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Numero do processo: 10245.900267/2009-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
Numero da decisão: 9101-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. O conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. O conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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DE SERV. LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. O conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 02 67 /2 00 9- 26 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 108 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase, na origem, de despacho de não homologação de compensação efetuada pelo contribuinte em epígrafe. Nos termos do despacho decisório, o pagamento do tributo considerado indevido ou maior foi totalmente utilizado para a quitação de débito do sujeito passivo, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Melhor explicando, em virtude da não retificação da DCTF relativa ao débito pago, não foi identificado valor pago a maior pelo Contribuinte, pois o DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado. Inconformado o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, dentre outros argumentos, que efetuou a retificação da DIPJ do período previamente, de modo que o pagamento a maior foi devidamente informado à Receita Federal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada totalmente improcedente, sob o fundamento de que é condição necessária para que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a anterior. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a Turma a quo a ele deu provimento. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. A Autoridade competente pela análise de admissibilidade do Recurso, a ele deu seguimento. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 109 3 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade, não há reparos a serem feitos a análise previamente realizada. Como já mencionado a questão a ser aqui debatida resumese nos efeitos da retificação da DIPJ e não retificação da DCTF, para fins de caracterização do indébito ou pagamento a maior que ensejam o direito à restituição e/ou compensação de tributos. Via de regra, o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável (art. 165, I, CTN). Em âmbito Federal, a Lei 9.430/96 trata da restituição e compensação de tributos. Essa Lei nada dispõe acerca da necessidade de retificação das declarações, para fins de garantia do direito. Em âmbito normativo, apenas a Instrução Normativa SRF nº 166/99, trata da relação entre retificação de declaração (DIPJ especificamente) e o direito à restituição e compensação de tributos federais, ao dispor, em seu artigo 4º, que quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF, nos seguintes termos: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 110 4 II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Penso que retificada a DIPJ e comprovado o pagamento, o despacho decisório que indeferir pedido de restituição ou não homologar compensação, deve ser motivado por motivos outros, que não a ausência de retificação da DCTF. Muito embora a DCTF tenha caráter de declaração constitutiva de débito, as informações ali constantes podem estar equivocadas e obstar o exercício de um direito, devidamente informado ao fisco por meio da retificação da DIPJ, ao argumento de que não houve a retificação daquela seria admitir que interpretações de regras infralegais sobreponham se às Leis. Mas, ad argumentandum tantum, ainda que isso fosse possível, diante da regra contida na IN 166/99 estanca qualquer dúvida acerca da viabilidade da retificação da DIPJ para fins de admitir a restituição e/ou compensação tributária. Nesse contexto, NEGO provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Não obstante a didática e clara exposição do voto do i. Relator, apresento divergência quanto ao mérito. O caso trata de compensação pleiteada pela Contribuinte, em razão de pretenso pagamento a maior de tributo. O despacho eletrônico que apreciou o pedido de reconhecimento de direito creditório atestou que o pagamento do tributo efetuado estava integralmente vinculado a débito do mesmo tributo confessado em DCTF. Ou seja, o Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 111 5 pagamento no valor "X" estava confessado na DCTF no qual constava o mesmo valor "X". Nesse sentido, entendeuse que não haveria crédito disponível para a compensação. Discutese se, em razão de retificação de declaração, alterando para menor ("X 1") o valor do tributo apurado, tal fato seria suficiente para demonstrar a ocorrência de pagamento a maior. São os fatos. Passo ao exame. Não obstante o envio de declaração retificadora, alterando o valor do tributo para um valor a menor, o que se mostra relevante é que tal alteração implica em uma revisão no valor do tributo confessado em DCTF. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados, procedida pelo interessado ou de ofício devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros contábeis. Ou seja, a mera apresentação de informações prestadas em DIPJ, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a efetiva ocorrência de erro no preenchimento do valor do tributo confessado em DCTF. Ademais, cumpre esclarecer que no processo de reconhecimento de direito creditório o ônus da prova é da parte que alega ser detentora do crédito, qual seja, a Contribuinte. Assim, eventual retificação de declaração com efeito de confissão de dívida que tenha repercussão no crédito pleiteado deve estar acompanhada de documentação probatória, que inclusive poderia ter sido apresentada no decorrer da fase contenciosa, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 c/c os §§ 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse contexto, não tendo a defesa apresentada pelo sujeito passivo trazido conjunto probatório apto a lastrear a retificação da DCTF, necessário para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro de preenchimento na declaração, devese reformar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10245.900267/200926 Acórdão n.º 9101002.766 CSRFT1 Fl. 112 6 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa. Não tendo sido apresentada no prazo regimental1, considerase não formulada a declaração de voto. Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Não tendo sido apresentada no prazo regimental2, considerase não formulada a declaração de voto. 1 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. 2 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018796/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/10/2005
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA EXPRESSA. RENÚNCIA DISCUSSÃO ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal.
Numero da decisão: 2401-004.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos declaratórios, por ter o sujeito passivo aderido a parcelamento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos declaratórios, por ter o sujeito passivo aderido a parcelamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.018796/200819 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.892 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante COMPANHIA DE SEGUROS MINAS BRASIL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/10/2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA EXPRESSA. RENÚNCIA DISCUSSÃO ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 87 96 /2 00 8- 19 Fl. 1334DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos declaratórios, por ter o sujeito passivo aderido a parcelamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 15504.018796/200819 Acórdão n.º 2401004.892 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA DE SEGUROS MINAS BRASIL., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, a autuação lavrada em face da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela de apuradas no período compreendido entre 01/2003 a 10/2006 foi apurado com base em folhas de pagamento e contabilidade e referese as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga a empregados e dirigentes no percentual de 2,5%, pois o sujeito passivo pleiteia em ação judicial a suspensão da exigibilidade do recolhimento do adicional previsto no §1° do artigo 22 da Lei 8.212/91. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 08/10/2014, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401003.730, com sua ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS ALÍQUOTA ADICIONAL DE 2,5% PAGAMENTOS INDIRETOS PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DE REQUISITOS DESCRITOS NA LEI Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. A não impugnação expressa dos fatos geradores e dos descumprimentos dos requisitos da lei 10.101/2000 importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos descritos pela autoridade fiscal em seu relatório. Não se insurgiu o recorrente quanto ao descumprimento da não inclusão no acordo dos mecanismos de aferição, do requisito da periodicidade e da pactuação prévia. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas claras e objetivas que demonstrassem o preceito básico constitucional, integração entre capital e emprego. As Convenções Coletivas de trabalho, por si só, não servem para afastar a natureza salarial, quando escolhe a empresa fazer pagamentos pautados eu acordos diretos. Fl. 1336DF CARF MF 4 GRUPO ECONÔMICO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA EXPRESSA PREVISÃO NO ART. 30, IX DA LEI 8212/91 Nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei quanto ao recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social. Importante destacar que em momento algum o recorrente questiona a existência do referido grupo, mas tão somente que isso não seria suficiente para a imputação da solidariedade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS E RESULTADOS SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. De acordo com a Súmula CARF nº 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido em Parte" Irresignada, a Contribuinte opôs Embargos de Declaração, à efls. 873/875, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pugnando pela sua reforma em virtude das omissões a seguir exposta. a) Análise dos requisitos autorizadores do pagamento da PLR Registra que, ao lavrar o Auto de Infração, o Agente Fiscal consignou que o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados está condicionado ao cumprimento de todos os requisitos impostos na Lei n° 10.101/00, o que, na hipótese subjacente, não teria ocorrido. Vejase: "Outra constatação relevante verificada através dos eventos comandados nas folhas de pagamento é que, para alguns trabalhadores, a empresa concedeu adiantamentos nos meses de janeiro, somando três parcelas no mesmo exercício, Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 15504.018796/200819 Acórdão n.º 2401004.892 S2C4T1 Fl. 4 5 desrespeitando a proibição de concessão da PLR em periodicidade superior a duas vezes no ano civil. [...] Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de "Participação nos Resultados", face à ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, da necessária participação da entidade sindical da categoria, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no art. 214, §9°, inciso X do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. " Observa que a autuação se estribou no fato de que os pagamentos de PLR realizados pela Embargante não estavam lastreados em títulos válidos de negociação coletiva, ante a existência de vícios em sua composição, e, desta feita, teriam sido descumpridos alguns dos critérios previstos na Lei 10.101/00 especificamente quanto a metas e resultados, a periodicidade do pagamento, a pacto prévio, a participação do sindicato e a mecanismos de aferição o que levou à descaracterização dos pagamentos efetuados. Argumenta que, tanto em sua impugnação quanto em seu Recurso Voluntário, a Embargante demonstrou que o Agente Fiscal não teve a devida cautela no exame da documentação que foi apresentada no curso da fiscalização, uma vez que essa documentação era suficiente à demonstração do adimplemento dos tais requisitos pela Embargante, ou seja, à comprovação da prévia negociação coletiva celebrada com o sindicato da categoria, estabelecendo como meta para o pagamento da PLR a obtenção de lucro pela companhia. Afirma que os supostos vícios (ausência de metas, periodicidade do pagamento, pacto prévio, participação do sindicato e falta de mecanismos de aferição) que levaram o Auditor Fiscal à descaracterizar a PLR, eram ilegais, pois não seria permitido ao legislador ordinário modificar a natureza dos valores pagos a esse título, a teor do que informa o art. 7º da Constituição Federal de 1988 (se o constituinte desvinculou da remuneração a participação nos lucros e resultados, não pode o legislador derivado fazêlo). Alega que além de impugnar a suposta inexistência de metas, a Embargante refutou, a partir de um argumento geral, as demais condições impostas pelo Auditor Fiscal como requisitos à caracterização da parcela paga como PLR, e esse argumento geral é a incompatibilidade da Lei nº 10.101/00, base da autuação fiscal, com o texto constitucional. Temse, assim, o seguinte contexto: a Impugnante se utilizou de um argumento específico para combater a imputação de inexistência de metas e resultados, e outro, de âmbito geral, suficiente para refutar os demais fundamentos da Fiscalização. Diz que, ao analisar o teor do Recurso Voluntário interposto pela Embargante, a Relatora houve por bem, no mérito, negarlhe provimento, ao fundamento de que não se teria comprovado a ilegalidade da autuação fiscal, asseverando que o recurso da Embargante teria se voltado exclusivamente contra a imputação da inexistência de metas e resultados em seus planos de PLR, não tendo impugnado, por conseguinte, as demais falhas apontadas pelo Fisco Federal. Assim, para o órgão julgador, como os demais requisitos legais necessários à caracterização da PLR (periodicidade do pagamento, pacto prévio, participação Fl. 1338DF CARF MF 6 do sindicato e mecanismos de aferição) não foram objeto de impugnação específica por parte da Embargante, o seu (des)cumprimento não poderia ser analisado pela Turma. Acrescenta que, a despeito da Embargante ter combatido a tributação da PLR como um todo (defendeu, com argumentação suficiente, que não poderia sofrer a incidência de contribuições), a autuação fiscal foi mantida, pois não se impugnou infração por infração. E é neste ponto que se encontra a omissão do referido julgado. Ressalta que no processo administrativo o que se objetiva é a verdade material. Assim, suposta não invocação pelo contribuinte de alguma questão inerente ao exame determinada hipótese de incidência tributária, não autoriza o agente fiscal a ignorar os fatos concretamente ocorridos e, via de conseqüência, validar a exigência fiscal. Diante do exposto, pede a Embargante o provimento dos presentes Aclaratórios, para que seja sanada a omissão acima demonstrada, de modo que se esclareça se os acordos coletivos questionados pela fiscalização cumpriram os requisitos da periodicidade do pagamento, da pactuação prévia, da participação do sindicato e se possuem mecanismos de aferição do cumprimento dos acordos, aferição esta que, a partir da documentação já juntada aos autos, pode ser realizada. b) PLR paga aos Diretores Estatutários Insurgese contra o Acórdão recorrido, por entender ter no recurso apresentado suscitou a ilegalidade da autuação da participação dos lucros e resultados creditada aos seus Diretores Estatutários, citando trechos do recurso. Afirma que essa imputação, apesar de contestada, não foi objeto de julgamento por esta turma, na medida em que o acórdão embargado não trouxe uma linha sequer sobre o tema. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da omissão suscitada, e julgue a legislação da tributação da participação nos lucros e resultados destinada aos Diretores Estatutários da companhia, capaz de justificar a conclusão levada a efeito no resultado final do julgamento. Submetido à análise de admissibilidade, por parte do nobre Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, este entendeu por bem acolher em parte o pleito da Contribuinte inscrito nos Embargos de Declaração, apenas o admitindo em relação ao "item b" (PLR paga aos Diretores Estatutários), conhecendo deste item, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a omissão apontada, nos termos do Despacho de efls. 1241/1248. Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 15504.018796/200819 Acórdão n.º 2401004.892 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Não obstante a sua tempestividade, o recurso não merece ser conhecido, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, constatase que, após a interposição dos embargos, a contribuinte, em 19/05/2017, apresentou petição, às e fls. 1264, informando que o presente débito, fora incluído no Parcelamento contemplado pela Medida Provisória n° 766/2017, razão pela qual requereu a desistência da discussão administrativa. Assim, a contribuinte renunciou expressamente o interesse de agir na esfera administrativa e judicial, inclusive de recursos que porventura já tenham sido interpostos, tendo em vista a adesão ao parcelamento supramencionado, o qual exige a desistência de quaisquer manifestações e alegações de direito em relação ao processo em referência. Na esteira desse entendimento, manifestada em petição nos autos do processo a renúncia ao recurso interposto, não se pode cogitar no conhecimento dos recursos da contribuinte, conforme se extrai do artigo 78, § 2°, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo.” (grifamos) Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1340DF CARF MF 8 Fl. 1341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720179/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.933
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 79 /2 01 2- 73 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.580. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11516.720179/201273 Acórdão n.º 3302003.933 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907187/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2008
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.222
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 87 /2 01 2- 91 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.824. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907187/201291 Acórdão n.º 3302004.222 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720014/2013-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.837
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 00 14 /2 01 3- 22 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10469.720014/201322 Acórdão n.º 3302003.837 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.620. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10469.720014/201322 Acórdão n.º 3302003.837 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10469.720014/201322 Acórdão n.º 3302003.837 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.720014/201322 Acórdão n.º 3302003.837 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.720014/201322 Acórdão n.º 3302003.837 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000151/2002-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende recorrer, não se pode, por falta de prequestionamento, admitir recurso que a pretenda discutir.
Numero da decisão: 9303-004.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende recorrer, não se pode, por falta de prequestionamento, admitir recurso que a pretenda discutir.
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REQUISITOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HERWIG SHIMIZU ARQUITETOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Não tendo o colegiado recorrido analisado a matéria de que se pretende recorrer, não se pode, por falta de prequestionamento, admitir recurso que a pretenda discutir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 01 51 /2 00 2- 01 Fl. 160DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso especial da Fazenda Nacional que visa reverter decisão assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Deve prevalecer à verdade material, comprovado pelo contribuinte a existência do processo judicial, há de se afastar o erro contido em DCTF até em razão de tratarse de auto de infração parametrizado, cuja oportunidade de demonstrar o desacerto da autoridade lançadora é no momento da impugnação. O Relatório da decisão recorrida consigna: Adoto o relatório da decisão recorrida por refletir com fidelidade os fatos dos autos. “Relatório”. “Tratase de impugnação interposta pela contribuinte em epígrafe contra o Auto de Infração nº 0000048 (folhas 5 a 13), emitido em 29 de outubro de 2001, em procedimento de auditoria interna– sem previa audiência da contribuinte, relativo ao segundo trimestre de 1997, pelo qual se está a exigirlhe o pagamento de R$ 2.180,50 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Na descrição dos fatos e enquadramento legal consta como motivação do lançamento a “Falta de recolhimento ou pagamento do principal. Declaração Inexata”, em decorrência de processo judicial não comprovado. Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresenta a impugnação de folhas 3 e 4, na qual alega que obteve direito de compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS com valores vincendos da Cofins e outros tributos no Mandado de Segurança nº 98.20028426. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC (DRF/Blumenau/SC), em atenção ao disposto na Norma Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.o 32/2002, tratou de, previamente ao envio do processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis /SC (DRJ/ Florianópolis/SC), analisar a razão posta pela contribuinte. De tal análise resultou despacho no qual a DRF/Blumenau/SC considerou procedente o lançamento porque o provimento judicial somente autorizava a contribuinte a compensar crédito de PIS com débitos da mesma exação, nos termos da Lei nº 8.383/91. A autoridade fiscal Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13971.000151/200201 Acórdão n.º 9303004.911 CSRFT3 Fl. 3 3 informa, ainda, que o trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu em 05 de março de 2001”. Em seu voto, afirma o conselheiro Domingos de Sá Filho: Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos necessários ao conhecimento. O auto de infração foi lavrado em decorrência da não comprovação do processo judicial indicado em DCTF como sendo fonte do crédito utilizado na compensação. A decisão rechaçou os argumentos sustentados pela Recorrente de que a compensação aconteceu antes do trânsito em julgado da sentença. A Contribuinte teria procedido à compensação dos débitos relativo ao segundo trimestres de 1997, antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu em definitivo o crédito pleiteado. A decisão recorrida assenta em que o fato da Recorrente ter efetivado a compensação antes do trânsito em julgado ofende o preceito contido no artigo 170A do Código Tributário Nacional, que veda o aproveitamento. Em que pese tratarse de assertiva correta, não foi à motivação do auto de infração. Este teria sido lavrado ao fundamento de que o processo judicial indicado como fonte do crédito era inexistente. Cuidou a recorrente de trazer à baila prova conclusiva da existência do provimento judicial, sentença de fls. 94/101, obtido por meio de sentença nos autos do processo de Mandado de Segurança nº 98.2002.8426 de 1998, inclusive decisão final do Tribunal Federal Regional, que manteve a decisão in totum. Como se vê o motivo da lavratura do auto de infração dáse em razão da inexistência de processo judicial. Não pode prosperar o teor da decisão recorrida, haja vista a mudança de fundamentação. Impõe em primeiro plano examinar de ofício a motivação contida no auto de infração. Parece à prima face tratarse de razões incongruentes com se vê do anexo III. O auto de infração foi lavrado em decorrência de processo judicial não comprovado. Enquanto a decisão encontra fundamentada em compensação sem trânsito em julgado da decisão judicial. Assim, tratam de dois motivos distintos, e, sendo assim, macula o lançamento e torna o crédito tributário duvidoso. De modo que, diante da comprovação da existência do processo judicial, acolho os argumentos colocados para prover o recurso e cancelar o lançamento. Utilizase a recorrente de paradigma que entendeu: Fl. 162DF CARF MF 4 “A nobre relatora não vê configurada a concomitância por considerar que, nesta seara administrativa, em face do enquadramento legal e da situação fática descrita no auto de infração, discute‑ se tão‑ somente a existência ou não do processo judicial, no qual a recorrente seja parte e lhe garanta (ou não) o direito de proceder a compensação vinculada em DCTF, cuja origem é o indébito do PIS pago indevidamente. Para ela, a exigência tributária, no que fundada na inexistência do processo judicial informado como origem dos créditos vinculados aos débitos declarados nas DCTF, deve ser cancelada porque demonstrado o contrário: existe sim, a ação judicial referida Entendo diferente porque o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido. Embora admitindo que a descrição constante do auto de infração é lacônica e podia ser aperfeiçoada, ressalto que não houve qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, que desde o primeiro momento demonstrou compreender por inteiro a autuação. Tanto assim que na impugnação o contribuinte já informa que os créditos têm origem em pagamentos a maior do próprio PIS, e que o seu direito foi reconhecido judicialmente nos autos do processo nº 96.0017913. Menciona ainda acórdão em que se entendeu que: (...) a constituição de crédito tributário devido e não recolhido via notificação eletrônica está devidamente prevista em lei e atendida todas as formalidades previstas na norma jurídica relativas à notificação eletrônica, ela é plenamente valida para constituir o crédito tributário. A procedência ou não da acusação fiscal não é motivo de nulidade do lançamento, ainda mais quando garantido à contribuinte o pleno exercício de sua defesa através do devido processo legal. Os valores declarados em DCTF como compensados devem ser objeto de lançamento de ofício com os acréscimos legais previstos em lei caso a compensação não seja confirmada e não tenha sido objeto de processo próprio. O especial foi admitido por despacho do Presidente da Câmara. Não constam contrarrazões, apesar da regular ciência do despacho. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como indicado em Relatório, este processo tem duas peculiaridades que afetam o seu conhecimento. Em primeiro lugar, ele foi objeto da análise prévia estabelecida em nota técnica conjunta da SRF, que concluiu pela impossibilidade da compensação informada na Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13971.000151/200201 Acórdão n.º 9303004.911 CSRFT3 Fl. 4 5 DCTF em virtude de a decisão judicial que reconheceu a existência dos créditos apenas ter permitido a compensação com débitos do próprio PIS. Ainda que esse tenha sido o teor do despacho da unidade lançadora, de cuja conclusão o contribuinte teve ciência sendolhe facultado aditar a impugnação apresentada, não foi esse o motivo apontado pela DRJ para manter o lançamento. Com efeito, disse a relatora de primeiro grau em seu voto: Da análise dos autos, verificase de pronto que não há como dar razão a contribuinte. Explicase. A contribuinte procedeu a compensação dos débitos relativos ao segundo trimestre de 1997, antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu, em definitivo, o crédito pleiteado. Como está disposto de forma literal no artigo 170 do CTN, a compensação, para ser válida, demanda a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. A contribuinte, ao proceder a compensação unilateral informada na DCTF, sem decisão judicial transitada em julgado, não detinha, de forma líquida, certa e definitiva, o crédito contra a Fazenda Nacional de que se utilizou. Com isto, adotou conduta dissonante com a retrocitada previsão legal, o que torna irregular a compensação promovida, independentemente de, posteriormente, ter acabado por ver reconhecido seu direito creditório na via judicial. Não bastasse este dispositivo, já claro por si só, há ainda o artigo 170A do mesmo CTN, que se refere ainda mais especificamente à questão: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Deste modo, se qualquer dúvida houvesse restado da interpretação do artigo 170, este artigo 170A serve à extirpação de eventuais dubiedades. É certo que este dispositivo (o artigo 170A) só foi introduzido pela Lei Complementar n.o 104, de 10/01/200, portanto após a compensação declarada pela contribuinte na DCTF, mas na verdade ele só explicita com ainda mais clareza, e para o âmbito específico das ações judiciais, aquilo que já estava anteriormente expresso no artigo 170. De tal sorte, considerandose que a contribuinte, à época da compensação declarada em DCTF, não detinha ainda, de forma incontroversa, decisão judicial transitada em julgado que lhe reconhecesse definitivamente seus créditos, não poderia ela ter promovido a compensação em questão. Deste modo, me manifesto no sentido da procedência do lançamento. Como se vê, nada sobre o motivo apontado pela DRF. Fl. 164DF CARF MF 6 O acórdão recorrido, por sua vez, não enfrenta a necessidade de trânsito em julgado, repelindo diretamente a mudança de motivação perpetrada pela DRJ. O paradigma trazido pela Fazenda Nacional também analisou "proc jud não comprovad" em que se discutia compensação, mas da leitura das partes por ela transcritas não fica claro se ali se discutia necessidade de trânsito em julgado de decisão que reconheça os créditos e autorize sua compensação. Delas se alguma conclusão se pode extrair é que, no paradigma, sequer existiam os créditos. Entendo que tal comprovação é ônus do recorrente, a teor do que dispõe o § 8º do art. 57 do Regimento interno desta Casa, motivo já bastante para não conhecer do recurso apresentado. Nada muda se considerarse o segundo paradigma transcrito parcialmente no corpo do recurso: ali parece terse cuidado de pedido de invalidade do lançamento somente por conta do meio empregado: auto eletrônico. Com tais considerações, voto pelo não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000280/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO NÃO REGULARIZADO.
A falta de pagamento de débito de natureza previdenciária até a data de processamento do Pedido de Opção pelo Simples Nacional (31/01/2011), impede o deferimento, nos termos da LC nº 123, art. 17, inc. 5.
Numero da decisão: 1302-002.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO NÃO REGULARIZADO. A falta de pagamento de débito de natureza previdenciária até a data de processamento do Pedido de Opção pelo Simples Nacional (31/01/2011), impede o deferimento, nos termos da LC nº 123, art. 17, inc. 5.
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EXONERAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente GUIMARÃES E SÁ COMERCIO E INDUSTRIA DE MÁRMORES GRANITOS E PEDRAS DECORATIVAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO NÃO REGULARIZADO. A falta de pagamento de débito de natureza previdenciária até a data de processamento do Pedido de Opção pelo Simples Nacional (31/01/2011), impede o deferimento, nos termos da LC nº 123, art. 17, inc. 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 02 80 /2 01 1- 81 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13629.000280/201181 Acórdão n.º 1302002.125 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de retorno de diligência proposta por esta Segunda Turma Ordinária, nos termos da Resolução 1302000.420, de 04 de maio de 2016. Na oportunidade, por unanimidade de votos, resolveuse retornar os autos à DRF para a verificação dos comprovantes de pagamentos (Fls. 24/38) e certificação de que estaria quitado o débito que obstou o deferimento da opção pelo Simples Nacional (Fls. 8592 O termo de indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, concluiu que na data do processamento do pedido, 31/01/2011, estaria em aberto débito previdenciário, Debcad nº 36.927.6558, no valor total de R$12.468,93, (LC Nº 123/2006, art. 17, inc. V). O pedido de inclusão no Simples foi formalizado em 03/01/2011. Termo de Indeferimento, de 15/02/2011, fl. 7. A diligência foi motivada pelos fatos a seguir listados em ordem cronológica crescente: 12/12/2009 fl. 40 Deferimento da Adesão ao Parcelamento na RFB de débitos previdenciários não parcelados anteriormente. 02/06/2010 fl. 39 Recibo de Declaração de Inclusão da Totalidade dos Débitos no Parcelamento da Lei nº 11.941/2009, inclusive os débitos incluídos em dívida ativa, como é o caso do DEBCAD nº 36.927.6558, em questão. 03/01/2011 fl. 51 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária e outro de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não estava suspensa. Para o deferimento, em 31/01/201, do pedido de opção pelo Simples, havia a necessidade de regularização desses débitos. 19/01/2011 fl. 41 Informação Prévia do Contribuinte para Tirar CND. A totalidade dos débitos foram incluídos nesse parcelamento e passaram para a situação, exigibilidade suspensa. O débito previdenciário em questão estava indicado da seguinte forma, nesse informativo: DÉBITO: 369276558 FASE: 000520 INSCRIÇÃO DE CRÉDITO EM DÍVIDA ATIVA. 08/11/2011 fl. 52 Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional. Detalhamento dos Débitos da RFB/PGFN da Solicitação de Opção. Pendências Fiscais. Débito com a SRF cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inc. V. Lista de Débitos: Débito 36.927.6558. 07/02/2012 fl. 64 Revisão de Parcelamento da Lei nº 11.941/2009 Solicitação de Consolidação Manual de Débitos (sistema não permitiu a consolidação eletrônica; apresentava a mensagem: "em consolidação"). Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13629.000280/201181 Acórdão n.º 1302002.125 S1C3T2 Fl. 4 3 A DRF informou que na modalidade: débitos previdenciários, havia parcela vencida em janeiro/2011, não paga até a data do processamento do pedido de opção pelo Simples. A DRF não juntou documento que comprovasse essa situação de irregularidade, nem mesmo que foi dado ciência à recorrente, na data do pedido de opção pelo Simples. 15/02/2011 Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional Motivo: existência de débito não pago até 31/01/2011 de natureza previdenciária, DEBCAD nº 36.9327.6558. 16/02/2011 Contestação ao Indeferimento do Pedido de opção pelo Simples Nacional. Alegações da recorrente: todos os débitos foram quitados até 31/01/2011, exceto os débitos que estavam com a exigibilidade suspensa. O débito previdenciário Debcad nº 36.927.6558 estava com a exigibilidade suspensa, conforme consulta realizada, em 19/01/2011, portanto, previamente ao pedido de opção pelo Simples. Esse débito havia sido incluído em parcelamento, conforme Lei nº 11.941/2009. 02/03/2012 Parecer da SACAT sobre o parcelamento do Debcad nº 36.927.6558, nos termos da Lei nº 11.941;2009, para confirmar se o pagamento das parcelas estava em dia no último dia de janeiro de 2011. Parecer da SACAT: esse parcelamento foi cancelado porque o interessado não havia prestado informações necessárias à consolidação. Protocolou pedido de revisão, mas este foi indeferido, conforme cópia do despacho juntada às fls. 56 a 58. Desta forma, o Debcad 36.927.6658 não foi parcelado na Lei nº 11.941/2009. Está hoje em cobrança na PGFN. Mesmo diante desses fatos ordenados e dos respectivos documentos nos autos, ainda havia uma questão a ser dirimida e sobre a qual não encontraramse elementos nos autos que permitissem certificar, o que de fato teria motivado a não inclusão do débito previdenciário DEBCAD nº 36.927.l6558, no parcelamento deferido em favor da recorrente, em 12/12/2009 (Lei nº 11.941/2009). Nos termos do referido parecer de 07/12/2012 da DRF, nos procedimentos de Revisão de Parcelamento da Lei nº 11.941/2009 (fl. 64), em que a recorrente teria solicitado a Consolidação Manual de Débitos, pelo fato de o sistema não permitir a consolidação eletrônica, em que teria apresentado a mensagem: "em consolidação", a DRF informou que na modalidade: débitos previdenciários, havia parcela vencida em janeiro/2011, não paga até a data do processamento do pedido de opção pelo Simples. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13629.000280/201181 Acórdão n.º 1302002.125 S1C3T2 Fl. 5 4 Esse parecer também registrou que o próprio contribuinte teria juntado à fl. 9 do processo de revisão de parcelamento, uma tela com o seguinte alerta, quando da simulação da consolidação: "Atenção: É necessária a quitação de todas as antecipações devidas, na forma do inciso II § 1o do art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 2009, para que seja possível concluir a consolidação. O procedimento prosseguirá como SIMULAÇÃO até que sejam satisfeitas as condições para a consolidação." Como última providência para se verificar se o parcelamento do Debcad nº 36.927.6658 estava em dia, no último dia útil de janeiro de 2011, o processo foi enviado à SACAT, que emitiu o seguinte parecer: O referido parcelamento foi cancelado porque o interessado não havia prestado informações necessárias à consolidação. Protocolou pedido de revisão, mas este foi indeferido, conforme cópia do despacho juntada às fls. 56 a 58. Desta forma, o Debcad 36.927.6658 não foi parcelado na Lei 11.941/2009. Está hoje em cobrança pela PGFN. Todavia, não há nos autos documento que possa demonstrar essas conclusões da fiscalização. Para a certeza da situação, seria necessária a apresentação de informativo do sistema da RFB que discriminasse os valores dos débitos que teriam sido reunidos no referido DEBCAD nº 36.927.6558; qual teria sido o valor não pago que teria impedido a inclusão desse DEBCAD na referida consolidação de débitos para fins do parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009; quais seriam as ditas informações não prestadas pela recorrente, relativas ao DEBCAD nº 36.927.6558. Mesmo diante do pedido de consolidação manual e da informação da recorrente, no referido pedido de revisão de parcelamento, de que não teria sido possível concretizar a consolidação de débitos no sistema da RFB, a fiscalização não correlacionou os comprovantes de pagamentos (DAS, fls. 24/38) efetuados entre 28 e 31/01/2011 com o objetivo de analisar se tais pagamentos se referiam aos valores não reconhecidos automaticamente pelo sistema da RFB. Diante dos documentos apresentados, em especial a referida Informação Prévia do Contribuinte para Tirar CND, 19/01/2011 (fl. 41), anterior, portanto, ao prazo limite (31/01/2011) para a regularização de pendências para fins de opção pelo Simples Nacional, de que: "a totalidade dos débitos foram incluídos nesse parcelamento e passaram para a situação, exigibilidade suspensa", votouse no sentido de converter o julgamento em diligência para que retornem os autos à DRF que deverá indicar, precisamente, qual o valor que obstou a consolidação dos débitos para fins de parcelamento da Lei nº 11.941/2009 e que, por consequência, ensejou o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13629.000280/201181 Acórdão n.º 1302002.125 S1C3T2 Fl. 6 5 Em cumprimento, a DRF apresentou manifestação cujos fatos e fundamentos analiso a seguir, no voto. É o relatório Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Tratase de retorno de diligência proposta por esta Segunda Turma Ordinária, nos termos da Resolução 1302000.420, de 04 de maio de 2016. Por unanimidade, resolveu se retornar os autos à DRF/CFN, para que se verificasse se os comprovantes de pagamentos (Fls. 24/38) teriam quitado o débito que obstou o deferimento da opção pelo Simples Nacional (Fls. 8592). O recurso voluntário, conhecido por ocasião da resolução em tela, versa sobre o indeferimento de pedido de inclusão do contribuinte no Simples Nacional, em virtude da existência de débitos previdenciários (Debcad n° 36.927.6558) com a exigibilidade não suspensa, estando assim em desacordo com a Lei Complementar N° 123, de 14 de dezembro de 2006, que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, entre outros. Ela diz o seguinte no seu Art. 17: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); II que tenha sócio domiciliado no exterior; III de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; IV (REVOGADO) V — que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Assim, a DRF, em cumprimento aos termos da referida resolução, apresentou a seguinte manifestação: 3. Após a análise em nossos sistemas, verificase que em 20/11/2009 o contribuinte solicitou o Parcelamento de Dívidas Não Parceladas Anteriormente Art. 1° RFB Débitos Previdenciários, de que trata a Lei n° 11.941, de 2009. Essa operação gerou o Recibo 00081999897578764930 (Fls. 98). Em 02/06/2010 ele declarou a Inclusão no parcelamento especial da Totalidade dos débitos constituídos Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13629.000280/201181 Acórdão n.º 1302002.125 S1C3T2 Fl. 7 6 que atendam aos requisitos previstos na referida lei, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Essa operação gerou o Recibo 00081999897578764959 (Fls. 99). Em 06/07/2011, foi enviada para a Caixa postal do contribuinte no ECAC, uma mensagem para realização da consolidação do parcelamento ora solicitado, no prazo de 06/07/2011 a 29/07/2011. E, caso não apresente as informações até o final do prazo, os pedidos de parcelamento não negociados seriam cancelados, conforme o disposto no § 3° do Art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009 (Fls. 100108): "Art. 15. Após a formalização do requerimento de adesão aos parcelamentos, será divulgado, por meio de ato conjunto e nos sítios da PGFN e da RFB na Internet, o prazo para que o sujeito passivo apresente as informações necessárias à consolidação do parcelamento. § 1° Somente poderá ser realizada a consolidação dos débitos do sujeito passivo que tiver cumprido as seguintes condições: I efetuado o pagamento da 1a (primeira) prestação até o último dia útil do mês do requerimento; e II efetuado o pagamento de todas as prestações previstas no § 1° do art. 3°e no § 10 do art. 9°. (Redação dada pela Portaria Conjunta PGFN RFB n° 2, de 03 de fevereiro de 2011) . § 2° No momento da consolidação, o sujeito passivo que aderiu aos parcelamentos previstos nesta Portaria deverá indicar os débitos a serem parcelados, o número de prestações e os montantes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSII a serem utilizados para liquidação de valores correspondentes a multas, de mora ou de ofício, e a juros moratórios. § 3° O sujeito passivo que aderiu aos parcelamentos previstos nesta Portaria que não apresentar as informações necessárias à consolidação, no prazo estipulado em ato conjunto referido no caput, terá o pedido de parcelamento cancelado, sem o restabelecimento dos parcelamentos rescindidos, em decorrência do requerimento efetuado." 4. O contribuinte não cumpriu com o Disposto no Art. 15 citado acima, e por isso teve seu pedido de parcelamento cancelado. Ele entrou com pedido de revisão da consolidação no processo 13629.001045/201127, mas seu pedido foi indeferido pelo Despacho Decisório DRF/CFN/SACAT n° 24, de 01 de março de 2012 (Fls. 6466), pois ele deixou de recolher tempestivamente as parcelas das competências 03/2011, 04/2011, 06/2011 (pagas em 26/01/2012). E ele não efetuou o pagamento da parcela do mês de janeiro/2011 (fls. 109139). 5. O Debcad 36.927.6558 que causou o indeferimento do simples nacional e foi objeto do pedido de revisão do parcelamento especial instituído pela Lei 11941/09 está em cobrança na PGFN (Fls. 140). Respondendo a pergunta feita pelo Relator, as guias pagas pelo contribuinte não quitariam o DEBCAD, pois foram pagas no total, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13629.000280/201181 Acórdão n.º 1302002.125 S1C3T2 Fl. 8 7 contando as intempestivas, 31 guias com valor principal de R$ 100,00 (Fls. 109139), e o valor devedor do Debcad, na época da revisão, era de R$ 12.468,93 (Fl. 67). O Débito mencionado nunca foi parcelado e possui competências com vencimento posterior a 30 de novembro de 2008 (Fls. 141142). Desta forma, ele não cumpre os requisitos necessários para ingresso no parcelamento especial instituído pela Lei 11941/2009, descritos no Artigo 1° da Portaria Conjunta PGFN / RFB n° 6, de 22 de julho de 2009: "Art. 1° Os débitos de qualquer natureza junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. (...) " 6. Diante do exposto, concluise que o contribuinte não pode solicitar a inclusão do Debcad 36.927.6558 no Parcelamento de Dívidas Não Parceladas Anteriormente Art. 1° RFB Débitos Previdenciários, de que trata a Lei n° 11.941, de 2009, pois esse Debcad não atende ao requisito principal para inclusão no parcelamento, descrito no Artigo 1° da Portaria Conjunta PGFN / RFB n° 6, de 22 de julho de 2009. Desta forma, proponho dar ciência ao contribuinte deste esclarecimento, abrindolhe prazo de 30 dias para manifestação. Em seguida, retorne o processo ao CARF. Por sua vez, a recorrente foi cientificada dessa conclusão e apresentou a seguinte manifestação: Conforme mencionado no comunicado, o CARF, solicitou diligencia para verificar se o total de guias pagas no parcelamento do código, 1233, tinha quitado o DEBCAD 36.927.655‐8, no nosso entender não poderia quitar mesmo, uma vez, que o parcelamento estava em andamento aguardando a consolidação, portando não tinha como quitar o débito em sua totalidade. O DEFERIMENTO de inclusão no simples nacional, se deu em 31.01.2011, e a consolidação do parcelamento dos débitos do DEBCAD 36.927.655‐8 se deu em JULHO/2011, portando se na data de 31.01.2011 o parcelamento estava em andamento aguardando a consolidação, no nosso entender o DEBCAD 36.927.655‐8 deveria estar com EXIGIBILIDADE SUSPENSA, uma vez que estava em fase de antecipação de pagamentos de parcelas e no caso de existir parcelas em aberto, no ato da consolidação estas deveriam ser quitadas, mas isso só aconteceria Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13629.000280/201181 Acórdão n.º 1302002.125 S1C3T2 Fl. 9 8 em Julho/2011, data posterior do indeferimento do ingresso no simples nacional. À vista dessas manifestações da DRF e da recorrente, destacamse os seguintes pontos: a) a recorrente alega que não havia como o débito em questão estar quitado em 31/01/2011, tendo em vista que o respectivo valor seria pago de forma parcelada; b) de outro modo, a DRF certificou que a recorrente deixou de recolher tempestivamente as parcelas das competências 03/2011, 04/2011, 06/2011 (pagas em 26/01/2012); e não efetuou o pagamento da parcela referente janeiro/2011 (fls. 109 139); c) ainda que assim não fosse, a DRF constatou que o Débito mencionado nunca foi parcelado e possui competências com vencimento posterior a 30 de novembro de 2008 (Fls. 141142). Sendo assim, o débito não cumpre os requisitos necessários para ingresso no parcelamento especial instituído pela Lei 11941/2009, descritos no Artigo 1° da Portaria Conjunta PGFN /RFB n° 6, de 22 de julho de 2009: "Art. 1° Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. (...) " d) frisou, também, que o débito em questão está em cobrança na PGFN (Fls. 140); complementou registrando que as guias pagas pela recorrente não quitaram o Debcad, pois foram pagas no total, contando as intempestivas, 31 guias com valor principal de R$ 100,00 (Fls. 109139), e o valor devedor do Debcad, na época da revisão, era de R$ 12.468,93 (Fl. 67). Por todo o exposto, considerandose a situação irregular do débito previdenciário em questão, que constitui óbice formal ao ingresso no Simples, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13629.000280/201181 Acórdão n.º 1302002.125 S1C3T2 Fl. 10 9 Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720362/2014-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE.
A omissão de receita se configura pelo cotejo realizado entre a DIPJ e os Livros Fiscais (Registro de Saídas e Apuração do ICMS com o SPED). Não apresentando prova que desconstrua a presunção relativa adotada pela Fiscalização, cabível é o lançamento por omissão de receita.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. INTIMAÇÕES. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. DOCUMENTAÇÃO INCOMPLETA. CABIMENTO.
A não apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais impõe a aferição da base tributável mediante a técnica do arbitramento do lucro.
A contribuinte que, durante o processo fiscalizatório, for intimada inúmeras vezes a apresentar documentação fiscal, e não o fizer, ou o fizer de forma incompleta, estará sujeita ao arbitramento dos lucros. No caso em análise, entre a primeira e última intimação transcorreu quase um ano, sem que a Fiscalização fosse atendida à contento.
A apresentação dos Livros de Registro de Entradas, Saídas e Registro de Apuração do ICMS é insuficiente ao atendimento do comando prescrito no art. 530, inciso III, do RIR/99. Imprescindível a entrega da escrituração contábil e do Livro Caixa, completos.
Os lançamentos contábeis somente são válidos quando tais fatos forem comprovados por documentos hábeis, não sendo aceitáveis históricos quando não for identificada a procedência e o destino das transações.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. INDÍCIOS: INTERPOSTAS PESSOAS, FALSIDADE DE INFORMAÇÕES E CONDUTA REITERADA. CABIMENTO.
A utilização de interpostas pessoas objetiva ocultar o real interessado no negócio jurídico, impedindo que terceiros, entre eles o Fisco, conheçam e alcancem o verdadeiro proprietário. Comprovada a utilização de interpostas pessoas (laranjas), parentes ou pessoas próximas à contribuinte, ao longo dos anos, de 1999 a 2009.
A falsidade de informações, ou apresentação de documentação fiscal inidônea, de forma reiterada, cria um obstáculo à real compreensão da situação fiscal da contribuinte. Some-se a isso, a apresentação da receitas de forma equivocada, em valor inferior ao devido. Elementos que, juntos, permitem a qualificação da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
O percentual da multa de ofício será aumentado pela metade caso o sujeito passivo não atenda à - nenhuma - das intimações para prestar esclarecimentos.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO.
Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE.
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.
DECADÊNCIA. ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. CABIMENTO EM FACE AO ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
Acolhida a imputação fiscal pelo arbitramento dos lucros em razão da não apresentação da documentação comercial e fiscal, inaplicável o art. 150, parágrafo 4o, mas sim, o art. 173, parágrafo único, ambos, do CTN.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.
A lavratura do auto de infração fora do período da fiscalização constante no MPF em nada interfere na contagem do prazo decadencial.
Numero da decisão: 1302-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo principal, nos termos do voto do relator e, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso interposto pelos responsáveis solidários pessoas jurídicas e físicas indicados no TVF, para manter a responsabilidade solidária, com exceção da responsável Isabelle Restum, excluída do pólo passivo da exigência. Vencida a Conselheira Talita Pimenta Felix (Relatora) que excluía outros responsáveis. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: TALITA PIMENTA FELIX
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. A omissão de receita se configura pelo cotejo realizado entre a DIPJ e os Livros Fiscais (Registro de Saídas e Apuração do ICMS com o SPED). Não apresentando prova que desconstrua a presunção relativa adotada pela Fiscalização, cabível é o lançamento por omissão de receita. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INTIMAÇÕES. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. DOCUMENTAÇÃO INCOMPLETA. CABIMENTO. A não apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais impõe a aferição da base tributável mediante a técnica do arbitramento do lucro. A contribuinte que, durante o processo fiscalizatório, for intimada inúmeras vezes a apresentar documentação fiscal, e não o fizer, ou o fizer de forma incompleta, estará sujeita ao arbitramento dos lucros. No caso em análise, entre a primeira e última intimação transcorreu quase um ano, sem que a Fiscalização fosse atendida à contento. A apresentação dos Livros de Registro de Entradas, Saídas e Registro de Apuração do ICMS é insuficiente ao atendimento do comando prescrito no art. 530, inciso III, do RIR/99. Imprescindível a entrega da escrituração contábil e do Livro Caixa, completos. Os lançamentos contábeis somente são válidos quando tais fatos forem comprovados por documentos hábeis, não sendo aceitáveis históricos quando não for identificada a procedência e o destino das transações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. INDÍCIOS: INTERPOSTAS PESSOAS, FALSIDADE DE INFORMAÇÕES E CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. A utilização de interpostas pessoas objetiva ocultar o real interessado no negócio jurídico, impedindo que terceiros, entre eles o Fisco, conheçam e alcancem o verdadeiro proprietário. Comprovada a utilização de interpostas pessoas (laranjas), parentes ou pessoas próximas à contribuinte, ao longo dos anos, de 1999 a 2009. A falsidade de informações, ou apresentação de documentação fiscal inidônea, de forma reiterada, cria um obstáculo à real compreensão da situação fiscal da contribuinte. Some-se a isso, a apresentação da receitas de forma equivocada, em valor inferior ao devido. Elementos que, juntos, permitem a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado pela metade caso o sujeito passivo não atenda à - nenhuma - das intimações para prestar esclarecimentos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. DECADÊNCIA. ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. CABIMENTO EM FACE AO ARBITRAMENTO DOS LUCROS. Acolhida a imputação fiscal pelo arbitramento dos lucros em razão da não apresentação da documentação comercial e fiscal, inaplicável o art. 150, parágrafo 4o, mas sim, o art. 173, parágrafo único, ambos, do CTN. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A lavratura do auto de infração fora do período da fiscalização constante no MPF em nada interfere na contagem do prazo decadencial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo principal, nos termos do voto do relator e, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso interposto pelos responsáveis solidários pessoas jurídicas e físicas indicados no TVF, para manter a responsabilidade solidária, com exceção da responsável Isabelle Restum, excluída do pólo passivo da exigência. Vencida a Conselheira Talita Pimenta Felix (Relatora) que excluía outros responsáveis. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Redator Ad Hoc (assinado digitalmente) Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa - Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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A omissão de receita se configura pelo cotejo realizado entre a DIPJ e os Livros Fiscais (Registro de Saídas e Apuração do ICMS com o SPED). Não apresentando prova que desconstrua a presunção relativa adotada pela Fiscalização, cabível é o lançamento por omissão de receita. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INTIMAÇÕES. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. DOCUMENTAÇÃO INCOMPLETA. CABIMENTO. A não apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais impõe a aferição da base tributável mediante a técnica do arbitramento do lucro. A contribuinte que, durante o processo fiscalizatório, for intimada inúmeras vezes a apresentar documentação fiscal, e não o fizer, ou o fizer de forma incompleta, estará sujeita ao arbitramento dos lucros. No caso em análise, entre a primeira e última intimação transcorreu quase um ano, sem que a Fiscalização fosse atendida à contento. A apresentação dos Livros de Registro de Entradas, Saídas e Registro de Apuração do ICMS é insuficiente ao atendimento do comando prescrito no art. 530, inciso III, do RIR/99. Imprescindível a entrega da escrituração contábil e do Livro Caixa, completos. Os lançamentos contábeis somente são válidos quando tais fatos forem comprovados por documentos hábeis, não sendo aceitáveis históricos quando não for identificada a procedência e o destino das transações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. INDÍCIOS: INTERPOSTAS PESSOAS, FALSIDADE DE INFORMAÇÕES E CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 62 /2 01 4- 49 Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.469 2 A utilização de interpostas pessoas objetiva ocultar o real interessado no negócio jurídico, impedindo que terceiros, entre eles o Fisco, conheçam e alcancem o verdadeiro proprietário. Comprovada a utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), parentes ou pessoas próximas à contribuinte, ao longo dos anos, de 1999 a 2009. A falsidade de informações, ou apresentação de documentação fiscal inidônea, de forma reiterada, cria um obstáculo à real compreensão da situação fiscal da contribuinte. Somese a isso, a apresentação da receitas de forma equivocada, em valor inferior ao devido. Elementos que, juntos, permitem a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado pela metade caso o sujeito passivo não atenda à nenhuma das intimações para prestar esclarecimentos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. DECADÊNCIA. ART. 173, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. CABIMENTO EM FACE AO ARBITRAMENTO DOS LUCROS. Acolhida a imputação fiscal pelo arbitramento dos lucros em razão da não apresentação da documentação comercial e fiscal, inaplicável o art. 150, parágrafo 4o, mas sim, o art. 173, parágrafo único, ambos, do CTN. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A lavratura do auto de infração fora do período da fiscalização constante no MPF em nada interfere na contagem do prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.470 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo principal, nos termos do voto do relator e, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso interposto pelos responsáveis solidários pessoas jurídicas e físicas indicados no TVF, para manter a responsabilidade solidária, com exceção da responsável Isabelle Restum, excluída do pólo passivo da exigência. Vencida a Conselheira Talita Pimenta Felix (Relatora) que excluía outros responsáveis. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Redator Ad Hoc (assinado digitalmente) Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.471 4 Relatório Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização deste Acórdão, transcrevo abaixo a íntegra do relatório apresentado pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 11 de agosto de 2016, verbis: "Tratase de Recurso Voluntário (efls. 3432/3464)interposto pelo sujeito passivo e responsáveis tributários, abaixo indicados,em 01/07/2015 (efl. 3431), em face do Acórdão n. 1458.572 (efls. 3353/3399). O arbitramento do lucro, enunciado legal mencionado nos AIIMs, ocorrido tendo em vista que o contribuinte e responsáveis, sujeitos à tributação com base no lucro real, não apresentaram escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Modo em que lhe foram imputadas as seguintes ocorrências: a) IRPJ: art. 530, inciso III, do RIR/99. Bem como: (a.1) base de cálculo e alíquota do IRPJ: omissão de receitas da atividade, ou seja, receita bruta mensal na revenda mercadorias (art. 3o da Lei n. 9.249/95 alíquota do IRPJ é de 15%) e art. 537 do RIR/99; (a.2) vencimento do tributo: art. 5o da Lei n. 9.430/96; (a.3) multas passíveis de redução: art. 44, inciso I, parágrafo 1o e 2o, da Lei n. 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n. 11.488/07; e, (a.4) juros de mora: art. 61, parágrafo 3o, da lei n. 9.430/96; b) CSLL – omissão de receita/falta de recolhimento da CSLL devida sobre receitas da atividade omitidas (art. 2o da Lei 7.689/88, art. 2o da Lei 9.249/95, art. 29 da Lei 9.430/96, art. 22 da Lei 10.684/03, art. 3o da Lei 7.689/88 e art. 24, parágrafo 2o, da Lei 9.249/95)). Bem como: (b.1) vencimento do tributo: arts. 1o, 5o e 28 da Lei n. 9.430/96; (b.2) multas passíveis de redução: art. 44, parágrafo 1o e 2o, da Lei n. 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n. 11.488/07; e, (b.3) juros de mora: art. 61, parágrafo 3o, da lei n. 9.430/96; c) COFINS – incidência cumulativa padrão/ insuficiência de recolhimento (art. 8o da Lei 9.718/98, art. 1o da LC 70/91, art. 2o e 3o da Lei 9.718/98, com as alterações devidas a cada um dos fatos geradores ocorridos). Bem como: (c.1) vencimento do tributo: art. 18 da MP n. 2.15835/1, com a redação dada pelo art. 1o da Lei 11.933/09; Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.472 5 (c.2) multas passíveis de redução: art. 44, parágrafo 1o e 2o, da Lei n. 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n. 11.488/07; e, (c.3) juros de mora: art. 61, parágrafo 3o, da lei n. 9.430/96; d) PIS/PASEP incidência cumulativa padrão/insuficiência (art. 1o da LC 7/70, arts. 2o, inciso I, e, art. 8o, I, e 9o da Lei 9.715/98, arts. 2o e 3o da Lei 9.718/98, e art. 79 da Lei 11.941/09, com as respectivas alterações, adaptadas a cada período). Bem como: (d.1) vencimento do tributo: art. 18 da MP n. 2.15835/1, com a redação dada pelo art. 1o da Lei 11.933/09; (d.2) multas passíveis de redução: art. 44, parágrafo 1o e 2o, da Lei n. 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n. 11.488/07; e, (d.3) juros de mora: art. 61, parágrafo 3o, da lei n. 9.430/96; Aciona no polo passivo, as pessoas físicas e jurídicas abaixo descriminadas: Sujeito Passivo HOT‐BRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA. 12.165.435/0001‐75 01) FASHION‐ROUPAS COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 12.113.554/0001‐84 02) TOP‐READY COMERCIO E CONFECCOES LTDA. 01.921.290/0001‐79 03) SUN BLOOM PARTICIPACOES LTDA. 02.067.055/0001‐44 04) PLANET‐GIRLS COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 04.740.881/0001‐38 05) TRADE SPORT COMERCIO DE CONFECCOES LTDA – ME 05.096.118/0001‐89 06) HOT‐MAXI COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 05.515.378/0001‐41 07) HOT‐ONE COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 05.524.336/0001‐77 08) COMPANY‐FASHION CONFECCOES LTDA – EPP 07.251.783/0001‐25 09) HOT BARÃO COMERCIO DE CONFECCOES LTDA – EPP 08.691.953/0001‐55 10) PORT COMPANY PARTIC.E EMPREENDIMENTOS LTDA – ME 10.528.300/0001‐00 11) J. E. LOGISTICA E TRANSPORTE LTDA. 10.692.696/0001‐18 12) PLANET COSMETICS COMERCIAL E REPRESENTACAO LTDA. 11.769.712/0001‐96 13) POLO WEAR COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 11.774.839/0001‐01 14) PLANET GIRLS COMERCIO DE ROUPAS LTDA. 12.154.102/0001‐40 15) PLANET‐BARUERI COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 12.234.601/0001‐48 16) HOT‐MAXI SHOPPING COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA. 12.484.212/0001‐70 17) PLANET‐OUT LET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA. 12.523.538/0001‐60 18) HOT‐NUMBER‐ONE COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 12.523.506/0001‐64 19) BARAO‐PLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA. 12.523.522/0001‐57 20) POLO WEAR OUTLET COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 12.523.484/0001‐32 21) INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. 07.693.822/0001‐44 22) AGR IMPORTACAO E COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 12.595.364/0001‐40 23) PLANET‐JUNDI MAX COMERCIO DE CONFECCOES LTDA. 12.372.145/0001‐00 24) ROBERTO RESTUM 043.261.158‐40 25) ADRIANA RESTUM 120.853.198‐07 26) VANESSA RESTUM 215.012.648‐69 27) FELIPE ROBERTO RESTUM 215.012.768‐75 28) DANIELE RESTUM TRALDI 215.012.738‐50 29) ISABELLE RESTUM 417.896.258‐23 Sujeitos Passivos Solidários Por bem representar os fatos relatos nos autos, transcrevo relatório da DRJ, segue: Tratase de procedimento fiscal que culminou na lavratura de autos de infração relativos a IRPJ (efls. 2600/2632), CSLL (efls. 2633/2664), PIS (e fls. 2687/2708) e COFINS (efls. 2665/2686).O crédito tributário total lavrado correspondia, à época, a R$ 24.210.397,73 (efls. 02), relativo aos anoscalendários de 2011 e 2012. Os autos de infração apontam o arbitramento de lucro “tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos da sua escrituração, ainda que reiteradamente notificado” (efls. 2615). Tal arbitramento teria ensejado omissão de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Foi aplicada multa de 150%. Por fim, os autos destacam que “a configuração da Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.473 6 responsabilidade tributária solidária está detalhadamente retratada no Relatório Fiscal Grupo Restum” (efl. 2607). Para integral compreensão do caso concreto importa, antes, a compreensão da ação fiscal, cujo Relatório Fiscal – Grupo Restum (efls. 327/373) esclarece. Neste se explica como a fiscalização identificou “uma rede de lojas de roupas, sapatos e acessórios que vende produtos de marcas próprias [...] comandado pelo Sr. ROBERTO RESTUM, CPF: 043.261.15840 e pela esposa, a Sra. ADRIANA RESTUM, CPF: 120.853.19807[...]” (efls. 327). Tal relatório foi resumido no acórdão recorrido, cujo trecho atinente ao referido documento – por sua capacidade de síntese e exatidão – colaciona se abaixo, com vistas a esclarecer a ação fiscal: 2. SÍNTESE DO RELATÓRIO FISCAL – GRUPO RESTUM Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” o denominado Grupo Restum é constituído por um aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas relacionadas no Anexo I) que atuam no ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias, entre elas destacamse a Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK, com o fulcro de atingir o mais variado público consumidor. Para tanto, o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. Cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal alguns procedimentos, a seguir sintetizados, que teria o grupo utilizado para ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores tributários: 1 Cada uma das empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea com aplicação incorreta do coeficiente do lucro presumido, diminuindo sobremaneira os valores dos tributos a pagar, dando ao Fisco a equivocada idéia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal; 2 O Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas e para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.474 7 3 O grupo utilizavase de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”; 4 Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”, havendo, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes; 5 As empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam e/ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação e/ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. 6 As empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECCÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ12.755.478/0001 00 teriam sido constituídas em nome de interpostas pessoas e funcionaramde anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, cujo realbeneficiário seria a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ07.693.822/000144; 7 As empresas fictícias não possuíam sequer espaço físico, constituindo seem mera formalidade e, desta forma, a importadora do grupo revendia quase a totalidade dosprodutos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandavam industrializar asmatérias primas e revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que secreditam dos tributos não cumulativos e que tem pouco ou quase nenhum lucro. O passivotributário recaía quase que totalmente às intermediárias fictícias. 8 Foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradorestributários, porém os valores destas operações decorrentes não Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.475 8 foram oferecidos à tributação,tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados peloinstituto da decadência; 9 Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não eramregistrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais(holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando queseu patrimônio não pudesse ser alcançado em uma execução fiscal; 10 Os imóveis onde eram sediadas as diversas empresas do Grupo bemcomo os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresasPORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA –10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144,além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. 1.1. Do Grupo Restum e Suas Operações Comerciais Segundo a fiscalização, o Grupo utilizavase também de pessoas ligadaspara a constituição de novas empresas, destacandose o Sr. Milson Cesar da Silva – CPF247.107.34844, empregado com vínculo desde 01/10/2012 da J. E. Logística e TransporteLtda. CNPJ 10.692.696/000118, empresa pertencente ao Grupo, cujos sócios registrados são Jacques NehmeRostom e Daniele Restum. Em setembro de 2013 o Sr. Milson era responsável junto à RFB por 47 (quarenta e sete) empresas do Grupo e após um determinado período o controle destas sociedades foi transferido para os sócios de fato e em agosto de 2014 o Sr. Milson passou a constar como sócio de novas empresas do Grupo, conforme mostra os Anexo II e III. O Sr. Nivaldo Sancana Rocha, CPF 120.702.06807, é outra pessoa ligada que aparece como sócio administrador de várias empresas do Grupo, o qual se apresenta como “Controller” do Grupo, informação esta, que estaria corroborada pela outorga de procuração do Sr. Roberto Restum ao Sr. Nivaldo para atender às demandas no curso dos procedimentos fiscais executados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SEFIS/DRF/JUN). O Sr. Nivaldo seria o responsável pelo preenchimento nas DIPJ´s apresentadas à RFB referentes às empresas oficiais do Grupo (aquelas em que aparecem como sócios o Roberto e Adriana Restum) sendo que todas essas declarações foram apresentadas utilizandose do mesmo endereço IP1. Rastreando este endereço IP foram encontradas outras empresas do Grupo, além daquelas chamadas oficiais, que foram constituídas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) ou em nome de familiares dos Restum (Anexo IV). Visando melhor esclarecer como operou o Grupo no ano de 2011 a fiscalização elaborou o diagrama abaixo (Figura 1), no qual as empresas com a inscrição “Própria” têm em seu quadro societário o Sr. Roberto Restum e/ou a Sra. Adriana Restum, já aquelas com a inscrição “Laranjas” tem o quadro societário composto por interpostas pessoas. Os valores sobre as setas representam as vendas realizadas em milhões de Reais e os números Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.476 9 abaixo dos nomes das empresas são os CNPJ´s básicos. Segundo a fiscalização, no ano de 2011 a empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144 (anteriormente chamada Telesa Importação e Exportação Ltda.) era responsável pelas importações do Grupo, bem como pela compra de produtos no mercado interno, seja de matérias primas para industrialização (própria ou por conta e ordem), seja de produtos acabados para revenda. Já as empresas JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/000118 e Jos COMÉRCIO de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, ambas constituídas em nome de interpostas pessoas, compravam tanto de terceiros no mercado interno como da Invictus, revendendo diretamente para lojas dogrupo ou para a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120e para a Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185, as quais por sua vez vendiam seus produtos para as lojas do grupo. A Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100, naquele ano, apesar de estar registrada como comércio, não efetuou nenhuma compra,vendendo, entretanto, vultosas quantias para as lojas do grupo. Essas vendas decorrem deprodutos oriundos de industrialização própria efetuada à margem da formalidade. Destacou a autoridade fiscal o fato de que coube às empresas cujos quadros societários são compostos de “laranjas” a apropriação da mais valia da operação comercial, conforme vemos na Figura 2 acima, onde compras (custo) no valor total de R$83.000.000,00 (oitenta e três milhões de reais) chegam às lojas do Grupo com um custo de R$317.000.000,00 (trezentos e Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.477 10 dezessete milhões de reais).Assim, de uma receita total estimada de R$ 317.000.000,00 o Grupo reconheceu como base de cálculo somente R$ 83.000.000,00,havendo uma sonegação de 74% dos tributos totais devidos já que o núcleo do esquema (JosComércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e ImportDalamari) nunca recolheu os tributo sdevidos, sem contar o não recolhimento dos tributos reconhecidos pelo Grupo. Por outro lado,as lojas do Grupo puderam se creditar dos tributos não cumulativos gerados pelo núcleo do esquema. No anocalendário 2012 o modus operandi do Grupo teria permanecido o mesmo, mas seguindo a linha de ação de criação constante de novas empresas, houve alteração nos atores, como mostra a Figura 3 abaixo reproduzida. Assim à Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144 coube basicamente lidar com as importações enquanto que à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube o mercado interno. A fiscalização chamou atenção para o fato que houve uma reestruturação gerencial inclusive, já que em 2011, com exceção da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 que operou somente no mercado interno, todas as outras empresas do núcleo negociaram com produtos importados e oriundos do mercado nacional, já em 2012, coube à Invictus importar e revender à ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. (atualmente denominada AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda.) CNPJ: 12.595.364/000140, Jos Comércio e Jurecê, às quais recaiu o lucro da operação, e à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube gerenciar as operações de mercado interno. Ocorreu uma departamentalização. No tocante aos tributos federais, até 2011 a prática era da não transmissão de declarações ou quando havia transmissão estas declarações eram “zeradas”. Após 2012, como já dito anteriormente, algumas das lojas Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.478 11 passaram a transmitir declarações, porém classificando sua receita bruta no coeficiente de 1,6% (destinado a comerciantes de combustível – Lucro Presumido). A fiscalização destacou a forma adotada para salvaguardar o patrimônio do Grupo: “Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: PortCompany Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsicamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais.” Além do Grupo utilizarse de abertura e encerramento de inúmeras empresas, mantendo, inclusive, “estoque” de novas empresas a serem utilizadas em tais operações, bem como da criação de empresas cujo quadro societário é composto por interpostas pessoas, ainda utilizase de estratagemas envolvendo incorporação de empresas, assim descritas pela autoridade fiscal: A empresa Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 11.066.160/0001 50, em 22/10/2010 teve seu quadro societário alterado naJUCESP (Anexo VIII), havendo o ingresso de César Augusto Costa – CPF216.211.04826 (pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo)no lugar da Sra. Adriana Restum, bem como a alteração de seu endereço para Avenida Jurecê, 667, Cj 03, Indianópolis, São Paulo – SP (sobre este endereço ver relato sobre a empresa Jurecê Comércio de Confecções Ltda. do item 2. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS abaixo). Esta foi a última alteração contratual informada à RFB, assim, até a presente data a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. encontrase ATIVA no CNPJ. Contudo, em 23/08/2010, registrouse na JUCESP a incorporação de 42(quarenta e duas) empresas do Grupo tendo a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda como incorporadora. Na mesma data retirou se da sociedade o Sr. Roberto Restum, sendo admitido em seu lugar Célio Martins de Oliveira – CPF 218.260.75879 (outra pessoa sistematicamente utilizada como “laranja”pelo Grupo). Na data de 27/02/2012 ocorre outra alteração societária,ingressando Allan Borges de Melo – CPF 385.402.378 22 e Rodrigo Vieira Rezende – CPF 374.871.71809 em substituição aos Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.479 12 anteriores sócios. Em03/09/2012 é protocolado o Distrato Social, dissolvendo assim a incorporadora.Desta feita, estas operações culminam com o desaparecimento das 43 (quarenta e três) empresas do Grupo, entretanto, a grande maioria destas empresas encontrase ativa no CNPJ, conforme vemos na Tabela 1 abaixo. (...) Em pesquisas nos sistemas da RFB constatouse que várias dessas empresas apresentaram DIPJ e GFIP e tiveram movimentação financeira após a sua exclusão do mundo jurídico. (...) Informação adicional considerável é o fato de a empresa PlanetGirls Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 04.740.881/000138 que consta no CNPJ como ATIVA, DISSOLVIDA na JUCESP e BAIXADA no SINTEGRA teve a maior movimentação bancária entre as empresas do Grupo em 2013, apresentando DIRF e GFIP regularmente. Esta informação fecha o entendimento de que todas as empresas formalmente constituídas pelo Grupo são, na verdade, uma só, tendo sido criadas em demasiado número com o intuito de despistar o Fisco, já que os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circulam indistintamente entre elas, não havendo estanqueidade, senão, de que outra forma uma empresa dissolvida movimentaria tamanho recurso? Como explicar que empresas com emissão milionária de notas fiscais não tenham movimentado um Real sequer em instituições financeiras? A resposta a tais indagações já foi dada. Adiante, na análise detida dos procedimentos fiscais realizados pelo SEFIS/DRF/JUN, traremos adicionais informações que corroboram, de maneira inequívoca, com a conclusão já tirada de que muitas das empresas do Grupo são constituídas em nome de interpostas pessoas, porém, há complementar informação que reafirma tal conclusão. A Sra. Paula Cristina Alves Einchenberger – CPF 215.807.08897 foi funcionária de duas empresas do Grupo entre 1999 e 2004 e constou como sóciada empresa PlanetPink Comércio de Confecções Ltda. de 29/10/2003 a21/06/2004, sem, contudo, haver recebido qualquer quantia, seja a título de prólabore,seja a título de dividendos da empresa onde pretensamente era sócia. Esta empresa está bloqueada judicialmente, conforme breve relato da JUCESP(Anexo IX), tendo em vista que a Sra. Paula ingressou em juízo a fim de ver seu nome afastado da sociedade, alegando que o sócio de fato é o Sr. Roberto Restum. Atualmente consta no quadro societário a Sra. Daniele Restum Traldi.Tal esquema pode ser observado na Figura 4 abaixo. Em remate, o Grupo Restum utilizase das mais variadas maneiras com um único propósito: eximirse do pagamento de tributos. 1.2. Dos Procedimentos Fiscais Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.480 13 Segundo a fiscalização, apurouse do procedimento fiscal junto às empresas do chamado núcleo do esquema, bem como das lojas circunscritas pela DRF/JUN, em suma, o que se segue: Primeiramente, há que se dizer que não restou qualquer dúvida de que as empresas constituídas em nome de interpostas pessoas foram assim criadas a mando dos administradores do Grupo. Seria bastante para manter tal afirmação o fato de que estas empresas têm a integralidade de suas operações relacionadas com o Grupo, seja vendendo produtos de suas marcas, seja mandando matéria prima para que terceiros realizassem a industrialização, porém mais provas desta relação foram coletadas. Da análise dos documentos arquivados na JUCESP referentes às empresas do núcleo (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre tais empresas, desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas,até os seus sócios, que se alternam entre as empresas. Curioso notar também que quando há troca de sócios, o sócio dissidente e o sócio ingressante, em muitas vezes, possuem o mesmo endereço, endereços esses que foram visitados pelos AuditoresFiscais e se mostraram inservíveis para localizar tais pessoas. Verificouse inclusive que alguns deles sequer são residenciais. Ainda analisando esses documentos, notase que as assinaturas destas pessoas, por vezes, não são iguais, demonstrando que sequer assinaram tais documentos, muito menos geriram efetivamente as empresas. Esta conclusão decorre também da análise subjetiva dos sócios, que são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a conclusão de serem tão somente pessoas interpostas, conforme se verifica na Tabela 6 abaixo que mostra a movimentação financeira das interpostas pessoas constantes nos quadros societários das empresas fictas do núcleo. Outra semelhança está na pessoa do advogado que assina tais documentos, que na maioria das vezes é o Sr. José Ricardo Clerice, CPF 082.586.44882, OAB170.855/SP. Notese que este advogado assina tanto os documentos das empresas em nome de “laranjas” como das empresas em nome dos administradores do Grupo. Aliás, essa não é a única semelhança entre tais documentos, visto que muitas das testemunhas também permeiam entre eles, bem como o fato de que suas assinaturas se alterem de documento para documento. Os primeiros procedimentos fiscais iniciados foram aqueles referentes às lojas varejistas do Grupo. Em todos os casos o Sr. Roberto Restum estabeleceu procuração ao Sr. Nivaldo Sancana Rocha para atender às Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.481 14 demandas fiscais.Quando do início da fiscalização das empresas do núcleo, não tendo os AFRFB logrado êxito na localização dessas pessoas jurídicas “laranjas”, inquiriuse oSr. Nivaldo quanto a tais empresas com quem o Grupo mantinha relação tão estreita: como era de se esperar, o Sr. Nivaldo negou qualquer responsabilidade sobre elas, declarando apenas que quaisquer informações sobre tais contribuintes deveriam ser buscadas com o Sr. Nelson Oliveira dos Santos –CPF 007.260.04898, o qual, segundo o Sr. Nivaldo, seria o contabilista responsável por todas as procuradas. O Sr. Nelson foi convidado a prestar esclarecimentos, havendo comparecido às dependências da Superintendência da Receita Federal na cidade de São Paulo–SP. Suas alegações foram tomadas a termo (Anexo XI). Em resumo, disse que prestava serviços ao Grupo Restum, realizando os trâmites burocráticos de abertura de empresas, atuando junto à JUCESP, Posto Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e Unidades da RFB. Afirmou que quando iniciou seus trabalhos junto ao Grupo a maioria das empresas do núcleo já estava “aberta”, tendo participado da abertura tão somente da Jos Comércio de Confecções Ltda. e/ou JosConf Comércio de Confecções Ltda. Disse ainda que não foi responsável pela emissão de Notas Fiscais de quaisquer dessas empresas,nem foi detentor de seus certificados digitais (o que possibilitaria a entrega de declarações e emissão de documentos fiscais). Afirmou que os serviços lhe eram passados no escritório do Grupo situado à Ruado Consórcio, São Paulo – SP, que tinha contato com vários funcionários do Grupo e que era remunerado sempre em dinheiro recebido das mãos do Sr.Nivaldo ou do Sr. Paulo Fagundes. Ademais relatou que também prestou serviços de encerramento de empresas, as quais eram encerradas para evitar problemas trabalhistas, sendo que em seus lugares eram abertas novas empresas. Quando confrontado com os nomes dos sócios das empresas do núcleo, o Sr.Nelson reconheceu alguns, entre eles o do Sr. Joeliton Alves dos Santos, João Silva de Moraes, Antônio Mariano e Rubens Barros Marinho. Disse que os via eventualmente no escritório do Grupo, em períodos de 30 ou 40 dias, que estes não desenvolviam atividades profissionais e que todos possuíam problemas de alcoolismo. Ao final, reforçou que desconhecia os montantes negociados pelo Grupo, seus fornecedores, clientes, etc. já que não tinha qualquer papel administrativo dentro do Grupo, limitandose a serviços burocráticos de formalização e encerramento de empresas. De tais afirmações, concluise que estas pessoas periodicamente recebiam doGrupo quantia em dinheiro em troca da utilização de seus nomes. Outras informações relevantes apuradas no curso dos procedimentos fiscais são os montantes de movimentação financeira de cada uma das empresas do Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.482 15 núcleo,como se vê na Tabela 7 abaixo. Percebese que somente as empresas próprias possuem movimentação financeira. Quando comparamos a movimentação financeira com a emissão de notas fiscais, notase uma proporção inversa. Do somatório de informações até aqui apresentadas, chegase à conclusão de que as empresas fictas do Grupo simplesmente não existiam fisicamente, sendo meras emissoras de notas fiscais, documentos esses que serviam para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelo Grupo (empresas próprias). 1.3. Breve descrição do que foi apurado nas empresas do grupo. [...] 1.3.8 HotBrás Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.165.435/0001 75; Períodos fiscalizados: Anoscalendário 2011 e 2012. Endereço: Rua Mendes Jr., 474, Brás, São Paulo – SP. Empresa constituída na JUCESP em 07/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Não apresentou declarações em 2011. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos, esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. O sócio administrador Roberto Restum nomeou como seus prepostos o contador Nivaldo Sancana Rocha, com escritório na Rua Senador Fonseca, nº 535 – sala11 em Jundiaí e o advogado Gelson de Stefano, com escritório na Praça Tomás Morus, nº 81 11º andar, em São Paulo. Em diligência inicial ao escritório do contador Nivaldo, constatamos que ele não podia ser localizado no aludido endereço. Após tentativas de contato via telefone, obtivemos então o endereço correto no nº 1035 da mesma rua. O Livro Registro de Saídas apresentado converge, em 2011, para os valores declarados em GIAICMS, no montante de R$4,9 milhões. Em 2012, o Livro Registro de Saídas indica vendas de R$1,18 bilhão, porém com devoluções deR$1,06 bilhão, resultando numa Receita Tributável de R$122 milhões. As Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.483 16 NFe’s constantes do SPED ratificam as vendas e as devoluções mencionadas. O contribuinte não forneceu à Fiscalização sua escrituração contábil. Procedeuse circularizações perante alguns prestadores de serviços,identificados mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901 emitidas pela Hot Brás, ou ainda clientes de operações de Venda de Mercadoria, destacandose que: • Addobbo Indústria e Comércio de Artigos do Vestuário Ltda. – CNPJ07.655.684/000109: este fornecedor declarou textualmente que a natureza dosserviços prestados era: “corte, costura e bordado de artigos do vestuário” eainda que a marca de fantasia estampada nos produtos era: “POLO WEAR”. As notas fiscais apresentadas de “Industrialização Efetuada para Outra Empresa”, emitidas pela Addobbo com destino à Hot Brás (em São Paulo), tiveram seus canhotos de recebimento assinados por Adriano Aparecido da Silva – RG41.577.2850, oficialmente registrado à época como Almoxarife CBO 4141 na J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118 (em endereço tido como o centro de distribuição do grupo em Jundiaí). As remessas de itens para industrialização e os correspondentes retornos nunca têm a devida especificação do veículo de transporte (somente a indicação de frete por conta do emitente da NF) e na maioria das vezes não existe nem a declaração do peso bruto da carga; • Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda. CNPJ 64.781.073/000140: o prestador de serviços declarou que seu contato habitual com a Hot Brás era feito através da Sra. Ana Paula Serra Fone (11) 45256801 e e mail:ana.serra@hotpoint.com.br, a qual de fato era empregada da HotOne Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 05.524.336/000177 (também em Jundiaí) naquele período; • Havan Lojas de Departamentos Ltda. CNPJ 79.379.491/002399: o cliente consignou que adquiria “calças e bermudas jeans masculinas; (...) marca: HOTPOINT”, tendo como contatos comerciais “Juliana ou Vitória (11) 45256801”(telefone em Jundiaí também citado pela Aquarela); • Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. CNPJ 03.729.837/000245: o cliente atesta que a natureza de suas operações com a Hot Brás era compra de mercadorias (calças e camisetas polo) para comercialização, sendo a “marca de fantasia estampada nos produtos: HOT POINT”, com indicação dos seguintes fabricantes nas etiquetas internas de industrialização: o “Camisas Pólo: Importado por Telesa Importação e Exp. Ltda., CNPJ07.693.822/000144, Produzido na China” (a principal importadora do grupo,rebatizada como Invictus); o “Calças: Hot Point, Fabricado no Brasil, CNPJ 13.385.771/000196” (não Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.484 17 por coincidência, este CNPJ pertence oficialmente à ficta Jos Comércio deConfecções Ltda.); • Dentre os contatos comerciais apresentados, encontramse novamente os telefones (11) 45256801 e 45256830 (em Jundiaí) e também os seguintes endereços eletrônicos: mônica.silva@planetgirls.com.br,ivanice.silva@hotpoint.com.br, valterpereira.hot@terra.com.br,monica.souza@hotpoint.com.br e erica.cavalcanti@planetgirls.com.br,evidenciando mais uma vez a integração entre as diferentes marcas. Em adição,os comprovantes de pagamento fornecidos pela Dimalkon em favor da Hot Brás indicam o endereço desta como sendo na Rua do Rosário, nº 519 em Jundiaí(sede da antiga HotWay Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ69.049.617/000106). Em novas consultas aos bancos de dados da JUCESP, nesse caso encontramos 5(cinco) contribuintes pretensamente diferentes no endereço cadastral da Rua Mendes Júnior, nº 474, no Brás, em São Paulo SP, novamente com atividades em períodos concomitantes, conforme quadro abaixo: Em diligência ao endereço da matriz da empresa fiscalizada, a mesma não foi localizada na Rua Mendes Júnior, nº 474, São Paulo, tampouco no mais recente, nº 466, constante na JUCESP. Neste endereço, funciona desde 30/08/2013 a Venom Brás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 18.785.616/000180, pertencente ao mesmo grupo econômico (foi encontrado um carimbo da antiga HotBrás na atual loja Venom). O cadastro do Sintegra/ICMS indica o CNPJ 12.165.435/000175 como Não Habilitado desde 15/01/2014 para a Secretaria da Fazenda Estadual. A ciência do TIPF foi então dada à advogada do Grupo Planet Girls, Giselle Aparecida Gennari Palumbo CPF 124.033.12827, encontrada na sede da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/0001 44 (principal importadora do grupo), situada na Rua Professor João Brito, nº 150, em São Paulo. O site da Hot Point na Internet, www.hotpoint.com.br, indica que o showroom da marca se localiza na Rua Mendes Júnior, nº 466F/472, em São Paulo (SP). Constatouse a indicação do CNPJ 12.165.435/000175 como fabricante em inúmeras etiquetas internas de industrialização de roupas de diferentes marcas do grupo (camisetas Hot Point, jaquetas Venom, etc.); Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.485 18 O Contador Responsável pela HotBrás, Rubens Barros Marinho – CPF 769.460.53834, é o mesmo cadastrado para a Polo Wear Net Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. – CNPJ 15.399.036/000167 e também para a JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118. Neste ponto, destacase que tanto a HotBrás quanto a Polo Wear Net estão em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, enquanto a JosConf está em nome de “laranjas”. A filial de CNPJ 000256, situada na Rua AntonioPerutti (ou Peruche), nº 111, no Bairro Honório Fraga em Colatina (ES), encontrase muito próxima a 5 (cinco) significativos fornecedores de remessas para industrialização: Mandin S Indústria de Comércio e Conf Ltda. – CNPJ 05.801.793/000161, Pubi Ind eCom de Confecções Ltda.EPP CNPJ 04.572.052/000193, Dian Confecções Ltda.EPP CNPJ 39.378.989/000107, Tutti Fruti Indústria de Confecções Ltda. ME CNPJ 14.954.020/000106 e Palare Ind. de Confecções LtdaME – CNPJ 07.729.721/000186. [...] 1.4 Da Conclusão da Fiscalização Em síntese, assim concluiu a fiscalização: Assim, considerando a extensa dilação probatória supra postada, convicto se queda de que efetivamente existe o nomeado Grupo Restum, grupo este comandado por Roberto Restum CPF 043.261.15840 e Adriana Restum – CPF 120.853.19807, porém composto por toda a família Restum, o qual se utiliza de diversos artifícios com o fulcro de suprimir o pagamento de tributos, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio que poderia servir para satisfazer o crédito tributário. Abaixo vemos diagrama dos titulares do Grupo. (...) Em resumo, verificouse que o referido Grupo, ao invés de constituirse formalmente como uma unidade (matriz e filiais), optou por individualizar cada uma de suas parcelas operacionais. É bem verdade que esta opção, por si só, não configura nenhuma ilegalidade, apesar de não constituir a praxe administrativa, motivo pelo qual deve o Órgão Tributante respeitar tal opção no momento da tributação, entretanto, vai além o contribuinte, utilizase dessa fragmentação para enganar o Fisco, ou ao menos tenta. Valese da formalidade, dos diversos órgãos e cadastros existentes para criar confusão e impedir ou retardar que o Fisco tenha conhecimento do fato gerador do tributo, assim, constitui incontáveis empresas, parte cadastra em todos os órgãos (JUCESP, RFB, SEFAZ, etc.), parte não, da mesma forma age na dissolução, desta feita o órgão tributante é levado a erro, seja na análise da capacidade contributiva do contribuinte, seja no conhecimento do fato gerador antes de decorrida a decadência, seja na identificação correta do sujeito passivo. Fl. 3487DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.486 19 Mas não se limita a este ardil, utilizase também de interpostas pessoas que constituem empresas a serem empregadas pelo Grupo. Variedade também se verifica no que tange às interpostas pessoas, já que estas por vezes têm seus nomes utilizados sem consentimento e/ou sem participação administrativa(“laranjas”) e em outros casos são pessoas ligadas que emprestam seus nomes(“testas de ferro”). Neste relatório limitamonos a analisar as interpostas pessoas ligadas às chamadas empresas do núcleo, entretanto há uma infinidade de nomes e empresas utilizada pelo Grupo (Anexo VIII). Esta, aliás, é uma constatação que não deve ser esquecida, tudo o que se apurou e consta deste relatório, é apenas uma parte, estática, referente aos anoscalendário2011 e 2012, das ações do Grupo. Concentrouse no núcleo do esquema, mas há indícios de outras práticas ilícitas, da existência de outras empresas, outros “laranjas”. Como se viu, a prática engendrosa e ilícita do contribuinte é sobremaneira dinâmica, havendo constante alteração nos atores e ações. Retomando a questão das interpostas pessoas, verificouse que estas são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. Parte existe fisicamente, parte inexiste, constituise mera formalidade que acoberta operações comerciais reais. É o que se verificou nas empresas fictícias do núcleo. No anocalendário de 2011, percebese claramente que as empresas JosComércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, Import Dalamari Comércio deConfecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185 e SPR Import Brasil Lojística eComércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 compuseramse de puro anteparo,estratagema, avatar para as operações da empresa Invictus Importação eExportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, já que aquelas adquiriram quase que a integralidade das vendas desta e depois repassaram tais mercadorias,adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo. Assim, toda amais valia, bem como o ônus tributário, recaíram sobre as fictas, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí decorrente. Corrobora ainda com tal afirmação o fato que as empresas fictas não possuíram movimentação financeira, não contrataram funcionários, seus sócios não possuem capacidade patrimonial, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo, seus fornecedores indicam que negociaram efetivamente com o Grupo (diligências), seus sócios constam também do quadro societários de outras empresas do Grupo, algumas delas inclusive registradas utilizando como razão social as marcas do Grupo. Coube a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 comercializar os produtos produzidos pelo próprio Grupo através de remessas para industrialização a terceiros. Verificouse claramente no procedimento fiscal que estas operações se deram com a organização administrativa do Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.487 20 Grupo Restum. Da mesma forma, os clientes da Jurecê não integrantes do Grupo, minoria das comercializações, já que a grande maioria das vendas foram realizadas para lojas do Grupo, textualmente afirmaram que compraram produtos com as marcas do Grupo, havendo negociado diretamente com este. De fato, o que se verifica é que também a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. –CNPJ 12.755.478/000100 é anteparo da Invictus Importação e Exportação Ltda.– CNPJ 07.693.822/000144, não tendo havido a formalização de compras/vendas entre as empresas, porém a Jurecê era o braço nacional da Invictus, tanto é assim que no anocalendário de 2012 já houve o registro de várias operações comerciais entre ambas, colocandose a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 claramente na posição de empresa ficta interposta da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ07.693.822/000144. Então, os fatos geradores formalmente atribuídos às empresas fictícias em verdade foram praticados pela Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ07.693.822/000144, a quem se atribuiu o ônus da quitação do crédito tributário. No anocalendário de 2012, mantevese o modus operandi do Grupo, entretanto,houve a mudança de alguns atores. Destarte, pelos mesmos motivos já apontados para o anocalendário anterior, é seguro e certo afirmar que as empresas JosComércio de Confecções Ltda. – CNPJ 13.385.771/0001 96 e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 constituíramse de merosavatares da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ07.693.822/000144, sendo, portanto, esta última aquela que efetivamente praticou o fato gerador dos tributos. Já as empresas ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. CNPJ:12.595.364/000140 e HotBrás Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ12.165.435/000175, constituídas em nome próprio do Grupo, também sonegaram tributos, entretanto, como não há falsidade em sua constituição,respeitouse a opção do contribuinte em fragmentar o Grupo em diversas empresas, sendo, portanto, a cada uma delas atribuídas as respectivas obrigações tributárias e seus decorrentes créditos tributários. Por todo o exposto, também se conclui que há evidente confusão patrimonial entre as empresas do Grupo, ademais de os bens estarem abrigados por empresas que não praticam corriqueiramente atos de comércio. Viuse que tal situação nada mais é que ardil no sentido de intentar impedir que se alcance o patrimônio do Grupo para satisfazer o crédito tributário, muito embora tais bens estejam diretamente ligados às operações comerciais do Grupo, já que são, em suma, imóveis, veículos e as marcas utilizadas por este; assim, as empresas PortCompany Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144 devem também responder pelos créditos tributários vencidos e vincendos do Grupo com base no art. 124, I da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). Fl. 3489DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.488 21 Da mesma forma, devem os sóciosadministradores do Grupo Restum responder com seu próprio patrimônio pelos créditos tributários vencidos e vincendos decorrentes das operações do Grupo com fundamento no art. 135, III do CTN, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotada. Posto isto, concluise o presente relatório com a certeza da vontade sonegadora do Grupo, fato que levou a sua autuação fiscal com a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1° da Lei 9.430/96. Por outro lado, o Termo de Verificação Fiscal (efls. 2579/2598) – que se baseia no referido relatório – narra que, ante a não apresentação pela autuada de documentos aptos a possibilitar a identificação da receita tributável, procedeu ao arbitramento do lucro, nos termos permitidos pela legislação: Uma vez iniciada a presente fiscalização, mesmo sendo devidamente notificado através de reiteradas intimações fiscais ao longo de 1 (um) ano, o sujeito passivo não apresentou sua escrituração contábil nos termos da legislação comercial (Livro Diário e Razão), nem alternativamente seu Livro Caixa,inviabilizando a perfeita a verificação das receitas tributáveis, dos custos incorrido se das despesas dedutíveis. Nessas circunstâncias, resta completamente prejudicada a apuração tributária tanto no regime do Lucro Presumido quanto no Lucro Real, assim como a averiguação de sua regularidade fiscal. Logo, na falta da escrituração contábil, independentemente das razões que lhe deram causa, a legislação tributária é clara e objetiva em ordenar que o lucro seja apurado de ofício mediante arbitramento, segundo o art. 47, inciso III, da Lei nº.8.981, de 20 de janeiro de 1995,[...]. (efl. 2590) Deste modo, “constatouse que o sujeito passivo omitiu as receitas auferidas, não recolheu os tributos devidos, não manteve escrituração contábil nos termos da legislação comercial, descumprindo as obrigações tributárias” (efl. 2592) relativas ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS dos anos calendários 2011 e 2012. As receitas brutas omitidas foram discriminadas no Anexo 1 Apuração da Receita Bruta (efl. 2598), “que discrimina detalhadamente cada uma das receitas extraídas dos Registros de Entradas e Saídas fornecidos pela própria empresa”. Tais valores são a base de cálculo dos tributos. Em relação a aplicação da multa de 150%, consignou que “caracterizada a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei 8.137 de 27 de dezembro de 1990, aplicase no lançamento de ofício a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento).” (efl. 2593) Outrossim, em virtude da identificação de tais condutas, mormente a configuração de crime contra a ordem tributária, foi feita representação fiscal para fins penais (19311.720415/2014 21). Inclusive, tais autos foram apensados a estes em 29/01/2015. Em relação à sujeição passiva solidária, concluiu que, “ante o robusto conjunto probatório constante do Relatório Fiscal – Grupo Restum anexo, restou configurada a Fl. 3490DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.489 22 responsabilidade solidária entre as empresas do Grupo Restum em consonância com o art. 124, inciso I, do CTN, outrossim dos sócios gerentes com base no art. 135, inciso III, do mesmo diploma legal.” (efl. 2595) Por fim, o próprio Termo de Verificação Fiscal procede ao arrolamento administrativo de bens. A empresa autuada e todos os solidários, após notificação, apresentaram Impugnação, em 07/01/2015 (efl. 3255), onde alegaram, em apertada síntese: a) a impossibilidade e inaplicabilidade do arbitramento de lucro; b) criticouse a responsabilidade e solidariedade atribuída; c) inaplicabilidade da multa qualificada; e d) ilegalidade de cobrança de juros sobre a multa. Por fim, requereu o julgamento conjunto de diversos autos de infração. Todavia, a DRJRibeirão Preto julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário tal como foi constituído, bem como a responsabilidade solidária (efls. 3353/3399). Tal acórdão iniciase constatando que “o sujeito passivo não contestou a omissão de receita levada à tributação, limitandose a contestar: (1) o arbitramento do lucro; (2) a responsabilidade solidária; (3) a multa qualificada de 150% e (4) a cobrança de juros sobre a multa.” (efl. 3389). Deste modo, considerou não impugnada ou aceita pelo contribuinte a omissão de receita, com base no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Em relação ao arbitramento do lucro, considerou que a autuada optou pela modalidade de tributação do lucro presumido, devendo manter o Livro Registro de Inventário e o Livro Caixa (art. 527 do RIR/2000). Todavia, após intimação reiterada, não o apresentou, ensejando o arbitramento do lucro, com base no art. 47, III, da Lei nº 8.981/95. De fato, apresentou os Livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, mas não Livro Caixa ou o Livro Registro de Inventário, bem como não se manifestou a respeito da não apresentação dos livros solicitados. Por isto, o acórdão fustigado concluiu: Portanto, está demonstrado não apenas que as circunstâncias do caso em análise se subsumem à hipótese legal autorizativa do arbitramento, mas também a impossibilidade de apuração do lucro real, devido à falta de apresentação dos livros e documentos de acordo com as disposições das leis comerciais e fiscais. Diante disso não restam dúvidas sobre a legitimidade do procedimento adotado em cobrar os valores devidos, através do arbitramento, aplicandose a disposição do artigo transcrito (Art. 530, III do RIR/99). (Efl. 3391) Em relação à multa qualificada, afirma que “não se trata de mera omissão de receita ou de um erro ou equivoco no preenchimento das declarações, mas tratase de um esquema montado dolosamente pelo grupo, do qual a impugnante faz parte, utilizandose de interpostas pessoas ou empresas, visando eximirse dos integrais recolhimentos de tributos [...]” (efl. 3392). Outrossim, quanto a alegações de inconstitucionalidade da multa por ser confiscatório, invocou a Súmula 02/CARF. Em relação à cobrança de juros sobre a multa, entende que devese aplicar às multas de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos. Outrossim, a multa compõe o crédito tributário (arts. 3º; 113, §1º e 139; todos do CTN) e o art. 161, do Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.490 23 mesmo diploma legal, dispõe que ao crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. Deste modo, correta a incidência de juro sobre a multa. Não obstante, ressaltou que “no demonstrativo de juros e multa constante do auto de infração, não há ainda o acréscimo dos juros sobre a parcela referente às multas, mas tãosomente sobre o tributo.” (efl. 3395) Por fim, em relação à responsabilidade solidária, com base em todos os elementos constantes dos autos, concluiu que ficou caracterizado o grupo empresarial, bem como a utilização de empresas fictas, abertas em nome de “laranjas”, cujo esquema foi montado dolosamente com ofim de não pagar tributo, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio. Deste modo, defende como correta a responsabilização: Também não resta dúvida quanto a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, pois ficou comprovado que a pessoa jurídica, na pessoa de seus sóciosadministradores omitiu receita, com evidente intuito de fraude, com o fim de não pagar ou pagar menos tributo. Todos os fatos apurados e já descritos são causa suficiente à atribuição de responsabilidade aos sóciosadministradores do Grupo Restum, pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN. Há nos autos material probatório dos ilícitos apurados, de modo que está plenamente fundamentada a responsabilização dos sócios. (Efl. 3398) Na caixa postal (DTE) da empresa autuada foi postada intimação do Acórdão de Impugnação, Intimação de Resultado de Julgamento e Documentos Diversos Outros DARF no dia 28/05/2015 (efl. 3428). O contribuinte acessou tais documentos em 15/06/2015 (efl. 3429). Não obstante, foi dada ciência eletrônica a ele por decurso de prazo em 12/06/2015 (efl. 3429). Foi interposto Recurso Voluntário pela empresa autuada e todos os responsáveis tributários em 01/07/2015 (efls. 3431/3464), onde: a) alega a necessidade de reforma da decisão recorrida, em virtude da impossibilidade de aplicação do arbitramento do lucro; Aduz que não haveria motivo justificado ao arbitramento, pois revela que a “própria Fiscalização assentou que foram apresentados os elementos, tanto que sua receita foi quantificada sem maiores dificuldades, no entanto, valeuse de punitiva forma de apuração, ou seja, na espécie não há falar em arbitramento”. Revela haver contradição no TVF, em razão de a fiscalização haver ignorado a documentação apresentada no curso da ação fiscal, e justificado o arbitramento como se nada houvesse sido esclarecido. Defendendo a correta apresentação dos documentos apresentados, assinala que era possível aferir a correta base tributável, porém, a fiscalização discordou dos percentuais aplicados, mas “não evidenciou a imprestabilidade da escrituração”. b) questiona a imputação da solidarização e responsabilização. É que tais conceitos, juntamente com o de contribuinte, foram confundidos; Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.491 24 Aduz que, além do Relatório Fiscal, não houve “qualquer imputação específica de cada contribuinte, ou qual seria seu real interesse na ocorrência do fato gerador, muito menos quais as relações diretas e pessoais que tenham mantido na ocorrência do fato imponível”. Bem como, que a fiscalização apenas indicou as pessoas e transcreveu o art. 124 e 135 do CTN, ignorando a personalidade jurídica das empresas regularmente constituídas, confundindo os conceitos de “solidariedade” com “responsabilidade pelo pagamento de débitos de terceiro”, e, explica que: Não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação autorizaria a solidarização pura e simples, era mister da Fiscalização, reafirmese, demonstrar a participação individualizada de cada um que reputou solidário ou responsável. (Efls. 3453) Lembra que o art. 128 do CTN prevê a obrigatoriedade do terceiro ser pessoa vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação. Lado outro, trouxe a classificação relativa a responsabilidade por substituição e responsabilidade por transferência. Exige a demonstração do interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Em relação ao impugnante “Roberto”, destacou ainda que, “além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade”. (Efls. 3458). c) alega a inaplicabilidade da multa qualificada, pois esta seria desproporcional e confiscatória, mormente aos olhos do STF. Que apenas mediante comprovação pelo Fisco do intuito sonegador e fraudulento se poderia impor sanções qualificadas, o que não teria ocorrido nos autos; d) contesta a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, pois a incidência de juros deveria se dar apenas sobre os valores referente a tributos e contribuições (art. 84 da Lei n. 8.981/95). Nestes termos, colacionou diversos acórdãos do CARF para amparar sua conclusão. Revela que a Lei n. 9.430/96 “não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício, tratando apenas do caso de multa isolada, consoante jurisprudência acima posta, o que não se verifica nestes autos”; e) por fim, requer o julgamento conjunto de diversos processos administrativos conexos, cujas autuações se basearam no “Relatório Fiscal Grupo Restum”, com base no art. 47 do RICARF. Pede, ao final, o julgamento pela improcedência dos autos de infração, alternativamente, requer a exclusão dos sujeitos passivos responsáveis, a redução da multa em patamar mínimo, afastandose a qualificadora e, o julgamento conjunto de processos relacionados ao Grupo Restum. É como relato." Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.492 25 Voto Vencido Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização do Acórdão Designado como Redator Ad Hoc para fins de formalização deste Acórdão, transcrevo abaixo a íntegra do voto (vencido) proferido pela Relatora, Conselheira Talita Pimenta Félix, na Sessão de Julgamento de 11 de agosto de 2016, verbis: "1. PRELIMINARMENTE 1.1 Da Tempestividade do Recurso Voluntário Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, o Recurso Voluntário, formalizado por escrito e instruído com os documentos em que se fundamentar, será apresentada no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.Considerando que a Recorrente foi intimada1 do Acórdão n. 1458.572 da 5a Turma da DRJ/RPO, em 15/06/2015, a apresentação de Recurso Voluntário nesta data satisfaz o requisito primordial da tempestividade, devendo, por esse motivo, ser devidamente conhecida e processada. 2. MÉRITO 2.1 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO e da OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A contribuinte, HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, submetida à tributação com base no lucro real, supostamente deixou de apresentar à autoridade tributária a escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, relativo aos anoscalendário 2011 e 2012, motivo pelo qual, após procedimento fiscalizatório, foi constatada omissão de receita da atividade de revenda de mercadoria, sendo, por este motivo, autuada com base no lucro arbitrado(inciso III, art. 530, do RIR/99). A Autoridade Fiscal descreve no TVF que a autuada faz parte de um grupo, que se utilizou de interpostas pessoas, criando empresas simuladas, após tal descrição, arbitra o lucro, e qualifica a multa de ofício, além de incluir no polo passivo da lide diversas pessoas jurídicas e físicas, ligadas à Recorrente. 1No “Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Posta DTE”, foi registrado que o contribuinte recebeu a mensagem, com acesso aos documentos relacionados, por meio de sua Caixa Postal, em seu DTE, em 28/05/2015. Porém, “a data da ciência, para fins de prazos processuais, sera a data em que o destinatário efetuar a consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15 (décimo quinta) dia após a data de entrega acima informada”. Seguindo: “o contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 15/06/2015 19:24h, pela abertura dos arquivos digitais correspondents no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos (…). Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.493 26 A ação fiscal, realizada pela DRF de Jundiaí/SP, teve início com o TIF2n. 01, em 14/11/20133, e, em razão da ausência de retorno da contribuinte, a fiscalização realizou outras 06 (seis) intimações4, sendo a última datada de 04/09/2014. Ou seja, entre a primeira e última intimação, transcorreu quase um ano de intimações, com o objetivo de que a contribuinte apresentasse a documentação solicitada pela DRF. O que restou infrutífero. Não restando outra alternativa à fiscalização, que não o arbitramento do lucro. Nesse sentido, pacífica a jurisprudência desse Conselho5, e para corroborar tal afirmação, segue a transcrição do trecho de alguns acórdãos, dentre eles, o Acórdão n. 1302001.813, proferido pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, em sessão realizada em 02/março/2016 pela 3a Câmara, da 2a Turma Ordinária da Primeira Seção do CARF, onde expõe que: RECURSO VOLUNTÁRIO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. É legítmo o arbitramento do lucro quando verificada a imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal, para apuração do lucro real, caracterizada: pelo registro de todas as compras realizadas junto a diversos fornecedores em uma única conta denominada “Fornecedores Diversos; pela contabilização de todas as contas do ativo circulante em uma única conta "Disponibilidade"; pela constatação de pagamento que não foram contabilizados no Livro Diário; pelo livro de registro de inventário que não apresenta continuidade e que informa diferentes quantidades de um mesmo produto em estoque em uma mesma data; e pelo LALUR apresentado que apresenta erros e falhas que revelam falta de credibilidade, além do que informa um valor de IR do AC 2009 diferente daquele informado na DIPJ. Em julgamento realizado em 25/janeiro/2016, a 2a Câmara, da 1a Turma Ordinária da Primeira Seção do CARF, sob relatoria do Conselheiro xxx, analisando matéria que versa sobre contribuições previdenciárias, Acórdão n. 2201002.751, decidiu que: AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. FALTA DE ELEMENTOS ESSENCIAIS. A utilização do arbitramento ou da aferição indireta, como métodos de quantificação do crédito tributário, com fulcro nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, só é válida nas circunstâncias de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do 2Termo de Início do Procedimento Fiscal ou, Termo de Início de Fiscalização, art. 7, inciso I, do Decreto 70.235/72 (PAT) e art. 7 da Lei 2.354/54. 3Com recebimento no próprio termo em por Tatiane F. Serra. 4A seguir transcrevese a data dos termos de intimação e constatação realizadas nos autos: 14/11/2013 (cientificado em 22/11/2013); 16/01/2014 (cientificado em 17/01/2014); 25/02/2014 (cientificado nesta data); 07/04/2014 (cientificado em 10/04/2014); 02/06/2014 (cientificado em 10/06/2014); 21/07/2014 (AR: mudouse); 04/09/2014 (recebido em 20/09/2014); 5Acórdão n. 1401001.439, Rel. Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, j. 09/12/2015; Acórdão n. 9101 002.215 de Rel. Conselheira Cristiane Silva Costa, j. 03/02/2016; Acórdão 1401001.546, Rel. Conselheiro Antônio Bezerra Neto. Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.494 27 faturamento e do lucro, nos termos capitulados nos próprios comandos normativos referidos. Para a validade do procedimento de aferição indireta das bases de cálculo, fazse mister a caracterização nos autos dos motivos fáticos da utilização dessa autorização normativa, o que não ocorreu. Sob Relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, em julgamento realizado em 03/março/2016,Acórdão n. 1301001.959, restou consignado o posicionamento da 3a Câmara, da 1a Turma Ordinária da Primeira Seção do CARF: LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de sua escrituração, quando devidamente intimado, autoriza o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS Comprovado que o contribuinte omitiu receitas de vendas, apurada através de informações prestadas pelo adquirente dos produtos, assim como pela compatibilidade com os valores movimentados em sua conta bancária, há que se exigir os tributos e contribuições devidas. Linha adotada, também, à unanimidade, pela 4a Câmara, da 1a Turma Ordinária da Primeira Seção do CARF, Acórdão 1401001.546, sob relatoria do Conselheiro xxx,em julgamento realizado em 04/fevereiro/2016, consoante segue: ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, tendo como base de cálculo a receita omitida, quando a escrituração contábil a que estiver obrigada a Contribuinte não for apresentada mesmo que tenha sido intimada para tal. Nestas intimações foi requerida a apresentação dos(i) “contratos sociais e alterações, devidamente registrados na JUCESP”,(ii) “Livros Diário e Razão”, (iii) “Balanço e demais demonstrações financeiras”, (iv) “balancetes mensais”, (v) “Livro de Entradas, modelo 1”, (vi) “Livro de Saídas, modelo 2”, (vii) “Livro de Registro de Apuração do ICMS”, (viii) “livro de Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência” e, por fim, (ix) foi solicitado ao contribuinte que promovesse a alteração de endereço na JUCESP, todos os documentos relativos aos anoscalendário de 2011 a 2012.Os itens v a viii foram requeridos de todos os estabelecimentos (matriz e filiais) da PJ com CNPJ ativos nos anos calendários de 2011 e 2012. Quanto às intimações, a Recorrente sustenta (i) haver apresentado parte dos livros solicitados, e que com tais informações, o Fisco Federal teria condições de apurar o lucro tributável, sendo incabível a aplicação da metodologia do arbitramento.E, (ii)que as alegações da fiscalização não devem proceder, uma vez que baseiamse em “ilações e suposições” infundadas, já que esta “ignorou a documentação apresentada no curso da Fiscalização”. Ocorre que conforme se observa nos autos (efls. 20/24), a Recorrente somente apresenta os Livros de Registro de Entradas, Saídas e Registro de Apuração do ICMS. Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.495 28 Em relação aos demais documentos6, solicitou a dilação do prazo em 15 dias, porém, após tal requerimento, nenhuma documentação foi apresentada. Assim, dos 8 (oito) grupos de documentos exigidos, somente 2 (dois) foram apresentados.E ao se referir a eles, a contribuinte não revela quais entregou, o que permitiria uma espécie de confronto entre os documentos que lhe foram solicitados e os que foram, efetivamente, apresentados.Informação corroborada pela fiscalização, donde se lê, em texto retirado do TVF, que: Uma vez iniciada a presente fiscalização, mesmo sendo devidamente notificado através de reiteradas intimações fiscais ao longo de 1 (um) ano, o sujeito passivo não apresentou sua escrituração contábil nos termos da legislação comercial (Livro Diário e Razão), nem alternativamente seu Livro Caixa, inviabilizando a perfeita verificação das receitas tributáveis, dos custos incorridos e das despesas dedutíveis. Nessas circunstâncias, resta completamente prejudicada a apuração tributária tanto no regime do Lucro Presumido quanto no Lucro Real, assim como a averiguação de sua regularidade fiscal. (...) Ante todo o exposto, constatouse que o sujeito passivo omitiu as receitas auferidas, não recolheu os tributos devidos, não manteve escrituração contábil nos termos da legislação comercial, descumprindo as obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS dos anoscalendário 2011 e 2012. Uma outra distinção se torna relevante. A contribuinte adverte que a base de cálculo que a Autoridade Julgadora se valeu, para encontrar o critério quantitativo dos tributos em questão, somente foi possível porque lhe forneceu os documentos necessários, o que seria motivo suficiente para afastar o arbitramento do lucro. Ocorre que, o fato de a Recorrente não haver apresentado sua escrituração contábil nem seu Livro Caixa, tornou inviável qualquer das duas outras modalidades de aferição do lucro (seja via presumido ou real), restando como única e adequada alternativa legal o arbitramento. Este, conforme se verá na jurisprudência e na doutrina a seguir citada, não é uma sanção, mas sim um meio de se quantificar o tributo, que tem por causa, este sim,conduta antecedente ilícita. Linha da jurista Florence Haret7, onde explica que: (...) o fato antecedente que faz admitir a técnica do arbitramento é da ordem da ilicitude. Ausentes as condutas ilícitas, é vedado arbitrar. (...) O sentido presuntivo aqui não esta no arbitramento, como regime de tributação, posto ordinariamente à disposição da fiscalização se e quando procedido ilícito pelo contribuinte. O arbitramento, em verdade, é consequência de uma presunção anterior: a da ocorrência do fato antecedente da regramatriz. Mediante procedimento fiscalizatório, descoberta a ausência de declaração a menor, em primeiro, o Fisco presume ocorrência em face das documentações encontradas; para depois, diante do 6(i) “contratos sociais e alterações”, (ii) “Livros Diário e Razão”, (iii) “Balanço e demais demonstrações financeiras”, (iv) “balancetes mensais” e (v) “livro de Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência”. 7HARET, Florence. Teoria e prática das presunções no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2010, p. 207 e ss. Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.496 29 caráter pecuniário de toda a prestação tributária, proceder à quantificação do valor do tributo, mediante técnica de apuração chamada arbitramento. Logo, o arbitramento em si mesmo não é presunção, nem sanção: é forma de apuração do valor a título de tributo que tem por causa conduta ilícita. (Sem grifo no original). Tônica adotada pelo Min. Luiz Fux, no REsp 761.662/SC, julgamento realizado em 18/09/2007, cujo entendimento segue reproduzido: (...) ARBITRAMENTO DO LUCRO EM VIRTUDE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGISLAÇÃO QUE VISA EVITAR PRÁTICAS EVASIVAS. DETRIMENTO DO INTERESSE PÚBLICO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O arbitramento do lucro constitui critério de apuração da base de cálculo do imposto de renda, não configurando penalidade, tampouco excluindoa (artigo 8O, parágrafo 7o, do DecretoLei 1.648/78). 2. In casu, a tributação reflexa do recorrido, pessoa física cotista, decorreu da presunção da distribuição do lucro apurado, em procedimento de arbitramento, em pessoa jurídica optante do regimedo lucro presumido, em face do descumprimento de obrigação acessória, consistente na insuficiente comprovação documental da receita bruta anual declarada. 3. A autoridade tributária é autorizada a arbitrar o lucro da pessoa jurídica (base de cálculo do imposto de renda), quando, entre outras hipóteses, o contribuinte optante da tributação com base no lucro presumido não cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação (DecretoLei n.º 1.648/78, artigo 7º, inciso II). Ao Fisco, portanto, lícito se afigura proceder ao arbitramento com base em investigações da má conduta das empresas, desde que a escrituração contábil se revele imprestável ao propósito da apuração do lucro real. (…) 6. Deveras, é de sabença que o art. 43 do CTN impõe a tributação pelo Imposto de Renda apenas quando houver a "disponibilidade econômica ou jurídica" dos valores que serviriam à formação da base de cálculo. Entretanto, raciocínio inverso significaria ruir toda uma legislação instituída para evitar práticas evasivas, em detrimento do interesse público.(Sem grifo no original). Fato reforçado pelas informações expostas no “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, onde se lê que: (…) todas as informações referentes à movimentação financeira das empresas do Grupo foram obtidas das Declarações de Movimentação Financeira – DIMOF enviadas à RFB pelas instituições bancárias. Assim não se teve acesso a todas operações do contribuinte, mas apenas ao montante das operações.(Sem grifo no original). Esse tema também foi abordado no Parecer Normativo CST n. 23/1978, ainda que tenha sido emitido há quase 40 anos, percebese que a essência de seu comando segue até os dias atuais. Assim, esclarece que o arbitramento de lucros não constitui propriamente uma sanção, ainda que resulte em majoração do tributo que ordinariamente seria Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.497 30 devido. O arbitramento, em verdade e a rigor, é o regime de tributação a que legalmente se socorre a fiscalização quando se depara com a impossibilidade de se apurar o lucro real ou presumido, seja pela não apresentação o dos livros, e/ou pela falta de escrituração, tendo como consequência, a imprestabilidade da escrita, assim notase: Ao disciplinar o lucro arbitrado, o artigo 149 do RIR atribuiu ao fisco a faculdade de determinalo, tendo por único pressuposto de fato a falta de escrituração de acordo com as disposições das leis comerciais e fiscais, sem distinguir, portanto, as causas dessa falta Embora possa importar, às vezes num agravamento do ônus tributário, o arbitramento não representa, em si, penalidade, e sim valoração, dentro dos estritos limites fixados em lei, do lucro tributável pelo imposto de renda. Ainda em relação ao critério quantitativo de apuração do tributo, a fiscalização aferiu inconsistências legais, também, em relação ao percentual utilizado a título de tributação via lucro presumido, pois, ao invés de se valer da alíquota correta à sua atividade a Recorrente utilizou percentual 80% inferior ao devido, conforme se verifica em descrição do “Relatório Fiscal GrupoRestum”, nos seguintes termos: (…) a partir do anocalendário 2012, após um pequeno número de lojas do Grupo terem sido objeto de procedimentos de fiscalização em decorrência da omissão de entregade declarações, o Grupo passou então a entregar DIPJ´s, fazendo sempre a opção pela sistemática do Lucro Presumido, informando, porém receita bruta sujeita ao percentual de 1,6%. Tal percentual é destinado exclusivamente à revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural (postos de combustível). Oportuno dizer que a apuração o Imposto de Renda e seus reflexos pela sistemática do Lucro Presumido émodo de apuração simplificado em que a receita bruta é multiplicada por um porcentual e esteproduto constitui o lucro sobre o qual se aplicará a alíquota do IR. No caso de comercialização demercadorias (correto enquadramento das empresas do Grupo) tal coeficiente é de 8%.(Sem grifo no original). Por seguir a mesma trilha do acórdão proferido pela DRJ, reproduzo trecho do voto, onde relata que: Como visto, na modalidade do lucro presumido a pessoa jurídica deve manter, ao menos, o Livro Registro de Inventário e o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda movimentação financeira, inclusive bancária. No caso desses autos, a empresa foi intimada, por diversas vezes, para apresentar os Livros Contábeis Diário e Razão, ou LivroCaixa, se fosse o caso, e foi alertada de que a não apresentação dos livros Diário e Razão, ou Livro Caixa, contendo a escrituração contábil referente ao anocalendário 2012, no prazo da Intimação, acarretaria a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, pelo regime de tributação LUCRO ARBITRADO. A contribuinte não atendeu à intimação, o que levou a fiscalização a arbitrar o lucro, com fulcro no art. 47, III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, tendo em vista o não cumprimento das determinações legais Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.498 31 exigidas para o lucro presumido e a impossibilidade de apuração do lucro real Como se observa, a contribuinte não preencheu as condições para adotar a modalidade de tributação escolhida (lucro presumido), porquanto não apresentou o livro Caixa, contendo toda movimentação financeira, inclusive bancária, nem apresentou o Livro Registro de Inventário, e não se manifestou a respeito da não apresentação dos livros solicitados. Consta ter apresentado os Livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências. Portanto, está demonstrado não apenas que as circunstâncias do caso em análise se subsumem à hipótese legal autorizativa do arbitramento, mas também a impossibilidade de apuração do lucro real, devido à falta de apresentação dos livros e documentos de acordo com as disposições das leis comerciais e fiscais. Diante disso não restam dúvidas sobre a legitimidade do procedimento adotado em cobrar os valores devidos, através do arbitramento, aplicandose a disposição do artigo transcrito (Art. 530, III do RIR/99).(Sem grifo no original). Nestas circunstâncias, vale apontar que a análise do arbitramento, travado nestes autos, possui elevado grau de objetividade, donde se observa que, ou bem a Recorrente cumpriu o determinado pela fiscalização e não deve se sujeitar a tal imputação, ou não o fez, e as autuações (neste item) devem ser mantidas. Momento em que é possível fazer as mesmas inferências, só que agora sob a perspectiva da “lei do quarto excluído”, em que uma relação jurídica somente pode ocorrer sob 3 (três) formas (permitida, proibida ou obrigatória), não existindo uma quarta opção (por isso, lei do quarto excluído). Com isso, temse que à contribuinte: (i) é permitido quantificar o tributo via lucro real ou presumido; (ii) estando proibida de o fazêlo nas condições em que a lei vedar, e, (ii)por fim, esta(ria)obrigada a se sujeitar à apuração pelo lucro arbitrado, nas situações em que não cumprir os deveres instrumentais (por ex.: entrega dos documentos exigidos por lei). Em síntese, e trazendo à baila os principais aspectos fáticosjurídicos relevantes à aplicação da metodologia do arbitramento do lucro à Recorrente, temse que a mesma, após haver sido intimada 07 (sete) vezes, em um lapso temporal de quase 01 (um) ano, não atendeu aos comandos determinados pela DRF, o que impossibilitou a fiscalização de proceder de outro modo, se não, imputandolhe a apuração dos tributos via arbitramento. Termos em que, uma vez não cumprido o exigido pelas normas tributárias, voto no sentido de manter a autuação com fulcro no arbitramento do lucro, inciso III, art. 530, do RIR/99, relativo aos períodos de 2011 e 2012. 2.2. DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE AGRAVADA Em razão dos indícios de ilicitude trazidos no TVF, a Autoridade Fiscal concluiu ser devida a aplicação da qualificadora, aumentando o percentual da multa em 100%, ou seja, a multa de ofício seria alterada de 75%para 150%, e para tanto alega a ocorrência de:sonegação e fraude, mediante a utilização de grupo e de empresas paralelas/interpostas pessoas. Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.499 32 A fiscalização fundamenta faticamente as autuações, interrelacionando tais institutos jurídicos às provas que anexa aos autos, de modo a validar sua compreensão no sentido de que a Recorrente atuou, de diversas formas, com o intuito de lesar o erário. E para tanto,cita o art. 44, inciso I, parágrafo primeiro, da Lei n. 9.430/96, cujo teor segue transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Sem grifo no original). Por relevante, transcrevese também os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, mencionados no parágrafo primeiro do artigo anterior, segue: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Neste momento, vale mencionar que a Recorrente defendese, basicamente, aduzindo que a multa de 150% possui caráter confiscatório, o que seria rechaçado pelo STF, tanto no que toca ao tributo, quanto à multa. Porém, já me posicionando quanto a tal argumento, o afasto em razão da Súmula n. 2 deste Conselho, cujo enunciado revela que: “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Com isto, mencionados os dispositivos legais tidos por infringidos, imperioso tornase, a partir deste ponto, a realização do confronto entre os fatos alegados pela Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.500 33 fiscalização, seja no TVF e/ou no Relatório Fiscal, às provas colacionadas aos autos, tal procedimento é imprescindível à tomada de posição, com o fito de confirmar ou afastar a aplicação da multa agravada. Tendo por notório que esta imposição de penalidade referese a uma presunção relativa (FLORENCE), o papel que compete à Recorrente, para que, utilizandose da mesma linguagem comunicacional da fiscalização, a desconstrua, é a linguagem das provas. Ante tal entendimento, faço, a seguir um confronto entre a abordagem probatória trazida ao conhecimento deste Conselho pelas partes. E com o intuito de adotar uma metodologia que facilite a aferição da subsunção destes fatos (relativos à aplicação da penalidade agravada) às normas (alegadas nos autos de infração), primeiramente, enfrentarei elementos da fraude e seus desdobramentos, após, a sonegação, e por fim, a figura do grupo (econômico) e da responsabilidade tributária. 2.2.1 Da Fraude Em suas lições, a livredocente Maria Rita Ferragut8 defende que o arbitramento do lucro esta, intrinsecamente, vinculado à figura da fraude. E para esta jurista, a fraude possui como fatos tipificadores9 à sua ocorrência, os seguintes elementos probatórios: (i) interposta pessoa; (ii) apresentação de documentação fiscal inidônea/falsidade de informações; (iii) reiteração de conduta; (iv) simulação de negócios jurídicos e, (v) informações divergentes entre os fiscos. Para a autora, “contribuem fortemente para a tipificação da fraude, por traduzirem, isolada ou conjuntamente, e com graus de gravidade diversos (mais ou menos graves), a frequência (erro habitual ou esporádico), a voluntariedade (possibilidade de agir da forma lícita), a complexidade (dinâmica na execução do ato) e as consequências do ato (destino do dinheiro não utilizado para pagamento do tributo), bem como as características do agente que o praticou (idade, grau de instrução, experiência)”. Essa fluidez e correlação das provas é que permitem, maior ou menor, segurança na determinação da análise das provas. Seguindo essa trilha, observase que o TVFaponta como infringidas 03 (três) das condutas acima mencionadas, conforme se infere nas linhas que seguem. 2.2.1.1 Interpostas Pessoas e Empresas Paralelas Nas lições de Maria Rita Ferragut10, a interposição de pessoas pode ser compreendida como: O primeiro e mais contundente dos fatos tipificadores da fraude é a demonstração da utilização, pelo sujeito passivo, de interposta pessoa, considerada como sendo a pessoa física ou jurídica que oculta, esconde, 8FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumento para a construção da verdade jurídica. Ed. Saraiva, 2016 9p. 234/235. 10Ainda, relata a mesma autora (p. 235), que “a utilização de uma pessoa, que não o real titular dos rendimentos, está relacionada ao procedimento adotado pelo contribuinte, para lesar o Fisco. Esse fato é prova independente da presunção utilizada para se constituir o fato ‘omissão de receitas’. Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.501 34 encobre o verdadeiro interessado no negócio. (...) É assim denominada por ‘interporse a ato jurídico em nome próprio, porém, no interesse de outro, substituindoo e encobrindoo, agindo em lugar do verdadeiro interessado que, por razões – se’ entre o sujeito ativo e o ‘real’ sujeito passivo, com o objetivo central de evitar que este último integre a relação jurídica tributária. (...) Não temos dúvidas de que a constatação da existência de interposta pessoa é prova do dolo. Ainda na pegada doutrinária, Alberto Xavier, em sua obra “Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva”, menciona que o Código Civil, art. 102, apresenta 03 (três) enunciados que retratam formas típicas de simulação dos atos jurídicos, dentre eles, a que se configura “quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem, realmente, se conferem ou transmite (a chamada interposição fictícia de pessoas)”. Segue afirmando que “compreendese ainda na figura da simulação relativa o caso de simulação subjetiva ou interposição fictícia de pessoas, previsto no art. 102 do Código Civil, quando se refere aos atos jurídicos que aparentam conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem, realmente, se conferem ou transmite”. Tendo por referência a conceituação acima delineada, colho do “Relatório Fiscal GrupoRestum” que a Autoridade Fiscal concluiu que a Recorrente: Utilizavase também de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”. Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”. Há, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes. O fato de a Recorrente, de forma cíclica, ser acusada de constituir empresas em nome de interpostas pessoas, e, conforme se infere, ser acusada de utilizar indevidamente o nome de pessoas físicas,sofrendo por isso, inclusive ação judicial, denota, claro intuito fraudulento. Verificase aqui a reiteração de conduta dolosa da contribuinte, habitual, com grau de gravidade elevado, ainda que tal apontamento esteja impregnado de elevado subjetivismo, seu ato gera lesão à terceiros, que não apenas ao Fisco. Em trecho seguinte do TVF, verificase o a complexidade, em outro giro, a dinâmica adotada para a consecução dos atos negociais, bem como, suas consequências, e a que ora nos interessa, a lesão ocasionada ao erário, vide: Destarte, o Grupo montou verdadeiro esquema sonegador, em que as empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam e/ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação e/ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.502 35 Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. Nas figuras abaixo, vemos como tal esquema funcionava e os valores transacionados (em milhões de R$) nos anoscalendário de 2011 e 2012, respectivamente: Bem como: Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.503 36 Ao todo, verificase que o Grupo movimentou no período em voga aproximadamente R$700.000.000,00 (setecentos milhões de reais) que, em sua grande maioria, não foram oferecidos à tributação. Assim, em 2011, as empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECCÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/000100, todas constituídas em nome de interpostas pessoas, funcionaram de anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, fatos geradores cujo real beneficiário é a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/000144. Desta forma, intentou o Grupo fraudar o Fisco já que tais empresas não possuem qualquer patrimônio, ademais de haverem simplesmente omitido suas operações do conhecimento da RFB, já que não entregaram declarações e/ou as entregaram “zeradas”. Da mesma forma, em 2012, novamente serviram de anteparo formal as empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/000100 para fatos geradores praticados pela INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/000144. Ademais, como já é a praxe do Grupo, foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradores tributários, porém os valores destas operações decorrentes não foram oferecidos à tributação, tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados pelo instituto da decadência. (…) Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.504 37 Ademais, o Grupo utilizase também de pessoas ligadas para a constituição de novas empresas. É o que se verifica com o Sr. Milson Cesar da Silva – CPF 247.107.34844, empregado com vínculo desde 01/10/2012 da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118,empresa pertencente ao Grupo, cujos sócios registrados são Jacques Nehme Rostom e Daniele Restum. O Sr. Milson em setembro de 2013 era responsável junto à RFB por 47 (quarenta e sete)empresas do Grupo. Após um determinado período o controle destas sociedades é transferido para os sócios de fato. Esse processo de abertura de novas empresas é constante já que emagosto de 2014 o Sr. Milson consta como sócio de novas empresas do Grupo (Anexo II e III).Outra pessoa ligada que aparece como sócio administrador de várias empresas do Grupo é o Sr. Nivaldo Sancana Rocha – CPF 120.702.06807. O Sr. Nivaldo se apresenta como“Controller” do Grupo, informação esta, corroborada pela outorga de procuração do Sr. Roberto Restum ao Sr. Nivaldo para atender às demandas no curso dos procedimentos fiscais executados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí(SEFIS/DRF/JUN). O Sr. Nivaldo aparece como responsável pelo preenchimento nas DIPJ´s apresentadas à RFB referentes às empresas oficiais do Grupo (aquelas em que aparecem como sócios o Roberto e Adriana Restum) sendo que todas essas declarações foram apresentadas utilizandose do mesmo endereço IP. Rastreando este endereço IP encontramos outras empresas do Grupo, além daquelas chamadas oficiais, que foram constituídas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) ou em nome de familiares dos Restum (Anexo IV). (…) (…) na análise detida dos procedimentos fiscais realizados pelo SEFIS/DRF/JUN, traremos adicionais informações que corroboram, de maneira inequívoca, com a conclusão já tirada de que muitas das empresas do Grupo são constituídas em nome de interpostas pessoas, porém, há complementar informação que reafirma tal conclusão. Mediante utilização de holdings, alerta a Autoridade Julgadora que: Outro ardil do Grupo reside no fato que os bens necessários à percepção de suas receitas da atividade não são registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não possa ser alcançado em uma execução fiscal. Desta forma, os imóveis que sediam as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. Tais dados revelam indícios veementes da utilização de terceiros com o intuito de bular o Fisco Federal, o que valida a atuação da fiscalização. Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.505 38 2.2.1.2 Apresentação de documentação fiscal inidônea e falsidade de informações O segundo fato tipificador de ocorrência da fraude, será aqui desmembrado em documentação inidônea e falsidade de informações. Quanto ao primeiro: (...) a irregularidade ínsita ao documento inidôneo não diz respeito à ilegalidade da operação, e sim ao documento que a formaliza ou que não a formaliza. Documento inidôneo é o que não atende às determinações legalmente previstas, seja quanto à forma, seja quanto ao conteúdo e ao seu uso. Para que seja apto a tipificar a fraude, as irregularidades deverão ser graves (e não meramente formais, tais como código incorreto da operação e inserção de informações não autorizadas – carimbo de pessoa jurídica sucessora, novo endereço etc.). (...) Uma vez comprovada a utilização do documento inidôneo pelo contribuinte, devese reconhecer o indício de fraude na conduta, cabendo ao sujeito passivo a demonstração de boafé, sob pena de aplicação da multa qualificada. Já o segundo, falsidade de informações, pode ser reconhecida como “a informação construída em desacordo com o que é possível saber dos eventos empíricos, tal como ocorre nas hipóteses em que se descobre a simulação”11. Devendo “ser considerada fraudulenta a depender do conteúdo da prova, somado aos demais elementos presentes no contexto”12. Consoante as definições de conceito acima esposadas, transcrevese trechos do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, que se adequam às situações acima referidas, segue: Outro fator importante reside no fato de que as empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea, diminuendo sobremaneira os valores dos tributos a pagar. Tal procedimento dava ao Fisco a equivocada ideia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal, já que se pressupõe que os dados constantes das declarações estão corretos, ademais que, uma vez entregue as declarações,somente com a ação humana verifica se a irregularidade do contribuinte.Assim, se o Grupo não entregasse suas declarações, o processamento eletrônico apontaria a omissão do contribuinte, gerando um alerta sistêmico que o levaria a procedimento de fiscalização. Entretanto, com a ação ardilosa do Grupo, tal alerta era afastado, obrigando que a autoridade fiscal examinasse cada declaração manualmente a fim de encontrar o ilícito. Neste ponto, verificase o motivo da existência do grande número de empresas componentes: dificultarainda mais a identificação da fraude engendrada pelo Grupo. Assim, se o Grupo não entregasse suas declarações, o processamento eletrônico apontaria a omissão do contribuinte, gerando um alerta sistêmico 11Maria Rita Ferragut, p. 237. 12Idem. Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.506 39 que o levaria a procedimento de fiscalização. Entretanto, com a ação ardilosa do Grupo, tal alerta era afastado, obrigando que a autoridade fiscal examinasse cada declaração manualmente a fim de encontrar o ilícito. (…) Finalmente, a partir do anocalendário 2012, após um pequeno número de lojas do Grupo terem sido objeto de procedimentos de fiscalização em decorrência da omissão de entrega de declarações, o Grupo passou então a entregar DIPJ´s, fazendo sempre a opção pela sistemática do Lucro Presumido, informando, porém receita bruta sujeita ao percentual de 1,6% (Anexo V). Tal percentual é destinado exclusivamente à revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natura (postos de combustível). Oportuno dizer que a apuração o Imposto de Renda e seus reflexos pela sistemática do Lucro Presumido é modo de apuração simplificado em que a receita bruta é multiplicada por um porcentual e este produto constitui o lucro sobre o qual se aplicará a alíquota do IR. No caso de comercialização de mercadorias (correto enquadramento das empresas do Grupo) tal coeficiente é de 8%. No relato dos fatos, representados no TVF, a Autoridade Fiscal relata que: O cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe foi iniciado em 22/11/2013 com diligência ao endereço cadastral do contribuinte, situado na Rua Mendes Júnior, nº 474, no Brás, em São Paulo (SP), para fins de ciência pessoal do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF. Ocorre que a empresa não foi localizada em seu domicílio tributário, conforme Termo de Constatação lavrado na mesma data pelo AuditorFiscal Manuel Fernandes dos Santos – AFRFB matrícula 18.187 e assinado pelo Gerente José Henrique Neto Jr. – CPF018.648.55576, representando a loja Venom Brás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 18.785.616/000180, que ora ocupa o endereço procurado. Ainda em 22/11/2013, o AFRFB Manuel Fernandes dos Santos visitou a sede da Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/0001 44, localizada na Rua Professor João Brito, nº 150, Vila Nova Conceição, em São Paulo (SP),vindo a encontrar a Dra. Giselle Aparecida Gennari Palumbo CPF 124.033.12827,que se apresentou como advogada do grupo de lojas das marcas Planet Girls, PóloWear, Venom, Hot Point, SMK Rio de Janeiro, Planet Star e Adriana Restum AR, enessa condição, assinou pessoalmente o TIPF anteriormente citado. (...) Resguardando o direito ao contraditório e à ampla defesa, mesmo em facedo deliberado descaso manifestado pelo sujeito passivo, lavramos o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal datado de 02/06/2014, ora buscando o contato alternativo com seu estabelecimento filial sediado na Rua Antônio Perutti, nº111, no bairro Honório Fraga, em Colatina (ES), com Aviso de Recebimento efetivado em 10/06/2014, quando em resumo constatamos que: 1) Antes do início desta fiscalização, o contribuinte sob análise não havia espontaneamente confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF quaisquer valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, exceto pelos valores declarados, mas não recolhidos, referentes à Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.507 40 competência jan/2011; 2) Uma vez iniciada a presente ação fiscal, foram constatadas significativas divergências no batimento das informações prestadas em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (omissa em 2011 e parcial em 2012) e Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON(omisso em ambos os períodos) em comparação com a Base de Cálculo Tributável de no mínimo R$127 milhões apurada nos Livros Fiscais fornecidos durante esta fiscalização, tal como evidenciado em planilha demonstrativa anexa; 3) Não foi possível verificar os lançamentos contábeis da empresa nos anoscalendário em comento, em razão de sua negativa no fornecimento de sua escrituração contábil, ainda que reiteradamente notificada; 4) A pessoa jurídica se limitou a apresentar tão somente os livros fiscais de sua matriz de CNPJ 12.165.435/000175, faltando ainda a entrega dos livros referentes a todos os seus estabelecimentos filiais, assim como previamente exigido; 5) Entre os dias 14 e 30/05/2014, o fiscalizado transmitiu diversas DCTF’s à Receita Federal do Brasil, reconhecendo que as obrigações tributárias devidas no período eram consideravelmente superiores às declarações anteriormente informadas e respectivos recolhimentos. Por oportuno, ressaltamos que os valores confessados de forma não espontânea, ou seja, após o início do procedimento fiscal ocorrido em 22/11/2013, seriam objeto de lançamento de ofício com a multa determinada no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, combinado com o art. 7º, §1º, do Decreto 70.235/72, sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis. (…) Em razão da omissão do contribuinte em proceder sua regularização cadastral, ainda que exaustivamente intimado para tanto, procedemos de ofício a alteração de seu domicílio tributário para a Rua Antônio Perutti, nº 111, no bairro Honório Fraga, em Colatina (ES) CEP 29704670, segundo o Art. 127, § 2º, do Código Tributário Nacional (Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966). Adotando as premissas descritas no início deste item, entendo que o erro da contribuinte (em não manter atualizado seu domicílio tributário) eleva a gravidade deste “equivoco’ que, de forma isolada, possivelmente, nada representaria. No entanto, contextualizando todos os fatos já assinalados, e as provas colacionadas aos autos pela fiscalização e não desconstruídas pela contribuinte, demonstram elevando intento doloso da Recorrente. Deste modo, entendendo não haver outra alternativa ao Fisco Federal, voto no sentido de manter a multa qualificada. 2.2.1.3 Reiteração da Conduta Como terceiro e, neste caso, último fato tipificador da fraude, a reiteração de conduta, que pode ser compreendida como: Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.508 41 Errar de forma esporádica é possível e, isoladamente, não revela máfé do sujeito. Já a conduta repetitiva é forte indício da intenção de fraudar o Fisco. (...) O Problema que se coloca, a partir dessa conclusão, é a definição ‘conduta reiterada’. Quantas vezes o ilícito deve ser praticado, para que o fato assuma esse foro? Reiteração é conceito indeterminado. O erro esporádico – uma ou duas vezes em largo espaço de tempo – não se consubstancia numa conduta reiterada. Se, em contrapartida, tal erro ocorrer ao longo de todo o ano, restará configurada a reiteração. (...) Há de se registrar, também, que a reiteração é relevante apenas se a conduta repetida for grave o suficiente à configuração da responsabilidade subjetiva inerente à fraude. Não qualquer conduta, mas somente aquela que leva à convicção de que o sujeito deve ter querido lesar os cofres públicos13. Pois bem, a contribuinte – de modo sistemático e reiterado – utilizavase de um grande número de empresas para ocultar suas movimentações, consoante colhese do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”, donde se verifica que: (…) se o Grupo não entregasse suas declarações, o processamento eletrônico apontaria a omissão do contribuinte, gerando um alerta sistêmico que o levaria a procedimento de fiscalização. Entretanto, com a ação ardilosa do Grupo, tal alerta era afastado, obrigando que a autoridade fiscal examinasse cada declaração manualmente a fim de encontrar o ilícito. Neste ponto, verificase o motivo da existência do grande número de empresas componentes: dificultar ainda mais a identificação da fraude engendrada pelo Grupo. Mas não é só aí que reside a fraude. Além de possuir um grande número de empresas ativas, o Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas (usamos o verbo no passado já que os fatos apurados correspondem aos períodos de 2010, 2011 e 2012, se bem que há fortes indícios que o modus operandi perdure hodiernamente). Desse modo, quando determinada empresa começava a “interessar” ao Fisco, esta era sumariamente encerrada e uma outra era colocada no seu lugar. Para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade. (…) A primeira medida do Grupo com o intuito de dificultar ou até mesmo impedir que o Fisco tenha a correta visão dos fatos geradores tributários é a constituição de centenas de sociedadesempresárias autônomas (Anexo I) ao invés de uma única empresa com diversas filiais. Assim, aoinvés de se apresentar ao Fisco como uma empresa de grande porte, aparece pulverizada empequenas empresas com baixo faturamento, afastando o controle fiscal. 13Maria Rita Ferragut Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.509 42 Logicamente que este fato isolado não pode servir como comprobatório da máfé do contribuinte, entretanto, comoveremos, esta é apenas uma das atitudes do contribuinte com o fito de se eximir do pagamento de tributos. (…) Desta feita, em que pese os esforços desta equipe de fiscalização em identificar todas as empresas do Grupo Restum, a totalidade de empresas pertencentes ao Grupo é desconhecida em função do já relatado, somado ao fato que constantemente ocorrem alterações nos quadros societários das sociedades empresárias, dissoluções e incorporações, as quais não são comunicadas à RFB, contrariando o disposto na Instrução Normativa RFB n° 1.470/2014. Constatouse também que em diversos endereços há vários CNPJ´s registrados,permitindo que as empresas de interesse do Grupo fiquem ocultas, além da existência de um grande número de estabelecimentos relacionados unicamente na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), sem que as mesmas sejam inscritas no CNPJ; assim, o Grupo possui um verdadeiro “estoque” de empresas num mesmo endereço. Este “estoque” permite que, por exemplo, iniciado um procedimento de fiscalização em uma empresa ativa do Grupo esta seja “esvaziada” e todas as suas atividades sejam de imediato transferidas para outra empresa em “estoque”, despistando o Fisco que focaria seus esforços na constituição do crédito tributário junto a uma empresa sem lastro patrimonial e ao mesmo tempo não haveria qualquer prejuízo nas operações realizadas naquele determinado endereço. (…) Outra relevante informação é que o acesso aos registros da Juntas Comerciais de outros estados da Federação não é facilitado como na JUCESP, favorecendo que tais práticas encontrem ainda mais guarida nas unidades do Grupo que se estabelecem fora do estado de São Paulo.(Sem grifo no original). Face o exposto e, em razão da completa e total ausência de contra argumentação comunicacional e probatória das Recorrentes, entendo presentes tais elementos. 2.2.2 Da Sonegação Esclarece o “Relatório Fiscal GrupoRestum” que: (…)o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. Verificase que este negócio é bem lucrativo, como se pode concluir pela comparação dos preços praticados no site de uma das marcas (Planet Girls) com os preços pagos na importação pelo Grupo, como vemos abaixo: Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.510 43 Informações da DI: Data da Importação: 18 nov 2011; Origem: SHEKOU, CHINA. Produto: CALCA JEANS, DE USO FEMININO, TAMANHO ADULTO, 63% ALGODAO, 35% POLIESTER, 2%, ELASTANO, REF. PG109. Produtor: PANYU HUA FENG GARMENT FACTORY CO. LTD; Unidades: 31.357; Preço unitário: 7,10 Desta forma, percebese que a comercialização de tais produtos no mercado interno geraria um recolhimento tributário proporcional aos ganhos, entretanto, não é o que se verifica quando se analisa os recolhimentos de tributos do Grupo. Verificase que ao longo do tempo há variação na forma utilizada para a supressão do pagamento de tributos, mas há constância na sonegação. (…) Ressaltase que as situações acima descritas (existência de um “estoque de empresas”) contaminam o cadastro da RFB cominformações inexatas e sobremaneira dificultam a análise completa do Grupo, criando umaverdadeira “cortina de fumaça”, a qual vinha acobertando a sonegação tributária realizada peloGrupo. (...) Ou seja, sem considerar a correção das receitas declaradas nas citadas DIPJ´s, o simples fato de o contribuinte aplicar o coeficiente de 1,6% ao invés de 8% significa uma supressão de 80% do crédito tributário, além de retardar ou até impedir que o Fisco tome conhecimento da sonegação uma vez que a declaração é entregue com dados incorretos, assim permanecendo até uma intervenção da autoridade fiscal, o que sobremaneira é dificultada em face do enorme número de declarações entregues pelo Grupo. (…) Curial que se note que este ardil do contribuinte funciona muito bem quando presente a tributação cumulativa, já que em cada fase do trâmite Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.511 44 comercial a tributação incide sob a receita total e, sendo a receita apresentada nula ou muito próximo de zero, não toma o Fisco conhecimento do fato gerador tributário; entretanto, quando não é possível omitir totalmente a receita e quando presente a tributação não cumulativa em que se aproveita o valor pago na operação anterior, tal atitude não se mostra tão eficiente e/ou favorável. A afirmação acima sobremaneira se evidencia quando o contribuinte realiza a importação de produtos e matéria prima, já que fica prejudicada a tentativa de omissão de receita com a simples não apresentação de declarações, tendo em vista que é condição para a liberação da mercadoria do recinto alfandegado a comprovação do recolhimento dos tributos de importação ficando assim registradas as compras da importadora, compras essas que podem servir de base para se estimar a receita a qual subsidiaria um eventual lançamento tributário. Desta forma, também por via indireta, tomaria, o Fisco, conhecimento da obrigação tributária. Para fugir desta possibilidade, o Grupo criou empresas, algumas em nome de interpostas pessoas (fictícias), outras em nome próprio, para que nelas se concentrasse o lucro do grupo, ficando estas com o passivo tributário e gerando créditos para os tributos nãocumulativos das operações posteriores as quais são realizadas pelas lojas varejistas do Grupo.As empresas fictícias não possuem/possuíram sequer espaço físico, constituindose em mera formalidade. Desta forma, a importadora do grupo revende/revendia quase a totalidade dos produtos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandam/mandavam industrializaras matérias primas e revendem/revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que se creditam dos tributos não cumulativos e tem pouco o quase nenhum lucro. Destarte, como já dito, o passivo tributário recai quase que totalmente às intermediárias fictícias. (…) (…) é importante que se perceba que às empresas cujos quadros societários são compostos de “laranjas” cabe a apropriação da mais valia da operação comercial,conforme vemos na Figura 2 acima, onde compras (custo) no valor total de R$ 83.000.000,00(oitenta e três milhões de reais) chegam às lojas do Grupo com um custo de R$ 317.000.000,00(trezentos e dezessete milhões de reais). Assim, de uma receita total estimada de R$ 317.000.000,00 o Grupo reconheceu como base de cálculo a somente R$ 83.000.000,00, havendo uma sonegação de 74% dos tributos totais devidos já que o núcleo do esquema (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e ImportDalamari) nunca recolheu os tributos devidos, sem contar o não recolhimento dos tributos reconhecidos pelo Grupo. Por outro lado, as lojas do Grupo puderam se creditar dos tributos não cumulativos gerados pelo núcleo do esquema. No anocalendário 2012 o modus operandi do Grupo permaneceu o mesmo, mas seguindo a linha de ação de criação constante de novas empresas, houve alteração nos atores (…). (…) Percebese que as operações e a sonegação aumentaram já que no anocalendário de2012 as compras somam R$ 72.700.000,00 (Setenta e dois milhões e setecentos mil reais)enquanto que as vendas para as lojas Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.512 45 totalizaram R$ 361.000.000,00 (trezentos e sessenta e ummilhões de reais), assim o percentual de receita omitida chegou a 80%. Assim, o núcleo vende integralmente seus produtos às lojas do Grupo. Poderia se pensar que a sonegação terminaria nesta operação já que se criou créditos suficientes para acobertar as saídas das lojas varejistas, entretanto a sanha sonegadora do Grupo é tamanha que a lojas continuam na ação/omissão supressora de tributos; assim, verificase que as lojas deixam de emitir documentos fiscais de suas vendas (não há emissão de NF e), apresentando tão somente GIA ao ente tributante estadual. Notase que de 2011 para 2012 há uma diminuição na utilização de empresas fictícias eum aumento de faturamento através de empresas próprias. Tal fato não decorre de uma comiseração do Grupo em face do Fisco, mas decorre do fato de que a Secretaria de Fazenda doEstado de São Paulo procedeu vários lançamentos tributário na lojas varejistas do Grupo,glosando os créditos decorrentes das empresas fictas e representando penalmente os administradores do Grupo (Anexo VI); assim, entendeu o Grupo que a simulação por ele engendrada trazia riscos penais aos sócios enquanto que a manutenção do esquema através de empresas próprias possibilitaria a continuação da sonegação, já que as empresas intermediárias são desprovidas de patrimônio, porém sem implicação penal. (…) Prova final e cabal de tal afirmação provém da análise das Declarações de Movimentação Financeira – DIMOF enviadas à RFB pelas instituições bancárias as quais mostram que as empresas próprias do Grupo movimentaram recursos financeiros nos anoscalendário em voga, já as empresas fictícias (laranjas) não possuem movimentação financeira (Anexo VII), evidentemente porque as empresas próprias são as reais operadoras comerciais e por conseguinte subsomemse na hipótese tributária praticando o fato gerador, já as empresas fictícias consubstanciamse em meros anteparos formais no sentido de ocultar a real relação comercial e sua decorrente obrigação tributária. No mesmo tom do tópico anterior, face o exposto e, em razão da completa e total ausência de contraargumentação comunicacional e probatória das Recorrentes, entendo presentes tais elementos. 2.2.3 Do Grupo (Econômico) e da Responsabilidade Tributária 2.2.3.1 Das Circularizações Em razão do não atendimento, à contento, de nenhuma das 07 (sete) intimações, conforme mencionado em linhas pretéritas, a fiscalização realizou diligências em 06 (seis) pessoas jurídicas, documentos relacionados nos autos (efls. 48/326), em razão de estas haverem mantido significativas operações comerciais com a empresa HotBrás Comércio de Confecções LTDA, ora Recorrente. Para tanto, solicita a respost a 09 (nove) questionamentos, entre eles: 1) Especifica a natureza dos serviços prestados à referida empresa; 2) Apresentar cópias do correspondente contrato de prestaçãoo de Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.513 46 serviços e dos demais documentos que estabeleçam as condições de tal acordo comercial; (...) 5) Identificar todas as pessoas habitualmente contatadas na HotBrás Comércio de Confecções (...) 6) Identificar de onde vinham os insumos a serem industrializados (...) 7) Identificar para onde iam os produtos já industrializados (...); 8) Especificar as formas de pagamento/recebimento pelos serviços prestados (...); 9) Apresentar, por amostragem, documentação probatória das informações ora prestadas ao Fisco (...). Ressalvo que não localizei nestes autos um relatório conclusivo sobre as circularizações realizadas pelo Fisco. 2.2.3.2 De Informações Publicadas Pela Recorrente, e anexadas Pela Fiscalização A fiscalização anexou diversos folders publicitários (efls. 327/374), os quais vinculam diversas pessoas jurídicas, ora responsáveis. Assim, extraise que há documentos que: (i) mencionam o “grupo” Hot Point; (ii) a proibição de empregados do grupo Hot Point (Planet Girls, Polo Wear, Venom, SMK) a participarem de determinada promoção; (iii) o Grupo Planet Girls possui diversas marcas (...), entre elas Planet Girls, Planet Star, Planet Shoes, Glamour Rock, SMK e AR; (iv) em determinado evento de uma das lojas, estariam à “venda os óculos das marcas Planet Girls e também Venom, Polo Wear e SMK”; (v) em uma inauguração de showroom, aparecem fotos das marcas Planet Girls, Venom e Polo Wear; (vi) em sítio eletrônico da marca Hot Point, informa que esta tem 26 anos de atuação, oferecendo linhas femininas, masculinas e infantojuvenis, e que a empresa se tornou a principal marca de SURFWEAR, CASUL e JEANS do Estado de SP; (vii) o grupo Hot Point oferece um cartão exclusivo para que o interessado se torne um “cliente HOT CARD”, o que concederia o direito de desfrutar das vantagens em toda a rede Hot Point”, o que concede “condições e prazos de pagamentos especiais, além de promoções exclusivas e imperdíveis; (viii) em publicidade da Venom, lêse que: “a partir de 2008, aliada a um grande grupo, a marca atingiu dimensões nunca antes imaginadas Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.514 47 e mudando o foco da marca para um estilo mais fashion com características urbanas, agregando personalidades globais em suas campanhas e muito mais valor no mercado de moda (...)”; (ix) por fim, verificase a existência de fotografias que comprovam que algumas lojas do grupo possuem pontos em várias cidades do país. Tais elementos de prova demonstram, claramente, a existência de um Grupo chamado HotPoint, responsável por congregar várias pessoas jurídicas, algumas, responsáveis pelo crédito tributário ora cobrado. 2.2.3.3. Das Alegações e Provas Apresentadas Pelas Partes No item III de sua peça defensória, a contribuinte alega que: i) “as solidarizações foram efetivadas sem o menor critério de imputação”, que a fiscalização “apenas indicou e transcreveu o artigo 124 e 135 do CTN”, sem “demonstrar a participação individualizada de cada um que reputou solidário ou responsável”; ii) as alegações do Relatório Fiscal GrupoRestum são genéricas, que não informou o real interesse na ocorrência do fato gerador, “muito menos quais as relações diretas e pessoais que tenham mantida na ocorrência do fato imponível”; iii) a fiscalização confundiu os institutos da solidarização com a responsabilidade pelo pagamento dos débitos de terceiro, não distinguindo o contribuinte (a quem chama de sujeito passivo direto) e o responsável (nominado por sujeito passivo indireto); iv) não foi respeitado o princípio da reserva legal, vez que o terceiro não pode ser responsabilizado sem que exista lei expressa; v) para ser aplicável a responsabilidade, deveriam ser conjugadas as regras do art. 121 e 124, inciso I (interesse comum), ambos do CTN; vi) em relação ao sócio Robero Restum (cuja imputação respaldase no art. 135, inciso III, do CTN), além de ser generic, a fiscalização erra “porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade”. Em oposição aos argumentos trazidos pela contribuinte, consta no Relatório Fiscal uma série de detalhes relativos ao denominado “Grupo Restum”.Copio quadro apresentado no Relatório, que detalha os titulares do Grupo, segue: Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.515 48 E com o fito de trazer algumas notas do relatório(composto de 48 folhas), seguem alguns trechos selecionados: Finalmente, para que se conheça o Grupo por completo, há que se mencionar a ala patrimonial a qual é utilizada para salvaguardar o patrimônio do Grupo. Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsicamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais. Vêse, então, que o Grupo utilizase da abertura e encerramento de inúmeras empresas, mantendo, inclusive, “estoque” de novas empresas a serem utilizadas em tais operações, bem como da criação de empresas cujo quadro societário é composto por interpostas pessoas para, deliberada e intencionalmente, suprimir o pagamento de tributos, seja levando o Fisco ao erro na identificação do sujeito passivo, seja suprimindo informações que levariam à correta apuração do quantum tributário, seja na proteção e ocultação do patrimônio do Grupo de uma eventual execução fiscal. Entretanto, não finda aí as ações sonegadoras do Grupo, uma vez que este utilizasetambém de estratagemas envolvendo incorporação de empresas, como veremos. A empresa Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 11.066.160/000150, em 22/10/2010 teve seu quadro societário alterado na JUCESP (Anexo VIII), havendo o ingresso de César Augusto Costa CPF 216.211.04826 (pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo) no lugar da Sra. Adriana Restum, bem como a alteração de seu endereço para Avenida Jurecê, 667, Cj 03, Indianópolis, São Paulo – SP (sobre este endereço ver relato sobre a empresa Jurecê Comércio de Confecções Ltda. do item 2. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.516 49 abaixo).Esta foi a última alteração contratual informada à RFB, assim, até a presente data a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. encontra se ATIVA no CNPJ.Contudo, em 23/08/2010, registrouse na JUCESP a incorporação de 42 (quarenta eduas) empresas do Grupo tendo a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. como incorporadora. Na mesma data retirouse da sociedade o Sr. Roberto Restum, sendo admitido emseu lugar Célio Martins de Oliveira – CPF 218.260.75879 (outra pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo). Na data de 27/02/2012 ocorre outra alteração societária,ingressando Allan Borges de Melo – CPF 385.402.37822 e Rodrigo Vieira Rezende – CPF374.871.718 09 em substituição aos anteriores sócios. Em 03/09/2012 é protocolado o Distrato Social, dissolvendo assim a incorporadora. Desta feita, estas operações culminam com o desaparecimento das 43 (quarenta e três) empresas do Grupo, entretanto, a grande maioria destas empresas encontra se ativa no CNPJ, conforme vemos na Tabela 1 abaixo. (…) Consultas realizadas nos sistemas da RFB apontam que várias dessas empresas apresentaram DIPJ e GFIP e tiveram movimentação financeira após a sua exclusão do mundo jurídico. (…) Informação adicional considerável é o fato de a empresa PlanetGirls Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 04.740.881/000138 que consta no CNPJ como ATIVA, DISSOLVIDA na JUCESP e BAIXADA no SINTEGRA teve a maior movimentação bancária entre as empresas do Grupo em 2013, apresentando DIRF e GFIP regularmente. Esta informação fecha o entendimento de que todas as empresas formalmente constituídas pelo Grupo são, na verdade, uma só, tendo sido criadas em demasiado número como intuito de despistar o Fisco, já que os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circulam indistintamente entre elas, não havendo estanque idade, senão, de que outra forma uma empresa dissolvida movimentaria tamanho recurso? Como explicar que empresas com emissão milionária de notas fiscais não tenham movimentado um Real sequer em instituições financeiras? A resposta a tais indagações já foi dada. Ainda que não desejando me estender, segue trecho do voto da DRJ quanto à solidarização e responsabilização: Alegou que a fiscalização arrolou as empresas e os sócios do que seria um conglomerado econômico, aludindo o que dispõem os artigos 124 e 135, do Código Tributário Nacional, e simplesmente os colocou na posição de devedores solidários, sem qualquer imputação especificada, em relação a qualquer dos solidarizados. No entender da impugnante não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”, nem mesmo a dita Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.517 50 constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação autorizaria a solidarização pura e simples, era mister da Fiscalização, reafirmese, demonstrar a participação individualizada de cada um que reputou solidário ou responsável. Deveria a Fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Alegou que em relação ao Impugnante “Roberto” fora responsabilizado nos termos do artigo 135, III, do CTN, e neste ponto específico, além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade. Solicitou que, caso prevaleçam os impugnados autos de infração, que sejam excluídos do polo passivo da presente obrigação tributária todos quantos foram solidarizados e/ou responsabilizados, reconhecendose que a Fiscalização não demonstrou na espécie os motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim, na legalidade. Ante toda a transcrição fática reproduzida neste voto, extraída de diversos documentos colacionados aos autos, especialmente do “Relatório Fiscal GrupoRestum” e do TVF, e em face à ausência de contraprova que fosse, minimamente, capaz de desconstruir todo o arranjo argumentativo e probatório apresentado pela fiscalização, outro não pode ser o voto que não a manutenção de todos os responsáveis tributários PESSOAS JURÍDICAS no polo passivo desta lide. 2.2.3.4 Da Responsabilidade dos Solidários Pessoas Físicas Em relação à imputação aos responsáveis solidários, acionados com base no art. 124, inciso I, do Diploma Tributário Nacional, acolho o pleito da Recorrente por entender que a inclusão de pessoas físicas, sob o fundamento de “interesse comum”, deve – obrigatoriamente – deve vincular os possíveis benefícios econômicos auferidos pelas pessoas relacionados. Em síntese, voto por excluir todos os responsáveis solidários da lide. 3 COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Em razão de entender de modo semelhante à decisão proferida pela DRJ, permitome reproduzila, segue: Alegou que ainda que se considerasse procedente a autuação, não se poderia fazer incidir a taxa de juros sobre a multa aplicada, haja vista a previsão legal expressa, a que alude o art. 84 da Lei nº 8.981/1995, de acréscimo de juros apenas aos valores referentes a tributos e contribuições sociais e a Lei nº 9.430/96, de igual forma, não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício. Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.518 51 A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. Os artigos a seguir assim dispõem: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.(negrito meu) Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente. (...) (negrito meu) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.(negrito meu) Enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139), retrotranscritos, trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Portanto, aplicase às multas de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos. É a conclusão a que chega Celso Ribeiro Bastos (Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário, Saraiva, 2001, pp. 192 a 194): O § 1º do art. 113 recebe duras críticas da doutrina, devido à redação de sua parte final, onde diz que a obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária. É que o próprio art. 3º do Código Tributário Nacional determina que o tributo não pode consistir no pagamento de prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito. Há o estabelecimento, pelo menos aparente, de verdadeira contradição, por excluir aquele artigo, de maneira cabal, o pagamento das multas como prestação tributária. Com efeito, a afirmação de que a obrigação principal pode versar sobre penalidade pecuniária quadra mal com o anteriormente exposto. O § 3º do art. 113 visa estabelecer uma sanção destinada a punir aquele que descumpre a obrigação acessória. Escolhe a modalidade de uma penalidade de natureza pecuniária. Até esse ponto os tributaristas marcham concordes. Com efeito, nada mais apropriado do que impor uma sanção pecuniária àquele que descumpre com os deveres acessórios. Mas os mesmos críticos que há pouco encrespavam contra a possibilidade de que a obrigação principal pudesse ter por objeto tanto o pagamento de tributo quanto o de penalidade pecuniária, investem agora contra o fato de a obrigação acessória poder converterse em principal, quando não cumprida. Parece, com efeito, do estrito ponto de vista lógico, proceder a crítica destes autores. Não há que falarse em conversão da obrigação acessória em principal, mas sim em sanção. Contudo, a intenção do texto é tão manifesta que acaba por relevar este pecadilho de ordem lógica. É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável a tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo. (negrito meu) Fl. 3520DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.519 52 Por sua vez, o artigo 161, do mesmo diploma legal, dispõe que ao crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(negrito meu) Destarte, ao contrário do que alega a impugnante, o CTN admite a incidência de juros de mora sobre as multas lançadas de ofício. A expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” apenas reforça a idéia de que juros e multa não são excludentes entre si. A incidência de juros sobre as multas de ofício foi introduzida pelo legislador ordinário através da Lei nº 9.430/1996, cujo artigo 61 dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (negrito meu) Verificase que a lei utiliza a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições". Ora, as multas de ofício proporcionais, lançadas em função de infração à legislação tributária de que resulta falta de pagamento de tributo, como é o caso, são débitos decorrentes de tributos e contribuições. Não se trata de mera imprecisão terminológica do legislador, mas sim de ampliação do campo de incidência dos juros de mora para abranger também as multas de ofício, o que é perfeitamente compatível com nosso sistema jurídico tributário. Tanto é assim, que a mesma Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 43, expressamente prevê essa hipótese no caso de multas lançadas isoladamente: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (negrito meu) Também nesse sentido, trazemos à colação decisões proferidas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes: JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO TAXA SELIC A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.520 53 após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. (5ª Câmara, Acórdão 10515211, Sessão de 07/07/2005) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (3ª Câmara, Acórdão 10322197, Sessão de 07/12/2005) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (3ª Câmara, Acórdão 10322290, Sessão de 23/02/2006) Assim, tem plena previsão legal a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário. No entanto, ressaltese que, no demonstrativo de juros e multa constante do auto de infração, não há ainda o acréscimo dos juros sobre a parcela referente às multas, mas tãosomente sobre o tributo. Tal acréscimo será apurado a partir da data do vencimento das multas. Nestes termos, mantenho a incidência do juros sobre a multa de ofício. 4 LANÇAMENTOS REFLEXOS – CSLL, PIS E COFINS Em breve comentário adoto procedimento padrão, entendendo que a ocorrência de eventos que representem, ao mesmo tempo, materialidade de vários tributos, conduzem à obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. 5 JULGAMENTO CONJUNTO Com o fito de obter celeridade processual e evitar decisões conflitantes, já que existem outros processos administrativos fiscais fundados nos mesmos Recorrentes e em idêntico Relatório Fiscal (Grupo Restum), pleiteia o julgamento em conjunto, por entendêlos conexos. Justifica seu pleito citando o caput do art. 47 do RICARF. No entanto, consoante dispõe o inciso II, parágrafo 1, do art. 6, do RICARF, os processos podem ser vinculados por conexão quando “constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido de contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos”. Consoante exposto, para que fosse juridicamente factível acolher o pedido da parte, a mesma deveria haver logrado êxito em comprovar que ou (i) referemse a exigência de mesmo crédito tributário, ou em (ii) pedido de contribuinte fundamentados em fato idênticos; ainda que refiramse a distintos sujeitos passivos. Porém, nenhum desses fatos foi alegado, muito menos provado, motivo que os rejeito. Fl. 3522DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.521 54 Conclusão Nestes termos, voto por conhecer o Recurso Voluntário por tempestivo, e quanto ao mérito, julgo improcedente o recurso apresentado pela contribuinte, mantendo a aplicação da multa qualificada. É como voto. Talita Pimenta Félix Relatora" (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Ad Hoc para fins de formalização do Acórdão Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Redator Designado Apesar do brilhante voto da Conselheira Relatora, peço permissão para discordar do seu entendimento em relação à exclusão de todos os responsáveis solidários PESSOAS FÍSICAS da lide em comento. Vejamos os motivos: Sobre a imputação de responsabilidade solidária às pessoas físicas, por terem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, a Ilustre Relatora pronunciouse sustentando que a inclusão de pessoas físicas no polo passivo da obrigação tributária deve vincular – obrigatoriamente os possíveis benefícios econômicos auferidos pelas pessoas relacionados. Assim, por entender que a fiscalização não haveria indicado, de modo satisfatório, o “interesse” das pessoas físicas relacionadas, entendeu pela exclusão dos mesmo em relação ao processo em tela. Ao contrário do entendimento da Ilustre Relatora, entendo que os elementos probatórios trazidos pela fiscalização, a teor do Relatório Fiscal que demonstra uma série de detalhes relativos ao denominado “Grupo Restum”, são provas suficientes à comprovação da participação das pessoas físicas na omissão de receitas perpetratada, com o intuito de fraudar o Erário, objetivando o não pagamento, ou pagamento a menor de tributos. Assim, coaduno com o posicionamento da DRJ, quando afirma que: “Todos os fatos apurados e já descritos são causa suficiente à atribuição de responsabilidade aos sóciosadministradores do Grupo Restum, pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN. Há nos autos material probatório dos ilícitos apurados, de modo que está plenamente fundamentada a responsabilização dos sócios.” (efl. 3398) Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 19311.720362/201449 Acórdão n.º 1302001.962 S1C3T2 Fl. 3.522 55 Da responsabilização solidária, contudo, deve ser retirada apenas a pessoa física Isabelle Restum, CPF 417.896.25823, tendo em vista que a sua condição de menor de idade na época dos fatos que levaram a cabo a presente autuação. Explico. Em que pese a patente diferença entre a capacidade tributária independer da capacidade civil das pessoas físicas para sua imposição, isto é, mesmo sendo possível que o menor incapaz seja enquadrado como contribuinte para fins tributários, no caso em espeque, o interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo reclama a celebração de negócios jurídicos que importem no intuito de fraudar o erário. Destarte, verificase que Isabelle Restum, nascida em 24/09/2005, à época dos fatos sob análise tinha menos de dezesseis anos, o que lhe caracteriza como absolutamente incapaz (art. 3º, I, Código Civil). Sendo assim, a incapacidade civil, embora seja dispensável para a imposição tributária, é causa suficiente para a nulidade do negócio jurídico pactuado pela incapaz, não havendo que se falar em obrigação tributária. Portanto, apenas em relação a responsabilidade solidária das pessoas físicas, divirjo da Relatora por entender que os elementos probatórios carreados aos autos são suficientes para imputar a responsabilidade às pessoas físicas relacionadas, à exceção de Isabelle Restum, pois sendo o nulo o negócio jurídico por si pactuado, não há que se falar em obrigação tributária. Assim, voto pela manutenção das pessoas físicas como responsáveis solidárias perante a obrigação tributária em comento, excluindo da lide, unicamente a menor Isabelle Restum, CPF 417.896.25823. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Fl. 3524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722413/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
RECEITA BRUTA. AGENCIAMENTO MARÍTIMO.
Os valores recebidos e pagos em nome do Armador no exterior, pela empresa que o representa no Brasil, não compõem os resultados desta, sendo a sua receita bruta os valores correspondentes à sua prestação de serviços à representada e eventualmente, a terceiros.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
RECEITA BRUTA. AGENCIAMENTO MARÍTIMO.
Os valores recebidos e pagos em nome do Armador no exterior, pela empresa que o representa no Brasil, não compõem os resultados desta, sendo a sua receita bruta os valores correspondentes à sua prestação de serviços à representada e eventualmente, a terceiros.
Numero da decisão: 1201-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: Eva Maria Los
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 RECEITA BRUTA. AGENCIAMENTO MARÍTIMO. Os valores recebidos e pagos em nome do Armador no exterior, pela empresa que o representa no Brasil, não compõem os resultados desta, sendo a sua receita bruta os valores correspondentes à sua prestação de serviços à representada e eventualmente, a terceiros. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 RECEITA BRUTA. AGENCIAMENTO MARÍTIMO. Os valores recebidos e pagos em nome do Armador no exterior, pela empresa que o representa no Brasil, não compõem os resultados desta, sendo a sua receita bruta os valores correspondentes à sua prestação de serviços à representada e eventualmente, a terceiros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, José Roberto Adelino da Silva.
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AGENCIAMENTO MARÍTIMO. Os valores recebidos e pagos em nome do Armador no exterior, pela empresa que o representa no Brasil, não compõem os resultados desta, sendo a sua receita bruta os valores correspondentes à sua prestação de serviços à representada e eventualmente, a terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 RECEITA BRUTA. AGENCIAMENTO MARÍTIMO. Os valores recebidos e pagos em nome do Armador no exterior, pela empresa que o representa no Brasil, não compõem os resultados desta, sendo a sua receita bruta os valores correspondentes à sua prestação de serviços à representada e eventualmente, a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 13 /2 01 2- 19 Fl. 11541DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$3.923.572,54, devido às infrações 001 Incidência Não Cumulativa Padrão. Omissão de Receita sujeita ao PIS, com fatos geradores mensais de 01 a 12/2008; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins no montante de R$18.0672.212,95, devido às mesmas infrações e fatos geradores; ambas exigências apenadas com multa de 75%, págs. 3.129/4.142. Às págs. 3.106/3.113, Termo de Verificação, que descreve os fatos. 2. O contribuinte apresentou impugnação de págs. 3.040/3.71 objeto do Acórdão nº 1449.042 de 31 de julho de 2013, da DRJ em São Paulo DRJ/SP1, que considerou a impugnação improcedente, por unanimidade: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12 2008 COFINS. NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A legislação de regência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa. determina que o fato gerador é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Ademais, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assunto: Contribuição para o PIS/P asep Período de apuração: 01/01.2008 a 31 12 2008 PIS. NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A legislação de regência da contribuição para o PIS Pasep determina que o fato gerador ê o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Ademais, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 3. Cientificado em 27/08/2013, pág. 6.965, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 6.967/7.007, em 25/09/2013, tempestivo, resumido a seguir. 4. Requer sustentação oral e que intimações sejam exclusivamente em nome dos advogados que nomeia, sob pena de nulidade. 5. Afirma que sua atividade é de agenciamento marítimo CNAE 52.32.000, não é representação comercial nem terceirização de serviços; presta serviços de agenciamento de transporte pela Nippon Yusen KK (Armador), representandoa no Brasil, perante os clientes Fl. 11542DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 4 3 brasileiros usuários dos navios e perante os prestadores de serviços portuários e ainda os órgãos administrativos do Brasil; essa atividade lhe foi atribuída mediante contrato internacional de págs. 3.142/3.178, do qual transcreve excertos; a Autuada é responsável por: (i) acionar os prestadores de serviços portuários para os procedimentos de desembarque e embarque de containers, guarda, limpeza e reparo dos mesmos e demais serviços, (ii) acionar os clientes do Armador para retirada / entrega das mercadorias / containers e (iii) proceder ao recolhimento de impostos e taxas oriundos das operações portuárias na entrada e saída do país das mercadorias transportadas pela empresa Nippon Yusen K.K. (armador), além de outras atividades descritas na cláusula 2 do contrato firmado com a empresa japonesa. 6. Cita que o agente marítimo é quem contrata, em nome do armador, os serviços para a operação do navio no porto, assim como o agenciamento de carga, segundo parecer do prof. Ives Gandra da Silva Martins. 7. O agente marítimo é imprescindível para que a empresa estrangeira (o armador) possa exercer suas atividades de transporte marítimo, no Brasil e é regulada pelo art. 710 do Código Civil, IN SRF nº 800, de 2007, e as Circulares Bacen nºs 2.297, 3.280, 3.291 e 3.325, e a Lei nº 11.791, de 2008. 8. Cita e transcreve descrições da atividade por diversos autores e ainda decisão judicial do TRF 2ª Região, de que o agente marítimo, "tratase de mero agenciador de negócios, sendo contratado pelo armador de um navio para atuar como intermediário entre este e a praça onde vai atracar, não lhe cabendo a exploração comercial da embarcação, mas tão somente os aspectos operacionais da descarga no porto." , e do Superior Tribunal de Justiça STJ, no mesmo sentido.de que o agente marítimo, na condição de responsável pela intermediação de contratos de transporte, não tem poder de gestão sobre a embarcação e não possui responsabilidade pelos negócios do armador, que explora comercialmente uma embarcação mercante, sendo ou não seu proprietário e ainda outras. 9. Invoca o art. 110 do CTN, de que a o DireitoTributário deve respeitar os institutos e conceitos do direito privado 10. Discorda da conclusão de que pelo simples fato de os valores terem transitado pelas suas contas bancárias, estes se caracterizam como receita própria da Recorrente, de modo que devem ser tributados pelo PIS e pela COFINS, pois apresentou documentação comprobatória da prestação de serviço de agenciamento à Nippon, das operações realizadas: Bill of Lading (conhecimentos de transporte) emitidos em nome da Nippon (contrariando o entendimento de que a Recorrente teria faturado os serviços de transporte), atestando os fretes; remessas de dinheiro recebido dos clientes brasileiros da Nippon para o exterior, em nome da Nippon (contratos de câmbio tipo 4); recebimentos de dinheiro da Nippon para remunerar as comissões da recorrente e para pagamento dos prestadores de serviços portuários brasileiros (contratos de câmbio tipo 3); notas fiscais dos prestadores de serviços portuários. 11. Que apesar de inexistir conta bancária própria Nippon Yusen, a Recorrente sempre separou claramente os valores que são de propriedade da empresa japonesa e aqueles que são de sua propriedade. 12. Ressalta, para que a Recorrente proceda aos fechamentos dos contratos de câmbio tipo 3 e tipo 4 a fim de concretizar o fluxo financeiro da operação, qual seja, remessa dos valores recebidos de clientes brasileiros à empresa japonesa e recebimento de valores da empresa japonesa relacionados à sua comissão e os demais gastos com os prestadores de Fl. 11543DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 5 4 serviços portuários, é necessária a observância de regulamentos trazidos especificamente para essa operação, constantes da Circular Bacen 2297/92, que determina que "Cada agente/representante do transportador estrangeiro devera estar credenciado pelo banco central do Brasil e celebrara suas operações de cambio em uma única praça escolhida a seu exclusivo critério." e destaca que se a Recorrente não pudesse receber as quantias dos clientes brasileiros da Nippon e repassálos ao Japão, não haveria razão para essa regulamentação. 13. Assevera que os valores recebidos da empresa japonesa a título de adiantamento das despesas com prestadores de serviços portuários são integralmente utilizados para esse fim, conforme se verifica das notas fiscais emitidas pelos referidos prestadores de serviços; sobre a comprovação de R$ 83 milhões, anexa novamente aos autos as notas fiscais dos prestadores de serviços do armador, Nippon Yusen K.K, os quais foram pagos pela mesma através da Recorrente (Doc. 01). 14. Para que não restem dúvidas quanto à atividade prestada pela Recorrente, anexa cópias de notas fiscais emitidas nos exercícios de 2011, 2012 e 2013 (Doc. 03) que demonstram, exemplificativamente, que a Recorrente permanece exercendo a atividade de agenciamento marítimo e prestando serviços à empresa japonesa (armador) Nippon Yusen. 15. Advoga a isenção e não incidência de PIS e Cofins sobre as receitas de agenciamento marítimo, diante da comprovação da emissão de notas fiscais de serviços de agenciamento marítimo (valores das comissões) da Recorrente para o armador, Nippon Yusen K.K., estabelecida no Japão; resume que auferiu receita em 2008 constituída de: (i) R$ 23 milhões de comissão pelos serviços prestados à empresa japonesa Nippon Yusen K. K. (exportação de serviços), segundo o art 5º, II, da Lei n° 10.637, de 2002; art. 6º, II, da Lei n° 10.833, de 2004; Solução de Consulta nº 36, de 18 de maio de 2009; e Processo de Consulkta nº 132, de 2012; (ii) R$ 10 milhões de variação cambial (receita financeira, sobre a qual as respectivas alíquotas foram reduzidas a zero pelo Decreto nº 5.164, de 200, mantido pelo Decreto nº 5.442, de 2005); e (iii) R$ 10 milhões de prestação de outros serviços realizados a empresas brasileiras, os quais não estão vinculados ao contrato de agenciamento marítimo firmado com a empresa japonesa, e em relação aos quais recolheu PIS e Cofins. Quanto aos R$148 Milhões que a Recorrente repassou ao Japão, referentes aos serviços prestado pela Nippon, não compõem a sua receita bruta, pois desvirtua a natureza de agenciamento marítimo; diz que a Solução de Consulta nº 304, de 2008, citada pelo julgador, na verdade, dá fundamento aos argumentos da Recorrente de que a mera passagem de valores nas suas contas bancárias não caracteriza receita da Recorrente. 16. Na remota hipótese de ser mantida a autuação, diz que os valores dos créditos devem ser calculados sobre todas as notas fiscais acostadas, R$80 Milhões, e não somente sobre os R$20 milhões considerados pelo Autuante. 17. Sobre a afirmativa de que nem todos os R$197 Milhões depositado em suas contas pelos clientes brasileiros foi repassado à Nippon, esclarece que neste valor se incluem: os recebimentos dos clientes brasileiros, relativos aos fretes pela Nippon; trânsito financeiro para pagamento de THC Taxa Portuária pelos usuários dos fretes internacionais; outras prestações de serviços pela Recorrente, que não são agenciamento marítimo, mas que constam do seu objeto social. 18. Destaca que não retém os valores devidos a ela pela Nippon, a título de comissão e pagamento de despesas portuárias, que são posteriormente enviados pela Nippon, mediante fechamento diverso de câmbio. Fl. 11544DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Eva Maria Los 1 A autuação. 19. Relata o Autuante que a empresa declarou R$33 Milhões de receitas de vendas de serviços e R$10Milhões de receita financeira de variação cambial positiva, porém a movimentação financeira em suas contas bancárias evidenciou o montante de R$368Milhões; constatou que a movimentação bancária que estava totalmente escriturada na contabilidade; intimada a esclarecer a origem de R$301Milhões de créditos bancários, cuja justificativa o fiscal não encontrou, a empresa explicou que: a. R$197 Milhões: valores recebidos de clientes no Brasil, referentes a agenciamento de transporte internacional de cargas, os clientes são tomadores do serviço de transporte internacional, realizado pela sua controladora no Japão, a Nippon; foram contabilizados na conta 21601105 "depósito de frete/THC e outras taxas"; e a empresa entregou Bills of Lading (conhecimentos de transporte marítimo) emitidos pela Nippon em nome de clientes como, por exemplo, Larch Navigatin Intl Ltd, na China, ref carga de luminárias, carregadas em Hong Kong e descarregados em Navegantes/SC Brasil; págs. 3.199/3.564 e 6.826/6.930 estes documentos comprovam que o transporte internacional marítimo das cargas foi efetuado pela Nippon; i. a recorrente acrescentou que, no total de R$197 Milhões também estão incluídos: trânsito financeiro para pagamento de THC Taxa Portuária pelos usuários dos fretes internacionais; e outras prestações de serviços pela Recorrente, que não são agenciamento marítimo, mas que constam do seu objeto social. b. R$104Milhões: recebimento da Nippon, via contratos de câmbio, de reembolso de despesas, contabilizados na conta 21601101 "despesas de custeio de navio", apresentou os Contratos de Câmbio de Compra, Tipo 03, Transferências Financeiras do Exterior, págs. 5.071/5.502, para comprovar os recebimentos estes documentos consignam a Nippon, no Japão como pagador no exterior, a natureza da operação 202008509390 TranspFretesOut Rec/Desp Trans Maritimo este documentos comprovam que a origem dos recursos foi a Nippon, no Japão. 20. Relata ainda que a empresa explicou que: a. R$148Milhões foram remetidos pela Autuada ao exterior, para a Nippon, contabilizados nas contas 21601102 "fretes a remeter" e 21601104 "demurrage a remeter" (demurrage significa afretamento de navio), com os históricos "fechamento de câmbio referente remessa de frete/demurrage"; tais valores não transitaram pelas contas de resultado, nem geraram créditos de PIS ou Cofins; apresentou os Contratos de Câmbio de Venda, Tipo 04, Transferências Financeiras para o Exterior, págs. 3.565/5.070, para comprovar este documentos consignam como recebedor a Nippon, natureza da operação Fl. 11545DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 7 6 206268509390, TranspFretesSobre exportaçãomaritimos comprovam as remessas para a Nippon, no Japão; b. R$110Milhões foram utilizados para pagamentos de prestadores de serviços, referentes a despesas da Nippon, não integraram os resultados, nem geraram créditos na apuração de PIS e Cofins; R$83 Milhões foram contabilizados na conta 21601101 "despesas de custeio de navio" e a empresa afirma trataremse de reembolsos de despesas da Nippon que a Autuada pagou; o Autuante afirma que a empresa só comprovou R$20Milhões com notas fiscais e faturas/duplicatas a Recorrente assevera que apresenta juntou com impugnação e recurso, notas fiscais no total da despesa, págs. 5.503/6.824 e págs. 7.011/9.755 Essas notas fiscais, faturas/duplicatas, conhecimentos de transporte foram emitidas por prestadores de serviços em nome da Nippon Yusen K.K, a/c NYK Line do Brsail Ltda comprovam a prestação de serviços para a Nippon, isto é, que as despesas são da Nippon. 21. O Autuante considerou: a. R$301Milhões como receitas próprias da Autuada: i. R$197 Milhões recebidos por serviços de frete, como receita própria da Autuada, que subcontratou a Nippon para executar os serviços de transporte marítimos, isto é, a receita seria da Autuada e a Nippon uma terceirizada sua, e os pagamentos a esta, seriam custos da Autuada a serem deduzidos da receita; ii. R$104 Milhões, recebidos da Nippon, qualificou como receita própria da Autuada de reembolsos; b. Como a Autuada declarou R$43Milhões de receita, apurou R$257Milhões como receita omitida; c. Reconheceu como despesas a serem deduzidas, na apuração do lucro: i. R$148 Milhões pagos à Nippon pelos serviços de fretes; ii. R$20 Milhões comprovados de despesas com prestadores de serviços no Brasil. 22. A apuração do PIS e da Cofins exigidos está à pág. 3.112, apurados sobre a receita de R$257 Milhões de receita omitida e as despesas de R$20 Milhões. 2 Atividade desenvolvida pela NYK Line do Brasil Ltda. 23. A alteração e consolidação do contrato social de 31/03/2011, págs.36/56, especifica o objeto social transcrito a seguir, e que os sócios da empresa são Nippon Yusen Kabushiki Kaisha, domiciliada no Japão, com 99,99% do capital (cujo objeto social. segundo o autuante é "holding de instituições não financeiras"; os demais sócios são 5 (cinco) pessoas físicas, cidadãos japoneses, domiciliados no Brasil, e que são os diretoresgerentes, que a administram. A Sociedade terá por objeto a prestação de serviços de: Fl. 11546DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 8 7 a. agentes gerais no Brasil das atividades da NIPPON YUSEN KABUSHÍKI KAISHA, incluindo, mas não limitada, à venda dos serviços da NIPPON YUSEN KABUSHIKI KAISHA, mantendo registros sobre clientes, contratação de carga, pesquisa de novos mercados, acompanhamento das atividades dos concorrentes, publicidade e outras atividades representadas pela N1PPON YUSEN KABUSHIKI KAISHA; b. agenciamento de transporte internacional; c. logística internacional; d. operação e/ou gerência de embarcações porta contêineres para serviços internacionais, fluviais e de cabotagem; e. fornecimento/administração de serviços de armazenagem de cargas; f. representação comercial de empresas nacionais ou estrangeiras; g. operador portuário em todos os portos do Brasil; h. transporte rodoviário ou não, em contêineres, fora deles ou a granel, de cargas secas e líquidas; i. operador de transporte multimodal, nos termos da Lei n.° 9.611, de 19 de fevereiro de 1.998; j. inclusive, referente à participação em outras sociedades que atuem nos setores supracitados, ou afins. 24. Não há informação sobre o objeto social em 2008, autuado. 25. Às págs. 3.180/3.198, a tradução juramentada do Contrato de Representação Comercial entre a Nippon e a Autuada, em 01/01/2002, nomeandoa como representante para todos os serviços no Brasil, tais como: providenciar ancoradouro para as embarcações da Nippon, providenciar entrada e liberação das mesmas, providenciar os pagamentos das despesas do porto e taxas, abastecimento, reparos de emergência, serviços de estiva; solicitar e reservar a carga nas embarcações, emitir os Conhecimentos de Embarque e documentos similares, na forma prescrita pela Nippon; providenciar a entrega da carga, coletar documentos e depositar dinheiro, conforme instruções da Nippon, custodiar containers e outros equipamentos da Nippon, quando na sua área de representação; coletar todo frete e outras verbas devidas e a pagar para a Nippon e transferílas imediatamente. 26. Na internet há o site da empresa: http://www.nykline.com.br/: O Grupo NYK A NIPPON YUSEN KABUSHIKI KAISHA (NYK LINE), uma das maiores empresas globais de logística e transportes integrados do mundo, iniciou suas atividades em setembro de 1885 em Tóquio, no Japão, resultado da fusão de duas empresas Japonesas: Yubin Kisen Kaisha e Kyodo Unyu Kaisha. No início operava com 69 navios que somavam quase 73 mil toneladas de capacidade máxima de transporte, o que já na época a transformava na maior empresa armadora do Japão. Hoje, a empresa possui uma frota com cerca de 838 embarcações, uma das maiores em todo mundo. No mundo, a empresa emprega mais de 55 mil funcionários em 240 localidades de 27 países. Possui armazéns próprios nos cinco continentes e operações portuárias na Ásia, América do Norte e Europa. A frota de embarcações inclui navios porta contêineres, navios granaleiros, para cavacos de madeira, Fl. 11547DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 9 8 transporte de carros, frigoríficos, navios–tanques, LNG (gás liquefeito) e navios de cruzeiros. E ainda frotas de aviões, trens e caminhões. (...) Na América Latina o grupo desenvolve suas atividades por meio de seis empresas e uma equipe de cerca de 500 pessoas, com operações em 80 portos da região. No Brasil, sede regional do Grupo, o escritório comercial opera desde 2002. Em 1° de Janeiro de 2002, a NYK Line abriu seu próprio escritório no Brasil, também na cidade de São Paulo, sob o nome NYK Line do Brasil. (...) Hoje a empresa está localizada em São Paulo capital, sede regional do Grupo na América Latina. Possui uma filial em Santos e conta com uma equipe de 170 funcionários no Brasil, com operações em 14 portos brasileiros. Outras empresas do Grupo também estão presentes no Brasil: a Yusen Logistics do Brasil (São Paulo e Manaus) e a NYK Bulk Atlantic (Rio). 27. A antiga Coordenação do Sistema de Tributação (CST) da Secretaria da Receita Federal atual CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) exarou o Parecer CST n° 976, de 29 de maio de 1987, em que se lê o seguinte: (...) 5. As atividades exercidas pela consulente agenciamento marítimo e apoio portuário não se enquadram no conceito de representação comercial já que não envolvem a prática da representação relacionada com a realização de negócios mercantis ou comerciais. 6. Tampouco se enquadram no conceito de mediação na realização de negócios civis e comerciais, visto que, na mediação, o medianeiro não realiza o negócio, apenas intervém entre as partes que desejam contratar, como a finalidade de aproximálas para a realização do negócio. A consulente, ao contrário, executa os atos e realiza os negócios autorizados no contrato de agenciamento. (Grifouse.) 28. IN SRF nº 800, de 2007: "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2° A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. (Grifouse.) 29. Resumindo, os serviços de transporte marítimo foram executados pela controladora no exterior, Nippon, dado que os conhecimentos de transporte foram emitidos em seu nome; as despesas pagas pela Autuada têm como titular a Nippon ambos conjuntos de documentos, aliados ao Contrato de Representação Comercial entre a Nippon e a autuada, justificam as remessas e os recebimentos de recursos descritas. Fl. 11548DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 10 9 30. Observese que não houve por parte do Autuante informação da existência de notas fiscais de despesas em nome da Autuada, que certamente existem, ou de Conhecimentos de Transporte que tenha emitido em seu próprio nome, embora possam existir, haja vista o objeto social. 3 Processo Conexo nº 19515.722412/201274. 31. Foram lavrados autos de infração de PIS e Cofins objetos do presente processo, e autos de infração de IRPJ e CSLL, objetos do processo nº 19515.722412/201274, na mesma ação fiscal, que foi objeto do Acórdão nº 1402001.757, de 30 de julho de 214, proferido pela 2º Turma Ordinária, 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 AGENCIAMENTO MARÍTIMO. RECEITA. COMISSÕES. Demonstrado nos autos que a interessada exerce a atividade de agenciamento marítimo, o vínculo societário com a contratante não é elemento hábil para que o Fisco desconsidere a natureza das operações realizadas sob essa égide. A receita tributável corresponde exclusivamente às comissões recebidas da contratante em retribuição ao agenciamento realizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO REFLEXO. EFEITOS. Tratandose de lançamento reflexo, aplicase a ele o resultado do processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 32. De todos os elementos expostos, são pertinentes a análise e conclusões do processo conexo, que também adoto: Quanto à documentação acostada aos autos, inclinome ao posicionamento de que milita a favor da defesa. Além do contrato de agenciamento firmado com o armador, os documentos trazidos na impugnação e na peça recursal. indicam que os clientes e prestadores de serviço reconhecem que estão contratando os serviços do armador (controladora) através da autuada. Além disso, foram apresentadas notas fiscais eletrônicas de serviços (NFe) emitidas pela Prefeitura de São Paulo SP. indicando que a autuada prestou serviço de agenciamento (comissão) à controladora. Nesse ponto, acolho as razões de defesa no sentido de que os documentos apresentados não foram devidamente examinados pela Fiscalização e pela decisão recorrida. Nesse último caso fica claro que o posicionamento do Orgão julgador teve como base a desconsideração do contrato de agenciamento em função da ligação entre as partes. Fl. 11549DF CARF MF Processo nº 19515.722413/201219 Acórdão n.º 1201001.678 S1C2T1 Fl. 11 10 Como já analisado anteriormente, penso que essa ligação não seria suficiente para a descaracterização nos moldes decididos pelo Acórdão recorrido. Em pesquisas realizadas na Internet constatei que a interessada é filiada ao Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de Sào Paulo (SINDAMAR) e à Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima (FENAMAR). o que reforça a convicção quanto à atividade por ela exercida. Sob essa ótica, mostrase correia a contabilização dos valores depositados em conta corrente de titularidade da interessada. Do exposto, demonstrado que o sujeito passivo exerce a atividade de agenciamento marítimo e considerando nào haver óbice que os serviços em questão possam ser contratados com pessoa ligada, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário o que se aplica como decorrência à cobrança da CSLL. Conclusão. Voto por dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 11550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904987/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 19/11/2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.543
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 19/11/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 87 /2 01 2- 69 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.904987/201269 Acórdão n.º 3301003.543 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.999. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.904987/201269 Acórdão n.º 3301003.543 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.904987/201269 Acórdão n.º 3301003.543 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.904987/201269 Acórdão n.º 3301003.543 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.904987/201269 Acórdão n.º 3301003.543 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.904987/201269 Acórdão n.º 3301003.543 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 162DF CARF MF
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