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Numero do processo: 10120.000152/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Recurso Voluntário Provido.
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PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 01 52 /2 00 8- 65 Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.452 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 30.891 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF) (fls. 664/679), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.055.9185. A lavratura em questão referese a exigência de contribuições da empresa para a Seguridade Social, inclusive RAT,.e para outras entidades ou fundos. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 54/62, as contribuições foram apuradas por aferição indireta, com base na área construída e padrão da obra, em razão das irregularidades verificadas na contabilização da obra CEI n.º 5002466561/71, as quais podem ser assim resumidas: a) a empresa não contabiliza os fatos geradores em títulos próprios de sua contabilidade. Cita como exemplo a conta 5.1.65.0003.00002 (Serviços de Terceiros — PJ), na qual houve lançamentos de adiantamentos de salário a funcionários nas datas de 10/10/2006, valor de R$600,00 e 06/11/2006, no valor de R$2.220,00 e valores lançados com aquisições de materiais aplicados na obra, sendo várias notas fiscais mercantis da empresa Kamila Materiais p/ Construção e da empresa Rebolixas Comércio de Abrasivos LTDA conforme planilha extraída da contabilidade (fls. 18/46) apresentada em meio digital e cópias das notas fiscais mercantis apresentadas; b) na mesma conta 5.1.65.0003.00002 (Serviços de Terceiros — PJ), houve lançamentos de notas fiscais avulsas de serviços prestados por pessoas físicas, conforme discriminado no relatório fiscal (fls. 55/56); c) a empresa também deixou de atender ao principio contábil do registro em regime de competência, ou seja, as despesas realizadas em um determinado mês, mesmo que pagas em competências seguintes, devem ser registradas no mês de efetiva realização, citando como exemplo a Nota fiscal da empresa Goiás Artefatos de Cimento LTDA, São Paulo Concreto e Artefatos de cimento LTDA e Orca Construtora e Concretos LTDA, contabilizadas na conta de material aplicado em datas bem posterior ao de sua emissão conforme notas fiscais e planilha constantes às fls. 81/199. Da mesma forma, a empresa contabilizou as NFs 8.232; 8,234; 8.235 e 8,236, emitidas em 16/10/2006 e 17/10/2006 pela soma total destas em 13/11/2006. d) detectouse notas fiscais não contabilizadas, fornecendo como exemplo a NF 01263 de 30/09/2006 (Orca Construtora e Concretos) no valor de R$4.401,50, assim como a NF 277 emitida pela empresa São Paulo Concreto e Artefatos de Cimento LTDA em 29/11/2006, no valor de R$330,00, não localizadas em sua escrituração contábil; e) verificação de divergências entre valores informados em folha de pagamento, quando comparados com os valores de remuneração informados na escrita contábil, assim como em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, conforme demonstrado (quadro constante à fl.57). Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 As falhas contábeis deram ensejo à lavratura do Auto de Infração n.º 37.055.9169, por falta de escrituração de fatos geradores em títulos próprios, e do Auto de Infração n.º 37.055.9177, este pela apresentação de documento com informação divergente da realidade. Cientificada em 21/12/2007, a notificada contestou o lançamento, por meio do instrumento de fls. 260/294. Não tendo as razões defensórias sido acolhidas pela DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 684/724, no qual, inicialmente argumentou que o recurso deve ser conhecido independentemente da efetivação de depósito prévio. Depois, em síntese, passou a tratar dos pontos abaixo mencionados. Não cabimento da aferição indireta É inverídica a alegação de que o sujeito passivo não teria colaborado com a fiscalização, posto que sempre disponibilizou sua documentação, como se percebe pelo fato da sua contabilidade ter sido examinada durante a auditoria. Os seus pedidos para que o processo fosse baixado em diligência foram ignorados, o que representa ferimento ao seu direito à ampla defesa, posto que havia necessidade de que fossem pesquisados documentos em empresas que lhe prestaram serviço, bem como a produção de outras provas, inclusive perícias contábeis e de engenharia. Afirma que os lançamentos em que houve erro são de pequena monta, posto que de um total de 1.251 lançamentos contábeis no período, apenas 19 foram apontados como falhos pela fiscalização e destes apenas 13 foram identificados como pagamentos a pessoas físicas, escriturados como pagamentos a pessoas físicas. Argumenta que a falta de desconto de adiantamentos efetuados a empregados causou prejuízo apenas à recorrente, não tendo havido redução na base de cálculo das contribuições, portando, os cofres públicos nada sofreram. As notas fiscais emitidas pela empresa Kamila Materiais para Construção Ltda, ao contrário do que afirmou o fisco, foram contabilizadas, embora em contas distintas, conforme comprovam os documentos juntados. Isso prova que não houve alteração no custo total da obra. A nota fiscal da Rebolixas Comércio de Abrasivos foi emitida somente em 27/02/2007, portanto, após a conclusão da obra, por esse motivo foi contabilizada na conta de obras concluídas (3.1.01.001.00002). A omissão na declaração de serviços prestados por pessoas físicas quando muito daria ensejo à cobrança de contribuição a alíquota de 20%, nunca no patamar exigido na NFLD. Advoga que, sendo optante pela sistemática do lucro presumido, poderia utilizar o regime de caixa para contabilizar as suas despesas. Além de que os lançamentos em datas posteriores à emissão das notas fiscais não são indício de que a empresa tenha tentado dificultar o trabalho do fisco ou obter algum benefício com relação ao pagamento de tributos. Ocorre que os lançamento foram efetuados no mesmo exercício fiscal da emissão das notas, não se verificando qualquer prejuízo aos cofres públicos. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.453 5 A nota fiscal emitida pela empresa ORCA Construções e Concretos Ltda de fato não foi contabilizada. Por equívoco foi registrada na contabilidade de outra empresa, onde os impostos e contribuições foram devidamente recolhidos, além de que não há de se falar em retenção, haja vista que é nota mercantil. A nota fiscal número 277, emitida em 29/11/2006, no valor de R$ 330,00, pela São Paulo Concretos e Artefatos de Cimento Ltda, foi lançada corretamente, na rubrica de materiais aplicados (5.1.65.0001.00001), quem se equivocou foi o fisco que se confundiu com o nome de fantasia da empresa (CSV Blocos Santa Vitória). O fato das informações prestadas na GFIP divergirem das informações contábeis não desclassifica a escrita contábil, que é formal e regular. Para isso, bastaria exigir a conciliação destas informações com base no diário contábil. Mais uma vez, a Fiscalização não deu oportunidade de ajustar corretamente as informações. Outra forma de resolver a incorreção seria determinar a contribuição devida gerada pelas discrepâncias, jamais desconsiderar a contabilidade na íntegra. Após a finalização da obra, a recorrente necessitou de proceder a reparos na mesma, motivo pelo qual contratou a empresa MM PINTURAS E REVESTIMENTOS ACRiLICOS LTDA, NF 175, emissão 07/05/2007, no valor de R$1.036,00, ocasião em que procedeu à retenção e respectivo recolhimento. Do procedimento efetuado Existe uma gritante contradição entre os dados informados pela empresa mediante a "DISO" e os dados constantes no "ARO" expedido pela fiscalização. A obra foi equivocadamente enquadrada como "comercial andares livres padrão alto" quando o correto seria "galpão". A autoridade lançadora inobservou as características próprias da empresa no que diz respeito às técnicas de construção e índices de produção. Não esquecendo dos inúmeros equívocos técnicos facilmente detectados no sistema adotado pelo INSS para aferição indireta de salários. O procedimento adotado feriu a norma do art. 472 da IN SRP n.º 03/2005, na medida em que deixou de lado a contabilidade da empresa para apurar as contribuições devidas por um método impreciso. Isso porque a recorrente possui escrita contábil regular e formalizada. Em momento algum foi observado que a fiscalizada possui alta tecnologia no ramo da construção civil, o que diminui há um só o tempo o custo da obra, como também a quantidade de mãodeobra, dai porque o principio in dubio prócontribuinte foi totalmente ignorado. Farta é a jurisprudência que repele a adoção da aferição indireta das contribuições quando o fisco dispõe de elementos suficientes para apurar a base de cálculo. Apresenta outros argumentos para demonstrar que a aferição da base de cálculo das contribuições pelo "Método CUB" é irreal e inadequado, principalmente quando se Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 observa que o sistema construtivo por ela utilizado é altamente produtivo e avançado tecnologicamente não podendo ser comparado aos métodos de construção tradicionais. Apresenta arrazoado sobre as técnicas de trabalho que utiliza. Afirma que a contribuição ao INCRA não pode ser exigida das empresas urbanas. Insurgese contra a contribuição destinada ao SEBRAE posto que é integrante do segmento das pequenas e microempresas. Advoga que a taxa Selic não pode ser utilizada para fins tributários. A multa de mora no patamar que foi aplicada fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, assumindo feição confiscatória. Ao final, requereu que: a) seja deferido efeito suspensivo ao recurso voluntário interposto; b) seja o recurso voluntário conhecido e provido para que o Auto de Infração seja havido como insubsistente, arquivandose definitivamente o processo administrativo correspondente; c) seja apreciado o pedido o deferimento de produção de todas as provas em direito permitidas, especialmente, oitiva de testemunha, perícia contábil e perícia de engenharia civil; d) requer seja o processo administrativo baixado em diligência para que determine as empresas C B Ferreira Ltda (Alameda Tupinambás, s/n, Qd. 4, Lt. 23, Bairro Morumbi, Nerópolis — GO.) e, DINIZ E SOARES LTDA (Rua Prudente de Morais, n. 144, Qd. 15, Lt. 28, Jardim Vila Boa, Goiânia — GO.), para que apresentem as folhas de pagamento e GFIP's do período da obra em questão; É o relatório. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.454 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Cabimento da aferição indireta O sujeito passivo asseverou que não há justificativa legal para desconsideração de sua contabilidade, de modo que não deve prevalecer o arbitramento das contribuições lançadas, além de que não houve recusa em apresentar todos os elementos requeridos pela Autoridade Fiscal. Façamos um breve passeio acerca da legislação que dá guarida à aferição indireta da remuneração para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. A legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que fisco justificou a adoção da aferição indireta em falhas contábeis que podem ser resumidas em: a) contabilização de adiantamentos a empregados e pagamentos a pessoas físicas em conta própria para registro de serviços de pessoas jurídicas; a) desrespeito ao regime de caixa; b) falta de contabilização de duas notas fiscais; c) divergência entre os valores declarados na GFIP, folha de pagamentos e contabilidade para a obra em questão. Os erros apontados quanto à escrita contábil foram punidos com a aplicação de multa em dois autos de infração, conforme mencionado no relatório deste voto. Uma pergunta, todavia, mostrase pertinente nesse momento: essas infrações seriam suficientes para que toda a escrita contábil fosse desconsiderada e as contribuições fossem apuradas por aferição indireta? Fazendose uma interpretação sistemática entre as disposições previstas nos §§ 3. e 4. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, podese chegar a conclusão de que é prerrogativa do fisco a utilização da aferição indireta para se calcular o montante das remunerações pagas para execução de obra de construção civil, desde que o sujeito passivo não apresente os documentos necessários ao cálculo da contribuição devida ou os apresente com deficiência. Nessa toada, somente cabível a aferição indireta do saláriodecontribuição quando o fisco se veja impossibilitado de apurar as remunerações com base nos documentos apresentados pela empresa. Na espécie, não se registrou a falta de apresentação de documentos necessários à quantificação da mãodeobra, eis que foram disponibilizados os livros contábeis, folhas de pagamento, GFIP, recibos e notas fiscais, todos com vinculação inequívoca à obra. A meu ver de posse desses elementos o fisco teria total possibilidade de aferir a base de cálculo, a prova é que no relatório fiscal, fl. 57, há um quadro onde são apresentadas as remunerações constantes na contabilidade, nas folhas de pagamento e nas GFIP, sem que se perceba significativa divergência entre os números, a exceção da competência 01/2007, onde o valor contabilizado é aproximadamente 6 vezes maior que as outras, que coincidem. (...) Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.455 9 Mesmo com essa divergência, entendo que o fisco poderia ter feito a apuração tomando como base o valor contábil, caso a empresa não demonstrasse a ocorrência de algum equívoco. Todavia a desconsideração total da contabilidade em razão da ocorrência de falhas em 19 dos 1.251 lançamentos contábeis mostrase desarrazoada, até porque as falhas foram punidas com aplicação de dois autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias. Um dos pressupostos legais que autorizam o arbitramento é que o fisco demonstre a existência de remuneração não formalizada para execução da obra, nos termos do § 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. A meu ver esse fato não se configurou posto que a autoridade lançadora pode analisar toda a documentação relativa ao pagamento de remunerações, não deixando claro quais os valores deixaram de ser formalizados. Podemos concluir, então, que, malgrado o fisco tenha apresentado indícios de irregularidades, não se desincumbiu do dever de demonstrar a ocorrência dos pressupostos necessários a autorizar a apuração das contribuições por arbitramento. Nessa toada, é de se declarar a improcedência do lançamento, posto que o fisco dispunha dos elementos necessários a reconstituição dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Sobre essa questão há precedentes do CARF no sentido de que falhas contábeis que não interfiram na apuração das contribuições previdenciárias não podem ser tomadas como motivo para desconsideração total da contabilidade, com consequente apuração das contribuições por arbitramento. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/01/2003 AFERIÇÃO INDIRETA. CUB Não se pode adotar o método excepcional da aferição indireta sob o argumento de imprestabilidade da contabilidade apresentada, quando ocorridos meros equívocos em contas contábeis que em nada dizem respeito à apuração dos salários pagos pela execução de obra de construção civil. (Acórdão n. 2301003.016 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 16/08/2012) ................................................................................................ ........ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a sua devida motivação, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento.(...) (Acórdão n. 2401002.221 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 20/01/2012) ................................................................................................ ......... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2003 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, PELO FISCAL AUTUANTE, DA PRESENÇA DOS REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. Apesar do método da aferição indireta ser uma prerrogativa do Fisco para os casos em que a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, quando da lavratura do auto de infração deve ser demonstrada a presença de todos os requisitos indispensáveis para a sua validade, além da juntada dos documentos que orientaram a Autoridade Fiscal, e a apresentação de relatório fiscal devidamente fundamentado com todos os fatos que levaram à desconsideração da contabilidade da empresa, elementos estes que serão importantes para a defesa do contribuinte, não bastando a simples menção de que algumas notas fiscais ou folhas de pagamento não foram contabilizadas. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E NO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A base de cálculo e o cálculo do montante devido constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de métodos que resultem em base de cálculo incerta e duvidosa constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso voluntário provido. (Acórdão n. 2402002.126 – 4.ª Câmara /2.ª Turma Ordinária, de 30/09/2011). Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10120.000152/200865 Acórdão n.º 2401003.885 S2C4T1 Fl. 1.456 11 De se concluir que a apuração por arbitramento das contribuições relativas à obra CEI n.º 5002466561/71 não deve prevalecer, posto que a justificativa do fisco para desconsideração da contabilidade se funda em falhas que não impedem a apuração do salário decontribuição com base nos documentos apresentados e na própria escrita contábil. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13850.000023/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/10/2005
COMPENSAÇÃO COM SUPOSTO CRÉDITO DEMONSTRADO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR. ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO. PROVAS ADMISSÍVEIS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal aceita todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, ela esteja corroborada por indícios sérios e consistentes.
RETIFICAÇÃO DAS DCTF CORRESPONDENTES. INDÍCIOS DE AUTORIA SUBSISTENTES. Provada está a conduta punida se o contribuinte, embora alegue desconhecer a compensação formalizada, nada esclarece acerca das retificações correlatas promovidas em DCTF, e limita-se a indicar que os débitos compensados permaneceriam contabilizados como obrigações tributárias, e deveriam ter sido consolidados no PAEX, providência inviabilizada em razão da inexistência de saldo a pagar em DCTF, após as retificações mencionadas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TERCEIRO. INEXISTÊNCIA DE CESSÃO DE CRÉDITO. FALSIDADE EM DCOMP TRANSMITIDA POR MEIO ELETRÔNICO. IMPOSSIBILIDADE. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos de terceiros, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%.
CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA ANTES DA LEI N° 11.196, DE 2005. Aplica-se a penalidade vigente à época da infração se a alteração posterior, no que tange à compensação com créditos de terceiros, apenas restringiu a hipótese de sua incidência aos casos em que efetivamente provada a fraude, e tal circunstância está demonstrada nos autos.
Recurso Voluntário Improvido.
Numero da decisão: 1102-000.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo de Assis Guerra, que reduziam o percentual da multa para 75% nos termos da redação dada pela Medida Provisória nº 252, de 2005, ao art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO. PROVAS ADMISSÍVEIS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal aceita todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, ela esteja corroborada por indícios sérios e consistentes. RETIFICAÇÃO DAS DCTF CORRESPONDENTES. INDÍCIOS DE AUTORIA SUBSISTENTES. Provada está a conduta punida se o contribuinte, embora alegue desconhecer a compensação formalizada, nada esclarece acerca das retificações correlatas promovidas em DCTF, e limitase a indicar que os débitos compensados permaneceriam contabilizados como obrigações tributárias, e deveriam ter sido consolidados no PAEX, providência inviabilizada em razão da inexistência de saldo a pagar em DCTF, após as retificações mencionadas. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TERCEIRO. INEXISTÊNCIA DE CESSÃO DE CRÉDITO. FALSIDADE EM DCOMP TRANSMITIDA POR MEIO ELETRÔNICO. IMPOSSIBILIDADE. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos de terceiros, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA ANTES DA LEI N° 11.196, DE 2005. Aplicase a penalidade vigente à época da infração se a alteração posterior, no que tange à compensação com créditos de terceiros, apenas restringiu a hipótese de sua incidência aos casos em que efetivamente provada a fraude, e tal circunstância está demonstrada nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 00 00 23 /2 00 9- 00 Fl. 965DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo de Assis Guerra, que reduziam o percentual da multa para 75% nos termos da redação dada pela Medida Provisória nº 252, de 2005, ao art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo de Assis Guerra. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à multa isolada por compensação indevida, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 3.053.980,69, em virtude da apresentação em 05/10/05 de Declaração de Compensação — DCOMP n° 40771.53800.051005.1.3.048231, com o objetivo de extinguir débitos de Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Na folha de continuação do Auto de Infração de fls. 02/09, a autoridade lançadora assevera que o contribuinte apontou na DCOMP, como origem do crédito, processo administrativo que não pertence ao interessado, e sim à empresa TI Brasil Ind. E Com. Ltda. Questionada, esta empresa negou a existência de qualquer cessão de crédito à fiscalizada. Consta também da Descrição dos Fatos que a empresa fiscalizada, no curso do procedimento fiscal, negou a existência da compensação em referência, informando que todos os impostos devidos pela empresa estão declarados em DCTF e que os não pagos deveriam ter sido consolidados no PAEX. Todavia, constatou o fiscal autuante que os referidos débitos foram declarados em DCTF como compensados em razão da DCOMP em epígrafe, apresentandose como supostamente quitados. Concluiu a autoridade lançadora que o interessado prestou informação falsa à esta Secretaria, informando possuir, para compensação de débitos próprios, crédito tributário (inexistente de fato), o que caracteriza a ocorrência de fraude. Em seu entendimento, objetivava o interessado, por meio de compensação com créditos fictícios, evitar Fl. 966DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 4 3 o pagamento de seus débitos, modificandolhes uma de suas características essenciais, qual seja, sua exigibilidade. Ressaltando que a caracterização da compensação como não declarada se fez nos termos do Parecer SEORT n° 13884.513/2008 (processo de representação n° 13850.000133/200882), a autoridade lançadora promoveu a exigência da multa no percentual previsto no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430/96, em sua redação original, aplicado sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, alterada pela Lei no 11.051/2004. Cientificado da exigência em 10/06/2009 (fl. 49), o contribuinte, por seu advogado e procurador, apresentou em 10/07/2009 impugnação de fls. 51/74, acompanhada dos documentos de fls. 75/100, na qual alega, em síntese, o que segue: • Relata que a fiscalização presumiu que o sujeito passivo efetuou a compensação referida, vinculada a processo administrativo de outra empresa, o que ensejou a aplicação do disposto no art. 74, §12, II, a da Lei no 9.430/96, bem como a aplicação de multa agravada no percentual de 150%, em função da presunção de fraude, desconsiderando as informações da empresa de que desconhecia o pedido de compensação, pois todos os débitos estavam declarados em DCTFS, com pedido de parcelamento consolidado no PAEX ou aguardando nova oportunidade de parcelamento. • Descreve suas atividades para demonstrar sua ilibada reputação, até porque atuando na guarda e conservação de mercadorias pertencentes a terceiros, a Impugnante necessita estar em dia com suas obrigações fiscais, pois da confiança de seus clientes e instituições depende sua sobrevivência. • Opõese à imputação de fraude pois jamais requereu ou forneceu dados a terceiros que pudesse requerer qualquer tipo de compensação, lícitas ou ilícitas, portanto não se sente responsável por qualquer processo nesse sentido. • Aduz que pediu vistas ao processo, acesso que lhe foi negado pelo Sr. Auditor Fiscal afrontando o direito constitucional de ampla defesa e do contraditório. • Além disso, o auditor responsável não informou no Auto de Infração que a empresa apresentou junto com a mesma Declaração, o Balanço Patrimonial de 2005 que destaca o passível tributário objeto de parcelamento solicitada ou a solicitar; Entende, assim, ser possível avaliar o constrangimento causado pelo Sr. Auditor Fiscal ao autuar a empresa, imputando penalidades com fundamentado em presunção de sonegação fiscal e fraude, violando os princípios da legalidade e da tipicidade tributária. • Expõe seu entendimento fundamentado em doutrina quanto à necessidade de caracterização do dolo para configuração da sonegação, fraude ou conluio, os quais classificam como formas Fl. 967DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 5 4 diversas de evasão de divisas e tributos de forma ilícita. Conclui, daí, que o que se pretende com a prática realizada pelo Auditor Fiscal, é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta, ou mediante ficção jurídica, contrariando a doutrina e a jurisprudência inerentes ao direito tributário, o que nem mesmo a lei poderia fazer. • Desrespeitados teriam sido os princípios constitucionais norteadores e limitadores do exercício do poder de tributar, como os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação. E neste contexto, não há como prevalecer uma imputação duvidosa. Em suma, no Sistema Tributário Brasileiro, não há lugar para a imputação das chamadas "infrações presumidas ". • Subsidiariamente, afirma que mesmo que a impugnante tivesse se aventurado a cometer a suposta fraude, a multa agravada de 150% não seria aplicável, em razão do disposto no art. 90 da Medida Provisória n 2.158/2001 e da ausência de disposição legal específica que estabeleça essa modalidade de imposição tributária nessas situações, sobre fatos que ocorreram antes do advento da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Ressalta, inclusive, que até a edição desta lei, os órgãos da Receita Federal vinham estabelecendo imposições de penalidades mediante presunção de fraude com fundamento no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 03/10/2002. • Reportase às hipóteses de não declaração trazidas pela Lei n° 11.051/2004 e aduz: • Portanto, somente com o advento da Lei 11.051/2004 passou a existir uma relação expressa a respeito das vedações à compensação nos casos de crédito de terceiros, refirase ao crédito prêmio, refirase a título público e não se refira a tributos e a contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Vale dizer, a respeito dos fatos que ocorreram até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades. Conseqüentemente, não há como imputar quaisquer penalidades aos contribuintes, que fizeram as compensações em vista de qualquer um dos itens abordados, acusandoos de terem efetuado a compensação de forma temerária e de, ao efetuála, terem cometido um ato doloso, ou seja, uma fraude fiscal, uma vez que os atos praticados foram realizados em conformidade com a legislação existente à época da compensação, mediante o cumprimento de todas as obrigações acessórias inerentes. • In casu o processo de compensação citado no Auto de Infração foi em 31.10.2005, porém o vínculo normativo entre as compensações com as limitações, e, por essas razões consideradas não declaradas, e a imposição de penalidades, no caso da multa isolada de 150%, até 21 de novembro de 2005, vinham sendo estabelecidos com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 534/2005, passando a ser disciplinada por lei através da edição da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, fator que vem reforçar a tese de que, em relação aos fatos Fl. 968DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 6 5 ocorridos antes da vigência dos mencionados diplomas legais, não havia tipificação legal para o enquadramento dos contribuintes que exerceram o direito à compensação. • Portanto, para aplicação da penalidade pertinente à multa isolada de 150%, em outubro de 2005, seria necessário como fundamento uma combinação de várias instruções normativas, sem qualquer base legal, ressaltandose que somente através de Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência iniciada em 01.01.2006, também de constitucionalidade duvidosa, foi introduzida no ordenamento jurídico a possibilidade da aplicação da multa isolada de 150% sobre o valor compensado, caso a suposta compensação estivesse enquadrada no rol de restrições. • Defende a irretroatividade das normas publicadas ao final de 2004 e de 2005, que só seriam aplicáveis, respectivamente, a partir de 01/01/2005 e 01/01/2006, sob pena de violar direito adquirido, coisa julgada e ato jurídico perfeito, apesar de a multa não se tratar de um tributo. E acrescenta que o Código Tributário Nacional não poderia ser alterado por lei ordinária, sendo que seus arts. 105 e 106 somente admitem a retroatividade benigna, além de a sanção somente ser aplicável se houver lei anterior neste sentido. Em resumo, multa não é tributo, porém, o legislador deve aplicar o princípio da anterioridade quando forem instituídas novas multas ou forem feitas alterações em seus valores, pois seguem a mesma regra das obrigações principais em direito tributário. • Menciona a proteção constitucional contra o exercício do poder tributário de forma exorbitante e desordenada, além da vedação ao estabelecimento de penalidades fundamentado apenas em presunção de fatos. • Reitera que além de informar que desconhecia a compensação e que havia declarado os débitos, bem como aderido ao PAEX, também apresentou à Fiscalização o balanço consolidado (cópia anexa) demonstrando explicitamente a dívida tributária declarada, o que foi omitido pela Fiscalização, cerceando seu direito de defesa. • Afirma que não houve a perfeita subsunção do fato à norma, tornando a acusação, portanto, defeituosa, opõese à penalidade fundada em presunção e aduz: • A regra que qualifica a fraude, sonegação ou conluio pressupõe o elemento objetivo de impedir o fato jurídico a ensejar a cobrança do tributo, ou atrasar o seu respectivo pagamento. Desta forma, não poderia o fiscal, in casu, apontar na peça vestibular natureza da infração típica da fraude, já que a impetrante elaborou e apresentou o seu BALANÇO prevendo o crédito tributário passível de parcelamento e, portanto confessando DE FORMA CLARA E OBJETIVA A DÍVIDA TRIBUTÁRIA. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 7 6 Defende, assim, a nulidade do feito, em razão de falhas quanto à determinação da natureza da infração. • Acrescenta, ainda, que como a elaboração do balanço patrimonial foi concluído em 2005 e registrado antes da ação fiscal, e apresentado junto com o pedido de parcelamento previsto no PAEX, implicou a confissão da dívida, inexistindo a conduta típica sujeita à aplicação da penalidade qualificada. Invoca o disposto no art. 138 do CTN no sentido de que a confissão de dívida do crédito tributário por si, exclui o pagamento de qualquer penalidade. • Assim, prevalecendo a constatação que o Tributo Original é devido e que não foi incluído no PAEX, a multa merece ser reduzida para no máximo em 75%. Até porque, no caso de concurso de Leis, devese aplicar a mais benéfica ao contribuinte, dando ênfase à máxima in dúbio pro réu, no caso in dúbio pro contribuinte, visto tratarse do elemento mais fraco na relação. Questiona a inversão do ônus da prova, firmando que à autoridade lançadora incumbe fazer a exigência com sólidas bases, não bastando a simples. alegação e deixar que a Impugnante prove o contrário, se puder. • Reproduz ementas de julgados administrativos e afirma ser possível avaliar que nenhum desses casos descritos acima pode ser atribuído à Impetrante, portanto não pode ser considerado culpado apenas com base em presunção. Reportase, ainda, ao art. 923 do RIR/99, para firmar que o auditor fiscal ignorou e contestou um fato relevante escriturado na Contabilidade, a DCTF e o Balanço Patrimonial, caso em que o ônus da prova seria seu, mormente se tais informações foram apresentadas em resposta a intimação. • Menciona novamente a necessidade de perícia técnica para atestar de onde foram transmitidos os dados para compensação, afirmando que a Fiscalização não quis utilizar procedimentos alternativos de fiscalização e preferiu recorrer à comodidade de "achismos ". Sem a prova de que a DCTF e o Balanço seriam documentos inidôneos, devem ser eles admitidos como legítimos. • Finaliza afirmando que não processou pedido de compensação, mas sim declarou a dívida em DCTF e apresentou balanço (cópia anexa) com o crédito tributário destacado para posterior pedido de parcelamento, e conclui pela inaplicabilidade da multa fundada em presunção e ainda ignorandose a retroatividade benigna, além do vício formal pela omissão de fatos decisivos a apreciação do mérito. • Relaciona os documentos anexados, dentre os quais: Cópia do Balanço Patrimonial de 2005 e Declaração do Contador atestando que os Tributos Declarados em DCTF, nunca foram objetos de compensação. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 8 7 • Pede, assim, a declaração de nulidade de pleno direito do auto de infração. Às fls 105 – 194, a autoridade de primeira instância providenciou a juntada aos autos das DCTF´s mencionadas pela autoridade lançadora na descrição dos fatos contida no Auto de Infração, dado também se tratar de documentos produzidos pelo próprio interessado, o que não constitui qualquer prejuízo à sua defesa, mormente se as características das referidas DCTF foram regularmente relatadas no lançamento cientificado ao contribuinte. No julgamento da Impugnação Administrativa, decidiu a 5a Turma de Julgamento da DRJ de Campinas, por unanimidade, JULGAR IMPROCEDENTE a impugnação e MANTER o crédito tributário lançado, nos termos da ementa abaixo transcrita: Acórdão 0527.146 5' Turma da DRJ/CPS Sessão de 22 de outubro de 2009 Processo 13850.000023/200900 Interessado RODOVIÁRIO TRANSBUENO LIMITADA CNPJ/CPF 50.437.409/000148 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/10/2005 COMPENSAÇÃO COM SUPOSTO CRÉDITO DEMONSTRADO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR. ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA COMPENSAÇÃO. PROVAS ADMISSÍVEIS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O processo administrativo fiscal aceita todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a presunção simples, desde que, nesse caso, ela esteja corroborada por indícios sérios e consistentes. RETIFICAÇÃO DAS DCTF CORRESPONDENTES. INDÍCIOS DE AUTORIA SUBSISTENTES. Provada está a conduta punida se o contribuinte, embora alegue desconhecer a compensação formalizada, nada esclarece acerca das retificações correlatas promovidas em DCTF, e limitase a indicar que os débitos compensados permaneceriam contabilizados como obrigações tributárias, e deveriam ter sido consolidados no PAEX, providência inviabilizada em razão da inexistência de saldo a pagar em DCTF, após as retificações mencionadas. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TERCEIRO. INEXISTÊNCIA DE CESSÃO DE CRÉDITO. FALSIDADE EM DCOMP TRANSMITIDA POR MEIO ELETRÔNICO. IMPOSSIBILIDADE. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Inserir Fl. 971DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 9 8 informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu envio por meio eletrônico e dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos de terceiros, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude que devem ser penalizados com o lançamento de multa qualificada no percentual de 150%. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA ANTES DA LEI N° 11.196, DE 2005. Aplicase a penalidade vigente à época da infração se a alteração posterior, no que tange à compensação com créditos de terceiros, apenas restringiu a hipótese de sua incidência aos casos em que efetivamente provada a fraude, e tal circunstância está demonstrada nos autos. Impugnação Improcedente Irresignada com a decisão de 1ª instância, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegativas da impugnação administrativa e aduzindo ainda que: A inconstitucionalidade da multa de 150%; A aplicação do Código de Defesa do Consumidor nas relações jurídicotributárias; Requer que seja excluída a presunção de sonegação fiscal e fraude bem como afirmação inverídica de ocorrência de falsidade ideológica; Requer que seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da multa; Requer o deferimento de perícia para que se possa provar que não foi o recorrente que requereu a compensação dos créditos; Requer seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade de sua aplicação na proporção de 150%, determinandose a aplicação no percentual de 20%, pelo que dispõe a Lei 9430/96 parágrafo 2º, art. 61, anulandose a mesma ou, pelo menos, reduzila no percentual acima. Em 25/10/2010, a recorrente junta aos autos petição alegando fato novo (fls. 785 à 795 e, em seguida, fls. 256 às fls. 258 – digitalização errada), aduzindo e requerendo, em suma, que: recebera o Oficio n° 086/2010/GAB/DRF/SJC, através do qual a RFB se negara a fornecer o endereço IP transmissor da Dcomp ensejadora da autuação; os indícios erigidos pela fiscalização e utilizados pela autoridade julgadora não são suficientes para imputar à RECORRENTE além de multa punitiva EFETIVA PRÁTICA CRIMINOSA. A classificação da conduta exposta pela autoridade fazendária classificase como crime contra a ordem Fl. 972DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 10 9 tributária e, portanto, punível na forma da legislação de regência; Neste sentido, insiste a RECORRENTE: a) Nunca autorizou qualquer funcionário ou representante legal a efetuar a pretendida compensação de créditos de terceiros com débitos próprios; b) A RECORRENTE não possui qualquer relação, envolvimento, contato ou pessoa conhecida direta ou indiretamente relacionada com a empresa TI BRASIL, a suposta detentora do crédito utilizado no indigitado PER/DCOMP; e c) A RECORRENTE desconhece e sequer consegue aludir qual seria a intenção ou motivação para que terceiro desautorizado pudesse efetuar as transmissões de PER/DCOMP e retificação das DCTFs. até o recebimento do Auto de Infração originário (n° 13850 000.023/200900), NÃO ERA DE CONHECIMENTO DA RECORRENTE, de sua Diretoria e dos demais responsáveis pela gestão da empresa, que havia sido elaborado e entregue a Receita Federal do Brasil documento eletrônico n° 40771.53800.051005.1.3.048231 realizando a indigitada compensação; para retificar as DCTFs de 2002 e transmitir PER/DCOMP não era necessária certificação digital; somente a partir do ano calendário 2005, com a IN 482/2004, passou a ser exigida certificação digital; E REQUER: (i) sejam considerados todos os fundamentos legais e documentos referidos e anexados tanto na impugnação quanto neste expediente; (ii) a juntada do laudo pericial extrajudicial; (iii) reunir o presente processo administrativo ao processo administrativo nº 13850000.222201043; (iv) previamente intimada a RECORRENTE da data de julgamento do presente recurso, para que possa realizar sustentação oral perante esse E. Conselho; (v) por fim, dado integral provimento ao presente recurso para os fins de anular o auto de infração relativo à multa isolada e, conseqüentemente, extinto o crédito tributário corporificado no Processo Administrativo nº 13850000.023/200900 e 13850 000.222/201043; Alternativamente, caso este douto Conselho entenda necessário, requer sejam os autos retornados à Receita Federal do Brasil Fl. 973DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 11 10 para que a mesma execute as diligências necessárias para coleta de elementos concretos quanto à participação da RECORRENTE no ilícito apontado. Como documentos, a recorrente anexou à petição vasta documentação, a qual incluiu: Petição administrativa requerendo o IP transmissor das Dcomps(fls. 260261), protocolizado em 03 de setembro de 2010, pelo qual a recorrente requere ao Delegado da Receita Federal de São José dos Campos a identificação do endereço IP (Internet .Protocol constante da respectiva base de dados, em que cujo terminal de informática que teria sido a responsável pela transmissão de PerDeomp e de DCTF retificadoras em nome da aludida pessoa jurídica referente ao processo em epígrafe; Laudo pericial extrajudicial (fls. 262 – 783), por meio do qual o perito chegou às seguintes constatações: a. Foi constatado que os valores apresentados pela RFB não foram baixados na escrituração contábil da Empresa até 31 de dezembro de 2009, valores esses, que foram informados a RFB através das DIPJ's (Doc. n° 04; 05; 06; 07; 08; 09; 10 e 11) b. Os valores compensados através do Perd/Comp (Doe. 01 —Anexo A) não procedem, pois, tais compensações apresentadas pela RFB, em momento algum, foram base para a liquidação contábil das referidas Obrigações Tributárias estando, portanto, até essa data pendente na escrituração contábil. Como conclusão, o perito contábil asseverou que: Diante das constatações feitas em perícia, para que não paire nenhuma dúvida, os trabalhos periciais foram suportados por documentações hábeis e idôneas, por isso podemos concluir que os Autos de Infração de Multa Regulamentar (Doe. 02 e 03), lavrados pelos Agentes Fiscais da Receita Federal do Brasil nasceram afetados de vícios materiais e formais, pois, nos registros contábeis da Rodoviário Transbueno Ltda:, inscrita no CNPJ sob no 50.437.4091000148. consta, e sempre constou, no Passivo Tributário todos os valores que devem ser Recolhidos ao Erário Público Federal, portanto, os valores lançados não procedem, conseqüentemente, a Multa Regulamentar não são devidas em hipótese alguma. Distribuído a esta Turma para julgamento do recurso voluntário. Este é o relatório. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares – Relator O Recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. a) Da preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Não há de se falar em cerceamento ao seu direito de defesa em razão de supostamente lhe ter sido negada vistas ao processo. A recorrente aduziu que não se conformando com a imposição da multa, a Impugnante surpresa diante dos fatos narrados no citado Auto de Infração, em diligência a DRFB de São José dos Campos pediu vistas ao processo, acesso que lhe foi negado pelo Sr. Auditor Fiscal. Contudo, nenhum registro há nos autos neste sentido. O recorrente não apresentou qualquer petição formalizada junto à DRFB São José dos Campos, bem como a correspondente negativa ou, ao menos, a omissão da autoridade a quem teria sido dirigida. O Auto de Infração que lhe foi cientificado traz, em seu corpo, completa descrição dos fatos e enquadramentos legais, relatando todos os elementos probatórios e suas conseqüências tributárias, uma vez que garantido o contraditório e a ampla defesa no presente processo administrativo. Ademais, é de se destacar que os autos foram formalizados com documentos dos quais o contribuinte não pode alegar desconhecimento, porque deles foi cientificado pela autoridade lançadora: (Auto de Infração, fls. 01/09; Parecer SEORT n° 13884.513/2008, fl. 22/27; Intimações e Reintimações, fls. 29/30, 34/35, 37/38); (DCOMP, parcialmente sintetizada em resumo elaborado pela fiscalização, fls. 10/18, Demonstrações Financeiras, fls. 39/40; Contrato Social, fls. 41/48). Eventualmente, como aduziu a julgadora de 1ª instância, a recorrente poderia alegar desconhecer a intimação dirigida à TI Brasil Indústria e Comércio Ltda, e a informação por ela prestada (fls. 31/33). Todavia, esta prova é irrelevante para aplicação da penalidade aqui discutida, na medida em que restou inconteste, já no curso do procedimento fiscal, a inexistência de cessão, ao autuado, do crédito titulado pela TI Brasil Indústria e Comércio Ltda nos autos do processo administrativo nº 10980.007641/200494. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 13 12 Assim, rejeitase a argüição de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. b) Da compensação indevida Inicialmente, cabe destacar que, conforme relatado, a autoridade administrativa de 1ª Instância providenciou a juntada aos autos das DCTF mencionadas pela autoridade lançadora na descrição dos fatos contida no Auto de Infração (fls. 105/194), dado também se tratar de documentos produzidos pelo próprio interessado, o que não constituiu qualquer prejuízo à sua defesa. A recorrente nega veementemente a formalização da compensação que ensejou a penalidade aqui aplicada, bem como junta declaração de quem seria responsável pela contabilidade da empresa (José Rodrigues Rangel) no sentido de que a aludida tentativa de compensação através do processo de DCOMP n° 40771.53800.051005.1.3.048231 é de total desconhecimento deste profissional (fl. 90). Afirma que esta ocorrência foi presumida pela fiscalização, desconsiderando as informações da empresa de que desconhecia o pedido de compensação, pois todos os débitos estavam declarados em DCTF´s, com pedido de parcelamento consolidado no PAEX ou aguardando nova oportunidade de parcelamento. Inclusive, o Balanço Patrimonial de 2005, apresentado à Fiscalização, destacaria o passível tributário objeto de parcelamento solicitado ou a solicitar, circunstância também afirmada na declaração de fl. 90. A DCOMP nº 40771.53800.051005.1.3.048231, motivadora da autuação, foi transmitida por meio eletrônico em 05/10/2005, após ter sido elaborada em 04/10/2005, para fins de extinção de vários débitos do contribuinte autuado, mediante utilização de crédito informado em Processo Administrativo Anterior n° 10980.007641/200494, no valor original de R$ 3.684.891,89, do qual foi utilizada a parcela de R$ 3.171.085,99, com o acréscimo de juros de 1,50% para liquidação dos débitos resumidos às fls. 12/18, no valor consolidado de R$ 3.218.652,28. A referida DCOMP aponta como responsável pelo seu preenchimento a mesma pessoa responsável pela pessoa jurídica perante a Receita Federal: Benedicto Bueno, CPF n° 132.576.50825, sócio administrador da empresa conforme contrato social às fls. 41/48. É certo que nos autos não há qualquer registro quanto à investigação da identificação do computador que teria transmitido este documento, havendo inclusive nos autos o Oficio n° 086/2010/GAB/DRF/SJC, através do qual a RFB de São José dos Campos se nega a fornecer o IP transmissor da DCOMP e das DCTF´s retificadoras. Todavia, desnecessária seria a perícia técnica referida pelo impugnante, na medida em que as informações dos débitos compensados na DCOMP estavam integralmente idênticas com as existentes nas DCTF´s, circunstância por ele não contestada na impugnação. Assim firmou a autoridade lançadora no Auto de Infração (fl. 05): Para que a situação fosse elucidada, o interessado foi intimado, por meio do Termo de Intimação SEORT n° 13884.5 7512008, à Fl. 976DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 14 13 fl. 29, a se manifestar. Apesar de ter sido cientificado da intimação em 24109108, conforme AR à fl. 30, o interessado não se manifestou. Nova oportunidade foilhe dada por meio do Termo de Reintimação SEORT n° 13884.02412009, à fl. 34. Na resposta, de fl. 36, o interessado afirma inexistir a compensação em pauta. Além disso, informa que todos os impostos devidos pela empresa estão declarados em DCTF e que os não pagos deveriam ter sido consolidados no PAES. De fato, os débitos estão informados nas DCTF, mas sua forma de quitação é exatamente a compensação por meio do documento eletrônico em pauta. O mesmo que o interessado afirma inexistir. Ou seja, o interessado fez a compensação de débitos próprios com supostos créditos de terceiros e fez constar da DCTF referida compensação. Ao proceder dessa maneira, os débitos ficaram supostamente quitados. As DCTFs apresentadas de 2002 a 2004 foram retificadas em 07/10/2005 para que delas constasse a informação de compensação dos débitos por meio da DCOMP n° 40771.53800.051005.1.3.048231 (fls. 105/193). Releva notar, inclusive, a exata correspondência entre os débitos indicados nas DCTF originais (ou nas retificadoras apresentadas em fevereiro/2005) como "saldo a pagar" e aqueles informados para compensação na DCOMP citada (fls. 12/18), a evidenciar que quem preencheu e transmitiu a DCOMP tinha conhecimento preciso da dívida tributária do contribuinte perante a Receita Federal. Também, interessante observar que a retificação das DCTF de 2004 exigiu a indicação do número de recibo da DCTF retificada, informação que dificilmente seria detida por outra pessoa que não o próprio contribuinte ou o responsável por sua escrituração (fl. 181). E, como dito, a correspondência entre as DCTF e a DCOMP, embora evidencie circunstâncias relevantes para formação da convicção acerca do autor da DCOMP em referência, não foi refutada pelo impugnante. Analisando as Dcomps presentes às fls. 105 – 194, percebese claramente que o contribuinte se beneficiou das compensações efetuadas a partir dos créditos firmados na DCOMP nº 40771.53800.051005.1.3.048231. Através do relatório presente às fls. 105, percebese que nas competências de janeiro a abril de 2003 e 2004, respectivamente, foram enviadas as DCTF´s atestando Saldos a Pagar de IRPJ, CSLL, IRRF, Pis e Cofins. Todas elas foram retificadas em 07/10/2005 para constar às compensações, extinguindo os créditos tributários, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do art. 74, § 2º da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. De outro lado, o fato de a escrituração do contribuinte eventualmente não refletir esta operação em nada desconstitui a sua existência, considerada como confissão. Antes, porém, de fundamentar tal assertiva, registrese que o Balanço Patrimonial referido pelo contribuinte prestase, apenas, a apontar Obrigações Tributárias no Fl. 977DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 15 14 valor de R$ 4.227.247,36 em 31/12/2007 (fl. 39) e de R$ 4.972.034,21 em 31/12/2005 (fl. 75), sem especificar quais tributos, com detalhamento de fato gerador e valor individual, compõem este saldo, de modo que sequer existe início de prova de que a compensação não foi escriturada contabilmente. Acrescentese que a prova dos fatos contabilizados é documental, e não pode ser substituída pela declaração do contador constante à fl. 90, a qual se reporta genericamente aos tributos declarados em DCTF nos anos de 2002 a 2005. Ainda, com relação à afirmação de que o Sr. Auditor Fiscal não informou no Auto de infração que a empresa apresentou junto com a mesma Declaração, o Balanço Patrimonial de 2005, além de não ser clara quanto ao momento no qual o Balanço teria sido apresentado à Fiscalização, não é acompanhada de qualquer prova da sua efetiva ocorrência. Somente se vê nos autos a resposta à intimação apresentada em 13/02/2009 (fl. 36), que não indica qualquer anexo, e a resposta à intimação de fl. 37, relativa às Demonstrações Financeiras de 31/12/2007. De toda sorte, como descrito pela Fiscalização e reconhecido pelo contribuinte, não houve qualquer operação de cessão de crédito entre ele e a empresa titular do processo administrativo informado na DCOMP. Logo, inexistindo a aquisição do direito, a contabilidade não teria suporte patrimonial para permitir o registro das correspondentes compensações. Evidente, assim, que a escrituração comercial do contribuinte não poderia se apresentar de outra forma que não a alegada. E, justamente por isso, a omissão da compensação naquele suporte documental não pode se prestar como meio de defesa ao interessado. Impróprio, portanto, pretender que a Fiscalização desconstituísse a escrituração contábil, nos termos dos arts. 923 a 925 do RIR/99, ou declarasse a inidoneidade do Balanço Patrimonial apresentado, antes de afirmar que uma conduta nela não registrada existiu. Para caracterização da compensação indevida basta a prova da apresentação da DCOMP, pois esta é a única providência exigida pela legislação para extinção dos débitos por compensação, e conseqüente interrupção de qualquer procedimento de cobrança a eles dirigido. Isto porque a DCOMP não se trata de mero pedido, mas sim de veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1º da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002) e conseqüente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002). Em razão de tais efeitos, a DCOMP foi criada para viabilizar às compensações nos estritos termos do que disposto no caput art. 74 da Lei no 9.430/96, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 978DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 16 15 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Vejase, inclusive, a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002: O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais. Justamente por isto o seu uso abusivo e/ou fraudulento é punido com rigor. Em conseqüência, para aplicação da penalidade, bastam as evidências da forma e do conteúdo da declaração assim apresentada, sendo dispensável a confirmação de que a compensação também se fez escrituralmente. E, frente à DCOMP transmitida eletronicamente, e às evidências de que o contribuinte dela tinha conhecimento, na medida em que retificou suas DCTF para firmar, mais uma vez, a extinção dos débitos, nada há que desconstitua a conclusão de que o próprio contribuinte formalizou a compensação em referência. Embora a Fiscalização não tenha uma prova direta da autoria da elaboração da DCOMP, reuniu indícios sérios e convergentes no sentido de somente o próprio contribuinte, conhecedor dos detalhes de sua dívida tributária e maior interessado na interrupção e sua exigibilidade, poderia ter transmitido à declaração em referência. Na verdade a empresa responde pelos atos de seus agentes, ainda mais quando estes agentes tem o dever de guarda do sigilo fiscal da empresa. Destacase novamente que os valores de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e inclusive de IRRF constantes na DCOMP, que a recorrente nega ter sido por ela declarada, são justa e exatamente os resultados das operações de apuração dos seus tributos, cujas informações de faturamento e de folha de pagamento teria o autor que ter tido acesso. Esse conjunto de fortes indícios serve e comprova ser a recorrente a autora da compensação indevida. E neste ponto, importa esclarecer que indícios são substratos fáticos para construção de presunções, sendo oportuna é a evocação do voto vencedor do acórdão n° CSRF/0102.743, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tomando por base a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que 'Indícios vários e concordantes são prova", com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado. (STF, RTJ 521140 apud Fl. 979DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 17 16 Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22' ed., 1997, p. 97.) (destaques acrescidos) De todo o exposto, concluise que o fato de o lançamento fundarse em presunções ou indícios em nada o desabona a autuação, pois são os indícios, ou fatos conhecidos, as bases para construção da prova. Em face de indícios veementes, o lançamento deve ser formalizado, bastando à fiscalização a demonstração inequívoca dos fatos, bem como a seriedade e consistência do vínculo com a infração. Por sua vez, ao autuado impõese a desconstituição destes indícios, providência que o impugnante não logrou alcançar, na medida em que não esclareceu o motivo da informação contida em suas DCTF, limitandose a opor a existência de dívida tributária não individualizada em seu balanço patrimonial. Ou seja, incumbe ao contribuinte, e não ao Fisco firmar a inidoneidade das DCTF, já que estas foram retificadas para refletir a compensação aqui questionada. Ainda, especificamente no que tange à alegada adesão ao Parcelamento Excepcional PAEX, diz que deixou de inserir no requerimento em 17/10/2006 (fl. 194) pelo fato dos débitos compensados se encontrarem na condição de extintos e, portanto, não disponíveis para parcelamento do PAEX, e sequer providenciou o cancelamento da DCOMP com a retificação das DCTF´s para restabelecêlos na condição de "saldo a pagar", ou ao menos ter informado na Declaração PAEX a intenção de vêlos parcelados. Nenhuma destas providências foi adotada, na medida em que não constou na Declaração PAEX, permanecendo ativas as DCTF retificadas em 07/10/2005, assim como subsistia a DCOMP apresentada até o procedimento fiscal que resultou em sua não declaração. É relevante notar ainda que, no âmbito do PAEX, a adesão do contribuinte representou sua opção por parcelar seus débitos vencidos até 28/02/2003 em 130 (cento e trinta) prestações mensais, nos termos da Medida Provisória no 303/2006, circunstância na qual a ausência, na consolidação de sua dívida, de parte dos débitos compensados na DCOMP em referência, não poderia lhe passar desapercebido. Deixar de pagar mais de três milhões de reais em tributos gozando de regularidade fiscal decorrente de compensação indevida, ou deixar de aproveitar um parcelamento extraordinário (PAEX) não é algo que qualquer administrador deixe passar desapercebido, ainda mais quando a recorrente declara em seu defesa ser a regularidade fiscal condição sine qua non de sua atividade econômica. Por todo o exposto, restou caracterizada a autoria, por parte do contribuinte autuado, da compensação que ensejou a penalidade aqui formalizada, independentemente de a obrigação tributária correspondente eventualmente permanecer integrando o passivo do contribuinte em sua escrituração comercial. c) Da multa isolada por compensação indevida mediante DCOMP. Caracterização de fraude. Do cabimento da qualificação da penalidade. Constatou a autoridade lançadora que o contribuinte transmitiu DCOMP utilizando créditos dos quais não era detentor, ao contrário do que informado na referida declaração. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 18 17 Firmada a autoria no que tange à apresentação da DCOMP, como antes exposto, e sendo inconteste o fato de que o crédito nela informado nunca existiu em favor do contribuinte autuado — como declarado pela TI Brasil Indústria e Comércio Ltda, titular do processo administrativo de origem do crédito indicado na DCOMP (fl. 32/33) e reconhecido pelo interessado no curso do procedimento fiscal (fl. 36) — evidente está que a compensação foi formalizada demonstrando como próprio um crédito que seria de terceiro. Ao assim proceder, o contribuinte alcançou a extinção, sob ulterior condição resolutória, dos débitos indicados na DCOMP, dadas as feições deste documento estabelecidas no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a partir das alterações inseridas pela Lei n° 10.637/2002. Contudo, como expresso no caput do referido dispositivo, a compensação ali prevista somente pode ser efetivada na presença de créditos do próprio sujeito passivo, decorrentes de tributos ou contribuições também administrados pela antiga SRF, passíveis de restituição ou ressarcimento, e, se decorrentes de decisão judicial, quando já ocorrido o trânsito em julgado, conforme preceitua o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004. Concluise, daí, que o contribuinte descumpriu as determinações legais ao efetivar compensações mediante DCOMP tendo por referência crédito do qual não era titular, ficando caracterizada o evidente abuso de forma nas compensações indevidas. Por força do art. 4º da Lei n. 11.051/2004, publicado em 30.12.2004, que acrescentou redação o § 12 ao art. 74 da Lei n. 9.430/96, determinou que as compensações ocorridas após janeiro de 2005, como foi o presente caso (DCOMP enviada em 05/10/2005), seriam consideradas como nãodeclaradas quando utilizarem créditos de terceiros, literis: Art. 74. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II em que o crédito: a) seja de terceiros; [..]. § 13. O disposto nos §§ 2° e 5° a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Essa mesma legislação em seu art. 25 (Lei. 11.051/2004) alterou e acrescentou redação ao art. 18 da Lei n° 10.833/2003 para prescrever a imposição de multa isolada nos casos de compensações consideradas como nãodeclaradas, verbis: Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações Fl. 981DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 19 18 previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Tais condutas, por sua vez, nos termos dos §§2º e 4º do art. 18, são reprimidas com a aplicação da multa isolada de 75% e com o restabelecimento da exigibilidade dos débitos compensados, independentemente de qualquer discussão administrativa acerca da compensação. Mas, se caracterizada uma das circunstâncias previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64, autorizada está a duplicação daquele percentual. Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n'4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento que se impôs às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de terceiros: Art. 74. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II em que o crédito: a) seja de terceiros; [..]. § 13. O disposto nos §§ 2° e 5° a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 20 19 Nestes termos, o contribuinte que efetuasse compensação com créditos de terceiros a partir da vigência da Lei nº 11.051/2004 se sujeitaria à nãodeclaração desta compensação, e este fato, associado à presunção de fraude até então estabelecida pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17/2002, ensejaria a aplicação de multa qualificada, nos termos do novo caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, c/c seus §§ 2 ° e 4º. No caso a DCOMP foi enviada em 5/10/2005 e a qualificação da multa se deu com base no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, por se considerar a compensação como não declarada. Verificase, então, que a lei apenas previa a aplicação de multa isolada nos percentuais qualificado (150%) e qualificado e agravado (225%), nos casos de evidente intuito de fraude e de falta de atendimento de intimação, tanto para as compensações não homologadas, quanto para aquelas consideradas não declaradas. No caso, o evidente intuito de fraude foi observado nos termos art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, abaixo transcrito: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido e a evitar ou diferir o seu pagamento. Alega a recorrente em sua defesa: · somente com o advento da Lei 11.051/2004 passou a existir uma relação expressa a respeito das vedações à compensação nos casos de crédito de terceiros, refirase ao crédito prêmio, refirase a título público e não se refira a tributos e a contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Vale dizer, a respeito dos fatos que ocorreram até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades. Conseqüentemente, não há como imputar quaisquer penalidades aos contribuintes, que fizeram as compensações em vista de qualquer um dos itens abordados, acusandoos de terem efetuado a compensação de forma temerária e de, ao efetuála, terem cometido um ato doloso, ou seja, uma fraude fiscal, uma vez que os atos praticados foram realizados em conformidade com a legislação existente à época da compensação, mediante o cumprimento de todas as obrigações acessórias inerentes. · In casu o processo de compensação citado no Auto de Infração foi em 31.10.2005, porém o vínculo normativo entre as compensações com as limitações, e, por essas razões consideradas não declaradas, e a imposição de penalidades, no caso da multa isolada de 150%, até 21 de novembro de 2005, vinham sendo estabelecidos com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 534/2005, Fl. 983DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 21 20 passando a ser disciplinada por lei através da edição da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, fator que vem reforçar a tese de que, em relação aos fatos ocorridos antes da vigência dos mencionados diplomas legais, não havia tipificação legal para o enquadramento dos contribuintes que exerceram o direito à compensação. · Portanto, para aplicação da penalidade pertinente à multa isolada de 150%, em outubro de 2005, seria necessário como fundamento uma combinação de várias instruções normativas, sem qualquer base legal, ressaltandose que somente através de Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, com vigência iniciada em 01.01.2006, também de constitucionalidade duvidosa, foi introduzida no ordenamento jurídico a possibilidade da aplicação da multa isolada de 150% sobre o valor compensado, caso a suposta compensação estivesse enquadrada no rol de restrições. · Defende a irretroatividade das normas publicadas ao final de 2004 e de 2005, que só seriam aplicáveis, respectivamente, a partir de 01/01/2005 e 01/01/2006, sob pena de violar direito adquirido, coisa julgada e ato jurídico perfeito, apesar de a multa não se tratar de um tributo. E acrescenta que o Código Tributário Nacional não poderia ser alterado por lei ordinária, sendo que seus arts. 105 e 106 somente admitem a retroatividade benigna, além de a sanção somente ser aplicável se houver lei anterior neste sentido. Em resumo, multa não é tributo, porém, o legislador deve aplicar o princípio da anterioridade quando forem instituídas novas multas ou forem feitas alterações em seus valores, pois seguem a mesma regra das obrigações principais em direito tributário. Entende a recorrente que a conduta fraudulenta se verifica só no momento da ocorrência do fato gerador com a finalidade de evitar ou diferir o seu pagamento, mediante exclusão ou modificação das características essenciais. Logo para a recorrente o citado artigo somente poderia ser aplicado para ações ou omissões relacionadas ao fato gerador, seja impedindo, retardando sua ocorrência, seja excluindo ou modificando suas características essenciais. Contudo, no caso sob análise, não haveria qualquer ataque ao fato gerador, que foi devidamente reconhecido e declarado, mas apenas à forma de extinção do crédito tributário dele decorrente. Descreve a essa linha de raciocínio o Acórdão nº 1201000.683 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1a Seção de Julgamento, julgado na sessão de 11 de abril de 2012, tendo por relator o Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz: A lei em questão define “fraude” como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas Fl. 984DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 22 21 características essenciais de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Quer dizer, para que a multa isolada em questão possa ser imposta é preciso que o contribuinte tenha agido de forma dolosa para (i) impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ou para (ii) excluir ou modificar as suas características essenciais de modo a (ii.a) reduzir o montante do imposto ou (ii.b) evitar (ii.c) ou diferir o seu pagamento. Vêse que a imputação de fraude a que alude a lei para justificar a qualificadora versa exclusivamente sobre ações ou omissões que afetem o fato gerador do imposto, seja impedindo ou retardando a sua ocorrência, seja excluindo ou modificando suas características essenciais para reduzilo, ou evitar ou atrasar o seu pagamento. No caso em tela, a fraude ocorreu na geração artificial de crédito contra a Fazenda Nacional. Estes créditos foram depois utilizados para compensar tributos que na ocasião já estavam constituídos em sua integralidade, sem que seus fatos geradores do tributos compensandos viessem a sofrer qualquer impacto pela ação da recorrente. Os fatos geradores dos tributos compensandos fluíram e ocorreram normalmente porque a ação fraudulenta do contribuinte teve impacto na sua (pretensa) extinção pela compensação. Nenhum ato praticado pela recorrente mirou os fatos geradores dos tributos compensados uma vez que sua ação (i) gerou artificialmente os créditos e (ii) pretendeu quitar os tributos já devidamente constituídos (fatos geradores perfeitos e acabados). Realmente, nenhum de seus atos mirou o fato gerador de nenhum tributo. Não houve em momento algum impedimento ou retardamento de sua ocorrência. E a suposta extinção dos tributos pela compensação indevida ocorre em momento posterior à verificação do fato gerador e à constituição daqueles. Tanto que os tributos que foram apurados integralmente e corretamente pelo contribuinte no ato de compensação. Versaram seus valores efetivos, sem nenhuma redução, e versaram seus vencimentos nos prazos normais, ocasião em que foram indicados a uma compensação com créditos indevidos. Nos termos desta lei, se não há ataque ao fato gerador, não há fraude. Apesar de muito bem fundamentada, não posso aderir a essa linha interpretativa. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 23 22 Entender que os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964 nunca serão aplicação nos casos de compensação de tributos, porque somente se aplicariam aos tributos compensados e não a seus créditos, significa esvaziar completamente o conteúdo legal. É função do intérprete extrair da lei seu significado, harmonizandoa com todo o sistema normativo. Não é possível, contudo, indicar suposta contradição interna na norma e retirar toda sua força normativa, realizando, assim, uma verdadeira “revogação interpretativa”, instituto inexistente em nosso ordenamento. Ao contrário, deve o intérprete obter da norma um sentido possível, diante do objetivo pretendido pelo legislador, em harmonia com as demais leis e, especialmente, com a Constituição Federal. Nesse sentido, é evidente que o legislador pretendeu, com essa norma, penalizar os contribuintes que buscassem, de forma fraudulenta, extinguir seus tributos com créditos inexistentes. Se, nesse intuito, a norma aponta para dispositivo legal que previa ações dolosas contra o fato gerador, devese entender que se pretendeu dar sentido mais amplo que o original, aplicandoo, agora, também às situações de extinção do crédito tributário. Isto é, o legislador, diante da ausência de dispositivo que penalizasse diretamente a conduta de compensar fraudulentamente o crédito tributário, apontou para outro que regulava situação semelhante, pretendendo, assim, aproveitar todos os elementos que se amoldam aos fatos e circunstâncias que se objetivava legislar. Observese que diversas Turmas Julgadoras do CARF, e também as Câmaras do antigo Conselho de Contribuintes, não tiveram dificuldades em manter a multa qualificada em situações semelhantes. Observese que as ementas abaixo transcritas analisam a matéria antes da publicação da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, que passou a prever a penalidade quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Declarar informação falsa em PER/DCOMP, objetivando dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos decorrentes de natureza não tributária e de terceiros, demonstra o evidente intuito de fraude que deve ser penalizado com o lançamento de multa de oficio qualificada no percentual de 150%. (Acórdão nº 110100.103, 1ª Turma/1ª Câmara/1a SJ, sessão de 17 de junho de 2009, relator Conselheiro Valmir Sandri) INFORMAÇÕES FALSAS — CARACTERIZAÇÃO DE SONEGAÇÃO/FRAUDE — MULTA QUALIFICADA. A inserção de informações falsas em PER/DCOMP caracteriza a sonegação/fraude, acarretando a multa de oficio isolada qualificada. (Acórdão nº 110100.480, 1ª Turma/1ª Câmara/1a SJ, sessão de 27 de maio de 2011, relator Conselheiro José Ricardo da Silva) Fl. 986DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 24 23 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA A indicação de crédito não passível de compensação por expressa disposição legal justifica o lançamento de oficio para imposição de multa isolada. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A prestação de informação falsa na DCOMP transmitida constitui fundamento para a imposição da multa isolada no percentual de 150%, por caracterizar evidente intuito de fraude. (Acórdão nº 10196.610, 1ª Câmara/1a Conselho de Contribuintes, sessão de 06 de março de 2008, relator Conselheira Sandra Maria Faroni) Entendo pois que o cabimento da duplicação do percentual de 75% para cálculo da multa isolada agravada está enquadrada com a conduta do contribuinte que reuniu as características dos casos previstos nos arts. 72 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. E nem poderia ser diferente, a medida em que a penalidade prevista na lei, não decorre da mera constatação de falta de recolhimento do tributo, mas sim da conduta abusiva e/ou fraudulenta no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário, fato que necessariamente se verifica após a ocorrência do fato gerador. c) Do laudo pericial extrajudicial interposto Nos termos do art. 58, § 6º do Decreto 7.574/2011, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Nesse ínterim, a recorrente anexou aos presentes autos o Laudo pericial extrajudicial (fls. 262 – 783), por meio do qual o perito privado chegou às seguintes constatações: a. Foi constatado que os valores apresentados pela RFB não foram baixados na escrituração contábil da Empresa até 31 de dezembro de 2009, valores esses, que foram informados a RFB através das DIPJ's (Doe. n° 04; 05; 06; 07; 08; 09; 10 e 11) b. Os valores compensados através do Perd/Comp (Doe. 01 — Anexo A) não procedem, pois, tais compensações apresentadas pela RFB, em momento algum, foram base para a liquidação contábil das referidas Obrigações Tributárias estando, portanto, até essa data pendente na escrituração contábil. Como conclusão, o perito contábil asseverou que: Diante das constatações feitas em perícia, para que não paire nenhuma dúvida, os trabalhos periciais foram suportados por documentações hábeis e idôneas, por isso podemos concluir que os Autos de Infração de Multa Regulamentar (Doe. 02 e 03), Fl. 987DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 25 24 lavrados pelos Agentes Fiscais da Receita Federal do Brasil nasceram afetados de vícios materiais e formais, pois, nos registros contábeis da Rodoviário Transbueno Ltda:, inscrita no CNPJ sob no 50.437.4091000148. consta, e sempre constou, no Passivo Tributário todos os valores que devem ser Recolhidos ao Erário Público Federal, portanto, os valores lançados não procedem, conseqüentemente, a Multa Regulamentar não são devidas em hipótese alguma. Embora tenha sido fundamentado irrepreensivelmente, o laudo pericial apresentado não conseguiu nem afastar, nem enfrentar o principal argumento o qual norteia a presente autuação fiscal: caso ultrapassados 5 anos da apresentação da DCOMP nº 40771.53800.051005.1.3.048231, o crédito seria homologado tacitamente, e as compensações efetuadas definitivamente, extinguindo de uma vez por todas o crédito tributário. Mesmo que presentes em seu passivo tributário, os débitos estavam extintos perante a Receita Federal, o que poderia ter sido notado quando do Parcelamento no PAEX, como anteriormente asseverado. Como já asseverado, a DCOMP se trata de veículo por meio do qual se formaliza a compensação (art. 74, § 1º da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 10.637/2002) e consequente extinção do crédito tributário (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002). A simples alegação de seu desconhecimento foge aos critérios de razoabilidade, motivo pelo qual julgamos serem irrelevantes os resultados trazidos pelo referido laudo, mantendose a procedência da autuação. A fraude, como se vê, está provada na conduta de inserir elementos sabidamente inverídicos na declaração, a fim de viabilizar sua transmissão por meio eletrônico, e dele se valer para evitar a cobrança de débitos já confessados em DCTF. Como se vê, a conduta fraudulenta se verifica não só na ocorrência do fato gerador, como também em momento posterior, com a finalidade de evitar ou diferir o seu pagamento, mediante exclusão ou modificação das características essenciais, agora, da obrigação tributaria, a qual tem como objeto o crédito tributário. Diante de todo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão de 1ª instância pela procedência da autuação fiscal em todos os seus termos. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 988DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13850.000023/200900 Acórdão n.º 1102000.885 S1C1T2 Fl. 26 25 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10166.000392/2014-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 14/02/2014
IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO.
As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento - "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" -, assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções".
Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95.
Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções".
IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. INTERESSADO PORTADOR DE ESPONDILITE ANQUILOSANTE. LAUDO DO DETRAN QUE O HABILITA APENAS À CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMÁTICO OU COM EMBREAGEM ADAPTADA À ALAVANCA DE CÂMBIO. DEFICIÊNCIA FÍSICA CARACTERIZADA. DIREITO AO BENEFÍCIO.
Para fins de reconhecimento do direito à fruição da isenção do IPI, objeto da Lei nº 8.989/95, considera-se deficiente físico o indivíduo portador de espondilite anquilosante, que, em função das sequelas da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 14/02/2014 IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO. As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento - "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" -, assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções". IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. INTERESSADO PORTADOR DE ESPONDILITE ANQUILOSANTE. LAUDO DO DETRAN QUE O HABILITA APENAS À CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMÁTICO OU COM EMBREAGEM ADAPTADA À ALAVANCA DE CÂMBIO. DEFICIÊNCIA FÍSICA CARACTERIZADA. DIREITO AO BENEFÍCIO. Para fins de reconhecimento do direito à fruição da isenção do IPI, objeto da Lei nº 8.989/95, considera-se deficiente físico o indivíduo portador de espondilite anquilosante, que, em função das sequelas da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Recurso ao qual se dá provimento.
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PEDIDO DE ISENÇÃO. DEFICIÊNCIA FÍSICA. ALCANCE CONCEITUAL DO TERMO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO. As disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física, elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas). A tal conclusão se chega em vista do emprego da conjunção "também" no início do preceito em comento "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" , assim como pela parte final do mandamento em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, já que são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária, e não o acometido de toda e qualquer deficiência, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, nos termos da lei em evidência, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções". IPI. PEDIDO DE ISENÇÃO. INTERESSADO PORTADOR DE ESPONDILITE ANQUILOSANTE. LAUDO DO DETRAN QUE O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 03 92 /2 01 4- 81 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 HABILITA APENAS À CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMÁTICO OU COM EMBREAGEM ADAPTADA À ALAVANCA DE CÂMBIO. DEFICIÊNCIA FÍSICA CARACTERIZADA. DIREITO AO BENEFÍCIO. Para fins de reconhecimento do direito à fruição da isenção do IPI, objeto da Lei nº 8.989/95, considerase deficiente físico o indivíduo portador de espondilite anquilosante, que, em função das sequelas da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 33/35 do processo digitalizado – doravante utilizado como padrão de referência), que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do interessado, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Exercício: 2014 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. DEFICIÊNCIA PERMANENTE. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional quando o laudo de avaliação médica não atesta deficiência permanente. Manifestação de Inconformidade Improcedente A lide decorre dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A pessoa física interessada em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 3802004.089 S3TE02 Fl. 49 3 Mediante o Despacho Decisório de fls. 19/23, a Delegacia da Receita Federal do Brasil/DRF em Brasília/DF indeferiu o pedido, tendo em vista que nos laudos acostados ao processo não consta nenhuma das deficiencias contempladas no inciso IV, §1º, art 1º, da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 Regularmente cientificada (fls.25/26), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 27/28), por meio da qual alegou que, ao realizar a renovação da carteira de habilitação, o DetranDF emitiu laudo impondo restrição ao dirigir veículos automotores. De acordo com a decisão de primeira instância, o laudo apresentado pelo interessado atesta como deficiência física "espondilite ancilosante", "espondilolistese" CID10 respectivamente M45 e M43.1, espécies que não se encontram dentre as elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Ademais, ressaltou ainda a instância a quo que "nas definições constantes do Anexo IX da IN RFB nº 988, de 2009, introduzido pela IN RFB nº 1.369, de 26 de junho de 2013, consta que o laudo só poderá ser emitido se a deficiência atender ao critério de ser permanente, o que não ocorre no presente caso, conforme laudo acima transcrito". Cientificado da referida decisão em 17/07/2014 (fls. 37), o interessado, em 07/08/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 41/45 onde aduz que, ao realizar a renovação de sua carteira de habilitação, o DETRANDF emitiu o Laudo de Junta Médica Especial impondo restrição à condução de veículos automotores devido à "sacroileite esquerda". Assim, o mesmo foi autorizado a conduzir veículos desde que os mesmos viessem equipados com transmissão automática. A título de prova apresenta cópia de sua carteira de habilitação com a anotação da letra "D" no campo observações, que, segundo alega, diz respeito à adaptação veicular mencionada. Aduz que, de acordo com o "Perguntas e Respostas Dirf 2014", pergunta 18, "os portadores de espondiloartrose anquilosante (também conhecido como espondilite anquilosante) são isentos do IRPF", afirmação que tem como fundamento legal a Lei nº 7.713/88, artigo 6º, inciso XIV. Assim, por analogia, poderseia conceder também a isenção do IPI. Assevera ainda que o rol de moléstias discriminadas no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 seria apenas exemplificativo, e alicerça sua tese em decisão proferida na apelação cível nº 013072952.2000.4.01.0000. Por fim, transcreve trecho da Portaria do Ministério da Saúde nº 640, de 24/07/2014, que trata da espondilite anquilosante. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Conforme relatado, vêse que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de isenção de IPI Deficiente físico onde a manifestação de inconformidade formalizada pelo interessado contra o indeferimento do pleito foi julgada improcedente pela DRJ Ribeirão Preto (fls. 33/35). Não obstante, penso que o recorrente faz jus à isenção pleiteada. Extraise do laudo de fls. 07, emitido pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal, o seguinte: 2. Histórico [...] Histórico da doença atual: Paciente com sacroileíte mais evidente à esquerda devido a Espondilite Anquilosante diagnosticada em 2005. Refere dor importante no quadril esquerdo. Também apresenta espondilólise com listese L5SI. 3. Exame Específico: Lombalgia mais evidente à esquerda. Força muscular preservada. [...] 5. Diagnóstico CID 10: M45, M43.1 6. Discussão: Adaptações indicadas devido à sacroileite esquerda. Apresenta risco adicional para conduzir veículos automotores convencionais (comuns ou básicos) Tipo: Sacroileite / Espondilite Anquilosante A apresentação atual das limitações observadas são: pedal de embreagem Do ponto de vista evolutivo as limitações observadas são de caráter: Indefinidas Observações obrigatórias: Veículo adaptado com: transmissão automática. Liberado da banca especial. 7. Conclusão: Apto(a) na categoria (B115) com restrição a esta categoria (grifos nossos) Já o laudo de fls. 08, expedido pelo HBDF, atesta o seguinte: Paciente com espondilite anquilosante (CID 10 M45), conforme laudo anexo. Doença encontrase parcialmente controlada com o uso de medicações [...]. [...] doença inflamatória podendo evoluir com danos articulares/estruturais [...] Às fls. 12 foi anexada a Carteira Nacional de Habilitação, expedida em 03/02/2000, em cujo campo observações consta a designação "D", que, segundo a Resolução CONTRAN nº 192, de 30/03/2006, anexo II, diz respeito a "veículo automático ou embreagem adaptada a alavanca de câmbio". Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 3802004.089 S3TE02 Fl. 50 5 Portanto, não resta dúvida de que o interessado tem limitações físicas significativas, atestadas pelo HBDF e pelo DETRAN, em razão das quais necessita de veículo automotor automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Com efeito, não faria nenhum sentido o Departamento de Trânsito restringir a condução de veículo pelo reclamante a apenas àqueles automáticos ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio não estivesse o interessado com as suas funções motoras limitadas. Ademais, as disfunções orgânicas que caracterizam deficiência física elencados no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 não são numerus clausus (taxativas), mas sim numerus apertus (exemplificativas), o que se extrai pela conjunção "também" utilizada no início do preceito em comento – "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" –, assim como pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física apenas "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções". Segue o inteiro teor do dispositivo referenciado: § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (grifos nossos) Assim, se a lei exclui unicamente as deformidades que não produzam dificuldades para o desempenho de funções, a conclusão lógica é a de que podem ser enquadradas como deficiência física todas aquelas que causam disfunções motoras no indivíduo, notadamente no caso presente, em que o interessado, portador de espondilite anquilosante, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Refirome a "disfunções motoras" porque são os portadores dessas disfunções que o legislador vislumbrou beneficiar com a isenção tributária – e não o acometido de toda e qualquer deficiência –, conclusão à qual se chega diante do rol exemplificativo utilizado no § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95. Com efeito, monoparesia, paraparesia, tetraparesia e hemiparesia designam a paresia – disfunção, funcionamento comprometido – respectivamente, em um membro, em ambos os membros (geralmente inferiores), em todos os membros, ou nos membros de um lado do corpo. Na mesma toada, quando os prefixos mono, para, tetra e hemi são associados ao sufixo plegia – que diz respeito à perda total da força muscular, paralisia – temos designadas as deficiências físicas que causam a paralisia dos membros do corpo, conforme o prefixo adotado (monoplegia, tetraplegia, triplegia, triparesia, hemiplegia). Já quando há amputação ou ausência de um membro, o comprometimento da função motora é evidente. O mesmo se diga em relação à paralisia cerebral ou à existência de membros com deformidade congênita ou adquirida. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Como se vê, TODOS os exemplos elencados pelo legislador, destinados a guiar o intérprete no que concerne ao alcance do conceito de deficiência física que buscou amparar pela norma, dizem respeito a deficiências que causam comprometimento das funções motoras do indivíduo. Logo, seria equivocado defender que o uso do termo "também", empregado no início do § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 – "para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física [...]" –, daria guarida à aplicação da isenção do IPI a toda e qualquer deficiência. Os exemplos de deficiências físicas discriminadas no aludido dispositivo não permitem interpretação nesse sentido. E isso é reforçado pela parte final do preceito em tela, que exclui de deficiência física "as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções" (grifei), o que reforça a exegese que defendemos no sentido de que a deficiência física amparada pela isenção de que trata o § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95 é aquela que causa comprometimento das funções motoras do indivíduo. Importa destacar que o legislador não se restringiu apenas às deficiências físicas nos moldes definidos pelo § 1º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95, mas garantiu o direito também aos deficientes visuais, aos deficientes mentais (severa ou profunda) e aos autistas (conforme inciso IV do artigo 1º da Lei nº 8.989/95). A conceituação de deficiência visual ou mental, para fins da isenção tributária objeto da norma em evidência, deverá obedecer aos ditames contidos nos parágrafos 2º e 4º do artigo 1º da Lei nº 8.989/951. Enfim, a isenção do IPI para aquisição de automóveis de passageiros, objeto da Lei nº 8.989/95, além dos taxistas, dos deficientes visuais (assim definidos aqueles com acuidade visual igual ou menor que 20/200 – tabela de Snellen – no melhor olho – § 2º do artigo 1º da Lei nº 8.989/95) e dos portadores de deficiência mental severa ou profunda, alcança o indivíduo portador de deficiência física que comprometa seu sistema locomotor, a ponto de ser causa de "dificuldades para o desempenho de funções", como no caso presente, em que o interessado, portador de espondilite anquilosante, e dadas as sequelas decorrentes da enfermidade, só está apto a dirigir veículo automático ou com embreagem adaptada a alavanca de câmbio. Cumpre destacar que o entendimento supra está em perfeita sintonia com o disposto no artigo 111, inciso II, do CTN. Com efeito, Interpretação literal não é interpretação mesquinha ou meramente gramatical. Interpretar estritamente é não utilizar interpretação extensiva. Compreendase. Todas devem, na medida do possível, contribuir para manter o Estado. As exceções devem ser compreendidas com extrema rigidez. (Sacha Calmon Navarro Coêlho. Curso de Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 10. ed., 2009, p. 610) 1 § 2º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20°, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) [...] § 4º A Secretaria Especial dos Diretos Humanos da Presidência da República, nos termos da legislação em vigor e o Ministério da Saúde definirão em ato conjunto os conceitos de pessoas portadoras de deficiência mental severa ou profunda, ou autistas, e estabelecerão as normas e requisitos para emissão dos laudos de avaliação delas. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10166.000392/201481 Acórdão n.º 3802004.089 S3TE02 Fl. 51 7 Por fim, corroborando o presente entendimento de que o suplicante faz jus ao direito à isenção, não é por demais destacar alguns trechos do anexo à Portaria do Ministério da Saúde nº 640, de 24/07/2014, que aprova o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da espondilite ancilosante, e que deixa claro a gravidade e a natureza degenerativa dessa enfermidade de evolução crônica, cujo acompanhamento médico deve ser feito por tempo indefinido. 2 INTRODUÇÃO A espondilite ancilosante ou anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica classificada no grupo das espondiloartrites que acomete preferencialmente a coluna vertebral, podendo evoluir com rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial. Assim, as formas mais iniciais de EA, nas quais o dano estrutural é menor ou inexistente, podem ser classificadas como espondiloartrites axiais (Quadro 2). [...] O sintoma inicial costuma ser lombalgia, caracterizada por dor noturna, de início insidioso, que não melhora com repouso (mas melhora com exercícios). Além do comprometimento axial, a EA também costuma acometer articulações periféricas (oligoartrite de grandes articulações de membros inferiores) e pode causar manifestações extraesqueléticas, tais como uveíte anterior aguda (UAA), insuficiência aórtica, distúrbios de condução cardíacos, fibrose de lobos pulmonares superiores, compressão nervosa ou neurite, nefropatia ou amiloidose renal secundária. [...]. O comprometimento axial referese ao acometimento das estruturas do esqueleto axial (por exemplo, vértebras, articulações sacroilíacas, pelve), e o comprometimento periférico, ao acometimento das estruturas do esqueleto apendicular (por exemplo, dedos, calcâneo, joelhos). [...]. No Brasil, cerca de 70% das espondiloartrites são EA, com um custo anual médio para a sociedade estimado em US$ 4.597,00 por paciente (8, 14). Além do custo social, a EA acarreta piora da qualidade de vida para o paciente, impactando de forma negativa diversos domínios da vida pessoal, inclusive a atividade sexual (15). A identificação da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado dão à Atenção Básica um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos. [...] 8.5 TEMPO DE TRATAMENTO CRITÉRIOS DE INTERRUPÇÃO O tempo de tratamento não é prédeterminado, devendo o tratamento ser mantido enquanto houver benefício clínico. Apesar de alguns estudos observarem manutenção de remissão após a retirada dos biológicos anti TNF (60, 71, 72), inexistem critérios para a interrupção do tratamento. Após a remissão, a maioria dos pacientes apresenta recidiva com a interrupção do tratamento (49). Na falha ao segundo antiTNF (ausência de resposta depois de, pelo menos, 6 meses de uso da dose preconizada), pode ser considerado um terceiro antiTNF, embora as evidências em favor dessa conduta sejam escassas (67, 68). Na ausência de resposta com o terceiro antiTNF utilizado por, pelo menos, 6 meses, deve haver interrupção dessa terapia. 8.6 BENEFÍCIOS ESPERADOS Fl. 54DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 Com o tratamento adequado, esperase melhora da dor, rigidez axial e periférica, capacidade funcional e laboral e qualidade de vida do paciente (20, 23, 2731, 38, 42, 4648, 65, 67, 7396). 9 MONITORIZAÇÃO Devem ser monitorizados as resposta terapêutica, efeitos colaterais e risco cardiovascular (21, 22, 97). A resposta ao tratamento de EA axial consiste na redução mínima de 50% ou de 2 pontos (valor absoluto) no escore BASDAI (1). Artrite periférica, entesite e dactilite são avaliadas por anamnese e exame físico. Reavaliações clínicas podem ser realizadas a cada 3 meses em doença ativa e anualmente em doença estável (1, 22). Exames laboratoriais (por exemplo, velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa), que devem ser feitos antes e durante o tratamento (nos períodos de maior atividade de doença, a cada 1 3 meses e de menor, a cada 3 meses), são úteis na avaliação de atividade de doença. Radiografias simples de articulações sacroilíacas, bacia, coluna dorsal e lombossacra podem ser realizadas no início do acompanhamento e a cada 2 anos, buscando danos estruturais evolutivos, que, quando presentes, indicam mudança de tratamento (1, 22). [...] Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo, consequentemente, em favor do recorrente, o direito à isenção de IPI na aquisição de veículo automotor. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10611.720045/2014-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IPI na Importação
Período de apuração: 01/08/2012 a 31/08/2012
NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO.
A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente, uma vez que não se falar em mora na espécie.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unamidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Jorge Freire
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-23T06:59:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: IPI juros de mora com depósito judicial_LÍDER TAXI_2014_73…; xmp:CreatorTool: PDF reDirect v2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-03-23T09:58:57Z; Last-Modified: 2015-03-23T06:59:21Z; dcterms:modified: 2015-03-23T06:59:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: IPI juros de mora com depósito judicial_LÍDER TAXI_2014_73…; Last-Save-Date: 2015-03-23T06:59:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDF reDirect v2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-03-23T06:59:21Z; meta:save-date: 2015-03-23T06:59:21Z; pdf:encrypted: true; dc:title: IPI juros de mora com depósito judicial_LÍDER TAXI_2014_73…; modified: 2015-03-23T06:59:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-03-23T09:58:57Z; created: 2015-03-23T09:58:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2015-03-23T09:58:57Z; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-23T09:58:57Z | Conteúdo => S3-C4T3 Fl. 1 1 S3-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10611.720045/2014-73 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403-003.631 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2015. Matéria AI - IPI Recorrente LÍDER TÁXI AÉREO S/A BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IPI na Importação Período de apuração: 01/08/2012 a 31/08/2012 NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA EM LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA QUANDO HAJA DEPÓSITO TEMPESTIVO DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO . A teor da Súmula 5 do CARF, descabe incidência de juros de mora em lançamento levado a efeito para prevenir a decadência quando inconteste que o montante integral do tributo foi depositado tempestivamente, uma vez que não se falar em mora na espécie. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unamidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE FREIRE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Ivan Alegretti, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaia Batista e Jorge Freire. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Versam os autos recurso voluntário que tem como objeto o pedido de reforma da decisão a quo para que sejam excluídos os juros de mora aplicado em lançamento que teve por fulcro prevenir a decadência, uma vez que o mérito da matéria em litígio está sob apreciação do Poder Judiciário em instância recursal e o montante integral do valor litigado foi depositado tempestivamente. O Auto de Infração foi motivado para constituir crédito tributário de IPI, uma vez que a recorrente importou sob Regime de Admissão temporária para utilização econômica o helicóptero (NCM 8802.12.10), de número de série 760818, nos termos da Declaração de Importação (DI) 12/1518535-0. Ao valor do principal foram acrescidos juros de mora. O lançamento foi lavrado com exigibilidade suspensa com fulcro no art. 151, II, do CTN. É o relatório. Voto Dessume-se do relatado que a empresa importou mercadoria para uso em seus fins estatutários sob regime de admissão temporária nos termos da IN SRF 285, de 14/01/2013. Contudo, previamente ao registro da DI ajuizou mandado de segurança para ver afastada a incidência do IPI nessa importação. Foi concedida a liminar nos termo postulados e, no mérito, o juízo monocrático denegou a segurança, tendo dessa decisão a empresa recorrido, restando o mesmo ainda sem julgamento. Sendo inconteste nos autos que houve depósito do montante integral do IPI incidente sobre a importação e que o mesmo foi tempestivo, descabe a incidência dos juros de mora uma vez que mora não houve. Nesse sentido, a Súmula nº 5 do CARF, cujo enunciado foi vazado nos seguintes termos: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência dos juros de mora. (assinado digitalmente) Jorge Freire Fl. 957DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10611.720045/2014-73 Acórdão n.º 3403-003.631 S3-C4T3 Fl. 2 3 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000431/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. RAZÕES DE DECIDIR DISSOCIADAS DA IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE PONTO IMPUGNADO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Conforme o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, 70.235/72, devem ser anulados os atos que importem em preterição do direito de defesa. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório.
Numero da decisão: 2202-002.977
Decisão: Recurso voluntário provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NULIDADE. RAZÕES DE DECIDIR DISSOCIADAS DA IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE PONTO IMPUGNADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Conforme o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, 70.235/72, devem ser anulados os atos que importem em preterição do direito de defesa. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório.
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decisao_txt : Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
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RAZÕES DE DECIDIR DISSOCIADAS DA IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE PONTO IMPUGNADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Conforme o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, 70.235/72, devem ser anulados os atos que importem em preterição do direito de defesa. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 04 31 /2 00 7- 49 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Tratase de auto de lançamento (fls. 9) constituído para cobrança de multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 2006, no valor de R$ 9.843,95. Consta no termo de notificação de lançamento que a entrega de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física fora do prazo enseja a aplicação de multa de um por cento ao mês ou fração de atraso, sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, ressalvados os valores mínimo (R$ 165,74) e máximo (20% do imposto devido), fixados em lei. Impugnação Através da notificação de lançamento, o contribuinte foi intimado, em 06/01/2012, apresentando a impugnação de fls. 2/8, alegando em síntese: Refere que a auditoria fiscal não agiu acertadamente, uma vez que, ao se utilizar o sistema eletrônico e automático, notificou indevidamente o contribuinte entendendo ser devida multa incidente sobre o “imposto devido calculado”, e não sobre o saldo efetivo do “imposto a pagar”, que no caso seria inexistente. Refere que o legislador ao adotar o vocábulo “devido”, referese justamente ao valor remanescente do imposto a pagar na data da declaração e não a integralidade do valor apurado. No caso, de acordo com a declaração prestada, o contribuinte tinha direito ao recebimento de “imposto a restituir”, apurado no valor de R$ 12,88, tendo sido recolhido Fl. 49DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13820.000431/200749 Acórdão n.º 2202002.977 S2C2T2 Fl. 7 3 antecipadamente via retenção na fonte o imposto no valor de R$ 75.649,63, de modo que nada havia a pagar no momento da entrega da declaração, sendo exigível apenas a multa mínima de R$ 165,74. Tece considerações a respeito do art. 88 da Lei nº 8.981/95, segundo o qual a base de cálculo da multa deve ser o “imposto devido” e não o valor do imposto já recolhido antecipadamente. Colaciona jurisprudência do então Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Acórdão da DRJ A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o auto de infração. (fls. 24/26), conforme ementa do acórdão que segue: ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL É cabível a cobrança de penalidade, quando o sujeito passivo obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual, não o faz tempestivamente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Independentemente do início de qualquer procedimento fiscal, o descumprimento da obrigação acessória de modo tempestivo enseja a cobrança da penalidade pelo atraso, por previsão legal nesse sentido. Recurso Voluntário Intimado da decisão proferida pela DRJ, em 28/11/2007, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário às fls. 31/38, repisando os argumentos da impugnação. Acrescenta que o acórdão merece reforma, uma vez que deixou de apreciar as matérias trazidas pelo Recorrente, decidindo a questão sob prisma diverso do debate recursal, qual seja de que a denúncia espontânea de débito fiscal não afasta a incidência da multa, mantendo íntegro o lançamento. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator Tratase de lançamento para a cobrança de multa aplicada em razão do atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, forte no art. 88 da Lei nº 8.981/95, que assim dispõe: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Em suas razões, o contribuinte não contesta a possibilidade ou não da aplicação da multa. Irresignase quanto a critério quantitativo da multa aplicada. No ponto, basicamente delimitase a discussão, a saber, se a expressão “imposto devido” compreende aquele valor fruto de cálculos de apuração realizados e retidos ao longo do ano, ou se o valor efetivamente devido ao final do exercício. Esse é o ponto que pretendia o contribuinte discutir, conforme se percebe nos trechos abaixo extraídos de sua defesa. Contudo, a Auditoria Fiscal não autuou com acerto uma vez que, ao se utilizar de sistema eletrônico e automático, notificou indevidamente o contribuinte entendendo ser devida multa incidente sobre o “IMPOSTO DEVIDO CALCULADO”, e não sobre o saldo efetivo do “IMPOSTO A PAGAR”, no caso inexistente. O legislador foi claro ao adotar o termo “devido” (i.e, à (sic) pagar, dizemos nós), pois caso assim não fosse, o termo legal teria sido “valor apurado”, ou seja, o entendimento fiscal não se coaduna com o texto legal já que o valor devido do imposto é justamente aquele que ainda remanesce para pagamento na data da declaração. (fl. 3). (...) E imposto devido é aquele ainda não pago quando da entrega da declaração, de modo que, apurandose imposto a restituir, como in casu, não há base de cálculo para a aplicação da multa lançada, devendose recolher apenas o valor da multa mínima de R$ 165,74, uma vez que não se pode exigir do contribuinte multa sobre determinado valor JÁ ANTECIPADAMENTE PAGO POR MEIO DE RETENÇÃO NA FONTE (...) (fl. 5) Todavia, analisando o acórdão a quo, tal ponto não foi objeto de manifestação. A resolução da lide deuse em razão de argumento estranho à impugnação, qual seja de que cabível a multa aplicada nos casos de descumprimento de obrigação acessória, mesmo nos casos de denúncia espontânea. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13820.000431/200749 Acórdão n.º 2202002.977 S2C2T2 Fl. 8 5 É inegável, no ponto, a omissão de julgamento do acórdão recorrido. De acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição ao direito de defesa do contribuinte. É o que se vislumbra no caso, quando a matéria impugnada não foi apreciada pela decisão singular. Conforme jurisprudência pacífica dessa Corte, a ausência de exame pelo Julgador a quo de questões jurídicas que tenham relação com os lançamentos efetuados acarreta a nulidade do ato decisório respectivo, por cerceamento de defesa e contraditório. Vejase, nesse sentido, o seguinte julgado do CARF: FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA “A QUO” PARA NOVO JULGAMENTO. Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância “a quo” para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa. Decisão Recorrida Nula. Aguardando Nova Decisão (Acórdão nº 3301002.071 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2013) Conclusão Sendo assim, voto pelo PROVIMENTO do Recurso, para declarar a nulidade do acórdão nº 1721.223 da 3ª Turma da DRJ/SPOII, de 11 de outubro de 2007, devendo ser remetidos os autos para reanálise da impugnação, com a manifestação expressa acerca do ponto omitido. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000299/2002-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1996
POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE 30%
A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente (Súmula CARF nº 36).
Numero da decisão: 1401-001.397
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para ajustar o quantum devido ao valor que deve ser cobrado considerando os efeitos apenas da postergação no pagamento do imposto, nos termos do Parecer COSIT nº 2/96, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996 POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE 30% A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente (Súmula CARF nº 36).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-31T12:49:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-03-31T12:49:13Z; Last-Modified: 2015-03-31T12:49:13Z; dcterms:modified: 2015-03-31T12:49:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-03-31T12:49:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-03-31T12:49:13Z; meta:save-date: 2015-03-31T12:49:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-03-31T12:49:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-03-31T12:49:13Z; created: 2015-03-31T12:49:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2015-03-31T12:49:13Z; pdf:charsPerPage: 1629; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-31T12:49:13Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 570 1 569 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.000299/2002-29 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401-001.397 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2015 Matéria CSLL Recorrente RYDER LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996 POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE 30% A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente (Súmula CARF nº 36). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para ajustar o quantum devido ao valor que deve ser cobrado considerando os efeitos apenas da postergação no pagamento do imposto, nos termos do Parecer COSIT nº 2/96, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 571 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Karem Jureidini Dias e Antonio Bezerra Neto (Presidente em exercício). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 572 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão nº 4.671, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULO-SP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação de fls.38, em fiscalização empreendida junto à empresa RYDER LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 59.109.017/0001-24, o autuante revisou a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Nº 08.1.79986-95 e verificou que o contribuinte teve a referida declaração retida pelo Sistema Malha Fazenda no parâmetro compensação de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido superior a 30% do Lucro Líquido ajustado e no parâmetro compensação de prejuízo fiscal na apuração do Lucro Real superior a 30% do Lucro Real antes das compensações. O contribuinte foi então intimado pelo autuante, de acordo com o Termo de Intimação Nº 217 de 01/10/2001 (fls. 01), a apresentar documentação referente à Declaração de Rendimentos do IRPJ/97, ano base 1996. Atendida a Intimação, foi apresentado o despacho de fls.32 e 33, no qual o I. Juiz Federal Substituto Dr. José Marcos Lunardelli concede ao impetrante Companhia Transportadora e Comercial Translor (antigo nome empresarial do contribuinte) , em 08/08/95, uma liminar no mandado de segurança do Processo 95.0044496-8, 9ª Vara Federal de São Paulo, para “autorizar a compensação dos prejuízos fiscais apurados até 1.994 com resultados positivos apurados a partir de janeiro de 1.995, sem se submeter a restrição do art. 42 e 58 da Lei 8.981/95”. Todavia, também foi apresentada a decisão de fls.35 a 37 em que o I. Juiz Federal Dr. Eduardo Carvalho Caiuby EXTINGUE o referido mandado de segurança, em 10/04/96, sem conhecimento do mérito, para decretar a carência da ação, por inadequação da via processual eleita. Desta forma, o autuante lavrou o Auto de Infração de fls. 39, do qual o contribuinte tomou ciência em 19/02/02, fazendo a exigência do crédito tributário no total de R$976.924,64, constituído por: a) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$354.768,00, com fundamento no art. 58 da Lei 8.981/95 e art. 16 da Lei 9.065/95; Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 573 4 b) Multa de ofício de 75% sobre o imposto, no valor de R$266.076,00, com fundamento no art. 44, inciso I e §2º e art. 63 da Lei 9.430/96 e art. 4º, inciso I, da Lei 8.218/91; c) Juros de mora, no valor de R$356.080,64, calculados até 28/02/2002 com base na taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos Federais (SELIC), com fundamento no art. 13 da Lei 9.065/95 e art. 61, §3º da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.45 a 78, acompanhada dos documentos de fls.79 a 265, protocolizada em 20/03/2002, sendo representada por advogado, conforme procuração de fls.104, expondo, em síntese, que: DO DIREITO 1 – Da Decadência Protesta a Impugnante pelo pronto cancelamento da presente autuação, uma vez que, à luz da legislação vigente, o lançamento efetuado com base nos fatos ocorridos no ano-calendário de 1996 já havia sido tacitamente homologado no momento de sua lavratura. Com efeito, decorridos mais de cinco anos entre o momento da ocorrência do fato gerador e o do ato administrativo de lançamento tributário, tem-se que o crédito tributário encontra- se definitivamente extinto em função da homologação tácita, nos exatos termos do parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. O pronunciamento do Fisco sobre a hipotética falta de recolhimento dos tributos somente foi realizado através do presente Auto de Infração, do qual a Impugnante somente veio a ser notificada em 19/02/02, ou seja, após o transcurso de lapso temporal superior a cinco anos, restando, então, o crédito tributário extinto pela definitividade do lançamento, homologado tacitamente. A pretensão de cobrança de suposto crédito relativo ao período já especificado remanesce arbitrária e ilegal, motivo pelo qual a presente autuação deve ser prontamente cancelada. A decadência, “in casu”, implica a perda do direito por parte do Fisco de exigir o crédito supostamente devido, acarretando as correspondentes cominações à sua inércia pelo interregno de cinco anos consecutivos, visto tratar-se de lançamento por homologação. Ainda, vale observar que a decadência, em hipótese alguma, terá a sua fluência suspensa ou interrompida. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 574 5 Evidente, portanto, que no caso em apreço, estando os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é contado nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Nem se alegue, então, que seria aplicável o inciso I do artigo 173 do CTN. Tal dispositivo somente se aplica aos tributos cujos lançamentos são feitos nas modalidades de declaração ou ofício, aos quais, evidentemente, não se sujeitam os tributos ora exigidos. É evidente que o direito de o Fisco exigir eventuais diferenças que entenda que sejam devidas somente pode ser exercido nos termos do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, no prazo de cinco anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador. Resta, assim, totalmente demonstrado que os supostos débitos relativos aos fatos geradores de IRPJ e CSL ocorridos em 31/12/1996 não podem ser exigidos, tendo em vista a ocorrência da decadência. 2 – Do Efeito Econômico da Mera Postergação do IRPJ e da CSL Como será demonstrado abaixo, a Impugnante adquiriu o direito de compensar integralmente o montante de prejuízos fiscais apurados nos anos-calendário anteriores ao do fato gerador dos tributos exigidos. Não obstante, ainda que se admitisse não existir tal direito, o procedimento adotado pela Impugnante não significou ausência pura e simples do recolhimento dos tributos. Ao compensar integralmente os prejuízos no ano-calendário de 1996 (apurando IRPJ e CSL sobre base de cálculo menor) e, nos exercícios seguintes, efetuar a apuração destes tributos sem tal compensação (e, por conseqüência, com base de cálculo maior) a Impugnante não realizou qualquer ato que tenha prejudicado os cofres públicos, a não ser quanto aos efeitos da postergação do recolhimento. Por essa razão, ainda que se entendesse indevida a compensação de prejuízos realizada pela Impugnante, há de se considerar esse procedimento unicamente como mera postergação do pagamento dos tributos, já que como comprovam os DARFs discriminados (fls.115 a 158), a Impugnante apurou lucro e recolheu Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro nos exercícios posteriores. A Impugnante junta, ainda, sua Declaração de IRPJ relativa ao ano-calendário de 1998 (fls.159 a 224), que demonstra a apuração de resultado positivo no respectivo período, o qual foi integralmente tributado sem qualquer compensação de prejuízo fiscal. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 575 6 A mesma situação ocorreu no ano-calendário de 2000 (declaração de IRPJ anexa, fls.225 a 265) no qual também houve apuração de substancial resultado positivo, da mesma forma tributado integralmente, com exceção de pequena compensação de prejuízos fiscais apurados no ano anterior (1999). Nesse contexto, caberia apenas a exigência de juros de mora e, eventualmente, de multa, conforme disposto no Parecer COSIT nº 02/96. Desta forma, não tendo a D. Autoridade Fiscal considerado o efeito econômico de mero diferimento, exigindo de forma indevida tributos já recolhidos, deve o presente Auto de Infração ser cancelado. 3 - Da violação ao direito adquirido Deve-se também mencionar a questão da violação aos princípios da irretroatividade e do direito adquirido. De fato, verifica-se que em 1994 havia lei vigente assegurando que, verificado prejuízo fiscal, o contribuinte tinha o direito de proceder à sua compensação nos períodos subseqüentes, sem qualquer restrição quanto ao seu montante. Assim, considerando-se a apuração de prejuízo fiscal, adquiriu o contribuinte o direito à sua compensação, direito este insuscetível de modificação ou restrição por lei superveniente. É a disposição do inciso XXXVI, do artigo 5º, da Constituição Federal de 1988. Conclui-se, portanto, que é inequívoca a presença do direito adquirido do contribuinte, uma vez que este corresponde a uma prerrogativa contemplada pela lei vigente ao tempo da ocorrência do seu fato determinante, integrando-se ao patrimônio jurídico da ora Apelante. A referida limitação é manifestamente contrária à proteção constitucional, uma vez que fere o direito adquirido da ora Impugnante à compensação independente de qualquer restrição. Desta forma, considerando que pela legislação anterior, vigente à época da apuração do prejuízo, inexistia tal restrição, a Impugnante tem o direito de proceder a integral compensação sem o mencionado limite. Diante da inequívoca existência de violação ao direito adquirido através da limitação imposta pela Lei nº 8.981/95 resta comprovado, portanto, o direito da Impugnante proceder à compensação integral de seus prejuízos fiscais apurados, devendo ser cancelado o presente auto de infração. 4 – Da inconstitucionalidade das limitações à compensação dos prejuízos fiscais Fl. 575DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 576 7 A limitação à compensação de prejuízos fiscais significou, ainda, ofensa a uma série de outros princípios jurídicos constitucionais, consoante demonstrado a seguir: 4.1 – A ofensa ao princípio da capacidade contributiva O princípio da capacidade contributiva, previsto como fundamental para fins de tributação, encontra-se previsto no artigo 145, parágrafo 1º, da Constituição Federal. Para fins de análise da limitação imposta pela Lei nº 8.981/95, mais do que um direito adquirido, a compensação integral dos prejuízos fiscais é uma decorrência lógica do encontro entre o princípio da capacidade contributiva e o da periodização. Isto é, não obstante o antagonismo aparente destes dois princípios, tem-se que a harmonização é possível, e está exatamente personificada no instituto da compensação de prejuízos, a qual deverá ser interperiódica, e sem qualquer limitação quantitativa, pois que esta implicaria a não realização completa do escopo pretendido pela compensação Sendo a capacidade contributiva um princípio essencial de nosso ordenamento jurídico, a compensação de prejuízos deverá ser a mais ampla possível de forma a atenuar o quanto possível as deturpações causadas pela aplicação da periodicidade. 4.2 – A ofensa ao conceito constitucional de renda A Constituição Federal atribui à União competência para instituir imposto sobre “a renda e proventos de qualquer natureza”, em seu artigo 153, inciso III, e para criar contribuição social incidente sobre o lucro, em seu artigo 195. Assim, a União não pode miscigenar os conceitos de renda/lucro e capital/patrimônio, seja no exercício de sua competência expressa ou residual. No presente caso, quando a Lei nº 8.981/95 não autoriza a dedução dos prejuízos havidos em exercícios anteriores, está acarretando a tributação de algo que não é lucro, porque desse valor não foi deduzido o prejuízo havido anteriormente. Quando não se permite a exclusão dos prejuízos havidos em exercícios anteriores, a legislação está determinando a incidência de imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro sobre o prejuízo do exercício anterior. Não temos aí imposto de renda, mas sim imposto sobre grandes fortunas, sem respeitar a forma exigida no artigo 153, VII, da Constituição Federal. 4.3 – A caracterização do empréstimo compulsório – a ofensa ao artigo 148 da Constituição Federal De outro modo, diversamente do quanto restou decidido nestes autos, tem-se que ao estabelecer um limite de 30% à Fl. 576DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 577 8 compensação a Lei 8.981/95 criou verdadeiro empréstimo compulsório, na medida que impõe ao contribuinte a situação de, embora tendo prejuízos compensáveis, ser obrigado ao pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro sobre uma base de cálculo indevida, resguardando-se no futuro o direito de ser ressarcido deste pagamento, através da dedução dos 70% (setenta por cento) restantes a título de prejuízo fiscal. Tem-se, portanto, que ao argumento da violação aos princípios da capacidade contributiva e do conceito constitucional de renda e lucro, soma-se o da instituição de empréstimo compulsório sem obediência ao preceituado no artigo 148 da Constituição Federal, reforçando, assim, a afirmação de inconstitucionalidade da limitação à compensação de prejuízos fiscais. Assim, também no mérito o presente Auto de Infração merece ser julgado improcedente, tendo em vista o direito de a Impugnante compensar-se integralmente de seus prejuízos fiscais. 5 – Da ilegalidade da adoção da Taxa SELIC para cálculo dos juros de mora A utilização de juros baseados na taxa SELIC também foi ilegal no presente caso. Constata-se de plano que os valores resultantes da aplicação de tal encargo supera substancialmente o estabelecido pelo §3º, do artigo 192, da Carta Magna, que veda a utilização de juros em percentual superior a 12% ao ano, sob pena de caracterização do crime de usura. Desta feita, visto que referida taxa SELIC utilizada como juros ultrapassa o limite de 12% ao ano estabelecido pela Constituição Federal de 1988, a lei que a estabelece é inconstitucional Pretendendo-se burlar a Constituição Federal de 1988, tem-se consubstanciada a intenção de extorquir os administrados com a aplicação de uma “taxa de juros” totalmente abusiva. 5.1 – Da fixação da Taxa Selic pelo Poder Executivo e sua inaplicabilidade em relação aos débitos fiscais A Lei nº 9.065/95 ao instituir, em seu artigo 13, a Taxa SELIC como equivalência para cálculo dos juros de mora de que trata a Lei nº 8.874/94 (artigo 14, parágrafo único, alínea “c”), outorgou, sem limites, ao Governo Federal, a possibilidade de fixar o valor aplicável a título de juros de mora, mediante a simples manipulação do mencionado índice (Taxa SELIC), o que contraria o disposto no artigo 161, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 578 9 Dada a ilegalidade perpetrada pela Lei nº 9.065/95, artigo 13, resta induvidoso que deva ser aplicada a norma contida na Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), que estabelece que os juros de mora serão calculados à razão de 1% (um por cento) ao mês, em escala linear, não possibilitando a qualquer pessoa subsumida às suas diretrizes a menor condição para manipular o índice previamente estabelecido. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, serve-se a Impugnante da presente para requerer seja cancelado o Auto de Infração em análise em todos os seus efeitos Protesta ainda a Impugnante por todos os tipos de provas admitidas em direito. É o relatório..” A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996 Ementa: CSLL. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento da CSLL é de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. POSTERGAÇÃO. FALTA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS FISCAIS. Não sendo a compensação de prejuízos caso de ajuste ao lucro líquido em virtude de inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo e despesa, não há que se falar em postergação do pagamento do imposto. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às Delegacias de Julgamento o controle de constitucionalidade de Leis. Tal competência é privativa do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cuja verificação de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 579 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo já foi julgado sob a minha relatoria no que concerne apenas a uma prejudicial de mérito relacionada à decadência, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996 Ementa: DECADÊNCIA. Independentemente de haver ou não pagamento, excetuando-se os casos de dolo, fraude ou simulação, a Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade de lançamento por homologação. O Contribuinte ingressou com recurso especial à CSRF obtendo sucesso na reversão dessa matéria, tendo sido afasta da decadência anteriormente acolhida. Dessa feita, o processo retornou para o enfrentamento das demais matérias de mérito que ficaram prejudicadas com o acolhimento da decadência. Compensação de base negativa da CSLL – Trava de 30% - inconstitucionalidade A primeira matéria meritória a ser analisada diz respeito à limitação para compensação da base de cálculo negativa da CSLL A interessada traz uma série de razões pretendendo em última análise discutir a pretensa inconstitucionalidade da Lei na medida em que restringiu o direito de compensação da base negativa da CSLL ao limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. Sendo assim, não deve ser acolhida tal arrazoado, primeiro em função da remansosa jurisprudência administrativa no sentido contrário a essa pretensão e, por último, mas quem sabe talvez até mais importante, tal matéria já foi inclusive sumulada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, através da Súmula nº 3, em sentido contrário ao pretendido pela recorrente: Súmula 1ºCC nº 3: “Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da Fl. 579DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 580 11 compensação da base de cálculo negativa (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006).” Afasto, portanto, essa argumentação. TRAVA DE 30% - POSTERGAÇÃO Entre outras razões de defesa, argumenta por fim que ocorreu a postergação do pagamento da contribuição exigida no ano-calendário de 1996. Pede o cancelamento da exigência fiscal, ou sua redução calculando-se os efeitos da postergação. Em seu recurso tenta provar a existência da postergação apresentado as razões e provas seguintes: Por essa razão, ainda que se entendesse indevida a compensação de prejuízos realizada pela Impugnante, há de se considerar esse procedimento unicamente como mera postergação do pagamento dos tributos, já que como comprovam os DARFs discriminados (fls.115 a 158), a Impugnante apurou lucro e recolheu Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro nos exercícios posteriores. A Impugnante junta, ainda, sua Declaração de IRPJ relativa ao ano-calendário de 1998 (fls.159 a 224), que demonstra a apuração de resultado positivo no respectivo período, o qual foi integralmente tributado sem qualquer compensação de prejuízo fiscal. A mesma situação ocorreu no ano-calendário de 2000 (declaração de IRPJ anexa, fls.225 a 265) no qual também houve apuração de substancial resultado positivo, da mesma forma tributado integralmente, com exceção de pequena compensação de prejuízos fiscais apurados no ano anterior (1999). Nesse contexto, caberia apenas a exigência de juros de mora e, eventualmente, de multa, conforme disposto no Parecer COSIT nº 02/96. Embora o caso que se cuida não trata de forma estrita de “inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas”, mas de antecipação de compensação de base negativa da CSLL, a glosa de base negativas compensadas antecipadamente pode ter reflexos no lucro/contribuição apurados em períodos subseqüentes, o que de certa forma se conforma ao regramento estabelecido pelo artigo 6° do Decreto-lei nº 1597/77, base do Parecer Normativo COSIT nº 02/96. O artigo 6° do Decreto-lei nº 1597/77 assim dispõe: “Art. 6° - O lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 581 12 § 1° - O lucro líquido do exercício é a soma algébrica do lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2° - Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: ... § 3° - Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: ... c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4° - Os valores por competirem a outro período-base, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5° - A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento do imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento de imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer período-base. § 6° - O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período-base de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4°. § 7° - O disposto nos § 4° e 6°, não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência.” (grifei) É necessário que se interprete o § 5° e 6°, do artigo 6°, que, efetivamente, trata de inexatidão quando ao período-base de competência na escrituração de receitas, rendimento ou deduções, conjuntamente o § 4 c/c a letra “c”, do § 3°, que insere o reconhecimento de prejuízos fiscais nesse mesmo contexto. Isso implica que o contribuinte ao compensar integralmente a base negativa da CSLL em determinado ano-calendário e isso depois pelo lançamento de ofício for desfeito, haverá necessariamente aexistência de base negativa a ser utilizada nos anos-calendário subseqüentes. Se nestes anos-calendário subseqüentes o contribuinte auferiu lucro e o tributou, Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 582 13 então acabou por recolher a contribuição que seria devida caso não houvesse desrespeitado a trava. Ao recolher em momento posterior o tributo que deveria ser recolhido no ano-calendário em que desrespeitada a trava, está-se diante de postergação de imposto. Assim, se torna razoável o entendimento de se aplicar os efeitos da postergação nos lançamentos referentes à compensação de prejuízo fiscal ou base negativa da CSLL na apuração do lucro líquido ajustado superior a 30%, quando o contribuinte demonstra que nos anos-calendários seguintes houve lucro e foi tributado, cuja compensação, respeitado o limite para utilização, observaria o prejuízo/base negativa a maior utilizados antecipadamente. Nesse diapasão, cabe salientar que existe súmula do CARF com esse mesmo entendimento. Trata-se da Súmula CARF nº 36: “Súmula CARF nº 36: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente.” (Diário Oficial da União de 14/07/2010) Transcrevo, ainda, a ementa de julgados deste Carf nesse mesmo sentido: “CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO DE FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A inobservância da trava pode gerar hipótese de postergação, quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subsequentes até o lançamento. Se não demonstrada a postergação, não há como a mesma ser acatada pela fiscalização ou pelo órgão julgador.” (Acórdão nº 9101-001.840/CSRF, sessão de 10 de dezembro de 2013) “PREJUÍZO FISCAL. LIMITAÇÃO. TRAVA DOS 30%. Para a determin ação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-- calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. (Súmula nº 03 do CARF) PREJUÍZO FISCAL. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO. A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, somente quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. (Súmula nº 36).” (Acórdão nº 1801-- 002.179, sessão de 23 de outubro de 2014) Fl. 582DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 583 14 A contribuinte juntou como prova sua Declaração de IRPJ relativa ao ano- calendário de 1998 (fls.159 a 224) que demonstraria a apuração de resultado positivo e tributação em períodos subseqüentes. A mesma situação ocorrido no ano-calendário de 2000 (declaração de IRPJ anexa, fls.225 a 265) no qual também houve apuração de resultado positivo, da mesma forma tributado integralmente, com exceção de pequena compensação de prejuízos fiscais apurados no ano anterior (1999). Trouxe também aos autos DARFs de recolhimentos (fls. 115/158). Nesse contexto, caberia apenas a exigência de juros de mora e, eventualmente, de multa, conforme disposto no Parecer COSIT nº 02/96. Por todo o exposto, DOU provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para ajustar o quantum devido ao valor que deve ser cobrado considerando os efeitos apenas da postergação no pagamento do imposto, nos termos do Parecer COSIT nº 2/96. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 583DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Relatório Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator TRAVA DE 30% - POSTERGAÇÃO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002019/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta-corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1302-001.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 20 19 /2 00 7- 81 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 504 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 505 3 Relatório BBSC DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão nº 1418.156, de 17/01/2008, da 3 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), DRJ/RPO, recorre a este Colegiado, a fim de reformar o referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada omissão de receitas, no anocalendário de 2004, caracterizada por depósitos bancários e investimentos realizados junto a instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea. O crédito tributário lançado totalizou R$ 721.756,98 (setecentos e vinte e um mil e setecentos e cinqüenta e seis reais e noventa e oito centavos), conforme demonstrativo de fl. 4, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: I — Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) — fls. 135/140. Imposto: R$ 57.255,16 Juros de mora: R$ 23.068,12 Multa proporcional: R$ 85.882,73 Total: R$ 166.206,01 Enquadramento legal: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 25 e 42; e Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) — Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 —, art. 528. II — Contribuição para o PIS — fls. 141/147. Contribuição: R$ 26.195,61 Juros de mora: R$ 10.927,78 Multa Proporcional: R$ 39.293,39 Total: R$ 76.416,78 Enquadramento legal: Lei Complementar (LC) no 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1 ° e 3 °; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24, § 2 °; Decreto no 4.524, de 17 de dezembro de 2002, arts. 29, I, "a" e parágrafo único, 3 0, 10, 22, 51 e 91. III — Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — fls.148/154. Contribuição: R$ 120.903,04 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 506 4 Juros de mora: R$ 50.436,20 Multa Proporcional: R$ 181.354,53 Total: R$ 352.693,77 Enquadramento legal: Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 3 °, II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91. IV — Contribuição social (CSLL) — fls. 155/160 Contribuição: R$ 43.525,10 Juros de mora: R$ 17.627,68 Multa Proporcional: R$ 65.287,64 Total: R$ 126.440,42 Enquadramento legal: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2 ° e §§; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24; Lei n° 9.430, de 1996, art. 29; Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37. O termo de verificação, constatação e encerramento da ação fiscal (fls. 162/195) descreve o procedimento fiscal levado a efeito, apontando a apuração de três irregularidades, sendo que apenas uma delas resultou no presente lançamento, qual seja, a falta de contabilização de créditos bancários nos bancos Bradesco, Itaú e Safra, que caracteriza omissão de receitas. No quadro 04, que compõe o referido termo, o autuante constatou depósitos no montante de R$ 6.911.692, 25 contra uma receita bruta declarada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) no total de R$ 2.511.349,58. Apurou, ainda, que a autuada contabilizara apenas os extratos bancários correspondentes ao Banco do Brasil. Tendo intimado (fls. 81/89) a fiscalizada a comprovar a origem dos depósitos bancários realizados nas contascorrentes nos bancos Bradesco, Itaú e Safra, ela apresentou suas justificativas, que compõem os anexos III e IV do presente processo. As justificativas apresentadas são: transferências entre contas de mesma titularidade, reconstrução de estoque, duplicatas descontadas sem acompanhamento de saída de mercadorias e sem prestação de serviços, vendas a descoberto que devem integrar a base de cálculo, entrada referente a operação capital de giro e resumo semestral da receita de cada modelo e dos descontos semestrais de título sem acompanhamento de mercadoria ou serviços em cada banco e descontos anuais em cada banco Analisando essas justificativas, o autuante, ainda no termo de fls. 162/195, apresentou sua contraargumentação, além de demonstrar as justificativas que foram por ele aceitas, elaborando o quadro 14, apurando omissão de receitas no valor de R$ 4.030.103,16. O lançamento foi efetuado com multa qualificada, por ter entendido o autuante que a fiscalizada cometera, em tese, ilícitos que configuram crime contra a ordem tributária, por sua conduta de informar, por meio de declarações entregues ao Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 507 5 Fisco, valores correspondentes às respectivas receitas brutas mensais inferiores às somas dos créditos bancário apurados e não contabilizados, restando caracterizado que ela tentara impedir e/ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, o que configuraria sonegação fiscal, conforme descrito no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Notificada do lançamento em 25/06/2007, conforme autos de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 25/07/2007, com a impugnação de fls. 198/235, alegando, em suma: • Apresentou respostas aos termos de intimação, sobre a origem dos depósitos e entradas nas contas bancárias questionadas, que compuseram os anexos III e IV do processo e foram classificadas em itens; • Com referência ao item correspondente à transferência de valores entre conta de mesma titularidade, do total de 66 transações bancárias de mesma titularidade tratadas pelo autuante, apenas 6 foram notificadas no auto de infração, e devem ser expurgadas da base de cálculo do tributo, 7 foram aceitas como transferências, e 53, embora não aceitas não foram notificadas; • No que se refere ao desconto de duplicatas sem mercadorias ou serviços, constituiu títulos de crédito contra seus clientes, por meio de seu bankline, usando deste artifício para lograr crédito mais barato em operações de capital de giro no mercado financeiro, sendo que não houve saída de produto de seu estabelecimento na maior parte das entradas de dinheiro nas contas omitidas, que não eram mantidas à margem da contabilidade em função de existência de "caixa 2", mas sim para dissimular os meios de obtenção de crédito; • Conforme doutrina e jurisprudência, tal prática não se configura fraude fiscal; • Quanto à reconstrução do estoque e o preço médio de venda, pretende discutir a definição de qual deve ser, de acordo com critérios constitucionais e legais, a base de cálculo utilizada para a determinação do montante do imposto sobre produtos industrializados (IPI) a ser recolhido pelos contribuintes a ele sujeito; • O preço médio dos modelos vendidos pela autuante, calculado levandose em conta a omissão de receitas apontada (R$ 4.030.103,16) é totalmente inviável de ser praticado, pois supera em muito o valor de venda ao revendedor, quando teria uma margem de lucro irreal, em torno de 413,95%; • O estoque fora remontado, tendo por base as notas de entrada cumuladas com os registros constantes nas declarações de importação, daí advindo o número de aquecedores comercializados no período de 2004; • No que se refere ao enquadramento legal apontado, apenas a base de cálculo pode ser arbitrada, já que a ocorrência do evento descrito no fato jurídico é passível, ao máximo, de ser presumida, tendo em vista que o evento deve ser provado direta ou indiretamente, sendo que esta última hipótese apenas diante da impossibilidade de produção de provas diretas e da constatação de graves e concordantes indícios, assegurandose sempre o direito do contribuinte de se defender da imputação que lhe está sendo feita; • O arbitramento é dotado de caráter excepcional e só deve ser exercido em casos extremos, já que a base de cálculo originária e a que deve ser utilizada por ser Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 508 6 a prevista na regramatriz de incidência tributária e por guardar, a princípio, relação direta com as riquezas constitucionalmente previstas; • Quando apresentados esclarecimentos e declarações, e expedida documentação na forma da lei sem vícios que a desclassifique, a prova se encontra a favor da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a comprovação da inveracidade dos fatos informados ou registrados, o que não aconteceu nos autos em questão; • Embora tenha argumentado a impossibilidade de ter aquela receita omitida, pelo simples fato de que não haveria tantos aquecedores em seu estoque para comercialização, ou que os preços médios alcançados pelas vendas ultrapassariam em muito os praticados no mercado corrente, a fiscalização não lançou mão das ferramentas passíveis de aferição, tais quais (sic); • Existindo documentação regular, o Fisco está vinculado a adotála como base de prova, podendo socorrerse de outros meios para confirmar ou infirmar suas correspondências com a realidade e, caso constate a inveracidade de um ou mais elementos, deve proceder à retificação, recompondo a verdade material; • Não basta que se dê oportunidade formal de defesa. Fazse imperiosa a efetiva verificação dos elementos probatórios trazidos pela contribuinte; • O ato jurídico de arbitramento deve ser sempre motivado, devese entender tanto a indicação dos fundamentos legais que amparam o arbitramento como os pressupostos de fato incorridos pela contribuinte; • O contribuinte deve ser intimado para sanar, em prazo razoável, as irregularidades constantes dos documentos fiscais, conforme acórdão do Conselho de Contribuintes —CC; • Questiona a materialidade das entradas como base de cálculo; • De suma importância é o conhecimento das razões preconizadas pela fiscalização que autorizam o entendimento de que as entradas financeiras em contas bancárias são advindas de saída de mercadoria de seu estabelecimento e, portanto, aptas para servirem de base de cálculo dos tributos perseguidos; • Somente após o esgotamento das vias probantes, com elementos probatórios contrários à tese empreendida, poderia haver a negativa pelo auditor fiscal, não aceitando os indícios apontados pela impugnante; • ao longo do termo de verificação fiscal, os argumentos restringiramse basicamente à não aceitação, sem demonstrar o efetivo nexo entre conduta e norma, incorrendo, portanto, a perfeita subsunção do fato ao enunciado descritivo na legislação, mesmo porque o sustentáculo retórico e argumentativo do servidor federal abstevese de analisar as operações da pessoa jurídica, olvidandose de contraargumentar o exposto pela requerente, em sede do procedimento fiscalizatório. Requereu o cancelamento do débito fiscal reclamado e juntou os documentos que fazem as fls. 236 a 446. Devidamente cientificada em 21/02/2008, conforme AR de fl. 468, foi interposto recurso voluntário de fls. 463 a 494, em 20/03/2008, onde são repisados os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 509 7 É o relatório. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 510 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Tratase de analisar lançamento relativo ao anocalendário de 2004, em que se apurou omissão de receitas da atividade, caracterizada por depósitos e investimentos realizados juntos a instituições financeiras, em que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consoante relato fiscal, o sujeito passivo foi intimado e reintimado a apresentar os extratos bancários da empresa relativos aos anos sob fiscalização. Em face do não atendimento das intimações, emitiuse requisição de informações às instituições financeiras consoante previsto na legislação regente. A partir das informações fornecidas pela instituição financeira, a fiscalização elaborou descrição de créditos/depósitos de forma individualizada, ao que intimou o sujeito passivo a comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta corrente. Ante a omissão da intimada, efetuouse o lançamento com lastro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que prescreve: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) Alega a defesa que a quebra de sigilo bancário só poderia ser decretada por ordem judicial e que seria inconstitucional o Decreto nº 3.724, de 2001. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 511 9 Cumpre, desde logo, deixar assente que não compete à autoridade administrativa o exame de argüições quanto à legalidade e constitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. À autoridade administrativa tributária cumpre observar a norma nos termos em que editada, em conformidade com o que estatui o art. 142 do CTN. A questão também está pacificada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em conformidade com o que estatui o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Receita Federal está autorizada a requisitar informações às instituições financeiras acerca da movimentação bancária dos contribuintes, independentemente de consentimento judicial, desde que, como no caso em tela, haja procedimento fiscal em curso e os exames sejam considerados indispensáveis. Nos termos dos citados diplomas, tal procedimento não configura quebra de sigilo bancário, consoante disposição expressa nesse sentido. No que se refere às transferências de mesma titularidade, o autuante deixou claro que aceitara 07 (sete) das transferências apontadas e rejeitara 6 (seis). Com relação às demais (53 transferências), diferentemente do que alega a recorrente, ficou claro que eles nem constaram do termo de intimação, pois o autuante já reconhecera que se tratava de transferências de mesma titularidade. A discussão, portanto, nesse caso, está em torno de seis transferências (5 créditos no Banco Bradesco e um no Banco Itaú), constantes dos quadros 8 e 9 do termo de verificação, para as quais, segundo o autuante, a fiscalizada não apresentou o extrato da conta de origem, além do que os valores contestados não constam dos extratos das outras contas correntes apresentadas. Em seu recurso, a contribuinte limitase a afirmar que se trata de transferências de mesma titularidade, portanto deveriam ser excluídas. No entanto, mais uma vez deixa de apresentar o extrato da conta de origem desses depósitos, tanto que em seu demonstrativo (fis. 203/205), a coluna origem dessas seis transferências encontrase em branco ou com a anotação BBSC. Logo, não há como se excluir esses valores. A requerente alegou, ainda, que teria constituído títulos de crédito contra seus clientes, usando deste artifício para lograr crédito mais barato em operações de capital de giro no mercado financeiro, sem a correspondente saída de produto de seu estabelecimento, na maior parte das entradas de dinheiro nas contas omitidas, que não eram mantidas à margem da contabilidade em função de existência de "caixa 2", mas sim para dissimular os meios de obtenção de crédito e que tal prática não se configura fraude fiscal. De plano, há que se ressaltar que a impugnante não traz nenhuma prova dessas alegações. Ademais, um dos brocardos do direito é que ninguém pode alegar em sua defesa a própria torpeza. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 512 10 Assim descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados. Quanto às alegações da recorrente, acerca de arbitramento, não se aplicam ao presente caso, pois não houve arbitramento, mas, sim, presunção legal de que os depósitos bancários cuja origem não restou comprovada constituem omissão de receitas. Defende a recorrente, no sentido de buscar a veracidade e a plausibilidade da base de cálculo eleita pela fiscalização, que somente após o esgotamento das vias probantes, com elementos contrários à tese empreendida, poderia haver a negativa pelo autuante, não aceitando os indícios por ela apontados. Argumenta que não aconteceu a busca pela verdade material pelo Fisco, uma vez que os seus argumentos teriam se restringido basicamente à não aceitação, sem demonstrar o efetivo nexo entre conduta e norma, inocorrendo, portanto, a perfeita subsunção do fato ao enunciado descritivo na legislação, mesmo porque o sustentáculo retórico e argumentativo do autuante teria se esquivado de analisar as operações da pessoa jurídica, olvidandose de contra argumentar o exposto pela requerente, em sede do procedimento fiscalizatório; Não merece prosperar tal alegação. Ora, a própria recorrente afirma que apenas apontou indícios. O autuante, como já visto, efetuou a prova que lhe cabia, qual seja, a de que os depósitos bancários superam a receita declarada e não foram comprovados pela autuada. Não há que se falar em prova a favor da contribuinte, pois a documentação apresentada por ela não foi capaz de justificar a origem dos valores depositados em sua conta corrente. O autuante analisou todas as provas e argumentos apresentados pela interessada. DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS – PIS, COFINS, CSLL Com relação aos autos de infração reflexos (PIS, Cofins e CSLL), sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito, até porque não foram trazidos pela impugnante argumentos específicos contra esses lançamentos. CONCLUSÃO De tudo que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 03 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 512DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 513 11 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 11030.720430/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1301-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 04 30 /2 01 2- 52 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada). Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720430/201252 Acórdão n.º 1301001.807 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/Cofins e Programa de Integração Nacional/PIS, no montante de R$ 220.261,41, em razão da omissão de receita caracterizada pela ausência de emissão de notas fiscais e conseqüentemente não reconhecimento das receitas auferidas relativamente a serviços prestados (comissões) à COOPERCOLHEITA – Cooperativa dos Profissionais da Agricultura e Colheita Ltda. O procedimento fiscal foi empreendida junto à COOPERCOLHEITA, oportunidade em que a Fiscalização detectou a escrituração de despesas com comissões pagas a empresas em nome de administradores daquela sociedade cooperativa, dentre as quais, “Agro Colheita Ltda.”, cujos sócios são Fransciel Ribolli Largo, Nilmar Passaia Largo, Leonardo Nicola e Nilto Roque Lazzaretti, todos também participantes como associados de COOPERCOLHEITA. Segundo a autoridade fiscal “A empresa comercial, prestadora de serviços da Coopercolheita da qual recebeu rendimentos de comissões dos quais não emitiu nota fiscal, não adicionou na sua escrita fiscal, bem como omitiu os valores na sua declaração de rendimentos”. No ano calendário de 2008 a fiscalizada declarou à Receita Federal do Brasil/RFB que não auferiu receita, ao passo que as comissões percebidas perfaziam o montante de R$ 232.667,98. Já em 2009, a fiscalizada declarou à RFB não ter percebido receitas no 1º trimestre, ao passo que nos 2º, 3º, e 4º trimestres teriam recebidos receitas de, respectivamente, R$ 3.046,00, R$ 15.907,00 e R$ 21.243,00 (total de receita bruta anual de R$ 40.196,00), ao passo que as comissões recebidas nos mesmos períodos totalizou R$ 430.310,68. Salienta a Fiscalização que as comissões pagas pela COOPERCOLHEITA não compunham o montante de receitas declaradas ao Fisco. Foi aplicada multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96. O contribuinte cientificado apresenta impugnação alegando, em apertada síntese, que: A Fiscalização, de forma equivocada, não tem aceitado recibos para comprovação de despesas, glosandoas com base em opiniões subjetivas; Os recibos foram aceitos para comprovar despesas da COOPERCOLHEITA, sendo portanto, hábeis e idôneos; cita jurisprudência que reforçaria seus argumentos; A atividade administrativa é vinculada aos termos da lei e o art. 97, V, do CTN, impõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 O art. 112 do CTN, determina que a lei que determinar a aplicação de penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado; Não ficaram caracterizados os elementos que justificariam a aplicação da multa qualificada, pois, em nenhum comprovouse sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64; Alega ainda que a autoridade fiscal não teria comprovado o dolo e, embora não tivesse emitido nota fiscal, foram emitidos recibos, o que comprovaria a ausência de intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Aduz ainda que as circunstâncias constatadas no procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA não podem ser utilizadas para embasar o agravamento de sua penalidade, haja vista que a responsabilidade por infrações é pessoal. Cita doutrina e jurisprudência administrativa que embasariam seus argumentos; Requer, ao final, seja reduzida a penalidade aplicada de 150% para 75%. A DRJ/PORTO ALEGRE (RS) decidiu a matéria sintetizado no Acórdão 10 038.509, Sessão de 22 de maio de 2012, julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008, 2009 MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720430/201252 Acórdão n.º 1301001.807 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como bem salientado no voto condutor ora recorrido, a questão de fundo mostrase incontroversa: o impugnante auferiu receitas de comissão, pagas por COOPERCOLHEITA, não as escriturou, tampouco recolheu os tributos sobre elas incidentes ou os declarou à RFB. Tal fato é corroborado pelo pedido de parcelamento apresentado pelo contribuinte relativamente aos tributos lançados. Embora o impugnante argumente sobre a legalidade da emissão de recibos, e que, em razão desse fato, a falta de emissão de notas fiscais seria irrelevante, em nenhum momento questionouse a materialidade do fato apontado pela Fiscalização: o impugnante auferiu receitas, não as escriturou, tampouco declarou os tributos incidentes à RFB ou os recolheu. Isso posto, não há lide sobre a exigência dos tributos, restando a discussão sobre a correição da penalidade qualificada aplicada. Neste ponto, (QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO) compulsando os autos do presente processo, constatase de maneira cristalina, que o contribuinte assumiu de forma livre e consciente o risco de omitir à tributação as receitas ora apuradas. Portanto, o contexto revela a presença de conduta DOLOSA tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza SONEGAÇÃO, nos termos do inciso I, do art. 71 da Lei 4.502/64, vejamos: Por bem descrever os fatos transcrevo os seguintes trechos extraídos do voto ora recorrido: "O contribuinte discorda da aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, pois entende não haver comprovação de fraude e/ou dolo. No caso dos autos, foi aplicadas a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base na omissão de receita, prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, tendo em vista a intenção dolosa do contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720430/201252 Acórdão n.º 1301001.807 S1C3T1 Fl. 14 7 Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal de tal modo que se justifique a aplicação da penalidade de 150%, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No presente caso, o contribuinte deixou de declarar expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2008 a 31/12/2009, sendo que, em 2008, declarou não haver auferido qualquer rendimento. Essa conduta reiterada revela, sem dúvida, a intenção dolosa com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo serem considerados meros erros de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento, posto que não se tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos ano calendário de 2008 e de 2009. Vejase que no ano de 2008 o contribuinte declarou à RFB não ter auferido receitas, enquanto que as comissões percebidas perfazem R$ 232.667,98. Em 2009, a situação não se altera substancialmente, pois embora tenha declarado auferir receitas (R$ 40.196,00 00 durante todo o período), não escriturou o faturamento de R$ 430.310,68, relativo também a comissões. Conseqüentemente, também não declarou ou recolheu os tributos incidentes sobre esses rendimentos, caracterizando, sem sombra de dúvidas, o intuito fraudulento de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Tanto é assim que, somente durante o procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA, que possui dentre seus associados os sócios do impugnante, é que a autoridade fiscal obteve a informação de que o impugnante houvera auferido receitas de comissões. Assim sendo, os argumentos do impugnante quanto à ausência de comprovação do dolo mostramse insubsistentes diante dos elementos coligidos pela Fiscalização." Pois bem, a discussão nos autos ficou restrita à multa qualificada de 150% contra a qual insurgiu a recorrente alegando, em apertada síntese, não ter ficado provado o dolo por parte da autoridade fiscal e que a existência de omissão de receita, por si só, não é suficiente para caracterização de fraude. Aduz, que o fato da fiscalização ter constatado recebimentos de comissões sem emissão da respectiva nota fiscal, mas, em contrapartida, ter emitido recibos de quitação, não caracteriza a intenção de esconder a operação ou dificultar o conhecimento dos fatos pelo fisco. Por essas razões, requereu a redução da multa aplicada para 75%. Vêse conforme descrito acima, que a abordagem contida na decisão recorrida bem demonstra a impropriedade desta argumentação. No caso em análise entendo que não se trata simplesmente de declaração inexata ou de falta de recolhimento de tributos ou ainda de simples omissão de receita como foi alegado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 Ressaltese que, qualquer que seja a conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. No caso dos autos, não há dúvida de que a empresa autuada recebeu comissões sem emissão de nota fiscal e sem o registro contábil devido com a clara intenção de deixar de pagar ou pagar menos tributo. Notase que a recorrente, sequer tentou justificar as diferenças apuradas pelo Fisco, mesmo porque não haveria como justificar. Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, não há dúvida da intenção da contribuinte em reduzir os tributos devidos e se beneficiar indevidamente de forma dolosa, como bem destacou a autoridade fiscal. Repito, os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. O fato de oferecer à tributação valores inferiores aos auferidos, de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil ou falta de pagamento dos tributos, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Por essas razões, entendo que a qualificação da multa aplicada foi medida acertada e perfeitamente em consonância com a legislação aplicável, pelo que deve ser mantida. LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, como a omissão de receita foi reconhecida e parcelada pelo contribuinte, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, salientando novamente que as peças de defesa limitouse a resignarse em relação à exigência da multa de ofício qualificada, deixando de contestar a exigência dos tributos exigidos desde já objetos de pedido de parcelamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720430/201252 Acórdão n.º 1301001.807 S1C3T1 Fl. 15 9 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 13708.000627/2003-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
DESPACHO DECISÓRIO. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Descabe falar em nulidade de despacho decisório na circunstância em que o Parecer Conclusivo que lhe serviu de suporte é claro no sentido de apontar o fundamento tido como representativo de inovação por parte da autoridade julgadora de primeira instância. O fato de, em exame mais aprofundado acerca do efetivo crédito passível de utilização em procedimento de compensação tributária, ter sido identificada inconsistência para a qual se oportunizou prazo elástico para que fosse devidamente esclarecida, não desqualifica o fundamento inicial do qual a citada inconsistência representa mera decorrência.
DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
A ausência de comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, de alegado erro de preenchimento de instrumento declaratório, da mesma forma que contagia de incerteza o crédito tributário decorrente da inconsistência apontada pela autoridade tributária, contamina o direito creditório nele consignado, impedindo, assim, o seu aproveitamento em procedimento de compensação tributária.
Numero da decisão: 1301-001.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em nulidade de despacho decisório na circunstância em que o Parecer Conclusivo que lhe serviu de suporte é claro no sentido de apontar o fundamento tido como representativo de inovação por parte da autoridade julgadora de primeira instância. O fato de, em exame mais aprofundado acerca do efetivo crédito passível de utilização em procedimento de compensação tributária, ter sido identificada inconsistência para a qual se oportunizou prazo elástico para que fosse devidamente esclarecida, não desqualifica o fundamento inicial do qual a citada inconsistência representa mera decorrência. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. 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Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. “documento assinado digitalmente” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 06 27 /2 00 3- 04 Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.098 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.099 3 Relatório Trata o presente processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, por meio das quais TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A pretende compensar débitos diversos (IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS) com crédito representado por saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no anocalendário de 2002. O presente processo já foi submetido a uma primeira apreciação por parte desta Primeira Turma Ordinária (Resolução nº 130100.019, de 28/09/2009), motivo pelo qual reproduzo o relatório elaborado pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha. TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de JaneiroI/RJ, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJ. Trata a lide de Declarações de Compensação (DCOMP), formuladas a partir de 15/04/2003, às fls. 01 e 32/65 do presente processo e à fl. 01 do processo n° 13708.000722/200308, apensado a este. Em todos os casos, a interessada traz débitos diversos de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS, pretendendo compensálos com créditos no valor total de R$ 19.564.676,54, originados de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002 (fl. 02 deste processo). A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJ) os indeferiu, mediante o Despacho Decisório de fl. 99, com base no Parecer conclusivo n° 208/05 (fls. 97/98). A Autoridade Administrativa constatou que a interessada foi submetida a procedimento de fiscalização do IRPJ sobre os fatos geradores ocorridos no ano calendário 2002, do que resultou constatada a existência de IRPJ a pagar no valor original de R$ 81.337.979,00, e não saldo negativo a compensar, conforme alegado. A exigência consta do processo administrativo fiscal n° 18471.000999/200529, ainda pendente de julgamento administrativo. Assim, concluiu aquela Autoridade que o crédito pleiteado no presente processo carece de certeza e liquidez, requisitos indispensáveis, segundo o CTN, para que se pudesse autorizar a compensação tributária. A reforçar a ausência de certeza e liquidez dos créditos, o parecerista registrou, ainda, que "não há compatibilidade de valores nem mesmo entre os dados apresentados nas planilhas trazidas pela própria interessada às fls. 03/06 e aqueles por ela declarados na DIPJ/2003, anocalendário de 2002". Com esses fundamentos, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, e as compensações declaradas não foram homologadas. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de JaneiroI/RJ (fls. 111/114), trazendo, em resumo, os seguintes argumentos: Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.100 4 Haveria nulidade no Despacho Decisório da DERAT/RJ, por ter indeferido o pleito sem exame do mérito, ao argumento de inexistência de certeza e liquidez do crédito apresentado, em face da autuação lavrada nos autos do processo administrativo n° 18471.000999/200529. Aduz que, somente após decisão administrativa definitiva naquele outro processo é que poderiam ser avaliadas as compensações declaradas no presente processo. Por esse motivo, pede o julgamento em conjunto dos processos administrativos ou, alternativamente, que o julgamento do presente processo reste sobrestado até o julgamento final daquele outro. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante Acórdão n° 1213.181, de 31/01/2007 (fls. 151/159), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO POR AUSÊNCIA DE EXAME DO MÉRITO. INSUBSISTÊNCIA. A verificação de valores que instruem os pedidos de compensação formulados em confronto com a DIPJ regularmente entregue afasta a argüição de nulidade do Despacho Decisório por falta de exame do mérito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO REAL ANUAL. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DO SALDO CREDOR INFORMADO NA DIPJ COM DÉBITOS DE IRPJ, CSLL, IRRF, PIS E COFINS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO. A existência de divergência de valores entre a DIPJ e as informações prestadas nos autos pela pessoa jurídica tornam o saldo credor de IRPJ carente de certeza e liquidez, o que inviabiliza o reconhecimento do direito creditório e sua compensação com tributos. Por relevante, ressalto que na decisão de primeira instância restou consignada a inexistência de vínculo entre o presente processo e o de n° 18471.000999/200529. Isto porque, no outro processo, “... para efeito de apuração do IRPJ exigido o saldo negativo (credor) informado na DIPJ/2003 (jicha 12A,fls. 67) não foi deduzido do valor apurado do tributo, por ocasião da lavratura do auto de infração...” Ciente da decisão de primeira instância em 10/08/2007, conforme documento de fl. 166v, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 23/08/2007 (registro de recepção à fl. 168, razões de recurso às fls. 169/179), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Insiste em que o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002 teria sido desconstituído nos autos do processo administrativo n° 18471.000999/200529, ainda pendente de decisão administrativa definitiva. Acrescenta que, se obtiver sucesso em seu recurso administrativo naquele processo, restará a seu favor o crédito de IRPJ, alegado como único óbice à homologação das compensações discutidas no presente processo. Por este motivo, reitera os pedidos de nulidade do Despacho Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.101 5 Decisório e de julgamento das compensações aqui declaradas em conjunto com o outro processo ou, alternativamente, após sua decisão definitiva. Questiona o entendimento manifestado pela Autoridade Julgadora em primeira instância, acerca da ausência de vinculação entre o presente processo e o de n° 18471.000999/200529. Ao contrário, sustenta que “... se o saldo negativo não foi deduzido do tributo apurado pelo fisco na autuação, o auto de infração também engloba no valor exigido o saldo negativo não confirmado pelo fisco". Aduz que, com esse raciocínio, a DRJ teria inovado os fundamentos da decisão da DERAT, contrariando as razões expendidas pelo próprio fisco, que buscou na autuação a título de IRPJ as suas razões de decidir contrariamente à homologação das compensações. Argumenta que, se não é no processo n° 18471.000999/200529 que se funda a não homologação das compensações, seu indeferimento carece de comprovação. Segundo afirma, as divergências entre as planilhas apresentadas (crédito de R$ 19.564.676,54) e a DIPJ (crédito de R$ 124.802.754,29) não seriam aptas a desconstituir a integralidade do crédito da recorrente, posto que em ambos os casos existe crédito a seu favor. Por sua ótica, o Fisco deveria apurar a efetiva situação fiscal da recorrente, em nome dos princípios da verdade material e da legalidade objetiva. Conclui com o pedido do cancelamento do Despacho Decisório da DERAT/RJ e a homologação das compensações declaradas. Sucessivamente, requer a reunião do presente processo ao de n° 18471.000999/200529, para julgamento conjunto, também neste caso declarando nulo o Despacho Decisório da DERAT/RJ, para que seja apreciado o mérito da compensação. Alternativamente, pede que o julgamento do presente recurso seja obstado até o julgamento final dos autos de infração do processo n° 18471.000999/200529 e, se confirmada a existência de crédito de IRPJ, seja determinado o retorno do presente processo à DERAT/RJ para apreciação do mérito das compensações aqui declaradas. Na apreciação inicial realizada por esta Primeira Turma Ordinária, o Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, nos exatos termos do voto condutor que a seguir transcrevo. Inicialmente, deve ser esclarecida a questão da vinculação, ou não, do presente processo com aquele de n° 18471.000999/200529. Compulsando os autos, encontro às fls. 69/80 cópia do Termo de Verificação lavrado naquele outro processo, em que o AuditorFiscal autuante descreve os fatos apurados que levaram à lavratura do auto de infração de IRPJ cuja cópia se encontra às fls. 81/87. No Termo de Verificação, nenhuma referência encontro ao fato de ter a interessada apurado saldo negativo de IRPJ em sua declaração de informações (DIPJ) em qualquer dos anos objeto de autuação. A fl. 82, constato que a matéria tributável apurada para o anocalendário 2002 é de R$ 325.351.916,00. A fl. 85, o demonstrativo de apuração do imposto dá conta da aplicação, sobre esse valor, da alíquota de 15%, além do adicional de 10% na forma da lei, levando ao total devido para esse ano de R$ 81.337.979,00. Esse valor não é reduzido, naquele outro processo, por qualquer meio. Especialmente, dele não é abatido o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte em sua DIPJ (ficha 12A, fl. 67). Com estes fundamentos, a DRJ concluiu pela inexistência de vinculação entre este processo e aquele. Senão vejamos. Na hipótese de declarada a improcedência da autuação no outro processo, restaria intacta a declaração apresentada, com o saído Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.102 6 negativo ali apurado. Na hipótese contrária, de procedência do lançamento, o valor exigido naquele outro processo não teria sido afetado pelo saldo negativo apurado na declaração, pelo que esse saldo negativo deveria seguir seu curso normal, cabendo ser restituído ou compensado, desde que devidamente comprovado. No entanto, vejo aqui uma incongruência. A apuração tributária somente pode levar a um resultado, em um anocalendário. Ou bem o contribuinte teve lucro e do imposto devido devem ser deduzidos os valores antecipados (estimativas, imposto retido na fonte, entre outros), antes de gerar qualquer saldo negativo, ou bem o contribuinte teve prejuízo, e os valores antecipados se convertem em saldo negativo, passível de restituição ou compensação. Não faz sentido exigir imposto com a mão direita e reconhecer direito creditório com a esquerda, sobre o mesmo tributo no mesmo período de apuração. A conclusão poderia ser outra se o direito creditório já houvesse sido definitivamente reconhecido e restituído ou compensado. No entanto, não é essa a situação dos autos, pelo que entendo que os dois processos devam ser apreciados e decididos conjuntamente. Pesquisando nos sistemas de processamento de dados do Ministério da Fazenda, constatei que o processo n° 18471.000999/200529 foi julgado na 5ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes em outubro de 2007. Mediante o acórdão n° 10516.710, a decisão de primeira instância (que exonerava o lançamento) foi declarada nula. Em novo acórdão de primeira instância, o lançamento foi considerado parcialmente procedente e o processo se encontra, atualmente, aguardando julgamento dos recursos voluntário e de oficio no CARF. Seguindo adiante, verifico que, neste processo, houve um segundo fundamento para a decisão recorrida: a Autoridade Julgadora em primeira instância deixou claro que a diferença entre o valor do crédito pleiteado e demonstrado na planilha de fl. 03 (R$ 19.564.767,54) e aquele que consta da ficha 12A, linha 18, da DIPJ apresentada (R$ 124.802.754,29) era também elemento de dúvida, a contaminar a liquidez e a certeza exigidas para a compensação tributária de que trata o art. 170 do Código Tributário Nacional. Eis o trecho que consta do acórdão recorrido, à fl. 159: Em outras palavras, não deve pairar a menor dúvida acerca do direito do sujeito passivo sobre esses créditos. Entretanto, não é o que ocorre no caso sob exame, porquanto o conflito de valores entre as planilhas elaboradas pela interessada e a DIPJ/2003 por ela própria entregue à Receita Federal tornam o crédito pleiteado, consubstanciado no saldo credor de IRPJ, carente de certeza e liquidez, sem que, também, qualquer documento tenha sido trazido aos autos para o fim de esclarecer tais divergências. Argúi a recorrente que a diferença apontada não seria motivo para a desconsideração total do crédito, posto que, em ambos os casos, existe crédito a seu favor. A diferença, de mais de cem milhões de reais, por certo é vultosa e chama a atenção. Mas o fato é que o valor pleiteado é o menor dos dois, e devese ressaltar que em nenhum momento a interessada foi intimada a esclarecer o motivo da diferença, nem a comprovar os valores que integram o alegado saldo devedor de IRPJ, seja o de R$ 19.564.767,54, seja o de R$ 124.802.754,29. Por todo o exposto, considero que o presente processo não se encontra em condições de julgamento, pelo que proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a Autoridade Administrativa que jurisdiciona o contribuinte o intime, examine, se necessário, sua escrita contábil e fiscal e se manifeste em Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.103 7 relatório conclusivo acerca de qual é o valor comprovado a que faz jus o contribuinte, a título de saldo credor (negativo) de imposto de renda pessoa jurídica no anocalendário 2002, sem levar em conta os possíveis efeitos introduzidos pela autuação de que trata o processo n° 18471.000999/200529. Do relatório deve ser dada ciência à interessada, com prazo para que, desejando, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões. Na hipótese de desistência do recurso, por parte do contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deverá ser informado. No que toca ao processo n° 18471.000999/200529, tendo em vista a conexão aqui estabelecida, proponho que seja avocado para distribuição a este relator, com vistas a julgamento conjunto, tão logo este processo retorne da diligência proposta. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – Demac/RJO, historiando os fatos retratados nos autos, informa que em 16 de janeiro de 2012 a contribuinte juntou ao processo petição (fls. 389/391), por meio da qual informou que o CARF deu provimento ao recurso voluntário interposto no processo administrativo nº 18471.000999/200529. Adiante, promovendo análise do saldo negativo apurado no anocalendário de 2002, assinala: Da análise da DIPJ 2003 apresentada pela interessada, cópia parcial juntada às fls. 520/529, verificouse a necessidade de esclarecimentos sobre alguns valores, motivo pelo qual a interessada foi intimada, através do Termo de Intimação nº 301/2012, de 21/03/2012, (fls. 398/400), a apresentar, em síntese, o seguinte: a) justificativas e documentos comprobatórios referentes aos valores constantes na ficha 06 A tanto a título receitas e quanto de despesas de Juros sobre Capital Próprio; b) justificativas e documentos comprobatórios referentes aos valores declarados na linha 24 da ficha 06 A – Outras Receitas Financeiras; c) cópia dos comprovantes de rendimentos emitidos por algumas das fontes pagadoras listadas pelo contribuinte na ficha 42, já que os valores divergiam ou não existiam nas correspondentes Dirf; d) esclarecimentos sobre a divergência entre o valor declarado na linha 20 da Ficha 06 A – Variações Cambiais Ativas e o valor excluído na linha 30 da Ficha 09 A – Variações Cambiais Ativas, declarando qual é o correto valor a se considerar para ambas as linhas, já que este deveria ser o mesmo, de acordo com as instruções de preenchimento da DIPJ constante do “Ajuda” ao programa DIPJ 2003. Por duas vezes o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para atendimento da intimação, o que foi concedido, conforme atestam os Termos de Intimação nº 472/2012, de 17/04/2012; nº 563/2012, de 08/05/2012 (fls. 404/406 e 413). Em 01/06/2012, apresenta intempestivamente parte das respostas solicitadas (fls. 416/424) e pede novo prazo para apresentação do restante, o que foi mais uma vez concedido, conforme Termo de Intimação nº 761/2012, de 08/06/2012 (fls. 426). Ressaltese que dentre os itens não atendidos, estava questão da divergência entre os valores da variação cambial ativa lançados na linhas 20 da Ficha 06 A e linha 30 da Ficha 09 A, sobre a qual o contribuinte solicita “prazo adicional para comprovar o Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.104 8 erro de preenchimento da DIPJ realizado e a idoneidade do valor indicado na ficha 09 A”. Em 19/06/2012, faz juntar os documentos de fls. 555/667, dentre os quais não se inclui a resposta à aludida divergência entre os valores declarados a título de variação cambial. Aguardouse ainda mais 60 dias, sem que o contribuinte voltasse a se manifestar. Assim sendo, procederseá à verificação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 com base nos dados de que se dispõe. I Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF: a) quanto ao JCP, o contribuinte esclareceu que lançou o somatório da receita e da despesa com JCP tanto na linha 23, quanto na linha 35 da ficha 06 A, neutralizando o efeito da receita e da despesa, para cumprir norma da CVM que determina a não interferência da distribuição de JCP no resultado do exercício. Entretanto, comprovou que adicionou e excluiu, respectivamente, a receita e a despesa com JCP na Ficha 09 A, nas linhas 22 (outras adições) e 35 (outras exclusões). Além disso, declarou que o IRRF relativo à despesa com JCP foi objeto de depósito judicial, do processo nº 2002.51.01.0254852. Consulta aos sistemas da RFB indicou que a fonte pagadora do JCP, a coligada de CNPJ 33.000.118/000179, declarou o rendimento na Dirf do ano calendário 2002 (fls 485/486), e só declarou na DCTF do 1º trimestre de 2003, na situação “suspensão” por liminar em mandado de segurança, processo 2002.51010255510 (fl. 492). Pelo Despacho exarado no PAJ – Processo de Acompanhamento Judicial nº 15374.000643/200503, cópia à fl. XXX, ficase ciente de que já houve conversão do depósito em renda, de sorte que o IRRF do JCP, no valor de R$ 102.241.653,15 pode ser considerado na presente análise. b) O restante do IRRF que o contribuinte utilizou na formação do seu saldo negativo requer um pequeno ajuste. Como nem todas as retenções indicadas na ficha 43 (fls. 527/529) estavam declaradas nas Dirf das fontes pagadoras, intimouse o contribuinte para apresentar os comprovantes de rendimentos emitidos pelas mencionadas fontes pagadoras, que fariam prova a seu favor, como disposto na legislação. Entretanto, o contribuinte limitouse a apresentar cópia das Dirf, aquelas mesmas onde nem todos os valores pleiteados constam. Assim sendo, considerarse á tãosomente o IRRF comprovado pelas Dirf, no valor de R$ 42.980.091,45, conforme quadro demonstrativo abaixo. Este valor, acrescido do já analisado IRRF sobre o JCP, totaliza IRRF de R$ 145.221.744,60. Tendo sido utilizado R$ 2.433.091,70 na apuração de janeiro, fls 522, restou R$ 142.788.652,90 para dedução na linha 13 da ficha 12 A, devendo esta ser retificada. Quanto ao oferecimento das receitas correspondentes à tributação, condição para a dedutibilidade do IRRF, informase que o contribuinte foi intimado a discriminar os valores que compuseram a linha 24 da ficha 06 A (fl. 520), e os dados apresentados indicaram que o montante referente às aplicações financeiras comportavam o valor declarado na ficha 43 a título de aplicações de renda fixa. Da mesma forma, concluiuse que o montante declarado na linha 21 da ficha 06 A, comportava o valor dos rendimentos do código 5273 – operações Swap. [...] Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.105 9 II – Estimativas O contribuinte se utilizou do instituto da compensação para a quitação da estimativa de janeiro. Rastreando as Dcomp informadas na DCTF, verificouse que ambas foram analisadas no bojo do processo nº 10070.002422/200210. Da leitura do Acórdão 1224.449, proferido pela DRJ/RJ1, em 29/05/2009, (cópia às fls. 501/504), concluise que, embora já atingidas pela homologação tácita, foi reconhecido crédito suficiente para a quitação de tal estimativa, de sorte que, cumprida a exigência disposta na Norma Técnica nº 9 – Cosit, em 15/02/2012, considerarseá na composição do saldo negativo de IRPJ o valor de R$ 2.745.783,38. III – Variações Cambiais O contribuinte foi intimado a esclarecer a divergência entre o valor declarado de R$ 64.725.830,78 na linha 20 da ficha 06 A, a título de “variações cambiais ativas” e o valor bem superior excluído na linha 30 da ficha 09 A, R$ 1.084.539.596,60 (fls. 520/521). Entretanto, conforme já relatado, pediu “prazo adicional para comprovar o erro de preenchimento da DIPJ realizado e a idoneidade do valor indicado na ficha 09 A”, mas mesmo após todo o prazo concedido, não apresentou qualquer justificativa. Sabese que com o advento da MP nº 0.85810/1999, art. 30, a pessoa jurídica passou a poder fazer o reconhecimento das variações cambiais tanto pelo regime de caixa, quanto pelo de competência. Se optante pelo regime de caixa, em relação às receitas financeiras, deve o contribuinte excluir o montante da receita cambial não realizada no período, linha 30 da ficha 09 A, e deve adicionar na linha 09 da mesma ficha as variações cambiais ativas das operações liquidadas. Por certo que o limite para exclusão, na linha 30 da ficha 09 A, só pode ser a totalidade do que foi declarado como receita. Assim, ou errou o contribuinte ao declarar, na ficha 06, valor menor do que o excluído na ficha 09; ou errou ao excluir, na ficha 09, valor maior que o declarado na ficha 06. O fato é que há uma divergência de R$ 1.019.813.765,82. Deste modo, considerarseá como variação cambial ativa o valor declarado pelo contribuinte na lihha 20 da ficha 06 A, e procederseá à glosa de R$ 1.019.813.765,82 na linha 30 da ficha 09 A, que é o montante excedente à receita declarada. Mesmo que houvéssemos considerado a integralidade da dedução, na hipótese de que fosse acatada a tese não comprovada do contribuinte de que houve erro no preenchimento, necessariamente teríamos que adicionar tal diferença à receita declarada na ficha 06 A, o que, para fins de apuração do lucro real, daria no mesmo. Notese que em relação à variação cambial passiva não houve problema, visto que o valor adicionado pelo contribuinte na linha 08 da ficha 09 A coincide com o declarado na linha 32 da ficha 06 A. As instruções de ajuda ao preenchimento da DIPJ 2003, cujas cópias foram juntadas às fls. 509/519, são bastante esclarecedoras a respeito da questão. Assim sendo, os valores da DIPJ 2002 deve restar assim retificados: FICHA 09 A Valor declarado Valor retificado 01 Lucro Líq antes do IR (470.908.665,34) (470.908.665,34) 23 Soma das ADIÇÕES 3.206.006.705,14 3.206.006.705,14 Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.106 10 30 –Variações Cambiais Ativas (1.084.539.596,60) (64.725.830,78) 36 Soma das EXCLUSÕES (2.725.036.835,49) (1.705.223.069,67) 45 LUCRO REAL 10.061.204,31 1.029.874.970,13 FICHA 12 A Valor declarado Valor retificado IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01 Alíquota de15% 1.509.180,65 154.481.245,52 03 Adicional 982.120,43 15.424.124,55 DEDUÇÕES 05 PAT 17.640,55 17.640,55 13 Imp. De Renda Retido na Fonte 143.045.490,96 142.788.652,90 16 Imp. De Renda Estimativa 5.178.875,08 5.178.875,08 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (145.750.705,51) 21.920.201,54 Em face do exposto, concluise que não há qualquer valor a título de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2002. Cientificada do resultado da diligência, OI S/A, sucessora da Recorrente, apresentou a petição de fls. 700/711, por meio da qual alega: que a única retificação relevante que a diligência realizou na apuração do saldo negativo registrado na DIPJ foi em relação à exclusão de variações cambiais ativas de operações não liquidadas; que, de fato, há divergência entre os valores de variações cambiais ativas informados na Linha 20 da ficha 06 A (R$ 64.725.830,78) e na Linha 30 da Ficha 09 A (R$ 1.084.539.596,60) da DIPJ 2002, mas que isso não causou qualquer redução indevida do lucro tributável; que, como bem apontado no Termo de Diligência, a origem dessa divergência está no preenchimento das Linhas 20 e 21 da Ficha 06 A da DIPJ, visto que ela incluiu parte dos resultados positivos decorrentes da variação de taxas de câmbio na Linha 21 (renda variável) da Ficha 6 A da DIPJ; que, do total de R$ 1.070.558.921,57 informado na Linha 21 da Ficha 6 A, R$ 1.025.754.223,47 deveriam ter sido informados na linha 20 da mesma Ficha 6 A, e, posteriormente, excluídos na Linha 30 da Ficha 09 A. Adiante, a sucessora da contribuinte complementa esclarecimentos acerca do alegado erro de preenchimento da DIPJ, indica comprovantes contábeis aportados ao processo e informa que o crédito tributário constituído por meio do processo nº 18471.000999/200529 foi integralmente cancelado em segunda instância. Aduz que, como vem sustentando desde a manifestação de inconformidade, o despacho decisório proferido nestes autos padece de nulidade, vez que não apresentou fundamento autônomo para não reconhecer o direito creditório. Diz que, fora a alegação do auto de infração já desconstituído, não há nenhum outro questionamento ao saldo negativo pleiteado. Afirma que a DRJ não pode inovar na fundamentação do indeferimento da compensação, razão pela qual, comprovada a invalidade dos motivos que ensejaram o não Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.107 11 reconhecimento do crédito, devese reconhecer a nulidade do despacho decisório e, conseqüentemente, homologar as compensações. É o Relatório. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.108 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Como visto, o presente processo trata de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, por meio das quais TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A pretende compensar débitos diversos (IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS) com crédito representado por saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no ano calendário de 2002. A contribuinte indicou, para fins do encontro de contas, o montante de R$ 19.564.676,54 como representativo do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002. Nos termos do PARECER CONCLUSIVO nº 208/05 e DESPACHO DECISÓRIO correspondente, fls. 97/99, o direito creditório pleiteado pela contribuinte não foi reconhecido por dois motivos, quais sejam: i) existência de procedimento de fiscalização em relação ao anocalendário de 2002, em virtude do qual foi apurado imposto a pagar no valor de R$ 81.337.979,00, conforme processo administrativo nº 18471.000999/200529; e ii) ausência de compatibilidade entre os valores informados nas planilhas de fls. 03/06 e os declarados na DIPJ/2003. No que diz respeito ao processo nº 18471.000999/200529, penso que não cabe mais qualquer apreciação, eis que, como registrado nos presentes autos, em sessão realizada em 20 de outubro de 2011, esta Primeira Turma Ordinária, por meio do acórdão nº 1301000.711, exonerou a totalidade do crédito tributário constituído contra a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, cabendo registrar que as informações colhidas juntos aos sistemas de controle de processos autorizam afirmar que tal decisão não foi objeto de reforma na esfera administrativa. No que tange ao segundo dos fundamentos (incompatibilidade entre planilhas e DIPJ), de fato, assistia razão à contribuinte quando, em sede de Manifestação de Inconformidade, sustentou que a unidade administrativa de origem não poderia, com base nesse único elemento, desconstituir a integralidade do crédito pleiteado. Entretanto, tal impropriedade foi corrigida em segunda instância, vez que o procedimento de diligência requerido visou exatamente identificar o saldo negativo efetivo da requerente no anocalendário de 2002, sem levar em consideração eventuais efeitos decorrentes da autuação promovida por meio do processo administrativo nº 18471.000999/200529. Afasto, assim, a alegação de nulidade do despacho decisório de fls. 99, eis que o Parecer Conclusivo que lhe serviu de suporte é claro no sentido de apontar a divergência Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.109 13 existente entre as planilhas trazidas pela requerente para demonstrar o direito creditório pleiteado (fls. 03/06) e o que foi registrado na Declaração de Informações (DIPJ/2003). O fato de, em exame mais aprofundado acerca do efetivo crédito passível de utilização em procedimento de compensação tributária, ter sido identificada inconsistência para a qual se oportunizou prazo elástico para que fosse devidamente esclarecida, não desqualifica o fundamento inicial do qual a citada inconsistência representa mera decorrência. A solução da controvérsia que subsiste no presente processo, portanto, reside na averiguação da divergência existente entre o valor do crédito apontado na planilha de fls. 03 (R$ 19.564.676,54) e o indicado na LINHA 18 da FICHA 12A da DIPJ apresentada (R$ 124.802.754,29, conforme extrato de fls. 671), divergência essa que constituiu um dos objetivos da diligência requisitada por esta Primeira Turma Ordinária. O procedimento de diligência levado a efeito pela unidade administrativa de origem, em apertada síntese, concluiu no seguinte sentido: A – considerou o montante de R$ 142.788.652,90 como passível de dedução a título de imposto de renda retido na fonte2, tendo promovido a glosa de certos valores em virtude da ausência de comprovante de retenção; e B – não restou justificada a diferença entre o montante declarado a título de variações cambiais ativas na linha 20 da ficha 6A (R$ 64.725.830,78, conforme fls. 500) e consignado na linha 30 da ficha 9A (R$ 1.084.539.596,60, conforme fls. 501). Diante de tais constatações, a unidade administrativa de origem refez a apuração do saldo final do imposto, conforme reprodução abaixo, concluindo pela inexistência de SALDO NEGATIVO. FICHA 09 A Valor declarado Valor retificado 01 Lucro Líq antes do IR (470.908.665,34) (470.908.665,34) 23 Soma das ADIÇÕES 3.206.006.705,14 3.206.006.705,14 30 –Variações Cambiais Ativas (1.084.539.596,60) (64.725.830,78) 36 Soma das EXCLUSÕES (2.725.036.835,49) (1.705.223.069,67) 45 LUCRO REAL 10.061.204,31 1.029.874.970,13 FICHA 12 A Valor declarado Valor retificado IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01 Alíquota de15% 1.509.180,65 154.481.245,52 03 Adicional 982.120,43 15.424.124,55 DEDUÇÕES 05 PAT 17.640,55 17.640,55 13 Imp. De Renda Retido na Fonte 143.045.490,96 142.788.652,90 16 Imp. De Renda Estimativa 5.178.875,08 5.178.875,08 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (145.750.705,51) 21.920.201,54 1 Cumpre notar que o referido extrato diz respeito à declaração posteriormente retificada, eis que resulta de consulta efetuada em 15 de setembro de 2005 e, às fls. 506, consta cópia da FICHA 12 A da DIPJ/2003, consignando saldo negativo de R$ 145.750.705,51, em que existe existe registro de que a entrega da declaração foi efetuada em 03 de janeiro de 2007. 2 O instrumento declaratório que serviu de suporte para análise da Delegacia da Receita Federal foi o juntado às fls. 500/509. Nele, a contribuinte deduziu, para fins de apuração do imposto de renda a pagar (FICHA 12A), o valor de R$ 143.045.490,96, a título de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.110 14 Relativamente à redução do imposto de renda retido na fonte, a Recorrente não traz qualquer consideração. No que diz respeito à variação cambial ativa, entretanto, afirma que, de fato, há divergência entre o valor informado na Linha 20 da ficha 06 A (R$ 64.725.830,78) e o consignado na Linha 30 da Ficha 09 A (R$ 1.084.539.596,60) da DIPJ 2003, mas que isso não causou qualquer redução indevida do lucro tributável. Argumenta que a origem dessa divergência está no preenchimento das Linhas 20 e 21 da Ficha 06 A da DIPJ, visto que ela incluiu parte dos resultados positivos decorrentes da variação de taxas de câmbio na Linha 21 (renda variável) da Ficha 6 A da DIPJ. Alega que, do total de R$ 1.070.558.921,57 informado na Linha 21 da Ficha 6 A, R$ 1.025.754.223,47 deveriam ter sido informados na linha 20 da mesma Ficha 6 A, e, posteriormente, excluídos na Linha 30 da Ficha 09 A. Diz que “para a composição da Linha 30 da Ficha 09A da DIPJ, ... somou os valores referentes às receitas de variação cambial reconhecidas por competência..., mas que não foram liquidadas no anocalendário 2002..., tendo chegado ao seguinte resultado: Resultado da Variação Cambial Fundos Exterior – (V.C.A – V.C.P.) 58.785.373,13 Resultado da Variação Cambial SWAP 1.025.743.967,54 Valor Total da variação cambial do período 1.084.529.340,67 Esclarece a Recorrente que o montante de R$ 58.785.373,13 corresponde a uma parcela do total declarado na linha 20 da ficha 06 A, e reflete o ganho cambial líquido apurado sobre aplicação financeira em moeda estrangeira realizada no curso do anocalendário de 2002. Afirma que o saldo a maior, no valor de R$ 5.940.457,65, corresponde a variações cambiais apuradas sobre outros ativos e passivos liquidados no curso do exercício de 2003, registradas sem observância ao regime de competência. Com o intuito de comprovar o alegado, a contribuinte aportou aos autos os seguintes documentos: 1. planilhas denominadas VAR CAMBIAIS SOBRE ATIVOS C. PRAZO; PRÊMIO DE OPERAÇÕES DE OPÇÕES; INTERMEDIAÇÃO DE SWAP CAMBIAL BRASIL – CP; RECEITA DE CONTRATO DE OPÇÕES; INTERMEDIAÇÃO SWAP CAMBIAL BRASIL – LP; e RECEITA OPER. TÍTULOS CAMBIAIS – LP; (fls. 821/835); 2. planilhas denominadas QUADRORESUMO DO ANOCALENDÁRIO 2002 COMPETÊNCIA – CAIXA – TODOS AO CONTRATOS; e QUADRO DE ACOMPANHAMENTO DAS OPERAÇÕES DE SWAP DA TNL (fls. 838/840); 3. cópia de correspondências relativas à liquidação de operações de SWAP (fls. 841/842); 4. planilha denominada QUADRO DE ACOMPANHAMENTO DAS OPERAÇÕES DE SWAP DA TNL (fls. 843, 852, 855, 858, 861, 864, 868, 871, 881, 884, 889, 896, 898, 903/911 e 914/924); 5. cópia de documentos diversos (NOTA DE NEGOCIAÇÃO – SWAP; BOLETO DE CONTROLE DE DERIVATIVOS – GRUPO TELEMAR; AVISO AO CLIENTE; EMAILS) fls. 844/923; 6. planilha denominada RESUMO LIQUIDAÇÕES OPERAÇÕES SWAP (fls. 926/936); Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.111 15 7. planilhas denominadas RESUMO LIQUIDAÇÃO EMPRÉSTIMOS – GANHO/PERDA CAIXA; e QUADRO DE ACOMPANHAMENTO POR OPERAÇÃO – CONTROLE VARIAÇÃO CAMBIAL EMPRÉSTIMO PRINCIPAL (fls. 938/941; 947; 957; 967; 977; 987; 997; 1.002; 1.007/1.011; 1.020; 1.029; 1.034; 1.039/1.045; 1.055/1.058; 1.061/1.063; 1.074; 1.078/1.084; 1.088/1.092); 8. cópia de CONTRATOS DE CÂMBIO (a maior parte ILEGÍVEL) – fls. 942/944; 948/950; 953/955; 958/960; 963/965; 968/970; 973/975; 978/980; 983/985; 988/990; 993/995; 998/1.000; 1.003/1.005; 1.012/1.017; 1.021/1.023; 1.026/1.028; 1.030/1.032; 1.035/1.037; 1.046; 1.049; 1.059/1.060; 1.065/1.066; 1.069/1.071; 1.075/1.077; 1.085/1.087; 1.093/1.094; 9. correspondências diversas (fls. 945/946; 951/952; 956; 961/962; 966/967; 971/972; 976; 981/982; 986/ 991/992; 996; 1.001; 1.006; 1.018/1.019; 1.024/1.025; 1.033; 1.038; 1.050/1.054; 1.067/1.068; 1.072/1.073); 10. planilha denominada APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA TELE NORTE LESTE S/A – ANOCALENDÁRIO 2002 (fls. 1.048). Com a devida vênia, a documentação acima referenciada, embora guarde relação com operações sujeitas a variação cambial, em nada contribui para explicar o erro de preenchimento alegado pela Recorrente, seja porque não se encontra acompanhada dos registros contábeis e extracontábeis pertinentes, seja porque carece de elementos que possibilitem vincular os citados registros contábeis e extracontábeis à respectiva documentação de suporte e aos montantes consignados na declaração de informações. Releva notar ainda que, em conformidade com o registro feito pelo responsável pela diligência fiscal, a contribuinte foi reiteradamente intimada a prestar esclarecimentos acerca da divergência de informações que ora se aprecia, senão vejamos: a) Termo de Intimação nº 301/2012, cientificado em 23 de março de 2012 (fls. 400/403); b) Termo de Intimação nº 472/2012, datado de 17 de abril de 2012 (fls. 406/408); c) Termo de Intimação nº 563/2012, cientificado em 10 de maio de 2012 (fls. 413/414). Em 16 de abril de 2012, foi recepcionada correspondência da contribuinte, na qual ela informou que “o prazo dado inicialmente não foi suficiente para identificarmos as informações solicitadas”. Em virtude disso, solicitou prorrogação de vinte dias para atendimento (fls. 404). Em correspondência protocolizada em 07 de maio de 2012, a contribuinte requereu, mais uma vez, prorrogação do prazo para atendimento das intimações (fls. 409). Em documento datado de 29 de maio de 2012, a contribuinte, não obstante apresentar esclarecimentos acerca de outros questionamentos levantados pela autoridade tributária, solicitou prazo adicional para comprovar o erro de preenchimento da DIPJ (fls. 416/424). Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.112 16 Por meio de Termo de Intimação cuja ciência se deu em 12 de junho de 2012 (fls. 425/426), a autoridade fiscal concedeu prazo até o dia 19 de junho de 2012 para que a contribuinte apresentasse os esclarecimentos antes requisitados e que não haviam sido prestados. Em correspondência dirigida ao Relator antes designado para apreciar a presente lide, recepcionada neste Colegiado em 17 de julho de 2012, a contribuinte requereu a juntada de atos societários diversos (fls. 429/451). Na linha do sustentado pela autoridade diligenciante, não identifico nos autos elementos que possibilitem afirmar que a contribuinte, embora tenha sido reiteradamente intimada, tenha apresentado, no curso da diligência requisitada por este Colegiado, qualquer explicação acerca da divergência detectada na declaração de informações. Diante de tais circunstâncias, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 15504.724371/2013-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89.
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda.
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838.
LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada.
Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Oseas Coimbra Junior, para excluir as contribuições previdenciárias e seus reflexos sobre os valores pagos em pecúnia como auxílio transporte e os valores pagos a cooperativas de trabalho. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto ao vale alimentação em peúnia e Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Gustavo Vettorato e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à PLR.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
(assinatura digital)
Oseas Coimbra Junior Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838. LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social. Recurso Voluntário Provido em Parte
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VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838. LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitamse às contribuições devidas à seguridade social. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 43 71 /2 01 3- 18 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Oseas Coimbra Junior, para excluir as contribuições previdenciárias e seus reflexos sobre os valores pagos em pecúnia como auxílio transporte e os valores pagos a cooperativas de trabalho. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto ao vale alimentação em peúnia e Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Gustavo Vettorato e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à PLR. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator (assinatura digital) Oseas Coimbra Junior – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.002 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela contribuinte Transportes Niquini Ltda em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. O valor do auxíliotransporte pago pela empresa em pecúnia e não sob a forma de vales, como estabelecido na legislação específica, integra o saláriodecontribuição do trabalhador. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM DINHEIRO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. A parcela paga pela empresa em dinheiro a título de auxílioalimentação, sem observância da legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, tem natureza salarial, incorporandose à remuneração para todos os efeitos legais, constituindo base de incidência das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. As verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados em desacordo com a legislação própria, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. COOPERATIVA DE TRABALHO. SERVIÇOS PRESTADOS NA ÁREA DA SAÚDE. NOTA FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MATERIAL. BASE DE CÁLCULO MÍNIMA. Se os valores dos materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura de serviços prestados na área da saúde, a base de cálculo não poderá ser inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura. REMUNERAÇÃO A SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS/PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. LANÇAMENTO. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 4 A remuneração paga, creditada ou devida aos segurados empregado e contribuinte individual integra o salário de contribuição. Pelo que a empresa está obrigada ao recolhimento das contribuições sociais/previdenciárias sobre ela incidentes, na forma e no prazo estabelecidos em lei, sob pena de lançamento. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. AUTORIDADE JULGADORA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a perícia que considerar prescindível. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, quando regularmente intimada para esse fim. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. Dentre as modalidades de intimação do contribuinte, previstas no Decreto que regulamenta o processo administrativo fiscal, não se encontra o seu procurador. Requerimento nesse sentido há de ser indeferido, por ausência de previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O processo ora em apreço originouse da lavratura pela fiscalização dos seguintes autos de infração: a) Debcad n. 37.397.3438, relativo às contribuições previdenciárias, de que tratam o art. 22 da Lei nº 2.212, de 24/7/1991, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados (incisos I e II) e contribuintes individuais (inciso III) e sobre os valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho (inciso IV), nas competências de 01/2008 a 12/2008, e tal crédito, consolidado em 22/05/2013, importa em R$ 115.689,11 (cento e quinze mil, seiscentos e oitenta e nove reais e onze centavos); já incluídos aí os juros e a multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário; b) Debcad nº 37.397.3446, relativo às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, de que tratam os artigos 20 e 21 da Lei nº 2.212, de 24/7/1991, incidentes sobre as remunerações e valores pagos a esses segurados, nas competências de 01/2008 a 12/2008, e tal crédito, consolidado em 22/05/2013, importa em R$ 42.345,91 (quarenta e dois mil, trezentos e quarenta e cinco reais e noventa e um centavos); já incluídos aí os juros e as multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário; c) Debcad nº 37.397.3454, relativo às contribuições destinadas aos Terceiros (Entidades Fundos: FNDE, SEST/SENAT, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, nas competências de 01/2008 a 12/2008, e tal Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.003 5 crédito, consolidado em 22/05/2013, importa em R$ 14.515,80 (quatorze mil, quinhentos e quinze reais e oitenta centavos); já incluídos aí os juros e as multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário. Devidamente notificada da autuação fiscal, a contribuinte apresentou impugnação aduzindo, em apertado escorço: a) a contribuição previdenciária não incide sobre o transporte; b) a eventual substituição do ticket de vale transporte por montante em dinheiro não possui o condão de conferir caráter salarial ao benefício; c) o STF declarou a inconstitucionalidade da cobrança de contribuições sociais sobre o valor pago em espécie a título de valetransporte; d) da mesma forma, o pagamento ofertado a título de alimentação em dinheiro não constitui salário, não podendo ser integrado ao saláriodecontribuição; e) quase a totalidade de seus empregado trabalha na cidade de Betim/MG, às margens da Rodovia BR 381, sendo que certo que os pouquíssimos estabelecimentos comerciais que servem alimentação são de difícil acesso; f) compulsando os Acordos e Convenções acostados ao processo fiscal, se observa o atendimento a todos os requisitos da legislação vigente, restando devidamente caracteriza como participação nos resultados a natureza dos pagamentos aos empregados, por isso, não incidindo contribuições sociais; g) o plano de saúde contratado junto à UNIMED, não se apresenta como de grande risco, sendo, portanto, incabível a tentativa do agente fiscal de aplicar a alíquota de 30% sobre os pagamentos realizados; h) cumpriu como todas as suas obrigações fiscais, concernentes ao recolhimento das contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados aos transportadores autônomos, prestadores de serviços. Ao analisar as alegações apresentadas pela contribuinte, a DRJ de origem entendeu por bem em manter na integralidade o lançamento efetuado pela fiscalização, não acolhendo as ponderações trazidas na impugnação. Irresignada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos trazidos em sede de impugnação, reiterando a total improcedência do lançamento. Sem contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 6 Voto Vencido Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Realizando o juízo de prelibação, observase que o recurso voluntário apresentado pela contribuinte é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Do Vale Transporte No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte em pecúnia, ainda que as razões apresentadas pela recorrente sejam frívolas e genéricas, não posso deixar de dar provimento neste ponto nos termos da Súmula 89 deste Conselho. Com a devida venia ao entendimento do fisco, tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.004 7 § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 8 ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnica” Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste tópico. Dos Valores Pagos como Auxílio Alimentação Aponta o relatório fiscal (fl. 26), que constituem fatos geradores das contribuições apuradas as remunerações contidas em FP, a título de pagamento de alimentação e pecúnia, bem como que a empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP os valores pagos aos segurados empregados, a titulo de "vale alimentação", (considerados como parcelas integrantes do salário de contribuição pela não adesão da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT). Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.005 9 E não obstante o bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o auto de infração neste ponto não merece prosperar. Isso porque a respeito da matéria tenho entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. Assim, entendo que não há que se falar, também, em obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação. Fato esse que torna improcedente a multa aplicada pelo Fisco por descumprimento desta obrigação acessória. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). Segue recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 10 Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) Nesse momento fazse mister a referência ao acórdão de relatoria do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.006 11 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. E reforçando o entendimento que vem se pacificando no STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou o Parecer PGFN/CRJ/n.º 2117/2011 sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago in natura: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso e a desistir dos já interpostos.” No mesmo sentido, cito o Ato declaratório n.º 03/2011 no qual a PGFN declarou que “fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Além disso, pelo que se indica nestes casos, a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 12 Assim, acolho as razões recursais neste ponto, afastando a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente aos seus funcionários a título de auxílio alimentação, bem como, por consectário, entendo que não há que se falar em obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação. Da Não Incidência de Contribuições Sobre os Serviços Prestados por Cooperativas de Trabalho O Egrégio Supremo Tribunal Federal, ao analisar o Recurso Extraordinário n. 595.838, de relatoria do Ministro Dias Toffoli, com repercussão geral reconhecida, declarou inconstitucional o inciso IV, do art. 22, da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.876/99, o que, em tese, vincularia esta Colenda Turma Especial, nos termos do art. 62A do RICARF. Ocorre que, salvo melhor juízo, a vinculação determinada no RICARF somente pode ser exigida após o trânsito em julgado do recurso extraordinário, o que, consultando o sítio virtual do STF, ainda não ocorreu. Não obstante isso, penso que o entendimento exarado pelo Plenário da Suprema Corte já está pacificado, uma vez que os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional com o objeto de modular os efeitos da decisão foram rejeitados, encontrandose os autos, hodiernamente, na Procuradoria Geral da República para, após, ser confirmado seu trânsito em julgado. Ademais, não vislumbro qualquer razão para somente após o trânsito em julgado adotarmos o posicionamento do STF em julgamento proferido por unanimidade, até porque, se assim agíssemos, poderíamos privilegiar aqueles recursos que, por qualquer razão, tramitaram por mais tempo na esfera administrativa. Assim sendo, trago à colação a ementa do RE n. 595.838 para fundamentar o presente voto. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.007 13 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Destarte, entendo que provimento merece o recurso voluntário da contribuinte, para afastar a incidência de contribuições sociais incidentes sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho e seus reflexos. Da PLR No tocante à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), cumpre esclarecer que a PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 14 Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. Conforme consta no Relatório Fiscal da exação, a fiscalização autuou a recorrente pois "da análise das Convenções Coletivas de Trabalho apresentadas, constatamos que as mesmas, ao tratarem da Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados (nem todos os instrumentos apresentados abordaram o assunto) não contemplaram regras claras e objetivas quanto à fixação de metas e objetivos a serem alcançados, inclusive a forma e mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, de forma a respaldar os pagamentos efetuados pela empresa a este título, com efeitos financeiros nos exercícios de 2008 e 2009." Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.008 15 Ocorre que, ao analisar as Convenções Coletivas arrimadas pela própria fiscalização, a Cláusula Décima prevê as metas específicas e claras, ainda que de forma frívola, que cada funcionário deva alcançar, razão pela qual aqui transcrevo: "CLÁUSULA DÉCIMA PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NO RESULTADO PPR As empresas pagarão, a título de PPR Participação nos Resultados do exercício de 2009, na forma da Lei nº 10.101/00, a cada um dos seus empregados, o valor de R$ 212,00 (duzentos e doze reais), e duas parcela iguais e semestrais de R$ 106,00 (cento e seis reais) cada uma, nas seguintes datas e condições. Parágrafo primeiro O Programa de Participação nos Resultados contém dois indicadores de metas que serão apurados a cada semestre no período de janeiro a dezembro/2009. I Não terá direito a seu recebimento o empregado que nos seis meses anteriores ao pagamento de cada parcela possuir mais de cinco faltas injustificadas ou três atestados médicos com determinação de afastamento; II Cada parcela será paga proporcionalmente ao número de meses efetivamente trabalhados, no período antecedente a seu pagamento, considerando inteiro o mês em que houver trabalhado mais de quatorze dias. Ademais, as Convenções Coletivas de Trabalho carreadas aos autos demonstram a existência de um programa de participação nos lucros ou resultados na empresa, com o acompanhamento dos trabalhadores, a base procedimental trazida pelo contribuinte na distribuição dos lucros é suficiente para o cumprimento das formalidades legais. Assim, entendo que a estrutura montada pela empresa é satisfatória para determinar a natureza dos pagamentos excluindoos da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. Devese verificar, portanto, a existência de um procedimento bilateral, firmado entre empregadores e empregados, a fim de delinear uma estrutura normativa interna com o escopo de dar a máxima efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é neste sentido, verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 16 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. [...] 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. [...] Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes: AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.009 17 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido” [g.n.] (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 24/11/2010). Urge ressaltar que a regulamentação normativa tem o escopo de proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Assim, podese concluir que os documentos trazidos aos autos indicam que houve uma negociação prévia entre as partes, que possuem o condão de retificar a autuação fiscal. Diante desses elementos, deve ser provido o recurso neste tópico, com a invalidação da exação lançada sobre a distribuição dos lucros e resultados para os empregados da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando a incidência de contribuições previdenciárias e seus reflexos sobre os valores pagos em pecúnia como auxílio transporte e auxílio alimentação, bem como os valores pagos a cooperativas de trabalho e como PPR. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Voto Vencedor Conselheiro Oseas Coimbra Júnior Sr Presidente, Com as vênias de estilo, divirjo do e. Relator em relação ao vale alimentação em pecúnia as verbas referentes à Participação nos Lucros, somente. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 18 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Acerca da matéria – pagamento de alimentação em dinheiro, reproduzo trecho do parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011: Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Referido parecer foi aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda, consoante despacho publicado no DOU de 24.11.2011, seção 01, pág 72. Do relatório fiscal temos que a recorrente pagava a seus segurados, em pecúnia, verbas a título de auxílioalimentação. A lei 8.212/91 traz: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;” Esclarecemos que o referido parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 também entende que a parcela in natura entregue ao empregado não se configura salário de contribuição, estando ou não a empresa inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador, mas esta não é o caso dos autos. Nessa linha, o STJ, em voto condutor Min Luiz Fux: EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.010 19 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. (STJ, REsp 433.230/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 17/2/2003) (grifo não consta no original) No caso presente, com pagamento em dinheiro, não há que falar na excepcionalidade da retrocitada alínea “c” do § 9º do art. 28 da lei 8.212/91, sendo tais verbas consideradas como salário de contribuição. O Programa de Alimentação do Trabalhador está disciplinado pela Portaria Secretaria de Inspeção do Trabalho/Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho Nº 3 de 01.03.2002. Tal norma não prevê o pagamento em dinheiro, a corroborar com o entendimento explanado no parecer. Vejamos as modalidades previstas: III das Modalidades de Execução do Pat Art. 8º Para a execução do PAT, a pessoa jurídica beneficiária poderá manter serviço próprio de refeições ou distribuição de alimentos, inclusive não preparados, bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades sejam credenciadas pelo Programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT e nesta Portaria, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Art. 9º As empresas produtoras de cestas de alimentos e similares, que fornecem componentes alimentícios devidamente embalados e registrados nos órgãos competentes, para transporte individual, deverão comprovar atendimento à legislação vigente. Nota Nova nova redação dada a este Artigo pelo Artigo 2º da Portaria SIT/DSST nº 61 de 28.10.2003. Tal portaria está em consonância com o art. 3º da lei Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art.3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ‘in natura’ pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (Grifamos). Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 20 Dessa feita, pagamento a título de auxílioalimentação, pago em dinheiro, deve ser considerado base de cálculo de contribuições à seguridade social, nos termos do art. 28,I da lei 8.212/91. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A lei 10.101/00 veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI, referente à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. Complementando, a lei 8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição. A lei 8.212/91 informa: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; O art. 2º da lei 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, assim traz: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.011 21 Art. 3º ... § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O arcabouço normativo citado traz as linhas gerais que devem ser obedecidas pelas empresas quando da implementação de participações nos resultados ou lucros. O Min Luiz Fux, relator do REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010), transcreve excerto do acórdão hostilizado que resume o que se espera quando da formalização de planos de participação. "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados No RESP º 856.160 PR (2006/01182238) da Ministra Eliana Calmon traz elucidativa manifestação sobre o tema. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido. Vejamos seu voto. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 22 O cerne da controvérsia discutida nos autos reside em se definir se o pagamento realizado pela empresa, a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as normas da MP 794/94, convertida na Lei 10.101/00, tem como consequência a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores. (...) Com efeito, a isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora, no caso a MP 794/94 e a Lei 10.101/00, por força da expressa previsão do art. 7º, XI, da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: (...) Também a Lei 8.212/91 possui idêntica previsão no art. 28, § 9º, "j", condicionando a fruição do benefício fiscal em questão à observância da legislação específica. Confirase(...) À luz da previsão legal acima, portanto, não se sustenta o argumento de que não existe lei determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei específica, pois, em tal situação, elas perdem essa característica e são tratadas como remuneração, assim entendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, ou seja, a regra é a tributação, afastada apenas se cumpridas as exigências da lei isentiva. Em outras palavras, para o gozo do benefício fiscal pretendido pela recorrente, tornase indispensável a observância da disciplina da lei específica acerca da forma que deve ser creditada a participação nos lucros, como bem decidiu o Tribunal de origem. (...) Diante disso, tenho por devida a contribuição previdenciária se o creditamento da participação dos lucros ou resultados não observou as disposições legais específicas, como estabelece o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/91, e conforme bem decidiu o acórdão recorrido que, por isso mesmo, não merece quaisquer reparos A cláusula 10, transcrita pelo relator original, traz simplesmente uma gratificação por assiduidade travestida de participação nos lucros. Como bem trazido pela recorrente, o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais de nº 920200.503, de relatoria do Conselheiro Elias Sampaio, aponta importantes considerações, que transcrevo. O artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal, ao desvincular a participação nos lucros da remuneração, estabeleceu a exigência de lei que disciplinasse a forma desta participação. Assim, as parcelas relativas à participação nos lucros posteriores à edição da Medida Provisória n° 794/94 devem observar os requisitos por ela impostos. Sobretudo porque o art. 28, inciso I, § 9°, da Lei n° 8.212, condiciona a exclusão de tais valores do saláriodecontribuição à observância da legislação de regência.(...) A objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.012 23 garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: há uma integração entre o capital e o trabalho, pela recompensa com a participação nos lucros ou resultados por parte do trabalhador e a empresa ganha em aumento da produtividade. (...) Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação especifica deve,cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. (...) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, ni verbis: Resta patente que as regras devem ser claras e objetivas, devendo também constar elementos efetivos de aferição que comprovem o alcance ou não do que proposto e nada disso consta do PLR acostado, nem regras claras, tampouco critérios objetivos de aferição. Vejamos jurisprudência deste Conselho. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 24 PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DE EMPREGADOS NOS LUCROS (PLR). DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos valores pagos à título de Programa de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), depende da adoção de regras claras e objetivas, consignadas em acordo/convenção coletiva do sindicato da categoria ou acordo particular adotado através de prévia negociação com comissão de trabalhadores, contando com a participação do respectivo sindicato da categoria. (...) Processo n° 13808.000154/200228. Acórdão n' 180300.467. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Sessão de 08 de julho de 2010. Temos assim que a Participação nos Lucros e Resultados, na forma pactuada, se desvirtua do que preconizado em lei. O PLR firmado não contém a objetividade e clareza necessárias ao instrumento, bem como a ausência de elementos efetivos de aferição. A legislação confere ampla autonomia negocial quando da implementação de PLR, mas há que existir parâmetros, seja quais forem, e sempre explanados de forma clara e objetiva, o que não ocorre in casu. Vejamos o disposto no art. 28,I da lei 8.212/91, que versa sobre o conceito de salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Percebese a abrangência do conceito, traduzindo a preocupação do legislador com a amplitude da base de cálculo de importante receita previdenciária. Mesmo que tais verbas remuneratórias não sejam pagas mês a mês, estão abarcadas pela norma, uma vez que esta alcança todo e qualquer rendimento pago, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço, nos exatos termos da Constituição e da Lei 8.212/91, posto que atreladas ao efetivo exercício da atividade laboral, comprovando sua natureza salarial, inclusive na linha dos precedentes jurisprudenciais já transcritos REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010) e RESP º 856.160 PR (2006/01182238) e ainda em recente decisão também da Corte Superior: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. OMISSÃO QUANTO À LEI DE REGÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS.NECESSIDADE. (...) 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.013 25 da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas.(...) REsp 1264410 / PR. Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS. DJe 11/05/2012 Tudo de acordo com o parágrafo 10 do artigo 214 do Decreto 3.048/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Por certo que a mera celebração de acordo entre empregados e empregador não é suficiente a validar a participação nos lucros como parcela não incidente de contribuição previdenciária. A lei 10.101/00 elenca os elementos necessários para que a regular celebração da PLR. A inobservância do que prevê a lei no tocante a distribuição de lucros ou resultados afasta tais verbas da regra excepcional prevista na lei 8.212/91, art. 28, §9º, "j", devendo ser consideradas como fato gerador de contribuição previdenciária. É o que se extrai do próprio texto legal. Em razão das irregularidades citadas, onde se demonstrou que não foram obedecidos os critérios determinados pelo art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c a lei 10.101/00, tenho que as importâncias distribuídas se enquadram no conceito de salário de contribuição, sujeitos assim à contribuição previdenciária. CONCLUSÃO Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 26 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para excluir as contribuições previdenciárias e seus reflexos sobre os valores pagos em pecúnia como auxílio transporte e os valores pagos a cooperativas de trabalho, somente. (assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior – Redator Designado Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI
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