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Numero do processo: 10183.720556/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2003
ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO
A exclusão das áreas declaradas de Reserva Legal e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à averbação no cartório de registro de imóveis.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO.
Para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente é necessária a comprovação da existência efetiva das mesmas no imóvel rural comprovada através da apresentação de Laudo Técnico.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada cm caráter específico, por órgão competente federal ou estadual, para a propriedade particular.
VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
Cabe alterar o valor da terra nua considerado no lançamento com base no valor indicado no laudo de avaliação elaborado por profissional habilitado conforme as normas técnicas específicas de procedimentos de avaliação de imóveis rurais.
Numero da decisão: 2201-005.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a dedução da Área de Reserva Legal de 2.755,52 ha e da Área de Preservação Permanente de 269,94ha.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO A exclusão das áreas declaradas de Reserva Legal e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à averbação no cartório de registro de imóveis. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente é necessária a comprovação da existência efetiva das mesmas no imóvel rural comprovada através da apresentação de Laudo Técnico. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada cm caráter específico, por órgão competente federal ou estadual, para a propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Cabe alterar o valor da terra nua considerado no lançamento com base no valor indicado no laudo de avaliação elaborado por profissional habilitado conforme as normas técnicas específicas de procedimentos de avaliação de imóveis rurais.
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COMPROVAÇÃO A exclusão das áreas declaradas de Reserva Legal e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à averbação no cartório de registro de imóveis. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente é necessária a comprovação da existência efetiva das mesmas no imóvel rural comprovada através da apresentação de Laudo Técnico. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada cm caráter específico, por órgão competente federal ou estadual, para a propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO. Cabe alterar o valor da terra nua considerado no lançamento com base no valor indicado no laudo de avaliação elaborado por profissional habilitado conforme as normas técnicas específicas de procedimentos de avaliação de imóveis rurais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para acolher a dedução da Área de Reserva Legal de 2.755,52 ha e da Área de Preservação Permanente de 269,94ha. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 05 56 /2 00 7- 53 Fl. 354DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 04-19.511 – 1ª Turma da DRJ/CGE, fls. 284 a 294. Trata de autuação referente a Imposto Territorial Rural e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Segundo a descrição dos fatos na Notificação de Lançamento, regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a área de preservação permanente, a área de utilização limitada e o valor da terra nua declarada. Contra o interessado foi emitida a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 02 a 06, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 1.400.570.71, relativo ao imóvel rural denominado “FAZENDA PIRAIM”, com área de 13.677,6 ha, NIRF 4.236.031-5, localizado no município de Nossa Senhora do Livramento / MT. Cientificado do lançamento, em 13/12/2007, o Contribuinte, por meio de seu representante legal, protocolizou, em 11/01/2008, a impugnação de fls. 36 a 52, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos anexado ao processo a partir da página 53. O fiscal autuante relata que em procedimento fiscal do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao ITR, do exercício de 2003, o contribuinte apresentou, em atendimento ao solicitado na intimação, Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel para comprovar que não é mais o proprietário do imóvel em virtude de venda, por esse motivo não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização. Assim, foi efetuada a glosa das áreas de preservação permanente e utilização limitada pela não comprovação do benefício usufruído e o VTN declarado por estar subavaliado foi alterado com base nas informações do Sistema de Preços de Terras - SIPT da Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento em 13/12/2007 (fl. 223), o interessado apresentou, em 11/O1/2008, a impugnação de fls. 36 a 51, em síntese, em sua impugnação fez alegações preliminares e de mérito, onde argumentou, que: Preencheu a declaração do ITR, do imóvel, exercício 2003, com erro, pois informou que a área de preservação permanente correspondia a 2.700,0 ha, a área de utilização limitada 8.236,0 ha, porém, o correto é que essas áreas correspondem a 269,9 ha e 2.684,2 ha, respectivamente, e a área imprestáveis 5.368,1 ha; Fl. 355DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 No formulário da declaração de 2003, não há espaço para informar as áreas imprestáveis do imóvel, por isso informou a área de utilização limitada no valor de 8.052,3 hectares; Transcreve ementas de vários julgados do Conselho de Contribuintes para justificar a não obrigatoriedade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA para comprovar a exclusão das áreas consideradas isentas pela lei; A autuação teve por escopo a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal e, também pela desconsideração do valor da terra nua informados na DITR, majorando o VTN declarado no valor de R$ 213,00/ha, contrariando frontalmente os artigos 29 a 31 da Lei 5.172/1966, Lei n° 9.393/1996 e a Lei n° 10.165/2000; Ao ser notificado pela fiscalização da Receita Federal encaminhou cópia do Contrato de Venda da Fazenda em questão, celebrado em 13/08/2003, onde está comprovado na cláusula 02, que o imóvel foi vendido pelo preço de RS 4.000.000,00, ficando o restante do valor dividido em três parcelas para receber dois anos após a venda, o que vem demonstrar que a propriedade foi alienada com prejuízo na ordem de RS 224.730,00; No imóvel há área de pastagens, podendo ser utilizada parcialmente, porque são localizadas às margens de rios, lagoas, courixos (banhados) e áreas de baixo relevo, acumulando águas pluviais represadas, permanecendo submersas em níveis de 40 a 60 cm na maior parte do ano, tornando inviável a exploração pecuária. Comprovação da área de preservação permanente para retificação das informações constantes. Apresenta Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural e de comprovação da área de preservação permanente para retificação das informações constantes na DITR/2003. Buscando apurar o principio da verdade material, a Receita Federal poderá valer- se de diligência in loco, vez que o impugnante não se furtará em submeter-se a esse procedimento; Com relação ao VTN, torna-se imperioso que seja desqualificado o Laudo de Avaliação apresentado na fase preliminar de intimação elaborado pelo engenheiro Edivaldo de Freitas, apresentado inadequadamente, considerando o valor da terra nua em 31/12/2002; Por não ter cometido qualquer infração, entende ser descabida, ilegal e inoportuna a multa de 75%; Por último, requer, provimento da impugnação com vistas à revisão do crédito tributário constituído, com base o Laudo de Avaliação e demais documentos apresentados por ser de inteira justiça. Em 22/08/2008, 0 impugnante solicita reconsideração das informações contidas na primeira impugnação apresentada, alegando erro de fato no preenchimento da declaração referente ao Nirf em questão, exercício de 2003. Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância, acordou pela procedência em parte da impugnação, com manutenção do crédito tributário exigido parcialmente, com aplicação Fl. 356DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 dos acréscimos legais (multa e juros de mora) no percentual conforme previsto na Notificação de Lançamento, manifestando-se no sentido de que: Do Sujeito Passivo da Obrigação Tributária O impugnante alega que não é mais proprietário do imóvel em razão da venda ocorrida em agosto de 2003, mediante Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel Rural, fls. 74 a 78. Acontece que o documento citado, se constitui apenas em um Termo de Compromisso entre as partes ali contratantes, sob a condição da Escritura Pública de Compra e Venda ser outorgada aos compradores, por ocasião do último pagamento do preço do negócio, ou seja, em maio de 2005. Ressaltamos que o ordenamento jurídico em vigor no país prevê que a formalização de transferência de propriedade de imóveis por compra e venda de imóveis é feita por meio de registro da respectiva escritura pública no Cartório de Registro de Imóveis. O documento trazido aos autos, por se tratar de documento particular, é inservível como prova na transferência da propriedade de imóvel. Não tendo comprovado que em 2003 o interessado não era proprietário do imóvel, logo, é contribuinte do ITR, conforme disposto no art. 4° da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996 e como tal é responsável pela apresentação da declaração e pelo pagamento do ITR ali apurado no exercício. Da Preliminar de Nulidade Com relação ao questionamento de que houve violação aos artigos 29 e 31 do Código Tributário Nacional, podemos salientar que tal assertiva não se constitui verdadeira, posto que o imposto incide sobre a propriedade territorial rural, tendo como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do município em que se situa. Os documentos apensados aos autos, comprovam que o imóvel em apreço está localizado na zona rural do município de Barão de Melgaço - MT e, portanto, como tal há incidência do Imposto Territorial Rural - ITR, conforme previsto na legislação. Por sua vez, de acordo com o artigo 31 do CTN, é contribuinte do imposto o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer. Está devidamente comprovado nos autos, que o imóvel pertence a vários titulares, sendo o interessado um dos condôminos, detendo como participação no condomínio 30,0% do total da propriedade. Assim, enquanto for mantido indiviso, deverá declarar o imóvel apenas um dos titulares, na condição de condômino declarante. De sorte que, que a intimação enviada para um dos condôminos para apresentar documentos referentes a Declaração do ITR de 2003, aproveita a todos os condôminos solidários. Constam às fls. 223 a 229, cópias dos AR(s), que comprovam que todos os condôminos tomaram ciência da intimação para se manifestarem nos autos. Portanto, não há fundamento em se falar em nulidade do ato administrativo. Salientamos, ainda, que crédito tributário foi constituído através de emissão de Notificação de Lançamento, conforme previsto em lei, e os requisitos cujo descumprimento poderia causar a nulidade do feito, encontram-se disciplinados no art. 11, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Fl. 357DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Menciona o artigo 60 onde preconiza que causas diversas das indicadas não ensejarão Nulidade, sendo necessário que tenha havido prejuízo para o sujeito passivo. No presente caso, a notificação de lançamento identificou as irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação, cada alteração efetuada na DITR/2003, de forma clara, como se pode observar na “Descrição do Fatos e Enquadramento Legal”, fls. 02 e 03, estando, portanto, em consonância com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Assim, é verdade, pois o requerente, impugnou, de forma clara e precisa, a imputação que lhe fora feita, como se depreende da defesa apresentada, expondo os motivos de fato, de direito e os pontos discordantes, suscitando questões preliminares e de mérito, relativamente às matérias envolvidas, nos termos do inciso III, do art. 16 do Decreto n 70.235/1972, não restando qualquer dúvidas de que entendeu perfeitamente do que se tratava a exigência. As hipóteses de nulidade estão claramente estabelecidas na legislação, de modo que as circunstâncias argüidas não causam mácula ao presente lançamento, porquanto se constata a total observância aos requisitos determinantes e norteadores da atividade administrativa do lançamento. Destacamos, outrossim, que na esfera administrativa, não é cabível a discussão quanto a legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor. Às Delegacias de Julgamento, como órgãos integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, compete julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, obedecendo aos ditames da lei, sendo-lhe defeso apreciar argüições de inconstitucionalidade ou inaplicabilidade de textos legais. Como esclarece Luiz Henrique Barros de Arruda em sua obra “Processo Administrativo Fiscal” (Editora Resenha Tributária - 2” Edição), a função dos órgãos de jurisdição administrativa “consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades “a quo com as normas legais vigentes”. E conclui que “falecelhes, como falece aos órgãos do poder Executivo criados "para desempenhar atribuições equivalentes, competência para pronunciar-se a respeito" da conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanadas da própria Constituição Federal, "a -ponto de declarar-lhe a nulidade ou a inaplicabilidade ao caso expressamente nela previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário.” Com relação a jurisprudência trazida aos autos, é de ser observado o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil, que estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros...”. Se não for parte nos litígios objetos dos acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali proferidas, posto que os efeitos são “inter partes ” e não “erga omnes“. As decisões administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, e somente aplicam-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios, pois assim determina o inciso II, do art. 100, do Código Tributário Nacional. Fl. 358DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Presentemente, no âmbito do processo administrativo fiscal, inexiste norma legal que atribua às decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa tal efeito. Com isso, fica claro que as decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Solicitação de Perícia Quanto à solicitação de perícia, caso não fosse aceito o Laudo de Avaliação, temos a salientar que esta não se faz necessária no presente caso. A realização de perícia somente se justificaria se o exame das provas apresentadas não pudesse ser realizada por este julgador, em razão da sua complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Pelo exposto, nenhuma circunstância há que justifique a perícia pleiteada. O lançamento limitou-se a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados em nome do contribuinte, não havendo matéria controversa ou de complexidade que justifique Parecer Técnico Complementar. Assim, e em observância ao art. 18 do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), cumpre que se indefira o pedido de perícia sob análise. As declarações do ITR entregues pelo contribuinte à Receita Federal são submetidas à revisão mediante “Malha Fiscal”, atividade exercida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Da revisão da declaração poderá resultar lavratura de Auto de Infração ou emissão de notificação de lançamento quando forem constatadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ou erros de cálculos cometidos pelo sujeito passivo ou infração à legislação tributária. O lançamento foi legal e corretamente efetuado com base nas declarações apresentadas pelo contribuinte à Receita Federal. O presente processo versa sobre a glosa das áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal informadas no exercício de 2003, em virtude de não ter sido comprovada a isenção e a alteração do VTN declarado, foi com base no valor indicado no laudo apresentado pelo contribuinte. Com a entrada em vigor da Lei n° 9.393/96, o ITR passou a ser lançado por homologação, modalidade na qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder a seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto em seu art. 10, caput, e no art. 150 da Lei n.° 5.172/66 - Código Tributário Nacional- CTN. Área de Preservação Permanente e Reserva Legal Em relação às áreas ambientais pretendidas, verifica-se que, com base na legislação de regência da matéria, exige-se que o contribuinte protocolize, tempestivamente, o Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama, ou seja, após o prazo de seis meses da entrega da declaração do exercício a que se referir. Fl. 359DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 No presente caso, verifica-se que apesar de encontrar-se averbada a área de reserva legal na matrícula do imóvel no percentual de 20%, o Ato Declaratório Ambiental - ADA, nao foi apresentado nos autos, para regularizar o exercício em questão. Cumpre salientar, que por expressa disposição legal, as áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal para fins de não incidência do ITR, devem estar obrigatoriamente indicadas em ADA (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-O, § 1°, com redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000; art. 1° e Lei n° 4.771,' de 1965, art. 16, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001; art. 11, § 1°, da IN/SRF n° 256/2002, e art. 12, § 1° do Decreto n° 4.382/2002 - RITR). Embora tenha o impugnante apresentado Laudo Técnico, Mapa e Memorial descritivo para comprovar a existência das pretendidas áreas ambientais, é necessário salientar que esses documentos não dispensam a necessidade de se comprovar nos autos o cumprimento tempestivo da exigência de protocolização do ADA. Área de Interesse Ecológico 'O contribuinte alega que não concorda com a tributação sobre a área de terras tida como legitimamente inexploradas, em razão da destruição das pastagens provocadas por inundações, tornando imprestáveis para a prática da/atividade rural. As características apontadas pelo impugnante são próprias da região pantaneira, a qual é formada por imensas várzeas sujeitas a inundações constantes na maior parte do ano, fato já considerado na diferenciação, favoravelmente aos proprietários rurais, do índice de lotação e grau de utilização do imóvel; não se confunde com as áreas de preservação permanente ou de reserva legal averbadas nas matrículas dos imóveis e, por si só, não serve de argumento para sua isenção. Nos termos do disposto no art. 10, § 1°, II, b e c, da Lei n° 9.393/96, as áreas de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas ou comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, para fins de isenção de ITR, devem ser comprovadas, além do ADA, com o Ato do Poder Público (Órgão Federal ou Estadual) que declare, em caráter específico, quais áreas da propriedade são consideradas de interesse ambiental e a que título. Não são admitidas declarações em caráter geral, que não especifiquem quais as áreas da propriedade são de interesse ambiental. No presente processo, não foi apresentado o ato do órgão competente, estadual ou federal, declarando as áreas específicas da propriedade de interesse ecológico, razão pela qual não há como atender o pleito do contribuinte. Com a adoção de desses procedimentos evitam-se distorções, garantindo estar a exclusão do crédito tributário em consonância com a realidade material do imóvel, além de contribuir para maior obediência às normas ambientais em vigência. Calamidade Pública Sobre a alegação de ocorrência de calamidade pública na regiao, ressalte se que a legislação apenas contempla a decretação desse estado em função de evento adverso que tenha destruído pastagens e plantações ou tenha ocasionado frustração de safra ou colheita, desde que Fl. 360DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 reconhecido pelo governo federal. No presente caso, inexistem nos autos, documentos que comprovem tal situação no município de localização do imóvel, que tenha culminado com a destruição de pastagens, até porque, conforme pode ser observado em consulta à declaração, o contribuinte declarou a área de pastagens correspondente a 2.813,6 hectares, sendo esta aceita pela fiscalização. Valor da Terra Nua - VTN Com referência ao questionamento do VTN, cabe salientar que a base de cálculo do ITR e a forma de apuração do VTN tributável encontram previsão nos artigos 10 e 11 da Lei n° 9.393/1996, que assim dispõem. O procedimento de apuração do imposto feito pelo contribuinte fica sujeito a verificação por parte da autoridade fiscal, estando o lançamento de ofício do ITR previsto no art. 14, da Lei n° 9.393/1996, que também é a base legal para a instituição de um sistema de preços de terra por parte da Receita Federal. O valor da terra nua deve corresponder ao valor de mercado na data do fato gerador, conforme previsão legal. As orientações quanto ao valor que deve ser considerado para a terra nua constam dos manuais elaborados pela Receita Federal. Para ilustrar, transcrevo a seguir as Perguntas n° 181 a 183 do manual de Perguntas e Respostas do ITR/2002 expedido pela Secretaria da Receita Federal: “l8l. O que se entende por terra nua, para efeito do ITR? Terra nua é o imóvel por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com a sua superfície e a respectiva mata nativa, floresta natural e pastagem natural. A legislação do ITR adota o mesmo entendimento da legislação civil. Lei n”9.393, de 1996, art.10, § 1",1 e Código Civil, art. 43,1. 182. Como determinar o valor da terra nua, para efeito do ITR? O Valor da Terra Nua - VTN - é o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: I - construções, instalações e benfeitorias; 11 - culturas permanentes e temporárias; III - pastagens cultivadas e melhoradas; IV- florestas plantadas. (Lei n” 9.393, de 1996, art.10, §1“, 1). 183. O VTN é o valor de mercado do imóvel em que data? O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do no a que se referir a DITR, e será considerado auto avaliação da terra nua apreço de mercado. Fl. 361DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 A determinação para alimentação do SIPT com os valores de terras e mais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR constou do art. 3° da Portaria n° 447 de 28/03/2002. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que justificam essa revisão. O VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, conforme consulta de fl. 28, e refere-se ao VTN médio com base nas declarações processadas no exercício em questão para o município de localização do imóvel, em R$ 213,97/ha. É de ser salientado que, no caso de a fiscalização utilizar os valores indicados no SIPT para apuração do VTN de um determinado imóvel rural e seu proprietário discordar dessa avaliação, por entender que seu imóvel possui VTN menor do que a média dos outros imóveis do mesmo município, a legislação faculta a autoridade administrativa rever o VTN considerado no lançamento, desde que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação nos moldes exigidos na intimação, que comprove o VTN efetivo de seu imóvel. Para comprovar que o VTN por hectare do imóvel é menor que o tributado, o contribuinte apresentou o laudo de Avaliação de Imóvel Rural às fls. 80 a 103, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, devidamente registrada no CREA e da identificação das fontes de pesquisa, onde foi atribuído ao imóvel o valor de R$ 113,90/ha, que será aceito em substituição ao considerado no lançamento. Juros e Multa de Ofício Em sendo apurada irregularidades nas informações prestadas na DITR, há aplicação dos juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic, em disposição literal de lei ordinária regularmente editada - art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito - conforme consta do demonstrativo anexo à Notificação de Lançamento (fl. 04): “Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3” do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. “ (grifou-se)” É cabível, ainda, a cobrança da multa conforme disposto no § 2° do art. 14 da Lei n° 9.393/96, em razão de informações inexatas ou incorretas, à alíquota de 75% nos casos de lançamento de ofício do imposto, conforme previsto no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, a seguir transcritos: Fl. 362DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 “Art 14 da Lei 9.393/97”(...) § 2° As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. " “Art 44, inciso 1, da Lei n°9.430/1.996”. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento. pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. " Assim, verifica-se que o crédito tributário foi apurado conforme previsão legal, sendo apurado o Imposto Territorial Rural aplicando-se a alíquota de cálculo prevista no Anexo da Lei n.° 9.393/1996 sobre o VTN tributável apurado de acordo com o valor indicado no laudo apresentado pelo contribuinte. Ao imposto apurado foram acrescidos multa de ofício e juros de mora, nos termos da legislação citada na Notificação de Lançamento. Em sendo considerado no lançamento do exercício o VTN de R$ 113,90, conforme indicado no laudo, o VTNt será de R$ 1.569.268,64; o valor do imposto devido é alterado para R$ 313.853,73; Diferença do Imposto (Apurado - Declarado) é R$ 313.745,73, relativamente ao lançamento original de fl. 04. Isto posto e considerando tudo mais que dos autos consta, a DRJ acordou pela procedência em parte da impugnação, com manutenção do crédito tributário exigido em parte, com aplicação dos acréscimos legais (multa e juros de mora) no percentual conforme previsto na Notificação de Lançamento. Regularmente cientificado da Decisão da DRJ em 22/03/2010 e insatisfeito com a referida decisão, em 20/04/2010, o contribuinte, impetrou Recurso Voluntário a este Conselho, se insurgindo contra a decisão de primeira instância, informando que após ter sido autuado, protocolou impugnação ao referido auto de infração, a qual foi acolhida de forma parcial, para o fim de alterar a área ocupada alegando que a decisão merece reforma basicamente sob os argumentos de que: Considerações sobre o Valor Da Terra Nua: Conforme consta do v. Acórdão n° 19.511, a DRJ/CGE, Relatório - doc. de fl. 247 - aceitou o preço de R$ 113,34 (cento e treze reais e trinta e quatro centavos), por hectare, na forma proposta através do Laudo de Avaliação do Imóvel (docs. de fls. 99/100), que foi juntado na Impugnação, para a formação do Valor da Terra Nua Tributável. Ocorre que, em rápida análise ao DARF encaminhado junto com a Intimação n° 0213/10, encontramos o valor corrigido do ITR/2003, na cifra de R$ 284.834,73 (duzentos e oitenta e quatro mil, oitocentos e trinta e quatro reais e setenta e três centavos). Diante de tal enquete, há que se rever o cálculo nesse sentido, pois, claro está que a Autoridade Julgadora de Primeira Instância, considerou o VTN de R$ 113,34 por hectare, Fl. 363DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 conforme explicitado no item 8,1, acima mencionado e assim deverá ser aplicado à base de cálculo do ITR. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA DE INTERESSE ECOLÓGICO E INDEFERIMENTO DE PERÍCIA: O recorrente, em sua fase impugnatória procurou instruir os Laudos apresentados, com farta e consistente documentação e dados suficientes para comprovarem à Autoridade Administrativa, da veracidade de suas alegações e informações contidas no processo e afirmou que, havendo dúvidas, estas poderiam ser sanadas pelo Sujeito Ativo da Obrigação Tributária, através da competente perícia que poderia ser realizada no próprio imóvel rural objeto da tributação; A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, entendendo que a matéria não é controversa e nem tenha apresentado qualquer grau de complexidade, indeferiu o pedido de perícia “in loco" e nada considerou, para redução da base de cálculo do Valor da Terra Nua, ou seja, desprezou a Área de Reserva Legal, a Área de Reserva Permanente e a Área Comprovada de Terras lnundadas. Em suma, com esse procedimento, o Grau de Utilização foi mantido em 20,5% e a Alíquota de cálculo, permaneceu em 20% sobre a Base de Cálculo. Comprovadamente foi demonstrado pelo Laudo de Avaliação da Propriedade conforme descrição conforme docs. de fls. 99/100 - Item 7.2.3 - Classificação da Capacidade de uso das terras – assim se constitui a propriedade objeto de tributação. O QUADRO RESUMO COM A DISTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, constante do LAUDO TECNICO – AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP - doc. de fl. 220 – comprova que, devidamente amparado nas normas técnicas estabelecidas na Lei n° 4.771/65 (art. 2°), o Recorrente faz jus à dedução de 269,94 hectares de RESERVA PERMANENTE e isso não pode ser desconsiderado por esse Egrégio Conselho. Da mesma forma, as matrículas dos imóveis, comprovam a existência de 2.724,08 hectares de área de Reserva Legal, devidamente averbadas, que também deverá ser considerada, para a redução da Área de Terras Nuas Tributáveis. Sendo consideradas as exposições cima, devidamente comprovadas no processo impugnatório, consubstanciadas nas matriculas do imóvel e nos Laudos de Avaliação e Técnico Reserva Permanente, o cálculo do ITR/2003, deve ser revisto, com vistas à sua redução, em face da tabela apresentada às fls. 309. Ignorou, também, a área de Destruição de Pastagens, por inundação, de 5.368,15 ha, conforme provas fartamente comprovadas através do Relatório Fotográfico - docs. de fls. 185/187, Carta do IBGE - docs. de fls. 188/202, e Imagens de Satélite - docs. de fls. 203/204; Conforme se vê no gráfico acima exposto, na linha n° 13, o recorrente informa que na propriedade existem 2.813,60 ha, de pastagens disponiveis para o exercício da atividade pecuária, em sua plena capacidade de exploração; Fl. 364DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Verifica-se, também, no mesmo gráfico, à linha 16, a informação de 5.368,15 has, que compõem-se de pastagens, que poderiam ser normalmente exploradas, não fosse a inundação, que torna essa área totalmente imprestável para a atividade rural, em conseqüência das enchentes da região pantaneira, que atingiram e continuam atingindo o imóvel objeto de tributação. Na DIAT/2003, o recorrente informou essa área inundada, de forma incorreta, como sendo de Reserva de Utilização Limitada, porém, por falta de campo especifico para esse tipo de informação, no formulário em apreço, é imperioso que essa área seja lançada no seu “Campo 11"- Frustração ou Destruição de Pastagens por /calamidade Pública - Inundação. As enchentes no Pantanal mato-grossense, é um acontecimento notório, de ampla e irrefutável divulgação, de conhecimento público, que dispensa qualquer tipo de contra-prova, contraditoriamente ao que alude a Autoridade Julgadora de Primeira Instância, pois, jamais seria possível criar bovinos numa pastagem, coberta por um lençol d'água de 60 (sessenta) centímetros, em torno de 6 (seis) meses durante o ano, cujas pastagens, demoram de 90 (noventa) a 120 (cento e vinte) dias, após, para ser recuperarem, Há um prejuizo irrefutável, que não pode ser ignorado no cômputo da base de cálculo do imposto, e o contribuinte não pode e não deve ser compelido a pagá-lo de forma indevida, coercitivamente. Colacionou algumas decisões jurisprudenciais. SOBRE A OCUPAÇÃO DA ÁREA: Para expor com a maior transparência possível, no que concerne à legislação em- questão, pertinente ao caso concreto, o Recorrente tomou o devido cuidado em elucidar, informar e comprovar a essa Colenda Câmara, através de Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional legalmente habilitado, em consonância com a NBR n° 14.653, da ABNT, ora anexado à presente, detalhando matrícula por matricula, a área total de cada Lote e as respectivas RESERVAS, LEGAL e de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, com as averbações no CRI - 1° SNR - Várzea Grande - MT, e a área afetada pela inundação, em face do período de enchentes pantaneiras, fato esse que, por si só, desterra a pretensão do Sujeito Ativo da Obrigação Tributária, na pessoa da Autoridade Administrativa Lançadora, quando insiste em constituir crédito tributário na rubrica de ITR, como da não existência de área de RESERVA LEGAL e de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, dentro da propriedade do Impugnante; Se, isso não bastasse para consubstanciar a prova, existe ainda, o instrumento da diligência "in loco” que a Autoridade Administrativa de Primeira Instância, por razões que não sabemos dizer, e já não querendo utilizá-lo, abriu mão desse dispositivo legal, por achar, talvez, muito mais prático optar pela tributação total da área, negando ao recorrente a existência de sua comprovada Reserva Legal – aspecto absurdo - sob todos os pontos de vista. Ainda, com relaçäo à RESERVA LEGAL informa o recorrente, que o Art.12, do regulamento sobre a Propriedade Territorial Rural ( Decreto n° 4.382/2002) foi totalmente observado, conforme se relata a seguir: “Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindo-se apenas sua utilização sob regime de regime de manejo florestal sustentado ( Lei n° 4.771 de 1965, art. 16, com redação dada pela M. P. n° 2.166-67 de 2001). Fl. 365DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 § 1° - Para efeito da legislação do ITR, as áreas que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. § 2°- Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação ( Lei n° 4.771 de 1965, art. 16, § 10 acrescentado pela M.P. n° 2.166-67, de 2001, art. 1°)." SOBRE O “GUT” E A ALÍQUOTA DO IMPOSTO: 11.1- Sobre a alíquota utilizada no cálculo do Crédito Tributário ora constituído pela Autoridade Lançadora, o recorrente vem apresentar a sua discordância, fundamentado nas questões de mérito e preliminares já abordadas, pois não pode o Autuante atribuir o “fator de tributação" sobre uma área de terras tida legitimamente como inexplorada, mesmo que não tenha exploração, ou não dispusesse de averbação nos moldes exigidos pela Receita Federal do Brasil, pois é inconcebível que a legislação na sua aplicação em tais circunstâncias, deixe de considerar a ÁREA DE DESTRUIÇÃO DE PASTAGEM (por inundação, tornando-se comprovadamente imprestáveis para a prática da atividade rural), fundamentado apenas em aspectos formais e burocráticos, quando em verdade a ocupação da área deixa de ser apenas um ato jurídico e se consubstancia em questão de mérito, que poderia ser perfeitamente constatado por Órgãos competentes, criados para tal fim. Se o legislador ao desconsiderar a Reserva Leqal. A Área de Preservação Permanente, e parte da área de ocupação do imóvel. apenas e tão-somente com base em procedimentos burocráticos e exercer sua taxação pela ausência desses pressupostos. estaria, então, insofismavelmente, convalidando a utilização total da área de forma impositiva fato esse que seria impossível, porque estaria obrigando o Impuqnante a incorrer em crime contra a Natureza. cuia competência de fiscalização, seguramente, não seria da Receita Federal do Brasil. A utilização da propriedade, foi realizada de maneira racional, cujas peculiaridades exigem uma exploração mais voltada para a preservação, do que para questões frias e calculistas, de PRODUÇÃO e PRODUTIVIDADE, exercendo a atividade rural, em compatibilidade com a condição que a propriedade rural naturalmente oferece, de acordo com o seu bioma peculiar. É importante, observar também, que o Legislador de forma esparsa estabeleceu os pressupostos tributários e cujas peculiaridades remeteu-as à consideração genérica, contrariando a aplicação da lei no tempo e no espaço, pois não se pode dar o mesmo tratamento à terras no Estado de São Paulo, Santa Catarina ou do Parana, etc., e mesmo em relação à terras deste vasto e importante Estado de Mato Grosso, especialmente às inseridas na região do Pantanal Mato- grossense, que diferem das demais regiões, razão pela qual, torna-se imperiosa a revisão da alíquota aplicada de 20%, restabelecida ao nível da DITR re-ratificada. conforme Demonstrativo apresentado no Demonstrativo do item 9.7 (Iinha24) do presente. isto é. com alíquota de 3% (três por cento), resultante do qrau de utilização. acima de 80% (oitenta por cento). ASPECTOS IMPORTANTES DA IMPUGNAÇAO QUE ENSEJAM A REVISAO DA DECISÃO EM JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA: Fl. 366DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 O recorrente pede a devida vënia a Vossas Senhorias, para reprisar alguns tópicos importantes, abordados na peça impugnatória, que não foram devidamente . analisadas pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância que não podem ser ignoradas ou desprezadas nesta apreciação de mérito. Vejamos: DESCONSIDERAÇAO DA AREA DE RESERVA LEGAL CARTÓRIO DO REGISTRO DE IMÓVEIS DA COMARCA DE VARZEA GRANDE -MT. Conforme comprova a Impugnante,_ a Reserva Legal de 2.724,08 hectares, está legalmente averbada à margem das matriculas do registro imobiliário competente, fatoçesse que, por si só, valida a comprovação da sua DITR/2003, trazendo ainda o reforço inexpugnável da jurisprudência esposada pelo Egrégio Terceiro Conselho' de Contribuintes. DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇAO PERMANENTE As - imagens de satélite inseridas nos novos Laudos Técnicos de Comprovação de Área de Interesse Ambiental e de Preservação Permanente, anexados à presente, assinados pelo Engenheiro Agrônomo LEONEL ALVES PEREIRA - CREA/MT 3517-D, devidamente elaborados em consonância com a NBR-14653, da ABNT, comprovam a Reserva de Preservação Permanente, somando 269,94 hectares. Tais comprovaçöes, acham-se inseridas no item 9, dos respectivos Laudos de APP. DESCONSIDERAÇAO DA AREA UTILIZADA PELA ATIVIDADE RURAL A Notificação de lançamento o Senhor Auditor Fiscal já considerou a área de 2.813,60 hectares de pastagens exploradas, e esse montante deve ser mantido. Mas, é preciso observar também, que na propriedade, existe uma área de 5.368,15 hectares de pastagens, que somente podem ser utilizadas parcialmente, porque consistem em terras localizadas às margens de rios, lagoas, courixos (banhados) e áreas de baixo relevo, que acumulam águas pluviais represadas, e permanecem submersas em niveis de 40 a 60 centímetros, na maior parte do ano, tornando inviável a prática da exploração pecuária. Conotadamente, essas áreas são imprestáveis para a exploração rural, e, por falta de campo específico no DIAT, devem ser consideradas como ÁREA COMPROVADAMENTE IMPRESTÁVEL PARA A ATIVIDADE RURAL, nos termos do Inciso Vl, do Art. 10, do Decreto n° 4.382/2002, que deve ser excluída da TRIBUTAÇÃO do ITR. É importante reprisar, para que não pairem dúvidas: No Laudo de Avaliação, o Engenheiro Agrônomo Leonel Alves Pereira, ao atribuir a Nota Agronômica ao imóvel, no item 7.2.3 - Classificação da Capacidade de uso das terras, na alinea “d" - Classe VIII. O imóvel obteve a Nota Agronômica em função da classificação de uso e da condição de acesso ao imóvel, no ano de referencia, no período de novembro a março, época das chuvas, alguns pontos do acesso ficavam intransitáveis, sendo possível o acesso ao imóvel somente por meio aéreo, com isso tinha-se uma condição desfavorável. Em 2004 foi feito uma parceria entre o Governo do Estado e os Produtores Rurais da região para que se levantassem as Fl. 367DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Estradas a fim de permitir o trafego mesmo no período chuvoso, em que o proprietário do imóvel avaliando foi Presidente da Comissão de construção das mesmas. d) Classe VllI:- Sao terras impróprias para qualquer tipo de cultivo, devido à permanência, em grande parte do ano, de alagamentos e mesmo no período seco, as áreas encontram-se muito encharcadas, impossibilitando o desenvolvimento de qualquer atividade económica. Na área em estudo esta classe representa um percentual de 60%, cujo alagamento dura em média 6 (seis) meses do ano, desde o inicio do período chuvoso até o final do escoamento das águas na estiagem, ficando nos outros meses bastante encharcadas por se tratar de um relevo extremamente plano e ter forte influencia do Rio Cuiabá que se “desencaixa" do seu leito, no período chuvoso, atingindo grande parte da propriedade. inseridos nestes 60% estão os 20% do total da propriedade que estão destinados para área de Reserva Legal, conforme averbado na matrícula. DESCONSIDERAÇÃO DO GRAU DE UTILIZAÇÃO DA TERRA E DA ALIQUOTA DE TRIBUTAÇAO. O Grau de Utilização ( GU) também deve ser revisto por Vossa Senhoria, conforme as exposições apresentadas por este lmpugnante, na presente peça impugnatória, em especial, nos itens 14, 16 e 20 e seus itens, cujo índice de 81,81% deve ser mantido, por ter sido calculado em consonância com a orientação do artigo 31, do Decreto n° 4.382/2002, com a apuração da alíquota de 3% (três por cento). A Autoridade Lançadora, ao desconsiderar as Áreas de Reserva Legal, de Preservação Permanente e por não ter desonerado do Imposto, a área de 5.368,15 hectares de terras imprestáveis para a exploração rural, apontou o indice inaceitável de 20,5 %, atingindo este Impugnante com a alíquota máxima de 20%. A revisão desse quesito torna-se imperiosa, tendo em vista todos os documentos comprobatórios, demonstrações fáticas e de direito e laudos ora juntados à presente. CÁLCULO DO VALOR DA TERRA NUA O Valor da Terra Nua, também deve ser revisto por essa Colenda Câmara, tendo em vista que 0 preço foi aceito pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância, na ordem de R$ 113,34 por hectare, em conformidade com o grau de fundamentação e precisão esposado pelo Engenheiro Agrônomo Leonel Alves Pereira, nos Laudos de Avaliação dos Imóveis, em consonância com a NBR-14653-3/2004, da ABNT, que na peça impugnatória, assim ficou demonstrado: A avaliação da área em epígrafe obedece a sistemática preconizada pela NBR 14.653-3 da Associaçao Brasileira de Normas Técnica. que permite obter o preço de mercado da área como um todo, através de pesquisa de mercado junto a instituições e pessoas ligadas ao meio rural na região de influencia do imóvel, bem como de negócios realizados através de escrituras públicas de compra e venda. O preço da terra nua foi obtido após tratamento estatístico das amostras de pesquisas realizadas na região, mais precisamente no municipio de Nossa Senhora do Livramento e Barao de Melgaço. O tratamento estatistico foi realizado para correção em funçao das diferentes classes de capacidade de uso, correção do valor da terra em função das diferentes condiçoes de acesso as propriedades e do valor das benfeitorias de cada amostra. Cálculo do Valor da Terra Nua (VTN) Fl. 368DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Definiu-se uma situação de imóvel paradigma, qual seja o imóvel avaliando sujeitando-o à metodologia: - os coeficientes de correção são submetidos a cruzamento de informação dos dados do objeto em função das variáveis objetivadas, como classe de capacidade do uso das terras e condições de acesso, que detiniu o indice de Nota Agronômica (NA). Depois, procedeu-se a homogeneizaçao dos valores, estabelecendo uma relaçäo entre as variaveis de Nota Agronômica, obtendo-se fatores correspondentes que, multiplicados pela ancianidade, resultaram no Fator de Homogeneizaçao Total (FHT) de cada imóvel. Com a multiplicação do FHT pelo VTNlha (valor terra nua por ha) de cada imóvel pesquisado, obteve-se o VTNlha homogeneizado em relaçäo à situação paradigma. Depois, foi realizado o calculo da media simples dos valores, que alcançou um valor de R$ 113,34lha (Cento e Treze Reais e Trinta e Quatro Centavos por Hectare). O valor obtido serviu para avaliar a Terra Nua do imóvel em iguais condições aos amostrados. (Docs. de fls. 99/100 e 247). Outra condicionante (variável independente) Para chegarmos ao VTN, com base em amostras (imóveis) e balizados pela NBR 14.653-3, utilizamos as condicionantes: Capacidade de Uso dos Solos, Condições de Acesso e o Indice de Nota Agronômica (NA). O imóvel em estudo possui uma condicionante (particularidade) de muita relevância, que provoca grande influência na apuração de seu Valor da Terra Nua (VTN) e é de vital importancia no planejamento da avaliação, Esta particularidade diz respeito a localização da propriedade. O imóvel em estudo está localizado na Zona Tampäo de Sanidade Animal, pois o municipio de Nossa Senhora do Livramento faz parte dos municípios que tem restrições para a comercialização de seus animais por causa da aftosa, com frigoríficos que exportam para a Europa, conforme consta no Manual de Preenchimento para Emissão de Guia de Trânsito Animal de bovinos e bubalinos, tendo que comercializar seus bovinos, com frigoríficos de pequeno porte, que vendem para o mercado interno. Face o exposto,o valor da Terra Nua, aceito pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância é de R$ 113,34 (cento e treze reais e trinta e quatro centavos), por hectare, devendo assim ser aplicado à base de cálculo para apuração do imposto devido. VALOR DA TERRA NUA TRIBUTÁVEL › Conforme preceitua o Art. 33, do Decreto 4.382/2002, este Impugnante tomou todas as precauções, para, corretamente, desenvolver o cálculo do VTNT - Valor da Terra Nua Tributável - do imóvel, apurando-se o VTNt divergente daquele apresentado pelo Sujeito 'Ativo da Obrigação Tributária, razão pela qual deverá ser retificado e corrigido. O lançamento também deve ser revisto quanto a essa rubrica, pois o valor lançado pela Autoridade Administrativa, exorbita da realidade, tendo em vista o elevado preço que foi atribuído para cada hectare, conforme já ficou claramente demonstrado no Laudo de Avaliação, anexado à impugnação e cujo valor já foi aceito, por ter sido informado pelo recorrente, de maneira correta. (ver item 9.7- págs: 6 e 7). CÁLCULO DO ITR/2003 Fl. 369DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Por conseqüência, mediante a revisão de todas as rubricas retromencionadas, mister se faz, com que 0 Cálculo do ITR também seja revisto, pois, deve ser recalculado com base nos valores e informações fiscais retificados, cujo produto, após a aplicação da alíquota de 3%, apresentará significante redução no ITR indevidamente calculado pela Autoridade Administrativa. O Valor calculado já foi devidamente parcelado pelo recorrente e está sendo recolhido pontualmente. DO RECONHECIMENTO DO ITR. DEVIDO E PARCELAMENTO DA DIVIDA O recorrente informa à essa Colenda Câmara, que o valor do- ITR, resultante do novo cálculo efetuado, quando da impugnação, que foi reconhecido como imposto suplementar devido, já foi devidamente parcelado, antes de o processo administrativo seguir para a DRJ/CGE para apreciação e julgamento e as parcelas estão sendo recolhidas de forma regular e com pontualidade. (ver docs. de fls. 23/262 - Processo Novo: 10183720 136/2008-58). DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA ` Conforme comprovam os instrumentos de mandato inclusos na presente, fazem parte, de forma única e solidária, os condôminos do imóvel, como integrantes desta relação tributária, os Senhores: ANTONlO ROBERTO PICHINI - CPF. 161.571.251-87; PALMERINO PICHINI - CPF. 108.013.169-87; EDSON PICHININ - CPF. 391.580.559-91; ALDEMIR SÉRGIO PICHINI - CPF. 511.974.309-97 e MARCOS LÚCIO PICHININ - CPF. 474.279.811- 20, os quais, manifestam concordância aos termos desta, através do Procurador legal, MILTON PASCOAL PICHININI, adiante assinado. DO REQUERIMENTO Diante do exposto, é este para requerer à Vossas Senhorias, que se dignem em receber o presente, dando-lhe provimento para, no mérito, reconhecer a isenção . da reserva legal averbada, a APP, a desoneração do imposto sobre a área inundada, a correção do VTN e a aplicação correta da alíquota de 3% (três por cento) na constituição do crédito tributário, reduzindo-o ao valor devido, cancelando de plano a parcela impugnada, objeto de recurso, por ser de direito e de inteira justiça! Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. A insatisfação do contribuinte em relação ao acórdão da DRJ, ao mencionar as razões do recurso voluntário, inicia demonstrando preliminarmente que o recurso é admissível, discorrendo sobre o enunciado do acórdão da DRJ/CGE, relatando a seguir sobre os tópicos da impugnação rejeitados pela DRJ (nulidade, perícia, área de preservação permanente: área de reserva legal e área de interesse ecológico) e os acolhidos em parte (valor da terra nua). No mérito, fez considerações sobre o VALOR DA TERRA NUA, sobre as ÁREAS DE Fl. 370DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL, DE INTERESSE ECOLÓGICO, INDEFERIMENTO DE PERÍCIA, SOBRE A OCUPAÇÃO DA ÁREA, SOBRE O “GUT” E A ALÍQUOTA DO IMPOSTO. Finalmente, mencionou os ASPECTOS IMPORTANTES QUE ENSEJAM A REVISÃO DA DECISÃO EM JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, sendo eles: 1 – A DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL, 2 – DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, 3 – DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA UTILIZADA PELA ATIVIDADE RURAL, 4 – DESCONSIDERAÇÃO DO GRAU DE UTILIZAÇÃO DA TERRA E DA ALÍQUOTA DE TRIBUTAÇÃO e 4 – VALOR DA TERRA NUA. Ao final, o recorrente faz relato sobre o CÁLCULO DO ITR 2003, informando que mediante e a revisão de todas as rubricas retromencionadas, mister se faz, com que o cálculo do ITR também seja revisto, pois, deve ser recalculado com base nos valores e informações fiscais retificados, cujo produto, após a aplicação da alíquota de 3%, apresentará significante redução no ITR indevidamente calculado pela Autoridade Administrativa. O Valor calculado já foi devidamente parcelado pelo recorrente e está sendo recolhido pontualmente. Em seguida, informa que fez o RECONHECIMENTO DO ITR DEVIDO E FEZ O PARCELAMENTO DA DIVIDA, informando a este Conselho que o valor do- ITR, resultante do novo cálculo efetuado, quando da impugnação, que foi reconhecido como imposto suplementar devido, já foi devidamente parcelado, antes de o processo administrativo seguir para a DRJ/CGE para apreciação e julgamento e as parcelas estão sendo recolhidas de forma regular e com pontualidade. Parcelamento este efetuado conforme o processo 10183720.136/2008-58), anexo às folhas 23/362. Ao analisar este processo, observa-se que o contribuinte fez o pagamento em 29/09/2006 no valor de 108,01, tendo como período de apuração 01/01/2006, conforme o valor apurado em sua declaração do imposto territorial rural do ano de 2003, pagamento este que não influi no resultado deste julgamento, no sentido de extinguir o crédito tributário em questão, pois trata-se do valor considerado devido pelo mesmo em sua declaração e não ao valor constante da autuação em questão. Em relação ao SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, o contribuinte enumera todos os demais condôminos participantes da relação tributária: ANTONlO ROBERTO PICHINI – CPF 161.571.251-87; PALMERINO PICHINI – CPF 108.013.169-87; EDSON PICHININ - CPF. 391.580.559-91; ALDEMIR SÉRGIO PICHINI - CPF. 511.974.309- 97 e MARCOS LÚCIO PICHININ - CPF. 474.279.811-20, os quais, manifestam concordância aos termos desta, através do Procurador legal, MILTON PASCOAL PICHININ, adiante assinado. Ao final, o contribuinte faz requerimento a este Conselho, para que seja reconhecida a isenção da reserva legal averbada, a APP, a desoneração do imposto sobre a área inundada, a correção do VTNt e a aplicação correta da alíquota de 3% (três por cento) na constituição do crédito tributário, reduzindo-o ao valor devido, cancelando de plano a parcela impugnada, objeto de recurso, por ser de direito e de inteira justiça. 2 - MÉRITO DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Sobre o questionamento, o contribuinte pode suscitar direito à isenção da referida área, pois há de se ressaltar que se trata de tema sobre o qual o Conselho Administrativo de Fl. 371DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo é transcrito abaixo: Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Por conta disso, deve ser excluída da tributação a área declarada a título de reserva legal, pois a mesma se encontra assentada no registro de imóveis, sendo portanto desnecessário o protocolo do ADA junto ao IBAMA. Como visto, resta claro ser prescindível que as áreas de preservação de reserva legal sejam reconhecidas mediante ato do IBAMA. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Neste tema, observa-se que a autuação deveu-se basicamente à falta de apresentação do ADA emitido pelo Ibama, autuação esta confirmada pelo órgão julgador de primeira instância. Em seu recurso, o contribuinte apenas rebateu a referida exigência, apresentado os dispositivos legais que segundo o mesmo dispensariam a sua apresentação e também a jurisprudência nesse sentido. A apresentação de Laudo Técnico, Memorial Descritivo, plantas que comprovam a existência das área de preservação permanente excluem a obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao Ibama. Tais documentos comprovam a existência física das áreas de preservação permanente e outras porventura existentes no imóvel, Portanto, para a exclusão da tributação do ITR sobre a área de preservação permanente é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas. Neste questionamento, entendo que deve ser acatada a área declarada a título de preservação permanente constante do laudo agronómico apresentado. A dispensa do protocolo do ADA junto ao IBAMA é baseado no parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016, onde o mesmo defende que nas decisões que envolvam a necessidade de averbação e prova das áreas de Reserva legal e preservação permanente através de Ato Declaratório Ambiental para a Isenção do Imposto Territorial Rural, a PGFN seja dispensada de contestar e recorrer das decisões contrárias. Segundo partes do mesmo temos que: Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 - que deu nova redação ao art. 17-O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 - e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 - Novo Código Florestal. Com efeito, os precedentes do STJ que estabelecem a desnecessidade de apresentação de ADA para fins de gozo da isenção tributária do ITR, seja para reconhecimento de área de reserva legal, seja para a área de preservação permanente, justificam que tal Fl. 372DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 obrigação constava somente em ato normativo secundário – IN SRF nº 67, de 1997, não tendo o condão de vincular o contribuinte Dessa forma, inexiste razão para o Procurador da Fazenda Nacional contestar ou recorrer quando a demanda estiver regida pela legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 (que deu nova redação ao art. 17-O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000), se a discussão referir-se às seguintes matérias: (i) a necessidade ou não de prova da averbação da reserva legal como condição para a concessão da isenção do ITR; (ii) a necessidade ou não da averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR; e (iii) a necessidade ou não de apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. De acordo com o parecer acima, não tem por que manter autuação por temas em que a PGFN já se manifestou no sentido de não mais contestar ou recorrer, devendo portanto, ser acatado o recurso voluntário no sentido da exclusão da área total, para fins de apuração da área aproveitável do imóvel rural, a Área de Preservação Permanente declarada e comprovada. DESCONSIDERAÇÃO DA ÁREA UTILIZADA PELA ATIVIDADE RURAL Se analisarmos a Notificação de Lançamento, perceberemos que a autuação considerou a área de pastagens declarada pelo contribuinte. Quanto às demais áreas, supostamente declaradas inutilizadas para a atividade rural, devido às alagações constantes, não merece guarida por este órgão julgador, haja vista o fato de que tais alagamentos são típicos da região de localização do imóvel, que não se trata de nada de extraordinário, a ponto de ser declarado de calamidade pública ou situação similar. Além do mais, o contribuinte não apresentou documentos certificados por órgão competente no sentido de ratificar o afirmado pelo mesmo em sua argumentação. DESCONSIDERAÇÃO DO GRAU DE UTILIZAÇÃO DA TERRA E DA ALÍQUOTA DE TRIBUTAÇÃO O grau de utilização inicial, considerado pela autuação com base nas exclusões das áreas de isenção declaradas pelo contribuinte foi de 20,5, que resultaria numa alíquota de imposto de 20%. Ao considerarmos a reserva legal e a área de preservação permanente declaradas e comprovadas pelo recorrente, aumentaremos o grau de utilização do imóvel, devendo o novo cálculo levar em conta as exclusões das áreas acatadas por este Conselho. Por conta disso, deve ser revisto o grau de utilização do imóvel, com o consequente reenquadramento da alíquota de tributação. VALOR DA TERRA NUA. Considerando que o órgão julgador originário acatou o laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, com a consequente redução na autuação, não temos por que analisar a demanda do mesmo neste sentido. Fl. 373DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-005.408 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720556/2007-53 Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem como na descrição dos fatos e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito em dar provimento parcial, devendo ser considerada a reserva legal de 2.755,52 declarada e comprovada pelo contribuinte e a área de preservação permanente de 269,94 hectares, conforme o laudo de avaliação apresentado. (assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001817/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2002
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
A quantia correspondente a acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos auferidos pelo contribuinte sujeita-se à tributação do Imposto de Renda.
RECURSOS. COMPROVAÇÃO.
Uma vez comprovados recursos pelo contribuinte, tais valores devem figurar como origem no correspondente demonstrativo de evolução patrimonial
NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO.
A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havê-lo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica).
Numero da decisão: 2401-006.716
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A quantia correspondente a acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos auferidos pelo contribuinte sujeita-se à tributação do Imposto de Renda. RECURSOS. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovados recursos pelo contribuinte, tais valores devem figurar como origem no correspondente demonstrativo de evolução patrimonial NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havê-lo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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A quantia correspondente a acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos auferidos pelo contribuinte sujeita-se à tributação do Imposto de Renda. RECURSOS. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovados recursos pelo contribuinte, tais valores devem figurar como origem no correspondente demonstrativo de evolução patrimonial NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. A preclusão indica a perda da capacidade processual, pelo seu não uso dentro do prazo peremptório previsto em lei (preclusão temporal); ou pelo fato de havê-lo exercido (preclusão consumativa); ou, ainda, pela prática de ato incompatível com aquele que se pretenda exercitar no processo (preclusão lógica). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING - Relatora (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 17 /2 00 6- 18 Fl. 386DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.716 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001817/2006-18 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório O presente lançamento reporta-se à apuração de omissão de rendimentos em decorrência de variação patrimonial a descoberto no ano-calendário de 2001. Impugnada a exigência fiscal pelo contribuinte alegou, o órgão julgador a quo acatou parte de suas alegações, nos seguintes termos: - com relação à alegação acerca da diferença de R$468,72 a título de rendimentos tributáveis recebidos no ano de 2001, assiste razão ao contribuinte; - no que tange aos rendimentos isentos e não tributáveis, a Fiscalização incluiu, no demonstrativo de fl. 274, somente o correspondente aos rendimentos de caderneta de poupança. No entanto, o contribuinte havia declarado outros rendimentos isentos e comprovou, por meio do documento de fl. 277, o montante de R$27.385,51; E, assim, conclui a DRJ: “(...) deve ser incluído no demonstrativo de fl. 274, como origem, o montante de R$27.854,23 (R$27.385,51 + 468,72), o que reduz a infração de acréscimo a descoberto de R$192.769,06 para R$164.914,83. Com relação à alegação do contribuinte de que teve recursos não incluídos no fluxo patrimonial decorrentes de alienação de ativo imobilizado, tal alegação carece de suporte probatório. O simples fato de haver informação na relação de bens e direitos da DIRPF do contribuinte de que valores de bens foram reduzidos a zero não constitui elemento de prova suficiente para comprovar a origem de recursos. O contribuinte sequer informou, no campo relativo à discriminação dos bens se houve alguma venda, por exemplo. Ainda assim, tal fato, por si só, não seria suficiente para comprovar a efetividade da suposta operação, tampouco o valor que teria sido objeto da alienação.(...)” Cientificado da decisão de piso, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e- fls. 318 a 326), tentando comprovar, nos termos a seguir resumidos, a origem de recursos não considerados pela fiscalização: a) Rendimentos estes pagos em folha de pagamento oriunda do Tesouro Nacional e ainda os oriundos de erro em conta por parte da própria auditora: Totalizando: R$27.854,23. O balancete demonstrativo destes rendimentos constam do Anexo 3, nele também é apresentada uma correção nos erros de soma cometidos pela auditora, implicando cm uma diferença adicional a favor do contribuinte, além das entradas relacionadas que deixaram de ser computadas na análise. O comprovante das receitas relacionadas consta do Anexo 4; b) Rendimentos oriundos de Venda de Ativos do contribuinte: Totalizando: R$166.052,00. O balancete demonstrativo destes rendimentos é reapresentado no Anexo 5. A saber: -Registro de Imóvel comprovando a venda do terreno no valor de R$ 60.000,00- comprovante consta do Anexo 6 Fl. 387DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.716 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001817/2006-18 -Escritura Pública de Confissão de Divida, relativa a aquisição das benfeitorias realizadas no terreno, no valor de R$108.000,00, divida parcelada, garantida por promissórias, que foram descontadas por R$100.000,00- comprovantes consta do Anexo 7 - R$6.052,00 referente a venda de posições de ações da carteira do contribuinte — As ações já aparecem nas declaração de imposto de Renda do contribuinte corno patrimônio em 1993 e seguem até 2001, quando foram desincorporadas por terem tido o direito sobre elas repassado a terceiros e vendidas. Anexos 8 e 9; c) Devolução de Imposto de Renda de Renda referente ao Ano de 2000 (ocorrida em 2001): R$536,58 que consta do Anexo 10. Segundo o recorrente, estes rendimentos, que foram omitidos na análise da auditora, e que totalizam R$194.442.81, representam um valor maior que a alegada variação patrimonial a descoberto que monta a R$192.769,06. É o relatório. Voto Conselheira MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING, Relatora. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate em 29/12/2009, apresentando na mesma data o presente Recurso Voluntário conforme despacho às e-fls. 380, sendo, portanto, TEMPESTIVO, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Do mérito Com relação ao arguido pelo recorrente, tem-se que: a) quanto ao valor correspondente a Rendimentos estes pagos em folha de pagamento oriunda do Tesouro Nacional, totalizando R$27.854,23, o montante já foi considerado pelo órgão julgador a quo, que determinou a exclusão do mesmo da base de cálculo do tributo (e-fls.312); b) quanto aos rendimentos oriundos de Venda de Ativos do contribuinte, totalizando R$ 166.052,00, mais uma vez o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações. De fato, o documento constante como Anexo 6 (e-fls. 332) encontra-se incompleto, não sendo possível identificar de que imóvel se trata. Do mesmo modo, o documento constante como Anexo 7 (e-fls. 333 a 335) consiste numa Escritura Pública de Confissão de Divida, tendo como credora a esposa do contribuinte, relativa a benfeitorias no valor de R$108.000,00, a ser pago em parcelas, não havendo comprovação do efetivo recebimento deste total no curso do ano-calendário fiscalizado; c) quanto ao valor de R$6.052,00 referente a venda de posições de ações da carteira do contribuinte, constam como Anexos 8 e 9 (e-fls. 336 a 339) cópias da declaração de IRPF do contribuinte que não servem de prova como já atestou a DRJ na decisão de piso. Além destas cópias, o recorrente acrescenta às e-fls. 340 um recibo no valor de R$ 1.245,00 referente a Fl. 388DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.716 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001817/2006-18 venda de parte das ações mencionadas, sem, entretanto, comprovar o efetivo recebimento do recurso. d) por fim, quanto à restituição de Imposto de Renda de Renda referente ao Ano de 2000 (ocorrida em 2001) no valor de R$536,58, a matéria não foi objeto da impugnação apresentada pelo contribuinte, ocorrendo, assim, a preclusão, razão pela qual dela não tomo conhecimento. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER E NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001835/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
ÔNUS DA PROVA
Cumpre ao contribuinte provar as alegações contidas na Impugnação ao Auto de Infração, não bastando meras alegações genéricas, sem qualquer respaldo documental.
Numero da decisão: 2401-006.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
1.0 = *:*
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório O presente lançamento reporta-se à apuração de omissão de rendimentos em decorrência de Acréscimo Patrimonial a Descoberto-APD no ano-calendário de 2003, relacionada a gastos em valores superiores aos rendimentos declarados, conforme relatado na Demonstrativo de Cálculo, às fls. 73. Inconformado, o contribuinte impugnou a exigência, alegando erro nas informações prestadas em sua declaração com relação a compra de um imóvel, conforme a seguir transcrito: “De fato, a compra do imóvel foi iniciada em setembro de 2002. A casa já se encontrava em obras desde o ano de 200l, conforme alvará em anexo (fl.8l) e, em 2002, foi paga pela parte já construída (mão-de-obra e material utilizado) R$20.000,00 provenientes do empréstimo de R$l0.000,00 obtido junto a FlPECq (fl.48) e de parte das diárias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 18 35 /2 00 5- 23 Fl. 109DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.726 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10860.001835/2005-23 recebidas durante aquele ano (fl.82). Não há recibo deste valor pago por se tratar de transação realizada entre amigos, referente a obras que já tinham sido efetuadas.” Por sua vez, a DRJ manteve a autuação nos termos da ementa a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA-IRPF Exercício: 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos (tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte), à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação VARIAÇÃO PATRIMONIAL. DIÁRIAS. A natureza dos recebimentos a título de diárias pressupõe a utilização desses recursos para a cobertura de despesas especificas, não se prestando a justificar variação patrimonial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não cabe a tributação do valor do acréscimo patrimonial apurado, quando o contribuinte comprova ser ele oriundo de empréstimo recebido. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão de piso, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e- fls. 106 e 107), nos termos a seguir resumidos: “(...)Diante do exposto acima o contribuinte chama a atenção para o fato de que na fl. 69 foram consideradas para cálculo do IRPF as despesas do cartão de crédito, de acordo com as fls 18-46 (lançamentos do cartão crédito), e pode-se verificar nas folhas de despesa de cartão que diárias recebidas foram utilizadas para pagamento de diárias de hotel exterior (EUA), lançadas em dólar* americano, e mesmo no Brasil, Dourados- MS, e no pagamento de passagens aéreas, o que justifica o uso das diárias recebidas para o pagamento das despesas com cartão de crédito, evitando o transporte de grandes quantias de dinheiro em espécie durante viagens nacionais e internacionais a serviço do Governo Federal. A solicitação que o contribuinte faz é que as diárias sejam utilizadas no cômputo total, para pagamento das despesas de cartão de crédito, apesar de não serem incluídas no computo do rendimento bruto.(...) É o relatório. Voto Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Relatora. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado do Acórdão da DRJ em 21/11/08 conforme AR às e-fls. 105, apresentando seu Recurso Voluntário em 18/12/08, portanto TEMPESTIVO razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Do mérito Fl. 110DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.726 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10860.001835/2005-23 Com relação ao mérito, o pedido do recorrente à consideração das diárias recebidas em viagens nacionais e internacionais a serviço do Governo Federal, cujas despesas foram pagas com seu cartão de crédito pessoal com o fito de evitar transportar somas de dinheiro em espécie. Ocorre que, além do contribuinte não ter demonstrado que as despesas com hotel pagas em seu cartão são relativas a viagens a serviço, e a despeito da DRJ ter negado o reconhecimento das diárias recebidas para justificar o acréscimo patrimonial a descoberto, a autoridade fiscal autuante lhe ofertou tratamento mais benéfico, posto que é possível notar que na planilha de cálculo do APD às fls. 73, anexa ao auto de infração, consta como origens de recursos, no item 3, “diárias e ajuda de custo”. Sem contar que simples alegações genéricas sem especificar a que valores o recorrente se refere não tem o condão de afastar o trabalho fiscal. Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER E NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720304/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2007
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. ADA SUMULA CARF Nº 122. LAUDO TÉCNICO
A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental protocolizado junto ao IBAMA, nos casos de área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal, dispensando-se o ADA, neste último caso, quando a ARL esteja averbada à margem da matrícula do imóvel em data anterior à data de ocorrência do fato gerador.
Improcedente a exigência de comprovação de protocolo do ADA formalizado junto ao IBAMA se o contribuinte é beneficiário de provimento judicial que o dispensa da formalização de tal requerimento.
Tendo o contribuinte apresentado Laudo Técnico, acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica, atestando a existência de APP, não havendo outros requisitos pendentes de cumprimento, deve-se restabelecer a área declarada a este título.
Numero da decisão: 2201-005.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. ADA SUMULA CARF Nº 122. LAUDO TÉCNICO A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental protocolizado junto ao IBAMA, nos casos de área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal, dispensando-se o ADA, neste último caso, quando a ARL esteja averbada à margem da matrícula do imóvel em data anterior à data de ocorrência do fato gerador. Improcedente a exigência de comprovação de protocolo do ADA formalizado junto ao IBAMA se o contribuinte é beneficiário de provimento judicial que o dispensa da formalização de tal requerimento. Tendo o contribuinte apresentado Laudo Técnico, acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica, atestando a existência de APP, não havendo outros requisitos pendentes de cumprimento, deve-se restabelecer a área declarada a este título.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-19T12:25:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-19T12:25:23Z; Last-Modified: 2019-08-19T12:25:23Z; dcterms:modified: 2019-08-19T12:25:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-19T12:25:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-19T12:25:23Z; meta:save-date: 2019-08-19T12:25:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-19T12:25:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-19T12:25:23Z; created: 2019-08-19T12:25:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-08-19T12:25:23Z; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-19T12:25:23Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.720304/2011-19 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201-005.401 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2019 Recorrente AGROPECUARIA KANANXUE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. ADA SUMULA CARF Nº 122. LAUDO TÉCNICO A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental protocolizado junto ao IBAMA, nos casos de área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal, dispensando-se o ADA, neste último caso, quando a ARL esteja averbada à margem da matrícula do imóvel em data anterior à data de ocorrência do fato gerador. Improcedente a exigência de comprovação de protocolo do ADA formalizado junto ao IBAMA se o contribuinte é beneficiário de provimento judicial que o dispensa da formalização de tal requerimento. Tendo o contribuinte apresentado Laudo Técnico, acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica, atestando a existência de APP, não havendo outros requisitos pendentes de cumprimento, deve-se restabelecer a área declarada a este título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 03 04 /2 01 1- 19 Fl. 281DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 O presente processo trata da Notificação de Lançamento nº 01301/00001/2011, fl. 2 a 7, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor de R$ 1.175.721,58, já incluídos Multa de Ofício de 75% e juros de mora de calculados até 29/01/2011. O lançamento é relativo ao exercício de 2007 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 7.195.874-6 e com o nome de Fazenda Mato Grosso 1. Ao descrever os fatos que levaram ao lançamento, fl. 3/5, o Auditor-Fiscal sustenta que, mesmo regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção das áreas declaradas a título de preservação permanente e de reserva legal informadas em DITR. A Autoridade lançadora complementa tal descrição dos fatos nos seguintes termos: Áreas de preservação permanente e de reserva legal não comprovadas: Para fins de exclusão da área de preservação permanente da incidência do ITR, exige-se sua comprovação mediante: a) laudo técnico, identificando e classificando essas áreas de acordo com a tipologia dos arts. 2º da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), contendo dados técnicos suficientes para caracterizar as condições e dimensões dos seus tipos, caso a caso; e/ou b) certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente nos temos do art. 3° da Lei n" 4.771./65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. E, relativamente à área de reserva legal, determina a Lei 11” 4.771/1965 (Código Florestal). com as alterações introduzidas pela Lei n" 7.803/1989, sua averbação ä margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente (5 8° do art. 16). Ademais, é necessário reconhecimento dessas áreas pelo Ibama ou que o contribuinte protocolize requerimento de ato declaratória ambiental ADA junto ao Ibama para seu reconhecimento, conforme preconiza a legislação tributária e a ambiental. Necessário se faz esclarecer que. por meio do termo de intimação fiscal, o sujeito passivo foi intimado a apresentar, dentre outros, os documentos supracitados . Compulsando os documentos apresentados pelo contribuinte em 31/03/2010, verifica-se que foi apresentada copia da matrícula n° 24.611 do CRI de Pontes e Lacerda, atualizada, referente ao imóvel rural, que, após georreferenciamento, passou a ter área total de 8.276,4558ha. Cabe informar que na matrícula em comento consta averbação de termo de responsabilidade de manutenção de floresta manejada, correspondente a 50% da área total. Contudo, o laudo técnico, identificando e classificando a áreas de preservação permanente de acordo com a tipologia dos arts. 2” da Lei n° 4.771/55 (Código Florestal). contendo dados técnicos suficientes para caracterizar as condições e dimensões dos seus tipos, caso a caso, e/ou a certidão do órgão público competente, no caso de o imóvel ou parte dele estar inserido em área declarada como de preservação permanente nos termos do art. 3' da Lei n' 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou, não foram apresentados . Não foi apresentada também copia de documento que comprove que as áreas de interesse ambiental declaradas foram informadas em ato declaratória ambiental (ADA). protocolado pelo sujeito passivo no Ibama. Oportuno se faz mencionar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento das normas regularmente editadas, independentemente de questões acerca de sua legalidade Fl. 282DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 ou constitucionalidade, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória. sob pena de responsabilidade funcional. Pleiteando provimento jurisdicional que colocasse os contribuintes do ITR a salvo da exigência do ato declaratório ambiental como condição para excluir da incidência do imposto as áreas de reserva legal e de preservação permanente, ajuizou a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso Famato, como substituta processual de seus associados (empresários ou empregadores rurais do Estado de Mato Grosso), mandado de segurança coletivo n° 2D05.35.0D.008725-0/MT, de caráter preventivo. A sentença, desfavorável àquela Federação, foi reformada pela 8ª Turma do TRF da la Região em 16/10/2009, que entendeu ser dispensável a exigência da apresentação do ADA comprovando as áreas de preservação permanente e de reserva legal na área total do imóvel, como condição para excluí-las da base de cálculo do ITR. Insta, no entanto. esclarecer que referida ação judicial, até o presente momento. não transitou em julgado e que a decisão proferida aproveita apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator, nos termos do art. 2-A da Lei nº 9.494/1997. Objetivando determinar se o acórdão atingiria o sujeito passivo, eis que ele sequer mencionou a ação judicial, encaminhou-se o termo de intimação fiscal nº 001/2010, datado de 14/09/2010, a Famato, requerendo que a entidade informasse se o contribuinte constava de seu rol de filiados e, caso positivo, a data de sua filiação. Em resposta. o Sr. Seneri Paulo, Diretor Executivo da Famato, informou que a entidade é federação sindical que congrega sindicatos rurais e que, portanto, seu quadro de filiados é constituído, exclusivamente. de sindicatos rurais patronais do Estado. Afirma ainda que o contribuinte constante da intimação, se estivesse filiado ao sistema sindicato rural, o estaria através de um dos 87 (oitenta e sete) sindicatos que compõe aquela federação, motivo pelo qual não disporia de elementos suficientes para saber a qual dos sindicatos poderia o sujeito passivo estar eventualmente filiado. Não resta comprovado, portanto, que a decisão prolatada na ação em mandado de segurança ajuizada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso Famato, como substituta processual de seus associados (empresários ou empregadores rurais do Estado de Mato Grosso), abrange o sujeito passivo. Assim, como o contribuinte não comprovou as áreas de interesse ambiental declaradas. pelos motivos acima expostos, foram desconsideradas as áreas declaradas a título de preservação permanente e de reserva legal. Ciente do lançamento em 07 de fevereiro de 2011, conforme fl. 161, o contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 77/79, na qual apresentou as razões que entende justificar o cancelamento da exigência, as quais foram assim sintetizadas pela Decisão recorrida: 8. Tratou. primeiramente, da síntese da infração e do fundamento do Fisco e observou das averbações de ARL nas matriculas, para protestar pela perícia técnica para averiguação dos fatos. 9. Prosseguiu com a questão das averbações, da doação de área. do pedido de Licença Ambiental Única - LAU, das imagens de satélite mostrando a área preservada não passível de incidência do ITR, entre outras. 10. Entendeu restar límpido a ilegalidade da multa e ressaltou a certificação de matrícula do imóvel pelo INCRA. através de gerreferenciamento. 11. Explanou sobre julgados que tratam de questões similares, da legislação do ITR. da não necessidade do ADA. cuja exigência estava embasada em instrução Normativa - IN, entre outros. 12. Após outras argumentações pertinentes, menção de jurisprudência do Conselho de Contribuintes, destaque da averbação da matrícula. da contribuição com o ambiente Fl. 283DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 diminuído consideravelmente a emissão de CO2 na atmosfera, da possibilidade de verificação in loco pelo Fisco se assim o desejar, finalizou solicitando a nulidade da infração, exclusão do ITR incidido, de acordo com os documentos anexados. 13. Solicitou, também. a produção de provas que se fizerem necessárias e listou os documentos acostados, os quais são: procuração, documentos de identificação, cartão CNPJ, a NL, requerimento de LAU, mapa, matrículas do imóvel, certificação de gerreferenciamento, alteração contratual da empresa, ADA/2009, DITR/2007, entre outros, fls. 64 a l 17. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a Primeira Turma de Julgamento da RFB em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, fl. 166/176, cujas conclusões podem ser assim resumidas: Da Área de Preservação Permanente Com relação à APP existem dois tipos: a) - áreas que em virtude da topografia das florestas e tipo de acidentes geográficos específicos são definidas por lei como APP e b) - áreas que pela destinação são declaradas como APP por Ato do Poder Público. (...) Para comprovar estes tipos de preservação permanente basta a apresentação de laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a existência de florestas. detalhando as dimensões e locais listados no referido artigo de lei. O sujeito passivo não apresentou este documento; apenas um mapa relativo à licença ambiental constando informação genérica de APP foi enviado. Conforme artigo 3". do mesmo referido Código, dependendo da destinação existem outros tipos de florestas que. também. se consideram como APP. (...) Entretanto, como se vê nesse dispositivo legal, para que tais áreas possam ser consideradas APP necessitam de Ato do Poder Público que assim a declare. Da Área de Reserva Legal- Averbação na matrícula Neste item. como já observado pelo Fisco, foi comprovada a averbação da área na matrícula, que poderia ser considerada se constasse de ADA tempestivo, como a seguir será melhor esclarecido. Do Ato Declaratório Ambiental Pelo exposto. não basta apenas a existência da preservação florestal para que esta seja considerada isenta, pois, a legislação tributária, cujo objetivo é o financiamento das atividades do Estado, com justiça social e proteção ambiental, estabeleceu condições (obrigações acessórias) para fruição do direito a exclusão da tributação das áreas indispensáveis à proteção ambiental, ou a ela destinada por seus proprietários, mediante a ampliação de restrições de uso, tais como: a ARL, RPPN, a Servidão Florestal e as AIE, conforme descritas no dispositivo legal mencionado. Com a impugnação foi encaminhado ADA. porém, relativo a outro exercício, 2009. DA CONCLUSÃO 48. Tendo em vista a não demonstração da APP por meio de laudo específico e embora averbada a ARL na matrícula do imóvel, considerando a não apresentação de ADA, conclui-se não haver possibilidade de se rever o lançamento. Ciente das conclusões da DRJ em 15 de outubro de 2013, fl. 271, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 14 de novembro mesmo ano, o Recurso Voluntário de fl. 108/201, no qual apresenta as razões que, em seu entendimento, amparam sua convicção de que o lançamento em tela deve ser anulado. É o relatório necessário. Voto Fl. 284DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. O recorrente inicia a peça recursal pugnando pela retificação da área autuada, que teria sido considerada pela Autoridade autuante de 8.276,4 ha, quando o correto, na data da ocorrência do fato gerador, seria 6.511,6ha, com APP de 3.250,3ha e ARL de 3.255,8ha. Contudo, conforme se verificada da imagem abaixo, a qual foi extraída do Demonstrativo de fl. 6, a área imóvel rural em questão considerada para fins de lançamento é exatamente aquela que o contribuinte afirma estar correta. Assim, neste tema, nada a prover. Quanto ao mérito do lançamento, o contribuinte apresenta suas razões a partir de fl. 183, tratando da regularidade das ARL e APP e da ilegitimidade de exigência do ADA, pontuando que foi beneficiário de decisão judicial exarada em Mandado de Segurança impetrado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso que liberou a apresentação do ADA para áreas localizadas em Mato Grosso. A análise dos autos evidencia que a desconsideração da ARL se deu exclusivamente por não haver seu detalhamento em ADA apresentado tempestivamente, restando reconhecida pela decisão a quo que foi comprovada a sua averbação tempestiva à margem da matrícula no Registro de Imóveis. Já em relação à APP, a manutenção da glosa decorreu da falta de sua identificação em Laudo Técnico, falta de apresentação de ato do Poder Público declarando a área como APP e, também, da falta de apresentação de ADA tempestivo. Para o deslinde do caso sob análise, oportuno destacar a legislação correlata: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas naLei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Grifou-se. Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(...) Fl. 285DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Grifou-se. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher aoIBAMAa importância prevista noitem 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o-A. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5oApós a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifou-se; IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9ºÁrea tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I - de preservação permanente; II - de reserva legal; III - de reserva particular do patrimônio natural; IV - de servidão florestal; V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; (...) § 3ºPara fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; (...) Art. 11. São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. § 1ºPara fins de exclusão da área tributável, as áreas a que se refere o caput devem estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Grifou-se. Observados os destaques normativos acima expostos, os quais, por tão cristalinos, não mereceriam sequer análise mais atenta, inclusive esse tem sido o entendimento corrente neste Colegiado Administrativo, segundo o qual, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória à apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Ainda que aos olhos menos atentos possa parecer despropositada a exigência, trata-se de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além de configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Fl. 286DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. No caso em comento, o que se vê é a utilização do tributo como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Assim, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à autoridade fiscal, no uso de suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes dos requisitos fixados pela legislação. Ressalte-se que não precisa a Receita Federal do Brasil comprovar a falsidade das informações prestadas em DITR, já que, neste caso, são exclusões da base de cálculo do tributo alegadas pelo contribuinte. Lembrando que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as isenções exceções que devem ser provadas por quem delas se aproveita. Ocorre que, em relação à Área de Reserva Legal - ARL, embora este Conselheiro já tenha concluído em processos de mesma natureza sobre a indispensabilidade do ADA em situações semelhantes, há de ser ressaltar que se trata de tema sobre o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Desta forma, a despeito de estar ou não o recorrente acobertado por decisão judicial que o desobrigue de apresentação do ADA, considerando que o motivo da glosa da ARL está exclusivamente lastreado na não apresentação de ADA tempestivo, deve-se reconhecer o restabelecimento da exclusão da área total, para fins de apuração da área aproveitável do imóvel rural em tela, de uma ARL de 3.255,8ha. Já em relação à APP, que não é alcançada pela citada Súmula Carf nº 122, remanesce a exigência da protocolização do ADA junto ao Ibama, que, como visto acima, não é exigência decorrente de lei e não de Instrução Normativa como equivocadamente afirma a defesa. Na motivação do lançamento, a Autoridade autuante indicou a existência de sentença judicial, em mandado de segurança ajuizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso - Famato, como substituta processual de seus associados, a qual entendeu ser dispensável a exigência da apresentação do ADA comprovando as áreas de preservação permanente e de reserva legal na área total do imóvel, como condição para excluí- Fl. 287DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 las da base de cálculo do ITR. No curso da ação fiscal, tal decisão não foi considerada no lançamento por não ter sido comprovado que o contribuinte seria beneficiado pelo provimento judicial. Não obstante, no recurso voluntário, o contribuinte junta aos autos documentos que comprovam sua filiação ao Sindicado de Pontes e Lacerda, fl. 234, bem assim que integra o sistema Sindical Rural Patronal representado pela FAMATO e que é beneficiário da decisão exarada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo 2005.36.00.00872-50, fl. 236. Assim, no caso ora sob análise, em relação à APP, igualmente dispensada a exigência de protocolização de ADA junto ao Ibama. Contudo, conforme a própria decisão recorrida destacou, a APP declarada ainda estaria pendente de comprovação mediante a apresentação de laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a existência de florestas. detalhando as dimensões e locais listados no referido artigo de lei. Para suprir tal lacuna, o contribuinte juntou os documentos de fl. 243/247, que se constitui de Laudo Ambiental da lavra da Engenheira Floresta Olga Lúcia da Costa de Oliveira, acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica, que atesta a existência da APP em discussão, nos seguintes termos: É verdade que, caso considerássemos literalmente às áreas detalhadas no item 6 acima, constataríamos que a soma das APP não alcança exatamente os valores que foram declarados, tampouco os 50% do imóvel (com exclusão da ARL). Não obstante, tal detalhe não pode ser tratado de forma isolada, desconsiderando-se as demais questões fáticas atestadas pelo próprio laudo, que conclui que 100% do imóvel está intacto, sem áreas exploradas a qualquer título. Fl. 288DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.401 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720304/2011-19 Assim, deve-se considerar tal aparente impropriedade, possivelmente decorrente de mero erro material, sob prisma do Princípio da Razoabilidade, que é uma diretriz de bom- senso aplicada ao Direito. Esse bom-senso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas que o seu espírito. Neste sentido, conclui-se que deixa de existir a última exigência levantada pela pelo Agente Fiscal e pela decisão recorrida para a manutenção da glosa da APP, do que resulta, em conjunto com as conclusões relativas à ARL expressas alhures, que deve ser provido o recurso voluntário, com o consequente cancelamento integral da exigência em discussão no presente processo. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 289DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.904820/2010-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA DE CAUSA DE PEDIR E DO PEDIDO. NÃO IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO RECURSAL DA LIDE PREJUDICADA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Não é possível conhecer do Recurso Voluntário que não apresenta os requisitos formais de admissibilidade previstos nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal. A ausência de causa de pedir, e de pedido válido, tornam o Recurso Voluntário inepto.
Numero da decisão: 1001-001.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDRE SEVERO CHAVES
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA DE CAUSA DE PEDIR E DO PEDIDO. NÃO IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO RECURSAL DA LIDE PREJUDICADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não é possível conhecer do Recurso Voluntário que não apresenta os requisitos formais de admissibilidade previstos nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal. A ausência de causa de pedir, e de pedido válido, tornam o Recurso Voluntário inepto.
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AUSÊNCIA DE REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA DE CAUSA DE PEDIR E DO PEDIDO. NÃO IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO RECURSAL DA LIDE PREJUDICADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. Não é possível conhecer do Recurso Voluntário que não apresenta os requisitos formais de admissibilidade previstos nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal. A ausência de causa de pedir, e de pedido válido, tornam o Recurso Voluntário inepto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), André Severo Chaves, Andréa Machado Millan e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata-se, o presente processo, de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 08-30.954, da 4ª Turma da DRJ/FOR, que julgando “parcialmente” procedente a Manifestação de Inconformidade, apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo “in totum” o direito creditório pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 48 20 /2 01 0- 24 Fl. 55DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Transcreve-se, portanto, o relatório da supracitada DRJ, que resume de forma satisfatória o presente litígio: “Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta contra despacho decisório nº 863977942, às fl 12, que não reconheceu o crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 34424.53845.170709.1.7.02-2039 (fls 3/11) e não homologou as compensações nele declaradas. O pedido de compensação objetiva compensar alegado saldo negativo de IRPJ, apurado em 31.12.2006 (no valor de R$ 13.482,40) com débitos de IRPJ, referente a fevereiro de 2007. O despacho decisório fundamenta o não reconhecimento do crédito no fato de que a soma das parcelas de composição do crédito informada no PER/DCOMP não foi suficiente para comprovar a quitação da estimativa devida, na apuração do saldo negativo declarado na DIPJ. Cientificado da decisão em 18/06/2010 (fl 18), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade em 15/07/2010 (fls 19/20), onde alega que existe saldo negativo ao final do ano calendário, saldo este que estaria apto a ser utilizado no procedimento de compensação; junta documentos para tanto.” Entretanto, a DRJ/FOR, julgou “parcialmente” procedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: “Do quanto expendido, voto por considerar procedente a Manifestação de Inconformidade, no sentido de homologar a compensação declarada no PER/DCOMP nº 34424.53845.170709.1.7.02-2039, até o limite de R$ 1.560,81 (fl. 9), oriundo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, no valor de R$ 8.886,05. Cabe à Unidade Local verificar se o crédito ora reconhecido foi utilizado pelo contribuinte em procedimento de compensação diverso do que aqui foi analisado.” No voto proferido pela DRJ/FOR, esta destacou: “De plano, cabe esclarecer que o Despacho Decisório prolatado tomou por base as informações prestadas pelo contribuinte no PER/DCOMP. Contudo, percebe-se a ocorrência de erro cometido pelo administrado no preenchimento daquele documento. O erro reside na não identificação de todos os pagamentos que compuseram o saldo negativo ao final do ano. O contribuinte limitou-se a identificar apenas parte desses pagamentos, somente até o limite do que seria necessário para justificar o montante do crédito pleiteado. Dessa forma, o decisório concluiu, equivocadamente, pela inexistência de saldo negativo. Fl. 56DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Já o IRPJ ao final do ano de 2006 pode ser determinado através das informações contidas na DIPJ e DCTF apresentadas pelo contribuinte e dos dados disponíveis nos sistemas de controle da RFB. Os documentos anexados aos autos pelo contribuinte, bem como os extratos de fls. 31 e seguintes, comprovam que as estimativas recolhidas somaram R$ 64.889,45 (em valores originais), enquanto que o IRPJ apurado ao final do ano de 2006 foi de R$ 56.003,40 (= 48.002,04 + 8.001,36), o que resulta em um saldo favorável ao sujeito passivo de R$ 8.886,05. Registre-se que o contribuinte apurou em seu demonstrativo de fls. 28, quantia superior a esta. Entretanto, o mesmo incluiu na composição de seu saldo negativo, o valor de R$ 4.804,45 referente a Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, item que não fez parte da apuração de seu imposto anual. Dessa forma, o IRRF não deve compor o saldo ao final do ano, visto que o defendente não detalha nem comprova as retenções porventura havidas. Cabe ressaltar que o documento de fl. 27 (demonstrativo de cálculo do imposto de renda) não guarda correspondência com as informações sobre o IRRF que se encontram registradas nos sistemas de controle da RFB.” Cientificado da decisão de primeira instância em 15/12/2014 (Aviso de Recebimento à e-Fl. 43), inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/05/2014 (e-Fls. 46 a 52). Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente não apresentou causa de pedir, nem pedido válido, solicitando apenas “que o julgamento deste recurso, seja adiado até o protocolo das informações e documentos complementares (guias, declarações, planilhas, etc.). Estimamos um prazo de 90 (noventa dias) para conseguir esses documento.”. Frisa-se, ainda, que a Recorrente jamais apresentou os documentos acima indicados. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Fl. 57DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Inicialmente, ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, entretanto, não atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72, conforme verifica-se a seguir. Preliminarmente – Inépcia do Recurso Voluntário. Ausência dos Requisitos de Admissibilidade. Sabe-se que o Processo Administrativo Fiscal é regido pelo Decreto nº 70.235/72, bem como por legislações subsidiárias, tais como a Lei nº 9.784/99 e a Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), que representam uma função normativo-integrativa da lei específica. Tais regramentos normativos dispõem sobre determinados procedimentos formais que devem ser observados no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), com o escopo de se instrumentalizar o Direito Material. No âmbito do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o PAF, verifica-se em seu Art. 16, III, que: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Verifica-se, ainda, que o Art. 17, da mesma norma, estabelece que “Considerar- se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.”. Ou seja, para que a lide seja instaurada, faz-se necessário a impugnação da matéria, inclusive na fase recursal. Pelos dispositivos supracitados, fica evidente que um dos requisitos da impugnação administrativa (aplicável aos Recursos Administrativos) é a causa de pedir, ou seja, os fatos e fundamentos jurídicos do pedido. Entretanto, no presente caso, verifica-se que em nenhum momento a Recorrente insurge contra a Decisão de 1ª Instância, apenas informa que “(...)o valor indeferido relativos as compensações estão diretamente relacionadas com a comprovação(...)”, e que “(...)a empresa estará buscando essas informações(...)”. Fl. 58DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Ora, se a Recorrente não apresenta ao órgão revisor as razões do que diverge da decisão de primeira instância, nem expressa objetivamente o que pretende rever, a análise do recurso fica completamente prejudicada. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, faz-se necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da decisão do órgão “a quo”, qual seja, a DRJ. Seguindo adiante, observa-se, ainda, a ausência de outro requisito formal do Recurso Voluntário apresentado, qual seja, que o pedido seja válido, certo e determinado. Tal requisito encontra-se evidente no Art. 6º , IV, da Lei nº 9.784, e nos Arts. 322 e 324, do Código de Processo Civil, a seguir transcritos: “Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos;” “Art. 322. O pedido deve ser certo. (...) Art. 324. O pedido deve ser determinado.” Quanto a este segundo requisito apresentado, verifica-se que a Recorrente sequer requer o provimento, a procedência ou o acolhimento do Recurso, limitando-se a solicitar que o seu julgamento seja adiado até posterior protocolo de documentos, e informando que estima um prazo de 90 (noventa dias) para realizar a juntada, conforme recortado a seguir: No que se refere à solicitação realizada, de adiamento do julgamento do recurso, até posterior juntada de documentos, trata-se de um pedido inválido, por não haver qualquer previsão legal nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, bem como pela ausência de qualquer justificativa plausível. Fl. 59DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-001.359 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10920.904820/2010-24 Cumpre frisar, ainda, que a Recorrente não apresentou quaisquer documentos após o protocolo do Recurso Voluntário. Desta feita, em razão dos fundamentos apresentados, conclui-se, portanto, pela inépcia do Recurso Voluntário interposto, em razão da ausência de requisitos imprescindíveis de admissibilidade. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.902539/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2010
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.538
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2010 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.902539/201497 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.538 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente DUROLINE SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2010 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 25 39 /2 01 4- 97 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11020.902539/201497 Acórdão n.º 3401006.538 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.902530/2014-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2009
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.530
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 25 30 /2 01 4- 86 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11020.902530/201486 Acórdão n.º 3401006.530 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720773/2007-07
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE.
O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA.
Ausente apresentação tempestiva do ADA, há de se manter as supostas áreas de preservação permanente (APP) incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. SÚMULA CARF Nº 122.
O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da ARL está condicionado à comprovação da averbação de referida área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA.
Ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem.
Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 2003-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ISENÇÃO. ADA. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. OBRIGATORIEDADE. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA. Ausente apresentação tempestiva do ADA, há de se manter as supostas áreas de preservação permanente (APP) incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. SÚMULA CARF Nº 122. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da ARL está condicionado à comprovação da averbação de referida área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. Ausente a averbação da reserva legal no registro de imóveis competente, há de se manter a ARL incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 07 73 /2 00 7- 07 Fl. 89DF CARF MF 2 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negarlhe provimento. Francisco Ibiapino Luz Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 17.688,15, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2004, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da falta de comprovação do valor da terra nua declarada (fls. 03/06). Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0347.933, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DRJ/BSB (fls. 67/77), transcrito a seguir: Cientificado do lançamento, em 20/12/2007 (AR de fls. 03), o interessado postou sua impugnação, em 10/01/2008 (envelope de fls. 54), anexada às fls. 30/32, acompanhada dos documentos de fls. 33, 34/37, 38 e 39/53. Em síntese, alega e requer o seguinte: • faz uma breve descrição dos fatos relacionados com a presente Notificação de Lançamento; • apesar das dificuldades descritas, foi elaborado Laudo Técnico de Avaliação, de modo a atender ao Termo de Intimação Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 90 3 fiscal, além de prestadas informações sobre o referido imóvel rural; • apesar do seu esforço, visando atender ao exigido pela Receita Federal, o laudo de avaliação apresentado foi totalmente desclassificado, sendo arbitrado um valor muito elevado para os padrões do citado município, de grande dimensão territorial, com grande diversidade de terras e coberturas floristicas, fazendo com que existam enormes variações de preços de terras praticados nesse mesmo município; • diante desse fato, solicitou a um outro profissional que elaborasse novoLaudo de Avaliação, atendendo os requisitos da NBR 14.6533, atribuindo ao imóvel avaliado, para o ano de 2004, um valor bem inferior ao arbitrado pelo autuante; • apresenta esclarecimentos adicionais sobre o imóvel em questão, informando que nunca foi possível efetuar a averbação da área de reserva legal, em virtude de BLOQUEIO judicial, em sua escritura pública (cópia anexa); • utiliza integralmente os 20% da área do seu imóvel, passível de ser explorada na atividade rural, consequentemente, cabe ser reduzida a alíquota de cálculo utilizada para apuração do imposto devido; • considerandose que a Fazenda Nossa Senhora Aparecida conta apenas com 445,2 hectares formados com pastagens, não é possível usufruir rendimentos suficientes para arcar com o pagamento do crédito tributário lançado, no montante de R$ 8.131,20, sob pena de inviabilizar totalmente as atividades de exploração do imóvel, e • por fim, solicita o acatamento do laudo de avaliação apresentado, inclusive no que se refere ao grau de utilização de 100% do seu imóvel, de modo a cancelar a notificação de lançamento emitida ou, quando muito, seja reduzido o valor do crédito tributário, inclusive das multas e excluídos os juros com base na SELIC. Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, por unanimidade, julgou procedente em parte a contestação do impugnante, tributando o imóvel com base no VTN de R$ 82.098,02 equivalente a R$ 60,58/ha, apontado no referido “Laudo Técnico de Avaliação”, e demais alterações decorrentes, com redução do imposto apurado pela fiscalização, de R$ 7.966,20 para R$ 4.760,88, nos termos do relatório e voto ali registrados (fls. 67/77). Fl. 91DF CARF MF 4 Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso voluntário, argumentando o que segue sintetizado (fls: 81/86): 1. as exigências estabelecidas pelo Decreto n°4.382/2002 não estão em cornformidade com alei a Lei nº 9.393/19.96, no que se refere às áreas de preservação permanente e de reserva legal; 2. a Lei n°9.393/1996 não institui outro dever ao contribuinte além da obrigação de prestar declaração para o ,fim de isenção do ITR, além do DIAC e DIAT; 3. a Medida Provisória n." 2.16667/2001, ao incluir o § 7º no art. 10 da Lei n°9.393, dirimiu a questão, esclarecendo que não mais cabe erigir a apresentação do ADA como requisito necessário para demonstrar a destinação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, bastando a entrega da declaração de isenção de ITR; 4. o § 7º do art. 10 da Lei n°9.393/1996 possui cunho interpretativo, visto que a redação original do art. 10 já previa, no inciso II do § I", a exclusão das áreas' de preservação permanente e de reserva legal da área tributável, e como tal, retroage para beneficiar o contribuinte, a teor do art. 106 inciso I. do CTN; 5. há de ser afastar a exigência de averbação das áreas de reserva legal no registro de imóveis, para o fim de isenção do ITR, pois esse requisito não possui previsão no art. 10 da Lei n°9.393/1996. 6. cita posicionamento do STJ perfilhado com os sues argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 26/08/2013 (fls. 79), e a Peça recursal foi recebida em 25/09/2013 (fls.81), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Rejeito a preliminar suscitada pelo recorrente, no sentido de que as exigências estabelecidas pelo Decreto n°4.382/2002 não estão em conformidade com a Lei nº 9.393/19.96, no que se refere às áreas de preservação permanente e de reserva legal, pois a exigência do ADA e do registro da reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente estão previstas na Lei nº 9.393, de 1996, c/c com as Leis nºs 6.938/81 e 4.771, de 1995, conforme se discutirá no mérito. Portanto, reportada Norma nada mais faz do que regulamentar a fiel execução dos citados atos legais, nos termos da CF, de 1988, art. 84, inciso IV. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 91 5 Delimitação da lide Consoante visto no Relatório, a lide estabelecida se refere à exclusão de área classificada como de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, por falta de apresentação tempestiva do ADA, assim como do registro da reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. A cronologia metodológica do trabalho Dentro do espaço delimitado pela controvérsia instaurada, o escopo do presente estudo está a compreender aquilo que efetivamente diz a norma tributária, como se passa o que alí está dito e de que modo a situação fática a ela se subsume. Assim sendo, buscando facilitar a compreensão dos fatos, a presente abordagem se desdobrará em 04 (quatro) eixos, cujas abordagens se complementam nos respectivos tópicos, quais sejam: 1. APP nessa perspectiva, a problemática tida pela apresentação tempestiva do ADA será debatida na seguinte ordem cronológica de tópicos: Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro, ITR Aspectos constitucionais, ITR Aspectos legais, Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte, Norma legal vigente, Base de cálculo VTN tributável, Isenções exclusões da base de cálculo, Caracterização do ADA, A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA, A natureza acessória da obrigação, A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA e Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA; 2. ARL aí, se discorrerá acerca de sua averbação, onde serão tratados os tópicos referentes à exigência em si, como também ao prazo para sua efetivação; 3. a seguir, discorreremos sobre o reflexos das isenções concedidas na apuração do tributo, conforme tópicos a seguir: Progressividade de alíquota, Grau de utilização do imóvel rural GU, Área aproveitável do imóvel rural e Área efetivamente utilizada na atividade rural; 4. por fim, traremos abordagens fundamentando o entendimento obtido durante a presente análise, tais como: A dispensa da prévia comprovação de área isenta, Princípio da estrita legalidade tributária, Interpretação literal da legislação que concede isenção, A apresentação tempestiva do ADA, A averbação da reserva legal no prazo estipulado pela legislação e A Jurisprudência administrativa e judicial. Mérito Área de Preservação Permanente Conforme se verá na sequência, citada isenção tributária está condicionada à apresentação tempestiva do correspondente Ato Declaratório Ambiental (ADA). Assim sendo, o enfrentamento da querela fica facilitado quando explorado o aspecto da extrafiscalidade do ITR, o que se buscou privilegiar no presente estudo. Superada essa questão, passaremos à análise propriamente do mencionado Imposto por meio da subsunção dos fatos apresentados nos autos aos preceitos estabelecidos pela legislação que trata do assunto. Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro Fl. 93DF CARF MF 6 A Constituição Federal, de 1988, buscou assegurar o necessário equilíbrio entre a garantia individual da propriedade privada e sua função social como princípio da ordem econômica. Assim entendido, a primeira se apresenta atrelada à segunda tanto no capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos art. 5º, XXII e XXIII como naquele dos Princípios Gerais da Atividade Econômica art. 170, II e III nestes termos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, [...], à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXII é garantido o direito de propriedade; XXIII a propriedade atenderá a sua função social; Art. 170. A ordem econômica, [...], conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] II propriedade privada; III função social da propriedade. Refinando o raciocínio, vêse que a Carta Magna, pontual e especificamente, traz estímulos especificamente voltados ao cumprimento da função social do imóvel rural, seja estabelecendo os critérios de seu respectivo atingimento art. 186, I e II seja restringindo em si o próprio direito fundamental de propriedade arts. 184, caput, e 185, II e § único in verbis: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social [...]; Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: [...] II a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social; Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I aproveitamento racional e adequado; II utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; Nessa perspectiva, sopesando os comandos constitucionais vistos nos arts. 186 e 184 acima, inferese que, numa suposta relação hipotética, o primeiro pode se apresentar como antecedente e o segundo como consequente, ou seja, em situação extremada, o descaso com a função social do imóvel rural poderá implicar sua desapropriação por interesse social. Assim entendido, é imprescindível a conciliação entre os interesses individuais decorrentes do Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 92 7 direito de propriedade e os coletivos advindos com a justa solidariedade social, razão por que, quanto a isso, o comando constitucional sinaliza as potenciais hipóteses: 1. os legisladores deverão estimular referido equilíbrio, mediante normas incentivadoras de condutas salutares tanto do ponto de vista individual quanto coletivo; 2. os governos deverão promover políticas públicas direcionadas a tais finalidades; 3. os operadores do direito deverão orientar suas decisões com vistas ao atendimento dos preceitos ora discorridos; 4. à sociedade organizada, sem desrespeitar a propriedade privada, deverá exigir o cumprimento da função social da terra; 5. o proprietário individual do imóvel rural deverá conduzir seus propósitos pessoais com apreço aos interesses da coletividade. Descendo a pirâmide, passaremos a analisar o delineamento do aludido tributo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ITR Aspectos constitucionais Tratase de imposto de competência da União CF, de 1988, art. 153, VI de função eminentemente extrafiscal, cujos contornos são desenhados para estimular o cumprimento da função social do imóvel rural considerado, possibilitando benefícios à sociedade, sem prejuízo do exercício do direito de propriedade pelo seu titular. Confirmase: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] VI propriedade territorial rural; [...] § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) I será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas; II não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel; A citada progressividade fiscal se traduz em instrumento de intervenção na propriedade privada com vistas a inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, em atendimento à função social que a Constituição determinou fosse observada, conforme já se transcreveu no tópico anterior (arts. 5º, XXIII, e 170, II). Ainda no mesmo sentido, na forma também já vista precedentemente, o mandamento Constitucional, por um lado, declarou a propriedade produtiva insuscetível de desapropriação para reforma agrária (art. 185, II); por outro, delineou a função social que o imóvel há de cumprir, estabelecendo os critérios do aproveitamento racional da terra, como também a utilização adequada dos recursos disponíveis e a preservação do meio ambiente (art. 186, I e II). Fl. 95DF CARF MF 8 Na mesma esteira do cumprimento da função social do imóvel rural, diretamente, a Matriz Constitucional traz a imunidade do ITR atinente à pequena gleba rural quando atendidas as circunstâncias ali delineadas (art. 153, § 4º, II). Não de modo diferente, embora indiretamente, podese compreender que o cumprimento da função social do imóvel rural também foi privilegiado, na medida em que a Carta sinaliza imunidade dos imóveis pertencentes à União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas, instituições de educação e assistência social nos termos por ela estabelecidos (art. 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º). Por fim, a Carta Constitucional define que as normas gerais em matéria tributária serão estabelecidas por meio de lei complementar, nos seguintes termos: Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; (grifo nosso) ITR Aspectos legais Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte No atendimento do comando constitucional acima transcrito (art. 146, III, alínea "a"), dispondo sobre o aspecto material da incidência de referido Tributo, o Código Tributário Nacional (CTN) recepcionado com força de lei complementar pela CF, de 1988 em seus arts. 29 a 31, definiu que o ITR tem por fato gerador a propriedade, o domínio útil, ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município; por base de cálculo o seu valor fundiário e como contribuinte o proprietário, titular do domínio útil ou possuidor a qualquer título, nestes termos: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário; Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Norma legal vigente Nessa esteira, em consonância com as disposições contidas nas normas gerais transcritas acima, a Lei Federal nº 9.393, de 1996, delimita os contornos do fato gerador (art. 1º); do contribuinte (art. 4º) e da base de cálculo (arts. 8º) do reportado Imposto, nestes termos: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 93 9 [...] Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Base de cálculo VTN tributável Até então, relativamente à presente abordagem, adequado consignar que referida Lei referenciou a base de cálculo do ITR a partir do preço de mercado da terra nua tributável na data de ocorrência do respectivo fato gerador (VTNt), o que se dará em 1º de janeiro de cada ano. Nessa perspectiva, orientando o estudo ao propósito que se pretende atingir, que é o enfrentamento da lide em debate, é apropriado se discorrer acerca da apuração da dita base tributável, conforme dispõe reportado mandamento legal, com a redação vigente à época do fato gerador, nestes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL)...[...] b) de interesse ecológico (AIE) para. [...] c) comprovadamente imprestáveis (ACI) para [...] d) sob regime de servidão florestal (ARSF); e) cobertas por florestas nativas (ACFN), primárias [...] Fl. 97DF CARF MF 10 f) alagadas (AA) para fins de constituição de reservatório [...] (grifo nosso) Importante salientar que a legislação tributária acompanha o entendimento dado à terra nua pelo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002, art. 79), definindoa como sendo o imóvel rural por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com a sua superfície e respectiva mata nativa, floresta nativa ou pastagem natural. Isto está posto na IN RFB nº 256, de 2002, art. 32, caput. Confirase: Art. 32. Valor da Terra Nua (VTN) é o valor de mercado do solo com sua superfície, bem assim das florestas naturais, das matas nativas e das pastagens naturais que integram o imóvel rural. Nesse cenário, o já transcrito § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, por meio do seu inciso III, assevera que o valor da terra nua tributável (VTNt) efetiva base de cálculo do tributo em destaque equivale ao valor da terra nua (VTN) correspondente à área tributável. Portanto, representado pelo produto da multiplicação do VTN pelo quociente da divisão entre a área tributável e a extensão total do respectivo imóvel rural. Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; (grifo nosso) Isenções exclusões da base de cálculo A propósito, por ser proveitoso para a construção dos fundamentos a se hipotecar nesta análise, conveniente registrar que, como visto, exceto quanto às imunidades voltadas ao cumprimento da função social referenciada anteriormente (CF, de 1988, arts. 153, § 4º, II, e 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º), o ITR incide sobre a totalidade remanescente dos imóveis rurais, nos termos apontados pelo CTN. Logo, as exclusões redução da base de cálculo estabelecidas na legislação supratranscrita (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, incisos I e II) traduzem notórias isenções tributárias, como tais, carregadas de especificidades próprias, conforme se verá adiante. No contexto, releva retomar que tais isenções retratam a dimensão extrafiscal do mencionado Imposto, pois pretendem estimular o cumprimento da função social do imóvel rural por meio da utilização adequada dos recursos disponíveis e da preservação do meio ambiente. Assim entendido, quando da apuração da reportada base de cálculo, a Lei exclui, por um lado, os custos diretos a que se referem as aplicações dispostas nas alíneas "a" a "d" do seu art. 10, § 1º, inciso I (valor das benfeitorias, culturas, pastagens e reflorestamento); por outro, no cálculo da área tributável, elide a tributação atinente às áreas utilizadas na forma vista nas alíneas "a" a "f" constantes no inciso II do mesmo parágrafo e artigo (APP, ARL, AIE, ACI, ARSF, ACFN e AA). Nesse pressuposto, anunciada isenção tributária está condicionada ao cumprimento de requisito obrigatório, previsto na Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, que lhe alterou o mandamento do § 1º do art. 17O, qual seja: a existência de ADA ou do protocolo de seu requerimento perante o IBAMA ou órgão ambiental Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 94 11 com ele conveniado. Enfim, tratase de exigência genérica indispensável para a supressão de qualquer área da incidência do referido tributo. Confirase: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Caracterização do ADA O ADA é o instrumento que possibilita a alimentação do cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA, destacando aquelas frações de interesse ambiental, as quais, se atendidos os preceitos legais, são excluídas da base de cálculo do ITR. Tratase, portanto, de obrigação imposta ao detentor do reportado benefício fiscal, cuja pretensão é estimular o já discutido cumprimento da função social do imóvel rural, na medida em que incentiva a preservação do meio ambiente, contribuindo para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Mais objetivamente, atendida a condição imposta, o proprietário rural vê seu tributo reduzido quando protege suas florestas ou vegetações naturais, assim como em virtude do incremento na produtividade da respectiva terra. A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA Nos termos vistos no § 4º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, o ADA é um documento por meio do qual o contribuinte declara ao IBAMA as áreas excluídas da base de cálculo do ITR nos termos previstos na legislação. Assim entendido, por meio dele o Órgão fiscalizador ambiental recebe informações relativas à preservação e conservação ambientais de propriedades rurais, realiza auditoria com vistas a averiguar a veracidade das informações ali constantes e, quando for o caso, lavrará, de ofício, novo ADA, corrigindo as supostas distorções verificadas, o qual será encaminhado à RFB, a quem compete efetivar a autuação correspondente. Confirmase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 Fl. 99DF CARF MF 12 Como visto precedentemente, há de se entender que a isenção pretendida pelo sujeito passivo traz duas vertentes distintas, mas complementares, quais sejam: por um lado, o aspecto formal da existência ou não do ADA, que é fiscalizado pela RFB; por outro, o aspecto material, caracterizado pelo levantamento técnico da conformidade entre o registro documental e a existência real das áreas tidas por preservadas. Mais precisamente, tratase de dever legal visando a uma razoável praticabilidade da norma isencional tributária, na medida em que a exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR permite uma efetiva fiscalização da preservação da área de interesse ambiental por parte do IBAMA. Nesse sentido, conforme visto, vale dizer que o atendimento de mencionada obrigação potencializa o cumprimento da função social do imóvel rural pretendido pela Constituição Federal. A natureza acessória da obrigação Nessa perspectiva, conforme a Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 113, §§ 1º, 2º e 3º, somente há duas espécies de obrigações tributárias impostas ao contribuinte, a principal e a acessória. A primeira, trata do pagamento de tributo ou penalidade; a segunda, diz respeito a todas as imposições feitas ao sujeito passivo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Ademais, esta última se transforma em principal no tocante ao pagamento de penalidade pecuniária, quando e somente se, legalmente prevista. Confirase: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A propósito, não se imagina razoável descaracterizar a natureza de uma obrigação acessória supostamente porque inexistente a penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, pois a legislação tributária prevê inúmeras situações onde não há reportada sanção. Quanto a isso, especialmente nos casos de benefícios fiscais, a lei optou por vincular referido gozo ao cumprimento das prestações positivas ou negativas nela impostas. A exemplo, transcrevemos excerto do Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 516, 518, 527, inciso I, parágrafo único, e 530, inciso III, e 532 (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018): Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). [...] Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 95 13 Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). [...] Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; [...] Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). [...]. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (grifo nosso) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifo nosso) [...} Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). No caso, a forma de apuração do Imposto por meio de regime privilegiado (lucro presumido), caracterizado pela redução da base de cálculo do montante apurado e, especialmente, pela dispensa de escrituração contábil nos termos exigidos pela legislação comercial, fica afastada quando o beneficiário descumprir a obrigação acessória de apresentação do livro caixa escriturado (art. 530, III). Assim entendido, tal como a apresentação do ADA, inferese que a ausência de penalidade pecuniária pelo descumprimento da respectiva obrigação acessória não a descaracteriza, já que isso supostamente refletirá na perda do benefício pretendido (aumento da base de cálculo correspondente ao acréscimo de 20% do coeficiente de cálculo art. 532). Fl. 101DF CARF MF 14 Dá forma já posta, em síntese, o dever instrumental da apresentação do ADA consiste na prestação positiva no interesse da arrecadação e fiscalização do ITR, uma vez se traduzir em expediente que possibilita o acompanhamento do cumprimento da obrigação principal de pagar mencionado tributo, a partir das informações ali declaradas. Portanto, entendo que citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. Afinal, dito Instrumento; por um lado, está legalmente vinculado à apuração do ITR (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); por outro, compreenderá o suporte fático da autuação decorrente das divergências levantadas pelo IBAMA e enviadas à Repartição Fiscal competente (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 4º). Olhando em dita perspectiva, já que caracterizada a natureza acessória do dispositivo, vale delimitar o seu fato gerador, segundo o art. 115 do CTN: "Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal." (grifo nosso) Do até então exposto, temse que as obrigações acessórias podem decorrer da legislação tributária, por força dos arts. 113, § 2º, e 115 do CTN já transcritos, esta última compreendendo as normas complementares, dentre as quais os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, como se vê nos arts. 96 e 100, I, do CTN. Confirase: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. [...] Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA Avançando no raciocínio, é relevante se identificar o momento de ocorrência das circunstâncias materiais caracterizadoras do descumprimento do citado dever instrumental, cujos efeitos implicam a glosa do benefício fiscal que o recorrente almejou usufruir. Por conseguinte, estabelecendo as condições necessárias ao fiel cumprimento da Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, sob o manto Regulamentar e legal, a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos complementando o detalhando do mandamento que a norma legal exigiu fosse cumprido. Nesse manto, conforme o já referenciado art. 96 do CTN, o decreto é ato normativo proveniente do Chefe do Poder Executivo, que integra a legislação tributária, e tem por incumbência essencial a regulamentação do conteúdo das leis, conforme art. 84, inciso IV, da CF, de 1988. Confirase: CF, de 1988: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 96 15 IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; CTN, de 1966: . Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende [...]. A tal respeito, dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I, remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal. Confirase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Não bastasse referida previsão infralegal da definição dos prazos e condições para a apresentação do ADA mediante atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a Lei nº 9.779, de 1999, art. 16, traz comando funcional específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o cumprimento. Confirase: Lei nº 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (grifo nosso). Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA Estritamente dentro dos limites legais supracitados, a RFB e o IBAMA estabeleceram a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA em dois períodos distintos, que têm por marco o exercício de 2007. Nesse pressuposto, citado protocolo deveria se dar em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR e de 1° de janeiro a 30 de setembro do correspondente exercício, conforme se trate de declaração referente a exercício anterior ao limítrofe e dali em diante respectivamente. Confirase: 1. para os exercícios anteriores a 2007, reportado protocolo deveria ocorrer em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR, nos termos da IN SRF nº 43, de 1997, art. 10, § 4º, inciso II, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1997, art. 1º. Confirase: Fl. 103DF CARF MF 16 IN SRF nº 43, de 1997: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] § 4o As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) (grifo nosso) Oportuno registrar que, no lapso temporal retrocitado, os atos normativos que trataram do assunto em debate, embora passando por uma sequência de revogações, mantiveram inalterado o interregno de seis meses contados da data final para a apresentação da respectiva Declaração. Nessa perspectiva, a IN SRF nº 43, de 1997 foi revogada pela IN SRF nº 73, de 2000, a qual também foi objeto de revogação pela IN SRF nº 60, de 2001, também fulminada pela IN SRF nº 256 de 2002. Confirase: IN SRF nº 73, de 2000 (revoga a IN SRF nº 43, de 1997): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e (grifo nosso) IN SRF nº 60, de 2001 (revoga a IN SRF nº 73, de 2000) Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama; (grifo nosso) IN SRF nº 256, de 2002 (revoga a IN SRF nº 60, de 2001): Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 97 17 [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR 2. a partir do exercício de 2007, a RFB estabeleceu a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA, não mais em seis meses, contados da data final para a entrega da DITR do correspondente exercício, e sim no prazo estipulado na legislação ambiental, conforme a IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, inciso I, com a alteração implementada pela IN RFB nº 861, de 2008, c/c a IN RFB nº 746, de 2007, art. 10. Confirase: IN SRF nº 256, de 2002 (alterada pela IN RFB nº 861, de 2008): Art. 9º [...] § 3º [...[ I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) (grifo nosso) IN RFB nº 746, de 2007: Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. (grifo nosso) Nessa nova configuração, o IBAMA determinou que o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro, conforme IN IBAMA nº 76, de 2005, art. 9º; IN IBAMA nº 96, de 2006, art. 9º, e arts. 6º, § 3º, e 7º da IN IBAMA n° 5, de 2009. Confirase: IN IBAMA nº 76, de 2005: Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. (grifo nosso) Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. (grifo nosso) Fl. 105DF CARF MF 18 IN IBAMA nº 96 de 2006: Art 9º As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. IN IBAMA nº 05, de 2009: Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). [...] § 3º O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado.(grifo nosso) Art. 7º. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Área de reserva legal exigência legal do registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel Inicialmente, todo imóvel rural deve manter uma área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, conforme Lei nº 4.771, de 1965, art. 1º, § 2º, inciso III, nestes termos: Art. 1º [...] § 2º [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Vale dizer que a isenção da área de reserva legal da base de cálculo do ITR carece da certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel comprovando formalmente a sua averbação como de interesse ambiental antes da ocorrência do fato gerador. Portanto, quanto a isso, não basta a apresentação tempestiva do ADA, pois tal ato tem efeito meramente declaratório do interesse ambiental, e não constitutivo da reserva em si, como o é a citada averbação, condicionante do direito ao referido benefício fiscal. Na verdade, constituída a manifestada reserva legal mediante a averbação supracitada antes da ocorrência do fato gerador, não mais há que se falar na exigência da apresentação tempestiva de ADA, conforme disposição expressa na Súmula CARF nº 122, verbis: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 98 19 Súmula CARF nº 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Por oportuno, supracitada isenção está posta na já transcrita Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, alínea "a", a qual se reporta expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 1965, que traz a condição imposta para o gozo de citada isenção em seu art. 16, § 8º, verbis: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Igualmente ao que se viu quanto à exigência da apresentação do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, em essência, a condição caracterizada pelo registro em destaque visa tão somente potencializar o cumprimento da função social do imóvel rural pretendido pela Constituição Federal. Prazo para averbação da ARL Antes de adentrarmos no prazo para o sujeito passivo gravar reportada ARL mediante sua averbação à margem do registro de imóvel competente, ressaltase que se aproveita ao caso os pressupostos atinentes à "A natureza acessória da obrigação" e "A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA", razão por que evitaremos repetir o que ali já está posto. Mais especificamente, aqui se encaixa o poder regulamentar proveniente do Chefe do Poder Executivo (CF, de 1988, art. 84), como também os atos normativos da RFB (Lei nº 9.779, de 1999, art. 16), ambos compreendidos na legislação tributária (CTN, 1966, art. 96). Afinal, citada averbação se traduz em obrigação acessória, como tal, devendo a RFB definir prazos e condições de apresentação. Em tal ótica, a RFB, estritamente dentro dos limites legais já debatidos, estabeleceu que citado procedimento deveria se dar antes da ocorrência do fato gerador atinentes ao exercício declarado. Logo, na forma vista a seguir, a ARL somente será excluída de tributação, se sua averbação à margem da matrícula do imóvel se der até de 01 de janeiro do correspondente exercício. Confirase: IN SRF nº 43, de 1997: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: [...] Fl. 107DF CARF MF 20 § 7º Para fins de exclusão do ITR, a área de reserva legal deverá estar averbada à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente, ficando vedada a alteração de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento da área conforme artigo 16, § 2º, da Lei nº 4.771, de 1965, com a redação da Lei nº 7.803, de 1989. (grifo nosso) IN SRF nº 73, de 2000 (revoga a IN SRF nº 43, de 1997): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei No 4.771, de 1965; (grifo nosso) IN SRF nº 60, de 2001 (revoga a IN SRF nº 73, de 2000) Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] I as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do Ibama, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei no 4.771, de 1965; (grifo nosso) Mais precisamente, o § 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 2002, é cristalino ao ratificar a condição, bem como asseverar que citada averbação deverá ocorrer até a ocorrência do fato gerador do imposto. Confirmase: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (grifo nosso) Acrescentase que, ainda no mesmo ano, a RFB ratificou referido entendimento, mediante atualização da legislação até então vigente. Confirmase: IN SRF nº 256, de 2002 (revoga a IN SRF nº 60, de 2001): 13/12/2002 Art. 11. São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 99 21 manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. § 1º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas a que se refere o caput devem estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (Grifo nosso) Fundamentase o acima entendido, interpretandose, sistematicamente, a legislação tributária com os preceitos legais vistos na Lei nº 9.393, de 1996, art. 1º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 144. A primeira, definindo que o fato gerador do ITR ocorre em 01 de janeiro de cada ano; a segunda, firmando que o lançamento se reporta à data do respectivo fato gerador. Confirase: Lei nº 9.393, de 1996: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Lei nº 5.172, de 1966: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada Nesse contexto, conforme visto no tópico "A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA", é no ADA que o sujeito passivo declara as áreas excluídas da base de cálculo do ITR, o que se reporta à data do fato gerador. Portanto, a ela se referia os atos normativos editados antes do Decreto n° 4.382, de 2002, embora se apropriando de expressões indiretas, quais sejam: "Para fins de exclusão do ITR" (IN SRF nº 43, de 1997) e"para fins de obtenção do ato declaratório..." (IN SRF nº 73, de 2000 e IN SRF nº 60, de 2001). Progressividade de alíquota Além das isenções apontadas, como se há verificar, especificado mandamento legal privilegia a progressividade fiscal de citado tributo, na medida em que se propõe inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, estabelecendo critérios de aproveitamento racional da terra, a partir da determinação de alíquotas em percentuais inversamente proporcionais ao grau de utilização do correspondente imóvel rural. Nessa perspectiva, conforme art. 11 da Lei nº 9.393, de 1996, dentro das respectivas faixas de tributação existentes, que são estabelecidas em razão da área total do imóvel rural, a alíquota aplicável será tanto menor quanto maior for o grau de utilização da propriedade. Confirase: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. Fl. 109DF CARF MF 22 Mais especificamente, o Anexo a que se refere a transcrição posta traz a seguinte tabela de alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido. Confirase: Grau de utilização GU (%) Área total do imóvel (extensão ha) Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00 Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00 Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30 Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70 Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60 Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00 Considerando que as isenções apontadas refletem não somente na base de cálculo do ITR matéria vista precedentemente mas também na alíquota aplicável em sua apuração, na sequência, é plausível se contextualizar o grau de utilização do imóvel rural, como também suas áreas aproveitável e de efetiva utilização na mencionada atividade, que lastreiam a extrafiscalidade do citado tributo, determinada pela progressividade de suas alíquotas. Grau de utilização do imóvel rural GU É a relação percentual estabelecida entre a área efetivamente utilizada pela atividade rural e a totalidade aproveitável do respectivo imóvel, o qual, conforme visto no tópico precedente, juntamente com a extensão do imóvel, traduzse em critério determinante para a progressividade das alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, VI; Decreto nº 4.382, de 2002, art. 31, e IN SRF nº 256, de 2002, art. 31). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Assim entendido, convém ressaltar que, conforme se discorrerá na sequência, as áreas aproveitável e efetivamente utilizada na atividade rural base para o cálculo do reportado grau de utilização (GU) consideram as isenções retrocitadas (Lei nº 9.393, de 2002, art. 10, § 1º, incisos I e II). Ademais, levam em consideração os fatos ocorridos entre 01 de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador. Área aproveitável do imóvel rural Tratase de área retratada no Quadro 10 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área do Imóvel Rural”, a qual está apontada no Campo 10 e se caracteriza pela diferença entre a área total do imóvel (campo 01) e as isenções previstas no art. 10, § 1º, incisos I, alínea "a", e II, alíneas "a" a "f" da Lei retrocitada (campos 02 a 09). Confirase: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 100 23 Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Área efetivamente utilizada na atividade rural Visto o comando legal abaixo transcrito (Lei nº 9.393, de 2002), cumpre destacar que, no Campo 18 do Quadro 11 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área Utilizada na Atividade Rural” consta a área efetivamente utilizada na atividade rural. Esta, por sua vez, referese à porção da área aproveitável que, no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador, tenha sido empregada para produtos vegetais, pastagens, exploração extrativa, criações diversas, projetos técnicos e pesquisa, como também quando situada em área de calamidade pública. Confirmase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; [...] § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; Fl. 111DF CARF MF 24 II oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. A dispensa da prévia comprovação de área isenta Oportuno registrar que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, vigente entre 25/08/2001 e 25/05/2012, não trouxe inovação no ordenamento jurídico tributário, pois apenas reforçou que o lançamento do citado Imposto se dará por homologação, conforme dispositivo constante no caput, c/c o art. 150 da Lei nº 5.172, de 1966. Logo, tratase da dispensa prévia de apresentação de documentos no momento da entrega da DITR, o que é próprio da referida modalidade de lançamento, o que é respeitado pela Receita Federal do Brasil. Confirase: Art. 10.[...] § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Revogada pela Lei nº 12.651, de 2012) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Assim sendo, quando questionado pelo Fisco, o contribuinte mantém a obrigação de comprovar o cumprimento tempestivo das condições impostas pela legislação para o gozo da isenção pretendida, mesmo se tratando de APP e ARL (alínea "a") ou de . área sob regime de servidão florestal (línea "d"). Ademais, tampouco há de se cogitar no afastamento da atribuição dada à fiscalização para verificar se os dados declarados correspondem à situação existente no correspondente imóvel na data do fato gerador do ITR, procedendo ao lançamento de ofício quando o sujeito passivo não lograr comprovar a regularidade dos dados informados na respectiva declaração. A propósito, em se tratando de tema complexo, entendo pertinente refinar a análise considerando dois pressupostos que refletem os comandos normativos da matéria em debate, quais sejam: (i) o da reserva legal visto no art. 97 do CTN e (ii) o da interpretação literal presente no art. 111 do mesmo Código. O primeiro, referindose à estrita legalidade própria dos elementos basilares da relação jurídico tributária (fato gerador da obrigação principal, base de cálculo, alíquota, etc.); o segundo, impondo limites atinentes à interpretação a ser dada aos dispositivos tributários que tratem da concessão de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória. Princípio da estrita legalidade tributária Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 101 25 A reserva legal tributária prevista no art. 150, inciso I, da CF, de 1988, impõe que a própria lei desenhe a regramatriz de incidência tributária a ser adotada pelos sujeitos da relação jurídicotributária. Nesse bojo, o art. 97 do CTN é preciso ao esclarecer e delimitar tais preceitos, mediante o estabelecimento de normas gerais tributárias. Confirmase: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. De pronto, examinando mais detalhadamente os arts. 96, 97 e 98 do CTN este último tratando dos tratados e convenções internacionais e os dois primeiros da legislação tributária e da reserva legal respectivamente notase que não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal (arts. 97 e 98). Consequentemente, inferese que o ali não contido, referese a obrigações acessórias, como tais, podendo ser disciplinadas por meio da legislação tributária compreendida nos termos do art. 96 do citado Código. Interpretação literal da legislação que concede isenção Considerando que a tributação é a regra no exercício da competência tributária, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico. Nessa ótica, conforme o art. 111 do CTN, o entendimento acerca da imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA para o gozo da isenção pretendida pelo contribuinte deve ser restritivo, ficando afastada qualquer hipótese de dispensa ou substituição por outros documentos. Confirase: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 113DF CARF MF 26 I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Por oportuno, o art. 175, parágrafo único, do CTN ratifica mencionada perspectiva restritiva, pois mantém a exigência de referida interpretação literal para a dispensa do cumprimento de obrigação acessória, ainda que haja outorga de isenção do suposto crédito tributário a ela vinculada. Confirase: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; [...] Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Sumarizando o raciocínio teorizado nos últimos tópicos (progressividade de alíquota, grau de utilização, área aproveitável, área efetivamente utilizada, dispensa de comprovação prévia, estrita legalidade e interpretação literal), depreendese que os benefícios fiscais patrocinados pela supracitada Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, º 1º, incisos I e II, refletem redução do imposto devido, em face dos encolhimentos tanto da base de cálculo como da alíquota aplicável, decorrentes da isenção e da progressividade resultantes respectivamente. A apresentação tempestiva do ADA e da averbação da reserva legal Neste cenário, tendo em vista o que está posto no art. 175, inciso I, e parágrafo único do CTN, inferese que o incisos II do art. 111 de igual Código trata de matéria redundante, porquanto já inserida no inciso I de tal artigo. Afinal, a outorga de isenção se traduz modalidade de exclusão do crédito tributário. Logo, admitir a manutenção dos benefícios fiscais em controvérsia sem o cumprimento tempestivo das formalidades legais exigidas APP (apresentação do ADA) e reserva legal (averbação no registro de imóveis), implicará ofensa a todos aqueles incisos dispostos no art. 111 do CTN, já abordados precedentemente. Mais precisamente, restariam concedidas outorga de isenção e, de igual modo, dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória mediante forma de interpretação da legislação tributária divergente da literal, o que, como se conheceu, é vedado expressamente pelos arts. 111, incisos I, II e III, e 175 do CTN. Ademais, o art. 141 do mesmo Código é muito preciso ao ratificar citada proibição. Nestes termos: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Por todo o exposto, nos termo já vastamente debatidos, podese sintetizar o que segue: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 102 27 1. o gozo do referido benefício fiscal está legalmente condicionado à protocolização tempestiva do ADA no IBAMA ou órgão conveniado, como também da averbação da reserva legal na forma já amplamente discutidos (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17 O, § 1º, e Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, § 8º); 2. citadas imposições se apresenta carregadas de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, pois realizadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. (CTN, art. 113, § 2º); 3. não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal, razão por que o período e condições para apresentação do ADA podem ser disciplinados por meio da legislação tributária (CTN, arts. 96, 97 e 98); 4. há comando legal específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o respectivo cumprimento (Lei nº 9.779, de 1999, art. 16); 5. dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o RITR remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I); 6. sob o manto legal (item 4) e Regulamentar (item 5), a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos estabelecendo condições e prazos de apresentação do ADA; 7. por fim, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória objetos do presente julgamento devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico vigente (CTN, arts. 111 e 175). Isto posto, com todas as vênias que me possam conceder os nobres julgadores que vêem de forma diferente, entendo haver, sim, mandamento legal autorizando o estabelecimento do prazo e das condições para a apresentação do ADA, como também para a averbação da ARL por meio de ato administrativo de autoridade competente, aí se incluindo o Chefe do Executivo Federal, mediante o poder regulamentar (CF, de 1988, art. 84), e as autoridades constituídas da RFB (lei nº 7.779, de 1999, art.16). Ademais, ainda que isso inexistente fosse, interpreto que os dirigentes da RFB e do IBAMA detêm mencionado poder em suas atribuições regimentais, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN. Afinal, tratase do regramento de obrigação acessória, matéria não vinculada à reserva legal tributária. Jurisprudência administrativa e judicial Como se há verificar, a análise da jurisprudência que o recorrente trouxe no Recurso deve ser contida pelo disposto nos arts. 506 da Lei nº 13.105, de 2015, e 472 do Código de Processo Civil, os quais estabelecem que a sentença não reflete em terceiro estranho ao respectivo processo. Logo, por não ser parte no litígio ali estabelecido, o recorrente dela não pode se aproveitar. Confirmase: Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no Fl. 115DF CARF MF 28 processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Lei nº 13.105, de 2015 novo Código de Processo Civil: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Mais precisamente, as decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho, conforme Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Confirmase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10218.720773/200707 Acórdão n.º 2003000.149 S2C0T3 Fl. 103 29 Superada a patenteada acepção conceitual retrocitada, passaremos ao enfrentamento da controvérsia propriamente. Exercício de 2004 prazo de apresentação do ADA Consoante se discorreu precedentemente, tratandose de declaração referente a exercício anterior ao de 2007, o termo final para a protocolização no IBAMA de requerimento do ADA correspondente ao citado exercício se deu em até 31 de março de 2005, seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR/2004, que sobreveio em 30 de setembro de 2004. É o que se abstrai da IN SRF nº 435, de 2004, arts. 3º e 13, incisos I e II. Confirmase: IN SRF nº 435, de 2004: Art. 3º A DITR deverá ser apresentada no período de 9 de agosto a 30 de setembro de 2004: [...] Art. 10. O contribuinte deverá protocolizar o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de seis meses, contado do término do prazo fixado para a entrega da DITR, estabelecido no art. 3º, se o imóvel rural: I estiver sendo declarado pela primeira vez com a informação de áreas nãotributáveis; ou II teve alteradas as áreas nãotributáveis em relação ao ADA anteriormente protocolizado, inclusive no caso de alienação de área parcial. Por oportuno, vale registrar que não consta nos autos que o sujeito passivo tenha providenciado protocolização do citado ADA no IBAMA. Exercício de 2004 prazo para averbação da ARL Conforme já vastamente fundamento na discussão precedente, a reportada ARL deveria ter sido averbada até 01 de janeiro de 2004. Contudo, isso não consta nos autos. Do que se expôs, não procede a argumentação do sujeito passivo tutelando que a inexistência da apresentação tempestiva do ADA, como também da averbação da ARL até a data da ocorrência do respectivo fato gerador (01/01/20045), por si sós, são incapazes de afastar o benefício pretendido. Afinal, para o gozo de mencionado benefício fiscal, não basta somente o aspecto material da preservação em si, mas, também, o cumprimento das formalidades legalmente previstas. Assim sendo, ausente o cumprimento das condições imposta para o gozo das isenções atinentes à APP (apresentação tempestiva do ADA) e à reserva legal (averbação no registro de imóveis antes da ocorrência do fato gerador) na apuração do ITR, fica afastado o atendimento da pretensão do recorrente, mantendo as supostas áreas de preservação Fl. 117DF CARF MF 30 permanente e de reserva legal incluídas na base de cálculo do ITR, nos exatos termos da decisão de origem. Conclusão Ante o exposto, conheço do presente Recurso, rejeito a preliminar nele suscitada e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726331/2010-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-13T12:06:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-13T12:06:10Z; Last-Modified: 2019-09-13T12:06:10Z; dcterms:modified: 2019-09-13T12:06:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-13T12:06:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-13T12:06:10Z; meta:save-date: 2019-09-13T12:06:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-13T12:06:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-13T12:06:10Z; created: 2019-09-13T12:06:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-09-13T12:06:10Z; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-13T12:06:10Z | Conteúdo => S2-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10580.726331/2010-23 Recurso Voluntário Acórdão nº 2001-001.312 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 20 de agosto de 2019 Recorrente GENICIA BELARMINO DE AMORIM Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 31 /2 01 0- 23 Fl. 57DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.312 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726331/2010-23 Relatório Contra a contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, ano-calendário de 2007, onde foram constatadas a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação de pagamento solicitada pelas autoridades fiscais, no valor total de R$15.000,00. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que esta comprovando a despesa , conforme documento que junta. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento (através do voto vencedor) no sentido de que: => o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados, especificados e comprovados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, cabendo ao contribuinte a prova de que faz jus à dedução pleiteada na declaração. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais. => a prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). Assim, quanto às declarações apresentadas pelo impugnante, temos que nenhum outro elemento foi trazido pelo contribuinte aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros. É o relatório. Voto Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 58DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.312 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726331/2010-23 Mérito - Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º - O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II - restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. Poderia o interessado ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Vale repetir o quanto colocado pela DRJ no sentido de que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados, especificados e comprovados pelo contribuinte. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais, principalmente se for levantada alguma dúvida pela autoridade fiscal. Fl. 59DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.312 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726331/2010-23 A prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). Verificou-se que nenhum outro elemento foi trazido pelo contribuinte aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Fl. 60DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.312 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.726331/2010-23 Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando-se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo que deve ser mantida a glosa de despesas médicas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901016/2008-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia.
Numero da decisão: 9303-009.017
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação por restituição de pagamento indevido ou a maior relativo a créditos originários de pagamento PIS. A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago no DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, informando que é fabricante de tintas, vernizes, esmaltes e lacas, sendo parte de suas vendas destinadas para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 16 /2 00 8- 72 Fl. 244DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.017 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.901016/2008-72 Zona Franca de Manaus - ZFM. A empresa, equivocadamente realizou pagamentos indevidos das contribuições no tocante a tais vendas, pois, com base no art. 4º do Decreto-lei nº 288/1967, elas equivalem à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro em termos de efeitos fiscais; por isso buscou a restituição e utilização desses créditos para compensação. A 3ª Turma da DRJ/CPS exarou o acórdão nº 05-29.850, no qual, por unanimidade, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, basicamente, por não haver competência da autoridade administrativa para se manifestar sobre eventual inconstitucionalidade de lei e não haver previsão legal de desoneração, à época dos fatos geradores, das contribuições que se alega serem indevidas. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, retomando os argumentos da impugnação e ainda que não foi intimada pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Adicionalmente, afirma que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-005.418, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência na qual afirma o dissídio em face dos acórdãos paradigmas nº 3401-002.249 e nº 9303-002.648, fundamentando que as contribuições apuradas e recolhidas pela recorrente sobre as receitas de vendas mercadorias para empresas localizadas na ZFM, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação, em franca dissonância com o acórdão recorrido, o qual aduzia que as receitas das vendas de mercadorias destinadas à ZFM, no período de apuração em discussão, não eram isentas ou imunes de PIS e Cofins. O recurso teve seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dei-lhe seguimento. A Fazenda Nacional foi cientificada desta decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.998, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.900420/2009-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 245DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.017 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.901016/2008-72 Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.998): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Apesar de, na qualidade de presidente de câmara, ter admitido o recurso no despacho de e-fls. 223 a 234, nova análise, mais aprofundada, na qualidade de relator, me permitiu perceber que as situações fáticas dos acórdãos paradigmas não eram as mesmas do acórdão recorrido, para realização dos cotejamentos com a legislação aplicável. Ocorre que o acórdão nº 3401-002.249 era relativo a período de apuração de 01/11/2003 a 30/11/2003 e o acórdão nº 9303-002.648 abrange período de apuração de 01/01/2001 a 31/01/2001, ambos posteriores a novembro de 2000. Tomando apenas a ementa do acórdão nº 9303-002.648, à e-fl. 165, já se pode observar: ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. Na parte do voto deste acórdão, transcrita no recurso especial de divergência, às e-fls. 165 e 166, se tem a seguinte explanação: “O presente recurso trata do aspecto temporal da isenção concedida em relação às contribuições sociais – PIS e Cofins – apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca. A exigência dessa contribuição, naquele período, estava regulada pela Lei nº 9.718, de 1998, que assim dispunha (...). Posteriormente, o assunto foi tratado na edição da Medida Provisória (MP) nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999, e reedições até a MP nº 2.0372-4, de 23 de novembro de 2000. O art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, que redefiniram as regras de desoneração das referidas contribuições, assim dispõem: (...) Portanto, de conformidade com estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, até a data de 21 de dezembro de 2000, não gozavam da isenção da Cofins. Assim, para as receitas auferidas até aquela data, a contribuição apurada e recolhida mensalmente pela recorrente era devida, não se constituindo em indébito tributário passível de restituição/compensação, conforme seu entendimento. No entanto, para os períodos de competência subsequentes, as receitas decorrentes de vendas de mercadorias destinadas a empresas localizadas naquela zona França e que efetivamente foram nela internadas passaram a gozar da isenção dessa contribuição, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADIN nº 2.348, impetrada pelo Governo do Estado do Amazonas. Fl. 246DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.017 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.901016/2008-72 O fato gerador da contribuição cuja restituição se controverte neste processo é do período de 01/08/2000 a 31/08/2000, portanto, não cabe a apreciação da divergência, haja vista que os paradigmas se referiam a períodos distintos ao do acórdão a quo, cuja legislação incidente para solução do litígio era também distinta. Havendo falha nesse teste de aderência entre os arestos paradigmas e o acórdão recorrido, não há divergência comprovada, e por isso voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 247DF CARF MF
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