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Numero do processo: 13710.002828/2002-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997
COFINS. LANÇAMENTO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÕES. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. FUNDAMENTAÇÃO SUPERADA.
No caso de lançamento efetuado a partir da revisão das declarações de créditos e débitos federais DCTF, a prova da existência de ação judicial cuja não comprovação tenha fundamentado o auto de infração implica a improcedência do lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 COFINS. LANÇAMENTO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÕES. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. FUNDAMENTAÇÃO SUPERADA. No caso de lançamento efetuado a partir da revisão das declarações de créditos e débitos federais DCTF, a prova da existência de ação judicial cuja não comprovação tenha fundamentado o auto de infração implica a improcedência do lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 28 28 /2 00 2- 16 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13710.002828/200216 Acórdão n.º 3302002.110 S3C3T2 Fl. 192 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra o Acórdão no 1326.530, de 25 de setembro de 2009, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 156 a 159), cientificado em 10 de dezembro de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de julho a setembro de 1997, considerou a impugnação procedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO.DCTF. Cancelase a autuação fundamentada tão somente pela expressão “processo judicial não comprovado” a partir da constatação de que a interessada é parte na demanda judicial tida como inexistente Impugnação Procedente O auto de infração foi lavrado em 09 de maio de 2002, de acordo com o temo de fl. 48. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 95 a 102, lavrado em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondentes à Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 13.880.010,46, correspondente à Contribuição não recolhida referente aos meses 07/1997 a 12/1997, acrescida da multa de ofício e dos juros de mora correspondentes, calculados até 31/05/2002. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, do “Anexo I – Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados” e do “Anexo III – Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar” que: 1) O presente auto de infração originouse da realização de Auditoria Interna na DCTF referente aos 3º e 4º Trimestres do anocalendário 1997, conforme INSRF nºs 045/98 e 077/98; e 2) A irregularidade constatada nos créditos vinculados aos débitos de Cofins informados nessas DCTF, conforme “Anexo I – Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados” referemse à não comprovação da suspensão de exigibilidade Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13710.002828/200216 Acórdão n.º 3302002.110 S3C3T2 Fl. 193 3 dos débitos obtida no âmbito do processo judicial nº 97.001358 0. Os dispositivos legais infringidos constam do Quadro 10 “Descrição dos fatos e enquadramento legal” (fl. 96). Cientificada em 10/06/2002 (fl. 103), a Interessada, inconformada, apresentou, em 03/07/2002, a impugnação de fls. 1 a 20, na qual alega, em síntese: Que o débito inexiste, correspondendo todo ele a débito com exigibilidade suspensa por força de medida judicial, devidamente informada nas DCTF. A impropriedade da utilização do lançamento em situação que enseja, não a exigência da tributo, mas a intimação para apresentação de documentos suficientes à satisfação das necessidades do ente tributante, sem necessidade de instauração do contencioso. Assim, falta ao caso em exame a indispensável caracterização ao ato de lançamento, tendo em vista que o fundamento apontado na peça de autuação não corresponde a qualquer inadimplemento obrigacional, mas sim à necessidade de comprovação da discussão judicial informada na declaração. Esclarece que propôs em 08/05/1997 Ação Declaratória nº 97.00131580 com pedido de antecipação de tutela, voltada ao questionamento da exigência da Cofins incidente sobre os valores recebidos dos associados, pelo fato de que este numerário não é decorrente da prestação de serviços, nem da venda de mercadorias, ou seja, não pode ser classificado como faturamento. Em 12/05/1997 foi deferida a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido (fls. 68 a 78). A teor do artigo 151 do CTN, o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário. Em conseqüência, é incabível a exigência de multa e juros de mora. Conclui a impugnante afirmando ser a exigência materialmente improcedente, por supressão de sua razão de existir – a ausência de comprovação da suspensão de exigibilidade por via de depósito judicial. Anexei às folhas 105 a 108 consulta ao sítio da Justiça Federal." A Primeira Instância considerou o seguinte: Na consulta ao sítio da Justiça Federal, constatei que a sentença publicada em 26/11/1999 rejeitou o pedido da autora e julgou improcedente a ação declaratória. A interessada interpôs, então, recurso de apelação, recebido e remetido ao TRF da 3ª Região, o qual encontrase ainda pendente de apreciação. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13710.002828/200216 Acórdão n.º 3302002.110 S3C3T2 Fl. 194 4 Nestas condições, restando descaracterizado o único suporte fático que teria embasado a lavratura do auto de infração em análise – processo de nº 97.00131580 “ não comprovado” é de se considerar insubsistente o lançamento impugnado pelo fato de o Autuante na constituição do crédito tributário ter se utilizado de um argumento falso para fundamentar o seu ato. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O acórdão de primeira instância está de acordo com a jurisprudência do Carf sobre a matéria, como nos Acórdãos n. 3302002.061, 330200.702, 330200.688, 3302 00.801, 330200.757, dentre outros. Dessa forma, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, para negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004490/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2001
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das
contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional - CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento
parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se
o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação
acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida
no artigo 173, I.
EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A
TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.
DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é
obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto,
configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa
de exibir à Auditoria-Fiscal
da Receita Federal do Brasil tais livros e
documentos.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo
de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria-Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2033; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.004490/200789 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2402002.618 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS Recorrente ERECAMP CONSTR. DE IMÓVEIS E INCORP. IMOB. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à AuditoriaFiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004490/200789 Acórdão n.º 2402002.618 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 07/11/2006 pela falta de apresentação de livros e documentos necessários para o procedimento fiscal, conforme detalha o relatório da decisão recorrida: PREVIDÊNCIA SOCIAL. CUSTEIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de documentos relacionados com as contribuições previdenciárias constitui infração legislação previdenciária. AUTUAÇÃO PROCEDENTE ... Nos termos do relatório fiscal (fls. 11), foi o presente Auto de Infração lavrado contra a pessoa jurídica acima identificada, por ter deixado de apresentar os Livros Diário e Razão, relativos ao período de 08/2000 à 12/2001. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas com precisão na decisão recorrida: a) Que foram vários os escritórios de contabilidade que representaram a empresa, e, que, portanto, os documentos não foram apresentados porque não foram encontrados; b) Que os anexos documentos demonstram que a empresa (...) se viu obrigada a efetuar a reimpressão e reencadernação dos livros e documentos; c) Que há documentos que possuem mais de cinco anos; d) Que alguns dos períodos em questão estavam em arquivos eletrônicos, cujo sistema operacional está superado tecnologicamente e a empresa detentora do sistema saiu do mercado; e) Que sofreu arrombamento dos escritórios e furto de computadores; f) Que as DISO's apresentadas são relativas a obras acontecidas há mais de cinco anos; g) Que a apresentação ora efetivada, tem o condão de afastar a aplicação da multa. h) Que o presente deve ser declarado nulo, visto que o mesmo deixou de cumprir os incisos II e IV do Decreto n° 70.235/72, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 relativos A hora da lavratura e intimação para cumprir a exigência no prazo de defesa, conforme exige o art. 301 da Instrução Normativa IN n° 70/2002; i) Que as violações As garantias constitucionais quanto A forma do estabelecimento do contraditório torna o auto nulo, como se verifica das decisões que transcreve; j) Que a multa deve ser reduzida, visto que está fixada em patamares confiscatórios; e k) Que o Código de Defesa do Consumidor limita a multa a 2 % (dois por cento). É o Relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004490/200789 Acórdão n.º 2402002.618 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004490/200789 Acórdão n.º 2402002.618 S2C4T2 Fl. 104 7 Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN, pois se trata de lançamento de ofício por ser relativo ao descumprimento de obrigação acessória. Acontece que pela natureza da infração e o critério para aplicação da penalidade, somente estaria excluída a multa se todos os documentos fossem relativos a meses já decaídos, o que não é o caso. Assim, deve ser rejeita a preliminar de decadência. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Mérito Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de exibir os documentos solicitados através de intimação e não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa. Com relação às inconstitucionalidades apontadas, é vedada a esta instância julgadora afastar sob esse fundamento dispositivos legais em vigor. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004490/200789 Acórdão n.º 2402002.618 S2C4T2 Fl. 105 9 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em razão do exposto, voto pelo conhecimento parcial do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10314.002170/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/03/1987
IPI - MULTA REGULAMENTAR - IMPORTAÇÃO IRREGULAR. DECADÊNCIA.
A penalidade igual ao valor comercial da mercadoria, prevista no art. 83, inciso I, da Lei 4.502/1964, aos que entregarem a consumo ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente, cumpre o regime geral das penas e submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 78 do mesmo diploma legal. Consolidando-se a irregularidade com a cassação de liminar que autorizara a introdução do bem no País, exurge para o administração aduaneira a competência de aplicar as medidas protetivas definidas no ordenamento, no prazo definido em lei.
INFRAÇÃO CONTINUADA.
A tese da infração continuada depende de satisfação material do tipo e possibilidade jurídica e material da conduta infracional continuada.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Machado Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/03/1987 IPI - MULTA REGULAMENTAR - IMPORTAÇÃO IRREGULAR. DECADÊNCIA. A penalidade igual ao valor comercial da mercadoria, prevista no art. 83, inciso I, da Lei 4.502/1964, aos que entregarem a consumo ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente, cumpre o regime geral das penas e submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 78 do mesmo diploma legal. Consolidando-se a irregularidade com a cassação de liminar que autorizara a introdução do bem no País, exurge para o administração aduaneira a competência de aplicar as medidas protetivas definidas no ordenamento, no prazo definido em lei. INFRAÇÃO CONTINUADA. A tese da infração continuada depende de satisfação material do tipo e possibilidade jurídica e material da conduta infracional continuada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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DECADÊNCIA. A penalidade igual ao valor comercial da mercadoria, prevista no art. 83, inciso I, da Lei 4.502/1964, aos que entregarem a consumo ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente, cumpre o regime geral das penas e submetese ao prazo decadencial previsto no art. 78 do mesmo diploma legal. Consolidandose a irregularidade com a cassação de liminar que autorizara a introdução do bem no País, exurge para o administração aduaneira a competência de aplicar as medidas protetivas definidas no ordenamento, no prazo definido em lei. INFRAÇÃO CONTINUADA. A tese da infração continuada depende de satisfação material do tipo e possibilidade jurídica e material da conduta infracional continuada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 21 70 /2 00 6- 42 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Machado Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que manteve o auto de infração lavrado em 13/03/2006 (fls. 03) para constituir o crédito relativo à imposição da pena de perdimento convertida em multa, conforme previsão do art. 365, I do Regulamento do IPI introduzido pelo Decreto nº 87.981/82, por entender a fiscalização que a Recorrente entregou a consumo veículo de procedência estrangeira introduzido fraudulentamente no País. Segundo apurado pela Fiscalização, a entrada do bem em Território Nacional foi amparada por medida liminar em Mandado de Segurança, tendo sido viabilizada a presente autuação somente depois que a liminar foi cassada. Ainda segundo as considerações fiscais, o veículo foi revendido a terceiro e, diante da impossibilidade de se apurar seu efetivo valor de aquisição em Nota Fiscal, bem como inviabilizada a apuração de seu valor segundo as informações do IPVA, dada a isenção decorrente de seu período de fabricação, o Fisco arbitrou a multa previsto no caput do art. 365 do RIPI/82, com base no valor de mercado constante do site da WEBMOTORS para um veículo similar. Inconformada com a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação, oportunidade em que informou ter sido a importação viabilizada por decisão liminar, cassada em março de 1987, por ter se constatado que a respectiva DI era falsa (fls. 28). A Impugnação foi, então, julgada improcedente pela DRJSão Paulo/SP, com base nos argumentos constantes na seguinte ementa (fls.61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/03/2006 Infração ao artigo 463, I e parágrafo único do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto 2.637/98. O impugnante adquiriu o produto mencionado no mercado interno. Por ser um bem durável, seu consumo se protrai no tempo. Portanto, o uso continuo de um veiculo, importa conseqüentemente no seu consumo. A prescrição para a infração permanente começa a ser contada da data em que cessar a infração. No presente caso, o autuado sequer comprovou que se desfez do veiculo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.002170/200642 Acórdão n.º 3101001.401 S3C1T1 Fl. 353 3 Intimada dessa decisão em 17/12/2009 (fls. 72), interpôs Recurso Voluntário em 28/12/2009 (fls. 73/79), aduzindo em síntese que o art. 78 da Lei nº 4.502/64 impõe o prazo de cinco anos para que o Fisco constitua o crédito decorrente da imposição de penalidades, estando, conforme seu entendimento, decaído o direito do Fisco, haja vista que a importação se deu em 1981 e desde 1988 o bem encontrase em situação irregular no País. Ainda argumenta a Recorrente que o veículo foi alienado entre 1984 e 1985, tendo a Fazenda Pública determinado sua entrega somente em 1995, o que, inviabilizado por conta da referida venda, resultou na aplicação da presente multa somente em 2005, em substituição à pena de perdimento. O fundamento utilizado pelo Fisco para imposição da penalidade foi a cassação da medida liminar proferida em sede de Mandado de Segurança, ocorrida em 23/03/1987, que havia autorizado a importação do veículo em tela. Por conta da necessidade de análise do processo judicial a fim de se perquirir pela regularidade do auto de infração através análise dos fundamentos que ensejaram a cassação da referida liminar, bem como por meio da análise de seu atual estágio ou, se for o caso, de seu resultado final, além de outros aspectos que eventualmente se mostrem relevantes, o julgamento foi convertido em diligência conforme Resolução n° 310100224, para que a repartição de origem trouxesse aos autos cópia do Mandado de Segurança, bem como do procedimento administrativo nº 10880.039249/8418, instaurado à época, a fim de prestar as informações requeridas pelo juízo, o que inviabiliza momentaneamente o julgamento, que deve estar pautado segundo o princípio da verdade material. Cumprida a diligência, o Recorrente foi intimado a manifestarse, sendo que ratificou os termos do Recurso Voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Apesar de a diligência não ter sido cumprida integralmente, as informações trazidas são suficientes para subsidiar a apreciação da lide. Verifico às fls. 125 do Processo Administrativo n° 10880.039249/8418, a autoridade administrativa de origem tomou ciência em 23/03/1987, da cassação da liminar e suspensão de todos os efeitos da liminar concedida, de modo que nesse momento concretizou se o fato infracional passível de apreensão do veículo importado ou cobrança da pelidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Não há dúvida que, diante da cassação da liminar, a tutela jurisdicional alterou a situação de regularidade do bem nacionalizado sob liminar e abriu a possibilidade de a Administração Aduaneira e Tributária exercer sua função de controle aduaneiro. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Entendeu a decisão de primeira instância que haveria a continuidade de infração por conta da manutenção da posse do bem e de sua permanência em território nacional. Ocorre que o fundamento fático desse entendimento advém da alegada anotação do nome do Recorrente no RENAVAN: “O registro do nome do autuado no RENAVAN indica o cometimento do ilícito.” Ocorre não consta registro do veículo no RENAVAN conforme fls. 12, uma vez que a própria autoridade da repartição de origem oficiou o DETRAN para cancelar o registro dos veículos importados, perdendo assim a rastreabilidade da propriedade do veículo objeto deste processo. Portanto, não há como comprovar que o Recorrente praticou ilícito continuando como entendeu a decisão recorrida, para não aplicação da decadência do direito de o Fisco aplicar a penalidade, pois a tese da infração continuada depende de prova bastante e suficiente que demonstre a material do tipo, bem como a demonstração da possibilidade jurídica e material da conduta infracional continuada. Em verdade, o Fisco permaneceu 18 anos inerte aguardando que o contribuinte regularizasse veículo que deveria ser apreendido. Assim, entendo que é aplicável a decadência prevista no art. 78 da Lei nº 4.502/64: Art . 78. O direito de impôr penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. É que a penalidade igual ao valor comercial da mercadoria, prevista no art. 83, inciso I, da Lei 4.502/1964, aos que entregarem a consumo ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente, cumpre o regime geral das penas e submetese ao prazo decadencial previsto no art. 78. Consolidandose a irregularidade com a cassação de liminar que autorizara a introdução do bem no País, exurge para o administração aduaneira a competência de aplicar as medidas protetivas definidas no ordenamento, no prazo definido em lei. Não há como edificar no sistema de direito positivo nacional a perpetuidade da pretensão punitiva do Estado, seja no campo penal como administrativo. Nem dar sustentação ao auto de infração, cuja data da ciência ocorreu em 07/04/2005, sem qualquer demonstração da conduta infracional no lapso temporal que antecede a decadência. Nesse sentido têm decidido as instâncias a quo da Receita Federal: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: MULTA REGULAMENTAR. ART.83, I DA LEI N° 4.502/64. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. A multa prevista no artigo 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, instituída para punir violações ao controle aduaneiro das importações, deve obedecer ao prazo decadencial previsto pelo caput do artiqo 78 da Lei n° 4.502/64. 0 termo inicial do prazo decadencial deve ser contado a partir da data em que o Fisco for desonerado de obstáculo judicial que impedia sua atuação no sentido de constatar a ocorrência de hipótese típica punida com a penalidade objeto da autuação. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.002170/200642 Acórdão n.º 3101001.401 S3C1T1 Fl. 354 5 Data do fato gerador: : 20/11/1987 a 20/11/1987 (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO, 2 ° TURMA, ACÓRDÃO N° 1730785 de 25 de Marco de 2009) ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: MULTA REGULAMENTAR. NATUREZA JURÍDICA. DECADÊNCIA. A multa prevista no art. 83, I da Lei no 4.502/64, foi instituída para punir violações ao controle aduaneiro das importações, devendo obedecer ao prazo decadencial previsto no art. 78 da Lei n° 4.502/64. Anocalendário: : 01/01/1997 a 31/12/1997 (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO, 2 ° TURMA, ACÓRDÃO N° 1718847 de 26 de Junho de 2007) Inobstante, a forma de fixação da penalidade não cumpre os requisitos mínimos de segurança. Notese que a penalidade está fixada em anúncio de venda, ou seja, não constitui preço efetivo de transação de direito privado que possa aferir o valor comercial da mercadoria. Sequer há comprovação da adequação entre o bem ofertado e o bem objeto da fiscalização. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir a penalidade. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.000678/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1301-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO em diligência para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal na sede empresa, e, se for o caso, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, acerca dos seguintes itens: 1. comprovação documental, por amostragem, dos valores que constituíram o item OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS da declaração de informações apresentada (FICHA 5A , linha 30, da DIPJ/2006), excluída a parcela declarada como não dedutível (R$ 1.396.876,92) e a já acolhida em primeira instância (R$ 1.416,01); e 2. comprovação documental de que os montantes excluídos do lucro líquido a título de reversões contábeis de provisão para custo de ordem faturada (R$ 1.106.160,83) e de provisão para perdas na realização de créditos (R$ 2.008.198,74), em virtude de adição anterior, não afetaram o lucro real relativo ao ano-calendário de 2005; e 3. comprovação documental que permita concluir que a perda na realização de empréstimos - Eletrobrás, no valor de R$ 48.997,70, que foi excluída do lucro líquido na determinação do lucro real, pode ser considerada definitiva. A contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO em diligência para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal na sede empresa, e, se for o caso, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, acerca dos seguintes itens: 1. comprovação documental, por amostragem, dos valores que constituíram o item OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS da declaração de informações apresentada (FICHA 5A , linha 30, da DIPJ/2006), excluída a parcela declarada como não dedutível (R$ 1.396.876,92) e a já acolhida em primeira instância (R$ 1.416,01); e 2. comprovação documental de que os montantes excluídos do lucro líquido a título de reversões contábeis de provisão para custo de ordem faturada (R$ 1.106.160,83) e de provisão para perdas na realização de créditos (R$ 2.008.198,74), em virtude de adição anterior, não afetaram o lucro real relativo ao anocalendário de 2005; e 3. comprovação documental que permita concluir que a perda na realização de empréstimos Eletrobrás, no valor de R$ 48.997,70, que foi excluída do lucro líquido na determinação do lucro real, pode ser considerada definitiva. A contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 67 8/ 20 09 -6 7 Fl. 4222DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.220 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 4223DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.221 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) custos e despesas não comprovados; e ii) exclusões indevidas do lucro líquido na determinação do lucro real. Por bem descrever os argumentos trazidos pela autuada em sede de impugnação, reproduzo fragmento do Relatório contido na decisão exarada em primeira instância: [...] 5. Irresignada com os lançamentos, a empresa apresentou, representada por procuradores (fls. 678 a 683), a impugnação às fls. 652 a 677, protocolizada em 03/04/2009, acompanhada dos documentos às fls. 678 a 1645, na qual alega, em síntese, o seguinte (grifos e negritos do original): I – “Preliminar de Nulidade.” 5.1. “Antes de adentrar ao mérito da demanda, importa ressaltar, preliminarmente, que no que se refere à autuação da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL, o Auto de Infração padece de insanável vício formal, visto que Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que suportou a ação fiscal (doc. 04) não abrange esta contribuição em seu escopo, o que cerceou o direito de defesa da Impugnante no curso da fiscalização, uma vez que ela nunca teve conhecimento que o agente fiscal estivesse inspecionando o recolhimento de seu CSLL, mas somente dos valores de IRPJ.” (anexou documento à fl. 696 e transcreveu ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes à fl. 659). 5.2. “Por este motivo, independente de sua improcedência quanto ao mérito, o lançamento da CSLL deve ser de julgado nulo de pleno direito, dada a ocorrência de vício formal em sua constituição, nos termos em que garante a jurisprudência dominante do Conselho de Contribuinte (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).” II – “Razões de Direito e de Fato.” II – 1 – “Despesas Operacionais Não Comprovadas.” 5.3. “A primeira glosa realizada pela r. fiscalização, como já comentado, foi realizada sob a alegação de que as despesas indicadas pela Impugnante na conta "outras despesas operacionais" de sua DIPJ 2006/2005 não teriam sido devidamente comprovadas no curso da ação fiscal.” 5.4. “Tais despesas foram devidamente detalhadas pela Impugnante mediante a indicação, no demonstrativo entregue à r. fiscalização (doc. 05), de cada uma das contas contábeis que compuseram esta linha de sua DIPJ.”(anexou documento às fls. 697 a 711). IRPJ – Duplicidade de tributação de uma parcela da despesa glosada. Fl. 4224DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.222 4 5.5. “Inicialmente, cumpre esclarecer que a d. fiscalização inadvertidamente glosou a totalidade da despesa indicada na linha 30 da Ficha 5A da DIPJ 2006/2005, efetuando ajuste desse valor total no Lucro Real da Impugnante anteriormente informado, sem desconsiderar de tal glosa, contudo, a parcela dos R$ 6.967.816,24 que já havia sido informada na própria DIPJ 2006/2005 pela Impugnante como sendo uma "parcela não dedutível" de tais despesas e, portanto, devidamente oferecida a tributação na determinação do Lucro Real (vide Ficha 5A — linha 30 — segunda coluna e Ficha 9A — linha 03 da DIPJ 2006/2005, as quais correspondem ao valor final das "parcelas não dedutíveis" indicadas na Ficha 5A, páginas 4 e 9 — doc. 06).” (juntou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica às fls. 712 a 812). 5.6. “Ora, mesmo assumindo que a Impugnante não tivesse apresentado a composição do valor da "parcela não dedutível" e/ou não tivesse entregado sua documentação comprobatória (o que não foi o caso), a "glosa" desse valor não pode prevalecer, já que representaria uma duplicidade de tributação, e, conseqüentemente, um enriquecimento injustificado dos cofres públicos.” 5.7. “De qualquer forma, reproduzimos abaixo um quadroresumo com os valores que compõem a totalidade "parcela não dedutível", no montante de R$968.173,18 (extraído da composição de todas as contas informadas na Ficha 5A da DIPJ e Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR — doc. 07). (registrou tabela à fl. 661 e anexou Livro Registro de Apuração do Lucro Real Parte A (fls. 813 a 836) e Parte B (fls. 837 a 856)). 5.8. “Ora, o equívoco da d. fiscalização está evidente quanto a essa pretensa duplicidade de tributação (R$ 968.173,18), merecendo o auto ser cancelado, dado ser evidente a falta de cuidado quanto as procedimentos fiscalizatórios dos valores dos créditos tributários lavrados.” CSLL – Duplicidade de tributação de uma parcela da despesa glosada. 5.9. “Da mesma forma, a d. fiscalização também acabou por duplicar o mencionado valor da R$ 968.173,18 na base de cálculo da CSLL. Isso porque tal valor também havia já sido tributado/adicionado pela Impugnante quando da determinação da base de cálculo apresentada na DIPJ 2006/2005.” 5.10. “A Impugnante, conservadoramente, adota o procedimento de adicionar na determinação da base de cálculo da CSLL exatamente os mesmos ajustes efetuados para fins de apuração do Lucro Real.” 5.11. “Situação esta de fácil constatação pela simples verificação do valor total das adições dessas duas bases de cálculo na DIPJ 2006/2005. Assim, temse que na Ficha 09A “Demonstração do Lucro Real”, o valor da linha 24 "Soma das Adições" é de R$ 8.758.515,36, e da mesma forma esse mesmo número é apontado na Ficha17 "Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Liquido", particularmente na linha 20 "Soma das Adições".” 5.12. “Assim, o lançamento da CSLL também deverá ser tratado como nulo, pelo menos quanto a essa parcela da autuação frente a tão evidente equívoco.” 5.12. “Assim, o lançamento da CSLL também deverá ser tratado como nulo, pelo menos quanto a essa parcela da autuação frente a tão evidente equívoco.” IRPJ/CSLL – Glosa de “Outras Despesas Operacionais” – Ausência de Verificação do Rateio de Gastos. Fl. 4225DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.223 5 5.13. “A glosa das "Outras Despesas Operacionais" da Impugnante decorreu da alegação de que elas não teriam sido comprovadas (sem nada questionar sobre sua usualidade ou necessidade).” 5.14. “Segundo o "Termo de Verificação Fiscal", a d. fiscalização alega que a Impugnante não atendeu à solicitação de entrega de documentos relacionados com "gastos" rateados e alocados na conta de despesa operacional.” 5.15. “Relata ainda que a Impugnante respondeu a intimação de tal solicitação para informar que o volume de documentação solicitada era imenso (o que de fato é). Por outro lado, não relatou, porém, que, quando desta solicitação (termo de intimação de 18/09/2008), a Impugnante atendeu a outra solicitação que fora o preenchimento de dados em planilha eletrônica encaminhada pela r. fiscalização com a composição das contas contábeis de despesas operacionais (que totaliza mais de R$ 30 milhões, ou seja, mais inclusive do que o valor ora glosado) doc. 09.” (juntou documento às fls. 859 a 861). 5.16. “O Termo de Verificação Fiscal também informa simplesmente que após nova concessão de prazo, a Impugnante não cumpriu a solicitação "na forma solicitada". Todavia, não registra que a Impugnante preparou caixas e caixas de cópias de documentos comprobatórios das despesas operacionais (notas fiscais de serviços e materiais, conta de luz, conta de água, relatórios de viagens a trabalho, folha de pagamento, etc.), e que foi em 09/02/2009 até a repartição pública para entregar tal documentação para a d. agente fiscal, só que ela recusou a receber essa documentação (sem sequer a analisar), alegando que não era nos moldes solicitados e dando por encerrada a fiscalização.” (transcreve parte do Termo de Verificação Fiscal às fls. 663 e 664). 5.17. “Ora, é indiscutível que o rateio de gastos em uma empresa que fabrica produtos para venda é algo essencial e exigido pela própria legislação do imposto de renda. Além disso, o sistema de custo integrado para apuração da alocação (rateio) de gastos em custo (de estoque, baixado para o resultado quando da venda do produto) e em despesas é algo em total consonância com as regras fiscais.” 5.18. “Buscando tornar simples o que é o rateio de gastos exigido pela própria legislação comercial e fiscal, poderseia dizer que a empresa "pega" o valor de um determinado gasto (e.g., conta de luz cobrado em uma única "nota") e o divide entre custo e despesa, alocando para o primeiro a parcela deste gasto relacionada com a produção (e.g., parte da conta de luz relacionada ao espaço físico da fábrica), enquanto que a parcela remanescente irá diretamente para o resultado (despesa) por ser um valor necessário para o desenvolvimento das atividades da empresa, apesar de não ligado "diretamente" à linha de produção (e.g., parte da conta de luz relativa ao espaço físico onde fica a contabilidade da empresa).” 5.19. “Para se fazer tal rateio, a empresa deve adotar um critério lógico e consistente (no caso da luz, por exemplo, a proporção da área utilizada pelo setor produtivo e pelo setor administrativo). Dessa forma, para cada natureza de gasto, uma lógica própria dará a premissa para a realização do cálculo.” 5.20. “Com o rateio, a parcela do gasto alocada no custo será levada (baixada) para o resultado apenas em um momento posterior (ao da despesa), ou seja apenas quando da venda do produto ao qual tal custo foi agregado. Assim, o rateio visa atender ao regime da competência e ao princípio da confrontação de receitas e custos (despesas) para permitir que a parcela alocada ao custo seja lançada só quando houver receita correlata. Diferentemente, a parte alocada a despesa acontece (para fins de Fl. 4226DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.224 6 dedutibilidade) quando a mesma for incorrida, independentemente de qualquer faturamento.” 5.21. “Imagine esse procedimento de rateio que envolve diversas contas e inúmeros valores de um anocalendário inteiro (2005), bem como envolve mais de um produto.” 5.22. “Imagine então o volume de documentos comprobatórios relacionados, bem como o tamanho dos relatórios que demonstram como o rateio de cada uma das "notas fiscais" (ou "conta de luz", etc) recebidas durante um ano. Imagine uma situação mais absurda, a de a empresa ter que duplicar toda a documentação e levála até a repartição pública.” 5.23. “Por fim, imagine ainda, alguém de fora da empresa, e completamente sozinha sem esclarecimentos de dúvidas simples durante a análise da documentação (por exemplo, identificação de um pequeno código de um departamento apontado na nota fiscal i. e., departamento produtivo ou administrativo) entender e validar centenas e centenas de documentos.” 5.24. “Para reduzir o possível problema (e conclusão do trabalho), digase, simplesmente que seria uma forma de trabalho não eficiente e extremamente onerosa para o contribuinte. Diferentemente, porém, se toda essa documentação estivesse a disposição da fiscalização na empresa em um primeiro momento, e após alguma seleção, aí sim, fosse solicitada alguns documentos (em volume grande ou não, mas pelo menos razoável) para análise fora da empresa.” 5.25. “A razão de toda essa explicação acima é para tentar demonstrar que: (i) a empresa envidou todos os esforços para atender à r. fiscalização, mas não foi aceito o resultado de seu trabalho (explicação), pela simples alegação que não se encontrava nos moldes solicitados, e (ii) um assunto tão complexo como o rateio de todos os gastos operacionais de um ano da empresa dificilmente poderia ser feito sem qualquer visita do fiscal ao estabelecimento da Impugnante.” 5.26. “Exemplificativamente, para fins de demonstração de procedimento contábil, foi escolhido o caso do rateio da conta de luz do ano de 2005 da Impugnante. Para tanto, anexase à Impugnação, o razão (conta contábil 759100 doc. 10), o relatório de rateio por departamento da empresa (denominado internamente na empresa de "gerência", "diretoria ou diretoria de área"), e a totalidade das contas de luz (que envolve várias concessionárias de energia elétrica, mês a mês).” (acostou documentos às fls. 862 a 963). 5.27. “Para se entender o procedimento, a Impugnante toma como referência a conta de luz com a Eletropaulo, de 05/01/2005, no valor de R$ 35.400,32 (doc. 11) e a vincula com a página 1 do relatório de rateio (registro de transações lançamentos aberto por centro de custo doc. 12) e com a página 1 do razão da conta 759100 (doc. 10), para demonstrar que um pedaço da nota, no montante de R$ 1.416,01 foi alocado no departamento 55110 denominado "Diretoria Geral". Ainda junta agora o laudo técnico feito para o referido rateio, inclusive que serve para fins de tomada de crédito de ICMS (doc. 13).” (anexou documentos às fls. 964 a 996). 5.28. “Como esse procedimento é feito para cada uma das notas de luz para essa conta, imaginese multiplicar isso para todas as contas de luz, recebidas em vários dias do mês da empresa, bem como para todos os centros de custo da empresa, e, por fim, depois fazer isso para TODAS as contas operacionais solicitadas durante a fiscalização, a exemplo do que exigiu a r. fiscalização!” Fl. 4227DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.225 7 5.29. “Não sendo possível a realização de tal procedimento, a Impugnante junta anexa todas as notas fiscais das contas de luz que a empresa recebeu durante 2005 (doc. 14), as quais foram igualmente rateadas nos termos acima comentados.”(anexou documentos às fls. 997 a 1117). 5.30. “E para demonstrar que o procedimento em referência não foi adotado exclusivamente para os custos/despesas com energia elétrica, a Impugnante também anexa demonstrativos de outras contas de despesas integrantes da relação entregue à r. fiscalização (doc. 05), nas quais podese identificar a utilização do mesmo procedimento acima descrito. Além disso juntase com cada uma dessas contas de custos/despesas, a totalidade das notas fiscais pertinentes ao anobase de 2005 (docs. 15 a 17).” (juntou documentos às fls. 1118 a 1534). 5.31. “Notese, inclusive, que a Impugnante optou em escolher estas contas contábeis por serem elas as que apresentam o menor volume de documentação suporte. Contudo, a mesma comprovação existe para TODAS as contas contábeis questionadas pela d. fiscalização (doc. 05), estando toda ela na sede da empresa disponível para fins de comprovação das alegações da Impugnante.” IRPJ/CSLL – Glosa de “Outras Despesas Operacionais” – Esclarecimento quanto ao valor glosado de R$ 3.188.351,45. 5.32. “A Impugnante também aproveita para comentar, brevemente, um valor relevante que compõe o montante glosado de R$ 6.967.816,24, qual seja, o valor da conta 792302 "Desps. PréVenda Realoc", no montante de R$ 3.188.351,45.” 5.33. “Esclareçase, inicialmente, que nessa conta de despesa com prévenda são alocadas despesas que são incorridas pela Impugnante anteriores ao processo de fabricação de produtos. Para tanto, a empresa utiliza, basicamente, empregados da empresa para cotar e orçar quanto sairia um produto para um cliente, agregando a esse valor a proporção de outros gastos relacionados com o departamento no qual esses empregados estão alocados pelo tempo despendido para essas cotações e orçamentos.” 5.34. “Para entender o grande volume de horas alocadas de mãodeobra, e que, conseqüentemente, gera um valor de gasto relevante no ano, a Impugnante esclarece ainda que o resultado de tal trabalho são duas propostas: uma técnico e uma comercial (vide dois exemplos anexos docs. 18A e 18B). Isso porque o produto da Impugnante é voltado para atender a necessidade de cada um dos seus potenciais clientes no campo de automação industrial.” (acostou documentos às fls. 1535 a 1582). 5.35. “A Impugnante para apurar o valor da despesa de prévenda utilizase então do procedimento de rateio dos gastos com remuneração de seus empregados, com base em taxa de absorção de sua mão de obra alocada para o serviço de prévenda. E faz isso, por cada um de seus centros de custos (departamentos) que tenham membros envolvidos nesse serviço.” 5.36. “Para demonstrar como tal rateio funciona, a Impugnante anexa à presente a abertura da conta do razão de R$ 3.188.351,45 por valores mensais (doc 19) e por departamento (docs. 20 e 21). Na planilha mais detalhada da abertura por departamento (doc. 21), seleciona o departamento 55916 "Cotação e Orçamento MPS" que se dedica exclusivamente a atividade de prévenda (diferentemente de outros departamentos, que somente alguns membros deles participam) vide páginas 1 a 5 do referido relatório que apresenta o saldo de despesa de prévenda relacionada com esse departamento 55916, qual seja, R$ 578.898,03.” (juntou documentos às fls. 1583 a 1598). Fl. 4228DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.226 8 5.37. “Relativamente a este departamento, a Impugnante junta, então, um relatório financeiro (doc. 22) extraído do sistema integrado de contabilidade da empresa (o qual não foi questionado) que mostra onde todos os gastos de tal departamento 55916 são lançados pelo sistema em um primeiro momento (essencialmente salários e benefícios), mas que, após análise com base em premissas e critérios lógicos e consistentes, terão, quando for o caso, parte (ou a totalidade) de seus valores "realocados" para outras contas relativas a gastos mais apropriados, o que significa: (i) uma realocação de parte do valor originalmente alocada em uma certa conta de despesa analisada (e.g., salário) para o custo; e/ou (ii) uma realocação de parte (ou da totalidade) dessa despesa para outra conta de despesa que gerencialmente indique melhor sua natureza.” (anexou documentos às fls. 1599 e 1600). 5.38. “Esse relatório apresenta uma série de contas, mas temse que 3 delas são o totalizador do valor a ser lançado para a conta de despesa prévenda (i.e., "zeram as demais contas"), sendo a diferença dos gastos, nesse caso, lançada para o custo. Vejamos:: (registra tabela à fl. 668). 5.39. “Esse valor da tabela acima encontrase devidamente indicado no relatório de composição do valor total de R$ 3.188.351,45 por departamento (com uma diferença imaterial de exatos R$ 3,32).” 5.40. “Ainda para comprovar que tais gastos existem, anexamos a folha de salários relativa aos empregados desse departamento no ano de 2005 (doc. 23).” (juntou documentos às 1601 a 1640). 5.41. “Esse procedimento efetuado exemplificativamente para o departamento 55916 pode ser efetuado para cada um dos departamentos de forma a se chegar na totalidade dos R$ 3.188.351,45.” 5.42. “Entende, assim, que esse valor de despesa de prévendas está comprovado, por amostragem, cabendo também por esse motivo o cancelamento do auto.” IRPJ/CSLL – Glosa de “Outras Despesas Operacionais” – Observação Adicional. 5.43. “Felizmente, a Jurisprudência Administrativa tem entendido que para ser válida a glosa de despesas levada a efeito pela fiscalização é necessário que esta cumpra adequadamente o seu dever de realizar a prova de suas alegações, mediante análise detida da documentação apresentada pelo contribuinte. Vejamos o entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto:” (transcreve ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes à fl. 669). 5.44. “Na presente hipótese, a r. agente fiscal não buscou a verdade material do objeto fiscalizado, alegando a simples não comprovação de despesas, acabando assim por impor à Impugnante inaceitável ônus de prova. O descabimento da reversão do ônus da prova para o contribuinte, em hipóteses análogas, já foi reconhecido pelo Conselho de Contribuintes:” (transcreve ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes à fl. 670). 5.45. “Contudo, em face da autuação realizada pela r. agente fiscal, não restou alternativa à Impugnante senão tentar realizar, no âmbito da presente Impugnação, a prova da efetividade das despesas superficial e cabalmente glosadas pela r. fiscalização.” 5.46. “Reconhece a Impugnante, contudo, que a prova ora apresentada apesar de quantitativamente relevante, foi feita por amostragem exemplificativa, dada a enormidade de documentação que seria necessária juntar aos autos, para que se pudesse Fl. 4229DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.227 9 abranger a totalidade do valor da despesa glosada.” (transcreve ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes à fl. 670). 5.47. “Todavia, caso o entendimento dos ilustres julgadores seja que a totalidade da despesa seja conferida detalhadamente, desde já informa a Impugnante que a totalidade da documentação suporte está disponível em sua sede, devendo ser determinada a realização de diligência que dessa vez esperase seja feita de maneira pessoal e não mediante o envio de intimações por correio para constatação da efetiva existência de provas substanciosas de todas as alegações contidas acima.” 5.48. “De outro lado, caso esta c. Turma Julgadora entenda não ser ocaso de realização de diligência, mas sim de juntada aos autos para exame por V.Sas. de todos os documentos de prova em questão, a Impugnante espera ser intimada a trazer tais elementos complementares aos autos, o que, independentemente de requerimento prévio, desde já protesta como forma de resguardo tal direito.” II – 2 – “IRPJ – Exclusões Indevidas.” 5.49. “O Termo de Verificação Fiscal tratou como indevida exclusões no montante de R$ 3.163.357,27 efetuadas na determinação do Lucro Real, por alegar que não recebeu documentação suporte de tal monta.” 5.50. “Como se demonstrará mais adiante, isso não é verdade, pois tais valores seriam facilmente comprováveis através do Livro Razão e LALUR, os quais foram recebidos e analisados pela r. agente fiscal, conforme consta do próprio Termo de Verificação Fiscal. Além de outros documentos que constam no Termo, e ainda a própria DIPJ 2006/2005 que a fiscalização possui.” 5.51. “O valor glosado tem a seguinte composição, conforme se extrai da Parte A do LALUR Página 19 (e páginas correspondentes da Parte B, particularmente as páginas 24, 25 e 27): (registra tabela à fl. 671). 5.52. “A Impugnante demonstra abaixo a propriedade da exclusão de cada um dos valores desta tabela.” “Baixa da Provisão para Custo de Ordem Faturada.” 5.53. “Antes de comentar a baixa da Provisão para Custo de Ordem Faturada, fazse necessário entender o que é essa provisão.” 5.54. “A Impugnante esclarece que utiliza tal provisão quando vai cobrar um cliente, mas um pedaço do custo, relacionado com o respectivo produto de automação industrial que gerou tal faturamento, ainda não foi incorrido/recebido pela Impugnante.” 5.55. “Por exemplo, para entregar o produto a Impugnante se utiliza de um frete de terceiros, mas esse terceiro não cobra a Impugnante dentro do mês, pois a entrega do produto ainda estava em andamento quando do fechamento deste mês. A Impugnante, porém, para "cassar" receitas e despesas, efetua uma provisão do valor deste frete no referido mês, e tratando tal valor como indedutível (i.e., efetua uma adição temporária no LALUR). Em outras palavras, para fins fiscais a constituição de provisão não afeta o valor do IRPJ devido.” 5.56. “Somente quando do recebimento da cobrança do prestador do frete, a Impugnante reverte contabilmente essa conta de provisão, de forma a contabilmente neutralizar o número provisionado no mês anterior. Simultaneamente, registra um Fl. 4230DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.228 10 contas a pagar do valor efetivo com contrapartida em uma conta de despesa correspondente (no caso do exemplo, frete).” 5.57. “Essa situação representa tãosomente uma movimentação contábil, e que não deve em hipótese alguma gerar impacto tributário (seja tributação ou dedução). Os ajustes no LALUR (adição quando da constituição da provisão, e exclusão quando de sua reversão) servem apenas para neutralizar o lançamento contábil (respectivamente, despesa e "receita").” 5.58. “Analisando a página 24 da Parte B do LALUR (doc. 07), verificase que o valor de R$ 1.106.160,83 nada mais (é) do que o saldo da movimentação/variação da conta contábil dessa provisão.” 5.58. “Analisando a página 24 da Parte B do LALUR (doc. 07), verificase que o valor de R$ 1.106.160,83 nada mais (é) do que o saldo da movimentação/variação da conta contábil dessa provisão.” 5.59. “Aliás, a Impugnante anexa um relatório financeiro, com dados extraídos do razão da conta e devidamente assinado por seus representantes legais (doc. 24), demonstrando a variação mês a mês durante o anocalendário de 2005, e que totaliza exatamente o valor excluído (i.e., Saldo Final de R$ 1.722.301,04 menos Saldo Inicial de R$ 2.828.461,87).”(anexou documento à fl. 1641). 5.60. “Dessa forma, entende a Impugnante que a glosa de tal exclusão não deve prevalecer.” “Baixa de Provisão relativa a Empréstimos à Eletrobrás.” 5.61. “A exclusão indevida relacionada a este item monta R$ 48.997,70, e refere se a baixa de provisão contábil, que, no final da década de 90 havia sido tratada como indedutível pela Impugnante. Tal situação foi controlada na Parte B do LALUR (vide página 22 do livro anexado).” 5.62. “O recebimento do referido valor há muito traz um grande grau de incerteza no recebimento, sendo que de acordo com decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal (decisão de última instância, portanto) temse a previsibilidade da não recuperação de valores dessa natureza. (transcreve ementa de Acórdão do STF às fls. 673 e 674). 5.63. “Diante de tal situação, a Impugnante baixou o valor de R$ 48.997,70 de sua contabilidade a fim de caracterizar sua perda. Para fins fiscais, excluiu o valor anteriormente adicionado pela total incapacidade de continuação da cobrança do valor em questão.” “Baixa de Perdas na Realização de Créditos em conta Clientes.” 5.64. “A exclusão indevida relacionada a este item monta R$ 2.008.198,74.” 5.65. “Pela simples verificação da folha 19 da Parte A do LALUR (juntamente com as folhas 25 e 27 da Parte B), é possível constatar que dentro do próprio ano calendário de 2005 existe exatamente um valor idêntico adicionado sobre o título de "perdas na realização de créditos em contas de clientes, temporariamente indedutivel". 5.66. “Isso vale a dizer que, na apuração de Lucro Real do anocalendário de 2005, essa exclusão foi totalmente neutralizada por uma adição de igual valor, ou ainda que ela não tem qualquer impacto no cálculo do IRPJ devido. Vejamos primeiramente a folha do LALUR que controla a exclusão (folha 25), e, na seqüência, a outra folha (a de n° 27) que controla a adição não apontada no Auto de Infração.” Fl. 4231DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.229 11 5.67. “Na folha 25 da Parte B do LALUR, onde existe o controle da conta de "Provisão para Perdas Provável na Realização de Créditos (Devedores Duvidosos)", constatase que durante 2005 houve um registro na coluna "débito" (equivalente a reversão ou baixa contábil da provisão) de R$ 2.279.224,92 e um registro na coluna "crédito" (equivalente a uma constituição de uma nova provisão), o que no líquido gera um impacto dos mencionados R$ 2.008.198,74. Valor este, como já comentado, facilmente identificável na Parte A, e que gerou a exclusão ora glosada.” 5.68. “Por outro lado, na folha 27 da Parte B do LALUR, onde há o controle de uma conta denominada de "Perdas na Realização de Créditos temporariamente não dedutíveis", que nada mas um conta especifica de provisão para perdas que trata de contas de alguns clientes (Controlset Automação Industrial Ltda.; Medusa S.A.; Innobra Innocenti Ind. Mecânica S/A / NIMPA Nova Indústria Mecânica S.A.; Usiminas, Virtual Automação Ltda.), e que por sua vez, foi oriunda da transferência dos valores da conta da página 25 da Parte B do LALUR acima descrita, no montante do "débito" de R$ 2.279.224,92, e que foi adicionado.” 5.69. “Em outras palavras, a exclusão glosada representa uma mera transferência de valores provisionados, sem qualquer realização dos mesmos para fins contábeis ou fiscais. De forma que, não há nem que se pensar analisar a aplicabilidade ou não das regras fiscais de dedutibilidade de perdas com crédito, pois o valor não foi "baixado" para resultado como perda efetiva.” 5.70. “De qualquer forma, a Impugnante informa que iniciou e ainda mantém procedimentos de cobrança contra os seus credores segregados nessa movimentação efetuada em 2005 no livro fiscal.” 5.71. “A Impugnante anexa ainda o razão da conta 126100 relativa a movimentação contábil dessa provisão durante o anocalendário de 2005 (docs. 25 e 26).” (acostou documentos às fls. 1642 a 1645). 5.72. “Diante do exposto, a Impugnante entende que comprovou que a glosa desse R$ 2.008.198,74 é indevida, cabendo, assim, o cancelamento do auto de infração. III – “Do Pedido.” 5.73. “Requer a Impugnante que, à vista da clara incompatibilidade dos Autos de Infração com os preceitos legais mencionados e a documentação aqui juntada, seja declarada, preliminarmente, sua nulidade quanto à parcela atingida pelos apontados vícios e, no mérito da autuação, a insubsistência do lançamento ora efetuado, determinandose o seu integral cancelamento e arquivamento do correspondente processo administrativo.” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 16 35.970, de 1º de fevereiro de 2012, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE. Eventual vício em emissão, notificação, prorrogação, ou até mesmo a inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal em nome do fiscalizado não causa nulidade do lançamento, porque não constitui requisito de validade do ato, mas mero instrumento de controle da administração tributária. Fl. 4232DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.230 12 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Incabível o pedido de realização de diligência e perícia, pois o presente litígio se resolve com o direito e os fatos comprovados por documentos já constantes dos autos. FATOS E ATOS. REGISTRO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, os fatos e atos registrados em sua contabilidade. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. DESPESAS INCOMPROVADAS. Mantémse a glosa de despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. Exonerase a parcela de despesas já adicionada pela contribuinte na apuração da base de cálculo do imposto, bem como parcela de despesa com energia elétrica comprovada. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1.708/1.754, em que, em apertada síntese, sustenta: que em momento algum a agente fiscal responsável pelo procedimento dispôs se a visitar a sua sede, apesar de ela ter se manifestado no sentido de que seria inviável em termos práticos apresentar toda a sua contabilidade em resposta às intimações emitidas; que todas as intimações expedidas foram tempestiva e satisfatoriamente atendidas por ela; que tão precária foi a autuação que sequer a parcela considerada por ela como não dedutível foi excluída pela agente fiscal da base de cálculo considerada tributável no auto de infração; que a glosa decorreu, tãosomente, da não comprovação das despesas, não havendo qualquer questionamento acerca da natureza de tais dispêndios; que em duas decisões proferidas em processos decorrentes do mesmo procedimento fiscal (processos nºs 19515.000681/200981 e 19515.000682/200925), já em primeira instância, foram cancelados integralmente os Autos de Infração lavrados contra ela; que a agente fiscal, ao reconhecer que os gastos incorridos eram rateados parte para a conta de “custos” e parte para a conta de “despesas operacionais”, não poderia ter lavrado a sua autuação glosando as “despesas operacionais” e dando como válidos, legítimos e regulares os “custos”, uma vez que ambos têm como base a mesma documentação; Fl. 4233DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.231 13 que a Turma Julgadora a quo limitouse a admitir como comprovadas somente as despesas para as quais ela trouxe aos autos documentos comprobatórios, porém, ressalta que a comprovação por amostragem é procedimento amplamente aceito e reconhecido pelo CARF; que, se a Delegacia da Receita Federal de Julgamento quisesse se certificar da existência de cada um dos documentos comprobatórios das despesas, deveria então ter determinado a realização de diligência; que, ao contrário do que sustenta o acórdão recorrido, comprovou, já na impugnação, a insubsistência das glosas efetuadas, demonstrando que, de fato, há documentos capazes de confrontar a conclusão da Fiscalização; que é absurdo o entendimento de que ela deveria ter anexado à sua impugnação todos os documentos capazes de demonstrar a veracidade das informações contidas na DIPJ, eis que tal providência revelase inviável e atenta contra o princípio da razoabilidade; que, agora, em sede de recurso, cuidou de fazer prova da “imensidade” de documentos atinentes unicamente a comprovar as “outras despesas operacionais”, o que se faz por meio de anexação aos autos de fotografias que demonstram a quantidade de caixas que se encontra à disposição das autoridades fiscais; que repisa que referidas caixas foram transportadas à época da fiscalização até a Delegacia da Receita Federal, porém, a agente fiscal recusouse a recebêlas; que requer que seja reconhecida a possibilidade de ela apresentar, em sede de recurso, e por amostragem, prova das despesas em discussão; que, subsidiariamente, requer a realização de diligência fiscal. A partir desse ponto, a Recorrente passa a discorrer sobre a comprovação (complementar e por amostragem) das despesas glosadas pela Fiscalização e acerca da legitimidade das exclusões realizadas. É o Relatório. Fl. 4234DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.232 14 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 615/617, foram imputadas à contribuinte as seguintes infrações: i) DESPESAS NÃO COMPROVADAS no montante de R$ 6.967.816,24; ii) EXCLUSÕES INDEVIDAS do lucro líquido na determinação do lucro real no total de R$ 3.163.357,27. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando a impugnação interposta pela contribuinte, cancelou as exigências relativas aos seguintes montantes (item “i”: DESPESAS NÃO COMPROVADAS): R$ 1.396.876,92, uma vez que a contribuinte registrou tal valor como PARCELA NÃO DEDUTÍVEL, fato não considerado pela autoridade responsável pelo procedimento fiscal; R$ 1.416,01, relativos à comprovação de despesas com energia elétrica; Diante do fato de o total do crédito tributário cancelado não ultrapassar o limite previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, não houve interposição de Recurso de Ofício. Em sede de recurso voluntário, entre outras alegações, a contribuinte afirma que “em momento algum, a r. agente fiscal responsável pela condução da ação fiscal dispôsse a visitar a sede da Recorrente, não obstante as diversas manifestação (sic) no sentido de conscientizála ser inviável em termos práticos apresentar toda a sua contabilidade de resposta às intimações.” Reafirma que a ação fiscal foi desenvolvida sem que a autoridade fiscal responsável pelo procedimento tivesse efetuado uma única visita à sua sede. Ressalta que a comprovação por amostragem é procedimento amplamente aceito e reconhecido por este Colegiado. Diz que, caso a autoridade julgadora de primeira instância quisesse se certificar da existência de cada um dos documentos comprobatórios das despesas, deveria então determinar a realização de uma diligência fiscal à sua sede, de forma a dirimir eventual dúvida remanescente. Argumenta que a apresentação da totalidade dos documentos representativos dos registros glosados é absolutamente inviável, sendo que sua exigência revela frontal violação ao princípio da razoabilidade (afirma que “são mais de 100 caixas contendo documentação suporte relativa aos valores glosados apenas a título de “outras despesas operacionais” – notas fiscais, lançamentos de movimentação bancária, relatórios de suporte, extratos, etc). Analisando a argumentação da contribuinte no sentido de que a documentação exigida pela Fiscalização apresentava volume significativo, o voto condutor da decisão recorrida assinala: [...] Fl. 4235DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.233 15 52. As questões suscitadas pela empresa neste tópico, relativas ao volume de documentos que seriam necessários para comprovação das despesas, cópias dos referidos documentos, transporte à RFB, esclarecimento de dúvidas acerca dos dados e elementos neles inseridos, validação e verificação na sede da empresa, relacionamse à competência da Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil que conduziu o procedimento fiscal que culminou com a autuação que se discute. 53. Assim, somente a ela coube analisar a pertinência da exigência dos documentos, a forma como eles deveriam ser apresentados e o local para exame, de acordo com a competência legal que lhe é conferida pela Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002. (GRIFEI) Com o devido respeito, o pronunciamento, a meu ver, é digno de reparo. Com efeito, sem que se possa dizer ter havido invasão de competência, à autoridade administrativa “julgadora”, que, no âmbito do processo administrativo fiscal, atua como revisora do ato praticado pela responsável pelo lançamento tributário, cumpre verificar se a imputação feita contra a contribuinte encontrase devidamente consubstanciada em documentação de suporte, e se o procedimento que levou a tal imputação foi executado com fiel obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, aqui utilizada de forma subsidiária. Com a devida permissão (mais uma vez), observo que a pretensão da autoridade julgadora de primeira instância foi fazer refletir na apreciação da lide tudo aquilo que era dever do autoridade autuante analisar por ocasião da execução do procedimento fiscal, eis que exige que a contribuinte fiscalizada reproduza nos autos documentação que, seguramente, considerado o seu volume, torna inviável a análise em sede de julgamento. Não foi por outra razão que a Recorrente requereu, em sede de recurso voluntário, a realização de diligência fiscal. Relativamente à forma como o procedimento fiscal foi executado, os elementos carreados ao processos projetam conclusão na direção do que foi argumentado pela Recorrente, isto é, toda a ação fiscalizadora foi desenvolvida sem que a autoridade fiscal se dirigisse às dependências da contribuinte, pois, o Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 02); o Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 03 e 04); as intimações lavradas de fls. 05, 11, 112, 205, 218 e 612; e os próprios autos de infração lavrados e respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 615/, foram, todos, encaminhados por via postal. A única intimação em que se identifica ciência pessoal, é a de fls. 610, que, considerado o contexto da ação fiscalizadora espelhado pelos demais documentos aportados ao processo, não autoriza afirmar que tenha sido efetivada nas dependências da fiscalizada. Com base nas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO em diligência para que a unidade de origem determine que, por meio de verificação da documentação contábil e fiscal na sede empresa, e, se for o caso, com a utilização subsidiária dos documentos juntados à impugnação e ao recurso voluntário, sejam apresentados esclarecimentos complementares, em relatório fundamentado, acerca dos seguintes itens: Fl. 4236DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.000678/200967 Resolução nº 1301000.120 S1C3T1 Fl. 4.234 16 1. comprovação documental, por amostragem, dos valores que constituíram o item OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS da declaração de informações apresentada (FICHA 5A , linha 30, da DIPJ/2006), excluída a parcela declarada como não dedutível (R$ 1.396.876,92) e a já acolhida em primeira instância (R$ 1.416,01); e 2. comprovação documental de que os montantes excluídos do lucro líquido a título de reversões contábeis de provisão para custo de ordem faturada (R$ 1.106.160,83) e de provisão para perdas na realização de créditos (R$ 2.008.198,74), em virtude de adição anterior, não afetaram o lucro real relativo ao anocalendário de 2005; e 3. comprovação documental que permita concluir que a perda na realização de empréstimos – Eletrobrás, no valor de R$ 48.997,70, que foi excluída do lucro líquido na determinação do lucro real, pode ser considerada definitiva. A contribuinte deverá ser cientificada do relatório que ora se solicita para, se quiser, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 4237DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13056.001017/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. Devem ser considerados insumos todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Impossibilidade de afastar a aplicação do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, ao argumento de inconstitucionalidade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migyama votaram pelas conclusões.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente AGRO LATINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. Devem ser considerados insumos todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Impossibilidade de afastar a aplicação do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, ao argumento de inconstitucionalidade. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migyama votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 10 17 /2 00 8- 46 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos relativos ao PISnão cumulativo, referentes ao 3º trimestre de 2008, no valor de R$ 103.586,30, conforme PER/DCOMP constante destes autos. Após irregularidades constatadas na apuração do crédito, a DRFBNovo Hamburgo/RS reconheceu parcialmente o direito creditório da contribuinte, no valor de R$ 42.190,30, conforme Despacho à fl. 112, tendo sido, inclusive, emitida ordem bancária em favor da requerente. Segundo a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, as irregularidades verificadas, que culminaram com o deferimento parcial do pedido de ressarcimento, foram as seguintes: 1. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a bens e serviços adquiridos de pessoas físicas, ao passo que a legislação contempla apenas o direito a crédito em relação a bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas. 2. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a despesas administrativas cujo aproveitamento não está contemplado pela legislação. 3. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a despesas com vendas, tais como comissões, cobranças, feiras, exposições, propagandas e publicidade, cujo aproveitamento não está contemplado pela legislação; 4. Dentre os gastos gerais de fabricação, o contribuinte incluiu, na composição da base de cálculo para apuração dos créditos, despesas que não se enquadram no conceito de insumos. Tais despesas encontramse relacionados no quadro constante à fl.106. 5. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a combustíveis que não foram utilizados como insumos em seu processo produtivo, o que não está contemplado pela legislação. 6. O contribuinte descontou créditos calculados em relação a entrada de mercadorias recebidas com fim específico de exportação. A DRJPorto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 157/162), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal/normativa para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de PIS passíveis de ressarcimento. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13056.001017/200846 Acórdão n.º 3202000.784 S3C2T2 Fl. 178 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 155/163), repisando os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. Alega, em síntese: que a vedação ao aproveitamento dos créditos oriundos de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas viola o princípio constitucional da nãocumulatividade, não podendo ser restringida pela legislação infraconstitucional, como as Leis nº. 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; afirma que, “quando as leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 criam um sistema de abatimento de créditos com o pseudônimo de sistema não cumulativo, impondo um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º), não são recepcionados pelo comando constitucional contido no §12 do art. 195 introduzido pela EC nº. 42/03”; afirma que o conceito de insumos trazido pelo Auditor Fiscal é restritivo, bastando que este seja aplicado ou consumido na fabricação do produto ou na prestação de serviço para que seja considerado como insumo para fins de creditamento do PIS; em relação às despesas com combustíveis, afirma que as Leis nº 10.637/2002 e nº. 10.833/2003 são taxativas ao permitir créditos sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Afirma que “ para transportar as matériasprimas adquiridas dos estabelecimentos dos fornecedores até suas instalações industriais, a fiscalizada utilizase tanto de transportadoras contratadas, para as quais paga frete, como dos veículos próprios, possuindo uma frota de caminhões utilizados para este fim”. Afirma que “os créditos sobre combustíveis e lubrificantes glosados pelo Auditor Fiscal referemse todos a compras de óleo diesel utilizado para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa”. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, para que lhe seja reconhecido integralmente o crédito de PIS referente ao 3º trimestre de 2008 conforme pleiteado. É o relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. O que se observa é que, em sede de recurso, sob os títulos “3.1 Insumos adquiridos de pessoas físicas” e “3.2Despesas administrativas e comerciais”, a contribuinte Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 não traz qualquer argumento de defesa para refutar as glosas efetuadas em relação a tais pontos, limitandose, tãosomente, a alegar questões de inconstitucionalidade referentes às limitações impostas pela Lei nº. 10.637/2002 Observese que os créditos passíveis de ressarcimento deverão ser apurados na forma do art. 3°da mesma lei, que atualmente assim dispõe, nos termos do disposto no § 1° acima transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei n° 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação ás mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei n° 11.727, de 2008). b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei n° 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. da Lei nº 10.48.5, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) III (VETADO) IV — aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de meiodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13056.001017/200846 Acórdão n.º 3202000.784 S3C2T2 Fl. 179 5 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei n° 11.898, de 2009) §1º. O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) (Vide Lei n° 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. §2º'Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) §3ºO direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliado no Pais; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no Pais; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Questões relativas a inconstitucionalidade de lei reservamse à apreciação do Poder Judiciário, que detém tal prerrogativa com exclusividade, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas em comento deve ser submetida ao crivo daquele Poder. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, conforme já estabeleceu a Súmula nº. 02 do CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Demais disso, é de se obedecer ao comando do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que assim dispõe: Art. 62 – Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, não sendo possível afastarse a aplicação da Lei nº. 10.637/2002, ao argumento de que as limitações ao creditamento trazidas pelo seu art. 3º são inconstitucionais, não há como acolher a pretensão da recorrente em relação aos pontos 3.1 e 3.2 trazidos no recurso voluntário. Em relação à questão 3.3 apresentada no recurso voluntário, que trata da glosa referente aos gastos gerais de fabricação, temse que a contribuinte torna a afirmar que tais gastos, constantes da relação apresentada pela DRF à fl. 106, enquadramse perfeitamente no conceito de insumos para fins de creditamento do PIS.. A pessoa jurídica sujeita ao regime de incidência nãocumulativa poderá, no cálculo da contribuição para o PIS/PASEP, descontar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, conforme dispõe o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que novamente torno a transcrever: Lei n°10.637, de 30 de dezembro de 2002 (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) no § 1o do art. 2o desta Lei; c) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...) (grifo não constante do original) Daí se vê que o creditamento autorizado pelo dispositivo legal acima citado referese a bens e serviços que, necessariamente, sejam utilizados como insumos, quer na produção/fabricação de bens/produtos produzidos/fabricados destinados à venda, quer na prestação de serviços. Iniciase, a partir daí, a polêmica acerca da conceituação de “insumos”. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13056.001017/200846 Acórdão n.º 3202000.784 S3C2T2 Fl. 180 7 Com o intuito de delimitar a abrangência da palavra “insumo” utilizada na referida lei, a Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa nºs. 247/02, que assim dispõe: IN SRF Nº 247/02 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...)” (grifos não constantes do original) Ocorre que a predita Instrução Normativa, interpretando o termo “insumo” para fins de PIS/PASEP, assim o fez utilizandose da mesma interpretação adotada na conceituação de “insumos” para fins de IPI. Com isso, maior polêmica ainda foi gerada, pois, muito embora esses tributos PIS/PASEP e IPI estejam submetidos à sistemática da não cumulatividade, têm entre si estruturas jurídicas diversas. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 O IPI é um tributo que incide sobre a produção e sua base de cálculo é o valor da mercadoria industrializada. O termo “insumo”, neste caso, está relacionado tão somente com os elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Já o PIS/PASEP, por outro lado, é tributo que tem como base de cálculo o faturamento da empresa, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, isto é, a receita bruta da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, permitindose, entretanto, algumas deduções . Assim, o conceito de “insumo”, no caso do PIS, relacionase com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que a empresa incorra em despesas e custos. Partindose dessa premissa, duas correntes de pensamento se estabeleceram neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: uma que defendia restrito conceito de insumo, conforme posto na legislação do IPI, e outra que se posicionava à por demais abrangente identificação do conceito de insumos com o de despesa operacional, conforme a legislação do Imposto de Renda, abarcando todo e qualquer custo ou despesa necessária à geração de receita pela empresa. Quanto a tal controvérsia, o Min. Mauro Campbell Marques, ao pronunciar seu voto no Recurso Especial nº.1.246.317/MG – ainda em julgamento manifestouse no sentido de afastar, para efeitos de PIS/PASEP e COFINS, tanto a conceituação restritiva de “insumos” adotada pela legislação do IPI, quanto a sua identificação com o conceito de custos e despesas operacionais, utilizado na legislação do Imposto de Renda, por entender demais elastecido. Apresentou, então, seu posicionamento: o conceito de insumo passaria, necessariamente, pela identificação de sua essencialidade ao processo produtivo. Afirmou o relator, naquela oportunidade, que “Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes”. Entretanto, em total reviravolta, a Primeira Turma do STJ, no julgamento do RESP 2008/00007968, em sessão realizada em 09/04/2013 (DJ 14/05/2013), manifestouse por acompanhar o conceito de insumos trazido na IN nº. 247/2002, em julgamento cuja ementa abaixo transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13056.001017/200846 Acórdão n.º 3202000.784 S3C2T2 Fl. 181 9 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no Resp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (Relator. Min. Sérgio Kukina) (grifos não constantes do original) Vêse, com isso, que a questão ainda se encontra longe de seu ponto final, e nem mesmo a Corte Superior chegou a um denominador comum. A Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF temse manifestado no sentido de utilizar o conceito de insumos trazido pelas IN 247/2002 e 404/2004, porém de modo mitigado, analisando caso a caso, de modo a considerar como insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, aquele bem ou serviço inerente ao processo produtivo, sem o qual a produção do bem estaria impossibilitada de ocorrer. Assim esta julgadora, adotando o posicionamento manifestado pela Câmara Superior deste Tribunal Administrativo, entende como insumo, para fins de PIS/PASEP e COFINS, todos os bens e serviços que sejam empregados, direta ou indiretamente, na fabricação do bem ou na prestação do serviço, sempre voltado para a produção final do bem, e cuja subtração acarrete a impossibilidade de sua prestação ou produção. No caso concreto, resta óbvio que os gastos arrolados à fl. 106 não se enquadram no conceito de insumo. São eles: alimentação, laudo técnico, assistência médica, combustível de empilhadeira, despesas com importação, despesas com transporte, despesas com veículos, indumentária e material de trabalho, laboratório, material de expediente, material de segurança, pedágio, resíduos industriais e sistema de tratamento de água. Tendo em vista que a contribuinte informa apenas que é empresa que atua na exploração de peles de gado, não tendo trazido aos autos qualquer outro elemento que possa identificar a natureza de seu trabalho, tampouco a real natureza de algumas das despesas acima que poderiam, em tese, relacionarse à sua produção (como, por exemplo, indumentária e material de trabalho, resíduos industriais e sistema de tratamento de água), não vejo qualquer possibilidade de considerar tais gastos como insumos, uns pela sua própria natureza, outros pela absoluta ausência de prova de que se relacionam à essencialidade do processo produtivo. O mesmo podese dizer do item relativo ao gasto com combustível. Não pretende a lei o direito ao crédito referente ao gasto com combustível que não se relacione ao processo produtivo. Nesse ponto, também a contribuinte deixou de trazer qualquer Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 comprovação, alegando, apenas, que se trata de despesas de combustíveis para transporte de mercadorias que compra, o que, por óbvio, em nada se relaciona à sua produção. Com tais considerações, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o meu voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11543.001085/2004-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatado que o acórdão embargado, que apreciou se a conduta do contribuinte justificaria a qualificação da multa, equivocadamente fez referência a multa isolada, quando a multa cuja exasperação se discutia era a multa de ofício incidente sobre a diferença de tributo lançada, acolhem-se os embargos para corrigir o erro.
Numero da decisão: 9101-001.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, [Tabela de Resultados] acolher os embargos para retificar o acórdão nº 9101-00474, de 07 de dezembro de 2009, em sua ementa e na parte dispositiva, para delas excluir o termo isolada, ratificando tudo o mais.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, [Tabela de Resultados] acolher os embargos para retificar o acórdão nº 9101-00474, de 07 de dezembro de 2009, em sua ementa e na parte dispositiva, para delas excluir o termo isolada, ratificando tudo o mais. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann.
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Interessado Procuradoria da Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatado que o acórdão embargado, que apreciou se a conduta do contribuinte justificaria a qualificação da multa, equivocadamente fez referência a multa isolada, quando a multa cuja exasperação se discutia era a multa de ofício incidente sobre a diferença de tributo lançada, acolhemse os embargos para corrigir o erro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, [Tabela de Resultados] acolher os embargos para retificar o acórdão nº 910100474, de 07 de dezembro de 2009, em sua ementa e na parte dispositiva, para delas excluir o termo “isolada”, ratificando tudo o mais. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 10 85 /2 00 4- 64 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11543.001085/200464 Acórdão n.º 9101001.667 CSRFT1 Fl. 3 2 Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Nova Zelândia Distribuidora de Cimento Ltda. apresenta Embargos de Declaração ao Acórdão nº 910100474, de 07 de dezembro de 2009, alegando contradição entre a decisão e seus fundamentos, bem como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. Afirma a embargante que: a) O Acórdão está inovando o lançamento, pois em momento algum cogitou se da aplicação de multa isolada. b) Não há previsão legal para a qualificação da multa isolada. c) A autuante constatou omissão de receitas somente no anocalendário de 1999, apurada mediante confronto da DIPJ com os registros contábeis, não havendo de cogitar se em declaração sistemática de receita em valor inferior ao contabilizado, motivo que teria dado lugar à presunção de conduta fraudulenta. d) As exigências de PIS referentes a dezembro/1998, janeiro a novembro/2000, março e abril /2001 e setembro de 2003 não são decorrentes do lançamento principal de IRPJ objeto do processo 11543.001083/200475, que alcança exclusivamente o anocalendário de 1999, e que transitou em julgado com a multa no percetual reduzido a 75%. Ao contrário, constituem apenas diferenças de recolhimento apuradas em procedimento de verificações obrigatórias. Alega a embargante que, considerando que a declaração de receita em quantia inferior à contabilizada ocorreu apenas no anocalendário de 1999, e não em todos os períodos, como, por erro, figurou no acórdão embargado, fica afastada a hipótese de declaração inexata de receita de forma sistemática e reiterada, pressuposto do dolo relatado pelo Conselheiro. Pondera que, corrigidas as apontadas inexatidões materiais, fica descaracterizada a ocorrência de dolo, tanto para as exigências de PIS relativas ao ano calendário de 1999, como para as referentes aos demais períodos que compõem a exigência litigada. Ressalta que no relatório fiscal o autuante procurou justificar a exasperação da multa apenas em relação à omissão de receita imputada ao anocalendário de 1999, silenciando quanto aos demais períodos. Diante disso, disse ser lícito concluir que a imposição da multa de 150% nos demais períodos possam decorrer de engano na digitação do ato de infração. Menciona que o própria PFN buscou amparo para seu recurso apenas na Lei 8.212/91, em lugar de pleitear a contagem da decadência segundo o CTN. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11543.001085/200464 Acórdão n.º 9101001.667 CSRFT1 Fl. 4 3 Conclui postulando que, “restabelecida a verdade material dos fatos, espera a embargante ver integralmente restabelecido o decidido no v. acórdão 10322.590. de 16/08/2006. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O sujeito passivo tomou ciência (pessoal) em 07 de abril de 2010 (fls. 285) e ingressou com embargos de declaração em 09 do mesmo mês (fls. 299), sendo tempestivos os embargos. Como se viu do relatório, o contribuinte apresenta embargos de declaração objetivando alterar a decisão da Turma, que entendeu que a atitude do contribuinte de declarar, de forma sistemática, receitas aquém daquelas auferidas nos anos de 1998 a 2003, justificam a qualificação da penalidade imposta. Antes de mais nada é preciso ter em vista que os embargos não se prestam a rediscutir a matéria julgada, mas apenas a integrar o acórdão embargado, de maneira a aclarar eventual obscuridade, suprir omissão ou sanar eventual contradição entre a decisão e seus fundamentos. Aponta a embargante que o Acórdão inovou ao referirse, na ementa e na parte dispositiva, à qualificação da multa isolada. Nesse aspecto, assiste razão à embargante, pois, de fato, a multa aplicada, no caso, não foi “isolada”, mas multa por lançamento de ofício incidente sobre diferenças de tributo lançadas. Contudo, tratase de equívoco decorrente de lapso manifesto, que em nada afeta a decisão da Turma, que discutiu e votou se a caracterização da atitude do contribuinte, espelhada nos autos, justifica ou não a qualificação da multa. Assim, merecem ser acolhidos os embargos exclusivamente para corrigir esse equívoco, sem, todavia, reabrir a questão de mérito sobre a qualificação da multa. Pelas razões expostas, voto no sentido de acolher os embargos para retificar o acórdão nº 910100474, de 07 de dezembro de 2009, em sua ementa e na parte dispositiva, para delas excluir o termo “isolada”, ratificando tudo o mais. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de maio de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11543.001085/200464 Acórdão n.º 9101001.667 CSRFT1 Fl. 5 4 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900088/2006-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
Numero da decisão: 1401-000.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, para acolhê-los parcialmente, apenas para esclarecimentos, sem contudo alterar a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire Da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, para acolhê-los parcialmente, apenas para esclarecimentos, sem contudo alterar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire Da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, para acolhêlos parcialmente, apenas para esclarecimentos, sem contudo alterar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire Da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 00 88 /2 00 6- 69 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10510.900088/200669 Acórdão n.º 1401000.923 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração aviado pela Fazenda Nacional, contrária ao entendimento firmado por este Colegiado, no sentido de que “a prestação do serviço de transporte referida teria sido suficientemente comprovada por meio das notas fiscais apresentadas”. Aduz, a Embargante, que regulamento de ICMS do Estado de Sergipe traça exigências a respeito da nota fiscal de serviço de transporte, que não estariam presentes no espécie, desnaturando a prestação de serviço dessa natureza. Requer, assim, o provimento dos embargos para que seja sanada a contradição apontada. Em se tratando de processo em que houve julgamento conjunto com processos correlatos, a decisão proferida em um feito aproveita aos demais processos, a saber: 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/2006 90, 10510.900081/200647, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/2006 38, 10510.900092/200627, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos de declaração são tempestivo e havendo imputação de contradição no julgado, deles conheço. A questão posta em debate no presente feito referese ao percentual de presunção de lucro aplicável aos serviços prestados pela Embargada. Quando do julgamento do feito, tendo em conta que a Embargada executa serviços de transporte e de guindastes, esta Corte Administrativo entendeu por fixar um critério para definir a incidência do percentual de presunção de lucro. Releiase o teor da decisão, in litteris: Fl. 402DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10510.900088/200669 Acórdão n.º 1401000.923 S1C4T1 Fl. 4 3 Segundo se extrai do disposto no art. 15, inciso, II, alínea ‘a’ a lei nº 9.249/95, o serviço de transporte de carga está sujeito ao percentual de lucro presumido de 8% (oito por cento) sobre a receita auferida. Já os demais serviços em geral, dentre os quais se enquadram os serviços de guindastes, içamento, e recolocação mecânica de produtos e mercadorias, sujeitamse ao percentual de 32% aplicável sobre a receita decorrente da prestação de serviço. A dúvida surge quando, para que o serviço de transporte seja realizado, seja necessário o içamento da mercadoria por meio de guindastes. Com mais precisão ainda surge a dúvida quando referida composição de serviços “içamento+transporte” é feito por meio de caminhão conhecido como munck. Isso porque o munck é um caminhão que tem, atrelado à sua carroceria, um guindaste que possibilita o levantamento de produtos. Vejamos. De início, registro que a identificação da norma aplicável para caracterizar a hipótese de aplicação do percentual de 8% não é o instrumento utilizado para a prestação, mas sim a natureza do próprio serviço. De fato, conforme alega a Recorrente, o caminhão munck é um “caminhão com guincho ou guindaste acoplado, para o carregamento, transporte e descarregamento de cargas em geral”. No entanto, não é todo serviço executado com um caminhão munck que estará sujeito à aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Isso porque o caminhão munck pode ser utilizado para içar a mercadoria e colocála a bordo do caminhão, para o respectivo transporte e posterior desembarque, como também pode ser utilizado apenas para que o serviço de guindastes seja realizado em local facilmente acessível por meio do caminhão. Assim, se o guincho ou guindaste do caminhão munck é utilizado como serviço acessório ao de transporte, aplicase à respectiva receita o percentual de 8% para identificação do lucro presumido. No entanto, se o guincho ou guindaste do caminhão munck for utilizado para movimentação de mercadorias, e não para o seu transporte, aplicase o percentual de 32% para a definição do lucro tributável. Essa mesma lógica deve ser aplicada aos serviços de içamento, guinchamento ou correlatos: se a atividade é acessória e diretamente relacionada ao serviço de transporte contratado, o total da receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido. Se, por sua vez, o serviço de içamento, guinchamento ou correlato tiver sido contratado separadamente, ou não estiver diretamente atrelado ao serviço de transporte de mercadorias, deverá ser aplicado o percentual de 32%. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10510.900088/200669 Acórdão n.º 1401000.923 S1C4T1 Fl. 5 4 Partindose desse pressuposto legal, é que foram identificadas, individualmente, as notas fiscais em que contavam serviços de transporte, bem como serviços de transporte realizados por meio de caminhões munk. Tratase, pois, de uma vinculação entre a descrição da prestação de serviços constante das notas fiscais com o direito fixado para tributação da prestação de serviços. O fato de a nota fiscal não fazer referência a se tratar de nota fiscal de prestação de serviço de transporte não desnatura a descrição e a essência do serviço prestado, conforme descrição própria no documento. Demais disso, os documentos fiscais possuem presunção de verdade com relação aos dados que apresenta, cabendo ao Fisco o ônus de desconstituílo. Vejase o entendimento deste Conselho, in verbis; IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA EXERCÍCIO 1997 IRPJ E OUTROS DESPESAS OPERACIONAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COMPROVAÇÃO A prova da efetiva da prestação de serviços pode ser realizada através da apresentação de notas fiscais e outros documentos (contratos de prestação de serviços, cópias de cheques correspondentes aos pagamentos e o registro contábil). Considerando que esses documentos não foram contestados pela fiscalização, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. Acórdão nº 10516058 do Processo 153740024309916 Prevalece, assim, a presunção de verdade acerca da descrição dos serviços constantes das notas fiscais. Feitos os esclarecimento supra, acolho parcialmente os embargos, sem contudo, alterar o resultado da decisão embargada. É como voto. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 404DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10510.900088/200669 Acórdão n.º 1401000.923 S1C4T1 Fl. 6 5 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13955.000099/2003-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
VÍCIO DO ATO ADMINISTRATIVO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há vício de motivação no ato administrativo que explicita todos os fundamentos de fato e de direito que embasam a decisão impugnada.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 VÍCIO DO ATO ADMINISTRATIVO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há vício de motivação no ato administrativo que explicita todos os fundamentos de fato e de direito que embasam a decisão impugnada. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou se impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento – PER/DCOMP, cumulado com compensação, de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI de que trata a Lei n.º 9.363, de 1996, com origem no 3º trimestre de 2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 5. 00 00 99 /2 00 3- 63 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por meio do Despacho Decisório de fls. 787/794, a unidade de origem reconheceu parcialmente o ressarcimento e homologou as compensações no limite do crédito presumido reconhecido. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o pedido de ressarcimento do crédito presumido, apurado no período em destaque, e, consequentemente, homologou em parte as compensações declaradas. Em 08/04/2003, a interessada apresentou o pedido de fl. 01 no montante de R$ 72.269,88, o qual foi retificado em 19/07/2007 (fls. 502/506), sendo que, concomitantemente, obteve sentença judicial que determinou a inclusão no cálculo do crédito presumido das aquisições efetuadas de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS, bem como que o valor ressarcido fosse corrigido monetariamente, utilizandose a SELIC como indexado a partir do protocolo do processo. Diante disso, a fiscalização intimou a interessada a apresentar toda documentação e dados necessários para apuração do crédito presumido (fls 590/593) e prolatou o guerreado Despacho (fls. 652/659) reconhecendo o direito creditório montante em R$ 564.467,75, conforme demonstrativo de fls. 656/657, a ser corrigido monetariamente, nos termos da decisão judicial. Alega a manifestante, citando princípios constitucionais, doutrina e julgados, que o Despacho Decisório deveria ser anulado por falta de motivação na parcial concessão do ressarcimento requerido, arguindo, também, sobre a possibilidade de modificação do ato em questão. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 14 35349 (fls. 797 e ss), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. São improcedentes as alegações de nulidade por preterição do direito de defesa e/ou falta de motivação do ato administrativo, quando tais circunstâncias não se verificam no processo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 803/818, por meio da qual aduz, depois de relatar os fatos: Fl. 822DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13955.000099/200363 Acórdão n.º 3202000.782 S3C2T2 Fl. 822 3 A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Para o ato administrativo seja válido, deve observar os requisitos previsto em lei. Ao emitir o Despacho Decisório, a autoridade administrativa determinou, sem justificativa, a devolução parcial dos valores reconhecidos. Não motivou a sua decisão. A autoridade administrativa não indicou onde residia a divergência entre os valores encontrados. Observase que houve uma divergência nos valores dos custos dos insumos. Entretanto, não há como saber os itens que não foram considerados e qual o fundamento que levou a não utilizálos, o que cerceou o direito de defesa. A decisão aponta como sendo de R$ 10.511.503,77 a base de cálculo do crédito presumido, quando o valor apontado no pedido montou R$ 11.247.519,12, embora não se tenha apontado onde residiria a divergência. O AuditorFiscal deveria proporcionar a adoção de uma solução capaz de “não haver conflito de interesses”. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em resumo, os autos versam sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com origem no 3º trimestre de 2002, no montante de R$ 72.269,88. Posteriormente, a interessada apresentou pedido de retificação aumentando o valor pleiteado para o valor de R$ 676.131,64, crédito que restou parcialmente deferido pela DRF competente, no exato montante de R$ 564.467,75. Insurgindose contra deferimento parcial, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando violação de princípios constitucionais, doutrina e julgados, e sustentando a nulidade do Despacho Decisório e a possibilidade de sua modificação. Não constatando qualquer vício na decisão guerreada, a instância a quo julgou a manifestação de inconformidade improcedente, decisão que a interessada também contesta, embora nada trazendo de novo no recurso apresentado a este Colegiado, uma vez que apenas repisa argumentos antes já ofertados. De fato, depois de novamente advertir a obrigatoriedade de a Administração Pública obedecer a diversos princípios legais, reafirma que a autoridade administrativa não indicou onde residiria a divergência entre os valores pleiteado e conferido, especificamente no que respeita à diferença entre as bases de cálculo que os embasam. Ora, uma análise mais acurada dos valores utilizados pela fiscalização e elencados na planilha reproduzida no corpo do Despacho Decisório (fls. 714/715) indica, sem a menor sombra de dúvida, que todos eles foram retirados ou das DCTFs apresentadas pela Fl. 823DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 própria interessada (ver fls. 659/661), ou dos arquivos digitais enviados após intimação. Portanto, são mera reprodução dos dados por ela mesma enviados à RFB. Se alguns desses valores não são exatos, não cabe à fiscalização, mas à própria interessada, demonstrálo, como, aliás, já ressaltado pela DRJ. O erro deve vir acompanhado de fundamentos, por meio da demonstração cabal do que consiste e de onde deriva (aplicação, por analogia, art. 147, § 1º, do CTN), tal como registrou a instância de origem: “...não houve qualquer impedimento para que a fiscalização cumprisse seu dever de oficio de confirmar o valor do crédito presumido através dos dados fornecidos pelo próprio contribuinte. É insofismável que o valor apurado pela fiscalização, sem glosas de aquisições, conforme determinado pelo Judiciário, lastreouse na escrituração do próprio contribuinte, tendo sido regularmente e pertinentemente discriminado o resumo dos livros de entradas e saídas, mês a mês. Com efeito, se o valor obtido pela fiscalização se deu com base nos dados fornecidos pelo próprio contribuinte, como expressão da certeza e liquidez do crédito presumido pleiteado, a ele caberia provar que seus dados correspondem ao valor original e não alegar falta de motivação pata o ato concessório do beneficio.” O alegado vício de motivação – que nada mais constitui do que a explicitação dos motivos de fato e de direito do ato administrativo – está longe de inquinar a decisão atacada, porquanto todo o procedimento fiscal e a forma de cálculo do crédito parcialmente conferido foram devidamente consignados no Despacho Decisório, que, ademais, trouxe, como seu fundamento, os dispositivos legais que embasam e conformam o benefício. Assim sendo, não havendo a demonstração do que consistiria o erro alegado pela interessada, bem como inexistindo o vício por ela apontado, não há como dar guarida à pretensão de verse reformada a decisão recorrida. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 824DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10580.723480/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração, prevista na legislação previdenciária, a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais.
ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação.
BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO.
A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO.
São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração, prevista na legislação previdenciária, a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 80 /2 00 9- 05 Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 2402003.651 S2C4T2 Fl. 1.376 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 13/07/2009 que decorre da omissão em GFIP dos fatos geradores de contribuições previdenciárias incluídos nos processos principais. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração, prevista na legislação previdenciária, a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar. ... Tratase de Auto de Infração lavrado por ter o contribuinte acima identificado apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 com o art. 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Consta do relato da Fiscalização (fls. 2325) que a Autuada não inclui em GFIP determinados segurados. São pessoas físicas que prestaram serviços ao contribuinte, em diversos projetos, nas competências 01/2005 a 12/2005. Tratase de serviços prestados por professores, em cursos de especialização e extensão, contadores, engenheiros, eletricistas, vigias, dentre outros profissionais, na qualidade de contribuintes individuais ou caracterizados como empregados pela auditoria. Ficou constatado que o contribuinte inclui em GFIP apenas os empregados, assim reconhecidos. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: ... Registra que a Fundação é uma organização sem fins lucrativos, atuando no ramo de educação, situação esta que lhe proporciona a imunidade tributária oriunda da própria Constituição Federal , complementada pelo Código Tributário Nacional. Pontua que, no intuito de otimizar o cumprimento de seu objeto social, a Impugnante, além de ter empregados, possui serviços prestados por terceiros contratados, sem vínculo empregatício, tratandose estes de contribuintes individuais, sendo certo que sem quaisquer das características da relação de emprego e sem nenhuma declaração/ condenação neste sentido na Justiça do Trabalho. Além disso, não se pode deixar de mencionar, também, que os empregados da Fundação Peticionária não desenvolvem atividades com grau de risco, pelo menos não com grau médio ou grave. Afirma que as contribuições previdenciárias patronais oriundas da contratação dos prestadores de serviços não declarados em GFIP e os sem desconto/retenção da contribuição previdenciária, apesar de ser discutíveis tais situações e demonstrado o contrário, foram devidamente recolhidas na forma prevista na legislação, o que poderá ser comprovado com perícia específica. Portanto, resta claro que a Impugnante direciona seus esforços para atender o interesse da comunidade, fazendo parecerias e convênios, contratando prestadores de serviços para executarem projetos e para prestarem serviços de índole eventual, não subordinada e impessoal, ou seja, não caracterizadora de vínculo empregatício. Com fulcro no art. 150, VI, alínea “c” da Constituição Federal, afirma a Impugnante que é proibida a cobrança de impostos federais, estaduais e municipais, das organizações sem lucrativos, definidas como entidades de assistência social ou de educação, que preencham os requisitos da Lei. Já o art. 195, § 7º Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 2402003.651 S2C4T2 Fl. 1.377 5 da CF, preconiza que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Conclui que as entidades sem fins lucrativos que dispõe de atividades sociais, como é o caso da Impugnante, são imunes à contribuição patronal da previdência pública. Afirma que as exigências legais que devem ser observadas são aquelas estabelecidas em lei complementar, tendo em vista disposição constitucional expressa, sendo certo que qualquer outra exigência existente em lei ordinária (ou qualquer outro texto normativo, exceto a própria Constituição) não pode ser considerada em razão da flagrante inconstitucionalidade. Sendo mais específico, as exigências legais que devem ser observadas são aquelas constantes no Código Tributário Nacional (art. 14). Pontua ainda que as imunidades tributárias para serem reconhecidas não necessitam de outros atos por parte do Estado, bastando a comprovação do preenchimento dos requisitos mencionados no art. 14 do Código Tributário Nacional. Qualquer outra exigência, revestese de flagrante inconstitucionalidade. Argumenta que não poderia a Impugnante está sendo submetida a tais cobranças no presente Auto de Infração e nos demais lavrados pela nobre Auditora Fiscal, eis que fora excluída do cumprimento de tal mister através do benefício da imunidade tributária concedido diretamente da Constituição Federal, complementada pelo Código Tributário Nacional (lei complementar), porquanto, é entidade sem fins lucrativos atuante no ramo da educação, gozando, assim, das duas imunidades, referentes à contribuição social, e aos impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços. Afirma que a referida imunidade tributária passou a integrar o patrimônio jurídico da organização Impugnante, constituindo em um Direito subjetivo da mesma, até porque lhe foi gerada a confiança de que estava dispensada do recolhimento dos tributos, não deve lhe ser imputado agora o inadimplemento da obrigação tributária que não lhe poderia ser cobrado. É o Relatório. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 2402003.651 S2C4T2 Fl. 1.378 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida, e todas as demais podem ser verificadas nos próprios documentos que compõem a escrituração do recorrente através das indicações também no relatório fiscal e seus anexos. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, a fiscalização não realizou o lançamento sobre os pagamentos comprovadamente a título de bolsa pela colaboração em projetos de pesquisa. Conforme os documentos a partir das fls. 59, ficou comprovado que, de fato, as funções exercidas não são de ensino, pesquisa e extensão como preconiza a Lei nº 8.958/94, são funções de natureza administrativa ou operacional: Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Ainda assim, a fiscalização não caracterizou todos os prestadores de serviços como empregados, mas tão somente aqueles em que possível a comprovação dos pressupostos da relação empregatícia. Os demais foram considerados contribuintes individuais. Quanto à imunidade, independentemente da discussão sobre a necessidade requerimento para seu gozo, o recorrente não atende aos requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, vigentes à época. Até o momento, por exemplo, não juntou aos autos o Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 2402003.651 S2C4T2 Fl. 1.379 9 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. No mais, o presente processo é conexo com os processos principais através dos quais foram lançados os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 2402003.651 S2C4T2 Fl. 1.380 11 art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 2402003.651 S2C4T2 Fl. 1.381 13 E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 2402003.651 S2C4T2 Fl. 1.382 15 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Prova pericial Quanto à produção de prova pericial, em razão da clareza do lançamento é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Inconstitucionalidade Quanto as demais alegações, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723480/200905 Acórdão n.º 2402003.651 S2C4T2 Fl. 1.383 17 Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10120.004192/2010-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 28/05/2005
PREVIDENCIÁRIO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO.
Deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuições sociais, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração.
EVENTUAL PERÍCIA CONTÁBIL. IMPERTINENTE.
Não existindo dúvidas quanto a auditoria fiscal no que concerne ao levantamento contábil e estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, não é pertinente a hipótese de perícia .
DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR.
Contendo corretamente descritos os fatos inadimplidos, lavrado na forma do comando dos artigos 9 o e 10 ° do Decreto 70.235/72 bem como o preceituado no artigo 142, caput, do Código Tributário Nacional - CTN é pertinente o auto de infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/05/2005 PREVIDENCIÁRIO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO. Deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de contribuições sociais, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração. EVENTUAL PERÍCIA CONTÁBIL. IMPERTINENTE. Não existindo dúvidas quanto a auditoria fiscal no que concerne ao levantamento contábil e estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, não é pertinente a hipótese de perícia . DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. Contendo corretamente descritos os fatos inadimplidos, lavrado na forma do comando dos artigos 9 o e 10 ° do Decreto 70.235/72 bem como o preceituado no artigo 142, caput, do Código Tributário Nacional CTN é pertinente o auto de infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 41 92 /2 01 0- 09 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004192/201009 Acórdão n.º 2403001.557 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Reiterando as alegações que fizera em instancia “ad quod ”, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário em comento, apresentado contra Acórdão nº 0346.515 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, fls. 111, que julgou procedente o lançamento, em razão de descumprimento de obrigação acessória, fl. 01, AI nº 37.267.4135, no montante de R$ 14.107,77 ( quatorze mil e cento e sete reais e setenta e sete centavos). Autuada e notificada em 28/05/2010, na forma do Relatório Fiscal, fls. 01 a AuditoriaFiscal revela que o crédito foi constituído em razão da empresa ter incidido nas infrações a que se refere os comandos do inciso II do artigo 32, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 c/c art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme despacho de encaminhamento nos autos, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Compulsado com o Relatório Fiscais do Acórdão de primeira instância Delegacia de Julgamento aduz que : “Tratase de auto de infração DEBCAD nº 37.267.4135 lavrado contra a empresa TERRA PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no artigo 32, II, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 c/c art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração (fl. 07), o contribuinte não escriturou em títulos próprios de sua contabilidade diversas verbas sujeitas à incidência da contribuição previdenciária lançadas na mesma conta em que foram lançadas as verbas não sujeitas à incidência da contribuição previdenciária. De acordo com a fiscalização, ao ser intimada a prestar esclarecimentos quanto às divergências apontadas entre os valores apurados como base de cálculo da contribuição previdenciária em sua contabilidade e os declarados na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, a empresa admitiu que ocorreram vários lançamentos em títulos impróprios, tais como verbas indenizatórias de rescisões contabilizadas como salários e ordenados, abono pecuniário lançado como férias e férias proporcionais ou vencidas, lançadas em conta de férias regulares, entre outros, conforme planilhas com as justificativas das divergências apuradas às fls. 67 a 80. Foram ainda identificados os seguintes lançamentos indevidos no centro de custos das obras fiscalizadas: na obra Varandas dos Buritis, conta 5.1.1.01.12.001 – Material Aplicado, as Notas Fiscais Faturas de Serviço nº 4111 e 4834 da empresa Realmix Concreto Ltda – CNPJ 05.533.482/000169, emitidas em 20/07/2005 e 24/10/2007, com endereço à Av.Rio Verde, em Aparecida de Goiânia, onde não se identificou nenhuma obra matriculada no endereço especificado sob a responsabilidade da empresa, conforme cópias das NF às fls. 81 e 82. Em decorrência do dispositivo legal acima descrito, conforme Relatório de Aplicação da Multa (fl. 08) foi aplicada a multa no valor de R$ 14.107,77 (quatorze mil, cento e sete reais e setenta Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004192/201009 Acórdão n.º 2403001.557 S2C4T3 Fl. 4 5 e sete centavos), baseada na Lei 8.212, de 24/07/91, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/99, art. 283, II, “a” e art. 373, valor atualizado pela Portaria MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009.” Às fls. 05 , no Relatório Fiscal da Infração, a Autoridade Fiscal , entre outros motivos trazidos à colação para sustentar o lançamento, registra fato, ressaltese não exatamente refutado pelo Recorrente, que : “Intimada a prestar esclarecimento quanto as divergências apresentadas entre os valores apurados de base de calculo em sua escrita contábil e os declarados em GFIP Guia de Recolhimento .de FGTS e Informação a Previdência Social, a empresa em sua justificativa, admite que de forma sistemática, ocorreram vários lançamentos em títulos impróprios como verbas indenizatórias de rescisões contabilizadas como salários e ordenados, abono pecuniário lançado como férias e férias proporcionais ou vencidas, lançadas em conta de férias normais, entre outros. Ver planilhas com as justificativas das divergências apuradas em anexo, fls. 67 a 80.” Na condução do voto, o I. Julgador “ ad quod ” faz remissão a outros processos resultado do inadimplemento das obrigações principais cujos créditos foram constituídos na mesma ação fiscal em que se observou a infração em tela. Cumpre destacar que não me coube relatar os referidos processos . Neste sentido, premido pelo comando dos artigos 9 o e 10 ° do Decreto 70.235/72 bem como o preceituado no artigo 142, caput, do Código Tributário Nacional – CTN , verbis, destaco que a autuação obedeceu aos ditames legais : “ Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula ” ( grifos de minha autoria) Artigo 142 do CTN : Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” ( grifos de minha autoria) A Recorrente reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação que já foram rechaçadas naquela instância com argumentos os quais corroboro sendo despiciendo retornálos em apreço ao princípio da economia processual. Assim, em face de tudo que foi exibido, não dou provimento às reiteradas alegações da Recorrente. DA MULTA Segundo o item 02 do Relatório Fiscal de fls.05 – DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, a empresa descumpriu o inciso II, art. 32 da Lei 8.212, de 24/07/91 descabendo pois aplicação de retroatividade benígna : “ 2 Dispositivo legal infringido: A lavratura do presente AI tem por base o descumprimento do inciso II, art. 32 da Lei 8.212, de 24/07/91, que prevê: a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.” EVENTUAL PERÍCIA CONTÁBIL. Não existindo dúvidas quanto a auditoria fiscal no que concerne ao levantamento contábil e estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, não é pertinente a hipótese de perícia . CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO . É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.004192/201009 Acórdão n.º 2403001.557 S2C4T3 Fl. 5 7 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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