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6310092 #
Numero do processo: 18471.001339/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA E VENDA DE MERCADORIA SEM TRANSITAR NA CONTA DE ESTOQUE. NÃO DEMONSTRADA.. Deve ser cancelado o lançamento quando não configurada a omissão de receitas, pois equivocou-se o autuante quando entendeu que os valores creditados à conta de ativo e debitados à despesa se tratavam de omissão de vendas e, por sua vez, os valores debitados à conta de ativos e creditados à despesa se tratavam de omissão de compras, já que não houve impacto no resultado contábil o lançamento do mesmo montante a débito e a crédito da conta de despesa. OMISSÃO DE RECEITA. COMPRA DE EQUIPAMENTO COM LANÇAMENTO EM CONTA DE DESPESA. NÃO DEMONSTRADA. Deve ser cancelado o lançamento quando verificado que o autuante analisou apenas a primeira parte dos lançamentos contábeis efetuados, ou seja, o lançamento a débito de contas a receber e a crédito de despesa, o qual foi, pelo menos no que tange a despesa, anulado pelo lançamento a débito de despesa e a crédito de estoque. Equivocado o enquadramento legal da autuação no art. 41 da Lei 9.430/96, o qual trata de levantamento quantitativo por espécie das quantidades de mercadorias adquiridas para revenda (§ 3º do mesmo dispositivo), mesmo porque impossível fazê-lo apenas pela análise da escrituração contábil. GLOSA DE DESPESAS. PERDA NA REALIZAÇÃO DE CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantido o lançamento quando a recorrente não logra demonstrar que atendia as condições de dedutibilidade das despesas (valor, data de vencimento e devedor), para os débitos até R$ 5.000,00 por operação, inclusive com apresentação de lastro documental, ainda que por amostragem. DECADÊNCIA. COFINS e PIS. Aos lançamentos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplica-se o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de NULIDADE da decisão de 1a. instância; 2) por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de conexão; 3) por unanimidade de votos, ACOLHER PARCIALMENTE a arguição de decadência; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 001 do auto de infração de IRPJ; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 002 do auto de infração de IRPJ; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 004 do auto de infração de IRPJ, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix, que convertia o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     2 DECADÊNCIA. COFINS e PIS.  Aos  lançamentos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplica­se o prazo  de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o art. 45  da  Lei  8.212/91  já  foi  definitivamente  declarado  inconstitucional  pelo  Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8).  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  CSLL.  COFINS.  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  PIS.  Tratando­se  da  mesma  situação  fática  e  do  mesmo  conjunto  probatório,  a  decisão  prolatada  com  relação  ao  lançamento  do  IRPJ  é  aplicável,  mutatis  mutandis, aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado:  1)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  a  arguição  de  NULIDADE  da  decisão  de  1a.  instância;  2)  por  unanimidade  de  votos,  INDEFERIR  o  pedido  de  conexão;  3)  por  unanimidade  de  votos,  ACOLHER  PARCIALMENTE  a  arguição  de  decadência;  4)  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao item 001 do auto de infração de IRPJ;  5)  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente  ao  item 002 do auto de infração de IRPJ; 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente  ao  item  004  do  auto  de  infração  de  IRPJ,  divergindo  a  Conselheira Talita Pimenta Félix, que convertia o julgamento em diligência.     (documento assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Relator    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (Presidente),  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado  (Suplente),  Rogério  Aparecido  Gil,  Talita  Pimenta  Félix.  Ausente,  justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.      Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte  em  face  do  Acórdão  n˚  9.764  da  1ª  Turma  da  DRJ/RJO1,  cuja  ementa  assim  dispõe:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­  IRPJ  Ano­calendário: 2000  Ementa:  PRELIMINAR.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  NULIDADE.  DESCABIMENTO.  Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.779          3 Descabe  a  alegação  da  ocorrência  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  quando os prazos concedidos estão de acordo com a legislação e as peças que  compõem  os  autos  descrevem,  de  forma  clara  e  precisa,  tanto  as  irregularidades  apuradas,  como  as  devidas  capitulações  legais  infringidas.  Preliminar rejeitada.  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.  Inicia­se  a  contagem  do  período  decadencial  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte Aquele em que o tributo poderia vir a ser lançado, na forma  do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Preliminar rejeitada.  PERÍCIA. NEGADA.  A  perícia  se  reserva  A  elucidação  de  pontos  duvidosos  que  requerem  conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a  sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de  documentos.  PEDIDO  DE  PRODUÇÃO  DE  PROVA  APÓS  A  IMPUGNAÇÃO.  REQUISITOS.  A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro momento  processual,  a menos  que:  a)  fique  demonstrada a  impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por motivo de  força  maior;  b)  refira­se  a  fato  ou  direito  superveniente;  c)  destine­se  a  contrapor fatos1 ou razões posteriormente trazidos aos autos.  OMISSÃO DE RECEITAS.  A  insuficiência  de  registro  na  escrituração  comercial  de  compras  e  vendas  revela­se a omissão de receitas.  CUSTOS OU DESPESAS. COMPROVAÇÃO.  Computa­se  na  apuração  do  resultado  do  exercício  somente  os  custos  ou  as  despesas que, além de guardarem conexão com atividade explorada e com a  manutenção da fonte de receita, forem comprovadas por meio de documentos  hábeis e idôneos.  ASSISTÊNCIA  TÉCNICA.  PESSOA  DOMICILIADA  NO  EXTERIOR.  DESPESAS INDEDUTIVEIS.  São indedutiveis como despesas operacionais as importâncias pagas a pessoas  domiciliadas no exterior a título de assistência técnica na falta de contrato de  prestação  de  serviços  averbado  no  INPI  ou  da  comprovação  da  efetividade  desses serviços.  DESPESAS COM DOAÇÕES. LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.  Dada a expressa disposição  legal vedando a dedutibilidade de despesas com  doações,  os  gastos  desta  natureza  configuram­se  mera  liberalidade  da  empresa, consideram­se tais despesas como indedutiveis para fins de apuração  da base de cálculo do Imposto de Renda.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. DECADÊNCIA.  LEI ESPECIFICA.  O  instituto  da  decadência,  quanto  às  contribuições,  rege­se  segundo  lei  específica  (Lei 8.212/91), em obediência ao disposto no § 4° do art. 150 do  CTN. O prazo decadencial para as contribuições é de 10 anos.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  O  decidido  para  o  lançamento  de  IRPJ  estende­se  aos  demais  lançamentos,  com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, ressalvados os casos  em que outras razões de ordem jurídica lhes deteiminem tratamento diverso.  Lançamento Procedente    Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     4 A recorrente tomou ciência da decisão recorrida na sexta­feira de 31/03/2006,  conforme AR a fls. 521, e interpôs recurso voluntário em 02/05/2006 (doc. a fls. 556 e segs.),  no qual alega as seguintes razões de defesa:  a)  que  se  trata  de  Auto  de  Infração  lavrado  contra  a  Recorrente  para  a  cobrança de tributos e contribuições federais pelos seguintes fundamentos: 1) OMISSÃO DE  RECEITAS  caracterizada  pela  compra  e  venda  de  aparelhos  sem  documentação  comprobatória contabilizada diretamente na conta de despesa de n° 320.81.290, sem transitar  na conta de estoque ou similar, no valor de R$ 21.677.179,74; 2) OMISSÃO DE RECEITAS  caracterizada pela compra de equipamentos, em 31/03/2000, com lançamento contábil na  conta de despesa n° 320.81.290, sem transitar na conta de estoque, tendo como contrapartida a  conta n° 112.31.310, com a discriminação em dólar, no valor de R$ 3.529.584,04; 3) GLOSA  DE  CUSTOS.  A  empresa,  através  das  contas  n°s  312.89.120  e  312.29.140,  baixou  como  despesas  valores  que  alega  ter  faturado  e  não  identificado  o  pagamento,  porém  não  comprova a operação individualizada contabilmente por cliente, nos valores de R$ 900.427,87  (conta  312.29.140)  e  R$  460.206,89  (conta  312.89.120);  4)  BENEFICIÁRIOS  NO  EXTERIOR,  conforme  detalhado  no  Anexo  ao  auto  de  infração,  a  empresa  contabilizou  indevidamente como despesa de Assistência Técnica com Exterior, até 30/11/2000, o valor  total  de R$  16.350.533,63; 5) DESPESA  INDEDUTÍVEL,  deduziu  indevidamente  como  despesas  de  doações  de  cartão  celular  as  cortesias  efetuadas  que  constam  da  conta  n°  312.89.820, no valor de R$ 2.459.843,55 em 30.11.2000; e, 6) GLOSA DE DESPESA porque  a  empresa  não  comprovou  através  de  qualquer  documentação  hábil  que  os  valores  contabilizados  como PERDA POR NÃO PAGAMENTO DE ASSINANTE NA CONTA  n°  312.89.150,  mensalmente  de  forma  sintética,  em  valores  superiores  a  R$  5.000,00,  sem  discriminar  o  assinante  e  seus  dados,  a  data  que  alega  ter  sido  faturado,  os  valores  individualizados e demais elementos de comprovação, no valor total de R$ 65.574.194,40;  b) que se faz necessário a realização de perícia no presente caso e a sua não  realização implica em cerceamento do direito de defesa;  c)  que  a  limitação  imposta  pelo  §  4º  do  art.  16  do Decreto  nº  70.235/72  é  inconstitucional por incompatível com o princípio da verdade material;  d)  que,  com  o  advento  da  Lei  n°  8.383,  de  1991,  o  imposto  de  renda  das  pessoas jurídicas passou a ser devido mensalmente, à medida que os lucros fossem auferidos e,  portanto, com a obrigatoriedade de as empresas apurarem a base de cálculo e o imposto devido  a cada mês, sendo que, nenhuma solução de continuidade houve com a superveniência das Leis  n°  8.541,  de  1992,  e  8.981,  de  1995,  que mantiveram  o  sistema  de  bases  correntes  para  as  pessoas jurídicas;  e)  que  relativamente  à  contribuição  social  sobre  o  lucro,  determinam  os  diplomas  legais  acima  citados  que  a  ela  aplicam­se  as  mesmas  normas  de  apuração  e  de  pagamento  estabelecidas  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas  (art.  38  da  Lei  n°  8.541/92 e art. 57 da Lei n° 8.981/95);  f)  que  o  auto  de  infração  foi  lavrado  em  18/10/2005,  tendo  a  Recorrente  tomado ciência em 20/10/2005 e nele foram lançados fatos geradores de janeiro a e setembro  de 2000, logo, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, operou­se a preclusão total, decaindo o  direito de a Fazenda Nacional constituir o suposto crédito tributário, não havendo, assim, que  se exigir da Recorrente o pagamento do imposto de renda e das contribuições ao PIS, COFINS  e CSLL relativas aos meses de janeiro a setembro de 2000 porque atingidas pela decadência;  g) no que tange à omissão de receita pela compra e venda de aparelhos  sem transitar na conta de estoque, pelo lançamento a débito e a crédito da mesma conta,  sustenta que:  Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.780          5 g.1)  que,  em  01/01/2000,  a  recorrente  implantou  novo  sistema  contábil,  denominado SAP/R3, em substituição ao sistema anterior, denominado SISCORP, sendo que o  novo  sistema  possui  nomenclaturas  do  plano  de  contas  diferentes  das  anteriores,  razão  pela  qual  foi  necessária  a  segregação  dos  valores  de  uma  única  conta  em  uma  ou  mais  contas,  conforme  denota­se  facilmente  pela  simples  comparação  entre  o  plano  de  contas  do mês  de  dezembro de 1999 (sistema SISCORP), e o plano de contas do mês de janeiro de 2000, quando  já se encontrava em uso o sistema SAP. (doc. n° 03);  g.2)  que,  em  decorrência  da  implantação  do  novo  sistema  contábil  (SAP/R3— parametrização do módulo MM), para transferir os saldos das contas patrimoniais  da  antiga  nomenclatura  para  a  nova,  tendo  em  vista  a  impossibilidade  de  inclusão,  por  exemplo, da conta referente aos aparelhos analógicos, a Recorrente utilizou em contrapartida a  conta de despesa n° 320.81.290, debitando e creditando o mesmo valor, ou seja, levou a débito  da conta n° 320.81.290 o total de R$ 10.838.589,72 e a crédito, R$ 10.838.589,72 (valor total  que não pôde ser lançado no sistema SAP, por dificuldades operacionais), anulando qualquer  efeito  no  resultado  do  exercício,  conforme  pode­se  verificar  pela  cópia  das  folhas  correspondentes do livro Razão de janeiro e fevereiro de 2000. (doc.n° 4);   g.3)  que,  tanto  é  assim,  que  a  conta  despesa  nº  320.81.290  foi  criada  e  utilizada apenas para esse fim, conforme se pode auferir pela cópia do balancete sintético da  empresa referente ao ano­calendário de 2000 (doc. nº 5), o qual demonstra que a referida conta  não possui movimentação desde março do referido ano;  g.4) que faltou, na verdade, foi uma análise detalhada da conta n° 320.81.290  (fls. 7415 do PTA), pois os lançamentos efetuados pela Recorrente não afetaram o resultado do  exercício  e,  conseqüentemente,  a  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  e  contribuição  social  sobre o lucro;  h) no que tange à omissão de receita pela compra de equipamento com  lançamento em conta de despesa, sustenta que:  h.1) que alega a Fiscalização que a Recorrente deixou de contabilizar custos  referente à aquisição de aparelho celular digital LGC­ 330W, em 31.03.2000, no valor de R$  3.529.584,04, contabilizado diretamente na conta de resultado, de n° 320.81.290, sem transitar  na conta de estoque, em contra partida a conta n° 112.31.310;  h.2) que trata­se de bonificação recebida de seus fornecedores que, na compra  de  uma  determinada  quantidade  de  produtos,  faz  jus  a  uma  bonificação  (em  aparelhos)  estipulada em dólares americanos;  h.3) que recebeu a bonificação de R$ 3.529.373,18 da LG ELECTRONICS,  equivalente  a  US$  1.500.000,00  e  US$  499.984,00,  a  Recorrente  contabilizou  a  crédito  da  conta de despesa n° 320.81.290  (Outras Perdas Baixadas Almoxarifado) em contrapartida da  conta n° 112.31.310  (Contas a Receber)  (fls. 75) e,  ato contínuo, debitou a conta de estoque  (112.76.100)  pelo  valor  equivalente  dos  aparelhos  recebidos,  em  contrapartida  da  conta  n°112.31.310 (Contas a Receber) (fls. 76 a 80);  h.4)  que,  para  fins  de  determinar  a  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  e  contribuição social sobre o lucro, o crédito em uma conta de despesa tem o mesmo efeito de  um lançamento em conta de receita ­ a primeira reduz a despesa e, conseqüentemente, aumenta  o lucro;  i)  no  que  tange  à  glosa  de  custos  pela  não  comprovação  da  operação  individualizada  por  clientes:  fraude  contra  a  impugnante  e  contas  canceladas,  sustenta  que:  Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     6 i.1)  que,  não  obstante  tenha  apresentado  os  arquivos  magnéticos  com  as  informações  solicitadas,  a  Fiscalização  glosou  os  valores  lançados  nas  contas  de  n°s  312.89.120  (Fraude)  e  312.89.140  (Contas  Baixadas  Faturamento)  porque  a  Recorrente  não  comprovou “a operação individualizada contabilmente por cliente”;  i.2) que a Recorrente mantém milhares de contratos de prestação de serviços  de  telefonia,  logo,  a  exigência  de  juntada  aos  autos  de  relatório  contendo  as  operações  individualizadas por cliente, é absurda;  i.3) que as  informações  solicitadas pelo Fisco encontram­se à disposição na  sede  da  Recorrente,  no  sistema  de  origem  e  que  o  indeferimento  da  perícia  implica  em  cerceamento do direito de defesa da Recorrente;  i.4) que  a  legislação do  imposto de  renda permite a dedução das perdas  no  recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica (art. 340 do Regulamento  do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999);  i.5) que, no caso de créditos sem garantia (hipótese dos autos) de valor até R$  5.000,00,  por  operação,  vencidos  há  mais  de  seis  meses,  independente  de  iniciados  os  procedimentos judiciais para seu recebimento, podem ser registrados como perda;  i.6) que, no caso de  empresas mercantis,  a operação será caracterizada pela  emissão da fatura, mesmo que englobe mais de uma nota fiscal (art. 24, §§ 2° e 3°);  i.7)  que,  no  caso  dos  autos,  a  fatura  emitida  para  cada  cliente  constitui  a  operação que fundamenta o registro da perda, assim e embora da análise do razão analítico da  Recorrente  (doc.  05,  da  Impugnação)  registre  valores  superiores  a  R$  5.000,00,  na  verdade  trata­se de lançamento que engloba diversos clientes na mesma situação, logo, o detalhamento  da  conta  se  faz  necessário  e  a  não  concessão  do  prazo  requerido  prejudicou  sobremaneira  a  Impugnante;  i.8) que o lançamento não pode prevalecer porque, além de contaminado pelo  vicio  da  nulidade,  as  perdas  efetivamente  ocorreram  em  decorrência  das  fraudes  (linhas  clonadas) e do cancelamento de faturas emitidas em duplicidade (doc. n° 06, da Impugnação);  j)  no  que  tange  à  glosa  de  despesa  por  falta  de  comprovação,  sustenta  que:  j.1) que trata­se de glosa dos lançamentos registrados na conta nº 312.89.150,  “Perda por não Pagamento de Assinante” (fl. 73) ao argumento de que a impugnante “deixou  de comprovar através de documentação hábil esta operação”  j.2)  que  considerando  a  complexidade  do  sistema  e  o  exíguo  prazo  para  cumprimento da intimação nos moldes solicitados, solicitou prazo de 75 (setenta e cinco) dias  para desenvolver um programa especifico capaz de detalhar as informações desejadas;  j.3) que a Fiscalização, contudo, não concedeu o prazo e tributou o  total da  conta  (R$  65.574.194,40)  "não  só  por  infração  ao  disposto  no  art.  340  do  RIR  por  não  individualizar  os  valores  inferiores  a  R$  5.000,00,  mas  principalmente  por  ter  deixado  de  comprovar a veracidade das despesas quando alega e não comprova a  falta de recebimento  das assinaturas (...)";  j.4)  que  a  Recorrente  anexa  ao  presente  Recurso  o  demonstrativo  dos  lançamentos contábeis referentes ao ano­calendário de 2000 (mês a mês), contendo o total das  receitas e o valor das perdas contabilizadas, acompanhadas das folhas do livro Razão contábil e  do livro Diário dos meses correspondentes, onde fica claramente demonstrada a contabilização  das  receitas  tributadas,  com  a  identificação  dos  valores  das  perdas  em  confronto  com  as  receitas, restando claro que os valores glosados pela fiscalização estavam incluídos no "contas  a receber".(doc. n° 06);  Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.781          7 l) no que tange à glosa de despesa com assistência técnica, científica ou  tecnológica – beneficiário no exterior, sustenta que:  l.1) que Fiscalização glosou a importância de R$ 16.350.533,63 por entender  que  a  Impugnante  teria  cometido  as  seguintes  irregularidades:  (a)  falta  de  avaliação  e  averbação pelo INPI do contrato de prestação de serviços de consultoria; (b) negativa do INPI  para averbação na  forma de pagamento  estabelecido no contrato que é contrario à  legislação  em vigor; (c) infração ao disposto nos itens I e II da IN SRF n° 005/74 que disciplinou a Lei n°  5.772/71  (Código  de  Propriedade  Industrial);  e  (d)  falta  de  comprovação  da  efetividade  dos  serviços prestados;  l.2) que, em 10.01.2000, a Recorrente formalizou junto ao Instituto Nacional  de Propriedade Industrial — INPI, processo de consulta e posterior averbação do Contrato de  Prestação de Serviços de Consultoria celebrado com a TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A  — TISA, sociedade unipessoal sediada na cidade de Madrid, Espanha (fls. 57, 92 a 102);  l.3)  que  os  itens  “a”  e  “e”  do  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  de  Consultoria  celebrado  com  a  TELEFÔNICA  INTERNACIONAL  S/A  —  TISA,  sociedade  unipessoal  sediada  na  cidade  de  Madrid,  Espanha  (fls.  57,  92  a  102),  não  se  ajustam  às  determinações da Lei n° 9.279/96 (legislação que substituiu a Lei n° 5.772/71) porque o INPI  só efetua registro de  atos que  impliquem  transferência de  tecnologia,  contratos de  franquia  e  similares  para  produzirem  efeitos  em  relação  a  terceiros  (art.  211  da  Lei  n°  9.279/96),  no  mesmo sentido, as orientações do Ato Normativo INPI n° 135/1997;  l.4)  que  a  reformulação  de  estrutura  organizacional  e  disponibilização  de  pessoal não significa transferência de  tecnologia,  logo, o  INPI, ao solicitar esclarecimentos à  Recorrente,  noticiou  que  aqueles  itens  não  seriam  passíveis  de  averbação,  mas  isto  não  significa, em absoluto, que o contrato estaria invalidado e, portanto, não averbado;  l.5) que a Fiscalização questionou a efetividade dos serviços prestados;  l.7)  que  serviços  de  assistência  técnica  na  área  de  telefonia  ajustam­se  ao  conceito  de  despesa  necessária  a  atividade  da  empresa  e  a manutenção  da  respectiva  fonte,  logo, são despesas operacionais normais e usuais ao tipo de atividade da empresa (art. 299 do  RIR/99);  l.8)  que,  em  decorrência  do  aporte  técnico  e  do  conhecimento  do  negócio  pela  TISA  às  operadoras  de  telefonia,  foi  possível  a  introdução  da  tecnologia  digital,  a  ampliação do centro de atendimento ao cliente,  redução da taxa de habilitação e do preço do  aparelho,  lançamento  do  sistema  pré­pago,  do  e­mocion  (serviço  de  acesso  à  Internet  pelo  celular), dentre outros;  l.9) que solicitou, junto a Telefônica Internacional S/A, os relatórios técnicos  da  prestação  de  serviços  de  telecomunicações.  Até  o  momento  não  conseguiu  obter  a  documentação completa das operações descritas;  l.10) que a não averbação do contrato no INPI não constitui óbice para que a  Recorrente possa deduzir os pagamentos efetuados a título de assistência técnica;  l.11) que possível  a dedutibilidade das despesas pagas durante  a  tramitação  do processo de averbação no INPI;  m)  no  que  tange  à  glosa  de  despesas  com  doações  de  cartão  celular,  sustenta que:  Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     8 m.1)  que  a  Fiscalização  afirma  que  a  recorrente  teria  contabilizado  indevidamente como despesa de doação com cartão celular, os valores distribuídos através de  cartões pré­pagos, sem discriminação individual dos beneficiários;  m.2)  que  a  conta  n°  312.89.820  registra,  na  verdade,  custo  dos  cartões  de  Packs (doc. n° 07, da Impugnação), logo, se é custo operacional, não há falar em discriminação  individual dos beneficiários;  m.3)  o  custo  de  produção  dos  bens  ou  dos  serviços  prestados  constitui  redução  da  receita  bruta  (art.  290  do  RIR/99  c/c  art.  187  da  Lei  no  6.404/76)  e  que  uma  reclassificação  contábil  nas  contas  demonstraria  que  o  resultado  do  exercício  permaneceria,  logo, não houve prejuízo na apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição  social.;  m.4) que a administração tributária, em solução de consulta, manifestou­se no  sentido de que: “Aparelhos entregues gratuitamente por empresas de telefonia. São dedutiveis,  para os efeitos do imposto de renda e da CSLL, o custo de aparelhos entregues gratuitamente  pelas  empresas  de  telefonia  a  seus  clientes  em  cumprimento  de  programas  de  fidelidade”  (Dec. 6ª RF 250/00);  m.5) que com muito mais razão, são dedutíveis as despesas com os cartões de  Packs por se tratar de cortesia a clientes.   Em  resposta  à  diligência  solicitada  pelo  antigo  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes, a DRF/RJO/DIFIS (no doc. a fls. 1840) informou que:  “A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o  julgamento em diligência — Resolução . n° 105­1.298, de fls. 374/376,  para  que  se  procedesse  a  verificação  dos  novos  documentos  apresentados  pela  interessada  após  o  oferecimento  do  recurso  voluntário.  Tal  documentação  se  constitui  de  dois  CDs,  de  fls.  256  (documentos n° 3 e 4), Cópias de notas fiscais de entradas e saídas, de  fls. 258/330 (documento nº 5) e o Certificado de Averbação de  fatura  de serviços de assistência técnica junto ao INPI ­ fls. 361.  OS CDs visam a comprovação dos custos e despesas relativos aos itens  de nº 001 e 002 do Auto de Infração (fls. 36/37), os quais se referem a  perdas  por  cancelamento  de  faturas,  fraudes  e  inadimplência  dos  assinantes. As glosas se deveram, de acordo com a descrição dos fatos,  pela  falta  de  identificação  e  individualização das  operações  que  lhes  deram origem, bem como, consequentemente, da falta de comprovação  de  registro  das  respectivas  receitas  que,  anteriormente,  deveriam  ter  sido oferecidas à tributação. Nesse aspecto, os arquivos apresentados,  dissociados  dos  registros  contábeis  e  da  documentação  suporte,  não  atendem aos requisitos legais para comprovação de custos e despesas,  além de não serem conclusivos,  já que se  limitam a relacionar dados  detalhados de receitas e perdas, individualizadas por cliente.  Quanto às notas fiscais, teriam o condão de refutar o item de n° 004 do  referido auto de  inflação  (fls. 38/39), qual  seja, a  indedutibilidade de  doações  de  cartões  telefônicos  por  falta  de  previsão  legal.  Os  documentos acostados são notas de compra (fls. 315/330) e venda (fls.  258/314)  de  aparelhos  celulares,  emitidas,  respectivamente,  pela  interessada e por seu fornecedor. A descrição das notas de venda deixa  claro que os mencionados cartões  são, efetivamente, oferecidos como  bônus. Portanto, também não trazem aos autos qualquer fato novo que  possa modificar o lançamento.  Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.782          9 Por fim, a título de impugnação ao item de n° 003 (fls. 37/38), juntou o  mencionado  Certificado  de  Averbação  da  fatura  dos  serviços  que  teriam  sido  prestados  pela  sua  sócia  estrangeira,  no  período  compreendido entre o 4º  trimestre de 2.000 e o 2°  trimestre de 2006.  Referido documento, no entanto, não encerra todos os requisitos legais  exigidos  para  a  dedução  de  despesas  de  tal  natureza,  além  de  não  refutar  todas  as  irregularidades  apontadas  na  descrição  dos  fatos,  como  a  falta  de  comprovação  da  efetiva  prestação  dos  serviços  faturados.  Dessa  forma,  cumprida  a  diligência  solicitada,  sem  que  se  tenha  verificado  qualquer  fato  que  possa  resultar  em  alteração  do  lançamento  original,  proponho o  retorno  do  processo  ao PRIMEIRO  CONSELHO DE CONTRIBUINTES.”  A  fls.  1839  e  segs.,  a  recorrente,  já  cientificada  do  relatório  de  diligência,  assim se pronuncia:  “Não  obstante  o  auto  de  infração  (doc.  01)  narrar  fatos  do  ano­ calendário de 2000, o lançamento consubstanciado nos presentes autos  (Recurso  n°  164.929)  refere­se  ao  período  de  apuração  01/01  a  30/11/2000  em  razão  da  incorporação  ocorrida  em  30/11/2000.  O  lançamento referente a dezembro/2000 (doc. 02) compõe o processo de  n°  18471.001408/2005­31,  distribuído  à  Quinta  Câmara  deste  Primeiro Conselho de Contribuintes (Recurso nº 154.149).  Registre­se  que,  além  de  constar  dos  dois  processos  mencionados  (cujos  Recursos  Voluntários  são  os  de  n°s  164.929  e  154.149),  a  infração (item "d" supra) glosa das despesas de assistência técnica no  exterior  pela  "falta  de  avaliação  e  averbagão  no  INPI  do  contrato,  falta de explicitação do custo homem/hora; infração aos itens I e II da  IN  SRF  005/74  e  falta  de  comprovação  da  efetividade  do  serviço"  também foi objeto de lançamento nos anoscalendários de 2001, 2002 e  2003,  cujo  crédito  tributário  integra  os  autos  do  processo  n°  18471.001653/2006­29  (doc.  03),  igualmente  distribuído  à  Quinta  Câmara deste Primeiro Conselho (Recurso n° 164.450 — em pauta de  julgamento na sessão de 17.12.2008).  De  se  ver  que  os  fatos  e  elementos  de  prova  das  supostas  irregularidades  discutidas  nestes  autos  são  idênticas  às  matérias  objeto dos Recursos n°s 154.149 e 164.450. É dizer, o mesmo contrato  de  assistência  técnica  com  a  TELEFÔNICA  INTERNACIONAL  S/A  ­  TISA  gerou  a  glosa  das  despesas  dele  decorrente  em  três  autos  de  infração  distintos,  ao  fundamento  da  suposta  não  averbação  daquele  no INPI. Ora, de acordo com o § 1° do art. 9° do Decreto nº 70.235/72,  quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de  prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de  um só processo, contendo  todas as notificações de lançamento e auto  de infração.  Assim  é  que  as  provas  necessárias  para  o  deslinde  do  litígio  nestes  autos já estão produzidas nos processos distribuídos à Quinta Câmara  (Recurso n° 154.149 e 164.450).  Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     10 Deveras, a instrução probatória nos autos dos processos mencionados  encontra­se em estágio mais avançado, enquanto, nos presentes autos,  está ainda a depender da manifestação desta Colenda Câmara quanto  ao pedido de perícia negado pela DRJ. Todavia, nos autos do processo  n°  18471.001408/2005­31  (Recurso  n°  154.149),  foram  efetuadas  diligências por ordem da Câmara responsável pelo julgamento daquele  processo, abordando os  fatos  referentes ao mesmo ano­calendário de  que  tratam  os  presentes  autos,  tendo  sido  auditadas,  inclusive,  as  contas  contábeis  examinadas  pela  fiscalização  que  deram  suporte  ao  auto de infração ora objurgado.  Assim,  dada  a  conexão  entre  os  processos  citados,  necessária  a  reunião  de  todos  ou,  pelo  menos,  o  julgamento  em  conjunto  dos  mesmos  a  fim  de  que  a  solução  seja  uniforme,  evitando  decisões  díspares e contraditórias acerca dos fatos in examine.  Ressalte­se que em razão dos inúmeros documentos apresentados pela  Recorrente  no  Recurso  n°  154.149  (arquivos  magnéticos  com  as  informações  individualizadas  por  cliente  em CD’s  os  quais  contêm  a  descrição detalhada de toda a Receita provisionada pela Recorrente no  período de abril a julho de 2000, bem como a composição das perdas  ocorridas em dezembro de 2000 ­ cuja origem é a receita contabilizada  em  maio  e  junho  de  2000  ­,  também  com  detalhamento  cliente  a  cliente;  contrato  de  prestação  de  serviços  por  residente  no  exterior  devidamente  averbado  no  INPI),  os  autos  foram  baixados  em  diligência, ocasião em que todas as informações restaram confirmadas  no Relatório da diligência (Resolução n° 105­1.298) na medida em que  a  autoridade  fiscal  constatou  que  os  arquivos  apresentados  pela  Recorrente  relacionaram  "dados  detalhados  de  receitas  e  perdas  individualizadas por cliente".  Ora, o fundamento daquela autuação restou totalmente esvaziado com  o resultado da diligência fiscal.   Quanto  à  glosa  das  despesas  de  assistência  técnica  no  exterior,  a  discussão tornou­se despicienda porque, em 16 de novembro de 2006,  a  Recorrente  recebeu,  como  última  etapa  dos  procedimentos  que  visavam  à  averbação  do  Contrato/Fatura  junto  ao  INPI,  o  CERTIFICADO DE  AVERBAÇÃO DE  TECNOLOGIA  n°  060915/01,  emitido  de  acordo  com  a  Lei  n°  9.279/96  —  Lei  da  Propriedade  Industrial  (doc.  04).  Não  houve  negativa  do  INPI  para  averbar  contrato como quer acreditar a Fiscalização.  Como  se  não  bastasse,  além  da  glosa  das  despesas  de  assistência  técnica no  exterior objeto desses autos,  a Fiscalização,  em relação à  matéria, também procedeu a outro lançamento, a titulo de imposto de  renda  na  fonte  sobre  os  valores  lançados  a  crédito  do  passivo  ao  argumento de que os créditos decorrentes das provisões de assistência  técnica  constituiriam  fato  gerador  do  imposto  (processo  n°  18471.001342/2005­89),  além  do  auto  de  infração  já  mencionado,  a  título de imposto de renda e contribuição social nos anos­calendários  de 2001, 2002 e 2003 (processo n° 18471.001653/2006­29 — Recurso  n° 164.450, doc. n° 03, cit.)  No processo n° 18471.001342/2005­89, a base de cálculo do  imposto  de fonte teve como fundamento o mero lançamento das provisões, seus  Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.783          11 ajustes e variações cambiais correlatas. A autuação foi promovida com  base  nos  registros  contidos  nas  contas  do  razão  de  nºs  313.31.610  (conta  de  despesa  de  assistência  técnica),  211.28.100  e  211.21.194  (conta  do  passivo,  relativa  à  provisão  de  assistência),  relativos  ao  contrato  de  consultoria  celebrado  entre  a  Recorrente  e  a  TELEFÔNICA INTERNACIONAL S/A — TISA.  Os  lançamentos  nos  dois  processos  consideram  os  mesmos  fatos,  ou  seja,  no  processo  n°  18471.001653/2003­29  a  Fiscalização  glosou  a  conta  de  despesa  por  falta  de  comprovação;  no  processo  n°  18471.001342/2005­89, considerou a conta de passivo para tributar as  provisões como se fato gerador do imposto de fonte fosse.  No  julgamento  do  processo  n°  18471.001342/2005­89  prevaleceu  a  tese  da  Recorrente  eis  que  a  simples  celebração  do  contrato  e  lançamentos  contábeis  não  autorizam  a  exigência  do  IRRF,  sendo  imprescindível  a  efetiva  remessa  dos  valores  aos  beneficiários  no  exterior a teor do parágrafo único do art. 708 do RIR/99. A decisão foi  mantida  por  este  Egrégio  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da Fazenda na  apreciação do  recurso  de  oficio  interposto  (Acórdão nº 102­48.271 – doc. 05).  Ocorre que no processo de n° 18471.001342/2005­89 também existem  documentos suficientes para a comprovação da despesa glosada nestes  autos. Senão vejamos:   (a)  fls.  22  a  28  (doc.  06):  fichas  de  razão  da  conta  n°211.28.100  e  211.21.194  —  Provisão  de  Assistência  Tel.Mov.,  cujos  registros  alcançam o período de 31.01.2002 a 31.12.2004. Conforme se afirmou,  esses créditos decorrem das provisões lançadas na conta n° 313.31.610  ­ despesa de assistência técnica;   (b) ao longo do período de 2001 a 2004, a Recorrente efetuou apenas  duas remessas para pagamento das despesas de assistência técnica: R$  33.556.843,77 e R$ 21.726.301,09 (cf. relatório detalhado do razão —  fls.  28  ­ doc.  06,  cit.). Com efeito,  somente  em 30/04/2004 ocorreu a  transferência  dos  recursos  sujeitos  ao  IRRF  (código  0422),  ou  seja,  remessa  ao  exterior  dos  serviços  de  assistência  técnica  relativo  ao  contrato de consultoria;  (c) em 30/04/2004 o imposto de fonte tornou­se exigível, pois foi nesse  momento que ocorreu o fechamento do câmbio relativo aos créditos a  favor  dos  beneficiários  estrangeiros  ­  R$  33.556.843,77  e  R$  21.726.301,09  (cf.  relatório  detalhado  do  razão —  fls.  28  ­  doc.  06,  cit.).  (d)  ato  continuo,  a Recorrente  procedeu  ao  recolhimento  integral  do  IRRF  devido,  à  aliquota  de  15%,  conforme  demonstram  os  comprovantes de arrecadação em anexo (doc. 07).  Ora, os documentos de arrecadação (doc. 07, cit.), além de comprovar  o  pagamento  do  imposto  de  renda  fonte,  atestam  a  efetividade  da  remessa  dos  recursos  ao  exterior  e  a  legitimidade  da  despesa  de  assistência técnica para fins de dedutibilidade nestes autos, razão pela  Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     12 qual a base de cálculo do IRRF (valor da remessa) há de ser acatada  como prova hábil e idônea da despesa. Ou seja, a própria ação fiscal  (processo  n°  18471.001342/2005­89)  que  pretendeu  tributar  as  provisões  decorrentes  do  contrato  de  assistência  técnica  pressupõe  e  legitima a despesa com assistência técnica. O resultado do julgamento  corrobora a assertiva, uma vez que foi acatada a origem do pagamento  de IRRF como sendo a despesa decorrente do contrato de assistência  técnica,  bem  como  a  tributação  pelo  IRRF  somente  no  momento  da  remessa.  Conclui­se, por derradeiro, que os processos administrativos referidos  relacionados  com  o  presente  trazem  robusto  e  relevante  material  probatório  que  não  deve  ser  ignorando  sob  pena  de  afronta  ao  principio  da  verdade material  que  informa o  processo  administrativo  fiscal.  Assim,  o  exame  de  tais  processos  é  essencial  ao  deslinde  dos  presentes  autos,  pois  demonstrará  que  os  frágeis  fundamentos  adotados pela fiscalização não se sustentam e não são compatíveis com  a realidade dos fatos.  2. DO PEDIDO  Diante do exposto, pede a Recorrente a remessa desses autos à Quinta  Câmara deste Primeiro Conselho  tendo  em  vista  a  íntima  relação  de  causa e efeito entre os processos acima citados.  Sucessivamente,  pede­se  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  a  fim  de  que  a  autoridade  administrativa  se  pronuncie  sobre  as  alegações  da  Recorrente  os  documentos  ora  juntados  e  analise  os  processos  referidos  que  tratam  de matéria  semelhante  à  versada  nos  presentes autos”.    Ao ser novamente colocado em pauta de  julgamento, a Terceira Câmara do  extinto  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  ao  apreciar  o  recurso  voluntário,  resolveu  converter  o  julgamento  em  diligência  (Resolução  nº  103­01.898  a  fls.  2015),  “a  fim  de  franquear ao contribuinte uma derradeira oportunidade, no âmbito administrativo, de reunir e  apresentar  a  comprovação  hábil  das  despesas  glosadas  relativas  aos  os  itens  3  e  4  da  autuação”.    Em resposta à diligência, a DRF/Londrina concluiu o seguinte (a fls. 2345):   “Em  razão  do  objeto  da  presente  djligiência  ser  o  cotejamento  da  documentação  com  as  contas  contábeis,  a  presente  auditoria  tornou­se  totalmente  prejudicada  pela  falta  da  disponibilização  dos  documentos  solicitados  nas  várias  intimações  efetuadas.  Somente  as  contas  do  razão,  apresentadas pelo contribuinte,  não  são suficientes para  subsidiar,  o contido  no voto vencedor da Resolução n. 103­01.898 que dentre suas considerações  determinou  a  conversão  do  processo  em  diligência  para  que  no  âmbito  administrativo fosse apresentado a comprovação hábildas despesas glosadas  com o propósito de se efetuar o cotejamento entre os registros contábeis e a  documentação apresentada.   A  empresa,  desde  o  início  dos  trabalhos,  não demonstrou  nenhum  interesse  em atender a  auditoria. Limitou­se  a  tomar  ciência do Termo de  Intimação  inicial, em 01/03/2012, na portaria da empresa, diga­se de passagem um local  impróprio  para  tratar  de  assunto  de  tamanha  relevância.  Nessa  ocasião,  apenas informou que faria o encaminhamento da intimação a um escritório na  cidade de São Paulo aonde seriam  tomadas as providências necessárias. As  demais tratativas foram descritas no início da presente Informação Fiscal.  Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.784          13 Diante­de  todo  o  exposto,  estamos  devolvendo  o  processo  18471.001339/2005­65  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  Primeira. Seção ­ Segunda Câmara sem a análise pretendida por.esse órgão.  Os  documentos  formalizados  no  curso  da  presente  diligência  encontram­se  na pasta DOCUMENTOS DIVERSOS / DOCUMENTOS DILIGÊNCIA no  sistema e­processo.”  Em  10  de  junho  de  2013,  o  julgamento  foi  novamente  convertido  em  diligência, para que a DRF/Londrina desse ciência do resultado da diligência à recorrente e lhe  concedesse prazo para se manifestar nos autos.   Cientificada  do  resultado  da  diligência,  a  recorrente  assim  se  manifestou  (doc. a fls. 2389):  “Como  se  vê,  a  empresa  apresentou  os  razões  contábeis  glosados  pelo auto de infração e que deveriam ser objeto de verificação na diligência  e os registros de faturas  inadimplidas que embasam a contabilidade. E os  documentos  apresentados  são  hábeis  a  demonstrar  o  saldo  da conta de perdas por  inadimplência em 31.12.2000, que foram glosados  pelo auto de infração em referência.  No  intuito  de  comprovar  o  seu  bom  direito,  a  Recorrente  contratou  a  opinião  técnica  de  renomada  empresa  de  auditoria  independente,  que  concluiu  pela  idoneidade  dos  controles  de  perda  por  inadimplência  da  empresa, bem como do saldo de R$ 69.772.942,06 contabilizados na conta  312.89.150  (Perda por Não Pagamento de Assinantes),  relativos  a  faturas  de valor inferior a R$ 5.000,00 vencidas a mais de 180 dias.  (...)  Na  mesma  toada,  quando  o  contribuinte  apresenta  escrituração  contábil  regular,  o  art.  924  do  RIR/995  determina  que,  para  desacreditar uma informação lançada nos livros contábeis da empresa,  é  preciso  que  a  autoridade  fiscal  prove  de  maneira  inequívoca  a  inveracidade dos fatos.  Entretanto,  isto  não  ocorreu,  já  que  o  lançamento  se  limitou  a  glosar a totalidade das despesas sem apresentar outra justificativa que  não fosse a suposta falta de documentos de controle da inadimplência,  questão  já  superada  pelos  documentos  e  pelo  laudo  da  empresa  independente de auditoria.  Sendo  assim,  considerando  que  a  Recorrente  ostenta  escrituração  contábil  regular  e  idónea,  respaldada  por  controles  adequados  e  consistentes,  claro está que a glosa das perdas por  inadimplência de  valores inferiores a R$ 5.000,00 deve ser cancelada.  O  que  não  se  pode  admitir  é  a  manutenção  da  glosa  integral  de  despesas  com  inadimplência  devidamente  contabilizadas,  como  se  uma empresa que presta serviços de telefonia móvel para milhões de  clientes  não  tivesse  sequer  uma  fatura  inadimplida  em  todo  o  ano­ calendário 2000.  5.    DO PEDIDO.  Pelo  exposto,  a  Recorrente  pede  a  reabertura  da  diligência  e  a  manifestação  do  Fisco  sobre  os  documentos  apresentados,  e,  posteriormente  a  remessa  dos  autos  ao  CARF  para  julgamento  do  recurso voluntário.”    Posteriormente, a fls. 1992, a recorrente informa que   Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     14 “Contudo,  a  Recorrente,  dentro  do  prazo  legal,  para  efeito  do  que  dispõe a Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e nos termos do caput do art. 13  da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22.07.2009, na redação da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB  n°  11,  de  11.11.2009,  requer  a  DESISTÊNCIA PARCIAL do Recurso Voluntário apenas no que toca:  (a)  ao  item  "005"  do  auto  de  infração  relativo  ao  IRPJ,  capitulado  como  "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU  TECNOLÓGICA  BENEFICIÁRIOS  NO  EXTERIOR/  INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS";  (b)  à  CSLL,  porém  apenas  com  relação  à  dedução  indevida  de  despesas com assistência técnica no exterior (conforme excerto acima,  extraído  do  próprio  auto  de  infração)  renunciando  expressamente  ao  direito sobre o qual a defesa dos aludidos itens do AI se funda.”.  Em 07/01/2014,  a  recorrente  apresentou nova petição  (a  fls.  2488),  na qual  informa  que  desiste  parcialmente  do  recurso  voluntário  de  forma  irretratável,  renunciando  expressamente ao direito sobre o qual se funda o processo administrativo exclusivamente em  relação aos itens abaixo:  a)  item "005" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como  "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA OU  TECNOLÓGICA", bem como o lançamento de CSLL decorrente;  b)  item “006" do auto de infração relativo ao IRPJ, capitulado como  "DESPESAS INDEDUTÍVEIS", bem como lançamento de CSLL  decorrente.  Na mesma petição,  a  recorrente  requer o prosseguimento no  julgamento do  recurso  voluntário  aviado  nestes  autos  em  relação  aos  demais  itens  que  foram  objeto  da  autuação.    Em 03/06/2014, esta Turma converteu o julgamento em diligência, para para  que  a  Unidade  de  Origem  informasse  se  houve  a  efetiva  quitação  dos  referidos  débitos,  juntando  aos  autos  o  despacho  de  deferimento  de  pagamento  à  vista,  e  adotasse  eventuais  providências  da  sua  alçada,  após  o  que,  retorne  os  autos  ao CARF  para  prosseguimento  do  julgamento.  Em  petição  endereçada  à  DEMAC/SP  (a  fls.  2551  e  segs.),  a  recorrente  informa que:  “Ocorre  que  a  Recorrente  quitou  à  vista  os  débitos  aqui  tratados  nos  itens (v) glosa de despesas com assistência técnica paga a beneficários  no  exterior;  e  (vi)  glosa  de  despesas  com  doações  de  cartão  celular,  com  os  benefícis  concedidos  pela  Lei  11.941/2009  (conforme  comprovantes anexos – doc. 03), cujo prazo de adesão foi reaberto pela  Lei 12.865/2013, nos seguintes termos:  (...)  Atendendo  aos  dispositivos  acima,  a  Recorrente  desiste  parcialmente  do recurso voluntário de forma irretratável, renunicando expressamente  ao  direito  sobre  o  qual  se  funda  o  processo  administrativo  exclusivamente em relação aos itens abaixo:  ­  item  "005"  do  auto  de  infração  relativo  ao  IRPJ,  capitulado  como  "DESPESAS  COM  ASSISTÊNCIA  TÉCNICA,  CIENTÍFICA  OU  TECNOLÓGICA", bem como o lançamento de CSLL decorrente;  Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.785          15 ­  item  “006"  do  auto  de  infração  relativo  ao  IRPJ,  capitulado  como  "DESPESAS  INDEDUTÍVEIS",  bem  como  lançamento  de  CSLL  decorrente.”    Posteriormente, em petição a fls. 2620, a recorrente informa que:  “Nesse  espeque,  seguindo  a  própria  distinção  estabelecida  pelo  fiscal  autuante,  as  equerentes  efetuaram  exclusivamente  o  pagamento  dos  débitos  referentes  ao  item  003  relativo  ao  IRPJ,  capitulado  como  “Custos ou Despesas Não Comprovadas, Glosa de Custos”, bem como  o lançamento de CSLL correspondente:  (...)  Seguem  abaixo  o  valor  do  (principal)  dos  débitos  pagos  no  REFIS,  salientando  que,  por  óbvio,  o  pagamento  também  abarca  os  consectários legais (cf. doc. nº 03 cit):  Tributo  IRPJ (Cód. 2917)  CSLL (cód. 2973)  Base tributável  R$ 1.360.634,76  R$ 1.360.634,76  Principal  R$ 340.158,68  R$ 108.850,78  .................................................................................................................”    Por último, importante a transcrição das seguintes tabelas constantes do  “Extrato do Processo” a fls. 2768:      AUTO DE INFRAÇÃO ­ IRPJ  Extinções / Eventos / Saldo  Principal /  (Valor Referencial)  %  multa  2917  12/2000  MENSAL  REAL  27.737.992,45  75,00  Transferido para: 16151­720.137/2014­02  614.960,89  75,00  Transferido para: 12448­727.026/2012­71  4.087.633,40  75,00  Transferido para: 16151­720.142/2014­15  340.158,68  75,00  Saldo de Principal e Multa Vinculada  22.695.239,48  75,00  AUTO DE INFRAÇÃO ­ CSLL  Extinções / Eventos / Saldo  Principal /  (Valor Referencial)  %  multa  2973  12/2000  MENSAL  REAL  8.876.157,58  75,00  Transferido para: 16151­720.137/2014­02  196.787,48  75,00  Transferido para: 12448­727.026/2012­71  1.308.042,69  75,00  Transferido para: 16151­720.142/2014­15  108.850,78  75,00  Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     16 Saldo de Principal e Multa Vinculada  7.262.476,63  75,00    É o relatório.    Voto             Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.    O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes  para tal (docs. a fls. 1996 a 2000), razão pela qual dele conheço.    Do cerceamento do direito de defesa    Preliminarmente, cabe ressaltar que não procede a alegação de cerceamento  do seu direito de defesa, em razão de a autoridade julgadora de primeira instância ter negado os  pedidos de perícia. Primeiro, conforme pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,  só há  falar em cerceamento do direito de defesa  in casu,  se demonstrado o prejuízo causado  pela  não  realização  da  diligência,  o  que  a  recorrente  não  logrou  demonstrar.  Por  sua  vez,  a  prova pericial tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual,  por  óbvio,  não  se  faz  necessário  para  conhecimento  das  questões  postas  em  julgamento  nos  presentes autos. Por último, todas as oportunidades foram dadas à recorrente para produzir as  suas provas de defesa, inclusive com a realização de diligência especificamente para isso.   Em  consulta  feita  no  dia  28/05/2013,  verifiquei  que  os  autos  do  PAF  nº  18471.001342/2005­89  já não se encontravam sequer na base de dados do E­processo, o que  indica que já houve a extinção do processo administrativo, razão pela qual fica prejudicada a  análise  do  pedido  de  conexão  (ou  julgamento  conjunto)  deste  PAF  com  o  PAF  nº  18471.001342/2005­89.    Da decadência  Com  relação  à  preliminar  de  mérito  suscitada,  também  não  tem  razão  a  recorrente,  pois não há  créditos  tributários  extintos pela decadência nos  lançamentos ora  em  análise. Não procede o entendimento da recorrente de que o fato gerador do IRPJ seja mensal,  pois,  em  2000,  já  estava  em  vigor  a  Lei  nº  9.430/96,  a  qual  só  prevê  duas modalidades  de  apuração:  fatos  geradores  trimestrais  ou  anual.  Ademais,  a  recorrente  optou  pelo  lucro  real  anual, conforme prova a sua DIPJ a fls. 8 dos autos. Assim, aplicando­se a regra do art. 150, §  4º, do CTN, para o fato gerador do IRPJ e da CSLL de 30/11/2000 (em razão da incorporação),  o Fisco poderia efetuar o lançamento até 30/11/2005, logo, como a ciência do auto de infração  se deu 20/10/2005, não há falar em decadência de créditos do IRPJ e da CSLL. Note­se que se  aplica à CSLL o prazo de cinco anos do art. 150, § 4º, do CTN pelo mesmo motivo a seguir  abordado no tocante à Cofins e ao PIS.   No que toca aos créditos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplica­se o  prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que que o art. 45 da Lei  8.212/91  já  foi  definitivamente  declarado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (Súmula Vinculante  nº  8).  Logo,  estão  extintos  pela decadência os  créditos  relativos  ao  fato  Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.786          17 gerador  de  31/03/2000  (referentes  à Omissão  de Receita Operacional  caracterizada  pela  não  contabilização de custos de aquisição de aparelho celular digital LGC­330W, em 31/03/2000),  cujos montantes perfazem:  ­ Cofins............R$ 105.887,52 (doc. a fls. 138);  ­ PIS..................R$ 22.942,29 (doc. a fls. 133).  Do mérito  No mérito, cabe, inicialmente, fixar quais matérias ora em julgamento. O auto  de infração do IRPJ foi dividido nos seguintes itens:  001 ­ OMISSÃO DE RECEITAS      RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS      Valor tributável...........R$ 21.677.179,74  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  002 ­ OMISSÃO DE RECEITAS   MERCADORIAS, MATÉRIAS­PRIMAS  E OUTROS  INSUMOS  NÃO CONTABILIZADO)  Valor tributável...........R$ 3,529.584,04  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  003 ­ CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS     GLOSA DE CUSTOS  Valor tributável...........R$ 1.360.634,76  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  004 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS     GLOSA DE DESPESAS  Valor tributável...........R$ 65.574.194,40  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  005 – DESPESAS COM ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CIENTÍFICA  OU TECNOLÓGICA  BENEFICIÁRIOS  NO  EXTERIOR  /  INOBSERVÂNCIA  DOS  REQUISITOS LEGAI:  Valor tributável...........R$ 16.350.533,63  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  006 ­ DESPESAS INDEDUTIVEIS  Valor tributável...........R$ 2.459.843,55  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­      Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     18 O valor do  IRPJ (apenas o principal) calculado sobre o valor  tributável dos  itens 3, 5 e 6 são os seguintes:    IRPJ (valor do principal) – R$  ITEM 003  340.158,68  ITEM 005  4.087.633,40  ITEM 006  614.960,89  Assim,  conforme  tabela  transcrita  no  relatório  e  diante  das  duas  petições  apresentadas  pela  recorrente,  fica  claro  que  tais  valores  (juntamente  com  seus  acréscimos  legais) foram transferidos para os PAFs nº 16151­720.142/2014­15, 12448­727.026/2012­71 e  16151­720.137/2014­02. Da mesma  forma,  foram  transferidos  para  os mesmos  processos  os  créditos  de  CSLL  e  acréscimos  legais  incidentes  sobre  as  mesmas  bases,  conforme  tabela  também  constante  do  relatório.  Os  motivos  de  tais  transferências  constam  das  petições  apresentadas pela recorrente e referidas no relatório.  Diante disso, remanesce para ser julgado nestes autos os itens 001, 002 e 004  do auto de infração do IRPJ  Dos  autos  de  infração  da  Contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins,  remanesce  apenas o valor tributável no montante de R$ 21.677.179,74, decorrente do item 001 do auto de  infração  do  IRPJ,  pois  os  créditos  de  Cofins  e  PIS  calculados  sobre  o  valor  tributável  no  montante  de  R$  3,529.584,04  (item  002  do  auto  de  infração  do  IRPJ),  conforme  tratado  anteriormente, foram alcançados pela decadência.   Do auto de infração da CSLL, por sua vez, remanescem para serem julgados  os seguintes subitens:                               DO ITEM 001 do AI­IRPJ  Da  omissão  de  receita  pela  compra  e  venda  de  aparelhos  sem  transitar  na  conta  de  estoque, pelo lançamento a débito e a crédito da mesma conta.  Item do AI­CSLL  Valor Tributável  Item equivalente  do AI­IRPJ  Situação  R$ 1.360.634,76    003  Transf. outro PAF  R$ 65.574.194,40  004  Em julgamento  R$ 16.350.533,63  005  Transf. outro PAF             001  R$ 2.459.843,55  006  Transf. outro PAF  R$ 21.677.179,74  001  Em julgamento          002  R$ 3,529.584,04  002  Em julgamento  Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.787          19   Com relação aos argumentos de defesa acerca deste tópico, cabe ressaltar que  não  são  convincentes,  pois,  primeiro,  é  difícil  imaginar  que  o  novo  sistema  contábil  (SAP)  adotado pela  recorrente  fosse tão rígido que impossibilitasse a  inclusão de novas contas.  Isso  mesmo,  alega  a  recorrente  que  o  equivocado  lançamento  a  débito  e  a  crédito  de  conta  de  despesa foi ocasionado pelo fato de que para transferir os saldos das contas patrimoniais da  antiga nomenclatura para a nova, tendo em vista a impossibilidade de inclusão, a Recorrente  utilizou em contrapartida a conta de despesa n° 320.81.290. É inaceitável a alegação de que  lançamentos  contábeis  equivocados  foram  feitos  deliberadamente  para  resolver  problemas  tecnológicos.  Ademais,  conforme  dispõe  o  art.  226  da  Lei  10.406/02,  a  escrituração  contábil prova contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem  vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios.  Por outro lado, cabe analisarmos os lançamentos contábeis entre as contas de  despesa  nº  32081290  “Outras  Perdas  de  Baixas  – Almoxarifado  de Operação”  e  a  conta  de  ativo  nº  11276100  –  Material  destinado  à  venda  (aparelhos/acessórios)  no  período  compreendido entre 01/01/2000 a 29/02/2000, em que foi creditado e debitado em cada uma  dessas contas o montante de R$ 10.838.589,72, conforme Relatório Detalhado do Razão a fls.  76  e  77.  Isso  porque,  tem  razão  a  recorrente  quando  sustenta  que  não  houve  impacto  no  resultado contábil o lançamento do mesmo montante a débito e a crédito da conta de despesa.  Primeiramente, ressalto que o autuante entendeu que os valores creditados à  conta  de  ativo  e  debitados  à  despesa  se  tratavam  de  omissão  de  vendas  e,  por  sua  vez,  os  valores debitados à conta de ativos e creditados à despesa se tratavam de omissão de compras.   Sustenta o autuante (auto de infração a fls. 123) que: “A empresa através da  conta N.32081290 ( OUT PERDAS BAIXADAS ALM. OPERAÇÃO) baixou diversos aparelhos  celulares  sem  discriminação  de  modelo,  número  de  série,  valor  unitário,  sem  identificar  a  baixa  no  estoque,  bem  como  não  apresentou  nenhum  LAUDO  de  destruição  emitido  pela  fiscalização, conforme solicitado em nosso Termo de Intimação em anexo.”. Ora, se a situação  estava  assim  configurada,  não  havia  que  se  falar  em  omissão  de  vendas,  mas  de  glosa  de  despesa  (por  inobservância  do  disposto  no  art.  291  do  RIR),  mesmo  porque  não  foram  apontados  pelo  autuante  outros  elementos  de  prova  de  que  os  referidos  celulares  foram  efetivamente vendidos.  Com relação aos lançamentos a crédito da conta de despesa ( OUT PERDAS  BAIXADAS ALM. OPERAÇÃO), conclui o autuante que seriam omissões de compra. Trata­se,  in casu, de uma presunção hominis, tanto que o autuante enquadrou a situação fática no art. 24  da Lei nº 9.249/95, o qual não versa sobre presunção legal de omissão de receitas. Ou seja, o  lançamento se fundou unicamente em um indício de omissão de receita, o que certamente não é  suficiente para manutenção da autuação. Ademais, o próprio autuante desvincula as operações  que levaram aos lançamentos a débito daquelas que levaram aos lançamentos a crédito da conta  de despesa, pois entende que a primeira se refere a omissão de venda e a segunda, a omissão de  compras.  Assim  sendo,  se  analisarmos  a  autuação  do  que  foi  denominado  “omissão  de  compras”  isoladamente,  verifica­se  que  não  há  nada  a  ser  tributado,  pois  o  valor  todo  foi  oferecido a tributação na medida em que foi lançado a crédito da conta de despesa.    Por essas razões, concluo que deva ser exonerado o contribuinte dos créditos  tributários relativos ao item 001 do auto de infração do IRPJ, bem como os seus correlatos nos  autos de  infração da CSLL, Cofins  e Contribuição para o PIS. Assim, deve ser excluído das  bases  tributáveis  lançadas  do  IRPJ  e  da  CSLL  o  valor  de R$  21.677.179,44  e  exonerado  o  Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     20 recorrente dos créditos tributários lançados de Cofins e Contribuição para o PIS do fato gerador  de 30/11/2000.        DO ITEM 002 do AI­IRPJ  Da omissão de receita pela compra de equipamento com lançamento em conta de despesa  Neste item da autuação (item 002 do AI do IRPJ a fls. 131/132), o autuante  afirma  que  se  trata  de  omissão  de  receita  pela  não  contabilização  de  custos  de  aquisição  de  aparelho celular digital LGC­330W, em 31/03/2000, no valor de R$ 3.529584,05. A recorrente,  por sua vez, alega que se trata de bonificação recebida de LG ELECTRONICS, pois na compra  de  uma  determinada  quantidade  de  produtos,  faz  jus  a  uma  bonificação  (em  aparelhos)  estipulada em dólares americanos.  Do  mesmo  Relatório  a  fls.  77,  verifica­se  que  os  lançamentos  contábeis  foram  os  seguintes:  primeiro,  lançado  a  crédito  da  conta  de  despesa  nº  32081290  “Outras  Perdas de Baixas – Almoxarifado de Operação” e a débito de contas a receber nº 11231310, em  dois  lançamentos, o  total de R$ 3.529.584,05; posteriormente, mas no mesmo dia,  lançado o  mesmo  valor  a  débito  da  conta  de  despesa  nº  32081290  “Outras  Perdas  de  Baixas  –  Almoxarifado de Operação” e a crédito da conta de ativo nº 11276100 – Material destinado à  venda (aparelhos/acessórios).  Ora, ao se analisar os equivocados  lançamentos contábeis da recorrente não  se pode deduzir, à míngua de qualquer outra prova, que se trate de mercadorias recebidas em  bonificações.   Por  outro  lado,  há  que  refletir  sobre  os  lançamentos  efetuados,  os  quais  resultaram, ao final, em:  a) um débito e crédito no mesmo valor na conta de despesa – Outras Perdas  de Baixas;  b) débitos em conta de ativo ­ contas a receber nº 11231310, no montante de  R$ 3.202.877,37; e  c)  crédito  em  conta  de  ativo  ­  Material  destinado  à  venda  (aparelhos/acessórios) nº 11276100, no valor de R$ 3.202.877,37.  Como se vê, em um primeiro momento não houve impacto em resultado, pois  houve um débito e crédito de mesmo valor na conta de despesa. Noutro ponto, não faz o menor  sentido o crédito à conta de estoque e o débito em contas a receber, pois, caso se tratasse de  mercadoria recebida em bonificação não havia porque impactar tais contas. É certo porém que  a recorrente adquiriu a mercadoria, seja como bonificação como alega, ou com a utilização de  recursos não escriturados (receitas omitidas) como sustenta a Fiscalização.  Por outro lado, o autuante analisou apenas a primeira parte dos lançamentos  efetuados, ou seja, o lançamento a débito de contas a receber e a crédito de despesa, o qual foi,  pelo menos no que tange a despesa, anulado pelo lançamento a débito de despesa e a crédito de  estoque.  Além  disso,  enquadrou  a  situação  no  art.  41  da  Lei  9.430/96,  o  qual  trata  de  levantamento quantitativo por espécie das quantidades de mercadorias adquiridas para revenda  (§  3º  do  mesmo  dispositivo),  algo  que  não  foi  verificado  pela  Fiscalização,  mesmo  porque  impossível  fazê­lo  apenas  com  base  no Razão  da  conta de  despesa. Além disso,  não  pode  a  fiscalização  a  partir  unicamente  desses  lançamentos,  concluir  que  a  recorrente  não  fez  o  registro de entrada da mercadoria em seu controle de estoque, nem muito menos assegurar que  realmente não foi uma bonificação que afetou o custo da mercadoria vendida a posteriori.  Até entendo que lançamentos tão esdrúxulos como esses levam a se suspeitar  da conduta da recorrente, mas cabia o aprofundamento da auditoria, para se chegar à conclusão  Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.788          21 de que se tratava realmente de uma omissão de compras. Por essa razão, entendo que deva ser  excluído das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 3.529.584,04.  Observo que, com relação à Cofins e à Contribuição para o PIS, os créditos  relativos  a  essa  omissão  de  receita  (fato  gerador  de  31/03/2000)  já  estavam  extintos  pela  decadência como demonstrado anteriormente.    DO ITEM 004 do AI­IRPJ  Da glosa de despesa por falta de comprovação  Trata­se, neste item, de glosa de despesa de Perda na realização de crédito no  ano  de  2000,  no  valor  total  em  30/11/2000  de  R$  65.574.194,40  e,  em  31/12/2000,  de  R$  4.198.747,60,  lançadas  na  conta  n°  312.89.150  (PERDA  POR  NÃO  PAGAMENTO  DE  ASSINANTES).  O Anexo ao auto de infração a fls. 121, informa que:  “Conforme  discriminado  no  auto  de  infração  a  empresa  não  comprovou  através  de  qualquer  documentação  hábil  que  os  valores  contabilizados  como  PERDA  POR  NÃO  PAGAMENTO DE ASSINANTE NA CONTA N°  312.89.150,  mensalmente  de  forma  sintética,  em  valores  superiores  a  R$5.000,00 sem discriminar o assinante e de seus dados, a data  que alega  ter sido faturado, os valores  individualizados  e demais  elementos de comprovação.  A própria empresa em sua resposta ao nosso Termo de Intimação  ao  solicitar  um  prazo  de  15  dias  para  tentar  comprovar  estas  operações,  admite  não  ter  qualquer  controle  em  sua  contabilidade.”.  Realmente, a fls. 88, consta resposta da recorrente à intimação fiscal para que  detalhasse individualmente por data as receitas correspondentes aos clientes inadimplentes, no  qual a recorrente afirma que:  “Pela complexidade de localização das receitas por mês de competência  das  perdas  contabilizadas  por  cada  cliente,  em  razão  de  que  a  identificação das receitas de prestação de serviços não necessariamente  coincide com a data da efetiva emissão do documento fiscal, haja vista  que em cada nota fiscal emitida é possível que esteja contida a cobrança  de  até  3  (três)  meses  pretéritos  da  prestação  de  serviços,  necessário  seria  o  desenvolvimento  de  um  programa  sistêmico  especifico  para  possibilitar a entrega da  informação nos moldes estabelecidos no  item  n° 1 do Termo de Intimação.  Pelo exposto, requer a concessão de um prazo de 75 dias, para que seja  possível o cumprimento do item n° 1 do citado Termo de Intimação.  Informamos também, que as apropriações Contábeis das receitas no ano  de  2000,  foram  contabilizadas  de  forma  sintética,  segregada por  cada  item da receita da prestação de serviço.”.    Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     22 Já  na  segunda  oportunidade  que  teve  para  demonstrar  que  atendia  as  condições de dedutibilidade das despesas com perda no recebimento de créditos, a recorrente  assim se manifestou:  “Como  se  vê,  a  empresa  apresentou  os  razões  contábeis  glosados  pelo auto de infração e que deveriam ser objeto de verificação na diligência  e os registros de faturas  inadimplidas que embasam a contabilidade. E os  documentos  apresentados  são  hábeis  a  demonstrar  o  saldo  da conta de perdas por  inadimplência em 31.12.2000, que foram glosados  pelo auto de infração em referência.  No  intuito  de  comprovar  o  seu  bom  direito,  a  Recorrente  contratou  a  opinião  técnica  de  renomada  empresa  de  auditoria  independente,  que  concluiu  pela  idoneidade  dos  controles  de  perda  por  inadimplência  da  empresa, bem como do saldo de R$ 69.772.942,06 contabilizados na conta  312.89.150  (Perda por Não Pagamento de Assinantes),  relativos a  faturas  de valor inferior a R$ 5.000,00 vencidas a mais de 180 dias.    Quando  a  Terceira  Câmara  do  extinto  Primeiro Conselho  de Contribuintes  franqueou  uma  segunda  oportunidade,  após  o  recurso  voluntário,  para  que  a  recorrente  apresentasse a comprovação hábil das despesas glosadas relativas ao item 004 da autuação, o  que se verificou foi o total desinteresse da recorrente em apresentar os documentos exigidos, se  não vejamos, mais uma vez, como a Autoridade Diligenciadora se manifestou:   A empresa, desde o início dos trabalhos, não demonstrou nenhum interesse em  atender  a  auditoria.  Limitou­se  a  tomar  ciência  do  Termo  de  Intimação  inicial,  em  01/03/2012, na portaria da empresa, diga­se de passagem um local impróprio para tratar  de  assunto  de  tamanha  relevância.  Nessa  ocasião,  apenas  informou  que  faria  o  encaminhamento  da  intimação  a  um  escritório  na  cidade  de  São  Paulo  aonde  seriam  tomadas  as  providências  necessárias. As  demais  tratativas  foram  descritas  no  início  da  presente Informação Fiscal.  :   '  Diante­de todo o exposto, estamos devolvendo o processo 18471.001339/2005­ 65 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ Primeira. Seção ­ Segunda Câmara  sem  a  análise  pretendida  por  esse  órgão.  Os  documentos  formalizados  no  curso  da  presente  diligência  encontram­se  na  pasta  DOCUMENTOS  DIVERSOS  /  DOCUMENTOS DILIGÊNCIA no sistema e­processo.”  Ao se manifestar sobre a diligência, a recorrente, então, informa (a fls. 2395)  que  tinha  controles  auxiliares  (CAR)  ao  razão  contábil,  os  quais  possuíam  informações  analíticas com dados dos clientes, valores a receber, data de emissão e data de vencimento dos  títulos (vide doc. a fls. 2469). Disso fica a pergunta, se realmente tinha esse CAR – arquivos  gerencias ref. às contas a receber, por que não disponibilizou para a Fiscalização? Por que não  disponibilizou às autoridades diligenciadoras nas duas vezes em que o processo foi baixado em  diligência? Por que respondeu ao Fiscal autuante que não tinha qualquer controle?  Além  disso,  cabia  a  recorrente  demonstrar  que  atendia  as  condições  de  dedutibilidade  das  despesas  (valor,  data  de  vencimento  e  devedor),  para  os  débitos  até  R$  5.000,00  por  operação,  inclusive  com  apresentação  de  lastro  documental,  ainda  que  por  amostragem.  Logo,  mantenho  nas  bases  tributáveis  do  IRPJ  e  da  CSLL  o  valor  de  R$  65.574.194,40.  Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário,  para:  a) reconhecer extintos, pela decadência, os créditos de Cofins e Contribuição  para  o  PIS,  referentes  ao  fato  gerador  de  31/03/2000,  no  valor,  respectivamente,  de  R$  105.887,52 e R$ 22.942,29;  Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001339/2005­65  Acórdão n.º 1302­001.795  S1­C3T2  Fl. 2.789          23 b)  exonerar  a  contribuinte  dos  créditos  de Cofins  e  de Contribuição  o PIS,  relativo  ao  fato  gerador  de  30/11/2000,  no  valor,  respectivamente,  de  R$  650.315,38  e  R$  140.901,66; e  c) excluir das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 25.206.763,  48, decorrente do cancelamento do lançamento consubstanciado nos itens 001 e 002 do auto de  infração do IRPJ e seus correlatos no auto de infração da CSLL.    d)  manter  os  lançamentos  do  item  004  do  auto  de  infração  do  IRPJ  e  o  correlato do auto de infração da CSLL (ref. ao valor tributável de R$ 65.574.194,40).  Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator                                Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA

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Numero do processo: 10805.720426/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA CONEXA. APRECIAÇÃO. NECESSIDADE. A reunião ao processo de Manifestação de Inconformidade relativa a Despachos Decisórios, cujos indeferimentos repousam exatamente na alegação de que o direito creditório encontra-se nele sendo apreciado, é medida que se impõe, sob pena de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Ato decisório de primeiro grau que se cancela, para que outro seja prolatado, abrangendo, dessa vez, o juízo acerca da admissibilidade da compensação tributária pleiteada.
Numero da decisão: 1301-001.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, cancelar a decisão exarada em primeira instância. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1833; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 427          1 426  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.720426/2014­85  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.859  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de dezembro de 2015  Matéria  IRPJ ­ COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA  Recorrente  PARANAPANEMA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2005  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  MATÉRIA  CONEXA.  APRECIAÇÃO. NECESSIDADE.  A  reunião  ao  processo  de  Manifestação  de  Inconformidade  relativa  a  Despachos  Decisórios,  cujos  indeferimentos  repousam  exatamente  na  alegação  de  que  o  direito  creditório  encontra­se  nele  sendo  apreciado,  é  medida  que  se  impõe,  sob  pena  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  contribuinte. Ato decisório de primeiro grau que  se cancela, para que outro  seja prolatado,  abrangendo, dessa vez,  o  juízo  acerca da admissibilidade da  compensação tributária pleiteada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  cancelar  a  decisão exarada em primeira instância.  “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães  Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Wilson  Fernandes  Guimarães,  Waldir  Veiga  Rocha,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  Luís  Tadeu  Matosinho  Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente  convocado).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 04 26 /2 01 4- 85 Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 428          2   Relatório  Cuida  o  presente  processo  de  pedidos  de  restituição  e  declarações  de  compensações, cujo direito creditório indicado, no montante de R$ 5.103.104,82, diz respeito a  saldo negativo do IRPJ apurado no ano­calendário de 2004.  Registro,  primeiramente,  que  consta  dos  autos,  às  fls.  02,  o  seguinte  despacho:  O  contribuinte  Caraíba  Metais  S/A,  CNPJ  15.224.488/0001­08,  o  qual  foi  incorporado  pela  Paranapanema  S/A,  CNPJ  60.398.369/0001­26,  declarou  em  sua  DIPJ  do  ano­calendário  2004  um  Saldo  Negativo  de  IRPJ  no  valor  de  R$  5.103.104,82.  Para  utilizar  o  Saldo  Negativo  em  Questão  o  contribuinte  transmitiu  PER/DCOMP’S em um montante de R$ 1.292.449,93. Para controlar o crédito  foi  formalizado  o  processo  13502.720396/2009­42  e  para  controlar  os  débitos  o  processo 13502.720397/2009­97.  Inicialmente a solicitação do contribuinte havia sido indeferida pela DRF, mas  a  DRJ/SDR  reconheceu  parcialmente  um  direito  creditório  no  valor  de  R$  3.424.095,93, conforme Acórdão de fls. 1328/1352.  Para  que  seja  dado  seguimento  o  crédito  em  questão  será  divido  em  3  partes conforme a tabela abaixo:  PROCESSO  VALOR  COMENTÁRIO  13502.720396/2009­42  R$ 1.292.449,93  Valor já deferido e parcialmente utilizado  10805.720425/2014­31  R$ 2.131.646,00  Valor já deferido e não utilizado  10805.720426/2014­85  R$ 1.679.008,89  Valor ainda em questionamento  TOTAL  R$ 5.103.104,82  Valor total pleiteado  O crédito dos processos 13502.720396/2009­42 e 10805.720425/2014­31 será  utilizado  com  Restituição  ou  com  a  Compensação  de  Ofício,  na  existência  de  débitos. O processo 10805.720426/2014­85 por sua vez será encaminhado para  Julgamento no CARF.  O  presente  processo,  portanto,  recebeu  o  número  10805.720426/2014­85,  para  tratar  especificamente  da  parcela  de  crédito  pleiteada  pela  contribuinte  e  que  não  foi  reconhecida  nas  instâncias  precedentes,  e  foi  formado  com  as  peças  integrantes  do  processo  administrativo nº 13502.720396/2009­421.   Sirvo­me de  fragmentos  do  relatório  constante  da decisão  de  primeiro  grau  para retratar os fatos e as razões de defesa inicialmente trazidas pela contribuinte.                                                              1 Esclareço,  inclusive, que, em razão dessa peculiaridade, em uma primeira apreciação, o presente processo  foi  considerado sem condições de julgamento, visto que o arquivo a ele associado era o correspondente ao processo nº  13502.720396/2009­42.  Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 429          3 Trata  o  presente  de  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  contra  decisão proferida pela DRF de Camaçari através do Despacho Decisório DRF/CCI  Nº 0023/2010 de 24/09/2009 emitido pelo seu  titular,  que  indeferiu os Pedidos de  Restituição ­ PER e Declarações de Compensação abaixo relacionados, vinculados  ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano­calendário de 2004, que na forma da DIPJ  retificadora  apresentada  em  01/12/2009,  indicava  o  valor  de  R$  5.103.104,82  conforma parcelas abaixo:  FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL  01.  À ALÍQUOTA DE 15%  19.025.297,71  03.  ADICIONAL  12.659.531,81  10.  ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO  31.341.551,88  13.  IMPOSTO DE RENDA NA FONTE  1.292.631,72  17  IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA  4.153.750,74  18.  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR  ­5.103.104,82    No  exercício  do  direito  ao  saldo  negativo  acima  informado,  o  contribuinte  Protocola os seguintes Pedidos de Restituição ­ PER:  ...  Além dos Pedidos  de Restituição  acima  citados,  com base  no mesmo  saldo  negativo  apurado  em  2004,  foram  apresentadas  as  seguintes  Declarações  de  Compensação  –  DCOMP,  que  integram  o  processo  13502­720.397/2009­97  que  tramita apensado ao presente:  ...  Como  visto,  do  direito  creditório  referente  ao  saldo  negativo  informado  na  DIPJ do ano­calendário de 2004 (­5.103.104,82), o contribuinte exerce parcialmente  o seu possível direito apresentando Pedidos de Restituição – PER no montante de R$  1.292.449,93  e  Declarações  de  Compensação  no  montante  de  R$  1.042.796,99  (Processo  13502­720.397/2009­97)  em  valores  originais,  o  que  perfaz  um  total  de  R$ 2.335.246,92.  Baixado  para  tratamento  manual,  o  pedido  foi  indeferido  com  base  nos  seguintes argumentos:  1 DA ISENÇÃO DO IRPJ  “Inconsistências na apuração do Lucro da Exploração (Ficha 08 ­ fl. 137), no  que  tange  aos  valores  informados  a  título  de  "Tributos  e  Contribuições  –  Exigibilidade  Suspensa",  quando  confrontados  com  os  valores  consignados,  sob  o  mesmo título, na apuração do Lucro Real (Ficha 09A ­ fl. 369), razão pela qual foi  refeito o cálculo do lucro da exploração, bem como do imposto incidente sobre lucro  da exploração da atividade isenta, parcela essa utilizada como dedução do imposto  de renda sobre o lucro real apurado no ajuste anual”.  No  caso  específico,  em  razão  da  diferença  em  relação  aos  tributos  e  contribuições com exigibilidade suspensa, cujo valor correto seria R$ 90.381.670,41  Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 430          4 e não o valor de R$ 97.103.390,06 informado pelo contribuinte, a parcela isenta foi  reduzida de R$ 31.341.551,88 para R$ 29.662.542,99.  2 DO IRRF INCIDENTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS  “Em relação aos rendimentos de aplicações financeiras do ano anterior (ano­ calendário  2003),  não  foi  apresentada  a  correspondente  documentação  contábil  (Livro Razão),  limitando o  interessado a  indicar que  as  referidas  receitas  estariam  inclusas em conta n.° 3513.001, conforme quadro da fl. 148”.  “Por outro lado, quanto às receitas financeiras supostamente auferidas no ano­ calendário 2003, que teriam sido resgatadas no ano seguinte, dando causa à parcela  do  IRRF no ano­calendário 2004, não restou comprovado que as  referidas  receitas  estariam efetivamente relacionadas à parcela do IR retido na fonte no ano de 2004,  tampouco restou demonstrado a sua inclusão na composição da Linha 24, da Ficha  06A, da DIPJ 2004, ano­calendário 2003”.  “Assim sendo,  resta demonstrada a  impossibilidade de  se utilizar parcela do  IRRF,  relativo  ao  ano­calendário  2004,  no  valor  de  R$  154.647,32  (cento  e  cinqüenta e quatro mil,  seiscentos e quarenta e sete  reais e  trinta e dois centavos),  correspondente  às  receitas  financeiras  cujo  oferecimento  à  tributação  não  restou  comprovado,  no  montante  de  R$  773.236,60  (segundo MAFON  2004,  código  de  receita  3426,  alíquota  aplicável:  20%)”.  Dessa  forma,  o  IRRF  passível  de  ser  utilizado como dedução do  imposto de  renda  sobre o  lucro  real apurado no ajuste  anual monta R$ 1.137.984,40  (R$ 1.292.631,72  ­ R$ 154.647,32),  valor  este a ser  transcrito para a Linha 13, da Ficha 12A, da DIPJ 2005.  3 DO IR PAGO POR ESTIMATIVA  “Infere­se da consulta ao sistema FISCEL, anexada à fl. 58, que as parcelas de  estimativa  mensal  de  IRPJ  referentes  aos  PA  janeiro/2004  e  fevereiro/2004,  declaradas  em  DCTF,  às  fls.  56/57,  como  quitadas  por  meio  de  Liminar  em  Mandado  de  Segurança  n°  1998.33.00.015692­8,  encontram­se  controladas  no  processo  n°  13502.720003/2007­39,  formalizado  em  razão  de  expediente  de  Auditoria  Interna  de  DCTF,  que  tratou  os  débitos  em  comento,  confessados  pelo  interessado, vinculados à referida ação judicial”.  “Ao se consultar o sistema SIEF PROCESSO, à  fl. 71, verifica­se que esses  débitos encontram­se inscritos em dívida ativa, desde a data de 02/04/2007, segundo  consulta  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional,  às  fls.  72/73.  Dessa  forma,  apesar  de  estarem  sendo  controlados  e  cobrados  pelo  processo  n°  13502.720003/2007­39 cabe  a  sua glosa,  pois os  referidos débitos não podiam  ser  objeto de compensação, conforme ementa do Acórdão da Apelação que confirma a  sentença  da  ação  judicial  supracitada,  que  determina  que  os  créditos  "devem  ser  utilizados somente para a apuração contábil, afastando­se quaisquer das hipóteses de  repetição do indébito ou da compensação, seja na forma da Lei n° 8383/91, seja na  da  Lei  n°  9430/96",  vide  fls.  366  a  368,  e  neste  caso,  uma  vez  que  os  débitos,  relativos  às  estimativas,  não  poderiam  ser  objeto  de  compensação,  conclui­se  que  tais  estimativas,  no  valor  total  de  R$  4.153.750,74,  não  devem  ser  mantidas  na  composição  do  saldo  negativo  de  IRPJ/2005  (uma  vez  que  não  efetivamente  quitadas),  devendo­se,  também,  como  contrapartida,  abrir  expediente  junto  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  no  sentido  de  que  as  estimativas  aqui  glosadas não continuem a ser cobradas no respectivo processo de controle/cobrança,  que é o de n° 13502.720003/2007­39”.  4 CONCLUSÃO  Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 431          5 Assim sendo,  fez­se  a  reconstituição de ofício da Ficha 12A da DIPJ 2005,  ND 1393871 DV­03, à fl. 140, conforme abaixo, a partir das informações prestadas  pelo  contribuinte  na  respectiva  DIPJ,  observados,  ainda,  os  valores  demonstrados  nos parágrafos acima, que foram objeto de confirmação, totalizando um imposto de  renda a pagar no valor de R$ 884.302,13 (oitocentos e oitenta e quatro mil, trezentos  e  dois  reais  e  treze  centavos),  ressaltando­se  que  não  será  efetuada  representação  fiscal à Seção de Fiscalização (SAFIS) desta Delegacia,  em virtude do decurso do  prazo  decadencial,  conforme  o  inciso  I,  do  art.  173,  do  CTN,  para  fins  de  lançamento do IRPJ a pagar apurado, bem como das multas de ofício (isoladas) que  seriam  cabíveis  pelo  não  pagamento  ou  recolhimento  da  estimativa  mensal  do  imposto, consoante prescrição dos incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de  dezembro de 1996.  FICHA 12 A – CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL  01.  À ALÍQUOTA DE 15%  19.025.297,71  03.  ADICIONAL  12.659.531,81  10.  ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IMPOSTO  29.662.542,99  13.  IMPOSTO DE RENDA NA FONTE  1.137.984,40  17  IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA  0,00  18.  IMPOSTO DE RENDA A PAGAR  884.302,13    Cientificada  da  decisão  em  22/03/2010  (fl.  403),  o  contribuinte  apresenta  manifestação  de  Inconformidade  em  22/04/2010  (fls.  443  a  450),  alegando  em  síntese, o seguinte:  a) DA NULIDADE DA RETIFICAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO  DO ANO­CALENDÁRIO DE 2004  Segundo  o  despacho  decisório  recorrido,  o  pedido  de  restituição  não  foi  deferido,  tendo  em  vista  que  existiriam  inconsistências  na  apuração  do  Lucro  da  Exploração  do  ano­calendário  de  2004,  reduzindo,  consequentemente,  a  parcela  isenta do imposto em R$ 1.679.008,89. Em verdade, o que a DRF fez foi retificar o  cálculo do Lucro da Exploração e, consequentemente, retificar o saldo negativo de  IRPJ do período em debate.  Ocorre,  porém,  que  padece  de  total  nulidade  a  retificação  do  Lucro  da  Exploração  e,  consequentemente,  do  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  2004  levadas  a  efeito  pela DRF,  já  que  se  trata  de  valor  homologado  e,  portanto,  imutável.  Tratando­se o imposto lançado na DIPJ de tributo apurado no ano de 2004, no  âmbito do lançamento por homologação (artigo 150 do CTN), o prazo decadencial  para o questionamento de qualquer valor constante da DIPJ expirou em 31.12.2009,  sendo  certo  que  inexistindo  revisão  do  lançamento,  nos  termos  do  artigo  149  do  Código Tributário Nacional, este valor torna­se imutável.  Portanto, encontrando­se homologado o saldo negativo apontado na DIPJ do  ano­calendário de 2004,  incabível sua alteração para mitigar o direito creditório do  Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 432          6 contribuinte, conforme, inclusive, já decidiu o CARF (cita o Acórdão prolatado no  Recurso n° 157.009 ­ Oitava Câmara, Sessão de 23/01/2008).  Desta  forma,  por  estar  homologado  o  valor  de  Saldo Negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário de 2004, é nula de pleno direito a retificação do Lucro da Exploração  e, consequentemente, do saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2004 levadas  a  efeito  pela  DRF,  razão  pela  qual  tal  retificação  não  pode  mitigar  o  direito  creditório da Manifestante.  b) DA IMPROCEDÊNCIA DO NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO  DE  IRRF  NO  VALOR  DE  R$  154.647,32  NA  COMPOSIÇÃO  DO  SALDO  NEGATIVO DE IRPJ  A DRF, a despeito de ratificar, nos sistemas da SRFB e através dos informes  de rendimentos apresentados pela Manifestante, a existência do crédito de IRRF da  monta de R$ 1.292.631,72 (fls. 381), relativo a receitas financeiras, deixou de incluir  no  saldo  negativo  de  IRPJ  em  debate  (ano­calendário  2004)  o  valor  de  R$  154.647,32,  ao  argumento  de  que  as  correspondentes  receitas  financeiras,  no  montante  de  R$  773.236,60,  relativas  a  aplicações  financeiras  auferidas  no  ano­ calendário  de  2003  e  que  teriam  sido  resgatadas  no  ano  seguinte,  dando  causa  à  parcela  de  IRRF  acima  citada,  não  tiveram  sua  tributação  comprovada  pela  Manifestante através da apresentação de cópia do Livro Razão.  Em  outras  palavras,  a  Autoridade  Administrativa  deixou  de  reconhecer  o  crédito  de  IRRF  do  contribuinte  em  razão  da  não  apresentação  do  Livro  Razão  relativo  aos  rendimentos  de  aplicações  financeiras,  e  a  comprovação  de  seu  oferecimento à tributação na DIPJ/2004 (ano­calendário 2003).  Pois bem, nesta oportunidade a Manifestante apresenta:  • Cópia do Livro Razão do ano­calendário de 2003 ­ contas 35.13. (Contas de  Resultado  ­  Rendimentos  Financeiros)  e  11.06  (Contas  de  Ativo  ­  Aplicações  Financeiras) (DOC. 02 ­ mídia eletrônica);  • DIPJ 2004 ­ ano­calendário 2003 (DOC. 02 ­ mídia eletrônica);  • Balancete Contábil do ano­calendário de 2003 (DOC. 03);  •  Planilha  indicativa  da  composição  das  linhas  da  ficha  06A  da DIPJ/2004,  relativas as receitas e despesas financeiras (DOC. 04);  •  Planilha  com  a  composição  detalhada  da  linha  24  (Outras  Receitas  Financeiras) da ficha 06A da DIPJ/2004 (DOC. 05);  •  Razão  contábil  da  conta  11.06  (Aplicações  Financeiras)  organizada  por  banco e com saldo da conta em 31.12.2002 (DOC. 02 ­ mídia eletrônica);  •  Planilha Resumo da Movimentação das Aplicações Financeiras  no  ano  de  2003, Rendimentos recebidos e IRRF retido no período (DOC. 06).  A  documentação  apresentada,  inequivocamente,  demonstra  a  tributação  no  ano­calendário  de  2003  das  Receitas  de  Aplicações  Financeiras  da  Ordem  de  R$  773.236,60, que compõe os R$ 9.067.221,66 oferecidos à tributação na DIPJ/2004,  ficha  06A,  linha  24,  em  obediência  ao  princípio  da  competência.  Desta  forma,  restando comprovada a tributação dos rendimentos de aplicações financeiras do ano  de  2003,  deve  ser  reformado  o  r.  despacho  decisório  de modo  a  incluir  no  Saldo  Negativo em debate o crédito de IRRF relativo no valor de R$ 154.647,32.  Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 433          7 c)  DO  INEQUÍVOCO  DIREITO  A  UTILIZAÇÃO  DO  VALOR  RECOLHIDO  A  TÍTULO  DE  ANTECIPAÇÃO  NOS  MESES  DE  JANEIRO  E  FEVEREIRO DE 2004 NO SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO PERÍODO  A DRF deixou de reconhecer no cálculo do Saldo Negativo de IRPJ do ano­ calendário de 2004 o  crédito do  contribuinte  relativo  às Estimativas dos meses de  Janeiro e Fevereiro de 2004, no valor total de R$ 4.153.750,74, ao argumento de tais  valores, quitados inicialmente por meio de compensação autorizada pela liminar em  Mandado de Segurança n° 1998.33.00.015692­8, são objeto de cobrança através do  Processo  Administrativo  n°  13502.720003/2007­39  em  razão  de  decisão  que  revogou a referida liminar.  Ocorre,  contudo,  o  r.  despacho  não  considerou  que  referidos  débitos  de  estimativa  de  IRPJ  foram  pagos/parcelados  através  do  processo  administrativo  n°  19608.004291/2009­41 (DOC. 07), cuja cópia segue anexa. Diante do recolhimento  dos valores de Estimativas dos meses de Janeiro e Fevereiro de 2004, no valor total  de R$ 4.153.750,74, através do processo administrativo n° 19608.004291/2009­41, é  inequívoco o direito do contribuinte ao reconhecimento de seu crédito, sob pena de  enriquecimento ilícito por parte da Fazenda Nacional.  d) DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA CONTÁBIL  Caso  após  análise  das  informações  e  documentos  apresentados  na  presente  Manifestação  V.  Sas.  entendam  necessária  a  produção  de  outras  provas  que  comprovem a tributação dos rendimentos de aplicações financeiras do ano de 2003,  com o conseqüente reconhecimento do crédito de IRRF de R$ 154.647,32 no valor  do  Saldo Negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  2004,  requer­se  a  realização  de  diligência, ou perícia para comprovar que os itens glosados pelo despacho decisório  não devem prevalecer.  Em  se  decidindo  pela  perícia,  a Manifestante  indica  como  seu  assistente  o  Contabilista Sergio Libralon, cujo endereço profissional é o mesmo da Manifestante,  formulando  ainda  os  seguintes  quesitos:  Indica  quesitos  que  justificariam  seus  argumentos.  Pugna ao final, pela procedência da Manifestação de Inconformidade.  Em  razão  dos  questionamentos  acima  citados,  e  pela  busca  da  verdade  material, foi proposta a realização de diligência por parte do órgão de origem, para  adoção das seguintes providências saneadoras:  I.  Intimar  o  contribuinte  para  apresentar  planilha  demonstrativa,  por  aplicação,  informando  as  datas  e  os  respectivos  lançamentos  efetuados  no  ano­ calendário de 2003, na conta 35.13.001, no valor total de R$ 773.236,60, valor este  que  segundo  a  Impugnante,  estaria  inserido  no  valor  global  de  R$  9.067.221,66  (Ficha  06  A  Linha  24)  de  receitas  financeiras  oferecidas  à  tributação  no  ano­ calendário de 2003.  II. Emitir relatório circunstanciado sobre o Parcelamento em tramitação na  Procuradoria da Fazenda Nacional, através do Processo nº 19608.004291/2009­41,  especialmente se as estimativas dos meses de janeiro e fevereiro de 2004 objeto do  Processo  de  Cobrança  13502.720003/2007­39,  podem  ser  consideradas  como  efetivamente pagas e por conseguinte aptas a integrar o saldo negativo apurado no  ano­calendário de 2004 utilizando­se os mesmos parâmetros atualmente utilizados  pelo Manual da DIPJ 2011, e Manual de Fiscalização conforme abaixo:  Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 434          8 (...)  III. Elaborar relatório conclusivo e cientificar o contribuinte do resultado da  análise, para que, no prazo de 30 (trinta) dias após a ciência, possa se manifestar.  Por meio do Relatório de fls. 1.287 a 1.291, a diligência foi realizada, e terá  seu mérito analisado no decorrer deste voto.  Intimada do resultado da diligência, o contribuinte se manifesta por meio do  documento de fls. 1.297 a 1.304, afirmando resumidamente, o seguinte:  DO RECONHECIMENTO DO IRRF E DAS ESTIMATIVAS  Após a realização da diligência e a apresentação dos documentos exigidos, a  SEORT  proferiu  despacho  recalculando  o  Saldo  Negativo  para  R$  3.424.095,93  (três milhões, quatrocentos e vinte e quatro mil, noventa e cinco reais e noventa e  três  centavos),  pois  reconheceu  (i)  o  IRRF  da  ordem  de  R$  154.647,00  e  (ii)  o  pagamento das estimativas da ordem de R$ 4.153.750,74.  Portanto,  após  a  realização  de  diligência,  o  valor  de  R$  3.424.095,93  é  incontroverso,  devendo  a DRJ  dar  provimento  à manifestação  de  inconformidade  quanto a esta parte.  DA  NULIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  DO  SN  DO  ANO­CALENDÁRIO  DE  2004  As  supostas  inconsistências  relativas  à  apuração  do  Lucro  da  Exploração,  que culminou na redução da parcela  isenta do  imposto de R$ 31.341.551,88 para  R$ 29.662.542,99, sequer foram objeto de análise pela SEORT.  Caso referido ponto  tivesse sido objeto de análise da diligência, certamente  as  autoridades  administrativas  concluiriam  pela  regularidade  dos  valores  declarados e da parcela.  E, ainda que os documentos não fossem capazes de atestar a regularidade da  apuração do Lucro da Exploração, o que se admite apenas para argumentar, ainda  assim  o  Saldo  Negativo  pleiteado  há  de  ser  integralmente  deferido  e  as  compensações declaradas homologadas.  Isso porque há patente nulidade quanto à retificação do Lucro da Exploração  do ano­calendário de 2004. Senão vejamos.  Padece  de  total  nulidade  a  retificação  do  Lucro  da  Exploração  e,  consequentemente, do saldo negativo de IRPJ do ano­calendário de 2004 levadas a  efeito pela DRF, já que se trata de valor homologado e, portanto, imutável.  Tratando­se o imposto lançado na DIPJ de tributo apurado no ano de 2004,  no  âmbito  do  lançamento  por  homologação  (artigo  150  do  CTN),  o  prazo  decadencial  para  o questionamento  de  qualquer  valor  constante da DIPJ expirou  em 31.12.2009, sendo certo que  inexistindo revisão do  lançamento, nos  termos do  artigo 149 do Código Tributário Nacional, este valor torna­se imutável.  Portanto, encontrando­se homologado o saldo negativo apontado na DIPJ do  ano­calendário de 2004, incabível sua alteração para mitigar o direito creditório do  contribuinte, conforme, inclusive, já decidiu o CARF, verbis:  ...  Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 435          9 Portanto,  à  época  da  ciência  do  despacho  decisório  (22/03/2010)  já  havia  transcorrido o prazo para que o  fisco  federal efetuasse qualquer revisão no Saldo  Negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  2004,  consoante  a  mais  abalizada  jurisprudência administrativa.  E, ainda que fosse possível a revisão do Saldo Negativo do ano­calendário de  2004, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim não estaria correta a  redução do crédito pleiteado pela ora peticionária. O procedimento correto seria a  eventual  lavratura  de  auto  de  infração,  nos  termos  do  o  artigo  9º  do Decreto  n°  70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09, como se passa a expor.  O artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, na redação anterior dada pela Lei n°  8.748, de 1993, estabelecia que:  Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a  aplicação  de  penalidade  isolada  serão  formalizadas  em  autos  de  infração  ou  notificação  de  lançamento,  distintos  para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito."  A  Medida  Provisória  n°  449/08,  posteriormente  convertida  na  Lei  n°  11.941/09, alterou este dispositivo, que passou a vigorar com a seguinte redação:  “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada  serão  formalizados  em autos  de  infração ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação do ilícito”.  Retirou­se da cabeça do normativo o termo "a retificação de prejuízo fiscal".  Na verdade, o auto de infração referente à retificação de prejuízo é do tipo em que  não se exige crédito tributário (obrigação de dar). Exige­se, neste caso, apenas uma  obrigação de  fazer,  exatamente  a  retificação dos  prejuízos  glosados. Na  verdade,  retirou­se aquela hipótese do caput para ampliar a possibilidade de as autoridades  administrativas  procederem à  lavratura  de  auto  de  infração quando não  existisse  crédito tributário. Foi por isso que a Medida Provisória em tela  inseriu o § 4º ao  artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, cuja redação é a seguinte:  "§  4º O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  nas  hipóteses  em  que,  constatada  infração  à  legislação  tributária,  dela  não  resulte  exigência  de  crédito tributário".  Ou  seja,  com  a  alteração da MP  449/08  se  passou  a  exigir  a  lavratura  de  auto de infração em todas as hipóteses em que haja violação à legislação tributária,  mas  que  não  resulte  na  "exigência  de  crédito  tributário",  e  não  apenas  naquela  situação prevista na  legislação anterior de retificação de prejuízo. Com esta nova  redação, a  legislação exige a  lavratura de auto de  infração em qualquer  situação  em que as autoridades questionem a origem, certeza e liquidez do crédito tributário.  Aliás,  esta  é  a  manifestação  expressa  da  Exposição  de  Motivos  Interministerial  n°  161/2008  ­ MF/MP/MAPA/AGU,  relativa  à Medida  Provisória  n° 449/08, que asseverou:  ...  Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 436          10 Desta forma, a partir desta alteração normativa, qualquer questionamento de  crédito  tributário  por  parte  das  autoridades  administrativas  devem  ser  objeto  de  auto de infração.  Não  há  dúvida,  portanto,  que  a  partir  da  alteração  legislativa  acima  mencionada deverá ser objeto de auto de infração qualquer questionamento quanto  a  eventual  crédito  do  contribuinte,  aplicando­se  a  este,  naturalmente,  todas  as  regras  estabelecidas  pelo  Código  Tributário  Nacional  e  pela  legislação  fiscal  inerentes a qualquer autuação fiscal, inclusive a questão do prazo quinquenal.  Portanto, é incabível a redução do Saldo Negativo nos autos de um processo  de  restituição/compensação,  como  ocorreu  no  caso  vertente,  uma  vez  que  o  procedimento  correto  seria,  se  de  fato  fosse  comprovada  as  inconsistências  relativas à apuração do Lucro da Exploração, seria a lavratura de auto de infração,  entretanto, já se escoou o prazo para tanto.  DO PEDIDO  Pelo exposto, considerando o resultado da diligência efetuada pela SEORT, é  inconteste o IR pago por estimativa e o IRRF que compuseram o Saldo Negativo do  Ano­Calendário de 2004, o que, por si só, deflagrou o recalculo do Saldo Negativo  para  R$  3.424.095,93,  impondo­se  o  provimento  da  manifestação  de  inconformidade  neste  tocante.  O  montante  remanescente  da  ordem  de  R$  1.679.008,89 sequer foi objeto de análise pela SEORT, mas deverá ser reconhecido  em decorrência das provas colacionadas aos autos.  Independentemente das provas,  a  redução da parcela  isenta do  imposto  em  R$ 1.679.008,89 afigura­se nula, não só em decorrência do prazo previsto no artigo  150 do CTN, mas também por violar o artigo 9º do Decreto 70.235/72.  A  1ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Salvador,  Bahia,  apreciando  as  razões  trazidas  pela  contribuinte,  decidiu,  por meio  do  acórdão  nº  15­ 33.325,  de  05  de  setembro  de  2013,  pela  procedência  parcial  da  Manifestação  de  Inconformidade.  O referido julgado restou assim ementado:  COMPENSAÇÃO.  RESTITUIÇÃO.  SALDO  NEGATIVO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  Cabível a compensação ou restituição do saldo negativo apurado, se presentes  a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado.  VERIFICAÇÃO  DAS  BASES  DE  CÁLCULO  DE  TRIBUTOS.  LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO.  A  verificação  da  base  de  cálculo  do  tributo  não  é  cabível  apenas  para  fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise  das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez  do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais.  Irresignada, a contribuinte  interpôs o recurso voluntário de fls. 1.368/1.381,  por meio do qual sustenta:  ­  a  necessidade  de  ser  declarada  a  possibilidade  de  utilização  imediata  do  montante de R$ 1.053.490,73, reconhecido pelo acórdão recorrido e que foi objeto do pedido  Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 437          11 formalizado  no  PER  07474.60668.230310.1.6.02­0793  (retificador  do  PER  nº  03548.09370.091209.1.2.02­0223);  ­  a  ocorrência  de  mero  erro  de  preenchimento  da  DIPJ,  relativamente  à  inconsistência apontada no cálculo do lucro da exploração; e  ­ a nulidade da  retificação do Lucro da Exploração e, por conseqüência, do  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano  de  2004,  já  que  se  trata  de  valor  homologado  e,  portanto,  imutável.  Ao final, a Recorrente protesta pela realização de diligência ou perícia, caso o  Colegiado entenda ser necessária a produção de outras provas.  É o Relatório.  Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 438          12   Voto             Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães  Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo.  Cuida  a  lide  de  pedidos  de  restituição  e  declarações  de  compensação,  cujo  direito  creditório  a  eles  relacionados  refere­se  a  saldo  negativo  de  IRPJ  apurado  no  ano­ calendário de 2004, no montante de R$ 5.103.104,82.  A Delegacia da Receita Federal em Camaçari, Bahia, unidade administrativa  que primeiro apreciou a matéria, indeferiu as solicitações.   A  Turma  Julgadora  de  primeira  instância,  apreciando  Manifestação  de  Inconformidade, reconheceu a existência de crédito no valor de R$ 3.424.095,93.   Pelo que se depreende do despacho de fls. 02, a partir da decisão exarada em  primeira  instância,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Santo  André2,  São  Paulo,  resolveu  desmembrar  a  matéria  objeto  de  controvérsia  (liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado)  da  seguinte forma:  a) no processo originalmente formalizado (13502.720396/2009­42) manteve,  apenas, o direito creditório reconhecido em primeira instância e que foi utilizado para fins de  compensação tributária (R$ 1.292.449,03);  b)  no  processo  nº  10805.720425/2014­31,  passou  a  controlar  o  direito  creditório  reconhecido  em  primeira  instância  mas  que  não  foi  utilizado  para  fins  de  compensação tributária (R$ 2.131.646,00); e  c)  no  presente  processo,  manteve  tão  somente  o  crédito  que  não  foi  reconhecido pela autoridade julgadora de primeira instância (R$ 1.679.008,89).  Como antes relatado, embora a análise dos pedidos da contribuinte tenha sido  dividida em três “partes”, ao menos até a data em que referida divisão foi efetuada, o presente  processo  e  o  de  nº  10805.720425/2014­31  foram  constituídos  com  as  mesmas  peças  que  integravam, naquela ocasião, o processo original (13502.720396/2009­42).  Em sua peça recursal a contribuinte afirma, preliminarmente, que transmitiu  pedidos de restituição que, somados, alcançaram o montante de R$ 5.102.922,43, sendo que,  do  referido  crédito,  o  valor  de R$ 1.078.155,72  foi  utilizado  para  compensar débitos  de  sua  titularidade. Alega que na Manifestação de Inconformidade apresentada, além de comprovar o  crédito  e  requerer  o  seu  deferimento  integral,  apontou  a  ausência  de  análise  do  PER  07474.60668.230310.1.6.02­0793,  que  seria  retificador  do  PER  nº  03548.09370.091209.1.2.02.223. Diz que  referido PER retificador não constou da  relação de                                                              2 A pessoa  jurídica  que  apurou  o  crédito  (CARAÍBA METAIS S/A)  foi  incorporada  pela PARANAPANEMA  S/A, cuja sede é em SANTO ANDRÉ, São Paulo.   Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 439          13 fls.  3723  .  Esclarece  que  foi  proferido  Despacho  Decisório  (rastreamentos  nº  861132395  e  861132404) analisando de forma isolada apenas o PER nº 07474.60668.230310.1.6.02­0793, o  que  ensejou  a  apresentação de Manifestação de  Inconformidade  em 05 de maio de 2010, na  qual demonstrou a correlação entre os “processos” e a necessidade de julgá­los conjuntamente.  Diz que a referida Manifestação de Inconformidade foi juntada aos autos. Em seguida, afirma  que foi proferido despacho (fls. 523), no qual há reconhecimento de que estava em análise nos  autos o valor de R$ 5.103.104,82, englobando inclusive o PER nº 07474.60668.230310.1.6.02­ 0793.  Assinala  que  o  acórdão  proferido  em  primeira  instância  não  contemplou  o  referido  pedido de restituição, o que estaria lhe impedindo de “levantar”, de imediato, o crédito de R$  1.053.490,734, já reconhecido.  Analisando  os  documentos  reunidos  ao  processo,  extraio  as  seguintes  informações:  i) por meio de MEMORANDO datado de 11 de março de 2011 (fls. 201), a  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Santo  André  solicitou  à  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento em Salvador que fosse juntado ao processo nº 13502.720396/2009­42, para fins de  análise conjunta, a Manifestação de Inconformidade protocolada em 05 de maio de 2010 pela  Recorrente,  cujo  objeto  era  o  PER  07474.60668.230310.1.6.02­0793,  retificador  do  PER  nº  03548.09370.091209.1.2.02.223 (fls. 202/213);  ii)  os  despachos  decisórios  (eletrônicos)  relativos  aos  PER/DCOMP  nºs  03548.09370.091209.1.2.02.223  e  07474.60668.230310.1.6.02­0793,  juntados  ao  processo  às  fls.  257  e  256,  respectivamente,  trazem  como motivos  para  os  indeferimentos  os  seguintes:  matéria  já  apreciada  e direito  creditório não  reconhecido  (03548.09370.091209.1.2.02.223)  e  PERD/DCOMP não admitido pois o documento original já foi objeto de decisão administrativa  (07474.60668.230310.1.6.02­0793);  iii) o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Camaçari, que  embora tenha sido datado de 26 de fevereiro de 2010 foi juntado às fls. 371/387, ao relacionar  as declarações de compensação vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2004, não faz  referência ao PER/DCOMP nº 03548.09370.091209.1.2.02.223, que, de acordo com o registro  feito no despacho decisório de fls. 257, foi transmitido em 09 de dezembro de 2009;  iv)  obviamente que  o Despacho Decisório  da Delegacia  da Receita Federal  em  Camaçari  de  fls.  371/387,  tendo  sido  emitido  em  fevereiro  de  2010,  não  poderia  fazer  referência ao PER/DCOMP nº 07474.60668.230310.1.6.02­0793, que, em conformidade com o  documento de fls. 256, só foi transmitido 23 de março de 2010;  v) ao apresentar, em 22 de abril de 2010, Manifestação de Inconformidade ao  Despacho  Decisório  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Camaçari  de  fls.  371/387,  a  contribuinte assinalou:  Trata­se de Pedido de Restituição de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao ano­ calendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 5.103.104,82 (cinco milhões,  cento  e  três  mil,  cento  e  quatro  reais  e  oitenta  e  dois  centavos),  objeto  das  Perdcomps  25899.60112.030308.1.6.02­0272;  15782.42049.230305.1.2.02­7078,                                                              3 Na referida folha, que integra o Despacho Decsiório nº 0023/210 da Delegacia da Receita Federal em Camaçari,   consta quadro no qual são listados os PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO formalizados pela contribuinte.  4 O referido valor representa a diferença entre o que foi reconhecido em primeira instância (R$ 3.424.095,93) e a  soma do que, segundo a Recorrente, já foi utilizado (R$ 1.078.155,27 + R$ 1.292.449,93).  Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 440          14 20157.51452.220305.1.2.02­7648,  11786.23637.030308.1.06.02­0444,  bem  como  do Perdcomp n° 03548.09370.091209.1.2.02­0223, que não constou da relação de  fls. 372 (DOC. 01). (GRIFEI)  vi) às fls. 522, a Delegacia da Receita Federal em Camaçari presta o seguinte  esclarecimento:  O  presente  processo  trata  de  Declaração  de  Compensação  (DCOMP­ Eletrônica),  em  que  a  interessada  utiliza  crédito  oriundo  de  Saldo  Negativo  de  IRPJ/2005, para compensação com débitos próprios administrados pela Secretaria da  Receita Federal do Brasil (RFB).  O DESPACHO DECISÓRIO DRF/CCl/Sarac n° 0023/2010 (fls 371 a 387),  indeferiu os pedidos de restituição e não homologou a compensação suscitada pelo  interessado, o qual, ao ser cientificado da referida decisão, em 22/03/2010 (fl. 403),  manifestou, tempestivamente, em 22/04/2010, inconformidade, às fls. 443 a450.  Em  que  pese  o  Pedido  de  Restituição  Eletrônico  (PER  n°­  03548.09370.091209.1.2.02­0223)  não  ter  constado  na  relação  da  folha  372,  já  existe Despacho Decisório de indeferimento do referido PER, vide fl. 522, pelo  motivo de se  tratar de matéria já apreciada pela autoridade administrativa, e  em  cuja  analise  não  foi  reconhecido  direito  credit6rio  suficiente  para  atendimento do pedido.  [...]   O  ato  decisório  recorrido,  embora  ao  reconhecer  o  direito  creditório  no  montante de R$ 3.424.095,93 faça menção expressa no sentido de que devem ser homologadas  “as declarações de compensação que integram este PAF, até o limite do saldo remanescente  do  direito  creditório  ora  reconhecido”,  salvo  melhor  juízo,  efetivamente  não  tratou  do  PER/DCOMP nº 03548.09370.091209.1.2.02.223, bem como do seu retificador (PER/DCOMP  nº  07474.60668.230310.1.6.02­0793).  Digo  isso  porque  o  relatório  estampado  na  referida  decisão reproduz a relação que havia sido consignada no Despacho Decisório de fls. 371/387,  que,  como  já  visto,  não  contemplava  tais  pedidos.  Ademais,  a  fragmentação  da matéria  em  discussão,  nos  termos  do  despacho  de  fls.  02,  ao  considerar  como  crédito  parcialmente  utilizado  para  fins  de  compensação  o  montante  de  R$  1.292.449,43,  reafirma  que  as  declarações  de  compensação  consideradas  foram  tão  somente  as  relacionadas  no  Despacho  Decisório DRF/CCl/Sarac n° 0023/2010 (fls. 371/387).  Diante  de  tais  considerações,  por  entender  que  a  apreciação  acerca  da  admissibilidade  do  PER/DCOMP  nº  07474.60668.230310.1.6.02­0793,  retificador  do  de  nº  03548.09370.091209.1.2.02.223,  não  pode  ser  feita  por  este  Colegiado,  haja  vista  a  impossibilidade de se suprimir instância julgadora, conduzo meu voto no sentido de decretar o  cancelamento  da  decisão  exarada  em  primeira  instância,  para  que  outra  seja  prolatada,  contemplando, dessa vez, a Manifestação de Inconformidade de fls. 202/213.  “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães ­ Relator              Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10805.720426/2014­85  Acórdão n.º 1301­001.859  S1­C3T1  Fl. 441          15                   Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 19515.003619/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/08/1999 a 25/08/1999 PREJUDICIAL DE MÉRITO. DECADÊNCIA. Transcorrido o prazo qüinqüenal para a constituição dos créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, deverá ser declara a decadência, posto que já extinto o próprio direito que vigorava em favor da Fazenda Pública quando da formalização do auto de infração. Prejudicial de mérito materializada. Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3301-002.695
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS     2 Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ  Campinas  (e­fls.  84/87),  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  procedente  o  lançamento  formalizado contra o sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 05­21.569, assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU  TRANSMISSÃO  DE  VALORES  E  DE  CRÉDITOS  E  DIREITOS  DE  NATUREZA FINANCEIRA ­ CPMF   Período de apuração: 11/08/1999 a 25/08/1999  Ementa: CPMF. DECADÊNCIA.   O  prazo  decadencial  das  contribuições  destinadas  à  seguridade  social  é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício  seguinte  àquele em que o crédito poderia ter sido constituído.   Lançamento Procedente   Por bem descrever os  fatos,  adoto o  relatório objeto da decisão  recorrida, a  seguir transcrito na sua integralidade:  Trata­se de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre  Movimentação  ou  Transmissão Financeira  ­ CPMF,  fls.  44/48,  que  constituiu  o  crédito  tributário  total  de  R$  4.574,20,  somados  o  principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2005.   Como  se  verifica  pela  leitura  do  Termo  de  Constatação,  a  atuação  fiscal  decorre  da  análise  das  informações  referentes  à  CPMF  não  retida  e  não  recolhida,  prestadas  pelas  instituições  financeiras junto às quais a contribuinte foi titular de conta corrente.   Cientificado  do  lançamento  em  04/01/2006,  o  sujeito  passivo  apresentou  impugnação  em  01/02/2006,  fls.  51/53,  alegando,  em  síntese,  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito tributário. Diz a impugnante:   Fazendo­se,  pois,  a  contagem  do  prazo  de  5  (...)  cinco  anos,  aplicável  ao  caso,  verifica­se,  tornando­se  como  referência,  o  último período cobrado, ou seja, agosto de 1999. Iniciando­se  a contagem do prazo de decadência a partir do primeiro dia do  exercício  seguinte  (1°  de  janeiro  de  2000)  àquele  em  que  poderia  ter sido efetuado, conclui­se que o direito da Fazenda  de  constituir  o  crédito  tributário  findou  em  01  de  janeiro  de  2005.   Ao fim, requer a juntada de provas e a realização de perícias,  tendo juntado Parecer Técnico Econômico­Financeiro às fls. 67/73.   Cientificada  da  referida  decisão  em  15/10/2008  (vide  AR  de  e­fls.  91),  a  interessada, em 28/10/2008 (e­fls. 92), apresentou o recurso voluntário de e­fls. 92/158, onde  aduz preliminarmente a nulidade da decisão recorrida por cerceamento ao seu direito de defesa,  e repisa sua tese em favor da decadência do lançamento perpetrado contra si, além de outros  argumentos que integram sua extensa peça recursal.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.003619/2005­17  Acórdão n.º 3301­002.695  S3­C3T1  Fl. 181          3 Da preliminar.  O  recurso  é  tempestivo  e  há  que  ser  conhecido  por  preencher  os  demais  requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação.   Decadência. Prejudicial de mérito.  Tratamos da decadência na parte alusiva ao mérito por entendermos que seu  exame não diz respeito a questões de natureza preliminar, como a nulidade. Com efeito, uma  vez  caracterizada  a  decadência,  o  próprio  mérito  resta  irremediavelmente  prejudicado,  não  ensejando mais qualquer discussão relativamente ao direito. Decadência, como se sabe, é uma  das causas da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 156, inciso V). Aliás, não sem razão  é que o artigo 269, inciso IV, do Código de Processo Civil, estabelece que “haverá resolução  de mérito [...] quando o juiz pronunciar a decadência ou a prescrição” (grifei).   Traçados  esses  breve  comentários  sobre  a  decadência  e  de  seus  efeitos  no  plano da legitimidade do direito, passemos ao exame do caso específico objeto da lide.   Da decadência do direito de constituir o crédito tributário.   As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social – CSLL,  COFINS, PIS/PASEP e CPMF –, diante da obrigatoriedade  legal que exige a antecipação de  seu  recolhimento  sem  o  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  se  enquadram  como  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  nos  termos  do  artigo  150  do  Código  Tributário Nacional – CTN.   De  acordo  com  referido  artigo,  para  que  se  configure  o  lançamento  por  homologação  é  requisito  indispensável  o  recolhimento  do  tributo,  caso  em  que  o  sujeito  passivo antecipa­se à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam  às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via  do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como definida  no artigo 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa conclusão está em sintonia com o § 1º do  mesmo dispositivo, segundo o qual “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste  artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”.   Sobre essa questão Luciano Amaro ensina o seguinte1:  Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o  sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma  aplicável,  determinar  a  matéria  tributável,  identificar­se  como  sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagá­lo, sem que a  autoridade precise tomar qualquer providência.  E  o  lançamento?  Este  –  diz  o  Código  Tributário  Nacional  –  opera­se por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento  da  atividade  exercida  pelo  devedor,  nos  termos  do  dispositivo,  homologa­a.  A  atividade  aí  referida  outra  não  é  senão  a  de  pagamento,  já  que  esta  é  a  única  providência  do  sujeito  passivo                                                              1 Direito Tributário Brasileiro. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 364/365.  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS     4 tratada  no  texto.  Melhor  seria  falar  em  “homologação  do  pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer.  (grifo nosso)  Como conseqüência, não havendo pagamento, não há o que se homologar,  e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no §  4º do artigo 150 do CTN, sujeitando­se, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do  mesmo diploma  legal,  aplicável  também se demonstrada  fraude ou  simulação  (cujo  conceito  envolve  o  dolo).  Em  tais  hipóteses,  o  dies  a  quo  para  contagem  do  prazo  decadencial  corresponde ao primeiro dia do  exercício  seguinte àquele  em que o  tributo poderia  ter  sido lançado.  No  caso  presente,  o  lançamento  da  CPMF  relativa  aos  fatos  geradores  ocorridos em agosto de 1999 se deu em 04/01/2006. Considerando a regra do artigo 173, inciso  I, do CTN ­ já que não houve pagamento antecipado ­, tem­se que, quando da formalização  do  lançamento,  já  se encontrava definitivamente extinto o direito de a Fazenda Pública  constituir o crédito tributário pela decadência, vez que expirado o prazo de 5 anos prescrito  pelo CTN.  Na contagem do prazo decadencial a instância a quo aplicou a regra do artigo  45 da Lei nº 8.212/91, segundo a qual o direito de a Seguridade Social constituir seus créditos  extinguir­se­ia em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  crédito poderia ter sido formalizado. Não obstante, cumpre destacar que o dispositivo em tela  foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.  De  fato,  em  respeito  ao  princípio  constitucional  da  reserva  de  lei  complementar,  no  qual  se  fundou  sólida  jurisprudência  judicial  e  administrativa,  o  STF  aprovou, em 12/06/2008 (DOU de 20/06/2008), a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “são  inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46  da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.  Com  efeito,  o  reconhecimento  da  natureza  tributária  das  contribuições  sociais, por força do artigo 195 da Constituição Federal, implicou sua subsunção à regra inserta  no  artigo  146,  III,  “b”,  da  lei maior,  onde  se  exige  que  o  estabelecimento  de  normas  gerais  sobre decadência e prescrição tributárias se dê mediante a edição de lei complementar.   Assim,  definida  a  inconstitucionalidade  formal  dos  dispositivos  da  Lei  no  8.212/91 acima citados, válido, também para as contribuições sociais, as regras de prescrição e  decadência estabelecidas pelo Código Tributário Nacional, já comentadas acima.  Releva, finalmente, ressaltar que os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91 foram  expressamente revogados pelo artigo 13, inciso I, alínea “a”, da Lei Complementar no 128, de  19/12/2008.  Deixa­se  de  examinar  os  demais  argumentos  aduzidos  pelo  sujeito  passivo  em  vista  do  presente  entendimento  pelo  provimento  do  recurso  no  que  pertine  ao mérito  da  contenda.  Da conclusão  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  para dar  integral  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto pelo  sujeito passivo,  com a consequente  exoneração da  exigência do  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.003619/2005­17  Acórdão n.º 3301­002.695  S3­C3T1  Fl. 182          5 tributo e demais consectários constantes do auto de infração (multa de ofício e juros de mora),  uma vez extinto o crédito tributário pela decadência (CTN, artigo 156, inciso V).  Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                      Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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Numero do processo: 35380.002776/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2401-000.161
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira

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MAGRIL COM. DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o  julgamento do recurso em diligência.    Elias Sampaio Freire – Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Elias  Sampaio  Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araujo  Soares,  Jhonatas Ribeiro Da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/2006­15  Resolução n.º 2401­000.161  S2­C4T1  Fl. 276            2 RELATÓRIO  Trata­se  de  retorno  de  diligência  comandada  por meio  da Resolução  nº  2401­ 00.060 da Primeira Turma da 4ª Câmara da 2ª Sessão do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscal – CARF, no intuito de identificar o resultado final das NFLD lavradas durante o mesmo  procedimento fiscal, para que se possa identificar os fatos geradores constantes em cada uma  delas e sua relação com o auto de infração ora em análise, fl. 169 a 172.   Importante,  destacar  que  a  lavratura  do  AI  deu­se  em  16/12/2005,  tendo  a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 19/12/2005. Os fatos geradores que ensejaram a  autuação ocorreram entre as competências 01/1999 a 09/2000.  Para  retomar  as  informações  pertinentes  ao  processo  ,  importante  destacar  as  informações acerca do lançamento efetuado.  Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente,  originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n °  8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284,  II  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n  °  3.048/1999.  Segundo  a  fiscalização  previdenciária,  o  autuado  não  informou  à  previdência  social  por  meio  da  GFIP  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias.  NO  caso,  a  empresa  deixou  de  informar  em  GFIP  as  remunerações  pagas  aos  segurados:  APARECIDO  ANTONIO  DE  ALMEIDA,  GERALDO DONIZETE DE JESUS VIEIRA GODOY, MÁRCIO JOSE  DA SILVA, conforme relatório fiscal.  Destaca­se que a análise individualizada de cada empregado encontra­ se na NFLD nº 35834608­8. Ainda, consta do relatório fiscal que a não  inclusão  de  segurados  obrigatórios  nas  folhas  de  pagamento  e  na  GFIP, caracteriza em tese o ilícito de crime contra seguridade.  Não  conformado  com  a  autuação,  o  recorrente  apresentou  impugnação, fls.25 a 71  A unidade descentralizada da SRP emitiu a Decisão­Notificação (DN),  fls. 84 a 95, mantendo a autuação em sua integralidade.   O  recorrente  não  concordando  com  a  DN  emitida  pelo  órgão  previdenciário, interpôs recurso, fls. 60 a 70. Alega em síntese:  O  fatos  que  ensejaram  a  autuação  encontram­se  em  períodos  alcançados pela decadência.  Inconstitucional  o  art.  45  da  Lei  8212/91,  que  prevê  a  prescrição  qüinqüenal.  Ilegal a autuação pela aferição indireta, uma vez que deve prevalecer  os  termos  da  coisa  julgada  em  relação  as  reclamatórias  trabalhistas  promovidas pelos empregados.  Ilegal  a  exigência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  verbas  indenizatórias diante do preceito do art. 28, § 9º da Lei 8212/91. Ou  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/2006­15  Resolução n.º 2401­000.161  S2­C4T1  Fl. 277            3 seja, desconsiderou a fiscalização que a totalidade dos valores pagos  em reclamatória trabalhista possuem caráter indenizatório.  O  crédito  objeto  deste  lançamento  em  relação  ao  segurado  Márcio  José da Silva, foi regularmente recolhido.  A fiscalização não poderia proceder à autuação fiscal, com a aplicação  de multa por irregularidades verificadas no período anterior a edição  do  Decreto  3048/99  em  razão  do  princípio  da  anterioridade  e  da  irretroatividade da lei tributária.  Ilegal o valor excessivo da multa aplicada.  Ilegal ainda o sistema de correção aplicado, bem como a taxa SELIC.  Requer  o  acolhimento  dos  argumentos  aqui  invocados,  reconhecendo  as  ilegalidades  apontadas,  bem  como  requer  o  cancelamento  da  autuação.  A Receita Previdenciária absteve­se de apresentar contra­razões tendo  encaminhado o recurso a este conselho.  É o relatório.  A DRFB prestou informações e anexou cópias das decisões no sentido de que:  (1) NFLD 35.834.609­6 foi julgada procedente no âmbito deste CARF, , bem como em relação  a  (2)NFLD  35.834.610­0  o  contribuinte  teve  seu  recurso  Provido  em  Parte.  Para  a  NFLD  35.834.608­8, observa­se que a autoridade da DRFB anexou a Decisão Notificação e o recurso  voluntário do contribuinte.  É o relatório.   Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002776/2006­15  Resolução n.º 2401­000.161  S2­C4T1  Fl. 278            4 Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora   PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  Em se  tratando de retorno de diligência,  comandada no  intuito de  identificar o  resultado  das  NFLD  conexas  com  os  fatos  geradores  deste  AI,  abstenho­me  de  avaliar  a  tempestividade, tendo em vista já ter sido objeto de apreciação anteriormente.  DAS PRELIMINARES AO MÉRITO  Conforme  descrito  na  resolução  que  converteu  em  diligência  o  julgamento,  a  procedência ou não do  presente  auto­de­infração está  ligado à  sorte das Notificações Fiscais  lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento. Assim, para evitar decisões discordantes  faz­se imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no  mesmo procedimento.  Contudo, ao analisar os documentos acostados pela autoridade da DRFB, quanto  a procedência das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, identifica­se, por meio das  Decisões Notificações  que  a NFLD diretamente  relacionada  é  a  de  n.  35.834.608­8,  a  única  para  a  qual  não  foi  possível,  por  meio  da  análise  dos  sistemas  do  CARF  identificar  o  andamento.  Note­se  que  por  meio  de  pesquisa,  o  n.  do  DEBCAD  não  mais  aparece  como  identificador do Processo, e da pesquisa realizada no âmbito da secretaria desta Câmara acerca   do n. do carimbo de protocolo 35.380.002726/2006­38, fl. 216, não foi encontrado o processo.  Dessa  forma,  infelizmente,  nos  resta  novamente  converter  o  julgamento  em  diligência, para que a DRFB preste mais esclarecimentos, se possível acerca do andamento do  processo,  inclusive  se o mesmo  foi parcelado ou mesmo pago,  e  caso  seja  constatado que o  mesmo ainda não foi julgado no âmbito deste conselho, deve­se determinar sua tramitação em  conjunto,  evitando  assim,  julgamento  discordantes,  entre  a NFLD  lavrada  e  o  respectivo AI  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória,  diretamente  relacionado  aos  fatos  geradores  descritos na NFLD.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que sejam  prestadas as informações nos termos acima descritos.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira    Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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6275748 #
Numero do processo: 13805.004651/97-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente não é aplicável ao processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  Relatório  que  embasou  a  decisão  de  primeira instância, que passo a transcrever.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 46 51 /9 7- 89 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA     2 A interessada foi fiscalizada quanto à Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social ­ COFINS no período de 11/93 a 12/95 (fl 16).  Para  as  exações  de  junho  de  1994  a  outubro  de  1994  foi  apurada  a  não  integralidade  de depósitos  judiciais  e  pagamentos,  sendo  lançadas  neste  processo  as contribuições mensais, cuja soma é R$ 66.287,77, com as multas de 75% nesses  meses, conforme Auto de Infração (fl 1 e bases legais nas fls 2, 5 e 6).  Em  novembro  e  dezembro  de  1995  apurou­se  integralidade  de  depósitos  judiciais (fl 15 c/c 19)  A base legal do lançamento da contribuição foi a Lei Complementar (LC) n°  70, de 30. 44 dezembro de 1991, arts. 1º, 2º, 3º, 4º e 5° (fl 2); quanto aos juros de  mora e correção, para fatos geradores até 31/12/94 está fundamentada no artigo 38  e parágrafo 1º da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, no artigo 84, parágrafo 5º,  da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e no artigo 26 da MP 1.542/96 (fl 5/6);  quanto  à  multa  proporcional:  art.  10,  parágrafo  único,  da  Lei  Complementar  nº  70/91 c/c art. 4º, inciso I, da Lei n° 8.218/91; art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 e  art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172/66.   As conversões para UFIR decorrem da Lei no 8.383/91, art. 54, § 1º (fl 6). As  conversões para Reais decorrem do art. 25 da MP n° 1.542/96 (fl 6).  A ciência pessoal deu­se em 24/6/1997  (fl 1). Em 23/7/97 (fl 36) a empresa  impugnou  e  arguiu  nulidade  pedindo,  alternativamente,  julgamento  pela  improcedência do auto e da TR, alegando, em suma:  a)  promove  incorporação,  construção  e  venda  de  imóveis  e  não  é  contribuinte;  b)  propôs  ação  judicial  pela  inexistência  de  relação  jurídica  da  Cofins  (cautelar 950054290­0);  c) fez depósitos suspensivos (art. 151, II, do CTN) e recolhimentos em Darf;  d)  deve  ser  respeitada  a  unidade  de  jurisdição  (transcreve  parecer  doutrinário sobre depósito judicial);  e) havendo depósito há suspensão do crédito e nulidade do auto;  f)  em  face  dos  depósitos  (ainda  que  a  destempo,  mas  antes  de  ação  fiscalizatória)  e  dos  Darf's  os  acréscimos  não  ocorrem,  pois  não  há  mora  (cita  súmula do TRF);  g)  o  faturamento  decorre  de  extrair  faturas  nas  vendas  de  mercadorias/serviços  e  venda  do  imóvel  não  é  de  mercadoria  nem  serviço  (transcreve decisão sobre não incidir o Pis na venda de terrenos);  h)  exigir  Cofins  na  incorporação  e  venda  de  imóveis  é  ilegal  (transcreve  decisões judiciais afastando a Cofins pela LC 70/91 na venda de imóveis);  i)  não  cabe  TR  ou  TRD  como  correção monetária  ou  juros  de mora  sendo  inconstitucional e ilegal tal pretensão.  Arguindo nulidade, pede julgamento pela improcedência total do principal e  encargos e da atualização e juros pela TR.  Em 13/3/2009 a EQAMJ informa (fl 134):  Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13805.004651/97­89  Acórdão n.º 3102­003.006  S3­C1T2  Fl. 3          3 a)  há  dois  processos  administrativos  da  Cofins:  um  para  os  meses  com  integralidade de depósitos (11 e 12/95), e outro (este), dos meses não integralmente  cobertos;  b) há acórdãos do TRF e decisão do STJ na ação da empresa (anexa cópias ­ fls 103 a 130);  c)  a  incidência  da  Cofins  sobre  venda  de  imóveis  foi  julgada  devida  com  trânsito e em 16/3/2007;  d) segue pendente a ação cautelar.  Ação Cautelar  Em 6/11/95 a empresa obteve liminar suspendendo a exigibilidade da Cofins  na  cautelar  95.0054290­0  que  propusera  em  30/10/1995  mediante  depósito,  conforme  súmulas  1  e  2  do  TRF  da  3º  Regido  (fl  81  c/c  93).  Fez  depósitos  do  período autuado em 31/10/1996 (fls 83 a 87).  A ação cautelar perdeu o objeto e está definitivamente baixada (fls 135/136).  Ação Ordinária  Ao  julgar  a  apelação  na  ação  ordinária  de  1/12/95,  o  relator  diz  que  a  empresa buscava desvincular bem imóvel do conceito de mercadoria, para afastar a  Cofins  sobre  o  faturamento  nas  vendas  e  restituir,  obtendo  sentença  de  improcedência  (fl  104).  0  acórdão  diz  incidir  a  Cofins  pela  LC  70/91  no  faturamento pela venda de imóveis (fl 103). A decisão colegiada analisou o objeto  social  da  empresa  e  esmiuçou  o  conceito  de  mercadoria  com  vasta  transcrição  jurisprudencial  (fl  113  c/c  114  a  120)  para,  ao  final,  negar  provimento.  Os  embargos declaratórios  (2)  foram  infrutíferos  (fl  122 e 128).  0 agravo ao STJ  foi  negado e houve trânsito em julgado em 16/3/2007 (fl 130, verso). Foi determinada  conversão em renda dos depósitos da cautelar (fl 137).  Assim a Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  sintetizou, na ementa  correspondente, a decisão proferida.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Não ocorreram as hipóteses de nulidade (art. 59 do Decreto n° 70.235/72).  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DE  LEIS.  LIMITES  DE  COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.   As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da  legislação  tributária vigente no Pais não podendo negar­lhe execução e sendo incompetentes  para  apreciar  arguições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade, haja  vista  que  tal  matéria esta adstrita ao âmbito judicial.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994  MULTA DE OFÍCIO E JUROS. CABIMENTO.  Fl. 214DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA     4 Lançamento  decorrente  de  infração  detectada  em  fiscalização  admite  acréscimos (art 161, CTN).  MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO NÃO INTEGRAL. CABIMENTO.   É  devida  multa  de  oficio  sobre  crédito  tributário  não  integralmente  depositado (inciso II, art. 151, CTN).  MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO INTEGRAL. NÃO CABIMENTO.  Não  é  devida  multa  de  oficio  sobre  o  crédito  tributário  integralmente  depositado  (inciso  II,  art.  151,  CTN,  Período  de  apuração:  01/09/1994  a  30/09/1994).  JUROS DE MORA. LEGISLAÇÃO. FATOS GERADORES ATÉ 31/12/1994.  Nas hipóteses de débitos tributários vencidos no período de julho a dezembro  de 1994 incide o percentual equivalente ao excedente da variação acumulada da TR  em relação à variação da UFIR, ou o mínimo de 1% ao mês. De janeiro de 1995 a  dezembro e 1996 a taxa é de 1% ao mês (art. 84, §5°, Lei 8.981/95). A partir de 10  de janeiro de 1997, sobre esses débitos vencidos incidem juros de mora equivalentes  à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ Sclic (art. 26, MP  1542/96).  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  0  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1994  COISA JULGADA.  A aplicabilidade da Lei Complementar 70/91 foi afirmada na ação proposta  transitada em julgado.  DARF.  EXTINÇÃO  PARCIAL.  (Período:  01/06/1994  a  30/06/1994  e  01/09/1994 a 30/09/1994) Não cabe lançar parcelas pagas.  Insatisfeito  com  a  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  o  Sujeito  Passivo apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no  qual apenas alega prescrição intercorrente do crédito tributário constestado.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa  Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso  voluntário.  Uma vez que a única alegação de defesa em sede de Recurso Voluntário seja  a prescrição intercorrente do crédito tributário litigado, cabe a este Tribunal, apenas, aplicar a  Súmula CARF nº 11.  Súmula CARF nº  11: Não  se  aplica  a  prescrição  intercorrente  no processo  administrativo fiscal.  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13805.004651/97­89  Acórdão n.º 3102­003.006  S3­C1T2  Fl. 4          5 VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa ­ Relator                                Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 11251.000054/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE DAÇÃO EM PAGAMENTO EM TÍTULOS DA PREFEITURA DO DISTRITO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Inexiste previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. O art. 167, XI, da CF/88 estabelece vedação expressa de utilização dos recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins – Presidente-Substituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     2  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  MULTA  E  JUROS  MORATÓRIOS.  LEGALIDADE.  O  crédito  decorrente  de  contribuições  previdenciárias  não  integralmente  pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC a que  se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos  termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada  pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35  da Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  pela Lei  nº  9.876/99,  todos  de  caráter  irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR­LHE  PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.     Maria Cleci Coti Martins – Presidente­Substituta de Turma.    Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  Cleci  Coti  Martins (Presidente­substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de  Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e  Arlindo da Costa e Silva.      Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 299          3     Relatório  Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003  Data da lavratura da NFLD: 25/02/2004.  Data da Ciência da NFLD: 01/03/2004.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  Gerência  Executiva  do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  em  Guarulhos  que  julgou  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo do crédito  tributário  lançado por  intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de  Débito  nº  35.545.004­6,  consistente  em  Contribuições  Sociais  a  cargo  dos  segurados,  incidentes  sobre  seus  respectivos  Salários  de  Contribuição,  nas  competências  de  dezembro/2001 a outubro/2003, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 38/40.  De acordo  com o Relatório Fiscal,  a Notificada  pretendeu,  unilateralmente,  quitar  as  contribuições  previdenciárias  relativas  às  competências  de  12/2001  a  10/2003,  utilizando­se  do  instituto  da  dação  em  pagamento  de  títulos  da  dívida  pública,  emitidos  no  início de 1900, século passado, pela “Prefeitura do Districto Federal”.   A alegada “dação em pagamento” deu­se por ato unilateral da empresa, sem  amparo em lei autorizadora.   Em  30/01/2004,  a  empresa  protocolizou  expediente,  sob  n°  35412.000111/2004­91,  a  fls.  59/76,  na  Agência  Moji  das  Cruzes  da  Previdência  Social  ­ comunicando o procedimento da operação ora em foco, apresentando não somente cópias dos  Títulos  de  empréstimo,  como  também,  as  GPS  pagas  em  23/01/2004,  com  as  deduções  da  pretendida “dação em pagamento”.  Nesse  contexto,  acompanhando  o  entendimento  exarado  no  Despacho  promanado da Procuradoria ­Geral Federal Especializada – INSS, a fls. 80/84, que rechaçou a  possibilidade  jurídica  de  se  efetuar  a  extinção  do  Crédito  Tributário  em  questão  mediante  dação  em  pagamento  com  títulos  da  Divida  Pública  emitidos  pela  Prefeitura  do  Distrito  Federal,  a  Fiscalização  procedeu  ao  lançamento  das Contribuições Previdenciárias  devidas  e  não recolhidas.  Os valores das  contribuições  retidas dos  segurados  e não  recolhidas,  objeto  do vertente lançamento,  foram extraídos dos fatos geradores declarados pela própria empresa  em suas GFIP.    Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  Sujeito  Passivo  apresentou contestação administrativa em face do lançamento, nos termos da Impugnação a fls.  107/125.  A Seção de Análise de Defesas e Recursos do Instituto Nacional do Seguro  Social  em  Guarulhos/SP  lavrou  Decisão  Administrativa  aviada  na  Decisão­Notificação  nº  Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     4  21.425­4/075/2004,  a  fls.  208/212,  julgando  procedente  o  lançamento  e mantendo  o Crédito  Tributário em sua integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  12/05/2004, conforme Aviso de Recebimento a fl. 214.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  216/234,  respaldando  sua  inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos:  ·  O Recorrente discorre acerca da lisura dos títulos da dívida pública interna  e  externa do Brasil  e de princípios  constitucionais  para,  ao  fim,  concluir  pela legalidade da dação em pagamento;   ·  Que  a  multa  e  os  juros  contidos  na  presente  NFLD,  diante  da  sua  exagerada fixação, ferem todos os ditames de ordem constitucional;     Ao fim, requer a declaração de improcedência da NFLD.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 300          5    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 12/05/2004. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14/06/2004, há que  se  reconhecer  a  tempestividade  do  recurso  interposto,  conforme  Resolução  154/INSS/DCPRES, de 08/06/2004, que  suspendeu o prazo para  interposição de  recursos no  período de paralização dos servidores.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.  Ante  a  inexistência  de  questões  preliminares  a  serem  dirimidas,  passamos  diretamente ao exame do mérito.   2.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    2.1.  DA DAÇÃO EM PAGAMENTO.  O Recorrente discorre acerca da lisura dos títulos da dívida pública interna e  externa do Brasil e de princípios constitucionais para, ao fim, concluir pela legalidade da dação  em pagamento.    Mas  há,  todavia,  impossibilidades  jurídicas  que  impedem  a modalidade  de  extinção do Crédito Tributário eleita pelo Recorrente.  Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     6    Com efeito, as modalidades de extinção do Crédito Tributário encontram­se  taxativamente previstas no art. 156 do CTN.  Código Tributário Nacional  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  I ­ o pagamento;  II ­ a compensação;  III ­ a transação;  IV ­ remissão;  V ­ a prescrição e a decadência;  VI ­ a conversão de depósito em renda;  VII ­ o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos  termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º;  VIII ­ a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º  do artigo 164;  IX  ­  a  decisão  administrativa  irreformável,  assim  entendida  a  definitiva  na  órbita  administrativa,  que não mais  possa  ser objeto  de ação anulatória;  X ­ a decisão judicial passada em julgado.  XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições  estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)  Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total  ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade  da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149.    De  fato,  o  inciso  XI  do  citado  art.  156  do  CTN  prevê  a  modalidade  de  extinção  de Crédito Tributário mediante  a  dação  em  pagamento, mas  tão  somente,  em  bens  imóveis,  e,  mesmo  nesses  casos,  na  forma  e  nas  condições  a  serem  estabelecidas  em  lei  ordinária,  inexistindo  qualquer  viés  de  possibilidade  para  a  dação  em  pagamento  em  títulos  prescritos da Prefeitura do Districto Federal.  Ademais,  no  que  pertine  às  contribuições  previdenciárias,  existe  ainda  um  empecilho  constitucional  insculpido  no  inciso  XI  do  art.  167  da  CF/88  o  qual  veda,  expressamente, a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o  art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime  geral  de  previdência  social  de  que  trata  o  art.  201,  ali  incluídas,  por  obvio,  as  despesas  de  quitação/resgate de títulos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal.  Constituição da República Federativa do Brasil   Art. 167. São vedados:  (...)  XI ­ a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais  de  que  trata  o  art.  195,  I,  a,  e  II,  para  a  realização  de  despesas  distintas  do  pagamento  de  benefícios  do  regime  geral  de  previdência  social de  que  trata  o  art.  201.  (Incluído  pela Emenda  Constitucional nº 20/98)  (...)    Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 301          7  Nessa perspectiva, ante a inexistência de previsão legislativa para a extinção  de  Crédito  Tributário  mediante  dação  em  pagamento  em  títulos  prescritos  emitidos  pela  Prefeitura do Districto Federal, e máxime pela expressa vedação constitucional de se utilizar os  recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas  do  pagamento  de  benefícios  do  regime  geral  de  previdência  social,  não  há  como  acatar  a  regularidade  e  a  lisura  do  procedimento  levado  a  efeito  pelo  Autuado,  permanecendo  ainda  devidas as Contribuições Previdenciárias correspondentes aos valores declarados pelo Autuado  como supostamente extintos pela impossível dação em pagamento.  Procedente, portanto, o lançamento levado a efeito pela Autoridade Fiscal.    No que pertine à alegação de que não  teria havido, por parte da empresa, o  desconto  das  contribuições  previdenciárias  dos  segurados,  há  que  se  esclarecer  que  a  ocorrência dos descontos das Contribuições Previdenciárias a cargo dos segurados empregados  sobre as  respectivas  remunerações mensais constam nas declarações prestadas em GFIP pelo  próprio Recorrente, sob sua responsabilidade, comando e domínio.  Ademais, o §5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 estabelece presunção absoluta  de que tais descontos houveram­se por efetivamente realizados, oportuna e regularmente pela  empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância  que  deixou  de  receber  ou  arrecadou  em  desacordo com o disposto na Lei de Custeio da Seguridade Social.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar,  executar, acompanhar e avaliar as atividades  relativas à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009)  (...)  §5º  O  desconto  de  contribuição  e  de  consignação  legalmente  autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela  empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com  o disposto nesta Lei.   (...)    Quanto  à  procedência  ou  não  da  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  o  exame das alegações atravessadas pelo Recorrente esbarra no óbice da Súmula 28 do CARF,  de observância obrigatória, que exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre  controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  Súmula CARF nº 28:   Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     8  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo  Administrativo  de  Representação Fiscal para Fins Penais.    2.2.  DOS JUROS E MULTA  Alega o Recorrente que a multa e os juros contidos na presente NFLD, diante  da sua exagerada fixação, ferem todos os ditames de ordem constitucional.    Examinando  os  termos  e  condições  do  lançamento  em  apreço  verificamos  que os juros de mora houveram­se por aplicados de acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, na  redação  dada  pela  Lei  9.528/97,  vigente  à  data  dos  fatos  geradores,  conforme  indicado  no  relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fl. 25, tópico “Acréscimos legais –  juros”.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas  pelo  INSS,  incluídas  ou  não  em  notificação  fiscal  de  lançamento,  pagas  com  atraso,  objeto  ou  não  de  parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação  dada pela Lei nº 9.528/97)   Parágrafo  único. O percentual  dos  juros moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições  corresponderá a um por cento.    De outro eito, a multa moratória se houve por aplicada em conformidade com  os incisos II e III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, vigente à  data dos fatos geradores, conforme indicado no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais  do Débito, a  fl. 25,  tópico “Acréscimos  legais – Multa”, e quantificados na página 01/02 do  relatório “IPC – Instruções Para o Contribuinte”, a fl. 05.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo  INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   (...)  II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de  lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 302          9  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99)   III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)   b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876/99)  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99)  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)    §1º  Na  hipótese  de  parcelamento  ou  reparcelamento,  incidirá  um  acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere  o caput e seus incisos.   §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte,  do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não  incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se  efetuar.  §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo  a  que  se  refere  o  §1º  deste  artigo.  §4o  Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento  a  que  se  refere  o  inciso  IV  do  art.  32,  ou  quando  se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a  que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por  cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99)    Como  se  vê,  tanto  a  multa  quanto  os  juros  de  mora  houveram­se  por  aplicados  em  estreita  consonância  com  os  ditames  estabelecidos  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade Social.  Mostra­se  alvissareiro  trazer  à  balha  que  todo  ato  normativo  oriundo  do  Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade  com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de  presunção  iuris  tantum  de  constitucionalidade,  a  qual  somente  pode  ser  infirmada  pela  declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente.  Segundo  Luís  Roberto  Barroso  (in  Interpretação  e  aplicação  da  Constituição:  fundamentos de uma dogmática constitucional  transformadora. 7ª ed.  rev.  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     10  São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos  do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação  dos  Poderes  e  funciona  como  fator  de  autolimitação  da  atividade  do  Judiciário,  que,  em  reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidar­lhes os atos diante de casos  de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”.    É imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda  renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas  no  Ordenamento  Jurídico  constitui­se  prerrogativa  outorgada  pela  Constituição  Federal  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário,  não  podendo  os  agentes  da  Administração  Pública  imiscuírem­se ex proprio motu nas  funções  reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder  Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste.  Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço  não  teve,  ainda,  a  sua  constitucionalidade  abatida  pelos  órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de  estilo.  Nesse  contexto,  sendo  a  atuação  da  Administração  Tributária  inteiramente  vinculada  à  Lei,  e,  restando  os  preceitos  introduzidos  pelas  leis  que  regem  as  contribuições  sociais  e  seus  acréscimos  legais  ora  em  apreciação  plenamente  vigentes  e  eficazes,  a  inobservância  desses  comandos  legais  implicaria  negativa  de  vigência  por  parte  do  Auditor  Fiscal  Autuante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente  em  responsabilidade  funcional  dos  agentes do Fisco Federal.  De plano, deve­se atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo  Administrativo  Fiscal,  dispõe  expressamente  em  seu  art.  26­A  ser  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  salvo  nas  hipóteses  em  que  os  citados  diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária  do Supremo Tribunal Federal.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941/2009)  §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  II – que fundamente crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000054/2009­86  Acórdão n.º 2401­004.016  S2­C4T1  Fl. 303          11  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral  da Fazenda Nacional,  na  forma dos  arts.  18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de  julho de 2002;  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)   b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43  da Lei Complementar  nº 73,  de  10 de  fevereiro  de  1993; ou  (Incluído pela Lei nº 11.941/2009)   c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar  nº  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993.  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009)     Ademais,  perfilando  idêntico  entendimento  como  o  acima  esposado,  a  Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para  se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Revela­se  pertinente  salientar  que  é  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de  observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda.  Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73/93.    Desbastada  nesses  talhes  a  escultura  jurídica,  impedido  se  encontra  este  Colegiado  de  apreciar  tais  alegações  e  propalar  as  declarações  de  inconstitucionalidade  pleiteadas pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário.  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     12    3.   CONCLUSÃO:  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva. Relator.                              Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS

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6126906 #
Numero do processo: 10830.918671/2009-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-006.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito.
Nome do relator: João Alfredo Eduão Ferreira

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.918671/2009­56  Acórdão n.º 3803­006.127  S3­TE03  Fl. 113          2 (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente da 3ª Câmara  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Belchior  Melo  de  Sousa,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João  Alfredo  Eduão  Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito.  Relatório  Em 21 de agosto de 2015, a repartição de origem devolveu a este Colegiado  os presentes autos em razão da detecção de equívoco na identificação do período de apuração  da contribuição sob comento, sendo informado que, enquanto na ementa se registrou o período  de apuração de 01/12/2002 a 31/12/2002, no voto se reportou à composição da base de cálculo  de dezembro de 2003, sendo que, de acordo com os débitos declarados, não havia, no período,  o valor referenciado no montante de R$ 784.190,99.  Em razão desse fato e por se tratar de acórdão da relatoria de Conselheiro que  não mais compõe o Colegiado, fui designado como relator ad hoc neste processo, em razão do  quê reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem  como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição  de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento:  Retornaram os autos da unidade de origem para onde foram baixados com a  finalidade  de  certificação  dos  valores  das  demais  receitas  da  recorrente  que  extrapolaram  o  faturamento,  conforme  documentos  da  escrita  contábil  juntado  aos  autos  pela  recorrente,  e  colacionadas aos mesmos as informações prestadas pela fiscalização.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc  Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad  hoc neste processo,  adoto o voto  redigido pelo  relator original, bem como a ementa, com as  devidas  correções  das  inexatidões  materiais  detectadas  pela  repartição  de  origem,  em  conformidade com os termos constantes da ata de julgamento:  Foi  juntada  aos  autos  a  informação  fiscal  e  dela  foi  dado  ciência  ao  Recorrente.  Da  informação  fiscal  consta  planilha,  formatada  com  base  no  Razão  Analítico, informando que, na composição da base de cálculo da Cofins de dezembro/2002, o  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.918671/2009­56  Acórdão n.º 3803­006.127  S3­TE03  Fl. 114          3 recorrente adicionara, em observância aos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998,  receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento.  Constatou  a  fiscalização  que,  em  consulta  realizada  na DCTF,  o  recorrente  apurara, para o período de dezembro/2002, Cofins no valor de R$ 627.094,64, o quê, após as  deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 24.734,13.  Compulsando os autos, verifica­se que consta do demonstrativo de crédito do  PER/DCOMP (fl. 57­verso) a informação de que o valor total do crédito original utilizado fora  de R$ 24.734,13, exatamente o valor apurado pela fiscalização por ocasião da diligência.  Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível.  É  cediço  que  o  tema  sob  exame  teve  a  repercussão  geral  reconhecida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  que,  por  sentença  proferida  pelo  Plenário  em  10/09/2008,  no  julgamento  do Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  585.235,  declarou  a  inconstitucionalidade  do  texto contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que transitou em julgado  em 12/12/2008.  Nesse contexto, deve­se proceder de acordo com o que dispõe o art. 62­A do  RICARF/2009:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Ante  o  exposto,  dá­se  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  reconhecer  o  direito creditório pleiteado.  É o voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator ad hoc                            Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 15956.000380/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário” (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Para aplicação da multa qualificada, deverá o Fisco, minuciosamente, justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros João Bellini Júnior (relator), Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis, que mantinham a multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Declarou-se impedido o Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior.. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. ALICE GRECCHI - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NULIDADE. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURADA A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário” (Súmula Vinculante CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Para aplicação da multa qualificada, deverá o Fisco, minuciosamente, justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros João Bellini Júnior (relator), Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis, que mantinham a multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Declarou-se impedido o Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior.. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. ALICE GRECCHI - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 de  uma  das  hipóteses  dos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502/64.  (Súmula  CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)  Para  aplicação  da  multa  qualificada,  deverá  o  Fisco,  minuciosamente,  justificar e comprovar o intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte.  MULTA  QUALIFICADA.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DA  ATIVIDADE RURAL.  A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não  autoriza a qualificação da multa de ofício,  sendo necessária a comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo.  (Súmula  CARF  nº  14  Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso  voluntário para desqualificar a multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros  João Bellini  Júnior  (relator),  Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis, que mantinham a  multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. Declarou­se impedido  o Conselheiro Amílcar Barca Texeira Júnior..    JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator.    ALICE GRECCHI ­ Redatora Designada.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi,  Ivacir Júlio de  Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca  Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).    Relatório  Trata­se de recurso voluntário em face do Acórdão 17­31.692, exarado pela  2ª Turma da DRJ em São Paulo II (fls. 416 a 428 – numeração dos autos eletrônicos).   O  auto  de  infração  (fls.  04  a  20)  é  referente  ao  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  física  (IRPF),  anos­calendário  2003  e  2004,  sendo  exigido  crédito  tributário  de  R$1.701.822,11 (imposto, juros de mora e multa proporcional de 150%).  A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de: (a) omissão de  receitas da atividade  rural e  (b) omissão de  rendimentos  identificada por depósitos bancários  cujas origens não foram comprovadas com documentação hábil e idônea.  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 487          3 O  contribuinte  tomou  ciência  do  auto  de  infração  em  10/12/2008  (fl.  361).  Em sua impugnação, alegou, em síntese, que:  (a)  há  cerceamento  de  sua  defesa,  com  a  conseqüente  violação  ao  devido  processo legal administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento em  depósitos  bancários  e  não  houve  a  apresentação  de  planilha  com  as  contas  correntes  e  os  depósitos bancários – um a um – que foram utilizados como omissão de rendimentos;  (b)  ocorreu  a  decadência  referente  ao  período  de  1º  de  janeiro  a  30  de  novembro de 2003, já que o fato gerador do imposto de renda de pessoa física ocorre no mês  em que houver o crédito pela instituição financeira, e, para a contagem do prazo decadencial do  lançamento utiliza­se o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional;  (c)  como  é  produtor  rural,  a  sua  fonte  de  rendimento  decorre  da  atividade  rural,  sendo  esta  sua  atividade  econômica;  assim,  o  crédito  tributário  a  ser  exigido  deve  ser  feito pela atividade rural e não pela pessoa física, à alíquota de 27,5%;  (d) os extratos bancários foram obtidos de maneira ilícita, uma vez que não  há autorização do Poder Judiciário;  (e)  a  autoridade  administrativa  lavrou  o  auto  de  infração  tendo  por  único  fundamento a presunção, sem demonstrar os elementos que compõem o fato jurídico tributário;  (f)  não  cabe  aplicar  juros  moratórios  com  base  na  taxa  Selic,  pois  estes  índices prestam­se apenas para fins remuneratórios;  (g)  a  multa  de  ofício  aplicada  ofende  os  princípios  da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  e da  proibição do  confisco  (art.  150,  IV)  e não houve qualquer prática de  conduta por meio de fraude.  A  DRJ  julgou  a  impugnação  improcedente  em  acórdão  que  recebeu  as  seguintes ementas:  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS.  As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não  são  competentes  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  DECADÊNCIA.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado.  CERCEAMENTO  DE  DIREITO  DE  DEFESA  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO­RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS.  O recebimento pelo contribuinte do Auto de Infração e todos os  seus  anexos,  dentre  os  quais  o  Termo  de  Verificação  e  Ação  Fiscal,  com  o  relato minucioso  de  todos  os  créditos  bancários  considerados  no  lançamento,  oferece  ao  contribuinte  todas  as  condições para exercer plenamente seu direito de defesa.  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 PRELIMINAR ­ SIGILO BANCÁRIO.  Autorizada  a  quebra  de  sigilo  bancário  pelo  Poder  Judiciário,  não há que se falar em obtenção ilícita dos extratos.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA ­AJUSTE ANUAL.  O imposto de renda decorrente da omissão de rendimentos com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  submete­se à apuração segundo ajuste anual e não mensal.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  Após 1º de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430  de  1996,  consideram­se  rendimentos  omitidos,  autorizando  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  os  depósitos  junto  a  instituições  financeiras,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e  idônea, a origem dos recursos utilizados.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ ATIVIDADE RURAL.  Somente a  comprovação da  origem dos  recursos  utilizados  dos  depósitos  bancários  é  capaz  de  ilidir  a  presunção  legal  de  omissão de rendimentos. O fato de o contribuinte possuir como  fonte  de  renda  a  atividade  rural,  mesmo  que  esta  seja  sua  principal  fonte  declarada,  não  permite  concluir  que  todos  os  seus rendimentos sejam oriundos desta atividade.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA ­ APLICAÇÃO.  Correta  a  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude.  TAXA SELIC ­ INCIDÊNCIA.  Os  débitos,  decorrentes  de  tributos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  pela  legislação  específica,  são  acrescidos  de  juros  equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente,  até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por  cento no mês do pagamento.  A  ciência  dessa  decisão  ocorreu  em  29/05/2009  (aviso  de  recebimento,  fl.  431).  Em 25/06/2009, foi apresentado recurso voluntário (fls. 435 a 479), no qual  foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação.  Pediu que o  lançamento  seja  julgado  improcedente;  alternativamente,  pediu  que  seja  reconhecida  a  inaplicabilidade  da  Taxa  SELIC,  e  que  seja  reconhecido  o  caráter  confiscatório da multa aplicada no percentual de 150%, devendo a mesma ser redimensionada  para 20%.  O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 485).  É o relatório.   Fl. 489DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 488          5 Voto Vencido  Conselheiro Relator João Bellini Júnior  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  aborda  matéria  de  competência  desta  Turma. Portanto, dele tomo conhecimento.  QUESTÕES PRELIMINARES   DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO  De acordo com o contribuinte, haveria nulidade da decisão recorrida, face ao  cerceamento do direito de defesa, uma vez que o auto de infração foi lavrado com fundamento  em  depósitos  bancários,  e  não  lhe  foi  apresentada  “planilha  com  as  conta  correntes  e  os  depósitos bancários – um a um – que foram utilizados como omissão de receitas e aplicada a  presunção”.  Não lhe assiste razão.  O contribuinte  foi  intimado em 09/09/2008  (fl.  84) do Termo de  Intimação  Fiscal  030  (fls.  82  a  83)  a  apresentar  “documentação  hábil  e  comprobatória  da  origem  dos  depósitos bancários listados” individualmente às fls. 85 a 109. Desses, os depósitos listados às  fls. 15 e 16 foram considerados comprovados, e não foram objeto da autuação.   Assim,  não  há  falar  em  cerceamento  do  direito  de  defesa  por  falta  de  intimação individual dos depósitos bancários objeto da autuação.  DA OBTENÇÃO DE PROVA ILÍCITA POR OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA  IRROTROATIVIDADE E DO SIGILO  Não lhe assiste razão ao afirmar que os extratos bancários foram obtidos de  maneira ilícita, uma vez que não há autorização do Poder Judiciário.   O  Oficio  n°  5507/2005  (fl.  199)  da  Juíza  de  Direito  da  Comarca  de  Viradouro,  prova  que  houve  autorização  para  obter  os  extratos  bancários  das  instituições  financeiras. Não há falar, portanto em provas ilícitas.  Porém, mesmo que assim não fosse, não há qualquer ilegalidade, nulidade ou  irregularidade  na  requisição  e  obtenção  de  documentos  bancários  pela  Receita  Federal  do  Brasil  junto  às  instituições  financeiras,  pois,  para  tanto  há  suporte  jurídico  na  Lei  Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de  2001.  No que  tange  à  alegação de que  tais normas não podem ser utilizadas para  requisição  e  obtenção  de  documentos  bancários  pela  Receita  Federal  do  Brasil  junto  às  instituições  financeiras,  entendo  que  o  que  o  contribuinte  defende  é  a  inconstitucionalidade  dessas normas. Porém, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo  26­A,  quanto  a  jurisprudência  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  plasmada  em  sua  Súmula  02,  são  claros  ao  impedirem  o  controle  repressivo  de  constitucionalidade por parte deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas):  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     6 Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Decreto 70.235, de 1972  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009)  (...)  § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)  II  ­  que  fundamente  crédito  tributário objeto de:  (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei  nº 11.941, de 2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993;  ou  (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009).  QUESTÕES DE MÉRITO  DA DECADÊNCIA  O  contribuinte  alega  ter  ocorrido  a  decadência  dos  períodos  de  janeiro  a  novembro de 2003, uma vez que a ciência do auto de infração deu­se em dezembro de 2008,  em face da decadência mensal do IRPF e do disposto no art. 150, § 4º, do CTN.  Não lhe assiste razão.  A matéria  é  objeto  da  Súmula Vinculante CARF  nº  38,  que  dispõe  que  “o  fato  gerador do  Imposto  sobre  a Renda da Pessoa Física,  relativo  à  omissão  de  rendimentos  apurada  a  partir  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário”.  Tendo  tomado  ciência  do  auto  de  infração  em  10/12/2008,  não  ocorreu  a  decadência do poder­dever de constituir o crédito tributário referente à omissão de rendimentos  apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorrida no ano­calendário  de 2003, cujo fato gerado ocorreu em 31/12/2008.  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 489          7 DA ATIVIDADE RURAL  Alega o contribuinte que, como é produtor  rural, a sua fonte de rendimento  decorre da atividade rural, sendo esta sua atividade econômica; assim, o crédito tributário a ser  exigido deve ser feito pela atividade rural, cuja base de cálculo é de 20% da receita auferida e  não pela pessoa física, à alíquota de 27,5%.  Ora,  os  parâmetros  que  o  contribuinte  diz  que  devem  ser  utilizados  são  exatamente os que nortearam o auto de infração, pela qual as receitas que foram identificadas  como provenientes da  atividade  rural  foram  tratadas  como “omissão de  receitas da atividade  rural”, sendo considerado, como valor tributável, vinte por cento de tais receitas (fls. 17 a 19).  Quanto à infração “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem  não comprovada”, o ônus da prova da origem da receita é do contribuinte, como será abordado  em seguida.  DA OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA  É  alegado que não pode  subsistir  o  lançamento  da omissão de  rendimentos  caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, por se calcar em presunção  e ferir a presunção de boa­fé.   Não assiste razão ao contribuinte.  A  tributação  em  exame  tem  como  base  legal  o  artigo  42  da  Lei  9.430,  de  1996, a seguir transcrito:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.   §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.   § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:   I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;   II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  (doze  mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ Fl. 492DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     8 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil  reais). (Redação dada pela Lei nº 9.481, de 1997)   § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.    §  5º  Quando  provado  que  os  valores  creditados  na  conta  de  depósito ou de investimento pertencem a  terceiro, evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro,  na  condição  de  efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído  pela Lei nº 10.637, de 2002)   §  6º  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos  ou  receitas  pela  quantidade  de  titulares.(Incluído  pela Lei nº 10.637, de 2002)  Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou  de  investimento  presumem  omissão  de  rendimentos,  desde  que  a  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimada,  não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso.   Anteriormente  à  vigência  do  art.  42  da  Lei  9.430,  de  1996,  os  depósitos  bancários  se  enquadravam  como  modalidade  de  arbitramento,  que  exigia  da  fiscalização  a  demonstração  de  gastos  incompatíveis  com  a  renda  declarada  (aquisição  de  patrimônio  a  descoberto  e  sinais  exteriores  de  riqueza),  conforme  interpretação  consagrada  pelo  Poder  Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e pelo art. 9º, VII, do  Decreto­Lei  2.471,  de  1988,  que  determinava  o  cancelamento  dos  lançamentos  do  imposto  sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes  de depósitos bancários.  A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários  deixaram  de  ser  modalidade  de  arbitramento  para  se  constituir  na  própria  omissão  de  rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em  favor da Fazenda Nacional. A fim de consolidar tal entendimento, foi editada a Súmula CARF  26:   Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Assim, como visto, não há a necessidade de ser demonstrada o consumo da  renda  por meio  de  sinais  exteriores  de  riqueza;  e  há,  para  o  sujeito  passivo,  a  obrigação  da  comprovação  individualizada  dos  depósitos  com  coincidência  de  datas  e  valores.  Nesse  sentido, a jurisprudência deste CARF:  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  Considera­se  omissão  de  rendimentos  os  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 490          9 depósitos  bancários  que  não  foram  justificados  com  documentação  hábil  e  idônea,  e  sem  coincidência  de  datas  e  valores.  (Acórdão  2101­002.652,  Relator(a)  Maria  Cleci  Coti  Martins)  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ORIGEM.  COMPROVAÇÃO.  Considera­se  comprovada  a  origem  dos  depósitos  quando  especificado,  de  forma  individualizada,  a  que  título  os  valores  foram creditados e seja estabelecida uma vinculação entre cada  crédito  e  a  fonte  dos  recursos,  com  coincidência  de  datas  e  valores,  tudo  demonstrado  mediante  documentação  hábil  e  idônea.  (Acórdão 2201­002.203, Relator(a) Marcio de Lacerda  Martins)  IRPF.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  COMPROVAÇÃO  INDIVIDUALIZADA  DA  ORIGEM DOS  RECURSOS DEPOSITADOS.  CONTRATAÇÃO  VERBAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para elidir  a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  a  demonstração  da  origem  dos  depósitos  deve  ser  feita  de  forma  inequívoca,  correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens  a cada um dos depósitos. A alegação recursal de que a atividade  geradora do rendimento não se baseia em contratos escritos não  é  o  suficiente  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  como  sendo  dessa  atividade.  A  exigência  de  prova  da  origem  dos  recursos  decorre  de  lei  e  o  ônus  probatório  atribuído  ao  recorrente  também. Como  o  recorrente  não  se  desincumbiu  do  ônus que lhe é  imposto, não há razão para excluir os depósitos  do lançamento. (Acórdão: 2802­003.008, Relator: Jorge Claudio  Duarte Cardoso)  DOS JUROS MORATÓRIOS   O contribuinte afirma não caber a aplicação de juros moratórios com base na  taxa Selic, pois estes índices prestam­se apenas para fins remuneratórios.  Não lhe assiste razão. A possibilidade da utilização, a partir de 1º de abril de  1995,  da  taxa  Selic  para  cálculo  dos  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados pela Secretaria da Receita Federal é tema da Súmula 04 deste CARF:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.   DA MULTA DE OFÍCIO  O contribuinte alega que a multa de ofício aplicada ofende os princípios da  razoabilidade  ou  proporcionalidade  e  da  proibição  do  confisco  (art.  150,  IV)  e  não  houve  qualquer prática de conduta por meio de  fraude. Defende a  aplicação do percentual de 20%,  conforme disposto no art. 61, § 2º, da Lei 9.430, de 1996 (multa de mora).  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     10 Quanto à multa ferir princípios constitucionais, a questão implica no controle  repressivo de constitucionalidade da norma atacada; porém, como já referido, “o CARF não é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF  nº 2).  Cabe observar que a multa prevista no art. 61, § 2º, da Lei 9.430, de 1996, é  aplicável aos casos de pagamento espontâneo e  fora do prazo de “débitos para com a União,  decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Não  é  aplicável  aos  casos  de  lançamento  de  ofício,  nos  quais  resta  caracterizada  a  falta  de  pagamento, o que implica no lançamento de multa prevista no art. 44 do mesmo diploma legal.  No  caso  em  questão,  foi  aplicada multa  qualificada  de  150%,  em  face  das  seguintes razões:  4.1­ Diante dos valores movimentados em contas correntes e dos  valores declarados pelo contribuinte, não é razoável supor que o  fiscalizado  tenha,  inadvertidamente,  se  equivocado  em  suas  Declarações de Ajuste Anual­ IRPF, exercício de 2004 e 2005.  4.2­  É  grande  a  discrepância  entre  os  rendimentos  tributáveis  declarados e o que restou evidenciado como omitido.  4.3­  Portanto,  são  fortes  as  evidências  que  atestam  ter  o  contribuinte  a  intenção  de,  conscientemente,  cometer  a  sonegação e a fraude, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n°  4.502/64, caracterizando o dolo: relevância de valores omitidos  e  reincidência  de  conduta,  restando  comprovado  a  absoluta  impossibilidade de mero  equívoco,  do  simples  erro material  de  pequena monta.  Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão  o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a  essa. (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177):  § 177. Conceito de dolo  Dolo  é  a  direção  da  vontade  para  contrariar  a  direito.  No  suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade  a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o  agente  atua  e  contraria  a  direito:  quer  que  o  ato  contrarie  a  direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o  ato  (ou  omissão)  contraria  a  sua  promessa,  viola  o  direito,  a  pretensão,  a  ação  ou  exceção  do  seu  credor,  e  pratica  o  para  contrariar a direito. A lei veda­lhe algum ato, ou omissão, e quer  violá­la, praticando­o, ou omitindo. Não é preciso que o agente  queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse.  Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito.  Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29  do  Decreto  70.235,  de  1972).  Assim  se  dá  com  a  prova  do  dolo.  Dada  uma  determinada  infração  tributária,  não  há  outra  possibilidade  de  que  tenha  ocorrido:  (a)  mero  erro,  evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo.  No caso da omissão de receitas da atividade rural, o montante da omissão foi  obtido  por meio  de  circularização,  procedimento  em  que  houve  intimação  dos  contribuintes  Cargill  Agricola  S/A  (fls.  152  e  153)  e  Fischer  S/A  Agroindústria  (fls.  176  e  177)  para  a  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 491          11 apresentação do extrato da conta­corrente do contribuinte, contendo o número dos contratos; a  safra; o nome da propriedade rural; o município; a quantidade de caixas de laranjas adquiridas,  números  das  notas  entrada,  avulsa  ou  do  produtor  rural;  datas  e  valores  dos  pagamentos  efetuados  ao  produtor  rural  (contribuinte)  e  a  forma  de  pagamento.  De  posse  de  tais  informações, intimou­se o contribuinte a comprovar as receitas brutas mensais, informadas nos  anexos da atividade rural, entregues com as declarações de ajuste anual. O contribuinte restou  silente. Foram lançadas as diferenças apuradas.  Entendo  que  a  conduta  reiterada  de  ocultar  as  receitas  da  atividade  rural  é  incompatível  com  a  ocorrência  de  erro/culpa;  ao  que  me  convenci,  a  conduta  reiterada  demonstra a intenção do contribuinte em esconder do Fisco o verdadeiro valor de suas receitas,  do que decorre a correta aplicação da multa qualificada.   No que tange à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários  com origem não comprovada, não penso haver diferenças substanciais para a comprovação do  dolo, que, em qualquer caso, é comprovado pela conduta do contribuinte.   Para  mim,  a  reiteração  da  conduta  somada  à  expressividade  dos  valores  omitidos,  prova  a  existência  da  vontade  de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do  fato gerador da obrigação  tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71, I, da Lei 4.502, de 1964),  ocorrendo, desse modo, a subsunção ao art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996 (redação original):  Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004)  (...)   II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  Tal entendimento não é  incompatível com as Súmulas 14 e 25 (vinculante),  porque, no caso, não se trata de “simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos”  (Súmula  14),  nem  de  “presunção  legal  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só”  (Súmula 25), uma vez que a conduta reiterada é a própria prova do dolo de sonegar.   Súmula  CARF  nº  25  (VINCULANTE):  A  presunção  legal  de  omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei  n° 4.502/64.  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.  No mesmo sentido, há ampla jurisprudência neste CARF:  MULTA  QUALIFICADA.  OMISSÃO  REITERADA  E  SIGNIFICATIVA  DE  RECEITAS.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  SONEGAÇÃO.  CARACTERIZAÇÃO.  A  omissão  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     12 reiterada de  receitas ao Fisco  federal  em valores  significativos  declarados  ao Fisco  estadual  demonstra  a  intenção de  impedir  ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência  do  fato gerador da obrigação  tributária principal por parte da  autoridade  fazendária.  Omissão  de  receitas  que  permite  o  indevido  enquadramento  no  regime  tributário  do  SIMPLES  e  aproveitamento  de  seus  benefícios  caracteriza  conduta  dolosa.  Tais  condutas  se  amoldam  à  figura  delituosa  da  sonegação  prevista  no  art.  71,  inciso  I,  da  Lei  nº4.502/64,  e  enseja  a  aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme  o  disposto  no  art.  44,  inciso  II,  da Lei  nº9.430/1996.  (Acórdão  9101­002.106, Relator(a) Rafael Vidal de Araujo.)  (MULTA) DE OFICIO QUALIFICADA. Qualifica­se a infração  quando  comprovada  a  reiterada  conduta  de  obstar  às  autoridades  administrativas  o  conhecimento  da  ocorrência  do  fato  gerador  pela  reiterada  recusa  de  apresentação dos  livros,  documentos  e  arquivos  magnéticos  inclusive  por  meio  de  sucessivas  mudanças  de  domicílio  fiscaL  (Acórdão  9303­ 002.356, Relator(a) Julio Cesar Alves Ramos.)  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  Nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude,  definido  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502/1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de  oficio de 150%. A conduta reiterada de apresentar declarações  zeradas  ou  com valores  significativamente  inferiores  aos  reais,  bem  como  o  pagamento  de  vultosos  recursos  à  margem  da  escrituração,  caracterizam  o  inequívoco  intuito  doloso  de  impedir ou  retardar o conhecimento,  por parte da Fazenda, da  ocorrência do fato gerador.  (Acórdão 1102­001.101, Relator(a)  Joao Otavio Oppermann Thome.)  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  150%.  (CENTO  E  CINQUENTA  POR  CENTO)  VENDAS  NÃO  DECLARADAS.  DIPJs  COM  VALORES  ZERADOS.  CONDUTA  REITERADA.  CABIMENTO.  A  conduta  reiterada  de  não  declarar  as  vendas  efetuadas,  apresentando  DIPJs  zeradas,  durante  anos  consecutivos,  omitindo  informações  do  Fisco  para  suprimir  tributo, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a  aplicação  de  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  (cento  e  cinquenta por cento), de que  trata o art. 44,  inciso I e § 1º, da  Lei  nº  9.430/1996,  com  redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  nº  11.488/2007.  (Acórdão  1202­001.121,  Relator(a)  Geraldo  Valentim Neto.)  OMISSÃO  DE  RECEITAS  APURADA  COM  BASE  EM  MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA ­ FALTA DE COMPROVAÇÃO  DA ORIGEM DOS RECURSOS. A ausência de comprovação da  origem dos depósitos bancários autoriza a presunção de omissão  de receitas, não sendo o CARF o foro próprio para discutir se a  norma  se  amolda  aos  contornos  constitucionais.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  É  aplicável  a  multa  de  ofício  qualificada, naqueles casos em que resta constatado o evidente  intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo  descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando  o  intuito  doloso  (Acórdão  1301­001.621,  Relator(a)  Valmir  Sandri.)  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 492          13 OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PROVA  DIRETA.  MULTA  QUALIFICADA.  Deve  ser  mantida  a  autuação  com  multa  qualificada, quando se está diante de prova direta de omissão de  receitas,  cujo  o  dolo  aflora  e  se  afirma  de  conduta  repetida  durante vários trimestres, consistente em declarar, para o Fisco  Federal,  apenas  parte  das  receitas  oferecidas  à  tributação  estadual.  (Acórdão  1302­001.412,  Relator  Alberto  Pinto  Souza  Junior.)  MULTA  DE  OFÍCIO.  QUALIFICAÇÃO.  Sendo  de  grande  magnitude a divergência entre receita declarada e efetivamente  auferida,  e  havendo  reiteração  desta  conduta  ao  longo  dos  períodos de apuração dentro do ano­calendário, há de se afastar  o  erro  e  concluir­se  pelo  dolo,  justificando­se,  assim,  a  exasperação da multa de ofício. (Acórdão 1302­001.597, Relator  Eduardo de Andrade.)  MULTA QUALIFICADA. Aplica­se a multa qualificada de 150%  quando restou caracterizada a conduta reiterada de omissão na  declaração  e  pagamento  dos  tributos  devidos.  (Acórdão  1401­ 001.410, Relator(a) Sergio Luiz Bezerra Presta.)  Foram  omitidos,  na  declaração  apresentada  ao  Fisco,  99%  (noventa e nove por cento) dos rendimentos auferidos. É evidente  que,  dado  o  volume  das  receitas  ocultadas  ao  Fisco  na  declaração  apresentada,  não  se  pode  dizer  que  a  empresa  operou  com  erro.  E  não  há  alternativa  para  a  conduta  praticada:  ou  se  caracteriza  o  erro;  ou  se  caracteriza  o  dolo.  (Acórdão 1801­001.943, Relator(a) Maria de Lourdes Ramirez.)  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  FRAUDE/SONEGAÇÃO  FISCAL.  DOLO.  MULTA  QUALIFICADA.  ANO­CALENDÁRIO  2006.  CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  O  comportamento  do  contribuinte  consistente  em  declarar  parcela  ínfima  de  suas  receitas  ao  fisco  federal,  para  fins  de  apuração  do  pagamento  unificado  de  tributos  pelo  sistema  SIMPLES  torna  notório  o  intuito  de  retardar  o  conhecimento,  por  parte  da  autoridade  fiscal,  das  circunstâncias  materiais  da  obrigação  tributária,  justificando  a  aplicação  da multa  qualificada.  A  reiteração  da  omissão de receitas em todos os meses do ano­calendário, bem  como  a  significância  dos  valores  omitidos,  permitem  concluir  que  a  infração não decorreu  de mero  erro  de  fato  ou material  cometido  pelo  sujeito  passivo,  e  sim  de  sua  vontade  livre  e  consciente  de  evadir­se  do  pagamento  dos  tributos  devidos,  caracterizando o intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da  multa  por  infração  qualificada,  no  percentual  de  150%.  (...)(Acórdão 1802­002.147, Relator Nelso Kichel.)  MULTA  QUALIFICADA.  CONDUTA  FRAUDULENTA.  A  prática  reiterada,  por  sucessivos  exercícios,  caracteriza  uma  conduta  fraudulenta  da  contribuinte,  autorizando  a  autoridade  fiscal a aplicação da multa qualificada de que trata o §1º, do art.  44, da Lei nº 9.430, de 1996. (Acórdão 3402­002.459, Relator(a)  Gilson Macedo Rosenburg Filho.)  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     14 MULTA  QUALIFICADA.  CABIMENTO.  Caracteria  a  sonegação,  consistente  na  conduta  dolosa  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  por  parte  do  Fisco  da  ocorrência  do  fato  gerador,  a  prática  reiterada  e  sem  justificativa,  durante  quatro  anos  seguidos,  de  entrega  das  DIPJ  e  DCTF  sem  informações  relativas  ao  IPI  devido.  (Acórdão  3301­002.400,  Relator(a) Andrada Marcio Canuto Natal.)  MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES FALSAS. CONDUTA  REITERADA DO SUJEITO PASSIVO.. A ocorrência da conduta  reiterada do sujeito passivo, aliada à enorme discrepância entre  os valores escriturados e os declarados, autorizam concluir que  não  se  trata  de  mero  erro  material,  e  sim  da  vontade  livre  e  consciente da contribuinte em fraudar o erário público, devendo  ser aplicada a multa qualificada, estabelecida no art. 44, II, da  Lei  n°  9,430/96.  (Acórdão  3801­001.817,  Relator(a)  Paulo  Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.)  Voto,  portanto,  por  não  conhecer  das  questões  envolvendo  o  controle  repressivo  de  constitucionalidade,  por  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  por  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior  Relator  Voto Vencedor  Conselheira Alice Grecchi, Redatora designada.  Com a devida licença do nobre Relator da matéria, Conselheiro João Bellini  Júnior  ­  Presidente  deste  E.  Turma,  permito­me  divergir  do  entendimento  acerca  da  multa  qualificada no presente lançamento.  Inicialmente,  cumpre  frisar  que,  embora  trate­se  o  presente  lançamento  de  Omissão  de  Rendimentos  da  Atividade  Rural  e  Omissão  de  Rendimentos  caracterizada  por  Depósitos Bancários com Origem não Comprovada, verifica­se que a fiscalização limitou­se a  fundamentar a qualificação da multa em relação à Omissão de Rendimentos caracterizada por  Depósitos Bancários, até porque, o próprio Fisco abriu mão da presunção  legal em relação a  esta infração, denominando­a de Omissão de Rendimentos da Atividade Rural, na qual não há  a inversão do ônus da prova, pois cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a  efetiva  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário  ou  o  procedimento  do  sujeito  passivo  que  se  configure  como  infração  à  legislação  tributária.  Isto  é,  a  omissão  de  rendimentos  através  de  depósitos bancários é uma mera presunção legal.  Em  suma,  a  qualificação  da  multa  deve  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada.  Extrai­se  do  "Termo  de  Verificação  de  Infrações  e  de  Conclusão  de  Procedimento Fiscal" em fls. 12/20, que, para qualificar a multa,  a única infração constatada  pela  fiscalização  fora  "Omissão  de Rendimentos  caracterizada por Depósitos Bancários  com  Origem não Comprovada". Vejamos:  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 493          15 "4­  DA  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  APLICÁVEL  NESTE PROCEDIMENTO FISCAL:  A  multa  de  ofício  qualificada,  aplicada  ao  presente  caso,  está  definida no 957, inciso II do RIR/99 (Art. 44, inciso II, da Lei n°  9.430/96),  e  será  de  150%  sobre  a  totalidade  do  Imposto  de  Renda,  a  ser  apurado  no  Auto  de  Infração,  em  função  do  evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71 e 72 da Lei n°  4.502/64, pelos seguintes motivos:  4.1­ Diante  dos  valores  movimentados  em  contas  correntes  e  dos valores declarados pelo contribuinte, não é razoável supor  que  o  fiscalizado  tenha,  inadvertidamente,  se  equivocado  em  suas Declarações de Ajuste Anual­  IRPF, exercício de 2004 e  2005.  4.2­  É  grande  a  discrepância  entre  os  rendimentos  tributáveis  declarados e o que restou evidenciado como omitido.  4.3­  Portanto.  são  fortes  as  evidências  que  atestam  ter  o  contribuinte  a  intenção  de,  conscientemente.  cometer  a  sonegação e a fraude. nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n°  4.502/64. caracterizando o dolo: relevância de valores omitidos  e  reincidência  de  conduta,  restando  comprovado  a  absoluta  impossibilidade de mero  equívoco,  do  simples  erro material  de  pequena monta.  [...]"  Da  análise  especificamente  do  Termo  de  Verificação  de  Infração  acima  transcrito, entendo que a fiscalização não logrou êxito em comprovar o dolo do contribuinte em  sonegar e  fraudar o erário Público,  tal qual previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de  1964,  limitando­se  apenas  a  argumentar  que  "Diante  dos  valores  movimentados  em  contas  correntes  e  dos  valores  declarados  pelo contribuinte, não  é  razoável  supor que  o  fiscalizado  tenha,  inadvertidamente,  se  equivocado  em  suas  Declarações  de  Ajuste  Anual­  IRPF,  exercício  de  2004  e  2005". (grifei)  As multas aplicáveis às infrações tributárias estão previstas no art. 44, da Lei  n° 9.430/96, que assim determina:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     16 Os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° Lei 4.502/64, por seu turno, assim dispõem:  Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Art.  72.  Fraude  é  tecla  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.  A  fraude  se  caracteriza  por  uma  ação  ou  omissão,  de  uma  simulação  ou  ocultação,  e pressupõe,  sempre,  a  intenção de  causar dano à  fazenda pública,  num propósito  deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o  conceito  de  fraude  seja  amplo,  deve  sempre  estar  caracterizada  a  presença  do  dolo,  um  comportamento  intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizando­se  de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por  parte da autoridade fazendária.  Ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio,  que  a  diferencia  da  declaração  inexata  ou  da  falta  ou  pagamento  a menor  do  tributo  ou  da  omissão de  rendimentos na declaração de  ajuste  anual,  seja  ela pelos mais variados motivos  que se possa alegar. Dessa  forma, o  intuito doloso deve estar plenamente demonstrado  (nota  fiscal  fria,  calçada, declaração do beneficiário do pagamento de que não prestou os  serviços  etc),  sob  pena  de  não  restarem  evidenciados  os  ardis  característicos  da  fraude,  elementos  indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada.  O  intuito  do  contribuinte  de  fraudar  não  pode  ser  presumido:  Compete  ao  fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa de fraudar o  erário público.  Portanto,  a  qualificação  da  multa  de  ofício  é  inaplicável  nos  casos  de  presunção legal simples de omissão de rendimentos ou mesmo quando se tratar de omissão de  rendimentos de fato.  Ademais,  quando  há  convicção  do  contribuinte  de  estar  agindo  segundo  o  permissivo  legal,  sem ocultação da prática  (depósitos bancários) e da  intenção final dos seus  negócios,  não  há  como  ser  reconhecido  o  dolo  necessário  à qualificação  da multa,  elemento  este constante do caput dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.  Ou seja, para a aplicação da multa de ofício qualificada exige­se que haja o  propósito deliberado de modificar a característica essencial do  fato gerador do  imposto, quer  pela  alteração  do  valor  da  matéria  tributável,  quer  pela  exclusão  ou  modificação  das  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 494          17 características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou  evitar ou diferir seu pagamento.   Vale  destacar  que  tal  matéria  já  foi  pacificada  neste  Conselho,  que  editou  súmulas  aplicáveis  ao  caso,  que  cristaliza  o  entendimento  de  que  a  simples  apuração  de  omissão de  rendimentos, bem como a presunção  legal de omissão de rendimentos, por si  só,  não autorizam a qualificação da multa de ofício:  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.  Súmula CARF nº 25: A presunção  legal de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  de  uma  das  hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.  Nesse sentido, cabe transcrever julgados deste Egrégio Conselho:  "Acórdão nº 2102003.198 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Sessão de 3 de dezembro de 2014  Matéria IRPF Omissão  de rendimentos e depósitos bancários  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF ­ Exercício: 2009, 2010  [...]  MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72  e  73  da Lei  n°  4.502/64.  (Súmula CARF nº  25,  publicada  no  DOU, Seção 1, de 22/12/2009)" (grifei)  "Acórdão nº 2101002.732 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Sessão de 11 de março de 2015  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF ­ Ano­calendário: 2005  [...]  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA.  Qualquer  circunstância  que  autorize  a  qualificação  da multa  de  lançamento  de  ofício  no  percentual  de  150%,  deve  ser  minuciosamente  justificada  e  comprovada.  Além  disso,  para  que  a  multa  qualificada  seja  aplicada,  exige­se  que  o  contribuinte  tenha  procedido  com  evidente  intuito  de  fraude,  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     18 nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de  1964.  A  falta  inclusão  como  rendimentos  tributáveis,  na  Declaração  de  Imposto  de  Renda  ou  a  apresentação  da  Declaração Anual de Isento, de valores depositados em contas  correntes  pertencentes  ao  contribuinte  fiscalizado,  sem  comprovação  da  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  caracteriza  falta  simples  de  presunção  de  omissão  de rendimentos." (grifei)  "Acórdão nº 2202002.890 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Sessão de 02 de dezembro de 2014  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF ­ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009  OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE  ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430,  de 1996.  Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.  [...]  MULTA  QUALIFICADA  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação do  evidente  intuito de  fraude  do  sujeito  passivo.  (Súmula CARF nº 14)." (grifei)  "Acórdão nº 2202002.586 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Sessão de 18 de março de 2014  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF ­ Exercício: 2003, 2004  [...]   DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  Para os  fatos geradores ocorridos a partir de 1° de  janeiro de  1997,  a  Lei  nº  9.430,  de  1996,  em  seu  art.  42,  autoriza  a  presunção  relativa  de  omissão  de  rendimentos  com  base  nos  valores depositados  em conta bancária para os quais o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  MULTA QUALIFICADA  ­ Somente  é  justificável a  exigência  da  multa  qualificada  prevista  no  artigo  art.  44,  II,  da  Lei  n  9.430,  de  1996,  quando  o  contribuinte  tenha  procedido  com  evidente  intuito de  fraude, nos casos definidos nos artigos 71,  72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15956.000380/2008­26  Acórdão n.º 2301­004.396  S2­C3T1  Fl. 495          19 deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos.  Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Conselho, não  há  que  se  falar  em  qualificação  da  multa  de  ofício  nas  hipóteses  de  mera  omissão  de  rendimentos,  sem  a  devida  comprovação do intuito de fraude." (grifei)  Assim,  ante  a  ausente  evidência  e  a  comprovação  pelo  Fisco  de  que  o  contribuinte  queria  praticar  o  ilícito,  deve  ser  afastada  a  multa  qualificada,  especialmente  quando a própria omissão de rendimentos decorre de presunção legal.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO  ao  Recurso  para,  desqualificar  a  multa  de  ofício  aplicada  incidente  sobre  a  Omissão  de  Rendimentos  da  Atividade  Rural  e  Omissão  de  Rendimentos  caracterizada  por  Depósitos  Bancários com Origem não Comprovada.  (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi, Redatora Designada                Fl. 504DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 13896.720493/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.316.219-7 (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.436-7 (Outras Entidades/Terceiros). EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) n° 21/2011 DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo no 13896.722526/2011-10, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, realizados exclusivamente pela Recorrente, devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas sobre a folha de pagamento, nos percentuais destinados à previdência social. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC. INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA, SESC e SENAC. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.316.216-2 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer que: (a) com relação ao AIOP Debcad nº 37.343.436-7, sejam excluídos, em razão da decadência, os valores apurados nas competências 01/2007 e 02/2007; e (b) eventuais pagamentos na sistemática do SIMPLES, realizados exclusivamente pela Recorrente e referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente lançamento fiscal. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.316.219-7 (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.436-7 (Outras Entidades/Terceiros). EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) n° 21/2011 DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo no 13896.722526/2011-10, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, realizados exclusivamente pela Recorrente, devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas sobre a folha de pagamento, nos percentuais destinados à previdência social. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que para os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC. INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA, SESC e SENAC. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.316.216-2 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449/2008, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.720493/2012­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.848  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2016  Matéria  PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. EXCLUSÃO SIMPLES  Recorrente  FIP SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  I)  DA  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL:  AIOP  Debcad  nº  37.316.219­7  (patronal  e  SAT)  e  AIOP  Debcad  nº  37.343.436­7  (Outras  Entidades/Terceiros).  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES.  COMPETÊNCIA.  DISCUSSÃO  EM  FORO  ADEQUADO.  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO  (ADE)  n°  21/2011  DECISÃO DEFINITIVA. NÃO CONHECER.  O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento  diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de  pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da  União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante  regime  único de arrecadação (SIMPLES­Federal/SIMPLES­Nacional) é o respectivo  processo  instaurado  para  esse  fim.  Descabe  em  sede  de  processo  de  lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a  emissão do ato de exclusão, com decisão definitiva reconhecida no processo  no 13896.722526/2011­10, consubstanciado pelo Ato Declaratório Executivo  (ADE) n° 21/2011.  SIMPLES.  RECOLHIMENTOS.  DEDUÇÃO.  POSSIBILIDADE.  SOMENTE OS VALORES RECOLHIDOS PELA RECORRENTE.  Eventuais  recolhimentos na  sistemática do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES  NACIONAL,  realizados  exclusivamente  pela  Recorrente,  devem  ser  deduzidos  das  contribuições  previdenciárias  apuradas  sobre  a  folha  de  pagamento, nos percentuais destinados à previdência social.  CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.  A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais  deve  seguir  os  mesmos  critérios  estabelecidos  para  as  contribuições  Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 04 93 /2 01 2- 54 Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2  DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08  do STF.  De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos  do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado  antecipação de pagamento ou não, respectivamente.  No  caso  de  lançamento  das  contribuições  sociais,  em  que  para  os  fatos  geradores efetuou­se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra  geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO INCRA, SESC e SENAC.  INCIDÊNCIA. PREVISÃO EM LEI.  O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e  legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: INCRA,  SESC e SENAC.  JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.  O  sujeito  passivo  inadimplente  tem que  arcar  com  o  ônus  de  sua mora,  ou  seja, os juros e a multa legalmente previstos.  Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de  juros  de mora  com  base  na  taxa  SELIC  para  débitos  relativos  a  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA:  AIOA Debcad nº 37.316.216­2 (CFL 68).  OBRIGAÇÃO  TRIBUTÁRIA  ACESSÓRIA.  DESCUMPRIMENTO.  INFRAÇÃO.  Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a  Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP)  com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições  previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF.  OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN.  De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  O  prazo  de  decadência  para  constituir  as  obrigações  tributárias  acessórias,  relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado  nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.  LEGISLAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL.  APLICAÇÃO  EM  PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.  A lei aplica­se a ato ou fato pretérito, tratando­se de ato não definitivamente  julgado  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente ao tempo da sua prática.  Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 3          3  Em  decorrência  das  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  quanto  às  modificações  dos  artigos  32  e  35  da  Lei  8.212/91,  o  Fisco  apresentou  comparativo  das  penalidades  previstas  à  época  dos  fatos  e  à  época  da  autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código  Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em  parte do recurso, para na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para  reconhecer  que:  (a)  com  relação  ao  AIOP  Debcad  nº  37.343.436­7,  sejam  excluídos,  em  razão  da  decadência,  os  valores  apurados  nas  competências  01/2007  e  02/2007;  e  (b)  eventuais  pagamentos  na  sistemática  do  SIMPLES,  realizados  exclusivamente  pela  Recorrente  e  referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente lançamento fiscal.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo  Oliveira,  Lourenço  Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4    Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  concernente  à  parcela  patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão  do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho  (SAT/GILRAT)  e  as  contribuições  destinadas  a  outras  Entidades/Terceiros.  O  período  de  lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2007 a 12/2008.  Também  foi  lavrado  auto  de  infração  da  obrigação  tributária  acessória  prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c  o art. 225,  inciso  IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar  a  Guia  de Recolhimento  do FGTS  e  Informações  à Previdência Social  (GFIP)  com dados  não  correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AIOA Debcad  nº 37.316.216­2 (CFL 68).  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  15/03/2012  (fls.01 e 02).  A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1489/1822), alegando, em  síntese, que:  1.  as  exigências  consignadas  no Auto  de  Infração  teriam  sido  lavradas  em  razão  da  exclusão  da  impugnante  do  Simples  Nacional,  formalizada pela fiscalização por meio do Ato Declaratório Executivo  DRF/BRE/SEORT n° 21/2011, pois, no entender da fiscalização, teria  sido  supostamente  praticada  pela  empresa  impugnante  a  locação  de  mão­de­obra,  atividade  diversa  daquelas  descritas  em  seus  atos  constitutivos  e  cadastradas  junto  ao  seu  CNPJ  perante  a  Receita  Federal  do Brasil, para a qual  seria vedada sua opção pela  inscrição  no aludido regime tributário simplificado;  2.  a  fiscalização  deixou  de  computar,  para  fins  de  dedução  e  determinação do valor supostamente devido, os valores efetivamente  retidos  a  título  de  contribuições  previdenciárias  por  tomadores  dos  serviços  prestados  pela  impugnante,  bem  como  as  importâncias  efetivamente  pagas  pela  empresa  por  meio  de  guias  DAS  as  quais  englobam, também, segundo a legislação aplicável à matéria, parcela  referente à contribuição previdenciária patronal;  3.  se  está  diante  de  absoluta  falta  de  suporte  jurídico  e  da  completa  ausência  de  prova  material  acerca  da  suposta  prática,  pela  impugnante, de condutas que justifiquem a aplicação dos dispositivos  legais e infralegais correspondentes, e a conseqüente formalização de  tais exigências, bem como em razão da completa inobservância, pela  fiscalização federal emitente do lançamento tributário ora contestado,  de dispositivos constitucionais e legais que asseguram a aplicação dos  princípios  da  busca  pela  verdade  material,  da  legalidade,  da  Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 4          5  motivação,  da  razoabilidade  e  a  da  proporcionalidade  aos  atos  administrativos em geral;  4.  DO  DIREITO.  O  CARÁTER  INDEVIDO  DA  EXCLUSÃO  DA  PETICIONANTE DO SIMPLES NACIONAL  5.  a  impugnante,  embora  prestasse  serviços  nas  áreas  de  nutrição,  de  cozinha  industrial  e  de  fornecimento  de  alimentação  escolar,  conforme  consta  de  suas  notas  fiscais  emitidas  contra  seus  clientes  contratantes e nos contratos de prestação de serviços analisados pela  fiscalização, não desenvolvia tais atividades de sob a forma de cessão  de mão­de­obra, razão pela qual não merece prosperar o fundamento  para a supostamente válida exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES  Nacional;  6.  no  caso  da  impugnante,  seus  funcionários,  ainda  que  alocados  nas  dependências  dos  contratantes  para  execução  das  atividades  aqui  referenciadas, não se encontram subordinados aos representantes dos  referidas  contratantes,  não detendo estes qualquer poder de gerência  ou  de  comando  sobre  os  profissionais  da  contratada,  os  quais  são  simplesmente  destacados  para  desenvolver  suas  atividades  fora  do  estabelecimento  da  contratada,  na  forma  estabelecida  no  contrato  firmado  entre  as  partes;  que,  diante  de  todo  o  exposto,  se  afigura  absolutamente  indevida  a  exclusão  da  empresa  impugnante  do  Simples Nacional;  7.  DA  CONFIGURAÇÃO  DA  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DA  AUTORIDADE  FISCAL  PARA  A  CONSTITUIÇÃO  DE  PARTE  DOS  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  CONSIGNADOS  NO  PRESENTE AI DEBCAD  8.  aduz  ter  ocorrido  a  extinção  do  direito  de  constituir  o  crédito  tributário,  por  força  da  decadência,  em  relação  às  competências  anteriores  a março  de  2007,  em  face  do  artigo  150,  §  4º  do Código  Tributário Nacional – CTN; cita doutrina e julgados administrativo e  judiciais;  9.  DO  CARÁTER  INDEVIDO  DA  GLOSA  DE  VALORES  PAGOS  PELA  IMPUGNANTE  A  TÍTULO  DE  SALÁRIO­FAMÍLIA  E  SALÁRIO­MATERNIDADE,  BEM  COMO  DA  AUSÊNCIA  DE  DEDUÇÃO,  PELA  FISCALIZAÇÃO,  DOS  VALORES  EFETIVAMENTE PAGOS PELA EMPRESA POSTULANTE SOB  A  RUBRICA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL  POR MEIO  DE  DOCUMENTOS DE ARRECADAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL  "DAS".  ILEGITIMIDADE  DA  GLOSA  DE  VALORES  PAGOS  PELA  EMPRESA  IMPUGNANTE  A  TÍTULO  DE  SALÁRIO­ FAMÍLIA  E  SALÁRIO­MATERNIDADE  A  SEUS  COLABORADORES  10. o  salário­família  é  pago  aos  segurados  empregados,  exceto  os  domésticos,  e  aos  trabalhadores  avulsos  com  salário  mensal  de  até  Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6  R$915,05 (novecentos e quinze reais e cinco centavos), para auxiliar  no  sustento  dos  filhos  de  0  a  14  anos  de  idade  ou  inválidos  de  qualquer  idade;  que  se  trata  de  um  benefício  concedido  pela  Previdência Social cujo valor, nos termos da Portaria Interministerial  n° 02/2012, varia de  acordo com a  faixa  salarial  do beneficiário,  de  R$  22,00  a  R$  31,22,  por  filho  de  até  14  anos  incompletos  ou  inválido;  11. além  do  benefício  acima  descrito,  a  Previdência  Social  também  concede às seguradas gestantes, durante até 120 (cento e vinte) dias,  com  início  entre  28  (vinte  e  oito)  dias  antes  do  parto  e  a  data  de  ocorrência  deste,  observadas  as  situações  e  condições  previstas  na  legislação pertinente, o salário­maternidade;  12. para fins de pagamento de ambos os benefícios aos seus destinatários,  a  legislação  pátria  estabelece  que  o  seu  crédito  para  o(a)  trabalhador(a)  beneficiário(a)  seja  feito  diretamente  pela  empresa  empregadora/contratante, a qual é concedido o direito de, por sua vez,  deduzir  as  importâncias  pagas  sob  estas  rubricas  na  GPS  a  ser  recolhida,  por  ocasião  da  quitação  mensal  dos  valores  devidos  à  Previdência Social; que a impugnante promoveu o crédito dos valores  competentes aos beneficiários que lhe prestavam serviços entre 2007  e 2008;  13. a  fiscalização  procedeu  à  glosa  dos  valores  deduzidos  em  seus  recolhimentos, não obstante tenha a impugnante apresentado todos os  comprovantes  dos  referenciados  pagamentos  realizados  a  seus  colaboradores  a  este  título,  bem  como  todos  os  documentos  comprobatórios  da  observância  quanto  à  satisfação  dos  requisitos  necessários  para  a  configuração  da  essencial  dedução;  que,  como  pode ser observado nas cópias acostadas aos autos, resta comprovado  o  integral  atendimento,  pela  empresa  impugnante,  de  todos  os  requisitos  autorizadores  da  necessária  e  imperiosa  dedução  dos  valores  pagos  a  seus  colaboradores  a  título  de  salário­família  e  salário­maternidade  quando  da  determinação  das  exigências  previdenciárias supostamente devidas pela impugnante;  14. INEXISTÊNCIA  DE  NECESSÁRIA  DEDUÇÃO,  PELA  FISCALIZAÇÃO,  DOS  VALORES  EFETIVAMENTE  PAGOS  PELA  EMPRESA  POSTULANTE  SOB  A  RUBRICA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL  POR  MEIO  DE  DOCUMENTOS  DE ARRECADAÇÃO DO SIMPLES NACIONAL "DAS"  15. houve a  injustificada desconsideração, por parte da  fiscalização, dos  valores efetivamente pagos pela empresa postulante sob a rubrica de  contribuição  patronal  por  meio  de  documentos  de  arrecadação  do  Simples  Nacional  (DAS)  recolhidos  pela  empresa  por  conta  de  sua  condição de pessoa jurídica inscrita no aludido regime tributário; que,  durante os anos de 2007 e 2008 o contribuinte apurava e recolhia seus  tributos federais no Simples Nacional, nos moldes prescritos pela Lei  Complementar  n°  123/2006;  cita  o  artigo  14  da  Lei  Complementar  123/2006; cita doutrina;  Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 5          7  16. FALTA  DE  SUPORTE  MATERIAL  PARA  A  IMPOSIÇÃO  E  A  QUANTIFICAÇÃO DAS MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADAS  LANÇADAS  NO  CORPO  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  AQUI  ATACADO  NOS  AUTOS  AUSÊNCIA  DE  RAZOABILIDADE  E  DE PROPORCIONALIDADE  17. a impugnante não pode se conformar com as exigências de multa de  ofício que se pretendeu constituir por meio do Auto de  Infração, no  percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) dos valores  formalizados  a  título  de  contribuições  previdenciárias  em  sede  do  Auto de Infração, por conta da suposta prática das infrações descritas  e consignadas em documento anexo ao Auto de Infração que, em tese,  justificaria a aplicação do disposto no artigo 44 da Lei 9.430/96, tendo  em  vista,  notadamente,  a  completa  ausência  de  demonstração  e  de  comprovação  da  efetiva  ocorrência  das  causas  que  justifiquem  a  aplicação das referidas penalidades majoradas; transcreve o artigo 44  da Lei 9.430/96;  18. não  deve  prosperar  o  acréscimo  de  multa  equivalente  a  50%  (cinquenta por cento) das importâncias pretensamente devidas, fixada  nos termos do artigo 44, I e § 2° da Lei 9.430/96, por suposta falta de  atendimento,  por  parte  da  autuada,  às  requisições  formuladas  pela  fiscalização,  haja  vista  que  todos  os  termos  de  intimação  emitidos  pelo  agente  fiscalizador  foram  devidamente  atendidos  pela  empresa  contribuinte autuada;  19. a  autoridade  fiscal  limitou­se  apenas  a  imputar  a multa  de  50%  em  referência  e  citar  o  dispositivo  legal  supostamente  aplicável,  sem,  contudo,  descrever  a  conduta  da  contribuinte  fiscalizada  que  pretensamente  justificaria  a  fixação de  tal  penalidade  indevidamente  estabelecida;  20. DA INAPLICABILIDADE DE JUROS EQUIVALENTES À SELIC  EM  RELAÇÃO  AO  DÉBITO  FISCAL  AQUI  ATACADOS  NOS  AUTOS  21. aduz  a  inconstitucionalidade  e  a  ilegalidade  da  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de Liquidação  e Custódia  (SELIC)  considerada no  cálculo  das  exigências  referentes  a  contribuições  previdenciárias,  aduzindo argumentos, doutrina e julgados judiciais em favor da tese;  22. Em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.4367, conforme  instrumento  de  impugnação,  além  dos  argumentos  acima  apresentados, aduz o contribuinte:  23. DA  IMPROPRIEDADE DOS VALORES LANÇADOS A TÍTULO  DE  CONTRIBUIÇÕES  DESTINADAS  A  OUTRAS  ENTIDADES  DA ILEGITIMIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SESC/SENAC  24. o Serviço Social  do Comércio  (SESC)  foi  criado pela Confederação  Nacional do Comércio, com a finalidade de planejar e executar, direta  Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  ou indiretamente, medidas que contribuam para o bem estar social e a  melhoria  do  padrão  de  vida  dos  comerciários,  conforme  dispôs  o  artigo  1o  do  Decreto­Lei  9.853/46;  que,  por  sua  vez,  o  Serviço  Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), também criado pela  Confederação Nacional do Comércio, tem como objetivo organizar e  administrar  escolas  de  aprendizagem  comerciai  e  cursos  de  especialização, na área do comércio, conforme determinou o artigo 1°  do  Decreto­Lei  8.621/46;  que  a  legislação  instituidora  de  mencionadas  entidades  paraestatais  estabeleceu  que  o  seu  custeio  seria promovido pelo recolhimento de contribuições sociais, as quais  foram instituídas pelo artigo 3o, § 1o, do Decreto­Lei 9.853/46 (SESC)  e  pelo  artigo  4o  do  Decreto­Lei  8.621/46  (SENAC);  que  as  mencionadas  exações,  nos  termos  do  artigo  149  da  Constituição  Federal de 1988, constituem­se contribuições de interesse de categoria  profissional  ou  econômica,  de  natureza  tributária  parafiscal;  cita  doutrina;  25. DA ILEGITIMIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA  26. a  contribuição  ao  INCRA  se  afigura  ilegítima  à  luz  do  sistema  tributário  instituído  pela  Carta  Magna  de  1988;  que  após  a  promulgação da Constituição Federal de 1988, a exação em referência  tornou­se  incompatível  com  o  recém  inaugurado  Sistema Tributário  Constitucional  desenhado  na  Carta Magna,  pois  não  foi  acobertado  pelas previsões normatizadas no artigo 195, inciso I, II e III, e menos  ainda  nas  exceções  preconizadas  no  artigo  240  do  texto  constitucional; que, para a instituição de outras fontes de custeio, faz­ se  necessária  a  observância  das  disposições  contidas  no  §  4o  do  mesmo artigo 195, da Constituição Federal de 1988;  27. Por fim, em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.316.2162, o  contribuinte  o  impugna  aduzindo  os  seguintes  argumentos:  (i)  tem  direito  de  ver  reconhecida  em  seu  favor  a  absoluta  falta  de  suporte  legal do lançamento de ofício dos débitos em comento, caracterizada  pela  notória  falta  de  proporcionalidade  e  de  razoabilidade  da  imputação de multa pecuniária  consignada no Auto de  Infração;  (ii)  conforme  restou  demonstrado  e  comprovado  nas  manifestações  ofertadas  pela  impugnante  em  face  dos  demais  Autos  de  Infração  (DEBCAD nºs 37.316.2197 e 37.343.4367), as  exigências  fiscais  ali  descritas  e  caracterizadas  não  merecem  prevalecer,  em  razão  de  as  contribuições ali exigidas serem integralmente indevidas, nos termos  da legislação aplicável à espécie.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Campinas/SP – por meio do Acórdão no 05­38.652 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1925/1950) –  considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que concluiu:  “[...]  a)  pela  procedência  parcial  da  impugnação  apresentada  ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.316.2197, para o efeito de  reconhecer a decadência do direito de lançamento em relação às  competências 01 e 02/2007, mantendo­se as referidas lavraturas  fiscais quanto ao remanescente; e,  Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 6          9  b) pela improcedência da impugnação apresentada aos Autos de  Infração DEBCAD nº 37.316.2162 e nº 37.343.4367, mantendo­ se  integralmente  os  créditos  tributários  por  meio  deles  constituídos. [...]”  A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Barueri/SP informa que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  CARF  para  processamento  e  julgamento.  É o relatório.  Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     10    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço,  em parte, do recurso interposto.  No  presente  lançamento  fiscal  ora  analisado,  constam  as  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes individuais, relativas à parcela patronal, incluindo as contribuições destinadas ao  SAT/GILRAT e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros.  Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário  diferenciado “SIMPLES”, por meio de processo próprio (13896.722526/2011­10), no qual foi  expedido  o Ato Declaratório  Executivo DRF/BRE/SEORT  n°  21/2011,  de  31/10/2011,  com  decisão definitiva na esfera administrativa.  Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES”  estão  devidamente  registrados  no  processo  no  13896.722526/2011­10,  consubstanciado  pelo  Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 21/2011, iremos afastar e não conhecer todos os motivos  que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade do aludido ADE, que não  estão em julgamentos nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para  analisar  essas  matérias.  O  foro  adequado  para  a  discussão  dessas  matérias  é  o  respectivo  processo  instaurado  para  esse  fim  (processo  no  13896.722526/2011­10)  e  não  o  presente  processo  de  lançamento  fiscal  de  crédito  previdenciário  oriundo de uma  obrigação  tributária  principal. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do  CARF  –  Portaria  MF  n°  256,  de  22  de  junho  de  2009  –,  que  estabelecem  as  atribuições  (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa.  Regimento  Interno do CARF  ­ Portaria MF n° 256, de 22 de  junho de 2009:  Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos  de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que  versem sobre aplicação da legislação de:  (...)  V  ­  exclusão,  inclusão e  exigência de  tributos  decorrentes  da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser  dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte  no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito  Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos  impostos  e  contribuições  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal  e dos Municípios, mediante  regime único  de arrecadação (SIMPLES­Nacional);  ................................................................................................  Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 7          11  Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos  de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que  versem sobre aplicação da legislação de:  (...)  IV ­ Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas  a  título de  substituição e as devidas a  terceiros,  definidas  no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007;  Por outro lado, o que se deve preponderar, para fins de análise do lançamento  fiscal  da  obrigação  tributário­previdenciária  principal,  é  a  informação  de  que  a  Recorrente  permanece  excluída  desse  sistema  de  recolhimento  dos  tributos  (SIMPLES  FEDERAL/SIMPLES NACIONAL), inclusive com decisão definitiva no bojo do processo no  13896.722526/2011­10.  Diante  desse  quadro,  faremos  análise  apenas  das  matérias  que  não  dizem  respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”.  I)  DA  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL:  AIOP  Debcad  nº  37.316.219­7  (patronal e SAT) e AIOP Debcad nº 37.343.436­7 (Outras Entidades/Terceiros).  A Recorrente alega que  seja declarada a  extinção dos valores  lançados  até  a  competência  02/2007,  nos  termos  do  art.  150,  §  4o,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação decadencial será acatada em  parte.  Com  relação  ao  AIOP  Debcad  nº  37.316.219­7,  a  decisão  de  primeira  instância  já  reconheceu  a  decadência  até  a  competência  02/2007,  inclusive,  por  meio  do  Acórdão no 05­38.652 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1925/1950).  Por  sua  vez,  para  o  AIOP  Debcad  nº  37.343.436­7,  registramos  que  o  Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e  560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a  inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991.  Na  oportunidade,  os  ministros  ainda  editaram  a  Súmula  Vinculante  08  a  respeito do tema, a qual transcrevo abaixo:  Súmula Vinculante 8 ­ STF: “São inconstitucionais o parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito tributário”.  É  necessário  observar  os  efeitos  da  súmula  vinculante,  conforme  se  depreende  do  art.  103­A,  caput,  da  Constituição  Federal  que  foi  inserido  pela  Emenda  Constitucional 45/2004, in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     12  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua  revisão  ou  cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (g.n.)  Da leitura do dispositivo constitucional, pode­se concluir que, a vinculação à  súmula  alcança  a  administração  pública  e,  por  conseqüência,  os  julgadores  no  âmbito  do  contencioso administrativo fiscal.  O  Código  Tributário  Nacional  trata  da  decadência  no  artigo  173,  abaixo  transcrito:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.)  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário  definiu no art. 150, § 4º o seguinte:  Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Tem  sido  entendimento  constante  em  julgados  do  Superior  Tribunal  de  Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da  contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  uma  vez  que  resta  caracterizado  o  lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum,  nada há a ser homologado e, por consequência, aplica­se o disposto no art. 173 do CTN, em  que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 8          13  Verifica­se  que  o  lançamento  fiscal  em  tela  refere­se  às  competências  01/2007 a 12/2008 e foi efetuado em 15/03/2012, data da intimação e ciência do sujeito passivo  (fls. 01/02).  No  caso  em  tela,  trata­se  do  lançamento  de  contribuições,  cujos  fatos  geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, conforme  Relatório  Fiscal,  decisão  de  primeira  instância  (Acórdão  no  05­38.652  da  6a  Turma  da  DRJ/CPS  (fls.  1925/1950)  e  Discriminativo Analítico  do Débito  ­  DAD.  Esses  documentos  afirmam que houve o recolhimento parcial de contribuições devidas. Nesse sentido, a teor do  enunciado da súmula 99 do CARF1 e do art. 3°, § 3°, da Lei 11.457/20072, aplica­se o art. 150,  § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 02/2007,  inclusive,  foram abrangidos pela decadência tributária.  Com  isso  –  como  o  crédito  foi  constituído  com  fundamento  no  direito  potestativo  do  Fisco  em  lançar  os  valores  das  contribuições  não  recolhidas  em  época  determinada  pela  legislação  vigente  –,  a  preliminar  de  decadência  será  acatada  em  parte,  excluindo­se os valores  apurados nas  competências 01/2007 e 02/2007,  já que o  lançamento  fiscal refere­se ao período de 01/2007 a 12/2008 e as competências posteriores a 02/2007 não  foram abarcadas pela decadência tributária.  Diante  disso,  com  relação  ao  AIOP  Debcad  nº  37.343.436­7,  acata­se  parcialmente a preliminar de decadência  tributária, excluindo as contribuições apuradas até a  competência  02/2007,  inclusive,  nos  termos  do  art.  150,  §  4º,  do CTN. Após  isso,  passo  ao  exame de mérito.  Com  relação  aos  valores  recolhidos  indevidamente  na  sistemática  do  SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, referentes à parcela patronal, entendo que  todos  os  valores  efetivamente  recolhidos,  nas  competências  03/2007  a  12/2008,  deverão  ser  apropriados no presente lançamento fiscal.  Não  há  registro  no  Relatório  Fiscal  que  o  Fisco  deduziu  do  montante  dos  valores  apurados  aqueles  relativos  às  contribuições  previdenciárias  patronais  e  recolhidas  de  forma equivocada pelo SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL.  Quando a empresa, de forma equivocada, enquadra­se na condição de optante  pelo SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL e,  efetivamente,  realiza o pagamento por  meio de guia própria criada para essa finalidade, no caso em tela o Documento de Arrecadação  do Simples Nacional  (DAS),  isso  evidencia que  parcela desse valor destina­se  à previdência  social nos percentuais estabelecidos pelo art. 23 da Lei 9.317/1996 e pelo art. 13, inciso VI, da  LC 123/2006, e devem ser deduzidos das contribuições a que se refere o artigo 3°, alínea “f”,  dessa Lei.  Lei 9.317/1996 ­ SIMPLES FEDERAL:                                                              1 Súmula 99 do CARF: Para  fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se  referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida no auto de infração.  2 A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve  seguir os mesmos critérios  estabelecidos para as contribuições previdenciárias, bem como deverá sujeitar­se aos mesmos prazos, condições,  sanções e privilégios designados para as contribuições previdenciárias.  Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     14  Art.  3º.  A  pessoa  jurídica  enquadrada  na  condição  de  microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art.  2º,  poderá  optar  pela  inscrição  no  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas de Pequeno Porte ­ SIMPLES.  §  1º  A  inscrição  no  SIMPLES  implica  pagamento  mensal  unificado dos seguintes impostos e contribuições: (...)  f)  Contribuições  para  a  Seguridade  Social,  a  cargo  da  pessoa  jurídica,  de  que  tratam  a  Lei  Complementar  no  84,  de  18  de  janeiro  de  1996,  os  arts.  22  e  22A  da  Lei  no  8.212,  de  24  de  julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.256,  de  9.10.2001)  (Vide  Lei  10.034, de 24.10.2000)  (...)  Art.  5°.  O  valor  devido  mensalmente  pela  microempresa  e  empresa  de  pequeno  porte,  inscritas  no  SIMPLES,  será  determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal  auferida, dos seguintes percentuais:  (...)  Art.  23.  Os  valores  pagos  pelas  pessoas  jurídicas  inscritas  no  SIMPLES corresponderão a:  I ­ no caso de microempresas: (...)  II ­ no caso de empresa de pequeno porte: (...)  .........................................................................................................  Lei Complementar (LC) 123/2006 ­ SIMPLES NACIONAL:  Art.  13.  O  Simples  Nacional  implica  o  recolhimento  mensal,  mediante  documento  único  de  arrecadação,  dos  seguintes  impostos e contribuições:  I ­ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ;  II  ­ Imposto sobre Produtos  Industrializados ­  IPI, observado o  disposto no inciso XII do § 1o deste artigo;  III ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL;  IV ­ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­  COFINS,  observado  o  disposto  no  inciso  XII  do  §  1o  deste  artigo;  V  ­  Contribuição  para  o  PIS/PASEP,  observado  o  disposto  no  inciso XII do § te deste artigo;  VI  ­  Contribuição  Patronal  Previdenciária  ­  CPP  para  a  Seguridade  Social,  a  cargo  da  pessoa  jurídica,  de  que  trata  o  art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso  da  microempresa  e  da  empresa  de  pequeno  porte  que  se  dediquem às atividades de prestação de serviços referidas no §  5°­C do art. 18 desta Lei Complementar;  Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 9          15  VII  ­  Imposto  sobre  Operações  Relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  Sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS;  VIII  ­  Imposto  sobre  Serviços  de  Qualquer  Natureza  ­  ISS.  (grifos nossos)  Com isso, entendo que assiste razão ao recorrente, eis que a Lei 9.317/1996,  que instituiu o SIMPLES FEDERAL, assim como a Lei Complementar 123/2006 que instituiu  o  SIMPLES NACIONAL,  não  criaram  novas  hipóteses  de  incidência  para  as  contribuições  previdenciárias  ou  para  os  demais  tributos,  apenas  promoveu  tratamento  fiscal  simplificado  para pagamento das contribuições e impostos por elas contemplados, o que implicou que todos  fossem  apurados  através  de  uma  única  base  de  cálculo,  a  receita  bruta  mensal,  inclusive  a  contribuição  previdenciária,  cuja  hipótese  de  incidência  é  e  continua  sendo  a  prestação  de  serviço remunerado por segurados.  Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições  destinadas ao INCRA,  frise­se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991 e  demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado.  Dessa  forma,  quanto  à  inconstitucionalidade/ilegalidade  na  cobrança  das  contribuições  destinadas  ao  INCRA,  não  há  razão  para  a  Recorrente.  Como  dito,  não  é  de  competência  da  autoridade  administrativa  a  recusa  ao  cumprimento  de  norma  supostamente  inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração  paga, creditada ou debitada aos segurados empregados.  Isso  está  em  consonância  com o Enunciado  nº  2  de Súmula  do CARF:  “O  CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  Por  outro  lado,  esclarecemos  que  a  matéria  já  se  encontra  pacificada  no  âmbito  do  poder  Judiciário,  firmando  entendimento  de  que  é  devida  a  contribuição  social  destinada  ao  INCRA,  conforme  se  percebe  do  recente  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confira­se:  “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE  DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO  PELAS  LEIS  7.787/89  OU  8.212/91.  NÃO  OCORRÊNCIA.  EXAÇÃO  EXIGÍVEL  DAS  EMPRESAS  URBANAS.  ACÓRDÃO  EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA  PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ.  1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente  os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ).  2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em  sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min.  Luiz  Fux,  DJe  10/11/2008),  firmou  o  entendimento  de  que  a  contribuição  para  o  Incra  (0,2%)  não  foi  revogada  pelas  Leis  7.787/89  e  8.213/91,  sendo  exigível,  também,  das  empresas  urbanas.  Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     16  3.  Incidência  da  Súmula  168/STJ:  "Não  cabem  embargos  de  divergência,  quando a  jurisprudência do Tribunal  se  firmou no  mesmo sentido do acórdão embargado".  4. Agravo regimental não provido.  (AgRg  nos  EREsp  803.780/SC,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe  30/11/2009)”.  Logo,  é  devida  a  contribuição  destinada  ao  INCRA,  afastando  assim  as  alegações de ilegalidade dessa contribuição.  Com relação às contribuições destinadas ao SESC e SENAC, afasta­se a  alegação  da  Recorrente  que  tais  contribuições  são  ilegítimas  para  as  empresas  prestadoras  de  serviços,  já  que  o  STJ  se  manifestou­se  no  sentido  de  que  as  empresas  prestadoras de  serviços devem contribuir com o Serviço Social do Comércio  (Sesc) e com o  Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Esse é o teor do enunciado da súmula  do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de número 499: “As empresas prestadoras de serviços  estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social”.  Acrescenta­se  a  isso  que  não  há  qualquer  evidência  nos  autos  que  a  Recorrente  poderia  estar  integrada  noutro  serviço  social.  Assim,  os  empregados  da  empresa  prestadora  de  serviço,  que  é  o  caso  da Recorrente,  não  podem  ser  excluídos  dos  benefícios  sociais  das  entidades  em  questão  (Sesc  e  Senac)  quando  inexistente  entidade  específica  a  amparar  a  categoria  profissional  a  que  pertencem,  no  mesmo  sentido  do  teor  do  Recurso  Especial ­ REsp 1.255.433, relatado pelo ministro Mauro Campbell.  Outro  precedente  do  STJ  (REsp  895.878,  da  ministra  Eliana  Calmon)  apontou que a empresa registrada como sociedade comercial deverá ser contribuinte do Sesc e  Senac,  afirmando  que:  “Empresas  prestadoras  de  serviço  que  auferem  lucros,  e  com  esse  produto  remuneram  os  seus  sócios,  são  inquestionavelmente  estabelecimentos  comerciais,  à  luz do conceito moderno de empresa”.  Seguem trechos das decisões do STJ:  “TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  VIOLAÇÃO  AO  ART.  535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  REJEITADOS.  QUESTÕES  NÃO  APRECIADAS.  SÚMULA  211/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  SESC  E  SENAC.  EMPRESAS  PRESTADORAS DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.  (...)  3. As empresas prestadoras de serviço são aquelas enquadradas  no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da  Confederação  Nacional  do  Comércio  CNC  e,  portanto,  estão  sujeitas  às  contribuições  destinadas  ao  SESC  e  SENAC.  Precedente: REsp n. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min Luiz  Fux,  julgado  em  23.10.2002;  AgRgRD  no  REsp  846.686/RS.  (REsp  967177/PE,  Relator  o  Ministro  Mauro  Campbell  Marques)”  .........................................................................................................  Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 10          17  “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  SESC  E  SENAC.  ENTIDADE  HOSPITALAR.  ENTIDADE  VINCULADA  À  CONFEDERAÇÃO CUJA INTEGRAÇÃO É PRESSUPOSTO DA  EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO. RECEPÇÃO DO ART. 577 CLT  E  SEU  ANEXO  PELA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL.  CONTRIBUIÇÃO  COMPULSÓRIA  CONCRETIZADORA  DA  CLÁUSULA  PÉTREA  DE  VALORIZAÇÃO  DO  TRABALHO  E  DIGNIFICAÇÃO  DO  TRABALHADOR.  EMPRESA  COMERCIAL.  AUTOQUALIFICAÇÃO,  MERCÊ  DOS  NOVOS  CRITÉRIOS  DE  AFERIÇÃO  DO  CONCEITO.  VERIFICAÇÃO  DE  OCORRÊNCIA  DE  VIOLAÇÃO  DA  LEI  À  LUZ  DO  PRINCÍPIO  DE  SUPRADIREITO  DETERMINANDO  A  APLICAÇÃO  DA  NORMA  AOS  FINS  SOCIAIS  A  QUE  SE  DESTINA, À LUZ DE SEU RESULTADO, REGRAS MAIORES  DE HERMENÊUTICA E APLICAÇÃO DO DIREITO.  1.  As  empresas  prestadoras  de  serviços médicos  e  hospitalares  estão  incluídas  dentre  aquelas  que  devem  recolher,  a  título  obrigatório,  contribuição  para  o  SESC  e  para  o  SENAC,  porquanto  enquadradas  no  plano  sindical  da  Confederação  Nacional do Comércio, consoante a classificação do artigo 577  da CLT  e  seu  anexo,  recepcionados  pela Constituição  Federal  (art. 240) e confirmada pelo seu guardião, o STF, a assimilação  no organismo da Carta Maior.  2.  Deveras,  dispõe  a  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil, em seu art. 240, que: "Ficam ressalvadas do disposto no  art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores  sobre  a  folha  de  salários,  destinadas  às  entidades  privadas  de  serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema  sindical."  3.  As  Contribuições  referidas  visam  à  concretizar  a  promessa  constitucional insculpida no princípio pétreo da 'valorização do  trabalho  humano"encartado  no  artigo  170  da  Carta  Magna:  verbis  :  "A  ordem  econômica,  fundada  na  valorização  do  trabalho humano e na  livre  iniciativa,  tem por  fim assegurar a  todos  existência  digna,  conforme  os  ditames  da  justiça  social,  (...)"4.  Os  artigos  3º,  do  Decreto­Lei  9853  de  1946  e  4º,  do  Decreto­lei  8621/46  estabelecem  como  sujeitos  passivos  da  exação  em  comento  os  estabelecimentos  integrantes  da  Confederação  a  que  pertence  e  sempre  pertenceu  a  recorrente  (antigo IAPC; DL 2381/40), conferindo "legalidade" à exigência  tributária.  5. Os empregados do setor de serviços dos hospitais e casas de  saúde,  ex­segurados  do  IAPC,  antecedente  orgânico  das  recorridas,  também  são  destinatários  dos  benefícios  oferecidos  pelo SESC e pelo SENAC.  6.  As  prestadoras  de  serviços  que  auferem  lucros  são,  inequivocamente estabelecimentos comerciais, quer por força do  seu  ato  constitutivo,  oportunidade  em  que  elegeram  o  regime  jurídico próprio a que pretendiam se submeter, quer em função  Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     18  da  novel  categorização  desses  estabelecimentos,  à  luz  do  conceito moderno de empresa.  7. O SESC e o SENAC tem como escopo contribuir para o bem  estar  social  do  empregado  e  a melhoria  do  padrão de  vida  do  mesmo  e  de  sua  família,  bem  como  implementar  o  aprimoramento moral e cívico da sociedade, beneficiando todos  os  seus  associados,  independentemente  da  categoria  a  que  pertençam;  8. À  luz  da  regra  do  art.  5º,  da LICC –  norma  supralegal  que  informa o direito tributário, a aplicação da lei, e nesse contexto  a  verificação  se  houve  sua  violação,  passa  por  esse  aspecto  teleológico­sistêmico – impondo –se considerar que o acesso aos  serviços  sociais,  tal  como preconizado pela Constituição,  é  um  "direito universal do trabalhador", cujo dever correspectivo é do  empregador no custeio dos referidos benefícios.  9. Consectariamente, a natureza constitucional e de cunho social  e protetivo do empregado, das  exações  sub  judice  ,  implica  em  que  o  empregador  contribuinte  somente  se  exonere  do  tributo,  quando integrado noutro serviço social, visando a evitar relegar  ao  desabrigo  os  trabalhadores  do  seu  segmento,  em  desigualdade com os demais, gerando situação antiisonômica e  injusta.  10.  A  pretensão  de  exoneração  dos  empregadores  quanto  à  contribuição  compulsória  em  exame  recepcionada  constitucionalmente  em  benefício  dos  empregados,  encerra  arbítrio patronal, mercê de gerar privilégio abominável aos que  através a via judicial pretendem dispor daquilo que pertence aos  empregados,  deixando  à  calva  a  ilegitimidade  da  pretensão  deduzida.  11.  Recurso  especial  improvido  (REsp.  431.347/SC,  Primeira  Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 23/10/2002).”  No julgamento desse REsp. 431.347/SC , o Ministro Relator afirmou que “a  expressão  estabelecimentos  comerciais,  para  os  fins  do  art.  3°,  do  Decreto­lei  nº  9.853/46  (SESC)  e  art.  4º,  do  Decreto­lei  n.  8.621/46  (SENAC),  inclui  não  apenas  as  empresas  comerciais  stricto  sensu, mas  também aquelas de prestação de  serviços,  dado o  seu  caráter  empresarial”.  A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 240, prescreve  que:  “Ficam  ressalvadas  do  disposto  no  art.  195  as  atuais  contribuições  compulsórias  dos  empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e  de formação profissional vinculadas ao sistema sindical”. Logo, são devidas as contribuições  destinadas ao Sesc e Senac, afastando assim as alegações de ilegalidade dessas contribuições.  No  que  corresponde  aos  documentos  acostados  aos  autos  pela  Recorrente,  referentes  às  alegações  de  que  os  valores  de  salário­família  e  de  salário­ maternidade glosados pelo Fisco seriam indevidos, entende­se que se cuida de documentos  incapazes  de modificar  o  lançamento,  pois  eles  referem­se  aos  documentos  apresentados  ao  Fisco  durante  o  procedimento  de  auditoria  e  não  apontam  para  qualquer  inconsistência  dos  valores apurados.  Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 11          19  De mais a mais, adotam­se os fundamentos da decisão de primeira instância  que bem dirimiu a controvérsia posta nesta Corte Administrativa, nos seguintes termos:  “[...]  Em  relação  aos  valores  supostamente  pagos  a  título  de  salário­família e salário­maternidade, as razões do contribuinte  não  merecem  acolhida.  Em  primeiro  lugar,  cumpre  esclarecer  que  a  fiscalização  somente  procedeu  à  glosa  dos  valores  cuja  documentação necessária não foi apresentada pelo contribuinte,  conforme  anexos  aos  Termos  de  Intimação  Fiscal  nº  07  e  09,  constantes  dos  autos.  Em  segundo  lugar,  o  farto  conjunto  probatório juntado pelo contribuinte aos autos, após verificação  por  este  Relator,  consiste  na  própria  documentação  já  apresentada  à  fiscalização,  de  forma  a  não  inovar,  o  sujeito  passivo,  quanto  à  demonstração  de  procedência  de  seu  pedido  no que toca aos valores de salário­família e salário­maternidade  glosados  pela  fiscalização.  [...]”  (Acórdão  no  05­38.652  da  6a  Turma da DRJ/CPS, fls. 1925/1950)  No  que  tange  à  arguição  de  inconstitucionalidade,  ou  ilegalidade,  de  legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise­ se  que  incabível  seria  sua  análise  na  esfera  administrativa.  Não  pode  a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo  questionada,  razão  pela  qual  são  aplicáveis  as  normas  reguladas  na  Lei  8.212/1991.  Isso  está  em  consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.  Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144  do CTN dispõe que o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação  tributária e rege­se pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de  juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC) estava prevista em  lei específica da previdência social, art. 343 da Lei 8.212/1991.  Nesse  sentido  já  se  posicionou  o  STJ  no  Recurso  Especial  n°  475904,  publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  CDA.  VALIDADE.  MATÉRIA  FÁTICA.  SÚMULA  07/STJ.  COBRANÇA  DE  JUROS.  TAXA  SELIC.  INCIDÊNCIA.  A  averiguação  do  cumprimento  dos  requisitos  essenciais  de  validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória,  situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da  Súmula  07/STJ. No  caso  de  execução de dívida  fiscal,  os  juros  possuem  a  função  de  compensar  o  Estado  pelo  tributo  não  recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC  estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não                                                              3 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação  fiscal de  lançamento, pagas  com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam sujeitas  aos  juros equivalentes à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia­SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065,  de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo  restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Parágrafo  único.  O  percentual  dos  juros  moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições corresponderá a um por cento.    Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     20  há confronto  com o art.  161, § 1º,  do CTN. A aplicação de  tal  Taxa  já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da  sua  instituição,  isto  é,  1º/01/1996  (REsp  439256/MG).  Recurso  especial  parcialmente  conhecido,  e  na  parte  conhecida,  desprovido.  A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  (CARF)  uniformizou  a  jurisprudência  administrativa  sobre  a  matéria  por  meio  do  enunciado  da  Súmula  nº  4  (Portaria  MF  no  383,  publicada  no  DOU  de  14/07/2010),  nos  seguintes termos:  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1o  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ Selic para títulos federais.  Não  tendo  o  contribuinte  recolhido  à  contribuição  previdenciária  em  época  própria,  tem por obrigação arcar com o ônus de  seu  inadimplemento. Caso não se  fizesse  tal  exigência,  poder­se­ia  questionar  a  violação  ao  principio  da  isonomia,  por  haver  tratamento  similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que  não recolheram no prazo fixado pela legislação.  Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando  os  valores  descritos  no  lançamento  fiscal,  em  consonância  com  o  prescrito  pela  legislação  previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não  recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter  irrelevável.  Isso  está  em  consonância  com  o  próprio  art.  161,  §  1°,  do CTN4,  pois  havendo  legislação especifica dispondo de modo diverso, abre­se a possibilidade de que seja  aplicada  outra  taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a  taxa utilizada é a  SELIC.  O  disposto  no  art.  161  do CTN não  estabelece  norma  geral  em matéria  de  legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei  de igual status, não havendo necessidade de lei complementar.  Ainda,  conforme  estabelecia  os  arts.  34  e  355  da  Lei  8.212/1991,  sem  as  alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em                                                              4 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo  determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de  garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.  § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.    5 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá  ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99)  (...)  II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento:   a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº  9.876/99).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº  9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até  quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS; (Redação dada pelo art.  1º, da Lei nº 9.876/99).  Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 12          21  época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve  que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da  natureza e extensão dos efeitos do ato.  Dessa  forma,  não  há  que  se  falar  em  ilegalidade  de  cobrança  da  multa,  estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em  consonância com o prescrito pela legislação previdenciária.  No que tange à multa aplicada na competência 12/2008, entende­se que o  percentual aplicado não merece reparo, e a alegação de que o valor calculado é desproporcional  não será acatado, já que o Fisco demonstrou a conduta fraudulenta da Recorrente em razão dos  seguintes fatos:  1.  enviou as DIPJ relativas ao período de 01/07/2007 a 31/12/2007 e de  01/01/2008 a 31/12/2008 “zeradas”, contendo erro quanto ao código  de atividade  informado nas DIPJ  (46.656/00 Comércio atacadista de  máquinas  e  equipamentos  para  uso  comercial;  partes  e  peças),  em  detrimento da informação da real atividade;  2.  DIPJ de 2008, para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007,  ficha 02  DADOS  CADASTRAIS,  foi  informado  que  o  Sr.  Fabiano  Iuquio  Mori  era  o  representante  da  Empresa,  enquanto  que  na  ficha  50,  Identificação dos sócios ou  titular, constam os Srs. Alessandro Mori  Pegoraro e Fabiano Iuquio Mori, como sendo os sócios, com 50% de  participação  cada  um.  Segundo  a  alteração  de  contrato  social  de  01/10/2005,  com  registro  na  JUCESP  em  17/05/2006,  esses  dois  sócios se retiraram da empresa;  3.  DIPJ de 2009, ano calendário 2008, ficha 02, dados cadastrais, o Sr.  Fabiano  Iuquio  Mori  foi  informado  como  o  representante  do  contribuinte,  enquanto  na  ficha  50  o  mesmo  foi  informado  como  sócio, com 5% de participação;  4.  na ficha 61B das DIPJ, exercício 2008 e 2009, anos calendário 2007  (de 01/07/2007 a 31/12/2007) e 2008,  linha 11, consta a  informação  de  que  o  contribuinte  tem  escrituração  contábil.  O  contribuinte  não  apresentou nenhuma DCTF/DACON, deixando de informar ao Fisco  todo  e  qualquer  valor  devido  a  título  de  impostos  e  contribuições  federais;  5.  em atendimento às intimações fiscais, o contribuinte declarou que não  entregou  DCTF.  Em  relação  à  real  atividade  da  empresa,  muito  embora  conste  como  o  "comércio  atacadista  de  máquinas  e                                                                                                                                                                                           d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  (...)  § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou  quando  se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados  de  apresentar  o  citado  documento,  a  multa  de  mora  a  que  se  refere  o  caput  e  seus  incisos  será  reduzida  em  cinqüenta  por  cento.  (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99)    Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     22  equipamentos para uso comercial; partes e peças" (código 46.65600),  pelas folhas de pagamento apresentadas, todos os funcionários da área  operacional,  ostentam  funções  ligadas  à  área  da  alimentação,  quais  sejam:  merendeira,  cozinheira,  auxiliar  de  cozinha,  nutricionista,  auxiliar  de  serviços  de  alimentação  e  ajudante  de  cozinha,  de modo  que não que se negar que a real atividade do contribuinte não é a que  foi informada no CNPJ;  6.  a  quantidade  média  de  segurados  empregados  para  o  período  fiscalizado foi de 320 empregados, acrescida de aproximadamente 75  sócios  cotistas.  Tendo  em  vista  a  não  apresentação  da  escrituração  contábil,  nada  foi  localizado  sobre  eventuais  pagamentos  feitos  aos  sócios  cotistas,  bem  como  nada  foi  declarado  em  GFIP  sobre  os  mesmos;  7.  das  notas  fiscais  de  saída  apresentadas,  todas  elas  se  referem  à  prestação de serviços e, em nenhuma delas houve destaque de venda  de qualquer produto;  8.  nas  GFIP  de  todo  o  período  objeto  da  fiscalização,  o  contribuinte  apresentou  GFIP,  informando  o  código  de  optante  pelo  Simples  (código 2),  o que não é  o  caso. Tal  comportamento  teve  a  flagrante  intenção da ocultação perante o Fisco Federal, dos valores devidos a  título  de  contribuição  previdenciária  patronal  e  GILRAT  e  para  Terceiros,  já que o contribuinte estava ciente de que não poderia ser  optante  pelo  Simples,  tanto  assim  que  a  partir  de  01/07/2007  até  31/12/2008 apresentou as suas DIPJ com opção pelo lucro presumido.  Além  disso,  a  Recorrente  deixou  de  apresentar  a  escrituração  contábil  ao  Fisco, devidamente intimada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, lavrado em  08/11/2010  até  o  último Termo de  Intimação Fiscal  (Termo n°  11,  lavrado  em 16/12/2011).  Também não apresentou os contratos de prestação de serviços, os arquivos digitais – relativos à  folha de pagamento e contabilidade –, extratos bancários e Lalur.  Diante  desses  fatos  noticiados,  entende­se  que  a  multa  aplicada  na  competência  12/2008  deve  ser  mantida  em  sua  integralidade,  já  que  o  Fisco  demonstrou  a  conduta fraudulenta da Recorrente, a qual visava ao pagamento da contribuição previdenciária  a menor, a teor do artigo 44, §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/19966.  II)  DA  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA:  AIOA  Debcad  nº  37.316.216­2  (CFL 68).                                                              6 Lei 9.430/1996:  Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:  I  ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade ou diferença de  imposto ou contribuição nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...)  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts.  71,  72  e  73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  § 2o Os  percentuais de multa  a que  se  referem o  inciso  I  do  caput  e o § 1o  deste  artigo  serão  aumentados de  metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;  Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 13          23  A Recorrente alega que  seja declarada a  extinção dos valores  lançados  até  a  competência  02/2007,  nos  termos  do  art.  150,  §  4o,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados.  Inicialmente,  constata­se  que  o  lançamento  fiscal  em  questão  foi  efetuado  com amparo no art. 45 da Lei 8.212/1991.  Entretanto,  a  decadência  deve  ser  verificada  considerando­se  a  Súmula  Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte:  Súmula  Vinculante  no  8  do  STF:  “São  inconstitucionais  o  parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos  45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência  de crédito tributário”.  Vale  lembrar  que  os  efeitos  da  súmula  vinculante  atingem  a  administração  pública  direta  e  indireta  nas  três  esferas,  conforme  se  depreende  do  art.  103­A,  caput,  da  Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua  revisão  ou  cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (g.n.)  Da análise do caso concreto, verifica­se que embora se trate de aplicação de  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória,  há  que  se  verificar  a  ocorrência  de  eventual  decadência  à  luz  das  disposições  do Código Tributário Nacional  que  disciplinam  a  questão  ante  a  manifestação  do  STF  quanto  à  inconstitucionalidade  do  art.  45  da  Lei  8.212/1991.  O  Código  Tributário  Nacional  trata  da  decadência  no  artigo  173,  abaixo  transcrito:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo Único ­ O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     24  Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art.  150, §4º, o seguinte:  Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Tem  sido  entendimento  constante  em  julgados  do  Superior  Tribunal  de  Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da  contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  uma  vez  que  resta  caracterizado  o  lançamento por homologação.  No  caso,  como  se  trata  de  aplicação  de  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  não  há  que  se  falar  em  antecipação  de  pagamento  por  parte  do  sujeito  passivo,  assim,  para  a  apuração  de  decadência,  aplica­se  a  regra  geral  contida  no  art.  173,  inciso I, do CTN.  Assim – como a autuação se deu em 15/03/2012, data da ciência do sujeito  passivo  (fl.  01/02),  e  a  multa  aplicada  decorre  do  período  compreendido  entre  01/2007  a  12/2008,  percebe­se  que  as  competências  posteriores  a  12/2006  não  foram  atingidas  pela  decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.  Com  isso  –  como  o  crédito  foi  constituído  com  fundamento  no  direito  potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela  legislação vigente –, a  preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal refere­se ao período de  01/2007  a  12/2008  e  as  competências  posteriores  a  12/2006  não  estão  abarcadas  pela  decadência tributária.  Com  relação  ao  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal,  a  Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente.  Tal  alegação  não  será  acatada,  eis  que  o  Fisco  cumpriu  a  legislação  de  regência,  ensejando  o  lançamento  de  ofício  em  decorrência  da  Recorrente  ter  incorrido  no  descumprimento  de  obrigação  tributária  acessória,  conforme  os  fatos  e  a  legislação  a  seguir  delineados.  Verifica­se que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais.  Os  valores  da  remuneração  dos  segurados  foram  devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos AIOP nºs 37.316.219­7 e 37.343.436­7.  Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 14          25  Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e §  5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo:  Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS):  Art. 32. A empresa é também obrigada a:  (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS.  (...)  §  5º.  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena  administrativa  correspondente  à  multa  de  cem  por  cento  do  valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos  valores  previstos  no  parágrafo  anterior.  (Parágrafo  acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação  acessória  da  empresa  e  o Regulamento  da Previdência Social  (RPS),  aprovado pelo Decreto  3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do  dispositivo  legal,  como,  por  exemplo,  o  preenchimento  e  as  informações  prestadas  são  de  inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o:  Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social:  Art. 225. A empresa é também obrigada a:  (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  por  intermédio  da  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e  outras  informações de interesse daquele Instituto;  §  1º  As  informações  prestadas  na  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  servirão  como  base  de  cálculo  das  contribuições  arrecadadas  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  comporão  a  base  de  dados  para  fins  de  cálculo  e  concessão dos benefícios previdenciários,  bem como constituir­ se­ão  em  termo  de  confissão  de  dívida,  na  hipótese  do  não­ recolhimento.  § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia  do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá  ser  efetuada  na  rede  bancária,  conforme  estabelecido  pelo  Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do  Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     26  mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação  dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999)  § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  é  exigida  relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de  1999.  § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  são  de  inteira  responsabilidade da empresa.  Nos termos do arcabouço jurídico­previdenciário acima delineado, constata­ se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições  previdenciárias,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o  art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS).  Portanto,  o  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal  para  a  aplicação  da  multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de  infração.  Ademais,  não  verificamos  a  existência  de  qualquer  fato  novo  que  possa  ensejar  a  revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente.  No  que  tange  à  alegação  de  que  a  imposição  das  multas  por  descumprimento  de  obrigação  principal  e  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  estaria  incorreta,  essa  alegação  não  será  acatada,  pois  foi  aplicado  o  princípio  da  retroatividade benéfica, a teor do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN).  Cumpre  esclarecer  que  a Medida  Provisória  (MP)  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009,  revogou  o  artigo  32,  parágrafo  5º  da  Lei  8.212/91,  alterou  o  artigo  35  e  incluiu  os  artigos  32­A  e 35­A nessa mesma  lei,  e,  com  isso,  houve modificação  nas  regras  para  aplicação  de multa  decorrente  do  descumprimento  de  obrigações  acessórias  relativas  à  GFIP, que é o caso dos autos.  Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449/2008 nos artigos  32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das  penalidades previstas à época dos  fatos e à época da autuação, e aplicou a multa benéfica ao  contribuinte,  conforme  previsão  do  inciso  II  do  artigo  106  do  Código  Tributário  Nacional.  Diante  desse  quadro,  somente  houve  a  aplicação  da  multa  oriunda  da  obrigação  acessória,  AIOA Debcad nº º 37.316.216­2 (CFL 68) – para as competências 03/2007, 03/2008, 04/2007,  05/2007, 05/2008, 06/2007, 06/2008, 07/2007, 07/2008, 08/2007, 08/2008, 09/2007, 10/2007,  11/2007, 11/2008, e 12/2007 –, e de forma simultânea a aplicação da multa de mora pelo não  cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei  8.212/91,  na  redação  da  Lei  9.876/99,  além  do  recolhimento  do  valor  referente  à  própria  obrigação principal, conforme Anexo III do Relatório Fiscal.  Para  as  demais  competências  do  lançamento,  aplicou­se  a  multa  de  ofício  prevista  no  artigo  44  da  Lei  9.430/1996,  na  redação  dada  pela  Lei  11.488/2007,  além  do  lançamento do valor relativo às contribuições devidas (Anexo III do Relatório Fiscal).  Assim, afastam­se tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada  a multa prevista no art. 32­A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a  obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista  no  artigo  44  da  Lei  9.430/1996,  na  redação  dada  pela  Lei  11.488/2007,  já  que  a  situação  Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13896.720493/2012­54  Acórdão n.º 2402­004.848  S2­C4T2  Fl. 15          27  apresentada pelo Fisco no quadro comparativo entre o  total da multa anterior e o  total multa  atual  (Anexo  III  do  Relatório  Fiscal)  representa  um  contexto  fático  mais  benéfico  ao  contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no  inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional.  Portanto,  o  procedimento  utilizado  pela  auditoria  fiscal  para  a  aplicação  da  multa  foi  devidamente  embasado  na  legislação  vigente  à  época  da  lavratura  do  auto  de  infração. Ademais, nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente não se verificou a  existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão da multa aplicada.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER,  em  parte,  do  recurso  e,  na  parte  conhecida, DAR PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer que:  (i) com relação ao AIOP Debcad nº 37.343.436­7, sejam excluídos, em razão  da decadência, os valores apurados nas competências 01/2007 e 02/2007; e  (ii)  eventuais  pagamentos  na  sistemática  do  SIMPLES,  realizados  exclusivamente pela Recorrente e referentes à parcela patronal, sejam aproveitados no presente  lançamento fiscal, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 10380.729798/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição fiscal de origem apresente as informações necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário e de ofício, interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de COFINS não cumulativa, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre apropriação indevida de receitas referentes a contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de contratação de empréstimo bancário, na visão da autoridade fiscal), no importe de R$ 105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ: [...] a pessoa jurídica [...] opera no setor de tecnologia das energias alternativas, fornecendo a terceiros seus equipamentos de geração de energia eólica (Aerogeradores). Essa atividade, descrita resumidamente, envolve a importação, a venda e os serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados pelos Clientes adquirentes. Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores eólicos, as importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente, de acordo com as condições previstas nas cláusulas dos contratos celebrados entre as partes. Isto significa que não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças utilizadas nos Aerogeradores, de modo que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas pré-acertadas com Clientes. Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo", com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício. [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S. Neste contexto de independência total, sua controladora integral é, também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende aqui no Brasil, para seus Clientes. [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos de Fornecimentos de Bens e Serviços com seus Clientes (Rosa dos Ventos Geração de Energia Eólica S/A e SIIF Cinco Ltda, em 2006, e Bons Ventos Geração de Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu corpo, ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (hum bilhão e trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução. (...) Durante o período de 2007 a 2010 (a SUZLON) vendeu e executou projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza em construção civil pesada, ou seja, as receitas deveriam ter sido reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto, a mesma tratou suas operações como meras transações comerciais adiando seus reconhecimentos de receitas em cerca de três anos, adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos como PIS, COFINS, IR e CSLL sobre todas as suas operações naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má-fé, a mesma sempre reconheceu suas receitas em sua contabilidade gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que deveria ter registrado suas receitas em seu LALUR. Tais ordens vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas pela equipe contábil, financeira e fiscal. (...) Ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON, esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades na conduta da empresa, naquilo que se referia ao cumprimento das obrigações contábeis e fiscais, fato esse que se estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010). Uma vez constatado isso, convinha averiguar duas questões de fundamental importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública, com redução e/ou omissão de recolhimentos de tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal do Brasil; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (visão panorâmica da situação de fato encontrada) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional. Nos trabalhos de auditoria restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo de Fornecimento de Bens e Serviços, com prazo de execução programada superior a um ano, a preço certo. Para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração específica de resultados e de tributação especial para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o PIS/COFINS, conforme legislação tributária em vigor, restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo (Artigo 10 do Decreto-lei n° 1.598/78, Artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79) e da incidência das contribuições sociais para o PIS e COFINS (Leis n° 10.632/02 e 10.833/03) nessas operações. [..] a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o ano-calendário de 2007, quando, de um lado, já incorria - inapelavelmente - em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos. [...]Desde o ano de 2006 o governo brasileiro já sinalizava a instituição de programa de incentivo à infra-estrutura no País. Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das contribuições para o PIS/COFINS nos casos em que indica, embora condicionasse o benefício a uma questão formal de habilitação/co-habilitação dos credenciados. Num outro flanco, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da CSLL eventualmente devida pela empresa. A técnica para tal foi "fabricar" prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações. Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações de resultado parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic) incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS. Ignorando tudo isso, acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010. Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo, "fabrica" prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir do ano-calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010. Também ignorando e abandonando, consciente e voluntariamente, o dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer título, de modo que conseguisse contornar a incidência das contribuições para o PIS/COFINS, encontrou-se a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil. Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON e alguns de seus Clientes assinam Aditivos ao Contrato Principal, promovendo um "enxugamento do preço" dos produtos fornecidos, à vista da superveniência do Programa REIDI, o qual concedia a suspensão de PIS/COFINS nos casos em que indicava. Ou seja, os preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes, mantinham-se com as referidas contribuições embutidas, mas mesmo assim, a SUZLON preferira ignorar seu dever de recolhimento ao Tesouro Nacional. Agregue-se a tudo isto, a prática incomum de acumulação pura e simples de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não-cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá-los. Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas. (...) Para a implementação destas providências o Fisco tentou, por reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos de Intimação supervenientes, obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional. Certo e convicto de que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA mantém esses dados em Planilhas auxiliares à escrituração, todas as Intimações no sentido de conhecê-las restaram improfícuas, por absoluta omissão da empresa em fornecê-las. Sequer a empresa apresentou o LALUR de 2010, sendo que as escriturações contábeis dos anos-calendário de 2009 e 2010 só foram apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel). Mas, embora a empresa pudesse fazer crer que esta sua conduta dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada disso constituiu-se em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados. De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010 pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 a 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados), Planilha essa que vai anexa ao presente Termo de Verificação. Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles. Planilha do Fisco neste sentido, também encontra-se anexa ao presente Termo de Verificação. (...) Com os dados das importações de matéria prima (Aerogeradores e Torres) e de materiais secundários foi possível alocar os custos em cada ano-calendário. As datas do desembaraço aduaneiro das Declarações de Importação fechadas desde 2007 foram fundamentais para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando-se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de 2008, 2009 e 2010, sendo que apenas em 2009 e 2010 a SUZLON registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal. O primeiro Quadro alude ao Cálculo da Receita Proporcional Acumulada até o Período-base/Ano Calendário. O Quadro n° 02 refere-se ao Cálculo da Receita Correspondente a cada Ano Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano- Calendário. Os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03. Note que na metodologia apresentada pela SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e em 2008; em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a "fabricar" o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo, pelos motivos que explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional. [...]Com o mesmo argumento que descrevemos a infração relativa à apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS. Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria ter apurado as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco extrair as referidas bases de cálculo de ofício. Como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes vendedora e adquirente. Cabe registrar que os custos atinentes à incidência do PIS/COFINS nãocumulativo, a toda evidência, foram embutidos no preço total dos Contratos, de modo que, para aqueles Clientes que obtiveram a habilitação no Programa REIDI - que garantia a aquisição de bens de capital em geral com suspensão do PIS/COFINS - houve Aditivos ao Contrato Original, reamoldando os custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições. Diante desse quadro normativo-legal disciplinador da situação (norma de incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos da existência, validade e eficácia), e norma de incentivo garantidora das operações com suspensão das contribuições para os Clientes habilitados ao REIDI, foi possível estabelecer os critérios para a identificação efetiva dos casos de incidência do PIS/COFINS, em contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei especial. Todos os ingressos de numerário oriundo dos Clientes da SUZLON que se refiram a pagamentos parciais do preço total do Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base de cálculo das contribuições sociais para o PIS/COFINS, até o momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no REIDI. Isso significa que, não poderia se supor admissível, que a SUZLON percebesse parte do preço total do projeto/Contrato do Cliente ao longo do tempo, que - como já dissemos, estava impactada pela incidência das contribuições sociais em questão - e resolvesse - ela própria - se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no REIDI do Cliente solvedor". Evidentemente que a não-incidência como efeito da suspensão induzida pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes. Dada a sistemática da não-cumulatividade, deve o Fisco garantir e respeitar tãosomente os créditos que a SUZLON legitimamente escritura, em consonância com a legislação de regência. Com todas essas considerações é imperativo que o Fisco promova o lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo respectivas, por Cliente da SUZLON. (...) Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA em todo o episódio que se circunscreveu na apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e consciente de critério de apuração não previsto em lei. Como já tivemos oportunidade de discorrer ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, a concentração de receitas nos anos de 2009 e 2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da lei tributária. Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI, com a igual "espera" do ato concessivo de redução do IRPJ, cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos usufruídos para neutralizarem a incidência dos 25% tributáveis remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro líquido que viesse a ser apurado, conforme as conveniências da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA. Não resta dúvida que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o Fisco não tomar conhecimento dos fatos geradores dos diversos tributos que lhe era devidos pela execução dos Contratos de Longo Prazo. Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração. Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de sonegação e fraude na conduta da SUZLON, não há falar em decadência do poder de lançar as contribuições para o PIS/COFINS no ano calendário de 2008. (...) O contribuinte, inconformado com o lançamento fiscal, apresentou a impugnação de fls. 855/899, na qual alega: i) preliminarmente, a decadência de parte crédito lançado, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (“CTN”), combinado com o fato de não se verificar conduta fraudulenta in casu. Ainda como preliminar, invoca a nulidade do feito por violação aos princípios da legalidade e da tipicidade estampados nos art. 142 do CTN, art. 10, V, do Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa. ii) no mérito, o Contribuinte defende a forma de contábil e fiscal que adotou com relação às operações de contratos de fornecimento e instalação de turbinas eólicas (reconhecimento contábil das receitas e custos somente quando os produtos fabricados ou os serviços prestados passam com todos os seus benefícios e riscos para a titularidade do adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem sido reconhecidos seus créditos de COFINS pela autoridade fiscal no momento da autuação, tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe-se ao agravamento da multa para o patamar de 150%, pois afirma não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica. Em julgamento datado de 07 de abril de 2014, a DRJ Ribeirão Preto/SP deu parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14-49.620), nos termos da ementa a seguir colacionada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. A parte do crédito tributário cancelada pela decisão a quo decorre i) da possibilidade legal de desconto dos créditos da não cumulatividade que foram indicados nos demonstrativos entregues à Administração Fiscal e que não foram objeto de oposição pela auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%. Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho. Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido - no qual consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é claro que não foi acatada a decadência -, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de reconhecer receitas relativas aos adiantamentos recebidos pelos clientes anteriormente oferecidos à tributação, conforme declarado na DACON, bem como por não reconhecer a integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer o julgamento conjunto deste feito com o Processo Administrativo n. 10380.729799/2013-79, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”), intrinsicamente relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração. É o relatório.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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Relatório Trata-se de recurso voluntário e de ofício, interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de COFINS não cumulativa, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre apropriação indevida de receitas referentes a contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de contratação de empréstimo bancário, na visão da autoridade fiscal), no importe de R$ 105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ: [...] a pessoa jurídica [...] opera no setor de tecnologia das energias alternativas, fornecendo a terceiros seus equipamentos de geração de energia eólica (Aerogeradores). Essa atividade, descrita resumidamente, envolve a importação, a venda e os serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados pelos Clientes adquirentes. Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores eólicos, as importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente, de acordo com as condições previstas nas cláusulas dos contratos celebrados entre as partes. Isto significa que não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças utilizadas nos Aerogeradores, de modo que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas pré-acertadas com Clientes. Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo", com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício. [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S. Neste contexto de independência total, sua controladora integral é, também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende aqui no Brasil, para seus Clientes. [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos de Fornecimentos de Bens e Serviços com seus Clientes (Rosa dos Ventos Geração de Energia Eólica S/A e SIIF Cinco Ltda, em 2006, e Bons Ventos Geração de Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu corpo, ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (hum bilhão e trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução. (...) Durante o período de 2007 a 2010 (a SUZLON) vendeu e executou projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza em construção civil pesada, ou seja, as receitas deveriam ter sido reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto, a mesma tratou suas operações como meras transações comerciais adiando seus reconhecimentos de receitas em cerca de três anos, adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos como PIS, COFINS, IR e CSLL sobre todas as suas operações naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má-fé, a mesma sempre reconheceu suas receitas em sua contabilidade gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que deveria ter registrado suas receitas em seu LALUR. Tais ordens vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas pela equipe contábil, financeira e fiscal. (...) Ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON, esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades na conduta da empresa, naquilo que se referia ao cumprimento das obrigações contábeis e fiscais, fato esse que se estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010). Uma vez constatado isso, convinha averiguar duas questões de fundamental importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública, com redução e/ou omissão de recolhimentos de tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal do Brasil; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (visão panorâmica da situação de fato encontrada) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional. Nos trabalhos de auditoria restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo de Fornecimento de Bens e Serviços, com prazo de execução programada superior a um ano, a preço certo. Para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração específica de resultados e de tributação especial para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o PIS/COFINS, conforme legislação tributária em vigor, restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo (Artigo 10 do Decreto-lei n° 1.598/78, Artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79) e da incidência das contribuições sociais para o PIS e COFINS (Leis n° 10.632/02 e 10.833/03) nessas operações. [..] a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o ano-calendário de 2007, quando, de um lado, já incorria - inapelavelmente - em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos. [...]Desde o ano de 2006 o governo brasileiro já sinalizava a instituição de programa de incentivo à infra-estrutura no País. Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das contribuições para o PIS/COFINS nos casos em que indica, embora condicionasse o benefício a uma questão formal de habilitação/co-habilitação dos credenciados. Num outro flanco, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da CSLL eventualmente devida pela empresa. A técnica para tal foi "fabricar" prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações. Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações de resultado parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic) incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS. Ignorando tudo isso, acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010. Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo, "fabrica" prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir do ano-calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010. Também ignorando e abandonando, consciente e voluntariamente, o dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer título, de modo que conseguisse contornar a incidência das contribuições para o PIS/COFINS, encontrou-se a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil. Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON e alguns de seus Clientes assinam Aditivos ao Contrato Principal, promovendo um "enxugamento do preço" dos produtos fornecidos, à vista da superveniência do Programa REIDI, o qual concedia a suspensão de PIS/COFINS nos casos em que indicava. Ou seja, os preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes, mantinham-se com as referidas contribuições embutidas, mas mesmo assim, a SUZLON preferira ignorar seu dever de recolhimento ao Tesouro Nacional. Agregue-se a tudo isto, a prática incomum de acumulação pura e simples de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não-cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá-los. Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas. (...) Para a implementação destas providências o Fisco tentou, por reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos de Intimação supervenientes, obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional. Certo e convicto de que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA mantém esses dados em Planilhas auxiliares à escrituração, todas as Intimações no sentido de conhecê-las restaram improfícuas, por absoluta omissão da empresa em fornecê-las. Sequer a empresa apresentou o LALUR de 2010, sendo que as escriturações contábeis dos anos-calendário de 2009 e 2010 só foram apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel). Mas, embora a empresa pudesse fazer crer que esta sua conduta dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada disso constituiu-se em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados. De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010 pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 a 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados), Planilha essa que vai anexa ao presente Termo de Verificação. Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles. Planilha do Fisco neste sentido, também encontra-se anexa ao presente Termo de Verificação. (...) Com os dados das importações de matéria prima (Aerogeradores e Torres) e de materiais secundários foi possível alocar os custos em cada ano-calendário. As datas do desembaraço aduaneiro das Declarações de Importação fechadas desde 2007 foram fundamentais para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando-se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de 2008, 2009 e 2010, sendo que apenas em 2009 e 2010 a SUZLON registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos ao presente Termo de Verificação Fiscal. O primeiro Quadro alude ao Cálculo da Receita Proporcional Acumulada até o Período-base/Ano Calendário. O Quadro n° 02 refere-se ao Cálculo da Receita Correspondente a cada Ano Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano- Calendário. Os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03. Note que na metodologia apresentada pela SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e em 2008; em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a "fabricar" o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo, pelos motivos que explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional. [...]Com o mesmo argumento que descrevemos a infração relativa à apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS. Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria ter apurado as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco extrair as referidas bases de cálculo de ofício. Como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes vendedora e adquirente. Cabe registrar que os custos atinentes à incidência do PIS/COFINS nãocumulativo, a toda evidência, foram embutidos no preço total dos Contratos, de modo que, para aqueles Clientes que obtiveram a habilitação no Programa REIDI - que garantia a aquisição de bens de capital em geral com suspensão do PIS/COFINS - houve Aditivos ao Contrato Original, reamoldando os custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições. Diante desse quadro normativo-legal disciplinador da situação (norma de incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos da existência, validade e eficácia), e norma de incentivo garantidora das operações com suspensão das contribuições para os Clientes habilitados ao REIDI, foi possível estabelecer os critérios para a identificação efetiva dos casos de incidência do PIS/COFINS, em contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei especial. Todos os ingressos de numerário oriundo dos Clientes da SUZLON que se refiram a pagamentos parciais do preço total do Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base de cálculo das contribuições sociais para o PIS/COFINS, até o momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no REIDI. Isso significa que, não poderia se supor admissível, que a SUZLON percebesse parte do preço total do projeto/Contrato do Cliente ao longo do tempo, que - como já dissemos, estava impactada pela incidência das contribuições sociais em questão - e resolvesse - ela própria - se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no REIDI do Cliente solvedor". Evidentemente que a não-incidência como efeito da suspensão induzida pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes. Dada a sistemática da não-cumulatividade, deve o Fisco garantir e respeitar tãosomente os créditos que a SUZLON legitimamente escritura, em consonância com a legislação de regência. Com todas essas considerações é imperativo que o Fisco promova o lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo respectivas, por Cliente da SUZLON. (...) Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA em todo o episódio que se circunscreveu na apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e consciente de critério de apuração não previsto em lei. Como já tivemos oportunidade de discorrer ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, a concentração de receitas nos anos de 2009 e 2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da lei tributária. Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI, com a igual "espera" do ato concessivo de redução do IRPJ, cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos usufruídos para neutralizarem a incidência dos 25% tributáveis remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro líquido que viesse a ser apurado, conforme as conveniências da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA. Não resta dúvida que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o Fisco não tomar conhecimento dos fatos geradores dos diversos tributos que lhe era devidos pela execução dos Contratos de Longo Prazo. Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração. Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de sonegação e fraude na conduta da SUZLON, não há falar em decadência do poder de lançar as contribuições para o PIS/COFINS no ano calendário de 2008. (...) O contribuinte, inconformado com o lançamento fiscal, apresentou a impugnação de fls. 855/899, na qual alega: i) preliminarmente, a decadência de parte crédito lançado, referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (“CTN”), combinado com o fato de não se verificar conduta fraudulenta in casu. Ainda como preliminar, invoca a nulidade do feito por violação aos princípios da legalidade e da tipicidade estampados nos art. 142 do CTN, art. 10, V, do Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa. ii) no mérito, o Contribuinte defende a forma de contábil e fiscal que adotou com relação às operações de contratos de fornecimento e instalação de turbinas eólicas (reconhecimento contábil das receitas e custos somente quando os produtos fabricados ou os serviços prestados passam com todos os seus benefícios e riscos para a titularidade do adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem sido reconhecidos seus créditos de COFINS pela autoridade fiscal no momento da autuação, tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe-se ao agravamento da multa para o patamar de 150%, pois afirma não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica. Em julgamento datado de 07 de abril de 2014, a DRJ Ribeirão Preto/SP deu parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14-49.620), nos termos da ementa a seguir colacionada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. A parte do crédito tributário cancelada pela decisão a quo decorre i) da possibilidade legal de desconto dos créditos da não cumulatividade que foram indicados nos demonstrativos entregues à Administração Fiscal e que não foram objeto de oposição pela auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%. Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho. Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido - no qual consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é claro que não foi acatada a decadência -, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de reconhecer receitas relativas aos adiantamentos recebidos pelos clientes anteriormente oferecidos à tributação, conforme declarado na DACON, bem como por não reconhecer a integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer o julgamento conjunto deste feito com o Processo Administrativo n. 10380.729799/2013-79, relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”), intrinsicamente relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração. É o relatório.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 3.714          1 3.713  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.729798/2013­24  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  3402­000.753  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23 de fevereiro de 2016  Assunto  COFINS  Recorrentes  SUZLON ENERGIA EOLICA DO BRASIL LTDA              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  repartição  fiscal  de  origem  apresente  as  informações  necessárias para o julgamento do Processo, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Antônio Carlos Atulim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora   Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  e  de  ofício,  interpostos  em  face  da  decisão  proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que  declarou  parcialmente  procedente  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  sobre  a  cobrança  de COFINS  não  cumulativa,  consubstanciada  no  auto  de  infração  em  questão.  Tal  autuação  versa,  em  apertada  síntese,  sobre  apropriação  indevida  de  receitas  referentes  a  contrato a longo prazo, considerada como omissão de receita (mais precisamente, simulação de  contratação  de  empréstimo  bancário,  na  visão  da  autoridade  fiscal),  no  importe  de  R$  105.263.397,80, incluídos principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 29 79 8/ 20 13 -2 4 Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.715          2 Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento  tributário  em  questão,  com  riqueza  de  detalhes,  colaciono  os  trechos  mais  importantes  do  Termo de Verificação Fiscal, também destacados pelo Acórdão da DRJ:   [...]  a pessoa  jurídica [...]  opera no setor de  tecnologia das energias  alternativas,  fornecendo a terceiros  seus equipamentos de geração de  energia  eólica  (Aerogeradores).  Essa  atividade,  descrita  resumidamente,  envolve  a  importação,  a  venda  e  os  serviços  de  instalação  dos  equipamentos  nos  parques  eólicos  indicados  pelos  Clientes adquirentes.  Evidentemente que, à vista das dimensões dos equipamentos geradores  eólicos, as  importações eram feitas sob encomenda prévia do Cliente,  de  acordo  com  as  condições  previstas  nas  cláusulas  dos  contratos  celebrados  entre  as  partes.  Isto  significa  que  não  existia  na  operacionalidade  ordinária  da  empresa,  a  importação  de  partes  e  peças  utilizadas  nos  Aerogeradores,  de  modo  que  compusessem  estoques descompromissados, fora das encomendas pré­acertadas com  Clientes.  Diante dessas peculiaridades restou fácil concluir que as operações de  venda  e  instalação  de  parques  eólicos  se  compreendem  nos  denominados pela legislação tributária de "negócios de longo prazo",  com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um  exercício.  [...]Criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo  estrangeiro  indicado  como  SUZLON  WIND  ENERGY  A/S.  Neste  contexto de independência total, sua controladora integral é, também e  simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos Aerogeradores  importados que a  empresa brasileira adquire e  vende aqui no Brasil,  para seus Clientes.  [...]Foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  assina  Contratos  de  Fornecimentos  de  Bens  e  Serviços  com  seus  Clientes  (Rosa  dos  Ventos  Geração  de  Energia  Eólica  S/A  e  SIIF  Cinco  Ltda,  em  2006,  e  Bons  Ventos  Geração  de  Energia S/A, em 2007) para venda e instalação de quase duas centenas  de máquinas Aerogeradoras  nos  diversos  parques  eólicos  designados  pelos adquirentes. O total dos contratos, com cláusulas rígidas em seu  corpo,  ultrapassava  a  cifra  de  R$  1.300.000.000,00  (hum  bilhão  e  trezentos milhões de reais) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a  2009, conforme o progresso da execução.  (...)  Durante  o  período  de  2007  a  2010  (a  SUZLON)  vendeu  e  executou  projetos eólicos no valor de cerca de R$ 1,3 bilhões, que se caracteriza  em  construção  civil  pesada,  ou  seja,  as  receitas  deveriam  ter  sido  reconhecidas proporcional às fases das obras concluídas. No entanto,  a  mesma  tratou  suas  operações  como meras  transações  comerciais  adiando  seus  reconhecimentos  de  receitas  em  cerca  de  três  anos,  adiando também desta forma o recolhimento e pagamento de tributos  como  PIS,  COFINS,  IR  e  CSLL  sobre  todas  as  suas  operações  naquele período, podendo ter causado prejuízos de milhões aos cofres  Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.716          3 públicos. Para corroborar a tese de que esta empresa agiu de má­fé, a  mesma  sempre  reconheceu  suas  receitas  em  sua  contabilidade  gerencial através do percentual concluído da obra, mesma forma que  deveria  ter  registrado  suas  receitas  em  seu  LALUR.  Tais  ordens  vinham da alta gerência de fora do Brasil, que deveriam ser acatadas  pela equipe contábil, financeira e fiscal.  (...)  Ao  adentrar  no  corpo  orgânico  da  contabilidade  da  SUZLON,  esta  auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves  anormalidades  na  conduta  da  empresa,  naquilo  que  se  referia  ao  cumprimento  das  obrigações  contábeis  e  fiscais,  fato  esse  que  se  estendia desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado  (2010).  Uma  vez  constatado  isso,  convinha  averiguar  duas  questões  de  fundamental  importância, a) se o proceder contábil da SUZLON teria  provocado  evidentes  prejuízos  à  Fazenda  Pública,  com  redução  e/ou  omissão  de  recolhimentos  de  tributos  e  contribuições  sociais  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil;  b)  se  o  proceder  contábil  da  SUZLON  ao  longo  dos  anos  considerados  (visão  panorâmica  da  situação  de  fato  encontrada)  pautou­se  por  conduta  voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens fiscais ilícitas  em  prejuízo  do  Tesouro Nacional.  Nos  trabalhos  de  auditoria  restou  claro,  de  imediato,  que  a  atividade  operacional  da  SUZLON  se  enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo  Prazo  de Fornecimento  de Bens  e  Serviços,  com  prazo  de  execução  programada  superior  a  um  ano,  a  preço  certo.  Para  tal  conclusão  foram  solicitados  todos  os  contratos  assinados  com  os  Clientes,  que  envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os  anos de 2006 e 2010. Como os contratos dessa natureza se enquadram  em  uma  regra  própria  de  apuração  específica  de  resultados  e  de  tributação  especial  para  o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  a  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e as Contribuições para o  PIS/COFINS,  conforme  legislação  tributária  em  vigor,  restou  constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário  e  consciente  das  normas  legais  que  disciplinam  a  Apuração  de  Resultados  dos Contratos de Longo Prazo  (Artigo  10  do Decreto­lei  n°  1.598/78,  Artigo  407  do  RIR/99  e  IN  SRF  n°  021/79)  e  da  incidência das  contribuições  sociais para o PIS e COFINS  (Leis n°  10.632/02 e 10.833/03) nessas operações.  [..]  a  empresa  ora  autuada  resolveu,  por  conta  e  risco  próprio,  enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas  bases  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/COFINS,  para  um  critério acumulado geral apenas nos anos­calendário de 2009 e 2010,  ignorando de  forma voluntária  e consciente,  os  impactos que deveria  reconhecer  desde  o  ano­calendário  de  2007,  quando,  de  um  lado,  já  incorria  ­  inapelavelmente  ­  em  custos  apropriados  relativos  a  fornecimento  de  bens  e/ou  serviços  referentes  ao  cumprimento  dos  contratos assinados com seus Clientes e, de outro, em faturamento por  conta do igual cumprimento desses contratos.  Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.717          4 [...]Desde  o  ano  de  2006  o  governo  brasileiro  já  sinalizava  a  instituição  de  programa  de  incentivo  à  infra­estrutura  no  País.  Sobreveio a Lei n° 11.488/2007 que instituiu os casos de suspensão das  contribuições  para  o  PIS/COFINS  nos  casos  em  que  indica,  embora  condicionasse  o  benefício  a  uma  questão  formal  de  habilitação/co­ habilitação dos credenciados.  Num  outro  flanco,  a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na  área da SUDENE, com redução de 75% do Imposto de Renda Pessoa  Jurídica.  No  afã  de  nada  recolher  ao  Tesouro  Nacional,  restava  a  busca  de  estratégia  para  neutralizar  qualquer  incidência  de  tributo  sobre os 25% remanescentes do benefício fiscal de IRPJ e de 100% da  CSLL eventualmente devida pela empresa.  A  técnica  para  tal  foi  "fabricar"  prejuízos  fiscais  de  modo  que  não  houvesse,  a  priori,  base  de  cálculo  positiva  para  aquelas  exações.  Como os contratos assinados com seus Clientes datam de setembro de  2006  e  outubro  de  2007  coube  à  empresa  enveredar  pelo  risco  de  ignorar  as  apurações  de  resultado  parciais  (ano  a  ano  em  que  houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou  recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos, com (sic)  incluídos nas bases de cálculo do PIS/COFINS.  Ignorando  tudo  isso,  acumulou  o  resultado  geral  dos  Contratos  celebrados  com  seus  Clientes  apenas  para  os  anos  de  2009  e  2010.  Com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita  total dos Contratos de Longo Prazo,  "fabrica" prejuízo  fiscal,  já com  olho  no  que  viria  a  fazer  (de  forma  irregular)  no  ano  seguinte,  ao  mesmo  tempo  em  que  não  reconhece  qualquer  base  de  cálculo  das  contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que deferido  o  Ato  Declaratório  de  Redução  de  75%  do  IRPJ,  descarrega  todo  o  remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que  se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria, a partir  do ano­calendário de 2010. Ou seja, já tendo até 31.12.2009, recebido  e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contratos de Longo Prazo, a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  pretendeu  dar  efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só  adquirira em 01.01.2010.  Também  ignorando  e  abandonando,  consciente  e  voluntariamente,  o  dever de reconhecer as receitas nos meses em que recebidas a qualquer  título,  de  modo  que  conseguisse  contornar  a  incidência  das  contribuições para o PIS/COFINS, encontrou­se a SUZLON ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA numa situação inusitada e inconseqüente  de liberação geral do dever de recolher tributos no Brasil.  Essa última observação adquire relevo probatório quando a SUZLON  e  alguns  de  seus  Clientes  assinam  Aditivos  ao  Contrato  Principal,  promovendo  um  "enxugamento  do  preço"  dos  produtos  fornecidos,  à  vista  da  superveniência  do  Programa  REIDI,  o  qual  concedia  a  suspensão  de  PIS/COFINS  nos  casos  em  que  indicava.  Ou  seja,  os  preços originários, cujas parcelas deveriam ser recebidas dos Clientes,  mantinham­se  com  as  referidas  contribuições  embutidas, mas mesmo  Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.718          5 assim,  a  SUZLON  preferira  ignorar  seu  dever  de  recolhimento  ao  Tesouro Nacional.  Agregue­se  a  tudo  isto,  a  prática  incomum  de  acumulação  pura  e  simples  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  na  sistemática  da  não­ cumulatividade, sem qualquer débito relevante a neutralizá­los.  Pois é diante desta realidade fiscal apresentada pela empresa, que esta  auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação, tudo de  acordo com os normativos legais regedores das matérias aqui tratadas.  (...)  Para  a  implementação  destas  providências  o  Fisco  tentou,  por  reiteradas vezes, no Termo de Início de Fiscalização e em seus Termos  de  Intimação  supervenientes,  obter  os  dados  necessários  para  que  pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  não  recolhidos  ao  Tesouro  Nacional.  Certo  e  convicto  de  que a  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL  LTDA  mantém  esses  dados  em  Planilhas  auxiliares  à  escrituração,  todas  as  Intimações no  sentido  de  conhecê­las  restaram  improfícuas,  por absoluta omissão da empresa em fornecê­las.  Sequer  a  empresa  apresentou  o  LALUR  de  2010,  sendo  que  as  escriturações contábeis dos anos­calendário de 2009 e 2010 só foram  apresentadas em Livros encadernados (escrituração em papel).  Mas,  embora  a  empresa  pudesse  fazer  crer  que  esta  sua  conduta  dificultasse o Fisco de chegar aos resultados tributáveis corretos, nada  disso constituiu­se em obstáculo para o encerramento da auditoria com  os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados.  De posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de  Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos  de  2009  e  2010  pela  própria  empresa,  com  seus  próprios  números  e  cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos  anos de 2007 a 2010  (com base nos principais custos de  importação,  conforme DI's), de modo que pudesse montar, com base na legislação  específica que rege a matéria,  sua própria Planilha de Apuração dos  Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o  início  do  ano  de  2010,  quando  os  projetos  foram  definitivamente  entregues  e  encerrados),  Planilha  essa  que  vai  anexa  ao  presente  Termo de Verificação.  Como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/COFINS  foram  retiradas  da  escrituração  da  SUZLON  em  batimento  com  os  valores  informados  pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada  um deles. Planilha do Fisco neste  sentido,  também encontra­se anexa  ao presente Termo de Verificação.  (...)  Com  os  dados  das  importações  de  matéria  prima  (Aerogeradores  e  Torres)  e  de  materiais  secundários  foi  possível  alocar  os  custos  em  Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.719          6 cada  ano­calendário.  As  datas  do  desembaraço  aduaneiro  das  Declarações de  Importação  fechadas desde 2007  foram  fundamentais  para a tabulação dos dados ano a ano. Com tal estratégia e utilizando­ se apenas dos números e cifras assentados na escrituração nos anos de  2008,  2009  e  2010,  sendo  que  apenas  em  2009  e  2010  a  SUZLON  registrou de forma acumulada custo total e receita total, foi possível ao  Fisco confeccionar os Quadros Demonstrativos n° 01, 02 e 03 anexos  ao presente Termo de Verificação Fiscal.  O  primeiro  Quadro  alude  ao  Cálculo  da  Receita  Proporcional  Acumulada  até  o  Período­base/Ano  Calendário.  O  Quadro  n°  02  refere­se  ao  Cálculo  da  Receita  Correspondente  a  cada  Ano  Calendário. Já o Quadro Demonstrativo de n° 03 determina o Cálculo  do Lucro Bruto Efetuado de Ofício em cada Ano­ Calendário.  Os  valores  do  Lucro  Bruto  levados  à  tributação  em  cada  ano  são  exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de n° 03.  Note  que  na  metodologia  apresentada  pela  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA não há apuração de resultado em 2007 e  em 2008;  em 2009  ela  resolve  levantar DRE de modo a  "fabricar"  o  prejuízo  fiscal  e  a  base  de  cálculo  da  CSLL  para  usufruto  desses  valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo  o  valor  total  dos  contratos  de  longo  prazo,  pelos  motivos  que  explicamos ao descrever o planejamento tributário de natureza evasiva  que visava aplicar um enorme prejuízo ao Tesouro Nacional.  [...]Com  o  mesmo  argumento  que  descrevemos  a  infração  relativa  à  apuração incorreta do resultado dos Contratos de Longo Prazo para o  caso do IRPJ e da CSLL, descreveremos neste tópico as ocorrências de  falta de recolhimento das contribuições para o PIS e o COFINS.  Com fundamento nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 a SUZLON ENERGIA  EÓLICA DO BRASIL LTDA deveria  ter apurado as bases de  cálculo  das  referidas contribuições  e  recolhido nas datas próprias os  valores  das  exações  mensais,  conforme  apropriasse  faturamento  em  decorrência de custos incorridos. Não tendo segregado em nenhum dos  meses faturamento para constituir base de cálculo do PIS/COFINS, tal  como não fizera a apuração correta no caso do IRPJ, cumpriu ao Fisco  extrair as referidas bases de cálculo de ofício.  Como desde o ano calendário de 2007  já havia  custos  incorridos,  os  valores  recebidos  dos  Clientes/adquirentes  das  usinas  eólicas  foram  tomados  como  faturamento  no  mês  em  que  percebidos,  dado  que  representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento  de  bens  e  serviços  previstos  nos  Contratos  assinados  pelas  partes  vendedora  e  adquirente.  Cabe  registrar  que  os  custos  atinentes  à  incidência  do  PIS/COFINS  nãocumulativo,  a  toda  evidência,  foram  embutidos  no  preço  total  dos  Contratos,  de  modo  que,  para  aqueles  Clientes  que  obtiveram  a  habilitação  no  Programa  REIDI  ­  que  garantia  a  aquisição  de  bens  de  capital  em  geral  com  suspensão  do  PIS/COFINS  ­  houve Aditivos  ao Contrato Original,  reamoldando  os  custos totais à referida exoneração tributária daquelas contribuições.  Diante desse quadro normativo­legal disciplinador da situação (norma  de  incidência do PIS/COFINS completamente configurada nos planos  da  existência,  validade  e  eficácia),  e  norma de  incentivo  garantidora  Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.720          7 das  operações  com  suspensão  das  contribuições  para  os  Clientes  habilitados  ao  REIDI,  foi  possível  estabelecer  os  critérios  para  a  identificação  efetiva  dos  casos  de  incidência  do  PIS/COFINS,  em  contraste com aqueles que se enquadrem na suspensão prevista em lei  especial.  Todos  os  ingressos  de  numerário  oriundo  dos  Clientes  da  SUZLON  que  se  refiram  a  pagamentos  parciais  do  preço  total  do  Contrato, à vista dos custos já incorridos, deverão ser tidos como base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  para  o  PIS/COFINS,  até  o  momento em que o Cliente solvedor tenha se habilitado legalmente no  REIDI.  Isso  significa  que,  não  poderia  se  supor  admissível,  que  a  SUZLON  percebesse  parte  do  preço  total  do  projeto/Contrato  do  Cliente  ao  longo  do  tempo,  que  ­  como  já  dissemos,  estava  impactada  pela  incidência  das  contribuições  sociais  em  questão  ­  e  resolvesse  ­  ela  própria ­ se comportar no sentido de "aguardar futura habilitação no  REIDI do Cliente solvedor".  Evidentemente que a não­incidência como efeito da suspensão induzida  pelo REIDI só pode ser aplicada nos recebimentos de Clientes que já  detenham o status legal de habilitado ao Programa. Em nenhuma outra  situação há previsão legal para que a SUZLON ignorasse a tributação  do PIS/COFINS nas operações com seus Clientes.  Dada  a  sistemática  da  não­cumulatividade,  deve  o  Fisco  garantir  e  respeitar  tãosomente  os  créditos  que  a  SUZLON  legitimamente  escritura, em consonância com a legislação de regência.  Com  todas  essas  considerações  é  imperativo  que  o Fisco  promova  o  lançamento de ofício das contribuições sociais para o PIS/COFINS nos  valores de acordo com o Quadro Demonstrativo das Bases de cálculo  respectivas, por Cliente da SUZLON.  (...)  Outra questão a enfrentar é a conduta da SUZLON ENERGIA EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  em  todo  o  episódio  que  se  circunscreveu  na  apuração irregular do Lucro Bruto, mediante a utilização voluntária e  consciente de critério de apuração não previsto em lei.  Como  já  tivemos oportunidade de discorrer ao  longo deste Termo de  Verificação  Fiscal,  a  concentração  de  receitas  nos  anos  de  2009  e  2010, a despeito de ser irregular frente ao artigo 407 do RIR/99 e IN  SRF n° 021/79, não foi um ato inocente, de mero desconhecimento da  lei tributária.  Foi algo muito maior, conjugado com a "espera" do Programa REIDI,  com  a  igual  "espera"  do  ato  concessivo  de  redução  do  IRPJ,  cumulando com a "fabricação" de prejuízo fiscal e de base de cálculo  negativa de CSLL em 2009, de modo a serem esses valores negativos  usufruídos  para  neutralizarem  a  incidência  dos  25%  tributáveis  remanescentes do IRPJ de 2010, e a incidência da CSLL sobre o lucro  líquido  que  viesse  a  ser  apurado,  conforme  as  conveniências  da  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.  Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.721          8 Não  resta  dúvida  que  a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA se conduziu voluntária e conscientemente no sentido de fazer o  Fisco  não  tomar  conhecimento  dos  fatos  geradores  dos  diversos  tributos  que  lhe  era  devidos  pela  execução  dos  Contratos  de  Longo  Prazo.  Por essas razões, deve ser aplicada a multa qualificada nesta infração.  Uma vez definida a existência de multa qualificada pela constatação de  sonegação  e  fraude  na  conduta  da  SUZLON,  não  há  falar  em  decadência  do  poder  de  lançar  as  contribuições  para  o PIS/COFINS  no ano calendário de 2008. (...)  O  contribuinte,  inconformado  com  o  lançamento  fiscal,  apresentou  a  impugnação de fls. 855/899, na qual alega:   i)  preliminarmente,  a  decadência  de  parte  crédito  lançado,  referente  aos  fatos  geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2008, com fulcro no art.  150, §4º do Código Tributário Nacional  (“CTN”), combinado com o  fato de não se verificar  conduta fraudulenta  in casu. Ainda como preliminar,  invoca a nulidade do feito por violação  aos princípios  da  legalidade  e da  tipicidade  estampados nos  art.  142 do CTN,  art.  10, V, do  Decreto nº 70.235, de 1992 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, bem como a ampla defesa.  ii)  no mérito,  o Contribuinte  defende  a  forma  de  contábil  e  fiscal  que  adotou  com  relação  às  operações  de  contratos  de  fornecimento  e  instalação  de  turbinas  eólicas  (reconhecimento contábil das  receitas e custos  somente quando os produtos  fabricados ou os  serviços  prestados  passam  com  todos  os  seus  benefícios  e  riscos  para  a  titularidade  do  adquirente, ou seja, ao fim dos contratos). Subsidiariamente, o Contribuinte reclama não terem  sido  reconhecidos  seus créditos de COFINS pela autoridade  fiscal no momento da  autuação,  tampouco ter sido considerado o benefício fiscal que o REIDI (Regime Especial de Incentivos  para o Desenvolvimento da Infraestrutura) lhe proporciona. Por fim, o Contribuinte opõe­se ao  agravamento  da multa  para  o  patamar  de  150%,  pois  afirma  não  estarem  presentes  os  atos  caracterizadores de evidente intuito de fraude, uma vez que todos os atos foram estruturados na  forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica.  Em  julgamento  datado  de  07  de  abril  de  2014,  a  DRJ  Ribeirão  Preto/SP  deu  parcial provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14­49.620), nos termos da ementa  a seguir colacionada.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/05/2010  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PRAZO  DECADENCIAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Afastado,  por  inconstitucional,  o  prazo  de  dez  anos  para  o  lançamento  das  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social,  a  contagem do prazo decadencial rege­se pelo disposto no Código  Tributário.  Na  hipótese  em  que  o  recolhimento  não  ocorre  ou  ocorre  em  desconformidade  com  a  legislação  aplicável  e,  por  conseguinte,  procede­se  ao  lançamento  de  ofício,  o  prazo  decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver  sido realizado.  Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.722          9 CONTRATOS  DE  LONGO  PRAZO.  RECONHECIMENTO  DAS  RECEITAS.  A  contribuição  incidente  na  hipótese  de  contratos,  com  prazo  de  execução  superior  a  um  ano  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de bens  ou  serviços  será  calculada  sobre  a  receita  apurada  na  proporção  dos  custos  incorridos.  CRÉDITOS  NÃO  CUMULATIVOS.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO. APROVEITAMENTO.  No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto  da  contribuição  apuradas,  os  créditos  não  cumulativos  detidos  pelo sujeito passivo.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/05/2010  MULTA  QUALIFICADA.  IMPROCEDÊNCIA.  FRAUDE  NÃO  COMPROVADA.  Não  comprovados  os  elementos  caracterizadores  de  fraude  sonegação e conluio, afasta­se a qualificação da multa de ofício,  reduzindo­se seu percentual.  A  parte  do  crédito  tributário  cancelada  pela  decisão  a  quo  decorre  i)  da  possibilidade  legal de desconto dos  créditos da não cumulatividade que  foram  indicados nos  demonstrativos  entregues  à  Administração  Fiscal  e  que  não  foram  objeto  de  oposição  pela  auditoria (fls 3597 e 3598), reduzindo o montante do crédito principal lançado nos termos do  demonstrativo de fls 3600; e ii) da falta de comprovação de dolo na conduta do contribuinte, de  modo que a multa de ofício foi reduzida para 75%.  Ainda irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho.   Depois de esclarecer que há erro no dispositivo do acórdão recorrido ­ no qual  consta que a tese decadência foi acolhida, sendo que, pela leitura dos fundamentos da decisão é  claro que não foi acatada a decadência ­, a Recorrente busca reverter a parte do julgamento em  que restou sucumbente, repisando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, coloca que a  recomposição da base de cálculo da COFINS efetuada pela DRJ está equivocada, por deixar de  reconhecer  receitas  relativas  aos  adiantamentos  recebidos  pelos  clientes  anteriormente  oferecidos  à  tributação,  conforme  declarado  na  DACON,  bem  como  por  não  reconhecer  a  integralidade do crédito da não cumulatividade passível de aproveitamento. Finalmente, requer  o  julgamento  conjunto deste  feito  com o Processo Administrativo n.  10380.729799/2013­79,  relativo  à  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (“PIS”),  intrinsicamente  relacionados que são, por decorrerem dos mesmos fatos no mesmo período de apuração.  É o relatório.    Voto   A Recorrente  tomou  ciência  do Acórdão  da DRJ  em  08/05/2014  (fls.  3.568  a  3.603),  apresentando  Recurso  Voluntário  em  22/05/2014.  Assim,  o  recurso  voluntário  é  Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.723          10 tempestivo, com base no que dispõe o art. 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem  como atende as demais condições de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento.   Contudo,  antes  de  adentrar  na  argumentação  formalizada  pela  Recorrente,  é  preciso trazer questão prejudicial para o deslinde da presente controvérsia, qual seja, o presente  Processo  de  n.  10380.729798/2013­24  (COFINS),  bem  como  o  Processo  n.  10380.729799/2013­79  (PIS)  serem  ou  não  reflexos  de  autuação  fiscal  de  Imposto  sobre  a  Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”). Tal indagação decorre da análise do Termo de Verificação  Fiscal (“TVF”), o qual traz minuciosa descrição dos procedimentos de auditoria que levou ao  lançamento tributário, tornando possível perceber que as condutas jurídico­contábeis adotadas  pelo  contribuinte  infringiriam  tanto  a  legislação  do  IRPJ  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (“CSLL”),  como  das  Contribuições  Sociais  a  cargo  da  empresa  (PIS  e  COFINS). Veja­se os extratos retirados do TVF de fls 35, 38, 45 e 46:   (...)     Dá­se especial atenção ao Capítulo III do TVF, que introduz o histórico das infrações  da seguinte forma:      E continua,   (...)  Fl. 3723DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.724          11    Parecendo  claro  que  a  auditoria  instaurada  para  verificação  fiscal  da  Recorrente  no  período compreendido entre 2008 e 2010 deu azo a autuações fiscais a título não só de PIS e  COFINS, mas também de IRPJ e CSLL, em busca no sítio eletrônico do CARF pude encontrar  o julgamento do Processo Administrativo n. 10380.729795/2013­91. Cuja ementa segue abaixo  colacionada:   PRIMEIRA  SEÇÃO  DE  JULGAMENTO  Processo  nº  10380.729795/201391  Acórdão  nº  1301001.828  –  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  Sessão  de  24  de  março  de  2015  Matéria  IRPJ  Recorrente SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.  Recorrida FAZENDA NACIONAL   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ¬  IRPJ   Ano­calendário: 2008, 2009, 2010   CONTRATOS  DE  LONGO  PRAZO.  APURAÇÃO  COM  BASE  NOS  CUSTOS INCORRIDOS. VALIDADE.   Nos  chamados  contratos  de  longo  prazo,  com  prazo  de  execução  superior a um ano, a apuração dos resultados obedecerá ao comando  do  artigo  407,  do RIR/1999,  devendo  ser  aferido  de  duas  formas:  a)  com base em laudo técnico de medição, com indicação da percentagem  executada  em  função  do  progresso  físico  da  empreitada  ou  da  produção,  ou,  b)  com  suporte  na  relação  entre  custos  incorridos  no  período base e custo total estimado da execução da empreitada ou da  produção,  obedecido  o  regime  de  competência.  Se  a  autuada  não  adotou este critério e sua contabilidade não obedeceu a tal comando,  cabe  à  Autoridade  Fiscal,  com  fulcro  nos  livros  e  documentos  da  contribuinte, apurar os resultados para fins tributários Como a ementa  supratranscrita  trata  do  mesmo  contribuinte,  mesmo  período  de  apuração aqui abarcado (2008 a 2010), mesma questão contábil­fiscal  (contratos de longo prazo, apuração com base nos custos incorridos) já  parece se confirmar a suspeita de que o presente Processo (COFINS),  bem como o Processo n. 10380.729799/2013­79 (PIS) são reflexos da  cobrança  do  IRPJ,  consubstanciada  no  Processo  n.  10380.729795/2013­91.  Efetivamente, da leitura das transcrições  ipsis litteris dos dizeres da autoridade  fiscal  no  TVF  que  foi  feita  no  relatório  do  Acórdão  n.  1301001.828  (Processo  n.  10380.729795/2013­91  ­  IRPJ)  pelo  Conselheiro  Edwal  Casoni  Paula  Fernandes  Junior,  é  praticamente certo que o TVF que originou este Processo (COFINS) e igualmente no Processo  n. 10380.729799/2013­79 (PIS) é o mesmo que funda o lançamento de IRPJ.   Inclusive,  no  corpo  do  relatório  do  Acórdão  n.  1301001.828  (Processo  n.  10380.729795/2013­91  ­  IRPJ)  foi  possível  encontrar  diversos  argumentos  levantados  pelo  Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.725          12 contribuinte  no  recurso  voluntário  ora  sob  análise,  corroborando  a  menção  expressa  às  autuações reflexas de PIS e COFINS. Veja­se:  De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em  desfavor da  contribuinte acima  identificada  foram  lavrados Autos de  Infração  relativos  aos  anos­calendário  de  2008,  2009  e  2010,  atinentes ao IRPJ e demais reflexos,  incluindo¬se o principal, multa  qualificada de 150% e juros de mora (...)  Os autos de  infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS  foram  lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A  ciência  da  contribuinte  está  encartada  às  fls.  58  a  59,  tendo  apresentado  Impugnação  (fls.  1069/1145),  juntando  documentos  apensados às fls. 1156 a 3764. (grifei)  Com  efeito,  na  ementa  da  decisão  da  DRJ  referente  ao  lançamento  de  IRPJ,  multa e  juros, no Processo n. 10380.729795/2013­91,  também  transcrita no bojo do  relatório  feito pelo Conselheiro Edwal Casoni Paula Fernandes Junior, temos que:  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE  INTEGRAÇÃO  SOCIAL  ­  PIS.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS.   Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos  que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito  prolatada  naquele  constitui  prejulgado  na  decisão  dos  autos  de  infração decorrentes. (grifei)   Vê­se  que  há  fortes  indícios  de  que  o  presente  Processo  Administrativo  seja  reflexo do Processo Administrativo n. 10380.729795/2013­91, julgado em 24/03/2015, pela 1ª  Turma, 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Tudo faz crer, inclusive, que as  atuações  de  PIS  e  COFINS  reflexas  já  estariam  sendo  resolvidas  no  próprio  Processo  n.  10380.729795/2013­91.  Contudo,  não  há  elementos  suficientes  nestes  autos,  tampouco  na  decisão proferida no PA 10380.729795/2013­91 (disponível no sítio eletrônico do CARF), para  alcançar quaisquer conclusões além dessas.   Com efeito, sabe­se que, em se tratando de recursos a respeito da Contribuição  ao  PIS  e/ou  da  COFINS,  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizado  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova  em um mesmo processo  administrativo  fiscal,  o  artigo  2º,  inciso  IV1  do  Regimento Interno no CARF (“RICARF”) determina que a competência para a apreciação da  questão deixa de ser da Terceira Seção, passando a ser da Primeira Seção de  Julgamento do  Conselho.  Nesse  sentido,  lembre­se  que  o  “reflexo”,  segundo  o  artigo  6º,  §1º,  inciso  III  do  RICARF,  é  aquele  “constatado  entre  processos  formalizados  em  um  mesmo  procedimento  fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos.”                                                              1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira)  instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...)  IV  ­ CSLL,  IRRF, Contribuição  para o PIS/Pasep  ou Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social  (Cofins),  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizados  com  base  nos  mesmos  elementos  de  prova  em  um  mesmo  Processo Administrativo Fiscal;    Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.726          13 Pois bem. Cabe recordar que o requisito de as cobranças do IRPJ e seus reflexos  estarem “em um mesmo processo administrativo fiscal” para que a competência de julgamento  dos processos reflexos passe a ser da Primeira Seção não existia na anterior redação do artigo  2º, inciso IV do RICARF. 2 Parece ser exatamente esta a situação presente, em que o processo  principal  de  IRPJ  foi  julgado  pela  Primeira  Seção  da  CARF,  ainda  na  vigência  do  antigo  RICARF,  e,  portanto,  atraiu  a  competência  para  os  processos  reflexos,  no  caso,  o  da  Contribuição  ao  PIS  (10380.729799/2013­79)  e  o  da  COFINS  (10380.729798/2013­24).  Afinal, nessa hipótese, não era de competência da Terceira Seção do CARF o julgamento deste  Processo sobre a COFINS, tampouco do Processo n. 10380.729799/2013­79 (Contribuição ao  PIS), mas sim da Primeira Seção.  É necessário que seja confirmada tal situação, seja para acarretar na extinção dos  processos  de  PIS  e  COFINS,  que  já  estariam  julgados  quando  da  apreciação  do  processo  principal  de  IRPJ,  seja  para  aplicação,  no  que  couber,  do  que  ficou  decidido  naquele  julgamento do IRPJ agora no julgamento dos processos referentes ao PIS e a COFINS, por esta  Terceira  Seção  de  Julgamento,  diante  da  nova  norma  estampada  no  artigo  2º,  inciso  IV  do  RICARF.  Do  contrário,  ressalto,  o  CARF  poderia  acabar  por  proferir  decisões  diferentes  relativamente a uma mesma  infração da  lei  tributária, o que se deve evitar a qualquer  custo,  pelo zelo à segurança jurídica.  Assim,  entendo  que  o  julgamento  deste  processo  deve  ser  convertido  em  diligência para a repartição fiscal de origem, a fim de que:  1. Certifique se os fatos e elementos de prova que levaram à lavratura  do auto de infração que deu origem ao julgamento do IRPJ no Processo  n. 10380.729795/2013­91 (aparente processo principal) são os mesmos  que  embasaram  as  cobranças  da  Contribuição  ao  PIS,  Processo  n.  10380.729799/2013­79,  e  da  COFINS,  Processo  n.  10380.729798/2013­24 (aparentes processos reflexos);  2.  Constatando­se  serem  de  fato  processos  reflexos,  destacar  a  implicação do julgamento do Processo de IRPJ, n. 10380.729795/2013­ 91 (Acórdão n. 1301001.828) na cobrança das Contribuições ao PIS e  da COFINS aqui discutidas, inclusive se tal julgamento já abrange total  ou  parcialmente  o  crédito  tributário  discutido  nos  processos  reflexos  (10380.729799/2013­79 e 10380.729798/2013­24, respectivamente);  3. Não sendo o caso de processos reflexos, que aponte as diferenças nas  citadas autuações fiscais (10380.729795/2013­91, 10380.729799/2013­ 79, 10380.729798/2013­24), no que  tange à cobrança da Contribuição  ao PIS e da COFINS;   4. Queiram verificar: (4.1) de acordo com as regras fiscais e contábeis  que regem o tema, qual a metodologia de apuração da base de calculo  da contribuição ao PIS e da COFINS aplicável aos Contratos de Longo                                                              2 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância  que versem sobre aplicação da legislação de: (...)  IV ­ demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes  ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu  para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;    Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  3402­000.753  S3­C4T2  Fl. 3.727          14 Prazo  de  fornecimento  de  bens  e  serviços;  (4.2)  a  base  de  cálculo  utilizada  pelo  agente  fiscal  na  apuração  do  crédito  tributário  lançado  nos autos dos PAFs n°s 10380.729798/2013­24 e 10380.729799/2013­ 79;  e  (4.3)  se  a  prática  adotada  pelo  agente  fiscal  no  sentido  de  considerar como base de cálculo somente o valor reconhecido na conta  de passivo denominada “Adiantamento de clientes”, ao longo dos anos  de  2007  a  2010,  está  de  acordo  com  a  metodologia  prevista  na  legislação aplicável aos Contratos de Longo Prazo;  5.  Queiram  verificar  se  o  procedimento  adotado  pela  Delegacia  Regional de Julgamento de Ribeirão Preto, de não deduzir os valores do  “Crédito  usado  como  desconto  da  contribuição  apurada  na DACON”  quando  da  elaboração  do  demonstrativo  de  “Aproveitamento  de  Créditos  da  Cofins/PIS  não  Cumulativa”,  está  correta  nos  termos  da  legislação aplicável;   6.  Queiram  verificar  se  o  demonstrativo  de  “Aproveitamento  de  Créditos da Cofins/PIS não Cumulativa” tem equívocos de fórmula do  programa utilizado, conforme alegado pela Recorrente.  É como voto.       Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ

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