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Numero do processo: 10880.001935/96-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se deve conhecer do recurso voluntário quando este é apresentado em face de questão não discutida no âmbito da impugnação, ante a não instauração do litígio perante o contencioso administrativo, mormente quando as únicas matérias de defesa apresentadas na impugnação foram integralmente acatadas pela autoridade julgadora de primeira instância, restando, assim, a parcela do crédito tributário incontroverso.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se incontroversa a matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-005.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, já que o crédito tributário lançado de ofício foi exonerado integralmente pela Delegacia de Julgamento e o valor remanescente nos autos é relativo ao montante do IR declarado como devido pelo contribuinte, não configurando, portanto, litígio administrativo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer do recurso voluntário quando este é apresentado em face de questão não discutida no âmbito da impugnação, ante a não instauração do litígio perante o contencioso administrativo, mormente quando as únicas matérias de defesa apresentadas na impugnação foram integralmente acatadas pela autoridade julgadora de primeira instância, restando, assim, a parcela do crédito tributário incontroverso. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se incontroversa a matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, já que o crédito tributário lançado de ofício foi exonerado integralmente pela Delegacia de Julgamento e o valor remanescente nos autos é relativo ao montante do IR declarado como devido pelo contribuinte, não configurando, portanto, litígio administrativo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 19 35 /9 6- 88 Fl. 264DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.623 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.001935/96-88 Na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência (fls. 227/232), assim foi relatado o processo: Trata-se de Notificação de Lançamento (fl. 9) relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 117.267,71, resultante da soma do imposto a pagar apurado da declaração de ajuste anual do contribuinte (imposto a pagar declarado), no valor de 68.903,10 UFIR, e do imposto suplementar apurado pela Autoridade lançadora, no valor de 48.364,61 UFIR, além de multa de ofício e juros de mora incidentes sobre esta última parcela. O imposto suplementar decorreu da infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A impugnação apresentada pelo contribuinte (fl. 3) foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 179/182. Os julgadores da instância de piso entenderam que a infração de compensação indevida de IRRF deveria ser cancelada, assim como a multa de ofício e os juros de mora respectivos, sobejando, em litígio, o imposto a pagar declarado, no valor de 68.903,10 UFIR. Cientificada da decisão em 17/04/2014 (fl. 201), a Herdeira do contribuinte falecido, Sra. Keith Kazumi Yonamine, apresentou recurso em 12/05/2014 (fls. 203/212), acompanho dos documentos de fls. 213/223. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Nulidade da intimação Com o falecimento do Sr. Kiyoiti Yonamine fora aberto o Processo de Inventário perante a 2ª Vara de Família e Sucessões do Foro Central da Capital de São Paulo. Foi nomeada inventariante a Sra. Tereza Kazuko Yonamine (viúva), posteriormente ocorrendo o trânsito em julgado do inventário em 07 de novembro de 2006. Mesmo que a intimação da decisão recorrida tivesse sido expedida em nome da Inventariante, também resultaria infrutífera, tendo em vista que esta veio a falecer em 2012 e que seu inventário tenha sido encerrado em dezembro do mesmo ano. Após o falecimento do contribuinte e da Inventariante, bem como do encerramento dos respectivos processos de inventário, restou expedida a intimação acerca do julgamento proferido pela 15ª Turma da DRJ/SP1 em nome da herdeira Keith Kazumi Yonamine. É totalmente incabível a intimação em nome da referida sucessora, não sendo ela a responsável tributária pelo suposto adimplemento da obrigação, a teor do que dispõe o artigo 124 do Código Tributário Nacional CTN. Tal fato resta ainda mais explícito na medida em que a própria Autoridade fazendária já o reconheceu, pois os Procuradores da Recorrente, devidamente munidos dos documentos imprescindíveis para sua representação perante a Receita Federal, tiveram negado acesso aos autos administrativos para vista e extração de cópias. Assim, deve ser acolhida a nulidade da Intimação nº 200/2014 (fl. 198), diante da impossibilidade de a Autoridade fazendária constituir um suposto crédito tributário, inicialmente cadastrado em nome do contribuinte já falecido, agora o fazendo em nome da herdeira Keith Kazumi Yonamine. Prescrição O processo de inventário do contribuinte transitou em julgado no dia 07 de novembro de 2006. Ou seja, nesse interregno a autoridade fazendária gozava de meios aptos a assegurar, junto ao espólio, o pagamento do suposto crédito tributário devido, Fl. 265DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.623 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.001935/96-88 culminando por extinguir a obrigação, assim o fazendo em conformidade com o que dispõe o artigo 131 do CTN. A Fazenda Pública, obrigatoriamente citada nos autos do processo de inventário, nada pronunciou a respeito, culminando com o trânsito do processo de inventário, em consonância aos termos dos artigos 999 e 1.026 do Código de Processo Civil – CPC. Evidente que, cumpridos os preceitos legais, fora prolatada sentença no processo de inventário, o qual durante seu regular processamento culminou por cientificar o Fisco, sendo possível, portanto, a averiguação de eventual crédito que carecia de pagamento à data da abertura da sucessão. Assim, a própria legislação cível coaduna-se perfeitamente à disposição do artigo 192 do CTN. Havendo interesse na quitação do débito, caso fosse devido, poderia a Fazenda requisitar valores ou bens aptos a garanti-lo, na medida em que detinha a informação tanto do falecimento do contribuinte, quanto da instauração do presente feito. Ainda assim, ao juízo do inventário foi obrigatória a apresentação de Certidão Negativa de Débitos CND que demonstrasse não haver pendência perante as autoridades fazendárias municipal, estadual e federal. Assim, vislumbra-se a morosidade no trâmite do presente feito, que perdura há mais de 18 anos. Nesse lapso, ante o falecimento do contribuinte, encerramento do seu processo de inventário e a autoridade fazendária detendo meios pelos quais era possível estar a par de tais informações, nenhuma diligência fora providenciada pelo ente público em face de sua pretensão. Resta claro e evidente que o deslinde da controvérsia está em total discordância com o que dispõe o art. 5º, inciso LXXVIII, do Texto Constitucional, bem como com os princípios constitucionais da moralidade e da eficiência. MÉRITO Na DIRPF 1995 constaram os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas com retenção na fonte e, por conseguinte, apresentados os comprovantes de rendimentos que confirmam a retenção dos rendimentos pagos. Assim, os comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras constantes da declaração do IRPF ano-calendário 1994, exercício 1995, estão aptos a demonstrar a retenção ocorrida, sendo cabível, portanto, a dedução realizada pelo contribuinte. A Autoridade administrativa detém meios para realização de diligências a fim de localizar as pertinentes declarações da fonte pagadora e a comprovação do efetivo recolhimento do imposto devido. A obrigatoriedade pela retenção e recolhimento do imposto de renda cabe à fonte pagadora, perante a qual o Fisco pode confirmar o efetivo pagamento do tributo. O de cujus demonstrou que efetivamente sofreu a retenção do imposto de renda, e assim fazia jus a sua dedução. A contrario sensu, pode o Fisco ter acesso aos documentos hábeis a comprovar esse efetivo recolhimento do tributo, os quais o contribuinte pode não haver logrado êxito em juntar. Ainda assim, diante da negativa de acesso da Recorrente ao inteiro teor dos autos, conforme anteriormente narrado, muito embora a intimação do teor da decisão tenha sido registrada em seu nome, cumpre reiterar todos os termos em sede de impugnação já expostos. Pedido Fl. 266DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.623 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.001935/96-88 Ao final, requer seja o presente recurso conhecido e ao final provido, a fim de que sejam acolhidas as razões preliminares, julgando procedente e determinando o cancelamento da notificação de cobrança e extinção do processo administrativo cadastrado sob o n° 10880.001935/9688. Caso as preliminares forem ultrapassadas, requer a reforma da decisão proferida pelo acórdão recorrido, ante as alegações anteriormente apresentadas e melhor sopesadas no presente Recurso. Da Resolução convertendo em diligência Durante a sessão de julgamento realizada em 10/03/2015, a Egrégia 1ª Turma Especial da 2ª Seção de julgamento entendeu por converter o julgamento em diligência através da Resolução nº 2801-000.641 (fls. 227/232) para que a unidade de origem intimasse a RECORRENTE para apresentar os seguintes documentos: a) prova incontroversa de quem foram os beneficiários (sucessores) do patrimônio deixado pelo de cujus; b) prova incontroversa da parcela do patrimônio do de cujus atribuída a cada um dos sucessores; c) prova incontroversa de que houve a intimação da Fazenda Pública no curso do processo de inventário e de que houve a apresentação de CND emitida pela Administração Pública federal. As provas a serem apresentadas devem ser provenientes do formal de partilha (letras “a” e “b”) e do inventário (letra “c”). Em 06/08/2015 a RECORRENTE apresentou a petição de fls. 238/241 juntando os aos autos os documentos solicitados (fls. 242/260), sem apresentar nenhum novo esclarecimento. Em razão da extinção do colegiado originário, este processo foi encaminhado à 2ª Seção para nova distribuição e compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. Antes de adentrar no juízo de admissibilidade do Recurso Voluntário, faz-se necessária uma adequada compreensão da lide, resgatando os principais eventos processuais dos autos. Infere-se da notificação de lançamento de fl. 9 que o contribuinte foi notificado da existência de débito de imposto de renda no montante de UFIR117.267,71, sendo este formado pelo imposto a pagar declarado pelo RECORRENTE no montante de UFIR 68.908,10 e do Fl. 267DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.623 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.001935/96-88 lançamento do imposto de renda suplementar, em razão da glosa dos valores informados ao título de imposto de renda retido na fonte, no valor de UFIR 48.361,61, a conferir: Em face desta notificação de lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3, no qual contestou a glosa da compensação dos valores declarados como imposto de renda retido na fonte, a ver: Percebe-se desta impugnação que o contribuinte nada fala sobre o valor de UFIR 68.903,10 presente no campo “imposto a pagar declarado” da notificação de lançamento. Isto porque, este crédito tributário não foi constituído pelo lançamento de ofício, mas sim pelo próprio contribuinte através de sua declaração de fls. 11/19, na qual reconhece como devido este valor e, inclusive, pleiteia seu pagamento em 6 parcelas: Fl. 268DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.623 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.001935/96-88 Observa-se que este recibo de entrega foi devidamente assinado pelo contribuinte e que sua impugnação não tem nenhum argumento sobre qualquer erro no valor por ele declarado, mas apenas sua irresignação quanto a alteração do campo “imposto de renda retido na fonte” de UFIR 48.364,61 para o valor UFIR 0,00, o que ensejou – exclusivamente – o lançamento do imposto suplementar de UFIR 48.361,61, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora. Pois bem, como cediço, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/1972. Neste sentido, decisões entende o CARF: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERA. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. A teor do que apontam as disposições do Decreto 70.235/72, compete ao contribuinte a instauração da fase contenciosa do procedimento com a apresentação de sua impugnação, onde deve destacar todos os seus argumentos e provas na defesa do direito contra o lançamento efetivado. (Acórdão nº 1301001.376 de 5/12/2013) *** AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Ausente impugnação ao lançamento devidamente constituído, não se instaura a fase contenciosa do processo administrativo fiscal, não havendo de se conhecer de recurso voluntário, que sequer é tempestivo. (acórdão nº 2402-006.814, 5/12/2018) No presente caso, não houve qualquer impugnação quanto ao montante do imposto de renda regularmente declarado pelo contribuinte no montante de UFIR 68.908,10, tendo sua impugnação apenas questionado o lançamento do imposto suplementar lançado em razão da glosa dos valores informados a título de imposto de renda retido na fonte, no valor de UFIR 48.361,61. Acontece que a matéria que foi objeto da impugnação do contribuinte foi julgada integralmente procedente em seu favor, conforme acórdão de fls. 179/182, abaixo ementado: Fl. 269DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.623 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.001935/96-88 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:1994 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Comprovado pelos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras ter havido a retenção do imposto de renda na fonte, devem ser restabelecidas as deduções glosadas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte A manutenção do lançamento se deu, exclusivamente, em face do imposto já declarado pelo contribuinte, neste sentido, destaco trechos do acórdão da DRJ (fl. 182): Tendo o impugnante apresentado os comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras constantes da declaração do IRPF/1995, ainda complementadas com as informações de fls. 39 a 40, 61 a 147, resta restabelecer a dedução do IRRF declarado no valor de 48.364,61 UFIR (fl. 13), com o que se apura no exercício 1995 saldo de imposto a pagar no valor de 68.903,10 UFIR, tal qual declarado (fl. 19). Isto posto, voto no sentido de considerar procedente a impugnação, para exonerar o imposto suplementar de 48.364,61 UFIR e multa de ofício de igual valor, exigidos pela notificação de lançamento de fl. 09, mantendo, todavia, o imposto declarado no valor de 68.903,10 UFIR. (Grifou-se) Deste modo, não houve instauração de fase litigiosa quanto ao valor já declarado pelo contribuinte, posto que não foi objeto da impugnação, razão pela qual não poderia sua sucessora, em sede de recurso voluntário, apresentar razões para se eximir do pagamento, caso o mesmo não tenha sido realizado em tempo oportuno. Assim, entendo que o recurso voluntário sequer merece ser conhecido. Sendo assim, por não ser objeto do presente caso, entendo que não cabe a discussão acerca do valor de 68.903,10 UFIR, pois referido crédito tributário não é controlado no presente processo. De todo modo, não conhecido o recurso voluntário, deve ser mantida a cobrança do imposto declarado originalmente pelo RECORRENTE, caso não tenha sido pago oportunamente. Por oportuno, atento que cabe à unidade preparadora verificar a existência do crédito tributário de 68.903,10 UFIR, visto que o mesmo já pode ter sido pago ou parcelado. Inclusive verificar a possível prescrição do direito de cobrança do referido crédito, já que o mesmo foi constituído mediante declaração do próprio contribuinte em 1995 (fato não controverso) e não houve instauração de litígio quanto ao mencionado valor, não havendo que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, consequentemente, na suspensão do prazo prescricional. Fl. 270DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.623 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.001935/96-88 Ou seja, desde o possível inadimplemento pelo contribuinte após a entrega de sua DAA, o valor de 68.903,10 UFIR poderia ser cobrado pela autoridade fazendária. Pode-se inferir que o presente lançamento teve o condão de realizar esta cobrança. Contudo, não tendo sido instaurado o litígio em face do mencionado valor declarado pelo contribuinte, ele não se tornou objeto deste processo e já passou a ser passível de execução. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 271DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720723/2011-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008
PLR PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO DISCUTIDO E FIRMADO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO.
Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos discutidos e firmados após o início do período de aferição acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no saláriodecontribuição.
RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. OBRIGAÇÃO DO EMPREGADOR DE COMUNICAR TAL SITUAÇÃO Á AUTORIDADE COMPETENTE.Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis.
PLR. COMISSÕES PARITÁRIAS. NÃO PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE DO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A ausência de membro do sindicato representativo da categoria nas comissões constituídas para negociar o pagamento de PLR implica descumprimento da lei que regulamenta o benefício e impõe a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esse título.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS.
O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes.
PLR. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA fIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO.
Os instrumentos decorrentes de negociação deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados.
Para caracterização de regras claras é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, de modo que possam ser conhecidos e avaliados no decorrer do processo de aferição.
MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. SUMULA CARF 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-008.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe deram provimento integral e as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento relativamente à PLR, e, uma vez vencidas, mantiveram a exigência da multa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ACORDO DISCUTIDO E FIRMADO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos discutidos e firmados após o início do período de aferição acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no saláriodecontribuição. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. OBRIGAÇÃO DO EMPREGADOR DE COMUNICAR TAL SITUAÇÃO Á AUTORIDADE COMPETENTE.Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis. PLR. COMISSÕES PARITÁRIAS. NÃO PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE DO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A ausência de membro do sindicato representativo da categoria nas comissões constituídas para negociar o pagamento de PLR implica descumprimento da lei que regulamenta o benefício e impõe a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esse título. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 23 /2 01 1- 47 Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.591 2 título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes. PLR. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA fIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO. Os instrumentos decorrentes de negociação deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, de modo que possam ser conhecidos e avaliados no decorrer do processo de aferição. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. SUMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe deram provimento integral e as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento relativamente à PLR, e, uma vez vencidas, mantiveram a exigência da multa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.592 3 Tratase de Autos de Infração relativos a contribuições sociais previdenciárias devidas pela empresa, aí incluído o SAT/RAT, bem como aquelas devidas a terceiros, todas incidentes sobre pagamentos efetuados a título de PLR no período de 2/2006 a 12/2008. O Relatório Fiscal encontrase às fls. 445/466. A DRJ de São PauloI julgou procedente em parte o lançamento às fls. 958/998. Por seu turno, a 2 ª Turma Ordinária da 2ª Câmara julgou improcedente o Recurso Voluntário por meio do acórdão 2202003.842 fls. 1143/1168. Às fls. 1176/1195 foram opostos Embargos pelo contribuinte, os quais foram rejeitados pelo Presidente da Turma às fls.1239/1241. Na sequência, o sujeito passivo apresentou Recurso Especial às fls. 1249/1281, pugnando, ao final, fosse reformado o acórdão recorrido. Em 15.12.17 às fls. 1491/1502 foi dado seguimento parcial ao recurso no tocante às matérias: I) assinatura de acordo após iniciado o exercício, mas antes do seu fim, não implica incidência de contribuições previdenciárias sobre PLR; II) possibilidade de regras e metas fixadas genericamente no acordo de PLR serem complementadas por instrumento interno da empresa sem que isso implique, por si só, incidência de contribuições previdenciárias sobre PLR; III) não comparecimento de representante sindical à reunião da comissão paritária constituída para deliberação e aprovação do acordo próprio de PLR, a despeito de comunicação do convite à entidade sindical, não é razão suficiente, por si só, para a incidência de contribuições previdenciárias sobre o PLR; IV) pagamento de PLR em desatendimento ao requisito da periodicidade legal não faz incidir contribuições previdenciárias sobre todo o PLR, e sim somente sobre as parcelas pagas em desacordo com a periodicidade prevista na lei; e V) retroatividade benigna multa relacionada às Contribuições Previdenciárias relativamente a fatos geradores anteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 2008. Ato contínuo, o sujeito passivo interpôs Agravo, que foi rejeitado pela Presidente da CSRF às fls. 1551/1555. Intimada, a Fazenda Nacional apresentou às fls. 1570/1587 contrarrazões ao recurso do autuado, pugnando pelo seu desprovimento. É o relatório. Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.593 4 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Relator Do conhecimento. O Recurso Especial é tempestivo. Preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Como já relatado, o acórdão recorrido negou provimento ao recurso do contribuinte por meio da seguinte ementa (naquilo em que foi devolvido a reexame) e dispositivo: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PLR. REQUISITOS LEGAIS. O pagamento de PLR regular e legítimo, previsto no artigo 7º, inciso XI, da CF/88, é aquele que observa, cumulativamente, todas as regras estabelecidas na Lei nº 10.101/2000. Assim, descumprido algum dos pressupostos legais, a descaracterização reportase ao somatório do plano. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O PLR que não conta com a participação do sindicato da categoria não se encontra na regularidade. A definição ou detalhamento de regras em sistema interno, sem participação sindical, afasta a não incidência de contribuição previdenciária sobre a PLR. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará.. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Estando escorreita a tributação do PLR, como consectário legal, mantémse a multa pelo descumprimento das obrigações acessórias de declarar tais bases de cálculo em GFIP, conforme artigo 32, inciso IV da Lei nº 8.212, de 1991. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106 DO CTN. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449/08. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, "c", a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.594 5 Em face da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09), para o cálculo da multa mais favorável ao contribuinte, em relação às competências anteriores à 11/2008 (inclusive), devese somar a multa por falta de pagamento do tributo (aplicada com base na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212/91) com as multas por falta/inexatidão de GFIP (estipuladas na redação anterior do art. 32, §§ 4º, 5º, 6º, da Lei nº 8.212/91), e o resultado deve ser comparado com a multa prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação atual, que conduz ao art. 44, da Lei nº 9.430/96 (75%). Precedentes desta Turma. Acórdãos 2202003.554, 2202003.555. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso para: a) tributar apenas a PLR que excedeu à periodicidade semestral; b) reduzir a multa aplicada para trinta e três centésimos por cento por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96); c) determinar o recálculo da multa de descumprimento de obrigação acessória conforme o art. 32A da Lei 8.212/91. Rememorando, o Recurso Especial do contribuinte teve parcial seguimento quando do exame de sua admissibilidade, impondose a sua análise segundo as matérias apontadas alhures. Vamos a elas: A assinatura de acordo após iniciado o exercício, mas antes do seu fim, não implica incidência de contribuições previdenciárias sobre PLR. Nesse ponto, noticiou o autuante que o Plano de PLR relativo ao exercício de 2007, com vigência no período compreendido entre 1/1/07 a 31/12/07, teria sido acordado somente em 30.11.07, não havendo o estabelecimento prévio de metas para aquele exercício. Diante disso, aduziu o recorrente que lei não dispõe que o instrumento deva ser assinado previamente ao período em que seria aferida a participação nos lucros. Prosseguiu afirmando que o acordo prévio estaria relacionado, apenas, ao programa de metas e/ou resultados, quando esse fosse adotado como critério de participação nos lucros e resultados. E concluiu que inexistiria qualquer previsão legal da necessidade de formalização / assinatura do acordo previamente ao período de apuração de metas, mas tão somente que as condições e os critérios fossem negociados previamente. Data venia, não comungo desse entendimento. Nossa Lei Maior de 1946, já previa em seu artigo 157, inciso IV, a participação do trabalhador nos lucros da empresa. Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.595 6 Art. 157. A legislação do trabalho e a da previdência social obedecerão nos seguintes preceitos, além de outros que visem à melhoria da condição dos trabalhadores: (...) IV participação obrigatória e direta do trabalhador nos lucros da empresa, nos têrmos e pela forma que a lei determinar; O mesmo ocorreu com a EC 1/1969, que deu nova redação à CF/1967. Art. 165. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos têrmos da lei, visem à melhoria de sua condição social: (...) V integração na vida e no desenvolvimento da emprêsa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, segundo fôr estabelecido em lei; A atual Carta Política parece ter inovado ao trazer em seu texto a garantia de participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. Confirase: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Por sua vez, a Exposição de Motivos da MP 794/941, que deu origem à Lei 10.101/2000, apresentou importante consideração sobre o valor a ser distribuído ao empregado. Confirase: Percebase que a intenção do legislador, é o que se deflui do texto encimado, foi a retribuição ao trabalhador, pelo seu esforço, de parte da riqueza que ajudou a produzir na sociedade. São repasses de ganhos de produtividade. Assim sendo, imagino ser justamente essa riqueza produzida é que lastreará o pagamento ao trabalhador a esse título. 1 Diário do Congresso Nacional 19/1/1995, Página 295 http://legis.senado.leg.br/diarios/PublicacoesOficiais Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.596 7 Na sequência, a possibilidade de exclusão desses valores do conceito de saláriodecontribuição, tem assento legal na alínea "j" do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91.Confirase: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; E com vistas a dar efetividade à previsão legal, editouse o que hoje se tem na Lei 10.101/2000, que traz em seu artigo 1º, o objetivo que se espera do instrumento, que aqui ouso a chamar de "mediato". É dizer, temse por expectativa que haja a efetiva integração entre capital e o trabalho, bem como o incentivo à produtividade que, em última análise, tem o interesse público como beneficiário indireto, na forma do esperado crescimento econômico do país. E visando esse desejo do legislador é que deve ser interpretada a norma. Vejamos, novamente, o que diz a parte final daquela Exposição de Motivos: Assim posto, penso que a participação nos LUCROS e/ou nos RESULTADOS deve estar associada necessariamente à apuração econômica e/ou financeira da empresa como um todo no respectivo período aquisitivo/base. O objetivo, esse aqui "imediato", seria sempre sua saúde financeira e/ou econômica, cujos frutos serão compartilhados com o empregado em função de sua participação diferenciada. Com isso, fazse com que recaia sobre o empregado, de certa forma, parcela do risco da atividade empresarial; o que não se observa, por exemplo, quando lhe é pago o salário em função de seu contrato de trabalho ou mesmo prêmio em função do alcance de metas e resultados não diretamente vinculados àquele objetivo imediato. Havendo ou não lucro, havendo ou não resultado, o salário contratado e o prêmio pelo atingimento de metas são, em regra, devidos. A rigor, até mesmo em função do conflito histórico que se instalou entre aqueles que detém o capital e os que comparecem com o labor, o empregado, por vezes, sente se indiferente com a obtenção do lucro por parte do empregador ou mesmo com a melhoria em seus resultados, em que pese sua permanência no emprego depender diretamente desses fatores, quanto mais esforçarse para que haja um aumento desse lucro ou resultado. Com a possibilidade de ver compartilhada parcela desse lucro ou resultado, surge a expectativa de que os interesses, outrora díspares, passem a convergir, de forma que os empregados comecem a enxergar o lucro ou determinado resultado da empresa não mais como uma mera fonte para o pagamento do seu salário, mas como uma chance de experimentar uma das vertentes da verdadeira distribuição da renda; por sua vez, o empregador passaria a ver o trabalhador como um real parceiro em sua empreitada e não mais como um simples empregado que trabalha para sobreviver. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.597 8 Com isso, na essência, estariam contemplados, penso eu, o incentivo à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho, objetivos mediatos da norma. Prosseguindo então, nos artigos 2º e 3º da Lei 10.101/2000 são postas as condições para que os pagamentos a titulo de PLR possam ser excluídos da base tributável das contribuições previdenciárias. Notese que enquanto o artigo 2º trata preponderantemente das negociações, aí incluídos os indispensáveis requisitos de ordem formal e os de ordem subjetiva, o 3º explicitamente demonstra a preocupação do legislador de que tal instituto não seja utilizado de maneira desvirtuada pelo empregador e pelo trabalhador para, indevidamente, amparar pagamentos sem a incidência do tributo, estipulando, para isso, requisitos a serem observados. Vamos a elas: 1 Devem decorrer de uma negociação entre os envolvidos, por meio de um dos procedimentos a seguir, nos quais estejam garantidos o incentivo à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho: 1.1 Comissão escolhida pelas partes, com a participação de um representante sindical de parte dos empregados; ou 1.2 Convenção (CCT) ou Acordo Coletivo (ACT). Quanto a esses elementos, não se deve perder de vista, em especial quando se fala de "cumprimento do acordado", que se, por um lado, há o compartilhamento do lucro ou do resultado por quem detém o capital, por outro, há o plus que deve ser dado pelo trabalhador (ou a ele oportunizado/incentivado) para que dele se valha. É, reforçase, a idéia de incentivo à produtividade preconizada na lei. Ressaltase aqui, que se o objetivo imediato será sempre a saúde financeira e/ou econômica da empresa; as regras e os critérios para alcançálo devem ser definidos pela gestão empresarial e acordados com os empregados, observadas as formalidades legais. Não importa o meio, se por metas corporativas (índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, ou por que não o próprio lucro em determinados casos, por exemplo ?), ou se por metas individuais/coletivas (quantidade de vendas de produtos, nº de atendimentos conclusivos, quantidade e valor de captação de investimentos, por exemplo), desde que se alinhem aos objetivos imediato e mediato da norma. Nesse rumo, fazse imprescindível que os meios devam guardar relação direta, mensurável e transparente com a riqueza produzida pela empresa, sob pena de eventualmente estarmos diante de pagamento de mero prêmio 2 pelo atingimento de metas. Ainda como conseqüência desse racional, se a mera obtenção do lucro, que já é, por si só, um pressuposto primário para a distribuição da PLR, der ensejo à distribuição de 2 "Analisando a natureza do benefício, importante destacar que prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados. Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao trabalhador seja ele empregado ou contribuinte individual." trecho do voto condutor do acórdão 2401003.025, de 15/58/13. Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.598 9 parcela fixa em termos absolutos, penso não estar havendo o incentivo à produtividade preconizado pela lei, sobretudo naqueles casos em que, dada a natureza do negócio do sujeito passivo, a apuração de lucro é uma constante histórica. Isso porque, a partir da análise detida aqui empreendida dos dispositivos, em especial do caput do artigo 1º e inciso I (índice de lucratividade) do § 1º do artigo 2º, ambos da Lei 10.101/2000, sou levado a concluir que aqueles dois incisos sugerem mecanismo de aferição de uma comportamento funcional diferenciado por parte dos trabalhadores. Vale dizer, seja por metas corporativas (índices econômicos e/ou financeiros), seja por metas individuais e/ou departamentais, o fato é que a legislação exige esse algo a mais por parte do empregado que, repisese, não seja a mera obtenção do lucro. Vejase: a existência do lucro é um pressuposto para o pagamento da PLR, desde que as regras para o seu compartilhamento induzam o "algo a mais" por parte do empregado. Reforçando, os meios eleitos pelas partes precisam, ainda que de forma indireta, visar a saúde financeira/econômica da empresa, além de, minimamente, propiciar o estímulo à produtividade potencial ou efetivo. É dizer, é de se esperar da força de trabalhado uma participação diferenciada (mesmo potencial) seja individualmente falando, seja no conjunto com os demais trabalhadores que justifique esse pagamento desvinculado de sua remuneração para fins previdenciários. Nada obstante, há de se reconhecer que a depender do instrumento eleito, a definição ou estabelecimento daquele algo a mais, sobretudo a nível individual, tornase cada vez mais tormentoso, como por exemplo no caso das Convenções Coletivas de Trabalho CCT, que reúnem por vezes uma quantidade expressiva de sindicatos, em determinada data base a depender da categoria envolvida, diferentemente do que se tem no caso dos Acordos Coletivos de Trabalho ACT e dos acordos a partir de comissão, quando a possibilidade de estabelecimento de exigências a nível individual e/ou setorial/departamental se mostra, por vezes, bem mais viável sob o ponto de vista operacional e, ainda assim, a depender do porte da empresa. Imagino não ser por outra razão, que aqueles dois incisos do § 1º acima citados, postos de maneira exemplificativa na lei, procuraram abordar situações em que o plus do empregado pudesse ser evidenciado de forma presumida (metas corporativas, v.g, índice de lucratividade) ou de forma coletiva ou individualizada (metas individuais ou coletivas segundo os seguimentos do negócio). Abrese aqui um parêntese para registrar que lucro não se confunde com "índice de lucratividade" exemplificado no incisos I do § 1º do artigo 2º da precitada lei.3 3 A Lucratividade é um indicador de eficiência operacional obtido sob a forma de valor percentual e que indica qual é o ganho que a empresa consegue gerar sobre o trabalho que desenvolve. É um dos principais indicadores econômicos da empresa, ligado diretamente com a competitividade do negócio. Difere de rentabilidade e é derivado do conceito de lucro. Lucro: é o resultado positivo após deduzir das vendas todos os custos e despesas. É um número absoluto. Lucratividade: é a relação entre o valor do lucro líquido e o valor das vendas. É um número percentual. Rentabilidade: é a relação entre o valor do lucro líquido e o investimento realizado. Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.599 10 Se é bem verdade que aqueles índices afetos à empresa não dependem, exclusivamente, de um algo a mais por parte dos trabalhadores, mesmo que tomado em seu conjunto, do mesmo modo há de se reconhecer que tal participação revelase substancialmente importante na consecução do objetivo empresarial, sobretudo quando o empregado vislumbra que há a possibilidade de vir a receber parcela do lucro do empregador tão financeiramente expressiva, quanto maior for o seu lucro, a depender do que for acordado. Pondo dessa forma, pareceme evidente que o ânimo, comportamento, interesse, próatividade, o "correr atrás" do empregado deva ser outro, quando lhe oportunizado o compartilhamento de um valor, originalmente a ele não pertencente, mas que em alguma medida conta com seu esforço para sua obtenção; mais de uns, menos ou bem menos de outros é verdade, mas que inevitavelmente conta. Penso assim, que o incentivo à produtividade, ao menos presumidamente, estaria aí contemplado, ainda que, frisese, em função da inexistência de um liame concreto entre a conduta e resultado, referido esforço não possa ser especificamente dimensionado. Com todo o respeito aos que disso divergem, o fato é que ao imaginar que a possibilidade de receber parte de um valor, que pode ser maior ou menor a depender de como se comportará o lucro ou resultado, não tem o condão de influenciar sequer minimamente o comportamento do trabalhador e, por isso, não haveria a necessidade de seu prévio conhecimento acerca do acordo, equivaleria, penso eu, a concederlhe aumento de remuneração a título de mera recomposição salarial. Cumpre ressaltar que se há a preocupação de o empregador, pressionado por reajuste salarial, pactuar acordos com a inserção de regras e metas/condições inatingíveis, prejudicando, de início, o trabalhador; há, pelo menos de se imaginar, a possibilidade de que tal instrumento seja utilizado como complementação da remuneração, prejudicando, de início, os cofres públicos e, reflexamente e mais a frente, o próprio trabalhador. Nesse rumo e como regra, para que se tenha, justificadamente satisfeita a conjugação "EXPECTATIVA DE ALGO A MAIS DO TRABALHADOR" x "PERCEPÇÃO DA PLR", tomandoa como causa e efeito, imperioso que o conhecimento das regras e metas (definitivamente postas) por aqueles que empreenderão esforços para sua consecução deva se dar previamente ao início do período de apuração do resultado, vale dizer, até à "linha de largada" ou antes do "início do jogo", sob pena de terse por desvirtuado o instituto. Em outras palavras, não basta que o conhecimento por parte do empregado se dê antes de a formalização do acordo ou antes de o período para atingimento da meta, tampouco que a própria formalização do acordo tenha se dado antes de o período para atingimento da meta, é crucial que a formalização se dê antes de o início do período de apuração do resultado/lucro que se busca compartilhar com o empregado, que, por vezes, pode não coincidir com o período para atingimento das metas. De outro giro, não supre a exigência legal, o fato de as regras e metas acordadas ao longo do período base assemelharemse àquelas que se tinha em períodos anteriores e que já eram do conhecimento dos empregados. Ainda que na seara trabalhista seja eventualmente garantido ao empregado a percepção dessa verba após a vigência do acordo e Fonte:http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/calculodalucratividadedoseu negocio,21a1ebb38b5f2410VgnVCM100000b272010aRCRD Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.600 11 até que novo sobrevenha, penso que para fins tributários, em especial para conferirlhe sua não incidência, a manutenção dos pagamentos a esse título, sob o fundamento de que haveria uma presunção de conhecimento das regras e metas pendentes de acordo, em função daquelas de períodos anteriores, além de, efetivamente, não garantir que assim seria feito ao final, não vejo como, em assim sendo, ter havido qualquer incentivo à produtividade. Cumpreme aqui tecer o seguinte esclarecimento quando, em determinada situação, estabeleci que as "assinaturas nos instrumentos de acordo", a depender de algumas circunstâncias, poderiam ser dispensadas para fins de atendimento à exigência que traz a norma em sua expressão "pactuada previamente". Naquela oportunidade, naquele caso em concreto, apresentei condições de cunho eminentemente subjetivo, quais foram: i) o conhecimento das regras e metas deve relacionarse àquelas que, definitivamente, foram assentadas em função da negociação, não bastando, a seu turno, que as negociações já estivessem em curso ao tempo do período de apuração do resultado; ii) a comprovação de que os empregados tinham o prévio e inequívoco conhecimento das regras e metas já aprovadas por ambas as partes; e iii) não basta que as metas e regras de que tomaram conhecimento coincidam com aquelas reveladas nos instrumentos devidamente assinados (pactuados), há de se comprovar, repito, que tinham o inequívoco e prévio conhecimento de que essas regras e metas já haviam sido, ao final, aprovadas pelas partes (comissão ou representação sindical) para aquele período base. Vejase com isso, que as condições convergem para a imprescindibilidade de que os trabalhadores tenham, antes de o início do período aquisitivo, o preciso conhecimento das regras do jogo que foram, ao final de uma negociação, firmadas a assegurarlhes, uma vez atingidas, uma participação na riqueza produzida pela empresa. Nesse rumo, penso que a comprovação cabal da ocorrência dessas condições dáse, objetivamente, pela assinatura do acordo em data anterior ao início do período aquisitivo. Percebase, assim, que a questão de fundo, no tema até aqui abordado, seria o alcance da expressão "pactuados previamente" utilizados pelo legislador quando se referiu textualmente ao "programa de metas, resultados e prazo". Teríamos, a partir daí, os seguintes questionamentos: 1 pactuados previamente a quê ? ao pagamento, à apuração do resultado, ao início do período de apuração ? 2 apenas quando as regras envolverem cumprimento de metas individuais ou coletivas é que se deve haver o pacto prévio ? Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.601 12 3 e quando não envolver o cumprimento de metas individuais ou coletivas o acordo pode ser pactuado após o período de apuração ? Pode ser celebrado após o início do período ? Para conduzir a uma definição, penso que devamos considerar, podese assim dizer, duas linhas temporais: uma representando a data de início e término do período de apuração, findo o qual o lucro ou resultado, caso houver, será compartilhado com os trabalhadores; outra representando o programa de metas, caso conste do acordo, aferíveis individual ou coletivamente (por equipe/departamento/setor, etc). Assim visualizado, impõese determinar em qual momento o posicionamento da data de celebração do acordo atenderia aos ditames legais, aí considerado o tão almejado incentivo à produtividade. É de se destacar, de início, que a inexistência de um liame minimamente concreto não seria motivo o suficiente para fosse afastado do empregado o conhecimento das regras postas. Se há a impossibilidade ressalvase, nos planos com essa feição de atribuir ao empregado qualquer conduta concreta que possa ter diretamente influenciado no resultado do exercício, com maior propriedade não há como afirmar em qual mês teria havido aquela participação "decisiva". Se no primeiro, se no segundo ou no último mês do período de apuração. Daí entender que, nesses casos, com maior propriedade, o acordo deva ser ajustado antes do início do período de aferição. Nesse mesmo sentido, o pior cenário seria aquele em que os termos do acordado tivessem sido assentados após o período de apuração, quando então retiraria do empregado, ou melhor, não o oportunizaria o "algo a mais" em seu desempenho funcional, ainda que potencialmente falando, ainda que indeterminado quando isso se daria. Destaquese que em muitas das vezes, a não celebração do acordo antes de o início do período de apuração não se dá, decisivamente, pela complexidade do assunto e/ou pela quantidade de agentes e interesses envolvidos (a rigor, não haveria impedimento a que se celebrasse o acordo em setembro, outubro, novembro ou dezembro de determinado ano, para recebimento de parcelas relativas aos lucros/resultados auferidos do ano seguinte), mas sim pela desvirtuada utilização do instrumento da PLR (que por vezes se dá em instrumento em apartado) para viabilizar a complementação da remuneração do trabalhador, em descompasso com o que preceitua o caput do artigo 3º da Lei 10.101/2000. Assim concluindo, as indagações encimadas poderiam ser respondidas como seguem: Acordos que estipulam metas individuais ou em grupo: 1 pactuados previamente ao início do período de apuração, por força da literalidade do inciso II do § 1º do artigo 2º da Lei 10.101/2000. Acordos que não estipulam metas individuais ou em grupo 1 igualmente pactuados previamente ao início do período de apuração, pela inteligência do artigo 1º da Lei 10.101/200. Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.602 13 Essa é a linha que vem sendo recentemente adotada na CSRF, consoante se extrai das ementas a seguir colacionadas, com as quais me alinho: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Acórdão 9202005.718, de 30.08.2017. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituirse em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Acórdão 9202006.674, de 17.04.2018. PLR PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO DISCUTIDO E FIRMADO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos discutidos e firmados após o início do período de aferição acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no saláriodecontribuição. Acórdão 9202007.662, de 26.3.19. Por fim, percebase, aquele inciso XI do artigo 7º da CRFB/88, ao estabelecer que a PLR deva ser desvinculada da remuneração do empregado, deixou a cargo da Lei os contornos dessa não incidência. Assim, preferiu o legislador, ao contrário de simplesmente disciplinar o pagamento das verbas àquele título, trazer exigência de interesse público que, de uma forma ou de outra, tendesse a justificar/compensar o não recolhimento do tributo aos cofres públicos. Com isso, como já abordado, além da questão de cunho social afeta à integração do capital e da força de trabalho; há uma outra que é, ao fim e ao cabo e mesmo que por via indireta, o estímulo ao crescimento econômico do pais, a partir do efetivo incentivo à produtividade. Exatamente neste ponto, impõese destacar que, diferentemente do sustentado por alguns, no sentido de que o recrudescimento na análise dos acordos no que toca à observância dos requisitos legais tente a inviabilizar o direito constitucional do trabalhador à percepção da PLR, penso que não deve ser esse o viés empregado, mas sim o da proteção do interesse público ao custeio da previdência. Percebase que esse direito constitucional já era levado à efeito antes mesmo da edição da MP 794/94, que deu origem à Lei 10.101/2000. Consignese sobre o tema, que o Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.603 14 STF, no julgamento do RE 569.441, consolidou o entendimento de que há incidência de contribuições previdenciárias nas verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, antes de dezembro 1994. Em resumo: o pagamento da PLR, em cumprimento à determinação constitucional, era uma prática antes mesmo da edição da lei que o retirou do campo de incidência do tributo, observadas, por óbvio, as exigências legais. Possibilidade de regras e metas fixadas genericamente no acordo de PLR serem complementadas por instrumento interno da empresa sem que isso implique, por si só, incidência de contribuições previdenciárias sobre PLR. Quanto a este tema, apontou o autuante que o programa de PLR analisado apresentava as seguintes cláusulas: CLÁUSULA SEXTA O PROGRAMA conta com um CONTRATO DE METAS, conforme modelo que representa o ANEXO I deste documento, que deve ser estabelecido de comum acordo entre o EMPREGADO e sua respectiva chefia no início do período de apuração (que será semestral). Este CONTRATO DE METAS tem duas partes, sendo a primeira composta por metas quantitativas e a segunda por metas qualitativas, Parágrafo Primeiro A ponderação entre o peso das metas qualitativas e quantitativas pode variar entre as áreas especificadas na Cláusula Quinta, conforme cada um dos respectivos Contratos de Metas a serem celebrados, ficando porém definido desde logo que para as metas quantitativas os pesos serão definidos como no mínimo de 50% e no máximo de 90% (para a somatória das metas) e, para as metas qualitativas o percentual necessário para integralizar 100% no CONTRATO DE METAS. CLÁUSULA SÉTIMA A apuração das metas se dará ao final do período avaliado e será atribuído a cada EMPREGADO, individualmente, um percentual de atingimento de metas. As metas quantitativas poderão receber o percentual máximo de atingimento de até 110% (cento e dez por cento) e as metas qualitativas poderão receber o percentual máximo de atingimento de até 100% (cem por cento). Parágrafo Primeiro Para os EMPREGADOS que atingirem menos do que 50% (cinqüenta por cento) das metas quantitativas fica garantido o valor mínimo de 1 salário ao semestre ou o valor estabelecido na Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários, o que for maior. Parágrafo Segundo Os CONTRATOS DE METAS são individuais, semestrais e estabelecidos no início de cada período. Os períodos de apuração são de Janeiro à Junho e de Julho à Dezembro de cada ano. As avaliações ao final de cada período têm como objetivo apurar a contribuição individual na consecução do objeto social e na qualidade dos serviços, valores que assumem papel fundamental para o sucesso do BANCO. Logo, a qualidade e excelência destes valores nada mais são do que um reflexo também do grau das competências e habilidades dos funcionários do BANCO, segundo uma escala pré Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.604 15 estabelecida, que toma em conta o histórico profissional de cada EMPREGADO, seu grau de instrução e as peculiaridades de suas funções dentro do BANCO. Portanto, a PLR atenderá a um sistema misto de mecanismo de aferição de resultados, composto pela aferição de metas quantitativas e qualitativas por cada um dos EMPREGADOS. CLÁUSULA OITAVA (...) Parágrafo Único Para o pagamento da PLR serão tomados como base: (i) o percentual de atingimento de metas por cada EMPREGADO, apurado a partir do respectivo CONTRATO DE METAS; (ii) o resultado financeiro do BANCO dentro do menor grau de quebra, quando possível até mesmo quebra individual, em outros casos de maneira coletiva, conforme especificado no ANEXO II, e (iii) uma alíquota de distribuição de resultado dividida entre os integrantes de cada uma das áreas discriminadas na Cláusula Quinta, observado o Anexo II e respeitando a estrutura hierárquica do BANCO, a fim de cumprir com o disposto no art. 2°, § Io, incisos I e II, da Lei n° 10.101/OO. E, na sequência, constatou e concluiu: 539 Juntamente ao instrumento de negociação, sendo parte integrante deste, foi apresentado o Anexo I Contrato de Metas, o qual traz o modelo desse contrato de metas, estabelecendo que as metas quantitativas ou objetivas serão em número mínimo de três e máximo de seis. Cada meta quantitativa deverá ter um peso mínimo de 10% e a somatória dos pesos dessas metas deverá ser 100%. Ademais, determina que cada empregado terá de uma a três metas qualitativas onde será avaliado em grau de proficiência. Cada meta qualitativa terá o peso mínimo de 30% e a somatória dessas metas deverá ser 100%. 5.40 No intuito de analisar o cumprimento dos dispositivos legais específicos sobre a PLR, o banco foi intimado a apresentar, por amostragem, os Contratos de Metas, bem como a Base de Composição de Cálculo dos valores pagos a título de PLR e respectivos Demonstrativos de Apuração das Metas e de Avaliação de Desempenho. 541 Em relação aos Contratos de Metas, foram observadas algumas irregularidades na amostragem apresentada, tais como: (a) nenhum deles demonstra a data de estipulação e conhecimento das regras acordadas, nem a data de sua ciência pelas partes; (b) alguns deles não possuem a assintatura do gestor e/ou do colaborador; (c) alguns deles não apresentam metas qualitativas; e (d) outros não contêm metas quantitativas ou as possuem em número inferior ao previsto no acordo. 5.42 Não foram apresentadas, contudo, as Bases de Composição de Cálculo dos valores pagos a título de PLR e respectivos Demonstrativos de Apuração das Metas e de Avaliação de Desempenho. Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.605 16 5.43 Desta feita, não ficaram comprovadas as bases de composição de cálculo dos pagamentos de PLR, nem a forma de avaliação qualitativa e quantitativa procedida pela empresa. Ademais, não há que se falar em conhecimento prévio dos objetivos individuais, uma vez que os relatórios apresentados durante a auditoria não possuem data que comprove quando tais metas passaram a ser de conhecimento do empregado. 544 Sendo assim, as "avaliações" de desempenho apresentadas pela empresa não demonstram como cada resultado obtido se converte em valor, cabendo observar, ainda, que não foi encontrado qualquer documento que componha e explique os valores pagos a título de PLR com relação à fixação de direitos previstos nos instrumentos de negociação. 5.45 E novamente temos aqui o desrespeito às normas que regem a distribuição de PLR pelas empresas, uma vez que não se comprovou que o conhecimento das metas pelos empregados foi prévia e não se demonstrou o cumprimento ao acordado pelo Plano de PLR e suas reuniões atualizadoras através da apresentação das Avaliações Qualitativa e Quantitativa dos funcionários. Não foi possível, desta forma, saber se os valores pagos a título de PLR estão ou não de acordo com os acordos que as regem. Por sua vez, sustentou o recorrente que os “Contratos de Metas” apenas detalhariam numericamente as metas fixadas nos Programas Próprios conforme a realidade individualizada de cada empregado. Ou seja, as metas teriam sido negociadas com a comissão e constariam clara e objetivamente do acordo firmado, apenas ocorrendo seu detalhamento quantitativo no sistema interno de maneira pormenorizada. Já o aresto recorrido, após citar o decidido no acórdão 9202004.307, de 20/7/16, não corroborou a tese defensiva nos seguintes termos: E em outro ponto, que analiso conjuntamente com este, apontou a Recorrente a questão das metas e resultados a serem atingidos estarem definidos em sistemas internos, dizendo que os contratos de metas estão contidos em sistema eletrônico interno. As metas são posteriormente imputadas no denominado "sistema de homologação". Tais metas são homologadas e inseridas do chamado "sistema de produção". Ou seja, nessa sistemática, o representante sindical não participou nem poderia mesmo participar de qualquer negociação de metas estabelecida entre empregados e empregador. (destaquei) Nesse ponto, penso que instrumentos que contém cláusulas desse tipo, que fazem mera referência genérica a instrumentos outros não detalhados em seu corpo, ainda que com a aquiescência da representação sindical, não satisfazem a exigência legal de que as metas, resultados e prazo tenham sido previamente pactuados. Assemelhamse a um "cheque em branco" assinado pelo empregado em que não se sabe, por ocasião do acordado, quando, quanto, como e pelo quê será efetuado o saque. Nesse mesmo sentido foi o acórdão 9202007492, de 17/6/19, com destaque para o excerto a seguir, extraído de seu voto vencedor: Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.606 17 Vejase que para a caracterização de regras claras e objetivas, fazse necessário a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço e tais mecanismos devem estar integralmente presentes nos instrumentos de celebração dos acordos, de modo que possam ser conhecidos e avaliados no decorrer do processo de aferição. Nos termos da lei, dos instrumentos decorrentes de negociação deverão conter regras claras e necessariamente objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados, o que não se verifica no caso concreto. Constatase, por conseguinte, que restou claramente descumprido mais esse requisito legal, o que impõe a manutenção do lançamento. Não comparecimento de representante sindical à reunião da comissão paritária constituída para deliberação e aprovação do acordo próprio de PLR, a despeito de comunicação do convite à entidade sindical, não é razão suficiente, por si só, para a incidência de contribuições previdenciárias sobre o PLR. Quanto a este tópico, o recorrente reforça a tese de que a convocação do sindicato para participar das negociações por si só atenderia as exigências legais para este tema, independentemente de ter havido, ou não, sua efetiva participação nas tratativas. Não veja dessa forma. Em recente julgado4 esta turma firmou o entendimento acerca da imprescindibilidade da efetiva participação do sindicato na negociação. Reproduzo, a seguir, excerto do voto vencedor naquela oportunidade, o qual adoto como razões de decidir. Acerca desse assunto, o inciso III do art. 8º da Constituição Federal estabelece que “ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas”. Necessário esclarecer que ao preconizar a participação de representante do sindicato dos trabalhadores nos acordos de PLR celebrados a partir de comissões paritárias, pretendeu o legislador dar efetividade ao disposto na Lei Maior. Até porque, também há norma constitucional (art. 8º, VI) que impõe aos sindicatos a obrigação de participar das negociações coletivas de trabalho. As disposições acima referidas não deixam dúvidas de que a participação dos sindicatos em processos de negociação não se trata de mera faculdade. Tratase de diretriz de caráter obrigatório cujo propósito é “a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria” ou das categorias profissionais representadas pela entidade, sendo a ela defeso, por determinação constitucional, escusarse de cumprir o seu mister. 4 Acórdão 9202007.364, de 28/11/18 Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.607 18 Não se pode olvidar, contudo, do argumento que a empresa vem apresentando desde a impugnação segundo o qual a ausência de representante no sindicato na comissão paritária teria decorrido da recusa deliberada da entidade representativa dos trabalhadores em participar do processo negocial. Todavia, embora reconheça bastante razoável esse argumento, não o considero como suficientemente hábil a justificar o descumprimento da regra contida no inciso I da Lei 10.101/2000. É que a Lei nº 10.101/2000 exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações. Eventual recusa da entidade em participar das tratativas a respeito da PLR não tem o condão de excluir a exigência legalmente estatuída uma vez que há norma voltada para a resolução de situações dessa natureza. Verificada a recusa do sindicato em cumprir seu dever constitucional, deveria o sujeito passivo recorrer às soluções fixadas no art. 616 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, cuja reprodução mostrase imperiosa: Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar se à negociação coletiva. (Redação dada pelo Decretolei nº 229/67) § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou empresas recalcitrantes. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) § 2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) § 3º Havendo convenção, acordo ou sentença normativa em vigor, o dissídio coletivo deverá ser instaurado dentro dos 60 (sessenta) dias anteriores ao respectivo termo final, para que o novo instrumento possa ter vigência no dia imediato a esse termo. (Redação dada pelo Decretolei nº 424/69) § 4º Nenhum processo de dissídio coletivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da Convenção ou Acordo correspondente. (Incluído pelo Decretolei nº 229/67) Com base na norma trabalhista, diante da negativa do sindicato em atender à convocação feita pelo contribuinte, deveria esse ter dado ciência do fato ao órgão responsável do Ministério do Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.608 19 Trabalho, para que se procedesse sua convocação compulsória. Não tendo sido adotada a medida ora mencionada, e sem a presença, em referidas comissões, de um representante indicado pela entidade de classe, temse que o pagamento da PLR foi feito em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. A respeito da premissa estampada no voto vencedor da decisão fustigada e repisada nas contrarrazões do sujeito passivo, de que, ao caso concreto, não seria inaplicável o art. 616 da CLT, pois referido dispositivo se dirigiria especificamente à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou convenção coletiva, entendo que, muito embora esse artigo esteja inserido no título da norma trabalhista relacionado às convenções coletivas de trabalho, o texto legal em momento algum faz esse tipo de restrição, sendo, por essa razão, aplicável às negociações coletivas em geral, na esteira do que estabelece o inciso VI do art. 8º da Constituição. Concluise assim, que a falta de participação do representante sindical nas negociações para pagamento da PLR caracterizase como descumprimento injustificável da lei que regulamenta o benefício (Lei 10.101/2000, art. 2º, I), atraindo a incidência das contribuições previdenciárias, em virtude do desatendimento o disposto a alínea “j” 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Pagamento de PLR em desatendimento ao requisito da periodicidade legal não faz incidir contribuições previdenciárias sobre todo o PLR, e sim somente sobre as parcelas pagas em desacordo com a periodicidade prevista na lei. Aqui, sustentou o autuante que como poderia ser observado pela amostragem consignada nos Anexos V, VI e VII Demonstrativos dos Pagamentos de PLR Realizados em 2006/2007/2008, teria havido casos em que para o mesmo beneficiário existiram três pagamentos dentro do mesmo ano. A seu turno, o voto condutor do acórdão guerreado assim se pronunciou quanto ao tema: Vale então destacar que, efetivamente, a Participação nos Lucros ou Resultados não é meio para empresa obter economia fiscal, isto é, não é mecanismo para substituir eventual pagamento de abono, prêmio, gratificação, comissão, etc., de forma a ocultar a natureza salarial e, assim, eliminar os encargos sociais e tributários que normalmente incidiriam caso a verba não fosse paga dessa forma. Discordo, data venia, de Acórdãos proferidos neste CARF de que, no caso, a incidência da contribuição deveria darse, então, somente sobre as parcelas que excederam a periodicidade de duas vezes no mesmo ano civil. Ou o pagamento da PLR se dá de acordo com a lei ou não, não podendo estar "meio de acordo com a lei". Cito mais uma vez o Acórdão 2302002.844, Sessão de 19/11/2013: Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.609 20 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. PERIODICIDADE. (....) A descaracterização do plano de participação nos lucros ou resultados atinge todas as regras e pagamentos a ele relativos. Não se pode cindilo para se considerar parte dos pagamentos como cobertos pelo exceção legal e parte não. Não podem ser aproveitadas apenas as condições ou pagamentos que, isoladamente, estejam de acordo com a Lei n° 10.101/2000. Assim, descumprido algum dos pressupostos legais, a descaracterização reportase ao somatório do plano.(sublinhei) E chamo a atenção de que a Lei 10.101, de 2000, fala que é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados, não fazendo distinção se esses pagamentos se deram em virtude de CCT ou de acordo próprio aos quais aludem os incisos I e II do artigo 2º. Já o recorrente aduziu que os pagamentos teriam se dado acima da periodicidade legal, eis que se viu obrigado, pelas regras dispostas em sua Convenção Coletiva de Trabalho, em realizar os pagamentos nas exatas datas por eles fixadas, que não coincidiam com as datas estabelecidas em seu plano próprio. Não obstante este Conselheiro já ter, no passado, acompanhado voto condutor no sentido indicado pelo paradigma, é dizer, admitindose a incidência somente sobre as parcelas pagas em desacordo com a periodicidade prevista na lei, melhor apreciando o tema, e em especial atentandose para as razões de decidir do aresto vergastado, sou levado a admitir que o descumprimento da periodicidade imposta resulta em macular todo os pagamentos realizados supostamente a título de PLR. Mesmo porque, como bem assinalou aquele relator, admitindose que os pagamentos àquele título pudessem se dar "meio de acordo com a lei", estarseia oportunizando que eventuais pagamentos de abono, prêmio, gratificação ou comissão pudessem estar sendo efetuados como se PLR fossem. Ou seja, a periodicidade imposta pela lei tem como propósito garantir que a PLR não venha a substituir ou a complementar a remuneração devida ao empregado. Em recente julgado desta Turma5, a então Relatora, aderindo ao voto do relator na Câmara baixa, firmou o entendimento de que "ao pagar mais de duas vezes, descaracterizado encontrase todo o PLR do contribuinte". Confirase: Ou seja, da transcrição dos trechos muito bem delineados pelo julgador a quo, não se trata de mera diferença. Ademais, o legislador é claro quando descreve que no art. 3º que a PLR não deve substituir ou complementar a remuneração, vedando o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Descabido nesse caso, qualquer interpretação de que as parcelas acima do limite legal, visa complementar. 5 Acórdão 9202007.697, de 27/3/19 Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.610 21 Assim, ao pagar mais de duas vezes, descaracterizado encontra se todo o PLR do contribuinte, razão pela qual deve ser tributado em sua totalidade. Dessa forma, em relação ao PLR, entendo que restou descumprido o requisito da periodicidade assim como já apreciado pela Turma a quo. Retroatividade benigna multa relacionada às Contribuições Previdenciárias relativamente a fatos geradores anteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 2008. Por fim, quanto a esta matéria, o recorrente, após asseverar que o acórdão recorrido teria reconhecido a validade da sistemática adotada pelo Fisco, que consistiu em comparar a multa de oficio (75%) com as duas multas anteriormente existentes, uma pelo descumprimento da obrigação principal e outra pelo descumprimento da obrigação acessória, noticiou que segundo a jurisprudência deste E. Conselho, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória e a multa pelo descumprimento da obrigação principal não podem ser comparadas entre si, mas apenas de forma individualizada. Confirase o comparativo promovido pela Fiscalização: No caso em exame é de se aplicar o Enunciado de Súmula CARF nº 119, de observância obrigatório por este Colegiado, a teor do artigo 72 do RICARF. Vejase: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 16327.720723/201147 Acórdão n.º 9202008.187 CSRFT2 Fl. 1.611 22 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Forte no exposto, VOTO por CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901189/2008-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INCABÍVEL.
O Despacho Decisório Eletrônico contém todos os elementos necessários à perfeita caracterização dos fatos, além de indicar a legislação que o embasa.
COMPENSAÇÃO. COMPROVADO O VALOR DO IMPOSTO INFORMADO NA DCTF ORIGINAL. PAGAMENTO INDISPONÍVEL. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
Restando comprovado correto o valor de imposto informado na DCTF original, não há disponibilidade de pagamento. Não se reconhece o direito creditório.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4.
MULTA MORATÓRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. QUESTIONAMENTO INCABÍVEL. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe a este colegiado julgar a constitucionalidade da lei tributária que impõem a aplicação da penalidade, conforme Súmula CARF nº 2.
JUROS SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme Súmula CARF nº 108.
Numero da decisão: 1001-001.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INCABÍVEL. O Despacho Decisório Eletrônico contém todos os elementos necessários à perfeita caracterização dos fatos, além de indicar a legislação que o embasa. COMPENSAÇÃO. COMPROVADO O VALOR DO IMPOSTO INFORMADO NA DCTF ORIGINAL. PAGAMENTO INDISPONÍVEL. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Restando comprovado correto o valor de imposto informado na DCTF original, não há disponibilidade de pagamento. Não se reconhece o direito creditório. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4. MULTA MORATÓRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. QUESTIONAMENTO INCABÍVEL. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe a este colegiado julgar a constitucionalidade da lei tributária que impõem a aplicação da penalidade, conforme Súmula CARF nº 2. JUROS SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme Súmula CARF nº 108.
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NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INCABÍVEL. O Despacho Decisório Eletrônico contém todos os elementos necessários à perfeita caracterização dos fatos, além de indicar a legislação que o embasa. COMPENSAÇÃO. COMPROVADO O VALOR DO IMPOSTO INFORMADO NA DCTF ORIGINAL. PAGAMENTO INDISPONÍVEL. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Restando comprovado correto o valor de imposto informado na DCTF original, não há disponibilidade de pagamento. Não se reconhece o direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4. MULTA MORATÓRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. QUESTIONAMENTO INCABÍVEL. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe a este colegiado julgar a constitucionalidade da lei tributária que impõem a aplicação da penalidade, conforme Súmula CARF nº 2. JUROS SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme Súmula CARF nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 11 89 /2 00 8- 72 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.901189/200872 Acórdão n.º 1001001.408 S1C0T1 Fl. 193 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 05/02/2004 através da PER/DCOMP nº 11927.62527.050204.1.3.042973, que apresentou como crédito pagamento a maior de IRRF (código 0561), efetuado em 04/12/2002, referente ao período de apuração de 30/11/2002, no valor de R$ 33.450,20,00, do qual pleiteia o valor original de R$ 2.547,41 (DCOMP às fls. 27 a 32). Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que detalha o pedido: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 02 e 05) a Despacho Decisório nº (de Rastreamento) 7755862511 (fl. 21), de 18/07/2008, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, as compensações declaradas na DCOMP nº 11927.62527.050204.1.3.042973, de 05/02/2004 (fls. 27 a 32). 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o recolhimento em DARF, em 04/12/2002, de R$ 33.450,20, código de receita 0561 (IRRF – RENDIMENTO DE TRABALHO ASSALARIADO), relativo ao período de apuração de 30/11/2002, do qual seria parte o valor de R$ 2.547,41 declarado na DCOMP como indevido ou a maior (fl. 29), fora utilizado na quitação de débito do tributo acima mencionado, não restando crédito para a liquidação do débito declarado para compensação na DCOMP nº 11927.62527.050204.1.3.042973 (fl. 31 – IRRF – código de receita 04731 – RENDIMENTOS DO TRABALHO E DE QUALQUER NATUREZA, de 30/11/2002). 3. Em conseqüência, apurara saldo devedor consolidado para pagamento até 31/07/2008, referente ao débito indevidamente compensado mediante a DCOMP nº 11927.62527.050204.1.3.042973 (fl. 31), de R$ 2.547,41, de principal, R$ 2.179,30, de juros, e de R$ 509,48, de multa. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.901189/200872 Acórdão n.º 1001001.408 S1C0T1 Fl. 194 3 4. Cientificado da decisão em 29/07/2008 (fl. 33), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 25/08/2008 (fl. 02), arguindo, em síntese, que: i) declarara, por equívoco, em DCTF (fl. 22), original, relativa ao 4º trimestre de 2002, débito de IRRF, código 05611, Rendimentos do Trabalho Assalariado, concernente ao período de apuração da 5ª semana de 11/2002 (30/11/2002), o valor total de R$ 44.985,79, ao qual vinculara DARF de mesmo valor; ii) posteriormente, em 21/08/2008, apresentou DCTF Retificadora (fls. 23 e 24), na qual corrige o débito de IRRF declarado anteriormente, para R$ 42.438,38, ao qual vincula três DARF´s (R$ 9.548,76, R$ 1.986,83 e R$ 33.450,20) (fl. 24) , totalizando R$ 44.985,79, relativos a IRRF – 0561, de 30/11/2002, sendo que, de um deles, de R$ 33.450,20, vincula, para pagamento do referido tributo, apenas o valor de R$ 30.902,79; iii) por essa retificação, teria demonstrado a existência de pagamento a maior, de R$ 2.547,41, (=R$ 33.450,20 – R$ 30.902,79), que utilizara como crédito para compensação com o débito de IRRF, código 04731, Rendimentos do Trabalho Assalariado e de Qualquer Natureza, relativo ao mesmo período de apuração, 30/11/2002, objeto da DCOMP nº 11927.62527.050204.1.3.042973 (fl. 31); iv) pelo exposto, requer a homologação da compensação pleiteada. 5. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, no Acórdão às fls. 35 a 40 do presente processo (Acórdão 1635.416, de 15/12/2011 – relatório acima transcrito), julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 04/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. No voto, ponderou que o contribuinte alegava que o direito creditório de R$ 2.547,41, não reconhecido pela autoridade preparadora, correspondia ao pagamento a maior de IRRF efetuado em 04/12/2002, de R$ 33.450,20, referente ao período de apuração da 5ª semana de 11/2002, quando o valor devido do tributo seria de apenas R$ 30.902,79. O DARF de R$ 33.450,20 integrava o recolhimento de R$ 44.985,79 declarado, com erro, na DCTF do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.901189/200872 Acórdão n.º 1001001.408 S1C0T1 Fl. 195 4 4º trimestre de 2002. A DCTF havia sido retificada em 21/08/2008, após ciência do Despacho Decisório (ciência em 29/07/2008 – fl. 33), para conter os valores corretos. Argumentou que o contribuinte não havia apresentado documentos que demonstrassem, de forma cabal, que o valor correto do débito seria o inferior (R$ 30.902,79). Que a mera entrega de DCTF retificadora, após a ciência do Despacho Decisório, não era suficiente para assegurar a certeza no valor devido, conforme art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional. Assim, considerou improcedente a manifestação do interessado. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/07/2012 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo à fl. 44), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 31/07/2012 (recurso às fls. 46 a 56, carimbo aposto na primeira folha). Nele alega, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, que teria cerceado seu direito de defesa por não conter fundamentação jurídica e fática de forma explícita, clara e congruente. Nesse sentido, reclama da ausência de Termo de Verificação Fiscal, documento que comumente relata a fiscalização realizada. Cita jurisprudência desse Conselho, em acórdão que acolheu pretensão do contribuinte, declarando nulos os atos processuais a partir do Termo de Verificação Fiscal, do qual o interessado não havia sido cientificado. No mérito, repete as alegações anteriores e, em resposta ao argumento da DRJ de ausência de comprovação do débito menor, anexa ao recurso os seguintes novos documentos: (i) às fls. 80 a 83, cópia lançamentos contábeis, extraídos do Livro Razão, mostrando a movimentação da conta IR A Recolher, no último trimestre do ano de 2002, indicando a contabilização do pagamento de R$ 33.450,20 (fl. 80), já anexado aos autos; (ii) à fl. 85, Resumo de Pagamentos e Descontos da Folha de Pagamento de Benefícios – Normal, referente a novembro de 2002, no qual consta IRRF no valor total de R$ 33.450,20; (iii) às fls. 86 a 109, a Relação de Pagamentos e Descontos do mês de novembro de 2002, da Folha de Pagamento de Benefícios Normal, com detalhamento individual, cujas retenções de IR na Fonte somam R$ 33.450,20; (iv) às fls. 112 a 127, o Relatório Mensal de Folha de Pagamento do Pessoal Horista/Mensalista do mês de novembro de 2002, com detalhamento individual, cujas retenções de IR na Fonte somam R$ 11.535,59 (somatório dos DARF de R$ 9.548,76 e R$ 1.986,83). Requer que, caso reste alguma dúvida, o julgamento seja convertido em diligência. Ainda, reclama dos juros e multa de mora aplicados sobre o débito em aberto, alegando inconstitucionalidade dos juros fixados com base na taxa selic, e irrazoabilidade da multa moratória (20%), que constituiria confisco, bem como da impossibilidade de se computar juros sobre multa. É o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16327.901189/200872 Acórdão n.º 1001001.408 S1C0T1 Fl. 196 5 Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte alega a nulidade do Despacho Decisório. Alega que não foi obedecido o princípio da motivação, que obriga a Administração Pública a expor as razões de fato e de direito que levaram ao ato administrativo. E, como consequência da ausência de fundamentação explícita e congruente, alega cerceamento do seu direito de defesa. Nesse sentido, reclama da ausência de Termo de Verificação Fiscal, documento que comumente relata os detalhes do procedimento de fiscalização realizado. Cita jurisprudência desse Conselho, em acórdão que acolheu pretensão do contribuinte, declarando nulos os atos processuais a partir do Termo de Verificação Fiscal, do qual o interessado não havia sido cientificado. Não tem razão o contribuinte. O Despacho Decisório Eletrônico em questão (folha de rosto à fl. 21) é documento que contém todos os elementos necessários à perfeita caracterização dos fatos, além de indicar toda a legislação que o embasa. Está ali bem claro que o DARF indicado pelo contribuinte foi perfeitamente identificado. Que, porém, havia sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado pela interessada. Tanto que o contribuinte não teve dificuldade em defenderse em sua Manifestação de Inconformidade, alegando o suposto equívoco no valor declarado como débito em DCTF, e apresentando DCTF retificadora no mês seguinte à ciência do Despacho Decisório. Quanto ao Termo de Verificação Fiscal, não é documento que acompanhe o Despacho Decisório, mesmo quando não se trata de Despacho Decisório emitido eletronicamente. Também no lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, não é documento obrigatório. Tratase de relato que o auditorfiscal que conduz o procedimento de fiscalização costuma anexar ao processo, como parte integrante do auto de infração, onde ele detalha o desenrolar do procedimento e esmiúça eventual questão que julgue necessária. Na jurisprudência trazida pela empresa, o auditor fiscal responsável pelo lançamento de ofício havia redigido Termo de Verificação Fiscal, que havia vinculado ao auto de infração. Então a ciência do documento tornouse obrigatória, como parte integrante do auto. Não guarda qualquer relação com o caso em pauta, em que tratamos de Despacho Decisório emitido eletronicamente, sem procedimento de fiscalização. Assim, resta claro que o ato não carece de motivação, nem cerceou o direito de defesa da interessada. Por isso, há que se rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório. No mérito, conforme relatório, o contribuinte alega que o direito creditório de R$ 2.547,41, não reconhecido pela autoridade preparadora, corresponde ao pagamento a maior Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.901189/200872 Acórdão n.º 1001001.408 S1C0T1 Fl. 197 6 de IRRF efetuado em 04/12/2002, de R$ 33.450,20, referente ao período de apuração da 5ª semana de 11/2002. Que o valor devido é de apenas R$ 30.902,79 (menor em R$ 2.547,41). Que o DARF de R$ 33.450,20 integra o recolhimento de R$ 44.985,79 declarado, com erro, na DCTF original do 4º trimestre de 2002, relativa a IRRF código 0561 (fl. 22). A DCTF foi retificada em 21/08/2008 (fls. 23 e 24), após o Despacho Decisório, do qual o contribuinte teve ciência em 29/07/2008. Reduziuse o débito de R$ 44.985,79 para R$ 42.438,38 (diferença de R$ 2.547,41), e informouse que o pagamento se daria através de três DARF: R$ 9.548,76, R$ 1.986,83 e R$ 33.450,20, sendo que desse último utilizavase apenas R$ 30.902,79. A DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação de que o débito correto de IRRF, código 0561, referente à 5ª semana de novembro de 2002, era de R$ 42.438,38, e não de R$ 44.985,79, como originalmente declarado em DCTF. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte acostou aos autos os novos documentos descritos no relatório acima (fls. 85 a 127). Dentre eles, destacamse: (i) Resumo de Pagamentos e Descontos da Folha de Pagamento de Benefícios – Normal, referente a novembro de 2002 (fl. 85), no qual consta IRRF no valor total de R$ 33.450,20; (ii) Relação de Pagamentos e Descontos do mês de novembro de 2002, da Folha de Pagamento de Benefícios Normal, com detalhamento individual (fls. 86 a 109), cujas retenções de IR na Fonte somam R$ 33.450,20; (iii) Relatório Mensal de Folha de Pagamento do Pessoal Horista/Mensalista do mês de novembro de 2002, com detalhamento individual (fls. 112 a 127), cujas retenções de IR na Fonte somam R$ 11.535,59 (somatório dos DARF de R$ 9.548,76 e R$ 1.986,83). Assim, a documentação acostada aos autos pelo contribuinte comprova que o valor de IRRF, código 0561, referente à folha de pagamento de novembro de 2002 é R$ 44.985,79 (R$ 33.450,20 da folha normal + R$ 11.535,59 da folha de horistas/mensalistas), conforme originalmente declarado. Concluise, portanto, que não há a alegada disponibilidade de pagamento. O contribuinte insurgese, ainda, contra os juros e multa do mora aplicados sobre o débito em aberto resultante da não homologação da compensação, alegando: (i) inconstitucionalidade dos juros fixados com base na taxa selic; (ii) e irrazoabilidade da multa moratória de 20%, que constituiria confisco; (iii) impossibilidade de se computar juros sobre multa. São matérias exaustivamente discutidas no âmbito do CARF, razão pela qual o posicionamento do órgão foi formalizado em Súmulas de observação obrigatória para este colegiado. O primeiro item, sobre os juros de mora, é objeto da Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.901189/200872 Acórdão n.º 1001001.408 S1C0T1 Fl. 198 7 Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Sobre o segundo item, referente à irrazoabilidade e ao caráter confiscatório da multa aplicada, temse que não cabe a este colegiado discutir a lei tributária que impõem a aplicação da penalidade. O tema é objeto da Súmula CARF nº2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O terceiro item, referente à incidência de juros sobre multa, é objeto da Súmula CARF nº 108, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Diante do acima exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720223/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2007
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF nº 103).
Numero da decisão: 2401-006.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima, (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (Súmula CARF nº 103). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima, (Suplente Convocado), Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Trata-se de Recurso de Ofício (e-fls. 469) contra decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (e-fls. 469/474) que, por unanimidade de votos, julgou procedente impugnação contra Notificação de Lançamento (e- fls. 22/26), no valor total de R$ 2.494.454,66, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2007, tendo como objeto o imóvel denominado “FAZENDA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 02 23 /2 01 1- 16 Fl. 511DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.970 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720223/2011-16 SANTA MARIA”, cadastrado na RFB sob o NIRF nº 0.253.831-8, tendo cancelado integralmente o lançamento. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento (e-fls. 22/26), após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a Área de Produtos Vegetais. Na impugnação (e-fls. 295/300), o contribuinte requer o cancelamento do lançamento com homologação da Área de Produtos Vegetais de 2.783,5ha. Do Acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (e-fls. 469/474), extrai-se que a União restou vencida no seguinte capítulo: (a) Área de Produtos Vegetais. Dos argumentos e comprovantes apresentados junto com a impugnação, verifica-se que, de fato, na propriedade foi produzida cana-de-açúcar. As Notas Fiscais, planilha de entrega de matérias primas em usina de açúcar e álcool, bem como a declaração de engenheiro agrônomo, confirmam que no imóvel existia APV na dimensão de 2.738,5ha. Assim sendo, é possível considerar a APV informada na DITR. Intimado do Acórdão de Impugnação (e-fls. 476/489), o contribuinte não apresentou recurso voluntário (e-fls. 491). Foi interposto recurso de ofício (e-fls. 469). É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Trata-se de Recurso de Oficio interposto em 01 de abril de 2013 (e-fls. 469), de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, com alterações da Lei nº 9.532, de 1997, eis que exonerado o pagamento de tributo e encargos de multa no valor total de R$ 2.068.860,50 (e-fls. 22 e 295/300), valor superior ao de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 2008. Contudo, essa portaria foi revogada, in verbis: Portaria MF nº 63, de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 512DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.970 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720223/2011-16 Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Com a alteração do limite de alçada, o recurso de oficio em questão deixa de atender tal requisito de admissibilidade, eis que prevalece o valor de R$ 2.500.000,00, vigente na presente data de julgamento, conforme assevera a Súmula CARF n° 103: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Isto posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720413/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MFN° 63/2017. SÚMULA CARFN° 103.
A Portaria MF n° 63, de 09/02/2017, majorou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF n° 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em secunda instância.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE.
Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DITR.
Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, não foram apresentados outros documentos de órgão ambiental oficial.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR.
VALOR DA TERRA NUA
Não compete à instância recursal alterar a essência do lançamento fiscal, estabelecendo o VTN por arbitramento no Sistema de Preços de Terra - SIPT.
ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO. AREA TOTAL DO IMÓVEL. ALÍQUOTA
O valor do imposto será apurado mediante a aplicação da alíquota correspondente sobre o Valor da Terra Nua Tributável, considerando a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU.
Numero da decisão: 2202-005.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer o VTN e a área de reserva legal declarados pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MFN° 63/2017. SÚMULA CARFN° 103. A Portaria MF n° 63, de 09/02/2017, majorou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF n° 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em secunda instância. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DITR. Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, não foram apresentados outros documentos de órgão ambiental oficial. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 13 /2 00 7- 41 Fl. 351DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA Não compete à instância recursal alterar a essência do lançamento fiscal, estabelecendo o VTN por arbitramento no Sistema de Preços de Terra - SIPT. ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO. AREA TOTAL DO IMÓVEL. ALÍQUOTA O valor do imposto será apurado mediante a aplicação da alíquota correspondente sobre o Valor da Terra Nua Tributável, considerando a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer o VTN e a área de reserva legal declarados pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 04-19.969, proferido pela 4 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande - MS (DRJ/CGE) que julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou (efls. 251 e ss.): Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de fls. 01/05, mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural - ITR, Exercício 2004, no valor de R$ 1.514.489,90, que acrescido de juros de mora e multa de ofício totalizou R$ 3.350.051,85, do imóvel inscrito na Receita Federal sob o n° 0.277.009-1, localizado no município de Nova Mutum/MT. Fl. 352DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 Na descrição dos fatos (fls. 02/03), o fiscal autuante relata que glosou as dimensões declaradas das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Além disto, alterou o valor da terra nua declarada, tendo como base o valor informado pelo contribuinte em atendimento à intimação. Em sua impugnação os advogados Plínio José Marafon e Carolina Sayuri Nagai, representando o espólio do contribuinte, alegam, em síntese, que: • Em atenção ao Termo de Intimação Fiscal n° 01301/00057/2007, apresentou uma série de documentos (dez documentos ao todo), dentre eles, o Laudo Técnico (acompanhado de ART), a Matrícula do Imóvel e o protocolo do Ato Declaratório Ambiental (ADA).Obviamente, tais documentos são mais que suficientes para demonstrar toda a Área de Interesse Ecológico declarada, precisamente Área de Preservação Permanente e Reserva Legal; • De uma forma completamente arbitrária e sem fundamento, as informações relativas à área de interesse Ecológico foram desconsideradas, por suposta intempestividade de protocolo do ADA; • A fiscalização não considera as informações declaradas pelo contribuinte, mesmo diante da apresentação da Matrícula do Imóvel, com a respectiva averbação da ARL e do Laudo Técnico, com a respectiva informação da APP; • Por outro lado, na parte que lhe convém, se utiliza do Laudo Técnico para aumentar o VTN, incluindo na base de cálculo do ITR o valor correspondente ao potencial madeireiro mencionado no item 9; • A fiscalização desvirtua totalmente a sua atividade, qual seja apurar irregularidades e/ou atos ilícitos por parte do sujeito passivo capazes de causar dano ao Erário, para satisfazer a fúria arrecadatória do Governo; • No pode o Fisco, arbitrariamente, adotar critérios completamente distintos, aproveitando-se de um determinado documento apenas na informação que lhe favoreça, e desconsiderar o que não lhe interessa; • O IMPUGNANTE disponibilizou toda documentação necessária, mas o AFRF considerou apenas o que lhe convinha; • Tal postura denota que o AFRF, adotou o "caminho mais fácil", arbitrando a base de cálculo do imposto, sem sequer buscar a verdade material; • O ITR está sujeito ao lançamento por homologação, cabendo, portanto, ao contribuinte, apurar e recolher o imposto devido, procedimento que ficará sujeito a ulterior ratificação pelo Fisco; • Evoluindo na legislação do ITR, temos que a isenção das áreas de interesse ambiental (ARL c APP) não está condicionada à prévia comprovação peio contribuinte, de maneira que basta a simples informação na DITR para se fazer jus a este direito; • Nos termos do § 7 o , do art. 10, da Lei n° 9.393/06, com a redação dada pela MP n° 2.166-67/2001, a declaração das áreas de interesse ambiental, feita pelo contribuinte, tem presunção de veracidade, de modo que qualquer alegação em contrário deve ser provada pelo Fisco; • É óbvio que no presente caso o Fisco não logrou êxito em comprovar que a declaração do contribuinte é falsa. Aliás, na própria "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", itens 4 e 5, restou consignado que tais áreas existem e constam da Matrícula do Imóvel e do Laudo Técnico; Fl. 353DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 • O próprio AFRF também reconhece que os ADA's foram apresentados, Contudo, o AFRF se fundamentou na intempestividade do ADA para, simplesmente, glosar toda a área de interesse ambiental declarada pelo contribuinte; • A comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal através do ADA não passa de uma prova documental, pela qual se presume a existência da referida área; • O valor probatório do ADA, é exatamente o mesmo da declaração feita pelo contribuinte na DITR. Neste sentido, já se manifestou o E. Superior Tribunal de Justiça. 39. Também, no mesmo sentido, é pacífica a jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes que vem assentando o entendimento de que a declaração do contribuinte é suficiente para comprovar as áreas de isenção do ITR; Grau de Utilização • Tendo em vista a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal, a área tributável do imóvel fatalmente aumentou absurdamente e, por conseguinte, diminuiu o GU — Grau de Utilização da Área, de 100% para 13,8%, conforme demonstrativo de apuração do I T R, na Notificação de Lançamento. Consequentemente, a alíquota incidente fora majorada de 0,45%, para 20%, o que é um verdadeiro absurdo; • a Notificação de Lançamento deve ser anulada, e a apuração da área aproveitável refeita, de modo a refletir o verdadeiro GU (Grau de Utilização), bem como a alíquota aplicável no presente caso; Superavaliação do VTN • Como se não bastasse, após desconsiderar todas as áreas de interesse ambiental (APP/ARL) declaradas pelo IMPUGNANTE e consignadas no Laudo Técnico, o AFRF se utiliza do Laudo Técnico — obviamente apenas no ponto que lhe interessa — para aumentar o valor do VTN; • De fato, a diferença do VTN constatada pelo Fisco, conforme demonstrativo de apuração do imposto devido, no tocante ao VTN -Valor da Terra Nua decorre da majoração do valor total do imóvel com base no Laudo Técnico apresentado; • Ressalte-se que o Laudo Técnico utilizado pelo AFRF foi elaborado no ano de 2007 ao passo que o lançamento do ITR ora combatido refere-se ao ano de 2003; • O § 2 o , do art. 8 o , da Lei n° 9.393/95 dispõe que o VTN refletirá o preço de mercado das terras, apurado em l°/jan do ano a que se referir o DIAT (DITR); • Como pode o AFRF considerar, como única informação válida para a sua autuação, um suposto potencial madeireiro avaliado no ano de 2007 para lavrar a uma Notificação de Lançamento referente ao ano de 2004? • E indiscutível que o suposto potencial madeireiro não pode ser considerado para aumentar o valor total do imóvel e, consequentemente, superavaliar o VTN, eis que, o Laudo em questão não se refere à data do fato gerador; • Da farta jurisprudência, tanto do Conselho de Contribuintes quanto da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, resta cristalino que Laudo Técnico é o meio hábil para rever o VTN, no entanto deve seguir os requisitos legais, mormente fazer referência à época do fato gerador, o que não é o caso, razão pela qual o mesmo não deve ser aceito; • O AFRF superavaliou o VTN tão somente com respaldo no Laudo Técnico elaborado cm 2007, que não pode ser considerado, devendo serem mantidas as informações por ele declaradas; Fl. 354DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 • Na DITR/2002 constam os mesmos valores presentes nas declarações de 2003 e 2004. Contudo, tal período não foi alvo da fiscalização, o que revela mudança de critério jurídico na apreciação do fato jurídico apto a • O Sr. Fiscal, ao considerar o valor do potencial madeireiro deixou de observar se referido valor reflete o preço efetivo da propriedade rural (de mercado) à época do fato gerador (note-se que tão somente somou o valor do potencial madeireiro ao valor da terra nua constante dos itens 9 e 14 do laudo, sem ao menos verificar tais valores); • Outro equívoco verificado é que no laudo não consta se a área de potencial madeireiro se trata de floresta plantada, hipótese que pode ser deduzida do VTN; • Caso seja considerado que o potencial madeireiro esteja dentro de floresta natural, tal como pretende a Notificação de Lançamento, em nenhuma hipótese o VTN poderia ser superavaliado em tal montante, uma vez que o suposto potencial madeireiro constitui área de interesse ecológico legalmente protegida (Lei n° 4.771/65 - Código Florestal); • Por fim, conforme se verifica do cálculo do AFRF, o VTN por hectare do imóvel foi avaliado na absurda quantia de RS 863,73; • O IMPUGNANTE possui documentos que comprovam um valor infinitamente menor para o hectare daquela área. Anexa aos autos os documentos de fls. 124/219. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/CGE, por ter alterado o valor do VTN calculado pela fiscalização. A decisão teve a seguinte ementa: Assumo: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PRESERVAÇÃO PERMANENTE - RESERVA LEGAI. - REQUISITOS DE ISENÇÃO A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente -APP e Areas de Utilização Limitada - AUL, como Area de Reserva Legal -ARL, está vinculada à comprovação de suas existências, como laudo técnico específico para a APP e averbação na matrícula da AUL, e de sua regularização junto aos órgãos ambientais competentes, como o Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - 1BAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. Uma vez comprovado que o laudo apresentado pelo contribuinte durante a fase de fiscalização informava o valor da terra nua em data distinta do fato gerador, deve ser desconsiderado este valor para fins de cálculo do ITR, porém se o contribuinte não demonstrar, através de laudo técnico de avaliação, o valor fundiário do imóvel, bem como a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos, que pudessem justificar o valor declarado, deve ser considerado o valor da terra nua com base no SIPT. A exigência foi mantida parcialmente julgamento de primeiro grau, cientificado o sujeito passivo em 28/05/2010 (efls. 261), ensejando a interposição de recurso voluntário em 24/06/2010 (fls. 265 e ss.), repisando em grande parte os termos da impugnação, tendo acrescentado o seguinte argumento: Fl. 355DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 - apesar da decisão a quo não ter considerado o laudo técnico no cálculo do VTN, e, sim, o valor da tabela SIPT, ainda está superavaliado, de acordo com os documentos apresentados pelo contribuinte Voto Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, Relator. 1. Recurso de Ofício – Juízo de Admissibilidade Quanto ao recurso de oficio, vale destacar que a DRJ exonerou do principal e multa de ofício lançados, a importância de R$ 1.515.306,73. Acontece que o limite de alçada atual para a interposição de recurso de oficio corresponde a R$ 2.500.000.00, conforme Portaria MF n. 63, de 2017. Ademais, nos termos da Súmula CARF n° 103, o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso , em segunda instância: Súmula CARF n° 103: Para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, tendo em vista que o imposto suplementar exonerado de R$ 865.889,56 (R$ 1.514.489,99 – R$ 648.600,43, efls. 02 e 258), com multa de ofício correspondente de R$ 649.417,17, totalizando um valor de R$ 1.515.306,73, encontra abaixo do limite de alçada, não cabe então conhecer do presente recurso de ofício. 2. Recurso Voluntário Juízo de Admissibilidade O recurso voluntário foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade É importante destacar que o lançamento em foco foi legal e corretamente efetuado. Preencheu todos os requisitos necessários para sua elaboração, não existindo nenhum vício formal ou material que exija sua anulação. Antes, ainda, da análise dos argumentos de mérito é importante lembrar que, com base na Lei n° 9.393/1996, o ITR passou a ser lançado por homologação, cabendo ao contribuinte apurar o imposto, através de declaração, e proceder ao seu recolhimento sem o exame prévio da autoridade fiscal e sem a necessária comprovação, também prévia, dos dados declarados, conforme disposto no artigo 150, da Lei n° 5.172/1966, o Código Tributário Nacional - CTN. Fl. 356DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 Por outro lado, o fato de haver dispensa da prévia comprovação do declarado, ou seja, de apresentar documentos comprobatórios no ato da entrega das declarações, não exclui do contribuinte a responsabilidade de manter em sua guarda, no prazo legal, os documentos que devem ser apresentados ao fisco quando solicitado ou, dependendo das características da prova, providenciar sua elaboração, como no caso do laudo técnico. Desta forma, fica clara a existência de legislação que obriga o contribuinte a fazer prova do declarado, fato que corrobora que o ônus da prova cabe ao declarante, estando correto o procedimento fiscal. O artigo 14, da mencionada Lei 9.393/1996, embasa o lançamento de ofício no caso de informações inexatas ou não comprovadas, constatadas, posteriormente, quando do procedimento fiscal de análise dos dados declarados. Dentro do caminhar normativo do contencioso administrativo tributário federal, as hipóteses de nulidade de lançamento fiscal estão enumeradas no artigo 59 do Decreto 70.235/1972, a saber: (i) documentos lavrados por pessoa incompetente; (ii) despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; e (iii) despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. E nenhuma dessas hipóteses foram evidenciadas nos autos. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (g.n.) § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (g.n.) Constata-se a observância da garantia da ampla defesa ao ter sido devidamente concedida à autuada oportunidade para apresentar documentos durante a ação fiscal (Termo de Intimação Fiscal, efls. 08/09), e ainda, para apresentar sua peça de impugnação e recurso, produzindo elementos probatórios, com vistas a demonstrar a sua razão no litígio. Ou seja, o Recorrente teve garantido todos os seus direitos de defesa, não procedendo, portanto, suas alegações de nulidade da presente Notificação de Lançamento. Valor da Terra Nua (VTN) Fl. 357DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 O contribuinte havia declarado um VTN de R$ 73,55 por hectare, que multiplicado pela área total do imóvel (8.769,50 hectares) resultou num VTN de RS 645.000,00. Como tal valor estava a princípio abaixo dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela S1PT, a fiscalização intimou o declarante para comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada, entre outros. Na fase de fiscalização, o contribuinte apresentou um laudo técnico informando o valor da terra nua que foi considerado no lançamento pela autoridade fiscal. A decisão de origem decidiu que devido ao fato de o laudo não se referir à data do fato gerador, o mesmo não deveria ter sido considerado pela fiscalização no cálculo do valor do VTN. Com isso, a decisão a quo concluiu da seguinte forma, in verbis: O contribuinte não comprovou também o valor declarado, pois a avaliação da prefeitura (fl. 209) e as escrituras públicas de compra e venda (fls. 212/219), por si só, não tem força probante, pois o VTN, quando questionado pela fiscalização, somente pode ser modificado mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. No caso em questão, não tendo havido a apresentação deste laudo para o exercício de 2004, o valor deve a ser considerado é o da Tabela SIPT, conforme extrato de fl. 239, ou seja, RS 370,04 por hectare, o que resulta num VTN de R$ 3.245.065,78. (negritou-se) Neste ponto, concordo com a decisão de origem quanto à utilização indevida de uma Laudo Técnico do ano de 2007 para o cálculo do VTN exercício 2004, por parte da fiscalização. Por outro lado, entendo que não compete ao Acórdão recorrido alterar o lançamento fiscal em sua essência, o que de fato ocorreu no presente caso, quando a decisão de origem estabeleceu o arbitramento do VTN pelo SIPT. Desta feita, concluo que deve ser restabelecido o VTN declarado pelo contribuinte. Área de Reserva Legal (ARL) Alega o Recorrente que apresentou uma série de documentos, dentre eles, o Laudo Técnico (acompanhado de ART), a Matrícula do Imóvel e o protocolo do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entende que tais documentos são mais que suficientes para demonstrar toda a Área de Interesse Ecológico declarada, precisamente Área de Preservação Permanente e Reserva Legal, sendo o ADA apenas um documento declaratório. Segundo consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação do Lançamento (efls. 03), após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de ARL no imóvel rural. Fl. 358DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 No caso da Área de Reserva Legal (ARL - utilização limitada) para efeito de sua caracterização, cabe observar o contido no §4º e no §8º do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, que determina, além da exigência do interesse de proteção ambiental, os seguintes requisitos; a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Além disso, para efeito de desoneração do ITR da área correspondente à reserva legal, de que trata o disposto na alínea 'a', no inciso II, no §1º, do art. 10, da Lei nº 9.393/96, cabe observar que a área de reserva legal deve estar averbada antes de ocorrência do fato do gerador do ITR, conforme determina o disposto no §1º, do art. 12 do Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002. Art.12º. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindo-se apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001). §1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Dito isso, passou-se a analisar os autos, com o objetivo de verificar a existência de Área de Reserva Legal, nos termos estabelecidos pela Lei nº 4.771/65. O Laudo Técnico, emitido em 20/09/2007,juntado aos autos (efls. 23/30) em nada esclarece os fatos, por ter sido realizado entre 05/09/2007 a 25/09/2007, bem posterior ao exercício financeiro 2004 em questão. No que ser refere à alegação do Recorrente de que consta averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, consta de forma expressa na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal da Notificação (efls. 04), in verbis: (...) 5. Da Área de Reserva Legal: Em matrícula há averbação de 50% da área total do imóvel referente a Reserva Legal, entretanto, esta área não poderá ser considerada para exclusão da base de cálculo do ITR, porque contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse título. (...) Consta na matrícula do imóvel a seguinte informação (efls. 31)“Procede-se a esta averbação para constar que o imóvel da presente matrícula encontra-se averbado um Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta como IBAMA, comprometendo a preservar 50% de 4.606ha de José Roque” ..., o que daria exatamente o valor de 2.303 de área de reserva legal declarada pelo contribuinte em sua DIAC/DIAT (efls. 05 e 76). Fl. 359DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4771.htm#art16 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2166-67.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2166-67.htm Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 De acordo com a Súmula CARF nº 122, o cumprimento dos requisitos formais da referida averbação da reserva legal supre a necessidade de apresentação tempestiva do ADA. SUMULA CARF Nº 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Com isso, deve-se restabelecer a exclusão da área de reserva legal efetuada pela Fiscalização. Área de Preservação Permanente No tocante à exclusão das áreas de preservação ambiental da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural -ITR, cabe observar os requisitos estipulados para tal exoneração previstos na alínea 'a', no inciso II, no §1º, e no art. 10, da Lei nº 9.393/96, que até 18 de julho de 2013, apresentava a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Assim, ao analisar a composição da base de cálculo para apuração do ITR nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir que podem ser excluídas da tributação as áreas protegidas e de interesse de preservação ambiental, como APP e ARL, nos termos da referida lei. Todavia, para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos na Lei nº 4.771/65, o contribuinte deveria, obrigatoriamente, apresentar o ADA ao IBAMA dentro do prazo normativo, nos termos do parágrafo 1º, art. 17-O, da Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 360DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9960.htm#anexovii.3.11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9960.htm#anexovii.3.11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L10165.htm#art1 Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 § 1º-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000. Do mesmo modo, o Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, no inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, também tratou da obrigatoriedade de apresentar o ADA para efeito da exclusão da área tributável, as áreas correspondentes à de preservação permanente. Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I - de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); (grifo não faz parte do original). No que tange ao Ato Declaratório Ambiental, o qual deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados ao ITR, pode-se afirmar que é um documento de cadastro, junto ao IBAMA, das áreas de interesse ambiental que integram o conjunto do imóvel rural e que possibilita ao Proprietário Rural reduzir o Imposto Territorial Rural – ITR, com a exclusão da área de Preservação Permanente - APP da base tributária, efetivamente protegida e informada no Documento de Informação e Apuração DIAT/ ITR. No caso em apreço, o contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do ADA, não cumprindo portanto os requisitos legais estabelecidos. Esclareço que o ADA não seria o único documento que comprovaria a existência da área de preservação permanente, podendo ser apresentado outros documentos emitidos por órgão oficial ambiental, antes do exercício fiscalizado, tais como: Laudo Técnico de Vistoria do Ibama e declaração expedida pelo Instituto Estadual Florestal. Nesse sentido, cabe citar o acórdão nº 9202-01.933 proferido pela 2ª turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, nos seguintes termos: (...) Fl. 361DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L10165.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/cCivil_03/LEIS/L9393.htm#art10§1ii http://www.planalto.gov.br/cCivil_03/LEIS/L4771.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/cCivil_03/LEIS/L4771.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/cCivil_03/LEIS/L6938.htm#art17o§5 http://www.planalto.gov.br/cCivil_03/LEIS/L6938.htm#art17o§5 http://www.planalto.gov.br/cCivil_03/LEIS/L10165.htm#art1 Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 No caso em tela, apesar de não possuir esse documento específico, o sujeito passivo possui declaração de órgão ambiental, emitida muito antes do fato gerador, que atesta que o imóvel está inteiramente inserido em área de preservação permanente. Assim, há que se concluir que o documento apresentado é mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois não se trata de mera informação para que o órgão ambiental verifique que o imóvel possui área de preservação permanente, mas de reconhecimento do fato pelo órgão. Nesse sentido, entendo que a exigência legal foi atendida por documento diferente do nela previsto, mas que cumpre de forma mais completa a intenção do legislador. (...) Acrescentando ainda a ementa do referido Acórdão, a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO TEMPESTIVAMENTE. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDE À MESMA FINALIDADE. Para ser possível a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentada declaração, expedida pelo Instituto Estadual de Florestas - IEF antes do exercício fiscalizado, de que o imóvel estava totalmente abrangido em área de preservação permanente definida por decreto estadual, documento mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois já traz o reconhecimento da área pelo órgão ambiental. Recurso Especial do Procurador Negado. No caso posto, o Recorrente não apresentou o ADA devido e nem outros documentos emitidos por órgão oficial ambiental, que comprovariam a área de preservação permanente, logo mantenho a decisão de origem. Grau de Utilização/Alíquota Fl. 362DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.424 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720413/2007-41 A defesa sustenta que o grau de utilização aplicado no lançamento é equivocado, resultando na aplicação de alíquota indevida no importe de 20% (vinte por cento), devido a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal Pois bem. Neste capítulo assiste razão ao recorrente. Isto porque, afastando a glosa da área de reserva legal, então é necessário recalcular o grau de utilização e, consequentemente, também pode haver variação na alíquota a ser aplicada, conforme art. 11 da Lei n.º 9.393, de 1996 1 . Sendo assim, deve-se calcular o novo grau de utilização e, em seguida, encontrar a nova alíquota. Conclusão Ante o exposto, voto em não conhecer do recurso de ofício, e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer o VTN e a área de reserva legal declarados pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles 1 Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua Tributável - VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU. Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.722228/2011-07
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
COOPERATIVA. MODALIDADES DE CONTRATOS. IRRF.
Infere-se que as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados na modalidade de custo operacional relativas ao ato cooperado, ou seja, a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa, ou colocados à sua disposição, estão sujeitas à retenção de IRRF, código 3280, prevista no regramento específico do art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995.
Por outro lado, não estão sujeitas à retenção do IRRF as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativas a contratos pactuados na modalidade de pré-pagamento que estipulem valores fixos de remuneração, independentemente da utilização dos serviços pelos usuários da contratante. Assim, esses valores de atinentes a ato não cooperado não seguem os procedimentos especiais previstos no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995, de modo que a fonte pagadora somente pode pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário e observe os demais critérios normativo.
Numero da decisão: 1003-001.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. COOPERATIVA. MODALIDADES DE CONTRATOS. IRRF. Infere-se que as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados na modalidade de custo operacional relativas ao ato cooperado, ou seja, a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa, ou colocados à sua disposição, estão sujeitas à retenção de IRRF, código 3280, prevista no regramento específico do art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995. Por outro lado, não estão sujeitas à retenção do IRRF as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativas a contratos pactuados na modalidade de pré-pagamento que estipulem valores fixos de remuneração, independentemente da utilização dos serviços pelos usuários da contratante. Assim, esses valores de atinentes a ato não cooperado não seguem os procedimentos especiais previstos no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995, de modo que a fonte pagadora somente pode pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário e observe os demais critérios normativo.
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COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. COOPERATIVA. MODALIDADES DE CONTRATOS. IRRF. Infere-se que as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados na modalidade de “custo operacional” relativas ao ato cooperado, ou seja, a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa, ou colocados à sua disposição, estão sujeitas à retenção de IRRF, código 3280, prevista no regramento específico do art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995. Por outro lado, não estão sujeitas à retenção do IRRF as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativas a contratos pactuados na modalidade de “pré-pagamento” que estipulem valores fixos de remuneração, independentemente da utilização dos serviços pelos usuários da contratante. Assim, esses valores de atinentes a ato não cooperado não seguem os procedimentos especiais previstos no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995, de modo que a fonte pagadora somente pode pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário e observe os demais critérios normativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 22 28 /2 01 1- 07 Fl. 1117DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 16-64.329, proferido pela 4ª Turma da DRJ/ SPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Fazendo um breve relato dos fatos, tem-se que a Recorrente apresentou várias Declarações de Compensação – DCOMP informando crédito cuja origem seria o recolhimento indevido ou a maior a título de Imposto de Renda Retido na Fonte de Cooperativas, referente ao ano-calendário 2007. Tais Declarações de Compensação receberam os seguintes números: 09793.06120.270812.1.7.05-4040; 21329.52611.090307.1.3.05-2866; 01777.96723.100407.1.3.05-1235; 17665.17084.100507.1.3.05-2866; 22240.76138.080607.1.3.05-2805; 06057.43138.100807.1.3.05-5986; 19441.93609.100907.1.3.05-0468; 38154.14821.101007.1.3.05-6591; 39584.50188.091107.1.3.05-2559; 42471.36930.101207.1.3.05-0065; 00774.39859.080108.1.7.05-9248; 16234.33426.100108.1.3.05-0004 31718.78129.080208.1.3.05-3280. Tais compensações foram homologadas parcialmente. Assim, a DRF, por meio do despacho decisório (fls. 967/969), reconheceu, parcialmente, o direito creditório em favor do contribuinte no valor de R$ 40.440,12, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, em razão de não ter sido possível, com base na documentação apresentada, confirmar a totalidade dos valores de retenção solicitados pelo contribuinte no montante de R$ 49.679,24. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 05/10/2012 (fls. 977/985), alegando, resumidamente, que: “ (...) III - DO DIREITO À COMPENSAÇÃO INTEGRAL DOS CRÉDITOS APURADOS 6. Como se verifica da decisão de fls., (sic) a Fazenda procedeu a glosa dos valores compensados pela requerente referentes a crédito de IRRF retido por seus tomadores de serviços contratantes de planos de assistência à saúde na modalidade de pré-pagamento no ano-calendário de 2007. 7. A requerente é pessoa jurídica de caráter instrumental que congrega recursos para viabilização da prestação de serviços aos seus associados (médicos). Fl. 1118DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 8. Em virtude dessa característica e por questões de política de arrecadação fiscal, os tomadores de serviços de cooperativas de trabalho são obrigados a efetuar a retenção do IRRF à alíquota de 1,5%, como estabelecido no artigo 45 da Lei n° 8.541/92 e 652 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), sobre o valor dos serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. 8. 1. Esses dispositivos ainda prevêem que o imposto retido pelos tomadores de serviços das cooperativas poderá ser por elas compensado com aquele retido na ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. As retenções anteriormente realizadas são meras antecipações do imposto de renda devido pelo médico cooperado (e retido pela cooperativa quando desses pagamentos). 9. A requerente, ao prestar serviços a diversos clientes, emitiu as respectivas faturas com o destaque do abatimento do IR devido, como determinado pela legislação de regência, não sendo lícito impedi-la de compensar seus créditos decorrentes da retenção comprovadamente sofrida, ainda mais quando comprovadas todas elas pelas fontes pagadoras, o que foi ratificado pelo Fisco. 10. A requerente vem procedendo dessa forma há muitos anos, sem qualquer problema com o Fisco. Somente agora a Fazenda nega a compensação em relação ao IR retido dos contratos de pré-pagamento, sob a seguinte alegação: "... 26. Ressalta-se que a compensação do imposto retido sobre pagamentos a cooperativas de trabalho (Código de receita 3280) é possível, no mesmo ano calendário em que houve a retenção, apenas com débitos da cooperativa relativos ao imposto de renda retido por ocasião do pagamento aos associados (código de receita 0588 ou 3280). Após referido ano-calendário, o imposto retido não utilizado poderá ser objeto de restituição ou compensação de débitos relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB. 27. No caso em análise, a interessada, por meio de PER/DCOMPs, conforme Relação de Créditos Pleiteados AC 2007, fls. 751/782, pleiteia a compensação do imposto retido pelas pessoas jurídicas sobre pagamentos efetuados a ela (Cód. Receita 3280), relativo ao ano-calendário 2007, com débitos códigos 0588 e 3280. 28. Assim, apenas o imposto retido resultante dos contratos na modalidade pós- pagamento, ou seja após a efetiva prestação do serviço pelo cooperado (Cód. 3280), e confirmado por meio de verificação no sistema DIRF (Relatório DIRF AC 2007 - Código de Receita 3280, fls. 783/790) será considerado, conforme pode ser visualizado na Planilha DCOMP x DIRF, fls. 791/822). 29. Salienta-se que, apesar da confirmação da retenção no código 3280 por algumas fontes pagadoras, conforme pesquisa Dirf (Relatório DIRF AC 2007, fls. 783/790), verificou-se a retenção indevida no código 3280 na maioria dos casos por serem resultantes de contratos na modalidade preço pré pagamento." 10. 1. O Fisco ainda trouxe à colação algumas Soluções de Consulta no sentido da não incidência da retenção do IR sobre os pagamentos realizados às operadoras de planos de saúde nos contratos de pré-pagamento. (...) 11. Assim, de acordo com a fiscalização, a retenção teria sido indevida em relação aos contratos de pré-pagamento, afastando a regra contida no artigo 45, da Lei n° 8.541/92: "Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes Fl. 1119DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei n° 8.981, de 1995) § 1° O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei n° 8.981, de 1995) §2° O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei n° 8.981, de 1995) 12. Uma vez inequívoco o fato da retenção, há em consequência direito à compensação desses valores, mesmo nos termos das regras gerais aplicáveis, como dispõe o art. 74 da lei 9.430/95: (...) 13. Vedar a compensação como se pretende é o mesmo que impedir a compensação administrativa de um tributo recolhido indevidamente a maior, representando manifesto enriquecimento sem causa da Fazenda, o que é vedado pelo ordenamento jurídico vigente, haja vista que contrário à moralidade administrativa (art. 37, da Constituição Federal) e ao princípio da legalidade. 14. Também não se mostra razoável e proporcional a limitação ao direito de compensação por suposta irregularidade na retenção, ainda mais quando não há qualquer prejuízo ao Fisco, pois todos os tributos atinentes à operação foram quitados e as retenções comprovadas, como confirmado pela Fiscalização. (...) IV - DO PEDIDO 16. Diante do exposto, requer o conhecimento desta manifestação de inconformidade, com a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário ora exigido e, ao final, sua integral procedência para reconhecer o direito líquido e certo de compensar todos os valores que lhe foram retidos a título de imposto de renda indicados neste procedimento. Nestes termos, pede deferimento”. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ/SPO entendeu por bem julgá-la improcedente e não reconheceu o crédito tributário em discussão. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Ano-calendário: 2007 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO - PLANOS DE SAÚDE - RETENÇÃO. Não estão sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativas a contratos que estipulem valores fixos de remuneração, independentemente da utilização dos serviços pelos usuários da contratante (segurados). Por outro lado, estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 1,5% (um e meio por cento) as importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, relativas a serviços pessoais prestados pelos associados ou colocados à sua disposição. Fl. 1120DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário discorrendo sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduziu que: (...) Fl. 1121DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Possibilidade Jurídica de Reconhecimento do Direito Creditório de IRRF no caso de Cooperativa conforme a Modalidade de Contrato A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Explique-se. A Autoridade Fiscal, no Despacho Decisório (fls. 967/969), atesta que verificou, com base nas informações de contratos e notas fiscais apresentadas pela Recorrente, a retenção de IR tanto em contratos de modalidade “Custo operacional” (em que os serviços médicos são pagos de acordo com os valores dos serviços efetivamente prestados) - , quanto em contratos de Fl. 1122DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 modalidade “Pré-pagamento” (em que há o pagamento de quantia mensal fixa por usuário, sem correlação entre os honorários médicos e a receita da mensalidade). A DRF considerou como correta a totalidade do IRRF, código 3280, incidente sobre os rendimentos auferidos dos contratos na modalidade "custo operacional", em que os serviços médicos são pagos de acordo com os valores dos serviços efetivamente prestados pode ser considerado como serviços pessoais prestados por associados de cooperativas de trabalho destacado nas faturas apresentadas. Assim, foram homologadas as compensações informadas utilizando como crédito a maior ou indevido referente à IRRF, código 3280, até o limite do crédito reconhecido, com base na documentação apresentada, já que foi possível confirmar a totalidade dos valores de retenção a tal título. Por seu turno, a DRF não reconheceu qualquer direito creditório alusivo às retenções originárias de contratos na modalidade pré-pagamento, pois estas deveriam ter sido utilizadas na compensação do IRPJ apurado e não na compensação do IRRF incidente sobre a remuneração paga aos cooperados. A Autoridade Fiscal asseverou, ainda, que, na modalidade pré-pagamento não há que se falar em ato cooperado, mas em atividade comercial, pois a remuneração dos serviços médicos vendidos aos usuários do plano de saúde é efetuada pela cooperativa com recursos decorrentes da cobrança de mensalidade e não com recursos originários da cobrança dos serviços prestados pelos médicos. Logo, não haveria se falar em retenção do IRRF. Desta forma, restou consignado que no Despacho Decisório citado só foram consideradas as retenções de Imposto sobre a Renda oriundas dos contratos na modalidade “Custo operacional”, em consonância com o entendimento das Soluções de Consulta nº 56/2010 da DISIT da 6ª Região; nº 145/2010 da DISIT da 9ª Região e nº 165/2010 da DISIT da 8ª Região; bem como com o que determina o art. 652 do Decreto nº 3.000/99. Assim, da totalidade dos valores de retenção solicitados pela Recorrente (R$ 49.679,24), foram reconhecidos somente R$ 40.440,12 (tais valores constam da planilha de fl. 952). O aludido despacho decisório foi confirmado pela DRJ. Do acórdão de piso, extrai-se trecho da fundamentação para manutenção da homologação parcial da compensação pretendida: “6.1. Há que se distinguir, portanto, a retenção de IR oriunda do pagamento dos serviços médicos efetivamente prestados - modalidade “Custo operacional” -, da modalidade “Pré-pagamento” em que há o pagamento de quantia mensal fixa por usuário, sem correlação entre os honorários médicos e a receita de tal mensalidade. 6.2. Com efeito, estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 1,5% (um e meio por cento) as importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, relativas a serviços pessoais prestados pelos associados ou colocados à sua disposição. 6.3. No entanto, não se pode falar, no caso da modalidade de “Pré-pagamento”, em ato cooperado. Trata-se de atividade comercial, pois a remuneração dos serviços médicos vendidos aos usuários do plano de saúde é efetuada pela cooperativa com recursos Fl. 1123DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 decorrentes da cobrança de mensalidade e não com recursos originários da cobrança dos serviços médicos prestados. 6.4. Tais operações não são alcançadas pelos benefícios fiscais dirigidos somente para os atos cooperados, no que diz respeito à possibilidade de utilização do crédito de IRRF código de receita 3280 – IRRF- REMUNERAÇÃO SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR ASSOC. DE COOPERATIVA DE TRABALHO (ATOS COOPERADOS). 6.5. Colacionadas pela Autoridade Fiscal (fl. 968), as Soluções de Consulta nºs 56/2010, 145/2010 e 165/2010, das DISIT 6ª, 9ª e 8ª Regiões confirmam, de maneira inequívoca, tal interpretação. 7. Assim, está correto o procedimento do Despacho Decisório que reconheceu, apenas parcialmente, o direito creditório em favor da Manifestante no valor de R$ 40.440,12, devendo ser homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido.” Infere-se do resultado do Acórdão da DRJ de que todos os valores passíveis de compensação foram considerados pelo Despacho Decisório, pois depende da natureza do contrato, ou seja, somente os contratos na modalidade "custo operacional" em que os serviços médicos são pagos de acordo com os valores dos serviços efetivamente prestados pode ser considerado como serviços pessoais prestados por associados de cooperativas de trabalho (art. 45, Lei n° 8.541/92), código de receita 3280. Irresignada, a Recorrente alegou, em sede de Recurso Voluntário, reiterando os argumentos elencados por ocasião da apresentação de sua manifestação de inconformidade, que é indevida a glosa dos valores compensados referentes a crédito de IRRF retido por seus tomadores de serviços contratantes de planos de assistência à saúde na modalidade de pré- pagamento no ano-calendário de 2007. Aduz também que, ao prestar serviços a diversos clientes, emitiu as respectivas faturas com o destaque do abatimento do IR devido, como determinado pela legislação de regência, não sendo lícito impedi-la de compensar seus créditos decorrentes da retenção comprovadamente sofrida, ainda mais quando comprovadas todas elas pelas fontes pagadoras, o que foi ratificado pelo Fisco. Portanto, o litígio se restringe à discussão se contratos pactuados na modalidade de pré-pagamento, ESTÃO OU NÃO sujeitas à retenção prevista no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995, para fins de consideração de reconhecimento do direito creditório correspondente ao IRRF, como pleiteia a Recorrente. Entendo, que razão não assiste à Recorrente, conforme fundamentos a seguir expostos, pois em meu sentir as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados na modalidade de pré-pagamento, não estão sujeitas à retenção prevista no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995. Desse modo a modalidade do contrato SIM faz toda diferença.ao contrário do afirmado pela Recorrente. Fl. 1124DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 No caso específico, cabe assinalar que a Recorrente é uma cooperativa de trabalho. E como cooperativas de trabalho (associação de profissionais ou assemelhada), está sujeita à Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, com redação dada pela Lei nº 8.981, 20 de janeiro de 1995, que assim determina: Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) Essa questão está regulamentada no art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, no art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, no art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, no art. 48 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por seu turno a Solução de Consulta Cosit/RFB nº 59, de 30 de dezembro de 2013, prevê: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE DE PRÉ-PAGAMENTO. DISPENSA DE RETENÇÃO. Os pagamentos efetuados a cooperativas operadoras d e planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos de plano privado de assistência à saúde a preços pré- estabelecidos (contratos de valores fixos, independentes da utilização dos serviços pelo contratante), não estão sujeitos à retenção do Imposto de Renda na fonte. As importâncias pagas ou creditadas a cooperativas de trabalho médico, relativas a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa, estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de um e meio por cento, nos termos do art. 652 do Regulamento do Imposto de Renda. Dispositivos Legais: Lei nº 9.656/1998, art. 1º, I; RIR, arts. 647, caput e § 1º, e 652; PN CST nº 08/1986, itens 15, 16 e 22 a 26. [...] Conclusão 15. Ante o exposto, proponho que se responda à consulente que: a) as receitas por ela obtidas, na condição de operadora de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados com pessoas jurídicas na modalidade de pré- pagamento, que estipulem o pagamento mensal de valores fixos pelo contratante, não estão sujeitas à retenção na fonte do Imposto de Renda prevista no art. 647 do Regulamento do Imposto de Renda; e Fl. 1125DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 b) as importâncias a ela pagas ou creditadas por pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais prestados a tais pessoas jurídica s, ou colocados à disposição delas, pelos associados da cooperativa, estarão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5% (um e meio por cento), nos termos do art. 652 do Regulamento do Imposto de Renda. Ainda sobre a matéria consta na Solução de Consulta Cosit/RFB nº 15, de 14 de março de 2018: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF COOPERATIVAS SINGULARES TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PESSOAIS PRESTADOS POR COOPERADOS PESSOAS FÍSICAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS PESSOAS JURÍDICAS. RETENÇÃO NA FONTE. Nos pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a cooperativas singulares de trabalho médico, na condição de intermediárias de contratos executados por cooperativas singulares de trabalho médico, será retido: a) o IRRF à alíquota de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), de que trata o art. 652 do RIR de 1999, sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por cooperados, pessoas físicas, das cooperativas singulares; b) o IRRF à alíquota de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), de que trata o art. 647 do RIR de 1999, sobre as importâncias relativas aos serviços prestados pelas cooperadas, pessoas jurídicas, das cooperativas singulares; e c) o IRRF à alíquota de 1,5% (um e meio por cento) de que trata o art. 651, inciso I do RIR, de 1999, sobre o valor correspondente à comissão ou taxa de administração, a ser retido da cooperativa singular, caso receba valores a esses títulos na intermediação. Não haverá retenção do imposto sobre renda pelas cooperativas singulares no repasse feito por estas às cooperadas, pessoas jurídicas. Dispositivos legais: Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 45; RIR/1999, arts. 647 e 652; [...] 34. [...] II - Nos pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a cooperativas singulares de trabalho médico, deverá ser observado o seguinte: a) será retido o IR na fonte à alíquota de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), de que trata o art. 652 do RIR de 1999, sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por cooperados, pessoas físicas, das cooperativas singulares; b) será retido o IR na fonte à alíquota de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), de que trata o art. 647 do RIR de 1999, e as contribuições de que trata o art. 30 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre as importâncias relativas a serviços prestados pelas cooperadas, pessoas jurídicas, das cooperativas singulares; c) será retido das federações o IR na fonte à alíquota de 1,5% (um e meio por cento) de que trata o art. 651, inciso I do RIR, de 1999, sobre o valor correspondente à comissão ou taxa de administração, caso as cooperativas singulares atuem como intermediadoras. III - Para os fins das retenções previstas no item II, a cooperativa singular de trabalho médico, deverá apresentar faturas ou documento de cobrança de sua emissão, segregando os valores a serem pagos, observando-se o seguinte: Fl. 1126DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 a) emitir fatura e nota fiscal somente em relação ao valor correspondente à comissão ou taxa de administração, como intermediadora, a qual se sujeita à incidência da retenção do imposto de renda na fonte a alíquota de 1,5% (um e meio por cento) de que trata o art. 651, inciso I do RIR, de 1999; e b) emitir faturas e notas fiscais, e nessas faturas deverão ser segregadas as parcelas referentes aos serviços pessoais dos cooperados, pessoas físicas, dos serviços prestados pelas cooperadas, pessoas jurídicas, das cooperativas singulares, da seguinte forma: b.1) valores relativos aos serviços pessoais prestados por cooperados, pessoas físicas, cabendo a retenção e o recolhimento, em nome da cooperativa singular que tenha concorrido para a prestação de serviços no período sob cobrança, de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) de imposto de renda, na forma prevista na alínea “a” do item II; e b.2) valores relativos aos serviços prestados pelas cooperadas, pessoas jurídicas, da cooperativa singular, cabendo a retenção de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) de imposto de renda de que trata o art. 647 do RIR de 1999, e de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos), relativos à CSLL, à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, a ser retido individualmente de cada cooperado pessoa jurídica. IV - Para os fins do disposto no item III, as cooperativas singulares de trabalho médico deverão apresentar faturas ou documento de cobrança de sua emissão, acompanhadas das notas fiscais emitidas pelas cooperadas pessoas jurídicas, e nessas faturas deverão ser segregadas as parcelas referentes aos serviços pessoais dos cooperados, pessoas físicas, dos serviços prestados pelas cooperadas, pessoas jurídicas, na forma prevista nas subalíneas “b.1” e “b.2” do item III. V - A beneficiária das importâncias pagas ou creditadas, para efeito da retenção na fonte de que trata o art. 652 do RIR/1999, é a cooperativa de trabalho singular, cujos associados, pessoas físicas, prestaram serviços pessoais à pessoa jurídica tomadora dos serviços, e a retenção deverá ser feita pela contratante, em nome da cooperativa singular que tenha concorrido com a prestação de serviços no período sob cobrança. VI - A beneficiária das importâncias pagas, para efeito da retenção na fonte de que trata o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003, e o art. 647 do RIR/1999, é a cooperada pessoa jurídica que presta serviços a outra pessoa jurídica, e a retenção deverá ser feita pela contratante, em nome de cada cooperado pessoa jurídica que tenha concorrido com a prestação de serviços no período sob cobrança. VII - O imposto retido na forma da alínea “a” do item II será compensado (deduzido) pelas cooperativas singulares por ocasião do pagamento efetuado, individualmente, a cada cooperado pessoa física que prestou os serviços constantes da fatura ou nota fiscal emitida pela cooperativa singular, sendo, portanto, as cooperativas singulares responsáveis pelo fornecimento do comprovante de rendimentos de que trata a IN RFB nº 1.215, de 15 de dezembro de 2011, ao cooperado, bem como, de incluir tais rendimentos e as respectivas retenções de IRRF, de cada cooperado, descontado o IRRF de 1,5% já retido por antecipação, em suas respectivas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). VIII - A retenção de que trata o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003, deverá ser efetuada pela pessoa jurídica tomadora do serviço em nome do cooperado pessoa jurídica, que poderá deduzi-la da CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins devidas. IX - Não haverá retenção das contribuições pelas cooperativas singulares no repasse feito por estas às cooperadas, pessoas físicas ou jurídicas. X - Não haverá retenção do imposto sobre renda pelas cooperativas singulares no repasse feito por estas às cooperadas, pessoas jurídicas. Fl. 1127DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 XI - Caso a fonte pagadora seja órgão público federal ou uma das pessoas jurídicas enumeradas no art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 34 da Lei nº 10.833, de 2003, o procedimento de retenção deve obedecer à disciplina do art. 26 da IN RFB nº 1.234, de 2012, e não às conclusões expostas nos itens II a VIII desta conclusão. Em relação às retenções mencionadas na Solução de Consulta Cosit/RFB nº 15, de 14 de março de 201, tem-se que: Código Especificação da Receita Fato Gerador Alíquota 3280 Pagamentos a Cooperativas de Trabalho e Associações Profissionais ou Assemelhadas (art. 45 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, art. 64 da Lei nº 8.981, 20 de janeiro de 1995 e art. 652 do RIR, de 1999). Importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. 1,5% 8045 Comissões e corretagens pagas e serviços de propaganda à pessoa jurídica (art. 53, Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 651 do RIR, de 1999) Importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas 1,5% 1708 Rendimentos de Serviços Profissionais Prestados por Pessoas Jurídicas (art. 52 da Lei 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e art. 647, do RIR, de 1999) Importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, civis ou mercantis, pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional 1,5% 5952 Retenção na Fonte sobre Pagamentos a Pessoa Jurídica Contribuinte da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 30 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004) Importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e de locação de mão de obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela prestação de serviços profissionais. 4 4,65% 6147 Retenção de Tributos e Contribuições (art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012) Pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pela fornecimento de bens ou prestação de serviços tais como de alimentação e de energia elétrica, entre outros estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social -COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. 5,85% 6190 Retenção de Tributos e Contribuições (art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012) Pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pela fornecimento de bens ou prestação de serviços, tais como de abastecimento de água e de telefone, entre outros estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social -COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. 9,45% Deduz-se, da tabela retro mencionada, que as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados na modalidade de “custo operacional” relativas ao ato cooperado, ou seja, a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa, ou colocados à sua disposição, estão sujeitas à retenção de IRRF, código 3280, prevista no regramento específico do art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 1128DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 Tanto é que, conforme já mencionado, a DRF considerou como correta a totalidade do IRRF, código 3280, incidente sobre os rendimentos auferidos dos contratos na modalidade "custo operacional", em que os serviços médicos são pagos de acordo com os valores dos serviços efetivamente prestados pode ser considerado como Serviços pessoais prestados por associados de cooperativas de trabalho destacado nas faturas apresentadas, e-fls. 139-685,. O somatório relativo a tais destaques está consolidado na planilha de fl. 953, considerando à alíquota incidente de 1,5% sobre importâncias pagas ou creditadas por pessoa jurídica a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição que se refere ao código 3280 - Serviços pessoais prestados por associados de cooperativas de trabalho (art. 45, Lei n° 8.541/92 com redação dada pelo art. 64 da Lei 8.981, de 1995 ). O procedimento fiscal foi levado a efeito em harmonia com o pressuposto de que os elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a favor do sujeito passivo dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007). Por outro lado, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, tais cooperativas, incluindo-se aí a Recorrente, não estão sujeitas à retenção do IRRF as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativas a contratos pactuados na modalidade de “pré-pagamento” que estipulem valores fixos de remuneração, independentemente da utilização dos serviços pelos usuários da contratante. Assim, esses valores atinentes a ato não cooperado não seguem os procedimentos especiais previstos no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995, de modo que a fonte pagadora somente pode pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário e observe os demais critérios normativo. Que fique claro: no caso dos contratos na modalidade "custo operacional" há previsão expressa sobre a possibilidade de reconhecimento do direito creditório previsto no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995 (código 3280), como bem constou no acórdão de piso, ao contrário do contrato na modalidade pré- pagamento (que enquadra-se na previsão do código 1708 - remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica), pelas razões aqui já expostas. Dessa forma, a compensação pleiteada pela Recorrente no presente caso só é aplicável para os casos em que a retenção do Imposto de Renda ocorrer sobre serviços pessoais prestados pelos cooperados. Como nos casos de contrato na modalidade pré-pagamento não há relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992. Fl. 1129DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 Portanto, embora indevida a retenção do IR na fonte nesses casos, a compensação realizada pela Recorrente não está abrangida pelo art. 64 da Lei nº 8.981/1995, tendo em vista que não restou comprovado que se trata de importâncias creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. Com efeito, in casu, não há subsunção do fato à norma do art. 45 da Lei 8.541/92, posto que não se enquadra exclusivamente como atividade cooperada dado o exercício de atividades diversas que não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos. Neste sentido, cita-se o Acórdão nº 2401-006.454 proferido, em 8 de maio de 2019, pela 1ª Turma Ordinária, 4ª Câmara da 2ª Seção, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por meio de seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e poderá ser objeto de pedido compensação, respeitadas as condições previstas em lei. Como no presente caso não existe relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações não se enquadram na previsão legal do art. 45 da Lei n° 8.541/1992, não havendo previsão legal para a compensação realizada. Por outro lado, em relação aos demais valores pleiteados a título de tributo retido na fonte, os autos não estão instruídos com os assentos contábeis obrigatórios acompanhados dos documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal, já que a fonte pagadora somente pode pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário e observe os demais critérios normativos. Este ônus da prova de demonstrar explicitamente a liquidez e da certeza do valor de direito creditório. Sabe-se que o s diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos. Assim, instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitada dada a concentração dos atos em momento oportuno. Fl. 1130DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 Todavia, a apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Isso porque, o julgador orientando-se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Afinal, o pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. Destarte, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Logo, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). De fato, cabe à Recorrente a instrução dos autos com documentos hábeis e idôneos que comprovem o direito ao crédito alegado. A obrigatoriedade de apresentação das provas pela Recorrente está arrimada no Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ademais, indicação de dados quantitativos na peça de defesa, por si só, não é elemento probatório hábil e suficiente para demonstrar, de plano, a existência do indébito indicado no Per/DComp. Porém, infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar as alegação da Recorrente, que precisava produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou Fl. 1131DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-001.142 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.722228/2011-07 assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Verifica-se que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observe-se que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto de suas alegações e da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Declaração de Concordância Assim sendo, por tratar-se dos mesmos argumentos elencados por ocasião da impugnação e não tendo a Recorrente apresentado nenhum documento que corroborasse suas alegações em sentido contrário, adoto, ainda, nessa segunda instância de julgamento, como minhas razões de decidir, os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão 16-64.329, proferido pela 4ª Turma da DRJ/SPO. Ante o exposto, voto pela improcedência do recuso voluntário apreciado. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 1132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001687/2004-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 1999
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR. BASE DE CÁLCULO DA PENALIDADE. IMPOSTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE.
A multa pela entrega em atraso da Declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto declarado pelo contribuinte, e não o imposto devido apurado em procedimento de ofício.
Numero da decisão: 2401-007.066
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a multa seja recalculada considerando o valor do imposto declarado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR. BASE DE CÁLCULO DA PENALIDADE. IMPOSTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. A multa pela entrega em atraso da Declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto declarado pelo contribuinte, e não o imposto devido apurado em procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a multa seja recalculada considerando o valor do imposto declarado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 16 87 /2 00 4- 37 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.066 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.001687/2004-37 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 36) interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande - MS (DRJ/CGE) que julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 11-21.164 (fls. 28/31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Deve ser mantida a exigência relativa à multa por atraso na entrega da DITR, quando restar comprovada sua entrega fora do prazo previsto na legislação de regência, sendo que este incide sobre o imposto devido apurado em procedimento de ofício e mantido após instaurado o litígio, e não sobre o imposto declarado. Lançamento procedente O presente processo trata de multa por atraso na entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, relativa ao ano de 1999, emitida contra o Contribuinte, para cobrança de multa no valor de R$ 3.715,20 (memória de cálculo: R$ 30.960,00 de ITR x 12%). De acordo com a descrição da notificação (fl. 10), foi detectado que o contribuinte entregou a declaração fora do prazo, ensejando a aplicação da multa punitiva. O Contribuinte apresentou sua Impugnação de fls. 04, na qual alega que foi autuado anteriormente em decorrência da falta de pagamento de ITR (processo nº 10860.004850/2003-61, e que “realmente o ITR 1999 foi apresentado e pago, com multa, em 29/09/2000. Nada foi encontrado com relação à multa pelo atraso na entrega, que, conforme consta do item 5 do Auto de Infração, deveria ter valor mínimo de R$ 50,00”. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, que, através do Acórdão nº 11-21.164 (fls. 28/31), julgou PROCEDENTE o lançamento para manter a exigência fiscal, por entender que o contribuinte de fato não cumpriu o prazo para entrega da declaração. Em 16/05/2008 o contribuinte tomou ciência do Acórdão e, em 09/06/2008, apresentou petição (fl. 36), onde solicitou que o presente processo aguardasse o julgamento do Processo nº 10860.004850/2003-61, considerando que haveria redução do valor do ITR a ser pago naquele processo, o que reduziria, por consequência, o valor da multa por atraso na declaração. À fl. 68, consta uma intimação convocando o contribuinte a “refazer a petição protocolada na data de 09/06/2008, caso essa documentação signifique a interposição de recurso voluntário”, o que foi novamente apresentado, em 27/07/2009, onde novamente se insurge contra a cobrança da multa alegando que através do Processo nº 10860.004850/2003-61 o valor do ITR devido será reduzido. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.066 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.001687/2004-37 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do mérito A legislação pátria, em especial a Lei nº 9.393/96 é extremamente clara quanto à obrigatoriedade de apresentação da Declaração Anual de ITR, senão vejamos: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua - VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto-avaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) (Vigência) Entrega do DIAT Fora do Prazo Art. 9º A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7º, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. No caso concreto, a multa aplicada pela fiscalização neste processo administrativo foi calculada com base no valor do imposto devido de R$ 30.960,00, lançado mediante o auto de infração formalizado no processo nº 10860.004850/2003-61, utilizando-se do percentual de 12% correspondente ao número de meses em atraso. No entanto, as alterações efetuadas pelo agente fazendário na declaração original nada afetam o lançamento da multa pela sua entrega intempestiva. Questão dessa natureza já foi trazida, em 09/05/2018, a esta 1ª Turma, através do Acórdão 2401005.485, e, por unanimidade de votos, o colegiado deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa por atraso na entrega da declaração de ITR, relativa ao exercício de 2000, ao valor mínimo de R$ 50,00. Fl. 78DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.066 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.001687/2004-37 Dessa forma, tendo em vista a autonomia das obrigações tributárias, a Lei nº 9.393, de 1996, autoriza a convivência simultânea entre a penalidade pela inobservância da obrigação acessória e a multa proporcional pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, a qual pune o não cumprimento de uma obrigação principal. Desta feita, a incidência da multa deve ser recalculada com base no o valor declarado pelo contribuinte em sua declaração anual de ITR. Como a contribuinte já procedeu ao pagamento da multa em 11.06.2004 no valor de R$ 50,00, referido montante deve ser considerado no cálculo do montante da multa apurada com base no valor do ITR informado na declaração. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, e DOU-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000278/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. INSUMOS.
Deve-se assinalar que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, à luz do repetitivodoSTJREsp1.221.170/PR,de22/02/2018.
Numero da decisão: 3302-007.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão, imprimir-lhes efeitos infringentes, e reverter as seguintes glosas: despesas com equipamento de proteção individual, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, aquisição de óculos de segurança Bandido, serviços de reparos em veículos de carga, peças de reposição de transpaleteiras, custo com GLP utilizado em empilhadeiras, com gasolina utilizada no transporte de pessoal, com Óleo diesel, com Óleo biodiesel e com GLP granel. Vencidos os conselheiros Walker Araújo e Larissa Nunes Girard (suplente convocada) quanto aos créditos relativos aos custos com gasolina utilizada no transporte de pessoal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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OMISSÃO. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. INSUMOS. Deve-se assinalar que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, à luz do repetitivodoSTJREsp1.221.170/PR,de22/02/2018. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração para sanar a omissão, imprimir-lhes efeitos infringentes, e reverter as seguintes glosas: despesas com equipamento de proteção individual, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, aquisição de óculos de segurança Bandido, serviços de reparos em veículos de carga, peças de reposição de transpaleteiras, custo com GLP utilizado em empilhadeiras, com gasolina utilizada no transporte de pessoal, com Óleo diesel, com Óleo biodiesel e com GLP granel. Vencidos os conselheiros Walker Araújo e Larissa Nunes Girard (suplente convocada) quanto aos créditos relativos aos custos com gasolina utilizada no transporte de pessoal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 78 /2 01 0- 12 Fl. 7292DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.653 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000278/2010-12 Relatório Aproveita-se o Relatório do Despacho de Admissibilidade. Trata-se de embargos de declaração opostos em tempo hábil pelo Contribuinte, em face do Acórdão n° 3302-006.524, de 30 de janeiro de 2019, sob os pressupostos regimentais da omissão e da obscuridade. Segundo a embargante, existe omissão no julgado, pois embora tenha aplicado o conceito de insumo previsto no Parecer Normativo Cosit/RFB n° 5, de 17/12/2018, nada decidiu sobre diversos insumos aplicados de forma indireta no processo produtivo e que foram glosados sob o único fundamento de que a utilização se dava de forma indireta. Segundo a embargante, existe obscuridade quanto aos motivos que levaram o colegiado a manter a glosa dos créditos extemporâneos, pois de um lado afirmou que a retificação das declarações e a comprovação de não utilização anterior do crédito eram prescindíveis, mas, mesmo assim, concluiu que a glosa deveria ser mantida em razão da não retificação do DACON e da falta de prova de não utilização anterior do crédito. Para fins de prequestionamento, a embargante afirma que a fiscalização glosou os créditos extemporâneos sob o único argumento de que as declarações (DCTF e DACON) não haviam sido retificadas. No Acórdão não foi possível vislumbrar com clareza se o requisito exigido pelo fisco foi ou não afastado, porém, aparentemente, a decisão acrescentou um novo requisito, que seria a prova do não aproveitamento anterior do crédito. Admitindo-se que houve a superação da necessidade de retificação das declarações, a manutenção da glosa pelo fato da falta de prova de não utilização anterior do crédito significa uma inovação e configura cerceamento do direito de defesa. A embargante alegou que houve omissão na análise das glosas citadas nos parágrafos 87 e 88; 96 a 99; 77; e 79 do despacho decisório, pois se o colegiado aplicou o conceito de insumo do Parecer Normativo CST n° 5/2018, deveria ter reconhecido o crédito em relação a tais itens que se referem a insumos indiretos. A análise do recurso voluntário revela que nem todos os itens citados pela embargante foram objeto de recurso voluntário. A partir da fl. 6819 d recurso voluntário foram citados expressamente os seguintes itens (parágrafos do despacho decisório): 52; 72; 77; 86 a 88; 91; e 99. Analisando o voto condutor verifica-se que realmente não houve menção específica no Acórdão quanto aos itens contestados no recurso voluntário, o que reclama saneamento da omissão na via dos embargos de declaração. No caso concreto, a embargante se valeu do seguinte excerto do voto condutor para alegar que houve obscuridade (fls. 7097): "(...) A retificação da DCTF é essencial para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, mas, sozinha, não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, devendo estar associada a outras provas ou indícios. Assim o direito a crédito de PIS/COFINS não-cumulativo em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, prescinde da necessária retificação do DACON e da DCTF, ou de eventual comprovação de não utilização do crédito. Isto porque, tal medida é essencial para que se possa constituir os créditos decorrentes dos documentos não considerados no DACON original e principalmente para que os saldos de créditos do DACON dos meses posteriores à constituição possa ser evidenciado, propiciando, assim, a conferência da não utilização dos créditos em períodos anteriores.(...)" Como se vê nesse excerto, ao mesmo tempo em que se exige a retificação das declarações se diz também que tal retificação é prescindível, acrescentando que a Fl. 7293DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.653 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000278/2010-12 retificação permitiria aferir se o crédito fora ou não fora utilizado em períodos anteriores. Contudo, a "obscuridade" alegada pela defesa desaparece se no segundo parágrafo da transcrição substituirmos a palavra "prescinde" pela expressão "não prescinde". O que se tem, portanto, é mero erro escusável do relator que usou "prescinde" quando deveria ter usado "não prescinde". Esse erro não merece saneamento na via dos embargos porque não prejudica a intelegibilidade do julgado, uma vez que o contexto da fundamentação deixa bem claro sua intenção de desprover o recurso nesta parte. Na longa fundamentação exposta às fls. 7090/7102 está bem claro que a decisão exige não só a retificação das declarações, mas também a prova de que o crédito extemporâneo não foi aproveitado anteriormente. Essa clareza emana não só do no início da fundamentação desse tópico onde o relator declarou concordar com os fundamentos da DRJ, mas também da sua conclusão, consignada nos seguintes termos: "(...) Portanto, considerando que não houve retificação do DACON, tampouco prova de não utilização do crédito pleiteado, a manutenção da glosa, independente dos bens e serviços se enquadrarem no conceito de insumo para fins de creditamento, é medida que se Portanto, não há obscuridade alguma. O colegiado exige a retificação das declarações e a prova de que o crédito extemporâneo não foi utilizado anteriormente. Por fim, a defesa alega que deseja prequestionar o cerceamento do direito de defesa, pois no seu entender houve a introdução de um novo fundamento para a glosa do crédito extemporâneo, que não estava contido no despacho decisório (a exigência de comprovação de não utilização do crédito em período anterior). A análise do despacho decisório (fls. 6250/6251) revela que realmente a glosa foi fundamentada apenas na falta de retificação do DACON, mas daí a alegar que houve a introdução de novo fundamento vai uma distância muito grande. Com esses fundamentos: Rejeito os embargos de declaração, com fulcro no art. 65, § 3°, do RICARF, relativamente à questão da obscuridade na manutenção da glosa dos créditos extemporâneos; e Admito os embargos de declaração para que seja sanada a omissão quanto aos insumos especificamente mencionados no recurso voluntário e para que o relator explicite se houve ou não a introdução de novo fundamento e, tendo havido, explicite se isso caracteriza ou não caracteriza cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 17 de julho de 2019, através de Despacho de Admissibilidade de Saneamento, proferido pela 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, determinou que fossem admitidos os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, em face do Acórdão de Recurso Voluntário. Fl. 7294DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.653 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000278/2010-12 Portanto, entende-se que o recurso é admissível por atender a forma do artigo 65 do RICARF. 2. DO CABIMENTO O ora embargante foi intimado da decisão embargada em 29/05/2019 (cfe. Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 7.042). O recurso foi apresentado em 03/06/2019 (cfe. Termo de Solicitação de Juntada, fls. 7.044). O recurso é tempestivo. 3. DA OMISSÃO A embargante alegou que houve omissão na análise das glosas citadas nos parágrafos 87 e 88; 96 a 99; 77; e 79 do despacho decisório, pois se o colegiado aplicou o conceito de insumo do Parecer Normativo CST n° 5/2018, deveria ter reconhecido o crédito em relação a tais itens que se referem a insumos indiretos. A análise do recurso voluntário revela que nem todos os itens citados pela embargante foram objeto de recurso voluntário. A partir da fl. 6819 do recurso voluntário foram citados expressamente os seguintes itens (parágrafos do despacho decisório): 52; 72; 77; 86 a 88; 91; e 99. 4. DO DEFERIMENTO PARCIAL Deve-se assinalar que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme repetitivo do STJ REsp 1.221.170/PR, de 22/02/2018. - parágrafos do despacho decisório: 77; 86 a 88 e 99. 77. Entre outros, não foram considerados como insumos: despesas com equipamento de proteção individual, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de no-breaks, encadernação de notas fiscais, copos para água mineral, almofada de carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CD-R graváveis, cestas de natal, coffe-break, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos, palestras e óculos de segurança Bandido. Em relação aos créditos pela aquisição de EPI, desde 2017 este Colegiado já manifestava o entendimento acerca do direito ao crédito sobre estes produtos, eis que legalmente exigidos da Recorrente, merecendo destaque o Acórdão 3302-004.624 proferido pela Conselheira Sarah Linhares de Araújo Paes de Souza no processo n. 11065.720646/2014- 82 no dia 27.07.2017, e que continua atual, conforme se afere pela análise do acórdão 3302006.818 proferido no dia 24.04.2019 também por este colegiado, de lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho: “O uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) e indumentárias (uniformes) são obrigatório por normas estatais, de forma que entendo pela relevância de tais gastos no processo produtivo da recorrente.” Insumos utilizados em análises químicas em laboratório são imprescindíveis para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 7295DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.653 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000278/2010-12 Um rol considerável de itens poderia ser tomado como “materiais de escritório” e bens de manutenção. O Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 impende reconhecer que são considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. O mesmo raciocínio não se aplica às atividades de recreação, promoção, publicidade, etiquetas adesivas de escritório, rolos de pintura, lonas de plástico para efetuar manutenções, baterias, pilhas, rádios transceptores, projetores de apresentação, manutenção de PABX, manutenção de no-breaks, encadernação de notas fiscais, copos para água mineral, almofada de carimbo, binóculos, borrachas para lápis, brindes e camisas promocionais, brinquedos para filhos de funcionários, café expresso em grãos, CD-R graváveis, cestas de natal, coffe-break, serviços de cópias de chaves, coroas de flores, desjejum, custos de eventos festivos, lanches, livros de literatura, locação de máquinas de café, marmitex, medicamentos e palestras. Portanto, dos itens em análise, reverte-se às seguintes glosas: despesas om equipamento de proteção individual, insumos utilizados em análises químicas em laboratório e óculos de segurança Bandido. 86. Entretanto, as partes e peças de reposição, bem como o serviço aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma 2 a etapa, transformada em celulose, papel e papelão não são passíveis do mesmo enquadramento pois não se tratam, obviamente, de bens e serviços aplicados ou utilizados diretamente no produto em fabricação. São bens e serviços aplicados para a eventual obtenção de uma matéria-prima industrial, a madeira, sendo sua relação com o produto industrializado pela contribuinte apenas indireta. 87. Também têm o mesmo tratamento as partes e peças de reposição, bem como o serviço aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizadas na área logística da empresa, seja antes ou depois da obtenção do produto final. 88. Seguindo a interpretação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumos uma vez que não são relativos aos maquinários utilizados diretamente na obtenção do produto final: reparos em veículos de carga e peças de reposição de transpaleteiras. Os gastos com a manutenção e as peças de reposição dessas máquinas e equipamentos ligadas à movimentação de carga, empilhadeiras, guinchos e guindastes são indispensáveis e, portanto, custos de produção, pois são utilizados para movimentar os insumos, como as toras de madeiras extraídas das florestas, para colocação dessas nos picadores, bem como para retirar das máquinas os rolos de celulose, que pesam algumas toneladas. Sem eles, seria absolutamente impossível realizar o processo produtivo. Glosa revertida. 99. Todavia, os combustíveis utilizados para o transporte e manejo dos insumos não podem ser considerados para fins de creditamento. Com o intuito de diferenciar os tipos de combustíveis utilizados como insumo, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos que pudessem alocar os diversos combustíveis na cadeia produtiva. Foram apresentados laudos técnicos detalhados, devidamente assinados por engenheiros e contadores da empresa, descrevendo os vários tipos de combustíveis e suas utilizações. Seguindo a interpretação dada pela COSIT acerca do termo, entre outros, não foram considerados como insumo: GLP utilizado em empilhadeiras, gasolina utilizado no transporte de pessoal, Óleo diesel, Óleo biodiesel e GLP granel. Fl. 7296DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.653 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000278/2010-12 Os dispositivos legais que definem os critérios para o direito de crédito por insumos são os artigos 3°, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, in verbis: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...) Glosa revertida. Sendo assim, acolho PARCIALMENTE os embargos, com efeitos infringentes, para suprir a OMISSÃO, revertendo as seguintes glosas: despesas com equipamento de proteção individual, insumos utilizados em análises químicas em laboratório, aquisição de óculos de segurança Bandido, serviços de reparos em veículos de carga, peças de reposição de transpaleteiras, custo com GLP utilizado em empilhadeiras, com gasolina utilizada no transporte de pessoal, com Óleo diesel, com Óleo biodiesel e com GLP granel. É como voto. Jorge Lima Abud - Relator. Fl. 7297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.903413/2009-37
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta elabore relatório com a resposta aos questionamentos elencados na parte dispositiva desta Resolução.
(documento assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta elabore relatório com a resposta aos questionamentos elencados na parte dispositiva desta Resolução. (documento assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão 16-65.139, de 30 de janeiro de 2015, da 10ª Turma da DRJ/SPO,, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente. A contribuinte formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 37665 -.91091.050906.1.3.04-9381, em 05/09/2006, e-fls. 97-102, utilizando-se de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF do período de apuração 02/04/2005, para compensação dos débitos ali confessados. A compensação não foi homologada pela autoridade administrativa ao argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação da compensação a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde alegou que declarou indevidamente o IRRF do período de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 03 41 3/ 20 09 -3 7 Fl. 204DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1003-000.123 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.903413/2009-37 apuração da 1ª semana de Abril de 2005, no valor de R$276,77 em DCTF retificadora enviada em 05/04/2007 (fls. 45). Solicita a oportunidade de enviar uma nova DCTF retificadora excluindo o IRRF no valor de R$ 276,77, e de provar o alegado com todas as provas em direito admitidas para comprovação da verdade material. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SPO, pelos seguintes motivos que constam no voto condutor do acórdão: i)a apresentação superveniente de provas é admitida nas hipóteses previstas no §4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, e a contribuinte não demonstrou a ocorrência de nenhuma das situações previstas naquele dispositivo, limitando-se a afirmar de forma genérica seu protesto para produção de provas e não cumpriu com as disposições legais para a apreciação de eventuais provas e documentos ainda não apresentados; ii)a impugnante também não apresentou as justificativas para a realização de eventual diligência nem formulou os quesitos referentes aos exames desejados, a teor do disposto no art. 16, inc IV e §1° do art. 16 do Decreto 70.235/72; iii)em relação ao pedido para retificar a DCTF, cabe esclarecer que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não produz efeitos, a teor do disposto no art. 11, §2º, III, da Instrução Normativa RFB nº 903/2008, vigente à época da ciência do despacho decisório. iv) Ressalta que a alegação de erro no preenchimento da DCTF somente pode ser acolhida se estiver acompanhada de documentos hábeis e idôneos, capazes de comprovar a ocorrência do alegado erro. v) No presente caso, a requerente juntou à manifestação de inconformidade a DCTF retificada em 05/04/2007; o Darf no valor de R$278,59, e o PER/DCOMP 37665.91091.050906.1.3.04-9381 (fls.07-128). Verifica-se, portanto, que a requerente não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado recolhimento indevido ou a maior. A contribuinte tomou ciência do acórdão em 18/02/2015 (e-fl. 150). Irresignada com o r. acórdão a Recorrente apresentou recurso voluntário em 18/03/2015 (e-fls. 152-201), onde alega que: - Por equívoco declarou em IRRF em DCTF no valor de R$ 276,77, mas que o valor apurado foi inferior, ensejando a hipótese de pagamento a maior. Providenciou a DCTF retificadora em 05/04/200, sanando a irregularidade; - Não há que se falar em extemporaneidade na produção de provas, estando presentes a liquidez e certeza do crédito, e os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade, lastreados pela documentação que ora apresenta, validam a tese de pagamento a maior; Fl. 205DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1003-000.123 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.903413/2009-37 - Que a extensa documentação apresentada é prova não apenas de que o crédito existe e deve ser homologado, como da boa-fé da contribuinte em dar amplo acesso à Fiscalização aos seus livros, planilhas de apuração e demais documentos trazidos à colação; - Que os comprovantes de arrecadação, representativos do pagamento em dobro, regularmente escriturados e a nota fiscal emitida pelo prestador, valores consignados no Livro Razão corroboram a existência do crédito. Requer ao final a reforma do acórdão recorrido. É o Relatório. VOTO Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Na manifestação de inconformidade a Recorrente alegou que declarou indevidamente o IRRF do período de apuração da 1ª semana de Abril de 2005, no valor de R$276,77 em DCTF retificadora enviada em 05/04/2007. Na DCTF retificadora encaminhada em 05/04/2007 consta o seguinte débito confessado de IRRF da 1ª semana de abril de 2005 no valor de R$ 310,07 que teriam sido quitados por 2 pagamentos abaixo discriminados: O DARF discriminado no PER/DCOMP como origem do pagamento do pagamento indevido ou a maior é o seguinte: Fl. 206DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1003-000.123 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.903413/2009-37 A compensação não foi homologada porque de acordo com as características do DARF acima discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos mas integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente. No recurso voluntário a Recorrente apresentou os seguintes comprovantes de recolhimento do IRRF: De acordo com os comprovantes apresentados, foram feitos 2 pagamentos de IRRF (código de arrecadação 1708) do período de apuração 02/04/2005 com valor do principal de R$ 276,77. O primeiro recolhido no dia 08/04/2005 e o segundo no dia 13/04/2005. Fl. 207DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1003-000.123 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.903413/2009-37 O primeiro DARF (recolhido no dia 08/04/2005) é o que a Recorrente fez constar como origem do crédito no PER/DCOMP e que constou também na DCTF retificadora transmitida no dia 05/04/2007. Na manifestação de inconformidade a Recorrente alega que era indevido o débito de IRRF confessado em DCTF e recolhido no dia 08/04/2005 no valor de R$ 276,77. Colaciono excerto da manifestação de inconformidade com a alegação da Recorrente: 1. Os fatos. A requerente declarou imposto - IRRF, período de apuração 02.04.2005, no valor principal de R$ 276,77, através da DCTF (doc. 1), período de apuração da 1ª Semana de Abril 2005, transmitida a DCTF Retificadora em 05/04/2007. Todavia, o valor apurado NÃO deveria ter sido declarado como devido na referida DCTF, uma vez que indevido. Em decorrência deste equivoco, a manifestante solicita a oportunidade de entregar a DCTF retificadora, para desta vez, corretamente, não constar como imposto devido, o IRRF no valor de R$ 276,77, vinculado ao DARF — Código 1708, recolhido em 08/04/2005, no valor principal de R$ 276,77, gerando o crédito decorrente de "Pagamento Indevido ou a Maior" objeto da Per/Dcomp n°37665.91091.050906.1.3.04- 9381 (doc. 2). No recurso voluntário, a Recorrente alega que foi a duplicidade de pagamento que gerou o direito ao crédito, o que não havia sido declarado na manifestação de inconformidade. Veja o excerto abaixo do recurso voluntário (os destaques não constam do original): 2.1) da suficiência do acervo probatório para fins de demonstração da existência do crédito A fim de corroborar a tese defendida em sede de manifestação de inconformidade quanto a existência do crédito, a ora Recorrente traz à colação os seguintes documentos, a saber: -Comprovantes de arrecadação, hábeis a provar a duplicidade do pagamento, gerando o direito creditório; -Nota fiscal de prestação de serviço, com destaque dos tributos incidentes na espécie, dentre os quais o IRRF e -Livro Razão [...] Note-se que os itens acima elencados complementam, na medida em que os comprovantes de arrecadação, representativos do pagamento em dobro, os quais foram escriturados regularmente na forma contábil. Por sua vez, a nota fiscal, emitida pelo prestador, compõe a documentação, na medida em que nela se leêm os mesmos valores consignados seja nos comprovantes, seja no Livro Razão, corroborando a existência do crédito. Depreende-se pelo contido na peça recursal que a Recorrente pretende compensar um suposto pagamento em duplicidade do débito relativo a IRRF (código de arrecadação 1708) do período de apuração encerrado em 02/04/2005 (1ª semana de abril de 2005). É uma situação diferente do afirmado pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade em que alegara que o débito confessado em DCTF e o recolhimento realizado Fl. 208DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1003-000.123 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.903413/2009-37 eram indevidos e por isso pleiteou o encaminhamento de DCTF retificadora para suprimir o débito. Ora, o débito é devido, como comprova a própria nota fiscal juntada no recurso voluntário (e-fl. 173). Não obstante a Recorrente ter apresentado argumentos distintos na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, tendo em vista os argumentos e comprovantes apresentados no recurso voluntário, há possibilidade de que o crédito alegado seja decorrente de duplicidade de pagamento. Não se pode olvidar, pelos comprovantes de arrecadação e pela nota fiscal apresentados, da possibilidade de que tenha de fato ocorrido o pagamento em duplicidade do tributo. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material que orienta a atividade do Julgador Administrativo em busca da verdade dos fatos, entendo necessário que os autos sejam encaminhados para a unidade de origem, de modo a se confirmar se houve o recolhimento em duplicidade do tributo com o código 1708. Há que se consignar que apesar da Recorrente ter juntado novos documentos em grau de recurso, em obediência à verdade material que deve pautar os processos administrativos e da formalidade moderada e na permissão concedida pelo art. 38 da Lei 9.784/99, o contribuinte tem a possibilidade de juntar documentos indispensáveis para sua defesa mesmo após a manifestação de inconformidade. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para juntada de provas nesse caso específico, podendo ser analisadas as informações contidas nos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. DISPOSITIVO Portanto, para dirimir a divergência entendo que o julgamento dever ser convertido em diligência para que a unidade de origem informe: 1 - Quais recolhimentos constam no sistema da Receita Federal do Brasil, em nome da Recorrente, com o código de arrecadação 1708 no período 01/04/2005 a 30/04/2005; 2 - Informe se consta pagamento não alocado a débito no valor principal de R$ 276,77 com código de arrecadação 1708 no período 01/04/2005 a 30/04/2005; 3 - Informe quais beneficiários de pagamento constam em DIRF do ano- calendário 2005 com IRRF código de arrecadação 1708 em DIRF encaminhada pela Recorrente; A unidade de origem deve elaborar um relatório fundamentado com as respostas aos questionamentos acima, podendo incluir outras informações que entenda pertinentes para a conclusão do julgamento. Deve, ainda, a unidade de origem dar ciência à Recorrente, para que esta, se assim o desejar, se manifeste nos autos quanto ao resultado da diligência. Fl. 209DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 1003-000.123 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10850.903413/2009-37 É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720731/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Francisco Ibiapino Luz, Luís Henrique Dias Lima, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado). RELATÓRIO Tratase de recurso de ofício, interposto pela autoridade julgadora de primeiro grau, em relação à decisão publicada no acórdão 0429.690 1º Turma da DRJ/CGE, de 01 de outubro de 2012 (fls 232), que entendeu pela procedência da impugnação interposta pela fiscalizada, em relação ao lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), no valor de R$ 2.579.891,76 (já acrescidos de juros e multa de ofício), em razão de a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .7 20 73 1/ 20 10 -1 3 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10825.720731/201013 Resolução nº 2402000.782 S2C4T2 Fl. 249 2 contribuinte não haver comprovado área de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural, informadas na respectiva declaração anual do tributo (DITR), referente ao exercício 2007. Consta da decisão recorrida (fls 232), o seguinte resumo dos fatos verificados até aquele momento processual: Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de lis. 01 a 05, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2007, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 2.579.891,76, relativo ao imóvel rural denominado Agriways S/A, com área de 7.884,5 ha., NIRF 7.021.1299, localizado no município de Botucatu/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou a área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural; que ela apresentou apenas uma declaração assinada por engenheiro florestal, informando a área total ocupada por edificações e instalações e benfeitorias não edificadas e o levantamento planimétrico apresentado não está assinado por engenheiro civil ou agrônomo; e que não foi apresentado, como solicitado no Termo de Intimação, laudo de ocupação de área assinado por engenheiro civil ou agrônomo, acompanhado de ART, identificando as benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural existentes no imóvel em 01/01/2007, com discriminação das áreas efetivamente ocupadas pelas edificações e construções e levantamento topográfico que permita localização e determinação das áreas ocupadas por benfeitorias que não sejam edificações e instalações. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 06 a 46. Cientificada do lançamento, em 17/11/2010, por via postal (fls. 47), a interessada apresentou a impugnação de fls. 54 a 91, em 16/12/2010, acompanhada dos documentos de fls. 92 a 199 e 202 a 207, onde argumentou, em suma, o que segue: • Decaiu o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário sobre o fato gerador ocorrido anteriormente à imputação feita; o art. Io da Lei n° 9.393, de 1996 prescreve que o ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza localizada fora da zona urbana do município, em Io de janeiro de cada ano; já o artigo 10 do citado diploma legal disciplina que a apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento de administração tributária; citou ainda outros artigos da mesma Lei e do Decreto n.° 4.382, de 2003; • O lançamento do ITR se dá por homologação e, em obediência ao §4° do arl. 150 do CTN, o prazo de decadência, nesse caso, é contado a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; as benfeitorias indevidamente glosadas pela Autoridade Fiscal já existiam nos anos calendário de 2004 e 2005 e foram informadas nas Declarações do ITR, sob o aspecto quantitativo bem como nos valores que lhes foram atribuídos e registrados nos assentamentos contábeis; portanto, o fato gerador relativo às áreas de benfeitorias glosadas não ocorreu em 01 de janeiro de 2007, e como o lançamento deve se reportar à data da ocorrência do fato gerador da Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10825.720731/201013 Resolução nº 2402000.782 S2C4T2 Fl. 250 3 obrigação tributária, conforme Art. 144 do CTN, o lançamento já teria sido homologado tacitamente e o crédito tributário já se encontraria extinto; • A empresa tem como objetivo social exploração e industrialização de produtos agrícolas e pecuários, em todas as modalidades, e realização de empreendimentos florestais e elaboração e execução de projetos de florestamento e reflorestamento; o Levantamento Planimétrico e Cadastral, subscrito por engenheiro civil e técnico em agrimensura, que anexa, atesta que a área do imóvel está sendo plenamente utilizada e produzindo; a exigência fiscal não pode prosperar; é incabível conceber que uma área com 7.884,5 ha. não possuiria um metro de estrada e de construções; o procedimento adotado pela autoridade fiscal se aproxima do abuso de poder e excesso de exação, desrespeitando princípios elementares que norteiam a ação dos agentes do Estado, previstos na Constituição Federal e na Lein.°9.784,del999; • Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, dentro do prazo dado, encaminhou os documentos que julgou serem suficientes para comprovação das benfeitorias realizadas no imóvel; juntou o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR emitido pela Incra, documentos de propriedade do imóvel expedidos pelo Cartório de Registro de Imóveis de Botucatu e Laudo de Ocupação de Área, atestando a área ocupada por benfeitorias, esclarecendo que 1,92 ha. referemse a edificações e instalações e 655,75 ha. são ocupados por benfeitorias não edificadas; acostou ainda Laudo de Avaliação da Terra Nua, firmado por engenheiro florestal, instruído com tabela de preços praticados na Região de Botucatu, elaborada pelo IEA; apesar disso, a autoridade fiscal entendeu que não foi comprovada a área de benfeitorias, tendo recusado um trabalho técnico simplesmente porque foi subscrito por Engenheiro Florestal, o que constituise em extremado preciosismo e ato de arbitrariedade, pois o profissional é devidamente habilitado e tem competência técnica para promover e subscrever o levantamento questionado pela fiscalização; • As conclusões da autoridade fiscal quanto às benfeitorias são incoerentes, conflitantes e estapafúrdias, posto que glosou a área declarada, negando sua existência, mas acatou o valor declarado das benfeitorias, extraído da contabilidade da empresa, correspondente ao gasto com as benfeitorias menos a depreciação; • Para que não paire dúvidas, junta Levantamento Planimétrico e Cadastral, firmado por um Técnico em Agronomia e um Engenheiro Civil, com identificação da distribuição das áreas do imóvel, e mapa aéreo fotogramétrico do imóvel, datado de 03 de abril de 2009; com isso, requer que seja restabelecida a área de benfeitorias declarada, assim como o Grau de Utilização e alíquota, respectivamente, de 88,5% e 0,45%; • Discordou da exigência de juros moratórios, calculados com utilização da taxa SELIC, por entender que somente são devidos juros calculados com base no art. 161 do CTN; entende que não cabe exigência de multa e juros moratórios enquanto a exigência estiver suspensa pela apresentação de impugnação, visto que a demora do julgamento advém exclusivamente da inércia do órgão julgador; • Transcreveu doutrina e jurisprudência administrativa e judicial para amparar seus argumentos; Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10825.720731/201013 Resolução nº 2402000.782 S2C4T2 Fl. 251 4 • Ao final, alegando atestar a verdade material, requereu a realização de perícia/diligência, se amparando no inciso IV do art. 16 do Decreto n.° 70235/1972, para comprovação da existência física das benfeitorias e de que foram realizadas em períodos anteriores a 01/01/2005; e protestou pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Ao analisar o caso, a autoridade julgadora decidiu pela procedência da impugnação, cancelando integralmente o crédito laçando, nos termos das seguintes ementas: PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar arguições de legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. DECADÊNCIA. No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ÁREA OCUPADA POR BENFEITORIAS. Cabe restabelecer a área declarada como ocupada por benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural, comprovada nos autos. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei. Em razão de o crédito exonerado exceder o limite de alçada, a autoridade julgadora apresentou recurso de ofício da decisão exarada. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O acórdão recorrido cancelou integralmente o crédito de R$ 2.579.891,76, lançado no auto de infração e, em razão de tal valor ser superior ao limite de alçada, a decisão foi submetida ao reexame necessário deste Conselho. O atual limite de alçada para apresentação de recurso de ofício foi fixado pela Portaria MF n° 63, de 10/02/2017, em RS 2.500.000,00, conforme abaixo: Art. 1o O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a RS 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10825.720731/201013 Resolução nº 2402000.782 S2C4T2 Fl. 252 5 Assim, o presente recurso de ofício deve ser conhecido. Da decisão recorrida Analisada o acórdão recorrido (fls 232), verificase que a autoridade julgadora fundamentou sua decisão citando vários documentos apresentados pelo contribuinte (fls 23, 57, 61 e 161). Pesquisando os autos, porém, não foi possível localizar a íntegra de tais instrumentos, fato que inviabiliza a tomada de decisão fundamentada: Analisando os documentos apresentados pela interessada, a autoridade fiscal entendeu que não foram devidamente comprovadas as áreas de benfeitorias, posto que foi apresentada uma simples declaração assinada por engenheiro florestal, indicando um total de área ocupada por edificações e instalações e benfeitorias não edificadas, sem maiores esclarecimentos, e um levantamento planimétrico assinado por um técnico em agrimensura, e não por engenheiro civil ou agrônomo, contrariando ao solicitado na intimação. Com a impugnação, a contribuinte apresentou um Levantamento Planimétrico e Cadastral do imóvel, datado de junho/2010, referente ao Exercício 2007, assinado por um engenheiro civil como responsável técnico e um técnico em agrimensura como responsável por levantamento topográfico e elaboração de planta, acompanhado das respectivas ARTs, contendo mapa do imóvel demonstrando a distribuição de suas áreas, alem de vários quadros com informação sobre as construções e as áreas ocupadas por elas, a distribuição das áreas do imóvel, a distribuição da área utilizada na atividade rural, a distribuição da área não utilizada na atividade rural e relação das benfeitorias, com base no qual é possível restabelecer a área de benfeitorias declarada na DITR/2007. Assim, em razão de não constar dos autos tais informações, com fulcro no disposto no art. 18 do decreto 70.235/72, VOTO POR CONVERTER A PRESENTE VOTAÇÃO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a auditoria realize os seguintes procedimentos e preste os seguintes esclarecimentos, julgados necessários ao deslinde do caso: 1. Caso entenda necessário, intimar a contribuinte a fornecer novas informações, certidões e cópias de documentos relativos ao tributo lançado; 2. Juntar aos autos a íntegra dos documentos mencionados pela autoridade julgadora de primeiro grau, circunstanciando em Informação Fiscal os efeitos probantes dessas novas informações; 3. Encaminhar cópia da Informação Fiscal ao contribuinte, concedendolhe 30 dias para, querendo, prestar esclarecimentos adicionais; 4. Ao final, retornem os autos à apreciação deste Conselho. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 252DF CARF MF
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