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Numero do processo: 18471.001339/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA E VENDA DE MERCADORIA SEM TRANSITAR NA CONTA DE ESTOQUE. NÃO DEMONSTRADA..
Deve ser cancelado o lançamento quando não configurada a omissão de receitas, pois equivocou-se o autuante quando entendeu que os valores creditados à conta de ativo e debitados à despesa se tratavam de omissão de vendas e, por sua vez, os valores debitados à conta de ativos e creditados à despesa se tratavam de omissão de compras, já que não houve impacto no resultado contábil o lançamento do mesmo montante a débito e a crédito da conta de despesa.
OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA DE EQUIPAMENTO COM LANÇAMENTO EM CONTA DE DESPESA. NÃO DEMONSTRADA.
Deve ser cancelado o lançamento quando verificado que o autuante analisou apenas a primeira parte dos lançamentos contábeis efetuados, ou seja, o lançamento a débito de contas a receber e a crédito de despesa, o qual foi, pelo menos no que tange a despesa, anulado pelo lançamento a débito de despesa e a crédito de estoque.
Equivocado o enquadramento legal da autuação no art. 41 da Lei 9.430/96, o qual trata de levantamento quantitativo por espécie das quantidades de mercadorias adquiridas para revenda (§ 3º do mesmo dispositivo), mesmo porque impossível fazê-lo apenas pela análise da escrituração contábil.
GLOSA DE DESPESAS. PERDA NA REALIZAÇÃO DE CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantido o lançamento quando a recorrente não logra demonstrar que atendia as condições de dedutibilidade das despesas (valor, data de vencimento e devedor), para os débitos até R$ 5.000,00 por operação, inclusive com apresentação de lastro documental, ainda que por amostragem.
DECADÊNCIA. COFINS e PIS.
Aos lançamentos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplica-se o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de NULIDADE da decisão de 1a. instância; 2) por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de conexão; 3) por unanimidade de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 001 do auto de infração de IRPJ; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 002 do auto de infração de IRPJ; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 004 do auto de infração de IRPJ, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, que convertia o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente TELERJ CELULAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA E VENDA DE MERCADORIA SEM TRANSITAR NA CONTA DE ESTOQUE. NÃO DEMONSTRADA.. Deve ser cancelado o lançamento quando não configurada a omissão de receitas, pois equivocouse o autuante quando entendeu que os valores creditados à conta de ativo e debitados à despesa se tratavam de omissão de vendas e, por sua vez, os valores debitados à conta de ativos e creditados à despesa se tratavam de omissão de compras, já que não houve impacto no resultado contábil o lançamento do mesmo montante a débito e a crédito da conta de despesa. OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA DE EQUIPAMENTO COM LANÇAMENTO EM CONTA DE DESPESA. NÃO DEMONSTRADA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 39 /2 00 5- 65 Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 DECADÊNCIA. COFINS e PIS. Aos lançamentos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplicase o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de NULIDADE da decisão de 1a. instância; 2) por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de conexão; 3) por unanimidade de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 001 do auto de infração de IRPJ; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 002 do auto de infração de IRPJ; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 004 do auto de infração de IRPJ, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, que convertia o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 9.764 da 1ª Turma da DRJ/RJO1, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. DESCABIMENTO. Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.779 3 Descabe a alegação da ocorrência de cerceamento do direito de defesa, quando os prazos concedidos estão de acordo com a legislação e as peças que compõem os autos descrevem, de forma clara e precisa, tanto as irregularidades apuradas, como as devidas capitulações legais infringidas. Preliminar rejeitada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Iniciase a contagem do período decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o tributo poderia vir a ser lançado, na forma do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Preliminar rejeitada. PERÍCIA. NEGADA. A perícia se reserva A elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA APÓS A IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos1 ou razões posteriormente trazidos aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. A insuficiência de registro na escrituração comercial de compras e vendas revelase a omissão de receitas. CUSTOS OU DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Computase na apuração do resultado do exercício somente os custos ou as despesas que, além de guardarem conexão com atividade explorada e com a manutenção da fonte de receita, forem comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. PESSOA DOMICILIADA NO EXTERIOR. DESPESAS INDEDUTIVEIS. São indedutiveis como despesas operacionais as importâncias pagas a pessoas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica na falta de contrato de prestação de serviços averbado no INPI ou da comprovação da efetividade desses serviços. DESPESAS COM DOAÇÕES. LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Dada a expressa disposição legal vedando a dedutibilidade de despesas com doações, os gastos desta natureza configuramse mera liberalidade da empresa, consideramse tais despesas como indedutiveis para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. DECADÊNCIA. LEI ESPECIFICA. O instituto da decadência, quanto às contribuições, regese segundo lei específica (Lei 8.212/91), em obediência ao disposto no § 4° do art. 150 do CTN. O prazo decadencial para as contribuições é de 10 anos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos demais lançamentos, com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, ressalvados os casos em que outras razões de ordem jurídica lhes deteiminem tratamento diverso. Lançamento Procedente Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 A recorrente tomou ciência da decisão recorrida na sextafeira de 31/03/2006, conforme AR a fls. 521, e interpôs recurso voluntário em 02/05/2006 (doc. a fls. 556 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que se trata de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para a cobrança de tributos e contribuições federais pelos seguintes fundamentos: 1) OMISSÃO DE RECEITAS caracterizada pela compra e venda de aparelhos sem documentação comprobatória contabilizada diretamente na conta de despesa de n° 320.81.290, sem transitar na conta de estoque ou similar, no valor de R$ 21.677.179,74; 2) OMISSÃO DE RECEITAS caracterizada pela compra de equipamentos, em 31/03/2000, com lançamento contábil na conta de despesa n° 320.81.290, sem transitar na conta de estoque, tendo como contrapartida a conta n° 112.31.310, com a discriminação em dólar, no valor de R$ 3.529.584,04; 3) GLOSA DE CUSTOS. A empresa, através das contas n°s 312.89.120 e 312.29.140, baixou como despesas valores que alega ter faturado e não identificado o pagamento, porém não comprova a operação individualizada contabilmente por cliente, nos valores de R$ 900.427,87 (conta 312.29.140) e R$ 460.206,89 (conta 312.89.120); 4) BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR, conforme detalhado no Anexo ao auto de infração, a empresa contabilizou indevidamente como despesa de Assistência Técnica com Exterior, até 30/11/2000, o valor total de R$ 16.350.533,63; 5) DESPESA INDEDUTÍVEL, deduziu indevidamente como despesas de doações de cartão celular as cortesias efetuadas que constam da conta n° 312.89.820, no valor de R$ 2.459.843,55 em 30.11.2000; e, 6) GLOSA DE DESPESA porque a empresa não comprovou através de qualquer documentação hábil que os valores contabilizados como PERDA POR NÃO PAGAMENTO DE ASSINANTE NA CONTA n° 312.89.150, mensalmente de forma sintética, em valores superiores a R$ 5.000,00, sem discriminar o assinante e seus dados, a data que alega ter sido faturado, os valores individualizados e demais elementos de comprovação, no valor total de R$ 65.574.194,40; b) que se faz necessário a realização de perícia no presente caso e a sua não realização implica em cerceamento do direito de defesa; c) que a limitação imposta pelo § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 é inconstitucional por incompatível com o princípio da verdade material; d) que, com o advento da Lei n° 8.383, de 1991, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser devido mensalmente, à medida que os lucros fossem auferidos e, portanto, com a obrigatoriedade de as empresas apurarem a base de cálculo e o imposto devido a cada mês, sendo que, nenhuma solução de continuidade houve com a superveniência das Leis n° 8.541, de 1992, e 8.981, de 1995, que mantiveram o sistema de bases correntes para as pessoas jurídicas; e) que relativamente à contribuição social sobre o lucro, determinam os diplomas legais acima citados que a ela aplicamse as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (art. 38 da Lei n° 8.541/92 e art. 57 da Lei n° 8.981/95); f) que o auto de infração foi lavrado em 18/10/2005, tendo a Recorrente tomado ciência em 20/10/2005 e nele foram lançados fatos geradores de janeiro a e setembro de 2000, logo, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, operouse a preclusão total, decaindo o direito de a Fazenda Nacional constituir o suposto crédito tributário, não havendo, assim, que se exigir da Recorrente o pagamento do imposto de renda e das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL relativas aos meses de janeiro a setembro de 2000 porque atingidas pela decadência; g) no que tange à omissão de receita pela compra e venda de aparelhos sem transitar na conta de estoque, pelo lançamento a débito e a crédito da mesma conta, sustenta que: Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.780 5 g.1) que, em 01/01/2000, a recorrente implantou novo sistema contábil, denominado SAP/R3, em substituição ao sistema anterior, denominado SISCORP, sendo que o novo sistema possui nomenclaturas do plano de contas diferentes das anteriores, razão pela qual foi necessária a segregação dos valores de uma única conta em uma ou mais contas, conforme denotase facilmente pela simples comparação entre o plano de contas do mês de dezembro de 1999 (sistema SISCORP), e o plano de contas do mês de janeiro de 2000, quando já se encontrava em uso o sistema SAP. (doc. n° 03); g.2) que, em decorrência da implantação do novo sistema contábil (SAP/R3— parametrização do módulo MM), para transferir os saldos das contas patrimoniais da antiga nomenclatura para a nova, tendo em vista a impossibilidade de inclusão, por exemplo, da conta referente aos aparelhos analógicos, a Recorrente utilizou em contrapartida a conta de despesa n° 320.81.290, debitando e creditando o mesmo valor, ou seja, levou a débito da conta n° 320.81.290 o total de R$ 10.838.589,72 e a crédito, R$ 10.838.589,72 (valor total que não pôde ser lançado no sistema SAP, por dificuldades operacionais), anulando qualquer efeito no resultado do exercício, conforme podese verificar pela cópia das folhas correspondentes do livro Razão de janeiro e fevereiro de 2000. (doc.n° 4); g.3) que, tanto é assim, que a conta despesa nº 320.81.290 foi criada e utilizada apenas para esse fim, conforme se pode auferir pela cópia do balancete sintético da empresa referente ao anocalendário de 2000 (doc. nº 5), o qual demonstra que a referida conta não possui movimentação desde março do referido ano; g.4) que faltou, na verdade, foi uma análise detalhada da conta n° 320.81.290 (fls. 7415 do PTA), pois os lançamentos efetuados pela Recorrente não afetaram o resultado do exercício e, conseqüentemente, a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro; h) no que tange à omissão de receita pela compra de equipamento com lançamento em conta de despesa, sustenta que: h.1) que alega a Fiscalização que a Recorrente deixou de contabilizar custos referente à aquisição de aparelho celular digital LGC 330W, em 31.03.2000, no valor de R$ 3.529.584,04, contabilizado diretamente na conta de resultado, de n° 320.81.290, sem transitar na conta de estoque, em contra partida a conta n° 112.31.310; h.2) que tratase de bonificação recebida de seus fornecedores que, na compra de uma determinada quantidade de produtos, faz jus a uma bonificação (em aparelhos) estipulada em dólares americanos; h.3) que recebeu a bonificação de R$ 3.529.373,18 da LG ELECTRONICS, equivalente a US$ 1.500.000,00 e US$ 499.984,00, a Recorrente contabilizou a crédito da conta de despesa n° 320.81.290 (Outras Perdas Baixadas Almoxarifado) em contrapartida da conta n° 112.31.310 (Contas a Receber) (fls. 75) e, ato contínuo, debitou a conta de estoque (112.76.100) pelo valor equivalente dos aparelhos recebidos, em contrapartida da conta n°112.31.310 (Contas a Receber) (fls. 76 a 80); h.4) que, para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, o crédito em uma conta de despesa tem o mesmo efeito de um lançamento em conta de receita a primeira reduz a despesa e, conseqüentemente, aumenta o lucro; i) no que tange à glosa de custos pela não comprovação da operação individualizada por clientes: fraude contra a impugnante e contas canceladas, sustenta que: Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 i.1) que, não obstante tenha apresentado os arquivos magnéticos com as informações solicitadas, a Fiscalização glosou os valores lançados nas contas de n°s 312.89.120 (Fraude) e 312.89.140 (Contas Baixadas Faturamento) porque a Recorrente não comprovou “a operação individualizada contabilmente por cliente”; i.2) que a Recorrente mantém milhares de contratos de prestação de serviços de telefonia, logo, a exigência de juntada aos autos de relatório contendo as operações individualizadas por cliente, é absurda; i.3) que as informações solicitadas pelo Fisco encontramse à disposição na sede da Recorrente, no sistema de origem e que o indeferimento da perícia implica em cerceamento do direito de defesa da Recorrente; i.4) que a legislação do imposto de renda permite a dedução das perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica (art. 340 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999); i.5) que, no caso de créditos sem garantia (hipótese dos autos) de valor até R$ 5.000,00, por operação, vencidos há mais de seis meses, independente de iniciados os procedimentos judiciais para seu recebimento, podem ser registrados como perda; i.6) que, no caso de empresas mercantis, a operação será caracterizada pela emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal (art. 24, §§ 2° e 3°); i.7) que, no caso dos autos, a fatura emitida para cada cliente constitui a operação que fundamenta o registro da perda, assim e embora da análise do razão analítico da Recorrente (doc. 05, da Impugnação) registre valores superiores a R$ 5.000,00, na verdade tratase de lançamento que engloba diversos clientes na mesma situação, logo, o detalhamento da conta se faz necessário e a não concessão do prazo requerido prejudicou sobremaneira a Impugnante; i.8) que o lançamento não pode prevalecer porque, além de contaminado pelo vicio da nulidade, as perdas efetivamente ocorreram em decorrência das fraudes (linhas clonadas) e do cancelamento de faturas emitidas em duplicidade (doc. n° 06, da Impugnação); j) no que tange à glosa de despesa por falta de comprovação, sustenta que: j.1) que tratase de glosa dos lançamentos registrados na conta nº 312.89.150, “Perda por não Pagamento de Assinante” (fl. 73) ao argumento de que a impugnante “deixou de comprovar através de documentação hábil esta operação” j.2) que considerando a complexidade do sistema e o exíguo prazo para cumprimento da intimação nos moldes solicitados, solicitou prazo de 75 (setenta e cinco) dias para desenvolver um programa especifico capaz de detalhar as informações desejadas; j.3) que a Fiscalização, contudo, não concedeu o prazo e tributou o total da conta (R$ 65.574.194,40) "não só por infração ao disposto no art. 340 do RIR por não individualizar os valores inferiores a R$ 5.000,00, mas principalmente por ter deixado de comprovar a veracidade das despesas quando alega e não comprova a falta de recebimento das assinaturas (...)"; j.4) que a Recorrente anexa ao presente Recurso o demonstrativo dos lançamentos contábeis referentes ao anocalendário de 2000 (mês a mês), contendo o total das receitas e o valor das perdas contabilizadas, acompanhadas das folhas do livro Razão contábil e do livro Diário dos meses correspondentes, onde fica claramente demonstrada a contabilização das receitas tributadas, com a identificação dos valores das perdas em confronto com as receitas, restando claro que os valores glosados pela fiscalização estavam incluídos no "contas a receber".(doc. n° 06); Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.781 7 l) no que tange à glosa de despesa com assistência técnica, científica ou tecnológica – beneficiário no exterior, sustenta que: l.1) que Fiscalização glosou a importância de R$ 16.350.533,63 por entender que a Impugnante teria cometido as seguintes irregularidades: (a) falta de avaliação e averbação pelo INPI do contrato de prestação de serviços de consultoria; (b) negativa do INPI para averbação na forma de pagamento estabelecido no contrato que é contrario à legislação em vigor; (c) infração ao disposto nos itens I e II da IN SRF n° 005/74 que disciplinou a Lei n° 5.772/71 (Código de Propriedade Industrial); e (d) falta de comprovação da efetividade dos serviços prestados; l.2) que, em 10.01.2000, a Recorrente formalizou junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial — INPI, processo de consulta e posterior averbação do Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria celebrado com a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A — TISA, sociedade unipessoal sediada na cidade de Madrid, Espanha (fls. 57, 92 a 102); l.3) que os itens “a” e “e” do Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria celebrado com a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A — TISA, sociedade unipessoal sediada na cidade de Madrid, Espanha (fls. 57, 92 a 102), não se ajustam às determinações da Lei n° 9.279/96 (legislação que substituiu a Lei n° 5.772/71) porque o INPI só efetua registro de atos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros (art. 211 da Lei n° 9.279/96), no mesmo sentido, as orientações do Ato Normativo INPI n° 135/1997; l.4) que a reformulação de estrutura organizacional e disponibilização de pessoal não significa transferência de tecnologia, logo, o INPI, ao solicitar esclarecimentos à Recorrente, noticiou que aqueles itens não seriam passíveis de averbação, mas isto não significa, em absoluto, que o contrato estaria invalidado e, portanto, não averbado; l.5) que a Fiscalização questionou a efetividade dos serviços prestados; l.7) que serviços de assistência técnica na área de telefonia ajustamse ao conceito de despesa necessária a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte, logo, são despesas operacionais normais e usuais ao tipo de atividade da empresa (art. 299 do RIR/99); l.8) que, em decorrência do aporte técnico e do conhecimento do negócio pela TISA às operadoras de telefonia, foi possível a introdução da tecnologia digital, a ampliação do centro de atendimento ao cliente, redução da taxa de habilitação e do preço do aparelho, lançamento do sistema prépago, do emocion (serviço de acesso à Internet pelo celular), dentre outros; l.9) que solicitou, junto a Telefônica Internacional S/A, os relatórios técnicos da prestação de serviços de telecomunicações. Até o momento não conseguiu obter a documentação completa das operações descritas; l.10) que a não averbação do contrato no INPI não constitui óbice para que a Recorrente possa deduzir os pagamentos efetuados a título de assistência técnica; l.11) que possível a dedutibilidade das despesas pagas durante a tramitação do processo de averbação no INPI; m) no que tange à glosa de despesas com doações de cartão celular, sustenta que: Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 m.1) que a Fiscalização afirma que a recorrente teria contabilizado indevidamente como despesa de doação com cartão celular, os valores distribuídos através de cartões prépagos, sem discriminação individual dos beneficiários; m.2) que a conta n° 312.89.820 registra, na verdade, custo dos cartões de Packs (doc. n° 07, da Impugnação), logo, se é custo operacional, não há falar em discriminação individual dos beneficiários; m.3) o custo de produção dos bens ou dos serviços prestados constitui redução da receita bruta (art. 290 do RIR/99 c/c art. 187 da Lei no 6.404/76) e que uma reclassificação contábil nas contas demonstraria que o resultado do exercício permaneceria, logo, não houve prejuízo na apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social.; m.4) que a administração tributária, em solução de consulta, manifestouse no sentido de que: “Aparelhos entregues gratuitamente por empresas de telefonia. São dedutiveis, para os efeitos do imposto de renda e da CSLL, o custo de aparelhos entregues gratuitamente pelas empresas de telefonia a seus clientes em cumprimento de programas de fidelidade” (Dec. 6ª RF 250/00); m.5) que com muito mais razão, são dedutíveis as despesas com os cartões de Packs por se tratar de cortesia a clientes. Em resposta à diligência solicitada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, a DRF/RJO/DIFIS (no doc. a fls. 1840) informou que: “A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência — Resolução . n° 1051.298, de fls. 374/376, para que se procedesse a verificação dos novos documentos apresentados pela interessada após o oferecimento do recurso voluntário. Tal documentação se constitui de dois CDs, de fls. 256 (documentos n° 3 e 4), Cópias de notas fiscais de entradas e saídas, de fls. 258/330 (documento nº 5) e o Certificado de Averbação de fatura de serviços de assistência técnica junto ao INPI fls. 361. OS CDs visam a comprovação dos custos e despesas relativos aos itens de nº 001 e 002 do Auto de Infração (fls. 36/37), os quais se referem a perdas por cancelamento de faturas, fraudes e inadimplência dos assinantes. As glosas se deveram, de acordo com a descrição dos fatos, pela falta de identificação e individualização das operações que lhes deram origem, bem como, consequentemente, da falta de comprovação de registro das respectivas receitas que, anteriormente, deveriam ter sido oferecidas à tributação. Nesse aspecto, os arquivos apresentados, dissociados dos registros contábeis e da documentação suporte, não atendem aos requisitos legais para comprovação de custos e despesas, além de não serem conclusivos, já que se limitam a relacionar dados detalhados de receitas e perdas, individualizadas por cliente. Quanto às notas fiscais, teriam o condão de refutar o item de n° 004 do referido auto de inflação (fls. 38/39), qual seja, a indedutibilidade de doações de cartões telefônicos por falta de previsão legal. Os documentos acostados são notas de compra (fls. 315/330) e venda (fls. 258/314) de aparelhos celulares, emitidas, respectivamente, pela interessada e por seu fornecedor. A descrição das notas de venda deixa claro que os mencionados cartões são, efetivamente, oferecidos como bônus. Portanto, também não trazem aos autos qualquer fato novo que possa modificar o lançamento. Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.782 9 Por fim, a título de impugnação ao item de n° 003 (fls. 37/38), juntou o mencionado Certificado de Averbação da fatura dos serviços que teriam sido prestados pela sua sócia estrangeira, no período compreendido entre o 4º trimestre de 2.000 e o 2° trimestre de 2006. Referido documento, no entanto, não encerra todos os requisitos legais exigidos para a dedução de despesas de tal natureza, além de não refutar todas as irregularidades apontadas na descrição dos fatos, como a falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços faturados. Dessa forma, cumprida a diligência solicitada, sem que se tenha verificado qualquer fato que possa resultar em alteração do lançamento original, proponho o retorno do processo ao PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.” A fls. 1839 e segs., a recorrente, já cientificada do relatório de diligência, assim se pronuncia: “Não obstante o auto de infração (doc. 01) narrar fatos do ano calendário de 2000, o lançamento consubstanciado nos presentes autos (Recurso n° 164.929) referese ao período de apuração 01/01 a 30/11/2000 em razão da incorporação ocorrida em 30/11/2000. O lançamento referente a dezembro/2000 (doc. 02) compõe o processo de n° 18471.001408/200531, distribuído à Quinta Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes (Recurso nº 154.149). Registrese que, além de constar dos dois processos mencionados (cujos Recursos Voluntários são os de n°s 164.929 e 154.149), a infração (item "d" supra) glosa das despesas de assistência técnica no exterior pela "falta de avaliação e averbagão no INPI do contrato, falta de explicitação do custo homem/hora; infração aos itens I e II da IN SRF 005/74 e falta de comprovação da efetividade do serviço" também foi objeto de lançamento nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003, cujo crédito tributário integra os autos do processo n° 18471.001653/200629 (doc. 03), igualmente distribuído à Quinta Câmara deste Primeiro Conselho (Recurso n° 164.450 — em pauta de julgamento na sessão de 17.12.2008). De se ver que os fatos e elementos de prova das supostas irregularidades discutidas nestes autos são idênticas às matérias objeto dos Recursos n°s 154.149 e 164.450. É dizer, o mesmo contrato de assistência técnica com a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A TISA gerou a glosa das despesas dele decorrente em três autos de infração distintos, ao fundamento da suposta não averbação daquele no INPI. Ora, de acordo com o § 1° do art. 9° do Decreto nº 70.235/72, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. Assim é que as provas necessárias para o deslinde do litígio nestes autos já estão produzidas nos processos distribuídos à Quinta Câmara (Recurso n° 154.149 e 164.450). Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Deveras, a instrução probatória nos autos dos processos mencionados encontrase em estágio mais avançado, enquanto, nos presentes autos, está ainda a depender da manifestação desta Colenda Câmara quanto ao pedido de perícia negado pela DRJ. Todavia, nos autos do processo n° 18471.001408/200531 (Recurso n° 154.149), foram efetuadas diligências por ordem da Câmara responsável pelo julgamento daquele processo, abordando os fatos referentes ao mesmo anocalendário de que tratam os presentes autos, tendo sido auditadas, inclusive, as contas contábeis examinadas pela fiscalização que deram suporte ao auto de infração ora objurgado. Assim, dada a conexão entre os processos citados, necessária a reunião de todos ou, pelo menos, o julgamento em conjunto dos mesmos a fim de que a solução seja uniforme, evitando decisões díspares e contraditórias acerca dos fatos in examine. Ressaltese que em razão dos inúmeros documentos apresentados pela Recorrente no Recurso n° 154.149 (arquivos magnéticos com as informações individualizadas por cliente em CD’s os quais contêm a descrição detalhada de toda a Receita provisionada pela Recorrente no período de abril a julho de 2000, bem como a composição das perdas ocorridas em dezembro de 2000 cuja origem é a receita contabilizada em maio e junho de 2000 , também com detalhamento cliente a cliente; contrato de prestação de serviços por residente no exterior devidamente averbado no INPI), os autos foram baixados em diligência, ocasião em que todas as informações restaram confirmadas no Relatório da diligência (Resolução n° 1051.298) na medida em que a autoridade fiscal constatou que os arquivos apresentados pela Recorrente relacionaram "dados detalhados de receitas e perdas individualizadas por cliente". Ora, o fundamento daquela autuação restou totalmente esvaziado com o resultado da diligência fiscal. Quanto à glosa das despesas de assistência técnica no exterior, a discussão tornouse despicienda porque, em 16 de novembro de 2006, a Recorrente recebeu, como última etapa dos procedimentos que visavam à averbação do Contrato/Fatura junto ao INPI, o CERTIFICADO DE AVERBAÇÃO DE TECNOLOGIA n° 060915/01, emitido de acordo com a Lei n° 9.279/96 — Lei da Propriedade Industrial (doc. 04). Não houve negativa do INPI para averbar contrato como quer acreditar a Fiscalização. Como se não bastasse, além da glosa das despesas de assistência técnica no exterior objeto desses autos, a Fiscalização, em relação à matéria, também procedeu a outro lançamento, a titulo de imposto de renda na fonte sobre os valores lançados a crédito do passivo ao argumento de que os créditos decorrentes das provisões de assistência técnica constituiriam fato gerador do imposto (processo n° 18471.001342/200589), além do auto de infração já mencionado, a título de imposto de renda e contribuição social nos anoscalendários de 2001, 2002 e 2003 (processo n° 18471.001653/200629 — Recurso n° 164.450, doc. n° 03, cit.) No processo n° 18471.001342/200589, a base de cálculo do imposto de fonte teve como fundamento o mero lançamento das provisões, seus Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.783 11 ajustes e variações cambiais correlatas. A autuação foi promovida com base nos registros contidos nas contas do razão de nºs 313.31.610 (conta de despesa de assistência técnica), 211.28.100 e 211.21.194 (conta do passivo, relativa à provisão de assistência), relativos ao contrato de consultoria celebrado entre a Recorrente e a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A — TISA. Os lançamentos nos dois processos consideram os mesmos fatos, ou seja, no processo n° 18471.001653/200329 a Fiscalização glosou a conta de despesa por falta de comprovação; no processo n° 18471.001342/200589, considerou a conta de passivo para tributar as provisões como se fato gerador do imposto de fonte fosse. No julgamento do processo n° 18471.001342/200589 prevaleceu a tese da Recorrente eis que a simples celebração do contrato e lançamentos contábeis não autorizam a exigência do IRRF, sendo imprescindível a efetiva remessa dos valores aos beneficiários no exterior a teor do parágrafo único do art. 708 do RIR/99. A decisão foi mantida por este Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda na apreciação do recurso de oficio interposto (Acórdão nº 10248.271 – doc. 05). Ocorre que no processo de n° 18471.001342/200589 também existem documentos suficientes para a comprovação da despesa glosada nestes autos. Senão vejamos: (a) fls. 22 a 28 (doc. 06): fichas de razão da conta n°211.28.100 e 211.21.194 — Provisão de Assistência Tel.Mov., cujos registros alcançam o período de 31.01.2002 a 31.12.2004. Conforme se afirmou, esses créditos decorrem das provisões lançadas na conta n° 313.31.610 despesa de assistência técnica; (b) ao longo do período de 2001 a 2004, a Recorrente efetuou apenas duas remessas para pagamento das despesas de assistência técnica: R$ 33.556.843,77 e R$ 21.726.301,09 (cf. relatório detalhado do razão — fls. 28 doc. 06, cit.). Com efeito, somente em 30/04/2004 ocorreu a transferência dos recursos sujeitos ao IRRF (código 0422), ou seja, remessa ao exterior dos serviços de assistência técnica relativo ao contrato de consultoria; (c) em 30/04/2004 o imposto de fonte tornouse exigível, pois foi nesse momento que ocorreu o fechamento do câmbio relativo aos créditos a favor dos beneficiários estrangeiros R$ 33.556.843,77 e R$ 21.726.301,09 (cf. relatório detalhado do razão — fls. 28 doc. 06, cit.). (d) ato continuo, a Recorrente procedeu ao recolhimento integral do IRRF devido, à aliquota de 15%, conforme demonstram os comprovantes de arrecadação em anexo (doc. 07). Ora, os documentos de arrecadação (doc. 07, cit.), além de comprovar o pagamento do imposto de renda fonte, atestam a efetividade da remessa dos recursos ao exterior e a legitimidade da despesa de assistência técnica para fins de dedutibilidade nestes autos, razão pela Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 qual a base de cálculo do IRRF (valor da remessa) há de ser acatada como prova hábil e idônea da despesa. Ou seja, a própria ação fiscal (processo n° 18471.001342/200589) que pretendeu tributar as provisões decorrentes do contrato de assistência técnica pressupõe e legitima a despesa com assistência técnica. O resultado do julgamento corrobora a assertiva, uma vez que foi acatada a origem do pagamento de IRRF como sendo a despesa decorrente do contrato de assistência técnica, bem como a tributação pelo IRRF somente no momento da remessa. Concluise, por derradeiro, que os processos administrativos referidos relacionados com o presente trazem robusto e relevante material probatório que não deve ser ignorando sob pena de afronta ao principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal. Assim, o exame de tais processos é essencial ao deslinde dos presentes autos, pois demonstrará que os frágeis fundamentos adotados pela fiscalização não se sustentam e não são compatíveis com a realidade dos fatos. 2. DO PEDIDO Diante do exposto, pede a Recorrente a remessa desses autos à Quinta Câmara deste Primeiro Conselho tendo em vista a íntima relação de causa e efeito entre os processos acima citados. Sucessivamente, pedese a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade administrativa se pronuncie sobre as alegações da Recorrente os documentos ora juntados e analise os processos referidos que tratam de matéria semelhante à versada nos presentes autos”. Ao ser novamente colocado em pauta de julgamento, a Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário, resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 10301.898 a fls. 2015), “a fim de franquear ao contribuinte uma derradeira oportunidade, no âmbito administrativo, de reunir e apresentar a comprovação hábil das despesas glosadas relativas aos os itens 3 e 4 da autuação”. Em resposta à diligência, a DRF/Londrina concluiu o seguinte (a fls. 2345): “Em razão do objeto da presente djligiência ser o cotejamento da documentação com as contas contábeis, a presente auditoria tornouse totalmente prejudicada pela falta da disponibilização dos documentos solicitados nas várias intimações efetuadas. Somente as contas do razão, apresentadas pelo contribuinte, não são suficientes para subsidiar, o contido no voto vencedor da Resolução n. 10301.898 que dentre suas considerações determinou a conversão do processo em diligência para que no âmbito administrativo fosse apresentado a comprovação hábildas despesas glosadas com o propósito de se efetuar o cotejamento entre os registros contábeis e a documentação apresentada. A empresa, desde o início dos trabalhos, não demonstrou nenhum interesse em atender a auditoria. Limitouse a tomar ciência do Termo de Intimação inicial, em 01/03/2012, na portaria da empresa, digase de passagem um local impróprio para tratar de assunto de tamanha relevância. Nessa ocasião, apenas informou que faria o encaminhamento da intimação a um escritório na cidade de São Paulo aonde seriam tomadas as providências necessárias. As demais tratativas foram descritas no início da presente Informação Fiscal. Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.784 13 Diantede todo o exposto, estamos devolvendo o processo 18471.001339/200565 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Primeira. Seção Segunda Câmara sem a análise pretendida por.esse órgão. Os documentos formalizados no curso da presente diligência encontramse na pasta DOCUMENTOS DIVERSOS / DOCUMENTOS DILIGÊNCIA no sistema eprocesso.” Em 10 de junho de 2013, o julgamento foi novamente convertido em diligência, para que a DRF/Londrina desse ciência do resultado da diligência à recorrente e lhe concedesse prazo para se manifestar nos autos. Cientificada do resultado da diligência, a recorrente assim se manifestou (doc. a fls. 2389): “Como se vê, a empresa apresentou os razões contábeis glosados pelo auto de infração e que deveriam ser objeto de verificação na diligência e os registros de faturas inadimplidas que embasam a contabilidade. E os documentos apresentados são hábeis a demonstrar o saldo da conta de perdas por inadimplência em 31.12.2000, que foram glosados pelo auto de infração em referência. No intuito de comprovar o seu bom direito, a Recorrente contratou a opinião técnica de renomada empresa de auditoria independente, que concluiu pela idoneidade dos controles de perda por inadimplência da empresa, bem como do saldo de R$ 69.772.942,06 contabilizados na conta 312.89.150 (Perda por Não Pagamento de Assinantes), relativos a faturas de valor inferior a R$ 5.000,00 vencidas a mais de 180 dias. (...) Na mesma toada, quando o contribuinte apresenta escrituração contábil regular, o art. 924 do RIR/995 determina que, para desacreditar uma informação lançada nos livros contábeis da empresa, é preciso que a autoridade fiscal prove de maneira inequívoca a inveracidade dos fatos. Entretanto, isto não ocorreu, já que o lançamento se limitou a glosar a totalidade das despesas sem apresentar outra justificativa que não fosse a suposta falta de documentos de controle da inadimplência, questão já superada pelos documentos e pelo laudo da empresa independente de auditoria. Sendo assim, considerando que a Recorrente ostenta escrituração contábil regular e idónea, respaldada por controles adequados e consistentes, claro está que a glosa das perdas por inadimplência de valores inferiores a R$ 5.000,00 deve ser cancelada. O que não se pode admitir é a manutenção da glosa integral de despesas com inadimplência devidamente contabilizadas, como se uma empresa que presta serviços de telefonia móvel para milhões de clientes não tivesse sequer uma fatura inadimplida em todo o ano calendário 2000. 5. DO PEDIDO. Pelo exposto, a Recorrente pede a reabertura da diligência e a manifestação do Fisco sobre os documentos apresentados, e, posteriormente a remessa dos autos ao CARF para julgamento do recurso voluntário.” Posteriormente, a fls. 1992, a recorrente informa que Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 “Contudo, a Recorrente, dentro do prazo legal, para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e nos termos do caput do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22.07.2009, na redação da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 11, de 11.11.2009, requer a DESISTÊNCIA PARCIAL do Recurso Voluntário apenas no que toca: (a) ao item "005" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR/ INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS"; (b) à CSLL, porém apenas com relação à dedução indevida de despesas com assistência técnica no exterior (conforme excerto acima, extraído do próprio auto de infração) renunciando expressamente ao direito sobre o qual a defesa dos aludidos itens do AI se funda.”. Em 07/01/2014, a recorrente apresentou nova petição (a fls. 2488), na qual informa que desiste parcialmente do recurso voluntário de forma irretratável, renunciando expressamente ao direito sobre o qual se funda o processo administrativo exclusivamente em relação aos itens abaixo: a) item "005" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA", bem como o lançamento de CSLL decorrente; b) item “006" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS INDEDUTÍVEIS", bem como lançamento de CSLL decorrente. Na mesma petição, a recorrente requer o prosseguimento no julgamento do recurso voluntário aviado nestes autos em relação aos demais itens que foram objeto da autuação. Em 03/06/2014, esta Turma converteu o julgamento em diligência, para para que a Unidade de Origem informasse se houve a efetiva quitação dos referidos débitos, juntando aos autos o despacho de deferimento de pagamento à vista, e adotasse eventuais providências da sua alçada, após o que, retorne os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Em petição endereçada à DEMAC/SP (a fls. 2551 e segs.), a recorrente informa que: “Ocorre que a Recorrente quitou à vista os débitos aqui tratados nos itens (v) glosa de despesas com assistência técnica paga a beneficários no exterior; e (vi) glosa de despesas com doações de cartão celular, com os benefícis concedidos pela Lei 11.941/2009 (conforme comprovantes anexos – doc. 03), cujo prazo de adesão foi reaberto pela Lei 12.865/2013, nos seguintes termos: (...) Atendendo aos dispositivos acima, a Recorrente desiste parcialmente do recurso voluntário de forma irretratável, renunicando expressamente ao direito sobre o qual se funda o processo administrativo exclusivamente em relação aos itens abaixo: item "005" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA", bem como o lançamento de CSLL decorrente; Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.785 15 item “006" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como "DESPESAS INDEDUTÍVEIS", bem como lançamento de CSLL decorrente.” Posteriormente, em petição a fls. 2620, a recorrente informa que: “Nesse espeque, seguindo a própria distinção estabelecida pelo fiscal autuante, as equerentes efetuaram exclusivamente o pagamento dos débitos referentes ao item 003 relativo ao IRPJ, capitulado como “Custos ou Despesas Não Comprovadas, Glosa de Custos”, bem como o lançamento de CSLL correspondente: (...) Seguem abaixo o valor do (principal) dos débitos pagos no REFIS, salientando que, por óbvio, o pagamento também abarca os consectários legais (cf. doc. nº 03 cit): Tributo IRPJ (Cód. 2917) CSLL (cód. 2973) Base tributável R$ 1.360.634,76 R$ 1.360.634,76 Principal R$ 340.158,68 R$ 108.850,78 .................................................................................................................” Por último, importante a transcrição das seguintes tabelas constantes do “Extrato do Processo” a fls. 2768: AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ Extinções / Eventos / Saldo Principal / (Valor Referencial) % multa 2917 12/2000 MENSAL REAL 27.737.992,45 75,00 Transferido para: 16151720.137/201402 614.960,89 75,00 Transferido para: 12448727.026/201271 4.087.633,40 75,00 Transferido para: 16151720.142/201415 340.158,68 75,00 Saldo de Principal e Multa Vinculada 22.695.239,48 75,00 AUTO DE INFRAÇÃO CSLL Extinções / Eventos / Saldo Principal / (Valor Referencial) % multa 2973 12/2000 MENSAL REAL 8.876.157,58 75,00 Transferido para: 16151720.137/201402 196.787,48 75,00 Transferido para: 12448727.026/201271 1.308.042,69 75,00 Transferido para: 16151720.142/201415 108.850,78 75,00 Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 16 Saldo de Principal e Multa Vinculada 7.262.476,63 75,00 É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal (docs. a fls. 1996 a 2000), razão pela qual dele conheço. Do cerceamento do direito de defesa Preliminarmente, cabe ressaltar que não procede a alegação de cerceamento do seu direito de defesa, em razão de a autoridade julgadora de primeira instância ter negado os pedidos de perícia. Primeiro, conforme pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, só há falar em cerceamento do direito de defesa in casu, se demonstrado o prejuízo causado pela não realização da diligência, o que a recorrente não logrou demonstrar. Por sua vez, a prova pericial tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual, por óbvio, não se faz necessário para conhecimento das questões postas em julgamento nos presentes autos. Por último, todas as oportunidades foram dadas à recorrente para produzir as suas provas de defesa, inclusive com a realização de diligência especificamente para isso. Em consulta feita no dia 28/05/2013, verifiquei que os autos do PAF nº 18471.001342/200589 já não se encontravam sequer na base de dados do Eprocesso, o que indica que já houve a extinção do processo administrativo, razão pela qual fica prejudicada a análise do pedido de conexão (ou julgamento conjunto) deste PAF com o PAF nº 18471.001342/200589. Da decadência Com relação à preliminar de mérito suscitada, também não tem razão a recorrente, pois não há créditos tributários extintos pela decadência nos lançamentos ora em análise. Não procede o entendimento da recorrente de que o fato gerador do IRPJ seja mensal, pois, em 2000, já estava em vigor a Lei nº 9.430/96, a qual só prevê duas modalidades de apuração: fatos geradores trimestrais ou anual. Ademais, a recorrente optou pelo lucro real anual, conforme prova a sua DIPJ a fls. 8 dos autos. Assim, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN, para o fato gerador do IRPJ e da CSLL de 30/11/2000 (em razão da incorporação), o Fisco poderia efetuar o lançamento até 30/11/2005, logo, como a ciência do auto de infração se deu 20/10/2005, não há falar em decadência de créditos do IRPJ e da CSLL. Notese que se aplica à CSLL o prazo de cinco anos do art. 150, § 4º, do CTN pelo mesmo motivo a seguir abordado no tocante à Cofins e ao PIS. No que toca aos créditos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplicase o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). Logo, estão extintos pela decadência os créditos relativos ao fato Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.786 17 gerador de 31/03/2000 (referentes à Omissão de Receita Operacional caracterizada pela não contabilização de custos de aquisição de aparelho celular digital LGC330W, em 31/03/2000), cujos montantes perfazem: Cofins............R$ 105.887,52 (doc. a fls. 138); PIS..................R$ 22.942,29 (doc. a fls. 133). Do mérito No mérito, cabe, inicialmente, fixar quais matérias ora em julgamento. O auto de infração do IRPJ foi dividido nos seguintes itens: 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Valor tributável...........R$ 21.677.179,74 002 OMISSÃO DE RECEITAS MERCADORIAS, MATÉRIASPRIMAS E OUTROS INSUMOS NÃO CONTABILIZADO) Valor tributável...........R$ 3,529.584,04 003 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE CUSTOS Valor tributável...........R$ 1.360.634,76 004 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS Valor tributável...........R$ 65.574.194,40 005 – DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU TECNOLÓGICA BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR / INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAI: Valor tributável...........R$ 16.350.533,63 006 DESPESAS INDEDUTIVEIS Valor tributável...........R$ 2.459.843,55 Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 18 O valor do IRPJ (apenas o principal) calculado sobre o valor tributável dos itens 3, 5 e 6 são os seguintes: IRPJ (valor do principal) – R$ ITEM 003 340.158,68 ITEM 005 4.087.633,40 ITEM 006 614.960,89 Assim, conforme tabela transcrita no relatório e diante das duas petições apresentadas pela recorrente, fica claro que tais valores (juntamente com seus acréscimos legais) foram transferidos para os PAFs nº 16151720.142/201415, 12448727.026/201271 e 16151720.137/201402. Da mesma forma, foram transferidos para os mesmos processos os créditos de CSLL e acréscimos legais incidentes sobre as mesmas bases, conforme tabela também constante do relatório. Os motivos de tais transferências constam das petições apresentadas pela recorrente e referidas no relatório. Diante disso, remanesce para ser julgado nestes autos os itens 001, 002 e 004 do auto de infração do IRPJ Dos autos de infração da Contribuição para o PIS e da Cofins, remanesce apenas o valor tributável no montante de R$ 21.677.179,74, decorrente do item 001 do auto de infração do IRPJ, pois os créditos de Cofins e PIS calculados sobre o valor tributável no montante de R$ 3,529.584,04 (item 002 do auto de infração do IRPJ), conforme tratado anteriormente, foram alcançados pela decadência. Do auto de infração da CSLL, por sua vez, remanescem para serem julgados os seguintes subitens: DO ITEM 001 do AIIRPJ Da omissão de receita pela compra e venda de aparelhos sem transitar na conta de estoque, pelo lançamento a débito e a crédito da mesma conta. Item do AICSLL Valor Tributável Item equivalente do AIIRPJ Situação R$ 1.360.634,76 003 Transf. outro PAF R$ 65.574.194,40 004 Em julgamento R$ 16.350.533,63 005 Transf. outro PAF 001 R$ 2.459.843,55 006 Transf. outro PAF R$ 21.677.179,74 001 Em julgamento 002 R$ 3,529.584,04 002 Em julgamento Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.787 19 Com relação aos argumentos de defesa acerca deste tópico, cabe ressaltar que não são convincentes, pois, primeiro, é difícil imaginar que o novo sistema contábil (SAP) adotado pela recorrente fosse tão rígido que impossibilitasse a inclusão de novas contas. Isso mesmo, alega a recorrente que o equivocado lançamento a débito e a crédito de conta de despesa foi ocasionado pelo fato de que para transferir os saldos das contas patrimoniais da antiga nomenclatura para a nova, tendo em vista a impossibilidade de inclusão, a Recorrente utilizou em contrapartida a conta de despesa n° 320.81.290. É inaceitável a alegação de que lançamentos contábeis equivocados foram feitos deliberadamente para resolver problemas tecnológicos. Ademais, conforme dispõe o art. 226 da Lei 10.406/02, a escrituração contábil prova contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Por outro lado, cabe analisarmos os lançamentos contábeis entre as contas de despesa nº 32081290 “Outras Perdas de Baixas – Almoxarifado de Operação” e a conta de ativo nº 11276100 – Material destinado à venda (aparelhos/acessórios) no período compreendido entre 01/01/2000 a 29/02/2000, em que foi creditado e debitado em cada uma dessas contas o montante de R$ 10.838.589,72, conforme Relatório Detalhado do Razão a fls. 76 e 77. Isso porque, tem razão a recorrente quando sustenta que não houve impacto no resultado contábil o lançamento do mesmo montante a débito e a crédito da conta de despesa. Primeiramente, ressalto que o autuante entendeu que os valores creditados à conta de ativo e debitados à despesa se tratavam de omissão de vendas e, por sua vez, os valores debitados à conta de ativos e creditados à despesa se tratavam de omissão de compras. Sustenta o autuante (auto de infração a fls. 123) que: “A empresa através da conta N.32081290 ( OUT PERDAS BAIXADAS ALM. OPERAÇÃO) baixou diversos aparelhos celulares sem discriminação de modelo, número de série, valor unitário, sem identificar a baixa no estoque, bem como não apresentou nenhum LAUDO de destruição emitido pela fiscalização, conforme solicitado em nosso Termo de Intimação em anexo.”. Ora, se a situação estava assim configurada, não havia que se falar em omissão de vendas, mas de glosa de despesa (por inobservância do disposto no art. 291 do RIR), mesmo porque não foram apontados pelo autuante outros elementos de prova de que os referidos celulares foram efetivamente vendidos. Com relação aos lançamentos a crédito da conta de despesa ( OUT PERDAS BAIXADAS ALM. OPERAÇÃO), conclui o autuante que seriam omissões de compra. Tratase, in casu, de uma presunção hominis, tanto que o autuante enquadrou a situação fática no art. 24 da Lei nº 9.249/95, o qual não versa sobre presunção legal de omissão de receitas. Ou seja, o lançamento se fundou unicamente em um indício de omissão de receita, o que certamente não é suficiente para manutenção da autuação. Ademais, o próprio autuante desvincula as operações que levaram aos lançamentos a débito daquelas que levaram aos lançamentos a crédito da conta de despesa, pois entende que a primeira se refere a omissão de venda e a segunda, a omissão de compras. Assim sendo, se analisarmos a autuação do que foi denominado “omissão de compras” isoladamente, verificase que não há nada a ser tributado, pois o valor todo foi oferecido a tributação na medida em que foi lançado a crédito da conta de despesa. Por essas razões, concluo que deva ser exonerado o contribuinte dos créditos tributários relativos ao item 001 do auto de infração do IRPJ, bem como os seus correlatos nos autos de infração da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS. Assim, deve ser excluído das bases tributáveis lançadas do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 21.677.179,44 e exonerado o Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 20 recorrente dos créditos tributários lançados de Cofins e Contribuição para o PIS do fato gerador de 30/11/2000. DO ITEM 002 do AIIRPJ Da omissão de receita pela compra de equipamento com lançamento em conta de despesa Neste item da autuação (item 002 do AI do IRPJ a fls. 131/132), o autuante afirma que se trata de omissão de receita pela não contabilização de custos de aquisição de aparelho celular digital LGC330W, em 31/03/2000, no valor de R$ 3.529584,05. A recorrente, por sua vez, alega que se trata de bonificação recebida de LG ELECTRONICS, pois na compra de uma determinada quantidade de produtos, faz jus a uma bonificação (em aparelhos) estipulada em dólares americanos. Do mesmo Relatório a fls. 77, verificase que os lançamentos contábeis foram os seguintes: primeiro, lançado a crédito da conta de despesa nº 32081290 “Outras Perdas de Baixas – Almoxarifado de Operação” e a débito de contas a receber nº 11231310, em dois lançamentos, o total de R$ 3.529.584,05; posteriormente, mas no mesmo dia, lançado o mesmo valor a débito da conta de despesa nº 32081290 “Outras Perdas de Baixas – Almoxarifado de Operação” e a crédito da conta de ativo nº 11276100 – Material destinado à venda (aparelhos/acessórios). Ora, ao se analisar os equivocados lançamentos contábeis da recorrente não se pode deduzir, à míngua de qualquer outra prova, que se trate de mercadorias recebidas em bonificações. Por outro lado, há que refletir sobre os lançamentos efetuados, os quais resultaram, ao final, em: a) um débito e crédito no mesmo valor na conta de despesa – Outras Perdas de Baixas; b) débitos em conta de ativo contas a receber nº 11231310, no montante de R$ 3.202.877,37; e c) crédito em conta de ativo Material destinado à venda (aparelhos/acessórios) nº 11276100, no valor de R$ 3.202.877,37. Como se vê, em um primeiro momento não houve impacto em resultado, pois houve um débito e crédito de mesmo valor na conta de despesa. Noutro ponto, não faz o menor sentido o crédito à conta de estoque e o débito em contas a receber, pois, caso se tratasse de mercadoria recebida em bonificação não havia porque impactar tais contas. É certo porém que a recorrente adquiriu a mercadoria, seja como bonificação como alega, ou com a utilização de recursos não escriturados (receitas omitidas) como sustenta a Fiscalização. Por outro lado, o autuante analisou apenas a primeira parte dos lançamentos efetuados, ou seja, o lançamento a débito de contas a receber e a crédito de despesa, o qual foi, pelo menos no que tange a despesa, anulado pelo lançamento a débito de despesa e a crédito de estoque. Além disso, enquadrou a situação no art. 41 da Lei 9.430/96, o qual trata de levantamento quantitativo por espécie das quantidades de mercadorias adquiridas para revenda (§ 3º do mesmo dispositivo), algo que não foi verificado pela Fiscalização, mesmo porque impossível fazêlo apenas com base no Razão da conta de despesa. Além disso, não pode a fiscalização a partir unicamente desses lançamentos, concluir que a recorrente não fez o registro de entrada da mercadoria em seu controle de estoque, nem muito menos assegurar que realmente não foi uma bonificação que afetou o custo da mercadoria vendida a posteriori. Até entendo que lançamentos tão esdrúxulos como esses levam a se suspeitar da conduta da recorrente, mas cabia o aprofundamento da auditoria, para se chegar à conclusão Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.788 21 de que se tratava realmente de uma omissão de compras. Por essa razão, entendo que deva ser excluído das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 3.529.584,04. Observo que, com relação à Cofins e à Contribuição para o PIS, os créditos relativos a essa omissão de receita (fato gerador de 31/03/2000) já estavam extintos pela decadência como demonstrado anteriormente. DO ITEM 004 do AIIRPJ Da glosa de despesa por falta de comprovação Tratase, neste item, de glosa de despesa de Perda na realização de crédito no ano de 2000, no valor total em 30/11/2000 de R$ 65.574.194,40 e, em 31/12/2000, de R$ 4.198.747,60, lançadas na conta n° 312.89.150 (PERDA POR NÃO PAGAMENTO DE ASSINANTES). O Anexo ao auto de infração a fls. 121, informa que: “Conforme discriminado no auto de infração a empresa não comprovou através de qualquer documentação hábil que os valores contabilizados como PERDA POR NÃO PAGAMENTO DE ASSINANTE NA CONTA N° 312.89.150, mensalmente de forma sintética, em valores superiores a R$5.000,00 sem discriminar o assinante e de seus dados, a data que alega ter sido faturado, os valores individualizados e demais elementos de comprovação. A própria empresa em sua resposta ao nosso Termo de Intimação ao solicitar um prazo de 15 dias para tentar comprovar estas operações, admite não ter qualquer controle em sua contabilidade.”. Realmente, a fls. 88, consta resposta da recorrente à intimação fiscal para que detalhasse individualmente por data as receitas correspondentes aos clientes inadimplentes, no qual a recorrente afirma que: “Pela complexidade de localização das receitas por mês de competência das perdas contabilizadas por cada cliente, em razão de que a identificação das receitas de prestação de serviços não necessariamente coincide com a data da efetiva emissão do documento fiscal, haja vista que em cada nota fiscal emitida é possível que esteja contida a cobrança de até 3 (três) meses pretéritos da prestação de serviços, necessário seria o desenvolvimento de um programa sistêmico especifico para possibilitar a entrega da informação nos moldes estabelecidos no item n° 1 do Termo de Intimação. Pelo exposto, requer a concessão de um prazo de 75 dias, para que seja possível o cumprimento do item n° 1 do citado Termo de Intimação. Informamos também, que as apropriações Contábeis das receitas no ano de 2000, foram contabilizadas de forma sintética, segregada por cada item da receita da prestação de serviço.”. Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 22 Já na segunda oportunidade que teve para demonstrar que atendia as condições de dedutibilidade das despesas com perda no recebimento de créditos, a recorrente assim se manifestou: “Como se vê, a empresa apresentou os razões contábeis glosados pelo auto de infração e que deveriam ser objeto de verificação na diligência e os registros de faturas inadimplidas que embasam a contabilidade. E os documentos apresentados são hábeis a demonstrar o saldo da conta de perdas por inadimplência em 31.12.2000, que foram glosados pelo auto de infração em referência. No intuito de comprovar o seu bom direito, a Recorrente contratou a opinião técnica de renomada empresa de auditoria independente, que concluiu pela idoneidade dos controles de perda por inadimplência da empresa, bem como do saldo de R$ 69.772.942,06 contabilizados na conta 312.89.150 (Perda por Não Pagamento de Assinantes), relativos a faturas de valor inferior a R$ 5.000,00 vencidas a mais de 180 dias. Quando a Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes franqueou uma segunda oportunidade, após o recurso voluntário, para que a recorrente apresentasse a comprovação hábil das despesas glosadas relativas ao item 004 da autuação, o que se verificou foi o total desinteresse da recorrente em apresentar os documentos exigidos, se não vejamos, mais uma vez, como a Autoridade Diligenciadora se manifestou: A empresa, desde o início dos trabalhos, não demonstrou nenhum interesse em atender a auditoria. Limitouse a tomar ciência do Termo de Intimação inicial, em 01/03/2012, na portaria da empresa, digase de passagem um local impróprio para tratar de assunto de tamanha relevância. Nessa ocasião, apenas informou que faria o encaminhamento da intimação a um escritório na cidade de São Paulo aonde seriam tomadas as providências necessárias. As demais tratativas foram descritas no início da presente Informação Fiscal. : ' Diantede todo o exposto, estamos devolvendo o processo 18471.001339/2005 65 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Primeira. Seção Segunda Câmara sem a análise pretendida por esse órgão. Os documentos formalizados no curso da presente diligência encontramse na pasta DOCUMENTOS DIVERSOS / DOCUMENTOS DILIGÊNCIA no sistema eprocesso.” Ao se manifestar sobre a diligência, a recorrente, então, informa (a fls. 2395) que tinha controles auxiliares (CAR) ao razão contábil, os quais possuíam informações analíticas com dados dos clientes, valores a receber, data de emissão e data de vencimento dos títulos (vide doc. a fls. 2469). Disso fica a pergunta, se realmente tinha esse CAR – arquivos gerencias ref. às contas a receber, por que não disponibilizou para a Fiscalização? Por que não disponibilizou às autoridades diligenciadoras nas duas vezes em que o processo foi baixado em diligência? Por que respondeu ao Fiscal autuante que não tinha qualquer controle? Além disso, cabia a recorrente demonstrar que atendia as condições de dedutibilidade das despesas (valor, data de vencimento e devedor), para os débitos até R$ 5.000,00 por operação, inclusive com apresentação de lastro documental, ainda que por amostragem. Logo, mantenho nas bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 65.574.194,40. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) reconhecer extintos, pela decadência, os créditos de Cofins e Contribuição para o PIS, referentes ao fato gerador de 31/03/2000, no valor, respectivamente, de R$ 105.887,52 e R$ 22.942,29; Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/200565 Acórdão n.º 1302001.795 S1C3T2 Fl. 2.789 23 b) exonerar a contribuinte dos créditos de Cofins e de Contribuição o PIS, relativo ao fato gerador de 30/11/2000, no valor, respectivamente, de R$ 650.315,38 e R$ 140.901,66; e c) excluir das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 25.206.763, 48, decorrente do cancelamento do lançamento consubstanciado nos itens 001 e 002 do auto de infração do IRPJ e seus correlatos no auto de infração da CSLL. d) manter os lançamentos do item 004 do auto de infração do IRPJ e o correlato do auto de infração da CSLL (ref. ao valor tributável de R$ 65.574.194,40). Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10805.720426/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA CONEXA. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE.
A reunião ao processo de Manifestação de Inconformidade relativa a Despachos Decisórios, cujos indeferimentos repousam exatamente na alegação de que o direito creditório encontra-se nele sendo apreciado, é medida que se impõe, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Ato decisório de primeiro grau que se cancela, para que outro seja prolatado, abrangendo, dessa vez, o juízo acerca da admissibilidade da compensação tributária pleiteada.
Numero da decisão: 1301-001.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, cancelar a decisão exarada em primeira instância.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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MATÉRIA CONEXA. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE. A reunião ao processo de Manifestação de Inconformidade relativa a Despachos Decisórios, cujos indeferimentos repousam exatamente na alegação de que o direito creditório encontrase nele sendo apreciado, é medida que se impõe, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Ato decisório de primeiro grau que se cancela, para que outro seja prolatado, abrangendo, dessa vez, o juízo acerca da admissibilidade da compensação tributária pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, cancelar a decisão exarada em primeira instância. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 04 26 /2 01 4- 85 Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 428 2 Relatório Cuida o presente processo de pedidos de restituição e declarações de compensações, cujo direito creditório indicado, no montante de R$ 5.103.104,82, diz respeito a saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Registro, primeiramente, que consta dos autos, às fls. 02, o seguinte despacho: O contribuinte Caraíba Metais S/A, CNPJ 15.224.488/000108, o qual foi incorporado pela Paranapanema S/A, CNPJ 60.398.369/000126, declarou em sua DIPJ do anocalendário 2004 um Saldo Negativo de IRPJ no valor de R$ 5.103.104,82. Para utilizar o Saldo Negativo em Questão o contribuinte transmitiu PER/DCOMP’S em um montante de R$ 1.292.449,93. Para controlar o crédito foi formalizado o processo 13502.720396/200942 e para controlar os débitos o processo 13502.720397/200997. Inicialmente a solicitação do contribuinte havia sido indeferida pela DRF, mas a DRJ/SDR reconheceu parcialmente um direito creditório no valor de R$ 3.424.095,93, conforme Acórdão de fls. 1328/1352. Para que seja dado seguimento o crédito em questão será divido em 3 partes conforme a tabela abaixo: PROCESSO VALOR COMENTÁRIO 13502.720396/200942 R$ 1.292.449,93 Valor já deferido e parcialmente utilizado 10805.720425/201431 R$ 2.131.646,00 Valor já deferido e não utilizado 10805.720426/201485 R$ 1.679.008,89 Valor ainda em questionamento TOTAL R$ 5.103.104,82 Valor total pleiteado O crédito dos processos 13502.720396/200942 e 10805.720425/201431 será utilizado com Restituição ou com a Compensação de Ofício, na existência de débitos. O processo 10805.720426/201485 por sua vez será encaminhado para Julgamento no CARF. O presente processo, portanto, recebeu o número 10805.720426/201485, para tratar especificamente da parcela de crédito pleiteada pela contribuinte e que não foi reconhecida nas instâncias precedentes, e foi formado com as peças integrantes do processo administrativo nº 13502.720396/2009421. Sirvome de fragmentos do relatório constante da decisão de primeiro grau para retratar os fatos e as razões de defesa inicialmente trazidas pela contribuinte. 1 Esclareço, inclusive, que, em razão dessa peculiaridade, em uma primeira apreciação, o presente processo foi considerado sem condições de julgamento, visto que o arquivo a ele associado era o correspondente ao processo nº 13502.720396/200942. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 429 3 Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Camaçari através do Despacho Decisório DRF/CCI Nº 0023/2010 de 24/09/2009 emitido pelo seu titular, que indeferiu os Pedidos de Restituição PER e Declarações de Compensação abaixo relacionados, vinculados ao saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2004, que na forma da DIPJ retificadora apresentada em 01/12/2009, indicava o valor de R$ 5.103.104,82 conforma parcelas abaixo: FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À ALÍQUOTA DE 15% 19.025.297,71 03. ADICIONAL 12.659.531,81 10. ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO 31.341.551,88 13. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE 1.292.631,72 17 IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 4.153.750,74 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 5.103.104,82 No exercício do direito ao saldo negativo acima informado, o contribuinte Protocola os seguintes Pedidos de Restituição PER: ... Além dos Pedidos de Restituição acima citados, com base no mesmo saldo negativo apurado em 2004, foram apresentadas as seguintes Declarações de Compensação – DCOMP, que integram o processo 13502720.397/200997 que tramita apensado ao presente: ... Como visto, do direito creditório referente ao saldo negativo informado na DIPJ do anocalendário de 2004 (5.103.104,82), o contribuinte exerce parcialmente o seu possível direito apresentando Pedidos de Restituição – PER no montante de R$ 1.292.449,93 e Declarações de Compensação no montante de R$ 1.042.796,99 (Processo 13502720.397/200997) em valores originais, o que perfaz um total de R$ 2.335.246,92. Baixado para tratamento manual, o pedido foi indeferido com base nos seguintes argumentos: 1 DA ISENÇÃO DO IRPJ “Inconsistências na apuração do Lucro da Exploração (Ficha 08 fl. 137), no que tange aos valores informados a título de "Tributos e Contribuições – Exigibilidade Suspensa", quando confrontados com os valores consignados, sob o mesmo título, na apuração do Lucro Real (Ficha 09A fl. 369), razão pela qual foi refeito o cálculo do lucro da exploração, bem como do imposto incidente sobre lucro da exploração da atividade isenta, parcela essa utilizada como dedução do imposto de renda sobre o lucro real apurado no ajuste anual”. No caso específico, em razão da diferença em relação aos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, cujo valor correto seria R$ 90.381.670,41 Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 430 4 e não o valor de R$ 97.103.390,06 informado pelo contribuinte, a parcela isenta foi reduzida de R$ 31.341.551,88 para R$ 29.662.542,99. 2 DO IRRF INCIDENTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS “Em relação aos rendimentos de aplicações financeiras do ano anterior (ano calendário 2003), não foi apresentada a correspondente documentação contábil (Livro Razão), limitando o interessado a indicar que as referidas receitas estariam inclusas em conta n.° 3513.001, conforme quadro da fl. 148”. “Por outro lado, quanto às receitas financeiras supostamente auferidas no ano calendário 2003, que teriam sido resgatadas no ano seguinte, dando causa à parcela do IRRF no anocalendário 2004, não restou comprovado que as referidas receitas estariam efetivamente relacionadas à parcela do IR retido na fonte no ano de 2004, tampouco restou demonstrado a sua inclusão na composição da Linha 24, da Ficha 06A, da DIPJ 2004, anocalendário 2003”. “Assim sendo, resta demonstrada a impossibilidade de se utilizar parcela do IRRF, relativo ao anocalendário 2004, no valor de R$ 154.647,32 (cento e cinqüenta e quatro mil, seiscentos e quarenta e sete reais e trinta e dois centavos), correspondente às receitas financeiras cujo oferecimento à tributação não restou comprovado, no montante de R$ 773.236,60 (segundo MAFON 2004, código de receita 3426, alíquota aplicável: 20%)”. Dessa forma, o IRRF passível de ser utilizado como dedução do imposto de renda sobre o lucro real apurado no ajuste anual monta R$ 1.137.984,40 (R$ 1.292.631,72 R$ 154.647,32), valor este a ser transcrito para a Linha 13, da Ficha 12A, da DIPJ 2005. 3 DO IR PAGO POR ESTIMATIVA “Inferese da consulta ao sistema FISCEL, anexada à fl. 58, que as parcelas de estimativa mensal de IRPJ referentes aos PA janeiro/2004 e fevereiro/2004, declaradas em DCTF, às fls. 56/57, como quitadas por meio de Liminar em Mandado de Segurança n° 1998.33.00.0156928, encontramse controladas no processo n° 13502.720003/200739, formalizado em razão de expediente de Auditoria Interna de DCTF, que tratou os débitos em comento, confessados pelo interessado, vinculados à referida ação judicial”. “Ao se consultar o sistema SIEF PROCESSO, à fl. 71, verificase que esses débitos encontramse inscritos em dívida ativa, desde a data de 02/04/2007, segundo consulta a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, às fls. 72/73. Dessa forma, apesar de estarem sendo controlados e cobrados pelo processo n° 13502.720003/200739 cabe a sua glosa, pois os referidos débitos não podiam ser objeto de compensação, conforme ementa do Acórdão da Apelação que confirma a sentença da ação judicial supracitada, que determina que os créditos "devem ser utilizados somente para a apuração contábil, afastandose quaisquer das hipóteses de repetição do indébito ou da compensação, seja na forma da Lei n° 8383/91, seja na da Lei n° 9430/96", vide fls. 366 a 368, e neste caso, uma vez que os débitos, relativos às estimativas, não poderiam ser objeto de compensação, concluise que tais estimativas, no valor total de R$ 4.153.750,74, não devem ser mantidas na composição do saldo negativo de IRPJ/2005 (uma vez que não efetivamente quitadas), devendose, também, como contrapartida, abrir expediente junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no sentido de que as estimativas aqui glosadas não continuem a ser cobradas no respectivo processo de controle/cobrança, que é o de n° 13502.720003/200739”. 4 CONCLUSÃO Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 431 5 Assim sendo, fezse a reconstituição de ofício da Ficha 12A da DIPJ 2005, ND 1393871 DV03, à fl. 140, conforme abaixo, a partir das informações prestadas pelo contribuinte na respectiva DIPJ, observados, ainda, os valores demonstrados nos parágrafos acima, que foram objeto de confirmação, totalizando um imposto de renda a pagar no valor de R$ 884.302,13 (oitocentos e oitenta e quatro mil, trezentos e dois reais e treze centavos), ressaltandose que não será efetuada representação fiscal à Seção de Fiscalização (SAFIS) desta Delegacia, em virtude do decurso do prazo decadencial, conforme o inciso I, do art. 173, do CTN, para fins de lançamento do IRPJ a pagar apurado, bem como das multas de ofício (isoladas) que seriam cabíveis pelo não pagamento ou recolhimento da estimativa mensal do imposto, consoante prescrição dos incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. À ALÍQUOTA DE 15% 19.025.297,71 03. ADICIONAL 12.659.531,81 10. ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO 29.662.542,99 13. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE 1.137.984,40 17 IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 0,00 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 884.302,13 Cientificada da decisão em 22/03/2010 (fl. 403), o contribuinte apresenta manifestação de Inconformidade em 22/04/2010 (fls. 443 a 450), alegando em síntese, o seguinte: a) DA NULIDADE DA RETIFICAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 Segundo o despacho decisório recorrido, o pedido de restituição não foi deferido, tendo em vista que existiriam inconsistências na apuração do Lucro da Exploração do anocalendário de 2004, reduzindo, consequentemente, a parcela isenta do imposto em R$ 1.679.008,89. Em verdade, o que a DRF fez foi retificar o cálculo do Lucro da Exploração e, consequentemente, retificar o saldo negativo de IRPJ do período em debate. Ocorre, porém, que padece de total nulidade a retificação do Lucro da Exploração e, consequentemente, do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 levadas a efeito pela DRF, já que se trata de valor homologado e, portanto, imutável. Tratandose o imposto lançado na DIPJ de tributo apurado no ano de 2004, no âmbito do lançamento por homologação (artigo 150 do CTN), o prazo decadencial para o questionamento de qualquer valor constante da DIPJ expirou em 31.12.2009, sendo certo que inexistindo revisão do lançamento, nos termos do artigo 149 do Código Tributário Nacional, este valor tornase imutável. Portanto, encontrandose homologado o saldo negativo apontado na DIPJ do anocalendário de 2004, incabível sua alteração para mitigar o direito creditório do Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 432 6 contribuinte, conforme, inclusive, já decidiu o CARF (cita o Acórdão prolatado no Recurso n° 157.009 Oitava Câmara, Sessão de 23/01/2008). Desta forma, por estar homologado o valor de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, é nula de pleno direito a retificação do Lucro da Exploração e, consequentemente, do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 levadas a efeito pela DRF, razão pela qual tal retificação não pode mitigar o direito creditório da Manifestante. b) DA IMPROCEDÊNCIA DO NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO DE IRRF NO VALOR DE R$ 154.647,32 NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ A DRF, a despeito de ratificar, nos sistemas da SRFB e através dos informes de rendimentos apresentados pela Manifestante, a existência do crédito de IRRF da monta de R$ 1.292.631,72 (fls. 381), relativo a receitas financeiras, deixou de incluir no saldo negativo de IRPJ em debate (anocalendário 2004) o valor de R$ 154.647,32, ao argumento de que as correspondentes receitas financeiras, no montante de R$ 773.236,60, relativas a aplicações financeiras auferidas no ano calendário de 2003 e que teriam sido resgatadas no ano seguinte, dando causa à parcela de IRRF acima citada, não tiveram sua tributação comprovada pela Manifestante através da apresentação de cópia do Livro Razão. Em outras palavras, a Autoridade Administrativa deixou de reconhecer o crédito de IRRF do contribuinte em razão da não apresentação do Livro Razão relativo aos rendimentos de aplicações financeiras, e a comprovação de seu oferecimento à tributação na DIPJ/2004 (anocalendário 2003). Pois bem, nesta oportunidade a Manifestante apresenta: • Cópia do Livro Razão do anocalendário de 2003 contas 35.13. (Contas de Resultado Rendimentos Financeiros) e 11.06 (Contas de Ativo Aplicações Financeiras) (DOC. 02 mídia eletrônica); • DIPJ 2004 anocalendário 2003 (DOC. 02 mídia eletrônica); • Balancete Contábil do anocalendário de 2003 (DOC. 03); • Planilha indicativa da composição das linhas da ficha 06A da DIPJ/2004, relativas as receitas e despesas financeiras (DOC. 04); • Planilha com a composição detalhada da linha 24 (Outras Receitas Financeiras) da ficha 06A da DIPJ/2004 (DOC. 05); • Razão contábil da conta 11.06 (Aplicações Financeiras) organizada por banco e com saldo da conta em 31.12.2002 (DOC. 02 mídia eletrônica); • Planilha Resumo da Movimentação das Aplicações Financeiras no ano de 2003, Rendimentos recebidos e IRRF retido no período (DOC. 06). A documentação apresentada, inequivocamente, demonstra a tributação no anocalendário de 2003 das Receitas de Aplicações Financeiras da Ordem de R$ 773.236,60, que compõe os R$ 9.067.221,66 oferecidos à tributação na DIPJ/2004, ficha 06A, linha 24, em obediência ao princípio da competência. Desta forma, restando comprovada a tributação dos rendimentos de aplicações financeiras do ano de 2003, deve ser reformado o r. despacho decisório de modo a incluir no Saldo Negativo em debate o crédito de IRRF relativo no valor de R$ 154.647,32. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 433 7 c) DO INEQUÍVOCO DIREITO A UTILIZAÇÃO DO VALOR RECOLHIDO A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO NOS MESES DE JANEIRO E FEVEREIRO DE 2004 NO SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO PERÍODO A DRF deixou de reconhecer no cálculo do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 2004 o crédito do contribuinte relativo às Estimativas dos meses de Janeiro e Fevereiro de 2004, no valor total de R$ 4.153.750,74, ao argumento de tais valores, quitados inicialmente por meio de compensação autorizada pela liminar em Mandado de Segurança n° 1998.33.00.0156928, são objeto de cobrança através do Processo Administrativo n° 13502.720003/200739 em razão de decisão que revogou a referida liminar. Ocorre, contudo, o r. despacho não considerou que referidos débitos de estimativa de IRPJ foram pagos/parcelados através do processo administrativo n° 19608.004291/200941 (DOC. 07), cuja cópia segue anexa. Diante do recolhimento dos valores de Estimativas dos meses de Janeiro e Fevereiro de 2004, no valor total de R$ 4.153.750,74, através do processo administrativo n° 19608.004291/200941, é inequívoco o direito do contribuinte ao reconhecimento de seu crédito, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da Fazenda Nacional. d) DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA CONTÁBIL Caso após análise das informações e documentos apresentados na presente Manifestação V. Sas. entendam necessária a produção de outras provas que comprovem a tributação dos rendimentos de aplicações financeiras do ano de 2003, com o conseqüente reconhecimento do crédito de IRRF de R$ 154.647,32 no valor do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, requerse a realização de diligência, ou perícia para comprovar que os itens glosados pelo despacho decisório não devem prevalecer. Em se decidindo pela perícia, a Manifestante indica como seu assistente o Contabilista Sergio Libralon, cujo endereço profissional é o mesmo da Manifestante, formulando ainda os seguintes quesitos: Indica quesitos que justificariam seus argumentos. Pugna ao final, pela procedência da Manifestação de Inconformidade. Em razão dos questionamentos acima citados, e pela busca da verdade material, foi proposta a realização de diligência por parte do órgão de origem, para adoção das seguintes providências saneadoras: I. Intimar o contribuinte para apresentar planilha demonstrativa, por aplicação, informando as datas e os respectivos lançamentos efetuados no ano calendário de 2003, na conta 35.13.001, no valor total de R$ 773.236,60, valor este que segundo a Impugnante, estaria inserido no valor global de R$ 9.067.221,66 (Ficha 06 A Linha 24) de receitas financeiras oferecidas à tributação no ano calendário de 2003. II. Emitir relatório circunstanciado sobre o Parcelamento em tramitação na Procuradoria da Fazenda Nacional, através do Processo nº 19608.004291/200941, especialmente se as estimativas dos meses de janeiro e fevereiro de 2004 objeto do Processo de Cobrança 13502.720003/200739, podem ser consideradas como efetivamente pagas e por conseguinte aptas a integrar o saldo negativo apurado no anocalendário de 2004 utilizandose os mesmos parâmetros atualmente utilizados pelo Manual da DIPJ 2011, e Manual de Fiscalização conforme abaixo: Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 434 8 (...) III. Elaborar relatório conclusivo e cientificar o contribuinte do resultado da análise, para que, no prazo de 30 (trinta) dias após a ciência, possa se manifestar. Por meio do Relatório de fls. 1.287 a 1.291, a diligência foi realizada, e terá seu mérito analisado no decorrer deste voto. Intimada do resultado da diligência, o contribuinte se manifesta por meio do documento de fls. 1.297 a 1.304, afirmando resumidamente, o seguinte: DO RECONHECIMENTO DO IRRF E DAS ESTIMATIVAS Após a realização da diligência e a apresentação dos documentos exigidos, a SEORT proferiu despacho recalculando o Saldo Negativo para R$ 3.424.095,93 (três milhões, quatrocentos e vinte e quatro mil, noventa e cinco reais e noventa e três centavos), pois reconheceu (i) o IRRF da ordem de R$ 154.647,00 e (ii) o pagamento das estimativas da ordem de R$ 4.153.750,74. Portanto, após a realização de diligência, o valor de R$ 3.424.095,93 é incontroverso, devendo a DRJ dar provimento à manifestação de inconformidade quanto a esta parte. DA NULIDADE DE RETIFICAÇÃO DO SN DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 As supostas inconsistências relativas à apuração do Lucro da Exploração, que culminou na redução da parcela isenta do imposto de R$ 31.341.551,88 para R$ 29.662.542,99, sequer foram objeto de análise pela SEORT. Caso referido ponto tivesse sido objeto de análise da diligência, certamente as autoridades administrativas concluiriam pela regularidade dos valores declarados e da parcela. E, ainda que os documentos não fossem capazes de atestar a regularidade da apuração do Lucro da Exploração, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim o Saldo Negativo pleiteado há de ser integralmente deferido e as compensações declaradas homologadas. Isso porque há patente nulidade quanto à retificação do Lucro da Exploração do anocalendário de 2004. Senão vejamos. Padece de total nulidade a retificação do Lucro da Exploração e, consequentemente, do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 levadas a efeito pela DRF, já que se trata de valor homologado e, portanto, imutável. Tratandose o imposto lançado na DIPJ de tributo apurado no ano de 2004, no âmbito do lançamento por homologação (artigo 150 do CTN), o prazo decadencial para o questionamento de qualquer valor constante da DIPJ expirou em 31.12.2009, sendo certo que inexistindo revisão do lançamento, nos termos do artigo 149 do Código Tributário Nacional, este valor tornase imutável. Portanto, encontrandose homologado o saldo negativo apontado na DIPJ do anocalendário de 2004, incabível sua alteração para mitigar o direito creditório do contribuinte, conforme, inclusive, já decidiu o CARF, verbis: ... Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 435 9 Portanto, à época da ciência do despacho decisório (22/03/2010) já havia transcorrido o prazo para que o fisco federal efetuasse qualquer revisão no Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, consoante a mais abalizada jurisprudência administrativa. E, ainda que fosse possível a revisão do Saldo Negativo do anocalendário de 2004, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim não estaria correta a redução do crédito pleiteado pela ora peticionária. O procedimento correto seria a eventual lavratura de auto de infração, nos termos do o artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09, como se passa a expor. O artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, na redação anterior dada pela Lei n° 8.748, de 1993, estabelecia que: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." A Medida Provisória n° 449/08, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09, alterou este dispositivo, que passou a vigorar com a seguinte redação: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Retirouse da cabeça do normativo o termo "a retificação de prejuízo fiscal". Na verdade, o auto de infração referente à retificação de prejuízo é do tipo em que não se exige crédito tributário (obrigação de dar). Exigese, neste caso, apenas uma obrigação de fazer, exatamente a retificação dos prejuízos glosados. Na verdade, retirouse aquela hipótese do caput para ampliar a possibilidade de as autoridades administrativas procederem à lavratura de auto de infração quando não existisse crédito tributário. Foi por isso que a Medida Provisória em tela inseriu o § 4º ao artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, cuja redação é a seguinte: "§ 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário". Ou seja, com a alteração da MP 449/08 se passou a exigir a lavratura de auto de infração em todas as hipóteses em que haja violação à legislação tributária, mas que não resulte na "exigência de crédito tributário", e não apenas naquela situação prevista na legislação anterior de retificação de prejuízo. Com esta nova redação, a legislação exige a lavratura de auto de infração em qualquer situação em que as autoridades questionem a origem, certeza e liquidez do crédito tributário. Aliás, esta é a manifestação expressa da Exposição de Motivos Interministerial n° 161/2008 MF/MP/MAPA/AGU, relativa à Medida Provisória n° 449/08, que asseverou: ... Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 436 10 Desta forma, a partir desta alteração normativa, qualquer questionamento de crédito tributário por parte das autoridades administrativas devem ser objeto de auto de infração. Não há dúvida, portanto, que a partir da alteração legislativa acima mencionada deverá ser objeto de auto de infração qualquer questionamento quanto a eventual crédito do contribuinte, aplicandose a este, naturalmente, todas as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional e pela legislação fiscal inerentes a qualquer autuação fiscal, inclusive a questão do prazo quinquenal. Portanto, é incabível a redução do Saldo Negativo nos autos de um processo de restituição/compensação, como ocorreu no caso vertente, uma vez que o procedimento correto seria, se de fato fosse comprovada as inconsistências relativas à apuração do Lucro da Exploração, seria a lavratura de auto de infração, entretanto, já se escoou o prazo para tanto. DO PEDIDO Pelo exposto, considerando o resultado da diligência efetuada pela SEORT, é inconteste o IR pago por estimativa e o IRRF que compuseram o Saldo Negativo do AnoCalendário de 2004, o que, por si só, deflagrou o recalculo do Saldo Negativo para R$ 3.424.095,93, impondose o provimento da manifestação de inconformidade neste tocante. O montante remanescente da ordem de R$ 1.679.008,89 sequer foi objeto de análise pela SEORT, mas deverá ser reconhecido em decorrência das provas colacionadas aos autos. Independentemente das provas, a redução da parcela isenta do imposto em R$ 1.679.008,89 afigurase nula, não só em decorrência do prazo previsto no artigo 150 do CTN, mas também por violar o artigo 9º do Decreto 70.235/72. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 15 33.325, de 05 de setembro de 2013, pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabível a compensação ou restituição do saldo negativo apurado, se presentes a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado. VERIFICAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 1.368/1.381, por meio do qual sustenta: a necessidade de ser declarada a possibilidade de utilização imediata do montante de R$ 1.053.490,73, reconhecido pelo acórdão recorrido e que foi objeto do pedido Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 437 11 formalizado no PER 07474.60668.230310.1.6.020793 (retificador do PER nº 03548.09370.091209.1.2.020223); a ocorrência de mero erro de preenchimento da DIPJ, relativamente à inconsistência apontada no cálculo do lucro da exploração; e a nulidade da retificação do Lucro da Exploração e, por conseqüência, do saldo negativo de IRPJ do ano de 2004, já que se trata de valor homologado e, portanto, imutável. Ao final, a Recorrente protesta pela realização de diligência ou perícia, caso o Colegiado entenda ser necessária a produção de outras provas. É o Relatório. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 438 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de pedidos de restituição e declarações de compensação, cujo direito creditório a eles relacionados referese a saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2004, no montante de R$ 5.103.104,82. A Delegacia da Receita Federal em Camaçari, Bahia, unidade administrativa que primeiro apreciou a matéria, indeferiu as solicitações. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando Manifestação de Inconformidade, reconheceu a existência de crédito no valor de R$ 3.424.095,93. Pelo que se depreende do despacho de fls. 02, a partir da decisão exarada em primeira instância, a Delegacia da Receita Federal em Santo André2, São Paulo, resolveu desmembrar a matéria objeto de controvérsia (liquidez e certeza do crédito pleiteado) da seguinte forma: a) no processo originalmente formalizado (13502.720396/200942) manteve, apenas, o direito creditório reconhecido em primeira instância e que foi utilizado para fins de compensação tributária (R$ 1.292.449,03); b) no processo nº 10805.720425/201431, passou a controlar o direito creditório reconhecido em primeira instância mas que não foi utilizado para fins de compensação tributária (R$ 2.131.646,00); e c) no presente processo, manteve tão somente o crédito que não foi reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância (R$ 1.679.008,89). Como antes relatado, embora a análise dos pedidos da contribuinte tenha sido dividida em três “partes”, ao menos até a data em que referida divisão foi efetuada, o presente processo e o de nº 10805.720425/201431 foram constituídos com as mesmas peças que integravam, naquela ocasião, o processo original (13502.720396/200942). Em sua peça recursal a contribuinte afirma, preliminarmente, que transmitiu pedidos de restituição que, somados, alcançaram o montante de R$ 5.102.922,43, sendo que, do referido crédito, o valor de R$ 1.078.155,72 foi utilizado para compensar débitos de sua titularidade. Alega que na Manifestação de Inconformidade apresentada, além de comprovar o crédito e requerer o seu deferimento integral, apontou a ausência de análise do PER 07474.60668.230310.1.6.020793, que seria retificador do PER nº 03548.09370.091209.1.2.02.223. Diz que referido PER retificador não constou da relação de 2 A pessoa jurídica que apurou o crédito (CARAÍBA METAIS S/A) foi incorporada pela PARANAPANEMA S/A, cuja sede é em SANTO ANDRÉ, São Paulo. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 439 13 fls. 3723 . Esclarece que foi proferido Despacho Decisório (rastreamentos nº 861132395 e 861132404) analisando de forma isolada apenas o PER nº 07474.60668.230310.1.6.020793, o que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade em 05 de maio de 2010, na qual demonstrou a correlação entre os “processos” e a necessidade de julgálos conjuntamente. Diz que a referida Manifestação de Inconformidade foi juntada aos autos. Em seguida, afirma que foi proferido despacho (fls. 523), no qual há reconhecimento de que estava em análise nos autos o valor de R$ 5.103.104,82, englobando inclusive o PER nº 07474.60668.230310.1.6.02 0793. Assinala que o acórdão proferido em primeira instância não contemplou o referido pedido de restituição, o que estaria lhe impedindo de “levantar”, de imediato, o crédito de R$ 1.053.490,734, já reconhecido. Analisando os documentos reunidos ao processo, extraio as seguintes informações: i) por meio de MEMORANDO datado de 11 de março de 2011 (fls. 201), a Delegacia da Receita Federal em Santo André solicitou à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador que fosse juntado ao processo nº 13502.720396/200942, para fins de análise conjunta, a Manifestação de Inconformidade protocolada em 05 de maio de 2010 pela Recorrente, cujo objeto era o PER 07474.60668.230310.1.6.020793, retificador do PER nº 03548.09370.091209.1.2.02.223 (fls. 202/213); ii) os despachos decisórios (eletrônicos) relativos aos PER/DCOMP nºs 03548.09370.091209.1.2.02.223 e 07474.60668.230310.1.6.020793, juntados ao processo às fls. 257 e 256, respectivamente, trazem como motivos para os indeferimentos os seguintes: matéria já apreciada e direito creditório não reconhecido (03548.09370.091209.1.2.02.223) e PERD/DCOMP não admitido pois o documento original já foi objeto de decisão administrativa (07474.60668.230310.1.6.020793); iii) o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Camaçari, que embora tenha sido datado de 26 de fevereiro de 2010 foi juntado às fls. 371/387, ao relacionar as declarações de compensação vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2004, não faz referência ao PER/DCOMP nº 03548.09370.091209.1.2.02.223, que, de acordo com o registro feito no despacho decisório de fls. 257, foi transmitido em 09 de dezembro de 2009; iv) obviamente que o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Camaçari de fls. 371/387, tendo sido emitido em fevereiro de 2010, não poderia fazer referência ao PER/DCOMP nº 07474.60668.230310.1.6.020793, que, em conformidade com o documento de fls. 256, só foi transmitido 23 de março de 2010; v) ao apresentar, em 22 de abril de 2010, Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Camaçari de fls. 371/387, a contribuinte assinalou: Tratase de Pedido de Restituição de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 5.103.104,82 (cinco milhões, cento e três mil, cento e quatro reais e oitenta e dois centavos), objeto das Perdcomps 25899.60112.030308.1.6.020272; 15782.42049.230305.1.2.027078, 3 Na referida folha, que integra o Despacho Decsiório nº 0023/210 da Delegacia da Receita Federal em Camaçari, consta quadro no qual são listados os PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO formalizados pela contribuinte. 4 O referido valor representa a diferença entre o que foi reconhecido em primeira instância (R$ 3.424.095,93) e a soma do que, segundo a Recorrente, já foi utilizado (R$ 1.078.155,27 + R$ 1.292.449,93). Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 440 14 20157.51452.220305.1.2.027648, 11786.23637.030308.1.06.020444, bem como do Perdcomp n° 03548.09370.091209.1.2.020223, que não constou da relação de fls. 372 (DOC. 01). (GRIFEI) vi) às fls. 522, a Delegacia da Receita Federal em Camaçari presta o seguinte esclarecimento: O presente processo trata de Declaração de Compensação (DCOMP Eletrônica), em que a interessada utiliza crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ/2005, para compensação com débitos próprios administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O DESPACHO DECISÓRIO DRF/CCl/Sarac n° 0023/2010 (fls 371 a 387), indeferiu os pedidos de restituição e não homologou a compensação suscitada pelo interessado, o qual, ao ser cientificado da referida decisão, em 22/03/2010 (fl. 403), manifestou, tempestivamente, em 22/04/2010, inconformidade, às fls. 443 a450. Em que pese o Pedido de Restituição Eletrônico (PER n° 03548.09370.091209.1.2.020223) não ter constado na relação da folha 372, já existe Despacho Decisório de indeferimento do referido PER, vide fl. 522, pelo motivo de se tratar de matéria já apreciada pela autoridade administrativa, e em cuja analise não foi reconhecido direito credit6rio suficiente para atendimento do pedido. [...] O ato decisório recorrido, embora ao reconhecer o direito creditório no montante de R$ 3.424.095,93 faça menção expressa no sentido de que devem ser homologadas “as declarações de compensação que integram este PAF, até o limite do saldo remanescente do direito creditório ora reconhecido”, salvo melhor juízo, efetivamente não tratou do PER/DCOMP nº 03548.09370.091209.1.2.02.223, bem como do seu retificador (PER/DCOMP nº 07474.60668.230310.1.6.020793). Digo isso porque o relatório estampado na referida decisão reproduz a relação que havia sido consignada no Despacho Decisório de fls. 371/387, que, como já visto, não contemplava tais pedidos. Ademais, a fragmentação da matéria em discussão, nos termos do despacho de fls. 02, ao considerar como crédito parcialmente utilizado para fins de compensação o montante de R$ 1.292.449,43, reafirma que as declarações de compensação consideradas foram tão somente as relacionadas no Despacho Decisório DRF/CCl/Sarac n° 0023/2010 (fls. 371/387). Diante de tais considerações, por entender que a apreciação acerca da admissibilidade do PER/DCOMP nº 07474.60668.230310.1.6.020793, retificador do de nº 03548.09370.091209.1.2.02.223, não pode ser feita por este Colegiado, haja vista a impossibilidade de se suprimir instância julgadora, conduzo meu voto no sentido de decretar o cancelamento da decisão exarada em primeira instância, para que outra seja prolatada, contemplando, dessa vez, a Manifestação de Inconformidade de fls. 202/213. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/201485 Acórdão n.º 1301001.859 S1C3T1 Fl. 441 15 Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.003619/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/08/1999 a 25/08/1999
PREJUDICIAL DE MÉRITO. DECADÊNCIA.
Transcorrido o prazo qüinqüenal para a constituição dos créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, deverá ser declara a decadência, posto que já extinto o próprio direito que vigorava em favor da Fazenda Pública quando da formalização do auto de infração. Prejudicial de mérito materializada.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3301-002.695
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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E IND. DE PAPEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/08/1999 a 25/08/1999 PREJUDICIAL DE MÉRITO. DECADÊNCIA. Transcorrido o prazo qüinqüenal para a constituição dos créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, deverá ser declara a decadência, posto que já extinto o próprio direito que vigorava em favor da Fazenda Pública quando da formalização do auto de infração. Prejudicial de mérito materializada. Recurso ao qual se dá provimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 19 /2 00 5- 17 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Campinas (efls. 84/87), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento formalizado contra o sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 0521.569, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 11/08/1999 a 25/08/1999 Ementa: CPMF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira CPMF, fls. 44/48, que constituiu o crédito tributário total de R$ 4.574,20, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2005. Como se verifica pela leitura do Termo de Constatação, a atuação fiscal decorre da análise das informações referentes à CPMF não retida e não recolhida, prestadas pelas instituições financeiras junto às quais a contribuinte foi titular de conta corrente. Cientificado do lançamento em 04/01/2006, o sujeito passivo apresentou impugnação em 01/02/2006, fls. 51/53, alegando, em síntese, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Diz a impugnante: Fazendose, pois, a contagem do prazo de 5 (...) cinco anos, aplicável ao caso, verificase, tornandose como referência, o último período cobrado, ou seja, agosto de 1999. Iniciandose a contagem do prazo de decadência a partir do primeiro dia do exercício seguinte (1° de janeiro de 2000) àquele em que poderia ter sido efetuado, concluise que o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário findou em 01 de janeiro de 2005. Ao fim, requer a juntada de provas e a realização de perícias, tendo juntado Parecer Técnico EconômicoFinanceiro às fls. 67/73. Cientificada da referida decisão em 15/10/2008 (vide AR de efls. 91), a interessada, em 28/10/2008 (efls. 92), apresentou o recurso voluntário de efls. 92/158, onde aduz preliminarmente a nulidade da decisão recorrida por cerceamento ao seu direito de defesa, e repisa sua tese em favor da decadência do lançamento perpetrado contra si, além de outros argumentos que integram sua extensa peça recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.003619/200517 Acórdão n.º 3301002.695 S3C3T1 Fl. 181 3 Da preliminar. O recurso é tempestivo e há que ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Decadência. Prejudicial de mérito. Tratamos da decadência na parte alusiva ao mérito por entendermos que seu exame não diz respeito a questões de natureza preliminar, como a nulidade. Com efeito, uma vez caracterizada a decadência, o próprio mérito resta irremediavelmente prejudicado, não ensejando mais qualquer discussão relativamente ao direito. Decadência, como se sabe, é uma das causas da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 156, inciso V). Aliás, não sem razão é que o artigo 269, inciso IV, do Código de Processo Civil, estabelece que “haverá resolução de mérito [...] quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição” (grifei). Traçados esses breve comentários sobre a decadência e de seus efeitos no plano da legitimidade do direito, passemos ao exame do caso específico objeto da lide. Da decadência do direito de constituir o crédito tributário. As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social – CSLL, COFINS, PIS/PASEP e CPMF –, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como definida no artigo 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa conclusão está em sintonia com o § 1º do mesmo dispositivo, segundo o qual “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”. Sobre essa questão Luciano Amaro ensina o seguinte1: Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este – diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo 1 Direito Tributário Brasileiro. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 364/365. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. (grifo nosso) Como conseqüência, não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, aplicável também se demonstrada fraude ou simulação (cujo conceito envolve o dolo). Em tais hipóteses, o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. No caso presente, o lançamento da CPMF relativa aos fatos geradores ocorridos em agosto de 1999 se deu em 04/01/2006. Considerando a regra do artigo 173, inciso I, do CTN já que não houve pagamento antecipado , temse que, quando da formalização do lançamento, já se encontrava definitivamente extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pela decadência, vez que expirado o prazo de 5 anos prescrito pelo CTN. Na contagem do prazo decadencial a instância a quo aplicou a regra do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, segundo a qual o direito de a Seguridade Social constituir seus créditos extinguirseia em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido formalizado. Não obstante, cumpre destacar que o dispositivo em tela foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. De fato, em respeito ao princípio constitucional da reserva de lei complementar, no qual se fundou sólida jurisprudência judicial e administrativa, o STF aprovou, em 12/06/2008 (DOU de 20/06/2008), a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com efeito, o reconhecimento da natureza tributária das contribuições sociais, por força do artigo 195 da Constituição Federal, implicou sua subsunção à regra inserta no artigo 146, III, “b”, da lei maior, onde se exige que o estabelecimento de normas gerais sobre decadência e prescrição tributárias se dê mediante a edição de lei complementar. Assim, definida a inconstitucionalidade formal dos dispositivos da Lei no 8.212/91 acima citados, válido, também para as contribuições sociais, as regras de prescrição e decadência estabelecidas pelo Código Tributário Nacional, já comentadas acima. Releva, finalmente, ressaltar que os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91 foram expressamente revogados pelo artigo 13, inciso I, alínea “a”, da Lei Complementar no 128, de 19/12/2008. Deixase de examinar os demais argumentos aduzidos pelo sujeito passivo em vista do presente entendimento pelo provimento do recurso no que pertine ao mérito da contenda. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar integral provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a consequente exoneração da exigência do Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.003619/200517 Acórdão n.º 3301002.695 S3C3T1 Fl. 182 5 tributo e demais consectários constantes do auto de infração (multa de ofício e juros de mora), uma vez extinto o crédito tributário pela decadência (CTN, artigo 156, inciso V). Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 35380.002776/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2401-000.161
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
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DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/200615 Resolução n.º 2401000.161 S2C4T1 Fl. 276 2 RELATÓRIO Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.060 da Primeira Turma da 4ª Câmara da 2ª Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – CARF, no intuito de identificar o resultado final das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, para que se possa identificar os fatos geradores constantes em cada uma delas e sua relação com o auto de infração ora em análise, fl. 169 a 172. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 19/12/2005. Os fatos geradores que ensejaram a autuação ocorreram entre as competências 01/1999 a 09/2000. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. NO caso, a empresa deixou de informar em GFIP as remunerações pagas aos segurados: APARECIDO ANTONIO DE ALMEIDA, GERALDO DONIZETE DE JESUS VIEIRA GODOY, MÁRCIO JOSE DA SILVA, conforme relatório fiscal. Destacase que a análise individualizada de cada empregado encontra se na NFLD nº 358346088. Ainda, consta do relatório fiscal que a não inclusão de segurados obrigatórios nas folhas de pagamento e na GFIP, caracteriza em tese o ilícito de crime contra seguridade. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls.25 a 71 A unidade descentralizada da SRP emitiu a DecisãoNotificação (DN), fls. 84 a 95, mantendo a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpôs recurso, fls. 60 a 70. Alega em síntese: O fatos que ensejaram a autuação encontramse em períodos alcançados pela decadência. Inconstitucional o art. 45 da Lei 8212/91, que prevê a prescrição qüinqüenal. Ilegal a autuação pela aferição indireta, uma vez que deve prevalecer os termos da coisa julgada em relação as reclamatórias trabalhistas promovidas pelos empregados. Ilegal a exigência de contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias diante do preceito do art. 28, § 9º da Lei 8212/91. Ou Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/200615 Resolução n.º 2401000.161 S2C4T1 Fl. 277 3 seja, desconsiderou a fiscalização que a totalidade dos valores pagos em reclamatória trabalhista possuem caráter indenizatório. O crédito objeto deste lançamento em relação ao segurado Márcio José da Silva, foi regularmente recolhido. A fiscalização não poderia proceder à autuação fiscal, com a aplicação de multa por irregularidades verificadas no período anterior a edição do Decreto 3048/99 em razão do princípio da anterioridade e da irretroatividade da lei tributária. Ilegal o valor excessivo da multa aplicada. Ilegal ainda o sistema de correção aplicado, bem como a taxa SELIC. Requer o acolhimento dos argumentos aqui invocados, reconhecendo as ilegalidades apontadas, bem como requer o cancelamento da autuação. A Receita Previdenciária abstevese de apresentar contrarazões tendo encaminhado o recurso a este conselho. É o relatório. A DRFB prestou informações e anexou cópias das decisões no sentido de que: (1) NFLD 35.834.6096 foi julgada procedente no âmbito deste CARF, , bem como em relação a (2)NFLD 35.834.6100 o contribuinte teve seu recurso Provido em Parte. Para a NFLD 35.834.6088, observase que a autoridade da DRFB anexou a Decisão Notificação e o recurso voluntário do contribuinte. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/200615 Resolução n.º 2401000.161 S2C4T1 Fl. 278 4 Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Em se tratando de retorno de diligência, comandada no intuito de identificar o resultado das NFLD conexas com os fatos geradores deste AI, abstenhome de avaliar a tempestividade, tendo em vista já ter sido objeto de apreciação anteriormente. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Conforme descrito na resolução que converteu em diligência o julgamento, a procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no mesmo procedimento. Contudo, ao analisar os documentos acostados pela autoridade da DRFB, quanto a procedência das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, identificase, por meio das Decisões Notificações que a NFLD diretamente relacionada é a de n. 35.834.6088, a única para a qual não foi possível, por meio da análise dos sistemas do CARF identificar o andamento. Notese que por meio de pesquisa, o n. do DEBCAD não mais aparece como identificador do Processo, e da pesquisa realizada no âmbito da secretaria desta Câmara acerca do n. do carimbo de protocolo 35.380.002726/200638, fl. 216, não foi encontrado o processo. Dessa forma, infelizmente, nos resta novamente converter o julgamento em diligência, para que a DRFB preste mais esclarecimentos, se possível acerca do andamento do processo, inclusive se o mesmo foi parcelado ou mesmo pago, e caso seja constatado que o mesmo ainda não foi julgado no âmbito deste conselho, devese determinar sua tramitação em conjunto, evitando assim, julgamento discordantes, entre a NFLD lavrada e o respectivo AI pelo descumprimento de obrigação acessória, diretamente relacionado aos fatos geradores descritos na NFLD. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que sejam prestadas as informações nos termos acima descritos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13805.004651/97-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE.
A prescrição intercorrente não é aplicável ao processo administrativo fiscal.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente não é aplicável ao processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 46 51 /9 7- 89 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 A interessada foi fiscalizada quanto à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS no período de 11/93 a 12/95 (fl 16). Para as exações de junho de 1994 a outubro de 1994 foi apurada a não integralidade de depósitos judiciais e pagamentos, sendo lançadas neste processo as contribuições mensais, cuja soma é R$ 66.287,77, com as multas de 75% nesses meses, conforme Auto de Infração (fl 1 e bases legais nas fls 2, 5 e 6). Em novembro e dezembro de 1995 apurouse integralidade de depósitos judiciais (fl 15 c/c 19) A base legal do lançamento da contribuição foi a Lei Complementar (LC) n° 70, de 30. 44 dezembro de 1991, arts. 1º, 2º, 3º, 4º e 5° (fl 2); quanto aos juros de mora e correção, para fatos geradores até 31/12/94 está fundamentada no artigo 38 e parágrafo 1º da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, no artigo 84, parágrafo 5º, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e no artigo 26 da MP 1.542/96 (fl 5/6); quanto à multa proporcional: art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/91 c/c art. 4º, inciso I, da Lei n° 8.218/91; art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 e art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172/66. As conversões para UFIR decorrem da Lei no 8.383/91, art. 54, § 1º (fl 6). As conversões para Reais decorrem do art. 25 da MP n° 1.542/96 (fl 6). A ciência pessoal deuse em 24/6/1997 (fl 1). Em 23/7/97 (fl 36) a empresa impugnou e arguiu nulidade pedindo, alternativamente, julgamento pela improcedência do auto e da TR, alegando, em suma: a) promove incorporação, construção e venda de imóveis e não é contribuinte; b) propôs ação judicial pela inexistência de relação jurídica da Cofins (cautelar 9500542900); c) fez depósitos suspensivos (art. 151, II, do CTN) e recolhimentos em Darf; d) deve ser respeitada a unidade de jurisdição (transcreve parecer doutrinário sobre depósito judicial); e) havendo depósito há suspensão do crédito e nulidade do auto; f) em face dos depósitos (ainda que a destempo, mas antes de ação fiscalizatória) e dos Darf's os acréscimos não ocorrem, pois não há mora (cita súmula do TRF); g) o faturamento decorre de extrair faturas nas vendas de mercadorias/serviços e venda do imóvel não é de mercadoria nem serviço (transcreve decisão sobre não incidir o Pis na venda de terrenos); h) exigir Cofins na incorporação e venda de imóveis é ilegal (transcreve decisões judiciais afastando a Cofins pela LC 70/91 na venda de imóveis); i) não cabe TR ou TRD como correção monetária ou juros de mora sendo inconstitucional e ilegal tal pretensão. Arguindo nulidade, pede julgamento pela improcedência total do principal e encargos e da atualização e juros pela TR. Em 13/3/2009 a EQAMJ informa (fl 134): Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13805.004651/9789 Acórdão n.º 3102003.006 S3C1T2 Fl. 3 3 a) há dois processos administrativos da Cofins: um para os meses com integralidade de depósitos (11 e 12/95), e outro (este), dos meses não integralmente cobertos; b) há acórdãos do TRF e decisão do STJ na ação da empresa (anexa cópias fls 103 a 130); c) a incidência da Cofins sobre venda de imóveis foi julgada devida com trânsito e em 16/3/2007; d) segue pendente a ação cautelar. Ação Cautelar Em 6/11/95 a empresa obteve liminar suspendendo a exigibilidade da Cofins na cautelar 95.00542900 que propusera em 30/10/1995 mediante depósito, conforme súmulas 1 e 2 do TRF da 3º Regido (fl 81 c/c 93). Fez depósitos do período autuado em 31/10/1996 (fls 83 a 87). A ação cautelar perdeu o objeto e está definitivamente baixada (fls 135/136). Ação Ordinária Ao julgar a apelação na ação ordinária de 1/12/95, o relator diz que a empresa buscava desvincular bem imóvel do conceito de mercadoria, para afastar a Cofins sobre o faturamento nas vendas e restituir, obtendo sentença de improcedência (fl 104). 0 acórdão diz incidir a Cofins pela LC 70/91 no faturamento pela venda de imóveis (fl 103). A decisão colegiada analisou o objeto social da empresa e esmiuçou o conceito de mercadoria com vasta transcrição jurisprudencial (fl 113 c/c 114 a 120) para, ao final, negar provimento. Os embargos declaratórios (2) foram infrutíferos (fl 122 e 128). 0 agravo ao STJ foi negado e houve trânsito em julgado em 16/3/2007 (fl 130, verso). Foi determinada conversão em renda dos depósitos da cautelar (fl 137). Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorreram as hipóteses de nulidade (art. 59 do Decreto n° 70.235/72). INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, haja vista que tal matéria esta adstrita ao âmbito judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994 MULTA DE OFÍCIO E JUROS. CABIMENTO. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Lançamento decorrente de infração detectada em fiscalização admite acréscimos (art 161, CTN). MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO NÃO INTEGRAL. CABIMENTO. É devida multa de oficio sobre crédito tributário não integralmente depositado (inciso II, art. 151, CTN). MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO INTEGRAL. NÃO CABIMENTO. Não é devida multa de oficio sobre o crédito tributário integralmente depositado (inciso II, art. 151, CTN, Período de apuração: 01/09/1994 a 30/09/1994). JUROS DE MORA. LEGISLAÇÃO. FATOS GERADORES ATÉ 31/12/1994. Nas hipóteses de débitos tributários vencidos no período de julho a dezembro de 1994 incide o percentual equivalente ao excedente da variação acumulada da TR em relação à variação da UFIR, ou o mínimo de 1% ao mês. De janeiro de 1995 a dezembro e 1996 a taxa é de 1% ao mês (art. 84, §5°, Lei 8.981/95). A partir de 10 de janeiro de 1997, sobre esses débitos vencidos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Sclic (art. 26, MP 1542/96). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994 COISA JULGADA. A aplicabilidade da Lei Complementar 70/91 foi afirmada na ação proposta transitada em julgado. DARF. EXTINÇÃO PARCIAL. (Período: 01/06/1994 a 30/06/1994 e 01/09/1994 a 30/09/1994) Não cabe lançar parcelas pagas. Insatisfeito com a decisão de primeira instância administrativa, o Sujeito Passivo apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual apenas alega prescrição intercorrente do crédito tributário constestado. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Uma vez que a única alegação de defesa em sede de Recurso Voluntário seja a prescrição intercorrente do crédito tributário litigado, cabe a este Tribunal, apenas, aplicar a Súmula CARF nº 11. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13805.004651/9789 Acórdão n.º 3102003.006 S3C1T2 Fl. 4 5 VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11251.000054/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE DAÇÃO EM PAGAMENTO EM TÍTULOS DA PREFEITURA DO DISTRITO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Inexiste previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. O art. 167, XI, da CF/88 estabelece vedação expressa de utilização dos recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE DAÇÃO EM PAGAMENTO EM TÍTULOS DA PREFEITURA DO DISTRITO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Inexiste previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. O art. 167, XI, da CF/88 estabelece vedação expressa de utilização dos recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. Recurso Voluntário Negado
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CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE DAÇÃO EM PAGAMENTO EM TÍTULOS DA PREFEITURA DO DISTRITO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Inexiste previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. O art. 167, XI, da CF/88 estabelece vedação expressa de utilização dos recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 54 /2 00 9- 86 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/200986 Acórdão n.º 2401004.016 S2C4T1 Fl. 299 3 Relatório Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003 Data da lavratura da NFLD: 25/02/2004. Data da Ciência da NFLD: 01/03/2004. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.545.0046, consistente em Contribuições Sociais a cargo dos segurados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, nas competências de dezembro/2001 a outubro/2003, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 38/40. De acordo com o Relatório Fiscal, a Notificada pretendeu, unilateralmente, quitar as contribuições previdenciárias relativas às competências de 12/2001 a 10/2003, utilizandose do instituto da dação em pagamento de títulos da dívida pública, emitidos no início de 1900, século passado, pela “Prefeitura do Districto Federal”. A alegada “dação em pagamento” deuse por ato unilateral da empresa, sem amparo em lei autorizadora. Em 30/01/2004, a empresa protocolizou expediente, sob n° 35412.000111/200491, a fls. 59/76, na Agência Moji das Cruzes da Previdência Social comunicando o procedimento da operação ora em foco, apresentando não somente cópias dos Títulos de empréstimo, como também, as GPS pagas em 23/01/2004, com as deduções da pretendida “dação em pagamento”. Nesse contexto, acompanhando o entendimento exarado no Despacho promanado da Procuradoria Geral Federal Especializada – INSS, a fls. 80/84, que rechaçou a possibilidade jurídica de se efetuar a extinção do Crédito Tributário em questão mediante dação em pagamento com títulos da Divida Pública emitidos pela Prefeitura do Distrito Federal, a Fiscalização procedeu ao lançamento das Contribuições Previdenciárias devidas e não recolhidas. Os valores das contribuições retidas dos segurados e não recolhidas, objeto do vertente lançamento, foram extraídos dos fatos geradores declarados pela própria empresa em suas GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo apresentou contestação administrativa em face do lançamento, nos termos da Impugnação a fls. 107/125. A Seção de Análise de Defesas e Recursos do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos/SP lavrou Decisão Administrativa aviada na DecisãoNotificação nº Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 21.4254/075/2004, a fls. 208/212, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/05/2004, conforme Aviso de Recebimento a fl. 214. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 216/234, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · O Recorrente discorre acerca da lisura dos títulos da dívida pública interna e externa do Brasil e de princípios constitucionais para, ao fim, concluir pela legalidade da dação em pagamento; · Que a multa e os juros contidos na presente NFLD, diante da sua exagerada fixação, ferem todos os ditames de ordem constitucional; Ao fim, requer a declaração de improcedência da NFLD. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/200986 Acórdão n.º 2401004.016 S2C4T1 Fl. 300 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/05/2004. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14/06/2004, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto, conforme Resolução 154/INSS/DCPRES, de 08/06/2004, que suspendeu o prazo para interposição de recursos no período de paralização dos servidores. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA DAÇÃO EM PAGAMENTO. O Recorrente discorre acerca da lisura dos títulos da dívida pública interna e externa do Brasil e de princípios constitucionais para, ao fim, concluir pela legalidade da dação em pagamento. Mas há, todavia, impossibilidades jurídicas que impedem a modalidade de extinção do Crédito Tributário eleita pelo Recorrente. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Com efeito, as modalidades de extinção do Crédito Tributário encontramse taxativamente previstas no art. 156 do CTN. Código Tributário Nacional Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. De fato, o inciso XI do citado art. 156 do CTN prevê a modalidade de extinção de Crédito Tributário mediante a dação em pagamento, mas tão somente, em bens imóveis, e, mesmo nesses casos, na forma e nas condições a serem estabelecidas em lei ordinária, inexistindo qualquer viés de possibilidade para a dação em pagamento em títulos prescritos da Prefeitura do Districto Federal. Ademais, no que pertine às contribuições previdenciárias, existe ainda um empecilho constitucional insculpido no inciso XI do art. 167 da CF/88 o qual veda, expressamente, a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, ali incluídas, por obvio, as despesas de quitação/resgate de títulos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. Constituição da República Federativa do Brasil Art. 167. São vedados: (...) XI a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/200986 Acórdão n.º 2401004.016 S2C4T1 Fl. 301 7 Nessa perspectiva, ante a inexistência de previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal, e máxime pela expressa vedação constitucional de se utilizar os recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social, não há como acatar a regularidade e a lisura do procedimento levado a efeito pelo Autuado, permanecendo ainda devidas as Contribuições Previdenciárias correspondentes aos valores declarados pelo Autuado como supostamente extintos pela impossível dação em pagamento. Procedente, portanto, o lançamento levado a efeito pela Autoridade Fiscal. No que pertine à alegação de que não teria havido, por parte da empresa, o desconto das contribuições previdenciárias dos segurados, há que se esclarecer que a ocorrência dos descontos das Contribuições Previdenciárias a cargo dos segurados empregados sobre as respectivas remunerações mensais constam nas declarações prestadas em GFIP pelo próprio Recorrente, sob sua responsabilidade, comando e domínio. Ademais, o §5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 estabelece presunção absoluta de que tais descontos houveramse por efetivamente realizados, oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (...) Quanto à procedência ou não da Representação Fiscal para Fins Penais, o exame das alegações atravessadas pelo Recorrente esbarra no óbice da Súmula 28 do CARF, de observância obrigatória, que exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 2.2. DOS JUROS E MULTA Alega o Recorrente que a multa e os juros contidos na presente NFLD, diante da sua exagerada fixação, ferem todos os ditames de ordem constitucional. Examinando os termos e condições do lançamento em apreço verificamos que os juros de mora houveramse por aplicados de acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, vigente à data dos fatos geradores, conforme indicado no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fl. 25, tópico “Acréscimos legais – juros”. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. De outro eito, a multa moratória se houve por aplicada em conformidade com os incisos II e III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, vigente à data dos fatos geradores, conforme indicado no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fl. 25, tópico “Acréscimos legais – Multa”, e quantificados na página 01/02 do relatório “IPC – Instruções Para o Contribuinte”, a fl. 05. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) (...) II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/200986 Acórdão n.º 2401004.016 S2C4T1 Fl. 302 9 d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Como se vê, tanto a multa quanto os juros de mora houveramse por aplicados em estreita consonância com os ditames estabelecidos na Lei de Custeio da Seguridade Social. Mostrase alvissareiro trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. É imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não teve, ainda, a sua constitucionalidade abatida pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/200986 Acórdão n.º 2401004.016 S2C4T1 Fl. 303 11 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade pleiteadas pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10830.918671/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-006.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito.
Nome do relator: João Alfredo Eduão Ferreira
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, não abrangendo as demais receitas. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 86 71 /2 00 9- 56 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.918671/200956 Acórdão n.º 3803006.127 S3TE03 Fl. 113 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito. Relatório Em 21 de agosto de 2015, a repartição de origem devolveu a este Colegiado os presentes autos em razão da detecção de equívoco na identificação do período de apuração da contribuição sob comento, sendo informado que, enquanto na ementa se registrou o período de apuração de 01/12/2002 a 31/12/2002, no voto se reportou à composição da base de cálculo de dezembro de 2003, sendo que, de acordo com os débitos declarados, não havia, no período, o valor referenciado no montante de R$ 784.190,99. Em razão desse fato e por se tratar de acórdão da relatoria de Conselheiro que não mais compõe o Colegiado, fui designado como relator ad hoc neste processo, em razão do quê reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento: Retornaram os autos da unidade de origem para onde foram baixados com a finalidade de certificação dos valores das demais receitas da recorrente que extrapolaram o faturamento, conforme documentos da escrita contábil juntado aos autos pela recorrente, e colacionadas aos mesmos as informações prestadas pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, bem como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento: Foi juntada aos autos a informação fiscal e dela foi dado ciência ao Recorrente. Da informação fiscal consta planilha, formatada com base no Razão Analítico, informando que, na composição da base de cálculo da Cofins de dezembro/2002, o Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.918671/200956 Acórdão n.º 3803006.127 S3TE03 Fl. 114 3 recorrente adicionara, em observância aos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Constatou a fiscalização que, em consulta realizada na DCTF, o recorrente apurara, para o período de dezembro/2002, Cofins no valor de R$ 627.094,64, o quê, após as deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 24.734,13. Compulsando os autos, verificase que consta do demonstrativo de crédito do PER/DCOMP (fl. 57verso) a informação de que o valor total do crédito original utilizado fora de R$ 24.734,13, exatamente o valor apurado pela fiscalização por ocasião da diligência. Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível. É cediço que o tema sob exame teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal que, por sentença proferida pelo Plenário em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, declarou a inconstitucionalidade do texto contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que transitou em julgado em 12/12/2008. Nesse contexto, devese proceder de acordo com o que dispõe o art. 62A do RICARF/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ante o exposto, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000380/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Vinculante CARF nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Para aplicação da multa qualificada, deverá o Fisco, minuciosamente, justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros João Bellini Júnior (relator), Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis, que mantinham a multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Declarou-se impedido o Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior..
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
ALICE GRECCHI - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Para aplicação da multa qualificada, deverá o Fisco, minuciosamente, justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte
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INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário” (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 80 /2 00 8- 26 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Para aplicação da multa qualificada, deverá o Fisco, minuciosamente, justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros João Bellini Júnior (relator), Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis, que mantinham a multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Declarouse impedido o Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior.. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. ALICE GRECCHI Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1731.692, exarado pela 2ª Turma da DRJ em São Paulo II (fls. 416 a 428 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 04 a 20) é referente ao imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), anoscalendário 2003 e 2004, sendo exigido crédito tributário de R$1.701.822,11 (imposto, juros de mora e multa proporcional de 150%). A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de: (a) omissão de receitas da atividade rural e (b) omissão de rendimentos identificada por depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas com documentação hábil e idônea. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 487 3 O contribuinte tomou ciência do auto de infração em 10/12/2008 (fl. 361). Em sua impugnação, alegou, em síntese, que: (a) há cerceamento de sua defesa, com a conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários e não houve a apresentação de planilha com as contas correntes e os depósitos bancários – um a um – que foram utilizados como omissão de rendimentos; (b) ocorreu a decadência referente ao período de 1º de janeiro a 30 de novembro de 2003, já que o fato gerador do imposto de renda de pessoa física ocorre no mês em que houver o crédito pela instituição financeira, e, para a contagem do prazo decadencial do lançamento utilizase o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; (c) como é produtor rural, a sua fonte de rendimento decorre da atividade rural, sendo esta sua atividade econômica; assim, o crédito tributário a ser exigido deve ser feito pela atividade rural e não pela pessoa física, à alíquota de 27,5%; (d) os extratos bancários foram obtidos de maneira ilícita, uma vez que não há autorização do Poder Judiciário; (e) a autoridade administrativa lavrou o auto de infração tendo por único fundamento a presunção, sem demonstrar os elementos que compõem o fato jurídico tributário; (f) não cabe aplicar juros moratórios com base na taxa Selic, pois estes índices prestamse apenas para fins remuneratórios; (g) a multa de ofício aplicada ofende os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco (art. 150, IV) e não houve qualquer prática de conduta por meio de fraude. A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu as seguintes ementas: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA AUTO DE INFRAÇÃORELAÇÃO DOS DEPÓSITOS. O recebimento pelo contribuinte do Auto de Infração e todos os seus anexos, dentre os quais o Termo de Verificação e Ação Fiscal, com o relato minucioso de todos os créditos bancários considerados no lançamento, oferece ao contribuinte todas as condições para exercer plenamente seu direito de defesa. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 PRELIMINAR SIGILO BANCÁRIO. Autorizada a quebra de sigilo bancário pelo Poder Judiciário, não há que se falar em obtenção ilícita dos extratos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA AJUSTE ANUAL. O imposto de renda decorrente da omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, submetese à apuração segundo ajuste anual e não mensal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1º de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL. Somente a comprovação da origem dos recursos utilizados dos depósitos bancários é capaz de ilidir a presunção legal de omissão de rendimentos. O fato de o contribuinte possuir como fonte de renda a atividade rural, mesmo que esta seja sua principal fonte declarada, não permite concluir que todos os seus rendimentos sejam oriundos desta atividade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA APLICAÇÃO. Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude. TAXA SELIC INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. A ciência dessa decisão ocorreu em 29/05/2009 (aviso de recebimento, fl. 431). Em 25/06/2009, foi apresentado recurso voluntário (fls. 435 a 479), no qual foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação. Pediu que o lançamento seja julgado improcedente; alternativamente, pediu que seja reconhecida a inaplicabilidade da Taxa SELIC, e que seja reconhecido o caráter confiscatório da multa aplicada no percentual de 150%, devendo a mesma ser redimensionada para 20%. O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 485). É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 488 5 Voto Vencido Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÕES PRELIMINARES DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO De acordo com o contribuinte, haveria nulidade da decisão recorrida, face ao cerceamento do direito de defesa, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em depósitos bancários, e não lhe foi apresentada “planilha com as conta correntes e os depósitos bancários – um a um – que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a presunção”. Não lhe assiste razão. O contribuinte foi intimado em 09/09/2008 (fl. 84) do Termo de Intimação Fiscal 030 (fls. 82 a 83) a apresentar “documentação hábil e comprobatória da origem dos depósitos bancários listados” individualmente às fls. 85 a 109. Desses, os depósitos listados às fls. 15 e 16 foram considerados comprovados, e não foram objeto da autuação. Assim, não há falar em cerceamento do direito de defesa por falta de intimação individual dos depósitos bancários objeto da autuação. DA OBTENÇÃO DE PROVA ILÍCITA POR OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA IRROTROATIVIDADE E DO SIGILO Não lhe assiste razão ao afirmar que os extratos bancários foram obtidos de maneira ilícita, uma vez que não há autorização do Poder Judiciário. O Oficio n° 5507/2005 (fl. 199) da Juíza de Direito da Comarca de Viradouro, prova que houve autorização para obter os extratos bancários das instituições financeiras. Não há falar, portanto em provas ilícitas. Porém, mesmo que assim não fosse, não há qualquer ilegalidade, nulidade ou irregularidade na requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, pois, para tanto há suporte jurídico na Lei Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001. No que tange à alegação de que tais normas não podem ser utilizadas para requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, entendo que o que o contribuinte defende é a inconstitucionalidade dessas normas. Porém, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo 26A, quanto a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), plasmada em sua Súmula 02, são claros ao impedirem o controle repressivo de constitucionalidade por parte deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas): Fl. 490DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). QUESTÕES DE MÉRITO DA DECADÊNCIA O contribuinte alega ter ocorrido a decadência dos períodos de janeiro a novembro de 2003, uma vez que a ciência do auto de infração deuse em dezembro de 2008, em face da decadência mensal do IRPF e do disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Não lhe assiste razão. A matéria é objeto da Súmula Vinculante CARF nº 38, que dispõe que “o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. Tendo tomado ciência do auto de infração em 10/12/2008, não ocorreu a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorrida no anocalendário de 2003, cujo fato gerado ocorreu em 31/12/2008. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 489 7 DA ATIVIDADE RURAL Alega o contribuinte que, como é produtor rural, a sua fonte de rendimento decorre da atividade rural, sendo esta sua atividade econômica; assim, o crédito tributário a ser exigido deve ser feito pela atividade rural, cuja base de cálculo é de 20% da receita auferida e não pela pessoa física, à alíquota de 27,5%. Ora, os parâmetros que o contribuinte diz que devem ser utilizados são exatamente os que nortearam o auto de infração, pela qual as receitas que foram identificadas como provenientes da atividade rural foram tratadas como “omissão de receitas da atividade rural”, sendo considerado, como valor tributável, vinte por cento de tais receitas (fls. 17 a 19). Quanto à infração “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”, o ônus da prova da origem da receita é do contribuinte, como será abordado em seguida. DA OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA É alegado que não pode subsistir o lançamento da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, por se calcar em presunção e ferir a presunção de boafé. Não assiste razão ao contribuinte. A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 492DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Redação dada pela Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. Anteriormente à vigência do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários se enquadravam como modalidade de arbitramento, que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e pelo art. 9º, VII, do DecretoLei 2.471, de 1988, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. A fim de consolidar tal entendimento, foi editada a Súmula CARF 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, como visto, não há a necessidade de ser demonstrada o consumo da renda por meio de sinais exteriores de riqueza; e há, para o sujeito passivo, a obrigação da comprovação individualizada dos depósitos com coincidência de datas e valores. Nesse sentido, a jurisprudência deste CARF: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase omissão de rendimentos os Fl. 493DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 490 9 depósitos bancários que não foram justificados com documentação hábil e idônea, e sem coincidência de datas e valores. (Acórdão 2101002.652, Relator(a) Maria Cleci Coti Martins) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Considerase comprovada a origem dos depósitos quando especificado, de forma individualizada, a que título os valores foram creditados e seja estabelecida uma vinculação entre cada crédito e a fonte dos recursos, com coincidência de datas e valores, tudo demonstrado mediante documentação hábil e idônea. (Acórdão 2201002.203, Relator(a) Marcio de Lacerda Martins) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS. CONTRATAÇÃO VERBAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação recursal de que a atividade geradora do rendimento não se baseia em contratos escritos não é o suficiente para comprovar a origem dos depósitos como sendo dessa atividade. A exigência de prova da origem dos recursos decorre de lei e o ônus probatório atribuído ao recorrente também. Como o recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe é imposto, não há razão para excluir os depósitos do lançamento. (Acórdão: 2802003.008, Relator: Jorge Claudio Duarte Cardoso) DOS JUROS MORATÓRIOS O contribuinte afirma não caber a aplicação de juros moratórios com base na taxa Selic, pois estes índices prestamse apenas para fins remuneratórios. Não lhe assiste razão. A possibilidade da utilização, a partir de 1º de abril de 1995, da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é tema da Súmula 04 deste CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. DA MULTA DE OFÍCIO O contribuinte alega que a multa de ofício aplicada ofende os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco (art. 150, IV) e não houve qualquer prática de conduta por meio de fraude. Defende a aplicação do percentual de 20%, conforme disposto no art. 61, § 2º, da Lei 9.430, de 1996 (multa de mora). Fl. 494DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Quanto à multa ferir princípios constitucionais, a questão implica no controle repressivo de constitucionalidade da norma atacada; porém, como já referido, “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF nº 2). Cabe observar que a multa prevista no art. 61, § 2º, da Lei 9.430, de 1996, é aplicável aos casos de pagamento espontâneo e fora do prazo de “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Não é aplicável aos casos de lançamento de ofício, nos quais resta caracterizada a falta de pagamento, o que implica no lançamento de multa prevista no art. 44 do mesmo diploma legal. No caso em questão, foi aplicada multa qualificada de 150%, em face das seguintes razões: 4.1 Diante dos valores movimentados em contas correntes e dos valores declarados pelo contribuinte, não é razoável supor que o fiscalizado tenha, inadvertidamente, se equivocado em suas Declarações de Ajuste Anual IRPF, exercício de 2004 e 2005. 4.2 É grande a discrepância entre os rendimentos tributáveis declarados e o que restou evidenciado como omitido. 4.3 Portanto, são fortes as evidências que atestam ter o contribuinte a intenção de, conscientemente, cometer a sonegação e a fraude, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, caracterizando o dolo: relevância de valores omitidos e reincidência de conduta, restando comprovado a absoluta impossibilidade de mero equívoco, do simples erro material de pequena monta. Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177): § 177. Conceito de dolo Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o agente atua e contraria a direito: quer que o ato contrarie a direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o ato (ou omissão) contraria a sua promessa, viola o direito, a pretensão, a ação ou exceção do seu credor, e pratica o para contrariar a direito. A lei vedalhe algum ato, ou omissão, e quer violála, praticandoo, ou omitindo. Não é preciso que o agente queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse. Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito. Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235, de 1972). Assim se dá com a prova do dolo. Dada uma determinada infração tributária, não há outra possibilidade de que tenha ocorrido: (a) mero erro, evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo. No caso da omissão de receitas da atividade rural, o montante da omissão foi obtido por meio de circularização, procedimento em que houve intimação dos contribuintes Cargill Agricola S/A (fls. 152 e 153) e Fischer S/A Agroindústria (fls. 176 e 177) para a Fl. 495DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 491 11 apresentação do extrato da contacorrente do contribuinte, contendo o número dos contratos; a safra; o nome da propriedade rural; o município; a quantidade de caixas de laranjas adquiridas, números das notas entrada, avulsa ou do produtor rural; datas e valores dos pagamentos efetuados ao produtor rural (contribuinte) e a forma de pagamento. De posse de tais informações, intimouse o contribuinte a comprovar as receitas brutas mensais, informadas nos anexos da atividade rural, entregues com as declarações de ajuste anual. O contribuinte restou silente. Foram lançadas as diferenças apuradas. Entendo que a conduta reiterada de ocultar as receitas da atividade rural é incompatível com a ocorrência de erro/culpa; ao que me convenci, a conduta reiterada demonstra a intenção do contribuinte em esconder do Fisco o verdadeiro valor de suas receitas, do que decorre a correta aplicação da multa qualificada. No que tange à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, não penso haver diferenças substanciais para a comprovação do dolo, que, em qualquer caso, é comprovado pela conduta do contribuinte. Para mim, a reiteração da conduta somada à expressividade dos valores omitidos, prova a existência da vontade de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71, I, da Lei 4.502, de 1964), ocorrendo, desse modo, a subsunção ao art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996 (redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Tal entendimento não é incompatível com as Súmulas 14 e 25 (vinculante), porque, no caso, não se trata de “simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos” (Súmula 14), nem de “presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só” (Súmula 25), uma vez que a conduta reiterada é a própria prova do dolo de sonegar. Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No mesmo sentido, há ampla jurisprudência neste CARF: MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A omissão Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Omissão de receitas que permite o indevido enquadramento no regime tributário do SIMPLES e aproveitamento de seus benefícios caracteriza conduta dolosa. Tais condutas se amoldam à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº9.430/1996. (Acórdão 9101002.106, Relator(a) Rafael Vidal de Araujo.) (MULTA) DE OFICIO QUALIFICADA. Qualificase a infração quando comprovada a reiterada conduta de obstar às autoridades administrativas o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela reiterada recusa de apresentação dos livros, documentos e arquivos magnéticos inclusive por meio de sucessivas mudanças de domicílio fiscaL (Acórdão 9303 002.356, Relator(a) Julio Cesar Alves Ramos.) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. A conduta reiterada de apresentar declarações zeradas ou com valores significativamente inferiores aos reais, bem como o pagamento de vultosos recursos à margem da escrituração, caracterizam o inequívoco intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da Fazenda, da ocorrência do fato gerador. (Acórdão 1102001.101, Relator(a) Joao Otavio Oppermann Thome.) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 150%. (CENTO E CINQUENTA POR CENTO) VENDAS NÃO DECLARADAS. DIPJs COM VALORES ZERADOS. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. A conduta reiterada de não declarar as vendas efetuadas, apresentando DIPJs zeradas, durante anos consecutivos, omitindo informações do Fisco para suprimir tributo, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), de que trata o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. (Acórdão 1202001.121, Relator(a) Geraldo Valentim Neto.) OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. A ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários autoriza a presunção de omissão de receitas, não sendo o CARF o foro próprio para discutir se a norma se amolda aos contornos constitucionais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada, naqueles casos em que resta constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso (Acórdão 1301001.621, Relator(a) Valmir Sandri.) Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 492 13 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. MULTA QUALIFICADA. Deve ser mantida a autuação com multa qualificada, quando se está diante de prova direta de omissão de receitas, cujo o dolo aflora e se afirma de conduta repetida durante vários trimestres, consistente em declarar, para o Fisco Federal, apenas parte das receitas oferecidas à tributação estadual. (Acórdão 1302001.412, Relator Alberto Pinto Souza Junior.) MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Sendo de grande magnitude a divergência entre receita declarada e efetivamente auferida, e havendo reiteração desta conduta ao longo dos períodos de apuração dentro do anocalendário, há de se afastar o erro e concluirse pelo dolo, justificandose, assim, a exasperação da multa de ofício. (Acórdão 1302001.597, Relator Eduardo de Andrade.) MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando restou caracterizada a conduta reiterada de omissão na declaração e pagamento dos tributos devidos. (Acórdão 1401 001.410, Relator(a) Sergio Luiz Bezerra Presta.) Foram omitidos, na declaração apresentada ao Fisco, 99% (noventa e nove por cento) dos rendimentos auferidos. É evidente que, dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco na declaração apresentada, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. (Acórdão 1801001.943, Relator(a) Maria de Lourdes Ramirez.) OMISSÃO DE RECEITAS. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. DOLO. MULTA QUALIFICADA. ANOCALENDÁRIO 2006. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O comportamento do contribuinte consistente em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada. A reiteração da omissão de receitas em todos os meses do anocalendário, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro de fato ou material cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadirse do pagamento dos tributos devidos, caracterizando o intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%. (...)(Acórdão 1802002.147, Relator Nelso Kichel.) MULTA QUALIFICADA. CONDUTA FRAUDULENTA. A prática reiterada, por sucessivos exercícios, caracteriza uma conduta fraudulenta da contribuinte, autorizando a autoridade fiscal a aplicação da multa qualificada de que trata o §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. (Acórdão 3402002.459, Relator(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho.) Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracteria a sonegação, consistente na conduta dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador, a prática reiterada e sem justificativa, durante quatro anos seguidos, de entrega das DIPJ e DCTF sem informações relativas ao IPI devido. (Acórdão 3301002.400, Relator(a) Andrada Marcio Canuto Natal.) MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES FALSAS. CONDUTA REITERADA DO SUJEITO PASSIVO.. A ocorrência da conduta reiterada do sujeito passivo, aliada à enorme discrepância entre os valores escriturados e os declarados, autorizam concluir que não se trata de mero erro material, e sim da vontade livre e consciente da contribuinte em fraudar o erário público, devendo ser aplicada a multa qualificada, estabelecida no art. 44, II, da Lei n° 9,430/96. (Acórdão 3801001.817, Relator(a) Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.) Voto, portanto, por não conhecer das questões envolvendo o controle repressivo de constitucionalidade, por rejeitar as preliminares e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi, Redatora designada. Com a devida licença do nobre Relator da matéria, Conselheiro João Bellini Júnior Presidente deste E. Turma, permitome divergir do entendimento acerca da multa qualificada no presente lançamento. Inicialmente, cumpre frisar que, embora tratese o presente lançamento de Omissão de Rendimentos da Atividade Rural e Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada, verificase que a fiscalização limitouse a fundamentar a qualificação da multa em relação à Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários, até porque, o próprio Fisco abriu mão da presunção legal em relação a esta infração, denominandoa de Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, na qual não há a inversão do ônus da prova, pois cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária. Isto é, a omissão de rendimentos através de depósitos bancários é uma mera presunção legal. Em suma, a qualificação da multa deve ser minuciosamente justificada e comprovada. Extraise do "Termo de Verificação de Infrações e de Conclusão de Procedimento Fiscal" em fls. 12/20, que, para qualificar a multa, a única infração constatada pela fiscalização fora "Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada". Vejamos: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 493 15 "4 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA APLICÁVEL NESTE PROCEDIMENTO FISCAL: A multa de ofício qualificada, aplicada ao presente caso, está definida no 957, inciso II do RIR/99 (Art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96), e será de 150% sobre a totalidade do Imposto de Renda, a ser apurado no Auto de Infração, em função do evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, pelos seguintes motivos: 4.1 Diante dos valores movimentados em contas correntes e dos valores declarados pelo contribuinte, não é razoável supor que o fiscalizado tenha, inadvertidamente, se equivocado em suas Declarações de Ajuste Anual IRPF, exercício de 2004 e 2005. 4.2 É grande a discrepância entre os rendimentos tributáveis declarados e o que restou evidenciado como omitido. 4.3 Portanto. são fortes as evidências que atestam ter o contribuinte a intenção de, conscientemente. cometer a sonegação e a fraude. nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. caracterizando o dolo: relevância de valores omitidos e reincidência de conduta, restando comprovado a absoluta impossibilidade de mero equívoco, do simples erro material de pequena monta. [...]" Da análise especificamente do Termo de Verificação de Infração acima transcrito, entendo que a fiscalização não logrou êxito em comprovar o dolo do contribuinte em sonegar e fraudar o erário Público, tal qual previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964, limitandose apenas a argumentar que "Diante dos valores movimentados em contas correntes e dos valores declarados pelo contribuinte, não é razoável supor que o fiscalizado tenha, inadvertidamente, se equivocado em suas Declarações de Ajuste Anual IRPF, exercício de 2004 e 2005". (grifei) As multas aplicáveis às infrações tributárias estão previstas no art. 44, da Lei n° 9.430/96, que assim determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° Lei 4.502/64, por seu turno, assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tecla ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que a diferencia da declaração inexata ou da falta ou pagamento a menor do tributo ou da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, seja ela pelos mais variados motivos que se possa alegar. Dessa forma, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado (nota fiscal fria, calçada, declaração do beneficiário do pagamento de que não prestou os serviços etc), sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O intuito do contribuinte de fraudar não pode ser presumido: Compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa de fraudar o erário público. Portanto, a qualificação da multa de ofício é inaplicável nos casos de presunção legal simples de omissão de rendimentos ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos de fato. Ademais, quando há convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática (depósitos bancários) e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Ou seja, para a aplicação da multa de ofício qualificada exigese que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 494 17 características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho, que editou súmulas aplicáveis ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, bem como a presunção legal de omissão de rendimentos, por si só, não autorizam a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Nesse sentido, cabe transcrever julgados deste Egrégio Conselho: "Acórdão nº 2102003.198 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Omissão de rendimentos e depósitos bancários ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 [...] MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)" (grifei) "Acórdão nº 2101002.732 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 [...] DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. Qualquer circunstância que autorize a qualificação da multa de lançamento de ofício no percentual de 150%, deve ser minuciosamente justificada e comprovada. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A falta inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda ou a apresentação da Declaração Anual de Isento, de valores depositados em contas correntes pertencentes ao contribuinte fiscalizado, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos." (grifei) "Acórdão nº 2202002.890 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)." (grifei) "Acórdão nº 2202002.586 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 [...] DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/200826 Acórdão n.º 2301004.396 S2C3T1 Fl. 495 19 deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude." (grifei) Assim, ante a ausente evidência e a comprovação pelo Fisco de que o contribuinte queria praticar o ilícito, deve ser afastada a multa qualificada, especialmente quando a própria omissão de rendimentos decorre de presunção legal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para, desqualificar a multa de ofício aplicada incidente sobre a Omissão de Rendimentos da Atividade Rural e Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi, Redatora Designada Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13896.720493/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.316.219-7 (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.436-7 (Outras Entidades/Terceiros).
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) n° 21/2011 DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo no 13896.722526/2011-10, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011.
SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE.
Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, realizados exclusivamente pela Recorrente, devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas sobre a folha de pagamento, nos percentuais destinados à previdência social.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF.
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC. INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA, SESC e SENAC.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA:
AIOA Debcad nº 37.316.216-2 (CFL 68).
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que: (a) com relação ao AIOP Debcad nº 37.343.436-7, sejam excluídos, em razão da decadência, os valores apurados nas competências 01/2007 e 02/2007; e (b) eventuais pagamentos na sistemática do SIMPLES, realizados exclusivamente pela Recorrente e referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente lançamento fiscal.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.316.219-7 (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.436-7 (Outras Entidades/Terceiros). EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) n° 21/2011 DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo no 13896.722526/2011-10, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, realizados exclusivamente pela Recorrente, devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas sobre a folha de pagamento, nos percentuais destinados à previdência social. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC. INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA, SESC e SENAC. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.316.216-2 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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EXCLUSÃO SIMPLES Recorrente FIP SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.316.2197 (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.4367 (Outras Entidades/Terceiros). EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) n° 21/2011 DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESFederal/SIMPLESNacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo no 13896.722526/201110, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, realizados exclusivamente pela Recorrente, devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas sobre a folha de pagamento, nos percentuais destinados à previdência social. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 04 93 /2 01 2- 54 Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC. INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA, SESC e SENAC. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.316.2162 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 3 3 Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que: (a) com relação ao AIOP Debcad nº 37.343.4367, sejam excluídos, em razão da decadência, os valores apurados nas competências 01/2007 e 02/2007; e (b) eventuais pagamentos na sistemática do SIMPLES, realizados exclusivamente pela Recorrente e referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente lançamento fiscal. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2007 a 12/2008. Também foi lavrado auto de infração da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AIOA Debcad nº 37.316.2162 (CFL 68). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/03/2012 (fls.01 e 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1489/1822), alegando, em síntese, que: 1. as exigências consignadas no Auto de Infração teriam sido lavradas em razão da exclusão da impugnante do Simples Nacional, formalizada pela fiscalização por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SEORT n° 21/2011, pois, no entender da fiscalização, teria sido supostamente praticada pela empresa impugnante a locação de mãodeobra, atividade diversa daquelas descritas em seus atos constitutivos e cadastradas junto ao seu CNPJ perante a Receita Federal do Brasil, para a qual seria vedada sua opção pela inscrição no aludido regime tributário simplificado; 2. a fiscalização deixou de computar, para fins de dedução e determinação do valor supostamente devido, os valores efetivamente retidos a título de contribuições previdenciárias por tomadores dos serviços prestados pela impugnante, bem como as importâncias efetivamente pagas pela empresa por meio de guias DAS as quais englobam, também, segundo a legislação aplicável à matéria, parcela referente à contribuição previdenciária patronal; 3. se está diante de absoluta falta de suporte jurídico e da completa ausência de prova material acerca da suposta prática, pela impugnante, de condutas que justifiquem a aplicação dos dispositivos legais e infralegais correspondentes, e a conseqüente formalização de tais exigências, bem como em razão da completa inobservância, pela fiscalização federal emitente do lançamento tributário ora contestado, de dispositivos constitucionais e legais que asseguram a aplicação dos princípios da busca pela verdade material, da legalidade, da Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 4 5 motivação, da razoabilidade e a da proporcionalidade aos atos administrativos em geral; 4. DO DIREITO. O CARÁTER INDEVIDO DA EXCLUSÃO DA PETICIONANTE DO SIMPLES NACIONAL 5. a impugnante, embora prestasse serviços nas áreas de nutrição, de cozinha industrial e de fornecimento de alimentação escolar, conforme consta de suas notas fiscais emitidas contra seus clientes contratantes e nos contratos de prestação de serviços analisados pela fiscalização, não desenvolvia tais atividades de sob a forma de cessão de mãodeobra, razão pela qual não merece prosperar o fundamento para a supostamente válida exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES Nacional; 6. no caso da impugnante, seus funcionários, ainda que alocados nas dependências dos contratantes para execução das atividades aqui referenciadas, não se encontram subordinados aos representantes dos referidas contratantes, não detendo estes qualquer poder de gerência ou de comando sobre os profissionais da contratada, os quais são simplesmente destacados para desenvolver suas atividades fora do estabelecimento da contratada, na forma estabelecida no contrato firmado entre as partes; que, diante de todo o exposto, se afigura absolutamente indevida a exclusão da empresa impugnante do Simples Nacional; 7. DA CONFIGURAÇÃO DA DECADÊNCIA DO DIREITO DA AUTORIDADE FISCAL PARA A CONSTITUIÇÃO DE PARTE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSIGNADOS NO PRESENTE AI DEBCAD 8. aduz ter ocorrido a extinção do direito de constituir o crédito tributário, por força da decadência, em relação às competências anteriores a março de 2007, em face do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN; cita doutrina e julgados administrativo e judiciais; 9. DO CARÁTER INDEVIDO DA GLOSA DE VALORES PAGOS PELA IMPUGNANTE A TÍTULO DE SALÁRIOFAMÍLIA E SALÁRIOMATERNIDADE, BEM COMO DA AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS VALORES EFETIVAMENTE PAGOS PELA EMPRESA POSTULANTE SOB A RUBRICA DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL POR MEIO DE DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL "DAS". ILEGITIMIDADE DA GLOSA DE VALORES PAGOS PELA EMPRESA IMPUGNANTE A TÍTULO DE SALÁRIO FAMÍLIA E SALÁRIOMATERNIDADE A SEUS COLABORADORES 10. o saláriofamília é pago aos segurados empregados, exceto os domésticos, e aos trabalhadores avulsos com salário mensal de até Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 R$915,05 (novecentos e quinze reais e cinco centavos), para auxiliar no sustento dos filhos de 0 a 14 anos de idade ou inválidos de qualquer idade; que se trata de um benefício concedido pela Previdência Social cujo valor, nos termos da Portaria Interministerial n° 02/2012, varia de acordo com a faixa salarial do beneficiário, de R$ 22,00 a R$ 31,22, por filho de até 14 anos incompletos ou inválido; 11. além do benefício acima descrito, a Previdência Social também concede às seguradas gestantes, durante até 120 (cento e vinte) dias, com início entre 28 (vinte e oito) dias antes do parto e a data de ocorrência deste, observadas as situações e condições previstas na legislação pertinente, o saláriomaternidade; 12. para fins de pagamento de ambos os benefícios aos seus destinatários, a legislação pátria estabelece que o seu crédito para o(a) trabalhador(a) beneficiário(a) seja feito diretamente pela empresa empregadora/contratante, a qual é concedido o direito de, por sua vez, deduzir as importâncias pagas sob estas rubricas na GPS a ser recolhida, por ocasião da quitação mensal dos valores devidos à Previdência Social; que a impugnante promoveu o crédito dos valores competentes aos beneficiários que lhe prestavam serviços entre 2007 e 2008; 13. a fiscalização procedeu à glosa dos valores deduzidos em seus recolhimentos, não obstante tenha a impugnante apresentado todos os comprovantes dos referenciados pagamentos realizados a seus colaboradores a este título, bem como todos os documentos comprobatórios da observância quanto à satisfação dos requisitos necessários para a configuração da essencial dedução; que, como pode ser observado nas cópias acostadas aos autos, resta comprovado o integral atendimento, pela empresa impugnante, de todos os requisitos autorizadores da necessária e imperiosa dedução dos valores pagos a seus colaboradores a título de saláriofamília e saláriomaternidade quando da determinação das exigências previdenciárias supostamente devidas pela impugnante; 14. INEXISTÊNCIA DE NECESSÁRIA DEDUÇÃO, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS VALORES EFETIVAMENTE PAGOS PELA EMPRESA POSTULANTE SOB A RUBRICA DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL POR MEIO DE DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL "DAS" 15. houve a injustificada desconsideração, por parte da fiscalização, dos valores efetivamente pagos pela empresa postulante sob a rubrica de contribuição patronal por meio de documentos de arrecadação do Simples Nacional (DAS) recolhidos pela empresa por conta de sua condição de pessoa jurídica inscrita no aludido regime tributário; que, durante os anos de 2007 e 2008 o contribuinte apurava e recolhia seus tributos federais no Simples Nacional, nos moldes prescritos pela Lei Complementar n° 123/2006; cita o artigo 14 da Lei Complementar 123/2006; cita doutrina; Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 5 7 16. FALTA DE SUPORTE MATERIAL PARA A IMPOSIÇÃO E A QUANTIFICAÇÃO DAS MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADAS LANÇADAS NO CORPO DO AUTO DE INFRAÇÃO AQUI ATACADO NOS AUTOS AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE E DE PROPORCIONALIDADE 17. a impugnante não pode se conformar com as exigências de multa de ofício que se pretendeu constituir por meio do Auto de Infração, no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) dos valores formalizados a título de contribuições previdenciárias em sede do Auto de Infração, por conta da suposta prática das infrações descritas e consignadas em documento anexo ao Auto de Infração que, em tese, justificaria a aplicação do disposto no artigo 44 da Lei 9.430/96, tendo em vista, notadamente, a completa ausência de demonstração e de comprovação da efetiva ocorrência das causas que justifiquem a aplicação das referidas penalidades majoradas; transcreve o artigo 44 da Lei 9.430/96; 18. não deve prosperar o acréscimo de multa equivalente a 50% (cinquenta por cento) das importâncias pretensamente devidas, fixada nos termos do artigo 44, I e § 2° da Lei 9.430/96, por suposta falta de atendimento, por parte da autuada, às requisições formuladas pela fiscalização, haja vista que todos os termos de intimação emitidos pelo agente fiscalizador foram devidamente atendidos pela empresa contribuinte autuada; 19. a autoridade fiscal limitouse apenas a imputar a multa de 50% em referência e citar o dispositivo legal supostamente aplicável, sem, contudo, descrever a conduta da contribuinte fiscalizada que pretensamente justificaria a fixação de tal penalidade indevidamente estabelecida; 20. DA INAPLICABILIDADE DE JUROS EQUIVALENTES À SELIC EM RELAÇÃO AO DÉBITO FISCAL AQUI ATACADOS NOS AUTOS 21. aduz a inconstitucionalidade e a ilegalidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) considerada no cálculo das exigências referentes a contribuições previdenciárias, aduzindo argumentos, doutrina e julgados judiciais em favor da tese; 22. Em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.4367, conforme instrumento de impugnação, além dos argumentos acima apresentados, aduz o contribuinte: 23. DA IMPROPRIEDADE DOS VALORES LANÇADOS A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES DA ILEGITIMIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC 24. o Serviço Social do Comércio (SESC) foi criado pela Confederação Nacional do Comércio, com a finalidade de planejar e executar, direta Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 ou indiretamente, medidas que contribuam para o bem estar social e a melhoria do padrão de vida dos comerciários, conforme dispôs o artigo 1o do DecretoLei 9.853/46; que, por sua vez, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), também criado pela Confederação Nacional do Comércio, tem como objetivo organizar e administrar escolas de aprendizagem comerciai e cursos de especialização, na área do comércio, conforme determinou o artigo 1° do DecretoLei 8.621/46; que a legislação instituidora de mencionadas entidades paraestatais estabeleceu que o seu custeio seria promovido pelo recolhimento de contribuições sociais, as quais foram instituídas pelo artigo 3o, § 1o, do DecretoLei 9.853/46 (SESC) e pelo artigo 4o do DecretoLei 8.621/46 (SENAC); que as mencionadas exações, nos termos do artigo 149 da Constituição Federal de 1988, constituemse contribuições de interesse de categoria profissional ou econômica, de natureza tributária parafiscal; cita doutrina; 25. DA ILEGITIMIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA 26. a contribuição ao INCRA se afigura ilegítima à luz do sistema tributário instituído pela Carta Magna de 1988; que após a promulgação da Constituição Federal de 1988, a exação em referência tornouse incompatível com o recém inaugurado Sistema Tributário Constitucional desenhado na Carta Magna, pois não foi acobertado pelas previsões normatizadas no artigo 195, inciso I, II e III, e menos ainda nas exceções preconizadas no artigo 240 do texto constitucional; que, para a instituição de outras fontes de custeio, faz se necessária a observância das disposições contidas no § 4o do mesmo artigo 195, da Constituição Federal de 1988; 27. Por fim, em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.316.2162, o contribuinte o impugna aduzindo os seguintes argumentos: (i) tem direito de ver reconhecida em seu favor a absoluta falta de suporte legal do lançamento de ofício dos débitos em comento, caracterizada pela notória falta de proporcionalidade e de razoabilidade da imputação de multa pecuniária consignada no Auto de Infração; (ii) conforme restou demonstrado e comprovado nas manifestações ofertadas pela impugnante em face dos demais Autos de Infração (DEBCAD nºs 37.316.2197 e 37.343.4367), as exigências fiscais ali descritas e caracterizadas não merecem prevalecer, em razão de as contribuições ali exigidas serem integralmente indevidas, nos termos da legislação aplicável à espécie. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0538.652 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1925/1950) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que concluiu: “[...] a) pela procedência parcial da impugnação apresentada ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.316.2197, para o efeito de reconhecer a decadência do direito de lançamento em relação às competências 01 e 02/2007, mantendose as referidas lavraturas fiscais quanto ao remanescente; e, Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 6 9 b) pela improcedência da impugnação apresentada aos Autos de Infração DEBCAD nº 37.316.2162 e nº 37.343.4367, mantendo se integralmente os créditos tributários por meio deles constituídos. [...]” A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Barueri/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço, em parte, do recurso interposto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à parcela patronal, incluindo as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros. Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES”, por meio de processo próprio (13896.722526/201110), no qual foi expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SEORT n° 21/2011, de 31/10/2011, com decisão definitiva na esfera administrativa. Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES” estão devidamente registrados no processo no 13896.722526/201110, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011, iremos afastar e não conhecer todos os motivos que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade do aludido ADE, que não estão em julgamentos nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para analisar essas matérias. O foro adequado para a discussão dessas matérias é o respectivo processo instaurado para esse fim (processo no 13896.722526/201110) e não o presente processo de lançamento fiscal de crédito previdenciário oriundo de uma obrigação tributária principal. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 –, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa. Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ................................................................................................ Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 7 11 Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Por outro lado, o que se deve preponderar, para fins de análise do lançamento fiscal da obrigação tributárioprevidenciária principal, é a informação de que a Recorrente permanece excluída desse sistema de recolhimento dos tributos (SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL), inclusive com decisão definitiva no bojo do processo no 13896.722526/201110. Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias que não dizem respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.316.2197 (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.4367 (Outras Entidades/Terceiros). A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 02/2007, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação decadencial será acatada em parte. Com relação ao AIOP Debcad nº 37.316.2197, a decisão de primeira instância já reconheceu a decadência até a competência 02/2007, inclusive, por meio do Acórdão no 0538.652 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1925/1950). Por sua vez, para o AIOP Debcad nº 37.343.4367, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 8 13 Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2007 a 12/2008 e foi efetuado em 15/03/2012, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01/02). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, conforme Relatório Fiscal, decisão de primeira instância (Acórdão no 0538.652 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1925/1950) e Discriminativo Analítico do Débito DAD. Esses documentos afirmam que houve o recolhimento parcial de contribuições devidas. Nesse sentido, a teor do enunciado da súmula 99 do CARF1 e do art. 3°, § 3°, da Lei 11.457/20072, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 02/2007, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada em parte, excluindose os valores apurados nas competências 01/2007 e 02/2007, já que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2007 a 12/2008 e as competências posteriores a 02/2007 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, com relação ao AIOP Debcad nº 37.343.4367, acatase parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 02/2007, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, passo ao exame de mérito. Com relação aos valores recolhidos indevidamente na sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, referentes à parcela patronal, entendo que todos os valores efetivamente recolhidos, nas competências 03/2007 a 12/2008, deverão ser apropriados no presente lançamento fiscal. Não há registro no Relatório Fiscal que o Fisco deduziu do montante dos valores apurados aqueles relativos às contribuições previdenciárias patronais e recolhidas de forma equivocada pelo SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL. Quando a empresa, de forma equivocada, enquadrase na condição de optante pelo SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL e, efetivamente, realiza o pagamento por meio de guia própria criada para essa finalidade, no caso em tela o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), isso evidencia que parcela desse valor destinase à previdência social nos percentuais estabelecidos pelo art. 23 da Lei 9.317/1996 e pelo art. 13, inciso VI, da LC 123/2006, e devem ser deduzidos das contribuições a que se refere o artigo 3°, alínea “f”, dessa Lei. Lei 9.317/1996 SIMPLES FEDERAL: 1 Súmula 99 do CARF: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. 2 A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições previdenciárias, bem como deverá sujeitarse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios designados para as contribuições previdenciárias. Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 Art. 3º. A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1º A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: (...) f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) (...) Art. 5°. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (...) Art. 23. Os valores pagos pelas pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES corresponderão a: I no caso de microempresas: (...) II no caso de empresa de pequeno porte: (...) ......................................................................................................... Lei Complementar (LC) 123/2006 SIMPLES NACIONAL: Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ; II Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, observado o disposto no inciso XII do § 1o deste artigo; III Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; IV Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, observado o disposto no inciso XII do § 1o deste artigo; V Contribuição para o PIS/PASEP, observado o disposto no inciso XII do § te deste artigo; VI Contribuição Patronal Previdenciária CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dediquem às atividades de prestação de serviços referidas no § 5°C do art. 18 desta Lei Complementar; Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 9 15 VII Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS; VIII Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS. (grifos nossos) Com isso, entendo que assiste razão ao recorrente, eis que a Lei 9.317/1996, que instituiu o SIMPLES FEDERAL, assim como a Lei Complementar 123/2006 que instituiu o SIMPLES NACIONAL, não criaram novas hipóteses de incidência para as contribuições previdenciárias ou para os demais tributos, apenas promoveu tratamento fiscal simplificado para pagamento das contribuições e impostos por elas contemplados, o que implicou que todos fossem apurados através de uma única base de cálculo, a receita bruta mensal, inclusive a contribuição previdenciária, cuja hipótese de incidência é e continua sendo a prestação de serviço remunerado por segurados. Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições destinadas ao INCRA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991 e demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou debitada aos segurados empregados. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por outro lado, esclarecemos que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do poder Judiciário, firmando entendimento de que é devida a contribuição social destinada ao INCRA, conforme se percebe do recente precedente do Superior Tribunal de Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confirase: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91. NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”. Logo, é devida a contribuição destinada ao INCRA, afastando assim as alegações de ilegalidade dessa contribuição. Com relação às contribuições destinadas ao SESC e SENAC, afastase a alegação da Recorrente que tais contribuições são ilegítimas para as empresas prestadoras de serviços, já que o STJ se manifestouse no sentido de que as empresas prestadoras de serviços devem contribuir com o Serviço Social do Comércio (Sesc) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Esse é o teor do enunciado da súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de número 499: “As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social”. Acrescentase a isso que não há qualquer evidência nos autos que a Recorrente poderia estar integrada noutro serviço social. Assim, os empregados da empresa prestadora de serviço, que é o caso da Recorrente, não podem ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão (Sesc e Senac) quando inexistente entidade específica a amparar a categoria profissional a que pertencem, no mesmo sentido do teor do Recurso Especial REsp 1.255.433, relatado pelo ministro Mauro Campbell. Outro precedente do STJ (REsp 895.878, da ministra Eliana Calmon) apontou que a empresa registrada como sociedade comercial deverá ser contribuinte do Sesc e Senac, afirmando que: “Empresas prestadoras de serviço que auferem lucros, e com esse produto remuneram os seus sócios, são inquestionavelmente estabelecimentos comerciais, à luz do conceito moderno de empresa”. Seguem trechos das decisões do STJ: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. QUESTÕES NÃO APRECIADAS. SÚMULA 211/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO SESC E SENAC. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. (...) 3. As empresas prestadoras de serviço são aquelas enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio CNC e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao SESC e SENAC. Precedente: REsp n. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min Luiz Fux, julgado em 23.10.2002; AgRgRD no REsp 846.686/RS. (REsp 967177/PE, Relator o Ministro Mauro Campbell Marques)” ......................................................................................................... Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 10 17 “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC E SENAC. ENTIDADE HOSPITALAR. ENTIDADE VINCULADA À CONFEDERAÇÃO CUJA INTEGRAÇÃO É PRESSUPOSTO DA EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO. RECEPÇÃO DO ART. 577 CLT E SEU ANEXO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. CONTRIBUIÇÃO COMPULSÓRIA CONCRETIZADORA DA CLÁUSULA PÉTREA DE VALORIZAÇÃO DO TRABALHO E DIGNIFICAÇÃO DO TRABALHADOR. EMPRESA COMERCIAL. AUTOQUALIFICAÇÃO, MERCÊ DOS NOVOS CRITÉRIOS DE AFERIÇÃO DO CONCEITO. VERIFICAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA LEI À LUZ DO PRINCÍPIO DE SUPRADIREITO DETERMINANDO A APLICAÇÃO DA NORMA AOS FINS SOCIAIS A QUE SE DESTINA, À LUZ DE SEU RESULTADO, REGRAS MAIORES DE HERMENÊUTICA E APLICAÇÃO DO DIREITO. 1. As empresas prestadoras de serviços médicos e hospitalares estão incluídas dentre aquelas que devem recolher, a título obrigatório, contribuição para o SESC e para o SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, recepcionados pela Constituição Federal (art. 240) e confirmada pelo seu guardião, o STF, a assimilação no organismo da Carta Maior. 2. Deveras, dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 240, que: "Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical." 3. As Contribuições referidas visam à concretizar a promessa constitucional insculpida no princípio pétreo da 'valorização do trabalho humano"encartado no artigo 170 da Carta Magna: verbis : "A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, (...)"4. Os artigos 3º, do DecretoLei 9853 de 1946 e 4º, do Decretolei 8621/46 estabelecem como sujeitos passivos da exação em comento os estabelecimentos integrantes da Confederação a que pertence e sempre pertenceu a recorrente (antigo IAPC; DL 2381/40), conferindo "legalidade" à exigência tributária. 5. Os empregados do setor de serviços dos hospitais e casas de saúde, exsegurados do IAPC, antecedente orgânico das recorridas, também são destinatários dos benefícios oferecidos pelo SESC e pelo SENAC. 6. As prestadoras de serviços que auferem lucros são, inequivocamente estabelecimentos comerciais, quer por força do seu ato constitutivo, oportunidade em que elegeram o regime jurídico próprio a que pretendiam se submeter, quer em função Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 da novel categorização desses estabelecimentos, à luz do conceito moderno de empresa. 7. O SESC e o SENAC tem como escopo contribuir para o bem estar social do empregado e a melhoria do padrão de vida do mesmo e de sua família, bem como implementar o aprimoramento moral e cívico da sociedade, beneficiando todos os seus associados, independentemente da categoria a que pertençam; 8. À luz da regra do art. 5º, da LICC – norma supralegal que informa o direito tributário, a aplicação da lei, e nesse contexto a verificação se houve sua violação, passa por esse aspecto teleológicosistêmico – impondo –se considerar que o acesso aos serviços sociais, tal como preconizado pela Constituição, é um "direito universal do trabalhador", cujo dever correspectivo é do empregador no custeio dos referidos benefícios. 9. Consectariamente, a natureza constitucional e de cunho social e protetivo do empregado, das exações sub judice , implica em que o empregador contribuinte somente se exonere do tributo, quando integrado noutro serviço social, visando a evitar relegar ao desabrigo os trabalhadores do seu segmento, em desigualdade com os demais, gerando situação antiisonômica e injusta. 10. A pretensão de exoneração dos empregadores quanto à contribuição compulsória em exame recepcionada constitucionalmente em benefício dos empregados, encerra arbítrio patronal, mercê de gerar privilégio abominável aos que através a via judicial pretendem dispor daquilo que pertence aos empregados, deixando à calva a ilegitimidade da pretensão deduzida. 11. Recurso especial improvido (REsp. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 23/10/2002).” No julgamento desse REsp. 431.347/SC , o Ministro Relator afirmou que “a expressão estabelecimentos comerciais, para os fins do art. 3°, do Decretolei nº 9.853/46 (SESC) e art. 4º, do Decretolei n. 8.621/46 (SENAC), inclui não apenas as empresas comerciais stricto sensu, mas também aquelas de prestação de serviços, dado o seu caráter empresarial”. A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 240, prescreve que: “Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical”. Logo, são devidas as contribuições destinadas ao Sesc e Senac, afastando assim as alegações de ilegalidade dessas contribuições. No que corresponde aos documentos acostados aos autos pela Recorrente, referentes às alegações de que os valores de saláriofamília e de salário maternidade glosados pelo Fisco seriam indevidos, entendese que se cuida de documentos incapazes de modificar o lançamento, pois eles referemse aos documentos apresentados ao Fisco durante o procedimento de auditoria e não apontam para qualquer inconsistência dos valores apurados. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 11 19 De mais a mais, adotamse os fundamentos da decisão de primeira instância que bem dirimiu a controvérsia posta nesta Corte Administrativa, nos seguintes termos: “[...] Em relação aos valores supostamente pagos a título de saláriofamília e saláriomaternidade, as razões do contribuinte não merecem acolhida. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que a fiscalização somente procedeu à glosa dos valores cuja documentação necessária não foi apresentada pelo contribuinte, conforme anexos aos Termos de Intimação Fiscal nº 07 e 09, constantes dos autos. Em segundo lugar, o farto conjunto probatório juntado pelo contribuinte aos autos, após verificação por este Relator, consiste na própria documentação já apresentada à fiscalização, de forma a não inovar, o sujeito passivo, quanto à demonstração de procedência de seu pedido no que toca aos valores de saláriofamília e saláriomaternidade glosados pela fiscalização. [...]” (Acórdão no 0538.652 da 6a Turma da DRJ/CPS, fls. 1925/1950) No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 343 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não 3 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN4, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 355 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em 4 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 5 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 12 21 época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. No que tange à multa aplicada na competência 12/2008, entendese que o percentual aplicado não merece reparo, e a alegação de que o valor calculado é desproporcional não será acatado, já que o Fisco demonstrou a conduta fraudulenta da Recorrente em razão dos seguintes fatos: 1. enviou as DIPJ relativas ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007 e de 01/01/2008 a 31/12/2008 “zeradas”, contendo erro quanto ao código de atividade informado nas DIPJ (46.656/00 Comércio atacadista de máquinas e equipamentos para uso comercial; partes e peças), em detrimento da informação da real atividade; 2. DIPJ de 2008, para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, ficha 02 DADOS CADASTRAIS, foi informado que o Sr. Fabiano Iuquio Mori era o representante da Empresa, enquanto que na ficha 50, Identificação dos sócios ou titular, constam os Srs. Alessandro Mori Pegoraro e Fabiano Iuquio Mori, como sendo os sócios, com 50% de participação cada um. Segundo a alteração de contrato social de 01/10/2005, com registro na JUCESP em 17/05/2006, esses dois sócios se retiraram da empresa; 3. DIPJ de 2009, ano calendário 2008, ficha 02, dados cadastrais, o Sr. Fabiano Iuquio Mori foi informado como o representante do contribuinte, enquanto na ficha 50 o mesmo foi informado como sócio, com 5% de participação; 4. na ficha 61B das DIPJ, exercício 2008 e 2009, anos calendário 2007 (de 01/07/2007 a 31/12/2007) e 2008, linha 11, consta a informação de que o contribuinte tem escrituração contábil. O contribuinte não apresentou nenhuma DCTF/DACON, deixando de informar ao Fisco todo e qualquer valor devido a título de impostos e contribuições federais; 5. em atendimento às intimações fiscais, o contribuinte declarou que não entregou DCTF. Em relação à real atividade da empresa, muito embora conste como o "comércio atacadista de máquinas e d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 22 equipamentos para uso comercial; partes e peças" (código 46.65600), pelas folhas de pagamento apresentadas, todos os funcionários da área operacional, ostentam funções ligadas à área da alimentação, quais sejam: merendeira, cozinheira, auxiliar de cozinha, nutricionista, auxiliar de serviços de alimentação e ajudante de cozinha, de modo que não que se negar que a real atividade do contribuinte não é a que foi informada no CNPJ; 6. a quantidade média de segurados empregados para o período fiscalizado foi de 320 empregados, acrescida de aproximadamente 75 sócios cotistas. Tendo em vista a não apresentação da escrituração contábil, nada foi localizado sobre eventuais pagamentos feitos aos sócios cotistas, bem como nada foi declarado em GFIP sobre os mesmos; 7. das notas fiscais de saída apresentadas, todas elas se referem à prestação de serviços e, em nenhuma delas houve destaque de venda de qualquer produto; 8. nas GFIP de todo o período objeto da fiscalização, o contribuinte apresentou GFIP, informando o código de optante pelo Simples (código 2), o que não é o caso. Tal comportamento teve a flagrante intenção da ocultação perante o Fisco Federal, dos valores devidos a título de contribuição previdenciária patronal e GILRAT e para Terceiros, já que o contribuinte estava ciente de que não poderia ser optante pelo Simples, tanto assim que a partir de 01/07/2007 até 31/12/2008 apresentou as suas DIPJ com opção pelo lucro presumido. Além disso, a Recorrente deixou de apresentar a escrituração contábil ao Fisco, devidamente intimada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, lavrado em 08/11/2010 até o último Termo de Intimação Fiscal (Termo n° 11, lavrado em 16/12/2011). Também não apresentou os contratos de prestação de serviços, os arquivos digitais – relativos à folha de pagamento e contabilidade –, extratos bancários e Lalur. Diante desses fatos noticiados, entendese que a multa aplicada na competência 12/2008 deve ser mantida em sua integralidade, já que o Fisco demonstrou a conduta fraudulenta da Recorrente, a qual visava ao pagamento da contribuição previdenciária a menor, a teor do artigo 44, §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/19966. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.316.2162 (CFL 68). 6 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 13 23 A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 02/2007, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, constatase que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei 8.212/1991. Entretanto, a decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 24 Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, §4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Assim – como a autuação se deu em 15/03/2012, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01/02), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 01/2007 a 12/2008, percebese que as competências posteriores a 12/2006 não foram atingidas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2007 a 12/2008 e as competências posteriores a 12/2006 não estão abarcadas pela decadência tributária. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos AIOP nºs 37.316.2197 e 37.343.4367. Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 14 25 Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 26 mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. No que tange à alegação de que a imposição das multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória estaria incorreta, essa alegação não será acatada, pois foi aplicado o princípio da retroatividade benéfica, a teor do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN). Cumpre esclarecer que a Medida Provisória (MP) 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, alterou o artigo 35 e incluiu os artigos 32A e 35A nessa mesma lei, e, com isso, houve modificação nas regras para aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias relativas à GFIP, que é o caso dos autos. Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449/2008 nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa benéfica ao contribuinte, conforme previsão do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante desse quadro, somente houve a aplicação da multa oriunda da obrigação acessória, AIOA Debcad nº º 37.316.2162 (CFL 68) – para as competências 03/2007, 03/2008, 04/2007, 05/2007, 05/2008, 06/2007, 06/2008, 07/2007, 07/2008, 08/2007, 08/2008, 09/2007, 10/2007, 11/2007, 11/2008, e 12/2007 –, e de forma simultânea a aplicação da multa de mora pelo não cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal, conforme Anexo III do Relatório Fiscal. Para as demais competências do lançamento, aplicouse a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, além do lançamento do valor relativo às contribuições devidas (Anexo III do Relatório Fiscal). Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/201254 Acórdão n.º 2402004.848 S2C4T2 Fl. 15 27 apresentada pelo Fisco no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (Anexo III do Relatório Fiscal) representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente embasado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente não se verificou a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão da multa aplicada. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer que: (i) com relação ao AIOP Debcad nº 37.343.4367, sejam excluídos, em razão da decadência, os valores apurados nas competências 01/2007 e 02/2007; e (ii) eventuais pagamentos na sistemática do SIMPLES, realizados exclusivamente pela Recorrente e referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente lançamento fiscal, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10380.729798/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição fiscal de origem apresente as informações necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Relatório
Trata-se de recurso voluntário e de ofício, interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto/SP, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de COFINS não cumulativa, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre apropriação indevida de receitas referentes a contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de contratação de empréstimo bancário, na visão da autoridade fiscal), no importe de R$ 105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%.
Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ:
[...] a pessoa jurídica [...] opera no setor de tecnologia das energias alternativas, fornecendo a terceiros seus equipamentos de geração de energia eólica (Aerogeradores). Essa atividade, descrita resumidamente, envolve a importação, a venda e os serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados pelos Clientes adquirentes.
Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores eólicos, as importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente, de acordo com as condições previstas nas cláusulas dos contratos celebrados entre as partes. Isto significa que não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças utilizadas nos Aerogeradores, de modo que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas pré-acertadas com Clientes.
Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo", com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício.
[...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S. Neste contexto de independência total, sua controladora integral é, também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende aqui no Brasil, para seus Clientes.
[...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos de Fornecimentos de Bens e Serviços com seus Clientes (Rosa dos Ventos Geração de Energia Eólica S/A e SIIF Cinco Ltda, em 2006, e Bons Ventos Geração de Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu corpo, ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (hum bilhão e trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução.
(...)
Durante o período de 2007 a 2010 (a SUZLON) vendeu e executou projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza em construção civil pesada, ou seja, as receitas deveriam ter sido reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto, a mesma tratou suas operações como meras transações comerciais adiando seus reconhecimentos de receitas em cerca de três anos, adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos como PIS, COFINS, IR e CSLL sobre todas as suas operações naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má-fé, a mesma sempre reconheceu suas receitas em sua contabilidade gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que deveria ter registrado suas receitas em seu LALUR. Tais ordens vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas pela equipe contábil, financeira e fiscal.
(...)
Ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON, esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades na conduta da empresa, naquilo que se referia ao cumprimento das obrigações contábeis e fiscais, fato esse que se estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010).
Uma vez constatado isso, convinha averiguar duas questões de fundamental importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública, com redução e/ou omissão de recolhimentos de tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal do Brasil; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (visão panorâmica da situação de fato encontrada) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional. Nos trabalhos de auditoria restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo de Fornecimento de Bens e Serviços, com prazo de execução programada superior a um ano, a preço certo. Para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração específica de resultados e de tributação especial para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o PIS/COFINS, conforme legislação tributária em vigor, restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo (Artigo 10 do Decreto-lei n° 1.598/78, Artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79) e da incidência das contribuições sociais para o PIS e COFINS (Leis n° 10.632/02 e 10.833/03) nessas operações.
[..] a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o ano-calendário de 2007, quando, de um lado, já incorria - inapelavelmente - em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos.
[...]Desde o ano de 2006 o governo brasileiro já sinalizava a instituição de programa de incentivo à infra-estrutura no País. Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das contribuições para o PIS/COFINS nos casos em que indica, embora condicionasse o benefício a uma questão formal de habilitação/co-habilitação dos credenciados.
Num outro flanco, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da CSLL eventualmente devida pela empresa.
A técnica para tal foi "fabricar" prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações. Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações de resultado parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic) incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS.
Ignorando tudo isso, acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010. Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo, "fabrica" prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir do ano-calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010.
Também ignorando e abandonando, consciente e voluntariamente, o dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer título, de modo que conseguisse contornar a incidência das contribuições para o PIS/COFINS, encontrou-se a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil.
Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON e alguns de seus Clientes assinam Aditivos ao Contrato Principal, promovendo um "enxugamento do preço" dos produtos fornecidos, à vista da superveniência do Programa REIDI, o qual concedia a suspensão de PIS/COFINS nos casos em que indicava. Ou seja, os preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes, mantinham-se com as referidas contribuições embutidas, mas mesmo assim, a SUZLON preferira ignorar seu dever de recolhimento ao Tesouro Nacional.
Agregue-se a tudo isto, a prática incomum de acumulação pura e simples de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não-cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá-los.
Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas.
(...)
Para a implementação destas providências o Fisco tentou, por reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos de Intimação supervenientes, obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional.
Certo e convicto de que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA mantém esses dados em Planilhas auxiliares à escrituração, todas as Intimações no sentido de conhecê-las restaram improfícuas, por absoluta omissão da empresa em fornecê-las.
Sequer a empresa apresentou o LALUR de 2010, sendo que as escriturações contábeis dos anos-calendário de 2009 e 2010 só foram apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel).
Mas, embora a empresa pudesse fazer crer que esta sua conduta dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada disso constituiu-se em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados.
De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010 pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 a 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados), Planilha essa que vai anexa ao presente Termo de Verificação.
Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles. Planilha do Fisco neste sentido, também encontra-se anexa ao presente Termo de Verificação.
(...)
Com os dados das importações de matéria prima (Aerogeradores e Torres) e de materiais secundários foi possível alocar os custos em cada ano-calendário. As datas do desembaraço aduaneiro das Declarações de Importação fechadas desde 2007 foram fundamentais para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando-se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de 2008, 2009 e 2010, sendo que apenas em 2009 e 2010 a SUZLON registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal.
O primeiro Quadro alude ao Cálculo da Receita Proporcional Acumulada até o Período-base/Ano Calendário. O Quadro n° 02 refere-se ao Cálculo da Receita Correspondente a cada Ano Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano- Calendário.
Os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03. Note que na metodologia apresentada pela SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e em 2008; em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a "fabricar" o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo, pelos motivos que explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional.
[...]Com o mesmo argumento que descrevemos a infração relativa à apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS.
Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria ter apurado as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco extrair as referidas bases de cálculo de ofício.
Como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes vendedora e adquirente. Cabe registrar que os custos atinentes à incidência do PIS/COFINS nãocumulativo, a toda evidência, foram embutidos no preço total dos Contratos, de modo que, para aqueles Clientes que obtiveram a habilitação no Programa REIDI - que garantia a aquisição de bens de capital em geral com suspensão do PIS/COFINS - houve Aditivos ao Contrato Original, reamoldando os custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições.
Diante desse quadro normativo-legal disciplinador da situação (norma de incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos da existência, validade e eficácia), e norma de incentivo garantidora das operações com suspensão das contribuições para os Clientes habilitados ao REIDI, foi possível estabelecer os critérios para a identificação efetiva dos casos de incidência do PIS/COFINS, em contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei especial. Todos os ingressos de numerário oriundo dos Clientes da SUZLON que se refiram a pagamentos parciais do preço total do Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base de cálculo das contribuições sociais para o PIS/COFINS, até o momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no REIDI.
Isso significa que, não poderia se supor admissível, que a SUZLON percebesse parte do preço total do projeto/Contrato do Cliente ao longo do tempo, que - como já dissemos, estava impactada pela incidência das contribuições sociais em questão - e resolvesse - ela própria - se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no REIDI do Cliente solvedor".
Evidentemente que a não-incidência como efeito da suspensão induzida pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes.
Dada a sistemática da não-cumulatividade, deve o Fisco garantir e respeitar tãosomente os créditos que a SUZLON legitimamente escritura, em consonância com a legislação de regência.
Com todas essas considerações é imperativo que o Fisco promova o lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo respectivas, por Cliente da SUZLON.
(...)
Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA em todo o episódio que se circunscreveu na apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e consciente de critério de apuração não previsto em lei.
Como já tivemos oportunidade de discorrer ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, a concentração de receitas nos anos de 2009 e 2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da lei tributária.
Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI, com a igual "espera" do ato concessivo de redução do IRPJ, cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos usufruídos para neutralizarem a incidência dos 25% tributáveis remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro líquido que viesse a ser apurado, conforme as conveniências da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.
Não resta dúvida que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o Fisco não tomar conhecimento dos fatos geradores dos diversos tributos que lhe era devidos pela execução dos Contratos de Longo Prazo.
Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração. Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de sonegação e fraude na conduta da SUZLON, não há falar em decadência do poder de lançar as contribuições para o PIS/COFINS no ano calendário de 2008. (...)
O contribuinte, inconformado com o lançamento fiscal, apresentou a impugnação de fls. 855/899, na qual alega:
i) preliminarmente, a decadência de parte crédito lançado, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN), combinado com o fato de não se verificar conduta fraudulenta in casu. Ainda como preliminar, invoca a nulidade do feito por violação aos princípios da legalidade e da tipicidade estampados nos art. 142 do CTN, art. 10, V, do Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa.
ii) no mérito, o Contribuinte defende a forma de contábil e fiscal que adotou com relação às operações de contratos de fornecimento e instalação de turbinas eólicas (reconhecimento contábil das receitas e custos somente quando os produtos fabricados ou os serviços prestados passam com todos os seus benefícios e riscos para a titularidade do adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem sido reconhecidos seus créditos de COFINS pela autoridade fiscal no momento da autuação, tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe-se ao agravamento da multa para o patamar de 150%, pois afirma não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica.
Em julgamento datado de 07 de abril de 2014, a DRJ Ribeirão Preto/SP deu parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14-49.620), nos termos da ementa a seguir colacionada.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado.
CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos.
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO.
No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA.
Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual.
A parte do crédito tributário cancelada pela decisão a quo decorre i) da possibilidade legal de desconto dos créditos da não cumulatividade que foram indicados nos demonstrativos entregues à Administração Fiscal e que não foram objeto de oposição pela auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%.
Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho.
Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido - no qual consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é claro que não foi acatada a decadência -, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de reconhecer receitas relativas aos adiantamentos recebidos pelos clientes anteriormente oferecidos à tributação, conforme declarado na DACON, bem como por não reconhecer a integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer o julgamento conjunto deste feito com o Processo Administrativo n. 10380.729799/2013-79, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), intrinsicamente relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração.
É o relatório.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição fiscal de origem apresente as informações necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário e de ofício, interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto/SP, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de COFINS não cumulativa, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre apropriação indevida de receitas referentes a contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de contratação de empréstimo bancário, na visão da autoridade fiscal), no importe de R$ 105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ: [...] a pessoa jurídica [...] opera no setor de tecnologia das energias alternativas, fornecendo a terceiros seus equipamentos de geração de energia eólica (Aerogeradores). Essa atividade, descrita resumidamente, envolve a importação, a venda e os serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados pelos Clientes adquirentes. Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores eólicos, as importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente, de acordo com as condições previstas nas cláusulas dos contratos celebrados entre as partes. Isto significa que não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças utilizadas nos Aerogeradores, de modo que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas pré-acertadas com Clientes. Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo", com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício. [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S. Neste contexto de independência total, sua controladora integral é, também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende aqui no Brasil, para seus Clientes. [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos de Fornecimentos de Bens e Serviços com seus Clientes (Rosa dos Ventos Geração de Energia Eólica S/A e SIIF Cinco Ltda, em 2006, e Bons Ventos Geração de Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu corpo, ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (hum bilhão e trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução. (...) Durante o período de 2007 a 2010 (a SUZLON) vendeu e executou projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza em construção civil pesada, ou seja, as receitas deveriam ter sido reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto, a mesma tratou suas operações como meras transações comerciais adiando seus reconhecimentos de receitas em cerca de três anos, adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos como PIS, COFINS, IR e CSLL sobre todas as suas operações naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má-fé, a mesma sempre reconheceu suas receitas em sua contabilidade gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que deveria ter registrado suas receitas em seu LALUR. Tais ordens vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas pela equipe contábil, financeira e fiscal. (...) Ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON, esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades na conduta da empresa, naquilo que se referia ao cumprimento das obrigações contábeis e fiscais, fato esse que se estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010). Uma vez constatado isso, convinha averiguar duas questões de fundamental importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública, com redução e/ou omissão de recolhimentos de tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal do Brasil; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (visão panorâmica da situação de fato encontrada) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional. Nos trabalhos de auditoria restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo de Fornecimento de Bens e Serviços, com prazo de execução programada superior a um ano, a preço certo. Para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração específica de resultados e de tributação especial para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o PIS/COFINS, conforme legislação tributária em vigor, restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo (Artigo 10 do Decreto-lei n° 1.598/78, Artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79) e da incidência das contribuições sociais para o PIS e COFINS (Leis n° 10.632/02 e 10.833/03) nessas operações. [..] a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o ano-calendário de 2007, quando, de um lado, já incorria - inapelavelmente - em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos. [...]Desde o ano de 2006 o governo brasileiro já sinalizava a instituição de programa de incentivo à infra-estrutura no País. Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das contribuições para o PIS/COFINS nos casos em que indica, embora condicionasse o benefício a uma questão formal de habilitação/co-habilitação dos credenciados. Num outro flanco, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da CSLL eventualmente devida pela empresa. A técnica para tal foi "fabricar" prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações. Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações de resultado parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic) incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS. Ignorando tudo isso, acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010. Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo, "fabrica" prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir do ano-calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010. Também ignorando e abandonando, consciente e voluntariamente, o dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer título, de modo que conseguisse contornar a incidência das contribuições para o PIS/COFINS, encontrou-se a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil. Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON e alguns de seus Clientes assinam Aditivos ao Contrato Principal, promovendo um "enxugamento do preço" dos produtos fornecidos, à vista da superveniência do Programa REIDI, o qual concedia a suspensão de PIS/COFINS nos casos em que indicava. Ou seja, os preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes, mantinham-se com as referidas contribuições embutidas, mas mesmo assim, a SUZLON preferira ignorar seu dever de recolhimento ao Tesouro Nacional. Agregue-se a tudo isto, a prática incomum de acumulação pura e simples de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não-cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá-los. Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas. (...) Para a implementação destas providências o Fisco tentou, por reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos de Intimação supervenientes, obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional. Certo e convicto de que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA mantém esses dados em Planilhas auxiliares à escrituração, todas as Intimações no sentido de conhecê-las restaram improfícuas, por absoluta omissão da empresa em fornecê-las. Sequer a empresa apresentou o LALUR de 2010, sendo que as escriturações contábeis dos anos-calendário de 2009 e 2010 só foram apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel). Mas, embora a empresa pudesse fazer crer que esta sua conduta dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada disso constituiu-se em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados. De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010 pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 a 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados), Planilha essa que vai anexa ao presente Termo de Verificação. Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles. Planilha do Fisco neste sentido, também encontra-se anexa ao presente Termo de Verificação. (...) Com os dados das importações de matéria prima (Aerogeradores e Torres) e de materiais secundários foi possível alocar os custos em cada ano-calendário. As datas do desembaraço aduaneiro das Declarações de Importação fechadas desde 2007 foram fundamentais para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando-se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de 2008, 2009 e 2010, sendo que apenas em 2009 e 2010 a SUZLON registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal. O primeiro Quadro alude ao Cálculo da Receita Proporcional Acumulada até o Período-base/Ano Calendário. O Quadro n° 02 refere-se ao Cálculo da Receita Correspondente a cada Ano Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano- Calendário. Os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03. Note que na metodologia apresentada pela SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e em 2008; em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a "fabricar" o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo, pelos motivos que explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional. [...]Com o mesmo argumento que descrevemos a infração relativa à apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS. Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria ter apurado as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco extrair as referidas bases de cálculo de ofício. Como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes vendedora e adquirente. Cabe registrar que os custos atinentes à incidência do PIS/COFINS nãocumulativo, a toda evidência, foram embutidos no preço total dos Contratos, de modo que, para aqueles Clientes que obtiveram a habilitação no Programa REIDI - que garantia a aquisição de bens de capital em geral com suspensão do PIS/COFINS - houve Aditivos ao Contrato Original, reamoldando os custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições. Diante desse quadro normativo-legal disciplinador da situação (norma de incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos da existência, validade e eficácia), e norma de incentivo garantidora das operações com suspensão das contribuições para os Clientes habilitados ao REIDI, foi possível estabelecer os critérios para a identificação efetiva dos casos de incidência do PIS/COFINS, em contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei especial. Todos os ingressos de numerário oriundo dos Clientes da SUZLON que se refiram a pagamentos parciais do preço total do Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base de cálculo das contribuições sociais para o PIS/COFINS, até o momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no REIDI. Isso significa que, não poderia se supor admissível, que a SUZLON percebesse parte do preço total do projeto/Contrato do Cliente ao longo do tempo, que - como já dissemos, estava impactada pela incidência das contribuições sociais em questão - e resolvesse - ela própria - se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no REIDI do Cliente solvedor". Evidentemente que a não-incidência como efeito da suspensão induzida pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes. Dada a sistemática da não-cumulatividade, deve o Fisco garantir e respeitar tãosomente os créditos que a SUZLON legitimamente escritura, em consonância com a legislação de regência. Com todas essas considerações é imperativo que o Fisco promova o lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo respectivas, por Cliente da SUZLON. (...) Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA em todo o episódio que se circunscreveu na apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e consciente de critério de apuração não previsto em lei. Como já tivemos oportunidade de discorrer ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, a concentração de receitas nos anos de 2009 e 2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da lei tributária. Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI, com a igual "espera" do ato concessivo de redução do IRPJ, cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos usufruídos para neutralizarem a incidência dos 25% tributáveis remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro líquido que viesse a ser apurado, conforme as conveniências da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA. Não resta dúvida que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o Fisco não tomar conhecimento dos fatos geradores dos diversos tributos que lhe era devidos pela execução dos Contratos de Longo Prazo. Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração. Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de sonegação e fraude na conduta da SUZLON, não há falar em decadência do poder de lançar as contribuições para o PIS/COFINS no ano calendário de 2008. (...) O contribuinte, inconformado com o lançamento fiscal, apresentou a impugnação de fls. 855/899, na qual alega: i) preliminarmente, a decadência de parte crédito lançado, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN), combinado com o fato de não se verificar conduta fraudulenta in casu. Ainda como preliminar, invoca a nulidade do feito por violação aos princípios da legalidade e da tipicidade estampados nos art. 142 do CTN, art. 10, V, do Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa. ii) no mérito, o Contribuinte defende a forma de contábil e fiscal que adotou com relação às operações de contratos de fornecimento e instalação de turbinas eólicas (reconhecimento contábil das receitas e custos somente quando os produtos fabricados ou os serviços prestados passam com todos os seus benefícios e riscos para a titularidade do adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem sido reconhecidos seus créditos de COFINS pela autoridade fiscal no momento da autuação, tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe-se ao agravamento da multa para o patamar de 150%, pois afirma não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica. Em julgamento datado de 07 de abril de 2014, a DRJ Ribeirão Preto/SP deu parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14-49.620), nos termos da ementa a seguir colacionada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. A parte do crédito tributário cancelada pela decisão a quo decorre i) da possibilidade legal de desconto dos créditos da não cumulatividade que foram indicados nos demonstrativos entregues à Administração Fiscal e que não foram objeto de oposição pela auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%. Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho. Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido - no qual consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é claro que não foi acatada a decadência -, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de reconhecer receitas relativas aos adiantamentos recebidos pelos clientes anteriormente oferecidos à tributação, conforme declarado na DACON, bem como por não reconhecer a integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer o julgamento conjunto deste feito com o Processo Administrativo n. 10380.729799/2013-79, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), intrinsicamente relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração. É o relatório.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição fiscal de origem apresente as informações necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício, interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de COFINS não cumulativa, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre apropriação indevida de receitas referentes a contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de contratação de empréstimo bancário, na visão da autoridade fiscal), no importe de R$ 105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 29 79 8/ 20 13 -2 4 Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.715 2 Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ: [...] a pessoa jurídica [...] opera no setor de tecnologia das energias alternativas, fornecendo a terceiros seus equipamentos de geração de energia eólica (Aerogeradores). Essa atividade, descrita resumidamente, envolve a importação, a venda e os serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados pelos Clientes adquirentes. Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores eólicos, as importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente, de acordo com as condições previstas nas cláusulas dos contratos celebrados entre as partes. Isto significa que não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças utilizadas nos Aerogeradores, de modo que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas préacertadas com Clientes. Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo", com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício. [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S. Neste contexto de independência total, sua controladora integral é, também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende aqui no Brasil, para seus Clientes. [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos de Fornecimentos de Bens e Serviços com seus Clientes (Rosa dos Ventos Geração de Energia Eólica S/A e SIIF Cinco Ltda, em 2006, e Bons Ventos Geração de Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu corpo, ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (hum bilhão e trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução. (...) Durante o período de 2007 a 2010 (a SUZLON) vendeu e executou projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza em construção civil pesada, ou seja, as receitas deveriam ter sido reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto, a mesma tratou suas operações como meras transações comerciais adiando seus reconhecimentos de receitas em cerca de três anos, adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos como PIS, COFINS, IR e CSLL sobre todas as suas operações naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.716 3 públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de máfé, a mesma sempre reconheceu suas receitas em sua contabilidade gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que deveria ter registrado suas receitas em seu LALUR. Tais ordens vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas pela equipe contábil, financeira e fiscal. (...) Ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON, esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades na conduta da empresa, naquilo que se referia ao cumprimento das obrigações contábeis e fiscais, fato esse que se estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010). Uma vez constatado isso, convinha averiguar duas questões de fundamental importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública, com redução e/ou omissão de recolhimentos de tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal do Brasil; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (visão panorâmica da situação de fato encontrada) pautouse por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional. Nos trabalhos de auditoria restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo de Fornecimento de Bens e Serviços, com prazo de execução programada superior a um ano, a preço certo. Para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração específica de resultados e de tributação especial para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o PIS/COFINS, conforme legislação tributária em vigor, restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo (Artigo 10 do Decretolei n° 1.598/78, Artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79) e da incidência das contribuições sociais para o PIS e COFINS (Leis n° 10.632/02 e 10.833/03) nessas operações. [..] a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anoscalendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o anocalendário de 2007, quando, de um lado, já incorria inapelavelmente em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos. Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.717 4 [...]Desde o ano de 2006 o governo brasileiro já sinalizava a instituição de programa de incentivo à infraestrutura no País. Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das contribuições para o PIS/COFINS nos casos em que indica, embora condicionasse o benefício a uma questão formal de habilitação/co habilitação dos credenciados. Num outro flanco, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da CSLL eventualmente devida pela empresa. A técnica para tal foi "fabricar" prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações. Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações de resultado parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic) incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS. Ignorando tudo isso, acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010. Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo, "fabrica" prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir do anocalendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010. Também ignorando e abandonando, consciente e voluntariamente, o dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer título, de modo que conseguisse contornar a incidência das contribuições para o PIS/COFINS, encontrouse a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil. Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON e alguns de seus Clientes assinam Aditivos ao Contrato Principal, promovendo um "enxugamento do preço" dos produtos fornecidos, à vista da superveniência do Programa REIDI, o qual concedia a suspensão de PIS/COFINS nos casos em que indicava. Ou seja, os preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes, mantinhamse com as referidas contribuições embutidas, mas mesmo Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.718 5 assim, a SUZLON preferira ignorar seu dever de recolhimento ao Tesouro Nacional. Agreguese a tudo isto, a prática incomum de acumulação pura e simples de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizálos. Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas. (...) Para a implementação destas providências o Fisco tentou, por reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos de Intimação supervenientes, obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional. Certo e convicto de que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA mantém esses dados em Planilhas auxiliares à escrituração, todas as Intimações no sentido de conhecêlas restaram improfícuas, por absoluta omissão da empresa em fornecêlas. Sequer a empresa apresentou o LALUR de 2010, sendo que as escriturações contábeis dos anoscalendário de 2009 e 2010 só foram apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel). Mas, embora a empresa pudesse fazer crer que esta sua conduta dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada disso constituiuse em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados. De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010 pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 a 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados), Planilha essa que vai anexa ao presente Termo de Verificação. Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles. Planilha do Fisco neste sentido, também encontrase anexa ao presente Termo de Verificação. (...) Com os dados das importações de matéria prima (Aerogeradores e Torres) e de materiais secundários foi possível alocar os custos em Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.719 6 cada anocalendário. As datas do desembaraço aduaneiro das Declarações de Importação fechadas desde 2007 foram fundamentais para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de 2008, 2009 e 2010, sendo que apenas em 2009 e 2010 a SUZLON registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal. O primeiro Quadro alude ao Cálculo da Receita Proporcional Acumulada até o Períodobase/Ano Calendário. O Quadro n° 02 referese ao Cálculo da Receita Correspondente a cada Ano Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano Calendário. Os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03. Note que na metodologia apresentada pela SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e em 2008; em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a "fabricar" o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo, pelos motivos que explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional. [...]Com o mesmo argumento que descrevemos a infração relativa à apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS. Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria ter apurado as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco extrair as referidas bases de cálculo de ofício. Como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes vendedora e adquirente. Cabe registrar que os custos atinentes à incidência do PIS/COFINS nãocumulativo, a toda evidência, foram embutidos no preço total dos Contratos, de modo que, para aqueles Clientes que obtiveram a habilitação no Programa REIDI que garantia a aquisição de bens de capital em geral com suspensão do PIS/COFINS houve Aditivos ao Contrato Original, reamoldando os custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições. Diante desse quadro normativolegal disciplinador da situação (norma de incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos da existência, validade e eficácia), e norma de incentivo garantidora Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.720 7 das operações com suspensão das contribuições para os Clientes habilitados ao REIDI, foi possível estabelecer os critérios para a identificação efetiva dos casos de incidência do PIS/COFINS, em contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei especial. Todos os ingressos de numerário oriundo dos Clientes da SUZLON que se refiram a pagamentos parciais do preço total do Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base de cálculo das contribuições sociais para o PIS/COFINS, até o momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no REIDI. Isso significa que, não poderia se supor admissível, que a SUZLON percebesse parte do preço total do projeto/Contrato do Cliente ao longo do tempo, que como já dissemos, estava impactada pela incidência das contribuições sociais em questão e resolvesse ela própria se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no REIDI do Cliente solvedor". Evidentemente que a nãoincidência como efeito da suspensão induzida pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes. Dada a sistemática da nãocumulatividade, deve o Fisco garantir e respeitar tãosomente os créditos que a SUZLON legitimamente escritura, em consonância com a legislação de regência. Com todas essas considerações é imperativo que o Fisco promova o lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo respectivas, por Cliente da SUZLON. (...) Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA em todo o episódio que se circunscreveu na apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e consciente de critério de apuração não previsto em lei. Como já tivemos oportunidade de discorrer ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, a concentração de receitas nos anos de 2009 e 2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da lei tributária. Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI, com a igual "espera" do ato concessivo de redução do IRPJ, cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos usufruídos para neutralizarem a incidência dos 25% tributáveis remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro líquido que viesse a ser apurado, conforme as conveniências da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA. Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.721 8 Não resta dúvida que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o Fisco não tomar conhecimento dos fatos geradores dos diversos tributos que lhe era devidos pela execução dos Contratos de Longo Prazo. Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração. Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de sonegação e fraude na conduta da SUZLON, não há falar em decadência do poder de lançar as contribuições para o PIS/COFINS no ano calendário de 2008. (...) O contribuinte, inconformado com o lançamento fiscal, apresentou a impugnação de fls. 855/899, na qual alega: i) preliminarmente, a decadência de parte crédito lançado, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (“CTN”), combinado com o fato de não se verificar conduta fraudulenta in casu. Ainda como preliminar, invoca a nulidade do feito por violação aos princípios da legalidade e da tipicidade estampados nos art. 142 do CTN, art. 10, V, do Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa. ii) no mérito, o Contribuinte defende a forma de contábil e fiscal que adotou com relação às operações de contratos de fornecimento e instalação de turbinas eólicas (reconhecimento contábil das receitas e custos somente quando os produtos fabricados ou os serviços prestados passam com todos os seus benefícios e riscos para a titularidade do adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem sido reconhecidos seus créditos de COFINS pela autoridade fiscal no momento da autuação, tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõese ao agravamento da multa para o patamar de 150%, pois afirma não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica. Em julgamento datado de 07 de abril de 2014, a DRJ Ribeirão Preto/SP deu parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 1449.620), nos termos da ementa a seguir colacionada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procedese ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.722 9 CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude sonegação e conluio, afastase a qualificação da multa de ofício, reduzindose seu percentual. A parte do crédito tributário cancelada pela decisão a quo decorre i) da possibilidade legal de desconto dos créditos da não cumulatividade que foram indicados nos demonstrativos entregues à Administração Fiscal e que não foram objeto de oposição pela auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%. Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho. Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido no qual consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é claro que não foi acatada a decadência , a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de reconhecer receitas relativas aos adiantamentos recebidos pelos clientes anteriormente oferecidos à tributação, conforme declarado na DACON, bem como por não reconhecer a integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer o julgamento conjunto deste feito com o Processo Administrativo n. 10380.729799/201379, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”), intrinsicamente relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração. É o relatório. Voto A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 08/05/2014 (fls. 3.568 a 3.603), apresentando Recurso Voluntário em 22/05/2014. Assim, o recurso voluntário é Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.723 10 tempestivo, com base no que dispõe o art. 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Contudo, antes de adentrar na argumentação formalizada pela Recorrente, é preciso trazer questão prejudicial para o deslinde da presente controvérsia, qual seja, o presente Processo de n. 10380.729798/201324 (COFINS), bem como o Processo n. 10380.729799/201379 (PIS) serem ou não reflexos de autuação fiscal de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”). Tal indagação decorre da análise do Termo de Verificação Fiscal (“TVF”), o qual traz minuciosa descrição dos procedimentos de auditoria que levou ao lançamento tributário, tornando possível perceber que as condutas jurídicocontábeis adotadas pelo contribuinte infringiriam tanto a legislação do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”), como das Contribuições Sociais a cargo da empresa (PIS e COFINS). Vejase os extratos retirados do TVF de fls 35, 38, 45 e 46: (...) Dáse especial atenção ao Capítulo III do TVF, que introduz o histórico das infrações da seguinte forma: E continua, (...) Fl. 3723DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.724 11 Parecendo claro que a auditoria instaurada para verificação fiscal da Recorrente no período compreendido entre 2008 e 2010 deu azo a autuações fiscais a título não só de PIS e COFINS, mas também de IRPJ e CSLL, em busca no sítio eletrônico do CARF pude encontrar o julgamento do Processo Administrativo n. 10380.729795/201391. Cuja ementa segue abaixo colacionada: PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.729795/201391 Acórdão nº 1301001.828 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2015 Matéria IRPJ Recorrente SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ¬ IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CONTRATOS DE LONGO PRAZO. APURAÇÃO COM BASE NOS CUSTOS INCORRIDOS. VALIDADE. Nos chamados contratos de longo prazo, com prazo de execução superior a um ano, a apuração dos resultados obedecerá ao comando do artigo 407, do RIR/1999, devendo ser aferido de duas formas: a) com base em laudo técnico de medição, com indicação da percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou da produção, ou, b) com suporte na relação entre custos incorridos no período base e custo total estimado da execução da empreitada ou da produção, obedecido o regime de competência. Se a autuada não adotou este critério e sua contabilidade não obedeceu a tal comando, cabe à Autoridade Fiscal, com fulcro nos livros e documentos da contribuinte, apurar os resultados para fins tributários Como a ementa supratranscrita trata do mesmo contribuinte, mesmo período de apuração aqui abarcado (2008 a 2010), mesma questão contábilfiscal (contratos de longo prazo, apuração com base nos custos incorridos) já parece se confirmar a suspeita de que o presente Processo (COFINS), bem como o Processo n. 10380.729799/201379 (PIS) são reflexos da cobrança do IRPJ, consubstanciada no Processo n. 10380.729795/201391. Efetivamente, da leitura das transcrições ipsis litteris dos dizeres da autoridade fiscal no TVF que foi feita no relatório do Acórdão n. 1301001.828 (Processo n. 10380.729795/201391 IRPJ) pelo Conselheiro Edwal Casoni Paula Fernandes Junior, é praticamente certo que o TVF que originou este Processo (COFINS) e igualmente no Processo n. 10380.729799/201379 (PIS) é o mesmo que funda o lançamento de IRPJ. Inclusive, no corpo do relatório do Acórdão n. 1301001.828 (Processo n. 10380.729795/201391 IRPJ) foi possível encontrar diversos argumentos levantados pelo Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.725 12 contribuinte no recurso voluntário ora sob análise, corroborando a menção expressa às autuações reflexas de PIS e COFINS. Vejase: De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados Autos de Infração relativos aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, atinentes ao IRPJ e demais reflexos, incluindo¬se o principal, multa qualificada de 150% e juros de mora (...) Os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A ciência da contribuinte está encartada às fls. 58 a 59, tendo apresentado Impugnação (fls. 1069/1145), juntando documentos apensados às fls. 1156 a 3764. (grifei) Com efeito, na ementa da decisão da DRJ referente ao lançamento de IRPJ, multa e juros, no Processo n. 10380.729795/201391, também transcrita no bojo do relatório feito pelo Conselheiro Edwal Casoni Paula Fernandes Junior, temos que: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. (grifei) Vêse que há fortes indícios de que o presente Processo Administrativo seja reflexo do Processo Administrativo n. 10380.729795/201391, julgado em 24/03/2015, pela 1ª Turma, 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Tudo faz crer, inclusive, que as atuações de PIS e COFINS reflexas já estariam sendo resolvidas no próprio Processo n. 10380.729795/201391. Contudo, não há elementos suficientes nestes autos, tampouco na decisão proferida no PA 10380.729795/201391 (disponível no sítio eletrônico do CARF), para alcançar quaisquer conclusões além dessas. Com efeito, sabese que, em se tratando de recursos a respeito da Contribuição ao PIS e/ou da COFINS, quando reflexos do IRPJ, formalizado com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo processo administrativo fiscal, o artigo 2º, inciso IV1 do Regimento Interno no CARF (“RICARF”) determina que a competência para a apreciação da questão deixa de ser da Terceira Seção, passando a ser da Primeira Seção de Julgamento do Conselho. Nesse sentido, lembrese que o “reflexo”, segundo o artigo 6º, §1º, inciso III do RICARF, é aquele “constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos.” 1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.726 13 Pois bem. Cabe recordar que o requisito de as cobranças do IRPJ e seus reflexos estarem “em um mesmo processo administrativo fiscal” para que a competência de julgamento dos processos reflexos passe a ser da Primeira Seção não existia na anterior redação do artigo 2º, inciso IV do RICARF. 2 Parece ser exatamente esta a situação presente, em que o processo principal de IRPJ foi julgado pela Primeira Seção da CARF, ainda na vigência do antigo RICARF, e, portanto, atraiu a competência para os processos reflexos, no caso, o da Contribuição ao PIS (10380.729799/201379) e o da COFINS (10380.729798/201324). Afinal, nessa hipótese, não era de competência da Terceira Seção do CARF o julgamento deste Processo sobre a COFINS, tampouco do Processo n. 10380.729799/201379 (Contribuição ao PIS), mas sim da Primeira Seção. É necessário que seja confirmada tal situação, seja para acarretar na extinção dos processos de PIS e COFINS, que já estariam julgados quando da apreciação do processo principal de IRPJ, seja para aplicação, no que couber, do que ficou decidido naquele julgamento do IRPJ agora no julgamento dos processos referentes ao PIS e a COFINS, por esta Terceira Seção de Julgamento, diante da nova norma estampada no artigo 2º, inciso IV do RICARF. Do contrário, ressalto, o CARF poderia acabar por proferir decisões diferentes relativamente a uma mesma infração da lei tributária, o que se deve evitar a qualquer custo, pelo zelo à segurança jurídica. Assim, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência para a repartição fiscal de origem, a fim de que: 1. Certifique se os fatos e elementos de prova que levaram à lavratura do auto de infração que deu origem ao julgamento do IRPJ no Processo n. 10380.729795/201391 (aparente processo principal) são os mesmos que embasaram as cobranças da Contribuição ao PIS, Processo n. 10380.729799/201379, e da COFINS, Processo n. 10380.729798/201324 (aparentes processos reflexos); 2. Constatandose serem de fato processos reflexos, destacar a implicação do julgamento do Processo de IRPJ, n. 10380.729795/2013 91 (Acórdão n. 1301001.828) na cobrança das Contribuições ao PIS e da COFINS aqui discutidas, inclusive se tal julgamento já abrange total ou parcialmente o crédito tributário discutido nos processos reflexos (10380.729799/201379 e 10380.729798/201324, respectivamente); 3. Não sendo o caso de processos reflexos, que aponte as diferenças nas citadas autuações fiscais (10380.729795/201391, 10380.729799/2013 79, 10380.729798/201324), no que tange à cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. Queiram verificar: (4.1) de acordo com as regras fiscais e contábeis que regem o tema, qual a metodologia de apuração da base de calculo da contribuição ao PIS e da COFINS aplicável aos Contratos de Longo 2 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/201324 Resolução nº 3402000.753 S3C4T2 Fl. 3.727 14 Prazo de fornecimento de bens e serviços; (4.2) a base de cálculo utilizada pelo agente fiscal na apuração do crédito tributário lançado nos autos dos PAFs n°s 10380.729798/201324 e 10380.729799/2013 79; e (4.3) se a prática adotada pelo agente fiscal no sentido de considerar como base de cálculo somente o valor reconhecido na conta de passivo denominada “Adiantamento de clientes”, ao longo dos anos de 2007 a 2010, está de acordo com a metodologia prevista na legislação aplicável aos Contratos de Longo Prazo; 5. Queiram verificar se o procedimento adotado pela Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto, de não deduzir os valores do “Crédito usado como desconto da contribuição apurada na DACON” quando da elaboração do demonstrativo de “Aproveitamento de Créditos da Cofins/PIS não Cumulativa”, está correta nos termos da legislação aplicável; 6. Queiram verificar se o demonstrativo de “Aproveitamento de Créditos da Cofins/PIS não Cumulativa” tem equívocos de fórmula do programa utilizado, conforme alegado pela Recorrente. É como voto. Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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