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Numero do processo: 10380.001219/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Hugo Mendes Plutarco. OAB: 25.090/DF.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Hugo Mendes Plutarco. OAB: 25.090/DF. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 01 21 9/ 20 09 -0 7 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Auto de Infração DEBCAD nº 31.178.0489, referente ao débito lavrado em razão de contribuições devidas à Seguridade Social, incidente sobre o salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais e empregados, correspondentes da parte da empresa e a referente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos riscos Ambientais de Trabalho (GILRAT), período de janeiro de 2004 a dezembro de 2004. Foram levantados os seguintes dados: “AFE – Lançamentos Contábeis Não Justificados“, incidindo a parte patronal sobre contribuintes individuais (rubrica 14, alq. 20%); “DIP – Declaração DIPJ”, incidindo a parte patronal sobre empregados (rubrica 12, alq. 20%) e GILRAT (rubrica 13, alq. 2%); “DLU – Distribuição de Lucro”, incidindo a parte patronal sobre empregados (rubrica 12, alq. 20%) e GILRAT (rubrica 13, alq. 2%); O auto importou em R$ 11.357.503,34. Conforme Relatório Fiscal, fls. 53/61, considerouse como pagamentos a segurados empregados a distribuição de lucros e valores declarados em DIPJ, nos seguintes termos: Responsáveis Solidários: HAPVIDA PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA CNPJ 05.197.443/000138. HOSPITAL ANTÔNIO PRUDENTE S/S CNPJ05.874.946/000109 3.HAPVIDA Administradora de Plano Saúde CNPJ04.761.304/000122 Aintimação do presente Auto é extensiva aos responsáveis solidários, na forma do art. 124 do CTN, os quais tomam ciência deste através de seu sócioadministrador, Sr. Cândido Pinheiro Koren Lima, também procurador deFundação Ana Lima. (...) 3.1.1 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. A conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" registra distribuição de lucros. Intimada a apresentar esclarecimentos acerca das normas e procedimentos referentes a tais distribuições, através do TIF 06, nada foi esclarecido, os valores foram considerados como remuneração a segurados empregados e registrados no levantamento DLU. O anexo III traz detalhamento dos valores. 3.1.2 VALORES DECLARADOS EM DIPJ A empresa também declarou na DIPJ 2005 (fl.64), a quantia de R$ 7.804.583,60 na ficha 4A, item 27 Custo do Pessoal Aplicado na Produção dos Serviços. Intimada a justificar a composição desses valores, nada foi apresentado. Como tal informação se refere a custos de mãodeobra com vínculo empregatício aplicada diretamente na produção dos serviços, os valores foram considerados como tal e, por conta de informações prestadas em GFIP também referentes a empregados, lançados na seguinte forma no levantamento DIP (...). Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 4 3 4. DA NÃO COMPROVAÇÃO DE DESPESAS Consoante art. 33 da Lei n°8.212/91 e legislação correlata, detalhada no anexo FUNDAMENTOS LEGAIS DO DEBITO — FLD, a não comprovação de despesas é motivação bastante para que o fisco considere tais despesas como base de cálculo de tributos, cabendo ao contribuinte apresentar prova em contrário que desconstitua a presunção fiscal. Regularmente intimada através do Termo de Intimação Fiscal 06 a apresentar os comprovantes de vários lançamentos em contas de despesas e demais esclarecimentos acerca de reembolsos efetuados, a empresa não se manifestou. As bases de cálculo referentes aos lançamentos não comprovados que foram consideradas como base de cálculo pagamento a contribuinte individuais, encontramse no ANEXO II e constam no levantamento AFE. A recorrente, em 03/03/2009, apresentou impugnação, acostada às fls. 181/194, e desta, em 29/01/2010, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE exarou a Resolução nº 1864 (fls. 499/503), solicitando à autoridade fiscal: 1. Informar se havia algum impedimento para o sujeito passivo distribuir lucros entre os cotistas e ainda, se o lançamento foi realizado tão somente pela ausência de esclarecimentos no tocante a este aspecto do lançamento, ou, se a auditoria fiscal se cercou de outros elementos que a fizeram presumir tratarse de pagamento a segurados, camuflado de distribuição de lucros; 2. Quais as contrapartidas dos lançamentos efetuados na conta contábil 2281501300700? A empresa apresentou lucros, em quaisquer de suas contas, suficientes para proceder a distribuição no montante verificado? 3. Verificouse a existência de lançamentos com históricos não relativos a distribuição de lucros: "pago Cândido pinheiro de lima NF n° 110000", "dev. de adiant. a credenciados", "receb. Emprest. Sócios mês 03.04". A que se referem? A existência desses lançamentos atinge a credibilidade dos demais lançamentos da conta contábil a ponto de se considerar que os demais também possam não ser distribuição de lucro? 4. A empresa argumenta que a suposta distribuição de lucros teve como favorecida a sua controladora. Entretanto, de perfunctória análise dos documentos de fls. 216/314, aparentemente o montante distribuído pela impugnante (R$ 5.460.783,06) é superior ao supostamente recebido pela controladora (R$ 5.296.983,73). Informar o motivo e o destino dessa diferença. 5. Anexar os arquivos digitais da contabilidade da empresa. Em 20/06/2011, a fiscalização formulou a informação fiscal (fls. 507/552), aduzindo: Quanto ao questionamento do item 1 da Resolução supra, informo que os valores registrados na conta 2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" foram considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias devido ao não atendimento pela empresa da intimação Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 5 4 para apresentai" esclarecimentos acerca dos lançamentos realizados na citada conta. Ademais, percebese que tal conta faz parte do passivo da empresa, tendo como contrapartidas ora contas do ativo, ora contas do próprio passivo, quando o que se esperava, se caso se tratasse realmente de distribuição de dividendos é que esta conta, ao menos ao final do período, tivesse por contrapartida uma conta de resultado, caso se tratasse de distribuição de resultados do próprio período, ou de uma conta de lucro, caso se tratasse de distribuição de resultado de períodos anteriores. Desta forma, em virtude do indício de lançamento de remuneração disfarçado de distribuição de lucros e/ou dividendos, combinado com a ausência de esclarecimentos pela parte interessada, foram os lançamentos desta conta aferidos como remuneração de segurados empregados, com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91. O item 2 pergunta quais as contrapartidas da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR*'. Informo que o Razão em anexo responde a estas perguntas, contudo, o mais importante é que, conforme resposta ao item 1, nenhuma contrapartida desta conta foi uma conta de resultado ou de lucro, evidenciando a POSSIBILIDADE de pagamento de remuneração disfarçada de distribuição de lucros e/ou dividendos. Não há relevância quanto à existência de lucro seja no exercício de 2004, seja em exercícios anteriores, já que nenhuma conta desta natureza foi contrapartida da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR". Sobre o item 3, informo que não foi possível verificar a que se referem não só os lançamentos cujos históricos foram citados, mas nenhum dos lançamentos da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" em virtude do não atendimento por parte da empresa das diversas intimações para apresentar documentos e esclarecimentos. A existência destes lançamentos fere a credibilidade de todos os lançamentos desta conta, mas não apenas por este fato, principalmente, pela ausência de esclarecimentos por parte da empresa. Quanto ao item 4, ressalto que nenhum dos lançamentos objeto dos levantamentos incluídos no presente crédito teve por beneficiário a empresa controladora, tampouco se comprovou que qualquer destes lançamentos realmente se refere à distribuição de lucros e/ou dividendos. As bases de cálculo de todos os créditos apurados no presente processo foram aferidas com fundamento no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, em virtude da nãoapresentação, pela empresa de documentos e esclarecimentos indispensáveispara que se conheça a natureza (incidência ou não de contribuições sociais) defatos e lançamentos contábeis. Em 22.08.11 a recorrente se manifestou nos seguintes termos (fls.554/555, documentos de fls. 556 a 559). Em 26.01.2012, foi exarado Despacho (fls. 601/602) solicitando a cientificação da empresa HAPVIDA ADMINISTRADORA DE PLANOS DE SAÚDE S/S,considerando que não havia prova de que tenha tomado ciência da exação. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 6 5 Feita a diligência saneadora (fl. 604), transcorrido o prazo regulamentar, a empresa solidária apresentou impugnação (fls. 608/638), documentos anexados das fls. 639/917. Ante o relatório fiscal e as impugnações, em 09 de agosto de 2012, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE, acordaram por unanimidade dos votos, em: a) Julgar parcialmente procedente a impugnação; b) Manter as empresas solidárias no pólo passivo da exação, quais sejam, b.1) HAPVIDA PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA CNPJ05.197.443/000138; b.2) HAPVIDA ADMINISTRADORA DE PLANOS DE SAÚDE S/S (cujo nome empresarial foi alterado para CANADÁ ADMINISTRADORA DE BENS IMÓVEIS em 06/2011) CNPJ04.761.304/000122; e, b.3) HOSPITAL ANTÔNIO PRUDENTE LTDA CNPJ05.874.946/000109; c) Exonerar R$ 4.013.878,09 do crédito; d) Manter crédito tributário em $ 7.343.625,25 (AI DEBCAD nº 37.178.0489). Recorrese de ofício em virtude do valor exonerado ser superior ao previsto no art. 1º da Portaria MF Nº 3, de 03.01.08 (publicada no D.O.U. em 07.01.2008), a qual dispõe sobre a interposição de recurso de ofício de que trata o art. 34, I, do Decreto70.235/72. Segue ementa do acórdão 0823.903 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. As contribuições previdenciárias incidentes estão previstas nos arts. 22, incisos I e II (parte da empresa e RAT sobre as remunerações dos empregados), e inciso III (parte da empresa sobre as remunerações dos contribuintes individuais) da Lei 8.212/91. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA VIA INTERNET. PRORROGAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. Frisase que, nos termos da Portaria n.º 11.371/2007, a ciência pelo sujeito passivo do MPF darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÃO PARA O GILRAT. PREVISÃO LEGAL. PERCENTUAL CONFORME O CNAE. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 7 6 São exigíveis as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Gilrat), no percentual previsto para a classificação da empresa conforme o Código Nacional de Atividade Econômica CNAE. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. CARACTERIZAÇÃO. OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. Prescreve o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Tal solidariedade abrange tanto obrigação principal quanto acessória, dado o caráter abrangente do dispositivo legal. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração trazem informações seguras e detalhadas sobre a base de cálculo, sua apuração, as contribuições devidas e o total acrescido de juros e multa. PEDIDO DE PERÌCIA. INDEFERIMENTO Conforme prescreve o art. 18 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir o pedido de realização de perícias ou diligências quando as considere prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente HOSPITAL ANTONIO PRUDENTE S/S, intimada no dia 03/12/2012, interpôs Recurso Voluntário em 28/12/2012. No Recurso, a recorrente alegou, que os fatos motivadores da autuação ocorreram em outra empresa, pelos quais foi considerada responsável solidária, uma vez que a autoridade fiscal entendeu que a então recorrente faria parte do grupo econômico envolvendo diversas empresas trabalhando conjuntamente no ramo. A recorrente afirma não integrar grupo econômico, que busca suas finalidades empresarias de forma independente e autônoma. Acrescenta ainda, que a recorrente não participou dos alegados fatos geradores, pelo que não se poderia atribuir solidariedade decorrentes dessas operações. Em relação ao mérito da autuação, a recorrente se remete e toma com suas as razoes de defesa que foram e que vierem a ser apresentadas pela autuada originária e demais empresas imputadas como solidárias, uma vez que não dispõe de informações necessárias a demonstração da ilegalidade do lançamento discutido no contencioso fiscal. A recorrente ressalta que não ocorre a responsabilidade solidária, pois esta não participa de nenhum grupo econômico, e frisa que além do pertencimento a um grupo econômico existem outras características especificas que devem existir para tanto, e que isso não ocorre. Alega que para a caracterização de grupo econômico é primordial a existência de um comando unificado e com subordinação dos demais integrantes, inclusive quanto às atividades desempenhadas. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 8 7 Por fim cita julgados, e requer o recebimento e provimento do recurso, para o reconhecimento da não composição de grupo econômico e que não possui qualquer responsabilização quanto aos lançamentos, caso o primeiro pedido não seja deferido, que seja cancelada a totalidade dos débitos fiscais, incluídos os débitos principais, multa e juros. Requer ser intimada para sustentação oral, e que seja deferida juntada posterior de documentos. A Recorrente HAPVIDA – PARTICIPAÇOES E INVESTIMENTOS LTDA, em 28/12/2012, interpôs Recurso Voluntário. A recorrente, inicialmente, alega não fazer parte de grupo econômico, informa que exerce duas atividades e busca suas finalidades empresarias de maneira independente e autônoma. Frisa que além de não participar de grupo econômico, não participou dos alegados fatos geradores, pelo que não se poderia atribuir solidariedade decorrentes dessas operações. Com relação ao mérito da autuação, a recorrente se remete e toma como suas as razões de defesa que foram e que vierem a ser apresentadas pela autuada originaria e demais empresas imputadas como solidárias. A recorrente ressalta que não ocorre a responsabilidade solidária, pois esta não participa de nenhum grupo econômico, e frisa que além do pertencimento a um grupo econômico existem outras características especificas que devem existir para tanto, e que isso não ocorre. Alega que para a caracterização de grupo econômico é primordial a existência de um comando unificado e com subordinação dos demais integrantes, inclusive quanto às atividades desempenhadas. Por fim cita julgados, e requer o recebimento e provimento do recurso, para o reconhecimento da não composição de grupo econômico e que não possui qualquer responsabilização quanto aos lançamentos, caso o primeiro pedido não seja deferido, que seja cancelada a totalidade dos débitos fiscais, incluídos os débitos principais, multa e juros. Requer ser intimada para sustentação oral, e que seja deferida juntada posterior de documentos. A recorrente CANADA ADMINISTRADORA DE BENS IMOVEIS S/S foi intimada no dia 03 de dezembro de 2012 e interpôs Recurso Voluntário no dia 28 de dezembro de 2012. Alega a recorrente que não faz parte do grupo econômico no ramo da saúde. Explica que não poderia participar de grupo econômico pois estava inativa, não tendo exercido nenhuma atividade econômica na época dos fatos. Acrescenta que só foi notificada do lançamento do debito tributário em 18/04/2012, após decisão da DRJ/FOR. Entretanto, tal fato ocorreu a destempo, eis que oito anos após os supostos fatos geradores da obrigação tributária. Ainda em sede de preliminar, alega que a autoridade deixou de cientificar oportunamente a recorrente, dita solidária, e mesmo a própria empresa fiscalizada, quanto as prorrogações de prazo para conclusão do MPF. Tal conduta do agente fiscal afrontou as normas estatuídas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quanto a execução de Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 9 8 procedimentos fiscais, notadamente o artigo 9º, caput, e seu parágrafo único, da portaria RFB nº 11.371/2007. Quanto da ocorrência do lançamento, segue o alegado pela recorrente: “Não obstante ser incontroversa a data da ciência inaugural da recorrente, oito anos após os fatos, o ilustre colegiado de 1ª instancia não reconheceu a ocorrência da decadência dos valores, configurada ao menos com relação à recorrente. Para tanto, construiu tese de que a decadência seria indivisível e que a cientificação de qualquer dos alegados devedores seria suficiente para afastar a decaimento com relação a todos eles. (...) Sobre o assunto, reafirmase ter restado incontroverso que a ora recorrente apenas foi cientificada da autuação em discussão em 18/04/2012. No caso, ainda que a alegada obrigação possa subsistir com relação aos demais devedores, não mais poderá ser imposta ao recorrente, uma vez que fora afastada definitivamente em virtude da passagem do tempo. Tratase de situação individualizada do recorrente, este que inegavelmente não fora cientificado no tempo devido. Ademais, é flagrante o prejuízo à defesa da recorrente o fato de não haver sido contemporaneamente cientificada do lançamento. É a partir da ciência que se abre a possibilidade da defesa e por isso a falta de citação do interessado leva à nulidade do processo, bem como sua cientificação tardia leva ao reconhecimento da decadência.” A recorrente acrescenta que não integra qualquer grupo econômico, e que à época dos fatos estava inativa. Destaca ainda que a solidariedade não se presume, nos termos do artigo 265 do Código Civil, sobretudo em sede de direito tributário. Discorre também sobre a irregularidade formal na execução d procedimento fiscal, d falta de cientificação do contribuinte quanto as alterações no MPF. O recorrente afirma que a lavratura do auto de infração, sem o cumprimento do procedimento legal, acarreta vicio insanável, que inquina o ato desde seu nascimento, por frontal descumprimento do comando previsto no artigo 9, Parágrafo Único, Portaria RFB nº 11.371/2007. O dispositivo trata que, a cada prorrogação efetuada, caberá ao agente fiscal responsável pelo procedimento fiscal cientificar o sujeito passivo fiscalizado da prorrogação e alteração do MPF, de modo a possibilitar adequado conhecimento do contribuinte sobre as atividades levadas a cabo pelos agentes. Informa que a recorrente não foi intimada da prorrogação do MPF, mesmo tendo sido realizados diversos TIF’s após as prorrogações. Assim, frisa que tal conduta acarreta vicio intransponível do auto de infração impugnado, ensejando a declaração de sua nulidade, com isso requer a declaração de nulidade da presente autuação. No mérito, aborda a distribuição de dividendos e a não incidência de contribuição previdenciária. Destaca que os valores (registrados na conta “2281501300700 – dividendos a pagar) saíram da conta de lucros e prejuízos acumulados da empresa fiscalizada, Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 10 9 evidenciando, que além de tratarem de dividendos, referemse a resultados apurados em exercícios anteriores e não no exercício de 2004, conforme DRE’s juntadas pela fiscalizada. Assim, considera comprovado o efetivo pagamento a título de dividendos dos valores constantes na conta dividendos a pagar (2281501300700), e que não há que se falar em contribuição previdenciária sobre esses valores. Defende que os valores declarados em DIPJ não possuem natureza salarial, pois nenhum dos valores constantes desta referemse a pagamentos a empregados da empresa autuada. Quanto a incidência da contribuição previdenciária sobre despesas não comprovadas a recorrente afirma sua inexistência, pois tratam de meros registros contábeis pelo recebimento dos procedimentos médicos realizados, os quais, posteriormente, depois de auditados, foram estornados parcialmente ou totalmente, em face de sua não efetivação parcial ou total. Quanto a incidência da contribuição previdenciária sobre despesas não comprovadas a recorrente afirma sua inexistência, pois tratam de meros registros contábeis pelo recebimento dos procedimentos médicos realizados, os quais, posteriormente, depois de auditados, foram estornados parcialmente ou totalmente, em face de sua não efetivação parcial ou total. A recorrente insiste na perícia técnica, afirmando que do auto de infração, boa parte é fruto de equívocos contábeis dos auditores fiscais, sendo essência para o perfeito esclarecimentos e a configuração da improcedência a realização da perícia. No pedido, requer o recebimento e provimento do recurso, para declarar inexigível em face da recorrente os débitos fiscais objeto da autuação impugnada. Seja anulado o auto de infração. Seja deferida a perícia requisitada. Requer o cancelamento do debito. Seja cancelado o lançamento do SAT/RAT. Seja o recorrente intimado a sustentação oral. A recorrente HAPVIDA – ASSISTENCIA MEDICA LTDA, intimada em 12 de dezembro de 2012, interpôs Recurso Voluntário em 10 de janeiro de 2013. Em sede de preliminar, a recorrente destaca que a autoridade fiscal deixou de cientificar oportunamente a recorrente quanto às prorrogações de prazos para conclusão do MPF. Alega que tal conduta afrontou o artigo 9º, caput e seu parágrafo único, da Portaria RFB nº 11.371/2007 que obriga a ciência do contribuinte quanto as alterações, prorrogações no MPF. Insiste dizendo que a não intimação quanto as alterações fere princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Trata da perícia como fundamental para esclarecimento da real natureza das despesas, tributadas sob fundamento de que a autuada não se desincumbira de suposta obrigação de provar que os valores não foram pagamentos de pessoas. Quanto a opção da autoridade fiscal por incrementar a contribuição tomando por base a alíquota de 2% com relação ao SAT/RAT, baseandose para tanto tão somente no CNAE da autuada. Alega que existe impropriedade do procedimento, eis que o enquadramento adequado deve se dar com base na avaliação da atividade preponderante a partir do número de segurados da empresa existentes em cada atividade, tudo em conformidade com a jurisprudência atual do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 11 10 A distribuição de dividendo e a não incidência de contribuição previdenciária, foi reconhecida a procedência da irresignação da ora recorrente em sede de impugnação e excluiu do auto de infração os lançamentos que haviam recaído sobre a distribuição de dividendo da empresa. A recorrente insiste em afirmar: “Assim, não obstante a DRJ/FOR, neste ponto, tenha dado solução absolutamente correta ao caso, a matéria discutida neste tópico foi desenvolvida à apreciação desse Conselho por meio de recurso de ofício. Deste modo, por excesso de zelo, a recorrente passa a reforçar a demonstração de que não são realmente devidos os lançamentos do auto de infração que foram excluídos pelo acórdão de 1º grau, uma vez que recaíram exclusivamente sobre a distribuição de dividendos da empresa. (...) Destaquese, ainda, que referidos valores saíram da conta de lucros e prejuízos acumulados da recorrente, evidenciando, portanto, que, além de se tratarem evidentemente de dividendos, referemse a resultados apurados em exercícios anteriores e não no exercício de 2004, conforme já foi demonstrado nas DRE’s (Demonstrações de Resultado do Exercício) que foram juntados pela fiscalizada.” Os valores declarados em DIPJ também tiveram a argumentação da impugnação da recorrente acatada, e parte do crédito lançado foi exonerado. Como a parte exonerada faz parte do recurso de oficio a recorrente traz argumentos de defesa: “Neste sentido, é importante ressaltar que, embora a ilustre DRJ/FOR tenha excluído parte das contribuições sociais que foram lançadas de forma absolutamente equivocada no auto de infração sobre os valores declarados na ficha 4A item 27 (Custo do Pessoal Aplicado na Produção dos Serviços) da DIPJ da empresa autuada, manteve ainda, sem qualquer fundamento idôneo, substanciosa parte da autuação. O acórdão recorrido, ao manter ainda parte da cobrança procedeu de forma completamente incorreta, uma vez que nenhum dos valores constantes das contas contábeis que compuseram a informação prestada na DIPJ (e não só as rubricas que foram excluídas pelo acórdão) se referiam a pagamentos a empregados da empresa autuada. (...) Ocorre Excelentíssimos Conselheiros que, ao contrário do que entendeu a DRJ/FOR, a autuação, na parte em que foi mantida após o acórdão recorrido com relação aos valores consignados na DIPJ, é nula. O proceder da autoridade fiscal foi absolutamente ilegal uma vez que tinha ela plena ciência do montante que estava consignado mês a mês nas contas contábeis que compuseram a informação prestada na DIPJ e que foram base da cobrança dos valores consignados no auto de infração. Tais informações contam inclusive do presente auto de infração (balancetes da recorrente). Assim, o que constou a DIPJ foi o somatório anual de todas as despesas lançadas nas referidas contas Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 12 11 contábeis, cujos montantes estavam descriminados mês a mês na contabilidade da recorrente. Quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre despesas não comprovadas, a recorrente afirma sua inexistência, pois tratam de meros registros contábeis pelo recebimento dos procedimentos médicos realizados, os quais, posteriormente, depois de auditados, foram estornados parcialmente ou totalmente, em face de sua não efetivação parcial ou total. Segue trecho do recurso voluntário quanto às despesas não comprovadas: “Diante disso, havendo absoluta correção e transparência nos dados contábeis, é de se esperar que as exigências da fiscalização não transbordem os limites daquilo que é útil e importante para sua informação, e que, principalmente, o lançamento tributário ocorra lastreado em dados de realidade e não em meras ilações de que ‘tal despesa não fora comprovada, logo deve ser objeto de contribuição social’. Nesse sentido, a alegação de que a ‘falta de robustez probante defensiva’ (nas palavras da DRJ/FOR) seja suficiente para a autuação é absurda, diante da falta de contextualização racional entre os achados de fiscalização (quais?) e a norma tributária (houve subsunção?). Não por outro motivo o acórdão afirma ‘serem criveis as afirmações’, para logo depois exigir prova documental por parte da empresa autuada. Ora, de outra banda poderia mesmo ter afirmado não ser crível a autuação, fundada apenas na falta de informação, como se a legislação não previsse fatos geradores específicos e a necessidade de fundamentação do lançamento.” Quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre despesas não comprovadas a recorrente afirma sua inexistência, pois tratam de meros registros contábeis pelo recebimento dos procedimentos médicos realizados, os quais, posteriormente, depois de auditados, foram estornados parcialmente ou totalmente, em face de sua não efetivação parcial ou total. Traz julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e afirma: “Nesse sentido, registrese que esse augusto Conselho, alinhado à melhor doutrina sobre a matéria, aponta como adequada a determinação da alíquota aplicável ao SAT/RAT tomando por base o risco envolvido na atividade preponderante, observado em casa competência o número de segurados em cada atividade. Assim, revela se imprópria a fixação da alíquota utilizandose, tão somente, o CNAE constante do cadastro fiscal.” Quanto ao pedido, a recorrente requer o recebimento e provimento do recurso, reiterando os argumentos já consignados na impugnação. Requer ainda a anulação do auto de infração, seja cancelada a totalidade dos débitos fiscais objeto da autuação, seja deferida a realização de perícia, seja cancelado o lançamento do SAT/RAT e excluída a alíquota de acréscimo. Seja a recorrente intimada para a sustentação oral. É o relatório. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 13 12 Conselheiro Marcelo Oliveira relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela decisão ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. O relatório fiscal foi explícito ao esclarecer que a falta de prestação de informações devidamente solicitadas por escrito ensejou o arbitramento de valores considerados como base de cálculo previdenciária, com esteio no art. 33 da Lei nº 8.212/91. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). A esse respeito, cabe salientar que, nesse caso, o Fisco está autorizado a adotar tal procedimento com o fim específico de determinar a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas, conforme o art. 148 do CTN: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Legal, portanto, a conduta fiscalizatória, dada a omissão da empresa, à época, em responder ao solicitado por escrito, forma esta prevista em todas as intimações produzidas. Como a ninguém é lícito tirar vantagem da própria ilicitude, o valor devido há de ser quantificado, excepcionalmente, por outros meios distintos dos previstos originalmente em lei. Entretanto, sustenta a empresa que prestou os esclarecimentos oralmente. Nem por isso, deve ser subtraído do contribuinte, o seu direito de comprovar excessos do lançamento durante o procedimento fiscal. Por outro lado, pragmaticamente, fazse necessário considerar as explicações e documentos ora trazidos pela empresa quando de sua impugnação e posteriores manifestações, e quando da diligência comandada pela DRJ no ato de intimação da Resolução nº 1.866, conforme se observa abaixo: Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 14 13 Em 29.01.2010, esta Turma exarou a Resolução nº 1.864 (fls. 499/503), solicitando à autoridade fiscal: 1. Informar se havia algum impedimento para o sujeito passivo distribuir lucros entre os cotistas e ainda, se o lançamento foi realizado tão somente pela ausência de esclarecimentos no tocante a este aspecto do lançamento, ou, se a auditoria fiscal se cercou de outros elementos que a fizeram presumir tratarse de pagamento a segurados, camuflado de distribuição de lucros; 2. Quais as contrapartidas dos lançamentos efetuados na conta contábil 2281501300700? A empresa apresentou lucros, em quaisquer de suas contas, suficientes para proceder a distribuição no montante verificado? 3. Verificouse a existência de lançamentos com históricos não relativos a distribuição de lucros: "pago Cândido pinheiro de lima nf n° 110000", "dev de adiant a credenciados", "receb. Emprest. Sócios mês 03.04". A que se referem? A existência desses lançamentos atinge a credibilidade dos demais lançamentos da conta contábil a ponto de se considerar que os demais também possam não ser distribuição de lucro? 4. A empresa argumenta que a suposta distribuição de lucros teve como favorecida a sua controladora. Entretanto, de perfunctória análise dos documentos de fls. 216/314, aparentemente o montante distribuído pela impugnante (R$ 5.460.783,06) é superior ao supostamente recebido pela controladora (R$ 5.296.983,73). Informar o motivo e o destino dessa diferença. 5. Anexar os arquivos digitais da contabilidade da empresa. Em 20.06.2011, a fiscalização formulou informação fiscal (fls. 507/552), aduzindo que: Quanto ao questionamento do item 1 da Resolução supra, informo que os valores registrados na conta 2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" foram considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias devido ao não atendimento pela empresa da intimação para apresentai" esclarecimentos acerca dos lançamentos realizados na citada conta. Ademais, percebese que tal conta faz parte do passivo da empresa, tendo como contrapartidas ora contas do ativo, ora contas do próprio passivo, quando o que se esperava, se caso se tratasse realmente de distribuição de dividendos é que esta conta, ao menos ao final do período, tivesse por contrapartida uma conta de resultado, caso se tratasse de distribuição de resultados do próprio período, ou de uma conta de lucro, caso se tratasse de distribuição de resultado de períodos anteriores. Desta forma, em virtude do indício de lançamento de remuneração disfarçado de distribuição de lucros e/ou dividendos, combinado com a ausência de esclarecimentos pela parte interessada, foram os lançamentos desta conta aferidos como remuneração de segurados empregados, com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91. O item 2 pergunta quais as contrapartidas da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR*'. Informo que o Razão em anexo responde a estas perguntas, contudo, o mais importante é que, conforme resposta Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 15 14 ao item 1, nenhuma contrapartida desta conta foi uma conta de resultado ou de lucro, evidenciando a POSSIBILIDADE de pagamento de remuneração disfarçada de distribuição de lucros e/ou dividendos. Não há relevância quanto à existência de lucro seja no exercício de 2004, seja em exercícios anteriores, já que nenhuma conta desta natureza foi contrapartida da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR". Sobre o item 3, informo que não foi possível verificar a que se referem não só os lançamentos cujos históricos foram citados, mas nenhum dos lançamentos da conta "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR" em virtude do não atendimento por parte da empresa das diversas intimações para apresentar documentos e esclarecimentos. A existência destes lançamentos fere a credibilidade de todos os lançamentos desta conta, mas não apenas por este fato, mas pela ausência de contrapartidas em contas de resultado e/ou lucro, e, principalmente, pela ausência de esclarecimentos por parte da empresa. Quanto ao item 4, ressalto que nenhum dos lançamentos objeto dos levantamentos incluídos no presente crédito teve por beneficiário a empresa controladora, tampouco se comprovou que qualquer destes lançamentos realmente se refere à distribuição de lucros e/ou dividendos. As bases de cálculo de todos os créditos apurados no presente processo foram aferidas com fundamento no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, em virtude da não apresentação, pela empresa de documentos e esclarecimentos indispensáveis para que se conheça a natureza (incidência ou não de contribuições sociais) de fatos e lançamentos contábeis. Em 22.08.11 a impugnante se manifestou nos seguintes termos (fls. 554/555, documentos de fls. 556 a 559): Diferentemente do aduzido na informação fiscal, a Impugnante apresentou verbalmente os devidos esclarecimentos sobre os pagamentos em referência, cientificando os auditores fiscais que os valores questionados tratavamse de pagamento de dividendos aos quotistas, fato este facilmente perceptível pelo título da conta contábil em questão, não tendo os valores referenciados nenhuma correlação com pagamento de participação nos lucros aos empregados. Quanto à alegação de que citada conta alternou entre conta do passivo e do ativo, quando supostamente deveria ter como contrapartida conta de resultado ou conta de lucro, também não merece acolhida. Primeiro a (sic) que se esclarecer que durante todo o exercício a Impugnante apura as suas receitas e despesas e o resultado final das suas operações no encerramento do exercício, quando lucrativo, é lançado a conta de lucros acumulados, e quando deficitário, na conta de prejuízos acumulados. Nos exercícios seguintes o resultado, pode ser distribuído aos quotistas da forma que melhor convier, quando lucrativo, ou compensado, ou rateado entre os quotistas. Conforme se observa do razão (doc. anexo) da conta de lucros acumulados e da conta de dividendos a pagar, os valores que foram Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 16 15 lançados na coluna de débito na conta de lucros acumulados foram lançados na coluna de crédito na conta de dividendos a pagar, gerando as contrapartidas indagadas pela auditoria fiscal; ou a decisão de pagar os dividendos foi tomada. Quando ocorrida a última hipótese, os valores foram lançados na coluna de débito na conta de dividendos a pagar e lançadas a crédito da conta bancária pelo pagamento, também obedecendo à boa prática contábil. Ao que parece, o nobre auditor fiscal, ao afirmar que não detectou os pagamentos saindo da conta de lucros acumulados, analisou o razão da conta de dividendos a pagar somente na coluna de débito, quando é de fácil percepção que os valores lançados a crédito, constituídos pela obrigação de pagar os dividendos, foram originados da conta de lucros acumulados, por sua vez originada por lucros auferidos em exercícios anteriores. Foi nesse sentido que a Impugnante trouxe aos autos, como prova do acima aduzido, cópia do seu razão analítico (doc. 03 anexo à Impugnação), onde consta os valores devidamente creditados e debitados a tal título, bem como o razão analítico de sua controladora Hapvida Participações e Investimentos Ltda. (doc. 04 anexo à Impugnação), onde consta o recebimento dos valores questionados, e a DIPJ (doc. 05 anexo à Impugnação), também de sua controladora, onde se verifica no Balanço Patrimonial o registro no Ativo Circulante no item "Outras Contas", os valores de saldo inicial e final tal qual o registrado no Razão Analítico acostado. Ressaltese, ainda, que referidos valores saíram da conta de lucros e prejuízos acumulados da Impugnante, evidenciando, portanto, que, além de se tratarem evidentemente de dividendos, referemse a exercícios anteriores e não ao exercício de 2004. Assim, comprovado o efetivo pagamento a título de dividendos dos valores constantes da conta contábil "2281501300700 DIVIDENDOS A PAGAR", não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre aqueles, tal como realizado no auto de infração impugnado, sendo totalmente descabido o lançamento efetuado a tal título, quer por falta de substrato fático, quer por falta de substrato jurídico. Com esteio nas razões acima apresentadas, reitera a Impugnante o conhecimento e acolhimento da Impugnação para o fim de deferir a realização da perícia requisitada, face sua essencialidade para o julgamento do auto de infração impugnado, julgandoo, ao final, improcedente. Não obstante a apresentação dos argumentos da fiscalização e aqueles de contraprova consignados pelas Recorrentes, entendo que o presente processo deverá ser CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA com o objetivo de esclarecer alguns pontos, dispostos por meio dos quesitos abaixo: 1. Diante de toda a documentação constante dos autos, qual a natureza dos pagamentos realizados e registrados na conta contábil 2281501300700 – Dividendos a pagar? Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10380.001219/200907 Resolução nº 2301000.524 S2C3T1 Fl. 17 16 2. Diante de toda a documentação constante dos autos, os valores registrados na conta contábil 2281501300700 – Dividendos a pagar tem origem na conta de lucros e prejuízos acumulados da empresa fiscalizada? Em caso positivo, tal fato demonstra que aqueles se referem a exercícios anteriores e não ao exercício de 2004? 3. Diante de toda a documentação constante dos autos, existe registro na empresa Hapvida Participações e Investimentos Ltda. dos dividendos recebidos da empresa fiscalizada e oriundos da conta contábil 2281501300700 – Dividendos a pagar? 4. Analisandose a planilha anexada aos autos como DOC. 07 pela empresa fiscalizada e toda documentação constante dos autos, podese afirmar que os registros feitos nas contas contábeis elencadas no título “Valores de liberação de contas médicas liquidadas e posteriormente estornadas”, foram devidamente estornadas? 5. Analisandose a planilha anexada aos autos como DOC. 07 pela empresa fiscalizada e toda documentação constante dos autos, podese afirmar que os registros feitos nas contas contábeis “Valores de contas médicas realizadas por ordem judicial ou creditados ao SUS”, foram registradas, também, na conta de processos judiciais, quanto aos procedimentos realizados por ordem judicial, aguardando o término da ação para o seu pagamento; e, quanto aos registros creditados ao SUS, aguardam definição dos processos administrativos de ratificação dos procedimentos médicos? 6. Analisandose a planilha anexada aos autos como DOC. 07 pela empresa fiscalizada e toda documentação constante dos autos, podese afirmar que os registros contábeis elencadas no título “Reembolso de despesas para usuários”, referemse a pagamento de ressarcimentos de despesas realizados pelos usuários do plano de saúde da Fiscalizada? Ato contínuo, deverão as Recorrentes serem intimadas do resultado da diligência, para, querendo, no prazo de 30 [trinta] dias, manifestaremse. Portanto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001308/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/03/2004, 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não demonstrada a ocorrência dos pressupostos que ensejam a oposição de embargos, devem os mesmo serem rejeitados.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/03/2004, 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não demonstrada a ocorrência dos pressupostos que ensejam a oposição de embargos, devem os mesmo serem rejeitados. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 13 08 /2 00 7- 46 Fl. 83720DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 3402002.806, de 10/12/2015. Inicialmente assevera, o que já o fez no recurso voluntário, que "a discussão travada nos presentes autos é reflexa da glosa do processo 13839.001698/200835, decorrente de auto de infração", cujo recurso voluntário está pendente de apreciação pelo CARF. Alega que a DRJ que apreciou a manifestação de inconformidade em relação ao objeto destes autos (PERDCOMP) teria reconhecido a conexão entre o aqui discutido com o auto de infração do processo 13839.001698/200835, esperando o julgamento da impugnação do auto de infração para julgar a manifestação de inconformidade. Em face de tal, "entende que a decisão é omissa ao impacto, no presente PAF, da procedência do Recurso interposto no PAF 13839.001698/200835, uma vez que o reconhecimento naquele processo do saldo credor de períodos anteriores altera os saldos credores ora discutidos". E continua nessa toada querendo infringir o já decidido quanto à tal, entendendo ter "demonstrado ter havido omissão e contradição entre a conclusão do v. acórdão recorrido e suas premissas e fundamentos, bem como entre tal conclusão e outros elementos dos autos", o que enseja, a seu ver, o acolhimento dos embargos. Entende, ainda, ter havido outras contradições no acórdão que mereceriam reparos, mas, em verdade, apenas quer rediscutir o ônus probandi, pinçando pontos da fundamentação do aresto embargado. Vejase: É relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. Contudo, espantame como vem sendo usada no CARF de forma promíscua para suspender a exigibilidade de crédito indevidamente compensado, nos termos do julgado. Eles vêm sendo usados recorrentemente com o fim de que seja novamente julgado o que já foi, como se tratassem de embargos com conteúdo infringente, natureza que lhes falecem. Esse é o teor dos presentes embargos: "rejulgar" o já julgado. Para tal fim, satisfeitos seus requisitos, se presta o recurso à CSRF. Fl. 83721DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13839.001308/200746 Acórdão n.º 3402002.981 S3C4T2 Fl. 83.721 3 Quanto à questão da postulada conexão entre o teor destes autos e o daquele cujo objeto é o auto de infração, a matéria foi, como é de meu costume, devidamente explicitada, até porque objeto do recurso. E decidimos que: Primeiramente, embora haja certa vinculação entre a matéria do presente processo e aquela a que se refere ao lançamento de IPI, as matérias não são idênticas a ponto de determinar o julgamento dos processos como se conexos fossem. O fato é que neste processo o contribuinte apurou supostos créditos presumidos de IPI e os compensou com débitos líquidos e certo de IRPJ e CSLL. Refeita a escrita, como relatado, a fiscalização apurou em determinados períodos de apuração débitos de IPI, o que determinou sua exigência em autos apartados e em momento posterior. Assim, o que se analisa neste processo é se os valores apurados como supostos créditos são líquidos e certos (valores ressarcíveis) para compensar com débitos, cujos montantes são indiscutíveis. Ou seja, o objeto destes autos é a análise das compensações, com base em valores supostamente ressarcíveis, efetuadas pelo sujeito passivo, enquanto o processo 13839.001698/200835 tem por objeto lançamento de IPI em relação aos saldos credores apurados no procedimento fiscal. Portanto, entendo que não há obrigatoriedade para que os processos sejam julgados simultaneamente. De outro turno, se a DRJ entendeu esperar o deslinde da impugnação, o que foi devidamente relatado no acórdão embargado, esse entendimento não nos vincula, pois a mesma foi devolvida ao conhecimento deste Colegiado. Portanto, não há contradição alguma no ponto, mesmo que em outro julgamento de terceiros possa ter tido entendimento diverso. Como a própria embargante reconhece, ela quer, no ponto, dar efeitos infringentes aos embargos, efeitos que estes não possuem no termos do RICARF. Igualmente desproposital querer em sede de embargos discutir excertos do acórdão quando este articula a questão da prova mal feita pela empresa. O que o relator disse, em suma, é o que diz sempre, que se o contribuinte quer ver reconhecido crédito, seja de qual natureza for, e mormente quando já sai se compensando, o ônus é todo seu. Conçabido que o débito compensado, por força de lei, tem natureza de confissão de dívida. Assim, entendo que nesses casos, o crédito, para fim de que a compensação seja processada, ou seja suspensa a exigibilidade do débito, esteja provado de pronto. Em outras palavras, a prova da existência e liquidez do crédito deve estar préconstituída já no protocolo do pedido. Portanto, não há que se falar em contradição do acórdão embargado. O que a embargante pretende, equivocadamente, agitando recurso impróprio, é fazer valer sua pretensão a qualquer custo. Com esses fundamentos, não demonstrados os pressuposto regimentais que os ensejam, voto no sentido rejeitar os embargos. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 83722DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 83723DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003410/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: Não se aplica
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ME (SHOPPEN MODAS FHASHION ARTIGOS DO VESTUÁRIO LTDA.) (contribuinte); AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES (responsável tributário); e ARTHUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA (responsável tributário) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. ME (SHOPPEN MODAS FHASHION ARTIGOS DO VESTUÁRIO LTDA.) (contribuinte); AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES (responsável tributário); e ARTHUR RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 03 41 0/ 20 10 -1 9 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 339 2 AMILTON CHAVES SIQUEIRA (responsável tributário), foram autuados para exigência do imposto de renda exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995. O auto de infração (fls. 4/33) alcança os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2006, e a exação totaliza R$ 1.108.241,20 (demonstrativo à fl. 3), aí incluídos multa de ofício de 150% e juros de mora até a data do lançamento. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora / MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0934.283, de 30/03/2011 (fls. 280/290), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2006 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA QUALIFICADA (150%). NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO. DESCABIMENTO. Não restando demonstrada nos autos a existência de dolo quanto aos pagamentos sem causa ou originários de operações não comprovadas descabe a qualificação da multa. Por relevante, esclareço que o provimento parcial foi devido à redução da multa aplicada ao percentual de 75%, mantendose o lançamento nos demais aspectos. Ciente da decisão de primeira instância em 23/05/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 297, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/06/2011 conforme carimbo de recepção à folha 298. Peça recursal às fls. 298/300. No preâmbulo, a recorrente se identifica como segue: CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA – ME, estabelecido em Ponte NovaMG, inscrito no CNPJ sob numero 03.949.759/000103, neste ato representado pelo sócio AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES portador do CPF numero 509.279.22649, [...] Seus argumentos podem ser assim sintetizados: A recorrente se insurge contra a tributação do imposto de renda exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, afirmando que os cheques emitidos “fizeram parte da mesma base quando foram depositados”, e que os depósitos foram tributados no processo nº 10640.003411/201055. Sustenta que “a fiscalização criou dois eventos (cobrança do Simples) e ao mesmo tempo o (IRRF) sobre a mesma base, apenas mudou a linha, sendo o período o mesmo”. Invoca, em apoio a sua tese, o acórdão 010277 da CSRF 01 turma de 13/03/2000 e o acórdão 10321325 da 3ª Câmara do 1º CC. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 340 3 Acrescenta que a solução de divergência nº 10, de 16/07/2003, deixaria clara a não incidência do imposto de renda na fonte sobre as importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica inscrita no Simples, pela prestação de serviços. Ao final do recurso (fl. 300), consta o nome de Ailton Afonso de Siqueira Chaves. No entanto, a assinatura que ali consta é de Edílson Correa Mariani. À fl. 301 encontro instrumento público de procuração, datado de 24/11/2010, do qual extraio o quanto segue (grifos no original): [...] compareceu(ram) como outorgantes: AILTON AFONSO SIQUEIRA CHAVES, brasileiro, casado, comerciante, portador da Carteira de Identidade nº M 3.383.051 SSP/MG, inscrito no CPF do MF sob o nº 509.279.22649 residente e domiciliado na Rua Teófilo Nascimento, nº 303, Bairro Santo Antonio em Palmeiras, Ponte Nova, Minas Gerais, CEP 35.430193; Parte(s) que se identificou(ram) ser(em) a(s) própria(s), conforme documentação apresentada do que dou fé. E, pelo(as) outorgante(s) me foi dito que, nomeia(m) e constitui(em) seu (as) bastante(s) procurador(aes): EDILSON CORREA MARIANI, brasileiro, [...], com poderes especiais para representar a outorgante perante a RECEITA FEDERAL DO BRASIL, mormente a DRG em Juiz de Fora, relativos aos AUTOS DE INFRAÇÕES (MPF 0610400/0019410), relacionados a empresa CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA – ME, cnpj 03.949.759/000103 NIRE 31206012441 19/07/2000, para assinar e receber documentos, termos autos de infração, contestar, dirimir, transigir, concordar, interpor recursos administrativos, judiciais e extra judiciais em toda a sua extensão, inclusive para entregar e receber documentos e presta esclarecimentos, relativos aos processos em referencia, responsabilizandose por todos os atos praticados no cumprimento deste instrumento [...]. O processo foi levado a julgamento perante a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste CARF. Mediante o acórdão nº 2102000.050, de 12/03/2012 (fls. 329/330), aquele Colegiado acordou em “reconhecer que a competência para processar e julgar o recurso voluntário é das Turmas de julgamento da Primeira Seção do CARF”. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Do exame dos autos, duas constatações de ordem processual se impõem. A primeira delas diz respeito à especialização por matéria, neste CARF, para julgamento. Conforme relatado, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste CARF, mediante o acórdão nº 2102000.050, de 12/03/2012 (fls. 329/330), decidiu nestes autos por “reconhecer que a competência para processar e julgar o recurso voluntário é das Turmas de julgamento da Primeira Seção do CARF”. Seu fundamento para assim decidir foi o inciso IV do art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF então em vigor (aprovado pela Portaria MF nº 256/2009). Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 341 4 Para maior clareza, transcrevo, a seguir, o mencionado dispositivo do regimento pretérito: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; [...] Ocorre que sobreveio alteração nessa delimitação da especialização por matérias, em face do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Eis o novo teor do inciso IV do art. 2º do Anexo II: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; [...] Observese a diferença entre a redação pretérita e a atual: antes, para a caracterização do IRRF como reflexo do IRPJ (e, portanto, submetido à especialização por matéria da 1ª Seção) somente se requeria que a exigência estivesse lastreada nos mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação de IRPJ. Por outro lado, a nova redação é expressa ao determinar, além da base nos mesmos elementos de prova, que as exigências estejam formalizadas em um mesmo processo administrativo fiscal. Em outras palavras, não se admite a “atração” do IRRF quando se trata de processos administrativos fiscais distintos. Diante disso, concluo que o processo sob análise não se inclui entre as competências da 1ª Seção de Julgamento do CARF, mas sim entre aquelas da 2ª Seção de Julgamento, ex vi do inciso II do art. 3º do Anexo II do RICARF atualmente em vigor: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 342 5 Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] II IRRF; Ressalto, finalmente, que entendo não se tratar de conflito negativo de competência, em face da superveniência de novo regimento interno, dispondo sobre a matéria de modo diferente. Por todo o exposto, voto no sentido do encaminhamento do processo para a 2ª Seção de Julgamento deste CARF, para o julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Antes disso, no entanto, cabe trazer a lume a segunda constatação de ordem processual a que antes me referi. É que a procuração de fl. 301 tem como outorgante a pessoa física Sr. Ailton Afonso Siqueira Chaves, e não a pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. Desta forma, o recurso voluntário de fls. 298/300, apresentado pela pessoa jurídica, não está subscrito por procurador habilitado para tanto. Além disto, o acórdão de primeira instância decidiu pela manutenção parcial do lançamento, especialmente no que toca à sujeição passiva tributária imputada solidariamente ao Sr. Ailton Afonso de Siqueira Chaves e ao Sr. Artur Amilton Chaves Siqueira, na qualidade de responsáveis. No entanto, não encontro nos autos prova de que tenha sido dada a eles ciência do acórdão. Neste último caso, tratase, a meu ver, de vício processual que, se não sanado, poderá implicar futura arguição de nulidade do julgamento em segunda instância por cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Na sequência, restariam igualmente prejudicadas as pretensões da Fazenda Nacional em uma hipotética execução do crédito tributário, ao menos no que tange às pessoas físicas apontadas como responsáveis tributários. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, devolvendose o processo à Unidade Preparadora, para que: 1. o Sr. AILTON AFONSO DE SIQUEIRA CHAVES e o Sr. ARTUR AMILTON CHAVES SIQUEIRA sejam cientificados do Acórdão nº 09 34.283, de 30/03/2011 (fls. 280/290), facultandolhes ainda a interposição de recurso voluntário no prazo legal. 2. A pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. seja intimada a regularizar a representação processual, no que tange ao procurador que subscreve o recurso voluntário. 3. A pessoa jurídica CHAVES & SIQUEIRA SERVIÇOS DE COBRANÇA LTDA. seja intimada a apresentar cópia da alteração do Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10640.003410/201019 Resolução nº 1301000.295 S1C3T1 Fl. 343 6 Contrato Social em vigor na data da interposição do recurso voluntário, devidamente registrada no órgão competente. Após cumpridas as providências acima, o processo deverá retornar a este CARF, sendo encaminhado à 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10935.000707/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.628
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 00 70 7/ 20 11 -9 0 Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.400 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0646.135 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, que julgou procedente os lançamentos de Autos de Infração, no período de 01/2007 a 12/2008. O Relatório da decisão de primeira instância aponta os Autos de Infração de obrigação principal lavrados: (i) AIOP 37.271.3009: Contribuições sociais devidas por segurados empregados e contribuintes individuais incidentes sobre suas respectivas remunerações, não descontadas pela empresa. O crédito tributário perfaz o montante de R$ 73.194,16. (ii) AIOP 37.271.3041: Contribuições sociais devidas pela empresa destinadas a outras entidades e fundos TERCEIROS incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados. O crédito tributário perfaz a quantia de R$ 49.836,38. (iii) AIOP 37.271.3114: O referido Debcad compreende: a) contribuições sociais devidas pela empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas a segurados empregados apuradas a partir do confronto da folha de pagamento e GFIP; b) contribuições sociais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas a segurados contribuintes individuais apuradas a partir do confronto da folha de pagamento e GFIP; c) remunerações indiretas pagas a segurados empregados a título de seguro de vida sem previsão em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho; d) remunerações apuradas em notas fiscais e faturas pagas a cooperados por intermédio da Cooperativa de trabalho Unimed Erechim; e Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.401 3 e) os valores contidos em notas fiscais de prestação de serviços na modalidade de cessão ou empreitada de mãodeobra. O Relatório da decisão de primeira instância aponta também os Autos de Infração de obrigação acessória lavrados: (iv) AIOA 37.271.3122 (CFL 30) Deixar o contribuinte de preparar folha(s)de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. O valor do crédito tributário perfaz o quantia de R$ 1.523,57. (v) AIOA 37.271.3130 (CFL 34) Deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. O valor do crédito tributário perfaz o quantia de R$ 15.235,55. (vi) AIOA 37.271.3149 (CFL 35) Deixar o contribuinte de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O valor do crédito tributário perfaz o quantia de R$ 15.235,55. (vii) AIOA 37.271.3157 (CFL 93) Deixar o contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços para recolhimento ao Instituto Nacional do Seguro Social. O valor do crédito tributário perfaz o quantia de R$ 1.523,57. Em relação às multas aplicadas, informa o Relatório Fiscal que foi feito o demonstrativo comparativo de multas em função do advento da Lei 11.941/2009. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos DD é de 01/2007 a 12/2008. Anotese que houve o julgamento do Recurso Voluntário em segunda instância administrativa no CARF, Acórdão 2401002.846 4a Câmara 1a Turma Ordinária 2a Seção, na qual se decidiu, por unanimidade de votos em anular a decisão de Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.402 4 primeira instância, conforme Ementa às fls. 1091, para que fossem apreciadas todas as razões da impugnação em conjunto com as provas juntadas às fls. 999 e 1.004/1.025: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NÃO ENFRENTA PROVAS RELEVANTES. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar questões relevantes apresentadas na impugnação em conjunto com as provas a elas relativas. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a Decisão de Primeira Instância. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente Substituta Kleber Ferreira de Araújo – Relator O processo administrativofiscal prosseguiu com solicitação de Diligência Fiscal e posterior Informação Fiscal, seguida de intimação do contribuinte que se manifestou no sentido de manter as alegações anteriormente deduzidas em sede de Impugnação, fls. 1334. Após, houve nova decisão de primeira instância, em que a Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 0646.135 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2007, 2008 SEGURO DE VIDA EM GRUPO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONVENÇÃO E ACORDO COLETIVO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. O prêmio de seguro de vida em grupo pago pela pessoa jurídica aos seus empregados e dirigentes não integra o saláriodecontribuição, desde que haja a previsão do pagamento em acordo ou convenção coletiva de trabalho. TOMADOR DE SERVIÇOS. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. A contribuição de que trata o artigo 22, IV, da Lei nº 8.212/91 pressupõe o pagamento em função do serviço prestado à tomador por profissionais cooperados, por intermédio da respectiva cooperativa de Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.403 5 trabalho. A retribuição do serviço prestado por cooperado pela tomadora subsumese ao disposto no artigo 195, I, "a", da Constituição Federal. RETENÇÃO DE 11%. NOTA FISCAL. CESSÃO DE MÃO DE OBRA E EMPREITADA. OBRIGATORIEDADE. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Encaminhese a DRFB de origem para cientificar o contribuinte deste Acórdão e para as demais providências. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel PR, em 10.04.2014 emitiu a Intimação 59/2014 para dar ciência ao contribuinte do Acórdão nº 0646.135 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, às fls. 1357. O contribuinte teve ciência da Intimação 59/2014 em 14.04.2014, conforme Aviso de Recebimento AR no JG 55771938 0 BR, às fls. 1359. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel PR emitiu o TERMO DE PEREMPÇÃO, em 21.05.2014, porque o contribuinte não apresentou o Recurso Voluntário no prazo de 30 dias, conforme fls. 1360: Processo: 10935.000707/201190 Interessado: MASCARELLO CARROCERIAS E ÔNIBUS LTDA CNPJ: 05.440.065/000171 Ref.: Termo de Perempção Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto n° 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.404 6 Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (art. 21, § 3° do Decreto 70.235/1972). SEÇÃO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO SACAT DRF EM CASCAVEL PR Cascavel, 21 de maio de 2014. A seguir, é juntado aos autos o Recurso Voluntário do contribuinte, às fls. 1362 a 1393, com um carimbo da DRF/CTA com data de 13.05.2014 às fls. 1362: Inconformado com a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou Recursos Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Divergência entre a Folha de Pagamento x GFIP; (ii) Não recolhimento da contribuição previdenciária devida na prestação de serviços de segurado autônomo; (iii) Pagamento à Cooperativa UNIMED Erechim (até 11.2008) e Cooperativa UNIMED Erechim (12.2008); (iv) Exigência de contribuição social em razão do pagamento de seguro de vida em grupo; (v) Da exigência da retenção de 11% para a seguridade social (vi) Serviços prestados pelas contratadas GARYTRANS transportes LTDA e Transportadora SABIÁ Ltda Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.405 7 (vii) Serviços prestados pelas empresas Sylens Consultoria e Serviços Termo acústicos Ltda; Tapeçaria Chapecoense Ltda; e Distribuidora de Produtos Elétricos Ltda; (viii) Serviços prestados pelas empresas CONSVITA Consultores Associados Ltda e RENDER Informática Ltda; (ix) Serviços prestados pelas empresas LIDER SUL de Transporte de Passageiros Ltda e TTS BUS transportes e Serviços Ltda; (x) Inaplicabilidade das Multas Formais dos Autos de Infração 37.271.3122, 37.271.3130, 37.271.3149, 37.271.3157; (xi) Do enriquecimento sem causa. A seguir, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.406 8 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DA QUESTÃO DA TEMPESTIVIDADE. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0646.135 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, que julgou procedente os lançamentos de Autos de Infração, no período de 01/2007 a 12/2008. Anotese que houve o julgamento do Recurso Voluntário em segunda instância administrativa no CARF, Acórdão 2401002.846 4a Câmara 1a Turma Ordinária 2a Seção, na qual se decidiu, por unanimidade de votos em anular a decisão de primeira instância, conforme Ementa às fls. 1091, para que fossem apreciadas todas as razões da impugnação em conjunto com as provas juntadas às fls. 999 e 1.004/1.025: O processo administrativofiscal prosseguiu com solicitação de Diligência Fiscal e posterior Informação Fiscal, seguida de intimação do contribuinte que se manifestou no sentido de manter as alegações anteriormente deduzidas em sede de Impugnação, fls. 1334. Após, houve nova decisão de primeira instância, em que a Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 0646.135 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel PR, em 10.04.2014 emitiu a Intimação 59/2014 para dar ciência ao contribuinte do Acórdão nº 0646.135 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, às fls. 1357. O contribuinte teve ciência da Intimação 59/2014 em 14.04.2014, conforme Aviso de Recebimento AR no JG 55771938 0 BR, às fls. 1359. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel PR emitiu o TERMO DE PEREMPÇÃO, em 21.05.2014, porque o contribuinte não apresentou o Recurso Voluntário no prazo de 30 dias, conforme fls. 1360: Processo: 10935.000707/201190 Interessado: MASCARELLO CARROCERIAS E ÔNIBUS LTDA CNPJ: 05.440.065/000171 Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.407 9 Ref.: Termo de Perempção Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto n° 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (art. 21, § 3° do Decreto 70.235/1972). SEÇÃO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO SACAT DRF EM CASCAVEL PR Cascavel, 21 de maio de 2014. A seguir, é juntado aos autos o Recurso Voluntário do contribuinte, às fls. 1362 a 1393, com um carimbo da DRF/CTA com data de 13.05.2014 às fls. 1362: DA CONTROVÉRSIA A controvérsia está centrada na questão da data de interposição do Recurso Voluntário do contribuinte pois, de um lado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel PR emitiu o TERMO DE PEREMPÇÃO, em 21.05.2014, porque o contribuinte não apresentou o Recurso Voluntário no prazo de 30 dias, conforme fls. 1360, enquanto de outro lado, é juntado aos autos o Recurso Voluntário do contribuinte, às fls. 1362 a 1393, com um carimbo da DRF/CTA com data de 13.05.2014 às fls. 1362. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.000707/201190 Resolução nº 2202000.628 S2C2T2 Fl. 1.408 10 DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como o disposto nos arts. 33 e 35, ambos do Decreto 70.235/1972, para efeitos de saneamento do processo surge a prejudicial de que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe a data correta em que o Recurso Voluntário foi impetrado: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte: (i) informe conclusivamente a data correta em que o Recurso Voluntário foi impetrado; (ii) informe se o Termo de Perempção, às fls. 1360, está correto; (iii) intime o contribuinte da Diligência Fiscal emanada da Unidade da Receita Federal do Brasil em resposta à Resolução de Diligência determinada pelo CARF, com a conseqüente abertura de prazo para Manifestação, em observância aos prazos processuais para a ampla defesa e o contraditório. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13804.002073/99-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
A aquisição de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543-C do CPC.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO.
É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
A opção pela apuração centralizada do Crédito Presumido de IPI, no estabelecimento matriz, deve incluir nos cálculos do beneficio a receita operacional bruta e a receita de exportação de todos os estabelecimentos da empresa, no período em questão.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Pereira da Silva, OAB/SP nº 314200.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. A aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543C do CPC. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A opção pela apuração centralizada do Crédito Presumido de IPI, no estabelecimento matriz, deve incluir nos cálculos do beneficio a receita operacional bruta e a receita de exportação de todos os estabelecimentos da empresa, no período em questão. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 20 73 /9 9- 27 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Eduardo Pereira da Silva, OAB/SP nº 314200. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata a presente lide de manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que excluiu do cálculo do credito presumido, apurado pela Lei n° 9363/96 e Portaria MF n° 38/97, as parcelas referentes As aquisições de pessoas físicas e alterou o montante da receita operacional bruta, considerada nos cálculos, para a soma das receitas de todos os estabelecimentos da empresa, por ser o crédito apurado de forma centralizada pela matriz. Regularmente cientificada, a manifestante alegou, em síntese, que são ilegais as restrições feitas por meio de Instruções Normativas, relativas As exclusões em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes citados e que foi considerada a receita operacional bruta de todos os estabelecimentos da recorrente, inclusive aqueles que não realizam atividade de exportação, provocando distorções no cálculo, ao contrário do que, tardiamente, foi reconhecido pela Portaria MF n° 64/2003 e feito pelo contribuinte. Encerrou requerendo a concessão do que foi originalmente pedido, acrescido da taxa SELIC, conforme princípios constitucionais e julgados que cita." Fl. 631DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 3201002.028 S3C2T1 Fl. 630 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes as aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. CONCEITO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. Na apuração centralizada, a receita operacional bruta a ser considerada no cálculo do crédito presumido deve incluir as receitas de todos os estabelecimentos da empresa (pessoa jurídica), mesmo aqueles no produtoresexportadores, ou seja, inclusive os comerciais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes á taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido.” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário, repisando as alegações e os pedidos constantes da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a lide gira em torno da possibilidade de creditamento do IPI referente as aquisições de pessoas físicas e cooperativas de produtores rurais, da correção dos créditos utilizando a taxa SELIC e a possibilidade de utilizar como receita operacional bruta somente as vendas realizadas por estabelecimentos exportadores. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Crédito de aquisições de pessoas físicas e cooperativas Correção dos créditos pela taxa Selic A matéria já foi enfrentada pelo STJ no REsp 993164, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, quando foi decidido pela ilegalidade da IN 23/97 que determinava a exclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos de Pessoas Físicas e Cooperativas e a correção dos valores a partir do protocolo do pedido. Transcrevo abaixo a ementa da decisão. “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS.LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal.(grifo nosso) 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais Fl. 633DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 3201002.028 S3C2T1 Fl. 631 5 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito Fl. 634DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; Resp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI ,posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).(grifo nosso) 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de Fl. 635DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 3201002.028 S3C2T1 Fl. 632 7 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial da Empresa e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques,Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Notas julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ.” O art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 determina a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do CPC. Verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... Fl. 636DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, atendendo a determinação do Regimento Interno do CARF adoto o entendimento prolatado no REsp 993164, no sentido da procedência da inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de Pessoas Físicas e Cooperativas, bem como a sua correção pela taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Quanto a discussão sobre o cálculo do percentual entre a receita bruta de vendas e de exportação. A discussão esta centrada na posição entre duas posições a Recorrente adotou no cálculo as receitas referentes somente a receita das filiais produtoras exportadoras. A Fiscalização entendeu que a apuração da receita deveria considerar todas as filiais da empresa e neste caminho considerou a receita bruta de todas as filiais, entretanto não considerou no cálculo a receita de exportação das filiais não exportadoras. A Recorrente pede que seja adotada uma linha coerente em que se a receita bruta for considerada para todas as filiais também deveria ser considerada a receita total de exportação incluindo todas as filiais. A matéria foi enfrentada pela Câmara Superior deste Conselho no Acórdão nº 9003003.336, na sessão de 10/12/2015, de relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, quando foi decidido pela procedência da inclusão na receita de exportação das vendas para o exterior e de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. Por concordar plenamente com os argumentos condutores desta decisão, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele também minhas razões de decidir. A teor do relatado, o inconformismo da Fazenda Nacional diz respeito à inclusão no cálculo da Receita Operacional Bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos NT na TIPI. Antes de adentrarse nas questões trazidas a debate, fazse necessário breve esclarecimento sobre o cálculo do crédito presumido e seus estágios: Primeiro, cotejase a receita de exportação com a operacional bruta para se encontrar o coeficiente a ser aplicado sobre as aquisições dos insumos; segundo, apurase o total das compras de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) utilizados no processo de industrialização do produtor exportador. Nesse total não se incluem, obviamente, os produtos que sem qualquer industrialização efetuada pelo adquirente, são revendidos no mercado interno ou são exportados para o exterior. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 3201002.028 S3C2T1 Fl. 633 9 Do total das compras de insumos, são excluídos aqueles que não geram direito ao crédito presumido, tais como os que não se caracterizam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Devem ainda ser excluídos os valores correspondentes às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos NT na TIPI, de produtos não acabados e de produtos acabados, mas não vendidos em estoque no último trimestre do ano ou no último que houve exportação. Feitas as exclusões, sobre o valor restante aplicase o citado coeficiente para se chegar às aquisições incentivadas, que são a base de cálculo do crédito presumido. Para se chegar ao valor do crédito presumido a ressarcir, aplicase sobre essas aquisições incentivadas o percentual de 5,37%. No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos não tributados pelo IPI, por serem NT na TIPI, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições. Senão vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II, definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados (NT na TIPI) devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos. Ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estar seia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Aliás, essa foi a decisão do Colegiado recorrido: excluir esses valores tanto da receita de exportação quanto da operacional bruta, o que, a meu ver, não seria a melhor solução, mas, mesmo assim, é melhor do que excluir de uma e deixar em outra, como pretende a recorrente. Repare que se prevalecesse a posição da Fazenda Nacional, haveria a distorção do índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições. Assim, não se deve admitir que tais valores constem apenas de uma das receitas, quer da de exportação, quer da operacional bruta. No primeiro caso, a distorção seria favorável ao sujeito passivo, no segundo, à Fazenda Nacional. Como dito anteriormente, o mais correto seria acrescentar o valor das vendas para o exterior desses produtos NT no cálculo da receita de exportação e, também, no da receita operacional bruta, ao invés de excluir de ambas, como fez a decisão recorrida. Todavia, essa providência acarretaria prejuízo à Fazenda Nacional em relação ao que foi decidido no acórdão recorrido, situação incompatível com o princípio do non reformatio in pejus. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados na produção dessas mercadorias que são exportadas. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. Diante do exposto, devese negar provimento ao apelo fazendário. Nos termos bem delineados no voto condutor do acórdão prolatado pela Câmara Superior, resta evidente a possibilidade da utilizar a receita bruta de todas as filiais no cálculo da receita operacional bruta e da receita de exportação. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 3201002.028 S3C2T1 Fl. 634 11 Nos termos detalhados no relatório, a Recorrente realizou o seu pedido de ressarcimento considerando para cálculo do percentual a ser aplicado para obtenção do crédito, a Receita Operacional e a Receita de Exportação somente das filiais exportadoras. A Fiscalização entendeu por utilizar a receita operacional bruta de todas as filiais, sem aplicar este mesmo entendimento à receita de exportação. Entendo não ser esta a melhor solução para a questão, a priori, o entendimento segundo a posição tão bem detalhada no voto da Câmara Superior é aplicar os conceitos previstos para o Imposto de Renda na definição da Receita Operacional Bruta e de Exportação e neste caminho incluir as receitas referentes a exportação de mercadorias adquiridas de terceiros. Nos termos informados no recurso, caso este entendimento fosse aplicado utilizando todas as filiais, ensejaria em um percentual superior àquele utilizado pela Recorrente. Conforme se extrai do trecho abaixo do seu recurso voluntário. 50.Além de produzir mercadorias (óleo e farelo), a partir da industrialização de soja em grãos, conforme exposto inicialmente, a Recorrente também adquire mercadorias de terceiros e as exporta, operando como empresa comercial exportadora. As receitas auferidas no trimestre (1° de 1999) com esse tipo de operação de exportação somaram R$ 117.719.922,70. 51. No entanto, essas receitas com exportações (de mercadorias produzidas por terceiros) não foram consideradas, pela Recorrente, para efeito de apuração da relação no âmbito da receita operacional bruta. 52.Tanto isto é verdade que não há divergência entre ela (Recorrente) e a auditoria fiscal com referência ao numerador da fórmula (a receita de exportação), de R$ 52.785.632,25, que corresponde, exatamente, ao valor das receitas auferidas com exportações de produtos de sua fabricação e executadas, única e exclusivamente, por seus estabelecimentos produtores/exportadores. 53.A Recorrente poderia (e nisso não teria infringido a Portaria MF 38, de 1997) ter apurado a relação da receita de exportação frente à receita operacional bruta a partir dos montantes totais: R$ 170.505.554,90 de exportações e R$ 201.102.437,31 de receita operacional bruta. E a relação seria, então, de 84,785%. 54.Coerentemente, a Recorrente tomou apenas a receita de exportação dos seus estabelecimentos produtores, de R$ 52.785.632,25, e comparou com a receita operacional bruta desses mesmos estabelecimentos produtores, de R$ 90.096.835,90, chegando à relação de 58,588%. Considerando que neste julgado não se pode decidir por conceder um valor superior aquele constante do pedido e ainda, que o cálculo da receita operacional bruta e da receita de exportação devem levar em consideração as receitas de todas as filiais, o que implicaria na aplicação de um percentual superior aquele utilizado pela Recorrente, voto no sentido de dar provimento ao recurso, concedendo o direito pleiteado pela Recorrente, limitado ao valor constante do pedido de ressarcimento. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 Winderley Morais Pereira Fl. 641DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 21/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10930.006572/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. PROVA EM CONTRÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA.
Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores informados em DIMOB e o contribuinte não esclarece a razão da diferença nas duas declarações.
Neste caso, entretanto, a Contribuinte apresenta razoáveis explicações juntamente com cópias de contratos de aluguel que as confirmam, o que conduz à quebra da presunção de legitimidade do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. PROVA EM CONTRÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA. Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores informados em DIMOB e o contribuinte não esclarece a razão da diferença nas duas declarações. Neste caso, entretanto, a Contribuinte apresenta razoáveis explicações juntamente com cópias de contratos de aluguel que as confirmam, o que conduz à quebra da presunção de legitimidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 65 72 /2 00 8- 11 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10930.006572/200811 Acórdão n.º 2202003.086 S2C2T2 Fl. 99 2 Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor da Contribuinte acima identificada, foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, exercício de 2006, ano calendário de 2005, onde foi apurado o valor de R$ 3.953,03 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional no percentual de 75% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que confrontando os dados da DIRPF apresentada pela Contribuinte com os dados constantes dos sistemas da RFB, obtidos pelas DIMOB apresentadas pelas imobiliárias, constatou a omissão de rendimentos recebidos de três fontes que discriminou: Imobiliária Atual Ltda (R$ 3.163,06); Sapia & Sapia Ltda (R$ 13.808,00) e CRV Assessoria Imobiliária S/S Ltda (R$ 3.942,00). A interessada apresentou Impugnação alegando que declarara todos os valores envolvidos, porém com erro, uma vez que ao invés de informar como fonte pagadora as imobiliárias, incluíra os CPF dos inquilinos. Ao analisar os autos, assim dispôs o Julgador de Primeira Instância: A contribuinte afirma que inseriu na DIRPF 2006 os rendimentos auferidos das locações de imóveis de forma individualizada em nome da pessoa física dos inquilinos em vez de declarálos em nome da pessoa jurídica dos locatários. Porém, não junta algum elemento de prova, como cópia dos contratos de locação, ou recibos de pagamento. Aduz simplesmente que não omitiu rendimento. Simples alegações desacompanhadas de um conjunto probatório, capaz de convencer o julgador, não são suficientes para desconstituir um procedimento administrativo (lançamento), que, como cediço, goza de presunção relativa de legitimidade. Alfim, concluiu a instância recorrida pela improcedência da Impugnação. Dessa decisão de 1ª instância a contribuinte foi cientificada em 11/10/2011 (AR na folha 24) e, ainda inconformada, apresentou recurso voluntário, em 04/11/2011, conforme protocolo na folha 26. Em sede de recurso, dispõese a explicar novamente o equívoco no preenchimento da declaração de rendimentos que levou à disparidade em relação às DIMOB. Elabora um quadro demonstrativo e diz que não apresentara os contratos de aluguel porque acreditou que com a apresentação da Dimob, os dados dos inquilinos, imobiliárias e valores já estariam devidamente comprovados. Assim, REQUER o cancelamento da Notificação de Lançamento. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10930.006572/200811 Acórdão n.º 2202003.086 S2C2T2 Fl. 100 3 Anexa diversos contratos e termos de prorrogação dos mesmos, a partir da folha 40. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Regina Helena Costa, baseadose no magistério de Maria Sylvia Zanella di Pietro, lembra serem quatro os atributos do ato administrativo, onde se enquadra o lançamento tributário: presunção de legalidade ou legitimidade, e de veracidade; tipicidade; imperatividade e autoexecutoriedade. Conclui que os dois primeiros estão sempre presentes, em todos os atos. Observo, entretanto, que nestes autos a Autoridade Administrativa sequer anexou a cópia da Dimob em que se fundamentou ao lavrar a Notificação. Poderia ainda ter confirmado com as imobiliárias declarantes se eram elas mesmas que alugavam os imóveis ou se, dentro de seu negócio, óbvia e simplesmente administravam a relação locatícia. Dentre as três fontes listadas como omissão, duas têm "imobiliária" no nome. Bem, a Contribuinte diz que declarou os valores, porém em nome dos locatários pessoas físicas e não em nome da imobiliária administradora. Na folha 40 consta cópia de Contrato onde de um lado, como "locador" está a Recorrente, "representada pela CRV Assessoria imobiliária" e de outro lado, como "locatário" aparece Sergio Takeshi Nozaki, CPF: 365.720.98915. Este contrato prorroga por mais 12 meses o anteriormente em vigor, que existia desde 01/03/2001 até 28/02/2006 (fl. 43), o que leva a concluir que no ano de 2005 já havia a mesma relação jurídica. O valor é de R$ 500,00/mês, tendo o locatário uma bonificação de R$ 100,00 pela pontualidade no pagamento. O valor encontrado como omissão, pago pela CRV foi de R$ 3.942,00, conforme a Notificação. Na DIRPF da Recorrente, cópia na folha 31, consta exatamente o mesmo valor, como recebido de Sérgio Takeshi Nozaki. Na folha 47, a mesma Recorrente, agora representada por Schietti e Sapia Imóveis, celebra contrato com Washington Aparecido Granatti, CPF: 217.241.68860. Verifico que o contrato data de 2002 e é válido por 12 meses. O valor do aluguel é maior e, descontado o bônus de pontualidade, importa em R$ 1.300,00/mês. Aqui tratase, é verdade, do ano de 2005, mas Notificação encontrou uma omissão de R$ 13.808,00 paga por Sapia e Sapia Imóveis e a DIRPF na Contribuinte consta exatamente o mesmo valor, porém informado como recebido de Washington Aparecido Granatti. Por fim, encontrouse uma omissão de R$ 3.163,06, da fonte Imobiliária Atual Ltda. A empresa administrava imóveis da Recorrente, como se observa no Contrato de folha 55, dentre outros. Alugaram salas a Carlos Fábio e Maria Creuza Leite (fl. 57), Sheila e Heitor de Ângelo (fl. 66), Claudecir Rodrigues do Prado (fl. 78), Paulo Junior e Marli de Jesus Fl. 100DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10930.006572/200811 Acórdão n.º 2202003.086 S2C2T2 Fl. 101 4 (fl. 88). Tudo está declarado na DIRPF (fl. 31), tendo como fonte as pessoas físicas e, se somados, os valores são inclusive superiores aos apontados na Notificação de Lançamento. Tais constatações levam a concluir que tem razão a Recorrente. Por estas razões, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar as exigências consubstanciadas na Notificação de Lançamento em discussão. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000635/2008-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9101-002.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação ao IRPJ, e, no mérito, dar provimento ao recurso, por voto de qualidade, na parte conhecida, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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(ATUAL JS ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS S.A.) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação ao IRPJ, e, no mérito, dar provimento ao recurso, por voto de qualidade, na parte conhecida, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 35 /2 00 8- 09 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16095.000635/200809 Acórdão n.º 9101002.207 CSRFT1 Fl. 456 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Andre Mendes De Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal De Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martinez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 331/356, contra Acórdão nº 110300.619, de 31 de janeiro de 2012, efls. 320/330, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário impetrado por LETERO EMPREENDIMENTOS PUBLICIDADE E PARTICIPAÇÕES S.A. (atual JS ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS S.A.), nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: “TRAVA” DE 30% PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS NA INCORPORAÇÃO A finalidade da “trava” de compensação não é ceifar a compensação de prejuízos fiscais, mas manter ou aumentar o fluxo de caixa de arrecadação, tanto que se revogou o limite temporal de compensação. A regra de limitação quantitativa da compensação só tem sentido no tempo (“vida” da pessoa). Como o lucro é apurado segundo cortes temporais mais ou menos arbitrários, porém necessários, por imperativo de ordem prática a limitação quantitativa de compensação de prejuízos fiscais implica essa periodicidade (e a interperiodicidade). Diante da “morte” da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo. Alega a recorrente divergência jurisprudencial em relação aos Acórdãos nºs 10515.908, 910100.401 e 910100.197, que receberam as seguintes ementas: Acórdão nº 10515.908 “INCORPORAÇÃO DECLARAÇÃO FINAL Inexiste amparo para, a luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei n° 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídico tributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não Fl. 456DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16095.000635/200809 Acórdão n.º 9101002.207 CSRFT1 Fl. 457 3 contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria.” Acórdão nº 910100.401 (no qual se nega provimento ao recurso especial do contribuinte interposto contra o acórdão n° 10515.908) “COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.” Acórdão nº 910100.197 “CSLL. COMPENSAÇÃO DA BASE NEGATIVA. INCORPORAÇÃO. Até o advento do artigo 20 da Medida Provisória n° 1.8586/1999, não havia vedação para que a incorporadora pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurada pela incorporada. BASES NEGATIVAS. LIMITAÇÃO NA COMPENSAÇÃO. TRAVA. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.” Ao detalhar os fundamentos para a reforma do acórdão, a Fazenda destaca o tema contra o qual se insurge: Limitação à Compensação de Prejuízos Fiscais e de Bases de Cálculo Negativas de CSLL nos Casos de Incorporação. Por fim, pede pela reforma do acórdão recorrido de forma a manter a "trava" de 30% para compensação, tanto de prejuízos fiscais no caso do IRPJ, quanto de bases de cálculo negativas de CSLL. Por meio do Despacho da Presidência da Primeira Câmara efls. 358/361, o Presidente da Câmara a quo dá seguimento ao recurso, entendendo caracterizada a divergência jurisprudencial apontada no tocante à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Na seqüência, o contribuinte apresenta Contrarrazões onde, em apertada síntese, requer a manutenção do acórdão recorrido, aduzindo, em preliminares, que o recurso especial não pode ser admitido porque não teria ficado caracterizada a divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma de nº 910100.197, visto que este último não teria tratado do tema da limitação da compensação de bases negativas de CSLL nos casos de incorporação e essa divergência não poderia ser suscitada em relação aos demais paradigmas indicados que trataram apenas da limitação da compensação de prejuízos fiscais. No mérito, ressalta que no ordenamento jurídico brasileiro nunca houve restrição à compensação de prejuízos fiscais acumulados no caso de extinção de pessoa jurídica e que, nos casos de incorporação e conseqüente extinção da personalidade jurídica, como não é Fl. 457DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16095.000635/200809 Acórdão n.º 9101002.207 CSRFT1 Fl. 458 4 possível essa compensação em períodos seguintes, tem que haver a compensação integral, sob pena de terem, as sociedades incorporadas, tributado o seu patrimônio. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo mas, no tocante à admissibilidade, merece considerações. Com efeito, a Procuradoria traz para a discussão o tema da limitação da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas no caso de incorporação, indicando dois (2) acórdãos paradigmas para demonstrar a divergência em relação à limitação de compensação de prejuízos fiscais no caso de incorporação e um (1) acórdão paradigma para demonstrar a divergência em relação à limitação de compensação de bases negativas de CSLL no caso de incorporação. O acórdão recorrido, ao apreciar o caso veiculado nos autos, assentou entendimento no sentido de que não tem aplicação a limitação da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL da incorporada, nos casos de incorporação com extinção da pessoa jurídica incorporada. Ocorre que o acórdão indicado pela PFN como divergente do recorrido no tema da "trava dos 30%" para compensação de bases negativas de CSLL nos casos de incorporação não tratou do tema da extinção da pessoa jurídica incorporada. Naquela ocasião somente foi apreciada a questão da vedação da compensação, pela incorporadora, do estoque de bases negativas de CSLL da incorporada. Com efeito o voto proferido no Acórdão nº 910100.197, em julgamento realizado em 27/07/2009 pela Primeira Turma da CSRF, foi taxativo ao afirmar que não seria apreciado o tema da limitação de compensação de bases negativas de CSLL nos casos de extinção da pessoa jurídica. Observese o seguinte trecho do início do voto: [...] Conheço do Recurso Especial posto que atende aos requisitos legais de admissibilidade e por ter sido objeto de despacho admitindo seu prosseguimento. Esclareço, contudo, que o Recurso Especial só é conhecido em dois pontos, a saber: a) A alegada ausência de restrição da compensação das bases negativas da CSLL da incorporada pela incorporadora, antes do advento da Medida Provisória 2.15835/01, a qual só teria aplicação no caso concreto em 01/10/1999. b) O afastamento da multa de oficio, em razão da sucessão, conforme artigo 132, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, a alegação de postergação não será conhecida, por ter seu seguimento inadmitido no despacho de Fl. 458DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16095.000635/200809 Acórdão n.º 9101002.207 CSRFT1 Fl. 459 5 admissibilidade do Recurso Especial. Também não será objeto de análise a questão da possibilidade do aproveitamento integral das bases negativas quando houver extinção por incorporação, pois, apesar de ter sido alegada em Impugnação e Recurso Voluntário, não foi expressamente suscitada divergência, tampouco colacionado paradigma no Recurso Especial, razão pela qual o despacho de admissibilidade não elenca esta questão como objeto de conhecimento no Recurso Especial. E ao final do voto: Desta forma, considerando que, como dito, a matéria relacionada à utilização integral do prejuízo e da base negativa pela incorporada quando de sua extinção não é objeto deste Recurso, voto por negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte quanto à possibilidade de compensar integralmente a base de cálculo negativa da CSLL. Por tal razão, assiste razão à recorrida, ao afirmar que o recurso só pode ser admitido no que diz respeito à discussão da “trava de 30%” na compensação de prejuízos fiscais nos casos de incorporação com extinção da pessoa jurídica incorporada. No que diz respeito ao mérito, entendo que assiste razão à recorrente, vez que a Lei nº 9.065/95 é muito clara no sentido de estabelecer a trava sem qualquer exceção, senão vejamos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16095.000635/200809 Acórdão n.º 9101002.207 CSRFT1 Fl. 460 6 Se a lei ofende ou não ao art. 43 do CTN, não compete a este Colegiado tal juízo, pois é vedado a este tribunal afastar lei vigente. Contudo, apenas para título de argumentação, se a trava de 30% estivesse afastando o conceito de renda, ela não o estaria fazendo apenas para a situação de extinção da pessoa jurídica, já que no que diz respeito ao fato gerador do IRPJ/CSLL, que tem delimitação temporal, ela está limitando a compensação dos prejuízos no período, independe de qualquer evento societário. Na esteira desse raciocínio, convém trazer à colação voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, segundo o qual: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer “credito” contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa nos anos anteriores.” E é na linha da “benesse tributária” que o Supremo Tribunal Federal tem tratado a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, como se depreende dos RE 344.994/PR e 545.308/SP, e demais julgados posteriores daquele tribunal. Por oportuno, transcrevo: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não Fl. 460DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16095.000635/200809 Acórdão n.º 9101002.207 CSRFT1 Fl. 461 7 provido. ( RE 545.308, 8/10/2009, Rel. P/ acórdão Min. Cármen Lúcia) EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Demonstrações financeiras. Saldos de prejuízos fiscais do IRPJ e das bases negativas da CSLL. Natureza de benefício fiscal. Correção monetária. Revogação. Questão infraconstitucional. Ausência de previsão legal. Impossibilidade de atuação do Poder Judiciário como legislador positivo. Precedentes da Corte. 1. A questão alusiva à revogação da correção monetária pelo art. 4º da Lei nº 9.249/95 repousa na esfera da legalidade. A afronta ao texto constitucional, se ocorresse, seria meramente reflexa ou indireta. 2. Nos julgamentos do RE nº 344.994/PR e do RE nº 545.308/SP, o Tribunal concluiu que a dedução de prejuízos de exercícios anteriores da base de cálculo do IRPJ e a compensação das bases negativas da CSLL constituem favores fiscais. 3. Impossibilidade de atualização monetária do saldo a ser compensado em períodos futuros, por ausência de previsão legal. 4. Agravo regimental não provido. (AgR no RE 807.062, 2/9/2014, Rel. Min. Dias Tóffoli) É oportuno também ponderar que, se quisesse o legislador ressalvar a possibilidade de, na incorporação, permitir a compensação integral, teria feito de forma expressa, como o fez por ocasião do art. 1º da Lei nº 9.065/95, em relação às empresas inseridas no Befiex. Assim, inexiste fundamentação legal que autorize este colegiado a afastar os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 ao caso concreto. Em face do exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional apenas no tocante à inobservância à trava de 30% para compensação de prejuízos fiscais nos caos de incorporação com extinção da pessoa jurídica incorporada, e doulhe provimento integral nesta matéria. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 461DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16643.000047/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
JUROS DE MORA. VALOR DEPOSITADO EM JUÍZO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem juros de mora sobre o crédito tributário constituído em auto de infração quando houver depósito integral do valor em litígio.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a incidência de juros de mora sobre o valor depositado em juízo, mantendo a conversão do valor da base de cálculo conforme critérios adotados no Auto de Infração. Pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, para manter o gross up da base de cálculo, vencidos, neste particular, os Conselheiros Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado e Walker Araújo.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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FATO GERADOR. TRANSFERÊNCIA PARA O EXTERIOR. METODOLGIA DE APURAÇÃO. COTAÇÃO DE VENDA DA MOEDA. SEGUNDO DIA ÚTIL OU NA DATA DA OPERAÇÃO. A determinação da base de cálculo dos tributos e, por analogia, das contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal que envolvam remessa do e para o exterior considera o valor em reais da transferência, apurado com base na cotação de venda, para a moeda, no segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da operação de câmbio ou, se maior, na data da operação em si. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF. CÁLCULO POR DENTRO (GROSSUP). VALOR DO IMPOSTO RETIDO. INCORPORAÇÃO AO VALOR DA OPERAÇÃO. O valor do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre o valor pago em operação onerada pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE e retido pela fonte pagadora integra a base de cálculo da Contribuição. A metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 JUROS DE MORA. VALOR DEPOSITADO EM JUÍZO. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 47 /2 01 0- 28 Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Não incidem juros de mora sobre o crédito tributário constituído em auto de infração quando houver depósito integral do valor em litígio. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a incidência de juros de mora sobre o valor depositado em juízo, mantendo a conversão do valor da base de cálculo conforme critérios adotados no Auto de Infração. Pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, para manter o gross up da base de cálculo, vencidos, neste particular, os Conselheiros Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado e Walker Araújo. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual resultou Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 1055/1056, da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE no que tange a períodos de apuração dos anoscalendário de 2005 e 2006. O crédito tributário apresentado no Lançamento, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 26.02.2010), perfaz o total equivalente a R$ 4.811.210,62 (quatro milhões, oitocentos e onze mil, duzentos e dez reais e sessenta e dois centavos). Pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 1042/1053 a Autoridade autuante registra, em síntese, no sentido: de que a Contribuinte impetrou Mandado de Segurança, com pedido de liminar, para afastar a CIDERemessas sobre pagamentos pelo uso de licença de software e serviços técnicos decorrentes de tal licença, realizados a partir de janeiro de 2002, a autores e criadores (residentes e domiciliados no exterior) de obras imateriais, “conforme contrato de licença celebrado em 01/09/1996 e suas atualizações” (fl. 1043, v.); de que a liminar foi indeferida e a segurança denegada; de que o Tribunal Regional Federal da 3ª Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16643.000047/201028 Acórdão n.º 3302003.052 S3C3T2 Fl. 3 3 Região atendeu parcialmente à Autora, não tendo ocorrido trânsito em julgado até a data da lavratura do Termo de Verificação Fiscal; de que por documentos apresentados pela Fiscalizada, verificase que houve a realização de depósitos judiciais; de que em relação ao anocalendário de 2005 as remessas efetuadas pela Contribuinte a título de royalties e remuneração – licenciamento de software – e de assistência técnica estão sujeitas à CIDE, sendo devida a contribuição, sem vinculação com transferência de tecnologia, por pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto assistência técnica, administrativa e semelhantes; de que em relação ao anocalendário de 2006 somente foram selecionadas para cálculo as importâncias equivalentes a manutenção e assistência técnica; de que a base de cálculo da CIDE deve ser recomposta pela incorporação do IRRF e do ISS, considerando ocorrido o fato gerador no mês em que houve a remessa aplicando a taxa de câmbio de que trata a Instrução Normativa SRF 41/99 e nos arts. 3º e 4º da Lei 9.816/99; e de que o crédito tributário está suspenso devido ao Mandado de Segurança e a depósito em montante integral. O Lançamento foi impugnado (fls. 1060/1092) alegando a Interessada, em síntese, no sentido: de que o Lançamento desatendeu ao art. 10 do Decreto 70.235/72, pois na determinação da exigência fiscal, mediante a correta indicação da base de cálculo da exação e aplicação da alíquota prevista na legislação, houve grave erro a implicar em nulidade do feito; de que, de fato, o critério utilizado pela Fiscalização, identificando o valor líquido em dólar americano dos contratos de câmbio fechados pela Impugnante para remessas das remunerações de “software” e assistência técnica e utilizando taxa de conversão da moeda norteamericana para a nacional – entre outros passos que cita –, pode parecer razoável, mas não o é, isso porque a remuneração pelas licenças de “software” corresponde a uma parcela das receitas obtidas pela Impugnante em reais; de que a Fiscalização busca em vão justificar sua metodologia de cálculo através de um interpretação do art. 3º da Lei 9.816/99 e do art. 1º da Instrução Normativa 41/99, uma vez que tais normas versam sobre a determinação em reais de transferências internacionais quando o valor original dessas transferências está expresso em moeda estrangeira; de que o equívoco da Fiscalização em aplicar a Lei 9.816/99 seria por si só razão suficiente para revelar a nulidade do Lançamento; de que a “base de cálculo ‘reajustada’ da CIDE” (fl. 1066) “não encontra amparo na legislação” (fl. 1067), estando em desacordo com a Lei 10.168/2000 e respectiva regulamentação; de que “fica clara a impossibilidade de reajustamento da base de cálculo da CIDE, mesmo nos casos em que o ‘grossup’ é realizado para fins de cálculo do IRRF” (fl. 1067), conforme decisões proferidas em processos de consulta elaborados perante Superintendência da Receita Federal; de que “o mérito do presente lançamento fiscal está sendo discutido nos autos do Mandado de Segurança n.º 2005.61.00.0282544, sendo que a decisão final a ser proferida nos autos dessa ação judicial certamente determinará o desfecho do presente processo administrativo” (fl. 1070), mas que, como diz, “De qualquer forma, (...) sumariza (...) as razões da improcedência do lançamento fiscal, demonstrando a impossibilidade de exigência de CIDE sobre remuneração por licença de uso de software e por assistência técnica sem transferência de tecnologia” (fl. 1070); de que é incabível a exigência fiscal da CIDE sobre pagamentos efetuados pela Impugnante à BMC Software Inc. a título de remuneração por licença de uso de “software” e assistência técnica, porquanto tais pagamentos não podem ser caracterizadas como “royalties”, assim como pagamento por licença de uso de “software” também não se confunde “com pagamento por licença ou uso de marca ou mesmo licença de exploração de patente ou fornecimento de tecnologia” (fl. 1074); de que pagamentos por licença de uso de “software” e assistência técnica não redundam em incidência da CIDE, pois a Impugnante não fica configurada, no caso, como sujeito passivo dessa contribuição, visto que a mesma “não é detentora da licença de uso do software, já que tão Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 somente comercializa e licencia o software produzido no exterior a clientes brasileiros” (fl. 1088); de que a Impugnante não é adquirente de conhecimentos tecnológicos; de que o contrato entre a Impugnante a BMC Software Inc.não implica transferência de tecnologia; de que, adicionalmente, a guerreada tributação aponta para a inobservância do regime jurídico constitucionalmente delineado para a incidência da CIDE, com abalo aos “Princípios da Legalidade, da Segurança Jurídica e, mais especificamente, da Referibilidade das Contribuições” (fl. 30); e de que são indevidos juros moratórios quando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário advém de depósito judicial. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE. DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A submissão de matéria à tutela do Poder Judiciário importa em renúncia ou desistência da via administrativa. Descabe à instância julgadora administrativa pronunciarse sobre matéria levada pelo contribuinte ao Poder Judiciário. ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Descabem ser apreciados no julgamento administrativo argumentos de inconstitucionalidade. MOEDA ESTRANGEIRA. Sendo o beneficiário no exterior remunerado em moeda estrangeira, através da contratação de operação de câmbio, a determinação da base de cálculo da CIDE/Remessas deve ser conduzida levando em conta a cotação da moeda estrangeira. CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. JUROS. Os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Paralelamente, o regular depósito judicial convertido em renda da União favorece o sujeito passivo, a partir da data em que foi efetuado, contra a fluência dos juros de mora. AÇÃO JUDICIAL. ADAPTAÇÃO À COISA JULGADA. Diante de ação judicial, cabe à Unidade administrativa jurisdicionante do contribuinte adaptar à coisa julgada o crédito tributário, se for o caso, fazendo os Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16643.000047/201028 Acórdão n.º 3302003.052 S3C3T2 Fl. 4 5 ajustes administrativos porventura necessários ao cumprimento das decisões judiciais aplicáveis. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No mérito, deixa de defender a incidência de Cide sobre a remuneração pelo uso de licença de Software e serviços correlatos e reprisa, para os demais assuntos, os argumentos presentes na impugnação ao lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A Recorrente esclarece em sede de recurso. (...) Considerando que a decisão final a ser proferida nos autos dessa ação judicial determinará o desfecho do presente processo administrativo com relação à incidência da CIDE sobre remuneração pelo uso de licença de software e serviços correlatos, a Recorrente, por medida de economia processual, deixa de tecer argumentos a esse respeito no presente Recurso Voluntário. (...) Dessa forma, concluise que o presente Recurso Voluntário versa, tão somente, sobre elementos que na remota hipótese de uma decisão judicial desfavorável aos interesses da Recorrente no que diz respeito à incidência da CIDE poderão gerar impacto no valor lançado de ofício, fato este que torna imperativo o conhecimento da questão em disputa por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Delimitada a amplitude da lide, enfrentamse as questões arguídas pela defesa perante este Conselho. Preliminar de nulidade do Auto de Infração A Recorrente considera ausentes alguns dos elementos do artigo 10 do Decreto 70.235/72 (e alterações posteriores). Explica que tal fato é identificado na quantificação da base de cálculo da Contribuição, pois o valor da remuneração dos software é determinado originalmente em Reais e é desta forma lançado na contabilidade; assim, "considerando que as receitas da Recorrente são em Reais, valor da remuneração devida à BMC Software Inc. também é, originalmente, em Reais. Ataca o interpretação empreendida pelo Fisco. Referindose à base legal sob amparo da qual o Fisco chegou às suas conclusões, assevera. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 A despeito de a Recorrente não contestar a validade dessas normas, é evidente que elas versam sobre a determinação do valor em Reais de transferências internacionais quando o valor original dessas transferências está expresso em moeda estrangeira. Ou seja, essas regras determinam a metodologia para obtenção do valor em Reais correspondente a operações originalmente realizadas em outras moedas, de forma que seja possível apurar a base de cálculo e o valor do tributos devidos no Brasil. A Recorrente referese ao artigo 3º da Lei 9.816/99 e art. 1º da IN SRF 41/99. Reproduzo a seguir os artigos 3º e 4º da Lei 9.816/99, que, a meu sentir, são suficientes para a solução da controvérsia. Art. 3o Para fins de determinação da base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si. Art. 4o A Secretaria da Receita Federal, no âmbito de sua competência, expedirá normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. O que se percebe, é que há definição legal expressa de que a base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal será determinada pelo valor em reais das transferências do e para o exterior apurado pela cotação de venda da moeda válida para o segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação do câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si. O argumento de que tal disposição só aplica quando o valor original dessas transferências está expresso em moeda estrangeira, até quanto se sabe, não conta com nenhum amparo legal, constituindose em mera opinião do contribuinte a respeito do que considera ser a correta interpretação da norma legal. Contudo, a interpretação que pretende impõe um limite de validade ao conteúdo normativa que, sem supedâneo legal, não pode ser aceito. A menos que houvesse expediente legal regulamentando em sentido contrário, aplicase o critério definido na Lei 9.816/99 a toda base tributária imponível em operação que envolva transferências para o exterior, sem exceção. Ainda mais, no caso da CIDE, o valor efetivamente pago é, sem dúvida, o que foi considerado pela Fiscalização Federal. No que se refere ao Gross UP da base de cálculo, de início, julgo pertinente reproduzir o estudo desenvolvido por Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi, no Livro Imposto de Renda das Empresas, Interpretação e Prática1. BASE DE CÁLCULO DA CIDE NA ASSUNÇÃO DO IRRF Dúvidas têm surgido na remessa de rendimentos, ao exterior, sujeitos ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE quando a fonte pagadora assumiu o ônus do imposto de renda na fonte. Para resolver a dúvida é necessário examinar a natureza da despesa representada pelo imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora de rendimentos. 1 HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas, Interpretação e Prática. IR Publicações Ltda. 2005. 30ª Edição. São Paulo. Pg. 818 Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16643.000047/201028 Acórdão n.º 3302003.052 S3C3T2 Fl. 5 7 O § 3º do art. 344 do RIR/99 dispõe que a dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do Imposto. A redação é infeliz porque quando a fonte pagadora do rendimento não assumir o ônus do imposto de renda não há que falar da dedutibilidade ou indedutibilidade do tributo. A origem daquele parágrafo está no Parecer Normativo CST nº 2/80 cuja ementa diz: Integra o montante do custo ou despesa, e como tal é dedutível, o imposto de renda devido na fonte quando a pessoa jurídica assuma o ônus do imposto e o rendimento pago ou creditado a terceiro seja dedutível como custo ou despesa. Quando a fonte pagadora de rendimentos assumir o ônus do imposto de renda, a legislação considera o tributo como parte integrante do rendimento pago ou creditado. Se pagou royalty e assumiu o imposto, este é considerado parte integrante de royalty. Se pagou remuneração de serviços técnicos e assumiu o imposto, este é parte integrante daquela remuneração. Como o imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos passa a ter a mesma natureza do rendimento pago, a dedutibilidade ou indedutibilidade do imposto de renda assumido depende da natureza da despesa. Com isso, se pagou royalty dedutível, o imposto de renda assumido também é dedutível a título de royalty. Se a legislação do imposto de renda considera o imposto assumido pela fonte pagadora de rendimento como despesa de mesma natureza da despesa paga, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE é o rendimento líquido pago acrescido do imposto de renda assumido pela fonte pagadora, independente da dedutibilidade da despesa. O § 3º do art. 2º da lei nº 10.168/00, com nova redação dada pelo art. 6º da Lei nº 10.332, de 191201, dispõe que a contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. Nas expressões valores pagos ou creditados está compreendido o valor do imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos. Isso porque o art. 123 do CTN dispõe que salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 correspondentes. Isso significa que o sujeito passivo do imposto de renda na fonte é sempre o beneficiário do rendimento, salvo disposição de lei em contrário. Nos pagamentos sujeitos à CIDE a alíquota do imposto de renda é sempre de 15%, salvo no caso de beneficiário residente no Japão e o rendimento enquadrar na alíquota de 12,5%. Assim, no pagamento de R$ 500.000,00 de royalty pela licença de exploração de patente, com imposto de renda assumido pela fonte pagadora, a base de cálculo da CIDE será de: 500.000,00 ÷ (100 15) = R$ 588.235,29 A alíquota de CIDE de 10% incidirá sobre o rendimento reajustado de R$ 588.235,29. É interessante notar que o ônus tributário modificou de acordo com as cláusulas contratuais existentes entre o beneficiário do rendimento e a fonte pagadora. Se o ônus do imposto de renda na fonte era do beneficiário do rendimento na forma da lei, este passou a ter menor ônus porque a alíquota do imposto foi reduzida de 25% para 15%. O ônus da fonte pagadora aumentou com a instituição da CIDE à alíquota de 10%. Se o ônus do imposto de renda era por conta da fonte pagadora, não houve alteração para o beneficiário do rendimento, mas houve pequena redução da carga tributária para a fonte pagadora. Isso porque, na remessa de R$ 75.000,00 o imposto de renda na fonte à alíquota de 25% era calculado sobre o rendimento reajustado de R$ 100.000,00 que resultava no imposto de R$ 25.000,00. Com a redução da alíquota do imposto de renda para 15% o rendimento reajustado passa para R$ 88.235,29. Neste caso, o imposto de renda à alíquota de 15% resulta em R$ 13.235,29 enquanto a CIDE à alíquota de 10% resulta em R$ 8.823,52 cuja soma resulta em R$ 22.058,81 em vez de R$ 25.000,00 quando não tinha CIDE. Como se percebe, o valor do Imposto de Renda retido na fonte, para efeitos fiscais, integra o ônus suportado por quem paga. Com efeito, esse critério está de acordo com a lógica por detrás do sistemática de cálculo desse tributo, como a seguir demonstro. No cálculo do IRRF, o critério adotado, conhecido como grossup, parte da premissa de que o valor do tributo devido está dentro do valor contratado. É que, se o que se calcula é o imposto de renda que incide sobre o total da renda, o cálculo deve ser feito de tal sorte que, após deduzido o valor do Imposto, a renda permaneça sendo aquela avençada. Por exemplo, se no contrato está previsto o preço de R$ 100,00, para que seja possível reter os 15% do valor do IRRF devido, preservando o valor original, é preciso considerar que esses R$ 100,00 são apenas 85% do valor, sob pena de verse modificado o preço transacionado2. Demonstrando. 2 Toda essa lógica aplicase, igualmente, ao ISS. Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16643.000047/201028 Acórdão n.º 3302003.052 S3C3T2 Fl. 6 9 Se simplesmente se aplica a alíquota de 15% sobre o valor de R$ 100,00, considerando que o valor total do Imposto integra a renda, a transação passa a ser de R$ 115,00. Só que, daí, se o valor do negócio é de R$ 115,00, aplicandoselhe a alíquota de 15%, chegase a um Imposto de R$ 17,15, o que reduz irremediavelmente o valor líquido da remessa. É por esta razão que, nas operações em que se paga um tributo ou contribuição que é de responsabilidade de terceiro, necessariamente será preciso fazer cálculo popularmente conhecido como cálculo por dentro, da seguinte forma. Valor contratado = Base de cálculo do IRRF 0,85 (100% 15% ou 1 0,15) No exemplo anterior, temse: R$ 100,00 = R$ 117,65 0,85 Esse valor multiplicado pela alíquota do Imposto de Renda (15%) resulta em R$ 17,65, que, subtraídos do valor "grosapado" (R$ 117,65), retorna o valor de R$ 100,00, não modificando em nada o valor da remessa líquida. Essa é uma lógica que só pode ser aplicada para tributos e contribuições que oneram terceiro e que devam ser retidos por quem paga o valor contratado. Por outro lado, como se viu, quando a operação tiver essas características, essa metodologia de cálculo precisa necessariamente ser aplicada. Com base nessas considerações, chegase à conclusão que, nas poucas situações em que o cálculo do tributo deve ser feito "por dentro", esse tributo necessariamente passa a compor o valor da operação. A revisão do valor do valor da operação nos termos em que aqui se discute tem repercussão contábil ampla e definitiva. Para todos os efeitos, tanto na apropriação contábil do gasto, como leciona Hiromi Higuchi, quanto na definição da base imponível, o valor considerado será o majorado, pois a expressão contábil da operação foi, para todos efeitos, acrescido do valor do imposto retido. Juros de mora No que se refere à incidência de juros de mora sobre o valor do crédito constituído, forçoso aplicar a Súmula CARF nº 5. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Uma vez que não haja nos autos notícia de que o valor depositado não seja integral, devem ser excluídos do auto de infração os juros moratórios3. 3 De fato, a Fiscalização Federal afirma textualmente no Termo de Verificação Fiscal que os depósitos foram feitos pelo valor integral, nos seguintes termos. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 VOTO pela rejeição da preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir do crédito lançado o valor correspondente aos juros de mora. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator "Pelos documentos apresentados, a contribuinte depositou integralmente os valores referentes às quatro remessas analisadas nesta fiscalização." Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10860.720992/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. SALDO DEVEDOR.
Restando configurado o lançamento por homologação com pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Tratando-se de exigência fiscal de saldo devedor de IPI apurado no confronto de débitos e créditos na sistemática da não cumulatividade, considera-se ocorrido o fato gerador, para fins de contagem do prazo decadencial, no encerramento do período de apuração desse tributo.
SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS.
É vedado ao estabelecimento industrial apropriar-se de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto.
DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-002.857
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro que deram provimento parcial para reverter as glosas dos créditos por devolução. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. SALDO DEVEDOR. Restando configurado o lançamento por homologação com pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Tratando-se de exigência fiscal de saldo devedor de IPI apurado no confronto de débitos e créditos na sistemática da não cumulatividade, considera-se ocorrido o fato gerador, para fins de contagem do prazo decadencial, no encerramento do período de apuração desse tributo. SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriar-se de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto. DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro que deram provimento parcial para reverter as glosas dos créditos por devolução. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. SALDO DEVEDOR. Restando configurado o lançamento por homologação com pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, §4º do CTN, operandose em cinco anos, contados da data do fato gerador. Tratandose de exigência fiscal de saldo devedor de IPI apurado no confronto de débitos e créditos na sistemática da não cumulatividade, considerase ocorrido o fato gerador, para fins de contagem do prazo decadencial, no encerramento do período de apuração desse tributo. SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto. DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 09 92 /2 01 3- 41 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro que deram provimento parcial para reverter as glosas dos créditos por devolução. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'Anna de Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e multa de ofício, lavrado pela fiscalização da DRFTaubaté/SP, em 28/06/2013, no montante de R$ 3.086.307,74, em face das seguintes irregularidades: 1) créditos básicos indevidos relativos a componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças de produtos autopropulsados, que deveriam ter sido adquiridos com suspensão, conforme disposto no art. 5º da Lei nº 9.826/99 com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 10.485/2002; 2) créditos indevidos relativos a devolução e retorno de produtos em razão da não comprovação dos créditos através do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente; A autuada apresentou impugnação, solicitando a realização de diligência e perícia e aduzindo, conforme consta no relatório da decisão recorrida, que: 1) Decadência tendo em vista que foi cientificada da autuação somente em 28/06/2013, os créditos escriturados até o dia 27/06/2008 não podem mais ser objeto de glosa, uma vez ter operado a decadência do direito de exigilos. 2) Créditos de devoluções e retornos Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10860.720992/201341 Acórdão n.º 3402002.857 S3C4T2 Fl. 395 3 relata o autuante que a impugnante procede comprovadamente o lançamento das notas fiscais de devolução no Livro de Registro de Entradas, que as mercadorias devolvidas referemse a produtos com saída para demonstração e produtos devolvidos por apresentação de problemas técnicos; a fiscalização consigna que a impugnante procede o controle de estoque por “sistema interno” sendo, no caso de veículos, individualizados pelo número de chassi e pelo custo total de sua fabricação; possui controles contábeis que refletem os retornos dos produtos ao estoque no respectivo mês; em relação ao retorno ao estoque dos produtos objeto de notas fiscais canceladas, restou demonstrado a apresentação de todos os originais dos documentos fiscais e os lançamentos contábeis comprobatórios do cancelamento desses efeitos fiscais; consta nos autos que a fiscalização constatou pelos originais dos documentos fiscais o cancelamento dos mesmos mediante carimbo; o direito ao crédito por força de retorno é conferido quando comprovada a escrituração das devoluções e efetuado o controle de estoque por outro meio que não somente pelo Livro de Registro do Controle de Estoque; 3) Aquisições de insumos tributados para fabricação de veículos não escritura créditos decorrentes da aquisição de insumos beneficiados com suspensão do IPI; os créditos escriturados correspondem à aquisição de insumos cujas entradas foram tributadas pelo IPI; a relação de notas fiscais que constituem o Anexo 18 “b” foi elaborada por determinação da fiscalização, mas, em absoluto, corresponde às operações de entrada de insumos que a impugnante teria escriturado crédito de IPI; contesta que tenha escriturado o crédito no valor de R$ 729.828,89 e neste ponto requer a realização de diligência/perícia para que fique demonstrada a veracidade desta sua afirmação; os créditos de IPI que escriturou correspondem a aquisições de insumos de outra natureza, indicados no Anexo 18 “a”, que não aqueles a que se refere a Lei nº 10.485/2002; os insumos tributados adquiridos não são componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados, que a Lei nº 10.485/2002 contemplou com suspensão do IPI; inegável que estas operação são tributadas pelo IPI e o valor do tributo destacado constitui crédito a ser escriturado pela impugnante; caso eventualmente tivesse sido deixado de observar a obrigatória suspensão, o que se assume para argumentar, ainda assim seria de rigor o cancelamento do lançamento, uma vez que a impugnante creditouse do imposto debitado pelo seu fornecedor na operação de venda do produto, inexistindo prejuízo ao Erário com o procedimento adotado; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 em relação às notas fiscais nº 60.176, de 13/06/2008 e 60.393 e 60.404, de 25/06/2008, contesta a glosa porque não foi indicado no lançamento de ofício qual teria sido o dispositivo legal infringido e por falta de fundamento legal para a glosa; 4) Pedido de diligência e perícia requer a realização de diligência para que seja apurado o efetivo controle de estoque e escrituração dos produtos que retornaram ao estabelecimento; requer a realização de perícia técnica para demonstrar que não escriturou os créditos de R$ 729.828,89 que constam do Anexo 18 “b”; protesta pela oportuna juntada de laudo técnico cuja elaboração já foi por ela requerida a órgão técnico. Por fim, requer que seja decretada a decadência do direito da Fazenda proceder à glosa dos créditos apurados até 12/05/2008, que seja julgada inteiramente improcedente a autuação e que seja deferida a realização de prova pericial técnica, contábil e documental. Mediante o Acórdão nº 1450.463, de 28 de maio de 2014, a 12ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. É correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo, pois não ocorre fato gerador do tributo no momento do creditamento. O uso indevido do crédito é que gera consequências tributárias, pois ao usálo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para o lançamento de débitos decorrente desta glosa. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10860.720992/201341 Acórdão n.º 3402002.857 S3C4T2 Fl. 396 5 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, com saída do fornecedor prevista na hipótese obrigatória de suspensão do imposto. CRÉDITOS RELATIVOS A DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU DE SISTEMA EQUIVALENTE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente. A contribuinte foi regularmente cientificada do Acórdão de primeira instância, pela abertura do arquivo correspondente no sistema eprocesso em 13/06/2014, tendo apresentado Recurso Voluntário, em 14/07/2014, mediante o qual requer a realização de diligência e perícia e alega, em síntese: i) Decadência dos créditos escriturados até 27.06.2008 ii) Legalidade dos créditos decorrentes das devoluções/retornos iii) Legalidade dos créditos decorrentes das aquisições de insumos tributados É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimos representantes da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. i) Preliminar de decadência dos créditos escriturados até 27.06.2008 Insurgese a recorrente contra o entendimento manifestado na decisão recorrida de que o prazo de homologação do lançamento contarseia da data do recolhimento do IPI e não da escrituração do crédito. Aduz a recorrente que, se os créditos decorrentes das entradas por devoluções foram escriturados até o dia 27/06/2008, a glosa dos mesmos e a sua consequente exigência teriam como marco inicial para a contagem do prazo decadencial as datas efetivas de cada operação de entrada e não a data do encerramento do período de apuração ou do vencimento do tributo. Assim, no que concerne à decadência, é matéria controversa nos autos apenas o marco inicial para fins de contagem do prazo decadencial previsto no art. 150, §4° do CTN. Cabe destacar que a hipótese em análise tratase de exigência tributária decorrente da glosa de créditos de IPI, para a qual não há previsão legal expressa para a definição desse momento, eis que não está definido o momento exato da "ocorrência do fato gerador" referido pelo art. 150, §4° do CTN, pois, em verdade, tratase da exigência de um saldo de tributo a pagar no período que não pode ser quitado pelo crédito escritural glosado. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Como se sabe, o princípio da não cumulatividade do IPI é exercido por meio de uma sistemática de apuração denominada “sistema de créditos”, disciplinada pelo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), nos arts. 163 a 198, mediante a qual, ao fim de cada período de apuração, o contribuinte procede ao confronto entre os débitos do imposto incidentes nas operações de saída (fatos geradores) de produtos tributados do estabelecimento contribuinte (industrial ou equiparado) e os créditos admitidos, decorrentes das operações de entrada de insumos, resultando desse confronto, ao final do período de apuração, um saldo credor ou devedor do IPI. Desse confronto, duas situações podem ocorrer: a) restar débito remanescente (saldo devedor do imposto), devendo o contribuinte providenciar recolhimento ou compensação nos moldes da legislação de regência; ou b) resultar crédito (saldo credor do imposto), cujo valor será transferido para o período de apuração seguinte, sendo que o montante do saldo credor acumulado ao final do trimestrecalendário será passível de ressarcimento/compensação, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Desta forma, os valores de IPI incidentes nas saídas tributadas realizadas pelo sujeito passivo não podem, de imediato, constituirse em créditos tributários da União. Isso porque, pela sistemática constitucional da não cumulatividade, as saídas tributadas se conformam em débitos do imposto, de natureza escritural, que devem ser, portanto, registrados na escrita fiscal e confrontados, no período de apuração, com os créditos escriturais admitidos. Sendo assim, somente no encerramento do período de apuração é que se torna possível à fiscalização apurar, e constituir em lançamento, eventual saldo devedor do imposto pelo confronto entre os débitos e os créditos admitidos que constam registrados na escrita fiscal. Razão pela qual entendo que se coaduna com o melhor direito a interpretação de que se considera ocorrido o fato gerador, para fins de contagem do marco inicial para o prazo de decadência previsto no art. 150, §4° do CTN, a data de encerramento do período de apuração, eis que, somente neste momento poderia a fiscalização apurar e exigir o débito do contribuinte, o qual se trata de um saldo de imposto a pagar no período em face das glosas perpetradas. De outra parte, não me parece razoável a interpretação proposta pela recorrente de que a contagem do prazo decadencial iniciarseia das datas efetivas de cada operação de entrada/devolução que deu origem aos créditos escriturados, posteriormente glosados, vez que o objeto da exigência fiscal é o saldo de débitos tributários no período, o qual não pode ser quitado com o crédito escritural glosado, e não este último, que não tem natureza de tributo e nem é, obviamente, objeto da exigência fiscal. Em outras palavras, a decadência operase sobre o saldo devedor do IPI e não sobre cada qual dos débitos do IPI atinentes às pontuais saídas (vendas) tributadas ou sobre cada qual dos créditos escriturais não admitidos pela legislação tributária, indevidamente aproveitados pelo sujeito passivo e glosados pelo Fisco. Assim, afigurase melhor a interpretação para o marco inicial da decadência que leva em consideração o momento em que se pode apurar o saldo de débito do tributo, pois Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10860.720992/201341 Acórdão n.º 3402002.857 S3C4T2 Fl. 397 7 é somente a partir daí que o Fisco pode, efetivamente, agir para exigir o saldo remanescente do tributo devido no período mediante o lançamento de ofício. Por essas razões, entendo que não merece reparo a decisão recorrida na parte em que considerou não ter havido decadência no presente caso, tendo em vista que o período de apuração do IPI encerrouse em 30/06/2008 e a recorrente foi cientificada do lançamento em 28/06/2013. ii) Dos créditos decorrentes das devoluções/retornos A recorrente foi intimada pela fiscalização por várias vezes a comprovar a legitimidade dos créditos registrados nas notas fiscais de devolução e retorno, nos termos do art. 169, caput e II e arts. 172 e 173 do RIPI/2002, demonstrando os respectivos retornos ao estoque produtivo com a escrituração dessas no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, este em conformidade com o art. 388 do RIPI/2002. Em respostas às intimações, a contribuinte informou que: "os retornos realizados na contabilização do contribuinte acima são identificados através do número do chassi e pelo custo total de fabricação (Controle Estoque)"; as saídas/cancelamentos (retornos) são contabilizados através de contas contábeis específicas, pela totalidade de operações ocorridas no respectivo mês, sendo as operações identificadas pela sua individualidade pelo número do chassi e que suas operações são registradas em "sistemas internos". Observou a fiscalização que as notas fiscais de entrada das devoluções não possuíam nenhuma indicação sobre o retorno do produto ao estabelecimento, seja anotação da transportadora, assinatura de funcionário ou chancela de portaria; de forma que, de forma incomum, a contribuinte teria recebido os produtos (veículos) em retorno da transportadora sem que fosse consignado nos documentos fiscais a data, a hora, ou o responsável pela entrega e pela recepção. Tendo sido também intimada para esclarecer como o seu sistema interno atenderia às normas atinentes, a contribuinte apresentou a resposta genérica de que a legitimidade dos créditos ocorreria através da escrituração de notas fiscais de vendas/retornos nos seus livros fiscais e demais procedimentos previstos na legislação. Em resposta a outra intimação nesse sentido, para indicar onde, no seu sistema interno, estariam os dados/informações previstos nas normas regulamentares; a contribuinte informou apenas que as operações seriam individualizadas pelo chassi do veículo. Constatou a fiscalização, que os "sistemas internos" que a contribuinte possuía para legitimar seus créditos por devoluções/retornos, consubstanciaria em meras cópias de folhas do Registro de saídas, do Registro de Entradas, de registros totalmente indistintos de valores inscritos no livro Diário (registros contábeis de saídas/retornos) e de planilhas Excel, com dados incongruentes, conforme exemplos citados pela fiscalização. Assim, entendeu a fiscalização que as planilhas e documentos apresentados não atenderiam aos requisitos dispostos no art. 388 do RIPI/2002. A exigência de comprovação de regresso da mercadoria ao estoque produtivo pela escrituração no livro Registro de Entradas e no livro Registro de Controle da Produção e Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 do Estoque ou em sistema equivalente encontra fundamento nos arts. 169, II, "b", 171, 172 e 173 do RIPI/2002: Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências ( Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): I pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem assim indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; e II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388; e c) prova, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição do mesmo, ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à volta do produto, pertencente a terceiros, ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, exclusivamente para conserto. Art. 171. Se a devolução do produto for feita a outro estabelecimento do mesmo contribuinte, que o tenha industrializado ou importado, e que não opere exclusivamente a varejo, o que o receber poderá creditarse pelo imposto, desde que registre a nota fiscal nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388. Art. 172. Na hipótese de retorno de produtos, deverá o remetente, para creditarse do imposto, escriturálo nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388, com base na nota fiscal, emitida na entrada dos produtos, a qual fará referência aos dados da nota fiscal originária. Art. 173. Produtos que, por qualquer motivo, não forem entregues ao destinatário originário constante da nota fiscal emitida na saída da mercadoria do estabelecimento, podem ser enviados a destinatário diferente do que tenha sido indicado na nota fiscal originária, sem que retornem ao estabelecimento remetente, desde que este: I emita nota fiscal de entrada simbólica do produto, para creditarse do imposto, com indicação do número e data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto nela destacado, efetuando a sua escrituração nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388; e II emita nota fiscal com destaque do imposto em nome do novo destinatário, com citação do local de onde os produtos devam sair. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10860.720992/201341 Acórdão n.º 3402002.857 S3C4T2 Fl. 398 9 Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação. [grifos da Relatora] Na impugnação e no recurso voluntário, a recorrente sustentou a legitimidade do seu sistema equivalente de controle de estoque, eis que: i) emite a nota fiscal de saída e registra no livro Registro de Saída; ii) emite nota fiscal de entrada com o respectivo registro no livro Registro de Entrada; iii) procede o controle de estoque por meio de sistema eletrônico com a individualização dos produtos, no caso dos veículos, pelo número de chassi e valor; iv) possui controles contábeis que refletem os retornos dos produtos ao estoque no respectivo mês, bem como v) por meio de contas contábeis específicas (doc. nº 2), comprova o efetivo controle por sistema quantitativo em substituição ao Livro modelo 3. Embora a recorrente possa, eventualmente, comprovar cada item devolvido ou retornado ao estoque por outros meios de prova, deixou de fazer a escrituração das notas fiscais no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, que é uma das exigências dispostas no Regulamento do IPI para o direito ao crédito decorrente da devolução ou retorno. Conforme registrou Antonio Bezerra Neto (Coords. PEIXOTO, Marcelo Magalhães; DOMINGO, Luiz Roberto. Regulamento do IPI: imposto sobre produtos industrializados: anotado e comentado. São Paulo: MP ed., 2008, p. 329), em comentário ao art. 167 do RIPI 2002, o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias está condicionado ao cumprimento da referida obrigação acessória, não sendo suficiente os lançamentos correspondentes nos livros de entradas, de saídas, diário e razão: (...) Cabe ainda registrar que os elementos indicando operação de devolução ou retorno das notas fiscais de saída do estabelecimento e de devolução (ou de entrada), assim como os correspondentes registros nos livros de entradas, de saídas, diário e razão, à evidência, não se identificam com quaisquer sistemas de controle de produção e de estoque, que é meio essencial para desvendar a articulação entre as matériasprimas e de produto acabado indispensável para garantir que os produtos decorrentes de devoluções ou retornos de fato reintegraram ao estoque. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Outra não foi a razão da escolha pelo regulamento da aludida obrigação acessória para integrar o conjunto de provas autorizadas na lei para o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias. (...) Nesse mesmo sentido, foi o voto do Relator Antônio Bueno Ribeiro do Segundo Conselho de Contribuintes, no processo n° 13807.013218/9902, Acórdão n°: 202 15.642, julgado em 16/06/2004: (...) Assim é que a norma regulamentar (RIPI/82, art. 86, à época dos fatos) [norma que prosseguiu vigente no RIPI/2002] dispõe que o direito ao crédito do imposto está condicionado ao cumprimento de determinados procedimentos, dentre outros o de registrar as devoluções ou retornos no Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque (modelo 3), facultado a adoção de fichas substitutivas (art. 281) ou de equivalente sistema de controle da produção e do estoque (art. 283). Esse registro, como salientado pela decisão recorrida, é elemento essencial para a comprovação da reinclusão no estoque do produto devolvido ao estabelecimento, de sorte a prevenir possíveis simulações de devolução. Nos autos a Recorrente considera que a não escrituração do livro modelo 3 e as outras impropriedades assinaladas pela fiscalização acerca do documentário fiscal atinente às indigitadas devoluções como mera infrações formais incapazes de obstar o direito ao crédito expresso no art. 84 do RIM/82, em consonância com o princípio da nãocumulatividade que informa o IPI. Demais disso enfatiza que o conjunto de elementos que conseguiu reunir e anexou à impugnação (fls. 197/596) se revela consistente para provar as operações de devolução e retorno de mercadorias e apresenta cumprimento a requisitos formais suficientes à manutenção do crédito de IPI discutido, servindo de sistema de controle da produção e do estoque equivalente àquele do livro modelo 3, o que se alinharia à jurisprudência deste Conselho no sentido de admitir a comprovação das devoluções de mercadorias por meios alternativos (Acórdão CSRF/02 0.818; Acórdãos n's 62.129/84 e 20208.872). De pronto cabe registrar que tais elementos indicando por operação de devolução ou retorno as notas fiscais de saída do estabelecimento e de devolução (ou de entrada), assim como os correspondentes registros nos livros de entradas, de saídas, diário e razão, à evidência, não se identificam com quaisquer sistemas de controle de produção e de estoque, que, repitase, é meio essencial e expedito para desvendar a articulação entre as movimentações de matériasprimas e de produto acabado indispensável para garantir que os produtos decorrentes de devoluções ou retornos de fato reintegraram ao estoque. Outra não foi a razão da escolha pelo regulamento da aludida obrigação acessória para integrar o conjunto de provas autorizadas na lei para o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10860.720992/201341 Acórdão n.º 3402002.857 S3C4T2 Fl. 399 11 (...) Assim, pelas razões acima, entendo que a autuação deve ser mantida no que concerne aos créditos decorrentes das devoluções e retorno de produtos. iii) Dos créditos decorrentes das aquisições de insumos tributados Nesta parte, sustenta a recorrente que o regime da suspensão teria sido aplicado indevidamente aos produtos por ela adquiridos, vez que não se tratariam daqueles especificados no art. 5º da Lei nº 9.826/99, com a redação alterada pela Lei nº 10.845/2002. A leitura do art. 5º da Lei nº 9.826/99, abaixo transcrito, não deixa margem à dúvida de que as posições tarifárias mencionadas no dispositivo referemse aos produtos autopropulsados e não aos "componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças" desses primeiros, os quais devem ser objeto de aquisição com suspensão do imposto: Art. 5o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial.(Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 1o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial.(Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 2o A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente:(Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados;(Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI.(Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 3o A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial.(Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 4o Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão do IPI’ com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) [Grifos da Conselheira Relatora] Conforme se vê no § 4o acima, é obrigatória a saída do produto com suspensão do tributo do estabelecimento fornecedor, sendo expressamente "vedado o registro do imposto nas referidas notas". Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 A recorrente apenas alega, mas não apresenta novas provas, que os produtos tributados, constantes no Anexo 18a, não seriam do mesmo gênero daquelas referidas na lei, que deveriam sair do estabelecimento fornecedor com suspensão. Conforme informou a fiscalização no Relatório Fiscal, não obstante a contribuinte tenha informado, desafortunadamente, o mesmo código NCM para todos os produtos, com a "descrição da mercadoria" e "descrição complementar da mercadoria" é possível identificar as suas características fundamentais como "componentes, acessórios, partes e peças" de/para veículos automotores, como, por exemplo, "painel lateral externo", "painel externo tampa D", "painel int.", "painel externo porta E/D" e "paralama dianteiro E". Sustenta também a recorrente que, ainda que, por hipótese, os insumos adquiridos por ela fossem aqueles referidos pela Lei nº 10.845/2002, o seu crédito escriturado seria absolutamente válido pelo princípio da não cumulatividade. Desta forma, tendo sido as notas fiscais emitidas pelo fornecedor da recorrente em desconformidade com a determinação legal, com o destaque do IPI, quando deveria esse tributo estar suspenso, pretende agora a recorrente sanear o equívoco com a aplicação do princípio da não cumulatividade, nos termos do art. 49 do CTN, o que, certamente, não encontra abrigo no nosso sistema jurídico. Por certo, a técnica da não cumulatividade seria aplicável na hipótese em que o IPI fosse devido e cobrado na operação anterior, nos termos do art. 153, IV e §3° da Constituição Federal, "compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”, não sendo o caso dos autos em que, não obstante, o destaque indevido do IPI na nota fiscal de aquisição emitida pelo fornecedor, o produto deveria ter saído do seu estabelecimento com suspensão do referido tributo. Entretanto, isso não significa que esteja havendo desrespeito ao mecanismo da não cumulatividade, como quer fazer crer a recorrente, mas tão somente a não realização do mecanismo, por ausência de geração de crédito legítimo na operação anterior. Tendo sido a nota fiscal emitida pelo fornecedor com destaque a maior do imposto, poderia este requerer administrativamente ou judicialmente o imposto indevidamente pago, sem prejuízo de a recorrente também pleitear, junto ao fornecedor, a devolução do valor correspondente ao tributo pago a maior, como já bem esclareceu a decisão recorrida. Também não socorre a recorrente a alegação de que o seu procedimento não teria causado dano ao Erário, eis que, como já dito, o princípio da não cumulatividade destina se à compensação de tributos devidamente pagos, não sendo o meio legal adequado para se pleitear restituição ou devolução de valores de tributos objeto de destaque indevido pelo fornecedor da recorrente e por ela suportados. Com relação às notas fiscais nºs 60.176, de 13/06/2008 e 60.393 e 60.404, de 25/06/2008, insurgese a recorrente em face das referidas glosas porque não teria sido indicado no lançamento de ofício qual teria sido o dispositivo legal infringido e por falta de fundamento legal para a glosa. No Relatório Fiscal consta que a referida glosa, relativa às aquisições de produtos descritos como "0TRANSPORTSCHUTZFOLPER" e "0TRANSPORTSCHUTZFOL", decorreu do seguinte fato: "foram retirados também da escrita da VW por não existir previsão legal para a legitimidade de crédito de IPI se lastrear em documentação fiscal que descreve mercadoria adquirida em língua estrangeira. Entretanto, poderá a VW comprovar seu direito de crédito apresentando tradução legalmente hábil dos documentos recém citados". Fl. 405DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10860.720992/201341 Acórdão n.º 3402002.857 S3C4T2 Fl. 400 13 Desta forma, a fiscalização não considerou inidôneo o documento fiscal, conforme alega a recorrente, apenas não concedeu o creditamento correspondente em face da ausência de perfeita identificação do produto adquirido. Os valores correspondentes foram inseridos no auto de infração no item "0001 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO CFOP 1.101 E 1.122", juntamente com os valores relativos ao creditamento indevido dos produtos que deveriam ter sido adquiridos com suspensão. A fundamentação para a exigência fiscal decorrente das glosas dos créditos dessas notas fiscais está descrita no auto de infração como arts. 24, II; 122; 127 e 200, IV do Regulamento do IPI/2002, vez que a recorrente não logrou êxito em comprovar o seu direito creditório correspondente no procedimento fiscal, nem tampouco na impugnação, tendo sido o creditamento considerado indevido. Desta forma, não houve qualquer nulidade da autuação nesta parte. Como a recorrente, não trouxe aos autos qualquer comprovação em sentido contrário, de que caberia, sim, o referido creditamento, entendo que deve ser mantida a glosa e o lançamento do débito correspondente. v) Pedido de diligência e perícia Requereu a recorrente a realização de perícia ou diligência para que fique constatado que o sistema que adota permite o controle eficiente e eficaz das devoluções, bem como do levantamento das notas fiscais de devolução e sua escrituração no livro de Registro de Entrada dos sistemas de controle do estoque da empresa e dos controles contábeis. No entanto, em nada socorreria a recorrente a verificação solicitada, eis que ela não cumpriu a obrigação acessória de fazer a escrituração das notas fiscais no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, que é uma das exigências dispostas no art. 169 do Regulamento do IPI para o direito ao crédito decorrente da devolução ou retorno. Ademais, a recorrente não trouxe aos autos elemento modificativo das inconsistências apuradas pela fiscalização no seu denominado "sistema interno" de controle e não demonstrou que o seu sistema atenderia ao disposto nas normas regulamentares. Não há que se olvidar que as diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória das partes. Também está preclusa, neste momento processual, a produção de novas provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72. É por ocasião da apresentação da impugnação que a recorrente deve produzir a prova necessária à comprovação das suas alegações. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Entendo ser prescindível a diligência e a perícia solicitada à solução da presente lide, conforme acima exposto, pelo que o pedido correspondente deve ser indeferido. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e perícia e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 407DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10166.728778/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrente DISTRIBUIDORA BRASILIA DE VEÍCULOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Tratase de Autos de Infração n° 37.359.6715 e 37.359.6723 sendo que o primeiro exige contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e RAT e o segundo as contribuições relativas aos segurados empregados, abrangendo o período de 01/2008 a 12/2008. O Relatório Fiscal, fls. 81/112, em apertada síntese, dispõe: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 28 77 8/ 20 11 -1 7 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.728778/201117 Resolução nº 2301000.480 S2C3T1 Fl. 269 2 i) que a contabilidade demonstra o pagamento em dinheiro a alguns empregados, a título de tíquet refeição; ii) que foram levantados os valores relativos à participação nos lucros ou resultados, pois a empresa não apresentou o instrumento de negociação celebrado com o sindicato, conforme dispõe a lei 10.101/2000; iii) que de acordo com a folha de pagamento a rubrica de comissão sobre férias não foi oferecida à tributação previdenciária, não tendo sido tais valores incluídos em GFIP; iv) que foram considerados como base de cálculo os valores pagos a título de vale transporte em pecúnia; v) que foram levantados os valores relativos a divergências encontradas entre os valores declarados em GFIP e os constantes na folha de pagamento da empresa; vi) que foram levantadas as diferenças apuradas entre a folha de pagamento e a DIRF – Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, ano calendário 2008, em razão da apresentação deficiente de documentos por parte da empresa; vii) que foram considerados como base de cálculo os valores relativos ao reembolso de cursos de graduação, pois não estão enquadrados como cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades da empresa, de acordo com o previsto na lei 8.212/91; ix) que foram localizados na contabilidade contas sob os títulos “Gastos Diversos com Funcionários”, sendo que a fiscalização considerou esses valores como salário de contribuição, em razão de que a empresa justificou que a referida conta contábil registra gastos diversos tais como despesas com reembolso de cursos de graduação, cestas básicas, despesas com exames admissionais/demissionais e lanches. Como não foi possível identificar todos os beneficiários a fiscalização utilizou o instituto da aferição indireta; Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as parcelas acima descritas. A DRJ deu parcial provimento à impugnação para excluir o vale transporte pago em dinheiro o que motivou o sujeito passivo a interpor recurso voluntário a esse Conselho. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério. Após a interposição dos recursos voluntários pelo autuado e as empresas do grupo econômico, há diversos documentos emitidos pelo fisco dando conta de adesão, ainda que parcial, a programa de parcelamento especial. Necessário, saber, portanto, quais rubricas e períodos foram incluídos no parcelamento, a fim de delimitar o âmbito de devolutividade dos recursos interpostos. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.728778/201117 Resolução nº 2301000.480 S2C3T1 Fl. 270 3 Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade fiscal produza informação fiscal discriminando quais as rubricas e períodos levantados no auto de infração remanescem fora do parcelamento e, ato seguinte, intime o sujeito passivo para que no prazo de 30 (trinta) dias manifestese a respeito. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 28/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 25/03 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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