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Numero do processo: 13830.901054/2013-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 54 /2 01 3- 96 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901054/201396 Acórdão n.º 1302002.208 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901054/201396 Acórdão n.º 1302002.208 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901054/201396 Acórdão n.º 1302002.208 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721879/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-003.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 18 79 /2 01 5- 71 Fl. 84DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls. 27 a 34) para exigir da contribuinte, ora Recorrente, o crédito tributário de R$ 31.118,25, relativo ao IRPF Suplementar (anocalendário 2013), multa de ofício (75%) e juros de mora. As infrações descritas na Notificação de Lançamento (fls. 29/31) referemse à: a) Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties recebidos de Pessoa Jurídica.no valor de R$ 5.600,00, uma vez que a"contribuinte devidamente intimada TIF nº 2014/346966791686108 deixou de apresentar os contrato(s) de propriedade (s) do bem locado em conjunto ou condomínio, conforme solicitação no TIF mencionado; b) Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 207.397,09, uma vez que "Laudo Pericial emitido pela Sec. Est. Saúde CSS CAIS Prof. Cantídio, no qual (sic) não contém todos os quesitos exigidos pela legislação, pois não consta a matrícula do médico que assinou o laudo junto ao Serv. Méd. Oficial. Ademais o laudo não está devidamente fundamentado conforme item 1 do próprio laudo. Também não apresentou a comprovação da condição de aposentado, pensionista do INSS; c) Compensação indevida de CarnêLeão no valor de R$ 1.800,00, "contribuinte apresentou DARF´s de recolhimento no código 0246, totalizando o valor de R$ 5.400,00. Glosado o valor de R$ 1.800,00, por falta de comprovação. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/8, na qual alega que o laudo não possui as deficiência formais apontadas pela autoridade lançadora e que encontrase devidamente fundamentado podendo concluir ser possuidora da paralisia irreversível e incapacitante. Em relação à afirmação de que não comprovou a condição de pensionista juntou ao processo a certidão do INSS, na qual é possível constatar que começou a receber o benefício em 16/11/2011. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Recife (PE) negou provimento à impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. GLOSA DE CARNÊ LEÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Consequentemente, tornase definitiva no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações, percebidos por portador de moléstia grave definida em lei, desde que comprovada Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10825.721879/201571 Acórdão n.º 2202003.984 S2C2T2 Fl. 85 3 mediante laudo pericial revestido de todos os requisitos exigidos pela legislação e emitido por serviço médico oficial. Cientificada da decisão acima transcrita (AR 57) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 60/66, no qual reitera ser a moléstia irreversível e incapacitante fazendo jus a isenção do Imposto de Renda. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pela Notificação de Lançamento (fls. 9) o endereço do Recorrente junto a Receita Federal do Brasil é Av. Afonso José Ayello Rua Americo Orland 8200, casa C 6, CEP 17.018902, Bauru, SP. A contribuinte foi intimada da decisão recorrida do dia 03 de dezembro de 2015, conforme atesta Aviso de Recebimento (fls. 57). O Recurso Voluntário de fls. 60/66 foi protocolado dia 12 de janeiro de 2016, transcorridos, assim, mais de 30 dias contados do Aviso de recebimento. É importante ressaltar que a contribuinte não apresentou qualquer preliminar no sentido de contestar ou justificar a intempestividade do Recurso. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 86DF CARF MF 4 Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.005558/2005-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE RESERVA LEGAL. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL E COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL.
A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de reserva legal exige não só a averbação de tal área no registro do imóvel competente como também a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente, a partir do exercício de 2001.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL.
A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de preservação permanente exige a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente. Havendo comprovação de prévia e expressa autorização do órgão competente para tal destinação da área. é despiciendo a existência do ADA para gozo do benefício tributário., a partir do exercício de 2001.
Numero da decisão: 2201-003.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL E COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL. A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de reserva legal exige não só a averbação de tal área no registro do imóvel competente como também a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente, a partir do exercício de 2001. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE CONTROLE AMBIENTAL. A interpretação sistêmica da legislação tributária e ambiental, determina que a fruição do benefício fiscal da não incidência do ITR sobre área de preservação permanente exige a informação de tal condição para o órgão de controle ambiental competente. Havendo comprovação de prévia e expressa autorização do órgão competente para tal destinação da área. é despiciendo a existência do ADA para gozo do benefício tributário., a partir do exercício de 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 55 58 /2 00 5- 57 Fl. 281DF CARF MF 2 CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos contra a decisão de primeiro grau que manteve o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 03 do processo digitalizado), referente ao imposto territorial rural suplementar lançado de ofício. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 8). Foi constituído um crédito tributário de R$ 2.675.402,43 referente ao imposto (R$ 1.078.878,31). juros de mora (R$ 787.365,39), e multa de ofício (R$ 809.158,73), atualizados até novembro de 2005. O crédito constituído referese ao fato gerador ocorrido em 01/01/2001 e se aperfeiçoou com a ciência pessoal do contribuinte em 21 de dezembro de 2005 (AR fls.95). Irresignado, o contribuinte apresenta, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 99), em 13 de janeiro de 2006. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, em 24 de novembro de 2006, dá procedência parcial à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 0410.880 (fls 176). Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 Revisão de Acórdão Acórdão exarado sem conhecer da impugnação por intempestiva poderá ser revisto se, em embargos de declaração, a autoridade lançadora apontar documento que havia reaberto prazo para o interessado pagar ou contestai o lançamento. Cerceamento do Direito de Defesa A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois, o direito do contraditório é exercido quando da impugnação da autuação, momento este em que, de fato, se instaura a fase litigiosa e não quando da elaboração do Auto de Infração. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 282 3 Ilegalidade/Inconstitucionalidade Em processo administrativo é defeso apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos Atos Públicos, por tratarse de matéria reservada ao Poder Judiciário. Valor da Terra Nua VTN Se o VTN declarado foi alterado com base em elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, a possibilidade de sua revisão será, somente, com base em outro laudo técnico eficaz, onde o profissional habilitado ateste a ocorrência de erro no primeiro laudo, e não simplesmente com argumentos do próprio interessado. Área de Reserva Legal e Preservação Permanente Para ser considerada isenta a área de Reserva Legal, além de estar devidamente averbada na matrícula do imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA dentro do prazo legal, que é de seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR, e tem como requisito básico a referida averbação. Da mesma forma a área de Preservação Permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo específico demonstrando as áreas enquadradas nos artigos da legislação florestal. Regularização Parcial Se na impugnação forem apresentados comprovantes de regularização tempestiva, para o exercício do lançamento, de parte das áreas isentas declaradas, tais como: averbação de área de utilização limitada na matrícula do imóvel, laudo técnico atestando a existência de preservação permanente e comprovante de protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA, é possível reverter, parcialmente, a glosa efetuada. Lançamento Procedente em Parte" O acórdão cuja ementa reproduzimos, tem o seguinte relatório, que adoto por sua clareza e precisão (fls 179): O processo trata da exigência do pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR —DIAC/DIAT/2001, no valor total de R$ 2.675.402,43, referente ao imóvel rural denominado: Fl. 283DF CARF MF 4 Fazenda São Jerônimo, com área total de 42.312,0 ha, com Número na Receita Federal — NIRF 1.848.7815, localizado no município de Barão de Melgaço — MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 11, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03, 06 a 09. 2. Em 28/07/2006 foi proferido, por esta Delegacia, o Acórdão n° 0410.052, fls. 155 a 161, no qual não se conheceu da impugnação por haver sido apresentada de forma intempestiva, pois, a ciência do lançamento constante do Aviso de Recebimento — AR de fl. 93 foi em 13/12/2005, data confirmada pela Autoridade Lançadora no Despacho de fl. 94, e a apresentação da impugnação ocorreu em 13/01/2006. 3. Foram apresentados embargos de declaração pela Delegacia da Receita Federal— DRF/Cuiabá/MT, considerando tempestiva a impugnação com base na cópia de outro AR juntado no processo à fl. 95, conforme o qual a interessada havia sido, novamente, cientificada do Auto de Infração em 21/12/2005. 4. Tendo em vista que a própria unidade lançadora atestou a tempestividade da impugnação, pois, havia sido reaberto o prazo para a contribuinte, fato não observado por este relator, passa se a nova análise da questão ratificando o relatório constante do Acórdão em revisão a seguir reproduzido. 5. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente as áreas isentas de Preservação Permanente de 5.902,0 ha e de Utilização Limitada de 21.156,0 ha, bem como o Valor da Terra Nua — VTN, a interessada foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fls. 19 a 22. Entre os mesmos constam: Certidão ou Matrículas do Imóvel com averbação da Reserva Legal; Ato Declaratório Ambiental — ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA e Laudo Técnico de Avaliação, elaborado com atendimento aos requisitos das Normas Técnicas — NBR 14.6533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART. 6. Em resposta, após pedir prorrogação de prazo, fls. 24 a 26, a interessada apresentou a carta de fls. 27 a 33, na qual, após comentar sobre a apresentação da DIAC/DIAT em questão e do recebimento da intimação em pauta, expôs, em resumo, entre outros assuntos, o seguinte: 6.1. O ADA para comprovação das áreas protegidas pela legislação ambiental não encontra amparo na legislação vigente, nem era, tampouco, instrumento hábil para fazêlo à época da incidência e da apuração do tributo, sendo desnecessária a apresentação do indigitado Ato Declaratório. 6.2. Ademais comprovará, através dos documentos enviados, serem absolutamente verdadeiras e fidedignas as informações na declaração do ITR no que se refere à distribuição das áreas do imóvel e de sua utilização. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 283 5 6.3. Comprovado está, através de Laudo Técnico emitido por profissional e empresa idônea de notória especialização, que as áreas, cuja isenção tributaria foi exercida, referemse, de fato, aos quantitativos declarado. 6.4. Afirmando que as áreas foram declaradas conforme previsão legal, reproduz o artigo 10, da lei n° 9.393/1996. 6.5. Aprofundase na questão da existência das áreas preservadas, inclusive com excesso do declarado e cita disposições constitucionais, muito embora não esteja totalmente averbada na matrícula do imóvel na data do fato gerador e tenham sido objeto de ADA. 6.6. Afirma que a exigência do ADA é fator isolado, ilegal e inconstitucional. 6.7. Diz que não é defeso a administração tributaria exigir ou impor através de Instruções Normativas obrigatoriedades não previstas em lei. 6.8. Após outras argumentações havia finalizado sua carta requerendo a homologação do ITR e encerramento do processo de fiscalização. 7. Os documentos encaminhados com a carta foram anexados, das fls. 34 a 91, entre os quais: laudo técnico e cópia das matrículas do imóvel. ' 8. Com base na análise dos documentos apresentados, o Fiscal observou o reconhecimento da interessada de averbação de Reserva Legal na matrícula do imóvel em dimensão inferior ao declarado, 8.462,8 ha. Já o laudo atesta a existência de Preservação Permanente em dimensão superior, 6.002,7 ha e a Reserva Legal como declarada. Porém, além dessas informações desencontradas, não foi trazido o ADA e o laudo está desacompanhado de ART. 9. Assim, com essas verificações e em atenção à legislação pertinente, foi procedida a glosa das áreas isentas, modificado o VTN com base no laudo, bem como demais dados conseqüentes. As razões de fato e de direito foram registrados pelo fiscal para efetuar tais alterações. Apurado o crédito tributário em questão foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência à interessada, de acordo com o Aviso de Recebimento — AR de fl. 93 datado pelo destinatário, foi dada em 13/12/2005, confirmada pelo despacho de fl. 94. 10. Em 13/01/2006, a interessada apresentou impugnação, fls. 97 a 134, na qual, se alega, em síntese, o seguinte: 10.1. No item I Os Fatos, explana sucintamente desde a apresentação da declaração até o lançamento, dizendo estar, este último, eivado de vícios merecendo ser anulado. Fl. 285DF CARF MF 6 10.2. II Da tempestividade da impugnação: reproduzindo o artigo 15, do Decreto n° 70.235/1972, afirma que a impugnação está constituída conforme previsão legal. 10.3. III Da autuação apresentada: o autuante alega que, não obstante tenha a interessada apresentado os documentos solicitados comprovando as informações declaradas, não poderia prosperar a confirmação, vez que os documentos apresentados, por si sós, não eram suficiente para tal, ou seja, considerar as áreas de reserva legal e preservação permanente como não passiveis de tributação. 10.4. Aprofundase na questão de desconsideração das áreas isentas, afirmando que a autuação carece de amparo legal e que as informações prestadas pela contribuinte corresponde à mais absoluta realidade fática e física da propriedade, bem como enumera os enquadramentos efetuados pela fiscalização qualificandoos como entendimentos equivocados e incompletos e destaca que as informações comprovase em laudo técnico. 10.5. III Do mérito — Este item subdividiu da seguinte forma: 10.5.1. Preliminar — Copia definição de lançamento segundo o Dicionário Aurélio e copia o artigo 142, do Código Tributário Nacional — CTN para, com base em doutrinas e artigos constitucionais, comentar sobre a ação administrativa, da possibilidade de sua invalidade, dos princípios constitucionais como do contraditório e da ampla defesa, da ética, entre outros. 10.5.2. Fazse mister pugnar pela questão: Áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente — Neste ponto, longa e exaustivamente em quase 16 laudas, explana a respeito da existência de fato das áreas em pauta na propriedade. Copia legislações pertinentes à matéria; artigos constitucionais; comentários doutrinários; do dever do administrados considerar áreas de Utilização Limitada e Preservação Permanente declaradas, embora não averbadas na matrícula do imóvel e apenas em parte ser objeto de ADA; sobre entendimento de tribunais a respeito da matéria; do fato de que em Mato Grosso ainda a respeito da matéria não se constitui fato decisivo; também copia acórdãos do Conselho de Contribuintes sobre o assunto em processos relativos a exercícios anteriores ao do caso em pauta, entre outras alegações, destacando a real existência na propriedade das áreas em foco. 10.5.3. Fazse mister pugnar pela redução do Grau de Utilização —Neste item, discordando do Grau de Utilização — GU de 29,7% apurado pela autoridade fiscal, argumenta, também longamente, que, embora tenha se demonstrado a existência das áreas preservadas e por mais que assim não tenham sido consideradas pela fiscalização, enquadrandoas como áreas aproveitáveis não utilizadas, com reflexo no GU, deveria, ao mínimo, terem sido consideradas como inaproveitáveis e inutilizadas. Também aqui copia legislação a respeito e faz um quadro de distribuição das áreas apurando 81,94% de GU. Conclui o item afirmando que a conduta da Receita Federal está ferindo, totalmente, o direito da contribuinte e infringindo, Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 284 7 cruelmente, o ordenamento jurídico, portanto, sendo passíveis de anulação seus atos, sob pena de medida judicial cabível, entre outros assuntos. 10.5.4. Definição da alíquota — Discordando da alíquota de 20,0% aplicada comenta a respeito de sua definição e forma de apuração no ITR. Faz uma adequação com os valores por ela apurados no quadro de distribuição das áreas, especificamente o GU, e considerando o VTN demonstrado no laudo apresentado, que de passo diz estar incorreto, aplica a alíquota de 0,45%, que considera correta, e, comentando que ainda que ilegais, calcula uma diferença de imposto, com aplicação juros e multa, no valor de R$ 6.533,55. Finaliza o item afirmando ser patente que o imposto lançado também é vicioso quanto ao mérito, pelo erro verificado na apuração do quantum debeatur, sendo nulo de pleno direito. 10.5.5. Fazse mister pugnar pela questão do Valor da Terra Nua —Neste item contesta o VTN por ela mesmo apresentado com o laudo técnico. Alega que no competente laudo apresentado foi utilizado critério de pesquisa muito amplo, sem verificação da particularidade de cada imóvel. Comentando a respeito da diferença de valores entre uma outra propriedade, considerando suas localidades e produtividade requer, em síntese, que deve ser considerado o VTN declarado, uma vez que se refere ao real valor do imóvel e, pois, ao preço pago pelo mesmo. Para reforçar seus argumentos copia jurisprudência do Conselho de Contribuintes a respeito do tema. 10.5.6. Fazse mister pugnar pela não incidência dos juros e da multa —Copiando pareceres doutrinários, legislações e jurisprudência inerentes ao assunto, afirma ser injusta e ilegal a cobrança de juros e da multa, bem como não foi suspenso lançamento conforme prevê o inciso III, do artigo 151, do CTN e, em resumo, pleiteia para que \ tal cobrança comece a fluir a partir da ciência do lançamento contestado. 10.6. 1VDo requerimento — Mediante todo o exposto requer: 10.6.1. Que seja apreciado e aceito o Laudo Técnico apresentado, para fins de comprovação de áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, por representar a real situação da propriedade. 10.6.2. Que seja desconstituído o Auto de Infração, vez que se fundamenta em quadro do uso do solo atribuído exofficio, diferente da realidade fática existente no imóvel Fazenda São Jerônimo 10.6.3. Caso não seja esse o entendimento, o que não se espera, seja efetuada a correta classificação das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal como áreas inaproveitáveis. 10.6.4. Que seja considerado o VTN constante da DIRPJ. 10.6.5. Sejam também cancelados os lançamentos suplementares de impostos, multas, taxas, juros e outros que porventura tenham Fl. 287DF CARF MF 8 ocorrido, vez que se deram desprovidos de qualquer amparo legal, face os motivos apontados no tópico anterior. 10.6.6. A homologação pela autoridade coatora da Declaração do ITR/2001 e dos valores auto tributados a partir dela, procedendose a eventuais correções referente ao VTN e lançandose ao contribuinte, corretamente agora, as diferenças tributárias efetivamente devidas. 10.7. Finalmente, requer o encerramento e arquivamento do presente procedimento fiscalizatório, expedindose após as certidões negativas de estilo. 11. Os documentos que instruíram a impugnação constam das fls. 135 a 148, os quais são, entre outros: cópia das matrículas do imóvel; do ADA apresentado em 03/07/2000, contendo parcialmente as áreas isentas em discussão e o ART relativo ao laudo anteriormente apresentado. 12. As fls. 150 a 152 são relativas a questões de documentação de identificação da procuradora da interessada. 13. As fls 155 a 161 são o Acórdão desta DRJ e da fl. 162 os embargos de declaração. 14. É o relatório." Ciente da decisão que contrariou seus interesses, em 18 de dezembro de 2006 ( AR fls. 196), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 12 de janeiro de 2007 (fls. 198), do qual constam, em sua maioria, os mesmos argumentos. Em 26 de março de 2009, apreciando o apelo interposto, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Colegiado, resolve, sob a motivação abaixo transcrita, converter o julgamento em diligência para que (fls. 237): "Encontrase nos autos Laudo Técnico/Mapa com ART e o ADA tempestivo em fls 146 e cópias de matriculas do imóvel. Em fls. 176, há o voto que consubstancia a decisão recorrida, dispondo: "Com a impugnação, como acima já dito, foram apresentados alguns documentos passíveis de aceitação, os quais são as cópias das matrículas, o ART do elaborador do laudo e a ADA tempestivo. Entretanto, analisandoos, verificase que os dados não coincidem entre os mesmos, pois, diferentemente dos valores, já diversos dos declarados, constatados pelo fiscal, no ADA foi registrado apenas 1.382,0ha de P.Permanente e 8.007,0 há de Reserva Legal. Dessa forma, como o laudo foi regularizado com o ART e o ADA legaliza parcialmente as dimensões das áreas isentas declaradas, as mesmas serão consideradas na proporção do Ato." Dessa forma, cabe observar, que apesar da decisão ser parcialmente favorável a Recorrente, no tocante as áreas de preservação permanente e de reserva legal, tudo foi baseado no ADA que apresenta uma área total e as referidas áreas isentas Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 285 9 menor do imóvel do que o declarado, matriculado e o constante do laudo/mapa aceito para fins de VTN que apresentou valor maior que o declarado. Assim, entendo que nesse grau de julgamento, a verdade material é imprescindível. Agora se faz necessário para a manutenção do lançamento tributário ou a declaração de sua insubsistência a produção de prova pelo IBAMA, da real existência de áreas a serem excluídas da tributação do ITR no imóvel do Recorrente, bem como de sua área total. Diante do exposto, deve o presente julgamento ser convertido em diligência para que seja determinado ao IBAMA a verificação do Imóvel da Recorrente, vistoriandoo para em parecer indique quais as áreas existentes de preservação permanente e de reserva legal. A Recorrente se interessar traga aos autos elementos mais convincentes ou esclarecedores sobre a sua área total e o seu VTN." (destaquei) Por meio do Ofício nº 145/2010/DITEC/SUPES/MT, de 23 de março de 2010, a Superintendência do IBAMA em Mato Grosso, responde ao ofício enviado pela SECAT/DRF em Campo Grande/MT, que visava atender a diligência determinada por este Conselho Administrativo. Reproduzo a conclusão (fls. 245): "Portanto, com base na atual redação dos Art. 16 e 19 do Código Florestal Brasileiro e na legislação ambiental vigente no estado de Mato Grosso, especialmente a que disciplina o licenciamento ambiental único e o cadastro ambiental rural, entendese que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deve solicitar ao—declarante a apresentação da Licença Ambiental Única ou do Cadastro Ambiental Rural — CAR da propriedade rural objeto de investigação. Tais documentos possuem regramentos bem definidos na legislação estadual que conduzem à aferição das áreas de preservação permanente e de reserva legal„ bem. como de outras áreas de interesse ambiental existentes na propriedade. Persistindo dúvida, poderá a DRF/Cuiabá, em ato complementar, requerer ao declarante Laudo Técnico de profissional legalmente habilitado, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, sobre quesitos que importem esclarecimentos." (destaquei) Sem tomar mais nenhuma providência, em 07 de abril de 2010, a Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, por meio de despacho de folhas 257, assinado pelo Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário SECAT, entende cumprida a diligência requerida e encaminha, em devolução, o processo para este Conselho. Por sorteio eletrônico, o presente processo foi para mim distribuído, em razão do Relator originário não mais pertencer ao colegiado. É o relatório do necessário. Fl. 289DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira Preliminarmente devo apontar que o recurso de ofício não preenche condições de admissibilidade, posto que, não atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Considerando que tal valor deve ser aferido na data de apreciação do recurso de ofício, consoante as disposições da Súmula CARF nº 103, não conheço do recurso de ofício interposto. O recurso voluntário é tempestivo. Passo a apreciálo. Verifico que a questão controvertida cingese às áreas de reserva legal e preservação permanente. Alega a Recorrente, reprisando seus argumentos constantes da impugnação ao lançamento que, independentemente das questões formais tocantes às áreas dedicadas a reserva legal e para preservação permanente, o que importa para efeitos de tributação é a sua existência e efetivo respeito à sua destinação, verdadeira responsabilidade ambiental. Os trechos abaixo transcritos, resumem a argumentação sobre a reserva legal constante do apelo (fls. 200): "Com efeito, a Fazenda São Jerônimo possui a área de Reserva Legal recoberta de vegetação nativa, além de extensa área de Preservação Permanente (córregos, rios, etc...). Essa situação foi verificada através de laudo técnico detalhado, identificando a medição exata de todas as áreas e tipos de uso do solo da propriedade. Deste modo, inquestionável que o imóvel denominado Fazenda São Jerônimo possua uma extensa área de preservação permanente e reserva legal, muito embora não na totalidade averbada à margem da inscrição imobiliária, como restou comprovado através de Laudo Técnico detalhado. Importa destacar que especificamente no Estado do Mato Grosso, a questão da Averbação da Reserva Legal constitui fato ainda não decisivo, uma vez que há uma divergência entre a legislação estadual e a federal (Código Florestal), no tocante ao percentual mínimo exigido por lei. Diante então da inconstância da legislação, o proprietário não realizou mudanças na matrícula do imóvel, tendo, entretanto, resguardo o percentual de áreas de preservação ambiental (somadas as áreas de preservação permanente e reserva Legal), num total de 70% da totalidade de seu imóvel, vez que existentes na realidade física e fática, e com uso restrito pela legislação ambiental. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 286 11 O que vemos do ADA entregue em 2000, é que se restringiu a identificar as áreas em que existia averbação na matrícula, por ser exigência e prérequisito. Porém, a realidade é que o imóvel tem no máximo um total de 20% de áreas aproveitáveis, isto é, sujeitas à exploração, sendo que, apenas não consta da matrícula e do ADA pelo fato acima relatado, qual seja, a indeterminação quanto ao percentual exigido por Lei. Em assim sendo, demasiado comprovado que existe no imóvel uma extensa área destinada à preservação ambiental, definida em lei como de Reserva Florestal Legal e Preservação Permanente, conforme atestado inclusive através de Laudo Técnico elaborado por profissional devidamente habilitado. Isto posto, temos que, a todo modo, as áreas de preservação permanente, bem como a área de Reserva Florestal Legal da Fazenda São Jerônimo, declaradas e informadas na respectiva DIAT do ITR 2001, devem ser entendida como tal e, pois, isenta de tributação." Sobre o tema, a decisão de piso assim se pronunciou (fls. 189): 44. No caso em tela, quando do atendimento da intimação, a interessada havia apresentado matrículas do imóvel contendo averbação parcial da área isenta e laudo técnico, porém, afirmou que a exigência da averbação, bem como do ADA, não encontram amparo legal para comprovação das áreas isentas, não apresentando, inclusive, o referido Ato e o laudo técnico atestando a existência da Preservação Permanente, estava desacompanhado de ART. 45. Com a impugnação, como acima já dito, foram apresentados alguns documentos passíveis de aceitação, os quais são as cópias das matrículas, o ART do elaborador do laudo e o ADA tempestivo. Entretanto, analisandoos, verificase que os dados não coincidem entre os mesmos, pois, diferentemente dos valores, já diversos dos declarados, constatados pelo fiscal, no ADA foi registrado apenas 1.382,0 ha de P. Permanente e 8.007,0 ha de Reserva Legal. Desta forma, como o laudo foi regularizado com o ART e o ADA legaliza, parcialmente, as dimensões das áreas isentas declaradas, as mesmas serão consideradas na proporção do Ato." (destaques não constam da decisão recorrida) Apreciando o Voluntário apreciado, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção, ciente da divergência entre o laudo técnico apresentado e o ADA, determinou diligência para que o IBAMA responsável pela gestão ambiental e interessado na existência do Ato Declaratório, posto dele constam informações de interesse do órgão verificasse a veracidade das informações conflitantes. Recordemos a conclusão da resposta do órgão ambiental para a Delegacia da Receita Federal, reproduzida no relatório do presente acórdão e constante de folhas 254: Fl. 291DF CARF MF 12 "Portanto, com base na atual redação dos Art. 16 e 19 do Código Florestal Brasileiro e na legislação ambiental vigente no estado de Mato Grosso, especialmente a que disciplina o licenciamento ambiental único e o cadastro ambiental rural, entendese que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deve solicitar ao—declarante a apresentação da Licença Ambiental Única ou do Cadastro Ambiental Rural — CAR da propriedade rural objeto de investigação. Tais documentos possuem regramentos bem definidos na legislação estadual que conduzem à aferição das áreas de preservação permanente e de reserva legal„ bem. como de outras áreas de interesse ambiental existentes na propriedade. Persistindo dúvida, poderá a DRF/Cuiabá, em ato complementar, requerer ao declarante Laudo Técnico de profissional legalmente habilitado, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, sobre quesitos que importem esclarecimentos." Não obstante o total desinteresse do órgão ambiental sobre a divergência noticiada, a Delegacia da Receita Federal simplesmente devolveu o processo para este Conselho, mencionando em despacho que havia cumprido a diligência determinada. Assim sendo, e considerando que o contribuinte produziu laudo técnico, devidamente assinado por profissional habilitado e registrado no órgão de controle da atividade profissional do signatário do documento pericial, entendo ter valor probante os dados constantes de tal laudo. Não obstante o exposto, recordo que a exigência do ADA como requisito legal para fruição do benefício fiscal no cálculo do valor devido a título de ITR só surgiu com o advento da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/00 lei ambiental, se diga mas que de forma expressa impõe o ADA como condição para a fruição do favor tributário. "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (novamente destaquei) Porém, é inegável que tal exigência só passa a existir a partir de 2001, posto que a publicação da lei se dá nos últimos dias de dezembro de 2000. Tratase de imposto cujo fato gerador se dá em 01 de janeiro de 2001. Diante dos fatos e fundamentos apresentados, entendo que as áreas constantes do laudo técnico de folhas 37, a título de reserva legal e preservação permanente devem ser Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 287 13 consideradas no cálculo do ITR devido, prevalecendo, inclusive, sobre as constantes da declaração original apresentada pelo contribuinte. Logo, determino que a área de 20.763,0482 ha (constante de quadro às folhas 48) deve ser considerada como reserva legal, bem como a área de 6.002,7447 ha (fls 49) deve ser adotada como de preservação permanente. Por via de consequência, deve ajustar o cálculo do tributo devido, com o respectivo grau de utilização calculado. Recurso voluntário provido nessa parte. Quando às alegações sobre a incidência de juros e multa, não cabe razão ao contribuinte. A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou a incidência dos juros de mora sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluindose a multa de ofício: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a Fl. 293DF CARF MF 14 multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10183.005558/200557 Acórdão n.º 2201003.688 S2C2T1 Fl. 288 15 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” Fl. 295DF CARF MF 16 (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Por todo o exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Diante dos fatos apresentados e com base nos fundamentos expostos, voto por não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, dele conheço para darlhe provimento parcial, determinando que se considere no lançamento as áreas de 20.763,0482 ha. como sendo de reserva legal e 6.002,7447 ha. como de preservação permanente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720175/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.804
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 75 /2 01 1- 95 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.319. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720175/201195 Acórdão n.º 3302003.804 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.721763/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA.
É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 2401-004.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE. Recorrente TRANSPORTADORA JÚPITER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 63 /2 01 0- 10 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 381 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 382 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo tratou de não conhecer a impugnação do contribuinte, por intempestiva, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0231.903 (fls. 329/331): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado.. A impugnação intempestiva somente instaura a fase litigiosa se a preliminar de tempestividade for suscitada, observandose que, não sendo acolhida, deixase de apreciar as demais questões argüidas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 111/115, que o processo administrativo é composto pelo Auto de Infração (AI) nº 37.260.0220, referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais (transportadores autônomos) por fretes realizados, assim como sobre os valores pagos em pecúnia a segurados empregados, a título de auxílioalimentação (fls. 3/71). 2.1 Este processo é vinculado, por conexão, com os processos de obrigação principal nº 10680.721764/201064 e 10680.721765/201017. 3. Cientificado do auto de infração por via postal em 7/7/2010, às fls. 143 e 319, o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 9/8/2010 (fls. 151/195). 4. Intimada em 29/2/2012, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, conforme fls. 334/335, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 30/3/2012, pelo qual contesta a deliberação de piso que deixou de conhecer da sua impugnação, por intempestiva (fls. 338/342). 4.1 A favor da tempestividade, defende o equívoco da decisão recorrida na interpretação dos dados do Aviso de Recebimento, o qual atesta a data de ciência da notificação do crédito tributário ao sujeito passivo. Tendo em vista a informação do documento, o auto de infração foi recebido em 8/7/2010 (quintafeira), e não em 7/7/2010 (quartafeira). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 383 4 4.2 Logo, a contagem do prazo iniciouse no dia 9/7/2010 (sextafeira), com "dies ad quem" em 7/8/2010 (sábado), prorrogado para o dia útil subsequente, no caso, o dia 9/8/2010 (segundafeira). 5. Esta 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção, por meio da Resolução nº 2401 000.384, decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Agência dos Correios confirmasse, com base no Aviso de Recebimento, a data da efetiva entrega do auto de infração no domicílio tributário do sujeito passivo (fls. 358/360). 6. A diligência foi cumprida, com anexação da imagem legível do Aviso de Recebimento, em que o carimbo de entrega indica a data de ciência: 07 JUL 2010 (fls. 365/366). 7. Concedido prazo para o recorrente manifestarse sobre o resultado da diligência, permaneceu inerte (fls. 368/374). 8. Tendo em vista a renúncia do relator original, Conselheiro Igor Araújo Soares, foi efetuado novo sorteio para relatoria. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 384 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 10. Nesse momento processual, compete avaliar a tempestividade da apresentação da impugnação, visto que a decisão de piso considerou a defesa intempestiva. 11. O Decreto nº 70.235, de 6 de maio de 1972, estabelece que a impugnação da exigência formalizada por escrito instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que intimado o contribuinte: (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) 12. A respeito da contagem dos prazos na hipótese de intimação por via postal, prevê o mesmo Decreto nº 70.235, de 1972: (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 385 6 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (...) 13. O carimbo aposto no Aviso de Recebimento dos Correios mostra que o sujeito passivo foi intimado do Auto de Infração em 7/7/2010, quartafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição da impugnação (fls. 365). 13.1 Com isso, o termo do prazo de defesa iniciouse em 8/7/2010, quintafeira, e finalizou no dia 6/8/2010, sextafeira. 14. Todavia, o sujeito passivo protocolou sua impugnação em 9/8/2010, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação (fls. 151/195). 15. Alega a recorrente na petição recursal, entretanto, que a intimação do auto de infração ocorreu somente no dia 8/7/2010, quintafeira. Quando da apresentação da impugnação, também havia suscitado a tempestividade da apresentação da contestação, embora, naquela oportunidade, tenha afirmado que a ciência da autuação se efetivou em 9/7/2010 (fls. 153). 16. Como se percebe, o discurso do sujeito passivo tem caráter meramente protelatório, porquanto a empresa não se esforça para trazer aos autos qualquer indício de prova material para o fim de demonstrar os fatos que possui interesse em fazer prevalecer no processo administrativo. 17. Por outro lado, o Aviso de Recebimento dos Correios, o qual está juntado às fls. 365, após a realização de diligência pelo órgão preparador, é elemento hábil e idôneo a comprovar que a recorrente foi intimada do Auto de Infração em 7/7/2010. 18. Oportunizado o contraditório ao sujeito passivo a respeito do resultado da diligência, não consta manifestação. 19. Logo, uma vez suplantado o permissivo legal para contestação, ausente o requisito extrínseco da tempestividade, não se instaura a fase litigiosa, devendo ser declarada intempestiva a impugnação, conforme decisão de primeira instância. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 386 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900792/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 20/09/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.281
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/09/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 92 /2 01 2- 53 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.587, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 20/09/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.732822/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010
LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.
O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento").
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE.
Conforme art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei.
Numero da decisão: 3401-003.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a possibilidade de revisão aduaneira, no caso concreto, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, tendo sido o voto do relator e dos conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Fenelon Moscoso de Almeida, em relação ao tema, proferidos em março de 2017, e dos conselheiros André Henrique Lemos e Robson José Bayerl, em abril de 2017; e (b) por unanimidade de votos, para negar provimento em relação às demais matérias. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco informou a intenção de apresentar declaração de voto.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães (suplente), André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE. Conforme art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a possibilidade de revisão aduaneira, no caso concreto, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, tendo sido o voto do relator e dos conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Fenelon Moscoso de Almeida, em relação ao tema, proferidos em março de 2017, e dos conselheiros André Henrique Lemos e Robson José Bayerl, em abril de 2017; e (b) por unanimidade de votos, para negar provimento em relação às demais matérias. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco informou a intenção de apresentar declaração de voto. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães (suplente), André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 73 28 22 /2 01 3- 04 Fl. 529DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE. Conforme art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a possibilidade de revisão aduaneira, no caso concreto, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, tendo sido o voto do relator e dos conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Fenelon Moscoso de Almeida, em relação ao tema, proferidos em março de 2017, e dos conselheiros André Henrique Lemos e Robson José Bayerl, em abril de 2017; e (b) por unanimidade de votos, para negar provimento em relação às demais matérias. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco informou a intenção de apresentar declaração de voto. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães (suplente), André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração lavrados em 26/12/2013 (fls. 2 a 71)1, com ciência dos autuados em 02 e 03/01/2014 fls. 113 a 115, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação, respectivamente, nos valores originais principais de R$ 4.869.608,92 e R$ 22.512.710,67, acrescidos de juros de mora e multa de ofício (75%), por falta de pagamento em importações de "nafta para formulação de gasolina", sujeita a alíquota específica, conforme § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004. No Relatório Fiscal de fls. 15 a 35, narra a fiscalização que: (a) verificou as importações de "nafta para formulação de gasolina" realizadas de 15/10/2009 a 25/02/2010, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 530 3 pela filial de CNPJ no 05.889.885/000498, da empresa Centro Oeste Exportadora e Importadora Ltda (Centro Oeste), concluindo que foram utilizadas indevidamente as alíquotas gerais das contribuições, quando o cálculo deveria ter sido efetuado com base nas alíquotas específicas estabelecidas em lei, por ser a "nafta para formulação de gasolina" uma corrente de gasolina (aplicandose o art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004); (b) sendo as importações da realizadas na modalidade por conta e ordem, o adquirente Copape Produtos de Petróleo LTDA (Copape) é responsável solidário, por expressa disposição legal (art. 6o, I da Lei no 10.865/2004); (c) nas importações, a mercadoria é descrita como "correntes de hidrocarbonetos para formulação de gasolina"; (d) o recolhimento de CIDE/Combustíveis, nas importações, foi feito com admissão de que as mercadorias se tratavam de correntes de gasolina; e (e) nas operações, é irrelevante, para efeito da tributação das importações pelas contribuições, que a empresa tenha optado pelo regime especial de que trata o art. 23 da Lei no 10.865/2004. A empresa Centro Oeste apresenta Impugnação em 29/01/2014 (fls. 117 a 129), alegando que: (a) a opção pela alíquota geral foi correta, tendo sido a exigência efetuada por analogia, sendo que, em caso de "obscuridade, ambiguidade ou dúvida quanto à incidência do critério normativo de alíquota, a questão essencialmente de direito deve ser resolvida em prol da regra jurídica geral do critério normativo ad valorem e não da exceção ad rem"; (b) a expressão "independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido", na parte final do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004 não rege a obrigatoriedade do critério da alíquota específica, mas da alíquota geral; e (c) é impossível, juridicamente, a revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, conforme já decidiu o STJ (REsp no 65858/RS, AgRg no 1422444/AL e Súmula no 227TFR). A empresa Copape, por sua vez, apresenta Impugnação em 31/01/2014 (fls. 159 a 174), basicamente com os mesmos argumentos externados pela empresa Centro Oeste, acrescentando que os efeitos tributários da carga fiscal efetiva arrecadada pelo fisco são rigorosamente semelhantes, demandando conversão em diligência para conferência do procedimento de tomada de crédito. A decisão de primeira instância, proferida em 18/09/2014 (fls. 244 a 258) é pela improcedência da impugnação, considerando prescindível a realização de diligência, e que: (a) não houve alteração de critério jurídico, devendo ser considerada, na leitura da Súmula TFR no 227, a alteração efetuada em 1988 no DecretoLei no 37/1966, e a criação de canais de conferência aduaneira; (b) as contribuições devidas na importação são distintas daquelas incidentes no mercado interno, devendo cada obrigação ser cumprida a seu tempo e de acordo com as regras que disciplinam cada matéria; e (c) a Lei no 10.865/2004 expressamente prevê a alíquota específica para as importações de gasolinas e suas correntes, em qualquer hipótese, independente de opção. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 269) em 13/11/2014, a empresa Copape apresenta o recurso voluntário de fls. 272 a 287 (em 15/12/2014), reiterando as alegações de impossibilidade de revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, com menção à jurisprudência do STJ, de correção da alíquota adotada, e de equivalência da carga fiscal para as diferentes alíquotas. Pela Resolução no 3401000.922, de 16/03/2016 (fls. 335 a 338), esta turma de julgamento unanimemente decidiu converter o julgamento em diligência, para que fosse suprida ou justificada a ciência faltante no processo (do acórdão de piso, à empresa Centro Oeste), e fossem informados os canais de conferência e detalhadas eventuais exigências Fl. 531DF CARF MF 4 efetuadas no curso do despacho, em relação a cada uma das declarações de importação que figuram na autuação. A unidade atendeu celeremente a segunda demanda, mas não empreendeu a diligência para regularizar a questão da ciência, o que motivou nova conversão em diligência, pela Resolução no 3401000.947, de 26/09/2016 (fls. 466 a 470). Identificando estar baixada a empresa Centro Oeste (tela à fl. 473), a unidade local cientifica o responsável por esta, Sr. Celso Braz de Oliveira Santos, da decisão de piso e do resultado da diligência, em 11/11/2016 (AR à fl. 481). A empresa Centro Oeste apresenta, em 07/12/2016, recurso voluntário (fls. 516 a 520), com tempestividade atestada pela unidade local (fl. 527), no qual sustenta que: (a) o acórdão da DRJ não observou que a legislação tributária permite que o contribuinte opte pela alíquota ad valorem para a importação de nafta utilizada para a formação de gasolina, sendo as alíquotas ad valorem a regra, conforme artigos 8o, I e II, e § 8o, e 23, da Lei no 10.865/2004; e (b) não pode haver revisão de erro de direito após finalizado o desembaraço aduaneiro, tendo sido as mercadorias desembaraçadas em canal amarelo, e, inclusive, em alguns casos, com verificação das mercadorias, conforme resultado da diligência fiscal, tendo a autoridade aduaneira verificado a regularidade das informações. A unidade local da RFB cientifica ainda ambas as empresas sobre o resultado da diligência, e estas apresentam “contrarrazões” exclusivamente em relação ao atendimento parcial da primeira diligência, que indicou que todas as Declarações de Importação haviam sido selecionadas para o canal amarelo de conferência, e que algumas, mesmo em canal amarelo, foram ainda sujeitas a verificação da mercadoria, defendendo que, diante do desembaraço aduaneiro, a autoridade aduaneira constatou a regularidade das operações (fls. 505/506). Em 04/01/2017, o processo foi a mim devolvido (fl. 528), para inclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. Em fevereiro de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. Em março de 2017, pediu vistas o Conselheiro André Henrique Lemos, após a leitura do voto do relator, e o início da análise da preliminar, quanto à possibilidade de revisão aduaneira, na qual acompanharam o relator os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e Fenelon Moscoso de Almeida. E, em abril de 2017, pediu vistas o Conselheiro Tiago Guerra Machado, ainda em complemento à análise da preliminar relativa à possibilidade de revisão aduaneira, após o Conselheiro André Henrique Lemos, que havia pedido vistas na reunião anterior, abrir divergência em relação ao voto do relator, entendendo que houve, no caso em análise, alteração de critério jurídico, sendo incabível a revisão aduaneira, e o Conselheiro Robson José Bayerl acompanhar o voto do relator, sendo a vista convertida em coletiva pelo presidente. Em maio de 2017, por fim, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 531 5 Os recursos voluntários apresentados atendem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. São dois, basicamente, os temas contenciosos: (a) a existência ou não de alteração de critério jurídico na revisão aduaneira efetuada (erro de direito); e (b) a alíquota aplicável ao caso (ad rem ou ad valorem). Traz, ainda, a recorrente Copape, uma terceira discussão aos autos, sobre os efeitos tributários da carga fiscal efetiva. Da "revisão" aduaneira Alegam as recorrentes que é impossível, juridicamente, a revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, conforme já decidiu o STJ (v.g., REsp no 65858/RS, AgRg no 1422444/AL e Súmula no 227TFR). Sobre o tema, já tivemos a oportunidade de externar entendimento em artigo publicado em 2012. Aproveitase para reproduzir excerto de tal estudo, plenamente aplicável ao caso aqui analisado (ainda que não verse sobre classificação de mercadorias):2 “O art. 638 do Regulamento Aduaneiro, com base no art. 54 do DecretoLei no 37, de 1966, com a redação com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, estabelece que revisão aduaneira “é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”. A revisão aduaneira assume crescente importância, na medida em que se está selecionando para conferência aduaneira, no despacho, um percentual cada vez menor de declarações de importação. Chegase até a cogitar a impropriedade da denominação do instituto, visto que o termo “revisão” sugere que já tenha havido uma primeira análise, o que nem sempre ocorre nas importações. No canal verde, por exemplo, sequer houve verificação da mercadoria ou exame documental; no amarelo, não ocorreu a verificação da mercadoria; e, mesmo no vermelho, pode ser que a verificação, feita por amostragem, não tenha abarcado especificamente o tópico que venha a ser discutido futuramente em procedimento de “revisão” aduaneira. Assim, a revisão aduaneira (cuja denominação fica cada vez mais inadequada), em verdade, tornase frequentemente a primeira oportunidade em que as informações prestadas pelo 2 A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros. Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 341376. Fl. 533DF CARF MF 6 importador na declaração de importação são checadas pelo fisco. São numerosas as reclassificações de mercadorias desembaraçadas em canal verde (ou seja, sem qualquer intervenção humana).” (op. cit, p. 364) Também já efetuamos considerações sobre o tema em julgamentos anteriores, com acolhida unânime da turma: "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias, não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita)." (Acórdão n. 3403002.555, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 23.jan 2013; e Acórdão n. 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25.fev 2014) (grifo nosso) É de se acrescentar que nos presentes autos sequer se mencionava em quais canais de conferência foi a mercadoria desembaraçada, e tal matéria não foi objeto de controvérsia específica, inicialmente, alegando a recorrente Copape (fl. 279), simplesmente, em referência a todas as operações, que: Foi apenas após o resultado da primeira diligência, que este CARF, de ofício, em nome da verdade material, indagou sobre os canais de conferência nas operações em análise, obtendo como resposta (conforme relatado à fl. 468) que: Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 532 7 Após tal resultado, ambas as recorrentes reiteraram os argumentos de que teria havido constatação de regularidade pela autoridade aduaneira, em todas as declarações de importação, pois estas foram desembaraçadas. É preciso aclarar, no entanto, o que diferencia os procedimentos de importação daqueles referentes a simples apuração de tributos internos. As contribuições devidas na importação, assim como o imposto de importação, são tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. O sujeito passivo (em regra, o importador) detalha em uma DI (declaração de importação) as mercadorias que está importando, suas classificações e seus valores, entre outras informações (como a alíquota, se ad rem), e paga os tributos devidos segundo seus cálculos, independentemente de qualquer ato administrativo. A declaração é, então, sujeita a conferência, podendo ser desembaraçada em canal verde (sem qualquer ato da autoridade fiscal), amarelo (com verificação apenas dos documentos), vermelho (com verificação dos documentos e da mercadoria, por amostragem), ou cinza (com procedimento especial de controle aduaneiro). É míope e desconectada da realidade do comércio internacional a visão de que o desembaraço aduaneiro é um ato cujo objetivo central seja o lançamento de crédito tributário, ou sua homologação. O crédito tributário é coadjuvante nesse processo, exatamente porque pode ser exigido a posteriori, mediante "revisão" aduaneira. Em zona primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira), a principal preocupação é com o cometimento de fraudes (como a importação de mercadoria proibida), especialmente se houver possibilidade de que um procedimento de fiscalização posterior seja frustrado (v.g., pela própria inexistência de fato do importador ou do real adquirente da mercadoria). É essa a realidade, hoje, no Brasil e em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento do mundo, que passaram a adotar, para não obstaculizar o comércio e para não entravar os portos, aeroportos etc., parâmetros de seletividade, fiscalizando efetivamente baixo percentual de cargas importadas, restringindo a análise àquelas que apresentem efetivo potencial de risco, não sendo o tema tributário, repitase, protagonista nessa discussão (em face de o crédito poder ser exigido a posteriori).3 3 Como não é possível (nem efetivo) fiscalizar um percentual elevado das cargas que chegam ao País ou dele saem, investese em mecanismos de seleção fundados em parâmetros objetivos previamente cadastrados, permitindo que se verifiquem em despacho as mercadorias sobre as quais recai o mais alto grau de risco, ou as mercadorias com indícios de prática de fraude para a qual a fiscalização a posteriori seja improdutiva. Algumas infrações, como as relativas a propriedade intelectual, a saúde, ou que possam resultar em contrabando, devem ser tratadas em tempo de despacho. Outras, como o simples erro de classificação fiscal, ou o simples preenchimento incorreto de campo, poderiam ser objeto de fiscalização a posteriori (a menos que haja elementos que levem à convicção de que a empresa infratora é inexistente de fato, ou não disporá de patrimônio para saldar a dívida a Fl. 535DF CARF MF 8 Assim, aquele que invoca a Súmula no 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), no Brasil, para tratar de "revisão" aduaneira, está meio século atrasado na análise da questão, pois está a raciocinar na realidade da redação original do DecretoLei no 37/1966, e no contexto em que todas as mercadorias e todos os documentos de todas as declarações de importação eram (ou, ao menos, deveriam ser) examinados, quando hoje, a regra é a ausência de exame. Não é preciso muito esforço para perceber que a Aduana brasileira mudou em relação àquela que existia há meio século, à época em que se consolidou o entendimento expresso na súmula no 227, inadvertidamente mantido em realidade diversa, inclusive pelo STJ, como se depreende dos precedentes colacionados pelas recorrentes. Basta uma olhadela no sítio web da RFB para que vejamos quais as preocupações da aduana, hoje:4 "Aumento na Fluidez no Comércio Exterior Na importação, a fluidez é medida pelo percentual de declarações que são desembaraçadas com menos de 24 horas (Indicador do Grau de Fluidez). No primeiro semestre de 2015, 84,73% do total dos despachos de importação registrados foram liberados pela Aduana em menos de um dia. Isto representa uma melhora da fluidez na importação de 1,4% em relação ao primeiro semestre de 2014 e de 1,9% em relação ao primeiro semestre de 2013. (...) Mais rapidez dos tempos no despacho O tempo médio bruto de despacho na importação (DI), o qual computa do registro da declaração até o seu desembaraço, tem o tempo médio de 1,60 dias no período de janeiro a junho de 2015, o qual representa a redução de 2,43% no comparativo 2015 x 2014. (...) Declarações de Importação e Exportação No primeiro semestre de 2015, a Aduana do Brasil desembaraçou 1,71 milhões de declarações de operações de comércio exterior, sendo 1,159 milhões de despachos de importação e aproximadamente 560 mil despachos de exportação. (...)" Lamentavelmente, neste último relatório disponível, de 2015, a Aduana brasileira não divulgou o número de declarações por canal de conferência. Mas no anterior, de 2014, é possível acessar os números, inclusive de forma gráfica:5 posteriori, v.g.). Assim, a exemplo do que ocorre em diversos países, o Brasil prioriza, em despacho, o tratamento de um quantitativo reduzido de declarações, dando maior fluidez ao comércio internacional. 4 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2015", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana#, acesso em 01 mar.2016. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 533 9 "A capacidade de conferência no despacho e a gestão de risco evoluíram nos últimos 12 anos, de forma a permitir a maior fluidez ao comércio, conforme mostram os dois gráficos seguintes e, ao mesmo tempo, a aumentar o grau de eficácia na seleção e a efetividade da atuação da Receita Federal no combate às irregularidades nas operações de importação e exportação. O Brasil hoje tem um nível de seletividade, na importação, da ordem de 11,02%, índice menor que o de 2013 (11,21%) e 9,28% na exportação. Um dos indicadores do Custom Assessment Trade Toolkit – CATT, utilizado pelo Banco Mundial, relacionado ao nível de seletividade para controle do despacho aduaneiro, estabelece como parâmetro ideal 3% de seletividade. É a essa realidade que se pretende aplicar o art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN), imaginando que tenha sido efetuado no procedimento aduaneiro aqui descrito uma revisão como a malha do imposto de renda, ou uma fiscalização de IPI realizada na empresa. Atentese que a área em verde do gráfico corresponde ao percentual de declarações de importação para as quais não foi verificada nem a mercadoria importada nem os documentos que ampararam a importação (ou seja, declarações para as quais não houve qualquer intervenção humana). E a área em amarelo, às importações para as quais foram verificados apenas os documentos, cabendo destacar que, mesmo nas áreas vermelhas, foram verificados documentos e mercadoria por amostragem. Em síntese, a realidade e a própria legislação aduaneira hoje existentes são distintas do contexto tributário e aduaneiro do qual foram extraídas as conclusões que se informa serem amoldadas à Súmula no 227 do extinto TFR. Aliás, o período em que eram atuais e pertinentes tais discussões foi a década de 80 do século passado. E tais discussões levaram justamente à alteração do DecretoLei no 37/1966, em 1988. 5 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2014", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana/arquivoseimagens/balancoaduaneiro2014.pdf, acesso em 01 mar.2016. Fl. 537DF CARF MF 10 O Capítulo III do DecretoLei no 37/1966 (referente a "Normas Gerais de Controle Aduaneiro das Mercadorias") era originalmente subdividido em quatro seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 47; ‘conferência’, arts. 48 a 52; ‘desembaraço’ art. 53; e ‘revisão’ art. 54), estabelecendo este último artigo (54), único a compor a Seção IV, que: "Seção IV Revisão Art 54. A revisão para apuração da regularidade do recolhimento de tributos e outros gravames devidos à Fazenda Nacional será realizada na forma que estabelecer o regulamento, cabendo ao funcionário revisor 5% (cinco por cento), das diferenças apuradas, revogado o art. 4º do Decreto lei nº 8.663, de 14 de janeiro de 1946." (grifo nosso) O Decretolei no 2.472/1988, porém, deu nova redação a todo o Capítulo III do DecretoLei no 37/1966, que passou a contar com apenas duas seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 53; e ‘conclusão do despacho’ art. 54), dispondo, a partir de então, o artigo 54: "Seção II Da Conclusão do Despacho Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei." (grifo nosso) Percebase que o legislador, em 1988, não desejou somente retirar dos funcionários o percentual das diferenças apuradas, mas também libertarse da tradicional visão eminentemente tributária do despacho. E desejou ainda deixar claro que o despacho não termina com o desembaraço. Por isso intitulou o antigo artigo que tratava da "revisão", na nova redação, como "da conclusão do despacho".6 Assumese, com tal comando normativo, ainda vigente, que a fiscalização não se esgota com o desembaraço, e que a "apuração da regularidade" (sem utilizar mais o texto de estatura legal a palavra "revisão") da declaração desembaraçada não é efetuada fora, mas dentro do despacho, que ainda não está concluído até que haja manifestação expressa (com a "revisão") ou tácita (com o decurso do prazo para sua realização). O termo "revisão" aduaneira, inexistente na nova redação do art. 54, continuou a ser usado pelas normas de hierarquia inferior (v.g., Regulamentos Aduaneiros de 2002 e 2009), mas deve se advertir que não se está, de fato, naquilo que ficou conhecido como "revisão aduaneira", revisando algo, mas simplesmente apurando, em continuidade das verificações efetuadas (se efetuadas) antes do desembaraço, a regularidade da operação, em seus aspectos tributários ou aduaneiros, inclusive no que se refere a restrições/proibições à importação. Estava o Brasil cada vez mais se adequando à regulação aduaneira internacional, e se distanciando da visão à época externada pelos tribunais, que ainda pareciam imaginar que nos portos, aeroportos e pontos de fronteira tudo se verificava (ou tudo se presume que teria sido verificado), e que a discussão aduaneira era, em verdade, tributária 6 Para deixar ainda mais claro que o despacho aduaneiro não termina com o desembaraço, tal Decretolei, ao dar nova redação ao art. 102, § 1o do Decretolei no 37, de 1966, dispôs que “não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ...". Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 534 11 (embora se possa relacionar substancial lista de temas que podem ser objeto de revisão aduaneira e sequer produzem consequências tributárias: importação de bens sem autorização do órgão competente, contrabando, importação de bens com falsidade na documentação de amparo etc.). E, de lá para cá, com o surgimento de canais de conferência (em 1997), que expressamente dispensaram a verificação em alguns casos, tornouse absolutamente dissociado da realidade o entendimento de que se estaria, em um desembaraço, promovendo uma verdadeira homologação de lançamento (ainda mais quando em cerca de 90% deles sequer se verificou nada). Mas o posicionamento em alguns julgados do STJ, de forma aparentemente cômoda, acabou congelado no tempo, a parecer que ainda se verifica efetivamente 100% das cargas nos portos, aeroportos e pontos de fronteira brasileiros. É certo que tal posicionamento, pela impossibilidade de revisão, poderia perigosamente levar o Brasil de volta à década de 60 do século passado, quando as cargas demoravam semanas (hoje, diante da relação funcionário / declarações de importação, seriam certamente meses) para serem verificadas, pois tal visão imporia efetivamente o dever de fiscalização de 100% da mercadoria importada e dos documentos correspondentes. E aí se poderia falar que o que ocorre depois do desembaraço seria uma efetiva "revisão". Estamos certos de que o problema não reside na Súmula no 227, mas em sua extensão a hipóteses em que não houve homologação alguma, mas simples liberação de mercadorias sob condição de posterior apuração de regularidade para conclusão do despacho. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Ademais, se o julgador do CARF está a analisar matéria aduaneira, deve tomar como vigente o art. 54 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o Decretolei 2.472/1988, e que não apresenta a restrição defendida pelas recorrentes e por julgados do STJ, não podendo o julgador administrativo negar vigência ao referido artigo 54, ainda que por afronta a dispositivo do CTN ou da própria Constituição, por determinação da Súmula CARF no 2 (que, por certo, não se refere somente a "lei tributária", mas também a lei "aduaneira, ou mesmo de outro ramo jurídico). A Súmula no 227, do TFR, tem teor irretocável: em nome da segurança jurídica, não há argumento que fragilize a afirmação de que “a mudança de critério jurídico não autoriza a revisão do lançamento”. O problema é aplicar tal súmula em casos nos quais não houve necessariamente lançamento nem homologação, como o presente. Fl. 539DF CARF MF 12 No presente processo, parecem as recorrentes entender que o teor da Súmula no 227 do TFR e dos julgados colacionados do STJ (que não vinculam este tribunal administrativo, salvo sistemática excepcional) lhes favorecem, mesmo tratando os autos de declarações de importação para as quais as recorrentes sequer fazem prova de que foram efetivamente verificadas por uma autoridade aduaneira. Foi apenas após a diligência determinada por este CARF que se descobriu que a verificação da mercadoria, digase, por amostragem, e a demanda por laudo técnico, foram restritas a algumas declarações, e, mesmo nestas, não consta que tenha sido expressamente analisada a matéria aqui discutida. Deveriam as recorrentes ter apresentado ao menos uma declaração de importação onde o fisco efetivamente analisou a matéria aqui discutida. Afinal, a documentação referente a tais declarações deveria estar em sua posse, em observância ao artigo 70 da Lei no 10.833/2003. A defesa não traz, no caso, nenhum elemento que indique que houvesse efetivamente uma orientação (ou um critério) da fiscalização para aplicação da alíquota ad valorem. E não colaciona nenhum despacho no qual tenha enquadrado a mercadoria em alíquota específica e houvesse o fisco determinado o reenquadramento para a alíquota ad valorem. Fracassa, então, na tentativa de indicar que efetivamente teria havido alteração de critério pela fiscalização, ou erro de direito, e não meros atos administrativos de desembaraço / liberação de mercadorias no curso do despacho. Desnecessário, assim, qualquer procedimento de baixa em diligência para agora checar informação sequer ventilada nos autos de que poderia ter havido um caso, no período, para o qual a fiscalização determinou a aplicação de alíquota ad valorem, procedimento que a autuação condena. Ademais, esta turma vem manifestando entendimento majoritário de que somente naqueles casos em que tenha efetivamente havido verificação, com exigência efetuada ao importador para adequarse ao entendimento do fisco, e posterior exigência (em autuação) cobrando do mesmo importador entendimento diverso é que se poderia falar propriamente em "revisão de critério jurídico" (Acórdãos no 3401003.107 e no 3401003.111)7. Não havendo vestígios da ocorrência de tal hipótese no presente processo, endossase a desnecessidade de diligência, que não se prestaria a impactar a conclusão do colegiado. Improcedentes, assim, as alegações de alteração de critério jurídico, ou de erro de direito. Da alíquota aplicável nas importações de nafta É incontroverso, nos autos, que a empresa estava a importar "nafta para formulação de gasolina", uma corrente de gasolina, residindo o contencioso somente na aplicação ou não de dispositivos da Lei no 10.865/2004 (arts. 8o, § 8o e 23). 7 Nos referidos acórdãos, proferidos em julgamentos efetuados em fevereiro de 2016, a turma entendeu majoritariamente no sentido aqui exposto, sendo vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que entendia haver efetiva revisão de critério jurídico apenas nas declarações de importação desembaraçadas em canal vermelho, e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 535 13 Iniciemos nossa análise pelo que dispõe o texto do artigo 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004: "§ 8o A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido." (grifo nosso) E busquemos, na sequência, a análise lógica em conjunto com o texto do artigo 23 da mesma lei: "Art. 23. O importador ou fabricante dos produtos referidos nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e no art. 2o da Lei no10.560, de 13 de novembro de 2002, poderá optar por regime especial de apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados, respectivamente, em: I R$ 141,10 (cento e quarenta e um reais e dez centavos) e R$ 651,40 (seiscentos e cinqüenta e um reais e quarenta centavos), por metro cúbico de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (...) § 5o Fica o Poder Executivo autorizado a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas neste artigo, os quais poderão ser alterados, para mais ou para menos, ou extintos, em relação aos produtos ou sua utilização, a qualquer tempo." (grifo nosso) Resta inequívoco, pelo artigo 23, que os optantes pelo regime especial de apuração e pagamento devem recolher as contribuições com o emprego de alíquotas específicas. E o artigo 8o, § 8o, por sua vez, esclarece cristalinamente que no caso de importação de gasolina e suas correntes (e é disso que trata o presente processo) devem ser aplicadas as alíquotas específicas, independente da opção referida no art. 23. Não resta margem a dúvida. Para aplicação da alíquota específica, basta que as importações sejam de gasolina e suas correntes, sendo irrelevante a opção pelo regime especial. Buscam, assim, as recorrentes, distorcer a leitura dos dispositivos aqui discutidos, ao afirmarem (Copapefls. 285/286, e Centro Oestefl. 517, respectivamente) que: Fl. 541DF CARF MF 14 Não há, nos comandos normativos analisados (arts. 8o, § 8o e 23 da Lei no 10.865/2004), nenhuma ambiguidade ou contradição, e a única possibilidade de leitura conjunta é a aqui efetuada, que garante regra geral (de opção por regime especial) e regra específica (para gasolina e suas correntes). A empresa que importa gasolina e suas correntes pode até não exercer a opção pelo regime especial, mas isso não prejudica a obrigatoriedade de aplicação da alíquota específica, no caso. Aliás, a leitura efetuada pelas recorrentes é que tornaria a lei contraditória, pois ao fazer prevalecer a opção do art. 23 da Lei no 10.865/2004, negaria vigência ao texto do art. 8o, § 8o da mesma lei. E, ao menos neste tribunal administrativo, é vedado ao julgador negar vigência a dispositivo legal, conforme assentou a Súmula CARF no 2. Improcedentes, assim, as alegações de defesa em relação à matéria. Considerações finais Cabe um comentário derradeiro sobre a alegação da recorrente Copape de que os efeitos tributários da carga fiscal efetiva arrecadada pelo fisco seriam rigorosamente semelhantes, utilizandose a alíquota específica ou ad valorem. Isso porque tal alegação não é uma contraposição à argumentação exposta na autuação, mas simples conjectura, desacompanhada de cálculos demonstrativos específicos, sendo que a documentação e as alegações apresentadas pela recorrente estão bem distantes de comprovar a equivalência de carga tributária em ambas as hipóteses. E a conversão em diligência para checagem do alegado seria absolutamente irrelevante, visto que se trata de matéria que não exerce qualquer influência na autuação, que decorre da aplicação de dispositivos legais que não podem ser afastados por este CARF, ainda que em nome de isonomia, ou de manutenção de carga tributária equivalente. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 536 15 Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 1. Com as vênias de estilo, em que pese o bem fundado voto do Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan, apresento a seguinte declaração quanto às alegações de: (i) revisão fiscal e aplicação do art. 146 do Código Tributário Nacional; e (ii) faculdade da opção por regime especial de apuração (alíquota fixa ou ad valorem). 1.) REVISÃO FISCAL ADUANEIRA VS. REVISÃO DO LANÇAMENTO: CONVÍVIO, LIMITAÇÕES E CONVERGÊNCIAS 2. A revisão do lançamento tem como pressuposto a viabilidade do conhecimento, por parte da autoridade aduaneira, dos pressupostos fáticos que deram origem à obrigação tributária, o que ocorre, por exemplo, nos casos de resposta a consulta formulada pela contribuinte, de parametrização dos produtos por meio dos canais vermelho ou cinza, ou ainda se, quando do processo de desembaraço aduaneiro, as declarações de importação são objeto de revisão aduaneira para fins específicos de alteração da classificação fiscal. 3. Em todos os casos acima referidos, erigese a presunção relativa de que a autoridade aduaneira teve ao menos a possibilidade de acesso a todas as informações necessárias para formar a sua convicção a respeito do enquadramento legal de uma determinada mercadoria, ou, em outras palavras, para adotar um critério jurídico apto a pautar a sua relação jurídica com o contribuinte presunção esta que restará elidida em um caso, eg., de fraude, o que corrobora a premissa adotada de suficiência de dados para a construção do convencimento e consequente viabilidade da adoção de um critério jurídico. Tal racional, ademais, habilita também aqueles casos em que não se demonstra dissensão entre o conteúdo da DI e o produto importado. Não havendo suspeita e comprovação de eventual declaração falsa, reputase verdadeira a informação prestada e, logo, não há que se falar em desconhecimento das premissas fáticas para a percussão da norma jurídica. Em outras palavras, uma vez realizado o exame documental e efetuado o desembaraço com dispensa da verificação da mercadoria, só não se poderá falar em sedimentação de um critério no caso de se comprovar Fl. 543DF CARF MF 16 que os documentos não espelham ou refletem a realidade da operação, sobretudo naqueles casos em que tal conduta foi observada em mais de uma oportunidade: o desembaraço de diversas mercadorias sob o mesmo fundamento jurídico, implica claramente a cristalização de um critério jurídico que servirá de baliza ou pólo magnético para orientar a relação fisco contribuinte. 4. Não se trata, de maneira nenhuma, de negar à recorrida a plena eficácia do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 combinado com o art. 570 do Decreto nº 4.543/2002, que prevêem a possibilidade da revisão aduaneira como ato por meio do qual, após o desembaraço, apurase a regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames devidos, bem como a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação: DecretoLei nº 37, de 18/11/1966 Art.54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 537 17 I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. 5. Evidenciase que os erros de fato constatados serão revistos com base nos dispositivos em referência: não se premia o dolo ou a máfé do contribuinte, pois neste caso o ato poderá (deverá) ser revisto a qualquer tempo. O que não se evidencia, e jamais se poderia evidenciar, é a contrariedade destes dispositivos infralegais ao art. 146 do Código Tributário Nacional: Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 6. Não se confunde, neste passo, (i) a chamada "revisão fiscal", para fins aduaneiros, com (ii) a "revisão de lançamento" ou "revisão tributária" stricto sensu. 7. A (i) revisão fiscal, conforme preceptivo normativo do DecretoLei nº 37/1966, tem o escopo de verificar, textualmente: (i) regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames; (ii) aplicação de benefício fiscal; e (iii) exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração. Apurase, por meio deste expediente, se os tributos e demais consectários foram pagos, se há aplicação de benefício e em que termos, e se as informações da declaração correspondem às características dos produtos importados. Diante da discrepância entre a mercadoria objeto de importação e a informação prestada, procedese à revisão fiscal. Fl. 545DF CARF MF 18 8. Diversa é a (ii) revisão tributária (do lançamento): enquanto na primeira o que se revisa são os fatos que deram ensejo a um vínculo jurídicotributário, nesta o que se revisa são os critérios do próprio lançamento. Enquanto na revisão fiscal os fatos corretos substituem os incorretos e dão ensejo a um novo lançamento, nesta o que se revisa é, diante dos mesmos fatos, o próprio lançamento que, revolvido em suas entranhas, é reconfigurado. 9. Assim, a afirmação de que "(...) prestadas as informações na Declaração de Importação e ocorrido o despacho aduaneiro, o contribuinte passa a estar protegido pelo art. 146 do Código Tributário Nacional"8 deve ser temperada: desde que as informações prestadas estejam em conformidade com os produtos efetivamente importados. Assim, o que se veda é a modificação do lançamento "(...) e, portanto, sua revisão, quando decorrente de erro de direito".9 10. A revisão fiscal ou aduaneira prevista pelo art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, diploma recepcionado como lei complementar pela Constituição da República de 1988. Assim, prestase a revisar os erros de fato, mas jamais os erros de direito. Ao se propor a alterar os termos da relação que mantém com o contribuinte, o Estado deverá fazêlo apenas com relação aos fatos geradores ainda a serem praticados, sem alcançar aqueles já praticados, pois o passado prossegue resguardado: sob o crivo dos novos critérios, talvez de uma nova política fiscal, decidirá o contribuinte se continuará ou não a realizar importações, resguardado o direito de organizar os seus negócios. 11. Não há que se falar, assim, em aplicação de regra especial ("lex specialis derogat legi generali") ou posterior ("lex posterior derogat legi priori"): os dispositivos, ambos editados nos últimos dois meses do ano de 1966, devem ser interpretados não como opostos, mas dois lados de uma mesma moeda, com faces diversas, porém pertencentes a um mesmo campo ou âmbito de aplicação as normas de tributação incidentes sobre o comércio internacional. Na dicção do decretolei, o Estado poderá revisar os erros de fato, as inconsistências, o nãopagamento dos tributos incidentes sobre a importação. O Código Tributário Nacional impõe, na condição de norma geral de matéria tributária, a condição de que não sejam transmudados os critérios jurídicos. Assim, por mais que a área aduaneira apresente 8 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 318. 9 Idem, p. 319. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 538 19 suas peculiaridades, não podendo ser encarada simplesmente do ponto de vista da tributação, tampouco está infensa à disciplina de temas afetos aos outros campos do direito. 12. Denotase, sob o pálio desta análise, que inexiste sobreposição, mas complementariedade e harmonia entre os diplomas irmãos. A conclusão semelhante, a respeito de não serem diplomas estanques,10 chegou o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, conforme se extrai da declaração de voto apresentada no Acórdão CARF nº 3401003.424, proferido em sessão de 22/02/2017, de minha relatoria, ao analisar a compatibilidade entre o art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 e o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional: "E a leitura, com um olho do art. 54 e outro no art. 138, no sentido de auferir a máxima eficácia e harmonia ao sistema jurídico vigente, não deixa dúvidas da plena compatibilidade das normas, mesmo para os que entendem (micro)sistemas incomunicáveis: o do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, e o da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Assim, revendo meu posicionamento, para os próximos julgamentos, não entendo possível negar eficácia à tudo isso e fazer prevalecer o comando isolado do art. 54, do DL nº 37/66, obstando a apuração e constituição de credito tributário, lançado por homologação, não pago e ainda não caduco, em conflito hermenêutico interno, com o art. 138, do mesmo DL, e externo, com o art. 173, I, do CTN e com a jurisprudência do STJ de reprodução obrigatória no âmbito do CARF" (seleção e grifos nossos). 13. Com convicção: se todos os elementos do produto são conhecidos pelo Estado no momento da importação, não havendo sequer indícios de que os dados fornecidos contrariam a realidade, ou, dito de outra forma, para nos valermos de vocabulário de uma específica tradição de pensamento, diante da convergência entre eventos e fatos, a classificação fiscal da mercadoria em um determinado código da nomenclatura é um ato de aplicação do direito por excelência, que em nada difere de qualquer ato jurídico de concreção: 10 Necessário se ressaltar que a concordância entre nossa posição e a do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida é com relação à complementariedade dos diplomas, e não quanto à aplicabilidade do art. 146 do Código Tributário Nacional ao presente caso. Fl. 547DF CARF MF 20 para uma mercadoria se aplica tal alíquota de acordo com o código tal da nomenclatura comum, da mesma forma que para um crime se aplica uma tal pena de acordo com o dispositivo do Código Penal. O que se afirma, neste caso, é o critério jurídico para a classificação a partir da interpretação das regras da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, e jamais os fatos, que são conhecidos e não colocados em disputa. 14. Tal entendimento não é estranho a este Conselho, que aplica idêntico vetor racional ao entender, corretamente, que a perícia não pode jamais classificar o produto importado, mas apenas fornecer subsídios ao aplicador ao esclarecer os atributos e as características do material a se classificar. Isto ocorre porque a decisão de vincular um produto a um código se trata de um típico ato de aplicação do direito. O classificador se volta às regras e metaregras de seu repertório normativo, enquanto que o perito se volta aos elementos constitutivos do produto. Logo, indiferente é, ao profissional que realiza a perícia, a classificação correta, padecendo de qualquer propósito a pretensão de que, por meio de um laudo técnico, "tipifiquese" ou "classifiquese" o produto, pois não é tarefa do químico, do engenheiro ou do matemático aplicar o direito: podem participar da confecção da norma concreta, mas jungidos, restritos e atrelados a seu especialíssimo campo de atuação. Suas considerações técnicas acerca do produto deverão ser, sempre que pertinentes, acolhidas com redobrado interesse pelo direito, que envidará esforços para compreendêlas. Contudo, quaisquer suposições no que pertine à sua inserção em uma ou outra posição da nomenclatura deverão ser relegadas ao esquecimento no momento da fundamentação da decisão. 15. O art. 146 do Código Tributário Nacional não pode ser ignorado pelo aplicador ao tratar da revisão do lançamento, pois atua como norma reguladora das limitações constitucionais ao poder de tributar e, neste sentido, resguarda o valor jurídico da segurança jurídica, de modo a deslindar previamente o conflito eventual entre legalidade e boafé do contribuinte: "(...) essa tensão é resolvida pela lei complementar, que dá prevalência à proteção à boafé".11 Assim, "(...) não se pode invocar a legalidade para a revisão de lançamento por erro de direito"12 e, ressalvado o caso em que uma característica do bem avaliado estivesse oculta do conhecimento do aplicador, "(...) a avaliação não é mera questão de fato, mas antes um resultado de conclusões acerca das propriedades valorativas do bem",13 ou, em outras palavras, uma questão de direito: "(...) na verdade, poucas são as questões que não constituem modificação de critério jurídico em matéria de lançamento". 11 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 5ª edição, 2015, pp. 620622. 12 Ibidem. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 539 21 16. Recordese: a informação oculta ou falseada pela contribuinte, com o desígnio de iludir a autoridade aduaneira, está sujeita à revisão fiscal, e este é o sentido do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 que converge para a previsão do art. 149 do Código Tributário Nacional: lançase de ofício quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória (inciso IV), ou quando se comprove omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada (inciso V), ou diante da ação ou omissão do sujeito passivo (inciso VI), ou quando o sujeito passivo tenha agido com dolo ou simulação (inciso VII), ou deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, o (inciso VIII), ou se comprovada fraude ou falta funcional, ou mesmo omissão por parte da autoridade fiscal (inciso IX). Assim, diante de um novo arranjo fático, a revisão (dos fatos) permitirá um novo lançamento (de ofício). Tal situação, como se percebe por meio desta decomposição lógica dos predicados legislativos acima analisados, é em tudo diversa da previsão do art. 146, que se volta à revisão do lançamento original. Colocada a questão sob tais premissas, utilizase o seguinte exemplo, em tudo consentâneo com o caso sobre o qual ora nos debruçamos: "(...) por exemplo, no caso do imposto sobre produtos industrializados, adotase classificação fiscal para a identificação da alíquota aplicável à luz da seletividade. Se um mesmo produto recebia, antes, uma classificação e, posteriormente, outra classificação é adotada, não há dúvida de que se está sobre o mesmo fato o qual, entretanto, passa a ser apreciado de outro modo: o aplicador da lei vê, no mesmo fato, características que antes não eram tomadas em conta. Conquanto se trate de uma apreciação do fato, temse novo critério jurídico, i.e., nova valoração jurídica do fato. Uma mudança em tais critérios jurídicos dobrase à regra do art. 146".14 17. Assim, "(...) a mera divergência na interpretação da norma que culmina em classificação equivocada configura erro de direito",15 não havendo possibilidade de revisão do lançamento sob pena de se malferir norma complementar de limitação ao poder 13 Ibidem. 14 Ibidem. 15 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Fl. 549DF CARF MF 22 de tributar. Por este motivo, tal prisma argumentativo, sequer há a necessidade de se afirmar que a "(...) seleção do canal de conferência aduaneira (parametrização) dá o colorido da intervenção estatal no despacho aduaneiro e, via de conseqüência, da modalidade de lançamento aí contido", ainda que tal raciocínio apresente um desdobramento útil para a apreciação da matéria:16 "Canal verde significa carência de verificação documental, física e valorativa, presumidos corretos os dados informados pelo sujeito passivo, que ainda poderão ser verificados na revisão aduaneira lançamento por homologação. Nos canais amarelo, laranja, vermelho e cinza, se não houve exigência fiscal, ou se existente, tenha sido aceita pelo sujeito passivo, tem se delineado o lançamento por declaração, porquanto percebese interação entre as partes na feitura da norma individual e concreta. De outro lado, sempre que houver aceitação de qualquer exigência fiscal, e a Alfândega tiver de substituir os dados informados pelos que entende corretos, haverá lançamento de ofício" (seleção e grifos nossos). 18. Assentese com a afirmação do autor de que há "(...) muita confusão entre revisão aduaneira e revisão de ofício de lançamento tributário",17 pois são dois institutos em tudo diversos, com natureza e regime próprios, cada qual voltado a seu campo próprio de aplicação. Assim, irreprochável a conclusão do autor ao afirmar que "a revisão aduaneira, revê o despacho aduaneiro; a revisão de ofício revê o lançamento", 18o que demonstra com clareza a inexistência de regras sobrepostas, pois duas são as "revisões". O estranhamento quanto à afirmação provém da própria dificuldade ou contradição inerente ao chamado "lançamento por homologação", pois a ideia de que o contribuinte "(...) apure, ele mesmo, o montante devido (...) sem qualquer participação do Estado"19 não é consentânea com a determinação do art. 142: a concepção da existência da figura do "autolançamento" não convive em harmonia e equilíbrio com a expressão "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento" (art. 142 CTN). Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 320. 16 MACHADO, Corintho Oliveira. "Confusão entre revisão de declaração e Revisão de lançamento no Despacho Aduaneiro". In: BRITTO, Demes (coord.). Questões controvertidas do Direito Aduaneiro. São Paulo: Editora IOB Folhamatic EBSSAGE, 2014, p. 94: 17 Ibidem. 18 Ibidem. 19 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 7ª edição, 2017, p. 654. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 540 23 19. A dificuldade é redobrada para o aplicador que entender pela existência de recolhimento de tributo sem lançamento, pois, neste caso, desatendido restará o art. 3º do Código Tributário Nacional ao estabelecer que o tributo é "(...) cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada", o que conduziria à conclusão de se estar a antecipar algo que tributo não é. A dificuldade de harmonização dos dispositivos conduziu o legislador a adotar "(...) uma solução criativa, buscando conciliar a necessidade de ocorrência de um lançamento, de um lado, e, por outro, as contingências práticas da economia de massa"20 (grifos nossos). Repitase: o reconhecimento da impossibilidade "(...) de uma atuação da Administração para cada lançamento individualmente considerado" ensejou a criação da figura do "lançamento por homologação". O tributo, para ser cobrado, precisa ser lançado, sob pena de não ser tributo: Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 20. Assim, a afirmação do Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão CARF nº 3401003.117, de minha relatoria, proferido em sessão de 16/03/2016, de que a imensa maioria dos produtos importados é parametrizada atualmente pelo canal verde, no qual "(...) não foi verificada nem a mercadoria importada nem os documentos que ampararam a importação" está correta, e os Balanços Aduaneiros divulgados pela Receita Federal do Brasil demonstram com clareza que, ao menos desde 2014, é possível se afirmar que cerca de 90% das declarações de importação não sofreram qualquer exame prévio da autoridade aduaneira. Há substancial distância, contudo, entre esta constatação e a conclusão de que, nestes casos, não haveria lançamento, ou que haveria recolhimento de tributo independentemente de lançamento. Assim, afirmar que "(...) não houve necessariamente lançamento" naqueles casos em que a autoridade administrava realizou o desembaraço sem prévio exame da mercadoria ou dos fatos constitutivos da obrigação tributária, é, concessa venia, absolutamente equivocada, 20 Idem, p. 655. Fl. 551DF CARF MF 24 pois lançamento houve, sob pena da inexistência de tributo a ser cobrado, e esta é a dicção expressa do art. 150 do Código Tributário Nacional, com força de lei complementar: lançamento por homologação, que ocorre quando há obrigação de se antecipar pagamento "sem prévio exame da autoridade administrativa". Não vislumbramos, contudo, na mesma linha do voto em referência, homologação, que são dois momentos lógicojurídicos diversos. 21. Encontrase, ademais, argumentação bastante semelhante no sentido da modernização da alfândega brasileira no substancioso voto do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira no Acórdão CARF nº 3401003.119, de minha relatoria, proferido em sessão de 16/03/2016: "Cada hora a mais dedicada pela autoridade fiscal para analisar um aspecto de determinada importação implicará, inevitavelmente, em um tempo maior de espera para essa importação, e também para todas as outras que estão na fila aguardando a atenção desta autoridade fiscal. Isso, sem falarmos nas mercadorias perecíveis, que demandam prioridades particulares e acabam por passar à frente das outras, Ocorre que a duração de tempo de cada despacho aduaneiro significa em maior ou menor custo para o importador (preço do tempo de armazenamento). Ocorre que a duração maior de tempo no despacho de um importador, significará custo maior para este importador e também custo maior para os outros que aguardam sua vez. Esta é uma realidade que o sistema SISCOMEX vem lidando. A aduana moderna, cada vez mais, procura soluções para dar maior agilidade ao processamento nos portos e aeroportos e pontos de fronteira, e para dar condições para que se possa fazer uma fiscalização mais aprofundada e efetiva após a passagem das mercadorias pelos recintos alfandegados. É a articulação dos controles aduaneiros com a logística para se chegar à celeridade e à eficiência almejadas nesses tempos atuais. (...). Mas qual a lógica da revisão aduaneira? A norma que autoriza a revisão aduaneira, no prazo de cinco anos do registro da Declaração de Importação, possibilita à administração trabalhar a posteriori do fato econômico e logístico. Ela possibilita à administração verificar a regularidade do despacho, que havia sido liberado naquelas condições precárias para uma análise mais detalhada, quando se tinha muitas importações concorrentes e o impacto real sobre os custos pelo tempo de fiscalização" (seleção e grifos nossos). 22. Tais considerações que ecoam nos dois votos referenciados sobre a moderna aduana brasileira, que cada vez mais prima pela agilidade para a tarefa do desembaraço aduaneiro e pela consequente liberação dos produtos importados, é de extrema importância e deve ser levada em consideração pelo legislador. Não há dúvidas de que a Administração necessita envidar esforços para a rápida liberação dos produtos importados, o Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 541 25 que demanda a criação de uma logística adequada. Contudo, tal argumento, de caráter extrajurídico, não nos parece ser suficiente, com todas as vênias, para afastar a vigência do Código Tributário Nacional, que disciplina tributos, inclusive aqueles que incidem sobre o comércio internacional. Não apenas os típicos tributos aduaneiros (imposto de importação e imposto de exportação), como também aqueles que se voltam a balancear ou nivelar os mercados interno e exterior. 23. A discordância com relação à conclusão dos votos acima citados tem implicação direta sobre possibilidade ou não da aplicação da Súmula nº 227 do Tribunal Federal de Recursos não em virtude da extinção da Corte ou pela senilidade da norma, mas pela crença de inexistir lançamento.21 Tampouco prospera o argumento de que a redação da súmula, ao tornar defesa a modificação dos critérios jurídicos que deram origem ao lançamento, tratarse de redação anacrônica, feita para um tempo em que a autoridade fiscal poderia vistoriar in loco a maioria das cargas importadas, e que a sua aplicação nos dias de hoje entravaria portos e aeroportos. A crítica, de lege ferenda, ainda que importante, está em desconformidade com o art. 146 CTN e, não obstante prestigiar ideários de praticabilidade em detrimento da segurança jurídica, é desnecessária: como se demonstra no presente voto há instrumentos para se rever o lançamento realizado em desconformidade com a realidade fática, de maneira que não se prestigia a fraude ou a simulação, mas tampouco se permite a insegurança, a aplicação nãoestável das normas. 24. É bastante evidente que a prática revela a enorme dificuldade decorrente das escolhas realizadas pelo legislador, sobretudo ao se ter em conta que há tributos exigíveis independentemente de constituição formal, como "antecipação" que se sujeita a ulterior homologação do pagamento, bem como a previsão expressa insculpida no Capítulo III do anteprojeto de lavra de Rubens Gomes de Sousa de "tributos que não dependem de lançamento", ou seja, sem vincular qual seria o sujeito da relação jurídicotributária apto ou obrigado a efetuar o lançamento.22 Contudo, como se sabe, a redação original não prevaleceu e é possível se entender o recolhimento realizado pela contribuinte quando do despacho aduaneiro como lançamento sujeito a homologação, conforme, ademais, extraise dos trechos 21 Acórdão CARF nº 3401003.117, de minha relatoria, proferido em sessão de 16/03/2016. Extraise do voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan: "A Súmula no 227, do TFR, tem teor irretocável: em nome da segurança jurídica, não há argumento que fragilize a afirmação de que “a mudança de critério jurídico não autoriza a revisão do lançamento”. O problema é aplicar tal súmula em casos nos quais não houve necessariamente lançamento nem homologação, como o presente". 22 Idem, p. 657. Cf. art. 175 do anteprojeto do Código Tributário Nacional. Fl. 553DF CARF MF 26 da ementa do Acórdão CARF nº 3403002.555, proferido em sessão de 23/01/2013, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: "O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita)" (seleção e grifos nossos). 25. Como seria possível a homologação de lançamento se lançamento não houve? Afirmar, como se faz acima, que a revisão homologa de maneira expressa ou tácita o pagamento efetuado é pressupor algo a ser homologado. Assim, uma questão é se houve ou não lançamento e outra questão, em tudo diversa, é perscrutar se houve ou não fixação de um critério jurídico. De fato, no desembaraço, homologação não há e, neste exato sentido, o voto do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira no Acórdão CARF nº 3401003.119, de minha relatoria, proferido em sessão de 16/03/2016: "(...) as importações desembaraçadas sob o canal verde, sem qualquer conferência, não podem ser consideradas como homologação de lançamento (...) a aceitação pela autoridade do despacho aduaneiro das informações constantes da Declaração de Importação não significa (...) a homologação do lançamento" (seleção e grifos nossos). 26. De fato, o desembaraço aduaneiro não homologa o lançamento, muito pelo contrário: neste momento haverá apenas a antecipação do pagamento, sendo o crédito extinto "sob condição resolutória da ulterior homologação" (§1º do art. 150 do CTN). Este, ademais, é um dos aspectos do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966: verificação, para fins de revisão, da "regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames". Nada se homologa no momento do desembaraço, ainda que vistoriada a mercadoria e a documentação do importador. Observese que outro aspecto central do art. 54 em referência, a verificação da "exatidão das informações prestadas" tampouco interfere na plena eficácia do art. 146 CTN. Tanto é assim que o próprio Código Tributário Nacional, dentro da mesma Seção II (Modalidades de Lançamento) prevê expressamente, no parágrafo único do art. 149, a possibilidade da revisão fiscal do lançamento: Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 542 27 Código Tributário Nacional Art. 149 (...). Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. 27. E não poderia ser diferente: uma vez contatado o erro ou a imprecisão quanto aos fatos constitutivos da obrigação tributária, a sua contraparte, ou seja, o crédito correspondente, deverá ser refeito, e esta a serventia da revisão fiscal, em tudo consentânea com o art. 54 do DecretoLei nº 37/1966. Inimaginável seria o Código Tributário Nacional prever disposições mutuamente excludentes no parágrafo único do art. 149 e no caput do art. 146: devese compreender que cada qual opera em um âmbito diverso de aplicação. O lançamento pode e deve ser modificado se o crédito lançado não mais corresponde à obrigação correspondente, pois os fatos correspondem necessariamente aos eventos, para nos valermos desta didática separação. A homologação do pagamento é um momento posterior. Poderá ocorrer tacitamente, transposto o decurso dos anos, ou de maneira expressa. O que não pode se perder de vista é que um lançamento houve, independentemente de "prévio exame da autoridade administrativa". 28. Observese, ademais, que haverá casos em que a autoridade aduaneira atuará em conjunto com a contribuinte para realizar o lançamento com base nas declarações por ele prestadas, o que lhe confere uma natureza "mista" ou "por declaração". Nestes casos, em que o lançamento transparece de maneira ainda mais evidente, em que "(...) o sujeito passivo, ou um terceiro, apresenta uma série de informações à autoridade fiscal, e esta, com base nas informações assim coletadas, efetua o lançamento",23 opera a previsão do art. 147 do Código Tributário Nacional: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. 23 Idem, pp. 653654: "Atualmente, são raras as hipóteses dessa espécie de lançamento. Podese citar, como exemplo, o que se dá para os tributos aduaneiros, já que estes são lançados a partir de informações que o próprio contribuinte presta por meio da Declaração de Importação". Fl. 555DF CARF MF 28 29. Uma vez esclarecida a existência do lançamento, seja por homologação, seja por declaração ("lançamento misto"), passase à questão já abordada anteriormente por este voto: equivocarse quanto à classificação da mercadoria constitui um "erro de fato" ou um "erro de direito"? Para se responder a tal pergunta, e talvez melhor colocála, basta que o aplicador compreenda o ato de classificar como uma decisão (sujeita ao direito), e jamais como uma postura técnica de saber alheio, contra a qual as normas jurídicas, em particular as tributárias, seriam inoponíveis. À importação de uma mercadoria aplicase uma determinada alíquota com fundamento em uma tal classificação jurídica, e o trabalho de classificar não pode ser reduzido a um ideal maquínico de subsunção mecânica movido a proposições lógicodedutivas como se construtos de matemática euclidiana fossem. Esta concepção descritivista do próprio direito, que enxerga o ato de interpretar como "(...) a prancha da máquina de impressão que ao descer confere colorido jurídico aos fatos"24 merece nossa reprovação. Isto porque aplicar não depende unicamente da depuração dos textos, como se tal atividade prescindisse de escolhas. Na verdade, há de se admitir a existência de atividades preparatórias à interpretação (que pressupõem escolhas), fatores que condicionam a interpretação (que pressupõem escolhas), elementos que influem na interpretação (que pressupõem teorias) e argumentos que participam da interpretação e da justificação,25 elementos estes que militam em desfavor de um formalismo exagerado: "A 'tese descritivista' (...) pressupõe um objeto 'diretamente' suscetível de conhecimento por parte do intérprete. Isso, no entanto, não ocorre, porque toda interpretação envolve a intermediação discursiva ou o condicionamento de métodos, argumentos ou teorias (...) a atividade descritiva também é intermediada por processos discursivos permeados por escolhas"26 (seleção e grifos nossos). 30. O ato de classificar é um ato de decidir e não pode ser relegado para fora das fronteiras do campo do direito, que restaria refém do saber alheio dos "classificadores", algo que poderia ser tido como uma espécie de casta de uma nova escola da 24 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo: Editora Lejus, 2003, p. 319. 25 ÁVILA, Humberto. "Função da ciência do direito tributário: do formalismo epistemológico ao estruturalismo argumentativo". In: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de, SCHOUERI, Luís Eduardo, e ZILVETI, Fernando Aurelio. Revista de Direito Tributário Atual. São Paulo: Editora Dialética, publicação do Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT), 2013, pp. 197198. 26 Idem, pp. 197200. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 543 29 Exegese.27 Para Rubens Gomes de Sousa, neste sentido, não caberia ao Fisco a prerrogativa de invocar o "erro de direito" com a finalidade de revisar lançamento anterior,28 aquilo que chamamos mais acima de "revisão tributária" (que revolve os critérios fundacionais do próprio lançamento), e muito menos adotar uma dada conceituação jurídica para, em um segundo momento, revêla, de forma a albergar outra, mais onerosa ao contribuinte. Esta era a posição jurisprudencial, aliás, que registrava ser pacífica já em sua época: o critério jurídico na apreciação do fato gerador, para o autor do anteprojeto do Código Tributário Nacional, deverá ser estável.29 31. Para que reste bastante claro, nada obsta a alteração de critério jurídico que implica potencial alteração de classificação fiscal de um determinado produto, pois os entendimentos e as normas se alteram conforme o tempo e conforme a própria composição das instituições. Tal alteração, no entanto, valerá para as relações e obrigações vindouras, a serem constituídas, mas jamais para aquelas formadas em momento anterior, quando outro era o critério adotado. O aplicador pode alterar a norma, mas não retroagir seus efeitos de modo a afetar fatos geradores ocorridos antes do início da vigência do novel entendimento. 32. Entre os mais percucientes estudos sobre o tema da revisão tributária deve ser trazido, sem qualquer espaço para dúvidas, aquele realizado por Ruy Barbosa Nogueira na sua clássica tese de cátedra "Teoria do lançamento tributário". Na época em que a escreveu, o CTN ainda era um projeto, mas já então, confirmando o apontamento realizado por Rubens Gomes de Sousa, relatava que "(...) a prática, a doutrina e a legislação, na proteção da certeza jurídica não admitem, em princípio, que seja feita revisão do lançamento pela superveniência de outros critérios jurídicos".30 Aduziu, ainda, que o Supremo Tribunal Federal já havia enfrentado a questão no Recurso Extraordinário nº 37.141, cujo acórdão foi prolatado 27 ANDRADE, José Maria Arruda de. Interpretação da norma tributária. , pp. 3536: "A Escola da Exegese teve sua origem no pensamento jurídico francês no começo do século XIX (...). A supremacia do texto escrito (...) confirma a desconfiança daquela escola para com os juízes", de onde provém a famosa expressão de Montesquieu do "juiz boca da lei". "Outro elemento importante dessa escola é a crença na racionalidade jurídica do corpo legislativo que, em sua completude, autorizaria a vedação de nãodecisão por parte do intérprete". 28 SOUSA, Rubens Gomes. Compêndio de legislação tributária. São Paulo: Editora Resenha Tributária, 3ª edição, 1975, p. 108. 29 Ibidem. 30 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Teoria do lançamento tributário.São Paulo: Editora Resenha Tributária, 1973, p. 133. O Capítulo VIII, "A revisão do lançamento", está compreendido entre as páginas 99138. Fl. 557DF CARF MF 30 em 26/08/1958, no qual se decidiu que "(...) não é lícito ao fisco rever o lançamento fiscal com base em mudança de critério, mas só com fundamento em êrro de fato".31 33. Já escrevemos a respeito do tema em artigo acadêmico32 que se voltou a analisar os limites da reconstrução do lançamento tributário, conforme trecho que abaixo se transcreve: "Noticia Ruy Barbosa Nogueira que também no Código Tributário da Alemanha, de 1919, elaborado por Enno Becker, o lançamento retificativo ou a chamada "verificação retificativa" não pode ser pautada por uma alteração de critérios meramente jurídicos, o que impede que se aplique "(...) retroativamente à realização do fato gerador um critério jurídico diferente do então adotado, e assim prevê para garantir a certeza do direito".33 O preceito, em seu entendimento, teria "(...) grande aplicação, protegendo a estabilidade jurídica".34 Na esteira do ensinamento de Tullio Ascarelli, preleciona ser absolutamente inadmissível que o fisco possa venire contra factum proprium de maneira a anular ex officio um lançamento, substituindoo por outro, "(...) ou ainda proceder a lançamento suplementar, baseandose na alegação de ter passado a adotar critérios jurídicos diferentes dos que aceitara por ocasião de um primeiro lançamento".35Ainda sob a lição de Ascarelli, haveria "(...) uma falta de certeza jurídica se o fisco pudesse (...) voltar a lançar (...) em virtude de uma mudança de critérios jurídicos, não obstante todos os prazos e tôda a organização instituída para a revisão das declarações dos contribuintes".36 Assim, para Ruy Barbosa Nogueira, enquanto o fisco é detentor da direção do procedimento do lançamento, caberia a ele a fixação final dos seus elementos. Apenas caberia uma revisão quanto aos erros de fato, pois se admite que "(...) as relações fáticas da vida, das quais partem os fatos geradores tributários legais são (...) numerosas e multiformes".37 31 Ibidem. 32 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. "Construção e reconstrução do lançamento tributário: da tirania do texto à tirania do espírito". In: JARDIM, Eduardo Marcial Ferreira (coord.) e BORGES, Letícia Menegassi (org.). Reflexões sobre temas tributários. São Paulo: Editora Intelecto, 2017, pp. 87112. Artigo desenvolvido no contexto do Grupo de Pesquisa Direito Mackenzie, vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 33 Idem, p. 134. 34 Idem, p. 135. 35 Idem, p. 136. 36 Ibidem. 37 Idem, p. 137. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 544 31 A postura de fato é consentânea com a concepção materializada na expressão nemo potest venire contra factum proprium, ou nulli concedictur venire contra factum proprium, ora entendida como corolário da segurança jurídica, da proteção da confiança e da previsibilidade, entendido pelo Supremo Tribunal Federal como vera vedação a comportamentos contraditórios.38Tal vetor proibitivo de comportamento dissonante opera naqueles casos em que a contribuinte "(...) tem a sua confiança, gerada por um ato estatal anterior, frustrada por uma nova manifestação estatal posterior contraditória",39 com algum parentesco com duas velhas conhecidas do direito privado, a surrectio e a supressio, que igualmente tutelam a confiança no decurso do tempo. As preocupações em torno da bona fide são frequentes no direito e na reflexão sobre o seu abuso, e se manifestam em expressões antigas como tu quoque ou exceptio doli, sobretudo nas relações entre os particulares, consistindo em vetores interpretativos importantes para iluminar as relações jurídicas pautadas antes pelo primado do direito do que por disposições de império. Neste sentido, como preleciona Luís Flávio Neto, "(...) quando o Fisco emite um ato administrativo, tornando transparente a sua interpretação quanto à mais correta aplicação do Direito a uma determinada situação, instalase um farol em meio à tempestade de incertezas (...)”. Em situações como estas, que envolvem, por exemplo, decisões anteriores, “(...) a boafé objetiva, a proteção da confiança e a segurança jurídica poderiam socorrer o contribuinte, com uma aplicação mais ampla da norma geral de não autuação de condutas condizentes com interpretações oficiais do Fisco”,40 fazendo eco ao posicionamento de outros autores que se debruçaram sobre a aplicabilidade da doutrina dos atos próprios41" (seleção e grifos nossos). 38 Supremo Tribunal Federal REsp 1143216/RS, 1ª Seção, relator Ministro Luiz Fux, acórdão publicado em 09/04/2010. 39 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica – entre permanência, mudança e realização no direito tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 2011, p. 401. 40 FLÁVIO NETO, Luís. "Segurança jurídica, proteção da confiança, boafé e proibição de comportamentos contraditórios no direito tributário: 'nemo potest venire contra factum proprium'". São Paulo: IBDT/Edições Loyola, Revista de Direito Tributário Atual nº 36, 2º semestre de 2016, pp. 222239. 41 RUBINSTEIN, Flávio. Boafé objetiva no direito financeiro e no direito tributário brasileiros. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, sob orientação do Professor Titular Régis Fernandes de Oliveira, 2008, pp. 4142. Fl. 559DF CARF MF 32 34. Não é diverso tal posicionamento da quase sexagenária decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 a jurisprudência contemporânea ao momento da leitura pública deste voto: em igual sentido, o Acórdão nº 3302002.444 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, em sessão de 25/02/2014: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Seguese a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito" (grifos nossos). 35. Do acórdão ora referido se extrai o seguinte trecho: "(...) a fiscalização entendeu que os produtos importados pela Recorrente não poderiam seguir com a classificação fiscal indicada pela contribuinte no momento do desembaraço. Não há, pelo que consta dos autos, divergência quanto à natureza do produto, que permanece sendo o mesmo, mas à forma como foi classificado. Tal diferença é primordial para se compreender que não houve “erro de fato”, o que ocorreria se a fiscalização tivesse indicado que a importação de produto diverso daquele declarado pela Recorrente" (grifos nossos). Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 545 33 36. Esta também era a posição sumulada do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) editada em 1986, já referida em momento anterior do presente voto: Tribunal Federal de Recursos (TFR) Súmula nº 227 de 24/11/1986 "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". 37. O posicionamento sustentado pelo Tribunal Federal de Recursos, outrora já sumulado, foi reeditado e reiterado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como, por exemplo, no Recurso Especial nº 202.958/RJ, relatado pelo Ministro Franciulli Netto e cujo acórdão foi publicado em 22/03/2004: “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA REVISÃO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE ERRO QUANTO À IDENTIFICAÇÃO FÍSICA DA MERCADORIA ART. 149 DO CTN. A impetrante importou da França 2.200 Kg do produto TESAL e recolheu o imposto de importação após regular conferência da mercadoria pela autoridade fiscal. Diante dessas circunstâncias, é de elementar inferência que não poderia o contribuinte, em momento posterior, ser notificado para novo recolhimento do imposto de importação, sob a alegação de que a classificação do produto deveria ser diversa, com incidência de alíquota maior. O art. 149 do CTN autoriza a revisão do lançamento, dentre outras hipóteses, "quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória", ou seja, quando há erro de direito. Se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, arca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação do imposto pago por eventual equívoco na Fl. 561DF CARF MF 34 classificação do bem. Divergência jurisprudencial não configurada ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. Recurso especial improvido” (STJ REsp nº 202.958/RJ, Min. Franciulli Netto, publicado em 22/03/2004) (grifos e destaques nossos). 38. No Recurso Especial nº 478.389/PR, de Relatoria do Ministro Humberto Martins, cujo acórdão foi publicado em 05/10/2007, constou em ementa que "(...) se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, marca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação ou revisão". Este é justamente o caso ora em análise em que, conforme se expôs, contou com mercadorias parametrizadas pelo canal vermelho. 39. Em idêntico sentido o entendimento do Ministro Luiz Fux no Recurso Especial nº 1.112.702/SP, cujo acórdão foi publicado em 06/11/2009 nos seguintes termos: "(...) a revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico vedada pelo CTN". Assim, "(...) o lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito". 40. A posição é também reiterada pela jurisprudência ainda mais recente do Superior Tribunal de Justiça, conforme se tem notícia a partir do acórdão a seguir transcrito, do Recurso Especial nº 1.347.324/RS, de relatoria da Ministra Eliana Calmon, de 14/08/2013: “TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 227 DO EXTINTO TFR. 1. É permitida a revisão do lançamento tributário, quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 546 35 2. A jurisprudência do STJ, acompanhando o entendimento do extinto TRF consolidado na Súmula 227, tem entendido que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 3. Hipótese em que o contribuinte atribuiu às mercadorias classificação fiscal amparada em laudo técnico oficial confeccionado a pedido da auditoria fiscal, por profissional técnico credenciado junto à autoridade alfandegária e aceita por ocasião do desembaraço aduaneiro. 4. Agravo regimental não provido” (STJ AgRg no REsp nº 1.347.324/RS – Agravo Regimental no Recurso Especial – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 14/08/13) (grifos e destaques nossos). 41. Observese que, em nome da segurança e da previsibilidade das relações jurídicas, o Superior Tribunal de Justiça chegou a adotar a postura extremada de afirmar que sequer o erro de classificação por parte do contribuinte permitiria a alteração do critério jurídico da classificação fiscal: “TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – IPI – DESEMBARAÇO DUANEIRO ERRO A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA DOS ATOS RECLASSIFICAÇÃO A MERCADORIA IMPOSSIBILIDADE. 1. O contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 2. O erro de direito cometido pelo contribuinte, mas não detectado pelo Fisco, é o mesmo que alteração de critério jurídico, vedado pelo CTN. Precedentes. 3. Recurso especial provido” (STJ REsp nº 1079.383/SP – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 01/07/09) (grifos e destaques nossos). Fl. 563DF CARF MF 36 42. Há de se apontar para o fato de que, independentemente de quem incorreu em erro, seja Estado ou particular, o que se prestigia, na dicção da Corte Superior, é a estabilidade das relações e da aplicação do direito. A decisão que impede a modificação dos critérios jurídicos que regem o relacionamento entre o Estado e os particulares prestigia a segurança jurídica e, portanto, o próprio convívio social. Assim, o dispositivo torna defesa a aplicação de critério jurídico novo a fatos geradores anteriores à sua introdução, de maneira a atestar a sua irretroatividade: "(...) o dispositivo é severo com o Fisco",42 que "(...) deve primeiro divulgar o novo critério para depois poder aplicálos nos lançamentos futuros pertinentes a fatos geradores também futuros",43 ponto no qual diverge de Alberto Xavier, para quem a norma se destinaria aos fatos geradores já ocorridos, porém ainda não lançados:44 em um ou outro autor, o que se coloca em relevo como impossibilidade é a alteração dos fundamentos diante da permanência dos fatos. 43. E o que resta, ao nos voltarmos ao caso concreto da recorrente? De um lado, resta a sedimentação jurisprudencial em torno do tema por mais de meio século, desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 até as decisões mais recentes, sejam aquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, sejam aquelas proferidas por este Conselho, o que aponta para o amadurecimento institucional que cede lugar a regularidades comportamentais.45 De outro lado, resta um relacionamento que, a considerar apenas o período fiscalizado, remonta a um lapso temporal considerável, período no qual se realizou a importação reiterada da mesma mercadoria por um mesmo critério, sem qualquer óbice ou dificuldade, conhecidos todos os pressupostos fáticos da operação e em nenhum momento se alega a incompatibilidade entre a DI e os produtos importados. Assim, para onde quer que se olhe, o que há é estabilidade e uniformidade. Há de se sustentar, portanto, que “(...) a segurança jurídica pode da mesma forma ter como objeto não a norma propriamente dita, mas a sua aplicação uniforme”.46 e, bem poderíamos adicionar, sem qualquer prejuízo, a sua aplicação estável. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário neste particular. 42 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Editora Saraiva, 16ª edição, 2010, pp. 380381. 43 Ibidem. 44 Ibidem. 45 ANDRADE, José Maria Arruda de. Interpretação da norma tributária. São Paulo: MP Editora/APET, 2006, p. 137. 46 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica – entre permanência, mudança e realização no direito tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 2011, p. 142. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 547 37 2.) DA ALÍQUOTA APLICÁVEL E DA FACULDADE DA OPÇÃO POR REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO 44. Transcrevo, abaixo, trecho de voto que integra o Acórdão CARF nº 3401003.117, de minha relatoria, proferido em 16/03/2016, em que esta 1ª Turma decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso interposto pela contribuinte, nos seguintes termos: "(...) a questão se circunscreve à aplicação da regra geral (alíquota ad valorem) ou da regra excepcional (alíquota ad rem). A excepcionalidade deverá ser observada sempre que se tratar da importação de "gasolinas e suas correntes", conforme dicção do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004, observadas as exceções. Assim, em primeiro lugar, seria necessário responder se a mercadoria importada pela recorrente, "nafta utilizada na formulação de gasolina, de nome comercial Solvent B", é ou não espécie do gênero: (i) gasolina e suas correntes, salvo gasolina de aviação e óleo diesel e suas correntes; (ii) gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo; (iii) gás natural de aviação; ou (iv) querosene de aviação. Caso se responda afirmativamente a qualquer uma destas categorias, observada a exceção do item (i), aplicase a alíquota ad rem, reputada correta pela autoridade fiscal. Em caso negativo, aplicase a regra geral da alíquota ad valorem, utilizada pela recorrente para realizar a importação da mercadoria. No caso vertente, observase que o fundamento da autuação, conforme se depreende da leitura da fl. 48 do Relatório Fiscal, compreendeu que a mercadoria importada pela recorrente seria uma corrente da gasolina (...). A análise estaria restrita, portanto, em prestígio à adstrição, a responder, em primeiro lugar, se a mercadoria importada se trata de corrente da gasolina e, Fl. 565DF CARF MF 38 em segundo lugar, se não figura entre as exceções: (i.a) gasolina de aviação; e (i.b) óleo diesel e suas correntes. Há de se destacar, todavia, que em nenhum momento de seu recurso voluntário, ou mesmo de sua impugnação, a ora recorrente discorda do fato de que a mercadoria importada se trata de uma corrente da gasolina. Tampouco argumenta que se trataria de uma das exceções legais possíveis. Concluise, desta feita, que a mercadoria importada é, de fato, para recorrida e recorrente, uma corrente da gasolina que não figura entre as exceções em referência, não cabendo maiores ilações sobre a matéria vez que se está diante de fatos admitidos no processo como incontroversos. Parece haver, ademais, verossimilhança na afirmação, vez que o produto, de nome comercial "Solvent B" é descrito como nafta "(...) utilizada na formulação de gasolina". A questão se torna, portanto, ainda mais restrita, cabendo averiguar unicamente quais são as alíquotas aplicáveis às mercadorias consideradas correntes da gasolina. Para se alcançar a resposta, parece ser suficiente a leitura do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04 que sujeita tal produto à incidência das contribuições fixadas por unidade de volume, ou seja, às alíquotas ad rem reputadas corretas pela autoridade fiscal. Por fim, cabe analisar a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a possibilidade de a contribuinte optar pelo regime ad valorem ou pelo regime especial de apuração das contribuições em discussão com base no texto do caput do art. 23 da Lei no 10.865/04, abaixo transcrito: Lei no 10.865/04 "Art. 23. O importador ou fabricante dos produtos referidos nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e no art. 2o da Lei no 10.560, de 13 de novembro de 2002, poderá optar por regime especial de apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" (grifos nossos). Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 548 39 Contudo, a argumentação da recorrente, neste particular, não deve prosperar, tendo em vista que o § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04 dispõe que as alíquotas aplicáveis no caso de importação das correntes da gasolina serão específicas, conforme aponta a autoridade fiscal com precisão, "independentemente" de opção por parte do importador. Observese, ademais, que a objeção à escolha se reporta especificamente ao regime especial de apuração previsto pelo art. 23 objeto de fundamentação da recorrente: Lei no 10.865/2004 "Art. 8o (...) § 8o A importação de gasolinas e suas correntes (...) fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido" (grifos nossos). Não pode o contribuinte escolher, a seu talante, o regime que melhor lhe aprouver diante de vedação expressa da lei. Assim, inexiste faculdade ao contribuinte para optar por regime especial de apuração no caso de importação de corrente da gasolina em virtude de expressa determinação do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04, cabendo a fixação da alíquota por unidade de volume do produto (i.e., alíquota específica ou ad rem), e não alíquotas ad valorem, razão pela qual, neste particular, entendo assistir razão ao acórdão recorrido" (seleção nossa, grifos do original). 45. Pelas razões acima transcritas, e no sentido do voto proferido pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator do presente caso, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste particular. Fl. 567DF CARF MF 40 É como voto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720069/2008-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 00 69 /2 00 8- 63 Fl. 204DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 22/01/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2201001.943 (fls. 143 a 150), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso." O processo foi encaminhado à PGFN em 29/05/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 165) e, em 31/05/2013 foi interposto o Recurso Especial de fls. 166 a 178 (Despacho de Encaminhamento de fls. 179). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 29/10/2015 (fls. 180 a 183). Cientificada em 16/11/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 189), a Contribuinte ofereceu, em 02/12/2015, as Contrarrazões de fls. 190 a 201). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13116.720069/200863 Acórdão n.º 9202005.524 CSRFT2 Fl. 205 3 As Contrarrazões foram oferecidas intempestivamente, portanto não serão conhecidas. Com efeito, a Contribuinte foi cientificada em 16/11/2015, segundafeira (AR Aviso de Recebimento de fls. 189), vindo a apresentar as Contrarrazões somente em 02/12/2015 (carimbo às fls. 190), portanto fora do prazo de quinze dias, assinalado no art. 69, do Anexo II, do Ricarf. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2004 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Esclareçase, por oportuno, que foram indicados como paradigmas os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609, sendo que este último já foi examinado por este Colegiado e não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, no despacho de admissibilidade foi examinado o primeiro paradigma, considerado apto a demonstrar o dissídio interpretativo, sem qualquer óbice por parte desta Conselheira, de sorte que passase a examinar o mérito do apelo. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sem que sequer fosse anexada ao processo a respectiva tela extraída do sistema. A informação acerca do critério utilizado foi fornecida apenas em sede de decisão de Primeira Instância, que assim registrou: "A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2004, R$ 1.000,00 (R$ 0,69/ha), arbitrandoo em R$ 1.396.940,16 (R$ 962,08), com base no SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observado o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002 e o item 6.8. da Norma de Execução Cofis nº 03/2006, aplicável à execução das atividades da Malha Fiscal do ITR/2004. Esse valor corresponde ao VTN médio, por hectare, constante do Sistema de Preço de Terras – SIPT, para o exercício de 2004, tendo sido apurado com base nos valores informados pelos próprios contribuintes nas suas respectivas DITR/2004, para os imóveis localizados no município de Planaltina – GO, conforme termo de fls. 09/10." (grifei e sublinhei) Assim, constatase que o arbitramento do VTN foi levado a cabo com base no valor médio das DITR do município de localização do imóvel, sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendo se o VTN declarado pela Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de Fl. 206DF CARF MF 4 sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13116.720069/200863 Acórdão n.º 9202005.524 CSRFT2 Fl. 206 5 Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000544/99-22
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2001
Ementa: Vistos relatados e discutidos os presentes autos de Recuso interposto por DISBEMIL- DISTRIBUIDORA DE ,BEBIDAS MILAGRES .LTDA.
Numero da decisão: 201-00.168
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho,de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ROGÉRIO GUSTAVO DREYER
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' " . \... -' ~ , \ I . . 1 .'- •• _ J (' . /, ( RESQLUÇÃO N° 201-00.168, .) i, ' . 11 de'julho de 2001 , ; DISBEMI[ ~ DISTRIBUIDORA DEBEBIDAS~MILAGRES LTDA. . DRÍ em Salvador - BA ..' . ." .~. . J' o '10530~000544/99~22o 201-00.168 . ~ . , 116.522 I ,/ . ' .: ,"' ','\ '. ,I • '! '. Sálada~ s~ssões, em 11 de.julhq'de 2001 SEGUNDO CONS~LHO DECONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA, . O:'_~F"'~'.:' -.~ .. . Jorge Freir~,'-: .. <p~:de~teJM ,Rogeno,Gustavo ~er " . Relator I o, " . ' .1 .• ..•.. . RESQL VEM osM~mbrosda .Primeira' Câmara do' Segundo C~mselho,de. Contribuintes, por' unanimidade de votos, 'c~R\;erter'o julgame~to .do' recurso ell\ ,diligência~ nos termosi'do voto dó Relator. ~. I' . o • ' Vistos" relatados e discutidos os ptésentesautos dê ~ecu~sointerposto por: DISBEMIL- DISTRIBUIDÚRA DE ,BEBIDAS MILf.\GRES .LTDA. , \ , Ia%vrs oI Processo. : o Resolução : . Rec.urso ... 'I Sessão • o Recorrente:, .Recorrida: 2 É o relatório. Mais uma vez irresignada, a requerente vem ao Colegiado' pará contestar os fundamentos das decisões e pedir o deferimento de seu pleito. DISBEMIL - DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MILAGRES LTDA 10530.000544/99-22 201-00.168 116.522 . RELATÓRIO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINIsrtRIO DA FAZENDA . .A contribuinte requer a restituição dos valores pagos, a maior, a título dê FINSOCIAL, fulcrado na inconstitucionalidade declarada das majorações' das alíquotas acima' de '.0,5 % (meio por cento), relativa aos recolhimentos ocorridos entre outubro de 1989 e . dezembro de 1991. O pedido foi indeferido sob os auspícios da decadência do direito. •. .:, .... ~ , . ;.: .- -:- . " : .~ ", . . ~ Processo : Resolução: RecurSo. : . Recorrente : Irresignada, 'socorre-se da manifestação de inconformjdade para requerer a . providência perante a Delegacia de Julgamentos competente. Informa, em sua manifestação, que tena ingressado com pedido de restituição da Contribuição gara o FINSOCIAL perante a Justiça Federal, obtendo daí sentença parcialmente favorável. Alega a inocorrência da decadência e reitera o seu direito à compensação. O julgador, ora recorrido, mantém a.decisão da DR;F em Feira de Santana - BA, alegando que a concorrência entre processo judicial e' . administrativo acarreta na ,desistência deste, quando ambos versam sobre a mesma matéria. 3 É como voto . Aliás, o motivo do indeferimento da pretensão pela autoridade. administrativa julgadora a quo, foi,exatamente, a concomitância das iniciativas. Não encontro nos autos o cumprimento dos termos do indigitado diploma, , . . VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ROGERIO GUSTAVO DREYER 10530.000544/99-22 201-00.168 116.522 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : Resolução: Recurso . Swa das Ses;õe~ em~JJulho d~ 2000 ROGÉIUOGUSTAVODf::: .~f?'\ \ ,~, Discordo de planO' com a decisão, visto que a legislação propna, com destaque para a IN SRF nO21/97, alterada pela IN SRF n° 73/97, admite a satisfação administrativa da pretensão, mediante o cumprimento de determinados requisitos contidos em seu artigo 17. ' , Verifica-se, em análise acurada dos autos, que a Recorrente interpôs ação judicial para pleitear o direito que pretende ver implementado administrativamente. legal. '. Frente ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que o contribuinte cumpra o que se exige no artigo 17da IN SRF n° 21/97, , cóm as alterações contidas na. IN SRF n° 73/97, após o devido trânsito em julgado do processo judicial, retornando, posterionÍlente, o presente feito para o julgamento pelo Colegiado. ' I I' 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901092/2013-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 92 /2 01 3- 49 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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