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Numero do processo: 10293.720083/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SECRETARIA ESTADUAL. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Cabe a manutenção do arbitramento realizado pela fiscalização com base no VTN registrado no Sistema de Preços de Terra - SIPT, com valores fornecidos pela Secretaria Estadual da Agricultura e delineados de acordo com a aptidão agrícola do imóvel.
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. NÃO CONFISCO.
A multa de oficio que encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadra-se na hipótese prevista pela norma.
Numero da decisão: 2202-005.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ARBITRAMENTO. SECRETARIA ESTADUAL. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Cabe a manutenção do arbitramento realizado pela fiscalização com base no VTN registrado no Sistema de Preços de Terra - SIPT, com valores fornecidos pela Secretaria Estadual da Agricultura e delineados de acordo com a aptidão agrícola do imóvel. JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais (Súmula CARF nº 4). MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. NÃO CONFISCO. A multa de oficio que encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadra-se na hipótese prevista pela norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 00 83 /2 00 7- 47 Fl. 71DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.455 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10293.720083/2007-47 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 11-25.931, proferido pela 1 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife - PE (DRJ/REC) que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 2005, relativo ao imóvel denominado "Seringal Valparaíso - Parte I" localizado no municipio de Cruzeiro do Sul - AC, com área total de 7.000,0 hectares, cadastrado na RFB sob o n° 6.733.489-0, no valor de R$ 111 000,00, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributario total de RS 225.363,30. A ciencia do lançamento ocorreu em 30/10/2007, conforme AR de fl 16v. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, em 29/11/2007: Inicialmente trata da tempestividade Em seguida identifica que foi autuado com base no art 10, § 1 o , inciso I e art 14 da Lei n° 9393/96. Transcreve o texto legal. Alega que a autuação não tem respaldo legal, pois há Laudo de Avaliação emitido peta Prefeitura Municipal de Cruzeiro do Sul - AC, em 23/03/2004, sob n° 076/2004. Discorre sobre fato gerador e suas condições necessárias para a sua ocorrência. Afirma ser do Fisco, legalmente, o dever da prova O valor do imóvel rural deve ser determinado por valor escriturado, averbado e conforme laudos de avaliação. Caberá ao Fisco a busca dos fatos. Cita Acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes. Trata da natureza sancionaria do arbitramento e do dever de investigação que tem o Fisco." Só o critério da impossibilidade absoluta harmoniza logicamente o principio fundamental do dever de investigação que ao fisco compete com vistas à descoberta da verdade material, corolário do princípio da legalidade, como dever de colaboração que impende do contribuinte. A força de tais principios é tanta que o dever de investigação do fisco só cessa na medida e a partir do limite em que seu exercício se tomou impossível." Expõe mais argumentos nesse sentido e conclui que "sobejamente demonstrado ter a fiscalização se precipitado ao tributar o contribuinte recorrente, com base no arbitramento, quando adotou como elemento índices, sem levar em conta ao menos as declarações apresentadas". "O dever de fiscalizar está relacionado à atividade Administração Pública, ligado aos preceitos constitucionais, entre eles os constantes no artigo 37 da Constituição Federal: da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da publicidade. Escreve sobre as prerrogativas atribuídas à fiscalização. Fl. 72DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.455 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10293.720083/2007-47 Além de abordar assunto relativo ao Estado de Direito, cita as Regras Gerais do Direito Administrativo: Princípios da Supremacia do Interesse Público sobre o Interesse Privado, da Legalidade, da Finalidade, da Razoabilidade, da Proporcionalidade, da Motivação, da Impessoalidade, da Publicidade, do Devido Processo Legal e da Ampla Defesa, da Moralidade Administrativa e do Controle Judicial dos Atos Administrativos. Afirma que "o contribuinte possui Escritura de compra e venda, bem como laudo de avaliação expedido por órgão oficial (Prefeitura Municipal de Cruzeiro do Sul - AC). De 23 de março de 2004". Conclui que não há imposto, senão o já declarado e pago. Requer que se cancele o crédito tributário, "por não encontrar respaldo para a sua exigência, tendo como base apenas índices obtidos fora da realidade" Requer ainda sejam canceladas as exigências fiscais, relativas ao valor original de forma ilegal, as multas de ofício, bem como juros de mora" Ao final requer o cancelamento do Auto de Infração Anexa Escritura Pública e Laudo de Avaliação. O lançamento foi julgado procedente pela DRJ/REC. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. O Valor da Terra Nua - VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em I o de Janeiro do ano a que se referir a DITR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1 o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais, face à disposição literal de lei. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Fl. 73DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.455 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10293.720083/2007-47 A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (efls. 38/44), cientificado o sujeito passivo em 13/05/2009 (efls. 48), ensejando a interposição de recurso voluntário em 10/06/2009 (fls. 52/58), repisando os termos da impugnação. Voto Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, Relator. O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade É importante destacar que o lançamento em foco foi legal e corretamente efetuado. Preencheu todos os requisitos necessários para sua elaboração, não existindo nenhum vício formal ou material que exija sua anulação. Antes, ainda, da análise dos argumentos de mérito é importante lembrar que, com base na Lei n° 9.393/1996, o ITR passou a ser lançado por homologação, cabendo ao contribuinte apurar o imposto, através de declaração, e proceder ao seu recolhimento sem o exame prévio da autoridade fiscal e sem a necessária comprovação, também prévia, dos dados declarados, conforme disposto no artigo 150, da Lei n° 5.172/1966, o Código Tributário Nacional - CTN. Por outro lado, o fato de haver dispensa da prévia comprovação do declarado, ou seja, de apresentar documentos comprobatórios no ato da entrega das declarações, não exclui do contribuinte a responsabilidade de manter em sua guarda, no prazo legal, os documentos que devem ser apresentados ao fisco quando solicitado ou, dependendo das características da prova, providenciar sua elaboração, como no caso do laudo técnico. Desta forma, fica clara a existência de legislação que obriga o contribuinte a fazer prova do declarado, fato que corrobora que o ônus da prova cabe ao declarante, estando correto o procedimento fiscal. O artigo 14, da mencionada Lei 9.393/1996, embasa o lançamento de ofício no caso de informações inexatas ou não comprovadas, constatadas, posteriormente, quando do procedimento fiscal de análise dos dados declarados. Dentro do caminhar normativo do contencioso administrativo tributário federal, as hipóteses de nulidade de lançamento fiscal estão enumeradas no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, a saber: (i) documentos lavrados por pessoa incompetente; (ii) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; e (iii) despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. E nenhuma dessas hipóteses foram evidenciadas nos autos. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: Fl. 74DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.455 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10293.720083/2007-47 I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (g.n.) § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (g.n.) Constata-se a observância da garantia da ampla defesa ao ter sido devidamente concedida à autuada oportunidade para apresentar documentos durante a ação fiscal (Termo de Intimação Fiscal, efls. 02/03), ciência da intimação (09/10), em 24/07/2007, e ainda, para apresentar sua peça de impugnação e recurso, produzindo elementos probatórios, com vistas a demonstrar a sua razão no litígio. Ou seja, o Recorrente teve garantido o seu direito a ampla defesa e contraditório, não procedendo, portanto, suas alegações de nulidade da presente Notificação de Lançamento. Do valor da Terra Nua (VTN) Conforme já exposto na preliminar de nulidade, o artigo 14, da mencionada Lei 9.393/1996, embasa o lançamento de ofício no caso de informações inexatas ou não comprovadas, constatadas, posteriormente, quando do procedimento fiscal de análise dos dados declarados. Relativamente ao VTN, quando da análise das DITR o fiscal verificar que o valor atribuído ao imóvel está aquém dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, o procedimento deve ser de intimação do declarante para comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada, entre outros. Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovam a caracterização do imóvel, as fontes idôneas de pesquisa, a similitude da propriedade em relação às amostras levantadas, entre outros. Assim, com base nos referidos dispositivos legais, para verificar a correição da declaração, como já dito, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos comprobatórios do Valor da Terra Nua (VTN), qual seja (efls. 02/03 e 09/10): - Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação Fl. 75DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.455 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10293.720083/2007-47 ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra - SIPT da RFB. Segundo consta da Descrição dos Fatos e Enqudramento Legal (elfs. 14), após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarada. No mesmo sentido, não Constata-se que, de fato, o Contribuinte não respondeu à intimação, embora tenha recebido a correspondência em 24/07/2007 (efls. 02/03, 09/10 e 14) O arbitramento do VTN, com base no SIPT - Sistema Integrado de Preços de Terras, está previsto no art. 14, da Lei n° 9.393, de 1.996 e Portaria SRF n. 447/2002: Lei n. 9393/1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Portaria SRF n. 447/2002 Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). (...) Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal (VTN médio por aptidão agrícola efls. 37), portanto, não se vislumbra nenhuma ilegalidade cometida seja pela fiscalização ou pela decisão de origem. No mesmo sentido, não se constata nenhum desrespeito aos prinípios gerais do direito administrativo, por parte da fiscalização. Em sua impugnação/recurso, caberia à contribuinte demonstrar por meio do Laudo de Avaliação, nos padrões estabelcidos pela NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado, o valor equívocado do VTN com base no SIPT, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 76DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.455 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10293.720083/2007-47 O documento intitulado Laudo de Avaliação da Prefeitura Municipal de Cruzeiro do Sul (efls. 32), em nada se assemelha à um Laudo de Avaliação, nos padrões estabelcidos pela NBR 14.653. A escritura pública de venda e compra juntado às efls 28/29 também não é um documento hábil para descaracterizar os valores informados pela Secretaria Municipal de Agricultura de Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre, forneceu à Receita Federal (efls. 12 e 37), qual seja VTN Me/ha de floresta de R$ 80,00, para o exercício 2005. Com isso, concluo por manter VTN com base no SIPT (VTN médio por aptidão agrícola efls. 37), devendo ser mantida a decisão de origem. Multa de ofício e Juros de Mora Em relação ao argumento do recorrente para cancelar a multa de ofício, lembro que a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicá-la, nos termos do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Conclusão Ante o exposto, voto em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002395/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PROCURAÇÃO. ART. 123 DO CTN. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O auto de infração cumpre com todos os requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não incorre em nenhuma das causas de nulidade previstas no art. 59 do mesmo diploma. O instrumento particular de procuração não torna o procurador co-titular da conta. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. LEI Nº 9.430/96. PRESCINDÍVEL PERÍCIA CONTÁBIL.
A partir da vigência da Lei 9.430/96, a existência de depósitos de origens não comprovadas tornou-se uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, sendo ônus do contribuinte a apresentação de justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contas correntes. Para comprovar os ingressos, prescindível a realização de perícia contábil. Extratos, cheques e declarações bancárias, por exemplo, bastariam para aferir a (im)procedência da autuação.
Numero da decisão: 2202-005.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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PROCURAÇÃO. ART. 123 DO CTN. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração cumpre com todos os requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não incorre em nenhuma das causas de nulidade previstas no art. 59 do mesmo diploma. O instrumento particular de procuração não torna o procurador cotitular da conta. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. LEI Nº 9.430/96. PRESCINDÍVEL PERÍCIA CONTÁBIL. A partir da vigência da Lei 9.430/96, a existência de depósitos de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, sendo ônus do contribuinte a apresentação de justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contas correntes. Para comprovar os ingressos, prescindível a realização de perícia contábil. Extratos, cheques e declarações bancárias, por exemplo, bastariam para aferir a (im)procedência da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 95 /2 00 9- 33 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11060.002395/200933 Acórdão n.º 2202005.492 S2C2T2 Fl. 241 2 (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ANGELO JORGE BECKEL SAVI contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria – DRJ/STM, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança de R$ 1.383.985,87 (um milhão trezentos e oitenta e três mil novecentos e oitenta e cinco reais e oitenta e sete centavos), em razão da apuração das infrações de “omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas” e “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada” (f. 6 a 8), referentes aos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006. Replico tãosomente a ementa do objurgado acórdão (f. 218/225) que, de forma sintética, demonstra as matérias devolvidas a este Conselho: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO PRELIMINAR DE NULIDADE PERÍCIA CONTÁBIL. Constitui omissão de rendimentos deixar o contribuinte de informar total ou parcialmente os valores recebidos de pessoa jurídica por serviços prestados com ou sem vínculo empregatício da Declaração de Ajuste Anual. Caracteriza omissão de rendimentos a não comprovação da origem dos depósitos bancários em contacorrente ou de investimento quando o contribuinte for intimado a fazêlo. O mandato de procuração para movimentação bancária não exonera o mandante dos atos praticados pelo mandatário. A nulidade do Processo Administrativo Fiscal está restrito as hipóteses prevista no artigo 59 do Decreto n° 70.235 de 06/03/1972. Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 27/10/2010, recurso voluntário (f. 296/326), replicando as teses declinadas em sede de impugnação, que bem podem ser assim sumarizadas: i) a nulidade do auto de infração, por erro na identificação da sujeição passiva; ii) a impossibilidade de utilizar depósitos de modo a fundamentar a omissão de rendimentos; e, em caráter subsidiário, iii) a necessidade de realização de perícia para a comprovação da origem dos depósitos. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11060.002395/200933 Acórdão n.º 2202005.492 S2C2T2 Fl. 242 3 Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. I – DA PRELIMINAR: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Narra o recorrente ter conferido poderes ao Sr. Paulo Renato Ribeiro para movimentar a conta corrente de nº 35.01112409 do Banrisul, conforme instrumento particular de procuração às f. 170. Entende ser nulo o auto de infração, eivado de “erro na identificação no sujeito passivo” (f. 237). Da simples leitura das razões declinadas, fica claro não poder acolhêlas. Não há que se cogitar em cotitularidade, o que tornaria imperiosa a intimação nos termos do verbete sumular de nº 29 do CARF, uma vez que a conta é de titularidade exclusiva do recorrente. Despiciendo lembrar ainda que o art. 123 do CTN é expresso ao dispor que, “[s]alvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” Rejeito, com base nessas razões, a preliminar arguida. II – DO MÉRITO: (DES)NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS No ano de 1996, com a entrada em vigor da Lei nº 9.430, restou autorizada a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações – “ex vi” do art. 42. Ao contrário do sustentado nas razões de recurso voluntário, sobre os ombros do recorrente recai o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos. Justamente por essa razão, alegações exclusivamente genéricas, desamparadas de prova documental, não se mostram suficientes para elidir a autuação. Registro ainda que este Conselho já editou verbere sumular – de nº 26 –, que é hialino ao dispor que [a] presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Não tendo o recorrente se desimcumbido do ônus que lhe competia, mantenho a autuação. III – DO PEDIDO SUBSIDIÁRIO: (DES)NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Aduz o recorrente que (…) nomeou assistente técnico para fins de perícia contábil (nome, endereço e qualificação profissional do mesmo), como também, justificando e motivando tal perícia e ainda, formulando Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11060.002395/200933 Acórdão n.º 2202005.492 S2C2T2 Fl. 243 4 os quesitos (estes não tem forma definida), todos eles já identificados na Impugnação ora recorrida, no item "Provas", parágrafo primeiro, que diz: "fazse necessário a nomeação de um perito contábil para apurar o resultado entre os depósitos realizados e compensados, como também, indicar que os depósitos realizados na conta de Inicio 39 são os mesmos realizados na conta de início 35, como também, identificar os empréstimos bancários, e comprovar a utilização quase que frequente de limites, apontando os saldos devedores das referidas contas . Identificar também, os depósitos de menor valor (igual ou menos de R$12.000,00 (doze mil reais). (f. 237; sublinhas deste voto) Arremata afirmando que “[a] negativa da prova importa (...) em cerceamento da defesa do recorrente/contribuinte, pois esta prova é pertinente e necessária.” (f. 273) De acordo com o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, [a] autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (sublinhas deste voto) Não por outra razão, determina o inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/75, que, na impugnação, devese apresentar “(...) as diligências, ou perícias (...) pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.” Claro, portanto, que o indeferimento do pedido de realização da perícia per se não implica cerceamento de defesa. Para tanto, há de se demonstrar sua imprescindibilidade para o desate da querela. O recorrente, conforme já narrado, foi autuado em razão da apuração das infrações de “omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas” e “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”. A meu aviso, desnecessária a realização de perícia técnica contábil, uma vez que extratos, cheques e declarações bancárias, por exemplo, bastariam para aferir a (im)procedência da autuação. Por não ser a realização de perícia essencial para compreensão dos fatos e convencimento dos julgadores, deixo de acolhêla. IV – CONCLUSÃO Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11060.002395/200933 Acórdão n.º 2202005.492 S2C2T2 Fl. 244 5 Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722132/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
IRPF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. PARECER NORMATIVO COSIT Nº 1 DE 2002.
Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre rendimentos percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes.
Numero da decisão: 2201-005.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. PARECER NORMATIVO COSIT Nº 1 DE 2002. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre rendimentos percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 75/88) interposto contra decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) de fls. 67/69, a qual julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário formalizado na notificação de lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 17/5/2010 (fls. 6/9), decorrente do procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2007, ano- calendário de 2006 (fls. 33/36). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 32 /2 01 0- 40 Fl. 176DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.580 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722132/2010-40 Do Lançamento O crédito tributário objeto do presente processo administrativo, no montante de R$ 61.406,26, incluídos juros de mora (calculados até 31/5/2010) e multa de ofício de 20%, refere-se à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 40.316,64. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 21/6/2010, conforme cópia do AR de fl. 66, o contribuinte apresentou impugnação em 8/7/2010 (fl. 2), acompanhada de documentos (fls. 3/24), alegando: Infração: FONTE INAPTA - Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte / CNPJ: 90.438.862/0001-93 Valor da Infração: R$ 40.316,64. - O VLR RETIDO DE I. RENDA CONSTA DO PROCESSO TRABALHISTA N° 01274.013/00-3 DA 13ª VARA DO TRAB. DE PORTO ALEGRE NOS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA E AUTORIZADA A RETENÇÃO E O RECOLHIMENTO PELA RÉ E DE ACORDO COM O TERMO DE CONCLUSÃO. Da Revisão de Ofício O lançamento foi submetido à revisão de ofício, nos termos do artigo 6º-A da Instrução Normativa RFB nº 958 de 2009, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1061 de 2010. A decisão, conforme Termo Circunstanciado (fl. 43) e Despacho Decisório (fl. 44), foi pela manutenção dos valores apurados na notificação de lançamento tendo em vista a falta de comprovação do recebimento dos valores e da retenção ou o recolhimento do imposto retido. Devidamente cientificado da decisão em 23/1/2014, conforme Edital nº 003/2014/DRF/POA/Sefis/Ma de 8/1/2014 (fl. 51). Esgotado o prazo de 30 (trinta) dias sem manifestação do contribuinte acerca do conteúdo do despacho decisório e do termo circunstanciado, o processo seguiu para julgamento na DRJ. Da Diligência De acordo com despacho de fl. 55, a autoridade julgadora de primeira instância decidiu baixar o processo em diligência à DRF/Porto Alegre/RS/SECAT para: (...) que o(a) contribuinte seja intimado(a) a apresentar uma Certidão de Inteiro Teor, relativa ao processo judicial nº 01274.013/003 (José Gamito Cardoso X Massa Falida de Editora Fotoletras Ltda), a ser requerida perante a Justiça do Trabalho – 13ª Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS, na qual constem, dentre outras informações, o valor do rendimento bruto pago ao reclamante, durante o ano-calendário de 2006, discriminando a(s) parcela(s) paga(s), a(s) data(s) do(s) pagamento(s) e o(s) valor(es) do imposto de renda retido na fonte correspondente. Em atendimento ao solicitado, a unidade preparadora intimou o contribuinte (fl. 56), cuja ciência se deu por meio de Edital nº 031/14/DRF/POA/SECAT de 27/5/2014 em 11/6/2014 (fl. 62). Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, em sessão de 12 de setembro de 2014, a 4ª Turma da DRJ em Juiz de Fora (MG), julgou a impugnação improcedente sob o argumento de que o contribuinte não trouxe aos autos documentos hábeis a ratificar a retenção do IRRF declarado, conforme ementa do acórdão nº 09-54.414 - 4ª Turma da DRJ/JFA, a seguir reproduzida (fl. 67): Fl. 177DF CARF MF http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=16028#1040135 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=16028#1040135 Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.580 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722132/2010-40 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 IRRF. COMPROVAÇÃO. Mantém-se a glosa, uma vez que o contribuinte não trouxe aos autos documentos hábeis a ratificar a retenção do IRRF declarado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Devidamente intimado da decisão da DRJ em 19/9/2014, conforme AR de fl. 73, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 15/10/2014 (fls. 75/80), acompanhado de documentos de fls. 81/166, alegando, em síntese, o que segue: - Ser da empresa pagadora a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda retido na fonte; - A tributação não pode ser efetivada de forma acumulada; - Ter recebido o valor líquido de R$ 139.638,26 ficando retido na fonte o valor de R$ 40.316,64, totalizando o montante devido de R$ 179.954,90, sendo a base de cálculo do imposto de renda R$ 148.144,46; - A jurisprudência firmou entendimento de que, em casos de rendimentos percebidos acumuladamente, aplicam-se as tabelas e alíquotas da época em que o contribuinte deveria ter recebido as parcelas correspondentes, sob pena de desrespeito ao principio da isonomia tributária e á capacidade contributiva, colacionando jurisprudência; - Em consequência do entendimento jurisprudencial firmado nesse sentido, foi confeccionada a Instrução Normativa n° 1.127 de 2011 dispondo a respeito da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA); - Conforme alteração da Lei nº 7.713 de 1988, dos valores percebidos pelo reclamante devem ser deduzidas as despesas que teve com a ação judicial movida, quais sejam, honorários advocatícios, pelo que junta, em anexo, os recibos pertinentes; - Sob pena de infringir o princípio da isonomia tributária e da capacidade contributiva, o imposto de renda devido pelo contribuinte por conta dos valores recebidos de forma acumulada deve ser recalculado com base nas tabelas e alíquotas aplicáveis a época em que devidas as respectivas verbas remuneratórias. Requer ao final: - A reforma do acórdão recorrido e afastar a responsabilidade do recorrente pelo recolhimento dos presente valores, ante sua nítida ilegitimidade. - Alternativamente, requer seja recalculado o imposto devido, sendo que o cálculo deve ser feito de acordo com as tabelas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos, observando a renda pertinente a cada mês, com dedução dos valores pagos a título de honorários advocatícios. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. Fl. 178DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.580 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722132/2010-40 O recurso é tempestivo uma vez que, cientificado do acórdão da DRJ em 19/9/2014 (fl. 73), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 15/10/2014 (fls. 75/80). Assim, presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, deve ser conhecido. Os documentos apresentados pelo contribuinte atestam a existência de reclamatória trabalhista. O demonstrativo de cálculos de liquidação de sentença do processo n° 01274.013/00 – 13ª Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS, elaborado pelo contador judicial em 27/3/2002, apresenta resumo das verbas deferidas referente ao período de 15/1/1998 a 3/5/2000, dos valores devidos, dos cálculos do INSS e do Imposto de Renda de R$ 40.316,64 e do valor líquido apurado para 1/3/2002, no montante de R$ 158.642,96 (fls. 16/21 e 132/136). Tais cálculos foram homologados pelo juiz do trabalho, conforme decisão em 14/8/2002, de fl. 233 do processo trabalhista (fls. 22 e 138). Tendo em vista a decretação da falência da empresa ré houve a habilitação por parte do Recorrente na massa falida, cujo processo tramitava perante o 1º juizado de Falências e Concordatas. No despacho de deferimento da habilitação, exarado em 28/5/2003, foi ressalvado pelo promotor de justiça, que deveria ser observado “a disposição contida no artigo 26 do DL. 7661/45, ficando a incidência da correção monetária e juros de mora após a decretação da quebra no suporte da massa, no final” (fl. 153). O crédito do Recorrente junto à massa falida no montante de R$ 169.827,85, foi julgado habilitado em decisão de 10/6/2003 (fls. 154/155) No plano de pagamento de credores trabalhistas elaborado pelo síndico da massa falida de Editora Fotoletras Ltda, em 19/7/2006 (fls. 159/160), consta na relação do plano de pagamento de credores que o Recorrente é credor do valor de R$ 169.827,85 (fl. 162). Tal plano de pagamento foi deferido pelo juiz de direito da Vara de Falências e Concordatas do Foro da Comarca de Porto Alegre/RS (fl. 163). De acordo com cópia de correspondência encaminhada pelo juiz da Vara de Falências ao gerente do Banrisul, foi solicitada “a transferência de valores das contas da Massa Falida para as contas individuais, com rendimentos, a serem abertas em nome dos credores, nas quantias e percentuais constantes de relação anexa, a serem levantados por seus titulares e/ou procuradores” (fl. 164). De acordo com o teor da Súmula CARF nº 143: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No caso concreto o contribuinte faz prova da retenção do imposto de renda sobre os valores pleiteados na reclamatória trabalhista por meio do referido demonstrativo de cálculos periciais homologados pela justiça do trabalho. Assim sendo, nos termos do disposto no Parecer Normativo Cosit nº 1 de 24 de setembro de 2002, “ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido.” Logo, deve ser restabelecida a glosa realizada. Conclusão Diante do exposto, vota-se em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto em epígrafe. Fl. 179DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.580 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.722132/2010-40 Débora Fófano dos Santos Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 13643.000386/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1998
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-006.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em razão da concomitância.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
valcir Gassen - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário em razão da concomitância. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) valcir Gassen - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 108 a 120) interposto pelo Contribuinte, em 9 de julho de 2010, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 09-29.319 (fls. 95 a 100), de 05 de maio de 2010, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos, considerar não conhecida a impugnação no tocante a matéria discutida na esfera judicial e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 03 86 /2 00 3- 97 Fl. 133DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.621 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000386/2003-97 procedente em parte em relação aos argumentos não discutidos naquela esfera, para manter o lançamento do tributo consubstanciado no auto de infração de fl. 33, no valor de R$ 41.917,73 acompanhado de multa de mora e juros calculados até a data do efetivo pagamento. Com o intuito de colaborar na elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Em decorr - 1998, exigindo-lhe 112.810,03, sendo R$ 41.917,73 a título de PIS. Enquadramento Legal, parte - restou confirmada. 1) gerador. Discorre sobre o tema; 2) constitucional vigente que rece -somente a LC 07/70, em seu artigo 239; 3) é 07/70, a denominada semestralidade do PIS; 4) compensar o excesso recolhido a tí - 5) Sobre o tema, cita ainda o art. 2° da IN SRF 31/1997. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator. O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 09-29.319 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 134DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.621 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000386/2003-97 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Ano-calendário: 1998 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. Não se conhece da impugnação na parte em que o pedido e seus fundamentos forem idênticos àqueles formulados pelo contribuinte em ação judicial, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado. ALÍQUOTA A LC 17/73 não alterou a sistemática da LC 07/70, simplesmente elevou a alíquota a ser aplicada de 0,5% para 0,75%, não foi questionada pela empresa na esfera judicial e tampouco reputada inconstitucional pelo Pretório Excelso, restando escorreita sua aplicação. SEMESTRALIDADE. O Parecer PGFN/CRJ/N° 2.143/2006, com base no qual foi editado o Ato Declaratório PGFN n° 8, de 16/11/2006, implica no reconhecimento administrativo da semestralidade na vigência dos Decretos-lei 2.445 e 2.449/88. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendo-se a decadência pelos ditames do art. 173 do C'TN, com inicio do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Ademais, tratando-se de débitos declarados em DCTF, descabe discutir o prazo para formalização da exigência, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de oficio em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão ora recorrida entendeu-se por não conhecer da impugnação no tocante a matéria discutida na esfera judicial. Na parte conhecida julgou-se procedente em parte o pleito Fl. 135DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.621 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000386/2003-97 do Contribuinte e manteve-se o lançamento do tributo consubstanciado no auto de infração de fl. 33, no valor de R$ 41.917,73 acompanhado de multa de mora e juros calculados até a data do efetivo pagamento. O Contribuinte preliminarmente trata da análise do procedimento de compensação nestes termos: Noutros termos: sendo certo que a própria Delegacia de Julgamento reconheceu que cabe somente a "... autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado", não restam dúvidas que, tendo em vista o trânsito em julgado favorável da Ação n° 1997.38.01.004717-0, o presente processo deveria retornar para o setor correspondente para que fosse cumprida a decisão judicial, ou seja, cabe à Receita Federal apenas apurar o direito creditório reconhecido judicialmente. Assim, apenas após a análise do direito creditório reconhecido judicialmente seria possível dizer se procede ou não o Auto de Infração lavrado. Como, de fato, a ora Recorrente em tudo seguiu o que a lei preceitua, ao final da análise, concluir-se-á pela convalidação da compensação, não fazendo nenhum sentido a manutenção da autuação. Caso assim não se entenda, o que não se espera, deve o presente Auto de Infração ser cancelado, conforme as próximas razões (...). Com a devida vênia a esse entendimento é correta a posição da DRJ, pois diante da concomitância cabe a autoridade de origem cumprir a decisão judicial como ficou saliente no voto: parte a contribuinte. E o que reza da Receita Federal: - - o de eventual recurso interposto;" os elementos constantes destes autos, demonstra a concom tratada nos processos administrativo e judicial, no que toca ao direito dos Decretos-Lei 2445 e 2449 de 1988 com -se subjudice transitada em julgado. Assim, percebe-se a concomitância entre a esfera administrativa e judicial e neste caso atente-se a aplicação da Súmula CARF nº 1 que estabelece: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a Fl. 136DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.621 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13643.000386/2003-97 apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário do Contribuinte diante da concomitância entre a esfera administrativa e judicial da matéria objeto do presente processo. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 137DF CARF MF https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf
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Numero do processo: 10930.003820/2004-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 10/03/1999 a 15/10/1999
RESTITUIÇÃO. PEDIDO PROTOCOLADO EM DATA ANTERIOR A 09/06/2005. PRAZO DECADENCIAL DE 10 ANOS.
Aplica-se o prazo de 10 (dez) anos para decadência dos pedidos de restituição, que tenham sido protocolados anteriormente a data de 09/06/2005, por sentença proferida no Supremo Tribunal Federal no RE 566621, julgado nos termos do art. 543-B do CPC.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-006.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o prazo de dez anos para apresentação do pedido de ressarcimento/compensação e determinar à Unidade de Origem que realize a análise do crédito considerado decaído.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PEDIDO PROTOCOLADO EM DATA ANTERIOR A 09/06/2005. PRAZO DECADENCIAL DE 10 ANOS. Aplica-se o prazo de 10 (dez) anos para decadência dos pedidos de restituição, que tenham sido protocolados anteriormente a data de 09/06/2005, por sentença proferida no Supremo Tribunal Federal no RE 566621, julgado nos termos do art. 543-B do CPC. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o prazo de dez anos para apresentação do pedido de ressarcimento/compensação e determinar à Unidade de Origem que realize a análise do crédito considerado decaído. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 38 20 /2 00 4- 48 Fl. 208DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.710 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.003820/2004-48 Trata o processo de Pedido de Restituição de Cofins (fl. 01), protocolizado em 12/11/2004, em relação aos pagamentos efetuados entre 03/1999 a 02/2004, no valor de R$ 245.204,36, conforme planilhas de fls. 29/30, por não terem sido excluídas da base de cálculo da Cofins as importâncias que, computadas como receita, tenham sido transferidas para outra pessoa jurídica, nos termos do art. 3°, § 2°, III, da Lei n°9.718, de 1998. Em 26/08/2005, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal ern Londrina/PR, conforme Despacho Decisório As fls. 110/118, considerando extinto o direito de se pleitear restituição em relação aos pagamentos efetuados em datas anteriores a 12/11/1999 e não-formulado o pedido de restituição para os pagamentos efetuados a partir de 12/11/1999. Inconformada com a . .decisão proferida, a interessada, por intermédio de procuradora habilitada (doc. 142) in" *Os, em 04/10/2005, a tempestiva manifestação de inconformidade, fls. 122/131, alegando, inicialmente, que a autoridade indeferiu seu pleito pela não juntada dos documentos comgrobatóii6S, dos recolhimentos a maior e pelo fato de não haver sido apresentada a Declaração de Compensação, seja pelo programa Per/Dcomp, seja em formulário (papel). ' Referindo-se ao mérito, destaca que não ha razão jurídica ou constitucional de atribuir poder de regulamentação ao Poder Executivo, negando a aplicação imediata da Lei n° 9.718/98, pois estaria ferindo o Principio da Legalidade. Entende, assim, que não há necessidade de regulamentação para aplicação imediata da dedução legal estatuída no art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.718/98, sendo cabível A contribuinte, cuja atividade econômica enquadra-se na situação Mica, a restituição dos valores pagos a maior a titulo de Cofins. Em seguida, cita julgado do Superior Tribunal de Justiça. Aduz, em relação aos pagamentos efetuados a partir de 12/11/1999, que o Per/Dcomp não aceita e não reconhece os créditos objeto de restituição (mediante compensação), ou seja, os valores a titulo de PIS pagos a maior devido A transferência de rendas para terceiros (hipótese não discriminada nos incisos do art. 2° da IN SRF ri° 460/2004), dai a utilização de formulário em papel, tudo, a seu ver, em conformidade com a IN SRF no 460/2004, art. 3°, §1°, que disciplina a utilização do formulário Pedido de Restituição (Anexo I) quando da impossibilidade de utilização do Per/Dcomp. Em relação aos valores pagos em datas anteriores a 12/11/1999, o entendimento da ocorrência de prescrição confronta com as antigas e as mais recentes jurisprudências judiciais c administrativas as quais apontam para a prescrição decenal dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicável, a seu ver, no caso em tela. Salienta que a Lei Complementar n° 118/2005 passaria a valer a partir de 09/06/2005 (120 dias após a data de sua publicação), sendo que o pedido de restituição foi protocolado em 12/11/2004. Enfatiza, assim, que a alegação da DRF em Londrina foi mera interpretação pessoal, infringindo o Principio da Impessoalidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento indeferiu indeferir o pedido de restituição de contribuição feita a titulo de Cofins, em relação aos pagamentos efetuados até 12/11/1999, por força da decadência, e não conheceu da manifestação de inconformidade em relação aos pagamentos efetuados após 12/11/1999. A decisão foi assim ementada ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARI 0 134-; Período de apuração: 10/03/1999 a 15/10/1999 :COFINS. PREJUDICIAL. REPETIÇÃO DE 'INDÉBITO. DECADÊNCIA O. direito de o contribuinte pleitear a restituição de tribui6 ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso ao prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida. Fl. 209DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.710 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.003820/2004-48 Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, repisando as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente por tratar-se de questão preliminar é necessário analisar o prazo de decadência a ser considerado para o pleitear a restituição de contribuições pagas a maior. A decisão de piso decidiu pela decadência, utilizando o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Em que pese a correta interpretação da legislação vigente a época da decisão da primeira instância, ha se de se considerar fato relevante que sobreveio posteriormente àquela decisão. A matéria foi objeto de decisão no Supremo Tribunal Federal no RE 566621, de Relatoria da Ministra Ellen Gracie, submetido ao regime do art. 543-B do CPC, quando foi decidido que as alterações promovidas pela Lei Complementar nº 118/2005, que definiu o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para repetição ou compensação de indébito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, somente passaram a ser aplicáveis a partir do vacatio legis desta norma. Assim, os pedidos de restituição ou compensação, ajuizados antes da data de 09/06/2005, teriam o prazo de 10 (dez) anos contados do seu fato gerador. Transcrevo abaixo a ementa da decisão. “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Fl. 210DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.710 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.003820/2004-48 A LC 118/05, embora tenha se auto-proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” A partir das alterações promovidas no Regimento Interno do CARF, com a edição da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, foi incluída a determinação de reproduzir nos julgamentos deste colegiado as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543-B e do art. 543-C, do CPC, verbis: “Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 211DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.710 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.003820/2004-48 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes..” Portanto, atendendo a determinação do Regimento Interno do CARF, adoto o entendimento prolatado no RE 566621, no sentido de considerar o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, para o pedido protocolados em data anterior a 09/06/2005. Considerando que a declaração de compensação em discussão neste processo foi protocolado em 12/11/2004, relativa a créditos decorrentes de pagamentos indevidos efetuados entre 03/1999 a 02/2004 deve ser afastada a decadência parcial decidida pela DRJ, devendo ser apreciada o mérito do pedido também para aos períodos anteriores a 12/11/1999. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso, para afastar a decadência e determinar a realização de novo julgamento para apreciação dos créditos referentes aos períodos anteriores a 12/11/1999. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Relator Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009686/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
SÍNDICO. MASSA FALIDA. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ANTERIORES A NOMEAÇÃO. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Não se pode imputar a responsabilidade solidária ao síndico da massa falida, quando os fatos geradores são anteriores a sua nomeação, inexistindo, portanto, qualquer vínculo entre a sua atuação e as infrações constatadas.
Numero da decisão: 1302-004.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 SÍNDICO. MASSA FALIDA. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ANTERIORES A NOMEAÇÃO. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não se pode imputar a responsabilidade solidária ao síndico da massa falida, quando os fatos geradores são anteriores a sua nomeação, inexistindo, portanto, qualquer vínculo entre a sua atuação e as infrações constatadas.
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MASSA FALIDA. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ANTERIORES A NOMEAÇÃO. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não se pode imputar a responsabilidade solidária ao síndico da massa falida, quando os fatos geradores são anteriores a sua nomeação, inexistindo, portanto, qualquer vínculo entre a sua atuação e as infrações constatadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório O presente processo foi formalizado para o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo Sr. Bruno Calil Fonseca, incluído no polo passivo do auto de infração lavrado em face à NORTEPAR PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ. 02.630.858/0001-65, cujos créditos tributários estão contidos no processo administrativo de nº 10120.006085/2008-92. Por bem retratar a questão processual, reproduzo a Representação de fls. 02: Em nome do contribuinte acima identificado, foi lavrado um Auto de Infração de IRRF, ano calendário 2005 (fls.77/85), cujos créditos tributários estão contidos no Processo de n° 10120.006085/2008-92 (f1.03). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 96 86 /2 00 9- 38 Fl. 179DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.006 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.009686/2009-38 Como a empresa se encontrava em processo de falência o Serviço de Fiscalização identificou como integrantes do polo passivo da relação tributária o sócio gerente (Marcelo Alcazar Farah), o sócio administrador (Carlos Joaquim do Amaral Neto) e o síndico da massa falida (Bruno Calil Fonseca). O sócio gerente e o sindico foram cientificados do auto de infração em 20/05/2008 e 19/05/2008, respectivamente (fls.91 e 94). Em 18/05/2008 houve apresentação de impugnação tempestiva por parte do Sr. Bruno Calil, solicitando o seguinte: desconstituição do auto de infração, visto o débito ter sido declarado, exclusão da multa de oficio e juros moratórios, necessidade de intimação dos sócios e retificação de sua condição de síndico da massa falida (fls.98/102). A DRJ/BSA por meio do despacho de fls.109/110 retomou os autos a DRF/GOI para que o sócio Carlos Joaquim do Amaral Neto e o Sr. André Luiz Ferreira, síndico da massa falida até a data de 10/02/2005, fossem cientificados da lavratura do auto de infração. Após cumprir as exigências acima (fls.111/115) os autos foram devolvidos ao órgão julgador, que por meio do Acórdão 03-29.033-2ª Turma considerou o lançamento procedente, mantendo no polo passivo da relação tributária as pessoas acima mencionadas, ou seja, Marcelo Alcazar Farah, Carlos Joaquim do Amaral Neto, André Luiz Ferreira e Bruno Calil Fonseca (fls.117/124). Todos os responsáveis pelo crédito tributário foram intimados da decisão supra, via AR ou edital, conforme documentos de fls.133/143, 149/152 e 154. Em 06/03/2009, tempestivamente, visto ter sido cientifica em 20/02/2009 (fl.142), o Sr. Bruno Calil Fonseca, apresentou o recurso de fls.155/158, solicitando apenas sua exclusão do polo passivo da obrigação tributária. Não contestou em nenhum momento o crédito tributário, que se torna matéria não recorrida, passível de exigência imediata conforme disposto no Dec.70.235172. (grifei) Ante o exposto, LAVRO, nesta data, a presente REPRESENTAÇÃO, para que seja formalizado processo, a fim de o recurso voluntário acima mencionado seja enviado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para ser apreciado o pleito do sujeito passivo, sendo que a cobrança do crédito tributário prosseguirá no processo principal (10120.006085/2008-92). Importa relatar que o lançamento constituiu créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativos ao ano-calendário de 2005, uma vez que constou o valor de R$ 29.988,68 na DIRF – Declaração do Imposto de Renda Retida na Fonte, como retenção sob o código de receita 0588 (Rendimentos do Trabalho sem vínculo empregatício), mas sem qualquer recolhimento. A impugnação do Sr. Bruno Calil Fonseca foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/Brasília-DF, na sessão de 23 de janeiro de 2009, por meio do Acórdão nº 03- 29.033, de fls. 121/128, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SÍNDICO DA MASSA FALIDA. O art. 134 do CTN torna responsáveis, solidariamente com o contribuinte, determinadas categorias de pessoas que, por diferentes razões e direito, o representam ou praticam atos jurídicos em nome e por conta dele. Fl. 180DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.006 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.009686/2009-38 DCTF. OBRIGATORIEDADE. ENTIDADES SOB REGIME DE FALÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Mesmo as entidades submetidas ao regime de falência passaram a sujeitar-se as mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis as pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere obrigatoriedade de apresentação da declaração, conforme dispõe o art. 146 do RIR/99. A não apresentação da DCTF implica em não confissão da divida, cabendo à autoridade fiscal constituir o crédito tributário. FALÊNCIA. MULTA E JUROS DE MORA. Mesmo contra empresas com falência decretada, é obrigatório e vinculante o lançamento, com a imposição de multa de oficio e a previsão de juros de mora, encargos esses que poderio ser revistos, por ocasião da execução judicial do crédito tributário. A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 20/02/2009, conforme AR de fls. 146. O recurso voluntário do Sr. Bruno Calil Fonseca foi apresentado em 06/03/2009, fls. 167/170, com as seguintes alegações: Contesta exclusivamente o entendimento de que o Sr. Bruno Calil Fonseca é co-responsável tributário pelas autuações impostas à empresa NORTEPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. O recorrente é apenas síndico da massa falida, não sendo representante legal da firma falida. Tomou posse apenas em 25/10/2007, quando já tinham ocorridos todos os fatos geradores das obrigações tributárias, objeto da autuação fiscal. A responsabilidade do síndico decorre de suas ações ou omissões, nos atos em que intervir. Não há possibilidade do recorrente, que tomou posse em 25 de outubro de 2007, ser responsável por atos praticados pela firma no ano base de 2005, quando sequer estava falida, sendo ilegal a sua inclusão no polo passivo da obrigação tributária. O acórdão recorrido se equivoca ao impor ao recorrente a condição de co- responsável tributário por débitos anteriores a sua assunção na função de síndico. A firma falida NORTEPAR PARTICIPAÇÕES LTDA e a Massa Falida da NORTEPAR PARTICIPAÇÕES LTDA são pessoas jurídicas distintas, sendo que o recorrente representa esta última. Requer que o recurso seja provido para excluir o recorrente do polo passivo. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli, Relatora. Fl. 181DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.006 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.009686/2009-38 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Assiste razão ao recorrente. O artigo 134 do CTN assim dispõe sobre a responsabilidade de terceiros: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Acerca do citado dispositivo, assim esclarece Hugo de Brito Machado: A responsabilidade de terceiros, prevista no artigo 134 do CTN, pressupõe duas condições: a primeira é que o contribuinte não possa cumprir sua obrigação, e a segunda é que o terceiro tenha participado do ato que configure o fato gerador do tributo, ou em relação a este tenha indevidamente omitido. De modo algum de pode concluir que os pais sejam sempre responsáveis pelos tributos devidos por seus filhos menores. Nem que os tutores ou curadores sejam sempre responsáveis pelos tributos devidos pelos seus tutelados ou curatelados etc. É preciso que exista uma relação entre a obrigação tributária e o comportamento daquele a quem a lei atribui a responsabilidade. (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 30ª ed. Malheiros, 2009, p. 158) Consta nos autos a Decisão Judicial, fls. 55/56, nomeando o Sr. Bruno Calil Fonseca síndico da massa falida, datada em 25 de outubro de 2007. Não poderia, portanto, ter- lhe sido imputada qualquer conduta ativa ou omissiva que resultasse nos créditos tributários constituídos no auto de infração, posto que são relativos a fatos gerados do ano-calendário de 2005. Resta ausente, portanto, o vínculo entre os tributos constituídos via lançamento com o comportamento do síndico, ora recorrente, por uma questão de impedimento temporal. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli - Relatora Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.005498/2002-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF.
Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-006.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por erro material.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA EM DCTF. Nulo é o processo que não atende às formalidades prescritas em lei. Processo anulado ab initio. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por erro material. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 257 a 262) interposto pelo Contribuinte, em 5 de agosto de 2010, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 05-29.189 (fls. 246 a 253), de 23 de junho de 2010, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) – DRJ/CPS – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a Impugnação (fls. 2 a 5) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 54 98 /2 00 2- 58 Fl. 276DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.606 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005498/2002-58 Trata o presente processo do Auto de o para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, lavrado em 09/05/2002 (fls. 10) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 10/06/2002 (fls. 193/194), dezembro de 1997. sintetizadas: - tendo em vista a inconstitucionalidade dos Decretos-Lei n°s 2.445/88 e 2.449/88 - manifestamente inexigíveis. -la com respaldo no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Afirma que o contribuinte tem o -2, nos seguintes termos: “ Nos autos da AO supracitada, em 15/09/1997 foi parcialmente concedida a tutela antecipada para autorizar a CSLL e de COFINS (fls. 49 a 66). Em julgamento datado de 31/10/2002, o TRF da 3ª (f julgado (fls. 89/90). ” Fl. 277DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.606 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005498/2002-58 Por meio do Despacho de fls. 225, o processo foi encaminhado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator. O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 05-29.189 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judícial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão recorrida os julgadores deixaram de apreciar por concomitância o mérito da exigência na parte que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, afastaram a multa de ofício, mas mantiveram em parte a exigência fiscal relativa a COFINS. Diante dessa decisão, o Contribuinte em seu recurso pleiteia a nulidade do Auto de Infração por ter sido subscrito por autoridade administrativa incompetente, por não Fl. 278DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.606 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005498/2002-58 observância do rito estabelecido na IN SRF 94/97 e por não ser possível o lançamento sobre os valores lançados em DCTF. Aponta por fim que o valor de COFINS do 4º Trimestre de 1997 foram objetos de compensação, liquidados com posterior manifestação da administração fiscal. Cito trechos para bem precisar esse entendimento: - - operada pela contribuinte p inexist. no Profisc". Surpreendentes as justificativa Com efeito, com -2 - em que figura inconstitucionalidade dos Decretos Lei nº 2445 e 2449/88 - pois o valor de COFINS dos meses de Outubro, Novembro e Dezembro de 1997 foram obietos - Auditoria DCTF, conforme se verifica atra - – 6 - DO PEDIDO No presente processo trata-se de Auto de Infração relativo a COFINS do 4º Trimestre de 1997. O Contribuinte em seu recurso junta aos autos (fls. 263 e seguintes) e faz referência ao Acórdão nº 3403-00.016, de 6 de julho de 2009, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção. Constata-se identidade de matéria no Processo nº 13840.000719/2003-51 com o presente, apenas com a diferença de período: naquele, período de 01/01/1998 a 31/01/1998 e 01/08/1998 a 31/08/1998, neste, 4º Trimestre de 1997. Com isso considerado, cito trechos do Acórdão nº 3403-00.016 como razões para decidir: Fl. 279DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.606 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005498/2002-58 Relatório Trata o presente processo de auto de infração decorrente de revisão interna de DCTF, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, lavrado em decorrência da não confirmação da existência do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados referentes aos períodos de: 0l/01/1998 a 31/01/l998 e 01/08/1998 a 31/08/1998. A ciência da contribuinte deu-se por meio de Edital fixado em 22 de outubro de 2007 e desafixado em 06 de novembro de 2007, conforme consta à fl. 79, quando a interessada tomou conhecimento. Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em preliminar, que o auto de infração é nulo por não conter a descrição dos fatos, bem como por ter sido subscrito pela Delgada da Receita Federal em Campinas/SP, que nesta condição estaria impedida, para tanto, exige-se a pessoalidade, conforme dispõe o art. 11, inciso IV, do Decreto n. 70.235/72, inobservância do rito estabelecido pela IN SRF 94/97, além disso por ausência de intimação para o contribuinte prestar esclarecimento, nulidade do auto em decorrência de não caber lançamento de ofício sobre valores denunciados na DCTF e ausência de créditos vinculados não confirmados em decorrência do processo judicial não comprovado e inexistente no Profisc. Quanto ao mérito, afirma que obteve em sede de antecipação de tutela por meio do Processo judicial nº 97.0611376-2, em que figura como Requerente, cujo objeto é a restituição dos valores indevidamente pagos a título de PIS com base na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Lei n. 2.445 e 2.449/88, concluiu que, o indébito é suficiente para liquidar integralmente o débito da COFINS referente ao mês de janeiro de 1998. A decisão foi confirmada em sentença e por acórdão do tribunal. Sustenta também que o débito de agosto de 1998, teria sido quitado por meio dos créditos oriundos dos processo administrativos de números 13840000020/99-53 e 13840000021/99-l6, respectivamente, efetivado segundo as normas vigentes à época (IN n. 21/97), que permitia a utilização de valores objeto de pedido de restituição para quitar débitos próprios, vencidos ou vincendos, de tributos ou contribuições administrados pela Secretária da Receita Federal. Acrescenta que a exigência da multa de ofício e dos juros de mora é indevida, tendo em vista que os débitos estavam com sua exigibilidade suspensa por liminar. A decisão guerreada rejeitou as preliminares de nulidade, manteve o lançamento, acrescidos de juros de mora e multa, afastou a multa de ofício em obediência aplicação do princípio da retroatividade benigna. No recurso voluntário, a empresa repisa seus argumentos de defesa, pugnando pela nulidade do lançamento, quer por desatendimento dos requisitos essenciais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, quer pela suficiência dos créditos utilizados na compensação efetuada pela empresa. Mantém, também, a sua insurgência contra a exigência da multa de mora e dos juros de mora. É o Relatório. Voto Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator Fl. 280DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.606 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005498/2002-58 Trata-se de recurso ordinário interposto tempestivamente e atende os pressupostos de admissibilidade necessários ao seu conhecimento, assim sendo, conheço. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. Os fatos narrados não deixam dúvida de que houve erro na motivação do lançamento, posto que o processo judicial informado nas DCTF, ao contrário do que informado no auto de infração, existia e, de fato, assegurava a realização das compensações efetuadas. Não há nas peças que acompanharam o auto de infração a motivação utilizada pela DRJ para manter parcialmente o lançamento, ou seja, o lançamento não decorreu de glosa de compensação, mas sim do entendimento da autoridade fiscal, de que a empresa não era parte na ação judicial por ela indicada, quando em verdade fazia parte na condição de litisconsorte. Extraí-se, portanto, de pronto que a motivação do auto é distinta daquela que consubstancia a decisão recorrida. Como se sabe não é permitido a Autoridade Julgadora modificar a causa motivadora do lançamento. Assim sendo, a descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10, inciso III, do Decreto n9 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbís: “ ão será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III- a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento. (...) A jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões nas quais se decretou a nulidade do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. l0 do Decreto 119 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, bastando citar aqui a titulo de exemplo, as seguintes ementas: (...) Assim sendo, dou provimento ao recurso para anular o lançamento, ab initio. É como voto Do exposto e de acordo com os autos do processo e da legislação de regência, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte para anular o lançamento por erro material. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 281DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.606 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.005498/2002-58 Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13509.000156/2004-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2004
PIS. MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
Tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como não tributáveis pelo PIS as bonificações - recebimento de mercadorias - concedidas pelo fornecedor.
Numero da decisão: 9303-009.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à contribuição no regime cumulativo do PIS e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à contribuição no regime cumulativo do PIS e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Tendo o STF manifestado, quando da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que faturamento é a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviço, resta tratar como não tributáveis pelo PIS as bonificações - recebimento de mercadorias - concedidas pelo fornecedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à contribuição no regime cumulativo do PIS e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 9. 00 01 56 /2 00 4- 53 Fl. 610DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.508 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13509.000156/2004-53 Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão nº 3403-00.395, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo Fiscal que, por unanimidade de votos deu provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2004 COFINS. MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O recebimento de mercadorias em bonificação implica mera redução do respectivo custo unitário de aquisição. Redução de custo não equivale a receita e, portanto, não pode ser fato gerador da COFINS, nem mesmo após a vigência da EC nº 20/98.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: Entre as receitas operacionais destacam-se as bonificações em mercadorias auferidas pela pessoa jurídica nos contratos celebrados no desenvolvimento do comércio varejista de produtos destinados à agricultura e pecuária. Sendo tais bens obtidos a partir do complexo de relações jurídicas relativas ao seu objeto social, não há como não os caracterizar como receita; As provas constantes nos autos demonstram que as notas fiscais referentes às bonificações foram emitidas sem qualquer referência à redução dos preços dos produtos dos fornecedores Em Despacho à fl. 609, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Cientificada, a contribuinte não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 611DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.508 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13509.000156/2004-53 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecê-lo somente na parte que abrange o período do regime cumulativo do PIS, tendo em vista que o acórdão indicado como paradigma tratou das bonificações sob o regramento da Lei 9.718/98. Em vista de todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial. Ventiladas tais considerações, quanto à lide trazida em recurso – qual seja, se seriam as bonificações – recebimento de mercadorias – tributáveis pelo PIS, importante recordar que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, restando o conceito de "faturamento", no período da sistemática cumulativa dessas contribuições, definido como sendo a receita proveniente da atividade da empresa com a venda de mercadorias e prestação de serviço. Dessa forma, não restam quaisquer dúvidas que, a partir da decisão do STF declarando inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, nos autos do Recurso Extraordinário 390.840MG, não há que se falar em incidência do PIS sobre quaisquer outras quantias que não correspondam aquelas decorrentes do faturamento das pessoas jurídicas. No que diz respeito à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, essa Conselheira deve respeitar o decidido pela Corte, em respeito ao art. 62, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 612DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.508 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13509.000156/2004-53 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103ª da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” É de se trazer ainda que não há comprovação de contraprestação nos autos. Sendo assim, considerando que as bonificações e descontos comerciais não são decorrentes de prestação de serviço, não se configura de per si faturamento – passível de tributação pelo PIS. Ora, nas operações com produtos bonificados, o fornecedor entrega ao adquirente uma quantidade de produto maior do que a quantidade contratada, sem vinculação contraprestacional. Fl. 613DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.508 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13509.000156/2004-53 Em vista do exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 614DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962784/2009-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/06/2004
DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE PIS/COFINS.
O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação.
DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO.
Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido.
Numero da decisão: 3003-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Presidente
(documento assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/06/2004 DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE PIS/COFINS. O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido.
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O direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. DO ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Presidente (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Marcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 27 84 /2 00 9- 01 Fl. 433DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.539 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.962784/2009-01 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de manifestação de inconformidade, que julgou improcedente o pleito da Recorrente de reconhecimento de direito creditório. Por bem retratar a narrativa fática, adoto o relatório elaborado pela instância a quo: 1. O interessado transmitiu em 23/12/2004 o PER/DCOMP 06654.79687.231204.1.3.048676, visando compensar o valor declarado ali e, informado o Tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; o período de apuração: 31/05/2004; data de arrecadação: 15/06/2004, código de receita: 5856, com débitos do Grupo de Tributo: IRPJ código de receita: 236201; período de apuração Nov/2004; data do vencimento: 30/12/2004; e do Grupo de Tributo: CSLL código de receita: 248401; período de apuração Nov/2004; data do vencimento: 30/12/2004. 1.1. A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu Despacho Decisório, Número de Rastreamento:816120895, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. 1.2. O Despacho Decisório atesta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados pagamentos relacionados 4494436118 mas, integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 2. No prazo regulamentar, o sujeito passivo apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 09/18,e fls. 19/20 apresenta breve relato acerca da não homologação pleiteada, fazendo anexar os documentos de fls. 21/169, alegando em síntese que: 2.1. Apresenta MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, em tempo hábil, contra o Despacho Decisório em face da não homologação da compensação declarada. 2.2. O Despacho Decisório deve ser reformado, o seu fundamento: inexistência de crédito não encontra suporte na realidade fática e que o crédito da Recorrente atingia no momento da transmissão do PER/DCOMP o valor original de R$ 32.304,11, que se refere, exclusivamente, ao montante recolhido a maior/indevidamente a titulo da COFINS, atinente ao período de apuração de 31.05.2004, com vencimento em 15.06.2004 (doc. 8). 2.3. Não pode prevalecer a suposta inexistência de crédito passível de compensação, apontada na apreciação do PER/DCOMP, sendo suficiente o valor do crédito de COFINS para liquidar, nos termos do inciso II, do artigo 156, do Código Tributário Nacional, o débito compensado via PER/DCOMP, no montante de R$ 12.203,26. 2.4. A Recorrente informou em sua DCTF original do 2° Trimestre de 2004, (doc. 9 – página 16), como devido a titulo da COFINS Não Cumulativa, Código de Receita 58561, do período de apuração 31.05.2004 (maio/2004), o montante de R$ 32.304,11, em detrimento da declaração correta no sentido de que Fl. 434DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.539 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.962784/2009-01 inexistia valor devido no aludido período base, uma vez que era zero a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS incidente na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de Produtos Hortícolas Conservados Transitoriamente, mas impróprios para alimentação neste estado, no caso em análise, azeitonas classificadas nos códigos 0711.20 (Azeitonas), 0711.20.10 (Com Agua salgada), 0711.20.20 (Com Água sulfurada ou adicionada de outras substâncias) e 0711.20.90 (Outras) da TIPI. 2.5. O referido equivoco, apesar da impossibilidade de retificação da DCTF em questão pelos moldes convencionais, é facilmente visualizado pela análise da DIPJ 2005, ano calendário de 2004 (doc. 10), dos Termos de Abertura e Encerramento e folhas 00028 e 00030 do Livro Diário Geral (docs. 11 a 14) e dos Termos de Abertura e Encerramento e folha 00057 do Livro Razão Analítico (docs. 15 a 17), nos quais são reconhecidas a ausência de valor devido a titulo de COFINS – Código de Receita 5856, no período de apuração maio/2004, e a natureza de indébito tributário do recolhimento no valor de R$ 32.304,11 (doc. 8). 2.6. Acrescenta a Impugnante que a regularidade e a correção da apuração do crédito envolvido na compensação é comprovada pela DIPJ 2005 Ano Calendário 2004 (doc. 10 FICHA 25 página 56 linhas 03, 12, 26, 27, 29, 30, 31, 34 e 44) e das folhas 00028 e 00030 do Livro Diário Geral (docs. 11 a 14) e dos Termos de Abertura e Encerramento e folha 00057 do Livro Razão Analítico (docs. 15 a 17), cópias acostadas à Impugnação. 2.7. Diante da ausência de contribuição devida no período, o valor indevidamente declarado e recolhido pela Recorrente (R$ 32.304,11) tornou-se passível de compensação, refletindo o crédito original informado no PER/DCOMP 2.8. Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade atestam que a compensação objeto do PER/DCOMP n° 06654.79687.231204.1.3.048676 deve ser homologada, e o débito tributário tido por indevidamente compensado deve ser extinto. 2.9. O Despacho Decisório atesta a inexistência do crédito objeto do PER/DCOMP e afirma que este foi integralmente utilizado no pagamento do débito da contribuição, no valor de R$ 32.304,11, o qual corresponde àquele que foi indevidamente informado devido na DCTF original do 2° Trimestre de 2004. 2.10. A não homologação da compensação deveu-se, exclusivamente, ao fato do contribuinte ter informado em sua DCTF valor indevido e não promovido a imediata retificação do aludido documento, o que impossibilitou à Receita Federal identificar o Crédito no valor original de R$ 32.304,11, que tem sua origem no recolhimento do mesmo montante. 2.11. O equivoco da Recorrente, materializado no preenchimento de sua DCTF do 2° Trimestre de 2004, não pode impedir a reforma do Despacho Decisório DERAT SÃO PAULO, prejudicar sua defesa ou mesmo provocar o não reconhecimento de crédito por decorrência de compensação que, de fato e de direito, foi regularmente promovida. 2.12. .A Impugnante baseando-se no Principio da Verdade Material; no Direito Tributário; a vista da documentação que junta à Impugnação; ao caráter vinculante da atividade administrativa; em lições do Professor Celso Antônio Fl. 435DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.539 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.962784/2009-01 Bandeira de Melo; em artigos como “in Processo Administrativo Fiscal — Manual", Ed. Resenha Tributária, jan/93, pág. 06) e; em considerações do Professor Hugo de Brito Machado, acerca dos efeitos da declaração do contribuinte e da necessidade de se buscar a verdade material, requer seja reavaliada, em especial mediante a análise de documentos ou de eventuais diligências administrativas, a existência do crédito compensado, sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrente. 3. Em 31/03/2009, peticiona ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo para requerer em decorrência da identidade da matéria envolvida nos feitos: PER/DCOMP's abordando a compensação de crédito decorrente do recolhimento indevido de COFINS — Código de Receita 5856, no valor de R$ 32.304,11 – e, do risco potencial da ocorrência de decisões conflitantes, o julgamento conjunto de seu recurso com as manifestações de inconformidade oferecidas nos autos dos Processos Administrativos nº 10880.909552/200917 e 10880.914596/200969; e a juntada das Notas Fiscais de Entrada e das Declarações de Importação do período de apuração maio/2004 (docs. 02 a 31), pelas quais é possível identificar, de forma clara e inequívoca, a classificação do produto importado e sua tributação à alíquota zero. Do Pedido 4. Requer seja acolhida e provida sua Manifestação de Inconformidade para que seja revisto e reformado, com base na verdade material dos fatos, o Despacho Decisório recorrido, reconhecendo-se a integralidade do crédito indicado, homologando-se a compensação objeto do PER/DCOMP n° 06654.79687.231204.1.3.048676, afastando-se a exigência de qualquer valor supostamente devido (original de R$ 12.203,36). A DRJ/SP1 não homologou o crédito argumentando, em suma, que a não retificação da DCTF é confissão apta a constituir crédito tributário e o DARF acostado aos autos foi usado para o pagamento do débito constituído justamente por este equívoco. Não satisfeita a Recorrente socorre-se a este Conselho, e reitera suas razões com a firme alegação de que é detentora do crédito. Para tanto, traz documentos novos aos autos - laudo de perícia contábil, e pugna para que seja reconhecido seu direito creditório e a homologação do pedido de compensação com apelo pela Verdade Material e apropriada análise do conjunto probatório acostado nos autos. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva, Relator. O Presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. SOBRE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS Fl. 436DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.539 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.962784/2009-01 A compensação tributária - uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional - pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação da compensação. A compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitando-se tal procedimento a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. A Recorrente transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito. A Recorrente sustenta que houve erro no preenchimento da DCTF, o que a levou ao pagamento do DARF do valor correspondente. Após prolação do Despacho Decisório, a Autoridade Fiscal sustentou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e documento hábil a constituir crédito tributário, razão pela qual o DARF foi usado para a quitação do valor declarado. Como prova do seu crédito a Recorrente apresentou o DARF, DCTF, DIPJ, notas fiscais de entrada e Livro Diário. Apesar do conjunto probatório, a Unidade de Origem não homologou o crédito pleiteado sob o argumento de que a quantia que fora recolhida a maior já havia sido usada para a quitação de outros débitos. Por meio da análise do da documentação apresentada pela Recorrente, não é possível concluir pela existência de crédito a compensar, tampouco que o erro de preenchimento da DCTF tenha permitido a compensação equivocada de débito declarados a maior. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, a qual me curvo para adotá-la neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, Fl. 437DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.539 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.962784/2009-01 quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Pela avaliação probatória que faço dos autos somente a DCTF e as notas fiscais de entrada não aclaram a existência de crédito a ser compensado. A Recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas a escrituração contábil e apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, apontando na escrituração contábil-fiscal as evidências da existência do crédito para formar o convencimento da Autoridade Julgadora. Em fase recursal a Recorrente trouxe aos autos documentos novos, que poderiam ser apresentados na Manifestação de Inconformidade. Deste modo, há de se observar o que leciona o art. 16, §4º do Decreto 70.235/1972 e declarar a preclusão para produção de provas neste momento processual, razão pela qual delas não conheço. Concluo nesta análise que não há nos autos provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que possam ser objeto de Declaração de Compensação. DA VERDADE MATERIAL A Recorrente suplica pela aplicação do princípio da Verdade Material, pois seus argumentos conduzem ao entendimento que a decisão recorrida não aplicou o melhor Direito. Não assiste razão a Recorrente, contudo há de se destacar que o princípio da Verdade Material não é um caminho autorizador para dar provimento aos recursos sem o mínimo de verossimilhança. Enxergo que os autos, instruídos da forma que estão, não inferem dúvida razoável, e a Verdade Material não nos autoriza a prolatar decisões sem as devidas provas que formam o mínimo de convencimento do julgador. Sendo pelo argumentado, pelo princípio da Verdade Material e pela ausência de indícios que comprovem a existência do crédito, deve prevalecer o que consta nos autos pelo império da segurança jurídica. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Fl. 438DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.539 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.962784/2009-01 Fl. 439DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.902989/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam em nulidade os atos e termos lavrados, bem como despacho e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos processos em que o valor apresentado em Pedido de Ressarcimento não é reconhecido, resultando na glosa do crédito com base em documentos fiscais e informações prestadas, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez do valor informado. Incidência do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam em nulidade os atos e termos lavrados, bem como despacho e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos processos em que o valor apresentado em Pedido de Ressarcimento não é reconhecido, resultando na glosa do crédito com base em documentos fiscais e informações prestadas, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez do valor informado. Incidência do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado.
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HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam em nulidade os atos e termos lavrados, bem como despacho e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos processos em que o valor apresentado em Pedido de Ressarcimento não é reconhecido, resultando na glosa do crédito com base em documentos fiscais e informações prestadas, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez do valor informado. Incidência do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 29 89 /2 01 0- 59 Fl. 463DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0941.855 (e fls. 369382), proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que por maioria de votos, julgou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo: i) a glosa de créditos referente à industrialização por encomenda, ii) o indeferimento do saldo credor e, iii) a não homologação das respectivas compensações. O Acórdão recorrido foi proferido com a seguinte Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE INSTRUÇÃO DEVIDA DOS AUTOS. A manifestação de inconformidade que contradita com clareza e suficiência os fatos determinantes do indeferimento parcial do direito creditório não dá lugar à nulidade do despacho decisório em razão do impedimento de exercício do contraditório e da ampla defesa. DILIGÊNCIA. A diligência solicitada pelo manifestante deve estar respaldada por indícios ou provas que pelo menos, por amostragem, provoquem dúvida sobre os fatos afirmados pela fiscalização e refutados na defesa. A ausência total provas, quando se espera do contribuinte já na manifestação de inconformidade esclarecimentos objetivos, fatos provados, não ensejam o deferimento da diligência. LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. COMPROVAÇÃO. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito (art. 333 do Código de Processo Civil e art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999). PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10830.902989/201059 Acórdão n.º 3402006.810 S3C4T2 Fl. 464 3 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: SUSPENSÃO DO IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ESTORNO DOS CRÉDITOS. A saída de produto com suspensão do IPI do estabelecimento executor da encomenda enseja o estorno dos créditos relativos a MP, PI e ME empregados na execução desse produto, independentemente de as respectivas aquisições de insumos serem realizadas pelo estabelecimento industrial executor da encomenda (arts. 42, inc.VII, e 193, inc. I, alínea “b”, do RIPI/2002) Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI PER nº 39348.04458.300408.1.1.016393, relativo ao saldo credor de IPI de R$ 562.996,96 do 3º trimestre de 2004, calculado com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999. Ao ressarcimento foram atreladas as DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO – DCOMP, abaixo relacionadas: Os PER/DCOMP foram retirados do processamento eletrônico para análise manual, mediante procedimento fiscal. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 173/176, relatou auditor fiscal, encarregado da verificação da legitimidade dos créditos alegados pelo contribuinte, que: Da análise dos elementos constitutivos dos créditos registrados em sua escrita fiscal do IPI, bem como, considerando as respostas e informações prestadas de origem e apuração dos créditos elaborados pelo contribuinte e, ainda, do que constam no processo e correspondente PER/DCOMP transmitida pelo contribuinte, identificados nos diversos termos fiscais anteriormente lavrados, constatamos que o requerente cometeu irregularidades na forma de apurar o valor pleiteado. Conseqüentemente, houve aproveitamentos indevidos de créditos do IPI, acarretando majoração do valor de crédito inicialmente pleiteado. Fl. 465DF CARF MF 4 Diante disso, em face das inconsistências detectadas pelo fisco nas apurações dos valores dos créditos do trimestre objeto de ressarcimento/compensações, intimamos o contribuinte a apurar, reconstituir e informar os valores de créditos a serem glosados por falta de amparo legal de seu aproveitamento (manutenção e utilização), conforme exigidos nos diversos termos fiscais, principalmente, naqueles datados de 04/01/2011, 16/03/2011 e 15/07/2011. Portanto, sob a forma de glosas no valor total de R$ 628.757,18, excluímos dos valores de créditos do IPI que compuseram originalmente o pedido. Vide documentos de fls. 112/17, 119/20, 131/33 e 140/61. Em face do exposto, s.m.j., depois de recalculado o crédito incentivado não houve resultado positivo e, conseqüentemente, ficando prejudicado o valor do ressarcimento pleiteado, razão pela qual propomos o indeferimento total do pedido de ressarcimento à interessada para com a Fazenda Nacional relativo ao período de apuração do 3º trimestre de 2004. Acompanhando o Termo de Verificação Fiscal, foi emitido o Despacho Decisório de fls. 178/180, com o indeferimento do saldo credor trimestral e a não homologação das compensações declaradas a ele vinculadas. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 270/282, para alegar: 1) a tempestividade da manifestação de inconformidade; 2) a preliminar de nulidade, pela falta de descrição clara e precisa dos argumentos que fundamentam o Despacho Decisório, o Termo de Verificação Fiscal e glosa de crédito, causando prejuízo ao próprio direito de defesa; 3) que, diante do fato de a Fiscalização não haver explicado de forma clara e precisa no despacho decisório, no termo de verificação fiscal ou mesmo nos documentos que compõem o processo de fiscalização, as razões que a levaram a crer que o crédito de IPI relativo às industrializações por encomenda não seria válido ou suficiente, restou tão somente à Requerente muito embora não lhe caiba produzir prova negativa demonstrar a origem desse crédito e o atendimento dos requisitos legais que permitem a sua apuração, manutenção e utilização na compensação com outros débitos fiscais federais; 4) que a partir do exame dos exatos termos da legislação podemos listar da seguinte forma os requisitos exigidos pelo artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999, e pela Instrução Normativa SRF n° 33, de 1999, para a manutenção dos créditos de IPI apurados na entrada dos insumos e sua posterior fruição: (1) crédito de IPI deve ser decorrente da aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem (insumos), a partir de 01.01.1999; e (2) os insumos devem ser aplicados na industrialização de produto, cuja saída esteja isenta ou tributada à alíquota zero do IPI. Tais produtos devem ter sido fabricados a partir de 01.01.1999. Se esses são os requisitos para o aproveitamento do crédito, não há motivos para o não reconhecimento do direito creditório, uma vez que a Requerente apresentou ao longo da fiscalização diversos esclarecimentos, além de uma listagem com as notas fiscais de entrada e a descrição dos insumos adquiridos (juntados ao processo administrativo n° 10830.902989/201059), bem como disponibilizou todos os documentos e registros contábeis para análise da D. Fiscalização. 5) que não são aplicáveis ao presente caso o disposto nos artigos 42, incisos VI e VII e 193, inciso I, alínea, "b", do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002, então vigente), os quais dispõem sobre a suspensão do IPI e a anulação dos créditos em saídas com suspensão do imposto; Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10830.902989/201059 Acórdão n.º 3402006.810 S3C4T2 Fl. 465 5 6) que, de acordo com 193, inciso I, alínea, "b", do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002), serão anulados os créditos decorrentes de saídas de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto. Ao passo que, nos termos do inciso VII do artigo 42, deverão sair com suspensão do IPI os produtos industrializados por encomenda quando o estabelecimento industrializador não utilizar insumos seus na industrialização, ou seja, quando a matériaprima, produto intermediário e o material de embalagem houverem sido fornecidos integralmente pelo encomendante; 7) que, conforme previsto nos artigos 42, inciso VII, e 193, inciso I, alínea, "b", do RIPI/2002, também não há motivo para a anulação dos créditos da Requerente, uma vez que os insumos que deram origem aos créditos foram adquiridos de terceiros pela própria Requerente (estabelecimento industrial) em operações regularmente tributadas. O único insumo recebido pelo estabelecimento industrial foi o princípio ativo que é utilizado na fabricação dos defensivos agrícolas, o qual sequer geraria crédito de IPI, pois está sujeito à alíquota zero desse imposto. 8) que, no que concerne à suficiência dos valores do crédito em comento, a Requerente destaca que ela não foi objeto de questionamento ou tratamento específico durante o processo de fiscalização ou mesmo no despacho decisório/termo de verificação fiscal, tendo a D. Fiscalização se limitado a afirmar que a Requerente cometeu irregularidades que não permitiriam a utilização de todo o crédito de IPI apurado sem, no entanto, explicar de forma clara quais seriam tais irregularidades; 9) que se eventualmente se considerasse necessário, fosse o julgamento convertido em diligência para verificar especificamente o atendimento aos dois requisitos listados no item (4) acima, bem como o fato de os insumos haverem sido adquiridos diretamente pelo estabelecimento industrializador, no que tange aos créditos de IPI gerados em decorrências das industrializações por encomenda efetuadas pelo estabelecimento filial de UberabaMG, de forma que não restem quaisquer dúvidas sobre a validade do direito ao crédito, em respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade real dos fatos. Por fim, o requerente protestou pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela juntada de novos documentos e pela conversão do julgamento em diligência, se necessário for, conforme requerido no item (9) acima. A Contribuinte foi intimada por via postal em data de 17/01/2013, conforme Aviso de Recebimento de fls. 384385. O Recurso Voluntário de fls. 387 a 401 foi interposto por meio de protocolo físico em data de 18/02/2013, pelo qual a Contribuinte pede a reforma da decisão de primeira instância para que: i) Em preliminar, seja reconhecida a nulidade do despacho decisório 12009 (referente aos Processo Administrativos nºs 10830.902989/201059 e 10830.724453/201195, em razão da deficiência na sua fundamentação; ii) No mérito, seja reformado o acórdão para julgar improcedente o despacho decisório 12009 e, consequentemente, seja reconhecido o direito ao crédito de IPI objeto do PER nº 39348.04458.300408.1.1.016393 a que faz juz, bem como homologadas integralmente as compensações efetuadas com tal crédito, com o arquivamento do processo administrativo. Fl. 467DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da preliminar 2.1. A Recorrente pede a nulidade do despacho decisório por falta de descrição clara e precisa das razões que invalidaram os créditos de IPI apurados, fazendo simples remissão ao Termo de Verificação Fiscal para justificar a insuficiência do crédito fiscal e sem explicar quais as irregularidades imputadas à Contribuinte. Alega que: i) A fiscalização apresentou apenas termos de intimação para o fornecimento de documentos e esclarecimentos, o que não tem o condão de justificar a glosa dos créditos, sendo a autuação lavrada por mera presunção, transferindo o ônus da prova ao contribuinte; ii) Foi prejudicado o direito à ampla defesa e ao contraditório, uma vez que a Recorrente não sabe ao certo qual teria sido o seu suposto erro que ocasionou a glosa dos créditos de IPI, sendo obrigada a produzir prova negativa; iii) O direito de defesa igualmente restou prejudicado em razão do indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência para verificação das notas fiscais que comprovam as saídas com alíquota zero ao invés de suspensão do imposto, resultando no cumprimento dos requisitos previstos no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999 e a legitimidade do crédito e m discussão. 2.2. Como relatado, o presente litígio versa sobre o PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI PER nº 39348.04458.300408.1.1.016393, relativo ao saldo credor de IPI de R$ 562.996,96 (quinhentos e sessenta e dois mil, novecentos e noventa e seis reais e noventa e seis centavos) do 3º trimestre de 2004, calculado com fulcro no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999. Ao ressarcimento foram atreladas as Declarações de Compensação relacionadas no relatório acima. O Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls. 87 a 89 teve por motivação a verificação da legitimidade e fruição dos créditos incentivados de IPI relativos aos períodos de apurações compreendidos entre o 2º Trimestre de 2004 ao 1º Trimestre de 2008 relativos ao Pedido de Ressarcimento objeto de análise. É possível constatar que a Contribuinte pediu prazo de prorrogação e, após Reintimação Fiscal de fls. 91, apresentou manifestação de fls. 93 a 94 para juntada dos seguintes documentos: i) Relação de produtos Fabricados e alíquota de IPI; Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10830.902989/201059 Acórdão n.º 3402006.810 S3C4T2 Fl. 466 7 ii) Relação dos Insumos aplicados; iii) Planilha com demonstrativo com os valores dos Perdcomps utilizados; iv) Informações sobre as transações com revenda de insumos, transferências de produtos e prestação de serviço de industrialização por encomenda, realizadas no período de 2004 a 2008. v) Cópia do livro de apuração de IPI com os Estornos; vi) Relação com processos de IPI; vii) Relação com os nomes dos Representantes Comerciais. Com relação aos livros fiscais, registros de apuração de ICMS, DCTF, DIPJ, DARF, Notas Fiscais de Entrada e Saídas referentes ao 2º Trimestre de 2004 ao 1º Trimestre de 2008, a Contribuinte apenas informou que tais documentos estavam disponíveis para checagem diretamente na empresa. Após vários pedidos de prorrogação de prazos e reintimações fiscais, foram prestados os esclarecimentos de fls.139 e seguintes. O Auditor Fiscal relatou em Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 170 a 172 que após várias intimações restringiu a análise do direito creditório aos exames dos livros fiscais e contábeis, notas fiscais de entradas e saídas de mercadorias, informações sobre o processo de industrialização, respostas apresentadas pelo contribuinte e os dados constantes dos Sistemas Informatizados da RFB. 2.3. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 173177 constatase a seguinte justificativa: Os créditos que geram direito ao aproveitamento previsto na legislação acima capitulada são os provenientes de insumos (matériaprima MP, produto intermediário PI e material de embalagem ME), submetidas à tributação do imposto com diversas alíquotas superiores a zero, pelas entradas de aquisições feitas no mercado interno e no externo em que houve destaque do IPI devido, utilizados diretamente na industrialização de seus produtos tributados, isentos e inclusive imunes (destinado ao mercado externo exportação), devendo observar os dispostos nos artigos 24, parágrafo único; 163; 164; 193; 195/6, dentre outros capitulados nos diversos termos fiscais lavrados no andamento da fiscalização, todos do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26/12/2002. Devido às diferenças de alíquotas a que estavam sujeitos os insumos e os produtos fabricados neste período de apuração e aos ocorridos em períodos anteriores, o contribuinte apurou valores de saldos credores favoráveis em sua escrita fiscal, conforme registrados em seus livros de registro de apuração do IPI RAIPI (modelo 08). E, ainda, esclarecemos que como os créditos em'questão são incentivados beneplácito fiscal, é conveniente manifestar, no caso da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção (incentivo fiscal), que sua' interpretação é literal, Fl. 469DF CARF MF 8 conforme dispõe o artigo 111 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso, a interessada deve demonstrar e'provar a certeza e liquidez de seu direito creditório perante a Fazenda Nacional, atributos necessários para reconhecimento e legitimação dos mesmos pela administração tributária (vide artigos 49, 111, 170 e 176 do CTN Lei n° 5.172/66). (...) Nos trabalhos de verificação fiscal levado a efeito, lavramos diversos Termos Fiscais nos quais solicitamos ao contribuinte, inclusive, reiterandoos várias vezes, a apresentação da documentação pertinente à origem e apuração dos créditos em questão e nos restringimos aos tópicos neles contidos, quando procedemos aos exames dos livros fiscais e contábeis, notas fiscais de entradas e saídas de mercadorias, informações sobre o processo de industrialização, respostas apresentadas pelo contribuinte, e, também, levamos em consideração e foram objeto de cotejamento e compatibilização os dados e as informações colhidas nos Sistemas Informatizados da RFB. Porém, cinge mencionar, em face da grande quantidade de material que constitui o procedimento de apuração do crédito em pauta, os trabalhos foram desenvolvidos pelo método da amostragem e checagem aleatória dos dados e informações obtidas. Ressaltese que o critério adotado não exime o contribuinte de qualquer responsabilidade, ficando inclusive, resguardado ao fisco, se necessário e no interesse da Fazenda Nacional, o direito de proceder novas verificações fiscais sobre o assunto aqui tratado. Da análise dos elementos constitutivos dos créditos registrados em sua escrita fiscal do IPI, bem como, considerando as respostas e informações prestadas de origem e apuração dos créditos elaborados pelo contribuinte e, ainda, do que constam no processo e correspondente PER/DCOMP transmitida pelo contribuinte, identificados nos diversos termos fiscais anteriormente lavrados, constatamos que o requerente cometeu irregularidades na forma de apurar o valor pleiteado. Conseqüentemente, houve aproveitamentos indevidos de créditos do IPI, acarretando majoração do valor de crédito inicialmente pleiteado. Diante disso, em face das inconsistências detectadas pelo fisco nas apurações dos valores dos créditos do trimestre objeto de ressarcimento/compensações, intimamos o contribuinte a apurar, reconstituir e informar os valores de créditos a serem glosados por falta de amparo legal de seu aproveitamento (manutenção e utilização), conforme'exigidos rios diversos termos fiscais, principalmente, naqueles datados de 04/01/2011 16/03/20,11 e 15/07/2011. Portanto, sob a forma de glosas no valor total de R$ 628.757,18, excluímos dos valores de.créditos Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10830.902989/201059 Acórdão n.º 3402006.810 S3C4T2 Fl. 467 9 do IPI que compuseram originalmente o pedido. Vide documentos de fls. 112/117, 119/120, 131/133 e 140/161. Em face do exposto, s.m.j., depois de recalculado o crédito incentivado não houve resultado positivo e, conseqüentemente, ficando prejudicado o valor do ressarcimento pleiteado, razão pela qual propomos b indeferimento total do pedido de ressarcimento à interessada para com a Fazenda Nacional relativo ao período de apuração do 3º trimestre de 2004. Nesta oportunidade relatamos que o estabelecimento industrial requerente do pedido de ressarcimento do IPI é reincidente nas mesmas irregularidades e forma de calcular e apurar créditos do IPI a ressarcir, majorando seus valores, em desobediência ao Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados em vigência à época dos pedidos, conforme depreende do teor do Termo de Encerramento de Ação Fiscal da fiscalização levada a efeito em cumprimento ao determinado no MPF n° 0610500/00057/2005, que envolviam os períodos de apurações compreendidos entre o 1º trim/1999 ao 1º trim/2004. Da análise dos autos, constatei que não cabe o argumento de que a Contribuinte foi restringida em seu direito à ampla defesa e contraditório por impossibilidade de acesso aos fundamentos utilizados pelo Auditor Fiscal para embasar o Auto de Infração. Como bem ponderado pelo Ilustre Julgador a quo, a análise sobre os créditos escriturados pelo contribuinte foi demonstrada em detalhamento preciso no Termo de Verificação Fiscal, com indicação das páginas dos autos relativas aos fatos que foram determinantes para a conclusão, inclusive os termos de intimação e as indicações das glosas efetuadas, minuciosamente descritas e com valores especificados em demonstrativo. 2.4. Ademais, igualmente não se configura o cerceamento de defesa invocado pela Contribuinte, uma vez que não se enquadra nos casos previstos nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, que assim estabelecem: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 471DF CARF MF 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. 2.5. Por sua vez, igualmente deve ser afastados o argumento da defesa quanto à produção de prova negativa, pois a legitimidade e liquidez do crédito pleiteado é ônus da Contribuinte Solicitante, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil (artigo 333, Inciso I do CPC/1973), que atribui o ônus da prova ao Autor, uma vez tratar sobre o fato constitutivo de seu direito. 2.6. Diante da ausência de nulidade formal e/ou material que incida nas previsões dos dispositivos legais acima citados, afasto a preliminar invocada em defesa. 3. Do mérito Da análise do Pedido de Ressarcimento (PER) n° 39348.04458.300408.1.1.016393, é possível concluir o seguinte embasamento legal sobre o pedido: Artigo 11 da Lei n° 9.779/1999; Regulamentação pelo artigo 195 do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; Normatização pela Instrução Normativa SRF n° 33/1999; Formalização pelos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/1996 e suas alterações, Portaria MF n° 322/1980, bem como pelos artigos 16, 17 e 19 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, artigos 16, 17 e 19 da Instrução Normativa nº 600/2005 e alterações contidas nas Instruções Normativas RFB n° 728/2007 e 900/2008. As razões recursais de mérito se restringem à afirmação de cumprimento de todos os requisitos exigidos para validade do crédito de IPI a partir de 01/01/1999, com incidência do artigo 11 da lei nº 9.799/99 e Instrução Normativa SRF nº 33/1999, bem como utilização de matériasprimas e materiais de embalagens na industrialização por encomenda, e inaplicabilidade do artigo 42, inciso VII e artigo 193, inciso I, alínea "b" do RIPI/2002. Conforme excerto do TVF reproduzido acima, a fiscalização concluiu que depois de recalculado o crédito incentivado não houve resultado positivo e, conseqüentemente, ficando prejudicado o valor do ressarcimento pleiteado, motivo pelo qual foi indeferido o pedido de crédito referente ao 3ª Trimestre de 2004, objeto deste processo. O indeferimento em questão se deu em razão de irregularidades detectadas em reconstituição após exames dos livros fiscais e contábeis, notas fiscais de entradas e saídas Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10830.902989/201059 Acórdão n.º 3402006.810 S3C4T2 Fl. 468 11 de mercadorias, informações e respostas apresentadas pela Contribuinte e cotejamento com dados e informações constantes dos Sistemas Informatizados da RFB. Igualmente não há que se falar em produção de prova negativa, uma vez que caberia à Recorrente comprovar a origem e liquidez do crédito glosado. Como já mencionado neste voto em análise à preliminar, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao Autor, uma vez tratar sobre o fato constitutivo de seu direito. Considerando que a Contribuinte não trouxe qualquer elemento passível de afastar a análise procedida pela equipe de fiscalização e demonstrada em TVF, entendo que não há razão para conceder o pedido de diligência e as razões de defesa apresentadas em Recurso Voluntário. Neste sentido, cito o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Por tais razões, deve ser mantida a decisão recorrida. 4. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 473DF CARF MF
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