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Numero do processo: 10840.002030/2010-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1801-001.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Ana de Barros Fernandes (Presidente)
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Ana de Barros Fernandes (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 20 30 /2 01 0- 01 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 4/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Tratase de auto de infração para exigência multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) do mês de maio do anocalendário de 2010, da empresa supra, no valor de R$ 510,96. Ante Acórdão (fls. 2628) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário formalizado no lançamento à fl.24, interpôs o contribuinte recurso voluntário com base no Art. 33 do Decreto 70.235/72. Em seu recurso voluntário, aduz o contribuinte a improcedência da exigência fiscal, pelo fato de ter supostamente adimplido a referida obrigação, de forma espontânea, isto é, antes de qualquer procedimento fiscal, o que ensejaria na exclusão da responsabilidade por esta infração, consoante disposto no Art. 138 do CTN. Traz em defesa de seu argumento , doutrina e jurisprudência. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço presente recurso, passando ao mérito. Ressaltando ser particularmente favorável à tese aduzida na peça recursal – a expressão “se for o caso”, do Art. 138 do CTN, evidencia que o pagamento de tributo não é elemento indispensável na configuração do instituto da denúncia espontânea, o que permite concluir que esta alcança qualquer tipo de infração e não apenas as decorrentes de violação de obrigações referentes ao pagamento de tributos , aplico ao caso o entendimento solidificado nas jurisprudências administrativa e tributária sobre o tema. Neste sentido: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ : AgRg nos EDcl no AREsp 209.663/BA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 10/05/2013) Fl. 58DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 4/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10840.002030/201001 Acórdão n.º 1801001.919 S1TE01 Fl. 3 3 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 59DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 10/0 4/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000065/2004-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
IRRF. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. RESPONSABILIDADE RETENÇÃO FONTE PAGADORA AFASTADA POR DECISÃO JUDICIAL. DESLOCAMENTO SUJEIÇÃO PASSIVA BENEFICIÁRIO.
Havendo decisão judicial impossibilitando a instituição financeira de reter e, por conseguinte, recolher o Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, não se pode cogitar em lançamento exigindo tais tributos em face da fonte pagadora dos rendimentos, uma vez que as obrigações tributárias voltam a ser de responsabilidade do contribuinte principal, beneficiário.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior e Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1999 IRRF. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. RESPONSABILIDADE RETENÇÃO FONTE PAGADORA AFASTADA POR DECISÃO JUDICIAL. DESLOCAMENTO SUJEIÇÃO PASSIVA BENEFICIÁRIO. Havendo decisão judicial impossibilitando a instituição financeira de reter e, por conseguinte, recolher o Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, não se pode cogitar em lançamento exigindo tais tributos em face da fonte pagadora dos rendimentos, uma vez que as obrigações tributárias voltam a ser de responsabilidade do contribuinte principal, beneficiário. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior e Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS. RESPONSABILIDADE RETENÇÃO FONTE PAGADORA AFASTADA POR DECISÃO JUDICIAL. DESLOCAMENTO SUJEIÇÃO PASSIVA BENEFICIÁRIO. Havendo decisão judicial impossibilitando a instituição financeira de reter e, por conseguinte, recolher o Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, não se pode cogitar em lançamento exigindo tais tributos em face da fonte pagadora dos rendimentos, uma vez que as obrigações tributárias voltam a ser de responsabilidade do contribuinte principal, beneficiário. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior e Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 65 /2 00 4- 51 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 06/02/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e juros sobre capital próprio, em relação ao anocalendário 1999, conforme peça inaugural do feito, às fls. 98/100, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, consubstanciada no Acórdão nº 1212.040/2006, às fls. 214/221, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 4ª Câmara, em 06/03/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 10423.063, sintetizados na seguinte ementa: “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 1998 TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE ORDEM JUDICIAL IMPEDITIVA DA RETENÇÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO EM FACE DO CONTRIBUINTE IMPOSSIBILIDADE Em face do princípio da reserva de lei formal em matéria tributária não tem amparo legal a constituição de crédito tributário em face do contribuinte na hipótese de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte em que a fonte pagadora foi impedida de efetuar a retenção por ordem judicial. A previsão veiculada pelo Parecer Normativo SRF n° 1, de 2002, no sentido de permitir tal constituição extrapola os contornos da regulação legal da matéria para as hipóteses de tributação exclusiva na fonte. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 19740.000065/200451 Acórdão n.º 9202003.041 CSRFT2 Fl. 561 3 Recurso provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 472/487, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação de regência, mais precisamente os artigos 45 e 128 do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender não fazer sentido a ilegitimidade passiva decretada, uma vez que a contribuinte pleiteou judicialmente o reconhecimento de sua imunidade, tendo obtido liminar a desonerando do pagamento do tributo sob análise, razão pela qual encaminhou/informou às instituições financeiras a determinação impossibilitando a sua retenção na fonte. Assevera não ser correta a interpretação a propósito da responsabilidade tributária da instituição financeira, eis que restava impedida de promover a retenção do tributo devido, por razões alheias à sua vontade, diante de provimento judicial, a qual é obrigada à cumprir. Em defesa de sua pretensão, sustenta que a jurisprudência administrativa é firme e mansa no sentido de que “quando o responsável legal pela cobrança e recolhimento do imposto se vê impedido de exercer essas atribuições, no momento da ocorrência do fato gerador, por razões a que não deu causa, a exigência deve ser endereçada ao contribuinte originário.” Acrescenta que a melhor interpretação a ser conferida ao artigo 128 do Código Tributário Nacional é em consonância com o artigo 150, § 6º, da Constituição Federal, concluindo que se a lei que institui a substituição tributária silencia quanto à exclusão da responsabilidade ou sua atribuição subsidiária ao contribuinte, a responsabilidade será solidária. Infere que o entendimento levado a efeito pela Câmara recorrida malfere o próprio instituto da substituição tributária, uma vez que a prevalecer àquela tese o substituto tributário, além de responsável pela retenção e recolhimento do tributo, passa a ser também o contribuinte de fato, suportando o ônus econômico da tributação, o que vai de encontro com a finalidade daquele instituto. Explicita que a legislação de regência estabelece que na hipótese de o responsável tributário se ver impedido de reter e recolher o tributo, a obrigação passa a ser do próprio contribuinte, como se verifica da Instrução Normativa nº 104/2000, c/c o Parecer COSIT 01/2002 e Parecer PGFN nº 2998/2002, aprovado pelo Ministro. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a SJ do CARF entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fl. 634DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 4 Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido contrariou, em tese, a legislação de regência, conforme Despacho nº 220200.160/2010, de fls. 488/489. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 534/551, corroborando as razões de decidir do Acórdão atacado, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. PRELIMINAR DE CONHECIMENTO Preliminarmente, suscita a contribuinte a impossibilidade de conhecimento da peça recursal, argumentando que as razões da Procuradoria da Fazenda Nacional não se vinculariam à hipótese vertente, porquanto se fixam em legislação pertinente ao IOF, enquanto o presente caso contempla IRRF. Acrescenta que a jurisprudência trazida à colação pela recorrente trata exclusivamente de IOF, o que comprova a impertinência das alegações da Procuradoria, além de não ter comprovado a contrariedade à lei argüida, impondo o não conhecimento do recurso especial sob análise. Não obstante os substanciosos fundamentos de fato e de direito ofertados pela contribuinte, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Com efeito, tratando se do extinto Recurso Especial por contrariedade à lei, previsto no então Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, é posicionamento uníssono neste Colegiado que basta a indicação do dispositivo legal, em tese, malferido, avançandose no tema, para se conhecer do recurso e, no mérito, analisar se, de fato, houve contrariedade à legislação de regência. É o que se vislumbra na hipótese vertente, onde a recorrente indicou a pretensa contrariedade aos artigos 45 e 128 do Código Tributário Nacional e, uma vez conhecido o recurso, será analisado no mérito a efetiva comprovação do alegado. Não procede, igualmente, a tese da contribuinte no sentido de que os argumentos da recorrente se vinculam ao IOF, inclusive com a jurisprudência colacionada aos autos tratando desta matéria. Isto porque, da simples análise da peça recursal, constatase que a Procuradoria da Fazenda Nacional relatou se tratar de IRRF e simplesmente fez constar do bojo do recurso algumas decisões e/ou alegações pertinentes ao IOF no desenvolvimento de sua tese, em razão da matéria objeto de análise, qual seja, substituição tributária. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 19740.000065/200451 Acórdão n.º 9202003.041 CSRFT2 Fl. 562 5 Na esteira desse entendimento, é de se rejeitar a preliminar suscitada pela contribuinte, conhecendose, assim, do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, na forma do Despacho do Presidente da Câmara recorrida. MÉRITO Depreendese do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo nos dispositivos legais que constam da peça inaugural do feito, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e juros sobre capital próprio, em relação ao anocalendário 1999, conforme peça inaugural do feito, às fls. 98/100. De acordo com os autos, a ABRAPP Associação Brasileira das Entidades de Previdência Privada, na condição de substituto processual, da qual é filiada, impetrou o Mandado de Segurança n° 1998.3400002524, cuja distribuição deuse em 02/02/1998, na Seção Judiciária do Distrito Federal (8a Vara Federal) contra os efeitos da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, mais precisamente, para exonerar definitivamente suas associadas da exigência do imposto de renda sobre os resultados de aplicações financeiras por elas realizadas ou a realizar, conforme documentos de fls. 163/199. Neste contexto, a contribuinte fora beneficiada com o deferimento da liminar no referido writ, no sentido de sustar a cobrança do imposto de renda na fonte sobre os resultados obtidos das aplicações financeiras pelas associadas da ABRAPP, conforme documentos de fls. 202/208. A corroborar a inclusão da autuada entre as empresas beneficiadas com aludida decisão, consta dos autos, às fls. 211, pedido de desistência das impetrantes, entre as quais a contribuinte. Diante da liminar em comento, a instituição ABC do Brasil, aplicadora financeira de renda fixa, RDB, ficou impossibilitada de efetuar a retenção do imposto de renda na fonte e, conseqüentemente, de recolhêlo, de modo que a responsabilidade para tanto, deslocase para a autuada, beneficiária do rendimento, nos termos do item 21 do Parecer Normativo SRF n° 01/2002. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida, por maioria de votos, entendeu por bem rechaçar a pretensão fiscal, acolhendo a ilegitimidade passiva da contribuinte, sustentando que Em face do princípio da reserva de lei formal em matéria tributária não tem amparo legal a constituição de crédito tributário em face do contribuinte na hipótese de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte em que a fonte pagadora foi impedida de efetuar a retenção por ordem judicial. Em defesa da sua tese, sustenta que A previsão veiculada pelo Parecer Normativo SRF n° 1, de 2002, no sentido de permitir tal constituição extrapola os contornos da regulação legal da matéria para as hipóteses de tributação exclusiva na fonte. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão guerreado contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 45 e 128 do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecida a sua peça recursal. Em suma, pretende a recorrente seja reformado o Acórdão recorrido, sustentando não fazer sentido a ilegitimidade passiva decretada, uma vez que a contribuinte pleiteou judicialmente o reconhecimento de sua imunidade, tendo obtido liminar a desonerando Fl. 636DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 6 do pagamento do tributo sob análise, razão pela qual encaminhou às instituições financeiras a determinação impossibilitando a sua retenção na fonte. A fazer prevalecer sua tese, assevera não ser correta a interpretação a propósito da responsabilidade tributária da instituição financeira, eis que restava impedida de promover a retenção do tributo devido, por razões alheias à sua vontade, diante de provimento judicial, a qual é obrigada a seguir. A corroborar seu entendimento, sustenta que a jurisprudência administrativa é firme e mansa no sentido de que “quando o responsável legal pela cobrança e recolhimento do imposto se vê impedido de exercer essas atribuições, no momento da ocorrência do fato gerador, por razões a que não deu causa, a exigência deve ser endereçada ao contribuinte originário.” Acrescenta que a melhor interpretação a ser conferida ao artigo 128 do Código Tributário Nacional é em consonância com o artigo 150, § 6º, da Constituição Federal, concluindo que se a lei que institui a substituição tributária silencia quanto à exclusão da responsabilidade ou sua atribuição subsidiária ao contribuinte, a responsabilidade será solidária. Infere que o entendimento levado a efeito pela Câmara recorrido malfere o próprio instituto da substituição tributária, uma vez que a prevalecer àquela tese o substituto tributário, além de responsável pela retenção e recolhimento do tributo, passa a ser também o contribuinte de fato, suportando o ônus econômico da tributação, o que vai de encontro com a finalidade daquele instituto. Explicita que a legislação de regência estabelece que na hipótese de o responsável tributário se ver impedido de reter e recolher o tributo, a obrigação passa a ser do próprio contribuinte, como se verifica da Instrução Normativa nº 104/2000, c/c o Parecer COSIT 01/2002 e Parecer PGFN nº 2998/2002, aprovado pelo Ministro. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da legitimidade passiva da autuada, diante da decisão judicial exarada nos autos da ação promovida pela ABRAPP Associação Brasileira das Entidades de Previdência Privada, suscitando sua imunidade em relação aos tributos ora lançados, tendo obtido êxito em sua empreitada à época da ocorrência dos fatos geradores, o que impossibilitou a fonte pagadora e responsável tributário de efetuar a respectiva retenção e recolhimento do IRF. De um lado, o Acórdão recorrido adotou o entendimento de que a instituição financeira, na condição de responsável tributário, é quem responde pela não retenção e recolhimento dos tributos sob análise, não tendo o provimento judicial ou mesmo o Parecer Normativo SRF n° 1, de 2002 o condão de deslocar o sujeito passivo do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, mormente em observância ao princípio da reserva legal. De outro, a Procuradoria, escorada nos preceitos artigos 45 e 128 do Código Tributário Nacional, defende não fazer qualquer sentido procurar responsabilizar a instituição financeira, uma vez que se via impedida de promover as retenções na fonte e, por conseguinte, o recolhimento dos tributos ora lançados, em virtude de decisão judicial exarada nos autos de ação movida pela autuada, a qual passou a ser o responsável tributário, como se verifica da Instrução Normativa nº 104/2000, c/c o Parecer COSIT 01/2002 e Parecer PGFN nº 2998/2002, aprovado pelo Ministro. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 19740.000065/200451 Acórdão n.º 9202003.041 CSRFT2 Fl. 563 7 Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, como passaremos a demonstrar. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente a sujeição passiva, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decorre daí que, no exercício de sua atividade e atribuição legal, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, com a inequívoca identificação do sujeito passivo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito. Aliás, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito, o ônus da prova cabe a quem alega, in casu, ao Fisco, especialmente por inexistir disposição legal contemplando a presunção para a identificação do sujeito passivo, incumbindo à fiscalização buscar e comprovar a realidade dos fatos. No entendimento deste relator, aludida providência (identificação do sujeito passivo, ou melhor, responsável tributário pela retenção), pretérita à própria constituição do crédito tributário e indispensável à correição do lançamento, logrou o fisco a proceder, ao contrário do que restou assentado no Acórdão recorrido. No caso sub examine, como restou muito bem delineado no decisório combatido, a obrigação legal de promover a retenção e recolhimento do imposto sob análise é da instituição financeira (fonte pagadora do rendimento), ou seja, responsável tributário legal, condição que fora afastada em decorrência de decisão judicial. Partindo dessas premissas, uma vez impossibilitada, por decisão judicial, de promover a retenção e recolhimento do IRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e juros sobre capital próprio, não pode, em hipótese alguma ser apenada por tal conduta, sobretudo em razão de a responsabilidade pelo recolhimento de tal tributo se deslocar ao contribuinte principal/originário. Aliás, o próprio Parecer Normativo n° 01/2002, oferece proteção ao pleito da recorrente, determinando o lançamento em face do titular das aplicações financeiras enquanto existir provimento judicial impedindo a fonte pagadora de reter o IRRF, senão vejamos: “21. – Existindo provimento judicial que impeça a fonte pagadora de reter o imposto de renda incidente na fonte, de forma exclusiva ou por antecipação, será efetuado lançamento de ofício em nome do contribuinte beneficiário do rendimento, Fl. 638DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 8 quando a obrigação de tributar o rendimento já estiver caracterizada.” (grifamos) A propósito da matéria, a então 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou com muita propriedade, nos autos do processo nº 15374.002470/0038, consoante se positiva do Acórdão nº CSRF/0400.615, de onde peço vênia para transcrever Ementa e excerto do Voto e adotar como razões de decidir, como segue: "IRF — FALTA DE RETENÇÃO — MEDIDA JUDICIAL POSTERIORMENTE REVOGADA — AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA — Se a fonte pagadora deixou de efetuar a retenção e o recolhimento do tributo em cumprimento de medida judicial, que se constitui em lei para o caso concreto, não se pode, após a revogação da ordem judicial, se exigir da fonte pagadora o recolhimento do tributo. Revogada a medida judicial que determinou a abstenção da retenção do IRF, não há como retomar a responsabilidade tributária à fonte pagadora. Recurso especial provido. VOTO [...] Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão da responsabilidade tributária nos casos de falta de retenção do imposto de renda na fonte em decorrência de medida judicial modificada posteriormente. O Código Tributário Nacional estabelece como contribuinte do imposto de renda o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, ressalvando a hipótese da lei atribuir à fonte pagadora a condição de responsável pela retenção e recolhimento do imposto devido. Senão vejamos: [...] Esclareçase que a obrigação da fonte pagadora de reter e recolher a antecipação ou imposto definitivo é apenas acessória, agindo apenas no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos, sem nenhum ônus financeiro, conforme estabelece CTN, nos seguintes termos: [...] No presente caso, a fonte pagadora não deixou de efetuar a retenção e o recolhimento do tributo por liberalidade ou negligência, mas em cumprimento a medida judicial, proferida nos autos do mandado de segurança n° 97.02.335132/RJ, posteriormente revogada, conforme Acórdão da 1 a Turma do Tribunal Regional Federal da 2° Região. Dessa feita, havendo medida judicial determinando a não retenção do imposto de renda na fonte, que se constitui em lei para o caso concreto, entendo que deixou legalmente de existir a obrigação acessória da fonte pagadora, não se podendo mais se Fl. 639DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES Processo nº 19740.000065/200451 Acórdão n.º 9202003.041 CSRFT2 Fl. 564 9 exigir da fonte o seu cumprimento por eventual revogação de decisão judicial, mormente pela fonte pagadora não mais dispor dos recursos destinados ao pagamento. Destarte, revogada a medida judicial que determinou a abstenção da retenção do imposto de renda na fonte, não há como retomar a responsabilidade à fonte pagadora, uma vez que esta, no momento do pagamento, agiu em conformidade com liminar proferida em Mandado de Segurança ajuizado pelo próprio contribuinte. Ressaltese, por oportuno, que a extinção da obrigação acessória em decorrência de medida judicial não extingue a obrigação principal do beneficiário dos rendimentos de recolher o imposto. Dessa feita, entendo que no caso concreto devese exigir da contribuinte o imposto de renda exclusivo na fonte incidente sobre as verbas de décimo terceiro salário, por ser ele o sujeito passivo da obrigação principal. [...]" Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de reconhecer a legitimidade passiva da autuada para responder pela exigência fiscal em comento, diante da impossibilidade do responsável tributário observar a legislação de regência em face de provimento judicial desonerando a contribuinte do pagamento dos tributos lançados à época da ocorrência dos fatos geradores. Dessa forma, uma vez afastada a tese da ilegitimidade passiva da contribuinte, impõese determinar o retorno do processo à Câmara/Turma recorrida, de maneira a analisar as demais questões de mérito suscitadas pela contribuinte, as quais não foram objeto do julgamento recorrido, diante do acolhimento da preliminar sob análise naquela oportunidade. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno do processo à Câmara/Turma recorrida para exame das demais questões de mérito, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 640DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES 10 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/03/2 014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001642/2008-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituído pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituído pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
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ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituído pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 42 /2 00 8- 53 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.001642/200853 Acórdão n.º 9202003.023 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0158, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 01539, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 PRELIMINAR. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA. AUDITOR FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. O auditor fiscal designado para o cumprimento da ação fiscal não infringiu os limites determinados para a auditoria, motivo pelo qual não há o que se falar em causa de nulidade. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTO A SEGURADOS. PRÊMIOS. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente autuação, foi verificado que ocorreu o pagamento habitual, aos segurados da empresa, como contrapartida à assiduidade destes ao trabalho, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Sinteticamente, o recurso em questão trata da forma de cálculo da aplicação da multa, com a aplicação do determinado no Art. 106, do CTN. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões que divergem do entendimento exarado; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 2. A decisão determinou, de forma equivocada, a comparação entre multa de mora e multa de ofício; 3. Assim, para correção na decisão, deve ser dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei n°11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei if 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei 8.212/91. Por despacho, fls. 0182, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, solicitando a manutenção da decisão. Além das contra razões, o sujeito passivo apresentou petição, sobre ato declaratório emitido pela PGFN, com razões que se assemelham as de recurso especial, mas sem as formalidades exigidas. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.001642/200853 Acórdão n.º 9202003.023 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto a qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão, verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 275DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.001642/200853 Acórdão n.º 9202003.023 CSRFT2 Fl. 5 7 § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades sofridas de ofício antes da legislação, com as penalidade que podem ocorrer com a nova legislação. Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas, para dar razão ao pleito da recorrente, conforme solicitado. Por fim, cabe destacar que o sujeito passivo apresentou petição, mas com argumentos contra a parte que lhe foi desfavorável, o que poderia ocorrer em recurso especial. Ocorre que não há nenhuma dos requisitos exigidos para impetração de recurso especial, para análise da peça, conforme Regimento Interno do CARF (RICARF). RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11065.001642/200853 Acórdão n.º 9202003.023 CSRFT2 Fl. 6 9 § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. Assim, como a peça elaborada pelo sujeito passivo não possui nenhum dos requisitos que o configurem como recurso especial, nem mesmo o nome, não foi possível e não há como analisálo. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto EM DAR PROVIMENTO ao recurso, , nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 279DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002059/99-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente substituto
JOEL MIYAZAKI - Relator.
EDITADO EM: 04/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antonio Lisboa Cardoso , Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto). Ausentes momentaneamente os conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial da Fazenda negado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial da Fazenda negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. Luiz Eduardo de Oliveira Santos– Presidente substituto JOEL MIYAZAKI Relator. EDITADO EM: 04/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antonio Lisboa Cardoso , Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, e Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 20 59 /9 9- 65 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto). Ausentes momentaneamente os conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, abaixo transcrito: Trata o processo acima identificado de solicitação de restituição/compensação de valores da Contribuição para o Fundo de Investimento Social FINSOCIAL protocolado em 24/08/99, recolhidos de acordo com os artigos 9o, da Lei no 7.689, de 15/12/88, 7o, da Lei 7.787, de 30/06/89 e 1o , da Lei n° 8.147, de 28/12/90. A solicitação da requerente baseiase no fato de terem sido consideradas inconstitucionais as alterações na alíquota do FINSOCIAL. A Delegacia da Receita Federal em Guarulhos SP, se manifestou pela improcedência do pleito, indeferindo o pedido do contribuinte, com base no prazo fixado no artigo 168 do Código Tributário Nacional, e no Ato Declaratório SRF no 096, de 26/11/99, por ausência de respaldo legal, considerando, assim, extinto o direito do contribuinte de pleitear a restituição ou compensação do crédito. Facultada a manifestação de inconformidade, em sua defesa, a empresa apresentou impugnação (fls. 75 a 82) alegando, em síntese, que o prazo de cinco anos para a repetição do indébito de tributo iniciase quando ele se tornou indevido pela declaração de inconstitucionalidade e que a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de 10 anos: cinco para homologação tácita e cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido, de acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, julgou improcedente a impugnação através da Decisão DRJ/CPS n° 866, de 19/06/2001, assim ementada: "RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido em virtude de posterior declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no controlo difuso, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.Consoante as novéis Carta Política e Lei da Seguridade Social, o direito de a contribuinte pleitear a restituição do Fundo de Investimento Social – Finsocial segue o disposto para os demais tributos e contribuições. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10875.002059/9965 Acórdão n.º 9303002.740 CSRFT3 Fl. 3 3 CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA O crédito tributário é extinto pelo pagamento, não influenciando, na contagem do prazo para pleitear a repetição de indébito, o fato de ter sido sob condição resolutória. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Regularmente cientificada do teor da decisão de primeira instância, a interessada apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes ratificando as fundamentações anteriores (fls. 96 a 108). É o relatório. O Colegiado a quo, decidindo o feito, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência do direito à restituição, com retorno dos autos à DRJ para que fossem analisadas as demais questões alegadas, em acórdão cuja ementa abaixo transcrevo: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA. O prazo decadencial de cinco anos para pedir restituição/compensação de valores pagos a maior da Contribuição para o Fundo de Investimento Social – FINSOCIAL iniciase a partir da edição da MP n° 1.110, em 30/08/1995, devendo ser reformada a decisão de Primeira Instância. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 119 a 127 (numeração do processo papel) em que pugna pela reforma da decisão recorrida, aplicandose os artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, reconhecendose a decadência do direito de repetir no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Despacho de fls. 129 a 132 do então Presidente do Terceiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao especial fazendário. Regularmente intimado do despacho, a contribuinte apresentou suas contrarrazões em 11 de dezembro de 2012 em que pugna pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O núcleo da discussão posta em debate pelo especial fazendário diz respeito ao correto dies a quo a ser utilizado para contagem do prazo decadencial/prescricional do direito de repetir os valores pagos a maior a título de Contribuição para o FINSOCIAL. Esta matéria se contra pacificada no STF (RE 566.621 – Relatora Min Ellen Gracie) que definiu que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já nas ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo de 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir). Consultando os autos, verificase que os créditos pleiteados referemse a períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1989 a março de 1992. Como o pedido foi formulado em 24 de agosto de 1999, aplicase o prazo decenal e não há que se falar em decadência/prescrição ao direito de repetir esses valores. Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, afastando a decadência do direito de repetição de indébito e retornandose os autos à autoridade preparadora para efetuar a restituição/compensação no limite do crédito efetivamente comprovado pelo sujeito passivo. Joel Miyazaki Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16832.000168/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
AUSÊNCIA DE PAGAMENTO NA INCORPORAÇÃO. Deve ser cancelado o lançamento se a acusação fiscal não demonstra validamente quais requisitos legais para dedução fiscal da amortização de ágio deixaram de ser observados.
Numero da decisão: 1101-001.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento; e 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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AUSÊNCIA DE PAGAMENTO NA INCORPORAÇÃO. Deve ser cancelado o lançamento se a acusação fiscal não demonstra validamente quais requisitos legais para dedução fiscal da amortização de ágio deixaram de ser observados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento; e 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 68 /2 01 0- 42 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório MULTIÓPTICA DISTRIBUIDORA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de JaneiroI que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 08/03/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.404.824,37. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tem origem o presente processo nos autos de infração de fls. 436/453, lavrados pela DFI Rio de Janeiro RJ, contra MultiÓptica Distribuidora Ltda, relativos aos anoscalendário 2005 a 2008, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 518.088,50 e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 186.511,84, ambos acrescidos de multa proporcional de 75% e de juros de mora. Conforme consta dos autos de infração e do Termo de Constatação de fls. 432/435, foram verificadas as seguintes infrações: I) AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO SEM O EFETIVO PAGAMENTO INCORPORAÇÃO AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – INDEDUTIBILIDADE: A empresa Brasilor, sócia controladora do autuado e sócia majoritária da empresa Optikot, adquiriu com ágio, em 2003, as ações dos demais acionistas da Optikot; Em 30.08.2005, a Brasilor usou a totalidade dessas ações para integralizar aumento de capital na empresa autuada; Em 31.10.2005, a empresa autuada incorporou a Optikot; De acordo com os artigos 386, 391 e 426 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99), a dedução da amortização do ágio na aquisição de ações só é permitida após eventos específicos, entre eles, o da incorporação; A transferência das ações da Optikot para o autuado no mês anterior ao da incorporação denota o planejamento para usar a benesse legal, já que a incorporação não acarretou qualquer alteração no capital social ou na titularidade das ações (que já pertenciam ao autuado) e que não houve desembolso de valor; e Portanto, é indedutível, para o IRPJ e a CSLL, a despesa de amortização, conforme Parecer Normativo CST nº 46/87; e II) DESPESAS OPERACIONAIS FALTA DA COMPROVAÇÃO DO SERVIÇO EFETIVAMENTE PRESTADO: [...] Assim sendo, foram glosados os valores deduzidos, para o IRPJ e a CSLL. Cientificado das autuações em 08.03.2010 (fls. 435, 437 e 446), o autuado apresentou, em 07.04.2010, a impugnação de fls. 517/588, com as seguintes alegações, em síntese: a) Os lançamentos devem ser anulados porque o inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 determina que o auto de infração deve conter a disposição legal infringida, o significa dispositivo de lei, e, assim sendo, a mera indicação dos Fl. 886DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 4 3 dispositivos regulamentares citados pela fiscalização (“arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99”), não supre o requisito; b) Fez histórico para explicar que a incorporação da Optikot teve em vista questões técnicas, operacionais e comerciais, bem como otimização de atividades e redução de custos; c) O valor atribuído às ações conferidas ao seu capital está suportado por laudo de avaliação e foi registrado, em conformidade com os artigos 248 da Leiº 6.404/76, art. 13 da instrução CVM nº 247/1996 e art. 384 e 385 do RIR/99, desdobrado nos valores do PL e do ágio e fundamentado na expectativa de rentabilidade futura; d) Ao contrário da regra geral prevista no art. 391 do RIR/99, é dedutível a amortização do ágio quando o contribuinte, em virtude de incorporação, absorve patrimônio da sociedade na qual detenha participação societária, caso o ágio tenha se fundado em expectativa de rentabilidade futura, de acordo com o art. 386 do RIR/99 e a Instrução Normativa SRF nº 11/99; e) A alegação da fiscalização de que não houve liquidação financeira não pode motivar a glosa pois não figura entre os requisitos previstos no Regulamento ou na IN, até porque as despesas se reconhecem pelo regime de competência; f) Os artigos 249, 251, 299 e 300 do RIR/99, indicados como enquadramento legal, cuidam de normas genéricas e não se amoldam ao caso de amortização do ágio; [...] É o relatório. A Turma julgadora acolheu parcialmente as alegações da impugnação, cancelando a glosa de despesas vinculadas a serviços prestados e, mantendo as glosas de amortização de ágio, estas sob os seguintes fundamentos: · Não se verifica qualquer nulidade por ausência de disposição legal infringida, porque também é válida a fundamentação em decreto, mormente tendo em conta que o Regulamento do Imposto de Renda faz referência aos artigos de lei nos quais se fundamenta; · A reorganização societária promovida não autoriza a dedução do ágio amortizado especialmente porque o autuado criou, juridicamente, duas operações, com o intuito exclusivo de apropriar ao resultado, a título de despesa, o valor pago a maior na aquisição das quotas sociais da Optikot. Vale ressaltar que o aumento de capital da Brasilor (com ações da Optikot) na empresa autuada e posterior incorporação só existiram juridicamente, pois, economicamente, o efeito foi de uma só operação – o autuado adquiriu toda a Optikot; · Ademais, os atos de formalização das operações ora analisadas, que resultaram na apropriação de despesas com amortização de ágio ao resultado do exercício, dependiam única e exclusivamente do poder decisório daquele que tinha interesse direto em aproveitar os efeitos fiscais deles resultantes: a empresa Brasilor, que era acionista controladora da empresa autuada. Por esta razão, o aumento de capital da Brasilor na empresa autuada, usando valor das ações supervalorizadas da Optikot (com o ágio), não se submeteu a regras de livre negociação, mas tiveram o aceite determinado pela controladora; · A glosa da amortização no âmbito da CSLL está amparada pelo art. 75 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 5 4 O crédito tributário exonerado totalizou montante inferior ao estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, razão pela qual a decisão não foi submetida a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/04/2013 (fl. 790), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 07/05/2013 (fls. 838/863). Preliminarmente argúi a nulidade do acórdão recorrido porque a acusação fiscal originária se baseou única e exclusivamente na alegação de ausência de liquidação financeira na reorganização societária da qual decorreu o ágio aproveitado pela Recorrente, não tendo havido qualquer questionamento acerca do propósito negocial da operação, ao passo que o acórdão recorrido não apenas deixou de se pronunciar acerca dos argumentos levantados na peça impugnatória para ilidir essa glosa, como passou a questionar o propósito negocial da operação para justificar a exigência fiscal, inclusive afirmando se tratar de “negócio jurídico disfarçado”, acusação da qual a recorrente não teve oportunidade de se defender. Reportase a julgados administrativos em favor da nulidade da decisão de 1a instância em casos de inovação no lançamento e observa que se a fundamentação estivesse adequada, fosse correta e autorizasse a pretensão fiscal contida no lançamento, não seria necessário que o v. acórdão recorrido trouxesse à colação novos argumentos para justificar a exação. Requer, assim, a aplicação do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Reitera a argüição de nulidade do lançamento porque fundamentado apenas em dispositivos de decreto regulamentar, discorda da possibilidade de se fundamentar exigência em decreto, ante o disposto no art. 97 do CTN e entende desatendido o art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72. No mérito, argumenta que foram cumpridos todos os requisitos legais para dedução do ágio, correspondendo as despesas glosadas a amortizações de ágio contabilizado por ocasião da aquisição do investimento na sociedade OPTIKÔT, aproveitadas após a sua incorporação. Por sua vez, o fundamento adotado pela d. Autoridade Autuante de que seria necessária a liquidação financeira para possibilitar a dedução, não encontra respaldo legal. Assevera que demonstrou cabalmente que o adimplemento da obrigação (de contraprestação ao recebimento do ativo) foi realizado por meio de dação em pagamento, consubstanciada na entrega de ações representativas de seu Capital Social, ressaltandose que não se deve considerar cumprida uma obrigação apenas na hipótese em que há transferência efetiva de recursos, isto é, liquidação financeira. Observa que a autoridade julgadora de 1a instância não rebateu estes argumentos, tacitamente reconhecendoos. Discorre sobre os requisitos presentes no art. 386 do RIR/99 e assevera que a Fiscalização não fundamentou a exigência no descumprimento de quaisquer deles, bem como que a autoridade julgadora de 1a instância não se manifestou a respeito. Daí porque não se sustenta o argumento adotado por esta última, quanto à impossibilidade de deduzir a amortização do ágio na apuração do Lucro Real, diante do aumento do Capital Social da Recorrente com as ações da OPTIKOT, e da posterior incorporação desta sociedade pela Recorrente no período inferior a 60 (sessenta) dias, na medida em que a legislação não estabelece qualquer limitação temporal. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 6 5 Observa que a legislação aplicável nada menciona acerca de “liquidação financeira”, mas sim reportase a aquisições de investimentos. Em verdade, a fundamentação da Fiscalização reportase a decisão isolada por ela citada. Ressalta que a regra geral do reconhecimento de despesas é o regime de competência, sendo exceções os casos em que se exige quitação da despesa. E assevera que a fragilidade do único pilar em que se sustenta a autuação resta evidente na remissão a regras genéricas do RIR/99 como fundamento legal da exigência (arts. 249, 251, 299 e 300), ao passo que a dedutibilidade em questão é garantida pelo art. 386, inciso III do RIR/99 e foram observadas as regras veiculadas na Instrução Normativa SRF nº 11/99. Argumenta que, a despeito de não ter se verificado, no presente caso, a liquidação financeira da obrigação, as ações da OPTIKOT foram adquiridas mediante dação em pagamento das quotas representativas do capital da recorrente à Brasilor Participações Ltda. Enuncia as modalidades de adimplemento de obrigação previstas no Código Civil, reportase a doutrina e a outras operações envolvendo dação em pagamento, expressamente reconhecida como modalidade de operação que importa a alienação de bens ou direitos. Pede, assim, que seja dado provimento ao recurso voluntário, com o conseqüente cancelamento das exigências de IRPJ e CSLL, mas subsidiariamente opõese à classificação da operação como negócio jurídico disfarçado, contida no acórdão recorrido. Discorre sobre a constituição da OPTIKOT, a aquisição das participações de seus demais acionistas pela Brasilor Participações Ltda, e os motivos que ensejaram a reestruturação societária a partir daí, tendo em contas as atividades semelhantes realizadas pela recorrente e a OPTIKOT e a redução de custos e despesas que resultaria de sua unificação. Equivocada, assim, a argumentação da autoridade julgadora no sentido de que seria necessário dar continuidade às atividades comerciais para decidir sobre a necessidade da incorporação. Prossegue relatando o aumento de capital da recorrente, subscrito por Brasilor Participações Ltda com a entrega de ações da OPTIKOT, avaliadas com suporte em laudo, ao contrário do que disse a autoridade julgadora de 1a instância. Destaca que o investimento foi avaliado por equivalência patrimonial em razão do que dispõem as normas a respeito da matéria, apurandose ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura no valor de R$ 3.039.493,40. Na seqüência, a OPTIKOT foi incorporada pela recorrente, com evidente propósito negocial como antes exposto e consignado no protocolo de justificação. Invoca manifestação desta Turma de Julgamento no Acórdão nº 110100.708, no sentido de que inexiste qualquer ilícito na prática de operações entre empresas do mesmo grupo econômico que impliquem em redução de carga fiscal. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A acusação fiscal fundamentase, basicamente, nos aspectos resumidos no relatório da decisão de 1a instância. Relata como fatos iniciais a aquisição com ágio, em 30/12/2003, por BRASILOR, das ações detidas pelos demais acionistas da OPTIKOT. Em 30/08/2005 a BRASILOR integralizou aumento de capital na autuada mediante entrega das ações da OPTIKOT (R$ 4.482.516,26) e correspondente ágio (R$ 3.039.493,40). Em 31/10/2005 a autuada incorpora OPTIKOT (acervo líquido de R$ 4.482.516,26 e equivalência patrimonial de R$ 481.354,39), passando a amortizar o ágio antes referido. Frente a estes fatos, a glosa da amortização fundamentase nos seguintes argumentos: DO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO/FISCAL DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO O art. 391 do RIR/99 (Decreto 3.000, de 260399), determina que a despesa decorrente da amortizacão normal do ágio na aquisição de participação societária independentemente da sua fundamentação, não seja dedutivel. O ágio só poderá ser aproveitado em caso da alienação do investimento, nos termos do art. 426 do RIR/99. Em caso de absorção do patrimônio (investida pela investidora ou vice versa) a amortização do ágio passa a ser, de acordo com sua fundamentação (diferença de valor de mercado ou rentabilidade futura) dedutivel, nos termos do art. 386 do RIR/99 (Decr.3000/99). Como se pode observar a legislação permite a dedução da amortização do ágio na aquisição de ações somente após eventos específicos, entre eles, o da incorporação. A transferência das ações da OPTIKÔT para o contribuinte, conforme procedeu a controladora BRASILOR, para integralização do aumento de capital, no mês anterior ao da incorporação, permite denotar o planejamento de utilização da benesse legal da amortização do ágio. Verificase assim que feita a incorporação não houve qualquer alteração no capital social e ou na titularidade das ações, que já pertenciam ao contribuinte. O Parecer Normativo CST n°46, de 17/08/87 dispõe: Suscitamse dúvidas sobre os efeitos tributários decorrentes de determinados procedimentos de contribuintes que, pretendendo furtarse da imposição do imposto ou obter vantagens fiscais, ajustam negócio com outras pessoas, praticando formalmente ato jurídico sob certo manto legal que tem por objeto encobrir ato de natureza jurídica diversa. É o caso por exemplo de operações realizadas frequentemente entre pessoas jurídicas integrantes de grupo de sociedades, mediante a transformação, incorporação, fusão ou cisão de empresas controladas/controladoras. E a realização de negócio entre as mesmas pessoas, que assumem simultaneamente posição de compradora e vendedora, adquirindo para si mesmas quotas de capital que já lhes pertence. Essa aplicabilidade é que a fiscalização sustenta no enquadramento legal da indedutibilidade da amortização do ágio. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 8 7 Como se constata não houve qualquer desembolso de valor pelo contribuinte no evento da Incorporação da OPTIKOT. O julgado da 4a Turma da DRJ/RJ01 Acórdão1212.985 já decidiu em sessão de 28/12/06: "Incorporação de Sociedade. Amortização de Ágio na Aquisição de Ações. Falta de Efetivo Pagamento. Dedução Indevida. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controladora por sua controlada, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a esse titulo, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária.” DO DIREITO Acerca das verificações descritas, extraímos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199) Decreto 3.000199 o seguinte enquadramento: Art.249 — Na determinação do lucro real, serão adicionados ao Lucro Liquido do período de apuração: (Decreto Lei 1598/77, art.6°, parágrafo 2°). I — os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro liquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. DO LANÇAMENTO DO CREDITO TRIBUTÁRIO Conforme o exposto acima, o contribuinte não procedeu de acordo com a legislação de regência. Assim sendo, estamos procedendo a regularização de oficio, adicionando os valores correspondentes às amortizações do ágio ao lucro liquido e à base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anos calendário 2005, 2006, 2007 e 2008, apurados conforme lançamentos contábeis (cópias do Livro Razão, às fls. 320/396) e a seguir demonstrados. Amortizações do ágio na aquisição das ações da Optikôt, pela controladora Brasilor, cujo investimento foi transferido ao contribuinte para integralização do aumento de capital, antes do evento da Incorporação. (Valor Total do ágio: R$ 3.039.493,40 dividido à razão de um sessenta avos, resultando em parcelas iguais e sucessivas de R$ 50.658,22 para cada mês do anos calendários, a partir de Dezembro de 2005). A primeira parte da acusação fiscal assevera ser suspeita a integralização de capital na autuada, mediante entrega das ações da OPTIKÔT pela BRASILOR, no mês anterior ao da incorporação da OPTIKÔT pela autuada. Na seqüência, porém, declara que para amortização do ágio é insuficiente a incorporação realizada porque não houve qualquer alteração no capital social e ou na titularidade das ações, que já pertenciam ao contribuinte. A conclusão é incompatível com os fatos descritos. As ações da OPTIKÔT pertenciam à BRASILOR e a sócios minoritários, os quais tiveram sua participação adquirida pela BRASILOR com ágio, e reunindo todo o controle de OPTIKÔT a BRASILOR o transferiu mediante integralização de capital, à autuada, a qual não era titular daquelas ações. Assim, houve aumento de capital social na autuada e a titularidade das ações passou de BRASILOR para a autuada. Eventualmente a autoridade fiscal pode ter vislumbrado que Fl. 891DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 9 8 BRASILOR manteve o controle das ações de OPTIKÔT porque deteria o controle da autuada, mas nada é dito a este respeito, inexistindo qualquer referência na acusação fiscal à composição do quadro social da autuada. Os elementos juntados aos autos evidenciam que BRASILOR era titular de 99,99% das quotas da autuada no anocalendário 2008 (fl. 220), e que este percentual de participação já se verificava à época do aumento de capital com ações da OPTIKOT (em 30/08/2005), após o qual BRASILOR passou a ser titular de quotas da autuada no valor de R$ 7.746.952,66, restando ao sócio minoritário participação de R$ 35,00 (fl. 246). Significa que em 30/08/2005 BRASILOR controlava diretamente OPTIKOT e a autuada, e por meio do aumento de capital em referência manteve o controle direto sobre a autuada e passou a controlar indiretamente OPTIKOT. A incorporação de OPTIKOT pela autuada é, assim, deliberada exclusivamente por BRASILOR, e o capital social da autuada não se altera, porque o investimento em OPTIKOT já integrava seu patrimônio (fls. 259/290). Contudo, como dito, a Fiscalização não aborda os fatos sob esta ótica. Os laudos juntados ao processo prestamse a: 1) avaliar a participação societária detida pela BRASILOR na OPTIKÔT para aumento de capital na autuada, acrescendo ao valor patrimonial do investimento na OPTIKOT (R$ 4.482.516,26) parcela de ágio na aquisição da OPTIKOT pela BRASILOR (R$ 3.039.493,40), conforme fls. 291/294; e 2) determinar o valor contábil do acervo líquido de OPTIKOT em 30/09/2005, por ocasião da incorporação pela autuada, declarandoo no valor de R$ 4.963.879,09 (fls. 295/301). Nenhum questionamento é dirigido à autuada relativamente ao laudo que fundamentaria em rentabilidade futura o ágio pago por BASILOR na aquisição de ações da OPTIKOT em 30/12/2003, em face dos antigos sócios minoritários desta. A Fiscalização exigiu os registros contábeis de BRASILOR, de OPTIKOT e da autuada, e às fls. 302/307 consta o que parece ser o registro do investimento por BRASILOR em OPTIKOT, que passa de R$ 1.035.541,48 para R$ 2.283.350,31, em 30/12/2003, mas em razão de diversos lançamentos de compra de ações, reclassificações, equivalência patrimonial, bem como o registro de ágio em razão de várias aquisições em 30/12/2003, dos quais resulta o saldo de R$ 3.039.493,40. Na seqüência, os registros contábeis passam para 31/07/2005, evidenciando apenas o cômputo de equivalência patrimonial antes da transferência do investimento em OPTIKOT para a autuada em 30/08/2005 pelo valor de R$ 4.482.516,26 (fl. 309) e do correspondente ágio no valor de R$ 3.039.493,40 (fl. 310). Em consequência, o investimento de BRASILOR na autuada passa de R$ 1.011.189,66 para R$ 7.522.009,66 (fl. 311). Nos registros de OPTIKOT estão contabilizadas as transferências de titularidade do capital em 30/12/2003 (fl. 308). Os demais registros contábeis juntados aos autos referemse à autuada (fls. 312/319), evidenciando o aumento de capital em 30/08/2005, a posterior liquidação do investimento mantido em OPTIKOT em 30/09/2005, e a manutenção do ágio de R$ 3.039.493,40 na conta nº 301.130102.007, e já na seqüência, em 31/10/2005, na conta nº 301.130701.003. A partir de 31/12/2005 são registradas mensalmente as amortizações, contabilizadas em conta de despesa até 31/12/2008 (fls. 321/407). Mas isto a partir da ótica da conta de resultado, sem se evidenciar a baixa destas amortizações na conta patrimonial que, em regra, abriga o ágio remanescente da incorporação. Prosseguindo na acusação, a Fiscalização reportase ao Parecer Normativo CST nº 46/87, que aborda operações realizadas dentro de um mesmo grupo societário, para Fl. 892DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 10 9 prática formal de ato jurídico sob certo manto legal que tem por objeto encobrir ato de natureza jurídica diversa, especialmente no que se refere à aquisição de quotas de capital que já pertence ao grupo societário. Para vincular esta orientação normativa ao caso concreto, a Fiscalização aduz que não houve qualquer desembolso de valor pelo contribuinte no evento da Incorporação da OPTIKOT. Contudo, não haveria porque se exigir desembolso de valor por ocasião da incorporação. A autuada já controlava OPTIKOT, de modo que a incorporação resulta, apenas, na permuta entre contas patrimoniais, sendo o investimento substituído pelo acervo líquido recebido, e o ágio registrado para aquele investimento mantido como um item patrimonial que, à época, integraria o Ativo Diferido e poderia se sujeitar a amortizações. Eventualmente a Fiscalização pode ter vislumbrado a ausência de pagamento no momento anterior, em 30/08/2005, quando BRASILOR aportou na autuada as ações por ela detidas em OPTIKOT, mediante aumento de capital. E talvez por esta razão tenha feito referência ao Acórdão nº 12.985 da DRJ/Rio de JaneiroI, que aparenta cogitar de ágio formado sem anterior pagamento. Ocorre que os registros contábeis de BRASILOR apontam no sentido de que ela adquiriu ações de acionistas minoritários de OPTIKOT e de que, naquela ocasião, em 30/12/2003, houve o pagamento de ágio. E este seria o ágio que foi transferido na integralização de capital em favor da autuada, de modo que para glosar sua amortização a acusação fiscal não poderia ficar limitada à ausência de pagamento neste segundo passo da operação. Em outras palavras, o ágio amortizado pela autuada não se formou internamente ao grupo societário, no momento do aporte, na autuada, das ações detidas por BRASILOR na OPTIKOT. O ágio já estava contabilizado na BRASILOR e foi transferido para a autuada, juntamente com a participação societária na OPTIKOT. Na seqüência, a autuada incorpora OPTIKOT e passa a amortizar o ágio que teria sido pago por BRASILOR. Em tais condições, a amortização poderia ser interpretada como indedutível porque o ágio, embora pago, não o foi pela autuada, ou porque a incorporação não se verificou entre a adquirente original do investimento e a investida. Mas isto seria uma possibilidade interpretativa, sujeita a eventuais ressalvas em razão de a investida, cuja participação societária foi adquirida de terceiros com ágio, ter sido efetivamente extinta com a incorporação pela autuada, o que poderia impedir o duplo aproveitamento das amortizações pela investidora original (BRASILOR) e a beneficiada pela transferência do investimento (autuada). Finalizando a acusação, a autoridade lançadora fundamenta a glosa no art. 249, inciso I do RIR/99, que trata genericamente da indedutibilidade de custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro liquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. A autoridade fiscal somente cita o art. 386 do RIR/99 para concluir que a dedução da amortização do ágio é permitida na aquisição de ações somente após eventos específicos, entre eles o da incorporação, e não aborda qualquer outro aspecto do contexto ali descrito para afastar a sua incidência no presente caso. Diz, apenas, que há evidência de planejamento tributário e que a incorporação não ensejou alteração no capital social e ou na titularidade das ações, que já pertenciam ao contribuinte, o que não se confirma nestes autos, como antes mencionado. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 11 10 Logo, o relato fiscal não permite compreender por que o contribuinte não procedeu de acordo com a legislação de regência. Somente se pode inferir, até pelo título dado ao quadro de amortizações glosadas, que o procedimento fiscal erigiu como irregularidade suficiente à glosa o fato de o investimento em OPTIKOT ter sido transferido ao contribuinte para integralização do aumento de capital, antes do evento da Incorporação. A decisão recorrida deu razão à autoridade lançadora anotando, dentre outros aspectos, que: É relevante destacar que a operação de compra das participações societárias com ágio e a transferência das ações da Optikot para o patrimônio do autuado, por meio do aumento de capital, antes de ocorrer a incorporação, permitiram a apropriação da amortização de ágio ao resultado do exercício. Entretanto, se, por outro lado, o autuado incorporasse a Optikot sem que tivesse participação em seu capital, ainda que a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial, não seria possível descarregar o excesso pago ao resultado do período a título de despesas. Nesta situação, a diferença paga a maior constituiria custo de aquisição, que poderia ser utilizado, numa hipotética operação de venda futura do acervo adquirido, para se calcular a existência ou não de ganho de capital. Contudo, como visto, a acusação fiscal não evoluiu na construção deste raciocínio. Erigiu como causa suficiente para a glosa o fato de a incorporação ter sido procedida depois do aporte das ações da OPTIKOT na autuada, sem justificar porque esta conduta ofenderia a norma que autoriza a dedução de amortizações de ágio. Aparentemente vislumbrou como irregular, apenas, a inexistência de pagamento no momento da incorporação, providência que, como visto, não é exigível neste segundo momento. Não há dúvida que o aporte na autuada do investimento detido em OPTIKOT por BRASILOR, porque promovido 60 (sessenta) dias antes da incorporação e do conseqüente aproveitamento do ágio, revela uma reestruturação societária passível de investigação, e até de questionamentos. O procedimento fiscal, porém, não reuniu motivação suficiente para justificar a glosa procedida. A motivação, por sua vez, é elemento essencial na constituição do crédito tributário, e sua deficiência pode ser interpretada como vício material, por ausência de adequada descrição dos fatos (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72), ou por falha na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável (art. 142 do CTN). Em tais condições, é possível declarar a nulidade do lançamento por vício material ou mesmo a sua improcedência por deficiências de mérito. O fato, porém, é que em ambos os casos, depois da lavratura do auto de infração, não é mais possível a sua complementação, porque ausente uma das hipóteses previstas no art. 41, §1o, incisos I e II do Decreto nº 7.574/2001 (norma de natureza procedimental e assim de aplicação retroativa), ou mesmo a sua nova constituição na forma do art. 173, inciso II do CTN, por não se tratar de mero vício formal, e sim vício material, insuscetível de retificação mediante nova formalização do lançamento, porque dependente do acréscimo de aspectos fáticos e jurídicos ausentes na formalização original. Impõese, assim, a conclusão de que a acusação fiscal não reúne argumentação suficiente para justificar a glosa das amortizações de ágio deduzidas pela contribuinte autuada, devendo ser cancelado, por vício material, o lançamento. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16832.000168/201042 Acórdão n.º 1101001.058 S1C1T1 Fl. 12 11 A recorrente requer a nulidade do acórdão recorrido em razão da referência a aspectos que não constavam da acusação original, mas o fato é que a decisão recorrida atevese às premissas da Fiscalização, e apenas complementou determinados aspectos, os quais mostrandose inovadores e essenciais ao lançamento podem ser desconsiderados no presente julgamento, sem a necessidade de se declarar a pretendida nulidade. A nulidade, em verdade, somente deveria ser declarada se outra acusação fosse erigida no julgamento de primeira instância, omitindose a autoridade julgadora na apreciação da acusação original. No presente caso, houve mera complementação pela autoridade julgadora de 1a instância, razão pela qual é REJEITADA a argüição de nulidade da decisão de 1a instância. Quanto à argüição de nulidade do lançamento porque fundamentado apenas em dispositivos de decreto regulamentar, também deve ser REJEITADA a preliminar porque o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, traz as referências aos dispositivos legais que o fundamentam. E, quanto aos argumentos de mérito, descabe aqui analisar se foram cumpridos todos os requisitos legais para dedução do ágio. A acusação fiscal não foi suficiente para demonstrar tal descumprimento, e este vício impõe o cancelamento da exigência. Diante do exposto, além de REJEITAR as preliminares de nulidade da decisão de 1a instância e do lançamento, o presente voto é no sentido de, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 895DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10935.904722/2012-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 47 22 /2 01 2- 90 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904722/201290 Acórdão n.º 3801002.443 S3TE01 Fl. 82 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904722/201290 Acórdão n.º 3801002.443 S3TE01 Fl. 83 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904722/201290 Acórdão n.º 3801002.443 S3TE01 Fl. 84 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904722/201290 Acórdão n.º 3801002.443 S3TE01 Fl. 85 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917050/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Data do fato gerador: 10/03/2006
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
ERRO MATERIAL.
Havendo erro material no acórdão embargado, deve se proceder a sua correção em embargos.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 3801-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração no sentido de tão-somente determinar a correção da data do fato gerador indicado na ementa do acórdão embargado
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 12/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Data do fato gerador: 10/03/2006 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. ERRO MATERIAL. Havendo erro material no acórdão embargado, deve se proceder a sua correção em embargos. Embargos Acolhidos em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração no sentido de tão-somente determinar a correção da data do fato gerador indicado na ementa do acórdão embargado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 12/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 10/03/2006 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. ERRO MATERIAL. Havendo erro material no acórdão embargado, deve se proceder a sua correção em embargos. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração no sentido de tãosomente determinar a correção da data do fato gerador indicado na ementa do acórdão embargado (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 50 /2 00 9- 01 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 EDITADO EM: 12/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.917050/200901 Acórdão n.º 3801002.976 S3TE01 Fl. 176 3 Relatório Tratamse se embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face de acórdão proferido por esse Conselho que julgou improcedente o seu recurso voluntário. Por retratar de forma clara a situação em análise nesses autos adoto o relatório apresentado no acórdão recorrido: “O Recorrente apresentou declaração de compensação (DCOMP) 00294.54176.270306.1.3.047103, relativo a suposto pagamento a maior de CPMF. Através do Despacho Decisório 831262272 foi cientificado de que a compensação declarada não foi homologada, em razão de o Fisco entender pela inexistência de crédito, com a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 12.358,38. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitaçào dê débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” O Despacho Decisório identifica que o crédito, oriundo do Darf de R$ 947.067,11, e diz que está integralmente utilizado com o débito de CPMF no valor de R$ 947.067,11. Inconformado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o despacho decisório é nulo, tendo em vista (i) a ausência de adequada e necessária motivação para a não homologação da compensação efetuada, o que impossibilita a interessada de efetuar sua defesa; (ii) que houve equívoco no preenchimento da DCTF da CPMF de março/2006, vez que o montante correto a ser declarado seria o de R$ 934.708,73, e não o de R$ 947.067,11, razão pela qual deveria a mesma ter sido retificada; (iii) que o valor recolhido maior, no montante de R$ 12.358,38, foi utilizado para compensação com débito de CPMF; (iv) que, apesar do equívoco no preenchimento da DCTF, o valor do crédito está devidamente escriturado no Livro Razão da Reconente, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos qualquer documento comprobatório de seu crédito de CPMF, sendo obrigação do contribuinte a reunião e apresentação de conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, repisando o cerceamento de defesa e afirmando que os documentos necessários à apuração do crédito foram juntados aos autos, inclusive folha do seu Livro Razão onde tal crédito de CPMF foi escriturado.” Afastada a pretensão recursal do contribuinte por esta Turma, entendeu o mesmo que o acórdão proferido padece de omissão e erro material. Foram assim opostos os presentes embargos de declaração, pautados nos argumentos de ausência de apreciação de alegação de nulidade deduzida em recurso voluntário e de lapso na redação da ementa do acórdão proferido É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.917050/200901 Acórdão n.º 3801002.976 S3TE01 Fl. 177 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Entende o contribuinte que houve omissão e “inexatidão material” no acórdão proferido e por essa razão opõe os presentes embargos declaratórios com fundamento nos artigos 65 e 66 do Regimento Interno deste CARF. De acordo com a embargante, a omissão decorre da ausência de manifestação pelo acórdão recorrido quanto a argumento apresentado em recurso voluntário acerca da nulidade da decisão de primeira instância, o que faz nos seguintes termos: “(...) Isso, porque a D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância limitouse a alegar a ausência de provas que corroborassem a existência do crédito, mesmo tendo a ora Embargante trazido aos autos cópia da DCTF Mensal do mês de março de 2006, bem como a cópia do Livro Razão, demonstrando seu direito creditório.”,Assim, cabia a esta C. Turma pronunciarse sobre a alegação de nulidade do acórdão nº 1232.050, ante a desconsideração das provas produzidas pela Embargante.” Nesse passo, entende a embargante que o acórdão proferido por essa Turma não enfrentou o argumento de ocorrência de nulidade do acórdão de primeira instância, tendo apenas se manifestado acerca da inexistência de nulidade do despacho decisório, questão que entende superada pois fora objeto de sua manifestação de inconformidade e não do recurso voluntário. A alegação de omissão não se sustenta. Em seu recurso voluntário, ao pugnar pela nulidade do acórdão de primeira instância, o contribuinte alega que houve ausência de apreciação pela autoridade administrativa dos documentos anexados à manifestação de inconformidade para comprovar o crédito de CPMF (DCTF e Livro Razão). O julgador de primeiro grau não deixou de examinar os documentos anexados à defesa, apenas entendeu que os referidos documentos eram insuficientes para a comprovação do pagamento a maior do tributo, conforme trecho extraído daquele decisum: “In casu, o interessado só juntou o Livro Razão (fl. 27). Todavia, não apresentou documentação comprobatória que comprovasse que o débito de CPMF (cód. 5869), referente a março de 2006, fosse R$ 934.708,73, e não o de R$ 947.067,11, como está declarado na DCTF (fl. 26).” Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 A Conselheira Relatora no presente caso enfrentou a questão da mesma forma, muito embora contrária às alegações da embargante. O acórdão proferido por esta Turma inegavelmente enfrenta a questão ao entender que a juntada aos autos apenas da DCTF e do Livro Razão são insuficiente para que se comprove o direito creditório almejado, logo, corroborou de forma expressa o mesmo argumento constante do acórdão de primeira instância. Assim restou consignado no acórdão embargado: “De fato, como bem afirmado na decisão de primeiro grau, a simples escrituração no Livro Razão, sem comprovação por documentação hábil dos.fatos nele registrados, não faz prova a favor do interessado.” Tratase, in casu, da valoração das provas trazidas aos autos e não da ausência de sua apreciação seja em primeira ou segunda instância. Logo, razão não assiste ao contribuinte no tocante à alegação de omissão. De outro lado, assiste razão à embargante no tocante ao equívoco perpetrado na redação da ementa do acórdão embargado, de onde deveria constar a data do período de apuração do DARF indicado no despacho decisório, que é 10/03/2006. Desse modo, conheço dos embargos de declaração opostos e os acolho apenas e tão somente para determinar a correção da data do fato gerador indicado na ementa do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16643.000304/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
RECURSO DE OFÍCIO. RECEITAS TRIBUTADAS EM OUTRO EXERCÍCIO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Comprovado que a autuação considerou na base de cálculo da CSLL receitas que foram tributadas em outro exercício, em lançamento constante de processo administrativo já transitado em julgado, correta a exclusão desses rendimentos pela decisão recorrida.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITAÇÃO DE 30%. EXERCÍCIO DE ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES.
A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, poderá ser compensada com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subsequentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Não há previsão legal que permita a compensação de bases de cálculo negativas acima desse limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO POR OBEDIÊNCIA À PRÁTICA REITERADA OU ERRO DE PROIBIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A jurisprudência do Conselho de Contribuintes ou do CARF, ainda que majoritária, não pode ser considerada como prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, pois decorre de decisões que apreciaram atos dessas autoridades que negaram o direito.
O conceito de erro de proibição não serve para excluir a multa de ofício básica de 75%, porque o art. 136 do CTN determina que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo quanto da penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, e, portanto, envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária.
Como consequência, é legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, o que inclui o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-001.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho apresentou declaração de voto. Ausente momentaneamente o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Participou do julgamento, em seu lugar, o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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RECEITAS TRIBUTADAS EM OUTRO EXERCÍCIO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Comprovado que a autuação considerou na base de cálculo da CSLL receitas que foram tributadas em outro exercício, em lançamento constante de processo administrativo já transitado em julgado, correta a exclusão desses rendimentos pela decisão recorrida. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITAÇÃO DE 30%. EXERCÍCIO DE ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, poderá ser compensada com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subsequentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Não há previsão legal que permita a compensação de bases de cálculo negativas acima desse limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO POR OBEDIÊNCIA À PRÁTICA REITERADA OU ERRO DE PROIBIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes ou do CARF, ainda que majoritária, não pode ser considerada como prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, pois decorre de decisões que apreciaram atos dessas autoridades que negaram o direito. O conceito de “erro de proibição” não serve para excluir a multa de ofício básica de 75%, porque o art. 136 do CTN determina que, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 04 /2 01 0- 21 Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.397 2 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo quanto da penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, e, portanto, envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Como consequência, é legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, o que inclui o valor da multa de ofício proporcional, não paga no vencimento. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho apresentou declaração de voto. Ausente momentaneamente o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Participou do julgamento, em seu lugar, o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.398 3 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 e 296 a 337, referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, ano calendário 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 26.008.020,34, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Por bem descrever os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório de 1a instância (fl. 1.137): De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 304 a 337), a empresa TEVECAP S/A CNPJ nº 57.574.170/000105 foi incorporada pela Abril Comunicações S/A em 31.12.2007, e aproveitou naquela data o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL acumulados nos períodos anteriores, sem observar o limite de 30% do lucro líquido ajustado previsto nos artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. A empresa incorporadora alegou à fiscalização que efetuou tal procedimento já que, em razão da extinção da empresa incorporada, não poderia aproveitar os prejuízos e bases de cálculo negativas nos exercícios subseqüentes, e que a limitação imposta pela legislação não se aplica ao caso de extinção da pessoa jurídica, já que a regra limitadora da compensação não extingue o direito à utilização dos prejuízos, mas apenas a difere. Os AuditoresFiscais não aceitaram o argumento, e efetuaram lançamentos em face da incorporadora, para exigir os tributos que deixaram de ser recolhidos em virtude da compensação acima do limite legal, por entender que o procedimento do contribuinte não encontra amparo legal. O presente processo trata do lançamento da CSLL, e o processo nº 16643.000303/201087, do IRPJ. Entendem os autuantes que a legislação em questão não prevê exceção para o caso de extinção da pessoa jurídica, e que ela deve ser interpretada restritivamente, por se tratar de benefício fiscal, que, além disso, pode ser modificado ou suprimido pelo ente federativo, sem que isso configure ofensa a um pretenso direito adquirido dos sujeitos passivos. No que se refere à CSLL, a base de cálculo do próprio período foi de R$ 412.825.719,77, e o contribuinte compensou o mesmo valor a título de bases negativas de períodos anteriores, acima do limite de R$ 123.847.715,93, caracterizando um excesso de R$ 288.978.003,84, base de cálculo utilizada no lançamento. A fiscalização deixou registrado que o contribuinte possuía saldos acumulados de bases negativas de CSLL suficientes para efetuar as compensações no limite de 30%. Por fim, foi imputada a responsabilidade tributária à empresa Abril Comunicações S/A, como sucessora da TEVECAP S/A, nos termos do artigo 132 do CTN, inclusive no que se refere à multa de ofício, já que o artigo 129 expressamente determina que as regras de responsabilidade dos sucessores previstas no Código Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.399 4 aplicamse a créditos tributários, o que inclui as multas cominadas ao sujeito passivo infrator. Os autuantes acrescentam que a responsabilidade pela multa de ofício é da sucessora, especialmente nos casos em que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico, como é o caso, e, portanto, a incorporadora conhecia os atos ilícitos praticados pela incorporada. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 350 a 396), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, da descrição do recurso feita pelo relatório do acórdão de primeira instância (fls. 1.137 a 1.140): Pede o julgamento conjunto das impugnações referentes ao IRPJ e à CSLL, bem como que seja proferida uma única decisão, em face dos princípios da economia e celeridade processual. Esclarece que foi autuada (processo nº 19515.004172/200927) para ajustar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em função da glosa do valor de R$ 17.148.719,79, referente à exclusão de parte do valor da Provisão para baixa de investimentos (receita de venda da empresa Canbrás, efetuada em 2004, com condição suspensiva, cujo reconhecimento se deu em 2007), e de R$ 10.966.766,70, referente à exclusão de Reversão de Provisão de ICMS, também no anocalendário 2004. Tais autuações resultaram na redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa do ano de 2004. Caso mantidas as glosas no processo citado, e se mantida a limitação na compensação das bases negativas neste processo, no mínimo deve ser observado que a receita de venda da empresa Canbrás TV a Cabo Ltda, reconhecida em 2007 pela impugnante, e considerada pela Fazenda como incorrida em 2004, não pode impactar no lucro apurado no anocalendário 2007, sob pena de se incorrer em uma dupla tributação. Entende por isso ser nula a presente autuação, por ofensa ao artigo 142 do CTN, por conter erro na apuração da base de cálculo. Assim, requer seja reconhecida a nulidade, ou, no mínimo, que seja determinado o ajuste das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. No mérito, afirma que as compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores são previstas na legislação tributária para que o IRPJ e a CSLL não alcancem o patrimônio do contribuinte, mas apenas o seu lucro. Entende necessário, para fins de apuração do acréscimo patrimonial, que sejam absorvidas as perdas anteriores da empresa, observandose os resultado acumulados, e não apenas aqueles apurados em determinado exercício. Faz um histórico da legislação que trata do assunto, concluindo que, até o advento da Lei nº 8.981/95, era imposto um limite temporal para aproveitamento dos prejuízos e bases negativas, que poderiam acarretar a perda desse direito, caso a empresa não conseguisse utilizálos ao longo do prazo concedido. Para que isso não ocorresse, e em respeito à Lei nº 6.404/76, que determina que do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o imposto de renda, a legislação a partir da Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.400 5 Lei nº 8.981/95 estabeleceu um limite quantitativo para a compensação, eliminando o limite temporal. O artigo 33 do DecretoLei nº 2.341/87, por sua vez, vedou que os valores não aproveitados sejam transmitidos à empresa sucessora por incorporação, fusão ou cisão, no seu entender para evitar que sejam realizadas reorganizações societárias com o único propósito de aproveitar os resultados negativos de uma das empresas envolvidas nas operações, e porque esses resultados negativos não guardam relação com a apuração de resultados da própria sucessora, não podendo se falar, nesse caso, em necessidade da compensação para evitar a tributação do patrimônio da sucessora. Entende que a limitação de 30% das compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL teve por objetivo garantir uma arrecadação mínima para o Fisco, garantindo, em contrapartida, o direito ao aproveitamento integral dos valores negativos ao longo do tempo, para que seja respeitada a tributação apenas sobre os acréscimos patrimoniais, o que pressupõe a continuidade da empresa. Conclui então que não se aplica a trava dos 30% no caso de extinção por incorporação, já que a empresa sucessora não poderá aproveitar os prejuízos da sucedida, nem haverá exercícios futuros em que esta última possa compensálos integralmente, sob pena de violação aos artigos 43 e 44 do CTN. Por isso, o artigo 58 da Lei nº 8.981/95 e os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 não alcançam a situação de extinção da pessoa jurídica, e não podem embasar os lançamentos efetuados. Caso o legislador tivesse pretendido limitar a compensação de prejuízos também a esse caso, teria sido expresso. Não o sendo, o artigo 112 do CTN impõe que se dê interpretação mais favorável ao contribuinte. Afirma que a empresa sucedida agiu amparada em jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deve ser observada, prestigiando os princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança legítima. Tece considerações acerca dos lucros apurados em 2007, destacando que os autos de infração não questionam a sua origem, os valores de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados, ou mesmo a sua incorporação pela impugnante, mas apenas a possibilidade de seu aproveitamento integral no momento da extinção da empresa para abatimento de resultados positivos. Afirma que não houve qualquer tentativa de transferência ou planejamento fiscal, e que aplicar a trava dos 30% no caso em questão implica em ignorar todo o investimento operacional da empresa extinta, fazendoa tributar um único lucro gerado, anos depois, no momento da sua extinção. Se mantida a autuação fiscal, entende ter direito a deduzir da base de cálculo da CSLL o montante lançado a título de IRPJ, por conta do artigo 41 da Lei nº 8.981/95, que permite a dedução de tributos e contribuições, sob o regime de competência, na determinação do lucro real. Contesta a multa de ofício aplicada, no seu entender incabível por não se comunicar à incorporadora, a teor do artigo 132 do CTN, que veda a transmissão da responsabilidade por penalidades ao sucessor, uma vez que, de maneira expressa, a restringe apenas ao montante do tributo devido, o que respeita o princípio da individualização da pena, que veda apenarse quem não tenha cometido a conduta ilícita. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.401 6 Além disso, aduz que, por força do artigo 100, inciso III e parágrafo único do CTN, a multa e os juros devem ser cancelados, já que a empresa sucedida agiu em conformidade com prática reiterada da administração, especificamente a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Isso seria razão suficiente também para configurarse o erro de proibição por parte do contribuinte, no sentido de excluir o dolo de sua conduta, pois, apesar de conhecer os elementos constitutivos da conduta proibida, entendia que a conduta por ele praticada não correspondia àquela proibida. Ainda caso mantida a autuação, o impugnante ressalta que é indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Os juros previstos no artigo 161, §1º do CTN aplicamse apenas ao montante do principal lançado, caso contrário não haveria razão para o mesmo dispositivo, logo em seguida ressalvar que a aplicação de juros não causa prejuízo à imposição das penalidades cabíveis. A própria Lei nº 9.430/96, nos seus artigos 6º, §2º, 28 e 61, trata da incidência de juros apenas sobre o valor do tributo, e não da multa de ofício. Conclui requerendo o cancelamento da autuação, e protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a posterior juntada de documentos, caso seja necessário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou procedente em parte o lançamento, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 1.135 a 1.151): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. RECEITA INCORRETAMENTE RECONHECIDA EM 2007. EXCLUSÃO. Excluise da base de cálculo da CSLL receita auferida em 2004 e incorretamente reconhecida pelo contribuinte no anocalendário 2007, conforme ficou demonstrado no processo nº 19515.004172/200927. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA INCORPORADORA. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.402 7 O sucessor por incorporação responde pela multa de ofício decorrente de infração cometida pela sucedida quando se tratar de empresas do mesmo grupo econômico, ainda que lançada posteriormente ao evento societário, já que tinha conhecimento prévio da situação que levou à autuação fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) reconheceuse que as receitas tributadas no processo nº 19515.004172/200927 estavam incluídas na base de cálculo da CSLL lançada neste processo. Nesse sentido, a autoridade julgadora não considerou que esse fato acarretasse a nulidade da autuação, mas determinou a exclusão do montante de R$ 17.148.719,79 da base de cálculo do lançamento; b) a compensação de prejuízos de exercícios anteriores, assim com das bases negativas da CSLL, nada mais é que um benefício fiscal, não existindo a garantia do direito de seu total aproveitamento; c) não existe previsão legal para compensação de bases negativas da CSLL de exercícios anteriores acima do limite de 30% do lucro líquido ajustado, mesmo no caso de extinção da pessoa jurídica; d) não existe previsão legal para se deduzir da base de cálculo do CSLL o valor do IRPJ lançado; e) é possível se imputar à incorporadora multa de ofício por infrações cometidas pela incorporada antes da incorporação, em especial quando se tratam de empresas do mesmo grupo econômico, pois, nessas hipóteses, aquela tem conhecimento do passivo desta, assumindoo; f) o artigo 100, III e parágrafo único do CTN, não se aplica na hipótese de decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, que têm previsão expressa no inciso II e limitase às decisões a que a lei atribua eficácia normativa (como é o caso das súmulas com efeito vinculante); g) o erro de proibição se revela inaplicável, de maneira geral, às infrações à lei tributária, que independem de dolo, conforme artigo 136 do CTN; h) quanto aos juros incidentes sobre a multa de ofício, tratase de assunto afeito à cobrança do crédito tributário e deve ser objeto de contestação na ocasião propícia e em face da autoridade competente, que não é a Delegacia de Julgamento; i) indeferiuse o pedido genérico para produção de provas e posterior juntada de documentos, já que a oportunidade para tal se deu com a interposição da impugnação, sendo possível fazêlo em momento posterior apenas se comprovadas uma das hipóteses do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.403 8 RECURSOS AO CARF Pela decisão ter exonerado valor superior ao limite de alçada, definido pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o Presidente da Turma de Julgamento da DRJ recorreu de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Na fl. 1.158, a unidade de origem atestou a ciência da autuação por decurso de prazo em 23/2/2013, 15 dias depois da disponibilização dos documentos através da Caixa Postal, Módulo eCAC, do Site da Receita Federal. Em 6/3/2013, o contribuinte apresentou o recurso de fls. 1.168 a 1.228, onde, após solicitar o julgamento conjunto dos autos que contêm os lançamentos de IRPJ e CSLL, argumenta que: a) a empresa TEVECAP S/A acumulou um saldo de prejuízo contábil de mais de R$1.200.000,00, totalmente relacionado a sua atividade operacional, fato não contestado nos autos; b) a empresa TEVECAP alienou todas as suas operações, e por isso foi incorporada pela recorrente, não havendo qualquer planejamento fiscal, fato também não contestado na autuação; c) assim, o que está sob discussão é tãosomente a possibilidade de uma empresa aproveitar integralmente seus prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados, no momento de sua extinção, para abatimento de resultados positivos, mormente quando estes são oriundos de alienação dos investimentos; d) a Lei n° 9.065, de 1995, eliminou o risco de o contribuinte perder o direito ao aproveitamento dos prejuízos e bases negativas, quando, ao invés de estabelecer um prazo para tanto, determinou um limite quantitativo, autorizando o aproveitamento de uma fração do prejuízo acumulado e da base negativa que poderia ser aproveitada anualmente, qual seja, o equivalente a 30% da base de cálculo do tributo apurado. Nesse passo, o limite quantitativo assegura a utilização integral do prejuízo fiscal, já que elimina o limite temporal para a sua utilização, uma vez que tem por premissa a regra geral da continuidade da pessoa jurídica. E a regra do artigo 33 do Decretolei n° 2.241, de 1987, veda tãosomente a transferência de prejuízos para a incorporada, ou seja, sem exceção, as limitações existentes foram notadamente observadas pela Recorrente; e) O fundamento de validade (ou seja, de aplicação) da “trava” é o direito temporal (sem prescrição) à recuperação integral dos resultados negativos, o que implica, necessariamente, na premissa de continuidade da pessoa jurídica. Assim, se a limitação para o aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa tem como pressuposto a existência de exercícios futuros para aproveitamento dos resultados negativos (que a empresa foi proibida de utilizar naquele momento), então, na iminência do encerramento da empresa, a trava deixa de ser aplicável, pela impossibilidade do cumprimento de sua condição, qual seja, postergação do aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas restantes em exercícios futuros; f) proibir a compensação integral dos prejuízos e bases negativas viola o próprio conceito constitucional de renda; Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.404 9 g) compensação de prejuízos e bases negativas não é mero benefício fiscal; h) ao contrário do afirmado na decisão recorrida, o entendimento sobre a matéria já estava sedimentado, no âmbito administrativo, no sentido da não aplicabilidade da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no caso de extinção da pessoa jurídica, sendo que a decisão trazida pelos Julgadores de 1a instância, contrária a essa tese, representa posicionamento isolado do CARF, inclusive fundamentado em situação fática absolutamente diversa daquelas usualmente julgadas acerca desta matéria. Apresenta como exemplos de julgados favoráveis a sua tese os Acórdãos nºs 10806.682, CSRF/0104.258, 10194.515, 10807.456, 10709.243, CSRF/0105.100, 110300.619, 110300.617, 1201 00.165, 120100.108, 10709.447 e 10195.872; i) a possibilidade de se aproveitar integralmente os resultados negativos na extinção da pessoa jurídica decorre da própria lógica de sua limitação, estando expressa na exposição de motivos da Medida Provisória que a originou, sendo, nos termos de estudo do Prof. Eurico de Santi, “uma norma implícita ou derivada do Sistema Tributário, que dispensa menção específica”; j) é necessária previsão legal expressa para se afastar a trava dos 30% em um contexto de continuidade da empresa, como se faz no art. 14 da Lei n° 8.023, de 1990, para os prejuízos na atividade rural, mas não para a situação de extinção da pessoa jurídica, porque da norma existente (de vedação de 30%) já se extrai o pressuposto fático de sua aplicação manutenção do direito de compensar; l) a maior parte do resultado de 2007 corresponde a receitas decorrentes de venda de participações societárias, no valor de R$ 485.770.757,09. Por se tratar de uma holding, que detinha as participações vendidas, o custo deste investimento está em grande parte refletido nas despesas financeiras incorridas com a sua manutenção, que geraram os resultados negativos que implicaram na composição do prejuízo fiscal acumulado e na base de cálculo negativa até o anocalendário de 2007. Assim, a exclusão dos prejuízos das receitas de vendas alcança o verdadeiro conceito de ganho de capital; m) a multa de ofício não pode prosperar, nos termos do art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN, porque a conduta adotada era plenamente admitida pela jurisprudência administrativa. No mesmo sentido, a penalidade deve ser cancelada porque o contribuinte incorreu, no mínimo, no que se denomina “erro de proibição”, pois seguiu interpretação mansa e reiterada das jurisprudências administrativa e judicial; n) é indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Ressaltese que o voto esmiúça os fundamentos das letras “d”, “e”, “f” e “g” por meio de detalhada análise da evolução legislativa sobre a matéria, em especial das normas atualmente em vigor, e de abalizada doutrina. Do mesmo modo, o argumento do item “h” é aprofundado com a discussão de decisões do STJ e do STF, buscando demonstrar que tratam de situações diversas, e do Acórdão nº 10515.908, utilizado como fundamento da decisão recorrida, que teria analisado planejamento que travestiu prejuízo fiscal em saldo negativo de imposto, alcançando com isso a compensação de prejuízos fiscais entre sucessora e sucedida, o que é expressamente proibido no ordenamento jurídico. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.405 10 Ao final, pugnase pelo provimento do recurso voluntário, bem como pelo desprovimento do recurso de ofício, cancelandose o auto de infração em sua totalidade. Observese que as matérias “dedução do IRPJ da base de cálculo da CSLL” e “impossibilidade de imputação de multa de ofício à incorporadora por infrações da incorporada”, que constavam da impugnação, não foram repetidas no voluntário, e portanto não compõem mais a lide. RESOLUÇÃO Nº 1102000.174: SOBRESTAMENTO Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, e indicado para pauta na sessão de 6 agosto de 2013. Por meio da Resolução nº 1102000.174 (fls. 1.257 a 1275), esta Turma decidiu por determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03 de janeiro de 2012, em virtude da repercussão geral do Recurso Extraordinário 591.3406/SP, que discutia a constitucionalidade da trava de 30% para compensação de prejuízos. Contudo, a Portaria GMF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do anexo II do RICARF, acabando assim com o instituto do sobrestamento. Nesse sentido, os autos retornaram para análise do mérito do recurso e foram incluídos na pauta da sessão de 12 de março de 2014, mas o julgamento não foi concluído em função de pedido de vista. No início do julgamento, o patrono do contribuinte trouxe memoriais, acompanhado de parecer técnico da lavra do Prof. Eliseu Martins, que melhor detalhavam o argumento do recurso voluntário de que os prejuízos representavam o custo do investimento (item “l”), tendo a Turma admitido sua junta aos autos, o que se deu nas fls. 1.278 a 1.390. Finalmente, os autos a mim retornaram, numerados digitalmente até fl. 1.395. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.406 11 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso de ofício foi interposto corretamente, pois a decisão exonerou valor superior ao limite de alçada, e portanto merece ser conhecido. Do mesmo modo, devese conhecer do recurso voluntário, por ser tempestivo e atender às demais condições de admissibilidade. Esclareçase que, nesta mesma sessão de julgamento, também será apreciado o processo nº 16643.000303/201087, que cuida da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativa aos mesmos fatos. RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida excluiu da base de cálculo tributada o valor de R$ 17.148.719,79, relativo a rendimentos tributados no processo nº 19515.004172/200927, correspondentes à receita de venda de participação societária na empresa Canbrás TV a Cabo Ltda, que o recorrente havia excluído do lucro real no ano de 2004, para tributála somente em 2007. Como aquela Delegacia de Julgamento havia mantido o lançamento do outro processo, tributando as receitas de venda em 2004, achou por bem excluílas nestes autos, relativo ao ano de 2007, para evitar dupla tributação. Esclareçase que o contribuinte apresentou recurso voluntário contra a decisão no citado processo, que ainda não foi apreciado pelo CARF. Em casos semelhantes, encaminharia meu voto por suspender a apreciação deste recurso até o deslinde do outro processo, pois, caso se desse provimento ao voluntário naqueles autos, poderia acontecer o duplo benefício pelo contribuinte. Isso porque a receita de venda da participação societária não seria tributada nem no ano de 2004, nem em 2007, devido à exclusão dos rendimentos neste processo. Entretanto, em análise dos documentos do processo nº 19515.004172/2009 27, verifiquei que o contribuinte optou por não se insurgir contra essa parte, conformandose com o decidido. Para melhor compreensão, transcrevo excertos do recurso voluntário: 6. Em relação à provisão para baixa de investimento, a Recorrente, dentre outros aspectos, alegou que o fato gerador seria 2003 (data do depósito bancário no respectivo montante) ou em 2005, data em que se implementou a condição suspensiva, representada por meio da aprovação pela ANATEL e do CADE da venda da Canbrás. 7. A decisão da DRJ, contudo asseverou que, com base na Lei n° 8.977/95 (art. 28) e na Lei n° 8.884/94 (art. 54, §7°, vigente à época), apenas a aprovação pela ANATEL é condição prévia para a concretização do negócio jurídico que, a partir daí, produz seus efeitos. Partindo da premissa que a aprovação do CADE não se Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.407 12 dava de forma prévia e, referenciando o Ato n° 44.960 da ANATEL, de 28/06/2004, que aprovou a transferência do controle acionário da Canbrás, concluiu que a receita da venda deve ser reconhecida em julho de 2004, data em que publicada a decisão da ANATEL. 8. Nessa toada, a Colenda 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, consignando que a mesma receita foi indevidamente apresentada apenas no ano de 2007 e, sendo legítimo o lançamento consolidado neste processo, foi cancelada a duplicidade nos processos n° 16643.000303/2010 87 e n° 16643.000304/201021, excluindose o montante de R$ 17.148.719,79, referente à receita já adicionada de ofício na apuração do anocalendário de 2004. 9. Sobre este item do lançamento, tendo em vista que a Recorrente não deixou de reconhecer como devida a inclusão da receita na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, apenas discutindo o correto ano do fato gerador; considerando, também, que concorda com a Douta Autoridade Fiscal e com a DRJ no sentido de que esta receita não deve ser reconhecida no anocalendário de 2007; e, considerando, por fim, que, ato contínuo ao julgamento desses autos que concluiu pela procedência do lançamento, foi eliminada a duplicidade em razão dos lançamentos de IRPJ e de CSLL, relativos ao anocalendário de 2007, nos processos n° 16643.000303/201087 e n° 16643.000304/201021; não há, nessa medida, prejuízo ao Fisco ou ao contribuinte na manutenção da respectiva decisão, pelo que deixa de tratar novamente de todo o mérito. 10. Nada obstante, desde logo se preserva o direito de jamais ser cobrada em duplicidade. Assim, na remota hipótese de apesar do trânsito em julgado do mérito no sentido de que o lançamento deve se reportar ao ano de 2004 e nestes autos já se ter procedido ao ajuste de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL ser reformada a decisão proferida nos autos dos Processos n° 16643.000303/201087 e n° 16643.000304/201021, em sede de Recurso de Ofício, devese cancelar o respectivo lançamento nos presentes autos, pois se estará tributando duplamente o mesmo evento. Tal se levanta para preservar direito, porquanto foi devidamente identificada a duplicidade e os lançamentos de IRPJ e CSLL processos mencionados referentes ao evento, objeto deste lançamento, foram corretamente cancelados como decorrência da manutenção deste e apenas nesta premissa. Nesse sentido, há que se concluir que transitou em julgado, na esfera administrativa, a questão da competência em que se deveria reconhecer a receita de venda da participação societária, discutida no âmbito do processo nº 19515.004172/200927, fixandoa no exercício de 2004. Assim, correta a decisão recorrida na parte em que retirou da base de cálculo do lançamento as receitas de vendas já tributadas em outro exercício. Desta forma, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.408 13 RECURSO VOLUNTÁRIO APLICAÇÃO DA TRAVA DOS 30% A EMPRESAS EM EXTINÇÃO A questão posta nos autos diz respeito à possibilidade de empresas em extinção, no caso em análise por incorporação, compensarem bases de cálculo negativas de CSLL acima do limite de 30% do lucro líquido ajustado no último exercício de suas existências. A matéria não é nova e já foi amplamente discutida no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. No início, inequivocamente de forma favorável à tese do recurso, mas com uma reversão da jurisprudência, ao menos de forma parcial, a partir de 2009. Transcrevo os dispositivos legais sob análise, o art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 e o art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Tais dispositivos regulam, a partir de 1º/1/1995, a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, permitindo apenas que ela se dê até o limite de 30% do lucro líquido ajustado do exercício. Nesse momento, esclareço meu posicionamento sobre o tema. A regra é clara e objetiva em limitar a compensação das bases de cálculo negativas da CSLL em no máximo 30% do lucro líquido ajustado, não prevendo qualquer exceção, não sendo possível se adotar a interpretação do recorrente de que não alcança o ano de encerramento de atividade. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.409 14 Por ser a compensação de bases negativas da CSLL um verdadeiro benefício fiscal, a interpretação dos dispositivos que a regulamentam deve ser literal, nos termos do art. 111, inciso, II, do Código Tributário Nacional – CTN. Esclarecido meu entendimento, passo a confrontálo com os fundamentos do recurso. O principal argumento da defesa é o de que o art. 16 da Lei nº 9.065, de 1995, não se aplica ao ano de encerramento da pessoa jurídica. Partindose de uma análise evolutiva da legislação que rege a matéria, chega se à conclusão de que se trocou um critério temporal para a compensação dos prejuízos e bases negativas (3 ou 4 anos após sua apuração), para um critério quantitativo (30% do lucro líquido ajustado). Assim, não existiria mais qualquer limitação de tempo para o aproveitamento dos prejuízos e bases negativas, garantindose sua utilização integral. Como consequência, a trava dos 30% só tem sentido em um contexto de continuidade da pessoa jurídica, que poderia compensar todo o seu saldo de prejuízos e bases negativas no decorrer dos anos, mesmo que de forma parcelada. Contudo, se a empresa deixa de existir, pode exercer seu direito de compensação de uma vez, sob pena de perdêlo em definitivo. Acrescentase que era essa a motivação do legislador quando editou a norma. Tal entendimento deriva da exposição de motivos constante do Projeto de Conversão em Lei da Medida Provisória nº 998, de 19 de maio de 1995 (posteriormente convertida na Lei nº 9.065, de 1995), abaixo transcrita: Art. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória nº 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo. (Diário Oficial do Congresso, 14 de junho de 1995, fl. 3273) A partir dessas premissas, concluise que a possibilidade de se aproveitar integralmente os resultados negativos na extinção da pessoa jurídica decorre da própria lógica de sua limitação, sendo, nos termos de estudo do Prof. Eurico Marcos Diniz de Santi, “uma norma implícita ou derivada do Sistema Tributário, que dispensa menção específica”. Apesar de interessante, o argumento não me convence. Não é possível se extrair da exposição de motivos acima transcrita qualquer princípio fundamental da compensação, como se pretende, já que o dispositivo pretendia apenas reformular a regra de compensação do art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995, que estava com sua vigência tornada temporária pelo art. 12 da Lei nº 9.065, de 1995. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.410 15 É essa a conclusão a que se chega do próprio Projeto de Conversão em Lei acima citado, como abaixo se transcreve: O art. 12 estabeleceu vigência temporária (até 31 de dezembro de 1995) para os artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981, de 1995, tendo em vista que, nas discussões que antecederam a conversão da Medida Provisória nº 812 na referida Lei nº 8.891, o Congresso Nacional fez tal exigência, com o objetivo de rediscutir com o Poder Executivo, no ano de 1995, as matérias disciplinadas por aqueles dispositivos e estabelecer normas permanentes. (Diário Oficial do Congresso, 14 de junho de 1995, fl. 3271) Assim, o Congresso Nacional teve a oportunidade de disciplinar a compensação de tributos e o fez nos mesmos termos da Lei nº 8.981, de 1995, com a trava dos 30%, sem exceções. Com a devida vênia, não é possível se extrair do dispositivo que propõe esse procedimento, isto é: trava de 30% sem exceções, uma norma implícita que o contradiz. Além disso, a própria análise histórica da legislação contraria a tese. Se realmente o direito à compensação integral dos prejuízos e bases negativas decorresse do próprio Sistema Tributário, como explicar os períodos em que esse direito não era garantido (antes de 1947), ou então quando se proibia a compensação após determinado prazo, mesmo existindo saldo? Mais ainda, mesmo na legislação atual, existem diversas situações onde o direito à compensação integral não é garantido. É o caso do parágrafo único do art. 33 do Decretolei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, que permite que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida somente compense os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Isso, somado ao disposto no caput, que proíbe que a empresa sucessora por cisão compense prejuízos da sucedida, resulta em uma parcela do prejuízo que restará perdida. É também o caso do art. 32 do mesmo decretolei, que proíbe que a pessoa jurídica compense seus próprios prejuízos fiscais, se, entre a data da apuração e da compensação, houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Assim, o direito à compensação de prejuízos e bases negativas é uma opção legislativa, podendo até mesmo não existir, incluindose na categoria de benefício fiscal. Tal conclusão é refutada pela defesa, que argumenta que a compensação de prejuízos e bases negativas não é mero benefício fiscal, mas direito do contribuinte relacionado à própria definição de renda extraída da Constituição. Essa argumentação foi inicialmente utilizada para combater a limitação da trava dos 30%, mas não foi acolhida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que pacificou seu entendimento no Recurso Extraordinário 344.9940/PR. É verdade que essa decisão não analisou o caso de extinção da pessoa jurídica, e nem aqui se está a dizer o contrário. Mas é certo que seus fundamentos se aplicam à Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.411 16 discussão. Em especial, de que o direito à compensação é instrumento de política tributária, que pode ser revista pelo Estado. Não há como se admitir o argumento recursal de que o uso da expressão “benefício fiscal” nesse julgado é ambíguo e provavelmente tem o sentido de competência facultativa da lei tributária, em nada se confrontando com tese defendida. O que se está a dizer é que não existe um direito natural à compensação de prejuízos fora do que concedido pelo Estado. Recordese que esse julgado do STF rejeitou também o argumento de que a vedação ao direito de compensação integral de prejuízos violava o conceito de renda, pois esse era o entendimento do relator, que não foi reconhecido pelos demais membros do Tribunal constitucional. Esmiuçando o tema, transcrevo as argutas observações do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, redator do voto vencedor do Acórdão nº 9101001.337, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 26 de abril de 2012: Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu decréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. (...) (...) Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.412 17 Partindose da conclusão de que o direito de compensação de prejuízos e bases negativas é uma opção legislativa, e de que a regra geral é a de que ela só pode ocorrer no limite dos 30% do lucro líquido ajustado do período, observase que existem situações em que o legislador optou por estabelecer exceções. Isso aconteceu no art. 14 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, que permite que se compense o resultado da atividade rural com prejuízos de períodos anteriores, ou no art. 95 da Lei nº 8.981, de 1995, que permite que empresas inseridas no regime Befiex compensem o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anos calendário subsequentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. Mas todas as exceções à regra geral foram estabelecidas expressamente, como não poderia deixar de ser. E é evidente que, para as empresas em via de serem extintas, não foi concedido qualquer direito excepcional de compensação acima do limite legal de 30% do lucro líquido ajustado. Quanto à jurisprudência do CARF sobre a matéria, há que se reconhecer que, até 2009, ela era predominantemente favorável à tese da defesa. Contudo, a mudança de entendimento ocorreu no julgamento do conhecido “Caso Bunge”, constante do Acórdão nº 910100.401, da 1a Turma da CSRF, julgado na sessão de 2 de outubro de 2009, tendo por relatora a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Transcrevese sua ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Observese que tal decisão confirmou o entendimento do Acórdão nº 105 15.908, da 5a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 16 de agosto de 2006, tendo por relator o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Argumenta o recorrente que esse julgado, utilizado como fundamento da decisão recorrida, analisava situação diversa, onde se teria realizado planejamento que travestiu prejuízo fiscal em saldo negativo de imposto, alcançando com isso a compensação de prejuízos fiscais entre sucessora e sucedida, o que é expressamente proibido no ordenamento jurídico. Contudo, apesar de serem esses os fatos analisados naquela ocasião, as conclusões propostas rejeitaram a compensação de prejuízos acima da trava dos 30% para todas as empresas, ainda que no encerramento das atividades. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.413 18 A partir dessa decisão da CSRF, travouse acirrado debate no campo doutrinário, buscandose demonstrar a impossibilidade de se afastar da antiga jurisprudência consolidada. É nesse contexto que se insere o já citado estudo do Professor Eurico de Santi. Entretanto, em análise dos acórdãos proferidos após essa data, verifico que a maior parte rejeita a compensação acima da trava dos 30% para empresas incorporadas. Transcrevo as ementas, na parte de interesse à discussão: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. Os prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores poderão ser compensados com o lucro real do período, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, por incorporação ou por outro motivo. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores é expressiva de benefício fiscal, a ser interpretado restritivamente, e não constitui direito adquirido do contribuinte, conforme jurisprudência do STF. (Acórdão nº 130100.822, 1ª Turma Ordinária/3ª Câmara /1a SJ, sessão de 14 de março de 2012, relator Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr.) COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. As bases de cálculo negativas da CSLL apuradas em períodos anteriores poderão ser compensadas com o lucro líquido ajustado do período, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Não há previsão legal que permita a compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, por incorporação ou por outro motivo. A compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores é expressiva de benefício fiscal, a ser interpretado restritivamente, e não constitui direito adquirido do contribuinte, conforme jurisprudência do STF. (Acórdão nº 130100.827, 1ª Turma Ordinária/3ª Câmara /1a SJ, sessão de 14 de março de 2012, redator designado Conselheiro Waldir Veiga Rocha) COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. LIMITAÇÃO. INCORPORADAS. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.414 19 A regra legal que estabeleceu o limite de 30% do lucro líquido ajustado para a compensação de bases de cálculo negativas aplicase inclusive no caso de descontinuidade da pessoa jurídica em virtude de reorganização societária. (Acórdão nº 110200.707, 2ª Turma Ordinária/1ª Câmara /1a SJ, sessão de 10 de abril de 2012, relator Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé) Acrescentese que esse entendimento já foi mais uma vez referendado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, no já citado Acórdão nº 9101001.337, cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 Ementa: INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. (Acórdão nº 9101001.337, 1ª Turma/CSRF, sessão de 26 de abril de 2012, redator do voto vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) Ressaltese apenas que todas essas decisões se deram pelo voto de qualidade, e que ainda persiste o entendimento contrário, o que demonstra que a matéria ainda é objeto de acalorados debates. Diante do exposto, concluo que não é possível se admitir a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL no que exceder o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.415 20 GANHO DE CAPITAL: Nos itens 173 a 188 do voluntário, o recorrente aponta para uma situação peculiar dos fatos em discussão, que, no seu entender, serviriam, por si só, para se dar provimento ao recurso. Afirma que, no ano de 2007, a TEVECAP reconheceu receitas decorrentes de alienação do ativo permanente, no valor de R$ 485.770.757,09, relativas à venda das participações societárias que detinha. Entretanto, pondera que esse resultado só pode ser tributado naquilo que corresponder efetivamente a um acréscimo patrimonial, porquanto não equivale a qualquer renda obtida, mas a um ganho efetivo de capital na venda de um bem. Assim, como se trata a TEVECAP de uma verdadeira holding, que detinha as participações vendidas, o custo deste investimento está em grande parte refletido nas despesas financeiras incorridas com a sua manutenção. Justamente essas despesas financeiras é que geraram os resultados negativos incluídos na composição do prejuízo fiscal acumulado e na base de cálculo negativa até o anocalendário de 2007. Alega que os investimentos pretéritos à alienação de determinado bem não são considerados como custo de investimento diretamente, mas espelhados no prejuízo e na base negativa, porquanto consumidos ao longo da vida daquele negócio. Conclui, então, que os prejuízos e bases de cálculo negativas acumulados correspondem aos custos dos investimentos alienados, e, portanto, devem ser excluídos das receitas relativas a suas vendas para se obter o ganho de capital. Em sede de memoriais, o recorrente acrescenta que esse prejuízo fiscal operacional sequer existiria se tivesse contabilizado seus custos e despesas, relativos à fase pré operacional, no ativo diferido, que, no encerramento, seria integralmente amortizado e não se teria qualquer ganho passível de tributação, já que os custos/despesas a serem apropriados seriam superiores à receita obtida com a alienação dos ativos. Não concordo com o raciocínio. A legislação tributária determina que se apure o ganho de capital na alienação de investimentos pela diferença entre o valor da alienação e o valor contábil, que corresponde, via de regra, ao custo de aquisição. Mesmo nos casos de investimentos avaliados pelo valor do patrimônio líquido, onde o custo de aquisição é dividido entre valor do patrimônio líquido e ágio/deságio, quando da apuração do ganho de capital considerase o valor do ágio ou do deságio, ainda que já amortizados. No caso, o contribuinte apurou um custo de aquisição de R$ 50.634.786,52 que foi deduzido das receitas auferidas na alienação do ativo permanente (R$ 485.770.757,09), como se observa das informações das linhas 39 e 41 da “Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral” da DIPJ 2007 (fl. 917), o que demonstra que se tributou apenas o ganho de capital. Já o argumento de que os gastos realizados com o investimento poderiam ter sido registrados no ativo diferido, ao invés de reconhecidos como despesas, pois se tratavam de Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.416 21 dispêndios da fase préoperacional (apesar de a empresa já estar em funcionamento), busca trazer para a lide o exercício mental das diversas alternativas contábeis não utilizadas pelo contribuinte. Impor à autoridade fiscal, antes de realizar lançamentos, o dever de aferir se o contribuinte teria a opção de contabilizar o mesmo fato de forma diversa com resultados fiscais mais vantajosos é determinar que a Fiscalização se transmute em verdadeira auditoria contábil. No caso, o contribuinte reconheceu gastos como despesas e custos efetivamente incorridos nos exercícios em que os dispêndios foram realizados, tudo devidamente contabilizado em escrituração certamente auditada devido ao porte da empresa. Desse modo, não é possível agora se furtar da tributação decorrente de sua expressa opção, alegando que poderia ter feito de modo diverso. EXCLUSÃO DA MULTA POR PRÁTICA REITERADA OU ERRO DE PROIBIÇÃO O recorrente defende que, caso se mantenha a tributação do principal, a multa de ofício não pode prosperar, nos termos do art. 100, inciso III e parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, porque a conduta adotada era plenamente admitida pela jurisprudência administrativa, que era mansa e pacífica no sentido da dedutibilidade da totalidade dos prejuízos nos casos de extinção da pessoa jurídica. No mesmo sentido, argumenta que a penalidade deve ser cancelada porque o contribuinte incorreu, no mínimo, no que se denomina “erro de proibição”, pois seguiu interpretação mansa e reiterada das jurisprudências administrativa e judicial. O art. 100 do CTN, ao tratar das normas complementares, determina que a sua observância exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Transcrevese: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O recorrente entende que sua conduta era reiteradamente observada pelas autoridades administrativas. Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.417 22 Ora, a simples constatação de que a jurisprudência apontada era toda dos antigo Conselho de Contribuintes e do CARF demonstra que a compensação não havia sido admitida, e portanto autuada pela autoridade fiscal, e também não permitida pelo julgador de 1a instância, sendo impossível classificála como prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas. Do mesmo modo, o conceito de “erro de proibição” pode, na melhor das hipóteses, ser admitido para se afastar o dolo e desqualificar a penalidade imposta, mas nunca para excluir a multa de ofício básica de 75%, aplicada ao caso. Isso porque o art. 136 do CTN determina que, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Assim, mantenho a multa de ofício aplicada. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO O recorrente alega ainda que é indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. O julgador de 1a instância não conheceu da matéria, alegando se tratar de assunto afeito à cobrança do crédito tributário, que deveria ser objeto de contestação na ocasião propícia e em face da autoridade competente, que não era a Delegacia de Julgamento. Discordo da conclusão. Apesar de o lançamento não conter juros incidentes sobre a multa de ofício, eles passaram a incidir imediatamente após a lavratura do auto de infração, e é direito do contribuinte contestálos. Na execução do julgado, a autoridade fiscal não terá competência para decidir sobre a matéria, nem o sujeito passivo instrumentos para impugnála administrativamente. Desta forma, conheço da matéria. Argumenta o recorrente que §1o do art. 161 do CTN dispõe que o crédito tributário eventualmente existente, não integralmente pago no vencimento, será acrescido de juros de mora. Todavia, ao referirse ao “crédito tributário” o diploma legal não se refere à multa de ofício, mas apenas ao principal cobrado. Isso porque, se assim não fosse, não haveria necessidade do mesmo dispositivo ressalvar, logo em seguida, que a aplicação dos juros não causa prejuízo à imposição das penalidades cabíveis. Ademais, no presente caso, os juros moratórios cuja aplicação foi autorizada pelo lançamento limitamse àqueles aplicados sobre o tributo. É o que determinam os artigos 6o, §2° e 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, únicos dispositivos legais constantes da capitulação legal do lançamento que tratam da aplicação dos juros de mora. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.418 23 E, ainda que assim não fosse, tendo sido aplicada a Taxa Selic, depreendese da leitura do artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996, que estabeleceu sua aplicação como juros moratórios, que a referida taxa se aplica apenas sobre os tributos não pagos no vencimento. Discordo do argumento. A incidência de juros de mora sobre o crédito não pago no vencimento decorre do art. 161 do CTN, abaixo transcrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) O crédito a que se refere o artigo é, sem dúvida, o crédito tributário, que, nos termos do art. 139 do Código, decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por sua vez, o art. 113, §1o, do CTN, determina que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Assim, por evidente, o crédito tributário envolve tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Ao contrário do afirmado no recurso, a base legal indicada para os juros de mora é o art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996 (fl. 297), abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, a incidência dos juros de mora se dá sobre débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, o que inclui a multa de ofício acessória, e não apenas sobre os tributos e as contribuições. Não há outra exegese a ser extraída do adjetivo “decorrentes”. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.419 24 Outros dispositivos legais confirmam que essa é a interpretação mais adequada. Vejase o constante no art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, a lei permitiu a formalização de crédito tributário exclusivamente de multa, admitindo ainda a incidência de juros sobre ela, o que demonstra que é essa a lógica do sistema. Ademais, a Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, inclui o § 8º no art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, dispondo que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o que obviamente inclui as multas de ofício aplicadas. Desta forma, interpretandose de forma sistemática o ordenamento, não restam dúvidas de que os juros de mora devem incidir sobre o tributo e a multa de ofício, não sendo lícito que qualquer possível impropriedade na redação de um dispositivo de forma isolada altere essa conclusão. É esse o entendimento predominante da 1a Turma da CSRF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, sessão de 17 de outubro de 2011, redator do voto vencedor Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de débitos relacionados com tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.420 25 incidem, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a taxa Selic, ex vi dos arts. 29 e 30, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002. (Acórdão nº 910101.191, sessão de 15 de maio de 2012, relator Conselheiro Valmir Sandri) Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. (Acórdão nº 9101001.337, sessão de 14 de agosto de 2012, relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Declaração de Voto Pedese vênia para divergir do voto condutor do ilustre Conselheiro Relator quanto às conclusões de recurso voluntário. Apesar de discordar dos fundamentos e da conclusão do voto sobre a aplicabilidade, em operações de incorporação, do limite de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de que tratam as Leis n. 8.981 e n. 9.065, ambas de 1995, cujos fundamentos deixo de aduzir em virtude dos argumentos abaixo, vejase que há questão relevante aduzida no recurso voluntário interposto pela Contribuinte que merece análise, qual seja: a inexistência de renda (no caso, ganho de capital) passível de tributação no ano calendário de 2007. Em que pese tenha como pano de fundo lançamento decorrente da inobservância do limite de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas no ano calendário de 2007 (com IRPJ e CSLL apurados no mesmo anocalendário), a Contribuinte traz desde a sua impugnação, em caráter subsidiario, alegação de que, qualquer que seja o entendimento a respeito do mencionado tema, o certo é que não haveria IRPJ ou CSLL a serem Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.421 26 exigidos no anocalendário de 2007 por absoluta inexistência de fato gerador respectivo (no caso, reiterese, o ganho de capital compensado com citados prejuízos fiscais e bases negativas). Em outros termos, independentemente da procedência (ou não) da compensação, seria improcedente eventual exigência em 2007 por ausência de base tributável. Sustenta a Contribuinte, em síntese, que o ganho de capital relativo ao ano calendário de 2007 foi por ela apurado indevidamente, em decorrência de equívoco no registro contábil de despesas contraídas desde o ano de 2002 para o desenvolvimento de suas atividades. Segundo a Contribuinte, por estar em comprovada fase préoperacional em citados períodos, esta (Contribuinte) deveria ter contabilizado tais despesas em conta de ativo diferido, em observância ao regime de competência, para posterior amortização em estágio operacional futuro. Nessa hipótese (escrituração do ativo diferido), a alienação do investimento não geraria o ganho de capital tributado no lançamento (via indeferimento da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas), considerado o confronto entre as receitas obtidas com tal venda (no caso, R$485.135.971,00) e o valor do “ativo” correspondente (no caso, R$1.278.997.591,36). Por sua vez, o erro de escrituração levou a Contribuinte a escriturar vultosos prejuízos fiscais e bases negativas em cada um dos anoscalendários, cuja utilização, em 2007, entendeu a Fiscalização estar limitada a 30% do montante acumulado nos períodos anteriores. Nesses termos, e, reiterese, a par da discussão a respeito da legitimidade (ou não) da aplicação do limite de compensação para as hipóteses de compensação, passase a analisar a procedência (ou não) da exigência de IRPJ e de CSLL no anocalendário de 2007 face a Contribuinte, considerado o efetivo resultado desta no período em referência. Procede a primeira premissa fática adotada pela Contribuinte em sua argumentação no sentido de que o resultado (pretensamente) tributável em 2007 (compensado com os prejuízos e bases negativas) – decorre prioritariamente da alienação de bens e direitos registrados no ativo permanente, no valor de R$485.770.757,09. Para tanto, vejase o quanto informado pela Contribuinte na Ficha 6A da DIPJ 2008, relativa ao anocalendário de 2007. A segunda premissa fática é a de que a Contribuinte se encontrava em estágio préoperacional nos períodos anteriores aos lançamentos, considerada a natureza e o estágio de sua atividade, o volume de seus dispêndios e receitas nos anos anteriores, dispêndios esses assumidos para viabilizar a geração de resultados em exercícios futuros, e a subutilização dos equipamentos, instalações e tecnologia nos períodos em referência. Sobre o tema, é incontroverso nos autos o de que a empresa incorporada pela Contribuinte desenvolvia atividade de televisão por assinatura e provimento de acesso à internet em banda larga. Nessa condição, também é incontroverso o fato de que realizou investimentos e assumiu obrigações financeiras para viabilizar atendimento da concessão e de seu mercado consumidor. É intuitivo que empresas que desenvolvem atividades análogas à Contribuinte devem realizar investimentos e assumir obrigações em montante bastante superior àquele necessário para o atendimento da eventual demanda inicial. Tais empresas adquirem cabos, realizam passagem subterrânea de fios, instalam cabeamento de postes, entre outras providências, em valores desproporcionais à eventual demanda inicial, pois visam preparar o empreendimento para atender a demanda esperada em determinada localidade, independentemente da quantidade de consumidores conectados ao sistema nos primeiros anos de vida da empresa. Em suma, por razões consumeristas e regulatórias, tais empresas investem Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.422 27 em infraestrutura em montante suficiente para atender a demanda esperada plena naquela na área de concessão respectiva. No caso da Contribuinte, o “Atestado técnico da capacidade e abrangência da Rede TVA”, no qual se baseou o Professor Eliseu Martins em seu parecer técnico abaixo comentado, ratifica a assertiva de que os equipamentos adquiridos e instalações realizadas pela empresa incorporada pela Contribuinte estavam subutilizadas no anocalendário de 2007, posto que atendiam número de assinantes bastante inferior à capacidade instalada respectiva, nominada “home passed” (segundo atestado, “conceito que identifica numericamente a quantidade de residências que contam com a possibilidade de serem ligadas a uma rede terrestre de distribuição de sinais eletrônicos”). Digase: investiuse em infraestrutura para demanda ainda não existente, mas cuja existência era bastante factível para geração de resultados em exercícios futuros. Não bastasse, conforme citado no parecer contábil em referência, os investimentos e obrigações assumidas pela empresa incorporada pela Contribuinte visavam também à exploração de sistema de acesso à rede de telefonia convencional (VOIP), tecnologia essa que só pode ser empreendida com a aquisição do investimento pela Telefônica, que passou a oferecer conjuntamente os serviços de telefonia, televisão e internet (“Triple Play”). Tal fato também demonstra a subutilização do investimento (capital mais despesas) nos anos calendário anteriores a 2007 e o não atingimento de sua capacidade plena. Tal estágio préoperacional é comprovado empiricamente quando analisados os resultados da empresa sucedida pela Contribuinte nos anoscalendários anteriores. Conforme demonstrativo trazido aos autos, as DRE´s relativas aos exercícios de 2002 a 2007 (ano do pretenso fato gerador) informam acúmulo de prejuízo operacional ao longo de todo o período, exatamente por ter realizado investimentos e assumido obrigações para formação do empreendimento em montante bastante desproporcional à sua demanda nos respectivos anos calendário. Confirase: Prejuízo Operacional Prejuízo Operacional Acumulado 2002 ‐522.716.696,02 ‐522.716.696,02 2003 ‐108.965.669,64 ‐631.682.365,66 2004 ‐70.280.934,02 ‐701.963.299,68 2005 ‐111.335.805,54 ‐813.299.105,22 2006 ‐74.344.921,73 ‐887.644.026,95 2007 ‐52.261.450,01 ‐939.905.476,96 Os números acima referidos deixam claro que a Tevecap, enquanto holding e investidora das sociedades que desenvolviam a operação (Rede Ajato e TVA), não apenas aportou capital social nessas sociedades (o qual gerou o custo de investimento que foi baixado na alienação), como também teve de recorrer ao mercado para captação de recursos que viabilizassem os investimentos realizados. Ocorre que, até a alienação da operação, considerandose que jamais foi atingida a capacidade plena instalada, os resultados decorrentes das atividades não foram suficientes para fazer frente ao aporte feito pela Tevecap, bem como os dispêndios incorridos na obtenção de recursos (empréstimos) no mercado. Em suma: todos Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.423 28 os dispêndios foram realizados com vistas a um resultado em exercícios futuros, caracterizando o estágio préoperacional da empresa incorporada pela Contribuinte à época dos fatos. Tais circunstâncias não passaram despercebidas ao Professor Eliseu Martins no parecer trazido aos autos pela Contribuinte, verbis: “Ocorre que a operação objeto dos investimentos tratavase de uma atividade inovadora no Brasil: foram os primeiros a dar início ao mercado de televisão e internet a cabo. Não havia, quando do início das operações, concorrentes que estavam fazendo a mesma atividade. Sendo assim, não somente havia dificuldade de criação de toda a infraestrutura para o negócio, mas também do desenvolvimento de um mercado até então inexistente. Ocorre que esse tipo de negócio, especialmente em um mercado ainda inexistente, é de difícil definição de quando encerrase a fase pré operacional e iniciase a fase efetivamente operacional plena. Vejase que para se dar início a uma atividade dessa natureza, são necessários investimentos em infraestrutura, pagamentos de royalties sobre os conteúdos, divulgação e custo dos financiamentos. Mas para se iniciar uma operação não é necessário que toda a infraestrutura esteja pronta. Por exemplo, em uma cidade qualquer, podese montar a infraestrutura número de bairros e iniciar a venda e entrega dos serviços, sem mesmo ter começado a se construir a infraestrutura em outros bairros. Isso implica em dizer que a empresa está em operação plena? Ora, muitos dos custos referentes à operação podem ser diretamente relacionados à quantidade de consumidores e irão ser compensados pela receita que cada um deles irá gerar. Todavia, para que esses primeiros bairros possam ser atendidos, e que para os demais bairros também, quando a infraestrutura estiver pronta, há um montante muito grande de custos que não diretamente vinculados à quantidade de assinantes, mas sim à infraestrutura necessária para atender a uma demanda que ainda não foi atingida, principalmente no caso de empresas iniciantes. (…) Por essa razão, nas normas contábeis norteamericanas (vide já citado SFAS 51) há a possibilidade, inclusive, de dividir a empresa em pedaços: aqueles que já estão em fase operacional plena e outras que ainda estão em fase pré operacional (chamada prématuridade). Conforme fomos informados, e já comentado anteriormente, a entidade elaborou demonstrações contábeis conforme a regra norteamericana para obter financiamentos no exterior, inclusive com pareceres de auditoria, utilizandose do seguinte critério: as despesas préoperacionais eram mantidas no ativo até o momento do atingimento do ponto de equilíbrio. (…)” Considerados os dispêndios realizados (e que vieram a formar o saldo de prejuízos fiscais posteriormente compensados), o Professor Eliseu Martins é enfático ao considerar adequada, sob o prisma contábil, sua escrituração em conta de ativo diferido, pois se referem a investimentos de uma atividade ainda não plenamente operacional: “Assim sendo, é razoável e pertinente afirmar que as amortizações e dispêndios operacionais poderiam não ter sido apropriados ao resultado, em Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.424 29 razão da natureza da atividade desenvolvida, das necessidades de construção de infraestrutura e desenvolvimento de um mercado inexistente no Brasil. Ainda, é razoável mencionar que tais custos pudessem ser mantidos em conta de ativo até o momento do atingimento do ponto de equilíbrio, o que até o momento da venda do investimento não ocorreu”. Como é evidente, tivessem sido escriturados em conta de ativo diferido, tais dispêndios seriam integralmente amortizados por ocasião da alienação da operação com relação à qual os investimentos foram realizados, não se cogitando discussão a respeito da observação, ou não, dos limites quantitativos para compensação de prejuízo fiscal e, menos ainda, considerados os valores envolvidos, de tributação de “ganho de capital” no ano calendário de 2007. Essa também é a conclusão do Professor Eliseu Martins para o caso no citado parecer, verbis: “Nas três entidades que tiveram suas operações encerradas, o critério adotado foi o de lançar para o resultado todas as despesas que estavam sendo incorridas. Apesar de no caso real haver uma maior complexidade em termos de naturezas de despesas, fundamentalmente formadas pelas despesas usuais da entidade somadas aos encargos de depreciação da infraestrutura e as despesas financeiras geradas pelos financiamentos, em nada modifica as conclusões possíveis. Em linha com a resposta ao quesito anterior, conjuntamente com o desenvolvido na resposta ao presente quesito, as empresas reais não tinham atingido o seu ponto de equilíbrio e não chegaram a alcançar nem metade de meta mínima de assinantes. Assim, todos os prejuízos que vinham sendo acumulados ao longo do tempo poderiam ter sido incorporados ao custo do investimento, mantidos em conta de ativo diferido. E caso esse tivesse sido o critério de contabilização, no momento da alienação eles teriam sido considerados como custo da venda dos ativos e não teria sido gerado um ganho de capital na venda, mas sim um prejuízo, seguindo o mesmíssimo mecanismo exemplificado anteriormente. Na realidade, não houve ganho de capital na venda dos ativos operacionais das empresas em tela. O ganho de capital apresentado no período da alienação dos investimentos foi momentâneo e evidenciou somente o ocorrido no período específico da venda em si, não sendo representativo do resultado do investimento como um todo. O resultado da alienação da operação e o valor do ganho de capital apurado nesse período menos todos os prejuízos acumulados ao longo dos anos. Notese que esse seria o resultado caso todos os prejuízos tivessem sido tratados como ativo diferido: teriam sido baixados todos como custo da venda dos ativos somente no período da efetiva venda. Como consequência, teria sido gerado um prejuízo que não teria sua dedutibilidade questionada pela autoridade fiscal. (…) Em suma, é correto afirmar que o custo dos ativos poderia ser maior do que aquele considerado no momento da alienação caso fosse considerado o critério do atingimento do ponto de equilíbrio. Nesse caso, as empresas não teriam prejuízos acumulados no momento da venda, mas teriam custos que seriam baixados contra o resultado para efeito do calculo do ganho de capital na venda dos ativos operacionais. E, certamente, não teriam sido Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.425 30 apurados ganhos de capital, mas sim, registrados prejuízos que iriam ajustar o patrimônio liquido das empresas frente à realidade econômica que elas enfrentaram: efetivos prejuízos no investimento sem a existência de quaisquer aumentos patrimoniais”. Para que não paire dúvida a respeito do tema, considerados os valores relativos à operação da empresa sucedida pela Contribuinte e a forma de contabilização sugerida pelo Professor Eliseu Martins, evidenciase que a empresa sucedida apurou efetiva perda (e não ganho) de capital com a alienação de seu ativo. Confirase: (+) Receitas de Alienação de Bens e Direitos do Ativo Permanente 485.770.757,09 () Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados 50.634.786,52 () Custo do Investimento (indevidamente apontado como prejuízo acumulado) 1.278.997.591,36 (=) Perda de capital Apurada 843.861.620,79 Firmadas as premissas fáticas supra , quais sejam: (a) que o resultado positivo da empresa sucedida pela Contribuinte no anocalendário de 2007 teria sido auferido pela alienação de seus investimentos e objeto de sua atividade; e (b) que a Contribuinte não estava em estágio operacional pleno no anocalendário de 2007, considerados a natureza e estágio de sua atividade, os valores dos dispêndios e receitas auferidas até esse período e a sub utilização dos equipamentos, instalações e tecnologia adquiridos para desenvolvimento regular do empreendimento – passase à análise da “faculdade” da empresa sucedida pela Contribuinte, para fins fiscais, (a) de considerar tais dispêndios como despesas imediatamente dedutíveis de seu resultado ou (b) registralos em conta de ativo diferido, em observância ao regime de competência, para amortização respectiva durante a fase operacional plena da companhia. Em que pesem as razões aduzidas pelo Professor Eliseu Martins sobre a alegada facultatividade do registro dos dispêndios para fins contábeis, as quais, em razão do campo de análise proposto no parecer se deixará de tecer comentários, é certo que, para fins fiscais, não há facultatividade considerados os expressos termos do art. 325 do RIR/99. Embora a prática contábil possa admitir em tese a opção conservadora pela antecipação de despesas que se referiram a resultados esperados em exercícios posteriores, citado dispositivo impõe que sejam ativados custos e despesas operacionais que se refiram a uma operação cuja plena capacidade instalada não tenha sido alcançada. Verbis: “Art. 325. Poderão ser amortizados: (…) II os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração, tais como: (…) e) a parte dos custos, encargos e despesas operacionais registrados como ativo diferido durante o período em que a empresa, na fase inicial da operação, utilizou apenas parcialmente o seu equipamento ou as suas instalações (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "d"); (…) § 1º A amortização terá início (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º): (…) Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.426 31 III no caso da alínea "e" do inciso II, a partir do momento em que for iniciada a operação ou atingida a plena utilização das instalações”. Na mesma linha, o Parecer Normativo CST n° 72/1975 define, com precisão, quais custos ou despesas estarão sujeitos ao tratamento fiscal supracitado: “São "préoperacionais ou préindustriais" amortizáveis na forma do artigo 188, § 3º, "a", do RIR, aprovado pelo Decreto número 58.400/66, as despesas necessárias à organização e implantação ou ampliação de empresas, inclusive as de cunho administrativo, pagas ou incorridas até o início de suas operações ou plena utilização das instalações (…)”. Ainda nesse mesmo sentido, a Receita Federal do Brasil já se manifestou no sentido de que os resultados financeiros negativos também devem ser debitados em conta de ativo diferido, verbis: ‘ATIVO DIFERIDO. DESPESAS PRÉOPERACIONAIS. Despesas de organização préoperacionais ou préindustriais e as exigidas na expansão de atividades industriais devem ser contabilizadas em conta do ativo, podendo ser amortizadas no prazo mínimo de cinco anos após o início, respectivamente, das operações e da utilização das novas instalações. As receitas e despesas financeiras das citadas pessoas jurídicas devem compor o resultado tributável do período em que foram respectivamente auferidas ou incorridas, sem a possibilidade de confrontação com as despesas pré operacionais do mesmo período, as quais se integram ao ativo diferido para posterior amortização”. (RFB, Solução de Consulta nº 108, de 10.09.2007, Disit 06) ................................................................................... “As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício”. (Solução de Divergência COSIT n° 45 / 2008). Do ponto de vista fiscal, portanto, não é permitido ao contribuinte proceder à antecipação de despesas que, conforme a regra tributária, somente deveriam ser trazidas ao resultado em exercício posterior. Sobre o tema, o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes já decidiu no sentido da necessidade de correção da escrituração contábil quando o contribuinte traz a resultado despesa que deveria ter sido capitalizada em conta de ativo diferido, verbis: “III ATIVO DIFERIDO DESPESAS COM PROGRAMAS DE COMPUTAÇÃO Os gastos com instalação e implantação de programas de computação, de uso exclusivo da empresa, devem ser capitalizados para que sejam depreciados no prazo de vida útil e não lançadas como despesas no próprio exercício em que foram adquiridos. O mesmo não ocorre em relação a pagamentos por cessão de uso de software, já que inocorre a figura da exclusividade ou propriedade da empresa, indispensáveis à ativação do bem ou direito. Nessa hipótese, a apropriação da despesa no períodobase do pagamento pode ensejar apenas o lançamento de eventual postergação do imposto, por antecipação da despesa, mas nunca a glosa do gasto pura e Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.427 32 simplesmente”. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Acórdão 10192.635, Sessão de 20/01/2000). Não são raros os casos em que o Fisco, confrontandose com situação de antecipação de despesas análogas à do caso presente, lavra lançamentos para constituição de créditos de eventual tributo devido ou redução de prejuízo fiscal apurado pelo contribuinte, por erro no registro de seus dispêndios e receitas, independentemente dos lançamentos fiscais realizados pelo sujeito passivo. O fato de a Contribuinte ter realizado escrituração contábil em dissonância com a lei fiscal não homologa o lançamento contábil para fins tributários e, menos ainda, autoriza a exigência de IRPJ e CSLL na hipótese em que não há renda ou lucro, mas perda. Como é corrente nesse Conselho, registros contábeis (principalmente, aqueles que se mostram inadequados para retratar a realidade fática da empresa), por si sós, não têm o condão de gerar renda ou lucro. Importa, em cada caso, encontrar o real fato tributável, e não aquele pretenso fato tributável informado pelos (inadequados) lançamentos contábeis do contribuinte. Devese privilegiar a substância dos atos praticados pelos contribuintes, e não apenas os seus registros formais. Tais considerações têm sido acolhidas pelo CARF por ocasião do julgamento de casos que envolvem planejamento tributário, que, apesar de não tratarem de caso análogo ao presente, mostramse úteis como método de interpretação dos fatos na busca pela real (e adequada) incidência tributária. Assim, o fato de a Recorrente ter registrado, de maneira inadequada, o custo do investimento para aquisição do ativo permanente (na sua fase pré operacional) em seu resultado, e não no seu ativo diferido, não deve ser suficiente para autorizar a exigência de IRPJ e CSLL nas hipóteses em que ausente efetivo ganho de capital. Se os tributos em questão (IRPJ e CSLL) incidem sobre renda ou lucro, de acordo com a leitura conjunto do art. 43 do CTN e da Lei n. 7.689/88, caberia à Fiscalização avaliar os fatos do caso concreto com vistas a identificar (ou não) a existência de renda ou lucro, sob o ponto de vista da substância dos eventos considerados, contemplando, inclusive, a regularidade dos registros contábeis das receitas e despesas do período. Sobre tal método de análise da materialidade tributária, vale lembrar o entendimento de Marco Aurélio Greco1, que assevera: “Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto. Assim, a postura metodológica mais adequada é aquela que – sem perder de vista as peculiaridades de cada etapa ou dos segmentos de que a operação se compõe – visualiza o conjunto assim formado e busca determinar o enquadramento que este, globalmente considerado, deve ter perante o ordenamento tributário brasileiro. Vale dizer, ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto).” 1 Greco, Marco Aurelio. Planejamento Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 2008, p. 392 e s. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.428 33 Não há dúvida sobre a legitimidade do procedimento de fiscalização que busca caracterizar a efetiva materialidade tributável diante de lançamentos contábeis que obstam, indevidamente, a caracterização da efetiva materialidade tributável. Igual tratamento deve ser dado aos casos em que as eventuais inadequações contábeis (formais) militam em desfavor dos contribuintes, como é o caso dos autos; em tais casos, devem ser igualmente superadas as formalidades contábeis que, de alguma maneira, impedem a verificação da efetiva materialidade concreta. Nesse contexto, do ponto de vista material (deixandose de lado os registros contábeis inadequados), se a alienação de um ativo tem como resultado uma perda patrimonial (e não um ganho), conforme demonstrado pela Contribuinte, tal peculiaridade dever ser, necessariamente, considerada na avaliação da sua respectiva tributação. Esses fatos deveriam ter sido objeto de análise pela Fiscalização, porque, assim como as receitas da TEVECAP S.A. (cujo registro não respeitou o regime de competência, de acordo com a própria DRJ), as suas despesas do período, relativamente à aquisição dos seus ativos (integrantes do Ativo Permanente) deveriam ter sido, igualmente, examinadas, pela Fiscalização, ou, quando menos, por esse Colegiado, de acordo com o art. 142 do CTN, com vistas à apuração da efetiva materialidade tributária, independentemente da referida inadequação contábil. Poderseia argumentar que o caso em referência não seria distinto de qualquer outra hipótese de extinção por incorporação de empresa com prejuízo acumulado, já que, também em relação a essa (empresa) ocorreria tributação de patrimônio, ao invés de tributação sobre a renda, ante o fato de o limite de compensação de prejuízos implicar, nessas hipóteses, restrição definitiva à sua utilização pelo contribuinte extinto. Segundo esse argumento, portanto, a tributação de patrimônio nessas hipóteses decorreria da própria regra de limitação de prejuízos, cujos efeitos não poderiam ser afastados no caso. Por mais relevante que seja o argumento, que justifica, em última análise, o próprio afastamento do limite legal nas hipóteses de incorporação de empresas, notese que não se trata aqui de um caso comum de compensação de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL acima da trava de 30% (trinta por cento) no ano da extinção da pessoa jurídica. Discutese, além da legitimidade de tal limite, a correção (ou não) do registro de receitas e dispêndios para fins fiscais, cujo reconhecimento, naturalmente, terá conseqüência relevante em relação à ocorrência (ou não) de fato gerador dos tributos lançados no período assinalado. Por fim, destaquese que, conforme demonstrativo trazido pela Contribuinte em memoriais protocolados aos autos, a capitalização dos dispêndios em conta de ativo diferido não importaria prejuízo ao Erário. Tal assertiva decorre da análise conjunta das DIPJs (Ficha 09A) dos anoscalendário 2002 a 2007, juntadas desde a Impugnação, como o LALUR – Parte A e B – do anocalendário 2007, apresentados à Fiscalização, dos quais se conclui que: (i) As receitas operacionais auferidas nos períodos seriam confrontadas com a contrapartida da amortização parcial do saldo da conta de ativo diferido, sendo que o lucro líquido sempre será zero (e não devedor, como ocorreu com a equivocada apropriação direta das despesas a resultado); (ii) A taxa de amortização do ativo diferido, por exercício, nunca será superior a 20%, em consonância com a legislação fiscal que trata da amortização do ativo diferido; Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16643.000304/201021 Acórdão n.º 1102001.082 S1C1T2 Fl. 1.429 34 (iii) Quanto ao exercício da alienação da participação, quando amortizado integralmente o ativo diferido, temse que, ainda que realizados todos os ajustes que foram feitos pela Contribuinte em suas DIPJs (afinal, a contrapartida da amortização de despesas indedutíveis amortizadas será, obviamente, também indedutível), o lucro real que se apuraria em 2007 teria sido inferior àquele efetivamente reconhecido pela Contribuinte, conforme demonstrativo colacionado abaixo: Em conclusão, reconhecida a natureza dos dispêndios como investimentos voltados a resultados esperados para exercícios futuros, em operação que não atingiu a plena capacidade dos equipamentos instalados, a consequência é de que tais dispêndios devem compor o custo da operação posteriormente alienada e, portanto, trazidos a resultado tão somente no exercício em que a respectiva operação foi alienada. Essa é a determinação do art. 324 do RIR/99, verbis: Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). (…) § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904542/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/02/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 42 /2 01 2- 16 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904542/201216 Acórdão n.º 3801002.344 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904542/201216 Acórdão n.º 3801002.344 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904542/201216 Acórdão n.º 3801002.344 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904542/201216 Acórdão n.º 3801002.344 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 10768.001921/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PREVISTA NO ART. 138 DO CTN. RECURSO PROVIDO Os recolhimentos de tributos efetuados por contribuintes intempestivamente, mas dentro do prazo para a entrega da DCTF, ou mesmo depois, mas antes desta, e sem qualquer participação ou procedimento da fiscalização, não estão sujeitos à multa, por força do art. 138 do CTN, que prevê a figura da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 2102-002.713
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 80 1 79 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.001921/200756 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.713 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2013 Matéria IRRF Denúncia Espontânea Recorrente TELELISTAS REGIÃO 1 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PREVISTA NO ART. 138 DO CTN. RECURSO PROVIDO Os recolhimentos de tributos efetuados por contribuintes intempestivamente, mas dentro do prazo para a entrega da DCTF, ou mesmo depois, mas antes desta, e sem qualquer participação ou procedimento da fiscalização, não estão sujeitos à multa, por força do art. 138 do CTN, que prevê a figura da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Nubia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 81 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 5a Turma da DRJ/RJOI, de 26 de outubro de 2.007 (fls. 49/52), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pelo ora Recorrente, mantendo integralmente a exigência fiscal do auto de infração 1002249 lavrado em 07/03/2007 (fl. 29), no valor total de R$ 28.702,64, pertinente a multa paga a menor, código 6380, sub item 4.2.1, no valor de R$ 28.675,72 e 4.2.2, código 6583, no valor de R$ 26,92, sendo este, referente aos juros, foi reconhecida a procedência do lançamento e recolhido pela Recorrente. A decisão recorrida manteve a exigência da multa por atraso no recolhimento, fundamentando a sua decisão no art. 61 da lei n.o 9.430/96, afastando com isto, os argumentos apresentados na impugnação, de que houve ofensa a princípios constitucionais, o que não é atribuição da administração pública apreciar. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, resumidamente, repete as razões apresentadas na impugnação, aduzindo às fls. 56 e seguintes, que compete ao colegiado administrativo apreciar a questão da denuncia espontânea para afastar a pretensão fiscal, com fundamento no art. 138 do CTN, conforme vários precedente do STJ e doutrina citados. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Os demonstrativos de fls. 31/38 informam que os supostos débitos questionados referemse a obrigações apuradas nos trimestres de 2002, sendo: fl. 31, vencido em 17/04/2002, recolhido em 15/05/2002, DCTF entregue em 30/11/2005; fl. 32, vencido em 04/09/2002, recolhido em 11/09/2002, DCTF entregue em 06/01/2006; fl. 33, vencido em 03/04/2002, recolhido em 08/05/2002, DCTF entregue em 30/07/2004; fl. 34, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006; fl. 35, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 82 3 fl. 36, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006; fl. 37, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006, e fl. 38, vencido em 11/07/2002, recolhido em 30/08/2002, DCTF entregue em 06/01/2006. Conforme facilmente se constata, os pagamentos foram efetuados antes das entregas das DCTFs, originais ou mesmo retificadoras, cujas datas foram obtidas através do demonstrativo de fl. 39, e evidenciam que precedem à data do lançamento fiscal, que ocorreu em 07/03/2007 (fl. 29), portanto, sem que a fiscalização iniciasse qualquer procedimento para compelir a Recorrente ao pagamento dos débitos, que sequer estavam confessados. Assim, tipificado o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, assim redigido: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No tocante ao juros, a decisão recorrida já informou que a Recorrente, na peça de impugnação, a eles não fez referência, portanto, admitindo a sua procedência. A mesma postura foi adotada na peça recursal, razão pela qual, nada resta a ser considerado quanto a exigência desta natureza. Não obstante as colocações acima, oportuno transcrever observações feitas pelo Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, no processo 11610.003529/200706, Acórdão 2101 002.052, sessão de 19/02/2013, em caso semelhante, nos seguintes termos: Neste diapasão decidiu o Egrégio STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP, processado como Recurso Repetitivo e, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado, nos termos do artigo 62A do RICARF. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 83 4 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (Resp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 84 5 punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (STJ, Primeira Seção, REsp n° 1.149.022/SP, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 24/06/2010) A jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é unânime neste sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 IRRF TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito, nos termos constatados pelo acórdão recorrido, que considerou parcialmente procedente a pretensão do contribuinte. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Ademais, salvo melhor juízo, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional reconheceu a procedência desta tese através do Ato Declaratório n° 04/2011 (DOU de 21/12/2011, p. 36). Recurso Especial Negado (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 16327.001493/200311, Acórdão n° 920202.151, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 10/05/2012) Nos termos da decisão do STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP, processado como Recurso Repetitivo e, portanto, de observância obrigatória pelo CARF, o direito ao indébito dos juros de mora pela denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, somente se configura quando não há declaração prévia, caracterizando o pagamento em atraso uma verdadeira confissão de dívida. No mesmo diapasão se manifestou expressamente o Acórdão n° 10.254, de 17 de agosto de 2005, exarado pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas: “18. Lembrese, outrossim, que denúncia espontânea não equivale a recolhimento ou pagamento espontâneo, que, na verdade, é apenas voluntário. Este se configura com o pagamento anterior a qualquer medida executiva no sentido de constranger o devedor a cumprir a obrigação, ou retirarlhe parte do patrimônio para tanto. Aquela, a denúncia espontânea, pressupõe a "denúncia" de uma infração. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 85 6 Denúncia, por sua vez, consiste em levar ao conhecimento do Fisco infração por ele desconhecida, o que não ocorre nos casos de mero inadimplemento, máxime de valores já anteriormente confessados. [...]21. Analisando essa questão, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESP 180.918/SP, já teve oportunidade de frisar que: TRIBUTÁRIO AUTO LANÇAMENTO TRIBUTO SERODIAMENTE RECOLHIDO MULTA DISPENSA DE MULTA (CTN/ART.138). IMPOSSIBILIDADE. Contribuinte em mora com tributo por ele mesmo declarado não pode invocar o Art. 138 do CTN, para se livrar da multa relativa ao atraso. 22. Por outro lado, recentes decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça vêm colocando a questão relativa à denúncia espontânea nos seus devidos termos. 23. De fato, coerente com o seu entendimento de que a mera inadimplência não configura infração à lei, para efeito de afastar a responsabilização dos sócios pelos débitos da empresa, aquele egrégio Tribunal já deixou explicitado que a denúncia espontânea não é um estímulo à inadimplência, mas, sim, um incentivo para aqueles contribuintes que estavam à margem da legalidade regularizem sua situação. Beneficiase o denunciante, que não será apenado por sua comunicação da infração, e também o Fisco, que irá receber um valor cujo fato gerador lhe era desconhecido, e iria necessitar de dispendiosas diligências para sua apuração. 24. Nesse sentido, e espancando qualquer dúvida a respeito, trago à colação os seguintes excertos de ementas da Primeira Turma do STJ: RESP 496996/PR, Sessão de 13/05/2003, Relator: Ministro José Delgado. 1. O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. 2. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidas, como é o caso de aquisição de mercadorias sem nota fiscal, de venda com preço registrado aquém do real, etc. RESP 450128/SP, Sessão de 1/10/2002, Relator: Ministro José Delgado. 2. Os autos revelam que a empresa, após lançamentos efetuados em sua escrita fiscal, apurou, por si mesma, débito de ICMS, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 86 7 após o encontro dos saldos devedores e credores, a favor do Estado de São Paulo, nos valores discriminados nos autos, sem, contudo, têlos pago na época dos respectivos vencimentos. 3.. A denúncia espontânea não beneficia o contribuinte que, após lançamento de qualquer espécie, já constituído, não efetua o pagamento do imposto devido no vencimento fixado pela lei. Tal benefício só se caracteriza quando o contribuinte leva ao conhecimento do Fisco a existência de fato gerador que ocorreu, porém, sem terem sido apurados os seus elementos quantitativos (base de cálculo, alíquota e total do tributo devido) por qualquer tipo de lançamento, ou seja, o beneplácito há de favorecer a quem leva ao Fisco ciência de situação que, caso permanecesse desconhecida, provocaria o não pagamento do tributo devido. 4. Na espécie, o imposto já foi apurado pelo contribuinte. O fato gerador, a base de cálculo, a alíquota aplicada e o valor devido estão registrados na escrita fiscal da empresa, por auto lançamento. Há, portanto, a caracterização material de uma obrigação já reconhecida pela própria parte devedora, porém, não cumprida no vencimento. 5. Impõese, portanto, que, ao pretender liquidála, pela via do parcelamento ou não, fique sujeita às cominações legais. A denúncia espontânea não favorece a quem está em atraso com as obrigações tributárias já reconhecidas. A infração cuidada pelo art. 138, do CTN, é a que se caracteriza pela fuga total do contribuinte em esconder do fisco a ocorrência do fato gerador e, conseqüentemente, a sua obrigação tributária. (grifos não do original) 25. Recente decisão do Ministro José Delgado, negando provimento a agravo regimental no RESP 727181/RJ, em 14/06/2005, reafirma o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça: 6. O pagamento da multa, conforme decidiu a P Seção desta Corte, é independente da ocorrência do parcelamento. O que se vem entendendo é que incide a multa pelo simples pagamento atrasado, quer à vista ou quer tenha ocorrido o parcelamento. 7. Agravo regimental nãoprovido.(destaques acrescidos) Com efeito, a denúncia espontânea resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, quando há o recolhimento do tributo devido em momento anterior ou concomitante à declaração da dívida. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.001921/200756 Acórdão n.º 2102002.713 S2C1T2 Fl. 87 8 Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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