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6485742 #
Numero do processo: 13964.000111/95-12
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária. Recurso provido.
Numero da decisão: CSRF/01-03.087
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira

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LTDA. Recorrida : 5a CÂMARA DO 1° C.C. Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de :11 DE SETEMBRO DE 2000 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FRETTA & CIA. LTDA., pessoa jurídica com sede à Rua Marechal Deodoro, 335, Centro, Tubarão/SC, inscrita no CGC sob o n° 86.428.836/0001-07. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho. --• PERE' 401"- ES PRESIDENTE / LUIZ AL: RTO CAVA Pi CEI RA RELAT./- , Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 FORMALIZADO EM: 27 MAR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS. k,,:\ 2 , • Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Recurso n° : RD/105-0.731 Recorrente : FRETTA & CIA. LTDA. RELATÓRIO FRETTA & CIA. LTDA., pessoa jurídica com sede à Rua Marechal Deodoro, 335, Centro, Tubarão/SC, inscrita no CGC sob o n° 86.428.836/0001-07, inconformada com a decisão colegiada proferida através do Acórdão n° 105-12.147, de 07-01-98 (fls. 35 a 43), o qual, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário n° 113.036, interpõe Recurso Especial à Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 49/54), na forma do artigo 31, "caput", do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. A matéria objeto do feito consiste em restituição de imposto de renda pago a maior, relativamente ao período de fevereiro a dezembro de 1991, cujo acórdão recorrido se encontra assim ementado: "RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS ANTES OU DURANTE O ANO DE 1991 - Descabe a atualização de 1RPJ, quer para pagamento, quer para a restituição, relativa ao período de 1%2/91 (Leis n`'s 8.177/91 e 8.218/91) até 31/12/91 (Lei n° 8.383/91), não apenas por absoluta falta de previsão legal, mas principalmente devido ao princípio da isonomia. Se o sujeito ativo é impedido de atualizar os seus créditos tributários, igual tratamento deve ser dado quando os restitui." A recorrente apresenta como paradigma o acórdão n° 107-03.989, conforme trecho do voto de seu relator, a seguir transcrito (fls. 70): 41. 3 • Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 "Para a correta solução do caso em tela, portanto, é de se admitir que lhe assiste o direito à correção monetária do indébito a que faz juz, conforme solicitado, a partir de fevereiro até dezembro de 1991, pela aplicação do INPC do IBGE sobre as parcelas a serem restituídas, sobretudo porque foi o índice oficial de referência da inflação segundo dispôs o artigo 4° da Lei n°8.177/91, e porque trata-se de índice utilizado pela Lei n° 8.383/91 na formação da primeira UFIR (que indexou os tributos), em evidente reconhecimento por parte do legislador de tratar-se de indexador oficial (...)." Assim, pela simples leitura das decisões, constata-se a existência de interpretação diversa sobre a mesma matéria tributária, envolvendo situações idênticas, caracterizando o dissídio jurisprudencial levantado. Através do despacho n° 105-0.046/99 o Sr. Presidente da Colenda Quinta Câmara do 1° Conselho de Contribuintes deu seguimento ao presente recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade do mesmo. Intimada, a Fazenda nacional apresentou contra-razões, argumentando, em síntese que: Tratam-se de situações diversas, eis que a pretensão da recorrente resume-se à cobrança de correção monetária sobre quantia a ser restituída espontaneamente pela União, razão pela qual não pode a mesma ser enquadrada no conceito de tributo, enquanto prestação pecuniária compulsória, porquanto está sendo devolvido. 1Traz à colação parecer do ex-Superintendente Regional da Receita Federal, Dr. Hailé José Kaufmann, em processo judicial, o qual confirma seus argumentos apresentados. Apresenta como fundamentação legal de sua tese o artigo 66, caput, e parágrafo 3° da Lei n° 8.383/91. 4 , ' Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Sendo assim, acrescenta, ainda, que sobre os créditos tributários pagos no período sob análise não incidiu qualquer taxa ou índice de atualização monetária, portanto, de onde se insere a impossibilidade de fluir correção monetária sobre a restituição do indébito. É o Relatório. f,i 1 I E 5 , „ Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator: O recurso é tempestivo, apresentando os demais pressupostos de admissibilidade, merece ser conhecido. A controvérsia reside na possibilidade ou não da atualização monetária na restituição do imposto de renda pago indevidamente pelo contribuinte, no ano-calendário de 1991. Com efeito, o imposto de renda, assim como a contribuição social, no dizer do eminente Ministro da Suprema Corte, Moreira Alves (Representação n°1451-7 - DF - tribunal Pleno, Lex 117/251), "é obrigação de valor, à medida em que nasceu e sempre se sujeitou à atualização monetária”. Nessa perspectiva, uma vez que foi recolhido aos cofres públicos um valor que a ele não era devido, torna-se imperioso que a restituição desse montante ao contribuinte se dê com a incidência da atualização monetária correspondente, sob pena de incorrer a Administração em locupletamento ilícito, ofendendo ao princípio da moralidade administrativa(CF, art. 37) ou pela inobservância dos princípios gerais do direito público (CTN, art. 108, III). Inobstante, há de se considerar, ainda, a posição adotada pelos nossos Tribunais, as quais se apresentam de forma mansa e pacífica sobre o tema. Válida menção à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 89.791-RJ (RTJ 96/781): 6 ' _Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 "Trata-se de mera alteração nominal e não real do valor ajustado. Mera substituição de desfalque do valor, e não acréscimo de valor. (...)" Também deve ser aplicada à espécie a Súmula n° 562, da já referida Suprema Corte, assim ementada: "Súmula 562: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, dos índices de correção monetária." Mais especificamente sobre a incidência da atualização monetária nas restituições de indébitos, há de se considerar, ainda, a determinação da Súmula n° 46 do antigo tribunal Federal de Recursos, a saber: "Súmula 46: Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importância reclamada."(grifo nosso). De igual forma, o Superior Tribunal de Justiça tem assim apresentado o seu entendimento: "A correção monetária, como mera atualização de valores defasados pela corrosão da moeda em regime de economia inflacionária, constitui imperativo não só econômico e jurídico, mas também ético" (Resp. 803-BA - 4a T. STJ, DJU de 20/11/89, Min. Sálvio de Figueiredo). 1 Portanto, a pretensão da empresa em ter a restituição do imposto de renda indevido corrigido monetariamente é medida que se faz imperiosa, observando-se os critérios utilizados pela Lei 8383/91, no que se refere à criação da UFIR (art. 2°, parágrafo 1°, "a"), para a apuração do "quantum" a incidir. 7 ' Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Note-se que a concessão de correção monetária especificamente durante o período de fevereiro a dezembro decorre do fato de que também naquele período houve inflação e isto é fato notório. O critério de indexação estipulado para esse período é justo e absolutamente correto, na medida em que se espelhou no mesmo critério utilizado pelo legislador na criação do valor da primeira UFIR, em evidente reconhecimento da inflação verificada naquela época e dos índices utilizáveis. Em conclusão, a matéria se encontra tratada de forma incontroversa, resultando ser devida a correção monetária na repetição da quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de imposto de renda. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo que assiste direito à recorrente, ao cômputo da correção monetária do indébito, no período de fevereiro a dezembro de 1991, pela aplicação do INPC sobre as parcelas a serem restituídas, correspondendo ao índice oficial de referência da inflação, a teor do artigo 4° da Lei n° 8.177/91. Sala das essões - DF, em 11 de setembro de 2000. LUIZ AL, RTO CAVA , ACEIRA 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1

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6544100 #
Numero do processo: 13888.901406/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.340
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1  1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.901406/2014­29  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3402­003.340  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de setembro de 2016  Matéria  COFINS. Inclusão do ICMS na base de cálculo.  Recorrente  AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E  PRÉ­MOLDADOS DE CONCRETO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2012  NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.  A  existência  de  despacho  decisório  contendo  motivação  clara,  explícita  e  congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.  BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.  O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo  da COFINS.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator.   Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz,  Maria Aparecida Martins  de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne  e Carlos Augusto Daniel  Neto.  Relatório  Trata­se  de  pedido  eletrônico  de  restituição  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  cumulado  com  declaração  de  compensação,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 06 /2 01 4- 29 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/2014­29  Acórdão n.º 3402­003.340  S3­C4T2  Fl. 3          2  denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que  o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de  débitos anteriormente declarados pelo contribuinte.  Em  tempo hábil,  foi apresentada manifestação de  inconformidade na qual  a  defesa  alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o  crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS  na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o  ICMS é mero  ingresso que não pode  ser  incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do  STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o  indébito apurado.   A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  rejeitou  a  preliminar  de  nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para  pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão  da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da  receita  proveniente  da  alienação  onerosa  de  créditos  do  ICMS;  e  c)  o  valor  dos  débitos  declarados para  compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a  essas compensações.   Regularmente  notificado  do  Acórdão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  apresentou  em  tempo  hábil  recurso  voluntário  a  este  Colegiado,  alegando,  em  síntese,  o  seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões  pelas  quais  o  contribuinte  não  tem  o  crédito  que  alega  possuir.  Essa  omissão  impediu  o  contribuinte  de  exercer  a  plena  demonstração  de  seu  crédito,  pois  não  há  como  argumentar  contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o  faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de  cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do  ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110  do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o  contribuinte  mero  ingresso,  pois  o  valor  é  posteriormente  destinado  ao  fisco  estadual.  Tal  interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.785­2, que deve ser aplicado ao  caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensá­lo com base nos  arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator.   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­003.317, de  28  de  setembro  de  2016,  proferido  no  julgamento  do  processo  10865.904904/2012­31,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­003.317):  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/2014­29  Acórdão n.º 3402­003.340  S3­C4T2  Fl. 4          3  "O recurso preenche os  requisitos  formais para sua admissibilidade  e,  portanto, dele se toma conhecimento.  Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa.  Isso  porque,  ao  contrário  do  alegado,  o  despacho  decisório  declinou  com  todas  as  letras  o  motivo  pelo  qual  a  Administração  Tributária  denegou  o  pleito  do  contribuinte  e  não  homologou  as  compensações  declaradas.  O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação:   "(...)  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DECOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DECOMP. (...)"  No mesmo despacho encontram­se perfeitamente identificados o número  do  PER/DECOMP,  o  número  do  DARF  e  o  valor  relativo  ao  suposto  pagamento indevido.  O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada  porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de  débitos declarados pelo próprio contribuinte.   Em  outras  palavras:  o  contribuinte  não  possui  o  crédito  alegado  no  PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por  ele próprio declarados.  Portanto, o despacho decisório não  foi  lacônico, uma vez que declinou  expressamente  o  motivo  da  não  homologação  da  compensação:  o  contribuinte não tem o crédito alegado.  Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente  com  a  decisão  de  não  homologar  a  compensação,  o  que  atende  às  exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99.   Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte  não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo  porque  a  apresentação  de  impugnação  e  de  recurso  voluntário,  deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do  indébito desautorizam a invocação dessa preliminar.  No  mérito,  deflui  dos  autos  que  o  contribuinte  apurou  e  recolheu  a  contribuição  incluindo  o  ICMS  na  sua  base  de  cálculo  e  agora  comparece  perante  a  Administração  Tributária  alegando  que  o  recolhimento  foi  efetuado  em  montante  superior  ao  devido  porque  a  inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional.  O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de  cálculo  da  contribuição,  está  calcado  em  entendimento  sedimentado  desde  tempos  imemoriais  na  seara  tributária.  Tal  entendimento  tem  respaldo  legal  no  art.  12  do  Decreto­Lei  nº  1.598/77  e  na  Instrução  Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou.  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/2014­29  Acórdão n.º 3402­003.340  S3­C4T2  Fl. 5          4  O art.  12 do Decreto­Lei nº 1.598/77, na redação vigente na  época do  fato  gerador  relativo  ao  pagamento  tido  como  indevido,  estabelecia  o  seguinte:  "Art  12  ­  A  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  compreende  o  produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço  dos serviços prestados.    § 1º  ­ A  receita  líquida de  vendas  e  serviços  será a  receita bruta  diminuída  das  vendas  canceladas,  dos  descontos  concedidos  incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)"   (Fonte  da  transcrição:  http://www.planalto.gov.br/  ccivil_03/decreto­lei/ del1598.htm)  Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte:  4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas  e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos  e  abatimentos  concedidos  incondicionalmente  e  (c)  dos  impostos  incidentes sobre as vendas.  (...)  4.3  ­  Para  os  efeitos  desta  Instrução  Normativa  reputam­se  incidentes  sobre  as  vendas  os  impostos  que  guardam  proporcionalmente  (sic)  com  o  preço  da  venda  ou  dos  serviços,  mesmo  que  o  respectivo montante  integra  (sic)  a  base  de  cálculo,  tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre  serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto  único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e  lubrificantes etc.  4.3.1 ­ Incluem­se também neste item:  a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda;  b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social  calculada sobre o faturamento;  c)  a  quota  de  contribuição,  ou  retenção  cambial,  devida  na  exportação.  (Fonte  da  transcrição:  http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/  sijut/Pesquisa.htm)  Portanto,  o  recolhimento  efetuado  pelo  contribuinte  está  em  conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado  há  anos  na  seara  tributária,  uma  vez  que  o  valor  do  ICMS  integra  o  preço  da  mercadoria,  sendo  tal  valor  deduzido  contabilmente  como  despesa operacional.  O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do  ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não  se  enquadra  no  conceito  de  faturamento  ou  mesmo  no  de  receita  estabelecido pela constituição.  Ao contrário do alegado pelo contribuinte,  tal argumento não pode ser  acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26­A do  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/2014­29  Acórdão n.º 3402­003.340  S3­C4T2  Fl. 6          5  Decreto  nº  70.235/72  proíbe  este  colegiado  de  negar  vigência  a  texto  legal  com  hierarquia  superior  a  Decreto,  em  razão  de  arguição  de  inconstitucionalidade, in verbis:  "Art. 26­A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado  aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  (...)  §  6o O  disposto  no  caput  deste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:(Incluído  pela  Lei nº 11.941, de 2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)"  O  contribuinte  invoca  a  seu  favor  o  acórdão  do  STF  proferido  no RE  240.785­2.  Entretanto,  esse  recurso  extraordinário  ainda  não  foi  definitivamente  julgado,  não  se  enquadrando  no  disposto  no  §  6º,  I,  acima  transcrito,  e  nem  nas  disposições  do Decreto  nº  2.346/97,  para  que  o  entendimento  possa  ser  estendido  administrativamente  a  outros  casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos  recursos  submetidos  à  sistemática  da  repercussão geral  no  STF  e  será  decidida no RE nº 574.706.  Acrescente­se  que  a  Súmula CARF  nº  2  estabelece  que  o CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  da  lei  tributária.  Considerando que  os  recolhimentos  efetuados  pelo  contribuinte,  com a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  COFINS,  estão  conformes  à  legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio.    (Assinado com certificado digital)  Antonio Carlos Atulim                             Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 10611.002440/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DIFERENCIADA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, não configura concomitância entre as esferas administrativa e judicial, não importando em renúncia à instância administrativa, tendo o processo administrativo, prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. Restando comprovado nos autos a não aplicação dos insumos importados ao amparo de ato concessório sob o regime de drawback-suspensão, nos produtos exportados, é cabível a cobrança dos tributos, além de multas e juros moratórios. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 ANTECIPAÇÃO DE TUTELA ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE Incabível a aplicação de multa de ofício quando constatado que a antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI é anterior ao início do procedimento fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. PIS.COFINS.MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO É cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício relativo aos referidos tributos. No caso dos autos, inexistia medida judicial, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício, relativo às Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS.
Numero da decisão: 3302-003.379
Decisão: RO Negado e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado que davam integral provimento ao Recurso. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte - OAB 97.692 - MG [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR

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decisao_txt : RO Negado e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado que davam integral provimento ao Recurso. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte - OAB 97.692 - MG [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   2 ANTECIPAÇÃO  DE  TUTELA  ANTERIOR  AO  INÍCIO  DO  PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE  Incabível a aplicação de multa de ofício quando constatado que a antecipação  de  tutela  determinando  a  suspensão  da  exigibilidade  do  Imposto  de  Importação e do IPI é anterior ao início do procedimento fiscal.  AUTO DE INFRAÇÃO. PIS.COFINS.MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO  É  cabível  a  imputação  da multa  de ofício  na  lavratura de  auto  de  infração,  quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do  CTN, suspendendo a  exigibilidade do  crédito  tributário,  concedida antes do  início de qualquer procedimento de ofício relativo aos referidos tributos.  No  caso  dos  autos,  inexistia medida  judicial,  concedida  antes  do  início  de  qualquer  procedimento  de  ofício,  relativo  às  Contribuições  para  o  PIS/PASEP e COFINS.      RO Negado e RV Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  de  Ofício  e,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  nos  termos  dos  itens  5  e  6,  fl.1.100  do  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado que davam  integral provimento ao Recurso.  Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte ­ OAB 97.692 ­ MG   [assinado digitalmente]  RICARDO PAULO ROSA ­ Presidente.     [assinado digitalmente]  MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR ­ Relatora.  Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.  Relatório  Cuida  o  presente  processo  de  lançamentos  consubstanciados  nos  Autos  de  Infração  relativos  ao  Imposto  de  Importação­II  e  multa  regulamentar,  (fls.  03/22);  Imposto  sobre Produtos Industrializados ­ IPI vinculado à importação (fls. 23/38); Contribuição para o  Financiamento  da Seguridade Social  ­ COFINS­importação  (fls.  39/53); Contribuição  para o  Programa  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  –  PIS/PASEP­importação  (fls.  54/68),  nos  valores  de,  respectivamente,  R$  4.196.069,26,  R$  711.000,00, R$ 2.465.423,46, R$ 2.787.002,12 e R$ 605.072,75, perfazendo o valor total de  R$ 10.764.567,59, sendo os tributos acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício de 75%.  Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.128          3 Os lançamentos foram efetuados com suspensão da exigibilidade por força de  liminar  concedida  nos  autos  do  processo  judicial  nº  2009.38.06.000838­8,  do  Juízo  da Vara  Única Federal da Subseção Judiciária de Patos de Minas/MG.  A  decisão  relativa  à  antecipação  de  tutela,  datada  de  17/07/2009  (fl.  511,  volume 3), assim destaca:  “...defiro a  antecipação de  tutela  para  determinar  a  suspensão  da  exigibilidade  do  Imposto  de  Importação  e  do  IPI,  cujas  operações  estejam  amparadas  pelo  Ato  Concessório  de  Drawback  n.  20070144214,  concedido  à  parte  autora  em  13/11/2007.  Determino  a  intimação  da  ré  para  que,  no  prazo  de  10  (dez)  dias,  reexamine  o  pedido  de  prorrogação  do  prazo  do  ato  concessório de Drawback, tendo em vista o disposto no art. 13,  da  Lei  n.  11.945/2009,  comunicando  a  este  Juízo  a  decisão  proferida, no prazo de 05 (cinco) dias, contados do vencimento  do prazo para o reexame.”   Em  31/05/2011,  conforme  fl.  969,  volume  6,  foi  prolatada  sentença  que  revogou a decisão supra:  “Por  esses  fundamentos,  conclui­se que  a  autora  não  faz  jus  à  prorrogação do ato concessório de drawback n° 20070144214.  Ante o exposto, revogo a decisão de fls. 1.687/1.689, que deferiu  a  antecipação  dos  efeitos  da  tutela  e  julgo  improcedente  o  pedido.”  Destaca a decisão de piso sobre a motivação da autuação:  I) com relação ao lançamentos dos tributos:  “A  Kinross  Brasil  Mineração  S.A  realizou  importações  sob  o  Regime Aduaneiro Especial de Drawback,  com a suspensão do  II,  IPI,  PIS  e  COFINS­Importação,  sendo  que  foi  concedido  prazo  para  a  utilização  dos  bens  em  seu  processo  produtivo  e  que ao seu término, deveria ocorrer a exportação.  Conforme relatado no titulo 5.7.1, do Relatório de Fiscalização,  constatou­se que após a última exportação, restou saldo positivo  no  estoque  dos  produtos  importados  ­  com  a  suspensão  de  tributos  ­  ao  amparo  do  Ato  Concessório  de  DRAWBACK,  modalidade Suspensão n° 20070144214.  De  acordo  com  o  Principio  da  Vinculação  Física,  os  produtos  importados  ­  com  suspensão  dos  tributos  ­  deveriam  ser  integralmente  utilizados  no  processo  produtivo  do  Ouro  destinado à exportação.  Constatado  que  parte  das  mercadorias  importadas  ­  com  suspensão dos tributos ­ não foi utilizada no processo produtivo  do  Ouro  destinado  à  exportação  e  não  tendo  a  beneficiária  tomado alguma das providências  elencadas no art.  342 do RA,  Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   4 resolve­se  a  suspensão,  exigindo  os  tributos  devidos,  e  consequentemente, os acréscimos legais”.  I.1 ) com relação ao inadimplemento parcial do regime de Drawback:  Em  relação  ao  subitem  5.3  (Ato  Concessório  Drawback  nº  20070144214),  a  fiscalização  apresenta,  à  fl.  86,  vol.  1,  dados  relativos ao AC, apresentado pela autuada, no qual consta como  data  de  registro  13/11/2007  e  data  de  validade  12/11/2008.  Nesse subitem são apresentados diversos produtos, constantes do  AC,  com  as  respectivas  quantidades,  que  a  empresa  poderia  importar.  A  empresa  deveria  exportar  a  mercadoria  de  descrição  “Barras/Fios/Perfis  de  Ouro  de  Seção  Maciça”,  NCM 7108.13.10, na quantidade de 9.784,00077 Kg.(grifei).  No que pertine ao subitem 5.6 (Da Análise do Ato Concessório  de  Drawback  nº  20070144214),  a  fiscalização,  analisando  as  importações  previstas  no  AC,  afirma  que  39  DI´s  foram  vinculadas  ao  AC  20070144214,  as  quais  foram  registradas  entre  12/11/2007  e  27/10/2008;  a  beneficiária  importou  a  totalidade dos itens 002, 008, 012, 013 e 016 autorizados no AC,  mas os outros foram importados parcialmente.  Em  relação  às  exportações,  a  fiscalização  afirma  que  os  embarques  e  averbações  das  exportações  efetivadas  pela  beneficiária ocorreram no período de 29/11/2007 a 06/11/2008.  Foram 43 Registros de Exportação vinculados ao AC, por meio  dos quais a beneficiária efetivou a exportação de 5.841,452050  Kg de Ouro, classificado na NCM 7108.1310.  I.1.1  ) com relação ao saldo positivo do estoque de mercadorias  importadas  após as exportações, subitem 5.7.1:  “(...)  Conforme  relatado  no  título  5.7.1,  constatou­se  que,  após  a  última  exportação,  restou  saldo  positivo  no  estoque  dos  produtos importados – com suspensão de tributos – ao amparo  do Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão nº  20070144214.  Tal  fato  é  de  fácil  visualização  no  quadro  resumo  abaixo,  no  qual verifica­se um estoque  final  (saldo positivo de estoque) de  insumos  importados,  caracterizando  assim  que  estas  mercadorias  importadas  não  foram  integralmente  utilizadas  no  processo produtivo das mercadorias a serem exportadas”.  A  partir  da  relação  insumo  x  produto,  apresentada  no  laudo  técnico,  a  fiscalização  elaborou  “Planilha  de  Cálculo  de  Utilização do Insumo Importado na Produção do Bem Exportado  – Produção e Estoque” para cada um dos itens importados;  Tendo em vista que as primeiras importações são as primeiras a  saírem,  a  fiscalização,  ao  efetuar  a  glosa  das  importações,  utilizou  as  mais  recentes,  conforme  consta,  por  exemplo,  à  fl.  131, em relação ao insumo “Corpos Moedores em Aço Fundido  2”” (título 6.1.1.1.1).  Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.129          5 II)  com  relação  à  infração  “Descumprimento  de  norma para habilitar­se  ou  utilizar­se de regime aduaneiro especial”, cuja penalidade tem como base legal o art. 107, VII,  “e”, Decreto­Lei nº 37/1966:  “Sendo  o  Drawback  um  Regime  Aduaneiro  Especial  e  tendo  constatado  que  a  Kinross  Brasil  Mineração  S.A  descumpriu  norma,  conforme  verificado  no  título  6.1,  ao  utilizar  o  Regime  Aduaneiro Especial de Drawback que fora operacionalizado por  meio do Ato Concessório de Drawback ­ modalidade Suspensão  n°  20070144214,  sujeitar­se­á  a  MULTA  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  REGIME  ADUANEIRO  ESPECIAL  no  valor  diário  de  R$  1.000,00  (Hum  mil  Reais),  conforme  disposto no art. 107 do decreto  lei n° 37/66 com redação dada  pelo art. 77 Lei n° 10.833/03 e também prevista na alínea "d" do  inciso VII do art. 728 do Regulamento Aduaneiro ­ RA aprovado  pelo decreto n° 6.759/09”.(sic).  Continuando esse assunto, assim dispôs a fiscalização, à fl. 144:  “Tendo  o  Ato  Concessório  de  DRAWBACK,  modalidade  Suspensão nº 20070144214, expirado em 12/11/2008  (=data de  validade),  conforme  se  verifica  pela  tela  do  sistema Drawback  Web do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio –  MDIC –  intitulada “Consulta  de Dados Básicos  –  (Documento  02) ­ a multa será aplicada a partir do primeiro dia subseqüente  ao 30º dia, ou seja, 13/12/2008.  Entretanto,  por  ser  o  dia  13/12/2008  um  sábado,  a  contagem  iniciará  no  primeiro  dia  útil,  dia  15/12/2008,  uma  segunda– feira,  até  dia  17/08/2010,  data  de  lavratura  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  Fiscalização  nº  0615100.2010.00226­1,  perfazendo  um  total  de  711  dias,  conforme  demonstrativo  abaixo:”  Inconformada  com  as  exigências  das  quais  tomou  ciência  em  03/12/2010,  conforme  Aviso  de  Recebimento,  fls.  515/516,  volume  3,  a  interessada  apresentou  sua  impugnação em 04/01/2011, documento de fls. 526/547, volume 3, conforme excertos a seguir  da decisão de piso:  ­ fazendo considerações ao regime aduaneiro de drawback e sua  legislação,  afirma  que,  apesar  de  nos  termos  do  artigo  3º  da  Portaria  MF  nº  594/1992  competir  à  RFB  a  fiscalização  do  regular  cumprimento,  pela  importadora,  dos  requisitos  e  condições  fixados  pelas  disposições  legais  pertinentes,  pelos  termos  do  artigo  142  do  CTN,  a  atividade  fiscalizatória  é  totalmente  vinculada  ao  que  dispõe  a  Lei,  não  podendo  ser  extrapolados  os  seus  limites  ou  intentada  interpretação  desarrazoada,  no  objetivo  de  se  forçar  a  arguição  de  descumprimento  dos  termos  do  Drawback,  com  a  cassação  de  um benefício legalmente previsto;  ­  será  demonstrado  que  a  autoridade  tributária  não  agiu  com  acerto, uma vez que extrapolou o conteúdo da norma e os limites  de sua interpretação razoável, em face da situação concreta;  Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   6 Exportação  vinculada  ao  ato  concessório  –  aplicabilidade  do  princípio  da  tributação  no  país  de  destino  ­  de  acordo  com  a  Fiscalização,  para  comprovar  o  cumprimento  das  obrigações  contidas  no  Ato  Concessório  n°  20070144214,  a  impugnante  teria que demonstrar que  todas as mercadorias  importadas por  meio  do  Drawback  Suspensão  foram  integralmente  Utilizadas  em seu processo produtivo;  ­  esse  entendimento  da  fiscalização  decorre  do  princípio  da  vinculação  física,  segundo  o  qual,  conforme  a  fiscalização,  os  produtos  importados  com  suspensão  dos  tributos  deveriam  ser  integralmente  utilizados  no  processo  produtivo  do  Ouro  destinado à exportação;  ­ apesar de a Impugnante ter utilizado integralmente os insumos  importados  no  processo  de  produção  do  ouro  com  destino  ao  exterior,  a  fiscalização  entendeu  que  houve  inadimplemento  parcial do Ato Concessório n° 20070144214, na medida em que  o  insumo  importado  deveria  ter  sido  consumido  integralmente  em  seu  processo  produtivo  durante  a  vigência  do  referido  Regime Especial Aduaneiro;  ­  Segundo  a  fiscalização,  seria  irrelevante  o  fato  de  todo  o  insumo importado ter sido consumido no processo de produção  destinado  à  exportação,  se  não  foram  respeitados  os  limites  temporais e quantitativos do Ato Concessório n° 20070144214 e  os  aspectos  formais  do  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Drawback;  ­  assim,  há  um  nítido  conflito  entre  o  princípio  da  não­ exportação  de  impostos  (tributação  no  país  de  destino)  e  a  premissa da vinculação física adotada pela Fiscalização;  ­  conforme  o  princípio  da  tributação  no  país  de  destino,  os  impostos de consumo sobre as transações devem ser exigidos no  país onde o produto será consumido.  Precisamente por isso, o país de origem, isto é, o local no qual o  bem  foi  produzido,  procede  normalmente  à  restituição  ou  isenção  do  imposto  no  momento  da  exportação  e,  por  razões  simétricas,  o  país  do  destino,  onde  o  bem  será  consumido,  institui  um  encargo  compensatório  sobre  as  mercadorias  importadas  com  o  objetivo  de  colocá­las  em  igualdade  para  competir com os produtos nacionais;  ­  o  sistema  assim  descrito  estimula  a  livre  concorrência,  pela  eliminação  da  dupla  tributação  e  da  evasão  fiscal,  para  que  o  produto  importado  seja  tributado  apenas  uma  vez,  objetivando  que  as  mercadorias  estrangeiras  suportem  o  mesmo  encargo  fiscal que as mercadorias nacionais;  ­  o  Regime  Especial  Aduaneiro  do  Drawback  Suspensão,  baseado  no  princípio  da  tributação  do  país  de  destino,  é  um  necessário  e  poderoso  instrumento  de  política  de  comércio  exterior,  pois  a  supressão  deste  regime  poderia  comprometer  não somente os contribuintes exportadores, mas também, todo o  plano econômico e financeiro nacional;  Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.130          7 ­  no  caso  concreto,  se  a  impugnante  não  fosse  beneficiária  do  Regime  Especial  Aduaneiro  do  Drawback  Suspensão,  seria  obstada  de  forma  relevante  à  consecução  de  seu  objeto  social,  pois  conforme  se  comprova  por  meio  de  suas  Declarações  de  Informações  Econômico­fiscais  da  Pessoa  Jurídica  nos  anos­ calendário  de  2008,  2009  e  2010  (documento  n°  03),  a  sua  receita  total  decorre  precisamente  de  99%  (noventa  e  nove  pontos  percentuais)  do  ouro  exportado,  sendo  forçoso  concluir  que  todas  as  matérias­primas  e  os  insumos  importados  pela  impugnante  são  integralmente  utilizados  na  extração  do  ouro  com destino ao exterior;  ­  dessa  forma,  como  a  impugnante  utilizou  todos  os  insumos  importados na extração do ouro com destino ao exterior, sendo  que  a  comercialização  do  referido  minério  representa  99%  (noventa e nove pontos percentuais) de sua receita total, devem  ser  mantidos  os  benefícios  fiscais  instituídos  por  meio  do  Ato  Concessório  n°  20070144214  ­  Drawback  Suspensão,  em  conformidade com o princípio da tributação no país de origem;  Inaplicabilidade de penalidades e juros de mora – suspensão da  exigibilidade  do  crédito  tributário  –  ação  ordinária  nº  2009.38.06.000838­8 ­   a impugnante ajuizou a Ação Ordinária n° 2009.38.06.000838­8,  com  o  escopo  de  obter  a  ordem  judicial  para  declarar  o  seu  direito à "(...) prorrogação do prazo de vencimento do regime de  Drawback Suspensão (Ato Concessório n° 20070144214), com a  consequente  inexigibilidade  de  quaisquer  tributos  incidentes  sobre  as  importações  de  insumos  realizadas."  (documento  n°  04);  ­ em 17 de julho de 2009, foi deferido o pedido de antecipação  da  tutela  formulado  pela  impugnante  "(...)  para  determinar  a  suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI,  cujas  operações  estejam  amparadas  pelo  Ato  Concessório  de  Drawback  n°  20070144214,  concedido  à  parte  autora  em  13/11/2007.";  ­  essas  informações  foram  corroboradas  pelo  auto  de  infração  contido  no  processo  administrativo  nº  10611.002440/2010­47,  onde ficou disposto que o crédito tributário lançado está com a  exigibilidade  suspensa  por  força  da  medida  liminar  concedida  nos autos do processo nº 2009.38.06.000838­8 do Juízo da Vara  Única Federal da Subseção Judiciária de Patos de Minas – MG;  ­ no caso, o presente Auto de Infração possui objeto distinto da  Ação  Ordinária  n°  2009.38.06.000838­8,  pois  na  referida  medida  judicial a  Impugnante objetiva a prorrogação do prazo  do Ato Concessório n° 20070144214, e não o cancelamento dos  tributos  exigidos na  importação de  insumos necessários para o  desenvolvimento de suas atividades;  ­ entretanto, como há identidade entre as matérias discutidas no  presente  Auto  de  Infração  e  na  Ação  Ordinária  n°  2009.38.06.000838­8, inexiste qualquer fundamento jurídico que  Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   8 autorize a Fiscalização a aplicar multa de lançamento de ofício,  juros de mora e multa regulamentar, conforme será demonstrado  a seguir;  (...)  ­  no  caso  concreto,  como  a  impugnante  possui  uma  decisão  deferindo  a  suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos  tributários  decorrentes  da  importação  de  insumos  e  matérias­primas,  fica  obstada a aplicação de juros de mora pela Fiscalização;  ­  isso  porque,  no  mesmo  sentido  da  inaplicabilidade  de  multa  pelo  lançamento de ofício,  os  encargos moratórios  são devidos  apenas  quando  há  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  tributária;  ­  ademais,  é  cristalina  a  contradição  na  fundamentação  do  presente  Auto  de  Infração  ao  confirmar  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  e,  mesmo  assim,  exigir  o  pagamento  dos  juros  moratórios,  em  detrimento  da  posição  consolidada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais;  ­ dessa forma, devem também ser excluídos do presente Auto de  Infração  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  pretenso  inadimplemento  do  Imposto  de  Importação,  Imposto  sobre  Produto Industrializados, PIS e COFINS Importação;  Multa pelo descumprimento de regime aduaneiro especial ­   a aplicação da multa regulamentar diária de R$ 1.000,00, “em  conformidade  com  a  alínea  'd'  do  inciso  VII  do  artigo  107  do  Decreto­lei  n°  37/66”,  teve  como  data  inicial  o  dia  12  de  novembro de 2008 (momento em que expirou a validade do Ato  Concessório n° 20070144214) e como final o dia 17 de agosto de  2010 (data da lavratura do MPF n° 0615100.2010.00226­1);  ­ no entanto, conforme se demonstrará é totalmente equivocada  a  aplicação  da multa  regulamentar  ao  presente  caso,  já  que  a  mesma não se adequa à situação fático/jurídica que deu origem  ao presente lançamento;  ­  primeiramente,  a  tipificação  na  alínea  'd'  do  inciso  VII  do  artigo 107 do Decreto­Lei n° 37/66 é claramente equivocada. A  referida  penalidade  aplica­se  tão  somente  às  hipóteses  em  que  houve descumprimento de condição estatuída por norma para o  exercício de serviços relacionados ao despacho aduaneiro;  ­  a  referida  norma  inclui­se  na  regulamentação  das  atividades  do  despachante  aduaneiro,  profissional  devidamente  credenciado  junto  à  Aduana  para  o  exercício  dos  serviços  inerentes  ao  despacho  aduaneiro;  a  definição  de  atividades  relacionadas  ao  despacho  aduaneiro  consta  do  artigo  718  do  Decreto  n°  4.543/02  (Regulamento  Aduaneiro  vigente  à  época  das operações); o Decreto­Lei n° 2.472/75, por sua vez, também  dispõe sobre a função de Despachante Aduaneiro;  ­ (...);  ­  a  tipicidade  é  uma  garantia  fundamental  para  a  higidez  do  sistema  tributário,  sendo  ainda  mais  importante  a  sua  correta  Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.131          9 aplicação  no  que  se  refere  às  multas  e  penalidades,  tendo  em  vista o seu caráter sancionador;  ­  inclusive,  as  normas  constantes  do  citado  artigo  107  do  Decreto­Lei  n°  37/66,  invariavelmente  reproduzidas  nos  regulamentos aduaneiros, afrontam a  tipicidade ao não  indicar  efetivamente  qual  a  conduta  punida,  ao  trazer  locuções  genéricas,  referentes  a  descumprimento  de  condições,  sem  indicar efetivamente quais seriam e onde estariam previstas;  ­ o antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda  (atual  CARF)  já  reconheceu  a  violação  à  tipicidade  por  parte  das multas aduaneiras regulamentares;  ­  no  presente  caso,  conforme  expressamente  consignado  pela  própria  Fiscalização,  a  autuação  decorre  do  suposto  inadimplemento parcial do Ato Concessório n° 20070144214, e  não por qualquer descumprimento de condição para a obtenção  e fruição do benefício fiscal;  ­ (...);  ­ entretanto, caso se entenda que seja aplicável ao caso concreto  a multa  regulamentar, na mesma  linha de raciocínio acerca da  exclusão  da  multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  como  em  17  de  julho  de  2009  foi  deferido  o  pedido  de  antecipação  da  tutela  formulado  pela  impugnante  nos  autos  da  Ação  Ordinária  n°  2009.38.06.000838­8,  não  há  como  incluir  os  dias  compreendidos entre a data da referida decisão até o momento  da  lavratura do MPF n° 0615100.2010.00226­1 no cômputo da  multa diária pelo descumprimento de regime aduaneiro especial;  ­  isso  porque  os  efeitos  do  Ato  Concessório  n°  20070144214  foram  prolongados  pela  decisão  proferida  nos  autos  da  Ação  Ordinária  n°  2009.38.06.000838­8,  pois  foi  determinada  a  suspensão  da  exigibilidade  dos  créditos  tributários  decorrentes  da  importação  de  produtos  necessários  para  a  consecução  do  objeto social da Impugnante;  ­  dessa  forma,  por  força  da  antecipação  da  tutela  obtida  por  meio  da  Ação  Ordinária  n°  2009.38.06.000838­8,  deve  ser  excluída do presente Auto de Infração a multa regulamentar no  período compreendido entre o dia 17 de julho de 2009 (momento  da  decisão  proferida  nos  autos  da  Ação  Ordinária  n°  2009.38.06.000838­8)  e  o  dia  17  de  agosto  de  2010  (data  da  lavratura do MPF n° 0615100.2010.00226­1).  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  sintetizou,  na  ementa a seguir transcrita, a decisão proferida.  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS   Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008   DRAWBACK  SUSPENSÃO.  ESTOQUE  DE  PRODUTOS  IMPORTADOS COM SUSPENSÃO. SALDO POSITIVO.  Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   10 INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR.  Caracteriza  inadimplemento  do  regime  aduaneiro  especial  de  drawback, modalidade suspensão, a existência de saldo positivo  de estoques de produtos  importados com suspensão de  tributos,  após trinta dias do vencimento do prazo para exportar, previsto  em  ato  concessório,  o  que  enseja  a  cobrança  dos  tributos  suspensos e consectários legais.  DRAWBACK SUSPENSÃO.  VENCIMENTO DO PRAZO PARA  EXPORTAR.  MULTA  DIÁRIA  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO  CABIMENTO.  Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório  de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da  multa  diária  por  descumprimento  de  requisito,  condição  ou  norma  operacional  para  utilizar  regime  aduaneiro  especial  ou  aplicado em áreas especiais, prevista no artigo 107,  inciso VII,  alínea “e”, do Decreto­lei nº 37, de 1966, com a redação da Lei  nº 10.833, de 2003.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008   TUTELA  ANTECIPADA  EM  AÇÃO  JUDICIAL.  VIGENTE  À  ÉPOCA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA  DE OFÍCIO. EXCLUSÃO.  Não  cabe  lançamento  de  multa  de  ofício  na  constituição  de  crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, relativo a  tributo  de  competência  da  União,  cuja  exigibilidade  estiver  suspensa,  por  tutela  antecipada  em  ação  judicial,  na  data  de  lavratura do auto de infração.  LANÇAMENTO  COM  EXIGIBILIDADE  SUSPENSA  POR  FORÇA  DE  MEDIDA  JUDICIAL.  INEXISTÊNCIA  DE  DEPÓSITO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.  É  cabível  o  lançamento  de  juros  de  mora  na  constituição  de  crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, quando a  exigibilidade houver sido suspensa por força de medida judicial,  sem que tenha sido efetuado depósito do montante integral.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte  Assim,  inconformada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  empresa  após  ciência em 14/03/2012,  conforme documento de  fl. 1035,  apresenta em 13/04/2012, Recurso  Voluntário a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF, fls. 1.036/1.056 e  documentos de fls. 1.057/1.068, arguindo em síntese, após a recomposição fática da autuação:   ­ Após a lavratura do auto de infração e da impugnação apresentada houve o  deferimento  por  parte  da  SECEX  de  pedidos  de  prorrogação  do  Ato  Concessório.  Tal  prorrogação inicialmente até 14/11/2011 e posteriormente até 14/12/2012, posto que a Portaria  SECEX nº 23, de 14/07/2011, teria autorizado a prorrogação excepcional de atos concessórios  que haviam vencido no período de 01/10/2008 a 31/12/2009;  Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.132          11 ­ Após o deferimento das prorrogações,  também ocorreu autorização para a  transferência dos saldos de importação do Ato Concessório n º 20070144214 para outros Atos  Concessórios.  Em face dos documentos acostados em sede recursal que teriam por objetivo  comprovar  os  fatos  alegados,  através  da  Resolução  CARF  nº  3302.000.455,  de  16/10/2014,  fls.1.073/1.088, o julgamento foi convertido em diligência nos termos do voto do relator:  O  principal  fundamento  do  lançamento  efetuado  esta  centrado  no fato de que o Ato Concessório que a Recorrente detinha teria  expirado  e  com  a  fiscalização  verificou­se  que  haviam  saldos  positivos de insumos importados que não haviam sido utilizados  no processo de produção de ouro para exportação.  Com o Recurso Voluntário foram juntados diversos documentos  que  procuram  comprovar  que  o Ato Concessório  analisado  foi  prorrogado  por  duas  vezes  e  que  os  saldos  de  insumos  importados  foi  transferido  para  outros  Atos  Concessórios  por  expressa  autorização  do  Ministério  do  Desenvolvimento,  Indústria e Comércio Exterior –  MIDC.  De  fato  as  prorrogações  ocorreram  em  momento  posterior  (2011) ao lançamento efetuado e a impugnação apresentada.  O Decreto n° 7.574/2011 assim consigna no art. 57 :  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  I­  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   II refira­se a fato ou a direito superveniente; ou   III  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.  No presente caso está claro a ocorrência do previsto no inciso II  do § 4º do Art. 57 supra transcrito.  Isto  posto,  tendo  os  documentos  apresentados  trazido  a  baila  fatos  novos  que  impactam  diretamente  nos  lançamentos  efetuados entendo ser imperioso que o processo seja baixado em  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  se  manifeste  sobre  os  fatos  e  documentos  juntados  com  o  Recurso  Voluntário,  elaborando relatório.  A  Recorrente  deverá  ser  intimada  a  se  manifestar  sobre  as  conclusões da diligência proposta.  Após a resposta, voltem os autos para conclusão do julgamento.  Após  o  cumprimento  da  diligência,  foi  emitido  o  RELATÓRIO  DE  DILIGÊNCIA  FISCAL  de  fls.1.092/1.102,  no  qual  estão  apreciados  os  fatos  e  documentos  Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   12 supervenientes,  apresentados  quando  do  Recurso  Voluntário,  cuja  conclusão  a  seguir  se  transcreve:  DA CONCLUSÃO   À época do lançamento o Ato concessório n º 20070144214 não  havia sido prorrogado e/ou qualquer providência foi tomada em  relação  a  transferência  de  saldo  do  AC,  assim  o  AC  foi  considerado inadimplido e a beneficiária foi autuada.  Diante  da  prorrogação  do  Ato  concessório,  a  beneficiária  não  tomou qualquer providência no que diz respeito as exportações a  que  se  comprometeu  quando  da  obtenção  do  benefício  do  Regime  de  Drawback,  ou  seja,  a  beneficiária  não  vinculou  outras  exportações  ao  ato  concessório  nº  20070144214,  exportações  essas  que  deveriam  ser  de  produtos  (ouro)  produzidos  com  os  insumos  importados  através  do  ato  concessório.   À  época  do  lançamento,  43  (quarenta  e  três)  Registros  de  Exportação  –  REs  estavam  vinculados  ao  Ato  concessório  n  º  20070144214, e, atualmente, os mesmos 43 (quarenta e três) REs  permanecem vinculados, sem qualquer alteração. Concluindo­se,  portanto,  que a beneficiária não utilizou os  saldos positivos de  insumos lançados à época, na produção do produto (ouro) a ser  exportado no Ato concessório.  No entanto, na vigência do período prorrogado, com a anuência  do MIDC, a beneficiária foi autorizada a transferir os saldos de  insumos  relativos  as  DIs  nº  08/0558864­  1/001,  08/0990624­ 9/001, 08/1411600­5/001, 08/1530540­5/001, 08/1530923­0/001,  08/1626250­5/001 e 08/1696431­3/001. Com a transferência das  DIs para outro ato concessório, essas DIs não mais se vinculam  ao Ato Concessório n  º 20070144214, e, portanto, os saldos de  insumos  dessas  DIs  não  devem  mais  ser  considerados  para  o  cálculo  do  saldo  positivo  de  estoque  do  Ato  concessório  n  º  20070144214.  Assim,  tendo em vista,  tão  somente,  os  elementos  trazidos para  análise, temos que:  1  –  Em  relação  as  DIs  transferidas,  as  mesmas  devem  ser  retiradas  do  Auto  de  infração  relativo  ao  Ato  Concessório  n  º  20070144214,  uma  vez  que  não  estão  vinculadas  a  este,  não  cabendo,  portanto,  conforme  planilha  abaixo,  o  lançamento  efetuado à época.  2  –  Com  relação  aos  outros  insumos  do  ato  concessório  n  º  20070144214 que não foram abarcados pela transferência para  outro ato concessório, não  tendo a beneficiária  tomado alguma  das providências elencadas no art. 342 do Decreto nº 4.543/02,  Regulamento  Aduaneiro  (art  390  do  Decreto  nº  6.759/09,  Regulamento  Aduaneiro  vigente),  entendo  pela  manutenção  do  lançamento efetuado à época.  A  interessada  após  ter  ciência  do  citado  relatório  de  diligência  em  18/05/2015,  conforme  AR  de  fl.1.104,  apresentou  em  17/06/2015,  manifestação  de  inconformidade de fls. 1.107/1.121, nos termos a seguir resumidos:  Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.133          13 ­ Manifesta sua concordância com a apreciação da fiscalização com relação à  transferência das 7 DI's a outro Ato Concessório, em virtude da prorrogação excepcional por  mais  um  ano,  até  14/12/2012,  cujos  saldos  dos  estoques  relativos  aos  4  (quatro)  insumos  objetos  dessas  Declarações  de  Importação  diminuíram  significativamente,  tendo,  inclusive,  para os itens Cianeto de Sódio, Carvão Ativado e Aero Promoter 3473, resultado em saldo de  estoque zero;  ­ Expressa sua discordância quanto aos seguintes aspectos:  a)  Valor  remanescente  do  Auto  de  Infração:  Benefício  extrafiscal  e  exportação vinculada aos Atos Concessórios  ­  Que  o  fiscal  autuante  entendeu  que  permanecem  as  exigências  fiscais  calculadas sobre os demais insumos objetos do ato concessório n° 20070144214 que não foram  abarcados pela  transferência para outro  ato  concessório,  considerando,  ainda,  que não houve  outras exportações, além dos 43 (quarenta e três) Registros de Exportação já vinculados a este  Ato Concessório desde a época do lançamento;  ­ Mesmo  após  a  diligência  fiscal,  a Fiscalização  entendeu  que,  como  ainda  existe  valor  remanescente  de  alguns  insumos  no  estoque  da  Recorrente,  sem  vinculação  a  nenhum Registro de Exportação do seu produto final, o presente auto de infração deveria ser  parcialmente mantido, conforme demonstrado no Relatório de Diligência Fiscal;  ­ Que há um nítido conflito entre o princípio da não exportação de impostos  (tributação no país de destino) e  a premissa adotada pela Fiscalização,  ressaltando conforme  argumentos já colacionados em sede impugnatória que conforme o princípio da tributação no  país  de  destino/não  exportação  de  impostos,  os  impostos  de  consumo  sobre  as  transações  devem ser exigidos no país onde o produto será consumido;  ­  Destaca  que  no  caso  concreto,  a  Recorrente  é  empresa  indiscutivelmente  exportadora,  sendo conhecido que  a  sua  receita  total  decorre precisamente de 99% do ouro  exportado, sendo forçoso concluir que todas as matérias­primas e os insumos importados pela  Recorrente são integralmente utilizados na extração do ouro com destino ao exterior;  ­ Tendo em vista que a Recorrente conseguiu cumprir o verdadeiro objetivo  do Regime de Drawback, qual seja a  integral utilização dos insumos importados no processo  produtivo  das  mercadorias  destinadas  ao  exterior,  fato  corroborado  pelas  DIPJs  e  Planilhas  Contábeis  acostadas  à  Impugnação,  por  força  dos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade,  deve  ser  considerado  o  adimplemento  total  do  Ato  Concessório  n°  20070144214, cancelando­se integralmente o presente lançamento tributário.  b)  Reflexo  da  prorrogação  do  Ato  Concessório  n°  20070144214  na  exigência dos juros moratórios  ­  Considerando  que  restou  apurado  pela  diligência  fiscal  que  o  prazo  de  vigência do Ato Concessório n° 20070144214  foi prorrogado até 14/12/2012, não há que se  falar em exigência de quaisquer juros antes desta data, o que leva à conclusão de que não eram  devidos os juros de mora exigidos na presente autuação;  ­ Como não houve qualquer falta de pagamento de tributos até a data final do  Ato Concessório, posterior à lavratura do presente auto de infração, a Recorrente requer seja,  Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   14 ao menos, excluídos  integralmente os  juros moratórios até ao prazo final de vigência do Ato  Concessório objeto dos autos.  c) Demais argumentos que devem  levar ao menos à redução do crédito  tributário   c.1 ­ Equívoco da Fiscalização acerca do  termo inicial do Ato  Concessório  ­  §4° do  artigo  83  da Portaria Secex N°  10/2010  (atual art. 93 da Portaria Secex n° 23/2011)  ­  A  Fiscalização  entendeu  que,  para  ser  verificado  o  cumprimento  do  Ato  Concessório n° 20070144214, o termo inicial de vigência do Regime Especial Aduaneiro em  questão  deveria  ser  aplicado  após  a  primeira  importação  efetuada  pela  Recorrente. Ou  seja,  embora já reconhecido que existem 43 Registros de Exportação vinculados ao AC objeto dos  autos,  o  benefício  extrafiscal  do  Drawback  teria  como  termo  inicial  somente  a  primeira  importação de cada insumo;  ­ Reporta­se ao Relatório Fiscal, fl. 101:  Relatório  Fiscal­Fl.  101  A  apuração  do  estoque,  no  caso  do  Regime de Drawback, deve ser realizada por Ato Concessório. O  estoque  inicial  de  determinado  insumo  será  a  primeira  importação  vinculada  ao  Ato  Concessório,  à  exceção  da  beneficiária  ter  solicitado  tempestivamente  a  transferência  de  insumos de outro Ato Concessório, conforme já exposto no título  4.3.3.  Assim,  regra  geral,  se  no  levantamento  de  estoque  constata­se  que  antes  da  primeira  importação  (entrada)  temos  exportação  (ões)  (saída)  fica  caracterizado  que  essas  saídas  foram  realizadas  com  insumos  adquiridos  no  mercado  interno  ou  de  outro AC, e portanto, essas saídas não são aceitas para fins de  comprovação do regime, uma vez que o objetivo do levantamento  do  estoque  é  exatamente  identificar  se  os  insumos  importados  foram aplicados diretamente e fisicamente ao produto exportado,  (fl. 101).   ­ Destaca que ao desconsiderar as exportações efetuadas pela Recorrente que  foram devidamente vinculadas ao Ato Concessório por meio das Notas Fiscais de Saída e aos  Registros de Exportação, a Fiscalização diminuiu consideravelmente a utilização dos insumos  importados no processo  produtivo do ouro destinado ao  exterior,  em nítida  afronta  ao  termo  inicial  de vigência do Regime Especial Aduaneiro disposto no § 4° do  artigo 83 da Portaria  SECEX n° 10/2010;  ­ Pelo Ato Concessório n° 20070144214, foi concedido à Recorrente o direito  de serem importados insumos utilizados na extração e beneficiamento do ouro a ser exportado,  não se aplicando a exceção do mencionado § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010,  tendo  em  vista  que  as  mercadorias  estrangeiras  em  questão  não  são  para  fornecimento  ao  mercado interno ou embarcação;  ­ Por força do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93  da  Portaria  SECEX  n°  23/2011),  a  Fiscalização  deve  computar  todas  as  exportações  efetuadas pela Recorrente (43RE's) desde o termo inicial da vigência do Ato Concessório n°  20070144214,  qual  seja,  a  data  do  deferimento  dos  mencionados  Regimes  Especiais  Aduaneiros;  Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.134          15 ­ É necessária  também a manifestação fiscal neste ponto, no que se refere à  aplicação do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX  n° 23/2011) ao caso concreto, para que seja corretamente computado o consumo de  insumos  importados  pela  Recorrente  no  período  de  vigência  do  Ato  Concessório  n°  20070144214,  devendo ser revisto o presente lançamento fiscal.  c.2) ­ Multa De Ofício  ­ A Fiscalização aplicou a multa no importe de 75%, pelo entendimento que  ante o descumprimento parcial do Regime Aduaneiro Especial, seriam devidos todos tributos  devidos  no  regime  comum  de  importação  que  se  encontravam  suspensos  sob  a  égide  do  Drawback­Suspensão;  ­ A DRJ entendeu que a multa de ofício aplicava­se tão somente ao PIS e a  COFINS, vez que o  II  e o  IPl estavam com exigibilidade suspensa por  força de decisão que  antecipou os efeitos da tutela;  ­  não  se  pode  admitir  a  aplicação  de  tal  multa  em  relação  a  essas  contribuições (PIS/COFINS) vez que, como amplamente demonstrado nos autos, sequer existiu  qualquer fato que ensejasse a exigência dos tributos ora exigidos, tampouco da multa de ofício  no  patamar  de  75%;  isto  porque,  não  existiu  dolo  por  parte  da  contribuinte,  tendo  sim,  cumprido  estritamente  todas  as  bases  fixadas  pelos  Atos  concessórios  tidos  como  descumpridos;  ­ Invoca as disposições do art. 155, II c/c art. 179 do CTN ressaltando que as  provas carreadas até a presente manifestação, deixam clara a inocorrência de descumprimento  das condições estabelecidas nos atos concessórios;  ­  Ressalta  ainda  o  caráter  confiscatório  (art.  150,  IV,  CF)  do  percentual  aplicado  de  75%,  que  atenta  à  capacidade  contributiva  da  contribuinte,  bem  como  aos  princípios da proporcionalidade e  razoabilidade,  sendo assim  frontalmente violadas garantias  da contribuinte, como também o texto constitucional;  ­  Assim  pugna  pelo  seu  cancelamento  ou,  ao menos,  a  redução  percentual  fixado  para  o  patamar  de  20%,  conforme  estabelecido  pelo  §  2o  do  artigo  61  da  Lei  n.  9.430/1996, em consonância com o entendimento fixado pelo E. STF;  Ao final requer:   (i)  as  devidas  exclusões  dos  tributos  em  relação  às  7  (sete)  Declarações  de  Importação  transferidas  a  outro  Ato  Concessório,  conforme  reconhecido  na  Diligencia  Fiscal  realizada;  (ii) a  inexigência de quaisquer tributos em relação aos insumos  que tiverem seu estoque reduzido a zero, conforme apresentado  no Relatório de Diligência Fiscal.  (iii)  que  não  é  devida  a  exigência  juros  de  mora  desde  a  lavratura  do  presente  auto  de  infração  até  o  prazo  final  da  ultima prorrogação do Ato Concessório, em 14/12/2012;  Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   16 Além  disto,  a  Requerente  vem  reiterar  todos  os  argumentos  e  pedidos  apresentados  em  seu  Recurso  Voluntário,  inclusive  aqueles  relativos  ao  cancelamento  da  multa  de  ofício  mantida  pela Fiscalização em relação ao PIS e à COFINS.  Ademais,  considerando  a  existência  de  Recurso  de  Ofício  em  face da decisão proferida pela DRJ, requer­se sejam mantidas as  exclusões  feitas  quando  do  julgamento  pela  DRJ  no  que  se  refere:   (i) à multa de ofício, no percentual de 75% relativa ao Imposto  de  Importação  e  ao  IPI,  vez  que,  no momento  da  lavratura  do  auto de infração a Requerente possuía decisão antecipatória em  vigor, suspendendo à exigibilidade desses tributos. E, ainda,  (ü)  à  multa  regulamentar  por  absoluta  falta  de  tipicidade,  vez  que os  fatos narrados nos presentes autos não se  subsumem às  hipóteses  normativas  descritas  para  a  aplicação  da  referida  multa.  É o relatório.  Voto             Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora:  RECURSO DE OFÍCIO  O recurso de ofício apresentado diz respeito às seguintes matérias:   a) aplicação  pela  fiscalização  da multa  referente  ao  “Descumprimento  de norma para habilitar­se ou utilizar­se de regime aduaneiro especial”, cuja penalidade  tem como base legal o art. 107, VII, “e”, Decreto­lei nº 37/1966:  Art.  107.  Aplicam­se  ainda  as  seguintes multas:(Redação  dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide)  VII  ­  de  R$  1.000,00  (mil  reais):(Redação  dada  pela  Lei  nº  10.833, de 29.12.2003)(Vide)  (...);   e)  por  dia,  pelo  descumprimento  de  requisito,  condição  ou  norma  operacional  para  habilitar­se  ou  utilizar  regime  aduaneiro  especial  ou  aplicado  em  áreas  especiais,  ou  para  habilitar­se  ou  manter  recintos  nos  quais  tais  regimes  sejam  aplicados;(grifei).  1. Fundamentos da autuação:   “Tendo  o  Ato  Concessório  de  DRAWBACK,  modalidade  Suspensão nº 20070144214, expirado em 12/11/2008  (=data de  validade),  conforme  se  verifica  pela  tela  do  sistema Drawback  Web do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio –  MDIC –  intitulada “Consulta  de Dados Básicos  –  (Documento  02) ­ a multa será aplicada a partir do primeiro dia subseqüente  ao 30º dia, ou seja, 13/12/2008.  Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.135          17 Entretanto,  por  ser  o  dia  13/12/2008  um  sábado,  a  contagem  iniciará  no  primeiro  dia  útil,  dia  15/12/2008,  uma  segunda– feira,  até  dia  17/08/2010,  data  de  lavratura  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  Fiscalização  nº  0615100.2010.00226­1,  perfazendo  um  total  de  711  dias,  conforme  demonstrativo  abaixo:”  2. Fundamentos da decisão de piso, (excertos):  A infração cometida pela impugnante, conforme se pode deduzir  do acima expendido, refere­se ao fato de haver, após o término  do prazo para exportar,  saldo positivo de estoques de produtos  importados  com  suspensão  ao  amparo  do  Ato  Concessório  de  Drawback  Suspensão  nº  20070144214,  tendo  havido  inadimplemento parcial do regime.  Entretanto,  esses  fatos  relacionados  à  citada  infração  não  se  enquadram  em  nenhuma  das  citadas  hipóteses.  Isso  porque,  conforme artigos 338­344 do RA/2002, o drawback suspensão se  caracteriza  por  ser  um  regime  aduaneiro  no  qual,  mediante  condições  estabelecidas  em  ato  concessório,  ocorre  a  importação,  com suspensão de  tributos aduaneiros,  de  insumos  que devem ser integralmente utilizados no processo produtivo ou  na  embalagem,  acondicionamento  ou  apresentação  das  mercadorias a serem exportadas.  A mencionada suspensão é concedida sob condição de posterior  exportação,  que  atenda  aos  requisitos  fixados  no  ato  concessório. Realizada a exportação nos específicos termos pré­ estabelecidos, consolidar­se­á a isenção; contudo, uma vez não  comprovada a exportação, nos moldes a que se sujeita o regime,  tornar­se­ão  exigíveis  todos  os  tributos  devidos  em  razão  da  importação, acrescidos dos encargos correspondentes.  Assim, ao término do prazo concedido no AC para utilização do  regime de drawback, não há que se falar em aplicação de multa  diária por descumprimento de obrigação durante a utilização do  regime,  e  sim,  como  já  mencionado,  na  verificação  do  cumprimento  de  todas  as  condições  e  requisitos  assumidos  na  concessão do regime.(grifo do original).  No  sentido  de  que  não  cabe  essa  multa  após  o  prazo  para  exportação  previsto  no  AC,  vide  o  Acórdão  07­25.151,  da  1ª  Turma  da DRJ/Florianópolis,  processo  nº  10074.001789/2010­ 96,  sessão  de  06/07/2010,  Relatora: Marta  de  Souza Marques.  Resultado:  Ora,  ao  término do  prazo  concedido  no AC para  utilização  do  regime de drawback, não há que se falar em aplicação de multa  diária por descumprimento de obrigação durante a utilização do  regime,  e  sim,  na  verificação  do  cumprimento  de  todas  as  condições  e  requisitos  assumidos  na  concessão  do  regime.  Constatado  o  não  cumprimento,  ou  seja,  a  não  utilização  dos  insumos importados nas exportações pactuadas no AC, há que se  exigir  os  tributos  suspensos  com  seus  respectivos  consectários  legais. (...)”.  Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   18 É  certo,  como  já  destacado  nas  linhas  anteriores,  que  a  impugnante descumpriu norma relativa ao regime de drawback  suspensão;  entretanto,  não  ficou  demonstrado  nos  autos  o  descumprimento de norma para habilitar­se no ou utilizar­se do  referido  regime.  Portanto,  apesar  de  não  ter  se  referido  exatamente  à  multa  exigida  pela  fiscalização,  acertou  a  impugnante  ao  afirmar  que  não  houve  tipicidade;  ou  seja,  realmente  os  fatos  narrados  nos  autos  não  se  subsumem  às  hipóteses normativas  contempladas  no artigo 107, VII, “e”, do  Decreto­lei nº 37/1966. Cabe, em consequência, a exclusão da  referida multa. .(grifos do original).  Infere­se  dos  fundamentos  da  decisão  de  piso,  cujos  excertos  acima  transcritos  demonstram  que  o  núcleo  decisório  prende­se  à  ausência  de  tipicidade  para  aplicação da referida multa visto que o Regime Aduaneiro de Drawback suspensão é regido por  legislação  específica,  estando  os  requisitos  e  condições  assumidos  no  ato  concessório  disciplinados em regramento próprio,  implicando a constatação de descumprimento do citado  regime na cobrança dos tributos suspensos quando da importação dos  insumos amparados no  ato concessório, conforme legislação de regência.  Ante  o  exposto,  constata­se  que  não  há  reparos  na  decisão  de  piso,  assim,  uma vez restando esclarecida a situação fática dos autos, pode­se inferir à luz do comando legal  acima destacado e da interpretação jurídica destes conferida pela fiscalização que os fatos não  se subsumem aos seus preceitos normativos. Diz­se então que não há tipicidade, ou seja não há  a conformação do fato à hipótese legal que comina a penalidade acima referida, nesse sentido,  nego provimento ao recurso de ofício.    b)  Do  não  cabimento  da  multa  de  ofício  em  relação  ao  Imposto  de  Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados  Destaca a decisão de piso:  ­ 17/07/2009 (fl. 511, volume 3): decisão relativa à antecipação  de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto  sobre  as  Importações  e  do  IPI;  essa  decisão,  datada  de  17/07/2009, foi nestes termos:  “...defiro a  antecipação de  tutela  para  determinar  a  suspensão  da  exigibilidade  do  Imposto  de  Importação  e  do  IPI,  cujas  operações  estejam  amparadas  pelo  Ato  Concessório  de  Drawback  n.  20070144214,  concedido  à  parte  autora  em  13/11/2007.  (...);  ­ 08/09/2010  (fl. 162, volume 1): ciência do Termo de Início de  Fiscalização pela impugnante;  ­ 03/12/2010  (fl. 515, volume 3): ciência, pela  impugnante, dos  autos de infração e Relatório de Fiscalização;  ­  31/05/2011  (fl.  969,  volume  6):  sentença  denegando  a  segurança  e  revogando  a  decisão  de  17/07/2009,  que  havia  antecipado os  efeitos  da  tutela  e  suspendido a  exigibilidade  do  Imposto sobre as Importações e do IPI;  Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.136          19 A  Lei  nº  9.430/1996,  art.  63,  estabelece  as  regras  legais  pertinentes  a  créditos  tributários  que  se  encontrem  sub  judice,  conforme segue:  "Art.  63.  Na  constituição  de  crédito  tributário  destinada  a  prevenir  a  decadência,  relativo  a  tributo  de  competência  da  União,  cuja  exigibilidade  houver  sido  suspensa  na  forma  dos  incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001).  §1º O disposto neste artigo aplica­se, exclusivamente, aos casos  em que a  suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido  antes  do  início  de  qualquer  procedimento  de  ofício  a  ele  relativo. (grifei).  §  2º  A  interposição  da  ação  judicial  favorecida  com  a medida  liminar  interrompe  a  incidência  da  multa  de  mora,  desde  a  concessão  da  medida  judicial,  até  30  dias  após  a  data  da  publicação da  decisão  judicial  que  considerar  devido  o  tributo  ou contribuição."  Verifica­se  da  peças  dos  autos  referidas  nos  excertos  acima  transcritos,  notadamente o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO ­ n° 012.01/2010, fls.151/160 (vol.  1),  com  ciência  por AR  em 08/09/2010,  fls.162/163  que  a  situação  em  exame  se  enquadra  exatamente nas disposições excepcionais prescritas no § 1º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996,  visto  que  a  antecipação  de  tutela  determinando  a  suspensão  da  exigibilidade  do  Imposto de  Importação  e  do  IPI  concedida  em  17/07/2009  (fl.  511,  volume  3)  é  anterior  ao  início  do  procedimento fiscal.  Nesse sentido, nego provimento ao recurso de ofício.  RECURSO VOLUNTÁRIO  PRELIMINARES  Dos requisitos de admissibilidade  O Recurso Voluntário  é  tempestivo,  trata  de matéria  da  competência  deste  Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  Da ausência de concomitância  Da análise da petição Inicial, fls. 734/738, relativa à ação ordinária, processo  judicial nº 2009.38.06.000838­8, ajuizada pela empresa RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A,  atual  KINROSS  BRASIL  MINERAÇÃO  S.A,  constata­se  que  referida  empresa  buscou  provimento  judicial  visando  a  prorrogação  do  prazo  de  vencimento  de  seu Drawback,  consubstanciado no Ato Concessório n º 20070144214, conforme excertos a seguir transcritos:   “Ante  o  exposto,  considerando  a  presença  dos  requisitos  exigidos pelo art. 273 do Código de Processo Civil, requer­se a  antecipação  dos  efeitos  da  tutela  jurisdicional,  para  que  seja  suspensa  a  exigibilidade  dos  créditos  tributários  relativos  às  importações  que  foram  realizadas  sob  o  amparo  do  regime  de  Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   20 Drawback  Suspensão  (Ato Concessório  nº  20070144214)  até  o  julgamento final da presente ação.  IV – PEDIDO Em virtude do exposto, a Autora requer:  a) seja deferida a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional,  nos termos acima requeridos;  b) seja citada a União Federal para contestar a presente ação;  c)  seja  julgada  procedente  a  presente  ação,  para  declarar  o  direito  da  Autora  à  prorrogação  do  prazo  de  vencimento  do  regime  de  Drawback  Suspensão  (Ato  Concessório  nº  20070144214), com a consequente  inexigibilidade de quaisquer  tributos incidentes sobre as importações de insumos realizadas;  d)  A  condenação  da  União  Federal  ao  pagamento  das  custas  processuais e honorários de sucumbência a serem fixados por V.  Exa.”  Corrobora o entendimento acima, neste caso, não apenas o objeto delimitado  na petição  inicial  como  acima  transcrito, mas  também o pronunciamento  judicial  referente  à  antecipação de tutela, de 17/07/2009, fl. 511, que determinou à ré no prazo de 10 (dez) dias o  reexame  do  pedido  de  prorrogação  do  prazo  do  ato  concessório  de Drawback,  bem  como  a  sentença de fl. 971/984, proferida em 31/05/2011 que revogou a decisão antecipatória.  Prescreve  o  parágrafo  único  do  art.  38,  da  Lei  nº  6.830,  de  1980,  que  o  ingresso  da  contribuinte  na  via  judicial  importa  em  renúncia  da  via  administrativa,  ou  desistência  do  recurso  interposto.  Nesse  sentido  o  Parecer  Normativo/Cosit  nº  7,  de  22  de  agosto  de  2014,  que  dispõe  sobre  o  tratamento  a  ser  dispensado  ao  processo  administrativo  fiscal quando o sujeito passivo opta pela discussão concomitante na esfera judicial sobre objeto  idêntico, declara em caráter normativo que a propositura pela contribuinte, contra a Fazenda,  de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com  o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual  recurso  interposto; consequentemente, quando diferentes os objetos do processo  judicial e do  processo  administrativo,  este  terá  prosseguimento  normal  no  que  se  relaciona  à  matéria  diferenciada.  Conforme  relatado,  constata­se  que  o  principal  fundamento  do  lançamento,  de II, IPI, PIS e COFINS decorrente do descumprimento das exigências relativas ao Drawback  Suspensão  aprovado  pelo  Ato  Concessório  nº  20070144214,  reside  na  constatação  pela  fiscalização  de  saldos  positivos  de  insumos  importados  que  não  haviam  sido  utilizados  no  processo  de  produção  de  ouro  para  exportação,  buscando  a Recorrente  através  das  peças  de  defesa refutar os fundamentos da autuação.  Como bem ressaltado na decisão de piso, vale destacar:  (...)considerando­se  que  as  matérias,  apesar  de  não  serem  coincidentes,  são  interligadas,  cumpre  ressaltar  que  o  presente  julgamento administrativo fica subordinado à decisão definitiva  a  ser  proferida  na  ação  judicial.  Assim,  na  hipótese  de  superveniência  de  decisão  judicial  transitada  em  julgado  favorável  ao  contribuinte,  tornar­se­á  sem  efeito  o  auto  de  infração, total ou parcialmente, acaso se torne incompatível com  a  citada  decisão  judicial,  conforme  o  seu  teor  e  extensão,  devendo,  se  for  o  caso,  ser  extinto  ou  revisto  eventual  Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.137          21 procedimento administrativo de cobrança, por haver perdido ou  modificado seu objeto.  Dessume­se  assim que  as matérias  nas  esferas  administrativa  e  judicial  são  diferenciadas,  inexistindo  assim  concomitância  entre  as  referidas  esferas,  consequentemente  não  há  renúncia  à  instância  administrativa,  tendo  o  processo  administrativo  prosseguimento  normal, nos termos do artigo 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011 e alterações  promovidas pelo Decreto nº 8.853, de 2016.  Dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco  Em relação ao malferimento dos princípios invocados, da proporcionalidade,  razoabilidade  e  vedação  ao  confisco,  matéria  em  essência  de  natureza  constitucional,  de  competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o 1art. 26­A do Decreto  nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em  seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo  fiscal,  afastar a  aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional,  lei ou decreto,  sob fundamento de inconstitucionalidade.  Na  esteira  das  referidas  disposições  legais  o  Regimento  Interno  deste  E.  Conselho  prevê  em  seu  2artigo  62  que  é  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do                                                              1 Decreto nº 70.235, de 1972  Art. 26­A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)   (...)  §  6.º.  O  disposto  no  caput  deste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;  II–que fundamente crédito tributário objeto de:  a)dispensa  legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na  forma dos  arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;  b)súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de  1993; ou  c)pareceres  do Advogado­Geral  da União  aprovados  pelo Presidente  da República,  na  forma do  art.  40  da Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de  2009).    2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal;  (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103­A da Constituição Federal;  b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de  Justiça,  em sede de  julgamento  realizado  nos  termos  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da Lei  nº  13.105, de 2015 ­ Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada  pela Portaria MF nº 152, de 2016)  c)  Dispensa  legal  de  constituição  ou  Ato  Declaratório  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de  2002;  d) Parecer do Advogado­Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da  Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia­Geral da União, nos termos do  art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973.  Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   22 CARF afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional,  lei ou decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  exceto  nas  hipóteses  previstas  no  §  1º  do  mencionado dispositivo regimental.  Não  se  enquadrando  o  caso  em  exame  em  nas  hipóteses  excepcionadas,  aplica­se como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Do Pedido de diligência ­ prescindibilidade  A contribuinte  requer a  realização de diligência para que haja manifestação  fiscal no que se refere à aplicação do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual  art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011) ao caso concreto, no intuito de que seja corretamente  computado o consumo de insumos importados pela Recorrente no período de vigência do Ato  Concessório n° 20070144214.  O pedido de realização de realização de diligência deve se analisado à luz do  que  dispõe  o  artigo  18  do mesmo  diploma  legal,  com  a  redação  dada  pelo  art.  1º  da Lei  nº  8.748, de 1993:   “Art.  18  –  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”  Nesse  mister,  é  importante  ressalvar  que  o  deferimento  de  um  pedido  de  diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de  se conhecer determinada matéria ou  colher  determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda  que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o  caso dos autos, como restará demonstrada na análise de mérito.  Logo, na espécie em análise, o exame dos autos demonstra ser prescindível a  realização de uma diligência, notadamente em face da Informação Fiscal de fls.1.092/1.102 que  analisou  os  fatos  supervenientes  apresentados  pela  própria Recorrente  no  recurso  voluntário,  existindo  assim  elementos  probatórios  que  permitem  ao  julgador  a  cognição  dos  fatos  que  motivaram o presente feito, além da clareza do tipo legal que rege a espécie dos autos, tal como  se verifica na parte meritória da presente peça, motivo pelo qual o pedido de diligência deve  ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.    MÉRITO  Do Ato Concessório n º 20070144214                                                                                                                                                                                           e) Súmula da Advocacia­Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação  dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)  §  2º As  decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça em matéria  infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)  Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.138          23 Das constatações apuradas no Relatório de Fiscalização de fls.71/148, quanto  aos  compromissos  de  importação  e  exportação  vinculados  ao  Ato  Concessório  n  º  20070144214,  atualizadas  pela  Informação  Fiscal  de  fls.1.092/1.102  em  cumprimento  à  diligência determinada pela Resolução CARF nº 3302.000.455, de 16/10/2014, fls.1.073/1.088,  tem­se  a  ratificação  da  prorrogação  da  validade  do  Ato  Concessório  n  º  20070144214,  registrado  em  13/11/2007  com  validade  prorrogada  para  14/11/2012,  gerando  os  seguintes  efeitos quanto ao auto de infração em exame:  1­ Transferência dos saldos de insumos ­ relativos às DIs nºs 08/0558864­  1/001,  08/0990624­9/001,  08/1411600­5/001,  08/1530540­5/001,  08/1530923­0/001,  08/1626250­5/001 e 08/1696431­3/001. As 07 (sete) DIs transferidas referem­se a 04 (quatro)  itens  (produtos)  do Ato  concessório  n  º  20070144214,  conforme  discriminados  na  tabela  do  item 5 da Informação Fiscal;  2­  Reapuração  do  estoque  ­  após  a  exclusão  das  referidas  DIs  do  Ato  concessório n  º 20070144214, os saldos de estoque ficam significativamente alterados,  tendo  inclusive para os itens 11, 12 e 14 saldo de estoque zero.    3­  Exclusão  dos  valores  lançados  auto  de  infração  ­  referentes  às  DI  transferidas  conforme  valores  apurados  na  Informação  Fiscal  de  fls.1.092/1.102,  (item  1)  a  seguir demonstrados:      Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   24   Ante  a  superveniência  da  situação  fática,  ratificada  nos  aspectos  acima  demonstrados que levaram à reapuração dos compromissos assumidos no Ato Concessório n º  20070144214,  os  tributos  acima  destacados,  apurados  segundo  a  Informação  Fiscal  de  fls.1.092/1.102 serão exonerados do presente auto de infração.  4­ Manutenção do saldo positivo do estoque de mercadorias importadas ­  Conforme  item  6  (seis)  da  Informação  Fiscal  de  fls.1.092/1.102,  após  atualização  do  saldo  de  estoque  do  Ato  concessório  n  º  20070144214,  já  considerando  as  devidas  transferências,  constatou  a  fiscalização  ainda  a  existência  de  saldo  de  estoque  dos  insumos importados não transferidos, a seguir demonstrados:    Destaca a Informação Fiscal de fls.1.092/1.102:  Diante  da  prorrogação do Ato  concessório, a beneficiária não  tomou qualquer providência no que diz respeito as exportações  a  que  se  comprometeu  quando  da  obtenção  do  benefício  do  Regime  de  Drawback,  ou  seja,  a  beneficiária  não  vinculou  outras  exportações  ao  ato  concessório  nº  20070144214,  exportações  essas  que  deveriam  ser  de  produtos  (ouro)  produzidos  com  os  insumos  importados  através  do  ato  concessório.  À  época  do  lançamento,  43  (quarenta  e  três)  Registros  de  Exportação  –  REs  estavam  vinculados  ao  Ato  concessório  n  º  20070144214,  e,  atualmente,  os  mesmos  43  (quarenta  e  três)  REs  permanecem  vinculados,  sem  qualquer  alteração. (grifei).  Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.139          25 Concluindo­se,  portanto,  que  a  beneficiária  não  utilizou  os  saldos positivos de  insumos  lançados à  época, na produção do  produto (ouro) a ser exportado no Ato concessório.  No entanto, na vigência do período prorrogado, com a anuência  do MIDC, a beneficiária foi autorizada a transferir os saldos de  insumos  relativos  as  DIs  nº  08/0558864­  1/001,  08/0990624­ 9/001, 08/1411600­5/001, 08/1530540­5/001, 08/1530923­0/001,  08/1626250­5/001 e 08/1696431­3/001. Com a transferência das  DIs para outro ato concessório, essas DIs não mais se vinculam  ao Ato Concessório n  º 20070144214, e, portanto, os saldos de  insumos  dessas  DIs  não  devem  mais  ser  considerados  para  o  cálculo  do  saldo  positivo  de  estoque  do  Ato  concessório  n  º  20070144214.(sic).  A Recorrente  em  sua manifestação  de  inconformidade  de  fls.  1.107/1.121,  questiona esse estoque remanescente através de alguns argumentos tais como: conflito entre o  princípio da não exportação de impostos (tributação no país de destino); que sua receita  total  decorre precisamente de 99% do ouro exportado, sendo forçoso concluir que todas as matérias­ primas e os  insumos  importados pela Recorrente  são  integralmente utilizados na extração do  ouro com destino ao exterior, fato corroborado pelas DIPJs e Planilhas Contábeis acostadas à  Impugnação  e  por  força  dos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade,  deve  ser  considerado o adimplemento total.  Questiona  ainda  a metodologia  de  apuração  dos  estoques,  quanto  ao  termo  inicial da vigência do Ato Concessório n° 20070144214, qual seja, a data do deferimento dos  mencionados Regimes Especiais Aduaneiros.  Conforme se demonstrará a seguir, não assiste razão à Recorrente.  Pelo teor do art. 341 do RA/2002, cuja matriz legal é o art. 78 do Decreto­lei  n.º 37, de 1966 pode­se inferir que o texto regulamentar impõe de forma clara a vinculação  entre  a  mercadoria  importada  e  a  mercadoria  a  ser  exportada  no  regime  aduaneiro  especial de Drawback suspensão seja quanto à espécie, quantidade, valor e prazo.  Assim, sendo referido regime um incentivo fiscal à exportação, é necessário  que  a  importação  e  a  exportação  estejam  devidamente  vinculadas,  de  tal  forma  a  permitir  o  efetivo controle pelo  fisco do emprego e destinação dos bens, possibilitando a exigência dos  tributos suspensos caso não sejam atendidas as condições que levaram à concessão do regime.  Os  requisitos  legalmente  determinados  para  admissão  das  mercadorias  no  regime  de  drawback  materializam­se  em  cada  caso  na  emissão  de  um  Ato  Concessório.  Expedido  um  Ato  Concessório,  o  beneficiário  do  regime  drawback,  modalidade  suspensão,  responsabiliza­se pelos termos nele acordados. Ao beneficiário é dado o direito de importar  com suspensão de tributos os produtos ali discriminados, desde que, cumpra com o dever  de  exportar  os  produtos  também  ali  determinados,  nas  quantidades,  valores  e  prazos  constantes no referido Ato.  No caso em espécie, quando da diligência solicitada, fez a fiscalização uma  apuração  criteriosa  ante  os  fatos  arguídos  pela  Recorrente,  no  entanto  restou  cabalmente  demonstrado,  que  (embora  posteriormente  a  autuação,  a  validade  do  Ato  Concessório  n  º  20070144214,  registrado  em  13/11/2007  tenha  sido  prorrogada  até  14/11/2012),  quando  da  Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   26 diligência efetuada, cujo relatório fiscal foi emitido em 29/04/205, com ciência pela interessada  em 18/05/2015, conforme AR de fl.1104, a situação quanto aos compromissos de exportação  permaneceram  iguais  à  época  da  autuação,  como  já  demonstrado,  fato  não  questionado  pela  defesa visto que seus argumentos de discordância têm outro viés de contestação.  É de se ressaltar que embora argua a defesa que há um montante significativo  de sua receita decorrente da exportação de ouro, fato plenamente plausível pela sua condição  de  exportadora  de  ouro,  o  que  se  discute  nos  autos  é  o  inadimplemento  dos  compromissos  assumidos no âmbito do drawback conforme Ato Concessório n º 20070144214, fato até agora  sobejamente demonstrado pela  fiscalização, visto que mesmo com a prorrogação da validade  do  ato  concessório  até  14/11/2012  não  houve  a  exportação  do  produto  no  montante  compromissado,  restando  no  estoque  insumos  importados  na  vigência  do  regime,  com  suspensão dos tributos (II, IPI, PIS e COFINS) .  Note­se que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que vise  infirmar  as  provas  trazidas  pela  fiscalização  ou  qualquer  outra  prova  que  demonstre  recolhimentos efetuados pela referida empresa, com relação aos tributos suspensos quando da  importação dos insumos discriminados no já referido ato concessório, seja na impugnação, no  recurso  voluntário  ou  ainda  quando  manifestação  de  inconformidade  após  a  ciência  da  diligência.  Da metodologia para apuração do estoque   Quanto à metodologia utilizada pela  fiscalização  igualmente não prospera a  tese da defesa, conforme se verifica dos excertos Relatório de Fiscalização de fls.71/148:  A  partir  da  relação  Insumo  x  Produto  apresentada  no  laudo  técnico,  esta  fiscalização  elaborou  Planilha  de  Cálculo  De  Utilização  Do  InsumoxImportado  Na  Produção  Do  Bem  Exportado  ­  Produção  e  Estoque  para  cada  um  dos  Itens  importados. (Documentos 06)  A  conclusão  a  que  se  chegou  pode  ser  verificada  no  quadro  resumo  abaixo,  no  qual  verifica­se  um  estoque  final  (saldo  positivo de estoque) de insumos importados. O saldo positivo de  estoque  final  caracteriza  que  as  mercadorias  importadas  não  foram  integralmente  utilizadas  no  processo  produtivo  das  mercadorias a serem exportadas.(grifei).  (...)  A apuração do estoque, no caso do Regime de Drawback, deve  ser  realizada  por  Ato  Concessório.  O  estoque  inicial  de  determinado insumo será a primeira importação vinculada ao  Ato  concessório,  à  exceção  da  beneficiária  ter  solicitado  tempestivamente  a  transferência  de  insumos  de  insumos  de  outro  ato  concessório,  conforme  já  exposto  no  título  4.3.3.(grifei).  Observe­se que os  insumos transferidos foram indicados pela Recorrente ao  Departamento  de  Operações  de  Comércio  Exterior  ­  DECEX  do  Ministério  do  Desenvolvimento,  Indústria e Comércio Exterior – MDIC  ,  fl. 1.067 e  recalculado o estoque  com o  cômputo  de  todas  as  exportações  efetuadas  no  prazo  de  vigência  do  regime,  ou  seja,  foram  computadas  as  exportações  cujos  embarques  ocorreram  no  período  de  29/11/2007  a  06/11/2008,  pois  como  já  enfatizado,  ainda que  a  validade  tenha  sido  prorrogada  não  foram  Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.140          27 vinculadas outras exportações além dos 43 (quarenta e três) Registros de Exportação – REs  que  já  estavam vinculados ao Ato concessório n  º  20070144214  conforme metodologia  já  referida,  não  sendo  aplicado  pela  fiscalização  a  exceção  do  3§  4°  do  artigo  83  da  Portaria  SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011), como argui a defesa, visto  que essa norma diz respeito ao prazo a quo para a validade de um ato concessório, regra geral,  a partir do deferimento deste, e regra excepcional para os casos de drawback para fornecimento  ao  mercado  interno  e  não  à  metodologia  para  a  quantificação  dos  estoques  dos  insumos  importados  com  vistas  a  aferir  a  utilização  destes  durante  o  regime  em  função  do  ciclo  produtivo da empresa.  Nesse  mister,  cabe  enfatizar  que  somente  a  partir  do  deferimento  do  ato  concessório  está  a  beneficiária  apta  a  importar  com  suspensão  dos  tributos,  logo  para  a  quantificação  do  estoque,  o  estoque  inicial  de  um  determinado  insumo  será  a  primeira  importação vinculada ao Ato concessório,  Também não prospera o suposto conflito entre o princípio da não exportação  de impostos e a tributação no país de destino como pertinentemente fundamentou a decisão de  piso:  Não assiste razão à defendente quando afirma que há conflito do  princípio  da  vinculação  física  com  o  da  tributação  no  país  de  destino.  Ambos  estão  incorporados  a  normas  relacionadas  ao  tratamento tributário das exportações. Enquanto o segundo visa  a evitar a exportação de tributos, o primeiro visa a inibir o uso  indevido  do  drawback,  evitando  que  pessoas  se  utilizem  indevidamente  de  insumos  importados  sem  o  pagamento  de  tributos,  desviando­os  irregularmente  ao  mercado  interno,  concorrendo  deslealmente  com  os  produtores  nacionais,  prejudicando a indústria brasileira.  Igualmente  não  assiste  razão  à  defesa  quando  afirma  que  por  não  haver  prejuízos aos cofres públicos uma vez que recolhe todos os tributos incidente sobre sua renda,  folhas­de­salários  e  demais  contribuições  em  função  da  exploração  do  ouro  com  destino  ao  exterior, não é razoável manter a exigência em discussão, inclusive porque também se aplica ao  caso  a  fungibilidade,  haja  vista  que  as  hipóteses  mencionadas  se  referem  a  fatos  geradores  distintos, inaplicáveis ao caso, tampouco a fungibilidade dos insumos, pois como já ressaltado,  no  drawback  suspensão,  prepondera  por  força  da  legislação  de  regência,  o  princípio  da  vinculação física, cujos  insumos  importados devem ser utilizados  integralmente no produto a  ser exportado, nas quantidades e dentro do prazo de validade do ato concessório.   Da multa de ofício relativa ao PIS/COFINS  Com relação a exclusão ou redução ao percentual de 20% da multa de ofício  relativo ao PIS/COFINS, cabem as seguintes considerações:  Dispõe a Lei nº 9.430/1996:  "Art.  63.  Na  constituição  de  crédito  tributário  destinada  a  prevenir  a  decadência,  relativo  a  tributo  de  competência  da                                                              3 §4º O prazo de vigência do drawback será contado a partir da data de deferimento do respectivo ato concessório,  à exceção do drawback para fornecimento ao mercado interno ou embarcação, para os quais será contado a partir  da data de registro da primeira declaração de importação.  Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   28 União,  cuja  exigibilidade  houver  sido  suspensa  na  forma  dos  incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001).  §1º O disposto neste artigo aplica­se, exclusivamente, aos casos  em que a  suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido  antes  do  início  de  qualquer  procedimento  de  ofício  a  ele  relativo.(grifei).  Conforme já ressaltado no presente voto, a antecipação de tutela além de ser  expressa  quanto  à  suspensão  da  exigibilidade  do  Imposto  de  Importação  e  do  IPI,  cujas  operações estejam abrigadas pelo Ato Concessório de Drawback nº 20070144214, foi anterior  (concedida em 17/07/2009)  à ciência do Termo de  Início de Fiscalização,  situação amparada  pelas disposições do § 1º do art. 63 acima transcrito, no entanto com relação às Contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  à  COFINS,  devidas  por  ocasião  das  importações  compromissadas,  não  cabe  a  exclusão  da  multa  de  ofício,  já  que,  na  data  da  ciência  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização, (em 08/09/2010 ) inexistia qualquer medida judicial na forma dos incisos IV e V  do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade dos referidos tributos.  Quanto  à  redução  pretendida,  cabe  ressaltar  que  a  cominação  de  uma  penalidade,  é  matéria  adstrita  à  reserva  legal,  conforme  art.  97,  V,  do  Código  Tributário  Nacional – CTN devendo haver em decorrência do princípio da estrita legalidade, a subsunção  dos fatos à hipótese legal.  No caso dos autos de lançamento de ofício o percentual de 75% foi aplicado  por força art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, inexistindo base legal para a redução pleiteada.  Dos Juros de Mora  Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código  Tributário Nacional, verbis:  "Art.  161 ­ O Crédito não  integralmente pago no vencimento é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária."   §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei).  Os  juros  de  mora,  ex  vi  do  art.  161  retrotranscrito,  incidem  quando  da  insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da  contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece  seja qual for o motivo determinante da falta.  Diferentemente da multa de ofício, que por expressa determinação legal, por  força do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece as regras legais pertinentes a créditos  tributários  que  se  encontrem  sub  judice,  não  caberá  lançamento  de  multa  de  ofício  na  constituição  de  crédito  tributário  destinada  a  prevenir  a  decadência,  relativo  a  tributo  de  competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do  art. 151 do CTN.  Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/2010­47  Acórdão n.º 3302­003.379  S3­C3T2  Fl. 1.141          29 Acrescente­se  ainda,  pela  escorreita  análise  sobre  a  matéria,  excertos  da  decisão de piso:  Em relação aos juros de mora nos lançamentos para prevenir a  decadência,  quando  não  realizado  depósito  judicial  integral,  como acontece no caso presente, os referidos acréscimos devem­ se  à  exigência  legal  estipulada  no  art.  161  do  CTN,  cuja  interpretação mais  abalizada  leva  à  conclusão  de  que  além do  depósito  integral,  a  outra  exceção  a  inibi­lo  é  o  processo  de  consulta  sobre  a  legislação  tributária.  Observe­se  o  referido  artigo:  (...)  Segundo o caput do art. 161 os juros de mora são exigidos “seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta”.  A  exceção  admitida  refere­se a pendência de resposta a consulta sobre a legislação  tributária,  formulada  pelo  contribuinte.  Enquanto  não  respondida a consulta, o Fisco se constitui em mora com relação  ao  consulente.  Por  dar  causa  a  uma  eventual  demora  no  recolhimento do tributo objeto da consulta – se acaso a resposta  for  para  pagar  mais  do  que  o  contribuinte  entende  dever,  nos  termos da consulta formulada – é que não cabe ao Fisco exigir  juros de mora.  Nas  outras  hipóteses  de  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  em  que  ao  Fisco  não  cabe  a  responsabilidade  pela  mora, como sói acontecer no caso das ações judiciais ­ quando  deferida liminar em mandado de segurança ou tutela antecipada  – cabe, quando revogadas as citadas decisões, o pagamento dos  juros de mora, que possuem natureza indenizatória.  A outra exceção a excluir a incidência dos juros de mora, afora  a  pendência de  consulta,  é  a  do  inciso  II  do  art.  151  do CTN:  depósito integral, seja judicial ou administrativo.  Em  havendo  depósito  integral,  após  o  trânsito  em  julgado  o  montante depositado será convertido em renda da União, caso o  Fisco  saia  vitorioso  na  causa,  ou  então  será  levantado  pelo  contribuinte, se este lograr êxito na contenda.  A conversão em renda equivale a um pagamento à vista. Por isto  descabe o  lançamento de  juros de mora. Esta não é a  situação  em tela, em que o lançamento teve a sua exigibilidade suspensa  sem  ter  sido  efetuado  o  depósito  do  montante  equivalente  aos  créditos tributários com exigibilidade suspensa judicialmente.  O  Decreto­lei  nº  1.736/1979,  ainda  em  vigor,  afasta  qualquer  dúvida que possa existir quanto à incidência dos juros de mora  em  relação  a  créditos  tributários  cuja  exigibilidade  tenha  sido  suspensa por decisão judicial:  Art 5º ­ A correção monetária e os juros de mora serão devidos  inclusive  durante  o  período  em  que  a  respectiva  cobrança  houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial.  Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA   30 Argumenta  ainda  a  Recorrente  [...  que  o  prazo  de  vigência  do  Ato  Concessório n° 20070144214 foi prorrogado até 14/12/2012, não há que se falar em exigência  de quaisquer juros antes desta data, o que leva à conclusão de que não eram devidos os juros  de mora exigidos na presente autuação] (grifei), no entanto, não prospera a tese ventilada haja  vista que a prorrogação da validade do ato concessório, de modo algum interfere na contagem  dos juros de mora, uma vez que referidos acréscimos moratórios são contados a partir da data  do  registro da  importação dos  insumos,  à época  com suspensão,  cujos valores  são objeto do  presente lançamento, em decorrência do descumprimento dos compromissos assumidos como  acima fundamentado e não da data de vencimento do ato concessório como proposto, conforme  determina a legislação tributária, artigo 161 do CTN c/c o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de  1996.   Assim,  sendo  a  atividade  administrativa  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disciplina o parágrafo único do  art.  142  do  CTN,  cumpre  ao  agente  público,  no  caso  em  espécie,  ao  Auditor­Fiscal,  desempenhá­la na forma e nas condições estabelecidas por lei. Nesse mister, foram aplicados  aos  débitos  objeto  da  presente  lide  o  percentual  de  juros  de mora  com escopo na  legislação  específica.  Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício,  rejeitar  as preliminares  suscitadas  e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso  Voluntário, nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal.  [Assinado digitalmente]  Maria do Socorro Ferreira Aguiar                                    Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA

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Numero do processo: 11080.721997/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.500,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/2015­01  Acórdão n.º 2202­003.534  S2­C2T2  Fl. 62          2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa  (Presidente), Martin  da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique  Sales  Parada,  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Dílson  Jatahy  Fonseca  Neto  e  Rosemary  Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  11080.721997/2015­01,  em  face  do  acórdão  nº  12­77.110,  julgado  pela  18ª.  Turma  da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) no qual os  membros  daquele  colegiado  entenderam  por  julgar  improcedente  a  impugnação  apresentada  pelo contribuinte.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os  relatou:  Contra  o  contribuinte  foi  lavrada  a  Notificação  de  Lançamento  de  fls.08/10  relativa  ao  Imposto  Sobre  a Renda  de  Pessoa  Física,  ano­calendário  2011,  para  cobrança  do  crédito tributário de R$ 16.465,06.   O lançamento é decorrente das seguintes infrações:   *dedução  indevida  de  previdência  privada  e  Fapi  de  R$  9.897,65;   *dedução indevida de despesas médicas de R$ 20.000,00.   O enquadramento legal encontra­se às fls. 27/29 e 32.   Inconformado, o interessado ingressou com a impugnação de  fls. 08/10, alegando, em síntese, que:   1.  é  natural  de  Caçapava  do  Sul,  tem  familiares  (  mãe,  sobrinho(dentista) irmãos) na cidade e, portanto, retorno com  freqüência para lá;   2.  durante  o  ano  de  2011,  realizou  tratamento  dentário  que  incluiu,  cinco  implantes  dentários  e  cinco  jaquetas  de  porcelana,  cujos  procedimentos,  por  serem  demorados,  exigiram várias  idas e vindas para aquela cidade e portanto  justificando  a  despesa  que,  em  Porto  Alegre  teria  um  custo  bem maior;   3. está anexando cópia do recibo de despesa com declaração  do profissional  que  realizou  o  trabalho  para  dar  veracidade  ao recibo;   Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/2015­01  Acórdão n.º 2202­003.534  S2­C2T2  Fl. 63          3 4.  alega  que,  no  recibo  consta  o  ano  da  emissão  por  duas  vezes e solicita não sejam computados juros sobre o valor que  está comprovando.   5. por fim, solicita prioridade com base no Estatuto do Idoso e  o cancelamento do débito fiscal reclamado.   Ressalte­se  que,  em  20/03/2015  ,  o  crédito  tributário  foi  transferido  para  o  processo  nº  11080.722.355/2015­11,  de  acordo com o Termo de Transferência de fl.28.   O processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento  para solução da lide , em 12/05/2015 (fl.32)  Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 46/47, onde  são reiterados, em parte, os argumentos já lançados na impugnação, apresentando, em anexo ao  recurso, documentos às fls. 48/52, no intuito de comprovar seu direito.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Primeiramente,  quanto  aos  documentos  juntados  em  anexo  ao  recurso  voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da  verdade material e formalismo moderado.  Em  recurso  voluntário  o  contribuinte  delimita  a  lide  em  relação,  exclusivamente,  à  glosa  no  valor  de  R$  13.500,00  referente  a  despesas  médicas  com  o  cirurgião dentista Antonio Celso Souza Ribeiro.  Verifica­se que às  fls.  13/14 dos  autos há declaração do dentista quanto  ao  tratamento  odontológico,  bem  como  recibo  de  pagamento,  no  valor  total  do  tratamento,  no  valor de R$ 13.500,00, datado de 28/12/2011.  A DRJ de origem entendeu por manter a glosa por não ter sido especificado a  forma de pagamento.  Em  recurso  voluntário  foi  dito  pelo  contribuinte  que  o  pagamento  foi  realizado  em  dinheiro,  de  forma  parcelada,  no  decorrer  do  ano  de  2011.  Assim,  recebeu  o  contribuinte do seu dentista, no final do respectivo ano, o recibo dos valores que já haviam sido  antecipados o pagamento durante o tratamento em um recibo único.  Conforme  documento  de  fl.  13  (declaração  do  dentista)  há  informações  do  procedimento  realizado  pelo  dentista  com  o  contribuinte:  tratamento  periodontal,  implantes,  próteses e restaurações. Corroborando este documento, há nos autos uma radiografia à fl. 48,  com  laudo  interpretativo  de  médico  radiologista  a  qual  fica  confirmado  que  o  contribuinte  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/2015­01  Acórdão n.º 2202­003.534  S2­C2T2  Fl. 64          4 efetivamente recebeu este  tratamento, pois a radiografia é clara ao referir que há 7 implantes  metálicos  e  16  próteses  para  reabilitação  de  dentes  ausentes.  Além  disso,  são  apresentadas  todas as conclusões da radiografia, que por não serem relevantes, deixa­se de fazer referência.  Deste modo, entendo como comprovado o tratamento odontológico recebido  pelo contribuinte. Quanto a forma de pagamento do valor de R$ 13.500,00, entendo que nada  impeça ao contribuinte de realizar tal pagamento em dinheiro, sendo o recibo prova suficiente  para comprovação desta despesa, não havendo indícios, neste caso, para exigir do contribuinte  que prove o pagamento com outras provas.  Portanto, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a  glosa  impugnada.  Portanto,  prosperam  as  razões  apresentadas  pelo  contribuinte,  devendo  ser  afastada glosa de despesa médica no valor de R$ 13.500,00, consubstanciada na notificação de  lançamento.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  afastando­se a glosa no valor de R$ 13.500,00, em relação a dedução de despesas médicas.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator.                              Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA

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Numero do processo: 10980.011851/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do contribuinte.
Numero da decisão: 1402-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo M ateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar

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1402­002.348  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de outubro de 2016  Matéria  IRPJ  Recorrente  BANCO BANESTADO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  INCENTIVO  FISCAL  ­  FINOR.  REQUISITOS  ­  ART.  60  DA  LEI  9.069/1995.  PEDIDO  DE  REVISÃO  DE  ORDEM  DE  EMISSÃO  DE  INCENTIVOS  FISCAIS  ­  PERC.  AUSÊNCIA  DE  INDICAÇÃO  DE  DÉBITOS.  A  regularidade  fiscal  do  sujeito  passivo,  com  vistas  ao  gozo  do  incentivo,  deveria  ser  averiguada  em  relação  à  data  da  apresentação  da DIPJ,  onde  o  contribuinte  manifestou  sua  opção  pela  aplicação  nos  Fundos  de  Investimentos.  Uma  vez  deslocado  o  marco  temporal  para  efeito  de  verificação  da  regularidade  fiscal,  há  que  se  admitir  também  novos  momentos  para  o  contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando­se a ele a  oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão  administrativa sobre o direito ao incentivo.  Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de  uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção  efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 18 51 /2 00 7- 20 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 236          2 (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade  Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar  Nader Quintella, Paulo M ateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua  Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.                                        Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 237          3 Relatório    Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 131 a 199) interposto contra v. Acórdão  proferido  pela Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  de Curitiba  (fls.  125  a  128)  que manteve  o  r. Despacho Decisório  de  indeferimento  (fls.  102  a  106  )  do Pedido  de  Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais ­ PERC (fl. 2).    A  opção  pelo  incentivo  ao  FINOR  foi  feita  pelo  ora  Recorrente,  Banco  Banestado S/A, na sua DIPJ 2005, relativa ao ano­calendário de 2004. Em face da denegação  da emissão do incentivo pretendido, o PERC foi, em 25/09/2007, apresentado por procurador  do Contribuinte,  trazendo  o  recibo  de  entrega  e  cópias  de  inúmeras  Fichas  da  sua DIPJ  em  questão. Também instrui o pedido com comprovantes de recolhimento de Imposto de Renda do  ano­calendário 2004, planilha de pagamentos, DCOMPs transmitidos em fevereiro de 2005 e  outros documentos fiscais do mesmo período (fls 4 a 23).    Devidamente  processado  o Pedido,  e  após  juntada de Consulta  ao CADIN,  Certidão Previdenciária e Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, em junho de  2008,  a  Fiscalização  regional  emitiu  a  Intimação  SEORT/EQEST  nº  95/2008  (fls.  41  a  44),  instruída com parte de tal documentação levantada internamente pela RFB.     A referida Intimação exigia a seguinte documentação:    Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 238          4       Na sequência, depois de pedido de dilação de prazo (fl. 45 a 52), que restou  deferido mas não cumprido pelo Contribuinte,  em agosto de 2008,  foram  juntados  aos  autos  cópia  de  processo  administrativo  referente  a  DCOMP,  cópia  de  decisão  judicial  sobre  tal  compensação, Extrato  de  Informação  de Apoio  a Emissão  de Certidão,  consulta  ao CADIN,  Certidões de regularidade do FGTS e Previdenciária, Consulta de Declarações e Pagamentos  de  IRPJ,  resumos  de  DIRF  (54  a  94),  acompanhado  de  "diagnóstico  doPERC",  feito  pelo  Órgão interno da Fiscalização (fls. 96 a 101).    Imediatamente  após,  foi  exarado  o  r.  Despacho  Decisório  (fls.  102  a  106)  indeferindo PERC, na data de 26/08/2008.  Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 239          5   Tal decisão indefere o pedido com base na simples alegação de que o sistema  da  RFB  e  o  CADIN  apontam  débitos  ativos,  naquele momento,  em  nome  do  Banco.  Eis  o  trecho que fundamenta e decide pela rejeição do pedido:      (...)      Diante  de  tal  revés,  o  ora  Recorrente  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade (fls. 107 a 122), alegando que a decisão é nula, seja pela Fiscalização não ter  analisado a opção pelo benefício à época de sua entrega, bem como pelo sistema da RFB ser  manifestamente falho e incongruente em relação a pendências ativas.  Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 240          6   Ato contínuo, a DRJ de Curitiba/PR proferiu o v. Acórdão  (fls. 125 a 128)  ora  recorrido,  indeferindo  o  pedido  contido  na  Manifestação  de  Inconformidade.  De  tal  v.  Acórdão, desatacam­se a ementa e os seguintes trechos:        (...)    (...)  Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 241          7     Em face do v. Acórdão, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 131  a  199),  agora  sob  apreço,  repisando  os  argumentos  da  Manifestação  de  Inconformidade  e  acostando  novos  documentos  (listagem  SINCOR,  extrato  de  débitos  de  IRRF  referentes  a  processo  administrativo  de  2003  e  seus  respectivos DARFs  recolhidos,  cópias  de  Petições  e  Cartas  à  RFB  esclarecendo  a  suposta  não  entrega  de Declarações  de  ITR,  pedidos  de  baixa  cadastral fiscal de tais bens e cópia de acordo judicial, no qual os imóveis rurais, inicialmente  arrestados  e  sequestrados,  foram  dados  em  pagamento  por  Réus  em  Ação  de  Prestação  de  Contas  e  de  Indenização),  todos  visando  à  comprovação  da  ausência  dos  débitos  apontados  pelo sistema da RFB.    Na seqüência, os  autos  foram encaminhados para este Conselheiro  relatar e  votar.    É o relatório.                Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 242          8     Voto             Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella­ Relator    O  Recurso  Voluntário  é  manifestamente  tempestivo  e  sua  matéria  se  enquadra  na  competência  desse  N.  Colegiado.  Os  demais  pressupostos  de  admissibilidade  igualmente foram atendidos.    Como  demonstram  os  autos,  pode­se  constatar  inicialmente  que,  em  momento  algum,  foi  feita  a  análise  específica  da  existência  de  débitos  ativos  em  face  da  decorrente no momento da opção ao benefício para ao FINOR (DIPJ 2005).    Ao seu turno, todas as manifestações das Autoridades Fazendárias julgadoras  se voltaram a verificar as pendências constantes do sistema da Receita Federal do Brasil nos  momentos de análise e apreciação de procedência do PERC, o que foi feito no ano de 2008.    Nesse sentido, a r. Decisão que primeiro indeferiu o PERC se limita a atestar  que  o  sistema  IRPJOEIF  foi  alimentado  com  a  informação  de  irregularidade  fiscal  do  contribuinte, determinando, conforme diagnóstico de fls. 93 a 98, o indeferimento do Perc em  questão. Essa é fundamentação da denegação ao Contribuinte, não se aprofundando na origem  e data das pendências, apenas remetendo às consultas efetuas em agosto de 2008.    E,  por  sua  vez,  no  v.  Acórdão  recorrido,  a  situação  é  muito  semelhante,  afirmando  que  deveria  [o  Recorrente]:  1)  comprovar  a  extinção  ou  a  suspensão  da  exigibilidade dos créditos tributários relativos a três débitos já ajuizadas (processos n° 10980­ 502.690/2006­06, n° 10980­003.871/2007­27, e n° 10980­011.369/2002­85); 2)  comprovar o  recolhimento dos tributos declarados na DIPJ 2005; 3) apresentar recibos de entrega de três  DITR,  ali  perfeitamente  discriminadas;  e  4)  apresentar  comprovantes  da  regularização  das  situações que deram causa à sua inclusão no CADIN, indicadas no demonstrativo que lhe foi  enviado  junto com a  intimação.  (...) O fato concreto é, primeiro, que por expresso comando  legal (art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995), a existência de débitos fiscais obsta a concessão  de incentivos fiscais; e, segundo, que existem pendências e que estas, debalde foram apontadas  de  forma  absolutamente  inequívoca  à  contribuinte,  bem  como  lhe  foi  assinalado  prazo  ­  posteriormente dilatado ­ para que as remediasse.    Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 243          9 Em primeiro lugar, todos os supostos débitos mencionados neste v. Acórdão  têm origem posterior à opção feita na DIPJ 2005, (inclusive aqueles apontados em consulta ao  CADIN e o do Processo Administrativo nº 10980­011.369/2002­85, o qual, apesar de gerado  em  2002,  só  teve  sua  inserção  no  sistema  como  "ativo"  em  18/06/2006  e  ajuizamento  para  cobrança em 26/06/2007 ­ fl. 50) não se demonstrando, com sucesso, a existência de um débito  plenamente exigível no período original da opção.    Mister esclarecer que a mera constatação de ausência de entrega de DITRs,  per  si,  não  constitui  débito  tributário  exigível,  ativo,  visto  que  não  constam  lançamentos  isolados  de  penalidades  por  descumprimento  de  tal  obrigação  acessória  em  seu  "conta  corrente" (o art. 60 da lei nº 9.069/65 é claro quando condiciona os benefícios à comprovação  pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais).  Mas, mesmo assim, nesse ponto, justificando a razão da ausência de entrega de Declarações, o  Recorrente  faz prova nos  recursos  apresentados  de que  já  estava esclarecendo,  junto  à RFB,  tais  supostas pendências acessórias,  existindo  inúmeros processos administrativos específicos  para  cada  imóvel,  e  pedidos  de  baixa  cadastral  deles,  sendo  estes,  inclusive,  objeto  de  uma  Ação Judicial de Prestação de Contas e de Indenização.    Por fim, é relatado no v. Acórdão o descumprimento do Recorrente em trazer  documentos  de  recolhimento  do  ano  de  2004  (DIPJ  2005).  Tal  solicitação,  abstrata  e  padronizada, cria uma espécie de presunção de débito em aberto, o que não poderia obstar o  benéfico pretendido.     Melhor  explicando,  tal  exigência  claramente  se  trata  de  requisito  genérico  para  concessão  de  benefício,  vez  que  nos  Extratos,  várias  vezes  juntados  aos  autos,  não  há  menção  expressa  a  débito  de  IRPJ  ou  CSLL  de  tal  período,  não  havendo  apontamento  específico de um débito sequer de tal ano­calendário na Intimação SEORT/EQEST nº 95/2008  (fls.  41  a  44),  representando  uma  verdadeira  inversão  automática  do  ônus  comprobatório  da  existência de débitos.    Fica  claro que o  indeferimento do PERC se deu em  razão da  existência  de  supostos  débitos  em  aberto  nos  momentos  em  que  os  decisórios  foram  exarados,  qual  seja  agosto  e  novembro  de  2008  e  pelo  descumprimento  de  exigências  descabidas. Ainda  que  o  Recorrente não  tenha  atendido  a  Intimação  para  esclarecimento  e  regularização  das  supostas  pendências  apresentadas,  todas  aquelas  que  foram  objetivamente  detectadas  são  referentes  a  débitos ativos, posteriores à opção pelo benefício.    Claramente,  o  v.  Acórdão  deve  ser  reformado,  à  medida  em  que  colide  frontalmente  com  o  teor  da  Súmula  nº  37  e  com  a  jurisprudência  majoritária  deste  E.  CARF/MF.  Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 244          10   Súmula CARF nº.  37  ­ "Para  fins de deferimento do Pedido de  Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de  comprovação  de  regularidade  fiscal  deve  se  ater  ao  período  a  que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica  na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo­se a prova da  quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos  termos do Decreto nº 70.235/72."    O sentido dessa norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do  contribuinte  ao  usufruto  dos  benefícios  ­  os  quais  em  questão,  possuem,  inclusive,  intenção  final  de  fomento  econômico  regional  ­  mas  apenas  condicionar  o  seu  gozo  à  quitação  ou  regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto.    Diante disso, em não havendo a constatação precisa e objetiva de que, na data  da  entrega  da  DIPJ,  o  contribuinte  possuía  débitos  de  tributos  ou  contribuições  federais  plenamente  exigíveis,  não  há  motivação  legal  para  impedir  a  fruição  do  benefício  optado.  Ainda  que  novos  débitos  surjam  após  a  data  da  entrega  da  declaração,  estes  apenas  terão  relevância  para  a  concessão  de  benefícios  nos  períodos  posteriores,  temporalmente  correspondentes a tais créditos tributários ativos.    Superada a ponderação de necessidade de reforma do v. Acórdão, a qual se  mostra  imperiosa,  deve  ser  feita  a  análise devida da documentação  constante dos  autos,  seja  trazida  pelo  contribuinte,  seja  acostada  pelos  Órgãos  de  Fiscalização,  à  luz  da  Súmula  mencionada.     Não  obstante  ter  o  ora  Recorrente  trazido  documentos  probatórios  e  esclarecimentos  de  sua  regularidade  em  relação  a  determinados  períodos  no  seu  Recurso  Voluntário  e,  da  mesma  forma,  tenha  sido  acostado  diversas  vezes  Certidões  e  Extratos  referente  à  situação  fiscal  do  contribuinte,  não  há  elementos  nos  autos  bastantes  à  clara  comprovação precisa da  inexistência de débitos ativos, ao  tempo da opção. Ressalve­se aqui,  mas uma vez, o descabimento de se exigir, genericamente, do contribuinte a prova de sua lisura  fiscal na época da opção pelo incentivo.    Mesmo  assim,  é  interessante  apontar  que,  no  julgamento  do  Acórdão  nº  10323546,  de  14/08/2008,  proferido  pela  C.  3ª  Câmara  do  E.  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes, que também serviu de paradigma para a Súmula CARF nº 37, os I. Julgadores  enfrentaram situação muito semelhante e adotaram o seguinte entendimento:    Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 245          11 A  análise  do  favor  fiscal  caminhou  em  sentido  diverso  da  jurisprudência deste Conselho, segundo a qual, para seu gozo, a  beneficiada deve estar regular na data da entrega da declaração  (e  não  na  data  do  pedido  de  revisão  ou  do  despacho  administrativo ou em outro qualquer).  (...)  Não há no processo comprovação cabal de que a empresa estava  regular  em  1998;  por  outro  lado,  também  não  há  prova  em  contrário. Cabe fixar a quem deve realizar tal prova.  É  cediço  que  a  SRF  orienta  a  apresentação  da  prova  da  regularidade  relativamente  à  data  do  pedido,  assim  como  no  curso do processo e não na data da entrega da declaração.  Assim, se o pedido houvesse sido indeferido com base em algum  débito  comprovadamente  contemporâneo  da  declaração  de  rendas,  caberia  à  defesa  fazer  prova  em  contrário  no  recurso  voluntário. No entanto, não é o caso nos presentes autos    No mesmo sentido é o Acórdão n.º 1102.001.334, de votação unânime e de  relatoria do I. Conselehiro Ricardo Marozzi Gregório, proferido em 04/05/2015, pela 2ª Turma  Ordinária  da  1ª  Câmara  dessa mesma  1ª  Seção,  trazendo,  de  forma  explicativa,  essa mesma  posição jurisprudencial do CARF:    Este acórdão[o de nº 10323546, acima citado, que deu origem à  Súmula  37]  traz  lição  no  sentido  de  determinar  a  distribuição  dos  ônus  de  prova.  Entende­se  que,  tendo  a  Administração  Pública comprovado, quando do indeferimento do pedido, que a  Contribuinte tinha débitos ou pendências ao tempo da opção ou  do Pedido de Revisão, qualquer que seja, então ainda restaria à  Contribuinte  a  possibilidade  de  comprovar  que  os  débitos  não  existiam, ou não eram exigíveis.    Entretanto,  caso  nenhuma  das  duas  partes  consiga  comprovar  nada,  então  a  presunção  é  que  deve  ser  aceito  o  pleito  da  Contribuinte.    Como se observa, o entendimento  foi claramente firmado no sentido de  ser  necessária,  inicialmente,  a  oposição  pelo  Fisco  ao  contribuinte  da  existência  de  determinada  pendência,  à  época  da opção  e,  por  sua vez,  caberia  ao  contribuinte  elidir  tal  demonstração,  através de prova, durante o processo administrativo.    Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10980.011851/2007­20  Acórdão n.º 1402­002.348  S1­C4T2  Fl. 246          12 Posto isso, vez que a Fiscalização não apontou, objetivamente débitos ativos,  exigíveis,  no  momento  da  escolha  pelo  benefício,  tendo  o  v.  Acórdão  a  quo  baseado  sua  improcedência na análise de débitos surgidos em momento posterior e no descumprimento de  exigência  abstrata  e  genérica  de  prova  de  regularidade,  conclui­se  não  haver  a  causa  legal  prevista no artigo 60 da Lei nº 9.060/95 capaz de obstar o gozo do incentivo.    Diante  de  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  Recurso  Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Emissão de  Ordem  de  Incentivo  Fiscal,  em  seus  termos,  concedendo  ao  Contribuinte  o  benefício  pretendido.    (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator.                             Fl. 258DF CARF MF

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Numero do processo: 11070.000894/2010-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11070.000894/2010­19  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­004.687  –  2ª Turma   Sessão de  12 de dezembro de 2016  Matéria  RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS  LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES À MP 449/2008,  CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941, DE 2013  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JOSCIL EQUIPAMENTOS PARA CEREAIS LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.  Recurso Especial do Procurador Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar­lhe provimento. Votou pelas  conclusões a conselheira Patrícia da Silva.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 08 94 /2 01 0- 19 Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 3          2   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patricia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º  e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o  relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/2011­73.  A divergência em exame reporta­se à aplicação do princípio da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na  Lei nº 11.941/2009.  A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a  retroatividade  benigna  fosse  aplicada,  essencialmente,  pelos  critérios  constantes  na  Portaria  PGFN/RFB  nº  14,  de  04  de  dezembro de 2009.   Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando  pela  negativa  de  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9202­004.650, de  12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/2011­73, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202­004.650):  O  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  é  tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade,  portanto deve ser conhecido.  Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 4          3 Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212,  de  1991,  com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008,  convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao  sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II,  alínea “a” do CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência de ação ou omissão, desde que não  tenha  sido  fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento  de tributo;  c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática.  (grifos  acrescidos)  De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos  Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de  que,  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco a  simples comparação entre dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo  de  conduta.  Assim,  a  multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não  é aplicável quando  realizado o  lançamento de ofício,  conforme  consta do Acórdãonº9202­004.262, de 23/06/2016,  cuja  ementa  a seguir se transcreve:  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  MULTA  ­  APLICAÇÃO NOS LIMITES DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA DA MULTA APLICADA.  A  multa  nos  casos  em  que  há  lançamento  de  obrigação  principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei  11.941/2009,  mesmo  que  referente  a  fatos  geradores  anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.   AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 5          4 Na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo  de  conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de  ofício,  ainda  que  em  separado,  incabível  a  aplicação  retroativa  do art.  32­A,  da Lei  nº  8.212,  de 1991,  com a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  eis  que  esta  última  estabeleceu,  em  seu  art.  35­A,  penalidade  única  combinando as duas condutas.  A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449,  de  2008,  determinava,  para  a  situação  em  que  ocorresse  (a)  recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da  verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de  ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o,  ambos  da  Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta  de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A,  da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n°  9.430, de 1996.  Portanto,  para  aplicação  da  retroatividade  benigna,  é  necessário  comparar  (a)  o  somatório  das  multas  previstas  nos  arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a  multa prevista no art. 35­A, da Lei n° 8.212, de 1991.   A comparação de que  trata o parágrafo anterior  tem por  fim a  aplicação  da  retroatividade  benigna  prevista  no  art.  106,  do  CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de  cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa  aplicada  no  AIOA,  somado  com  a  multa  aplicada  na  NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%.  Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas  de  obrigação principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência  da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35­A, da Lei n°  8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da  Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º  doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  ­  deverão  ser  comparadas com as penalidades previstas noart. 32­A da Lei nº  8.212,  de  1991,  bem  assim  no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingido  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime, proferido no Acórdãonº9202­004.499, de 29/09/2016:  Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 6          5 Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de  débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição  devida,  notificação  fiscal  de  lançamento de débito ­ NFLD. Caso constatado que, além  do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação  de  fazer,  como  no  caso  de  omissão em GFIP  (que  tem correlação direta com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também  por  descumprimento de obrigação acessória.  Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100%  da  contribuição  devida  em  caso  de  omissões  de  fatos  geradores  em  GFIP)  para  o  Auto  de  infração  de  obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009,  inseriu o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  caput  do  art.  32  desta  Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções ou omissões será intimado a apresentá­la ou a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas:   I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II – de 2% (dois por cento) ao mês­calendário ou fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a  20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste  artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte  ao  término  do  prazo  fixado  para  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva  entrega  ou,  no  caso  de  não­apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação  de  lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas  serão reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o  prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II  –  a  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  se  houver  apresentação  da  declaração  no  prazo  fixado  em  intimação.   Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 7          6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando­se de omissão de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a  MP  449,  Lei  11.941/2009,  também  acrescentou o art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art. 35­A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às  contribuições  referidas  no  art.  35  desta  Lei,  aplica­se  o  disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de  1996.”   O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o  seguinte:  “Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas:  I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade  ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos de declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não  ocorrer  de  forma  espontânea  pelo  contribuinte,  levando ao  lançamento de ofício,  a multa a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a antiga NFLD), aplica­se multa de  ofício  no  patamar  de  75%.  Essa  conclusão  leva­nos  ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício e não a multa de  mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo,  mesmo  que  consideremos  que  a  natureza  da  multa  é  de  "multa  de  ofício"  não  podemos  isoladamente  aplicar  75%  para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo  para  agravar  a  penalidade aplicada.  Por outro lado, com base nas alterações  legislativas não  mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo  lançamento de ofício a multa passa a  ser  exclusivamente  de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de  multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106.  inciso  II,  alínea “c”,  do Código Tributário Nacional,  há  Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 8          7 que  se  verificar  a  situação  mais  favorável  ao  sujeito  passivo, face às alterações trazidas.  No  presente  caso,  foi  lavrado  AIOA  julgada,  e  alvo  do  presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado nos moldes do art. 32­A.  No  caso  da  ausência  de  informação  em GFIP,  conforme  descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos  do art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também  revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem  por  cento)  da  contribuição  não  declarada,  limitada  aos  limites previstos no § 4º do mesmo artigo.  Face  essas  considerações  para  efeitos  da  apuração  da  situação mais  favorável,  entendo que há que  se observar  qual  das  seguintes  situações  resulta  mais  favorável  ao  contribuinte:  ·  Norma  anterior,  pela  soma  da  multa  aplicada  nos  moldes do art.  35,  inciso  II  com a multa prevista no art.  32,  inciso IV, § 5º, observada a  limitação imposta pelo §  4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco  por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer  limitação,  excluído  o  valor  de  multa  mantido  na  notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  o  órgão  responsável  pela  execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência, somando o valor da multa aplicada no AI de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada  na  NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma,  no  lançamento  apenas  de  obrigação  principal  o  valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de  obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode  exceder  as  penalidades  previstas  no  art.  32A  da  Lei  nº  8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência  (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, §  4º,  do  CTN),  subsiste  a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências,  não  atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173,  I,  do  CTN,  e  que,  portanto,  deve  ter  sua  penalidade  limitada ao valor previsto no artigo 32­A da Lei nº 8.212,  de 1991.  Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 9          8 Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.027  em  22/04/2010,  e  no  mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB  nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os  lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação  acessória, em conjunto ou isoladamente.  Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008,  a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do  trânsito  em  julgado administrativo,  deverá  observar a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à  aplicação  do  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias  nos  lançamentos  de  obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991,  com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida  na  Lei  nº  11.941,  de  2009. De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância  com  a  jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35­A da Lei  nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela  Lei  nº  11.941,  de  27  de maio  de  2009,  às  prestações  de  parcelamento  e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos  ou  não  em  Dívida  Ativa,  cobrados por meio de processo ainda não definitivamente  julgado, observará o disposto nesta Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do  débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será  analisado  e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário Nacional (CTN).  § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito,  a  análise  do  valor  das  multas  referidas  no  caput  será  realizada no momento do ajuizamento da execução  fiscal  pela Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  §  2º  A  análise  a  que  se  refere  o  caput  dar­se­á  por  competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade mais  benéfica  na  forma  deste artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 10          9 II  ­  de  ofício,  quando  verificada  pela  autoridade  administrativa a possibilidade de aplicação.  § 4º Se o processo encontrar­se em trâmite no contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas para verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica, se cabível,  será realizada no momento  do pagamento ou do parcelamento.  Art.  3º  A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta  Portaria,  será  realizada  pela  comparação  entre  a  soma  dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos por descumprimento de obrigação principal,  conforme  o art.  35  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de  obrigações acessórias,  conforme §§ 4º  e 5º do art.  32 da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na forma do art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem a  imposição de penalidade pecuniária  pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  com  a  redação  dada  pela Lei  nº  11.941, de 2009.  § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada  em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os  débitos  pagos,  os  parcelados,  os não­impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União  e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº  449, de 3 de dezembro de 2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35  da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado  com o  valor das multa  de  ofício  previsto  no art.  35­A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico  ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar.  Art.  5º  Na  hipótese  de  ter  havido  lançamento  de  ofício  relativo  a  contribuições  declaradas  na  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada limitar­se­á àquela prevista no art. 35 da Lei nº  8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009.  Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 11070.000894/2010­19  Acórdão n.º 9202­004.687  CSRF­T2  Fl. 11          10 Em  face  ao  exposto,  conheço  do  Recurso  Especial  interposto  pela Fazenda Nacional  e,  no mérito,  dou­lhe  provimento,  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada  em  conformidade  com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.  Em  face  do  acima  exposto,  voto  por  conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  dar­lhe  provimento,  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                               Fl. 1127DF CARF MF

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6522977 #
Numero do processo: 19515.005660/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para dar-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1171; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.005660/2008­71  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2402­005.481  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de setembro de 2016  Matéria  PPR ­ PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS  Embargante  PRODUTOS ROCHE QUIMICOS E FARMACEUTICOS S.A.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.   Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia  pronunciar­se a Turma (art. 65 do RICARF).   Embargos Acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 60 /2 00 8- 71 Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher  os embargos de declaração, para dar­lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.    (Assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Amílcar  Barca  Teixeira  Júnior,  Tulio  Teotonio  de  Melo  Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild  e João Victor Ribeiro Aldinucci.  Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.005660/2008­71  Acórdão n.º 2402­005.481  S2­C4T2  Fl. 3          3      Relatório  O sujeito passivo opôs embargos de declaração, os quais foram inicialmente  relatados nos seguintes termos (v. fl. 3308):  Trata­se de embargos de declaração opostos em face do acórdão  que  deu  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  para  excluir  do  lançamento:  (i)  os  valores  pagos  a  título  de  PPR  aos  funcionários  localizados  em  São  Paulo  e  Rio  de  Janeiro,  relativamente aos acordos coletivos firmados em 2006; e (ii) os  valores  pagos  a  título  de PLR aos  funcionários  localizados  em  São Paulo e Rio de Janeiro, relativamente aos acordos coletivos  de  2003  a  2005,  com  exceção  dos  pagamentos  realizados  aos  funcionários objeto de “Premiação negociada entre Diretorias e  Presidência”, “Premiação Extraordinária da Força de Vendas”  e Setores de venda de que tratam o parágrafo 2º da Cláusula VI  dos acordos de 2003 a 2005.  Defende  a  Embargante  que,  em  que  pese  a  turma  ter  considerado que a contabilização conjunta do PPR (decorrentes  de  cláusulas  gerais  que  estipulavam  índices  salariais  pré­ fixados)  e  de  outras  gratificações  tributáveis  não  retira  a  natureza  do  PPR,  consignou­se  que  seria  impossível  buscar  segregar  os  pagamentos,  motivo  pelo  qual  não  foi  dado  provimento  ao  recurso  do  contribuinte  em  relação  a  todos  os  pagamentos contabilizados nas contas de gratificações nos anos  de  2003  a  2005,  relativamente  aos  estabelecimentos  de  São  Paulo e Rio de Janeiro.  Defende  a  Embargante  que  a  fiscalização  pode  perfeitamente  segregar  os  valores  pagos  a  título  do  dito  PPR  das  parcelas  remuneratórias,  bem  como  que  a  exigência  da  forma  como  realizada viola o art. 3º do CTN, haja vista  tratar­se de tributo  reconhecidamente indevido em razão de “sanção de ato ilícito”.  Para elucidação do controvertido dos autos, vale transcrever o seguinte trecho  da  Resolução  CARF  nº  2402­000.484  (v.  fls.  3307/3310),  trecho  este  constante  do  próprio  acórdão embargado:  "Sintetizando os pontos debatidos neste processo, verifica­se que  não deve ser dado provimento ao recurso voluntário, em relação  às  contribuições  previdenciárias  exigidas  sobre  os  pagamentos  realizados  a  título  de  PPR  para  os  estabelecimentos  situados  fora  dos  Estados  de  São  Paulo  e  Rio  de  Janeiro  (CNPJ’s  nos  33.009.945/000204, 33.009.945/001103 e 33.009.945/001286).  Por outro lado, deve ser dado provimento ao recurso voluntário,  para extinguir os valores pagos a título de PPR aos funcionários  localizados  em  São  Paulo  e  Rio  de  Janeiro  (CNPJ’s  nos  Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     4  33.009.945/000123  e  33.009.945/002339),  decorrente  dos  acordos coletivos firmados para o período de 2006.   Já  no  que  se  refere  aos  valores  pagos  aos  colaboradores  situados nestes  estabelecimentos  (São Paulo  e Rio de  Janeiro),  porém  em  decorrência  dos  acordos  coletivos  firmados  nos  períodos  de  2003  a  2005,  tem­se  que,  em  tese,  só  atrairiam  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  os  pagamentos  dos  valores  à  diretoria,  gerência  e  chefia,  sob  a  denominação  de  ‘Premiação  negociada  entre  Diretorias  e  Presidência’,  a  totalidade  dos  valores  pagos  a  título  de  ‘Premiação  Extraordinária da Força de Vendas’, bem como os valores pagos  às estruturas hierárquicas de que  tratam os acordos de 2003 a  2005,  nos  seus  respectivos  parágrafos  §  2º  da  Cláusula  VI  (Acordo  de  2003  fls.  117/118;  Acordo  de  2004  –  fls.  125;  e  Acordo de 2005 – fls. 133/134).  Entretanto,  considerando  que  a  empresa  escriturou  os  valores  pagos  a  título  de  PPR  em  contas  contábeis  genéricas  de  gratificação,  seria  impossível  buscar  segregar  os  pagamentos  realizados  à  Diretoria  e  à  Presidência  em  decorrência  das  cláusulas  gerais  que  estipulavam  índices  salariais  pré­fixados  para  o  cálculo  do  PPR,  dos  pagamentos  feitos  sob  a  denominação  de  “Premiação  negociada  entre  Diretorias  e  Presidência”.  O  mesmo  raciocínio  se  aplica  aos  funcionários  inseridos  nos  setores  que  receberam  os  valores  decorrentes  da  previsão contida no parágrafo § 2º da Cláusula VI dos acordos  de 2003 a 2005, bem como os valores decorrentes de ‘Premiação  Extraordinária  da  Força  de  Vendas’.”  –  destacou­se  Considerando  o  exposto  acima,  verifica­se  que  o  acórdão  embargado  consignou que,  relativamente aos  acordos  coletivos  de  2003  a  2005  dos  estabelecimentos  de  São  Paulo  e  Rio  de  Janeiro,  sujeitam­se  à  incidência  das  contribuições  previdenciárias  os  valores  decorrentes  de  “Premiação  negociada  entre  Diretorias  e  Presidência,  a  totalidade  dos  valores pagos a título de Premiação Extraordinária da Força de  Vendas,  bem como os  valores pagos às  estruturas hierárquicas  de que tratam os acordos de 2003 a 2005, nos seus respectivos  parágrafos  §  2º  da Cláusula VI  (Acordo  de  2003  fls.  117/118;  Acordo de 2004 – fls. 125; e Acordo de 2005 – fls. 133/134).”  Este Colegiado, ao entendimento de que "não há como negar que, nas contas  contábeis  da  empresa,  existem  valores  de  PPR  que  não  se  sujeitariam  à  incidência  das  contribuições previdenciárias" (v. fl. 3310), resolveu converter o julgamento em diligência nos  seguintes termos:  Assim, de forma a evitar que o acórdão se torne “ilíquido” e a  Embargante  seja  compelida  ao  pagamento  de  contribuições  previdenciária  sobre  verbas de PPR pagas  legalmente,  voto no  sentido  de  converter  este  julgamento  em  diligência  para  que  a  fiscalização  apure  (junto  à  empresa,  se  for  o  caso),  qual  o  montante  a  ser  excluído  do  lançamento,  a  título  de  PPR  decorrente de cláusulas gerais que estipulavam índices salariais  pré­fixados,  que  foram  contabilizados  juntamente  com  outras  gratificações,  relativamente  aos  acordos  de  2003  a  2005  dos  estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro.  Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.005660/2008­71  Acórdão n.º 2402­005.481  S2­C4T2  Fl. 4          5  Em  decorrência  da  citada  Resolução,  os  autos  foram  encaminhados  ao  AFRFB  responsável  pelo  Auto  de  Infração,  que:  (i)  intimou  a  empresa  para  prestar  esclarecimentos  (v.  fls.  3326/3327);  (ii)  e  elaborou  o  "RELATÓRIO  FISCAL"  de  fls.  3522/3526, acompanhado dos ANEXOS I e II.   Do  relatório  fiscal,  destaca­se  seu  ANEXO  II,  que  consolida  os  valores  a  serem mantidos no lançamento. Veja­se:      Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     6        No  relatório  fiscal,  o  AFRFB  ainda  esclareceu  o  seguinte  (vide  fls.  3524/3525):  Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.005660/2008­71  Acórdão n.º 2402­005.481  S2­C4T2  Fl. 5          7  Na coluna "C" apresentamos a somatória das colunas relativas  ao "Valor Parcial de R$", com os valores  integrais ou parciais  das  rubricas  do  levantamento,  conforme  esclarecimentos  apresentados no arquivo [...].  [...]  Na  Coluna  "B"  foram  totalizados  os  valores  integrais  das  rubricas de PLR, conforme enquadramento do "item 2.2" supra,  não deduzindo o "mínimo garantido de 1,1 salários".   Intimada para se manifestar no prazo de trinta dias (v. fl. 3802), a embargante  apresentou  a  petição  de  fls.  3806/3813,  defendendo,  em  apertada  síntese,  que  "devem  ser  acolhidos os valores contidos na Coluna C do Relatório Fiscal para o cálculo da parcela do  crédito tributário mantido pela C. 2ª Turma [...]" .  É o relatório.   Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO     8    Voto             Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci ­ Relator  1  Do resultado da diligência   Como este Colegiado já fez o exame de admissibilidade dos embargos, tendo  concluído pelo seu conhecimento (v. fl. 3309), passa­se, diretamente, ao seu exame de mérito.   A esse respeito, e por intermédio da Resolução nº 2402­000.484, converteu­ se o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal apurasse o montante "a ser excluído  do  lançamento,  a  título  de  PPR  decorrente  de  cláusulas  gerais  que  estipulavam  índices  salariais  pré­fixados,  que  foram  contabilizados  juntamente  com  outras  gratificações,  relativamente  aos  acordos  de  2003  a  2005  dos  estabelecimentos  de  São  Paulo  e  Rio  de  Janeiro".   Isso porque, em  julgamento  já  realizado neste Conselho, decidiu­se que, no  tocante aos valores pagos  aos colaboradores  situados em São Paulo e no Rio de  Janeiro, em  decorrência  dos  acordos  coletivos  firmados  nos  períodos  de  2003  a  2005,  só  atrairiam  a  incidência  da  contribuição  previdenciária  os  pagamentos  dos  valores  à  diretoria,  gerência  e  chefia,  sob  a  denominação  de  "Premiação  negociada  entre  Diretorias  e  Presidência",  a  totalidade dos valores pagos a título de "Premiação Extraordinária da Força de Vendas", bem  como os valores pagos às estruturas hierárquicas de que tratam os acordos de 2003 a 2005.  Atendendo  aos  termos  da  citada Resolução,  o AFRFB  elaborou  o  relatório  fiscal  de  fls.  3522/3526  e  o  ANEXO  II  reproduzido  no  relatório  desta  decisão,  tendo  esclarecido ainda que:  Na coluna "C" apresentamos a somatória das colunas relativas  ao "Valor Parcial de R$", com os valores  integrais ou parciais  das  rubricas  do  levantamento,  conforme  esclarecimentos  apresentados no arquivo [...].  [...]  Na  Coluna  "B"  foram  totalizados  os  valores  integrais  das  rubricas de PLR, conforme enquadramento do "item 2.2" supra,  não deduzindo o "mínimo garantido de 1,1 salários".  Como se vê no ANEXO II e no relatório fiscal, a coluna C registra os valores  que devem ser mantidos no  lançamento a  título de "Premiação negociada entre Diretorias e  Presidência", "Premiação Extraordinária da Força de Vendas", bem como os valores pagos às  estruturas hierárquicas de que  tratam os acordos de 2003 a 2005,  ao passo que  a  coluna B  também  contempla  valores  já  decotados  do  lançamento,  como  o  mínimo  garantido  de  1,1  salário.   Quanto  ao  valor  mínimo  garantido  e  a  determinação  de  sua  exclusão  da  autuação, veja­se o seguinte trecho do voto condutor do acórdão (v. fl. 3237):  Primeiramente,  vale  mencionar  que  não  há  qualquer  impedimento  legal  que  inviabilize  o  pagamento  de  um  valor  Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.005660/2008­71  Acórdão n.º 2402­005.481  S2­C4T2  Fl. 6          9  mínimo de PPR. Ou seja, havendo metas a serem cumpridas pelo  colaborador  ou  pela  equipe,  é  plenamente  possível  que  haja  a  distribuição  de  um  valor  fixo  de  PPR,  sem  que  isso  ofenda  a  legislação de regência.   Logo,  tem  razão  a  embargante  quando  afirma  que  a  coluna  C  registra  os  valores a serem mantidos, enquanto que a coluna B contempla valores que foram decotados da  autuação.   Repita­se: o próprio AFRFB informou que a coluna B não deduziu o mínimo  garantido, de tal forma que devem ser levados em consideração os montantes da coluna C, que  registram apenas as rubricas mantidas no lançamento, atinentes aos colaboradores situados em  São Paulo e no Rio de Janeiro, em decorrência dos acordos coletivos firmados nos períodos de  2003 a 2005.   Portanto,  e  de  conformidade  com o  art.  65  do RICARF,  entende­se  que  os  embargos devem ser acolhidos, a fim de clarear a decisão, conforme conclusão abaixo.   2  Conclusão  Diante  do  exposto,  vota­se  no  sentido  de  ACOLHER  os  embargos  de  declaração opostos pelo sujeito passivo, para integrar na conclusão do acórdão embargado, que  também  ficam mantidos no  lançamento os valores pagos  aos  colaboradores  situados  em São  Paulo  e  no  Rio  de  Janeiro,  em  decorrência  dos  acordos  coletivos  firmados  nos  períodos  de  2003 a 2005, a  título de "Premiação negociada entre Diretorias e Presidência", "Premiação  Extraordinária da Força de Vendas" e estruturas hierárquicas de que  tratam os acordos de  2003 a 2005, que remontam o valor total de R$ 12.276.786,01.    (Assinado digitalmente)  João Victor Ribeiro Aldinucci                               Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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6540024 #
Numero do processo: 10680.001642/2004-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PRECLUSÃO - APRESENTAÇÃO DE PROVAS - RECURSO VOLUNTÁRIO - POSSIBILIDADE - §4º, ARTIGO 16, DECRETO 70.235/72 Aplica-se ao caso o disposto na alínea "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, tendo em vista que o contribuinte trouxe a totalidade das provas aos autos, após prolação de decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, que não admitiu provas por amostragem.
Numero da decisão: 9202-004.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2 Contra  o  contribuinte  em  epígrafe  foi  lavrado  Auto  de  Infração  para  formalização de exigência de IRPF, por glosa de despesas com instrução de dependentes, em  relação aos ano calendário 2003.   Em sua Impugnação o contribuinte apresenta os comprovantes de pagamento  da faculdade dos filhos apenas por amostragem, em relação a um determinado mês, de modo  que a Impugnação foi julgada parcialmente procedente, para excluir a cobrança do imposto em  relação aos documentos apresentados.   Em  relação  a  essa  decisão,  tempestivamente,  foi  apresentado  Recurso  Voluntário pelo Contribuinte,  juntando o comprovante dos demais pagamentos efetuados. No  julgamento do Voluntário a 2ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento deu provimento ao  recurso do contribuinte, acatando os documentos apresentados, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  I R P F  Exercício: 2003  DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.  São  dedutíveis  as  despesas  com  instrução  de  dependentes  efetuadas  a  estabelecimentos  de  ensino,  relativamente  à  educação infantil, ao ensino fundamental e ao ensino médio, até  o  limite  legal  anual,  quando  comprovadas  com  documentação  hábil e idônea. Recurso provido.  Recurso provido.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  dar  provimento  ao  recurso  interposto  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Regularmente  intimada  da  decisão  a  Fazenda  Nacional,  tempestivamente,  apresentou  Recurso  Especial  de  divergência,  visando  discutir  a  preclusão  em  relação  a  apresentação de provas posteriormente à Impugnação, trazendo como paradigmas o Acórdãos  105­14087 e 202­18463.  Na  análise  de  admissibilidade,  verificou­se  a  divergência,  pois  no  acórdão  recorrido  entendeu­se,  que  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material  devem  ser  apreciados os documentos apresentados juntamente com a peça recursal, os quais são hábeis e  idôneos para comprovar as despesas com instrução e autorizam o restabelecimento integral da  dedução com despesa com instrução de dependentes pleiteada na Declaração de Ajuste Anual.  Por sua vez, nos paradigmas, ao contrário do que se concluiu no recorrido, considerou­se que a  prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazê­lo  em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas na norma legal.  Regularmente  intimado  o  Contribuinte  apresentou  contrarrazões,  argumentando, em apertada síntese:  1.  Que  não  foram  cumpridos  os  pressupostos  de  admissibilidade  do  Recurso Especial,  tendo em vista não  cumpridas  as  regras do  artigo  541, CPC, trazendo decisões judiciais sobre o tema;  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.001642/2004­18  Acórdão n.º 9202­004.412  CSRF­T2  Fl. 94          3 2.  No mérito, alega que o artigo 16, § 6º, do Decreto 70.235/72, admite a  juntada  de  provas  posteriormente  à  apresentação  de  Impugnação  administrativa.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Gerson Macedo Guerra ­ Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  do Recurso  Especial,  passo  à  análise do mérito.  Com  relação  à  preclusão  à  apresentação  de  provas  posteriormente  impugnação entendo importante observar que no processo administrativo impera o princípio do  formalismo  moderado,  que  permite  a  flexibilização  de  certas  regras,  quando  favorável  ao  contribuinte.  Entendo que a preclusão é uma matéria que deve ser relativizada em função  desse princípio. Digo isso com base no artigo 3º, III, da Lei 9.784/99, que, ao tratar dos direitos  dos contribuintes, em seu artigo 3º, III, assim dispõe:  Art.  3º  ­  O  administrado  tem  os  seguintes  direitos  perante  a  Administração,  sem  prejuízo  de  outros  que  lhe  sejam  assegurados:  (...)  III  ­  formular  alegações  e  apresentar  documentos  antes  da  decisão,  os  quais  serão  objeto  de  consideração  pelo  órgão  competente;  Nesse  contexto,  a meu  ver,  pelo  princípio  do  formalismo moderado  e  pela  declaração  dos  direitos  dos  administrados  na  Lei  9.784/99,  provas  apresentadas  após  à  impugnação podem ser apresentadas em sede de recurso, mesmo pelo julgador, quando se está  diante de matérias de ordem pública.  Também  pelo  princípio  da  verdade  material  entendo  que  se  deve  aceitar  provas após a fase de impugnação. Nesse sentido vale a transcrição do Acórdão   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ITR  Exercício: 1999  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  PROVA  APRESENTADA  APÓS  O  PRAZO  DE  IMPUGNAÇÃO  NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO PRINCÍPIO DA VERDADE  MATERIAL.  Sob  pena  de  violação  do  princípio  da  verdade  material,  que  direciona  o  contencioso  administrativo  tributário,  as  provas  apresentadas  após  o  protocolo  da  impugnação  devem  ser  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4 apreciadas pela autoridade julgadora, seja para emitir  juízo de  valor ou para converter o julgamento em diligência.   Busca­se,  com  isso,  saber  se  realmente  ocorreu  ou  não  o  fato  gerador,  pois  o  que  está  em  questão  é  a  legalidade  da  tributação.  No  caso,  o  Colegiado  levou  em  consideração  o  fato  de  que  o  contribuinte trouxe aos autos o laudo de avaliação, embora após  a  impugnação,  em  momento  anterior  à  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  além  do  que  a  ação  fiscal  cingiu­se  a  uma  única intimação recebida, sem resposta por parte do autuado, ou  seja, na segunda vez em que se manifestou nos autos  trouxe as  provas das  suas alegações  (a primeira  foi  a  impugnação, onde  informou que estava providenciando o laudo).  Recurso especial negado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  Membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos, negar provimento ao recurso.  Por esses motivos entendo que não há que se falar em preclusão no presente  caso, de modo que voto por negar provimento ao Recurso.  A  par  de meu  entendimento,  na  concepção  da  maioria  aplica­se  ao  caso  o  disposto  na  alínea  "c",  do  §4º,  do  artigo  16,  do  Decreto  70.235/72,  tendo  em  vista  que  o  contribuinte trouxe a totalidade das provas, após prolação de decisão que não admitiu provas  por amostragem. Ou seja, tal decisão caracterizou razão posteriormente trazida aos autos. vale  aqui a transcrição da referida norma:  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual,  a menos  que:  (Redação dada pela Lei  nº  9.532,  de  1997) (Produção de efeito)  (...)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.  (assinado digitalmente)  Gerson Macedo Guerra                            Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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6526434 #
Numero do processo: 16327.720539/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A participação nos lucros e resultados (PRL) possui o caráter nitidamente retrospectivo, ou seja, o trabalhador recebe por aquilo que produziu num determinado período. Por isso, o reconhecimento da despesa deve ser realizada nesse período e não postergada para exercícios futuros.
Numero da decisão: 1401-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Ricardo Marozzi Gregorio e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões por entenderem que a competência da análise da matéria é da Receita Federal e não do Banco Central. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A participação nos lucros e resultados (PRL) possui o caráter nitidamente retrospectivo, ou seja, o trabalhador recebe por aquilo que produziu num determinado período. Por isso, o reconhecimento da despesa deve ser realizada nesse período e não postergada para exercícios futuros.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Ricardo Marozzi Gregorio e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões por entenderem que a competência da análise da matéria é da Receita Federal e não do Banco Central. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 499          1  498  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.720539/2013­69  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­001.678  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de agosto de 2016  Matéria  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Recorrente  BV FINANCEIRA SA CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2013  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS   A  participação  nos  lucros  e  resultados  (PRL)  possui  o  caráter  nitidamente  retrospectivo,  ou  seja,  o  trabalhador  recebe  por  aquilo  que  produziu  num  determinado  período.  Por  isso,  o  reconhecimento  da  despesa  deve  ser  realizada nesse período e não postergada para exercícios futuros.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  provimento  ao  recurso. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Ricardo Marozzi Gregorio  e  Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões por entenderem que a competência  da análise da matéria é da Receita Federal e não do Banco Central.   (assinado digitalmente)  ANTONIO BEZERRA NETO ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ANTONIO  BEZERRA NETO  (Presidente),  LIVIA DE CARLI GERMANO,  LUCIANA YOSHIHARA  ARCANGELO  ZANIN,  GUILHERME  ADOLFO  DOS  SANTOS  MENDES,  RICARDO  MAROZZI  GREGORIO,  LUIZ  RODRIGO  DE  OLIVEIRA  BARBOSA,  MARCOS  DE  AGUIAR VILLAS BOAS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 39 /2 01 3- 69 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO     2  Relatório  Em  relação  às  peças  iniciais  do  presente  feito,  sirvo­me  do  relatório  da  autoridade a quo:  Trata o  processo  das  seguintes Declarações  de Compensações,  nas  quais  a  interessada pretende  utilizar  crédito  de pagamento  de  IRPJ  a maior,  no  valor  de  R$  41.170.240,06,  recolhido  em  31/03/2010:  (...)  As  DCOMP  foram  analisadas,  e  a  Delegacia  Especial  de  Instituições  Financeiras  em  São  Paulo  emitiu  Despacho  Decisório DIORT/DEINF/SP,  fls.  171/179, não  reconhecendo o  direito creditório e não homologando as compensações.  A decisão decorre das seguintes constatações:  1) A interessada retificou a DIPJ/2010, aumentando o valor das  “Outras Exclusões”, na linha 57 da Ficha 09 B, o que acarretou  na  diminuição  do  lucro  real  e  do  imposto  devido.  Com  este  procedimento,  o  valor  do  IRPJ  a  pagar  no  final  do  período  reduziu de R$ 80.242.127,20 para R$ 43.157.742,17, o que deu  origem ao crédito pleiteado de pagamento a maior do imposto.  2) Intimada a esclarecer o motivo da retificação da DIPJ/2010,  a  interessada  esclareceu  que  as  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  CSLL  foram  reduzidas  por  ajustes  determinados  pelo  Banco  Central do Brasil ­ BACEN, que propôs a alteração nos registros  das despesas diferidas de PLR e Comissão antecipada de acordo  comercial.  3) Da análise da natureza dos valores excluídos, a autoridade a  quo  concluiu  que  as  despesas  diferidas  de  PLR  e  a  Comissão  antecipada de acordo comercial devem ser apropriadas levando  em  consideração  a  vigência  do  contrato  e  não  devem  ser  deduzidas antes que se confirmem o adimplemento dos contratos  e/ou o  cumprimento de metas estabelecidas e  vinculada a estes  custos.  4) Logo, as despesas diferidas de PLR e Comissão antecipada de  acordo  comercial  devem  manter­se  diferidas  para  fins  tributários,  sendo  apuradas  pelo  regime  de  competência.  Portanto,  os  ajustes  determinados  pelo  BACEN  não  devem  produzir efeitos tributários, não afetando o cálculo e a apuração  dos tributos federais.  5) Cita o artigo 177, §2º da Lei nº 6.404/76, que dispõe que a  legislação  tributária  deve  ser  respeitada  naquilo  que  são  divergentes.  6)  A  pretensão  da  interessada  em  deduzir  o  lucro  líquido  com  despesas  condicionadas  a  receitas  ou  eventos  futuros  atribui  a  essas deduções característica de provisões.  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/2013­69  Acórdão n.º 1401­001.678  S1­C4T1  Fl. 500          3  No  entanto,  somente  provisões  expressamente  autorizadas  pela  legislação  tributária podem ser dedutíveis na determinação dos  tributos.  7) Conclui­se que a exclusão efetuada pela interessada está em  desacordo com a legislação do imposto de renda, visto que não  se  trata  de  despesa  operacional  paga ou  incorrida  e  tampouco  pode  ser  considerada  provisão  dedutível  na  determinação  do  lucro real.  A interessada teve ciência da decisão em 16/12/2014 (Termo de  Ciência  por  Decurso  de  Prazo  –  fls.  188),  e  apresentou  manifestação  de  inconformidade  em  31/12/2014,  fls.  190/221,  com as seguintes alegações:  ­ a tempestividade da manifestação de inconformidade.  ­ o crédito compensado decorre de erro no reconhecimento e na  (falta  de)  dedução  de  despesas  no  curso  de  2009,  relativas  a  obrigações de pagamentos de verbas a título de (i) Participação  nos Lucros ou Resultados (PLR) a empregados e (ii) comissões  de acordo comerciais a correspondentes bancários.  ­  por  força  dos  acordos  firmados,  encontrava­se  obrigada  a  pagar  PLR  e  Comissões  em  função  do  alcance  de  metas  de  vendas/negociações de operações de crédito.  ­ por equívoco, considerou que estas despesas seriam incorridas  em  função  do  reconhecimento  das  receitas  com  origem  nas  operações  de  crédito  correlatas  que  compuseram  as  metas  de  vendas  alcançadas,  efetuando o  diferimento  do  reconhecimento  fiscal e contábil.  ­  assim,  de  início,  as  despesas  de  PLR  e  Comissões  com  obrigação de pagamento no ano­calendário de 2009 não  foram  reconhecidas e deduzidas integralmente naquele período, mas no  curso  dos  anos  subseqüentes,  em  paralelo  ao  prazo  das  operações de crédito e financiamento correspondentes.  ­ em consulta ao BACEN, o órgão asseverou que a obrigação de  pagamento de tais verbas não estava condicionada à ocorrência  de  qualquer  evento  futuro,  e  que  estas  despesas  já  eram  definitivamente incorridas no próprio ano­calendário de 2009.  ­  quanto  à  aplicação  do  Princípio  da  Competência,  na  qual  supostamente a autuada estaria emparelhando as despesas com  as  receitas,  o  BACEN  esclareceu  que  o  diferimento  estaria  equivocado,  dada  à  ausência  de  individualização  entre  as  despesas (diferidas) e as operações de créditos correlatas.  ­  ato  contínuo,  e  estando  convencida  da  inaplicabilidade  do  diferimento das despesas, promoveu os ajustes contábeis em sua  apuração  do  Lucro  Real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  deduzindo  tais  despesas  nos  respectivos  períodos  da  obrigação  de seus pagamentos.  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO     4  ­ assim, retificou a apuração do Lucro Real, excluindo despesas  com PLR e Comissões no valor de R$ 783.801.297,00.  ­ no entanto, a autoridade fiscal se apóia na equivocada idéia de  que as despesas com PLR e Comissões estariam condicionadas  ao  efetivo  adimplemento  das  operações  de  crédito,  e  o  seu  reconhecimento fiscal seria diferido.  ­  ocorre  que  o  entendimento  fiscal  deve  ser  reformulado,  dado  que as despesas com PLR e Comissões não são condicionadas,  afigurando­se  incorridas  no  átimo  da  obrigação  do  seu  pagamento,  este  definitivo  e  irreversível,  pelo  que  sua  dedução  estaria correta no ano de 2009.  ­  é  premissa  já  consolidada  que  as  despesas  com  PLR  e  Comissões  são  operacionais,  e  dedutíveis  no  IRPJ  e  CSLL,  e  sendo que efetivamente as pagou, de acordo com as obrigações  previstas  no  Acordo  Coletivo  Trabalhista  –  ACT,  e  acordos  firmados com os bancários.  ­ as obrigações afiguram­se efetivas e definitivas, motivadas pelo  alcance de metas, e de forma independente do adimplemento das  operações  de  crédito,  sendo  calculadas  com  base  em  fórmulas  que  contêm  diversos  componentes,  que  correspondem  à  performance do empregado durante o período aquisitivo.  ­  concluído o período aquisitivo,  os  componentes  variáveis que  compõem a fórmula são definitivamente calculados e afere­se o  montante da PLR devida a  cada empregado, devendo  ser pago  em  até  60  (sessenta)  dias  contados  do  semestre  civil  correspondente, conforme Cláusula Quarta – Do Pagamento da  Participação, do ACT.  ­  a  citada  cláusula  prevê  o  pagamento  da  PLR  em  caráter  definitivo  e  independente do  resultado  dos  períodos  anteriores,  surgindo o dever incondicional de pagar a PLR.  ­ o mesmo ocorre com as Comissões, que são definidas a partir  da  quantidade  de  operações  geradas  pelos  correspondentes  bancários; uma vez atingida a meta, surge a obrigação definitiva  de pagar as Comissões, que não são suscetíveis ao adimplemento  das  respectivas  obrigações  de  crédito,  ou  qualquer  outro  critério.  ­ assim, enquanto despesas operacionais que são, os pagamentos  da PLR e Comissões não estão condicionados a eventos futuros e  incertos,  mas  são  efetivamente  incorridos  no  exercício  a  que  referem,  ou  seja,  no  ano­calendário  de  2009,  devendo  ser  apropriadas  de  imediato,  observando  o  Princípio  da  Competência.  ­ as retificações contábeis foram feitas não por determinação do  BACEN,  mas  por  força  da  própria  legislação,  que  obriga  a  adoção do Regime de Competência para determinação do lucro  real.  ­ não são provisões, pois as despesas não estão condicionadas a  evento  futuro,  mas  sim  despesas  operacionais,  nos  termos  dos  artigos 250, inciso I, artigo 299 e artigo 359 do RIR/99.  Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/2013­69  Acórdão n.º 1401­001.678  S1­C4T1  Fl. 501          5  ­  efetuou  uma  série  de  ajustes  contábeis  em  sua  escrituração  comercial  para  anular  o  diferimento  equivocado  das  despesas  com PLR e Comissões, não violando o Parecer Normativo CST  nº 96/78, citado pela Autoridade Fiscal.  ­ os ajustes contábeis determinados pelo BACEN não prestaram  a  garantir  a  segurança  necessária  para  atividade  financeira,  mas sim corrigir procedimento equivocado de contabilidade.  ­  as  normatizações  e  as  orientações  provenientes  do  BACEN  gozam de força cogente e erga omnes, por força do artigo 25 do  ADCT.  ­ deve prevalecer a essência (apropriação correta das despesas  com PLR e Comissões no átimo do nascimento da obrigação do  pagamento  e  de  forma  desvinculada  à  receita)  sobre  a  forma  (tratamento  contábil  equivocado  de  diferimento  das  despesas,  refutado pelo BACEN, mas requerido pela Autoridade Fiscal).  ­  ainda que  fossem provisões,  os pagamentos seriam dedutíveis  nos termos do artigo 3º, § 3º da Lei nº 10.101/2000.  ­ contesta a aplicação dos juros de mora sobre a multa.  Foi  lavrado auto  de  infração  para  cobrança  da multa  isolada,  tendo  como  base  legal  o  artigo  74,  §  17º  da  Lei  nº  9.430/96,  introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/2010, e modificado  pela Medida Provisória  nº  656,  de  07/10/2014,  formalizado  no  processo  administrativo  nº  16327.721226/2014­17,  em  apenso  ao presente.    DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU  A  decisão  recorrida  (fls.  406  a  416)  negou  provimento  à  manifestação  de  inconformidade nos seguintes termos de sua ementa:  DESPESA DIFERIDA. DEFINIÇÃO.  Despesas  diferidas  são  aquelas  que,  embora  registradas  no  período  de  apuração,  devam  ser  transferidas  (diferidas)  para  apropriação  ou  amortização  em  períodos  de  apuração  futuros  por  não  competirem  ao  período  em  que  foram  registradas  (regime de competência), ou que devam influenciar resultados de  períodos subseqüentes.  PAGAMENTO  DE  PLR  E  COMISSÕES.  VÍNCULO  COM  RECEITAS  NOS  EXERCÍCIOS  SEGUINTES.  TRATAMENTO  CONTÁBIL. DIFERIMENTO.  Com  base  no  pressuposto  básico  do  Regime  de  Competência,  quando as despesas com PLR e Comissões incorridas estiveram  relacionadas com os ativos correspondentes que geram receitas  em  períodos  subsequentes,  esses  custos  devem  ser  ativados  e  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO     6  posteriormente apropriados ao resultado, na mesma proporção e  prazo que a receita é apropriada.    O voto condutor aduziu as seguintes razões para o indeferimento do pleito:  1)  Deve­se  aplicar  a  Norma  e  Procedimento  de  Contabilidade  nº  VIII,  da  IBRACON –  Instituto  dos Auditores  Independentes  do Brasil,  ou  seja,  as  despesas  referidas  devem ser registradas como ativo diferido, pois contribuem para a obtenção de receitas futuras.  2) A própria empresa demonstrou o vínculo das despesas com as receitas de  exercícios futuros ao responder a ofício do BACEN.  3)  Nessa  resposta,  a  empresa  esclareceu  que  a  PRL  dos  empregados  era  apurada em função de critérios quantitativos e qualitativos, sendo este último  tipo de critério  aferido em razão da qualidade dos negócios  realizados, o que implica o acompanhamento do  adimplemento dos contratos.  4)  Com  relação  às  comissões,  "a  interessada  afirmou,  nas  explicações  ao  BACEN,  que  os  custos  com  pagamento  das  comissões  eram  controlados  pelos  sistemas  informatizados, de forma individual por operação, o que torna possível a vinculação da despesa  com  a  respectiva  receita,  justificando  o  seu  diferimento.  Destaco  que  a  vinculação  com  a  receita está clara quando a interessada informa a despesa incorre com o atingimento da meta de  produção,  e  que  os  respectivos  pagamentos  (das  comissões)  são  considerados  na  gestão  da  margem líquida do contrato produzido".    DO RECURSO VOLUNTÁRIO  O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 430 a 475, em grande  medida  com  as mesma  razões  aduzidas  na manifestação  de  inconformidade;  aliás,  de  forma  literal.  Desse modo, me  reporto à  impugnação  já  relatada para sintetizar apenas os  argumentos específicos contra a decisão recorrida:  1)  O  novo  argumento  da  DRJ  de  que  a  PRL  e  as  comissões  seriam  equivalentes  a  "despesas  pré­operacionais"  e  corresponderiam  a  ativo  diferido,  pois  colaborariam  para  o  resultado  de  exercícios  futuros  não  merece  prosperar  por  duas  razões.  Primeira,  é  argumento novo que não pode  ser  suscitado em sede de  julgamento. Segundo, o  PRL e as comissões são pagas em razão do desempenho passado.  2) O único argumento que apresentou ao BACEN para defender o tratamento  de ativo diferido dado à PRL e às comissões foi o de que estas quantias estavam vinculadas ao  adimplemento  futuro.  Todavia,  a  empresa  reconheceu  o  seu  equívoco  diante  da  resposta  daquela autarquia.  3)  Pede  a  nulidade  do  acórdão  recorrido  em  razão  da  inovação  do  fundamento para a não homologação das compensações.  É o relatório do essencial.   Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/2013­69  Acórdão n.º 1401­001.678  S1­C4T1  Fl. 502          7  Voto             Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes  Apesar  de  a  lide,  por  óbvio,  ser  atinente  à  questão  tributária,  não  está  centrada  na  interpretação  de  regras  tributárias,  mas  sim  de  regras  contábeis,  para  ser  mais  exato, regras de direito comercial.  É  que  a  lei  tributária  não  trata  de  forma  exaustiva  a  base  de  cálculo  do  imposto sobre a renda. Não é, pois, exaustiva. Sobre esse tema já me manifestei no voto que  conduziu o acórdão 1201.00.036, de 12 de maio de 2009, o qual reproduzo abaixo:    Antes de nos debruçarmos sobre o tema da  tributação do ágio,  merecem destaque os  seguintes dispositivos do Regulamento do  Imposto de Renda:  Art. 247.  Lucro  real  é  o  lucro  líquido  do  período  de  apuração  ajustado  pelas  adições,  exclusões  ou  compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º).  § 1º  A  determinação  do  lucro  real  será  precedida  da  apuração  do  lucro  líquido  de  cada  período  de  apuração  com observância das disposições das leis comerciais (Lei  nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º).  Podemos claramente perceber que não há na  lei do  imposto de  renda uma estipulação, por assim dizer, completa do lucro real.  A princípio, a base de cálculo do imposto de renda é o próprio  lucro  comercial,  isto  é,  o  resultado  positivo  da  atividade  das  empresas em conformidade com a legislação comercial.  Nada obstante, em razão das diferenças entre o regime jurídico  de direito privado e o regime de direito público tributário, a lei  fiscal pode estabelecer diversidade de tratamento em relação aos  mais variegados fatos passíveis de integrar um e outro lucro.  Nesse caso, porém, a  lei  fiscal não é exaustiva. Ela se  limita a  prescrever  o  que  possuir  tratamento  diferente  do  regido  pelo  direito comercial.  O  lucro  apurado  segundo  as  regras  comerciais  apresenta  propósito  diverso  daquele  estipulado  como  base  de  cálculo  do  imposto  sobre  a  renda.  No  primeiro  caso,  o  lucro  tem  a  finalidade de aferir a parcela do resultado da empresa a que tem  direito seus sócios; no segundo, a de dimensionar o fato jurídico  tributário de a empresa auferir renda nova. Em razão disso, por  exemplo,  os  dividendos  recebidos  de  outras  pessoas  jurídicas  devem compor o lucro comercial, mas não o lucro real. Como a  definição  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  parte  da  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO     8  definição  do  lucro  comercial,  os  dividendos  devem  então  ser  tratados como uma exclusão pela legislação tributária.  Desse modo, para a  correta  compreensão do  regime  jurídico a  que  estão  submetidos  os  diversos  fatos  econômicos  praticados  pelas empresas, o percurso de interpretação deve principiar pela  sua  disciplina  comercial  para  depois  ser  verificado  se  há  tratamento diverso pela lei tributária.  Se um fato deve compor o lucro comercial e a lei do imposto de  renda nada sobre ele prescreve, então deverá também compor a  base  de  cálculo  desta  exação.  De  igual  turno,  se  não  deve  compor o  lucro  comercial e a  lei  do  imposto de  renda  também  for silente, a mesma sorte terá, isto é, não deverá compor o lucro  real.    Ou  seja,  há  um  percurso  hermenêutico  para  a  construção  do  significado  jurídico  tributário  de  cada  fato  econômico  relativamente  à  apuração  da  base  de  cálculo  do  imposto de renda. Esse percurso é principiado no direito comercial (o que muitos denominam  apenas por "regras contábeis", mas que são, essencialmente, regras de direito) e, para a maioria  das  situações,  aí  se  esgota. Não é necessário  enveredar pelos diplomas  legais que  regulam o  imposto federal.  É dessa natureza o caso que ora enfrentamos.  Nesse passo, claramente, equivocou­se o despacho decisório. Note­se o  seu  teor pela seguinte passagem:  O  papel  do  Banco  Central,  na  defesa  do  interesse  público,  é  assegurar  a  solidez  e  estabilidade  do  sistema  financeiro  nacional,  zelando  pela  liquidez  e  a  qualidade  dos  ativos  por  meio  do  acompanhamento  da  situação  patrimonial  das  instituições  financeiras.  Por  sua  vez,  a  missão  institucional  da  Receita Federal do Brasil é garantir a entrada de recursos para  o  financiamento  do  Estado.  Por  óbvio,  portanto,  que  as  entidades  regulem  buscando  atender  a  finalidade  para  a  qual  são dirigidas. Assim, a  conclusão do Banco Central no  sentido  de que a contabilidade da interessada deveria ser ajustada, a fim  de  se  alcançar  a  segurança  necessária  para  a  atividade  financeira,  não  implica  em  violar  ou  ignorar  a  legislação  tributária  que  se  insere  em  sistema  jurídico  distinto,  como  já  interpretado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do  Recurso Especial 413.919/PR:  Ora,  a  jurisprudência  a  que  a  autoridade  fiscal  faz  referência  é  justamente  sobre  um  tema  (provisão  para  devedores  duvidosos),  que  possuem  tratamento  diverso  pelo  direito  comercial  e  pelo  direito  tributário.  A  decisão  afirma  justamente  o  que  discorremos  acima. A  lei  tributária pode disciplinar de  forma diversa os  fatos  econômicos  em  relação  ao  direito  comercial.  Só  que  isso  não  foi  feito,  no  presente  caso.  O  intérprete  deve  seguir  os  ditames do direito comercial justamente porque o legislador tributário assim determinou.  Note­se que a DRJ não seguiu o mesmo caminho. A autoridade julgadora de  primeiro  grau  efetivamente  enveredou  pela  interpretação  do  direito  comercial  (pelas  ditas  regras  contábeis).  Tal  caminho,  porém,  não  é  juridicamente  inválido,  como  alegado  pela  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/2013­69  Acórdão n.º 1401­001.678  S1­C4T1  Fl. 503          9  recorrente. Não há uma inovação fática para o indeferimento. Há apenas a aplicação do direito,  que o julgador recorrido, entendeu ser o correto para o caso. Logo, não é passível de nulidade  a sua decisão.  Superada essa questão preliminar, imagino a perplexidade que deve ter tido o  sujeito  passivo,  uma  vez  que  está  diante  de  duas  interpretações  divergentes  expedidas  por  autoridades  federais  sobre uma mesma  legislação e um mesmo  fato.  Isso  está bem claro nas  seguintes passagens da decisão recorrida:  Neste  sentido,  a  afirmação  do  BACEN  de  que  o  critério  qualitativo  se  limitaria  a  avaliação  de  competências  (comportamentos e atitudes) do empregado não coaduna com os  acordos  firmados pela  interessada. O viés qualitativo depende,  sim,  do  adimplemento  das  operações  de  crédito.  Se  o  adimplemento  for  baixo,  a  despesa  também  diminuirá,  e  vice­ versa. Além disso, como a despesa depende do adimplemento do  contrato,  foi  necessário  estabelecer  critério  sistemático  e  racional  para  sua  apropriação.  Estabeleceu­se  que  a  apropriação  seria  em  função  do  período  em  que  os  benefícios  seriam  obtidos,  ou  seja,  na  duração  do  contrato  firmado  que  gerou a receita. Daí a afirmação da autoridade a quo no sentido  de  que  as  despesas  com  PLR  dependem  de  evento  futuro  e  incerto,  e  não  devem  ser  apropriadas  na  totalidade  antes  do  vencimento dos contratos.  Ainda  de  acordo  com  as  explicações  da  interessada  para  o  BACEN,  o  sistema  gestão  (sistema  responsável  pelo  processamento  das  operações  de  crédito)  foi  adequado  para  permitir o cálculo do diferimento das despesas de PLR de acordo  com o  fluxo do  contrato de  crédito. Este  fato  também afasta a  afirmação do BACEN de que a parte qualitativa, que influencia  a  apuração  da  PLR,  não  permitiria  a  associação  do  valor  apurado  com  uma  operação  de  crédito  específica.  Cabe  esclarecer  que  nem  sempre  é  possível  a  associação  direta  de  uma despesa com a receita para que ocorra o seu diferimento. A  condição para o seu diferimento é o vínculo entre eles, como no  presente  caso,  já  que  a despesa  de PLR  é  variável  conforme o  adimplemento  dos  contratos.  Existindo  o  vínculo,  é  possível  aplicação  do  pressuposto  básico  do  Princípio  do  Regime  de  Competência, ou seja, o confronto das despesas com as receitas,  como  assim  procedeu  a  interessada  em  suas  Declarações  originais. (nossos destaques)  (...)  De  todo  exposto,  concluo  que,  em  que  pese  entendimento  diverso do BACEN, diante dos elementos constantes nos autos, a  autoridade  a  quo  acertou  em  não  acatar  as  alterações  da  DIPJ/2010  retificadora,  uma  vez  que  as  despesas  com  pagamento  de  PLR  e  Comissões,  considerando  as  suas  características  específicas,  devem  ser  diferidas,  já  que  restou  demonstrado o seu vínculo com as receitas a serem obtidos com  as  operações  de  créditos  firmados  durante  a  vigência  dos  acordos. (nossos destaques)  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO     10  É  importante  destacar  que  o  sujeito  passivo  diferiu  as  despesas  e  pagou  (pagou!) o tributo. Foi por determinação do Banco Central do Brasil que ele modificou a sua  forma de registrar contabilmente os valores.  Não estamos (repito!) a tratar de um tema passível de ter tratamento diverso  pela  lei  fiscal  em  relação  àquele  que  é dispensado pela  lei  comercial, mas  sim de  um único  tratamento que irá repercutir sobre a tributação.  Esse tipo de atuação fere, no mínimo, a princípio da boa fé objetiva que deve  gerir a atuação dos poderes públicos perante os administrados.   É  importante  registrar  que  as  regras  de  contabilidade  para  as  instituições  financeiras são estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (art. 4º, XII, da Lei 4.595, de  1964) e que compete ao Banco Central fiscalizar o cumprimento dessas regras (art. 9º da Lei  4.595,  de  1964)  inclusive  por  meio  da  competência  privativa  para  fiscalizar  instituições  financeiras e lhes aplicar penalidades (art. 10, IX, da Lei 4.595, de 1964).  Ainda segundo o art. 31, da Lei 4.595, de 1964:   Art. 31. As instituições financeiras levantarão balanços gerais a  30  de  junho  e  31  de  dezembro  de  cada  ano,  obrigatoriamente,  com  observância  das  regras  contábeis  estabelecidas  pelo  Conselho Monetário Nacional.  Aqui,  vale mais  uma  vez  afirmar,  as  regras  contábeis  são  regras  de  direito  comercial  sobre  as  quais  repousa  a  tributação  pelo  imposto  sobre  a  renda.  Ora,  se  o  contribuinte não apurasse o ser resultado e aferisse o seu patrimônio segundo o entendimento  estabelecido pela autoridade fiscalizadora setorial, iria sofrer penalidades.   Não é razoável exigir do particular que adote, sempre em seu desfavor, duas  interpretações divergentes sobre uma mesma legislação.  Aqui,  há  uma  questão  de  competência  jurídica  (poderia  a  Receita  Federal  interpretar de forma divergente fatos submetidos à fiscalização de uma autarquia federal?) e de  competência  técnica  (seriam  os  auditores  fiscais,  em  detrimento  de  servidores  públicos  especificamente  treinados  para  analisar  a  contabilidade  das  instituições  financeiras,  os  mais  aptos a enfrentar o tema?).  Entendo  que  a  resposta  às  duas  questões  é  negativa. Da mesma  forma  que  uma autoridade fiscal não pode questionar o mérito de um laudo emitido por um médico para  fins  de  reconhecimento  de  isenções  de  imposto  de  renda  pessoa  física  para  portadores  de  doenças  graves  (só  pode  questionar  questões  de  forma  ­  se  realmente  foi  emitido  por  um  mérito,  por  exemplo  ­  e de  cunho  subjetivo  ­  como a  fraude na emissão do documento pelo  profissional da medicina), entendo que a interpretação sobre as atividades de um determinado  setor deve ser aquela conferida pela autoridade pública responsável pela sua fiscalização.   Ademais,  com  todas  as  vênias  à  autoridade  local  e  à  autoridade  recorrida,  entendo  mais  segura  a  interpretação  dispensada  pela  autoridade  bancária  sobre  as  questões  fáticas aqui tratadas e o seu devido enquadramento nas regras contábeis (regras jurídicas), que  são expedidas pelo CMN para o setor.   Destaque­se, uma vez mais, o Banco Central do Brasil não avançou sobre a  sua competência  técnica. Não se manifestou sobre a  forma como tal ou qual  tributo deve ser  recolhido  pelo  setor.  Apenas  ditou  a  regra,  no  caso  concreto,  para  o  reconhecimento  de  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/2013­69  Acórdão n.º 1401­001.678  S1­C4T1  Fl. 504          11  despesas.  Foi  a  Receita  Federal,  uma  vez  que  a  base  de  cálculo  do  tributo  sob  a  sua  administração se assenta em regras não tributárias, que aduziu estar equivocada a interpretação  exarada pela entidade pública legalmente responsável para a expedir.  Essas premissas são, para mim, suficientes para decidir a lide. De todo modo,  ainda  que  considere  desnecessária,  não  vou  me  furtar  a  analisar  brevemente  o  mérito  do  reconhecimento das despesas ora em disputa.  Em  razão  da  sua  própria  natureza,  a  PRL  (participação  nos  lucros  e  resultados) possui o caráter nitidamente retrospectivo, ou seja, o trabalhador recebe por aquilo  que  produziu  num  determinado  período.  Esse  reconhecimento  é  posterior  ao  resultado  alcançado.  Por  isso,  a  aferição  dos  critérios  qualitativos  são  semestrais  e  não  numa  periodicidade "aberta", que dependeria da duração de cada contrato individual e poderia durar  muitos anos após o próprio período de  reconhecimento da PRL. O mesmo pode ser dito das  comissões, que possuem, na verdade, a natureza de bônus por resultados já obtidos, segundo a  própria análise empreendida pelo Bacen abaixo reproduzida:  (...)  também  não  é  admissível  o  diferimento  da  PRL  e  das  remunerações  com  características  de  bônus  pagos  aos  correspondentes. Como o correspondente ou o funcionário da IF  só  poderá  fazer  jus  ou  não  a  tais  valores  dependendo  de  se  atingir condicionantes acordadas e em momento diverso daquele  em que a operação de crédito é originada, não é possível incluir  esse  componente  no  cálculo  da  taxa  efetiva  de  juros  dessa  operação.  Por  todo  o  exposto,  rejeito  a  preliminar  suscitada  de  nulidade  da  decisão  recorrida,  para,  no mérito,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  com  o  fito  de  reconhecer o  crédito tributário pleiteado e realizar as compensações até o limite desse crédito.    (assinado digitalmente)  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Relator                                Fl. 509DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO

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Numero do processo: 12466.001642/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE DECABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato, mas não para eventuais erros de interpretação. Não configuradas tais hipóteses, é de se rejeitar os embargos. Embargos de Declaração acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 1.967          1 1.966  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12466.001642/2010­18  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3201­002.390  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de setembro de 2016  Matéria  Embargos  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SERVER COMPANY COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE DECABIMENTO.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade,  omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se  a  turma.  A  jurisprudência  administrativa e judicial  tem admitido o manejo dos embargos também para  os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato,  mas  não  para  eventuais  erros  de  interpretação.  Não  configuradas  tais  hipóteses, é de se rejeitar os embargos.  Embargos de Declaração acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar  os embargos de declaração.    (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente­Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira,  Cássio  Schappo,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Winderley  Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 16 42 /2 01 0- 18 Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     2 Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  tempestivamente  pela  douta  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  –  PFN,  em  face  do  Acórdão  nº.  3201­01.697,  de  19  de  agosto de 2014 (fls. 1947 e ss.), cuja ementa abaixo se transcreve:    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2005 a 04/07/2005  MULTA  DE  OFÍCIO.  LANÇAMENTO  DE  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.  Incabível  o  lançamento  de  multa  de  ofício  na  constituição  de  crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por medida  judicial acautelatória.    Alega  a  PFN  que  teria  havido  omissão  na  fundamentação  do  acórdão  embargado, nos seguintes termos:  Ao  contrário  do  que  sugere  a  decisão  embargada,  o  presente  lançamento fundamentou­se não só na medida liminar concedida  na  cautelar  preparatória  da AR, mas  também  no  entendimento  de que a coisa julgada no Mandado de Segurança 99.0016658­2  reconhece  o  direito  de  compensar  os  créditos  de  IPI  da  SAB  Trading com débitos de terceiros apenas até a edição da IN/SRF  41,  de  07/04/2000,  que  vedou  tal  possibilidade  a  partir  desta  data.  Os fiscais seguiram a orientação manifestada no item 4 da Nota  n.º  91  da  PRFN  2ª  Região,  segundo  a  qual,  de  acordo  com  o  artigo  468  do  CPC,  “a  sentença,  que  julgar  total  ou  parcialmente  a  lide,  tem  força  de  lei  nos  limites  da  lide  e  das  questões decididas”. (g.n.)  Assim, a decisão no mandado de segurança foi proferida levando  em consideração a legislação vigente à época de sua propositura  (08/07/1999).  Com  base  nela,  decidiu­se  pela  existência  do  crédito prêmio, bem como pela possibilidade de sua restituição,  ressarcimento,  ou  compensação,  afastando  a  aplicação  do  ato  declaratório 31/99.  Contudo,  a  sentença  nada  decidiu  sobre  a  possibilidade  de  compensação  desses  créditos  com  débitos  de  terceiros  após  a  vigência  da  IN 41/2000. Neste  diapasão,  há  que  se  considerar  que, nos termos da Nota n.º 91, alterados os pressupostos legais  que  serviram  de  supedâneo  à  decisão  judicial,  não  há  que  se  pretender  opô­la  à  nova  situação  jurídica  instaurada,  com  o  advento de legislação posterior modificativa. (grifamos).  Os embargos foram admitidos.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.   É o relatório.  Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.001642/2010­18  Acórdão n.º 3201­002.390  S3­C2T1  Fl. 1.968          3 Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  Cabe ressaltar, inicialmente, que, como cediço, os embargos declaratórios têm a  finalidade de aclarar a decisão embargada ou trazer à discussão matéria omitida no julgamento,  de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre,  com  clareza,  haver  enfrentado  o  objeto  do  litígio.  É  o  que  prevê  o  art.  65  do Anexo  II  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao assim dispor:  Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se a turma.    Conforme doutrinam Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha, é omissa  a  decisão  a)  que  não  se  manifestar  sobre  um  pedido  ou  b)  sobre  argumentos  relevantes  lançados  pelas  partes  e  c)  quando  não  apreciadas  matérias  de  ordem  pública,  portanto  cognoscíveis de ofício pelo magistrado, tenham ou não sido suscitadas pelas partes.  Os mesmos autores consideram obscura a decisão quando ininteligível, portanto  mal­redigida,  faltando­lhe  a  devida  clareza.  E  contraditória,  quando  traz  proposições  inconciliáveis entre si,  exemplificando com aquela em que há uma contradição entre os  seus  fundamentos  e  a  sua  conclusão  (Direito  processual  civil: meios  de  impugnação  às  decisões  judiciais e processo nos tribunais. Salvador: JusPODIVM, 2006, p. 131).  Acresça­se que a jurisprudência tem admitido o manejo dos embargos também  para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, um erro de fato – uma  ideia  equivocada sobre o que, no plano da realidade, ocorreu.  Pois bem.  Na  redação  anterior  do  §  3º  do  art.  65  do  atual  RICARF/2015,  recentemente  modificado  pela  Portaria MF  nº  39,  de  2016,  tinham­se  mais  elásticos  os  requisitos  para  a  embargabilidade de nossas decisão colegiadas, daí que admitidos os embargos ora examinados  (a redação atual permite a rejeição, pelo presidente da Turma, quando intempestivos e quando  as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou  não estiverem objetivamente apontadas).  Contudo, a despeito de admitidos os embargos, vemos agora que a douta PFN na  verdade insurge­se contra o entendimento firmado no acórdão embargado, que entendeu, pelas  razões  que  expôs,  que  a  sentença,  posteriormente  transitada  em  julgado,  não  limitava  a  compensação à vigência das IN SRF nº 21, de 1997. Confira­se:    A  decisão  que  atribuiu  efeito  suspensivo  ativo  ao  agravo  de  instrumento da SAB TRADING é omissa quanto à compensação,  quer  seja  sob  a  égide  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  21,  de  2000, quer seja sob a égide de ato normativo superveniente. Já a  Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA     4 sentença  que  enfrentou  o  mérito  da  questão,  preferida  em  07/05/2001, reconheceu o direito creditório da  impetrante, bem  como  a  possibilidade  de  consumar  esse  direito  mediante  compensação  na  forma  da  Instrução Normativa  SRF  nº  21,  de  1997, alterada pela  Instrução Normativa SRF nº 73, do mesmo  ano.  A  partir  da  leitura  da  sentença  supra  mencionada,  percebe­se  claramente  que  a  interpretação  pretendida  pela  PRFN2  é  absurda. Em momento algum a sentença condiciona a realização  das compensações à vigência da Instrução Normativa SRF nº 21,  de  1997,  alterada  pela  Instrução  Normativa  SRF  nº  73,  do  mesmo  ano;  ao  contrário,  ela  determina  que  as  autoridades  fiscais  competentes  observem  os  ditames  dessas  instruções  normativas  sempre  que o  crédito  utilizado  na  compensação  for  objeto  deste  mandado  de  segurança  específico,  a  despeito  de  haver mudança legislativa.  Como informado, a sentença foi proferida no ano de 2001, sendo  que a Instrução Normativa SRF nº 41 é anterior. Logo, se a juíza  que  proferiu  a  sentença  quisesse  impor  essa  limitação  à  SAB  TRADING,  teria  o  feito  expressamente,  determinando  a  compensação  na  forma  da  Instrução Normativa  SRF  nº  41,  de  2000, e não na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, com a  alteração do mesmo ano.     Embora desnecessário, cabe enfatizar que os vícios que permitem o manejo  dos  aclaratórios  são  aqueles  que  se  verificam  na  própria  decisão  a  ser  embargada, mas  não  alcançam eventuais erros de interpretação, que, a propósito, se, no caso, existiu, não cabe aqui  comentar.   Os embargos, como se sabe, não se prestam para a reapreciação do litígio.  Pelo exposto, voto por REJEITAR os embargos de declaração.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                                  Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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