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Numero do processo: 10120.720173/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.802
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 73 /2 01 1- 04 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10120.720173/201104 Acórdão n.º 3302003.802 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.317. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10120.720173/201104 Acórdão n.º 3302003.802 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10120.720173/201104 Acórdão n.º 3302003.802 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10120.720173/201104 Acórdão n.º 3302003.802 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10120.720173/201104 Acórdão n.º 3302003.802 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11011.001190/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2006 a 14/08/2009
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE.
Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2006 a 14/08/2009
RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE
Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixa-se de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea b do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete).
Numero da decisão: 3302-004.309
Decisão: Crédito Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2006 a 14/08/2009 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 14/08/2009 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixa-se de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea b do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete).
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente AEROLINEAS ARGENTINAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 14/08/2009 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 14/08/2009 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixase de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea “b” do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete). Crédito Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 01 1. 00 11 90 /2 01 0- 50 Fl. 340DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3801005.032, de fls.285/299, conforme a seguir transcrito: Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$ 355.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB n.º 510/2005. A fiscalização junta planilha de fls. 7/14 com os dados de embarque e as datas de informação dos dados. Junta também às fls. 11/48 extratos do Sistema Siscomex (consulta dados de embarque e consulta histórico despacho). Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1 Preliminarmente pela nulidade do auto de infração face ao erro na fundamentação legal da penalidade aplicada. A IN SRF n.º 28/94, em seu art. 44, prevê que o descumprimento dos prazos estabelecidos ao transportador para informação dos dados de embarque constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira e por esta razão o enquadramento legal da multa deveria ser a alínea “c” do item IV, do art. 107, do DecretoLei n.º 37/66, e não a alínea “d” como constou na autuação. 2 Os prazos contados não levaram em consideração o início da contagem em dias de expediente normal, conforme Solução de Consulta n.º 215/2004. Lista às fls. 26/27 os embarques informados dentro do prazo. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11011.001190/201050 Acórdão n.º 3302004.309 S3C3T2 Fl. 341 3 3 Não há prova de que o registro dos dados foi efetuado a destempo, pois a planilha que acompanha o auto, na verdade, está informando a data de averbação, pela Receita Federal, do embarque da carga, e não a do registro, porque esta não consta do Siscomex. Alega que as informações são prestadas por diferentes agentes, podendo ocorrer erros durante este processo. Também o sistema contém falhas para armazenar as tentativas de registro. Relata um caso de prestação incorreta de informação por parte do exportador que acarretaria impossibilidade de registro dos dados de embarque por parte do transportador. Também alega que as alterações dos registros, como por exemplo, de divergência de peso, constavam como novos registros e que as retificações eram efetuadas com autorização da fiscalização. Como o sistema não registrava a primeira data na qual foi informado os dados de embarque, ficava a data correspondente à retificação. Cita Soluções de Consulta/SRFF 9.ª RF n.ºs 215 e 218/2004, que tratam da multa por embaraço e alterações dos dados de embarque. 4 A constatação da infração não leva em consideração as indisponibilidades do sistema. Traz algumas Notícias da Anvisa sobre indisponibilidade do Siscomex nos anos de 2002 a 2005. 5 Cita a IN RFB n.º 835/2008, que trata sobre regras de contingência na utilização do Siscomex no caos de problemas de ordem técnica. 6 Protesta pela inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação à finalidade do ato administrativo. Alega que não houve prejuízo ao interesse público ou ao fisco. Argumenta que a multa não tem razão de existir, pois nenhum tributo deixou de ser recolhido e a conduta supostamente praticada pela impugnante é irrelevante para o direito tributário. 7 Protesta também pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 8 Alega o incontestável caráter confiscatório das multas aplicadas à impugnante e relaciona às fls. 47/48 os processos administrativos fiscais de cobrança da referida multa no período de 2004 a 2008 que totalizam o valor absurdo de R$ 3.750.000,00. 9 Requer, ao final, a nulidade do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Ementa: RESPONSABILIDADE OBJETIVA. LANÇAMENTO. Fl. 342DF CARF MF 4 ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional, alegando ainda que a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Através do Acórdão nº 3801005.032 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Nos termos do acórdão nº 9303003.803, de 26/04/2016, fls.324/332, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11011.001190/201050 Acórdão n.º 3302004.309 S3C3T2 Fl. 342 5 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Excertos do voto: Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Fl. 344DF CARF MF 6 Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. (...) Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." A empresa teve ciência do julgado em 20/06/2016, por decurso de prazo conforme despacho, fl. 338. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11011.001190/201050 Acórdão n.º 3302004.309 S3C3T2 Fl. 343 7 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da inexistência de nulidade Argui o Recorrente que o auto de infração não foi instruído com documento que comprove a infração imputada. Para melhor esclarecimento da situação fática, transcrevese a seguir excertos da Descrição dos Fatos. Em consulta ao Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) verificamos que a empresa de transporte acima identificada não prestou, no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, as informações relativas a embarques de exportação efetuados através da Alfândega do Aeroporto Internacional Salgado Filho, no período de janeiro de 2006 até agosto de 2009. No anexo A encontramse relacionados esses embarques. Nele informamos para cada embarque, o veiculo (vôo correspondente), as datas do embarque e da informação prestada para cada carga (Declaração de Exportação DDE). 0 referido anexo foi elaborado considerando que o transportador deve registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94, redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005. Diante do exposto lavramos o presente Auto de Infração para proceder o lançamento da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por cada embarque nos quais o Transportador deixou de prestar, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, as informações a eles relativos, com base no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n° 37/66 com redação dada pelo art. 77 da Lei n°10.833/03. Depreendese que a situação envolve operações de exportação cujos dados foram obtidos junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO. O Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, conforme art. 2º do Decreto nº 660, de 1992. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como um dos órgãos gestores do Siscomex é responsável pelas áreas aduaneira e tributária, assim, a fiscalização no âmbito de sua competência objete os dados junto ao referido sistema. Fl. 346DF CARF MF 8 Para contextualizar a situação fática observese que toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada, está sujeita a despacho de exportação, com as exceções estabelecidas na legislação específica. (RA/2002, art.520). Em geral, o despacho de exportação será processado por meio de Declaração de Despacho de Exportação (DDE), registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), tendo a si vinculados um ou mais Registros de Exportação (RE). Assim, constatase da planilha de fls.07/14 que os dados obtidos pela fiscalização junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO, prestados pela própria recorrente, já que é usuária do sistema e responsável pelos dados do embarque no referido sistema, na forma e prazo estabelecidos pela RFB , contemplam: a) o nº da DDE; b) CNPJ/CPF Transportador; c) Data do embarque; d) Data da informação do embarque; e) o prefixo e o nº do voo; e f) nº de dias de atraso. Rejeitase portanto a preliminar de cerceamento do direito de defesa quanto a matéria acima analisada. Da Impossibilidade de responsabilização da Recorrente em razão das falhas técnicas do Sistema Siscomex Quanto às supostas falhas técnicas do Sistema Siscomex, cabe destacar que as normas procedimentais preveem as alternativas quanto ao fornecimento de informações pelo responsável pela carga quando da indisponibilidade do Siscomex, no entanto, conforme será analisado na parte meritória esse não foi o suporte fático da autuação. MÉRITO Da multa pela extemporaneidade dos dados de embarque Conforme relatado o lançamento decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fls. 07/14. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 1inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: 1 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11011.001190/201050 Acórdão n.º 3302004.309 S3C3T2 Fl. 344 9 (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal ([artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003) uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. Em cumprimento à determinação referida na alínea "e" do art. 107 transcrito a RFB, com o escopo de normatizar os procedimentos editou a IN SRF nº 510, 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." (NR)(grifei). Pela planilha de fls.59/94, constatase que os dados dos embarques compreendem o período de 01/06/2006 a 14/08/2009, portanto, à época estava em vigor IN SRF nº 510, 14/02/2005, DOU de 15/02/2005. Não tratando o caso dos autos da excepcionalidade do § 2º acima transcrito, visto que adstrito ao modal marítimo, constatase das planilhas citadas, que as informações foram efetivamente extemporâneas ao prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque, situação que configura a infração tipificada no artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003 acima reproduzido. Fl. 348DF CARF MF 10 Ocorre que no curso processual, foi editada a IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte. "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana)." (NR) Nesse mister, importa realçar que é princípio assente no seio constitucional o da não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). O cânone interpretativo fundamental é o de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição. Nesse sentido é importante ressaltar que em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional CTN no 2art. 106 a possibilidade de aplicação retroativa da legislação tributária a fatos pendentes nas hipóteses nele elencadas que são: a) lei expressamente interpretativa e; b) tratandose de ato não definitivamente julgado: lei tributária penal que estabeleça penalidade mais branda; que deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ou deixe de considerar determinado fato como infração. Verificase assim que a decisão de piso considerou as referidas alterações normativas e com escopo no artigo 106, II do CTN, assim decidiu conforme excertos a seguir transcritos: Desta forma, analisandose a planilha de fls.07/14 onde constam os dados: 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11011.001190/201050 Acórdão n.º 3302004.309 S3C3T2 Fl. 345 11 n.º do voo, n.º da DSE, data do embarque e data do registro dos dados de embarque, constatase que devem ser mantidas as exigências das multas em comento dos seguintes registros a seguir numerados: 01, 08, 13, 14,21, 25, 26, 29, 48, 49, 50, 51, 53, 54, 55 e 56, perfazendo um crédito tributário de R$80.000,00. Observese que a decisão de piso enumerou os embarques cujos prazo excedem a 7 (sete) dias à data do embarque. Agiu com acerto a decisão de piso, visto que a análise fática ante as alterações normativas já referidas se adequou à aplicação do disposto no art. 106 do CTN que estabelece, em caráter excepcional, a eficácia retroativa da lei tributária, ou seja a retroatividade benigna, nos termos da alínea “b” do inciso II do já referido dispositivo legal. Agora em sede de segunda instância já não pode ser aplicável a mesma linha interpretativa, visto da planilha de fls. 07/14, verificase que os prazos foram excedidos em mais de 7 (sete) dias à data do embarque, impossibilitando assim para esses a retroatividade benigna. Desse modo mantémse a exigência formalizada aos embarques cujo prazo excedeu a 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. Ante o exposto, VOTO POR, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900616/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 16 /2 01 2- 01 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900616/201201 Acórdão n.º 1302002.147 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900616/201201 Acórdão n.º 1302002.147 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900616/201201 Acórdão n.º 1302002.147 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724429/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos interposto quando não configurada a omissão alegada pela embargante.
RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO PARCIAL. ALEGAÇÕES SUBSIDIÁRIAS NÃO APRECIADAS NA INSTÂNCIA INFERIOR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. OBRIGATORIEDADE.
É da natureza do processo, seja ele administrativo ou judicial, ser impulsionado para frente, sendo assegurado às partes os recursos inerentes para que possam ter suas alegações examinadas. Ou seja, as decisões de segunda instância podem ser projetadas para serem reexaminadas por uma instância especial ou extraordinária, nunca por uma instância inferior. Assim, não há qualquer sentido em devolver um processo à instância a quo para que o órgão prolator da decisão, que havia acolhido a pretensão da parte, reexamine seus outros argumentos (subsidiários), porque o tribunal a quo entendeu de modo diverso quanto a tal fundamento. Este procedimento não implica em violação ao duplo grau de jurisdição ou supressão de instância e atende ao princípio da razoável duração do processo (art. 5º, inc. LXXVIII da CF/88, incluído pela EC nº 45/2004). A Fazenda Nacional, como parte integrante do processo administrativo fiscal, também tem direito a uma duração razoável do processo. Não são apenas os sagrados direitos do sujeito passivo ao contraditório e à ampla defesa que devem ser respeitados e assegurados. O direito a razoável duração do processo, tão reclamado pela sociedade, não pode deixar de se concretizar, por meros percalços, propostos pelas partes com o único intuito de retroceder à etapa já vencida, buscando uma nova solução que lhe seja mais favorável.
Numero da decisão: 1302-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Souza (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Declarou-se impedido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO. Rejeitam-se os embargos interposto quando não configurada a omissão alegada pela embargante. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO PARCIAL. ALEGAÇÕES SUBSIDIÁRIAS NÃO APRECIADAS NA INSTÂNCIA INFERIOR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. OBRIGATORIEDADE. É da natureza do processo, seja ele administrativo ou judicial, ser impulsionado para frente, sendo assegurado às partes os recursos inerentes para que possam ter suas alegações examinadas. Ou seja, as decisões de segunda instância podem ser projetadas para serem reexaminadas por uma instância especial ou extraordinária, nunca por uma instância inferior. Assim, não há qualquer sentido em devolver um processo à instância a quo para que o órgão prolator da decisão, que havia acolhido a pretensão da parte, reexamine seus outros argumentos (subsidiários), porque o tribunal a quo entendeu de modo diverso quanto a tal fundamento. Este procedimento não implica em violação ao duplo grau de jurisdição ou supressão de instância e atende ao princípio da razoável duração do processo (art. 5º, inc. LXXVIII da CF/88, incluído pela EC nº 45/2004). A Fazenda Nacional, como parte integrante do processo administrativo fiscal, também tem direito a uma duração razoável do processo. Não são apenas os sagrados direitos do sujeito passivo ao contraditório e à ampla defesa que devem ser respeitados e assegurados. O direito a razoável duração do processo, tão reclamado pela sociedade, não pode deixar de se concretizar, por meros percalços, propostos pelas partes com o único intuito de retroceder à etapa já vencida, buscando uma nova solução que lhe seja mais favorável.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.797 1 1.796 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.724429/201470 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302002.129 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria Nulidade. Alegação de Supressão de instância. Embargante GRAFTECH BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO. Rejeitamse os embargos interposto quando não configurada a omissão alegada pela embargante. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO PARCIAL. ALEGAÇÕES SUBSIDIÁRIAS NÃO APRECIADAS NA INSTÂNCIA INFERIOR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. OBRIGATORIEDADE. É da natureza do processo, seja ele administrativo ou judicial, ser impulsionado para frente, sendo assegurado às partes os recursos inerentes para que possam ter suas alegações examinadas. Ou seja, as decisões de segunda instância podem ser projetadas para serem reexaminadas por uma instância especial ou extraordinária, nunca por uma instância inferior. Assim, não há qualquer sentido em devolver um processo à instância a quo para que o órgão prolator da decisão, que havia acolhido a pretensão da parte, reexamine seus outros argumentos (subsidiários), porque o tribunal a quo entendeu de modo diverso quanto a tal fundamento. Este procedimento não implica em violação ao duplo grau de jurisdição ou supressão de instância e atende ao princípio da razoável duração do processo (art. 5º, inc. LXXVIII da CF/88, incluído pela EC nº 45/2004). A Fazenda Nacional, como parte integrante do processo administrativo fiscal, também tem direito a uma duração razoável do processo. Não são apenas os sagrados direitos do sujeito passivo ao contraditório e à ampla defesa que devem ser respeitados e assegurados. O direito a razoável duração do processo, tão reclamado pela sociedade, não pode deixar de se concretizar, por meros percalços, propostos pelas partes com o único intuito de retroceder à etapa já vencida, buscando uma nova solução que lhe seja mais favorável. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 44 29 /2 01 4- 70 Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.798 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Souza (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Declarouse impedido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.799 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto por GRAFITECH BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA em face do Acórdão nº 1302001.924, de 06/07/2016, mediante o qual o colegiado decidiu "por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, conforme restou sintetizado na ementa, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO TRIBUTADOS EM FACE DA REDUÇÃO INCENTIVADA. CARACTERIZAÇÃO. A incorporação da empresa detentora de incentivo fiscal por sua controladora, sem a preservação da reserva de capital constituída com o valor do imposto de renda que deixou de ser pago em face de incentivo fiscal na área da Sudene, seguida da distribuição de lucros aos sócios, caracteriza a distribuição do valor do imposto, vedada nos termos do art. 545 do RIR/1999. DECADÊNCIA. EXIGÊNCIA DO IRPJ QUE DEIXOU DE SER PAGO EM DECORRÊNCIA DE INCENTIVOS FISCAIS DEVIDO À SUA DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS. TERMO A QUO. Ao efetuar a distribuição de lucros com a utilização de saldo de reservas de capital, constituídas com o imposto que deixou de ser pago em face de incentivo fiscal, o sujeito passivo descumpre a condição suspensiva para a manutenção do incentivo fiscal e incorre na situação prevista no § 2º do art. 545 do RIR/99, sendo este o momento em que se iniciou a contagem do prazo decadencial para que o Fisco realizasse o lançamento tendente a constituição do crédito tributário em questão. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC, nos termos dos art. 139 e 161 do CTN c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Cientificada por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, em 26/09/2016, a recorrente apresentou embargos de declaração em 03/10/2016, aduzindo, verbis: [...] Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.800 4 9. (...) a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Ia Seção do CARF proferiu o v. Acórdão n° 1302001.924 (ora embargado), alterando a motivação original do lançamento tributário (praticamente, o auto de infração foi refeito na instância de julgamento) e dando parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer parcialmente a exigência fiscal, em clara afronta aos artigos 142 e 146 do CTN. 10. Além da indevida alteração da motivação original do lançamento tributário, a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Ia Seção do CARF se pronunciou sobre matérias que não foram examinadas pela DRJ, configurando supressão de instância e, desse modo, a nulidade do v. Acórdão n° 1302 001.924, inclusive por cerceamento do direito de defesa da Embargante, com violação aos artigos 31, 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72. [...] 12. (...)no v. acórdão embargado existem omissões, contradição e obscuridades, que devem ser sanadas por meio do julgamento dos presentes embargos de declaração, inclusive sob pena de cerceamento do direito de defesa da Embargante, afrontando os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, com atribuição e efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso de ofício. 13. E o que se passa a demonstrar. [...] III. 1.1 Omissão quanto aos termos da motivação original do lançamento tributário 14. Na motivação original do lançamento tributário, a Embargante é acusada de ter distribuído aos sócios o valor correspondente ao IRPJ que não teria sido recolhido durante os anoscalendário de 2007 a 2010, no montante de R$ 11.183.402,69, tendo em vista o incentivo fiscal da redução de 75% do Lucro da Exploração. [...] 16. E com base somente nas referidas premissas (incorporação seguida de redução de capital, e distribuição de lucros acumulados formados também por reservas de incentivo fiscal da pessoa jurídica incorporada), foi consignado na motivação original do lançamento que a distribuição de lucros realizada pela Embargante aos sócios, em 17/11/2010, no montante de R$ 15.000.000,00, teria compreendido a reserva de incentivo fiscal. [...] 20. De acordo com o (novo) entendimento consignado no v. Acórdão n° 1302001.924, o fato de a Embargante (após a incorporação) não ter promovido a recomposição da Reserva de Capital, no montante integral dos valores do IRPJ não recolhidos pela pessoa jurídica incorporada em razão do incentivo fiscal, simplesmente, impediria a distribuição de qualquer lucro aos sócios. 21. Contudo, o entendimento que prevaleceu no v. Acórdão n° 1302 001.924 constitui verdadeira inovação no processo administrativo e, mais do que isso, representa indevida alteração da motivação original do lançamento tributário, o que é vedado pelos artigos 142 e 146 do CTN. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.801 5 [...] 27. Assim, ao invocar o (novo) argumento de que a Embargante (após a incorporação) não teria promovido a recomposição da Reserva de Capital, no montante integral dos valores do IRPJ não recolhidos pela pessoa jurídica incorporada em razão do incentivo fiscal, para dar parcial provimento ao recurso de ofício, o v. acórdão embargado acabou por alterar, indevidamente, a motivação do lançamento tributário, afrontando os artigos 142 e 146 do CTN. [...] 29. Diante do exposto, os embargos de declaração são interpostos para que seja sanada a omissão em referência, com o pronunciamento da Turma de Julgamento sobre o fato de que a ausência de recomposição da Reserva de Capital pela Embargante (após a incorporação), no montante integral dos valores do IRPJ não recolhidos pela pessoa jurídica incorporada, não compôs a motivação original do lançamento, sob pena de cerceamento do direito de defesa, afrontando os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72. III. 1.2 Omissão quanto à supressão de instância 30. Na impugnação, a Embargante sustentou, subsidiariamente, os seguintes argumentos de defesa: (I) decadência do direito de exigir eventuais créditos tributários relativamente a supostos fatos geradores dos anos de 2007 e 2008; (II) ausência de recomposição do IRPJ devido nos anos de 2007 a 2010 pelo regime de competência, tendo em vista o não reconhecimento da isenção; e (III) não incidência de juros sobre a multa de ofício. 31. Por sua vez, na r. decisão de Ia instância administrativa, a DRJ decidiu (corretamente) que a distribuição de lucros realizada pela Embargante não comprometeu a reserva de incentivo fiscal nem conduziu à descapitalização da pessoa jurídica, cancelando integralmente o auto de infração. 32. Tendo em vista o cancelamento integral do auto de infração, justamente em razão do reconhecimento da ausência de distribuição de lucros incentivados (ou seja, em razão da manifesta improcedência da acusação fiscal), a DRJ não examinou os argumentos subsidiários de defesa da Embargante. 33. No entanto, no v. acórdão embargado, a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Ia Seção do CARF entendeu que uma parcela do lucro distribuído pela Embargante estaria relacionada ao incentivo fiscal e, na mesma assentada, diretamente se pronunciou sobre os argumentos subsidiários de defesa, em evidente supressão de instância e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. 34. De fato, ao entender que parcela do lucro distribuído pela Embargante estaria relacionada ao incentivo fiscal, reformando, ainda que parcialmente, a r. decisão de Ia instância administrativa, a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Ia Seção do CARF deveria ter determinado a remessa dos autos para a DRJ, para o exame dos argumentos subsidiários de defesa, garantindo, desse modo, o direito ao contraditório e à ampla defesa. 35. Portanto, o pronunciamento da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Ia Seção do CARF sobre os argumentos subsidiários de defesa da Embargante não examinados pela DRJ constitui supressão de instância e representa cerceamento do direito de defesa, de modo que o v. acórdão embargado é nulo, inclusive por afronta aos artigos 31, 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.802 6 36. Diante do exposto, os embargos de declaração são interpostos para que seja sanada a omissão ora apontada, com o pronunciamento da Turma de Julgamento sobre a ocorrência de supressão de instância e cerceamento do direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que os argumentos subsidiários de defesa da Embargante não foram examinados pela DRJ, o que, aliás, conduz à própria nulidade do v. acórdão embargado. III.2 CONTRADIÇÃO 37. Nos termos do artigo 545 do RIR/99, o valor do imposto que deixar de ser recolhido em razão do incentivo fiscal da redução de 75% do Lucro da Exploração não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social. Confirase a redação do artigo 545 do RIR/99: [...] 39. Portanto, o artigo 545 do RIR/99 veda a distribuição de lucros incentivados aos sócios, e determina que os valores incentivados sejam controlados pelo contribuinte no patrimônio líquido e destinados somente para absorver prejuízo fiscal ou aumentar capital social. Esses são os comandos legislativos. 40. Conforme cabalmente comprovado nos autos e reconhecido na r. decisão de Ia instância administrativa pela DRJ, a Embargante sempre deteve no seu patrimônio líquido saldos disponíveis e suficientes de lucros acumulados, de modo que a distribuição realizada aos sócios não atingiu a reserva de incentivo fiscal nem descapitalizou a pessoa jurídica. 41. Portanto, é incontroverso nos autos que a Embargante não distribuiu lucros incentivados aos sócios. 42. Por outro lado, o valor do imposto que deixou de ser recolhido em razão do incentivo fiscal da redução de 75% do Lucro da Exploração foi registrado no patrimônio líquido da Embargante, e pode ser utilizado para absorver prejuízo fiscal ou aumentar capital social. [...] 45. Assim, se a Embargante não distribuiu lucros incentivados e registrou o valor do imposto que deixou de ser recolhido em razão do incentivo fiscal no seu patrimônio líquido (independentemente da nomenclatura da conta), a conclusão é peremptória: considerandose os termos da motivação original do lançamento, a Embargante não descumpriu o artigo 545 do RIR/99. 46. E a inocorrência da hipótese prevista no inciso I do §1° do artigo 545 do RIR/99 foi reconhecida pelo próprio v. acórdão embargado, nos seguintes termos: "É correta a sua afirmação de que a incorporação, por si só, não correspondente a uma restituição de capital ao sócio, mas sim uma sucessão universal de bens". [...] 48. Como se vê, no v. acórdão embargado foi reconhecida a existência de saldos disponíveis e suficientes de lucros acumulados, para suportar a distribuição Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.803 7 de lucros realizada pela Embargante, mas, de forma contraditória, foi consignada que a reserva exigida pelo artigo 545 do RIR/99 não teria sido preservada, o que impediria a distribuição de qualquer lucro. [...] 51. Diante do exposto, os embargos de declaração são interpostos para que seja sanada a contradição ora apontada, com o pronunciamento da Turma de Julgamento sobre a diferença entre o controle dos valores incentivados na Conta de Lucros Acumulados e na Reserva de Capital, todas integrantes do Patrimônio Líquido da Embargante. III.3.1 Obscuridades quanto aos aumentos de capital social realizados pela "Graftech Brasil" (antes da sua incorporação pela Embargante) 52. No v. acórdão embargado, o Ilustre Relator consignou que: "(...) Analisando as cópias de balancetes e do livro Razão da conta de Reservas para Aumento de Capital (fls. 1440/1443), na qual a empresa incorporada (GRAFTECH) registrava o valor das reservas constituídas com o valor do imposto que deixou de ser pago em face do incentivo fiscal, conforme determina o art. 545 do RIR/99, verificase que foram realizadas duas incorporações ao capital social daquela empresa mediante a utilização de parte daquelas reservas: em 31/12/2009, no montante de R$ 706.000,00 e em 31/05/2010, no total de R$ 4.608.000,00, resultando no saldo na conta de Reservas, em 30/06/2010, de R$ 4.178.900,49, conforme espelhado no balancete de avaliação acima transcrito. (...)" 53. Com efeito, antes da incorporação, realmente a "Graftech Brasil" realizou 2 (dois) aumentos do seu capital social, utilizando, para tanto, a sua reserva de capital, composta justamente pelo valor do IRPJ que deixou de ser recolhido em razão do incentivo fiscal do Lucro da Exploração. [...] 55. Com fundamento no caput do artigo 545 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99), a "Graftech Brasil" utilizou a reserva de capital, composta justamente pelo IRPJ que deixou de ser recolhido em função do incentivo fiscal decorrente do Lucro da Exploração, para aumentar o seu capital social, o que é absolutamente legítimo. 56. Diante do exposto, os embargos de declaração são interpostos para que seja sanada a obscuridade ora apontada, com o pronunciamento da Turma de Julgamento sobre a existência de irregularidade (ou não) nos aumentos de capital social realizados nos anos de 2009 (R$ 706.000,00) e de 2010 (R$ 4.608.000,00) pela "Graftech Brasil", tendo em vista o disposto no caput do artigo 545 do RIR/99. III.1.2 Obscuridades quanto a incorporação da "Graftech Brasil" pela Embargante em julho de 2010 57. No v. acórdão embargado, consignou o Ilustre Relator que: (...) No presente caso, portanto, a incorporadora (PARTICIPAÇÕES) recebeu em transferência o acervo líquido da incorporada (GRAFTECH), sem aumentar o seu capital, Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.804 8 apenas substituindo o investimento detido pelo acervo líquido incorporado, avaliado a valor contábil. (...) Por outro lado, no Balanço Patrimonial que consolida o patrimônio da empresa incorporada (GRAFTECH) na incorporadora (PARTICIPAÇÕES), fls. 1464/1465, verifica se que remanesceu no Patrimônio Líquido da incorporadora, oriundo da incorporada uma parcela da Reserva de Capital no montante de R$ 5.113.489,88, com a extinção do capital social da incorporada. (...) Pelos dados acima expostos, verificase que a afirmação da recorrente de que não ocorreu nenhuma redução do capital da controlada, aumentado com a utilização de reservas constituídas com o valor do imposto que deixou de ser pago pela incorporada (GRAFTECH), não corresponde à realidade. ( . . . ) " 58. Com efeito, no momento da incorporação, a "Graftech Brasil" era uma subsidiária integral da Embargante, de modo que a Embargante incorporou todos os Ativos e Passivos da "Graftech Brasil", sem qualquer aumento do seu capital social, 59. Dessa forma, após a incorporação, o Ativo registrado como Investimento na Embargante foi "baixado" contra as Contas Contábeis de patrimônio líquido da "Graftech Brasil". 60. Com a incorporação da subsidiária integral não há aumento de capital social da incorporadora. Ou seja, não há uma somatória das linhas do patrimônio líquido da incorporadora e da sua subsidiária integral. 61. E o fato de a incorporação da subsidiária integral não ter implicado o aumento do capital social da Embargante, por óbvio, não significa que teria havido redução de capital social ou qualquer outra forma de devolução de capital social ao sócio. 62. Diante do exposto, os embargos de declaração são interpostos para que seja sanada a obscuridade ora apontada, com o pronunciamento da Turma de Julgamento sobre o momento em que teria havido uma suposta redução de capital ou qualquer outra forma de devolução de capital ao sócio, na incorporação da subsidiária integral pela Embargante. No Despacho em Embargos, de 20 de dezembro de 2016 (fls. , o presidente desta 2ª Turma Ordinária rejeitou os embargos quanto ao primeiro, terceiro e quarto pontos, acolhendoos apenas quanto a omissão alegada no segundo ponto da peça recursal. É o relatório. Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.805 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos interpostos são tempestivos e foram parcialmente admitidos nos termos regimentais. Assim deles conheço quanto ao ponto admitido no Despacho que examinou sua admissibilidade. Para melhor clareza da análise, reproduzo abaixo excertos dos embargos quanto à matéria que restou admitida, verbis: III. 1.2 Omissão quanto à supressão de instância 30. Na impugnação, a Embargante sustentou, subsidiariamente, os seguintes argumentos de defesa: (I) decadência do direito de exigir eventuais créditos tributários relativamente a supostos fatos geradores dos anos de 2007 e 2008; (II) ausência de recomposição do IRPJ devido nos anos de 2007 a 2010 pelo regime de competência, tendo em vista o não reconhecimento da isenção; e (III) não incidência de juros sobre a multa de ofício. 31. Por sua vez, na r. decisão de Ia instância administrativa, a DRJ decidiu (corretamente) que a distribuição de lucros realizada pela Embargante não comprometeu a reserva de incentivo fiscal nem conduziu à descapitalização da pessoa jurídica, cancelando integralmente o auto de infração. 32. Tendo em vista o cancelamento integral do auto de infração, justamente em razão do reconhecimento da ausência de distribuição de lucros incentivados (ou seja, em razão da manifesta improcedência da acusação fiscal), a DRJ não examinou os argumentos subsidiários de defesa da Embargante. 33. No entanto, no v. acórdão embargado, a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Ia Seção do CARF entendeu que uma parcela do lucro distribuído pela Embargante estaria relacionada ao incentivo fiscal e, na mesma assentada, diretamente se pronunciou sobre os argumentos subsidiários de defesa, em evidente supressão de instância e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. 34. De fato, ao entender que parcela do lucro distribuído pela Embargante estaria relacionada ao incentivo fiscal, reformando, ainda que parcialmente, a r. decisão de Ia instância administrativa, a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Ia Seção do CARF deveria ter determinado a remessa dos autos para a DRJ, para o exame dos argumentos subsidiários de defesa, garantindo, desse modo, o direito ao contraditório e à ampla defesa. 35. Portanto, o pronunciamento da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Ia Seção do CARF sobre os argumentos subsidiários de defesa da Embargante não examinados pela DRJ constitui supressão de instância e representa cerceamento do direito de defesa, de modo que o v. acórdão embargado é nulo, inclusive por afronta aos artigos 31, 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72. 36. Diante do exposto, os embargos de declaração são interpostos para que seja sanada a omissão ora apontada, com o pronunciamento da Turma de Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.806 10 Julgamento sobre a ocorrência de supressão de instância e cerceamento do direito de defesa do contribuinte, tendo em vista que os argumentos subsidiários de defesa da Embargante não foram examinados pela DRJ, o que, aliás, conduz à própria nulidade do v. acórdão embargado. O Despacho de admissibilidade assim se pronunciou sobre a omissão suscitada: No segundo ponto suscitado, a embargante alega que o colegiado recorrido incorreu em omissão ao deixar de analisar a possibilidade de existir a supressão de instância, uma vez que o colegiado de primeiro grau, ao proferir a decisão de primeiro grau acolhendo os argumentos de mérito por ela levantados, deixou de apreciar outros argumentos subsidiários trazidos na peça impugnatória. Afirma que, subsidiariamente, trouxe os seguintes argumentos de defesa: (I) decadência do direito de exigir eventuais créditos tributários relativamente a supostos fatos geradores dos anos de 2007 e 2008; (II) ausência de recomposição do IRPJ devido nos anos de 2007 a 2010 pelo regime de competência, tendo em vista o não reconhecimento da isenção; e (III) não incidência de juros sobre a multa de ofício. Sustenta que, por outro lado, o colegiado embargado, ao entender que era parcialmente procedente o lançamento e, portanto, o recurso de ofício adentrou ao mérito de tais alegações subsidiárias, afastandoas, sem que tenha havido a manifestação prévia da instancia a quo. Examinando o acórdão embargado e o quanto relatado sobre a decisão de primeiro grau, verifico que, de fato, o colegiado recorrido não cuidou de examinar a hipótese de ocorrência de supressão de instancia em face de outras matérias, alegadas de forma subsidiária pela defesa, não terem sido enfrentadas pelo colegiado a quo. Ante ao exposto, admito os embargos quanto a este segundo ponto. Passo ao exame. A embargante suscita a omissão e consequente nulidade do acórdão embargado tendo em vista que deixou de examinar a ocorrência de supressão de instância em face de matérias subsidiarias, alegadas pela defesa em sua impugnação e que deixaram de ser apreciadas pelo acórdão de primeiro grau, uma vez que este havia acolhido sua tese principal. Alega que, uma vez que o acórdão embargado houve por bem reformar o acórdão de primeiro grau, dando provimento parcial ao recurso de ofício, estaria caracterizada a supressão de instância e o cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que parte das suas alegações não foram discutidas na fase processual anterior. Entendo que não tem razão a recorrente. A interposição do recurso de ofício tem efeito devolutivo e translativo. Ou seja o órgão recursal só tem o poder de julgar a matéria objeto do recurso (efeito devolutivo), porém, respeitados os limites que lhe são impostos pela matéria recorrida, pode e deve examinar todas as questões suscitadas e debatidas e as alegações da defesa, ainda que estas não tenham sido objeto da decisão de primeiro grau quanto à matéria recorrida (efeito translativo). Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.807 11 Este procedimento não implica em violação ao duplo grau de jurisdição ou supressão de instância e atende ao princípio da razoável duração do processo (art. 5º, inc. LXXVIII da CF/88, incluído pela EC nº 45/2004). A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça consagra o entendimento de que o julgador “não está obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão” 1. Assim, não faria qualquer sentido devolver um processo à origem para que o órgão prolator da decisão que havia acolhido a pretensão da parte por um fundamento, passasse a reexaminar seus outros argumentos, porque o tribunal a quo entendeu de modo diverso quanto a tal fundamento. Assim como não haveria, neste caso, se o órgão recursal ao reformar parte do entendimento de mérito do colegiado a quo, tivesse que devolver o processo àquele colegiado para que este procedesse, então, ao julgamento de alegações subsidiárias da defesa que haviam sido superadas com o acolhimento de sua alegação principal. Nesta perspectiva, o processo ficaria girando em círculos, correndo atrás de si mesmo, numa ciranda interminável, o que é inadmissível diante do ditame constitucional processo (art. 5º, inc. LXXVIII da CF/88, incluído pela EC nº 45/2004) e processual (art. 4º do CPC/2015) quanto ao direito das partes "à obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa". Lembrese que a Fazenda Nacional, como parte integrante do processo administrativo fiscal, também tem direito de a uma duração razoável do processo. Não são apenas os sagrados direitos do sujeito passivo ao contraditório e à ampla defesa que devem ser respeitados e assegurados. O direito a razoável duração do processo, tão reclamado pela sociedade, não pode deixar de se concretizar, por meros percalços, propostos pelas partes com o único intuito de retroceder à etapa já vencida, buscando uma nova solução que lhe seja mais favorável. É da natureza do processo, seja ele administrativo ou judicial, ser impulsionado para frente, sendo assegurado às partes os recursos inerentes para que possam ter suas alegações examinadas por mais de uma instância e a decisão anterior possa ser revista. Ou seja, as decisões de segunda instância podem ser projetadas para serem reexaminadas por uma instância especial ou extraordinária, nunca por uma instância inferior. Aliás, o novo Código Civil de 2015, cuja aplicação é supletiva aos processos administrativos (art. 15), aponta claramente nesse sentido ao dispor no seu art. 1013, verbis: 1 “AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.130.754 RS (2009/01224909) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS EMENTA 1. A leitura do acórdão evidencia que a decisão foi proferida de maneira clara e precisa, contendo fundamentos de fato e de direito suficientes para uma prestação jurisdicional completa. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (...)”. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.808 12 Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. § 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. § 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: I reformar sentença fundada no art. 485; II decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir; III constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; IV decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. § 4o Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. § 5o O capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na apelação. Aliás, a respeito do referido dispositivo, que encontra paralelo com o art. 515 do CPC/1973, Manoel Caetano Ferreira Filho2 traz ensinamentos interessantes e que reforçam o entendimento que até aqui se procurou demonstrar: I. Efeito devolutivo Como decorrência do princípio dispositivo (arts. 2º e 141), o tribunal só tem o poder de julgar o que lhe for pedido pelo apelante. Significa que também o tribunal tem sua atuação limitada pela vontade do recorrente. Assim como pode não recorrer, caso em que o tribunal, obviamente, nada julgará, o apelante pode impugnar apenas parte da sentença. Se isto ocorrer, o tribunal julgará somente esta parte que foi impugnada. Este é o efeito devolutivo do recurso, pelo qual ao tribunal é conferido o poder (e, ao mesmo tempo, dever) de proferir novo julgamento da causa, respeitado o limite posto pelo recorrente. O caput deste artigo, que tem exatamente a mesma redação do caput do art. 515 do CPC/1973, utiliza a expressão “matéria impugnada” para se referir ao pedido de nova decisão formulado pelo apelante. [...] II. Efeito translativo 2 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ANOTADO. Coordenadores: CRUZ E TUCCI, José Rogério, FERREIRA FILHO, Manoel Caetano, APRIGLIANO, Ricardo de Carvalho, DOTTI, Rogéria Fagundes e MARTINS, Sandro Gilbert. 2015. AASP e OAB PARANÁ. Atualizado em 23/12/2015. Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.809 13 O caput deste artigo, como explicado anteriormente, disciplina o efeito devolutivo, pelo qual é fixado o que o tribunal pode julgar na apelação. Os §§ 1º e 2º tratam do efeito translativo da apelação. Por ele o tribunal pode, respeitados os limites que lhe são impostos pela “matéria impugnada”, isto é, pelo pedido do apelante, examinar todas as questões suscitadas e debatidas no processo e, mais, as causas de pedir e os fundamentos da defesa, ainda que não tenham sido objeto de decisão na sentença. A parte final do § 1º limita expressamente o efeito translativo ao julgamento do “capítulo impugnado”, superando polêmica existente da legislação revogada. Portanto, o capítulo da sentença que não for objeto de apelação não pode, em hipótese alguma, ser reexaminado pelo tribunal, ainda que a pretexto de aplicar os §§ 1º e 2º ou apreciar matéria de ordem pública a ele relativa. Aliás, na sistemática deste Código também está claro que o capítulo da sentença não impugnado pela apelação transita em julgado imediatamente. [...] III. Matéria de ordem pública As chamadas questões de ordem pública podem ser examinadas pelo juiz de ofício e sobre elas não se opera a preclusão (arts. 337, § 5º, e 485, § 3º). Desse modo, mesmo que não tenham sido alegadas nem apreciadas em primeiro grau, deverão ser analisadas pelo tribunal no julgamento da apelação. Isso, contudo, não permite ao tribunal julgar o que não foi impugnado na apelação. Como justificado anteriormente (comentário II), o capítulo da sentença não impugnado na apelação transita em julgado imediatamente e se o tribunal o reexaminar ofenderá a garantia constitucional da coisa julgada. Ademais, se o recurso não for conhecido, seu julgamento estará concluído e esgotado o ofício jurisdicional do tribunal, que não poderá, nesta hipótese, anular ou reformar a sentença, ainda que a pretexto de examinar matéria de ordem pública. IV. Julgamento imediato do mérito Nas hipóteses do § 3º, o tribunal tem o dever de julgar o mérito, desde que o processo esteja em condições de imediato julgamento, isto é, se já estiver suficientemente instruído, não havendo necessidade de produção de outras provas além das que já se encontram nos autos. O § 3º do art. 515 do CPC/1973 contemplava somente a hipótese do inciso I deste artigo. Se a sentença que extingue o processo sem resolver o mérito (art. 485) for reformada pelo tribunal, não haverá necessidade de que os autos retornem ao primeiro grau para que o mérito seja julgado. Do mesmo modo, se anular a sentença extra petita ou ultra petita, que não guardam congruência com os limites do pedido ou da causa de pedir, o tribunal passará imediatamente ao julgamento do mérito, desde que haja condições para tanto. É extra petita a sentença que acolhe pedido diverso do formulado ou que aprecia causa de pedir distinta daquela delimitada pelo autor. É ultra petita a sentença que, embora se mantendo nos limites do pedido, concedeo em medida superior à pleiteada. O mesmo deve ocorrer no caso de o tribunal reconhecer que a sentença é citra petita, vale dizer, não examinou todos os pedidos formulados pelo autor: nessa situação, julgará, desde logo, o pedido sobre o qual se omitiu o juiz. Na verdade, nos casos de sentença citra ou ultra petita, confirmandoas no essencial, bastará que o tribunal complemente a primeira ou picote o excesso da segunda, sem declarar a nulidade. Anulada a sentença por falta de fundamentação, também deve o tribunal prosseguir e julgar o mérito, se a causa estiver madura para julgamento. Tal procedimento visa à celeridade, efetividade e tempestividade da tutela jurisdicional, não implicando violação ao princípio do duplo grau de jurisdição ou supressão de instância. Ademais, a hipótese de julgamento pelo tribunal só se concretizará caso sejam preservados os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, não havendo qualquer prejuízo para as partes. Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10580.724429/201470 Acórdão n.º 1302002.129 S1C3T2 Fl. 1.810 14 V. Reforma da sentença que reconhece decadência ou prescrição O § 4º disciplina situação que, a rigor, já está contemplada no § 2º (sentença que, por acolher um dos fundamentos da defesa, não aprecia os demais): sempre que a defesa estiver assentada em vários fundamentos, cada um deles capaz de, por si mesmo, conduzir à improcedência da pretensão do autor, e a sentença acolher um deles, todos os demais deverão ser apreciados no julgamento da apelação. Assim, se no julgamento da apelação o tribunal rejeitar decadência ou prescrição acolhidas na sentença (de ofício ou mediante provocação do réu), deverá prosseguir no julgamento e examinar todas as demais defesas suscitadas na contestação, desde que para tanto não haja necessidade da produção de provas. No caso concreto, as alegações subsidiárias de mérito apresentadas pela contribuinte, ora embargante, em sua impugnação, deixaram de ser apreciadas pelo colegiado a quo como corolário lógico de já ter sido acolhido seu argumento principal no acórdão. Por outro lado, este colegiado, cumprindo seu dever de reapreciar todas as discussões suscitadas, bem como as alegações apresentadas pela contribuinte em sua impugnação, houve por bem afastar o fundamento adotado pela decisão de primeiro grau para cancelar o lançamento e, apreciando as demais alegações da interessada, deu provimento parcial ao recurso de ofício. Neste diapasão, não vislumbro qualquer omissão no acórdão embargado, pelo que voto no sentido de rejeitar os embargos interpostos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1810DF CARF MF
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Numero do processo: 13204.000108/2004-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO.
À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o ano-calendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória - MP nº 2.158-35, de 2001).
Recurso Especial do Procurador provido em parte.
Numero da decisão: 9303-004.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente quanto à variação cambial, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento integral.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE APURAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, que valerá para todo o anocalendário, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência (art. 30 da Medida Provisória MP nº 2.15835, de 2001). Recurso Especial do Procurador provido em parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, somente quanto à variação cambial, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 08 /2 00 4- 90 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403001.966, de 20/03/2013, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas as partes da ementa que interessam ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 (...) CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 4 3 No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra as seguintes matérias: (a) direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha; e (b) direito do contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Alega divergência de interpretação em relação ao decidido nos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 5 4 Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 6 5 insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 7 6 resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 8 7 obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. A questão encontrase disciplinada no art. 30 da Medida Provisória – MP nº 2.15835, de 2001, reedição do art. 30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999, cuja redação é a seguinte: “Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 9 8 contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no § 1o aplicarseá a todo o ano calendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal.” (g.n.) No presente caso, a contribuinte optou, no períodobase a que se referem os autos, pelo regime de regime de competência na apuração de suas receitas, de modo que não há dúvida de que o mesmo regime deveria ter sido observado na apuração das variações cambiais que decorreram de suas obrigações ou de seus direitos. Não fosse pelo só fato da previsão legal (ver Súmula CARF nº 2), a tese adotada no acórdão recorrido não se sustenta: a de que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Sobre ela, assim escrevemos em obra de autoria coletiva (PIS e Cofins à luz da jurisprudência: Conselho Administrativa de Recursos Fiscais; volume 3 / Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto, Gilberto de Castro Moreira Junior, 1ª ed, São Paulo, MP Editora, 2014): Ela se apoia na ideia de que haveria um conteúdo material, de estatura constitucional, para o termo “receita”, para o qual o constituinte teria valorizado a perspectiva dos negócios jurídicos que evidenciem a capacidade econômica revelada pelo ingresso financeiro apurado de forma isolada e instantânea em cada evento. Esse conteúdo material, com a tônica no ingresso financeiro, é que teria sido colocado ao alcance do legislador federal para que sobre ele se fizesse incidir a contribuição com específica destinação, voltada para o custeio do sistema de Seguridade Social. Os fautores dessa tese trabalham ainda com a ideia de que a receita deve ser definitiva de modo a assegurar a disponibilidade e a titularidade dos recursos financeiros sem qualquer obrigação correspondente, devendo ter como causa a remuneração de negócio jurídico concernente aos atos relacionados apenas com o exercício de atividade empresarial. O argumento se fundamenta no art. 195, III, da Constituição Federal, que estabelece, como uma das fontes de financiamento da Seguridade Social, a contribuição incidente “sobre a receita de concursos de prognósticos”, de sorte que a alusão ao vocábulo Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 10 9 “receita” só poderia estar relacionada, no seu entendimento, com o efetivo ingresso de recursos provenientes dos diferentes jogos existentes no país, vale dizer, com a possibilidade de destaque pura e simples de uma parcela a título das contribuições a serem retiradas do volume de recursos arrecadados com os referidos “concursos de prognósticos”. Assim, em tal previsão constitucional, o termo “receita” não poderia referirse a outra perspectiva que não a do efetivo ingresso financeiro, vale dizer, ao efetivo ingresso de recursos pecuniários ao qual não corresponda uma obrigação, pena de inviabilizar o próprio custeio da Seguridade Social. De conseguinte, esse conteúdo semântico do vocábulo “receita” deveria vincular o exercício da atividade legiferante, em ordem a impossibilitar que o legislador infraconstitucional venha a emprestar ao termo significado diverso. Pois bem. O argumento, embora bem apresentado, encerra, no sentido técnico do termo, uma falácia (repitase aqui: no sentido técnico do termo, já que a sua referência no presente artigo não constitui, de forma alguma, juízo de demérito de nenhum trabalho acadêmico), um raciocínio incorreto, porquanto, a nosso juízo, não se poderia, apenas na única perspectiva da norma insculpida no art. 195, inciso III, da Constituição Federal, chegar à conclusão a que se chegou. Antes de apresentar os motivos que nos levam a entender inválido o argumento, cabe ressaltar, aqui mais uma vez, que o conceito de ingresso financeiro corresponderia, na tese exposta, ao efetivo e definitivo (ao qual não corresponda uma obrigação) ingresso de recursos pecuniários derivados do exercício de atividade empresarial, excluindose, de conseguinte, as receitas que resultem de qualquer outra atividade, tal como os valores recebidos a título de crédito presumido de ICMS. Que o dispositivo constitucional avaliza a ideia da necessidade de haver efetivo ingresso de recursos financeiros na Seguridade Social, é coisa que ninguém dissente. Aliás, foi essa necessidade que conduziu o legislador constituinte a prever tantas fontes para a manutenção de seus múltiplos deveres. O que esse fato não está a autorizar é a de que também no contribuinte deve a receita representar ingresso efetivo de recursos financeiros, assim como não autoriza a ideia de que receita só é aquela que decorra da atividade empresarial. Vejamos. As falácias – os raciocínios que, embora prima facie possam parecer corretos, mas na verdade não o são – dividemse em falácias de ambiguidade e de relevância. As primeiras, como a sua denominação já indica, estão relacionadas à linguagem utilizada para construir o argumento; as segundas, com o fato de as premissas serem absolutamente irrelevantes para estabelecer a verdade da conclusão. Como se passa a comprovar, esta última encontrase plenamente configurada na tese aqui refutada. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 11 10 Não se pode analisar um caso particular e extrair dele uma regra geral como se todos os demais casos relativos à mesma matéria fossem idênticos, é dizer, não se pode estabelecer uma regra geral aplicável a todos os fatos típicos a partir de um fato inquestionavelmente atípico. É o que os estudiosos da Lógica denominam de falácia do acidente convertido ou da generalização precipitada1, sendo que a falácia do acidente, da qual deriva a aludida expressão, consiste em aplicar uma regra geral a casos particulares cujas características acidentais tornam a regra inaplicável (Exemplo: “O que você comprou ontem comerá hoje. Logo, se você comprou carne crua ontem comerá carne crua hoje”). Notese que, a partir de uma única regra constitucional – a que estabelece como uma das fontes de financiamento da Seguridade Social a contribuição incidente “sobre a receita de concursos de prognósticos” – os que defendem haver um conceito constitucional de receita, baseados no único e exclusivo fato de que a contribuição é retirada, neste caso, do volume total de apostas, constituindo, assim, como decorrência inarredável, efetivo ingresso de receita nos cofres da mencionada instituição (não há como a Caixa Econômica Federal deixar de recolher a contribuição aos cofres da Previdência), levam esta particular situação ao patamar de regra geral, em ordem a determinar que receita só pode representar o efetivo ingresso de recursos financeiros também na pessoa jurídica, quando os fatos que norteiam a sua tributação – as operações que esta realiza – nada têm a ver com concursos de prognósticos e com a forma de arrecadação da contribuição social sobre eles incidente (destaque do volume total de apostas, sem a necessidade de interposição do Fisco e sem depender da vontade exclusiva do apostador, incidindo as contribuições sobre um setor específico sem qualquer semelhança com o universo dos contribuintes e com as atividades por eles realizadas). E não é só: o fato de a receita constituir efetivo ingresso de recursos financeiros na pessoa jurídica não significa de modo algum que também assim deva configurarse a contribuição devida à Seguridade Social, porque depende, entre outros fatores, da vontade do contribuinte de adimplir a respectiva obrigação tributária. Portanto, em face de suas particularidades, as características que envolvem esta especial fonte de financiamento da Seguridade Social, porque atípica em relação às demais, a estas não podem ser estendidas, muito menos para estabelecer o conceito de receita a todas aplicado. O argumento é, com a devida vênia, inválido. (grifamos). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." 1 Copi, Irving Marmer. Introdução à lógica. 2ª ed. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1978, p. 83. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13204.000108/200490 Acórdão n.º 9303004.780 CSRFT3 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 515DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.908714/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2001
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.715
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 87 14 /2 00 9- 33 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 15374.908714/200933 Acórdão n.º 3201002.715 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.698. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 15374.908714/200933 Acórdão n.º 3201002.715 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15374.908714/200933 Acórdão n.º 3201002.715 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720067/2008-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 00 67 /2 00 8- 74 Fl. 209DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 22/01/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2201001.942 (fls. 158 a 168), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. DECADÊNCIA.O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 9202005.523 CSRFT2 Fl. 210 3 Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso." O processo foi encaminhado à PGFN em 07/05/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 169) e, em 08/05/2013 foi interposto o Recurso Especial de fls. 170 a 182 (Despacho de Encaminhamento de fls. 183). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 29/10/2015 (fls. 184 a 188). Cientificada em 11/11/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 194), a Contribuinte ofereceu, em 02/12/2015, as Contrarrazões de fls. 195 a 206). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. As Contrarrazões foram oferecidas intempestivamente, portanto não serão conhecidas. Com efeito, a Contribuinte foi cientificada em 11/11/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 194), vindo a apresentar as Contrarrazões somente em 02/12/2015 (carimbo às fls. 195), portanto fora do prazo de quinze dias, assinalado no art. 69, do Anexo II, do Ricarf. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Esclareçase, por oportuno, que foram indicados como paradigmas os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609, sendo que este último já foi examinado por este Colegiado e não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, no despacho de admissibilidade foi examinado o primeiro paradigma, considerado apto a demonstrar o dissídio interpretativo, sem qualquer óbice por parte desta Conselheira, de sorte que passase a examinar o mérito do apelo. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sem que sequer fosse Fl. 211DF CARF MF 4 anexada ao processo a respectiva tela extraída do sistema. A informação acerca do critério utilizado foi fornecida apenas em sede de decisão de Primeira Instância, que assim registrou: "Da análise do presente processo, verificase que a autoridade fiscal arbitrou para a 'Fazenda Nova Petrópolis' o VTN de R$ 1.216.064,52, calculado com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2003, para o município de Planaltina – GO, de R$ 837,51, e na área total de 1.452,0 ha, informada na correspondente DITR/2003 (fls. 01/07)." (grifei e sublinhei) Assim, constatase que o arbitramento do VTN foi levado a cabo com base no valor médio das DITR do município de localização do imóvel, sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendo se o VTN declarado pela Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 9202005.523 CSRFT2 Fl. 211 5 Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.911408/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.406
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 91 14 08 /2 01 1- 00 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o PIS/Pasep. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07031.519. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10925.911408/201100 Acórdão n.º 3302004.406 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.903339/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.980
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 39 /2 01 1- 10 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.507. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.903339/201110 Acórdão n.º 3302003.980 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901810/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE.
Segundo a Súmula CARF nº 82, a DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. ERRO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PROVA.
Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF não retificada, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo.
Numero da decisão: 1301-002.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE. Segundo a Súmula CARF nº 82, a DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. ERRO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PROVA. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF não retificada, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE. Segundo a Súmula CARF nº 82, a DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. ERRO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PROVA. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF não retificada, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 18 10 /2 00 8- 16 Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 710 2 Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Cumpridas as diligências determinadas em fls. 572/580, em atendimento à Resolução nº 1301000.371, aprovada em sessão de 05/07/2006, retorna a julgamento o recurso voluntário interposto por DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA. Naquela ocasião, consignouse o seguinte: “Trata o presente de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de conformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra despacho decisório que não homologou a compensação relativa ao PER/DCOMP n° 25495.23296.310304.1.3.042769, às fls. 126/130. Pela clareza do relatório do orgão a quo, às fls. 154/158, reproduzoo para, em seguida, adotálo: "Tratase de Declaração de Compensação eletrônica transmitida em 31/03/2004, por meio da qual pretendeu a interessada compensar CRÉDITO decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, apurado no período de abril de 2003, de valor original na data da transmissão da ordem de R$ 169.369,24, com DÉBITO próprio referente ao tributo IRPJ, PA 05/2003, conforme PER/DCOMP n° 25495.23296.310304.1.3.042769 de fls. 126/130. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, acostado às fls. 132, emitido em 18/07/2008, com número de rastreamento 775563769, não foi homologada a compensação declarada, nos termos a seguir transcritos: ……….. 2. IDENTIFICADOR DO PER/DCOMP PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO 25495.23296.310304.1.3.042769 DATA DA TRANSMISSÃO 31/03/2004 TIPO DE CRÉDITO Pagamento Indevido ou a Maior N'DO PROCESSO DE CRÉDITO 10882901.810/200816 3. FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 169.369,24 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 711 3 pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. CARACTERÍSTICAS DO DARF PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DA ARRECADAÇÃO 30/04/2003 2362 278.477,81 30/05/2003 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) PERDCOMP(PR)/ DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 3925085668 278.477,81 Db: cód. 2362 PA 30/04/2003 278.477,81 VALOR TOTAL 278.477,81 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 148.813,06 29.762,61 110.523,45 [....] Enquadramento Legal: Arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO . PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE ESTIMATIVA RECOLHIDA A MAIOR. PAGAMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA. Diante da decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado, cabe ao contribuinte anexar à sua defesa as provas documentais referentes aos fatos por ele alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 712 4 Direito Creditório Não Reconhecido” Interpôsse recurso voluntário em 18/08/2011, com a admissibilidade aprovada conforme Resolução nº 1802000.507, da 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, em sessão no dia 06/05/2014, às fls. 235/240 (da numeração eletrônica). De acordo com a síntese do Relator do recurso voluntário, o ilustre Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, alegouse “que a não homologação foi declarada sob o argumento – único – de que o pagamento do IRPJ foi integralmente vinculado a débito declarado em DCTF e, portanto, não estaria apto a gerar crédito”. A despeito disso, consoante a exposição do predito Relator, sustenta a Recorrente “que o IRPJ foi de fato pago a maior e que a informação incorreta em DCTF não pode afetar o direito creditório”. Nesse mesmo roldão, a Recorrente ainda “informa que a autoridade fiscal tinha plenas condições de extrair dos fatos a verdade material, tendo em vista a existência dos DARF demonstrando pagamento a maior, da DIPJ demonstrando o IR devido (de valor inferior ao dos DARFs), bem como de planilha demonstrando a recomposição dos valores após a compensação do crédito alegado”. (grifei) Impressionado com a tese da verdade material invocada, o Conselheiro Bueloni propôs, em seu voto, com a aprovação do colegiado, que o processo retornasse à “Delegacia da Receita Federal do Brasil competente para comprovar, à luz da DIPJ/2004, escrituração contábil e fiscal e documentação que lhe deu lastro, qual o saldo do crédito passível de compensação, se que o mesmo”, e que “elaborado o relatório fiscal, dar ciência à recorrente para sua manifestação, se interessar.” É o relatório. VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. De início, vale realçar que o Conselheiro Bueloni, em seu voto, construiu linha argumentativa com o apoio dos seguintes elementos fáticos e jurídicos: “a partir de 29 de outubro de 2004, a legislação tributária restringiu a utilização de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal na dedução do IRPJ a pagar do final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Assim, a partir dessa data, a ficha "Pagamentos " deverá ser preenchida com os dados de todos os pagamentos de imposto de renda efetuados pelo contribuinte, inclusive os pagamentos de estimativa de IRPJ efetuados indevidamente ou em valor maior que o devido.”; . “uma vez que a Declaração de Compensação em exame foi transmitida em 31 de março de 2004 (ainda sob a égide da Instrução Normativa n° 210/2002), devese acolher como válida a forma utilizada pelo contribuinte, qual seja, a de se utilizar como objeto de pedido de restituição e/ou compensação, as estimativas mensais de IRPJ.”; Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 713 5 . “é fato, ademais, que o valor da estimativa mensal de IRPJ comporia o saldo negativo do Imposto de Renda daquele período e, da mesma forma, seria passível de restituição e/ou compensação, trazendo, na prática, (ou, ao menos, deveria trazer) o mesmo resultado, independentemente da forma utilizada.” . “por fim, notase há nos autos elementos relevantes para análise do alegado crédito, quais sejam, o DARF de pagamento do IRPJ por estimativa, o lançamento do IRPJ devido na DIPJ de 2004, bem como planilha demonstrativa informando o valor do IRPJ devido em cada mês, o valor das estimativas mensais pagas, e, portanto, o valor do crédito de IRPJ que seria apurado no final do anocalendário, todos apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade.”; (grifei) . “é meu entendimento, que, em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório que, neste caso concreto, em tese, pode existir.” (grifei) . “e, se tiver a autoridade fiscal condições de apurar sua existência – neste caso, através da análise dos DARFs, da DIPJ e, subsidiariamente, da planilha demonstrativa apresentada pelo contribuinte, para preservação de todos os direitos invocados, talvez seja aconselhável fazêlo.” (grifei) Aqui, importa ter em conta que o Colegiado superou a barreira da preclusão temporal de que trata o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, aprovando o voto do Relator que, filiandose à tese da amplitude da verdade material (em relação à qual, pessoalmente, mantenho reservas), determinou a remessa dos autos à DRF com vistas à realização de exame do material probatório já acostado aos autos para, considerando a alegada causa de pedir e o pedido de compensação, elaborar relatório fiscal conclusivo quanto à pretensão da Recorrente, dandolhe ciência e facultando lhe as possibilidades efetivas ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Todavia, o Relator limitou o exame ao que já consta dos autos, incluindo o que se incorporou ao todo a partir da interposição do recurso voluntário, em respeito ao precitado princípio da verdade material. Com a descida dos autos à repartição competente, a DRF expediu a Intimação Seort nº 1.036/2014, à fl. 245 (numeração eletrônica), chamando a Recorrente a comprovar, em cinco dias, “através (sic) de cópias autenticadas de documentação contábil e fiscal onde está informado o valor efetivamente apurado da estimativa de IRPJ do mês de abril de 2003 no montante de R$ 109.098,58 e que também foi informado na DIPJ 2004 – anocalendário de 2003”, sob pena de não homologação da compensação. Por sua vez, a Recorrente, ao intento de cumprir a Intimação Seort nº 1.036/2014, reuniu farta carga documental às fls. 249/534 (numeração eletrônica), enviandoa à Delegacia com as prévias explicações sobre o motivo da entrega desse material, conforme fls. 247/248 (numeração eletrônica). Mais tarde, à fl. 540 (numeração eletrônica), junta outra petição, em 12/12/2014, requerendo a anexação aos autos dos documentos às fls. 544/546 (numeração eletrônica). No entanto, é visível que a Recorrente não demonstrou o esforço argumentativo necessário à defesa de seus objetivos. A tal respeito, restringiuse à entrega de simples mensagens, às fls. 247/248 e 540 (numeração eletrônica), sem o detalhamento dos Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 714 6 itens componentes das operações matemáticas ou contábeis que poderiam conduzir à determinação do crédito afirmado, revelandose despida do intento de orientar a auditoria da Receita Federal, que, por si só, deveria descobrir o crédito a que a Recorrente faz jus, em meio ao enorme volume de papeis apresentados, às fls. 249/534 (numeração eletrônica), entre planilhas e balancetes de centenas de páginas que nada, absolutamente nada, esclarecem. E os documentos às fls. 544/546, supracitados, embora em menor quantidade, padecem da mesma patologia que afeta os demais, anteriormente mencionados, no que diz respeito ao abandono dos esforços argumentativos, como se a Recorrente estivesse liberta do ônus de explicar e justificar em que bases se apoia sua pretensão. Por outro lado, a Intimação Seort nº 1.036/2014 não é clara o suficiente, pois o que se vê é o mero ato de requisitar, para fins de comprovação do crédito de R$ 109.098,58, a exibição de documentos que lastreavam a contabilidade e a escrituração fiscal. Faltoulhe assinalar que a comprovação de que cogitava dependia de informações, detalhes, explicações, tanto a respeito dos lançamentos na escrituração contábil e fiscal, como também da eventual movimentação de elementos patrimoniais e redituais, nos balanços e balancetes, ou da alocação dos itens em posições específicas nas planilhas a serem desenvolvidas, para exemplificar. A despeito dessa deficiência, percebese que o agente fiscal guardava a expectativa de que a Intimação Seort nº 1.036/2014, por ele lavrado, cumprira o labor exigível aos propósitos institucionais que o moveram. Não fosse assim, não teria proclamado o seguinte, à fl. 553 (numeração eletrônica), no despacho ao chefe, sobre a diligência que lhe coube empreender: “O interessado apresentou planilhas de composição do Lucro Real referente a todo o ano de 2003 (fl. 249/252), praticamente as mesmas apresentadas em sede de Recurso Voluntário (fl. 17/18), bem como seu Balancete Contábil de 2003 (fl. 254/396), documento esse que não comprova em nada o que foi solicitado na intimação. Enfim, os documentos apresentados não foram suficientes para atender à intimação. Também, comparando as planilhas apresentadas às fl. 17/18 com a DIPJ 2004 – anocalendário de 2003 (Ficha 11 – Linha 12) (fl. 548/552), verificase que os valores constantes como sendo imposto de renda a pagar nos meses de junho/2003 a agosto/2003 não estão em conformidade. Ante o exposto, proponho a manutenção do decisório de NÃO HOMOLOGAÇÃO da DCOMP nº 25495.23296.310304.1.3.04 2769.” (grifei) Perante tal conclusão, o chefe do Seort, com delegação de competência, decidiu manter o ato que não homologou a compensação pleiteada pela DCOMP nº 25495.23296.310304.1.3.042769, às fls. 553/554 (numeração eletrônica). Contudo, a Recorrente, a seu turno, esperava da DRF uma efetiva análise do conjunto probatório anexado aos autos, a teor de sua petição à fl. 560/563 (numeração eletrônica), visando à satisfação do indigitado princípio da verdade material, que emprestara fundamento à conversão do presente julgamento em diligência. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 715 7 Podese creditar ao déficit informacional implícito à Intimação Seort nº 1.036/2014 a resposta insuficiente dada pela Recorrente. Nesse momento, impende iluminar a importância da transparência e da convocação à colaboração do administrado para a legitimação das decisões estatais. A idéia a prevalecer, aqui, é a da participação democrática na formação da decisão administrativa. Com o impulso inicial do administrado, quando formulado o pedido na repartição pública, inaugurase a relação processual administrativa, a partir da qual surgem direitos, deveres, ônus, poderes e faculdades, uma complexa ligação entre a Administração e o administrado, composta, nos diversos momentos, de posições jurídicas ativas e passivas de cada um dos sujeitos1. E esses deveres, ônus, poderes e faculdades, que se desenvolvem no curso da relação jurídica processual, quer dizer, mediante processo, hão de conciliarse, inexoravelmente, com o ordenamento constitucional. Quando a lei autoriza o administrado a postular uma providência perante a Administração, diante de ambos estará posto, pelo próprio ordenamento, um conjunto de regras que estabelecem a dinâmica de uma realização progressiva, disposta em direção ao ato final de decisão, num encadeamento sucessivo de atos que guardam correlação com a sucessão daquelas posições jurídicas. Aí se vê a processualidade administrativa, uma conquista democrática que impõe a colaboração do sujeito interessado no resultado pretendido, fruto de “um constitucionalismo expandido, desenvolvido para instilar valores e processos legitimatórios e prestigiar a cidadania em todas as suas manifestações”2. Em prestígio à cidadania e para legitimar a tomada de decisões, a convocação à colaboração do administrado é um dever imposto à Administração, sempre que instada por aquele a lhe entregar certa providência. Consoante o inciso LV do artigo 5º da Carta Magna, o processo administrativo é uma garantia constitucional, um direito instrumental que viabiliza a participação democrática do administrado na construção de uma decisão justa. Segundo a doutrina, o processo administrativo instrumentaliza a tutela, de modo amplo, de quaisquer direitos cujo reconhecimento é subordinado a deferimento administrativo, ante a possibilidade de decisões injustas, o que o ordenamento quer evitar, desde o primeiro instante, assim que formulado o requerimento na repartição administrativa, ao canalizar tal atuação para um esquema procedimental de legitimação decisória, tendo em conta que a Administração Pública, pela superioridade de seu poder fático, não raramente dele se prevalece, ainda refém da cultura soberanosúdito, para imporse autoritária e unilateralmente. Por isso, nos tempos atuais de um substancial pluralismo político, ao longo dos quais sobrepujouse o espírito de uma democracia meramente formal de investidura3, o próprio governado, agora sob os influxos das preocupações de maximizar as vivências cotidianas do Estado Democrático, em ordem a concretizar os anseios jurídicopolíticos inscritos na Carta Republicana4, deve5 ser convocado a participar da decisão individual que o interessa, materializandose a democracia conglobante na qual se conjugam a democracia formal e a substantiva democracia de funcionamento, afinal se o ideal democrático contempla a visão do “governo do 1 Odete Meduar, A Processualidade no Direito Adminitrativo, Ed. Revista dos Tribunais, 1993, p. 27/28. 2 Diogo de Figueiredo Moreita Neto, Mutações do Direito Administrativo, Ed. Renovar, 2ª edição, p. 16. 3 As instituições democráticas não se limitam às intervenções eleitorias. Medauar (ob. cit, p. 85), recordando os ingleses Smith e Brazier, ressalta que a natureza democrática da Constituição pode ser testada pela "real oportunidade que o processo de decisão oferece, aos membos da população envolvidos pela decisão do processo." 4 CR/88: "Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:...." 5 Odete Medauar, ob. cit. p.85: "Se o vínculo entre o processo e a democracia já vinha sendo ressaltado pela doutrina constitucionalista, os administrativistas dedicados ao estudo do processo não deixaram de correlacionálo à democracia, como uma das searas mais fecundas à efetividade desta." Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 716 8 povo para o povo”, a sua colaboração na decisão individual é um modo de exercício desse poder.6 A colaboração do administrado, na construção da decisão que o afeta, pressupõe o direito ao contraditório, uma garantia que irrompe, no plano da existência jurídica, junto com o fato desencadeador da formação do processo, daí avançando à fase instrutória, ou “instrução contraditória”, nas palavras de Lafayette Pondé, em lembranças de Odete Medauar7, e, mais adiante, às etapas recursais. Por conseguinte, nas formulações administrativas para reconhecimento de direitos dos administrados, o contraditório é nascente logo nos primórdios da relação processual. Vale dizer que, desde o impulso inicial, tem o requerente o direito à informação clara, transparente, em consonância com o rigor da boafé, em sua compleição objetiva. Ao afastar o segredo de ofício, de uso historicamente frequente nos regimes antidemocrátricos, o ordenamento jurídico impõe o contraditório, que enseja a colaboração do interessado no conteúdo do ato final. Isso porque, na decomposição do contraditório, doutrina e jurisprudência encontram o binômio informação e possibilidade de reação, a demarcarem momentos distintos do contraditório. “A regra da informação geral significa o direito, atribuível aos sujeitos e à própria Administração, de obter conhecimento adequado dos fatos que estão na base da formação do processo, e de todos os demais fatos, dados, documentos e provas que vierem à luz no curso do processo.” 8 Portanto, é imprescindível sobrelevar a exigência de informação ampla e geral dos fatos que constituirão a base da formação da decisão administrativa, de modo a atender os predicados da transparência administrativa ampliada em sua máxima potencialidade, concretizandoa em conformidade com padrões razoáveis sem os quais a comunicação nada mais seria do que um formalismo estéril. Resulta, disso, a necessidade de amplificar as cautelas contra os vícios de comunicação, providência indispensável que incumbe ao administrador zeloso e consciente da nobre missão que desempenha, no exercício dos encargos da autotutela administrativa, assumindo o papel de guardião do respeito de seus concidadãos aos órgãos do Estado, na sustação dos efeitos nefastos que podem advir das suspeitas de que se privilegia o mistério9. O artigo 2º, parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784, de 1999, assegura, no plano do direito legislado, o direito à comunicação. Tal preceito reclama, por conseguinte, que se empreguem esforços razoáveis em prol da efetividade da comunicação, sob pena de se fazer letra morta da lei, com implicações sérias e injuriosas à Constituição Republicana de 1988, que prescreve o devido respeito à ampla defesa. Por essa razão, concebese que o déficit informacional da Intimação Seort nº 1.036/2014 é causa de sua invalidade, a ser declarada por este colegiado. Em face de tais pressupostos, não se deve também aproveitar a conclusão fiscal à fl. 553 (numeração eletrônica), nem o despacho decisório que ratificou a não homologação da DCOMP às fls. 553/554 (numeração eletrônica), por inválidos, uma vez decorrentes diretamente da viciada Intimação Seort nº 1.036/2014. Aliás, a decisão à fl. 553 (numeração eletrônica) já não tem validade independentemente do 6 Medauar, ob. cit. p. 84/85. 7 Ob. cit. p. 102. 8 Odete Medauar. ob. cit. p. 104. 9 STF. MS 28027 MC/DF, DJ 03/08/2009, Relator Min. Celso de Mello: "....No Estado Democrático de Direito, não se pode privilegiar o mistério, porque a supressão do regime visível de governo compromete a própria legitimidade material do exercício do poder. A Constituição republicana de 1988 dessacralizou o segredo e expôs todos os agentes públicos a processos de fiscalização social, qualquer que seja o âmbito institucional (Legislativo, Executivo ou Judiciário) em que eles atuem ou tenham atuado...." Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 717 9 vício antes indicado, pois a decisão confirmada pelo Chefe da Seort da DRF é exatamente aquela que está sob julgamento nesta instância. Em outras palavras, carecia o agente fiscal de autoridade para alterar ou ratificar o conteúdo decisório que já havia sido confirmado pela instância superior da DRJ, agora sob a sindicância jurisdicional do CARF. Em suma, devem ser anuladas a conclusão fiscal e a decisão de manter a não homologação, anexadas às fls. 553/554 (numeração eletrônica), esta última em obediência ao artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, e a primeira por derivação de ato anteriormente nulo (artigo 59, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972), por violação à ampla defesa e ao dever de transparência das comunicações, consoante o disposto no artigo 2º, parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784, de 1999, c/c artigo 5º, inciso LV, da Constituição da República em vigor. No entanto, a fim de se preservar a coerência com o princípio da verdade material, base normativa que ofereceu suporte ao ato decisional consubstanciado na Resolução nº 1802000.507, por meio da qual determinouse a diligência para a qual lavrouse a Intimação Seort nº 1.036/2014, devem ser preservados os documentos juntados aos autos em obediência à precitada Intimação. À vista do exposto, propõese o retorno dos autos à DRF/Santo André a fim de que, considerando a decretação de invalidade da Intimação Seort nº 1.036/2014, bem como da conclusão fiscal e do despacho ratificador às fls. 553/554, seja efetuado o exame do material probatório já acostado aos autos, inclusive dos documentos anexados em obediência à mencionada Intimação Seort nº 1.036/2014, para a apresentação de relatório fiscal conclusivo quanto à compensação pleiteada, com a enunciação do valor do crédito a que faz jus a Recorrente e do montante deste crédito que pode ser compensado com o débito de IRPJ referente ao período de apuração de maio de 2003, tendo em vista a alegada causa de pedir, dandolhe ciência das conclusões e dos respectivos fundamentos, facultandolhe, ainda, prazo razoável ao exercício do contraditório e da ampla defesa. É como voto.” O Colegiado aprovou a proposta de diligência referida no último parágrafo da transcrição acima, determinando a descida dos autos para a unidade local, que, a tal propósito, elaborou o despacho de fl. 696/697, no qual expressa o seguinte: “[...] O interessado, em resposta à Intimação Seort nº 1.191/2016, informa que todos os documentos que comprovam a apuração da base de cálculo do referido tributo já foram exaustivamente apresentados nos autos do presente processo administrativo. Sendo assim, para o atendimento da diligência, será dada atenção às planilhas de composição do Lucro Real referente ao ano calendário de 2003 apresentadas pelo interessado (fl. 249/252). Com base na DIPJ 2004, analisaremos os valores apurados das estimativas de janeiro/2003 a dezembro/2003 que comporão o valor informado na linha 17 da Ficha 12A (Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa), considerando que os demais valores informados nas fichas 11 e 12A estão corretos. Para isso, pesquisamos, através dos sistemas da RFB, as estimativas pagas e compensadas durante o anocalendário de 2003 (fl. 593/607), que serviram para a consecução da planilha de fl. 695. Verificamos que há estimativas que foram pagas/compensadas a maior e outras a menor que as apuradas na DIPJ. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 718 10 Portanto, não há como analisar individualmente a situação de determinada estimativa, no caso em comento, relativa ao período de apuração de abril/2003, que o interessado alega pagamento a maior. Dessa maneira, deve se verificar o resultado no ajuste, para se concluir se houve ou não pagamento a maior do imposto. (grifei) Assim, a linha 17 da Ficha 12A será composta pelos seguintes valores de estimativas, além dos valores do IRRF que foram deduzidos mês a mês. Valor a ser informado na linha 17 da Ficha 12A = Estimativa mensal + IRRF mensal Estimativa mensal → Se valor pago ou compensado for maior que o valor apurado na DIPJ, considerouse o valor apurado; se valor pago ou compensado for menor que o valor apurado na DIPJ, considerouse o valor pago ou compensado. Linha 17 = 91.750,07 (Apurada – jan) + 23.316,64 (IRRF jan) + 104.754,52 (Apurada – fev) + 46.043,70 (IRRF – fev) + 184.122,47 (Apurada – mar) + 14.156,63 (IRRF mar) + 109.098,58 (Apurada – abr) + 31.140,98 (IRRF – abr) + 52.435,57 (Paga/Compensada – mai) + 24.169,08 (IRRF – mai) + 134.750,14 (Paga/compensada – jun) + 51.627,08 (IRRF – jun) + 236.200,25 (Paga/compensada – jul) + 31.055,22 (IRRF – jul) + 212.458,22 (Apurada – ago) + 38.695,37 (IRRF – ago) + 352.147,95 (Paga/compensada – set) + 54.596,55 (IRRF – set) + 338.687,77 (Apurada = Paga/compensada – out) + 53.155,42 (IRRF – out) + 280.693,73 (Apurada = Paga/compensada – nov) + 35.394,64 (IRRF – nov) + 218.860,84 (Paga/compensada – dez) + 52.806,81 (IRRF – dez) = 2.772.118,23 Recompondose a Ficha 12A da DIPJ, verificamos que: Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 719 11 Houve apuração de imposto a pagar no montante de R$ 250.107,46 (Duzentos e cinqüenta mil e cento e sete reais e quarenta e seis centavos). Sendo assim, não há que se falar em pagamento a maior de estimativa relativa a abril de 2003, conforme alega o interessado na petição.” A recorrente, chamada a se manifestar em relação às conclusões das diligências, expôs o seguinte: “[...] com o devido respeito, o método adotado pelas dd. autoridades fiscais, utilizando a apuração anual para confirmar a exigência de crédito de estimativa mensal do IRPJ não pode ser aplicada no presente caso. Isso porque, como já exposto anteriormente, em vez de informar o pagamento indevido da estimativa mensal em sua DIPJ (o que levaria tal valor à composição do saldo negativo de IRPJ), a Requerente optou por informar em DIPJ somente o valor efetivamente devido da estimativa mensal. Assim, ato contínuo, a Requerente pleiteou a restituição do valor estimativa mensal indevidamente paga (diferença entre o valor pago e o valor devido informado em DIPJ), o que é objeto do presente processo. Por esta razão, ao realizar a análise da apuração anual da Recorrente, de fato não será encontrado crédito algum, tal como foi exaustivamente explicado nas peças anteriores, especialmente no item c da sua Manifestação de Inconformidade. Isso, no entanto, certamente não significa que não tenha havido um pagamento a maior da estimativa mensal de abril de 2003. Ainda, ao contrário do afirmado pelas dd. autoridades fiscais, é sim possível a análise pormenorizada mês a mês, pois: (i) na DIPJ consta claramente o valor devido para o mês de abril/2003, sendo que que as próprias dd. autoridades fiscais colocaram este valor em negrito no resultado de diligência ao transcrever todos os valores pagos mês a mês; e (ii) a Requerente que apresentou documentos demonstrando a apuração do IRPJ para o anocalendário de 2003, explicando detalhadamente a composição dos valores constantes na DIPJ, concluindo que o correto valor de débito de estimativa mensal para o mês de abril/2003 era de R$ 109.098,58. Assim, partindose do real valor devido a título de IRPJ em abril/2003 (R$ 109.098,58) e considerando o valor do DARF recolhido pela Requerente de R$ 278.477,81, chegase ao valor de R$ 169.379,23, que é exatamente a diferença compensável pleiteada pela Requerente no presente caso. Diante disso, a Requerente não pode concordar com o resultado da diligência, já que elaborada com base em metodologia incompatível com a controvérsia em questão (apuração anual e apuração mensal). Nesse cenário, a sociedade requer que os Ilustres Conselheiros reconheçam seu direito creditório, tendo em vista a reiterada recusa das dd. autoridades fiscais de analisar os documentos exaustivamente apresentados no curso do processo administrativo. Alternativa e subsidiariamente, a sociedade requer seja determinada nova diligência para que as autoridades fiscais analisem o direito creditório relativo ao mês de abril de 2003.” É o relatório. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 720 12 Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente recurso reúne os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Diz a recorrente que, em observância ao regime de apuração do IRPJ com base no lucro real anual, apurou estimativas mensais de IRPJ, durante o anocalendário de 2003, com base no cálculo que entendia correto. Alega, nesse cenário, que efetuou o recolhimento de R$ 278.477,81, a título de estimativa mensal de IRPJ, no mês de abril de 2003 (doc. 02 da manifestação de inconformidade). Posteriormente, introduziu esse valor como devido, em sua DCTF (doc. 03 da manifestação de inconformidade). No entanto, quando da revisão da apuração do IRPJ para fins de entrega da DIPJ, verificou que havia cometido equívocos, no cálculo das estimativas mensais de alguns dos períodos de 2003, assim gerando recolhimento a maior. Diante disso, menciona que declarou na DIPJ o valor efetivamente devido, a título de estimativas mensais (doc. 04 da manifestação de inconformidade) e, que, em seguida, intentou a recuperação dos valores recolhidos a maior (diferença entre o valor devido declarado em DIPJ e o valor efetivamente recolhido), mediante a apresentação de DCOMP (entre elas, a discutida no presente processo administrativo). Entretanto, salienta que, ao cabo do exame da DCOMP, as autoridades fiscais decidiram indeferir o pleito de restituição e, consequentemente, não homologar a compensação declarada, sob a única alegação de que o valor constante do DARF, indicado como origem do crédito pleiteado, teria sido integralmente utilizado na quitação do débito informado em DCTF. Tendo em vista a comprovação de seu direito creditório, a recorrente acrescenta que apresentou manifestação de inconformidade, quando, então, demonstrou, com documentos hábeis e idôneos, que realizara pagamento a maior de IRPJ, no mês de abril de 2003, o que lhe daria o direito a restituição e/ou compensação do valor pago a maior. Nessa oportunidade, reconheceu o equívoco em sua DCTF, apresentada com base no cálculo original da estimativa de IRPJ e não retificada. Em complemento, informou que a apuração correta da referida estimativa mensal havia sido incluída na DIPJ do anocalendário de 2003. Contudo, as autoridades julgadoras mantiveram integralmente o Despacho Decisório impugnado, sob o argumento de que o pagamento de IRPJ foi integralmente vinculado ao débito informado em DCTF e, ainda, que a recorrente não teria apresentado provas de que os valores informados em DIPJ estariam corretos. Na presente instância, a recorrente assinala que a base de cálculo apurada, mediante balancete de redução, bem como o valor da estimativa mensal de IRPJ devido neste período, foram regularmente declarados na DIPJ entregue no anocalendário de 2004. Dessa forma, seria possível constatar que efetuara recolhimento a maior, no valor de R$ 169.379,23, importância essa utilizada na DCOMP, em exame para a liquidação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Agora, a recorrente aduz que a existência de DARF, no valor de R$ 278.477.81, e a informação em DIPJ de débito de estimativa mensal de R$ 109.098,58, são suficientes para que se verifique a existência do crédito em exame. Porém, levando em conta o comentário das autoridades julgadoras no sentido de que não teriam sido apresentados os documentos comprobatórios da regularidade dos valores informados em DIPJ, apresenta Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 721 13 planilha gerencial elaborada para fins de apuração do IRPJ no curso do anocalendário de 2003 (doc. 02). Segundo a recorrente, especialmente com relação ao mês de abril de 2003, tal planilha demonstra que (i) apurou lucro contábil de R$ 9.627.342,20; (ii) após as adições e exclusões previstas na legislação, apurou lucro real de R$ 2.509.768,77; (iii) apurou IRPJ no valor de R$ 376.465,31 e adicional no valor de R$ 242.976,88 e (iv) apurou IRPJ a pagar no valor de RS 109.108,57. A recorrente ressalta que a diferença de R$ 10,01 entre o valor de IRPJ informado como devido, em DIPJ, e o valor obtido na apuração interna do imposto (de R$ 109.098,58 para R$ 109.108,57), não afeta o recolhimento dos débitos exigidos através do presente processo administrativo, pois utilizou o crédito de IRPJ no valor de R$ 169.369,24, tal como se verifica da DCOMP em análise, e não no valor de R$ 169.379,23, resultante dos valores indicados em sua DIPJ. Dessa forma, não se vê qualquer empecilho para o reconhecimento do crédito de IRPJ no valor original de R$ 169.369.24. correspondente à diferença entre o valor recolhido a título de estimativa mensal do mês de abril de 2003 e o valor efetivamente devido. A recorrente destaca que, após longa discussão sobre a forma de recuperação de valores de estimativas mensais pagas a maior, as próprias autoridades fiscais reconheceram a possibilidade de, até 29 de outubro de 2004, as pessoas jurídicas pleitearem diretamente a restituição e/ou compensação de estimativas mensais pagas indevidamente ou a maior, sem a necessidade de inclusão desses valores na formação de saldo negativo de IRPJ. Assim, anota que providenciou a transmissão da DCOMP em 31 de março de 2004 (ainda sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 210/2002), motivo por que deve ser afastada qualquer possibilidade de recusa à compensação pretendida, ao argumento de que estimativas mensais de IRPJ são insuscetíveis à restituição e/ou compensação Com efeito, consolidouse na jurisprudência administrativa o entendimento assentado na Súmula CARF nº 84, de acordo com o qual o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Em face do exposto, impõese a solução de questão prejudicial a respeito da existência de pagamento indevido ou a maior do que o devido. Caso se constate a efetivação da entrega de numerário não exigida pela lei tributária que determina o recolhimento por estimativas, ou de valor superior ao que resultar, nos termos da lei tributária, dos cálculos do recolhimento por estimativa, aí então será possível concluir que há indébito suscetível à restituição ou à compensação. In casu, a recorrente optou pela tributação do lucro real anual e recolhimentos por estimativa calculados com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, na forma do artigo 35 da Lei nº 8. 981/1995: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 722 14 b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do anocalendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo.” Afirma a recorrente que os cálculos dos recolhimentos por estimativa são aqueles constantes na DIPJ do anocalendário de 2004. Entretanto, o valor informado em DCTF não corresponde, para a apuração referente ao mês de abril/2003, aos cálculos lançados na DIPJ. Além disso, confessa que a citada DCTF não foi retificada. Portanto, percebese que há outra questão prévia a ser decidida, agora em torno da prevalência de um documento sobre o outro, para fins de definição do valor devido. Ou a DCTF ou a DIPJ. Como é assente, a DIPJ é um instrumento de prestação de informações para o Fisco federal, quanto a diversos tributos de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas não se presta à constituição do crédito tributário, conforme posição jurisprudencial já fixada na Súmula CARF nº 82: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” A DCTF, por sua vez, instrumentaliza a confissão de dívida, em consonância com o disposto no § 1º do artigo 5º do Decretolei nº 2.124/1984,verbis: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito A Portaria MF nº 118/84 delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para instituir a aludida declaração. Portanto, em face da natureza constitutiva da DCTF, a recorrente poderia, ela mesma, por ato voluntário, retificar a informação inserida no documento anterior. Isso porque a DCTF retificadora, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da DCTF originalmente apresentada, a teor do artigo 18 da Medida Provisória nº 2.18949, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 723 15 declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” Há de se ter em mira, na espécie, que o ato jurídico da entrega da DCTF tem eficácia, surtindo efeitos de imediato. Por outro lado, a unidade local informa, em resposta a este Colegiado, que não há “como analisar individualmente a situação de determinada estimativa, no caso em comento, relativa ao período de apuração de abril/2003, que o interessado alega pagamento a maior”. Considerando todos os elementos fáticos presentes nos autos, à luz da legislação aplicável, não se pode negar validade ao valor confessado em DCTF, já que a própria recorrente preferiu não retificar a declaração anterior. De outra sorte, a revisão realizada pela Administração Tributária implicaria execução de procedimento de auditoria contábil e fiscal para suprir a inércia da recorrente, que podia e devia, nas circunstâncias relatadas, providenciar antecipadamente a expedição de DCTF retificadora. Na verdade, o não exercício da retificação da DCTF gera a presunção de que o crédito tributário confessado é o que deve ser cobrado. A rigor do artigo 111 do Código Civil vigente, “o silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa”. Obviamente, o silêncio da recorrente importou, para o Fisco, o prosseguimento da expectativa de que arrecadará o valor declarado, e não outro. Sem dúvida, não desconheço que o relator anterior, o exConselheiro Bueloni, delineara a admissibilidade do valor constante da DIPJ, independentemente da eficácia jurídica da DCTF, de acordo com o trecho reproduzido abaixo, no qual se descreve sua linha de raciocínio: “por fim, notase há nos autos elementos relevantes para análise do alegado crédito, quais sejam, o DARF de pagamento do IRPJ por estimativa, o lançamento do IRPJ devido na DIPJ de 2004, bem como planilha demonstrativa informando o valor do IRPJ devido em cada mês, o valor das estimativas mensais pagas, e, portanto, o valor do crédito de IRPJ que seria apurado no final do anocalendário, todos apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade.”; (grifei) . “é meu entendimento, que, em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório que, neste caso concreto, em tese, pode existir.” (grifei) “e, se tiver a autoridade fiscal condições de apurar sua existência – neste caso, através da análise dos DARFs, da DIPJ e, subsidiariamente, da planilha demonstrativa apresentada pelo contribuinte, para preservação de todos os direitos invocados, talvez seja aconselhável fazê lo.” De início, estava propenso a seguir a trilha apontada pelo Conselheiro que me precedeu na relatoria. Porém, reflexões ulteriores conduziramme à visão distinta. Isso porque a verificação do montante que a recorrente declara ser o correto exigiria, em face da documentação acostada, não o simples cotejo de informações, mas o volumoso trabalho de Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10882.901810/200816 Acórdão n.º 1301002.482 S1C3T1 Fl. 724 16 aferir o valor correto da estimativa de abril de 2003, calculandoo com base em balanço de suspensão e redução, com transferência para o Fisco do ônus da prova. Esta Turma já decidiu no mesmo sentido, a teor da ementa do acórdão nº 1301002.242, prolatado na sessão de março de 2017, na relatoria do Ilustre Waldir Veiga Rocha: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF e em DIPJ, não retificadas, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo." Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 724DF CARF MF
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