra os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como contra os princípios do Fl. 580DF CARF MF 26 contraditório e da ampla defesa, sendo utilizado tal artifício para força a recorrente a pagar contribuições e multas que, como demonstrado, não são devidas. Desvirtuado, desta forma, o papel da multa que não tem a função de coagir o contribuinte a recolhimento de tributo, ainda mais no presente caso, onde as contribuições sociais pretendidas são notoriamente indevidas, ficando evidenciado o seu caráter confiscatório, Destarte, a aplicação da referida multa à recorrente se torna ilegal, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade." Não assiste razão à Recorrente. Como se observa no relatório fiscal houve a correta aplicação da legislação vigente, devidamente explicitada. Tal fato foi apontado pela decisão recorrida. Às folhas 473 encontro os argumentos da turma julgadora de primeira instância: Portanto, o fato de a empresa autuada não ter informado nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, GFIP, a parcela da remuneração paga aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação específica e contribuintes individuais, a título de "Prêmio Idéias", no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, caracterizou, indubitavelmente, infração ao disposto no artigo 32, Inciso IV, §§ 3º e 5º da Lei n 8 212 de l991, com a redação da Lei 9.528 de 1.997, combinado com o artigo 225, IV e §4% do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo _Decreto nº 3.048 de 1999 A multa foi aplicada de conformidade com o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212 de 1991, com a redação da Lei nº 9.528 de 1.997, artigo 283, inciso II e artigo 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999, e Portaria MPS nº 142, publicada no DOU de 12 de. abril de 2007. Portanto, não merece acolhida a alegação da impugnante de que não há como prevalecer o valor da multa aplicada nitidamente. ilegal, além de afrontar os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois não compete à autoridade fiscal questionar a Lei. Porém, em análise das planilhas de calculo da multa, constatou se, nas competências 03/2003, 12/2004, 10/2005 e 11/2006, erros nos valores apurados, conforme a seguir demonstrado: (...)" Mister recordar que a função precípua do processo administrativo fiscal é o controle da legalidade do ato de lançamento, ou seja, se este se amolda à perfeição aos contornos legais. Verifico que tal exigência foi cumprida. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 15504.000487/200710 Acórdão n.º 2201004.071 S2C2T1 Fl. 569 27 Não obstante o exposto, como visto, não há crédito tributário remanescente no lançamento em tela, o que, por óbvio afasta os juros de mora e multa aplicados. CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Relator Carlos Henrique de Oliveira Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726058/2013-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA.
O suposto caráter confiscatório e não observância da capacidade contributiva, por ensejar análise de constitucionalidade de lei, está fora do âmbito de competência deste Conselho para fins de julgamento administrativo. Traduz o posicionamento a Súmula-CARF nº 2.
REINTIMAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. DESNECESSIDADE.
A inércia em apresentar impugnação ou, posteriormente, recurso voluntário, ou mesmo manifestar-se em relação às diligências realizadas é uma faculdade e, não exercida, não gera nulidade ao processo administrativo, notadamente porque a contribuinte, ao apresentar defesa, o fez de maneira plena, com o Recurso Voluntário, por exemplo, firmado por dois dos sujeitos passivos solidários, já intimados anteriormente.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
A omissão de receitas se constitui quando os valores creditados em conta de depósito ou de investimento em instituições financeiras não são declarados nem comprovados pelo contribuinte por intermédio de documentação hábil e idônea, notadamente quando regularmente intimado diversas vezes para esclarecer a origem de tais valores. Da mesma forma, valores em duplicidade devem ser excluídos da base de cálculo, sendo legítimo o valor remanescente em desfavor do contribuinte.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO. CABIMENTO.
Para que se apure os tributos devidos pela sistemática do lucro real, a contabilidade da empresa deve estar adequadamente escriturada, devidamente amparada em documentos que suportem os lançamentos contábeis efetuados. Correta a exclusão do Simples Nacional, quando o Livro Caixa não tem a escrituração compatível com as movimentações bancárias constatadas pela fiscalização.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. OCORRÊNCIA DE DOLO. REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES.
Havendo comprovação de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei por sócios administradores, correta a responsabilização solidária dos agentes, principalmente quando caracterizado e comprovado o dolo em suas condutas e regulares as intimações pessoais.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO.
Devida e legal é a qualificação da multa quando constatado e comprovado robustamente nos autos que o sujeito passivo agiu com dolo, sonegação, fraude e conluio na omissão de receitas.
AUTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se aos demais tributos, no que couber.
Numero da decisão: 1402-002.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base tributável do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins aos valores informados na planilha transcrita no bojo do voto condutor, deduzindo-se os valores pagos a título do SIMPLES. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente) Ausentes justificadamente os Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA. O suposto caráter confiscatório e não observância da capacidade contributiva, por ensejar análise de constitucionalidade de lei, está fora do âmbito de competência deste Conselho para fins de julgamento administrativo. Traduz o posicionamento a Súmula-CARF nº 2. REINTIMAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. DESNECESSIDADE. A inércia em apresentar impugnação ou, posteriormente, recurso voluntário, ou mesmo manifestar-se em relação às diligências realizadas é uma faculdade e, não exercida, não gera nulidade ao processo administrativo, notadamente porque a contribuinte, ao apresentar defesa, o fez de maneira plena, com o Recurso Voluntário, por exemplo, firmado por dois dos sujeitos passivos solidários, já intimados anteriormente. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A omissão de receitas se constitui quando os valores creditados em conta de depósito ou de investimento em instituições financeiras não são declarados nem comprovados pelo contribuinte por intermédio de documentação hábil e idônea, notadamente quando regularmente intimado diversas vezes para esclarecer a origem de tais valores. Da mesma forma, valores em duplicidade devem ser excluídos da base de cálculo, sendo legítimo o valor remanescente em desfavor do contribuinte. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Para que se apure os tributos devidos pela sistemática do lucro real, a contabilidade da empresa deve estar adequadamente escriturada, devidamente amparada em documentos que suportem os lançamentos contábeis efetuados. Correta a exclusão do Simples Nacional, quando o Livro Caixa não tem a escrituração compatível com as movimentações bancárias constatadas pela fiscalização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. OCORRÊNCIA DE DOLO. REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES. Havendo comprovação de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei por sócios administradores, correta a responsabilização solidária dos agentes, principalmente quando caracterizado e comprovado o dolo em suas condutas e regulares as intimações pessoais. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Devida e legal é a qualificação da multa quando constatado e comprovado robustamente nos autos que o sujeito passivo agiu com dolo, sonegação, fraude e conluio na omissão de receitas. AUTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se aos demais tributos, no que couber.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base tributável do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins aos valores informados na planilha transcrita no bojo do voto condutor, deduzindo-se os valores pagos a título do SIMPLES. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente) Ausentes justificadamente os Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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INCOMPETÊNCIA. O suposto caráter confiscatório e não observância da capacidade contributiva, por ensejar análise de constitucionalidade de lei, está fora do âmbito de competência deste Conselho para fins de julgamento administrativo. Traduz o posicionamento a SúmulaCARF nº 2. REINTIMAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. DESNECESSIDADE. A inércia em apresentar impugnação ou, posteriormente, recurso voluntário, ou mesmo manifestarse em relação às diligências realizadas é uma faculdade e, não exercida, não gera nulidade ao processo administrativo, notadamente porque a contribuinte, ao apresentar defesa, o fez de maneira plena, com o Recurso Voluntário, por exemplo, firmado por dois dos sujeitos passivos solidários, já intimados anteriormente. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A omissão de receitas se constitui quando os valores creditados em conta de depósito ou de investimento em instituições financeiras não são declarados nem comprovados pelo contribuinte por intermédio de documentação hábil e idônea, notadamente quando regularmente intimado diversas vezes para esclarecer a origem de tais valores. Da mesma forma, valores em duplicidade devem ser excluídos da base de cálculo, sendo legítimo o valor remanescente em desfavor do contribuinte. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 60 58 /2 01 3- 77 Fl. 2689DF CARF MF 2 Para que se apure os tributos devidos pela sistemática do lucro real, a contabilidade da empresa deve estar adequadamente escriturada, devidamente amparada em documentos que suportem os lançamentos contábeis efetuados. Correta a exclusão do Simples Nacional, quando o Livro Caixa não tem a escrituração compatível com as movimentações bancárias constatadas pela fiscalização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. OCORRÊNCIA DE DOLO. REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES. Havendo comprovação de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei por sócios administradores, correta a responsabilização solidária dos agentes, principalmente quando caracterizado e comprovado o dolo em suas condutas e regulares as intimações pessoais. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Devida e legal é a qualificação da multa quando constatado e comprovado robustamente nos autos que o sujeito passivo agiu com dolo, sonegação, fraude e conluio na omissão de receitas. AUTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase aos demais tributos, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base tributável do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins aos valores informados na planilha transcrita no bojo do voto condutor, deduzindose os valores pagos a título do SIMPLES. Participou do julgamento o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente) Ausentes justificadamente os Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.690 3 Relatório Adoto, integralmente, o relatório da Resolução nº 1402.000361, proferida em 03 de maio de 2016, pela 4ª Câmara, 2ª Turma do CARF, complementadoo ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Trata o presente processo dos autos de infração do Imposto de Renda IRPJ (fls. 2159 a 2161), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 2175 a 2176) e reflexamente autos relativos à COFINS (fls. 2186 a 2187) e ao PIS (fls. 2191 a 2192), tudo referente ao anocalendário de 2010, lavrados em 22/11/2013, cujo lançamento total foi de R$ 20.952.234,76. O procedimento fiscal revelou movimentação bancária incompatível com a receita declarada. No anocalendário de 2010, o contribuinte obteve movimentação financeira superior a R$ 50.000.000,00, todavia, na sua Declaração Anual do Simples Nacional de 2010, apresentou receita de R$ 1.256.120,36. Além da autuação fiscal, a autoridade promoveu a exclusão da empresa do SIMPLES, em virtude da ausência de documentos contábeis necessários para sua manutenção no regime. A exclusão se deu a partir de 01/01/2010, com fundamento na hipótese prevista no art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar n° 123, de 2006 e art. 5o, VIII, da Resolução CGSN n° 15, de 2007, que determinam a exclusão de ofício das empresas optantes do Simples Nacional quando houver a falta de escrituração do livrocaixa ou não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária. Segundo a fiscalização, o contribuinte, mesmo intimado, deixou de apresentar os extratos bancários, fazendo com que a autoridade requisitasse tais informações junto as instituições financeiras. A empresa apresentou também pedido de baixa de suas atividades na Junta Comercial do Paraná, contudo não logrou promover o encerramento em virtude de pendências tributárias. Consta ainda que o contribuinte, mesmo com as atividades encerradas, continuou movimentando sua conta corrente bancária. Também em razão da falta de escrituração fiscal e contábil idônea, o procedimento de apuração dos tributos se deu pelo Lucro Arbitrado. Às fls. 2273 a 2278, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo ADE DRF/CTA 266, de 11/11/2013, que excluiu o Contribuinte do SIMPLES NACIONAL, alegando basicamente que as provas trazidas ao processo foram obtidas de forma ilegal e inconstitucional, posto que a quebra de sigilo bancário somente se viabiliza por ordem judicial. Ao impugnar os autos de infração alegou impossibilidade da utilização da SELIC como taxa de juros e do caráter confiscatório da multa aplicada. Em primeira instancia, a Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade, julgou improcedente ambas as defesas do contribuinte, mantendo a exclusão do simples bem como os valores lançados, cuja ementa foi exarada nos seguintes termos: Fl. 2691DF CARF MF 4 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. É causa de exclusão do Simples Nacional a falta de escrituração do livro caixa ou que não seja possível a identificação da movimentação financeira da empresa, inclusive bancária. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. PREVISÃO ESTABELECIDA EM LEI. O arrolamento de bens e direitos encontrase previsto em lei e deve ser realizado pela autoridade fiscal competente sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do patrimônio conhecido do contribuinte que sofrer a autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não constitui caso de nulidade do lançamento quando nele encontramse presentes os requisitos previstos na legislação regente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Questionamentos dessa natureza não são apreciáveis na esfera administrativa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Os juros de mora são devidos por expressa disposição legal, inclusive a utilização da taxa SELIC. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Verificado comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para a qualificação da multa de ofício, correta a aplicação do percentual de 150%.” Da decisão acima, o contribuinte promoveu Recurso Voluntário (efolhas 23592396), alegando os mesmos argumentos suscitados em primeira instância, como também questiona: a) a opção pelo lucro arbitrado deveria ser a última opção por parte da fiscalização; b) a falta de intimação regular dos sócios, que foram apontados como devedores solidários pela fiscalização, e finalmente; c) a existência de erros de fato no lançamento do débito que não haviam sido observados em primeira instância, especialmente a não exclusão da receita arbitrada da movimentação bancaria entre contas do próprio contribuinte e a duplicidade de valores dos mesmos extratos, por ocasião da confecção dos demonstrativos da fiscalização. Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.691 5 Passo agora, a complementar o relatório acima colacionado: A análise do Recurso Voluntário resultou na conversão do julgamento em diligência, para que "1) a Unidade de Origem verifique se, de fato, houve duplicidade de lançamentos, bem como, se houve a inclusão de movimentação financeira entre contas do mesmo contribuinte, no calculo dos lançamentos efetuados. 2) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora cientificar o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011." Ato contínuo, o Relatório de Diligência Fiscal (efls. 25112513) concluiu que, mediante análise dos extratos já existentes no processo, havia de fato valores duplicados, os quais foram corrigidos pela agencia preparadora. Intimado, o contribuinte manifestou concordância em relação às conclusões do relatório fiscal, todavia, apontou outras duplicidades não corrigidas na diligência (efls. 25152519). Com retorno dos autos à agência preparadora, a fiscalização refez os seus cálculos, excluindo mais valores e produziu nova planilha com os débitos consolidados. Em seguida, o contribuinte apresentou "alegações finais", não discordou das novas exclusões, reiterando pela improcedência dos autos de infração, as quais recebi a título de memoriais. Por fim, no tocante ao trâmite processual, apenas registrese que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Fl. 2693DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço, exceto quanto às questões atinentes a confisco e a inconstitucionalidade de lei, conforme se abordará oportunamente. Saliento que os responsáveis solidários Ivan Quirino, CPF 009.045.06983, intimado à p. 2130; Fabiano Rafael Simões, CPF 018.013.34978, intimado à p. 2198; e, Ricardo Reale Luiz, CPF 005.107.13980, intimado, via postal, conforme AR de p. 2266, não apresentaram impugnação, nem recurso voluntário próprios. Foram, ainda, cientificados da baixa dos autos em diligência, conforme Resolução de p. 2438 a 2444 e das planilhas (p. 2447 a 2510 e 2595 a 2646) e encerramento de diligência (p 2511 a 2513 e 2647 a 2652), sobre as quais também não se manifestaram. A Recorrente, além de se manifestar acerca do encerramento de diligência (que ocorreu em duas etapas), apresentou alegações finais à p. 2665 a 2688. Em síntese, a Recorrente foi fiscalizada em decorrência da “Operação Movimentação Incompatível com Receita Declarada”, referente ao anocalendário de 2010, quando apresentou movimentação financeira superior a R$ 50 milhões e declarou receitas pelo SIMPLES Nacional de R$ 1.256.120,36. Constatada a omissão de receitas e a imprestabilidade das demonstrações contábeis por parte da fiscalização, a Recorrente foi excluída do Simples Nacional, a contar de 01.01.2010, bem como teve lavrados, contra si, autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sob a sistemática do arbitramento (RIR/99), a partir da obtenção, pela fiscalização, de informações sobre as movimentações bancárias da Recorrente (art. 42, Lei 9.430/96). A multa de ofício foi qualificada em razão da fiscalização ter entendido pela ocorrência dos fatos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, o que resulta na aplicação do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96. Apresentada impugnação, foi a mesma julgada improcedente, razão pela qual o presente processo veio a este Conselho para julgamento do recurso voluntário interposto às p. 2359 a 2396. Reiterese que nenhum dos responsáveis tributários apresentou impugnação. A Recorrente, por sua vez, apresentou Manifestação de Inconformidade quanto a exclusão do Simples alegando unicamente como defesa que sua exclusão se deu provocada por violação constitucional ao sigilo bancário, por parte da autoridade fiscal. Apresentou ainda Impugnação, discutindo apenas dois argumentos: longamente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Taxa SELIC e sobre o caráter confiscatório da multa, defendendo sua redução de 150 para 2%. Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.692 7 Em sede de Recurso Voluntário, da mesma forma, nenhum dos solidários se manifestou, exceto o próprio contribuinte direto, trazendo novos argumentos de defesa, dentre os quais a alegação de que havia duplicidade de lançamentos. Numa primeira análise ao recurso em questão, este Julgador constatou que, de fato, haviam duplicidades de valores considerados como receitas pela autoridade fiscal, razão pela qual foi proposta a conversão do julgamento em diligência nos moldes da Resolução de p. 2438 a 2444. Cumpridas as diligências, voltaram os autos para fins de julgamento por esta Turma. Tendo em vista que a Recorrente não traz preliminares, passase a análise de mérito, na sequência trazida pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, conforme segue. 1. Duplicidade de valores considerados como receitas Este tema foi o objeto da Resolução de p. 2438 a 2444 e resultou na planilha de p. 2595 a 2646, devidamente justificada no termo de encerramento de p. 2647 a 2652, com manifestação adicional da Recorrente através de Alegações Finais de p. 2665 a 2688. Em resumo, os valores apontados na planilha de p. 2595 a 2646 foram corroborados pela Recorrente, de tal forma que as duplicidades apontadas em recurso voluntário foram devidamente sanadas. 2. Depósitos em contacorrente não equivalem a receitas Este tópico do recurso voluntário, em verdade, complementa o anterior e, conforme acima esclarecido, foi devidamente sanado com os ajustes perpetrados na planilha de p. 2595 a 2646. De qualquer forma, considerando os argumentos apresentados pela Recorrente, no sentido de que “é ilegítimo o lançamento do IR arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários” (Sumula TFR 182), mister algumas considerações deste Julgador. Esse posicionamento deve ser apreciado à luz do art. 42, da Lei 9.430/96, que fundamenta a própria autuação. Transcrevese, abaixo, apenas o caput: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se verifica do disposto na legislação, a autoridade fiscal e mesmo a autoridade julgadora, quando diante de uma autuação de IRPJ, decorrente de omissão de receita, com fundamento no art. 42, da Lei 9.430/96, não precisa fundamentar e motivar a Fl. 2695DF CARF MF 8 autuação além da comprovação da existência de depósitos bancários sem comprovação de origem, ou seja, sem uma justificativa do contribuinte para esclarecer qual a razão de sua realização, independentemente de quem seja o sujeito que o realizou. E, durante o processo fiscalizatório, foram formalizadas intimações pela autoridade fiscal para que a Recorrente esclarecesse a origem dos depósitos em vão (TVF p. 2134 e seguintes), de tal forma que, ao final, chegandose na planilha de p. 2595 a 2646, a própria Recorrente concordou com o seu teor (em relação à omissão de receitas) para fins de apuração, por arbitramento, dos tributos devidos. 3. Exclusão do Simples e efeitos no lançamento por arbitramento Com a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, esta afirma que a sistemática para a apuração da base de cálculo do IRPJ deveria obedecer a sistemática do lucro real, considerando as despesas passíveis de dedução. Sem razão a Recorrente. Para que se apure os tributos devidos pela sistemática do lucro real, a contabilidade da empresa deve estar adequadamente escriturada, devidamente amparada em documentos que suportem os lançamentos contábeis efetuados. No caso concreto, justamente por não ter uma contabilidade adequada a Recorrente foi excluída do Simples Nacional, já que seu Livro Caixa não tinha a escrituração compatível com as movimentações bancárias constatadas pela fiscalização. Desta forma, considerando o montante dos valores omitidos, a opção da fiscalização, pelo lançamento com base no lucro arbitrado foi a mais adequada, nos termos do art. 530, 532 e 536 do RIR/99. 4. Necessidade de intimação dos sujeitos passivos com devidas formalidades Alega a Recorrente que as intimações de p. 2130, 2198 e 2266 não atenderam ao disposto na legislação, na medida em que as pessoas físicas (sócios) não foram devidamente cientificadas que poderiam apresentar defesa acerca das acusações que estavam lhe sendo imputadas. Analisando os documentos citados, observase que são formulários padrões para a formalização da sujeição passiva solidária. De fato, não está escrito que o sujeito passivo solidário pode apresentar defesa em determinado prazo em face das imputações que estão lhe sendo feitas. Contudo, ao ocorrer a referida intimação, o sujeito passivo solidário recebe cópias do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, de tal forma que passa a ter conhecimento das atividades desenvolvidas pela fiscalização e as razões que serviram de fundamento para a lavratura dos autos de infração e a relação direta que os sujeitos passivos solidários têm com o fato gerador dos tributos constituídos, de tal forma a possibilitarlhes elementos para entender as acusações e providenciar as respectivas defesas. Não se vislumbra que o teor dos Termos de Sujeição Passiva Solidária tenha prejudicado as defesas dos sujeitos passivos solidários, de tal forma que se afasta qualquer Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.693 9 nulidade nesse sentido, inclusive porque, notadamente na fase de diligência, todos os atos praticados foram dados ciências aos três sujeitos passivos em questão. 5. Necessidade de instauração do processo administrativo Como explicitado acima, a partir do momento que os sujeito passivos solidários foram devidamente cientificados, instaurouse o processo administrativo em relação aos mesmos. A inércia em apresentar impugnação ou, posteriormente, recurso voluntário, ou mesmo manifestarse em relação às diligências realizadas é uma faculdade e, não exercida, não gera nulidade ao processo administrativo, notadamente porque a contribuinte, ao apresentar defesa, o fez de maneira plena, com o Recurso Voluntário, por exemplo, firmado por dois dos sujeitos passivos solidários, Srs. Ivan Quirino e Fabiano Rafael Simões. A Recorrente argumenta, em favor dos responsáveis solidários, que estes deveriam ser reintimados para que possam apresentar suas defesas administrativas, partindo do pressuposto que os Termos de Sujeição Passiva Solidária não teriam cumprido o seu desígnio. No caso concreto, entendo que a imputação de responsabilidade atribuída pela autoridade fiscal está em consonância com o disposto no art. 135, III, do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, fazse necessário a presença de dois elementos: Elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Tratase, na realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam poder de decisão; Elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Desse modo, “não basta ser sócio da empresa (pessoa jurídica), é indispensável que exerça função de administração no período contemporâneo aos fatos geradores”. Conforme já salientado, o art. 135, III, do CTN possibilita responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado desde que sejam os responsáveis pela ocorrência do elemento fático que ensejou o nascimento da obrigação tributária. O conceito de diretor é dado pelo art. 144 da Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas: o sócio ou administrador de uma organização é o que possui poderes Fl. 2697DF CARF MF 10 para representála, inclusive em juízo, bem como para praticar todos os atos necessários ao seu regular funcionamento.1 Já a definição de gerente é trazida pelo Código Civil (art. 1.172 e seguintes): considerase gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. Notese que na hipótese de lei não determinar poderes especiais, considerase o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados. Percebese que, para a caracterização da responsabilidade de que trata o dispositivo legal em questão, fazse necessária a coexistência de dois elementos essenciais em relação a um fato: que seja praticado por um representante legal de empresa e que denote excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica. Não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. Doutrina, ainda em que franca minoria, e farta jurisprudência, endossam tal entendimento. 1 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 125. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.694 11 O Juiz Federal, Zenildo Bodnar, assim se manifestou a respeito do inadimplemento tributário: Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos práticos com infração à lei”, é fácil concluir que o simples inadimplemento tributário da pessoa jurídica não autoriza a responsabilização do sóciogerente ou administrador, salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas, a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes.2 [grifos nossos] No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim: Art. 134: exigência de culpa, restrição da responsabilidade à obrigação tributária principal e limitação do montante ao valor do tributo, acrescido de juros de multa de mora; Art. 135: exigência de dolo, abrangência da responsabilidade para abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício. Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. O que não pode é a responsabilidade ser atribuída à pessoa física com supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de culpa ou dolo. Permitir que assim aconteça é substituir a responsabilidade subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico. Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). [...]3 [grifos nossos] Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] 2 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128. 3 DANTAS DE ASSIS, Emanuel Carlos. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158159. Fl. 2699DF CARF MF 12 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos nossos] NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter consequências tributárias. 56. Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. [grifos nossos] E a jurisprudência também caminho nesse mesmo sentido. Vejamos: Tribunal Regional Federal da 3ª Região: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. REDIRECIONAMENTO AO SÓCIOGERENTE. DECRETO LEI Nº 1.736/79. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E JULGAR PREJUDICADA A APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO. 1. Os embargos declaratórios somente podem ser utilizados quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou omissão acerca de ponto sobre o qual Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.695 13 deveria pronunciarse o Tribunal e não o fez, isso nos exatos termos do artigo 535 do Código de Processo Civil. 2. Assiste razão à embargante, pois efetivamente o acórdão embargado não apreciou detidamente a questão referente a aplicação do artigo 8º do Decreto lei nº 1.736, de 20/12/1979, sendo omissa nesta parte. 3. Os débitos em execução referemse a IRPJFonte, devendo ser aplicado o Artigo 8º do Decretolei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124, II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas expressamente designadas por lei... A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem). 4. É correto fixar a responsabilidade dos sóciosgerentes ou administradores nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o não pagamento revela mais que inadimplemento, mas também o descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário valores recebidos de outrem ou descontados de terceiros, tratandose de delito de sonegação fiscal previsto na Lei nº 8.137/90, o que atrai a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (infração a lei). 5. Recurso provido para dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação interposta pelo executado. (Embargos de Declaração em Apelação Cível Nº 0509878 53.1997.4.03.6182/SP, Relator Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO, Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) [grifos nossos] Tribunal Regional Federal da 4ª Região: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. A jurisprudência da 1ª Seção desta Corte firmouse, em consonância com entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o redirecionamento contra o sóciogerente somente tem lugar com início de prova de que o sócio agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou estatuto, não decorrendo da simples inadimplência no recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, é possível a responsabilização solidária dos sócios, pois configura infração expressa à lei, não em razão do mero inadimplemento, mas em virtude da prática, em tese, de infração penal (apropriação indébita de contribuições previdenciárias 168A do CP). (EMBARGOS INFRINGENTES Nº 2006.70.99.0020750/PR, Relatora Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão unânime, sessão de 04 de junho de 2009) [grifos nossos] Superior Tribunal de Justiça – STJ – Primeira Turma: Fl. 2701DF CARF MF 14 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIO GERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) [grifos nossos] Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária. Entendo ser desarrazoado pensar que o responsável pela administração da pessoa jurídica possa vir a ser responsabilizado penalmente, inclusive com restrições ao seu direito de ir e vir, e não possa, diante dos mesmos fatos, responder também pela obrigação tributária correspondente. Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Isso porque há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário, como, por exemplo, nos casos de apropriação indébita previdenciária (art. 168A do Código Penal) e na apropriação indébita de que trata como crime contra a ordem tributária pela art. 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90 (falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte e de IPI destacado na nota fiscal, por exemplo). Em tais hipóteses, basta o contribuinte declarar o Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.696 15 débito e não recolhêlo para que o administrador da pessoa jurídica, ao lado da própria empresa, passe a responder pelo débito correspondente, sem que haja necessidade sequer da realização do lançamento de ofício, e, muito menos, de penalidade qualificada. No presente caso, contudo, restou comprovado o intuito doloso (sonegação e fraude), razão mais do que suficiente para manutenção da multa qualificada, e por todo o exposto, a manutenção da coobrigação imputada aos sujeitos passivos solidários com base no art. 135, III, do CTN. 6. Da qualificação da multa de ofício Como esclarecido no tópico anterior, a constatação de conduta (sonegação e fraude) inserta nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica e, consequentemente, a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96. Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2º nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Fl. 2703DF CARF MF 16 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. A autoridade fiscal assim justifica a exasperação da penalidade: “Durante a fiscalização (...) ficou comprovada a infração à lei e ao contrato social, por atos cuja presença de dolo e abuso de direito foram evidenciados. Os sócios registraram o Termo de Distrato Social e afirmaram, no decorrer da fiscalização (...) que a empresa se encontrava TOTALMENTE INATIVA, não possuindo mais movimentação financeira desde novembro de 2011. Pela própria movimentação financeira da empresa, a partir da análise dos extratos bancários, verificamos que a mesma continuava atuando no comércio sem qualquer recolhimento de tributo.” Desta forma, é de rigor manterse a multa qualificada. 7. Regime aplicável em caso de omissão de receitas A Recorrente procura afastar a constituição do crédito tributário de IRPJ e CSLL sob a alegação de que “a base de cálculo do IRPJ, assim como da CSLL, não é a receita, mas o lucro calculado a partir dela: lucro real para o IRPJ e lucro líquido para a CSLL”. Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.697 17 O tema já foi tratado no item 3, acima. De qualquer forma, apenas para resposta aos argumentos da Recorrente, não se está apurando o IR e a CSLL sobre a “receita bruta”. A autoridade fiscal, antes de apurar o IRPJ devido, apurou a sua base de cálculo sob as regras do “lucro arbitrado”, conforme previsto no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3000/99). Vejase: SUBTÍTULO V LUCRO ARBITRADO CAPÍTULO I HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO Arbitramento pelo Contribuinte Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração Fl. 2705DF CARF MF 18 exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Quanto à CSLL, PIS e COFINS, há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída em suas bases de cálculo, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Diante do exposto, correto o lançamento do IRPJ e os lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. Devese, contudo, fazer uma ressalva: a fiscalização desconsiderou, na formação dos créditos tributários constituídos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS os pagamentos feitos pela Recorrente, no período de janeiro a julho de 2010, pelo SIMPLES Nacional. Esses valores deveriam ter sido considerados e, como não o foram, conforme comprovado em manifestação de p. 2665 a 2688, estáse, neste momento, sendo feita a correção nos respectivos créditos tributários constituídos, com a exclusão dos valores pagos a título de SIMPLES Nacional, conforme comprovante de recolhimento de p. 2688. CONCLUSÃO Por todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para: 1) ratificar as bases de cálculo apuradas conforme termo de diligência fiscal de efls. 2647 a 2652 (abaixo reproduzido), bem como; Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 10980.726058/201377 Acórdão n.º 1402002.951 S1C4T2 Fl. 2.698 19 2) na execução do presente julgado pela RFB, que dos créditos tributários constituídos acima sejam excluídos os valores pagos a título de SIMPLES Nacional, correspondentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme comprovante de recolhimentos de p. 2688, mantendose a multa qualificada de 150% dos valores devidos e a sujeição passiva solidária dos Srs Ivan Quirino, CPF 009.045.06983, Fabiano Rafael Simões, CPF 018.013.34978, e, Ricardo Reale Luiz, CPF 005.107.13980. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Sumario conclusivo do TDF (efls 2650) Fl. 2707DF CARF MF 20 Fl. 2708DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679867/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 14/11/2005
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.861
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 14/11/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 67 /2 00 9- 24 Fl. 97DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1630.223, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 14/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.679867/200924 Acórdão n.º 3402004.861 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 99DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.679867/200924 Acórdão n.º 3402004.861 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 101DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.679867/200924 Acórdão n.º 3402004.861 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 103DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.679867/200924 Acórdão n.º 3402004.861 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 105DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.679867/200924 Acórdão n.º 3402004.861 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 107DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.679867/200924 Acórdão n.º 3402004.861 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.904181/2012-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito.
PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL.
Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3001-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri- Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL. Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 41 81 /2 01 2- 19 Fl. 193DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães Relatório Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerao insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Retificação da DACON A fim de ver garantido seu crédito, retificou as DACON, indicando a ocorrência de alíquota zero em razão de venda de produtos alimentícios, tais como arroz, hortícolas, etc. DRJ/BHE A decisão sobre a manifestação de inconformidade apresentada teve a seguinte ementa: Acórdão 0248.723 2 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 29241039 emitido eletronicamente em 01/08/12, referente ao PER/DCOMP nº 04777.69036.110209.1.3.045595. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10925.904181/201219 Acórdão n.º 3001000.301 S3C0T1 Fl. 216 3 de Receita 5856, no valor de R$ 4.267,43, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/07/07. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que a empresa tem como atividade econômica o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios; que a empresa tributava PIS e Cofins de produtos que não possuem incidência da contribuição; que diante disso constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses; que a Lei 10.865/2004 em seu art. 28, inc. III reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS /Pasep e Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrentes da venda no mercado interno; que a Lei 10.925/2004, art. 1º, reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno; que a Lei 11.196/2005, art. 51 acrescenta os incisos XI, que inclui o leite fluido pasteurizado ou industrializado e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; e o inciso XII que inclui queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo coalho, ricota e requeijão; que diante disso foram retificadas os Dacons e feito um pedido de restituição do crédito vinculado ao pagamento e posteriormente um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição; que não se justifica a não homologação do pedido de restituição sob a alegação de falta de crédito, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao pagamento a maior. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. O contribuinte informa sobre reduções de alíquota de alguns produtos e relata que pagou a contribuição social sobre esses produtos sem observar as reduções. Fl. 195DF CARF MF 4 Entretanto, não apresenta nenhum documento fiscal que comprove a aquisição dos produtos, nem os reflexos em sua contabilidade para a quantificação das supostas diferenças. Sobre o fato de o Darf ter sido utilizado para pagamento dos tributos confessados em DCTF, não há nenhuma contestação. Recurso Voluntário Sustenta ter incluído em sua apuração de Pis/Cofins, produtos submetidos à alíquota zero e monofásicos, excluindo o IPI da base de cálculo, vez que componentes do custo e, portanto, base de cálculo da exação. Ainda, informa ter ofertado à tributação, itens como brindes e doação, cujo conceitos divergem do proposto pela legislação como base aptas a incidirem a contribuição, a inclusão de brindes e doações na base de cálculo da receita e pela não inclusão do IPI na compra de mercadorias, além dos produtos submetidos à alíquota zero. DACON Retificadora Face aos erros cometidos na apuração dos tributos, procedeu à retificação da Dacon, informando a ocorrência das rubricas acima mencionadas. Fundamento Legal do Crédito Em seu favor, menciona a legislação que traz a redução à zero das alíquotas dos produtos que comercializa e o devido tratamento ao Comprovação do Crédito Sustenta ter demonstrado, através das cópias dos livros de entrada e saída, além de planilhas explicativas, a ocorrência de tributação a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento parcial. Vez que excluo os itens relativos aos brindes, doações e produtos submetidos à monofasia, por ter sido argumento de cunho inovador, vez que surgiu apenas no momento do Recurso Voluntário, considerando, portanto, estar precluso seus argumentos. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Não há, entretanto, nos autos, notícia das razões e fatos, do apontado erro na apuração do tributo tido como causador do pagamento a maior. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10925.904181/201219 Acórdão n.º 3001000.301 S3C0T1 Fl. 217 5 Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente sua COFINS, mas, até o presente momento processual, desvirtuouse da questão central. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a Fl. 197DF CARF MF 6 título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10925.904181/201219 Acórdão n.º 3001000.301 S3C0T1 Fl. 218 7 DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Fl. 199DF CARF MF 8 Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10925.904181/201219 Acórdão n.º 3001000.301 S3C0T1 Fl. 219 9 qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Fl. 201DF CARF MF 10 Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Conclusão Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10925.904181/201219 Acórdão n.º 3001000.301 S3C0T1 Fl. 220 11 Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901830/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.015
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 30 /2 01 3- 31 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10930.901830/201331 Acórdão n.º 3302005.015 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.175. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.901830/201331 Acórdão n.º 3302005.015 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901830/201331 Acórdão n.º 3302005.015 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.901830/201331 Acórdão n.º 3302005.015 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901830/201331 Acórdão n.º 3302005.015 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.901830/201331 Acórdão n.º 3302005.015 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901830/201331 Acórdão n.º 3302005.015 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.901830/201331 Acórdão n.º 3302005.015 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.687318/2009-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
Numero da decisão: 3002-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 73 18 /2 00 9- 23 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.687318/200923 Acórdão n.º 3002000.063 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins e requer a compensação de R$ 30.595,56, relativos ao período de apuração agosto/2006, com débitos de IRPJ. O Per/Dcomp foi transmitido em maio/2008 – fls. 7 a 11. Por meio de despacho decisório à fl1. 2, a Derat São Paulo decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual expressou seu entendimento de que a compensação teria sido negada pela ausência de análise do DACON, que havia sido retificado antes do pedido de compensação, e solicitava a sua apreciação conjuntamente com a da DCTF, que não havia sido retificada, mas para a qual solicitava retificação de ofício a ser realizada pela Receita Federal (fls. 12 a 15). Instruiu sua manifestação de inconformidade com cópia do despacho decisório, procuração, contrato social e recibo de retificação de Dacon (fls. 16 a 28). A Delegacia de Julgamento proferiu o Acórdão nº 1638.060 (fls. 31 a 37), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, tendo em vista a inexistência de prova do alegado direito de crédito, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora 1 A numeração informada segue a que foi atribuída pelo eprocesso, e não a realizada manualmente. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.687318/200923 Acórdão n.º 3002000.063 S3C0T2 Fl. 4 3 munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual apresentou as seguintes alegações (fls. 40 a 86): a) a recorrente é empresa prestadora de serviço (organização de feiras e eventos) e, à época dos fatos, apurava as contribuições sociais na modalidade nãocumulativa, tendo deixado de se creditar de despesas incorridas "em razão da dubiedade da legislação", o que implicou em pagamento a maior de Cofins em agosto/2006; b) solicita o creditamento das despesas de aluguel de pavilhão das empresas Adm. Vera Cruz, Corumbal e Orion (contas 816700, 816702 e 816704) e das despesas de manutenção corretiva ou preventiva (contas 845785, 845790 e 845805), com fundamento, respectivamente, nos incisos IV e VII do art. 3º da Lei nº10.833, de 2003; c) o creditamento dessas despesas foi solicitado dentro do prazo decadencial e foram efetuadas as retificações necessárias no DACON; d) a título de comprovação do direito ao crédito, juntase ao recurso voluntário cópia dos registros no Livro Razão das contas relacionadas acima (fls. 60 a 68), planilha de apuração dos débitos e créditos de PIS/Cofins em 2006 (fls. 70 a 73) e DACON retificador (fls. 74 a 88); e e) a recorrente requer que, caso a documentação juntada seja insuficiente para a formação de convicção, que o julgamento seja convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.687318/200923 Acórdão n.º 3002000.063 S3C0T2 Fl. 5 4 Requer a recorrente que se aprecie prova trazida aos autos pela primeira vez apenas nesta fase recursal, sem maiores considerações sobre a omissão em fazêlo no momento oportuno. Sobre esse ponto irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) A demonstração da certeza e liquidez, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Dessa forma, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.687318/200923 Acórdão n.º 3002000.063 S3C0T2 Fl. 6 5 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Disso decorre que a recorrente deveria ter explicado suas razões e juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. Esses dispositivos legais, fundamentais no contencioso administrativo, visam garantir, entre outros, que regra geral uma matéria somente seja apreciada em segunda instância após sua apreciação, na integralidade do que compõe o contraditório, pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, promovemos a supressão do exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância. Não obstante a clareza do dispositivo, nenhum preceito foi atendido. Não se informou na manifestação de inconformidade qual seria o fundamento jurídico para o pedido de compensação e, quanto aos documentos probatórios, juntouse apenas um recibo de entrega da retificação do DACON, além de não ter sido providenciada a retificação da DCTF, que permaneceu em desacordo com o DACON e com o Per/Dcomp. A recorrente não logrou demonstrar sequer indício de direito em sua manifestação de inconformidade. Nos §§ 4º e 5º do art. 16 do PAF, acima transcritos, estão explicitadas as hipóteses em que, mediante petição fundamentada, podese aceitar a apresentação de prova documental após a manifestação de inconformidade: quando impossível a sua apresentação oportuna, por força maior; quando se refira a fato ou direito superveniente; ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Em não ocorrendo nenhuma dessas situações, está precluso o direito de juntada de provas, o que é o caso destes autos. Entretanto, ressalvase que haveria situações em que se poderia aceitar a juntada posterior e, para tanto, concorreria o fato de o contribuinte ter providenciado uma manifestação de inconformidade bem fundamentada, já com elementos relevantes de prova, somado à força probatória acrescida pela nova documentação que se quer juntar ou pela existência de alguma singularidade no transcorrer do processo. Em suma, é condição que o contribuinte tenha desempenhado minimamente sua atividade probatória. No presente caso, após uma manifestação de inconformidade quase nula de informações relevantes, temos um recurso voluntário que pretende remediar a omissão e afinal expor razões e provas. Finalmente ficamos sabendo as razões de pedir – creditamento relativo às despesas com aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa e benfeitorias em imóveis também utilizados nas atividades da empresa, incisos IV e VII do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.687318/200923 Acórdão n.º 3002000.063 S3C0T2 Fl. 7 6 E em relação às provas, são anexados 3 documentos ao recurso: 1) cópias das folhas do Livro Razão que contêm as despesas de aluguel de terrenos e benfeitorias; 2) planilha de créditos e débitos de PIS/Cofins elaborada pela própria empresa; e 3) DACON retificado, na íntegra. Em tese, uma empresa prestadora de serviços de organização de eventos poderia se creditar das despesas citadas, mas é necessário que seja demonstrado, de fato, que incorreu em tais despesas, que elas se relacionaram com o desempenho das atividades da empresa, que foram adequadamente apropriadas, com respeito à legislação do IRPJ, e que está correta a nova composição da base de cálculo da Cofins, o que não é tarefa simples e creio não ter sido alcançada com a mera apresentação do livro razão. Quando se trata de creditamento de despesas com benfeitorias, temos a complexidade adicional de a forma de creditamento depender de os dispêndios serem tratados como custo ou despesa no resultado do exercício ou capitalizados no ativo da pessoa jurídica, como encargos de depreciação. Dentre as despesas que a recorrente se creditou encontramos itens de compra de material de todo o tipo e itens de pagamentos por serviços de manutenção/reforma. Pela planilha, constatamos que ele não se creditou da totalidade dessas despesas, algumas tendo sido por ele classificadas como despesas administrativas. Mas o critério adotado está correto? O tratamento das despesas com compras é diferente daquele que se aplica às despesas com realização de melhorias. Algumas dessas reformas sugerem ultrapassar a vida útil de um ano, caso em que deveriam ser ativadas para serem depreciadas ou amortizadas. Procedeu dessa forma o contribuinte? Em que edificações foram realizadas essas benfeitorias? Relacionamse com as atividadesfim da empresa? Não há como saber. Estamos diante de uma realidade complexa que demandaria a análise pela unidade de origem de um conjunto de documentos contábeis/fiscais, hábeis e suficientes. Mas para tanto a recorrente deveria ter agido no momento certo. Em julgamento de primeira instância, em se constatando a insuficiência do livro razão, poderia ter havido intimação para complementação da instrução probatória. Demandar diligência neste momento, visando a suprir sua própria omissão em relação a seu ônus probante, não é razoável. A diligência se presta à sanar dúvidas sobre os fatos relacionados ao litígio, a partir da instrução promovida pelo interessado. É de se ressaltar que a concessão de exceções à regra posta deve ser realizada com muito zelo, sob pena de a tornar letra morta e violar princípios caros ao direito administrativo como a legalidade, eficiência e razoabilidade. Com frequência, deparase com pedido para juntada intempestiva de provas em nome do princípio da verdade material, que é um norte para o direito tributário, mas que não pode ser utilizado para afastar as demais normas e princípios que devem ser igualmente atendidos pelas partes em prol do devido processo. Devese buscar um equilíbrio razoável entre os princípios e o respeito à norma posta quando ela claramente define um limite temporal. A avaliação dos documentos e do histórico do contribuinte no processo nos leva a concluir que não estão presentes os elementos que possam autorizar a excepcionalidade de se iniciar a produção de provas em fase de recurso voluntário. Tendo em vista a omissão do contribuinte em fase anterior e a ausência de justificativa sobre essa omissão, somado ao fato Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.687318/200923 Acórdão n.º 3002000.063 S3C0T2 Fl. 8 7 de que mesmo os documentos tardios não trazem certeza nem liquidez ao crédito pleiteado, determinar diligência neste momento, como requerido, estendendo por tempo indefinido este julgamento, significaria prolongar esta lide sem motivação legal. Pelo exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722154/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA.
O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional ao valor apurado. Destarte, sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS.
Constituem fatos geradores distintos do IRPF incidente sobre o ganho de capital os recebimentos de valores referentes à venda do bem ou direito ocorridos em datas diferidas, não havendo necessariamente a vinculação da decisão administrativa relativa ao IRPF incidente sobre o recebimento ocorrido em um mês à futura apuração do IRPF relativo ao recebimento ocorrido em outro mês.
Numero da decisão: 2402-005.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Fernanda Melo Leal que acolhiam a preliminar de decadência e davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado; e os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitosa, que davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado. Fizeram sustentação oral, como representante do contribuinte, o Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ n. 88.704, e, como representante da Fazenda Nacional, a Dra. Lívia da Silva Queiroz.
(Assinado Digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente da Turma), Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional ao valor apurado. Destarte, sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Constituem fatos geradores distintos do IRPF incidente sobre o ganho de capital os recebimentos de valores referentes à venda do bem ou direito ocorridos em datas diferidas, não havendo necessariamente a vinculação da decisão administrativa relativa ao IRPF incidente sobre o recebimento ocorrido em um mês à futura apuração do IRPF relativo ao recebimento ocorrido em outro mês.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Fernanda Melo Leal que acolhiam a preliminar de decadência e davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado; e os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitosa, que davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado. Fizeram sustentação oral, como representante do contribuinte, o Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ n. 88.704, e, como representante da Fazenda Nacional, a Dra. Lívia da Silva Queiroz. (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (Assinado Digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente da Turma), Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722154/201315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.946 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recorrente FÁBIO DE BARROS PINHEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 54 /2 01 3- 15 Fl. 764DF CARF MF 2 Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional ao valor apurado. Destarte, sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Constituem fatos geradores distintos do IRPF incidente sobre o ganho de capital os recebimentos de valores referentes à venda do bem ou direito ocorridos em datas diferidas, não havendo necessariamente a vinculação da decisão administrativa relativa ao IRPF incidente sobre o recebimento ocorrido em um mês à futura apuração do IRPF relativo ao recebimento ocorrido em outro mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Fernanda Melo Leal que acolhiam a preliminar de decadência e davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado; e os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitosa, que davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado. Fizeram sustentação oral, como representante do contribuinte, o Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ n. 88.704, e, como representante da Fazenda Nacional, a Dra. Lívia da Silva Queiroz. (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (Assinado Digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente da Turma), Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 657/730) em face do Acórdão n. 03 61.653 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB (fls. 612/651), que julgou improcedente a impugnação de fls. 378/436 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2010 e 2011 no montante de R$ 999.758,58 (fls. 362/369) sendo R$ 363.297,56 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 91.514,66 de juros de mora calculados até 10/2013 e R$ 544.946,36 de multa proporcional calculada sobre o principal com fulcro em recebimentos de parcelas vinculadas à apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de participação societária no BANCO PACTUAL CNPJ 30.306.249/000145 ocorrida em dezembro de 2006. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 342/361) parte integrante do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 362/369) a fiscalização teve como objeto a operação de alienação da participação societária que o contribuinte FÁBIO DE BARROS PINHEIRO CPF 275.497.20134 detinha junto ao BANCO PACTUAL CNPJ 30.306.249/000145 representada por 5.670.390 (cinco milhões, seiscentos e setenta mil, trezentos e noventa) ações ordinárias à pessoa jurídica UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 08.245.975/000191 após um complexo processo de reorganização societária. Do TVF (fls. 342/361), extraemse, no essencial e em ordem cronológica, as operações que foram objeto de fiscalização: a) Conforme Demonstrativo da Apuração de Ganhos de Capital, anexo à Declaração de Ajuste Anual Simplificada Exercício 2007, o contribuinte declara haver alienado, em 01/12/2006, 5.670.390 ações ordinárias nominativas representativas do capital social do Banco Pactual S.A pelo valor de R$ 26.218.108,48. Nesse mesmo demonstrativo, o custo de aquisição das referidas ações era de R$ 12.863.175,22 acarretando um ganho de capital de R$ 13.354.933,26. b) Do valor total da venda foram recebidos, no ano de 2006, R$ 10.189.703,30 que, proporcionalmente, correspondem a um ganho de capital de R$ 5.190.412,86 e a um valor de Imposto de Renda de R$ 778,561,93 (alíquota de 15%). c) Em 2009, o contribuinte recebeu R$ 12.063.392,86 (os quais estavam previstos, inicialmente, para serem recebidos apenas em meados de 2011), através de depósito bancário. O saldo de R$ 3.965.007, 14 teria sido recebido em quatro parcelas de R$ 991.251,78 que venceriam em março de 2010, setembro de 2010, março de 2011 e julho de 2011. Porém, o contribuinte considerou como realizado a totalidade do ganho de capital correspondente a R$ 8.163.264,13 nesse ano de 2009, recolhendo o Imposto de Renda de R$ 1.224.489,62 à mesma alíquota de 15%. d) Ocorre que, como acima noticiado, o valor do ganho de capital e consequentemente o valor do Imposto de Renda correspondente foram indevidamente reduzidos através da prévia manipulação do custo de aquisição dessas ações. Fl. 766DF CARF MF 4 e) Conforme comprovam os contratos e estatutos sociais das empresas do Grupo Pactual (as diversas empresas do grupo e, ainda, as diversas pessoas físicas dos seus sócios), o contribuinte possuía 0,6396% do capital da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) CNPJ 02.220.756/000171 que, por sua vez, possuía 78,18% do capital da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 que, por seu turno, detinha 100% do BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145. Portanto, de maneira indireta, o contribuinte detinha 0,5% de participação no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145. f) Em 13/10/2006 os sócios da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) CNPJ 02.220.756/000171 aprovam o aumento de seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40 e, cuja integralização, foi efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuiriam frente à empresa (conforme balanço relativo a 31/08/2006), proveniente de distribuição de dividendos. g) Em razão do que determina o art. 135 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto n. 3.000/99, o contribuinte promove o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 02.220.756/000171 (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) no montante de R$ 2.660.130,00: "Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único )." h) Nesse mesmo dia (13/10/2006), seus sócios aprovam, mediante Assembléia Geral, a incorporação da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 02.220.756/00017 (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) pela PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 como também o Protocolo de Justificação dessa incorporação e o respectivo Laudo de Avaliação. Com isto sócios da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 02.220.756/00017 (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) entregam as quotas que possuíam nessa empresa e recebem em contrapartida ações da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160. Aqui torna se importante frisar que praticamente a totalidade do acervo da incorporada NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) CNPJ 02.220.756/000171 referese a sua participação na incorporadora PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160, conforme se observa no Anexo I do citado Laudo de Avaliação. i) Da mesma forma e no mesmo dia (13/10/2006), os sócios da PACTUAL HOLDINGS S/A CNPJ 02.220.757/000116 aprovam, através de Assembléia Geral Extraordinária, o aumento de seu capital social em R$ 202,5 milhões, que passa de R$ 31.299.033,50 para R$ 233.799.033,50 cuja integralização, também se deu através da capitalização de créditos de seus sócios junto à empresa, no valor de R$ 200,5 milhões, provenientes de distribuição de dividendos e R$ 2 milhões de sua Reserva Legal (balanço de 31/08/2006). j) Após a capitalização, a PACTUAL HOLDINGS S/A CNPJ 02.220.757/000116 também foi incorporada pela PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 conforme aprovado em nova Assembléia Geral Extraordinária, de 13/10/2006, a qual aprovou, ainda, o respectivo Protocolo de Justificação e o Laudo de Avaliação. Os Fl. 767DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 103 5 sócios da PACTUAL HOLDINGS S/A CNPJ 02.220.757/000116 recebem ações da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 em troca das ações que possuíam naquela empresa. Como no caso anterior, a atividade da PACTUAL HOLDINGS S/A CNPJ 02.220.757/000116 restringiase à exploração de sua participação na PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160. k) Em 03/11/2006 os sócios da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 aprovam, mediante Assembléia Geral Extraordinária, o aumento de seu capital social no valor de R$ 996.087.876,00 elevandoo de R$ 101.698.838,85 para R$ 1.097.786.714,85 integralizado através da capitalização de créditos de seus sócios (balanço de 31/10/2006), provenientes de distribuição de dividendos. k) Novamente, ao amparo do art. 135 do RIR/99, o contribuinte eleva o custo de aquisição de sua participação na PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 no valor de R$ 4.980.441,00. m) Finalmente, em 01/12/2006, os sócios do BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 aprovam em Assembléia Geral Extraordinária a incorporação da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160. Com isto, os sócios da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 entregam as ações que possuíam nessa empresa e recebem em contrapartida ações do BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145. O Laudo de Avaliação que ampara essa incorporação demonstra que o valor total dos ativos da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/0001 60 se resumia a sua participação no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145. n) No mesmo dia, 01/12/2006, o contribuinte aliena a sua participação no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 à UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 08.245.975/000191 (sociedade controlada por UBS AG, empresa com sede na Suiça), conforme já exposto no preâmbulo deste TVF. o) Da descrição dos negócios acima, verificase o seguinte padrão: o aumento de capital em uma determinada empresa, através de créditos detidos por seus sócios pessoas física, e sua subsequente incorporação em outra empresa que, por sua vez, sofrerá novo aumento de capital e nova incorporação, bem assim que os ativos das empresas incorporadas se constituíam quase integralmente, ou integralmente no último caso descrito, do investimento na incorporadora. p) Através dessa manobra o contribuinte promoveu, em 2006, um aumento do custo de aquisição de sua participação no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 de incríveis 146,30% (que passou de R$ 5.222.629,22 para R$ 12.863.175,22), enquanto que no mesmo período o patrimônio líquido do BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 experimentou um aumento de 84,45% (R$ 625.223.115,04 para R$ 1.153.225.211,81 na data da alienação). q) Essas incorporações seguiram um padrão diferente do normal (investidora incorpora a investida) que denominase incorporações reversas. A par da licitude da vontade e realidade dos atos societários examinados que permearam a reorganização societária quanto a sua adequada cronologia, execução e tempestividade de arquivamento no registro de comércio, no presente caso essas capitalizações seguidas das incorporações reversas serviram, como se demonstrará a seguir, para elevação indevida do custo da participação que o contribuinte possuía no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 reduzindo assim o valor do ganho de capital na posterior alienação dessas participações e consequentemente o valor do imposto devido. Fl. 768DF CARF MF 6 Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 342/361) parte integrante do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 362/369) "pretendeuse simular, mediante as operações acima descritas, que o custo de aquisição da participação societária detida pelo contribuinte junto ao BANCO PACTUAL S/A e alienada à UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. seria de R$ 12.863.175,22 quando conforme demonstrado, o valor total do investimento efetuado pelo contribuinte na referida participação alcançou o valor de R$ 10.203.045,22 (R$ 12.863.175,22 R$ 2.660.130,00)." Destarte, conclui a autoridade lançadora que o contribuinte incorreu na prática de ato simulado com o propósito de lesar terceiros, no caso a Fazenda Nacional, configurando a hipótese prevista no art. 167, § 1º. inciso I c/c § 2º. do Código Civil (Lei n. 10.406/2002), uma vez que o ato praticado aparentou conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas às quais realmente conferiu ou transmitiu. O objetivo final do ato simulado (conjunto de operações que antecederam a alienação) foi o de se pretender dar aparência de regular à majoração indevida do custo de aquisição das ações alienadas pelo contribuinte, conferirlhes direitos que não possuía e com isto lesar o direito do Erário Público incidente na operação. A autoridade lançadora desconsiderou a simulação em apreço com fulcro no art. 116, parágrafo único do CTN e caracterizou multa de ofício qualificada conforme disposto no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430/1996. Expurgandose o acréscimo promovido pelo contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão da capitalização da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) CNPJ 02.220.756/000171 no valor de R$ 2.660.130,00 encontrase o correto valor do custo de aquisição das ações alienadas que somam R$ 10.203.045,22 (R$ 12.863.175,22 R$ 2.660.130,00), conforme informa o TVF (fls. 342/361). Nessa perspectiva, a Fiscalização apurou ganho de capital na alienação em apreço no valor de R$ 16.015.058,06 correspondente à diferença entre o valor da alienação (R$ 26.218.103,28) e o custo de aquisição correto (R$ 10.203.045,22). Essa apuração repercutiu na realização do ganho de capital no Ano Calendário 2006, com reflexo nas parcelas recebidas nos AnosCalendário 2010 e 2011 (quatro parcelas no valor de R$ 991.251,78 cada), vez que configurouse realização de ganho de capitla no valor de R$ 605.495,9310 em cada uma das 4 parcelas retrocitadas, correspondendo a imposto de renda sobre ganhos de capital no valor de R$ 90.824,39 por parcela, totalizando R$ 363.297,56 conforme devidamente discriminado no TVF (fls. 342/361). Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais Processo n. 19515.722155/201351 visando noticiar ao Ministério Público Federal a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definido no art. 2º., inciso I da Lei n. 8.137/90. Cientificado do lançamento em 27/11/2013 (fl. 374), o contribuinte, inconformado, apresentou, em 20/12/2013, por meio do seu representante legal, a impugnação de fls. 378/436, aduzindo, em síntese: 1. Preliminar de decadência: 1.1 A alienação das ações do BANCO ocorreu em 01.12.2006; logo, como decorridos mais de 5 anos entre esta data e a data da ciência do AUTO, em Fl. 769DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 104 7 27.11.2013 (e, até mesmo da lavratura do AUTO, em 15.10.2013), o crédito tributário nele lançado está extinto por decadência; 1.2 No caso do IRPF sobre ganho de capital decorrente da alienação de bem ou direito, o termo inicial da decadência é a data da sua realização, tendo em vista que se refere a tributo lançado por homologação, sendo irrelevante, para a contagem do prazo, que o pagamento do preço da venda tenha sido feito de forma parcelada ou à vista; 1.3 A alienação das ações do Banco Pactual ao UBS Brasil ocorreu em 01/12/2006 e a ciência do auto de infração em 27/11/2013. Logo, decorridos mais de 5 anos entre a data da alienação e a data da ciência, o crédito tributário lançado está extinto por decadência, ainda que caracterizada fraude, dolo ou simulação, hipótese que deslocaria o termo inicial do prazo decadencial para o artigo 173, I, do CTN; 1.4 Recorre ao artigo 149, parágrafo único, e artigo 150, § 4º, todos do CTN, artigo 140 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) – RIR/1999, artigo 31 da IN SRF nº 84/2001 e à jurisprudência administrativa. 2. No mérito: 2.1 O Grupo Pactual era composto por diversas holdings, existentes há mais de 10 anos e constituídas em uma época em que os acionistas sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual. Os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados. Dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as holdings se tornassem totalmente desnecessárias. 2.2 O caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; 2.3 A Lei n° 6.404/1976 (LSA) define, em seu art. 227, a incorporação como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Como regra, cabe à incorporadora aumentar seu capital social, sendo o aumento realizado pelo patrimônio líquido da incorporada e tocando aos acionistas desta última as ações representativas desse aumento de capital (art. 224, inciso I). 2.4 A parcela do patrimônio líquido da incorporada representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação. Por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados. 2.5 As capitalizações de lucros verificadas antes das incorporações não representaram mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas, pois (i) essa elevação ocorreria independentemente da capitalização prévia dos lucros e, no caso concreto, (ii) era essencial à adequada distribuição dos lucros de Participações. 2.6 Em se tratando da alienação de quotas ou ações e em sendo o alienante uma pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1º do art. 130 e do art. 135 do RIR. As distorções apresentadas através dos quadros demonstrativos do TVF decorrem do texto da lei. 2.7 Os ganhos de equivalência patrimonial integram o resultado do exercício da investidora e, conforme estabelece o §6° do art. 202 da LSA, os lucros do exercício Fl. 770DF CARF MF 8 devem ser integralmente distribuídos, ressalvada a possibilidade de serem retidos, nos termos dos arts. 193 a 197 da mesma lei. 2.8 O art. 22 da Lei n° 9.249/95, admite que, nas extinções de pessoas jurídicas, os bens de sua propriedade sejam restituídos a seus sócios ou acionistas pelos correspondentes valores contábeis. 2.9 Não foi adotado planejamento fiscal para elevar indevidamente o custo de aquisição das ações, mediante aumentos de capital sucedidos por incorporações reversas. A reorganização societária no caso concreto foi realizada por ser a forma mais eficiente e rápida no sentido de fazer com que as ações do BANCO chegassem aos ACIONISTAS; 2.10 Nas incorporações inversas, a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também pelo Fisco (IN nº.77/1986, Lei nº 7.450/1985, artigo 63 do DL nº 1.598/1977 e artigos 376 e 377 do RIR/80); 2.11 Pontua que, se o patrimônio líquido da incorporada é representado pelas contas de capital, lucros e reservas, é evidente que ocorrerá a capitalização de tais lucros e reservas nos processos de incorporação, pois tais contas, da incorporada, são transferidas para a incorporadora. Assim, a capitalização feita pela incorporadora acarreta acréscimo do custo de aquisição para os ACIONISTAS. 2.12 A capitalização de lucros antes das incorporações é irrelevante em termos fiscais. No que tange a PARTICIPAÇÕES, informa que ocorreu a distribuição e capitalização de lucros previamente à incorporação pela PACTUAL, tendo em vista que a PARTICIPAÇÕES distribui lucros de forma desproporcional. Este procedimento não se trata de mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas. Nesse sentido, antes de sua incorporação pela PACTUAL, a PARTICIPAÇÕES realizou capitalização de lucros, em 13/10/2006, aumentando o seu capital em R$ 686.000.0000,00, mediante conversão de créditos detidos por seus quotistas (direito ao recebimento de lucros). Dessa forma, os lucros de Nova Pactual Participações Ltda. foram distribuídos e reaplicados na Pactual S/A, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação. Esse procedimento provocou alteração no percentual de participação indireta do Impugnante no BANCO, passando de 0,75% para 0,50%. 2.13 Carece de base legal a sugestão da fiscalização para baixar uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos, qual seja, a referente a lucros da incorporada que foram capitalizados. A autoridade lançadora limitase a dizer que houve uma “conotação” equivocada do artigo 135 do RIR/1999; 2.14 A opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do BANCO pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi mera consequência da adoção dessa opção; 2.15 A lei foi aplicada e o Fisco não pode deixar de fazer o mesmo por considerar que ela beneficia indevidamente o Contribuinte. As distorções apontadas, decorrentes da aplicação do MEP, se verificam não só nas incorporações reversas, mas também em outras situações. O 1º CC já decidiu, em diversas situações, que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”. Arremata que, por vezes, a legislação fiscal contém distorções, algumas favoráveis e outras prejudiciais ao contribuinte, todavia, as correções devem ser feitas pelo legislador que está revestido da respectiva competência. Além disso, faltaria até lógica adotar procedimento sugerido pela fiscalização, pois, ao fazêlo, Fl. 771DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 105 9 a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital. O Impugnante tinha investimentos diretos em PARTICIPAÇÕES e a realização de aumento de capital dessa empresa propiciou um aumento do custo de aquisição de seus investimentos. Após a incorporação de PARTICIPAÇÕES por PACTUAL, ocorreu um aumento de capital dessa última, proporcionando ao Impugnante um novo acréscimo de custo. Ressalta que o lançamento contra um dos acionistas do BANCO foi julgado improcedente pelo 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF; 2.18 É totalmente equivocada a afirmação de que os atos praticados pelo Impugnante foram simulados. Não houve simulação e, ainda que tivesse ocorrido, o artigo 116, parágrafo único do CTN, não seria aplicável ao caso, seja pela inexistência de simulação, seja pela ineficácia diante da falta de regulamentação, ausência de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária; 2.19 Que fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente, pois a observância dos atos normativos, nos termos do parágrafo único do artigo 100 do CTN, exclui a cobrança de juros e penalidade; 2.20 É descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. O crédito tributário foi mantido no julgamento de primeiro grau consubstanciada no Acórdão n. 0361.653 (fls. 612/651), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. FATO GERADOR. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Só é considerado válido o planejamento tributário, conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de sua vida econômicofiscal, se este anteceder o fato gerador e pautarse pela legalidade, com o afastamento de qualquer forma de simulação em relação aos atos e negócios praticados. Fl. 772DF CARF MF 10 SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário,isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovada a simulação, visto que, por trás da verdade declarada, uma aparente reorganização societária representada por um conjunto de alterações contratuais, existia uma outra verdade, qual seja, a majoração artificial do custo das ações do acionista pessoa física e a obtenção de benefícios fiscais, que, de outra forma, não poderiam ser alcançados. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. INCORPORAÇÕES REVERSAS. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. No caso em exame, tendo sido comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do pagamento do imposto devido, cabível é a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos integrantes do Ministério da Fazenda não constituem normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual os julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquelas objetos das decisões. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n. 0361.653 (fls. 612/651) em 11/07/2014 (fls. 652/655) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 21/07/2014 (fls. 657/730), tempestivo, portanto, oportunidade em que revisita, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados quando da impugnação (fls. 378/436), inclusive no que diz respeito à preliminar de decadência e às questões de mérito. É o Relatório. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 106 11 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator O Recurso Voluntário (fls. 657/730) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. 1. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA No tocante à alegação de decadência suscitada pelo recorrente é fundamental que se investigue qual o momento da ocorrência do fato gerador nas operações relativas ao ganho de capital da pessoa física. Na perspectiva do recorrente, o fato gerador, nesse caso, ocorreria no momento da alienação, pois tratase de fato gerador instantâneo, no qual o tributo é devido no momento em que o sujeito passivo pratica a conduta típica. O órgão julgador de 1ª. instância (DRJ/BSB), por sua vez, entendeu que nas operações de vendas parceladas a apuração do ganho de capital e o fato gerador do IRPF ocorrem em momentos distintos. Assim, o aspecto temporal do fato gerador ocorreria no momento do efetivo recebimento de cada parcela pactuada. Para uma melhor contextualização da matéria em apreciação, é oportuno destacar os seguintes dispositivos legais: 1. Lei n. 7.713/88: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º (omissis) [...] § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. [...] Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. 2. Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional) Fl. 774DF CARF MF 12 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. 3. Instrução Normativa SRF n. 84/2001 Art. 31 . Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. 4. Decreto n. 3.000/99 (RIR/99) Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. [...] Da leitura sistêmica da legislação supra destacada, verificase que nas alienações parceladas a apuração do ganho de capital ocorre no momento da realização do negócio, como venda à vista. Todavia, para a tributação do IRPF, de acordo com o percentual de ganho de capital relativo a cada parcela, será considerada a data de recebimento. Apurase o ganho de capital e o percentual referente a cada parcela na data da alienação, no entanto, a tributação do IRPF devido pelo sujeito passivo ocorre nas datas de recebimento de tais parcelas. É o que estabelece a legislação tributária, pois no momento da alienação ainda não há imposto devido, uma vez que o fato gerador e a respectiva obrigação tributária surgem com a aquisição das disponibilidades representadas pelos valores decorrentes da operação de venda. Na data da alienação, em 01/12/2006, o ganho de capital foi apurado. Posteriormente, restou caracterizada a obrigação tributaria (IRPF sobre ganho de capital) no momento da ocorrência do fato gerador, quando as últimas parcelas foram recebidas nos meses de março e setembro de 2010 e março e julho de 2011 (aquisição de disponibilidade financeira). Com efeito, o fato jurídico objeto da incidência do tributo sobre o ganho de capital somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda, nos termos do art. 140 do RIR/1999. Antes do recebimento de cada parcela da venda, não há imposto a ser pago. Por sua pertinência, é relevante colacionar o art. 173 do CTN para fins de elucidação da divergência quanto ao prazo decadencial: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 775DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 107 13 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O disposto no inciso I do dispositivo legal supra reproduzido constituise a regra geral para fins de fixação do termo inicial para a contagem do quinquênio decadencial, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Todavia, há casos em que a legislação impõe ao sujeito passivo a obrigação de recolher ou pagar o imposto sem prévio exame da autoridade administrativa. Nessa sistemática, temse por imprescindível a definição do termo inicial para a contagem do prazo decadencial as disposições contidas no art. 150, caput c/c § 4º., do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O TVF (fls. 342/361) informa ocorrência de recolhimento, o que caracteriza antecipação de pagamento do imposto de renda relativo ao ganho de capital decorrente da alienação das ações do Banco Pactual, fato que, a princípio, faria incidir, no caso concreto, a regra do art. 150 do CTN. Não obstante a Fiscalização da RFB ter enxergado intuito de fraude por parte do recorrente vez que qualificou a multa de ofício em 150% fato que deslocaria o termo inicial da decadência do caput do art. 150 do CTN para aquele do § 4º. (que, por sua vez, remete ao art. 173, I do CTN), no caso concreto não se evidencia nenhuma repercussão no tocante ao instituto da decadência. Isto porque ao se considerar a regra do art. 173, I do CTN, para as infrações correspondentes às parcelas recebidas nos anoscalendário 2010 (março e setembro) e 2011 (março e julho), a legislação garante à Fazenda Pública o direito de efetuar o lançamento até os dias 31/12/2015 e 31/12/2016, uma vez que o termo de início do período decadencial é contado a partir de 01/01/2011 e 01/01/2012, respectivamente. Outrossim, aplicandose a regra do lançamento por homologação, nos termos do art. 150 (caput e § 4º.) do CTN, também não haveria que se falar de decadência, haja vista que não alcançaria os fatos geradores referentes aos anoscalendário 2010 e 2011. Só para argumentar, é oportuno resgatar jurisprudência da 2ª. Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), na sessão de 16 de fevereiro de 2016, em decisão Fl. 776DF CARF MF 14 proferida no Acórdão n. 9202003770, em sede de Recurso Especial do Procurador, conforme ementa infra reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA OMISSÃO DE RENDIMENTOS GANHO DE CAPITAL. Ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural o fato gerador se dá no momento do efetivo ganho de capital. Em sendo o pagamento parcelado o fato gerador também será tomado a cada parcela separadamente. Desta forma, considerandose o entendimento que ora se apresenta, rejeito a preliminar de decadência. 2. DO MÉRITO Consoante relatado, o recorrente alienou, conjuntamente com os demais sócios da instituição financeira, ações do Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações, apurando ganho de capital no AnoCalendário 2006. O recorrente possuía 0,6396% das ações da Nova Pactual Participações Ltda., holding que detinha 78,18% de participação societária na Pactual S/A., a qual por sua vez era detentora de praticamente 100% das ações do Banco Pactual S/A. Assim, de forma indireta, o recorrente era detentor de 0,5% das ações do Banco Pactual S.A, conforme demonstrado no TVF (fls. 342/361). O recorrente e os demais sócios da Nova Pactual Participações Ltda., bem como os sócios da Pactual Holdings S/A, que detinham os restantes 21,82% de participação societária na Pactual S/A, optaram por vender diretamente suas respectivas participações no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações como pessoas físicas, e não por intermédio das aludidas holdings. Para tanto, foi promovida uma série de reestruturações societárias sob a forma de incorporação reversa ou incorporação inversa, por meio de sucessivas capitalizações de lucros contabilizados nas holdings, após a aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP) relativamente aos resultados auferidos pelo Banco Pactual S/A. No que se refere ao recorrente, foram duas as incorporações reversas de interesse: 1. Incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S/A. em 13/10/2006, com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção que detinham na holding extinta. Essa operação foi precedida pela capitalização, na mesma data, dos lucros apurados pela Nova Pactual Participações Ltda. com esteio no Método de Equivalência Patrimonial (MEP), sendo realizada a primeira majoração do custo de aquisição de sua participação societária com fulcro no art. 135 do RIR/99. Para o recorrente, tal feito resultou em aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no montante de R$ 2.660.130,00. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 108 15 2. Incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual S/A. em 01/12/2006, com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção que detinham na holding extinta. Essa operação foi precedida pela capitalização, em 03/11/2006, de lucros apurados pela Pactual S/A. com amparo no Método de Equivalência Patrimonial (MEP), sendo realizada a segunda majoração do custo de aquisição de sua participação societária, baseada, novamente, no art. 135 do RIR/99. Para o recorrente, tal procedimento resultou na elevação do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no valor de R$ 4.980.441,60. É relevante destacar que os aumentos de capital vinculados às duas incorporações acima citadas e utilizados como justificativa para as respectivas majorações do custo de aquisição tiveram por fundamento o mesmo (e único) fato econômico: o lucro obtido pelo Banco Pactual S.A. Não mais existentes as holdings, realizouse a venda do Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações diretamente pelas pessoas físicas, ensejando a apuração de ganho de capital no AnoCalendário 2006, com parcelas a receber nos anos de 2010 e 2011, ora em questionamento. A principal questão controversa concentrase na aplicação do art. 135 do Decreto n. 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99) às operações em comento, do que teria decorrido, conforme defende o recorrente, custo de aquisição das ações por ele alienadas no patamar de R$ 12.863.175,22 e não no valor de R$ 10.203.045,22 apurado pela Fiscalização da RFB. O dispositivo legal em apreço trata do custo de participações societárias adquiridas com incorporação de lucros e reservas, motivo pelo qual cumpre passar prontamente ao seu exame. O art. 135 do RIR/99 tem sua gênese no parágrafo único do art. 10 da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que deve ser lido em conjunto com o seu caput, para a adequada compreensão do contexto no qual tal disposição veio à discussão: "Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder aosócio ou acionista." "Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei n. 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único)." Fl. 778DF CARF MF 16 Conforme preceitua o art. 135 do RIR/99, supra reproduzido, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das quotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, o custo de aquisição das ações ou quotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. Destarte, na interpretação do art. 135 do RIR/99 devese considerar o conceito de custo de aquisição, que é o valor pago, investido, despendido em um determinado bem ou direito. O custo de aquisição corresponde ao valor dos recursos investidos na sociedade, sejam eles provenientes diretamente do patrimônio de seus sócios ou dos lucros apurados pela empresa e que poderiam ser repassados a esses mesmos sócios. Esse valor somente pode ser aumentado na proporção da grandeza econômica passível de ser reinvestida na empresa. Consequentemente, o aumento não pode ser meramente contábil, sem a efetiva entrega do numerário. Tampouco pode ser influenciado pelo número de empresas criadas no grupo empresarial, mas sim pela riqueza efetivamente disponível e aplicada. Entretanto, no planejamento em análise, o aumento foi artificial, sem respaldo econômico. Tal situação somente ocorreu pelo fato de todas as holdings envolvidas e extintas por incorporação inversa terem como única atividade e fonte de receita a participação acionária – direta ou indireta – na empresa operacional. Dessa forma, os lucros ou reservas consumidos nas capitalizações e utilizados para aumentar o custo de aquisição eram provenientes da empresa operacional, refletido nas demais como resultado da equivalência patrimonial. Neste ponto, é importante considerar a natureza do método da equivalência patrimonial, previsto no art. 248 da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1975 (Lei das S/A): uma técnica contábil que se baseia no valor do patrimônio líquido da empresa coligada ou controlada, diferentemente do método do custo, que somente considera o valor desembolsado no momento da aquisição. Segundo o método de equivalência patrimonial, os lucros apurados na investida/controlada serão registrados como aumento no valor do investimento no ativo da investidora/controladora (lançamento a débito), tendo como contrapartida registro em conta de resultado positivo em participações societárias ou similar (lançamento a crédito), para fins de que esse aumento tenha seus efeitos reconhecidos na demonstração do resultado do exercício da investidora, viabilizando a observância do princípio da competência. No caso de holdings puras tais como as que se apresentam na espécie, tais resultados positivos confundemse, na prática, com os lucros apurados na investida, pois a holding revestese essencialmente de natureza formal, sendo instituída com vistas à organização das participações societárias e não possuindo despesas ou mesmo receitas relevantes oriundas de outras atividades empresariais. Empregando essa noção para o caso em apreço, temse que não é possível desvincular o lucro produzido pela empresa operacional do lucro consumido na capitalização das holdings. Sendo assim, o custo de aquisição, sofreu aumento artificial, sem o respectivo lastro econômico, o que fica evidenciado quando se compara a evolução do patrimônio líquido da empresa alienada com o aumento ocorrido no custo de aquisição. O artigo 135 do RIR/99 teve como objetivo apenas simplificar o processo de reinvestimento dos lucros obtidos por uma sociedade, pois dispensou a prévia distribuição e permitiu a capitalização direta, com o consequente aumento do custo de aquisição. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 109 17 Contraria o sentido e a lógica da norma interpretála de maneira a admitir o aumento do custo de aquisição sem o respectivo lastro econômico, sem que ocorra o reinvestimento de bens ou direitos na empresa, mas fruto de um artifício contábil. A norma não pode partir de uma interpretação meramente literal, ignorandose o conceito de custo de aquisição e mesmo o princípio da capacidade contributiva, que deve informar todo o ordenamento jurídico tributário. Por conseguinte, o art. 135 do RIR/99 não pode servir de amparo para as operações, vez que o recorrente extrapolou o comando da norma, fazendo prevalecer uma situação totalmente dissonante da realidade. É oportuno destacar que a simples interposição de sucessivas holdings entre os sócios e a pessoa jurídica que gera os resultados de uma determinada atividade empresarial não encontra óbice legal. Todavia, o problema surge quando acontecem sucessivas incorporações de controlada por controladora definida essa operação como processo mediante o qual uma sociedade (incorporada) tem o seu patrimônio absorvida pela outra (incorporadora), que lhe sucede em todos os direitos e obrigações, realizado com respaldo no § 4º. do art. 264 da Lei das S/A. conjugadas com prévia capitalização de lucros. Quanto à metodologia do cálculo utilizado no lançamento em lide, caberia à Fiscalização da RFB, assim como foi feito, glosar todos os aumentos no custo de aquisição que tiveram como base as capitalizações efetuadas nas holdings. Constatase nos autos que o recorrente realizou capitalizações com resultado da equivalência patrimonial, ou seja, lucro produzido pela única empresa operacional do grupo, refletido nas demais (holdings). No entanto, como tal lucro ainda não tinha sido distribuído e estava contabilizado na empresa operacional, ele poderia servir de base para mais uma capitalização no próprio investimento alienado ou mesmo para pagar dividendos aos acionistas. No caso concreto, o alienante recebeu parte do lucro produzido pela empresa operacional, conforme consta dos extratos de fls. 11/14. Por conseguinte, o lucro da empresa além de ter sido utilizado em mais de uma capitalização, também serviu para distribuição de dividendos aos sócios. Ora, se houve a distribuição de dividendos, tais valores não poderiam servir de fundamento em nenhuma capitalização, autorizando a glosa de todas elas. Assim, resta evidenciado que o artigo 135 do RIR/99 não oferece nenhum respaldo para a forma como o recorrente calculou o custo de aquisição das ações da empresa alienada. No TVF (fls. 342/361), a Fiscalização da RFB ilustra de forma esquemática e bastante didática, a essência da interpretação equivocada, por parte do recorrente, do art. 10 da Lei n. 9.249/95 dissociada do art. 135 do RIR/99. Ambos dispositivos reclamam leitura sistêmica e harmônica entre si. O art. 135 do RIR/99 não pode ser lido como preceito desvinculado de qualquer propósito normativo que lhe respalde e isolado do ponto de vista da legislação do imposto sobre a renda. Resultados que são meros reflexos contábeis emanados da aplicação do MEP, incapazes de serem distribuídos aos acionistas salvo distribuição prévia dos dividendos da pessoa jurídica operacional destinada às holdings, ainda que se aceite a possibilidade de que Fl. 780DF CARF MF 18 nestas possam ser capitalizados, não podem acarretar o incremento no custo de aquisição das participações societárias. No caso em tela, as sucessivas capitalizações dos resultados advindos da aplicação do MEP, primeiro na Nova Pactual Participações Ltda. e posteriormente na Pactual S/A, geraram majorações abusivas do custo de aquisição no curso dos procedimentos de incorporação inversas e reorganização societária, em total descompasso com o incremento das disponibilidades passíveis de distribuição na instituição financeira Banco Pactual S/A., não sendo tais operações, por conseguinte, oponíveis ao Fisco. O custo de aquisição como valor pago, investido ou despendido em um determinado bem ou direito não pode ser inovado. Os aumentos de capital promovidos pelo recorrente e utilizados como justificativa para majoração dos custos de aquisição tiveram sua origem em um único fato econômico: o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A. Desta forma, não é razoável a possibilidade de utilização infinita dos mesmos lucros/reservas (único fato econômico) por falta de absoluta e expressa previsão legal. A prevalecer entendimento nesse sentido, a depender do número de holdings interpostas entre pessoas físicas e pessoas jurídicas, o ganho de capital pode, inclusive, alcançar um valor igual a zero. O recorrente, ao promover sucessivas majorações do custo de aquisição de suas participações societárias com supedâneo em correspondentes capitalizações de lucros que sequer poderiam ser distribuídos, sendo meros reflexos do MEP nas holdings em apreço, incorreu em equivocada qualificação jurídica dos fatos, mediante interpretação da norma contida no parágrafo único do art. 10 da Lei n. 9.249/95 em discordância com os seus fins, acarretando violação ao princípio da proporcionalidade no acréscimo do custo de aquisição constatado, oriundo de meros reflexos contábeis sem substrato fático. Nos termos do inciso III do art. 11 da Lei Complementar n. 95, de 26 de fevereiro de 1984, os parágrafos de uma lei expressam os aspectos complementares à norma enunciado do caput do artigo e as exceções à regra por esta estabelecida. Resulta assim descabida qualquer interpretação assistemática do já citado parágrafo único sem o devido cotejo com o correspondente caput. O recorrente enfatiza que várias eram as alternativas para ser realizada a venda à UBS Brasil Participações, bem como para reestruturar as sociedades envolvidas na operação. A realidade, contudo, é que escolheu deliberadamente, de modo planejado, o procedimento tal e qual narrado nos tópicos acima, e que, levado a efeito, implicou em claro e substancial ganho tributário para as pessoas físicas que alienaram suas participações, mediante o abusivo incremento no custo de suas participações societárias. Por seu turno, devese reconhecer que não resta demonstrado pela autoridade lançadora ter sido a economia tributária o único motivo pelo qual as capitalizações de resultados e as respectivas incorporações reversas ocorreram. Por outro lado, também não tem razão o recorrente quando parece indicar que tal economia seria efeito de menor importância dentro do contexto dos eventos. Ainda que não tenha sido o único motivo pelo qual a reestruturação societária tenha sido realizada da maneira que se verificou, é inequívoco que o aspecto tributário foi fundamental e extremamente significativo para sua elaboração e consecução, tanto mais quando se verifica que o custo de aquisição para os detentores das participações societárias foi, por consequência, em muito majorado para o recorrente, especificamente, vez que cresceu a uma taxa de 146,30%, frente ao aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual na casa de 84,45%. Outro ponto importante a enfatizar é que não houve qualquer arbitramento do custo de aquisição por parte da Fiscalização da RFB. Verificada a utilização distorcida dos Fl. 781DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 110 19 ditames do parágrafo único do art. 10 da Lei n. 9.249/95, foram devidamente examinados os demonstrativos financeiros e laudos de avaliação do patrimônio líquido apresentados pelo contribuinte. Em decorrência dessa análise dos elementos componentes do patrimônio, foram devidamente caracterizados os valores que poderiam ter sido objeto de integralização com base no dispositivo em comento, conforme exposto no TVF (fls. 342/361), a partir dos quais foi estabelecido o custo de aquisição para o recorrente, com base na sua participação nas ações integrantes do capital do Banco Pactual S/A. Observese que caberia ao recorrente o ônus de apontar especificamente os eventuais desacertos dos cálculos da Fiscalização da RFB e o prejuízo que deles tivesse advindo, o que não resta suprido pela mera alegação genérica de que se realizou arbitramento sem respaldo no art. 135 do RIR/99. Destarte, resta sobejamente caracterizada nos autos a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada. Nesse contexto, é oportuno resgatar a decisão proferida pela 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que apreciou, na sessão de julgamento de 22 de fevereiro de 2017, Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte consubstanciada no Acórdão n. 9202005.240, do qual se extrai o excerto da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ANOCALENDÁRIO: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. [...] Em relação à multa qualificada, o § 1º. do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964 é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessária a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Tratase, pois, de um dolo específico. Fl. 782DF CARF MF 20 Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo (no caso, específico) a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Entretanto, não obstante o diligente trabalho desenvolvido pela Fiscalização da RFB, não foram coligidos elementos de prova suficientes e inequívocos com força bastante a amparar a imputação da qualificação da multa de ofício, vez que os fatos relatados no TVF (fls. 342/361) não se mostram suficientes para caracterizar o dolo específico do recorrente em fraudar a legislação tributária. O fato de as operações terem se utilizado de incorporações reversas para atingir seus objetivos pode, efetivamente, servir de elemento indiciário da existência de planejamento tributário, mas nada revela, per si, sobre sua licitude/ilicitude ou validade/ invalidade perante o Fisco, visto que se trata, como já mencionado, de procedimento com previsão legal no § 4º. do art. 264 da Lei das S/A. Todos os atos realizados entre as partes visavam exatamente o objetivo pretendido e exteriorizado, que era o de vender a participação societária que as pessoas físicas detinham na empresa operacional. Nenhum dos atos praticados tiveram a intenção de esconder ou mascarar tal objetivo. As operações foram levadas ao conhecimento de todas as autoridades responsáveis e devidamente aprovadas. Destarte, não há que se falar em simulação, como suscitado pela Fiscalização da RFB no TVF (fls. 342/361). Na análise dos juros de mora sobre a multa de ofício, cabe destacar que na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Codex tributário deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 do CTN, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar ao regrar no art. 61 da Lei n. 9.430/96 que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo "decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp n. 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DESEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 19515.722154/201315 Acórdão n.º 2402005.946 S2C4T2 Fl. 111 21 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Por fim, é oportuno destacar que não recai sobre os órgãos de julgamento, em qualquer instância administrativa, o ônus de aduzir fatos novos quando da apreciação da lide tributária, notadamente quando carreados aos autos todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive no sentido do reconhecimento parcial do pedido do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 657/730), REJEITAR A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%. (Assinado Digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 784DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720175/2016-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011
APURAÇÃO DO IMPOSTO NO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Na hipótese de a autoridade fiscal ter calculado o imposto a ser lançado diretamente a partir do valor tributável da infração, sem a recomposição da apuração do imposto a pagar, é necessária e obrigatória a dedução do montante apurado no período a título de saldo negativo, desde que tal crédito não tenha sido objeto de utilização em pedido de restituição ou em declaração de compensação.
Numero da decisão: 1402-002.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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DEDUÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Na hipótese de a autoridade fiscal ter calculado o imposto a ser lançado diretamente a partir do valor tributável da infração, sem a recomposição da apuração do imposto a pagar, é necessária e obrigatória a dedução do montante apurado no período a título de saldo negativo, desde que tal crédito não tenha sido objeto de utilização em pedido de restituição ou em declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 75 /2 01 6- 60 Fl. 158DF CARF MF 2 Tratase de Recurso de Ofício ante decisão da DRJ que julgou por procedente impugnação do contribuinte Banco Safra S/A para exonerálo de crédito tributário cobrado em função de suposta compensação de prejuízo fiscal em excesso. Em impugnação sustentou o contribuinte que a autoridade fiscal ignorou o valor apurado pelo contribuinte a título de saldo negativo o que conduz a ausência de qualquer saldo de imposto a recolher havendo, inclusive, crédito de imposto a restituir/compensar. Ao apreciar a impugnação do contribuinte a DRJ entendeu assistir razão ao contribuinte restando o acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 APURAÇÃO DO IMPOSTO NO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Na hipótese de a autoridade fiscal ter calculado o imposto a ser lançado diretamente a partir do valor tributável da infração, sem a recomposição da apuração do imposto a pagar, é necessária e obrigatória a dedução do montante apurado no período a título de saldo negativo, desde que tal crédito não tenha sido objeto de utilização em pedido de restituição ou em declaração de compensação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Considerando que exonerado crédito tributário exigido e determinado a redução do saldo negativo apurado na DIPJ de R$ 11.786.832,79 para R$ 2.944.774,07, portanto, em valor que supera o fixado na Portaria n.63/2017 submetida a decisão ao presente Recurso de Ofício ora posto em julgamento neste colegiado.. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.720175/201660 Acórdão n.º 1402002.836 S1C4T2 Fl. 1.112 3 O Recurso de Ofício submete a decisão recorrida a condição de eficácia de confirmação ou revogação da decisão antes proferida pela DRJ que em análise aprofundada entendeu por exonerar o crédito tributário exigido do contribuinte sob a imputação fiscal de compensação de prejuízos fiscais em excesso. A DRJ ao proceder minuciosa análise do Sistema PER/ DCOMP constatou que assiste razão ao contribuinte ao que peço vênia aos colegasconselheiros para transcrição parcial da decisão que adoto como razões de decidir: Restou demonstrado, pois, que o contribuinte apurou saldo negativo para o ano 2011 e não utilizou este crédito em PER ou em Dcomp. Em adição a isto, há que se considerar que as deduções do imposto devido declaradas na DIPJ, que compõem o referido crédito, não foram questionadas pela autoridade fiscal no presente lançamento, assim como no auto de infração objeto do processo nº 16327.720075/201633 (vide cópia do auto de infração por mim anexada às fls. 126 a 138). 10. Assim, tais verificações permitem concluir que a autoridade fiscal deveria obrigatoriamente ter considerado na apuração do imposto lançado no presente processo e no outro o saldo negativo do período, o que não fez, conforme pode ser visto nos demonstrativos de apuração dos referidos lançamentos, parcialmente copiados a seguir: (...) Não tendo sido utilizado o saldo negativo em compensação ou em pedido de restituição, a sua dedução no lançamento de ofício somente seria desnecessária caso a autoridade fiscal tivesse recomposto a apuração do saldo de imposto a pagar, ou seja, tivesse apurado o imposto a ser lançado da seguinte forma: (i) adição da infração ao lucro real apurado pelo contribuinte; (ii) cálculo do imposto (15%) e do adicional com base neste lucro real ajustado; (iii) dedução dos montantes declarados (e não glosados) a título de estimativa, de imposto pago no exterior, e de incentivos a operações de caráter cultural e artístico, ao PAT, a atividade audiovisuais, aos fundos dos direitos da criança e do adolescente, etc; (iv) dedução do imposto de renda a pagar apurado na declaração (no caso seria zero, pois foi declarado saldo negativo). Como no presente caso a autoridade fiscal calculou o imposto a lançar diretamente a partir do valor da infração, a dedução do saldo negativo é obrigatória. 12. Ao deduzir o crédito de R$ 11.786.832,79 (saldo negativo) do montante do imposto apurado pela autoridade fiscal (R$ 8.842.058,72), apurase ser integralmente improcedente a exigência de imposto a pagar, permanecendo ainda um crédito de R$ 2.944.774,07, o qual será considerado por este colegiado quando do julgamento do processo nº 16327.720075/201633 (onde também não houve recomposição do cálculo do imposto a pagar). 12.1. Ou seja, o crédito tributário constituído deve ser exonerado, mas cabe considerar a devida da redução do saldo negativo declarado de R$ 11.786.832,79 para R$ 2.944.774,07 no presente processo, haja vista a procedência da infração apurada que gerou um imposto devido de R$ 8.842.057,72 (glosa da compensação de prejuízo; não contestada). Fl. 160DF CARF MF 4 Diante das razões de decidir supratranscritas voto por julgar improcedente o recurso de ofício mantendo a decisão nos exatos termos em que proferida para exonerar o crédito tributário e reconhecer o saldo negativo apurado para R$ 2.944.774,07. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
