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Numero do processo: 15586.720094/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS
Caracterizada a contento a falsidade material dos contratos que lastrearam as despesas, é irretorquível a conclusão falta de efetividade das despesas.
MULTA QUALIFICADA
Evidenciada a falsidade material dos contratos que comprovam as despesas, estão presentes os fundamentos que autorizam a qualificação multa, pois é inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, sendo devida à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%.
LANÇAMENTO DECORRENTE
Decorrendo o lançamento da CSLL e do PIS e da COFINS não cumulativos, de infração constatada na autuação do IRPJ, e reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1301-001.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,.por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS Caracterizada a contento a falsidade material dos contratos que lastrearam as despesas, é irretorquível a conclusão falta de efetividade das despesas. MULTA QUALIFICADA Evidenciada a falsidade material dos contratos que comprovam as despesas, estão presentes os fundamentos que autorizam a qualificação multa, pois é inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, sendo devida à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%. LANÇAMENTO DECORRENTE Decorrendo o lançamento da CSLL e do PIS e da COFINS não cumulativos, de infração constatada na autuação do IRPJ, e reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS Caracterizada a contento a falsidade material dos contratos que lastrearam as despesas, é irretorquível a conclusão falta de efetividade das despesas. MULTA QUALIFICADA Evidenciada a falsidade material dos contratos que comprovam as despesas, estão presentes os fundamentos que autorizam a qualificação multa, pois é inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, sendo devida à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%. LANÇAMENTO DECORRENTE Decorrendo o lançamento da CSLL e do PIS e da COFINS não cumulativos, de infração constatada na autuação do IRPJ, e reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daqueles, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento,.por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 94 /2 01 2- 12 Fl. 5415DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo acerca de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, exigindo da recorrente Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, (COFINS) e a Contribuição para o PIS/PASEP, respectivamente, nos valores originários de R$ 1.941.945,22, R$ 706.351,77, R$ 927.772,20 e R$ 201.287,01, acrescidos de multa de ofício de 150%, com juros de mora calculados até 31.03.2012. Na descrição dos fatos consta que foram glosadas despesas não comprovadas, verificandose que as despesas de prestação de serviços de transporte de pessoas físicas foram fictícias, sendo estas glosadas da apuração do Lucro Real e da Base de Calculo dos créditos do PIS e COFINS não cumulativos. Consta no Termo de Verificação que em virtude do volume de despesas de subcontratação de transportes de pessoas físicas e jurídicas, a recorrente foi intimada a apresentar contratos, subcontratos, documentos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, planilhas e demais informações comprobatórios das despesas com subcontratação de transportes com pessoas físicas e jurídicas, conforme fls. 5.154 5.155. Atestouse ainda, que dentre outras informações, a recorrente fez constar que conforme "RAZÃO", alguns valores foram estornados pelos montantes após conciliação e identificados que não foram cumpridos e/ou pagos por razões diversas, tendo apresentado planilhas especificando quais os contratos de transporte foram estornados para as pessoas físicas e quais os contratos das pessoas jurídicas. Segundo reportou a Fiscalização, da análise das planilhas verificouse que somente no mês de janeiro/2007, os contratos de transporte n°s 6274, 6275, 6278, 6456 e 6459 foram registrados como sendo de pessoas físicas, porém são de pessoas jurídicas e os valores totais mensais dos contratos de transportes estornados não conferem com os valores totais escriturados na contabilidade e não foram apresentados documentos que comprovassem que os contratos de transporte estornados foram realmente os listados nas planilhas, uma vez que na contabilidade também não consta o número dos contratos de transporte estornados. Fl. 5416DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 3 3 Por tais motivos, reputou a Fiscalização que aas planilhas apresentadas pela recorrente como estorno dos contratos de transporte de pessoas físicas e jurídicas, foram desconsideradas e assim os valores dos estornos dos contratos de transporte foram calculados por proporcionalidade, conforme item 4 do relatório (fl.5.163). Com base nos citados contratos de transporte do mês de outubro de 2007, foram verificadas as pessoas físicas e jurídicas que mais prestaram serviços para a recorrente e assim, feitas diligências às pessoas físicas e jurídicas, tendo sido solicitado informar se prestou serviços de transporte de cargas para a recorrente durante o ano de 2007 e apresentar documentos comprobatórios dos serviços prestados (conhecimentos de cargas, notas fiscais, contratos, etc), bem como comprovar o efetivo recebimento dos valores referentes às citadas transações através de documentos (extratos, depósitos, etc). Atestou a Fiscalização que foram recebidas várias respostas padrões, entregues por empregados da recorrente, informando que prestaram serviços de transporte para a Interessada e apresentaram cópia dos contratos de frete já anteriormente apresentados, aduzindo que os valores que constam nos contratos de frete foram recebidos em dinheiro. Considerando estranho o procedimento padrão da entrega das respostas pelas pessoas físicas, reportou a Fiscalização que foram emitidos Termo de Intimação Fiscal, solicitando aos prestadores de serviços Pessoas Física que comparecessem à Receita Federal do Brasil para prestarem informações, às quais estão transcritas às folhas 5.152 5.161. De acordo com a Fiscalização, em relação a estes depoimentos, (dos motoristas dos caminhões), concluiuse que eram empregados da recorrente na época e que possuíam carteira assinada com salários em média de R$ 1.000,00 (mil reais), sendo que os caminhões que dirigiam eram de propriedade da recorrente e que assinaram os Contratos de Transporte a pedido da contribuinte, mas não recebiam os valores constantes dos contratos de transportes, que recebiam apenas uma ajuda de custo para despesas pessoais que variava de 6 a 7% do valor dos contratos de transporte e que os documentos entregues anteriormente, informando que prestaram serviços de transporte, foram confeccionados pela própria recorrente e entregues a estes para apresentação à Receita Federal, ou entregues por outros funcionários da própria Interessada. Além disso, relatou a Fiscalização que em mais de 70% dos casos, o motorista discriminado no contrato de transporte era empregado da Interessada, conforme consulta ao sistema GFIP WEB, sendo que em diversos casos verificouse que a placa do caminhão descrita no contrato de transporte, era de caminhão de propriedade da recorrente e somente se conseguiu levantar as placas dos caminhões no sistema RENAVAM, daqueles que ainda são de propriedade da recorrente até os dias atuais, sendo que não foi possível levantar as placas dos caminhões já vendidos a terceiros, porém, algumas placas nos contratos de transporte eram de carros de passeio, não condizentes com os serviços de transporte de carga, sendo que a recorrente não teria comprovado os pagamentos dos serviços de transporte efetuados pelas pessoas físicas, informando em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 128/2011 que os pagamentos eram realizados em espécie. Mediante o Termo de Intimação Fiscal n° 325/2011, solicitouse à recorrente os recolhimentos de IRRF e INSS nos contratos de transporte realizados por pessoas físicas, sendo que a Interessada informou que conforme demonstrativos dos contratos de transportes não há retenção de INSS sobre os proventos, portanto não há recolhimento e que também não houve recolhimento de IRRF sobre os respectivos Contratos de Transporte. Fl. 5417DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Concluiuse assim, que os contratos de transporte das pessoas físicas são falsos, de forma que estas despesas foram glosadas da apuração do IRPJ e CSLL e do cálculo dos créditos do PIS e COFINS Não Cumulativos. Em relação às diligências efetuadas nas pessoas jurídicas, entendeuse que foram prestados os serviços de transporte, visto que as respostas dos diligenciados confirmaram tal situação, de forma que os documentos apresentados como despesas com prestação de serviços de transporte por pessoas jurídicas foram aceitos. Da análise dos contratos de transportes realizados pelas pessoas físicas e jurídicas, discriminados nas planilhas, verificou a Fiscalização que o valor total dos contratos de transporte apresentados foi de R$ 14.321.982,91, discriminados da seguinte maneira: Pessoas Físicas = R$10.050.132,43; Pessoas Jurídicas = R$ 4.271.850,48 e o valor dos contratos de transporte de pessoas físicas e jurídicas contabilizados foram: Pessoas Físicas = R$ 12.926.119,27 e Pessoas Jurídicas = R$ 5.341.521,09, Estornos PF e PJ = R$ 7.401.437,43. Registrouse que o total dos contratos de transporte contabilizado foi, portanto, de R$ 10.866.202,93, tendo em vista a desconsideração das planilhas de estornos dos contratos de transporte, os valores foram calculados proporcionalmente aos contratos de transporte contabilizados, conforme planilhas de folha 5.164. Os valores mensais dos contratos de transportes de Pessoas Físicas não comprovados como despesas de transportes está demonstrado à folha 5.165, totalizando o valor de R$7.688.862,14 e a Fiscalização refez a apuração do resultado do ano de 2007, chegando ao valor de R$ 7.848.352,99, como diferença da base de cálculo do IRPJ, (em relação ao que constou no LALUR), conforme demonstrativo de folha 5.166, além disso, tendo por base que a Interessada adotou o regime de apuração pelo Lucro Real, ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativa da contribuição para o PIS e para a COFINS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Registrouse que o sistema da não cumulatividade prevê a dedução de créditos calculados em função dos custos e despesas com o valor das contribuições apuradas em função da receita auferida e que um dos créditos a que a recorrente teria direito são as "despesas de frete na operação de venda" e "serviços utilizados como insumo" e que a recorrente utilizouse dos contratos de transporte realizados pelas pessoas físicas e jurídicas, porém, considerando que os transportes prestados por pessoas físicas não foram comprovados, os créditos deles decorrentes foram glosados, conforme demonstrado nas tabelas de folhas 5.167 5.168, e demonstrativos de apuração de folhas 5.171 5.174, que tiveram como base os valores da DACON. Em virtude dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da recorrente de reduzir o montante devido dos tributos, inclusive falsificando documentos (contratos de transporte prestados por pessoas físicas) foi aplicada a multa de ofício de 150% sobre os valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e, em decorrência, foi lavrado Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no processo n° 15586.720095/201287. Devidamente cientificada das imputações fiscais (fl.5.227), a recorrente apresentou Impugnação instruída por documentos na qual argui que consoante se comprova pelo seu contrato social, tem como objetivo a prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas e para cumprir com todas as obrigações contratadas utilizase de veículos e motoristas próprios, bem como subcontrata outros prestadores de serviços, seja pessoa física ou jurídica. Fl. 5418DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 4 5 Alegou que os contratos firmados com as pessoas físicas não são falsos e produziram seus regulares efeitos, sendo que, dadas as peculiaridades de cada transporte e, considerando a quantidade de motoristas contratados, a confecção de contratos se fazia essencial para a manutenção da isonomia concedida aos funcionários, isso porque presta serviços a diversos clientes distintos e cada um possui um ou mais locais de entrega, sendo que para cada entrega é utilizada uma rota distinta e cada rota possui um preço prefixado, que é calculado pela distância do ponto de partida ao ponto de entrega, alegando que não influenciam neste preço as condições do trajeto, seja a dificuldade do percurso, a condição do asfalto, a presença de locais de parada satisfatórios etc. Alegou, contudo, que estes fatores são de crucial importância para a segurança e saúde dos motoristas, o que impõe a fixação de condições distintas para cada um, visando assegurar a isonomia entre eles e como bem destacado pela Fiscalização, cada motorista possuía uma contraprestação fixa, bem como uma comissão sobre o valor de cada transporte efetuado, que variava de 2% a 7%, sendo que este percentual da comissão era calculado de acordo com cada rota, visando, assegurar a isonomia entre os motoristas. Alegou que caso uma determinada rota fosse mais perigosa, o percentual era elevado, da mesma forma, se as condições de hospedagem e alimentação fossem mais custosas, o percentual também era elevado, e assim por diante, sendo que cada transporte possuía uma despesa distinta, entretanto, todos os transportadores pessoas físicas estavam em condição isonômica, o que estimulava seus trabalhos. Concluiu diante disso, que não haveria dúvidas de que estes contratos são válidos, uma vez que fixam apenas as condições dos transportes, visando assegurar a isonomia entre os motoristas e, consequentemente, as despesas tidas em função destes contratos não poderiam ter sido glosadas, uma vez que se referem exatamente à prestação de serviços retro mencionada. Aduziu que a Fiscalização utilizouse de depoimentos de pessoas físicas para entender que os contratos firmados eram falsos e, então, glosar as deduções realizadas, o que implicaria dizer que a Fiscalização considerou verídicos os depoimentos realizados, cujos efeitos se estendem a todas as partes, mas, as pessoas físicas ouvidas afirmaram terem sido ou serem seus funcionárias, que recebiam um salário fixo mais comissão e que os pagamentos eram feitos em dinheiro e os contratos firmados com as pessoas físicas tinham como único objetivo assegurar a isonomia entre as diversas pessoas físicas que realizavam o transporte, circunstâncias que no entender da recorrente não excluem as despesas tidas com os transportes, pois, a despesa, o desembolso financeiro realizado é um só e tem um só objetivo, qual seja, a realização do transporte. Defendeu, destarte, que nessa condição, a contratação de pessoas físicas por meio de contrato de prestação de serviços, funcionários (motoristas) e subcontratação de outras pessoas jurídicas para realizar determinado transporte relacionase diretamente à consecução de objetivo social, qual seja, o transporte rodoviário de cargas e não há como negar que as despesas tidas com o pagamento dos funcionários (motoristas de caminhão) têm como função possibilitar a continuidade da prestação dos serviços a seus clientes. Afirmou ser importante frisar que havendo despesa e sendo ela relacionada ao objeto social do contribuinte, ela deve ser deduzida das receitas auferidas e quanto ao lançamento do PIS e da COFINS, pela análise da primeira planilha constante na página 15 do TVF, foram glosados R$ 11.390.805,79 referentes a contratos de transporte firmados com Fl. 5419DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 pessoas físicas, ocorrendo que na página anterior àquela, afirmouse que foram glosados R$ 7.688.862,14 referentes aos contratos de prestação de serviços pelas pessoas físicas, cujos cálculos para apuração já haviam sido demonstrados, de forma que estando cabalmente demonstrada a existência de um grave erro no auto de infração, não há plausibilidade na sua manutenção, o que impõe seu imediato cancelamento. Por fim, reputou que a multa aplicada é inconstitucional por caracterizar confisco e que houve ilegalidade e arbitrariedade no procedimento da representação fiscal para fins penais, pois, a Lei nº 9.430/96, determina que a representação fiscal será encaminhada ao Ministério Público somente depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sendo a representação fiscal lavrada antes do trânsito em julgado do processo administrativo, requerendo prova pericial, apresentando quesitos e demais informações conforme fls. 5.252 5.254. A 8ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 5.342 a 5.359, julgou o lançamento procedente, rejeitando de início o pleito pela realização de perícia e no mérito assentando que a Fiscalização relatou que as despesas referentes à prestação de serviços de transporte de pessoas físicas foram fictícias, sendo as mesmas glosadas da apuração do Lucro a multa de ofício de 150% sobre os valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, uma vez que a intenção de reduzir o montante devido dos tributos, configurouse pela falsificação de documentos (contratos de transporte prestados por pessoas físicas), o que gerou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, PA 15586.720095/201287. Mencionou a decisão recorrida que por sua vez a recorrente alegou que as despesas decorrentes destes contratos não poderiam ter sido glosadas, porquanto se referem ao seu objetivo social, qual seja a de prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas e acrescentou que a contratação de pessoas físicas por meio de contrato de prestação de serviços, funcionários (motoristas) e subcontratação de outras pessoas jurídicas para realizar determinado transporte relacionase diretamente à consecução de seu objetivo social, qual seja, o transporte rodoviário de cargas e, portanto, tais despesas são necessárias a sua atividade empresarial. Feito este resumo dos autos, esclareceu a decisão recorrida que o fundamento da autuação não foi a “necessidade” ou não das despesas, mas sim, a comprovação que de fato os serviços mencionados nos contratos apresentados, efetivamente existiram, foram prestados, e os respectivos valores foram pagos. Dito isso, asseverouse que em relação aos fatos, consta nos autos, que pessoas físicas contratadas pela recorrente foram intimadas a prestar informações sobre os mencionados contratos e reportou a Fiscalização que considerou estranho o procedimento padrão da entrega das respostas pelas pessoas físicas, razão pela qual foram emitidos Termos de Intimação Fiscal, solicitando aos prestadores de serviços “Pessoas Físicas” que comparecessem à Receita Federal do Brasil para prestarem informações. Nessa ordem de ideias, frisou a decisão recorrida que às folhas 216 a 319 e 5.157 a 5.161, constam as informações prestadas pelas pessoas físicas, passando a reproduzi las textualmente, visando assim evidenciar os expedientes adotados pela recorrente ao forjar os respectivos contratos. Citou ainda os outros tantos elementos coligidos em procedimento de fiscalização, concluindo que a recorrente nada contrapôs na sua impugnação, restringindose a Fl. 5420DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 5 7 alegar que os depoimentos das mencionadas pessoas físicas, por si só, não comprovariam que os ditos contratos eram falsos. Relembrouse o conteúdo do artigo 404, do Código de Processo Civil, segundo o qual é lícito provar por testemunhas a divergência entre a vontade real e a vontade declarada nos contratos simulados. E que ficou claro nos autos que as pessoas físicas (carreteiros), não atuaram como prestadores de serviços de transporte de cargas para a Interessada durante o ano de 2007, sendo que, por várias vezes, funcionários da Interessada lhes solicitaram que assinassem os contratos referentes a tais serviços, ficando igualmente claro que além do Fisco, as pessoas físicas também foram ludibriadas, pois, nos autos consta que, estas quando perguntavam o motivo pela assinatura dos contratos, lhe diziam que era para simples controle interno e que somente recebiam seus salários e mais uma ajuda de custo irrisória que era para custear despesas de alimentação e demais despesas da estrada. Assentouse nessa linha de ideias, que conforme já acima mencionado, a recorrente não contestou a veracidade dos fatos relatados pelas pessoas físicas supostamente contratadas para prestar os serviços de transporte rodoviário. Desta forma, não haveria como abrigar impugnação que não logra desconstituir os fundamentos da autuação, registrando que o parágrafo 1º, do artigo 9º, do DecretoLei nº 1.598 de 1977, estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais e os contratos apresentados não preenchem os requisitos do mencionado dispositivo legal, uma vez que revelouse que o seu conteúdo não expressou a verdade real. Por fim, reputouse que a recorrente não acostou aos autos outros documentos além dos mencionados instrumentos, revelandose correta a conclusão da Fiscalização no sentido de que as pessoas físicas supostamente contratadas, (os motoristas dos caminhões), eram funcionários da recorrente na época e que possuíam carteira assinada com salários em média de R$1.000,00 (mil reais) e que os caminhões que dirigiam eram de propriedade da Interessada, tendo sido assinados os Contratos de Transporte à pedido própria contribuinte, sendo que os caminhoneiros não recebiam os valores constantes dos contratos de transportes, que recebiam apenas uma ajuda de custo para despesas pessoais que variava de 6 a 7% do valor dos contratos de transporte e que os documentos entregues anteriormente, informando que prestaram serviços de transporte para a Interessada, foram confeccionados pela própria recorrente e entregues a estes para apresentação à Receita Federal, ou entregues por outros funcionários da própria contribuinte, julgando assim, correta a glosa dos valores tidos como despesas de contratos de transporte supostamente celebrados com pessoas físicas. Quanto às contribuições, lançadas por mera decorrência, aplicouse o mesmo entendimento, ressaltando que em relação ao PIS e COFINS, para os quais a recorrente atribuiu grave equívoco numérico no lançamento, fora informado e explicado pela Fiscalização nas páginas 14/15, e nos demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS, a planilha da página 15, trata da glosa dos créditos a descontar apresentado pela Interessada na sua DACON, e a planilha de fls.14, trata da glosa de despesas, que, no caso se referiu aquelas referentes aos contratos de transporte com pessoas físicas, que totalizou R$ 7.688.862,14 no ano de 2007. Ou seja, concluiu a decisão recorrida que naquelas páginas está bem claro que o valor de R$ 11.390.805,79, referese ao total anual da glosa das despesas que compuseram o campo referente aos créditos a descontar declarados pela recorrente na sua Fl. 5421DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 DACON, calculado com base na diferença destas despesas declaradas com a parcela dos valores que foram comprovados, que, no caso se referiram às despesas referentes aos contratos com as pessoas jurídicas, registrandose que as despesas ligadas aos contratos com pessoas jurídicas foram aceitas tão somente no âmbito da amostragem procedida pela Fiscalização, de sorte que tendo por base que o presente lançamento decorre das despesas não comprovadas quando da apreciação do lançamento do IRPJ, guardando relação de causa e efeito, temse que, negado provimento à impugnação referente ao lançamento do IRPJ, negase, também, em relação ao PIS e da COFINS não cumulativos. No tocante ao agravamento da multa, consignou a decisão recorrida que os fatos acima expostos comprovam de forma objetiva que a recorrente efetivamente agiu com a intenção de omitir informações ao Fisco, por meio de uso de documentos inidôneos consistentes em contratos falsos de transporte prestados por pessoas físicas, bem como, contabilizou e informou nas DIPJ e DACON despesas não existentes, fundados nos mencionados documentos inidôneos, resultando em redução ou supressão de tributo e, constatada a existência de documentos falsos decorre o evidente intuito de omitir tributo, devendo ser aplicada a multa agravada de 150% conforme dispõem os dispositivos legais mencionados nos autos de infração. Em conclusão afastouse a alegação de confisco mantendose os auto de infração. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário evidenciando os fatos, já relatados, suscitando preliminar de nulidade por verificado cerceamento ao seu direito de defesa, porquanto os auto de infração não retratariam os fundamentos de fato e de direito com a necessária exatidão, não sendo possível compreender os motivos que levarão a Fiscalização a glosar a integralidade dos contratos firmados com as pessoas físicas para realização de transporte. Ainda em sede preliminar afirmou que os autos de infração seriam nulos por terem sido feitos de maneira proporcional, porquanto a glosa se deu unicamente em relação aos contratos celebrados com as pessoas físicas, reconhecendo a Fiscalização a validade dos contratos celebrados com as pessoas jurídicas, de sorte que não seria necessária a proporcionalização que a contribuinte reputa realizada no auto de infração. Quanto ao mérito, discorreu acerca da validade dos contratos firmados, reputandoos legítimos e aptos a produzir os regulares efeitos, reiterando para tantos os fundamentos já relatos na impugnação. Defendeu que a glosa realizada se reveste de ilegalidade, porquanto baseada apenas em depoimentos colhidos das pessoas físicas, o que não seria conclusivo o suficiente para impor a glosa, alegando que as despesas em questão são operacionais e, portanto, dedutíveis. Por fim, reafirmou o argumento no tocante à inconsistência no cálculo do PIS e da COFINS em argumentos idênticos aos já relatados. Insistiu na ilegalidade da multa qualificada e requereu o provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 5422DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A recorrente sustenta em preliminar que os autos de infração seriam nulos por verificado cerceamento ao seu direito de defesa, porquanto as imputações realizadas, fáticas e jurídicas, não lhe permitiriam compreender com exatidão a matéria. Ao contrário do que arguiu a recorrente não vejo nos autos de infração qualquer obscuridade, tergiversação ou insegurança em suas conclusões, na verdade o raciocínio da Fiscalização foi até certo ponto singelo, foram glosadas despesas consideradas não comprovadas, verificandose que as tais despesas, oriundas de suposta prestação de serviços de transporte de pessoas físicas foram fictícias, sendo estas excluídas da dedutibilidade na apuração do Lucro Real e da Base de Calculo dos créditos do PIS e COFINS não cumulativos. Seguramente nada há de contraditório ou confuso em tal imputação. A Fiscalização verificou determinadas despesas, calcadas em contratos de prestação de serviços de transporte supostamente realizados por pessoas físicas contratadas, intimou a recorrente para comprovar a efetividade dos serviços prestados, um dos atributos para a dedutibilidade, a contribuinte não logrou fazêlo a contento da Fiscalização que fundamentou a exclusão das despesas na dedutibilidade e consequente apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições em questão. Quer me parecer que a matéria tributável está perfeitamente identificada e identificável, não havendo falar em cerceamento de defesa ou dificuldade de depreensão das imputações fáticas ou jurídicas, porquanto os autos de infração espelham os dispositivos e relatam os fatos de maneira mais do que satisfatória. Também não se alegue que o fato de a Fiscalização haver aceitado os contratos celebrados com pessoas jurídicas com eventual confusão ou imputação proporcional. O que houve foi efetiva aceitação de uma despesa e glosa de outra. Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade advinda de suposto cerceamento de defesa. Quanto ao mérito, tal qual o fez a decisão recorrida, importa marcar os exatos limites da glosa levada a efeito. Neste propósito, muito embora ao analisar a preliminar acima, já o tenha o feito, cumpre dizer que a Fiscalização relatou que as despesas referentes à prestação de serviços de transporte de pessoas físicas foram fictícias, ou seja, não foram glosadas a necessidade das despesas ou sua usualidade, antes, porém, a própria efetividade. Diante deste cenário, de não comprovação das despesas, estas foram glosadas da apuração das bases de cálculo, acrescida a citada glosa, de multa de ofício de 150% sobre os Fl. 5423DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, uma vez que a intenção de reduzir o montante devido dos tributos, configurouse pela falsificação de documentos (contratos de transporte prestados por pessoas físicas). Vale, por oportuno, relembrar o caminho percorrido pela Fiscalização para atingir as conclusões que redundaram na lavratura dos autos de infração. Com efeito, consta no Termo de Verificação que em virtude do volume de despesas de subcontratação de transportes de pessoas físicas e jurídicas, a recorrente foi intimada a apresentar contratos, subcontratos, documentos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, planilhas e demais informações comprobatórios das despesas com subcontratação de transportes com pessoas físicas e jurídicas, conforme fls. 5.154 5.155. De acordo com o que reportou a Fiscalização, com base nos contratos de transporte foram verificadas as pessoas físicas e jurídicas que mais prestaram serviços para a recorrente e assim, feitas diligências e solicitações com vistas a informar se tais pessoas prestaram serviços de transporte de cargas para a recorrente e apresentar documentos comprobatórios dos serviços prestados (conhecimentos de cargas, notas fiscais, contratos, etc), bem como comprovar o efetivo recebimento dos valores referentes às citadas transações através de documentos (extratos, depósitos, etc). Seguindo esta linha de investigação foi que a Fiscalização recebeu várias respostas “padrão”, entregues por empregados da recorrente, com cópia dos contratos de frete já anteriormente apresentados, aduzindo que os valores que constam nos contratos de frete foram recebidos em dinheiro, situação que gerou estranheza e desencadeou a solicitação aos prestadores de serviços Pessoas Física que comparecessem à Receita Federal do Brasil para prestarem informações, às quais estão transcritas às folhas 5.152 5.161 e foram minuciosamente reportadas pela decisão recorrida. O que se tem, ao contrário do que sugere a recorrente, não é uma glosa baseada em depoimentos inconclusivos, seguramente a estes depoimentos, (dos motoristas dos caminhões), levaram à conclusão de que eram empregados da recorrente na época e que possuíam carteira assinada com salários em média de R$ 1.000,00 (mil reais), sendo que os caminhões que dirigiam eram de propriedade da recorrente e que assinaram os Contratos de Transporte a pedido dela contribuinte, mas não recebiam os valores constantes dos contratos de transportes, que recebiam apenas uma ajuda de custo para despesas pessoais que variava de 6 a 7% do valor dos contratos de transporte e que os documentos entregues anteriormente, informando que prestaram serviços de transporte, foram confeccionados pela própria recorrente e entregues a estes para apresentação à Receita Federal, ou entregues por outros funcionários da própria Interessada, ou seja, ficou caracterizada a contento a falsidade material dos contratos que lastrearam as despesas, sendo irretorquível a conclusão da decisão recorrida. Quanto à multa qualificada, presente o relato feito acima para evidenciar a falsidade material dos contratos, quer me parecer até mesmo despiciendo lançar novamente os fundamentos que autorizam a qualificação multa. É inequívoco o evidente intuito de fraude e a intenção dolosa em reduzir o montante devido, motivo pelo qual, mantenho também a decisão recorrida no tocante à qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%. Em relação aos lançamentos reflexos, tal como o fez a decisão recorrida o entendimento deve ser estendido. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 5424DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.720094/201212 Acórdão n.º 1301001.266 S1C3T1 Fl. 7 11 Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 5425DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10930.005229/2008-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPROCEDÊNCIA. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE CONTESTAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Não pode o contribuinte ser excluído do Simples Nacional por força de débito que encontrava-se com a exigibilidade suspensa por força de recurso administrativo.
Numero da decisão: 1802-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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IMPROCEDÊNCIA. DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE CONTESTAÇÃO ADMINISTRATIVA. Não pode o contribuinte ser excluído do Simples Nacional por força de débito que encontravase com a exigibilidade suspensa por força de recurso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 52 29 /2 00 8- 59 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.005229/200859 Acórdão n.º 1802002.004 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Trata o presente processo da Manifestação de Inconformidade de fl. 1, apresentada em 06/10/08 contra o Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 0086488, de 22/08/08, fl. 2, que excluiu a empresa em questão do Simples Nacional a partir de 01/01/09, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. 2. Em sua peça defensiva, alega a empresa possuir “defesa administrativa sob protocolo nº 10930.001139/200716, com a data de 08 de Agosto de 2007,” e que “vem pagando o parcelamento que trata no art. 79 da, Lei Complementar 123, de 2006, definida na no art. 20 da Resolução CGSN no 004; de 30 de maio de 2007, complementada na Resolução n° 20, de 15 de agosto de 2008, conforme comprovantes de pagamentos em anexo.” 3. “Diante do acima exposto, a empresa vem respeitosamente requerer a revogação do Ato Declaratório Executivo DRF/LON no 086408 de 22 de agosto de 2008, em virtude da empresa estar atendendo aos ditames da Lei supra mencionada.” A DRJ de Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. DÉBITO. EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possua débito, sem a exigibilidade suspensa, com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que oriundo da Secretaria da Receita Previdenciária, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 15/02/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 29/02/2012, alegando que: “a) Apresentou a Recorrente, em tempo oportuno a Contestação à Exclusão do Simples Nacional ocasionada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/LON n^ 086488 de 22/8/2008. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.005229/200859 Acórdão n.º 1802002.004 S1TE02 Fl. 38 3 Alegou a Recorrente em sua defesa à época (doe. 01) que os débitos oriundos do Al Auto de Infração nº 37.088.9282 DEBCAD nº 37.088.9274, foram parcelados na forma da lei com exceção dos valores constantes da Tabela B LEVANTAMENTO PAGAMENTO A AUTÔNOMOS FP2 (doc. 02 ) do referido auto, por motivo desse débito ter sido objeto de recurso administrativo impetrado junto à Receita Federal do Brasil. No entanto, o Recurso de Contestação à Exclusão do Simples Nacional não foi acolhido pela 6ª Turma da DRJ/CTA que julgaram improcedente por unanimidade o recurso supramencionado (doc. 03 a 05). O relator do processo no seu voto descreve assim: 6. " ... verificouse que existem débitos não passíveis de inclusão no parcelamento de que trata o art. 79 da LC n? 123/2006, visto que se referem à contribuição de que trata o art. 21 da Lei 8.212/91, qual seja, a do segurado contribuinte individual, fls. 33/39)" (doc. 05). b) A Recorrente não obteve êxito no recurso analisado pela 6ã Turma da DRJ/CTA, pelo fato de, segundo o voto do relator, haver débitos não passíveis de parcelamento, porém os argumentos da Recorrente no recurso administrativo impetrado junto à Receita Federal do Brasil obteve êxito pela 53 Turma da DRJ/CTA. A Receita Federal do Brasil concluiu assim a Diligência Fiscal à 5a Turma da DRJ/CTA (doe. 12): 5. " Face impugnação apresentada, fls. 31 a 33 e dos documentos anexados ao processo, fls. 41 a 62, que esclarecem a relação jurídica entre empresa e os prestadores de serviços, sejam monitores, estagiários e prestadores de serviços pessoas jurídica, os quais motivam a retificação parcial dos lançamentos realizados pelo fisco". 6. "Portanto, acolhendo as razões expostas pelo sujeito passivo e ante os documentos apresentados, entendemos devam ser excluídas dos valores lançados as remunerações pagas a monitores, estagiários e honorários, consequentemente as contribuições ao Fundo de Previdência Social e para Custeio dos Riscos Ambientais no trabalho. Em decorrência retificamos os valores lançados no Auto de Infração nas competências 02/2005 a 12/2005 no que diz respeito: estagiários, monitores e honorários, em conformidade com as alegações do sujeito passivo" c) A Receita Federal do Brasil emitiu a Consulta Regularidade das Contribuições Previdenciárias (doc. 19 e 20). Esse documento atesta as alegações de regularidades da Recorrente. d) Destarte, inexiste débito previdenciário ou fiscal que justifique a exclusão da Recorrente do Simples Nacional.” Este é o Relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.005229/200859 Acórdão n.º 1802002.004 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de processo onde a Recorrente alega que sua exclusão do Simples Nacional não deve prosperar eis que a fundamentação do Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 086408/2008 que determinou sua exclusão é insubsistente. Consta do ato: Art. 1º Fica excluida do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microernpresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jiridica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, relacionados no item 'Pessoa Jurídica', assunto ''Simples Nacional', do Sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na intemet, no endereço eletrônico <www.receita.fazenda.gov.br>, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na allnea 'd’ do inciso II do art. 7, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN n2 15, de 23 de julho de 2007: A lide em síntese está focada em parte do débito constante do auto de infração nº 37.088.9282 DEBCAD nº 37.088.9274, objeto da exclusão em que por um lado a Receita Federal entende que não foi objeto de qualquer parcelamento e, portanto, não está com a exigibilidade suspensa, gerando a exclusão do Simples Nacional; e, por outro lado, a Recorrente concorda que não foi objeto do parcelamento, contudo estava sendo objeto de contestação admnistrativa que já teve decisão transitada em julgado favorável. Não cabe a análise do parcelamento em 120 meses, primeiramente porque os comprovantes de pagamento estão acostados como prova no processo anexa a manifestação de inconformidade, bem como não foi objeto de questionamento pela Receita Federal, nem a fundamentação do ADE DRF/LON nº 086408/2008. De acordo com a informação da Secat de Londrina (PR), o débito cuja exigibilidade não estaria suspensa seria o débito previdenciário da IP nº. 313844/2008 (fls. 25), débito esse que segundo a informação fiscal referente ao débito em questão (fls. 92 / 104), devem ser excluídos por se tratarem de pagamentos a monitores, estagiários e honorários. A parte não suspensa por força do parcelamento estava suspensa por força de defesa no Processo Administrativo nº 11634.000717/200704, aberto para a cobrança dos valores que não puderam ser objeto de parcelamento. Como a Recorrente havia contestado também aquele processo, o mesmo encontravase com a exigibilidade suspensa por força do CTN, art. 151, III, senão vejamos: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10930.005229/200859 Acórdão n.º 1802002.004 S1TE02 Fl. 40 5 III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;” Desse modo, o débito que originou a exclusão da Recorrente do Simples Nacional era objeto de Processo Administrativo, o qual até o seu trânsito em julgado havia suspendido a sua exigibilidade. Por todo o exposto, considerando ainda o doc. 19 acostado a defesa da Recorrente em que a Receita Federal atesta a regularidade de todos os débitos previdenciários da contribuinte em questão, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, invalidando o ADE DRF/LON nº 086408/2008 que excluiu equivocadamente a contribuinte do Simples. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10580.726625/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 26/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 25 /2 00 9- 11 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pela recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. EDITADO EM: 26/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 137.069,69, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726625/200911 Acórdão n.º 2201001.784 S2C2T1 Fl. 3 3 atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 09/07/2010 (efl. 110), Maria Jacy de Carvalho interpôs, em 18/07/2010, o Recurso Voluntário de efls. 73/109, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi julgado em 15/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 114). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Preliminares Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726625/200911 Acórdão n.º 2201001.784 S2C2T1 Fl. 4 5 competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede a alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste determina expressamente a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos recebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere dos autos, efls. 14/23, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Mérito No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, nesse sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Nesse caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (inciso II do art. 111 do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a verba como rendimentos isentos e não tributáveis e, ao apresentar sua Declaração de Ajuste, o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, esse erro não foi provocado pelo contribuinte. Desse modo, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726625/200911 Acórdão n.º 2201001.784 S2C2T1 Fl. 5 7 – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Nessas condições penso que não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc (Despacho de efl. 114) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726625/200911 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.784. Brasília/DF, 15 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726625/200911 Acórdão n.º 2201001.784 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10707.000858/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
LEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado nos autos que o contribuinte é o real beneficiário dos rendimentos considerados omitidos no lançamento, não há que se falar em ilegitimidade passiva.
MULTA QUALIFICADA.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando restar caracterizado o intento doloso do contribuinte de se eximir do imposto devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. LEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado nos autos que o contribuinte é o real beneficiário dos rendimentos considerados omitidos no lançamento, não há que se falar em ilegitimidade passiva. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando restar caracterizado o intento doloso do contribuinte de se eximir do imposto devido. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 08 58 /2 00 8- 36 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 329 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BIANCA CRISTINA BONATES DIEKE foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2006, exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 865.502,56, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/06/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 14/33, foram omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda, mediante precatório (processo n 97.00123774 da 29 Vara Federal), dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas com instrução e dedução indevida de previdência privada/FAPI. Do Termo de Verificação Fiscal extraise os seguintes trechos, que ilustram o contexto em que as infrações foram apuradas e a motivação para a qualificação da multa de ofício: Foram apresentadas pela contribuinte as declarações anuais de rendimentos, contendo, a princípio, afirmações falsas a respeito das DEDUÇÕES E OMISSÃO DE RENDIMENTOS, com a finalidade de reduzir o imposto devido, objetivando, a princípio, reaver o imposto retido na fonte, restando consumada, em tese, a fraude fiscal. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 330 3 No Termo de Esclarecimento/Depoimento da procuradora da contribuinte a mesma declara que "Perguntada sobre a pessoa responsável pelo preenchimento das declarações apresentadas em nome de sua filha, declarou que quem fez as últimas declarações foi o contador Sr. Paulo Alberto Frizzera, recebendo pelo trabalho R$ 500,00 acrescido de 20% sobre o valor a ser restituído, caso houvesse restituição. Na oportunidade, a declarante apresentou quatro guias de depósitos na contacorrente nº 030375, agência 6159, mantido pelo Sr. Paulo Alberto no Banco Itaú. Os valores foram depositados em 19/09/2007 (três depósitos de R$ 2.000,00) e em 03/12/2007 (depósito de R$ 2.300,00). Declarou que o Sr. Paulo foi indicado por uma pessoa que não recorda o nome. Declarou que toda a documentação era entregue ao Sr. Paulo para o preenchimento das declarações, todavia esses documentos não foram devolvidos pelo contador. Declarou que a renda recebida pela sua filha referiase à pensão paga pelo Ministério da Fazenda, apresentando cópias de peças do Processo Judicial. Declarou que sua filha atualmente tem vinte anos, não possuindo quaisquer dependentes, cursando a Universidade Estácio de Sá. Declarou que não reconhece os dependentes relacionados nas declarações retificadoras entregues em nome de sua filha, bem como não reconhece as deduções pleiteadas naquelas declarações. Todavia, esclarece que as deduções a que sua filha teria direito não foram relacionadas nas declarações. Declarou que sua filha recebeu a título de precatório em 2005 o valor R$ 1.308.805,59, deduzido o valor do advogado dá líquido R$ 1.094.044,47, ficando de apresentar o comprovante de recolhimento do IR Fonte. Declarou que após sua filha receber a intimação, a declarante contatou o Sr. Paulo Alberto, e este a recomendou que não deveria atender ao Fisco, que tudo cairia no esquecimento". (...) Verificase, pela descrição de todos os fatos anteriormente expostos que: 1) A procuradora e mãe da contribuinte declarou "Que quem fez as últimas declarações foi o contador Sr. Paulo Alberto Frizzera, recebendo pelo trabalho R$ 500,00 acrescido de 20% sobre o valor a ser restituído, caso houvesse restituição"; 2) Na declaração original, anocalendário de 2005, não declarou o valor do precatório, mas, retificou essa declaração e inclui o valor do precatório, mas não pagou o imposto a que estava obrigada, porém, tornou a retificar a declaração, para retirar o valor do precatório. 3) Retificou a declaração de Ajuste Anual, do anocalendário de 2005, em 27/04/2006, incluindo o valor expressivo de R$ 1.094.044,47, valor incorreto, obtendo IR a pagar no valor de R$ 260.105,63, que não foi recolhido aos cofres públicos. 4) Retificou novamente a declaração de Ajuste Anual, do ano calendário de 2005, em 03/01/2007, excluindo o valor expressivo Fl. 465DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 331 4 de R$ 1.094.044,47, incorreto, obtendo restituição no valor de R$ 18.606,65. 5) O valor correto do precatório recebido é R$ 1.099.071,54, diferente do informado na declaração. 6) A contribuinte esqueceu a obrigação principal de pagar o Imposto de Renda de R$ 260.105,63, mas não esqueceu de aumentar a restituição para R$ 18.606,65. 7) Será que o contador não foi questionado sobre os motivos de tanta mudança, isto é, havia uma obrigação de pagar o imposto que logo deixou de existir? 8) A procuradora e mãe da contribuinte declarou que "após sua filha receber a intimação, a declarante contatou o Sr. Paulo Alberto, e este a recomendou que não deveria atender ao Fisco, que tudo cairia no esquecimento". 9) A procuradora e mãe da contribuinte "Declarou que não reconhece os dependentes relacionados nas declarações retificadoras entregues em nome de sua filha, bem como não reconhece as deduções pleiteadas naquelas declarações". 10) Não foram confirmadas todas as deduções pleiteadas em duas Declarações de Ajuste Anual. 11) Importante esclarecer que a contribuinte Bianca Cristina, universitária, absolutamente capaz, também não lembrou de pagar a dívida de R$ 260.105,63, em seu nome. 12) Em tese, observase que houve um ajuste doloso entre essas pessoas, para reduzir o montante do imposto devido, deixando tudo no esquecimento e se preocupando com o aumento das restituições. Além dos fatos acima provados podese comprovar, em tese, o CONLUIO, pois as contribuintes, mãe e filha, também pagaram 20% do valor de cada restituição obtida, para o contador, conforme termo de depoimento da contribuinte de Maria de Jesus. Outro fato agravante para a aplicação da multa qualificada, além da prática reiterada pela contribuinte da inclusão de deduções indevidas nos 3(três) anoscalendário consecutivos, em 2004, 2005 e 2006, foi verificarmos que procedimento idêntico foi adotado por vários outros contribuintes. Destaquese que o fato de a contribuinte autorizar outrem a apresentar a declaração de ajuste anual do imposto de renda ou declarações retificadoras em seu nome não afasta sua responsabilidade pelas respectivas informações. Todavia, há que se frisar que o sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, Fl. 466DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 332 5 conforme inciso I, parágrafo único, art. 121, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, a responsabilidade pelas informações incluídas nas declarações de ajuste anual pertencem a contribuinte, não havendo espaço para se alegar o desconhecimento da legislação ou para se tentar transferir a um terceiro a obrigação que diz respeito ao sujeito passivo. Deve ser observado que salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, de acordo com o art. 123 do CTN. Dessa forma, o valor da multa de ofício incidente sobre o valor do respectivo imposto restituído indevidamente/pago a menor é de 150%, nos termos da legislação vigente. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 183/184 e 226/251, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/RJOII n 1324.169, de 09/04/2009, fls. 261/271. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/05/2009, fls. 272, a contribuinte apresentou, em 22/06/2009, recurso voluntário, fls. 279/300, trazendo as alegações a seguir resumidas: Da ilegalidade da sujeição passiva – A recorrente, por ser menor de idade e considerada incapaz para fins legais, nomeou sua mãe, a Sra. Maria de Jesus Pinto Bonates como sua representante legal, bem como sua procuradora. A legitimidade para figurar como sujeito passivo da presente é questionada, uma vez que, quem recebeu e administrou a importância de R$ 1.094.044,47, recebida a título de precatório decorrente do processo judicial n° 97.001.23774, em trâmite na 29° Vara Federal, fora sua mãe Maria de Jesus Pinto Bonates, sendo esta considerada a real beneficiária de fato, não o contrário, conforme aduz a decisão recorrida. No tocante ao Darf, que comprova a retenção na fonte, fica evidente que de fato foi retido a alíquota correta sobre o montante pago em cumprimento de decisão judicial, uma vez que o art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 392, de 30/01/2004, assim determina. Portanto, imputar uma penalidade devido a ausência de Darf comprovando a tal retenção é no mínimo injusta, uma vez que esse procedimento é fielmente exercido pela instituição financeira responsável. Da penalidade aplicada A qualificação da multa de ofício não se aplica ao caso, posto que a autoridade fiscal baseouse em conjecturas e não restou evidenciado nos autos o intuito de fraude. Caso seja mantida a qualificação da multa, pedese a aplicação da retroatividade benigna para reduzir o percentual da multa para 50%, considerando a alteração da redação do inciso II do art. 44 da Lei n 9.430, de 1996. Do cerceamento do direito de defesa – Nulidade do lançamento – A recorrente vem manifestar o seu completo inconformismo com a dificuldade em se manifestar a Fl. 467DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 333 6 respeito da forma de apuração do montante referente a despesas médicas e de despesas com instrução, acarretando, o completo cerceamento de seu direito de defesa. No Termo de Verificação Fiscal não se consegue entender o que a autoridade fiscal pretendia dizer com a expressão “em Informações Complementares”. Princípio da razoabilidade e da proporcionalidade – Ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, no que concerne ao percentual da multa de ofício. Conforme Resolução nº 2102000.105, de 20/11/2012, fls. 325/327, o julgamento do recurso voluntário apresentado pela contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 334 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese apreciar a alegação da contribuinte de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Nesse sentido, a contribuinte afirma que enfrentou dificuldades para a compreensão do Termo de Verificação Fiscal, no que concerne a expressão Em Informações Complementares utilizada quando da descrição das infrações de deduções indevidas de despesas médicas e de despesas com instrução. Para a análise da questão retratase a seguir trecho do Termo de Verificação Fiscal, fls. 24/26: Fl. 469DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 335 8 Ora, da leitura completa da descrição dos fatos resta cristalino que o procedimento adotado pela autoridade fiscal foi de não admitir as deduções fictícias e não comprovadas e acatar as deduções, que embora não tivessem sido pleiteadas pela contribuinte, em suas Declarações de Ajuste Anual (DAA), foram devidamente comprovadas durante o procedimento fiscal. O uso da expressão Em Informações Complementares, embora inapropriada, em nada prejudica o entendimento das infrações imputadas à contribuinte. E mais, o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado à contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo certo que o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pela recorrente. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 336 9 Ainda, preliminarmente, a contribuinte suscita erro na identificação do sujeito passivo, no que concerne à infração de omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda, mediante precatório (processo n 97.00123774 da 29 Vara Federal). Diz a recorrente que, por ser menor de idade, foi representada por sua mãe, a Sra. Maria de Jesus Pinto Bonates, na ação judicial e que sua representante recebeu e administrou a importância de R$ 1.094.044,47. Logo, entende que Maria de Jesus Pinto Bonates é que deve ser considerada a real beneficiária dos rendimentos decorrentes do precatório. Ora, o fato de a contribuinte ser menor de idade quando do recebimento dos rendimentos, não tem o condão de deslocar o sujeito passivo para sua representante legal. Como bem afirmou a decisão recorrida, os documentos juntados aos autos, demonstram claramente que a recorrente é a real beneficiária dos rendimentos recebidos em decorrência do processo judicial n°97.00123774, da 29ª Vara Federal, conforme se infere do Protocolo de Alvará e Levantamento, fls. 93, do contrato de serviços advocatícios, fls. 103, dos alvarás de levantamento, fls. 121/123, e do extrato do sítio da Justiça Federal, fls. 127, tudo a indicar que a contribuinte é a autora da ação judicial e, portanto, beneficiária dos rendimentos recebidos em decorrência da mencionada ação judicial. Nestes termos, também não pode prosperar a argüição da contribuinte de erro na identificação do sujeito passivo. Ainda no que concerne à infração de omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda, mediante precatório, a contribuinte afirma que foi retido o imposto de renda, na alíquota correta, conforme determina o art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 392, de 30/01/2004 e que imputar uma penalidade devido a ausência de Darf comprovando a tal retenção é no mínimo injusta, uma vez que esse procedimento é fielmente exercido pela instituição financeira responsável. Tais alegações não são pertinentes, posto que o imposto de renda retido na fonte foi devidamente compensado quando da apuração do imposto devido exigido no lançamento, sendo certo que nenhuma penalidade foi aplicada à contribuinte em razão da falta de apresentação do corresponde Darf, o qual foi obtido pela autoridade fiscal, mediante diligência, realizada durante o procedimento fiscal, junto à Caixa Econômica Federal. Por fim, devese apreciar a alegação da defesa de que a qualificação da multa de ofício não se aplica ao caso, posto que a autoridade fiscal baseouse em conjecturas e não restou evidenciado nos autos o intuito de fraude. Nesse ponto, adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida para a manutenção da qualificação da multa de ofício, os quais peço vênia para aqui transcrever: É bem verdade que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, também está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurge da reiteração de atos que tenham por escopo a redução do imposto devido. No caso, a interessada retificou em 26/07/2007 a sua DIRPF do ano calendário 2004, modificando o resultado de imposto a restituir de R$ 7.783,76 para imposto a restituir de R$ 17.167,04, e em 03/01/2007 retificou sua DIRPF do ano Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 337 10 calendário 2005, modificando o resultado de imposto a pagar de R$ 324.373,46 para imposto a restituir de R$ 18.606,65. Na DIRPF retificadora do ano calendário 2004 incluiu diversos dependentes falsos: Cícero, Pedro, Juliano, Rachel, Lucas, Mauricio, Antonio e Marise. Na DIRPF retificadora do ano calendário 2005 informou novos dependentes, também inexistentes: Fabio, Pedro, Sandra, Anderson, Alfredo e Ana Maria. O mesmo procedimento foi adotado na DIRPF original do ano calendário 2006: Henrique, Natasha, Nathalia, Victor, Rodrigo, Eduardo, Bruna e Diego. Em relação a todos esses "dependentes" incluiu informações falsas referentes a despesas com instrução. Também informou despesas médicas e contribuições a entidades de previdência privada em valores muito superiores aos efetivamente comprovados. No ano calendário 2005, excluiu ainda dos rendimentos tributáveis o montante recebido em decorrência de ação judicial, no valor de R$ 1.099.071,54, modificando o resultado de imposto a pagar apurado pela fiscalização de R$ 330.008,73, para imposto a restituir. À vista de tudo que consta dos autos fica claro não se tratar, como quer fazer crer a impugnante, de simples falta de recolhimento de tributo, de entendimento equivocado ou de simples erro no preenchimento da declaração. Resta cabalmente demonstrado, para qualquer pessoa de senso comum, que a interessada omitiu conscientemente rendimentos e informou dependentes e despesas médicas, despesas de instrução e contribuições à previdência privada falsas em suas Declarações de Imposto de Renda, visando eximirse de suas obrigações tributárias. Quanto às demais alegações da interessada, deve ser destacado que a responsabilidade pelo conteúdo e veracidade das informações constantes das declarações de ajuste anual pertence exclusivamente à contribuinte, mesmo que esta tenha delegado a um terceiro a tarefa de elaborar suas declarações. O fato de a interessada não ter tomado maiores cautelas na escolha de profissional para confeccionar suas declarações, deixando de examinar com a devida atenção as modificações efetuadas, não tem o condão de afastar a sua responsabilidade pelas infrações capituladas nos presentes autos. É incabível qualquer exclusão ou transferência da responsabilidade pelas infrações decorrentes da inclusão indevida de deduções em suas declarações de ajuste anual. A forma escolhida pelo contribuinte para elaborar suas declarações de rendimentos, as pessoas físicas às quais confiou essa tarefa ou as circunstâncias que provocaram tais escolhas são questões de cunho particular que não podem ser opostas ao Fisco. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 338 11 A responsabilidade do autuado é pessoal e intransferível, sendo irrelevante para o caso se as declarações foram elaboradas e transmitidas por um terceiro contratado pela interessada para esse fim, ou se esse terceiro porventura agiu de boa ou máfé. Concluise que deve ser mantida a multa aplicada. Acrescentese que a contribuinte completou 18 anos no dia 30/04/2005. Logo, na data da apresentação das DAA examinadas no procedimento fiscal, a contribuinte já não mais era menor de idade, sendo responsável por seus atos, nos termos do art. 5° da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que institui o Código Civil: Art. 5oA menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Do acima exposto, resta evidente que a contribuinte incorreu nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, sujeitandose, pois, à multa de ofício na sua forma qualificada, nos termos do disposto no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Quanto ao pedido da defesa de aplicação da retroatividade benigna para reduzir o percentual da multa de ofício para 50%, cumpre dizer que a multa de ofício imposta ao contribuinte foi aquela prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, de modo que não há que se falar em retroatividade benigna, posto que a alteração da legislação a que se refere a defesa ocorreu no inciso I do referido artigo 44. Melhor explicando, somente a multa de ofício exigida isoladamente teve seu percentual reduzido de 75% para 50%, já a multa de ofício proporcional, prevista no inciso I e exigida no lançamento, teve seu percentual mantido em 75%. Já no que tange à alegação de ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme inferese da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Nessa conformidade, devese manter a qualificação da multa de ofício. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 473DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10707.000858/200836 Acórdão n.º 2102002.982 S2C1T2 Fl. 339 12 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 15983.000964/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A matéria trazida apenas em sede recursal não será conhecida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.071
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, por voto de qualidade, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A matéria trazida apenas em sede recursal não será conhecida. Recurso Voluntário Negado
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A matéria trazida apenas em sede recursal não será conhecida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, por voto de qualidade, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 09 64 /2 00 9- 55 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 121 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 05/11/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 18/11/2009, referese às contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviço à autuada no período de 01/2005 a 12/2005. Conforme o relatório fiscal de fls.32/51, o débito foi arbitrado, já que os valores declarados pelo contribuinte em GFIP divergiam dos valores constantes das folhas de pagamento, da contabilidade, dos valores informados nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e na RAIS. Constam desta autuação os seguintes levantamentos: DRG , Diferenças de RAIS e GFIP DCF, Diferença Contabilidade da Folha PAR, ProLabore Arbitrado, AAR, Autônomos Arbitrado, Na impugnação a autuada se insurge contra o lançamento dizendo: a) que o auto de infração é nulo porque o procedimento fiscal foi omisso quanto aos meios utilizados para a quantificação dos supostos pagamentos efetuados e supostamente não registrados; b) que a fiscalização levou em consideração o saldo final das contas contábeis sem observar que valores foram estornados; c) que é comum existir divergências entre bases contábeis e tributárias, pois as verbas indenizatórias não são passíveis de incidência; d) que a comparação efetuada pelo fisco se restringiu aos salários a pagar e os valores declarados em GFIP; e) que foram desconsiderados os valores já recolhidos; f) que a multa aplicada é ilegal porque está em desacordo com a legislação vigente; g) que a multa é aplicada por decreto, não estando cominada na lei; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 h) que é absurdo deixar ao critério da fiscalização a identificação de condutas dolosas para graduar a multa; i) a autuação é improcedente e a multa é ilegal e inconstitucional; j) que o auto de infração não contempla a fundamentação legal da aferição indireta. Por fim, requer que seja declarada a nulidade do procedimento fiscal e afastada a multa sob a suposta ausência de escrituração contábil em decorrência da ausência de critério utilizada pela fiscalização, e o cancelamento integral da autuação. Após a impugnação, Acórdão de fls. 84/95, julgou o lançamento procedente em parte para excluir os lançamentos arbitrados com base na RAIS e na DIRF, por falta de motivação do procedimento, já que não restou demonstrado porque o Fisco teria optado por essas fontes em detrimento da contabilidade. Aduz a decisão que a nulidade que motivou a exclusão seria de natureza formal. Foram excluídos os seguintes lançamentos: DRG , Diferenças de RAIS e GFIP DCF, Diferenças da Contabilidade e Folha PAR, ProLabore Arbitrado, AAR, Autônomos Arbitrado, Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que a autuação se refere as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração dos empregados, 8% e contribuintes individuais, 11%, mas que a alegação é improcedente porque descontou e recolheu tais contribuições, inexistindo o crime de sonegação fiscal; b) que a fiscalização não examinou os registros contábeis demonstram o recolhimento das exações; c) que não pode ser cobrada contribuição previdenciária sobre repasse a cooperado a título de prolabore, eis que os contribuintes individuais é que são responsáveis pelo recolhimento; d) que não pode incidir contribuição previdenciária a titulo de retenção entre a cooperativa e o cooperado, porque a cooperativa não remunera seus sócios, médicos cooperados, tampouco figura como tomadora de seus serviços; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 122 5 e) que as “sobras” são valores típicos de produção que não foram repassados aos cooperados no curso de um exercício; f) que a UNIMED somente será contribuinte quando empregadora , nunca na relação com os cooperados; g) que foram desconsiderados os valores já recolhidos; h) que não foram considerados estornos nas contas “salários a pagar” i) requer a produção de prova pericial; Requer o cancelamento integral da autuação pelos motivos expendidos e que os autos sejam baixados em diligência para a realização de perícia contábil, onde traz quesitos e nomeia seu perito. Protesta, ainda, pela apresentação de quesitos suplementares e documentos. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. O auto de infração em questão referese, exclusivamente, às contribuições relativas à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências de 01/2205 a 12/2005. O presente levantamento se deu por aferição indireta, porquanto o Fisco ao examinar os documentos que lhe foram disponibilizados, pela própria recorrente, vislumbrou diferenças havidas nas bases de cálculo da contribuição previdenciária informada em GFIP em confronto com as demais fontes analisadas, como as folhas de pagamento, os registros contábeis e declarações de imposto de renda retido na fonte. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 123 7 contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." O lançamento é fundamentado nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. O artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, explicita o que é documento deficiente: Art.233 (...) Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. A fundamentação legal para a utilização da aferição indireta constou do auto de infração no Discriminativo Fundamentos Legais do Débito – FLD, às fls. 15/16, bem como do Relatório Fiscal de fls. 32/51. Entretanto, é de se atentar que a decisão recorrida retificou o valor lançado, excluindo do lançamento os levantamentos arbitrados com base na RAIS e na DIRF, por entender que não restaram motivados em detrimento da utilização da contabilidade. Ou seja, entendeu a decisão que o Fisco não motivou a eleição de outras fontes, que não a contabilidade, para proceder ao arbitramento e por isso excluiu os lançamentos arbitrados com suporte na RAIS e na DIRF, por vício formal. O contribuinte não se insurgiu contra o fato, tampouco mencionou a exclusão dos lançamentos em sua peça recursal. Desta forma, temse como aceita a matéria, fazendo coisa julgada. Do exame dos autos se vê que os levantamentos excluídos pelo Acórdão recorrido foram: DRG , Diferenças de RAIS e GFIP; PAR, ProLabore Arbitrado e AAR, Autônomos Arbitrado, permanecendo no lançamento apenas as contribuições aferidas relativamente à cota do segurado empregado e apuradas através dos registros contábeis da autuada que contém valores contabilizados como remuneração divergentes daqueles constantes em folha de pagamento. Com relação às argüições de que os valores lançados na contabilidade não poderiam ter sido tomados como base da contribuição previdenciária por se tratar, à vezes de estornos, ou outras vezes de valores que não compõem o salário de contribuição, informo à recorrente que as alegações sem provas são tidas como inócuas, não se prestando a formar convencimento quanto à matéria em exame. O Fisco explicitou no relatório fiscal, porque foram tomados como base para o levantamento os valores constantes dos registros contábeis da recorrente, que não trouxe qualquer prova de que os mesmos estariam incorretos. Portanto, o levantamento deve ser mantido no que se refere aos valores lançados com suporte na contabilidade da recorrente. Quanto às demais razões trazidas na peça recursal, é de se ver que o recorrente inovou as alegações em recurso. Assim, as matérias que não foram expressamente impugnadas em primeira instância, não serão conhecidas por este Colegiado. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235/72, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235/72 na redação conferida pela Lei n º 9.532/97, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 124 9 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) A redação do art. 17 do Decreto n º 70.235 retrata o disposto no art. 302 do Código de Processo Civil, nestas palavras: Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Desse modo, analisando em conjunto o Decreto n º 70.235/72 e o Código de Processo Civil, vêse que o sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pelo Fisco. Em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235/72, não poderão ser alegadas em grau de recurso as matérias não impugnadas. No mesmo sentido é o disposto no art. 473 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. Até porque, o recurso visa a rediscussão das matérias já apreciadas pela decisão recorrida, de forma que não há como apreciar em fase de julgamento de recurso, matéria que não foi objeto da decisão de primeira instância,. À exceção são aquelas matérias que independentemente de argüição pelo sujeito passivo na impugnação podem ser conhecidas de ofício pelo órgão julgador, como às relativas a direito superveniente, surgida somente após a impugnação, ou no corpo da decisão de primeiro grau; ou as relativas às questões que o julgador pode conhecer de ofício como a decadência e os pressupostos processuais; ou às questões que envolvam nulidade absoluta, que são aquelas não passíveis de convalidação. No caso presente, o recurso inovou quanto à matéria de direito, que pela preclusão já exposta não será conhecida. Ademais, toda a argumentação acerca dos contribuintes individuais perdeu o sentido nesta autuação, onde após a retificação do crédito lançado, permaneceram apenas as contribuições relativas aos segurados empregados. Também, quanto à solicitação de perícia constante apenas da peça recursal, faço referência à preclusão temporal , já que o Decreto n.º 70.235/72, artigos 16 e 18 e a Portaria RFB n.º 10.875/2007, artigos 7º e 11, assim explicitam: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante;. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) (grifei) PORTARIA RFB Nº 10.875, DE 16 DE AGOSTO DE 2007 Art. 7º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, bem como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; e (...) Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15(.grifei) Por todo o exposto, Voto por conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, negarlhe provimento. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15983.000964/200955 Acórdão n.º 2302003.071 S2C3T2 Fl. 125 11 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10283.720718/2012-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INCORREÇÃO NO VOTO.
Havendo incorreção (erro de digitação) no voto condutor que poderia ensejar dúvida na liquidação do acórdão, por estar o teor do voto em aparente contradição com o resultado do julgamento, cabíveis os embargos de declaração, para sanar a incorreção no voto.
Numero da decisão: 3403-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos sem efeito modificativo para sanar o erro material apontado pela recorrente.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INCORREÇÃO NO VOTO. Havendo incorreção (erro de digitação) no voto condutor que poderia ensejar dúvida na liquidação do acórdão, por estar o teor do voto em aparente contradição com o resultado do julgamento, cabíveis os embargos de declaração, para sanar a incorreção no voto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos sem efeito modificativo para sanar o erro material apontado pela recorrente. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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OMISSÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INCORREÇÃO NO VOTO. Havendo incorreção (erro de digitação) no voto condutor que poderia ensejar dúvida na liquidação do acórdão, por estar o teor do voto em aparente contradição com o resultado do julgamento, cabíveis os embargos de declaração, para sanar a incorreção no voto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos sem efeito modificativo para sanar o erro material apontado pela recorrente. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 18 /2 01 2- 92 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela empresa Plastipak Packaging da Amazônia LTDA ao Acórdão nº 3403002.587, de 26/11/2013, em face de “omissão e contradição”. A ciência do julgamento ocorreu em 14/01/2014 (cf. doc. de fl. 1099), tendo os embargos sido interpostos em 17/01/2014 (fl. 1101). Argumenta a embargante que a decisão adotada por este tribunal apresentou “vícios em relação a dois dos fundamentos apresentados em sede de recurso voluntário”: “um relacionado aos créditos referentes às importações realizadas até 30/03/2005 e outro relacionado ao erro de cálculo”. Em relação às importações de insumos realizadas até 30/03/2005, o acórdão foi omisso pois “deixou de trazer fundamentos jurídicos que justifiquem o afastamento da isenção e da consequente possibilidade de creditamento de PIS/COFINS”, vício este que impede a embargante de efetuar o “devido confronto analítico do tema para fins de interposição de Recurso Especial”. Afirma a embargante que a questão deveria ter sido apreciada à luz dos arts. 14 e 14A da Lei no 10.865/2004. A contradição identificada pela embargante se refere a erro de cálculo. Se o acórdão “afastou a autuação dos valores apurados em junho de 2007, logo, estaria mantida a exigência dos valores de crédito de PIS/COFINS apurados no mês de julho de 2007, quais sejam: R$ 4.276.825,70 a título de COFINS e R$ 932.211,44 a título de PIS”. “Contudo, na tabela constante do v. acórdão, há a indicação de outro valor a título de PIS (R$ 988.819,19)”. Por fim, destaca a embargante que o julgamento não foi unânime, razão pela qual merece o voto vencido ser integrado ao acórdão, permitindo pleno conhecimento de seus fundamentos, e sanando a omissão. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração foram interpostos com respeito ao prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, passando a ser analisados quanto aos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe (em relação às matérias aqui discutidas): “LANÇAMENTO. PERÍODO DE APURAÇÃO NÃO INDICADO NA AUTUAÇÃO. Deve ser afastado o lançamento de montante correspondente a período de apuração não indicado na autuação. (...) Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.952 S3C4T3 Fl. 1.114 3 PIS. CREDITAMENTO. IMPORTAÇÃO. ZFM. HIPÓTESES. O direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEPimportação e à COFINSimportação aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. PIS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÕES. ZFM. VEDAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. É vedado o direito ao crédito em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS nas aquisições de insumos por empresas situadas na Zona Franca de Manaus, por ser tal aquisição tributada à alíquota zero, ainda que o fornecedor seja de outros pontos do território nacional.” A embargante identifica no acórdão duas omissões e uma contradição. A primeira omissão se deve à ausência de fundamento para o afastamento da isenção e da consequente possibilidade de creditamento. O tópico 2.3.1 do voto do acórdão é claro ao analisar não somente os arts. arts. 14 e 14A da Lei no 10.865/2004, e a impossibilidade de alteração de suas disposições sob pretexto de inconstitucionalidade (ou leitura diversa de seu conteúdo, à luz da Constituição), mas também ao afirmar que é indevido o creditamento se não houve efetivo pagamento das contribuições. E que a suspensão é instituto diverso da isenção. Não há, assim, a omissão apontada, não podendo ser confundida omissão com discordância da embargante em relação aos argumentos utilizados no acórdão. A segunda omissão apontada (ausência de declaração de voto em relação à discordância manifestada pelo Conselheiro Ivan Allegretti) também é infundada, seja porque não é interna ao acórdão, seja porque não há obrigatoriedade em apresentação de declaração de voto por parte do conselheiro discordante do voto vencedor, ou ainda porque a ata da sessão (reproduzida no interior do acórdão embargado) consignou a motivação básica do posicionamento divergente: “Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que votou no sentido de reconhecer também o direito ao crédito no regime da suspensão, por não haver previsão legal expressa vedando o crédito nesta hipótese”. Não identificada nenhuma das omissões apontadas para o acórdão embargado, passase a analisar a argumentação da embargante de que houve contradição em relação ao cálculo. A turma acordou unanimemente com a argumentação da recorrente de que os valores indicados para o mês de julho de 2007 (R$ 8.068.088,44 a título de COFINS e R$ 1.753.214,51, a título de Contribuição para o PIS/Pasep) não constam em nenhum documento fiscal. A partir da argumentação expressa no recurso voluntário, percebeuse que, diferentemente dos demais meses constantes nas planilhas de fls. 40/41 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP de 2007) e de fls. 44/45 (correspondente à COFINS de 2007), Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 partes integrantes da autuação, os dados de junho e julho encontramse totalizados para efeito de lançamento na coluna referente ao mês de julho: Junho/2007 Julho/2007 23. Bens utilizados como insumos (ficha 6B/linha2‐DACON)‐ PIS R$ 49.757.761,82 R$ 56.497.663,04 44. Créditos descontados no mês referentes a importações (ficha 13A)‐PIS R$ 821.003,07 R$ 988.819,19 55. Valor lançado de ofício‐PIS ‐ R$ 1.753.214,51 23. Bens utilizados como insumos (ficha 6B/linha2‐DACON)‐ COFINS R$ 49.885.036,05 R$ 56.274.022,33 44. Créditos descontados no mês referentes a importações (ficha 13A)‐PIS R$ 3.791.262,74 R$ 4.276.825,70 55. Valor lançado de ofício‐COFINS ‐ R$ 8.068.088,44 Conforme destacado no voto condutor do acórdão, checandose as DACON dos períodos correspondentes (fls. 650/651, 654/655, 659/660 e 663/664), percebese que os valores das linhas 23 e 44 da tabela aqui reproduzida estão totalmente de acordo com o informado pela recorrente em suas declarações. A discrepância devese exclusivamente ao fato de o valor ter sido lançado todo em julho de 2007, somandose o apurado (e informado em DACON) tanto em junho quanto em julho de 2007 (sem motivação explícita na autuação). Daí ter acordado este colegiado unanimemente em afastar da autuação os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS). Nos embargos, a empresa afirma que houve erro de cálculo em relação à Contribuição para o PIS/PASEP, porque os R$ 1.753.214,51 subtraídos de R$ 821.003,07 resultam em R$ 932.211,44, e não em R$ 988.819,19 (cf. destacado na tabela acima). De fato, os R$ 1.753.214,51 lançados na autuação em relação à Contribuição para o PIS/PASEP para julho de 2007, subtraídos da quantia afastada pelo julgamento desta turma, R$ 821.003,07, resultam em R$ 932.211,44, e não em R$ 988.819,19. E é este o valor constante da linha 44 da tabela acima, que pode ser encontrada na íntegra na fl. 40 dos autos, e na DACON de fls. 659/660. Flagrante, assim, o erro de digitação na confecção da tabela (o dado foi equivocadamente retirado da linha 07, e não da linha 41 da planilha de fl. 40). O valor correto para a Contribuição para o PIS/PASEP referente a julho/2007 é R$ 932.211,44, e não R$ 988.819,19. É de se acolher, assim, os embargos em relação a este tópico. Contudo, a acolhida não afeta o julgamento, que foi no seguinte sentido: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando da autuação os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS).” Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10283.720718/201292 Acórdão n.º 3403002.952 S3C4T3 Fl. 1.115 5 Vejase que o acórdão embargado afasta da autuação o montante de R$ 821.003,07, nela equivocadamente indicado como referente a julho de 2007, do total de R$ 1.753.214,51 lançados para o período, restando exatamente os aventados R$ 932.211,44. Assim, acolhemse os embargos tão somente corrigir erro de digitação no acórdão, que, contudo, não afeta o resultado do julgamento. Continuam a ser afastados da autuação por este colegiado os valores apurados em junho de 2007 (período não indicado na autuação), e lançados como se fossem referentes a julho de 2007 (R$ 821.003,07 a título de Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 3.791.262,74 a título de COFINS). Temse, destarte, que a contradição (em verdade, erro de digitação) evidenciado não provoca modificação de rumo na decisão, devendo ser acolhidos os embargos sem efeito modificativo, apenas para corrigir a tabela constante do voto condutor, na forma aqui detalhada. Rosaldo Trevisan Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904096/2012-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 96 /2 01 2- 98 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904096/201298 Acórdão n.º 3803005.533 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10120.002993/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. É cabível o arbitramento na hipótese de não apresentação de qualquer escrituração contábil ou livro fiscal, bem como documentação que os suporte, quando a contribuinte foi regularmente intimada para tanto. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. Os registros de operações e apurações do ICMS apresentados pela contribuinte ao fisco estadual, na forma de sua legislação em vigência, podem ser tomados como base para o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de não oferecer à tributação, no curso de todo ano- calendário, a receita bruta constante de registro e apurações enviados ao fisco estadual, constitui ilícito que justifica a qualificação da multa de oficio. LANÇAMENTO DA CSLL DECORRENTE DO MESMO FATO. Mantida a exigência matriz do IRPJ, idêntica decisão estende-se à tributação da CSLL devido à estreita relação de causa e efeito existente.
Numero da decisão: 1202-000.806
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. É cabível o arbitramento na hipótese de não apresentação de qualquer escrituração contábil ou livro fiscal, bem como documentação que os suporte, quando a contribuinte foi regularmente intimada para tanto. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. Os registros de operações e apurações do ICMS apresentados pela contribuinte ao fisco estadual, na forma de sua legislação em vigência, podem ser tomados como base para o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de não oferecer à tributação, no curso de todo ano calendário, a receita bruta constante de registro e apurações enviados ao fisco estadual, constitui ilícito que justifica a qualificação da multa de oficio. LANÇAMENTO DA CSLL DECORRENTE DO MESMO FATO. Mantida a exigência matriz do IRPJ, idêntica decisão estendese à tributação da CSLL devido à estreita relação de causa e efeito existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 29 93 /2 01 0- 21 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 2 (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Relatório Cuidase de processo administrativo fiscal proposto em face da contribuinte J RABELO INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA. (CNPJ 08.221.146/0001 79). No início do procedimento fiscal, em 29 de janeiro de 2010, a contribuinte foi intimada a apresentar livros e documentos fiscais e contábeis referentes ao período de 1º de janeiro 2007 a 31 de dezembro de 2007, tendo posteriormente, em 10.02.10, requerido prorrogação de prazo para atender às solicitações, no que foi acordado pela autoridade fiscalizadora. Porém, vencido o prazo suplementar concedido, não foram apresentados a totalidade dos documentos, inclusive os referentes à escrituração contábil (Livro Diário e Razão ou Caixa). Novamente, foi emitido Termo de Reintimação Fiscal, com a solicitação dos mesmos documentos referidos, sem que houvesse o atendimento por parte da contribuinte. A autoridade fiscalizadora manteve também contato telefônico com o contador da empresa, Sr. Jesus Monteiro, quem teria descartado a possibilidade de apresentação dos aludidos documentos. Tais fatos culminaram com a lavratura dos Autos de Infração (fl. 49/62). Cumpre informar, como destacado nos aludidos Autos que: “A falta de apresentação dos livros da escrituração contábil e fiscal exigidos pela legislação tributária é fato determinante que obriga a autoridade a efetuar o lançamento do crédito tributário, baseandose nas regras do lucro arbitrado, neste caso, referente ao período de apuração do anocalendário de 2007. A fiscalização está utilizando como Base de Cálculo, neste lançamento, os valores das receitas brutas mensais constantes do Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 15 a 28, valores declarados para A Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás (SEFAZ/GO). Tendo a empresa declarado valores zerados para a Receita Federal, através das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ anocalendário 2007), fls. 31 a 42, e ao mesmo tempo escriturava o Livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 15 a 28 , declarando valores sempre acima de um milhão de reais para a Secretária da Fazenda do Estado de Goias, configurando esta conduta o modus operandis do contribuinte em relação aos tributos federais, caracterizando Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 163 3 assim, em tese, a prática de Crime contra a Ordem Tributária, nos termos dos art. 1° e 2º da Lei 8.137/90. Assim a multa deste lançamento de oficio está qualificada nos termos do art. 44, inc. II da Lei 9.430/96. A empresa não recolheu IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes aos valores de receita do anocalendário de 2007 e não entregou DCTF e DACON.” (fl. 52) O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo indica os seguintes valores apurados, já incluídos juros de mora e multa: IRPJ: R$ 1.414.531,93 CSLL: R$ 666.395,38 A contribuinte foi intimada do conteúdo do auto em 26 de abril de 2010 (fl. 48) e apresentou sua impugnação (fls. 71/80) em 17 de maio de 2010. Preliminarmente, invoca a ausência dos pressupostos para validar a cobrança dos créditos apurados, aduzindo que a verdade material deve ser objeto de prova a ser obtida pela autoridade administrativa. Alega que apresentou parte dos documentos solicitados, o que seria suficiente para a apuração do tributo com base no Lucro Real, forma utilizada pela empresa para apurar seus tributos. Informa que a adoção do lucro arbitrado para apurar a CSLL a deixou em desvantagem em relação aos demais contribuintes, eis que sofreu o adicional referente ao Imposto de Renda sobre a base de cálculo apurada para a CSLL, o que seria ofensa ao princípio constitucional da isonomia. Ainda, expõe que não era possível à fiscalização ter se baseado somente nas notas fiscais de venda dos produtos, onde há a declaração das GIAS de ICMS à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, já que parte destas notas eram referentes a vendas canceladas e de remessas para estabelecimento do emitente (a contribuinte), não representando geração de receita para compor a base de cálculo para apurar o tributo, conforme determina o artigo 214 do RIR/99. No mais, aduz que a apuração dos tributos pelo lucro arbitrado somente é possível na hipótese em que a pessoa jurídica deixa de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, o que não ocorreu, vez que “ ... no próprio AIIM é confirmado pela fiscalização que a empresa deu cumprimento as obrigações tendo declarado valores zerados para a Receita Federal, vejamos: "Tendo a empresa declarado valores zerados para a Receita Federal, através das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ anocalendário 2007), fls.31 a 42..." ” (grifos do original, fl. 74) No que tange à multa, opõese à aplicação da multa de ofício qualificada no patamar de 150% sobre os tributos lançados, informando que a redação do dispositivo que regula a matéria – art. 44 da Lei nº 9430/96 – foi alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007, que excluiu o elemento “evidente intuito de fraude” qualificador da conduta ilícita, que exigia punição mais grave. Assim, embora tenha havido a omissão de prestação de informações na Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 4 DIPJ, informa que a circunstância qualificadora exigida pela lei e que causou a multa em patamar maior, não restou evidenciada pelo autuante. Nesse ponto, entende que a constatação da conduta omissiva não é suficiente para a aplicação da multa qualificada, que depende de inconteste intenção de fraudar, o que não é o caso da contribuinte. Invoca a Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Entende que a multa a ser aplicada no caso é a prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9430/96, no montante de 75%. Transcreve jurisprudência administrativa que entende amparar seu entendimento. Acresce que, em relação à autuação de PIS e COFINS, ocorrida na mesma ocasião, a autoridade aplicou multa no importe de 75%, revelando desproporção. Assim, requer a procedência da impugnação, com a declaração de insubsistência do Auto de Infração e respectiva multa, bem como se abstenha o fisco de criar óbice à expedição de certidões e demais documentos necessários ao desenvolvimento das atividades da contribuinte e também de inscrição no CADIN e outros cadastros similares, afastando a exigência dos tributos lançados no aludido auto. A DRJ/BSB proferiu sua decisão no Acórdão 0338.052 (fls. 128/138), decidindo pela manutenção do crédito tributário. Indica que a alegação da contribuinte de que os documentos que esta teria apresentado seriam suficientes para apuração da base de cálculo (fato que obstaria a utilização do lucro arbitrado), não merece prosperar, já que segundo consta dos Termos de Início do Procedimento Fiscal e Reintimação Fiscal (respectivamente, fls. 02/03 e fls. 28), fora solicitado a impugnante a apresentação dos Livros Caixa ou Diário e Razão (lucro presumido), dentre outros documentos e a contribuinte não os apresentou, entregando apenas os livros Registro de Entradas, Livro Registro de Saídas e Livro de Apuração do ICMS do anocalendário 2007. Assim, seguindo determinação contida no artigo 530, I, do RIR/1999, determinou o imposto com base nos critérios do lucro arbitrado, o que ocorre na hipótese da contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Destaca que formalizado o lançamento de ofício pelo motivo mencionado, não existe previsão legal para o desfazimento daquele, ainda que haja posterior apresentação dos livros e documentos. Cita precedente deste Conselho, Acórdão 1º CC nº 10318947, assim ementado: "FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. Inexistindo o arbitramento condicional, o auto de infração não se modifica pela posterior apresentação desta documentação". Ainda, informa que os valores das receitas brutas mensais apuradas foram os mesmos declarados à Secretaria da Fazenda de Goiás (como constava do Livro de Registro de Apuração do ICMS), esclarecendo que a contribuinte não declarou nenhuma receita na DIPJ – Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 164 5 Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica de 2008, o que torna patente a omissão de receitas, autorizador da tributação nos termos do artigos 288 e 537 do RIR/99. Salienta que, no caso dos autos, o lucro arbitrado será resultado da aplicação de percentuais específicos sobre o valor da receita bruta trimestral conhecida, como corretamente apontado no auto de infração, como requer o artigo 532 do RIR/99. Ante estes fatos, informa que o procedimento fiscal foi pautado de acordo com as normas legais e regulamentares, nos termos do artigo 142 do CTN, observandose também os requisitos previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, não havendo menção à falha quando destes procedimentos. Dessa feita, comprovada está a busca pela verdade material por parte da fiscalização, bem como a comprovação do fato alegado, essencial para efetivação deste princípio, destacando que não há elementos nos autos (nem mesmo entre os trazidos pela contribuinte) que sejam formadores de convicção quanto às alegações da impugnante. Ainda rebatendo as alegações da contribuinte, não há de se falar que esta tenha ficado em desvantagem em relação aos outros contribuintes em alegada ofensa ao princípio da isonomia, já que os artigos 288 e 537 do RIR/99 estabelecem que verificada a omissão de receitas, fica a cargo da autoridade determinar o valor do imposto e respectivo adicional conforme o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica. Prossegue afastando o argumento de que a fiscalização não poderia ter se baseado nas notas fiscais de venda dos produtos, em virtude do fato destas representarem vendas canceladas ou referentes a remessas para estabelecimentos do próprio emitente, não implicando em receita, como quer a contribuinte. Para o acórdão, esta alegação não procede, já que os valores utilizados como base de cálculo foram os valores das receitas brutas mensais constantes do Livro de Registro de Apuração do ICMS. Em relação a este fato, informa a ocorrência de alguns códigos, referentes ao CFPO – Código Fiscal de Operações e Prestações. Cabe aqui transcrever as conclusões do acórdão no que tange ao tema: “ Verificase que no Livro de Registro de Apuração do ICMS apresentado a fiscalização constam alguns códigos, quais sejam: 2102, 2551, 2910, 2949 e 6102 e 6202 tais códigos estão relacionados ao Código Fiscal de Operações e Prestações — CFOP. O Código Fiscal de Operações e Prestações — CFOP foi criado para permitir o conhecimento e a descrição da natureza dos mais variados tipos de operações e prestações praticadas pelos contribuintes (venda, devolução, transferência, etc.), tratandose de valiosa ferramenta para a administração tributária. Serve ainda como instrumento que permite mensurar e conhecer o comércio interestadual de mercadorias O CFOP é em sua maioria composto por quatro dígitos, onde o primeiro, no caso o prefixo, determina a natureza da operação, ou seja, se é entrada ou saída de mercadorias, quais sejam: I Entrada de Mercadoria ou Aquisição de Serviços de dentro do Estado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 6 2 Entrada de Mercadoria ou Aquisição de Serviços de fora do Estado. 3 Entrada de Mercadoria ou Aquisição de Serviços do Exterior. 5 Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviços para dentro do Estado. 6 Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviços para fora do Estado. 7 Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviços para o Exterior. As operações praticadas pelos contribuintes do ICMS e/ou IPI estão relacionadas e codificadas através dos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP). Estes códigos devem ser indicados quando da emissão de notas fiscais, escrituração de livros e no preenchimento de guias e declarações. Os valores utilizados pela fiscalização foram as receitas brutas mensais constantes do Livro de Registro de Apuração do ICMS, como o código CFOP 6102, sendo que tal código é utilizado nas vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Vejamos, então, os significados dos demais códigos constantes no Livro de Registro de Apuração do ICMS apresentado pela empresa: • 2102 — (Compra interestadual para comercialização): Classificam se neste código as compras de mercadorias a serem comercializadas. Também serão classificadas neste código as entradas de mercadorias em estabelecimento comercial de cooperativa recebidas de seus cooperados ou de estabelecimento de outra cooperativa; • 2551 — (Compra de bem para o Ativo Imobilizado interestadual): Classificamse neste código as compras de bens destinados ao ativo imobilizado do estabelecimento; • 2910 — (Entrada de bonificação, doação ou brinde interestadual): Classificamse neste código as entradas de mercadorias recebidas a titulo de bonificação, doação ou brinde. • 2949 — (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado): Classificamse neste código as outras entradas de mercadorias ou prestações de serviços que não tenham sido especificados nos códigos anteriores. • 6202 — (Devolução de Compras): Classificamse neste código as devoluções de mercadorias adquiridas para serem comercializadas, cujas entradas tenham sido classificadas como Compra para comercialização. Nos cálculos efetuados pela fiscalização, observase que a base de cálculo utilizada pela fiscalização na competência 06/2007 foi Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 165 7 de R$ 781.784,50 (código CFOP 6102), tendo a fiscalização tomado o devido cuidado de não acrescentar a base de cálculo o valor de R$ 16.816,60 (código CFOP 6102 — devolução de compras). Cabe esclarecer que para possíveis vendas canceladas existe um código CFOP especifico a ser informado no Livro de Registro de Apuração do ICMS, qual seja 2.202 (Classificamse neste código as devoluções de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de industrialização no estabelecimento, cujas saídas tenham sido classificadas como venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, código 6102). No que se refere ao argumento de que parte dos valores utilizada pela fiscalização é referente a mercadorias remetidas para estabelecimentos do próprio emitente, para tal ocorrência existe o código CFOP especifico, qual seja: • 6152 (Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros): Mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para industrialização, comercialização ou utilização na prestação de serviço e que não tenha sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, transferida para outro estabelecimento da mesma empresa. Portanto, concluise que os valores considerados pela fiscalização como receitas brutas mensais foram aqueles declarados no código CFOP 6102, os quais são utilizados para vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, não se tratando portanto de transferência de mercadoria, nem de devolução de vendas.” (fls. 134/136). Em relação à multa aplicada, o entendimento da DRJ é no sentido de que as discrepâncias apuradas pelo fisco não podem ser interpretadas como mero erro escusável, dado sua constância e magnitude (fl. 136), já que a prática de onde se originou a multa foi verificada durante todo o anocalendário, e que, embora a contribuinte tenha apresentado valores sempre superiores a um milhão de reais para a Fazenda do Estado de Goiás, nenhum valor referente à receita bruta foi declarado na DIPJ – Declaração EconômicoFiscal da Pessoa Jurídica de 2008. Acresce que a empresa não recolheu IRPJ e CSLL, não entregou DCTF e DACON, o que afasta erros pontuais ou diferenças de pouca relevância, o que justifica a aplicação da penalidade no patamar previsto no artigo 44, II, da Lei nº 9430/96, ante a visível intenção de burlar a Fazenda Nacional por parte do sujeito passivo. Transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, a saber: IRPJ — DIFERENÇAS APURADAS ENTRE 0 DECLARADO E 0 ESCRITURADO — PRÁTICA REITERADA — INFRAÇÃO QUALIFICADA – Uma vez levantado pelo trabalho da fiscalização diferença de receita declarada e receita apurada em livros fiscais constantes da escrituração do próprio contribuinte, sem qualquer justificativa plausível e comprovada de erro, é de se manter o lançamento de oficio, com a multa qualcada, vez que a prática reiterada por períodos sucessivos da mesma situação Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 8 declarada e omitida a informação sobre o escriturado, conduz a caracterização de evidente intuito de fraude. (1° CC, 1° Câmara, Acórdão 10195292, em 07/12/2005). MULTA QUALIFICADA Demonstrada a conduta reiterada do contribuinte no sentido de evitar o conhecimento pelo fisco de sua real receita, deve ser mantida a multa qualificada aplicada pela fiscalização. (1° CC, 5° Câmara, Acórdão 105 17304, em 12/11/2008). Termina por explanar que não houve a aplicação da multa no aludido patamar de 75% referentes às contribuições ao PIS e COFINS, eis que ao verificar o conteúdo do Processo Administrativo nº 10120.002992/201087 (onde foram exigidos os tributos mencionados), a multa aplicada foi no percentual de 150%. No que tange às decisões administrativas colacionadas, estas não constituem normas complementares da legislação tributária, conforme o disposto no artigo 100, II, do CTN, nem vinculam a administração, ante a ausência de amparo legal a lhes conferir caráter normativo. Analisando o pleito de abstenção, por parte da administração, de inscrição no CADIN e de óbices à expedição de certidões, informa que este não é o escopo do processo tributário na esfera administrativa, restrito a verificar a ocorrência ou não do fato gerador do tributo e, em caso positivo, verificar a legalidade do lançamento. Destaca que os julgadores administrativos restringemse a verificar se os elementos trazidos no processo são legítimos e se, neste caso concreto, são capazes de demonstrar a ocorrência do fato gerador do IRPJ e reflexos, o que leva a autoridade a não se manifestar em relação a tais argumentos, aduzindo porém que, enquanto houver a discussão administrativa do lançamento a que se refere este processo, a exigibilidade deste está suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN. Por fim, a decisão do acórdão é pela improcedência da impugnação e consequente manutenção do crédito tributário exigido. A contribuinte foi intimada da decisão em 30 de agosto de 2010 (fl. 144) e apresentou Recurso Voluntário (fls. 146/157) em 21 de setembro do mesmo ano. Em suas razões recursais, a contribuinte reitera as alegações trazidas com sua impugnação, acrescendo que não fora analisado pela fiscalização ou pelo acórdão recorrido que, de acordo com as disposições existentes no artigo 214, parágrafo único, do RIR/99, o seguinte: “... exclui da receita bruta os descontos incondicionais concedidos, e principalmente a circulação de mercadorias em nada tem haver com o recebimento de renda pela venda das mercadorias da Recorrente, para fins de caracterizar qualquer receita, posto que muitas compras realizadas pelos clientes não foram pagas.” (fl.151). Com o recurso, vieram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 166 9 O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seu reflexo na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, referente ao anocalendário de 2007, motivado pelas divergências verificadas entre as receitas declaradas à Receita Federal do Brasil e os registros e declarações informadas ao Fisco estadual. A recorrente, inicialmente, alega que os valores declarados nos Livros de Registro de Entradas e Saídas de mercadorias não constituem a base de cálculo do IRPJ nos termos dos artigos 43 e 44 do CTN. Com isso, entende que o lançamento não foi feito de forma correta, contrariando o artigo 142 do CTN. Entendimento esse que não procede uma vez que a autoridade lançadora, ao verificar que não havia escrituração contábil para embasar o cálculo com base no lucro real, valeuse das informações entregues a ele registradas no Livro de Apuração do ICMS. Como já relatado, a autoridade fiscalizadora considerou na composição da receita bruta, apenas os valores referentes às saídas por vendas de mercadorias, que, até prova em contrário (o que não foi apresentado pela recorrente mesmo em sede de Recurso Voluntário) representam receita bruta de vendas. As deduções a título de vendas canceladas ou devolução de vendas, foi obtido pela autoridade lançadora através de CFOP. Não foram comprovados, em momento algum, os descontos concedidos. A contribuinte não comprovou qualquer prova sobre esse item. Pelos dados acima, há sim elementos suficientes para que se faça o lançamento com base no lucro arbitrado, a recorrente foi questionada a apresentar justificativa para suas divergências o que não foi feito a contento. Fez suas alegações, todavia, não trouxe nenhuma comprovação. Com isso, a autoridade lançadora, com base no artigo 537 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), caracterizou a omissão de receitas na escrituração da contribuinte, pelas divergências obtidas na escrituração do Livro de Registro de Entradas e Saídas de mercadorias. Assim sendo, computou o montante omitido na determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, e da CSLL, o que está correto e de acordo com a legislação. Segundo o artigo 530, II, do RIR/99, apurase o imposto devido com base no lucro arbitrado ao identificar vícios, erros ou deficiências que impossibilita a identificação da escrituração contábil para apurar o lucro real, in verbis: “Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ........ Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA 10 IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real;” Esse tem sido o entendimento desse colegiado, consoante Acórdãos nºs 10196500 (Processo 10540001504200263); 10807287 (Processo nº 10120002122200206); 10807134 (Processo 10120003017200103); 10515914 (Processo 13603002153200486) e 10514860 (Processo 10120002508200391). Quanto à reclamação da multa de 150%, diferentemente do que afirma a recorrente, os fatos apurados demonstram que houve omissão de receitas de forma reiterada durante todo o anocalendário. As informações enviadas ao fisco federal foram zeradas, enquanto que as enviadas para o fisco estadual apresentavam receitas. Aliás, é mister reforçar que a omissão não foi refutada pela contribuinte, mas apenas a forma de apuração da base de cálculos. Frisese que a recorrente apenas refutou a forma que foram apurados os valores. Esses fatos evidenciam a deliberada intenção de ocultar essas receitas, aplicandose, assim, corretamente o artigo 44, II, da Lei nº 9430/1996. A conduta que fundamenta a aplicação da multa de 150% foi muito bem explicada por este colegiado no Acórdão n° 10707747, cuja ementa é a seguinte: "O dolo, elemento imprescindível à caracterizarão das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular os tributos e contribuições e informála nas Declarações prestadas à administração tributária, tomando como base para apuração uma parcela ínfima da receita bruta efetivamente auferida e escriturada em livros fiscais." Como restou caracterizado o dolo previsto no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996 e artigos 71 a 73 da Lei nº 4502/64, mantenho a multa de 150%. Mantenho também os lançamentos reflexos da CSLL pela íntima relação de sua base de cálculo com a do IRPJ. Diante de todo o exposto, o voto é no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Relatora Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA Processo nº 10120.002993/201021 Acórdão n.º 1202000.806 S1C2T2 Fl. 167 11 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por NEREIDA DE MIRANDA FIN AMORE HORTA
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Numero do processo: 10945.902250/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/07/2009
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 50 /2 01 2- 11 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902250/201211 Acórdão n.º 3801003.134 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10280.901973/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1803-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Bezerra Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 19 73 /2 00 9- 69 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COMPANHIA REFINADORA DA AMAZÔNIA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 5: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão em 02/04/2009 (fl. 7), o interessado apresentou, em 29/04/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17. Em sua peça de defesa, alega, em síntese: a) o indébito apontado na DCOMP não corresponde a uma antecipação, mas recolhimento indevido ou a maior, efetuado com código incorreto, fato que evidencia a improcedência do enquadramento legal apontado, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação; b) ainda que se tratasse de antecipação, a vedação trazida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, não pode atingir fatos pretéritos para limitar seu direito à compensação. A DRJ Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão nº 0121.915, de 6 de junho de 2011 (fls. 32/39), ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável, bem como sua oponibilidade à Receita Federal do Brasil. Cientificado dessa decisão em 19/09/2011, por meio de remessa postal (fl. 61), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 47/58), em 18/10/2011, em que reforça os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e acrescenta: a) a Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 2005, que fundamentou a decisão recorrida, limita a compensação de indébitos de estimativa apenas dentro do período em que o indébito foi gerado; Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901973/200969 Acórdão n.º 1803002.040 S1TE03 Fl. 65 3 b) a decisão recorrida inovou a fundamentação legal da não homologação, em relação ao despacho decisória, na tentativa de suprir a insuficiência daquele ato. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual extinguiu débito de estimativa de IRPJ do mês de julho de 2005, apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL referente a março do mesmo ano. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que a compensação com crédito de estimativa não era permitida pela legislação. A decisão da DRJ Belém (PA), ao apreciar a correspondente manifestação de inconformidade, seguiu o mesmo raciocínio para confirmar a combatida não homologação. Embora a ementa da decisão recorrida faça menção a uma “ausência de comprovação” do crédito pleiteado, a leitura do voto evidencia que o único fundamento utilizado foi o impedimento legal de se realizar compensação com crédito de estimativa. Destarte, em nenhum momento o mérito da compensação foi analisado, ou seja, a liquidez e a certeza do indébito. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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