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Numero do processo: 16327.001451/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESVIRTUAMENTO DO ESCOPO DE ESTIMULAR A PRODUTIVIDADE.
As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos.
O critério de tempo de serviço, assim como a simples obtenção de lucro, sem estabelecimento de metas, não se coaduna com a finalidade do programa, pois não tem qualquer relação com a participação do trabalhador nos resultados da empresa.
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale-Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 2302-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, conforme Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011, e para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Fez sustentação oral: Igor Nascimento de Souza OAB/DF 173.167.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. DESVIRTUAMENTO DO ESCOPO DE ESTIMULAR A PRODUTIVIDADE. As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. O critério de tempo de serviço, assim como a simples obtenção de lucro, sem estabelecimento de metas, não se coaduna com a finalidade do programa, pois não tem qualquer relação com a participação do trabalhador nos resultados da empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 51 /2 00 9- 68 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 3 2 VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória Código de Fundamento Legal 68, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, conforme Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011, e para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Fez sustentação oral: Igor Nascimento de Souza OAB/DF 173.167. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Fl. 488DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 4 3 Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória nº 37.265.6710, lavrado em 29/12/2009, em face de Itaú Vida e Previdência (atual denominação de Unibanco Vida e Previdência S.A.), no valor de R$ 112.980,30 (cento e doze mil novecentos e oitenta reais e trinta centavos), referente à multa por ter o contribuinte apresentado GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias (CFL 68), infringindo, assim, o art. 32, IV, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, e parágrafo 4º, do Decreto 3.048/99 – RPS. Segundo o Relatório Fiscal houve omissão acerca de valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e Vale Transporte, no período de 01/2004 a 12/2006. Ainda, a penalidade aplicada foi a prevista no art. 32, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, c/c arts. 284, II, e 373 do RPS. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 15 e seguintes), tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) mantido o lançamento, através de Acórdão de fls. 126 e seguintes, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/01/2006 a 31/01/2006, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃOCORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 5 4 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do a rtigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. O valetransporte concedido em desacordo com a legislação própria Lei n.° 7.418/85 e Decreto n.° 95.247/87 integra o saláriodecontribuição. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1° do a rt . 161. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: Fl. 490DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 6 5 a) O Art. 7°, XI, da Constituição Federal contempla uma imunidade constitucional, desvincula a PLR da remuneração do empregado, e sendo assim não se deve exigir contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados; b) O julgamento do presente Recurso Voluntário deve ser sobrestado, em obediência ao art. 62A, §1º, do Regimento Interno do CARF, uma vez que o Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede do Recurso Extraordinário nº 569.441/RS, a Repercussão Geral acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre a PLR, em razão da imunidade prevista no dispositivo constitucional acima referido. c) Ocorreu a decadência em relação ao período compreendido entre 01/2004 e 11/2004, posto que, ao caso, deve ser aplicado o art. 150, §4º, do CTN; d) O pagamento da PLR se deu em conformidade com as exigências da Lei 10.101/00; e) Não incidem contribuições previdenciárias sobre pagamentos à título de vale – transporte, na medida em que tais valores não integram o conceito de remuneração do empregado, mas apenas visam a indenizar o empregado em virtude do custo, por ele despendido, com transporte; f) A aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora é ilegal, posto o seu caráter remuneratório, ou seja, apresenta natureza jurídica diferente da mora. Ademais, tal taxa foi criada por resolução e não por lei, e sendo assim deve ser aplicada a taxa de 1% a.m., conforme o art. 161, parágrafo 1° do CTN. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da decadência Fl. 491DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 7 6 No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 8 7 ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 9 8 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 10 9 No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . Tratandose de descumprimento de obrigação acessória, aplicasse o art. 173, I, do CTN. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 29/12/2009 e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos entre 01/2004 a 12/2006, tenho como certo que nenhuma competência foi atingida pelo prazo decadencial. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas O Auto de Infração em exame se refere à multa por ter o contribuinte apresentado GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, assim, o art. 32, IV, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, e parágrafo 4º, do Decreto 3.048/99 – RPS. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que se limita a afirmar que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 11 10 “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Do programa de Participação nos Lucros ou ResultadosPLR A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, que dispõe: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 12 11 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal, verificase que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas de Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregar lhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; Mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; Previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Por isso é que os programas de metas, resultados e prazos devem estar pactuados previamente, pois somente desta forma é que seria possível se ter certeza de que os empregados estão cientes das condições do PLR e que os esforços envidados serão recompensados com a distribuição dos valores. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 13 12 Sobre o tema, o 2º Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão 20501.331, fundamentandose no voto da ilustre Conselheira Liege Lacroix: Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Não já regras detalhadas na lei sobre as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Afora os parâmetros estabelecidos pela lei,não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas de participação nos lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com o três artigos da Lei nº 10.101/2000 acima transcritos. Além das regras claras e objetivas do acordo, o legislador impediu a substituição da remuneração pela distribuição do lucro e o seu pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. A preocupação é justificável. Buscando preservar o intuito do legislador sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça também proferiu acórdão sobre a matéria, preservando ao máximo a subsistência do PLR e a sua produção de efeitos. Cumpre transcrevêlo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 14 13 incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes:AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 15 14 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido. (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010) Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, para que o espírito do Programa efetivamente seja alcançado. Esta deve ser a análise da fiscalização. O Supremo Tribunal Federal reconheceu, em sede do Recurso Extraordinário nº 569.441/RS, a Repercussão Geral acerca aplicabilidade do art. 7º, XI, da CF/88, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DA EMPRESA. ART. 7º, INCISO XI, CF. MEDIDA PROVISÓRIA 794/94. REPERCUSSÃO GERAL. . A controvérsia envolvendo debate acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre a parcela denominada participação nos lucros concernente a período posterior à Constituição Federal de 1988 e anterior à Medida Provisória nº 794/94, à luz do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, possui densidade constitucional suficiente para ensejar o exame da matéria pelo Pleno da Corte. 2. Repercussão geral reconhecida. Contudo, é irrelevante se a norma constitucional possui eficácia plena, limitada ou contida, quando o pagamento da PLR é feito de forma a desvirtuar o próprio escopo da imunidade, qual seja, o estímulo à produtividade. Da análise dos autos, observase dois aspectos relevantes que, de pronto, levam à conclusão de que a PLR em questão estava sendo utilizada como um disfarce para a remuneração dos empregados. Primeiramente, temse o fato da primeira parcela ser paga obrigatoriamente, independentemente de resultado, ou seja, totalmente desvinculada do alcance de metas ou da auferição de lucro. Ademais, o valor foi pago igualmente a todos os empregados, respeitando se apenas a proporcionalidade ao tempo de serviço. A segunda parcela, por sua vez, depende da obtenção de lucro, entretanto, não há definição do parâmetro do lucro obtido a fim de ensejar o pagamento da PLR. Dessa forma, tornase praticamente certo o recebimento da PLR por parte dos empregados, sem que seja necessário qualquer esforço por parte deles, principalmente em razão da natureza da atividade exercida pela Recorrente. Observese ainda, que as metas financeiras do presente Programa seriam “metas em tese”, posto que não quantificadas nem parametrizadas com qualquer valor, bastanto existir o lucro para exsurgir o seu pagamento. As metas financeiras nos dizeres do próprio Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 16 15 auditor fiscal do presente lançamento são as metas “mais obejtivas” por natureza, desde que parametrizadas, já que o lucro sem quantificação é o objetivo de qualquer empresa privada. E mais, em relação as datas de assinatura dos programas de participação, embora a Legislação não defina claramente o que seria “previamente” acertado, tenho para mim que o requisito terá sido atendido quando o programa tiver sido assinado antes do fim do primeiro semestre (30/06) do período de apuração das metas e resultados, em se tratando do primeiro Programa de Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados da Empresa, e até o dia 31/12 em suas renovações (também levando em consideração o período de apuração), desde que mantidas em seu conteúdo as metas e condições a serem alcançadas. Adoto esse posicionamento face a dificuldade de se entabular acordos com os Sindicatos que muitas vezes protelam e dificultam a assinatura dos mencionados programas e porque asseguram ao trabalhador o conhecimento das regras com um razoável lapso temporal que assegure o seu comprometimento para atingimento dos resultados, bem como busco me adequar ao espírito do legislador que não teve a intenção de restringir, ao contrário, teve sim de incentivar a celebração desses programas como mais um benefício a ser concedido ao trabalhador brasileiro. Ressalto, que tenho conhecimento de decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF que utilizam como parâmetro a possibilidade de assinatura do programa até 31/12 do ano relativo ao período de apuração dos Lucros ou Resultados, como também tenho conhecimento de recente acórdão de lavra do Insigne Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, a unanimidade referendado por sua Turma, que aceita as atas de reunião com as comissões/sindicatos iniciais como suficiente para se aferir o cumprimento do requisito da “previedade” do acordo de participação. Em relação ao entendimento esposado na decisão da 2 Turma, da 4 Câmara, da Segunda Seção, acima indicado, ressalto que caso fique assente a realização das negociações ainda no primeiro semestre do ano relativo ao período de apuração, aqui abro um parênteses para registrar que para mim não basta abrir negociação mas sim ter prova de vários acontecimentos que corroborem com a existência de uma intensa negociação, faltando apenas a assinatura do acordo, a data limite mencionada acima poderá ser excepcionalmente deslocada. No presente lançamento, os acordos foram sempre assinados no fim do ano do período de apuração ou no início do ano do pagamento da participação, o que também, no meu entendimento, conforme razões acima, inviabiliza o programa por essa razão em alguns anos. Resta evidente, portanto, que a PLR sobre que incidiram as contribuições previdenciárias lançadas não obedece à sua finalidade, que é o estímulo à produtividade dos empregados. Pelo exposto, neste aspecto, não merece reforma a decisão recorrida. Do grupo econômico O Relatório Fiscal afirma, ainda, que o PLR previu metas tendo em vista resultados globais do grupo econômico, inclusive de empresas localizadas no exterior, o que dificultaria, segundo afirma, o conhecimento pelos empregados do alcance das metas. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 17 16 Ocorre que a legislação não faz qualquer exigência neste ponto. A utilização de metas que considerem o grupo econômico tem total consonância com a finalidade do PLR, que é a de integrar o empregado à empresa como um todo. Toda empresa tem no seu recurso humano o mais precioso insumo. É justamente o somatório dos esforços que faz a empresa se desenvolver, tanto analisada uma empresa isoladamente, quanto um grupo econômico, inclusive porque os resultados de uma das empresas do grupo reflete no das demais. O fato de alguma empresa do grupo econômico ser localizada no exterior não impede que o empregado acompanhe o atingimento das metas, se houver divulgação desses resultados. Em particular, o ramo de atividade da Recorrente e o nível de fiscalização a que se submete pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários, dentre outros órgãos competentes, faz com que os resultados se tornem ainda mais transparentes. Vejase que não se discute nos autos o desconhecimento dos empregados sobre as regras previstas. Se a comissão de negociação tomou como base dados do grupo empresarial, não há qualquer irregularidade na formalização do acordo. As empresas do mesmo grupo econômico apresentam relações bastante próximas, tanto que o Fisco sempre as considera conjuntamente na ocasião do lançamento, até por imposição legal, já que teriam um mesmo comando de decisões, as vezes até com mesma administração. Estabelecer que os resultados alcançados por outra empresa do grupo econômico sirvam de critério para aferição da participação nos lucros e resultados é medida condizente com a própria sistemática adotada pela legislação previdenciária e trabalhista, já que tratam as empresas como solidárias e intrinsecamente relacionadas umas as outras, inclusive quanto aos fatos geradores das contribuições. Da Remuneração em Forma de Vale Transporte Aqui, o cerne da questão consiste na legalidade ou não dos valores pagos a titulo de “vale transporte” integrarem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ressaltese, desde já, que restou comprovado pela fiscalização que as parcelas que receberam o nome de “vale transporte” eram pagas em dinheiro. No meu sentir, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois, destinada ao ressarcimento das quantias pagas em razão do transporte dos empregados, pois foi assim que a norma que criou o benefício deixou consignado. A Lei n.º8.212/91 tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 18 17 (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterize ou alterar a natureza jurídica do vale transporte. Até porque, o fato de o empregador descontar parcela inferior ao exigido pelo Decreto regulamentador do benefício não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio do transporte dos empregados. De mais a mais, o fornecimento do transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o benefício é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, até mesmo nos casos em que o benefício é pago em espécie, o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, ratifica o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do valetransporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: “ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PREVISÃO DE ANTECIPAÇÃO DO VALETRANSPORTE E REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO – VALIDADE. ‘Acordo coletivo – Validade – Antecipação do valetransporte em janeiro. Ao vedar a antecipação em dinheiro do valetransporte o decreto regulamentador extrapolou os limites da lei instituidora do benefício. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale transporte e a redução do percentual de participação do trabalhador.” (Ac da SDC do TST – Ação Anulatória 366.360/97. 4 – Rel. Min. Fernando Eizo Ono – j. 1º.06.98 – Autor: Ministério Público do Trabalho; Réus: Federação Nacional dos Bancos e outros – DJU 1 07.08.98, pp 314/6 – ementa oficial)” (in “Repertório IOB de Jurisprudência, Caderno 2, pág. 381) (negritamos e sublinhamos) Deixo registrado, também, que o pagamento ora questionado não gera nenhum prejuízo ao trabalhador e a empresa não agiu com o intuito de sonegar tributos. Também não há ganho salarial para o trabalhador, pois a verba é paga especificamente para que o trabalhador faça o percurso para o seu trabalho, ou seja tem caráter estritamente indenizatório. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 19 18 Cabe registrar por fim que o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF enfrentou a matéria no exame do Recurso Extraordinário n.º 478.410/SP, julgado, em 10/03/2010, em que firmou convencimento no sentido de que o benefício em tela não constitui base de incidência de contribuição previdenciária. Nesse julgamento, ficou assente que o vale transporte mesmo quando pago em pecúnia, não perde o seu caráter indenizatório, sendo portanto, incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre essa rubrica. Em conclusão, verificase que a exigência pretendida através do presente lançamento é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da aplicação de penalidade benéfica No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 20 19 equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 21 20 descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 16327.001451/200968 Acórdão n.º 2302002.871 S2C3T2 Fl. 22 21 Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para afastar a incidência da multa sobre os valores pagos a título de vale transporte, bem como para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de novembro de 2013. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 13881.000233/2002-56
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
PERÍODO DE APURAÇÃO: 09/09/1997 a 06/05/2002
NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS QUE NÃO SOFRERAM COBRANÇA DO IPI. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO.
Em obediência ao princípio da não-cumulatividade aplicável ao IPI, somente dão direito ao crédito do imposto para compensar com o que for devido em cada operação o montante do imposto cobrado nas anteriores.
CRÉDITO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. SÚMULA STJ Nº 411.
Somente é devida a correção monetária ao crédito de IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - Por maioria de votos, não reconhecer a nulidade da decisão da DRJ. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges e Paulo Sérgio Celani (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor nesta matéria o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. II - Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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AQUISIÇÃO DE INSUMOS QUE NÃO SOFRERAM COBRANÇA DO IPI. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. Em obediência ao princípio da nãocumulatividade aplicável ao IPI, somente dão direito ao crédito do imposto para compensar com o que for devido em cada operação o montante do imposto cobrado nas anteriores. CRÉDITO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. SÚMULA STJ Nº 411. Somente é devida a correção monetária ao crédito de IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por maioria de votos, não reconhecer a nulidade da decisão da DRJ. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges e Paulo Sérgio Celani (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor nesta matéria o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. II Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 00 02 33 /2 00 2- 56 Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 3 2 Flávio de Castro Pontes – Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “Trata o presente de manifestações de inconformidade, todas de mesmo teor, O contribuinte em epígrafe pediu a restituição do IPI, corrigido monetariamente, que teria recolhido à maior por não ter se creditado de entradas de insumos não oneradas pelo imposto. O pleito foi negado, em regular Despacho Decisório, por falta de base legal. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que seu direito estaria amparado constitucionalmente, inclusive no que tange à atualização monetária, conforme julgados que cita. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 09/09/1997 a 06/05/2002 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repete os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Sobre a admissibilidade do recurso. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. A manifestação de inconformidade é intempestiva. À folha 1.078 do eprocesso encontrase Termo de Anexação de Documentos lavrado pela DRF/Cruzeiro, no qual se evidencia a intempestividade da manifestação de incoformidade, conforme segue: A ciência ao contribuinte do despacho decisório se deu em 20/11/207 (terça feira, dia útil), fl. 1.071 do eprocesso, por intermédio da Comunicação nº 203/2007. A contagem do prazo de 30 (trinta) dias se iniciou em 21/11/2007, quarta feira, dia útil, vencendose em 20/12/2007, quintafeira, dia útil. A manifestação de inconformidade foi protocolada em 21/12/2007, fl. 1.072 do eprocesso, logo, um dia após o vencimento do prazo. A intempestividade foi observada pelas autoridades administrativas da DRF/Cruzeiro e da DRF/Taubaté, fls. 1.278/1.279 do eprocesso. No despacho de fl. 1.279 do eprocesso, verificase que a autoridade administrativa somente encaminhou o processo para julgamento na DRJ/RPO, porque entendeu que a contribuinte havia suscitado preliminarmente a tempestividade da manifestação de inconformidade. Nesta, apesar de haver a expressão “oportuno tempore”, nada se alega em defesa da tempestividade da peça. A DRJ/RPO, por sua vez, apesar de no voto condutor conter a afirmação de que a manifestação é tempestiva, não enfrentou a questão da tempestividade. As informações constantes do Termo de Anexação de Documentos, fl. 1.078 do eprocesso, não foram consideradas na decisão recorrida. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, aplicável às manifestações de inconformidade contra decisões da RFB que indefiram pedidos de restituição, dispõe: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 6 5 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, dispõe: “Art. 48. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do despacho que nãohomologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. § 1º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 2º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1º obedecerão ao rito processual do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972. (...)” No presente caso, em que a manifestação de inconformidade foi apresentada após o término do prazo previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, logo, perempta, não foi instaurada a fase litigiosa do processo. A DRJ/RPO, ao enfrentar o mérito sem ter abordado a questão preliminar da tempestividade da manifestação de inconformidade, proferiu decisão que deve ser anulada, pois o julgamento de mérito é incompatível com a questão preliminar que deveria ter levado ao nãoconhecimento da peça impugnatória. Por estas razões, voto por declarar perempta a manifestação de inconformidade, anulando o processo a partir da decisão recorrida, mantendo o despacho decisório que indeferiu o pleito da contribuinte. MÉRITO Aquisições não submetidas à cobrança do IPI não dão direito a crédito deste imposto. Sobre o Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI e sua não cumulatividade, vejase como dispõe o ordenamento jurídico brasileiro, com grifos meus: Constituição Federal de 1988: “Art. 153 – Compete à União, instituir impostos sobre: (...) IV – produtos industrializados; (...) §3.º O imposto previsto no inciso IV: Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 7 6 (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (...)” Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário NacionalCTN): “Art. 49 O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte,transferese para o período ou períodos seguintes.” Lei nº 4.502, de 30/11/1964: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do impôsto relativo aos produtos nêle entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) Depreendese das normas acima, conforme também assentado no acórdão recorrido, que se compensa o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. Não tendo sido cobrado o imposto nas aquisições de insumos, seja por não incidência, isenção ou alíquota zero, não há direito a crédito destas operações. Assim também se pronunciou o STF, ao apreciar, por exemplo, os REs 353.657 e 370.682, em que entendeu que a utilização de créditos de IPI alusivos à alíquota zero e à nãotributaçao afronta o art. 153, §3º, inc. II, da Constituição Federal de 1988, e o RE 566.819/RS, em que assentou que a aquisição de insumos isentos constitui hipótese que não gera créditos de IPI a serem compensados. Vejase a ementa do RE 566.819/RS, relatado pelo Ministro Marco Aurélio de Melo.: “IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final.” Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 8 7 Perfilando igual entendimento, o CARF editou a Súmula nº 18, que possui o seguinte enunciado: “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” Apesar de súmula tratar apenas de aquisições à alíquota zero, o entendimento em que se baseou é o de que se não houve cobrança de tributo na operação de entrada não há falarse em direito a crédito ou nãocumulatividade. Vejase parte da ementa do Acórdão 20215.515, que serviu de paradigma para a súmula acima. “(...) IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALiQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS (NT). O Principio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à aliquota zero, não há valor algum a ser creditado. (...)” E, abaixo, trechos do voto condutor deste paradigma, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido, nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial, o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria prima, produto intermediário e material de embalagem) com o tributo referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. (...) A premissa básica da nãocumu1atividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em razão de sua não tributação (produto NT) ou da tributação à alíquota zero, não há falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade.” Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 9 8 Pelo exposto, a contribuinte não tem o direito de se creditar do IPI nas operações de entradas de insumos que não foram submetidas à cobrança do imposto. Atualização monetária. No caso, não se trata de restituição de indébito tributário, pois não ocorreu pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Logo, não há que se falar em correção monetária ou acréscimo de juros. Ainda que fosse reconhecido o direito ao crédito pleiteado, não seria cabível sua atualização monetária, nem acréscimo de juros. No julgamento do recurso especial 1.035.847/RS, representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”. Esta decisão, que transitou em julgado em 10/03/2010, não pode ser aplicada ao caso, pois não ocorreu oposição por resistência ilegítima do Fisco. Também a Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009 (DJe 16/12/2009), evidencia a necessidade de que tenha ocorrido resistência ilegítima do Fisco para que seja devida atualização monetária em direitos de crédito de IPI. Vejase seu enunciado: “Correção Monetária Creditamento do IPI Resistência Ilegítima do Fisco. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” Alegações quanto a inconstitucionalidades. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conclusão. Pelo exposto, considerando que a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente, não se instaurando por isso a fase litigiosa do processo, e que a DRJ omitiuse em tratar desta questão preliminar, voto por anular a decisão recorrida, declarando perempta a peça impugnatória e mantendo o despacho decisório. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 10 9 Se ficar vencido na anulação da decisão de primeira instância, então, tendo em vista que não geram direito a crédito de IPI as entradas de insumos que não tenham sofrido a cobrança do imposto, que não há previsão legal para atualização monetária de créditos de IPI e que não houve resistência ilegítima do Fisco voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pese o entendimento do ilustre relator ouso dele discordar naquilo a que se refere ao prazo de apresentação da Manifestação preliminar pela Recorrente. Conforme o citado despacho entendeu a DRF ter sido a manifestação intempestiva tendo sido iniciada a contagem de prazo no dia 20/11/2007. Ocorre que tal data corresponde ao Dia Nacional da Consciência Negra. Em princípio o dia não corresponde a Feriado Nacional, entretanto não correspondeu a dia normal na repartição pública, porque o entendimento expresso pelo poder judiciário e de parecer da AGU é de que o feriado assemelhase aos feriados religiosos. A lei por sua vez expressa que “Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, bem como seus servidores públicos, devem observar apenas os feriados civis e religiosos elencados na Lei n.o 9.093/1995”, e o artigo 2º da Referida Lei expressa que são feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local e em número não superior a quatro, neste incluída a SextaFeira da Paixão. O entendimento expresso é que se equivalem aos feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local. O Município de Cruzeiro no qual encontrase a Agencia da RFB na qual o recurso foi protocolizado estabeleceu através da Lei Municipal n.º 3.798, de 19 de outubro de 2007 que tal data encontrase entre suas datas comemorativas, assim se expressando: LEI Nº 3.798, de 19 de outubro de 2007 Assunto: “Institui no Município de Cruzeiro, o Dia da Consciência Negra, e dá outras providências”. O Exmo. Senhor Prefeito Municipal de Cruzeiro, Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais, FAZ SABER QUE A CÂMARA MUNICIPAL DE CRUZEIRO APROVOU E ELE SANCIONA A SEGUINTE LEI: Artigo 1º Fica instituído, no Município de Cruzeiro, o Dia da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro. Artigo 2º O Poder Executivo fará realizar, anualmente, durante o mês de novembro, eventos sob as diversas formas de manifestações artísticoculturais, como, peças de teatro, pintura, artesanato, festivais de músicas e dança e outras afins, visando incentivar, estabelecer, difundir e doutrinar os mais variados aspectos culturais da raça negra. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13881.000233/200256 Acórdão n.º 3801004.276 S3TE01 Fl. 12 11 § 1º Os eventos de que trata este artigo deverão ser precedidos por seminários, debates, exposições e palestras, a serem realizadas em escolas, entidades e órgãos públicos e privados, ocasião em que serão discutidos temas como a discriminação, o preconceitos, índice de desemprego na população negra e outros. § 2º As manifestações deverão ser realizadas em todas as escolas da rede municipal de ensino, bem como em áreas públicas de lazer e recreação visando difundir a cultura negra em toda a sociedade. § 3º Todas as atividades previstas no presente artigo deverão ser realizadas em conjunto com movimentos e entidades municipais que atuem em prol da raça negra. Artigo 3º As despesas decorrentes da execução deste Lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário. Artigo 4º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Cruzeiro, 19 de outubro de 2007 Prof. Celso de Almeida Lage Prefeito Municipal de Cruzeiro Por outro lado, assim se expressa o CPC: Art. 173. (...) Parágrafo único. O prazo para a resposta do réu só começará a correr no primeiro dia útil seguinte ao feriado ou às férias. Nesse sentido, tenho que o prazo deveria ser acrescido de um dia, sendo tempestivo o recurso. Não fosse isso, a própria DRJ entendeu tempestivo o recurso sendo improdutivo à essa turma tornar nulo julgamento realizado por motivo meramente processual. Por isso, quanto a esse elemento voto por julgar tempestivo o recurso. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado dig italmente em 04/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723882/2010-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - PLR. FORMALIZAÇÃO DO PACTUADO.
Restando provado acerto prévio contendo as metas, resultados e prazos para pagamento de participação nos lucros ou resultados - PLR, a aposição das assinaturas no mesmo exercício contábil, com anuência do sindicato da categoria aperfeiçoa o pactuado formalizando-o na forma do que é exigido no art. 2°, II, da Lei 10.101/2000.
Numero da decisão: 2403-002.625
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. FORMALIZAÇÃO DO PACTUADO. Restando provado acerto prévio contendo as metas, resultados e prazos para pagamento de participação nos lucros ou resultados PLR, a aposição das assinaturas no mesmo exercício contábil, com anuência do sindicato da categoria aperfeiçoa o pactuado formalizandoo na forma do que é exigido no art. 2°, II, da Lei 10.101/2000. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (relator) e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 38 82 /2 01 0- 15 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0240.073 da 6ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte conforme ementa abaixo transcrita. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com as normas estabelecidas na legislação específica. ERRO NA APLICAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA NÃO CONFIGURADA. REVISÃO DA MULTA A prática de nova infração em período anterior à data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes a autos de infração lavrados em ação fiscal anterior, ou após transcorridos cinco anos da referida data, não configura reincidência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infração ao art. 32, I, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, I e § 9º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99,, por ter a Empresa Brasileira de Engenharia e Comércio S/A – EBEC apresentado folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 5/6, a empresa deixou de incluir em sua folha de pagamento de segurados, nas competências dezembro/2006, janeiro/2007, fevereiro/2007, abril/2007, maio/2007, junho/2007, novembro/2007 e dezembro/2007, as remunerações pagas/creditadas a segurados empregados referentes à participação nos lucros paga em desacordo com a legislação. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Foi aplicada penalidade no valor de R$2.863,58, de conformidade com o previsto nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, e nos artigos 283, I, alínea ‘a’ e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 30/06/2010, já elevada em duas vezes tendo em vista ter o infrator incorrido em reincidência, conforme previsto no inciso IV do art. 292 do RPS. A interessada foi cientificada da autuação em 25/10/2010, conforme assinatura de seu representante legal às fls. 2. Em 24/11/2010, apresentou impugnação, consoante documentos de fls. 64/94, cujos argumentos relatamos, em síntese. Inicialmente ressalta a tempestividade da defesa apresentada. No mérito, diz que a Participação nos Lucros e Resultados, nos termos da Constituição Federal de 1988, não tem caráter salarial. Transcrevendo o artigo 2º da Lei 10.101/2000 diz que o referido dispositivo é claro quando determina que a PLR será objeto de negociação entre as partes. Alega que a PLR, distribuída pela EBEC em sua filial de Ipatinga, respeita integralmente a Lei 10.101/2000, bem como a forma de celebração determinada em seu art. 2º, uma vez que foi criada através de negociação entre as partes, por intermédio do acordo coletivo com o sindicato local da categoria, fora arquivado na entidade sindical dos trabalhadores, possui regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, a periodicidade de distribuição é de apenas 1 vez ao ano, e o prazo de vigência e de revisão do acordo está previsto no mesmo. Argumenta que em nenhum momento o texto da Lei 10.101/00 dispõe sobre a proibição ou descaracterização da PLR quando esta for paga apenas para empregados de uma das filiais da empresa, bem como, sobre a obrigatoriedade da PLR ser devida ou paga para todos os empregados da empresa, ficando excluído o pagamento por estabelecimento. Diz que o sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. Se a empresa possui diversos estabelecimentos terá necessariamente diversos acordos coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR e outros não, respeitando as particularidades de cada região e de cada sindicato. Diz que a interpretação de que a PLR não poderia ser paga apenas para os funcionários de um determinado estabelecimento, não se preocupando com as particulariedades de cada base territorial, chega até a ser ofensiva à Carta Magna, contrariando um dos seus postulados, ou seja, a participação nos resultados prevista no art. 7º, IX, como um “direito do trabalhador”, desvinculado da remuneração. Conclui que se a Lei 10.101/00 admite a PLR pela via do acordo coletivo, a hipótese contempla, necessariamente, um Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 4 5 determinado estabelecimento da empresa, e não todos, que se vincula à base territorial do sindicato profissional. Assevera que, com mais razão ainda, podese comprovar que a Lei 10.101/00 admite o pagamento da PLR específica por estabelecimento, respeitando as singularidades deste, uma vez que em seu art. 2º determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, com a presença do representante do sindicato local. Alega que a suposta irregularidade apontada na autuação pelo fato das metas só terem sido assinadas após o pagamento da PLR é descabida, pois tais metas já eram de conhecimento dos empregados desde o início do ano, tendo as mesmas sido criadas de comum acordo com a recorrente, o sindicato e um grupo de empregados selecionados pelo sindicato. Diz que em 27/12/2006 (para o ano de 2006) e 28/12/2007 (para o ano de 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. Invocando o art. 2º da Lei 10.101/00 diz que ele determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, sendo, portanto, um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem por escrito, em um documento formal. Pressupõe se, assim, que as metas, assim como a PLR podem ser feitas verbalmente, oralmente, não tendo nenhuma exigência legal de estarem por escrito. Alega que a empresa não infringiu as orientações legais quando criou, oralmente, mas em comum acordo com o sindicato da categoria e empregados, metas para serem alcançadas ao longo do ano e só formalizou as mesmas através de um aditivo ao acordo coletivo no mês de dezembro, logo após o pagamento da PLR. Argumenta ser pacífica a jurisprudência quanto à natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art. 7º XI da CF e art. 2º da Lei 10.101/00, bem como que esta é objeto da livre negociação entre as partes, não existindo requisitos formais para a sua criação. Transcreve julgados do STJ para reforçar seus argumentos. Alega, também, que não se pode alegar reincidência antes do trânsito em julgado dos processos administrativos indicados na autuação (Debcads 37.218.9202 e 35.072.3370). Argumenta que a empresa recorrente em momento algum fora intimada da decisão nestes processos administrativos, portanto, não ocorreu o trânsito em julgado e, desta forma, não pode ser legalmente reincidente. Requer seja extinto ao auto de infração, bem como toda e qualquer anotação feita em nome da impugnante. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 A DRJ afastou a circunstância agravante identificada quando do lançamento e reduziu a multa ao valor mínimo. Desta forma, pelos motivos apontados, não caberia, no presente AI, a aplicação da majoração da multa, uma vez que na data da prática das novas infrações a Empresa Brasileira de Engenharia e Comércio – EBEC, não era considerada reincidente. Excluída a aplicação da reincidência genérica o valor do AI 37.305.5641, passa de R$2.863,58 para R$1.431,79. Isto posto, voto pela procedência parcial da impugnação apresentada, e pela manutenção em parte do crédito apurado no Auto de Infração 37.305.5641. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · A PLR distribuída para a filial de Ipatinga está conforme a lei 10.101/2000. · A lei não proíbe pagar PLR apenas para 1 estabelecimento e não obriga pagar para todos. · A lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa. · A Lei 10.101/00, estipula que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante negociação direta com os empregados, formados em comissão, dela constando um representante do sindicato da respectiva categoria ou mediante acordo coletivo. · O sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. · Se a empresa possui diversos estabelecimentos, ou seja, é "repartida" relativamente aos sindicatos com os quais interage, terá necessariamente, diversos acordo coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR, outros não, respeitando as particularidades de cada regido e de cada sindicato · A Lei 10.101/2000 admite pagamento da PLR específica por estabelecimento. · A alegação do auto de infração que aponta como motivo da autuação uma suposta irregularidade, pelo fato de as metas só terem sido assinadas após o pagamento da LPR, é descabida, pois Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 5 7 tais metas já eram de conhecimento dos empregados desde o início do ano. · Em 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/207 (para o ano 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. · O artigo 2º da lei 10.101/2000 determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funconários, portanto, é um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem escritas num documento formal. · A jurisprudência já é pacifica quanto a natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art.7°'XI da Constituição Federal e art. 2° da Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o Relatório Fiscal, a atuação foi motivada pelo fato de a empresa ter deixado de incluir nas folhas de pagamento a PLR paga em desacordo com a legislação. A recorrente entende que seu proceder está correto e que não incide tributação sobre a PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR GERAL A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 6 9 Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os Fl. 133DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 7 11 do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 8 13 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 PLR CASO CONCRETO – REGRAS PACTUADAS A POSTERIORI. O Relatório Fiscal da obrigação principal apresenta que os pagamentos ocorreram nos dia 22/12/2006 e 20/12/2007 e que os acordos foram assinados nos dias 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/2007 (para o ano 2007) e que as metas deveriam ser definidas previamente. A Lei 10.101/2000 textualmente estabelece que as metas devem ser pactuadas previamente. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 9 15 mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Entendo que o pagamento antes do estabelecimento do acordo definindo as metas nada contribui para a integração capital e trabalho e caracterizase como abono. Entendo também que o procedimento da empresa está em desarmonia com a Lei 10.101/2000 e que devese considerar procedente o lançamento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Extraído do Relatório do voto em comento, a recorrente alega que as assinaturas deram caráter formal ao que fora anteriormente pactuado entre as partes, verbis: “ que em 27/12/2006 (para o ano de 2006) e 28/12/2007 (para o ano de 2007) a recorrente decidiu apenas formalizar um acordo que há muito já vigorava entre os empregados e a recorrente. Invocando o art. 2º da Lei 10.101/00 diz que ele determina que a PLR deve ser estabelecida na negociação direta com os funcionários, sendo, portanto, um ato livre inclusive de formalidades, já que a lei nada estabelece sobre a exigência das metas estarem por escrito, em um documento formal. Pressupõe se, assim, que as metas, assim como a PLR podem ser feitas Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 verbalmente, oralmente, não tendo nenhuma exigência legal de estarem por escrito.” DA MOTIVAÇÃO DO RELATOR O i. Relator, sem outro aspecto levantado, centrou sua motivação e concluiu seu convencimento na forma dos registros abaixo transcritos: “ PLR CASO CONCRETO – REGRAS PACTUADAS A POSTERIORI.O Relatório Fiscal apresenta que os pagamentos ocorreram nos dia 22/12/2006 e 20/12/2007 e que os acordos foram assinados nos dias 27/12/2006 (para o ano 2006) e 28/12/2007 (para o ano 2007) e que as metas deveriam ser definidas previamente.” “ Entendo que o pagamento antes do estabelecimento do acordo definindo as metas nada contribui para a integração capital e trabalho e caracterizase como abono. Entendo também que o procedimento da empresa está em desarmonia com a Lei 10.101/2000 e que devese considerar procedente o lançamento. ” O i. Relator exortou , ainda, que “a Lei 10.101/2000 textualmente estabelece que as metas devem ser pactuadas previamente”. De fato no art. 2°, II, assim exige. Relevante ressaltar que a palavra utilizada é “ pactuados ”, verbis : “ II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente” A lei fala da necessidade de pacto anterior o que num primeiro momento implica concomitante assinatura.Entretanto, os pactos ainda que informais devem ser respeitados sobretudo se aperfeiçoados com as assinaturas. Pactuar é apalavrar, contratar, acertar, combinar, estabelecer, prometer, acordar. ajustar, unir , concordar e vários outros sinônimos. Admitese que é de se estranhar o incomum e reiterado procedimento das partes em tela. Cumpre notar que, à rigor, a lei não exige que os procedimentos estejam previamente assinados mas sim pactuados. Editado nos termos do sobredito art. 2°, II da Lei 10.101/2000, o Legislador deixou aberta a possibilidade de se apor as assinaturas em momento posterior ao que fora pactuado. Entretanto, faço ressalva de que fora observado o mesmo exercício contábil. No caso em comento, na forma dos acordos colacionados, os pactos, embora assinados depois dos pagamentos, contêm as metas, resultados , prazos e as datas dos pagamentos previstas tal qual foram executados. Relevante notar que do modo descrito os documentos foram referendados pelo forte Sindicato da categoria de siderúrgicos e metalúrgicos o que torna implícito contemplar que os termos foram previamente acordados. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.723882/201015 Acórdão n.º 2403002.625 S2C4T3 Fl. 10 17 O episódio faz lícito excluir eventual comunhão de desígnios entre empresa, sindicato e até mesmo os empregados beneficiados para meramente implementar uma fraude anual com a pretensão de dissimular a ocorrência de um fato gerador de incidência previdenciária. Considerando que os acordos não foram levados à autenticação em cartório de registros, penso que se houvesse de fato a intenção de fraudar seria simples reeditar os documentos com datas tempestivas para ilidir qualquer questionamento inclusive o lançamento. Cumpre ressaltar a decisão ora implementada se faz compulsória em face do contexto o que mitiga a hipótese de servir de paradigma noutra circunstância e cenário. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, ouso divergir do i. Relator para NO MÉRITO DAR PROVIMENTO ao contribuinte. É Omo voto Ivacir Julio de SouzaRelator Designado Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 5/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 12448.737120/2011-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF), hipóteses não presentes no caso concreto.
Numero da decisão: 1103-001.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado rejeitar os embargos por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado rejeitar os embargos por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Passivo não Comprovado. Glosa de despesas Embargante COCA COLA INDÚSTRIAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF), hipóteses não presentes no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado rejeitar os embargos por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 71 20 /2 01 1- 57 Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.130 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos em face do acórdão nº 1103 001.082, de 29/7/14, que recebeu a seguinte ementa (fls.2.031/2.059): PASSIVO COM EXIGIBILIDADE NÃO COMPROVADA. Nos termos do art.40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receita (art.281 do Regulamento do Imposto de Renda 1999), cabendo ao contribuinte o ônus da prova para infirmar tal presunção legal, o que não ocorreu no caso concreto. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS. PERDÃO DE DÍVIDA. As despesas sem comprovação e as decorrentes de mera liberalidade não são dedutíveis. DESPESAS GLOSADAS. CONTRAPARTIDA A CRÉDITO DO PASSIVO. As contrapartidas credoras dos lançamentos contábeis referentes à constituição de despesas glosadas pela autoridade fiscal não podem embasar a presunção legal de omissão de receitas por conta da manutenção, no passivo, de obrigações não comprovadas. Recurso de ofício não provido. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos, em razão da íntima relação de causa e efeito. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A produção de prova pericial depende de juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado, razão pela qual não há se falar em nulidade da decisão de primeira instância que a indeferiu por ser prescindível no caso concreto. PRELIMINAR DE NULIDADE. PROCESSO ELETRÔNICO. O fato de os autos serem formados por folhas digitalizadas, ou inseridas pelas partes através de programas de upload, não compromete minimamente a integridade do processo, tampouco a apreciação das provas pelos julgadores. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o Recorrente alegar fatos. Deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas, mormente quando lhe cabe o ônus de produzilas para elidir a presunção legal de omissão de receitas. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Prescinde a realização de perícia quando o Recorrente busca, com tal providência, apenas Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.131 3 carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entender necessárias ao deslinde da controvérsia. Sustentou o Embargante, em síntese: (a) omissão quanto à demonstração de que os valores indicados no auto de infração estariam equivocados; (b) necessidade de esclarecimento quanto à relevância de argumentações contempladas no recurso voluntário, inclusive relacionadas ao não provimento do pedido de realização de prova pericial; (c) impropriedade na denegação da perícia, pois “...tem este processo cerca de 2100 páginas, das quais a grande maioria corresponde à juntada de documentos pela recorrente, seja na fase de fiscalização, seja depois de formado o PAF, não se justificando que se denegue pedido de perícia contábil, sob alegação de que a recorrente poderia anexar aos autos mais ainda algumas centenas de documentos”, e (d) conflito de decisões do CARF sobre a conceituação de uma mesma operação. Os embargos de declaração foram distribuídos com base no art.65, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (“O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração”). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Do juízo de admissibilidade Cumpre, inicialmente, verificar a tempestividade dos embargos de declaração. Conforme despacho assinado digitalmente em 17/9/14 (fl.2.074), os autos foram encaminhados à EQDEXEQINTDRFRJ1, para que o contribuinte fosse cientificado dos seguintes documentos: Acórdão de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, Intimação de Resultado de Julgamento, Demonstrativo de Débito “A”, Demonstrativo de Débito “B” e DARF. Consta dos autos Aviso de Recebimento (AR) com data de entrega de correspondência no domicílio fiscal do contribuinte em 19/9/14 (fl.2.075) De acordo com Termo de Solicitação de Juntada (fl.2.077), em 1º/10/14 solicitouse a juntada ao processo do Termo de Vista/Cópia de Processo, dos Contratos Sociais e Alterações e do Documento de Representação. Em 6/10/14, foi solicitada a juntada dos Embargos de Declaração ao processo, conforme Termo de Solicitação de Juntada (fl.2.095). Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.132 4 Por meio do Despacho de Encaminhamento de fl.2.076, de 10/10/14, a EQDEXEQINTDRFRJ1 devolveu o processo à DRFRJ1/DICATCATDEMAIS com a informação que foi “Realizada a intimação conforme solicitado”. Em que pese contar a data de assinatura no Aviso de Recebimento mencionado (fl.2.075), algumas particularidades do caso concreto excepcionalmente desautorizam um juízo de certeza sobre a efetiva ciência do acórdão embargado em 19/9/14. Vejamos. De pronto, notase que no AR não consta minimamente a descrição do conteúdo da correspondente missiva encaminhada pela repartição fazendária. Segundo, o Termo de Vista de Processo (fl.2.078) sugere a ciência dos despachos e decisões constantes do processo somente em 25/9/14, conforme o seu teor, verbis: “Obtive vista do inteiro teor do processo acima, através do recebimento de cópia integral digitalizada em CD, tendo tomado ciência de todos os despachos e decisões nele constantes, até a presente data, conforme solicitação agendada anteriormente nesta Equipe.” Terceiro, que a própria DICAT/DIV/DRFRJ1, ao encaminhar os autos ao CARF, atestou que os embargos foram apresentados no prazo legal (fl.2.127). Sendo assim, à míngua de cabal prova em contrário, considerase ocorrida a ciência do acórdão embargado em 25/9/14, data da obtenção de cópia integral do processo, devendo ser considerada tempestiva a interposição dos embargos de declaração em 29/9/14 (fl.2.097), como confirmado pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Inicialmente, o Embargante afirma que seria “...contraditória, ou, pelo menos obscura, a exigência, constante das decisões de 1ª e 2ª instâncias, de que deveria a ora embargante apresentar provas relativas a aspectos do lançamento, que não foram objeto de discussão.”. Quanto ao ponto, referese especificamente ao seguinte excerto, constante da p.21 do acórdão embargado: “[...] Mesmo abstraindo a necessidade de existência de contrato de mútuo atrelado ao contrato de abertura de crédito, a mencionada cláusula contratual não é suficiente por si só para comprovar a dedutibilidade daquele encargo. Caberia ao Recorrente ter demonstrado, e para tanto teve inúmeras oportunidades durante a ação fiscal, bem como no curso processual, que os requisitos acordados entre as partes foram obedecidos. Deveria, ao menos, ter feito a correlação, individualizada, entre os valores glosados pela fiscalização e as respectivas quantias do crédito efetivamente utilizadas (com aplicação dos índices de correção monetária ajustados), e a vinculação aos registros contábeis relativos às correspondentes liberações dos recursos, bem como poderia ter demonstrado o registro de tais fatos contábeis na escrituração de sua controlada, Recofarma, que teria disponibilizado o crédito rotativo. Como bem lembrado no acórdão recorrido: Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.133 5 ‘[...] poderia a interessada ter feito juntar aos autos, por exemplo, a escrituração dos supostos empréstimos na contabilidade de sua controlada Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. Ou então extratos bancários seus e de sua controlada com a indicação da movimentação financeira dos empréstimos. Ou ainda o instrumento utilizado para a efetivação do ‘préaviso de, no mínimo, 48 (quarenta e oito) horas’ previsto no contrato de abertura de crédito em contacorrente como condição para a liberação dos recursos’. Vale rememorar, com o intuito de devidamente contextualizar o supratranscrito fundamento, que a exigência lastreouse no art.281 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99: “Art.281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): ..... III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.” Assim, o ônus da prova acerca da manutenção, no passivo, de obrigações exigíveis cabia ao sujeito passivo, restando aos julgadores verificar se a documentação apresentada era capaz de infirmar tal presunção de omissão de receitas. A respeito dos Contratos de Abertura de Crédito em ContaCorrente e Aditivos, celebrados entre a Recofarma Indústria do Amazonas Ltda (Mutuante) e a Cocacola Industriais Ltda (Mutuária), no voto condutor do acórdão embargado assentouse que apenas a apresentação de tais ajustes era insuficiente para demonstrar que os valores apontados pela fiscalização correlacionavamse com as quantias de créditos supostamente utilizadas. Com isso, dada a clareza da decisão, não há se falar em obscuridade. Tampouco em contradição, pois o cerne da questão não se refere ao fato de o Recorrente concordar com os valores escriturados, mas, à ausência de comprovação sobre a exigibilidade de obrigações mantidas no passivo. Também não se vislumbra minimamente a alegada obscuridade ou contradição quanto à apreciação das provas que supostamente afastariam a conclusão da fiscalização relacionada aos dividendos escriturados em conta de passivo. Vejamos, verbis: “[...] Quanto aos lançamentos contábeis efetuados a crédito na conta de passivo nº 0230102000 (CONSOL. AFL – ADIANTAMENTOS US$), a título de dividendos, o Recorrente, como já adiantado, afirmou que, na verdade, tratavamse de novas liberações de quantias do crédito rotativo acordado com a Recofarma. Porém, não apresentou as devidas provas que lastreassem tal alegação, restando sem comprovação hábil os registros na conta de passivo. Constam dos autos espécies de ordens de pagamento da Recofarma para a CocaCola Indústrias Ltda (fls.638/654), disponibilizadas durante o procedimento fiscal, que não se Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.134 6 referem ao valores escriturados na mencionada conta de passivo, descritos como dividendos. Com a impugnação, o autuado anexou uma planilha e respectivos lançamentos contábeis com descrições alusivas a 12 (doze) recebimentos de dividendos (fls.1.321/1.354 e 1.361/1.410), porém nenhum daqueles registros foram considerados pela fiscalização como passivo com exigibilidade não comprovada. À fl.1.356 consta um documento em que a Recofarma requereu a transferência bancária, em 29/6/07, de R$1.655.000,00 para a CocaCola Indústrias Ltda a título de Dividendos. Em outro demonstrativo (fl.1.355), com referência àquela data, desta feita elaborado pela CocaCola Indústrias Ltda, o valor de R$ 1.850.000,00 (R$ 1.655.000,00 + R$ 195.000,00; ambos os valores indicados pela fiscalização) aparece como descrição “Recebimento de Dividendos da Recofarma”. Sem prova em contrário, não havia como a fiscalização, tampouco agora em sede de julgamento, desconsiderar tais descrições.” Prosseguindo, acerca da realização de perícia, o Embargante reafirmou a necessidade nos seguintes termos: “[...] Ressaltese que tem este processo cerca de 2100 páginas, das quais a grande maioria corresponde à juntada de documentos pela recorrente, seja na fase de fiscalização, seja depois de formado o PAF, não se justificando que se denegue pedido de perícia contábil, sob alegação de que a recorrente poderia anexar aos autos mais ainda algumas centenas de documentos. Os equívocos interpretativos acima referidos (itens 2.1/2.2), bem demonstram que, em causa de tal magnitude (quase meio bilhão de reais) e tamanha profusão de documentos, não se pode, em boafé, dispensar um exame metodológico e técnico, visando à completa elucidação da verdade, que somente uma perícia contábil poderá proporcionar. 2.3.5 – Ressaltese mais que os elementos constantes dos autos, desde a época da fiscalização, forneceram à Receita os elementos, que lhe permitiram a realização da autuação, inclusive a quantificação da base de cálculo dos tributos, ou seja do somatório das parcelas advindas do contrato de abertura de crédito. Quantificação esta, a do somatório das parcelas sacadas, da qual como já se ressaltou nesta petição, a recorrente não discorda. Será que a exigência de provas tem a ver com a rejeição desse Tribunal Administrativo às quantias levantadas pela Receita e que constituíram a base de cálculo indiscutida da tributação reclamada? Data venia, o fundamento da objeção formulada no acórdão é obscuro a reclamara esclarecimentos.” Uma vez mais não há se falar em obscuridade, omissão ou contradição do acórdão embargado. Após ter consignado que o Recorrente deixou de apresentar provas que pudessem infirmar as conclusões fiscais, o respectivo voto condutor, com a necessária clareza, indeferiu o pedido de realização de perícia sob a seguinte fundamentação: “[...] Quanto à perícia requerida, a defesa, na impugnação, formulou os seguintes quesitos: Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.135 7 ‘ No que concerne à repactuação de juros (itens 10.9 a 10.9.3), a evidenciação de sua tributação nos anos anteriores à referida repactuação. Distinção entre o efetivo pagamento de dividendos pela Recofarma à CCIL e as quantias recebidas por conta do Contrato de Abertura de Crédito, equivocadamente identificadas como ‘dividendos’, quando lançadas no Passivo Exigível, no curso de 2007. Efetiva remessa de dividendos pela CCIL à sua controladora no exterior, no ano de 2007. Débito da CCIL em relação à Recofarma por conta da aquisição das empresas REMIL e CMR. Correção dos lançamentos de juros com base no disposto no 4º aditivo ao Contrato de Abertura de Crédito, comprovandose não ter havido excesso em relação ao contrato, nem à lei. Pagamentos à Credora, com substancial redução do passivo exigível, no ano de 2007 e subsequentes, reforçando a inexistência de passivo fictício.’ No recurso voluntário, reitera a necessidade de tal providência, principalmente em razão da complexidade do caso e valor do crédito tributário constituído, demonstrando ‘...boa fé e a intenção de absoluta abertura de suas contas, não sendo demasiado repetirse não ser aceitável a sua recusa, em processo de tal monta’. Acontece que, na essência, o que busca a defesa é a abertura de um adicional momento de dilação probatória, relacionada a fatos que já poderiam ter sido comprovados desde o procedimento fiscal, mormente quando consideradas as inúmeras intimações que lhe foram dirigidas pela fiscalização. Do início da ação fiscal, por exemplo, teve ciência o contribuinte em 22/1/10 (fl.36). Quanto às matérias relacionadas às infrações apontadas, a ciência pessoal do Termo de Intimação Fiscal nº 02 ocorreu em 1/6/10 (fl.41), ou seja, dois anos antes da interposição do recurso voluntário. Considerando a data do presente julgamento, mais de dois anos e seis meses da ciência dos autos de infração, poderia, em todo esse tempo, a defesa ter apresentado as provas remanescentes. Vale ainda lembrar que durante a auditoria a fiscalização, não obstante ter efetivado intimação para obter ‘...parecer de auditoria contábil independente [...] a fim de obter opinião de profissional técnico contábil a respeito das demonstrações contábeis da CCIL’, não obteve êxito, tendo o contribuinte afirmado peremptoriamente: “Não possuímos parecer de auditoria independente” (fl.676). Com a necessária objetividade, concluise que o pleito não pode ser acolhido, pois busca unicamente esclarecer fatos que já deveriam ter sido comprovados desde a impugnação, momento inicial de produção probatória, conforme artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias, reiterese, justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.136 8 Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendê las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Acrescentese que o Recorrente, diante do indeferimento do pleito pela DRJ, não apresentou qualquer novo elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma perícia ou mesmo diligência.” Quanto à alegada máfé, supostamente caracterizada pela dispensa de “...um exame metodológico e técnico, visando à completa elucidação da verdade”, o Embargante não a demonstrou minimante nas condutas da autoridade fiscal responsável pelos lançamentos, dos doutos Julgadores da Sexta Turma da DRJ – Rio de Janeiro (RJ), do presente Relator e dos demais Conselheiros que acompanharam o seu voto. Ao revés, restou evidenciado em cada uma das instâncias por onde o processo tramitou o alerta de que o contribuinte deveria comprovar devidamente a sua alegação. Acusação de tal magnitude em nada contribui para a elucidação dos fatos, mormente quando se trata de um processo em que houve uma apreciação detalhada de todas as alegações veiculadas na impugnação e no recurso voluntário, o que resultou, inclusive, na exoneração de parcela do crédito tributário constituído. Enfim, não restou comprovada a alegada máfé de quaisquer das autoridades administrativas. De resto, subsiste o compreensível inconformismo da defesa pela não aceitação de sua tese por 8 (oito) dos 9 (nove) julgadores que analisaram o processo (três em primeira instância e cinco no CARF), tendo apenas um único Conselheiro acolhido o pedido de realização de diligência. Por fim, o Embargante reitera alegação veiculada no recurso voluntário, de que decisões administrativas seriam contraditórias. Quanto ao ponto, afirmouse no acórdão embargado que a “...Secretaria da Receita Federal do Brasil considerou ter havido mútuo financeiro entre a Recofarma (Mutuante) e a CocaCola Indústrias Ltda (Mutuária)”. Também se decidiu, à vista do acórdão nº 3102001.688, de 28/11/12, que, para produzir efeitos no presente processo, não bastaria a identificação de o Recorrente ter constado como mutuário, relativamente às quantias disponibilizadas pela Recofarma. Uma vez mais, farseia necessário apresentar provas que atestassem a necessidade das despesas escrituradas com encargos de correção monetária/juros, bem como a exigibilidade de determinados valores mantidos em conta de passivo. Vejamos, verbis: “[...] Da análise do processo e referido acórdão, é verdade que a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil considerou ter havido mútuo financeiro entre a Recofarma (Mutuante) e a CocaCola Indústrias Ltda (Mutuária), ora Recorrente. Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO Processo nº 12448.737120/201157 Acórdão n.º 1103001.163 S1C1T3 Fl. 2.137 9 Entretanto, repitase, a controvérsia resolvese no campo das provas. Ainda que se admita ter sido o Recorrente mutuário, relativamente às quantias disponibilizadas pela Recofarma e efetivamente utilizadas, importa para se infirmar as infrações comprovar, sem margem para dúvidas a partir de documentação hábil, a necessidade das despesas escrituradas com encargos de correção monetária/juros (vale lembrar que sequer há nos autos qualquer demonstrativo de cálculo que pudesse lastrear os registros) e a exigibilidade de determinados valores mantidos em conta de passivo ao final do anocalendário 2007.” Quando se afirmou que nos autos inexistia demonstrativo de cálculo que pudesse lastrear as despesas escrituradas a título de encargos de correção monetária/juros, por óbvio que não se fazia referência aos registros contábeis em si, mas como se originaram, aos respectivos lastros de escrituração, sendo desprovida de sentido, com a devida licença, a seguinte indagação do Embargante: “2.4.4 Notese, ainda que, na transcrição acima, afirma o julgador que ‘(vale lembrar que sequer há nos autos qualquer demonstrativo de cálculo que pudesse lastrear os registros)’. Cabe indagarse, então, quais teriam sido os fundamentos para o lançamento fiscal nos presentes autos. Se a afirmação é de que não há rastro dos registros referentes ao contrato examinado e considerandose que não há formação de litígio quanto a este ponto, justificase que se peçam, através dos presentes embargos, esclarecimentos sobre quais terão sido os fundamentos da Receita para lançar e quantificar os débitos neste processo! Parece óbvio que, a ser verdadeira a inexistência de demonstração de tais registros, o lançamento teria sido fantasioso e nulo.” Pelo exposto, voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por EDUARDO MARTI NS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 13855.723263/2011-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .7 23 26 3/ 20 11 -4 2 Fl. 4199DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1437.390 da 9ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Do Relatório Fiscal: Tratase de processo datado de 23/11/2011, com ciência do sujeito passivo em 29/11/2011, composto pelos seguintes AutosdeInfração lavrados pelo descumprimento de obrigações tributárias principais (AIOP): DEBCAD 51.005.7691: contribuições devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (inclusive alíquota para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa RAT) (Lei 8.212/91, artigo 22, I e II), no valor total de R$ 1.295.658,65 (um milhão, duzentos e noventa e cinco mil, seiscentos e cinqüenta e oito reais e sessenta e cinco centavos), incluindo o principal, juros e multa de ofício. DEBCAD 51.005.7705: contribuições devidas pela empresa a outras entidades e fundos Terceiros incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), no valor total de R$ 341.582,78 (trezentos e quarenta e um mil, quinhentos e oitenta e dois reais e setenta e oito centavos), incluindo o principal, juros e multa de ofício. A autoridade lançadora esclarece que a fiscalização constatou que a autuada utilizou as empresas Geova Batista Machado – EPP, José Rodrigues da Silva EPP e Raquel Batista Machado EPP, todas optantes dos regimes tributários simplificados4, como interpostas pessoas com a finalidade de contratar segurados reduzindo os encargos previdenciários em decorrência da opção por tais regimes tributários. Assim, os empregados formalmente contratados por estas empresas, as quais formalmente eram prestadoras de serviços à autuada, foram considerados, para fins previdenciários, empregados da própria autuada. Discorre acerca da documentação apresentada pela autuada e também, pelas EPP mencionadas (estas últimas foram objeto de diligências realizadas pela autoridade fiscal). Relata depoimentos pessoais dos representantes legais das EPP, a solicitação de esclarecimentos relativos a pagamentos efetuados às EPP e outros fatos relevantes (com as decorrentes respostas dadas pelas empresas) e a emissão de Requisições de Movimentação Fl. 4200DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 4 3 Financeira – RMF para obtenção de informações das EPP junto a instituições bancárias. Prossegue discorrendo acerca dos vínculos de parentesco dos representantes legais das EPP com o Sr. Jânio Machado Rodrigues da Silva (sócio administrador da autuada), e dos vínculos de emprego mantidos pelos representantes legais das EPP antes da constituição destas empresas. Descreve (a) as atividades desenvolvidas pelas EPP; (b) os endereços dos prédios utilizados por elas; (c) a administração das EPP por intermédio de procuradores vinculados à Free Way (notadamente o Sr. Jarbas Maranhas); (d) as características dos contratos de prestação de serviços firmados entre a Free Way e as EPP (com reconhecimento de firma dos signatários com data posterior ao início da ação fiscal); (e) a exclusividade na prestação de serviços no período fiscalizado; (f) a falta de despesas das EPP com os equipamentos pertencentes à Free Way que lhes eram cedidos por comodato para o desempenho de suas atividades; (g) a realização de atividades administrativas das EPP (como representação perante entidades sindicais, elaboração de declarações tributárias) por pessoas vinculadas à Free Way; (h) o pagamento de despesas das EPP pela Free Way não contabilizados corretamente; (i) o efetivo controle destas despesas exercido pela Free Way; (j) a transferência de valores da Geova EPP para a Free Way e seu sócio não contabilizados corretamente; (k) a ausência ou pequeno valor de lucros nas EPP que assim não tinham montantes a esse título para distribuir aos seus sócios; (l) a recontratação imediata pela Free Way da maioria dos empregados demitidos pelas EPP em 2009; (m) a usual prática da Free Way de adiantar valores devidos às EPP para cobrir despesas destas; (n) ações trabalhistas movidas contra a Free Way e a Geova EPP, juntas no pólo passivo. Destaca a prevalência da situação fática sobre aquela formalizada incorretamente (princípio da primazia da realidade sobre a forma) e conclui que os trabalhadores das EPP eram, de fato, empregados da autuada. Assim, o lançamento referese às remunerações dos segurados declaradas nas GFIP destas empresas e constantes em suas folhas de pagamento. Discorre acerca da comparação das multas efetuadas para o período até 11/2008 em decorrência da alteração legislativa introduzida pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei 11.941/2009) e por força do disposto no artigo 106, II, “c” do Código Tributário Nacional CTN. Afirma que restou caracterizada a conduta dolosa na utilização de interpostas pessoas optantes dos regimes tributários simplificados, o que impõe: (a) a observância do prazo decadencial de 05 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista o disposto nos artigos 150, § 4o e 173, I, ambos do CTN; (b) a responsabilização pessoal do Sr. Jânio Machado Rodrigues Silva – sócio administrador da autuada nos termos do artigo 135 do CTN (foi lavrado o Termo de Responsabilidade Tributária, o qual foi levado à ciência da interessada); e (c) a aplicação da multa qualificada de 150%, Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 5 4 fundamentada no artigo 44, I, § 1o da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007) e artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64. Finaliza mencionando a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais –RFFP e prestando informações relativas ao exercício do direito de defesa por parte da autuada. Impugnação: A empresa autuada apresentou impugnação tempestiva contendo, em síntese, os seguintes argumentos: As desconsiderações dos vínculos empregatícios mantidos com as EPP deramse sem a devida comprovação, com intuito meramente arrecadatório e em situação diversa da que estabelece o artigo 50 do Código Civil. Faz considerações acerca do histórico da terceirização das atividades de corte e pesponto no pólo calçadista de Franca. Cita o Termo de Ajuste de Conduta firmado em 1996 pelas indústrias do setor com o Ministério Público do Trabalho e esclarece que a maioria das prestadoras de serviço são empresas familiares, sendo tal realidade do amplo conhecimento na cidade. Quanto aos vínculos familiares entre o sócio da autuada e os titulares das EPP, alega que toda família trabalha no setor (pugna pela juntada posterior de documentos comprobatórios), tendo sido o ofício repassado pelo pai do representante legal da autuada, algo natural, já que a cidade de Franca representa um importante pólo calçadista, com grande parcela da população trabalhando nesse setor. Não se aplica ao caso a Súmula 331 do TST, não sendo ilegal a prestação de serviços por intermédio de empresas legalmente constituídas. Quanto à Geova EPP, aponta a seu favor as declarações prestadas por seu representante legal. Aduz que os serviços prestados condizem com o objeto social da EPP e que havia prestação de serviços para outras empresas além da autuada. A Geova EPP nunca esteve estabelecida em um barracão da autuada (menciona documentos comprobatórios). O fato do Sr. Geova manter concomitantemente vínculo empregatício e a firma individual que prestava serviços a seu empregador não representa qualquer ilegalidade ressaltandose que estas situações ocorreram regularmente, com a fomalização do contrato de emprego do Sr. Geova e a emissão de notas fiscais pelos serviços prestados à Free Way por sua firma individual. Conforme declarou o Sr. Geova, a administração da empresa não ficava só a cargo do Sr. Jarbas Maranhas, mas também do Sr. João Batista Machado (irmão do Sr. Geova). A idéia era que o Sr. João aprendesse com o Sr. Jarbas os procedimentos necessários para gerir a empresa. No entanto, o Sr. João veio a falecer em acidente fatídico em 2005, ocasionando na assunção definitiva da ajuda por parte do Sr. Jarbas. Ainda quanto à ligação do Sr. Jarbas com a Geova EPP e a Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 6 5 Free Way, não existe proibição legal para que uma pessoa com experiência na área preste serviços a mais de uma empresa e este fato não é apto a demonstrar a ingerência financeira da autuada na EPP, fato que nunca ocorreu. Quanto ao contrato de prestação de serviços, afirma que procederá a juntada de instrumento datado de 2003 e aponta a desnecessidade de formalização por escrito de pacto dessa natureza, motivo pelo qual, não serve como argumento para confirmação da tese do fisco o reconhecimento das firmas em 2011 nos contratos de 20057. A cessão do maquinário gratuitamente pela Free Way à Geova EPP decorre de pactuação nesse sentido quando da celebração do contrato de prestação de serviços. Tratavamse de equipamentos que não estavam sendo utilizados pela autuada e tal prática mostrouse vantajosa financeiramente à esta, ante desconto no preço da prestação de serviços decorrente da cessão das máquinas. A manutenção das máquinas cedidas à Geova EPP pela Free Way decorre da preocupação desta com o maquinário que lhe pertencia, e também resultava em desconto no preço pelos serviços prestados. Quanto à falta de registro contábil do comodato (cessão das máquinas à Geova EPP), tal registro tornase desnecessário ante a gratuidade do empréstimo. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela Geova EPP, o fiscal a menciona apenas para o período de 2006 a 2009 (a limitação a esse período teria fins arrecadatórios?). Além disso, não existe proibição legal para a prestação de serviços exclusivamente a uma tomadora. A emissão e recebimento de um cheque pela mesma pessoa (Sr. Jarbas) justificase pelo fato desta prestar serviços tanto à emissora do cheque (Geova EPP) quanto à beneficiária (Free Way). Repetese a situação quanto à prestação de serviços (elaboração da Declaração do Imposto de Renda) pela Sra. Suraia Palimara à Geova EPP, sendo que tal pessoa física também prestava serviços à Free Way. Não existe ilegalidade nessa situação. Quanto ao contrato firmado pela Geova EPP com a Unimed, a fiscalização apontou que assinava em nome da EPP pessoa não habilitada a tanto, mas depois houve a retificação deste fato, o que foi confirmado pela própria Unimed. No entanto, o contrato sempre existiu e foi cumprido pela Geova EPP. Assim, tratouse de mero erro. A Free Way, com o intuito de acompanhar a regularidade das empresas que lhe prestavam serviços (inclusive em virtude do Termo de Ajuste de Conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho MPT), revisava e acompanhava os contratos destas e, por equívoco, este contrato foi assinado pela pessoa que fazia esse trabalho em nome da Free Way. Também em decorrência da necessidade de dar cumprimento ao que fora acordado com o MPT, a Free Way sempre acompanhou as Fl. 4203DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 7 6 homologações das rescisões de contratos de trabalho relativos às empresas que lhes prestavam serviços e também a documentação relativa ao FGTS. A contratação pela Free Way de trabalhadores demitidos pela Geova EPP não tem impedimento legal e decorre do fato de tais trabalhadores terem as qualificações técnicas exigidas para o desempenho do trabalho. A alegação de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo, como também a de que havia manobras contábeis para esconder o pagamento de despesas da Geova EPP pela Free Way, imputação com interesse arrecadatório. Não existe qualquer das irregularidades apontadas o que demonstra o histórico fiscal da empresa, sem qualquer débito. Quanto aos depósitos bancários da Geova EPP que não foram justificados por esta, tais fatos dizem respeito apenas à Geova EPP, não se prestando a atribuição da responsabilidade à Free Way. Quanto aos serviços prestados por contadores à Geova EPP, foram devidamente pagos e, qualquer irregularidade também só diz respeito a esta empresa. Conforme declarou o Sr. Geova, sua firma utilizavase de contadores freelance e não existe irregularidade no fato de tais pessoas também prestarem serviços à Free Way. Quanto à afirmação do Sr. Geova de que não sabia quanto pagava de aluguel, o que o auditor fiscal não tinha ciência é que houve negociação no preço dos serviços prestados, com redução do valor em troca das máquinas cedidas. Quanto às atividades do RH, as empregadas da Free Way (Janaína, Regina e Silvana) apenas acompanhavam os serviços da Geova EPP e se não foram identificadas despesas referentes a estes serviços, tal fato deve decorrer da não localização nas folhas de pagamento de empregados que desempenhavam tais atividades. Os depoimentos prestados por exempregados relativos a processos trabalhistas são nulos, por ofensa à ampla defesa e ao contraditório, já que a autuada não foi intimada para acompanhar tais depoimentos. Ademais, o conteúdo destes depoimentos não condiz com a realidade. A informação de que os empregados da Geova EPP quase não viam o Sr. Geova não é relevante, já que este tinha pessoas para representálo e ocupavase na produção da Free Way, até que passou a trabalhar exclusivamente em sua empresa, fato não mencionado. Assim, jamais houve a alegada utilização da Geova EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Quanto à Raquel EPP, afirma que os serviços prestados condizem com o objeto social desta firma, verificandose sua independência administrativa, financeira e operacional. Fl. 4204DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 8 7 Inexiste irregularidade na cessão à EPP que lhe prestava serviços, do imóvel cedido pela Prefeitura de Ibiraci e com tal prática, o município atingiu a finalidade pretendida, qual seja, a geração de empregos. Não pode ser aceito para a desconsideração da empresa o argumento de que sua titular fora empregada de outra (no caso, a Sra. Raquel foi empregado da José EPP). Não há vedação legal para tanto nem qualquer irregularidade com relação aos vínculos familiares da Sra. Raquel com o Sr. José ou o Sr. Jânio (sócio gerente da Free Way). A existência de várias pessoas da mesma família trabalhando no mesmo setor decorre do fato da cidade de Franca representar um grande pólo calçadista, com boa parte da força de trabalho se ocupando nesse setor. O maquinário foi cedido pela Free Way à Raquel EPP de forma gratuita, por comodato, para o qual não se exige instrumento por escrito. A falta de registro em cartório do contrato ou do reconhecimento de firma dos signatários não invalida o pacto. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela Raquel EPP, x não existe proibição legal para tanto. A alegação da autoridade lançadora de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo com a pretendida vinculação destas empresas com a Free Way. Em decorrência de acordo firmado com o MPT, empregados da Free Way acompanhavam os procedimentos da Raquel EPP relativos aos registros e rescisões dos empregados, o que não significa que tais atividades eram realizadas pelos empregados da Free Way. As alegações de que pessoas que trabalhavam para a Raquel EPP prestaram serviços para a José EPP e que a Raquel EPP alugou imóvel e o cedeu para uso da José EPP não guardam relação com a autuada. Quanto aos serviços prestados à Raquel EPP pela Sra. Gilberta, antes do registro de seu vínculo de emprego, a autuada acredita trataremse de serviços eventuais prestados antes que tal pessoa viesse a ser empregada da EPP. Os adiantamentos feitos pela Free Way para pagamento de despesas da Raquel EPP decorreram de solicitações desta, inexistindo ilegalidade nesse procedimento. Os valores exatos se dão em virtude dos pedidos serem feitos no valor da despesa a pagar. Se tais adiantamentos não foram contabilizados pela Raquel EPP, esta empresa deve ser instada a esclarecer a situação e não concluirse por sua condição de interposta empresa da Free Way. Inexiste irregularidade no fato da mesma contadora (Sra. Suraia) ter prestado serviços à Free Way e à Raquel EPP, sabendose que os contadores transmitem declarações de centenas de clientes. Inexistiu qualquer manobra contábil para acobertar pagamentos de despesas da Raquel EPP pela Free Way. A Free Way não pagava as Fl. 4205DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 9 8 contas da prestadora de serviços mas como já dito, muitas vezes fez adiantamentos solicitados pela EPP. Os valores parecidos referentes a alguns meses citados no Relatório Fiscal representam coincidências, numa realidade com inúmeros lançamentos e obrigações das empresas. O pedido feito pelo Sr. Jarbas ao Banco do Brasil para a quitação de uma conta de energia elétrica da Raquel EPP representa um simples favor, não se prestando tal fato para comprovar a condição desta pessoa como procurador da Raquel EPP. Assim, nunca existiu o pagamento de despesas da Raquel EPP pela Free Way ou o controle por esta das despesas daquela. Jamais houve a alegada utilização da Raquel EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Quanto à José EPP, afirma que os serviços prestados condizem com o objeto social da firma, verificandose a independência administrativa, financeira e operacional desta. O titular da José EPP é pai do Sr. Jânio, sócio gerente da Free Way, e o ensinou a lidar no setor calçadista. Posteriormente, pai e filho tiveram uma parceria empresarial. O maquinário foi cedido pela Free Way à José EPP de forma gratuita, por comodato, para o qual não se exige instrumento por escrito. A falta de registro em cartório do contrato ou do reconhecimento de firma dos signatários não invalida o pacto. Quanto à exclusividade dos serviços prestados pela José EPP, não existe proibição legal para tanto. A alegação da autoridade lançadora de que a não distribuição de lucros pelas EPP deuse propositalmente não tem nexo com a pretendida vinculação destas empresas com a Free Way. Em decorrência de acordo firmado com o MPT, empregados da Free Way acompanhavam os procedimentos da José EPP relativos aos registros e rescisões dos empregados, o que não significa que tais atividades eram realizadas pelos empregados da Free Way. Quanto aos serviços prestados à José EPP pela Sra. Gilberta, após findo o registro de seu vínculo de emprego, a autuada acredita trataremse de serviços eventuais prestados quando tal pessoa não mais era empregada da EPP. As alegações de que pessoas que trabalhavam para a Raquel EPP prestaram serviços para a José EPP e que a Raquel EPP alugou imóvel e o cedeu para uso da José EPP não guardas relação com a autuada. Inexiste irregularidade no fato da mesma contadora (Sra. Suraia) ter prestado serviços à Free Way e à José EPP, sabendose que os contadores transmitem declarações de centenas de clientes. Fl. 4206DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 10 9 Os adiantamentos feitos pela Free Way para pagamento de despesas da José EPP decorreram de solicitações desta, inexistindo ilegalidade nesse procedimento. Os valores exatos se dão em virtude dos pedidos serem feitos no valor da despesa a pagar. Se tais adiantamentos não foram contabilizados pela José EPP, esta empresa deve ser instada a esclarecer a situação e não concluirse por sua condição de interposta empresa da Free Way. Inexistiu qualquer manobra contábil para acobertar pagamentos de despesas da José EPP pela Free Way. A Free Way não pagava as contas da prestadora de serviços mas como já dito, muitas vezes fez adiantamentos solicitados pela EPP. Os valores parecidos referentes a alguns meses citados no Relatório Fiscal representam coincidências, que ocorrem numa realidade com inúmeros lançamentos e obrigações das empresas. Assim, nunca existiu o pagamento de despesas da José EPP pela Free Way ou o controle por esta das despesas daquela. Jamais houve a alegada utilização da José EPP para a contratação de empregados da Free Way, visando a supressão da carga previdenciária. Ainda quanto às EPP, é nulo o depoimento segundo o qual a Sra. Ana Rita G S Berdu trabalhou na Free Way de 2001 a 2009, embora estivesse registrada nesse período como empregada de outras empresas. Tal depoimento foi colhido segundo os interesses do fisco, confundindo o depoente. O fisco pautouse apenas nas alegações iniciais das ações trabalhistas. No entanto, em uma delas os pedidos formulados foram afastados e na outra foi feito um acordo com a Geova EPP. Ademais, eventual coresponsabilidade da Free Way decorreria da prestação de serviços, não da utilização de interposta pessoa na contratação de empregados. Repete que nunca houve tentativa de ocultação da movimentação financeira, verificandose tãosomente adiantamentos e empréstimos que eram devolvidos conforme a Geova EPP dispunha de valores. O valor de R$ 122.000,00 transferido da Geova EPP para a empresa Intercar referese a uma dívida da Geova EPP com a Free Way, que foi saldada com o pagamento deste débito da Free Way. Destaca tratarem se de operações regularmente contabilizadas. As transferências de numerários e cheques emitidos pela Geova EPP em favor do sócio administrador da Free Way e do titular da José EPP não guardam relação com o caso sob análise, posto serem relativos a negócios da Geova EPP com estas pessoas físicas. Além disso, não existe prova de que o valor de R$ 38.581,85 foi depositado em 24/01/2007 nas contas dos Srs. Jânio e José. A emissão de cheque pela Geova EPP no mesmo valor de uma conta que a Free Way tinha para pagar naquela data não significa que o tal cheque foi utilizado para esse pagamento. A Free Way quitou o seu débito com recursos da conta caixa, o que está devidamente documentado. Fl. 4207DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 11 10 Os cheques emitidos pela Geova EPP ao Curtume Tropical decorrem de negócios entre essas empresas. Se o Curtume Tropical utilizou tais cheques para pagar a Free Way, tal fato deuse em decorrência de nova operação, agora entre essas duas empresas. Se a Geova EPP emitiu cheques em favor da Free Way conforme o Relatório Fiscal, está sendo reconhecido que existem os lançamentos fiscais de tais valores, ou seja, existiram empréstimos e adiantamentos entre estas empresas. Reforça que não existe prova da condição aventada pelo fisco de que as EPP eram interpostas pessoas utilizadas pela Free Way para a contratação de empregados com redução de encargos previdenciários. A desconsideração da personalidade jurídica visa a responsabilização das pessoas físicas vinculadas à empresa utilizada abusivamente, atingindo o patrimônio dessas pessoas para a solução dos prejuízos causados (artigo 50 do CC). Só pode ser utilizada em casos excepcionais, prevalecendo em regra, a autonomia patrimonial da entidade. Não corresponde, portanto, à hipótese sob estudo em que se observa a existência de fato e de direito das EPP e a regularidade fiscal e tributária dessas empresas, as quais atuaram regularmente, sem qualquer lesão ou intenção de lesar terceiros. Oportunamente, procederá a juntada de Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas. Não houve simulação nem ocultação. A Free Way trabalha dando apoio às parceiras e verificando a regularidade destas quanto aos aspectos tributários e trabalhistas. Transcreve trecho do Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o MPT, afirmando que as relações com as EPP deramse nos moldes deste instrumento. Tece considerações acerca do instituto da terceirização. Menciona os artigos da CLT citados no Relatório Fiscal e aduz que tais dispositivos são aplicáveis na esfera trabalhista, não na tributária. Caracterizouse a bitributação, pois, não foram consideradas as contribuições já pagas pelas EPP quando do recolhimento da guia unificada do Simples, que inclui valores a título de contribuições previdenciárias. O auditorfiscal não dispõe de competência para efetuar a desconsideração da personalidade jurídica, mormente sem observar o direito de defesa da empresa. Esta competência pertence ao Poder Judiciário. A situação fática apresentada pela fiscalização não é suficiente para concluir que ocorreu o fato gerador das contribuições lançadas. Impugna a base de cálculo adotada pela fiscalização. Quanto à multa, não pode ser aplicada aquela fundamentada no artigo 32, § 5o da Lei 8.212/91, em virtude da revogação deste dispositivo legal. Fl. 4208DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 12 11 O descumprimento da obrigação acessória não pode ser trasladado em obrigação de dar. A multa aplicada viola a moralidade e razoabilidade administrativas e o direito de propriedade do contribuinte. O AI referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros) é improcedente também porque as EPP – como optantes do Simples – não são sujeitos passivos destes tributos. Quanto à decadência, deve prevalecer a regra insculpida no artigo 150 do CTN, posto não haver comprovação da intenção dolosa mencionada pela fiscalização. Não deve prevalecer a responsabilização pessoal do sócio administrador, já que não agiu de forma dolosa ao contratar os serviços das EPP legalmente constituídas, fazer auditorias e proporcionar o acompanhamento técnico e do controle de qualidade. Ademais, quando cabível, a responsabilização do sócio restringese à hipótese da sociedade não dispor de bens suficientes para o adimplemento das obrigações. Se a Lei Complementar 123/20068 estabelece regime tributário simplificado, não pode o fisco afastar suas disposições em relação às empresas que efetivamente se enquadram nos ditames legais. Deve ser afastada a multa qualificada de 150% posto não se comprovar qualquer fraude, dolo ou conluio. A Representação Fiscal Para Fins Penais deve ser arquivada. O procedimento fiscal afronta o disposto no artigo 5o XX9 da Constituição Federal, criando embaraços ao livre exercício do trabalho. Ocorreu violação aos princípios constitucionais: da segurança jurídica da tributação, da tipicidade fechada, da vinculação do lançamento à lei, da interpretação estrita da lei, da igualdade, da confiança na lei fiscal, da boa fé do contribuinte, e da legalidade. Ao final, pugna pela juntada de novos documentos e prova testemunhal para demonstrar que houve indução nos depoimentos, requerendo prazo para a apresentação do rol de testemunhas. Requer a nulidade dos lançamentos. Ad cautelam, impugna os valores apresentados e requer a realização de perícia técnica. Também veio aos autos peça impugnatória em nome do Sr. Jânio Machado Rodrigues da Silva, na qual repete os argumentos apresentados pela Free Way e já relatados, requerendo a exclusão de sua responsabilidade. Após regularização da representação processual, foram os autos encaminhados à este colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário. Uma vez que os argumentos apresentados na impugnação estão de forma bem detalhada acima apresentados, apresento síntese do alegado e pleiteado no recurso: Fl. 4209DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 13 12 Julgamento unificado com demais autuações – IRRPJ, CSLL, PIS/COFINS e IPI (processos 13855.723641/201198, 13855.723644/201121 e 13855.723642/201132). Excessos cometidos na colheita de informações. Nulidade do procedimento fiscalizatório vício material. O mandado de procedimento fiscal fora instruído com diversos dados e informações produzidos à revelia da Recorrente. Prática da terceirização de serviços na indústria calçadista. Independência das empresas pe pequeno porte prestadoras de serviços. Geova, José Rodrigues e Raquel Batista são empresas totalmente independentes da Recorrente. Embora o levantamento apurado pela fiscalização seja robusto, ele é precário, uma vez que pautase apenas e tão somente em indícios, não passando de presunção. Inaplicabilidade pe multa qualificada Decadência. Compensação da parcela de contribuição previdenciária constante da alíquota do regime simplificado. Afastamento da responsabilidade do sócio administrador da recorrente. Além do recurso voluntário, a Free Way requereu o sobrestamento do processo até que o STF profira decisão acerca da questão do sigilo bancário/requisição de informações financeiras. É o relatório Fl. 4210DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13855.723263/201142 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.210 S2C4T3 Fl. 14 13 Voto O lançamento presente neste processo tem como devedor solidário, conforme Termo de Responsabilidade Solidária, o Sr Janio Machado Rodrigues Silva. Não constatei ciência por parte do devedor solidário da decisão de primeira instância. Entendo necessário cientificálo e abrir prazo para recurso. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para cientificar o Sr Janio Machado Rodrigues Silva da decisão de primeira instância e abrir prazo para apresentação de recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 4211DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000307/99-93
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1993 a 31/01/1999
PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF Nº49/1995.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C do CPC, definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a denominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 29/01/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF Nº49/1995. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C do CPC, definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a denominada tese dos “cinco mais cinco”. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 03 07 /9 9- 93 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente a época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (Vice Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000307/9993 Acórdão n.º 9900000.907 CSRFPL Fl. 10 3 Relatório Em 18/08/1999, o contribuinte Qualitec e Serviços, por meio dos documentos de fls. 04/09, solicitou a compensação dos valores recolhidos a título de PIS, nos períodos de apuração de novembro de 1993 a janeiro de 1999, com base nos Decretos Leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, os quais tiveram suas eficácias suspensas pela Resolução do Senado nº 49, de 10/10/1995. A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, exarou o acórdão n° CSRF/0203.199 que se encontra às fls. 359/363 e cuja ementa é a seguinte: “PIS. RESTITUIAÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF Nº 49/1995 – A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Precedentes do STF. Recurso especial negado.” Intimada do acórdão em 10/07/2009 (fls. 364) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 366/380, em que sustenta divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos CSRF/0105.858 e CSRF/0105.773, proferidos pela 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, e o Acórdão CSRF/0400.810, proferido pela 4ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 910000.389 de 14/01/2011 (fls. 393/394). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 397/411). É o Relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos CSRF/0105.858 de 2008, CSRF/0105.773 de 2007 e CSRF/0400.810 de 2008, em relação ao dies a quo para contagem do prazo para apresentação de pleito de repetição de indébito. Os Acórdãos supracitados, encontramse assim ementados: “DECADÊNCIA. – Em razão da determinação contida no artigo 3º da Lei Complementar n° 118/05 que, em caráter interpretativo do disposto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional, determina que a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado, prescindindo da homologação dos procedimentos efetuados pelo administrado, é no momento do pagamento que se inicia a contagem do prazo de cinco anos para que o contribuinte possa pleitear a restituição. Recurso especial negado.” (CSRF/01 05.858 de 2008) “RESTITUIÇÃO – O prazo extintivo do direito de pleitear a repetição de tributo indevido ou pago a maior, sujeito a lançamento por homologação, esgotase com o decurso de cinco anos contados da data do pagamento antecipado, nos precisos termos dos arts. 156, I, 165, I, 168 e 150, §§ 1º e 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado.” (CSRF/0105.773de 2007) “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido” (CSRF/0400.810 de 2008) O dissídio jurisprudencial resta claro nas ementas e nos registros dos resultados dos acórdãos em confronto: enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da declaração de inconstitucionalidade da norma, nos acórdãos paradigmas é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000307/9993 Acórdão n.º 9900000.907 CSRFPL Fl. 11 5 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, com o advento da decisão acima referida, temse que é irrelevante para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade ou reconhecimento de não incidência com efeitos erga omnes. Por outro lado, no que diz respeito ao prazo de decadência para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.002.932, também segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000307/9993 Acórdão n.º 9900000.907 CSRFPL Fl. 12 7 Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13605.000307/9993 Acórdão n.º 9900000.907 CSRFPL Fl. 13 9 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. Disto resultou o que se convencionou chamar de tese dos “cinco mais cinco”, que por ter sido acolhida pelo STJ em decisão sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543 C do CPC) deve ser reproduzida por este julgador, nos termos do art. 62A do Regime Interno do CARF. No presente caso, o pedido de restituição foi protocolado em 18/8/1999 e se refere a recolhimento das contribuições ao PIS cujos fatos geradores ocorreram entre novembro de 1993 (pagamento efetuado em dezembro de 1993) e janeiro de 1999 (pagamento efetuado em fevereiro de 1999). Verifico, portanto, que o pedido foi apresentado dentro do prazo de dez anos consagrado pelo STJ. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10235.720032/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) E AVERBAÇÃO CARTORÁRIA.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, faz-se necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização em tempo hábil do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se também necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.
VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário.
Numero da decisão: 2202-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) E AVERBAÇÃO CARTORÁRIA. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, faz se necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização em tempo hábil do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose também necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. VTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente mencionada pelo recorrente em seu recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 00 32 /2 00 7- 18 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB. Pela notificação de lançamento nº 02402/00001/2007 (fls. 01), a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 408.904,86, resultante do lançamento do ITR/2004, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 28/09/2007, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Santo Ambrósio” (NIRF 3.550.2452),com área total declarada de 38.000,0 ha, localizado no município de Chaves – PA. A descrição dos fatos, o enquadramento legal das infrações, os demonstrativos de apuração do imposto devido e de multa de ofício/juros de mora encontramse às fls. 02/05. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2004, iniciouse com o termo de intimação de fls. 06/07, para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: Cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido ao IBAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal; laudo técnico com ART/CREA e memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no art. 2º do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar prevista no seu art. 3º, com o respectivo ato do poder público; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Em atendimento, foram apresentados os documentos de fls. 09/98. Após análise desses documentos e da DITR/2004, a autoridade fiscal glosou integralmente a área informada de reserva legal (19.000,0 ha) e aumentou a área de preservação permanente, de 9.000,0 ha para 9.650,0 ha, além de Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720032/200718 Acórdão n.º 2202002.942 S2C2T2 Fl. 231 3 desconsiderar o VTN declarado de R$ 344.531,32 (R$ 9,06/ha), arbitrandoo em R$ 2.085.820,00 (R$ 54,89/ha), com base no SIPT, da Receita Federal, com o conseqüente aumento das áreas tributável e aproveitável o imóvel, da alíquota de cálculo e do VTN tributável, apurando imposto suplementar de R$ 186.314,70, conforme demonstrado às fls. 04. Cientificada do lançamento em 09/10/2007 (fls. 100), a contribuinte protocolou em 07/11/2007 (fls. 101) a impugnação de fls. 103/108, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 109/171, alegando, em síntese: após ter atendido à intimação inicial, foi intimada a recolher o crédito tributário citado, conforme procedimento fiscal parcialmente transcrito; a presente defesa se baseia em laudo técnico econômicoambiental, elaborado por profissional habilitada, que demonstra ser a área de reserva legal de 7.722,137 há e a de preservação permanente de 18.037,575 ha, no teor da Medida Provisória nº 2.16667/ 2001, além de estabelecer criteriosamente o real valor desse imóvel. Ao final, mediante a prova substancial trazida aos autos, requer seja considerada improcedente a notificação de lançamento referente ao imóvel Fazenda Santo Ambrósio, a ser reavaliado conforme laudo técnico apresentado. Ressalvase que as referências à numeração das folhas deste processo, feitas no relatório e no voto, aludem aos autos originalmente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas folhas estão reproduzidas sob a forma de imagem. A DRJ/BSB julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do cálculo do imposto, essas áreas pretendidas deveriam ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, e a área de reserva legal ter sido averbada tempestivamente em cartório. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade fiscal com base no Sistema de Preço de Terras – SIPT da Receita Federal, referendado por laudo técnico de avaliação com ART, apresentado pela contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As referências à numeração de folhas serão feitas considerando a digitalização efetuada, ou seja, após a conversão de papel em meio digital, conforme numeração do eprocesso e serão identificadas como efls. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Cientificado da decisão em 20 de março de 2013 (efl. 208), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 8 de abril de 2013 (efls. 209 a 228), no qual alega, em síntese: O Auto de Infração e o acórdão recorrido consideraram o lançamento correto com base na intempestividade do ADA e da averbação no cartório, o que afronta diretamente os termos do § 7º e da alínea “a”, do inciso II, do § 1º, do art. 10, da Lei nº 9.393/96; A Receita Federal não provou que a declaração não é verdadeira, conforme exige o § 7º, limitandose a afirmar que o ADA deveria ter sido protocolado no IBAMA até 31/03/1996; discorda de que houve intempestividade na apresentação do ADA e na averbação da área de reserva legal, face à comprovação constante na Certidão apresentada às fls. 110 a 114 do processo 10235.720022/200855, referente ao lançamento do ITR/2005; o laudo técnicoambiental e mapa anexado, além da Certidão de Averbação de Reserva Legal e o ADA comprovam o direito pleiteado; a impugnação foi feita com base no laudo técnicoambiental, o qual demonstra que a área de reserva legal é de 7.722,137 ha e a de preservação permanente de 18.037,574, em conformidade com o disposto na Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001; o ADA não é exigível no caso de reserva legal, em razão da expressa dispensa do § 7º, do art. 10, da Lei nº 9.393/96, assim como pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b”, do inciso II, do § 1º, do art. 10), ou imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal (alínea “c”); essa interpretação foi acolhida pelas turmas do STJ, conforme decisões colacionadas; a introdução do § 7º no art. 10, da Lei nº 9.393/96 teve apenas o objetivo de esclarecer que é inexigível ato declaratório ambiental prévio para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza da alínea “a” do inciso II, do § 1º, do artigo 10; Ao final, requer a anulação do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720032/200718 Acórdão n.º 2202002.942 S2C2T2 Fl. 232 5 O recorrente se insurge apenas contra as glosas das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, não se pronunciando sobre o Valor da Terra Nua, razão pela qual entendo que essa matéria está fora do litígio nesta instância, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal O contribuinte apresentou a DITR com as seguintes áreas: Área de Preservação Permanente de 9.000,0 ha e Área de Reserva Legal de 19.000,0 ha. Durante a ação fiscal, em atendimento à intimação efetuada, o contribuinte apresentou cópia de um ADA do ano de 1997 (efl. 13), protocolizado no IBAMA em 14/07/2000, com Área de Preservação Permanente de 9.650,0 ha e Área de Reserva Legal de 19.000,0 ha. Não apresentou, entretanto, a averbação da área de reserva legal no cartório de registro de imóveis. A Fiscalização glosou a Área de Reserva Legal de 19.000,00 ha, por falta de averbação cartorária e alterou a Área de Preservação Permanente de 9.000,0 ha para 9.650,0 ha (efl. 05), considerando o ADA de 1997. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou cópia do ADA protocolizado no IBAMA em 06/11/2007 (efl. 183), com essas áreas: Área de Preservação Permanente de 18.037,5 ha e Área de Reserva Legal de 7.722,1 ha. Conforme certidão apresentada nos autos do processo nº 10235.720022/200855 (efls. 121 e 122), referente ao lançamento do ITR/2005 desse mesmo imóvel rural, consta a averbação de 20% da superfície do imóvel referido como reserva legal, efetuado em 10/04/2008. Assim, tanto a protocolização do ADA como a averbação no cartório foram providenciadas após o início da ação fiscal. Da Lei nº 9.393/96, verificase que, na apuração do imposto devido, devem ser excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, as imprestáveis para qualquer exploração agrícola, as submetidas a regime de servidão florestal, as cobertas por florestas nativas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 a) de preservação permanente e de reserva legal ,previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (revogado) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) a áreas sob regime de servidão florestal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); . e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Para exclusão das áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal, duas condições necessitam ser atendidas: a averbação à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente e a sua informação no Ato Declaratório Ambiental (ADA), sendo que ambas as exigências devem ser supridas à época a que se refere a Declaração do ITR. Para as áreas de Preservação Permanente, é necessária a apresentação tempestiva Ato Declaratório Ambiental (ADA). Quanto à exigência do ADA para as áreas de Preservação Permanente as de Utilização Limitada/Reserva Legal, em momento anterior à alteração promovida no artigo 17 O da Lei nº 6.938/81 pela Lei nº 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal disciplinavam essa obrigação. Em face da ausência de amparo legal para sua exigência, para fatos ocorridos até o exercício 2000, o CARF elaborou a Súmula nº 41, que dispõe: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Entretanto, no presente caso o exercício em questão é o de 2005, sendo inaplicável a súmula. É que, para exercícios posteriores a 2000, o artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 27/12/2000 passou a dispor: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10235.720032/200718 Acórdão n.º 2202002.942 S2C2T2 Fl. 233 7 Assim, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR encontra respaldo legal, a partir do exercício 2001. Verificase, portanto, que a Fiscalização agiu corretamente em somente considerar o ADA apresentado tempestivamente, ou seja, o ADA de 1997, com Área de Preservação Permanente de 9.650,0 ha. Em relação à obrigatoriedade da averbação à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, para as áreas de Reserva Legal, o artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, vigente até 28/05/2012, quando foi revogado pela Lei nº 12.651, de 25/05/2012, assim dispunha: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A reserva legal constitui uma restrição de exploração das áreas de vegetações nativas e a sua averbação cartorária tem a função de dar publicidade dessa restrição a terceiros. Assim, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a sua averbação à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. A sua exclusão da área tributável do ITR somente é possível se cumprida tal exigência. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Nesse sentido é o entendimento da Primeira Seção do STJ, conforme julgado abaixo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, §1º, I, aDA LEI 9.3/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. A Primeira Seção firmou entendimento de que a isenção do ITR relativa à área de Reserva Legal está condiconada à prévia averbação desse espaço no registro do imóvel. Precedentes: ERsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, DJe 04/11/2013; ERsp 1.027.051/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.243.685/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 16/12/2013). Como a averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente somente ocorreu em 10/04/2008 (efls. 121 e 122 do processo nº 10235.720022/200855, referente ao lançamento do ITR/2005 desse mesmo imóvel rural), ou seja, intempestivamente, entendo por correto o procedimento da Fiscalização de glosar as áreas de reserva legal declaradas pelo contribuinte. Ressaltese que não se questiona a existência de tais áreas, mas apenas que os requisitos legais para a concessão da isenção não foram atendidos. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16004.720381/2012-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/10/2010
CONCOMITÂNCIA.
Constatado que a mesma matéria discutida em sede administrativa também foi submetida ao crivo do judiciário, configura em renúncia a sua discussão em sede administrativa, impõe aplicação da Súmula CARF nº 01, consequentemente, o não conhecimento da parte levada ao judiciário.
DISCORDÂNCIA. BASE DE CÁLCULO. PROVA.
Discordando da base de cálculo ou de inclusão indevida, cabe ao contribuinte demonstrar o desacerto da fiscalização por meio de prova lícita e robusta, alegação por si só não possui condão de contradizer o trabalho fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso em relação à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Constatado que a mesma matéria discutida em sede administrativa também foi submetida ao crivo do judiciário, configura em renúncia a sua discussão em sede administrativa, impõe aplicação da Súmula CARF nº 01, consequentemente, o não conhecimento da parte levada ao judiciário. DISCORDÂNCIA. BASE DE CÁLCULO. PROVA. Discordando da base de cálculo ou de inclusão indevida, cabe ao contribuinte demonstrar o desacerto da fiscalização por meio de prova lícita e robusta, alegação por si só não possui condão de contradizer o trabalho fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se tomou conhecimento do recurso em relação à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 81 /2 01 2- 99 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve intacto o lançamento de IPI referente ao período de apuração de 31.05.2008 a 31.10.2010. O procedimento fiscalizatório foi desencadeado em razão das ações judiciais interpostas relativas ao período fiscalização buscando provimento judicial que lhe permitisse classificar o açúcar cristal e o açúcar refinado produzido nas safras de: 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011, na subposição 1701.99.00 da TIPI (sacarose quimicamente pura), alegando que o seu produto possui grau de pureza superior a 99,5 graus, preenchendo, portanto, o requisito objetivo ali previsto, diante da resistência fazendária em conferir correta aplicação à TIPI, consequentemente, enquadrar na alíquota zero. A impetração do mandado de segurança não restou deferida à liminar, bem como, em grau de recurso. Desistência da ação mandamental. Logo em seguida interpôs Ação Ordinária Declaratória (com pedido de antecipação de tutela) sob o nº 000564987.2010.4.03.6106, distribuído em 26/07/2010, o que restou indeferida. Decisão essa agravada, também restou frustrada. Houve depósito judicial relacionado às saídas ocorridas no período de maio de 2008 a março de 2009. Discordando do entendimento da contribuinte que visava o não pagamento de IPI sustentando que o produto dispõe de grau de polarização acima de 99,5 sacarose quimicamente pura, lavrou o auto de infração, justificandoo, que o ato de possuir 99,5% de sacorese não é o bastante, fazse necessário o atendimento de outros critérios para classificar como sacarose quimicamente pura na acepção das subposições 1701.11 e 1701.12, o açúcar em bruto em peso no estado seco, uma percentagem de sacarose que corresponda a uma leitura no polarímetro inferior a 99,5%. A fiscalização assevera: “É indiscutível que qualquer aluno de conhecimento razoável do ensino médio que tenha na sua grade curricular a disciplina de química, ao efetuar leitura na locução “Sacarose quimicamente pura”, diretamente pensará num produto livre de resíduos. Não há dúvida que um dos princípios que imperam sobre o tributo é o da seletividade, o que significa que, em linhas bem simples, quanto mais essencial o produto terá suas alíquotas menores, e outros, digamos mais supérfluos teriam suas alíquotas maiores. Ora, se os açúcares em bruto, da posição 1701.1, cujo grau de impureza4 é bem maior que os da posição 1701.9 se tributa em 5 %, (que se diga que os açúcares em bruto não servem para o consumo nas mesas das famílias e sim para a indústria alimentícia). Pergunto: Como que um produto destinado ao consumidor final, portanto menos essencial Fl. 609DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16004.720381/201299 Acórdão n.º 3403003.462 S3C4T3 Fl. 8 3 poderia ser tributado à alíquota ZERO, é totalmente ilógico sobre a principal perspectiva do princípio da seletividade. Penso que a sacarose quimicamente pura é tributada sobre a alíquota neutra em virtude de suas várias aplicações a medicamentos, produtos “diet”, etc.. Me surpreende como empresas que insistem nesta idéia que seus açúcares produzidos seriam na verdade SACAROSE QUIMICAMENTE PURA5, com argumento tão pífio. Com efeito, trazemos à colação os resultados das análises laboratoriais realizados pelo Centro Tecnológico Falcão Bauer (Laboratório Oficial) 6, no qual foram analisados os açúcares cristal e refinado produzidos pela fiscalizada, safras 2009/2010 e 2010/2011 (refinado) e 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011 (cristal). A tabela abaixo resume os resultados aos quesitos formulados nos pedidos de análise laboratorial (fls.nº. 215/226) . Ressaltese que a fiscalizada foi instada a formular quesitos, conforme Intimação fiscal nº 09, às folhas de nº 208/210, a mesma quedou se inerte. Conforme se pode verificar, as autoridades regularmente inscritas no CRQ 7, em resposta aos quesitos formulados, atestam especificamente em quais critérios a produção de açúcar da fiscalizada diverge dos padrões estabelecidos pela ciência. 8 Com relação ao quesito 6.2 (Matéria Insolúvel), as amostras da safra cristal de 09/10, não se enquadra nos parâmetros científicos. Com relação ao quesito 6.3 (Perda na secagem), as amostras da safra refinado de 09/10, e 10/11 não se enquadram nos parâmetros científicos. Com relação ao quesito 6.5 (Acidez (% de ácido acético)) as amostras colhidas (todas as safras) também não se enquadram nos padrões científicos. E finalmente, em resposta ao quesito nº 6.9, quando perguntado se: “Utilizandose os métodos científicos universalmente aceitos pela comunidade científica, é possível afirmar que o conteúdo das amostras é sacarose quimicamente pura”, a resposta é uníssona para as amostras relativas as duas safras : “Não se trata de sacarose quimicamente”. Em razão disso foi lavrado o auto de infração com o objetivo de constituir o crédito tributário com observação da lavra do agente fiscal encarregado: “Das bases de cálculo – apuração do imposto Os valores (base de cálculo e valor do IPI não destacado) que compõem as vendas de açúcar, foram informados pelo contribuinte, conforme Fl. 610DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 resposta às folhas de nº 170/174, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal Fls. 02/06. Reproduzimos as planilhas apresentadas pelo estabelecimento denominadas “Apuração de IPI...”em planilha eletrônica cálculo, demonstrada adiante, no sentido de padronizar as informações fornecidas. Convém ressaltar que o IPI destacado nas saídas, com inclusão do débito nas DCTF foram subtraído do quantum a lançar no presente auto, conforme resumo DCTF Fls. 300/301 e 17ª coluna da Tabela de Apuração. Ressaltese que as bases de cálculo informadas pelo contribuinte, mencionadas acima foram cotizadas com os arquivos digitais das notas fiscais de venda, apresentados no layout definido pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001. Os comprovantes da entrega dos mesmos encontramse anexados as folhas de nº 155/156; 157/161; 186/187; 188/192. Repisase que os valores depositados (depósitos judiciais) referentes às competências 05/2008 a 03/2009, no total de R$ 9.964.156,24, conforme comprovantes às folhas de nº 121/124, demonstrados na coluna 15 da tabela adiante não foi subtraído do montante do tributo constituído em virtude de que depósitos judiciais não terem a prerrogativa de constituir crédito tributário a favor da fazenda pública, motivo este é que se constitui o CT em sua totalidade. Para a reconstituição da escrita fiscal do IPI do estabelecimento, foram utilizados os débitos e créditos do imposto, tendo como origem o Livro de registro de Apuração do IPI apresentado pelo contribuinte às folhas de nº 15/35. Com relação ao saldo credor existente em 06/2007, no valor de R$ 2.304.000,09 (fls. 21), tal cifra não foi considerada na reconstituição da escrita em virtude do exaurimento de tal crédito, em lançamento outrora efetuado de ofício, contido nos Procedimentos Administrativo nº 16004.001001/200756 e 16004 001052200788, conforme cópia do demonstrativo de reconstituição (Fls. 302/309) cientificado ao Diretor da empresa, juntamente com os Autos da época. A partir do Livro de Apuração do IPI efetuamos a reconstituição da escrita fiscal do IPI, cujos demonstrativos encontramse em anexo: a) Demonstrativo dos dados apurados (livro RAIPI antes da reconstituição); b) Demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal (com os dados da fiscalização). 4.1) Do erro na transposição de saldo no RAIPI (período de 06/2010 a 09/2010 e 11/2010) Importante ressaltar que houve erro na transcrição de saldos credores de um mês para o outro1, iniciandose em 06/2010, a crédito, no valor de R$ 158.535,95, os quais foram devidamente regularizados durante os períodos de 07/2010, 08/2010, 09/2010 e 11/2010, nos valores respectivos de R$ 3,66, R$ 0,65, R$ 5.827,80 e R$ 152.703,84 (a débito), cuja soma se equivale ao valor de R$ 158.535,95, conforme se verifica as folhas de nº 91/104; 117/120 (06210 a 102010) e 445/448 (11/2010)”. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16004.720381/201299 Acórdão n.º 3403003.462 S3C4T3 Fl. 9 5 A Contribuinte ao impugnar o lançamento, inicialmente afirma que a legalidade da cobrança do referido tributo está sendo contestada nos autos da ação judicial processo 000564987.2010.4.03.6106, relativamente às safras 2008/2009, 2009/2010 e 2010 a 2011. Assegura que ação nº 2008.61.06.0038585 teria sido extinta por adesão ao REFIS de que trata a Lei nº 11.941/2009, com conseqüente conversão em renda dos depósitos judiciais respectivos, com a concordância da União Federal. Ressalta que em relação ao período de 05/2008 a 03/2009, o objeto do auto de infração, há depósitos judiciais convertidos em renda da União, o que evidência o descabimento do lançamento tributário. Diz que os depósitos convertidos em renda, evidentemente que não seria cabível seu novo lançamento, requereu exclusão do lançamento dos valores convertidos em renda, bem como, juros e multa. Diz inicialmente que houve lançamento a maior sobre a base de cálculo de óleo fusel. O agente fiscal ao proceder ao cálculo di IPI cometeu erro, visto que, a partir de maio de 1999 passou a recolher o IPI sobre o açúcar refinado polarização abaixo de 99,5%, deixando apenas de recolher o IPI sobre a sacarose quimicamente pura. Sendo assim, considerando o valor final da planilha utilizada, já está incluso o valor de IPI pago sobre o açúcar refinado. De modo que, excluído o IPI recolhido, na totalização da base de cálculo, encontrase a diferença ser subtraída do montante calculado de R$ 1.397.071,24 – doc. 5 da planilha, valores estes que deve ser excluídos do montante lançado. No mérito contradiz a motivação da fiscalização, afirmando: “A esse respeito, frisese desde já que, não importa quais ou quais análises, conceitos, estudos ou o que se possa imaginar a respeito do que é sacarose quimicamente pura. O que importa, para fins de classificação fiscal pela TIPI, é a conceituação veiculada pela TIPI. E a TIPI considera sacarose quimicamente pura os açúcares com grau de polarização acima de 99,5%. É adequado ressaltar que o sistema tributário nacional tem por base e primeiro fundamento o princípio da legalidade, e não por análise ou interpretação quaisquer. Não fosse isso, a própria Fazenda Pública Federal se confunde todo o tempo, ao afirmar ora que o açúcar devria ter polarização de 100%, ora que seriam necessários “outros critérios” (um tanto quanto subjetivo) para que se firmasse o conceito de sacarose quimicamente pura. Ou seja, a questão centralizase no fato de que parte do açúcar produzido pela requerente (NCM 17), é classificado pela própria tabela TIPI, na subposição 1701.99.00 – Ex.01, por possuir uma porcentagem de sacarose que corresponde a uma leitura superior a 99,5% no polarímetro”. A decisão recorrida acolhe parte dos argumentos, como se infere das ementas: “Ementa: APURAÇÃO DO IPI. DEPÓSITO JUDICIAL TRANSFORMADO EM PAGAMENTO DEFINITIVO. EXTINÇÃO PROPORCIONAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 O depósito judicial convertido em renda da União transforma se em pagamento definitivo, e equivalese ao próprio pagamento para quitação do tributo. Deve, assim, ser considerado na apuração do IPI devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 31/10/2010 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto.” Em sede recursal a Recorrente reprisa seus argumentos tecidos na fase inicial, sem manifestar expressamente quanto concomitância. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos necessários ao conhecimento. A contenda trazida pelas partes se refere à incidência de IPI sobre a comercialização de açúcar de cana com sacarose quimicamente pura com grau de polarização acima de 99,5%, classificado pela TIPI na subposição 1701.99.00 Ex. 01, alíquota zero. Essa matéria como afirma a Recorrente foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, cujo deslinde darseá pelo provimento judicial, cabendo as partes acatarem o que lá for decidido. Em que pese a Recorrente sustentar em suas razões tratarse de matéria de classificação em conformidade com a TIPI, a verdade que é a tese por ela defendida encontra submetida ao crivo do Judiciário. Defende, administrativamente e no judiciário, que o produto produzido e comercializado possui grau de sacarose quimicamente pura com grau de polarização acima de 99,5%, e, os açucaras com esse grau deve ser classificados na subposição 1701.99.00 ex. 01, cuja alíquota é zero. Não se vislumbra distinção entre as matérias administrativa e judicial. Em sendo assim, a vedação é a contida pela Súmula CARF nº 01. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16004.720381/201299 Acórdão n.º 3403003.462 S3C4T3 Fl. 10 7 “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Nesse ponto andou bem o julgador de piso, portanto, não há como examinar a matéria de fundo. DO ERRO DE CÁLCULO DO ÓLEO FUSEL. Examinando a planilha elaborada pela fiscalização, a qual tomou como certo os dados informados pelo contribuinte, não menciona apuração de imposto em relação ao óleo fusel, apenas se refere a açúcar. A planilha de fls. 169/173 (do contribuinte) consigna o valor da base de cálculo, alíquota e o valor do imposto. Não há totalização, tanto vertical quanto horizontal, para que se possa aferir se o total do imposto declarado em DCTF estava contemplado. De outro lado o contribuinte deixou de anexar demonstrativo apontando que o valor do IPI referente ao óleo fusel foram declarado e que o fiscal tivesse incluído na apuração da determinação do débito total. Embora não é o que se vê da planilha da fiscalização, naquele demonstrativo apuração dos fatos geradores se referem a açúcar de cana. Sem prova contundente de que a fiscalização obrou em erro, dificulta acudir o pleito. Diante do exposto, deixo de conhecer da matéria submetida ao judiciário, na parte conhecida nego provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 614DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 14041.000007/2004-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
NORMAS GERAIS. IRPF. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IDÊNTICO DESCUMPRIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
Numero da decisão: 9202-003.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Maria Helena Cotta Cardozo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que votaram por dar provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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IRPF. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IDÊNTICO DESCUMPRIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Maria Helena Cotta Cardozo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 07 /2 00 4- 91 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 254 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 948DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 255 3 Relatório Tratase de auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente aos exercícios 1999 e 2000, anoscalendário 1998 e 1999, tendo sido cientificado o contribuinte em 20/04/2004, conforme AR de fl. 213. O lançamento decorre da redução da base de cálculo do carnêleão, pleiteada indevidamente, cumulada com multa isolada pela falta/insuficiência de recolhimento mensal do mesmo carnêleão. Inicialmente, analisando a impugnação do contribuinte, a autoridade julgadora de 1a. instância , na forma de Acórdão de fls. 398 a 408. decidiu pela procedência em parte do lançamento, para acatar a preliminar de decadência referente ao ano calendário de 1998, restabelecendo, ainda, despesa efetivamente comprovada por documento hábil (mais especificamente a despesa de R$ 600,00 referente ao mês de abril de 1999, de fl. 286) e procedendo à redução de oficio da multa isolada do patamar de 75% para 50%, alterando, desta forma, o valor do imposto suplementar para R$ 15.225,49 e o da multa isolada para R$ 9.629,93. Atacada a decisão de 1a. instância através do Recurso Voluntário de fls. 414 a 433, o Acórdão nº 10249.501, da 2a Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 438 a 447), julgado na sessão plenária de 05 de fevereiro de 2009, decidiu “por unanimidade de votos, reduzir a multa isolada para 50%. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada relativa a glosa de livro caixa, por aplicação concomitante com a multa de ofício, nos termos do voto do Relator.” Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 IRPF. LIVRO CAIXA. TABELIÃO. DESPESAS COM TRANSPORTE E LOCOMOÇÃO. Nos termos do artigo. 75, parágrafo único, do RIR, as despesas com transporte e locomoção não são dedutíveis. IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. As despesas de livro caixa devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, que deve ser guardada pelo contribuinte durante o curso do prazo de decadência e prescrição, IRPF. LIVRO CAIXA. APLICAÇÃO DE CAPITAL. A legislação distingue despesas com bens de capital e gastos com bens de consumo, autorizando a dedução dos últimos. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 256 4 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2 a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso parcialmente provido. É de se relatar, a propósito, a partir de análise detalhada dos elementos do Auto de Infração de fls. 85, 90 e 91, dos demonstrativos de despesas glosadas de livrocaixa de fls. 113/114 e da informação de fls. 473, 474 e 475 (esta última validada a partir destes elementos anteriores) que, apesar do disposto no recorrido, não há que se falar, no âmbito do presente, em multa isolada aplicada outra que não aquela oriunda de glosa de despesas efetuadas no livro caixa, e ainda, que, a redução do percentual ali propugnada pelo Colegiado a quo, repitase, já havia sido realizada também no âmbito do Acórdão de 1a. instância sem a existência de Recurso de Oficio, o que torna, em meu entendimento, destarte, despicienda a parte final do Acórdão recorrido que trata da redução da multa. Ou seja, entendo caracterizada no recorrido a exclusão total da multa isolada objeto de lançamento. Cientificada de tal decisão em 30 de março de 2010, a Fazenda Nacional insurgese contra tal decisão através de Recurso Especial de fls. 450 a 459, com fulcro no art. 7o, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, uma vez que, ainda que reconhecendo o trânsito em julgado da redução da alíquota da multa isolada lançada para o patamar de 50%, (vide item 5 de e fls. 453), alega a FN estar caracterizada, no âmbito do recorrido, contrariedade a dispositivo de lei, consubstanciado no §1o, inciso III, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 19996 (atual inciso II, a, do art. 44 II a da mesma Lei), ao ali ter se promovido a exclusão da multa isolada imposta ao contribuinte. Alega a recorrente que não há que se falar em duplicidade de penalização pela mesma infração,uma vez que são penalidades aplicáveis em situações bastante diferenciadas entre si quanto à natureza das infrações cometidas, sendo que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê claramente que a multa decorrente do descumprimento do regime de carnêleão não possui nenhuma relação com o pagamento ou não de imposto pelo contribuinte quando do ajuste anual, vedada ao caso a aplicação da equidade. Assim, pede que seja restabelecida a multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ devido a título do carnê leão aplicada sobre os valores glosados pela fiscalização a título de livro caixa. O despacho de fl. 461 deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Cientificado do acórdão e do recurso especial em 05 de janeiro de 2011 (fl. 466), o contribuinte não apresentou recurso especial da parte que lhe foi desfavorável, oferecendo, porém, contrarrazões ao especial da Fazenda (fls. 467 a 470), onde defende a manutenção do recorrido com supedâneo em vasta jurisprudência administrativa oriunda deste Conselho que propugna pela impossibilidade da aplicação concomitante das duas multas em questão. É o relatório. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 257 5 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional para discutir a possibilidade de se cumular a multa de ofício por falta de recolhimento do IRPF incidente sobre rendimentos auferidos durante o anocalendário, computados em livrocaixa (assim, sujeitos ao “carnêleão”) com a multa isolada decorrente da insuficiência de recolhimento mensal devido na mesma sistemática. Verifico que aqui a presente autuação aplicou a multa de ofício de 75% a título de falta de recolhimento do IRPF de valores sujeitos à titulo de carnêleão cumulada com multa isolada de 75% pela insuficiência do recolhimento mensal devido. A propósito, sou forçado a reconhecer que a jurisprudência deste Conselho há muito se assentou no sentido de não admitir a cobrança concomitante de multa de ofício incidente sobre rendimentos constantes do livrocaixa sujeitos ao carnêleão e não tributados quando do ajuste anual e da multa isolada por falta do recolhimento mensal devido no mesmo carnêleão, notese, baseado nos mesmos rendimentos. Afirmase que aplicar duas penalidades sobre a mesma base de cálculo resulta em verdadeiro bin in idem, o que não é admitido no direito pátrio. Apesar da força dos argumentos, ainda não consegui me convencer de sua correção. Penso que a aplicação conjunta das duas multas é decorrência direta do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e de que não existe dupla penalidade pela mesma infração, uma vez que a multa isolada pune o não recolhimento mensal do carnêleão, nos termos do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, enquanto a multa de ofício pune a falta de tributação de parte ou da totalidade dos rendimentos constantes declaração de ajuste anual, sendo necessárias punições diferentes para condutas ilícitas diversas. Do mesmo modo, não encontro qualquer óbice na legislação tributária para a adoção da mesma base de cálculo para penalidades relativas a duas infrações distintas. Não vejo qualquer semelhança com o fenômeno do bis in idem, onde se cobra o mesmo tributo de um mesmo contribuinte sobre um mesmo fato gerador. Entretanto, como o art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho 2007, reduziu o percentual dessa multa de 75% para 50%, há que se aplicar a retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, consoante já realizado pela autoridade julgadora de 1a. instância, relembrando aqui, que, na forma relatada, se verificou, quando da presente análise recursal, que não há incidência da multa isolada sobre insuficiências de recolhimento outras que não aquelas oriundas de glosas de despesas indevidamente deduzidas no livro caixa. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 258 6 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a multa isolada de 50% aplicável à matéria que permanece em litígio (glosas de despesas efetuadas em livro caixa para o anocalendário de 1999, a menos da glosa indevida de R$ 600,00 do mês de abril/99 apontada pela autoridade julgadora de 1a. instância). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 952DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 259 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao excelso relator, divirjo de sua conclusão sobre a possibilidade de aplicação, nesse caso, de multas de ofício e isolada, concomitantemente. A questão em litígio é a aplicação concomitante das multas qualificada e da multa isolada pelo não recolhimento do carnê leão. Nesse sentido, devemos decidir se é vedada sua aplicação concomitante, conforme a lei 9.430, de 1996. Em nosso entender, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma conduta, a multa isolada não deve prevalecer. Esse é o entendimento de várias decisões do CARF, conforme voto de excelsos conselheiros citados abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão (Acórdão CSRF nº 0104.987, de 15/06/2004). Recurso Voluntário Provido ... A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do auto de infração com tributo e sem tributo, dispôs: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 953DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 260 8 I – juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II – isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; Não se quer, nesta esfera administrativa, proclamar a inconstitucionalidade do § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996. Tratase, sim, de interpretála de forma sistemática, em harmonia com o ordenamento jurídico onde está inserida, do qual, a toda evidência, faz parte e deve ser incluída até mesmo (e principalmente) a Constituição, bem assim as leis complementares dela decorrentes. Não é o caso, por conseguinte, de se afastar por completo a aplicação da multa isolada. Será ela pertinente quando a autoridade tributária, valendose da prerrogativa de fiscalizar o contribuinte no próprio anocalendário (RIR/99, art. 907, parágrafo único), ou mesmo em momento posterior a este, detectar a falta de recolhimento mensal. Aí a multa terá lugar, mesmo que o autuado não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Verificado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento de ofício, ou seja, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo, a multa isolada não deve prevalecer. Nesse sentido é a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Com efeito, na exigência de tributo por auto de infração ou notificação de lançamento não há espaço para se incluir concomitantemente a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada, sobre a mesma omissão que gerou o lançamento do tributo, acrescido da multa de ofício. Haveria, aí, um bis in idem. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 261 9 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para excluir do lançamento a exigência da multa isolada. (Acórdão 210101.070, 14/04/2011, Relator: José Reimundo Tosta Santos) ... "MULTA ISOLADA DE OFÍCIO DECORRENTE DE CARNÊLEÃO NÃO PAGO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS OMITIDOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA OU DE FONTE DO EXTERIOR QUE GERAM UMA DUPLA PENALIDADE COM MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. . ... Mansamente assentada na jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e do CARF que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, este em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, procedimento vedado em nosso ordenamento. ... Por outro lado, no tocante à imputação da multa isolada sobre o carnêleão não pago, que incidiria sobre os mesmos rendimentos que geraram o imposto lançado, com multa de ofício vinculada, entende esta instância julgadora que não pode conviver a duplicidade de cominações, como se demonstra a seguir. No caso em que os rendimentos sujeitos ao carnêleão são colacionados pela autoridade fiscal no ajuste anual, a jurisprudência administrativa de há muito tempo assentouse na impossibilidade da imputação de uma dupla penalidade pecuniária ao autuado pela omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física, uma vinculada ao imposto devido (a multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual, no percentual de 75% do imposto) e outra pelo não recolhimento do carnêleão (multa de ofício isolada, tendo como base de cálculo o imposto não antecipado mensalmente – carnêleão), ao fundamento de que a omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física seria a base de cálculo para a apuração de imposto anual e daquele que deveria ter sido antecipado, com a multa de 75% incidente sobre cada uma das bases anteriores. Em essência, uma mesma conduta (omissão de rendimentos percebidos de pessoa física), vulnerando um único bem jurídico (a arrecadação do estado), levaria a uma dupla penalidade, o que não é admitido em nosso sistema jurídico. Para tanto, vejamse as seguintes ementas: Fl. 955DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 262 10 Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA –MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão nº 10248.216, sessão de 26 de janeiro de 2007, relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Acórdão nº 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006, relator o conselheiro Nelson Mallmann RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo nº. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto nº. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas físicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnêleão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, Fl. 956DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 263 11 a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Acórdão nº 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO – Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE – É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago. (Acórdão 21.02002.363, 20/11/2012, Relator: Giovanni Christian Nunes Campos) Nossa conclusão, portanto, conforme a jurisprudência citada acima, baseiase na verificação de que na exigência do tributo já há a aplicação de penalidade, multa de ofício, impedindo que sobre a mesma base e conduta se inclua concomitantemente a cobrança da multa de lançamento de oficio isolada. CONCLUSÃO: Em razão do exposto:, voto em negra provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 957DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.000007/200491 Acórdão n.º 9202003.536 CSRFT2 Fl. 264 12 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13629.001816/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão diretamente ao Fisco deve ser interpretada no sentido de que desde que haja ordem judicial é, data venia, negar aplicação da lei.
O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
É o teor da Súmula CARF nº 2. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula, de observância obrigatória pelos seus membros (Regimento Interno, art. 72).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, data venia, negar aplicação da lei. O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. É o teor da Súmula CARF nº 2. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula, de observância obrigatória pelos seus membros (Regimento Interno, art. 72). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 18 16 /2 00 9- 61 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 151 2 Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, em 22/09/2009, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, ano calendário de 2006, exercício de 2007, onde foi exigido o montante de R$ 312.426,88 a título de imposto, acrescido de multa proporcional no percentual de 150%, no importe de R$ 468.640,32, e mais juros de mora calculados pela Selic. Narra a Autoridade Fiscal responsável pelo lançamento, no Termo de Verificação Fiscal anexo (fl. 10 e ss), em resumo, que: a ação foi iniciada 24/03/2009, com a lavratura de Termo de Início de Fiscalização, tendo o contribuinte sido intimado a apresentar recibo de entrega da DIRPF e extratos bancários de contas correntes. Houve pedido de prorrogação do prazo para atendimento, envio de reintimação fiscal e, mesmo assim, o interessado não apresentou os documentos; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 152 3 citando a Lei Complementar nº 105, de 2001, e regulamentações posteriores, diz que a Fiscalização emitiu requisição de informações sobre movimentação financeira (RMF) diretamente à instituição bancária, recebendo os documentos. Esclarece que em 09/06/2009 e 05/07/2009, posteriormente ao prazo concedido nas intimações, o contribuinte entregou voluntariamente (fl. 72/73) os mesmos extratos da conta corrente e da poupança; da análise dos extratos, o contribuinte foi então intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos representados por créditos em suas contas bancárias; não tendo o contribuinte justificado os depósitos bancários em sua conta corrente, a fiscalização considerou a totalidade dos depósitos por ela selecionados como omissão de receita, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96; foram consideradas nesse Auto as deduções permitidas por lei para efeito de imposto de renda. Foi utilizado o desconto permitido no modelo de Declaração simplificada para cálculo do imposto, método mais benéfico ao contribuinte, pois este não apresentou a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2007/2006; foi lançada ainda a multa por não entrega de declaração, no importe de 20% do imposto a pagar, que monta R$ 62.485,38, cobrada através do processo administrativo fiscal de número 13629.001818/200951; entendeu ainda que a conduta do contribuinte torna evidente a tentativa de retardar o conhecimento do fato gerador pela autoridade fazendária. Foi constatada uma movimentação em sua conta corrente de mais de um milhão de reais depositados durante o ano, e apresentada uma Declaração Anual de Isento em 2007. Intimado a justificar esta vultuosa discrepância, o contribuinte se omitiu. Assim sendo aplicouse a multa qualificada de 150%. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, na folha 100. Manifestase, em resumo, dizendo que: a) a exação está lastreada apenas nos valores de depósitos bancários na conta corrente do contribuinte, no ano de 2006, portanto baseada em presunção legal; b) entende imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores, evidenciando assim "sinais exteriores de riqueza", sendo que o simples depósito não constitui fato gerador do imposto sobre a renda; c) cita doutrina, jurisprudência e artigos do CTN; d) o contribuinte é um representante comercial, responsável pelo recebimento de vendas por ele concretizadas e, portanto, não há como admitir que o montante geral dos depósitos bancários em sua conta seja passível de tributação; e) manifestase ainda contrário à tipificação da conduta como fraude, para questionar a aplicação da multa no percentual de 150%, que seria confiscatória. Não anexou nenhum documento relativo aos depósitos. A Impugnação do contribuinte foi analisada pela DRJ em Juiz de Fora/MG que, em suma, assim dispôs: não era autoridade competente para se manifestar sobre ofensa da lei a princípios constitucionais, o que compete exclusivamente ao Poder Judiciário; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 153 4 citando o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, defendeu a tributação conforme a presunção estabelecida legalmente, aplicável ao caso. Disse que com a chamada "inversão do ônus da prova", daí decorrente, caberia ao contribuinte comprovar suas alegações sobre o exercício da atividade de representante comercial; em relação à multa aplicada, após discorrer sobre a motivação apresentada pela Autoridade Fiscal, dolo, fraude e sonegação, entendeu que havia uma "ausência do elemento subjetivo" necessário, e manifestouse pela redução da multa a 75%, conforme previsto no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996; disse ainda que, ante o pedido de produção de prova, caberia ao contribuinte apresentar as provas que tivesse juntamente com a Impugnação, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Decidiuse, então, pela procedência parcial da impugnação, apenas para afastar a aplicação da multa de ofício qualificada (150%), aplicandose o percentual de 75%. Cientificado dessa decisão em 08/12/2009, conforme AR na folha 124, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/01/2010, com protocolo na folha 125. Em sede de recurso, manifesta assim sua inconformidade: ter a Autoridade Julgadora se furtado a apreciar matéria de índole constitucional constitui afronta ao princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Transcreve Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes, de 1997; combate a exação calcada na presunção estabelecida pelo artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, citando o princípio da legalidade, para concluir que as presunções só poderiam ser aplicadas se forem indispensáveis, em face da impossibilidade da produção da prova direta; respeitada a legalidade, e ante fortes indícios, relacionados a "outros meios", da ocorrência do fato gerador; conclui que o artigo 42 da citada Lei seria inconstitucional, após analisar antigas jurisprudências do TRF, anteriores a ela. Diz ainda que o pressuposto para a sua verificação, qual seja, o acesso direto as informações bancárias (quebra do sigilo diretamente pelo Fisco em decorrência da Lei Complementar n. 105/2001), feriria os princípios da inviolabilidade, da privacidade e intimidade, do devido processo legal e da separação dos poderes; Em conclusão, repete as alegações da Impugnação sobre a atividade de representante comercial do Recorrente, não anexa qualquer documento em relação aos depósitos ou à atividade alegada, e PEDE, então, que seja julgado insubsistente o Auto de Infração. O recurso foi encaminhado a este CARF e, em 18 de setembro de 2013, decidiu esta Turma Especial pelo sobrestamento do julgamento, haja vista a matéria tratada envolver o acesso direto, pelo Fisco, a informações bancárias do contribuinte, o que foi expressamente questionado, conforme relatado. Transcrevo parte da Resolução: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62 A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 154 5 (...) Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, neste caso, enquadrase nos termos do art. 62 A e parágrafos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62 A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que os parágrafos do dispositivo supracitado foram revogados por decisão do Sr. Ministro da Fazenda, em novembro de 2013, não mais existindo impedimento à apreciação da matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). PRELIMINAR. O fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo Fisco com fulcro na Lei Complementar 105 de 2001, por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, é assunto na esfera das matérias de “repercussão geral” no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário (RE) 601.314, cuja ementa vai aqui transcrita: EMENTA CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 155 6 SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314/RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20.11.2009 EMENT VOL 0238307 PP01422) A ementa pareceme clara ao estabelecer que a Corte Suprema deverá decidir, especificamente, sobre a possibilidade legal, estabelecida pela Lei Complementar nº 105 de 2001, de que informações sobre movimentações bancárias dos contribuintes sejam fornecidas pelas instituições financeiras “diretamente ao Fisco”. Essa é a questão. Foi, inclusive, atribuída ao tema a repercussão geral, tendo o Tribunal, em outras ocasiões, determinado o sobrestamento do julgamento de recursos que versem sobre o mesmo, como se pode observar a seguir: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012).(grifei) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 156 7 Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011).(grifei) Observo que não obstante a decisão do Pretório Excelso tomada no julgamento do RE nº 389.808, datada de dezembro de 2010, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, o próprio MinistroRelator, em 03/11/2011, determinou a devolução de autos que tratam do mesmo assunto ao Tribunal de origem para que se aguarde o julgamento do RE nº 601.314/SP, que concluiu pela repercussão geral do tema. Assim, em nosso sistema jurídico, as leis presumemse válidas e constitucionais, até declaração do Poder Judiciário em contrário. Não há decisão definitiva do STF dizendo da inconstitucionalidade de dispositivos da LC nº 105 de 2001, que autorizam o fornecimento de informações bancárias dos contribuintes “diretamente ao Fisco”, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores. Sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, a meu ver, negar aplicação da lei, que requer apenas que haja procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, e confere à autoridade administrativa a consideração sobre a imprescindibilidade do exame dos dados, como foi aqui o caso. LC 105/2001 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Quanto aos argumentos que erigem o sigilo bancário ao patamar constitucional, para se conciliar, em interpretação conforme a Constituição, sua garantia com as necessidades e deveres do Fisco, concluindose que somente com ordem judicial o dispositivo da Lei Complementar nº 105, de 2001, seria aplicável, destacase excerto do Voto do Ministro Sepúlveda Pertence, quando do julgamento, pelo STF, do MS 21.729, DJ 19/10/2001: “O sigilo bancário só existe no Direito brasileiro por força de lei ordinária. Não entendo que se cuide de garantia com status constitucional. Não se trata de “intimidade” protegida no inciso X do art. 5º da Constituição Federal. Da minha leitura, no inciso XII da Lei Fundamental, o que se protege, e de modo absoluto, até em relação ao Poder Judiciário, é a ‘comunicação de dados’ e não os ‘dados’, o que tornaria impossível qualquer investigação administrativa. Reportome, no caso, brevitatis causao, a um primoroso estudo a respeito do Professor Tércio Sampaio Ferraz Júnior. Em princípio, por isso, se admitiria que a lei autorizasse autoridades administrativas, com função Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 157 8 investigatória e sobretudo o Ministério Público, a obter dados relativos a operações bancárias”. (apud CASSONE, Vitório. Sigilo Bancário: Critério de Interpretação Constitucional. RET 55, maijun/07, p. 84) A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543 C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 158 9 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por fim, há que ser bem ressaltado, apesar da alegações do Recorrente, que ainda no transcorrer do procedimento fiscal, o mesmo concordou em fornecer os extratos bancários, com as mesmas informações, como se observa nos documentos de folhas 72/73. Apenas no recurso entendeu por alegar que a obtenção dos extratos feriria direitos à privacidade ou intimidade. MÉRITO Conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Praticamente todas as alegações deste recurso se resolvem com a aplicação de súmulas. Quanto a dever a Autoridade Administrativa apreciar a constitucionalidade de lei tributária, a jurisprudência citada pelo Recorrente encontrase superada neste CARF, inclusive com a edição de sua Súmula nº 2, de observância obrigatória neste julgamentos: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, correto o entendimento proferido pela Autoridade Julgadora Recorrida, que também será aplicado aqui. Nesse sentido, citando Marcos Vinicius Neder: “Entre nós, Marçal Justen Filho admite o juízo de inconstitucionalidade de lei no âmbito administrativo.... Por outro lado, é importante lembrar que as decisões administrativas são espécies de ato administrativo e, como tal, sujeitamse ao controle do Judiciário. Se, por acaso, a Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 159 10 fundamentação do ato administrativo baseouse em norma inconstitucional, o Poder que tem a atribuição para examinar a existência de tal vício é o Poder Judiciário. Afinal, presumemse constitucionais os atos emanados do Legislativo, e, portanto, a eles vinculamse as autoridades administrativas.” (NEDER, Marcos Vinícius. Processo administrativo fiscal federal comentado: (decreto nº 70.235/72 e lei nº 9.784/99) / Marcos Vinícius Neder, Maria Teresa Martinez López, 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 46/7/8) A possibilidade da análise dessas matérias pelo Poder Executivo já foi alvo de críticas da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, que em Nota Pública emitida em 10/11/2000, cujo trecho parcial transcrevemos a seguir para concordar com suas conclusões, assim manifestouse: “A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul promove, hoje, 10/11/2000, Dia da Mobilização em Defesa do cumprimento das leis e decisões judiciais, em suma, do Estado Democrático de Direito... (...) Denuncia o descumprimento de leis em pleno vigor, sem declaração judicial de sua inconstitucionalidade, única forma de sustar sua eficácia, em regime democrático. (...) O açambarcamento pelo Executivo das funções reservadas a outros Poderes, notadamente as de controle exclusivo de constitucionalidade e solução dos conflitos intersubjetivos pelo Judiciário,ou de elaboração legislativa e orçamentária pelo Poder Legislativo, em representação da soberania popular, desgarante o cidadão, rompe o recíproco controle dos Poderes, solapa a democracia e constrói ditaduras. (Porto Alegre, 10 de novembro de 2000) Portanto, estando em vigor o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, resta ao Julgador administrativo verificar a conformidade do lançamento com a lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros, como já citado: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não há que se falar em "sinais exteriores de riqueza". Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 160 11 depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Além disso, é claro o caput do dispositivo legal, abaixo transcrito, que reputo bastar para fundamentar este entendimento. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13629.001816/200961 Acórdão n.º 2801003.946 S2TE01 Fl. 161 12 A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegar que os depósitos têm origem em atividade de representante comercial, de forma genérica, não é suficiente para ilidir in totum o lançamento, como pretende o Recorrente. Não encontro nos autos um único documento que comprove o exercício dessa atividade, um único registro documental de compra/venda intermediada, uma única relação entre ela e qualquer dos depósitos que foram individualizadamente listados pela Auditoria fiscal. Temos ainda a Súmula nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. CONCLUSÃO A presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, é peculiar e traz para o Contribuinte o ônus de demonstrar a origem dos depósitos. Assim, depósitos para os quais não haja registro documental, ao menos com razoável correspondência de datas e valores, findam por serem considerados como omissão de rendimentos, com uma finalidade maior de combater atividades ilícitas, como o tráfico, o contrabando e o descaminho, dentre outras, evitando que contas bancárias sejam utilizadas para a movimentação de recursos a elas correspondentes. Não é, portanto, simples ferramenta de aumento de arrecadação, como alude o Recorrente. Caberia a ele, simplesmente, documentar e demonstrar a licitude e a extensão de sua atividade. Dessa feita, VOTO por rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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