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Numero do processo: 10508.720642/2017-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2012, 2013
EXPORTAÇÃO. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PECEX
O Método do Preço sob Cotação na Exportação - PECEX é de aplicação obrigatória e exclusiva aos casos de exportação de commodities, assim entendidos os produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II e os produtos listados no Anexo I que estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisa setoriais listadas no Anexo III, todos da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012, antes das alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.870/2019.
Impõe-se, assim, o cancelamento do lançamento de ofício de crédito tributário que aplica método equivocado no controle dos preços de transferência, em especial, quando utiliza o método PECEX, para operações de produtos que não são considerados pela legislação como commodities.
Numero da decisão: 1302-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Maria Lucia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado votaram pelas conclusões do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PECEX O Método do Preço sob Cotação na Exportação - PECEX é de aplicação obrigatória e exclusiva aos casos de exportação de commodities, assim entendidos os produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II e os produtos listados no Anexo I que estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisa setoriais listadas no Anexo III, todos da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012, antes das alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.870/2019. Impõe-se, assim, o cancelamento do lançamento de ofício de crédito tributário que aplica método equivocado no controle dos preços de transferência, em especial, quando utiliza o método PECEX, para operações de produtos que não são considerados pela legislação como commodities. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Maria Lucia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado votaram pelas conclusões do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 06 42 /2 01 7- 28 Fl. 12966DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 O presente processo administrativo teve origem com a lavratura de Autos de Infração (fls. 261 e seguintes) em face do contribuinte Suzano Papel e Celulose S/A, ora Recorrido, em que foram constituídos créditos tributários de IRPJ e CSLL, sendo a multa de ofício qualificada pelo agente autuante. O valor total originário do crédito tributário de ambos tributos, da multa (no importe de 150%) e dos juros é de R$ 1.553.865.455,51. Pelo o que se depreende do extenso Termo de Verificação Fiscal (fls 02 a 257 dos autos), ao proceder fiscalização da apuração do resultado tributável do contribuinte nos anos- calendário de 2012 e 2013 (exercícios 2013 e 2014, respectivamente), a fiscalização entendeu que houve erro na aplicação dos preços de transferência nas exportações dos produtos que o Recorrido comercializou junto a entidades vinculadas no exterior. Cumpre ressaltar, de pronto, que, em virtude do trabalho de fiscalização, houve a constituição apenas de créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSSL, uma vez que o agente autuante entendeu que, no que tange à contribuição ao PIS e à COFINS, houve “perda de objeto”, já que “a Equipe de Fiscalização, juntamente com a Autoridade Fiscal signatária daquela Delegacia, após discussão do assunto, formaram o entendimento de que a análise do crédito de PIS e Cofins do 4º trimestre de 2013, até então em andamento, perdera o objeto (trabalho sobreposto), razão pela qual deveria ser interrompida, uma vez realizada pela DRF/Salvador, tendo seu resultado já cientificado à Contribuinte” (item 162 e seguintes do TVF). No que tange ao IRPJ e à CSSL, em necessária e apertada síntese, naquele TVF, a fiscalização, após listar os documentos e planilhas analisados, qualificar o Recorrido e seu objeto social, parte da premissa de que “a Contribuinte efetivou operações com Pessoa Vinculada ou Residente e/ou Domiciliada em País com Tributação Favorecida nos dois anos-calendário (2012 e 2013), optando pela aplicação das disposições contidas no art. 52 da Lei n° 12.715/2012, para fins de aplicação das regras de Preços de Transferência no período de apuração 2012”. As exportações foram realizadas para as Pessoas Jurídicas “SUZANO TRADING LTD e para a STENFAR SOCIEDAD ANONIMA INDL Y CO (pessoas Vinculadas/Residente e/ou Domiciliada em País com Tributação Favorecida)”. Os produtos exportados seriam, basicamente, celulose, papel e produtos de papel, que foram devidamente listados no TVF (fls. 19 a 23 dos autos). A fiscalização deixou claro também que “Mediante negativas firmadas na “Ficha 29 A” das Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ referentes aos anos-calendário de 2012 e 2013, a Contribuinte reconheceu não estar dispensada do controle de Preços de Transferência (comparação entre o preço praticado e o preço parâmetro obtido por um dos métodos previstos na legislação), de que tratam os arts. 48, 49 e 58-A da Instrução Normativa RFB n° 1.312/2012.” Assim, após discorrer sobre as peculiaridades da apuração para cada um dos anos- calendário sob análise – 2012 e 2013 -, a motivação da fiscalização, as intimações feitas e os documentos apresentados, o agente autuante fez arrazoado sobre os preços de transferências, seus conceitos e implicações e, em especial, sobre as possibilidades de escolha dos métodos por parte dos contribuintes sujeitos àquele controle, afirmando “que o presente benefício não é contemplado quando o controle de Preços de Transferência for efetuado por meio do método do Preço sob Cotação na Exportação (PECEX) – por opção do contribuinte ou na obrigatoriedade legal -, contexto onde o arbitramento não ficará dispensado (§ 4º do art. 19-A da Lei n° 9.430/1996 e § 6°do art. 34 da IN RFB n° 1.312/2012)”. Fl. 12967DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Com relação ao PECEX, o agente fiscal deixou clara a sua intepretação da legislação quanto às condições para a adoção deste método. Veja-se o que constou do TVF: 41. Métodos do Preço sob Cotação na Exportação (PECEX): é a média diária da cotação de bens ou direitos sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, observando-se que (art. 19-A da Lei n° 9.430/96 e art. 34 da IN RFB n° 1.312/2012): 41.1 quando o bem não tiver cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, o preço do bem exportado poderá ser comparado com aquele obtido a partir de fontes de dados independentes fornecidas por instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas constantes do Anexo III da IN RFB n° 1.312/2012 (inciso I do § 5° do art. 19-A da Lei n° 9.430/96 e inciso I do art. 36 da IN RFB n° 1.312/2012); 41.2 o uso de referido método é obrigatório quando o bem exportado for commoditie para fins do controle de Preços de Transferência, a partir de 01/01/2013 (§ 9° do art. 19 da Lei n° 9.430/96 e § 1º do art. 34 da IN RFB n° 1.312/2012); 41.3 quando identificada a data da transação, considera-se a cotação do bem nesta data ou naquela imediatamente anterior se não houver cotação disponível para o dia da transação (§§ 1° e 2° do art 19-A da Lei nº 9.430/96 e §§ 2° e 4º do art. 34 da IN RFB n° 1.312/2012); 41.4 quando não identificada a data da transação, considera-se a cotação da data de embarque do bem exportado (§ 3° do art 19-A da Lei nº 9.430/96 e § 5° do art. 34 da IN RFB n° 1.312/2012); 41.5 o preço de cotação dos bens, constantes em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas será ajustado, para mais ou para menos, pelo prêmio médio de mercado, decorrente de avaliação positiva ou negativa da mercadoria exportada (§ 7° do art. 34 da IN RFB n° 1.312/2012); 41.6 a obrigatoriedade da aplicação do método PECEX se restringe às exportações das commodities destacadas em um dos itens abaixo, e não em relação a qualquer bem que se imagina seja commodities (§§ 1° e 3° do art. 34 e Anexos I a III da IN RFB nº 1.312/2012): 41.6.1. os produtos listados no Anexo I que, cumulativamente, estejam sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II da IN RFB nº 1.312/2012; 41.6.2. os produtos listados no Anexo I que, cumulativamente, estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisas setoriais, internacionalmente reconhecidas, listadas no Anexo III da IN RFB nº 1.312/2012; 41.6.3. os produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II da IN RFB nº 1.312/2012. 41.7. quando não houver o preço de cotação em bolsa de mercadorias e futuros ou em instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas no mercado do bem exportado, será considerada a cotação do mercado mais próximo (§ 1° do art. 36-A da IN RFB nº 1.312/2012); 41.8 as bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas e as instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas, fontes de cotação dos bens para fins de aplicação do método PECEX, são aquelas listadas nos Anexos II e III da IN RFB nº 1.312/2012 respectivamente (art. 35 e parágrafo único do art. 36 da IN RFB nº 1.312/2012). (destacou-se) Assim, o agente autuante entendeu que houve opção “pelo controle de Preços de Transferência mediante arbitramento por meio do método do Preço sob Cotação na Exportação (PECEX) relativamente ao ano-calendário de 2012”. Fl. 12968DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Neste contexto, o contribuinte, afirmando não estar sujeito ao PECEX, apresentou planilhas com cálculos em métodos diversos daquele, mas a fiscalização conclui pela desqualificação dos métodos e critérios de cálculos apresentados, no seguinte sentido: Concluindo a análise dos documentos apresentados em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização (TIF), nos termos do art. 20-A, §1º, da Lei n° 9.430/1996 (transcritos no item 41 deste Termo), não nos restou outra alternativa, senão desqualificar os métodos e critérios de cálculos utilizados pela Contribuinte, cuja motivação consta do Termo de Constatação e Intimação (documento n° 33 da “Relação de Documentos”), a qual sintetizamos na sequência. Ato contínuo, no TFV, a fiscalização demonstrou que o contribuinte foi instado a comprovar os valores das operações de exportação realizadas e a composição dos preços praticados com as entidades vinculadas. Entretanto, houve a desqualificação das “opções e critérios de cálculos apresentados pela Contribuinte com fundamento nas motivações elencadas no item precedente (as informações apresentadas não contemplaram as requisições efetivadas pela fiscalização, ficando impossibilitada a checagem individualizada atinente aos diversos produtos exportados)”, sendo o Recorrido novamente intimado para apresentar esclarecimentos e para corrigir as divergências apontadas pela fiscalização. Após a apresentação de novos esclarecimentos e planilhas pelo contribuinte, a fiscalização chegou às seguintes conclusões: 6.5. Cronologia procedimental 52. Pela complexidade do assunto, entendemos razoável relatar a cronologia procedimental abaixo, que a consideramos facilitadora da compreensão do trabalho efetivado neste exame sobre Preços de Transferência na exportação: 52.1. Primeiro: verificamos que os bens exportados não são considerados commoditie pela legislação dos Preços de Transferência, na forma disposta no item “39”, implicando o afastamento da obrigatoriamente da implementação do controle por meio do método PECEX, que tem regramento específico; inclusive, não sendo admitida a dispensa do controle de Preços de Transferência mediante arbitramento, bem como ficando a Margem de Divergência reduzida de 5% (cinco por cento) para 3% (três por cento), contextos já registrados anteriormente (arts. 21, 34, 50 e 51 da IN RFB nº 1.312/2012); 52.1.1. A propósito, a razão dos produtos exportados pela Contribuinte não se enquadrarem como commodities, para fins de controle de Preços de Transferência, é que eles não estão listado no Anexo I da IN RFB n° 1.312/2012, nem são negociados nas bolsas de mercadoria e futuros constantes do Anexo II de referida IN – salvo ocorrência de erro na tradução quando das exaustivas pesquisas, o que me parece improvável), ficando afastada a sujeição à aplicação do método PECEX relativamente ao ano-calendário de 2013. 52.2. Segundo: entendido não se tratar de receitas decorrentes da exportação de commoditie, constatamos que referidas receitas não estão dispensadas do controle de Preços de Transferência mediante arbitramento, na forma já manifestada nos itens “07 a 09” do Tópico 03 deste Termo. 52.3. Terceiro: considerando as disposições postas nos dois subitens precedentes (“52.1” e “52.2”), resta a apuração do controle de Preços de Transferência por meio dos métodos e critérios de cálculo previstos na legislação. Com estas conclusões, para ano-calendário de 2012, a fiscalização entendeu que o contribuinte havia feito a opção para aplicação do método PECEX na DIPJ 2013. Assim, após fazer longa transcrição de atos legais e infra-legais, o agente autuante entendeu que houve “livre e irretratável opção, formalmente exercida na época apropriada” e que, por isso: Fl. 12969DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 (...) conforme estabelece o § 4° do art. 19-A da Lei n° da Lei n° 9.430/1996, a apuração do preço parâmetro por meio do método PECEX fica sujeita ao arbitramento, não se aplicando a dispensa prevista quando o preço praticado na exportação (preço médio ponderado de venda) for igual ou superior a 90% (noventa por cento) daquele alcançado pela própria empresa, para outros clientes a ela não vinculados, ou, na falta de operação no mercado interno, por outra pessoa jurídica (também para clientes a ela não vinculados) na venda do respectivo produto, idêntico ou similar, no mercado brasileiro, em condições de pagamento semelhantes. Ademais, ainda com relação ao ano-calendário de 2012, para fins de cálculos do arbitramento, a fiscalização deixou claro, mais uma vez, que a opção pelo contribuinte pelo PECEX deveria prevalecer e que os valores dos produtos comercializados (exportados) poderiam ser medidos com os valores constantes dos informativos da ESALQ. Confira-se o que constou daquele Termo de Verificação Fiscal: 75.2. Retomando o que se manifestou nos itens 53 a 66 retrocitados, onde fica evidente que a Contribuinte teria de apurar seus preços parâmetros do presente ano-calendário por meio do método do Preço sob Cotação na Exportação – PECEX, necessariamente obrigatório quando o bem exportado for considerado commoditie para fins de controle do Preço de Transferência, e facultativo para os demais produtos exportados. Assim sendo, não pode prevalecer o argumento da Fiscalizada, no sentido de que optou, na DIPJ/2013 (ano-calendário de 2012), pela aplicação do art. 52 da Lei n° 12.715/2012, mas não informou que estava sujeita a algum método de cálculo de Preços de Transferência, aduzindo se tratar de equívoco, segundo Ela, porque referida aplicação fica restrita aos produtos considerados commodities pela legislação que trata dos Preços de Transferência (item “54”). 75.3. Conquanto não tenha ficado caracterizado que os produtos exportados pela Fiscalizada (“celulose” e “papel”) se enquadram como commoditie para fins de controle de Preços de Transferência, entre outros, porque não sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, eles têm cotação média na fonte de dados independentes fornecida por instituição de pesquisa setorial internacionalmente reconhecida, constante do Anexo III da IN RFB n° 1.312/2012, no caso a ESALQ (item “41” e documento n° 60 da “Relação de Documentos”). 75.4. No presente ano-calendário, a Fiscalizada efetivou exportação para as pessoas Vinculadas Suzano Trading e Stenfar Sociedad Anonima, cujas mercadorias tinham por destino os mercados europeu, americano, Africano e Asiático (item 08 e documentos n° 55, 94 e 95 da “Relação de Documentos”). 75.5. Vale registrar que, embora os informativos da ESALQ (documento n° 60 da “Relação de Documentos”) não trazem a cotação de referidos produtos, especificamente, nos países de destino dos bens, aquela instituição de pesquisa setorial internacionalmente reconhecida disponibiliza referida cotação nos mercados americano e europeu (fls. 08 e 10 respectivamente). Relativamente ao mercado europeu, há de se considerar as informações dispostas nas fls. 10 de cada informativo, e não aquelas constantes das fls. 09, por se tratar de preço médio do produto embarcado, indistintamente em valores globais, e não em face de país ou mercado específico de destino dos bens. 75.6. Por oportuno, conforme entendimento da Repartição, a valoração é realizada em face do mercado mais próximo do destino dos bens, e não relativamente ao país em que o importador estrangeiro está localizado. 75.7. Conforme se constata nos documentos n° 85 a 89 da “Relação de Documentos”, para fins de controle sobre Preços de Transferência por meio do método PECEX, a Fiscalizada não exporta grande variedade de produtos com naturezas diferentes. (destacou-se). Desta forma, após demonstrar a formatação dos cálculos para os preços de transferência de acordo com o método PECEX, a fiscalização, para o ano-calendário de 2012, Fl. 12970DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 afirmou que “o Lucro Real e o da Exploração, bem como a base de cálculo da CSLL, deverão ser ajustados em R$ 968.518.465,16, valor correspondente à receita apurada no presente procedimento fiscal, que não foi apropriada na escrituração do correspondente ano- calendário”. Já para o ano-calendário de 2013, a fiscalização demonstrou que, mais uma vez, em um primeiro momento, o contribuinte prestou esclarecimentos no sentido que não estaria sujeito ao arbitramento, para as operações de exportação realizadas, em que pese ter apresentado planilhas com cálculos pelos métodos CAP e PVEX, que foram desconsiderados pelo agente fiscal, uma vez que, supostamente, não atenderiam aos requisitos da legislação em vigor. Assim, atestando a impossibilidade de arbitramento pelos métodos apresentados pelo contribuinte, a fiscalização conclui que o PECEX também deveria ser aplicado no ano- calendário de 2013, afirmando que: 87.2. Na forma disposta no subitem “56.1” retrocitado, onde fica evidente que o método do Preço sob Cotação na Exportação – PECEX é de uso obrigatório quando o bem exportado for considerado commoditie para fins de controle do Preço de Transferência, e facultativo para os demais produtos exportados. Assim sendo, não pode prevalecer o argumento da Fiscalizada, no sentido de que referido método de cálculo tem aplicação restrita aos produtos considerados commodities pela legislação que trata dos Preços de Transferência (subitens “54” e “70.2” –documentos n°s 64 e 100 da “Relação de Documentos”). 87.3. Conquanto não tenha ficado caracterizado que os produtos exportados pela Fiscalizada (“celulose” e “papel”) se enquadram como commoditie para fins de controle de Preços de Transferência, entre outros, porque não sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, eles têm cotação média na fonte de dados independentes fornecida por instituição de pesquisa setorial internacionalmente reconhecida, constante do Anexo III da IN RFB n° 1.312/2012, no caso a ESALQ (item “41” e documento n° 84 da “Relação de Documentos”). (destacou- se) Assim, ao final, para o ano-calendário 2013, o agente fiscal asseverou que: 90. Na forma já discutida no item 79, a parcela da receita, apurada segundo um dos métodos estabelecidos na legislação, que exceder ao valor já apropriado na escrituração deverá ser adicionada ao lucro líquido - sendo considerada no lucro da exploração - para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL (§ 7° do art 19 e art. 28 da Lei nº 9.430/96 e parágrafo único do art. 28 da IN RFB n° 1.312/2012). 90.1. Nessas circunstâncias, conforme detalhamento a seguir, o Lucro Real e o da Exploração, bem como a base de cálculo da CSLL, deverão ser ajustados em R$ 1.047.681.535,13, valor correspondente à receita apurada no presente procedimento fiscal, que não foi apropriada na escrituração do correspondente ano-calendário: Ainda, no TVF, a fiscalização abriu um tópico denominado “Créditos a descontar apurados pela Contribuinte” (fls. 114 e seguintes), no qual faz longo arrazoado (mais de 100 páginas) acerca do conceito de insumos e as possibilidades de creditamento na apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, em especial, no ramo de atividade do Recorrido, além de demonstrar suposta incorreção na apuração da base de cálculo destas contribuições. Contudo, como mencionado alhures, houve entendimento de que aquelas contribuições já haviam sido analisadas pela DRF/Salvador no período analisado e, por isso, a referida análise “deveria ser interrompida.” (item 162 do TVF). Por fim, ainda no TVF, o agente autuante motivou a qualificação da multa de ofício (150%), sob o argumento de que, em síntese, “enquanto não submetida a procedimento Fl. 12971DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 fiscal, ano após ano, a Contribuinte vinha declarando à Receita Federal do Brasil, falsamente, que não havia receita realizada decorrente de ajustes no controle de Preços de Transferência. Nesse pressuposto, parte significativa da receita tributável passava ao largo da tributação, porque não contabilizada na apuração do lucro líquido do exercício nem considerada no lucro da exploração e adicionada no lucro real e na base de cálculo da CSLL. Tudo, em total afronta à Lei tributária (...)”. Assim, em face da suposta conduta reiterada do contribuinte, que estaria em contrariedade à legislação, além da qualificação da penalidade (multa de ofício aplicada ao patamar de 150%), foi formalizada a representação para fins penais. Não houve imputação de responsabilidade tributária aos administradores do Recorrido, em que pese a fiscalização ter citado os nomes dos membros da diretoria e do conselho fiscal, para fins de apuração de eventual prática de crimes contra a ordem tributária. Devidamente intimado, o Recorrido apresentou extensa Impugnação Administrativa (fls. 12.219 a 12.315). Os argumentos lançados para desconstruir as ilações da fiscalização foram assim sintetizados pelo acórdão da DRJ de Florianópolis: a) Nulidade. Autuação lavrada por autoridade sem competência legal para proceder à auditoria de preços de transferência. A legislação atribui a fiscalização dos cálculos de preços de transferência à competência da Delegacia de Maiores Contribuintes da Receita Federal do Brasil (DEMAC). Logo, era vedado à equipe de Fiscalização da Superintendência da 5a Região Fiscal (Bahia), local da sede da empresa, proceder à auditoria e constituição de crédito tributário acerca do tema; b) Eleição de critério inaplicável para cálculo do preço parâmetro dos produtos exportados. Não só a IMPUGNANTE nunca afirmou estar sujeita ao PECEX, como também, ainda que o tivesse feito, jamais seria possível adotá-lo para determinar o “preço parâmetro” no seu caso, dado ser inaplicável aos produtos que exporta, por não se qualificarem como commodities, únicos sujeitos a tal sistema, como se depreende da legislação e reconhece a COSIT. Nessa medida, ao adotar método reconhecidamente inaplicável ao caso, a Fiscalização atuou infringindo não só a lei como também as instruções hierarquicamente superiores do órgão que integra e está obrigada a respeitar, caracterizando evidente comportamento ilegal; c) Nulidade ou, ao menos, improcedência do procedimento adotado pela Fiscalização para proceder aos ajustes. Conduta contraditória. As assertivas adotadas pela Fiscalização para aplicar o PECEX no cálculo dos preços de transferência da IMPUGNANTE estão em desconformidade com a legislação. Primeiramente, para 2012, porque a irretratabilidade da opção não impõe a utilização de método para cálculo do “preço parâmetro” inaplicável ao tipo de mercadoria exportada. Se o PECEX não poderia ser utilizado, evidente que deveria ser adotado critério diverso, pois, por óbvio, a irretratabilidade se refere à escolha por antecipar o uso do novo marco normativo e não de método de cálculo que, segundo o próprio Fisco, não é elegível pela empresa (IMPUGNANTE). Afinal, não se pode escolher antecipar o uso do que não se tem direito, nem obrigação legal. Semelhantemente, para 2013, também se vê o erro na forma de proceder da Fiscalização. Embora reconheça que o PECEX não possa ser utilizado pela IMPUGANTE, afirma a autoridade autuante que, dentre os elementos existentes, este seria o único meio à disposição da Fiscalização para arbitrar o preço parâmetro. Ora, não só não é verdadeira a alegação de que não seria possível proceder à revisão dos cálculos por método diverso (cf. item 3.6), como também, ao utilizar critério reconhecidamente incabível, o que fez a Fiscalização foi apurar valor evidentemente em desconformidade com o de mercado, contrariando assim o propósito das normas de preços de transferência; Fl. 12972DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 d) Regularidade dos cálculos pelo PVEx e CAP apresentados durante a auditoria. As assunções fiscais para não aceitar os cálculos apresentados pela IMPUGNANTE estão em desconformidade com a legislação ou com os dados que suportaram os valores apurados pela IMPUGNANTE. Ao contrário do que consta da peça fiscal: d.1. Houve a elaboração de cálculo de “preço parâmetro” segregado por produto (como exige a legislação); d.2. Os relatórios que suportam os cálculos permitem identificar os valores de custos individuais por produtos e dos montantes que levaram às suas formações; d.3. Os ajustes foram informados de forma global por instrução da própria RFB no Manual de Preenchimento da DIPJ; e d.4. Os relatórios que serviram de base para cálculo do “preço parâmetro” são equivalentes ao SISCOMEX. A diferença é que aglutina informações que estão individualizadas no SISCOMEX, mas que, se a Fiscalização desejasse, poderia tornar individual, pois o relatório permite assim proceder. e) Imprestabilidade do informativo da ESALQ que subsidiou o trabalho fiscal. Os critérios para sua composição distinguem-se dos eleitos pela legislação. Mesmo que possível fosse a adoção do PECEX no caso concreto, assunção aceita para argumentar, ainda assim os lançamentos devem ser afastados, pois a base de dados adotada (informativo da ESALQ) não atende os requisitos exigidos pela legislação, uma vez que: e.1. Embora esteja listada como entidade de pesquisa reconhecida, a ESALQ não faz levantamento de valores diários de preços de celulose e papel, mas apenas de outros produtos (v.g. arroz e soja). O estudo feito no segmento em que se insere a IMPUGNANTE é meramente informativo, não tendo o objetivo de apontar o preço de mercado, como reconhece a própria entidade que o elaborou; e.2. Aponta valores de celulose e papel com periodicidade mensal, ao passo que a legislação impõe a verificação do preço na data de transação; e.3. Não contempla as mesmas espécies de produtos comercializados pela IMPUGNANTE, mas itens com características diversas; e.4. Não contempla o preço de mercado no país de destino dos produtos, como exige a legislação, mas apenas de regiões do mundo próximas a eles; e.5. Como o objetivo é verificar o preço de mercado, poderia a Fiscalização ter adotado valor unitário das exportações de papel e celulose divulgados pela SECEX do MIDC, integrante do trabalho da ESALQ, mas não o fez; e e.6. A comparação dos preços praticados pela IMPUGNANTE nas operações sujeitas às regras de transferência com os preços praticados em exportações a partes não vinculadas demonstra que aqueles foram estabelecidos em condições arm’s length e comprova que as cotações médias divulgadas no informativo da ESALQ não têm o condão de subsidiar a aplicação da legislação de preços de transferência. f) A adoção das premissas fiscais para cálculo do PVEx demonstra inexistir ajustes. Mesmo que se pudesse admitir o uso dos critérios adotados pela Fiscalização no curso da auditoria para fins de classificação dos produtos exportados, do que se discorda, mas se admite para argumentar, ainda assim o cálculo do “preço parâmetro” segundo o PVEx conduz a ajustes em valores sensivelmente inferiores aos determinados pela Fiscalização mediante a adoção do PECEX. Portanto, ainda que utilizadas as equivocadas premissas fiscais na identificação dos produtos da IMPUGNANTE, no mínimo, o método PVEx é que deveria ser levado em consideração. g) Dispensa do ajuste por envolver receita que integrou o resultado em razão da tributação automática dos lucros das investidas/importadoras (ou destinatárias). Assumindo-se, para argumentar, que a acusação fiscal fosse procedente, se por um lado era obrigatória a realização do ajuste por envolver vendas supostamente abaixo do valor de mercado a pessoas relacionadas, por outro, é certo que as destinatárias tiveram lucro maior ao adquirirem as mercadorias a preços defasados e revendê-los a terceiros pelo Fl. 12973DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 valor de mercado. Como os lucros das adquirentes foram considerados automaticamente distribuídos à IMPUGNANTE (controladora), que também era a exportadora, isso fez com que os valores que deveriam ser agregados ao resultado tributável como ajustes de preços de transferência acabaram por ser adicionados a título de lucros disponibilizados, havendo assim uma compensação e equivalência entre as importâncias. h) Improcedência da multa qualificada. Não houve dolo na conduta da IMPUGNANTE, quer por não ter prestado declaração falsa, quer por conta de ela própria ter reconhecido a realização de exportações a pessoas vinculadas, deixando às claras a sua interpretação de dispensa de arbitramento na forma da legislação acerca dos preços de transferência. A controvérsia, na realidade, resume-se à correição dos cálculos para a dispensa do ajuste (ou dos números indicados na fase de auditoria) comparativamente ao que a Fiscalização considera ser correto. Ou seja, divergência de interpretação. Não cometimento de fraude. i) Dever de redução do resultado tributável com resultados fiscais negativos acumulados. Ainda que convicta de que teria havido infração à legislação, a Fiscalização estava obrigada a compensar o valor tributável identificado com o estoque de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL (“resultados fiscais negativos acumulados”) na determinação do crédito tributário, o que não se deu e, quando menos, deverá ser determinado pelas autoridades julgadoras. j) Redução do IRPJ em razão da receita integrar o lucro da exploração. Por fim, se possível fosse superar o quanto retro exposto, o que se aceita para argumentar, deveria ainda ser reduzido o IRPJ devido, na medida em que a receita de exportação integra o lucro da exploração, sendo defeso à Fiscalização afastá-lo não só por não ter competência para tanto, configurando a sua conduta desvio de finalidade, como também em consequência do afastamento da multa qualificada, na forma do tópico 3.8. Em análise aos argumentos apresentados, aquela DRJ de Florianópolis, por unanimidade de votos, entendeu pelo cancelamento dos créditos tributários relativos ao ano- calendário de 2012. No que se refere ao ano-calendário de 2013, em que pese por maioria de votos, também houve o entendimento pelo cancelamento da autuação. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 Exportação. Preço de transferência. Procedimentos fiscais Quando o método de apuração do preço de transferência ou algum dos seus critérios for desclassificado pela autoridade fiscal, deve-se intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. A fiscalização deverá motivar o ato, caso desqualifique o método eleito pelo contribuinte. Exportação. Preço de transferência. Método PECEX O Método do Preço sob Cotação na Exportação - PECEX é de aplicação obrigatória e restrita aos casos de exportação de commodities, assim entendidos os produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II e os produtos listados no Anexo I que estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisa setoriais listadas no Anexo III, da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012. No acórdão proferido, não se pode deixar de ressaltar, houve 04 declarações de voto dos julgadores que compunham a Turma de Julgamento na DRJ de Florianópolis. Fl. 12974DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Como o “crédito tributário discutido excede o limite fixado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do Ministro de Estado da Fazenda”, foi apresentado Recurso de Ofício por aquela Turma de Julgamento. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso de Ofício (fls. 12.915 a 12.963), nas quais defende, em síntese, a assertividade da acusação fiscal, em especial a correta eleição do método PECEX como forma de apuração dos preços de transferência nas operações de exportação realizada pelo Recorrido, uma vez que a adoção deste método seria facultativa quando os produtos exportados não pudessem ser caracterizados como commodities. Ato contínuo, os autos foram distribuídos a este relator para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, Relator. DO CABIMENTO E ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Como se observa do acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis, a decisão proferida por aquela Turma de Julgamento exonerou a totalidade do crédito tributário em valores superiores a 1 bilhão de Reais. Como o valor exonerado (principal e multa) supera o valor de alçada de R$2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63/2017, o Recurso de Ofício deve ser conhecido e analisado por este Conselho. DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DO MÉTODO PECEX. Antes de se adentrar ao mérito da discussão, para se verificar, em especial, se a decisão recorrida está de acordo com os ditames legais, importante fixar algumas premissas, mesmo que de forma breve, no que tange aos Preços de Transferências e ao método de cálculo denominado PECEX, que foi introduzido no ordenamento jurídico pátrio pela Lei nº 12.715/12, nas alterações que promoveu na Lei nº 9.430/96. Os preços de transferência, como sabido, são valores atribuídos às operações realizadas por entidade que pratica transações internacionais com partes relacionadas ou que estejam domiciliadas em paraísos fiscais ou em localidades com tributação favorecida. Neste sentido, o professor Luís Eduardo Shoueri caracteriza o preço de transferência da seguinte forma: (...) entende-se, na doutrina internacional, o valor cobrado por uma empresa na venda ou transferência de bens, serviços ou propriedade intangível, a empresa a ela relacionada. Tratando-se de preços que não se negociaram em um mercado livre e aberto, podem eles desviar-se daqueles que teriam sido acertados entre parceiros comerciais não relacionados, em transações comparáveis nas mesmas circunstâncias. No direito brasileiro, a matéria preços de transferência estende-se às trocas entre estabelecimentos de uma mesma empresa, situados em diferentes territórios. (SHOUERI, Luis Eduardo. Preços de transferência no direito tributário brasileiro. 2. Ed. São Paulo: Dialética, 2006. Pág 12) Fl. 12975DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 São precisos, também, os ensinamento de Ricardo Marozzi Gregório, em brilhante obra acadêmica. Veja-se: “Em face do que foi dito é possível, então, de forma genérica, definir os ‘preços de transferência’ como os valores monetários atribuídos, pelas empresas relacionadas, às transações internacionais de transferências de propriedade ou de direito de uso de bens, tangíveis ou intangíveis, e de prestação de serviços. O termo ‘preço de transferência’ é o que corresponde à expressão inglesa transfer price.” (GREGORIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência – Arm’s Length e Praticabilidade – Série Doutrinária Vol. V – São Paulo: Quartier Latin, 2011. Págs. 40 e 41) Há que se ressaltar, contudo, como ensina Marozzi, que é “conveniente distinguir os ‘preços de transferência’ do ‘controle dos preços de transferência’. Este último pode ser definido como a disciplina jurídica que visa contornar os efeitos da tributação da renda causados pela prática dos preços de transferência”. Desta forma, partindo do ponto de que o controle dos preços praticados nas operações de importação ou exportação é valido e pode ser feito pelo ente competente, é a legislação, tendo em vista o princípio da legalidade, que irá determinar quando e como deverá ser utilizado o controle dos preços de transferência, devendo a entidade se submeter aos ajustes 1 , caso estejam presentes os requisitos necessários para que esse controle seja exercido. No caso do Brasil, o controle dos preços de transferência se iniciou com a promulgação da Lei nº 9.430/96 e teve como objetivo regular as operações de exportação e importação entre entidades vinculadas ou que estejam domiciliadas em paraísos fiscais ou em localidades com tributação favorecida, evitando-se, assim, manipulações de preços nas transações realizadas e, por consequência, a erosão da base tributária. A par de toda a discussão internacional que gravita em torno dos preços de transferência, em especial, das diferenças do sistema adotado pelo ordenamento jurídico brasileiro em detrimento dos demais países 2 , tem-se que, no Brasil, o regime de controle de preços de transferência tem particularidades, que vinculam não só o sujeito passivo, com também o sujeito ativo da obrigação tributária. Há de se ressaltar, por outro lado, que, em alguns casos, o legislador brasileiro previu a possibilidade de o contribuinte não estar sujeito ao regime dos preços de transferência, quando introduziu no ordenamento as hipóteses de safe harbours. Este instituto é assim caracterizado por Jonathan Barros Vita: “Como primeiro exemplo de ressalva a esta generalização das regras de preços de transferência como normas antielisivas, tem-se a exceção contida nos safes harbours, caso que implica sua não aplicação. É dizer, a aplicação de preços de transferência é limitada por estas disposições que perfazem um recorte no campo de aplicabilidade deste instituto, pois há um processo de verificação da validade da operação através destas regras, mas inexiste aplicação individual e concreta das mesmas.” (VITA, Jonathan Barros. O BEPS – Base Erosion 1 Como ensina Vivian de Freitas e Rodrigues de Oliveira, "quando falamos em preços de transferência, estamos cuidando de potenciais ajustes na base de cálculo do imposto de renda". (OLIVEIRA, Vivian de Freitas e Rodrigues de. Preço de transferência como norma de ajuste do imposto de renda. São Paulo: Noeses, 2015. Pág. 194). 2 Como exemplo dessa diferenciação, pode-se destacar, como ensina Ricardo Marozzi, que "o regime brasileiro diferenciou-se da prática internacional na definição do aspecto subejeito alcançado pelo controle. Neste particular, o artigo 23 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu o conceito de 'pessoa vinculada', o qual diverge bastante das noçôes mais flexivéis empregadas no aspecto subjetivo da disciplina no âmbito internacional". (GREGORIO, Ricardo Marozzi. Preços de transferência - Arm's Lenght e Praticabilidade. Série Doutrina Tributária Vol. V - São Paulo: Quartier Latin, 2011. Pág 159). Fl. 12976DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 and Profit Shifting – Report da OCDE e os Preços de Transferência Brasileiros: Notas Sintéticas pós-final reports. In Direito Tributário e os novos horizontes do Processo. São Paulo: Noeses, 2015. Pág 600). Neste casos (dos safe harbours), por exemplo, uma empresa que pratica, em suas exportações, um preço médio de 90% do preço médio praticado para as mesmas transações no mercado interno, estará dispensada do controle. Esta é a inteligência do artigo 19, da Lei nº 9.430/96. Veja-se: Art.19.As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. §1º Caso a pessoa jurídica não efetue operações de venda no mercado interno, a determinação dos preços médios a que se refere o caput será efetuada com dados de outras empresas que pratiquem a venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro. Neste ponto, entretanto, não se pode olvidar, porque interessa ao presente caso, que o safe harbour, nas exportação de commodities, como definido no citado artigo 19 da Lei 9.430/96, não se aplica aos casos em que é obrigatória a adoção do método PECEX, como se observa da redação do § 4º, do artigo 19-A da Lei nº 9.430/96. Confira-se: Art.19-A. O Método do Preço sob Cotação na Exportação - PECEX é definido como os valores médios diários da cotação de bens ou direitos sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas. (...) § 4 o As receitas auferidas nas operações de que trata o caput ficam sujeitas ao arbitramento de preços de transferência, não se aplicando o percentual de 90% (noventa por cento) previsto no caput do art. 19. (destacou-se) Como não poderia deixar de ser, este também é o mandamento do artigo 21 da IN RFB nº 1.312/2012. Veja-se: Art. 20. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a 90% (noventa por cento) do preço médio praticado na venda dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 1º O preço médio a que se refere o caput será obtido pela multiplicação dos preços praticados, pelas quantidades relativas a cada operação e os resultados apurados serão somados e divididos pela quantidade total, determinando-se, assim, o preço médio ponderado. § 2º Caso a pessoa jurídica não efetue operações de venda no mercado interno, a determinação dos preços médios a que se refere o caput será efetuada com dados de outras pessoas jurídicas que pratiquem a venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro. § 3º Para efeito do disposto neste artigo, serão consideradas somente as operações de compra e venda praticadas, no mercado brasileiro, entre compradores e vendedores não vinculados. § 4º Para efeito de comparação, o preço de venda: Fl. 12977DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 I - no mercado brasileiro, deverá ser considerado líquido dos descontos incondicionais concedidos, do ICMS, do ISS, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, de outros encargos cobrados pelo Poder Público, do frete e do seguro, suportados pela pessoa jurídica vendedora; II - nas exportações, será tomado pelo valor depois de diminuído dos encargos de frete e seguro, cujo ônus tenha sido da pessoa jurídica exportadora. Art. 21. Na hipótese de exportação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o método do Preço sob Cotação na Exportação - Pecex, definido no art. 34, não se aplicando o disposto no caput do art. 20. (destacou-se) De todo modo, sendo caracterizada a necessidade de se fazer o controle dos preços de transferência e o respectivo ajuste, o legislador pátrio elegeu diversos métodos que poderão ser utilizados na quantificação daqueles preços, tanto no caso de exportação, como no caso de importações realizadas pelos contribuintes. A escolha destes métodos, a princípio, na experiência brasileira, é do contribuinte, não sendo imposta nenhuma forma de cálculo específica pelo legislador, que apenas trouxe as hipóteses passíveis de serem adotadas. A escolha, portanto, pode ser feita de acordo com os interesses do contribuinte, ou seja, a escolha pode recair no método que lhe for mais benéfico. Fazendo uma leitura do que restou determinado no artigo 18 e no §3º, do artigo 19, ambos da Lei nº 9.430/96, Marozzi deixa clara essa liberdade dada ao contribuinte pelo legislador pátrio: “Apesar da pretensa inspiração em métodos internacionais, não foi estabelecido nenhum critério para a escolha dos métodos brasileiros. Assim que, diferentemente do que aconteceu nos Guidelines, não há uma hierarquia que determine a prevalência dos métodos inspirados no CUP (PIC e PVEx). Outrossim, diferentemente do que está previsto na regulamentação americana, não há imposição de alguma regra semelhante ao best method rule. Há, na verdade, uma total liberdade de escolha do método a ser aplicado. (...)” (GREGORIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência – Arm’s Length e Praticabilidade – Série Doutrinária Vol. V – São Paulo: Quartier Latin, 2011. Págs. 167) (destacou-se) Este entendimento - da livre escolha do método-, inclusive, mutatis mutandi, já foi referendado pela Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando aquele colegiado decidiu pela possibilidade de a fiscalização escolher, no lançamento de ofício, um dos métodos de cálculo previstos na legislação, independentemente de ser demonstrado que o método escolhido seria mais benéfico ao contribuinte. Neste sentido, deixando de lado a divergência doutrinária e jurisprudencial no que tange à possibilidade de escolha de métodos diversos do que previsto na legislação, veja-se a ementa do acórdão proferido pela Câmara Superior, que demonstra claramente a possibilidade de escolha, pela fiscalização, de qualquer um dos métodos previstos no ordenamento jurídico pátrio, sem a necessidade de se demonstrar que o método escolhido é o mais favorável ao contribuinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — APLICAÇÃO DOS MÉTODOS. De acordo com o artigo 18 da Lei nº 9.430/96, quanto à dedutibilidade dos custos, despesas ou encargos, relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações com pessoas ligadas, devem ser aplicados os seguintes métodos: Preços Independentes Comparados - PIC, Preço de Revenda menos Lucro - PRL e Custo de Produção mais Lucro - CPL, sendo vedado ao Fl. 12978DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 contribuinte a aplicação de qualquer outro método, em desacordo com o principio da reserva legal. IRPJ - CUSTOS - DEDUTIBILIDADE - PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A lei, ao dispor que o contribuinte poderá optar pelo método de cálculo de custos que lhe for mais favorável, não determina que a Fiscalização deverá demonstrar que o método por ela utilizado é o método mais favorável ao sujeito passivo. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL PARA PRODUÇÃO LOCAL. VEDAÇÃO DO ART. 4º, § 1º, da IN SRF 38/97. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRATOS DE MÚTUO COM JUROS ATIVOS. Não há previsão regulatória nem possibilidade de registro do contrato de mútuo com juros ativos no Banco Central, sem embargo do controle por ele exercido sobre a matéria. Descabem os ajustes de preços de transferência (receita de juros), no mútuo concedido pela pessoa jurídica domiciliada no País a pessoa vinculada, na medida em que o câmbio ou a transferência internacionais em reais esteja registrada no SISBACEN, e a documentação suporte do mútuo tenha sido apresentada ao banco operador de câmbio. (Acórdão nº 9101-002.313 – Sessão de 03/05/2016) (destacou-se). No caso das exportações, os métodos fixados inicialmente pelo legislador, como se denota do artigo 19 da Lei nº 9.430/96, foram: (i) método de venda nas exportações (PVEx); (ii) Método de venda por atacado no país de destino, diminuído do lucro (PVA), (iii) Método de Preço de Venda a Varejo no país de destino, diminuído do lucro (PVV) e (iv) Método de Custo de Aquisição ou de Produção mais tributos e Lucros (CAP). Assim, sendo identificada a necessidade de se fazer o controle dos preços de transferência, pode o contribuinte e, quando for o caso, a fiscalização, optarem por um dos métodos aplicados às operações de exportação previamente definidos pelo legislador. Contudo, no ano de 2012, com a publicação da Lei nº 12.715/12 (que é fruto conversão da MP 563/2012), houve importantes alterações no ordenamento jurídico brasileiro. Em especial, aquela lei, modificando o que restara disposto inicialmente na Lei 9.430/96, impôs a adoção de métodos específicos para os casos de importação (método PCI) e de exportação (método PECEX) de commodities. Em que pese a premissa da liberdade do contribuinte (e até mesmo da fiscalização) para escolha do método de controle dos preços de transferência, a partir do ano de 2013, no caso de operações (importação ou exportação) que envolvam commodities, não foi dada liberdade na escolha. Ou seja, quando da prática de operações com commodities se tornou obrigatória a adoção de determinado método pela entidade. O PECEX, portanto, é de adoção obrigatória por aqueles contribuintes que, a partir do ano de 2013, façam operações de exportação de commodities. Este é o comando dos artigos 19, § 9º e 19-A, ambos da Lei nº 9.430/96. Confira-se: Art.19.As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. (...) Fl. 12979DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 § 9º Na hipótese de exportação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Exportação - PECEX, definido no art. 19-A. Art.19-A. O Método do Preço sob Cotação na Exportação - PECEX é definido como os valores médios diários da cotação de bens ou direitos sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) § 1 o Os preços dos bens exportados e declarados por pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no País serão comparados com os preços de cotação dos bens, constantes em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, ajustados para mais ou para menos do prêmio médio de mercado, na data da transação, nos casos de exportação para: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) I - pessoas físicas ou jurídicas vinculadas; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) II - residentes ou domiciliadas em países ou dependências com tributação favorecida; ou (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) III - pessoas físicas ou jurídicas beneficiadas por regimes fiscais privilegiados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) § 2 o Não havendo cotação disponível para o dia da transação, deverá ser utilizada a última cotação conhecida. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) § 3 o Na hipótese de ausência de identificação da data da transação, a conversão será efetuada considerando-se a data de embarque dos bens exportados. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) § 4 o As receitas auferidas nas operações de que trata o caput ficam sujeitas ao arbitramento de preços de transferência, não se aplicando o percentual de 90% (noventa por cento) previsto no caput do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) § 5 o Na hipótese de não haver cotação dos bens em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, os preços dos bens exportados a que se refere o § 1 o poderão ser comparados: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) I - com os obtidos a partir de fontes de dados independentes fornecidas por instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas; ou (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) II - com os preços definidos por agências ou órgãos reguladores e publicados no Diário Oficial da União. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) (Produção de efeito) § 6 o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo, inclusive a divulgação das bolsas de mercadorias e futuros e das instituições de pesquisas setoriais internacionalmente reconhecidas para cotação de preços. (destacou-se) Vivian de Freitas Rodrigues de Oliveira leciona neste norte, ao afirmar que, no caso de importação e exportação de commodities, a adoção destes métodos (PCI e PECEX) é compulsória. Veja-se os apontamentos daquela autora, quando comenta as alterações promovidas pela 12.715/12 no ordenamento jurídico pátrio: “Os métodos de preço de transferência sofreram uma substancial alteração com a introdução da Lei n. 12.715/2012, com a introdução de métodos para importação e exportação a serem utilizados, compulsoriamente, no caso de pessoas jurídicas que transacionem commodities com parte relacionadas ou com paraísos fiscais e regimes fiscais privilegiados”. (...) Fl. 12980DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 “Pela nova lei, todas as commodities ficarão sujeitas, a partir de 2013, ao controle de preços em operações de importação e exportação. A norma determina que, na hipótese de transações com commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverão ser usados os métodos de Preço sob Cotação da Importação – PCI ou preço sob Cotação na Exportação – Pecex. Se não houver cotação em bolsa, a comparação se dará com preços obtidos em institutos de pesquisa idôneos ou agências reguladoras. Na prática, o preço praticado nessas transações poderá ser ajustado para o cálculo dos tributos”. (OLIVEIRA, Vivian de Freitas Rodrigues de. Preço de transferência como norma de ajuste do imposto sobre a renda. São Paulo: Noeses, 2015. Pág. 161 e 201). (destacou-se) A esta mesma conclusão chegou Jonathan Barros Vita, quando, ao analisar o método PCI, faz a seguinte afirmação: “Antes de tudo, cabe reiterar que este método positivado no art. 18-A da Lei 9.430 e especificado nos arts. 16 a 19 e anexos I a III da IN 1.312 representa uma exceção ao método mais favorável ao contribuinte do § 7º do art. 18 da Lei 9.430, significando uma emulação best method americano do § 16, vez que é especificamente formulado para commodities negociadas em bolsas e aplicável de maneira excludente em relação aos demais métodos, sobrepondo-se a eles” (VITA, Jonathan Barros. Preços de transferência: atualizado com as Leis 12.715 e 12.766 e a instrução normativa 1.312, com as alterações das INs 1.322 e 1.395. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais: FISCOSoft Editora: 2014. Págs. 227 e 228) (destacou-se) Não se pode perder de vista que o entendimento, no que se refere à obrigatoriedade de aplicação do método PECEX, no caso de exportação de commodities, já foi, inclusive, externado pela própria Receita Federal do Brasil, quando da publicação da Solução de Consulta COSIT nº 310, de 03 de novembro de 2014. Veja-se a ementa publicada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ EMENTA: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PECEX. OBRIGATORIEDADE. A previsão do produto dentre as commodities relacionadas no Anexo I da IN RFB n° 1.312, de 2012, e, cumulativamente, sujeito a preços públicos nas instituições de pesquisas setoriais reconhecidas internacionalmente, listadas no Anexo III da mesma IN, obriga à utilização do método PECEX para arbitramento dos preços praticados nas operações de exportação para pessoa vinculada, a partir do ano-calendário de 2013, estando vedada a livre utilização de outros métodos. (destacou-se) Por fim, ainda quanto à obrigatoriedade de adoção do método PECEX, no caso de exportação de commodities, à mesma conclusão chegou o ilustre relator do acórdão recorrido. Confira-se a posição externada: Pois bem: uma interpretação sistêmica da Lei nº 9.430/96 nos obriga a concluir que, a partir da edição da Lei nº 12.715/12, estabeleceram-se duas possibilidades, mutuamente excludentes entre si: a) no caso de exportação de produtos não caracterizados como commodities, manteve-se a regra geral que permite ao contribuinte escolher o método de preço de transferência na exportação mais favorável ao contribuinte, dentre os métodos originalmente previstos no art. 19 da citada Lei ((PVEx, PVA, PVV e CAP); b) no caso de exportação de produtos caracterizados como commodities, estabeleceu-se a obrigatoriedade de utilização do método definido no art. 19-A da citada Lei (PECEX). (destacou-se) Neste passo, já se pode chegar a algumas premissas que serão necessárias ao deslinde da presente demanda: Fl. 12981DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 (i) o controle de preços de transferência é, em regra, obrigatório, quando forem realizadas operações de importação ou exportação entre entidades vinculadas ou que estejam domiciliadas em paraísos fiscais ou em localidades com regimes fiscais privilegiados. (ii) Em algumas hipóteses que estão previstas na legislação, o contribuinte estará dispensado de realizar o controle dos preços de transferência (safe harbours), sendo que esta dispensa não se aplica, quando o método a ser aplicado for o PECEX (artigo 21 da IN RFB nº 1.312/2012); (iii) com a edição da Lei nº 12.715/12 (conversão da MP 563/2012), aqueles contribuintes que fazem operações como commodities de importação e de exportação, deverão utilizar obrigatória e respectivamente, os métodos PCI e PECEX. DO CONCEITO DE COMMODITIES PARA FINS DE APLICAÇÃO DO PECEX COMO MÉTODO DE CÁLCULO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DA OBRIGATORIEDADE E EXCLUSIVIDADE NA APLICAÇÃO DESTE MÉTODO NAS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO COM COMMODITIES. Como demonstrado no tópico anterior, o método PECEX deverá ser aplicado em caso de exportações de commodities realizadas pelos contribuintes, desde que estas operações com o mercado externo estejam sujeitas ao controle dos preços de transferência. A dificuldade da conceituação do que seja commodities, neste ponto, está justamente porque a legislação tributária, mais especificamente a Lei 12.715/12, a princípio, não fixou, de forma expressa, nenhum conceito daquele instituto, para fins de caracterização e aplicação do PECEX (no caso de exportações) e do PCI (no caso de importação). O que se verifica do ordenamento jurídico pátrio é que, com a edição da IN RFB nº 1.312/2012, a própria Receita Federal do Brasil listou expressamente os produtos que são considerados como commodities, com os seus respectivos NCM’s. A redação atual do dispositivo (já com as alterações promovidas pela IN RFB nº 1.870/19) da mencionada IN é a seguinte: Art. 34. O Método do Preço sob Cotação na Exportação (Pecex) é definido como os valores médios diários da cotação de bens ou direitos sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas. (...) § 3º Para fins de aplicação do Pecex, consideram-se commodities os produtos listados no Anexo I e que estejam sujeitos: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1870, de 29 de janeiro de 2019) I - a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II; ou (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1870, de 29 de janeiro de 2019) II - a preços públicos nas instituições de pesquisas setoriais internacionalmente reconhecidas listadas no Anexo III. (destacou-se) Assim, atualmente, para efeitos de aplicação do método PECEX no cálculo dos preços de transferência é obrigatório que os produtos comercializados pelo contribuinte com o mercado externo estejam previamente listados no denominado ANEXO I da IN RFB nº 1.312/2012. Os produtos são os seguintes: ANEXO I COMMODITIES E SEUS RESPECTIVOS CÓDIGOS NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL PARA FINS DE APLICAÇÃO DO MÉTODO PCI e PECEX Fl. 12982DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 I. Açúcares de cana ou de beterraba e sacarose quimicamente pura, no estado sólido (NCM 17.01.1); II. Algodão (NCM 52); III. Alumínio e suas obras (NCM 76); IV. Cacau e suas preparações (NCM 18); V. Café, mesmo torrado ou descafeinado; cascas e películas de café; sucedâneos do café que contenham café em qualquer proporção (NCM 09.01); VI. Carnes e miudezas, comestíveis (NCM 02); VII. Carvão (NCM 27.01 a 27.04); VIII. Minérios de cobre e seus concentrados (NCM 2603.00) e Cobre e suas obras (NCM 74); IX. Minérios de estanho e seus concentrados (NCM 2609.00.00) e Estanho e suas obras (NCM 80); X. Farelo de Soja (NCM 2304.00); XI. Farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil) (NCM 1101.00); XII. Minérios de ferro e seus concentrados (NCM 26.01) e Ferro fundido, ferro e aço (NCM 72); XIII. Gás de petróleo e outros hidrocarbonetos gasosos (NCM 27.11); XIV. Minérios de manganês e seus concentrados (NCM 2602.00) e Manganês e suas obras incluindo os desperdícios e resíduos (NCM 8111.00); XV. Óleo de soja e respectivas frações (NCM 15.07); XVI. Ouro (incluindo o ouro platinado), em formas brutas ou semimanufaturadas, ou em pó ( NCM 71.08); XVII. Petróleo (NCM 27.09 e 27.10); XVIII. Prata (incluindo a prata dourada ou platinada), em formas brutas ou semimanufaturadas, ou em pó (NCM 71.06); XIX. Soja, mesmo triturada (NCM 12.01); XX. Suco (sumo) de laranja (NCM 2009.1); XXI. Trigo e mistura de trigo com centeio (méteil) (NCM 10.01); XXII. Chumbo e suas obras (NCM 78) e Minérios de chumbo e seus concentrados (NCM 2607); XXIII. Níquel e suas obras (NCM 75) e Minérios de níquel e seus concentrados (NCM 2604); XXIV. Zinco e suas obras (NCM 79) e Minérios de zinco e seus concentrados (NCM 2608); XXV. Minério de Cobalto e seus concentrados (NCM 2605) e Mates de cobalto e outros produtos intermediários da metalurgia do cobalto; cobalto e suas obras, incluindo os desperdícios e resíduos (NCM 8105). Ressalte-se que o dispositivo infra-legal, com a redação dada pela IN RFB nº 1.870/19, deixou claro que, além da necessidade de estar listado no citado ANEXO I, o produto comercializado deve ser, cumulativamente, sujeito a preços públicos em instituições listadas no ANEXO III. Alternativamente, para fins de caracterização dos produtos como commodities, aquele ato infra-legal determina que os produtos listados no ANEXO I estejam submetidos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros, que foram indicadas no ANEXO II. Fl. 12983DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Deve-se pontuar que, à época da lavratura dos Autos de infração em análise (inclusive dos fatos geradores objeto da autuação), a redação do artigo 34, § 3º da IN RFB nº 1.312/12, tinha configuração diversa da atual, qual seja: § 3º Consideram-se commodities para fins de aplicação do Pecex, os produtos: I - listados no Anexo I e que, cumulativamente, estejam sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II, ou que estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisas setoriais, internacionalmente reconhecidas, listadas no Anexo III, todos Anexos a esta Instrução Normativa; e II - negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II a esta Instrução Normativa. (destacou-se) Os textos infra-legais citados tem redação diversa. Contudo, entende-se que os requisitos para caracterização das commodities, para fins de aplicação ou não do PECEX, divergem apenas em um ponto: antes da alteração da IN RFB nº 1.312/12, promovida pela IN RFB nº 1.870/19, aqueles produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no ANEXO II seriam consideradas commodities, independentemente de estarem listados no ANEXO I da IN, o que não mais acontece. Em solução de consulta formulada por um contribuinte e publicada em 2015, a Receita Federal do Brasil, através da COSIT, proferiu este mesmo entendimento. Confira-se, neste sentido, a ementa da Solução de Consulta COSIT nº 176, de 08 de julho de 2015: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: MÉTODOS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO SOB COTAÇÃO NA IMPORTAÇÃO – PCI. PREÇO SOB COTAÇÃO NA EXPORTAÇÃO – PECEX. CONCEITO DE COMMODITIES. Para fins de aplicação dos métodos PCI e Pecex, consideram-se commodities os produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II e os produtos listados no Anexo I que estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisa setoriais listadas no Anexo III, da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012. Na hipótese de inexistir cotação específica para o produto importado ou exportado, os preços declarados poderão ser comparados com os obtidos a partir de fontes de dados independentes fornecidas por instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas listadas no Anexo III da IN RFB nº 1312, de 2012, sendo ajustados para mais ou para menos do prêmio médio de mercado. No caso de exportação de produto, os preços declarados poderão, ainda, ser comparados com os preços definidos por agências ou órgãos reguladores e publicados no Diário Oficial da União. A adoção dos métodos PCI/ PECEX é obrigatória ainda que não haja cotação específica, desde que o preço público possa ser alcançado através dos ajustes entre produtos similares para apuração do preço parâmetro. O prêmio médio de mercado também poderá ser aplicado a bem similar com referência em publicação de instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 18-A e 19-A; Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012. (destacou-se) Desta feita, à época da autuação em análise, os produtos só seriam considerados como commodities nas seguintes hipóteses: (i) caso estivessem listados no Anexo I da IN e, cumulativamente, estivessem sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II; Fl. 12984DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 (ii) caso estivessem listados no Anexo I e, cumulativamente, estivessem sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisas setoriais, internacionalmente reconhecidas, listadas no Anexo III; (iii) fossem negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II, independentemente de estarem listados prévia e expressamente no ANEXO I. Este, a princípio, também foi o entendimento externado pela fiscalização, como se extrai do seguinte trecho do TVF: "41.6 a obrigatoriedade da aplicação do método PECEX se restringe às exportações das commodities destacadas em um dos itens abaixo, e não em relação a qualquer bem que se imagina seja commodities (§§ 1° e 3° do art. 34 e Anexos I a III da IN RFB nº 1.312/2012): 41.6.1. os produtos listados no Anexo I que, cumulativamente, estejam sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II da IN RFB nº 1.312/2012; 41.6.2. os produtos listados no Anexo I que, cumulativamente, estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisas setoriais, internacionalmente reconhecidas, listadas no Anexo III da IN RFB nº 1.312/2012; 41.6.3. os produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II da IN RFB nº 1.312/2012". Neste ponto, importante ressaltar que entende-se que houve uma exorbitância ao poder de regulamentar da Receita Federal do Brasil, uma vez que a Lei 9.430/96, com a redação que foi dada pela Lei nº 12.715/12, só menciona que, para serem considerados como commodities, os produtos deveriam estar sujeitos à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas. Esta é a redação do § 9º, do artigo 19 da Lei nº 9.430/96. Confira-se: Art.19.As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. (...) § 9º Na hipótese de exportação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Exportação - PECEX, definido no art. 19-A. (destacou-se) De toda sorte, em que pese esse aparente vício de legalidade da IN RFB 1.312/12, que poderia ser contraposto com o disposto no § 5º, do artigo 19-A da Lei nº 9.430/96 3 , para fins de deslinde do presente caso, o que importa é que, à época dos fatos geradores objeto da autuação em análise, os produtos comercializados só poderiam ser considerados como commodities para fins de aplicação do PECEX – ou do PCI, nas importações – quando 3 O dispositivo tem a seguinte redação: § 5o Na hipótese de não haver cotação dos bens em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, os preços dos bens exportados a que se refere o § 1o poderão ser comparados: I - com os obtidos a partir de fontes de dados independentes fornecidas por instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas; ou II - com os preços definidos por agências ou órgãos reguladores e publicados no Diário Oficial da União. Fl. 12985DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 estivessem listados naquele Anexo I e cumulativamente estivessem sujeitos “a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II”, ou que estivessem sujeitos “a preços públicos nas instituições de pesquisas setoriais, internacionalmente reconhecidas, listadas no Anexo III” ou, alternativamente, nos caso em que os produtos fossem “negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II” da Instrução Normativa, independentemente de estarem listados expressamente no ANEXO I. Assim, não cabe ao intérprete, tampouco ao aplicador da legislação, fazer uma interpretação extensiva, para se chegar à conclusão de que determinado produto pode ser considerado como commodities, se não estiverem preenchidas as específicas regulamentações sobre o tema. Pode-se concluir, portanto, no limitado alcance do processo administrativo, que, para fins de aplicação dos métodos do controle dos preços de transferência (PCI ou PECEX), os produtos importados ou exportados, para serem caracterizados como commodities, tem que estar adequados ao que estipulou o próprio ente tributante, nos termos dos dispositivos já citados da IN RFB nº 1.312/12. Antes de se encerrar o presente tópico, não se pode deixar de fixar o entendimento de que, sendo obrigatória a utilização do PECEX para os casos de exportação de commodities, dentro dos limites fixados pelo legislador para que haja o controle dos preços de transferência, esse método não pode ser aplicado quando os produtos comercializados não forem caracterizados como commodities. Nestes casos, o próprio legislador elegeu métodos próprios que, como demonstrado, poderão ser adotados livremente pelos contribuintes e/ou pela fiscalização, sem a necessidade, no último caso, de se comprovar que o método eleito é o mais benéfico, nos termos que a própria jurisprudência do CARF já se posicionou. De toda forma, por uma construção lógica, não se pode admitir a adoção do PECEX (e do PCI), nos casos de operações com produtos que não são caracterizados como commodities, já que não faria sentido a aplicação de um método específico para determinado produto em operações completamente distintas das eleitas pelo próprio legislador. Com toda vênia, é completamente incoerente com o espírito dos métodos (PCI e PECEX), que comparam preços praticados nas operações de commodities, admitir aplicação desses para comparar preços de outros produtos, que não commodities. Neste sentido, não se pode olvidar que, na exposição de motivos da Medida Provisória nº 563/12 (que posteriormente foi convertida na Lei nº 12.715/12), verifica-se que, desde a proposta para implementação destes métodos, houve o entendimento de que eles seriam exclusivos e únicos métodos a serem aplicados, quando o contribuinte fizesse operações com commodities. Confira-se o que constou daquela exposição, quando lista as alterações propostas na legislação: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: (...) d) instituição de método único de cálculo de preço parâmetro nas hipóteses de importação ou exportação de commodities que tenham cotação internacional em bolsa de mercadorias ou congêneres, e que sejam alcançados mediante negociações de mercado de agentes econômicos com interesses contrapostos, no que concerne à formação de preços; (destacou-se) Fl. 12986DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Na declaração de voto do julgador da DRJ, Eduardo Gabriel de Góes Vieira Ferreira Fogaça, restou bem explicada essa questão. Veja-se como aquele julgador se posicionou: 2.2. Vale dizer, esse método é único para a exportação de comodities. Apenas nessa situação se aplica, considerando-se o disposto no §9º do art. 19 da Lei nº 9.430, de 1996: "Na hipótese de exportação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Exportação - PECEX, definido no art. 19-A". É o seu único propósito. 2.3. Tanto é verdade que a sua aplicação se dá para qualquer hipótese de exportação de comodities, enquanto os demais métodos somente se sujeitam ao arbitramento "quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro” (caput do art. 19 da Lei nº 9.430, de 1996). Denota-se que o PECEX foi criado como método autônomo aos demais, incidentes não só obrigatoriamente para comodities, mas também exclusivamente a tais bens. 2.4. É o art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, que possibilita o arbitramento pela autoridade fiscal do preço de transferência quando, no procedimento fiscal, "o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização”. Logo, um método apenas pode ser desqualificado pela fiscalização caso outro possa ser utilizado naquela situação. Se em determinada situação não puder ser utilizado outro método (como no caso de comodities), evidentemente a ela não se aplica esse art. 20-A. A propósito, transcreve-se elucidativo trecho da Solução de Consulta Cosit nº 176, de 6 de julho de 2015 (cujo entendimento possui eficácia geral a toda a RFB, inclusive no âmbito do julgamento, conforme art. 9º da IN RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013): A adoção dos métodos PCI/ PECEX é obrigatória ainda que não haja cotação específica, desde que o preço público possa ser alcançado através dos ajustes entre produtos similares para apuração do preço parâmetro. O prêmio médio de mercado também poderá ser aplicado a bem similar com referência em publicação de instituições de pesquisa setoriais internacionalmente reconhecidas. 2.5. Corroborando o aqui exposto, é de se notar que os três incisos do art. 20-A falam na obrigatoriedade de o sujeito passivo apresentar documentos ou elementos que suportem a correção do cálculo "segundo o método escolhido". Novamente, fica patente que o dispositivo se aplica às hipóteses em que pode haver escolha de um dos métodos a que se refere o § 3º art. 19. 3. A IN RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012, regulou tais dispositivos. O art. 40 da IN, seguindo rigorosamente o art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, também explicitou que a fiscalização pode desconsiderar um dos métodos escolhidos, o que pressupõe a possibilidade de sua opção pelo contribuinte. Logo, pelo §2º, em caso de desconsideração pela autoridade fiscal de um dos métodos, ele arbitrará o preço praticado com base em qualquer dos métodos que o contribuinte poderia ter optado. Novamente, resta claro que se este não pudesse escolher o PECEX, então não há que se falar em a fiscalização utilizar o PECEX para produtos não considerados comodities. (destacou-se). Com todo o respeito, pensar que o contribuinte ou a fiscalização podem adotar o método PECEX (ou PCI) naquelas operações realizadas com produtos que a própria administração tributária entende como não sendo commodities é ir de encontro ao que determina a própria legislação. Fl. 12987DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Feitas essas considerações iniciais, passa-se a analisar a acusação fiscal, as razões de defesa e da PGFN e, principalmente, os fundamentos lançados no acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis, que foi objeto do Recurso de Ofício em análise. DA ACUSAÇÃO FISCAL. DA OPÇÃO PELA APLICAÇÃO IMEDIATA (EM 2012) DAS ALTERAÇÕES PROMOVIDAS PELA LEI 12.715/2012. Como se demonstrou alhures, o agente que promoveu a fiscalização das apurações do IRPJ e da CSLL do Recorrido, entendeu que, quando o contribuinte indicou na DIPJ 2013 (ano-calendário 2012), de forma positiva (“sim”), pela “opção pela aplicação das regras de Preços de Transferência previstas no artigo 52 da Lei 12.715/2012”, estaria, naquele momento, dizendo que aplicaria o método PECEX para as exportações realizadas, independentemente de os produtos comercializados (exportados) serem commodities ou não. Contudo, entende-se que não assiste razão à acusação fiscal. Explica-se. O artigo 52 da Lei nº 12.715/2012 tem a seguinte redação: Art. 52. A pessoa jurídica poderá optar pela aplicação das disposições contidas nos arts. 48 e 50 desta Lei para fins de aplicação das regras de preços de transferência para o ano-calendário de 2012. § 1º A opção será irretratável e acarretará a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 48 e 50 desta Lei. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá a forma, o prazo e as condições de opção de que trata o caput . Neste sentido, pela redação do dispositivo acima transcrito, verifica-se que, como o princípio da anterioridade veda a aplicação da legislação no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que instituiu ou aumentou determinado tributo, o legislador deu a opção aos contribuintes de se sujeitarem ou não, já no ano de 2012, às alterações promovidas pela Lei nº 12.715/12 no controle dos preços de transferência. É que, quando se analisa os artigos 48 e 50 (citados no artigo 52) da então nova legislação, pode-se verificar que houve alterações diversas no ordenamento jurídico, em especial nos métodos de cálculo do “preço parâmetro” nas importações e nas operações financeiras, além, é claro, de ter sido introduzido um novo método para o caso de exportação de commodities, qual seja: o PECEX. O entendimento no sentido de que foram realizadas diversas alterações no ordenamento jurídico, no que tange ao controle dos preços de transferência é, inclusive, verificado na exposição de motivos da MP nº 563/12. Transcreve-se: 56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizando-a para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. 57. Os artigos 38 a 42 deste projeto de Medida Provisória promovem alteração na legislação de preços de transferência que trata de controles realizados a fim de coibir manipulações de valores em operações de importações ou de exportações, ou, ainda, de juros pagos ou recebidos pelas entidades brasileiras, em sede de operações com Fl. 12988DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 entidades classificadas como vinculadas ou situadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou com entidades que gozem de regimes fiscais privilegiados. Tais manipulações visam a transferir lucros para países com menor imposição tributária sobre a renda e, consequentemente, sofrer uma menor tributação no país de origem. 58. Como medida de combate a essas práticas, que aviltam a base de tributação no Brasil transferindo-a para outros países, impõe-se ao contribuinte o dever de comprovar que os valores dessas operações não sofreram manipulações ou ajustes indevidos, o que é feito mediante o cálculo dos chamados preços parâmetros, ou mediante arbitramento de juros que se adequem a taxas preestabelecidas na legislação, no que toca aos contratos de mútuo. 59. Os preços parâmetros constituem, para as operações de importação, os valores máximos admitidos como dedutíveis para fins de constituição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e, para as operações de exportação, os valores a serem minimamente considerados para fins de constituição das bases de cálculo desses mesmos tributos, de forma que, os valores que, respectivamente, os superem (importações) ou lhes sejam inferiores (exportações) tenham de ser adicionados às respectivas bases de cálculo brasileiras, a fim de que estas sejam recompostas. 60. Vale frisar que a crescente internacionalização da atuação de agentes econômicos brasileiros, bem como a maior abertura à atuação desses agentes multinacionais em nosso território, conduzem ao risco tributário de esvaziamento da base imponível brasileira, razão pela qual propõe-se o aperfeiçoamento dos controles concernentes à matéria, inicialmente instituídos em 1996. 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade Fisco-Contribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõe-se alterações na legislação de regência. 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro - PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica; c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados - a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação - para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; (destacou-se) Portanto, quando o contribuinte fez a opção pelo “sim”, não necessariamente ele estava aderindo ao PECEX. Entende-se que, naquele momento, optou-se pela aplicação imediata (no mesmo ano calendário) de uma nova legislação que entraria em vigor, ou seja, produziria efeitos, apenas no ano seguinte ao da sua publicação. Esta mesma conclusão pode ser extraída do voto do relator do acórdão recorrido. Veja-se o que constou daquela decisão: Com efeito, em conformidade com o princípio da anterioridade tributária, o legislador ao editar a Lei nº 12.715/12, estabeleceu que os arts. 48 e 50 desta só viriam a ser de Fl. 12989DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 observância obrigatória a partir do ano-calendário de 2013 (art. 78, § 1º). Contudo, permitiu que o contribuinte, caso desejasse, poderia optar por adotar tais disposições para fins de aplicação das regras de preço de transferência já no ano-calendário de 2012, sendo sua opção irretratável e acarretando a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 48 e 50, nos estritos termos do art. 52 da mencionada Lei [...] Como se pode ver, a opção irretratável a ser realizada pelo contribuinte nos termos do art. 52, da Lei 12.715/12, acima citado, era para que as alterações nos artigos da Lei nº 9.430/96 produzissem efeito já no ano-calendário de 2012 e fossem observados quando da transmissão da DIPJ. Em nenhum momento essa opção irretratável era por qualquer um dos métodos de preços de transferência alterados ou incluídos pela Lei nº 12.715/12. Sequer seria possível pensar de forma distinta, na medida em que a opção pela antecipação aludida se aplicava para todas as alterações realizadas por tal artigo, o que incluía alterações em três métodos distintos, sendo totalmente impossível uma presunção no sentido de que a opção pela aplicação das alterações implicaria a adoção automática e irretratável de um dos métodos. (destacou-se) Não se pode desprezar, por outro lado, que o Recorrido, naquele ano-calendário (2012), além das exportações realizadas, praticou operações de importação e financeiras que foram declaradas como sendo realizadas com pessoas relacionadas ou localizadas em países de tributação favorecida. Assim, quando optou pela aplicação imediata das alterações da Lei 12.715/12, o Recorrido deixou claro que aplicaria as novas disposições legais, para aquelas operações sujeitas ao controle dos preços de transferência. No que tange as exportações, o Recorrido afirmou, em um primeiro momento, que não estaria sujeita ao controle dos preços de transferência (safe harbour). Contudo, como bem pontuado no acórdão recorrido, “em atendimento a intimação específica, no curso do procedimento de fiscalização, a contribuinte retificou esta declaração, informando que, em relação a alguns produtos, estava, sim, sujeita ao arbitramento, tendo optado pelo método de cálculo do Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro (CAP) e Preço de Venda nas Exportações (PVEx), no tocante aos quais apresentou documentos”. De toda forma, não pode prosperar o entendimento da fiscalização. Como demonstrado acima, se estivesse, mesmo que implicitamente, aderindo ao método PECEX, o Recorrido, naquele primeiro momento, não poderia invocar o safe harbour. É que o novo método incluído pela Lei 12.715/12 não está sujeito às exceções previstas no artigo 20 da IN RFB nº 1.312/2012, como determina o artigo 21 do mesmo comando infra-legal (já transcritos alhures). Assim, pode-se afirmar que a premissa da fiscalização, no sentido de que houve a opção e adesão para aplicação do método PECEX, já para o ano-calendário de 2012, está equivocada, sendo necessário, neste momento, verificar se a Recorrido, de acordo com as exportações que realizou, estaria sujeito ou não àquele método de controle dos preços de transferência. DOS PRODUTOS EXPORTADOS PELO RECORRIDO. DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DESTES COMO COMMODITIES. Em linhas gerais, pelo que se depreende do TVF e da documentação anexada ao presente processo administrativo, nos anos-calendário de 2012 e 2013, o Recorrido remeteu ao exterior (exportou), basicamente, celulose, papel e produtos de papel, que foram, como mencionado no relatório acima, devidamente listados pelo agente autuante no Termo de Verificação Fiscal (fls. 19 a 23 dos autos). Fl. 12990DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Em primeiro lugar, quando se analisa os produtos listados no ANEXO I da IN RFB nº 1.312/12 (já transcrito em tópico acima), não se identifica nenhum dos produtos exportados pelo Recorrido. Portanto, como delimitado nas premissas fixadas anteriormente, para estar sujeito ao arbitramento (controle) dos preços pelo método PECEX, o Recorrido deveria ter exportado produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no ANEXO II da IN RFB nº 1.312/12, uma vez que, reitere-se, os produtos comercializados com o exterior (exportados) não estavam listados no ANEXO I daquele instrumento normativo. Neste sentido, importante citar quais as instituições que constam daquele anexo (redação vigente à época da autuação): BOLSAS DE MERCADORIAS E FUTUROS I. ChicagoBoard of Trade (CBOT) - Chicago - EUA; II. Chicago Mercantile Exchange (CME) - Chicago - EUA; III. New York Mercantile Exchange (NYMEX) - Nova York - EUA; IV. Commodity Exchange (COMEX) - Nova York - EUA; V. Intercontinental Exchange (ICE US) - Atlanta - EUA; VI. Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) - São Paulo - Brasil; VII. Life NYSE Euronext (LIFFE) - Londres - Reino Unido; VIII. London Metal Exchange (LME) - Londres - Reino Unido; IX. Intercontinental Exchange (ICE Europe) - Londres - Reino Unido; X. Tokio Commodity Exchange (TOCOM) - Tóquio - Japão; XI. Tokio Grain Exchange (TGE) - Tóquio - Japão; XII. Singapore Commodity Exchange (SICOM) - Cidade de Cingapura - Cingapura; XIII. Hong Kong Commodity Exchange (HKE) - Hong Kong – China; XIV. Multi Commodity Exchange (MCX) - Bombain - Índia; XV. National Commodity & Derivatives Exchange Limited (NCDEX) - Bombain - Índia; XVI. Agricultural Futures Exchange of Thailand (AFET) - Bangkok - Tailândia; XVII. Australian Securities Exchange (ASX) - Sidney - Austrália; XVIII. JSE Safex APD (SAFEX) – Johannesburg - África do Sul; XIX. Korea Exchange (KRX) - Busan - Coréia do Sul; XX. China Beijing International Mining Exchange, (CBMX); XXI. GlobalORE; XXII. London Bullion Market Association (LBMA); Pois bem. De pronto, deve-se mencionar que, da leitura do Termo de Verificação Fiscal, pode-se verificar que o agente autuante deixou claro que os produtos exportados pelo Recorrido não poderiam ser considerados como commodities, uma vez que não eram cotados em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas (listadas no ANEXO II). Veja-se, neste sentido, o seguinte trecho do TVF: 75.3. Conquanto não tenha ficado caracterizado que os produtos exportados pela Fiscalizada (“celulose” e “papel”) se enquadram como commoditie para fins de controle Fl. 12991DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 de Preços de Transferência, entre outros, porque não sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, eles têm cotação média na fonte de dados independentes fornecida por instituição de pesquisa setorial internacionalmente reconhecida, constante do Anexo III da IN RFB n° 1.312/2012, no caso a ESALQ (item “41” e documento n° 60 da “Relação de Documentos”). (destacou- se) O que se percebe da transcrição acima é que, mesmo afirmando que os produtos exportados não poderiam ser caracterizados como commodities, porque, em especial, não estão sujeitos “a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas”, a fiscalização afirmou que eles seriam cotados pela ESALQ, instituição esta listada no ANEXO III da IN RFB nº 1.312/12. Entretanto, com todo respeito ao trabalho da fiscalização, houve contradição daquele agente, uma vez que, de acordo com o comando inicial da IN 1.312/12, para ser considerado como commodities, além de o produto ser cotado em instituição de pesquisa setorial internacionalmente reconhecida (ANEXO III), esse produto deveria estar previamente listado no ANEXO I da IN. O que não é o caso, como já demonstrado. A declaração de voto do julgador Fernando Luiz Gomes de Matos, constante do acórdão recorrido, deixa bem transparente o equívoco cometido pela fiscalização. Transcreve-se: 3.3. Assim, o principal ponto para ser considerado comidity é constar numa das bolsas de mercadorias de futuros listados no Anexo II da IN. O Anexo I contém lista de produtos considerados normalmente comodities, mas não são apenas esses os sujeitos ao PECEX. Caso não esteja no Anexo I, mas esteja sujeito a uma das bolsas do Anexo II, o bem estará sujeito ao PECEX. O Anexo III, por sua vez, é subsidiário ao Anexo II: caso não seja conhecida cotação para arbitramento do preço da operação de um dos produtos que esteja no Anexo I (e somente estes!), pode ser utilizado o preço público constante de instituição de pesquisa setorial. 4. É esse o principal motivo do meu voto para improcedência do auto de infração. Ele utilizou o método PECEX para produto que não consta do Anexo I da IN e que não é comercializado em bolsa de mercadorias do Anexo II, aplicando isoladamente o Anexo III a outro produto. 4.1. No fundo, depreende-se que é até impróprio dispor que o auto de infração utilizou o método PECEX (pois se o tivesse feito, o teria feito de forma incorreta, como visto no item anterior). O que ele fez foi apenas utilizar a cotação de um dos preços contidos no Anexo III, numa aplicação isolada e sem sistematicidade deste não só com a lei, mas com a própria IN. (destacou-se) Assim, é patente que os produtos exportados pelo Recorrido não são considerados, pela legislação, como commodities, o que impossibilita a aplicação, nas operações realizadas do método PECEX para fins de arbitramento do preço, como já restou demonstrado. Não se concorda, neste aspecto, com a colocação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, no mesmo sentido do agente atuante, quando afirma, nas contrarrazões ao Recurso de Ofício, que “o PECEX é um método obrigatório para commodities, e facultativo para outros bens e direitos que, embora não sejam commodities, listados no anexo I da IN, têm preços de certa forma padronizados, uniformes por unidade de medida, que podem ser cotados por instituições idôneas que se dediquem a monitorá-los ou intermediá-los.” Ora, como mencionado acima, se o PECEX foi introduzido no ordenamento jurídico para regular, de alguma forma, os preços praticados nas exportações de commodities, com aplicação obrigatória neste tipo de operação, não faz sentido, com toda vênia, a aplicação facultativa deste método para operações que não envolvam este tipo de produto. Fl. 12992DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Concorda-se, assim, com o que restou decidido no acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis, notadamente quando o ilustre relator afirma que: Inadmissível, porém, a opção pelo método PECEX, posto que o referido método é aplicável exclusivamente e obrigatoriamente para produtos considerados como commodities, ou seja, produtos negociados nas bolsas de mercadorias e futuros listadas no Anexo II e os produtos listados no Anexo I que estejam sujeitos a preços públicos nas instituições de pesquisa setoriais listadas no Anexo III, da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012. (destaques no original) São também precisas as colocações do julgador da DRJ, Jefferson José Rodrigues, na declaração de voto constante do acórdão recorrido. Veja-se: Da leitura do texto normativo-conceitual há de se concluir que, por definição, o método Pecex é aplicável exclusivamente aos bens ou direitos sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas. Ora, segundo o texto, não basta que o bem ou o direito esteja sujeito a preços públicos. Tampouco basta que estejam sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros. Impõe-se, de forma imperativa, que estejam (i) sujeitos a preços públicos (ii), que tais preços se publiquem em bolsas de mercadorias e futuros e (iii) que tais bolsas tenham reconhecimento internacional. Basta que, em relação ao bem ou direito exportado, não se apresente uma dessas condições para que a operação não se subsuma à definição legal do método, não sendo possível sua aplicação. A exclusividade do método, em última instância, decorreria de sua própria definição legal. É do núcleo conceitual que se deriva o imperativo da exclusividade do método. Pecex. Uma diferença seminal em relação aos demais métodos para os quais a norma definidora deixa espaço para eventual opção, uma vez que estabelece regras genéricas para obtenção de um valor de referência, nada afirmando ou negando sobre a(s) hipótese(s) específica(s) para sua aplicação. Pode-se, eventualmente, buscar amparo no § 5º desse mesmo art. 19-A para tentar relativizar o rígido conceito contido no caput. Eis o que estabelece o referido dispositivo (destaque do Redator): (...) Nesse dispositivo parece haver uma ampliação na abrangência normativa do caput, pois, aparentemente, autoriza que sejam incluídos naquele conceito bens que, embora não tenham cotação em bolsas de mercadoria e futuros internacionalmente reconhecidas, tenha preços divulgados por uma das fontes citadas nos incisos I e II. Ou seja, o Pecex seria aplicável à exportação de bens e direitos os quais – ainda que não estivessem sujeitos a preços públicos em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas – tivessem preços divulgados em uma das fontes citadas no § 5. Porém, essa não parece ser a inteligência a ser extraída da norma. O conceito delineado no caput se refere a bens e direitos sujeitos a preços públicos em bolsas de valores e futuros. Eventualmente, para esses bens e direitos sujeitos a preços públicos pode não haver, por um razão ou outra, cotação disponível que se coadune com a situação de fato. Nessa hipótese, e somente nessa, é que os valores médios das cotações em bolsa – inexistentes nesse caso – poderão ser substituídos pelos preços divulgados por uma das fontes citadas no § 5. Esse entendimento – que a esse Julgador se apresenta mais coerente –, preserva intacto o núcleo normativo-conceitual contido no caput do art. 19-A e, por conseguinte, a exclusividade da aplicação do método a ele inerente. (destacou-se) Portanto, superado o fundamento defendido pela fiscalização e pela PGFN, é irrelevante verificar os apontamentos do Recorrido, lançados na Impugnação Administrativa, quando aduz pela “Imprestabilidade do ‘Informativo CEPEA Setor Florestal’, de autoria da ESALQ, para cálculo do preço parâmetro da celulose e do papel” (item 3.5 da Impugnação). Fl. 12993DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 É que, se a legislação, para fins de caracterização das commodities, exigia que o produto comercializado estivesse previamente listado no ANEXO I da IN RFB nº 1.312/12, cumulado com a exigência de os preços desses produtos serem cotados nas instituições listadas no ANEXO III e sendo demonstrado que não há qualquer menção aos produtos exportados pelo Recorrido naquele instrumento (ANEXO I), o fato de existir uma “cotação” dos produtos na ESALQ é indiferente, sendo esta cotação correta ou não. Reitere-se: em que pese a argumentação do TVF, ao fim e ao cabo, a fiscalização equivocou-se ao aplicar o método PECEX, uma vez que, o próprio agente autuante, constatou expressamente que os produtos exportados pelo Recorrido não eram e não poderiam ser considerados como commodities. Não se pode acatar, por outro lado, o argumento de que a opção pela aplicação do novo regramento preconizado pela Lei nº 12.715/12, obrigaria o contribuinte a adotar o método PECEX para o controle dos preços de transferência nas exportações realizadas no período autuado, principalmente, quando a fiscalização afirma que esta opção seria “livre e irretratável”, produzindo “os efeitos jurídicos que lhes são próprio”. Primeiro, porque, como restou demonstrado, a opção exercida pelo Recorrido foi para aplicação imediata (no ano de 2012) das alterações promovidas na legislação pela Lei 12.715/12 e não pela adoção do método PECEX nas exportações. Segundo, porque, caso o entendimento da fiscalização estivesse correto – e aqui admite-se apenas para argumentar -, quando o contribuinte, por exemplo, sujeito à apuração do Lucro Real (como o caso das instituições financeiras), optasse pela apuração pelo Lucro Presumido, não seria possível à fiscalização promover autuação de acordo com a realidade do contribuinte 4 . Como se a opção pelo Lucro Presumido fosse irretratável, vinculando tanto o sujeito passivo como o sujeito ativo. Entende-se que a opção só se mostra irretratável, quando, diante de 02 ou mais alternativas válidas no ordenamento e aplicáveis ao caso concreto, o contribuinte fizer a opção por uma delas. Neste caso, sim, não haveria alternativa ao contribuinte, senão seguir os regramentos da opção exercida. O clássico exemplo do que se está demonstrando é quando o contribuinte faz a opção pela apuração pelo Lucro Presumido, ficando vedada a alteração da forma de apuração durante todo o ano calendário, como determina o § 1º, do Artigo 13 da Lei nº 9.718/98. Neste caso, não só o contribuinte, como o sujeito ativo, deverão adotar, de forma vinculada, a opção exercida. No presente caso, contudo, se o contribuinte tivesse feito a opção pelo PECEX (o que se admite apenas pelo debate, reitere-se), mas não fosse constatada a exportação de commodities, a fiscalização deveria aplicar outro método para o controle dos preços de transferência 5 , uma vez que aquele método (PECEX) só se aplica neste tipo de operação (exportação de commodities). 4 Neste caso, apenas para pontuar, quando o contribuinte faz a opção de forma incorreta pelo Lucro Presumido, a legislação determina que, sendo constatado o erro, o lucro seja arbitrado (artigo 603, inciso V do RIR/2018). 5 Este é o comando do artigo 40, § 2º da IN 1.312/12. Veja-se: Art. 40. A partir do ano-calendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos Capítulos II e III será efetuada para o ano-calendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela Fl. 12994DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Não se pode perder de vista, ainda, que, quando a fiscalização, de forma equivocada, calcula o tributo supostamente devido, elegendo, por exemplo, regime de tributação diverso da que foi “escolhido” pelo contribuinte, o Auto de Infração é considerado nulo, tendo em vista vício insanável presente desde o seu nascedouro, não sendo possível o seu ajuste pelas instâncias administrativas de julgamento. São inúmeros os precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais neste sentido. Como exemplo, cita-se a seguinte da ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 IRPJ. CSLL. NULIDADE. OCORRÊNCIA. LUCRO REAL. ERRO NO LANÇAMENTO. ASPECTO TEMPORAL. O lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL, ao adotar equivocadamente regime de tributação anual, ao invés do trimestral conforme norma prevista em lei, já que a recorrente se entendia imune, afronta o aspecto temporal previsto na legislação tributária. Trata-se de erro de direito que macula o ato administrativo de nulidade insanável. (Acórdão nº 1301.002611 – Sessão de 19/09/2017) (destacou-se). Por derradeiro, cumpre ressaltar que, apesar de o acórdão recorrido, em especial, o voto do relator, ter sido conduzido separando-se as discussões do ano-calendário de 2012 e 2013, a única diferença que se verifica é que, naquele ano (2012), o contribuinte teria feito expressa opção pela aplicação do PECEX (o que se mostrou equivocado). Contudo, superada essa suposta opção, não há diferença na discussão e, principalmente, no equívoco cometido pelo agente autuante, quando, para ambos anos- calendários, aplicou método incorreto (PECEX) para o cálculo dos preços de transferência nas operações de exportação realizadas pelo Recorrido, na medida em que os produtos exportados não podem ser considerados como commodities. Assim, sendo este método (PECEX) de aplicação obrigatória e exclusiva para os casos de operações (exportações) com commodities, a nulidade do auto de infração é insuperável, devendo ser julgado como improcedente o lançamento realizado pela fiscalização. Por todo exposto, VOTA-SE por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo-se, na íntegra, o que restou decidido pela DRJ de Florianópolis. (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (...) § 2º A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos Capítulos II e III, quando o sujeito passivo, depois de decorrido o prazo de que trata o caput: Fl. 12995DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 1302-003.989 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720642/2017-28 Fl. 12996DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000759/2009-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/03/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA
Numero da decisão: 3003-000.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA Na análise do pedido de ressarcimento/restituição deve ser mantido na base de apuração da empresa as vendas de produtos não sujeitos a alíquota zero, com a finalidade de obter ressarcimento de créditos da não cumulatividade da COFINS, vez que faz-se necessário uma apuração ampla com base na verificação do valor da contribuição devida no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 07 59 /2 00 9- 81 Fl. 182DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.494 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000759/2009-81 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Este processo julga pedidos de ressarcimentos de R$ 21.158,64 e de 83,42, contidos, respectivamente, nos processos 11075.000733-2009-33 e 11075.000759-2009-81. Decorrem de saldo credor do PIS apurado no 1º trimestre de 2007. Tais pedidos foram formulados eletronicamente (folhas 15 o 16 contidas em cada um dos processos citados). A possibilidade de o contribuinte fazer tal solicitação, observada a legislação aplicável, está prevista nos incisos I e II do artigo 16 da Lei 11.116 de 2005, conforme descrito a seguir: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3a das Leis nas 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, c do art. 15 da Lei na 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei na 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Em procedimento fiscal e após análise de documentos, a fiscalização relatou o seguinte entendimento: 5. O total de crédito apurado pelo contribuinte no período perfez R$ 22.479,70. Deste valor foi deduzida a quantia de R$ 1.008,00, referente a créditos descontados no mês. O valor de R$ 10.573,40 (Outros Créditos No Trimestre) se refere a Crédito Presumido - Atividade Agroindustrial. Tal Crédito somente pode ser compensado com as contribuições COFINS e PIS, não podendo ser objeto de pedido de ressarcimento (BASE LEGAL: artigo 8° da Lei nº 10.925 de 23.07.2004, Ato Declaratório Interpretativo SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL - SRF nº 15 de 22.12.2005 e Artigo 8°, parágrafo 3º, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006). 6. Subtraindo tais valores apura-se R$ 10.898,30 de crédito a ressarcir no período (valores contidos em DACON). COMPOSIÇÃO DE DÉBITOS 7. A composição dos débitos apurados pelo contribuinte, os quais foram compensados com os créditos já descritos, está assim demonstrada na DACON do 1° trimestre do 2007: Fl. 183DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.494 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000759/2009-81 8. Com o indeferimento do Crédito Presumido - Atividade Agroindustrial, o crédito no período fica limitado a R$ 10.898,30. Descontando os débitos de R$ 1.943,70 e R$ 1.909,29, apurados, respectivamente, nos processos 11075.000734/2009-88 e 11075.000744/2009-13 tal crédito fica limitado a R$7.045.31. CONCLUSÃO - DEFERIMENTO PARCIAL 9. Pelos motivos expostos os presentes pedidos de ressarcimentos devem se limitar ao valor de R$ 7.045,31. Cientificada em 25/05/2010 (AR fl. 70) a interessada apresentou, tempestivamente, em 24/06/2010 a Manifestação de Inconformidade (fls. 71/76), alegando que: (...) Com efeito, no exercício de seu direito, conferindo-lhe pela Lei n° 10.925/2004, que alterou a exegese das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, a ora Recorrente protocolizou, janto à Delegacia da Receita Federal de Uruguaiana - RS, pedido de ressarcimento de crédito de COFINS Não-Cumulativa, decorrente de sua atividade de venda de arroz beneficiado, relativo ao 2° trimestre de 2007, classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.30, cuja alíquota da COFINS é reduzida a zero. No entanto, analisando o pedido de ressarcimento, o ilustre Auditor Fiscal da Receita Federal, de maneira totalmente equivocada e tendenciosa, analisando superficialmente os documentos ficais apresentados, afirma que as notas fiscais emitidas "se refere a VENDA NO MERCADO INTERNO DE ARROZ 'QUEBRADO, OU SEJA, NAO- INTEIRO, FRAGMENTADO OU DE BAIXO PADRÃO', classificável na TIPI no código 1006.40 —ARROZ QUEBRADO". Por sua vez, partindo deste entendimento, o Nobre Fiscal não reconheceu o direito pleiteado pela Recorrente, porquanto a redução da alíquota do PIS e da COFINS não se aplicada ao "arroz quebrado", classificado no código 1006.40, objeto dos pedidos de ressarcimento, mas apenas ao arroz classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.36. Todavia, sem nem mesmo fundamentar seu entendimento, esclarecendo qual o tipo de arroz poderia ser classificado nos Códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.4 da TIPI, supôs tratar as vendas da Recorrente de produtos sem direito ao crédito, ou seja, classificados no Código 1006.40 da NCM. Entretanto, conforme se demonstrará adiante, através de notas fiscais de saída, certificados técnicos e, principalmente, planilha com a discriminação de todas as vendas da Recorrente, com a sua respectiva classificação fiscal, o pedido formulado refere-se apenas às vendas de arroz classificadas nos Códigos 1006.20 e 1006.30 da TIPI. Desta feita, não se conformando com o entendimento perfilhado pelo i. Delegado da Receita Federal de Uruguaiana - RS, a Recorrente recorre a esta Egrégia Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, buscando seja reconhecida à equivocidade daquele despacho decisório, porquanto o crédito pleiteado pela Recorrente se refere apenas à venda de arroz classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.30, conforme memória de cálculo em anexo, senão vejamos: Inicialmente, urge esclarecer que é fato incontroverso que a Lei n° 10.925/2004, ao reduzir a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda no mercado interno, especificamente no caso em testilha, diz respeito apenas à venda de arroz classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.30. Com força neste dispositivo legal, após realizar trabalho minucioso de análise de todas as suas vendas de arroz classificados neste códigos, a Recorrente pleiteou, junto à Secretaria da Receita Federal, os créditos daí decorrentes, ao passo em que promoveu a respectiva compensação de seus créditos. Fl. 184DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.494 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000759/2009-81 Porém, como aduzido no escorço fálico, ao analisar superficialmente os pedidos de compensação levados a efeito pela Recorrente, o Nobre Fiscal Fazendário, preterindo a documentação fiscal apresentada, supôs que as vendas da Recorrente se referiam a "arroz quebrado" (Código TIPI 1006.40), indeferindo as compensações, porquanto, segundo seu juízo, a referida lei não reduziu a alíquota do PIS e da COFINS deste produto. No entanto, em momento algum o Nobre Fiscal Fazendário demonstrou que as vendas realizadas pela Recorrente, objeto do presente processo administrativo, se referiam a venda de arroz quebrado (Código 1006.40 da TIPI). PELO CONTRARIO, CONFORME NOTAS FISCAIS ORA ACOSTADAS AO FEITO (PARA EFEITO DE AMOSTRAGEM), FICA EVIDENCIADO QUE A RECORRENTE REALIZAVA VENDA DE PRODUTOS CLASSIFICADOS NOS CÓDIGOS 1006.20 E 1006.30 DA TIPI, OCASIONANDO A REDUÇÃO DA ALÍQUOTA DO PIS E DA COFINS E, CONSEQUENTEMENTE, DIREITO AO CRÉDITO PLEITEADO. ALÉM DO MAIS, CONFORME CERTIFICADOS EMITIDOS PELA ASSOCIAÇÃO RIOGRANDENSE DE EMPREENDIMENTOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL EMATER/SC — ASCAR. EM ANÁLISE AOS PRODUTOS COMERCIALIZADOS PELA RECORRENTE, VERIFICA-SE QUE ESTA COMERCIALIZA PRODUTOS CLASSIFICADOS NOS CÓDIGOS NCM (...) (...) (...) 1006.20 E 1006.30, E NÃO APENAS ARROZ CLASSIFICADOS NO CÓDIGO 1006.40, COMO ADUZ O FISCAL FAZENDÁRIO. Todas as vendas realizadas pela Recorrente atinentes aos produtos classificados no Código 1006.40 da TIPI (arroz quebrado) foram excluidos do pedido de ressarcimento em julgamento, nos termos da planilha enviada à Secretaria da Receita Federal, ora colacionada ao feito, não havendo qualquer pedido neste mister. Em contrapartida, repita-se novamente, a Recorrente elaborou planilha detalhada de todo o crédito pretendido, excluindo, expressamente, todas as vendas de arroz quebrado, apresentando- a à fiscalização para análise, juntamente com a respectiva documentação fiscal comprovando o crédito pleiteado. Desta forma, diante do erro material verificado no julgamento recorrido, onde o Nobre Fiscal não analisou os documentos fiscais apresentados pela Recorrente, os quais demonstram a venda de produtos classificados nos Códigos 1006.20 e 1006.30 da TIPI, aliado ao teor dos Certificados da EMATER/RS, requer-se seja providas as presente razões recursais, para o fim de reconhecer o direito da Recorrente ao crédito ora pleiteado, homologando os pedidos de compensação. (...). Ressalta-se que na peça impugnatória, a manifestante defende-se apenas da diminuição do crédito em razão da apuração do débito decorrente da venda da mercadoria "arroz quebrado", NCM n° 1006-40. Dessa forma, concluiu a DRJ que a Recorrente não insurgiu contra a glosa do crédito decorrente da atividade agroindustrial, considerando-se tal matéria como não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. Fl. 185DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.494 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000759/2009-81 A recorrente junta à manifestação de inconformidade, notas fiscais aleatórias, relatório de notas fiscais de saída e certificado de classificação de mercadoria. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 01-20.623 com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada, conforme art. 17 do Decreto n. 70.235/72. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Indefere-se o pedido de diligência quando a autoridade julgadora considerá-la prescindível ou impraticável. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O v. acórdão ressalta ainda que o débito descontado nos valores de R$1.943,70 e R$1.909,29 constantes nos processos administrativos 11075.000734/2009-88 e 11075.000744/2009-13, respectivamente, constata-se que não há previsão legal para abatimento direto de tais débitos, visto que se referem a outros trimestres, o que somente é possível através da compensação de ofício, nos termos do art. 49 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008 e que e em razão da inobservância das formalidades previstas na referida instrução e em obediência ao princípio da legalidade, restabelece-se o crédito no valor de R$3.852,99. Por fim concluiu que: Isto posto, voto no sentido de julgar procedente em parte a presente Manifestação de Inconformidade para: a) Considerar não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, a glosa do crédito decorrente da atividade agroindustrial. b) Deferir o crédito no valor de R$ 3.852,99, que, somado ao crédito de R$ 7.045,31 (reconhecido pela unidade de origem), totalizará R$10.898,30. c) Homologar a declaração de compensação até o limite do crédito deferido. A recorrente, interpôs recurso voluntário, no qual reafirma o seu inconformismo, replicando, em síntese, os argumentos de sua manifestação de inconformidade e contesta a Fl. 186DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.494 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000759/2009-81 decisão proferida pela Delegacia Regional, ressaltando que não incluiu nos seus cálculos de pedido de ressarcimento as saídas do arroz classificado com o código TIPI 1006.40. Requer, ainda, o reconhecimento da nulidade da decisão a quo porque alega que p fiscal fazendário não comprovou que as vendas realizadas pela Recorrente, objeto do presente processo administrativo, se referiam a venda de arroz quebrado (Código 1006.40 da TIPI). E por fim, clama pelo provimento do seu recurso voluntário com a consequente homologação do pedido de ressarcimento. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. A controvérsia esta na apuração da venda no mercado interno, de produto não sujeito a alíquota zero, no caso, de arroz quebrado, ou seja, não inteiro, fragmentado ou de baixo padrão, classificado na tabela TIPI no código 1006.40 – arroz quebrado. O procedimento fiscal apurou diferença das contribuição devidas, em relação ao que foi informado pelo contribuinte, no que concerne a venda de produtos não sujeitos à alíquota zero, mais especificamente o “arroz quebrado”, classificado no código NCM 1006-40, que resultou em apuração do valor da contribuição maior do que o apurado no DACON e, consequentemente um crédito menor e/ou indevido em relação ao que o solicitado. Para contrapor as conclusões da apuração fiscal, com a finalidade de obter a homologação do seu pedido de ressarcimento e comprovar a correção de sua apuração, a recorrente alega que: Inicialmente, urge esclarecer que é fato incontroverso que a Lei n° 10.925/2004, ao reduzir a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta de venda no mercado interno, especificamente no caso em testilha, diz respeito apenas à venda de arroz classificados nos Códigos NCM 1006.20 e 1006.30. O art. 1º, V, da Lei n° 10.925/2004 prevê: Art. I o Ficam reduzidas a O ( z e r o ) a s alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta d e v e n d a no mercado interno de: [...] Omissis; V - produtos classificados nos códigos 0713.33.19, 0713.33.29, 0713.33.99, 1006.20. 1006.30 e 1106.20 da TIPI; Com força neste dispositivo legal, após realizar trabalho minucioso de análise de todas as suas vendas de arroz classificados neste códigos, a Recorrente pleiteou, junto à Secretaria da Receita Federal, os créditos daí decorrentes, ao passo em que promoveu a respectiva compensação de seus créditos. Fl. 187DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.494 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000759/2009-81 Em contrapartida a esse argumento, o acórdão da DRJ deixa claro que o recorrente não esta exonerada de computar em sua base de cálculos da contribuição as notas fiscais de venda de produtos não sujeitos à alíquota zero, conforme trecho abaixo colacionado: A alegação de que "a Recorrente elaborou planilha detalhada de todo o crédito pretendido, excluindo, expressamente, todas as vendas de arroz quebrado" não exonera a interessada de computar na base de cálculo da contribuição as notas fiscais de venda de produtos não sujeitos à alíquota zero, que, no caso concreto, é o arroz quebrado. De posse das informações prestadas pela empresa, os agentes do fisco encontraram diferenças do débito do mês analisado (fl.). É importante destacar que a Lei n° 10.833, de 2003 que trata da COFINS, incidência não cumulativa, assim dispõe: (...) Vê-se que a sistemática da não-cumulatividade da COFINS nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem da contribuição devida o valor da contribuição que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o tributo que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem) com o tributo referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. Além disso, compulsando os autos não localizo nenhuma planilha na qual o recorrente contraponha os valores apurados pelo FISCO, onde possa ser verificado erro na apuração fiscal, em especial nos valores apontados pelo despacho decisório. Verifico ainda que as alegações estão embasadas apenas na afirmação de que o ressarcimento requerido não tinha em seu cálculo a saída de arroz quebrado, bem como na afirmação de que a empresa realiza venda de produtos classificados nos códigos NCM 1006.20 e 1006.30, ratificadas pelos certificados emitidos pela Associação Riograndensse de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural EMATER/SC- ASCAR. O supracitado Certificado comprova resultados a partir de uma amostra (safra) que classifica o arroz beneficiado, ocorre que não há dúvidas quanto a venda, por parte da empresa, de outros tipos de arrozes. Além disso, compulsando a relação de notas fiscais apresentadas, de fato a empresa comercializou arroz quebrado no período em análise, e sendo assim, deveria ter computado o faturamento na apuração. Importante ressaltar, apenas como ato elucidativo dos termos técnicos, na cadeia produtiva em um processo complexo que envolve diversas etapas, no beneficiamento do arroz os grãos quebrados são separados, o que dá sentido a distinção do NCM. Prosseguindo, filio-me ao entendimento da DRJ, pois não há razões para correção do acórdão proferido. Isso porque, não pode a empresa recorrente excluir da sua base de apuração as vendas de produtos não sujeitos a alíquota zero, com a finalidade de obter ressarcimento de créditos da não cumulatividade da COFINS, faz-se necessário uma apuração ampla com base na verificação do valor da contribuição devida no período, para que seja possível entender todo o valor ressarcível. Por fim, ao ler o egrégio voto proferido pela DRJ, o que se constata é que não se duvidou da venda de arroz classificados nos códigos NCM 1006.20 e 1006.30, tanto que houve o reconhecimento de crédito parcial na maioria dos períodos analisados. Não há dúvidas quanto a Fl. 188DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.494 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11075.000759/2009-81 correta classificação dos produtos, a problemática aqui se refere apenas na apuração dos valores devidos para contribuição, em relação ao quantum faturado (receitas aferidas) nas vendas do arroz quebrado, consequentemente dos créditos sujeitos ao ressarcimento e sobre esse ponto o Recurso voluntário não nos trouxe nenhum esclarecimento. Diante do exposto, voto pelo não provimento do Recurso Voluntários. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa. Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905882/2009-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ENFRENTA OU ATACA OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO. ALEGAÇÕES DISSOCIADAS DAS RAZÕES DE DECIDIR. NÃO CONHECIMENTO
Não se conhece de Recurso Voluntário no qual não são enfrentados diretamente os fundamentos do acórdão a quo. Cabe ao contribuinte impugnar as razões lançadas no acórdão atacado, buscando demonstrar a existência de erro in procedendo ou in judicando, a merecer a declaração de nulidade da decisão ou a sua reforma. Optando o contribuinte por fazer considerações totalmente divorciados dos fundamentos da decisão vergastada, resta malferido a dialeticidade exigida entre decisão recorrida e razões do recurso, de modo que falece o recurso da respectiva adequação ou regularidade formal.
Numero da decisão: 1002-000.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ENFRENTA OU ATACA OS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO. ALEGAÇÕES DISSOCIADAS DAS RAZÕES DE DECIDIR. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de Recurso Voluntário no qual não são enfrentados diretamente os fundamentos do acórdão a quo. Cabe ao contribuinte impugnar as razões lançadas no acórdão atacado, buscando demonstrar a existência de erro in procedendo ou in judicando, a merecer a declaração de nulidade da decisão ou a sua reforma. Optando o contribuinte por fazer considerações totalmente divorciados dos fundamentos da decisão vergastada, resta malferido a dialeticidade exigida entre decisão recorrida e razões do recurso, de modo que falece o recurso da respectiva adequação ou regularidade formal.
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ALEGAÇÕES DISSOCIADAS DAS RAZÕES DE DECIDIR. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de Recurso Voluntário no qual não são enfrentados diretamente os fundamentos do acórdão a quo. Cabe ao contribuinte impugnar as razões lançadas no acórdão atacado, buscando demonstrar a existência de erro in procedendo ou in judicando, a merecer a declaração de nulidade da decisão ou a sua reforma. Optando o contribuinte por fazer considerações totalmente divorciados dos fundamentos da decisão vergastada, resta malferido a dialeticidade exigida entre decisão recorrida e razões do recurso, de modo que falece o recurso da respectiva adequação ou regularidade formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Marcelo Jose Luz de Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 58 82 /2 00 9- 02 Fl. 87DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.829 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905882/2009-02 Relatório Por bem retratar os fatos, faz-se inicialmente a transcrição integral do relatório adotado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife(“DRJ/REC”): A interessada acima qualificada formalizou a declaração de compensação PER/Dcomp nº 40204.09762.270409.1.7.04-1536, fls. 04 a 8, transmitida em 27/04/2009, informando ser retificadora da PER/Dcomp 29922.09016.310506.1.3.04-3908, transmitida em 31/05/2006. 2. Apresenta na atual PER/Dcomp pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, código de receita 6012, data de arrecadação 29/10/2004, período de apuração de 30/09/2004, que seria oriundo do PER/Dcomp inicial nº 11026.80139.310506.1.3.04-1307 (transmitida em 31/05/2006), conforme declarado na presente PER/Dcomp nº 40204.09762.270409.1.7.04-1536, na qual informa como crédito original na data da transmissão do PER/Dcomp o valor de R$ 3.317,73, para compensar débitos de CSLL, código de receita “6012-01 - CSLL - PJ que apuram o IRPJ com base no lucro real trimestral” período de apuração 3o Trim./2004, sendo valor do principal de R$ 2.836,07, a multa no valor de R$ 567,21, os juros de R$ 747,86, com o valor total do débito alcançando R$ 4.151,14. 3. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, a Autoridade Competente resolveu HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação, tendo em vista a existência do crédito apenas parcialmente, uma vez que do valor de R$ 29.853,93, do DARF informado para origem do crédito, R$ 29.853,92 foram utilizados para quitação de débitos, restando como valor disponível apenas R$ 0,01. 4. Cientificada do Despacho Decisório em 23/10/2009, conforme fls. 03, 41 e 42, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 29/10/2009, fl. 09, apresentando as seguintes razões de defesa: 4.1. declara “que por problema no sistema PER/DCOMP não foi possível colocar no campo: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior o nº da PER/DCOMP retificadora: 25971.67526.120509.1.7.04-6771, pusemos o nº da PER/DCOMP retificada, gerando assim a recusa do crédito original de R$ 3.317,73, informado na PER/DCOMP 25971.67526.120509.1.7.04-6771. Solicitamos, portanto, que aceite a compensação do valor principal R$ 4.151,14 para o débito de CSLL competência 03o TRIM.04 com vencimento em 31/11/2004”; 4.2. a fim de comprovar o exposto anexa “1. Cópia DARF comp. 03º trim.04 (09/2004) com vencimento em 30/10/2004 o qual originou o pagamento a maior”; “2. Cópia da PER/DCOMP 40204.09762.270409.17.04-1536, a qual informa o n° da PER/DCOMP que deu inicio ao crédito apresentado na PER/DCOMP em questão”; “3. Cópia da PER/DCOMP 5971.67526.120509.1.7.04-6771 que retificou a PER/DCOMP que deu inicio ao crédito original”. Em sessão de 17/04/2012, a DRJ/REC julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, nos termos da ementa abaixo reproduzida: COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não há que se cogitar a compensação dos valores pagos, relativamente um determinado tributo e período de apuração, cujo total coincida com valor confessado na DCTF ativa da contribuinte, e esta não apresenta qualquer comprovação de que teria havido inequívoco erro de fato em tal Fl. 88DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.829 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905882/2009-02 DCTF. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. Tempestividade Como se denota dos autos, o contribuinte foi intimado do teor do acórdão recorrido em 25/06/2012 (fls. 64 do e-processo), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 24/07/2012, consoante informa o Despacho de Encaminhamento às fls. 85 do e- processo, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Recurso Voluntário que não ataca os fundamentos do acórdão a quo Como se denota dos autos, o acórdão da DRJ/REC não reconheceu o direito creditório do contribuinte por ter localizado para o período em questão tão somente um pagamento a maior realizado no montante de R$ 0,01 (um centavo) de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”). Vejamos o que diz a instância a quo às fls. 61/62 do e-processo: 9. Consultando as DCTF da contribuinte para o 3o Trimestre de 2004, já que o suposto crédito refere-se ao período de apuração de 30/09/2004, com data de arrecadação de 29/10/2004, tem-se que, tanto na última DCTF Retificadora/Ativa da contribuinte relativa ao 3º Trimestre/2004, de nº 1000.000.2005.1710428538, recebida em 31/03/2005, como na DCTF Retificadora/Ativa nº 1000.000.2009.1720519566, do 4o Trimestre/2004, mas na parte referente também ao trimestre anterior, ou seja, referente ao 3o Trimestre/2004, esta recebida em 13/11/2009, o valor da CSLL a Pagar, código de receita 6012-1, foi de R$ 68.672,67, conforme telas de tais sistema, fls. 43 a 45. Fl. 89DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.829 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905882/2009-02 10. Com relação à DIPJ 2005/2004, a contribuinte apresentou a original em 29/06/2005, com apuração de CSLL a pagar para o 3º Trim/2004 no valor de R$ 70.476,73, e apresentou uma retificadora em 13/11/2009, na qual a CSLL a pagar para o mesmo período de apuração foi de R$ 68.672,68, conforme fls. 46 a 50. 11. No sistema Sinal04 vê-se, conforme fls. 51 a 54, que, relativamente ao período de apuração de 30/09/2004, foram efetuados os seguintes pagamentos: 12. Tem-se, portanto, que o total de CSLL a pagar, código 6012, informado nas últimas DCTF ativas da contribuinte foi de R$ 68.672,67, enquanto o valor efetivamente recolhido foi um centavo a mais, ou seja, de R$ 68.672,68, razão pela qual do pleito de compensação da contribuinte na presente PER/Dcomp foi homologada apenas a diferença de R$ 0,01 (um centavo). 13. Portanto, considerando que o valor total de pagamentos (R$ 68. 672,68) excedeu em apenas R$ 0,01 o valor confessado através da última DCTF ativa (R$ 68.672,67) e que tal diferença já foi considerada na homologação parcial constante do Despacho Decisório, não há o que se reparar neste. Como se vê, todo o imbróglio constante dos autos diz respeito a um suposto crédito tributário de pagamento a maior de CSLL com relação ao 3º trimestre de 2004. De fato, confrontando-se a DCTF (fls. 44 do e-processo), a DIPJ (fls. 50 do e- processo) e os pagamentos (fls. 51/54 do e-processo) para o período em questão, a DRJ/REC tem razão ao afirmar que a divergência se restringe a um montante ínfimo de R$ 0,01 (um centavo), veja-se: Fl. 90DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.829 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905882/2009-02 Fl. 91DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-000.829 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905882/2009-02 Em que pese todo o exposto, o Recurso Voluntário do contribuinte não questiona nenhum dos pontos levantados pela DRJ/REC, sequer adentrando ao tema da CSLL. O contribuinte, curiosamente, apenas se refere (fls. 67/68 do e-processo) a supostos débitos de IRPJ, relacionados a outros processos administrativos, in verbis: [...] Fl. 92DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-000.829 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905882/2009-02 De pronto, já é possível perceber que o Recurso Voluntário do contribuinte não merece ser conhecido. O Código de Processo Civil, aplicado supletiva e subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (“PAF”), é preciso ao advertir em seu artigo 319, incisos III, IV e VI, que toda petição indicará o fato e os fundamentos jurídicos do pedido, o pedido com as suas especificações, além das provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados. Já o seu artigo 1.010, inciso III, ao tratar da apelação, estabelece que esta conterá as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade. Traçando-se um paralelo com o PAF, diríamos que o Recurso Voluntário necessita da mesma forma conter as razoes do pedido de reforma, o que, no caso concreto, não se verifica. Com efeito, a regra impõe o ônus de a parte expor, fundamentadamente, o desacerto da decisão a ser merecedora de novo julgamento. Nas precisas lições de Fredie Didier Jr 1 , trata-se de exigência que decorre do princípio do contraditório, pois a exposição das razões de recorrer é indispensável para que a parte recorrida possa defender-se, bem como para que o órgão jurisdicional possa cumprir seu dever de fundamentar as decisões. Optando o contribuinte por fazer considerações totalmente divorciados dos fundamentos da decisão vergastada, resta malferido a dialeticidade exigida entre decisão recorrida e razões do recurso, de modo que falece o recurso da respectiva adequação ou regularidade formal. 1 DIDIER JR. Fredie e CARNEIRO DA CUNHA, Leonardo. Curso de direito processual civil: Meios de impugnação às decisões judiciais e processos nos Tribunais. 13º ed. Reformada - Salvador: Ed. JusPodivm, 2016. v. 3. p. 124. Fl. 93DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-000.829 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905882/2009-02 Assim, em mais um paralelo estabelecido com o CPC, requer-se a aplicação do artigo 932, inciso III, cuja redação prescreve: Art. 932. Incumbe ao relator: III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; In casu, há evidente descompasso entre as razões do apelo e o que restou decidido no acórdão da DRJ/REC, motivo pelo qual não deve ser conhecido o Recurso Voluntário por ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida. Por todo o exposto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000131/2008-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002
RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103.
Nos moldes em que consolidado pela Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício deve ser observado o limite de alçada vigente na data da apreciação do recurso em segunda instância.
Numero da decisão: 9202-008.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103. Nos moldes em que consolidado pela Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício deve ser observado o limite de alçada vigente na data da apreciação do recurso em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. SÚMULA CARF Nº 103. Nos moldes em que consolidado pela Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício deve ser observado o limite de alçada vigente na data da apreciação do recurso em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de auto de infração (NFLD 37.086.126-4) para cobrança de contribuição previdenciária. O relatório fiscal de fls. 40 e seguintes, assim resumiu o lançamento: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 01 31 /2 00 8- 19 Fl. 322DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.142 - CSRF/2ª Turma Processo nº 12267.000131/2008-19 INTRODUÇÃO 1. Este relatório é parte integrante da NFLD DEBCAD N° 37.086.126-4. Refere-se a créditos de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a título de PREVIDÊNCIA PRIVADA, efetuados em desacordo com a alínea "p", § 9o , art. 28 da Lei n° 8.212/91, vigente a época de ocorrência do fato gerador. Tem por objeto a narrativa dos fatos ocorridos, verificados durante a ação fiscal, resultando no presente lançamento. 2. Tais créditos destinam-se: 2.1 A Seguridade Social, correspondendo à: a) contribuição da empresa; b) financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 2.2 À Terceiros: Salário-educação; INCRA; SESC e SEBRAE. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso de ofício haja vista que quando do seu julgamento havia ocorrido a majoração do respectivo valor de alçada e não conheceu do recurso voluntário uma vez que o contribuinte optou por efetuar o pagamento da parte do lançamento não abrangida pela decadência. O acórdão 2401-002.360 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NATUREZA SALARIAL RECOLHIMENTO DA PARTE DO CRÉDITO REMANESCENTE RECONHECIMENTO DA DÍVIDA. O pagamento da parte remanescente do crédito, importa reconhecimento do debito, determinando a concordância com a NFLD lavrada, não havendo o que ser apreciado no recurso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2002 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RECURSO DE OFÍCIO VALOR DE ALÇADA O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Recurso de Ofício e Voluntário Não Conhecidos Intimada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência no que tange ao não conhecimento do Recurso de Ofício. Citando como paradigmas os acórdãos nº 1803-00.312 e 3403-00.078, afirma a Recorrente que pelas normas processuais deve-se considerar como valor de alçada para fins de conhecimento do recurso o valor vigente quando da sua respectiva interposição. Fl. 323DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.142 - CSRF/2ª Turma Processo nº 12267.000131/2008-19 O recurso foi admitido por meio do despacho de fls. 265/267, datado de 02.10.2012. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Conforme relatado, a questão a ser aqui debatida refere-se ao limite de alçada aplicável para fins de conhecimento do recurso de ofício, se o limite válido na época da decisão de proferida pela Delegacia de Julgamento ou o novo limite vigente quando da apreciação do respectivo recurso pelo Colegiado competente. Em que pese o argumento apresentado pela Recorrente, o que temos hoje é uma jurisprudência pacificada sobre o tema. Segundo a Súmula CARF nº 103, aprovada pelo Pleno deste Tribunal em 08/12/2014, o limite de alçada deve ser observado quando do julgamento do recurso de ofício. Vejamos: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vale destacar que a referida súmula foi aprovada posteriormente a interposição do Recurso Especial da Fazenda Nacional e da realização do exame de admissibilidade, razão pela qual não se verifica a hipótese de não conhecimento do recurso especial, nos termos em que previsto no art. 67, §§ 3º e 12 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. [...] § 12 Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I - Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; II - decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III - Súmula ou Resolução do Pleno do CARF (grifou-se) Fl. 324DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.142 - CSRF/2ª Turma Processo nº 12267.000131/2008-19 Diante do exposto, conheço e nego provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007007/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A autoridade administrativa não detém competência para decidir sobre a constitucionalidade das leis tributárias. Súmula 2 do CARF.
PROCESSUAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE QUESTIONAMENTO EXPLÍCITO. PRECLUSÃO
A falta de questionamento, na impugnação, quanto aos motivos de fato de ensejaram a assunção da presunção relativa encartada no art. 42 da Lei 9.430/96, opera a preclusão tratada pelo 16, caput, do Decreto 70.235/72 e, outrossim, o trânsito em julgado administrativo da matéria.
IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. APRESENTAÇÃO TARDIA DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS. SUMULA 59 DO CARF.
Nos termos da Súmula 59 do CARF a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS EM DECORRÊNCIA DE CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS, ORIUNDA DA IDENTIFICAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
Ainda que em tese seja possível proceder-se a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme decisão proferida (mas não transitada em julgado) pelo Supremo Tribunal Federal, as particularidades do caso concreto inviabilizam semelhante decisão, justamente por não se saber, a míngua de provas da origem dos depósitos bancários que ensejaram a tributação por omissão de receitas, se, de fato, em tais fato-signo presuntivos de riqueza, houve ou não a exigência do tributo estadual.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES PARA COMPROVAR A ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SUMULA 133 DO CARF.
Nos termos da Súmula 133 do CARF, a falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa conduta motivou presunção de omissão de receitas ou de rendimentos.
JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF.
A teor dos preceitos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: Gustavo Guimarães da Fonseca
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não detém competência para decidir sobre a constitucionalidade das leis tributárias. Súmula 2 do CARF. PROCESSUAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE QUESTIONAMENTO EXPLÍCITO. PRECLUSÃO A falta de questionamento, na impugnação, quanto aos motivos de fato de ensejaram a assunção da presunção relativa encartada no art. 42 da Lei 9.430/96, opera a preclusão tratada pelo 16, caput, do Decreto 70.235/72 e, outrossim, o trânsito em julgado administrativo da matéria. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. APRESENTAÇÃO TARDIA DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS. SUMULA 59 DO CARF. Nos termos da Súmula 59 do CARF a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS EM DECORRÊNCIA DE CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS, ORIUNDA DA IDENTIFICAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que em tese seja possível proceder-se a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme decisão proferida (mas não transitada em julgado) pelo Supremo Tribunal Federal, as particularidades do caso concreto inviabilizam semelhante decisão, justamente por não se saber, a míngua de provas da origem dos depósitos bancários que ensejaram a tributação por omissão de receitas, se, de fato, em tais fato-signo presuntivos de riqueza, houve ou não a exigência do tributo estadual. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES PARA COMPROVAR A ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SUMULA 133 DO CARF. Nos termos da Súmula 133 do CARF, a falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa conduta motivou presunção de omissão de receitas ou de rendimentos. JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF. A teor dos preceitos da Súmula 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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A autoridade administrativa não detém competência para decidir sobre a constitucionalidade das leis tributárias. Súmula 2 do CARF. PROCESSUAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE QUESTIONAMENTO EXPLÍCITO. PRECLUSÃO A falta de questionamento, na impugnação, quanto aos motivos de fato de ensejaram a assunção da presunção relativa encartada no art. 42 da Lei 9.430/96, opera a preclusão tratada pelo 16, caput, do Decreto 70.235/72 e, outrossim, o trânsito em julgado administrativo da matéria. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. APRESENTAÇÃO TARDIA DE LIVROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS. SUMULA 59 DO CARF. Nos termos da Súmula 59 do CARF “a tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal”. EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS EM DECORRÊNCIA DE CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS, ORIUNDA DA IDENTIFICAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que em tese seja possível proceder-se a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme decisão proferida (mas não transitada em julgado) pelo Supremo Tribunal Federal, as particularidades do caso concreto inviabilizam semelhante decisão, justamente por não se saber, a míngua de provas da origem dos depósitos bancários que ensejaram a tributação por omissão de receitas, se, de fato, em tais fato-signo presuntivos de riqueza, houve ou não a exigência do tributo estadual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 70 07 /2 00 7- 19 Fl. 2575DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.005 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.007007/2007-19 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES PARA COMPROVAR A ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SUMULA 133 DO CARF. Nos termos da Súmula 133 do CARF, “a falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa conduta motivou presunção de omissão de receitas ou de rendimentos”. JUROS MORATÓRIOS CALCULADOS PELA VARIAÇÃO DA SELIC. SÚMULA 4 DO CARF. A teor dos preceitos da Súmula 4 do CARF, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de autos de infração de lavrados para exigir, da recorrente, créditos tributários relativos ao IRPJ e consectários (CSLL, PIS e COFINS), apurados no ano-calendário de 2003, em decorrência da identificação de depósitos bancários de origem desconhecida. Cumpre anotar que os primeiros documentos constantes do processo, mormente à e-fls. 112 a 128, referem-se em verdade à outra empresa (Têxtil Camburzano S/A)... este relator acredita que o dito relatório tenha sido juntado ao feito apenas para contextualizar e justificar a ação fiscal que, posteriormente, se iniciou contra a ora insurgente (e, de outro giro, foi anexado ao processo por erro material). O relatório que, de fato, se presta para justificar a autuação polemizada é aquele constante de e-fls. 165 e ss do que se extrai, originariamente, foram emitidos termos de Fl. 2576DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.005 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.007007/2007-19 intimação à empresa denominada VILLA D'ESTE COMÉRCIO, REPRESENTAÇÕES, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, que jamais os atendeu. A vista da inação desta companhia, foi emitido a competente Requisição de Movimentação Financeira, tendo sido identificados diversos depósitos bancários em contas havidas no Banco do Brasil e no Banco de La Republica Oriental del Uruguay. A Villa D´Este foi novamente intimada a prestar esclarecimentos acerca dos aludidos depósitos, mais uma vez, sem qualquer tipo de resposta. Tendo em conta a persistente inação da empresa promoveu-se a circularização de informações junto alguns dos entes depositantes que, em resumo, atestaram que todas as operações referiam-se à pactos realizados diretamente com a empresa ora recorrente, qual seja, a Fabril Sharlene. A vista de tal constatação, promoveu a intimação da empresa recorrente, por diversas vezes, para explicar os motivos pelos quais estaria se utilizando de contas bancárias registadas em nome de terceiros para o recebimento de valores devidos em decorrência de suas próprias operações mercantis, além de solicitar, também, a apresentação de diversos livros contábeis e fiscais. A empresa, a despeito de requerer sucessivos pedidos de prorrogação, apenas quando advertida da possibilidade da lavratura dos autos de infração em testilha e, ainda, do risco de arbitramento do lucro (ante a falta de exibição de livros contábeis), informou que os preditos documentos teriam se extraviado. Relata, ainda, que a empresa teria apresentado DIPJ em que, além de apontar a opção pelo Lucro Real Anual, demonstrou que o contribuinte teria apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa quanto, respectivamente, ao IRPJ e à CSLL. Nesta mesma declaração, identificou-se que a empresa teria informado a existência de débitos de PIS, apurado segundo o regime não cumulativo, e COFINS, estes calculados pela modalidade cumulativa. Atesta que, a despeito das informações tratadas na DIPJ, o contribuinte transmitiu DCTF informando não ter apurado qualquer valor a título das contribuições acima. A míngua de esclarecimentos, e da apresentação dos livros solicitados, a Fiscalização concluiu a autuação promovendo o lançamento dos IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado e exigiu diferenças relativas quanto ao PIS e a COFINS segundo a modalidade cumulativa (observando, quanto ao PIS, que as importâncias calculadas no auto de infração seriam inferiores àquelas informadas em DIPJ justamente em razão da mudança do regime, como decorrência do arbitramento do lucro). Regulamente cientificada dos termos das autuações acima, a empresa opôs as impugnações de e-fls. 198 e ss (uma para cada tributo exigido neste feito), sustentando, em apertada síntese, a nulidade dos lançamentos por desrespeito ao art. 148 do CTN que, a seu ver, legitimaria a apresentação de prova posterior suficiente a afastar a aplicação das hipóteses legais de arbitramento do lucro. Questiona, passo seguinte, a própria presunção encartada no art. 42 da Lei 9.430/96, suscitando, em prol de sua tese, os preceitos da Sumula 182 do extinto TFR – Tribunal Federal de Recursos – que proscrevia os atos de lançamento calcados, apenas, em depósitos bancários. Particularmente quanto a contribuição para o PIS e a COFINS, deduz a ilegalidade da inclusão, em suas bases de cálculo, do ICMS. Fl. 2577DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.005 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.007007/2007-19 Quanto as multas aplicadas, sustenta haver a violação ao princípio do não confisco, questionando, outrossim, tão só a inexistência de fundamentos de fato para o agravamento da penalidade (nada dizendo acerca da qualificação). Por fim, contesta a atualização do crédito tributário mediante variação da Taxa SELIC. Instada a se pronunciar sobre as defesas ofertadas, a DRJ de Porto Alegre houve por bem julgá-las parcialmente procedentes a fim de se considerar indevidas a qualificação e o agravamento da multa, contudo, e apenas, em relação ao lançamento realizado com base no arbitramento, sem que, com isso, interpusesse recurso de ofício (mantidas, neste passo, as penalidades majoradas em relação às receitas omitidas). Os fundamentos da decisão recorrida são sintetizados na ementa, cujo teor reproduzo a seguir: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não detém competência para decidir sobre a constitucionalidade das leis tributárias. Súmulas n° 2 do Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Comprovada a movimentação de recursos financeiros em conta bancária mantida em nome de terceiro, em relação a qual o contribuinte não explica a origem dos recursos, correta a presunção de omissão de receitas. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. AUSÊNCIA DOS LIVROS CONTÁBEIS. Procede o arbitramento dos lucros efetivado em virtude de o contribuinte, regularmente intimado, não apresentar os livros contábeis e fiscais, nem qualquer documento que permitisse a aferição do lucro real. A apresentação da escrituração após o lançamento de oficio não invalida o arbitramento ante a inexistência de lançamento condicional. PIS. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. O ICMS compõe o preço de venda dos produtos e mercadorias, integrando a receita bruta da empresa, base de cálculo das contribuições. DUPLICAÇÃO DA MULTA APLICADA. A aplicação da multa dita qualificada requer a comprovação do evidente intuito de fraude, mediante prova da sonegação, fraude ou conluio praticados dolosamente pelo contribuinte para eximir-se do pagamento dos tributos. MULTA AGRAVADA. Incabível o agravamento da multa em face da não exibição de livros comerciais e fiscais que o contribuinte alega ter extraviado, motivando o arbitramento dos lucros. JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 2578DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.005 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.007007/2007-19 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes. O contribuinte foi cientificado do julgamento acima em 21/08/2009 (AR de e-fls. 1.787), tendo interposto seu recurso voluntário em 18 de setembro daquele mesmo ano (e-fls. 1.788 e ss), em que reprisa os argumentos deduzidos em suas impugnações. Na primeira oportunidade em que este Conselho teve a oportunidade de analisar o feito, o julgamento foi convertido em diligência a fim de suspender o seus curso até que o Supremo Tribunal Federal julgasse o RE de nº 601.314/MG, que tratava da constitucionalidade/inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário autorizada pela LC 104/01. Resolvida a questão acima, o processo foi distribuído a este Relator para análise e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, Relator. O recurso é tempestivo e preenche todos os pressupostos extrínsecos e intrínsecos de cabimento, razões pelas quais, dele, tomo conhecimento. I DA DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA EM LITÍGIO. Impende destacar, desde logo, que em momento algum a recorrente se insurge contra a constatação efetiva de omissão de receitas. Isto é, não discute, e nem traz provas, sobre a origem dos créditos identificados em conta bancária registrada em nome de terceiro, na qual movimentava recursos de sua própria titularidade. Os pressupostos de fato, portanto, necessários ao surgimento da presunção descrita no art. 42 da Lei 9.430/96 não foram contrapostos, operando-se, quanto isso, preclusão lógica e trânsito em julgado administrativo. II MÉRITO. II.1 Da alegada desobediência aos preceitos do art. 148 do CTN. Arbitramento. Como destacado no relatório que precede este voto, no curso da ação fiscal e até o advento da oposição das próprios impugnações, a empresa nunca se prontificou a trazer um único documento que seja, quiçá, seus livros contábeis e fiscais. Em sua defesa, é fato, a recorrente junta, aí sim, as cópias do LALUR e de seu livro razão, o que, acaso tivesse ocorrido quando regulamente instado para tanto (se se tecer quaisquer considerações sobre a regularidade da sua escrituração) poderia afastar o arbitramento. Como dito, todavia, tais livros só foram apresentados quando da apresentação de suas razoes de impugnação. Neste caso, e invocando-se as imposições contidas no art. 45, VI, do Regimento Fl. 2579DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.005 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.007007/2007-19 Interno aprovado pela Portaria MF de nº 343/15, que impõe, aos membros deste órgão, a observância à preceitos da Súmulas editadas pelo CARF, sob pena de perda de mandato, calha trazer a colação o entendimento exarado na Súmula 59, cujo teor reproduzo a seguir: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Roma locuta, quaestio finita. Ainda que semelhante entendimento possa ser criticado, notadamente a luz de circunstâncias especiais do caso concreto, o preceito sumular acima invocado não deixa, a este Conselheiro, qualquer alternativa, senão convalidar as considerações já apresentadas no acórdão recorrido e considerar lidimo o lançamento com base no lucro arbitrado. II.2 A aventada ilegalidade do lançamento realizado com base em presunção legal. Inaplicabilidade ao feito dos preceitos da Súmula 182 do extinto TFR. Não me alongarei, aqui, sobre o tema... os efeitos decorrentes da tipificação das hipóteses encartadas no citado art. 42 da Lei 9.430/96 são consectários da presunção relativa preconizada por esta mesma regra legal, plenamente vigente e, até segunda ordem, válida no nosso ordenamento. Neste diapasão, o questionamento trazido pelo contribuinte, acerca legalidade destes mesmos efeitos, não encontra, neste CARF, o foro próprio para tanto, a luz dos preceitos do art. 62 do RICARF, a que estes julgadores estão vinculados e cuja aplicação se impõe, inclusive, sob pena de perda de mandato (conforme regra regimental estabelecida no já citado art. 45, VI): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ainda que o Contribuinte sustente a “ilegalidade” da Lei 9.430, semelhante vício se justificaria, exclusivamente, a luz dos preceitos dos arts. 146, III e 153, ambos da CRFB. Particularmente, as disposições da Lei 9.430/96, art. 42, somente poderiam ser afastadas mediante reconhecimento de sua invalidade a luz das regras de competência (tributária e legislativa) preconizadas pelo texto constitucional, o que, como demonstrado, não nos é autorizado fazer, nesta seara. Isto, sem prejuízo dos preceitos da Súmula 2 deste próprio CARF que apenas reprisa a vedação já contida no aludido art. 62 do RICARF. Nada a prover, portanto, quanto a este ponto. II.3 Da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS. Não nego que, teoricamente, o pedido em questão encontra na doutrina e na própria norma de competência tributária fixada para a exigência de tais exações fundamentos suficientes para considera-lo correto. E foi assim, diga-se, que restou decidido, ainda que por Fl. 2580DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-004.005 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.007007/2007-19 decisão, até aqui, não transitada em julgado, pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do RE de nº 574.706. O problema aqui, contudo, é que, como apontado no início deste voto, a empresa insurgente nada disse ou comprovou acerca da origem dos valores identificados em contas bancárias de titularidade de terceiros; objetivamente, a recorrente não se opôs, faticamente, à constatação e tipificação da hipótese de omissão de receitas tratada pelo art. 42 da Lei 9.430. Ora, a presunção de omissão de receitas recai sobre a ocorrência de um fato signo presuntivo de riqueza que, por decorrência das preceitos do art. 42 alhures mencionado, permite ao fisco inquina-los de fatos relevantes para o surgimento da obrigação tributária; mas não há, ai, objetivamente, uma prefixação da natureza, da composição, dos elementos, componentes desta mesma receita. Não é possível, portanto, cravar que os valores identificados em contas bancárias tenham se submetido à cobrança do próprio ICMS (ainda que se trate de receita proveniente de mercadorias, nada nos permite concluir que tais operações tenham, de fato, dado azo ao surgimento da obrigação relativa ao tributo estadual – porque, potencialmente, sujeitas, v.g., à regras imunizantes ou isentivas). E, portanto, a própria inação do contribuinte, concernente a demonstração da origem dos preditos depósitos, que nos impede, no caso, de acolher a sua pretensão já que, objetivamente, não há provas de que tais receitas tenham comportado, em sua conformação, a exigência do ICMS. Nesta esteira, e lembrando que nem mesmo por ocasião deste recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer elemento que pudesse, remotamente, demonstrar em que particularidades, foram geradas as receitas objetos da autuação em análise, não há como se prover o apelo, justamente por não nos ser dado saber se o ICMS foi, de fato, ou não, cobrado da empresa recorrente. II.4 Da qualificação e do agravamento das multas de ofício aplicadas. No que toca, especificamente, a alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício, fixada no patamar de 225%, a luz do princípio do não confisco, invoca-se, no caso, os preceitos da Súmula/CARF de nº 2 que, como já pontuado alhures, é de observância obrigatória aos membros deste Colegiado: “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto ao mais, notem, a recorrente não se opõe, por argumentos fáticos ou jurídicos, à própria qualificação da penalidade, limitando-se a refutar, apenas, o agravamento realizado com espeque nos preceitos do art. 44, § 2º, da já mencionada Lei 9.430/96. Neste diapasão, particularmente, entendo que a DRJ errou ao exonerar parte da multa qualificada imposta, já que, sobre semelhante matéria, teria ocorrido preclusão lógica, na forma do art. 16, caput, do Decreto 70.235/72. Como não houve a interposição de recurso de ofício, já que o valor exonerado seria inferior ao valor de alçada vigente à época dos fatos aqui analisados, não posso reverter a decisão recorrida neste ponto. Mas, inegavelmente, não posso me manifestar, agora, sobre a parcela do crédito tributário que permaneceu sujeita à penalidade fixada a ordem de 150%, justamente por falta de questionamento, específico, neste ponto, por parte do recorrente. Fl. 2581DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-004.005 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.007007/2007-19 Quanto ao agravamento da multa, de outra sorte, impende trazer, aqui, os fundamentos adotados pela Turma a quo para afastá-lo, em parte, particularmente, em razão da não exibição de livros e documentos tendentes à apuração do lucro: Não me parece que a não apresentação dos livros contábeis e fiscais, mormente quando o contribuinte procura explicar esta ausência pelo extravio, possa ser tomada como falta de "esclarecimentos", sob pena de que, qualquer arbitramento de lucros calcado na falta de apresentação dos livros obrigatórios ensejaria agravamento da multa. Não vejo, então, como aplicar a majoração da penalidade relativamente aos tributos decorrentes do arbitramento dos lucros. É quando menos curioso que a DRJ tenha optado por cindir a sua análise no caso quando, como se extrai do TVF, o motivo determinante para agravar a penalidade é único, qual seja, a falta de atendimento às intimações lavradas. Até entendo, no caso, que a D. Auditoria Fiscal poderia ter, a partir das próprias considerações propostas ao longo de seu relato, melhor fundamentado a suas conclusões quanto aos percentuais das multas aplicadas (o que, por certo, teria resultado numa analise diferente daquela feita pela DRJ). Mas não o fez, limitando a motivar o seu ato, insista-se, na falta de atendimento, pelo contribuinte, às intimações voltadas ao aclaramento da origem dos depósitos bancários identificados neste feito. E aqui, como o fundamento é, apenas, o acima descrito, não temos como fugir aos ditames da Súmula 133 deste CARF, cujos ditames, repita-se, pela enésima vez, nos são impositivos: A falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa conduta motivou presunção de omissão de receitas ou de rendimentos. Aqui, por determinação explicita do RICARF, há que se reconhecer a procedência dos argumentos da parte insurgente, justamente por não podermos refugir aos termos da Súmula acima reproduzida, devendo-se afastar o agravamento também quanto a parcela do crédito tributário apurada em decorrência da omissão de receitas. II.5 SELIC Por fim, e quanto aos argumentos despendidos acerca da ilegalidade do uso da variação da SELIC como taxa de juros aplicados aos créditos tributários vencidos, invoca-se os preceitos da Súmula/CARF de nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Desnecessárias, neste tópico, maiores ilações, estando corretas, a DRJ, e os próprios lançamentos ora polemizados. III CONCLUSÃO. A luz do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário a fim de afastar o agravamento da penalidade também em relação aos créditos Fl. 2582DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-004.005 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.007007/2007-19 tributários constituídos a partir da constatação de omissão de receitas decorrentes da identificação de depósitos bancários de origem desconhecida e não comprovada. (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 2583DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.924286/2009-52
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno do processo à Unidade de Origem para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO FATO GERADOR 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, devese retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno do processo à Unidade de Origem para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 42 86 /2 00 9- 52 Fl. 227DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1626.025 da 5ª Turma da DRJ/SP1 que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Despacho Decisório que indeferiu a compensação pleiteada através de PER/DCOMP n° 37986.35134.l50605.l.3.049516. Segue o relatório: A ora recorrente apresentou a sua manifestação de inconformidade, onde argumentou: Cientificada da decisão em 06/04/2009,, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 07/10) em 30/04/2009, apresentando as alegações abaixo sintetizadas: Na DIPJ 2005, ano base 2004, a requerente apurou o IRPJ por estimativa no mês de julho no valor de RS 37.244,38; Por um equívoco da requerente, foi preenchido e recolhido um Darf de RS 51.468,52, a maior do que o imposto efetivamente apurado no mês em referência, e preenchido erroneamente a DCTF do 3° trimestre de 2004 com o débito dc IRPJ com base no DARF pago; A diferença entre o valor do darf pago e o IRPJ apurado em julho/04 (RS 51.468,52 R$ 37.244,38 = R$ 14.224,14) é exatamente igual ao total do crédito original na data da transmissão, informado no PER/DCOMP n° 37986.35l34.l50605.l.3.049516; Para sanar o equívoco, a requerente efetuou DCTF retificadora para corrigir o valor do débito erroneamente informado e a transmitiu em 28/04/2009; Por fim, pugna pela procedência do direito creditório reclamado e pela conseqüente homologação integral da compensação declarada.. Cientificada em 15/12/2010 (fl 178), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 13/01/2011 (fl 179). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ assim decidiu: Analisando a DIPJ 2005 apresentada pela contribuinte com opção pelo regime do lucro real, observase que, no mês de julho de 2004, a declarante apurou imposto de renda devido por estimativa no valor de R$ 37.244,38 (tl. 45). Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10880.924286/200952 Acórdão n.º 1001001.445 S1C0T1 Fl. 3 3 A DCTF relativa ao 3° trimestre de 2004, cujas informações fundamentaram o indeferimento contestado, encontravase em dissonância com a apuração de IR a pagar efetuada na DIPJ 2005. e foi posteriormente retificada para ajustarse a esta. Verificase que a DCTF foi retificada a destempo, em 28/04/2009, após a ciência do despacho decisório que analisou o credito utilizado na compensação declarada, de modo que as alterações por ela pretendidas não podem ser aceitas para fins do presente julgamento. A despeito disso. observase que a pretensão levantada pela contribuinte não merece acolhida. em face de orientação contrária na legislação tributária, contida no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, reproduzida na Instrução Normativa n° 600/2005, in verbis: ... Conforme a norma acima transcrita, a utilização de valor indevidamente recolhido a titulo de estimativa está condicionada ao seu cômputo na apuração do imposto ao final do período, para reduzir' o imposto a pagar ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Assim, ao constatar que efetuou recolhimento indevido a titulo de estimativa, sob código 5993, a contribuinte deveria ter informado em sua DIPJ esse recolhimento indevido no cálculo do Imposto de Renda a pagar ao final do período de apuração. Portanto, o pagamento indevido de estimativa de IRPJ, independentemente de não haver débito correspondente na DCTF relativa ao período informado no DARF, não pode ser objeto de restituição ou de compensação com outros débitos. Em seu longo recurso, a recorrente argumenta que: Resta claro, assim, que, em que pese o equívoco no preenchimento do DARF e da DCTF original, houve um recolhimento indevido e a maior por parte da recorrente, tornandose inconteste a plausibilidade da pretendida compensação. Ao constatar esse equívoco, o qual, reforçase, evidencia um recolhimento indevido do IRPJ na ordem de R§ 14.224,14 (RS 51.468,52 R$ 37.244,38 = RS 14.224,14), o funcionário da recorrente procedeu ao preenchimento da PER/DCOMP analisada nos presentes autos, com o único objetivo de utilizar esse crédito de recolhimento indevido para quitar débitos de PIS e COFINS da empresa (Doc. n.9: O2 anexo à manifestação de inconformidade). Notese, por importante, que a diferença entre o valor do DARF pago e o IRPJ apurado (R$ 51.468,52 RS 37.244,38 = RS 14.224,14) é exatamente igual ao total do crédito original na data da transmissão, informado na PER/DCOMP de n.9: 3798635134.1S0605.1.3.049516, não subsistindo qualquer sorte de dúvida conquanto ao cabimento da compensação não homologada em lê instância administrativa. O que acabou por induzir o i. Fiscal prolator do "Despacho Decisório" a erro quando da análise da PER/DCOMP foi, acreditase, o fato de que a DCTF original do 3° Trimestre de 2004 não havia sido retificada para apontar o real débito de IRPJ, período de apuração julho/2004, no valor de R$ 37.244,38, como corretamente declarado na DIPJ/2005, ano base 2004. Fl. 229DF CARF MF 4 Não obstante, é imperioso destacar que, para regularizar definitivamente a situação, a recorrente procedeu à retificação da DCTF original, consoante se pode comprovar pela análise da DCTF Retificadora, transmitida em 28 de abril de 2009, anexa à Manifestação de Inconformidade (Doc. n.9: 06, p. 03). Nesta esteira, após essa retificação, toda a situação ficou definitivamente regularizada, pois restou indubitavelmente informado e demonstrado que o débito de IRPJ relativo ao mês de julho de 2004 foi de R$ 37.244,38, ao compasso em que a recorrente recolheu ao erário a importância total de RS 51.468,52, tornandose credora de uma diferença de R$ 14.224,14, que é, por sua vez, perfeitamente propensa à pretendida compensação. Verificase, portanto, que a recorrente impugnou pormenorizadamente o único fundamento adotado no “Despacho Decisório”, demonstrando inequivocamente que o erro meramente material incorrido, consistente no preenchimento equivocado da DCTF original, Mi tem o condão de invalidar a compensação pretendida. Não fosse o bastante, restou incontroverso o fato de que a discutida compensação observou o limite liquido e certo do crédito recolhido à maior e que toda a situação foi esclarecida ao Fisco quando da pertinente retificação da DCTF original. Concluindo as observações necessárias acerca dos trâmites e dos procedimentos administrativos observados e praticados em lã instância, o que se fez com o propósito de facilitar à este egrégio CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS a compreensão do caso, e de extrema importância destacar que o próprio Acórdão objeto do presente “Recurso Voluntário” (Acórdão n.'2: 16 26025, proferido pela 5a Turma da DRJ/SP1) reconheceu a veracidade dos fatos invocados e acima narrados pela recorrente. Alega que a turma julgadora trouxe à lide um argumento novo não ventilado, até então, nos autos, sequer no despacho decisório, que foi o artigo 10 da IN SRF 460/2004 (reproduzido pela IN 600/2005). Argumenta, também, que as referidas IN foram revogadas pela IN SRF 900/2008, portanto, não poderia ser aplicada ao caso por conta do art. 106, do CTN (Código Tributário Nacional) retroatividade benigna. Em preliminar de nulidade, alega cerceamento do direito de defesa: Como exaustivamente trabalhado na "Manifestação de Inconformidade” e reiterado no tópico "I" do presente feito, a suposta infração que fundamenta a não homologação da compensação declarada pela recorrente está descrita no “Despacho Decisório" como sendo decorrente do fato de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integra/mente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”.... O fato é que o fundamento adotado no despacho decisório para indeferir a compensação declarada foi devidamente rechaçado por meio dos argumentos de fato e de direito expostos na manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente. É fato, também, que a Turma Julgadora da DRJ/SP1 desprezou a motivação (fundamentação) do despacho decisório e equivocadamente modificou o critério jurídico até então adotado, fundamentando a não homologação da compensação em um argumento diametralmente oposto e absolutamente estranho àquele notificado à empresa por meio do despacho decisório. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10880.924286/200952 Acórdão n.º 1001001.445 S1C0T1 Fl. 4 5 Ora, se a DRJ/SP1 se vale do expediente de buscar outro argumento para invalidar a compensação declarada pela Recorrente — argumento que até então não havia sido invocado em nenhum momento, e faz isso porque o fundamento apontado no despacho decisório que inaugurou o presente processo administrativo provouse improcedente e insubsistente, resta claro e evidente que a motivação do despacho decisório está equivocada e o despacho é nulo de pleno direito nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72, por preterimento do direito de defesa da Recorrente. Deveria, no mínimo, ser cancelado e reemitido com notificação formal da empresa: "Art. 59. são nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." ... Afirma que o acórdão (DRJ) deixou evidente que o Despacho Decisório não contém todos os elementos que lhe são pertinentes, pois: Impendese destacar, ainda, que em atenção aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, o “Despacho Decisório" deve conter uma descrição correta, clara e precisa da(s) infração(ões) supostamente cometida(s), permitindo ao(a) contribuinte impugnála(s), visando à proteção de eventual arbitrariedade tal como ocorre neste caso. Dito de outra forma, podese afirmar que a perfeita e completa motivação do "Despacho Decisório" surge como exigência legal e constitucional indispensável ao contraditório, à ampla defesa e como uma via para a aferição da legalidade do ato administrativo; sendo entendida, neste prisma, como a explanação, a fundamentação, a explicitação dos motivos impulsionadores da feitura do ato que conduziram a atuação pública. ... Os danos a Recorrente advindos de tal prática são graves e evidentes, e não por acaso a legislação que rege o processo administrativo federal impõe a nulidade do ato. De forma estruturada temse que: O Acórdão ora recorrido traz um argumento inovador para indeferir compensação declarada pela recorrente, a saber: a vedação, atualmente revogada, ao aproveitamento de crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal. Aplicando esta vedação, que não mais está em vigor, o crédito oriundo de pagamento indevido de IRPJ, código 5993, período de apuração julho/2004, só poderia ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do ano de 2004 (31/12/2004) ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Se este fundamento (motivação da infração) estivesse devidamente apontado no "Despacho Decisório" quando dele tomou ciência a ora recorrente (notificada do despacho decisório no dia 06/04/2009), a empresa teria a opção de, visando minimizar os danos sofridos, quitar o valor do débito cobrado por meio do despacho decisório e retificar suas declarações tributárias da época para utilizar o crédito de Fl. 231DF CARF MF 6 pagamento a a maior do IRPJ devido ao final do ano de 2004 (31/12/2004) ou o saldo negativo de IRPJ do período para compensar outros débitos. Como este fundamento (motivação da infração) não foi levantado no despacho decisório, agora está decaída a possibilidade de a recorrente pleitear este crédito mediante recálculo do IRPJ (lucro real anual do ano de 2004), o que resultaria em um valor pago a maior no encerramento do período de apuração, ou em aumento do saldo negativo apurado, sendo certo que em ambos os casos o crédito respectivo seria passível de compensação, o que certamente minimizaria os graves danos sofridos pela empresa. Não pode fazêlo, agora, porque já decorridos mais de 5 anos desde o encerramento do período de apuração (31/12/2004), tendo se operado a decadência do direito ao crédito. Mas quando a recorrente foi notificada do despacho decisório (em 06/04/2009), se o fundamento inovador utilizado no Acórdão para indeferir a compensação houvesse sido apropriadamente levantado no despacho, haveria ainda tempo hábil para que a recorrente pudesse aproveitar o crédito, este sim liquido e certo. A impossibilidade de fazêlo agora, pois foi deliberadamente alterada a motivação/fundamento do ato decisório, e a recorrente só tomou conhecimento do Acórdão no dia 15/12/2010, quando já operada a decadência do direito de pleitear crédito de saldo negativo apurado no anocalendário de 2004, por si só, já demonstra/reforça o vicio contido no "Despacho Decisório", vicio este gravíssimo que fere de morte o direito da recorrente à ampla defesa e ao contraditório, direitos basilares dos quais este C. CARF é notório guardião. Corroborando a absoluta boa~fé da empresa, cabe ainda ressaltar que a Declaração de Compensação tratada neste processo (PER/DCOMP n° 37986.35134.150605.1.3.049516) foi transmitida apenas em 15/06/2005, ou seja, posteriormente ao encerramento do período de apuração do IRPJ do ano de 2004 (database 31/12/2004). Tal fato evidencia que o crédito de pagamento a maior só foi aproveitado pela ora recorrente quando a apuração do IRPJ exercício 2005, ano calendário 2004, não estaria mais sujeita a qualquer evento subsequente que pudesse alterar o valor do imposto devido no encerramento do período de apuração. Vale dizer, quando da apresentação da declaração de compensação, o IRPJ lucro real do exercício 2005, anocalendário 2004, estava devidamente apurado, sequer podendo se falar em pagamento a maior de estimativa mensal, pois o crédito de pagamento à maior no encerramento do período de apuração era exatamente no valor apontado na Declaração de Compensação.. Em oportuno, é de se repisar o fato de que o "Despacho Decisório" que não homologa a declaração de compensação é um ato administrativo que gera obrigações para o contribuinte. Como tal, sua validade está condicionada à efetiva descrição, clara e precisa, do fato jurídico tributário, bem como à indicação correta dos dispositivos de lei tidos por violados, sob pena de nulidade. Noutras palavras, o ato praticado padecerá de vicio insanável toda vez que o motivo de fato não coincidir com o motivo legal, sendo a consequência jurídica dessa falta de correspondência entre o "motivo" (fatos que originaram a ação administrativa) e as "normas ditas como violadas em sua motivação" a NULIDADE do ato viciado. Cita doutrina e jurisprudência do CARF. Invoca o art. 106, do CTN (retroatividade benigna), posto que a IN 460/2004 e a IN 600/2005 foram revogadas pela IN 900/2008: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.924286/200952 Acórdão n.º 1001001.445 S1C0T1 Fl. 5 7 É que, in casu, o dispositivo restritivo disposto na IN 460/2004 1 e na IN 600/2005, comentado acima, foi revogado pela IN 900/2008. E o acórdão recorrido fundamentou o indeferimento da compensação pleiteada pela Recorrente exatamente no referido artigo 10, que não mais está em vigor. Cita doutrina decisões favoráveis no âmbito da própria Receita Federal que reconheceu o direito através de soluções de consulta. Por último alega ilegalidade de restrição. Alega ainda o art. 150 da Constituição Federal (Princípio da Legalidade) e culmina pedindo: Ex positis e uma vez demonstrada a irregularidade procedimental praticada pela recorrida ao modificar sem qualquer fundamento, e após a regular notificação da recorrente, o critério legal que embasou o indeferimento da homologação pleiteada na PER/DCOMP de n° 3798635134.1506OS.1.3.049516, pugna a recorrente para que V. Sas. se dignem a conhecer a questão preliminar oportunamente argumentada, de modo a se reconhecer a NULIDADE integral do presente "Processo Tributário Administrativo", com subsequente determinação de cancelamento do r. "Despacho Decisório" que o inaugurou; haja constitucional de ampla defesa e contraditório haja vista que só assim se estará garantindo à recorrente a plenitude do exercício de seu direito Entendo não ser nulo o despacho decisório, pois, a recorrente conseguiu identificar claramente os fatos que permitiram que impetrasse a sua manifestação de inconformidade. Nela, a recorrente não alegou a nulidade do ato. Portanto, entendo não ter havido o alegado cerceamento de defesa por ter ferido o artigo 59, do Decreto 70.2365/72. Por seu lado, a DRJ afirma que a recorrente apresentou DCTF retificadora após tomar conhecimento do Despacho Decisório, posto que tomou ciência através de um outro processo, o que não vem ao caso. Fica claro, nos autos, que a recorrente procedeu a retificação antes de tomar conhecimento do despacho decisório relativo a este processo. Mesmo que assim o fosse, nada obsta a DCTF possa vir a ser retificada dentro do prazo decadencial, como conclui o parecerista, no PN COSIT 2/2015: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; Por outro lado, é fato, que a decisão da DRJ baseouse em uma Instrução Normativa já revogada, à época da feitura do seu acórdão, como afirma a recorrente. No entanto, a IN 900/2008, que a revogou e sucedeu, manteve a mesma restrição, consoante o artigo 77, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados Fl. 233DF CARF MF 8 pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Para não restar dúvidas, o artigo 95, da mesma IN 900/2008, dispõe: Art. 95. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 77, 82 e 86, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição ou o pedido de ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento Portanto, ocorreu um vício devidamente sanável na decisão da DRJ, não cabendo, neste caso, a nulidade do ato. Apesar disso, independentemente dos fatos antes descritos, sem maiores delongas, o CARF já se pronunciou a respeito do assunto, que já foi objeto da súmula 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, pareceme restar claro nada obstar o direito legítimo da recorrente ao crédito pleiteado. Entretanto, como a situação fática não foi examinada, para que não haja supressão de instância, o processo deverá retornar à Unidade de Origem para análise integral do mérito. Diante do exposto, o meu voto é no sentido rejeitar a preliminar de nulidade, para , no mérito,dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002256/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos (tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte), à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação.
NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS
Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial.
Numero da decisão: 2301-006.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Wilderson Botto, que deram-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos (tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte), à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial.
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PRESUNÇÃO LEGAL. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos (tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte), à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Wilderson Botto, que deram-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 22 56 /2 00 7- 25 Fl. 276DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.367 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.002256/2007-25 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 251/264) interposto em face do Acórdão nº 17-30.433 (e-fls 239/244) prolatado pela DRJ/SPOII em sessão de julgamento realizada em 10 de março de 2009. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-30.433 Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 21/062007, o Auto de Infração de fls.01/178 1 , relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2002, em que lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 69.431,50, composto de imposto (R$ 28.868,45), juros de mora calculados até 31/05/2007 (R$ 18.911,72) e multa proporcional passível de redução de 75% (R$21 .651,33). Conforme o item Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl.160 2 ) e Termo de Verificação Fiscal (fls.177/178 3 ), o procedimento fiscal apurou a ocorrência de omissão de rendimentos percebidos em 2002, caracterizada pela existência de excesso de aplicações sobre origens, visto que não respaldadas por rendimentos declarados ou comprovados (acréscimo patrimonial a descoberto), de acordo com o previsto nos arts. 1°, 2°, 3°, e §§, da Lei n° 7.713/1988. A autoridade fiscal lançadora informa que o contribuinte foi intimado, em 14/12/2006, com ciência em 08/01/2007 (fl. 61), a comprovar, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, a origem dos USD$49.982,00 depositados em 29/08/2002 na conta LESPAN TBL junto ao Citibank em Nova Iorque, em que figura como ordenante do numerario. As operações financeiras acima citadas foram constatadas em Laudo Pericial Federal sobre documentos obtidos conforme Decisão Judicial de 29 de abril de 2004, 2” vara Criminal Federal de Curitiba, transcritas no Relatório Técnico do departamento de Polícia Federal que instrui o presente processo (fls.28/56 4 ). O procedimento fiscal considerou insatisfatórias as explicações apresentadas e, após análise da documentação disponível, apurou a evolução patrimonial do contribuinte em 2002, conforme detalhado no quadro de fls. 161/172 5 , em que se constatou rendimento tributável omitido no montante de R$104.976,20 no mês de agosto daquele ano. Da impugnação Cientificado do Auto de Infraçao em 25/06/2007, o contribuinte apresentou, em 25/07/2007, a impugnação de fls. 183/191 6 , acompanhada de documentos de fls. 192/213 7 , alegando, em síntese, que: 1) desconhece a movimentação financeira que lhe foi imputada; 1 E-fls. 02/200. 2 E-fls 182. 3 Termo de Verificação Fiscal: e-fls. 199/200. 4 E-fls. 29/55. 5 Demonstrativos: e=fls. 183/194. 6 Impugnação: e-fls. 205/213. 7 E-fls. 214/235 Fl. 277DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.367 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.002256/2007-25 2) o fato de o impugnante não possuir homônimos no cadastro de contribuintes da RFB, bem como o fato de seu endereço constar no documento da referida remessa não provam que o contribuinte omitiu rendimentos; 3) suspeita que seu nome foi utilizado indevidamente e de forma ilícita na transação financeira ora autuada; 4) a autoridade fiscal inverteu o ônus da prova ao revés da Lei. Acostas diversas decisões do Conselho de Contribuintes, todas em consonância com a sua tese; final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-30.433 2.1. Ao julgar procedente o lançamento, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇAO LEGAL.. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos (tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte), à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 251/264), o Recorrente deduz as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 5. O Recorrente sustenta que “não participou de nenhuma operação envolvendo recursos financeiros no exterior, não possuiu e não possui conta ou dinheiro no exterior, não adquiriu ou, possui bens que não foram adquiridos com rendimentos declarados à administração tributária e se lançamentos existiram de créditos em sua conta corrente esses não correspondem a rendimentos ou acréscimos ao seu patrimônio e a simples demonstração e fiscalização de seu patrimônio, contido em sua declaração de renda, são prova dessa verdade” (e-fls 263). Fl. 278DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.367 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.002256/2007-25 6. O cerne da controvérsia consiste em estabelecer a origem do montante no valor de R$ 156.138,37 (e-fls 189) que gerou no mês de agosto/2002 o acréscimo patrimonial a descoberto no montante de R$ 104.976,20, como evidenciado no demonstrativo de variação patrimonial (e-fls. 184). 6.1. Apresenta-se visão parcial do documento anexado às e-fls. 189, de que se extrai o montante identificado a título de remessa ao exterior na conta CCR LESPAN TBL. 6.2. É elucidativo reproduzir parte do demonstrativo (e-fls. 184) 7. Na peça recursal, o Recorrente dedica-se fundamentalmente a se insurgir contra a decisão de primeira instância, aspectos do procedimento fiscal e a sistemática do lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto. Porém, não se desincumbe satisfatoriamente do ônus de comprovar a origem do montante equivalente a R$ 156.138,37, que como se evidencia, foi determinante no acréscimo patrimonial verificado em agosto/2002. 8. Em vista das considerações delineadas, não tendo o recurso apresentado argumentação suficiente para rebater as questões decididas na primeira instância, adoto como fundamentos de decidir, as razões expostas no voto inserto na decisão recorrida, que se passa a transcrever: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-30.433 Dos documentos que embasaram o procedimento fiscal - Da legalidade e legitimidade do lançamento fiscal Os casos Beacon Hill, MTB - CBS - Hudson Bank, Safra Bank, Merchants Bank e Lespan decorrem da CPI do Banestado. Atendendo à demanda requisitória da Justiça Federal-Seção Judiciária do Paraná - 2” vara federal Criminal em Curitiba, (Processos n° 2003.700003033-4 e n° Fl. 279DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.367 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.002256/2007-25 2004.7000008267-0), foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.l.04.00- 2006-00100-0, objetivando analisar, em fiscalização, as informações obtidas pela Justiça federal junto às autoridades do Govemo dos Estados Unidos da América, as quais foram transferidas para a Receita Federal, conforme breve histórico relatado a seguir: • caso Beacon Hill Em 04 de agosto de 2003, o Departamento de Polícia federal solicitou ao Juízo da 2” Vara Criminal Federal de Curitiba, por meio do Oficio n° l20/03- PF/FT/SR/DPF/PR, a quebra do sigilo bancário no exterior da documentação referente ao Banco Chase - New York, recebida via acordo MLAT (Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal), em virtude das contas/subcontas serem ali mantidas/administradas pelo Beacon Hill Services Corporation -BHSC. ` Em 14/08/2003, o mesmo juízo, através de despacho (item “f”) no processo n° 2003.7000030333-4 (inquérito 207/98), decretou a quebra de sigilo bancário sobre as contas e subcontas titularizadas por “Beacon Hill Services Corporation - BHSC” no Banco Chase de Nova lorque/EUA relacionadas no Oficio n° 120/03 da autoridade policial. A documentação foi entregue ao Ministério da Justiça do Brasil pelo U.S. Department of Justice, Criminal Division, Office of lnternational Affairs, atendendo a requisição do govemo brasileiro, datada de 26 de novembro de 2003, conforme expediente daquela unidade em 29 de janeiro de 2004, após certificações de diversas autoridades daquele país atestando a origem da documentação relacionada ao caso. Em 18 de fevereiro de 2004, o Diretor, da secretaria Nacional de Justiça, Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Intemacional do Ministério da Justiça, através do Oficio n° 66/2004/DRCl-SNJ-MJ, acusou o recebimento dos documentos e os fez encaminhar ao Procurador da República no Estado do Paraná. O Juiz Federal da 2” Vara Criminal Federal de Curitiba, conforme decisão proferida no Processo n° 2003.7000O30333-4 (inquérito 207/98), em 20 de abril de 2004, autorizou o compartilhamento do material obtido pela quebra de sigilo das contas/subcontas mantidas pelo Beacon Hill Services Corporation - BHSC com a Receita Federal do Brasil, Bacen e Coaf, para instruir as atividades específicas destas instituições. • Caso MTB - CBS - Hudson Bank Em 16 de dezembro de 2003, o Juiz da Suprema Corte, Honorable John Cataldo, expediu documento denominado “Order to Disclose” visando liberar à Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos havídos em investigações e procedimentos do Grande Júri conhecido como “International Money Laudering by John Doe”. Em 29 de abril de 2004, em decisão proferida no processo n° 2004.7000008267-0, o MM Juiz Federal da 2” Vara Criminal de Curitiba/PR decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidos da CPMI do Banestado, que, por sua vez, os receberam da Promotoria Distrital de Nova lorque, relativamente às contas mantidas no MTB - CBC - HUDSON BANK. Fl. 280DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.367 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.002256/2007-25 No item 26 da mesma decisão, o juízo autoriza, também, o compartilhamento de todos esses dados com a Receita Federal do Brasil. Em 24/11/2004, Laura Billins, assistant District attorney of the Country of New York, emitiu autorização aos representantes do Congresso Nacional e da Polícia Federal brasileiros a obterem cópias de diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre os quais constam os do MTB – CBC - Hudson Bank, Safra Bank, Merchants Bank, • Caso Safra Bank O banco Safra - Agência de Nova lorque, também recebeu recursos suspeitos, cujos documentos forma disponibilizados às autoridades brasileiras seguindo os mesmos trâmites legais percorridos no caso MTB Bank acima descritos. • Caso Merchants Bank Uma investigação financeira realizada departamento de Segurança lntema de New Jersey (Departament of Homeland Security - DHS) resultou no bloqueio de US$2l milhões em constas no Merchants Bank administradas pela portuguesa, naturalizada americana, Maria Carolina Nolasco. As contas, em sua maioria, foram movimentadas por doleiros brasileiros e estavam, muitas delas, em nome de empresas offshore. Após contactos do Ministério Público e Policia Federal brasileiros com o DHS e, percorridos todos os trâmites legais inerentes ao caso, foi possível o acesso aos documentos e dados das contas investigadas. Os arquivos relativos às transferências eletrônicas de recursos das contas do Merchant Bank foram encaminhados às autoridades brasileiras via MLTA, em Oficio datado de 23/03/2004. • Caso Lespan A Lespan é uma casa de câmbio uruguaía, também conhecida como Casa Gales que recebia e remetia recursos da Beacon Hill. A promotoria de Nova Iorque ordenou o rastreamento de suas contas em várias instituições financeiras. Inicialmente foi afastado o sigilo da conta da Lespan no Citibank e, em seguida, as contas mantidas no Standard chartered Bank, Wachovia e Bank of América. Os arquivos relativos às transferências eletrônicas de recursos da conta da Lespan no Citibank foram encaminhados às autoridades brasileiras por meio de oficio datado de 23/03/804, juntamente como os arquivos do MTB Hudson Bank. Os arquivos da conta da Lespan junto ao Standard Chanered Bank, pelo Oficio de 24/1 1/2004, os arquivos do Wachovia Bank, em Oficio de 22/l l/2004 e os do Bank of América, no Oficio de 24/l l/2004. Em vista da.- autorização judicial dada, configurada está a submissão da autoridade fiscal lançadora à lei; não havendo que se falar em desvio de finalidade como aventou o contribuinte, mesmo porque, no ato vinculado, não há espaço para avaliações subjetivas do agente público, posto que o caminho a ser percorrido, bem como os motivos que ensejam a emissão do ato, são previamente descritos na norma de competência. Fl. 281DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.367 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.002256/2007-25 Do acréscimo patrimonial a descoberto e da. inversão do ônus da prova O procedimento fiscal constatou a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto no mês de agosto de 2002. Para o IRPF Acréscimo patrimonial a descoberto significa o incremento patrimonial não lastreado por rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte declarados na DIRPF. Dessa forma, ocorre acréscimo patrimonial a descoberto quando as mutações patrimoniais e os gastos do período superarem o total de rendimentos recebidos no mesmo lapso temporal. O caput e os parágrafos 1° e 4° do artigo 3° da Lei 7.713/1988 definem que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados presume-se a existência de aquisição de disponibilidade juridica ou econômica de renda. Art. 3º O imposto incidirá sobre rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9”a 14 desta Lei. § 1” Constituem rendimento bruto todo o produto do Capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda de proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos. bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. É a lei, pois, quem define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados presume-se a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. O § 1°, do art. 3°, da Lei n° 7.713, de 1988, estabelece uma presunção legal do tipo juris tantum, ou relativa, que ocasiona a chamada “inversão do ônus da prova”, incumbindo ao contribuinte provar a inexistência do fato gerador do IRPF e consequentemente, do respectivo crédito tributário lançado. O ônus de provar o ingresso de recursos é, pois, do declarante. Provar a realização de dispêndios (aplicações) é tarefa do Fisco, a quem cabe indagar ao primeiro, de forma clara, a origem dos recursos que possibilitaram as aplicações patrimoniais (investimentos) ou de custeio (despesas) detectadas no procedimento fiscal. Para tanto, é imprescindível a elaboração de um demonstrativo mensal de origens e aplicações de recursos para que o fato base da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto seja provado. Provado o fato base, presume-se o acréscimo patrimonial a descoberto. No caso em pauta, o procedimento fiscal apurou, através da análise da evolução patrimonial do contribuinte, conforme detalhado no quadro de evolução patrimonial de fls. 161/l62 o valor tributável de RS 104.976,20, apurado em agosto de 2002. Da suspeita do contribuinte de que seu nome fora usado indevidamente e de forma ilícita Fl. 282DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.367 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.002256/2007-25 Embora assim tenha se manifestado em sua impugnação, o interessado não tomou providência alguma no sentido de descaracterizar, como inverídicos, os documentos que o implicam nas transações financeiras autuadas no presente lançamento fiscal. Não há, nos autos, menção de qualquer atitude concreta do contribuinte orientada na direção de desvincular seu nome da casa de câmbio LESPAN ou da conta LESPAN TBL junto ao Citibank em Nova Iorque. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-30.433 9. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 283DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.001333/2008-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. TRANSPORTE DE CARGAS.
São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte de cargas no percentual de quarenta por cento do rendimento total.
Numero da decisão: 2002-001.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. TRANSPORTE DE CARGAS. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte de cargas no percentual de quarenta por cento do rendimento total.
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TRANSPORTE DE CARGAS. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte de cargas no percentual de quarenta por cento do rendimento total. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 7/11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2004. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$5.395,01 para saldo de imposto a pagar de R$19.023,03. A notificação noticia omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 5/4/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 1/5/2008, às fls. 2/28 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: - recebeu rendimentos tributáveis da fonte pagadora Cooperativa dos Produtores de Leite de Campos Cooperleite Ltda., por duas situações: a primeira na condição de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 13 33 /2 00 8- 08 Fl. 106DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.610 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.001333/2008-08 empregado (diretor), código 0561, no valor de R$ 27.600,00 e a segunda na condição de transportador de cargas (leite), código 0588 no valor de R$ 82.594,07; - consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora a soma destes dois valores (R$ 110.194,07), sendo o desmembramento informado no campo 6 (Informações Complementares); - o valor de R$ 49.556,44 foi informado no campo de rendimentos isentos e não tributáveis da DIRPF e corresponde a 60% de R$ 82.594,07, o que não foi considerado pelo sistema. Requer o cancelamento da Notificação de Lançamento. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 40/43): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRANSPORTE DE CARGAS. Não comprovado pelos elementos constantes nos autos a prestação de serviços de transportes de cargas, deve ser mantido o lançamento. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 9/7/2010 (fl. 48), o contribuinte, em 3/8/2020 (fl. 51), apresentou recurso voluntário, às fls. 51/102, alegando, em apertado resumo, que: - não teria burlado ou tentado burlar a legislação vigente. - estaria juntado documentação emitida pela fonte pagadora, consignando os transportes feitos por todos os carreteiros relacionados, incluindo seu nome. - teria recebido o total bruto anula de R$82.594,07, mas o sistema não teria realizado o desconto de 60% do valor bruto anual, a que faria jus por se tratar de transporte de carga. - o valor mencionado não se confundiria com os rendimentos do trabalho com vínculo, decorrentes do exercício da função de tesoureiro. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrentes, os quais ele alega serem decorrentes do transporte de carga, estando sujeitos à tributação apenas 40% do rendimento total. Na apreciação da impugnação apresentada, a decisão recorrida registrou: Todavia, não trouxe aos autos qualquer documento que comprove que os serviços prestados à Cooperativa dos Produtores de Leite de Campos Cooperleite Ltda., Fl. 107DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.610 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.001333/2008-08 enquadrados no código de receita 0588, tratam-se de serviços de transportes de cargas e que os valores informados na DIRF e no Comprovante de Rendimentos se referem à totalidade dos rendimentos auferidos. Em seu recurso, o recorrente junta demonstrativos dos transportes efetuados para a fonte pagadora (fls. 54/64) e recibos relativos ao recebimento de pró-labore (fls.80/91), além de comprovante de rendimentos (fl.92) e DIRF (fls. 93/95), que já constavam dos autos (fls. 14 e 23/27). Verifico que o recorrente ofertou à tributação em sua Declaração de Ajuste 40% dos rendimentos atribuídos a ele como decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício (fls. 27 e 31). Os demonstrativos de transporte de carga consignam valores coincidentes com aqueles informados em DIRF não só para o contribuinte como também para outros beneficiários informados em DIRF (fls. 26/27). Da análise desses documentos, concluo que foi informado em DIRF o montante integral pago ao recorrente. O fato de a fonte pagadora não ter consignado no comprovante de rendimentos qualquer parcela isenta e de os valores de IRRF corresponderem a uma base de cálculo bem menor dos que os rendimentos tributáveis consignados em DIRF corroboram essa conclusão. Registro ainda que o contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste a propriedade de um caminhão (fl.32). Entendo, assim, que os documentos juntados aos autos se revelam hábeis para comprovar que os rendimentos são decorrentes de transporte, cabendo a tributação de apenas 40% do rendimento bruto, conforme previsto no art. 47, inciso I, do Decreto n o 3.000, de 26 de março de 1999. Dessa feita, é de se cancelar a omissão apontada na autuação. Conclusão Isto posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930346/2009-54
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
Numero da decisão: 3003-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (Presidente), Vinícius Guimarães, Marcio Robson da Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 03 46 /2 00 9- 54 Fl. 188DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.554 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.930346/2009-54 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (Presidente), Vinícius Guimarães, Marcio Robson da Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório O presente processo versa sobre declaração de compensação, transmitida por meio de PER/DCOMP, no qual o interessado indica crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS, para compensação de débito próprio. Em análise do PER/DCOMP, foi emitido despacho decisório, o qual não homologou a compensação declarada, pois o crédito indicado já havia sido utilizado integralmente para a extinção de débito constituído. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo contestou o despacho decisório, alegando, em síntese, que teria declarado, de forma errônea, o débito de COFINS atinente ao período de apuração 01/2005. Com a retificação da DCTF, com a declaração a menor da COFINS, decorreria o direito creditório indicado na declaração de compensação. Com a manifestação de inconformidade, juntou cópias das DCTFs, DACON, PER/DCOMP e documento de arrecadação DARF. A 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre negou provimento à manifestação de inconformidade, assinalando, em síntese, que a impugnante não logrou comprovar o direito creditório alegado. Nesse contexto, o colegiado de primeira instância entendeu que o sujeito passivo não comprovou a base de cálculo e efetivo valor devido a título de COFINS, objeto da DCTF retificadora, a qual foi transmitida após a prolação do despacho decisório. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e esclarece que o valor informado na DCTF original e “posteriormente retificado deu-se por erro na base de cálculo dos créditos de COFINS sobre as aquisições no mercado interno de bens destinados a revenda, a qual (base de cálculo) foi ajustada posteriormente em sua contabilidade, ensejando no aumento do seu crédito, e, consequentemente, a diminuição do recolhimento do tributo pago anteriormente”. Com o recurso, juntou cópias das páginas do livro Razão, Registro de Apuração do ICMS e demonstrativo auxiliar de apuração do tributo. Postula pela realização de diligência para sanar eventuais dúvidas quanto aos créditos apurados pela recorrente. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.554 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.930346/2009-54 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu PER/DCOMP, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, período de apuração de janeiro de 2005. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuição declarada. Foi, então, emitido Despacho Decisório (fl. 4) 1 cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou que houve erro no valor devido de COFINS informado na DCTF original e que a DCTF retificadora teria trazido o valor correto. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, sustentando, em síntese, que a manifestante não havia apresentado documentos hábeis para comprovar o novo valor de débito de COFINS informado na DCTF retificadora. Os fundamentos da decisão recorrida são precisos. Analisando os autos, observa-se que a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), escrituração contábil-fiscal nem documentos que a suportem aptos a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado. Com efeito, pela análise dos documentos então apresentados, não há como afirmar a disponibilidade do crédito pleiteado. Como se sabe, a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Pode-se dizer, em outros termos, que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito, de maneira que sua comprovação se revela como pressuposto fundamental para a concreção da compensação. Nesse contexto, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, como dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Assim, no caso dos autos, já em sua impugnação perante o colegiado a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do e-processo. Fl. 190DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.554 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.930346/2009-54 Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Apesar disso, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a manifestação de inconformidade e constato que não há provas suficientes para a comprovação do direito alegado. Explico. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente apresentou, junto ao recurso voluntário, cópias de páginas do livro Registro de Apuração do ICMS e do livro Razão, assim como demonstrativo auxiliar de apuração da COFINS, todos atinentes ao período de janeiro de 2005. Tais documentos não são, todavia, suficientes para demonstrar: (i) a apuração do débito de COFINS informado na DCTF retificadora, tornando-a apta a infirmar o débito regularmente constituído na DCTF original; (ii) a escrituração contábil do pagamento indevido e da compensação declarada. No tocante ao valor da COFINS devida, a recorrente sustenta que o erro teria decorrido da falta de consideração, na apuração da DCTF original, dos créditos de aquisições no mercado interno de bens destinados a revenda. Não obstante, analisando o demonstrativo auxiliar de apuração da COFINS, apresentado pela recorrente, observa-se que a diferença entre a apuração original e a apuração retificadora não decorre apenas da apropriação de supostos créditos de bens para revenda, mas, ainda, de outros créditos, entre os quais, destacam-se as despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, despesas com depreciação do ativo imobilizado, bens e serviços utilizados como insumos e fretes na aquisição de bens para revenda. Nesse contexto, analisando os documentos apresentados, verifica-se que não há elementos probatórios suficientes para demonstrar os valores expressos no demonstrativo auxiliar. Em especial, não há comprovação dos créditos decorrentes de (i) bens para revenda, (ii) despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda e (iii) fretes nas aquisições de bens para revenda. Explico. Com relação aos bens para revenda, a recorrente deixou de apresentar os registros contábeis e as correspondentes notas fiscais das aquisições que geraram o suposto direito creditório. Ademais, não há, nos autos, os registros contábeis dos lançamentos de apropriação e baixa dos créditos de COFINS atinentes às referidas aquisições (COFINS a recuperar) - neste caso, deveria ter sido apresentado, no mínimo, o Razão da conta Cofins a Recuperar (e suas contrapartidas) com os documentos fiscais das aquisições correspondentes. Fl. 191DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.554 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.930346/2009-54 No tocante às despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda, saliente- se, antes de tudo, que supostos créditos não foram objeto da contestação da recorrente em sede de recurso voluntário – tampouco em manifestação de inconformidade, de maneira que a discussão de tal matéria se mostra preclusa. Como já assinalado, foi alegado, em sede recursal, que a diferença entre a apuração original e a retificadora se deu porque, nesta última, foram considerados os créditos de aquisição de bens para revenda, não tendo sido ventilada qualquer alegação atinente às despesas de armazenagem e frete. Além da preclusão, esclareça-se, ainda, que os documentos juntados não são suficientes para justificar os supostos créditos decorrentes de despesas com armazenagem e frete nas operações de venda. Isso porque, junto com as páginas do Razão, não há qualquer documento fiscal (notas fiscais ou conhecimentos de transporte, por exemplo) para comprovar a natureza das operações a título de frete e armazenagem – sobretudo para saber se aquelas operações se enquadrariam nas hipóteses de creditamento da COFINS. O mesmo se verifica quanto aos créditos decorrentes das despesas com frete nas aquisições de bens para revenda. Além de não ter abordado tal matéria nas contestações formuladas, observa-se que a recorrente deixou de apresentar os registros contábeis das contas que representariam os referidos gastos com fretes. Também não foram apresentados os documentos fiscais de suporte à escrituração contábil-fiscal, como, por exemplo, os conhecimentos de transporte, a fim de comprovar a natureza dos bens adquiridos. Na verdade, analisando as páginas do Razão, constata-se que a recorrente limitou- se a apresentar os registros das seguintes contas de resultado: Mercadorias (vendas), Produtos (saídas), Outras Receitas, Depreciação de Bens Administrativos, Depreciação de Bens de Produção, Fretes de Vendas, Aluguéis e Manutenção de Máquinas e Equipamentos. Além de não servirem para demonstrar, de forma suficiente, o valor controverso da COFINS, tais registros contábeis não foram acompanhados de quaisquer documentos fiscais. É de se registrar, ainda, que as páginas do livro Registro de Apuração do ICMS não são suficientes para comprovar o valor do débito de COFINS nem para justificar supostos créditos daquela contribuição. Trata-se de livro que visa a apuração do ICMS. Observe-se, ainda, que os registros daquele livro estão desacompanhados dos documentos que lhe dão suporte Ademais, uma rápida análise das entradas no livro do ICMS revela valores discrepantes com as informações expressas no demonstrativo auxiliar da COFINS: se tomarmos, por exemplo, os valores de entrada relativos à aquisição de serviços de transporte por estabelecimento comercial (CFOPs 1353 e 2353), constatamos números divergentes daqueles valores de fretes na aquisição de bens para revenda descritos no demonstrativo auxiliar. Na verdade, não há como estabelecer uma relação incontroversa e simétrica entre as entradas descritas no Registro de Apuração do ICMS e as aquisições de bens e serviços que dão direito a crédito de COFINS. Pelo Registro de Apuração do ICMS, não há como formular conclusão inequívoca acerca das aquisições que seriam passíveis de creditamento da COFINS não-cumulativa. Pode-se asseverar, em síntese, que a demonstração de eventuais créditos de PIS/COFINS impõe a apresentação da escrituração contábil-fiscal com os documentos que lhe dão suporte – como, por exemplo, no caso concreto, notas fiscais de entrada dos bens para revenda ou os documentos fiscais dos serviços de armazenagem e frete. Somente esses elementos podem esclarecer se determinadas aquisições de bens ou serviços são passíveis de creditamento no âmbito das contribuições não cumulativas. Fl. 192DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.554 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.930346/2009-54 Observe-se, ademais, que os documentos juntados não servem para confirmar que as contas utilizadas no demonstrativo auxiliar, integrante do recurso voluntário, são todas as contas que deveriam ser consideradas para a apuração da COFINS de janeiro de 2005. Nesse caso, para ser comprovado o valor de apuração da COFINS, poderia ter sido apresentado o Razão da conta Cofins a recolher (ou da conta de despesa atinente à COFINS) ou os registros apropriados do livro Diário. A documentação apresentada também não serve para demonstrar se houve escrituração das operações atinentes (i) ao pagamento indevido e (ii) à própria compensação litigiosa. A escrituração dessas operações se mostra fundamental para a própria aferição e controle da certeza, liquidez e disponibilidade do direito creditório pleiteado. Neste caso, a recorrente poderia ter apresentado o Razão da conta Cofins a compensar, a fim de comprovar o lançamento do suposto pagamento indevido - lançamento a crédito na conta de despesas atinente à COFINS e lançamento a débito na conta do ativo Cofins a compensar - e da compensação declarada - lançamento a crédito na conta de Cofins a compensar e lançamento a débito na conta do passivo relativa ao tributo compensado. Em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Em especial, se o erro da declaração original se deve à desconsideração de supostos créditos a serem deduzidos na apuração da COFINS devida no período – no caso concreto, bens para revenda -, natural que a comprovação do valor correto do tributo devido passe pela própria comprovação daqueles supostos créditos, por meio de documentação contábil- fiscal e documentos fiscais que lhe dão suporte. Por fim, no tocante ao pedido de diligência, entendo que não há justificativa nem necessidade para tal procedimento. Toda a prova documental deveria ter sido apresentada com a manifestação de inconformidade. Sendo assim, não há que se falar em diligência como remédio processual para suprir injustificada omissão na apresentação de provas documentais por quem alega possuir direito, sobretudo quando repetidas oportunidades são dadas para a comprovação do direito alegado. Há que se lembrar, por oportuno, que a busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Naturalmente, o órgão julgador pode, eventualmente, determinar, a seu critério, diligências/perícias para esclarecimentos de questões e fatos que julgar relevantes. Isso não significa, entretanto, que a verdade material deverá levar a uma desregrada busca, pelos órgãos julgadores, por elementos de provas que deveriam ser trazidos pela parte interessada. Nesse prisma, deve-se observar que existem regras processuais claras, no âmbito do contencioso administrativo, que regulam a preclusão probatória, não cabendo ao julgador afastar regras postas em face de aplicação indevida, no caso concreto, de eventuais princípios. Nesse contexto, a aplicação de princípios, como aqueles do formalismo moderado ou da verdade material, não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem, em última instância, para a concretização de outros princípios jurídicos valiosos – como, por exemplo, a razoável duração do processo e a segurança jurídica. Fl. 193DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.554 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.930346/2009-54 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.002094/2005-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Numero da decisão: 9303-009.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 20 94 /2 00 5- 96 Fl. 508DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.292 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10845.002094/2005-96 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte ALLCOFFEE EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, atualmente Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3202-001.011 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Não resignado com o julgado, o Contribuinte interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de compensar, com outros tributos administrados pela Receita Federal, o saldo acumulado de crédito presumido de PIS/COFINS relativo às exportações, defendendo a aplicação retroativa do art. 56-A, §1º, inciso I, da Lei n.º 12.350/2010, que permite a compensação do crédito presumido apurado a partir do ano- calendário 2006 com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 3102-002.231 e 3102- 002.232. O recurso especial foi admitido por ter sido devidamente comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, postulando a negativa de provimento ao recurso especial. É o Relatório. Fl. 509DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.292 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10845.002094/2005-96 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.289, de 13 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 10845.001239/2005-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.289): “Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015 (anteriormente, Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, trata-se a lide da possibilidade do credito presumido de PIS e Cofins da agroindústria, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ser objeto de pedido de compensação com outros tributos administrados pela SRF ou de pedido de ressarcimento. A matéria não é nova neste Colegiado, tendo sido submetida à deliberação por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em que prevaleceu o entendimento pela impossibilidade de compensação do crédito presumido do PIS e da COFINS, previsto no art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, com outros tributos administrados pela Receita Federal, ou ser objeto do pedido de compensação. As razões de decidir foram consignadas em voto da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, designado no Acórdão n.º 9303-008.258, de 20 de março de 2019, in verbis: [...] O fundamento dos pedidos de ressarcimento e compensação dos créditos presumidos formulados pela Recorrida é o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que assim dispõe: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e Fl. 510DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.292 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10845.002094/2005-96 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) O referido dispositivo legal permitiu deduzir do valor devido das contribuições um crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física. Esse é o alcance da norma. Os outros dispositivos legais que permitem o aproveitamento de créditos em compensações e ressarcimento (art. 5° da Lei n° 10.637 e art. 6° da Lei n° 10.833) referem-se, expressamente, aos créditos básicos apurados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e não ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, a possibilidade de compensação e ressarcimento trazida pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005 também se refere expressamente ao “saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004”, e não ao crédito presumido em questão. A IN SRF 606/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004, não extrapolou o conteúdo da lei, mas apenas regulamentou o dispositivo legal, que já previa a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensações ou ressarcimento. O mesmo podemos afirmar do ADI SRF nº 15/2005, que apenas interpretou a norma que tratava do crédito presumido e da possibilidade de compensação: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não-cumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. No mesmo sentido temos o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos precedentes, acerca da legalidade da IN 660/2006 e da validade do ADI SRF nº15/2005 (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010; e REsp nº 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/6/2011). Também não pode prosperar o fundamento de que a compensação pleiteada poderia ser deferida em razão da exceção contida no §9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, por se tratar de empresa exportadora. Em primeiro lugar, trata-se de dispositivos introduzidos pelas MP 552 e 556 de 2011, portanto, em momento posterior aos fatos analisados no presente processo. Inclusive tais alterações não foram convertidas em lei, ficando sem Fl. 511DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.292 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10845.002094/2005-96 efeito as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados com base nos referidos atos, conforme Decreto Legislativo 247/2012. Em segundo lugar, os parágrafos §8º e 9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não ampliaram as possibilidades de compensação previstas nas normas de regência. Tratam-se apenas de permissão para as empresas exportadoras utilizarem tal crédito para pagamento de PIS e COFINS não cumulativos devidos, ainda que não sofressem a incidência das contribuições. Portanto, o crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 apenas pode ser usado para fins de dedução da COFINS e da Contribuição para o PIS apuradas conforme o regime da não-cumulatividade, não podendo ser objeto de compensação ou ressarcimento com outros tributos, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser mantida. [...] Com base nesses fundamentos, há de ser negado provimento ao recurso especial do Contribuinte. Dispositivo Diante do exposto, nega-se provimento ao recurso especial do Contribuinte. É o voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 512DF CARF MF
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