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Numero do processo: 13964.000111/95-12
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face
do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a
sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que
deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do
princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em
matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária.
Recurso provido.
Numero da decisão: CSRF/01-03.087
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
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ementa_s : IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária. Recurso provido.
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LTDA. Recorrida : 5a CÂMARA DO 1° C.C. Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de :11 DE SETEMBRO DE 2000 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 IRPJ — RESTITUIÇÃO — CORREÇÃO MONETÁRIA — Seja em face do tributo ser uma obrigação de valor, circunstância que impõe a sua restituição na mesma espécie, do princípio da moralidade que deve nortear a conduta da administração pública (CF, art. 37), do princípio que repudia o enriquecimento sem causa (aplicável em matéria tributária, por força do que dispõe o art. 108, III, do CTN) e, por fim, da jurisprudência mansa e pacífica do Poder Judiciário, na restituição de contribuição paga indevidamente impõe-se a sua devolução com correção monetária. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FRETTA & CIA. LTDA., pessoa jurídica com sede à Rua Marechal Deodoro, 335, Centro, Tubarão/SC, inscrita no CGC sob o n° 86.428.836/0001-07. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Verinaldo Henrique da Silva e Maria Beatriz Andrade de Carvalho. --• PERE' 401"- ES PRESIDENTE / LUIZ AL: RTO CAVA Pi CEI RA RELAT./- , Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 FORMALIZADO EM: 27 MAR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS. k,,:\ 2 , • Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Recurso n° : RD/105-0.731 Recorrente : FRETTA & CIA. LTDA. RELATÓRIO FRETTA & CIA. LTDA., pessoa jurídica com sede à Rua Marechal Deodoro, 335, Centro, Tubarão/SC, inscrita no CGC sob o n° 86.428.836/0001-07, inconformada com a decisão colegiada proferida através do Acórdão n° 105-12.147, de 07-01-98 (fls. 35 a 43), o qual, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário n° 113.036, interpõe Recurso Especial à Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 49/54), na forma do artigo 31, "caput", do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. A matéria objeto do feito consiste em restituição de imposto de renda pago a maior, relativamente ao período de fevereiro a dezembro de 1991, cujo acórdão recorrido se encontra assim ementado: "RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS ANTES OU DURANTE O ANO DE 1991 - Descabe a atualização de 1RPJ, quer para pagamento, quer para a restituição, relativa ao período de 1%2/91 (Leis n`'s 8.177/91 e 8.218/91) até 31/12/91 (Lei n° 8.383/91), não apenas por absoluta falta de previsão legal, mas principalmente devido ao princípio da isonomia. Se o sujeito ativo é impedido de atualizar os seus créditos tributários, igual tratamento deve ser dado quando os restitui." A recorrente apresenta como paradigma o acórdão n° 107-03.989, conforme trecho do voto de seu relator, a seguir transcrito (fls. 70): 41. 3 • Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 "Para a correta solução do caso em tela, portanto, é de se admitir que lhe assiste o direito à correção monetária do indébito a que faz juz, conforme solicitado, a partir de fevereiro até dezembro de 1991, pela aplicação do INPC do IBGE sobre as parcelas a serem restituídas, sobretudo porque foi o índice oficial de referência da inflação segundo dispôs o artigo 4° da Lei n°8.177/91, e porque trata-se de índice utilizado pela Lei n° 8.383/91 na formação da primeira UFIR (que indexou os tributos), em evidente reconhecimento por parte do legislador de tratar-se de indexador oficial (...)." Assim, pela simples leitura das decisões, constata-se a existência de interpretação diversa sobre a mesma matéria tributária, envolvendo situações idênticas, caracterizando o dissídio jurisprudencial levantado. Através do despacho n° 105-0.046/99 o Sr. Presidente da Colenda Quinta Câmara do 1° Conselho de Contribuintes deu seguimento ao presente recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade do mesmo. Intimada, a Fazenda nacional apresentou contra-razões, argumentando, em síntese que: Tratam-se de situações diversas, eis que a pretensão da recorrente resume-se à cobrança de correção monetária sobre quantia a ser restituída espontaneamente pela União, razão pela qual não pode a mesma ser enquadrada no conceito de tributo, enquanto prestação pecuniária compulsória, porquanto está sendo devolvido. 1Traz à colação parecer do ex-Superintendente Regional da Receita Federal, Dr. Hailé José Kaufmann, em processo judicial, o qual confirma seus argumentos apresentados. Apresenta como fundamentação legal de sua tese o artigo 66, caput, e parágrafo 3° da Lei n° 8.383/91. 4 , ' Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Sendo assim, acrescenta, ainda, que sobre os créditos tributários pagos no período sob análise não incidiu qualquer taxa ou índice de atualização monetária, portanto, de onde se insere a impossibilidade de fluir correção monetária sobre a restituição do indébito. É o Relatório. f,i 1 I E 5 , „ Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator: O recurso é tempestivo, apresentando os demais pressupostos de admissibilidade, merece ser conhecido. A controvérsia reside na possibilidade ou não da atualização monetária na restituição do imposto de renda pago indevidamente pelo contribuinte, no ano-calendário de 1991. Com efeito, o imposto de renda, assim como a contribuição social, no dizer do eminente Ministro da Suprema Corte, Moreira Alves (Representação n°1451-7 - DF - tribunal Pleno, Lex 117/251), "é obrigação de valor, à medida em que nasceu e sempre se sujeitou à atualização monetária”. Nessa perspectiva, uma vez que foi recolhido aos cofres públicos um valor que a ele não era devido, torna-se imperioso que a restituição desse montante ao contribuinte se dê com a incidência da atualização monetária correspondente, sob pena de incorrer a Administração em locupletamento ilícito, ofendendo ao princípio da moralidade administrativa(CF, art. 37) ou pela inobservância dos princípios gerais do direito público (CTN, art. 108, III). Inobstante, há de se considerar, ainda, a posição adotada pelos nossos Tribunais, as quais se apresentam de forma mansa e pacífica sobre o tema. Válida menção à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 89.791-RJ (RTJ 96/781): 6 ' _Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 "Trata-se de mera alteração nominal e não real do valor ajustado. Mera substituição de desfalque do valor, e não acréscimo de valor. (...)" Também deve ser aplicada à espécie a Súmula n° 562, da já referida Suprema Corte, assim ementada: "Súmula 562: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, dos índices de correção monetária." Mais especificamente sobre a incidência da atualização monetária nas restituições de indébitos, há de se considerar, ainda, a determinação da Súmula n° 46 do antigo tribunal Federal de Recursos, a saber: "Súmula 46: Nos casos de devolução do depósito efetuado em garantia de instância e de repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada desde a data do depósito ou do pagamento indevido e incide até o efetivo recebimento da importância reclamada."(grifo nosso). De igual forma, o Superior Tribunal de Justiça tem assim apresentado o seu entendimento: "A correção monetária, como mera atualização de valores defasados pela corrosão da moeda em regime de economia inflacionária, constitui imperativo não só econômico e jurídico, mas também ético" (Resp. 803-BA - 4a T. STJ, DJU de 20/11/89, Min. Sálvio de Figueiredo). 1 Portanto, a pretensão da empresa em ter a restituição do imposto de renda indevido corrigido monetariamente é medida que se faz imperiosa, observando-se os critérios utilizados pela Lei 8383/91, no que se refere à criação da UFIR (art. 2°, parágrafo 1°, "a"), para a apuração do "quantum" a incidir. 7 ' Processo n° : 13964.000111/95-12 Acórdão n° : CSRF/01-03.087 Note-se que a concessão de correção monetária especificamente durante o período de fevereiro a dezembro decorre do fato de que também naquele período houve inflação e isto é fato notório. O critério de indexação estipulado para esse período é justo e absolutamente correto, na medida em que se espelhou no mesmo critério utilizado pelo legislador na criação do valor da primeira UFIR, em evidente reconhecimento da inflação verificada naquela época e dos índices utilizáveis. Em conclusão, a matéria se encontra tratada de forma incontroversa, resultando ser devida a correção monetária na repetição da quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de imposto de renda. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo que assiste direito à recorrente, ao cômputo da correção monetária do indébito, no período de fevereiro a dezembro de 1991, pela aplicação do INPC sobre as parcelas a serem restituídas, correspondendo ao índice oficial de referência da inflação, a teor do artigo 4° da Lei n° 8.177/91. Sala das essões - DF, em 11 de setembro de 2000. LUIZ AL, RTO CAVA , ACEIRA 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13888.901406/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.340
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 06 /2 01 4- 29 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901406/201429 Acórdão n.º 3402003.340 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10611.002440/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008
PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DIFERENCIADA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, não configura concomitância entre as esferas administrativa e judicial, não importando em renúncia à instância administrativa, tendo o processo administrativo, prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008
DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA.
Restando comprovado nos autos a não aplicação dos insumos importados ao amparo de ato concessório sob o regime de drawback-suspensão, nos produtos exportados, é cabível a cobrança dos tributos, além de multas e juros moratórios.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE
Incabível a aplicação de multa de ofício quando constatado que a antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI é anterior ao início do procedimento fiscal.
AUTO DE INFRAÇÃO. PIS.COFINS.MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO
É cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício relativo aos referidos tributos.
No caso dos autos, inexistia medida judicial, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício, relativo às Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS.
Numero da decisão: 3302-003.379
Decisão: RO Negado e RV Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado que davam integral provimento ao Recurso.
Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte - OAB 97.692 - MG
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA PELO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DIFERENCIADA ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, não configura concomitância entre as esferas administrativa e judicial, não importando em renúncia à instância administrativa, tendo o processo administrativo, prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. Restando comprovado nos autos a não aplicação dos insumos importados ao amparo de ato concessório sob o regime de drawbacksuspensão, nos produtos exportados, é cabível a cobrança dos tributos, além de multas e juros moratórios. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 24 40 /2 01 0- 47 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 2 ANTECIPAÇÃO DE TUTELA ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE Incabível a aplicação de multa de ofício quando constatado que a antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI é anterior ao início do procedimento fiscal. AUTO DE INFRAÇÃO. PIS.COFINS.MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO É cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexiste medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício relativo aos referidos tributos. No caso dos autos, inexistia medida judicial, concedida antes do início de qualquer procedimento de ofício, relativo às Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. RO Negado e RV Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal, parcialmente vencidos o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado que davam integral provimento ao Recurso. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte OAB 97.692 MG [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuida o presente processo de lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração relativos ao Imposto de ImportaçãoII e multa regulamentar, (fls. 03/22); Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vinculado à importação (fls. 23/38); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINSimportação (fls. 39/53); Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEPimportação (fls. 54/68), nos valores de, respectivamente, R$ 4.196.069,26, R$ 711.000,00, R$ 2.465.423,46, R$ 2.787.002,12 e R$ 605.072,75, perfazendo o valor total de R$ 10.764.567,59, sendo os tributos acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.128 3 Os lançamentos foram efetuados com suspensão da exigibilidade por força de liminar concedida nos autos do processo judicial nº 2009.38.06.0008388, do Juízo da Vara Única Federal da Subseção Judiciária de Patos de Minas/MG. A decisão relativa à antecipação de tutela, datada de 17/07/2009 (fl. 511, volume 3), assim destaca: “...defiro a antecipação de tutela para determinar a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI, cujas operações estejam amparadas pelo Ato Concessório de Drawback n. 20070144214, concedido à parte autora em 13/11/2007. Determino a intimação da ré para que, no prazo de 10 (dez) dias, reexamine o pedido de prorrogação do prazo do ato concessório de Drawback, tendo em vista o disposto no art. 13, da Lei n. 11.945/2009, comunicando a este Juízo a decisão proferida, no prazo de 05 (cinco) dias, contados do vencimento do prazo para o reexame.” Em 31/05/2011, conforme fl. 969, volume 6, foi prolatada sentença que revogou a decisão supra: “Por esses fundamentos, concluise que a autora não faz jus à prorrogação do ato concessório de drawback n° 20070144214. Ante o exposto, revogo a decisão de fls. 1.687/1.689, que deferiu a antecipação dos efeitos da tutela e julgo improcedente o pedido.” Destaca a decisão de piso sobre a motivação da autuação: I) com relação ao lançamentos dos tributos: “A Kinross Brasil Mineração S.A realizou importações sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, com a suspensão do II, IPI, PIS e COFINSImportação, sendo que foi concedido prazo para a utilização dos bens em seu processo produtivo e que ao seu término, deveria ocorrer a exportação. Conforme relatado no titulo 5.7.1, do Relatório de Fiscalização, constatouse que após a última exportação, restou saldo positivo no estoque dos produtos importados com a suspensão de tributos ao amparo do Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão n° 20070144214. De acordo com o Principio da Vinculação Física, os produtos importados com suspensão dos tributos deveriam ser integralmente utilizados no processo produtivo do Ouro destinado à exportação. Constatado que parte das mercadorias importadas com suspensão dos tributos não foi utilizada no processo produtivo do Ouro destinado à exportação e não tendo a beneficiária tomado alguma das providências elencadas no art. 342 do RA, Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 4 resolvese a suspensão, exigindo os tributos devidos, e consequentemente, os acréscimos legais”. I.1 ) com relação ao inadimplemento parcial do regime de Drawback: Em relação ao subitem 5.3 (Ato Concessório Drawback nº 20070144214), a fiscalização apresenta, à fl. 86, vol. 1, dados relativos ao AC, apresentado pela autuada, no qual consta como data de registro 13/11/2007 e data de validade 12/11/2008. Nesse subitem são apresentados diversos produtos, constantes do AC, com as respectivas quantidades, que a empresa poderia importar. A empresa deveria exportar a mercadoria de descrição “Barras/Fios/Perfis de Ouro de Seção Maciça”, NCM 7108.13.10, na quantidade de 9.784,00077 Kg.(grifei). No que pertine ao subitem 5.6 (Da Análise do Ato Concessório de Drawback nº 20070144214), a fiscalização, analisando as importações previstas no AC, afirma que 39 DI´s foram vinculadas ao AC 20070144214, as quais foram registradas entre 12/11/2007 e 27/10/2008; a beneficiária importou a totalidade dos itens 002, 008, 012, 013 e 016 autorizados no AC, mas os outros foram importados parcialmente. Em relação às exportações, a fiscalização afirma que os embarques e averbações das exportações efetivadas pela beneficiária ocorreram no período de 29/11/2007 a 06/11/2008. Foram 43 Registros de Exportação vinculados ao AC, por meio dos quais a beneficiária efetivou a exportação de 5.841,452050 Kg de Ouro, classificado na NCM 7108.1310. I.1.1 ) com relação ao saldo positivo do estoque de mercadorias importadas após as exportações, subitem 5.7.1: “(...) Conforme relatado no título 5.7.1, constatouse que, após a última exportação, restou saldo positivo no estoque dos produtos importados – com suspensão de tributos – ao amparo do Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão nº 20070144214. Tal fato é de fácil visualização no quadro resumo abaixo, no qual verificase um estoque final (saldo positivo de estoque) de insumos importados, caracterizando assim que estas mercadorias importadas não foram integralmente utilizadas no processo produtivo das mercadorias a serem exportadas”. A partir da relação insumo x produto, apresentada no laudo técnico, a fiscalização elaborou “Planilha de Cálculo de Utilização do Insumo Importado na Produção do Bem Exportado – Produção e Estoque” para cada um dos itens importados; Tendo em vista que as primeiras importações são as primeiras a saírem, a fiscalização, ao efetuar a glosa das importações, utilizou as mais recentes, conforme consta, por exemplo, à fl. 131, em relação ao insumo “Corpos Moedores em Aço Fundido 2”” (título 6.1.1.1.1). Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.129 5 II) com relação à infração “Descumprimento de norma para habilitarse ou utilizarse de regime aduaneiro especial”, cuja penalidade tem como base legal o art. 107, VII, “e”, DecretoLei nº 37/1966: “Sendo o Drawback um Regime Aduaneiro Especial e tendo constatado que a Kinross Brasil Mineração S.A descumpriu norma, conforme verificado no título 6.1, ao utilizar o Regime Aduaneiro Especial de Drawback que fora operacionalizado por meio do Ato Concessório de Drawback modalidade Suspensão n° 20070144214, sujeitarseá a MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL no valor diário de R$ 1.000,00 (Hum mil Reais), conforme disposto no art. 107 do decreto lei n° 37/66 com redação dada pelo art. 77 Lei n° 10.833/03 e também prevista na alínea "d" do inciso VII do art. 728 do Regulamento Aduaneiro RA aprovado pelo decreto n° 6.759/09”.(sic). Continuando esse assunto, assim dispôs a fiscalização, à fl. 144: “Tendo o Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão nº 20070144214, expirado em 12/11/2008 (=data de validade), conforme se verifica pela tela do sistema Drawback Web do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC – intitulada “Consulta de Dados Básicos – (Documento 02) a multa será aplicada a partir do primeiro dia subseqüente ao 30º dia, ou seja, 13/12/2008. Entretanto, por ser o dia 13/12/2008 um sábado, a contagem iniciará no primeiro dia útil, dia 15/12/2008, uma segunda– feira, até dia 17/08/2010, data de lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 0615100.2010.002261, perfazendo um total de 711 dias, conforme demonstrativo abaixo:” Inconformada com as exigências das quais tomou ciência em 03/12/2010, conforme Aviso de Recebimento, fls. 515/516, volume 3, a interessada apresentou sua impugnação em 04/01/2011, documento de fls. 526/547, volume 3, conforme excertos a seguir da decisão de piso: fazendo considerações ao regime aduaneiro de drawback e sua legislação, afirma que, apesar de nos termos do artigo 3º da Portaria MF nº 594/1992 competir à RFB a fiscalização do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pelas disposições legais pertinentes, pelos termos do artigo 142 do CTN, a atividade fiscalizatória é totalmente vinculada ao que dispõe a Lei, não podendo ser extrapolados os seus limites ou intentada interpretação desarrazoada, no objetivo de se forçar a arguição de descumprimento dos termos do Drawback, com a cassação de um benefício legalmente previsto; será demonstrado que a autoridade tributária não agiu com acerto, uma vez que extrapolou o conteúdo da norma e os limites de sua interpretação razoável, em face da situação concreta; Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 6 Exportação vinculada ao ato concessório – aplicabilidade do princípio da tributação no país de destino de acordo com a Fiscalização, para comprovar o cumprimento das obrigações contidas no Ato Concessório n° 20070144214, a impugnante teria que demonstrar que todas as mercadorias importadas por meio do Drawback Suspensão foram integralmente Utilizadas em seu processo produtivo; esse entendimento da fiscalização decorre do princípio da vinculação física, segundo o qual, conforme a fiscalização, os produtos importados com suspensão dos tributos deveriam ser integralmente utilizados no processo produtivo do Ouro destinado à exportação; apesar de a Impugnante ter utilizado integralmente os insumos importados no processo de produção do ouro com destino ao exterior, a fiscalização entendeu que houve inadimplemento parcial do Ato Concessório n° 20070144214, na medida em que o insumo importado deveria ter sido consumido integralmente em seu processo produtivo durante a vigência do referido Regime Especial Aduaneiro; Segundo a fiscalização, seria irrelevante o fato de todo o insumo importado ter sido consumido no processo de produção destinado à exportação, se não foram respeitados os limites temporais e quantitativos do Ato Concessório n° 20070144214 e os aspectos formais do Regime Aduaneiro Especial de Drawback; assim, há um nítido conflito entre o princípio da não exportação de impostos (tributação no país de destino) e a premissa da vinculação física adotada pela Fiscalização; conforme o princípio da tributação no país de destino, os impostos de consumo sobre as transações devem ser exigidos no país onde o produto será consumido. Precisamente por isso, o país de origem, isto é, o local no qual o bem foi produzido, procede normalmente à restituição ou isenção do imposto no momento da exportação e, por razões simétricas, o país do destino, onde o bem será consumido, institui um encargo compensatório sobre as mercadorias importadas com o objetivo de colocálas em igualdade para competir com os produtos nacionais; o sistema assim descrito estimula a livre concorrência, pela eliminação da dupla tributação e da evasão fiscal, para que o produto importado seja tributado apenas uma vez, objetivando que as mercadorias estrangeiras suportem o mesmo encargo fiscal que as mercadorias nacionais; o Regime Especial Aduaneiro do Drawback Suspensão, baseado no princípio da tributação do país de destino, é um necessário e poderoso instrumento de política de comércio exterior, pois a supressão deste regime poderia comprometer não somente os contribuintes exportadores, mas também, todo o plano econômico e financeiro nacional; Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.130 7 no caso concreto, se a impugnante não fosse beneficiária do Regime Especial Aduaneiro do Drawback Suspensão, seria obstada de forma relevante à consecução de seu objeto social, pois conforme se comprova por meio de suas Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica nos anos calendário de 2008, 2009 e 2010 (documento n° 03), a sua receita total decorre precisamente de 99% (noventa e nove pontos percentuais) do ouro exportado, sendo forçoso concluir que todas as matériasprimas e os insumos importados pela impugnante são integralmente utilizados na extração do ouro com destino ao exterior; dessa forma, como a impugnante utilizou todos os insumos importados na extração do ouro com destino ao exterior, sendo que a comercialização do referido minério representa 99% (noventa e nove pontos percentuais) de sua receita total, devem ser mantidos os benefícios fiscais instituídos por meio do Ato Concessório n° 20070144214 Drawback Suspensão, em conformidade com o princípio da tributação no país de origem; Inaplicabilidade de penalidades e juros de mora – suspensão da exigibilidade do crédito tributário – ação ordinária nº 2009.38.06.0008388 a impugnante ajuizou a Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, com o escopo de obter a ordem judicial para declarar o seu direito à "(...) prorrogação do prazo de vencimento do regime de Drawback Suspensão (Ato Concessório n° 20070144214), com a consequente inexigibilidade de quaisquer tributos incidentes sobre as importações de insumos realizadas." (documento n° 04); em 17 de julho de 2009, foi deferido o pedido de antecipação da tutela formulado pela impugnante "(...) para determinar a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI, cujas operações estejam amparadas pelo Ato Concessório de Drawback n° 20070144214, concedido à parte autora em 13/11/2007."; essas informações foram corroboradas pelo auto de infração contido no processo administrativo nº 10611.002440/201047, onde ficou disposto que o crédito tributário lançado está com a exigibilidade suspensa por força da medida liminar concedida nos autos do processo nº 2009.38.06.0008388 do Juízo da Vara Única Federal da Subseção Judiciária de Patos de Minas – MG; no caso, o presente Auto de Infração possui objeto distinto da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, pois na referida medida judicial a Impugnante objetiva a prorrogação do prazo do Ato Concessório n° 20070144214, e não o cancelamento dos tributos exigidos na importação de insumos necessários para o desenvolvimento de suas atividades; entretanto, como há identidade entre as matérias discutidas no presente Auto de Infração e na Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, inexiste qualquer fundamento jurídico que Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 8 autorize a Fiscalização a aplicar multa de lançamento de ofício, juros de mora e multa regulamentar, conforme será demonstrado a seguir; (...) no caso concreto, como a impugnante possui uma decisão deferindo a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da importação de insumos e matériasprimas, fica obstada a aplicação de juros de mora pela Fiscalização; isso porque, no mesmo sentido da inaplicabilidade de multa pelo lançamento de ofício, os encargos moratórios são devidos apenas quando há atraso no cumprimento da obrigação tributária; ademais, é cristalina a contradição na fundamentação do presente Auto de Infração ao confirmar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, mesmo assim, exigir o pagamento dos juros moratórios, em detrimento da posição consolidada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; dessa forma, devem também ser excluídos do presente Auto de Infração os juros moratórios incidentes sobre pretenso inadimplemento do Imposto de Importação, Imposto sobre Produto Industrializados, PIS e COFINS Importação; Multa pelo descumprimento de regime aduaneiro especial a aplicação da multa regulamentar diária de R$ 1.000,00, “em conformidade com a alínea 'd' do inciso VII do artigo 107 do Decretolei n° 37/66”, teve como data inicial o dia 12 de novembro de 2008 (momento em que expirou a validade do Ato Concessório n° 20070144214) e como final o dia 17 de agosto de 2010 (data da lavratura do MPF n° 0615100.2010.002261); no entanto, conforme se demonstrará é totalmente equivocada a aplicação da multa regulamentar ao presente caso, já que a mesma não se adequa à situação fático/jurídica que deu origem ao presente lançamento; primeiramente, a tipificação na alínea 'd' do inciso VII do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66 é claramente equivocada. A referida penalidade aplicase tão somente às hipóteses em que houve descumprimento de condição estatuída por norma para o exercício de serviços relacionados ao despacho aduaneiro; a referida norma incluise na regulamentação das atividades do despachante aduaneiro, profissional devidamente credenciado junto à Aduana para o exercício dos serviços inerentes ao despacho aduaneiro; a definição de atividades relacionadas ao despacho aduaneiro consta do artigo 718 do Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro vigente à época das operações); o DecretoLei n° 2.472/75, por sua vez, também dispõe sobre a função de Despachante Aduaneiro; (...); a tipicidade é uma garantia fundamental para a higidez do sistema tributário, sendo ainda mais importante a sua correta Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.131 9 aplicação no que se refere às multas e penalidades, tendo em vista o seu caráter sancionador; inclusive, as normas constantes do citado artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, invariavelmente reproduzidas nos regulamentos aduaneiros, afrontam a tipicidade ao não indicar efetivamente qual a conduta punida, ao trazer locuções genéricas, referentes a descumprimento de condições, sem indicar efetivamente quais seriam e onde estariam previstas; o antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CARF) já reconheceu a violação à tipicidade por parte das multas aduaneiras regulamentares; no presente caso, conforme expressamente consignado pela própria Fiscalização, a autuação decorre do suposto inadimplemento parcial do Ato Concessório n° 20070144214, e não por qualquer descumprimento de condição para a obtenção e fruição do benefício fiscal; (...); entretanto, caso se entenda que seja aplicável ao caso concreto a multa regulamentar, na mesma linha de raciocínio acerca da exclusão da multa de ofício e juros de mora, como em 17 de julho de 2009 foi deferido o pedido de antecipação da tutela formulado pela impugnante nos autos da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, não há como incluir os dias compreendidos entre a data da referida decisão até o momento da lavratura do MPF n° 0615100.2010.002261 no cômputo da multa diária pelo descumprimento de regime aduaneiro especial; isso porque os efeitos do Ato Concessório n° 20070144214 foram prolongados pela decisão proferida nos autos da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, pois foi determinada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da importação de produtos necessários para a consecução do objeto social da Impugnante; dessa forma, por força da antecipação da tutela obtida por meio da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388, deve ser excluída do presente Auto de Infração a multa regulamentar no período compreendido entre o dia 17 de julho de 2009 (momento da decisão proferida nos autos da Ação Ordinária n° 2009.38.06.0008388) e o dia 17 de agosto de 2010 (data da lavratura do MPF n° 0615100.2010.002261). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita, a decisão proferida. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 DRAWBACK SUSPENSÃO. ESTOQUE DE PRODUTOS IMPORTADOS COM SUSPENSÃO. SALDO POSITIVO. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 10 INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. Caracteriza inadimplemento do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, a existência de saldo positivo de estoques de produtos importados com suspensão de tributos, após trinta dias do vencimento do prazo para exportar, previsto em ato concessório, o que enseja a cobrança dos tributos suspensos e consectários legais. DRAWBACK SUSPENSÃO. VENCIMENTO DO PRAZO PARA EXPORTAR. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO CABIMENTO. Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da multa diária por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, prevista no artigo 107, inciso VII, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/01/2008 a 31/10/2008 TUTELA ANTECIPADA EM AÇÃO JUDICIAL. VIGENTE À ÉPOCA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Não cabe lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade estiver suspensa, por tutela antecipada em ação judicial, na data de lavratura do auto de infração. LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. É cabível o lançamento de juros de mora na constituição de crédito tributário, destinada a prevenir a decadência, quando a exigibilidade houver sido suspensa por força de medida judicial, sem que tenha sido efetuado depósito do montante integral. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 14/03/2012, conforme documento de fl. 1035, apresenta em 13/04/2012, Recurso Voluntário a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 1.036/1.056 e documentos de fls. 1.057/1.068, arguindo em síntese, após a recomposição fática da autuação: Após a lavratura do auto de infração e da impugnação apresentada houve o deferimento por parte da SECEX de pedidos de prorrogação do Ato Concessório. Tal prorrogação inicialmente até 14/11/2011 e posteriormente até 14/12/2012, posto que a Portaria SECEX nº 23, de 14/07/2011, teria autorizado a prorrogação excepcional de atos concessórios que haviam vencido no período de 01/10/2008 a 31/12/2009; Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.132 11 Após o deferimento das prorrogações, também ocorreu autorização para a transferência dos saldos de importação do Ato Concessório n º 20070144214 para outros Atos Concessórios. Em face dos documentos acostados em sede recursal que teriam por objetivo comprovar os fatos alegados, através da Resolução CARF nº 3302.000.455, de 16/10/2014, fls.1.073/1.088, o julgamento foi convertido em diligência nos termos do voto do relator: O principal fundamento do lançamento efetuado esta centrado no fato de que o Ato Concessório que a Recorrente detinha teria expirado e com a fiscalização verificouse que haviam saldos positivos de insumos importados que não haviam sido utilizados no processo de produção de ouro para exportação. Com o Recurso Voluntário foram juntados diversos documentos que procuram comprovar que o Ato Concessório analisado foi prorrogado por duas vezes e que os saldos de insumos importados foi transferido para outros Atos Concessórios por expressa autorização do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MIDC. De fato as prorrogações ocorreram em momento posterior (2011) ao lançamento efetuado e a impugnação apresentada. O Decreto n° 7.574/2011 assim consigna no art. 57 : §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso está claro a ocorrência do previsto no inciso II do § 4º do Art. 57 supra transcrito. Isto posto, tendo os documentos apresentados trazido a baila fatos novos que impactam diretamente nos lançamentos efetuados entendo ser imperioso que o processo seja baixado em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste sobre os fatos e documentos juntados com o Recurso Voluntário, elaborando relatório. A Recorrente deverá ser intimada a se manifestar sobre as conclusões da diligência proposta. Após a resposta, voltem os autos para conclusão do julgamento. Após o cumprimento da diligência, foi emitido o RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL de fls.1.092/1.102, no qual estão apreciados os fatos e documentos Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 12 supervenientes, apresentados quando do Recurso Voluntário, cuja conclusão a seguir se transcreve: DA CONCLUSÃO À época do lançamento o Ato concessório n º 20070144214 não havia sido prorrogado e/ou qualquer providência foi tomada em relação a transferência de saldo do AC, assim o AC foi considerado inadimplido e a beneficiária foi autuada. Diante da prorrogação do Ato concessório, a beneficiária não tomou qualquer providência no que diz respeito as exportações a que se comprometeu quando da obtenção do benefício do Regime de Drawback, ou seja, a beneficiária não vinculou outras exportações ao ato concessório nº 20070144214, exportações essas que deveriam ser de produtos (ouro) produzidos com os insumos importados através do ato concessório. À época do lançamento, 43 (quarenta e três) Registros de Exportação – REs estavam vinculados ao Ato concessório n º 20070144214, e, atualmente, os mesmos 43 (quarenta e três) REs permanecem vinculados, sem qualquer alteração. Concluindose, portanto, que a beneficiária não utilizou os saldos positivos de insumos lançados à época, na produção do produto (ouro) a ser exportado no Ato concessório. No entanto, na vigência do período prorrogado, com a anuência do MIDC, a beneficiária foi autorizada a transferir os saldos de insumos relativos as DIs nº 08/0558864 1/001, 08/0990624 9/001, 08/14116005/001, 08/15305405/001, 08/15309230/001, 08/16262505/001 e 08/16964313/001. Com a transferência das DIs para outro ato concessório, essas DIs não mais se vinculam ao Ato Concessório n º 20070144214, e, portanto, os saldos de insumos dessas DIs não devem mais ser considerados para o cálculo do saldo positivo de estoque do Ato concessório n º 20070144214. Assim, tendo em vista, tão somente, os elementos trazidos para análise, temos que: 1 – Em relação as DIs transferidas, as mesmas devem ser retiradas do Auto de infração relativo ao Ato Concessório n º 20070144214, uma vez que não estão vinculadas a este, não cabendo, portanto, conforme planilha abaixo, o lançamento efetuado à época. 2 – Com relação aos outros insumos do ato concessório n º 20070144214 que não foram abarcados pela transferência para outro ato concessório, não tendo a beneficiária tomado alguma das providências elencadas no art. 342 do Decreto nº 4.543/02, Regulamento Aduaneiro (art 390 do Decreto nº 6.759/09, Regulamento Aduaneiro vigente), entendo pela manutenção do lançamento efetuado à época. A interessada após ter ciência do citado relatório de diligência em 18/05/2015, conforme AR de fl.1.104, apresentou em 17/06/2015, manifestação de inconformidade de fls. 1.107/1.121, nos termos a seguir resumidos: Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.133 13 Manifesta sua concordância com a apreciação da fiscalização com relação à transferência das 7 DI's a outro Ato Concessório, em virtude da prorrogação excepcional por mais um ano, até 14/12/2012, cujos saldos dos estoques relativos aos 4 (quatro) insumos objetos dessas Declarações de Importação diminuíram significativamente, tendo, inclusive, para os itens Cianeto de Sódio, Carvão Ativado e Aero Promoter 3473, resultado em saldo de estoque zero; Expressa sua discordância quanto aos seguintes aspectos: a) Valor remanescente do Auto de Infração: Benefício extrafiscal e exportação vinculada aos Atos Concessórios Que o fiscal autuante entendeu que permanecem as exigências fiscais calculadas sobre os demais insumos objetos do ato concessório n° 20070144214 que não foram abarcados pela transferência para outro ato concessório, considerando, ainda, que não houve outras exportações, além dos 43 (quarenta e três) Registros de Exportação já vinculados a este Ato Concessório desde a época do lançamento; Mesmo após a diligência fiscal, a Fiscalização entendeu que, como ainda existe valor remanescente de alguns insumos no estoque da Recorrente, sem vinculação a nenhum Registro de Exportação do seu produto final, o presente auto de infração deveria ser parcialmente mantido, conforme demonstrado no Relatório de Diligência Fiscal; Que há um nítido conflito entre o princípio da não exportação de impostos (tributação no país de destino) e a premissa adotada pela Fiscalização, ressaltando conforme argumentos já colacionados em sede impugnatória que conforme o princípio da tributação no país de destino/não exportação de impostos, os impostos de consumo sobre as transações devem ser exigidos no país onde o produto será consumido; Destaca que no caso concreto, a Recorrente é empresa indiscutivelmente exportadora, sendo conhecido que a sua receita total decorre precisamente de 99% do ouro exportado, sendo forçoso concluir que todas as matériasprimas e os insumos importados pela Recorrente são integralmente utilizados na extração do ouro com destino ao exterior; Tendo em vista que a Recorrente conseguiu cumprir o verdadeiro objetivo do Regime de Drawback, qual seja a integral utilização dos insumos importados no processo produtivo das mercadorias destinadas ao exterior, fato corroborado pelas DIPJs e Planilhas Contábeis acostadas à Impugnação, por força dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, deve ser considerado o adimplemento total do Ato Concessório n° 20070144214, cancelandose integralmente o presente lançamento tributário. b) Reflexo da prorrogação do Ato Concessório n° 20070144214 na exigência dos juros moratórios Considerando que restou apurado pela diligência fiscal que o prazo de vigência do Ato Concessório n° 20070144214 foi prorrogado até 14/12/2012, não há que se falar em exigência de quaisquer juros antes desta data, o que leva à conclusão de que não eram devidos os juros de mora exigidos na presente autuação; Como não houve qualquer falta de pagamento de tributos até a data final do Ato Concessório, posterior à lavratura do presente auto de infração, a Recorrente requer seja, Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 14 ao menos, excluídos integralmente os juros moratórios até ao prazo final de vigência do Ato Concessório objeto dos autos. c) Demais argumentos que devem levar ao menos à redução do crédito tributário c.1 Equívoco da Fiscalização acerca do termo inicial do Ato Concessório §4° do artigo 83 da Portaria Secex N° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria Secex n° 23/2011) A Fiscalização entendeu que, para ser verificado o cumprimento do Ato Concessório n° 20070144214, o termo inicial de vigência do Regime Especial Aduaneiro em questão deveria ser aplicado após a primeira importação efetuada pela Recorrente. Ou seja, embora já reconhecido que existem 43 Registros de Exportação vinculados ao AC objeto dos autos, o benefício extrafiscal do Drawback teria como termo inicial somente a primeira importação de cada insumo; Reportase ao Relatório Fiscal, fl. 101: Relatório FiscalFl. 101 A apuração do estoque, no caso do Regime de Drawback, deve ser realizada por Ato Concessório. O estoque inicial de determinado insumo será a primeira importação vinculada ao Ato Concessório, à exceção da beneficiária ter solicitado tempestivamente a transferência de insumos de outro Ato Concessório, conforme já exposto no título 4.3.3. Assim, regra geral, se no levantamento de estoque constatase que antes da primeira importação (entrada) temos exportação (ões) (saída) fica caracterizado que essas saídas foram realizadas com insumos adquiridos no mercado interno ou de outro AC, e portanto, essas saídas não são aceitas para fins de comprovação do regime, uma vez que o objetivo do levantamento do estoque é exatamente identificar se os insumos importados foram aplicados diretamente e fisicamente ao produto exportado, (fl. 101). Destaca que ao desconsiderar as exportações efetuadas pela Recorrente que foram devidamente vinculadas ao Ato Concessório por meio das Notas Fiscais de Saída e aos Registros de Exportação, a Fiscalização diminuiu consideravelmente a utilização dos insumos importados no processo produtivo do ouro destinado ao exterior, em nítida afronta ao termo inicial de vigência do Regime Especial Aduaneiro disposto no § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010; Pelo Ato Concessório n° 20070144214, foi concedido à Recorrente o direito de serem importados insumos utilizados na extração e beneficiamento do ouro a ser exportado, não se aplicando a exceção do mencionado § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010, tendo em vista que as mercadorias estrangeiras em questão não são para fornecimento ao mercado interno ou embarcação; Por força do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011), a Fiscalização deve computar todas as exportações efetuadas pela Recorrente (43RE's) desde o termo inicial da vigência do Ato Concessório n° 20070144214, qual seja, a data do deferimento dos mencionados Regimes Especiais Aduaneiros; Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.134 15 É necessária também a manifestação fiscal neste ponto, no que se refere à aplicação do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011) ao caso concreto, para que seja corretamente computado o consumo de insumos importados pela Recorrente no período de vigência do Ato Concessório n° 20070144214, devendo ser revisto o presente lançamento fiscal. c.2) Multa De Ofício A Fiscalização aplicou a multa no importe de 75%, pelo entendimento que ante o descumprimento parcial do Regime Aduaneiro Especial, seriam devidos todos tributos devidos no regime comum de importação que se encontravam suspensos sob a égide do DrawbackSuspensão; A DRJ entendeu que a multa de ofício aplicavase tão somente ao PIS e a COFINS, vez que o II e o IPl estavam com exigibilidade suspensa por força de decisão que antecipou os efeitos da tutela; não se pode admitir a aplicação de tal multa em relação a essas contribuições (PIS/COFINS) vez que, como amplamente demonstrado nos autos, sequer existiu qualquer fato que ensejasse a exigência dos tributos ora exigidos, tampouco da multa de ofício no patamar de 75%; isto porque, não existiu dolo por parte da contribuinte, tendo sim, cumprido estritamente todas as bases fixadas pelos Atos concessórios tidos como descumpridos; Invoca as disposições do art. 155, II c/c art. 179 do CTN ressaltando que as provas carreadas até a presente manifestação, deixam clara a inocorrência de descumprimento das condições estabelecidas nos atos concessórios; Ressalta ainda o caráter confiscatório (art. 150, IV, CF) do percentual aplicado de 75%, que atenta à capacidade contributiva da contribuinte, bem como aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, sendo assim frontalmente violadas garantias da contribuinte, como também o texto constitucional; Assim pugna pelo seu cancelamento ou, ao menos, a redução percentual fixado para o patamar de 20%, conforme estabelecido pelo § 2o do artigo 61 da Lei n. 9.430/1996, em consonância com o entendimento fixado pelo E. STF; Ao final requer: (i) as devidas exclusões dos tributos em relação às 7 (sete) Declarações de Importação transferidas a outro Ato Concessório, conforme reconhecido na Diligencia Fiscal realizada; (ii) a inexigência de quaisquer tributos em relação aos insumos que tiverem seu estoque reduzido a zero, conforme apresentado no Relatório de Diligência Fiscal. (iii) que não é devida a exigência juros de mora desde a lavratura do presente auto de infração até o prazo final da ultima prorrogação do Ato Concessório, em 14/12/2012; Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 16 Além disto, a Requerente vem reiterar todos os argumentos e pedidos apresentados em seu Recurso Voluntário, inclusive aqueles relativos ao cancelamento da multa de ofício mantida pela Fiscalização em relação ao PIS e à COFINS. Ademais, considerando a existência de Recurso de Ofício em face da decisão proferida pela DRJ, requerse sejam mantidas as exclusões feitas quando do julgamento pela DRJ no que se refere: (i) à multa de ofício, no percentual de 75% relativa ao Imposto de Importação e ao IPI, vez que, no momento da lavratura do auto de infração a Requerente possuía decisão antecipatória em vigor, suspendendo à exigibilidade desses tributos. E, ainda, (ü) à multa regulamentar por absoluta falta de tipicidade, vez que os fatos narrados nos presentes autos não se subsumem às hipóteses normativas descritas para a aplicação da referida multa. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício apresentado diz respeito às seguintes matérias: a) aplicação pela fiscalização da multa referente ao “Descumprimento de norma para habilitarse ou utilizarse de regime aduaneiro especial”, cuja penalidade tem como base legal o art. 107, VII, “e”, Decretolei nº 37/1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide) VII de R$ 1.000,00 (mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide) (...); e) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados;(grifei). 1. Fundamentos da autuação: “Tendo o Ato Concessório de DRAWBACK, modalidade Suspensão nº 20070144214, expirado em 12/11/2008 (=data de validade), conforme se verifica pela tela do sistema Drawback Web do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC – intitulada “Consulta de Dados Básicos – (Documento 02) a multa será aplicada a partir do primeiro dia subseqüente ao 30º dia, ou seja, 13/12/2008. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.135 17 Entretanto, por ser o dia 13/12/2008 um sábado, a contagem iniciará no primeiro dia útil, dia 15/12/2008, uma segunda– feira, até dia 17/08/2010, data de lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 0615100.2010.002261, perfazendo um total de 711 dias, conforme demonstrativo abaixo:” 2. Fundamentos da decisão de piso, (excertos): A infração cometida pela impugnante, conforme se pode deduzir do acima expendido, referese ao fato de haver, após o término do prazo para exportar, saldo positivo de estoques de produtos importados com suspensão ao amparo do Ato Concessório de Drawback Suspensão nº 20070144214, tendo havido inadimplemento parcial do regime. Entretanto, esses fatos relacionados à citada infração não se enquadram em nenhuma das citadas hipóteses. Isso porque, conforme artigos 338344 do RA/2002, o drawback suspensão se caracteriza por ser um regime aduaneiro no qual, mediante condições estabelecidas em ato concessório, ocorre a importação, com suspensão de tributos aduaneiros, de insumos que devem ser integralmente utilizados no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. A mencionada suspensão é concedida sob condição de posterior exportação, que atenda aos requisitos fixados no ato concessório. Realizada a exportação nos específicos termos pré estabelecidos, consolidarseá a isenção; contudo, uma vez não comprovada a exportação, nos moldes a que se sujeita o regime, tornarseão exigíveis todos os tributos devidos em razão da importação, acrescidos dos encargos correspondentes. Assim, ao término do prazo concedido no AC para utilização do regime de drawback, não há que se falar em aplicação de multa diária por descumprimento de obrigação durante a utilização do regime, e sim, como já mencionado, na verificação do cumprimento de todas as condições e requisitos assumidos na concessão do regime.(grifo do original). No sentido de que não cabe essa multa após o prazo para exportação previsto no AC, vide o Acórdão 0725.151, da 1ª Turma da DRJ/Florianópolis, processo nº 10074.001789/2010 96, sessão de 06/07/2010, Relatora: Marta de Souza Marques. Resultado: Ora, ao término do prazo concedido no AC para utilização do regime de drawback, não há que se falar em aplicação de multa diária por descumprimento de obrigação durante a utilização do regime, e sim, na verificação do cumprimento de todas as condições e requisitos assumidos na concessão do regime. Constatado o não cumprimento, ou seja, a não utilização dos insumos importados nas exportações pactuadas no AC, há que se exigir os tributos suspensos com seus respectivos consectários legais. (...)”. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 18 É certo, como já destacado nas linhas anteriores, que a impugnante descumpriu norma relativa ao regime de drawback suspensão; entretanto, não ficou demonstrado nos autos o descumprimento de norma para habilitarse no ou utilizarse do referido regime. Portanto, apesar de não ter se referido exatamente à multa exigida pela fiscalização, acertou a impugnante ao afirmar que não houve tipicidade; ou seja, realmente os fatos narrados nos autos não se subsumem às hipóteses normativas contempladas no artigo 107, VII, “e”, do Decretolei nº 37/1966. Cabe, em consequência, a exclusão da referida multa. .(grifos do original). Inferese dos fundamentos da decisão de piso, cujos excertos acima transcritos demonstram que o núcleo decisório prendese à ausência de tipicidade para aplicação da referida multa visto que o Regime Aduaneiro de Drawback suspensão é regido por legislação específica, estando os requisitos e condições assumidos no ato concessório disciplinados em regramento próprio, implicando a constatação de descumprimento do citado regime na cobrança dos tributos suspensos quando da importação dos insumos amparados no ato concessório, conforme legislação de regência. Ante o exposto, constatase que não há reparos na decisão de piso, assim, uma vez restando esclarecida a situação fática dos autos, podese inferir à luz do comando legal acima destacado e da interpretação jurídica destes conferida pela fiscalização que os fatos não se subsumem aos seus preceitos normativos. Dizse então que não há tipicidade, ou seja não há a conformação do fato à hipótese legal que comina a penalidade acima referida, nesse sentido, nego provimento ao recurso de ofício. b) Do não cabimento da multa de ofício em relação ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados Destaca a decisão de piso: 17/07/2009 (fl. 511, volume 3): decisão relativa à antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto sobre as Importações e do IPI; essa decisão, datada de 17/07/2009, foi nestes termos: “...defiro a antecipação de tutela para determinar a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI, cujas operações estejam amparadas pelo Ato Concessório de Drawback n. 20070144214, concedido à parte autora em 13/11/2007. (...); 08/09/2010 (fl. 162, volume 1): ciência do Termo de Início de Fiscalização pela impugnante; 03/12/2010 (fl. 515, volume 3): ciência, pela impugnante, dos autos de infração e Relatório de Fiscalização; 31/05/2011 (fl. 969, volume 6): sentença denegando a segurança e revogando a decisão de 17/07/2009, que havia antecipado os efeitos da tutela e suspendido a exigibilidade do Imposto sobre as Importações e do IPI; Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.136 19 A Lei nº 9.430/1996, art. 63, estabelece as regras legais pertinentes a créditos tributários que se encontrem sub judice, conforme segue: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (grifei). § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." Verificase da peças dos autos referidas nos excertos acima transcritos, notadamente o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO n° 012.01/2010, fls.151/160 (vol. 1), com ciência por AR em 08/09/2010, fls.162/163 que a situação em exame se enquadra exatamente nas disposições excepcionais prescritas no § 1º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, visto que a antecipação de tutela determinando a suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI concedida em 17/07/2009 (fl. 511, volume 3) é anterior ao início do procedimento fiscal. Nesse sentido, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da ausência de concomitância Da análise da petição Inicial, fls. 734/738, relativa à ação ordinária, processo judicial nº 2009.38.06.0008388, ajuizada pela empresa RIO PARACATU MINERAÇÃO S/A, atual KINROSS BRASIL MINERAÇÃO S.A, constatase que referida empresa buscou provimento judicial visando a prorrogação do prazo de vencimento de seu Drawback, consubstanciado no Ato Concessório n º 20070144214, conforme excertos a seguir transcritos: “Ante o exposto, considerando a presença dos requisitos exigidos pelo art. 273 do Código de Processo Civil, requerse a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, para que seja suspensa a exigibilidade dos créditos tributários relativos às importações que foram realizadas sob o amparo do regime de Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 20 Drawback Suspensão (Ato Concessório nº 20070144214) até o julgamento final da presente ação. IV – PEDIDO Em virtude do exposto, a Autora requer: a) seja deferida a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, nos termos acima requeridos; b) seja citada a União Federal para contestar a presente ação; c) seja julgada procedente a presente ação, para declarar o direito da Autora à prorrogação do prazo de vencimento do regime de Drawback Suspensão (Ato Concessório nº 20070144214), com a consequente inexigibilidade de quaisquer tributos incidentes sobre as importações de insumos realizadas; d) A condenação da União Federal ao pagamento das custas processuais e honorários de sucumbência a serem fixados por V. Exa.” Corrobora o entendimento acima, neste caso, não apenas o objeto delimitado na petição inicial como acima transcrito, mas também o pronunciamento judicial referente à antecipação de tutela, de 17/07/2009, fl. 511, que determinou à ré no prazo de 10 (dez) dias o reexame do pedido de prorrogação do prazo do ato concessório de Drawback, bem como a sentença de fl. 971/984, proferida em 31/05/2011 que revogou a decisão antecipatória. Prescreve o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830, de 1980, que o ingresso da contribuinte na via judicial importa em renúncia da via administrativa, ou desistência do recurso interposto. Nesse sentido o Parecer Normativo/Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que dispõe sobre o tratamento a ser dispensado ao processo administrativo fiscal quando o sujeito passivo opta pela discussão concomitante na esfera judicial sobre objeto idêntico, declara em caráter normativo que a propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; consequentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Conforme relatado, constatase que o principal fundamento do lançamento, de II, IPI, PIS e COFINS decorrente do descumprimento das exigências relativas ao Drawback Suspensão aprovado pelo Ato Concessório nº 20070144214, reside na constatação pela fiscalização de saldos positivos de insumos importados que não haviam sido utilizados no processo de produção de ouro para exportação, buscando a Recorrente através das peças de defesa refutar os fundamentos da autuação. Como bem ressaltado na decisão de piso, vale destacar: (...)considerandose que as matérias, apesar de não serem coincidentes, são interligadas, cumpre ressaltar que o presente julgamento administrativo fica subordinado à decisão definitiva a ser proferida na ação judicial. Assim, na hipótese de superveniência de decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte, tornarseá sem efeito o auto de infração, total ou parcialmente, acaso se torne incompatível com a citada decisão judicial, conforme o seu teor e extensão, devendo, se for o caso, ser extinto ou revisto eventual Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.137 21 procedimento administrativo de cobrança, por haver perdido ou modificado seu objeto. Dessumese assim que as matérias nas esferas administrativa e judicial são diferenciadas, inexistindo assim concomitância entre as referidas esferas, consequentemente não há renúncia à instância administrativa, tendo o processo administrativo prosseguimento normal, nos termos do artigo 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011 e alterações promovidas pelo Decreto nº 8.853, de 2016. Dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco Em relação ao malferimento dos princípios invocados, da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco, matéria em essência de natureza constitucional, de competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o 1art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu 2artigo 62 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do 1 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II–que fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 22 CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em nas hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do Pedido de diligência prescindibilidade A contribuinte requer a realização de diligência para que haja manifestação fiscal no que se refere à aplicação do § 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011) ao caso concreto, no intuito de que seja corretamente computado o consumo de insumos importados pela Recorrente no período de vigência do Ato Concessório n° 20070144214. O pedido de realização de realização de diligência deve se analisado à luz do que dispõe o artigo 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.” Nesse mister, é importante ressalvar que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, como restará demonstrada na análise de mérito. Logo, na espécie em análise, o exame dos autos demonstra ser prescindível a realização de uma diligência, notadamente em face da Informação Fiscal de fls.1.092/1.102 que analisou os fatos supervenientes apresentados pela própria Recorrente no recurso voluntário, existindo assim elementos probatórios que permitem ao julgador a cognição dos fatos que motivaram o presente feito, além da clareza do tipo legal que rege a espécie dos autos, tal como se verifica na parte meritória da presente peça, motivo pelo qual o pedido de diligência deve ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. MÉRITO Do Ato Concessório n º 20070144214 e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.138 23 Das constatações apuradas no Relatório de Fiscalização de fls.71/148, quanto aos compromissos de importação e exportação vinculados ao Ato Concessório n º 20070144214, atualizadas pela Informação Fiscal de fls.1.092/1.102 em cumprimento à diligência determinada pela Resolução CARF nº 3302.000.455, de 16/10/2014, fls.1.073/1.088, temse a ratificação da prorrogação da validade do Ato Concessório n º 20070144214, registrado em 13/11/2007 com validade prorrogada para 14/11/2012, gerando os seguintes efeitos quanto ao auto de infração em exame: 1 Transferência dos saldos de insumos relativos às DIs nºs 08/0558864 1/001, 08/09906249/001, 08/14116005/001, 08/15305405/001, 08/15309230/001, 08/16262505/001 e 08/16964313/001. As 07 (sete) DIs transferidas referemse a 04 (quatro) itens (produtos) do Ato concessório n º 20070144214, conforme discriminados na tabela do item 5 da Informação Fiscal; 2 Reapuração do estoque após a exclusão das referidas DIs do Ato concessório n º 20070144214, os saldos de estoque ficam significativamente alterados, tendo inclusive para os itens 11, 12 e 14 saldo de estoque zero. 3 Exclusão dos valores lançados auto de infração referentes às DI transferidas conforme valores apurados na Informação Fiscal de fls.1.092/1.102, (item 1) a seguir demonstrados: Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 24 Ante a superveniência da situação fática, ratificada nos aspectos acima demonstrados que levaram à reapuração dos compromissos assumidos no Ato Concessório n º 20070144214, os tributos acima destacados, apurados segundo a Informação Fiscal de fls.1.092/1.102 serão exonerados do presente auto de infração. 4 Manutenção do saldo positivo do estoque de mercadorias importadas Conforme item 6 (seis) da Informação Fiscal de fls.1.092/1.102, após atualização do saldo de estoque do Ato concessório n º 20070144214, já considerando as devidas transferências, constatou a fiscalização ainda a existência de saldo de estoque dos insumos importados não transferidos, a seguir demonstrados: Destaca a Informação Fiscal de fls.1.092/1.102: Diante da prorrogação do Ato concessório, a beneficiária não tomou qualquer providência no que diz respeito as exportações a que se comprometeu quando da obtenção do benefício do Regime de Drawback, ou seja, a beneficiária não vinculou outras exportações ao ato concessório nº 20070144214, exportações essas que deveriam ser de produtos (ouro) produzidos com os insumos importados através do ato concessório. À época do lançamento, 43 (quarenta e três) Registros de Exportação – REs estavam vinculados ao Ato concessório n º 20070144214, e, atualmente, os mesmos 43 (quarenta e três) REs permanecem vinculados, sem qualquer alteração. (grifei). Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.139 25 Concluindose, portanto, que a beneficiária não utilizou os saldos positivos de insumos lançados à época, na produção do produto (ouro) a ser exportado no Ato concessório. No entanto, na vigência do período prorrogado, com a anuência do MIDC, a beneficiária foi autorizada a transferir os saldos de insumos relativos as DIs nº 08/0558864 1/001, 08/0990624 9/001, 08/14116005/001, 08/15305405/001, 08/15309230/001, 08/16262505/001 e 08/16964313/001. Com a transferência das DIs para outro ato concessório, essas DIs não mais se vinculam ao Ato Concessório n º 20070144214, e, portanto, os saldos de insumos dessas DIs não devem mais ser considerados para o cálculo do saldo positivo de estoque do Ato concessório n º 20070144214.(sic). A Recorrente em sua manifestação de inconformidade de fls. 1.107/1.121, questiona esse estoque remanescente através de alguns argumentos tais como: conflito entre o princípio da não exportação de impostos (tributação no país de destino); que sua receita total decorre precisamente de 99% do ouro exportado, sendo forçoso concluir que todas as matérias primas e os insumos importados pela Recorrente são integralmente utilizados na extração do ouro com destino ao exterior, fato corroborado pelas DIPJs e Planilhas Contábeis acostadas à Impugnação e por força dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, deve ser considerado o adimplemento total. Questiona ainda a metodologia de apuração dos estoques, quanto ao termo inicial da vigência do Ato Concessório n° 20070144214, qual seja, a data do deferimento dos mencionados Regimes Especiais Aduaneiros. Conforme se demonstrará a seguir, não assiste razão à Recorrente. Pelo teor do art. 341 do RA/2002, cuja matriz legal é o art. 78 do Decretolei n.º 37, de 1966 podese inferir que o texto regulamentar impõe de forma clara a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria a ser exportada no regime aduaneiro especial de Drawback suspensão seja quanto à espécie, quantidade, valor e prazo. Assim, sendo referido regime um incentivo fiscal à exportação, é necessário que a importação e a exportação estejam devidamente vinculadas, de tal forma a permitir o efetivo controle pelo fisco do emprego e destinação dos bens, possibilitando a exigência dos tributos suspensos caso não sejam atendidas as condições que levaram à concessão do regime. Os requisitos legalmente determinados para admissão das mercadorias no regime de drawback materializamse em cada caso na emissão de um Ato Concessório. Expedido um Ato Concessório, o beneficiário do regime drawback, modalidade suspensão, responsabilizase pelos termos nele acordados. Ao beneficiário é dado o direito de importar com suspensão de tributos os produtos ali discriminados, desde que, cumpra com o dever de exportar os produtos também ali determinados, nas quantidades, valores e prazos constantes no referido Ato. No caso em espécie, quando da diligência solicitada, fez a fiscalização uma apuração criteriosa ante os fatos arguídos pela Recorrente, no entanto restou cabalmente demonstrado, que (embora posteriormente a autuação, a validade do Ato Concessório n º 20070144214, registrado em 13/11/2007 tenha sido prorrogada até 14/11/2012), quando da Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 26 diligência efetuada, cujo relatório fiscal foi emitido em 29/04/205, com ciência pela interessada em 18/05/2015, conforme AR de fl.1104, a situação quanto aos compromissos de exportação permaneceram iguais à época da autuação, como já demonstrado, fato não questionado pela defesa visto que seus argumentos de discordância têm outro viés de contestação. É de se ressaltar que embora argua a defesa que há um montante significativo de sua receita decorrente da exportação de ouro, fato plenamente plausível pela sua condição de exportadora de ouro, o que se discute nos autos é o inadimplemento dos compromissos assumidos no âmbito do drawback conforme Ato Concessório n º 20070144214, fato até agora sobejamente demonstrado pela fiscalização, visto que mesmo com a prorrogação da validade do ato concessório até 14/11/2012 não houve a exportação do produto no montante compromissado, restando no estoque insumos importados na vigência do regime, com suspensão dos tributos (II, IPI, PIS e COFINS) . Notese que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que vise infirmar as provas trazidas pela fiscalização ou qualquer outra prova que demonstre recolhimentos efetuados pela referida empresa, com relação aos tributos suspensos quando da importação dos insumos discriminados no já referido ato concessório, seja na impugnação, no recurso voluntário ou ainda quando manifestação de inconformidade após a ciência da diligência. Da metodologia para apuração do estoque Quanto à metodologia utilizada pela fiscalização igualmente não prospera a tese da defesa, conforme se verifica dos excertos Relatório de Fiscalização de fls.71/148: A partir da relação Insumo x Produto apresentada no laudo técnico, esta fiscalização elaborou Planilha de Cálculo De Utilização Do InsumoxImportado Na Produção Do Bem Exportado Produção e Estoque para cada um dos Itens importados. (Documentos 06) A conclusão a que se chegou pode ser verificada no quadro resumo abaixo, no qual verificase um estoque final (saldo positivo de estoque) de insumos importados. O saldo positivo de estoque final caracteriza que as mercadorias importadas não foram integralmente utilizadas no processo produtivo das mercadorias a serem exportadas.(grifei). (...) A apuração do estoque, no caso do Regime de Drawback, deve ser realizada por Ato Concessório. O estoque inicial de determinado insumo será a primeira importação vinculada ao Ato concessório, à exceção da beneficiária ter solicitado tempestivamente a transferência de insumos de insumos de outro ato concessório, conforme já exposto no título 4.3.3.(grifei). Observese que os insumos transferidos foram indicados pela Recorrente ao Departamento de Operações de Comércio Exterior DECEX do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC , fl. 1.067 e recalculado o estoque com o cômputo de todas as exportações efetuadas no prazo de vigência do regime, ou seja, foram computadas as exportações cujos embarques ocorreram no período de 29/11/2007 a 06/11/2008, pois como já enfatizado, ainda que a validade tenha sido prorrogada não foram Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.140 27 vinculadas outras exportações além dos 43 (quarenta e três) Registros de Exportação – REs que já estavam vinculados ao Ato concessório n º 20070144214 conforme metodologia já referida, não sendo aplicado pela fiscalização a exceção do 3§ 4° do artigo 83 da Portaria SECEX n° 10/2010 (atual art. 93 da Portaria SECEX n° 23/2011), como argui a defesa, visto que essa norma diz respeito ao prazo a quo para a validade de um ato concessório, regra geral, a partir do deferimento deste, e regra excepcional para os casos de drawback para fornecimento ao mercado interno e não à metodologia para a quantificação dos estoques dos insumos importados com vistas a aferir a utilização destes durante o regime em função do ciclo produtivo da empresa. Nesse mister, cabe enfatizar que somente a partir do deferimento do ato concessório está a beneficiária apta a importar com suspensão dos tributos, logo para a quantificação do estoque, o estoque inicial de um determinado insumo será a primeira importação vinculada ao Ato concessório, Também não prospera o suposto conflito entre o princípio da não exportação de impostos e a tributação no país de destino como pertinentemente fundamentou a decisão de piso: Não assiste razão à defendente quando afirma que há conflito do princípio da vinculação física com o da tributação no país de destino. Ambos estão incorporados a normas relacionadas ao tratamento tributário das exportações. Enquanto o segundo visa a evitar a exportação de tributos, o primeiro visa a inibir o uso indevido do drawback, evitando que pessoas se utilizem indevidamente de insumos importados sem o pagamento de tributos, desviandoos irregularmente ao mercado interno, concorrendo deslealmente com os produtores nacionais, prejudicando a indústria brasileira. Igualmente não assiste razão à defesa quando afirma que por não haver prejuízos aos cofres públicos uma vez que recolhe todos os tributos incidente sobre sua renda, folhasdesalários e demais contribuições em função da exploração do ouro com destino ao exterior, não é razoável manter a exigência em discussão, inclusive porque também se aplica ao caso a fungibilidade, haja vista que as hipóteses mencionadas se referem a fatos geradores distintos, inaplicáveis ao caso, tampouco a fungibilidade dos insumos, pois como já ressaltado, no drawback suspensão, prepondera por força da legislação de regência, o princípio da vinculação física, cujos insumos importados devem ser utilizados integralmente no produto a ser exportado, nas quantidades e dentro do prazo de validade do ato concessório. Da multa de ofício relativa ao PIS/COFINS Com relação a exclusão ou redução ao percentual de 20% da multa de ofício relativo ao PIS/COFINS, cabem as seguintes considerações: Dispõe a Lei nº 9.430/1996: "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da 3 §4º O prazo de vigência do drawback será contado a partir da data de deferimento do respectivo ato concessório, à exceção do drawback para fornecimento ao mercado interno ou embarcação, para os quais será contado a partir da data de registro da primeira declaração de importação. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 28 União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.(grifei). Conforme já ressaltado no presente voto, a antecipação de tutela além de ser expressa quanto à suspensão da exigibilidade do Imposto de Importação e do IPI, cujas operações estejam abrigadas pelo Ato Concessório de Drawback nº 20070144214, foi anterior (concedida em 17/07/2009) à ciência do Termo de Início de Fiscalização, situação amparada pelas disposições do § 1º do art. 63 acima transcrito, no entanto com relação às Contribuições para o PIS/PASEP e à COFINS, devidas por ocasião das importações compromissadas, não cabe a exclusão da multa de ofício, já que, na data da ciência do Termo de Início de Fiscalização, (em 08/09/2010 ) inexistia qualquer medida judicial na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, suspendendo a exigibilidade dos referidos tributos. Quanto à redução pretendida, cabe ressaltar que a cominação de uma penalidade, é matéria adstrita à reserva legal, conforme art. 97, V, do Código Tributário Nacional – CTN devendo haver em decorrência do princípio da estrita legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese legal. No caso dos autos de lançamento de ofício o percentual de 75% foi aplicado por força art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, inexistindo base legal para a redução pleiteada. Dos Juros de Mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. Diferentemente da multa de ofício, que por expressa determinação legal, por força do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece as regras legais pertinentes a créditos tributários que se encontrem sub judice, não caberá lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10611.002440/201047 Acórdão n.º 3302003.379 S3C3T2 Fl. 1.141 29 Acrescentese ainda, pela escorreita análise sobre a matéria, excertos da decisão de piso: Em relação aos juros de mora nos lançamentos para prevenir a decadência, quando não realizado depósito judicial integral, como acontece no caso presente, os referidos acréscimos devem se à exigência legal estipulada no art. 161 do CTN, cuja interpretação mais abalizada leva à conclusão de que além do depósito integral, a outra exceção a inibilo é o processo de consulta sobre a legislação tributária. Observese o referido artigo: (...) Segundo o caput do art. 161 os juros de mora são exigidos “seja qual for o motivo determinante da falta”. A exceção admitida referese a pendência de resposta a consulta sobre a legislação tributária, formulada pelo contribuinte. Enquanto não respondida a consulta, o Fisco se constitui em mora com relação ao consulente. Por dar causa a uma eventual demora no recolhimento do tributo objeto da consulta – se acaso a resposta for para pagar mais do que o contribuinte entende dever, nos termos da consulta formulada – é que não cabe ao Fisco exigir juros de mora. Nas outras hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em que ao Fisco não cabe a responsabilidade pela mora, como sói acontecer no caso das ações judiciais quando deferida liminar em mandado de segurança ou tutela antecipada – cabe, quando revogadas as citadas decisões, o pagamento dos juros de mora, que possuem natureza indenizatória. A outra exceção a excluir a incidência dos juros de mora, afora a pendência de consulta, é a do inciso II do art. 151 do CTN: depósito integral, seja judicial ou administrativo. Em havendo depósito integral, após o trânsito em julgado o montante depositado será convertido em renda da União, caso o Fisco saia vitorioso na causa, ou então será levantado pelo contribuinte, se este lograr êxito na contenda. A conversão em renda equivale a um pagamento à vista. Por isto descabe o lançamento de juros de mora. Esta não é a situação em tela, em que o lançamento teve a sua exigibilidade suspensa sem ter sido efetuado o depósito do montante equivalente aos créditos tributários com exigibilidade suspensa judicialmente. O Decretolei nº 1.736/1979, ainda em vigor, afasta qualquer dúvida que possa existir quanto à incidência dos juros de mora em relação a créditos tributários cuja exigibilidade tenha sido suspensa por decisão judicial: Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA 30 Argumenta ainda a Recorrente [... que o prazo de vigência do Ato Concessório n° 20070144214 foi prorrogado até 14/12/2012, não há que se falar em exigência de quaisquer juros antes desta data, o que leva à conclusão de que não eram devidos os juros de mora exigidos na presente autuação] (grifei), no entanto, não prospera a tese ventilada haja vista que a prorrogação da validade do ato concessório, de modo algum interfere na contagem dos juros de mora, uma vez que referidos acréscimos moratórios são contados a partir da data do registro da importação dos insumos, à época com suspensão, cujos valores são objeto do presente lançamento, em decorrência do descumprimento dos compromissos assumidos como acima fundamentado e não da data de vencimento do ato concessório como proposto, conforme determina a legislação tributária, artigo 161 do CTN c/c o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disciplina o parágrafo único do art. 142 do CTN, cumpre ao agente público, no caso em espécie, ao AuditorFiscal, desempenhála na forma e nas condições estabelecidas por lei. Nesse mister, foram aplicados aos débitos objeto da presente lide o percentual de juros de mora com escopo na legislação específica. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos dos itens 5 e 6, fl.1.100 do Relatório de Diligência Fiscal. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 14/10/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por RICARDO P AULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721997/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÕES. ADMISSIBILIDADE.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.500,00.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ADMISSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, afastando a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 13.500,00. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 19 97 /2 01 5- 01 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/201501 Acórdão n.º 2202003.534 S2C2T2 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11080.721997/201501, em face do acórdão nº 1277.110, julgado pela 18ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.08/10 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2011, para cobrança do crédito tributário de R$ 16.465,06. O lançamento é decorrente das seguintes infrações: *dedução indevida de previdência privada e Fapi de R$ 9.897,65; *dedução indevida de despesas médicas de R$ 20.000,00. O enquadramento legal encontrase às fls. 27/29 e 32. Inconformado, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 08/10, alegando, em síntese, que: 1. é natural de Caçapava do Sul, tem familiares ( mãe, sobrinho(dentista) irmãos) na cidade e, portanto, retorno com freqüência para lá; 2. durante o ano de 2011, realizou tratamento dentário que incluiu, cinco implantes dentários e cinco jaquetas de porcelana, cujos procedimentos, por serem demorados, exigiram várias idas e vindas para aquela cidade e portanto justificando a despesa que, em Porto Alegre teria um custo bem maior; 3. está anexando cópia do recibo de despesa com declaração do profissional que realizou o trabalho para dar veracidade ao recibo; Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/201501 Acórdão n.º 2202003.534 S2C2T2 Fl. 63 3 4. alega que, no recibo consta o ano da emissão por duas vezes e solicita não sejam computados juros sobre o valor que está comprovando. 5. por fim, solicita prioridade com base no Estatuto do Idoso e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Ressaltese que, em 20/03/2015 , o crédito tributário foi transferido para o processo nº 11080.722.355/201511, de acordo com o Termo de Transferência de fl.28. O processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento para solução da lide , em 12/05/2015 (fl.32) Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 46/47, onde são reiterados, em parte, os argumentos já lançados na impugnação, apresentando, em anexo ao recurso, documentos às fls. 48/52, no intuito de comprovar seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Em recurso voluntário o contribuinte delimita a lide em relação, exclusivamente, à glosa no valor de R$ 13.500,00 referente a despesas médicas com o cirurgião dentista Antonio Celso Souza Ribeiro. Verificase que às fls. 13/14 dos autos há declaração do dentista quanto ao tratamento odontológico, bem como recibo de pagamento, no valor total do tratamento, no valor de R$ 13.500,00, datado de 28/12/2011. A DRJ de origem entendeu por manter a glosa por não ter sido especificado a forma de pagamento. Em recurso voluntário foi dito pelo contribuinte que o pagamento foi realizado em dinheiro, de forma parcelada, no decorrer do ano de 2011. Assim, recebeu o contribuinte do seu dentista, no final do respectivo ano, o recibo dos valores que já haviam sido antecipados o pagamento durante o tratamento em um recibo único. Conforme documento de fl. 13 (declaração do dentista) há informações do procedimento realizado pelo dentista com o contribuinte: tratamento periodontal, implantes, próteses e restaurações. Corroborando este documento, há nos autos uma radiografia à fl. 48, com laudo interpretativo de médico radiologista a qual fica confirmado que o contribuinte Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11080.721997/201501 Acórdão n.º 2202003.534 S2C2T2 Fl. 64 4 efetivamente recebeu este tratamento, pois a radiografia é clara ao referir que há 7 implantes metálicos e 16 próteses para reabilitação de dentes ausentes. Além disso, são apresentadas todas as conclusões da radiografia, que por não serem relevantes, deixase de fazer referência. Deste modo, entendo como comprovado o tratamento odontológico recebido pelo contribuinte. Quanto a forma de pagamento do valor de R$ 13.500,00, entendo que nada impeça ao contribuinte de realizar tal pagamento em dinheiro, sendo o recibo prova suficiente para comprovação desta despesa, não havendo indícios, neste caso, para exigir do contribuinte que prove o pagamento com outras provas. Portanto, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a glosa impugnada. Portanto, prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser afastada glosa de despesa médica no valor de R$ 13.500,00, consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 13.500,00, em relação a dedução de despesas médicas. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 10980.011851/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do contribuinte.
Numero da decisão: 1402-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo M ateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo M ateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DÉBITOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Caso nenhuma das duas partes consiga comprovar a existência ou, diante de uma negativa ao gozo do benefício, a ausência de débitos à época da opção efetuada, então a presunção é de que deve ser aceito o pleito do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 18 51 /2 00 7- 20 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 236 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo M ateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 237 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 131 a 199) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (fls. 125 a 128) que manteve o r. Despacho Decisório de indeferimento (fls. 102 a 106 ) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl. 2). A opção pelo incentivo ao FINOR foi feita pelo ora Recorrente, Banco Banestado S/A, na sua DIPJ 2005, relativa ao anocalendário de 2004. Em face da denegação da emissão do incentivo pretendido, o PERC foi, em 25/09/2007, apresentado por procurador do Contribuinte, trazendo o recibo de entrega e cópias de inúmeras Fichas da sua DIPJ em questão. Também instrui o pedido com comprovantes de recolhimento de Imposto de Renda do anocalendário 2004, planilha de pagamentos, DCOMPs transmitidos em fevereiro de 2005 e outros documentos fiscais do mesmo período (fls 4 a 23). Devidamente processado o Pedido, e após juntada de Consulta ao CADIN, Certidão Previdenciária e Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, em junho de 2008, a Fiscalização regional emitiu a Intimação SEORT/EQEST nº 95/2008 (fls. 41 a 44), instruída com parte de tal documentação levantada internamente pela RFB. A referida Intimação exigia a seguinte documentação: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 238 4 Na sequência, depois de pedido de dilação de prazo (fl. 45 a 52), que restou deferido mas não cumprido pelo Contribuinte, em agosto de 2008, foram juntados aos autos cópia de processo administrativo referente a DCOMP, cópia de decisão judicial sobre tal compensação, Extrato de Informação de Apoio a Emissão de Certidão, consulta ao CADIN, Certidões de regularidade do FGTS e Previdenciária, Consulta de Declarações e Pagamentos de IRPJ, resumos de DIRF (54 a 94), acompanhado de "diagnóstico doPERC", feito pelo Órgão interno da Fiscalização (fls. 96 a 101). Imediatamente após, foi exarado o r. Despacho Decisório (fls. 102 a 106) indeferindo PERC, na data de 26/08/2008. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 239 5 Tal decisão indefere o pedido com base na simples alegação de que o sistema da RFB e o CADIN apontam débitos ativos, naquele momento, em nome do Banco. Eis o trecho que fundamenta e decide pela rejeição do pedido: (...) Diante de tal revés, o ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 107 a 122), alegando que a decisão é nula, seja pela Fiscalização não ter analisado a opção pelo benefício à época de sua entrega, bem como pelo sistema da RFB ser manifestamente falho e incongruente em relação a pendências ativas. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 240 6 Ato contínuo, a DRJ de Curitiba/PR proferiu o v. Acórdão (fls. 125 a 128) ora recorrido, indeferindo o pedido contido na Manifestação de Inconformidade. De tal v. Acórdão, desatacamse a ementa e os seguintes trechos: (...) (...) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 241 7 Em face do v. Acórdão, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 131 a 199), agora sob apreço, repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e acostando novos documentos (listagem SINCOR, extrato de débitos de IRRF referentes a processo administrativo de 2003 e seus respectivos DARFs recolhidos, cópias de Petições e Cartas à RFB esclarecendo a suposta não entrega de Declarações de ITR, pedidos de baixa cadastral fiscal de tais bens e cópia de acordo judicial, no qual os imóveis rurais, inicialmente arrestados e sequestrados, foram dados em pagamento por Réus em Ação de Prestação de Contas e de Indenização), todos visando à comprovação da ausência dos débitos apontados pelo sistema da RFB. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 242 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como demonstram os autos, podese constatar inicialmente que, em momento algum, foi feita a análise específica da existência de débitos ativos em face da decorrente no momento da opção ao benefício para ao FINOR (DIPJ 2005). Ao seu turno, todas as manifestações das Autoridades Fazendárias julgadoras se voltaram a verificar as pendências constantes do sistema da Receita Federal do Brasil nos momentos de análise e apreciação de procedência do PERC, o que foi feito no ano de 2008. Nesse sentido, a r. Decisão que primeiro indeferiu o PERC se limita a atestar que o sistema IRPJOEIF foi alimentado com a informação de irregularidade fiscal do contribuinte, determinando, conforme diagnóstico de fls. 93 a 98, o indeferimento do Perc em questão. Essa é fundamentação da denegação ao Contribuinte, não se aprofundando na origem e data das pendências, apenas remetendo às consultas efetuas em agosto de 2008. E, por sua vez, no v. Acórdão recorrido, a situação é muito semelhante, afirmando que deveria [o Recorrente]: 1) comprovar a extinção ou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários relativos a três débitos já ajuizadas (processos n° 10980 502.690/200606, n° 10980003.871/200727, e n° 10980011.369/200285); 2) comprovar o recolhimento dos tributos declarados na DIPJ 2005; 3) apresentar recibos de entrega de três DITR, ali perfeitamente discriminadas; e 4) apresentar comprovantes da regularização das situações que deram causa à sua inclusão no CADIN, indicadas no demonstrativo que lhe foi enviado junto com a intimação. (...) O fato concreto é, primeiro, que por expresso comando legal (art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995), a existência de débitos fiscais obsta a concessão de incentivos fiscais; e, segundo, que existem pendências e que estas, debalde foram apontadas de forma absolutamente inequívoca à contribuinte, bem como lhe foi assinalado prazo posteriormente dilatado para que as remediasse. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 243 9 Em primeiro lugar, todos os supostos débitos mencionados neste v. Acórdão têm origem posterior à opção feita na DIPJ 2005, (inclusive aqueles apontados em consulta ao CADIN e o do Processo Administrativo nº 10980011.369/200285, o qual, apesar de gerado em 2002, só teve sua inserção no sistema como "ativo" em 18/06/2006 e ajuizamento para cobrança em 26/06/2007 fl. 50) não se demonstrando, com sucesso, a existência de um débito plenamente exigível no período original da opção. Mister esclarecer que a mera constatação de ausência de entrega de DITRs, per si, não constitui débito tributário exigível, ativo, visto que não constam lançamentos isolados de penalidades por descumprimento de tal obrigação acessória em seu "conta corrente" (o art. 60 da lei nº 9.069/65 é claro quando condiciona os benefícios à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais). Mas, mesmo assim, nesse ponto, justificando a razão da ausência de entrega de Declarações, o Recorrente faz prova nos recursos apresentados de que já estava esclarecendo, junto à RFB, tais supostas pendências acessórias, existindo inúmeros processos administrativos específicos para cada imóvel, e pedidos de baixa cadastral deles, sendo estes, inclusive, objeto de uma Ação Judicial de Prestação de Contas e de Indenização. Por fim, é relatado no v. Acórdão o descumprimento do Recorrente em trazer documentos de recolhimento do ano de 2004 (DIPJ 2005). Tal solicitação, abstrata e padronizada, cria uma espécie de presunção de débito em aberto, o que não poderia obstar o benéfico pretendido. Melhor explicando, tal exigência claramente se trata de requisito genérico para concessão de benefício, vez que nos Extratos, várias vezes juntados aos autos, não há menção expressa a débito de IRPJ ou CSLL de tal período, não havendo apontamento específico de um débito sequer de tal anocalendário na Intimação SEORT/EQEST nº 95/2008 (fls. 41 a 44), representando uma verdadeira inversão automática do ônus comprobatório da existência de débitos. Fica claro que o indeferimento do PERC se deu em razão da existência de supostos débitos em aberto nos momentos em que os decisórios foram exarados, qual seja agosto e novembro de 2008 e pelo descumprimento de exigências descabidas. Ainda que o Recorrente não tenha atendido a Intimação para esclarecimento e regularização das supostas pendências apresentadas, todas aquelas que foram objetivamente detectadas são referentes a débitos ativos, posteriores à opção pelo benefício. Claramente, o v. Acórdão deve ser reformado, à medida em que colide frontalmente com o teor da Súmula nº 37 e com a jurisprudência majoritária deste E. CARF/MF. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 244 10 Súmula CARF nº. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido dessa norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios os quais em questão, possuem, inclusive, intenção final de fomento econômico regional mas apenas condicionar o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto. Diante disso, em não havendo a constatação precisa e objetiva de que, na data da entrega da DIPJ, o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais plenamente exigíveis, não há motivação legal para impedir a fruição do benefício optado. Ainda que novos débitos surjam após a data da entrega da declaração, estes apenas terão relevância para a concessão de benefícios nos períodos posteriores, temporalmente correspondentes a tais créditos tributários ativos. Superada a ponderação de necessidade de reforma do v. Acórdão, a qual se mostra imperiosa, deve ser feita a análise devida da documentação constante dos autos, seja trazida pelo contribuinte, seja acostada pelos Órgãos de Fiscalização, à luz da Súmula mencionada. Não obstante ter o ora Recorrente trazido documentos probatórios e esclarecimentos de sua regularidade em relação a determinados períodos no seu Recurso Voluntário e, da mesma forma, tenha sido acostado diversas vezes Certidões e Extratos referente à situação fiscal do contribuinte, não há elementos nos autos bastantes à clara comprovação precisa da inexistência de débitos ativos, ao tempo da opção. Ressalvese aqui, mas uma vez, o descabimento de se exigir, genericamente, do contribuinte a prova de sua lisura fiscal na época da opção pelo incentivo. Mesmo assim, é interessante apontar que, no julgamento do Acórdão nº 10323546, de 14/08/2008, proferido pela C. 3ª Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes, que também serviu de paradigma para a Súmula CARF nº 37, os I. Julgadores enfrentaram situação muito semelhante e adotaram o seguinte entendimento: Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 245 11 A análise do favor fiscal caminhou em sentido diverso da jurisprudência deste Conselho, segundo a qual, para seu gozo, a beneficiada deve estar regular na data da entrega da declaração (e não na data do pedido de revisão ou do despacho administrativo ou em outro qualquer). (...) Não há no processo comprovação cabal de que a empresa estava regular em 1998; por outro lado, também não há prova em contrário. Cabe fixar a quem deve realizar tal prova. É cediço que a SRF orienta a apresentação da prova da regularidade relativamente à data do pedido, assim como no curso do processo e não na data da entrega da declaração. Assim, se o pedido houvesse sido indeferido com base em algum débito comprovadamente contemporâneo da declaração de rendas, caberia à defesa fazer prova em contrário no recurso voluntário. No entanto, não é o caso nos presentes autos No mesmo sentido é o Acórdão n.º 1102.001.334, de votação unânime e de relatoria do I. Conselehiro Ricardo Marozzi Gregório, proferido em 04/05/2015, pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, trazendo, de forma explicativa, essa mesma posição jurisprudencial do CARF: Este acórdão[o de nº 10323546, acima citado, que deu origem à Súmula 37] traz lição no sentido de determinar a distribuição dos ônus de prova. Entendese que, tendo a Administração Pública comprovado, quando do indeferimento do pedido, que a Contribuinte tinha débitos ou pendências ao tempo da opção ou do Pedido de Revisão, qualquer que seja, então ainda restaria à Contribuinte a possibilidade de comprovar que os débitos não existiam, ou não eram exigíveis. Entretanto, caso nenhuma das duas partes consiga comprovar nada, então a presunção é que deve ser aceito o pleito da Contribuinte. Como se observa, o entendimento foi claramente firmado no sentido de ser necessária, inicialmente, a oposição pelo Fisco ao contribuinte da existência de determinada pendência, à época da opção e, por sua vez, caberia ao contribuinte elidir tal demonstração, através de prova, durante o processo administrativo. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10980.011851/200720 Acórdão n.º 1402002.348 S1C4T2 Fl. 246 12 Posto isso, vez que a Fiscalização não apontou, objetivamente débitos ativos, exigíveis, no momento da escolha pelo benefício, tendo o v. Acórdão a quo baseado sua improcedência na análise de débitos surgidos em momento posterior e no descumprimento de exigência abstrata e genérica de prova de regularidade, concluise não haver a causa legal prevista no artigo 60 da Lei nº 9.060/95 capaz de obstar o gozo do incentivo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Emissão de Ordem de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo ao Contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.000894/2010-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 08 94 /2 01 0- 19 Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 11070.000894/201019 Acórdão n.º 9202004.687 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1127DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.005660/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma (art. 65 do RICARF).
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para dar-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 60 /2 00 8- 71 Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para darlhes efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.005660/200871 Acórdão n.º 2402005.481 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório O sujeito passivo opôs embargos de declaração, os quais foram inicialmente relatados nos seguintes termos (v. fl. 3308): Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento: (i) os valores pagos a título de PPR aos funcionários localizados em São Paulo e Rio de Janeiro, relativamente aos acordos coletivos firmados em 2006; e (ii) os valores pagos a título de PLR aos funcionários localizados em São Paulo e Rio de Janeiro, relativamente aos acordos coletivos de 2003 a 2005, com exceção dos pagamentos realizados aos funcionários objeto de “Premiação negociada entre Diretorias e Presidência”, “Premiação Extraordinária da Força de Vendas” e Setores de venda de que tratam o parágrafo 2º da Cláusula VI dos acordos de 2003 a 2005. Defende a Embargante que, em que pese a turma ter considerado que a contabilização conjunta do PPR (decorrentes de cláusulas gerais que estipulavam índices salariais pré fixados) e de outras gratificações tributáveis não retira a natureza do PPR, consignouse que seria impossível buscar segregar os pagamentos, motivo pelo qual não foi dado provimento ao recurso do contribuinte em relação a todos os pagamentos contabilizados nas contas de gratificações nos anos de 2003 a 2005, relativamente aos estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro. Defende a Embargante que a fiscalização pode perfeitamente segregar os valores pagos a título do dito PPR das parcelas remuneratórias, bem como que a exigência da forma como realizada viola o art. 3º do CTN, haja vista tratarse de tributo reconhecidamente indevido em razão de “sanção de ato ilícito”. Para elucidação do controvertido dos autos, vale transcrever o seguinte trecho da Resolução CARF nº 2402000.484 (v. fls. 3307/3310), trecho este constante do próprio acórdão embargado: "Sintetizando os pontos debatidos neste processo, verificase que não deve ser dado provimento ao recurso voluntário, em relação às contribuições previdenciárias exigidas sobre os pagamentos realizados a título de PPR para os estabelecimentos situados fora dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro (CNPJ’s nos 33.009.945/000204, 33.009.945/001103 e 33.009.945/001286). Por outro lado, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, para extinguir os valores pagos a título de PPR aos funcionários localizados em São Paulo e Rio de Janeiro (CNPJ’s nos Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 33.009.945/000123 e 33.009.945/002339), decorrente dos acordos coletivos firmados para o período de 2006. Já no que se refere aos valores pagos aos colaboradores situados nestes estabelecimentos (São Paulo e Rio de Janeiro), porém em decorrência dos acordos coletivos firmados nos períodos de 2003 a 2005, temse que, em tese, só atrairiam a incidência da contribuição previdenciária os pagamentos dos valores à diretoria, gerência e chefia, sob a denominação de ‘Premiação negociada entre Diretorias e Presidência’, a totalidade dos valores pagos a título de ‘Premiação Extraordinária da Força de Vendas’, bem como os valores pagos às estruturas hierárquicas de que tratam os acordos de 2003 a 2005, nos seus respectivos parágrafos § 2º da Cláusula VI (Acordo de 2003 fls. 117/118; Acordo de 2004 – fls. 125; e Acordo de 2005 – fls. 133/134). Entretanto, considerando que a empresa escriturou os valores pagos a título de PPR em contas contábeis genéricas de gratificação, seria impossível buscar segregar os pagamentos realizados à Diretoria e à Presidência em decorrência das cláusulas gerais que estipulavam índices salariais préfixados para o cálculo do PPR, dos pagamentos feitos sob a denominação de “Premiação negociada entre Diretorias e Presidência”. O mesmo raciocínio se aplica aos funcionários inseridos nos setores que receberam os valores decorrentes da previsão contida no parágrafo § 2º da Cláusula VI dos acordos de 2003 a 2005, bem como os valores decorrentes de ‘Premiação Extraordinária da Força de Vendas’.” – destacouse Considerando o exposto acima, verificase que o acórdão embargado consignou que, relativamente aos acordos coletivos de 2003 a 2005 dos estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro, sujeitamse à incidência das contribuições previdenciárias os valores decorrentes de “Premiação negociada entre Diretorias e Presidência, a totalidade dos valores pagos a título de Premiação Extraordinária da Força de Vendas, bem como os valores pagos às estruturas hierárquicas de que tratam os acordos de 2003 a 2005, nos seus respectivos parágrafos § 2º da Cláusula VI (Acordo de 2003 fls. 117/118; Acordo de 2004 – fls. 125; e Acordo de 2005 – fls. 133/134).” Este Colegiado, ao entendimento de que "não há como negar que, nas contas contábeis da empresa, existem valores de PPR que não se sujeitariam à incidência das contribuições previdenciárias" (v. fl. 3310), resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, de forma a evitar que o acórdão se torne “ilíquido” e a Embargante seja compelida ao pagamento de contribuições previdenciária sobre verbas de PPR pagas legalmente, voto no sentido de converter este julgamento em diligência para que a fiscalização apure (junto à empresa, se for o caso), qual o montante a ser excluído do lançamento, a título de PPR decorrente de cláusulas gerais que estipulavam índices salariais préfixados, que foram contabilizados juntamente com outras gratificações, relativamente aos acordos de 2003 a 2005 dos estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro. Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.005660/200871 Acórdão n.º 2402005.481 S2C4T2 Fl. 4 5 Em decorrência da citada Resolução, os autos foram encaminhados ao AFRFB responsável pelo Auto de Infração, que: (i) intimou a empresa para prestar esclarecimentos (v. fls. 3326/3327); (ii) e elaborou o "RELATÓRIO FISCAL" de fls. 3522/3526, acompanhado dos ANEXOS I e II. Do relatório fiscal, destacase seu ANEXO II, que consolida os valores a serem mantidos no lançamento. Vejase: Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 No relatório fiscal, o AFRFB ainda esclareceu o seguinte (vide fls. 3524/3525): Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.005660/200871 Acórdão n.º 2402005.481 S2C4T2 Fl. 5 7 Na coluna "C" apresentamos a somatória das colunas relativas ao "Valor Parcial de R$", com os valores integrais ou parciais das rubricas do levantamento, conforme esclarecimentos apresentados no arquivo [...]. [...] Na Coluna "B" foram totalizados os valores integrais das rubricas de PLR, conforme enquadramento do "item 2.2" supra, não deduzindo o "mínimo garantido de 1,1 salários". Intimada para se manifestar no prazo de trinta dias (v. fl. 3802), a embargante apresentou a petição de fls. 3806/3813, defendendo, em apertada síntese, que "devem ser acolhidos os valores contidos na Coluna C do Relatório Fiscal para o cálculo da parcela do crédito tributário mantido pela C. 2ª Turma [...]" . É o relatório. Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Do resultado da diligência Como este Colegiado já fez o exame de admissibilidade dos embargos, tendo concluído pelo seu conhecimento (v. fl. 3309), passase, diretamente, ao seu exame de mérito. A esse respeito, e por intermédio da Resolução nº 2402000.484, converteu se o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal apurasse o montante "a ser excluído do lançamento, a título de PPR decorrente de cláusulas gerais que estipulavam índices salariais préfixados, que foram contabilizados juntamente com outras gratificações, relativamente aos acordos de 2003 a 2005 dos estabelecimentos de São Paulo e Rio de Janeiro". Isso porque, em julgamento já realizado neste Conselho, decidiuse que, no tocante aos valores pagos aos colaboradores situados em São Paulo e no Rio de Janeiro, em decorrência dos acordos coletivos firmados nos períodos de 2003 a 2005, só atrairiam a incidência da contribuição previdenciária os pagamentos dos valores à diretoria, gerência e chefia, sob a denominação de "Premiação negociada entre Diretorias e Presidência", a totalidade dos valores pagos a título de "Premiação Extraordinária da Força de Vendas", bem como os valores pagos às estruturas hierárquicas de que tratam os acordos de 2003 a 2005. Atendendo aos termos da citada Resolução, o AFRFB elaborou o relatório fiscal de fls. 3522/3526 e o ANEXO II reproduzido no relatório desta decisão, tendo esclarecido ainda que: Na coluna "C" apresentamos a somatória das colunas relativas ao "Valor Parcial de R$", com os valores integrais ou parciais das rubricas do levantamento, conforme esclarecimentos apresentados no arquivo [...]. [...] Na Coluna "B" foram totalizados os valores integrais das rubricas de PLR, conforme enquadramento do "item 2.2" supra, não deduzindo o "mínimo garantido de 1,1 salários". Como se vê no ANEXO II e no relatório fiscal, a coluna C registra os valores que devem ser mantidos no lançamento a título de "Premiação negociada entre Diretorias e Presidência", "Premiação Extraordinária da Força de Vendas", bem como os valores pagos às estruturas hierárquicas de que tratam os acordos de 2003 a 2005, ao passo que a coluna B também contempla valores já decotados do lançamento, como o mínimo garantido de 1,1 salário. Quanto ao valor mínimo garantido e a determinação de sua exclusão da autuação, vejase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão (v. fl. 3237): Primeiramente, vale mencionar que não há qualquer impedimento legal que inviabilize o pagamento de um valor Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.005660/200871 Acórdão n.º 2402005.481 S2C4T2 Fl. 6 9 mínimo de PPR. Ou seja, havendo metas a serem cumpridas pelo colaborador ou pela equipe, é plenamente possível que haja a distribuição de um valor fixo de PPR, sem que isso ofenda a legislação de regência. Logo, tem razão a embargante quando afirma que a coluna C registra os valores a serem mantidos, enquanto que a coluna B contempla valores que foram decotados da autuação. Repitase: o próprio AFRFB informou que a coluna B não deduziu o mínimo garantido, de tal forma que devem ser levados em consideração os montantes da coluna C, que registram apenas as rubricas mantidas no lançamento, atinentes aos colaboradores situados em São Paulo e no Rio de Janeiro, em decorrência dos acordos coletivos firmados nos períodos de 2003 a 2005. Portanto, e de conformidade com o art. 65 do RICARF, entendese que os embargos devem ser acolhidos, a fim de clarear a decisão, conforme conclusão abaixo. 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de ACOLHER os embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo, para integrar na conclusão do acórdão embargado, que também ficam mantidos no lançamento os valores pagos aos colaboradores situados em São Paulo e no Rio de Janeiro, em decorrência dos acordos coletivos firmados nos períodos de 2003 a 2005, a título de "Premiação negociada entre Diretorias e Presidência", "Premiação Extraordinária da Força de Vendas" e estruturas hierárquicas de que tratam os acordos de 2003 a 2005, que remontam o valor total de R$ 12.276.786,01. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10680.001642/2004-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PRECLUSÃO - APRESENTAÇÃO DE PROVAS - RECURSO VOLUNTÁRIO - POSSIBILIDADE - §4º, ARTIGO 16, DECRETO 70.235/72
Aplica-se ao caso o disposto na alínea "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, tendo em vista que o contribuinte trouxe a totalidade das provas aos autos, após prolação de decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, que não admitiu provas por amostragem.
Numero da decisão: 9202-004.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 16 42 /2 00 4- 18 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para formalização de exigência de IRPF, por glosa de despesas com instrução de dependentes, em relação aos ano calendário 2003. Em sua Impugnação o contribuinte apresenta os comprovantes de pagamento da faculdade dos filhos apenas por amostragem, em relação a um determinado mês, de modo que a Impugnação foi julgada parcialmente procedente, para excluir a cobrança do imposto em relação aos documentos apresentados. Em relação a essa decisão, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte, juntando o comprovante dos demais pagamentos efetuados. No julgamento do Voluntário a 2ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento deu provimento ao recurso do contribuinte, acatando os documentos apresentados, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Exercício: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis as despesas com instrução de dependentes efetuadas a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, ao ensino fundamental e ao ensino médio, até o limite legal anual, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. Recurso provido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso interposto nos termos do voto do Relator. Regularmente intimada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, visando discutir a preclusão em relação a apresentação de provas posteriormente à Impugnação, trazendo como paradigmas o Acórdãos 10514087 e 20218463. Na análise de admissibilidade, verificouse a divergência, pois no acórdão recorrido entendeuse, que em homenagem ao princípio da verdade material devem ser apreciados os documentos apresentados juntamente com a peça recursal, os quais são hábeis e idôneos para comprovar as despesas com instrução e autorizam o restabelecimento integral da dedução com despesa com instrução de dependentes pleiteada na Declaração de Ajuste Anual. Por sua vez, nos paradigmas, ao contrário do que se concluiu no recorrido, considerouse que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas na norma legal. Regularmente intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões, argumentando, em apertada síntese: 1. Que não foram cumpridos os pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial, tendo em vista não cumpridas as regras do artigo 541, CPC, trazendo decisões judiciais sobre o tema; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.001642/200418 Acórdão n.º 9202004.412 CSRFT2 Fl. 94 3 2. No mérito, alega que o artigo 16, § 6º, do Decreto 70.235/72, admite a juntada de provas posteriormente à apresentação de Impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial, passo à análise do mérito. Com relação à preclusão à apresentação de provas posteriormente impugnação entendo importante observar que no processo administrativo impera o princípio do formalismo moderado, que permite a flexibilização de certas regras, quando favorável ao contribuinte. Entendo que a preclusão é uma matéria que deve ser relativizada em função desse princípio. Digo isso com base no artigo 3º, III, da Lei 9.784/99, que, ao tratar dos direitos dos contribuintes, em seu artigo 3º, III, assim dispõe: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Nesse contexto, a meu ver, pelo princípio do formalismo moderado e pela declaração dos direitos dos administrados na Lei 9.784/99, provas apresentadas após à impugnação podem ser apresentadas em sede de recurso, mesmo pelo julgador, quando se está diante de matérias de ordem pública. Também pelo princípio da verdade material entendo que se deve aceitar provas após a fase de impugnação. Nesse sentido vale a transcrição do Acórdão ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA APRESENTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Sob pena de violação do princípio da verdade material, que direciona o contencioso administrativo tributário, as provas apresentadas após o protocolo da impugnação devem ser Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 apreciadas pela autoridade julgadora, seja para emitir juízo de valor ou para converter o julgamento em diligência. Buscase, com isso, saber se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em questão é a legalidade da tributação. No caso, o Colegiado levou em consideração o fato de que o contribuinte trouxe aos autos o laudo de avaliação, embora após a impugnação, em momento anterior à ciência da decisão de primeira instância, além do que a ação fiscal cingiuse a uma única intimação recebida, sem resposta por parte do autuado, ou seja, na segunda vez em que se manifestou nos autos trouxe as provas das suas alegações (a primeira foi a impugnação, onde informou que estava providenciando o laudo). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Por esses motivos entendo que não há que se falar em preclusão no presente caso, de modo que voto por negar provimento ao Recurso. A par de meu entendimento, na concepção da maioria aplicase ao caso o disposto na alínea "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, tendo em vista que o contribuinte trouxe a totalidade das provas, após prolação de decisão que não admitiu provas por amostragem. Ou seja, tal decisão caracterizou razão posteriormente trazida aos autos. vale aqui a transcrição da referida norma: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16327.720539/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS
A participação nos lucros e resultados (PRL) possui o caráter nitidamente retrospectivo, ou seja, o trabalhador recebe por aquilo que produziu num determinado período. Por isso, o reconhecimento da despesa deve ser realizada nesse período e não postergada para exercícios futuros.
Numero da decisão: 1401-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Ricardo Marozzi Gregorio e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões por entenderem que a competência da análise da matéria é da Receita Federal e não do Banco Central.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Por isso, o reconhecimento da despesa deve ser realizada nesse período e não postergada para exercícios futuros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Ricardo Marozzi Gregorio e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa votaram pelas conclusões por entenderem que a competência da análise da matéria é da Receita Federal e não do Banco Central. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, RICARDO MAROZZI GREGORIO, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 39 /2 01 3- 69 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Trata o processo das seguintes Declarações de Compensações, nas quais a interessada pretende utilizar crédito de pagamento de IRPJ a maior, no valor de R$ 41.170.240,06, recolhido em 31/03/2010: (...) As DCOMP foram analisadas, e a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo emitiu Despacho Decisório DIORT/DEINF/SP, fls. 171/179, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. A decisão decorre das seguintes constatações: 1) A interessada retificou a DIPJ/2010, aumentando o valor das “Outras Exclusões”, na linha 57 da Ficha 09 B, o que acarretou na diminuição do lucro real e do imposto devido. Com este procedimento, o valor do IRPJ a pagar no final do período reduziu de R$ 80.242.127,20 para R$ 43.157.742,17, o que deu origem ao crédito pleiteado de pagamento a maior do imposto. 2) Intimada a esclarecer o motivo da retificação da DIPJ/2010, a interessada esclareceu que as bases de cálculo do IRPJ e CSLL foram reduzidas por ajustes determinados pelo Banco Central do Brasil BACEN, que propôs a alteração nos registros das despesas diferidas de PLR e Comissão antecipada de acordo comercial. 3) Da análise da natureza dos valores excluídos, a autoridade a quo concluiu que as despesas diferidas de PLR e a Comissão antecipada de acordo comercial devem ser apropriadas levando em consideração a vigência do contrato e não devem ser deduzidas antes que se confirmem o adimplemento dos contratos e/ou o cumprimento de metas estabelecidas e vinculada a estes custos. 4) Logo, as despesas diferidas de PLR e Comissão antecipada de acordo comercial devem manterse diferidas para fins tributários, sendo apuradas pelo regime de competência. Portanto, os ajustes determinados pelo BACEN não devem produzir efeitos tributários, não afetando o cálculo e a apuração dos tributos federais. 5) Cita o artigo 177, §2º da Lei nº 6.404/76, que dispõe que a legislação tributária deve ser respeitada naquilo que são divergentes. 6) A pretensão da interessada em deduzir o lucro líquido com despesas condicionadas a receitas ou eventos futuros atribui a essas deduções característica de provisões. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/201369 Acórdão n.º 1401001.678 S1C4T1 Fl. 500 3 No entanto, somente provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária podem ser dedutíveis na determinação dos tributos. 7) Concluise que a exclusão efetuada pela interessada está em desacordo com a legislação do imposto de renda, visto que não se trata de despesa operacional paga ou incorrida e tampouco pode ser considerada provisão dedutível na determinação do lucro real. A interessada teve ciência da decisão em 16/12/2014 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo – fls. 188), e apresentou manifestação de inconformidade em 31/12/2014, fls. 190/221, com as seguintes alegações: a tempestividade da manifestação de inconformidade. o crédito compensado decorre de erro no reconhecimento e na (falta de) dedução de despesas no curso de 2009, relativas a obrigações de pagamentos de verbas a título de (i) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) a empregados e (ii) comissões de acordo comerciais a correspondentes bancários. por força dos acordos firmados, encontravase obrigada a pagar PLR e Comissões em função do alcance de metas de vendas/negociações de operações de crédito. por equívoco, considerou que estas despesas seriam incorridas em função do reconhecimento das receitas com origem nas operações de crédito correlatas que compuseram as metas de vendas alcançadas, efetuando o diferimento do reconhecimento fiscal e contábil. assim, de início, as despesas de PLR e Comissões com obrigação de pagamento no anocalendário de 2009 não foram reconhecidas e deduzidas integralmente naquele período, mas no curso dos anos subseqüentes, em paralelo ao prazo das operações de crédito e financiamento correspondentes. em consulta ao BACEN, o órgão asseverou que a obrigação de pagamento de tais verbas não estava condicionada à ocorrência de qualquer evento futuro, e que estas despesas já eram definitivamente incorridas no próprio anocalendário de 2009. quanto à aplicação do Princípio da Competência, na qual supostamente a autuada estaria emparelhando as despesas com as receitas, o BACEN esclareceu que o diferimento estaria equivocado, dada à ausência de individualização entre as despesas (diferidas) e as operações de créditos correlatas. ato contínuo, e estando convencida da inaplicabilidade do diferimento das despesas, promoveu os ajustes contábeis em sua apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, deduzindo tais despesas nos respectivos períodos da obrigação de seus pagamentos. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 assim, retificou a apuração do Lucro Real, excluindo despesas com PLR e Comissões no valor de R$ 783.801.297,00. no entanto, a autoridade fiscal se apóia na equivocada idéia de que as despesas com PLR e Comissões estariam condicionadas ao efetivo adimplemento das operações de crédito, e o seu reconhecimento fiscal seria diferido. ocorre que o entendimento fiscal deve ser reformulado, dado que as despesas com PLR e Comissões não são condicionadas, afigurandose incorridas no átimo da obrigação do seu pagamento, este definitivo e irreversível, pelo que sua dedução estaria correta no ano de 2009. é premissa já consolidada que as despesas com PLR e Comissões são operacionais, e dedutíveis no IRPJ e CSLL, e sendo que efetivamente as pagou, de acordo com as obrigações previstas no Acordo Coletivo Trabalhista – ACT, e acordos firmados com os bancários. as obrigações afiguramse efetivas e definitivas, motivadas pelo alcance de metas, e de forma independente do adimplemento das operações de crédito, sendo calculadas com base em fórmulas que contêm diversos componentes, que correspondem à performance do empregado durante o período aquisitivo. concluído o período aquisitivo, os componentes variáveis que compõem a fórmula são definitivamente calculados e aferese o montante da PLR devida a cada empregado, devendo ser pago em até 60 (sessenta) dias contados do semestre civil correspondente, conforme Cláusula Quarta – Do Pagamento da Participação, do ACT. a citada cláusula prevê o pagamento da PLR em caráter definitivo e independente do resultado dos períodos anteriores, surgindo o dever incondicional de pagar a PLR. o mesmo ocorre com as Comissões, que são definidas a partir da quantidade de operações geradas pelos correspondentes bancários; uma vez atingida a meta, surge a obrigação definitiva de pagar as Comissões, que não são suscetíveis ao adimplemento das respectivas obrigações de crédito, ou qualquer outro critério. assim, enquanto despesas operacionais que são, os pagamentos da PLR e Comissões não estão condicionados a eventos futuros e incertos, mas são efetivamente incorridos no exercício a que referem, ou seja, no anocalendário de 2009, devendo ser apropriadas de imediato, observando o Princípio da Competência. as retificações contábeis foram feitas não por determinação do BACEN, mas por força da própria legislação, que obriga a adoção do Regime de Competência para determinação do lucro real. não são provisões, pois as despesas não estão condicionadas a evento futuro, mas sim despesas operacionais, nos termos dos artigos 250, inciso I, artigo 299 e artigo 359 do RIR/99. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/201369 Acórdão n.º 1401001.678 S1C4T1 Fl. 501 5 efetuou uma série de ajustes contábeis em sua escrituração comercial para anular o diferimento equivocado das despesas com PLR e Comissões, não violando o Parecer Normativo CST nº 96/78, citado pela Autoridade Fiscal. os ajustes contábeis determinados pelo BACEN não prestaram a garantir a segurança necessária para atividade financeira, mas sim corrigir procedimento equivocado de contabilidade. as normatizações e as orientações provenientes do BACEN gozam de força cogente e erga omnes, por força do artigo 25 do ADCT. deve prevalecer a essência (apropriação correta das despesas com PLR e Comissões no átimo do nascimento da obrigação do pagamento e de forma desvinculada à receita) sobre a forma (tratamento contábil equivocado de diferimento das despesas, refutado pelo BACEN, mas requerido pela Autoridade Fiscal). ainda que fossem provisões, os pagamentos seriam dedutíveis nos termos do artigo 3º, § 3º da Lei nº 10.101/2000. contesta a aplicação dos juros de mora sobre a multa. Foi lavrado auto de infração para cobrança da multa isolada, tendo como base legal o artigo 74, § 17º da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/2010, e modificado pela Medida Provisória nº 656, de 07/10/2014, formalizado no processo administrativo nº 16327.721226/201417, em apenso ao presente. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 406 a 416) negou provimento à manifestação de inconformidade nos seguintes termos de sua ementa: DESPESA DIFERIDA. DEFINIÇÃO. Despesas diferidas são aquelas que, embora registradas no período de apuração, devam ser transferidas (diferidas) para apropriação ou amortização em períodos de apuração futuros por não competirem ao período em que foram registradas (regime de competência), ou que devam influenciar resultados de períodos subseqüentes. PAGAMENTO DE PLR E COMISSÕES. VÍNCULO COM RECEITAS NOS EXERCÍCIOS SEGUINTES. TRATAMENTO CONTÁBIL. DIFERIMENTO. Com base no pressuposto básico do Regime de Competência, quando as despesas com PLR e Comissões incorridas estiveram relacionadas com os ativos correspondentes que geram receitas em períodos subsequentes, esses custos devem ser ativados e Fl. 503DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 posteriormente apropriados ao resultado, na mesma proporção e prazo que a receita é apropriada. O voto condutor aduziu as seguintes razões para o indeferimento do pleito: 1) Devese aplicar a Norma e Procedimento de Contabilidade nº VIII, da IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, ou seja, as despesas referidas devem ser registradas como ativo diferido, pois contribuem para a obtenção de receitas futuras. 2) A própria empresa demonstrou o vínculo das despesas com as receitas de exercícios futuros ao responder a ofício do BACEN. 3) Nessa resposta, a empresa esclareceu que a PRL dos empregados era apurada em função de critérios quantitativos e qualitativos, sendo este último tipo de critério aferido em razão da qualidade dos negócios realizados, o que implica o acompanhamento do adimplemento dos contratos. 4) Com relação às comissões, "a interessada afirmou, nas explicações ao BACEN, que os custos com pagamento das comissões eram controlados pelos sistemas informatizados, de forma individual por operação, o que torna possível a vinculação da despesa com a respectiva receita, justificando o seu diferimento. Destaco que a vinculação com a receita está clara quando a interessada informa a despesa incorre com o atingimento da meta de produção, e que os respectivos pagamentos (das comissões) são considerados na gestão da margem líquida do contrato produzido". DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 430 a 475, em grande medida com as mesma razões aduzidas na manifestação de inconformidade; aliás, de forma literal. Desse modo, me reporto à impugnação já relatada para sintetizar apenas os argumentos específicos contra a decisão recorrida: 1) O novo argumento da DRJ de que a PRL e as comissões seriam equivalentes a "despesas préoperacionais" e corresponderiam a ativo diferido, pois colaborariam para o resultado de exercícios futuros não merece prosperar por duas razões. Primeira, é argumento novo que não pode ser suscitado em sede de julgamento. Segundo, o PRL e as comissões são pagas em razão do desempenho passado. 2) O único argumento que apresentou ao BACEN para defender o tratamento de ativo diferido dado à PRL e às comissões foi o de que estas quantias estavam vinculadas ao adimplemento futuro. Todavia, a empresa reconheceu o seu equívoco diante da resposta daquela autarquia. 3) Pede a nulidade do acórdão recorrido em razão da inovação do fundamento para a não homologação das compensações. É o relatório do essencial. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/201369 Acórdão n.º 1401001.678 S1C4T1 Fl. 502 7 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Apesar de a lide, por óbvio, ser atinente à questão tributária, não está centrada na interpretação de regras tributárias, mas sim de regras contábeis, para ser mais exato, regras de direito comercial. É que a lei tributária não trata de forma exaustiva a base de cálculo do imposto sobre a renda. Não é, pois, exaustiva. Sobre esse tema já me manifestei no voto que conduziu o acórdão 1201.00.036, de 12 de maio de 2009, o qual reproduzo abaixo: Antes de nos debruçarmos sobre o tema da tributação do ágio, merecem destaque os seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). Podemos claramente perceber que não há na lei do imposto de renda uma estipulação, por assim dizer, completa do lucro real. A princípio, a base de cálculo do imposto de renda é o próprio lucro comercial, isto é, o resultado positivo da atividade das empresas em conformidade com a legislação comercial. Nada obstante, em razão das diferenças entre o regime jurídico de direito privado e o regime de direito público tributário, a lei fiscal pode estabelecer diversidade de tratamento em relação aos mais variegados fatos passíveis de integrar um e outro lucro. Nesse caso, porém, a lei fiscal não é exaustiva. Ela se limita a prescrever o que possuir tratamento diferente do regido pelo direito comercial. O lucro apurado segundo as regras comerciais apresenta propósito diverso daquele estipulado como base de cálculo do imposto sobre a renda. No primeiro caso, o lucro tem a finalidade de aferir a parcela do resultado da empresa a que tem direito seus sócios; no segundo, a de dimensionar o fato jurídico tributário de a empresa auferir renda nova. Em razão disso, por exemplo, os dividendos recebidos de outras pessoas jurídicas devem compor o lucro comercial, mas não o lucro real. Como a definição da base de cálculo do imposto de renda parte da Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 definição do lucro comercial, os dividendos devem então ser tratados como uma exclusão pela legislação tributária. Desse modo, para a correta compreensão do regime jurídico a que estão submetidos os diversos fatos econômicos praticados pelas empresas, o percurso de interpretação deve principiar pela sua disciplina comercial para depois ser verificado se há tratamento diverso pela lei tributária. Se um fato deve compor o lucro comercial e a lei do imposto de renda nada sobre ele prescreve, então deverá também compor a base de cálculo desta exação. De igual turno, se não deve compor o lucro comercial e a lei do imposto de renda também for silente, a mesma sorte terá, isto é, não deverá compor o lucro real. Ou seja, há um percurso hermenêutico para a construção do significado jurídico tributário de cada fato econômico relativamente à apuração da base de cálculo do imposto de renda. Esse percurso é principiado no direito comercial (o que muitos denominam apenas por "regras contábeis", mas que são, essencialmente, regras de direito) e, para a maioria das situações, aí se esgota. Não é necessário enveredar pelos diplomas legais que regulam o imposto federal. É dessa natureza o caso que ora enfrentamos. Nesse passo, claramente, equivocouse o despacho decisório. Notese o seu teor pela seguinte passagem: O papel do Banco Central, na defesa do interesse público, é assegurar a solidez e estabilidade do sistema financeiro nacional, zelando pela liquidez e a qualidade dos ativos por meio do acompanhamento da situação patrimonial das instituições financeiras. Por sua vez, a missão institucional da Receita Federal do Brasil é garantir a entrada de recursos para o financiamento do Estado. Por óbvio, portanto, que as entidades regulem buscando atender a finalidade para a qual são dirigidas. Assim, a conclusão do Banco Central no sentido de que a contabilidade da interessada deveria ser ajustada, a fim de se alcançar a segurança necessária para a atividade financeira, não implica em violar ou ignorar a legislação tributária que se insere em sistema jurídico distinto, como já interpretado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial 413.919/PR: Ora, a jurisprudência a que a autoridade fiscal faz referência é justamente sobre um tema (provisão para devedores duvidosos), que possuem tratamento diverso pelo direito comercial e pelo direito tributário. A decisão afirma justamente o que discorremos acima. A lei tributária pode disciplinar de forma diversa os fatos econômicos em relação ao direito comercial. Só que isso não foi feito, no presente caso. O intérprete deve seguir os ditames do direito comercial justamente porque o legislador tributário assim determinou. Notese que a DRJ não seguiu o mesmo caminho. A autoridade julgadora de primeiro grau efetivamente enveredou pela interpretação do direito comercial (pelas ditas regras contábeis). Tal caminho, porém, não é juridicamente inválido, como alegado pela Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/201369 Acórdão n.º 1401001.678 S1C4T1 Fl. 503 9 recorrente. Não há uma inovação fática para o indeferimento. Há apenas a aplicação do direito, que o julgador recorrido, entendeu ser o correto para o caso. Logo, não é passível de nulidade a sua decisão. Superada essa questão preliminar, imagino a perplexidade que deve ter tido o sujeito passivo, uma vez que está diante de duas interpretações divergentes expedidas por autoridades federais sobre uma mesma legislação e um mesmo fato. Isso está bem claro nas seguintes passagens da decisão recorrida: Neste sentido, a afirmação do BACEN de que o critério qualitativo se limitaria a avaliação de competências (comportamentos e atitudes) do empregado não coaduna com os acordos firmados pela interessada. O viés qualitativo depende, sim, do adimplemento das operações de crédito. Se o adimplemento for baixo, a despesa também diminuirá, e vice versa. Além disso, como a despesa depende do adimplemento do contrato, foi necessário estabelecer critério sistemático e racional para sua apropriação. Estabeleceuse que a apropriação seria em função do período em que os benefícios seriam obtidos, ou seja, na duração do contrato firmado que gerou a receita. Daí a afirmação da autoridade a quo no sentido de que as despesas com PLR dependem de evento futuro e incerto, e não devem ser apropriadas na totalidade antes do vencimento dos contratos. Ainda de acordo com as explicações da interessada para o BACEN, o sistema gestão (sistema responsável pelo processamento das operações de crédito) foi adequado para permitir o cálculo do diferimento das despesas de PLR de acordo com o fluxo do contrato de crédito. Este fato também afasta a afirmação do BACEN de que a parte qualitativa, que influencia a apuração da PLR, não permitiria a associação do valor apurado com uma operação de crédito específica. Cabe esclarecer que nem sempre é possível a associação direta de uma despesa com a receita para que ocorra o seu diferimento. A condição para o seu diferimento é o vínculo entre eles, como no presente caso, já que a despesa de PLR é variável conforme o adimplemento dos contratos. Existindo o vínculo, é possível aplicação do pressuposto básico do Princípio do Regime de Competência, ou seja, o confronto das despesas com as receitas, como assim procedeu a interessada em suas Declarações originais. (nossos destaques) (...) De todo exposto, concluo que, em que pese entendimento diverso do BACEN, diante dos elementos constantes nos autos, a autoridade a quo acertou em não acatar as alterações da DIPJ/2010 retificadora, uma vez que as despesas com pagamento de PLR e Comissões, considerando as suas características específicas, devem ser diferidas, já que restou demonstrado o seu vínculo com as receitas a serem obtidos com as operações de créditos firmados durante a vigência dos acordos. (nossos destaques) Fl. 507DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 10 É importante destacar que o sujeito passivo diferiu as despesas e pagou (pagou!) o tributo. Foi por determinação do Banco Central do Brasil que ele modificou a sua forma de registrar contabilmente os valores. Não estamos (repito!) a tratar de um tema passível de ter tratamento diverso pela lei fiscal em relação àquele que é dispensado pela lei comercial, mas sim de um único tratamento que irá repercutir sobre a tributação. Esse tipo de atuação fere, no mínimo, a princípio da boa fé objetiva que deve gerir a atuação dos poderes públicos perante os administrados. É importante registrar que as regras de contabilidade para as instituições financeiras são estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (art. 4º, XII, da Lei 4.595, de 1964) e que compete ao Banco Central fiscalizar o cumprimento dessas regras (art. 9º da Lei 4.595, de 1964) inclusive por meio da competência privativa para fiscalizar instituições financeiras e lhes aplicar penalidades (art. 10, IX, da Lei 4.595, de 1964). Ainda segundo o art. 31, da Lei 4.595, de 1964: Art. 31. As instituições financeiras levantarão balanços gerais a 30 de junho e 31 de dezembro de cada ano, obrigatoriamente, com observância das regras contábeis estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. Aqui, vale mais uma vez afirmar, as regras contábeis são regras de direito comercial sobre as quais repousa a tributação pelo imposto sobre a renda. Ora, se o contribuinte não apurasse o ser resultado e aferisse o seu patrimônio segundo o entendimento estabelecido pela autoridade fiscalizadora setorial, iria sofrer penalidades. Não é razoável exigir do particular que adote, sempre em seu desfavor, duas interpretações divergentes sobre uma mesma legislação. Aqui, há uma questão de competência jurídica (poderia a Receita Federal interpretar de forma divergente fatos submetidos à fiscalização de uma autarquia federal?) e de competência técnica (seriam os auditores fiscais, em detrimento de servidores públicos especificamente treinados para analisar a contabilidade das instituições financeiras, os mais aptos a enfrentar o tema?). Entendo que a resposta às duas questões é negativa. Da mesma forma que uma autoridade fiscal não pode questionar o mérito de um laudo emitido por um médico para fins de reconhecimento de isenções de imposto de renda pessoa física para portadores de doenças graves (só pode questionar questões de forma se realmente foi emitido por um mérito, por exemplo e de cunho subjetivo como a fraude na emissão do documento pelo profissional da medicina), entendo que a interpretação sobre as atividades de um determinado setor deve ser aquela conferida pela autoridade pública responsável pela sua fiscalização. Ademais, com todas as vênias à autoridade local e à autoridade recorrida, entendo mais segura a interpretação dispensada pela autoridade bancária sobre as questões fáticas aqui tratadas e o seu devido enquadramento nas regras contábeis (regras jurídicas), que são expedidas pelo CMN para o setor. Destaquese, uma vez mais, o Banco Central do Brasil não avançou sobre a sua competência técnica. Não se manifestou sobre a forma como tal ou qual tributo deve ser recolhido pelo setor. Apenas ditou a regra, no caso concreto, para o reconhecimento de Fl. 508DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720539/201369 Acórdão n.º 1401001.678 S1C4T1 Fl. 504 11 despesas. Foi a Receita Federal, uma vez que a base de cálculo do tributo sob a sua administração se assenta em regras não tributárias, que aduziu estar equivocada a interpretação exarada pela entidade pública legalmente responsável para a expedir. Essas premissas são, para mim, suficientes para decidir a lide. De todo modo, ainda que considere desnecessária, não vou me furtar a analisar brevemente o mérito do reconhecimento das despesas ora em disputa. Em razão da sua própria natureza, a PRL (participação nos lucros e resultados) possui o caráter nitidamente retrospectivo, ou seja, o trabalhador recebe por aquilo que produziu num determinado período. Esse reconhecimento é posterior ao resultado alcançado. Por isso, a aferição dos critérios qualitativos são semestrais e não numa periodicidade "aberta", que dependeria da duração de cada contrato individual e poderia durar muitos anos após o próprio período de reconhecimento da PRL. O mesmo pode ser dito das comissões, que possuem, na verdade, a natureza de bônus por resultados já obtidos, segundo a própria análise empreendida pelo Bacen abaixo reproduzida: (...) também não é admissível o diferimento da PRL e das remunerações com características de bônus pagos aos correspondentes. Como o correspondente ou o funcionário da IF só poderá fazer jus ou não a tais valores dependendo de se atingir condicionantes acordadas e em momento diverso daquele em que a operação de crédito é originada, não é possível incluir esse componente no cálculo da taxa efetiva de juros dessa operação. Por todo o exposto, rejeito a preliminar suscitada de nulidade da decisão recorrida, para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário com o fito de reconhecer o crédito tributário pleiteado e realizar as compensações até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 509DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 12466.001642/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE DECABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato, mas não para eventuais erros de interpretação. Não configuradas tais hipóteses, é de se rejeitar os embargos.
Embargos de Declaração acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HIPÓTESES DE DECABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato, mas não para eventuais erros de interpretação. Não configuradas tais hipóteses, é de se rejeitar os embargos. Embargos de Declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza PresidenteRelator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 16 42 /2 01 0- 18 Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, em face do Acórdão nº. 320101.697, de 19 de agosto de 2014 (fls. 1947 e ss.), cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 04/07/2005 MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Incabível o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por medida judicial acautelatória. Alega a PFN que teria havido omissão na fundamentação do acórdão embargado, nos seguintes termos: Ao contrário do que sugere a decisão embargada, o presente lançamento fundamentouse não só na medida liminar concedida na cautelar preparatória da AR, mas também no entendimento de que a coisa julgada no Mandado de Segurança 99.00166582 reconhece o direito de compensar os créditos de IPI da SAB Trading com débitos de terceiros apenas até a edição da IN/SRF 41, de 07/04/2000, que vedou tal possibilidade a partir desta data. Os fiscais seguiram a orientação manifestada no item 4 da Nota n.º 91 da PRFN 2ª Região, segundo a qual, de acordo com o artigo 468 do CPC, “a sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas”. (g.n.) Assim, a decisão no mandado de segurança foi proferida levando em consideração a legislação vigente à época de sua propositura (08/07/1999). Com base nela, decidiuse pela existência do crédito prêmio, bem como pela possibilidade de sua restituição, ressarcimento, ou compensação, afastando a aplicação do ato declaratório 31/99. Contudo, a sentença nada decidiu sobre a possibilidade de compensação desses créditos com débitos de terceiros após a vigência da IN 41/2000. Neste diapasão, há que se considerar que, nos termos da Nota n.º 91, alterados os pressupostos legais que serviram de supedâneo à decisão judicial, não há que se pretender opôla à nova situação jurídica instaurada, com o advento de legislação posterior modificativa. (grifamos). Os embargos foram admitidos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 12466.001642/201018 Acórdão n.º 3201002.390 S3C2T1 Fl. 1.968 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Cabe ressaltar, inicialmente, que, como cediço, os embargos declaratórios têm a finalidade de aclarar a decisão embargada ou trazer à discussão matéria omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. É o que prevê o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao assim dispor: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Conforme doutrinam Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha, é omissa a decisão a) que não se manifestar sobre um pedido ou b) sobre argumentos relevantes lançados pelas partes e c) quando não apreciadas matérias de ordem pública, portanto cognoscíveis de ofício pelo magistrado, tenham ou não sido suscitadas pelas partes. Os mesmos autores consideram obscura a decisão quando ininteligível, portanto malredigida, faltandolhe a devida clareza. E contraditória, quando traz proposições inconciliáveis entre si, exemplificando com aquela em que há uma contradição entre os seus fundamentos e a sua conclusão (Direito processual civil: meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. Salvador: JusPODIVM, 2006, p. 131). Acresçase que a jurisprudência tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, um erro de fato – uma ideia equivocada sobre o que, no plano da realidade, ocorreu. Pois bem. Na redação anterior do § 3º do art. 65 do atual RICARF/2015, recentemente modificado pela Portaria MF nº 39, de 2016, tinhamse mais elásticos os requisitos para a embargabilidade de nossas decisão colegiadas, daí que admitidos os embargos ora examinados (a redação atual permite a rejeição, pelo presidente da Turma, quando intempestivos e quando as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas). Contudo, a despeito de admitidos os embargos, vemos agora que a douta PFN na verdade insurgese contra o entendimento firmado no acórdão embargado, que entendeu, pelas razões que expôs, que a sentença, posteriormente transitada em julgado, não limitava a compensação à vigência das IN SRF nº 21, de 1997. Confirase: A decisão que atribuiu efeito suspensivo ativo ao agravo de instrumento da SAB TRADING é omissa quanto à compensação, quer seja sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 21, de 2000, quer seja sob a égide de ato normativo superveniente. Já a Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 sentença que enfrentou o mérito da questão, preferida em 07/05/2001, reconheceu o direito creditório da impetrante, bem como a possibilidade de consumar esse direito mediante compensação na forma da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, do mesmo ano. A partir da leitura da sentença supra mencionada, percebese claramente que a interpretação pretendida pela PRFN2 é absurda. Em momento algum a sentença condiciona a realização das compensações à vigência da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, do mesmo ano; ao contrário, ela determina que as autoridades fiscais competentes observem os ditames dessas instruções normativas sempre que o crédito utilizado na compensação for objeto deste mandado de segurança específico, a despeito de haver mudança legislativa. Como informado, a sentença foi proferida no ano de 2001, sendo que a Instrução Normativa SRF nº 41 é anterior. Logo, se a juíza que proferiu a sentença quisesse impor essa limitação à SAB TRADING, teria o feito expressamente, determinando a compensação na forma da Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, e não na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, com a alteração do mesmo ano. Embora desnecessário, cabe enfatizar que os vícios que permitem o manejo dos aclaratórios são aqueles que se verificam na própria decisão a ser embargada, mas não alcançam eventuais erros de interpretação, que, a propósito, se, no caso, existiu, não cabe aqui comentar. Os embargos, como se sabe, não se prestam para a reapreciação do litígio. Pelo exposto, voto por REJEITAR os embargos de declaração. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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