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Numero do processo: 13829.000058/2001-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 02/05/2001
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62 do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-004.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 02/05/2001 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62 do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/05/2001 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62 do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 9. 00 00 58 /2 00 1- 51 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Contesta a Fazenda Nacional decisão não unânime que considerou não prescrito direito a restituição de cota café recolhida nos anos de 1987 e 1988 e requerida em maio de 2001. A decisão combatida aplicou a tese de que o prazo para pleitear restituição de tributos pagos indevidamente, embora de cinco anos, somente tem seu início com o ato que considera inconstitucional a cobrança quando este é o motivo da restituição. O recurso especial defende que essa interpretação contraria a legislação aplicável, mas especificamente os arts. 165 e 168 que determinariam o início do prazo na data do recolhimento indevido. Ele é calcado no antigo art. 7º do Regimento dos Conselhos de Contribuintes vigente à época de sua apresentação. Contrarrazões pugnam pela manutenção do julgado pelos seus próprios fundamentos. Todos os atos foram praticados antes da decisão do STF que pacificou a questão. É o Relatório, tão sucinto quanto suficiente. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos O recurso merece ser examinado na medida em que as condições exigidas à época de sua prolação foram devidamente atendidas, dado que a decisão foi tomada por maioria e o recurso aponta os dispositivos legais que entende contrariados. Dele conheço. Com efeito, a contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13829.000058/200151 Acórdão n.º 9303004.209 CSRFT3 Fl. 251 3 Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005, que a pretendiam expressamente interpretativa de modo a poder ser aplicada mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Estes são os artigos mencionados pela representação da Fazenda Nacional para corroborar o entendimento de que a correta interpretação dos arts. 165 e 168 do CTN é a que propugnou. No julgamento mencionado, assim se pronunciou a Ministra Ellen Gracie acerca da posição que seria majoritária no STJ: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62 do atual Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto determina, portanto, a regra de cinco mais cinco, que, embora não seja a que postula a Fazenda Nacional, produz o efeito por ela buscado, na medida em que todos os recolhimentos ocorreram mais de dez anos antes da postulação administrativa. Devese dar, pois, integral provimento ao recurso da Fazenda Nacional para considerar prescrito o direito com relação a todos os recolhimentos efetuados. E é assim que voto. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721816/2009-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ARL-ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE
A falta de averbação da ARL-Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-004.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada
EDITADO EM: 11/09/2016
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada EDITADO EM: 11/09/2016 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.721816/200971 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.370 – 2ª Turma Sessão de 25 de agosto de 2016 Matéria ITR – AVERBAÇÃO ARL Recorrente JAMEF TRANSPORTES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ARLÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE A falta de averbação da ARLÁrea de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 18 16 /2 00 9- 71 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada EDITADO EM: 11/09/2016 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 2802001.209 da 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, julgado na sessão de 30 de novembro de 2011, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA, POSSUIDOR A QUALQUER TITULO. Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. A menos que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, mantémse o valor arbitrado pela fiscalização. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10280.721816/200971 Acórdão n.º 9202004.370 CSRFT2 Fl. 10 3 Recurso Negado Na origem, tratase de Notificação de Lançamento nº 01.246344, que tem por objeto Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Jamef VI”, com NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal 5.458.6704, referente ao exercício 2005, a título de glosa de valores de “área de reserva legal” e “alteração do valor da terra nua”. Os fatos geradores foram assim descritos pela autoridade fiscal (fl. 3): Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. O documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Complemento da Descrição dos Fatos: Os valores apurados neste Lançamento de Oficio decorrem da falta de recolhimento do ITR em virtude' da glosa (total) (e) (parcial), (respectivamente), das áreas declaradas exclusas da tributação a titulo de (Áreas de Preservação Permanentes e de Utilização Limitada Área de Reserva Legal), e sua conseqüente reclassificação como área tributável, tendo em vista que o contribuinte não logrou êxito, mediante documentação comprobatória prevista na legislação do imposto em epigrafe, na isenção das áreas supramencionadas, conforme os procedimentos de auditoria interna de Malhas da RFB, mediante verificação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR DIAC/DIAT). O processo judicial alegado pela empresa ainda não transitou em julgado (Comarca de Igarapé Miri n° 2001.1.0000053). O contribuinte apresentou impugnação requerendo a improcedência da notificação fiscal, pois aduz que, em que pese ter firmado contrato de compra e venda do bem, não houve, por impossibilidade jurídica, a transferência da propriedade e o notificado jamais tomou posse do bem, nem a título precário, razão pela qual não pode ser enquadrado como sujeito passivo do crédito tributário. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA 4 A impossibilidade jurídica decorre de uma ação judicial ajuizada pelo Instituto de Terras do Pará (ITERPA) perante a Comarca de IgarapéMiri, visando a nulidade e cancelamento da matrícula, transcrições e averbações da propriedade, na qual foi concedida a liminar para impedir eventuais anotações na matrícula desde a aquisição originária em 1967. Em que pese os impedimentos, o contribuinte alegou ter recolhido os tributos incidentes sobre o imóvel, a fim de resguardar os seus interesses, mas, por não ser proprietário, não pode ser responsabilizado pelo lançamento suplementar. Aduziu, também: a decadência do lançamento, pois decorreram cinco anos entre o fato gerador, exercício 2005, e o lançamento por arbitramento suplementar, em 08/06/2009; que a exigência do ADA com base na IN/SRF fere o princípio da legalidade; que a forma de cálculo do VTN seguindo a NBR 14.6533 da ABNT afronta o princípio da legalidade. Ao examinar a impugnação, a Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente, mantendo o crédito tributário, motivando a interposição do Recurso Voluntário, apenas reiterando os argumentos. Do julgamento do Recurso Voluntário, os membros da Turma, por unanimidade, acordaram por negar provimento ao recurso por entender que: as provas nos autos comprovam que o contribuinte detinha a posse do imóvel, a qualquer título, sendo ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural; é imprescindível a averbação no registro do imóvel da área de reserva legal para obter a isenção do imposto; o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização deve ser mantido diante da ausência de apresentação de Laudo Técnico de Avaliação válido. Contra a r. decisão, o contribuinte opôs Embargos de Declaração aduzindo que “não há comprovação de qualquer ato condizente com o exercício da posse” e requerendo manifestação expressa a este respeito, mas o recurso não foi admitido. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Especial visando rediscutir a necessidade de averbação tempestiva da área de Reserva Legal para exclusão da tributação do ITR, suscitando como paradigma os acórdãos nºs 30237.930 e 210100.406. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, reiterando os termos da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10280.721816/200971 Acórdão n.º 9202004.370 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Quanto à admissibilidade, entendo cumpridos todos os requisitos e delimito a matéria sobre a necessidade ou não de averbação em registro de imóveis de área de reserva legal. Da Área de Utilização Limitada/Reserva Legal A glosa deuse por não ter sido atendida à averbação de reserva legal, no Cartório de Registro de Imóveis, à época do fato gerador do ITR, no caso, em 1 de janeiro de 2005. Outrossim, lembro que a reserva legal, por definição de lei, é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa. Quanto à necessidade de averbação da área de reserva legal em Cartório, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido no RP/303123968, de autoria do Ilustre Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, in verbis: A matéria subjudice foi abordada de forma analítica e exaustiva no acórdão n° 30331.340 pelo ilustre Conselheiro Zenaldo Loibman, que passou a modelar a jurisprudência deste egrégio Conselho, e tomo de empréstimo suas razões de julgar, verbis: Para analisar a questão das áreas de reserva legal, de preservação permanente e de interesse ecológico, devo dizer que a matéria esteve pacificada no âmbito deste Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes por algum tempo no sentido de se entender dispensável a averbação da área de reserva legal à margem do registro no Cartório competente, mas recentemente levantouse questão sobre uma nova interpretação defendida pela emérita Conselheira Anelise D. Prieto, a respeito do § 7o do art. 10 introduzido na Lei 9.393/96 pela MP 2.166 67/2001, quando confrontado com o que determina a Lei 4.771/66, com a redação dada pela MP 1.511/96 e alterações posteriores determinadas pela própria MP 2.16667/2001. Analisemos com cuidado. Uma consulta ao texto da Medida Provisória n° 2.16667, publicada no DOU de 25/08/2001, esclarece que ela determinou alterações na Lei 4.771/65 (arts. Io , 4o, 14, 16 e 44) e também acrescentou um § 7o ao art. 10° da Lei 9.393/1996. Sublinhese que o mesmo texto normativo, a MP 2.16667/2001, determinou alterações na Lei 4.771/65 (Código Florestal) e na Lei 9.393/96, incluindo Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA 6 neste um § 7o que trata especificamente de declaração para fim de isenção de áreas de preservação permanente, reserva legal e de servidão florestal. A questão que se pretende levantar como uma nova interpretação a ser dada ao disposto no referido § 7o , seria a de que a redação da Lei 4.771/65 manteria a exigência de averbação à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis, e que a não satisfação de tal exigência desautorizaria o reconhecimento de isenção das áreas mencionadas no cálculo do ITR. Uma interpretação sistemática e teleológica do dispositivo legal não autoriza tal entendimento. Como se justificaria que o mesmo texto legal, a MP 2.166 67/2001, pudesse ao recomendar alterações no Código Florestal pretender que se observasse como requisito para o reconhecimento da isenção do ITR a averbação da áreas mencionadas e, em outra passagem destinar comando que alteração a redação da Lei 9.393/96 para introduzir precisamente o § 7o do art. 10, com a determinação de que a declaração para o fim de isenção do ITR, relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" (preservação permanente e reserva legal) e "d" (servidão florestal) do inciso II, § I o do art. 10, não está sujeita à previa comprovação por parte do declarante, acrescentando, ainda, que é de responsabilidade do declarante qualquer comprovação posterior, pelo fisco, de inveracidade da declaração. De fato não há contradição na MP citada. As referências que existem na Lei 4.771/65 (Código Florestal), já consideradas as alterações introduzidas pela MP, são claramente voltadas ao cuidado de manter tais áreas sob preservação, onde a averbação da área de reserva legal ou de servidão florestal devem ser feitas para que conste nos termos de transmissão do imóvel a qualquer título. Observase idêntica preocupação quanto à posse do imóvel rural, conforme art. 16, § 10 da Lei 4.771/65, quando, por não ser viável a providência da averbação na matrícula do imóvel, assegurase a área de reserva legal mediante Termo de Ajustamento de Conduta firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. Ora, se não há obrigatoriedade sequer de prévia comprovação para o fim especificado de informar a existência de áreas legalmente isentas de ITR, muito menos há de que as respectivas áreas estejam averbadas no Cartório de Imóveis. O comando da averbação tem como finalidade, distinta do aspecto tributário, qual seja a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão a qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade de terceiros eventuais adquirentes. Tanto é assim que mesmo no caso em que não se pode falar em averbação na matrícula do imóvel no CRI, quando por exemplo se trate de posse, ainda assim devese garantir o que interessa ao Código Florestal, a garantia da responsabilidade do posseiro e de eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, o que se faz por outro instrumento, o Termo de Ajustamento de Conduta, a ser firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. Consiste numa declaração de compromisso de conservação de características ecológicas básicas e proibição de supressão de vegetação, constando evidentemente a localização da reserva legal, porque é ela que define o caráter da área, previsto em lei. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10280.721816/200971 Acórdão n.º 9202004.370 CSRFT2 Fl. 12 7 E frágil e superficial, concentrar na averbação do ADA junto à matrícula do imóvel ou no Termo de Ajustamento de Conduta perante o IBAMA, a responsabilidade de constituição do direito de isenção. A exclusão de tais áreas do universo tributável pelo ITR, não se dá por benesse do IBAMA ou da SRF, mas exclusivamente por se tratar de área definida legalmente, em termos de características ecológicas e localização especifica no território nacional. Por meio da IN SRF 60/2001, a administração tributária tentou estabelecer um vínculo entre a necessidade de averbação do ADA e o gozo da isenção. Ocorre que a averbação prevista, na Lei 4.771/65, visava tãosomente a responsabilizar o proprietário e eventuais adquirentes pela conservação ambiental. Com isso o procedimento da SRF feriu de morte o princípio da legalidade. Não há base legal para tal procedimento. É até possível entender asua utilidade para um controle tributário que além de se municiar de ato declaração do contribuinte (que se fosse só por isso seria inútil), vise, isto sim, a seleção de contribuintes para fiscalização. Não se pode admitir é a política de omissão em fiscalizar o ITR, assim como não se justifica a omissão do IBAMA em termos de fiscalização ambiental. No entanto, é para isso que aponta a mencionada IN SRF, parece esperar que apenas uma providência cartorial e burocrática de declaração do IBAMA mediante informações prestadas pelo contribuinte, averbada em Cartório de Imóveis, possa ter a virtude de constituir uma exclusão tributária. Agir assim é faltar ao compromisso social de fiscalização do tributo, e, principalmente, é afastarse perigosamente do Estado de Direito. É por suas características e localização, que a área indicada se enquadra ou não na definição legal de utilização limitada ou de preservação permanente, e por esse motivo está ou não excluída de tributação, e a constatação disso assim como não deve se restringir à leitura da DITR, não deve se restringir ao ADA, esteja ou não averbado. A primeira vista nada impede a SRF de estabelecer penalidade por descumprimento de obrigação acessória, motivada pela não apresentação de ADA averbado, ou de Termo de Ajustamento de Conduta protocolado junto ao IBAMA, no prazo fixado pela própria SRF, mas apenas por que este fato pode representar um entrave ao procedimento de fiscalização, a infração ao prazo ou à averbação exigida por ato normativo expedido pela SRF não pode de forma alguma ter o alcance de criar, além da lei, requisito ou condição para o gozo de isenção. Poderia, no máximo, além de motivar uma multa por descumprimento de obrigação acessória, constituir critério de prioridade para a seleção de contribuintes a serem fiscalizados. Entender diferente, que um aspecto tributário importante como definir um requisito para o beneficio da isenção, mesmo se dispondo de um ambiente legal construído, específico e em vigor na Lei 9.393/96, pudesse estar transferido, injustificadamente, para outro diploma legal, cuja finalidade é absolutamente distinta da tributária, é forçar demasiadamente Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA 8 um raciocínio que erige um castelo de areia para explicar que o ato de averbar, neste caso do ADA, de alguma forma pudesse ser importante para a isenção do ITR. Ao contrário, é da tradição tributária brasileira que, independentemente do título do rendimento, ele deve ser tributado, a renda independentemente de sua origem, é tributada. Da mesma foram no ITR, em que o proprietário, enfiteuta ou possuidor a qualquer título (inclusive usufrutuário), é contribuinte. Por outro lado, nada impede que, eventualmente, a administração tributária possa pôr em dúvida, serem as áreas declaradas efetivamente de preservação permanente ou de reserva legal, ou de servidão florestal, mesmo quando reconhecidas por via de ato declaratório ambiental do IBAMA averbado. Nesse caso cabe investigar, solicitar comprovações idôneas a demonstrar o estado da propriedade. O que não se admite é que se afirme sustentação legal no Código Florestal, inexistente, para exigir averbação das áreas isentas do ITR, como précondição, obstáculo ao reconhecimento, dessa áreas como isentas no cálculo do ITR. O parágrafo 8º do artigo 16, do Código revogado, após redação dada pela Medida Provisória 2.16667, de 2001, determinava que a área de reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. O intuito desse dispositivo era trazer ao fólio real importante informação quanto aos limites da reserva, uma vez que averbação no registro público garantiria publicidade irrestrita, oponível a todos, erga omnis. Esse tipo de infração ao disposto no Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definição dada na Lei 4.771/65 (Código Florestal). A infração cometida contra a Lei 4.771/65 por aquele que não obedece a limitação de uso de propriedade, é crime ambiental, não tributário, não tem o condão de desfazer a condição de área sob reserva legal, ainda que o proprietário lhe tenha dado indevidamente destinação ilícita^deve dar motivo a sanção apropriada que por certo não é de caráter tributário. Esse entendimento se dá em razão da peculiar situação do contribuinte quanto a impossibilidade prática de realizar os registros. Assim voto por DAR PROVIMENTO ao recurso do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10280.721816/200971 Acórdão n.º 9202004.370 CSRFT2 Fl. 13 9 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Designada Primeiramente, cabe esclarecer que a matéria do presente Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, conforme o Despacho de Admissibilidade, é unicamente a necessidade de averbação tempestiva da área de Reserva Legal, para exclusão da tributação do ITR. Quanto à matéria ora tratada, discordo do posicionamento da Ilustre Conselheira Relatora, no sentido da desnecessidade de averbação da ARLÁrea de Reserva Legal na matrícula do imóvel, para exclusão da tributação do ITRImposto Territorial Rural. O acórdão recorrido assim registrou: "No caso dos autos, a contribuinte não comprovou a averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel à época do fato gerador nem tampouco apresentou Termo de Ajustamento de Conduta firmado até aquela data, razão pela qual mantémse a glosa efetuada. Destarte, na espécie, não cabe excluir qualquer área ambiental declarada do ITR/2005, para efeitos de exclusão de tributação, mantendose a glosa da área de reserva legal declarada de 7.400,0 há efetuada pela fiscalização." Assim, no que diz respeito à ARLÁrea de Reserva Legal, há um requisito específico para a sua exclusão da tributação do ITR, qual seja, a averbação no registro de imóveis competente. Tal obrigação encontra amparo na Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Medida Provisória nº 16667, de 24/08/2001, conforme a seguir: “Art. 16 As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código." Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR/2005, este foi fixado em 1º/01/2005 (art. 1º da Lei nº. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA 10 9.393, de 1996), a averbação da ARL deveria ter sido providenciada até esta data, porém tal providência não foi adotada no presente caso. A despeito das alegações do Contribuinte, no sentido de dispensa da averbação, em função da localização do imóvel na Amazônia Legal, não há previsão legal para o seu acolhimento. E tratandose de exclusão da base de cálculo de tributo, não há que se alargar a interpretação da lei, que é por demais clara no sentido da exigência ora questionada. O Contribuinte alega também que o art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, com as alterações da Medida Provisória nº 2.16667/2001, teria dispensado a averbação da ARLÁrea de Reserva Legal na matrícula do imóvel, para fins de sua exclusão da tributação do ITR. Entretanto, dito dispositivo legal não teve tal escopo, visando tãosomente sedimentar a alteração da modalidade de lançamento anterior do ITR (por declaração, conforme a Lei nº 8.847, de 1994), para lançamento por homologação. Assim, a dispensa de comprovação prévia nada tem a ver com dispensa de averbação, e sim com a sistemática de lançamento, igualando o à modalidade dos demais tributos administrados pela Receita Federal. Destarte, tendo em vista que não foi cumprido requisito essencial para a exclusão da ARLÁrea de Reserva Legal da tributação do ITRImposto sobre a Propriedade Territorial Rural, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 204DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por PATRICIA DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.727605/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto ChagasPresidente
José Henrique MauriRedator "ad hoc"
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Redator "adhoc"), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conseheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator original, desligou-se do colegiado, tendo consignado seu voto na sessão anterior.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto ChagasPresidente José Henrique MauriRedator "ad hoc" Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Redator "adhoc"), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conseheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator original, desligou-se do colegiado, tendo consignado seu voto na sessão anterior.
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Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente José Henrique Mauri Redator "ad hoc" Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Redator "adhoc"), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conseheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator original, desligouse do colegiado, tendo consignado seu voto na sessão anterior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 27 60 5/ 20 11 -1 9 Fl. 3637DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10480.727605/201119 Resolução nº 3301000.262 S3C3T1 Fl. 10 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito. Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/23, para exigir R$ 17.282.727,06 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 4.948.374,60 de juros de mora calculados até outubro de 2011, R$ 12.962.045,39 de multa proporcional ao valor do imposto e R$ 5.275.680,04 de multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, representando um crédito tributário total consolidado de R$ R$ 40.468.827,09. Conforme apontado no Auto de Infração em apreço e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 3020/3031, o lançamento decorreu da constatação de que houve FALTA DE DESTAQUE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA e FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO IPI DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS (IPI LANÇADO E NÃO ESCRITURADO). Por meio do supra citado Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora detalhou os procedimentos, verificações, critérios, conclusões e demais fundamentos que ensejaram a autuação e, consignou, entre outras, as seguintes informações: i) A fiscalização teve origem em Representação Fiscal elaborada, em 03/02/2011, pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, a qual, por meio de diligência junto à empresa Platinum Trading S/A CNPJ nº 04.870.288/000106, sediada em São Paulo, que objetivou conferir o efetivo funcionamento da empresa, além da sua condição de real adquirente de mercadorias importadas e, também, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática de suas operações de comércio exterior, constatou que, nos anos de 2008 e 2009, as notas fiscais de saída referentes à revenda das mercadorias importadas eram emitidas pelo estabelecimento da empresa, localizado em IpojucaPE, sem o destaque de IPI e que saldo devedor algum escriturado nos Livros Registro de Apuração do IPI foi pago ou declarado. ii) A ação fiscal abrangeu períodos de apuração relativos aos anos de 2007, 2008 e 2009. iii) A empresa fiscalizada importou diretamente os mais diversos artigos manufaturados (farinha de trigo, fermento, pneumáticos, arcondicionados, brinquedos, televisões, motocicletas, ciclomotores, partes e peças para motocicletas, veículos de alta cilindrada, motoniveladoras, etc). iv) Sobre as referidas importações incidiu, entre outros tributos, o IPI previsto no art. 34, in. I, do RIPI/2002, tendo sido os pagamentos efetuados confirmados por meio de consulta ao Sistema Informatizado de Arrecadação Federal (SINAL). v) O contribuinte revendeu as mesmas mercadorias importadas no mercado interno, sem que houvesse sido realizado nenhum processo de industrialização, razão pela qual foi considerada a classificação fiscal indicada nas DI (Declarações de Importação) quando do desembaraço aduaneiro, tendo sido aplicadas as alíquotas vigentes nas datas das correspondentes saídas. Regularmente cientificado do lançamento, o sujeito passivo ingressou, tempestivamente, com impugnação (fls. 3045/3067 dos autos digitais) onde formula, em síntese, as seguintes razões de defesa: Fl. 3638DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10480.727605/201119 Resolução nº 3301000.262 S3C3T1 Fl. 11 3 a) Argumenta que o valor lançado pela autoridade fiscal é exorbitante e não reflete a realidade fática, além de ir contra os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva, o que ensejaria sua improcedência. b) Sustenta a impossibilidade de incidência do IPI na saída das mercadorias importadas, aduzindo que no momento do desembaraço aduaneiro a empresa importadora já recolhe este imposto, não podendo, sob pena de caracterizar uma verdadeira bitributação, recolhêlo também quando da saída dos produtos do seu estabelecimento. c) Afirma que as empresas importadoras que recebem as mercadorias para venda sem realizar qualquer transformação ou mesmo beneficiamento no produto importado, situação na qual se enquadra, não são equiparadas à industrial. Para defender sua tese, transcreve Soluções de Consulta da 6ª e da 9ª RF, ementa de decisão do STJ e excertos doutrinários. d) Defende a ocorrência de insubsistências no auto de infração que lhe foi imputado, argumentando que a autoridade autuante teria deixado de considerar créditos decorrentes do desembaraço aduaneiro aos quais faria jus. Apresenta a titulo exemplificativo tabela (fls. 3050/3051) contendo alguns produtos cujo crédito teria sido, segundo expõe, considerado a menor. e) Alega que os valores considerados na autuação, como base de cálculo do imposto, não condizem com os que se encontram estampados nas notas fiscais de saída. Nesse sentido, aduz que a autoridade autuante teria considerado indevidamente o ICMS substituto para compor a base de cálculo do IPI e sustenta, com base em dispositivos regulamentares e no CTN, que o valor total da operação, para fins de cálculo do IPI, é o valor total dos produtos, os quais expressam o valor econômico envolvido e não o valor da nota fiscal, conforme utilizado pelo Auditor Fiscal. Para exemplificar o suposto equívoco que teria sido cometido no tocante a definição da base de cálculo do imposto, apresenta planilhas às fls. 3052, 3053 e 3055. f) Defende a ocorrência de erro na indicação da alíquota de 35% que teria sido atribuída pela autoridade autuante às saídas do produto “MOTOCICLETAS DE ATÉ 250 CILINDRADAS” e assevera que a alíquota prevista na TIPI para o referido produto, à época do fato gerador, seria na realidade de 25%. g) Aponta a ocorrência de violação aos princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva, além da equidade e proporcionalidade, e contesta as multas impostas no auto de infração, sustentando que houve cumulação de penalidades decorrentes de um mesmo lançamento, o que caracterizaria a ocorrência de bis in idem. Quanto à questão, colaciona excerto doutrinário e ementas de julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. h) Diz que os juros SELIC tem natureza remuneratória e argumenta que sua incidência sobre os tributos vencidos contraria a jurisprudência e viola o § 1º do art. 161 do CTN. Sobre o tema, defende ainda a aplicação de juros de mora de 1% ao mês e apresenta ementa de julgado do STJ. i) Pugna pela realização de perícia a qual, a seu ver, se justificaria em face das inconsistências que teriam sido apontadas no auto de infração combatido. Apresenta a respeito ementa do antigo Conselho de Contribuintes (atual CARF) e indica o Sr. Flávio de Albuquerque e Mello Coelho de Araújo como perito, formulando quesitos relativos aos exames postulados. Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10480.727605/201119 Resolução nº 3301000.262 S3C3T1 Fl. 12 4 Ao final, noutros termos, requer: a) O deferimento da perícia requestada; b) A improcedência do lançamento, uma vez que caracterizada a bitributação; e c) A nulidade da autuação, em face das razões expostas em seu arrazoado. Ao julgar referida impugnação a 2ª Turma da DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1141.872, de 30/07/2013, que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização. OPERAÇÃO DE SAÍDA TRIBUTADA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do IPI estabelecida na legislação tributária corresponde exatamente ao valor da operação indicado na nota fiscal válida e eficaz, independentemente dos critérios que o contribuinte emitente utilizou para a formação de seu preço de venda (art. 131, I, ‘b’, do Decreto nº 4.544/02, com matriz legal no art. 18 da Lei 4.502/64 e art. 47, II, do CTN). IPI. MULTAS. É lícita a aplicação simultânea da multa de ofício sobre o IPI não recolhido e sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessária a realização de perícia quando os autos já trouxerem os elementos necessários à formação de convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 3451 em diante, por meio do qual apresenta basicamente os mesmos argumentos apresentados em sede de sua manifestação de inconformidade. Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10480.727605/201119 Resolução nº 3301000.262 S3C3T1 Fl. 13 5 Posteriormente, em 12/05/2015, o contribuinte apresenta o requerimento de fls. 3568/3570, por meio do qual informa que havia impetrado o Mandado de Segurança Preventivo nº 01524317.2012.4.05.8300, em 28/08/2012, cujo trânsito em julgado ocorreu em 04/02/2015, prevalecendo o Acórdão do TRF 5ª Região com a seguinte ementa: Tributário. Mandado de segurança preventivo. Apelação para afastar a exigência de tributo relativo a nova incidência do imposto sobre produtos industrializados (IPI),nas operações de revenda de produtos importados, tributados por ocasião do desembaraço aduaneiro. 1. O fato gerador do IPI para o produto importado ocorre no momento do desembaraço aduaneiro (art. 46, inc. I, do Código Tributário Nacional). 2. Inexistindo etapa de industrialização subsequente à importação, caracterizase a impossibilidade de equiparar o importador ao produtor para fins de nova incidência de IPI por ocasião da revenda do produto importado. 3. Interpretação sistemática do art. 51, parágrafo único, c/c art. 46, inc. II, do Código Tributário Nacional. 4. Precedentes jurisprudenciais deste Tribunal: AC 486166/PE, des. Paulo Roberto de Oliveira Lima; AC 504321/PB, des. Sérgio Murilo Wanderley Queiroga, convocado. 5. Apelação provida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Redator "ad hoc" em face do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator original, que desligouse do colegiado para assumir o encardo de presidente de Câmara. O presente voto reflete, na íntegra, o voto consignado pelo relator original. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Mandado de Segurança O Mandado de Segurança Preventivo nº 01524317.2012.4.05.8300 foi impetrado em 28/08/2012. Embora tenha transitado em julgado com provimento favorável ao contribuinte, o objeto da ação são os fatos geradores posteriores à data de sua propositura. Aliás quando de sua impetração, em 28/08/2012, o presente lançamento já havia sido consumado, não podendo o mesmo ter sido objeto de mandado de segurança preventivo. Veja que o presente auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 06/10/2011, fl. 4. A esse respeito vejamos o que dispõe a Lei nº 12.016/2009: Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10480.727605/201119 Resolução nº 3301000.262 S3C3T1 Fl. 14 6 Art. 5o Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; III de decisão judicial transitada em julgado. Ora, indubitavelmente o presente auto de infração não poderia ser objeto do referido mandado de segurança, pois além de existir a mais de 120 dias, prazo decadencial da propositura do mandado de segurança, tratase de ato em que estava pendente o julgamento de recurso administrativo, o qual tem efeito suspensivo. Portanto não estamos em uma situação de aplicação da Súmula nº 1 do CARF e não se trata de concomitância com processo judicial. Poderia até se alegar que como se trata de uma decisão mandamental declaratória de inexistência de relação jurídica, com trânsito em julgado, o seu conteúdo deveria ser aplicado ao presente caso, pois, em tese, bastaria o contribuinte impetrar uma nova ação solicitando a aplicação do mesmo entendimento a todos os processos administrativos pendentes. Ocorre que, smj, esse provimento judicial não seria obtido de forma automática, pois, como veremos mais adiante com mais detalhe, existe decisão do STJ nos termos do art. 543C do CPC, sistemática dos recursos repetitivos, conferindo entendimento contrário ao provimento judicial obtido pelo contribuinte. Assim, entendo que não cabe a esse órgão de julgamento conferir no presente caso o mesmo tratamento dado à coisa julgada do contribuinte, pois tratamse de objetos diferentes. Recurso Voluntário Da possibilidade de equiparar o importador ao industrial no momento da revenda dos produtos importados no mercado interno: Em seu recurso voluntário o contribuinte faz uma longa explanação sustentando a impossibilidade de incidência do IPI na saída das mercadorias importadas, aduzindo que no momento do desembaraço aduaneiro a empresa importadora já recolhe este imposto, não podendo, sob pena de caracterizar uma verdadeira bitributação, recolhêlo também quando da saída dos produtos do seu estabelecimento. Afirma, em síntese, que as empresas importadoras que recebem as mercadorias para venda sem realizar qualquer transformação ou mesmo beneficiamento no produto importado, situação na qual se enquadra, não são equiparadas à industrial. Essa matéria, apesar de ser bastante antiga e de sua tributação estar, no entendimento desse julgador, prevista na lei e nos regulamentos e em consonância com todos os princípios de tributação do IPI, era bastante controversa no âmbito das decisões judiciais, tanto que o contribuinte obteve o citado provimento judicial no mandado de segurança preventivo. Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10480.727605/201119 Resolução nº 3301000.262 S3C3T1 Fl. 15 7 Porém, essa matéria foi pacificada pelo STJ ao julgar os Embargos de Divergência em RESP nº 1.403.532SC, cujo julgamento deuse na sistemática dos recursos repetitivos, art. 543C do CPC. Dessa forma, assim decidiu aquela corte: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (não cumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10480.727605/201119 Resolução nº 3301000.262 S3C3T1 Fl. 16 8 nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Como sabido, essa decisão é de cumprimento obrigatório por esse colegiado em face do que dispõe o § 2º do art. 62 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/06/2015: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dos créditos considerados incorretamente O contribuinte alega que na apuração do IPI devido a fiscalização considerou valores a menor de créditos do imposto. Traz por amostragem alguns exemplos em que, aparentemente comprova o alegado. No corpo do seu recurso voluntário, somente a título exemplificativo, traz a cópia da nota fiscal de entrada nº 577, na qual consta o valor de R$ 21.329,47 a título de IPI pago no desembaraço aduaneiro, sendo que a fiscalização concedeu crédito correspondente a R$ 18.512,72 (14.992,12 + 3.520,60), o que pode ser conferido na planilha de créditos à fl. 1724. Dos débitos considerados incorretamente O contribuinte alega que na apuração do IPI devido a fiscalização considerou valores a maior nos débitos de IPI em relação ao registrado nas notas fiscais de saídas. Traz por amostragem alguns exemplos em que, aparentemente comprova o alegado. No corpo do seu recurso voluntário, somente a título exemplificativo, traz a cópia da nota fiscal de vendas nº 9837 em que demonstra que os preços de vendas de seus três itens foram respectivamente R$ 39.000,00, R$ 11.200,00 e R$ 4.600,00, porém a fiscalização utilizou como base de cálculo do IPI os seguintes valores respectivos: R$ 66.300,00, R$ 11.850,00 e R$ 4.900,00, fato que pode ser confirmado na planilha "Saídas Tributadas pelo IPI ano 2008" à fl. 2060. Da aplicação incorreta da NCM Da mesma forma, nesse ponto, o contribuinte parece comprovar que foi aplicada incorretamente a alíquota de 35% do IPI para o produto classificado na NCM 8711.20.20, cuja alíquota correta seria de 25%. Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10480.727605/201119 Resolução nº 3301000.262 S3C3T1 Fl. 17 9 Conclusão Entendendo que os três últimos itens analisados trazem elementos coerentes que podem levar a uma exigência tributária indevida e, em nome do princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem efetue os seguintes procedimentos: a) intimar o contribuinte, concedendolhe prazo razoável, para que apresente uma planilha completa da apuração correta do IPI para todos os fatos geradores que envolve o presente lançamento. Alternativamente poderá o contribuinte apresentar uma planilha demonstrativa somente dos itens que entende estar incorretos nas planilhas elaboradas pela fiscalização no auto de infração. O contribuinte deverá também disponibilizar à fiscalização, junto com a planilha, todos os documentos necessários à comprovação dos fatos alegados; b) a vista da planilha e documentos correspondentes a fiscalização deverá elaborar relatório conclusivo a respeito dos elementos apresentados com demonstração dos novos valores considerados na apuração das bases de cálculo e dos valores do imposto e multas remanescentes, se for o caso; e c) dar ciência ao contribuinte do relatório conclusivo de que trata o item anterior, concedendolhe prazo para manifestação. Após cumpridas essas etapas, devolver o processo ao CARF para que o julgamento seja concluído. José Henrique Mauri Redator "ad hoc". Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006012/2005-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL - APRESENTAÇÃO DE ADA
Para fatos geradores ocorridos em 2001, na vigência do §1º, do artigo 17-O, da Lei 6.938/81 para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, era obrigatória a utilização do ADA para redução do ITR a pagar.
No presente caso, como se trata de fato gerador ocorrido em 01/01/2001 e não houve a apresentação do ADA, referidas áreas não poderiam ser excluídas da base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 9202-004.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que negaram provimento ao recurso e, ainda, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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No presente caso, como se trata de fato gerador ocorrido em 01/01/2001 e não houve a apresentação do ADA, referidas áreas não poderiam ser excluídas da base de cálculo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que negaram provimento ao recurso e, ainda, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 60 12 /2 00 5- 13 Fl. 463DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, ausente, momentaneamente, a Conselheira Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de ITR, referente ao imóvel denominado "Fazenda Quatro Irmãos", em razão da glosa integral das áreas declaradas pelo contribuinte como preservação permanente e reserva legal, bem como pela desconsideração do VTN informado, no exercício 2001, pelos seguintes motivos: Área de preservação permanente o Laudo apresentado pelo contribuinte não discrimina, caso a caso, cada área de preservação, conforme art. 2° da Lei n°. 4771/1965. Além disso, não foi apresentada a comprovação da emissão do ADA junto ao IBAMA em data anterior a 31 de matgo de 2002. Área de utilização limitada não foi apresentada a comprovação da emissão do ADA junto ao IBAMA em data anterior a 31 de março de 2002. Valor da Terra Nua Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, apresentado pelo contribuinte, não contém itens essências â sua análise, não tendo atendido aos requisitos da Norma/ABNT NBR n°. 8799, atual NBR ln°. 4658, sendo considerado o VTN constantes da tabela SIPT. O contribuinte impugnou o lançamento, mas a DRJ negou provimento à sua pretensão. Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso Voluntário a Primeira Câmara, do Terceiro Conselho de Contribuintes a ele deu provimento, para restabelecer a área de preservação permanente e área de reserva legal excluídas na apuração do imposto, bem como o VTN declarado, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O indeferimento do pedido de perícia pelo julgador de primeira instância, por entendêla desnecessária ao deslinde do litígio, não se configura cerceamento do direito de defesa. Preliminar rejeitada. ITR. NÃOINCIDÊNCIA. RESERVA LEGAL. Estando registrada à margem da matricula do registro de imóveis, ainda que intempestiva, a reserva legal deve ser excluída da base de cálculo do ITR, por atender aos dispositivos Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10183.006012/200513 Acórdão n.º 9202004.616 CSRFT2 Fl. 464 3 legais e formais de utilização limitada, a partir da qual decorre a não incidência. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A obrigação de comprovação da área declarada em DITR como de preservação permanente por meio do ADA, foi facultada pela Lei n°. 10.165/2000, que alterou o art. 170 da Lei n°. Lei nº 6.938/1981. É apropriada a comprovação da área de preservação permanente por outros meios de prova, por laudo técnico, subsidiado de elementos que demonstrem sua existência. O reconhecimento pelo Fisco da existência das áreas em outros exercícios, e, portanto não incidência tributária, somente é admissível quando a exigência fundase apenas em descumprimento de aspecto formal. VALOR DA TERRA NUA. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA. Ainda que o SIPT tenha sido criado por Lei é imprescindível a demonstração da adequação das diversas classes de áreas informados no Sistema com as áreas realmente existentes no imóvel fiscalizado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia; e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Relatora, e José Luiz Novo Rossari, que negavam provimento. Designado para redigir o acórdão o conselheiro Luiz Roberto Domingo. Regularmente intimada da decisão a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a glosa da área de preservação permanente e da área de reserva legal, tendo em vista a ausência de apresentação tempestiva do ADA. Para demonstrar a divergência de interpretação trouxe como paradigma os acórdãos nº 30238.743 e 30239.233. Em suas razões, a União alega, em apertada síntese: 1. Que nos termos do artigo 17, da IN SRF 73/2000, é obrigação do contribuinte protocolizar requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA, no prazo de seis meses a partir da data final da entrega da DITR. Entretanto, no presente caso, essa obrigação não foi observada; 2. Ao estabelecer necessidade de reconhecimento pelo Poder Público a Administração Pública, por meio de ato normativo, fixou condição para não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada; Fl. 465DF CARF MF 4 3. A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei 6.938/81, artigo 17O, §1º, com redação dada pela Lei 10.165/2000. Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, nos seguintes termos: Compulsando os autos, verificase que no acórdão recorrido o entendimento foi no sentido de não haver necessidade de apresentação tempestiva do ADA e da averbação na matrícula do imóvel das referidas áreas, conforme excerto do voto vencedor: (...) Esse entendimento vai de encontro aos paradigmas indicados, que exigem a apresentação do ADA e a averbação no registro de imóveis em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, resta patente a divergência jurisprudencial. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões, alegando, em apertada síntese: 1. Que o ADA não é o único instrumento capaz de comprovar a efetiva existência das áreas que deve ser excluídas da base de cálculo do ITR; 2. Que a jurisprudência desse tribunal tem aceitado como elementos de prova Laudos elaborados por peritos técnicos e averbação das áreas na matricula do imóvel; 3. Que o artigo 10 da Lei 9.393/96 não exige a apresentação do ADA, sendo ilegais as Instruções Normativas que o fazem; 4. Que o regime da reserva legal, para fins de cálculo do ITR, deve ser obtido no Código Florestal vigente à época; 5. Que a exigência de averbação da área na matrícula do imóvel, para fins de exclusão da base do ITR carece de base legal; 6. Imprescindível é a efetiva da área reservada, correspondente àquela exigida na legislação; 7. Nesse contexto, pede o não provimento do Recurso Especial da União É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os requisitos para admissibilidade do recurso especial, não tenho reparos a fazer na análise previamente realizada. ARL AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10183.006012/200513 Acórdão n.º 9202004.616 CSRFT2 Fl. 465 5 A exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, à época do fato gerador em questão, estava prevista no artigo 10, §1º, II, "a", da Lei 9.393/96. Segundo tal norma, a área tributável seria a área total do imóvel menos, dentre outras, a área de reserva legal prevista na Lei 4.771/65, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A referida Lei 4.771/65, em seu artigo 16, trazia os contornos da referida área de reserva legal (também chamada de área de utilização limitada). Na época do fato gerador em questão, vigia o §2º da referida Lei, que exigia a averbação dessa área à margem da inscrição de matrícula do imóvel e vedava a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão ou desmembramento da área, verbis: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (...) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Nesse contexto, travouse uma primeira rodada de discussões sobre a necessidade de averbação da área para fins de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Parte da jurisprudência se posicionou no sentido de que a averbação apenas possuía efeitos em relação à legislação florestal/ambiental, sendo, portanto, irrelevante para fins fiscais. Outra parte da jurisprudência seguiu no sentido de que para a exclusão da reserva legal todos os requisitos contidos na legislação florestal deveriam ser cumpridos, inclusive referida averbação. Para a corrente que entende necessária dita averbação para a exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, abriuse nova discussão, agora acerca do momento em que ela deve ocorrer, se antes da ocorrência do fato gerador do imposto ou antes do procedimento fiscal que ensejou eventual lançamento de ofício. Essa é a matéria a ser tratada no presente caso. Fl. 467DF CARF MF 6 A par dessa última discussão, sou afeito a interpretação de que a regra que determina a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel o fez com a finalidade de oposição dessa condição a terceiros, impedindo sua supressão ainda que ocorra a transmissão integral ou parcial da propriedade, bem como seu desmembramento. Ora, o Código Florestal vigente à época (Lei 4.771/65) não trazia qualquer disposição sobre matéria tributária. E a Lei tributária que tratava a exclusão da área de reserva legal da base ce cálculo do ITR em nenhum momento impôs ao contribuinte o dever de realizar referida averbação. Para a Lei tributária a área reserva legal não é tributada independentemente de observância dos preceitos da Lei Florestal. Não há penalidade fiscal para inobservância de regra Florestal/ambiental. Há sim penalidade em outros âmbitos (como multas impostas pelos órgãos ambientais e penalidades de ordem criminal, por exemplo). Assim, é possível concluir que a averbação da área jamais foi requisito para ser cumprida com a finalidade de exclusão da área de reserva legal da base do ITR. ARL e APP ADA TEMPESTIVO Com a publicação da Lei 10.165/2000, em 28/12/2000, foi alterado o artigo 17, da Lei 6.938/81, incluindose ali o §1º, que estabeleceu a obrigatoriedade de utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR a pagar, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Logo, na vigência do §1º em questão, todas as áreas passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR deveriam estar contidas no ADA para tanto. Importante comentar que a MP 2.16667/01 revogou tal norma em relação às áreas de preservação permanente, de reserva legal e sob regime de servidão ambiental, ao introduzir o §7º, ao artigo 10, da Lei 9.393/96. Contudo, tal revogação surtiu efeitos apenas para fatos geradores de ITR ocorridos a partir de 2002, tendo em vista que sua publicação ocorreu em 25/08/2001. No presente caso, como estamos diante de fato gerador ocorrido em 01/01/2001, encontravase plenamente vigente o §1º, da Lei 6.938/81, e a exigência do ADA, portanto. Como no presente caso inexite ADA tempestivo, não há como manter a exclusão da área perseguida pelo contribuinte. Nesse contexto, voto por DAR provimento ao recurso da União. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10183.006012/200513 Acórdão n.º 9202004.616 CSRFT2 Fl. 466 7 Importante registrar que no entendimento da maioria a averbação da área na matrícula do imóvel supre a exigência de ADA, porém laudo, mesmo que respeite as regras da ABNT não. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000984/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA BANCÁRIA MOVIMENTADA PELO "DE CUJUS" - LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO - OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA - A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser urna obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito e/ou de fato da conta-corrente. Portanto, não há corno imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos A época em que o contribuinte - titular de fato da conta-corrente - era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação especifica.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9202-004.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA BANCÁRIA MOVIMENTADA PELO "DE CUJUS" - LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO - OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA - A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser urna obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito e/ou de fato da conta-corrente. Portanto, não há corno imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos A época em que o contribuinte - titular de fato da conta-corrente - era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação especifica. Recurso Especial Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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Portanto, não há corno imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos A época em que o contribuinte titular de fato da contacorrente era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação especifica. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 84 /2 00 7- 31 Fl. 886DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 220200.385, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 408/430, lavrado, em 23/04/2007, com ciência pessoal da representante legal do espólio, Sra Elvira Sanchez Pluchino, referente aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 19.858.169,26, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do auto de infração. Infração capitulada nos artigos 1º, 2°, 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° e 2°, da lei n° 8.134, de 1990 e artigo 1° da Lei n° 10.451, de 2002. 2 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de deposito ou de investimentos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do auto de infração. Infração capitulada no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996; artigo 4° da Lei n° 9.481, de 1997 e artigo 1° da Lei n° 9.887, de 1999. Em sua peça impugnatória de fls. 433/460, o espólio, através de sua representante legal, arguiu preliminarmente que a impugnante Elvira é uma senhora com 75 anos de idade, de naturalidade espanhola, que mal conhece a língua portuguesa e, muito menos, a língua inglesa e, por tudo isso não conseguiu dar as informações pedidas pelo fisco, esclarecendo que em suas respostas que desconhecia totalmente as acusações que o fisco fez. Que essa impossibilidade fática e jurídica de se defender caracteriza cerceamento de defesa e, segundo o inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, "São Nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa.!'. No mérito, arguiu que o fiscal formulou a exigência constante no Auto de Infração com base em mera presunção; que, irregularmente, transferiram, totalmente, o ônus da prova à impugnante Elvira, representante do espólio, e, além disso, fundamentaram o Auto de Infração em simples cópias de documentos estrangeiros não traduzidos ao vernáculo, e que parte do crédito tributário exigido, referente ao período de 2001 e 2002, foi extinta pela decadência. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202004.511 CSRFT2 Fl. 10 3 A DRJSão Paulo/SP II, fls. 525/548, julgou procedente em parte o lançamento, restando assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. DECADÊNCIA O prazo para efetuar o lançamento, nos casos em que não ocorre a homologação, tendo em vista a constatação de dolo, é aquele do art. 173, I do CTN, isto é, cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ILEGITIMADE DE PARTE Existindo nos autos elementos que identificam o beneficiário de depósitos bancários, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR: APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA E A EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. Há expressa previsão legal para a responsabilidade do espólio pelos tributos devidos pelo de cujos até a data da abertura da sucessão. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O Acréscimo Patrimonial a descoberto apurado não foi objeto de impugnação, devendo ter o tratamento de matéria incontroversa. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO APÓS A CONSTATAÇÃO DE FALECIMENTO DA PESSOA FÍSICA. Afastase a multa de oficio, por falta de previsão legal, uma vez constatado o falecimento do contribuinte e referindose a apuração da omissão de rendimentos ao período anterior A abertura da sucessão. Deste ato, a Presidência da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Sao Paulo SP II, às fls. 549, recorreu de oficio ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 3° inciso II, da Lei n° 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei n° 9.532, de 1997 e da Portaria MF n°375, de 2001. Da mesma forma, o Espólio de Francisco Fernadez Bernardez apresentou Recurso Voluntário (fls. 569/595), reiterando os argumentos anteriores. Fl. 888DF CARF MF 4 A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 640/658, negou provimento ao Recurso de Ofício e deu provimento ao Recurso Voluntário, concluindo que o lançamento não foi realizado dentro dos parâmetros legais do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, portanto, deve ser excluído da exigência tributária. A Fazenda Nacional, às fls. 662/667 opôs Embargos de Declaração sob a alegação de omissão, rejeitados pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Às fls. 677/694, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial para os dois temas: 1. Preclusão relativamente ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD; e 2. Possibilidade de autuação, com base na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96, em face do Espólio. Sobre a primeira matéria, a Fazenda arguiu que, diversamente do que decidiu o acórdão recorrido, os paradigmas decidiram ser inviável a analise de matéria não contestada pelo contribuinte, tendo em vista o instituto da preclusão. Quanto ao segundo tema, em oposição ao recurso hostilizado, os acórdãos paradigmas, para efeitos tributários, firmam posicionamento de que se aplicam ao espólio as mesmas normas a que se sujeitam as pessoas físicas e, ainda, que cumpre ao inventariante comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados na conta do de cujus. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 798/807, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, deu seguimento parcial ao recurso, pois não houve a necessária comprovação da similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o recorrido, não caracterizando a divergência jurisprudencial, no tocante à preclusão relativamente ao Acréscimo Patrimonial a DescobertoAPD. Já quanto à segunda matéria suscitada – possibilidade de autuação, com base na presunção do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, em face de Espólio – o cotejo realizado entre acórdãos paradigmas e recorrido não deixa dúvidas acerca da divergência jurisprudencial, pois, todos os julgados em confronto tratam de exigência perante o Espólio, com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996; entretanto, no acórdão recorrido considerouse que a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos constituiria obrigação personalíssima, inexigível do Espólio. No Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial, às fls. 808/809, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, manteve integralmente o despacho da Câmara que deu seguimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Apresentadas as contrarrazões às fls. 818/834. Às fls. 847, o Espólio apresentou petição para expor que a autoridade autuante instaurou três procedimentos fiscais: um em face da Recorrente Elvira; outro em face de Enrique R. Branco; e o terceiro em face de Francisco Fernandes Bernardez (espólio), intitulados como beneficiários da conta mantida pela empresa Raintree Ltda, na cidade de Nova York; que a base do lançamento efetuado em face das três pessoas físicas consideradas sócias da empresa e reais beneficiárias da conta indicada, foi o rateio do credito tributário apurado entre os mesmos, certo de que todas as autuações têm a mesma premissa fática e jurídica; que ao recurso interposto pelo peticionário foi dado provimento para cancelar o crédito tributário, tendo sido interposto recurso especial por parte da Procuradoria Federal, com a anulação da decisão que inadmitiu o recurso, aguardando nova decisão a ser proferida; informa que houve decisão no recurso interposto no processo movido em face de Enrique R. Blanco, também provido para cancelar o crédito tributário (acórdão 2202003.030), tendo havido desistência do direito de recorrer por parte da Procuradoria Federal, com remessa do processo ao arquivo. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202004.511 CSRFT2 Fl. 11 5 É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, fls. 408/430, lavrado, em 23/04/2007, com ciência pessoal da representante legal do espólio, Sra Elvira Sanchez Pluchino, referente aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 19.858.169,26, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso de Ofício e deu provimento ao Recurso Voluntário, concluindo que o lançamento não foi realizado dentro dos parâmetros legais do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, devendo, portanto, ser excluído da exigência tributária. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência sobre a possibilidade ou não de autuação, com base na presunção do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, em face de Espólio. O acórdão recorrido considerouse que a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos constituiria obrigação personalíssima, inexigível do Espólio, entendimento diametralmente oposto aos paradigmas trazidos pela Fazenda Nacional. O dispositivo legal (art. 42 da Lei n.º 9.430/96) que deu ensejo à fiscalização da DIRPF do de cujus, culminando na autuação, institui uma presunção relativa, atribuindo ao titular da conta de depósito o dever de provar a origem dos valores percebidos em sua conta. O posicionamento por mim adotado já em outros votos referese ao fato de que o artigo supracitado é claro ao atribuir o ônus da prova, tão somente, ao contribuinte/titular da conta, pois apenas ele está apto e tem os meios necessários para comprovar a origem dos valores que em sua conta transitam. A comprovação da origem dos depósitos mencionada pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/96 deve se dar com a apresentação de documentação hábil e idônea que identifique a fonte, o valor e a data do crédito, ou seja, algo que permita a demonstração de a que título os valores foram recebidos, sendo certo, a meu ver, que somente o titular da conta é capaz de trazer todas estas informações necessárias. É fato que o sucessor responde pelos tributos devidos pelo de cujus quando os fatos geradores são anteriores à data da abertura da sucessão e à época da lavratura do auto de infração já há sentença, transitada em julgado, homologando a partilha, neste sentido cito e adoto os ensinamentos do acórdão n° 210101.566, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção em caso análogo: Fl. 890DF CARF MF 6 Ocorre, todavia, que a pessoa do sucessor não se confunde com a do contribuinte falecido, o que torna difícil, quiçá impossível, a prestação de informações bancárias minuciosas sobre transações das quais o responsável tributário nunca participou, ou tomou conhecimento. A aplicação do enunciado do art. 42 da Lei n.º 9.430/96 àqueles que não são titulares da conta bancária transformaria, na prática, uma presunção relativa em absoluta, devido à impossibilidade de o terceiro comprovar a origem de depósitos realizados em conta que não é de sua titularidade. Com efeito, a partir da leitura do texto legal mencionado, bem como das questões acima enfrentadas, resta claro que a obrigação de comprovar a origem de depósitos bancários é, exclusivamente, do titular da conta de depósito, configurandose uma obrigação personalíssima. Portanto, não há como imputar a outra pessoa, in casu a sucessora, que não o contribuinte/titular a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte/titular da conta era vivo. Em sendo assim, concluo que a regra do art. 42 da Lei n.º 9.430/96 não alcança o responsável tributário e, portanto, é inadmissível a autuação de omissão de rendimentos decorrente da constatação de depósitos de origem não comprovada quando em procedimento fiscal verificarse que o contribuinte/titular da conta veio a óbito em momento posterior à movimentação dos recursos." Nesse sentido, inclusive, é a jurisprudência desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim se manifesta: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS – CONTA BANCÁRIA MOVIMENTADA PELO "DE CUJUS" – LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO REALIZADO CONTRA O ESPÓLIO – OBRIGAÇÃO PERSONALÍSSIMA A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito e/ou de fato da conta corrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos à época em que o contribuinte titular de fato da conta corrente era vivo, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma, Acórdão 220200.385, de 03/02/2010) ESPÓLIO. CÔNJUGE SOBREVIVENTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Exigese do cônjuge sobrevivente os tributos devidos em razão de omissão de seus rendimentos próprios, ainda, que tais rendimentos se refiram a anocalendário, no qual o casal tenha optado pela tributação em conjunto. A opção pela Declaração de Ajuste Anual exercida pelo casal (de cujus e cônjuge sobrevivente) não pode ser estendida ao espólio.” (CARF, 3ª Seção, 1ª Turma, Acórdão 330100.038, de 05/03/2009) Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19515.000984/200731 Acórdão n.º 9202004.511 CSRFT2 Fl. 12 7 Considerandose o exposto, correta foi a decisão recorrida, que assim fundamentou: É evidente, que não sendo o espólio o titular da contacorrente não há como lhe exigir que comprove os valores depositados nas contascorrentes do de cujus, a não ser que os depósitos se referissem a período posterior A data da abertura da sucessão. Ou seja, após o óbito. Ai sim, haveria que se averiguar quem era o responsável pela movimentação: se o espólio, se o inventariante ou qualquer outro sujeito passivo. Entendo, que não cabe autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, quando em procedimento fiscal for verificado que o titular das contas correntes em exame veio a óbito em data posterior a movimentação dos recursos e anterior ao procedimento fiscal, por encontrarse, neste caso, a autoridade fiscal impossibilitada de cumprir o rito estabelecido no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 para que se caracterize a presunção legal. Desse modo, à luz do entendimento exposto, de que a regra do art. 42 da Lei n.º 9.430/96 alcança somente o titular da conta, devendo, tão só, esse ser intimado para comprovação dos valores entendidos como de origem não comprovada, a intimação do de cujus restou prejudicada, vez que a movimentação ocorreu antes de seu óbito e a abertura do procedimento fiscal depois, o que fulmina a tributação dos rendimentos supostamente omitidos e depositados em conta conjunta. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 892DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001427/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 14 27 /2 00 9- 18 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11610.001427/200918 Acórdão n.º 2202003.537 S2C2T2 Fl. 72 2 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF, relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, por omissão de rendimentos recebidos de duas fontes pagadoras: Governo do Estado de São Paulo, CNPJ 46.379.400/000150, no valor de R$ 12.677,10; e da Prefeitura do Município de São Paulo, CNPJ 46.392.130/000380, no valor de R$ 30.130,02, que tinham sido declarados como isentos pela contribuinte, sob a justificativa de ser portadora de moléstia grave, situação essa não comprovada na ocasião (conforme fls. 04/08). Na impugnação a contribuinte reafirma seu direito à isenção, trazendo o laudo médico pericial (fls. 10) e documentos complementares (fls. 11/15), cópia do Diário Oficial do Estado de São Paulo (fls. 16/19), e ainda comprovantes de rendimentos do Governo do Estado de São Paulo e da Prefeitura do Município de São Paulo (fls. 38/39). Diante desses documentos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Fortaleza (CE), às fls. 47/52, decidiu que o laudo médico pericial de fls. 10 comprova que a contribuinte é portadora de moléstia grave (Espondiloartrose Lombosacral de L3 a S1, diagnosticada desde 1991, CID X – M 45.0); mas que a isenção se aplica apenas aos rendimentos recebidos do "Governo do Estado de São Paulo", para os quais houve comprovação de se tratar de proventos oriundos de aposentadoria (fls. 38). Quanto ao comprovante de rendimentos da fonte pagadora “Prefeitura do Município de São Paulo” (fls. 39), a primeira instância julgadora entendeu que esse não faz prova de sua condição de aposentada. Inconformada, a recorrente apresentou o recurso voluntário de fls. 59/61, alegando que os rendimentos recebidos da “Prefeitura do Município de São Paulo” também são provenientes de aposentadoria, como diz comprovar a publicação no Diário Oficial do Município de São Paulo, que ora traz às fls. 62. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11610.001427/200918 Acórdão n.º 2202003.537 S2C2T2 Fl. 73 3 Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em pauta, a primeira instância julgadora já reconheceu que a contribuinte é portadora de moléstia grave (espondiloartrose lombosacral de L3 a S1, diagnosticada desde 1991, CID X – M 45.0), com base no laudo médico pericial de fls. 10, emitido pelo pela Prefeitura da Cidade de São Paulo. A DRJ também admitiu que os rendimentos auferidos do "Governo do Estado de São Paulo" são provenientes de aposentadoria (comprovantes de fls. 38). Assim, o litígio nesta esfera de julgamento reside apenas em definir se os rendimentos recebidos da fonte pagadora " Prefeitura do Município de São Paulo", no valor de R$ 30.130,02, no ano de 2005, se referem à aposentadoria. Nesse aspecto, observase que a contribuinte havia trazido aos autos, quando da impugnação, o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte emitido pela " Prefeitura do Município de São Paulo" (fls. 39). No entanto, como esse documento não indicava que tais proventos se referiam à aposentadoria, a DRJ não o aceitou como prova de rendimento isento. Em sede de recurso voluntário, a recorrente trouxe às fls. 62 a página 19 do Diário Oficial do Município de São Paulo (D.O.M. São Paulo), de 17 de março de 2000, onde consta a publicação do deferimento de sua aposentadoria. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11610.001427/200918 Acórdão n.º 2202003.537 S2C2T2 Fl. 74 4 Não se desconhece que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Porém, a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Nesse caso, entendese que o documento de fls. 62 deve ser recepcionado e analisado, uma vez que comprova os argumentos expostos pela contribuinte desde a impugnação e serve para rebater a decisão de primeira instância. Dessa forma, restando comprovado que a contribuinte se aposentou de suas atividades na Prefeitura de São Paulo em 17 de março de 2000, há que se reconhecer que os rendimentos recebidos dessa fonte pagadora no ano de 2005 são oriundos de aposentadoria; e, portanto, isentos em face de moléstia grave. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10930.903627/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 30/08/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 27 /2 01 2- 19 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903627/201219 Acórdão n.º 3402003.597 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.969, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903627/201219 Acórdão n.º 3402003.597 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903627/201219 Acórdão n.º 3402003.597 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903627/201219 Acórdão n.º 3402003.597 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903627/201219 Acórdão n.º 3402003.597 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.725930/2009-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 30 /2 00 9- 96 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 9202004.163 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 9202004.163 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 421DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 9202004.163 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 9202004.163 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18471.001568/2005-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.446
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada por este Conselho, e realizada pela DIFIS/DRJ II, conforme documentos de fls. 2285 a 2536. Dentre esses documentos encontrase o Relatório de Ação Fiscal (fls. 2529/2536), em face do qual o Recorrente apresentou Aditamento das Razões de Defesa, às fls. 2538/2559. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 56 8/ 20 05 -8 0 Fl. 19220DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.219 2 Na oportunidade em que solicitou a mencionada diligência, este Conselho relatou o processo da seguinte maneira: “Tratase AIIM, AnoCalendário 2002, referente ao IRPJ (Lucro Real) e reflexos em PIS; CSLL e COFINS. Conforme demonstrado no AIIM, foram lavradas as seguintes infrações tributárias sob os fundamentos apresentados no Termo de Verificação Fiscal, conforme abaixo descrito: 001 — OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA Omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, apurado em análise do Livro Razão, em diversos momentos do período base, tendo computado o maior valor de saldo credor em 04.02.2002 como valor da receita omitida, nos termos da legislação vigente. 002 — OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO, NÃO COMPROVADA A ORIGEM E/OU A EFETIVIDADE DA ENTREGA Omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da origem e/ou de efetividade da entrega de numerário, nos termos da legislação vigente. No que se refere à contacorrente do sócio AMIR FARIA, os documentos apresentados estão em nome da empresa Sucesso Participações e Empreendimentos Ltda, da qual ele também é sócio, mas não são coincidentes em datas e valores. Quanto à contacorrente de VICTOR MEYERFREUND, a empresa informou ter lançado o valor em contrapartida da conta caixa, o que é devidamente verificado na cópia do Livro Razão da conta Caixa e, posteriormente, a empresa apresentou cópias de extrato do Banco Rail com o depósito do referido valor, bem como o Contrato de Mútuo, coincidentes em datas e valores, sem qualquer outro documento que comprovasse a sua origem. Ressalta ainda, a autoridade fiscal, que a conta Caixa não registra a saída dos valores lançados para a conta Banco. 003 — OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO Omissão de receitas caracterizada pela não comprovação de obrigações constantes em contas passivas. Foi apresentado pela Contribuinte documento listando os fornecedores e suas correspondentes notas fiscais e cópia do Livro razão, de onde apurouse divergência de valores declarados, bem como ausência de comprovação de valores listados para pagamentos, conforme dispõe o Termo de Verificação Fiscal. A Contribuinte foi intimada a justificar as diferenças apuradas, momento em que esclarecera que o valor credor em caixa resulta de saldo de abertura oriundo do ano de 2.001, pendente de conciliação e o suprimento de numerário, referese à operação de compra de veículos usados dados em troca na aquisição de novos, sem,no entanto, apresentar notas fiscais dessas aquisições e nenhuma outra documentação comprobatória. Fl. 19221DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.220 3 Da mesma forma, intimada a discriminar e apresentar documentação comprobatória do saldo em 31.12.2000 das subcontas que compõe a conta Empréstimos e Financiamentos, a Contribuinte informou que os valores referentes ao Banco Bradesco tratamse de ajustes para acerto de saldo inicial, lançado em 2.001, porém não apresentou qualquer documentação comprobatória; quanto ao saldo apresentado na conta Sérgio Duarte Dorta, apresentou o apenas o contrato de mútuo, sem nenhum outro documento probante. Dada a falta de comprovação das obrigações registradas nas contas passivas, de seu efetivo pagamento e da origem desses recursos, fica caracterizada a omissão de receitas por passivo fictício/passivo não comprovado, nos termos da legislação vigente. Cientificada do AIIM, tempestivamente, interpôs suas razões de Impugnação, alegando em síntese: Quanto A. Omissão de Receitas por Passivo Fictício ou Não Comprovado, aduz a empresa que: Durante o procedimento fiscalizatório, ao apresentar o Demonstrativo de Composição do Passivo incorreu em erro na soma dos valores e deixou de apresentar alguns fornecedores, por erro próprio, trazendo anexo as razões de impugnação um novo quadro Demonstrativo de Composição do Passivo e da documentação comprobat6ria para que seja excluída da tributação a diferença de valores apurado; Aduz que o lançamento deva ser julgado totalmente improcedente por erro na eleição do critério temporal da ocorrência do fato gerador, uma vez que parte da diferença apurada pela fiscalização decorre de saldo de exercícios anteriores, razão pelo qual não contou no Demonstrativo de Composição do Passivo apresentado, não podendo compor a base de calculo referente ao ano calendário de 2.002, bem como caberia ao FISCO demonstrar e identificar analiticamente as obrigações que não foram comprovadas, intimando a Contribuinte a apresentar documentação probante, o que ao deixar de fazer incorreu em cercear o direito de defesa desta; Referente aos valores discriminados, porém considerados não comprovados pela fiscalização, a Contribuinte invoca que incorreu em erro considerálos ocorridos como fato gerador em 31/12/2002, uma vez que referemse a outros trimestres. Não obstante, no que tange a ausência de comprovação referente as aquisições de veículos usados recebidos em troca na alienação de veículos novos, junta a Contribuinte cópias de todas as notas fiscais relacionadas e do Livro Razão demonstrando os lançamentos, informando ainda que tais documentos estavam a disposição da Autoridade Fiscal, comprovando assim o passivo escriturado; Por último, que com relação aos valores identificados como financiamento curto prazo, incorreu a autoridade fiscal em erro, uma vez que se referem a exercícios anteriores, conforme demonstrado no Livro Razão e pelo Contrato de Mútuo anexos a sua defesa. Fl. 19222DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.221 4 Quanto à Omissão de Receitas por Suprimento de Caixa, aduz a Contribuinte que: Inicialmente, informa a Contribuinte que • devido a problemas administrativos, necessário se fez corrigir alguns saldos de determinadas contas, e para isso, utilizouse da conta caixa como contrapartida, sem, no entanto, gerar nenhuma movimentação financeira e muito menos repercussão tributária, requerendo para comprovação de tanto, a realização de diligencia para exame de sua escrituração; Destarte, invoca a Contribuinte erro de tipificação legal, uma vez que não se enquadram na hipótese do art. 282 do RIR/99 suprimentos feitos por pessoas não ligadas empresa, bem como suprimentos "virtuais"; Invoca a inexistência de suprimento de caixa, sendo que houve tão somente ajuste contábil e que sequer transitou a débito na conta caixa, conforme demonstra o lançamento no Livro Razão; a ocorrência de equivoco ao contabilizar como conta corrente de sócio Amir faria, sendo que o correto seria na Empresa Sucesso Participações e Empreendimentos Ltda, o que não traz qualquer prejuízo ao FISCO; que o total de R$ 1.195.000,00 referese aós Contratos de Mútuos anexos a defesa, sendo que dois destes referemse ao ano calendário de 2.001, conforme consta nas cópias do Livro Razão e Diário da empresa mutuante, Sucesso Participações e Empreendimento Ltda e dos cheques correspondentes; Referente ao suprimento no valor de R$ 500.000,00, informa a Contribuinte que efetuou lançamento de forma indevida ao contabilizar a débito da conta caixa, quando o correto seria a débito na conta banco, sem, no entanto, ocasionar nenhum prejuízo ao Erário; faz juntada do extrato bancário demonstrando o ingresso dos numerários, bem como cópia do Contrato de Mútuo com valores e datas coincidentes e extrato bancário da conta do Sr. Victor demonstrando a saída efetiva do numerário. Ao final, ressalta ainda os erros e eleição indevida da ocorrência do fato gerador para requerer, erro substancial a fim de demonstrar a não procedência do lançamento tributário. Quanto à Omissão de Receita por Saldo Credor de Caixa, alega a contribuinte em suas razões defensórias que: Deixou a fiscalização de intimar a Contribuinte de esclarecer as razões do mencionado saldo credor, cerceando assim o seu direito de defesa, razão pelo qual requer a NULIDADE do lançamento, trazendo à luz em sua impugnação as razões do malfadado saldo credor; Invoca a existência destes valores em decorrência de equívocos contábeis, nas formas já anteriormente demonstradas e explicitadas contabilmente em suas razões defensórias. Em suas razões finais, pede que seja feita a compensação dos prejuízos fiscais e bases de calculo negativas da Contribuição Social, de períodos anteriores (1998 a 2001), trazendo aos autos cópia do LALUR, demonstrando os valores que Fl. 19223DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.222 5 considera fazer jus; requer a realização de diligência para que se comprove a improcedência do presente lançamento; impugna a multa de oficio aplicada por entender ofensa ao Princípio Constitucional do Não Confisco, devendose aplicar multa no importe de 20% e, encerra, requerendo a exclusão da taxa SELIC por entender ser esta de natureza remuneratória e não de juros de mora. Das razões apontadas pela Contribuinte em sua peça defensória, a 7' Turma da DRJ do Rio de Janeiro / RJ determinou converter o julgamento em diligência, determinando que a fiscalização informar se houve efetivamente erros contábeis, se os imputados erros acarretaram majoração indevida de saldo credor de caixa, verificasse a existência de outros erros semelhantes e, por fim, demonstrar o valor total indevidamente creditado na conta caixa. As fls. 2138 e seguintes constam o Relatório de Diligência Fiscal e as fls.2145/2147 as Razões do Contribuinte em que reitera os argumentos apresentados na impugnação e aduz entendimento que a fiscalização não atendeu de forma conclusiva ao que foi solicitado a diligência, limitandose ao relato de perguntas feitas pela DRJ, acrescido das respostas da contribuinte, não havendo assim elementos a serem contestados, reiterando o pedido para toda documentação possa ser efetivamente examinada em seu estabelecimento. Diante de todas argumentações e documentos anexos aos presentes autos, a 6ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro / RJ I, por maioria de votos, julgaram o lançamento procedente em parte, nos termos do julgadorrelator NEY CAMARA DE CASTRO, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Anocalendário: 2002. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. As obrigações registradas em conta de passivo para as quais o contribuinte não exibia os documentos comprobatórios caracterizam omissão de receitas. No entanto, afastase parcela da exigência na medida das provas trazidas na impugnação. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. A hipótese de omissão de receitas prevista no artigo 282 do Regulamento do IR de 1999 não se aplica a pessoas diferentes das que não expressamente elencadas (administradores, sócios ou titular da empresa individual). OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Configura omissão de receitas a constatação de saldo credor de caixa na escrituração do contribuinie, que tem o ônus de fazer prova do contrário. Excluise da exigência a parcela correspondente as provas apresentadas na impugnação. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Fl. 19224DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.223 6 Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhem os autos de infração lavrados por decorrência do mesmo fato que ensejou aquele. Lançamento Procedente em Parte Em síntese, a lª Instancia de Julgamento, ao proferir sua decisão nos presentes autos, julgou separadamente cada infração, conforme abaixo demonstrada: Infração 01 — Do Passivo Fictício. Conta Fornecedores: (i) entende ser devido o abatimento do montante de R$ 76.097,70 por tratarse realmente de mero erro de cálculo no demonstrativo entregue fiscalização; (ii) o valor decorrente das notas fiscais trazidas na impugnação não fazem prova suficiente de obrigações registradas na conta fornecedores, uma vez que o autuado não comprovou que as operações de compra geraram obrigações a pagar nem que estas persistiram até 31/12/2002; (iii) o valor imputado pelo autuado como obrigações assumidas em anos anteriores, não ficou comprovado uma vez que a existência de saldos iniciais no Livro Razão não é capaz de provar que aquelas obrigações fossem oriundas do ano anterior, pois esses saldos poderiam ter sido quitados durante o ano de 2.002 e novas obrigações assumidas; (iv) e por fim, entende ser legitima a alegação do autuado quanto as obrigações registradas na conta fornecedores referente a venda de veículos, uma vez que estão amparadas pelas notas fiscais de compra e foram extintas no próprio ano de 2.002. Conta Financiamento Curto Prazo: (i) o Livro Razão demonstra que na data de 31/10/2.002 foi zerado o saldo anterior de R$ 96.387,16, referente a subconta Bradesco, de forma a não haver qualquer obrigação a ser comprovada pelo autuado, razão pelo qual deve ser cancelada a parcela exigida; quanto a imputação referente à conta Sérgio Duarte Dorta, foi juntado pela fiscalização o contrato de mútuo, documento comprobatório e sem que a fiscalização demonstrasse fundamento para desconsiderálo e procedesse nova intimação ao contribuinte para apresentar outros documentos, ficou a infração sem motivação, motivo pelo qual deva ser cancelada. Infração 02 — Do Suprimento de Caixa: afastado integralmente o valor exigido uma vez que constatase que o BRADESCO e o Sr. AMIR FARIA não figuram entre os dirigentes ou sócios da empresa autuada, condição necessária para a aplicação do fundamento legal da presunção de omissão de receitas, bem como fez prova nos presentes autos o autuado acerca do valor depositado pelo Sr. VICTOR MEYERFREUND, este sim, sócio da empresa. Nega o pedido de diligência por entender ser genérico e não explicitar as dúvidas eu pretende esclarecer, e também por entender que as questões pendentes poderiam ser suprimas com a simples juntada de documentos, e que a contribuinte teve tempo para providenciar tal juntada, porém não o fez. Infração 03 — Do Saldo Credor de Caixa: em sede de preliminar, refuta o juízo a quo qualquer hipótese de cerceamento de defesa, uma vez que o invocado direito se dá na fase contenciosa, com a apresentação da impugnação. Fl. 19225DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.224 7 Quanto ao mérito, dáse razão ao autuado, pois demonstrado consta que os registros credores a maior na conta caixa, por equívoco do contribuinte, de fato afetou o saldo na data de 04/02/2.002. Entretanto, o autuado não produziu provas de todos os erros contábeis invocados, a fim de afastar por completo a infração, apesar das diversas chances que teve. Bastava trazer aos autos as cópias. dos registros de seus livros e das correspondentes notas de vendas, conforme fizera nas oito operações impugnadas, demonstrando assim também desnecessária diligência quanto requerida. Ainda, ao analisar o pedido formulado pela contribuinte que seja abatido do saldo credor o valor de R$ 709.154,57, referente a saldo credor de caixa relativo ao ano de 1999, que lhe foi imputado por auto de infração anterior, entendeu a autoridade julgadora que não procede o pedido uma vez que não reconhece estar aquele valor aqui embutido. Quanto aos lançamentos decorrentes da CSLL, PIS e COFINS, devese aplicar o mesmo entendimento esposado ao lançamento principal de IRPJ. Por fim, quanto ao pedido de compensação de prejuízos de IRPJ anteriores, reconhece que o autuado teve prejuízos de IRPJ e base negativa de CSLL em anos anteriores, que podem ser usados para compensar parte das infrações, respeitado o limite legal de 30%. Assim, decidiu pela procedência parcial do lançamento para reduzir a exigência do IRPJ para R$ 233.589,83, de CSLL para R$ 88.412,34, de COFINS para R$ 57.150,71 e de PIS para R$ 12.383,65, acrescidos de multa de 75% e juros de mora, bem como para reduzir a retificação do prejuízo fiscal de IRPJ e da base de calculo negativa da CSLL. A Contribuinte interpôs, TEMPESTIVAMENTE, suas razões de Recurso Voluntário combatendo a decisão proferida pela 6 Turma da DRJ / Rio de Janeiro — RJ, apresentando, em apertada síntese, os seus argumentos: DO PASSIVO FICTÍCIO Do Valor Remanescente de R$ 49.236,49: não se conforma com a decisão prolatada uma vez que entende ser, a documentação entregue, prova suficiente a demonstrar que todas obrigações foram contraídas antes de 31/12/2002 e liquidadas posteriormente a esta data. Porém visando complementar a demonstração já feita na impugnação, junta novos documentos comprobatários, quais sejam, (i) novo demonstrativo de notas fiscais, indicando a data do pagamento das obrigações, número do cheque e folha do Diário onde foram contabilizadas, (ii) extrato bancário indicando os cheques que serviram para pagamento das obrigações, (iii) cópia dos cheques e (iv) cópia das folhas do Diário onde constam os registros dos pagamentos. Do Valor Remanescente de R$ 592.654,15: efetuara indevidamente um lançamento de ajuste para regularização, creditando valor de R$ 264.092,04 na conta Fornecedores — Equipamentos, e que no decorrer do anocalendário não efetuara mais nenhum lançamento nesta conta, assim o referido valor compôs o saldo da conta fornecedores. Alega que por ter sido realizado de forma equivocada, em 31/12/2003 este valor foi estornado, o que pode ser comprovado da análise do Livro Razão. Por este Fl. 19226DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.225 8 motivo o valor não apareceu nos demonstrativos de composição da conta fornecedores apresentadas pela Contribuinte no curso da ação fiscal, afinal não se trata de obrigação contraída por ela. Faz juntada das cópias do Livro Razão para produzir prova do alegado. Ainda entende que deve o lançamento ser considerado totalmente improcedente por erro na eleição do critério temporal da decorrência do fato gerador. Aduz que o Fisco realizou o lançamento de maneira simplória e agiu equivocadamente ao não intimar a contribuinte a apresentar documentação correta no decorrer da ação fiscal, cerceando assim seu direito de defesa. Destaca, neste sentido, que o presidente da 6' Turma da DRJ/RJ, relator do caso, concedeu razão á. Recorrente, rejeitando a tributação da parcela de R$ 592.654,15 relativa ao passivo fictício, porém foi voto vencido. Da Eleição Indevida da Ocorrência do Fato Gerador: reitera em grau de recurso toda fundamentação apresentada em impugnação quanto ser a atividade fiscal ato vinculado e deve se reportar à data da ocorrência do fato gerador, devendo assim, verificar a ocorrência deste, considerando de forma inequívoca a data do adimplemento da obrigação como tal. Assim, entende ocorrer erro substancial. Do Saldo Credor de Caixa: alega que ao converter o julgamento em diligência e requerer A autuada que entregue milhares de cópias dos Livros Razão e Diário que estão disposição do FISCO em seu estabelecimento, dado ser uma empresa de grande porte, é uma atitude desprovida de razoabilidade. Informa que atendeu a intimação, conforme carta protocolada, mas que a Autoridade Fiscal não compareceu ao estabelecimento da empresa e ignorou toda documentação apresentada, fazendose inconclusos o Relatório de Diligência quanto ao presente fato. Entende ser impossível uma verificação criteriosa e de tamanha magnitude sem a presença do Auditor Fiscal no estabelecimento da empresa, sendo ainda impossível a busca da verdade material e a imparcialidade agindo desta forma. Destarte, afirma que a diligencia fiscal não foi cumprida, limitandose a anexar parte da documentação apresentada pela contribuinte ao FISCO. Ressalva, com destaque, que efetivamente apresentou os demonstrativos e documentos que comprovam os equívocos contábeis, mas que a Autoridade Fiscal Diligenciadora não fez juntada aos presentes autos, não cumprindo assim a função principal da diligencia, viciando a decisão da Autoridade Julgadora a quo. Esclarece que todos os documentos, demonstrativos e esclarecimentos estão sendo novamente apresentados de forma a comprovar no mérito a inexistência de saldo credor de caixa, compondose de demonstrativos dos lançamentos contábeis por operação, cópias das notas fiscais, cópias do Diário e cópias do Razão. Fl. 19227DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.226 9 Por fim, requer como necessária a exclusão do saldo credor de caixa apurado pelo FISCO referente As outras oito operações já mencionadas anteriormente, apresentando, inclusive, tabela demonstrativa de suas razões. Ao final, requer seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para reformar a decisão de 1º Grau no que tange à parcela do lançamento julgada procedente.” No voto, o Conselheiro Relator pontuou que em face da juntada de nova documentação no Recurso Voluntário que, supostamente demonstraria erros na composição do saldo da conta caixa, assim como supostamente trazem novos elementos a comprovar o passivo fictício, a pretexto do argumento e documentação já ter apresentado parte de tais elementos probantes em sede de primeira instância, considero forçoso colher o pronunciamento da autoridade administrativa sobre tais documentos, quer no que se refere a autenticidade, quer no que se refere ao seu conteúdo de veracidade, atestados pela d. autoridade fiscal. Desta forma, o julgamento foi convertido em diligência para conferir os novos documentos acostados no Recurso Voluntário, bem como produzirse relatório circunstanciado sobre o que segue: “Do Passivo Fictício: Valor remanescente de R$ 49.236,49 conferir a autenticidade e correção do novo demonstrativo das notas fiscais, conciliando data de pagamento, número de cheque e folha do Diário onde foram contabilizadas; conferir os cheques que serviram de pagamento das obrigações com o extrato bancário, para demonstrar a efetiva saída dos recursos; conferir a autenticidade dos cheques anexos ao recurso voluntário; conferir a autenticidade e correção dos lançamentos nas folhas do Diário onde constam os registros de pagamentos, como mencionado nos anexos do recurso voluntário. Conferir, certificando, ao final, se ante a documentação apresentada que as obrigações totalizam os R$ 49.236,49 e que foram contraídas anteriormente a 31/12/2002 e liquidadas posteriormente a esta data. Valor remanescente de R$ 592.654,15: conferir a autenticidade e conteúdo do anexo alegado como copia do Livro Razão da conta 21101005 (FornecedoresEquipamentos) nos anos de 2002 e 2003, para verificar os lançamentos aludidos no documento n° 07 junto ao recurso voluntário; verificar, em auditoria contábil da Recorrente, junto ao Livro Razão se o saldo remanescente é proveniente de saldo de exercícios anteriores, uma vez que não Fl. 19228DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.227 10 constou do Demonstrativo de Composição do Passivo, relativamente ao ano fiscalizado de 2002. Do Saldo Credor de Caixa: Valor remanescente de R$ 1.263.133,03: conferir a autenticidade, e correção sobre a documentação juntada, compondo, analiticamente, o saldo, para considerar também nesta fase recursal, em relação as vendas decorrentes das notas fiscais 31.371, 31.508, 31.627, 31.863,32.158,32.228, 32.550 e 32.255, com a análise dos demonstrativos dos lançamentos contábeis por operação, as cópias de notas fiscais juntadas, cópias do livro Diário corn os registros contábeis correspondentes as operações citadas e conciliar o Razão da conta Caixa de janeiro e fevereiro considerando os elementos oferecidos nesta fase recursal, a despeito de terem sido já oferecidos na fase da diligência em primeira instância, a fim de se concluir pelas incorreções/equívocos contábeis, ou não, relativamente ao quanto alegado pela Recorrente na alienação de veículos através de financiamentos e cheques prédatados; conciliar e demonstrar, analiticamente, também com base na documentação juntada pela Recorrente, se os valores elencados a fls. 2257 do seu recurso, foram efetuados em duplicidade, apresentando relatório conclusivo sobre tal matéria.” Estabelecidos os quesitos a serem verificados pela unidade preparadora em diligência, esta apresentou o respectivo Relatório de Ação Fiscal relatando o que segue: “Tendo em vista a solicitação de fls. 2284 procedemos à diligência junto ao contribuinte acima identificado, apurando o que se segue. Em Termo de Diligência Fiscal datado conforme AR Aviso de Recebimento de 15.09.2010 (fls. 2285/6), o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos e a fornecer novos documentos e provas que se fizerem necessários referentes A conta Fornecedores e ao saldo credor de Caixa relativos ao ano calendário 2002 e objetos de Auto de Infração de fls.1152/1187. Também foi solicitada a presença de um representante legal da empresa munido da respectiva procuração, tendo em vista prestar esclarecimentos referentes documentação constante dos recursos já apresentados pela empresa, uma vez que cópias de livros e documentos foram apenas anexados, muitas vezes sem informar a que itens se referem, ou não fizeram prova de forma efetiva. Termo de Entrega de Documentos datado de 22.09.2010 (fls.2289) registra a entrega de cópia de documentos solicitados pelo procurador e contador Vinicius Correa de Souza. Em 27.09.2010, a autuada apresentou resposta de fls. 2287/8 em que solicita cópia de novos documentos e informa que: Fl. 19229DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.228 11 quanto ao valor remanescente de R$ 592.654,15, "RATIFICAMOS que o valor em questão é proveniente do ano de 2001 e compõe o valor de R$ 3.883.431,12", destacando que "o descrito na pega recursal juntamente com a documentação anexada.. .esclarece, de forma taxativa, a veracidade das alegações da Recorrente." quanto ao valor remanescente de R$ 1.263.133,03, "tributado a titulo de saldo credor de Caixa", informa que " todos os esclarecimentos, bem como a correspondente documentação comprobatória já foram devidamente apresentados durante as fases de impugnação, diligência e recurso." O Termo de Diligência Fiscal de 04.10.2010 (fls.2300), reintimado em 20.10.2010 (fls.2301), reitera o preenchimento de quadros e ressalta que s6 devem ser anexados novos elementos de prova. Em resposta de 25.10.2010 (fls.2302/3), a autuada informou que não foram disponibilizadas as cópias solicitadas, questionando quais novos documentos devem ser apresentados, destacando, mais uma vez, que "tanto no curso da fiscalização quanto no decorrer da diligência, já foram prestados todos os esclarecimentos exigidos", "colocandose à disposição para novos esclarecimentos caso necessário, preferencialmente em nosso estabelecimento, uma vez que, além de os funcionários que atenderam à época da fiscalização não fazerem mais parte do quadro da empresa, o que aumenta a dificuldade, os demais documentos e arquivos magnéticos encontramse em nossos arquivos." Em resposta datada de 18.11.2010 (fls.2306/7) ao Termo de Diligência Fiscal de fls. 2304/5, reintimado pelo Termo de fls.2312, o autuado solicitou prorrogação de prazo para apresentação da resposta e cópia de novos documentos. O Termo de Entrega de Documentos datado de 08.12.2010 (fls.2311) registra a entrega de cópias dos documentos solicitados às fls. 2308, tendo sido anexado original do DARE relativo ao pagamento das referidas cópias (fls. 2309/10). Em resposta de 09.12.2010 (fls. 2313), o autuado apresentou cópia dos Termos de Abertura e Encerramento dos livros Diários dos anos 2002 e 2003 (fls. 2314 / 2447) efetuados eletronicamente, bem como CS de fls. 2448 contendo os registros contábeis dos referidos livros. A empresa informa às fls.2449 que "como já mencionado anteriormente", entende que "já foram prestados os esclarecimentos exigidos", convidando a fiscalização para visitar a sede da empresa, "com vistas a dirimir qualquer tipo de dúvida remanescente de forma que o contribuinte não venha a ser prejudicado." Contudo, a empresa não apresentou nenhum novo elemento de prova a ser analisado, tendo sido fornecidas informações por meio de esclarecimentos por escrito como também por meios magnéticos, os quais foram devidamente anexados ao presente processo. Fl. 19230DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.229 12 Também, "os funcionários que atenderam à época da fiscalização não fazem parte do quadro da empresa, o que aumenta a dificuldade ...", conforme informado pelo autuado às fls. 2303. Além disso, os quadros demonstrativos de fls. 2514/ 2528 foram elaborados com base na vasta documentação constante deste processo e seus anexos. Cabe destacar que em todos os Termos de Diligência Fiscal, o autuado foi intimado a apresentar esclarecimentos e a fornecer novos documentos e provas que se fizerem necessários para que não paire dúvidas a respeito das irregularidades apontadas. Ante todo o exposto e após nova análise da documentação constante do presente processo e anexos, uma vez que nenhum novo elemento de prova foi apresentado, pois, segundo o autuado às fls. 2287/8, "o descrito na pega recursal juntamente com a documentação anexada esclarece, de forma taxativa, a veracidade das alegações da Recorrente", e "tanto no curso da fiscalização quanto no decorrer da diligência, já foram prestados todos os esclarecimentos exigidos". Assim sendo, verificamos o que se segue. 1 Quanto ao Passivo Fictício/ Conta Fornecedores: Em processo de fiscalização, foi a empresa autuada conforme Termo de Verificação de fls. 1152/ 1155 por falta de comprovação de valores lançados na conta Fornecedores. Contudo, em sua impugnação a autuada apresentou novo quadro Anexo 3 de fls. 1271/1274 totalizando R$ 49.236,49. = Valor remanescente de R$ 49.236,49 O novo quadro Fornecedores apresentado na impugnação como Anexo 3 totaliza o valor de R$ 49.236,49 (fls. 1271/4), quadro este com muitos itens em branco, o que prova que o autuado não encontrou comprovação dos dados por ele registrados. Cabe destacar que, mesmo intimado, o autuado não apresentou novos elementos de prova que dirimisse dúvidas, informando que tudo já tinha sido apresentado na fase recursal. A fiscalização elaborou os quadros de fls. 2514 a 2528 tendo por base os títulos anexados its fls. 1370 a 1511 e os documentos apresentados pelo Fl. 19231DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.230 13 autuado na impugnação e no recurso, tendo sido registrado nos quadros as folhas do presente processo e anexos. Assim sendo, foi elaborado o quadro de Características dos títulos e contabilização da obrigação (fls.2514/8), no qual listamos as notas fiscais apresentadas na impugnação As fls. 1370 a 1511, especificando número, valor e data de emissão e relacionando a data de registro contábil do ingresso dessas notas fiscais no livro Diário efetuado pelo autuado com os dados constantes nas mesmas, conforme carimbo da própria empresa referente à contabilização da obrigação, indicando data e conta de alocação de despesa. Pela análise do quadro de fls.2514/8 e correspondente documentação anexada pelo autuado e nele registrada pela fiscalização, verificamos o que se segue: notas fiscais com diferença de muitos dias e até meses entre a data da emissão e a data do correspondente registro contábil (títulos de fls. 1397 a 1403, 1405, 1419, 1446, 1447, 1448, 1480, 1485, 1486, 1487, 1488, 1489, 1492, 1494, 1498, 1504,1505, 1506, 1507,1509, 1510, 1511); notas fiscais com carimbo da própria empresa informando a conta contabilizada, porém sem data (títulos de fls. 1371, 1372 e 1480) ou com carimbo ilegível (títulos de fls. 1412) ou carimbo rasurado (títulos de fls. 1472, 1479, 1481); notas fiscais com data de emissão diferente da data do recibo de entrega do material (títulos de fls.1393 e 1394): notas fiscais com emissão em 2003 (títulos de fls. 1451 e 1452 ) ; notas fiscais com carimbo da empresa referente A alocação de despesa registrando data de contabilização da obrigação diferente do informado pelo autuado no quadro Anexo 3 de fls. 1271/4 ( títulos de fls. 1374 a 1378, 1389, 1390, 1395 a 1403, 1410,1411, 1414, 1427, 1454, 1461, 1467, 1468, 1475, 1477); fornecedores listados no quadro Anexo 3 de fls.1271/4 sem as correspondentes notas fiscais, conforme se verifica no quadro de fls.2514/8 elaborado pela fiscalização, devendo ser destacado que algumas delas registram grande diferença de tempo entre data de emissão e correspondente contabilização; notas fiscais com duas cópias da folha do Diário referente à contabilização da obrigação (títulos de fls. 1410, 1413, 1420, 1425, 1426, 1454, 1457, 1470, 1498, 1499, 1500, 1502); RPA de fls. 1422 listado no quadro Anexo 3 com número e data de emissão e contabilização diferentes do documento; notas fiscais com número diferente do informado no quadroAnexo 3 ( títulos de fls. 1482, 1483, 1484); notas fiscais com número de ordem escrito à caneta (título de fls. 1486); Fl. 19232DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.231 14 notas fiscais com valor informado no quadroAnexo 3 de fls. 1271/4 diferente do valor registrado no documento (título de fls. 1493); cópia das folhas do Diário anexadas ao presente processo apresentam muitos estornos, muitas transferências para correta classificação, muitos valores referentes a ajustes, havendo até histórico de" lançamento errado" (anexo XXXIIfls.99). Da mesma forma, foi elaborado o quadro de Características dos títulos e contabilização do pagamento de fls. 2519/2523, no qual também listamos as notas fiscais apresentadas na impugnação às fls. 1370 a 1511, especificando valor e data de emissão e relacionando a data de vencimento e de pagamento e correspondente contabilização no Diário apresentados pelo contribuinte com os documentos de pagamento apresentados na impugnação e data de vencimento registrada nas referidas notas fiscais. Pela análise do quadro de fls. 2519/2523 e correspondente documentação anexada pelo autuado e nele registrada pela fiscalização, verificamos o que se segue: os documentos apresentados para comprovar os pagamentos efetuados aos fornecedores são memorandos ao banco e cópias de cheque elaborados internamente pela própria empresa autuada. a confirmação do pagamento dos títulos se torna difícil, pois muitas vezes o documento anexado é cópia do livro Diário da conta Banco com n° cheque sem especificar fornecedor; notas fiscais com registro de faturado ou pagamento a prazo sem data de pagamento (títulos de fls. 1382, 1384, 1385, 1388); notas fiscais com registro de pagamento à vista (titulo de fls. 1370) ou contra apresentação (titulo de fls. 1508) , porém informado no quadro Anexo 3 de fls. 1271/4 como pagas em 2003; boleto de pagamento sem data (títulos de fls. 1393,1394, 1395, 1399, 1400, 1403) ou sem data e com assinatura (titulo de fls. 1493); cópias de nota fiscal/fatura com vencimento ou condições de pagamento em branco (títulos de fls. 1371 a 1381, 1383, 1409, 1427a 1437, 1449, 1488); notas fiscais com data de vencimento diferente do informado no quadro Anexo 3 de fls. 1271/4 (títulos de fls. 1386, 1387, 1414, 1415, 1419, 1423, 1438, 1439, 1450, 1478, 1480, 1504 a 1508, 1509); notas fiscais com grande diferença de tempo entre data de emissão e data de pagamento (títulos de fls. 1370 a 1373, 1379, 1382, 1383, 1386, 1387, 1389, 1393, 1404, 1405, 1409, 1419, 1442, 1443, 1465, 1487, 1496, 1504 a 1507, 1509); boleto de cobrança em carteira sem data de pagamento (título da Riex sem nota fiscal anexada, só boleto de cobrança); Fl. 19233DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.232 15 documento de pagamento com autenticação ilegível (títulos de fls. 1411, 1412, 1449) ou com data rasurada (título de fls. 1417); documento de pagamento com autenticação em cima do código de barras (títulos de fls. 1398 a 1402, 1412, 1425) ou sem autenticação (título de fls. 1494); nota fiscal listada no quadro Anexo 3 de fls.1271/4 com vencimento no ano de 2009 (titulo de fls. 1404); nota fiscal com duas baixas nos registros contábeis (título de fls. 1472); documento de pagamento com número diferente do registrado na nota fiscal ( títulos de fls. 1451, 1452, 1510); RPA de fls. 1422 listado no quadro Anexo 3 de fls.1271/4 com data de vencimento de 16.12.2002 diferente do documento assinado e datado de 20.11.2002; as informações contidas no quadroAnexo 3 de fls. 1271/4, apresentado pelo autuado na impugnação, registram grande diferença de tempo entre a data da emissão, do vencimento e do pagamento. Também foi elaborado pela fiscalização o quadro Fornecedores Razão de fls.2524/8, tendo em vista confrontar dados fornecidos pelo autuado no Anexo 3 de fls. 1271/4 e os registros constantes no Razão de fls. 157/522, referentes à data de contabilização das obrigações e dos pagamentos dos títulos e ao saldo final por fornecedor. Assim sendo, constatamos o que se segue: quanto à data de contabilização das obrigações: muitas das datas são coincidentes quando encontrados seus registros do Razão; quanto à data de contabilização dos pagamentos dos títulos: foram encontradas datas de pagamento de títulos em 2002, apesar do Anexo 3 de fls. 1271/4 elaborado pelo autuado informar pagamentos em 2003 (RPA Francisco de Souza e fornecedores Pneus Parada 851 e Transena); quanto ao saldo final por fornecedor: a empresa apresenta subcontas de Fornecedores (como Peças e Acessórios Peugeot, Outras Mercadorias, Outros Serviços, Outros), cujos fornecedores se repetem, havendo assim vários saldos por fornecedor (vide Razão de Fornecedores de fls. 157/522). No quadro de fls. 2524/8 elaborado pela fiscalização, foram apurados saldos divergentes entre os fornecidos pelo autuado no Anexo 3 de fls. 1271/4 e os constantes nos registros do Razão de fls. 157/522, a saber : fornecedores Auto Peças Rio Castro, Auto Sudeste Mirage, Bemerval Proença, Big Quality, Brazul, CDG Rio Gás, Comercial Handel, Danton Veiculos, DJ Estúdio Gráfico, JJR Car Wash, Joauto Peças, Job Publicidade, Jocassio Chaveiro, Le Pont Veiculos, Midditel, Motormax, Napoleon Distr. Veiculos, Oficina Mecânica Rudy Car, Pneus Parada 851, Rennes Veiculos, STRW Transporte, Systel, Tekstar Pneus,Telco do Brasil, Transena e Voltaire. Fl. 19234DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.233 16 Cabe destacar que muitas notas fiscais cuja contabilização da obrigação e do pagamento não foi encontrada nem pela fiscalização conforme lacunas tracejadas nos quadros de fls. 2514/ 2528, nem pelo autuado conforme lacunas em branco no quadro Anexo 3 de fls. 1271/4. Ante todo o exposto, fica evidente que os valores listados no anexo 3 de fls.1271/4 não foram devidamente comprovados, nem quando da contabilização da obrigação nem de seu pagamento. A própria empresa autuada, mesmo intimada por diversos Termos, não apresentou nenhum esclarecimento ou nova comprovação, informando sempre que "tanto no curso da fiscalização quanto no decorrer da diligência... já foram prestados todos os esclarecimentos exigidos" (fls. 2303). = Valor remanescente de R$ 592.654,15 Apesar de solicitado em Termo de fls. 2285/6 o autuado não apresentou os lançamentos contábeis que compõem o valor de R$ 592.654,15 que levaram ao ajuste em 2002, nem relacionou os fornecedores a que se referem. A cópia do Razão da conta 21101005 Fornecedores do ano 2002 (fls. 157/522) é uma transposição do então novo sistema vigente em 2005 para o antigo de 2002, sendo por isso chamado de "Razão Analítico para Deslocamento para Antigo", tendo sido muito difícil e demorada, na época, a apresentação do mesmo fiscalização. Segundo informações da autuada de fls.121 e 128, o saldo de abertura é oriundo do ano 2001 pendente de conciliação. Em sua resposta de fls.121 " a divergência entre o demonstrativo do saldo da conta Fornecedores em 31.12.02 e o saldo contábil devese ao saldo de abertura oriundo de 2001, pendente de conciliação...". Da mesma forma, em resposta 27.09.2010 de fls. 2287/8, o autuado esclarece que " RATIFICAMOS que o valor em questão 6 proveniente do ano de 2001 e compõe o valor de R$ 3.883.431,12", destacando que "o descrito na peça recursal juntamente com a documentação anexada...esclarece, de forma taxativa, a veracidade das alegações da Recorrente." Assim sendo, o saldo não constou do Demonstrativo da Composição do Passivo do ano de 2002 de fls.1253/1274, devido ao fato da autuada não ter conseguido, desde a época da fiscalização, identificar os valores e a que fornecedores se referiam, o que impossibilitou a sua listagem no quadro e correspondente comprovação. Contudo, o valor de R$ 592.654,15 constou do saldo de R$ 3.883.431,12 em 31.12.2002 da conta Fornecedores registrado na DIPJ e no Diário, apesar de não ter sido listado nem comprovado, sendo então objeto de autuação. Quanto à autenticidade dos livros comerciais, solicitamos em Termo de fls.2306/7 cópias dos termos de abertura e de encerramento dos livros Diário anos 2002 e 2003, bem como CD contendo os registros contábeis dos referidos livros Diário, os quais estão anexadas ao presente processo as fls. 2314/ 2448. 2 Quanto ao Saldo Credor de Caixa Valor remanescente de R$ 1.263.133,03 Fl. 19235DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.234 17 Pela analise do Razão da conta Caixa de fls. 577/1151, foi verificado o saldo credor de Caixa, objeto da autuação. Na impugnação, o autuado informou, as fls. 1212, que o saldo credor de Caixa foi devido a lançamentos equivocados referentes a vendas de veículos. O autuado informou em sua resposta as fls. 1661, que "... não houve estorno ou qualquer lançamento contábil para corrigir os equívocos da contabilidade." Em sua resposta de 16.04.2007, as fls. 2137, esclareceu que " em relação aos "equívocos contábeis" que ocasionaram o saldo credor de Caixa em 04/2/2002... até a presente data, embora parcialmente reconhecidos e identificados, não houve estornos ou quaisquer outros lançamentos contábeis para sua correção, pois o trabalho de conciliação encontrase em fase de conclusão." Contudo, cabe ressaltar que o autuado não comprovou nem na impugnação nem no recurso apresentado as operações de vendas referentes as notas fiscais n°31371, 31508, 31627, 31863,32158, 32228, 32250 e 32255. Na documentação anexada pelo autuado as fls. 1663/1737, não há nenhuma comprovação dos chamados "equívocos contábeis" referentes as citadas notas fiscais Intimado por diversas vezes, o autuado informou, em resposta 27.09.2010 de fls. 2287/8 que, quanto ao valor "tributado a título de saldo credor de Caixa...", " todos os esclarecimentos, bem como a correspondente documentação comprobatória já foram devidamente apresentados durante as fases de impugnação, diligência e recurso." Assim sendo, fica evidente que, em nenhum momento, o autuado logrou comprovar os chamados "equívocos contábeis" relativas às operações de vendas das notas fiscais anteriormente citadas. Foram anexados ao presente processo o que se segue: Cópias das folhas de abertura e encerramento dos livros Diário e Razão — anos 2002 e 2003— fls. 2314/ 2447; CD contendo o Diário do ano 2002 e 2003 — fls. 2448; Conteúdo de cada volume do presente processo e seus anexos — fls. 2450/ 2451; Quadro demonstrativo — Anexo 3 de fls. 1271/4 elaborado pelo autuado fls.2452/5; Consulta CNPJ dos fornecedores constantes do Anexo 3 acima citadofls.2456/ 2513; Quadro Características dos títulos e contabilização da obrigação fls. 2514/ 2518; Quadro Características dos títulos e contabilização do pagamento fls. 2519/ 2523; Fl. 19236DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.235 18 Quadro Fornecedores — Razão — fls. 2524 / 2528. Cabe destacar que o contribuinte foi cientificado, por via postal, do inteiro teor desta Diligência, recebendo cópia deste Relatório, sendolhe concedido o prazo de 30 (trinta) dias para aditar razões de defesa sobre os elementos dela decorrentes. Sendo o que tínhamos a informar.” Intimada do Relatório acima transcrito, a empresa, tempestivamente, aditou suas razões de defesa, alegando o seguinte: Quanto ao valor remanescente de R$ 49.236,49, a recorrente afirma que, de trechos do relatório, inferese que a unidade preparadora utilizou quadro de fornecedores de fls. 1271/4, que constava na impugnação, quando, em verdade, deveria utilizar o novo quadro de fornecedores juntado no Doc. 3 do Recurso Voluntário, às fls.2269/2272. Ainda, a empresa afirma que durante o procedimento de diligência informou a autoridade fiscal da juntada de todos os documentos no PAF, motivo pelo qual, as afirmações de que a recorrente não apresentou documentos não são verídicas, e não atendem ao objetivo da diligência. Quanto ao valor remanescente de R$ 592.654,15, afirma que a unidade preparadora não verificou a autenticidade dos documentos apresentados, ou, muito menos, realizou a auditoria contábil, ambas solicitadas por este Conselho. Especificamente, em relação à auditoria contábil, afirmou que diferentemente do que a AFRFB relatou, o referido valor não foi discriminado por ser proveniente do exercício anterior. Quanto ao valor remanescente de R$ 1.263.133,03, referente ao saldo credor de caixa, a Recorrente afirma mais uma vez não ter a unidade preparadora atendido ao que foi pontuado na diligência solicitada. É o relatório. VOTO Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 2562, o contribuinte apresentou aditamento de razões de defesa dentro do prazo. Ratifico a tempestividade da referida peça de defesa, de forma que a considero parte integrante deste processo. O Relatório de Ação Fiscal, de fato, não apresenta o teor conclusivo e esclarecedor para que dele se possa decidir com a razoável segurança e, inclusive, com a segurança que se almejava obter através dos esclarecimentos solicitados na diligência. Vejamos: A presente diligência versava sobre três valores remanescentes sobre os quais pretendiase obter certeza quanto aos documentos fornecidos pelo contribuinte à Administração Tributária, são estes: R$ 49.236,49 e R$ 592,654,15, referentes ao suposto passivo fictício; e R$ 1.263.133,03 referente ao saldo credor de caixa. Fl. 19237DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.236 19 Com relação ao valor de R$ 49.236,49, as solicitações versavam sobre dois pontos: conferir a autenticidade dos documentos juntados no Recurso Voluntário, e certificar, ao final, se as obrigações apresentadas na documentação conferem com o valor declarado acima; e se estas foram contraídas anteriormente a 31/12/2002. Deste item do Relatório, destacase dois parágrafos, colacionados à seguir: (...) Assim, temse que o voto que determinou a realização da diligência solicitou, expressamente, que fosse conferida a autenticidade, bem como a averiguação sobre a semelhança dos valores e a data das obrigações, relativamente aos documentos juntados no doc. 03 do Recurso Voluntário, às fls. 2269/2272. A despeito disso, a unidade preparadora deixou claro em seu Relatório, que utilizou os documentos juntados na Impugnação às fls. 1370/1511. Da rápida apreciação dos quadros de fornecedores juntados nas peças de Impugnação e Recurso Voluntário, apurase haver diferenças. Assim sendo, nesse ponto, o resultado da diligência não atende ao objeto proposto. Quanto ao valor remanescente de R$ 592.654,15, solicitouse a averiguação acerca da autenticidade e conteúdo do anexo alegado como cópia do Livro Razão da conta 21101005 nos anos de 2002 e 2003, para verificar os lançamentos aludidos no documento nº 07 do Recurso Voluntário. Solicitouse, também, auditoria, para certificarse se o saldo remanescente no Livro Razão era proveniente de saldos de exercícios anteriores. Neste tópico, primeiramente, colacionase o resultado da diligência acerca do exame da autenticidade dos livros comerciais, adiante: Fl. 19238DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.237 20 Apenas. Nada mais. Portanto, concluo que neste tópico o relatório apresentado pela unidade preparadora não esclareceu se é autêntico o anexo alegado como cópia do Livro Razão da conta 21101005. Ainda sobre este valor remanescente, a unidade preparadora é demandada para diligenciar acerca dos documentos acostados aos autos por meio do Recurso Voluntário. Contudo, do descrito no relatório, não se constata nenhuma menção a tais documentos, tendo a unidade preparadora chegado à conclusão de que a autora não teria conseguido identificar os valores, fazendo menção ao Demonstrativo de Composição do Passivo de fls. 1253/1274. Este documento, todavia, é anterior à documentação anexada ao Recurso Voluntário, logo, novamente, a diligência não atende ao proposto. Por fim, quanto ao valor remanescente de R$ 1.263.133,03, foi solicitado, mais uma vez, à unidade preparadora que examinasse acerca da autenticidade da documentação ofertada no Recurso Voluntário, a fim de se concluir pela existência, ou não, de incorreções ou equívocos contábeis relativamente ao montante alegado pela Recorrente na alienação de veículos através de financiamentos e cheques prédatados. Demandouse a realização de relatório conclusivo afirmando se os valores elencados na fl. 2257 foram efetuados em duplicidade. Diligenciando sobre este item, a unidade preparadora fez apanhados do processo, relatando informações prestadas pelo contribuinte ao longo do processo, porém, em nenhum fragmento da coletânea feita pela autoridade fiscal, observase menção a fatos relacionados ao acervo probatório trazido no Recurso Voluntário, ou mesmo após este, relata se apenas os acontecimentos processuais ocorridos antes do referido recurso. Ademais, não se tem uma análise aprofundada que atenda aos requisitos da diligência proposta, na medida em que pede um relatório conclusivo informando se os valores elencados na fl. 2257 foram efetuados em duplicidade. De uma forma geral, o Relatório de Ação Fiscal apresentado como resultado da diligência solicitada por este Conselho não esclareceu os pontos obscuros elencados, especificamente porque passou ao largo da documentação trazida no Recurso Voluntário. Desta forma, voto pela reiteração da diligência, nos exatos termos propostos anteriormente, atentandose para o fato de que os documentos juntados no Recurso Voluntário, assim como os posteriores a ele, devem ser apreciados, e devidamente apostos na descrição e fundamentação do Relatório de Ação Fiscal a ser produzido após análise da documentação ora mencionada, pois, mesmo tendose que sopesar todo o acervo fático colhido no PAF, foram os documentos apresentados no Recurso Voluntário que estabeleceram os pontos controvertidos que motivaram o pedido de diligência. Assim, replico os pontos que necessitam ser esclarecidos de forma analítica, máxime no que tange aos documentos acostados ao processo através do Recurso Voluntário, são eles: Do Passivo Fictício: Valor remanescente de R$ 49.236,49 Fl. 19239DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001568/200580 Resolução nº 1302000.446 S1C3T2 Fl. 19.238 21 conferir a autenticidade e correção do novo demonstrativo das notas fiscais, conciliando data de pagamento, número de cheque e folha do Diário onde foram contabilizadas; conferir os cheques que serviram de pagamento das obrigações com o extrato bancário, para demonstrar a efetiva saída dos recursos; conferir a autenticidade dos cheques anexos ao recurso voluntário; conferir a autenticidade e correção dos lançamentos nas folhas do Diário onde constam os registros de pagamentos, como mencionado nos anexos do recurso voluntário. conferir, certificando, ao final, se ante a documentação apresentada que as obrigações totalizam os R$ 49.236,49 e que foram contraídas anteriormente a 31/12/2002 e liquidadas posteriormente a esta data. Valor remanescente de R$ 592.654,15: conferir a autenticidade e conteúdo do anexo alegado como copia do Livro Razão da conta 21101005 (FornecedoresEquipamentos) nos anos de 2002 e 2003, para verificar os lançamentos aludidos no documento n° 07 junto ao recurso voluntário; verificar, em auditoria contábil da Recorrente, junto ao Livro Razão se o saldo remanescente é proveniente de saldo de exercícios anteriores, uma vez que não constou do Demonstrativo de Composição do Passivo, relativamente ao ano fiscalizado de 2002. Do Saldo Credor de Caixa: Valor remanescente de R$ 1.263.133,03: conferir a autenticidade, e correção sobre a documentação juntada, compondo, analiticamente, o saldo, para considerar também nesta fase recursal, em relação as vendas decorrentes das notas fiscais 31.371, 31.508, 31.627, 31.863,32.158, 32.228, 32.550 e 32.255, com a análise dos demonstrativos dos lançamentos contábeis por operação, as cópias de notas fiscais juntadas, cópias do livro Diário com os registros contábeis correspondentes as operações citadas e conciliar o Razão da conta Caixa de janeiro e fevereiro considerando os elementos oferecidos nesta fase recursal, a despeito de terem sido já oferecidos na fase da diligência em primeira instância, a fim de se concluir pelas incorreções/equívocos contábeis, ou não, relativamente ao quanto alegado pela Recorrente,na alienação de veículos através de financiamentos e cheques prédatados; conciliar e demonstrar, analiticamente, também com base na documentação juntada pela Recorrente, se os valores elencados a fls. 2257 do seu recurso, foram efetuados em duplicidade, apresentando relatório conclusivo sobre tal matéria. A recorrente deverá tomar a devida ciência deste Relatório Fiscal, podendo se manifestar no prazo regulamentar, se assim o desejar, retornando os autos a este Conselheiro, após expirarse o prazo. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 19240DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 11/10/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10880.915973/2008-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/1999
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 73 /2 00 8- 04 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915973/200804 Acórdão n.º 9303003.987 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.870, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915973/200804 Acórdão n.º 9303003.987 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915973/200804 Acórdão n.º 9303003.987 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915973/200804 Acórdão n.º 9303003.987 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915973/200804 Acórdão n.º 9303003.987 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915973/200804 Acórdão n.º 9303003.987 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915973/200804 Acórdão n.º 9303003.987 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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